Como convencer as crianças a lavar as mãos? Basta uma fatia de pão

Janeiro 3, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Zap aeiou de 25 de dezembro de 2019.

Nem sempre é fácil convencer os mais novos do quão importante é lavar bem as mãos. Mas Dayna Robertson, professora da Discovery Elementary School, em Idaho Falls, nos Estados Unidos, acertou em cheio. E só foram precisas algumas fatias de pão.

Com a ajuda da colega de trabalho e especialista em comportamento, Jaralee Metcalf, a professora realizou uma simples atividade na sala de aula: os alunos tinham de tocar em várias fatias do mesmo pão de forma. De seguida, essas mesmas fatias foram colocadas individualmente dentro de sacos de plástico para ver o que aconteceria no mês seguinte.

“Uma fatia estava intacta. Uma foi tocada por mãos que não tinham sido lavadas. Uma por mãos lavadas com desinfetante. Uma por mãos lavadas com água e sabão. Depois, ainda decidimos passar uma fatia em todos os nossos Chromebooks”, conta Metcalf num post de Facebook que se tornou viral e que já foi partilhado quase 70 mil vezes.

Tal como se pode ver pelas fotografias, apenas duas fatias de pão passaram no teste: a que estava intacta e a que tinha sido tocada por mãos lavadas com água e sabão.

Jaralee Annice Metcalf / Facebook

“Todos os alunos acharam que era nojento. E, a partir daí, realmente mudaram o hábito de lavar as mãos. Perceberam que o desinfetante não funciona e que têm de lavar com água e sabão”, conta a professora ao site Today, citada pelo Science Alert.

“Devemos lavar as mãos antes, durante e depois de preparar a comida. E também devemos lavar as mãos antes de comer, depois de ir à casa-de-banho, de assoar o nariz, de tocar em animais e, claro, sempre que as mãos pareçam sujas”, explica a epidemiologista Terri Stillwell,

Esta é uma longa lista, sem dúvida, mas é também uma forma importante de impedir a propagação de patógenos e doenças infecciosas, tendo em conta todas as coisas sujas em que tocamos durante o nosso dia-a-dia (e isto serve para miúdos e graúdos).

ZAP //

Viagem pelo corpo humano – Teatro musical infantil no Tivoli em janeiro e fevereiro

Dezembro 30, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.plano6.pt/detalhe.asp?n=66

A postura das crianças na escola (e fora dela): fomos ao ortopedista

Dezembro 20, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle de 21 de novembro de 2019.

Nuno de Noronha

As doenças que afetam a coluna representam mais de 50% das causas de incapacidade física. Estima-se que 7 em cada 10 portugueses sofrem ou já sofreram de dores nas costas. Será que deveríamos preocupar-nos com a postura das crianças nas escolas? Falámos com o médico Jorge Alves, ortopedista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV).

O transporte repetido de uma mochila pesada pode condicionar, no futuro, problemas graves para as costas das crianças. Para além das dores nas costas de que provavelmente as crianças se queixam no dia-a-dia, este hábito pode provocar um desgaste acrescido da coluna vertebral da criança ao longo do tempo, prejudicando gravemente a sua saúde a longo prazo. Mas as mochilas não são o único motivo de preocupação. Pedimos ajuda ao ortopedista Jorge Alves para nos esclarecer algumas dúvidas sobre a postura das crianças.

Os programas escolares hoje em dia debruçam-se o suficiente sobre temas da promoção da saúde, nomeadamente sobre a importância de uma postura saudável?

A existência de uma disciplina de Educação Física nos programas escolares é um sinal de que há uma preocupação por parte do Ministério da Educação em promover a prática regular de exercício físico nas escolas. Todos sabemos a importância do exercício físico para o desenvolvimento dos alunos e promoção da sua saúde, viabilizando o seu bem-estar físico, mental e social.

Relativamente às questões posturais, desconheço medidas específicas para tentar lidar com o assunto, com excepção de um projeto de investigação que se desenvolveu num agrupamento de escolas em Penafiel, no qual estão a ser utilizadas mesas e cadeiras ajustáveis à altura dos alunos, para que, de facto, possam ter uma postura mais correcta. O projecto é liderado pela professora Emília Alves.

Como explicar a uma criança que é importante ter cuidado com as costas?

A partir do momento em que sabem que a coluna é a base de sustentação da nossa cabeça, tronco e braços, que protege a medula e os nervos que nos permitem mexer e que é uma estrutura que permite um elevado grau de mobilidade, torna-se fácil para eles perceberem que é muito importante tratá-la bem.

Os melhores exercícios são aqueles que promovem o reforço dos principais músculos estabilizadores da coluna, nomeadamente o multifidus e o transverso do abdómen

Qual a dimensão do problema das mochilas escolares?

O problema é transversal à nossa sociedade e de difícil resolução. Apesar de todas as campanhas de sensibilização que têm sido promovidas por várias entidades, continuamos a ver, mesmo nas nossas próprias casas, os miúdos a carregarem mochilas com mais de 10 quilogramas. O problema está identificado, mas, na prática, pouco tem sido feito para o resolver.

Os inimigos das crianças: “Quem se responsabiliza pelos anos perdidos com cházinhos e ervinhas?”

Dezembro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Miguel Estrada ao DN Life de 13 de dezembro de 2019.

Por Catarina Pires

Para Miguel Mealha Estrada, psicanalista pediátrico e especialista em neurodesenvolvimento, medicina há só uma, que é igual em todo o mundo e baseada na evidência científica. Por isso, fez sua a missão de informar, desmistificar e denunciar a “inutilidade” das terapias ditas alternativas. O livro Os Inimigos das Crianças [ed. Casa das Letras], que coordena, aborda temas como a vacinação e os movimentos anti-vacinas, o uso de medicamentos antidepressivos, a síndrome de hiperatividade e défice de atenção e o papel da ritalina, a escola, a importância da brincadeira e o problema do bullying, o parto hospitalar versus parto em casa, a amamentação, entre outros. Acabar com a iliteracia científica e os mitos da ignorância e evitar que as pessoas sejam enganadas por tratamentos de faz-de-conta é o objetivo.

Entrevista de Catarina Pires | Fotografia de Leonardo Negrão

Os principais inimigos das crianças são a ignorância e a desinformação?

Sim, sobretudo a desinformação que é propagada às toneladas na internet e no folclore das redes sociais. Mas são também as chamadas terapias alternativas – e quem as pratica –, que, embora sejam na sua maioria inócuas, porque não fazem nada, podem atrasar tratamentos. São conhecidos milhares de casos de pessoas que em vez de terem ido ao médico foram a um naturopata ou fazer acupuntura e atrasaram o diagnóstico de um tumor e depois já era tarde de mais.

Vejo crianças com autismo ou Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) que podiam ter tido o tratamento adequado e não tiveram porque andaram a tomar ervinhas, chás ou a espetar agulhas no corpo e, entretanto, perderam um ano de escola, às vezes dois, porque não conseguem concentrar-se.

O défice de atenção é algo genético e neuroquímico e a falta de tratamento adequado provoca aumento da desmotivação, diminuição da capacidade emocional de aprender, aumenta o divórcio na família, assim como os conflitos entre pais e criança e escola e nisto tudo quem ficou com os bolsos cheios foi quem andou a vender mezinhas medievais.

O livro Os Inimigos das Crianças, que coordenou, é um manifesto contra as terapias alternativas…

Sabe o que me preocupa mais? É que agora, por incrível que pareça, quando a Austrália e toda a Europa estão a recuar, devido à falta de evidência científica – Inglaterra já eliminou a homeopatia do Serviço Nacional de Saúde, França já deixou de comparticipar os produtos homeopáticos – Portugal faz o caminho inverso e as terapias alternativas fazem agora parte da Lei de Bases da Saúde. Isto é inconcebível.

Não reconhece qualquer valor a nenhuma das chamadas terapias alternativas ou complementares? São muitas e diversas. Põe todas no mesmo saco?

Não são alternativa a nada, não complementam absolutamente nada e não servem para nada, além do placebo. É possível que, por exemplo, na osteopatia ou na fitoterapia exista algum benefício aqui e ali, mas isso tem que ser avaliado por um médico ou um profissional de saúde e não por estas pessoas que praticam as terapias alternativas.

A introdução das “terapêuticas não convencionais” na Lei de Bases da Saúde terá que ver com a necessidade de regular e fiscalizar a sua prática. Não é preferível isso ao que existia até aqui? Ou defende a proibição?

Não defendo a proibição. As pessoas têm o direito de fazerem o que quiserem com o seu dinheiro, mas que não se legalize algo que não traz benefícios para a saúde em pé de igualdade com a medicina.

O que importa são os dados científicos e não a opinião do A, do B ou do C. O que conta é o que diz a ciência e é por esta que os profissionais de saúde devem reger-se.

Mas dentro da própria medicina, há médicos que utilizam e aconselham estas terapêuticas como complemento à sua prática clínica. Assim como são médicos muitos dos que questionam os diagnósticos de PHDA e o uso de ritalina, que reputam de excessivos. Ou seja, dentro da própria medicina, existem correntes contraditórias.

O que importa são os dados científicos e não a opinião do A, do B ou do C. Não é a minha experiência ou a do outro que contam, o que conta é o que diz a ciência e é por esta que os profissionais de saúde devem reger-se. Eu, quando falo de PHDA, não falo em nome próprio, falo por ter estudado academicamente a matéria como especialidade e informado pelos últimos avanços da ciência e da investigação.

Avanços que dizem que a ritalina é essencial para o tratamento da PHDA. Não existe, portanto, um uso excessivo deste medicamento?

Não, pelo contrário. A ritalina é um psicoestimulante tomado todos os dias por crianças e por adultos, porque a PHDA não desaparece por si própria, é um espetro que pode ir diminuindo ou não com a idade. O mais relevante é o défice de atenção e a impulsividade, esses são um dos grandes problemas, e muitos adultos continuam a ter as mesmas dificuldades que tinham em crianças.

Mas respondendo à sua pergunta, se temos na população infantil entre 5 e 7 por cento de crianças com PHDA e só 1,7 por cento estão medicadas, a grande preocupação são os milhares que não estão diagnosticados e não estão a ter o acompanhamento adequado, que é a intervenção medicamentosa, psicoterapêutica e com a escola e a família.

Cada euro que se investe na [prevenção em] saúde mental significa quatro euros de retorno no futuro.

Outra questão que o livro procura desmistificar é o do uso de antidepressivos nas crianças ou adolescentes com depressão.

Esse é a abordagem reativa, que é necessária quando a pessoa está doente, mas precisamos sobretudo de uma abordagem preventiva. E esta, em relação à saúde mental, tem que começar pelas escolas. Fiz um projeto para as escolas portuguesas para que as crianças sinalizadas com problemas de saúde mental em cada escola possam ter uma equipa multidisciplinar que vai lá trabalhar com os professores, os pais e as crianças, semanalmente. Tratar da criança não chega, temos que trabalhar também com a família e com os professores e isto é uma enorme valia para o país.

Porque previne problemas futuros?

Exato e vai beneficiar imensamente o país, a diversos níveis: menos doenças contagiosas, menos criminalidade, menos gastos com tribunais, menos insucesso escolar, menos absentismo, maior produtividade para a economia e melhor qualidade nas relações interpessoais.

Cada euro que se investe na saúde mental significa quatro euros de retorno no futuro. E não é só isso, trata-se também de proporcionar, nas escolas, às crianças e às famílias, o tratamento e a informação necessária a um pensamento crítico. Trata-se de ajudar as pessoas a ter capacidade de analisar os problemas e tomar decisões informadas e conscientes.

Hoje temos uma esperança média de vida nos países desenvolvidos perto dos oitenta anos e isso deve-se aos avanços da medicina, não se deve aos avanços do reiki nem da acupuntura.

Mas, normalmente, quem recorre às terapias não convencionais até são pessoas com meios económicos para o fazer e com acesso a informação. Isto é paradoxal, na sua opinião?

Têm mais acesso à desinformação. Vamos lá ver, informação não é conhecimento e ter conhecimento dá muito trabalho. Por outro lado, pior do que a ignorância é a crença. Quando as pessoas têm uma crença, é extremamente difícil fazê-las deixar de acreditar. Mas realidade só há uma e é regida por leis da física e da biologia e da química. Portanto, aquilo em que eu acredito não importa nada. Importa aquilo que a ciência diz e a ciência demonstra que estas terapêuticas não têm qualquer validade, para além do placebo.

Entre os inimigos apontados no vosso livro estão os movimentos anti-vacinação. Já estamos a assistir às consequências nefastas dessa “moda”. Como é que isto aconteceu?

Existe uma tendência normal no ser humano para consciente ou inconscientemente pertencer a um grupo, que é um traço evolutivo, porque foi em grupo, e não em sociedade, que evoluímos. É normal que as pessoas queiram sentir-se especiais inseridas num grupo. O problema é quando os grupos são anti-vacinas ou anti-indústria farmacêutica.

Existem inúmeros estudos acerca de pessoas que acreditam em teorias da conspiração, como estas, e está provado que se encontram num patamar de maior vulnerabilidade à depressão ou à ansiedade. Há ainda outro fator, a que o psicanalista Carl Jung chamou puer aeternus, a criança eterna, que é uma certa recusa em sair da adolescência, da fantasia esotérica e do pensamento mágico.

As vacinas foram dos maiores avanços da humanidade. Antes das vacinas, morriam aos milhares. Hoje temos uma esperança média de vida nos países desenvolvidos perto dos oitenta anos e isso deve-se aos avanços da medicina, não se deve aos avanços do reiki nem da acupuntura. Ah, é uma técnica milenar, pois é, e as pessoas tinham uma esperança de vida de 35 a 40 anos. Pode também ser que antes dos avanços da medicina, andassem a espetar as agulhas no lugar errado, do que eu duvido.

A homeopatia é água com açúcar, não faz absolutamente nada. Pergunto-me se as pessoas que praticam a homeopatia alguma vez puseram os pés numa aula de física ou de química.

Põe o reiki ao mesmo nível da medicina tradicional chinesa?

Ponho. Placebo é placebo. Ponho a medicina tradicional chinesa, o reiki ou ver um filme tudo no mesmo patamar. Aliás, ver um filme pode trazer mais benefícios do que a medicina tradicional chinesa ou o reiki. Como disse Nuno Lobo Antunes, no prefácio do livro, a ignorância vestida de lantejoulas é patética e de mau gosto.

Quando fala de lantejoulas está a falar de quê?

As lantejoulas são todo o teatro que anda à volta destas ditas terapias, com as suas maquinetas, as suas batas brancas e todo aquele misticismo envolvente. É isso a ignorância vestida de lantejoulas.

Vivo diariamente o sofrimento das crianças e das famílias e sei que pode ter consequências dramáticas. Quem é que se responsabiliza pelos anos perdidos com cházinhos e ervinhas?

Mas alguma dessa ignorância é validada por médicos.

Infelizmente. Na verdade, toda a evidência científica aponta para o mesmo, nem a acupuntura feita pela medicina tradicional chinesa nem a acupuntura médica tem qualquer benefício para aquilo que diz poder tratar. Não sou eu que digo. Está estudado. Mas há um grande interesse económico à volta disto, claro. E nem me fale do reiki. A energia não sai dos nossos corpos, está nas células, é gerado por uma molécula chamada ATP (adenosina trifosfato) e isso é que é energia, não emana, como nos filmes dos X-Men, não sai de um corpo para outro, não há raios nem fadas nem unicórnios. Não há.

Mas eles não dizem que há unicórnios.

Quanto a isso não consigo responder, mas a homeopatia, por exemplo, é água com açúcar, não faz absolutamente nada. Pergunto-me se as pessoas que praticam a homeopatia alguma vez puseram os pés numa aula de física ou de química. E se puseram em que planeta foi, porque neste não foi com certeza. Ou se foi o professor de físico-química estava sob o efeito de LSD. É como tirar um bocadinho de uma substância, dilui-la ao ponto de que já nem a molécula existe, meter num frasco e vender às pessoas. Em 2020 [gargalhada]. Eu sei que tenho humor negro, mas, bolas, o mundo também não ajuda.

Não me venham com a conversa dos químicos. Tudo é químico. Comer uma sopa é químico. A falácia naturalista ilude esta questão, mas é tudo químico.

Porque é que elegeu como missão esta batalha contra as terapêuticas não convencionais?

Vivo diariamente o sofrimento das crianças e das famílias e sei que pode ter consequências dramáticas. Quem é que se responsabiliza pelos anos perdidos com cházinhos e ervinhas?

Há muita falta de informação, há muita desinformação e ainda há o Dr. Google. Muitas pessoas chegam às consultas a dar aulas de psicofarmacologia aos profissionais de saúde, a dizer que não se deve dar medicação às crianças até aos cinco anos… O quê? Os medicamentos foram criados para tratar, para tomar quando é necessário.

Para tratar uma criança com PHDA é preciso eu e a pedopsiquiatra, pelo menos, que trabalhamos com os pais, com os professores e com a criança. É um bocadinho diferente de dar um cházinho ou espetar agulhas, não acha?

E não me venham com a conversa dos químicos. Tudo é químico. Comer uma sopa é químico. A falácia naturalista ilude esta questão, mas é tudo químico. Eu estou a respirar e estou a transformar oxigénio em dióxido de carbono, tenho milhares de químicos dentro de mim. Os medicamentos são químicos, claro que não são inócuos, podem ter efeitos colaterais, mas foram feitos para tratar e são esses químicos que salvam a vida a milhões de pessoas por dia.

Crianças com espaços verdes em redor das escolas têm melhor função pulmonar

Dezembro 8, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 25 de novembro de 2019.

Estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto foi publicado na revista Scientific Reports. Trabalho avaliou o sistema respiratório de 701 crianças, entre os 9 e 12 anos, de 20 escolas primárias do Porto.

Lusa

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que as crianças que têm em redor das suas escolas espaços verdes “apresentam uma melhor função pulmonar”, revelou esta segunda-feira a investigadora responsável.

Em declarações à agência Lusa, Inês Paciência, investigadora do ISPUP, explicou que o estudo pretendia avaliar a influência dos espaços entorno das escolas na actividade do sistema nervoso autónomo das crianças e, consequentemente, na função pulmonar. “Queríamos avaliar de que forma é que o ambiente, nomeadamente, a utilização e caracterização do espaço em redor das escolas, se relacionava com o sistema respiratório das crianças”, referiu.

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, avaliou, através de questionários e exames clínicos, o sistema respiratório de 701 crianças, entre os 9 e 12 anos, de 20 escolas primárias, num universo de 50 estabelecimentos do 1.º ciclo do ensino básico da cidade do Porto.

“Escolhemos 20 escolas primárias e públicas do Porto que fossem representativas dos edifícios escolares”, afirmou Inês Paciência, adiantando que a análise teve em conta espaços a uma distância de 500 metros de cada escola.

“Os espaços em redor das escolas eram relativamente diferentes, alguns eram caracterizados por uma maior presença de áreas verdes e outros por áreas construídas, tais como áreas de construção, áreas residenciais, espaços de lazer e comércio, indústrias e estradas”, sustentou.

Depois de relacionados os dados do sistema respiratório das crianças e os espaços em redor das escolas, os investigadores concluíram que a “melhor função pulmonar estava associada à maior presença de espaços verdes”.

“Concluímos que a presença de espaços verdes em redor das escolas estava associada a uma melhoria na função pulmonar e esta melhoria era mediada pela função do sistema nervoso autónomo”, realçou Inês Paciência, acrescentando que “23% a 24% dos espaços verdes apresentavam uma melhoria no sistema respiratório” das crianças.

À Lusa, Inês Paciência adiantou que as conclusões deste estudo mostram a “necessidade de serem construídas mais áreas verdes em redor das escolas”. “É necessário elaborar um conjunto de recomendações que aumentem o contacto das crianças com estas áreas verdes, no sentido de promover uma melhoria em saúde e diminuir os custos associados a uma exposição mais urbana”, concluiu.

A equipa de investigadores responsável pelo estudo, desenvolvido no âmbito do projecto ARIA: Como a qualidade do ar pode influenciar asma e alergia nas crianças”, pretende agora “estudar a forma como o ambiente urbano modifica o microbioma das crianças”.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

School environment associates with lung function and autonomic nervous system activity in children: a cross-sectional study

Crianças expostas a espaços verdes têm menor risco de desenvolver doenças

Outubro 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de outubro de 2019.

Trabalho do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto alerta para a necessidade de investimentos nestes espaços perto das escolas, onde as crianças passam a maior parte do tempo.

Lusa

As crianças que têm espaços verdes à volta das suas escolas e casas apresentam um “menor risco de desenvolver doenças no futuro”, concluiu um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

Em entrevista à agência Lusa, a investigadora Ana Isabel Ribeiro afirma que o objectivo do estudo, publicado na revista Environmental International, era “perceber se a exposição a espaços verdes tinha algum reflexo na saúde das crianças”.

Para “explorar o impacto desta exposição”, ainda pouco estudada internacionalmente, os investigadores analisaram os marcadores biológicos de 3100 crianças, com sete anos, da Área Metropolitana do Porto pertencentes à Geração XXI (um estudo longitudinal do ISPUP que acompanha, desde 2005, 8600 crianças).

“Estas crianças estão todas geo-referenciadas, ou seja, nós sabemos em que par de coordenadas é que elas vivem e em que escolas estudam. Com base nesta informação, cruzámos os dados de saúde da criança com a informação ambiental”, explicou.

No estudo foram incluídos 226 espaços verdes públicos e de livre acesso da Área Metropolitana do Porto que, posteriormente, foram correlacionados com dados de saúde de cada criança, tais como, a pressão arterial, relação cintura/anca, hemoglobina glicada, colesterol e proteína C-recativa.

Conseguimos medir a acessibilidade geográfica e, regra geral, vimos que as crianças que tinham espaços verdes no entorno da escola e de casa apresentavam níveis de biomarcadores mais favoráveis”, referiu.

No entanto, os investigadores afirmam que as “diferenças são relevantes” quando comparadas as exposições em redor das escolas.

“As crianças que dispunham de espaços verdes a 400 e 800 metros no entorno da escola, isto é, respectivamente, 20% e 40% das crianças tinham níveis de biomarcadores melhores, sobretudo, no que diz respeito aos marcadores relacionados com a saúde cardiovascular”, frisou.

Tendo em conta as evidências observadas com este estudo, Ana Isabel Ribeiro alertou para a necessidade de “não desprezar” estas áreas, sugerindo um “maior investimento na provisão destes espaços perto das escolas”, local onde as crianças passam a maioria do seu tempo.

“É fundamental que os governantes e planeadores locais assegurem que a população dispõe de áreas verdes a uma distância razoável dos seus locais de residência e dos parques escolares”, concluiu.

O estudo, desenvolvido por investigadores da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, integra o Exalar XXI, um projecto que estuda a relação entre o ambiente urbano e a saúde infantil.

mais informações na notícia da ISUP:

Crianças expostas a espaços verdes têm melhores marcadores biológicos

Medidas de apoio à família são cruciais para aumentar taxas de amamentação

Setembro 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 1 de agosto de 2019.

Semana Mundial da Amamentação acontece entre 1 e 7 de agosto; apenas 4 em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado; somente 12% dos países oferecem uma licença de maternidade remunerada adequada.

Políticas que apoiam a amamentação, como licença parental paga e intervalos para amamentação, ainda não estão disponíveis para a maioria das mães em todo o mundo.

A afirmação é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no início da Semana Mundial da Amamentação, que decorre entre 1 e 7 de agosto.

Importância

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “os benefícios de saúde, sociais e econômicos da amamentação, para mãe e filho, são bem conhecidos e aceitos em todo o mundo.” Apesar disso, “quase 60% das crianças do mundo estão perdendo os seis meses recomendados de amamentação exclusiva.”

Amamentar apoia o desenvolvimento saudável do cérebro em bebês e crianças pequenas, protege contra infecções, diminui o risco de obesidade e doenças, reduz custos de saúde e protege as mães de câncer de ovário e câncer de mama.

Fore disse que, apesar desses benefícios, “locais de trabalho de todo o mundo estão negando apoio muito necessário às mães.” Para ela, é preciso “investir muito mais em licença parental remunerada e apoio à amamentação em todos os locais de trabalho para aumentar as taxas de amamentação globais.”

Dados

Apenas quatro em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado. Nos países menos desenvolvidos, essas taxas sobem para mais da metade, 50,8%.

Os países de renda média-alta têm as menores taxas de amamentação, 23,9%, o que representa uma descida dos valores de 2012, quando eram 28,7%.

Segundo o Unicef, as mulheres que trabalham não recebem apoio suficiente para continuar a amamentar. Em todo o mundo, apenas 40% das mulheres com recém-nascidos têm os benefícios básicos de maternidade em seu local de trabalho. Em África, apenas 15% tem algum benefício para continuar.

Apenas 12% dos países do mundo oferecem uma licença de maternidade remunerada adequada. O Unicef recomenda pelo menos seis meses de licença remunerada para todos os pais, dos quais 18 semanas devem ser reservadas para as mães.

Segundo um estudo recente, mulheres com seis meses ou mais de licença maternidade tinham pelo menos 30% mais chances de manter qualquer amamentação pelo menos nos primeiros seis meses.

Benefícios

A ONU afirma que o aumento do aleitamento materno pode evitar 823 mil mortes anuais em crianças menores de cinco anos e 20 mil mortes anuais por câncer de mama.

Em 2018, apenas 43% dos bebês foram amamentados na primeira hora de vida. O contato imediato da pele com a pele e o início precoce da amamentação mantêm o bebê aquecido, constroem seu sistema imunológico, promovem a união, aumentam a oferta de leite materno e aumentam as chances de que ela continue amamentando exclusivamente.

O Unicef diz que se os números ideias de amamentação forem alcançados em todo o mundo, haverá uma redução estimada nos custos globais de saúde de US$ 300 bilhões.

Semana Mundial

A Semana Mundial da Amamentação começa esta quinta-feira, 1 de agosto, e termina a 7 de agosto. O objetivo é destacar a importância crítica da amamentação para crianças em todo o mundo. O tema deste ano é “Capacitar os pais, possibilitar a amamentação”.

Em nota conjunta, Henrietta Fore e o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, pedem aos governos e empregadores de todo o mundo que adotem políticas favoráveis a esta prática.

Os dois representantes afirmam que “as provas deixam claro que, durante a primeira infância, a nutrição ideal fornecida pela amamentação pode fortalecer o desenvolvimento do cérebro das crianças com impactos que perduram ao longo da vida.”

Mais informações no site da Unicef:

https://www.unicef.org/breastfeeding/

Bolachas, bolos e leite com chocolate banidos da publicidade para crianças

Setembro 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 21 de agosto de 2019.

Os produtos alimentares que mais aparecem na publicidade para crianças são também os que vão ter mais restrições a partir de outubro, sejam refrigerantes ou bolachas ou outros alimentos com excesso de açúcar.

A tabela que define o perfil dos alimentos e bebidas com publicidade dirigida a menores de 16 anos é publicada esta quarta-feira em Diário da República, num despacho que entra em vigor dentro de 60 dias.

O perfil nutricional surge no seguimento da lei aprovada em abril, destinada a restringir determinada publicidade dirigida a crianças. A lei então aprovada incumbia a Direção-Geral da Saúde de identificar os produtos alimentares com elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e ácidos gordos ‘trans’.

“Provavelmente as categorias mais atingidas (pelas restrições) são também as que mais publicitam”, disse a diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), Maria João Gregório, ressalvando que se trata de uma medida apenas para restringir a publicidade alimentar dirigida a crianças, e devendo ser essencialmente afetados produtos como refrigerantes e outras bebidas açucaradas, chocolates, produtos de confeitaria e pastelaria, bolachas, cereais de pequeno-almoço ou refeições prontas a consumir.

A tabela foi construída tendo em conta as sugestões da Organização Mundial da Saúde (OMS), legislação europeia, investigação científica e a realidade nacional, disse a responsável.

Dentro de dois meses, produtos como chocolates ou barras energéticas podem ter a publicidade limitada se tiveram mais de 40 kcal (quilocalorias), ou mais de cinco gramas de açúcar ou 1,5 gramas de ácidos gordos saturados por cada 100 gramas.

“Estes são os valores-limite definidos para estas categorias, porém estes valores diferem entre as diferentes categorias de produtos alimentares”, alerta a DGS num comunicado.

Maria João Gregório também o diz. Que os valores limite foram definidos categoria a categoria. “Para algumas categorias podemos ser mais permissivos, na medida em que temos valores mais elevados porque no global essa categoria tem um valor nutricional interessante”. E exemplificou com os iogurtes, com valores limite mais elevados do que chocolates, bolachas e bolos, produtos que não devem fazer parte de um “padrão alimentar saudável”.

É por isso que na categoria de iogurtes foram analisados 93 e desses 28% “estão aptos”. “Nas categorias com valor nutricional importante o objetivo foi definir um perfil que permitisse que os melhores perfis possam estar considerados aqui. Tal até pode ser um incentivo à reformulação de outros iogurtes com mais açúcar”, acrescentou.

A diretora do PNPAS reconheceu que o modelo que é agora publicado teve como base de trabalho o modelo da OMS mas com adaptações. Nega que o modelo português seja menos restritivo e diz que, por exemplo, nos cereais de pequeno-almoço, o modelo da OMS é mais permissivo. Mas conclui que, comparando a aplicação dos dois modelos a quase 2.500 produtos, “as diferenças em geral não são muitas”.

Certo é que, dentro de dois meses, produtos com o que for considerado excesso de açúcar, sal ou gordura têm a publicidade vedada em programas infantis ou outros, genéricos, cuja audiência seja superior a 25% de jovens com menos de 16 anos, e também em outras plataformas, como a publicidade em cartazes perto das escolas ou parques infantis, nas rádios, no cinema, ou mesmo na internet, neste caso mais difícil de fiscalizar e algo “em que se está a trabalhar”, com a ajuda da OMS.

Da lista fazem parte muitos mais produtos além dos chocolates, bolos ou refrigerantes, néctares e sumos de fruta. Está também, por exemplo, o leite achocolatado ou aromatizado, a manteiga, os queijos e pão, os preparados de carne ou mesmo as conservas.

Maria João Gregório não tem dúvidas. A lei também serve para mudar os hábitos alimentares, que se formam numa idade mais precoce e que se mantém na vida adulta, pelo que é importante que se promovam hábitos alimentares saudáveis junto dos jovens.

“A lei tem como objetivo limitar o estímulo ao consumo de alimentos menos saudáveis, ou não saudáveis. A verdade é que a investigação científica diz que a publicidade tem impacto no consumo alimentar das crianças, com impacto no seu estado de saúde na infância e depois na idade adulta”, salientou a responsável à Lusa, frisando que mudar comportamentos pode ter uma influência significativa na saúde, algo que a OMS também considera muito importante.

“Esta pode ser de facto uma medida muito importante. Portugal tem tido nesta área uma estratégia concertada e os resultados começam a aparecer, nomeadamente na diminuição do excesso de peso nas crianças”, disse também Maria João Gregório, lamentando que 30% das crianças em Portugal tenham ainda excesso de peso.

O Perfil Nutricional foi feito pelo PNPAS no seguimento da aprovação da lei 30/2019, que introduz restrições à publicidade dirigida a menores de 16 anos de géneros alimentícios e bebidas que contenham elevado valor energético, teor de sal, açúcar, e gorduras, alterando o Código da Publicidade.

Notícia atualizada às 9h11

mais informações no texto da DGS:

Definido o perfil dos alimentos e bebidas com publicidade restrita a menores de 16 anos

Poluição do ar causa um terço dos casos de asma nas crianças

Setembro 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 9 de agosto de 2019.

http://www.youtube.com/watch?v=n4uQiRETz_o

De  Elza GONCALVES 

A poluição do ar é responsável por um terço dos casos de asma nas crianças. É o resultado de um estudo realizado em dezoito países pelo Instituto de Saúde Global, sedeado em Barcelona.

“Estimámos que, cada ano, há seiscentos mil novos casos de asma infantil nesses países. Um terço desses casos de asma são causados pela poluição do ar, especialmente pelas partículas finas com menos de 2,5 micrómetros em diâmetro”, explicou Mark Nieuwenhuijsen, autor do estudo e investigador do Instituto de Saúde Global.

As partículas finas são produzidas pela circulação automóvel, sobretudo pelos veículos a gasóleo e pela indústria. Por serem muitos finas, estas partículas alojam-se nos pulmões.

O impacto da poluição na saúde humana tem sido alvo de vários estudos. Recentemente investigadores chineses concluíram que a poluição tem um impacto negativo no desempenho cognitivo dos humanos, sobretudo nos homens.

Mais informações na notícia:

El 33% de los casos nuevos de asma infantil en Europa son atribuibles a la contaminación atmosférica

“Ideia que a amamentação cria um laço especial é romântica mas é de tempos em que psicologia era mais arte que ciência”

Agosto 30, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 7 de agosto de 2019.

Marta Gonçalves

A relação entre mãe e filho não está na alimentação, está naqueles momentos de conforto e carinho, do bebé no colo, na interação. “Se a mãe não estiver a ligar coisa alguma ou estiver ao telemóvel enquanto amamenta nem vale a pena.” No entanto, nutricionalmente, não há dúvidas: o leito materno é o melhor alimento para o bebé. Esta quarta-feira termina a semana internacional da amamentação, uma data implementada pelas Nações Unidas para incentivar a alimentação com leite materno e “melhor a saúde dos bebés em todo o mundo”

Quando um bebé nasce uma das primeiras coisas que se faz é pousá-lo sobre o peito da mãe. Daí a não muito tempo estão a mamar. O leite materno é fundamental nos momentos iniciais de vida pela sua riqueza nutricional. “É o leite da espécie e agora que andamos com a moda dos produtos biológicos, mais biológico que isto não pode existir”, aponta ao Expresso o pediatra Lino Rosado. E depois há o outro lado, o de um momento que é mais do que só alimentar o bebé: a relação entre mãe e filho.

“Não tenho notícias muito românticas”, começa logo por dizer a psicóloga Margarida Gaspar de Matos assim que arranca a conversa com o Expresso. “É evidente que do ponto de vista biológico há várias vantagens. Do ponto de vista psicológico, essa ideia de que as mães se vinculam aos filhos através da amamentação e que é um laço especial e único que dura toda a vida é muito romântica mas é de outros tempos, quando a psicologia era mais arte que ciência. A teoria, explica, era defendida sobretudo por autores de uma corrente mais psicanalista. “Depois deles já muitos investigadores provaram que a essência da relação estabelecida da mãe para a criança não tem de ser pela questão alimentar. Tem que ver com o conforto e a interação afetiva. As boas notícias para as mães é que, se não puderem ou quiserem amamentar, podem estabelecer na mesma uma relação fantástica com os seus bebés.”

Para a psicóloga há que ter em consideração que a amamentação nem sempre surge num contexto de “família cor de rosa” em que aquele momento é uma troca de afetos entre todos os envolvidos. “Às vezes os pais separam-se, alguém morre, a criança é produto de uma violação… Nem sempre as crianças nascem num contexto ideal.” E depois há as mulheres que não o fazem por problemas de saúde ou porque tomam determinada medicação. “Temos de libertar as mães deste peso de que se não amamentam não são boas mães.”

Há um contexto histórico e cultural não muito distante que durante mundo tempo forçava as mulheres a ficar em casa a cuidar dos filhos e, se não o fizessem, a sociedade culpabilizava-as. Tempos esses que Margarida Gaspar de Matos considera como “castrantes para as mães”, que se viam obrigadas até a deixarem os empregos porque se não amamentasse “eram más e o filho teria problemas no futuro”.

“Todas estas ideias tiveram o seu percurso histórico e neste momento não se confirmam com a ciência empírica do nosso tempo. Antigamente, dizia-se que se a criança se vinculasse com muita gente ficava perturbada, que deveria ser apenas à mãe. Hoje sabe-se que é precisamente o contrário: com quantas mais pessoas se relacionar, mais vantagens há – seja o irmão, o pai, o avô ou a avó.”, diz. “Neste caso, não se trata do ato de alimentar. É também o conforto do contacto e a troca afetiva e as brincadeiras. Se uma mãe amamentar o filho e estiver a olhar para o telemóvel ou se for brusca a pegar na criança ou não lhe ligar alguma, a amamentação perde completamente esse lado afectivo. Portanto, o inverso também é verdade: se a mãe por acaso não pode amamentar há outros modos de estabelecer relação com os filhos”, acrescenta.

E os sentimentos de culpa nunca devem surgir porque a criança vai senti-los e isso é que realmente prejudica a criação da relação, pois a criança sente a ansiedade e a pressão materna.

“Claro que acontece a tal relação especial entre filho e mãe mas para tal é preciso a conjugação perfeita de tudo. O meu conselho para todas as mães que não podem amamentar é que tentem tudo o que conseguirem para ser felizes com os seus bebés e estimulem os pais a fazer o mesmo porque a criança só lucra se tiver uma relação de amor com a mãe e o pai.”

A amamentação deve ser uma escolha da mãe. E a escolha de não o fazer “deve ser perfeitamente aceitável”, apontam tanto a psicóloga como o pediatra. “A mãe é o melhor que um bebé tem porque é ela que o compreende. Só precisa de estar bem informada e a intuição funciona. Desde que o médico informe, a mãe resolve”, diz Lino Rosado. “A história dos benefícios é generalizada. Muito poucas põem em dúvida os benefícios da amamentação.”

Não é proibido continuar amamentar mas a dado momento só resta “um líquido açucarado”

Entre mães e pais há a ideia generalizada que dar de mamar é sempre a melhor solução para o bebé – embora nem sempre possível. É essa a perceção de Margarida Gaspar de Matos e também a do pediatra Lino Rosado, sobretudo no que toca aos benefícios nutricionais e para a saúde física de mãe e filho.

“É um leite que tem tudo, é adaptado à criança: tem a quantidade de proteínas, vitaminas e hidratos de carbono necessários. O leite de vaca é adaptado para vacas, uma espécie diferente e muito maior e, por isso, mesmo o leite tem uma quantidade muito maior de proteínas, por exemplo. O leite materno é perfeitamente adaptado para um bebé da nossa espécie”, diz Lino Rosado. “Os anticorpos que a mãe tem contra todas as doenças protegem o bebé de infeções, as alergias. Já para a mãe a amamentação evita e diminui o risco de cancro da mama.”

Para o pediatra, idealmente, uma criança deve ser amamentada em exclusividade até aos seis meses. Só depois, aos poucos, introduzidos novos alimentos. Manter o leite materno como a única alimentação após esse meio ano de vida não é suficiente devido ao rápido crescimento da criança e à necessidade de novos nutrientes (sobretudo de ferro). No entanto, isto não significa parar de dar de mama.

“Após um ano de idade pode continuar a dar de mamar mas tem de haver algum bom senso devido ao excesso de leite. Não sendo ‘proibido continuar’, o ideal seria aí por volta dessa altura parar com a amamentação. A riqueza do leite diminui e o bebé anda a beber um líquido açucarado que já não acrescenta muito. Depois é só o hábito de chuchar, de mamar. Passa a servir apenas para acalmar e há uma dependência muito grande da mama”, considera o pediatra.

Esta quarta-feira termina a semana internacional da amamentação, uma data assinalada pelas Nações Unidas com objetivo de alertar para os benefícios do leite materno para a saúde e desenvolvimento das crianças: “aumentar os níveis mundiais de amamentação pode salvar todos os anos mais de 800 mil vidas”.

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