Pais gostam mais que os filhos vejam televisão do que estejam na internet

Fevereiro 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 6 de fevereiro de 2018.

Inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social junto de 650 agregados mostra que só um em cada 10 pais vigiam a utilização da Internet pelos filhos.

CLARA VIANA

Os pais atribuem uma “função pacificadora” à televisão, mas não têm a mesma percepção em relação ao uso da Internet. Esta é uma das conclusões de um inquérito realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) junto de 650 agregados familiares com crianças entre os três e os oito anos, que foi completado por uma série de entrevistas e observação em lares de 20 famílias.

Os dados, divulgados em 2017, foram analisados por uma série de especialistas neste domínio, o que deu origem ao e-book Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs, que se encontra disponível desde esta terça-feira no site da ERC.

Nos inquéritos realizados, 73% dos entrevistados concordaram “com a afirmação de que a criança está calma quando está a ver televisão”. “Esta função apaziguadora pode complementar a de baby-sitter electrónica: 54% dos inquiridos concordam com a afirmação de que têm um tempo de descanso quando a criança está a ver televisão”, destaca, no artigo Crescendo entre Ecrãs,uma equipa de investigadores liderada por Cristina Ponte da Universidade Nova de Lisboa.

Os investigadores frisam, de seguida, que esta “função apaziguadora é menos reconhecida por pais cujos filhos usam a Internet: pouco mais de metade (54%) concorda com a afirmação de que a criança está calma quando está nesses ecrãs e menos de um terço (30%) concorda com a afirmação de que eles mesmo têm um tempo de descanso”. Segundo os investigadores, esta diferença relativamente à televisão pode dever-se ao facto de a Internet proporcionar “actividades mais dinâmicas, como a procura de conteúdos, e uma maior interacção”.

Na mesma linha, os resultados do inquérito nacional mostram também que todas as crianças vêem televisão, mas só 38% usam Internet. Este acesso cresce com a idade, passando de 22% entre os 3-5 anos para 62% das crianças com 6-8 anos. Apesar de mostrarem maiores preocupações em relação à Internet do que à televisão, apenas um em cada dez pais disse que realizava “mediação técnica”, como bloquear ou filtrar sites ou verificar o histórico das páginas visitadas.

Descarregar o documento mencionado na notícia:

Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs

 

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UNICEF declara janeiro “mês sangrento” ao registar 83 crianças mortas em conflitos

Fevereiro 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 5 de fevereiro de 2018.

A ” violência no Iraque, Líbia, Síria, no Estado da Palestina e no Iémen” teve consequências “devastadoras” as crianças. Mas há mais locais onde a vida destas está em perigo constante.

Pelo menos 83 crianças, a grande maioria sírias, morreram durante o “mês sangrento” de janeiro em conflitos e ataques registados em países do Médio Oriente e do norte de África, divulgou esta segunda-feira a UNICEF.

“A intensificação da violência no Iraque, Líbia, Síria, no Estado da Palestina e no Iémen” teve consequências “devastadoras” para a vida das crianças, disse o diretor regional da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para o Médio Oriente e do norte de África, Geert Cappelaere, citado num comunicado.

“Só no mês de janeiro, pelo menos 83 crianças foram mortas (…) em conflitos em curso, em ataques suicidas ou morreram de frio ao fugir de zonas de guerra”, sublinhou o representante. Geert Cappelaere realçou que as crianças estão a pagar “o preço mais alto” por guerras pelas quais não são responsáveis.

“São crianças, crianças!”, frisou o diretor regional da UNICEF, na mesma nota informativa. Na Síria, país que enfrenta desde março de 2011 um conflito civil, “59 crianças foram mortas nas últimas quatro semanas”, segundo a agência das Nações Unidas.

No conflito no Iémen, já classificado como uma das piores crises humanitárias dos últimos anos, 16 crianças perderam a vida “em ataques em todo o país”. Em Benghazi, no leste da Líbia, “três crianças foram mortas num ataque suicida e outras três quando brincavam perto de engenhos explosivos”, segundo a UNICEF.

Uma mina tirou também a vida a uma criança na cidade velha de Mossul, antigo bastião do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque, enquanto um menor foi baleado numa localidade perto de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel.

No Líbano, “16 refugiados sírios, incluindo quatro crianças, que fugiram da Síria morreram de frio durante uma tempestade severa”, referiu a UNICEF.

“Não são centenas, nem milhares, mas milhões de crianças no Médio Oriente e no norte de África a quem roubaram a infância, que foram mutiladas, traumatizadas, presas, impedidas de ir à escola (…) e privadas do direito mais básico, de brincar”, sublinhou o comunicado.

Para Geert Cappelaere, “podem ter silenciado as crianças, mas as suas vozes vão continuar a ser ouvidas!”, concuindo que “A sua mensagem é a nossa: a proteção das crianças é prioritária em todas as circunstâncias, faz parte das leis da guerra”. Em dezembro passado, a UNICEF qualificou 2017 como um “ano pesadelo”, denunciando na altura que os conflitos armados tinham afetado de maneira desmedida as crianças.

Em 2017, as crianças em zonas de conflito foram vítimas de ataques “a uma escala chocante”, fruto de um “desprezo generalizado e flagrante das normais internacionais que protegem os mais vulneráveis”, afirmou na altura a organização no seu relatório anual, que apontava as situações na República Centro Africana, Nigéria, Birmânia, Sudão do Sul, Ucrânia, Iémen ou Síria.

No ano passado, segundo os números da UNICEF, cinco mil crianças foram mortas ou feridas no Iémen, 700 foram mortas no Afeganistão, centenas usadas como escudos humanos na Síria e no Iraque, 135 usadas como bombistas suicidas na Nigéria, 19 mil recrutadas pelo exército e grupos armados no Sudão do Sul.

O mesmo relatório indicou que na Europa, no leste da Ucrânia, mais de 200 mil crianças vivem sob a ameaça constante das minas antipessoal e de artefactos que não explodiram que apanham para brincar ou pisam, morrendo ou sofrendo mutilações.

mais informações na notícia:

Conflicts in the Middle East and North Africa take a brutal toll on children – UNICEF

O segredo do sucesso está dentro da biblioteca

Fevereiro 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Adriano Miranda

Reportagem do https://www.publico.pt/  de 3 de fevereiro de 2018.

 Por Samuel Silva

A Escola Básica e Secundária de Ponte da Barca está no top 5 das que no secundário mais se distinguem no “ranking alternativo”. A leitura é aposta central do seu projecto educativo.

“O direito de não ler.” “O direito de saltar páginas.” “O direito de não acabar um livro.” No bloco C da Escola Básica e Secundária de Ponte da Barca é o colorido dos “Direitos Inalienáveis do Leitor”, enunciados por Daniel Pennac, que quebra a monotonia da parede amarelada. As frases são pintadas a grená, com excepção da primeira letra de cada uma delas, que surge destacada numa pequena tela ornamentada como uma iluminura dos escritos clássicos.

Um dos “O” está cortado a meio e o director, Carlos Alberto Louro, nota-o: “Às vezes algum engraçadinho estraga isto e é preciso voltar a fazer.” A escola de Ponte da Barca é a 5.ª melhor do ensino público no ranking do sucesso (a 3.ª, se forem tidas em consideração exclusivamente as escolas públicas). Mas, como todas as escolas, não é perfeita: “Também há quem se porte mal.”

Na hora em que os alunos regressam às aulas depois de um curto intervalo, não há ruído no amplo pátio entre as salas. O bloco C é 20 anos mais novo do que o resto da escola, construída em 1983. É aqui que estão os laboratórios, o auditório e também a biblioteca, que é uma espécie de “menina dos olhos” para a direcção e os professores.

A biblioteca escolar é igualmente uma peça fundamental para esta escola no Alto Minho que, desde que o Governo começou a divulgar o indicador de sucesso — que assinala escolas onde mais alunos conseguem fazer todo o ciclo de estudos sem chumbar e que permite fazer um “ranking alternativo” ao das médias de exame — tem estado entre as melhores do país.

Criada em 2004, a biblioteca da escola tem hoje mais de 17 mil títulos listados e é um ponto de encontro para os alunos dos vários níveis de ensino — aqui cruzam-se alunos do 7.º ao 12.º ano. Sobre estas prateleiras, assenta a estratégia da escola para obter bons resultados. “O bom aluno tem de compreender bem o que lê e saber expressar-se. Também só consegue ser bem-sucedido se for capaz de interpretar a realidade”, resume o director, Carlos Alberto Louro.

Foi esta a visão que a escola construiu nos últimos 13 anos. A biblioteca é a primeira das Medidas Estruturais de Acção Educativa definidas pela comunidade escolar. Desde Novembro de 2012, alunos, professores e pais promovem a leitura através de um programa semanal na Rádio Barca — a única emissora local —, que já tem mais de 200 emissões. A iniciativa valeu o prémio “Ideias com Mérito” pela Rede Nacional de Bibliotecas Escolares há dois anos.

Ensino personalizado

Também é pela biblioteca que passa a organização de feiras do livro, encontros com escritores, concursos de escrita e o muito concorrido concurso de leitura. Quase todos os alunos desta escola participam nesta competição, onde os estudantes de Ponte da Barca têm chegado quase sempre às finais nacionais nos últimos anos.

“Participar no concurso de leitura ajuda-nos a todos”, avalia João Ramos. Tem 17 anos, cabelo curtíssimo e um discurso fluído. Quer seguir engenharia mecânica ou industrial e está a terminar o secundário na área de Ciências e Tecnologias. Tem participado regularmente nos concursos de leitura e essa experiência permite-lhe perceber que, para quem não está habituado a ler, a competição “é uma altura em que os alunos podem investir um bocadinho mais e descobrir” os livros. Para quem já é leitor assíduo, “há sempre a possibilidade de ir às fases seguintes, a nível regional ou nacional — e isso é sempre bom”, conta.

A aposta na promoção da leitura deu frutos, sobretudo a Português que, com uma média de 12,3 valores, é a disciplina em que os alunos de Ponte da Barca têm melhores resultados. Essa classificação média vale-lhes mesmo um lugar entre as 40 melhores escolas do país nessa disciplina nos exames nacionais de 2017. Nas restantes matérias, os alunos da escola minhota não conseguem ter resultados tão positivos e só conseguem estar entre as 200 melhores do país numa outra disciplina, História.

Além da aposta na leitura, o que explica o bom desempenho da escola de Ponta da Barca no ranking do sucesso? Dá-se a palavra aos alunos. “Tivemos quase sempre os mesmos professores e isso é muito positivo”, sublinha João Ramos, aluno do 12.º B. Colega da mesma turma, Rúben Lima antecipa um futuro na investigação — “talvez Biotecnologia” — e vê o facto de as turmas não serem demasiado grandes uma mais-valia daquele estabelecimento de ensino: “Temos um ensino quase individualizado.”

Os indicadores do Ministério da Educação mostram ainda que uma das marcas desta escola é a estabilidade do corpo docente, com 93,8% dos professores a pertencem ao quadro. Este facto permitiu à direcção ter estabelecido que, em regra, o mesmo professor acompanha uma turma ao longo dos 10.º, 11.º e 12.º anos.

A escola é também relativamente pequena — tem 211 inscritos no ensino secundário — e as turmas não têm mais do que 22 ou 23 estudantes. Ainda assim, nas disciplinas que estão sujeitas a exames nacionais, os alunos são divididos em grupos mais pequenos, de 11 ou 12, para frequentarem o tempo de reforço lectivo destinado a consolidar as aprendizagens nessas matérias.

Na parte final do 3.º período, são promovidas aulas específicas para preparação para exame e os professores têm indicações para construírem os testes ao longo do ano tendo em consideração o modelo habitual das provas nacionais e os respectivos critérios de correcção.

Contexto difícil

“Os bons resultados são uma preocupação transversal”, sublinha Carlos Alberto Louro. O director está nas funções desde 1992 e, por isso, conhece bem o contexto em que trabalha, que apresenta dificuldades de base a que a escola tem que responder.

O agrupamento de Ponte da Barca é o único num concelho pequeno (cerca de 12 mil habitantes) e disperso, porque embora a maioria da população viva na vila que é sede do município, chegam ali alunos que vêm desde a aldeia de Lindoso, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, até aos limites do concelho de Ponte de Lima.

A realidade socioeconómica dos alunos é também diversa. Em regra, cerca de metade são oriundos de famílias de baixos recursos económicos e por isso elegíveis para os apoios da Acção Social Escolar. No ano passado, os alunos apoiados pelo Estado foram 43,8% do total.

A escolaridade média dos pais é também baixa. As mães chegam ao 9.º ano; os pais têm o 7.º. De resto, apenas no último censo, em 2011, o concelho ultrapassou os dois dígitos na percentagem da população com habilitações de nível superior. Por isso, o director da Básica e Secundária de Ponte da Barca considera que o facto de 60% a 70% dos alunos que completam o secundário seguirem para o ensino superior deve ser encarado “como uma grande conquista”.

No Dia Europeu da Vítima de Crime, a APAV apresenta as estatísticas do apoio especializado a crianças e jovens vítimas de violência sexual

Fevereiro 22, 2018 às 3:20 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Estatísticas/Infografia: Apoio especializado a crianças e jovens vítimas de violência sexual

Clique na imagem para aceder à publicação.

Assinalando o Dia Europeu da Vítima de Crime, celebrado internacionalmente a 22 de Fevereiro, a APAV apresenta as Estatísticas/Infografia do apoio especializado a crianças e jovens vítimas de violência sexual.

A Infografia reflete a atividade desenvolvida pela Rede CARE nos seus primeiros dois anos de atividade: 2016 e 2017. Esta rede, inserida no âmbito do Projeto CARE (atualmente cofinanciado pela iniciativa Portugal Inovação Social/PO ISE/Portugal 2020/União Europeia – Fundo Social Europeu e com investimento social da Fundação Calouste Gulbenkian), é uma solução inovadora no que respeita ao apoio a crianças e jovens vítimas de violência sexual.

Nestes dois anos de atividade foram apoiadas 446 crianças e jovens vítimas de violência sexual, o que corresponde a cerca de 19 novos processos de apoio por mês. A maioria das vítimas são raparigas, especialmente entre com idades entre os 14 e os 17 anos. Verificou-se que, destes processos de apoio, a maioria dos atos violentos aconteceu de forma continuada, sobretudo em contexto intrafamiliar.

Paralelamente, o Seminário/Debate “Apoio a crianças e jovens vítimas de violência sexual”, que se realiza nos Serviços de Sede da APAV, pretende ser uma reflexão sobre o apoio que se presta a crianças e jovens vítimas de violência sexual, nas mais diferentes áreas: direito, psicologia e apoio social.

 

Site da APAV

O Acolhimento de Crianças e Jovens – Conversa com Armando Leandro, Edmundo Martinho – 28 fevereiro em Lisboa

Fevereiro 22, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.humanus.pt/

 

No Dia Europeu da Vítima de Crime, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima apresenta um balanço do apoio feito a menores em 2016 e 2017

Fevereiro 22, 2018 às 2:34 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Joseph Gonzalez on Unsplash

 

Há, pelo menos, 19 crianças e jovens vítimas de violência sexual todos os meses. Os números são da rede CARE – uma unidade especializada em violência sexual e integrada na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) – são apresentados esta quinta-feira num seminário em que se assinala o Dia Europeu da Vítima de Crime.

Durante 2016 e 2017, esta rede – uma unidade composta por juristas e psicólogos que se deslocam a qualquer ponto do país – prestou apoio a 446 crianças e jovens vítimas e a 103 familiares e amigos das crianças e jovens, num total de 6141 atendimentos. A maioria dos crimes (63,6%) aconteceram de forma continuada.

Além do apoio prestado, a rede Care permite também fazer um perfil das vítimas e dos agressores. A maioria das crianças e jovens abusados sexualmente são do sexo feminino (79,1%), têm entre os 14 e os 17 anos (35,87%) e sofreram às mãos de um homem (92,5%). Os agressores são, em maioria, pessoas com que fazem parte do contexto familiar (53,1%).

As queixas indicam que os menores foram abusados pelas pessoas com quem viviam (21,4% pela mãe ou pai; 11,7% pelo padrasto/madrasta). Mas também há casos de tios (6,4%) e avós (4,8%), ou mesmo até de irmãos (1,8%). Fora do contexto familiar são os agressores são pessoas desconhecidas (11,6%), colegas e amigos (7%), ou vizinhos (4,2%).

Estes números estão hoje em debate no seminário, na APAV em Lisboa, sobre o apoio prestados a crianças e jovens vítimas de violência sexual.

 

Artigo de Carolina Reis para o jornal Expresso, em 22 de fevereiro de 2018.

Brincar na rua, com dia e hora marcada

Fevereiro 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 6 de fevereiro de 2018.

Fora de casa e sem tecnologia. O projeto da associação Ludotempo, distinguido pela UEFA, está a chegar a Lisboa.

As crianças do projeto Brincar de Rua, em Leiria, juntam-se uma vez por semana para interagir fora de casa, sem tecnologia. “Brincamos no parque, depois vamos ali, temos um esconderijo. Partimos as pedras para ficar maior. Depois tem aquela árvore, parece uma cadeira”, descreve um dos elementos do grupo, Bogdan, nove anos de idade.

No Bairro dos Capuchos, a imaginação ganha asas entre as árvores, por caminhos tão livres como o pensamento.

– “Estamos a tentar construir uma casa, não sei se é mesmo”.
– Pode ser uma casa imaginária.
– “Sim, é isso que vai ser, só que vamos pôr alguns ramos a tapar”.
– Rafael, quem é que decide as brincadeiras, aqui?
– “É em conjunto, acho eu. Não, ainda não sei, isso eu não sei, está bem?”

Premiado pela Fundação UEFA for Children, o Brincar de Rua existe há ano e meio. Atualmente envolve 46 crianças, em quatro bairros.

Nos Capuchos, “podem brincar no monte ou no parque”, explica Sofia Rino, mãe e voluntária no projeto, que mobiliza dois monitores por sessão. “Neste caso, estava a mandar uma mensagem à Marta e ela estava a dizer-me que ficou com menos três meninos, ou seja, há três meninos que voltaram para trás, para ao pé de mim, no parque. E vamos gerindo assim, por SMS”.

Francisco Lontro, da associação Ludotempo, responsável pelo Brincar de Rua, a explicar a importância dos limites invisíveis no perímetro de segurança, porque “79% dos pais” responderam em inquérito que “achavam fundamental” a experiência de brincar na rua, mas “não tinham como o fazer”. Daí, adianta, “todo o processo do Brincar de Rua foi criar camadas sobre camadas de segurança” e pensar como podia ser otimizado para “devolver às comunidades a possibilidade de dar esta oportunidade aos miúdos”.

Os adultos não interferem, todo o guião de brincadeiras é construído em tempo real pelos mais novos. Uma questão decisiva, considera Francisco Lontro, para quem “não há autonomia, não há liberdade, sem responsabilidade”. Os objetivos do Brincar de Rua passam por “torná-los mais ativos” e “dar-lhes competências sociais e pessoais para que possam ser livres”, nas brincadeiras e noutras circunstâncias da vida. Para que se tornem “mais resilientes, mais resistentes, mais persistentes”.

Longe dos ecrãs e dos jogos de telemóvel, tablet ou consola, a viver emoções e desafios cara a cara. “Mas também depois há outro fator, que já não se fala tanto, que é a questão da literacia motora, por assim dizer. De ter miúdos que sabem utilizar o seu próprio corpo para saltar um muro, para medir a distância em relação ao outro para não se atropelarem, para construir qualquer coisa a partir de um elemento qualquer natural”, salienta Francisco Lontro.

Um brincar do antigamente, com dia e hora marcada. Que é “uma pedrinha na engrenagem” e permite aos pais “mudar a semana” dos filhos, afirma o presidente da associação Ludotempo.

Próximo passo, Lisboa: o Brincar de Rua está a chegar à freguesia de Carnide. “Os miúdos vivem num bairro, muitas vezes não conhecem sequer os vizinhos do próprio prédio, quanto mais a dinâmica do bairro, e nós queremos inverter isso. Queremos que isto funcione como uma microcomunidade, que facilite as relações entre as pessoas que estão dentro dessa tal microcomunidade do Brincar de Rua. E fomentar que eles, pequeninos, possam ser os embaixadores de um regresso a uma cultura de vivência de bairro”, esclarece Francisco Lontro.

O objetivo da Ludotempo é formar pelo menos 75 grupos comunitários até ao final de 2019. A associação acredita que o brincar está no código genético humano e que a rua nunca vai passar de moda.

Ouvir a reportagem no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/brincar-na-rua-com-dia-e-hora-marcada-9099962.html

Mais informações nos links:

http://www.ludotempo.pt/brincar_de_rua

https://uefafoundation.org/action/brincar-de-rua-street-play/

 

Apresentação do livro “Divórcio e Parentalidade : Diferentes Olhares : Do Direito à Psicologia” – 27 fevereiro no Instituto Alemão em Lisboa

Fevereiro 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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A influência da publicidade no comportamento dos jovens – 14 março na Biblioteca Municipal do Palácio Galveias

Fevereiro 22, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://blx.cm-lisboa.pt/noticias/detalhes.php?id=1275

Rede Care acompanha 446 crianças e jovens vítimas de violência sexual

Fevereiro 21, 2018 às 8:04 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Rene Bernal on Unsplash

 

A APAV assinala amanhã o Dia Europeu da Vítima de Crime com enfoque nos abusos.

São crianças e adolescentes, a maior parte deles abusados por familiares, “pelo pai, pela mãe, pelo padrasto”, descreve a criminóloga Carla Ferreira, gestora técnica da Rede Care, uma unidade especializada em violência sexual que já acompanhou 446 menores vítimas de abusos em dois anos de existência. A Rede Care está integrada nos serviços de proximidade da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima).

A APAV assinala amanhã o Dia Europeu da Vítima de Crime com um seminário/debate sobre o apoio a crianças e jovens vítimas de violência sexual, onde se fará o balanço de dois anos de atividade da Rede Care. “A maior parte das crianças que nos chegam já tem 13, 14 anos mas muitas vezes começaram a ser vítima de violência sexual anos antes, aos 9 ou aos 10”, explica Carla Ferreira.

Esta unidade especializada conta com nove técnicos efetivos, incluindo juristas e psicólogos, que se podem deslocar a qualquer ponto do país para dar apoio a casos urgentes que sejam denunciados à Rede. “A maior parte das denúnicas chega-nos da própria família da vítima e logo a seguir da Polícia Judiciária. Em 2016 e 2017 29% dos casos chegaram por via familiar e 25% através da PJ. Um quarto dessas vítimas ainda está a receber apoio”. A Rede Care providencia um técnico de referência para acompanhar sempre as crianças nas diligências ” e tenta garantir que o menor seja ouvido apenas as vezes necessárias”. A criminóloga nota que “houve um grande impulso dos tribunais em providenciar apoio às crianças vítimas de crimes sexuais que têm de comparecer em diligências judiciais”. Carla Ferreira regista que 9% das denúncias que chegaram à Rede Care nestes últimos dois anos foi através dos tribunais e Ministério Público. As outras participações chegam através dos hospitais e das comissões de proteção de crianças e jovens (CPCJ). A unidade especializada da APAV apoia jovens até aos 23 anos. “Os maiores de idade que tenham sido vítimas de crimes sexuais na infância podem apresentar queixa até aos 23 anos”.

Entre os casos que têm chegado à Rede Care estão também alguns de “crianças filhas de emigrantes que vêm de férias com a família no Verão e acabam por ser vítimas de abusos nesse período”.

A maior parte das participações vem da região de Lisboa e Vale do Tejo, logo seguida do Grande Porto.

O tipo de apoio que é prestado pela unidade especializada é extensível à família da vítima. “As as famílias vão precisando de esclarecimento ao longo do processo, sobre o timing para pedir advogado, para pedir indemnização, etc, e acabamos por ajudar no esclarecimento dessas dúvidas”. Como explica Carla Ferreira, a Rede Care “é uma ponte entre o processo crime e as famílias”. “Há situações que ficam na zona cinzenta, em que as pessoas não são elegíveis para ter o apoio jurídico via Segurança Social nem têm capacidade para pagar a nível particular”. Depois de um primeiro contacto da vítima com a unidade, os técnicos avaliam da necessidade que há (ou não) de apoio psicológico. “Temos de ver se foram atos físicos violentos, qual a relação da criança com o agressor, se tem vindo a acontecer há muito tempo, se há reataguarda familiar ou não. Depois fazemos a avaliação do processo crime como um todo, até para apoiar a vítima e a família”.

 

Notícia de Rute Coelho para o Diário de Notícias em 21 de fevereiro de 2018

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