Crianças pequenas podem comer açúcar?

Setembro 15, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://g1.globo.com/ de 5 de setembro de 2016.

globo

por Dra. Ana Escobar

A American Heart Association ou Associação Americana do Coração lançou recentemente uma recomendação  contraindicando fortemente o consumo de açúcar para crianças com menos de 2 anos de idade. Para as crianças de 2 a 18 anos, o consumo total de açúcar deve se limitar a 25g por dia, o que significa 6 colheres de chá ou 5 pacotinhos.

Até 1 ano de idade, tudo certo. Depois disso, nada de bolo, nada de brigadeiro ou de docinhos nos  aniversários dos irmãos ou amigos mais velhos. Nada de sorvete, chocolate, suspiro e tantos mais até que o pequeno complete 2 anos de vida.

Dúvidas importantes: será que os pais brasileiros conseguiriam seguir esta recomendação? Será que esta rígida restrição de consumo se aplica apenas aos americanos, que enfrentam um grave problema de obesidade? E os açúcares “embutidos” nos alimentos? Como ficam? Vamos refletir sobre isso.

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu o consumo  máximo de 50g por dia de açúcar e afirmou que o consumo de 25g por dia poderia, sim, trazer maiores benefícios à saúde de todos, sem particularizar a faixa etária.

Importante saber que o açúcar que consumimos pode estar basicamente em dois locais: na mesa, que é o açúcar visível, que enxergamos e que usamos para adoçar o leite, os sucos ou o café, por exemplo e o que está “escondido” ou embutido em alimentos industrializados como sucos de frutas, ketchup, sopas, pães, macarrão, fórmulas de leite em pó, bolachas ou refrigerantes, para citar alguns exemplos.

Saliente-se que o açúcar natural das frutas, legumes, verduras ou do leite fresco ficam fora desta conta. O consumo destes alimentos, ao contrário, é bastante incentivado.

Segundo a OMS os brasileiros consomem 50% a mais de açúcar do que deveriam, ou seja, 75g por dia, em média, o que equivale a 18 colheres de chá ou 15 pacotinhos. Muito próximo das crianças e adolescentes  americanos que consomem uma média de 79g por dia de açúcar, ou seja, mais ou menos 19 colheres de chá. Lembrando que a recomendação é diminuir para no máximo 6 colheres de chá por dia, ou seja, 5 pacotinhos.

A obesidade infantil é também um problema sério no Brasil. Segundo a ABESO ( Associação Brasileira para o estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), quase 40% das crianças de 5 a 9 anos na região sudeste estão com sobrepeso. A obesidade sabidamente está relacionada a outros problemas de saúde como hipertensão e diabetes, por exemplo.

O gosto pelo paladar mais “doce” se faz principalmente na infância. Por esta razão é importante acostumar os pequenos a consumir alimentos com baixo teor de açúcar. Vale também para  adolescentes e adultos. Quanto menos açúcar, melhor. Tente, por exemplo, começar a tomar o cafezinho sem açúcar. Faça assim também com outros alimentos, como chás, sucos, leite e tantos outros. Com o tempo, o paladar se acostuma.

O equilíbrio é a conduta de ouro neste e em tantos outros casos. Sem exageros, nem para um lado e nem para o outro. Pode ser difícil privar uma criança maior de 1 ano de um brigadeiro em uma festinha. Não a prive. São estas exceções que tornam a infância e a vida um pouco mais gostosa e doce; desde que a exceção não se torne a regra, claro!

O consumo com consciência e ponderação, embasado no conhecimento científico, é sempre o mais indicado em todas as idades.

visualizar o vídeo no link:

http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/post/criancas-pequenas-podem-comer-acucar.html

Vacinas devem ser obrigatórias para ir à escola?

Setembro 14, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto publicado no  https://www.publico.pt/ de 4 de setembro de 2016.

paulo ricca

David Marçal

Há coisas inacreditáveis que são mesmo verdade e outras que parecem certas mas que não resistem a uma análise crítica. As doenças infecciosas hoje assustam menos do que antes e muitas pessoas consideram que não vacinar é uma escolha legítima. A sério?

Em Portugal não é obrigatório ter as vacinas em dia para ir à escola. Apesar disso, todas as vacinas do Plano Nacional de Vacinação têm taxas de adesão acima dos 95%. Como esta elevada cobertura vacinal protege toda a gente, somos, por assim dizer, um paraíso para crianças não vacinadas. Mas estas não contribuem para a imunidade de grupo e estão, por assim dizer, à boleia das vacinas dos outros. Nalguns países há comunidades com taxas de vacinação perigosamente baixas, porque os pais recusam vacinar os filhos. Acreditam que as vacinas lhes fazem mal ou simplesmente que não são precisas. Por vezes as autoridades tomam medidas para impor as vacinas. Como se equilibra a liberdade de escolha dos pais, o direito à saúde dos filhos e a responsabilidade de contribuir para a segurança colectiva?

Velhos argumentos

Na edição de 2 de Janeiro de 1888 da revista Scientific American dava-se conta do sucesso de um grupo antivacinas, que logrou revogar uma lei de vacinação obrigatória contra a varíola que vigorou em Zurique durante vários anos e até 1882. O argumento era estarrecedor: não tinha havido nenhum caso da doença na cidade em 1882. Nos anos seguintes as mortes por varíola voltaram.

Cem anos depois, os programas de vacinação intensivos acabariam por erradicar a doença. O último caso ocorreu em 1977 e hoje podemos dizer que a varíola “foi” uma doença contagiosa. É um exemplo que atesta o sucesso das vacinas. Curiosamente, é esse sucesso, e a segurança que as vacinas conferem, que abre espaço aos movimentos antivacinas. Estes tiveram um importante impulso em 1988 com a publicação de um artigo na prestigiada revista médica The Lancet, da autoria do médico Andrew Wakefield, no qual se defendia que a vacina tríplice (contra o sarampo, a papeira e a rubéola) causava autismo. Era uma fraude. Descobriu-se que Wakefield foi pago para falsificar os dados clínicos e em 2012 a revista Time incluiu o seu nome na lista das maiores fraudes científicas de sempre.

Mas os movimentos antivacinas continuam de boa saúde. E Wakefield, embora desacreditado na comunidade científica, também. Realizou recentemente o filme Vaxxed, no qual alega a existência de uma grande conspiração para esconder que as vacinas causam autismo. O filme foi apadrinhado pelo actor Robert De Niro, que atribui o autismo do filho à vacina tríplice. Mas o medo do autismo já não é a razão principal para recusar as vacinas.

Um inquérito publicado em Agosto último na revista Pediatrics revelou que 87% dos pediatras norte-americanos foram consultados em 2013 por pais que recusam vacinar os filhos (em 2006 eram 75%). Entre os pais que recusam vacinar, 64% fazem-no por medo do autismo (74% em 2006). Mas a razão principal é a mesma de Zurique em 1882: 73% dos pais antivacinas acreditam que elas não são necessárias (63% em 2006).

Imunidade de grupo

No mês passado, a australiana Sandra Tee colocou no Facebook um vídeo da sua bebé de cinco semanas com tosse convulsa. É uma infecção que pode causar a morte e a bebé é demasiado nova para ser vacinada. A mãe escreveu que “os bebés dependem da imunidade de grupo para estarem em segurança, o que não é possível sem taxas elevadas de vacinação”.

A recusa das vacinas é responsável por novos surtos de doenças infecciosas, anteriormente controladas. No ano passado surgiu o primeiro caso de difteria em Espanha desde 1987, que culminou com morte de um menino de seis anos. Como a segurança de todos depende de escolhas individuais, medidas para impor as vacinas são uma questão que se tem vindo a colocar em vários países.

O parlamento australiano aprovou recentemente uma lei que retira todos os apoios fiscais relacionados com educação a pais que não vacinem os filhos. Há estados norte-americanos em que algumas vacinas são obrigatórias para frequentar a escola pública, embora habitualmente estejam previstas dispensas por motivos religiosos ou pessoais. Mas, depois do surto de sarampo com origem na Disneylândia no início deste ano, que se deveu a baixas taxas de vacinação, essas isenções estão a ser abolidas. Os partidários antivacinas respondem com acções nos tribunais.

A Academia Americana de Pediatria recomendou há dias que se acabem com todas as isenções por motivos não médicos. E diz que é aceitável os pediatras retirarem da sua clínica famílias que não vacinem. A morte de um menino de 18 meses com sarampo em Berlim no ano passado desencadeou um debate sobre a obrigatoriedade das vacinas. A medida soa demasiado radical.

Mas, mesmo em países com taxas de vacinação elevadas, em determinados locais podem surgir comunidades em que estas são perigosamente baixas. E isso é um risco para todos. Nenhuma vacina é 100% eficaz e uma criança não vacinada pode contagiar uma vacinada. Ou uma pessoa que não se pode mesmo vacinar, por ser imunocomprometida. A segurança colectiva depende de elevadas taxas de vacinação. E talvez tenhamos de nos preparar para o debate da obrigatoriedade das vacinas.

Bioquímico

 

Leite materno protege bebés contra infecção mortal

Setembro 12, 2016 às 12:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Correio dos Açores de 2 de setembro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Role of human milk oligosaccharides in Group B Streptococcus colonisation

clicar na imagem

açores

 

Veganismo na infância? Sim, é possível

Agosto 23, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 16 de agosto de 2016.

observador

Vera Novais

Os casos sucedem-se: pais veganos que deixam os filhos ficarem subnutridos. Será culpa do veganismo ou é negligência? Uma deputada italiana quer criminalizar os pais que sigam este regime alimentar.

Pais condenados por deixarem morrer uma criança à fome, é uma notícia que deixa chocado qualquer um – ou, no mínimo, quem tenha filhos ou crianças ao seu cuidado. Revoltam-se os leitores contra os pais. Mas se a notícia incluir que os pais são veganos e que terão tentado dar uma alimentação estritamente vegan ao bebé, culpa-se a dieta. Será que é mesmo caso para culpar o veganismo?

A deputada italiana do partido de centro-direita Forza Italia, Elvira Savino, considera que sim, por isso apresentou um proposta de lei que prevê que se penalize, com uma pena de um ano, os pais que impõem uma dieta vegan aos seus filhos (até aos 16 anos), noticia o jornal italiano La Republica. A proposta é motivada pelos recentes casos de crianças hospitalizadas em Itália com sinais de subnutrição. Consoante a gravidade das consequências na vida da criança, incluindo a morte, as penas podem ir até seis anos (qualquer pena é acrescida de 12 meses se a criança tiver menos de três meses).

Mas não é só em Itália que se têm registado casos de bebés que têm problemas de saúde graves ou que morrem devido às dietas impostas pelos pais. Recorde-se o caso de um bebé norte-americano que morreu, em 2004, às seis semanas com pouco mais de 1,5 quilogramas. Os pais, que se assumiam vegans, alimentavam o bebé exclusivamente com bebida de soja e sumo de maçã. Foram condenados por homicídio – não por serem vegans, mas por terem deixado morrer o filho à fome.

“Não importa quantas vezes tenham dito: ‘Somos vegans, somos vegetarianos’, não é essa a questão aqui. A criança morreu porque não era alimentada. Ponto.”

Chuck Boring, procurador [citado pelo New York Daily]

 

É por causa de situações como esta que Elvira Savino é tão inflexível. No texto da proposta de lei, a deputada critica os pais que de forma imprudente criaram dietas estritas sem consultarem nutricionistas ou que se limitaram a dar-lhes bebidas de amêndoas fervidas e lembra que estas atitudes prejudicam gravemente a saúde das crianças.

Todas as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno até aos seis meses, como defende a Organização Mundial de Saúde. “E os vegans aceitam e promovem o aleitamento materno”, nota Alejandro Santos. Para o nutricionista, a questão mais importante nesta fase, e ainda antes disso, é a alimentação da mãe – vegan ou não.

As doenças metabólicas que se manifestam nos adultos, podem ter tido origem no desenvolvimento embrionário, refere o professor e investigador da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. A carência ou excesso de determinados nutrientes durante a gestação influencia a expressão dos genes no bebé. Daí que seja tão importante que a mãe ingira a quantidade de proteínas, vitaminas ou energia ideal durante este período.

Após o nascimento, a Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) também defende o aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses. Durante este período, as mães vegans devem ter o cuidado de usar suplementos ou alimentos fortificados para suprirem a necessidade de alguns nutrientes. “Assim, a dieta das lactantes vegans deve ser rica (suplementação ou fortificação) em vitamina B12, situação que não se coloca em amamentantes ovolactovegetarianas.” Estas mães devem ter também em atenção os níveis de cálcio, o ácido gordo docosahexanóico (DHA) e iodo, assim como a disponibilidade em zinco e ferro.

Claro que existem casos em que a mãe não pode ou não consegue amamentar a criança durante estes seis meses. Neste caso, Alejandro Santos recomenda que as mães recorram a um banco de leite materno, mas se esta opção não estiver disponível, a melhor escolha para as mães vegans alimentarem os bebés são as fórmulas adaptadas com hidrolisados de proteína de soja – ideais também para crianças alérgicas à proteína do leite. “As bebidas de arroz, amêndoa ou de soja [que não sejam as fórmulas adaptadas] não são bons substitutos do leite, mesmo que aleguem ser suplementadas com cálcio”, alerta o nutricionista. “As bebidas de arroz e amêndoa são pobres nutricionalmente.” Aliás, estas bebidas não devem ser introduzidas na dieta da criança antes dos 12 meses, refere a nutricionista Sandra Gomes Silva.

A partir dos seis meses (e nunca antes dos quatro) podem introduzir-se, faseadamente, alimentos sólidos, refere Alejandro Santos. Uma situação que é comum a qualquer criança saudável e não está dependente da opção de dieta. Os alimentos devem ser introduzidos um a um, para perceber se a criança faz algum tipo de reação ao alimento. A primeira seleção pode ser a maçã, pera, cenoura ou espinafres. Durante este período a criança pode continuar a ser amamentada e o aleitamento pode ser prolongado por quanto tempo seja confortável à mãe ou ao bebé, refere o nutricionista.

O importante nesta fase é “respeitar os ritmos e gostos do bebé”, refere Sandra Gomes Silva. Os pais devem procurar dar uma alimentação variada e o mais natural possível – devem evitar-se os alimentos processados que tenham quantidades altas de sal e açúcar -, acrescenta a nutricionista. O cuidado com as escolhas na alimentação são tão importantes para uma criança vegan ou vegetariana, como para uma criança omnívora, conclui.

Embora a Organização Mundial de Saúde também defenda o aleitamento até aos dois anos (ou até por mais tempo), depois dos seis meses este não deve ser o alimento exclusivo da criança. A alimentação exclusiva com leite materno levou à morte de uma bebé francesa, em 2008. Três anos depois, os pais foram condenados a cinco anos de prisão pela morte da filha de 11 meses que morreu com 5,7 quilogramas, quando deveria ter oito quilos. Além disso, os pais recusavam-se a fazer suplementação de vitaminas e rejeitavam a medicina tradicional, tratando a bronquite da filha com cataplasmas. A menina morreu de pneumonia, agravada pela carência das vitaminas A e B12.

“Não estamos aqui para julgar o estilo de vida alternativo, mas para decidir se este homem e esta mulher demonstraram falta de assistência e causaram a morte da sua filha.”

Anne-Laure Sandretto, procurador [citado pelo The Guardian]

 

O leite materno não é alimento suficiente para uma criança com mais de seis meses, mas mais do que isso, o leite de uma mãe vegan carece de vitamina B12. As mães ovolactovegetarianas ou as que comem carne ou peixe pelo menos uma vez por semana, podem conseguir uma boa quantidade da vitamina, mas as mães vegans não, alerta Alejandro Santos. Essas devem receber suplementação. E as crianças também.

“A Comissão de Nutrição da SPP refere que lactantes a efetuar dietas vegetarianas restritivas deverão efetuar suplementação com DHA, vitamina B12 e ferro e ainda que a suplementação do lactente deverá ser considerada não apenas nestes micronutrientes mas também em zinco, particularmente após os 5-6 meses”, refere o parecer da comissão enviado ao Observador.

É exatamente a “deficiência em zinco, ferro (do tipo contido na carne e peixe), vitamina D, vitamina B12 e ómega 3” nas crianças e adolescentes que a deputada Elvira Savino quer evitar com a proposta de lei. Não se opõe a que os pais e adultos sigam dietas mais restritas, mas não poderão impô-las às crianças. Como explicaram os especialistas contactados pelo Observador, adultos e crianças vegan podem e devem ser suplementados para evitar estas carências.

Nuno Metello, presidente da direção da Associação Vegetariana Portuguesa, afirma mesmo que todos os vegans precisam de reforçar a ingestão de vitamina B12, seja com suplementos alimentares, seja com alimentos fortificados. E acrescenta que os alimentos que os veganos afirmam ser ricos em vitamina B12, não são, na verdade, boas fontes deste nutriente. “Não tomar suplementação [desta vitamina] é perigoso”, alerta Nuno Metello, vegan há 11 anos.

Vitamina B12

“As únicas fontes veganas fidedignas de vitamina B12 são os alimentos enriquecidos (incluindo alguns leites vegetais, alguns produtos de soja e alguns cereais de pequeno-almoço) e os suplementos de B12”, refere o site Muda o Mundo.

Há outra vitamina que Alejandro Santos lembra que todas as crianças – vegans ou não – devem receber como suplemento: a vitamina D, importante para uma formação óssea adequada, mas também para a regulação do sistema imunitário e cardiovascular. O Vigantol é o medicamento recomendado com frequência, mas uma opção pouco interessante para vegans, porque é de origem animal. No entanto, existem suplementos de vitamina D de origem vegetal que podem ser adotados. Nuno Metello afirma que ele próprio toma suplementos de vitamina D durante o inverno [mais sobre suplementos para vegans aqui].

“Não existe nenhum tipo de alimentação que dispense totalmente a suplementação.”

Nuno Metello, presidente da direção da Associação Vegetariana Portuguesa

Alejandro Santos alerta que “qualquer padrão alimentar que restrinja fortemente a seleção de alimentos [sejam eles quais forem] acarreta maior risco de carências nutricionais”. No entanto, o nutricionista que se assume não-vegan e não-vegetariano, afirma que não existem provas científicas de que a alimentação vegan seja prejudicial à criança. E lembra que uma dieta omnívora não é, só por si, garantia de boa alimentação. O que a alimentação vegan obriga é que os pais tenham mais cuidado na preparação de refeições variadas e equilibradas – um conselho que os pais omnívoros também devem seguir. Por isso, o nutricionista recomenda que os pais criem um menu diário de refeições para a criança e que tentem saber junto de um nutricionista se é equilibrado ou não.

Sandra Gomes Silva que acompanha nas suas consultas adultos, grávidas e crianças com dietas vegans ou vegetarianas afirma que “uma alimentação vegan ou vegetariana é possível desde o nascimento”, desde que sejam cumpridos os requisitos energéticos e nutricionais. As crianças com dietas vegans ou vegetarianas têm um bom desenvolvimento físico, mental e emocional, diz. “Verifico, nas minhas consultas, que as crianças vegans crescem dentro do padrão normal de desenvolvimento.”

Sobre a proposta de lei, a nutricionista diz que “carece de sustentação científica, sendo preconceituosa e discriminatória para com quem tem uma alimentação vegetariana”. A argumentação da deputada, como refere Sandra Gomes Silva, está baseada em casos de desnutrição e morte infantil “causados por uma alimentação desadequada, desequilibrada e incompleta, nada têm a ver com a alimentação vegetariana saudável”.

Nuno Metello concorda: “Penso que a proposta resulta de muita desinformação e preconceito da parte da deputada”. O presidente da direção da Associação Vegetariana Portuguesa considera que “se a deputada não fosse desinformada e preconceituosa, a proposta incidiria em dietas desequilibradas em geral, sejam elas vegans ou não, e não no facto de estas incluírem ou não produtos de origem animal”. Dietas mal planeadas não são exclusivas dos pais vegans, também acontecem entre os pais que não seguem dietas vegetarianas, afirma.

“Conselhos errados sobre a dieta vegan em crianças podem definitivamente colocá-las em risco. Mas não há qualquer dúvida de que, quando seguem uma dieta saudável, as crianças vegans desenvolvem-se bem”, refere a dietista Virgina Messina, citada pelo site da Associação Vegetariana Portuguesa.

A Comissão de Nutrição da Sociedade Europeia de Pediatria, Gastrenterologia e Nutrição, citada pela Comissão de Nutrição da SPP, discorda e “refere que se a amamentante tiver um regime vegan, é elevado o risco de alterações do desenvolvimento cognitivo do lactente, risco que aumentará se o lactente continuar com uma dieta sem alimentos de origem animal”. A sociedade recomenda que crianças e jovens ingiram produtos lácteos e que não sigam uma dieta vegan.

Pelo contrário, a Associação Dietética Vegetariana norte-americana defende que as dietas vegetarianas ou vegans apropriadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem ajudar na prevenção e tratamento de algumas doenças. “As dietas vegetarianas bem planeadas são adequadas em todos os estádios da vida, incluindo na gravidez, aleitamento, infância e adolescência e nos atletas.”

Acreditando neste princípio, três partidos italianos rivais da Forza Italia apresentaram também propostas de lei, mas no sentido de tornar as dietas vegans e vegetarianas mais comuns nas cantinas italianas, noticia a BBC. Em Portugal, a própria Direção-Geral de Saúde criou um manual para a “Alimentação Vegetariana em Idade Escolar”. Mas Elvira Savino prefere lembrar a Constituição e os direitos da criança para justificar uma lei que pretende “estigmatizar definitivamente comportamentos alimentares imprudentes e perigosos, impostos pelos pais, ou por quem exerce estas funções, em detrimento dos menores”. E pretende “sancionar a imposição de uma dieta alimentar desprovida dos elementos essenciais para o crescimento de uma criança”.

Mas esta formulação da lei está a preocupar os especialistas, como refere a BBC. Um uso incorreto das palavras pode levar a que não sejam só os pais vegetarianos e vegans a serem penalizados, mas um leque muito maior de pais, como os que têm crianças obesas. Para outros especialistas é o próprio conteúdo da proposta que é posto em causa quanto à sua validade, como referiu o jornal britânico.

Alejandro Santos reconhece que os casos das crianças subnutridas suscitam preocupação, mas “convêm recordar que a negligência dos pais no que toca à alimentação dos filhos não se limita apenas este grupo de pessoas [vegans]”. “Se é compreensível a criminalização da negligência parental quando é quebrado com dolo o direito da criança a uma alimentação equilibrada, já me parece mais difícil de sustentar a criminalização de uma prática alimentar que sendo bem feita não pode ser considerada negligente”, disse o nutricionista num comentário à proposta de lei. Sendo pai e nutricionista declara que nunca adotou ou recomendou uma dieta vegan, mas parece-lhe que este talvez seja “um exemplo extremo da aplicação do princípio da precaução”.

“A segurança de dietas extremamente restritivas, como as dietas à base de fruta ou alimentos crus não foi estudada em crianças.”

Associação Dietética Vegetariana norte-americana

Para os pais que quiserem seguir um regime vegan ou vegetariano, a Associação Vegetariana Portuguesa pode fornecer informação sobre alimentação vegan e vegetariana, mas não faz recomendações, nota Nuno Metello. Os pais que desejem adotar este tipo de dieta para os filhos (ou para si) devem procurar ajuda de especialistas, refere. O presidente acrescenta ainda que: “A associação só promove informação credível baseada na Ciência”.

Uma dieta com todos os nutrientes, ainda que vegan, teria, provavelmente, evitado que um bebé italiano fosse internado no hospital em estado de subnutrição e com baixos níveis de cálcio. Quando deu entrada, levado pelos avós, o bebé de 14 meses pesava tanto como um bebé de três, cerca de cinco quilogramas. Os pais, que seguiam uma alimentação vegan estrita, arriscam-se agora a perder a custódia da criança.

Alejandro Santos diz que uma criança vegan, depois dos seis meses, e desde que continue a beber leite materno ou uma fórmula adaptada pode alimentar-se de purés de legumes ou tofu. Importante será a suplementação em ferro – a partir dos seis meses – e a adição de óleos vegetais, como o óleo de canola ou linhaça. A dieta rica em fibras dá uma sensação de saciedade muito rapidamente, mas o conteúdo energético é reduzido, o que pode ser compensado pelos óleos. Os cereais integrais, as leguminosas e, mais tarde, os frutos gordos (frutos secos ou de casca dura), também são alimentos densos energeticamente, refere Sandra Gomes Silva. A partir dos 12 meses, e desde que não haja problemas de saúde, a criança vegan pode começar a comer o mesmo que os adultos.

Todos os bebés e crianças, mas também os adolescentes e adultos, devem ter uma dieta equilibrada e diversificada que forneça todos os nutrientes e energia necessários ao crescimento e à realização das tarefas diárias. Os regimes alimentares omnívoros, ovolactovegetarianos ou estritamente vegans podem consegui-lo, ainda que possam ter de recorrer a suplementos alimentares ou alimentos fortificados. Cabe aos profissionais de saúde, sejam pediatras ou nutricionistas, ajudar os pais a realizar as melhores escolhas alimentares para essas crianças.

Alejandro Santos não promove dietas que sejam restritivas na seleção de alimentos em crianças saudáveis, mas também não tem fundamentos científicos para afirmar que a dieta vegetariana ou vegan na criança é errada. “Os profissionais de saúde que tentam desviar os pais deste tipo de alimentação [vegan] tem uma boa intenção, mas ir contra convicções fortes leva ao afastamento destes profissionais”, alerta o nutricionista. “Se os pais deixam de ser acompanhados e não encontram boa informação correm riscos muito maiores.”

Pais e profissionais de saúde têm de manter-se atualizados sobre as dietas vegans e vegetarianas, lembra Sandra Gomes Silva. A nutricionista deixa um conselho aos colegas nutricionistas e aos pediatras: “Os profissionais de saúde devem procurar acompanhar os pais, mesmo que não defendam o regime alimentar, de forma a garantir que são tomadas as melhores opções para a saúde da criança”. A nutricionista, que também pratica uma alimentação vegetariana, afirma que as pessoas que frequentam as consultas de nutrição ficam satisfeitas por encontrarem profissionais de saúde que as compreendam e as consigam acompanhar.

Os nutricionistas “têm um papel importante na prestação de assistência durante o planeamento de dietas vegetarianas saudáveis àqueles que desejem iniciar este tipo de alimentação ou que já o pratiquem e devem ser capazes de fornecer informação correta sobre a nutrição vegetariana”, refere a Associação Dietética Vegetariana norte-americana. No entanto, Alejandro Santos admite que há muitos profissionais de saúde que não estão preparados para esta situação.

Veja em anexo as recomendações da Direção-Geral de Saúde para vegetarianas no adulto e nas crianças em idade escolar.

Relacionado

Alimentação Vegetariana Saudável – Direção-Geral de Saúde

Alimentação Vegetariana em Idade Escolar – Direção-Geral de Saúde

 

 

Ter irmãos faz bem à saúde

Junho 24, 2016 às 6:00 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 13 de junho de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Self-regulation as a mediator between sibling relationship quality and early adolescents’ positive and negative outcomes

pais filhos

Os laços entre irmãos promovem uma boa saúde mental e comportamentos de entreajuda, confirma um estudo norte-americano. A investigadora Laura Padilla-Walker, da Universidade Brigham Young, autora principal do estudo, afirma que a presença de um irmão ou de uma irmã tem mais influência no desenvolvimento da personalidade e da atitude mental do que a presença dos pais.

A investigação acompanhou 395 famílias com mais do que um filho, sendo que um dos filhos teria idades entre os 10 e os 14 anos. Durante um ano, os investigadores recolheram diversos dados sobre a dinâmica das famílias e sobre cada um dos seus elementos.

O estudo revelou que ter um irmão afetuoso, seja rapaz ou rapariga, promove comportamentos positivos de entreajuda, como tomar conta dos mais novos ou colaborar com vizinhos. A análise dos dados recolhidos, publicada na revista Journal of Family Psychology, mostrou também que a presença de uma irmã, independentemente da sua idade, ajuda a proteger os adolescentes de sentimentos de solidão, medo, culpa e insegurança.

A investigação desmistifica ainda as zangas entre irmãos. Laura Padilla-Walker reconhece que, normalmente, elas “dão às crianças a oportunidade de aprenderem a controlar as suas emoções. A ausência de afeto revelou ser mais problemática do que níveis elevados de conflito”. E concluiu: “A mensagem que deixamos aos pais é que promovam a afetividade entre os seus filhos, pois terá um papel muito importante no futuro”.

 

 

Síndrome do bebê sacudido: crianças podem ser embaladas no colo, mas jamais chacoalhadas; entenda

Junho 4, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.lersaude.com.br/

lersaude

Os movimentos bruscos dão origem à chamada síndrome do bebê sacudido, que pode ter consequências muito sérias. Um chacoalhão em bebês é extremamente prejudicial para a saúde deles. Esse ato, também conhecido como a síndrome do bebê sacudido, em geral acontece em casos extremos, quando a criança sofre agressões num momento de descontrole de quem está cuidando dela e a balança com força pelos braços, num movimento para frente e para trás sem apoio da cabeça.

O nome “síndrome do bebê sacudido” parece inusitado e até engraçado para quem não conhece a patologia. No entanto, é um problema sério, que pode surgir em decorrência de brincadeiras inocentes, feitas por pais não orientados quanto aos riscos. Segundo Christian Muller, neuropediatra do Hospital Santa Lúcia e coordenador de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria do DF, a síndrome é caracterizada por sangramentos cerebrais, consequência de movimentos bruscos.

As hemorragias mais graves costumam ser observadas em casos extremos, quando o bebê é vítima de maus-tratos. Existem, contudo, as hemorragias desencadeadas quando os pais sacodem as crianças na tentativa de fazê-las parar de chorar. “Isso é comum, e as pessoas não entendem o quanto pode ser perigoso, assim como algumas brincadeiras”, completa o especialista.

Portanto, brincadeiras bruscas, como jogar a criança para o alto buscando diverti-la, estão fora de cogitação. Inclusive, os pediatras são orientados a fazer esse alerta em consultas de rotina. Até os 2 anos, o cérebro infantil não está totalmente formado e é muito sensível a lesões, que desencadearão quadros futuros de irritabilidade, alteração de memória e convulsões.

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Não é mito. A síndrome do bebê sacudido existe e ocorre quando a criança passa por movimentos abruptos quando sustentada pelasinf_bebes_160810 extremidades ou pelos ombros, que podem alterar a coluna com traumas na região cervical do bebê e causar sangramentos – tanto hemorragias retinianas (nos olhos), quanto cerebrais.

Em geral a síndrome é verificada em crianças abaixo dos 2 anos, principalmente em bebês menores, porém crianças de até 5 anos podem manifestar o distúrbio, segundo a pediatra Gislayne Castro e Souza de Nieto, chefe da UTI do Hospital Santa Brígida e presidente do Departamento de Neo­natologia da Sociedade Para­naense de Pediatria. “Não existe uma medida para a força que pode ser utilizada ao chacoalhar um bebê, mas se ele não tiver bom tônus (contração pequena do músculo quando está em repouso) isso pode causar traumas na região cervical”, diz ela, apontando que é importante não jogar a criança para cima ou erguê-la pelo braço em movimento de chicote. “Porém, na maioria das vezes isso não ocorre em brincadeiras, mas em episódios de violência familiar, quando os pais não aguentam o choro do bebê e o chacoalham”.

Em relação ao choro, muitas vezes pais que chacoalham seus filhos atribuem a isso o fato de conseguirem com que eles parem de chorar e durmam. “Mas muitas vezes elas ficam sonolentas não por causa do chacoalhão, mas por que desenvolveu-se um pequeno edema cerebral”, diz o perito criminal do Instituto Médico Legal de Santa Catarina e dermatologista Marcelo Francisco dos Santos. “Estima-se que de 100 mortos por violência, 13% sejam pela síndrome”, diz ele.

Como agir em situações de descontrole

Quando há bom vínculo pais-bebê, a criança é mais calma e segura. Seo bebê não se sentir amado e seguro, o choro, a irritabilidade e o sono agitado serão intensificado. Muitos pais precisam buscar apoio da família ampliada e da comunidade e exercitar o autocontrole da seguinte forma:

  • Pare, respire profundamente uma vez, respire mais algumas vezes e lembre-se que você é um adulto
  • Pressione os seus lábios e conte até 10, pelo menos 5 vezes
  • Retire-se da situação. Vá até seu quarto e reflita por que você está sentindo tanta impaciência
  • Deixe o bebê, mesmo chorando, em segurança e ligue a TV, ligue para um parente, um amigo ou para o pediatra…

São importantes as orientações prestadas por profissionais da saúde aos cuidadores (pais, babás, avós, tios, etc) quanto ao risco de se sacudir uma criança pequena. Nunca, nem por brincadeira, por castigo ou por qualquer motivo, um bebê deve ser sacudido.

Sintomas

Quando a criança sacudida chega ao médico, o profissional consegue verificar se existe a síndrome caso consiga observar se ela demonstra muita irritação, se há crises convulsivas eventuais, hemorragia retiniana, ou se há traumas, hematomas e fraturas inexplicáveis.

Nos Estados Unidos, o maior número de atingidos por esta agressão são meninos, abaixo de um ano de idade, sendo que até 30% têm chance de morte, segundo Gislayne. “Para os que sobrevivem, o trauma pode alterar o desenvolvimento cognitivo e intelectual, além de influenciar na capacidade visual, dependendo do grau, duração e do local da lesão”, diz ela.

O que os pais devem observar:

  • Irritabilidade extrema
  • Letargia (estado de sono profundo)
  • Inapetência
  • Problemas respiratórios
  • Convulsões
  • Vômito
  • Pele pálida e azulada (uma possível hemorragia interna).

Na presença de qualquer um dos quadros citados acima, o médico deve ser avisado.11_bebe_WEB

Por que acontece?

“O bebê pequeno tem a cabeça maior que o corpo, com o pescoço mole, sem a musculatura bem desenvolvida. Ao fazer movimentos bruscos, de extrema aceleração e desaceleração, podem ocorrer lesões cerebrais”, diz Márcia Sanae Kodaira, pediatra e coordenadora médica da unidade de emergência e internação do pronto atendimento infantil do Hospital Santa Catarina (SP).

Porém, em casos mais raros e sem a intenção dos cuidadores, isso pode acontecer. Um dos exemplos é de quando o bebê engasga e, no desespero, os pais o sacodem para que volte a respirar normalmente. Uma das maneiras para ajudar o bebê a soltar o leite que por acaso voltou é virá-lo de lado, nunca balançá-lo com força.

As sequelas podem ser transitórias ou definitivas. Segundo a especialista, muitas crianças podem ter retardo de desenvolvimento neuropsicomotor, surdez e até lesões oftalmológicas sem que nunca o diagnóstico seja relacionado às sacudidas bruscas. Em 30% dos casos, o bebê pode morrer.

Mas fique calma e não confunda! A síndrome do bebê sacudido não tem nada a ver com as brincadeiras que você faz com o seu filho, o embalar nos braços, num balancinho para bebês ou as chacoalhadas que o carrinho faz ao caminhar pelas ruas. O que faz mal é o movimento brusco, não o carinho que você dá para o seu filho.

Saiba Mais

Ossos também merecem atenção

Nem só o cérebro deve ser preservado. Os ossos também! Trata-se de uma lesão bastante comum na criança entre 18 meses e 04 anos de idade. Nesta faixa etária o cotovelo da criança não está ainda bem formado e apresenta muita frouxidão ligamentar. O cotovelo é uma dobradiça formada pelo encontro do osso do braço (úmero) encaixado em um osso do antebraço (ulna). No antebraço existe outro osso (rádio), localizado no lado do polegar, e no cotovelo ele interage com a ulna para realizar a rotação do antebraço (chamada de movimento de prono-supinação). A cabeça do rádio é presa na ulna por um ligamento que a envolve como um anel (ligamento anular). Se ocorre uma tração no rádio para longe do cotovelo ocorre lesão do ligamento anular (que é fino nesta faixa etária) e deslocamento da cabeça do rádio do encaixe no osso vizinho.

pais

Sintomas

A criança começa a chorar e mantém o braço parado ao lado do corpo com a palma da mão virada para trás. Recusa a levantar o braço acima da cintura que causa desconforto e não usa a mão deste lado (se tenta oferecer algo, por instinto ela apanhará com a outra mão). Tem dor quando tentamos “rodar”o antebraço. Ela até para de chorar mas mantém o braço imóvel ao longo do corpo para grande apreensão dos pais.

Causas

A causa da lesão pode ser óbvia, como quando os próprios pais puxaram a criança pelo braço, mas em algumas circunstâncias pode ser obscura; a criança não sabe contar aos pais o que ocorreu e a babá afirma que a criança caiu…
Muitas vezes é uma combinação do movimento da criança e de um adulto. A criança atira-se ao chão e um adulto tenta levantá-la pela mão (levanta-a segurando por baixo dos braços).

  • Evitar brincadeiras de balançar a criança segurando-a pelas mãos e girando-a.
  • Não deixes uma criança pequena passear um cão, pois ele pode puxá-la com força.
  • A criança está segura pelo braço quando sofre uma queda súbita.
  • Segurar a criança pela mão para ela não sair correndo, puxar a criança quando estamos andando de mãos dadas e estamos com pressa (lembrar que o passo da criança é menor).
  • Algumas dessas situações são possíveis de prevenir, outras não, mas o que importa é tentar sempre oferecer a segurança para nossos pequenos!

O que fazer?

Levar a criança para o hospital o mais rápido possível. Um médico Ortopedista irá determinar se não há fratura ou danos mais graves.
Em geral, não há dor à palpação do cotovelo e nem inchaço. A radiografia não é necessária se não há sinais de fratura no exame físico, pois na pronação dolorosa a radiografia aparece normal apesar do deslocamento do rádio.

Tratamento

Após acalmar a criança e os pais e estabelecer uma relação de confiança, o médico realiza uma manobra, chamada de redução , que é bastante simples, sendo realizada no consultório, sem necessidade de qualquer anestesia.
É realizada rodando o antebraço para colocar a mão virada para cima e depois flectindo o cotovelo enquanto segura o braço – pode sentir um click (isto pode causar um breve desconforto, mas em geral a criança recupera rapidamente a movimentação do braço). Pedimos para os pais aguardarem na recepção por uns 15 minutos e na reavaliação a criança já está utilizando normalmente a mão. Habitualmente não há necessidade de nenhum tipo de imobilização ou fisioterapia após a redução, porém algumas crianças permanecem com desconforto, mesmo após a redução, talvez pelo cotovelo ter sofrido o deslocamento e machucado o ligamento. Nestes casos imobilizamos com tala gessada, prescrevemos medicação para dor e reavaliamos em 03 dias. Algumas crianças têm maior predisposição a esta lesão e os episódios podem ser recorrentes. Isto não é motivo para preocupação, pois as lesões devem cessar com o crescimento da criança, não deixando nenhuma sequela.

Prevenção

Evita puxar a criança pelas mãos conforme explicado anteriormente, especialmente se esta já tem história de pronação dolorosa. Neste caso orienta também a educadora, os parentes e as outras pessoas que terão contato com a criança.

Assista ao vídeo abaixo para saber mais:

Fonte: por Ailim Cabral / Saúde / Revista do Correio / Revista Crescer

 

 

2º Workshop de Hipnose Pediátrica para Controlo da Dor e Ansiedade

Maio 29, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe um comentário
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poster - nivel 1 - 2016

O Núcleo Contra a Dor do Departamento de Pediatria do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, EPE está a organizar o 2º Workshop de Hipnose Pediátrica para Controlo da Dor e Ansiedade em Pediatria, com a Dra Leora Kuttner, que se realizará dias 22 e 23 de Setembro 2016.
O 1º workshop realizado o ano passado foi um sucesso e todos os participantes sem excepção adoraram e reconheceram o comprovado potencial (resultados da pesquisa apresentada pela Dra. Leora Kuttner nos últimos 30 anos) que a aplicação destas técnicas tem na prática clínica diária.
O workshop destina-se a médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais de saúde que trabalhem na área da Pediatria. Tem inscrição limitada a 40 participantes.

Podem visualizar o programa do workshop, bem como realizar inscrições através do site:

http://workshophipnosepediatrica.weebly.com/

 

poster - nivel 2 - 2016

OMS lembra que a escola dita a saúde dos jovens

Maio 24, 2016 às 9:00 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 16 de maio de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Growing up unequal: gender and socioeconomic differences in young people’s health and well-being. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2013/2014 survey

A escola tem um papel determinante na saúde e no bem-estar das crianças e adolescentes, lembra a Organização Mundial da Saúde (OMS) no último relatório sobre hábitos e consumos na adolescência.

Andreia Lobo

“A experiência com a escola pode ser crucial no desenvolvimento da autoestima e de comportamentos saudáveis”, alertam os peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os adolescentes que sentem que a escola os apoia têm níveis de satisfação com a vida mais elevados.” A cada quatro anos, a OMS faz um inquérito internacional massivo para avaliar a saúde dos adolescentes da Europa e do Norte da América, focando o seu envolvimento com a escola, colegas e família. Nesta última edição participaram 200 mil alunos de 42 países. Os dados constam do relatório “Crescendo de forma desigual: diferenças de género e socioeconómicas na saúde e no bem-estar dos jovens”.

Quando comparados com jovens de outros países, os adolescentes portugueses estão mais insatisfeitos com a vida e gostam menos da escola. Em Portugal, os alunos estão menos satisfeitos com a vida que os colegas de outros países. 83% dos rapazes e 74% das raparigas de 15 anos dizem-se bastante satisfeitos, quando a média dos participantes neste inquérito é de 87% e 79%, respetivamente.

O gosto dos alunos de 15 anos pela escola parece estar a piorar. Em 1997-1998, os alunos portugueses eram os segundos, numa lista de 28 países, a dizer que gostavam da escola. Na avaliação de 2001-2002 descíamos para a 8.ª posição. Em 2005-2006 pior, ficávamos na 22.ª posição, quatro anos depois subíamos um lugar, para 21º. Nesta última avaliação, realizada em 2013-2014, os níveis de satisfação com a escola são os piores de sempre colocando o país na 33.ª posição. As respostas foram recolhidas entre 6 mil alunos de 11, 13 e 15 anos a frequentarem, o 6.º, 8.º e 10º anos.

Serei bom aluno?

“Que opinião achas que o teu professor tem do teu desempenho em relação aos teus colegas?” Esta foi outra das questões colocadas pelos investigadores da OMS. De novo as respostas dos alunos de 15 anos colocam Portugal no fundo da tabela, na 41.ª posição, com a pior autoavaliação sobre o seu sucesso escolar: 50% dos rapazes e só 35% das raparigas consideraram que têm bom ou muito bom desempenho na escola. A média dos 42 participantes é de 60%.

Um outro indicador foca o stress dos alunos com a atividade escolar. Altos níveis de pressão, seja face à necessidade de obter boas notas ou ao elevado número de tarefas desenvolvidas, geram problemas de saúde. Dores de cabeça, de estômago, nas costas ou tonturas são os sintomas mais comuns dessa pressão. Que, de modo geral, aumenta à medida que os alunos progridem no sistema educativo. São também as raparigas que se sentem pressionadas pela escola.

A realidade portuguesa não difere muito da dos restantes países avaliados neste inquérito realizado pela OMS. Os jovens portugueses sentem-se pressionados pela escola aos 11 anos, 22% das raparigas e 20% dos rapazes, cerca de 21% dos jovens; aos 13 anos a pressão aumenta, sobretudo entre as raparigas, 41% contra 28% nos rapazes. Mas é no grupo dos 10 anos. que atinge maiores preocupações: 67% das raparigas e 42% dos rapazes, quando a media da OMS é de 51% para elas e 39% para eles.

Mas o não gostar da escola nada tem a ver com as amizades, uma vez que Portugal surge em terceiro lugar no ranking dos alunos que mais se sentem apoiados pelos colegas de turma. Mais de 80% dos rapazes (83%) e das raparigas (81%) com 15 anos consideram os colegas com quem têm aulas “simpáticos e prestáveis”. A média dos 42 países é bem mais baixa, 64% para elas, 66% para eles.

São boas notícias uma vez que “a experiência que se tem ao nível do apoio social é central para o bem-estar da criança e do adolescente”, lê-se no relatório da OMS. Os jovens recebem suporte de várias fontes, como os pais, a família, pares, colegas de turma e professores sendo que existe um benefício associado a cada grupo específico.”

As crianças passam mais tempo na escola à medida que crescem, lembra a OMS. Atitudes e perceções positivas em contexto escolar são importantes para o seu desenvolvimento e saúde. Por isso, a OMS insiste em enfatiza o papel da escola como cenário influenciador de comportamentos saudáveis.

Exercício e ecrãs

Fazer exercício faz bem à saúde, particularmente das crianças e jovens. Os estudos da OMS mostram que a pratica de atividade física – variando de moderada a intensiva – se tornou estável na última década. Apesar de o exercício parecer ter entrado nas rotinas dos adultos, só uma minoria de jovens cumpre a recomendação mundial de pelo menos 60 minutos de exercício diário.

Os mais novos mexem-se mais do que os mais velhos, dizem os resultados em 33 países e regiões. Portugal é um deles: aos 11 anos, 16% das raparigas e 26% dos rapazes praticam uma hora de exercício, aos 13 anos, o número de pré-adolescentes a fazerem exercício diminui para 6% e 25%, respetivamente. Mas aos 15 anos, apenas 5% das raparigas e 18% dos rapazes praticam exercício de moderado a intensivo no tempo recomendado.

O tempo passado em frente dos ecrãs, por exemplo, a ver televisão, é um indicador importante sobre comportamentos sedentários, diz a OMS. Embora os peritos apontem outras atividades – como ler, viajar de carro, sentar e conversar com os amigos ou simplesmente assistir às aulas – que contribuem de igual modo para aumentar o total de tempo considerado sedentário.

Permanecer demasiadas horas a ver televisão pode conduzir a uma diversidade de problemas de saúde, alertam os peritos. Afetam o foro psicológico, contribuindo para a depressão e o baixo rendimento escolar. E também o físico, originando dores musculares e fraca condição física. Tanto uns como outros, recorda o relatório, atingem não só as crianças, como também os adultos sublinhando que “os adolescentes tendem a passar muito tempo em frente à TV”, um comportamento iniciado na infância e agravado na vida adulta.

A preocupação com o sedentarismo levou os investigadores da OMS a perguntaram aos adolescentes quantas horas por dia dedicavam a ver televisão, vídeos, incluindo no YouTube, DVD e outros entretenimentos em ecrãs. As respostas mostram que entre os 11 e os 15 anos, o consumo superior a duas horas por dia aumenta com a idade, em mais de 29 pontos percentuais nas raparigas e em mais de 26 nos rapazes, em quase todos os países.

Em Portugal, na faixa dos 11 anos, 52% dos rapazes e 45% das raparigas vêm televisão mais do que duas horas por dia, o período limite de tempo segundo a OMS. O consumo é maior aos 13 anos, 61% dos rapazes e 62% das raparigas passam mais de duas horas em frente ao ecrã. Mas menor aos 15 anos, com 55% dos rapazes e 51% das raparigas a dizerem o mesmo. De facto, os adolescentes portugueses nesta faixa etária são os que menos televisão veem, surgem na 42.ª posição na tabela para este hábito, quando a média é de 62% para elas e 65% para eles.

Com os adolescentes a exercitarem-se cada vez menos e a passarem mais tempo a ver televisão e nas redes sociais, a OMS recomenda a elaboração de “estratégias e intervenções que foquem o aumento da atividade física e a redução do tempo passado nos ecrãs”. E apela aos professores, aos pais e aos responsáveis municipais para serem os primeiros na defesa de estilos de vida ativa entre os jovens.

 

Crianças com asma não controlada custam 40 milhões em idas à urgência

Maio 16, 2016 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Asma é a doença crónica mais prevalente em crianças e jovens portugueses. Absentismo escolar das crianças e absentismo laboral dos pais é três vezes maior nos casos em que a doença não está estabilizada.

Corridas para os serviços de urgência e para os centros de saúde que poderiam ser evitadas e sucessivos agravamentos de uma condição que é controlável na esmagadora maioria dos casos. É um problema de saúde que é, em simultâneo, um problema económico: em Portugal, gastam-se 40 milhões de euros por ano com urgências e atendimentos não programados devido a crises de asma em crianças e adolescentes com a doença não controlada. São dados de um projecto da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), realizado pelo Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, que dão uma ideia do impacto da asma não controlada na infância.

É a primeira vez que em Portugal são divulgadas estimativas dos custos associados à asma nas crianças e adolescentes e os números vão ser divulgados nesta terça-feira, dia mundial da doença. Metade das cerca de 175 mil crianças e adolescentes asmáticos não têm a doença sob controlo e este é o principal factor que agrava os custos, acentuam os investigadores do projecto CASCA (Custo da Asma na Criança), que é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e tem o apoio técnico do LabAIR do Instituto CUF Porto.

“O impacto económico médio por criança com asma não controlada é duas a três vezes superior ao de uma criança com a doença sob controlo”, explica João Fonseca, investigador do CINTESIS e da FMUP, entidades responsáveis pelo projecto. Por cada criança nesta situação, são gastos entre 400 a 700 euros por ano só devido às idas aos serviços de urgência, especifica.

Baseadas nos dados dos estudos Impacto e controlo da asma e rinite e do inquérito nacional sobre asma, as estimativas permitem concluir que, em geral, a doença é causa de mais de meio milhão de dias de faltas à escola. “São crianças que faltam à escola, não fazem actividades, não deixam dormir os pais”, enumera o especialista em imunoalergologia. Ao impacto financeiro juntam-se, assim, os custos sociais. “O absentismo escolar das crianças e o absentismo laboral dos pais ou outros cuidadores é, aproximadamente, três vezes maior nas crianças com asma cuja doença não esteja estabilizada. Em média, faltam à escola seis dias por ano”, acrescenta. Uma situação que poderia ser facilmente evitada, dado que “a asma pode ser controlada com terapêutica em 90 a 95% dos casos”, precisa.

Sendo a asma a doença crónica mais prevalente em crianças e jovens (até 17 anos), no total, de acordo com as estimativas do projecto, as que têm a patologia não estabilizada custam mais de 80 milhões de euros, enquanto aquelas que têm a doença controlada dão origem a uma despesa da ordem dos 40 milhões de euros. A investigação permitiu ainda perceber que são as crianças com obesidade ou sintomas de rinite as que apresentam quadros clínicos piores.

Controlar a doença implica, além de uma boa prescrição, um acompanhamento adequado. O ideal é conseguir o equilíbrio entre dar medicação segura na dose mínima em vez de fazer picos de medicação quando há crises, explica João Fonseca. “O que não podemos é tolerar esta normalidade com que se vai à urgência. Medica-se, diz-se que a criança vai melhorar quando crescer e, assim, está-se a perder capacidade respiratória. É a complacência com esta situação que leva a estes resultados”, lamenta.

Quanto à situação epidemiológica, essa melhorou muito no que se refere à mortalidade (cerca de uma centena de óbitos por ano), mas ainda há demasiados internamentos — basta ver que um terço das crianças portuguesas com asma são hospitalizadas por causa desta patologia respiratória, pelo menos uma vez na vida.

Alerta para sobrediagnóstico
É importante fazer provas de função respiratória e testes alérgicos durante a primeira infância para se ter uma ideia precisa das características do doente, destaca o imunoalergologista Mário Morais de Almeida, que lamenta também que haja tantas pessoas a recorrer às urgências por não terem a doença controlada e não estarem bem diagnosticadas.

Os dados disponíveis reforçam, de facto, a importância de um diagnóstico precoce e apontam para a necessidade de considerar outras patologias na altura de perceber como pode evoluir a doença. “Se o pulmão está constantemente a ser agredido e inflamado sem ser tratado, vai começar a defender-se e fica mais rijo, com uma estrutura mais espessada, e as obstruções deixam de ser reversíveis”, explica o presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica.

Mas, ao problema do diagnóstico tardio, o especialista acrescenta um fenómeno mais recente e que também o preocupa — o sobrediagnóstico. “Começa a haver um excesso de diagnóstico. Na obesidade, a dificuldade respiratória pode dar origem a um diagnóstico de asma”, exemplifica. Para ajudar os profissionais, em breve vai ser divulgada, pela Direcção-Geral da Saúde, uma nova norma de abordagem de tratamento.

Há um problema suplementar destacado por Mário Morais de Almeida: o da confusão, que por vezes ocorre nos adultos, entre asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), quando há diferenças substanciais no tratamento e no prognóstico. “Há pessoas que só porque fumaram são catalogadas como tendo DPOC”, diz.

Se a doença pulmonar obstrutiva crónica é, em geral, causada pelo tabagismo, a asma pode estar presente em qualquer idade, afectando habitualmente as crianças e adolescentes. Mas na asma é possível reverter uma obstrução nos brônquios, enquanto na DPOC só parcialmente isso é possível.

Numa altura em que o Governo anunciou que pretende que todos os agrupamentos de centros de saúde realizem espirometrias, um teste essencial para diagnosticar estes problemas, o especialista espera que a promessa se concretize, porque há profissionais de cardiopneumologia em número suficiente para realizar estes exames, que são baratos e fundamentais. Fazer espirometrias é como fazer electrocardiogramas, compara.

 

Alexandra Campos, para o Público, em 2 de maio de 2016

Vacina Prevenar já chegou a 80% das crianças

Maio 16, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Avaliação do cumprimento do Programa Nacional de Vacinação destaca impacto das carências de vacinas a nível mundial na cobertura da BCG e das vacinas que possuem a componente da tosse convulsa.

A Prevenar 13, que previne doenças como a meningite, a pneumonia e a otite e que foi introduzida no Programa Nacional de Vacinação (PNV) na segunda metade do ano passado, já chegou a 80% das crianças. Numa avaliação do cumprimento do PNV divulgada nesta segunda-feira, a Direcção-Geral da Saúde destaca o acréscimo observado na cobertura da vacina face ao período em que esta era de prescrição médica e paga pelos pais — chegava então a um total de 60 a 70% da população-alvo.

Esta foi a 13.ª vacina a ser introduzida no PNV e isso aconteceu mais de uma década depois de a Prevenar estar a ser integralmente suportada pelas famílias (começou a ser vendida em 2001 e as três doses custavam cerca de 180 euros no ano passado). As crianças são vacinadas de acordo com o esquema recomendado de três doses (a primeira é dada aos dois meses de idade, a segunda aos quatro e a última entre os 12 e os 15 meses).

Os especialistas que propuseram a sua inclusão no PNV estimaram que a medida poderia ajudar a evitar entre 160 a 650 mortes e milhares de internamentos por ano devido a doença pneumocócica invasiva e não invasiva, segundo os cenários mais e menos optimistas traçados na altura, e anteciparam também um impacto nos casos de otite média aguda, a primeira causa de prescrição de antibióticos na criança.

Realizando-se todos os anos, a avaliação do cumprimento do PNV visa perceber as taxas de cobertura vacinal em determinadas coortes de nascimento (idades-chave). No final do ano passado, foram consideradas as crianças e jovens nascidos em 2001, 2008, 2013 e 2015.

O que fica claro é a quebra abrupta na taxa de cobertura da vacina contra a tuberculose (BCG), que, em 2015, chegou a apenas 31% da população-alvo porque o fornecimento da vacina foi suspenso desde o final de Maio do ano passado, devido a problemas de fabrico do laboratório dinamarquês que a produz. Depois de Portugal ter adquirido doses de BCG a um laboratório japonês, doses essas que estão a ser usadas para vacinar grupos de ricos, a DGS está a ponderar a sua eventual retirada do PNV, deixando assim a vacinação contra a tuberculose de ser universal, como já acontece na maior parte dos países europeus.

De resto, a meta de 95% de cobertura do PNV foi atingida para todas as vacinas nas coortes de 2014, 2013 e 2001, destaca a Direcção-Geral da Saúde. Apenas o reforço pré-escolar das vacinas contra o tétano, difteria, tosse convulsa e poliomielite apresentou coberturas ligeiramente inferiores a 95%, notando a propósito os especialistas da DGS que a carência de vacinas a nível mundial, além de se fazer sentir na BCG, também está a ter impacto em “vacinas que contêm a componente da tosse convulsa”.

Quanto aos resultados na cobertura da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), que causa o cancro do colo do útero, estes são considerados “exemplares a nível internacional”, por se ter atingido 70% (do esquema de três doses) da coorte que completou 14 anos no ano passado. Depois da mudança para o esquema de apenas duas doses (aos 10-13 anos), observa-se que 62% a 84% das jovens das quatro coortes alvo da vacinação no ano passado já tinham iniciado o processo.

 

Alexandra Campos, para o Público, em 2 de maio de 2016

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