Desigualdade à hora do jantar

Outubro 2, 2015 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Reportagem da Visão de 18 de setembro de 2015.

Nunca foi tão clara a associação entre o que se come e o estatuto social. Em Portugal há um milhão de obesos e 31,6% de crianças com peso a mais, que vivem sobretudo no campo e pertencem a famílias desfavorecidas. Paradoxalmente, a pobreza obriga a alargar o cinto

Sónia Calheiros (texto) e José Carlos Carvalho (fotos) – artigo publicado na VISÃO 1175, de 10 de setembro

Rita Quintela não dá ponto sem nó. Todas as sextas-feiras gasta parte da hora de almoço a elaborar a ementa da semana. Antes, consulta os menus escolares dos quatro filhos de modo a variar entre a carne, o peixe, os ovos e os vegetais. O que nunca muda é a sopa no início e a fruta no fim das refeições, tal como recomenda a Organização Mundial de Saúde: ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas de frutas e hortícolas. Segue-se a consulta dos sites e blogues especializados em cupões de descontos. As compras quinzenais feitas online evitam tentações de campanhas desnecessárias ou produtos apelativos. “Com um orçamento mensal para seis pessoas resvés aos dois mil euros esta gestão financeira ajuda-me a ter uma alimentação saudável”, explica enquanto prepara uma lasanha de carne para o jantar. Tenta que nenhuma refeição exceda um euro por cabeça. No final, contas feitas, o tabuleiro de lasanha para seis fica pronto por 3,50 euros.

Legenda: (de cima para baixo) - Família Furtado Rendimento mensal: €700. Na ementa de Isabel, jardineira e guisados alternam com massas e fritos. Os filhos não dispensam os refrigerantes; Família Quintela Rendimento mensal: €2 000. Rita fez um tabuleiro de lasanha por 3,50 euros. Todas as refeições começam com sopa e terminam com fruta; Família Marques Rendimento mensal: > €2 000. Sara cozinhou salmão de aquacultura sustentável no forno com bulgur e salada biológicos

Legenda: (de cima para baixo) – Família Furtado Rendimento mensal: €700. Na ementa de Isabel, jardineira e guisados alternam com massas e fritos. Os filhos não dispensam os refrigerantes; Família Quintela Rendimento mensal: €2 000. Rita fez um tabuleiro de lasanha por 3,50 euros. Todas as refeições começam com sopa e terminam com fruta; Família Marques Rendimento mensal: > €2 000. Sara cozinhou salmão de aquacultura sustentável no forno com bulgur e salada biológicos

É ao domingo, a partir das seis da tarde, que forno e fogão começam a aquecer. Metódica, Rita vai para a cozinha alinhavar o que lhe há de facilitar a confeção das refeições durante a semana. Por seis euros compra três quilos de carne de porco da mais barata e junta-lhe 200 gramas de soja hidratada, cenoura, molho de tomate e um refogado feito com azeite, cebola e alho. “Usar a soja como proteína saudável faz reduzir o consumo de carne”, argumenta. Depois da carne cozinhada divide em seis porções, deixando metade a uso no frigorífico e congelando a outra metade. Nessa noite ainda faz uma das quatro panelas de sopa semanais com legumes vindos da horta de um tio (outra forma de poupar), e um bolo, se tiver tempo, pois lá em casa não entram sobremesas prontas. Costuma fazer comidas de tacho e não abdica das refeições vegetarianas – ora ratatouille ora cuscuz e tofu com legumes salteados. Apesar da variedade, as quatro crianças da família Quintela nunca devem ter comido linguado. “O peixe continua a ser um alimento caro e dentro do meu orçamento só cabem tentáculos de lulas, pescada congelada, filetes para fazer no forno e pastéis de bacalhau”, enumera. Todos os truques que usa para esticar o orçamento foram partilhados, durante alguns anos, no site Mãe Galinha, a que se seguiu o blogue “O Que É o Comer”, por agora em banho-maria.

Este poderá ser o típico exemplo da família de classe média que desde o início da crise, em 2008, tem vindo a apertar o cinto e a fazer cada vez mais ajustes alimentares, procurando não ceder aos alimentos processados e às comidas prontas – quase sempre mais baratas mas cheias de gordura e açúcar

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Legenda (da esquerda para a direita): Família Furtado A sobremesa de maçã do Banco Alimentar partilha o espaço com frango, sopa de lombardo, refrigerantes e margarina; Família Quintela É ao domingo que se prepara a maior parte das refeições da semana. Depois é só escolher uma caixa no frigorífico e aquecer. A sopa nunca falta; Família Marques De forma exímia cada prateleira é dedicada a um grupo de alimentos, na sua maioria biológicos, orgânicos, caseiros, livres de gorduras e açúcar

Nunca se gastou tão pouco com a alimentação. Segundo o Inquérito às Despesas Familiares, do INE, em 1995 os portugueses gastavam 21,5% do seu orçamento em alimentação, valor que baixou para 13,3%, em 2011. Desde o último Inquérito Alimentar Nacional já passaram 35 anos e nesse tempo muitos hábitos se alteraram. Até ao início dos anos 80, o paradigma era os ricos serem gordos. “Nessa altura o peso a mais e a opulência eram fatores sociais diferenciadores, bem vistos pela sociedade”, nota Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Havia a ideia de que as populações com mais capacidade económica, de um modo geral, tinham acesso a produtos mais calóricos. Até que a indústria alimentar começou a produzir calorias baratas. “Com o aumento do número de hipermercados, mudou a forma de consumo. Passou a comprar-se com menos regularidade e isso fez com que os produtos tivessem de ser conservados à custa de dois ingredientes: gordura e açúcar”, explica o nutricionista. Só em 1995 se fala, pela primeira vez, da relação entre o estatuto social e a obesidade. É o pediatra William H. Dietz que afirma que “a fome e a obesidade ocorrem com uma frequência aumentada nas populações pobres”. E isso pode parecer, à primeira vista, estranho, como nota Pedro Graça: “Como é que uma pessoa que não tem dinheiro para comprar comida acaba por engordar?” Os dados hoje são inequívocos, como ficou bem expresso no final do Ciclo de Conferências da Gulbenkian, o Futuro da Alimentação, que aconteceu em 2012: a incidência de obesidade é cinco vezes maior no estrato socioprofissional mais baixo, sobretudo em famílias de maior vulnerabilidade económica, com horários irregulares, trabalhando até muito tarde ou por turnos, desfasados do resto da família. As crianças, estando sozinhas, acabam por fazer escolhas piores, preferindo alimentos muito calóricos, ricos em gorduras e açúcares.

Engordar em frente à tv

Portugal tem a taxa mais elevada de mães trabalhadoras da União Europeia e, segundo um estudo da OCDE, de 2011, é também o país onde os filhos passam menos tempo com os pais (100 minutos/dia, contra os 400 da Irlanda, que lidera a lista). A televisão depressa passa a baby-sitter, o que também aumenta o risco de obesidade e de tensão arterial alta. E quanto menor é o grau de ensino, maior é o valor de obesidade, concluiu-se ainda num estudo sociodemográfico para avaliar a alteração dos valores de obesidade infantil da população portuguesa, de 2002 a 2009, liderado por Cristina Padez, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Foram inquiridas 17 424 crianças, dos 3 aos 11 anos, de várias regiões do País, e a percentagem que passa mais de duas horas a ver televisão, ultrapassando os limites considerados de referência pela Academia Americana de Pediatria, dá que pensar: 28% de meninos e 26% de meninas, durante a semana. Ao sábado e domingo os valores disparam para 75 e 74 por cento. “Ver televisão tem maior impacto no excesso de peso pois as crianças ingerem comida menos saudável, ao contrário de quando usam o computador ou jogos eletrónicos, que exigem mais concentração e interação”, explica a investigadora Cristina Padez. Quarenta por cento destas crianças permanecerão obesas na idade adulta. As que conseguirem estabilizar o peso terão, ainda assim, maior risco de doenças cardiovasculares.

No mesmo sentido vai o estudo publicado por Elisabete Ramos, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, na revista científica Nutrition, onde se comprova que o sedentarismo tem efeito nas escolhas alimentares dos jovens. Dos 1 436 participantes com 13 anos, 52% gasta, em média, mais de duas horas por dia a ver televisão, ficando mais propensos a consumir alimentos com altos teores de gordura e de açúcar, em detrimento de frutas e de hortícolas

O cenário não melhora na adolescência, apesar de os jovens ganharem autonomia para praticarem exercício fora de casa e depois das aulas. O problema é mais acentuado no meio rural, onde vivem os rapazes e as raparigas entre os 13 e os 16 anos que menos se mexem. Apesar dos espaços em liberdade, durante o ano letivo os miúdos dos meios rurais passam mais tempo a ver televisão do que os das cidades, que têm uma maior oferta de atividades extra curriculares, como o desporto ou a música, concluiu um estudo da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra que, entre 2007 e 2012, analisou o comportamento de 500 adolescentes da região Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Viseu). No campo, a média semanal nos rapazes é de 3 horas e 24 minutos em frente à televisão, enquanto os da cidade estão 2 horas e 48 minutos. Nas raparigas, o valor desce para 2 horas e 48 minutos e 2 horas e 24 minutos, respetivamente.

“Os de 15 e 16 anos são menos ativos do que os de 13 e 14. Há um decréscimo da atividade ao longo da adolescência, mais visível nas raparigas, que nestas idades privilegiam o convívio social em detrimento do exercício físico. Os rapazes têm sempre um campo de brita para jogar à bola”, diz  o autor do estudo, Aristides Machado-Rodrigues. “Quem mora em zonas seguras, bem iluminadas, perto de jardins com sombras e bebedouros, com bons acessos propícios para se deslocarem a pé, tem um comportamento mais ativo. Além da escola, também as famílias, as autarquias e outros agentes sociais devem organizar e promover hábitos de exercício físico entre os jovens.”

Sopa, mas só às vezes

No frigorífico de Isabel Furtado, 54 anos, há sopa de lombardo, mas depois de andar desde manhã na rua a jogar à bola, o seu neto Max prefere, às cinco da tarde, almoçar restos de frango assado e comer depois um gelado cheio de corantes e açúcar. Falta uma hora e meia para o rapaz de 14 anos ir jantar e encher três vezes o prato com frango guisado e esparguete. Enquanto o ano letivo não começa é ainda mais difícil impor-lhe regras e horários, queixa-se Isabel, que sai de casa às sete da manhã e até regressar, à uma e meia da tarde, não consegue controlar quem já almoçou nem o que comeu.

Só ao fim de semana é que consegue juntar à mesa os sete inquilinos da casa alugada há 24 anos no bairro Sá Carneiro, em Caxias (o casal com os três filhos de 27, 23 e 18 anos, e dois netos de 14 e 5 anos).

Com o marido desempregado há mais de dois anos e sem receber subsídio de desemprego desde maio, Isabel tem cerca de 700 euros mensais para gerir, arrecadados entre os 460 euros que traz para casa das limpezas, mais uns pozinhos de dois filhos. O baixo rendimento familiar faz com que precisem de apoio social. Uma vez por mês, recolhem os cabazes do Banco Alimentar, um de secos, outro de frescos. Nunca fez contas ao que gasta todos os meses em alimentação, o que sabe é que consegue “dar conta do recado” e pôr comida na mesa para todos. Como anda sempre atenta às promoções dos supermercados nunca lhe falta proteína no congelador. Nem feijão demolhado, nem rissóis de carne ou panadinhos de salmão, opções mais baratas para as refeições familiares. E o dinheiro ainda estica para refrigerantes e gelados. A matriarca costuma fazer sopa mas reconhece que às vezes tem de deitá-la fora. Os filhos e netos nem sempre querem… e ela não consegue obrigá-los.

Comemos mais do que precisamos

Diz-me o teu peso, dir-te-ei o que comes. O padrão de alimentação saudável recomenda a ingestão diária de 2 000 a 2 500 calorias, consoante se é mulher ou homem, e as proteínas devem ser repartidas entre 40% animal e 60% vegetal. Estes valores são largamente desrespeitados na maioria da população – e nem sempre por questões económicas. Dados da Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2008-2012 revelam que atingimos, em média, 3 963 calorias per capita, um aumento de 2,1% face aos números da BAP 2003-2008. O suficiente para saciar não um mas dois adultos. Desde os anos 1990 que os portugueses têm vindo a afastar-se da combinação saudável, consumindo 62,8% de proteína animal e 37,2% de vegetais.

Mesmo quem está informado cede aos apelos do marketing. “Mais do que identificar o inimigo é preciso criar opções saudáveis e baratas”, refere Pedro Graça. Vivemos numa sociedade obesogénica, um “palavrão” que a OMS usa para falar de um conjunto de alterações que interfere com as escolhas. “Costumo dizer aos meus alunos do 4.º ano de Nutrição, talvez as pessoas que mais sabem do tema em Portugal, que basta marcar-lhes aulas ou um exame entre as 11 e as duas da tarde para desregularem a sua alimentação”, exemplifica o professor

Como Sara Marques dos Santos não trabalha fora de casa, pode dedicar-se à pesquisa e leitura sobre alimentos orgânicos, gastar tempo na ida às compras a diversos supermercados, dar um salto à praça e ao mercado de biológicos, onde por mês gasta perto de 600 euros só em comida para o casal, duas empregadas (uma delas interna) e três filhos com 7, 4 e 1 ano e meio.

O conhecimento existe mas o tempo é fundamental para esta ex-advogada, 39 anos, pôr em prática tudo o que aprendeu no curso online de “health coach”, uma espécie de treinadora de bem-estar, do americano Institute for Integrative Nutrition.

Foi há sete anos, com o nascimento do primeiro filho, que se intensificou a preocupação com o que a família come. “Abria-se um caminho para ingerirmos cada vez menos químicos”, explica. Quico nasceu com paralisia cerebral e Sara viu na alimentação saudável a maneira mais fácil de potenciar a aptidão cognitiva do filho. Anda sempre a pesquisar quais os alimentos que tratam problemas, aumentam capacidades e mudam o estado de espírito. “Sou realmente diferente do tradicional, uso muitos produtos biológicos, cereais integrais, presto mais atenção aos rótulos e à tabela de ingredientes.”

Na casa de Sara e Miguel Marques dos Santos o frigorífico organizado é digno de uma revista de decoração. Nas gavetas inferiores arrumam-se os frescos da estação do Prove, um cabaz semanal com seis quilos que Sara compra por dez euros. Nas prateleiras superiores há pasta de amêndoa (para barrar o pão ou usar em batidos), manteiga clarificada indiana (ghee), hummus (pasta de grão), doces de abóbora e de marmelo feitos com açúcar de coco (o único que entra lá em casa), potes com queijo quark (0% de gordura e fermentos lácteos), puré de fruta e granula caseira feita com cereais, sementes, frutos secos e mel. Um caso sério de sucesso entre os amigos que leva Sara a ponderar a sua venda. Já anda, aliás, a testar embalagens e logótipos – quem sabe não aproveita a imagem do seu blogue “S de Salada”. Para aqueles momentos de fome antes das refeições existem umas “bolinhas energéticas” de amendoim, coco, manteiga de coco, manteiga de amêndoa, levedura de cerveja e tâmaras. Na porta há chocolate preto (70% cacau), iogurtes artesanais, picle caseiro de cenoura, leite de coco, pasta de sésamo, leite caseiro de aveia e espelta. No congelador, os gelados feitos com fruta fresca são “um mimo” para os filhos.

A cada refeição, preocupa-se em servir depois da sopa um prato com proteína, hidratos e vegetais. A fruta vem em sumo ou como sobremesa. Para o jantar, entre frango biológico ou lombo de salmão de aquacultura sustentável optou por fazer no forno o peixe com citrinos e molho de arando, acompanhado de bulgur (um substituto do arroz) e salada. De tudo o que Sara faz a única coisa que Miguel rejeita são os sumos com legumes. Apesar de ter sido atleta de alta competição de ski aquático e de sempre ter tido cuidado com o que comia, o advogado não consegue beber o “sumo do Hulk”, como lhe chama Duarte, de 4 anos. E, de vez em quando, também jantam fora, sem fundamentalismos, e até comem pizza e batatas fritas. Em casa, Miguel gosta de cozinhar massas (o único senão é que a mãe só come as versões integrais). Divergências ultrapassadas com muito sabor – mas também sem a preocupação de olhar para o preço dos melhores produtos, na hora de decidir o que será o jantar.

 

Seminário «Finanças Conjugais em Contexto de Crise: Género, Poder e Desigualdades» (31 ago. – 1 set., Lisboa)

Agosto 25, 2015 às 8:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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cesfb

mais informações no link:

http://www.ces.uc.pt/eventos/index.php?id=11899&id_lingua=1&pag=11901

 

“Progressos para as Crianças – Para além das médias: aprender com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” novo relatório da Unicef

Junho 28, 2015 às 1:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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unicef

descarregar o relatório no link:

http://www.unicef.pt/progressos_para_criancas/

Milhões de crianças das mais pobres no mundo continuam a ficar para trás apesar dos progressos globais

O novo relatório da UNICEF
“Progressos para as Crianças – Para além das médias: aprender com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” diz que, apesar de terem sido alcançados progressos significativos, as desigualdades de oportunidades fizeram com que milhões de crianças vivam na pobreza, morram antes do seu quinto aniversário, não frequentem a escola e sofram de má nutrição crónica. Os dados indicam claramente que a comunidade global falhará para com milhões de crianças se não houver um enfoque nas mais desfavorecidas de modo a colmatar as lacunas existentes.

As disparidades no interior dos próprios países levaram a que as crianças das famílias mais pobres tenham duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos de idade e as hipóteses de aprenderem a ler são ainda menores comparando com as crianças de agregados mais ricos.

 

Estudos dos pais ditam notas dos filhos mas há escolas diferentes

Fevereiro 25, 2015 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 18 de fevereiro de 2015.

clicar na imagem

EstudosDosPais

 

Vivre en dignité au XXIe siècle : Pauvreté et inégalité dans les sociétés de droits humains : le paradoxe des démocraties

Fevereiro 23, 2015 às 2:58 pm | Na categoria Livros | Deixe o seu comentário
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vivre

descarregar o guia aqui

Ce guide est le fruit de deux années de travail collectif mené dans le cadre du projet « Les droits humains des personnes en situation de pauvreté ». Il a été préparé avec le concours de nombreuses personnes et organisations, dont des personnes en situation de pauvreté, des chercheurs, des associations et des représentants des autorités politiques. Outre qu’il offre une étude critique de la situation actuelle, en analysant les inégalités et la pauvreté par le prisme des droits humains, de la démocratie et des politiques de redistribution, ce guide invite également le lecteur à explorer les pistes d’une stratégie renouvelée de lutte contre la pauvreté permettant de rétablir les sens de la justice sociale. Il avance des propositions qui visent à dépasser la stigmatisation et la catégorisation, en ouvrant des voies d’apprentissage pour bâtir des biens communs par le partage, en évitant le gaspillage et en renforçant dans la conscience publique le principe de respect de la dignité humaine en tant que droit de tous.

 

 

 

Sistema de ensino português não consegue reduzir assimetrias sociais

Fevereiro 26, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Uncategorized | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 19 de Fevereiro de 2014.

Daniel Rocha

Samuel Silva

Filhos de profissionais mais qualificados têm melhores resultados, revela análise da OCDE aos resultados do PISA 2012, publicada nesta terça-feira. Ao contrário de outros países, Portugal não consegue esbater diferenças.

Os estudantes portugueses têm conseguido melhorar o seu desempenho nos testes PISA, um exercício repetido a cada três em três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Mas são sobretudo os filhos das famílias com empregos mais qualificados e por isso com mais recursos económicos que conseguem melhores resultados. A conclusão é de um novo estudo daquele organismo internacional, que compara os resultados dos alunos com as profissões dos pais. Portugal está longe de conseguir mitigar os efeitos das diferenças familiares nos percursos escolares, ao contrário do que fazem outros países.

O estudo publicado na terça-feira usa uma classificação que agrupa empregos e tarefas semelhantes. A OCDE considera os gestores como os profissionais mais classificados, seguidos da categoria “profissionais” – que agrupa trabalhadores qualificados em áreas como a saúde, educação, ciência e gestão. Os filhos de trabalhadores destes dois grupos lideram os resultados na generalidade dos países e Portugal não é excepção. Independentemente da disciplina em análise – leitura, matemática ou ciência, os três testes feitos pelo PISA – os filhos dos “profissionais” têm sempre os melhores resultados, seguidos dos filhos dos gestores. Os estudantes cujos pais têm profissões técnicas qualificadas aparecem logo a seguir.

No extremo oposto, aparecem os resultados dos alunos cujos pais têm profissões “elementares” na classificação usada pela OCDE, bem como os trabalhadores manuais e os profissionais dos sectores agrícola, florestal e das pescas. Quando se compara os resultados de Portugal com países que têm melhores resultados que os seus, como a Polónia ou a Alemanha, percebe-se que se mantém alguma regularidade, mantendo as mesmas posições relativas entre grupos profissionais e a dispersão dos resultados.

No entanto, quando a análise se centra em países com piores resultados do que Portugal no último PISA, conseguem perceber-se resultados mais semelhantes entre os estudantes. É o que acontece com a Suécia, onde há notas mais próximas entre os filhos dos profissionais das várias áreas, Neste país e na Eslovénia, os trabalhadores do sector agrícola, florestal e das pescas, conseguem estar na média dos resultados dos seus países, ao passo que em Portugal ocupam as últimas posições.

Este estudo aponta o facto de existiram países onde essas diferenças conseguem ser ainda mais mitigadas. A Finlândia e o Japão são apontados pela OCDE como exemplos de sistemas escolares que conseguem fornecer educação de qualidade para todos os alunos, independentemente daquilo que os seus pais fazem para ganhar a vida. A organização internacional relaciona, de resto, os níveis de desempenho elevados alcançados por estes dois países com o facto de serem garantidas a mesma educação e estímulo a todas as crianças.

A OCDE sublinha no relatório que apesar de haver “uma forte relação” entre as ocupações dos pais e desempenho dos alunos no PISA, o facto de os alunos de em alguns sistemas de ensino, conseguirem superar os resultados de filhos de profissionais, independentemente do que seus pais fazem para ganhar a vida, “mostra que é possível que crianças de operários, se lhes forneceram as mesmas oportunidades de educação de alta qualidade que filhos de advogados e médicos desfrutam, tenham bons resultados”.

Em Portugal, parece persistir um “vector de desigualdade e de assimetria muito forte”, sublinha a investigadora do Instituto de Educação da Universidade do Minho Fátima Araújo. As escolas têm dificuldades em trabalhar com crianças que provêm de famílias com níveis escolares muito baixos ou situações sociais e económicas desfavorecidas, explica. Isto acentua as consequências de uma “fractura geracional” evidente para as cerca de 1,5 milhões de pessoas que não têm mais do que o primeiro ciclo.

Fátima Araújo recorda também uma regularidade já realçada por outros investigadores portugueses que mostram que os resultados nacionais neste tipo de estudos estariam em linha com a média da OCDE e, em alguns casos, mesmo acima, desde que fosse mitigado o efeito das reprovações, que têm um peso muito forte no sistema educativo nacional. Os “chumbos” têm “uma incidência muito elevada em estudantes de famílias que têm níveis escolares muito baixos”.

A OCDE baseia-se nos resultados do PISA 2012, que tinham sido divulgado em Dezembro, e que têm por base testes realizado por cerca de 510 mil estudantes de 15 anos, dos quais 5700 em Portugal. Nessa ocasião foi perguntado aos alunos qual a ocupação profissional dos seus pais e o estudo agora apresentado cruza as duas variáveis, tentando perceber a sua relação.

Apesar de continuarem abaixo da média das OCDE nos três testes realizados os resultados dos alunos portugueses foram sublinhados por aquele organismo internacional, uma vez que fora os que registaram uma melhoria de performance mais evidente na última década. A Matemática continua a ser a disciplina em que os estudantes nacionais têm piores resultados –obtiveram 487 pontos, sendo a média geral de 494. Na leitura, os portugueses tiveram 488 (a média geral foi de 496) e a ciências mais um ponto (a média é também a mais alta, 501).

Os resultados desta nova análise agora tornados públicos podem ser consultados através de um dispositivo interactivo – disponível em http://beta.icm.edu.pl/PISAoccupations2012/ – onde é possível conhecer o diagnóstico de cada um dos países que participou nos PISA 2012 e estabelecer comparações entre países, tendo em conta os resultados dos estudantes participantes nos testes de leitura, matemática e ciência e as ocupações dos seus pais.

Essa ferramenta permite, por exemplo, perceber a existência de diferenças geográficas nos resultados. Olhando para os resultados em matemática, por exemplo, os filhos de pessoas que trabalham em limpezas em Xangai ou Singapura conseguem ter resultados superiores aos dos norte-americanos que são filhos de “profissionais” – uma categoria que agrupa trabalhadores qualificados em áreas como a saúde, educação, ciência e gestão. O PISA revela ainda que os Estados Unidos e o Reino Unido, países onde estes profissionais estão entre os mais bem pagos do mundo, não têm tão bons resultados a matemática como os trabalhadores destas áreas profissionais noutros países do mundo.

Reading for pleasure puts children ahead in the classroom, study finds

Outubro 1, 2013 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Institute of Education da University of London de 11 de setembro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Sullivan, A. and Brown, M. (2013) Social inequalities in cognitive scores at age 16: The role of reading. CLS Working Paper 2013/10. London: Centre for Longitudinal Studies.

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Children who read for pleasure are likely to do significantly better at school than their peers, according to new research from the Institute of Education (IOE).

The IOE study, which is believed to be the first to examine the effect of reading for pleasure on cognitive development over time, found that children who read for pleasure made more progress in maths, vocabulary and spelling between the ages of 10 and 16 than those who rarely read.

The research was conducted by Dr Alice Sullivan and Matt Brown, who analysed the reading behaviour of approximately 6,000 young people being followed by the 1970 British Cohort Study, which is funded by the Economic and Social Research Council. They looked at how often the teenagers read during childhood and their test results in maths, vocabulary and spelling at ages 5, 10 and 16.

The researchers, who are based in the IOE’s Centre for Longitudinal Studies, compared children from the same social backgrounds who had achieved the same test scores as each other both at ages 5 and 10. They discovered that those who read books often at age 10 and more than once a week at age 16 gained higher results in all three tests at age 16 than those who read less regularly.

Perhaps surprisingly, reading for pleasure was found to be more important for children’s cognitive development between ages 10 and 16 than their parents’ level of education. The combined effect on children’s progress of reading books often, going to the library regularly and reading newspapers at 16 was four times greater than the advantage children gained from having a parent with a degree.

Children who were read to regularly by their parents at age 5 performed better in all three tests at age 16 than those who were not helped in this way.

Dr Sullivan notes that reading for pleasure had the strongest effect on children’s vocabulary development, but the impact on spelling and maths was still significant. “It may seem surprising that reading for pleasure would help to improve children’s maths scores,” she said. “But it is likely that strong reading ability will enable children to absorb and understand new information and affect their attainment in all subjects.”

The study also found that having older siblings had a negative effect on children’s test scores in all three subject areas but particularly for vocabulary. Having younger siblings had less effect on test performance but was linked to lower vocabulary scores. The researchers suggest this may be because children in larger families spend less time in one-to-one conversations with their parents and therefore have less opportunity to develop their vocabularies.

Dr Sullivan says this study underlines the importance of encouraging children to read – even in the digital age. “There are concerns that young people’s reading for pleasure has declined. There could be various reasons for this, including more time spent in organised activities, more homework, and of course more time spent online,” she said.

“However, new technologies, such as e-readers, can offer easy access to books and newspapers and it is important that government policies support and encourage children’s reading, particularly in their teenage years.”

Dr Sullivan also emphasises that improving adult literacy could be important for children’s cognitive development. “Children of parents who had reading problems performed significantly less well in all three tests than children of parents who reported no reading problems,” she said. “Given the prevalence of adult illiteracy in Britain, with functional illiteracy estimated at 15 per cent, policies to increase adult literacy rates could significantly improve children’s learning outcomes.”

“Many of the young people included in this study are now parents themselves, and their literacy levels and enjoyment of reading will in turn influence their children’s educational attainment.”

‘Social inequalities in cognitive scores at age 16: The role of reading’, by Alice Sullivan and Matt Brown, is the latest paper to be published in the CLS Working Paper Series. Further information from:

Claire Battye
020 7612 6516
c.battye@ioe.ac.uk

Meghan Rainsberry
020 7612 6530
m.rainsberry@ioe.ac.uk

Notes for editors:

1. The 1970 British Cohort Study (BCS70) is following the lives of more than 17,000 people born in England, Scotland and Wales in a single week of 1970. Since the birth survey in 1970, there have been eight further surveys of all cohort members at ages 5, 10, 16, 26, 30, 34, 38 and 42. The age 46 survey is due to take place in 2016. Over the course of cohort members’ lives, BCS70 has collected information on health, physical, educational and social development, and economic circumstances, among other factors.

2. BCS70 is managed by the Centre for Longitudinal Studies (CLS), which is based at the Department of Quantitative Social Science, Institute of Education. CLS is responsible for running two of Britain’s other major birth cohort studies: the 1958 National Child Development Study and the Millennium Cohort Study. Further information available at www.cls.ioe.ac.uk

3. The Institute of Education is a college of the University of London that specialises in education and related areas of social science and professional practice. In the most recent Research Assessment Exercise two-thirds of the Institute’s research activity was judged to be internationally significant and over a third was judged to be “world leading”. The Institute was recognised by Ofsted in 2010 for its “high quality” initial teacher training programmes that inspire its students “to want to be outstanding teachers”. The IOE is a member of the 1994 Group, which brings together 12 internationally renowned, research-intensive universities. More at www.ioe.ac.uk

4. The Economic and Social Research Council (ESRC) is the UK’s largest organisation for funding research on economic and social issues. It supports independent, high quality research which has an impact on business, the public sector and the third sector. The ESRC’s total budget for 2012-13 was £205 million. At any one time the ESRC supports over 4,000 researchers and postgraduate students in academic institutions and independent research institutes. More at www.esrc.ac.uk

 

Seminário – Defender a Educação Pública

Outubro 22, 2012 às 6:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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As inscrições devem ser feitas até dia 25 de Outubro

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Ciclo de Palestras “Uma conversa com Carlos Farinha Rodrigues” : As desigualdades sociais em Portugal

Outubro 17, 2011 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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A entrada é gratuita, mas a inscrição é obrigatória.

Núcleo Distrital de Lisboa da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza

lisboa@eapn.pt
Rua Soeiro Pereira Gomes, 7 apart. 311
1600-196 Lisboa
Tel. +00351 217 986 448 Fax.:+ 00351 217 976 590
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