As crianças de Idomeni

Abril 19, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do Público de 6 de abril de 2016.

MARKO DJURICA

MARKO DJURICA

O campo de Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Macedónia, era um pequeno local de passagem para cerca de 500 pessoas antes de a Macedónia ter fechado as portas, no início de Março. Transformou-se rapidamente numa pequena cidade com mais de 11.000 habitantes com tendas enterradas em lama e expostas à chuva, ao vento e ao frio. De acordo com os Médicos Sem Fronteiras (MSF), 40% desta população são crianças. Algumas nasceram já no campo, em condições desumanas. “Há muitos bebés no campo e estão especialmente vulneráveis a infecções respiratórias”, afirmou no início de Março o coordenador dos MSF em Idomeni, Christian Reynders. “À noite, as pessoas acendem fogueiras para se aquecerem. Queimam tudo, madeira, sacos de plástico, roupas velhas. O fumo é tóxico e receamos que as infecções respiratórias possam causas problemas graves no sistema respiratório destas crianças”, acrescentou. “Idomeni não foi planeado para ser um campo com todas as condições”, disse um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Babar Baloch, ao Financial Times. No Twitter, Baloch descreveu o campo de Idomeni como “uma demonstração da miséria humana”.

Ainda assim, para muitas crianças, Idomeni é a agora a sua casa e ali também se brinca. Muitas organizações não governamentais direccionam as suas actividades para os mais novos. A situação degrada-se a cada dia, numa altura em que  as operações de deportação de migrantes e requerentes de asilo da Grécia para a Turquia parecem não impedir a chegada de mais refugiados à Grécia. Sarala, 20 anos, está em Idomeni com a filha, que tinha 15 dias de vida quando fugiram de Idlib, na Síria. À Reuters, Sarala contou que o seu objectivo é chegar à Alemanha. “Vou ficar no campo até abrirem as fronteiras. Fui das primeiras a chegar. Não quero perer a oportunidade de passar”.

mais fotografias no link:

http://www.publico.pt/multimedia/fotogaleria/as-criancas-de-idomeni-359885#/0

 

Pode-se prevenir o Síndrome da Morte Súbita?

Abril 14, 2016 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Texto da Visão de 11 de abril de 2016.

Hugo Rodrigues

PEDIATRIA

Apesar de não se saber qual a causa da morte súbita nos bebés, estão identificados alguns factores de risco e de prevenção, pelo que convém reforçar alguns conselhos

Síndrome da Morte Súbita do lactente é algo assustador e que, na verdade, não se sabe muito bem por que razão acontece. Basicamente, diz respeito a uma paragem cardio-respiratória que acontece em bebés pequenos saudáveis (até aos 12 meses de idade). O risco é maior nos primeiros 4-6 meses de vida e na maior parte dos casos está associado ao sono.

Apesar de não se saber qual a causa, estão actualmente identificados alguns factores de risco e factores protectores para esta situação, pelo que convém reforçar alguns conselhos:

1 – Coloque sempre o seu bebé a dormir de barriga para cima.

Grande parte das pessoas acredita que a posição mais segura para os bebés dormirem é “de lado”. No entanto, isso não é verdade, já que dormir de barriga para cima previne cerca de três vezes mais o Síndrome da Morte Súbita do lactente do que dormir de lado. De um modo geral, os pais não gostam muito dessa posição porque têm medo que o bebé regurgite ou vomite e que acabe por asfixiar, mas hoje em dia sabe-se que esse risco não está aumentado quando os bebés dormem de barriga para cima.

São poucas as situações que contra-indicam dormir nessa posição e incluem apenas as malformações vertebrais ou então casos excepcionalmente graves de refluxo gastroesofágico (bebés tão bolçadores que não engordam o que devem ou têm complicações pulmonares). Nesses casos é aceitável que os bebés durmam de lado, mas são claramente excepções à regra.

Por fim, é fundamental frisar também que dormir de barriga para baixo é a posição menos segura a adoptar, pelo que não deve ser aconselhada em nenhuma situação.

2 – Use pouca roupa de cama.

A principal fonte de calor para os bebés deve ser a roupa que têm vestido, bem mais do que a roupa que utilizam na cama. Deve-se usar apenas 1 edredão ou cobertor ou manta, que deve ser bem preso de lado abaixo das axilas do bebé, deixando-lhe os braços livres. Os “ninhos” ou sacos-cama de bebé são também uma boa opção.

3 – Evite o sobreaquecimento.

A temperatura ideal para o quarto do bebé situa-se entre os 18-21ºC, pelo que deve ser essa a opção dos pais (exceto na altura do banho, em que o quarto deve estar mais quente). É sempre importante reforçar também a ideia de que os bebés não têm só frio (têm também calor) e que o sobreaquecimento pode ser perigoso, para além de desconfortável.

4 – Evite o contacto com o fumo de tabaco.

O fumo passivo é um factor de risco para o Síndrome da Morte Súbita do lactente, seja durante a gravidez, seja depois do nascimento do bebé. Esse risco existe quer seja a mãe ou o pai a fumar e está ainda mais aumentado se forem ambos fumadores.

5 – Não coloque brinquedos, fraldas ou almofadas na cama do bebé.

Os bebés pequenos não conseguem afastar de forma adequada qualquer objecto que se coloque em frente à cara deles, pelo que na cama deve estar só o bebé e mais nada, para diminuir o risco de asfixia.

6 – Quando o bebé estiver acordado, coloque-o noutras posições.

Apesar de não ser (de todo) aconselhável colocar os bebés a dormir de barriga para baixo, quando eles estão acordados essa é uma posição que se deve adoptar. Com esse “treino”, eles vão desenvolver melhor os músculos do pescoço e aprender a defender-se de forma mais eficaz das posições menos seguras.

7 – Usar chupeta parece ser benéfico.

Apesar de não se saber muito bem a causa, parece que o uso de chupeta é protector para o Síndrome de Morte Súbita do lactente. Assim, deve tentar que o bebé se adapte à chupeta (exceto nos primeiros dias de vida, para não interferir com a amamentação), porque pode ser benéfico. No entanto, há bebés que não gostam da chupeta, pelo que se for esse o caso também não deve forçar a situação.

Hugo Rodrigues é pediatra no hospital de Viana do Castelo e docente na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto e na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. Pai (muito) orgulhoso de 2 filhos.

 

 

 

Sol na eira, óculos nas crianças… Mário Cordeiro

Abril 6, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Crónica de Mário Cordeiro publicada no i de 22 de março de 2016.

mario.cordeiro

Ontem começou a primavera e no domingo muda a hora. Chega assim a altura de proteger os olhos dos ultravioletas. Usar óculos é fundamental a partir dos quatro meses até pelo menos aos 15 anos

Um dia, há um par de anos, ouvi a conversa que relato abaixo. Curiosamente, passado tanto tempo, continuo a ver nas recomendações que faço sobre a proteção ocular uma enorme desconfiança por parte de muitos pais. Por incrível que pareça, e mesmo com o conhecimento alargado sobre o problema do “buraco do ozono”, há uma ideia felizmente generalizada de que é necessário as crianças usarem creme protetor solar, mas quanto ao uso de óculos escuros já a porca torce o rabo e a lógica não se aplica. 

Vou então contar-vos o episódio e… já falamos.

“Qualquer dia têm um Ferrari!”

Foi daqueles momentos em que toda a gente ficou em silêncio, daqueles que acontecem de vez em quando mesmo que estejam 300 pessoas na sala, e a voz dela sobressaiu por cima de tudo.

“Qualquer dia têm um Ferrari!” 

Quem é que teria qualquer dia um Ferrari era coisa que eu não sabia, na altura, e também me era indiferente, mas uma coisa era patente: o ar desdenhoso e irritado daquela pessoa.

Não sou propriamente de estar a escutar às portas, mas estávamos num café e fiquei curioso por saber quem é que realmente qualquer dia teria um Ferrari. 

Em resumo: tratava-se de uma mãe, de dois filhos pequenos, que estava indignada por o pediatra das crianças ter dito que era recomendável utilizar óculos escuros durante o verão, mesmo na cidade.

“Modernices!”, declamava a dona que, por acaso reparei, trazia os seus óculos escuros, os quais, ali, dada a baixa intensidade da luz, tinha puxados sobre o cabelo (“como se tivesse miopia cerebral”, costumava dizer o meu pai).

“Modernices… só lhes falta o Ferrari, realmente!”

“Escandaloso”, de facto, que o médico encarregado da promoção da saúde das crianças tentasse proteger a retina dos infantes – de 8 meses e 3 anos, vim a saber mais tarde na conversa. Incrível, que recomendasse proteção contra os ultravioletas, por acaso até os mesmos que queimam a pele (a dama não falou do creme protetor, mas aposto que, pelo menos, ela se besuntará com ele à saciedade e não se esquecerá de pôr nos filhos, mesmo que de raspão e só uma vez ao dia). Inacreditáveis, estes pediatras, que sabem que existe uma coisa chamada buraco do ozono e que as radiações UVA e UVB não são filtradas pelo cristalino das crianças (dos adultos são!), e daí causarem queimaduras na retina…

Os primeiros estudos vieram da Austrália e demonstraram que, para lá das ações dos ultravioletas sobre a pele, com desenvolvimento de cancro, envelhecimento e perda da elasticidade ou formação de rugas, e queimaduras, a retina sofria perturbações graves – microqueimaduras que, em estudos efetuados nesse país em adolescentes, serviram para detetar percentagens superiores a 80% de jovens com essas microlesões que afetavam já a visão. Resultados do buraco do ozono, é certo, mas também de a pele e os olhos das crianças serem mais sensíveis, de se exporem mais ao sol e de se constatar que, em toda uma vida, 80% dos raios ultravioletas que o corpo apanha são recebidos nos primeiros 15 anos de vida. 

No que respeita aos olhos, o cristalino não atua como filtro e a retina é que leva… ou seja, os adultos andam de óculos escuros mas, sem ser por razões de conforto, não precisavam; a muitas crianças, numa idade em que realmente é necessário usar proteção, esta é-lhes negada pelos próprios pais. Insólito, não é? A partir dos quatro meses e no período correspondente à hora de verão, todas as crianças deveriam usar óculos escuros no exterior, quando está sol ou, mesmo sem sol, num dia muito claro. Usar desde bebé, para lá da prevenção das queimaduras da retina, tem a vantagem de criar um hábito.

Um dia mais tarde, as crianças crescerão, fazendo parte de uma geração que precisa da visão como de pão para a boca. O que dirão, quando souberem que a própria mãe ou pai se estiveram, desculpem-me o calão, marimbando para a sua proteção?

Usar óculos escuros é essencial para as crianças de todas as idades. Não é preciso ser “de marca”, mas que protejam contra os UVA e UVB – em qualquer farmácia ou loja de puericultura se encontram a preços muito baixos. Requer habituação? Sim. Requer paciência? Claro que sim. Requer persistência e, por vezes, comprar birras? Evidentemente que sim. E requer amor pelos filhos, mais do que show-off e ignorância, ou as profecias apocalípticas e mentiras científicas das redes sociais? Também sim. Tudo isto mais, bastante mais difícil do que ter dinheiro para um Ferrari… mas que demonstra mais, bastante mais amor e interesse pelos filhos do que dar-lhes um.

 

 

 

Quase um terço das crianças da região Norte têm falta de iodo

Abril 2, 2016 às 7:31 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 30 de março de 2016.

Nuno Ferreira Santos

Sara Silva Alves

Estudo com crianças entre os seis e os 12 anos avalia a presença de iodo e o impacto da substância no seu desenvolvimento cognitivo.

Em média, 31% da população (825 crianças) avaliada num estudo sobre este micronutriente apresentou falta de iodo, enquanto 24% tinham níveis acima dos recomendados ou mesmo excessivos. Apenas 45% das crianças apresentam níveis adequados de iodo. Estes são alguns dos dados preliminares do estudo IoGeneration, que foi realizado por uma equipa de investigação da Universidade do Porto (UP) junto de crianças da região Norte e que serão apresentados nesta quarta-feira no âmbito do seminário Iodo e Saúde, a decorrer na reitoria da UP.

Numa investigação que analisou escolas do Norte de Portugal, os dados provisórios sobre a presença do iodo nas primeiras 825 crianças (de uma amostra final que será superior a duas mil) revelaram-se “preocupantes” e “reforçam a necessidade” de uma política de saúde atenta a este problema, defendeu Conceição Calhau, investigadora principal do estudo. Intervir e monitorizar são as palavras-chave, destaca.

Dividindo os resultados da amostra pelo primeiro e segundo ciclo, os resultados mostram que são as crianças mais velhas que apresentam maiores níveis de carência de iodo: 48% no segundo ciclo contra 24% no primeiro ciclo, uma diferença de 24 pontos percentuais, situação para a qual Conceição Calhau não encontra explicação. “Será que os padrões alimentares dos seis para os 12 anos sofrem alterações que o justificam? Não sei. Mas é possível!”, especula a investigadora.

A nível demográfico, Marco de Canaveses e Amarante foram os concelhos mais problemáticos, com 44,31% e 37,01% de insuficiência de iodo, respectivamente. Em sentido oposto, e com valores de iodo acima do recomendado ou até excessivo, encontram-se os concelhos de Mondim de Basto (34,78%), Felgueiras (30,56%) e Ribeira de Pena (25,38%).

Além da presença do iodo, foi também estudado o impacto desta substância no desempenho cognitivo das crianças. Os resultados aos testes de qui-quadrado de Pearson, através do qual se estabelece a relação entre os níveis de iodo e a capacidade intelectual nas crianças, não se relevaram significativos. Perante estes resultados, Conceição Calhau salienta uma das limitações do trabalho: o registo dos níveis de iodo e o teste cognitivo foram efectuados no mesmo momento, quando o ideal seria determinar o iodo na mãe ainda grávida e, posteriormente, avaliar o desempenho intelectual da criança.

Os autores do relatório recordam que o iodo é um “oligoelemento (micronutriente) necessário ao funcionamento do organismo, ao seu metabolismo, em múltiplas funções”. Por isso, a ausência da substância no organismo e necessidade de a incluir na dieta alimentar são “assuntos pertinentes”, pois a sua falta envolve graves problemas de saúde, como por exemplo na tiróide, e que se podem traduzir em problemas cognitivos e de crescimento. Nos casos mais graves, pode até originar doenças como o bócio.

Uma criança precisa, em média diária, de cerca de 90 a 150 microgramas, dependendo da sua idade. Há vários países que desenvolveram programas alimentares que visam suplementar o iodo. Em Portugal os dados relativos ao iodo são “escassos e dispersos”, concluem os investigadores.

Financiada pelo Programa de Iniciativas de Saúde Pública da EEAGrants (que conta com a contribuição financeira da Islândia, Liechenstein e Noruega), a sessão desta quarta-feira (das 9h às 16h30) é de entrada gratuita mas requer inscrição prévia.

http://iogeneration.pt/

 

 

 

 

Cosmétiques pour bébés: encore trop de substances préoccupantes

Março 1, 2016 às 8:30 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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bebes

descarregar o relatório no link:

http://www.projetnesting.fr/spip.php?page=article&id_article=2408

Alertée par l’exposition quotidienne des jeunes enfants à des substances chimiques potentiellement dangereuses pour la santé, l’ONG WECF publie ce jour les résultats d’une enquête menée sur 341 cosmétiques pour bébés – laits de toilette, lotions, shampoings, produits pour le bain, liniments, lingettes, eaux nettoyantes, eaux de toilette, solaires- vendus sur le marché français en pharmacies, parapharmacies, supermarchés et magasins biologiques. Les expertes de WECF ont décrypté la composition des produits telle qu’elle apparaît sur les étiquettes. À partir de l’analyse de la littérature scientifique et des évaluations des autorités sanitaires de l’Union Européenne (comité scientifique pour la sécurité des consommateurs, SCCS) et française (Agence nationale de sécurité du médicament et des produits de santé, ANSM), elles ont classé les ingrédients ou familles d’ingrédients présents dans les 341 cosmétiques, en trois catégories : à « risque élevé », à « risque modéré », à « risque faible ou non identifié ».

Principaux résultats On retrouve 3 ingrédients ou familles d’ingrédients classés à « risque élevé » dans 299 produits :

  • un allergène par contact (la méthylisothiazolinone) dans 19 produits dont 7 lingettes
  • un conservateur soupçonné d’effets toxiques sur la reproduction (le phénoxyéthanol) dans 54 produits dont 26 lingettes
  • des parfums dans 226 produits, impliquant des risques potentiels d’allergies.

On retrouve 4 ingrédients ou familles d’ingrédients classés à « risque modéré » dans 181 produits :

  • un composé très présent dans les produits moussants (l’EDTA) dans 87 produits dont 30 lingettes
  • des sulfates (laureth et lauryl sulfate), agents moussants potentiellement irritants dans 50 produits, en grande majorité des produits pour le bain et shampoings
  • des huiles minérales, issues de la chimie du pétrole pouvant être contaminées par des impuretés, dans 30 produits en majorité des crèmes et lotions
  • des nanoparticules, dont les effets sont encore mal évalués, dans 14 produits solaires.

Compte tenu de ces résultats, WECF :

  • demande l’interdiction des trois ingrédients à « risque élevé » dans tous les cosmétiques destinés aux enfants de moins de trois ans
  • s’alarme de l’omniprésence de parfums (226 sur 341) potentiellement sensibilisants et pour certains mis en cause dans des allergies par contact, au demeurant superflus pour des produits destinés à de jeunes enfants
  • demande des restrictions d’usage pour les ingrédients classés « à risque modéré », en application du principe de précaution
  • demande un moratoire sur l’usage de substances suspectées d’être des perturbateurs endocriniens (PE) dans les cosmétiques pour bébés en attendant la définition des PE que doit publier la Commission Européenne avant l’été 2016
  • recommande la prudence pour les ingrédients classés dans la troisième catégorie, les risques étant mal identifiés faute, souvent, d’études scientifiques.

Pour mieux rendre compte de l’exposition réelle à laquelle sont soumis les plus petits, WECF demande que l’ANSM évalue les cosmétiques pour bébés à partir des formules finales telles qu’elles sont commercialisées et non plus à partir des différents ingrédients. WECF demande enfin un étiquetage plus clair pour les substances allergènes par contact. WECF conseille aux parents de limiter l’usage de ces produits cosmétiques et d’éviter le plus possible les produits parfumés.

Tous les résultats et les détails de l’enquête sont disponibles en ligne

WECF (Women in Europe for a Common Future) est un réseau international de 150 organisations environnementales et féminines qui agit pour construire avec les femmes un monde juste, sain et durable. WECF conçoit et met en œuvre des programmes de formation et de sensibilisation aux impacts sanitaires des polluants toxiques de l’environnement, afin de protéger la santé des populations, notamment les plus vulnérables et est à l’origine du projet Nesting www.projetnesting.fr. WECF mène des actions de plaidoyer et est partenaire officiel du Programme des Nations Unies pour l’Environnement (PNUE).

Contact WECF : Elisabeth Ruffinengo, responsable plaidoyer elisabeth.ruffinengo@wecf.eu, 06 74 77 77 00

 

 

Cosméticos para bebês são ricos em substâncias potencialmente perigosas, diz estudo

Março 1, 2016 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Noticia do site http://www.swissinfo.ch/por/ de 15 de fevereiro de 2016.

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Ainda há uma quantidade elevada de substâncias químicas potencialmente perigosas ou alergênicas para os bebês nos cosméticos usados cotidianamente, como xampus, produtos para banho ou toalhas umedecidas – segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira.

A ONG Women in Europe for a Common Future (WECF) examinou 341 produtos cosméticos para bebês em julho e agosto de 2015 vendidos nas farmácias, supermercados e lojas especializadas na França.

Na base de estudos científicos e avaliações das autoridades sanitárias da União Europeia e da França, esta ONG classificou os ingredientes que compõem os produtos segundo três categorias: “risco elevado”, “risco moderado” e “risco baixo ou não identificado”.

Os resultados desta pesquisa mostram que a grande maioria dos produtos (299) são compostos por ingredientes de risco elevado.

“Encontramos três ingredientes ou famílias de ingredientes classificados como ‘risco elevado’ em 299 produtos: um alergênico por contato (a metilisotiazolinona) em 19 produtos, dentre os quais sete lenços umedecidos; um conservante de efeitos tóxicos sobre a reprodução (o fenoxietanol) em 54 produtos dos quais 26 lencinhos; fragrâncias em 226 produtos, implicando riscos potenciais de alergias”, explica a WECF em comunicado.

A ONG também encontrou quatro ingredientes ou famílias de ingredientes classificadas de “risco moderado” em 181 produtos: o EDTA, um composto muito presente em xampus e sabonetes líquidos, sulfatos (laureth e lauryl sulfato) que são agentes espumantes potencialmente irritantes, óleos minerais, provenientes do petróleo, que poderiam ser contaminados por impurezas.

A ONG, que se apoia numa rede internacional de 150 organizações ambientais e femininas presentes em 50 países, pede “a proibição de três ingredientes de risco elevado em todos os cosméticos destinados às crianças menores de três anos”.

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Leva crianças no carro e fuma? Em Itália isso pode custar-lhe €500 de multa

Fevereiro 26, 2016 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Expresso de 4 de fevereiro de 2016.

SHAILESH ANDRADE  REUTERS

Parlamento italiano combate os “maus fumadores” em nome do ambiente e da saúde pública. Há multas pesadas previstas para diversos casos.

Há uma polémica acesa em Itália, depois de Parlamento ter aprovado um pacote de medidas de combate aos fumadores indisciplinados. Estes poderão enfrentar multas até 500 euros, punições apertadas que visam diminuir um grave problema da saúde pública italiana.

As novas leis proíbem, por exemplo, que se fume em espaços públicos fechados – escritórios, cafés, cinemas ou instalações médicas. Fumar no carro com crianças ou perto de grávidas passa a ser também alvo de sanção.

Atirar beatas para o chão também é proibido nas cidades italianas, como parte de uma lei separada de combate ao lixo na via pública. Já quem vender tabaco a menores ficará sem licença.

A este combate aos “maus fumadores” junta-se um investimento de 35 milhões de euros na diminuição da extrema poluição do ar que atormenta as grandes cidades italianas – em algumas, até as tradicionais pizzarias foram afetadas, deixando de ser feitas em fornos de lenha para ajudar no combate. Só em Roma são fumados 11 milhões de cigarros por dia, o que se traduz em custos avultados para a poluição e limpeza das ruas da cidade.

As medidas têm inspiração nas leis comunitárias de combate ao tabagismo e, inclusive, vão mais longe do que as aplicadas em Portugal, onde há exceções à norma que proíbe o fumo em espaços públicos.

Os números indicam a existência de 10,3 milhões de fumadores em Itália, perto de 19% da população. Estima-se que ocorram no país entre 700 a 800 mil mortes por ano ligadas ao excessivo consumo de tabaco.

 

 

 

Crianças e jovens dormem cada vez menos

Fevereiro 12, 2016 às 9:00 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do http://www.nos.uminho.pt de 26 de janeiro de 2016.

doutissima

Catarina Dias

Estudo do CIEC conclui que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que é pouco”, diz Olinda Oliveira. Foram inquiridos 502 alunos, com idades entre os 9 e 17 anos.

Um estudo da Universidade do Minho revela que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que nem sempre é suficiente” para assegurar o seu bem-estar físico e psicológico. Associados a noites “mal dormidas” estão sintomas como mudança de humor, desmotivação, ansiedade, falta de concentração ou ainda, em casos extremos, problemas de comportamento, obesidade e menor resistência a doenças, diz Olinda Oliveira, autora deste trabalho. A presença de aparelhos multimédia no quarto parece ser um dos fatores que mais retarda a hora de deitar.

A investigação incluiu uma amostra de meio milhar de alunos, com idades compreendidas entre os 9 e 17 anos. Pretendeu averiguar a quantidade e a qualidade de sono dos alunos em função do meio de residência, sexo e ano de escolaridade, identificar fatores externos com impacto na redução progressiva das horas de repouso, bem como avaliar de que forma a qualidade do sono interfere na saúde física e emocional, nos comportamentos e na aprendizagem dos envolvidos.

Os resultados comprovam o que se passa na generalidade dos países do Ocidente: a tendência em dormir menos de 9 horas por noite aumenta à medida que se avança nos anos de escolaridade. “Esta mudança nos hábitos e padrões do sono pode ter efeitos negativos nos processos de desenvolvimento, no progresso psicossocial e na performance académica dos jovens”, realça a investigadora, que teve a orientação de Zélia Anastácio, do Instituto de Educação. A culpa é também dos aparelhos eletrónicos A tese de mestrado mostra ainda que mais de metade dos estudantes admite sentir, “às vezes”, distração. E há outros sintomas que, mesmo não sendo manifestados pela maioria dos 502 inquiridos, surgem com alguma frequência, tais como mudanças de humor (198), ansiedade (195), bocejo constante (185), agitação (166), desmotivação (160), olheiras (141), irritabilidade (129), pequenos acidentes (118), muita tristeza (114) e fadiga muscular (100). Da amostra integral, 12% confessou ter adormecido pelo menos uma vez nas aulas.

Entre os fatores externos que mais retardam a hora de deitar está a existência de aparelhos multimédia no quarto. Mais de sete em cada dez inquiridos afirmaram ter televisão no quarto, seguindo-se do computador, aparelho de música e internet (55,8%). “A necessidade cada vez maior de privacidade por parte das crianças e dos adolescentes leva os pais a colocarem uma panóplia de aparelhos nos quartos dos filhos, propiciando hábitos de sono pouco saudáveis”, justifica Olinda Oliveira. A Fundação Nacional do Sono dos EUA vai ainda mais longe ao afirmar que os alunos com quatro ou mais itens eletrónicos nos quartos têm quase o dobro da probabilidade de adormecer na escola e/ou enquanto fazem os trabalhos de casa.

Meio rural favorece qualidade do sono

O local de residência parece igualmente influenciar a qualidade do sono dos mais jovens. Os que habitam em meios rurais tendem a ter períodos de sono mais tranquilos e deitam-se mais cedo durante a semana (21h00-22h00) e ao fim de semana (23h00-24h00). “As profissões praticadas pelos pais do meio urbano nem sempre implicam horários fixos de trabalho, o que atrasa a hora do jantar e, consequentemente, de deitar, afetando negativamente toda a unidade familiar”, esclarece.

Foram ainda identificadas diferenças significativas nos hábitos de sono, segundo o sexo dos inquiridos (249 do sexo feminino e 253 do sexo masculino). Durante a semana, as raparigas acordam mais cedo do que os rapazes, invertendo-se a tendência ao fim de semana. Estas discrepâncias vêm confirmar o que já é defendido noutros estudos internacionais: “Por norma, as mulheres têm ao longo da vida maior incidência de problemas de sono, como insónias e pesadelos”, sublinha a investigadora Olinda Oliveira. O seu trabalho foi também alvo de publicação pela Elsevier e pela Asociación Nacional de Psicología y Educación.

 

 

 

Palmadas afetam saúde mental das crianças. Mas não só

Fevereiro 8, 2016 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do site http://www.noticiasaominuto.com de 27 de janeiro de 2016.

pixabay

Por Daniela Costa Teixeira

As palmadas dadas às crianças são a primeira forma de abuso que os mais novos sofrem, dizem os especialistas.

Há quem defenda que umas palmadas ‘nunca fizeram mal a ninguém’ e são, mesmo, uma ‘forma de educar e de impor respeito’. Mas não serão essas mesmas palmadas uma forma de abuso contra as crianças?

A questão foi colocada pelo professor psiquiátrico Ronald Pies, que defende que a chamada ‘punição corporal’ não só é um abuso contra as crianças, como pode mesmo afetar a saúde mental das mesmas.

“Eu e a minha esposa não temos filhos e, por isso, não posso julgar os casais que têm filhos com difíceis problemas comportamentais. Mas, como psiquiatra, não posso ignorar a evidência de que os castigos corporais, incluindo a palmada – que é geralmente definida como a palmada de mão aberta e que não causa danos – tem um impacto grave na saúde mental das crianças”, disse Ronald Pies, citado pelo Daily Mail, que traz o assunto à ribalta depois de o senador do Texas (Estados Unidos) Ted Cruz ter revelado que bate à sua filha de cinco anos quando esta diz mentiras.

Um caso controverso nos Estados Unidos

Dar uma palmada, ou não dar uma palmada, eis a questão.

Nos Estados Unidos, os castigos corporais são comummente alvo de estudo, crítica e opinião. Michelle Knox, professor de psiquiatria na Universidade de Toledo, passou a pente fino todos os dados acerca das agressões (graves ou não) de pais contra filhos e detetou uma atitude “irónica” entre os norte-americanos.

Nos Estados Unidos, diz o docente, “é contra a lei bater em prisioneiros, criminosos e outros adultos”, mas “ironicamente” é o único país onde “ainda é legal bater nos membros mais vulneráveis da sociedade – aqueles que deveriam proteger – as crianças”.

Para o psiquiatra, as palmadas não só não são uma solução, como “bater é, frequentemente, o primeiro passo num ciclo de abuso infantil”, ideia defendida, também, em 2011, pela Associação Nacional de Profissionais de Enfermagem Pediátrica dos Estados Unidos.

De acordo com o organismo, citado pelo Daily Mail, “o castigo corporal é um importante fator d risco para as crianças que desenvolvem um padrão de comportamento impulsivo e anti-social”. Mas não só, as crianças que “frequentemente” são alvo de castigos corporais “são mais propensas a envolverem-se em comportamentos violentos na vida adulta”.

As palmadas em Portugal e no mundo

Em Portugal o castigo físico é ilegal desde 2007 e punido pelo Código Penal – que condena o castigo em ambiente de violência doméstica, maus-tratos ou ofensa à integridade física. A proibição deste tipo de agressão está presente nos crimes de Violência doméstica (artigo 152º) e de ‘Maus-tratos (artigo 152º-A).

No ano passado, o Papa Francisco disse que uma palmada não faz mal às crianças, “desde que não afete a sua dignidade”. A declaração não foi bem aceite e levou o Vaticano a emitir alguns esclarecimentos sobre o assunto.

Também no ano passado, o Conselho da Europa condenou a França por não proibir, de “forma suficientemente clara, coerciva e precisa os castigos corporais” a crianças. De acordo com o Público, 80% dos franceses, que receberam palmadas – ou até mesmo tareias – dos seus pais em pequenos, são contra a proibição de bater nos filhos.

Em 2014, o Brasil aprovou a Lei da Palmada, uma legislação que não só proíbe o castigo corporal como encaminha os pais a tratamento psicológico.

Nesse mesmo ano, a Time listou os 43 países em que o castigo corporal é ilegal. Veja aqui os países que já na altura puniam tal comportamento.

Em 2011, Cristiana Silveira Ribeiro, Wilson Malta e Teresa Magalhães, da Universidade de Coimbra, desenvolveram um estudo de revisão acerca do tema. Pode consultá-lo aqui.

 

 

 

 

O açúcar é o maior veneno que damos às crianças

Janeiro 21, 2016 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista da Visão a Júlia Galhardo no dia 3 de abril de 2015.

visão

Veja aqui a Grande Reportagem Interativa da SIC, com a participação da pediatra Júlia Galhardo, responsável pela consulta de obesidade no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, e que usa palavras fortes para se referir ao abuso do açúcar em idades precoces: “maus tratos”

A GRANDE REPORTAGEM INTERATIVA DA SIC: Somos o que comemos 

Quando as crianças não têm excesso de peso  é mais difícil que as famílias percebam os perigos do açúcar em excesso?

Sim. Os pais não devem ficar descansados quando o seu filho, que come muitos doces, é magro. Muitos desses meninos, que são longilíneos, têm alterações dos lípidos no sangue, têm problemas de aterosclerose. Não são gordos, mas têm alterações metabólicas. Nem tudo o que é mau se vê. Nem tudo o que é mau dói. A hipertensão não dói, a diabetes não dói. Não doem, mas matam. E, mesmo quando existe excesso de peso, os pais não dão a devida importância. Acham que a criança vai esticar quando crescer, como se fosse plasticina, e que o problema vai desaparecer. Só começam a perceber que há, de facto, um problema quando as análises dão para o torto. Quando o colesterol ou os glícidos ou o ácido úrico vêm aumentados, quando as análises revelam inflamação…

E as crianças que segue na consulta de obesidade têm, frequentemente, problemas nas análises?

Mais de 90 por cento das vezes. O que eu até agradeço, inicialmente. Porque é a única forma que tenho de mostrar aos pais que alguma coisa não está bem. Eu ajudei a começar esta consulta em 2006. Estamos em 2015 e vejo crianças mais obesas, com maiores problemas nas análises e em idades mais precoces. Ontem vi uma criança que tinha 10 meses e pesava 21 quilos. Tenho adolescentes com diabetes tipo 2, com hipertensão, com colesterol elevado. Patologias que, quando eu andava na faculdade, eram ditas de adulto, na pediatria não se falava! Surgiam aos 40 anos, agravavam aos 60 e tinham consequências mesmo palpáveis aos 80. Esses problemas são cada vez mais precoces e cada vez têm consequências mais graves. Quanto mais precocemente surgem, mais graves se tornam.

Como é que se explicam mudanças tão significativas no espaço de uma geração?   

Traduz toda uma modificação ambiental, porque a genética não muda numa geração. Se tiver dois gémeos, iguaizinhos, monozigóticos – em que o genoma é precisamente o mesmo – e  os sujeitar a ambientes diferentes, eles vão desenvolver problemas diferentes. Fazer menos e comer mais, foi isto que mudou no ambiente que nos rodeia. E comer mais erradamente. Come-se mais do pacote da prateleira. Produtos em que, além daquilo que parece que lá está, estão inúmeras coisas que os pais não identificam.

Por exemplo?

Os açúcares. Os pais só identificam a palavra “açúcar”. Se eu lhe chamar glícidos, dextrose, maltose, frutose, xarope de milho… Tudo isso é de evitar, mas os pais não identificam isso como açúcar. E a quantidade de açúcar que as crianças ingerem, diariamente, é assustadora. Tudo o que é processado e vem num pacote tem açúcar. Basta olhar para o rótulo. Se eu não conseguir ensinar mais nada na minha consulta, consigo ensinar, pelo menos, que é importante olhar para o rótulo. E que o ideal é escolher produtos sem rótulo, sem lista de ingredientes: aqueles que vieram da terra ou do mar ou do rio.  É a melhor forma de evitar o açúcar.

Costuma envolver os avós, a família alargada, nas consultas?

Os avós têm um papel fundamental! Os avós são do tempo em que não havia esta parafernália do pacote. O doce era o mimo do dia de festa. Mas transformam este mimo num bolo ou num chocolate todos os dias. Porque… “coitadinho do menino”. Eu peço aos avós, por favor, que transformem estas coisas em mimos de abraços, de afetos. Que vão com eles ao parque brincar, ver o pôr do sol, fazer castelos de areia. Que os ensinem a cozinhar coisas saudáveis. A fazer pão, salada de frutas. Eu aprendi a fazer pão com a minha avó e ainda hoje me lembro. Peço aos avós que nos ajudem a modificar esta carga. E que percebam que, hoje em dia, o maior inimigo dos seus netos é o açúcar. A comida não é castigo nem prémio.

Começa a ser frequente ouvir especialistas dizer que, um dia, olharemos para o açúcar como olhamos hoje para o tabaco. Concorda?

Eu acho que ainda é pior. O açúcar, em termos neurológicos, e de neurotransmissores, e de prazer, e da precocidade com que é introduzido, tem consequências mais nefastas do que o tabaco. A frutose, a dextrose, todos os açúcares criam dependência. Entramos no domínio dos recetores cerebrais, no domínio do prazer, da compensação, do conforto. Se eu me habituar a consumir açúcar e a ter prazer pelo açúcar, há modificações epigenéticas – genes que são acionados e que fazem com que eu passe a ter mais tendência para o açúcar. Ou para o sal. E a mesma dose não surte o mesmo efeito a longo prazo. Portanto vou aumentando o açúcar.

Qual é o limite máximo, se é possível responder a isto, que uma criança deve consumir de açúcar por dia?

O mínimo possível. Não tenho número para lhe dar. E quanto mais tarde, melhor. É óbvio que precisamos de açúcar, nomeadamente de glicose, porque é esse o nosso combustível. É a nossa lenha celular. Mas não é disso que estamos a falar quando dizemos a palavra açúcar.

Os açúcares de que precisamos estão presentes nos alimentos.

Claro. Nos cereais, no leite e derivados, nas frutas.

Como é que explica, às crianças e aos pais, os efeitos do açúcar na saúde?

Aos mais pequeninos costumo dizer que o açúcar é um bocadinho venenoso. Aos pais explico que o açúcar adicionado causa os mesmos problemas metabólicos que o álcool. Lembro que o álcool vem, precisamente, do açúcar. Do açúcar dos tubérculos, do açúcar das frutas. E que a consequência é exatamente a mesma: o chamado “fígado gordo”. A curto prazo traduz-se em alterações nas análises. Mais tarde traduz-se em tudo aquilo que contribui para o síndrome metabólico: diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alteração do colesterol no sangue, aumento do ácido úrico. E, a longo prazo, tudo isto se traduz em alterações cardiovasculares. Enfarte precoce do miocárdio, acidente vascular cerebral… São doenças que os pais associam aos pais deles.

E não aos seus filhos.

E não aos seus filhos. Mas, se assim continuarem, vão presenciá-las nos filhos. Estarão vivos, ainda, para as presenciar nos filhos. Porque um adolescente que é diabético tipo 2, 20 anos depois vai ter problemas desta diabetes. E, se for uma menina, é exponencial, porque vai gerar um bebé neste ambiente intrauterino. Em que a própria carga genética — que não é alterada, porque genes são genes — vai ser ativada ou inibida de acordo com o ambiente que lhe estamos a dar in utero. É assustador.

Estudos recentes, como o EPACI Portugal 2012 ou o Geração 21, mostram que as crianças portuguesas começam a consumir doces muito cedo, a partir dos 12 meses. Aos 4 anos mais de metade bebe refrigerantes açucarados diariamente e 65% come doces todos os dias. É por falta de informação?

Alguns pais ficarão chocados, mas há uma expressão para o abuso do açúcar em idades tão precoces: maus tratos. Os meninos já não sabem o que é água. Os meninos, ao almoço e ao jantar, bebem refrigerantes. Não acredito que seja falta de informação. Toda a gente sabe que bolachas com chocolate, leite achocolatado, gomas, bolos, estas coisas, fazem mal. É a ambiência, é o corre-corre. É porque é mais fácil ir no carro a comer bolachas e sumo, a caminho da escola. Para alguém que já se deita muito tarde, porque tem tarefas sobreponíveis, pode ser difícil acordar meia hora mais cedo para preparar um bom pequeno-almoço.

Como é um bom pequeno-almoço?

Deve ter três componentes: fruta, um componente do grupo dos cereais e leite ou derivados. Quando a criança tem mais de 3 anos, estamos a falar de produtos meio gordos. Os cereais podem ser, por exemplo, papas de aveia, pão fresco ou torradas. Pão da padaria, não é pão de forma. Porque o pão de forma tem, além de imensos aditivos, açúcar. O pequeno-almoço deve ser variado, ao longo da semana, e deve garantir 20 a 25% da quantidade diária de calorias. Nem um por cento das pessoas faz isto. E o stress é o centro de toda esta nossa conversa. É o centro de todas estas alterações que nós estamos a sofrer. Porque os pais não têm tempo, porque chegam a casa e estão estoirados. Não há tempo para ser criança, não há tempo para ser pai. Para estar à mesa meia hora a contar o dia de cada um. As nossas crianças não dormem o que deviam. A sociedade moderna está a adoecer os seus cidadãos.

Os médicos têm suficiente formação sobre nutrição?

Não. Só se a procurarem. Se não a procurarem, não têm. Falo-lhe do meu curso, que foi há uma década, e falo-lhe de agora. Apesar de haver alguma modificação, não é suficiente. A nutrição é vista como secundária. Não é fármaco, não é vista como tratamento. Mas é. Por exemplo, após uma cirurgia, se não houver uma nutrição adequada, o organismo não consegue organizar o colagénio e tudo o que favorece o processo de cicatrização, para sarar. Na oncologia, por exemplo, há muito cuidado em várias terapias, mas muito pouco cuidado na parte da nutrição. A alimentação está na base da saúde e da doença.

É favorável a taxas sobre os produtos mais açucarados, como acontece em países como França, Hungria ou Finlândia?

Para não criar tanta polémica: e se deixássemos de taxar aqueles que são frescos, por exemplo? Peixe. Fruta, nomeadamente a portuguesa. Os legumes, os hortícolas. O nosso leite dos açores. Com tudo isto, é possível fazer refeições saudáveis para os meninos. Mas, se vir o IVA dos seus talões de supermercado, poderá constatar que há coisas que não deveriam ser taxadas ao nível que são.

Por exemplo?

Alguns refrigerantes são taxados a seis por cento. Mas a eletricidade e o gás, por exemplo, estão à taxa mais alta. Consegue cozinhar sem eletricidade e sem gás? Não é um produto de luxo. Às vezes sentimo-nos a puxar carroças sozinhos. E nós contra a indústria não temos muita força. Eu gostaria de perceber porque é que é permitido oferecer brinquedos com alimentos que são considerados nefastos. Pior: brinquedos colecionáveis. O problema é que cada governo preocupa-se a quatro anos. E os ministérios trabalham cada um por si.

O Ministério da Educação reduziu, em 2012, a carga horária de Educação Física no terceiro ciclo e no ensino secundário. E a nota de Educação Física deixou de contar para a média de acesso ao ensino superior.

Pior do que reduzir as aulas de educação física, é vê-las como supérfluas. Eu vou-lhe confessar: eu era péssima. Era um desastre. E também era obesa. Portanto, estou à vontade para falar disto. E digo isto aos meus doentes, porque acho que os estimula. Tenho saudades de crianças que esfolavam os joelhos em cima do que já estava esfolado. Não vejo isto hoje em dia. Não é que goste de ver meninos magoados. Mas significa que estão quietos. Quando muito, têm tendinites nos polegares, que vai ser a doença ortopédica do futuro. E miopia.

Estive três anos num hospital no Reino Unido, onde via adolescentes, sem patologias de base, com obesidade simples, deitados numa cama, que nem banho conseguiam tomar. Nós sabemos isto. Não há falta de informação, há inércia. Eu não queria que o meu país fosse para aí, não queria que a geração que vem a seguir a mim fosse para aí.

E está a ver o país ir para aí?

Estou. E não há prevenção, não há comportas. Estou a tentar montar um projeto para chegar aos pais e às crianças nos jardins de infância e nas escolas. Sinalizar para os centros de saúde, através da saúde escolar, crianças que estão a começar a ter peso a mais. A este hospital só deveria chegar a obesidade que tem uma causa endócrina, genética, ou que, não a tendo, já tem consequências. Mas há centros de saúde que nem nutricionistas têm. Isto, a longo prazo, paga-se com juros. Basta fazer contas. Basta ver a carga que são as consultas de obesidade, que eu já não sei o que hei de fazer a tanta consulta que me pedem. Uma consulta hospitalar de nível 3, como esta, tem um custo. Pais que faltam ao trabalho para vir com os meninos tem um custo. Fora as consequências que vêm por aí. A obesidade é a epidemia do século XXI. Mas como, ao contrário das infeções, o impacto não é imediato — é a 10, 20, 30 anos — ninguém olha para ela como tal. Só quando se transformar na epidemia de doença, e não na epidemia de caminho para a doença, é que vamos tentar travar. Mas já não vamos travar nada, porque já tivemos o acidente completo. E aí vamos gastar o dobro. E já nem estou a falar só de saúde e de vida. De anos de saúde e de vida que se poderiam poupar. Falo da questão monetária, porque parece que é aquilo que as pessoas entendem melhor atualmente.

 

 

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