Unicef: guia para grávidas e recém-nascidos em época de covid-19

Maio 23, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 15 de maio de 2020.

Medo, ansiedade e incertezas são alguns dos efeitos psicológicos da pandemia experimentados por muitas grávidas; Unicef perguntou à presidente da Confederação Internacional de Parteiras, Franka Cadée, o que pode ser feito para proteger os bebês e as mães.

É seguro continuar os exames de pré-natal em meio ao risco da pandemia?

Muitas grávidas estão com receio de comparecer às consultas enquanto cumprem as medidas de isolamento social. Existem muitas adaptações a essa nova realidade. Várias parteiras passaram a atender por telefone. De forma que o tempo do exame sobre o desenvolvimento do bebê é curto.  Por isso, muitas mulheres não estão indo a todas as consultas e têm menos contato com o agente de saúde para evitar o risco de contaminação. E essas mudanças também devem atender aos pacientes, individualmente, e com base em suas respectivas condições de saúde. Por exemplo: gravidezes de alto risco e de baixo risco. As mães devem procurar as opções de agentes de saúde em suas comunidades, pois os profissionais que já cuidam das grávidas conhecem a realidade delas melhor que ninguém. Sejam parteiras ou obstetras. É importante continuar recebendo apoio profissional mesmo após o nascimento do bebê como imunizações de rotina logo procure conselhos de um agente de saúde para saber como realizar essas consultas.

Se eu tiver sido contaminada com covid-19, eu posso passar o vírus para o bebê? 

Não sabemos se a doença pode ser transmitida durante a gravidez. Até o momento, o vírus não foi encontrado em fluídos vaginais ou no leite materno, mas as informações e os detalhes sobre o novo coronavírus continuam surgindo. Até agora, o covid-19 não foi detectado no líquido amniótico ou na placenta.
O melhor a fazer é tomar todas as precauções para evitar contrair essa doença. Mas se você está grávida ou acaba de dar à luz uma criança e foi infectada, procure um médico rapidamente e siga as instruções.

Eu estava planejando um parto no hospital ou numa clínica. Ainda é uma boa ideia? 

É melhor perguntar a sua parteira ou a seu médico qual seria a opção mais segura e que precauções devem ser tomadas. Isso difere de caso a caso. Depende da mulher, da situação e do sistema de saúde. A gente espera que a maioria das instalações de saúde possa manter os pacientes com covid-19 bem distante dos demais pacientes, mas em alguns casos, isso não é possível. Em algumas nações de renda alta,
como a Holanda, de onde venho, temos um sistema que integra o parto em casa ao sistema de saúde. Assim o parto caseiro é seguro. E mais mulheres estão optando por isso. E alguns hotéis estão sendo usados na Holanda por parteiras para o nascimento evitando que as grávidas se contaminem. Mas essa não é a realidade da maioria dos países.

Parceiros ou familiares podem acompanhar o parto?

As políticas variam de país para país. O ideal é que a mulher tenha alguém com ela garantido todas as precauções como uso de máscara cirúrgica, higiene das mãos etc. O que se nota em alguns países é uma proibição de acompanhantes e isso me preocupa. Compreendo que a redução no número de pessoas com a grávida, mas é preciso assegurar que ela tenha alguém: uma pessoa da família, parceiro, alguém próximo, e precisamos deixar o bebê com a mãe após o parto. Precisamos ter compaixão e entender cada situação. E o agente de saúde, paciente e familiares estão fazendo o que podem para usar o bom senso e para ouvir. É muito importante atuar em comunidade nessa hora.

Estou me sentindo incrivelmente ansiosa sobre o parto. Como devo lidar com isso?

Planejar o parto ajuda muito a diminuir ansiedade por oferecer um sentido de controle da situação, mas é preciso também reconhecer que no quadro atual, é difícil prever dependendo de onde se vive. É bom saber para quem telefonar quando os sinais de parto começarem. Quem dará o apoio na sala de parto e onde? Que restrições existem no local de nascimento etc. Para relaxar, as grávidas devem fazer exercícios como alongamento, respiração e ligarem para as parteiras caso necessário. Alimentar-se bem, ingerirem líquidos e viverem a gravidez de forma feliz.

Que perguntas devo fazer aos profissionais de saúde?

É importante ter uma relação de confiança com eles e fazer as perguntas livremente. Quando a relação é boa, eles respondem tudo a contento e de forma aberta. Você tem direito a todas essas informações porque é o seu corpo e o seu bebê que estão em jogo. As parteiras estão lidando com um aumento de demandas sobre os serviços assim como médicos e enfermeiros e por isso devem levar mais tempo para responder. É possível estabelecer um sistema sobre como e quando se comunicar com seu agente de saúde. Por exemplo: organize suas consultas e como marcar uma emergência. Também é útil conversar com os seguros de saúde e provedores para obter uma cópia dos seus exames e prontuários e do pré-natal em caso de interrupções dos serviços. É importante perguntar tudo que você queira e precise saber antes do parto.

Estou sob risco de contrair o novo coronavírus? Como separar as pessoas que tiveram a doença das que não tiveram? Existe equipamento de proteção? Eu posso ter parto normal? 

Alguns hospitais devem dar alta às novas mães mais rapidamente que antes por causa do risco. Mas isso difere de contexto para contexto. Por isso, a importância de pedir conselho aos obstetras e às parteiras.

Após o parto, como poderei proteger meu bebê? 

É simples:  fique somente em família e recuse visitas. E se tiver outras crianças, se assegure que elas estão isoladas, sem contato com outras fora da casa. Sua família deve lavar as mãos e se cuidar bem para evitar a pandemia. E ainda que seja um momento difícil, tente ver o lado positivo de usar esse momento para se aproximar como família. Aproveite a tranquilidade, estabeleça intimidade com o recém-nascido. Este é um tempo especial. Desfrute-o.

Estou esperando um bebê. O que devo fazer para me proteger da covid-19? 

Pelas pesquisas que temos, as grávidas não têm maior risco de contrair a doença que outro grupo qualquer. Mas devido a mudanças em seus corpos e no sistema de imunidade, nos últimos meses da gestação, as grávidas ficam mais expostas a problemas respiratórios como infecções. E por isso, é importante tomar precauções. Eu sei que pode ser bem duro para as gestantes que têm que cuidar de si e do bebê. E muitas vezes de outros filhos também. O distanciamento social é vital para se proteger.

Confira algumas dicas: 

  • Evite contato com qualquer pessoa com sintomas de covid-19.
  • Não use o transporte público, se possível.
  • Trabalhe de casa.
  • Evite multidões grandes ou pequenas em lugares públicos ou privados.
  • Não participe de reuniões em família ou com amigos nesse momento.
  • Contate seu agente de saúde por telefone.
  • Lave as mãos com água e sabão, limpe regularmente e desinfete frequentemente as superfícies em casa, monitore todos os sinais de sintomas da pandemia e procure cuidados e atendimento.

Posso amamentar meu bebê?

Sim. É perfeitamente seguro pelo que sabemos até agora. E é o melhor que a mãe pode fazer pelo filho. Até o momento não foi notificada nenhuma transmissão do vírus pelo leite materno. Mas se houver suspeita de que foi contaminada, procure um médico e siga as recomendações. E ao amamentar, use máscara e lave suas mãos antes e depois do contato com a criança. Se tiver muito doente para amamentar, retire o leite com equipamentos e alimente o bebê utilizando um copo ou uma colher limpos.

O que devo fazer se vivo num lugar com muita gente? 

Muitas mulheres vivem desta maneira o que dificulta o distanciamento físico. Nesse caso, eu pediria à comunidade que tome conta dessas grávidas. As pessoas devem manter distância das gestantes para protegê-las. E alguns toaletes e banheiros devem ser reservados a elas. E todos devem lavar bem as mãos. Uma medida que ajuda muito. Vamos apoiar as grávidas que estão dando à luz nosso futuro.

Regresso às aulas presenciais – regras de segurança (Covid-19) Vídeo DGE

Maio 22, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Covid-19: DGS publica manual com regras para escolas e creches

Maio 22, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do site Notícias ao Minuto de 21 de maio de 2020.

Melissa Lopes

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou o manual ‘Saúde e Atividades Diárias’, no qual são apresentadas as medidas de prevenção e controlo da Covid-19 em estabelecimentos de ensino, nomeadamente no regresso às aulas presenciais do 11.º e do 12.º ano e nas creches e amas.

De acordo com o manual agora publicado, “os alunos devem ser organizados em grupos, que devem ter, na medida do possível, horários de aulas, intervalos e refeições organizados de forma a evitar o contacto com os restantes grupos”.

Para evitar um maior cruzamento de pessoas, recomenda a autoridade de saúde, devem ser definidos circuitos de entrada e saída de aula para cada grupo e cada sala deve ser, sempre que possível, utilizada pelo mesmo grupo de alunos.

A DGS refere ainda que os espaços que não são necessários à atividade letiva devem ser encerrados.

Dentro da sala de aula, é importante garantir a maximização do espaçamento entre alunos e alunos/docentes, mantendo a distância mínima de 1,5 a 2 metros, e virar as secretárias todas para o mesmo lado.

A comunidade escolar deve também cumprir as medidas de distanciamentohigiene pessoal e ambiental, bem como usar máscara durante toda a atividade letiva. Adicionalmente, é recomendada a higienização das mãos à entrada e saída do recinto e que sejam mantidas abertas as portas de acesso.

O manual apresenta também os procedimentos a adotar em creches e amas para diminuir o risco de transmissão do novo coronavírus, entre as quais se destacam a maximização do espaçamento entre crianças, incluindo no período de refeições, a organização das crianças e educadores em salas fixas e a entrega das crianças à porta da instituição.

Na sala de atividades, cada criança deve usar sempre o mesmo berço ou espreguiçadeira e, quando se sentam ou circulam no chão, devem deixar o calçado à entrada, podendo ser pedido aos encarregados de educação que levem um par de calçado extra. Este volume do manual apresenta também os cuidados a adotar no refeitório e no transporte das crianças para as creches.

Pode ver o manual completo aqui: Covid-19: DGS publica manual com medidas para escolas e creches

De recordar que os alunos do 11.º e 12.º anos regressaram esta segunda-feira, dia 18, às aulas presenciais, dia em que os pais voltaram também a poder deixar as crianças nas creches.

Em Portugal, morreram 1.263 pessoas das 29.660 confirmadas como infetadas com o novo coronavírus, e há 6.452 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 323 mil mortos e infetou quase 4,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Folheto Informativo e Jogo sobre o Covid 19

Maio 21, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da https://www.seguranet.pt/

Estes recursos foram desenvolvidos pelo Conselho da Europa com o objetivo de manter os mais novos ocupados durante a confinamento provocado pela Covid-19.

https://www.coe.int/en/web/education/new-materials

COVID – 19 : Recomendações para pais divorciados ou separados: responsabilidade parentais. Ordem dos Psicólogos

Maio 20, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_pais_divorciados_separados.pdf?fbclid=IwAR3SOa9ISMjIZeMZycqOylUfOxuyYDpe6qi3i2kfdyWIdknEYulg9P9QUzo

Pedófilos aproveitam pandemia para atacar em força na net

Maio 19, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 5 de maio de 2020.

Linha SOS Criança: “Pais não conseguiram conter ansiedade dos filhos em relação à Covid-19” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC à Rádio Observador

Maio 19, 2020 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) à Rádio Observador de 19 de maio de 2020.

Coordenador do serviço alerta para exposição de crianças a excesso de informação: “Começaram a ter morte muito presente”, alerta Manuel Coutinho. Para o psicólogo importa “tranquilizar os mais novos”.

Ouvir a entrevista no link:

https://observador.pt/programas/resposta-pronta/linha-sos-crianca-pais-nao-conseguiram-conter-ansiedade-dos-filhos-em-relacao-a-covid-19/

Confinamento leva ao aumento de contactos para a Linha SOS Criança

Maio 19, 2020 às 11:15 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 19 de maio de 2020, com declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Linha Telefónica SOS-Criança 116111 e WhatsApp 913069404

Crianças em confinamento pedem mais auxílio – notícia do JN com declarações de Manuel Coutinho do IAC

Maio 19, 2020 às 10:45 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 19 de maio de 2020, com declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Confinamento fez disparar chamadas para o SOS-Criança e desconfinamento pode fazer o mesmo: “Muitas pessoas estão com fobia da normalidade”

Maio 18, 2020 às 5:57 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia com declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Notícia do Expresso de 14 de maio de 2020.

A “angústia principal” das crianças é ver os seus avós morrerem e depois os pais, numa “coisa assim um bocadinho sem fim”, e a dos jovens tem que ver com o confinamento, que os “privou dos namoros e dos amigos e das saídas”, explica em entrevista ao Expresso Manuel Coutinho, coordenador do serviço SOS-Criança e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança

Helena Bento

As chamadas para a linha SOS-Criança mais do que duplicaram em março a comparar com o ano passado e em abril esse aumento também foi significativo. Foram partilhadas “angústias”, como a “angústia da morte”, o medo de que os avós, “por já serem velhinhos”, morram infetados com o vírus, e depois os pais e depois os amigos. Já no caso dos jovens, os problemas estavam relacionados com o confinamento, que os privou dos “namoros e dos amigos e das saídas”. Foi o confinamento, aliás, que fez disparar o número de chamadas para a linha criada em 1988, mas não seria ajuizado pensar que vão diminuir entretanto, assim sugere ao Expresso Manuel Coutinho, coordenador do serviço.

“Esta linha é considerada pela maioria das pessoas um serviço de primeira necessidade” diz, desde logo, em entrevista ao Expresso, manifestando depois a sua “preocupação” em relação ao desconfinamento. “Há muitas pessoas que durante as últimas semanas desenvolveram algum tipo de fobia, como a nosofobia [medo patológico de contrair uma doença] e têm dificuldades em integrar-se por causa deste receio e deste pânico de contrair o vírus.” Ter os filhos na creche ou na escola “também vai criar ansiedade aos pais” e o mesmo acontecerá “com os netos quando virem os seus avós, de 60, 70 anos, a saírem à rua sem as cautelas que julguem necessárias”. “Acredito que se irá gerar uma situação de ansiedade generalizada que fará com que as pessoas telefonem para a linha a pedir apoio e alguma orientação”, antecipa o também secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC), a que pertence a linha.

Segundo os dados disponibilizados ao Expresso, a linha SOS-Criança recebeu 291 apelos em abril deste ano, mais 85 que no mesmo mês de 2019 (206). Destes, 217 foram realizados por telefone, 10 por e-mail, um por chat e 63 pelo Whatsapp, plataforma que passou a estar disponível desde março, quando foi reforçado o serviço em resposta à pandemia de covid-19 (aumentou o número de psicólogos, de oito para 11, e foi também alargado o horário de funcionamento).

Por que razão telefonam as pessoas? Nas estatísticas mensais da linha, as chamadas são agrupadas em “problemáticas” e a covid-19 aparece agora nessa lista. Representa 6,5% do número total de apelos (os restantes dizem respeito a “crianças em risco”, ou “saúde”, ou “crime de pornografia de menores” ou serviram para “desabafar” ou obter “informações sobre serviços e instituições”). Manuel Coutinho ajuda a contextualizar, referindo que, desde o início da pandemia, verifica-se de facto “mais tensão dentro das famílias, mais ansiedade e também mais intolerância”. “As pessoas sentem-se confinadas, estão-no aliás, e estão também um bocadinho mais rebeldes umas com as outras”.

“A ANSIEDADE DAS CRIANÇAS É A DOS PAIS, QUE NÃO A SABEM FILTRAR”

Foram sobretudo adultos que entraram em contacto com a linha em abril (203 apelos), mas também houve várias crianças e jovens a fazê-lo. “A angústia principal das crianças é a angústia da morte. Há uma generalização dos medos e é como se estivessem a ser afetadas pelo conhecido síndrome do mundo mau”. Isto é, “de repente acham que vão perder os amigos e que os avós, por já serem velhinhos, também vão morrer e a seguir são os pais”, explica o coordenador e psicólogo. “É assim uma coisa um bocadinho sem fim.”

Deixam de poder ver familiares e amigos e percebem que algo não está bem, “veem toda a gente à sua volta de máscara e ficam preocupadas”. “A partir dos oito, nove anos, já têm consciência de que aqueles que lhes são mais próximos podem ser afetados pelos vírus e morrer.” Em todo o caso, o importante é “dar segurança, transmitir segurança”, até porque muitas vezes a sua ansiedade é a ansiedade dos pais, que não a conseguiram filtrar e acabam por passá-la aos filhos”, diz Manuel Coutinho. “Tentamos explicar que já houve outras pandemias antes desta, apesar de esta situação ser obviamente nova, e que há de passar se cada um fizer o que está ao seu alcance, como lavar as mãos e outra regras. O importante é não mentir.”

No caso dos jovens, as preocupações são outras, diz o coordenador da linha, e estão mais ligadas ao confinamento. “Ficaram privados dos seus namoros, dos seus amigos, das suas práticas desportivas e sentem-se mais isolados, tristes, angustiados”. Há também casos de “relações conflituosas com os pais” porque “na verdade as pessoas não estão habituadas a viver em família” ou “quando estão muito próximas tendem a entrar em conflitos”. “A família não é um mundo perfeito.”

Situações de violência ou de crianças ou jovens retirados aos pais (a SOS-Criança está atenta a esses casos, que encaminha para as autoridades se for necessário) não entraram nas estatísticas da linha em abril mas não é porque não tenham acontecido. “Temos conseguido intervir antes de a situação se extremar, evitando assim muitas situações de perigo”, diz o coordenador, que aproveita para deixar um apelo: “Infelizmente, é dentro das famílias que as crianças correm mais perigo, são mais abatidas, mais humilhadas, mais abusadas sexualmente. E é melhor denunciar e depois não ser nada do que ficar em silêncio e perceber mais tarde que aconteceu uma tragédia”.

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