Conferência “Há tecnologia a mais na vida dos nossos filhos?” 5 maio no ISCTE

Maio 2, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/202454583689992/

 

Aula Aberta “Escolas ONLINE: Utilização saudável das tecnologias e da Internet no contexto educativo” – 9 de maio na Póvoa de Santo Adrião

Abril 30, 2018 às 4:38 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Apesar da entrada ser livre, é sujeita à lotação do espaço, pelo que é necessária inscrição prévia através dos seguintes contactos:

Câmara Municipal de Odivelas – Gabinete de Saúde, Igualdade  e Cidadania

Plano Estratégico Concelhio de Prevenção das Toxicodependências (PECPT)

Tel.: 219 320 970 | e-mail: gsi@cm-odivelas.pt (ou, em alternativa, pedro.fernandes@cm-odivelas.pt e/ou  sandra.silva@cm-odivelas.pt)

 

Portugal: Escolas com PCs velhos e acesso à Internet lento

Março 15, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://pplware.sapo.pt/ de 12 de março de 2018.

Pedro Pinto

É verdade que Portugal é um dos países do mundo que tem das melhores infraestruturas de comunicação. As redes de fibra ótica chegam cada vez a mais locais e há o compromisso de algumas empresas de telecomunicações, como por exemplo a MEO, que têm levado Internet onde nunca ninguém levou.

As notícias mais recentes, contudo, revelam que em Portugal também há escolas com computadores muito velhos e com acesso muito mau à Internet.

A notícia está a ser avançada hoje pelo JN, que refere que há escolas com computadores velhos e a rede está sempre a “cair”. Segundo o jornal, os programas do Governo pressupõem recursos digitais que os estabelecimentos de ensino simplesmente não têm. Os “centros de assistência” das escolas acumulam cada vez mais lixo digital e vão-se “criando” novos computadores com peças de uns e de outros.

De acordo com Fernanda Ladesma, presidente da Associação de Professores de Informática, “é urgente para as escolas que seja aprovado um novo plano tecnológico”. De relembrar que o último Plano Tecnológico de Educação (PTE) foi aprovado em 2007 (há 11 anos) pelo Governo de José Sócrates.

Número de PCs nas escolas diminuiu drasticamente

De acordo com dados da Pordata, referenciados pelo JN, em 2016, as Escolas Públicas de Ensino Básico e Secundário tinham 358 692 computadores. Em 2010 o número era quase o dobro (686 899).

Tal como muitas escolas pelo país fora, são os alunos que acabam por levar de casa os seus equipamentos digitais (sejam tablets, smartphones e até computadores). No exemplo dado pelo jornal, de uma escola em Cinfães, os alunos levam o tablet de casa, mas a rede wireless bloqueia a cada cinco utilizadores.

Esta é uma realidade do nosso país que terá de mudar urgentemente até porque Portugal tem conseguido captar grandes empresas tecnológicas e é preciso dar continuidade a esta estratégia, formando os melhores profissionais.

 

 

Aprendizagem, TIC e Redes Digitais

Fevereiro 19, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

http://www.cnedu.pt/content/edicoes/seminarios_e_coloquios/LIVRO_TIC_RedesDigitais.pdf

Os mitos educativos que estão a deixar as crianças viciadas em tecnologia

Janeiro 28, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

Ana Cristina Marques

Há mitos na educação que a ciência rejeita e que ajudam a propagar o vício precoce nas tecnologias digitais. Não, a criança não precisa de smartphones para estimular a sua “inteligência ilimitada”.

Dois dos maiores investidores da Apple enviaram, esta semana, uma carta aberta à empresa com um pedido explícito e desconcertante: combater o crescente vício das crianças face ao uso do iPhone e da internet (redes sociais incluídas). A Jana Partners e o California State Teachers’ Retirement System — que, juntos, controlam 2 mil milhões de dólares de ações da Apple — pediram a criação de ferramentas adequadas. Em resposta, um responsável de comunicação da gigante de tecnologia disse que a empresa “sempre se preocupou com as crianças e trabalha arduamente para criar produtos que inspirem, entretenham e eduquem as crianças“.

Nos últimos anos tem proliferado a ideia de que as aplicações e os dispositivos chamados “inteligentes” podem potenciar a inteligência das crianças — ideia” porque, ao contrário do que se possa pensar, são muitas as teorias sem real base científica. Catherine L’Ecuyer, investigadora na área da educação e autora do novo livro Educar na Realidade, defende que as empresas que distribuem ferramentas digitais fazem-no sob a premissa de que estas promovem a estimulação precoce das crianças. “Dizem-nos que os nossos filhos têm um potencial ilimitado, que devemos aproveitar ao máximo a ‘janela de oportunidade’ dos três primeiros anos. Dizem-nos que estas aplicações se adaptam ao estilo de aprendizagem dos nossos filhos e ajudam a desenvolver cada um dos hemisférios cerebrais”, escreve L’Ecuyer na nova obra.

As afirmações acima descritas — que a cultura popular ajudou a propagar — não passam de neuromitos, verdades infundadas, teorias com as quais a ciência não se identifica. Segundo a autora, grande parte da população não sabe que estes e outros argumentos de venda, que ajudaram a garantir o sucesso comercial de produtos tecnológicos, “carecem de fundamento educativo-científico”.

“A criança tem uma inteligência ilimitada”. Esses e outros neuromitos

Os neuromitos são aquilo que a OCDE descreve como “más interpretações geradas por um mau entendimento, uma leitura equivocada e, em alguns casos, uma deformação deliberada dos factos científicos com o objetivo de usar a investigação neurocientífica na educação e noutros contextos”. São interpretações que ocorrem na literatura popular e que acabam por criar premissas falsas sobre as quais se constroem métodos educativos, diz a autora citada.

“A criança tem uma inteligência ilimitada” e “A criança só usa 10% do seu cérebro” são dois exemplos de neuromitos apresentados pela autora, que assegura que a sua rápida difusão resulta da “vaidade e da dificuldade em reconhecer as limitações humanas”. L’Ecuyer cita o professor de neurociência cognitiva Barry Gordon, investigador na Universidade do Hospital Johns Hopkins, que assegura que “usamos, virtualmente, cada parte do cérebro” e que “quase todo o cérebro está ativo quase sempre”. O neuromito apresentado difundiu-se a grande velocidade e prova disso é o estudo da Nature, de 2014, que mostrou que 48% dos professores ingleses (46% na Holanda, 50% na Turquia, 43% na Grécia e 59% na China) acreditavam nele.

O mito de que utilizamos apenas 10% do cérebro, em particular, tem persistido ao longo dos anos. Em 2014 estreava nas salas de cinema o filme Lucy, interpretado por uma Scarlett Johansson cuja capacidade evolutiva do cérebro está no centro da história. “Estima-se que a maioria dos seres humanos use apenas 10% da capacidade cerebral. Imagine se conseguíssemos ter acesso a 100%. Aconteceriam coisas interessantes”, é uma das falas no filme, uma deixa do professor Norman, interpretado por Morgan Freeman.

“Talvez o mito seja perpetuado porque as funções de que temos consciência – memória, capacidade cognitiva, visão ou linguagem – estão em regiões bem demarcadas no cérebro. Mas há muitas atividades comandadas pelo nosso cérebro que não são conscientes, como o equilíbrio ou o ritmo cardíaco”, disse João Relvas, neurocientista no Instituto de Biologia Molecular e Celular, ao Observador em 2014. “Além disso, há muitas funções que não são exclusivas de uma única parte do cérebro.”

José Ramón Gamo, neuropsicólogo infantil, e Carme Trindade, professora na Universidade Autónoma de Barcelona, são coatuores do livro Neuromitos en Educación. Citados pelo El País, escrevem que a “neurociência demonstrou que, na realização de tarefas, utilizamos 100% do nosso cérebro” e que “tecnologias como a ressonância magnética ajudaram a conhecer melhor os níveis de atividade cerebral e provaram que somente em casos de danos graves provocados por uma lesão cerebral é que se observam áreas inativas no cérebro”.

Outro neuromito listado pela OCDE é aquele que defende que cada hemisfério é responsável por um estilo de aprendizagem diferente. Segundo a teoria da dominância cerebral, que carece de base científica, “as pessoas que usam mais o hemisfério direito são mais criativas e artísticas, enquanto as que usam mais o esquerdo são mais lógicas e analíticas”. Escreve L’Ecuyer que são vários os estudos que descredibilizam esta teoria, ainda que haja atividades adjudicadas a mais um hemisfério do que a outro (como é o caso da linguagem face ao hemisfério esquerdo). Não só os estudos observam que o cérebro trabalha como um todo, como a autora assegura não existirem provas de dominância cerebral nas pessoas, “o que, supostamente, teria repercussões no estilo de aprendizagem”.

A autora dá como exemplo um estudo de 2013, realizado a 1.000 pessoas dos 7 aos 29 anos, que não encontrou prova de dominância cerebral. O diretor do estudo e professor de neurorradiologia na Universidade do Utah, Jeff Anderson, disse: “A comunidade neurocientífica nunca aceitou a ideia de tipos de personalidade com dominância cerebral direita ou esquerda. Os estudos de lesões cerebrais não sustentam essa teoria, e a verdade é que seria altamente ineficaz se uma parte do cérebro fosse, sistematicamente, mais ativa do que outra”.

Nem de propósito, em março do ano passado 30 académicos dos universos da neurociência, educação e psicologia assinaram uma carta publicada no britânico The Guardiam onde expressavam preocupação tendo em conta a popularidade do método de aprendizagem em causa. De acordo com o artigo, os cientistas apelavam para que os professores abandonassem este neuromito, já que ensinar as crianças de acordo com o “estilo de aprendizagem individual” não obtém melhores resultados e deve ser, por isso, posto de lado em detrimento de práticas baseadas em evidências científicas.

Na mesma lógica, também se qualificam como neurotimos as seguintes premissas: “Um ambiente enriquecido aumenta a capacidade do cérebro para aprender” e “Os três primeiros anos são críticos para a aprendizagem, portanto, são decisivos para o desenvolvimento posterior”. No livro, L’Ecuyer cita um artigo da Nature Review Neuroscience, de 2006, onde se lê:

“O mito do ‘período crítico’ sugere que o cérebro da criança não funcionará adequadamente se não receber a quantidade adequada de estímulos no momento correto. O ensino de algumas habilidades deve ocorrer durante esse período crítico, caso contrário a janela de oportunidade de educar estará perdida. O mito da sinaptogénese (processo de formação das sinpases no cérebro) promove a ideia de que se pode aprender mais se o ensino coincidir com os períodos deste processo. (…) É preciso eliminar estes mitos.”

O principal argumento que suporta esta ideia falsa, escreve a autora, é a plasticidade do cérebro. “Isto é um facto, mas hoje sabemos que isto ocorre durante toda a vida e não apenas nos primeiros anos”. No entanto, o verdadeiro problema, para L’Ecuyer, surge quando a sociedade dá mais importância ao ganho de conhecimento durante este período, feito sobretudo através do ecrã, em vez da dimensão afetiva. É importante relembrar que o bom desenvolvimento de uma criança não está diretamente relacionado com a quantidade de informação que recebe, mas sim com o modelo de vinculação que tem com o seu cuidador.

“Durante os primeiros anos de desenvolvimento, os padrões de interação entre a criança e o cuidador são mais importantes do que um excesso de estimulação sensorial. A investigação sobre a vinculação sugere que a interação interpessoal colaborativa, e não a estimulação sensorial excessiva, é a chave para um desenvolvimento saudável”, diz Daniel Siegel, psiquiatra, biólogo, professor e membro executivo do Centro para a Cultura, o Cérebro e o Desenvolvimento da UCLA, citado no livro Educar na Realidade.

As consequências da adição ao ecrã na primeira infância

Já antes Catherine L’Ecuyer falou com o Observador, quando disse em entrevista que as crianças “estão a viver como pequenos executivos stressados”, a propósito do livro Educar na Curiosidade. Nesta obra, que chegou no início de 2017 a Portugal, a autora defende que o excesso de estímulos associados às novas tecnologias inibem a curiosidade natural das crianças — em situações mais extremas pode dar-se o caso de as crianças passarem a depender de estímulos externos, sendo que o próximo passo é a adição e a perda da curiosidade que, por sua vez, dificulta o processo da aprendizagem.

Serve isto para explicar que na sua mais recente obra, L’Ecuyer explica que as crianças precisam, sobretudo, de estabelecer relações saudáveis com os seus cuidadores e que os ecrãs são, por vezes e de certa forma, um obstáculo à criação de laços vinculativos, sobretudo quando falamos da primeira infância. “O principal cuidador da criança é o intermediário entre a realidade e ela. Dá sentido às aprendizagens. Um ecrã não pode assumir esse papel porque não faz a calibragem da informação à criança.”

Para salientar a importância desta problemática, L’Ecuyer apresenta um estudo realizado no Reino Unido em 2012, que mostra que 27% das crianças dos 0 aos 4 anos usam computador e 23% usam a internet. A autora dá ainda conta de investigações que demonstra que “as crianças pequenas não aprendem palavras ou outros idiomas com os DVD, por muito ‘educativos’ que possam ser”, e fala de estudos que estabelecem uma “relação entre o consumo dos DVD prentensamente educativos e uma diminuição no vocabulários dos bebés e no seu desenvolvimeno cognitivo”. Não é por acaso que a Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças evitem o consumo de ecrãs até aos dois anos — para as crianças com mais de dois anos, a Academia recomenda limitar o consumo a menos de duas horas por dia.

Como estas investigações há outras. Aliás, os dois investidores da Apple que escreveram a já referida carta, publicada no início da semana em defesa das crianças, apoiaram-se em três estudos diferentes para o efeito, tal como escreve a Business Insider:

  1. um estudo de 2014, que envolveu 100 pré-adolescentes, permitiu perceber que a metade que ficou sem acesso a tecnologia durante cinco dias teve ganhos significativos de empatia;
  2. outro estudo, de 2017, teve por base um inquérito a 1.800 jovens adultos e encontrou uma relação linear entre a quantidade de redes sociais usadas e a fraca qualidade da saúde mental;
  3. a última investigação citada determinou que 86% dos americanos admite verificar “constantemente” os dispositivos digitais, o que aumenta, na maior parte dos casos, o stress (o inquérito online foi feito a mais 3.500 pessoas com mais de 18 anos); e mais de metade dos pais questionados disse ter preocupações tendo em conta a influência das redes sociais na saúde física e mental dos filhos.

O tema da adição e das consequências associadas ao uso das novas tecnologias na primeira infância está na ordem do dia muito por causa da carta aberta dirigida à gigante Apple, que já fez diferentes meios de comunicação questionarem-se sobre o assunto. A CNN, por exemplo, dá voz a Michael Bociurkiw, escritor regular naquele meio, que passa a batata quente para as mãos da Apple, empresa que precisa de “garantir que as crianças deixem de se viciar nos smartphones. No artigo de opinão, Bociurkwi faz referência a mais estudos que mostram que as crianças de dois anos que usam tablets estão a ter problemas de concentração, dificuldades em mostrar empatia e até em ler expressões faciais. Em cima da mesa estão também consequências como a depressão e os diabetes, derivadas da imersão em ecrãs — os cenários descritos tendem a ser mais gravosos em famílias com menos posses.

Curiosamente, o britânico The Guardian recorda esta semana a entrevista que Steve Jobs deu em 2010 ao The New York Times, quando disse que os seus filhos não usavam o iPad. “Nós limitamos a quantidade de tecnologia que os nossos filhos usam em casa”. À semelhança de Jobs, também o co-fundador do Twitter e o ex-editor da revista Wired limitam o tempo que os filhos passam de volta do ecrã. “É como Adam Alter escreve no seu livro Irresistible: ‘Parece que as pessoas que criam produtos tecnológicos seguem a regra cardinal do tráfico de drogas — nunca consumir o próprio produto’”, lê-se no The Guardian.

Quem também não deixa os filhos usar as redes sociais é Chamath Palihapitiya, ex-vice-presidente do Facebook para a área de expansão de utilizadores, que numa conferência na Stanford Graduate School of Business, em dezembro último, afirmou que as redes sociais, consideradas uma máquina que “explora vulnerabilidades na psique humana”, estão “destruir as bases da sociedade”.

Numa situação sem precedentes, o relatório anual “Situação Mundial da Infância” da UNICEF, divulgado em dezembro de 2017, foi todo ele dedicado ao impacto da tecnologia digital nas crianças. Entre as principais conclusões encontram-se as seguintes ideias:

  • um em cada três utilizadores de internet no mundo é uma criança;
  • os jovens pertencem ao grupo mais conectado;
  • muitas crianças têm uma pegada digital ainda antes de conseguirem falar ou andar;
  • “A tecnologia digital pode ser uma mais-valia para crianças desfavorecidas, ao proporcionar-lhes novas oportunidades para aprender, socializar e até para se fazerem ouvir — ou pode ser mais uma linha divisória. Milhões de crianças são deixadas de fora de um mundo cada vez mais conectado”.

Se em abril de 2013 a publicação The Atlantic falava numa geração “touch-screen”, tendo em conta crianças pequenas, hoje em dia há quem fale numa “geração cordão”, referindo-se a crianças e adolescentes que não se conseguem desligar. Sem diabolizar as novas tecnologias, duas psicólogas portuguesas — Ivone Patrão e Rosário Carmona e Costa, autoras dos livros #Geraçãocordão – A geração que não desliga! e iAgora? Liberte os seus Filhos da Dependência dos Ecrãs, respetivamente — chegaram a conversar com o Observador sobre a problemática do uso excessivo das novas tecnologias e a sua influência em diversos aspetos da vida dos mais novos — desde as relações sociais e familiares às novas formas de estudo.

À data, Ivone Patrão referiu um estudo do ISPA – Instituto Universitário, por ela orientado, que determinou que 25% dos adolescentes portugueses (tendo em conta uma mostra de três mil inquiridos) são viciados em tecnologia.

O problema da multitarefa

“Gostaríamos de acreditar que a nossa atenção é infinita, mas não é. Multitasking é um mito persistente. O que realmente fazemos é mudar rapidamente a nossa atenção de tarefa em tarefa”, escreveu Maria Konnikova, autora do livro Mastermid: How to Think Like Sherlock Holmes, num artigo de opinião no The New York Times, datado de 2012. O estrangeirismo é utilizado para descrever a capacidade de fazer mais do que uma tarefa ao mesmo tempo e, se em tempos teve em voga, agora perde terreno para o monotasking, já considerado o termo do século XXI para prestar atenção.

Catherine L’Ecuyer concorda: no livro já citado, diz que a multitarefa é tida como uma crença popular que ganhou terreno na nossa sociedade, muito embora não passe de um mito — as crianças até podem ser nativas digitais mas, ao contrário do que os pais possam pensar, isso não faz delas forçosamente melhores na multitarefa do que os adultos. “Também eles [os nativos digitais] oscilam entre as diferentes atividades tecnológicas que realizam, e essa oscilação tem o mesmo custo que tem para os adultos”, assegura L’Ecuyer.

E que custos são esses? De acordo com um estudo publicado em 2014, no Journal of Experimental Psychology, interrupções de apenas dois ou três segundos são o suficiente para os participantes duplicarem os erros cometidos durante determinada tarefa. A isso acrescentam-se a investigação da Universidade da Califórnia — que mostrou que trocamos de tarefas cerca de 400 vezes por dia, daí estarmos tão cansados à noite — e o estudo da Universidade de Stanford, que concluiu que os alunos “que fazem multitarefa tecnológica obtiveram piores resultados em todos os parâmetros”.

A última palavra fica a cargo de Catherine L’Ecuyer: “Um estudo que compara vários parâmetros cognitivos conclui que, hoje, uma criança de 11 anos tem um rendimento ao nível de uma criança de 8 ou 9 anos de há… 30 anos! É preciso ver que papel podem ter tido os neuromitos, os ecrãs e a multitarefa nessa mudança”.

 

 

 

As novas tecnologias e a educação – Implicações da sua utilização em contexto escolar

Outubro 29, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 14 de outubro de 2017.

Maria de Sousa Pereira Coutinho

Muitos autores, ao analisarem as tecnologias de informação, têm vindo a apontar vários riscos, entre os quais está o de elas apagarem o indivíduo ao remetê-lo, forçosamente, para a colectividade.

A questão da relação das novas tecnologias com a educação, nomeadamente a sua aplicação no contexto escolar, apresenta-se, hoje, com extrema actualidade, pela sua abrangência e problematicidade. Esta situação exige uma reflexão cuidada em ordem a uma tomada de posição em torno dos novos desafios que um pensamento crítico levanta à escola, relativamente às suas funções e práticas, ao seu espaço identitário e inter-relacional, na cultura contemporânea, na medida em que é “impossível compreender a natureza e o funcionamento da instituição escolar fora do horizonte englobante das grandes coordenadas culturais” (Cerqueira Gonçalves).

Fruto do desenvolvimento a que assistimos, a partir das últimas décadas do século XX, foi enorme o avanço da técnica e avassalador o influxo que as novas tecnologias exercem na nossa sociedade e na cultura do tempo presente. Importa, porém, referir, não só os seus benefícios, mas também as dificuldades e problemas e, até, os malefícios que provocam, fruto daquilo que Lucien Sfez apelida de “ideologia mecanicista”, emergente dessas técnicas e, como critica Jürgen Habermas, da “técnica e ciência como ideologia”. Como instituição votada à educação, questão, aliás “de que muito se fala mas de que pouco se cuida” (Manuel Antunes), a escola não fica, naturalmente, imune face à situação que se vive na sociedade actual, onde o ser humano, como referência principal, vem sendo substituído pela tecnologia e considerado “nada mais do que uma das peças da gigantesca Máquina”, e onde a possibilidade de trocas de informação, cada vez mais rápidas e de dimensão planetária, tem vindo a alterar, para além de outros aspectos, a constituição da sociabilidade e, consequentemente, a percepção da realidade, influenciando a formulação de entendimentos e de processos de aprendizagem.

Fixando-nos nas tecnologias da informação e da comunicação (TIC), em cuja influência está, cada vez mais, centrado o funcionamento da sociedade actual, é importante salientar sobretudo a forma como a dimensão técnica da comunicação se vem sobrepondo às dimensões humana e social.

Na verdade, a informação e o conhecimento passaram a conquistar, cada vez mais, espaços da vida humana, não só pelo facto de estarem na base da produtividade e da competitividade, como elemento económico e mercadoria altamente qualificada, mas também pelo impacto que têm vindo a exercer no conjunto das relações sociais e nos padrões de conduta.

Este culto das TIC, sob a forma de promessa de um mundo melhor (como salienta Ph. Breton), anunciava o nascimento de uma nova sociedade cujas estruturas assentariam numa lógica de fácil circulação da informação e do conhecimento. Neste “messianisno mediático”, nesta “nova Jerusalém”, como, em tom profético, lhe chama P. Lévy, reside um novo figurino humano, rodeado de máquinas inteligentes, isto é, um “homem digital” que, na expressão de N. Negroponte, encontra “o próximo” nos “bairros digitais”.

Muitos autores, porém, ao analisarem as TIC, têm vindo a apontar vários riscos, entre os quais está, precisamente, o de elas apagarem o indivíduo ao remetê-lo, forçosamente, para a colectividade.

Não podendo, nem pretendendo ofuscar os benefícios a que as novas formas de capacidade tecnológica de comunicação deram lugar, na sociedade actual, importa, todavia analisar as suas implicações na escola A verdade é que, com a entrada das TIC na escola, esta se alterou, relativamente às suas funções e valores, deparando-se, hoje, com novos problemas que têm levado a um questionamento mesmo sobre possíveis benefícios para os actuais sistemas educativos.

Tem sido, assim, posto em causa o papel das TIC no desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos, denunciando lacunas importantes, no método e nos instrumentos propostos, sobretudo a sua sobreposição aos princípios tradicionais de aprendizagem, nos quais o professor era considerado como uma figura principal e um mediador fundamental na construção das estruturas de aprendizagem dos alunos.

Sublinha-se que, por um lado, a acção do professor não se pode afastar daquilo que é essencial, isto é, da pessoa do aluno, para aspectos mais técnicos, e que, por outro lado, a escola não pode perder a autonomia no controlo do processo educativo, nem pôr em questão a sua própria identidade.

Como salienta J.-P. Carrier, as TIC, em si mesmas, não são educativas, nem melhoram o ensino, mas dependem do modo como são utilizadas, defendendo, por isso, que “deve ser dado lugar ao papel activo de quem aprende e de quem ensina”.

É desejável, por isso, que a utilização das TIC, enquanto suporte de conhecimentos e de comunicação, seja feita de forma muito advertida e prudente, ponderando não só as suas potencialidades, mas também os perigos que esta exploração pode trazer.

Importa, assim, reflectir sobre a problemática “devoção tecnológica” que vem sendo concretizada, no nosso país, nomeadamente a chamada “Escola virtual”, que se encontra já em expansão, a “Estratégia TIC 2020” e a lei que impõe a adopção de manuais escolares digitais para uso em tablets.

A “Escola virtual”, enquanto “nova plataforma de estudo para os alunos do século XXI”, a par de algumas possíveis potencialidades, apresenta significativas e preocupantes limitações, precisamente sobre o uso das tecnologias, em contexto escolar, relativas à noção e ao processo de aprendizagem, bem como àquilo que, na escola, é fundamental: a relação pedagógica; com o objectivo de proporcionar “uma experiência de estudo orientada para a aprendizagem individual e autónoma do aluno”, a “Escola virtual” conduz, a par de uma alteração do conceito de sala de aula e do papel da própria escola, na definição dos objectivos pedagógicos, à instalação de um maior isolamento do aluno, ficando desvalorizado o potencial formativo do professor, em aspectos e campos de educação próprios da dinâmica relacional, em contextos de proximidade.

A “Estratégia TIC 2020”, já publicada em Diário da República, em Julho passado, como resolução do Conselho de Ministros, inclui um “Plano Sectorial TIC, na área da educação”, envolvendo a administração central e as escolas. Trata-se de um plano que “está orientado ao cumprimento de objectivos de racionalização do investimento e despesa TIC, de modernização das infra-estruturas e de digitalização de processos internos à educação”.

É de mencionar, ainda, a lei que, sem alertar para os riscos que se correm, o Ministério da Educação impõe às escolas, isto é, a adopção de manuais escolares digitais, para uso em tablets.

Estamos, assim, confrontados com as várias questões que têm vindo a ser apontadas, relativamente à introdução das TIC em contexto escolar, sobretudo com o grande problema para o qual alerta Elisabeth Fichez: uma “diminuição da intervenção da mediação humana na relação pedagógica ou, até, a sua substituição por uma mediação mecânica”, mais técnica, remetendo a figura do professor para um plano secundário.

A situação em que se encontra a escola é, assim, preocupante, uma vez que não pode ficar nela desvalorizada ou, mesmo, aniquilada a intercomunicação, numa base experiencial de partilha efectiva entre pessoas que compartilham o comum destino do seu desenvolvimento, no mundo e na cultura.

Importa, assim, contrariando quer “o fim da educação” (Neil Postman), quer “o fim da escola” (Gilbert Dimenstein), contribuir para a valorização de uma escola onde a comunicação, tão antiga como o ser humano, não seja uma mera façanha técnica, muitas vezes sujeita, prioritariamente, a interesses económicos, ou a ideologias que o alienam.

A escola não pode ser transformada numa “empresa educativa”, sujeita ao monopólio do Estado e onde domina a crença nas capacidades reguladoras do mercado, na concorrência e na competitividade, nos resultados quantificáveis e no controlo de qualidade.

Enraizada nas ideologias contemporâneas, a par de uma difusa redução da educação aos aspectos técnicos e funcionais, com um menor interesse pelos valores e horizontes de forte significado para o ser humano, aquilo que fica valorizada na escola é uma “racionalidade de meios-fim”, instrumentalizadora, em detrimento de uma “racionalidade comunicativa” (Jürgen Habermas), numa prática intersubjectiva, na qual é dado um papel fundamental à afectividade; e esta é a “centralidade de todo o processo educativo”.

A escola tem, pois, de, urgentemente, se libertar e de reflectir sobre as suas finalidades e os seus meios, a sua identidade e a sua função, a fim de proporcionar uma instrução e uma educação participativa e criativa, inovando no seu próprio seio, em articulação com a tradição, numa interrogação constante relativamente àquilo que está no centro da sua acção: os valores e os saberes.

Espera-se, por isso, que os cidadãos e as instituições educativas, sobretudo a família, estejam atentos, pensem “que valores para a escola do século XXI” (G. Guillot) e, com sabedoria e responsabilidade, participem na construção de escolas onde seja valorizada a função insubstituível da pessoa do professor e a pessoa singular do aluno, escolas como “oficinas de humanidade” (Comenius), não no sentido de um “narcisismo antropocêntrico” (Cerqueira Gonçalves), mas, incluindo a dimensão comunitária e relacional do ser humano, enquanto pessoa.

E, sendo “óbvia a articulação entre a escola e a sociedade” (Cerqueira Gonçalves), procurar-se-á que a escola, privilegiando a importância fundamental da ligação entre o saber e a vida humana, desempenhe um papel fundamental na resposta a dar à actual crise de sentido, “ao sentimento profundo de falta de sentido (…), a uma frustração existencial” (Viktor Frankl), com que sobretudo os jovens são confrontados, na cultura contemporânea.

Professora Universitária (Universidade Nova de Lisboa)

 

 

 

 

Inteligência artificial na educação: não a ignore, use-a bem! | artigo

Outubro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Texto e imagem do blogue http://blogue.rbe.mec.pt/ de 19 de setembro de 2017.

por Sébastien Turbot* | Fonte: Porvir |

Como a chegada de novas ferramentas e algoritmos pode transformar a experiência mão na massa e tornar a aprendizagem mais profunda e relevante

“A combinação de humanos com máquinas não é o futuro, é o presente”, disse o xadezista russo Garry Kasparov numa recente palestra TED.

E esse “presente” está a transformar o mundo da educação em ritmo acelerado. Com as crianças cada vez mais a usar tablets e a programação a ser incluída nos currículos nacionais por todo o mundo, a tecnologia está a tornar-se parte integrante das salas de aula, tal como o giz e o quadro negro.

Já testemunhámos o aumento e o impacto da tecnologia da educação, especialmente através de uma multiplicidade de plataformas de aprendizagem adaptativa, como Khan Academy e Coursera, que permitem aos alunos aprimorar as suas habilidades e conhecimento.

E agora a realidade virtual (VR, na sigla em inglês) e a inteligência artificial (AI, também em inglês) estão a ganhar força. Um recente relatório do grupo editorial britânico Pearson decifra como a inteligência artificial transformará positivamente a educação nos próximos anos. Segundo os autores do relatório, “o futuro oferece o potencial de ferramentas e apoio ainda maiores. Imagine companheiros de aprendizagem ao longo da vida alimentados por AI que possam acompanhar e apoiar estudantes individuais ao longo de seus estudos – dentro e além da escola – ou novas formas de avaliação que medem a aprendizagem enquanto ela está a ocorrer, moldando a experiência de aprendizagem em tempo real”.

Na verdade, os altos custos continuam a ser um desafio, mas o dia em que as ferramentas de inteligência artificial e realidade virtual serão tão acessíveis quanto os smartphones e os computadores de mesa não está longe.

As máquinas inteligentes estão a desempenhar um papel importante na entrega de conhecimentos personalizados e relevantes aos alunos, onde e quando necessário. Por exemplo, a Content Technologies Inc., uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial baseada nos Estados Unidos, está aproveitando a aprendizagem profunda para entregar livros personalizados. A empresa lançou Cram101 e JustFact101 para transformar livros de texto feitos há dezenas de anos em guias de aprendizagem inteligentes e relevantes, tornando o tempo de estudo eficiente.

Além disso, a aprendizagem agora está-se a transformar numa experiência verdadeiramente imersiva dentro e fora da sala de aula. Como curador de conferência, planeio vivências com atividades imersivas para oferecer aos participantes experiências memoráveis, deixando-os com um forte desejo de voltar no ano seguinte.

E como educador, acredito que a mesma estratégia tem o poder de estimular criatividade, engajamento e resultados de aprendizagem mais fortes entre os meus alunos. Mas, durante décadas, a aprendizagem experimental foi confinada a experiências científicos no arcaico laboratório da escola ou a trabalhos de férias de verão. Mas com realidade virtual e inteligência artificial, a aprendizagem experiencial ou mão na massa tem um significado totalmente novo.

Uma variedade de ferramentas de realidade artificial, incluindo o HoloLens, da Microsoft, Oculus Rift, do Facebook, ou o Google Expedition estão a traduzir aulas tradicionais em experiências de significado do mundo real.

Imagine uma sala cheia de estudantes explorando o naufrágio do Titanic, a ver dinossauros a caminhar ao redor deles, descobrindo a Amazônia ou simplesmente aterrando na lua como astronautas – que salto gigante na educação?!

“Estamos a afastar-nos simplesmente de “aprender” um assunto ou tópico para “sentir” o conteúdo. Essa não é simplesmente uma ferramenta de engajamento ou um truque, ela permite que um aluno explore, experimente ou seja envolvido em algo, como se estivesse realmente presente naquele ambiente ou lugar “, escreveu recentemente Graeme Lawrie, diretor de inovação e extensão na escola Sevenoaks, que fica no Reino Unido.

E os estudantes não são os únicos beneficiários.

Os sistemas de tutoria inteligentes, como o Carnegie Learning ou o Third Space Learning, ajudam os professores a libertar-se da abordagem “tamanho único”. Essas plataformas individuais de tutoria utilizam o big data e ferramentas de análise de aprendizagem para fornecer aos tutores retornos avaliativos em tempo real sobre desempenho, pontos fortes e fracos dos alunos. O retorno avaliativo ajuda os professores a determinar as necessidades exatas de aprendizagem, as falhas em habilidades de cada aluno e fornecer orientação suplementar.

Muitas vezes ouço especialistas dizerem que “a tecnologia piorou os maus professores. Portanto, não há dúvida de que precisamos continuar a investir em formação e desenvolvimento profissional. Nenhuma máquina pode substituir professores humanos, mas pode salvá-los de desmoronar sob pressão. Lembram-se do professor da Universidade de Georgia Tech (EUA) Ashok Goel, que usava o assistente Jill Watson construído a partir de inteligência artificial? Trata-se de uma ilustração de como as máquinas inteligentes ajudarão a transição dos professores do sábio no palco para assumirem o papel de mentores e facilitadores.

Para Thomas Arnett, escritor do Instituto Clayton Christensen, “Em vez de ver o progresso tecnológico como uma ameaça, professores e líderes educacionais devem aproveitar as várias maneiras pelas quais a tecnologia pode melhorar seu trabalho”.

Arnett acredita que a automação ajudará a simplificar as tarefas básicas de ensino e ajudar os líderes escolares a lidar com os principais desafios para a instrução de qualidade – a saber, diferenças na qualidade dos professores, interesses diversos de estudantes e o acumular de expectativas colocadas sobre os professores.

“Inovações que tornam commodity algumas habilidades dos professores também fornecem ferramentas para aumentar a eficácia de professores não-especialistas e especialistas para novos patamares e se adaptarem às novas prioridades de uma força de trabalho e sistema educacional do século 21″, escreve Arnett em seu relatório Teaching in the Machine Age (Ensino na era da máquina).

Neste relatório, Arnett também discute o potencial da inteligência artificial para reconhecer e desenvolver professores de alto potencial. “Os pesquisadores podem identificar os professores com chance de atingir alta qualidade no futuro com base nas observações, em respostas questionários preenchidos por alunos e nas notas das provas, mas são muito menos bem-sucedidos na identificação das características de professores eficientes ou na elaboração de um caminho claro para os preparar e desenvolver”.

E o mais importante, além do domínio do conteúdo, os professores serão capazes de ajudar os seus alunos a desenvolver as tão necessárias habilidades não-cognitivas do século 21, como confiança e criatividade.

A imagem que eu projeto neste artigo pode parecer excessivamente otimista para muitos.

Na verdade, a inteligência artificial e a tecnologia educacional não são uma panaceia para desafios sistémicos. A inteligência artificial pode acabar não sendo o próximo salto gigante na educação e, obviamente, trará o seu próprio conjunto de problemas e desvantagens.

Mas não vamos ignorar os seus pontos fortes inatos que poderiam ajudar a resolver as flagrantes lacunas no ensino e na aprendizagem que estamos a lutar para resolver há décadas.

adapatdo do português do Brasil.

Inteligência artificial na educação: não ignore, faça bom uso!

Inteligência artificial na educação: não ignore, faça bom uso!. (2017). PORVIR. Retrieved 19 September 2017, from http://porvir.org/inteligencia-artificial-na-educacao-nao-ignore-faca-bom-uso/

*Sébastien Turbot é o curador e diretor de programas globais no WISE (World Innovation Summit for Education) da Qatar Foundation. Siga-o no Twitter: @sturbot

 

Portugal: Os alunos sabem tudo de tecnologias?

Agosto 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://pplware.sapo.pt/ de 15 de julho de 2017.

Pedro Pinto

Criaram-se em Portugal alguns mitos em torno das tecnologias de informação e comunicação, sobretudo, muito fáceis de transmitir para a opinião pública. Desconstruir esses mitos foi uma das missões mais difíceis, que assumimos, nos últimos anos.

Propagou-se a ideia de que os alunos sabem tudo de tecnologias…

Por isso, praticamente se acabou com esta disciplina da escola. Mas, usar a tecnologia para melhorar o nível de literacia digital, não é tão simples, como entregar a cada criança um tablet, um smartphone ou iPad ou outros dispositivos. É uma ideia conveniente, que facilitava o descuido que tem havido com esta área e também a desresponsabilização de quem decidia.

Os alunos não sabem tudo de tecnologias, sabem manejar as máquinas, sabem jogar e ir às redes sociais, muitas vezes agindo de forma pouco adequada e muito menos segura. O que mostra que não há, nem formação adequada, nem informação suficiente, para lidar com as exigências da sociedade digital, de hoje, porque o século XXI é hoje.

Falta, portanto, apostar no desenvolvimento das literacias digitais, de modo que aprendam a rentabilizar as suas potencialidades quer para o dia-a-dia, quer para o percurso escolar.

Criou-se, também, a ideia de que todos alunos têm computador e internet, em Portugal. Facto, que não corresponde à realidade. Na escola continuamos a receber alunos que não têm condições nenhumas e que nunca trabalharam num computador.

Por fim, importa salientar que a área da informática e da tecnologia é universal. Uma certificação, nesta área, em Portugal, tem o mesmo valor, que uma certificação noutro lugar qualquer do mundo. Ao não apostarmos nelas, estamos a cortar oportunidades aos alunos, porque hoje o mundo é aqui tão perto. Além disso, vários estudos, referem que a maioria das profissões, usam as tecnologias, como suporte. Até, aquelas profissões, que há alguns, não seria expectável que viesse a verificar-se.

A única forma de garantir o acesso a TODOS os alunos, seja qual for o cantinho deste país, é haver uma disciplina para todos. Esta é a missão do estado, neste caso do Ministério da Educação, garantir aquilo que é a formação essencial a todos os alunos, numa área que se tornou necessária e essencial, para todas as profissões, e para a sobrevivência no dia-a-dia, na sociedade, em que já vivemos.

Esta situação fica mais ou menos garantida a publicação do Despacho 5908/2017, de 5 de julho, embora, ainda, leve quatro anos a concretizar-se. Com esta disciplina procuramos equilíbrio, por um lado, entre os conceitos associados às Tecnologias de Informação e Comunicação(TIC), as Ciências da Computação e à Cidadania Digital e por outro entre os conteúdos e as metodologias “ditas” ativas. A disciplina de TIC, a integração transversal nas diferentes disciplinas e os projetos complementam-se.

Os projetos, são impulsos positivos, mas chegam, apenas, a um grupo restrito de alunos e serão sempre opção dos diferentes atores( direções, professores, alunos e encarregados de educação). Quanto mais elevado for o nível de literacias digitais dos nossos alunos, mais fácil será a integração transversal nas diferentes disciplinas. Pois, os professores das outras disciplinas, não têm como objetivos trabalhar esta dimensão, mas sim, que os alunos sejam capazes de transferir estes conhecimentos para as atividades que lhes propõem.

Assim, quanto mais elevado for o seu nível de literacias, melhores será o seu desempenho nas diferentes atividades e projetos que integram as tecnologias, como suporte.

Por Fernanda Ledesma – Presidente da Direção da ANPRI para Pplware.com

 

Aprender todas as disciplinas com um projeto e um ‘tablet’

Julho 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 14 de junho de 2017.

Ana Bela Ferreira

Em Vendas Novas (Alentejo) está a nascer uma nova geração de escolas. No agrupamento desta cidade, duas turmas aprendem a matéria através de projetos interdisciplinares. Cumprem o programa mas de forma diferente. Estão no 5.º ano e começaram a trabalhar desta forma no 3.º. Fazem parte das Comunidades Escolares de Aprendizagem Gulbenkian XXI e entram na série de reportagens que o DN está a publicar até sábado sobre as escolas que se destacam no país

Daniel, de tablet na mão, apresenta os cuquedos dos colegas, desenhos expostos na parede da sala do 5.º D. Mas quando se aponta a câmara do aparelho para o medo, surge um vídeo com o poema que cada um fez sobre o que mais o assusta. A completar o trabalho há uma máquina – um aspirador com uma varinha mágica – que transforma os medos em cores. Noutra sala, a máquina é uma ventoinha, ligada a um telemóvel, uns fones e um funil, que põem os meninos a portarem-se bem, evitando que o professor se zangue. O processo é explicado num vídeo criado pelos alunos do grupo interdisciplinar.

Com este projeto, os alunos trabalharam o texto poético da disciplina de Português, as várias técnicas de desenho, pintura e recorte de Educação Visual, a construção de um objeto de Tecnológica, e usaram as várias aplicações do tablet – um patrocínio da Samsung – para os vídeos e slideshow, inseridas na disciplina de Programação. Noutra turma, os alunos já estavam a fazer um projeto que juntava Ciências e Educação Visual e Tecnológica.

 

 

 

 

XVII Encontro sobre o uso das TIC na Educação – 11 e 12 de julho em Leiria

Junho 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://eventos.ccems.pt/2017/

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