Inglaterra proíbe venda de bebidas energéticas a jovens e crianças

Setembro 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 30 de agosto de 2018.

Lina Santos
Medida de Theresa May visa controlar comportamentos dos alunos nas salas de aula.
Inglaterra vai proibir a venda de bebidas energéticas à base de cafeína, como Red Bull e Monster, a crianças e adolescentes. A medida do governo de Theresa May visa controlar comportamentos disruptivos em sala de aula, de acordo com o diário The Telegraph.

O ministério da Saúde britânico tem lançado alertas sobre a ligação entre o consumo excessivo destas bebidas energéticas, ricas em cafeína e açúcar, associadas a um “catálogo de problemas de saúde” que vão das dores de cabeça, problemas de sono e digestão. E existe uma crescente preocupação de que seja um combustível para a hiperatividade das crianças, como defendeu o NASUWT, um dos maiores sindicatos de professores do Reino Unido, no final de 2017.

“Pedradas prontas a consumir” foi a expressão usada pela organização para descrever estas bebidas que associam ao mau comportamento nas escolas, dentro e fora da sala de aula.

A apoiar esta tese do sindicato está um estudo do Centre for Translational Research in Public Health da Universidade de Teesside que verificava que as bebidas energéticas eram mais baratas do que água ou refrigerantes. Uma em cada três crianças consumia regularmente bebidas como Red Bull, Monster e outras marcas destas bebidas, segundo esta investigação.

O alerta não é de hoje. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa, de 2014, mostrava preocupação com a crescente popularidade das bebidas energéticas e as “consequências negativas do seu consumo entre crianças e adolescentes, incluindo efeitos nos sistemas neurológico e cardiovascular, que podem causar dependência física e vício”, cita o The Guardian .

Alertas também em Portugal

Também em Portugal, um artigo da revista da Sociedade Portuguesa de Pediatria de 2017 concluía os adolescentes portugueses consumiam demasiadas bebidas energéticas.
Uma lata desta bebida energética contém 160 miligramas de cafeína. Uma criança de 11 anos não deve consumir mais de 105 miligramas por dia.
Multas podem ser superiores a 2500 euros

A proposta da primeira-ministra britânica sobre a implementação da lei será revelada esta quinta-feira. A única dúvida que persiste prende-se com a idade da proibição de venda das bebidas – 16 ou 18 anos, escreve o The Guardian.

“Milhares de jovens consomem regularmente bebidas energéticas, muitas vezes porque são mais baratas que o refrigerante”, disse Theresa May num comunicado onde anunciava a consulta pública da proposta, citada pela Lusa.

“Todos nós temos a responsabilidade de proteger as crianças de produtos que prejudicam sua saúde e educação”, disse o secretário de Estado de Saúde Pública, Steve Brine, no mesmo comunicado.

As multas por venda de bebidas energéticas podem ir até às 2500 libras (2782 euros), a mesma que é aplicada a quem venda cigarros a menores de idade. A proibição de venda em máquinas automáticas de Inglaterra também está a ser considerada, diz o The Telegraph.

Para já, a medida será aplicada na Inglaterra, mas pode vir a ser seguida pela Irlanda, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Um imposto sobre bebidas açucaradas entrou em vigor no início de abril no Reino Unido para combater a obesidade. Várias cadeias de supermercados tinham já decidido suspender a venda destas bebidas a menores de 18 anos.

Em julho de 2017 já tinha sido proibida a publicidade na televisão, internet e imprensa a alimentos para crianças com muitos açúcares, gorduras e sal.

Noma, a doença que corrói o rosto das crianças mais desfavorecidas

Setembro 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Observador de 24 de agosto de 2018.

Ana Cristina Marques

Afeta crianças dois 2 aos 6 anos que vivem em pobreza extrema. O casos mais frequentes ocorrem na África subsariana. Investigação recente aponta miséria como principal fator de risco.

É conhecida como o “rosto da pobreza”. Noma é uma doença que destrói o rosto das crianças que vivem em contextos de pobreza extrema. O termo vem do grego e significa “devorar”. É uma doença necrosante destrutiva da boca e do rosto. Conhecida há mais de 1.000 anos, só em 1994 a noma foi considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde. A entidade estima que, todo os anos, 140 mil crianças contraem a doença.

No princípio, a doença assume a forma de uma ferida no interior da boca, na gengiva, tal como se lê neste boletim informativo realizado pela OMS. A lesão evolui depois para uma “gengivite ulcerativa necrosante que se propaga rapidamente, destruindo os tecidos moles intra-orais e os ossos, progredindo para perfurar os tecidos duros e a pele do rosto”. Sem tratamento, o noma é considerada uma doença mortal em 90% dos casos mas, quando detetada precocemente, pode ser rapidamente travada (cuidados de higiene e antibióticos são parte da solução).

A doença em causa afeta sobretudo crianças dos dois aos seis anos de idade que têm uma alimentação deficiente, que vivem em pobreza extrema e cujo sistema imunitário está debilitado. Os casos mais frequentes ocorrem na África subsahariana, embora haja relatos raros descritos na América Latina e na Ásia. Uma vez afetados, os doentes podem morrer de septicemia, mas também de desidratação grave e de desnutrição. Já os sobreviventes ficam com graves mutilações faciais, bem como dificuldade em falar e comer. A par disto tudo, quem sobrevive à noma, garante a OMS, corre o risco de ser ostracizado socialmente.

O jornal espanhol El País cita uma pesquisa recente sobre a noma, na qual uma equipa dos Médicos Sem Fronteiras analisou um total de 74 casos recebidos naquele que o jornal descreve como sendo o primeiro hospital em todo o mundo dedicado à doença, em Sokoto, no noroeste da Nigéria. As conclusões do estudo, publicado na revista especializada PLOS NTD, apontam para aquilo que já então se desconfiava: o principal fator de risco é mesmo a miséria, com o problema a ser, sobretudo, uma dieta pobre e monótona, assente em papas de milho. O colostro, o primeiro leite que uma mãe dá ao filho, pode ser uma defesa contra a doença. Os investigadores admitem saber muito pouco sobre a doença, uma vez que os doentes vivem em lugares de difícil acesso.

 

Quanto deve pesar uma mochila escolar? Saiba fazer a escolha certa

Setembro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

School bag with books and equipment

Notícia e imagem do Mood Sapo

Está a chegar um novo ano letivo e a compra das mochilas é uma das atividades mais apreciadas pelas crianças. Mas saiba que as mochilas escolares podem provocar alterações na coluna vertebral dos mais pequenos. Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha ‘Olhe Pelas Suas Costas’, explica o que deve ter em atenção.

As dores nas costas são a causa mais frequente das visitas ao médico. As doenças que afetam a coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física. Estima-se que sete em cada dez portugueses sofrem ou já sofreram de dores nas costas. Por isso, a prevenção e os cuidados devem começar desde cedo.

Com o regresso às aulas a aproximar-se chega também a hora de pais e educadores escolherem a mochila que crianças e jovens vão carregar diariamente para a escola no próximo ano letivo. A campanha “Olhe Pelas Suas Costas” alerta para a importância de uma escolha correta da mochila, tendo em conta as características ergonómicas da mesma. É também é nesta altura, a 5 de setembro, que se assinala o Dia Internacional das Lesões da Coluna Vertebral. Convém, por isso, ter cuidados desde cedo.

«Hoje em dia as crianças carregam demasiado peso às costas, o que pode provocar dores e problemas potencialmente graves na coluna vertebral a longo prazo. O tamanho, o material da mochila e o peso a transportar são fatores decisivos no momento da escolha, para assegurar o bem-estar da criança e a saúde da coluna em crescimento», explica Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha nacional “Olhe pelas suas costas”.

«O peso exagerado e a má colocação da mochila às costas, diariamente, podem provocar dores e é muito importante recordar os pais e educadores que devem optar por mochilas confortáveis, deixando a  estética para segundo plano, pois o mais importante é a saúde da coluna das crianças e jovens», conclui o responsável.

Por isso, por mais que o seu filho queira aquela mochila com o seu desenho animado favorito, não é isso que deve prevalecer na compra da mochila escolar. Muitas vezes, as crianças são submetidas ao transporte de carga excessiva e os pais nem pensam nos malefícios deste peso. Acontece com frequência a criança transportar uma quantidade enorme de livros e outros materiais que, provavelmente, não vai utilizar nesse dia. E isso precisa de ser monitorizado.

O transporte repetido de uma mochila pesada pode condicionar, no futuro, problemas graves para as costas das crianças. Depois de acertar com o peso da mochila, vem a organização dos materiais dentro da mesma. Os mais pesados devem ser colocados no fundo da mochilae os restantes devem ser distribuidos pelas bolsas. Leia agora as dicas, na galeria que integra este artigo, com as características certas que deve ter uma mochila escolar e como deve ser transportada.

imagens das mochilas no link:

https://mood.sapo.pt/sabe-quanto-deve-pesar-uma-mochila-escolar/#slide=1

Pais estão a criar ‘bebés de estufa’

Agosto 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Expresso de 11 de agosto de 2018.

 

Unicef e OMS alertam: 78 milhões de bebés não são amamentados na primeira hora após o parto

Agosto 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia da SIC Notícias de 31 de julho de 2018.

Cerca de 78 milhões de bebés (60% do total) não são amamentados na primeira hora de vida, aumentando o risco de morte e de doença, alertaram hoje a Unicef e a Organização Mundial de Saúde num novo estudo.

As organizações notam que a maior parte destes bebés nasce em países de rendimento baixo e salientam que mesmo uma demora de algumas horas na amamentação após o nascimento pode colocar as crianças em risco de vida.

O contacto pele com pele na amamentação estimula a produção de leite nas mães, incluindo o colostro, rico em nutrientes e anticorpos, chamado a “primeira vacina” de um bebé.

As taxas de amamentação na primeira hora após o nascimento são mais altas na África Austral e do Sul (65%) e mais baixas no leste da Ásia e Pacífico (32%), refere-se no relatório.

Em países como o Burundi, Sri Lanka e Vanuatu, 90% dos bebés são amamentados na primeira hora, enquanto no Azerbaijão, Chade e Montenegro, só dois em cada dez são amamentados.

O diretor-geral da OMS, Tedrso Adhanom Ghebreyesus, salientou que “a amamentação é o melhor começo de vida possível” e defendeu que é preciso as famílias, sistemas de saúde, patrões e governos apoiarem as mães para “darem aos filhos o começo que merecem”.

No relatório, chamado “Capturar o momento”, elencam-se razões que fazem demorar o primeiro aleitamento, como diferenças nos cuidados às mães e recém-nascidos.

Em muitos casos, os bebés são separados das mães imediatamente após o nascimento e não é a presença de pessoal qualificado a assistir aos partos que afeta a frequência da amamentação após o nascimento.

Práticas como dar aos recém-nascidos leite preparado, mel ou água açucarada ainda contribuem para adiar o primeiro contacto do bebé com a sua mãe.

Outro fator é o aumento de cesarianas, que em países como Egito mais do que duplicaram entre 2005 e 2014, de 20% para 52%, enquanto a percentagem de bebés amamentados desde logo desceu de 40% para 27%.

Estudos anteriores citados no documento agora divulgado mostram que os recém-nascidos que foram amamentados entre as duas e as 23 horas a seguir ao parto tinham 33% mais riscos de morrer do que os que foram amamentados antes.

Entre os recém-nascidos amamentados a partir do dia seguinte ao nascimento, o risco duplicava.

No relatório apela-se aos governos, doadores e decisores para que adotem medidas legais fortes para restringir a publicidade de leite preparado para recém-nascidos e outros substitutos do leite materno.

Lusa

O relatório Capture the Moment: Early initiation of breastfeeding – the best start for every newborn pode ser consultado no link:

https://www.unicef.org/press-releases/3-5-babies-not-breastfed-first-hour-life

 

 

Alguns pais esquecem-se de usar os cheques-dentista dos filhos. E até há quem os perca

Agosto 2, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Público de 22 de julho de 2018.

Quase uma década depois de a distribuição de cheques-dentista pelas crianças de sete, 10 e 13 anos que frequentam escolas públicas ter arrancado em Portugal, muitos destes vales de 35 euros não estarão a ser aproveitados, apesar de a taxa de utilização global a nível nacional ter aumentado no ano passado e estar agora perto de 78%. Num estudo sobre os factores de não-adesão aos cheques-dentista anunciado como pioneiro e publicado na última edição da revista Acta Médica, conclui-se que muitos encarregados de educação se esquecem e deixam passar o prazo de validade dos primeiros vales que os menores recebem e que alguns até admitem que os perdem.

Há algumas localidades em que a percentagem de utilização dos cheques-dentista dados às crianças nestas faixas etárias para serem usados em consultórios dentários privados, no âmbito do Programa Nacional de Saúde Oral, é inferior à média nacional, ainda que estes dados não sejam divulgados publicamente. É o caso da área abrangida pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Ocidental e Oeiras, onde no ano lectivo 2014/2015 a adesão a esta que é, para muitas famílias, a única possibilidade de proporcionarem cuidados de saúde oral às crianças, se ficou pelos 23%.

Foi para tentar perceber os motivos que justificam a reduzida adesão neste ACES que Rita Filipe, médica da Unidade de Saúde Pública do agrupamento, decidiu avançar com uma investigação em conjunto com Pedro Aguiar, da Escola Nacional de Saúde Pública. O “estudo de caso-controlo” envolveu 270 alunos (metade não tinham usado os vales e a outra metade utilizou-os) de 35 escolas públicas daquela área geográfica.

Apesar de a amostra ser limitada a este agrupamento e não ser assim representativa, os resultados fornecem pistas interessantes: mais de um quinto (21,5%) dos encarregados de educação inquiridos que não utilizaram os primeiros cheques-dentista distribuídos aos alunos com cáries admitiram que isso aconteceu porque se esqueceram e deixaram ultrapassar o prazo de validade e 4,4% revelaram que os perderam. Também é elevada a percentagem dos que afirmaram não ter, sequer, recebido os cheques-dentista naquele ano lectivo (17%).

Mas o principal motivo invocado para a não-utilização do cheque é o facto de os alunos serem já seguidos por dentistas particulares (23,7%) que não são aderentes ao programa. E em 5,9% dos casos os pais responderam que não precisavam dos vales porque as crianças têm seguro de saúde.

O estudo permite ainda perceber que há algumas dificuldades na localização de médicos aderentes ao programa (10,4%). Acresce que 9,6% dos encarregados de educação queixaram-se de não ter recebido informação sobre como utilizar os vales e sobre a sua importância. São resultados que demonstram “uma baixa valorização [pelos encarregados de educação] da importância da saúde oral e de como utilizar os serviços de saúde”, concluem os investigadores.

No total, cerca de um terço dos alunos não utilizou o cheque-dentista nem foi seguido por dentista particular, “perdendo-se uma oportunidade para a prestação de cuidados de saúde oral personalizados, preventivos e curativos, de forma gratuita”, notam.

Adesão nacional é “satisfatória”

A percentagem da adesão é muito inferior às médias nacionais globais que têm sido divulgadas pela tutela, no âmbito do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral. Rita Filipe adianta que a taxa do ACES Lisboa Ocidental e Oeiras continuou baixa nos últimos anos lectivos e que haverá outros locais onde o fenómeno também se verifica, a crer em relatos de alguns colegas. “Deve haver muitas assimetrias”, acredita.

Sublinhando as “fragilidades” deste estudo, que “não tem uma amostra representativa” e se circunscreve a um ACES, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, prefere destacar a taxa de utilização a nível nacional, que na sua opinião é “muito satisfatória”, ainda que seja “passível de ser melhorada”. “Este é um programa de sucesso que reconhecidamente tem contribuído para ganhos em saúde”, enfatiza.

Segundo os últimos dados disponíveis e que constam do Relatório sobre o Acesso a Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas recentemente tornado público, a taxa de utilização nestes grupos etários aumentou de facto nos últimos anos – em 2017 chegou a 77,9%, quando no ano anterior era de 75,9%, apesar de o número absoluto de vales distribuídos pelas crianças nestas faixas etárias ter diminuído 3,3% neste período.

Depois de ter pedido informação mais detalhada à Direcção-Geral da Saúde (que gere este programa), o presidente do Conselho Geral da OMD, Paulo Melo, confirmou que neste ACES a taxa de utilização dos vales é muito baixa, tendo em conta a percentagem da região (Lisboa e Vale do Tejo). Admitindo que haja locais com uma taxa de utilização mais baixa do que a média nacional, Paulo Melo adianta que a informação agora conhecida sobre este ACES serviu de alerta para a necessidade de se olhar para os dados sobre a utilização dos primeiros cheques distribuídos nas escolas.

Quanto aos motivos que podem justificar a não utilização dos cheques, Orlando Monteiro da Silva destaca que já há muito tempo se percebeu que há dois grupos de famílias que tendem a aderir menos a este programa, por um lado as mais desfavorecidas do ponto de vista sócio-económico e com menor literacia e, por outro, aquelas em que os menores são já seguidos por médicos dentistas privados.

Neste estudo, porém, não se provou que a taxa de utilização fosse influenciada pela maior ou menor escolaridade dos encarregados de educação. Não será também por causa do prazo para a utilização do cheque ser curto que a adesão foi menor, porque, quando o vale é emitido, pode ser usado até quase um ano depois, diz Rita Filipe. O problema, especula, é que os encarregados de educação pensam que têm muito tempo para os usar e depois acabam nalguns casos por se esquecer.

Também seria importante, defende a médica, apostar numa maior divulgação deste programa e aumentar o número de médicos dentistas aderentes. Um simples telefonema a alertar os encarregados de educação para o fim do prazo de validade também seria determinante para aumentar a adesão, sugere ainda.

O certo é que o Governo já decidiu desmaterializar os cheques-dentista, no âmbito do Programa Simplex, com o objectivo de evitar eventuais extravios e esquecimentos, medida que foi anunciada em 2017 para entrar em vigor no ano lectivo que arranca em Setembro próximo. O PÚBLICO perguntou ao Ministério da Saúde se a medida vai mesmo entrar em vigor neste ano lectivo mas não obteve resposta em tempo útil.

A distribuição de cheques-dentista começou em 2008 com as mulheres grávidas seguidas no Serviço Nacional de Saúde e os idosos beneficiários do complemento solidário, estendeu-se às crianças em 2009 e incluiu os utentes infectados com o vírus VIH/sida em 2010. Mais tarde, passou a englobar intervenções precoces em casos de risco de cancro oral e, posteriormente, abrangeu os adolescentes, primeiro os de 16 anos e, posteriormente, os de 18 anos.

Às crianças de sete e 10 anos podem ser atribuídos até dois vales por ano lectivo e, aos jovens de 13 anos, podem ser distribuídos até três. Cada cheque tinha, até à chegada da troika a Portugal o valor de 40 euros, que nessa altura foi reduzido para 35 euros, valor que ainda não foi reposto, lamenta o bastonário.

 

 

 

A amamentação é assim tão importante? O que diz a ciência

Agosto 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Getty Images

Texto do Observador de 19 de julho de 2018.

Vera Novais

Os Estados Unidos voltaram a votar contra uma resolução que promove a amamentação e restringe a publicidade às fórmulas infantis. Afinal, é assim tão importante promover o aleitamento materno?

A Assembleia Mundial de Saúde, na reunião que teve lugar em maio deste ano, queria aprovar uma resolução em que se pedia aos governos que “protegessem, promovessem e apoiassem a amamentação” e que reforçasse a aplicação das regras sobre a publicidade e promoção aos produtos substitutos do leite. No início de julho, o jornal norte-americano The New York Times, não só noticiou que os Estados Unidos votaram contra esta proposta, como que tentaram boicotá-la. Os delegados norte-americanos terão tentado coagir países da América do Sul e de África com ameaças de sanções ou retiradas de apoio e terão mesmo ameaçado a retirada de apoio financeiro à Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apressou-se a responder ao jornal via Twitter, acusando-o de disseminar notícias falsas. “Os Estados Unidos apoiam fortemente a amamentação, mas não consideramos que as mulheres devam ver o acesso à fórmula [infantil] negado. Muitas mulheres precisam desta opção devido à má nutrição e pobreza.”

Dizer que as mulheres não conseguem amamentar por causa da pobreza e má nutrição é “colocar o carro à frente dos bois”, disse, em comunicado, o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido. “É claro que o foco devia ser em reduzir a pobreza e má nutrição de maneira a que as mulheres estejam suficientemente saudáveis para amamentar. Também porque as famílias pobres não conseguem sustentar uma alimentação à base de fórmula.”

As alegadas ameaças feitas pelos Estados Unidos ao Equador — que apresentou a proposta inicial — e a outros países em desenvolvimento fizeram recear que a resolução não fosse aprovada. Mas a Rússia — em conjunto com o Canadá, México e 15 outros países — avançou com uma nova proposta, aprovada por 118 Estados-membros com um voto contra, o voto norte-americano. Ainda assim, os delegados dos EUA conseguiram introduzir algumas alterações na proposta e torná-la menos exigente do que a inicial.

Não é a primeira vez que os Estados Unidos votam contra este tipo de propostas e volta a cair sobre o país a acusação de ceder às pressões das empresas produtoras de fórmula infantil — uma indústria que vale 70 mil milhões de dólares (60 mil milhões de euros) e é dominada por meia dúzia de empresas norte-americanas e europeias. O Observador quis perceber se é assim tão importante promover o aleitamento materno ou se o uso de fórmula infantil é igualmente válido.

Porque é que a OMS quer regras apertadas para as empresas?

A promoção do aleitamento materno e o controlo do tipo de publicidade e promoção que pode ser feita pelas empresas que produzem fórmulas infantis (leite em pó adaptado) não são ideias novas. Já em 1974, durante a 23.ª Assembleia Mundial de Saúde (WHA, na sigla em inglês), tinha ficado claro o declínio da amamentação em vários países do mundo, em parte relacionado com a pressão das empresas produtoras dos substitutos. Nessa altura, a WHA instou os Estados-membros a rever as atividades promocionais levadas a cabo pelas empresas e a criar legislação sobre a publicidade das mesmas caso fosse necessário.

O tema voltou a ser debatido nos anos seguintes e, em 1981, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) publicaram o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno. O código — que era uma recomendação, não uma regulação — foi aprovado por 118 Estados-membros. O único voto contra veio dos Estados Unidos. Na altura, a justificação foi que este tipo de código viola os princípios da liberdade de expressão e de acesso à informação. Quase 40 anos depois, a justificação é a mesma.

“Os Estados Unidos lutam para proteger a capacidade das mulheres de fazerem as melhores escolhas de nutrição para os seus bebés”, disse um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos norte-americano (a entidade presente na reunião da WHA), citado pelo The New York Times. “Muitas mulheres não são capazes de amamentar por variadas razões. Estas mulheres não podem ser estigmatizadas, têm de ser igualmente apoiadas com informação e acesso a alternativas para a sua saúde e das suas crianças.”

A resolução da WHA não pretendia obrigar as mulheres a amamentar, nem proibi-las de ter acesso a informação sobre a fórmula infantil. Nada na resolução incidia sobre a discriminação e estigma das mulheres que não amamentam. O objetivo era promover o aleitamento materno como melhor opção para a mãe e o bebé, baseado nos dados científicos disponíveis, e reforçar o Código Internacional de Marketing dos Substitutos do Leite Materno, tanto nas legislações nacionais, como na monitorização da sua aplicação e na penalização das violações ao código.

A preocupação da Organização Mundial de Saúde vai muito além das mulheres nos Estados Unidos ou nos países desenvolvidos, que têm melhores recursos financeiros e maior acesso a água potável e a cuidados de saúde do que as mulheres nos países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, as empresas mostram apoiar e incentivar a amamentação materna, como revela a Nestlé no seu site. Mas a postura destas empresas nos países em desenvolvimento parece ser diferente, como denuncia o jornal britânico The Guardian. Nas Filipinas, por exemplo, as empresas fazem lobby junto dos profissionais de saúde, aliciando-os com viagens pagas a conferências e outros programas de lazer, e distribuem folhetos às mães com alegadas informações de saúde, algumas apresentando o leite adaptado como melhor que o leite materno.

Há outras polémicas à volta da amamentação. No passado domingo, na Florida, a modelo Mara Martin desfilou a passarela enquanto amamentava a filha de cinco meses. Tudo aconteceu num desfile de fatos de banho da Sports Illustrated. Martin foi uma das 16 finalistas que concorreram para o desfile. Entre as outras escolhidas estava Brenna Hucky, uma atleta paraolímpica que desfilou com uma perna prostética, uma militar e uma sobrevivente de cancro.

Que riscos podem apresentar as fórmulas infantis?

A alimentação dos bebés com fórmula (leite em pó adaptado) em vez de leite materno teve início no século XIX e tornou-se comum no século seguinte. As empresas alegavam que a fórmula infantil era tão boa como o leite materno e faziam promoção junto dos profissionais de saúde, que eram os primeiros a recomendar às mães que alimentassem os bebés a biberão em vez de os amamentarem.

A moda pegou, mas, a partir de meados do século XX, as mães voltaram a querer amamentar os seus filhos — embora a adesão ainda esteja longe das recomendações das sociedades de pediatria. A venda de fórmula infantil caiu nos países desenvolvidos, mas não nos países em desenvolvimento. Estes substitutos do leite materno começaram a ser uma escolha moderna para os cidadãos com mais recursos desses países, mas estenderam-se também às populações mais pobres e com menos recursos financeiros que permitissem alimentar convenientemente as crianças à base de fórmula infantil. O resultado foi um aumento da mortalidade infantil.

A fórmula infantil é um produto caro. Quando as famílias têm dificuldade em comprar o produto, acabam por diluí-lo muito mais do que a recomendação do produtor e as crianças ficam mal alimentadas. Além disso, em muitos dos países em desenvolvimento que recorrem às fórmulas, a qualidade da água não é adequada. Se a água não for fervida e os biberões (ou outros suportes) não forem devidamente esterilizados, há o risco de contaminação com micro-organismos. A própria fórmula pode estar contaminada.

Nada é mais natural que o leite materno

“As fórmulas infantis são leite de vaca transformado e permitem que o bebé cresça e aumente de peso”, disse ao Observador Graça Gonçalves, pediatra e consultora internacional de amamentação. “Mas não há qualquer comparação possível com um produto que teve milhares de anos de evolução [o leite materno humano].” O leite materno tem as características nutricionais perfeitas, em termos de quantidade de vitaminas e sais minerais, proteínas, gorduras, açúcares e água. “Não é possível meter isto numa lata.” Mesmo que a mãe tenha algumas carências nutricionais, o leite materno continua a fornecer ao bebé elementos que a fórmula não pode fornecer, disse ao Observador Conceição Calhau, nutricionista e investigadora no Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde).

É certo que as empresas têm investido muito na investigação e no melhoramento das fórmulas infantis, que vão adicionando componentes presentes no leite humano, mas, ainda assim, estão longe de ser um equivalente. Para citar só um exemplo, as fórmulas infantis não conseguem passar anticorpos ao bebé, como consegue o leite materno. “A criança só atinge a imunidade equivalente à do adulto aos sete anos. [Como depende da imunidade da mãe], quando deixa de mamar há uma baixa de imunidade na criança.”

Para a pediatra, co-fundadora da Clínica Amamentos (que faz aconselhamento sobre amamentação), o uso de fórmula está normalizado, mas não devia ser sequer a segunda opção para as mães que não conseguem dar mama. A segunda opção deveria ser leite da mãe extraído com uma bomba — dado a copo ou a colher, mas nunca com biberão — e a terceira opção deveria ser leite de outra mulher, recorrendo a familiares e amigas ou a um banco de leite. Graça Gonçalves admite que esta última opção é a mais difícil, porque existe apenas um banco de leite em Portugal.

O que recomenda a OMS?

A Organização Mundial de Saúde recomenda que todos os bebés sejam amamentados em exclusivo até aos seis meses. A partir dessa idade devem ser introduzidos os alimentos sólidos, mas o leite materno continua a constituir uma boa fonte de energia e nutrientes. A OMS prevê a amamentação até aos dois anos, mas esta pode ser mantida por tanto tempo quanto seja confortável e desejável para a mãe e para o bebé, disse Graça Gonçalves, consultora internacional de amamentação.

Iniciar o aleitamento materno logo após o nascimento, até uma hora após o parto, reduz o risco de infeções e o risco de mortalidade precoce, refere a OMS. Além da proteção contra infeções gastrointestinais, o leite materno evita a má nutrição do bebé. A manutenção da amamentação após os seis meses (e até aos dois anos ou mais) ajuda a prevenir a subnutrição em crianças com outras carências alimentares ou durante os períodos de doença.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, defende que em muitos hospitais e comunidades em todo o mundo, amamentar ou não amamentar pode fazer a diferença entre a vida e a morte e condicionar o desenvolvimento pleno da criança.

A amamentação pode ainda ser defendida por razões mais práticas: a refeição está sempre pronta e pode ser dada em qualquer local; virtualmente não tem custos — especialmente quando comparado com a fórmula infantil; e os custos com os cuidados de saúde também são reduzidos (visto o aleitamento materno prevenir má nutrição e infeções gastrointestinais).

Quais as vantagens da amamentação no futuro?

A Organização Mundial de Saúde defende ainda o aleitamento materno porque a longo prazo protege as crianças de outras doenças como a diabetes ou a obesidade. Conceição Calhau explica que os oligassacarídeos presentes no leite materno, e descobertos recentemente, são um bom alimento para as bactérias boas do intestino dos bebés. Isso, aliado às bactérias adquiridas durante o parto vaginal, vai promover um conjunto de microorganismos intestinais que têm um papel protetor na saúde da criança e do adulto.

Além disso, há trabalhos de investigação científica que demonstram que a mãe perde peso mais facilmente, que a gordura acumulada nos glúteos é mobilizada para a produção de leite e que o útero regride e retoma a posição original mais facilmente, referiu a nutricionista. Além disso, a amamentação ajuda a prevenir o cancro da mama, ainda que, lembrou a investigadora, falte explicar o mecanismo que confere esta proteção.

Conceição Calhau considera que o apoio à amamentação e os benefícios promovidos pela OMS são largamente consensuais, embora pontualmente possam aparecer alguns trabalhos de investigação ou opiniões que o contestem. Há algumas razões para estes trabalhos aparentemente contraditórios. Por um lado, todos os trabalhos relacionados com a amamentação são observacionais — estudar bebés e crianças ao longo do tempo — e não ensaios clínicos controlados — não era ético submeter bebés a um tipo de alimentação que se considere benéfico e outro que se pense ser menos vantajoso.

Por outro lado, os estudos observacionais não são feitos nas condições ótimas. A nutricionista explicou que, quando os partos são programados ou quando as mães são sujeitas a uma cesariana, o bebé e a mãe podem estar demasiado adormecidos para a amamentação ou, pior, o corpo da mãe ainda nem sequer está pronto para o fazer. Mais, se a mãe não for convenientemente acompanhada, o bebé pode não estar a mamar corretamente, o que faz com que os resultados do estudo fiquem influenciados. Não faz sentido comparar uma pessoa que come sopa à colher com uma que come sopa com garfo

E se a mãe não consegue amamentar?

Há mulheres que gostavam de amamentar e não conseguem e acabam por recorrer à fórmula infantil mesmo que esta não fosse a sua primeira opção. Para Graça Gonçalves, menos de 5% das mulheres tem realmente alguma condição que as impeça de amamentar. As restantes mulheres que não conseguem alimentar os seus bebés dessa forma foram, na opinião da médica, mal acompanhadas e mal apoiadas.

“As desajudas começam logo na maternidade, quando o leite artificial é incentivado”, disse a consultora de amamentação. Mas também acontece quando os profissionais de saúde impõem a amamentação à mãe sem acompanharem o processo. Um bebé que não pegue corretamente na mama vai magoar a mãe e não se vai conseguir alimentar convenientemente. A mãe vai encarar o processo como doloroso e um sacrifício, o bebé vai ficar com fome e a mãe vai ficar convencida que o seu leite “é fraco”. E não existem “leites fracos”, como se apressou a esclarecer a médica. “E são raríssimos os casos de mulheres que não conseguem produzir leite suficiente”, acrescentou Conceição Calhau.

Os bebés que nasçam de parto natural e no fim do tempo de gestação têm, à partida, maior facilidade em mamar corretamente. Quando o parto é antecipado ou induzido, o bebé pode ainda não estar pronto para fazer a primeira refeição, disse Graça Gonçalves. Até a epidural, se passar para o bebé, pode deixá-lo demasiado atordoado para comer. “As mães e os bebés não têm as melhores condições iniciais para a amamentação funcionar”, concluiu a médica.

Mas o parto prematuro não é, só por si, condição suficiente para se optar pela fórmula infantil. “Se o bebé nascer entre as 35 e as 37 semanas é possível amamentar, mas tem de haver muito apoio porque vão existir muitas dificuldades na amamentação”, disse Graça Gonçalves. “Se o bebé nascer entre as 28 e as 30 semanas o apoio tem de ser extraordinariamente maior.” Não só o bebé não está preparado, como o próprio corpo da mãe ainda não está pronto para a produzir leite. Mesmo nestes casos, a pediatra recomenda que se recorra, sempre que possível, a leite humano de um banco de leite ou de familiares ou amigas.

Nos casos em que o bebé não consiga ou não possa mamar e seja preciso recolher a leite extraído, da mãe ou de um banco de leite, ou a fórmula infantil e nos casos em que seja preciso suplementar os bebés, a pediatra deixa um conselho importante: não usar biberão (usar colher, copo ou seringa). “O biberão é inimigo da amamentação.” A posição para dar biberão não é a posição natural de alimentação do bebé, requer muito menos esforço mamar de uma tetina do que da mama da mãe, o que acaba por fazer com que o bebé coma mais do que precisa. “Quando se sente saciado já é tarde demais.”

E se a mãe não quer amamentar?

“A decisão de amamentar, ou não, é uma escolha da mulher e deve ser respeitada”, disse o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido (RCM, na sigla em inglês) numa nova posição sobre alimentação infantil publicada em junho. As razões que podem levar uma mulher a evitar ou parar a amamentação vão desde questões médicas, culturais ou psicológicas, até desconforto físico ou inconveniência, referiu um editorial da revista científica The Lancet, em 2016. “Estas questões não são triviais e as mães que não recebem apoio acabam por escolher o biberão com fórmula.”

Daí que o RCM defenda a importância de os pais terem acesso a informação, quer sobre as vantagens da amamentação, quer sobre como devem alimentar corretamente os seus bebés com fórmula infantil — seja em exclusivo, seja em combinação com o leite materno. Os profissionais de saúde devem assim estar preparados não só para promover e apoiar o aleitamento materno, mas também para dar os melhores conselhos aos pais que escolham a fórmula. Apesar desta recomendação, a associação deixa claro que “a amamentação em exclusivo durante os primeiros seis meses de vida de um bebé é o método mais apropriado de alimentação infantil”.

“Há mulheres para as quais amamentar é um verdadeiro prazer. É muito bom para elas e muito bom para o bebé. Mas amamentar um bebé quando a mãe não gosta de o fazer? É uma catástrofe”, disse Elisabeth Badinter, uma feminista francesa, citada num artigo de opinião no The Guardian.

Para Graça Gonçalves, as mulheres que estejam bem informadas e bem apoiadas dificilmente escolhem a fórmula infantil em detrimento do aleitamento materno. Para a consultora em amamentação é necessário esclarecer que a fórmula não é equivalente ao leite materno e apoiar as mães que tiveram más experiências com a amamentação no passado. Mais: a pediatra defende que se o bebé pudesse escolher, escolhia o leite materno, e que ao fazer uma escolha a mãe também deve pensar no bebé.

Mesmo para as associações que apoiam mães que não amamentam, como a “Don’t judge just feed” (Não julgue, alimente apenas), a amamentação é apoiada, incentivada e celebrada. O que esta associação procura é que as mães que não podem ou não querem amamentar recebam o mesmo tipo de apoio. Não ser capaz de amamentar pode ter um forte impacto nas mães que esperavam poder fazê-lo e a associação também quer apoiar estas mulheres e sensibilizar para este problema.

 

 

Por um verão mais seguro – Mário Cordeiro

Agosto 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no i de 31 de julho de 2018.

Todos os verões morrem muitas crianças (e pessoas, no geral), vítimas de acidentes evitáveis. Ficam aqui algumas ideias que vos poderão ajuda a conferir se tudo o que aqui se diz já faz parte da vossa cultura de segurança e das vossas rotinas ou se precisam de “mudar de hábitos”. Tenhamos respeito pelos que morreram por traumatismos, lesões e ferimentos decorrentes de acidentes evitáveis, e tornemos as suas mortes úteis se aprendermos a lição, para não repetir os mesmos erros.

Afogamentos

Portugal continua a ser um país onde as medidas de segurança são frequentemente esquecidas e onde o “facilitismo” acaba por ser a regra. Só que o Diabo não dorme. Quando abrimos os jornais ou ouvimos os telejornais – como tem acontecido ultimamente -, as crianças mortas e feridas devido a acidentes estúpidos e evitáveis entram-nos pela casa dentro.

Desde o início da época balnear, e apesar de o tempo ter estado péssimo para idas à praia e piscina, já são muitos os casos de afogamentos e quase-afogamentos, para lá de todos os casos que tiveram de ir ao hospital por queimaduras solares, golpes de calor e outras coisas no género… e isto, repito, com mau tempo. Se, desta vez, foi uma criança desconhecida, para a próxima poderá ser o nosso filho, se não tomarmos as precauções devidas e continuarmos a considerar que “a nós nada acontece” e que a preocupação com a segurança é “excesso de zelo”.

Podemos mudar isto, ou melhor, temos de mudar isto! Não chega horrorizarmo-nos com os mortos de Pedrógão se, nas piscinas e praias portuguesas, morrem silenciosamente crianças, adolescentes e adultos. Convém relembrar que os afogamentos podem surgir em água doce (piscinas, poços, lagos, albufeiras, rios, praias fluviais) ou salgada e praias de mar. Felizmente, o número só não é maior porque os surfistas, todos os anos, salvam dezenas e dezenas de pessoas.

Há fatores que contribuem para um afogamento: não saber nadar ou, mesmo sabendo, incapacidade para se aguentar numa situação de perigo e de medo; inexperiência; comportamentos de excessivo risco (como nadar para longe); má utilização das boias ou outros elementos; falta de cuidado e de atenção; ignorância do perigo (muitas vezes agravada por uma má avaliação da situação e das condições ambientais); outro tipo de acidentes (como pancadas na cabeça ao mergulhar, traumatismos com remos ou mastros de barcos, etc.); incapacidade de coordenação e atrapalhação na altura da queda à água, ou o desrespeito pelas indicações do nadador-salvador e das bandeiras. Convém relembrar que uma criança de pouca idade pode afogar-se num palmo de água. Sim… em 20 cm de altura!

Chapéus

De preferência um de abas largas, arejado, que proteja o rosto e as orelhas. As radiações solares que se apanham nos primeiros anos de vida são determinantes para o aparecimento de cancros da pele e para o envelhecimento precoce dos tecidos cutâneos, para além das lesões nos olhos que podem causar futuras cataratas. Atenção, pois, às crianças. Ter bom senso aprende-se desde pequenino, sobretudo se as razões forem explicadas às crianças.

Cremes

Relativamente aos mais novos, sempre com fator elevado, de preferência superior a 50 e renovado várias vezes ao longo do dia. Quanto mais clara e sardenta a pele e mais ruivos os cabelos, maior deve ser o fator.

Escolham um creme à prova de água, fácil de aplicar, em spray. Depois da praia, e tomado o banho de água doce, convém aplicar um creme hidratante.

Gastroenterites

O tempo quente é um factor de risco para as gastroenterites provocadas por alimentos deteriorados. Vale a pena, pois, tomar alguns pequenos cuidados: abastecer-se em estabelecimentos com boas condições de limpeza e onde não haja mistura de alimentos, ver os prazos de validade inscritos nas embalagens e o seu estado de conservação, especialmente a carne, peixe, ovos. Não é aconselhável comprar produtos congelados que se apresentem moles ou deformados, pois é sinal que já foram descongelados e voltados a congelar.

Relativamente aos alimentos que sobram, convém conservá-los no frigorífico logo que arrefeçam, de preferência em recipientes herméticos.

Igualmente importante é cozinhar sempre com as mãos bem lavadas e evitar confecionar com ovos crus ou mal passados, por exemplo maioneses e mousses. As saladas e a fruta crua são excelentes alimentos, especialmente apetecíveis nesta época do ano; no entanto, para não se tornarem nocivos, devem sempre ser lavados em água potável e corrente.

Mosquitos, Melgas, etc.

Há crianças que fazem grandes reacções alérgicas às picadas e que, por vezes, têm de ser medicadas no serviço de urgência. Há vários produtos no mercado para o “antes” (sprays, aparelhos de ligar à electricidade, etc.) e para o “depois” (cremes, pomadas). Leve consigo um carregamento e, já agora, não deixe a janela aberta enquanto tem as luzes acesas, nem as tenha no exterior da casa, junto às portas e janelas. É um autêntico convite para os insetos…

Óculos escuros

Os pais usam, as crianças não tanto. Mas as radiações ultravioleta estão na luz, e a luz entra pelos olhos dentro. Além disso, o cristalino dos olhos da criança não filtra estas radiações, até aos 15 anos, tendo como resultado queimaduras irreversíveis da retina.

Se os pais se protegem, então as crianças também deveriam, por maioria de razão, estar protegidas. Não é fácil, requer paciência e persistência, mas que hábito se adquire na infância sem estas virtudes?!

Há várias lojas e farmácias que vendem os óculos. Insistam com as crianças, com convicção. Não se trata de uma moda, apenas de bom senso.

Sol

Um amigo que às vezes é quase um “amigo-da-onça”. A culpa não é dele, mas da estupidez humana que levou à destruição da camada de ozono.

Cremes protetores, fuga às horas com mais radiação (a “hora vermelha” anda pelas 12-16h, mas varia conforme as praias, claro, e há praias onde não se pode estar nas chamadas “horas dos bebés”), enfim, temos de aprender a “dormir com o inimigo”.

Transportes

É obrigatório transportar as crianças corretamente, ou seja, em dispositivos de segurança – cadeiras, assentos, cinto de segurança. Agora também nos transportes coletivos.

Já que vivemos num país que, em termos de estradas e de trânsito, é quase tresloucado, porque não começar já hoje? Transporte o seu filho em segurança. Vai ver que não se arrepende!

Se tomarmos alguns cuidados, as férias vão parecer (e ser) mais tranquilas e a saúde das crianças promovida, em vez de acabarmos num hospital por uma incúria ou um desleixo ao qual só sabemos responder “se eu tivesse feito isto ou aquilo”. Façamos então esse “isto e aquilo” já!

Pediatra

Escreve à terça-feira

 

Crianças e Famílias num Portugal em Mudança – livro de Mário Cordeiro

Julho 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Neste livro traça-se um perfil da situação de saúde e de bem-estar da criança em Portugal, focando especialmente o grupo etário dos 0-9 anos. Com base em diversos indicadores existentes, e na sua evolução, avaliam-se as necessidades de saúde e de bem-estar, bem como as causas de mortalidade, doença e o sucesso das estratégias preventivas, depois de definida a população infantil em termos demográficos e sociais.

Mais informações sobre o livro no link:

https://www.ffms.pt/publicacoes/detalhe/1081/criancas-e-familias-num-portugal-em-mudanca

 

Crianças e os cuidados com a exposição solar – Conselhos da DGS

Julho 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

 

Quais os cuidados com crianças nos primeiros anos de vida?

Bebés e crianças pequenas são especialmente sensíveis aos efeitos do calor intenso e dependem dos adultos para se manterem seguros. Proteja-os do calor intenso e tenha em atenção os seguintes cuidados:

  • Vestir a criança com roupas leves, soltas e de cor clara;
  • Utilizar chapéu quando está ao ar livre;
  • Dar água com mais frequência e certificar-se de que bebe mais água do que o habitual;
  • Evitar a exposição direta ao sol, especialmente entre as 11 e as 17 horas;
  • Aplicar protetor solar antes de sair de casa;
  • NUNCA deixar o seu bebé/criança dentro de um carro estacionado ou outro local exposto ao sol, mesmo que por pouco tempo;
  • Consultar o seu médico se a criança tiver diarreia ou febre e ter especial cuidado com a hidratação;
  • Procurar assistência médica imediatamente sempre que identifique sinais de alerta como: suores intensos; fraqueza; pele fria, pegajosa e pálida; pulsação acelerada ou fraca; vómitos ou náuseas; desmaio;

mais informações no link:

https://www.dgs.pt/saude-a-a-z.aspx?v=8e00381f-52ce-45fb-b5a0-35fe84fa926a#saude-de-a-a-z/calor/perguntas-e-respostas

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.