80 anos separam as histórias destes dois refugiados – eles têm mais em comum do que imagina – UNICEF

Fevereiro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef_-_novo_video_refugiados_2017_02_03.pdf

“Tabaqueiras estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças”

Fevereiro 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 9 de fevereiro de 2017.

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Paulo Alexandre Amaral – RTP 09 Fev, 2017, 20:22 / atualizado em 10 Fev, 2017

Uma investigação da Human Rights Watch dá conta dos malefícios do tabaco não apenas no consumidor final mas do outro lado da cadeia: entre milhares de crianças que a partir dos oito anos trabalham em plantações na Indonésia e se expõem durante as colheitas aos efeitos da absorção de nicotina e pesticidas altamente tóxicos para o ser humano. O relatório do ano passado é relembrado pela HRW numa semana em que o grupo Facing Finance publica o seu próprio texto denunciando as grandes multinacionais que lucram com violações ambientais e dos Direitos Humanos.

O relatório “Dirty Profits” (Lucro Sujo) do grupo Facing Finance, agora publicado, chama a atenção para a necessidade de implementar princípios éticos na regulamentação dos investimentos feitos pelas grandes companhias.

Um dos casos que surge neste texto é o das crianças que trabalham sem condições nas plantações de tabaco na Indonésia, uma investigação da HRW que aborda esse tema da relação das tabaqueiras com os locais de produção na Indonésia. Nessa investigação a HRW dá conta das perigosas condições de trabalho a que são submetidas estas crianças que são envolvidas na cadeia de produção da folha de tabaco.

Estamos a falar dos produtores que fornecem uma grande parte das grandes tabaqueiras, não apenas indonésias mas também mundiais, como a British American Tobacco e a Philip Morris International.

Nas 119 páginas do do relatório do ano passado “The Harvest is in My Blood’: Hazardous Child Labor in Tobacco Farming in Indonesia”, a organização de defesa dos Direitos Humanos estabelece a ligação entre a produção de tabaco e os problemas de saúde que afectam os trabalhadores, explicando a cadeia percorrida pelos produtos tóxicos até se instalarem no organismo.

As crianças são uma parcela significativa destes trabalhadores expostos à nicotina. Mas não apenas: além da nicotina, as crianças – muitas delas a partir dos oito anos – vê-se na situação de lidar com “químicos tóxicos, utensílios perigosos, carregar com pesos excessivos e trabalhar em períodos de calor extremo”, refere o texto, para advertir que estas condições de trabalho podem ter para estes pequenos trabalhadores “consequências duradouras tanto para a sua saúde como para o seu desenvolvimento”.

Quinto produtor mundial

A Indonésia ocupa o quinto lugar na produção mundial de tabaco. O país alberga mais de 500 mil quintas que se dedicam a este negócio. Um negócio que acaba por ser largamente lucrativo para os proprietários, já que uma larga fatia da mão-de-obra é constituída por crianças entre os 10 e os 17 anos.

De acordo com as contas da Organização Internacional do Trabalho, mais de milhão e meio de trabalhadores nesta faixa etária trabalham na Indonésia no sector da agricultura. Não há contudo números exactos para a fatia que está nas plantações de tabaco.

Sabe-se, de qualquer forma, que o sistema das tabaqueiras passa por uma cadeia de venda e revenda da folha de tabaco que pode começar nas quintas de pequena e média dimensão até chegar ao topo, as grandes companhias de transformação. Por norma, o sistema montado desta forma tende a desculpabilizar as grandes marcas, que garantem observar as regras sanitárias e de segurança. Quando são envolvidas em violações de leis laborais, não é raro atirarem para cima da mesa a questão das subcontratações, afirmando desconhecer o que é do conhecimento geral logo desde a base.

O trabalho infantil encaixa nesta classe de problema. Sedeadas em países ocidentais com leis restritas relativamente ao trabalho infantil, as grandes empresas tabaqueiras deslocalizam parte da produção e muitas vezes da transformação para países com autoridades judiciais permissivas, que fecham os olhos a este tipo de violação. O resultado é a poupança com os custos de trabalho.

A HRW exige neste relatório que as grandes multinacionais do tabaco façam alguma coisa para parar as violações laborais e proíbam os “seus” produtores de usarem crianças em contacto directo com o tabaco. O recado segue também para Jakarta, com a organização a instar o governo indonésio a regular a indústria de forma a não deixar escapar os culpados destas práticas ilegais.

“As companhias de tabaco estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças obrigadas ao trabalho infantil na Indonésia”, acusa Margaret Wurth, uma das investigadoras da Human Rights Watch e co-autora do relatório.

Crianças com náuseas, vómitos, dores de cabeça

A investigação foi realizada em quatro províncias indonésias, três das quais contribuem com 90% do total nacional da produção de tabaco: Java Oriental, Java Central e a província ocidental de Nusa Tenggara.

Entre as 227 pessoas entrevistadas contavam-se 132 crianças com idades que iam dos 8 aos 17 anos, muitas das quais foram obrigadas a começar a trabalhar aos 12 anos.

Metade das crianças entrevistadas disse sofrer com náuseas, vómitos, dores de cabeça e tonturas, tudo sintomas relacionados com envenenamento por nicotina através da absorção pela pele.

Ayu, uma criança de 13 anos, disse aos investigadores que vomita todos os anos quando está a trabalhar na colheita de tabaco: “Eu comecei a vomitar quando já estava muito cansada de cortar e carregar as folhas de tabaco. Eu vomitei tantas vezes”.

Não há ainda estudos sobre os efeitos a longo prazo, mas os investigadores que estudam as consequências do tabagismo sugerem que a exposição à nicotina durante a infância pode acarretar o desenvolvimento do cérebro.

Uma combinação de nicotina e pesticidas

Muitas destas crianças explicaram como são obrigadas a manipular e aplicar pesticidas e outros químicos nas plantações. Será através da pele que muitas destas crianças absorvem quantidades letais de nicotina e pesticidas altamente nocivas para a saúde.

Riscos que tanto as crianças como os seus pais manifestaram desconhecer: a exposição prolongada a pesticidas pode provocar problemas crónicos graves como problemas respiratórios, cancro, depressão, problemas cognitivos e infertilidade.

Constatando que eram poucas as crianças ou os seus pais, alguns proprietários dessas pequenas quintas, que procediam de acordo com normas de segurança, a HRW vem agora exigir ao governo indonésio que faça sessões de esclarecimento e implemente planos de segurança para os trabalhadores dos campos de tabaco.

 

 

 

Sabe porque chora o seu bebé? Arranjámos-lhe uma tradutora

Fevereiro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista do http://observador.pt/ de 4 de fevereiro de 2017 a Joana Rombert.

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Ana Cristina Marques

Fome, cólicas ou sono. Interpretar o choro de um bebé consegue ser um quebra-cabeças, mas é também um desafio à altura de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora de “A Linguagem Mágica dos Bebés”.

Talvez seja fome. Talvez a fralda esteja suja ou, então, o sono atacou de vez. Às vezes parece impossível adivinhar o que causa aquele choro desenfreado, aflitivo, que deixa um pai e uma mãe de cabelos em pé e com os nervos em franja. Saber interpretar um bebé não é tarefa fácil, mas é precisamente o trabalho de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora do livro “A Linguagem Mágica dos Bebés” (Esfera dos Livros) que chegou às livrarias nacionais no final de janeiro.

No livro, a especialista que também já foi apelidada de tradutora dos bebés descreve as várias etapas de comunicação e linguagem de uma criança, desde o primeiro dia de vida até aos três anos. Entre explicações mais e menos técnicas há ilustrações divertidas e ainda muitas estratégias para ajudar a melhorar a comunicação entre pais e filhos — porque esta relação, que inclui diversos sons, gestos, expressões corporais e faciais, faz-se sempre entre mãe/pai e filho.

No livro descreve várias etapas comunicativas e linguísticas da criança, desde os zero meses até aos três anos. Há algum período fundamental para este desenvolvimento?

No livro tenho em conta o modelo Touchpoints, que diz que o desenvolvimento das crianças não é uma linha diagonal mas sim feito por etapas, por pontos de viragem em que acontecem regressões no desenvolvimento para haver evoluções. Por exemplo, os quatro meses são um touchpoint em que o bebé está mais virado para fora, olha mais para o mundo exterior, em que só quer comunicar e interagir com os outros. Então o que é que acontece à sua alimentação e ao sono? O bebé dorme menos porque mal acorda quer ir brincar. E quando está a mamar pára muitas vezes e olha para a mãe, como que a dizer: “Eu sei que estás aí, quero é brincar contigo”. Portanto, nos três primeiros meses ele está mais virado para dentro e aos quatro meses vira-se para fora — nessa altura há uma disrupção ou uma desorganização familiar, em que os pais começam a dizer: “Então, o meu bebé sempre comeu e dormiu tão bem e agora não… O que é que eu fiz?”. Isto faz parte do desenvolvimento normal. A regressão no sono e na alimentação dura semanas. Naturalmente isto vai acontecer porque o bebé está a aprender coisas novas, pelo que há outras áreas que ficam para trás, nomeadamente a do sono e da alimentação. Estes momentos são ponto-chave, são janelas de oportunidade durante o desenvolvimento, às quais nós, pais e profissionais, nos podemos aliar — é uma altura em que podemos promover ainda mais o desenvolvimento da criança.

Nesses momentos-chave, como nos quatro meses, o que é que os pais devem fazer? Como é que se devem comportar?

Primeiro, os pais não estimulam a comunicação nem a linguagem, porque a linguagem não se estimula. É antes promovida, facilitada, uma vez que todos nós nascemos com esta capacidade inata para desenvolver a linguagem e a comunicação de maneira a relacionarmos-nos com o mundo. O que acontece é que durante este tempo há vários ingredientes para os pais darem mais espaço à criança para comunicar. Um aspeto que acho muito importante é em relação ao tempo de espera e ao tempo de escuta — os pais devem observar e estar atentos às várias etapas da criança, estar atentos à sua comunicação e responder àquilo que ela manifesta, mesmo que às vezes não entendam o que ela quer. O mais importante são todas estas tentativas que eles, pais, fazem para comunicar com o seu bebé.

Diz que todo o comportamento é uma forma de comunicação. Como por exemplo?

Os pais devem estar atentos a todo o comportamento do bebé. Se o bebé se aperta muito e dá um grito é porque há uma dor. Ou se, por exemplo, estamos a falar com o bebé e ele está com vontade de dormir, então a indicação que ele está a dar é que agora não está disponível para brincar assim. Ou quando o bebé leva as mãos à boca e começa a chupar os dedos, dando o sinal que está com fome. Há vários sinais que ele nos pode dar e, de facto, ele manifesta muito através do sono e da alimentação que são, no início, as necessidades básicas dele.

A ideia passa pelos pais estarem simplesmente atentos às mensagens do bebé?

Exatamente, para perceber o seu significado, para saber porque é que ele está a manifestar aquilo e qual é a sua necessidade. O mais importante são estas tais tentativas de comunicação [entre pais e filho]. Há muitos pais que não sabem interpretar os choros do bebé — e não têm de o saber, isso não é obrigatório, não há regras nem padrões em termos de desenvolvimento. Há padrões normativos mas estes têm espaços de abertura muito grandes, nem tudo é sinal de alarme e nada é estanque. Tudo é flexível e tudo é evolutivo. Todas as dúvidas, inquietações e inseguranças fazem parte da maternidade e da paternidade e é um processo de tentativa-erro. O melhor que eles [pais] podem fazer é ir ter com o bebé e tentar tudo aquilo que conseguirem. É isso que faz com que o bebé sinta “olha, este é o meu pai, ele está aqui para mim”. Ao fazer isto está-se a dar significado ao que o bebé quer transmitir, mesmo que não haja sintonia entre pai e filho. Isso faz parte do desenvolvimento e ajuda os pais a tornarem-se mais confiantes.

Nesse sentido, o livro funciona apenas como uma orientação?

O livro dá-nos algumas pistas de sinais fisiológicos e naturais, como as expressões faciais e a história do “neh”. Porque é que um bebé diz “neh”? No choro da fome, o bebé faz o que parece ser um “neh” porque ele tem a língua lá em cima, que é quando faz sucção — no movimento da sucção, a língua está lá em cima e bate no céu da boca. Mas há bebés que fazem isto de forma muito competente e outros nem por isso. Há bebés em que é mais difícil diferenciar o tipo de choro e é preciso ter um ouvido bastante treinado — também não é obrigatório tê-lo. A mesma coisa acontece do bebé para os pais, porque a comunicação não é só dos pais para o bebé. Achamos que o bebé é mais passivo, mas o bebé comunica de uma forma muito forte. Ele chora e isso é o máximo da comunicação, de tal maneira que as pessoas até ficam com desconforto. O choro é, nesta fase, a única forma de linguagem do bebé, ele não conhece outra.

No livro escreve que eles, os bebés, conseguem perceber o que nós dizemos e que quando ainda estão na barriga da mãe conseguem memorizar a voz desta. Será que subestimamos os bebés?

Acho que sim, claro. Acho que subestimamos completamente, porque mal o bebé nasce é altamente competente. Não é que ele perceba as palavras, até porque ainda não tem esse entendimento, mas ele consegue discriminar diferenças de línguas. É uma coisa de facto altamente competente, em termos de discriminação auditiva: um bebé com muito poucos dias consegue diferenciar. Sabemos que quando o bebé está dentro da barriga, na vida intrauterina, ele vai ouvindo os sons de quando o pai ou a mãe falam com ele, os sons que ouviu durante nove meses. Quando nasce, se o pai ou a mãe falarem, ele vai imediatamente virar a cara para eles. Se eu falar, ele não vai virar a cara para mim. Ele sabe que aqueles são os seus pais, que estiveram sempre com ele.

O bebé também responde de forma diferente a sons mais agudos ou mais graves. Uma vez que o bebé esteve dentro da barriga e ouviu durante mais tempo a mãe, ele prefere as vozes semelhantes à dela. Portanto, ele está mais habituado a discriminar esses sons. O mesmo acontece com a entoação. Imaginemos uma mãe que durante toda a gravidez fala baixinho: se quando o bebé nasce falamos com muita entoação, ele vai responder menos. Ele também é capaz de discriminar diferentes línguas porque discrimina as partes da prosódia, da entoação, da melodia… Hoje em dia sabe-se isto através dos movimentos da chucha — quando o som é diferente eles alteram o movimento da chucha e vice-versa. Há muitos estudos neste sentido. Uma coisa engraçada é que os pais, homens, quando falam com os bebés falam em falsete — é este a tipo de fala que o bebé está mais atento.

Se a fase dentro da barriga é tão importante para a comunicação posterior, o que é que as mães não devem ou não podem fazer durante a gestação?

Não sei o que é se deve ou não fazer. Agora, de facto, isso vai ter impacto na vida do bebé. Se for uma mãe com vários tipos de emoções, o bebé também vai estar preparado para diferentes tipos de emoções. Acho que não há um padrão para isso. O importante é a mãe comunicar de volta quando o bebé dá um pontapé — de certa forma o bebé está a dizer alguma coisa à mãe. É tudo um processo muito natural. Quando um bebé nasce os pais passaram horas a admirá-lo. Os pais estabelecem uma relação com o bebé através do seu comportamento e comunicação (a forma como tocam no bebé, como olham para ele…). O nosso comportamento também é comunicação. Este livro não é para ensinar pais e mães, é para nos ajudar a descobrir melhor quem é o nosso bebé e como é que podemos interagir com ele.

Também é necessário que o bebé esteja inserido num ambiente comunicativo. O que se entende por isso?

Um ambiente comunicativo é um ambiente em que há linguagem, em que o bebé desenvolve a comunicação e a linguagem de duas formas diferentes. Primeiro, todos nós temos um dispositivo que é inato, temos alguma coisa cá dentro que nos permite desenvolver. É como aprender a andar: o bebé quando começa a andar precisa de um espaço para o fazer, ele pratica, cai e levanta-se, e há uma altura em que começa a andar. Ninguém ensina o bebé a andar, porque isso vem de dentro de nós. A mesma coisa acontece com a comunicação e a linguagem: assim que eles nascem a primeira coisa que precisam é de ter um interlocutor, alguém que comunique com eles e que dê significado àquilo que eles estão a transmitir (quando o bebé chora e o pai responde, começa a comunicação). Esse dispositivo está lá. Mais à frente, quando pensamos em linguagem, o que a criança tem de ter é alguém que fale com ela, que a oiça falar de uma forma ativa e passiva. Ou seja, que converse com o bebé, comunique, interaja, faça frases, mas também que o oiça falar. Um ambiente comunicativo é isto, não é estar sempre a dizer “diz lá o que é isto!”. As coisas acontecem de forma natural e não é obrigatório estar numa creche. Numa avó também se desenvolve a linguagem. Mas há muitas vezes a ideia de que o bebé vai começar a falar assim que entra na creche — isto é um mito que eu gosto de esclarecer porque a linguagem é inata e, se alguma coisa não acontece, é porque há qualquer coisa ali que não está a correr bem e precisa de ser avaliada.

Ainda na lógica do ambiente comunicativo, qual é o risco da televisão nesta fase? E quais as suas vantagens?

Há o perigo de o bebé ficar entregue à televisão, aos iPads ou aos iPhones — este é o único perigo. Entregue é estar lá o dia inteiro. Isto é um risco, de facto, porque aí apenas temos uma aprendizagem passiva. O ser humano desenvolve-se muito mais através de uma aprendizagem ativa. Atualmente é só carregar num botão, é muito fácil: desde muito pequenos que os bebés são competentes e, com o dedo, viram páginas. Estes aparelhos têm muitas coisas atrativas para eles, inclusive a luz. Acho que não podemos eliminar estas coisas porque fazem parte da nossa vida, podemos é arranjar alternativas: o pai, por exemplo, pode ver televisão com o filho e ir falando com ele sobre isso. Há aliás alguns programas muito interessantes e muito interativos, mas se não houver alguém para os traduzir… muitas vezes podem haver programas que são desadequados ou que não são para a idade do bebé. Temos de aproveitar o que de bom temos.

Ao ler o livro fica-se com a ideia de que há diferenças de género no desenvolvimento da linguagem. É verdade?

Não digo que há diferenças, digo que é diferente a forma como os pais — mãe e pai — falam com as raparigas ou com os rapazes. Nós não falamos da mesma forma com os rapazes do que com as raparigas. Costumo dar este exemplo: quando um filho rapaz cai, ele começa a chorar e muitas vezes oiço os pais dizer: “Vá, está bem, já passou”. Quando é a menina e ela chora, perguntam: “Estás bem? Dói muito? Queres mimos?”. Claro que não há padrões, há pais que fazem isto e outros que não fazem, mas naturalmente quando conversamos com um homem ou quando conversamos com uma mulher, o nosso discurso modifica-se. Por esse motivo, também vai ser diferente a forma como eles [rapazes e raparigas] falam e comunicam. O que acontece é que ambos passam pelas mesmas etapas, só que fazem-no de forma diferente. Muitas vezes ouvimos dizer — e isso agora já está um pouco de parte — que as raparigas falam mais cedo do que os rapazes. Durante muito tempo se disse isso e agora já se sabe que não é bem assim. Ambos passam pelas mesmas etapas e alguns permanecem mais tempo numas do que noutras, não é propriamente um atraso. Nós naturalmente explicamos mais as coisas às raparigas e desenvolvemos mais a nossa conversação, pelo que elas são capazes de fazer frases mais cedo, enquanto os rapazes podem demorar mais tempo a dizer, por exemplo, palavras soltas.

Então, um conselho passaria por falar da mesma forma com ambos os sexos?

Acho que o importante é respeitar as diferenças: nós somos diferentes e temos uma forma diferente de dialogar. Se pensarmos em termos de atividade, os rapazes são mais motores, gostam mais de jogar à bola e com carrinhos, enquanto as raparigas brincam com as bonecas a dar a papa — aí têm mais linguagem. Isto tem que ver com as nossas diferenças de género.

Diz que existe uma relação entre a alimentação e fala. Como assim?

Os momentos em que são introduzidos alimentos diferentes, são momentos em termos de salto na linguagem. Vou dar um exemplo: até aos três meses o choro é essencialmente a forma de o bebé comunicar, o que vai diminuindo ao longo do tempo. Entre os quatro e os seis meses, o bebé começa a comer as papas porque já tem mais espaço dentro da boca e, se tem mais espaço, já pode fazer mais sons. Isso é a fase do balbuciar. Entre os seis e os nove meses deve ser introduzido um sólido na boca da criança — isto é que é muito importante. Se entre os seis e os nove meses não introduzirmos qualquer tipo de sólido, por exemplo pão ou bolacha, mais tarde pode ser mais difícil o bebé aceitar os sólidos. Esta é precisamente a altura em que o bebé faz um balbucio não repetitivo ou este jargon [de jargão], em que parece que está a conversar. Com um ano de idade, na primeira palavra, a criança já mastiga. Ou seja, estas etapas de desenvolvimento e de viragem na linguagem e na comunicação têm que ver também com estas etapas na alimentação. Porque a nossa boca tem várias funções e isto é tudo muscular. Os pontos de desenvolvimento da linguagem têm que ver com isso. Se uma criança, por exemplo, fala à sopinha de massa é porque pode engolir com a língua para a frente. São dois subsistemas que se interligam mas que não dependem um do outro.

Muito resumidamente, qual é a evolução da comunicação da criança entre os zero e os três anos?

Há duas grandes etapas, que é a etapa pré-linguística e a etapa linguística. Até ao primeiro ano, até à primeira palavra, é a etapa pré-linguística. A partir do momento em que diz uma palavra, a criança entra na fase da linguística ou da linguagem e isso já é considerado comunicação, apesar de já existir alguma compreensão da linguagem. Todas as etapas são universais, todos passamos por etapas comuns ao longo do desenvolvimento. Começamos por comunicar através do choro para depois, mais à frente, irmos para esta linguagem mais concreta. Primeiro é choro, depois a expressão facial, a mímica, o gesto, o sorriso, o tomar a vez, o palrar, em que a criança diz vogais, o balbucio (sílabas repetidas e não repetidas) e o tal jargon, que parece uma conversa de verdade, na qual não se percebe nada. A partir daí, entre os nove meses e os 18 meses, pode surgir a primeira palavra, sendo que a média é aos 12 meses. Mas há crianças que dizem aos nove meses, outras que dizem aos 15. Mas a partir dos 18 meses já é considerado um sinal de alarme.

No meio disto tudo, quais são os principais sinais de alarme?

Há sinais de alarme em todas as etapas do desenvolvimento. O que é importante é pensar em sinal de alarme em termos de intensidade — ou seja, se a criança faz alguma coisa que é muito exuberante; se com 18 meses não emite uma palavra, se não balbucia, isso é uma coisa muito exuberante — e caso a situação perdure no tempo. Nessas circunstâncias o ideal será falar com o pediatra da criança.

Já foi apelidada de tradutora de bebés. Pode também ser uma encantadora de bebés?

Eu é que fico encantada com os bebés, eles é que me encantam. Apesar de ser terapeuta da fala trabalho com recém-nascidos. É uma coisa que ninguém imagina, mas nós, seres humanos, começamos a falar e a comunicar desde pequeninos. É apaixonante trabalhar com bebés.

visualizar o vídeo no link:

http://observador.pt/especiais/sabe-porque-chora-o-seu-bebe-arranjamos-lhe-uma-tradutora/

 

 

Lego cria rede social para crianças partilharem as suas construções

Fevereiro 13, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 31 de janeiro de 2017.

A Lego Life disponibiliza avatares e emojis especiais Lego Life

A Lego Life disponibiliza avatares e emojis especiais Lego Life

 

Empresa pretende que a Lego Life seja uma plataforma segura para utilizadores até aos 13 anos, que não poderão divulgar dados reais.

Ana Cristina Sousa

A Lego lançou recentemente a Lego Life, uma rede social vocacionada para crianças, que permite partilhar as construções de Lego de uma forma segura para menores de idade.

Apesar de haver vários sites, como o Flickr, que os mais aficionados usam para partilhar as suas obras de Lego, até ao momento não havia nenhuma opção destinada a menores e onde estes pudessem navegar com total segurança. A marca dinamarquesa entendeu que estava na hora de mudar o panorama.

Os utilizadores vão poder publicar fotografias das suas criações Lego, seguir outros utilizadores e comentar publicações com recurso a emojis especiais da Lego. Através do newsfeed é possível às crianças acederem a uma variedade de conteúdos de marketing da marca. Segundo o site The Verge poder-se-á aceder a linhas de produtos como os Lego com base no Star Wars, bem como às contas das redes sociais de personagens da Lego (como o Master Wu de Ninjago ou Lego Batman).

Aceder à rede social implica alguns requisitos: a criança terá de ter até 13 anos (embora não haja uma restrição explícita da marca para pessoas acima desta idade), ser um fã incondicional da marca e, não menos importante, o registo na conta Lego Life deve ser efectuado com recurso a um endereço de e-mail dos pais. Outra novidade na Lego Life é que os perfis não têm a fotografia dos utilizadores. Em vez disso, a Lego permite serem criadas pequenas figuras, com uma variedade de roupa e acessórios à escolha.

Para deixar os pais livres de preocupações sobre quem os filhos seguem, por quem são seguidos, ou ainda, a que tipo de conteúdo estão expostos, a Lego estabeleceu uma parceria com a Crip, uma empresa que faz moderação de conteúdo que combina algoritmos e detecção humana para escrutinar todas as imagens antes de estas irem para o site.

A rede social Lego Life é gratuita e está disponível para Android e iOS, da Apple. A aplicação pode ser descarregada nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Suíça, bem como em 12 países da União Europeia e nas respectivas línguas. Portugal não foi contemplado.

Texto editado por João Pedro Pereira

 

Concurso Europeu Wave StepUp – Vote no vídeo da representante portuguesa até 16 de fevereiro

Fevereiro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Pode votar no vídeo da representante portuguesa, Joana Machado, no link em baixo:

http://wave-stepup.org/activities-tags/wave-step-up-2017/326-voting-for-the-youth-video-award-starts-today-at-12-noon

Texto de Joana Machado

Fui vencedora do concurso nacional promovido pela Associação de Mulheres Contra a Violência (AMCV). Realizei um vídeo que visa combater a violência contra as mulheres, jovens e crianças. Atualmente está a decorrer a fase de votação do público até ao dia 16 de Fevereiro em que o vídeo com maior número de visualizações será o vencedor. Para além desta votação o júri também irá avaliar o vídeo na cerimónia do concurso europeu, em Bruxelas, onde irei estar presente em representação de Portugal no dia 27 de Fevereiro. O meu vídeo está disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=aoOzdxuthr0.

Gostaria que esta mensagem chegue a toda a população portuguesa, principalmente às vítimas de violência e a todos aqueles que as possam ajudar (“nós”).

Agradeço desde já toda a vossa ajuda na divulgação desta mensagem. Todos nós estaremos a representar Portugal com “Atitude em Movimento.”.

Alguns dos websites onde poderão encontrar mais informações acerca deste concurso são os seguintes:

http://www.wave-stepup.org/portugal/325-portugal-finds-winner-for-the-youth-video-award

http://cdoc606.wixsite.com/concursovideo/vencedores

http://wave-stepup.org/activities-tags/wave-step-up-2017

 

Dia da Internet Mais Segura 2017 – 7 de fevereiro – vídeo

Fevereiro 7, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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The bigger picture – Safer Internet Day 2017 film for 7-11 year olds

Fevereiro 7, 2017 às 11:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais vídeos no links:

https://www.saferinternet.org.uk/safer-internet-day/2017/sid-tv

https://www.youtube.com/user/UKSIC/videos

Mutilação genital afetou mais de 6500 mulheres em Portugal

Fevereiro 6, 2017 às 5:08 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 6 de fevereiro de 2017.

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RTP

São mulheres oriundas principalmente das comunidades africanas e foram vítimas de mutilação genital feminina. Inês Leitão é a autora do documentário “Este é o meu corpo”, que no dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina dá a conhecer a realidade destas mulheres.

Inês Leitão refere que se estima em 6576 o número de mulheres que sofreram esta prática ritual, sendo a maioria oriunda da Guiné-Bissau. A autora do documentário refere contudo que é também esta comunidade que agora mais denuncia a prática ancestral. O documentário “Este é o meu corpo”, que aborda a realidade de mulheres

 

Menina de quatro anos já leu mais de mil livros

Janeiro 25, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/ de 14 de janeiro de 2017.

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Uma menina de 4 anos que leu mais de mil livros foi convidada para ser bibliotecária por um dia, na Biblioteca do Congresso norte-americano.

Daliyah Marie Arana tinha 2 anos e 11 meses quando leu o primeiro livro de forma independente.

Haleema Arana, a mãe, contou ao jornal “The Washington Post” que quando estava grávida de Daliyah lia, diariamente, para outras crianças e que quando a filha era bebé ouvia o irmão mais velho a ler capítulos de livros em voz alta pela casa, em Gainesville, na Geórgia, nos Estados Unidos da América.

“Ela queria ler sozinha”, afirmou a mãe ao jornal. “Quanto mais palavras aprendia mais vontade tinha de ler”, explicou.

Agora, com 4 anos, a menina já leu mais de mil livros e alguns textos do ensino superior.

A mãe contactou a Biblioteca do Congresso e perguntou se era possível usufruir de uma experiência no local com a filha. Na última quarta-feira, Daliyah concretizou o sonho de ser bibliotecária por um dia.

A menina visitou a secção de crianças da Biblioteca, leu livros para Carla Hayden, 14ª bibliotecária do Congresso norte-americano, e conheceu alguns funcionários da instituição.

No entanto, quando a equipa lhe pediu algumas recomendações, a criança sugeriu que instalassem quadros brancos nos corredores da biblioteca para que as crianças, como ela, pudessem praticar a escrita.

Carla Hayden ficou impressionada com a paixão da menina pela leitura e pela literatura e publicou algumas fotografias da visita no Twitter.

Haleema Arana revelou ao “The Washington Post” que a filha estava sempre a dizer que a Biblioteca do Congresso era a sua preferida em todo o mundo.

Daliyah tem um cartão de leitor e frequenta a biblioteca local, em Gainesville, com bastante regularidade. “Eu gosto de verificar os livros todos os dias”, revelou a menina. “Eu quero ensinar outras crianças a ler cedo também”, disse a criança ao jornal “Gainesville Times”.

A mãe teve a ideia de começar a contar o número de livros que a filha lia, através do programa “1000 livros antes do jardim-de-infância”. De acordo com Haleema, a menina, aos 3 anos, já devia ter lido mil obras.

Os pais nunca testaram o nível de leitura da filha. Contudo, a mãe, para atender ao amor da menina por livros, lançou-lhe um desafio e deu-lhe o discurso “The Pleasure of Books” (O Prazer dos Livros), de William L Phelps, considerado de grau universitário, para ler. Acontece que Daliyah leu tão bem o texto e pronunciou tão bem as palavras que a mãe publicou um vídeo da leitura no YouTube.

Daliyah pretende atingir a meta de 1500 livros até entrar, no próximo outono, no infantário e espera ajudar o professor a ensinar outras crianças a ler.

 

 

 

 

Aplicação da Google transforma imaginação infantil em verdadeiras histórias animadas 3D

Janeiro 24, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Recursos educativos, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 12 de janeiro de 2017.

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Nuno Patrício

A criatividade digital não pára de inovar, apelando principalmente às crianças, que rapidamente se adaptam e parecem saber lidar com as tecnologias melhor do que ninguém. A Google quer ajudar a construir esse mundo novo. Os mais novos são o ponto de partida.

Os criativos da Google, sabendo dessa habilidade juvenil, oferecem agora mais uma ferramenta aplicativa, gratuita para smartphones, tablets e Chromebooks na Google Play e na iOS App Store, de nome Toontastic 3D. Esta nova aplicação surge no seguimento da versão primária Toontastic, em que as crianças podem construir as suas próprias histórias nas plataformas móveis. Agora com a versão 3D, as histórias ganham ainda mais ritmo e um formato mais tridimensional, como por exemplo a história criada por Sophia, com sete anos. Com a app Toontastic 3D, as crianças podem desenhar, animar e contar as suas próprias aventuras, fazer notícias, criar vídeoclipes, relatórios escolares, enfim, quase tudo o que a imaginação infantil lhes sugere. Basta para isso moverem as personagens, digitalmente construídas, à volta do ecrã e contarem as suas histórias.

Uma espécie de teatro de bonecas digital, mas com enormes mundos em 3D, dezenas de figuras personalizadas, ferramentas de desenho tridimensional e um “laboratório” de ideias com estórias-modelo criadas por outras crianças que ajudam a imaginar novas aventuras. A app Toontastic 3D, está desde esta quarta-feira, disponível gratuitamente para smartphones, tablets e Chromebooks na Google Play e na iOS App Store – uma ferramenta que para além de lúdica pode ser também educativa e que por certo dará largas à imaginação infantil.

 

 

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