Índia proíbe mochilas escolares pesadas para evitar problemas de coluna nas crianças

Dezembro 31, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 28 de novembro de 2018.

Mafalda Ganhão

De acordo com as novas regras, o peso das mochilas tem um limite consoante a idade dos alunos e os professores das crianças mais pequenas não lhes poderão marcar trabalhos de casa.

Nem trabalhos de casa, nem mochilas pesadas. Preocupada com o aumento do número de casos de crianças com problemas na coluna vertebral, a Índia resolveu disciplinar o que considera abusos e impôs novas regras às escolas, dependendo das idades dos alunos.

Para cada faixa etária há restrições ao peso das mochilas, limites justificados com estudos que evidenciam como a carga excessiva pode afetar os ossos ainda em desenvolvimento.

No caso das crianças mais novas, durante os dois primeiros anos escolares, os professores ficam impedidos de marcar trabalhos de casa, de modo a evitar que os manuais tenham de ser transportados.

No estado de Maharashtra, por exemplo, o peso das mochilas já não pode exceder 10% do peso corporal da criança, havendo escolas a optar pelo uso de quadros digitais e projetores, também para contornar a necessidades de carregar livros escolares para as aulas.

O “The Telegraph” lembra o caso particular das crianças que habitam nas zonas rurais no país, e que são obrigadas a caminhar longas distâncias carregando as bolsas escolares. Muitas delas atravessam rios, levando os livros sobre a cabeça.

Notícia do The Telegraph:

India bans homework and heavy schoolbags to prevent spinal damage

 

 

Quanto deve pesar uma mochila escolar? Saiba fazer a escolha certa

Setembro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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School bag with books and equipment

Notícia e imagem do Mood Sapo

Está a chegar um novo ano letivo e a compra das mochilas é uma das atividades mais apreciadas pelas crianças. Mas saiba que as mochilas escolares podem provocar alterações na coluna vertebral dos mais pequenos. Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha ‘Olhe Pelas Suas Costas’, explica o que deve ter em atenção.

As dores nas costas são a causa mais frequente das visitas ao médico. As doenças que afetam a coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física. Estima-se que sete em cada dez portugueses sofrem ou já sofreram de dores nas costas. Por isso, a prevenção e os cuidados devem começar desde cedo.

Com o regresso às aulas a aproximar-se chega também a hora de pais e educadores escolherem a mochila que crianças e jovens vão carregar diariamente para a escola no próximo ano letivo. A campanha “Olhe Pelas Suas Costas” alerta para a importância de uma escolha correta da mochila, tendo em conta as características ergonómicas da mesma. É também é nesta altura, a 5 de setembro, que se assinala o Dia Internacional das Lesões da Coluna Vertebral. Convém, por isso, ter cuidados desde cedo.

«Hoje em dia as crianças carregam demasiado peso às costas, o que pode provocar dores e problemas potencialmente graves na coluna vertebral a longo prazo. O tamanho, o material da mochila e o peso a transportar são fatores decisivos no momento da escolha, para assegurar o bem-estar da criança e a saúde da coluna em crescimento», explica Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha nacional “Olhe pelas suas costas”.

«O peso exagerado e a má colocação da mochila às costas, diariamente, podem provocar dores e é muito importante recordar os pais e educadores que devem optar por mochilas confortáveis, deixando a  estética para segundo plano, pois o mais importante é a saúde da coluna das crianças e jovens», conclui o responsável.

Por isso, por mais que o seu filho queira aquela mochila com o seu desenho animado favorito, não é isso que deve prevalecer na compra da mochila escolar. Muitas vezes, as crianças são submetidas ao transporte de carga excessiva e os pais nem pensam nos malefícios deste peso. Acontece com frequência a criança transportar uma quantidade enorme de livros e outros materiais que, provavelmente, não vai utilizar nesse dia. E isso precisa de ser monitorizado.

O transporte repetido de uma mochila pesada pode condicionar, no futuro, problemas graves para as costas das crianças. Depois de acertar com o peso da mochila, vem a organização dos materiais dentro da mesma. Os mais pesados devem ser colocados no fundo da mochilae os restantes devem ser distribuidos pelas bolsas. Leia agora as dicas, na galeria que integra este artigo, com as características certas que deve ter uma mochila escolar e como deve ser transportada.

imagens das mochilas no link:

https://mood.sapo.pt/sabe-quanto-deve-pesar-uma-mochila-escolar/#slide=1

Com a casa às costas: O que levam os alunos dentro das mochilas?

Julho 12, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt/ de 28 de junho de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

O peso das mochilas escolares: contributos para uma reflexão fundamentada

Cada criança deve levar na mochila cerca de 10% do seu peso. Um relatório do Observatório de Recursos Educativos (ORE) sugere várias medidas para resolver o problema, desde a atribuição de uma sala a cada turma à divisão dos manuais escolares em fascículos.
Andreia Lobo

O que levam as crianças nas mochilas? Manuais, cadernos, estojos, o lanche e talvez um ou dois spinners. O peso que carregam é muitas vezes considerado excessivo. Quando assim é, as crianças e os adolescentes, tal como acontece com os adultos, podem sofrer de dores nas costas, alterações da marcha e postura incorreta. Em 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrava-se preocupada com este fenómeno. Alertava que o peso da mochila não devia ultrapassar os 10 a 15% do peso da criança e adolescentes.

Uma reportagem da RTP mostrava, na mesma altura, que no 7.º ano os alunos chegavam a carregar diariamente cerca de sete quilos de material escolar. Sendo certo que à medida que a escolaridade progride, e as disciplinas vão aumentando, também se avolumavam livros e cadernos. Ao ponto da OMS considerar o excesso de peso nas mochilas um problema de saúde pública. O debate não é novo, nem exclusivo. Outros países questionam que medidas adotar para aliviar os alunos.

Mas voltemos à pergunta inicial. O que levam as crianças nas mochilas? Gonçalo, 10 anos, aluno do 4,º ano do ensino público, dá uma longa resposta. “Levo o caderno diário de Português, o caderno diário de Matemática, o manual de Estudo do Meio, o manual de matemática, o manual de português, levo três estojos, um livro, a sebenta, a lancheira e outras coisas…” A meio da listagem, Gonçalo pede uma pausa. Vai verificar dentro da mochila se não esquece nada. “Não levo os manuais todos os dias, só quando é preciso, mas normalmente levo sempre o de Português e o de Matemática e os dois cadernos…”, retifica, depois a lista continua: “Levo a caderneta, o Dicionário de Português, se tiver de fazer alguma ficha de português…” Os cadernos de exercícios entram no rol de passageiros “só quando é preciso corrigir os trabalhos de casa”.

Quando fecha a mochila, o peso rondará os quatro a cinco quilos, contas feitas a olho, pela mãe. Independentemente do peso, Gonçalo acaba por não andar muito carregado. De manhã, a mãe leva-o de carro. A mochila vai também no banco de trás. No final das aulas é pior. A avó vai buscá-lo a pé. Dez minutos de percurso, da escola à casa da avó, mas Gonçalo vai de “mãos livres”. “A minha avó queixa-se que a mochila é pesada, até diz que só queria ter aquele peso em dinheiro!”, graceja.

Muitos dos cadernos A4 que os alunos utilizam não chegam até ao fim. Se isso fosse levado em conta, a lista de material talvez pudesse ser encurtada. No relatório “O peso das mochilas escolares: contributos para uma reflexão fundamentada”, publicado este mês, Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas, investigadores do Observatório dos Recursos Educativos, chamam a atenção precisamente para “o material escolar excedentário” que alunos e jovens carregam para a escola. Estojos e cadernos escolares “que não raramente terminam a sua vida útil com pouco mais de um quarto de páginas utilizadas”. Também é comum as crianças levarem nas mochilas objetos que nada têm a ver com a escola.

A maior fatia do peso continua, no entanto, a ser a dos manuais escolares Quando se avança para a hipótese de substituir os vários manuais por tablets com versões e-book, a dupla de investigadores recomenda “especial cautela”. Porquê? Por um lado, porque o sedentarismo, a falta de exercício, o número de horas passadas em frente à TV ou ao computador são outros fatores que concorrem com as mochilas para a má postura física de crianças e jovens.

Por outro lado, a aprendizagem feita através de plataformas digitais permanece envolta em condicionantes, como mostrava em 2015 o estudo “Students, computers and learning: making the connection”, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), evidenciando que os sistemas educativos ainda não tinham conseguido criar pedagogias de ensino e aprendizagem que permitissem tirar o melhor proveito da tecnologia.

Legos, bonequinhos e livros
Rafael, 10 anos, a frequentar o 4.º ano no ensino privado, prepara a mochila sozinho. Antes de correr o fecho, a mãe dá quase sempre uma espreitadela. Não são raras as vezes em que se vê forçada a retirar alguma “tralha”. O que leva o miúdo para a escola? “Tudo, se puder leva tudo!”, responde Marta Oliveira fazendo uma breve listagem: “Legos, bonequinhos pequeninos, livros para ler, desenhos soltos, quando era mais pequeno levava também carrinhos…” A propósito do item “livros”, a mãe refere que a professora – “e muito bem” – põe as crianças a ler. Por isso, Rafael enche também a mochila com livros de histórias para usar nesses momentos de leitura.

Além dos brinquedos, dos manuais, cadernos e dos livros, há que contabilizar o lanche e a garrafa de água. Uma vez por outra, durante uma vistoria ao conteúdo da mochila, Marta encontra uma circular da escola perdida no meio da papelada. A mochila, serve para Rafael transportar “uma verdadeira lixeira”, ironiza. Mesmo no final do ano letivo, Marta acredita que a mochila pese à volta dos cinco quilos. Rafael pesa 38 quilos.
Uma investigação realizada em 2013 em Espanha, com crianças de 8 a 10 anos, a frequentar o 3.º e o 4.º anos, concluía que “o peso excessivo resulta da falta de supervisão do aluno sobre o material que necessita para a aula”. Os investigadores verificaram como alunos da mesma turma chegam a transportar mochilas com diferenças de peso até 4,2 quilos. Quando abriram as mochilas detetaram algumas situações passíveis de serem corrigidas.
Um erro frequente era o uso de mochilas de grande proporção. Ou seja, com tanto espaço para “meter coisas”, tudo cabia na mochila. Alguns alunos levavam para a escola manuais de disciplinas que não tinham aula nesse dia. Ou estojos com materiais não pedidos pelos professores. E, mesmo dicionários de língua espanhola e estrangeira que, segundo os investigadores, deveriam permanecer na sala de aula.

Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas avançam com algumas recomendações sobre como aliviar o peso das mochilas. Na escola, a atribuição de uma sala fixa por turma, um cacifo por aluno, horários capazes de minimizar as solicitações de material escolar por dia. Logo no início do ano, dizem os autores, deve ser enviada aos pais uma lista não apenas com o material, mas com o seu escalonamento temporal.

Outra das medidas passa por esclarecer os encarregados de educação sobre como ajudar as crianças e os jovens a “preparar a mochila”, sobretudo nos 1.º e 2.º ciclos. Os autores sugerem ainda uma contenção dos TPC de modo a que não obrigam ao transporte dos manuais para casa, o uso de uma balança na sala de aula, para autorregulação do peso carregado. Mas também a valorização da disciplina de Educação Física, como forma de criar hábitos e posturas mais saudáveis.

O relatório do ORE sugere ainda às editoras uma mudança de formato no fabrico dos manuais. E sugere a divisão dos manuais escolares em fascículos e o uso de papel com uma gramagem mais leve. As recomendações estendem-se aos fabricantes de mochilas, pedindo-se uma “valorização prioritária dos aspetos ergonómicos”.

Às costas ou pelo chão?
Por muita variedade de cores, tamanhos e formatos, no que toca às mochilas escolares, existem apenas duas opções: mochila para carregar às costas ou para mover pelo chão com rodas. O ORE encontrou uma vasta revisão de literatura sobre as vantagens e desvantagens destas duas opções. As evidências sugerem que o uso dos carrinhos escolares tem como consequência um aumento do peso carregado.

Os resultados de uma investigação feita no ensino privado, publicada na Revista Brasileira de Fisioterapia, publicada em 2008, mostravam crianças a transportar nas suas mochilas carrinho cargas superiores a 10 quilos quando o material de uso diário exigido pelos professores não ultrapassava 1,5 quilo. Uma situação alterada através de um programa de educação postural, aplicado em 129 escolas, nos 4.º e 5.º anos de escolaridade, ter sensibilizado alunos e professores para os cuidados a ter com a coluna vertebral.

A pouca maleabilidade das rodas, por exemplo, quando é preciso subir e descer escadas, condiciona a utilização destes carrinhos. Apesar de ser a opção considerada menos prejudicial. Até agora, Rafael usava a mochila carrinho, por recomendação expressa do pediatra. “Se usasse mochila normal, com as coisas que ele leva atualmente para a escola, era bem possível que ao pô-la aos ombros caísse para trás”, constata.

Em 2014, a BackCare, uma organização sem fins lucrativos que alerta para o conhecimento das lesões na coluna, conduziu uma pesquisa nacional no Reino Unido entre um grupo considerado de risco, crianças de 11 e 12 anos de idade. Em média, as crianças carregavam mochilas com 13% do seu peso, em alguns casos com 60%. Além do peso, os investigadores verificaram que as crianças carregam mal a mochila, usando apenas a alça num dos ombros.

No próximo ano letivo, Rafael vai deixar as “rodas” e usar a tradicional mochila às costas. Talvez por uma questão de moda. Talvez porque o miúdo já se sinta crescido o suficiente para um modelo de mochila que julga ser mais “de adulto”. Seja qual for a razão, o pediatra já fez saber que a nova mochila deverá “obrigatoriamente” ser carregada nos dois ombros.

 

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas”

Março 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

A tese de mestrado citada no texto é a seguinte:

Transporte de cargas em populações jovens : implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares

snews

Petição sobre o excesso de peso das mochilas escolares já tem mais de 38 mil assinaturas. Signatários pedem legislação nesta matéria, balanças digitais nas salas de aulas, cacifos para todos os alunos, livros mais finos e conteúdos concisos. Editores escolares estão disponíveis para colaborar.

Sara R. Oliveira

O peso excessivo das mochilas que as crianças levam para a escola é uma situação que preocupa muita gente. E não é de agora. Neste momento, há uma petição pública dirigida à Assembleia da República para que se pare e se pense no assunto. Pede-se a intervenção do Parlamento para que, com urgência, haja legislação sobre esta matéria. “É consensual entre os especialistas de todo o mundo que as mochilas escolares não devem ultrapassar 10% do peso de quem as transporta. E porquê? Porque as crianças que transportam regularmente peso excessivo às costas são as que têm mais probabilidade de desenvolver deformações ao nível dos ossos e dos músculos. Quanto mais pesada for a mochila, maior probabilidade de problemas de saúde terá”, lê-se na petição que tem mais de 38 mil assinaturas e, por isso, pode ser discutida pelos deputados.

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas” é o mote do texto que defende várias mudanças para “resolver este grave problema de saúde pública”. Pede-se às escolas que pesem as mochilas das crianças semanalmente, para “avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”. Pede-se que cada sala de aula tenha uma balança digital. Escolas públicas e privadas devem disponibilizar cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos na escola, de modo a aliviar o peso das mochilas.

Os signatários pedem uma legislação definitiva que torne claro, e obrigatório, que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, como sugerido por associações europeias e americanas, entre elas a Organização Mundial da Saúde. E havendo a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, pede-se às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares que criem livros “com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano”. E, além disso, que os conteúdos dos manuais sejam “o mais concisos e sintéticos possível”, para ficarem com menos peso e volume.

Os editores escolares estão solidários com esta preocupação, disponíveis para colaborarem na definição de soluções, empenhados em “minimizar ao máximo as consequências negativas no presente e no futuro dos alunos portugueses”. “Os editores escolares estão muito atentos ao problema e têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”, adianta, em comunicado, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Já há trabalho feito. “Ao longo dos últimos anos, os editores escolares tomaram algumas medidas como a divisão de alguns dos seus manuais em dois ou três volumes, pese embora isso constitua um acréscimo adicional nos custos de produção que não se reflete no preço final dos livros escolares”. “Os editores têm investido também noutras soluções para além da criação de volumes, tais como o tipo de papel, utilizando papeis mais leves, sem nunca afetar a qualidade dos manuais e a sua utilização plena, nomeadamente, no que concerne à leitura”, acrescenta a APEL no comunicado.

Gramagem e soluções informáticas

“Sendo um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Saúde a promoção da saúde e a prevenção de doenças, esta deverá ser uma área de investimento, para garantir que as crianças de hoje sejam os adultos/profissionais de amanhã, e contribuam para a sustentabilidade económica do país”, lê-se na petição dirigida à Assembleia da República. O ator e encenador José Wallenstein é o primeiro signatário desta petição subscrita pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e várias organizações médicas, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral.

Há várias perguntas na petição. Quantos mais estudos precisam de ser feitos? Quantas mais evidências científicas serão necessárias? Quantos mais problemas de saúde as crianças têm de desenvolver? Quantas mais campanhas terão de ser implementadas? Quantos mais planos ficarão no papel? Diretores de escolas e pais foram ouvidos nesta questão e defendem uma aposta nos livros digitais e aumento do número de cacifos nas escolas. “Todos os dias recebo os meus alunos à entrada da aula e, por vezes, pego nas mochilas e são pesos descomunais, sobretudo ao nível dos mais pequenos, que têm medo de ter falta de material. Acho que devemos ter cuidado com a saúde dos nossos alunos”, refere Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defende o suporte digital, cacifos para os alunos guardarem material e um modelo de trabalho que tenha em consideração o peso excessivo nas mochilas.

Antes das perguntas, apresentam-se estudos e respetivas conclusões nessa petição. Em 2003, mais de metade das crianças do 5.º e 6.º anos de escolaridade, 53% mais precisamente, transportavam peso a mais nas mochilas. E 61% dos alunos com 10 anos de idade transportavam cargas excessivas, tal como 44% dos estudantes com 12 anos. Estas foram as conclusões de um estudo da DECO e da revista Proteste em que foram pesadas 360 crianças e respetivas mochilas em 14 escolas públicas e privadas do país. “A pior das situações, refere aquela revista, foi verificada para uma criança de 11 anos, com 32 kg, que transportava uma mochila de 10! O ideal seria que esta criança não carregasse mais de 3,2 kg”, exemplifica-se na petição. “Independentemente da idade dos alunos, o estudo acrescentou que a percentagem de mochilas com peso a mais era maior nas escolas privadas do que nas públicas”.

Depois das conclusões do estudo, pediram-se intervenções. Apelou-se ao então Ministério da Educação, às escolas e às editoras, que unissem esforços para se chegar a um acordo quanto à gramagem do papel utilizado nos livros escolares e sobre a distribuição do programa dos vários manuais em CD-ROM, ou utilizando outras soluções informáticas. Apelou-se às escolas para que distribuíssem mais aulas por semana de forma a evitar a sobrecarga entre os alunos. E apelou-se aos pais para que verificassem, juntamente com os filhos, se as mochilas não teriam objetos desnecessários, e que as ensinassem a arrumá-las de maneira mais conveniente.

Dores nas costas

Em 2009, uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana, na Universidade do Minho, revelava que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores por causa do peso que carregavam. O trabalho intitulado “Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares” demonstrou que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa tinha alterações posturais relacionadas com a carga excessiva do material escolar. Foi avaliada a incidência de desvios posturais em estudantes dos 6 aos 19 anos, 54 rapazes e 46 raparigas, em escolas públicas e privadas, envolvendo uma amostra de 136 alunos de vários ciclos de ensino. Nesta investigação, verificou-se, por exemplo, que a hiperlordose lombar afetava 69% dos estudantes, a antepulsão dos ombros 59% e a projeção anterior do pescoço 49%, motivando queixas de dor.

“As crianças são os profissionais de amanhã. As crianças que transportam hoje mochilas muito pesadas começam cedo a ter problemas de coluna, sendo alguns dos mais conhecidos a hiperlordose lombar, a hipercifose torácica, a escoliose, as hérnias discais, entre outras ocorrências”. A petição deixa um aviso: “As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade, que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”.

Segundo a petição, há outras pesquisas que indicam que 80% das crianças, dos 8 aos 10 anos, já se queixaram de dores nas costas. O texto lembra ainda a campanha “Olhe pelas suas Costas”, criada em 2013, pela Sociedade Portuguesa de Coluna Vertebral, com apoio científico de associações de doentes e sociedades médicas. Um estudo, realizado no âmbito dessa campanha, indicava que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas e que mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho, por ano, precisamente por este motivo.

 

 

O “pescoço do SMS” está a tornar-se epidémico e poderá dar cabo da sua coluna

Novembro 27, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 25 de novembro de 2014.

Filipe Arruda

Lindsey Bever (The Washington Post)

Tem dores nas cervicais e não percebe porquê? Se é daquelas pessoas que passam horas a fio, dia após dia, a olhar para um smartphone, aí está a explicação que procurava.

A cabeça humana pesa cerca de cinco quilos e meio. Mas à medida que dobramos o pescoço para a frente e para baixo, a carga que se exerce ao nível das vértebras cervicais começa a aumentar. Aos 15 graus de inclinação, corresponde a 12 quilos; aos 30 graus, a 18 quilos; aos 45 graus, a 22 quilos; e aos 60 graus, a 27 quilos.

Esse é o preço que pagamos por olhar fixamente para um smartphone – algo que milhões de pessoas fazem durante horas a fio todos os dias – conclui um estudo da autoria do médico norte-americano Kenneth Hansraj, da clínica New York Spine Surgery and Rehabilitation Medicine, publicado na revista Surgical Technology International.

Com o tempo, dizem os especialistas, esta postura incorrecta, por vezes chamada em inglês “text neck” (pescoço do SMS), pode conduzir a um desgaste precoce ou uma degenerescência da coluna vertebral – e até precisar de uma intervenção cirúrgica.

“Trata-se de uma epidemia – ou, pelo menos de algo muito comum”, disse Hansraj ao jornal The Washington Post. “Basta olharmos à nossa volta, toda gente tem a cabeça para baixo.”

Não consegue ter uma ideia do que representam 27 quilos? Então imagine-se a transportar uma criança de oito anos à volta do pescoço durante várias horas por dia. Os utilizadores de smartphones passam em média duas a quatro horas por dia encurvados sobre estes aparelhos – a ler emails, a enviar SMS ou a consultar sites de redes sociais. Isso corresponde a 700 a 1400 horas por ano a exercer um stress sobre a coluna vertebral, segundo o estudo. E os alunos do ensino secundário poderão ser os mais prejudicados. É possível que passem até 5000 horas adicionais nessa posição, diz Hansraj.

“O problema é mesmo grave no que respeita aos jovens”, acrescenta. “Com este nível de stress sobre o pescoço, poderemos começar a ver pessoas novas a precisarem de tratamentos para a coluna. Gostaria mesmo de ver os pais a terem mais atenção a isso.”

Há anos que os peritos médicos andam a alertar as pessoas. Alguns dizem que por cada dois centímetros e meio de inclinação adicional da cabeça para a frente, a pressão sobre a coluna duplica.

Tom DiAngelis, presidente da secção do sector privado da Associação Americana de Fisioterapia, disse no ano passado à cadeia televisiva CNN que o efeito é semelhante a dobrar um dedo completamente para trás e mantê-lo nessa posição durante cerca de uma hora.

“À medida que os tecidos vão sendo esticados durante longos períodos de tempo, começam a doer e a ficar inflamados”, salientou. A postura também pode causar distensões musculares, nevralgias, hérnias discais e, a prazo, pode mesmo dar cabo da curvatura natural do pescoço. Isto põe em risco os 58% de adultos norte-americanos que possuem um smartphone.

Michelle Collie, médica da clínica Performance Physical Therapy em Rhode Island (EUA), disse igualmente à CNN, no ano passado, que tinha começado a ver, há já seis ou sete anos, doentes com dores na cabeça, no pescoço e nas costas induzidos pelas tecnologias móveis.

As posturas incorrectas podem causar ainda outros problemas. Os especialistas dizem que podem reduzir a capacidade pulmonar em até 30%. Também têm sido associadas a dores de cabeça e a problemas neurológicos, à depressão e a doenças cardiovasculares.

“Embora seja quase impossível evitar as tecnologias que causam estes problemas, as pessoas deveriam esforçar-se por olhar para os seus smartphones sem dobrar a coluna e evitar passar horas por dia dobrados por cima deles”, segundo o estudo.

Em entrevista ao site Today.com, Hansraj deu algumas dicas aos utilizadores de smartphones para evitarem as dores.

Olhe para o seu aparelho com os olhos, não é preciso dobrar o pescoço. Exercícios: vire várias vezes a cabeça da esquerda para a direita. Faça força com a  cabeça contra as mãos, primeiro para a frente e depois para trás. Coloque-se na ombreira de uma porta com os braços esticados e empurre o peito para a frente de forma a reforçar os músculos “da boa postura”, diz Hansraj.

“Adoro tecnologia. Não estou a denegri-la de maneira alguma”, diz o médico. “A minha mensagem é apenas: tome consciência da posição da sua cabeça no espaço. Continue a desfrutar do seu smartphone e da tecnologia – mas, simplesmente, certifique-se de que tem a cabeça erguida.”

 

Risco do excesso de peso das mochilas desvalorizado

Outubro 21, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Fotografia de Sérgio Azenha

Fotografia de Sérgio Azenha

Notícia do Público de 24 de Setembro de 2010.

Jorge Seabra, director do Serviço de Ortopedia do Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC), desvalorizou ontem os riscos para a saúde das crianças e adolescentes resultantes do peso das mochilas, assegurando que “a sobrecarga pode gerar cansaço, mas não origina nenhuma deformidade permanente da coluna”.

O especialista, que se tem dedicado ao tratamento da patologia da coluna vertebral em crescimento, considera que a sobrecarga das mochilas deve ser evitada, “por causar cansaço muscular e desconforto”, mas sublinha que “pode ser mais perigoso, para os jovens, praticarem um desporto com demasiada exigência, correspondendo às ambições de pais, que, por vezes, vêem nos filhos uns verdadeiros “Ronaldinhos”.

Numa nota divulgada através do serviço de comunicação, o HPC esclarece ainda que a escoliose, nomeadamente, “está ligada, na juventude, ao processo de crescimento da coluna vertebral e não tem qualquer ligação com más posturas, sobrecarga mecânica ou diferença do comprimento dos membros”.

 

 

 

 

 


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