APSI organiza o Dia Nacional da Segurança Infantil no dia 23 de Maio

Maio 22, 2017 às 12:01 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

 

No próximo dia 23 de Maio, a APSI vai organizar pela primeira vez em Portugal o Dia Nacional da Segurança Infantil.

Cascais foi o concelho escolhido para assinalar esta iniciativa que conta com a co-organização da Câmara Municipal de Cascais. Esperam-se cerca de 500 crianças do 1º e 2º ciclo e a presença de mais de 15 parceiros.

Durante o dia, as crianças irão participar e estar envolvidas em diversas atividades relacionadas com a segurança e hábitos de vida saudáveis.

O momento “alto” do evento reunirá todas as crianças e parceiros em torno da junção (simbólica) dos fatores essenciais para a segurança, que para além de ser um direito da criança, é uma condição fulcral para a sua saúde e bem estar.

A iniciativa decorrerá no Parque Marechal Carmona, em Cascais, das 10h00 às 17h00.

Consulte aqui o Programa.

Escolas devem comunicar a delegados de saúde alunos sem vacinas em dia

Maio 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do http://observador.pt/de 29 de abril de 2017.

As escolas devem comunicar aos delegados de saúde os casos de alunos que não têm as vacinas em dia, determina um despacho do Governo. Objetivo é promover aconselhamento.

Os estabelecimentos de educação pré-escolar, do básico e do secundário devem comunicar aos delegados de saúde coordenadores do respetivo agrupamento de centros de saúde da área de cada escola “os alunos que não se encontrem com a vacinação recomendada atualizada”, determina um despacho do Governo.

O diploma, publicado sexta-feira em Diário da República, indica que é necessário “reforçar os mecanismos de articulação dos estabelecimentos escolares com as autoridades de saúde” no que à vacinação diz respeito.

O objetivo de as escolas transmitirem esta informação aos delegados de saúde é, segundo o despacho, “promover o aconselhamento e esclarecimento adequados”, bem como sensibilizar as famílias para os benefícios da vacinação.

As vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV), que são gratuitas, não são obrigatórias, mas geralmente as escolas, públicas e privadas, pedem o boletim vacinal dos alunos no ato da matrícula ou da inscrição.

A importância de se cumprir o esquema vacinal segundo o PNV tem sido evidenciada pelas autoridades de saúde no atual surto de sarampo em Portugal, que até ao momento já afetou 25 pessoas e levou à morte de uma jovem de 17 anos.

A vacinação é o meio de prevenção mais eficaz contra o sarampo, uma doença altamente contagiosa e que, ainda que geralmente tenha evolução benigna, pode gerar complicações graves e até levar à morte.

 

 

 

Não vacinar crianças. “Memória demasiado curta e arrogância demasiado grande”

Abril 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da http://rr.sapo.pt/ de 17 de abril de 2017.

É “altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook’”, defende o pediatra Mário Cordeiro, para quem os pais que não vacinam os filhos são negligentes e deveriam ser responsabilizados.

Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos e lembra que, até há pouco tempo, se morria de sarampo.

“Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, diz à agência Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração, associados a uma ignorância história e fraca memória.

O surto de sarampo que atinge neste momento a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos. Em Portugal, foram notificados 23 casos desde Janeiro. Onze foram confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge e os restantes estão em fase de investigação.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias.

“Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, o que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação”, explica o médico, que chegou a fazer parte de um grupo de trabalho na Direcção-Geral da Saúde para estudar a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas.

A solução passa, por isso, por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”.

“Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook'”, sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e dos alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, sublinhando que se trata de algo positivo, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela.

“Aliás, todos os dias, a criança contacta com ‘N’ agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que ‘mexem’ com a sua imunidade e a fortalecem”, exemplifica.

Morte por negligência?

O pediatra questiona: “Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”

Mário Cordeiro lamenta que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo.

“É pena que um país que foi declarado ‘livre de sarampo’ há cerca de seis meses e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do ‘não-te-rales'”.

Este ano, já foram reportados mais de 500 casos de sarampo na Europa, que afectam pelo menos sete países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) faz esta segunda-feira, pelas 18h30, um comunicado pormenorizado sobre o surto em Portugal. O director-geral da Saúde, Francisco George já veio sublinhar a importância da vacinação.

“Não há liberdade individual que possa justificar a ausência de vacinação das crianças”, frisa.

Apesar de não ser obrigatória, a maior parte dos pais vacina os seus filhos (95%, segundo o “Diário de Notícias, com base nas estimativas da DGS). Por vacinar ficam, por ano, cerca de 4000 crianças.

A ideia lançada pelo estudo norte-americano, apesar de falsa, instalou-se na Europa e o movimento antivacinação virou moda em várias parte do mundo, tendo já provocado várias vítimas mortais na Europa, nomeadamente na Alemanha.

 

Mais de 95 mil crianças e jovens não estarão vacinados contra o sarampo

Abril 18, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt de 17 de abril de 2017.

Profissionais de saúde também estão em grupo vulnerável de uma doença que pode matar Rui Gaudêncio

Pais que se esqueceram de vacinar filhos, pessoas em situação económica vulnerável ou imigrantes em situação irregular preocupam especialistas. Há 21 casos confirmados.

Joana Gorjão Henriques

Pais que perderam a percepção do risco e se esqueceram de vacinar os filhos. Pais que têm difícil acesso à saúde por razões económicas ou estão em situação irregular em Portugal. Estrangeiros e portugueses que são contra as vacinas. Embora não se saiba o número exacto, cerca de 5% das crianças e jovens até aos 18 anos não estão vacinados contra o sarampo, estima a Direcção-Geral de Saúde (DGS).

Tendo em conta que, de acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), residiam em Portugal, em 2015, cerca de 1 milhão e 900 mil crianças e jovens até aos 18 anos, cerca de 95.600 indivíduos nessa faixa etária (os tais 5%) não estarão vacinados.

Ana Jorge: poderá ser necessário antecipar vacinação de bebés

Este é o perfil de quem compõe as “bolsas de não-vacinados” que estão a preocupar os especialistas, numa altura em que os casos de sarampo confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge já chegam aos 21, informou a DGS em comunicado esta segunda-feira à noite, e um ano depois de a doença ter sido declarada eliminada em Portugal. Vários outros doentes estão em investigação.

Ao final do dia desta segunda-feira, o director-geral da Saúde, Francisco George, questionou os “direitos e deveres” dos pais que não fazem vacinação dos filhos pois “essa decisão não põe em risco apenas as próprias crianças”, tem “um reflexo na comunidade”. Também disse que estava a ser estudada a hipótese de baixar a idade da primeira vacina para antes dos 12 meses.

Actualmente, a vacina do sarampo é administrada em duas doses: uma aos 12 meses e uma segunda aos cinco anos. O grupo mais vulnerável é o das crianças entre os 6 e os 12 meses, “pois já não têm os anticorpos maternos e ainda não fizeram a primeira dose”, afirmou ao PÚBLICO Maria do Ceú Machado, que foi Alta Comissária da Saúde e directora do departamento de Pediatria do Hospital Amadora-Sintra e foi nomeada no mês passado para a presidência do Infarmed.

95% vacinados

Teresa Fernandes, da equipa de coordenação do Programa Nacional de Vacinação (PNV) da DGS, referiu ao PÚBLICO que a percentagem de 95% de pessoas vacinadas corresponde a uma média nacional, mas sublinhou que há pequenas comunidades, a nível local, com taxas mais altas de não-vacinados onde o risco aumenta.

Estas comunidades estão em bairros ou são famílias, são “pequenas populações”, afirmou. A DGS sabe onde estão as crianças que não cumpriram o PNV, mas ao PÚBLICO a especialista preferiu não especificar a sua dispersão geográfica para não lançar o pânico. “A nível local e regional estão a ser desenvolvidas acções” de sensibilização para conseguir a sua vacinação, acrescentou.

As “bolsas de não-vacinação” preocupam os especialistas, já que, como explicou Ricardo Mexia, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, a existência de um grupo que não esteja vacinado aumenta a probabilidade de contágio e de propagação da doença.

Em 2001, a taxa de vacinação era de 98% e em 2007 tinha baixado para 95%, lembra Ricardo Mexia. A vacina do sarampo tem “imunidade de grupo”, ou seja, têm de estar mais de 95% das crianças vacinadas para a população estar protegida, explica, por seu lado, Maria do Céu Machado, actualmente directora do departamento de Pediatria do Hospital Santa Maria.

Teresa Fernandes revelou ainda que as taxas mais baixas da cobertura da vacina foram detectadas sobretudo em crianças que tinham sete anos em 2016 e que não receberam a segunda dose.

Para esta especialista, apesar de, a nível europeu e mundial, existirem pais que não vacinam os filhos por serem contra, em Portugal esse fenómeno ainda não gera preocupação. Também Luís Varandas, da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, não o considera problemático. “Podemos especular sobre as razões do reaparecimento [do sarampo] mas uma delas prende-se com a própria doença que é altamente contagiosa e não precisamos de muitos casos para se propagar”, comenta. “O outro aspecto são as bolsas de não-vacinação em termos europeus, porque há muito sarampo na Europa. E outro é a mobilidade: alguém que está em período de incubação e se desloque, facilmente transmite a doença. Se todos os anos temos 1% da população que não está vacinada, ao fim de cinco anos temos uma pool de pessoas não imune relativamente alto.”

Clusters de estrangeiros”

Já Maria do Ceú Machado diz que há “clusters de estrangeiros (sobretudo belgas e alemães) e alguns portugueses que se dizem esclarecidos”, nomeadamente um grupo nos arredores de Lisboa, que opta pela não-vacinação.

Segundo o Centro Europeu de Controlo de Doenças, o sarampo cresceu na Europa e quase todos as situações terão ligação ao surto que começou na Roménia em Fevereiro de 2016, país que lidera o número de surtos com mais de quatro mil casos, diz a Lusa. A agência refere que nos primeiros quatro meses do ano houve mais casos de sarampo em Portugal do que na última década.

As razões do reaparecimento do sarampo em Portugal ainda estão a ser analisadas. Francisco George lembrou que é necessária uma pesquisa grande já que o período em que pode haver contágio antes de aparecerem as erupções na pele é de até quatro dias e a incubação pode chegar às três semanas.

Só a partir de 1990 é que a vacina do sarampo foi generalizada em Portugal – por isso quem nasceu entre 1974 e 1990, em princípio, só recebeu uma dose. Até 1974, quando foi introduzida a vacina do sarampo no PNV, a maioria dos adultos contraía sarampo, pelo que nessa faixa etária há mais pessoas imunes. Neste momento, as recomendações são uma dose para os adultos. Em caso de dúvida sobre se se está ou não vacinado, deve-se vacinar, aconselha Teresa Fernandes.

Grupos vulneráveis

Além das pessoas que não estão vacinadas e das crianças até aos 12 meses, os profissionais de saúde e pessoas que não tiveram segunda dose estão entre os grupos vulneráveis, afirma Luís Varandas. “E quanto maior o tempo de contacto, maior a probabilidade de contrair a doença.”

A equipa do PNV está a chamar as crianças que não estão vacinadas. A vacinação não é 100% eficaz, mas a probabilidade de alguém vacinado apanhar sarampo baixa significativamente – além de se tornarem menos graves os sintomas, como febre, erupções cutâneas, tosse ou conjuntivite. O sarampo é uma das principais causas de morte de crianças no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As encefalites, pneumonia e otites que degeneram em surdez são algumas das consequências mais perigosas.

A Teresa Fernandes, da DGS, rejeita a ideia de epidemia. Como a doença foi declarada eliminada pela OMS, “há um número de casos acima do esperado”. Também Luís Varandas não acredita num surto, mas diz que ” vai haver mais casos”.

Notícia corrigida: é encefalites e não encefalias

 

 

 

Pais que não vacinem os filhos devem ser responsabilizados, afirma pediatra

Abril 18, 2017 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de abril de 2017.

PAULO RICCA / PUBLICO

Mário Cordeiro lamenta falta de vacinação por parte dos pais e considera que a solução passa por desmitificar as falsas afirmações que se propagam pelas redes sociais contra a vacinação.

Lusa

O pediatra Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos, considerando que deviam ser responsabilizados pelas consequências dos seus actos, apesar de reconhecer que é difícil instituir a obrigação de vacinar. “Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”, questiona Mário Cordeiro em declarações à Lusa.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias. O surto de sarampo que está a atingir a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos.

O pediatra fez parte de um grupo de trabalho que estudou na Direcção-Geral da Saúde a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas. “Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação”, afirmou o médico.

Mário Cordeiro acredita que a solução não passa por tornar obrigatório, mas antes por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”. “Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, declarou à Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração associados a uma ignorância história e fraca memória. “Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook’”, sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e de alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Perante isto, Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, mas indicando que se trata de uma coisa positiva, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela. O especialista recorda que, “aliás, todos os dias, a criança contacta com ‘N’ agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que ‘mexem’ com a sua imunidade e a fortalecem”.

Mário Cordeiro lamenta ainda que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo: “É pena que um país que foi declarado ‘livre de sarampo’ há cerca de seis meses, e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do ‘não-te-rales’”.

Desde Janeiro foram notificados 23 casos de sarampo em Portugal e mais de 500 casos de sarampo foram reportados só este ano na Europa, afectando pelo menos sete países, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

 

Sarampo : Saiba os riscos, conheça o seu estado vacinal, proteja-se!

Abril 18, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Vacinar ou não vacinar as crianças? Vale a pena perguntar?

Abril 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto do http://observador.pt/ de 22 de março de 2015.

Ana Cristina Marques

Vera Novais

Andreia Reisinho Costa

23 casos de sarampo levam o diretor-geral de Saúde a admitir uma epidemia. DGS alerta para a necessidade de se vacinar as crianças. Neste artigo ouvimos os argumentos de quem vacina e não vacina.

(Este artigo foi inicialmente publicado a 22 de março de 2015 na sequência da moda anti-vacinação na Europa e nos EUA e foi atualizado esta segunda-feira, 17 de abril, depois de o diretor-geral de Saúde ter admitido a existência uma epidemia de sarampo em Portugal)

“Assim que nascem, as crianças recebem logo vacinas. É dar doenças para que os corpos consigam reagir e ganhar imunidade. Isto é uma aberração”. Ágata Mandillo não se arrepende da escolha que fez. É mãe de duas meninas de 12 e nove anos que não são vacinadas, de todo. “Para mim, não é óbvio dar vacinas só porque sim”, explica ao Observador, defendendo o “mínimo de interferências artificiais possíveis” nos corpos das filhas. Esta mãe, de 31 anos, recebeu apenas algumas vacinas na infância. A escolha, ponderada pelos pais, era muito mal vista na época, especialmente pelos avós, ambos médicos. “Era uma atitude ainda mais marginal na altura”.

As filhas de Ágata Mandillo fazem parte de uma minoria em Portugal, que tem uma das maiores taxas de vacinação do mundo. Mas os movimentos de antivacinação na Europa e nos Estados Unidos têm mostrado que consequências podem ter a recusa vacinal. Nos Estados Unidos, há pelo menos sete surtos distintos de sarampo espalhados por diversos Estados e, no final do mês de fevereiro, morreu uma criança na Alemanha vítima desta doença. A Alemanha é um dos países em que a taxa de vacinação contra o sarampo está abaixo da recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

Os pais devem procurar informar-se sobre a vacinação, afirma ao Observador o presidente da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SIP/SPP), Luís Varandas. “No entanto, é preciso ter algum cuidado com o que se lê e onde se lê”, alerta. “Existe muita informação falsa a circular que os pode deixar algo confusos.” O médico não conhece nenhum pediatra que desaconselhe o uso de vacinas, nem encontra justificação para que isso pudesse acontecer.

“As vacinas são dadas na altura mais conveniente para proteger as crianças”, explica ao Observador o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Mário Jorge Santos. A seguir à melhoria da qualidade da água e do saneamento básico, a vacinação é o fator mais importante para a redução da mortalidade infantil, acrescenta o médico. “A vacina corresponde a uma prioridade preventiva e é a forma de evitar doenças que sem essa vacinação podem atingir uma criança ou um jovem”, diz ainda o pediatra João Gomes Pedro. “Vivemos cada vez mais uma medicina preventiva destinada a evitar males maiores.”

Etelvina Calé, consultora na Direção de Serviços de Promoção da Saúde e Prevenção da Doença, na Direção-Geral de Saúde (DGS), considera que, embora o Plano Nacional de Vacinação não seja obrigatório, é “fortemente recomendado”, porque é a medida que tem melhor relação custo-benefício em questões de saúde. A médica lembra que “as vacinas [do plano] são universais e gratuitas”. Isto quer dizer que todas as pessoas que residam em Portugal podem ser vacinadas, mesmo que não sejam cidadãos nacionais, sem precisarem de prescrição médica e sem pagarem nada pelas vacinas do Plano Nacional de Vacinação (PNV).

Apesar das recomendações oficiais, Ana (nome fictício), de 36 anos, também escolheu um caminho semelhante ao de Ágata Mandillo. A vida passada entre Portugal e a Holanda, país onde existem movimentos antivacinação fortes, ajudou a fomentar uma atitude crítica, pelo que a mãe de dois rapazes com 14 e oito anos optou por fazer um “percurso de vacinação próprio”, em vez de seguir o Plano Nacional de Vacinação. “Procurei entidades que não aconselham nem desaconselham a vacinação, mas que convidam os pais a tomar uma decisão responsável.” Por esse motivo, escolheu que vacinas dar e não dar aos filhos — recusou-se, por exemplo, a administrar a do sarampo.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa e sem cura, mas pode ser prevenida pela imunização com as duas doses da vacina tríplice (contra sarampo, papeira e rubéola). Na Europa, os movimentos antivacinação têm reduzido a taxa de cobertura das vacinas e aumentado os casos de sarampo em alguns países. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2008-2009 houve surtos de sarampo na Alemanha, Áustria, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Espanha, França, Itália e Polónia.

A Alemanha vive agora o maior surto de sarampo dos últimos dez anos, com quase 600 casos. Este surto, que causou a morte de uma criança de 18 meses há menos de um mês, já provocou um aceso debate sobre a possibilidade de tornar a vacinação compulsiva num país onde ela não é obrigatória, tal como escreve a BBC. O perigo de contágio devido à não-vacinação levou a DGS a emitir um comunicado alertando todos aqueles que decidam viajar, mesmo que para a Europa, a terem a vacina do sarampo em dia.

Também nos Estados Unidos se vive o maior surto de sarampo dos últimos 15 anos. A situação que se iniciou num parque de diversões da Disney, na Califórnia, já atingiu mais de cem pessoas desde dezembro de 2014. Esta doença tinha sido considerada eliminada dos Estados Unidos no ano 2000, mas isso não quer dizer que a vacinação possa ser interrompida, porque a doença ainda não foi erradicada do planeta. O avanço rápido do surto deve-se a falta de vacinação ou à vacinação incompleta nos sete estados afetados, segundo um estudo divulgado pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano. Só desde o início deste ano, ocorreram mais três surtos – Illinois, Nevada e Washington – não relacionados com o do parque temático da Califórnia. O país tem neste momento pelo menos sete surtos distintos.

O objetivo da OMS era erradicar o sarampo até 2015, mas a meta ficou longe de ser cumprida. Em Portugal, o sarampo foi considerado eliminado em 2004 e desde essa altura todos os casos (22) foram importados ou derivaram destes (casos secundários), diz Etelvina Calé (DGS). Também nos Estados Unidos o atual surto da Califórnia poderá ter tido origem em alguém que contraiu a doença fora do país, mas a fonte ainda não foi identificada. A falta de vacinação nos países ditos desenvolvidos deve-se sobretudo a movimentos antivacinação com motivações várias, mas há países onde as crenças religiosas têm impedido a vacinação das crianças, como a Nigéria, o Afeganistão ou o Paquistão – os únicos países endémicos de poliomielite.

“Não vacinar é um ato de negligência”

Embora não se conheçam, as razões que levam as duas mães a ser adeptas da não-vacinação são semelhantes. Ana alega falta de confiança nas vacinas e questiona a sua composição, com receio que sejam tóxicas. Lembra também um estudo que relacionou a vacina do sarampo com problemas intestinais nas crianças e com o aparecimento do autismo. Já Ágata Mandillo diz que, para ela, “a ciência ainda não conseguiu provar que as vacinas fazem bem nem que não fazem mal”.

A ideia de que os excipientes das vacinas são tóxicos não são mais do que uma “crendice”, diz o médico de saúde pública Mário Jorge Santos. Esses componentes têm pouca interação com o organismo. “São escolhidos porque são os mais seguros.” O pediatra João Gomes Pedro atribui esses receios a “várias fantasias e medos”, sobretudo quando se associa as vacinas ao autismo sem que haja “qualquer evidência científica que relacione as duas coisas”.

A ligação entre o autismo e a vacina tríplice, que inclui a vacina contra o sarampo, foi feita em 1998 por Andrew Wakefield num estudo publicado na conceituada revista médica Lancet. Muitos cientistas questionaram a opção de publicação de um estudo que incluía apenas 12 crianças e que, portanto, não poderia ser conclusivo. Ainda assim, várias equipas diferentes tentaram replicar o estudo sem nunca terem obtido o mesmo tipo de resultados. Mais tarde descobriu-se que os dados apresentados tinham sido manipulados e que o autor tinha recebido dinheiro de partes interessadas para publicar esta informação corrompida. O artigo científico foi considerado fraudulento e o autor completamente descredibilizado. Ainda assim, há quem continue a usar esta publicação para fazer valer os seus argumentos.

Na contestação das vacinas, Ana vai mais longe dizendo que acredita ser mais vantajoso para as crianças apanharem as próprias doenças do que receberem vacinas. Mas não ignora que há “doenças mais perigosas do que outras”, pelo que faz sentido que “a sociedade queira defender-se disso”. Em causa está a ideia de que o sistema imunitário deve travar uma batalha sozinho, sem a ajuda das vacinas: “Sinto que o sistema imunitário funciona bem se a pessoa se alimentar bem, fizer desporto e dormir as horas certas”. E reitera: “Prefiro que o meu filho tenha a doença do que a vacina”.

Uma pessoa que tenha uma alimentação equilibrada, faça exercício físico e mantenha um estilo de vida saudável terá um sistema imunitário melhor preparado para lidar com as infeções, concorda Mário Jorge Santos. Mas rejeita a afirmação de que ter a doença é melhor. Até porque muitas destas doenças podem matar ou provocar incapacidades permanentes. O médico diz que o efeito que uma vacina tem no sistema imunitário é equivalente ao efeito que teria uma doença, mas sem os riscos dessa doença. As reações adversas da vacinação, segundo a DGS, não vão normalmente além do inchaço, comichão e vermelhidão na zona da picada ou de uma febre passageira. Mais raramente reportam-se casos de cefaleias, choro prolongado, mal-estar ou reações anafiláticas.

O médico de saúde pública afirma sem pudor que “não vacinar é um ato de negligência”. “Os pais têm o dever de zelar pelo superior interesse dos filhos, de garantir o bem-estar da criança.” Não vacinar os filhos não é uma opção que deva ser tomada pelos pais, “eles não são donos dos filhos”. Além de colocarem os próprios filhos em risco, os pais que optam pela não-vacinação colocam outras crianças em risco também, porque o sucesso da vacina não chega aos 100% (dependendo da vacina pode estar entre 95 e 97%). Nestes casos o que garante a proteção das crianças é a imunidade de grupo e isso só se consegue com taxas de vacinação superiores a 95% dos elementos de um grupo (por exemplo, crianças numa escola).

O pediatra Luís Varandas considera que não vacinar os filhos “é uma atitude egoísta”. Os pais que decidem não vacinar só continuam a ter os filhos em segurança porque as crianças vacinadas lhes garantem a imunidade de grupo. “Mas, a médio/longo prazo é uma atitude perigosa pois irão criar-se bolsas de crianças/adultos suscetíveis às doenças e que, se o agente infeccioso for introduzido na comunidade, poderá dar origem a surtos [da doença].”

As queixas das duas mães que escolheram não vacinar os filhos centram-se também no Plano Nacional de Vacinação. Para Ana o plano contempla muitas vacinas, razão pela qual “é uma violência muito grande” e tem interesses económicos e políticos à mistura. “Se o Estado dá as vacinas, não pode haver empresas a lucrarem com isso”, argumenta, salientando que é uma questão de ética (ou falta dela). Ágata Mandillo concorda com os mesmos argumentos e defende que o princípio das vacinas é bom. O mesmo não pode dizer do PNV.

Uma posição completamente oposta tem Catarina Oliveira, mãe de uma bebé com 19 meses. “Confio totalmente em quem decide as vacinas do plano.” A consultora de comunicação, de 31 anos, confessa que não seria capaz de deixar de proteger a filha através da imunização: “Sabemos que há vacinas que salvam vidas. Por alguma razão existe um plano nacional para os primeiros anos de vida.”

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública lamenta que algumas vacinas sejam tão caras, mas admite que os custos de desenvolvimento de uma vacina podem ser muito elevados. Porque estão incluídos não só o estudo da vacina que foi aprovada, mas de todas aquelas que durante o processo tiveram de ser descartadas por não cumprirem os objetivos a que se propunham. No entanto não tem dúvidas em afirmar que na relação custo-benefício as vacinas são muito mais vantajosas. É mais barato vacinar todas as crianças do que tratar as doenças que possam vir a ter. “Como o Plano Nacional de Vacinação se compra em larga escala, as vacinas ficam muito mais baratas.”

Além do PNV existem algumas vacinas facultativas que são recomendadas por alguns médicos pediatras. Sobre essas, Mário Jorge Santos considera que é preciso avaliar se as doenças constituem realmente um perigo para a saúde pública, o custo que têm, a eficácia e os estudos que existem sobre elas. Além disso, acha que quem deve decidir sobre a saúde pública são os médicos desta especialidade. “Não me atreveria a opinar sobre como um cirurgião deveria fazer uma cirurgia.”

Escolas ajudam à vacinação

Considerando que imunização de grupo funciona quando pelo menos 95% da comunidade está vacinada e que a maior parte destas doenças preveníveis por vacina afetam mais as crianças, o contexto escolar revela-se de particular importância. O Ministério da Educação e Ciência recomenda que seja verificado o boletim de vacinas da criança no ato da matrícula. Mas mesmo que as vacinas não estejam em dia, a criança não é impedida de ir à escola. O conselho é que os pais sejam alertados para a situação assim como as autoridades de saúde.

Ágata Mandillo e Ana acusam as escolas de “exigirem” que as crianças tenham as vacinas. “Não existe nenhuma lei que obrigue os pais a vacinar e nenhuma escola pode exigir isso”, diz Ana. “Não fazemos apenas aquilo a que somos obrigados. Temos valores mais elevados do que as obrigações”, contrapõe Mário Jorge Santos. Etelvina Calé, da Direção de Serviços de Promoção da Saúde e Prevenção da Doença, acrescenta que se trata de uma “parceria entre a educação e a saúde”, em que os pais são sensibilizados para a importância da vacinação. O médico de saúde pública refere que é importante fazer ações nas escolas onde há grupos de crianças cujos pais pertencem a comunidades que preferiam não vacinar. “Os pais que optam pela não-vacinação não estão bem informados, mas quando são elucidados preferem vacinar.”

Catarina Oliveira nunca colocou a hipótese de não vacinar a filha e também não imaginava que fosse possível inscrever crianças na escola se não tivessem as vacinas em dia. Lembra ainda que a única pessoa que conheceu que nunca tivesse vacinado os filhos foi uma enfermeira com quem um dia se cruzou. “Ela considerava que as vacinas não eram assim tão importantes e que o organismo das crianças tinha a capacidade de se defender”, conta a consultora de comunicação. O pediatra Luís Varandas considera que “as vacinas estão a ser vítimas do seu próprio sucesso”. Como as doenças já não matam tantas pessoas como no passado, as pessoas consideram que já precisam proteger-se. Lembre-se que a varíola, a doença contra a qual foi criada a primeira vacina, foi considera erradicada pela OMS em 1980. A erradicação desta doença só foi possível graças à vacinação.

O Observador contactou alguns agrupamentos escolares públicos e os responsáveis não se lembram de casos em que as famílias não quisessem vacinar as crianças, apenas algumas situações de vacinas em atraso por esquecimento. Tirando o encaminhando das famílias para o centro de saúde, não tem outros procedimentos previstos. E nos estabelecimentos de infância da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ainda que a criança seja recomendada a fazer a vacinação completa, não é impedida de frequentar a escola. O único impedimento é a não-apresentação de “uma declaração médica comprovativa de como a criança pode frequentar o estabelecimento”.

Os casos de crianças que se tentam inscrever nas escolas públicas ou privadas são ainda tão raros que António Ponces de Carvalho, presidente da Associação de Jardins Escola João de Deus, nunca esteve perante uma situação destas. “Tentamos que as crianças não entrem sem ter as vacinas em dia, por uma questão de proteção da criança e dos outros.” Caso se visse numa situação em que uma família tentasse inscrever uma criança não vacinada admite que convocaria uma reunião com outros pais e pediria pareceres médicos.

O pedido de declarações médicas às crianças não vacinadas pode ser uma tentativa de salvaguarda da escola. Ágata Mandillo não gostou quando lhe pediram uma minuta “em que a pessoa se responsabilizava judicialmente pelos danos causados por aquela opção”. A jurista Paula Policarpo considera que esta atitude da escola pode ser excesso de zelo. A verdade é que, caso os pais tenham sido avisados sobre os riscos da não-vacinação, podem ser responsabilizados por um surto da doença na escola. Mas para isso é preciso provar que o surto teve origem na criança não vacinada. A jurista lembra ainda que assinar uma declaração não evita que as outras crianças da escola fiquem em risco.

Mas não é só no acesso à escola que é exigido o boletim de vacinas. Também os candidatos a funções públicas devem ter as vacinas em dia sob pena de serem excluídos do concurso. Ao médico de saúde pública, Mário Jorge Santos, não lhe parece estranho. “Ninguém é obrigado a ser funcionário público.” E acrescenta que conhece empresas privadas que exigem aos trabalhadores não só as vacinas do PNV, mas outras. É uma forma de reduzir o absentismo no trabalho.

O certo é que, atualmente, Ágata Mandillo confessa que se sente bem com as decisões que tomou e está convencida que ambas as filhas têm um “ótimo sistema imunitário”. São duas crianças muito saudáveis, diz, que tiveram varicela e constipações. “Estou contente com as minhas escolhas, apesar do preço que tive de pagar.” A mãe refere-se ao estigma em torno da não-vacinação, contra o qual continua a debater-se hoje em dia. Porque o tema ainda é tabu.

“O que faz confusão é não haver discussão sobre isso, ser um dogma”, atira Ágata Mandillo, dizendo que é a falta de debate que faz com que algumas pessoas tomem decisões mais radicais. “A vacinação não é debatida. Faz-me confusão que ainda hoje não se consiga falar sobre isso”. A gerente do restaurante não tem pretensões de estar correta. “Fiz uma escolha e acho que devo ser respeitada por isso.”

Ana aborda o mesmo problema e fala criticamente na relação entre doutores e pacientes: “Hoje em dia pomos muito da nossa saúde na mão dos médicos e da indústria farmacêutica.” E refere que em Portugal, ao contrário da Holanda onde viveu muitos anos, existe uma cultura muito “enraizada” de tomar remédios para tudo. O pediatra João Pedro Gomes defende que a “intervenção dos profissionais de saúde não deve ser traumatizante, eles devem respeitar as opiniões e sensibilidades dos pais, mães e famílias”. Mas também considera que o papel dos profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, passa por explicar o que é a evidência científica.

O Observador tentou contactar outros profissionais que recomendam alternativas às vacinas, como pediatras homeopatas ou homeopatas que trabalham com crianças, mas estes recusaram-se a responder alegando falta de tempo ou receio de receberem represálias dos leitores. A Associação Portuguesa de Homeopatia e a Associação para a Medicina Antroposófica em Portugal também não se mostraram disponíveis.

Ainda esta semana morreu, na Austrália, um bebé de quatro semanas com tosse convulsa. Uma situação que começa a ser cada vez mais frequente também na Europa. A criança só recebe a primeira vacina contra a doença aos dois meses e os pais podem ser os principais transmissores da doença. Por isso, está em estudo a recomendação de vacinar jovens adultos para reduzir a possibilidade de passarem a doença aos filhos.

A vacinação pretende proteger ao longo da vida ou, pelo menos, durante os períodos em que as crianças e adultos estão mais sensíveis à doença. “Um mundo sem vacinas, é um mundo aterrorizador para crianças e jovens”, insiste Mário Jorge Santos.

 

 

 

Crise: Nascem mais bebés com baixo peso

Abril 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Notícia da http://www.tsf.pt/ de 24 de março de 2017.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Impact of the global financial crisis on low birth weight in Portugal: a time-trend analysis

Nuno Guedes

Estudo inédito no mundo analisou crise e peso à data do nascimento em Portugal. Investigadores dizem que relação é evidente e afetou filhos de imigrantes.

Há muitos estudos sobre os efeitos das crises económicas, mas nunca nenhum tinha avaliado o impacto sobre o baixo peso dos bebés. Um grupo de cinco investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto avaliou dados oficiais dos 2 milhões de nascimentos registados em Portugal entre 1995 e 2014 e concluiu que a crise fez aumentar os casos de bebés nascidos com baixo peso.

Contudo, ao analisarem de forma mais detalhada os dados, perceberam que esse aumento, fruto da crise, atingiu apenas as famílias de imigrantes, que apesar de representarem 4% das mulheres a viverem em Portugal, têm cerca de 10% dos bebés nascidos em território nacional, travando a crise demográfica que o país tem vivido.

Um dos autores do estudo explica que a medicina já provou que as crianças que nascem com menos de 2,5 quilos têm uma desvantagem relevante na sua saúde futura, com maior probabilidade de doenças crónicas ao longo da vida.

Razões que levam Henrique Barros, também presidente do instituto, a dizer à TSF que os resultados a que chegaram são muito importantes para a saúde pública. O investigador afirma que os impactos das crises económicas já foram muito estudados, mas nunca no mundo se fez uma análise aos bebés com baixo peso.

Há vários anos que Portugal tem cada vez mais bebés que nascem com o que está definido como pouco peso, em resultado, por exemplo, de mães cada vez mais velhas e do tabaco.

Henrique Barros sublinha, contudo, que os dados que recolheram revelam que essa tendência acelerou nos anos depois da crise financeira de 2007-2008 e de forma muito mais acentuada nas mães imigrantes, algo que segundo o investigador reforça a conclusão a que chegaram sobre o impacto evidente da crise.

Entre 2006 e 2014, a prevalência de nascimentos em Portugal com baixo peso passou de cerca de 6% para 7%, mas os investigadores dizem que a tendência de subida já vinha dos anos antes da crise.
Nas mulheres imigrantes essa tendência é mais notória, não apenas porque subiu 1,5 pontos percentuais, mas também porque na década anterior a tendência era de descida.

Perante estes resultados, o estudo publicado na revista científica BMJ Global Health propõe que o governo reforce as políticas sociais para as grávidas estrangeiras, trabalhadoras, ou noutras situações vulneráveis, mantendo a igualdade, efetiva, na saúde durante a gestação.

Para avaliar a forma como de facto são acompanhadas as grávidas imigrantes em Portugal, o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto lança esta semana um projeto que pretende estudar 3 mil grávidas em maternidades ou hospitais de todo o país, numa investigação financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

 Declarações à TSF de Henrique Barros no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/crise-aumenta-bebes-nascidos-com-baixo-peso-5746297.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1490339598

 

 

Intensa prática desportiva na adolescência altera coração dos atletas

Março 24, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

 

É a principal conclusão de um estudo da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, divulgado esta terça-feira, que alerta para a necessidade de maior acompanhamento médico.

A prática desportiva intensa e a competição na adolescência provocam alterações no coração dos atletas, conclui o estudo. A investigação foi conduzida pelo docente Joaquim Castanheira, do Departamento de Fisiologia Clínica, no âmbito da sua tese de doutoramento, e intitula-se “Participação Desportiva, Crescimento, Maturação e Parâmetros Ecocardiográficos em Jovens Masculinos Peri-Pubertários”.

Segundo um comunicado da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), o estudo detetou “diferenças significativas no tamanho, espessura das paredes e massa ventricular esquerda entre jovens desportistas e não desportistas, por um lado, e entre atletas de uma modalidade de nível local e de nível internacional, por outro, relacionando as diferenças encontradas com a prática de treino intensivo e de competição”.

“Verificámos que, na mesma modalidade desportiva com metodologias de treino semelhantes, há diferenças significativas para a massa ventricular esquerda entre atletas de nível local e de nível internacional, parecendo que esta é influenciada pelo maior grau de exigência e de sucesso”, disse o investigador Joaquim Castanheira, citado no documento.

O estudo teve como objetivo explicar o efeito do treino continuado na remodelagem cardíaca em jovens atletas do sexo masculino, em fase de crescimento, com idades entre os 13 e os 17 anos, uma vez que a maior parte dos estudos conhecidos foram realizados em atletas adultos, dividindo-se em quatro áreas transversais – atletas internacionais e adolescentes saudáveis não atletas, atletas de várias modalidades federadas há mais de cinco anos, basquetebolistas locais e internacionais, e judocas convocados para estágios da seleção nacional.

A investigação constatou ainda a necessidade de acompanhamento médico, previamente e durante a prática desportiva: “Mesmo as crianças devem fazer testes médicos antes de praticar desporto de competição, para despistar eventuais problemas”, afirma o docente.

Durante os testes realizados aos 382 atletas que constituem a amostra, o docente Joaquim Castanheira constatou que uma grande percentagem nunca realizou um ecocardiograma e uma pequena percentagem apresentava mesmo alterações estruturais ao nível do coração.

Embora habitualmente os atletas de competição realizem um eletrocardiograma anualmente, “todos os atletas, mesmo os mais jovens, deviam realizar pelo menos um ecocardiograma antes de iniciar a prática de desporto de competição”, uma vez que há alterações da estrutura cardíaca que são detetadas por este exame, refere o comunicado da ESTeSC.

 

Artigo da TSF em 14 de março de 2017

Estudo revela que fumar na gravidez pode causar problemas na visão dos filhos

Março 23, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

 

As mulheres que fumam durante a gravidez, aumentam a probabilidade de os filhos desenvolverem um determinam tipo de problema na retina.

Este dano também foi verificado quando os bebes nasciam com menos peso do que o normal.

Foi um estudo publicado na revista JAMA Ophthalmology quem revelou o problema. Este estudo foi levado a cabo por várias universidades e institutos da Dinamarca, onde foram analisadas 1406 crianças dinamarquesas que ou tinham nascido com peso a menos ou que tinham sido expostas ao fumo do tabaco ingerido pela mãe durante a gravidez.

Segundo o estudo, 80% das mães não fumavam durante a gravidez, 2% tinham deixado de fumar quando engravidaram e 18% continuaram a fumar no período de gestação.

O fumo do tabaco fez com que a camada de fibra nervosa da retina fosse 5,7 micrómetros mais fina do que a das crianças cujas mães não fumavam. Quanto ao peso, as crianças que tinham um menor peso apresentavam uma camada de fibra nervosa da retina 3,5 micrómetros mais fina.

Ambos os fatores se mostraram determinantes, ainda que de forma independente, para o desenvolvimento de problemas na camada de fibra nervosa da retina, sendo que esta apresentava ser mais fina entre os 11 e os 12 anos.

 

Jornal i em 9 de março de 2017

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.