Tecnologias: há diferenças entre público e privado

Fevereiro 3, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://www.educare.pt/ de 23 de janeiro de 2017.

O documento citado no texto é o seguinte:

Modernização Tecnológica das Escolas 2014/2015

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Distribuição não é igual. No ensino público, em 2014/2015, a maior parte dos computadores estava no 3.º ciclo. No privado, havia mais computadores no Secundário. E, no conjunto, 53% das escolas não tinham quadros interativos nas salas de aula.

Sara R. Oliveira

Os anos passam e as escolas estão cada vez mais tecnológicas. Há mais computadores, mais alunos com acesso à Internet, mais maquinaria disponível para fins pedagógicos. As novas tecnologias tornaram-se uma presença constante no dia a dia dos estudantes. Mesmo assim, nem todas as escolas do país têm quadros interativos nas salas de aula. O documento “Modernização Tecnológica das Escolas 2014/2015”, publicado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), revela os recursos tecnológicos das escolas públicas e privadas, do pré-escolar ao Secundário, do ensino regular, tuteladas pelo Ministério da Educação (ME) e localizadas em Portugal Continental.

Há diferenças neste mundo das novas tecnologias entre o ensino público e privado, como mostram as informações recolhidas e tratadas do inquérito realizado anualmente junto das escolas. No ano letivo em análise, 2014/2015, havia 436 870 computadores no ensino regular Básico e Secundário em Portugal continental. No público, estavam 369 401 computadores, no privado dependente do Estado (em que 50% dos seus fundos regulares de funcionamento provêm de organismos estatais) 21 574, e no privado independente 45 895. Em termos gerais, 30% dos computadores estavam no 3.º ciclo, 28% no Secundário, 18% no 2.º ciclo, 15% no 1.º ciclo e 9% no pré-escolar.

A distribuição varia consoante o tipo de ensino. No público, a maior parte dos computadores, 121 353, estava no 3.º ciclo, seguindo-se o Secundário com 96 298, o 2.º Ciclo com 75 898, o 1.º ciclo com 56 574, e o pré-escolar com 19 278. No privado independente, a configuração é diferente. É no Secundário que havia mais computadores, 22 806 dos 45 895. Quase metade, portanto. Depois surge o pré-escolar com 7604, o 1.º ciclo logo a seguir com 7121. O 3.º ciclo aparece em quarto lugar com 5739 e em quinto o 2.º ciclo com 2625 computadores. No ensino privado dependente do Estado, a distribuição é outra. No ano letivo em análise, havia mais computadores no pré-escolar, 12 169 dos 21 574. O 3.º ciclo surge em segundo lugar com 3 874, seguido do Secundário com 2392 e o 2.º ciclo com 2310. O 1.º ciclo ficava em último com apenas 829 computadores, apenas 4% do total.

Em termos de dimensão, e em termos gerais, 36% dos computadores estavam em escolas que tinham entre 500 e 999 alunos, 35% em escolas com 100 a 499 alunos, 19% em escolas com mais de mil estudantes e 10% com menos de 100. Também aqui há diferenças entre o ensino público e o privado. No público, a maior percentagem dos computadores, 41%, estava em escolas que tinham entre 500 e 999 alunos, 33% em escolas com entre 100 e 499 alunos, 19% com mais de mil e 7% com menos de 100. No privado, havia mais computadores nos estabelecimentos, 56%, que tinham entre 100 e 499 alunos, 20% em escolas com menos de 100 alunos, e 12% em escolas com entre 500 e 999 alunos e 12% em escolas com mais de mil alunos.

Do total dos computadores, no público e privado, 84% destinavam-se a fins pedagógicos e 16% eram para uso administrativo. Oitenta e três por cento eram computadores de secretária e 17% portáteis. Dos 436 870 computadores, 248 403 tinham mais de três anos de vida e 188 467 três ou menos anos de atividade. No geral, em termos de antiguidade, 57% dos computadores que estão nas escolas públicas e privadas têm três ou mais anos. E 54% dos portáteis têm mais de três anos.

Dos 366 202 computadores com ligação à Internet, 307 925 eram usados para fins pedagógicos e 58 277 para fins administrativos. E 61% dos que eram ligados para fins pedagógicos tinham mais de três anos de vida e 64% dos usados para fins administrativos tinham igualmente mais de três anos de atividade. O inquérito efetuado revela ainda que 53% das escolas públicas e privadas, do pré-escolar e ensino não superior, não tinham quadros interativos em 2014/2015. Ou seja, 4500 escolas não tinham quadros interativos e 3939 dispunham desse meio.

O documento publicado pela DGEEC não inclui informação sobre recursos tecnológicos de instituições de educação e formação tuteladas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, centros de emprego e formação profissional, nem dados relativos a outras entidades registadas no sistema de informação e gestão de ofertas do ME. “A informação agora publicada resulta de um processo de recolha, validação e tratamento de dados obtidos através de inquérito anual – questionário eletrónico, tipo de recenseamento – relativos a recursos tecnológicos existentes nas escolas”, lê-se no documento.

 

Presos ao ecrã

Janeiro 5, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 23 de dezembro de 2016.

pais-filhos

Escrito por Paulo Oom, pediatra

A utilização maciça da multimédia, através do telemóvel, televisão e consolas tem repercussões. Ser muito social nas redes sociais pode significar um grande isolamento.

 Hoje, o tempo de estudo de uma criança é bem diferente do que era há uns tempos. Já não existe a secretária cheia de papel, borrachas e lápis ou a tradicional biblioteca ou escritório cheios de livros para consulta. Pelo contrário, a criança tem hoje ao seu dispor inúmeros recursos em qualquer computador e quase tudo o que precisa saber lhe salta para cima à distância de um clique. Um teclado e um “rato” são tudo.

Também as brincadeiras já não são o que eram. Andar de bicicleta, jogar futebol, jogar basquete, brincar à cabra-cega ou ao mata são coisas de um passado distante. Pelo contrário, nunca como antes houve à disposição das crianças e jovens tanta tecnologia para se divertirem e distraírem. São computadores, consolas, telemóveis e múltiplos comandos que as levam para aventuras nunca antes vividas e emoções nunca antes sentidas. A criança está sentada em frente a um grande ecrã onde todo o mundo passa à sua frente. Virtual, claro.

Uma velocidade impressionante

Uma das formas mais interessantes para analisarmos o impacto das novas tecnologias é analisar quanto tempo demora determinada tecnologia a atingir os 50 milhões de utilizadores. Um número impressionante, é certo, mas que reflete bem a penetração no mundo de cada novidade. Para a rádio, por exemplo, foram necessários 38 anos para atingir aquele número de ouvintes. Já o telefone, depois de inventado, precisou de “apenas” 20 anos e a televisão de uns “poucos” 13 anos para conseguirem ter 50 milhões de utilizadores regulares. Os números mais recentes, contudo, impressionam mais. Para a internet bastaram quatro anos e mais recentemente todos os recordes foram batidos com o Facebook a precisar de três anos e meio e o Twitter de apenas três anos para serem utilizados por 50 milhões de almas. No entanto, nada disto é comparável aos 88 dias conseguidos pelo Google + para se espalhar pelo mundo e atingir o mesmo número de utilizadores.

Uma utilização maciça

Um estudo americano recente, desenvolvido pela Kaiser Family Foundation, revelou que as crianças e jovens americanos com idades entre os oito e os 18 anos utilizam aparelhos multimédia durante 7h38m por dia ! E esta evolução tem sido crescente, pois ao longo dos últimos anos a sua utilização tem vindo a aumentar, ao contrário da leitura de livros tradicionais que tem vindo a diminuir progressivamente. Muitos destes jovens possuem atualmente vários dispositivos multimédia, com destaque para os iPod/Mp3 seguidos de perto pelo telemóvel e pelo computador. O telemóvel tem vindo a disseminar-se e hoje cerca de um terço das crianças com menos de dez anos possui um. Esta percentagem sobe para perto dos 90 por cento quando falamos de adolescentes entre os 15 e os 18 anos. Ainda no mesmo estudo verificamos que apesar da profusão de instrumentos multimédia ao dispor dos jovens, e das preocupações levantadas por muitos pais, apenas um terço dos pais estabelece regras em relação à sua utilização, nomeadamente em relação ao tempo durante o qual podem utilizar cada dispositivo.

Um estudo semelhante realizado em Portugal revelou que praticamente 100 por cento dos lares portugueses possuem televisão e que em cerca de 90 por cento existe um computador. Mais importante, 60 por cento das crianças portuguesas têm uma televisão e 30 por cento um computador no quarto. No total, o tempo gasto por dia em multimédia pelas crianças e jovens portugueses ultrapassa as 5h30m. Estamos no caminho certo? Não parece…

As consequências são inevitáveis

Tudo isto tem consequências. As crianças comunicam cada vez menos umas com as outras de forma presencial e o seu relacionamento é feito muitas vezes à custa de símbolos como smiles, LOL ou polegares virados para cima. Em vez de darem a mão parece estarem ligadas por wi-fi. Mesmo quando em família, começam a ser raros os momentos passados em conjunto a conversar, a rir ou a passear ao ar livre. O computador e principalmente o telemóvel tomaram gradualmente conta de todo o tempo disponível. As refeições estão cada vez mais multimédia e numa mesa, para além dos pratos, talheres, copos e guardanapos, existem sempre espalhados diversos telemóveis. Mesmo na escola e nos recreios a maior parte das brincadeiras foi substituída pelo olhar mecânico para o pequeno ecrã e o teclar constante. Chegam a estar lado a lado mas a comunicar através das teclas. Infelizmente muitas vezes o exemplo é dado pelos próprios pais. No estudo americano que já referi verificou-se que estes passam por semana mais de 33 horas vidrados no ecrã. Que lindo exemplo. Como podem depois ter autoridade para impor limites?

Uma evolução plástica em resposta ao meio ambiente

O cérebro é um órgão maravilhoso. Ele é o cerne da consciência e controla a atividade de todo o corpo. O cérebro de um recém-nascido contém cerca de 100 biliões de células. Ao longo dos primeiros anos de vida o cérebro vai aumentando em tamanho mas o número de células mantem-se aproximadamente o mesmo. O seu tamanho final depende de muitos fatores incluindo aspetos genéticos, uma boa nutrição, a estimulação fornecida pelos seus pais e as experiências vividas pela criança.

 A principal característica das células cerebrais é a sua capacidade para se conectarem umas com as outras, estabelecendo circuitos que vão ser utilizados para as mais diversas funções. Uma única célula cerebral pode ligar-se a 15.000 outras células.

Aos três anos o cérebro de uma criança possui mais de mil triliões de ligações. Mas este número começa a diminuir a partir daí, pois apenas se vão manter para o resto da vida as ligações utilizadas e vão ser reprimidas as ligações não utilizadas ou inúteis. Isto confere ao cérebro humano uma enorme plasticidade e a capacidade de se desenvolver em resposta às exigências do ambiente. Esta maturação cerebral não ocorre toda ao mesmo tempo mas ao longo da vida durante os primeiros 18 a 20 anos. E ocorre para diferentes áreas do cérebro de forma sequencial. Sabemos por isso que existem períodos da vida onde a criança e jovem estão especialmente aptos a progredir na aquisição de determinadas funções. São as suas “janelas de oportunidade”.

É o caso da visão e da audição que estão especialmente ativas na sua maturação desde o nascimento e até aos cinco anos de idade, ou da linguagem que tem uma enorme capacidade de desenvolvimento do nascimento até aos dez anos. Já a destreza motora desenvolve-se principalmente até aos 12 anos.

 Por fim, o desenvolvimento das relações sociais e os aspetos emocionais das ligações humanas podem desenvolver-se desde o nascimento até aos 18 ou 20 anos. Ao longo de todo este processo sabemos que as áreas cerebrais que forem estimuladas pela experiência desenvolvem-se gradualmente enquanto que as áreas que não forem estimuladas caem em desuso e são “descontinuadas”. É uma forma de o cérebro humano canalizar a sua energia para estabelecer as relações entre as células e as vias que interessam, em detrimento daquelas que parecem menos utilizadas (e portanto inúteis).

Uma das últimas áreas a desenvolver-se é a zona do lobo frontal, que é responsável pelo controlo emocional, planeamento, julgamento e pensamento crítico. Estas áreas amadurecem principalmente durante a adolescência e até aos vinte anos. Isto permite explicar alguns dos comportamentos de risco da adolescência e ao mesmo tempo levantar suspeita de que os jovens que não utilizam estas áreas do cérebro durante a adolescência por estarem demasiadamente ocupados num mundo virtual virão a ser seguramente adultos diferentes daquele que foram os seus pais.

Multitasking – vantagem ou prejuízo?

O fenómeno multitasking, tão em voga atualmente, é por muitos considerado como uma enorme vantagem, por permitir que o jovem execute diversas funções ao mesmo tempo. A criança já não estuda simplesmente. Estuda ao mesmo tempo que ouve música, navega na internet e fala ao telefone. Mas esta suposta “vantagem” não o é na realidade. O cérebro tem pouca capacidade para efetuar diversas funções em simultâneo. Pelo contrário quando um jovem executa diversas atividades em simultâneo o que acontece na realidade é que o seu cérebro vai alternando por períodos muito curtos entre uma e outra função. E quanto maior o número de funções maior a dispersão cerebral entre todas elas, não conseguindo nunca concentra-se numa só. Daqui resulta um conhecimento muito alargado no que diz respeito aos tópicos envolvidos, mas muito pouco profundo quando analisado cada tópico em particular. É o célebre conhecimento “mile wide and inch deep”. Muito pouco de muita coisa.

Relacionamentos sociais:

quantos mais melhor?

Analisando diferentes espécies conseguimos perceber que a percentagem do seu cérebro ocupada com os aspetos sociais varia de espécie para espécie e que isso influencia o número de relacionamentos significativos que cada indivíduo consegue ter. Indivíduos de espécies animais com um cérebro maior, conseguem relacionar-se com um maior número de indivíduos da mesma espécie. Extrapolando para o tamanho do cérebro humano seria de esperar que qualquer um de nós conseguisse lidar, na nossa vida social, com 100 a 230 relacionamentos sociais significativos, sendo o valor médio esperado para a nossa espécie de 150. No entanto, verificamos que o número médio de relacionamentos Facebook entre os jovens é de 834. Mais social será provavelmente igual a menos social pois a maioria desses relacionamentos será tão superficial que em nada se distinguirá da não-existência.

Exercício físico e violência

Não parece haver uma relação inversa entre a utilização multimédia e a prática de exercício físico. Muitas crianças com uma utilização considerada alta de multimédia praticam bastante exercício, provavelmente porque durante a prática física estão a ouvir música através de algum dispositivo eletrónico. O sedentarismo não é explicado apenas pela utilização destes dispositivos, mas alguns poderão estar mais relacionados com a obesidade, como é o caso das consolas de jogos. Da mesma forma, a utilização de multimédia não torna aparentemente as crianças mais violentas. Enquanto as vendas de jogos considerados de “conteúdo violento” aumentam, o número de crimes violentos entre os jovens tem vindo a diminuir. Parece que os jovens conseguem distinguir com alguma coerência o mundo real do virtual ou conseguem “descarregar” o seu stresse e agressividade na consola de jogos, servindo como um escape para a violência no mundo real. Cada caso é um caso e cabe aos pais irem acompanhando o adolescente que têm em casa e estabelecerem as regras adequadas.

Nota final

Estudos demonstram que a utilização multimédia não é inocente. Canaliza a energia do jovem para o desenvolvimento de certas áreas cerebrais em detrimento de outras, em períodos sensíveis do desenvolvimento, tornando mais difícil que no futuro este seja capaz de reverter a situação.

Escola e satisfação pessoal

É aqui que existem os maiores problemas. Muitos estudos realizados nesta área demonstram que existe uma relação direta entre a utilização de aparelhos multimédia e os maus resultados escolares, provavelmente pelo efeito multitasking, em que a criança estuda agarrada aos seus vários dispositivos, de que resulta um défice de atenção em relação àquilo em que devia estar concentrada. A internet é mais utilizada para gozo do que para estudo e muitas vezes simultaneamente para os dois, com maus resultados.

Mais importante parece ser a relação encontrada entre a satisfação pessoal do jovem e o grau de atualização de aparelhos multimédia. Diversos estudos chegaram à conclusão que quanto maior a utilização dos elementos multimédia menor é o grau de satisfação do jovem com a sua vida e aqueles que o rodeiam. Os jovens com utilização alta de multimédia são, em média, mais ansiosos e mais dados a depressões que os restantes.

 

 

 

 

 

Como o trabalho infantil está a embaraçar as tecnológicas

Janeiro 1, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/de 22 de dezembro de 2016.

kenny-katombe

As multinacionais da tecnologia lançaram duas iniciativas para combater “as piores formas de trabalho infantil” e outras práticas abusivas na cadeia de fornecimento de cobalto, um elemento chave nas baterias de lítio que alimentam telemóveis, laptops e carros elétricos.

Apple, HP, Samsung SDI e Sony aderiram à Iniciativa do Cobalto responsável, liderada pela Câmara de Comércio Chinesa e apoiada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O quarteto compromete-se a seguir as directrizes da OCDE para a cadeia de fornecedores, que exige que as empresas saibam como o cobalto é extraído, transportado, fabricado e vendido. A iniciativa é “um sinal muito positivo de mudança”, disse Tyler Gillard, líder do projeto da OCDE. “O envolvimento forte da indústria chinesa, em particular, é incomum neste tipo de iniciativas e por isso emocionante”. O grupo tem como objetivo promover a cooperação com o governo do Congo.

Nas minas de cobalto no Congo, origem de 60% do cobalto mundial, os trabalhadores, incluindo crianças, não têm um mínimo de condições de segurança, de acordo com uma investigação do Washington Post. Estima-se que 100 mil mineiros “artesanais” trabalham neste país sem qualquer tipo de equipamento de proteção – como capacetes –, nem industrial -– brocas ou escavadoras –, e que raramentea empresa assume a responsabilidade em caso de acidentes. As condições perigosas do setor já originaram a morte de dezenas de mineiros e inúmeras lesões, além de que os níveis elevados de metais tóxicos a que estão expostos provocam problemas de saúde e malformações infantis, como comprovam estudos científicos referidos pelo jornal, assim como problemas ambientais.

Por dia, os mineiros “artesanais” retiram pelo menos duas toneladas de cobalto e são pagos consoante o que encontram, cerca de 2 a 3 dólares num dia produtivo – mas podem também receber zero conforme as entregas. O cobalto artesanal, geralmente, é mais barato do que o das minas industriais, uma vez que as empresas não pagam salários fixos aos mineiros, nem financiam operações de uma mina em larga escala. Com a oferta deste cobalto barato no mercado, algumas empresas internacionais cancelaram os contratos com minas industriais, optando pelas artesanais.

O metal proveniente das minas congolesas segue para uma única empresa chinesa – a Congo DongFang International Mining, parte de uma das maiores empresas produtoras de cobalto do mundo, a Zhejiang Huayou Cobalt –, a qual fornece há anos alguns dos maiores fabricantes de baterias mundiais (ATL, Samsung SDI, LG Chem), que por sua vez comercializam as baterias para grandes empresas como a Apple, a Samsung, a LG e a Amazon. Cerca de 90% do colbato da China é oriundo do Congo.

No ano passado, um grupo de defesa holandês chamado Centro de Pesquisas sobre Empresas Multinacionais, conhecido como SOMO, assim como a Amnistia Internacional publicaram relatos de irregularidades, incluindo deslocamentos forçados de aldeias e poluição da água, em virtude da exploração deste metal. O relatório da Amnistia, que acusou a Congo DongFang de comprar colbato extraído por crianças, fez com que as empresas internacionais prometessem investigar as suas ligações ao cobalto. Os problemas nas minas conganesas permaneceram, no entanto, evidentes quando o Washington Post visitou as operações de mineração no Congo este verão. Em setembro, Chen Hongliang, presidente da Congo DongFang, disse ao jornal norte-americano que a sua empresa nunca questionou como o cobalto era obtido, apesar de operar no Congo há já uma década.

Segundo o Washington Post, ninguém sabe exatamente quantas crianças trabalham na indústria mineira do Congo. A UNICEF, em 2012, estimou que 40 mil crianças o fazem no sul do país. Um estudo de 2007 financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional indicava que 4 mil crianças trabalham em minas só na cidade de Kolwezi, no Congo.

As baterias de lítio são mais leves e têm uma maior capacidade de energia, graças ao cobalto, do que as baterias convencionais de chumbo-ácido. Com uma procura crescente no mercado – que triplicou nos últimos 5 anos e prevê-se que ainda duplique até 2020 –estas baterias já definiram a tecnologia do mundo atual. O aumento deve-se sobretudo à produção de carros elétricos. Enquanto uma bateria de smartphone contém 5 a 10 gramas de cobalto refinado, uma bateria de um carro elétrico pode conter até 15 mil gramas.

Engenheiros tentaram durante anos fabricar baterias isentas deste material, mas este pigmento azul tem uma capacidade única de aumentar o desempenho da bateria. Por esta razão, é o material mais caro dentro de uma bateria de lítio-íon, tendo oscilado no ano passado entre os 20 mil e os 26 mil dólares por tonelada.

Em paralelo, o grupo Electronic Industry Citizenship Coalition anunciou a “Iniciativa de Matéria-prima Responsável”, no mês passado, à qual aderiram, entre outras empresas, a Apple, a Dell, a Foxconn e a Ford Motors. O grupo disse ao Post que as empresas precisam de expandir o escrutínio das suas cadeias de fornecedores para além dos tradicionais “minerais de conflito” – estanho, tungsténio, tântalo e ouro –, sobre os quais a legislação norte-americana prevê regras para a sua extração, com o objetivo reduzir o uso destes minerais que podem financiar organizações criminosas envolvidas em conflitos no continente africano. Bob Mitchell, vice-presidente do EICC para a responsabilidade social e ambiental, disse que um dos minerais que a iniciativa está a considerar é o cobalto do Congo.

Outras empresas, como a Tesla e a LG Chem, disseram que estão a avaliar a sua participação na Iniciativa. “Estamos a avaliar uma série de novas iniciativas internacionais para resolver os problemas da produção de cobalto e estamos a trabalhar rapidamente para determinar como a Tesla pode ser mais efetivamente envolvida”, refere, em comunicado, a empresa liderada por Elon Musk.

Em comunicado, Jay Celorie, responsável pelos programas globais da HP para Direitos Humanos, Ética e Conformidade, reconhece que para construir e monitorizar os vários atores da cadeia de fornecimento com os quais não têm um relacionamento comercial direto, a HP precisa de trabalhar com outras empresas e organizações.

Na semana passada, a Umicore, grande fabricante de peças de baterias e outros produtos de cobalto, com sede em Bruxelas, anunciou que a consultora PricewaterhouseCoopers validou as salvaguardas que tem para evitar o uso de cobalto resultante de práticas ambientais e de trabalho questionáveis. Entre outras coisas, a empresa quer rastrear as origens do cobalto presente nos seus produtos. Funcionários da empresa disseram que a validação por terceiros dos seus procedimentos deve aliviar as preocupações das empresas de consumo que são suas clientes.

Alguns críticos de longa data da cadeia de fornecedores de cobalto vêem a Iniciativa de Cobalto Responsável meramente como um bom primeiro passo. “A implementação é, obviamente, tudo”, disse Mark Dummett, da Amnistia Internacional. “Agora gostaríamos de ver as empresas a jusante como a Apple e a Samsung divulgarem os nomes das suas transformadoras de cobalto, além de divulgar os riscos que identificaram nas suas cadeias de fornecedores”.

 

 

 

Há mais de 44 mil crianças a iniciarem-se na programação de computadores

Dezembro 19, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 11 de dezembro de 2016.

adriano-miranda

Há cada vez mais crianças portuguesas a aprenderem Programação Computacional logo no 1.º ciclo e até no pré-escolar. Por todo o país há projectos que ensinam o código de escrita de um computador. Fomos conhecer o que se faz em Santa Maria da Feira.

Alexandra Couto

Os tempos em que os primeiros anos da escolaridade básica se focavam apenas no ensino do abecedário e da aritmética já lá vão. O 1.º ciclo foi-se adaptando às exigências da sociedade moderna, ajustou os currículos e, depois de idiomas como o Inglês e o Mandarim, há outra linguagem que agora se afirma e chegou mesmo aos conteúdos do pré-escolar: a Programação Computacional — o código de escrita próprio para computadores.

O projecto-piloto de Iniciação à Programação foi lançado pelo Governo em 2015 e já abrange mais de 44 mil crianças do 1.º ciclo do ensino básico. Neste domingo, a iniciativa Movimento Código Portugal (uma campanha nacional para alertar para a importância da literacia digital), leva um programa diversificado de actividades ao Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Curiosos de todas as idades terão a oportunidade de criarem desde jogos e aplicações até microssatélites.

Em Santa Maria da Feira convivem projectos distintos com esse mesmo objectivo pedagógico: há escolas que arrancaram com a Iniciação à Programação no ensino básico por sua iniciativa, outras que aceitaram o desafio da tutela e há estruturas voluntárias, como a secção local do movimento internacional CoderDojo, que promovem aulas informais de computação com crianças e adultos em simultâneo.

“A programação é uma literacia nova”, defende António Alves, mentor do programa que nasceu em 2011, na Irlanda, e conta já com mais de 1100 secções em 63 países. Na da Feira acolhe 40 a 60 pessoas em cada aula. “Pôr os miúdos a analisar um problema obriga-os a pensar em soluções e fá-los estruturar os passos a seguir até que ele seja resolvido — e programação é isso”, explica. “Hoje, esta aula pode parecer coisa pouca, mas estes miúdos vão crescer com outro à-vontade tecnológico, porque sabem que a programação está presente em tudo, nos computadores, nos telemóveis, em qualquer máquina lá de casa.”

Fabiane Valente frequenta as aulas do CoderDojo com a filha de 7 anos e, apontando para o ecrã do computador, mostra o que ela aí vem aprendendo: “Já consegue criar jogos. Neste caso, o pássaro tem que se mexer para apanhar o ‘porco malvado’ e é preciso escrever as linhas de código que vão permitir executar as acções ‘virar à esquerda’ e ‘seguir em frente’, porque o computador só reage às teclas quando alguém o tiver programado para isso.”

Fabiane gosta de ver a filha entusiasmada, mas quer sobretudo assegurar-lhe opções. “Há falta de profissionais nestas áreas e estes empregos serão cada vez mais bem remunerados”, explica. “E como acredito que mais meninas vão enveredar por esses lugares, também estamos a tratar da afirmação do género feminino.”

“Os miúdos são autênticas esponjas”

Foi igualmente a pensar no futuro que o professor Pedro Silva começou em 2015 a ensinar Programação na Escola Básica do 1.º ciclo da Igreja de Lobão, na Feira. “Notámos que havia uma lacuna de conhecimentos porque os alunos só aprendem TIC [Tecnologias de Informação e Comunicação] no 7.º ano e, embora antes disso usem muito computadores, Internet e Facebook, não sabem rentabilizar o seu potencial”, recorda. A solução foi integrar as aulas de Código no programa lectivo: “Todos os pais aceitaram logo porque percebem a importância desta área e as aulas eram em horário escolar, o que ajudou.”

Hoje a disciplina chega a 200 crianças do Agrupamento de Escolas da Corga e começa por abordar noções básicas de informática, antes de passar às plataformas Kodu e Scratch, que ensinam a conceber jogos e sequências animadas interactivas. “O balanço é bastante positivo porque as crianças entusiasmam-se e assim aprendem melhor, com a vantagem de no 1.º ciclo ser mais fácil sensibilizá-las para questões de segurança na Internet”, diz Pedro Silva, que pretende “prolongar o programa até ao 9.º ano, para ele ter continuidade e não se desperdiçar”.

Tarefa facilitada a esse nível teve o director da Escola Global, que integra o Externato Paraíso dos Pequeninos e o Colégio das Terras de Santa Maria, ambos privados. De uma só vez, Nuno Moutinho incluiu a computação em todos os currículos do 1.º ao 12.º ano e não excluiu sequer o pré-escolar, pelo que os carrinhos e abelhas aparentemente vulgares com que meninos brincam no chão são afinal brinquedos já adaptados para o desenvolvimento de competências em programação. “Há dois anos decidimos trazer a tecnologia para a sala de aulas e ela agora está presente em todo o nosso projecto educativo”, explica. “Os nossos 650 alunos têm todos um tablet ou notebook desde a ‘pré’, os livros também são em formato digital e seguimos o método da Sala de Aula Invertida, em que os conteúdos são gravados em vídeo para se seguirem em casa.”

BeeBot, ProBot, Blockly e Python são algumas das linguagens a explorar “pelo menos até ao 8.º ano” e os pais “primeiro assustam-se, por associarem tecnologia só a brincadeira, mas depois percebem a vantagem desta aposta nas idades em que os miúdos são autênticas esponjas e absorvem tudo”.

Programar dragões

A principal dificuldade em toda essa estratégia é o recrutamento de profissionais habilitados, como reconhece também o presidente da Câmara da Feira. “Este ano desafiámos todas as escolas do concelho a incluírem a programação nos seus programas e aderiram ao projecto oito dos nossos nove agrupamentos, mas o recrutamento é sempre complicado e nem todos os professores têm bases para esta disciplina”, admite Emídio Sousa.

Ainda assim, o projecto já envolve 1173 crianças do 1.º ao 4.º ano e o objectivo é alargar essa abrangência. “A programação é a linguagem do futuro, das novas oportunidades e do emprego bem remunerado”, proclama o autarca. “O que para algumas gerações ainda é tabu passará a ser um conjunto de competências adaptadas ao mundo global e quem as tiver poderá trabalhar em qualquer sítio do mundo, seja em presença ou a partir de casa, sem necessidade de emigrar.”

Lucas Lima tem 9 anos e, quando lhe perguntam na aula de CoderDojo qual será a sua profissão quando crescer, preocupa-se menos com salários do que com o que um adulto definirá como realização profissional. “Queria fazer jogos de computador e trabalhar na fábrica do meu pai”, confessa, para satisfação do progenitor que assim vê assegurada a sucessão na sua empresa de moldes. António Alves não ouviu a conversa, mas, a avaliar pelo que dissera pouco antes, também confiaria no potencial do miúdo: “Ele já chegou aqui com soluções muito boas, que eu próprio nunca tinha imaginado.”

O desafio da aula era criar um postal electrónico de Boas Festas e Lucas escolheu para isso uma árvore de Natal e uma figura branca, peluda, que em loop atira presentes ao ar: “É um Yeti das montanhas e posso dar-lhe outra cor ou tirar a árvore e pôr lá outra coisa.” Mais assertivo à medida que se entusiasma com o tema, Lucas conta como também programou dragões para caçarem ratos e cuspirem fogo, e revela depois que assumiu uma missão idêntica à dos seus heróis. “Faço certas críticas aos jogos que conheço porque há coisas que estão mal e eu não gosto”, diz. “Uma é quando não me deixam escolher personagens ou só posso fazer o que eles obrigam. É chato. Os meus preferidos têm sempre uma história e depois dão para matar criaturas. Quero fazer um jogo assim. E tem que ser impossível haver críticas.”

 

 

 

 

António Luís Valente Alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias

Dezembro 5, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site http://www.educare.pt/ a António Luís Valente no dia 21 de novembro de 2016.

educare

Em entrevista ao EDUCARE.PT, António Luís Valente alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias. E confessa que se não tivesse sido professor teria sido engenheiro. “Tive sempre uma pré-disposição para pegar nas máquinas e usá-las para potenciar as minhas competências e obrigações profissionais.”

Andreia Lobo

Integrou as equipas de vários projetos europeus ligados à “sociedade da informação”, como o ZAP, eSchola, ValNet, CONET e SeguraNet. António Luís Valente é, desde 1997, investigador no Centro de Competência TIC, da Universidade do Minho. A entidade que liderou a primeira sondagem feita em Portugal sobre comportamentos seguros na Internet. Foi professor do 1.º ciclo e não esquece a surpresa que causou ao levar “tecnologia” para a sala de aula. “Comecei a usar computador – o meu próprio computador – com os alunos em 1990 e era visto como um ser extraterrestre. Foi isso que me levou a procurar sempre mais formação nesta área.” Fez pós-graduações, mestrado e doutoramento, sempre ligados às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
Em entrevista ao EDUCARE.PT, António Luís Valente alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias. E confessa que se não tivesse sido professor teria sido engenheiro. “Tive sempre uma pré-disposição para pegar nas máquinas e usá-las para potenciar as minhas competências e obrigações profissionais.”

EDUCARE.PT (E): O que ainda precisamos de mudar na forma como utilizamos a Internet?

As pessoas têm medo do que é estranho. Mas não conhecendo nada sobre Internet não têm receios, nem cautelas. É preciso perceber que a Internet não é diferente do resto da sociedade. Não é um mundo à parte. E, por ser menos conhecido, não é mais protegido. Há a sensação que somos todos peritos na Internet. E assim se negligenciam aspetos básicos de segurança.

A Internet é uma vertente do mundo em que nós vivemos. As virtudes e os defeitos são rigorosamente os mesmos e, em alguns casos, são ampliados pelo facto de as pessoas pensarem que estão a coberto do anonimato.

Mas não é fácil as pessoas perceberem que não sendo capazes de colocar o seu nome completo na porta da casa, colocam todos os dados na Internet. As pessoas têm de ter na Internet todos os cuidados que têm fora dela. Claro que há alguns cuidados acrescidos. Até porque existem muitas coisas na Internet que não existem na vida real, nomeadamente a rapidez.

E: É isso que temos de ensinar às crianças?
ALV:
Os adultos ensinam às crianças defesas pessoais preventivas. Por exemplo, a não falarem com estranhos, a não aceitarem gratuitamente qualquer coisa. Se sobre a Internet não ensinamos nada, eles acabam por investigar – a curiosidade é boa e deve ser incentivada – mas é preciso dar-lhes algumas pistas sobre o que pode ser arriscado ou não. Ensinar a criança a andar na Internet é como ensiná-la a andar na rua.

Há pais que não deixam os adolescentes saírem à noite. Ou se deixam marcam hora para o regresso a casa. Impõem regras porque consideram que andar na rua depois de uma determinada hora é perigoso. Mas na Internet não colocam esse tipo de balizas. Não ensinamos as crianças a distinguir os amigos dos conhecidos. No entanto, em nossa casa dizemos este é amigo, aquele é vizinho…

Muitas vezes, os pais argumentam que os filhos aprendem por si próprios e, por isso, não há problema. Mas se a criança chegar a casa com a cara esmurrada, vão ver o que aconteceu. Se a criança for agredida de qualquer forma num site, ou levada para sites que não são próprios para a sua idade, não há evidência visível que leve os educadores a aproximarem-se dela.

E: E aos adultos?
ALV: Há coisas que todos nós fazemos quando utilizamos a Internet que são uma completa negligência em termos de segurança pessoal. Subscrevemos serviços gratuitos e colocamos lá informação pessoal, com a maior das facilidades em troca de podermos ter uma caixa de correio eletrónica. Depois, colocamos lá toda a nossa informação, fotografias, vídeos pessoais, familiares e damos outros contactos para o caso de perdermos a password
e precisarmos de a recuperar. Expomo-nos na Internet como não fazemos na vida real. Hoje em dia quem é que preencheria um formulário completo, num hipermercado, com morada e contactos e gostos pessoais, com fotografia sua e da família?

As pessoas colocam a informação online com a maior das confianças e pior, muitas vezes, não sabendo onde ela está armazenada. Ou então pensam que sabem, dizem está “na nuvem”. Não saber onde alguma coisa está, do ponto de vista físico, é preocupante. Se nos esquecemos do local onde estacionamos o carro, mesmo tendo connosco a chave ficamos em pânico. No entanto, colocamos na “nuvem” documentos pessoais, trabalhos, teses.

Há dias uma pessoa contou-me que ia pondo automaticamente tudo na Internet e as passwords estavam gravadas no computador que avariou. A pessoa não sabia as passwords. É uma noção falsa de segurança pensar no computador como o fiel depositário das nossas informações. O conhecimento de como funciona a tecnologia, de quais são os riscos e como nos podemos precaver é fundamental.

Brinca com o telemóvel!

E: Qual é o problema de os pais colocarem, desde cedo, tablets e smartphones nas mãos das crianças?
ALV:
Há imensos trabalhos de investigação acerca dos efeitos da utilização de superfícies tácteis sobre o desenvolvimento neuronal. Ou seja, aquilo que nos permite perceber que uma fotografia não é um objeto, mas sim uma representação de um objeto. O mecanismo neuronal que produz essa identificação parece que é afetado pela utilização precoce de superfícies tácteis porque as crianças acham que estão a mexer num objeto tridimensional e não estão.

Por outro lado, os dispositivos eletrónicos não estão suficientemente testados, em alguns casos nada testados, do ponto de vista ergonómico e sobre as influências que terão. Sabe-se que a luz dos ecrãs tem influência sobre as pessoas epiléticas. Mas a aproximação à realidade do táctil e à eficácia do movimento não está estudada. O mesmo se aplica ao efeito das radiações: todos os
tablets ou telemóveis hoje em dia têm wi-fi, a maioria também tem bluetooth
.

Estamos apenas a falar da parte física que pode melhorar muito e rapidamente. Mas há outra parte do problema, que não se melhora assim tão rapidamente e diz respeito aos conteúdos. Ou seja, à utilização educativa ou para a aprendizagem do que está dentro desses dispositivos. Muitas vezes os conteúdos são de pouca ou nenhuma qualidade, resultam apenas da transposição do analógico para o digital, pura e simples.

E: O uso de tecnologias garante a aquisição das tão “proclamadas” competências digitais?
ALV:
A sociedade confunde as competências para o século XXI – para a era digital – com competências digitais. As competências do século XXI continuam a ser as do século anterior apenas se acrescentou a digital, que consiste na capacidade de vivermos, entendermos e comunicarmos neste mundo utilizando as tecnologias digitais. Mas para viver e comunicar neste mundo, precisamos antes de mais de saber comunicar e isso não tem a ver com as tecnologias.

Há estudos sobre níveis de literacia absolutamente denegridores. As competências sociais são importantes. A questão de saber como funcionam as amizades, como criamos amigos e nos defendemos dos falsos amigos. A competência de procurar emprego continua a ser necessária. Posso ser um informático com capacidade para usar qualquer dispositivo e ser uma pessoa inapta em termos de comunicação face a face.

E: Então, é errado pensar que ao dar tablets e smartphones às crianças estamos a ajudá-las a desenvolver essas competências?
ALV: Pensar que a exposição é equivalente ao desenvolvimento de competência digital é errado. Não é pelo facto de andar muitas vezes de carro que eu aprendo a conduzir. Claro, há um conjunto de familiaridades e de aprendizagens, ligadas à interação com as interfaces, que quanto mais cedo forem adquiridas mais se desenvolvem. Mas não passa disso. Se pensarmos que isso é suficiente ou essencial é errado, até pelo facto de essas interações mudarem. Recorde-se que no surgimento dos teclados algumas pessoas que sabiam datilografia não conseguiam teclar…

E: Ou seja, o que as crianças estão a aprender agora pode mudar?
ALV:
Muda de certeza absoluta. Hoje as interfaces são quase todas parecidas, independentemente dos sistemas operativos que utilizam. Mas as crianças estão a usar interfaces que vão mudar muito no futuro. Imagine que mudam fisicamente os ecrãs? Estamos habituados a ecrãs rígidos, mas se eles se tornarem enroláveis – tecnicamente já existe – há de haver alguma coisa diferente. Estou convencido que vamos ter ecrãs em materiais diferentes e isto vai implicar a alteração das interfaces. Dar a uma criança na primeira infância uma interface com o objetivo de ela se familiarizar é uma perda de tempo. E um desperdiçar de outras aprendizagens, como a de riscar, sentir as texturas, que ela precisava agora. No ecrã a textura é toda igual.

E: Há pais que caem no extremo de impedir que os filhos utilizem as tecnologias…
ALV: Os pais e os educadores precisam de estar informados e de refletir mais sobre estas questões. De uma maneira geral – e coloco-me neste plural – somos tentados pelas soluções mais rápidas. É mais fácil dar o telemóvel à criança e pô-la a ver o Ruca do que pegar nos blocos de construção e brincar um bocadinho. Os bebés e as crianças gostam dos objetos analógicos. Mas se nós não lhes dermos como é que os vão apreciar? Com os computadores e as tecnologias, damos pouca oportunidade aos objetos manipuláveis. Mas há muitos jogos com objetos físicos tridimensionais reais que os miúdos gostam de fazer. É preferível dar-lhes um boneco desmontável do que pôr-lhes um tablet
à frente.

Tecnologias e aprendizagem

E: Como se ensina melhor as crianças? Através do multimédia ou de um registo mais tradicional?
ALV:
A maioria dos professores de 1.º ciclo não utiliza quase nada de multimédia nas aulas. Mas entre os que utilizam, ainda não consegui ver nada que fosse redondamente convincente que os tornasse melhores professores do que os outros. O fundamental é um equilíbrio entre a competência profissional e os recursos à disposição. Se o aluno não se entusiasmar ou se não se interessar, não vai ter vontade de aprender. Se a vontade estiver apenas em quem quer ensinar não há hipótese de aprendizagem.

Conheço bem a realidade dos professores portugueses no 1.º ciclo. Têm bons resultados e continuam a ter uma utilização residual das tecnologias. Porquê? Por não estarem à vontade com as tecnologias e, muitas vezes, por não terem esses recursos. Por isso, valorizam os outros. Se tivessem algum acompanhamento para utilizar tecnologicamente os recursos disponíveis na sociedade, seriam ainda melhores professores. Garanto que sim! Aliás, é essa a minha luta.

E: Mas ao usar a tecnologia na sala de aula, o entusiasmo é garantido…
ALV:
Claro que, se lhes dermos essa hipótese, as crianças em idade escolar – sejam do 1.º ciclo ou mais tarde um bocado – vão escolher usar as tecnologias. Mas se pensarmos bem, o livro também é uma tecnologia!

Em termos de utilização pedagógica, no sentido de valorizar ou melhorar a aprendizagem, não sou exclusivamente defensor das novas tecnologias. As novas tecnologias utilizadas por um professor competente na sua utilização são mais eficazes que as outras tecnologias. Se o meu objetivo é desinquietar o aluno e motivá-lo, tenho muitos mais pontos por onde o “atacar” usando essas novas tecnologias. Se o professor for incompetente com as tecnologias mais vale estar quieto. Vejo professores a fazerem aulas com PowerPoint e passagens de vídeos e não vale a pena. É perder tempo.

E: Porquê?
ALV: É perder tempo porque se gera o efeito contrário. Os alunos podem desmotivar e criar um sentimento de aversão à tecnologia. Na Universidade, ouvimos muitas vezes os alunos perguntarem com fastio assim que nos veem ligar o computador: “Vai passar um PowerPoint?” Porque estão fartos. A nossa capacidade de ser críticos perante o que utilizamos como recurso educativo é muito importante. Se não for competente do ponto de vista tecnológico não vou conseguir ser crítico com as tecnologias que vou usar. De uma maneira geral, os professores precisam de conhecer melhor as suas potencialidades e fragilidades. Precisam de ter consciência que as tecnologias não facilitam a vida do professor, antes a complicam.

 

Professores contam como usam redes sociais e aplicativos em aula

Outubro 7, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.aprendizagemaberta.com.br/ de 18 de setembro de 2016.

redes

Uma das coisas que mais empolgam quem acompanha práticas inovadoras na Educação é ver docentes usando criativamente ferramentas do dia a dia com suas turmas. Isso mostra que, de maneira relativamente simples, é possível inovar com o que temos à mão – e isso inclui redes sociais, muitas vezes consideradas grandes concorrentes pela atenção na sala. Para inspirar você a tentar algo parecido – adaptando às necessidades e às características de seus alunos –, apresento cinco histórias bem-sucedidas de professores que usaram Facebook, WhatsApp, Instagram e YouTube nas aulas.

Facebook Renascentista

O professor de História Pedro Henrique Castro, do Colégio Pensi, no Rio de Janeiro, usou oFacebook com as turmas do primeiro ano do Ensino Médio. Os alunos deveriam se dividir em grupos para criar e administrar perfis de personalidades do Renascimento, como Galileu Galilei, Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel. O desafio era fazer posts e comentários que revelassem características do período e dos próprios personagens, mas associando tudo ao contexto tecnológico atual – o que, segundo o professor, “atende a um dos objetivos da História, que é usar o passado para pensar o presente”.

“Meu objetivo com o trabalho do Renascimento no Facebook era transformar os estudantes em sujeitos do próprio aprendizado. Muito se fala sobre essa meta final, mas é preciso método para chegar lá. Qualquer modus operandi que eu venha a escolher observa necessariamente três regras: (a) respeitar os saberes dos estudantes e trazê-los para dentro da sala de aula; (b) permitir a produção de conhecimento autônomo com participação proativa delas e deles; (c) estimular o máximo possível os sentidos por meio da imagem ou do áudio, por exemplo. A rede social faz um pouco de cada uma dessas coisas. É um saber que o estudante domina, uma ferramenta na qual é artífice e uma linguagem que comporta todo tipo de expressão audiovisual. Depois de quase um ano dessa primeira experiência, pouca coisa sobrou de material, porém muito se construiu em suas formações.”

WhatsApp para a aula de Redação

Buscando desenvolver a capacidade argumentativa dos alunos de uma maneira eficiente e prazerosa, o professor Nilson Douglas Castilho, que dá aulas de redação e Língua Portuguesa no Colégio Marista de Londrina, a  381 km de Curitiba, realizou um ótimo experimento envolvendo o WhatsApp. O trabalho foi feito com seis turmas do 8º e 9º anos.

“Com a ajuda da analista de tecnologia educacional do colégio, criei um grupo de discussão no WhatsApp para cada turma. Ali eu lançava um novo tema de atualidades a cada quinze dias para que os alunos pudessem discorrer a respeito. Era obrigatório que usassem pelo menos um argumento. Eles também postavam vídeos e links de outras matérias relacionadas que enriqueciam a discussão. Depois do debate via WhatsApp, os alunos produziam um texto sobre o tema. Tanto as discussões quanto a escrita da redação eram feitos no contraturno. Na aula, eu selecionava alguns comentários para discutirmos juntos. A avaliação foi contínua e envolveu o processo como um todo, tomando como base os comentários enviados. Também trabalhamos bastante em cima dos erros: quando algo requeria atenção, víamos isso em aula. É importante dizer que em nenhum momento exigimos que os alunos adquirissem um celular: escolhemos trabalhar com o WhatsApp porque todos eles já tinham celulares e usavam o aplicativo com a autorização dos pais. Percebi que as turmas passaram a se esforçar bem mais para escrever bons textos e o grupo criou condições para que todos participassem mais. O WhatsApp não substitui a participação na sala, mas expor seus argumentos por escrito antes fez com que eles ganhassem mais confiança e estímulo para apresentar suas ideias em voz alta na sala. E isso tudo refletiu em seu desempenho: o número de alunos em recuperação caiu 50%.”

Instagram histórico

Eu já falei do professor Eric Rodrigues. Ele foi o criador de um sistema espetacular de ensino híbrido na EM Emílio Carlos, no Rio de Janeiro, onde dá aula de História. Recentemente, ele desenvolveu com sua turma do 9º ano um projeto utilizando o Instagram. Eis o que contou para o blog:

“Já que os alunos estão lidando com temas curriculares ligados ao século 20 na disciplina de História, uma rede social voltada às imagens e às fotografias pareceu extremamente válida para desenvolver um projeto que permitisse aliar pesquisa e análise de um período histórico em que os registros visuais ganharam força. Além disso, o fato de que os alunos deveriam procurar, baixar ou compor as imagens para publicar em suas contas pessoais gerou uma dimensão importante de apropriação do tema. A proposta consistiu na apresentação de imagens que pudessem dialogar com o tema Holocausto, a ser repassada para o professor e a turma. Era importante que os alunos buscassem conhecer um pouco mais da realidade dura desse evento histórico a partir dos registros da época ou mesmo criassem mosaicos, desenhos ou colagens que expressassem parte do que viveram os judeus sob o jugo do governo nazista. Pelas postagens, essa perspectiva foi apreendida. Utilizando a hashtag #1901holocausto e divididos em 8 grupos de trabalho, os alunos realizaram 22 publicações que vão de imagens dos espaços internos dos campos de concentração às pilhas de objetos pessoais deixados pelos judeus assassinados, junto com pequenas legendas que permitiram compreender que olhar e informações eles tinham obtido daquela pesquisa. A conscientização e o engajamento da turma em entender e repudiar práticas como o genocídio confirmaram a validade do projeto e as vantagens de utilizar registros históricos por meio de uma rede social”.

Veja a produção dos alunos no link da hashtag #1901holocausto no Instagram.

YouTube e produção audiovisual

Roseli Cordeiro Cardoso, professora e membro da equipe técnica de Língua Portuguesa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, é uma das responsáveis por um programa que treina professores da rede estadual para trabalhar obras literárias com os alunos usando produções audiovisuais. Ela participou de um bate-papo na Geekie para falar sobre o projeto e discutir o uso de tecnologias simples no dia a dia da escola. O vídeo está disponível aqui e vale ser assistido. Eis o o relato dela:

“O projeto Mediação e Linguagem, criado em 2014 e em continuidade em 2015, tem por objetivo propor para alunos e professores a transposição das obras literárias para a linguagem do vídeo, do cinema e do podcast, por meio de orientações técnicas a distância (no formato de videoconferência), que contribuem para o letramento digital. A partir da formação, eles escolheram uma obra literária, que tinha sido trabalhada em sala de aula, e a adaptaram em um roteiro para curta de animação ou podcast (radionovela). Os trabalhos foram postados no Youtube, publicados em blogs e exibidos em Mostras Virtuais da SEESP. O projeto foi bastante significativo, pois com ele alunos e professores puderam anular as barreiras de sala de aula, que muitas vezes dificultam o ensino e a aprendizagem. Desde o momento da criação do roteiro até a finalização do audiovisual, eles se transformaram em colaboradores, trabalhando com o objetivo de se apropriarem da obra literária de forma prazerosa e interativa. Foi uma grande experiência para todos!”.

Exemplos de vídeos produzidos durante o projeto Mediação e Linguagem:

Os Miseráveis – EE Prof Euripedes Simões de Paula

Morte e vida Severina – E. E. Professora Leila Mara Avelino

Auto da barca do inferno – EE Josephina G. F. Andreucci

A espera – poema de autoria de Cora Coralina

 

 

Portugueses criam tecnologia inovadora que avalia capacidade de leitura dos alunos

Setembro 29, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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notícia do http://lifestyle.sapo.pt/ de 13 de setembro de 2016.

uc

Nuno Noronha

Uma equipa de investigadores do Instituto de Telecomunicações (IT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu, em parceria com a Microsoft, uma tecnologia capaz de avaliar em tempo real a capacidade de leitura em voz alta das crianças do primeiro ciclo do Ensino Básico (EB).

A capacidade de leitura é uma das principais metas curriculares do Programa de Português para o Ensino Básico, estabelecendo, por exemplo, que um aluno do primeiro ano do primeiro ciclo do EB deve ser capaz de “ler um texto com articulação e entoação razoavelmente corretas e uma velocidade de leitura de, no mínimo, 55 palavras por minuto”.

A tecnologia LetsRead – Automatic assessment of reading ability of children traduz-se assim numa ferramenta bastante útil não só para as crianças, mas essencialmente para os professores e tutores que estão envolvidos na sua educação.

Assente em modelos inteligentes de reconhecimento e processamento de fala de crianças com redes neuronais, esta tecnologia de aprendizagem assistida “deteta e quantifica o número de palavras corretas, erros de pronúncia, hesitações, velocidade de leitura e outros indicadores, calculando de forma automática um índice global de capacidade de leitura do aluno”, explica Fernando Perdigão, coordenador do projeto.

Através de um processo simples e rápido, bastará aceder a uma página WEB criada para o efeito, “o professor obtém o desempenho da turma, permitindo-lhe gerir melhor a expectativa do ano escolar, identificar dificuldades e corrigir discrepâncias entre alunos”, realça o docente da FCTUC. Além disso, adianta, esta tecnologia poderá ser usada “como uma ferramenta didática ou para detetar problemas como, por exemplo, dislexia”.

Para desenvolver este sistema inteligente, os investigadores recolheram gravações de leitura de cerca de 300 crianças em escolas primárias da região centro do país. Os textos que foram dados a ler aos alunos eram compostos por frases e pseudopalavras – palavras que não existem no léxico mas que são pronunciáveis e importantes para avaliar se um aluno sabe realmente aplicar as regras do código alfabético para ler. Numa segunda fase, as crianças foram avaliadas por mais de 100 professores do EB em todo o país para validar o sistema.

Considerando que o atual Governo aposta no «paradigma da aferição», a equipa diz que a tecnologia LetsRead está pronta para “ser implementada nas escolas do 1º ciclo de Ensino Básico do país, assim o Ministério da Educação tenha essa vontade”.

O projeto, desenvolvido no âmbito da Tese de Doutoramento do investigador Jorge Proença, foi galardoado recentemente com o “Prémio Camões 2016 para as Tecnologias da Língua Portuguesa” no âmbito da 12.ª edição da conferência PROPOR – Processamento Computacional da Língua Portuguesa.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

Notícia da Universidade de Coimbra no link:

http://www.uc.pt/fctuc/noticias/2016-09-14

 

 

Tendências tecnológicas: o que é preciso para ensinar robótica em sala de aula?

Agosto 21, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://fundacaotelefonica.org.br/ de 10 de agosto de 2016.

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Sete alunos da rede estadual de João Pessoa foram vencedores de uma competição internacional de robótica em julho de 2016. A RobCupJr Dance Primary faz parte da Copa Mundial de Robótica, e premia equipes júnior criadoras de robôs capazes de criar performances e recontar histórias. A equipe de jovens paraibanos construiu cinco robôs performáticos que contaram a história do Rio de Janeiro por meio de samba e futebol. O país ficou na frente de outras nações cuja cultura de robótica e programação faz parte do universo escolar, como a própria China, onde a premiação aconteceu.

Ainda que tenha no seu DNA a criatividade e o gosto pela gambiarra, essenciais para a cultura maker e a da robótica, o Brasil conta com pouquíssimas escolas onde programação e robótica façam parte do currículo. “Ao aprender programação, você aprende a pensar de forma mais lógica e fica com o pensamento mais estruturado e sistêmico, além de exercitar a criatividade, resolução de problemas – e, de quebra, outras matérias como física, matemática, inglês”, explica Marco Giroto, criador da primeira escola de robótica no Brasil, a SuperGeeks. Ele reforça que ao programar e construir robôs, a criança cria afinidade com a educação no século XXI um mundo em transformação que demanda cada vez mais conhecimento em tecnologia.

Para ensinar robótica, são necessários alguns dispositivos, como computadores, motores e uma placa eletrônica capaz de fazer a intersecção entre o desejo do programador e ações do robô. Quando se fala em rede pública de ensino, os custos para adquirir essas ferramentas costumam ser altos, inviabilizando a prática dentro da sala de aula. Como exemplo, um kit da Lego custa em torno de cem reais, multiplicados por uma sala de 30 ou 40 alunos. Pelo valor do material, muitas vezes o aluno não pode levar para casa o que criou.

A fim de popularizar as aulas de robótica em redes públicas de ensino, Claudio Olmedo criou o projeto One Dollar Board – uma placa eletrônica viável e de baixo custo (cerca de quatro reais) que pode ser adquirida por redes de ensino. Para esta reportagem, os especialistas Claudio Olmedo e Marco Giroto falam sobre o que é necessário para que escolas se aventurem a implementar aulas de robótica de maneira acessível e afetiva. Confira:

Professores capacitados

“Trabalhar robôs com crianças é fácil, elas já ficam naturalmente animadas. O principal desafio é iniciar os professores nesse universo”, explica Olmedo. A maioria das crianças e adolescentes já tem familiaridade com tecnologia, mas só recentemente os educadores estão absorvendo conceitos como aprender a programar ou manusear dispositivos digitais. Se isso já é uma dificuldade para professores que tem familiaridade com temas como matemática ou física, o desafio é maior para professor de áreas não correlatas.

Softwares de programação

Familiarizar-se com o universo dos códigos é fundamental para que as crianças deem início ao aprendizado de programação; para tanto, existe uma gama variada de softwares livres e plataformas online gratuitas. Sites como o Code.org e plataformas como o Scratch utilizam-se de personagens infantis e outros recursos lúdicos para ensinar a linguagem dos códigos.

Placa eletrônica

Não é possível falar de robótica sem falar de programação. A construção de um robô, qualquer que seja seu formato, pressupõe que o objeto tenha uma inteligência mínima, que o faça se movimentar e executar tarefas. Caso contrário, o dispositivo é apenas um brinquedo, que não desafia o intelecto e a capacidade de criatividade da criança.

A placa eletrônica é conectada ao computador, e por meio da programação, o aluno pode ensinar comandos ao seu robô. Ela geralmente é de alto custo, mas há alternativas, como a própria One Dollar Board. Marco Giroto também sinaliza a placa Arduino como alternativa, pela qualidade e preço mais baixo.

Motor

Para que um braço mecânico, carrinho ou robô bípede se movimente, é necessário que esteja conectado a um pequeno motor. No caso da construção de um carrinho, um dos modelos mais escolhidos pelas crianças, os motores movimentam as duas rodas – são os motores DC, como explica Marco Giroto. Ele complementa citando os motores de passo, que são de precisão e permitem a movimentação da cabeça ou da articulação de um braço. Os motores podem ser obtidos em lojas de ferragem ou reciclados de brinquedos descartados.

Customização

Com motores e placas eletrônicos, a customização de robôs fica livre e a cargo da imaginação. Eles podem ser carrinhos feitos de tampa de amaciante, robôs a partir de sucata, um sem número de possiblidades que barateiam os custos e também possibilitam que os alunos tenham afeto pelo o que criaram. Claudio Olmedo garante que faz toda diferença os alunos poderem levar os robôs para casa e criarem com eles um laço, por isso a luta pelo barateamento de peças.

 

Conferência “A Educação na Era Digital” 21 de julho de 2016, Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian

Julho 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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edu

A conferência é de entrada gratuita, de registo online obrigatório e sujeita à lotação dos espaços

mais informações no link:

http://gulbenkian.pt/evento/a-educacao-na-era-digital/

 

Tecnologias na sala de aula – workshop verão

Julho 4, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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tic

mais informações no link:

http://aprendercomosdedos.com/2016/06/20/tecnologias-na-sala-de-aulas-workshop-verao/

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