Jovens usam bastante os media, mas faltam-lhes competências mediáticas

Novembro 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 14 de novembro de 2016.

Mais informações no estudo:

Níveis de literacia mediática: Estudo exploratório com jovens do 12º ano

educare

Andreia Lobo

Os jovens estão cada vez mais “conectados” aos media. Têm acesso à televisão, ao computador com Internet, ao telemóvel ou smartphone e estão “sempre” ou “muitas vezes” online. Mas são pouco críticos quanto à informação que lhes chega através dos media.

O mais recente estudo sobre literacia mediática, organizado pela Universidade do Minho, o Gabinete para os Meios de Comunicação Social e a Rede de Bibliotecas Escolares, pode preocupar pais e professores. “Há um conjunto de competências que os jovens precisam para o seu dia a dia que não estão desenvolvidas”, explica ao EDUCARE Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e uma das autoras do estudo. Chama-se “Competências de Literacia Mediática”, e vem ao encontro de uma diretiva da Comissão Europeia de 2012 que alerta os Estados-membros para a necessidade de avaliar os níveis de conhecimento dos media dos cidadãos.

Em Portugal, a avaliação foi feita entre jovens do 12.º ano, com idades entre os 17 e os 18 anos, a frequentarem o ensino público no ano letivo de 2013/2014. Participaram 679 estudantes, de 46 escolas em todo o território nacional. Os dados foram recolhidos através de um questionário aplicado online com perguntas sob a forma de exercícios destinados a simular a tomada de decisões, bem como a aplicação de saberes. O objetivo: identificar o acesso e os usos dos media pelos jovens, os seus conhecimentos sobre este campo, mas também as capacidades de análise, interpretação e produção mediática.

“Sempre” conectados  Seria de esperar, “os jovens inquiridos demostram ser um grupo conectado aos media”, lê-se no estudo, já que 99% têm acesso a televisão, 98% têm acesso a um computador com Internet, a telemóveis e a smartphones. Outras percentagens relativamente elevadas surgem no acesso a rádio (73%) e a consola de jogos (63%). Os números mostram uma geração que raramente está “offline”. Apenas 6% dizem usar o computador de secretária ou portátil, sem ligação à Internet. Ou seja, a esmagadora maioria acede com frequência e facilidade ao mundo virtual. E também usa bastante as redes sociais, sobretudo para se manter em contacto: 93% dos inquiridos dizem usar “sempre” ou “muitas vezes” a Internet, 75% dizem que usam as redes sociais para conversar com o amigos e família “sempre” ou “muitas vezes”.

Em casa abundam os equipamentos eletrónicos. Cada estudante tem em média acesso a três televisores e a dois aparelhos de rádio, a dois telemóveis, dois smartphones e dois portáteis com Internet. Relativamente aos serviços de televisão contratualizados pelas famílias, 83% dos inquiridos têm em casa canais pagos. Quanto à Internet, 92% tem acesso sem fios em casa.

Questionados sobre a frequência com que utilizam os media, recebem mais as respostas “sempre” ou “muitas vezes” o computador (90%), a Internet (83%), a televisão (77%) e o smartphone (63%). No extremo do uso, “raramente” ou “nunca” estão essencialmente os media tradicionais, como é o caso dos jornais (57%), das revistas (49%), da rádio (46%) e do cinema (41%). As consolas estão também em desuso, 56% dos inquiridos usam-nas raramente, ou simplesmente não usam.

Estes números trazem boas notícias. “Atendendo aos índices de acesso e de uso dos media, à agilidade e ao à-vontade com que parecem usar as tecnologias disponíveis e os softwares adjacentes, podemos inferir bons níveis de literacia funcional”, escrevem Sara Pereira, Manuel Pinto e Pedro Moura, autores do estudo.

No entanto, ter mais acesso às tecnologias ou fazer mais uso delas não é sinónimo de ter mais competências nesta matéria. Por essa razão, os jovens estão a falhar naquilo que os investigadores designam por “literacia crítica”. Dito de outro modo, os inquiridos não são capazes de fazer uma análise ou uma compreensão crítica do que veem e leem na Internet.

Mas vamos por partes. No inquérito online, os investigadores perguntaram aos alunos se estavam familiarizados com o conceito de “publirreportagem”, um texto publicitário, portanto pago por uma marca ou entidade, publicado em forma de uma reportagem nos órgãos de comunicação. A resposta foi das mais erradas entre os estudantes com melhores pontuações no questionário.

Muito difícil foi também conseguir identificar a fonte de uma notícia. Pelo contrário, os jovens conseguiram facilmente sugerir quais os meios a usar, por exemplo, para divulgar uma campanha para a associação de estudantes.

Menos conhecedores das práticas do jornalismo, mais atentos à publicidade. Haverá alguma explicação? “A familiaridade pode ser uma boa pista para ler estes resultados”, argumentam os investigadores, pois “no segundo caso há um contacto próximo com a situação apresentada”.

Reconhecer um artigo de opinião ou um motor de busca não foi problema. Pior foi o momento em que os estudantes tiveram de expor as razões para a escolha de determinadas fontes bibliográficas, em detrimento de outras: 85% dos jovens não apresentam nenhuma justificação válida.

“O envolvimento dos alunos na produção e participação através dos meios não revelou grande sofisticação ou recorrência”, lê-se no estudo. O que andam os inquiridos a fazer na Internet? Coisas simples. Por exemplo, 43% disseram aos investigadores terem partilhado ou recomendado uma marca numa rede social ou comentado uma notícia, no último ano.

Nas “lojas” virtuais surgem cada vez mais ferramentas para criar podcast e vídeos, mas apenas 8% e 19% dos jovens se dedicam a este tipo de produção. No entanto, relativamente à criação de vídeos, “a complexidade técnica da produção apurada não foi particularmente elevada”, escrevem os investigadores. Apenas 37 alunos conseguiram detalhar quatro ou mais momentos da produção.

“A Internet é sobretudo usada como meio de comunicação e de interação com os outros”, constatam os investigadores. Ouvir música, conversar com os amigos e ver videoclipes, são as atividades que 86% e 85% dos jovens realizam na Internet “sempre” ou “muitas vezes”. Com a mesma frequência, 83% dos inquiridos fazem pesquisas, 64% downloads, 52% enviam emails, 31% jogam online.

Centremo-nos agora na televisão e nos programas preferidos dos jovens. Os filmes e as séries são os géneros mais vistos, por 78% e 77% dos inquiridos. Em segundo lugar aparece a informação: 61% dos jovens referem assistir “sempre” ou “muitas vezes” a programas deste género. Do outro lado da escala, na categoria vejo “raramente” ou “nunca” surgem os programas de entretenimento, como os talk shows (54%) e os reality shows (51%). Os programas de sociedade ocupam o terceiro lugar entre os menos vistos (47%). As telenovelas são vistas com pouca frequência por 48% dos inquiridos, ainda assim, 33% dizem ver “sempre” ou “muitas vezes”. O consumo deste género de programas está muito ligado ao “hábito familiar”, nota Sara Pereira, admitindo que o abandono “talvez esteja relacionado com um maior desenvolvimento crítico de gostar deste tipo de programas”.

De modo geral, as raparigas veem mais séries e filmes, telenovelas, concursos, reality shows, programas de música, de sociedade e de moda e de culinária do que os rapazes. Já os rapazes veem mais programas de desporto, de História e ciência do que as raparigas. Quanto aos canais que veem com mais frequência, a FOX, um canal por cabo de séries, e a TVI, um canal generalista de sinal aberto, ocupam as duas primeiras posições, com 41% e 37% das audiências entre os inquiridos.

Os canais públicos RTP1 e RTP2 são opção para apenas 11% e 5% dos inquiridos. No que concerne à imprensa, nomeadamente à leitura de jornais, “sobressai de imediato o pouco interesse que este meio suscita nos jovens”, escrevem os autores do estudo. Os jornais desportivos são os mais lidos, com 19% dos inquiridos a responderem que os leem “sempre” ou “muitas vezes”. Apenas 4% dizem ler “sempre” e 10% “muitas vezes” jornais diários.

O panorama da leitura de revistas é ligeiramente melhor, embora não muito diferente: 23% dos inquiridos leem “sempre” ou “muitas vezes” revistas femininas, 22% preferem as de moda e 22% leem as de informação ou atualidade.

mas pouco literados

Há muitas definições para o conceito de “literacia mediática”, mas é precisamente o que o estudo pretende medir. A Comissão Europeia (CE), atenta ao modo como os cidadãos utilizam os ambientes digitais, define-a como “a capacidade de aceder aos media, de compreender e avaliar de modo crítico os diferentes aspetos dos media e dos seus conteúdos e de criar comunicação em diversos contextos.” O objetivo da literacia mediática “é aumentar os conhecimentos das pessoas acerca das muitas formas de mensagens dos media que encontram no seu dia a dia”, lê-se na “Recomendação sobre Literacia Mediática” publicada pela CE em 2009.

Para traçar a radiografia das competências mediáticas, os investigadores construíram uma escala de 0 a 100 pontos, em que se avaliavam a preparação e o conhecimento dos jovens ao nível do acesso, análise, compreensão, avaliação e produção de meios e conteúdos mediáticos. Assumindo a classificação de 49,50% como o patamar mínimo para a positiva, os investigadores dividiram os estudantes em três grupos: nível 1, os que ficaram abaixo da média; nível 2, os que pontuaram entre a média e a positiva; e nível 3, os que alcançaram valores positivos. Segundo a escala elaborada para avaliar os níveis de literacia mediática, 52% dos inquiridos situam-se no nível 1 (baixo), 43% no nível 2 (intermédio), e 5% no nível 3 (bom).

As conclusões foram pouco animadoras. A média de literacia mediática de todos os inquiridos não foi além dos 29,01 valores. “É um resultado que não é de todo satisfatório. Tivemos pouquíssimos alunos com média positiva”, lamenta Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Dos 32 alunos com níveis positivos de literacia mediática, seis estudavam na Escola Secundária do Marco de Canaveses. Dado curioso que a equipa de investigadores gostaria de compreender melhor: “Perceber se na escola existe algum projeto ou algum tipo de clube que esteja a fazer a diferença…”

Voltando aos fracos resultados gerais, Sara Pereira esclarece que “têm a ver com a questão muito discutida de que não basta o acesso”. Entenda-se: “Os jovens usam, no seu quotidiano, de uma forma regular e frequente vários meios, mas tal não significa que tenham competências de uso, análise, compreensão e produção, que são as dimensões da literacia mediática.” Na Internet, os alunos portugueses mostram-se também mais consumidores do que produtores. O cenário inverte-se, garante a investigadora, “mas é preciso passar do acesso, para o desenvolvimento das competências que a grande maioria demonstra não ter.”

 

Seminário “Crianças, jovens e adultos em reclusão: criminalização, institucionalização e direitos” 5 dezembro em Coimbra

Novembro 30, 2016 às 3:48 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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seminario

mais informações:

https://www.facebook.com/events/713823748776444/

Sessão de cinema dinamizada pelo IAC- Fórum Construir Juntos, 6 de dezembro em Coimbra

Novembro 30, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O IAC- Fórum Construir Juntos, em Coimbra, em parceria com a Associação Fila K, vai dinamizar, no dia 6 de dezembro próximo uma sessão de cinema que terá lugar no Conservatório de Música de Coimbra, pelas 21h40.

 O Filme que vai  ser apresentado tem por título “Vão-me buscar Alecrim”.

Sinopse: Lenny (Ronald Bronstein) é um nova-iorquino divorciado e pai de dois rapazes. Durante apenas duas semanas por ano, tem a guarda dos filhos Frey, de sete anos, e Sage, de nove. Apesar de todo o amor que lhes dedica, Lenny tem uma vida desregrada, não conseguindo assumir a responsabilidade que duas crianças exigem. Dessa forma, e apesar do seu esforço genuíno, essas semanas acabam por ser uma aventura no limiar da irresponsabilidade, entre o riso e a inquietação.

 

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O Outro Lado dos Sons – espetáculo para Bebés de 3 a 18 de dezembro em Cascais

Novembro 30, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/companhia.palco13/

Entrevista a Eduardo Sá: “As mães têm sete sentidos”

Novembro 29, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://activa.sapo.pt/ a Eduardo Sá no dia 11 de novembro de 2016.

O psicólogo tem um livro novo – “Querida Mãe” (Ed. Lua de Papel) – que, apesar da doçura do título, apela aos pais – e mães – para que assumam o seu papel. Diz que as crianças não são tão complexas que mereçam programas educativos e que não devemos viver para os filhos. Defende a brincadeira, a alegria, e o esforço. E também diz que o melhor do mundo continuam a ser… as mães.

Catarina Fonseca

– Este título é muito doce, mas depois o livro é um apelo à assertividade dos pais. As crianças estão mesmo a tornar-se chefes de família?

Sim. Tenho medo que os pais tenham crescido em famílias e escolas demasiado autoritárias, e na ânsia de não reproduzirem esse modelo acabam por lidar com a autoridade de forma estranha, como um tabu. Às vezes esquecem-se que a autoridade é um exercício de bondade. Quando os pais não exercem a sua autoridade simplesmente porque sabem mais, na ânsia de serem bons pais, acabam por se demitir da paternidade. E depois esquecem-se que a autoridade funciona como uma caixa de velocidades: é preciso regras, rotinas, atitudes ancoradas em reciprocidade. Deve haver um conjunto de regras, e as crianças podem por vezes não as cumprir. Mas demitindo-se do seu papel, os pais depois encontram nos filhos uma cópia refinada dos seus próprios pais.

– Diz uma coisa tão triste: “Os pais parecem presos aos mimos que imaginem não ter tido – e parecem ter vivido a infância deles tão sozinhos…” Isto é mesmo verdade’

Claro que é. Os nossos pais nunca foram perfeitos, e não é por isso que são menos merecedores de crédito. Mas também é verdade que, em muitos momentos, os nossos pais não foram capazes de pôr legendas em tudo aquilo que era indispensável para nós.

– Nós somos hoje melhores pais do que os nossos pais?

Infinitamente. Não tem comparação possível. Somos mais atentos, somos mais presentes, e se por vezes não conseguimos fazer tudo aquilo que queiramos ou da maneira que queríamos, tentamos com muita vontade. Mas tenho medo que em muitos momentos haja uma ideia muito cor de rosa da infância, que muitas pessoas consideram o paraíso perdido que nunca foi. A infância de muitos pais foi mais infeliz do que eles gostariam de admitir, e é normal que queiram ‘remendar’ nos filhos essas falhas. Eu não questiono por um minuto a generosidade que isto representa, mas tenho medo que pareçam gelatina Royal, que queiram ser pais sem dor.

– E não é possível ser pai sem dor?

Não. Ser pai ou mãe implica responsabilidade, implica perplexidade, implica muito contraditório.

– Diz que as regras não se explicam, não se negoceiam e não se justificam. Porquê?

Porque os pais acham que são as demonstrações quase matemáticas de uma regra que a tornam válida, e isso não é verdade. O que torna uma regra válida é que os pais exijam em função daquilo que fazem, o que muitas vezes não acontece. As explicações não resolvem tudo, precisamos de mostrar como se faz, o que torna tudo mais fácil.

– Porque é que os pais devem ter mais direitos que os filhos?

Porque ser pai é um estatuto. E as responsabilidades vêm equiparadas com direitos: quanto maiores as responsabilidades, maiores os direitos. E portanto, as crianças não devem dominar o comando da televisão, não devem dominar o fim-de-semana com as suas actividades e ocasiões sociais. Mas acho que às vezes os pais se queixam muito mas estão a ser um bocado batoteiros, apresentando os filhos como desculpa daquilo que não são capazes de construir com a pessoa que têm ao lado. É importante lembrar que os filhos são muito importantes, ajudam-nos a crescer como mais ninguém, mas a relação entre os pais é sempre mais importante que os filhos. Os pais, por melhores pessoas que sejam, precisam de ser felizes para serem bons pais. E quando põem os filhos à frente de tudo o resto, é uma maneira hábil de dizer ‘Já que eu não sou amado pela pessoa que tenho ao lado, ao menos que o meu filho me ame’.

– Tentamos compensar com os filhos o amor que não temos em casal?

Às vezes sim. Mas essa não é a função de um filho. Mal estaríamos.

– Também fala no livro sobre ensinar as crianças a não ter medo das dificuldades. Diz que encontrar uma paixão dá muito trabalho. Como é que, num mundo em que tudo é facilitado, se faz a apologia da dificuldade?

Estamos sempre a fazer publicidade enganosa, porque a única coisa verdadeiramente fácil é a estupidez. Tudo o que é verdadeiramente importante dá imenso trabalho. E às vezes não nos damos conta de tudo o que trabalhamos para que alguma coisa pareça fácil. Portanto, andamos a mentir às crianças e depois isso cria problemas. Percebo que as queiramos poupar a dificuldades, mas se as pouparmos a todas as dificuldades, estamos a limitá-las para o engenho de viver, estamos a torná-las frágeis e débeis.

– E para terminar, o que é que faz uma boa mãe?

(risos) Costumo dizer que as mães têm 7 sentidos: os cinco habituais, o sexto que é equipamento de base e que faz com que elas sejam capazes de traduzir por palavras coisas de que nem sequer nos tínhamos apercebido, e depois têm um sétimo, que não é bem um sentido, mas é uma espécie de sensor com que descobrem tudo aquilo que não era suposto que descobrissem. Depois têm um lado esganiçado, que é uma ternura, e fazem-nos cenas fantásticas do tipo ‘Qualquer dia saio desta casa e depois é que vocês vão sentir a minha falta’. Uma mãe é feita de tudo isto. Esta capacidade de serem de uma generosidade à prova de bala. Quando nós percebemos aquilo que se passa numa mãe quando ela dorme exausta e de repente o bebé abre um olho e ela acorda, percebemos tudo. Aquilo que faz uma boa mãe é este sorriso absolutamente transparente que faz com que uma pessoa, diante disso, se sinta Deus com os olhos dela.

– Isso é demasiado poético para algumas mães que eu conheço, mas pronto, vamos aceitar.

(risos) Olhe que a grande maioria das mães são assim. No meio do cansaço, dos desafios, das dificuldades, dos contratempos, das exigências, acho absolutamente fantástico que consigam ser como são. Porque ser mãe não é fácil.

 

 

5 051 ocorrências criminais nas escolas no ano letivo de 2015/2016

Novembro 29, 2016 às 12:43 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.cmjornal.pt/ de 26 de novembro de 2016.

bruno-colaco

As forças de segurança registaram, em média, 500 ocorrências criminais por mês nas escolas durante o ano letivo 2015/2016, totalizando 5.051, números que registaram um ligeiro aumento nos estabelecimentos de ensino da área da PSP.

Dados enviados à agência Lusa pelo Ministério da Administração Interna (MAI), fornecidos pelas forças de segurança, indicam que a PSP registou 4.102 ocorrências criminais nas escolas durante o ano letivo 2015/2016, mais 172 do que no ano escolar anterior, quando se verificaram 3.930 participações.

Já no ano letivo 2014/2015 se tinha verificado um ligeiro aumento das ocorrências criminais, mais 42 do que no ano escolar 2013/2014.

Das 4.102 ocorrências registadas no último ano letivo, 2.849 ocorreram no interior das escolas e 1.253 no exterior dos estabelecimentos de ensino, segundo a PSP, que tem como área de atuação os grandes centros urbanos.

No último ano letivo, a PSP registou igualmente 1.350 denúncias por ofensas à integridade física e 1.045 por roubo, números semelhantes ao ano escolar 2014/2015.

Já o número de detenções feitas pela PSP nas escolas aumentaram 55 por cento no ano letivo que terminou em junho, tendo sido feitas um total de 90 detenções, enquanto no ano letivo 2014/2015 foram 58.

Das 90 detenções, 74 foram no interior dos estabelecimentos de ensino e 16 no exterior, num ano em que a PSP identificou ainda 4.751 pessoas nas escolas e registou 2.001 ocorrências não criminais, mais 183 do que no ano letivo de 2014/2015.

No âmbito da atividade da Polícia de Segurança Pública junto das escolas, foram ainda levadas ao hospital 277 pessoas no ano letivo 2015/2016, mais 35 do que no ano escolar anterior.

Já a Guarda Nacional Republicana registou 949 ocorrências criminais no ano letivo 2015/2016, tendo a maioria ocorrido no interior das escolas (796), enquanto no exterior dos estabelecimentos de ensino ou a caminho para casa verificaram-se 153 denúncias, segundo os dado enviados à Lusa.

A GNR destaca igualmente as 349 ocorrências por ofensas à integridade física, 167 por furtos e 141 por injúrias ocorridos nas escolas no último ano letivo, quando também se registaram 1.099 participações não criminais.

A GNR refere que tem registado, na sua área de intervenção, “uma diminuição das ocorrências criminais” em ambiente escolar entre 2010 e 2015, tendo as ofensas à integridade física passado das 332 denúncias para as 254, em cinco anos.

O mesmo acontece com o recurso a armas brancas e de fogo, tendo a GNR registado 38 ocorrências, em 2010, que diminuíram para 10, em 2015.

Aumento dos registos criminais nas escolas relacionado com violência no namoro

A PSP considera que o aumento dos registos criminais nas escolas está relacionado com a violência no namoro, que em 2015 aumentou quase oito por cento em relação ao ano anterior, registando um total de 1.680 participações.

Dados enviados à agência Lusa indicam que a PSP recebeu 1.680 queixas por violência no namoro em 2015, mais 130 do que em 2014, quando chegaram a esta força de segurança 1.550.

A PSP refere que a violência no namoro é a categoria criminal “responsável pelo aumento do total de registos criminais nos estabelecimentos de ensino”.

A violência no namoro acontece mais entre ex-namorados. Das 1.680 queixas que chegaram à PSP no ano passado, 963 foram feitas por ex-namorados e 717 por namorados.

Os casos de violência no namoro aumentam, ao mesmo tempo que a PSP realiza um maior número de ações de sensibilização nas escolas.

No último ano letivo, a Polícia de Segurança Pública realizou 447 ações de sensibilização sobre violência no namoro e doméstica junto dos alunos, mais 145 do que no ano letivo 2014/2015, número que também tinham aumentado mais do dobro no ano escolar anterior.

 

 

Há ginásios onde se treina o “músculo” da leitura

Novembro 29, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 11 de novembro de 2016.

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Clara Viana

Ter dificuldade em ler não significa que se seja disléxico. Há rótulos e desânimo a mais nas escolas portuguesas, alerta psicóloga.

Não pode ser! Foi desta forma que um grupo de alunos do 8.º ano reagiu quando foi confrontado com a informação de que a sua fluência em leitura estava abaixo daquilo que actualmente é exigido a estudantes que têm menos dois anos do que eles.

Segundo prescrito nas metas curriculares para o 6.º ano do ensino básico, um aluno deste nível de escolaridade deverá conseguir ler 150 palavras por minuto. Mas os alunos de quatro turmas do 8.º ano do Agrupamento de Escolas Braamcamp Freire (Odivelas), que foram avaliados pela psicóloga clínica Dulce Gonçalves, coordenadora do projecto Investigação de Dificuldades para a Evolução na Aprendizagem (IDEA), não iam além das 141. O recado que esta lhes transmitiu foi o seguinte: “Agora é onde estão, mas, se quiserem, podem evoluir.” De 74 alunos, 32 ofereceram-se como voluntários.

Foram divididos em quatro grupos com oito elementos cada. Tempo do treino: quatro sessões no total. “Nenhum desistiu”, conta Dulce Gonçalves, lembrando que no final deste projecto-piloto dos ginásios de leitura e escrita, é assim que se chamam estas oficinas no projecto IDEA, os alunos já estavam a conseguir ler mais oito palavras por minuto com textos que não conheciam antes e que iam até às 172 quando a leitura era treinada entre pares durante a sessão. “A única coisa de que se queixarem foi do tempo ser curto”, diz.

Esta será uma das experiências que vai ser relatada nesta sexta-feira à tarde no âmbito do III encontro IDEA, que decorrerá na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Na base deste projecto está a constatação de que na maior parte dos casos as chamadas dificuldades de aprendizagem “não são distúrbios, nem subsistem para sempre”. “Antes pelo contrário, são um desafio e, por isso, um óptimo instrumento de evolução na aprendizagem, como acontece com os atletas”, frisa Dulce Gonçalves. Daí o terem adoptado o nome de ginásios de leitura e escrita. E de, em jeito de piada, dizerem aos alunos que os frequentam que o objectivo, ali, é o de treinar o “músculo da leitura”.

Desânimo aprendido

Muitas das crianças e jovens observadas pelos psicólogos ligados ao projecto IDEA aparecem pela mão dos pais. “Querem saber se o filho tem dislexia ou não”, relata Dulce Gonçalves, acrescentando que mais do que procurar diagnósticos o desafio que se colocam é o de encontrar soluções. “Devemos conseguir pôr todas as crianças a evoluir a partir do nível em que estão”, defende, alertando que ter dificuldades na leitura não significa automaticamente que se é disléxico, como por vezes as escolas tendem a concluir.

Estes rótulos são perigosos, diz, porque podem levar a criança a desistir facilmente. “Há tantas que nos dizem logo à partida que não são capazes”, lamenta, para acrescentar: “Não podemos ter um sistema de ensino obrigatório que ensina o desânimo”. Mas os pais também contribuem para esta situação, quando a conversa com os filhos começa a girar invariavelmente à volta de perguntas como estas: “Mas porque é que tu és assim? Porque é que não aprendes?”.

Foi com este “desânimo aprendido” que a equipa do IDEA se confrontou mais uma vez nos novos ginásios que estão a desenvolver com alunos do 2.º ano de escolaridade. Aos sete anos, um em cada 10 alunos chumba neste nível, lembra Dulce Gonçalves. Um destino que poderia ser evitado se as dificuldades não fossem encaradas como um fatalidade, mas como um desafio.

Histórias e música

Desafio é também uma das palavras-chave da psicóloga Ana Lúcia e do professor de música João Antunes, também investigadores do projecto IDEA, que têm tentado demonstrar que na escola se deve também “aprender a ser e a estar em relação com outros”. Como? Através de histórias elaboradas por eles próprios e que podem demorar uma sessão ou prolongar-se por um ano inteiro, depende da idade dos destinatários, repletas de desafios para serem ultrapassados, e que são sempre acompanhadas por música, tocada por eles ou pelos seus pequenos aprendizes. Chamaram à experiência Musicar-Te.

No ano passado trabalharam com alunos de três e quatro anos. Actualmente estão numa creche. Mas dizem-se preparados para chegar a outras faixas etárias. Neste sábado, ainda no âmbito do encontro IDEA, vão estar a desafiar adultos com uma narrativa quem tem o seu centro no tempo ou antes na falta deste. É uma de várias oficinas nas quais se irão propor abordagens alternativas do acto de ensinar e de aprender.

 

 

 

 

Mitos sobre a perturbação de hiperactividade e défice de atenção

Novembro 29, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 22 de outubro de 2016.

daniel-rocha

Por Carolina Viana, Joana Horta e Ricardo Lopes

A perturbação de hiperactividade e défice de atenção (PHDA) é uma perturbação neurocomportamental, ou seja, tem uma base neurológica e manifesta-se em termos comportamentais, atingindo cerca de 5% da população em idade escolar. Caracteriza-se por uma dificuldade acentuada na manutenção da atenção, do autocontrolo ou impulsividade, na gestão da frustração e na capacidade de gestão das funções cerebrais que nos permitem atingir diferentes objectivos, sejam eles a regulação da atenção, capacidade de planeamento, memória de trabalho, organização e/ou gestão de tempo

A PHDA surge tanto em rapazes como em raparigas, estando a diferença na manifestação dos sintomas. Normalmente, os rapazes são mais agitados do que as raparigas e, como tal, os sintomas de agitação motora, aquando de uma PHDA, são mais marcados e evidentes. Por seu turno, as raparigas apresentam sobretudo sinais de desatenção, sintomas que passam mais facilmente despercebidos, porque não perturbam o outro.

Ao contrário do que pensamos, a hiperactividade não é a característica mais marcante ou que causa maior desajustamento, mas sim a desatenção, que, ao manifestar-se nos diferentes contextos de vida das crianças e jovens, tem um impacto significativo na qualidade de vida dos mesmos. A agitação motora em si não é obrigatoriamente problemática: basta pensarmos que para explorar o mundo todas as crianças têm de se mexer.

Quando as funções mencionadas estão comprometidas, o impacto surge a vários níveis. Em contexto escolar, surgem as dificuldades na aprendizagem, na gestão do trabalho e na regulação do comportamento, quer com os adultos quer com os pares. Os professores vêem estes alunos como desafiadores, preguiçosos e mal-educados e os colegas como intrusivos, autoritários e “aqueles que chateiam”. Mais uma vez, o foco está nos comportamentos visíveis e mais desestabilizadores para quem convive com estes indivíduos. Quando, de facto, é a desatenção que compromete a aprendizagem em si, a compreensão dos outros e das pistas sociais, bem como a capacidade de resolução de problemas. São alunos que têm muita dificuldade em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental prolongado e por isso são frequentemente apelidados de “preguiçosos”. A verdade é que muitas vezes se esforçam mais do que os outros, pois esta não é uma perturbação de “não saber” mas sim de “não fazer aquilo que se sabe” (Barkley, 1998).

Em contexto familiar, é frequente encontrarmos nos indivíduos com PHDA um ambiente marcado por conflitos na relação com os pais e irmãos. São crianças ou adolescentes que necessitam de supervisão constante, têm dificuldade em seguir instruções ou pedidos e parece que não ouvem o que lhes é dito, não porque os pais não imponham regras e limites, mas porque uma criança ou jovem com PHDA não consegue antecipar as consequências das suas acções. O problema advém de dificuldades na auto-regulação do comportamento e não da falta de disciplina em casa. Nos adultos com PHDA, estas características vão influenciar a gestão das tarefas domésticas e a relação com os outros.

No âmbito profissional, os adultos com PHDA são pouco organizados, têm dificuldade em seguir planos, em cumprir prazos e em gerir o seu próprio tempo. Por estas razões, o seu trabalho é inconstante e pode levar a mudanças repetidas de local de trabalho.

Esta perturbação também tem impacto a nível pessoal e social. Para além do estigma de que as crianças (e adultos) com PHDA são alvo — fruto das dificuldades comportamentais que apresentam —, também a compreensão das situações e regras sociais exigem capacidades de atenção que nem sempre estão presentes. Uma pessoa com PHDA pode não atender e “passar ao lado” de pequenas pistas sociais ou sinais discretos do outro (muitas vezes não verbais), não se apercebendo quando está a ser incorrecto. Importa assinalar que tudo isto acontece não porque quis, mas sim porque não conseguiu.

A PHDA é uma perturbação crónica que evolui ao longo da vida. Em cerca de 30% a 50% dos casos permanece até à idade adulta e, quando não diagnosticado atempadamente, pode evoluir para outro tipo de dificuldades. Há uma tendência para os sintomas de agitação motora diminuírem mas, em contraponto, as dificuldades de auto-regulação, controlo da atenção e impulsividade tendem a persistir ou a intensificar-se.

Psicologia Clínica do CADin

 

 

 

 

Pneumonia e diarreia matam 1.4 milhões de crianças por ano – mais do que todas as outras doenças infantis juntas

Novembro 28, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da https://www.unicef.pt/ de 11 de novembro de 2016.

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Pneumonia e diarreia matam 1.4 milhões de crianças por ano – mais do que todas as outras doenças infantis juntas

Os líderes mundiais reunidos na COP22 têm a oportunidade de assumir compromissos

que ajudarão a salvar a vida de 12.7 milhões de crianças até 2030

MARRAQUEXE, Marrocos, 11 de Novembro de 2016 – A pneumonia e a diarreia juntas matam 1.4 milhões de crianças por ano. A esmagadora maioria destas crianças vivem em países de baixo e médio rendimento. Estas mortes infantis continuam a ocorrer apesar de ambas as doenças serem amplamente preveníveis através de soluções simples e de baixo custo, tais como amamentação exclusiva, vacinação, cuidados de saúde primários de qualidade e redução da poluição do ar no interior das habitações.

Estas conclusões fazem parte de um novo relatório da UNICEF lançado hoje –One is Too Many: Ending Child Deaths from Pneumonia and Diarrhoea’ (Uma é demasiado: Pôr fim à morte de crianças devidas à pneumonia e diarreia).

A pneumonia continua a ser a principal causa de morte de crianças menores de cinco anos, tendo ceifado a vida de perto de um milhão de crianças em 2015 – aproximadamente uma criança a cada 35 segundos – e mais do que a malária, a tuberculose, o sarampo e a SIDA juntos. Aproximadamente metade de todas as mortes de crianças por pneumonia estão ligadas à poluição do ar, um facto que os líderes mundiais devem ter bem presente durante o debate em curso na conferência COP 22, sublinha a UNICEF.

“Temos provas claras de que a poluição do ar ligada às alterações climáticas está a prejudicar a saúde e o desenvolvimento das crianças, provocando pneumonias e outras infecções respiratórias,” afirmou Fatoumata Ndiaye, Directora Executiva Adjunta da UNICEF.

“Dois mil milhões de crianças vivem em zonas onde a poluição do ar excede os padrões internacionais, e muitas delas adoecem e morrem como resultado. Os líderes mundiais que participam na COP22 podem ajudar a salvar a vida de crianças comprometendo-se a tomar medidas para reduzir a poluição do ar associada às alterações climáticas e acordando em investir na prevenção e nos cuidados de saúde,” disse Fatoumata Ndiaye.

Como a pneumonia, os casos de diarreia entre crianças podem, frequentemente, estar associados a níveis de precipitação mais baixos decorrentes das alteações climáticas. A disponibilidade reduzida de água potável deixa as crianças em risco acrescido de doenças diarreicas e de sequelas ao nível físico e do desenvolvimento cognitivo.

Cerca de 34 milhões de crianças morreram de pneumonia e diarreia desde 2000. Sem maior investimento em medidas-chave de prevenção e tratamento, a UNICEF estima que mais 24 milhões de crianças venham a morrer de pneumonia e diarreia até 2030.

“Estas doenças têm um enorme impacto na mortalidade infantil e o seu tratamento tem um custo relativamente baixo,” afirmou a Directora Executiva Adjunta da UNICEF. “Contudo, continuam a receber apenas uma pequena parcela do investimento global em saúde, o que não faz nenhum sentido. Esta é a razão pela qual apelamos a um maior investimento global para intervenções de protecção, prevenção e tratamento que sabemos que são eficazes para salvar vida de muitas crianças.”

A UNICEF recomenda também um maior financiamento nos cuidados de saúde infantis em geral e que uma particular atenção a grupos de crianças especialmente vulneráveis à pneumonia e à diarreia – as mais pequenas e as que vivem em países de baixo e médio rendimento.

O relatório mostra que:

  • Cerca de 80 por cento das mortes de crianças ligadas à pneumonia e 70 por cento das que estão associadas à diarreia ocorrem durante os dois primeiros anos de vida:
  •  Ao nível global, 62 por cento das crianças menores de cinco anos vivem em países de baixo e médio rendimento, mas representam mais de 90 por cento dos casos de morte devido a pneumonia e diarreia no mundo.

 

 

Boletim do IAC n.º 121 “IAC no Combate à Violência Escolar”

Novembro 28, 2016 às 1:00 pm | Publicado em CEDI, Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o Boletim do IAC n.º 121 aqui

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