Os seus filhos ainda sabem brincar?

Agosto 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 5 de julho de 2017.

Combine um dia por semana ou um número de horas sem acesso a dispositivos eletrónicos e use esse tempo para fazerem atividades em família

«E agora, mãe, a que é que eu brinco?» A pergunta é frequente e surge quando não há uma atividade planeada para os mais pequenos ou brinquedos à disposição – seja na sala de espera do consultório, na casa da prima que não tem filhos ou no jardim público onde não há um parque infantil. Mas… Desde quando é que as crianças precisam de orientação para brincar?

Texto Leonor Ribeiro /CADIn* Ilustração Filipa Viana/WHO

A investigação tem revelado que o número de horas que as crianças passam em atividades desportivas organizadas duplicou nos últimos anos e que o número de minutos dedicados a atividades de lazer passivas quintuplicou. Resultado: nas últimas duas décadas, as crianças perderam cerca de 12 horas de brincadeira livre por semana.

Quando o brincar existia em todas as ruas, pracetas, jardins e pátios de escola, não era tema de conversa… era natural, acontecia… Mas agora que todos os tempos das crianças estão ocupados com atividades enriquecedoras e jogos (jogos, não brincadeira livre ativa e espontânea), surge o alerta!

Seja nos jornais ou em conferências de profissionais da área da saúde e da educação, brincar é um tema na ordem do dia. David Elkind, um investigador norte-americano desta temática, alerta que eliminar a brincadeira livre ou programar a vida das crianças com atividades organizadas leva a elevados riscos futuros para a sua saúde, sucesso e felicidade.

Pensemos no Gaspar, um menino de olhos que brilham de vida, ele fervilha de energia quando sai da escola. Chega a casa, toma um lanche rápido e salta para a rua para brincar, correr, andar de bicicleta e ter aventuras com os amigos do bairro. Muitas vezes não leva os trabalhos de casa feitos para a escola, não é o melhor aluno, mas a sua alegria, destreza motora e autonomia são evidentes.

Já o Tiago, que sabemos ter um olhar cheio de energia também, embora nem sempre o consigamos ver, quando sai da escola vai para a explicação e aos fins de semana tem algum reforço para se preparar para os testes. A seguir tem de continuar a estudar mais um pouco, para praticar e compensar as dificuldades que sente. Às vezes também não leva os trabalhos de casa feitos para a escola, porque os esconde. Não é o melhor aluno e diz que o que mais desejava era poder passar os dias a correr e a brincar.

As famílias, quando tomam a decisão de deixar os filhos agir mais de uma maneira ou de outra, estão claramente a pensar no melhor para os seus filhos. No entanto, qualquer das posições pode ser alvo fácil de crítica, pela pressão social entre pais. Nos últimos anos, a sociedade passou a prescrever que atividades organizadas, como o desporto, são essenciais para a criança aprender competências sociais e motoras, e que as atividades mais ligadas às artes são fundamentais para o desenvolvimento da criatividade e da expressão pessoal.

Existem ainda as explicações, terapias, etc. Pior: se não dermos aos nossos filhos a oportunidade de praticar pelo menos um deste tipo de atividades, sentimos que não estamos a investir no seu futuro. Quando ainda resta algum tempo para a brincadeira, pode surgir a preocupação com o bem-estar físico, levando a uma supervisão constante e alertas para o risco das brincadeiras, das pessoas e espaços.

Transpomos o nosso medo para os nossos filhos de tal forma que lhes privamos a oportunidade de inovarem, arriscarem, experimentarem e aprenderem por si. É raro vermos crianças, como o Gaspar, com oportunidade de viverem as suas aventuras. Por outro lado, esta ansiedade pelo bem-estar físico contrasta com o fácil acesso a conteúdos que podem afetar a inocência psicológica das crianças, seja através da televisão, internet ou jogos, consumidos sem qualquer controlo.

Não se deve compreender o brincar como um luxo, mas sim como uma atividade dinâmica crucial para a saúde física, intelectual, social e emocional em todas as idades. A nível socioemocional, promove a capacidade de saber lidar e interagir com os outros e com o mundo, a lidar com sentimentos, a comunicar, a tornarem-se crianças mais resilientes e com maior capacidade de autorregulação.

A nível cognitivo, brincar cria diversas oportunidades para potenciar a capacidade de resolução de problemas, de tomada de decisões, de planeamento, organização e flexibilidade. Ao nível físico, além dos óbvios benefícios para a saúde, também promove o desenvolvimento de competências motoras.

Tentem recordar-se dos melhores momentos que viveram na infância, das experiências mais relevantes e positivas. Quais são? É provável que tenham sido ao ar livre, com amigos e sem adultos por perto, certo?

Não há soluções perfeitas, mas talvez esteja na hora de tornar a brincadeira uma rotina! Pode-se brincar nas situações quotidianas, com palavras, com contos e histórias, com pedrinhas e paus, connosco, com música. Pode-se brincar sozinho ou acompanhado.

Pode-se brincar por brincar ou brincar para aprender… o brincar tem um poder extraordinário e adapta-se a todas as situações, todas elas de extrema importância para o desenvolvimento harmonioso.

* Parceria com o CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil), onde Leonor Ribeiro é técnica superior de educação especial e reabilitação.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

 

 

“Deixem as crianças ser crianças!!

Julho 25, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 5 de julho de 2017.

As crianças têm cada vez menos tempo para brincar. E passam menos tempo ao ar livre que os reclusos. Isto pode ter consequências sérias no  seu desenvolvimento. É urgente refletir. “Precisamos de deixar as crianças ser crianças”. A brincadeira, fundamental no desenvolvimento da criança aos mais variados níveis, está “ameaçada” e exige uma atenção especial (e uma mudança radical) por parte de pais e educadores. Caso contrário, e a continuarmos assim, a (falta) de brincadeira vai ter consequências desastrosas no futuro das nossas crianças. O alerta foi lançado no seminário “Revisitar o valor do Brincar”, uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Esposende, em colaboração com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervenção Psicológica e Terapêutica, que pretendeu promover a reflexão sobre a importância do Brincar no desenvolvimento infantil. “Para a criança se desenvolver precisa de brincar”, começou por lembrar o pediatra Hugo Rodrigues, citando estudos que comprovam como “brincar é fundamental para construir o bem-estar cognitivo, físico, social e emocional”, sendo evidentes as vantagens ao nível da criatividade, do desenvolvimento motor, do equilíbrio emocional e da capacidade de resiliência. Vantagens que, como notou, se acabam por estender aos cuidadores, seja no “reforço das relações” ou porque, ao brincar, “conseguem ver o mundo pelo olhar das crianças” e “entender muito melhor os filhos”. A este propósito, o pediatra defendeu que a brincadeira deve envolver os adultos, seja participando ou, simplesmente, “estar presente”, ou seja, por vezes “estar lá, basta ver, observar…”. Mas atenção, alertou, nesses momentos há que dar-lhes “uma atenção genuína”: “Quando estiverem com as crianças, desliguem do mundo!”

Por outro lado, alertou, “temos que dar-lhes tempo livre” e deixar as crianças brincar de forma criativa, genuína” e “sem regras”, deixando-as inventar as suas próprias brincadeiras. “O brincar não deve castrar a criatividade e a imaginação”. Uma ideia que seria mais tarde reforçada por Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), para quem as crianças “precisam de brincar na rua, de correr riscos e viver situações ousadas”. No fundo, “têm que se tornar mais selvagens”. E como? Tirando-as de casa, deixando-as inventar as suas próprias brincadeiras, ouvindo-as e deixando-as ter voz ativa. Uma tarefa aparentemente simples mas, nos tempos que correm, cada vez mais desafiante. Na verdade, “é mais difícil brincar que educar”, reconheceu, em jeito de crítica, o pediatra Hugo Rodrigues, deixando um alerta a pais e educadores: “Não se constroem super-crianças!”. Além de que, avisou, “as crianças têm muitos anos para ser adultos e poucos para ser crianças…” Sem tempo para crescer

As críticas acabariam por ser partilhadas pelo psicólogo Eduardo Sá, que não se cansou de denunciar os atropelos de que são vítimas as crianças no seu direito à brincadeira. “As crianças deviam brincar pelo menos duas horas por dia”, disse, lembrando que “nos últimos 20 anos, as crianças portuguesas perderam oito horas semanais de brincadeira”. E isto é muito grave. “Precisamos de deixar as crianças ser crianças”, disse, garantindo que “é mentira que quem cresce depressa, cresce melhor”. Acérrimo defensor da brincadeira no jardim de infância, o psicanalista não perdeu a oportunidade de, mais uma vez, criticar os estabelecimentos onde se prefere ensinar a criança a ler ou a escrever e se esquecem as vantagens de outras atividades lúdicas mais enriquecedoras nestas idades tão precoces. “Melhor educação musical significa melhor matemática”, exemplificou, lembrando também que “a educação visual significa melhores competências para o português e a matemática” ou que “quanto mais histórias, mais crianças pensantes”.

Mais. “Uma criança que não é capaz de brincar com o corpo não é saudável”, disse, para sublinhar a importância de explorar o corpo enquanto brinca ou, inclusive, de “andar à bulha”. No fundo, rematou, é a brincar que as crianças “ganham alma”, defendendo a infância como “património da humanidade “ e criticando ainda o excesso de tecnologia e os “maus exemplos” dados pelos pais. Por tudo isto, o psicólogo infantil antevê, com alguma preocupação, um futuro pouco risonho para as nossas crianças. “Estamos a criar os adolescentes mais autistas que a humanidade já viu!”. Uma preocupação que acabaria por ser partilhada por Carlos Neto, que considerou estarmos a viver uma “decadência da infância” o que, concluiu, faz com que estejamos a viver “momentos de grande preocupação”, onde “ninguém sabe muito bem o que vai acontecer” . Fica o aviso.

Refetir e experimentar

A importância do brincar no desenvolvimento da criança e do adulto, a utilização educativa e terapêutica da brincadeira e as novas formas de brincar foram alguns dos temas que estiveram em destaque no seminário “Revisitar o Valor do Brincar”. “Brincar é o melhor remédio!” foi o nome da intervenção de Hugo Rodrigues, pediatra na Unidade Local de Saúde do Alto Minho, e docente na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho e na Escola de Tecnologias da Saúde do Instituto Politécnico do Porto, a que seguiu a palestra “Brincar como património da humanidade” por Eduardo Sá, psicólogo, psicanalista e professor na Universidade de Coimbra e no ISPA. Os “Grupos Aprender, Brincar, Crescer” foram apresentados por Joana de Freitas-Luís, Coordenadora nacional da implementação deste projeto-piloto e “Crianças carentes de Vitamina B” foi o mote da comunicação de Maria José Araújo, professora adjunta da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto e Investigadora do CIPEM-INET-md e do INED.

Já da parte da tarde, João Amado, professor associado com agregação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, falou sobre “Brincar e modos de ser criança na charneira dos séculos XIX e XX em Portugal”, seguindo-se a mensagem vídeo “Libertem as crianças: Mais autonomia, risco e participação” de Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana e, por fim, a intervenção de Helena Sacadura Botte, técnica de Segurança Infantil e Secretária-Geral da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, sobre “A liberdade para brincar em segurança. A terminar, Ana Isabel Veloso, professora no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro e membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos, mostrou como “Jogar  não tem idade”, Nuno Feixa Rodrigues, professor coordenador na Escola Superior de Tecnologia do IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, abordou o tema “Criatividade, ensino e jogos digitais”, a que se seguiu “O brincar virtual e desenvolvimento de competências neurocognitivas e psicossociais”, por Carlos Fernandes da Silva, Professor Catedrático no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro e Membro da CPCJ de Mira.

Organizado pela Câmara Municipal de Esposende, em colaboração com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervenção Psicológica e Terapêutica, o seminário “Revisitar o Valor do Brincar” fez parte da iniciativa “Brincar é Coisa Séria!”, que integrou ainda uma Feira do Brincar do Brinquedo. Destinada a refletir sobre a importância do BRINCAR no desenvolvimento infantil e no seu futuro, a iniciativa pretendeu ainda contribuir para a promoção de formas mais saudáveis de BRINCAR, aliando o referido processo reflexivo à possibilidade de as famílias, e a comunidade em geral, experienciarem diversas atividades lúdicas que foram dinamizadas para esse efeito.

 

 

 

1 de junho 2017 – Dia Mundial da Criança

Julho 21, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O IAC em Coimbra celebrou o Dia Mundial da Criança em dois locais emblemáticos desta cidade, o Parque Verde e o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, com um programa especial de atividades, dirigido aos mais novos.

A convite da Câmara Municipal de Coimbra, o IAC esteve mais uma vez presente no Parque Verde da cidade, na “Aldeia das Oficinas”,a dinamizar pequenos jogos, bem como a pintura de um mural. Esta iniciativa teve como destinatários cerca de 150 crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 10 anos.

Nos jardins do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, o dia foi repleto de muita diversão e muitas brincadeiras: saltámos à corda, fizemos bolas de sabão, jogámos ao elástico, participámos nas corridas de sacos e em todas elas, pulámos e saltámos com muita energia. Os atores principais das atividades foram as 200 crianças da Escola Básica de Casconha, Cernache e Externato João XXII, Coimbra. Esta iniciativa contou com a colaboração muito especial da turma do 1.º ano do Curso Profissional de Técnico de Animador Sociocultural da Escola Secundária D. Duarte de Coimbra.

Foi sem dúvida, um dia cheio de momentos de diversão e aprendizagem, dedicado à Criança e, designadamente ao seu direito de BRINCAR.

IAC-FCJ e o Projeto “Coimbra a Brincar” 2017

Julho 21, 2017 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Projeto “Coimbra a Brincar” é uma iniciativa da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) e pretende assinalar o Dia Internacional do Brincar, dia 28 de Maio.

O IAC-FCJ, parceiro deste projeto desde o seu início, divulgou o projeto através de um conjunto de atividades lúdicas que designámos por “Vamos todos brincar no pátio da escola”, no dia 20 de abril na Escola Escola EBI/JI Prof. Doutor Ferrer Correia, no Senhor da Serra, Miranda do Corvo e o dia 4 de maio no Agrupamento de Escolas Escalada na Pampilhosa da Serra, em parceria com as respetivas equipas GAAF. Participou ainda na Parada de divulgação pelas ruas da cidade de Coimbra no dia 16 de maio.

O IAC-FCJ tentou trazer, para os dias atuais, os jogos e brincadeiras de outros tempos. Foram muitos os risos e os sorrisos e uma enorme vontade de brincar. Momentos preciosos, que os alunos vivenciaram com entusiasmo, aderindo às várias propostas com curiosidade e alegria, porque brincar é conviver, é partilhar e deveria ser inato a todas as crianças!

 

 

“Crianças que brincam mais no recreio também aprendem mais na sala de aula” entrevista a Carlos Neto

Julho 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 5 de julho de 2017.

Patrícia Pires

Esta é uma excelente notícia por parte do Ministério da Éducação”. É desta forma que Carlos Neto, investigador Faculdade de Motricidade Humana, reage à notícia de que os alunos do 1.º Ciclo vão ter menos duas horas e meia de aulas por semana, ou seja, mais tempo para brincar no recreio.

Este investigador, que há muito defende a importância de brincar para as crianças, considera que este tempo pode permitir “mais atividade física e socialização, num recreio mais desafiante, mas também para terem mais prazer de estar na escola”. Até porque, lembrou durante a entrevista que deu na TVI24, “no 1º ciclo os currículos são extensos e intensos e as crianças estão muitas horas nas salas de aulas”.

Apesar desta novidade implicar uma “reorganização do horário diário”, Carlos Neto acredita que “isso não é uma dificuldade na maior parte dos casos”.

Mas o investigador lembra agora que “é preciso saber como se vai usar esse tempo”. “Um recreio tem de ser desafiante, as crianças têm de ter coisas interessantes para fazer”.

E há coisas essenciais. Apostar no que elas gostam:

“O jogo social, a atividade física, o jogo do faz de conta”. Ou seja, “necessitamos de ter recreios com mais qualidade de estimulação.”

E é por isso que Carlos Neto defende “um modelo de requalificação de espaços de recreio” e, na sua opinião, a tarefa “podia ficar a cargo das Câmaras Municipais”.

Dar tempo para brincar, mas “um tempo de qualidade, que tenha materiais, que tenha espaços adequados, que tenha risco, autonomia suficiente… para que elas possam fazer brincadeiras que tenham a ver com o seu nível de desenvolvimento”.

E para que não fiquem dúvidas quanto ao real valor da brincadeira, Carlos Neto ressalva:

“As crianças que mais brincam no recreio e que mais socialização fazem, também aprendem mais na sala de aula. Ou seja, este tempo maior no recreio pode ter uma contribuição fundamental nas aprendizagens escolares.”

O investigador vai longe e diz que “a dicotomia sala de aula/recreio devia acabar. As escolas deviam assumir que o recreio faz parte da sala de aulas e do processo de aprendizagem”.

Mas não só. O brincar é ainda mais e pode determinar como seremos no futuro. Carlos Neto lembra que “nos últimos 20 anos desapareceram dos recreios quatro ações fundamentais para o desenvolvimento das crianças: pendurar, balançar o corpo, trepar e saltar”.

“Tiraram as árvores – normalizaram os espaços -, tiraram o material solto, não há hortas, não há areia, não há terra”, explica o investigador. “Falta o risco”, lamenta. Em seguida, lembra que este tempo extra pode ter mais aspetos positivos como, por exemplo, “combater o sedentarismo e uma certa iliteracia físico-motora”.

Considerando que estamos numa época de férias escolares, que nem sempre coincidem com as férias familiares, Carlos Neto defende que esta é “uma boa altura para fazer experiencias diferentes, coisas malucas, pouco habituais. Por exemplo, andar de bicicleta, subir montanhas, nadar no rio, ir para a praia”.

Ou seja, coisas diferentes da rotina habitual e como “o tempo de férias ficam para sempre na memória”, o investigador diz que é preciso ter isso em mente quando se escolhem Atividades de Tempos Livres para ocupar os mais novos ou colónias de férias. “O contato com a natureza é essencial”.

visualizar a entrevista a Carlos Neto no link:

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/escola/criancas-que-brincam-mais-no-recreio-tambem-aprendem-mais-na-sala-de-aula

 

I Congresso do Brinquedo Português

Julho 5, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“26, 27 e 28 de outubro de 2017
I CONGRESSO DE BRINQUEDO PORTUGUÊS
Mais informação em:
www.congressodebrinquedoportugues.pt

O Museu dos Biscainhos – Direção Regional de Cultura do Norte em parceria com o Centro Interpretativo do Brinquedo – ADOL organizam o Congresso de Brinquedo Português, entre 26 e 28 de outubro de 2017, no Instituto de Educação da Universidade do Minho e na Casa do Conhecimento em Vila Verde. O período de inscrição no Congresso (sem comunicação) é de 15 de Junho a 15 de Outubro.”

 

A brincar se seduz, manipula e convence. É a base da educação

Junho 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 28 de maio de 2017.

Tony Dias/Global Imagens

Desde o primeiro momento que a ligação entre pais e filhos se faz pelo brincar, é a receita para a felicidade e já tem um dia mundial

Leonor é a médica e a sala de brincar o consultório. Este é o espaço que dá acesso ao mundo da fantasia, aquele onde tudo é possível. Leonor abre a mala de médico – oferecida pelo avô -, veste a bata branca e coloca o estetoscópio ao pescoço. “Foi a melhor prenda da vida dela”, diz a mãe, Margarida Cerveira. No consultório está tudo a postos para a doutora de cinco anos começar a cuidar da borbulha da irmã Sofia, de 1 ano e meio. Usa um pouco de creme, que, como explica ao DN, “é para tirar as dores”. Enquanto isso, Frederico, de 7 anos, o mais velho dos três irmãos, diverte-se a montar legos com o amigo David. Não há tempo a perder, a hora de almoço está quase a acabar.

Duas vezes por semana, Margarida, psicóloga, e o marido, Artur Figueiredo, agente cultural, unem esforços para passar a hora de almoço com os filhos. Uma forma de tentar contrariar a correria do dia-a-dia. E sempre que possível brincam. “A base da educação parental é o brincar. É a linguagem que as crianças melhor entendem”, diz–nos a mãe. Mudaram de casa há pouco tempo e ainda não há televisão. “Não temos uma cultura televisiva”, explica. Ao fim de semana, Frederico dedica meia hora por dia aos jogos de computador. Não há tablets, nem o vício de mexer nos smartphones dos pais, que não se consideram extremistas, mas ressalvam que os preocupa que “os miúdos fiquem muito dependentes das máquinas”.

É no quarto de brincar que os três irmãos se divertem, soltam a imaginação. Da estante de livros tiram as histórias que querem ouvir à noite. Sofia sabe onde estão os seus, na prateleira de baixo. As bonecas, os puzzles, os jogos, as peças da Playmobil convivem com alguns brinquedos do tempo dos pais. A ideia é deixá-los brincar. E, sempre que possível, ao ar livre, no quintal, num parque ou na quinta dos avós. “A profissão deles é brincar”, frisa Margarida. “E gostam que brinquemos com eles”, acrescenta Artur. Para o casal, “devia ser obrigatório ter meia hora por dia para brincar com as crianças”.

A ideia de que as brincadeiras estão na base da educação é partilhada por Beatriz Pereira, investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança, da Universidade do Minho, que falou com o DN a propósito do Dia Mundial do Brincar, que hoje se comemora: “É absolutamente indispensável que os pais brinquem com os filhos. Todas as famílias com crianças pequenas deviam ter acesso a condições que lhes permitissem fazê-lo, porque é preciso tempo.” Os primeiros contactos com o bebé e as formas de comunicação são lúdicas. “É através do jogo que são feitas as aprendizagens de cooperação, partilha, das regras”, prossegue a investigadora. Mesmo antes de nascer, o bebé já brinca. “Brinca na barriga da mãe e sabe-se, por registos ecográficos e outros estudos, que se entretém. Brinca e utiliza o seu próprio corpo para isso”, explica o pediatra Mário Cordeiro. Além de ouvirem, “os bebés veem desde muito cedo e apercebem-se de alguma luminosidade que chega através da parede abdominal da mãe”. Se calhar, “veem sombras chinesas e devem divertir-se a vê-las”, argumenta.

O pediatra diz: “O brincar com o seu corpo, com o dos pais e com os brinquedos ou com qualquer coisa que passe ou que esteja ao seu alcance é importante e uma brincadeira.” Só que os adultos estão tão ocupados que, por vezes, nem reparam em “como magníficas são as crianças a brincar… e a manipular, seduzir e convencer”.

Brincar pode parecer simples, mas é uma das atividades mais elaboradas. Mário Cordeiro diz que “desenvolve a criatividade, o imaginário, a imaginação, a alternância, o sentido figurativo e representativo, e a organização dos gestos, das falas e dos cenários”. E não exige brinquedos. “Os bebés servem-se do próprio corpo e brincam com as mãos e com os pés. Os mais velhos agarram em dois ou três objetos e fazem deles o que querem, inventam histórias e ações.”

Brincar, a receita da felicidade

Beatriz Pereira avisa que “uma criança que não brinca é infeliz”. “A vida das crianças estará em risco se não tiverem espaço e tempo para brincar.” A investigadora defende que “é absolutamente necessário que, até aos 6 anos, as crianças tenham grandes períodos para brincar livremente, sem orientação dos professores, e se possível ao ar livre”. Além de estar associado a estilos de vida ativos e saudáveis, brincar é “essencial para o desenvolvimento integral, onde se destaca o desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo”.

Quanto mais pequenas são as crianças, maior a necessidade de brincar. “É preciso que não tenham a agenda muito preenchida com atividades.” Outro entrave são, muitas vezes, as tecnologias. “Aparecem muitas vezes para dar lugar à falta de tempo dos pais para levar as crianças para espaços ao ar livre”, lamenta a investigadora da Universidade do Minho. Não se pode impedir que tenham contacto com a tecnologia, “mas é essencial brincar ao ar livre, o brincar espontâneo, sujar-se, esmurrar-se”. Para aprender os limites, a criança tem de saber até onde pode ir.

Cultura do “quero tudo, já”

Brincar é também aprender a lidar com sentimentos menos bons. “As brincadeiras reais, fantasistas, permitem à criança, desde muito cedo, sublimar algumas frustrações e aprender a gerir o stress e a contrariedade, o que é fundamental nos nossos dias, já que, na nossa sociedade, gravitamos muito à volta do “quero tudo, já!”, e qualquer obstáculo ou dificuldade é sentida como uma agressão do outro, levando a sentimentos de raiva, violência ou vitimização”, afirma Mário Cordeiro. Muitas vezes, a própria brincadeira serve para “ar- quitetar situações em que a criança pretende, afinal, exprimir as suas angústias, revelar o que vai na alma e dar sinal dos problemas que a atormentam”.

Através da brincadeira, defende o pediatra, “devemos fazer que se promova, nos nossos pequenos ecossistemas, culturas de segurança, de afetos, de gestão pacífica de conflitos e, antes de mais, uma cultura lúdica, de prazer e de brincadeira”. Dentro do Homo sapiens é preciso recuperar “o Homo ludens, ou seja, durante toda a vida, é preciso manter a parte da brincadeira e da criatividade (e de expressão de sentimentos) para que a vida seja mais longa, mais tranquila e com mais momentos de felicidade”.

 

 

Os quatro excessos da educação moderna que perturbam as crianças

Junho 14, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.revistapazes.com/ de 24 de maio de 2017.

Por Jennifer Delgado Suárez, psicóloga

Quando nossos avós eram pequenos, eles tinham apenas um casaco de frio para o inverno. Apenas um! Naquela época de vacas magras, já era luxo ter um. Exatamente por isso a criançada cuidava dele como se fosse um tesouro precioso. Naquela época bastava a consciência de se ter o mínimo indispensável. E, acima de tudo, as crianças tinham consciência do valor e da importância de suas coisas.

Muita água correu por baixo da ponte, acabamos nos transformando em pessoas mais sofisticadas. Agora prezamos pelas várias opções e queremos que nossos filhos tenham tudo aquilo que desejarem, ou, caso seja possível, muito mais. Não percebemos que esse mimo excessivo ajuda a criar um ambiente propício para transtornos psicológicos.

De fato, foi demonstrado que o excesso de estresse durante a infância aumenta a probabilidade de que as crianças venham a desenvolver problemas psicológicos. Assim, uma criança sistemática pode ser empurrada para ativar um comportamento obsessivo. Uma criança sonhadora, sempre com a cabeça nas nuvens, pode perder a sua capacidade de concentração.

Neste sentido, Kim Payne, professor e conselheiro norte-americano, conduziu uma experiência interessante em que simplificou a vida de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Depois de apenas quatro meses, 68% destes pequeninos passaram a ser considerados clinicamente funcionais. Eles também mostraram um aumento de 37% em suas habilidades acadêmicas e cognitivas, um efeito que não poderia coincidir com a medicação prescrita para esta desordem, o Ritalin.

Estes resultados são, em parte, extremamente reveladores e, mais que isto, também são um pouco assustadores, porque nos fazem pensar se realmente estamos criando para nossos filhos um ambiente saudável, mental e emocionalmente.

O que estamos fazendo de errado e como podemos corrigir isto?

Quando o “muito” se transforma em “demais”?

No início de sua carreira, este professor trabalhou como voluntário em campos de refugiados, onde teve que lidar com crianças que sofrem de estresse pós-traumático. Payne constatou que essas crianças se mostravam nervosas, hiperativas e tremendamente ansiosas, como se pressentissem que algo de ruim fosse acontecer de uma hora para a outra. Elas também eram amedrontadas em excesso, temendo qualquer novidade, o desconhecido, como se tivessem perdido a curiosidade inata das crianças.

Anos mais tarde, Payne constatou que muitas das crianças que precisavam de sua ajuda mostravam os mesmos comportamentos que os pequenos que vinham de países em guerra. No entanto, o estranho é que estas crianças viviam na Inglaterra, abraçados por um ambiente completamente seguro. Qual a razão que os levava a exibir os sintomas típicos de estresse das crianças pós-traumáticas?

O professor pensa que as crianças em nossa sociedade, apesar de estarem seguras do ponto de vista físico, mentalmente vivem em um ambiente semelhante ao produzido em áreas de conflito armado, como se suas vidas estivessem sempre em perigo. A exposição à muitos estímulos provoca um estresse acumulado que obriga as crianças a desenvolverem estratégias que as façam se sentir mais seguras.

Na verdade, as crianças de hoje estão expostas a um fluxo constante de informações que não são capazes de processar. Elas são forçadas ao crescimento rápido, já que os adultos depositam muitas expectativas sobre elas, forçando-as a assumir papéis que realmente não condizem com a realidade infantil. Assim, o cérebro imaturo das crianças é incapaz de acompanhar o ritmo imposto pela nova educação, por conseguinte, um grande estresse ocorre, com as óbvias consequências negativas.

Os quatro pilares do excesso.

Como pais, nós normalmente queremos dar o melhor para os nossos filhos. E pensamos que, se o pouco é bom, o mais só pode ser melhor. Portanto, vamos implementar um modelo de paternidade superprotetora, nós forçamos os filhos a participar de uma infinidade de atividades que, em teoria, ajudam a preparar os pequenos para a vida.

Como se isso não fosse suficiente, nós enchemos seus quartos com livros, dispositivos e brinquedos. Na verdade, estima-se que as crianças ocidentais possuem, em média, 150 brinquedos. É demais, e quando é excessivo, as crianças ficam sobrecarregadas. Como resultado, elas brincam superficialmente, facilmente perdendo o interesse imediatista nos brinquedos e no ambiente, elas não são estimuladas a desenvolver a imaginação.

Payne ressalta que estes são os quatro pilares do excesso que forma a educação atual das crianças:

1 – Excesso de coisas.

2 – Excesso de opções.

3 – Excesso de informações.

4 – Excesso de rapidez.

Quando as crianças estão sobrecarregadas, elas não têm tempo para explorar, refletir e liberar tensões diárias. Muitas opções acabam corroendo sua liberdade e roubam a chance de se cansar, o que é elemento essencial no estímulo à criatividade e ao aprendizado pela descoberta.

Gradualmente, a sociedade foi corroendo as qualidades que tornam o período da infância algo mágico, tanto que alguns psicólogos se referem a esse fenômeno como a “guerra contra a infância”. Basta pensar que, nas últimas duas décadas, as crianças perderam uma média de 12 horas por semana de tempo livre. Mesmo as escolas e jardins de infância assumiram uma orientação mais acadêmica.

No entanto, um estudo realizado na Universidade do Texas revelou que quando as crianças brincam com esportes bem estruturados, elas se tornam adultos menos criativos, em comparação com jovens que tiveram mais tempo livre para criar suas próprias brincadeiras. Na verdade, os psicólogos têm notado que a maneira moderna de jogar gera ansiedade e depressão. Obviamente, não é apenas o jogo mais ou menos estruturado, mas também a falta de tempo.

Simplificar a infância.

A melhor maneira de proteger a infância das crianças é dizer “não” para as diretrizes que a sociedade pretende impor. É preciso deixar que as crianças sejam crianças, apenas isso. A melhor maneira de proteger o equilíbrio mental e emocional é educar as crianças na simplicidade. Para isso, é necessário:

– Não encher elas de atividades extracurriculares, que, em longo prazo, não vão ajudá-las em nada. – Deixe-lhes tempo livre para brincar, de preferência com outras crianças, ou com jogos que estimulem a criatividade, jogos não estruturados.

– Passar um tempo de qualidade com eles é o melhor presente que os pais podem dar.

– Criar um espaço tranquilo em suas vidas onde eles podem se refugiar do caos e aliviar o estresse diário.

– Garantir tempo suficiente de sono e descanso.

– Reduzir a quantidade de informações, certificando-se de que esta seja sempre compreensível e adequada à sua idade, o que envolve um uso mais racional da tecnologia.

– Simplifique o ambiente, apostando em menos brinquedos e certificando-se de que estes realmente estimulem a fantasia da criança.

– Reduzir as expectativas sobre o desempenho, deixe que elas sejam simplesmente crianças. Lembre-se que as crianças têm uma vida inteira pela frente até se tornarem adultos, entretanto, então, permita que elas vivam plenamente a infância.

Texto publicado em espanhol no site Rincón de la Psicología, traduzido e adaptado pela Revista Pazes.

 

 

 

Sedentarismo infantil = Ausência do Brincar (alfabetização motora) – Palestra de Carlos Neto no Teatro Miguel Franco em Leiria (8 de junho)

Junho 6, 2017 às 4:47 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.cm-leiria.pt/frontoffice/pages/617?news_id=2762

Dia Mundial do Brincar 2017 nos Jardins do Palácio de Belém! 28 de maio

Maio 27, 2017 às 12:02 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/diamundialdobrincar/

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-al/noticias-atividade-ludica/item/879-dia-mundial-do-brincar-2017-nos-jardins-do-palacio-de-belem

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