Por que as crianças da Dinamarca são mais felizes?

Novembro 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://revistacrescer.globo.com/ de 6 de novembro de 2017.

Por Juliana Malacarne

No recém-lançado Crianças Dinamarquesas, autoras mostram que a maneira como elas são criadas talvez esteja por trás dos altos índices de felicidade do país nórdico. Veja como colocar tais descobertas em prática na sua casa também.

Abrir a janela de casa e encontrar a rua coberta de neve é uma visão comum para os dinamarqueses. Na maioria das cidades do país, que fica no norte da Europa em uma região conhecida como Escandinávia, as temperaturas ficam abaixo de zero no inverno. O clima pouco convidativo e a baixa incidência de luz solar, porém, não abatem o espírito do povo dinamarquês. Desde que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês) criou uma lista para eleger o país mais feliz do mundo, em 1973, a Dinamarca esteve em seu topo quase todos os anos. O que poderia explicar esse resultado? A terapeuta dinamarquesa Iben Sandhal e a psicóloga norte-americana Jessica Alexander apostam que a resposta está na maneira como as crianças dali são educadas.

Com base em pesquisas e observações cotidianas (Iben mora em Copenhague e Jessica é casada com um dinamarquês), as duas escreveram o livro Crianças DinamarquesasO que as Pessoas Mais Felizes do Mundo Sabem Sobre Criar Filhos Confiantes e Capazes (Ed. Fontanar, R$ 34,90). O livro descreve as atitudes de pais e mães daquele gelado país que geram resultados positivos sobre as crianças. E, o que é melhor, como aplicá-las em qualquer lugar do mundo. Em entrevista exclusiva à CRESCER, as autoras ressaltam a importância de elogiar os esforços dos pequenos, sem exagero, e sobre por que ensiná-los a ter empatia desde cedo, entre outras dicas. A seguir, destacamos alguns pontos da conversa.

Elas aprendem a ter empatia

A hora da brincadeira é uma ótima oportunidade também para transmitir lições de empatia, um dos pilares da educação dinamarquesa, de acordo com Iben e Jessica. É comum que surjam conflitos na convivência entre crianças pequenas. Mesmo assim, por aqui, quando o filho se queixa do comportamento de um dos colegas, a primeira reação dos pais é tirar satisfação, seja com a escola, seja com os pais do “briguento”, não? Outros acreditam que é “coisa de criança” e falam para o filho deixar para lá. Na Dinamarca, entretanto, as famílias preferem fazer com que as crianças entendam (ou ao menos tentem entender) as emoções do outro. Sendo assim, dizer: “Ele parece irritado, você sabe o que aconteceu?”, traz resultados melhores do que “Ele está com raiva de quê? Que ridículo!”. “Nem sempre as reações e emoções das crianças fazem sentido para os adultos, mas mostrando que as reconhece, você evita julgamentos e ensina seu filho a lidar melhor mesmo com os sentimento considerados ‘inapropriados’”, diz Jessica.

Elas recebem elogios “reais”

Isso não significa, porém, exagerar na positividade e aplaudir cada conta de adição que seu filho resolve corretamente como se estivesse em frente ao trabalho de um novo Einstein. “Se as crianças são constantemente elogiadas por serem naturalmente talentosas ou dotadas, passam a crer que sua inteligência é fixa e nada pode ser feito para modificá-la”, explica Iben.
Para evitar esse tipo de pensamento, o segredo é valorizar o esforço e não o resultado. Se você disser que um desenho que seu filho terminou rapidamente está incrível (mesmo que note que ele não tenha se concentrado nos detalhes), o elogio não trará nenhum benefício para a percepção que ele tem de seu próprio esforço. Uma saída melhor é perguntar sobre o desenho, ou seja, o que ele estava pensando ou sentindo quando decidiu fazê-lo. Diga: “Adorei como você manteve a concentração e o foco para deixar o desenho lindo”, em vez de “Uau, como você desenha bem!”.

Elas podem brincar livremente

No país onde foi criado um dos brinquedos mais populares da história, o Lego, as crianças não precisam ir à escola antes dos 6 anos, o que mostra o quanto o tempo “gasto” com atividades não estruturadas é reconhecido. Um dos principais desafios de Jessica, acostumada às agendas atribuladas das crianças norte-americanas, foi adotar essa mudança na rotina com os filhos Sophia, 7, e Sebastian, 4. “Me considerava uma mãe preguiçosa por não estar levando as crianças para 1 milhão de cursos ou atividades onde estavam ‘aprendendo’”, afirma. “Mas agora não me sinto mais assim e isso fez muita diferença no meu dia a dia. Não só meus filhos estão mais felizes com a liberdade de poder escolher as brincadeiras como também estou mais contente porque é muito menos estressante.”

Um estudo realizado com crianças em idade pré-escolar em Massachussets (EUA), citado pelas autoras no livro, mostrou que existe uma correlação positiva entre a quantidade de brincadeiras que as crianças participam e sua habilidade de resolver problemas. Por isso, a dica delas é levar os filhos para ambientes abertos, que eles possam explorar livremente, como praias e parques. Outra recomendação nesse sentido é estimular o encontro com crianças de diferentes idades para que umas possam aprender com as outras – e deixar para fazer intervenções somente quando necessário. “Outro dia, meu filho estava correndo a toda velocidade por uma rampa, fiquei me encolhendo de tensão e comecei a gritar para ele parar”, conta Jessica. “Mas meu marido pegou em meu braço e disse: ‘Crianças têm que correr. Se ele cair, caiu, mas crianças têm que correr’. No fim, Sebastian não caiu e ficou exultante consigo mesmo. Temos de confiar nas crianças para que elas aprendam a confiar em si próprias.”

Elas têm tempo de qualidade com a família

Os dinamarqueses têm uma palavra específica no dicionário para definir os momentos aconchegantes compartilhados em família: hygge (pronuncia-se ruga). Nesse período, existem regras bem interessantes, como desligar celulares e tablets, não reclamar à toa, evitar assuntos polêmicos e pensar em jogos em que todos os presentes possam participar independentemente da idade.

Segundo Iben, o hygge é uma escolha consciente que você faz para ter a sensação de estar conectado, de fato, com seus filhos. “Durante muitos anos, tive a oportunidade de pegar minhas filhas na saída da escola. Chegávamos em casa e sentávamos à mesa, comendo lanchinhos e conversando sobre o dia delas. Se fosse inverno, acendia velas e, às vezes, fazia chocolate quente ou chá. Depois disso, lia um conto, até que elas ficassem ‘cheias’ da minha atenção e fossem brincar por conta própria. Aquilo era muito ‘hyggeano!’”, conta a dinamarquesa.

A magia do hygge, uma das tradições mais importantes da cultura dinamarquesa, é que ele não precisa de espaço nem de alguma ocasião específica – e assim como as demais percepções das autoras, pode ser implementado por aqui também. Ainda que dar uma pausa na rotina acelerada para se entregar plenamente aos momentos com aqueles que mais ama não seja tão simples quanto pareça, o povo mais feliz do mundo garante: vale a pena.

Elas não são rotuladas

Um dos principais pontos positivos na maneira dinamarquesa de ver o mundo, de acordo com as autoras, é a importância que dão à linguagem. “As palavras têm poder e, por isso, adoto uma perspectiva otimista/realista sempre”, diz Iben, que é mãe de duas meninas, Ida, 16, e Julie, 14. “Não é ignorar as coisas ruins, e sim reconhecer que o mundo possui várias nuances de cinza além do preto e branco.”

Por exemplo, se depois de tirar uma nota baixa em geografia a criança diz que é péssima na matéria, lembre-a de uma tarefa específica que tenha gostado de fazer, como pintar um mapa, ou algum conteúdo em que tenha ficado interessada. Não negue que ela foi mal na prova nem diga que está tudo bem, mas ressalte que há coisas que podem ser feitas para melhorar o desempenho nas próximas avaliações, como estudar por mais tempo ou focar em exercícios práticos. Além disso, esteja sempre atento para evitar o uso de palavras limitadoras, como “meu filho odeia isso” ou “ele é assim”, pois esse tipo de postura não deixa espaço para a possibilidade de mudança.

 

 

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As crianças portuguesas são felizes, mas só as mais pequenas

Novembro 15, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de novembro de 2017.

Inquérito a 1131 pais revela que oito em cada dez preocupa-se com a felicidade futura dos filhos.

Bárbara Wong

As crianças portuguesas são felizes mas, à medida que vão crescendo, a percentagem de infelicidade aumenta, revela um inquérito promovido pela Imaginarium sobre “A felicidade e a infância”, conhecido nesta quarta-feira, em Lisboa. Também a Ikea lançou o seu “Play Report 2017” para o qual entrevistou mais de 350 crianças e adultos na Alemanha, China e EUA para compreender o papel da brincadeira na vida das pessoas.

Segundo o inquérito levado a cabo pela Imaginarium a 1131 pais, oito em cada dez preocupam-se com a felicidade futura dos filhos. Aliás, mostram-se mesmo “muito preocupados” e a maioria acredita que os filhos são “felizes” (20,2%) ou “muito felizes” (51,6%), há mesmo um quinto que diz que o seu filho “é a criança mais feliz do mundo”, apenas 8,8% diz que é “normal, às vezes feliz e outras não” e só 0,1% confessa que o filho é “muito triste”.

Contudo, os níveis de felicidade das crianças varia conforme a idade e os dados mostram que à medida que crescem vão tornando-se mais infelizes. As faixas etárias analisadas foram dos 0 aos 2, dos 3 aos 4, dos 5 aos 6 e dos 7 aos 8 anos. São estes últimos que são mais infelizes (15,2%) – a percentagem de infelicidade vai decrescendo com a idade situando-se nos 6,4% nas crianças entre os 0 e os 2 anos.

Para Rui Lima, pedagogo e convidado pela Imaginarium para comentar o estudo, é imposta uma “crescente pressão” às crianças, quer pelos pais quer pelos professores, onde “o desempenho académico, a competição entre pares e a necessidade de alcançar a perfeição em todas as actividades realizadas são uma constante”, logo, têm um “impacto negativo na felicidade das crianças”, defende num comunicado enviado às redacções.

E o que faz os meninos portugueses infelizes? Não passar tempo suficiente com os pais (26,3%), não ter tempo suficiente para brincar (21,3%) ou ficar de castigo (16,4%), respondem os pais inquiridos. As crianças serão mais felizes se se desenvolverem num ambiente escolar e familiar em que se sintam valorizadas e queridas (45,2%), se passarem mais tempo em família (34,8%) e se os pais as deixarem “explorar o mundo através da brincadeira (17%), respondem ainda os pais.

Falta mais tempo para a família

Praticamente todos os pais (99,8%) respondem que a felicidade dos filhos passa pelo tempo de qualidade partilhado em família, mas pouco mais de metade (51%) sente que passa pouco tempo de qualidade com os filhos e seis em cada dez pais acreditam que os filhos sentem a sua falta. Aliás, a maioria (89,8%) reconhece que tem dificuldade em conciliar a vida profissional com a pessoal e acredita que um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar o tempo de qualidade e brincar com os filhos.

Quando questionados sobre como contribuem para a felicidade dos filhos, os pais respondem que é ouvindo-os e fazendo-os sentir-se queridos (33,4%) e passando mais tempo com eles (28,1%). Para 14,3% a felicidade passa por elogios e incentivos para que os filhos façam as coisas bem.

Durante a semana, o tempo mais feliz que pais e filhos compartilham é o de antes de ir deitar e, ao fim-de-semana, são os passeios que fazem as delicias dos mais novos. Este inquérito, que a Imaginarium defende representar o todo nacional, conclui que as crianças portuguesas são “extremamente familiares” porque gostam de fazer planos com os pais e passar tempo com os mesmos.

A Imaginarium pergunta ainda aos pais que tipo de brinquedo faz os filhos mais felizes e as bicicletas e veiculos com rodas (38%) surgem à cabeça, seguido da música, arte e trabalhos manuais (35,2%), os jogos de construção e lógica (30,8%) e as cozinhas e profissões (30,6%). Os ecrãs, televisões, Ipad, vídeojogos e telemóveis (19,4%) surgem na oitava posição.

“Os brinquedos devem apelar ao desenvolvimento de diferentes competências, tanto ao nível físico como intelectual. Desenvolvendo essas competências, a criança será capaz de relacionar-se melhor consigo mesma, com os outros e com o mundo. Daí a importância de brinquedos que estimulem os sentidos nos primeiros anos de vida”, defende Rui Lima no comunicado.

Também a marca sueca Ikea fez o seu terceiro relatório – depois de 2010 e 2015 – sobre o brincar com o objectivo de perceber melhor o papel desta actividade no desenvolvimento das crinças e na vida em casa. Para isso, entrevistou mais de 350 pessoas na Alemanha (Berlim), China (Pequim) e Nova Jérsia (EUA), entre os 2 e os 90 anos, e propõe cinco definições para brincar: “brincar para reparar”, ou seja, para recuperar do stress do dia-a-dia e as sugestões passam por actividades que promovam o bem-estar das pessoas como o ioga ou o tai-chi, mas também a jardinagem ou um passeio.

“Brincar para conectar” é a segunda definição. Num tempo em que o trabalho interfere por vezes na vida pessoal, o brincar proporciona a possibilidade de abrandar e de as pessoas se aproximarem da família ou dos amigos. As sugestões passam por ir a um bar fazer karaoke ou fazer jogos tradicionais como os de tabuleiro ou as cartas, o que permite que as pessoas estejam ligadas sem ser pela tecnologia, propõe o relatório.

As pessoas precisam de momentos de libertar, por isso, “brincar para libertar” é a terceira conclusão da marca, que sugere uma ida ao teatro ou a um parque temático. “Brincar para explorar” é a quarta proposta, explorar mundos reais ou imaginários, viajar ou brincar ao “faz-de-conta”. Por fim, “brincar para expressar” que aposta na criatividade e nas artes, da pintura à música.

“Brincar começará a aparecer, cada vez mais, em todos os aspectos das nossas vidas. Desde o local de trabalho ao ginásio, as pessoas irão procurar brincar em espaços e momentos onde tradicionalmente não o fariam”, conclui o comunicado da Ikea.

Ikea Play Report 2017

 

1º Colóquio – Mais família, mais educação – 21 outubro em Oeiras

Outubro 17, 2017 às 4:40 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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A participação é gratuita mas a inscrição é obrigatória.

Inscrições:

maisfamiliamaiseducacao@auchan.pt

210 457 599 / 210 457 149

AUDITÓRIO MUNICIPAL EUNICE MUÑOZ

Rua Mestre de Aviz – Oeiras

Tel: 214 408 411

4 bons motivos para optar por brinquedos de madeira

Outubro 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Com frequência, os brinquedos de madeira são associados a alguma nostalgia por despertarem recordações de infância. E também é frequente encontramos quem pense que é esse regresso ao passado que a pretendemos com a actividade que desenvolvemos.

Na verdade, não é assim. Embora consideremos que, de uma forma geral, todos os brinquedos têm o seu papel e importância, consideramos que aqueles que são os fabricados em madeira apresentam enormes vantagens para as crianças.

1. Os brinquedos de madeira são de maior duração

O nosso filho de 6 anos (é o nosso director de qualidade) brinca com um comboio que tem quase 40 anos de existência! Ao longo do tempo algumas peças foram substituídas (o que faz dele, de resto, um excelente objecto de colecção), é certo, mas por se perderem e não por se danificarem. Os brinquedos de madeira são, efectivamente, menos susceptíveis de se partirem do que os seus equivalentes em plástico, sendo mais resistentes a quedas, pisadelas ou “testes de resistência”. Mesmo quando se partem, são normalmente mais fáceis de reparar. Além disso, não são tão susceptíveis à “obsolescência programada”, ou seja, não são fabricados de forma a rapidamente se tornarem tecnologicamente obsoletos.

É por isso que muitos se tornam objectos de brincadeira que passam de geração em geração, agregando valor sentimental mesmo junto dos adultos.

2. Os brinquedos de madeira são mais seguros

Sendo mais duráveis, o risco de ferimento com pequenas peças partidas é muito mais reduzido do que os equivalentes em plástico. E também não existe risco de engolir bactérias, uma vez que, normalmente, não as têm.

3. Os brinquedos de madeira são mais ecológicos

Como os brinquedos de madeira tendem a durar mais do que os de plástico, o lixo que com eles é produzido é muito menor. Acresce o facto de que o plástico demora muito mais tempo a degradar-se.

Por outro lado, os brinquedos de madeira têm uma menor toxicidade química, uma vez que são produzidos com recurso a materiais essencialmente naturais. É claro que teremos de fazer uma análise crítica quando os escolhemos: há outros factores envolvidos que deverão ser tidos conta, como as tintas e vernizes, por exemplo. Esse aspecto é especialmente importante quando sabemos que o plástico é derivado do petróleo, recurso ambientalmente nocivo e não renovável. Se tivermos o cuidado de procurar brinquedos cuja madeira provenha de plantações sustentáveis, a vantagem é evidente.

Já referimos a vantagem de não funcionarem com baterias (nós costumamos dizer que funcionam a energia humana). Para além da questão da segurança, a sua não utilização reduz o impacto ambiental do fabrico e utilização.

4. Os brinquedos de madeira potenciam mais o desenvolvimento infantil

Normalmente, os brinquedos de madeira não têm um botão onde a criança carrega e se limita a ver o que o brinquedo faz. Ela tem de se envolver com ele, criando cenários e diferentes formas de interacção, desenvolvendo a imaginação e criatividade. Além disso, o único sítio onde uma criança deveria ouvir “amo-te” ou “gosto muito de ti” deveria ser no seio da sua família e não de um objecto de plástico.

São também brinquedos que têm, por norma, associado o desenvolvimento de diversas capacidades. Por exemplo, um puzzle ou um jogo de construção contribui para o reforço das competências lógicas, de percepção de espaço ou agilidade motora.

Os brinquedos de madeira tendem ainda a criar um ambiente mais calmo do que que os seus barulhentos e automáticos brinquedos de plástico.

Por tudo isto, não temos dúvidas: os brinquedos de madeira são melhores!

*imagem fornecida pelo autor

Vilma van Harten

Vilma van Harten, engenheira agrícola de formação, responsável por projectos relacionados com a diversão infantil por vocação e coração, artesã…

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Jogos da nossa infância

Setembro 26, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://pumpkin.pt/

Jogo do Mata.

O nome é pouco amigável, mas prometemos horas de diversão. Só precisam de uma bola e de fazer duas equipas com o mesmo número de jogadores. Se for preciso, convidem os amiguinhos, os primos ou desafiem mais adultos a participar. Vão adorar voltar à infância e ainda fazem exercício.

Regras.

O objetivo do jogo é “matar” todos os jogadores da equipa adversária (e tentar não morrer!). Só se pode jogar com as mãos.

O jogo não tem duração definida: quando uma equipa eliminar todos os jogadores adversários, podem recomeçar.

Só precisam de uma bola, preferencialmente mais pequena do que as típicas bolas de futebol.

Delimitem o espaço de jogo em quatro áreas: dois meios-campos e duas áreas mais pequenas no fim de cada lado (área do piolho).

Cada equipa ocupa o seu meio-campo, com excepção do jogador que será o piolho e que ocupará essa área na zona do piolho instalada no meio-campo da equipa contrária.

Os jogadores que estão no meio-campo têm que trocar passes com o piolho. Quando atingirem os 10, e se a bola não cair no chão, podem tentar “matar” um adversário.

Um jogador “morre” quando a bola lhe acerta.

O primeiro jogador de cada equipa a “morrer” substitui o piolho inicial. À medida que outros jogadores vão morrendo, ocupam também a área do piolho, mas já não podem regressar ao meio-campo nem agarrar a bola.

Bota Botilde/Limão.

Quem é que não se lembra da Bota Botilde, a famosa mascote do programa de televisão “1, 2, 3”? Este fenómeno de audiências transversal a todas as idades teve tal impacto que nos anos 80 todas as crianças andavam com a bota botilde no pé… mas não era calçada!

A Bota Botilde era um brinquedo que não só promovia a agilidade e a condição física, como potenciava a vontade de ultrapassar desafios e estabelecer recordes. A mecânica é muito simples: uma corda tem na extremidade uma argola (que se coloca no tornozelo) e na outra tem uma, no caso, bota. A criança só tem que fazer rodar o brinquedo, saltando por cima da corda sem pisar a outra extremidade.

Infelizmente a Bota Botilde já não existe, mas pode encontrar no mercado alternativas mais modernas e igualmente divertidas: Skip It e Argola de Pé para saltar.

Acha que consegue dar mais saltos do que eles?

Jogo do Prego.

Regras.

Vão precisar de um prego com entre 15 a 20 cm de diâmetro, e de um espaço com areia solta onde possam jogar. Podem comprar o prego em qualquer loja de ferragens (o nosso custou 20 centimos).

O objectivo é espetar o prego na areia pelo bico, atirando-o como mandam os desafios:

O prego, depois de atirado à areia, tinha que ficar espetado, e contava como válido, desde que tivesse o topo fora da areia – ou seja, desde que o topo não estivesse em contacto com a areia, o que implicava que não estivesse caído, na horizontal. Se o jogador não fosse bem sucedido, e o prego tivesse caído, passava o “jogo” para o seguinte, iniciando uma nova série com as várias posições indicadas.

Para os jogadores mais avançados há o nível à espanhola, em que a série acima é feita pegando no prego ao contrário, pela cabeça, o que implica uma pirueta no ar antes da aterragem do prego.

Berlinde.

Para jogar ao berlinde não existem leis universais. Os jogos variam de país para país, de cidade para cidade, de rua para rua. Conta a criatividade das crianças e a memória dos pais.

No entanto, os mais comuns são talvez o jogo “dos buraquinhos” ou “dos círculos”: podem cavar vários buraquinhos ou desenhar círculos no chão. Os jogadores devem, com um impulso do polegar, acertar no alvo.  Os jogadores seguintes devem tentar acertar no berlinde dos companheiros, e se conseguirem retirá-los do círculo/buraco, podem ficar com eles.  Vence aquele que ficar com mais berlindes no fim.

Jogo do Fio.

Um fio de lã ou um cordel pesca e temos diversão assegurada durante horas. A sequência de movimentos parece infinita e é muito desafiante tentar ter uma nova ideia para passar o fio para as nossas mãos sem destruir as formas anteriores.

Os miúdos rapidamente aprendem e adoram!

Talvez seja difícil entender com as palavras, mas o vídeo dá algumas pistas. Conseguem reproduzir?

Macaquinho do chinês.

Um jogo divertido para fazer em qualquer lugar (até numa piscina!)

Junto e de frente para uma parede está um jogador, de costas voltadas para os outros participantes. Este jogador vai dizer “um, dois, três, macaquinho do chinês”

Enquanto esta frase é dita os jogadores deslocam-se o mais depressa possível para a parede.

Quando o jogador terminar a frase volta-se para os participantes do jogo.

Os jogadores que forem apanhados em movimento regressam ao ponto de partida.

Ganha o primeiro que conseguir tocar na parede ou no jogador da frente sem ser visto.

 

 

O seu filho tem amigos imaginários? É normal

Setembro 11, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 19 de agosto de 2017.

Mergulham no reino da fantasia, criam amigos no seu próprio mundo, e, por vezes, não gostam de os partilhar com os pais – e, por isso, há pais que sentem ciúmes. Os amigos imaginários das crianças dos três aos seis anos são sinal de desenvolvimento saudável. A menos que se isolem.

Os amigos imaginários são sinal de desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças entre os três e os seis anos. Os pais não devem ter ciúmes, devem superar esses sentimentos de se sentirem à margem, e perceberem que a imaginação é fundamental na vida dos mais pequenos.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

Pode parecer estranho, mas é normal. Habitualmente as crianças entre os três e os seis anos têm amigos imaginários. Não existem na vida real, existem nas suas cabeças. Podem ser bonecos, animais, objetos, ou nem sequer ter existência física. É uma forma de os mais pequenos descobrirem gradualmente a sua identidade, experimentarem todas as facetas da sua personalidade, serem quem quiserem, comandarem o seu mundo.

É um sinal de desenvolvimento emocional e cognitivo saudável e que a imaginação está a fazer o seu caminho. A menos que se fechem demasiado nesse mundo e não queiram brincar com outras crianças. Nesse caso, há motivos para preocupações.

«A capacidade de construir um mundo imaginário e pessoas imaginárias, de dar vida a um boneco querido, é um indício de que ela está a desenvolver rapidamente a capacidade de testar os limites do seu mundo. Isto torna-se uma maneira de afastar os demónios que a cercam – o ódio, a inveja, a mentira, o egoísmo e a falta de seriedade», escreveu o norte-americano T. Berry Brazelton, pediatra durante mais de 40 anos, no seu mítico livro O Grande Livro da Criança.

Os amigos imaginários devem ser respeitados. Há, no entanto, pais que podem sentir ciúmes ao perceberem que há mais gente na vida do seu filho. Há pais que se assustam por não haver fronteiras entre a realidade e a fantasia. Há irmãos mais velhos que podem fazer troça dessa imaginação e destruir a liberdade de explorar esse mundo de fantasia do irmão mais novo.

Mas essa fase da vida das crianças, que lhe proporcionam momentos de descoberta, é normal e deve ser digerida como uma etapa do crescimento dos mais pequenos. Os amigos imaginários podem ser um ensaio para amizades futuras.

Mas nem tudo é normal. Se a criança se isola, há razões para preocupação. Se não consegue largar os amigos imaginários para brincar com os amigos de carne e osso, é preciso conversar. A socialização com colegas da sua idade é muito importante.

«Se não conseguir pôr de lado os seus amigos imaginários para estar com os verdadeiros, isso é motivo para preocupação. Se se alhear de uma participação ativa na escola e nas brincadeiras, os amigos imaginários podem representar um sintoma de demasiado isolamento e de uma criança muito solitária», alertou Brazelton no seu livro.

Por isso, convém estar atento. Os pais não devem ter ciúmes dos amigos que não existem, devem perceber o papel que os imaginários têm no reino da fantasia, e estimular as brincadeiras com os amigos reais.

E outra coisa: desligar a televisão ou as tecnologias durante a maior parte do dia. Se uma criança passa o tempo colada ao ecrã não terá tempo para explorar as suas próprias fantasias. E isso não é aconselhável. A televisão ou o tablet pode impor «um mundo artificial de violência e de bem e mal inatingíveis» e entorpecer as aventuras imaginárias dos mais novos.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

 

 

 

 

 

Sabe de que forma os brinquedos do seu filho influenciam o seu futuro?

Agosto 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do https://ionline.sapo.pt/ de 16 de agosto de 2017.

Shutterstock

Até a forma como brincamos com a criança assenta em estereótipos.

As meninas costumam brincar com peluches cor-de-rosa e os meninos com carrinhos. Poderão estes hábitos ter impacto no futuro? Estudos dizem que sim: os bebés que brincam com brinquedos que ajudama  desenvolver para uma maior sensação espacial ou que estimulam a confiança física – como carros, robôs, pequenos puzzles, etc – costumam dominar profissões onde estas características são imprescendíveis. Características essas que estão mais associadas ao sexo masculino do que feminino.

Assim, este tipo de empregos costuma ter muito mais homens do que mulheres. Mas será que os pais ou os educadores têm influência nesta situação?

A BBC fez um teste e colocou um bebé do sexo masculino com roupas de menina e vice-versa. Edward passou a ser Sophie e Marnie ‘transformou-se’ em Oliver. Os adultos que interagiram com eles posteriormente não sabiam os seus verdadeiros nomes de julgaram que Sophie era,d e facto, uma menina, e Oliver um menino.

Na experiência é possível ver que os educadores oferecem a Oliver brinquedos como robots, peças para montar, e dão –lhe ainda um triciclo e um pequeno pónei para montar. Já Sophie temd e interagir com fantoches e peluches, brinquedos que não estimulam tanto o desenvolvimento cerebral.

Quando se aperceberam da mudança de roupas e de nome, entenderam que a forma como brincam com as crianças baseia-se também em estereótipos e pode ter uma grande influência no seu desenvolvimento.

 

 

Os seus filhos ainda sabem brincar?

Agosto 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 5 de julho de 2017.

Combine um dia por semana ou um número de horas sem acesso a dispositivos eletrónicos e use esse tempo para fazerem atividades em família

«E agora, mãe, a que é que eu brinco?» A pergunta é frequente e surge quando não há uma atividade planeada para os mais pequenos ou brinquedos à disposição – seja na sala de espera do consultório, na casa da prima que não tem filhos ou no jardim público onde não há um parque infantil. Mas… Desde quando é que as crianças precisam de orientação para brincar?

Texto Leonor Ribeiro /CADIn* Ilustração Filipa Viana/WHO

A investigação tem revelado que o número de horas que as crianças passam em atividades desportivas organizadas duplicou nos últimos anos e que o número de minutos dedicados a atividades de lazer passivas quintuplicou. Resultado: nas últimas duas décadas, as crianças perderam cerca de 12 horas de brincadeira livre por semana.

Quando o brincar existia em todas as ruas, pracetas, jardins e pátios de escola, não era tema de conversa… era natural, acontecia… Mas agora que todos os tempos das crianças estão ocupados com atividades enriquecedoras e jogos (jogos, não brincadeira livre ativa e espontânea), surge o alerta!

Seja nos jornais ou em conferências de profissionais da área da saúde e da educação, brincar é um tema na ordem do dia. David Elkind, um investigador norte-americano desta temática, alerta que eliminar a brincadeira livre ou programar a vida das crianças com atividades organizadas leva a elevados riscos futuros para a sua saúde, sucesso e felicidade.

Pensemos no Gaspar, um menino de olhos que brilham de vida, ele fervilha de energia quando sai da escola. Chega a casa, toma um lanche rápido e salta para a rua para brincar, correr, andar de bicicleta e ter aventuras com os amigos do bairro. Muitas vezes não leva os trabalhos de casa feitos para a escola, não é o melhor aluno, mas a sua alegria, destreza motora e autonomia são evidentes.

Já o Tiago, que sabemos ter um olhar cheio de energia também, embora nem sempre o consigamos ver, quando sai da escola vai para a explicação e aos fins de semana tem algum reforço para se preparar para os testes. A seguir tem de continuar a estudar mais um pouco, para praticar e compensar as dificuldades que sente. Às vezes também não leva os trabalhos de casa feitos para a escola, porque os esconde. Não é o melhor aluno e diz que o que mais desejava era poder passar os dias a correr e a brincar.

As famílias, quando tomam a decisão de deixar os filhos agir mais de uma maneira ou de outra, estão claramente a pensar no melhor para os seus filhos. No entanto, qualquer das posições pode ser alvo fácil de crítica, pela pressão social entre pais. Nos últimos anos, a sociedade passou a prescrever que atividades organizadas, como o desporto, são essenciais para a criança aprender competências sociais e motoras, e que as atividades mais ligadas às artes são fundamentais para o desenvolvimento da criatividade e da expressão pessoal.

Existem ainda as explicações, terapias, etc. Pior: se não dermos aos nossos filhos a oportunidade de praticar pelo menos um deste tipo de atividades, sentimos que não estamos a investir no seu futuro. Quando ainda resta algum tempo para a brincadeira, pode surgir a preocupação com o bem-estar físico, levando a uma supervisão constante e alertas para o risco das brincadeiras, das pessoas e espaços.

Transpomos o nosso medo para os nossos filhos de tal forma que lhes privamos a oportunidade de inovarem, arriscarem, experimentarem e aprenderem por si. É raro vermos crianças, como o Gaspar, com oportunidade de viverem as suas aventuras. Por outro lado, esta ansiedade pelo bem-estar físico contrasta com o fácil acesso a conteúdos que podem afetar a inocência psicológica das crianças, seja através da televisão, internet ou jogos, consumidos sem qualquer controlo.

Não se deve compreender o brincar como um luxo, mas sim como uma atividade dinâmica crucial para a saúde física, intelectual, social e emocional em todas as idades. A nível socioemocional, promove a capacidade de saber lidar e interagir com os outros e com o mundo, a lidar com sentimentos, a comunicar, a tornarem-se crianças mais resilientes e com maior capacidade de autorregulação.

A nível cognitivo, brincar cria diversas oportunidades para potenciar a capacidade de resolução de problemas, de tomada de decisões, de planeamento, organização e flexibilidade. Ao nível físico, além dos óbvios benefícios para a saúde, também promove o desenvolvimento de competências motoras.

Tentem recordar-se dos melhores momentos que viveram na infância, das experiências mais relevantes e positivas. Quais são? É provável que tenham sido ao ar livre, com amigos e sem adultos por perto, certo?

Não há soluções perfeitas, mas talvez esteja na hora de tornar a brincadeira uma rotina! Pode-se brincar nas situações quotidianas, com palavras, com contos e histórias, com pedrinhas e paus, connosco, com música. Pode-se brincar sozinho ou acompanhado.

Pode-se brincar por brincar ou brincar para aprender… o brincar tem um poder extraordinário e adapta-se a todas as situações, todas elas de extrema importância para o desenvolvimento harmonioso.

* Parceria com o CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil), onde Leonor Ribeiro é técnica superior de educação especial e reabilitação.

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“Deixem as crianças ser crianças!!

Julho 25, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 5 de julho de 2017.

As crianças têm cada vez menos tempo para brincar. E passam menos tempo ao ar livre que os reclusos. Isto pode ter consequências sérias no  seu desenvolvimento. É urgente refletir. “Precisamos de deixar as crianças ser crianças”. A brincadeira, fundamental no desenvolvimento da criança aos mais variados níveis, está “ameaçada” e exige uma atenção especial (e uma mudança radical) por parte de pais e educadores. Caso contrário, e a continuarmos assim, a (falta) de brincadeira vai ter consequências desastrosas no futuro das nossas crianças. O alerta foi lançado no seminário “Revisitar o valor do Brincar”, uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Esposende, em colaboração com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervenção Psicológica e Terapêutica, que pretendeu promover a reflexão sobre a importância do Brincar no desenvolvimento infantil. “Para a criança se desenvolver precisa de brincar”, começou por lembrar o pediatra Hugo Rodrigues, citando estudos que comprovam como “brincar é fundamental para construir o bem-estar cognitivo, físico, social e emocional”, sendo evidentes as vantagens ao nível da criatividade, do desenvolvimento motor, do equilíbrio emocional e da capacidade de resiliência. Vantagens que, como notou, se acabam por estender aos cuidadores, seja no “reforço das relações” ou porque, ao brincar, “conseguem ver o mundo pelo olhar das crianças” e “entender muito melhor os filhos”. A este propósito, o pediatra defendeu que a brincadeira deve envolver os adultos, seja participando ou, simplesmente, “estar presente”, ou seja, por vezes “estar lá, basta ver, observar…”. Mas atenção, alertou, nesses momentos há que dar-lhes “uma atenção genuína”: “Quando estiverem com as crianças, desliguem do mundo!”

Por outro lado, alertou, “temos que dar-lhes tempo livre” e deixar as crianças brincar de forma criativa, genuína” e “sem regras”, deixando-as inventar as suas próprias brincadeiras. “O brincar não deve castrar a criatividade e a imaginação”. Uma ideia que seria mais tarde reforçada por Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), para quem as crianças “precisam de brincar na rua, de correr riscos e viver situações ousadas”. No fundo, “têm que se tornar mais selvagens”. E como? Tirando-as de casa, deixando-as inventar as suas próprias brincadeiras, ouvindo-as e deixando-as ter voz ativa. Uma tarefa aparentemente simples mas, nos tempos que correm, cada vez mais desafiante. Na verdade, “é mais difícil brincar que educar”, reconheceu, em jeito de crítica, o pediatra Hugo Rodrigues, deixando um alerta a pais e educadores: “Não se constroem super-crianças!”. Além de que, avisou, “as crianças têm muitos anos para ser adultos e poucos para ser crianças…” Sem tempo para crescer

As críticas acabariam por ser partilhadas pelo psicólogo Eduardo Sá, que não se cansou de denunciar os atropelos de que são vítimas as crianças no seu direito à brincadeira. “As crianças deviam brincar pelo menos duas horas por dia”, disse, lembrando que “nos últimos 20 anos, as crianças portuguesas perderam oito horas semanais de brincadeira”. E isto é muito grave. “Precisamos de deixar as crianças ser crianças”, disse, garantindo que “é mentira que quem cresce depressa, cresce melhor”. Acérrimo defensor da brincadeira no jardim de infância, o psicanalista não perdeu a oportunidade de, mais uma vez, criticar os estabelecimentos onde se prefere ensinar a criança a ler ou a escrever e se esquecem as vantagens de outras atividades lúdicas mais enriquecedoras nestas idades tão precoces. “Melhor educação musical significa melhor matemática”, exemplificou, lembrando também que “a educação visual significa melhores competências para o português e a matemática” ou que “quanto mais histórias, mais crianças pensantes”.

Mais. “Uma criança que não é capaz de brincar com o corpo não é saudável”, disse, para sublinhar a importância de explorar o corpo enquanto brinca ou, inclusive, de “andar à bulha”. No fundo, rematou, é a brincar que as crianças “ganham alma”, defendendo a infância como “património da humanidade “ e criticando ainda o excesso de tecnologia e os “maus exemplos” dados pelos pais. Por tudo isto, o psicólogo infantil antevê, com alguma preocupação, um futuro pouco risonho para as nossas crianças. “Estamos a criar os adolescentes mais autistas que a humanidade já viu!”. Uma preocupação que acabaria por ser partilhada por Carlos Neto, que considerou estarmos a viver uma “decadência da infância” o que, concluiu, faz com que estejamos a viver “momentos de grande preocupação”, onde “ninguém sabe muito bem o que vai acontecer” . Fica o aviso.

Refetir e experimentar

A importância do brincar no desenvolvimento da criança e do adulto, a utilização educativa e terapêutica da brincadeira e as novas formas de brincar foram alguns dos temas que estiveram em destaque no seminário “Revisitar o Valor do Brincar”. “Brincar é o melhor remédio!” foi o nome da intervenção de Hugo Rodrigues, pediatra na Unidade Local de Saúde do Alto Minho, e docente na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho e na Escola de Tecnologias da Saúde do Instituto Politécnico do Porto, a que seguiu a palestra “Brincar como património da humanidade” por Eduardo Sá, psicólogo, psicanalista e professor na Universidade de Coimbra e no ISPA. Os “Grupos Aprender, Brincar, Crescer” foram apresentados por Joana de Freitas-Luís, Coordenadora nacional da implementação deste projeto-piloto e “Crianças carentes de Vitamina B” foi o mote da comunicação de Maria José Araújo, professora adjunta da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto e Investigadora do CIPEM-INET-md e do INED.

Já da parte da tarde, João Amado, professor associado com agregação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, falou sobre “Brincar e modos de ser criança na charneira dos séculos XIX e XX em Portugal”, seguindo-se a mensagem vídeo “Libertem as crianças: Mais autonomia, risco e participação” de Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana e, por fim, a intervenção de Helena Sacadura Botte, técnica de Segurança Infantil e Secretária-Geral da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, sobre “A liberdade para brincar em segurança. A terminar, Ana Isabel Veloso, professora no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro e membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos, mostrou como “Jogar  não tem idade”, Nuno Feixa Rodrigues, professor coordenador na Escola Superior de Tecnologia do IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, abordou o tema “Criatividade, ensino e jogos digitais”, a que se seguiu “O brincar virtual e desenvolvimento de competências neurocognitivas e psicossociais”, por Carlos Fernandes da Silva, Professor Catedrático no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro e Membro da CPCJ de Mira.

Organizado pela Câmara Municipal de Esposende, em colaboração com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e com o Centro de Intervenção Psicológica e Terapêutica, o seminário “Revisitar o Valor do Brincar” fez parte da iniciativa “Brincar é Coisa Séria!”, que integrou ainda uma Feira do Brincar do Brinquedo. Destinada a refletir sobre a importância do BRINCAR no desenvolvimento infantil e no seu futuro, a iniciativa pretendeu ainda contribuir para a promoção de formas mais saudáveis de BRINCAR, aliando o referido processo reflexivo à possibilidade de as famílias, e a comunidade em geral, experienciarem diversas atividades lúdicas que foram dinamizadas para esse efeito.

 

 

 

1 de junho 2017 – Dia Mundial da Criança

Julho 21, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O IAC em Coimbra celebrou o Dia Mundial da Criança em dois locais emblemáticos desta cidade, o Parque Verde e o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, com um programa especial de atividades, dirigido aos mais novos.

A convite da Câmara Municipal de Coimbra, o IAC esteve mais uma vez presente no Parque Verde da cidade, na “Aldeia das Oficinas”,a dinamizar pequenos jogos, bem como a pintura de um mural. Esta iniciativa teve como destinatários cerca de 150 crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 10 anos.

Nos jardins do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, o dia foi repleto de muita diversão e muitas brincadeiras: saltámos à corda, fizemos bolas de sabão, jogámos ao elástico, participámos nas corridas de sacos e em todas elas, pulámos e saltámos com muita energia. Os atores principais das atividades foram as 200 crianças da Escola Básica de Casconha, Cernache e Externato João XXII, Coimbra. Esta iniciativa contou com a colaboração muito especial da turma do 1.º ano do Curso Profissional de Técnico de Animador Sociocultural da Escola Secundária D. Duarte de Coimbra.

Foi sem dúvida, um dia cheio de momentos de diversão e aprendizagem, dedicado à Criança e, designadamente ao seu direito de BRINCAR.

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