Conferência “Family Centered Care: um apoio partilhado à criança doente” 14 outubro em Lisboa

Outubro 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Inscrições até 7 de outubro

Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/1421789707985200/

II Colóquio de Lisboa Tempo e Família – 27/28 setembro em Lisboa

Setembro 7, 2019 às 7:34 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

 

mais informações no link:

II Colóquio de Lisboa

A família como ninho mas também como rampa de lançamento

Julho 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Artigo de opinião de Daniel Sousa publicado no Público de 10 de fevereiro de 2019. Imagem do Público.

Os filhos não são dos pais. Crescem para poder voar. Pode ser-se pai ou mãe toda a vida, mas há funções parentais com tempos determinados.

Muito se tem discutido sobre o declínio do papel da família. Será ainda a estrutura social que sustenta o desenvolvimento pessoal e social de indivíduos e sociedades? Também se tem assistido a uma transformação da família tradicional, que passou a coexistir com enquadramentos familiares outros, por exemplo, as famílias monoparentais, de casais homossexuais ou as famílias reconstruídas. Contudo, a família como estrutura social parece manter ainda alguns traços essenciais, tornando-a fundamental para que, desde tenra idade, possamos crescer, desenvolver, construir uma identidade.

A família, não obstante as suas variantes, é um espaço fundamental para o crescimento dos indivíduos. É o ninho. Dá protecção, acolhimento e, sobretudo, um ambiente afectivo propício e essencial ao desenvolvimento humano. É difícil crescer saudavelmente sem amor. O ninho constitui a base, o chão seguro, a confiança, a segurança. Mas é também entre muros que aprendemos a aceitar os limites, que vamos estabelecendo os valores e a moral, onde construímos a nossa ética. É também através dos mais próximos — pais, cuidadores — que vamos estabelecendo duas das funções mais importantes: aprender a ver o mundo e desenvolver um olhar sobre nós mesmos.

É através do olhar do outro mais próximo que começo a desvelar o modo de estar no mundo, e não menos importante, a ver-me, a desenvolver um sentimento de mim mesmo. O mesmo é dizer, construir-me como pessoa. Nas primeiras fases, no essencial existe uma relação mais hierárquica entre pais e filhos, com os primeiros a exercem um papel de maior referência, estabelecendo regras e valores, sem estes deixarem de ser aconchegados pelo afecto. Na adolescência, as articulações mudam, com dinâmicas muito desafiantes, tanto para jovens como para educadores. A entrada na vida adulta tece outros obstáculos. Em todas as fases, sabe-se que é necessário realizar ajustamentos. De parte a parte. Expresso em cliché: é um processo. Ajustes comportamentais, emocionais, das funções e papéis de cada membro da família.

Repleto de questões e incógnitas, o caminho do desenvolvimento pessoal poderá ser percorrido mais tranquilamente pelos pais, se for aceite que a perfeição parental é uma idealização. Os jovens, por sua vez, adiam a entrada definitiva no mundo do adulto. Apesar dos rituais de preparação, é por vezes uma porta difícil de trespassar, sobretudo, aceitando todas as suas consequências. Medos, receios, angústias, expectativas claras e outras mais implícitas adiam a passagem para uma outra fase da vida. Este momento tem naturalmente de ser preparado. Serão fundamentais as aprendizagens realizadas em estádios anteriores, para o jovem adulto se sentir confiante a avançar por novos caminhos.

Este momento de vida crucial é muitas vezes posto em causa pelos próprios pais. Na entrada da “adultice” dos seus filhos, os pais não são capazes de aceitar, compreender ou lidar com este novo momento. Os pais não realizam os ajustamentos necessários à fase de vida dos seus filhos e acabam por os acorrentar emocionalmente. Querem manter um registo de ninho quando este já se transformou ou deveria verdadeiramente ser uma rampa de lançamento.

Os filhos não são dos pais. Crescem para poder voar. Pode ser-se pai ou mãe toda a vida, mas há funções parentais com tempos determinados. Portugal está repleto de jovens adultos, ou homens e mulheres nas faixas etárias dos 30 ou 40, com vida estabelecida a nível familiar, profissional, social, que vivem numa prisão emocional. Estes filhos adultos não se sentem verdadeiramente livres. Não sentem legitimidade na sua liberdade psicológica. Sentem-se em falta. Por não serem tão presentes, por não estarem e agirem, como lhes fazem sentir que deveriam ser, estar e fazer. Uma dependência emocional dos pais, não dos filhos. Por razões várias, que passam por questões culturais ou aspectos de personalidade, pais ou elementos de uma família original promovem e mantêm uma dinâmica relacional que fomenta a culpa e a tristeza dos filhos adultos.

Limites não respeitados, exigências que alimentam o sentimento de estar em falta, ingerência nos assuntos de uma nova família constituída por um filho ou filha, expressões de sofrimento dos pais como se este fosse causado pelos filhos ou mesmo um silêncio ensurdecedor são exemplos que se constituem como correntes de ferro e que impedem uma verdadeira autonomia. O cordão umbilical psicológico não foi ainda cortado. Por parte dos pais. Mesmo em períodos muito adiantados do desenvolvimento pessoal dos seus filhos. E pode mesmo não existir a vontade de alguma vez o cortar. Se assim for, será então mais um desafio, ainda que por vezes sentido como enorme, para os filhos adultos ultrapassarem. Mais um obstáculo a transpor. Não depende no essencial de distâncias físicas, mas de capacidades emocionais que legitimem essa liberdade individual. E não depende de juízos de valor sobre os pais. Estes estão a lidar com a vida, com os momentos desta, consigo próprios, como conseguem.

Mais importante do que juízos é a capacidade de compreensão, um trabalho interior que diminui culpabilidades, um crescimento que assume as consequências de ser adulto e de estabelecer o seu espaço pessoal. Talvez caiba assim a estes adultos exercer a capacidade de mudança psicológica, que lhes permita viver em plenitude a sua autonomia, individualidade, identidade.

Docente e director da Clínica de Psicologia do ISPA

Famílias que brincam em conjunto são mais saudáveis e felizes

Junho 3, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

thumbs.web.sapo.io

Notícia do Lifestyle Sapo de 18 de dezembro de 2019.

Fazer jogos e rir em família reduz a ansiedade, reforça a intimidade e desenvolve competências sociais. As incríveis virtudes das brincadeiras entre pais, filhos e irmãos.

Partilhar os tempos livres torna as famílias mais felizes, mais próximas e menos ansiosas, indica um estudo realizado pela Lego, que garante que há uma relação direta entre as horas que pais e filhos passam a jogar juntos e a felicidade que dizem sentir.

A investigação da marca de brinquedos indica que nove em cada dez famílias (88%) que costumam brincar juntas asseguram ser felizes. Esta percentagem diminui significativamente (75%) em famílias que não o fazem, segundo o El País.

Apesar disso, mais de um terço das famílias (38%) não consegue arranjar um furo na agenda para se sentar com os mais novos, ou seja, têm problemas em priorizar o tempo de divertimento devido a horários, tanto de pais como de filhos.

“A brincadeira é uma boa maneira de promover o vínculo, melhorar a comunicação e a autoestima das crianças. É um momento em que os pais e as crianças deixam os problemas e as preocupações de lado”, afirma Silvia Álava, especialista do centro de psicologia Álava Reyes e autora do livro Queremos filhos felizes.

A felicidade e o reforço da cumplicidade não são os únicos benefícios de brincar ou jogar em família. O processo de aprendizagem também tem muito a ganhar: os mais novos aprendem a divertir-se e, pelo meio, desenvolvem habilidades sociais. Ganham uma tolerância saudável à frustração, melhoraram a capacidade de comunicar, de sentir empatia e respeito, aperfeiçoam a capacidade de análise e reflexão, e melhoram a concentração, como afirma Pepe Pedraz, fundador da Funnynnovation Academy, de Madrid.

“Tudo isto é feito de uma forma simples e natural”, explica Álava. “Por exemplo: quando escolhem o jogo à vez aprendem a ceder; quando seguem as regras, aprendem a obedecer. Também trabalham a capacidade de sair derrotados –por isso não é bom deixá-los ganhar sempre, pois na vida por vezes ganha-se e noutras perde-se. De caminho, os miúdos ainda aprendem valores como a coexistência, respeito e gratidão.”

Atenção: pais e mães também aprendem. E muito. Especialmente a conhecer os filhos: que gostos têm, que tipo de jogos preferem, se lhes custa relacionar-se com outras crianças, se preferem jogos de agilidade e manipulação ou de estratégia e concorrência, salienta Pepe Pedraz.

Silvia Álava defende a ideia de tentar jogar/brincar todos os dias, se possível, mesmo que seja por pouco tempo. “Embora tenha de ser realista (não é viável jogar todos os dias Monopólio ou Ludo, que demoram muito tempo), é aconselhável dedicar 10 minutos de brincadeiras com elevada intensidade emocional. Fazer cócegas, por exemplo, não leva muito tempo.”

 

 

Psicóloga Rute Agulhas: “Uma família deve ser como um papagaio de papel”

Maio 31, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Entrevista de Rute Agulhas ao Diário de Notícias de 15 de maio de 2019.

Ana Mafalda Inácio

A família é a base de tudo. Pode ter muitos elementos, poucos, só mães ou só pais. Para as crianças não há dúvida, a família são as pessoas que gostam dela e de quem ela gosta. No Dia Mundial da Família, que hoje se assinala, a psicóloga Rute Agulhas dá um conselho: “Não tenham medo de amar e de serem firmes.”

Há famílias perfeitas? Ou quem vive nesta busca vive numa ilusão?

Não há famílias perfeitas. A ideia de família perfeita é utópica e parece-me que nem é isso que se deseja. Se me perguntar se as crianças em acolhimento precisam de famílias perfeitas, eu diria que precisam, mas não as há. Precisam, sim, de famílias com competências muito específicas ou, se quisermos, de famílias especiais. Os desafios que estas crianças vão colocar às famílias de acolhimento são muitos e a vários níveis. São crianças que trazem bagagem, que trazem história, uma narrativa, que têm memórias e, portanto, as famílias têm de saber lidar com tudo isto. Têm mesmo de ser famílias especiais, no sentido em que precisam de ter recursos adicionais…

Que tipo de recursos adicionais?

Quando falo de recursos adicionais, falo de capacidades para saber comunicar com a criança, com o jovem, saber gerir conflitos, saber resolver problemas, serem capazes de conter as suas angústias, a tristeza, a revolta. Falo de saber lidar com as memórias traumáticas que muitas dessas crianças têm, com o saber lidar, muitas vezes, com a angústia em relação ao futuro. Muitas destas crianças trazem o medo da perda, da rejeição, porque é só isso que conhecem, e irão ter muita dificuldade em se ligarem e estabelecerem vínculos afetivos. É preciso não esquecer que muitas destas crianças vêm de um padrão grave, foram vítimas de maus-tratos, abandono, abuso. São crianças com dificuldade em confiar, em dar. Portanto, eu diria que não há famílias perfeitas, mas para estas crianças quase diria que era bom que houvesse.

São crianças especiais que exigem famílias especiais. Mas essas famílias depois de receberem as crianças ficam muitas vezes sozinhas, sem qualquer apoio…

É verdade. Pedimos para estas crianças famílias com características especiais e elas vão necessitar não só de um apoio informal, ou seja, do suporte social que tem que ver com toda a ajuda que possa vir da sua própria família, de amigos, do meio onde a família está inserida, mas também do apoio formal. E este é o que ainda falha muito em Portugal.

“O apoio às famílias depois da adoção ainda falha muito em Portugal.”

O que chama de apoio formal, o apoio que o Estado deve continuar a dar a estas famílias?

As famílias deveriam ter apoio e acompanhamento após a adoção por parte dos serviços, porque a partir do momento que a adoção está decretada, as famílias ficam sozinhas, sentem-se sozinhas, não têm uma equipa de retaguarda a quem possam recorrer e pedir ajuda quando precisam. Era muito interessante que tivéssemos um modelo, como o que já existe noutros países, em que há um acompanhamento dos serviços de adoção mais prolongado. Não falo do período de pré-adoção, porque não é nos primeiros meses que surgem as dificuldades, é à medida que a criança vai crescendo, quando chega à adolescência. Muitas vezes, nestes casos, há uma série de variáveis que tornam esta idade ainda mais desafiante. E isto faz que muitas famílias se sintam sozinhas e desmotivadas, sem qualquer ajuda das equipas de adoção. Este apoio e suporte tem uma lógica e deveria ser institucional.

Mas este apoio deveria ser dado só às famílias que adotam ou a outras também que entram no sistema para serem padrinhos civis ou até de acolhimento?

Claro, deveria ser dado a todas. Por exemplo, no caso dos padrinhos civis, surge muito até a questão de se é mãe, ou pai, ou se não é. São questões e angústias que surgem numa família, que muitas vezes quem recebe estas crianças não sabe bem como lidar, no caso das famílias amigas. Para mim as famílias amigas são uma resposta fundamental para crianças e jovens que não têm outras respostas, que não têm um projeto de adoção, que “estão em banho-maria”, para usar as palavras de uma criança de 14 anos que acompanho e que não teve um projeto de adoção bem-sucedido e que voltou para a instituição. Esta é a perspetiva de uma criança que sabe que vai continuar no sistema e que diz “estou em stan by“, que diz estou aqui, vou vivendo o meu dia-a-dia, não tenho projeto, vejo os outros a entrar e a sair da instituição, a voltar à família biológica ou a terem uma nova família. Eu não tenho nada, nem uma família amiga.

Neste caso, e para uma criança já com esta idade, a família amiga poderia ajudar?

Uma família amiga seria uma resposta importantíssima para estas crianças e jovens, porque podem colmatar um vazio que estes miúdos sentem. Por exemplo, chega o Natal e eles vão passá-lo nas instituições ou com as famílias dos educadores, da equipa técnica, mas sabem e percebem que não são especiais para aquelas pessoas. Portanto, este conceito de família amiga é de facto muito interessante, mas, lá está, até mesmo estas famílias deveriam ser bem acompanhadas e ajudadas pelos serviços

O conceito de família amiga não está na lei e nem sempre é visto com bons olhos pelo próprio sistema, por técnicos, magistrados, casas de acolhimento, etc.

É um conceito diferente do de adoção, mas é um conceito e uma perspetiva que tem de ser trabalhada, quer pelo lado da família amiga quer pelo lado da criança, porque não pode ter a expectativa de um dia poder ir viver definitivamente com ela. É preciso definir bem os limites, porque estas crianças são normalmente muito carentes e expectantes e não podem ver uma família amiga como uma solução a longo prazo. Mas é um conceito e uma perspetiva fundamental para muitas destas crianças e jovens acolhidos.

Como é que se explica que o sistema desconfie, como já me foi dito, deste conceito, o que se espera até para o regulamentar?

É verdade. O sistema desconfia até a vários níveis. Desconfia porque acha que, por um lado, há pessoas que o que querem é adotar e usam esta situação como atalho; desconfia, muitas vezes, embora seja uma questão que se põe em termos de avaliação, se aquela família está de facto altruisticamente a tentar ajudar a criança ou se aquela não é uma forma de se ajudar a si própria. Desconfia…

As crianças e os jovens estão à guarda do Estado, mas há necessidade desta desconfiança. A seleção que as instituições fazem não é suficiente?

Eu diria que não há necessidade de desconfiança. Há uma triagem, se essas famílias forem bem avaliadas e acompanhadas não há necessidade de tanta desconfiança. Imagine uma família que está sozinha, deprimida, que os filhos saíram de casa ou que está num processo de separação, mais debilitada e, de repente, alguém lhes diz que até era bom ser família amiga de uma criança ou fazer voluntariado numa casa de acolhimento. Aí, quem faz a avaliação percebe que para esta pessoa o ser família amiga é uma forma de compensar o seu vazio e não a criança, está a pensar que vai buscar afeto e atenção à própria criança e não que lhe vai dar esse afeto. Isto em de ser triado, avaliado, porque uma situação destas vai correr mal. Ou seja, isto faz que as famílias amigas tenham de ser bem avaliadas previamente para se perceber se a pessoa está emocionalmente estável para poder dar à criança o que ela precisa. Penso que com a devida avaliação e acompanhamento podemos encontrar perfis de famílias amigas que podem ajudar e isso ser bom para uma criança.

Já falámos das características de famílias adotivas, das que apadrinham e até deste conceito de família amiga. Mas o que é essencial na base de uma família?

O afeto. Vínculos afetivos seguros. Ou seja, é saber que há uma pessoa que preenche de tal forma a minha necessidade de afeto que me faz sentir segura. Quando dizemos que uma criança tem uma vinculação segura com alguém é exatamente por isso, é porque tem uma base afetiva sólida a ponto de me permitir explorar, autonomizar, proteger e socializar. Eu diria que a cola que une uma família são os afetos.

“A cola que une a família é a cola dos afetos.”

É isto que define uma família? E os laços biológicos?

É muito giro ouvirmos e pensarmos nas respostas das crianças sobre o que é uma família. Na perspetiva de uma criança, a família ultrapassa, e muito, a questão dos laços biológicos ou consanguíneos. A criança define a família como as pessoas de quem eu gosto e que gostam de mim. Por isso, voltamos à essência, ao afeto, aos vínculos afetivos, que é a tal cola de que falei, independentemente do sexo das pessoas, do número de pessoas, de onde vêm, de onde vivem, etc. Tudo isto é secundário para as crianças. O que interessa é ela sentir que há um vínculo afetivo. Portanto, o que define uma família não são os seus membros, não é se há mãe e pai, se são dois pais ou se são duas mães, se são os avós ou os tios, se vivem aqui ou na China. O que define a família são os afetos.

Isso significa que até podemos ter mais do que uma família?
Bem, não sei. A minha construção de família é só uma, mas pode passar por pessoas muito diversas.

Como diz o ditado, família há só uma?

Há só uma, mas os elementos que a constituem podem ser pessoas que estão próximas fisicamente ou não, podem ser pessoas com laços biológicos ou não, mas eu sinto-as como família.

E quanto ao ditado “a família não se escolhe”, tem mais que ver com os laços biológicos?

O conceito de família vai muito para lá disto…

A construção de uma família é um processo de aprendizagem?

Acho que é um processo de vivência, experiencial, na perspetiva em que se constrói uma relação. Claro que quando experiencio aprendo, mas se não houver essa experiência afetiva não posso aprender. Se não houver a tónica afetiva não consigo aprender a sentir alguém como família. E o conceito-base de família é afetivo e emocional.

Há o medo de constituir uma família ou só o medo das responsabilidades?

Não sei se há o medo de constituir uma família, penso que é mais o medo das responsabilidades que uma família traz. Até mais o medo pela dificuldade de lidar com a responsabilidade afetiva, o medo do abandono e da rejeição.

O que é mais importante que uma família tenha em atenção quando avança para um projeto de adoção, de apadrinhamento ou até de família amiga?

São situações muito diferentes. Numa família amiga tem de saber à partida que o seu papel é o de uma família que tem de deixar partir. Posso ser hoje família amiga de uma criança que daqui a um ano é adotada e tenho de saber lidar com essa situação. Numa família adotiva a expectativa é diferente. E o que se pede, acima de tudo, é a capacidade de amar de forma incondicional. É a necessidade deste vínculo incondicional que não pode depender nunca do comportamento da criança, da capacidade cognitiva, da inteligência, da beleza do que seja. É amar com tudo o que isso implica…

Ter uma família é realmente importante para todos…

É a base de tudo. É o suporte que nos permite ir à aventura e crescer. Quando há uma base segura na família nem há a necessidade de estar com ela ou de falar com ela constantemente. Sabe-se que as pessoas da família estão lá. Há segurança, e esta baixa a ansiedade, permite-nos arriscar a outros níveis, porque sabemos sempre que temos uma base segura. Os técnicos utilizam uma metáfora de que gosto muito para falar da questão da família. Uma família deve ser como um papagaio de papel, ou melhor, como o voar de um papagaio de papel. Se damos muita corda, o papagaio pode voar demasiado e perdemo-lo. Se puxamos muito e não lhe damos suficiente autonomia, cai no chão. No fundo, o exercício da parentalidade tem de ser com este equilíbrio, entre a forma como damos todos os passos e a liberdade que damos ao outro para voar. O exercício funcional da parentalidade deverá ter esta capacidade de ajustamento entre as grandes necessidades e o equilíbrio do sentimento de pertença. É isso, que o papagaio voe sem se perder e sem cair ao chão. Repare, o papagaio está a voar, mas a base está cá em baixo.

Que conselho daria a uma família?

É muito difícil. O que posso dizer é que não tenham medo de amar e de serem firmes.

* Trabalho inserido numa investigação Especial – Crianças em Perigo, a ser publicado durante o mês de maio no Diário de Notícias

 

 

Encontro “Desafios dos tempos digitais na vida familiar” com Cristina Ponte, 3 junho na Casa da Praia em Lisboa

Maio 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/448394479251735/

Dia da Família – INE

Maio 16, 2019 às 5:17 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Nenhuma família do mundo ficará sem educação. E é em Lisboa que se está a falar disso agora

Maio 14, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Shutterstock

Notícia do DN Life de 13 de maio de 2019.

Educar dá mesmo muito trabalho, juram a pés juntos os pais de qualquer parte do mundo. Como ajudar um filho a crescer bem? E a família com ele? E se pudéssemos pensar nas famílias como um todo para se alcançar algo ainda maior, sustentado, a nível internacional? O World Family Summit 2019 começou hoje em Lisboa para falar – até quarta-feira – desta educação inclusiva, destinada a promover oportunidades iguais. Aprender tem de ser para todos.

Texto de Ana Pago

Pensar na vida como uma partilha com quem amamos – a nossa família – faz-nos crescer como pessoas. Família é quem nos ensina a pensar mais alto. A confiar nas nossas capacidades. A pôr os olhos no futuro. Daí que qualquer objetivo grandioso que se queira alcançar a nível mundial – como o de garantir uma educação inclusiva, objetivo de desenvolvimento do milénio para 2019 – tenha de ser feito por aí, família a família. É disto e muito mais que começam hoje a falar, até quarta-feira, participantes de 34 países no World Family Summit 2019, pela primeira vez em Lisboa.

“Acreditamos que a educação é um dos instrumentos mais poderosos no desenvolvimento de recursos humanos, fator-chave na redução das desigualdades e da pobreza”, diz Isidro de Brito, presidente da Associação Nacional para a Ação Familiar (ANJAF) e vice-presidente para os Assuntos Legais e Administrativos da Organização Mundial da Família (um dos promotores da cimeira em conjunto com a CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego e a UNITAR – o Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa).

“Educar amplifica a liberdade de escolha e ação das pessoas, gera produtividade económica, empodera-as a serem parte ativa das sociedades a que pertencem e equipa-as com as competências de que necessitam para desenvolverem o seu próprio sustento e ajudarem as famílias”, explica Isidro de Brito, sublinhando ainda o contributo da educação na comunicação intercultural, o que por sua vez se traduz em respeito mútuo, fomenta a tolerância e promove a transformação como um todo, sociedade a sociedade. Família a família.

“O World Family Summit representa um compromisso da parte de todos os setores, de todas as sociedades envolvidas a nível global, de não deixar ninguém para trás.”

Foi em 2004 que Kofi Annan, o então secretário-geral das Nações Unidas, sugeriu que se celebrasse o décimo aniversário do Ano Internacional das Famílias. A ideia foi aplaudida pela Organização Mundial da Família, por organizações não-governamentais suas afiliadas e por universidades associadas de 189 países e 127 governos do mundo. Nascia a primeira edição do World Family Summit, estreado de fresco em dezembro de 2004, na China, com as metas globais de se acabar com a pobreza, a fome e as desigualdades de género, proteger o planeta e assegurar prosperidade, emprego e educação para todos.

Hoje em dia, a cimeira representa um compromisso da parte de todos os setores, de todas as sociedades envolvidas a nível global, em estabelecer parcerias internacionais a favor de mais paz, tolerância, justiça, segurança, prosperidade, solidariedade e integração, partindo dos tais objetivos de desenvolvimento do milénio que têm em comum o princípio abrangente de não deixar ninguém para trás.

Em cima da mesa, nos próximos três dias, estarão assim em debate temas tão estruturais como a educação de qualidade para as crianças (a começar logo no primeiro ciclo), estratégias para a igualdade e inclusão das famílias, o ensino do respeito pela diversidade cultural (abrindo as portas aos refugiados e famílias migrantes) ou a importância de se educar para a cidadania.

Em 2030, se tudo correr conforme o esperado, toda a gente espera (e não apenas os estados membros das Nações Unidas) que os 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável lançados pelo ONU sejam alcançados pelas nações, sem exceção. Nessa altura o mundo será um lugar melhor.

 

 

II Simpósio – Família, Criança e Escola – 3 maio em Santo Tirso

Abril 26, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/581009245733596/

Seminário “A Hierarquia da Família Quase Perfeita” 11 de maio em Setúbal

Abril 23, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Mais informações no link:

https://www.cadin.net/noticias/361-a-hierarquia-da-familia-quase-perfeita

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.