Há uma rede para salvar os jovens que as malhas da escola deixam cair

Outubro 31, 2015 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de outubro de 2015.

Nélson garrido

Graça Barbosa Ribeiro

Nascido no Porto, o Arco Maior não é uma escola, mas procura ser um local onde se aprende que é possível recomeçar. A diferença, diz quem agarrou a oportunidade de voltar a estudar, é que ali as pessoas importam-se. “Importam-se mesmo.”

Fábio Daniel chumbou no 5.º ano. Uma, duas vezes. Ainda fez 6.º, mas acabou por desistir, quando tinha uns 12, 13 anos. Agora, com 24, fala como se o período que decorreu entre o início e o fim da adolescência, que viveu num dos bairros sociais do Porto, não existisse. O que é que fizeste quando saíste da escola? A resposta é breve: “Nada”. Quer falar do que aconteceu depois de aos 22 ter entrado no Arco Maior, o projecto que salva as crianças que caíram por entre as malhas da escola. Foi por causa dele que voltou a estudar e que começou “a encarar a vida destemidamente”.

O Arco Maior não é uma escola. E também não é uma alternativa às escolas já existentes. É provável que nesta sexta-feira o coordenador daquele projecto e especialista em Educação da Universidade Católica do Porto, Joaquim Azevedo, insista nesta ideia.

Terá oportunidade de intervir, durante a cerimónia de formalização do apoio financeiro de Alexandre Soares dos Santos, do Grupo Jerónimo Martins, ao projecto lançado em 2013. E tem feito sempre questão de que isto fique claro: o Arco Maior aparece quando tudo o resto falha, quando a exclusão definitiva das crianças e dos jovens está a um passo, quando “eles já abandonaram a escola e foram abandonados por ela”.

Nasceu no Porto, onde  há centenas de jovens em situação de abandono escolar sinalizados pelas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, mas podia ter nascido noutra cidade em que eles também existem. É “um local e um tempo que oferece a quem já caiu por entre malha de todas as escolas e centros de formação da cidade o tempo e a oportunidade de se reencontrar e recomeçar”, descreveu Joaquim Azevedo no relatório sobre o primeiro ano de actividade do Arco Maior.

Já tinha havido vários arranques em falso, quando o projecto se iniciou, em 2013, envolvendo, para além da Universidade Católica do Porto, a Santa Casa da Misericórdia, que ofereceu as instalações; o Ministério da Educação e Ciência (MEC), que cedeu os professores; o Instituto de Emprego e Formação Profissional, que pagou aos formadores; e vários mecenas que asseguraram o pagamento de equipamentos e despesas de funcionamento.

A ideia inicial era que abrangesse jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, em situação de abandono escolar efectivo. Mas estes só chegarão neste ano lectivo.  Naquele primeiro ano, o MEC determinou que deveriam ser acolhidas apenas pessoas com 18 anos ou mais. E foi com base nessa regra que, com a ajuda das Comisssões de Protecção de Jovens em Risco e instituições de apoio social, foram seleccionados e convidados a participar no projecto socioeducativo 20 rapazes e raparigas. Em comum, para além de terem abandonado a escola sem completar o 9.º ou mesmo o 6.º ano de escolaridade, tinham o facto de fazerem parte das 24% de pessoas da cidade do Porto que vivem em bairros sociais e “ilhas”, espaços que concentram fenómenos de violência quotidiana, tráfico de droga e pobreza, como os caracteriza Joaquim Azevedo.

Na casa do Arco Maior, aqueles 20 jovens, entre os quais Fábio, comprometeram-se a fazer um percurso de formação de 30 horas por semana, ao longo do equivalente a um ano lectivo, recebendo, caso tivessem sucesso, a respectiva certificação escolar. As áreas nucleares da formação seriam Linguagem e Comunicação, Matemática para a Vida, Inglês, Cidadania e Empregabilidade, complementadas com as práticas oficinais de Restauro, Restauração e Cozinha, Artes e Ofícios e Tecnologias de Informação e Multimédia. O objectivo era ensiná-los, sim, mas promover, também, a sua autonomia e a inserção social.

No final do ano lectivo, havia apenas três baixas: “um desistiu, um foi para o estrangeiro e outro foi detido”, pode ler-se no relatório. Dos restantes, dez transitaram e continuaram em formação no ano seguinte; e sete atingiram os objectivos definidos para aquele período: três obtendo a certificação do 6.º ano e inscrevendo-se para o passo seguinte; e quatro concluindo o 9.º ano.

Os dados relativos ao ano lectivo 2014/2015 (em que a equipa do Arco Maior trabalhou com 29 jovens) também deixam adivinhar casos de sucesso e de insucesso. Nos estudos, mas não só: uma pessoa abandonou o projecto depois de um furto naquela casa, outra viu suspensa a frequência no Arco Maior pelo tribunal, depois de ter praticado actos de violência sobre uma companheira que participava no projecto e com quem namorava.

“O Arco Maior não é uma varinha mágica que muda bairros, famílias, situações de pobreza e de exclusão”, escreveu Joaquim Azevedo no relatório que enviou para o MEC, em 2014. Alguns dos jovens que passaram pelo projecto, no entanto, falam como se fosse.

“Mudou a minha vida”, dizia, esta semana, Bruno Filipe, de 20 anos, a horas de iniciar uma semana de estágio do Curso de Cozinha e Pastelaria no Hotel da Música, no Porto. Bruno, que tem como colega no novo curso outro ex-formando do Arco Maior, refere-se à maneira como os professores ensinam e à sua “imensa paciência”, mas, principalmente, ao facto de ali ninguém ter “desistido” dele.

“Por exemplo, no Arco eu também faltei, como fazia na escola normal. Tinha arranjado uma namorada e estava a ser difícil conciliar as coisas. Mas eles não desistiram de mim. Procuraram-me, fizeram-me voltar, conversaram comigo, importaram-se, importaram-se mesmo. Acreditaram que eu podia ser alguém”, resume. Agora, explica, também ele acredita nele próprio. E apesar de às vezes ser assaltado por dúvidas – “Três anos é muito tempo e na nova escola também já faltei…” – acredita que em 2018 terá a equivalência ao 12.º ano e uma habilitação profissional.

Bruno inaugurou o projecto, à semelhança de Fábio, que completou o 9.º ano em Abril e está a aguardar vaga num curso de Turismo “para começar mais uma jornada, desta vez até ao 12.º ano”. Também este fala da “importância” do Arco e dos professores na sua vida. “Quando uma pessoa se sente sem força e sem vontade, se alguém acreditar e depositar toda a sua fé nessa pessoa, ganha-se uma confiança e uma auto-estima muito forte, e isso era coisa que eu não tinha em mim antes do Arco Maior”, explicou, numa conversa através do Facebook.

Como Bruno, refere-se às faltas às aulas e ao facto de os professores os procurarem. Por o fazerem e pela maneira como o fazem: “Reparamos na sinceridade deles, porque isso dá para ouvir na voz deles e também se lê nas mensagens deles”.

Sim, não é teatro, explica nesta quinta-feira Isabel Lagarto, uma das professoras coordenadoras do projecto, enquanto aguarda na fila para comprar o passe de transportes públicos para “os meninos”, na companhia de duas jovens do Arco Maior que, a seguir, há-de de acompanhar ao médico. Não sabe quando acabará o dia: “Aqui não temos outra hipótese senão envolvermo-nos profundamente. Ou era assim ou não servia de nada estarmos aqui”, comenta.

Este ano, o Arco Maior acolhe, pela primeira vez, crianças mais novas e talvez seja diferente, diz Isabel Lagarto. Mas, pelo menos com os mais velhos, não costuma haver excepções: “Chegam-nos muito castigados pela vida, muito desgastados, não esperam compreensão nem carinho. Normalmente, há um momento em que nos querem contar as suas vidas, as coisas menos boas que fizeram. E é nessa ocasião que eu aproveito para lhes dizer: “Para mim, o teu passado não existe, estamos a partir do zero. De bom e de mau, só me interessa o que fizeres a partir daqui”. Também lhes diz que não agradeçam. Fá-los crer – e é verdade, assegura – que vê-los felizes é a única coisa que lhe importa.

O sentimento de protecção ali é tão forte, conta Joaquim Azevedo, que alguns dos jovens fazem por retardar a saída faltando a algumas aulas, demorando, de propósito, a atingir os objectivos. Isso, apesar de os professores que fazem parte do projecto se desdobrarem para os apoiar e encaminhar nos passos seguintes (a procura de emprego, para uns, ou a continuação dos estudos, para outros).

Fábio diz que não é o caso dele, que é verdade que dantes “não tinha auto-estima”, mas que agora já não tem medo. Escolheu o curso de Turismo porque é dos que têm mais saída no mercado de trabalho, explica, e está ansioso por começar: “O Arco deu-me a chance de encarar a vida destemidamente, vou agarrar este novo desafio com unhas e dentes”. Diz que o faz pelos pais. E também por ele.

 

 

 

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O que foi o Holocausto? Uma abordagem transdisciplinar – ciclo de conferências

Outubro 31, 2015 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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holocausto

Ciclo de Conferências “O QUE FOI O HOLOCAUSTO? UMA ABORDAGEM TRANSDISCIPLINAR “.

Este Ciclo foi acreditado pelo CCPFC para efeitos de Progressão da Carreia Docente com 32 horas (1,3 créditos), sendo destinado a Educadores de Infância, Professores dos Ensinos Básicos e Secundário e Docentes de Educação Especial

Local e datas de realização: Auditório da Escola Sede do Centro de Formação de Escolas António Sérgio, E. S. D. Dinis, Lisboa, nos dias 7 e 21de nov., 5 de dez., 9, 23 de jan, 13 fev., 27 fev. e 12 março – das 8:30 ás 13:00.

A entrada é gratuita, mas sujeita a inscrição e à lotação da sala.

Inscreva-se neste link https://goo.gl/UXVCxs

Consulte o Programa Provisório aqui http://goo.gl/Wu9Pyg

Siga-nos no facebook https://goo.gl/6inlf0

Para mais informações consulte o site do Centro de Formação de Escolas António Sérgio em http://www.cfantoniosergio.edu.pt/

 

 

Workshop: BRINCAR O MUNDO – Sistema Ludodiagnóstico

Outubro 31, 2015 às 2:47 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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brincar

mais informações:

http://www.oficinadidactica.pt/dynamic_page_formacao2.php?id=1029

 

Mais de 320 crianças foram raptadas por um dos pais desde 2010

Outubro 31, 2015 às 2:10 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 27 de outubro de 2015.

Daniel Rocha

Só este ano, até 30 de Setembro, houve 46 casos de raptos parentais Daniel Rocha

Ana Dias Cordeiro

França, Reino Unido e Brasil são principais destinos de crianças raptadas por um dos pais. O tema foi discutido esta segunda-feira numa conferência em Lisboa.

Um pai que fique bruscamente impedido de estar com o filho porque este foi levado pela mãe para um outro país pode fazer um pedido para o regresso da criança; na situação inversa, uma mãe que subitamente seja surpreendida com o rapto do filho, pelo pai, fará o mesmo, desencadeando um processo, primeiro nas autoridades centrais, e depois no tribunal, que conduz a um protocolo de cooperação judicial entre os dois países envolvidos para permitir o regresso do filho. Este protocolo para permitir o regresso imediato da criança está previsto na Convenção de Haia, de 1980, que esta segunda-feira esteve em discussão em Lisboa. Mas esse processo pode demorar entre poucas semanas a vários meses.

Entre 2010 e Setembro de 2015, passaram pelas autoridades centrais em Portugal 326 pedidos para o regresso a Portugal de filhos raptados para o estrangeiro pelo pai ou pela mãe. Nos últimos seis anos, houve mais de 50 situações por ano, em média. Ou seja: mais  de um rapto por semana, de acordo com os dados da Direcção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) – a autoridade central designada pelo Governo como entidade competente para avançar com os procedimentos e a cooperação judicial com vista ao regresso da criança, prevista na Convenção de Haia.

Em mais de 58% dos casos em que Portugal interveio, as crianças foram levadas para Estados da União Europeia (UE), sendo a França e o Reino Unidos os países de destino mais frequentes com mais de metade dos casos. Alemanha, Espanha e Bélgica também estão representados com 8% dos casos cada, havendo no conjunto, mas menos representados, de outros Estados  como Itália, Polónia, Holanda e Luxemburgo.

A convenção foi subscrita por 93 países, incluindo Portugal e Brasil, o país fora da União Europeia para onde seguem mais pedidos de pais portugueses para o regresso dos seus filhos levados pelo outro progenitor. Mas nenhum outro país da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa o fez, foi realçado na Conferência Luso-Africana sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças, que decorreu no novo edifício da sede da Polícia Judiciária nesta segunda-feira.

Ainda de acordo com os dados oficiais das autoridades centrais, as crianças foram raptadas para países fora da UE em 42% das situações detectadas. E neste universo, o Brasil foi o país para onde foram levadas as crianças em mais de metade das situações (57%). Na Suíça foram registados 17% dos casos registados entre os países fora da UE.

Cada caso é um caso, e será difícil generalizar, disse ao PÚBLICO Sandra Inês Feitor, jurista e investigadora, mestre em Direito com uma tese em alienação parental, que, por isso, não avança uma estimativa para um prazo em que a maioria das situações se resolve. Podem ser semanas, se for encontrada uma solução amigável entre os pais. Mas o mais comum é estes processos demorarem meses a serem resolvidos, acrescentou a investigadora.

“Na maior parte dos casos, a família sabe onde a criança está. Outras vezes, tem uma ideia de onde é provável a criança estar”, disse João Cóias. “Mas também há situações em que a pessoa que desencadeia o processo não tem a mínima ideia onde a criança pode estar.” Estas situações extremas podem não ser resolvidos em meses, mas sim em anos.

O número de pedidos feitos em Portugal para regressos atingiu o pico em 2012, ano em que as autoridades portuguesas registaram 71. Desde então, os números mantiveram-se acima dos registados em 2010, quando tinha havido 35 situações, e em 2011, quando se registaram 53 casos.

Em 2013, foram 66 pedidos e em 2014 foram 55. A estimativa será para 2015 terminar com 61 casos. Até 30 de Setembro, tinha havido 46 casos. “Considerando que no último trimestre de cada ano surgem geralmente mais pedidos de regresso, é expectável que se chegue a um valor semelhante ao ano de 2013”, quando houve 66 casos, disse João de Oliveira Cóias, técnico superior da DGRSP, que apresentou as estatísticas mais recentes disponíveis.

Uma explicação possível para uma “maior frequência de casos”, diz Sandra Feitor, será “a fiscalização insipida nas fronteiras”. A criança pode sair do país com um dos progenitores com uma autorização escrita do outro, mas essa declaração nem sempre é solicitada à saída de Portugal, diz a investigadora. “Não tem sido feita uma boa fiscalização nas fronteiras”, afirmou ao PÚBLICO depois da sua intervenção na conferência.

O evento juntou juízes, académicos, advogados, psicólogos, no novo edifício da sede da Polícia Judiciária em Lisboa, e teve na sua abertura o presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro, para quem uma das formas de zelar pelo superior interesse da criança será “optar pela interpretação da lei que for mais favorável à criança”. Em resposta a uma pergunta da assistência, acrescentou: “Considerando todas as circunstâncias deve dar-se prioridade ao interesse da criança.”

Sandra Feitor enfatizou a realidade, porém, mostra que é frequente o incumprimento de acordos de regulação parental “relegando as necessidades da criança para segundo plano”.

“A questão do rapto parental é uma prática que tem sido constante em sede de conflito parental” e constitui “uma violação dos direitos fundamentais da criança, enquanto factor de ruptura abrupta com os elos de ligação familiar”, afirmou a investigadora.

 

 

 

 

 

Acolhimento de emergência de crianças em risco – Formação no ISPA

Outubro 31, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ispa

Destinatários 

Psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, animadores sócio-culturais, médicos e enfermeiros

Objectivos

Melhorar o conhecimento sobre a vivência emocional da criança acolhida Aprofundar as metodologias de observação da interacção criança-pais Desenvolver as competências sobre trabalho terapêutico em acolhimento institucional

Competências 

Compreender a experiência da criança acolhida. Usar metodologias de observação da interacção criança-pais.

Calendarização

Quinta, Novembro 12, 2015 – 18:30 – 21:30

Quinta, Novembro 19, 2015 – 18:30 – 21:30

Quinta, Novembro 26, 2015 – 18:30 – 21:30

Quinta, Dezembro 3, 2015 – 18:30 – 21:30

Quinta, Dezembro 10, 2015 – 18:30 – 21:30

Quinta, Dezembro 17, 2015 – 18:30 – 21:30

mais informações:

http://fa.ispa.pt/formacao/acolhimento-de-emergencia-de-criancas-em-risco

 

Escolaridade dos pais ainda é determinante no percurso dos filhos

Outubro 31, 2015 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de outubro de 29015.

adriano miranda

 

Romana Borja-Santos

Estudo acompanhou jovens nascidos na década de 1990 e entrevistou-os em vários momentos. Percurso escolar ainda é muito influenciado pelos anos de escolaridade que os próprios pais conseguiram e pelo rendimento das famílias.

É jovem, tem 21 anos e 15 ou mais anos de escolaridade. Quem serão os seus pais? A pergunta, aparentemente, pode não fazer sentido. Mas a resposta mais comum, encontrada por um estudo que será apresentado nesta sexta-feira, ainda aponta para que este rapaz ou rapariga seja filho de um casal com um nível de escolaridade idêntico. Caso os pais tenham menos habilitações, então o mais provável é que este jovem tenha conseguido contrariar esse determinante social com mais leitura, estudo e desporto durante a adolescência. É também mais verosímil que seja uma rapariga.

“A classe social de origem e a educação dos pais ainda têm muito peso no percurso escolar dos filhos. A origem social ainda pesa muito, apesar de os filhos com ensino superior terem triplicado em relação aos pais que tinham chegado a esse nível”, resume ao PÚBLICO a socióloga Anália Torres, coordenadora do estudo Reproduzir ou Contrariar o Destino Social?. O trabalho será apresentado nesta sexta-feira na Fundação Champalimaud, em Lisboa, e faz parte do projecto Epiteen24 (Epidemiological Health Investigation of Teenagers in Porto).

A investigação da também professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa contou com uma amostra de 2942 pessoas nascidas na década de 1900 e que em 2003/2004 frequentavam as escolas públicas e privadas do Porto. O grupo tem sido acompanhado e inquirido aos 13 anos, 17, 21 e agora 24 anos, com os investigadores a publicarem vários trabalhos ao longo deste período. Os dados recolhidos aos 21 anos já estão totalmente fechados e a equipa está a trabalhar os resultados obtidos aos 24 anos.

As conclusões do estudo antecipado ao PÚBLICO apontam, de forma clara, para que “uma parte substancial das diferenças no desempenho educacional está associada à escolaridade dos pais, o que sugere a continuidade de mecanismos de desigualdade de oportunidades num quadro geral de democratização da educação”. Anália Torres destaca que, independentemente da escolaridade, os rendimentos do agregado familiar também pesam, com as famílias com menos habilitações mas com mais orçamento a conseguirem levar os filhos mais longe na escola.

A propósito do peso dos pais nas diferenças encontradas, a investigadora exemplifica que a taxa de chumbos alcançou os 78% entre os jovens com menos anos de escolaridade e filhos de pessoas com menos habilitações. Entre os jovens com pelo menos 15 anos de escolaridade e filhos de pais com os mesmos anos de estudos a taxa de reprovação em algum momento do percurso escolar ficou-se pelos 1,6%. De destacar que nos inquiridos que conseguiram ultrapassar os pais com menos habilitações a taxa de chumbos cai para 12,9%.

Apesar disso, Anália Torres ressalva que há situações positivas e tendências que contrariam esta realidade maioritária. “Há casos que mostram que há também hipótese de as pessoas, através da educação, poderem melhorar a sua situação. É muito mais fácil para os que têm pais com escolaridade elevada chegarem eles próprios a uma escolaridade elevada, mas a escola também pode correr bem aos jovens com pais com escolaridade mais baixa, desde que se foquem”, diz.

A investigadora dá como exemplo que os jovens que aos 13 anos tinham hábitos de leitura, de estudo e de desporto chegaram mais longe nos estudos, independentemente do percurso dos pais. “É como se o esforço da leitura, do estudo e do desporto acabasse por poder compensar o nível de educação”, afirma. Paradoxalmente, estes adolescentes viam tanta televisão e jogavam tanto computador como os que obtiveram piores resultados.

A socióloga adianta que nas entrevistas que fizeram agora aos jovens com 24 anos que estão a tentar perceber em que medida é que foram os próprios alunos a fazer este esforço ou os pais a incentivar – tentando distinguir, por exemplo, os casos em que pais e filhos estudavam juntos. Porém, avança que os resultados preliminares apontam para que a crise tenha “acentuado algumas diferenças”, com mais jovens a deixarem os estudos não por insucesso mas por “necessidade de trabalharem devido a situações de desemprego dos pais”.

Outra tendência interessante identificada está nas diferenças entre rapazes e raparigas. “No grupo de jovens com pais pouco escolarizados são as raparigas que atingem maior nível de escolaridade”, representando dois terços do total. Também “no grupo de jovens cujos pais têm licenciatura ou mais, são os rapazes que encontram maior dificuldade em atingir o mesmo nível de escolaridade”, acrescenta-se. Mas Anália Torres ressalva que na chegada ao mercado de trabalho a realidade inverte-se. “No mercado de trabalho parece que as vantagens das raparigas desaparecem. Estão mais desempregadas e com trabalho a tempo parcial. É como se pudessem vir a ser mães e isso as prejudicasse, o que é uma contradição em relação ao mérito”, lamenta a socióloga.

A este propósito, sublinha que encontraram algumas explicações numa parte em que avaliaram o chamado capital social dos jovens e em que se percebe que as redes de apoio dos rapazes são mais públicas e as das raparigas mais familiares. “Uma das interrogações que fizemos foi ‘onde é que os rapazes compensam se elas estudam mais e se apresentam mais cedo no mercado de trabalho e com mais habilitações?’”, explica, concluindo que “uma das coisas que é muito interessante verificar é que eles fazem o que se chama de mais bridging, ou seja, através do desporto e de redes de conhecimento mais públicas mobilizam contactos de emprego e compensam as falhas em termos de estudo”.

 

 

10 razões pelas quais provavelmente és melhor mãe do que aquilo que pensas

Outubro 30, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://maegazine.com de 9 de outubro de 2015.

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Tradução de um artigo originalmente publicado pelo Doutor Justin Coulson, psicólogo australiano doutorado nestas questões de educação parental (e meu mentor).

A culpa que sentimos como mães e pais está em alta. As redes sociais, as parangonas de jornais e os incontáveis artigos em blogues a apontar os nossos erros deixam-nos desanimados, desmotivados e a sentirmo-nos um falhanço.

Mas quando falo com pais pelo país fora, fico cheio de optimismo.

Claro que podemos sempre encontrar formas de nos melhorarmos. Mas isso é a vida! Se olharmos bem para as coisas, podemos encontrar formas de melhorar tudo: o que comemos, o exercício físico, a nossa condução, a jardinagem, tudo!

Nas minhas sessões de trabalho sobre educação parental em empresas, escolas, grupos comunitários ou em sessões individuais de coaching parental, estou a ver bons pais que estão a fazer bem melhor do que a percepção que têm de si mesmos, e que estão a criar crianças que os vão deixar muito orgulhosos. Mas também vejo muitos pais preocupados, stressados e a ficar ansiosos sobre se estão ou não a fazer um bom trabalho como pais.

Aqui estão 10 razões (+1) pelas quais provavelmente estarás a fazer um melhor trabalho como mãe, ou pai, do que aquele que pensas:

Ouves quando o teu filho quer a tua atenção

Esta deve ser a coisa mais importante que podemos fazer para sermos bons pais. A nossa disposição para reconhecer os nossos filhos, ouvi-los e mostrar-lhes que são dignos da nossa atenção é crucial para o desenvolvimento da sua resiliência.

Mostras que te preocupas

Nós mostramos que nos preocupamos ao dar-lhes abraços, dizendo-lhes que são importantes para a nossa vida, dando atenção às suas (muitas vezes bem chatas) histórias e estando lá para eles.

Tu defines limites

Enquanto a maior parte de nós pode melhorar a forma como estabelece limites, a maioria dos pais que encontro estão a fazer um esforço significativo para estabelecer limites para os seus filhos. Se demasiadas regras conduzem a demasiados problemas, as pesquisas demonstram que as crianças desenvolvem-se e sentem-se seguras quando sabem o que podem, ou não, fazer.

Manifestas interesse pelos seus amigos

Os nossos filhos sentem-se validados quando vêem que nos interessamos pelos seus relacionamentos. Se conheces de cor o nome dos seus melhores amigos (e talvez ainda os dos seus pais), provavelmente estarás a fazer um bom trabalho.

Mostras interesse pelo seu percurso escolar

As crianças são melhores alunas quando os seus pais se investem no seu sucesso escolar (desde que não exagerem e não se tornem demasiado controladores). Isto é especialmente válido no secundário.

Proporcionas-lhes seja qual for a actividade extra-curricular que podes oferecer

Será que as crianças precisam de actividades extra curriculares para se desenvolverem? Não, não precisam. No entanto a maior parte dos pais com que me cruzo reconhece que o desporto, música, teatro, ciência, igreja ou qualquer outra actividade extra curricular na qual os seus filhos podem participar tem potencial para enriquecer as suas vidas, melhorar a sua performance escolar, dar-lhes oportunidades de crescimento e ajuda a expandir o seu círculo social. E a maior parte dos pais que encontro estão a esforçar-se para oferecer estas oportunidades aos seus filhos – porque os amam e porque dão o seu melhor por eles.

Consolas os teus filhos quando estão perturbados

Ainda que haja alguns pais que ficam irritados ou dão uma sacudidela aos seus filhos quando estes estão perturbados, a maioria dos pais estão disponíveis para abraçar os seus filhos, mostrar compaixão e compreensão quando eles estão emocionais, a lutar (internamente) ou stressados.

Lês para eles

As vantagens desta única actividade são numerosas. A maioria dos pais com quem falo saboreiam a ocasião de ler para os seus filhos (sobretudo os mais pequenos) tão regularmente quanto são capazes.

Passas tempo extra com eles só porque te apetece fazê-lo

Pode ser depois da escola ou antes de dormir, quando ambos partilham a almofada. Talvez seja numa passeata de bicicleta domingo de manhã ou num passeio pelo parque. Gostas de estar com os teus filhos e procuras um tempo extra para estar com eles porque os amas.

Pedes desculpa

Quando fazes asneira, fazes o que podes para preservar e fortalecer a vossa relação.

Dizes-lhes regularmente que os amas e eles podem senti-lo

Se o teu filho sente o teu amor por ele e sabe que o mesmo é sincero e incondicional, está a experienciar um dos factores protectores mais vitais para uma vida com resiliência que lhe podes oferecer.

Todos sabemos que podemos melhorar como pais, seja reduzindo a nossa pre-ocupação digital, falar de forma mais calma e gentil ou sendo menos punitivos. Mas se podes dizer “Sim, eu faço isto” à maior parte das coisas desta lista – e se os teus filhos concordarem contigo -, então há fortes possibilidades de que tudo corra bem com eles.

E em relação à educação que lhes estás a dar?

Provavelmente estás a fazer um melhor trabalho do que aquele que pensas 😉

ilustração de Geneviève Godbout

Educar os filhos é tramado e eu muitas vezes sinto-me uma nódoa de mãe… como escrevi aqui. Estou diariamente a lutar para ser melhor mãe (e pessoa em geral) – não é fácil! Para me ajudar neste (doloroso) processo criei este site com conteúdos sumarentos e onde os sentimentos de culpa não são alimentados. Xô, pressão, xô mitos que fazem de nós mães miseráveis. Viva o que nos pode ajudar a crescer. Se quiseres junta-te a esta pequena comunidade que se vai criando – por mail, através do Facebook ou Pinterest. Sugiro também que sigas o Doutor Justin Coulson, autor do texto de hoje. Até já

 

Jovens portugueses já bebem álcool como os nórdicos

Outubro 30, 2015 às 11:50 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 30 de outubro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Os Jovens, o Álcool e a Lei Consumos, atitudes e legislação

Gonçalo Villaverde Global Imagens

 

Joana Capucho

Festas académicas, dias da semana com preços reduzidos, publicidade e promoções potenciam o consumo desregrado

Litradas, happy hours, ladies nights, shots a metro, promoções. Os jovens portugueses têm vindo a adquirir padrões de consumo de álcool próximos dos nórdicos – grandes quantidades na mesma ocasião -, o que, segundo a Sociedade Portuguesa de Alcoologia, está relacionado com o facto de as bebidas serem baratas e o acesso fácil. Só durante o cortejo da latada da Covilhã, no dia 21, 65 estudantes receberam assistência pré-hospitalar e 12 foram transferidos para o hospital devido ao consumo excessivo de álcool, situação que nesta altura se repete por todo o país.

A preferência dos jovens portugueses recai sobretudo na cerveja e nas bebidas espirituosas. “E assiste-se à aquisição de modelos próximos dos nórdicos. Há um consumo intenso e cada vez mais frequente de bebidas destiladas, mais graduadas”, disse ao DN Augusto Pinto, presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, que debateu o tema nas suas 23.as jornadas, na Universidade da Beira Interior. Na opinião do hepatologista Fernando Ramalho, “há muito tempo que isto acontece. Há mais de uma década que os padrões de consumo são completamente diferentes”.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, a acessibilidade e o preço são as duas grandes explicações para o problema. “As festividades académicas, promovidas pelas cervejeiras, prologam-se cada vez mais dias e até às seis da manhã, os bares dirigem festas às mulheres e dedicam noites a bebidas destiladas. Também há litradas, bebidas vendidas a metro e outras promoções”, exemplifica o responsável. Nas festas académicas, realça, “o preço das bebidas alcoólicas, nomeadamente da cerveja, é francamente mais baixo do que o da água. E, apesar da crise, bebe-se mais porque o álcool é bastante económico”.

Em Portugal, um dos países com maior consumo de álcool per capita a nível mundial (10,8 litros), a situação pode até tornar-se mais grave do que nos países nórdicos. “Eles consomem preferencialmente ao fim de semana e com intensidade. Aqui, além do consumo tradicional, há o excessivo em alguns dias, nomeadamente nas quintas feiras académicas e ao fim de semana”, esclarece Augusto Pinto. Segundo Manuel Cardoso, vice-presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), assiste-se ao consumo de quatro ou cinco bebidas seguidas e “os jovens bebem com o objetivo pré-definido de ficarem alegres”.

Num estudo do SICAD feito em 2014 – “Os jovens, o álcool e a lei” -, só 17% dos 1500 jovens entrevistados nunca tinham tomado bebidas alcoólicas. A maioria (63%) começou a beber antes dos 16 anos, sobretudo entre os 13 e os 15, e 70% assumiram que tinham bebido álcool recentemente. Os consumos nocivos surgem, sobretudo, a partir dos 16 anos e, apesar de serem os que bebem mais e até ficarem “alegres”, os que têm entre 19 e 24 são os que menos se embriagam de “forma severa”.

Cirroses hepáticas mais cedo

Os consumos precoces têm conduzido ao aparecimento de doenças relacionadas com o álcool cada vez mais cedo. Segundo o presidente da SPA, “há mais cirroses em indivíduos cada vez mais novos”. Manuel Cardoso confirma e explica que se deve ao facto de os jovens “começarem a beber muito cedo e com padrões de consumo problemáticos”. Há alguns anos, os casos surgiam, sobretudo, entre os 40 e os 50 anos. “É arrepiante ver cirroses a aparecerem antes dos 30.”

Este fenómeno tem vindo a ser percecionado por Fernando Ramalho no serviço de hepatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. “A idade média para o aparecimento destas doenças tem vindo a diminuir.” Há zonas do país, destaca o hepatologista, onde “a partir dos 11 anos as crianças já bebem cerveja regularmente”.

Outro dado preocupante, diz Augusto Pinto, é o facto de o consumo de álcool entre as jovens do sexo feminino estar a aproximar-se do consumo entre os do sexo masculino. “Há cada vez menos diferença entre os consumos dos dois grupos e uma clara preferência destas jovens pelas bebidas destiladas”, frisa o presidente da SPA. Esta tendência ganha especial relevo, tendo em conta o facto de “a vulnerabilidade para as doenças hepáticas ser maior nas mulheres do que nos homens”.

Aos Alcoólicos Anónimos chegam cada vez mais jovens. “Há muitos que nos procuram e participam nos grupos, sobretudo maiores de 20 anos. Há um ou outro caso mais novo, mas são pontuais”, disse ao DN fonte da associação. Este crescimento na procura, sublinha, estará relacionado “com uma maior consciencialização de que precisam de ajuda”.

Para os especialistas ouvidos pelo DN, a alteração à lei do álcool foi importante, mas não chega. “É preciso educar e fiscalizar”, destaca Fernando Ramalho, lembrando que o álcool provoca 62 doenças, acidentes de trânsito, alterações de comportamento. “É o drama da sociedade portuguesa”, sublinha.

 

 

 

Como podem os pais ajudar no sucesso escolar dos seus filhos? Noite com os pais na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro

Outubro 30, 2015 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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À conversa com… Rui do Carmo – Novos Desafios na Proteção de Crianças e Jovens na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira (Gouveia)

Outubro 30, 2015 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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