Eles divertem-se e estão a aprender

Dezembro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 29 de novembro de 2017.

mais informações:

http://magikbee.com/kiddztube/

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.lookedigital.kidsfirst

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.kidoz&hl=pt_PT

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.movile.playkids&hl=pt_PT

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“Garantir os direitos da criança e do jovem” Filme CPCJ Lisboa Oriental

Dezembro 13, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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CPCJ Lisboa Oriental

 

 

Alunos de dez anos com conto editado em livro

Dezembro 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://tag.jn.pt/

Aos dez anos de idade, 27 alunos da escola básica José Manuel Durão Barroso, Armamar, podem dizer que já escreverem um livro.

O conto “Uma limpeza necessária”, da autoria da turma A do 4º ano, vencedor do concurso literário Correntes d`Escrita, organizado pela Câmara Municipal de Póvoa de Varzim e a Porto Editora, já está editado em livro.

“Há muitas crianças que vão ler este conto e este é o mundo fantástico de quem escreve histórias”, realçou Paulo Gonçalves, da Porto Editora, aquando da distribuição do livro.

Tal como revela Sofia Castro Cruz, uma das autoras, o conto fala de uma menina, filha de um cientista, que um dia diminui de tamanho e entra no cérebro de um comandante de tropa mau. A missão da criança é limpar o cérebro do militar para o transformar num homem bom.

“Gosto mais de ler do que escrever”, conta Sofia, na linha dos colegas Maria João Teixeira e Miguel Santos Silva.

Para a professora que orientou o conto, Maria Delfina, mais importante do que ganhar é incutir o desejo da escrita e da leitura nas crianças. “Fica o bichinho”, realça.

Uma outra turma (B) da mesma escola também arrecadou o segundo prémio do Correntes d`Escrita com o conto “A história que o Miki contou”.

mais informações:

http://tag.jn.pt/alunos-dez-anos-conto-editado-livro/

https://www.portoeditora.pt/produtos/ficha/correntes-d-escritas-2017/19278276

https://www.portoeditora.pt/noticias/criancas-desafiadas-para-conto-infantil-ilustrado-correntes-d-escritas-porto-editora/128544

Aluna portuguesa recebe prémio da ONU contra a discriminação

Dezembro 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 20 de novembro de 2017.

“See actions, not colors” é o título do filme que levou Joana Maria Sousa a Nova Iorque, para receber o prémio na sede das Nações Unidas.

Joana Maria Sousa, aluna portuguesa da Universidade Lusófona, ganhou um prémio num festival de cinema (PLURAL + Youth Video Festival) promovido pela Aliança das Civilizações das Nações Unidades.

Joana Maria Sousa ganhou o prémio numa iniciativa dedicada à luta contra a discriminação e foi recebê-lo à sede da ONU, em Nova Iorque.

O spot foi criado na unidade curricular de atelier de publicidade do 3º ano licenciatura em cinema. Nesta cadeira, os alunos trabalham sobre um briefing real proposto por um “cliente externo”, neste caso o Conselho da Europa, numa colaboração da Universidade com esta instituição que já dura há cinco anos.

O briefing deste ano propunha a produção de spots contra a discriminação para exibição em TV e web.

O prémio consiste na participação no “Danúbio – Barco da Paz”, organizado pelo Education Media Centre em Belgrado. É uma iniciativa que vai acontecer no próximo verão, pelo Danúbio, e em que cada um dos participantes/ convidados vai elaborar um projeto relacionado com o tema da paz.

Joana Maria Sousa realizou o filme, com produção de Joana Vieira.

 

Ouvir entrevista de Bárbara Baldaia a Joana Maria Sousa  no link:

https://www.tsf.pt/cultura/interior/aluna-portuguesa-recebe-premio-da-onu-contra-a-discriminacao-8931169.html

Filme sobre Prevenção das Intoxicações – Um segundo pode durar para sempre – Intoxicações

Dezembro 4, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Profissionais de saúde desenvolvem aplicação para crianças com diabetes

Novembro 30, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.rtp.pt/noticias/ de 14 de novembro de 2017.

Vai ser lançada uma aplicação de telemóvel para auxiliar crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. A ideia é facilitar a contagem de hidratos de carbono ao longo do dia.

Visualizar o vídeo da notícia no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/profissionais-de-saude-desenvolvem-aplicacao-para-criancas-com-diabetes_v1040204

 

Como ressuscitar o Tio Patinhas, ou de como Duck Tales está de volta

Novembro 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Huguinho ganha forma nas mãos de um dos artistas da série Disney

Notícia do https://www.publico.pt/ de 11 de novembro de 2017.

A série de aventuras da Disney do final dos anos 1980 regressa este sábado com novas histórias, vozes de Community ou Parks and Recreation e com velhos estilos de animação — sem 3D. Para os novos pais mostrarem aos filhos os seus velhos heróis. O PÚBLICO visitou as “filmagens”.

Joana Amaral Cardoso em Los Angeles

Duas coisas sobre os bastidores de uma série de animação da Disney: o escritório, embora cheio de adultos que são pagos para pensar como crianças, é esmagadoramente silencioso; mas, em compensação, há doces por todo o lado. No estúdio onde se trabalha no novo Duck Tales, a histórica série que transportou uma família de patos sem calças dos livros de quadradinhos para televisores de todo o mundo há 30 anos, é tudo sobre passar o testemunho. Da infância de quem agora desenha, produz ou escreve para a infância de 2017, tão estimulada que já não se encanta só com um mergulho do Tio Patinhas numa pilha de dinheiro.

Em Glendale, uma das cidades da gigantesca malha urbana de Los Angeles, fica um dos muitos edifícios que a Disney Television Animation ocupa na região. Braço “caseiro” do entretenimento com a marca do Rato Mickey (e dos Jedi, ou da Marvel), é uma malha de cubículos alcatifados. Silenciosa, mas decorada com as mais variadas relíquias e memorabilia, da casa e da concorrência. Os animadores misturam Stan Marsh de Family Guy, Pokémon e luzes de O Estranho Mundo de Jack (estávamos no início de Outubro e as decorações de Halloween tinham saído das caixas). Os gabinetes estão recheados de bicicletas, trotinetes, skates ou vinis dos Specials.

Um livro sobre Toulouse Lautrec encosta-se a uma caixa de DVD da série Smalville, iluminado pela mesa digital de ilustração onde Huguinho ganha forma nas mãos de um dos artistas da série. Zezinho e Luisinho andarão por perto, bem como o tio, Pato Donald, e, claro, a estrela adulta da companhia de aventuras infantis, o Tio Patinhas — agora conhecido como Patinhas McPato. A série original, transmitida nos EUA entre 1987 e 1990 e em Portugal no programa Clube Disney, foi algo marcante. Criou memórias na equipa que agora trabalha no novo Duck Tales (que em Portugal se estreia dia 18 no Disney Channel como PatoAventuras depois de um especial, este sábado, às 11h) e no público que está na casa dos 30 ou 40 anos — nomeadamente auditivas. Traduzindo: Woo-oo!, ou a onomatopeia do genérico da série, bem guardada na mente desde o tempo em que os que agora são crescidos cantavam as músicas do genérico dos desenhos animados.

PatoAventuras é o enésimo reboot de uma era que não pára de olhar para trás e ressuscitar propriedade intelectual, especialmente aquela que foi exibida dos anos 1980 em diante. “O reboot de Duck Tales parecia inevitável”, admite o produtor executivo Matt Youngberg. “Como enormes fãs da série original, queríamos assegurar-nos de que era feito da maneira certa. E de que não parecesse só algo para fazer dinheiro ou para jogar com os fãs nostálgicos, mas sim algo que trouxesse os velhos fãs — e que eles trouxessem os seus filhos.” Youngberg e o seu correligionário Francisco Angones eram fãs. São descritos nos corredores do estúdio como enciclopédias ambulantes de Duck Tales. Angones incluiu versos da antiga canção do genérico nos seus votos de casamento. Na sua sala têm uma mesa de reuniões com dois frascos. Um de doces, claro, e outro de papéis com as más piadas que os argumentistas foram acumulando.

Porquê voltar, porquê agora? “Nunca vamos ser Os Vingadores – Infinity War em termos de âmbito e escala, porque é um filme de mil milhões de dólares e nós temos um monte de patos sem calças”, ri-se o também guionista Angones (Wander Over Yonder, Men at Work). “[Mas] sentimos que tínhamos de ser nós a dar cabo disto”, brinca Youngberg, que trabalhou em Ben 10, Justice League, Transformers: Animated e foi já nomeado para os prémios Annie. O discurso de quem trabalha na série é permeado pelo humor, pela sua própria experiência enquanto crianças que voltavam da escola e viam religiosamente as aventuras dos patinhos e Patinhas, mas também pela mensagem de marketing que querem passar. “Ênfase na família”, “aterrou-nos nas mãos Uma Família Moderna”, diz Angones; “esta versão da série é Indiana Jones e Uma Família Moderna”, solta por seu turno o actor Danny Puddi, que faz a voz de Huguinho.

Pioneira na Disney

“[Em 1987, a série original] era tão adorável e memorável que continua a ser uma espécie de objecto-troféu para muitos de nós que cresceram na Era Bush I”, escreve Jason Rhodes na revista Paste sobre a presidência de George H. Bush. Apesar de algo convencional, nota, a série “marcou o renascer da programação de animação televisiva a sério: estreou-se a 18 de Setembro de 1987, e Os Simpsons a 17 de Dezembro de 1989”. Duck Tales, um dos primeiros desenhos animados da Disney a passar na Polónia após a queda do regime comunista, por exemplo, “foi a primeira verdadeira incursão da Disney na animação televisiva”, confirma Matt Youngberg. Tinham feito séries de algum sucesso, e que também chegaram a Portugal, como Os Wuzzles ou os Gummi Bears, mas DuckTales “pegou nas personagens icónicas dos livros de quadradinhos amados em todo o mundo e pô-las em aventuras semanais”, explica. E com uma qualidade que o produtor defende como sendo a “melhor” da época.

Aliando a acção à comédia, tinha um detalhe, nota Frank Angones. “Os miúdos querem ter aventuras. Quando víamos um miúdo numa série de acção, era sempre o parceiro irritante”, como o Baixote de Indiana Jones e o Templo Perdido, por exemplo. “Estes miúdos estavam taco a taco com o Tio Patinhas e eram as figuras de proa destas aventuras” — uma espécie de Goonies com patos.

“É daquelas séries de que me lembro de forma vívida do tempo de criança”, explica Danny Puddi depois de uma sessão de gravação em Burbank, na zona onde estão concentrados os estúdios da Warner, os parques temáticos de Harry Potter ou a NBC. No estúdio, gravou dezenas de falas de Huguinho, mais ou menos soltas e muitas vezes sem apoio visual do que será a sua personagem na série animada. Youngberg e Angones estão do lado de cá do vidro, com os jornalistas, contextualizando cada frase e escolhendo as melhores versões. Um puzzle de entoações, no fundo, com muito riso à mistura. Puddi, conhecido pelo seu papel na série Community, tem uma almofada de Huguinho sua e que depois o acompanha para casa sentada ao seu lado.

O actor, que sempre quis fazer vozes e tem na nova série o primeiro trabalho como tal, faz parte de um elenco de luxo. Patinhas é David Tennant (Dr. Who), Ben Schwartz (Parks and Recreation) é Zezinho, e, por exemplo, o sr. Hamilton, Lin-Manuel Miranda, é Gizmoduck (o Gizmo Pato) e Alison Janey de Os Homens do Presidente é Goldie O’Gilt (ou Graciosa Dora em português). Está finalmente a fazer uma série que os seus filhos podem ver, diz, mas destaca sobretudo duas coisas: “O estilo de animação é uma homenagem aos livros de BD de Carl Barks e a comédia é um pouco mais individualizada, mais moderna, com tiradas mais rápidas.”

O respeito pelo legado do criador de Tio Patinhas, o milionário avaro desenhado por Barks e multiplicado em livros em todas as línguas, vê-se no estilo 2D de uma nova série que se estreia num mundo cheio de 3D e sua animação volumosa. Sean Jimenez (Gravity Falls, Adventure Time) é o director de arte da série e foi ele que sugeriu que “seria óptimo que parecesse um comic, saído da página”. Isso permitiu-lhe trabalhar com as suas influências – o Hergé de Tintin, Andy Warhol ou Roy Lichtenstein –, com a vantagem de que o estilo 2D “é mais rápido de executar”, explicou no seu gabinete. É que o tempo em animação é dilatado.

Miúdos que já viram tudo

Um ano, ou um ano e meio, passa até que se termine um único episódio de 22 minutos. A animação não é feita ali, mas sim noutros estúdios no estrangeiro, e esse trabalho acumula-se com o de argumentistas, coloristas, ilustradores ou actores. Trabalham vários episódios em simultâneo, claro, histórias passadas no cenário que está na parede do gabinete de Jimenez. Patopólis, ou Duckburg para as crianças de hoje, tem um bocadinho de São Francisco e sua ilha-prisão de Alcatraz, e um pouco do Castelo Hearst, a obra faraónica real erigida na Califórnia pelo magnata dos media William Randolph Hearst. O estilo visual de PatoAventuras, diz aos jornalistas enquanto oferece doces que estão dentro de uma abóbora, é mesmo antigo. Só assim aceitou trabalhar nele. Talvez, além do tempo que poupa, ele facilite a comunhão entre os antigos fãs e os miúdos ou filhos que agora verão aquela nova série chamada PatoAventuras, que representa um novo desafio – o storytelling para a geração Y.

Em 30 anos, o público mudou. As crianças têm muito mais escolhas, convivem com diferentes linguagens e imagens. Como é que isso molda o método de contar histórias? “Falámos muito nisso no início, e ainda falamos”, responde Matt Youngberg, que chefia a equipa que está já a trabalhar na segunda temporada. “Criar uma série para miúdos que já viram tudo é muito difícil. É um público completamente diferente — nós achávamos cool uma perseguição em carros nas minas, hoje…” E encolhe os ombros, rodeado de árvores genealógicas de patos.

O pequeno público “compreende de forma inata o storytelling, estão inundados por storytelling, faz parte da cultura, [e há] o binge watch”, enumera o produtor. “[Por isso mesmo] não podemos ter só um punhado de metáforas numa sala e deixá-las desenvolver”, completa Frank Angones. “Os miúdos querem algo mais das histórias que lhes contam e por isso queremos diferenciar o foco: as dinâmicas famíliares, que são depois elevadas pelas aventuras”, explica o fã-autor. Queremos perceber “o que é que a animação televisiva pode oferecer”.

O PÚBLICO viajou a convite da Disney

 

 

 

“São muito poucos os momentos em que podemos ter uma opinião”

Novembro 22, 2017 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Ricardo Lopes

Notícia do https://www.publico.pt/ de 20 de novembro de 2017.

E se as decisões tomadas sobre crianças e jovens envolvessem de facto crianças e jovens? Há espaços para que sejam ouvidos? O PÚBLICO foi perguntar-lhes. Hoje é Dia Universal dos Direitos da Criança.

Margarida David Cardoso

As aulas do ensino secundário de Patrícia começam nesta segunda-feira às 8h, como acontece todos os dias. Daniela e Nuno também estão por essa hora a chegar à escola primária. Catarina irá a caminho da faculdade. Por essa altura, um outro grupo de crianças e jovens que trabalham com a Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, estará a preparar-se para “tomar as rédeas” do Ministério da Educação.

É aquilo a que a Unicef chama takeover e que nesta segunda-feira, Dia Universal dos Direitos da Criança e data do 28.º aniversário da adopção da Convenção sobre os Direitos da Criança, vai decorrer em vários gabinetes, redacções (e até num estádio de futebol) um pouco por todo o mundo.

“Dar voz às crianças” é o mote. Em França, por exemplo, realiza-se um Conselho de Ministros com crianças, com a participação do Presidente, Emmanuel Macron. No Reino Unido, David Beckham vai ser entrevistado por crianças em dois programas de televisão. Em Portugal, um dos destinos de um grupo é mesmo o Ministério da Educação. Vai ser recebido pela secretária de Estado adjunta Alexandra Leitão. E fazer-se ouvir.

O PÚBLICO associou-se à celebração: Daniela, Nuno, Patrícia e Catarina vieram à redacção, em Lisboa, na sexta-feira. Para a entrevista que se segue, há um guia de leitura: estas crianças e jovens pertencem a grupos da Unicef, onde é trabalhada a participação infantil e é estimulada a reflexão sobre os seus direitos.

Perguntámos-lhes: o que mudavas na tua escola se fosses director? Que conselho darias a um primeiro-ministro? Achas que daqui a 20 anos a tua vida de adulto vai ser igual à que os teus pais têm hoje? E por fim: todas as crianças têm os mesmos direitos? As respostas são as que se seguem.

Daniela, 7 anos
“Às vezes, falar com a minha mãe é falar para o boneco”

“Todas as crianças deviam ter os 54 direitos como nós temos [que estão na Convenção sobre os Direitos da Criança de 20 de Novembro de 1989]. Mas não têm porque noutros países há guerras e refugiados. Nós até agora tivemos comida e tivemos tudo o que nós queremos e outras crianças não têm quase nada. Só conseguem comer migalhas. As pessoas deviam dar-lhes comida, mas não dão.

Eu ponho sempre a roupa no contentor quando já não me serve. Havia uma senhora que ia sempre a esses caixotes, que era do mesmo andar que eu, mesmo ao pé da minha porta. Ela tinha um cão. Eu tinha pena da senhora porque ela quase não tinha roupa nenhuma e tinha de ir sempre aos caixotes. Um dia perguntei ao meu pai se lhe podíamos dar um bocado de pão. O pai disse sim, só que ela nunca mais apareceu e não conseguimos.

Se eu mandasse? Punha regras mais adequadas para a escola. Não atirar com lixo para o chão. [Os outros meninos] não deviam andar a estragar as casas de banho. E também tiraram papel higiénico da casa de banho e não deviam fazer isso.

Quando não gosto de uma coisa, vou ter com a auxiliar, se ela não estiver com muito trabalho. E tento fazer as pazes com a pessoa que me chateou ou que eu chateei. Quando eu estava no primeiro ano, eu chateei-me com uma menina e depois fui dizer à professora, mas nós não fizemos logo aí as pazes. No dia seguinte é que fizemos.

Em minha casa, às vezes, falar com a minha mãe é falar para o boneco. Quando ela está ocupada e assim. Só fala quando lhe digo que estou a falar para o boneco. Às vezes é preciso puxar-lhe a perna.”

Nuno, 9 anos

“A professora tem 23 alunos, assim não consegue dar tantas matérias”

“Há professores nas escolas que têm muitos alunos e não conseguem tomar bem conta de todos. Então podia-se dar um máximo de alunos a cada sala, 18 ou 20, para ser mais fácil. A minha professora tem 23 alunos. Assim não consegue dar tantas matérias. Perde muito tempo a atender a todos. A sala do lado tem 18 [alunos] e já estão um pouco mais avançados do que nós. Às vezes conseguimos acompanhá-los, mas estamos sempre um bocadinho mais atrás.

[Se eu mandasse na escola] mudava os comportamentos dos alunos que deitam muito lixo e estragam muitas coisas. Eu, de facto, gosto de trabalhos de casa, mas não gosto de algumas coisas que os professores fazem. Eu e um amigo meu estamos no ‘quadro de mérito de diamante’, então, a professora trata-nos melhor, e aos outros nem assim tanto. Acho que a professora devia falar para todos com o mesmo respeito.

Eu gosto do recreio. Temos tempo para brincar, falar com os colegas. Quando chego a casa tenho tempo para estar com a minha família, estudar, fazer os trabalhos de casa.

Quando eu tenho problemas na escola, falo com os meus colegas. Outras vezes, falo com a minha professora sobre o que podíamos fazer aos alunos. Mas a maioria das vezes eu falo com os meus colegas para tentar ir mais fundo. Acho que resulta melhor.

Eu sinto que eles me ouvem [os pais e a professora]. Eles sentem que ouvir-me é uma coisa importante. E podem dizer à directora para que ela perceba melhor e se entenda com os alunos.

Acho que a minha vida [daqui a 20 anos] vai ser um pouco mais difícil, mas vai ser quase o mesmo. Porque eu tenho o pressentimento de que vou ter tempo para estar com a minha família e fazer o meu trabalho. Quero ser futebolista. E ter tempo para ajudar a minha família, com os impostos, com a conta da água e isso.”

Patrícia, 16 anos

“Muita gente remete-se só ao gabinete, em vez de ouvir o povo”

“Agora devia estar a chover e não está. Não há chuva, não há água. Mas não há medidas correctivas e é isso que às vezes não compreendo. Hoje a minha professora de Geografia disse: ‘As pessoas só se vão dar conta quando abrirem a torneira e não houver água.’ Se fosse explicado às pessoas o que está a acontecer, por exemplo: ‘Vai haver menos água e isso vai revelar-se nas vossas casas. Os preços vão aumentar. Isso vai reflectir-se nas contas’… Aí iam perceber que a falta de água influencia muitas outras coisas.

Claro que o mundo que os meus pais têm eu não vou ter. Há cada vez mais pessoas a trabalhar no sector terciário e há mais desemprego. Vai ser mais difícil arranjar trabalho. Há tanta gente à procura. Mas acho que não terei tantas dificuldades se estudar. Quero ser advogada ou juíza, ainda não sei.

[Se pudesse, a um primeiro-ministro dizia] que não é só preciso dar a palavra, mas ouvi-la. Porque muita gente remete-se só ao gabinete, em vez de ouvir o seu povo. Acho que devia haver uma espécie de inquéritos, ou assim, para saber o que as pessoas pensam. Há muitos inquéritos feitos nas escolas — por acaso, não sei para onde vão — e as perguntas são pertinentes.

Na minha creche, todos os anos ensinavam-nos os nossos direitos. E acho que isso deve ser feito em todo o lado. Não é assim difícil dar 54 regras. É como saber comer e saber falar.

[Na escola, se pudesse] mudava os testes. Os professores costumam [marcá-los] uns em cima dos outros. Não é suficiente que haja só algumas horas para estudar uma coisa que eu dei durante cinco meses.

O horário escolar também é muito excessivo. Entra-se às 8h, sai-se às 18h. Todos os dias. Quando chego a casa é estudar, só estudar.

E alguns professores também não são os melhores. Ajudava se eles dessem uma parte teórica e uma parte prática. Nós com a prática conseguimos aprender a fazer e [o que aprendemos] fica mais preciso na nossa mente do que um professor estar sempre a falar, a falar, a falar.

Tenho outros colegas que acham que não podem falar. Quando é para dizer o que acham, muitos não têm interesse, ficam mais pela calada. Porque pensam logo: ‘[Falar] não vai resolver nada.’ Muitas vezes falam é com os colegas com que se sentem mais à vontade e nós é que dizemos: ‘Ó stôra, o colega tem um problema.’”

Catarina, 18 anos

“Diria ao primeiro-ministro para ele ler a Convenção dos Direitos da Criança”

“O que diria ao primeiro-ministro era para ele ler a Convenção [sobre os Direitos da Criança] e ver onde efectivamente ela não está a ser cumprida. Parte da convenção é assegurar que a criança tem alimento, que a criança está em segurança, e obviamente há muitas partes do nosso país em que não é assim.

Acho que os adultos são um bocado preconceituosos com aquilo que as crianças querem. Por exemplo, quando decidi que queria ir para antropologia, a maioria dos adultos disse que não vai dar em nada, que é um beco sem saída. Senti-me muito vezes exausta com os mesmos comentários.

Principalmente quando chegamos ao secundário, deixa de haver espaço para dar a nossa opinião e para problematizar as matérias que damos. É tudo muito virado para uma meta: os exames. Devia haver um momento em que pudéssemos ter um pensamento crítico, porque isso, tal como os exames, é uma coisa que vamos ter de levar para a vida. Acho que é importante haver um momento em que as crianças e os jovens possam expressar todas as suas opiniões e críticas relativamente ao que estão a aprender.

Só em algumas aulas, como Filosofia, é que havia espaço para termos uma discussão crítica, mas são muito poucos os momentos em que podemos ter uma opinião mesmo nossa.

Se fosse directora, a primeira coisa na minha agenda era ouvir os alunos. Na realidade, a escola é vivida pelos alunos e é importante perceber como é que eles a vivem.

Muitas vezes, as crianças e os jovens acham que não vale a pena porque não são ouvidos, e não é só na educação. São olhados como pessoas que podem, potencialmente, vir a ser alguém na sociedade, mas que naquele momento não têm nada de importante a dizer. Não é verdade. Claro que as crianças não devem ser tratadas como adultos, mas devem ser igualmente respeitadas. É ouvindo os mais novos que vamos conseguir evoluir e caminhar na direcção certa.

Enquanto jovem já senti muitas vezes que não me ouviam por causa da minha idade. Não sou respeitada ou tão valorizada porque não percebo nada do mundo dos adultos. Mas percebo do mundo das crianças e dos jovens. A nossa voz é mesmo muito importante. Só nos últimos anos é que se começou a ter mais consciência disso.

Eu gosto de pensar que vou ter as mesmas oportunidades [que os meus pais], mas depois penso: ‘Se o clima já está assim, como é que estará daqui a 20 anos?’ Preocupa-me um bocado, enquanto jovem, [pensar] no que haverá para nós daqui a 20 anos.”

 

 

 

 

 

 

Dia Universal dos Direitos da Criança – 20 de novembro

Novembro 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações nos links:

http://www.unicef.pt/Dia-Universal-Direitos-Crianca/

http://rbe.mec.pt/np4/np4/?newsId=2027&fileName=direitos_crs.pdf

https://www.unicef.org/world-childrens-day/

Solidão na era digital: nunca estivemos tão conectados e tão sós

Novembro 19, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 5 de novembro de 2017.

Ana Cristina Marques

O que veio primeiro, a internet ou o isolamento social? Numa era em que estamos cada vez mais conectáveis há quem, no final do dia, se sinta sozinho e conte os “gostos” que vêm do ecrã.

A partir desta segunda-feira estão 60 mil pessoas em Lisboa para falar de tecnologia mas, o mais provável, é que nunca tenhamos estado tão sozinhos como agora. Às portas da Web Summit, a maior conferência de empreendedorismo, tecnologia e inovação da Europa, questionamo-nos se o futuro da solidão não será online.

Filipa Jardim da Silva e João Faria já receberam casos de “solidão digital” nos respetivos consultórios, em Lisboa. Apesar de ambos os psicólogos trabalharem muito com adolescentes, esta não é uma questão com balizas etárias, antes uma espécie de “epidemia” dos tempos modernos. A chegada e a expansão da internet trouxeram consigo a promessa do contacto e do fim da solidão, mas o ritmo de vida e as novas formas de falar uns com os outros vieram impactar o dia a dia. Se um individuo se consegue sentir sozinho no coração de uma multidão, o que garante que isso não aconteça à frente de um computador ou de smarpthone na mão?

Um estudo recente mostrou que passar mais de duas horas por dia em redes como Facebook, Twitter ou Snapchat duplica a probabilidade de alguém se sentir isolado. “Não sabemos o que veio antes, se o uso de redes sociais ou a sensação de isolamento social”, chegou a dizer Elizabeth Miller, professora de Pediatria da Universidade de Pittsburgh, à BBC. Para a coautora do estudo, que envolveu 2 mil adultos com idades compreendidas entre os 19 e os 32 anos, talvez seja o uso cada vez mais intenso das redes sociais o responsável por um crescente isolamento face ao mundo real.

A preocupação não é propriamente recente, mas está na ordem do dia. A título de exemplo, a revista The Atlantic lembrou-se de perguntar, em maio de 2012, se o Facebook nos estava a deixar solitários e, três anos depois, o The Guardian tentou descobrir se era possível encontrar intimidade em identidades online cada vez mais mutáveis e num ambiente de permanente vigilância. Em Portugal, as mais recentes investigações orientadas por Ivone Patrão, psicóloga na consulta de comportamentos e dependências online da Clínica ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), mostram que 25% dos jovens portugueses, entre os 12 e os 30 anos, estão viciados em tecnologia e 14% são dependentes dos smartphones.

“Desligava o telefone e chorava muito”

Em abril deste ano, a psicóloga Rosário Carmona e Costa alertava para o facto de as redes sociais estarem não só a mudar o que fazemos, mas também quem somos. Para fazer crescer o ponto de vista, Carmona e Costa cita no seu livro, “iAgora? Liberte os seus Filhos da Dependência dos Ecrãs”, a apresentação “The Innovation of Loneliness” de Shimi Cohen: “Usamos a tecnologia para nos definir, compartilhando pensamentos e sentimentos à medida que eles acontecem, e chegamos a criar experiências para termos o que partilhar, como se acreditássemos que estar sempre ligados nos fará sentir menos sós”.

Nem mais. Segundo diz Filipa Jardim da Silva ao Observador, a “solidão na era digital é uma forma de solidão acompanhada”. Em causa está uma mesma premissa, isto é, a insatisfação pessoal com o tipo de suporte que se tem a nível social, mas também as interações superficiais que mantemos diariamente, ainda que estejamos rodeados de pessoas (física ou virtualmente falando). Mas há mais. As identidades mutáveis fazem parte da equação: nas redes sociais é fácil mostrarmos apenas o que queremos, uma versão otimizada de quem somos, o que, em última análise, impossibilita a criação de relações autênticas. “Uma relação social só é verdadeira se acedermos à pessoa num todo”, continua a psicóloga, referindo que, atualmente, corremos o risco de viver a vida em permanente modo personagem. “No fundo, sou aquilo que as pessoas à minha volta querem que eu seja. No final do dia há uma sensação de vazio. Há solidão.”

Vânia Duarte que o diga. Ultrapassada a barreira dos 30 passou por uma fase em que esteve dependente dos elogios virtuais e dos “gostos” que ia recebendo na conta de Instagram, como se estes funcionassem como uma espécie de aprovação social. Era importante mostrar a barriga inexistente e os abdominais definidos, conseguidos à custa de uma dieta rigorosa e restrita — peixe, batata doce, frango, bróculos e omeletes de claras –, mas também de muitas horas dedicadas ao ginásio. Para isso, chegava a tirar mais de 20 fotografias até encontrar aquela que, depois de muitos filtros, corresponderia ao seu ideal de beleza.

A designer digital chegou a acreditar que assim combateria os complexos corporais de que há muito era vítima. “Recebia muitos elogios, muitos likes, mas nunca me sentia assim, como eles me viam. Desligava o telefone e chorava muito. Não me identificava. Sentia-me muito incompleta, apesar de as pessoas me elogiarem muito”, conta ao Observador. Vânia sentia-se sozinha e foi preciso ir parar à cama de hospital com uma anemia severa para perceber que, neste caso, as redes sociais eram suas inimigas ao possibilitarem comparações constantes e irrealistas. “Estamos constantemente sujeitos a estímulos, a acharmos que o outro é melhor, sobretudo na área de fitness. Há cada vez pessoas mais infelizes.”

Curiosamente, um inquérito realizado recentemente pela britânica Royal Society for Public Health, feito a 1.500 adolescentes e jovens adultos, mostrou que o Instagram é a “pior rede social considerando saúde mental e bem-estar”. Apesar de somar pontos por promover a expressão individual e a identidade em si, a plataforma de fotografia está a associada a elevados níveis de ansiedade, depressão, bullying e até FOMO — sigla inglesa para “fear of missing out”. Mas é importante não diabolizar as redes sociais, que tantas barreiras da comunicação já destronaram, até porque também há estudos que sugerem que o Instagram é muito utilizado para partilhar histórias sobre depressão e inseguranças pessoais.

Considerando o culto da imagem descrito, quase parece que vivemos uma adolescência tardia, no sentido em que queremos constantemente agradar o outro. Filipa Jardim da Silva concorda: “Quando o número de gostos começa a ser sinónimo de aceitação é quando começamos a perder o chão. É uma armadilha que não é assim tão óbvia quanto isso”.

Ao relato de Vânia, que atualmente vai contando a sua história no blogue Lolly Taste, junta-se o de Constança Portugal, hoje com 21 anos, que tentou como muitas pessoas, antes e depois dela, criar um blogue de sucesso. A pressão para ter milhares de seguidores era tanta — e tão cobiçada por marcas que assim mediam o sucesso de uma determinada página — que a estudante de gestão começou a prestar demasiada atenção ao Instagram. “Senti que tinha de criar uma imagem de Instagram muito cuidada e cheguei ao ponto em que transmitia uma falsa felicidade muito grande”, conta. Certo dia, e para contrariar a tendência, decidiu fotografar-se mal acordou: descabelada, com unhas por arranjar e maquilhagem por aplicar. “Ao contrário do que poderia pensar, tive uma receção muito positiva e recebi muitas mensagens.” A experiência de Constança, que garante existirem vários casos semelhantes ao seu no mundo da blogosfera, trouxe-lhe um ensinamento: “Sentimo-nos muito mais sozinhos quando transmitimos essa falsa felicidade”.

Comunicação, ansiedade e hostilidade online

Em 1995, Sherry Turkle, professora na área dos estudos sociais sobre ciência e tecnologia no MIT, publicava um livro que a colocaria na capa da revista Wire: “Life on Screen” era um retrato positivo do impacto do digital nas nossas vidas. Mais de 15 anos depois, Turkle mudou de opinião e a Wire virou-lhe as costas, quando em 2011 o livro “Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other” chegou ao mercado. Na obra a autora escreve que, hoje em dia, o facto de sermos inseguros nas nossas relações e ansiosos perante o conceito de intimidade faz com que procuremos na tecnologia formas de estar em relações e, ao mesmo tempo, formas de nos proteger dessas mesmas relações. O problema da intimidade digital, garante, é que ela é incompleta: “Os laços que formamos através da Internet não são, no final, os laços que nos unem”.

“Estou a pensar no sistema do iPhone, naquela nuvem que aparece quando alguém está a responder a uma mensagem”, diz João Faria ao Observador. “Só esse mecanismo, que permite ver se a outra pessoa está a escrever, se demora ou não, desencadeia mecanismos negativos nas pessoas.” A imagem criada permite ao psicólogo especializado em perturbações da ansiedade associadas à utilização da internet, que trabalha no Centro para as Perturbações do Desenvolvimento (PIN), traçar uma comparação com o passado, numa altura em que um telefonema simplesmente não era atendido. O assunto ficava arrumado.

João Faria considera que os jovens vivem uma ansiedade muitas vezes potenciada pelas novas formas de comunicar, eles que chegam a trocar “milhares de mensagens por dia”. É o caso de um paciente seu que, aos 15 anos, tem uma “fortíssima dificuldade” em se desligar das redes sociais. Por ser particularmente insatisfeito com a sua versão offline, procura no universo online uma espécie de consolo e bem-estar. O maior receio, por mais ilógico que possa parecer, é perder o quer que seja de todas as vezes que não está conectado — voltamos ao FOMO. “Nestes casos, a ansiedade torna-se quase patológica”.

Um artigo publicado no The Guardian em abril de 2015 explorava a ideia de que a solidão no futuro possa estar precisamente na forma como hoje estabelecemos e mantemos relações. Uma pessoa sozinha sente necessidade de ser “vista, aceite e desejada”, ao mesmo tempo que se torna extremamente cautelosa com a exposição pessoal. O mesmo artigo citava uma investigação da Universidade de Chicago, que mostra que o sentimento de solidão é capaz de desencadear a “hipervigilancia do tecido social”. Quer isto dizer que uma pessoa nestas circunstâncias fica muito alerta à rejeição e suscetível de entender as interações sociais de uma forma hostil.

“A ansiedade pode, de facto, ser gerada pela ideia da avaliação permanente”, reitera Filipa Jardim da Silva. A psicóloga clínica não tem dúvidas de que a internet fomenta fenómenos de ampliação, ao mesmo tempo que garante que as partilhas online são “o novo cadastro vitalício”. João Faria partilha da mesma opinião, quando diz que a Internet aumenta exponencialmente as experiências negativas que um indivíduo possa ter e que, por isso, é mais fácil encontrar círculos de rejeição. Nem de propósito, a Linha Internet Segura, que funciona de forma gratuita desde 2011, existe para entrar e sair do universo online de forma segura (800 21 90 90).

A “hostilidade online” é uma realidade cada vez mais presente, tanto que até existe uma campanha do Conselho da Europa nesse sentido. A “No Hate Speech”, cujo nome também funciona como um slogan, não deixa grande margem para dúvidas: a ideia é combater o discurso de ódio na internet. “Os comentários negativos são os que proliferam mais. Nós somos particularmente atentos à crítica, ao rebaixar. É também uma questão cultural”, argumenta João Faria.

Ao ritmo (louco) da solidão

Algures na imprensa internacional encontramos a frase “a solidão tornou-se na ‘doença’ mais comum do mundo moderno”, uma ideia que o psicólogo João Faria não só entende, como aceita — embora não considere a solidão uma doença, antes um sintoma de condições tão graves como a depressão. “As pessoas estão mais sozinhas do que nunca e, ao mesmo tempo, têm muita facilidade em comunicar umas com as outras”, diz como se ainda lhe custasse a acreditar. Para ele, o sentimento de solidão é exacerbado pelo mundo cada vez mais rápido em que vivemos, no qual não há tempo para sentir saudades ou para nos encontrarmos cara a cara. A isso alia-se o facto de estarmos a perder a capacidade de esperar.

Ao telefone com o Observador, João Faria conta um exercício que fez numa sala de aula com miúdos a chegar aos 5 anos de idade. O psicólogo pediu aos alunos que levantassem a mão quando estivessem aborrecidos, enquanto João ligava um antigo jogo de computador, da sua infância. “O jogo demora 4 minutos a carregar. Os miúdos meteram a mão no ar ao fim de um minuto. Estavam aborrecidos.

A vida cada vez mais imediata está a roubar-nos a capacidade de gerirmos as nossas emoções, bem como a tolerância em lidar com o que sentimos, e ao consultório de João Faria chegam cada vez mais pessoas que se sentem sozinhas, embora não saibam reconhecer essa mesma solidão. “O marcador de quem não sabe que está a sentir-se sozinho é, por exemplo, o facto de procurar incessantemente conexão virtual.”

Ivone Patrão, coordenadora de estudos sobre dependências tecnológicas com o cunho do ISPA, tem um discurso semelhante. Considerando a investigação que a permitiu perceber que 14% dos jovens, entre os 12 e os 30 anos, estão dependentes do smartphone, a psicóloga garante que as pessoas mais dependentes da internet sentem-se isoladas socialmente, mas não emocionalmente. “Nestes casos, se lhes retirarmos a internet, estas pessoas deixam de ter apoio emocional, ficam sem nada”, explica ao Observador, ao mesmo tempo que deixa ficar a seguinte ideia: apesar de se sentirem acompanhadas, são pessoas que não se apercebem que dependem de uma ferramenta para comunicar e que há um interesse mútuo por detrás dos likes no Facebook e dos jogos online.

Há quatro meses, Mark Zuckerberg escrevia na rede social que criou que a comunidade do Facebook contava oficialmente com 2 mil milhões de pessoas mensalmente. Em setembro de 2017, o site Techcrunch escrevia que o Instagram alcançara os 800 milhões de utilizadores mensais e os 500 milhões de utilizadores diários. E quantas aplicações existem para conhecer pessoas em contextos mais e menos românticos?

“Recebo sobretudo crianças e jovens”, conta João Faria. “Mas garantidamente que a situação não se esgota nesta faixa etária. É expetável que se alastre até aos idosos. De qualquer maneira, as crianças de hoje serão os adultos e os idosos de amanhã. Não sou nada otimista nisto, para ser sincero.”

 

 

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