Educar pressupõe sempre desagradar à criança, diz psicóloga Rosely Sayão

Dezembro 31, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site http://zh.clicrbs.com.br a Rosely Sayão no dia 21 de dezembro de 2015.

Zanone Fraissat Folhapress FOLHINHA

Especialista acredita que o excesso de zelo adia a conquista da maturidade

Por: Larissa Roso

Especialista em questões relacionadas à família e à escola, a psicóloga paulistana Rosely Sayão acredita que as crianças estão sendo educadas sob o peso da superproteção, o que as desconecta da realidade. O excesso de zelo também dificulta o desenvolvimento da resiliência, a capacidade de resistir às adversidades e empurra para mais tarde a conquista da maturidade.

Para Rosely, falta aos pais, preocupados em demasia com um futuro de sucesso para os filhos, um olhar focado no presente. — A gente perde de vista o filho como ele é hoje. Quem é o meu filho? Do que ele gosta? Do que ele não gosta? Quais são os talentos dele? Quais são as impossibilidades? Algumas delas a gente pode superar? — pergunta-se a psicóloga, colunista da Folha de S.Paulo e da Band News FM. Confira os principais trechos da entrevista.

Você aponta a superproteção dos filhos como um estilo dos pais hoje em dia, independentemente de classe social, econômica e cultural. Onde isso fica mais evidente?

Em todas as situações que envolvem essa neurose de segurança que a gente adquiriu: filho não sai sozinho, na esquina, na padaria, não usa transporte público. Há adolescentes que usam sem os pais saberem, mas não para ir para a escola. Para ir para a escola, ou tem perua, ou o pai leva e busca, e eles vão ficando um pouco distantes da realidade. Em casa, eles são muito poupados dos afazeres domésticos com que poderiam contribuir, sempre acham que tem alguém que faça. A gente não tem ensinado para os filhos que tudo tem um processo com começo, meio e fim. Por exemplo, ir a um aniversário. Tem o antes, que é pensar na pessoa, pensar no presente, sair para comprar o presente, pedir para os pais se pode ir, perguntar se os pais podem levar e buscar. Depois tem a festa, o desfrute, e depois da festa tem de ver quem vai buscar. Tudo fica com os pais e, para os filhos, é só ir à festa. Tomar banho é a mesma coisa: é só entrar debaixo do chuveiro. Não tem a organização da roupa e do banheiro, enxugar o banheiro. Nada disso, para os filhos, faz parte desse processo. Isso tudo é superproteção.

É comum os pais se colocarem contra a escola, atacando o professor ou o método de avaliação para defender os filhos.

Exato. Às vezes, os filhos reclamam de um colega e os pais vão tomar satisfação com os pais do outro colega. Briga entre crianças sempre vai acontecer, e elas são capazes de resolver. Quando não são, a escola tem de dar conta se elas estão lá. Mas os pais querem resolver tudo, metem-se na vida escolar dos filhos muito intensamente. A escola deveria ser a primeira batalha que a criança aprende a enfrentar por conta própria. Os pais estão com a ideia de que ir bem na escola, passar de ano, ser exitoso é um índice de que eles são bons pais. Eles fazem tudo para que isso aconteça. Os filhos vão aprendendo que “se tem problema, meus pais resolvem”.

A imaturidade é a principal consequência da infância e da adolescência poupadas de percalços?

A maturidade vai ficando mais tardia. Hoje, muitas empresas reclamam demais da falta de compromisso dos seus funcionários mais jovens, uma geração que já foi criada assim. Se o chefe dá uma bronca, o funcionário já quer sair do emprego. Os pais, resolvendo tudo, não colaboram para que o filho construa a resiliência, que é a capacidade de resistir às adversidades, de cair e levantar, de tropeçar, machucar o joelho, fazer o curativo e seguir em frente. O mundo das crianças pequenas é absolutamente irreal. As escolas privadas são obrigadas a limpar a areia semanalmente, os móveis não têm cantos, é tudo arredondado. As crianças não podem vir da escola machucadas que os pais reclamam. Esses pequenos incidentes fazem parte da adaptação ao mundo. É contraditório: a gente diz que os pais não dão limites, mas as crianças estão limitadas em demasia. Não pode isso, não pode aquilo, não pode aquele outro. E como é realidade da vida que dá os limites, aí, elas não reconhecem esses limites.

Qual é a maior angústia dos pais atualmente?

O sucesso dos filhos a qualquer custo, o que tem custado uma formação deficitária. O sucesso futuro retira um pouco o presente da vista dos pais. A criança e o adolescente estão no presente, não é pensar só no futuro. A gente deveria substituir aquela famosa e malfadada pergunta “o que você vai ser quando crescer?” por “o que você quer ser antes de crescer?”, para eles terem a ideia de que são alguma coisa agora. Outro lado que o sucesso no futuro tem provocado é a formação dos valores, da moral, da ética, dos princípios. Está todo mundo focado em “meu filho tem de ter um bom emprego, ganhar bem, ter conforto”, mas, se ele não for uma pessoa de bem, vale a pena? Essa é a pergunta que a gente tem de se fazer.

Uma pesquisa recente afirma que os pais andam muito distraídos com seus smartphones, não prestando atenção na conversa com os filhos, além de ser comum a troca de mensagens de texto entre pessoas que estão na mesma casa. Você acha que a tecnologia está afetando muito as relações? Muito. Há um percentual muito grande de crianças e jovens no mundo que dizem que os pais dão mais atenção ao celular do que a eles. Esse índice explodiu no Brasil. A gente vive dizendo que os jovens só querem saber de celular, mas somos nós que estamos deixando eles de lado em nome dessas conversas por mensagem instantânea e do trabalho que não termina nunca. Quem tem filho precisa se comprometer e honrar o seu compromisso. A gente não educa apenas para que ele tenha um bom futuro. A gente educa para que ele construa um bom futuro também.

Há pouco você escreveu que “nossa sociedade adulta, infantilizada, adora brincar de faz de conta: fazemos de conta que cuidamos muito bem de nossas crianças”. As crianças deixaram de ser prioridade na vida dos pais?

A gente fez algumas transformações no que significa ser prioridade, por conta de o mundo adulto estar infantilizado. Hoje todo mundo é jovem, independentemente da idade. O jovem tem um compromisso muito grande consigo mesmo, sobra muito pouco tempo para olhar para os outros. Os pais acham que os filhos são prioridade porque trabalham para dar do bom e do melhor e vivem declarando amor a eles, verbalmente. Mas a paciência, a perseverança, isso anda mais escasso.

Além dessa obsessão pela juventude, que outros valores sociais estão moldando as famílias?

O consumo, muitas vezes, determina a posição familiar. “Quero isso”, “vou dar isso para o meu filho fazer parte do grupo e não ficar excluído”. A criança fica desacreditada de si porque precisa ter isso ou fazer aquilo para se inserir, e não ser alguma coisa, pensar alguma coisa, ter posições. Isso atrapalha muito a autoimagem que a criança constrói. Tem também a busca desenfreada da felicidade. Ninguém é capaz de dar felicidade para alguém. A gente é capaz de preparar o filho para que ele consiga buscar a própria felicidade, identificar situações que possam lhe dar momentos de felicidade. Educar pressupõe sempre desagradar à criança. Aí, a gente acha que a criança está infeliz, não desagrada e não educa.

É excessiva a procura por psicólogos, psicopedagogos, neurologistas? Os pais estão com dificuldade de entender os filhos? A solução para eventuais dificuldades e problemas é muito “terceirizada”?

Às vezes não há nada de errado. É preciso lembrar do que os estudiosos têm chamado de medicalização da vida. Olhamos a vida pela lógica médica, e a lógica médica tem a saúde e a doença, o normal e o anormal. Se não está dentro do que se considera normal, procura-se um diagnóstico para poder tratar e transformar em normal. Muitas crianças e muitos jovens têm recebido diagnósticos desnecessariamente, equivocadamente. São poucos os profissionais da saúde, de modo geral, que também conseguem resistir a essa ideologia.

Segundo o IBGE, o número de divórcios no país cresceu mais de 160% na última década. Como essa mudança de comportamento está impactando na criação dos filhos?

Os rompimentos não acontecem só no plano amoroso, do casamento, mas também no da amizade. Bauman, sociólogo polonês, chamou isso de tempos líquidos, tudo é líquido, tudo se dissolve. Mas as crianças nasceram nesse mundo líquido. Acho que afeta menos as crianças se os pais puderem lembrar que o casamento foi rompido, mas a paternidade e a maternidade não. Isso os unirá até que a morte os separe. Tem sido ainda difícil para os adultos deixar de lado as mágoas que sempre ficam depois de um rompimento, para exercer a paternidade e a maternidade de modo mais civilizado. Há muitas brigas, inclusive na Justiça, “é meu dia”, “não é meu dia”. Nem mesmo a guarda compartilhada resolve muito porque é uma questão pessoal, de rixa, em que o filho parece que se transforma em uma moeda de troca. Acho que isso afeta (o filho), não a separação em si.

Como a internet está influenciando a formação das crianças?

Vou ligar essa questão à primeira, sobre a superproteção. É surpreendente que os pais superprotejam os filhos, a ponto de não deixar ir na esquina comprar um pão, e os deixem sozinhos na internet muito precocemente. Eles esquecem que a internet é uma rua, uma avenida, uma praça pública. Talvez a criança e o jovem fiquem tão focados nisso que deem menos trabalho aos pais. A gente vai a restaurante e vê um monte de criança com celular ou tablet. A internet móvel é um “cala a boca”, “fica quieto”. Aí é que a criança aprenderia a socialização, como se comportar em locais diferentes com pessoas diferentes. Aí estaria o empenho da família na formação dos filhos. Nas crianças e nos jovens, a internet sem tutela provoca aquela ideia do descompromisso: “Posso fazer e falar o que eu quiser que não tem consequência”. Mas não é a internet em si a responsável por isso. Ela não é o único elemento a dar essa ideia para os mais novos, é só mais um.

 

 

 

17 sintomas indicam que a criança é vítima de abuso sexual

Dezembro 31, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.ebc.com.br de 17 de novembro de 2015.

Por Solange Melo

Fonte:Papo de Mãe

A suspeita de que uma criança possa estar sendo sexualmente abusada deve sempre ser investigada cuidadosamente, pois isto certamente vai afetar em muito a vida da criança e da família como um todo.

Observamos que a violência sexual contra a criança, infelizmente, ocorre em todos os grupos sociais e se caracteriza quando uma criança ou adolescente é usado como gratificação sexual por um adulto ou adolescente mais velho, através do uso da violência física, coação ou abuso da confiança.

Frequentemente, o agressor é um membro da família ou responsável pela criança, alguém que ela conhece, no qual confia e com quem, muitas vezes, tem uma estreita relação afetiva.

Normalmente, este abuso fica cercado de um complô de silêncio, pois este é um ato que envolve medo, vergonha, culpa e desafia tabus culturais (a sexualidade, incluindo a da criança) e aspectos de interdependência.

O silêncio é uma tentativa de preservar a família, evitando se dar conta da contradição existente entre o papel de proteção esperado da família e a violência que nela se dá. Em muitos casos, o silêncio e a negação caminham juntos.

Comportamentos mais frequentemente observados em crianças que foram ou são abusadas sexualmente:

1 – Crianças extremamente submissas

2 – Crianças extremamente agressivas e antissociais

3 – Crianças pseudo-maduras

4 – Crianças com brincadeiras sexuais persistentes, exageradas e inadequadas

5 – Crianças que frequentemente chegam muito cedo à escola e dela saem tarde (num esforço inútil de escapar da situação do lar)

6 – Crianças com fraco ou nenhum relacionamento com seus pares e com imensa dificuldade de estabelecer vínculos de amizade e com falta de participação nas atividades escolares e sociais

7 – Crianças com dificuldade de concentração na escola

8 – Crianças com queda repentina no desempenho escolar

9 – Crianças com total falta de confiança nas pessoas, em especial nas pessoas com autoridade

10 – Crianças com medo de adultos do sexo oposto ao seu

11 – Crianças com comportamento aparentemente sedutor com pessoas adultas do sexo oposto ao seu

12 – Crianças que fogem de casa

13 – Crianças com sérias alterações do sono (como em geral os abusos são feitos na cama, se estabelece o medo de dormir e sofrer o ataque )

14 – Crianças com depressão clínica

15 – Crianças com ideias suicidas

16 – Crianças com comportamentos de automutilação

17 – Crianças com imensos sentimentos de culpa em relação a tudo

Quando o abuso sexual é feito por meio do incesto, ele é bem mais profundo e traumático, pois de forma mais contundente ficam marcados o abandono e a traição, porque à criança foi negado um direito inerente: o amor e a confiança. As consequências disso são o emocional devastado, uma autoimagem destruída e uma profunda dificuldade em estabelecer relações de respeito, admiração e confiança no futuro com as pessoas.

Geralmente, os homens que cometem incestos tiveram uma infância marcada por privações emocionais sérias (causada por morte materna, doenças graves ou abandono de um ou de ambos os pais).

Crianças mais velhas são menos facilmente abusadas, pois são mais fortes, maiores e podem revelar ao mundo tais abusos. Pessoas que foram abusadas na infância chegam à idade adulta sem os benefícios da infância. Muitas delas se tornam mulheres que acabam por repetir o padrão de suas mães (casando com homens violentos e abusivos) e, em geral, se tornam pessoas cronicamente deprimidas.

As estratégias do abuso sexual de crianças podem ser divididas em cinco fases:

1 – Fase do envolvimento

2 – Fase da interação sexual

3 – Fase do sigilo

4 – Fase da revelação

5 – Fase da repressão

O agressor, geralmente, faz com que a criança participe do abuso, fazendo-a acreditar que aquilo nada mais é do que um jogo divertido. Ele, frequentemente, sabe o que agrada as crianças e as recompensa ou suborna.

Em muitos casos, o agressor abusa sexualmente da criança a fim de satisfazer necessidades não sexuais suas, tais como: desejo de sentir importante, poderoso, dominador, admirado e desejado.

Infelizmente, na maioria das vezes, a criança guarda segredo de tais abusos. E o agressor consegue dela isso, usando das seguintes estratégias:

1 – Mencionando a irritação de outra pessoa (se você contar isso à mamãe, ela vai ficar muito irritada ou brava com você)

2 – Mencionando a separação (se você contar isso para alguém vão te mandar embora de casa)

3 – Mencionando o auto prejuízo (se você contar isso a alguém eu vou te matar)

4 – Mencionando fazer mal a alguém (se você contar isso eu mato a sua mãe)

A revelação do abuso pode acontecer acidental ou propositadamente. De uma forma ou de outra, representa o fim de um calvário para a vítima e uma possível punição para o agressor.

Crianças abusadas sexualmente, em especial as menores, não entendem o que de verdade está acontecendo e ficam sem saber COMO reagir nem SE DEVEM reagir. Em geral, elas fingem ignorar o fato e sofrem, muitas vezes, anos caladas. E lamentavelmente, quando o fato é revelado, muitas ainda têm que enfrentar o descrédito da própria família e da sociedade, o que as dilacera ainda mais por dentro.

*Solange Melo é psicóloga clínica, de formação psicanalítica, atende adultos, adolescentes, crianças, casais e famílias em São Paulo/SP .

 

 

 

Por um mundo com mais crianças e menos mini-adultos

Dezembro 31, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.updateordie.com de 2 de novembro de 2015.

Child-Image

Nathalie Hornhardt

Atenção, esse texto pode parecer politicamente correto, mas o que ele de fato pretende é prezar por crianças que sejam crianças e não que já tenham responsabilidades e preocupações que só deveriam ser alcançadas na vida adulta. Criança que é criança deve subir em árvore e desenvolver sua imaginação por meio do “faz de conta” ou da famosa pergunta “o que eu vou ser quando crescer?”.

Agora quando o “faz de conta” vira realidade e crianças deixam de dormir por pensarem nas pressões de seus trabalhos, nas provas e metas que terão de cumprir na próxima semana, no medo que as irrompem por uma eventual demissão, nos desafios que elas serão impostas, algo está errado ou conturbado. Você deve estar se perguntando: que criança pensa em demissão ou meta?

O que quero é fazer uma reflexão a partir de um programa que estreou em TV aberta há quase três semanas, o MasterChef Júnior, em que competidores de 09 a 13 anos disputam o título de vencedor na categoria melhor chefe mirim. Em meio a facas, batedeiras e panelas, os pequenos adultos elaboram pratos que nem eu com quase 30 consigo fazer. Quem não sente aflição só de assistir as crianças cortarem cebola com a agilidade de um chefe profissional?

O fato mais grave, creio que não seja o uso de artefatos que causem riscos ao nosso corpo físico se mal utilizados, tais como facas e fogo – lembro muito bem, que quando era pequena meus pais e os pais dos meus amigos nos orientavam a ficar bem longe desses objetos que, ocasionalmente, causavam acidentes em casa. Dos males, esse é o menor já que no caso dos nossos mini chefinhos existe uma espécie de domínio desses instrumentos. Aí que começa o problema: crianças de 09 a 13 anos deveriam treinar e estabelecer uma rotina com algo semelhante a um trabalho?

Existe uma grande diferença entre o fazer de conta e o ser de fato. Não há problema em uma criança querer ser chefe de cozinha, professor ou desenhista; assim como não há problema em brincar de ser… A questão está em exercer, em executar uma profissão aos 10 anos de idade. As crianças, que deveriam subir em árvores ou brincar de pega-pega, passam parte de seus dias elaborando estratégias para atingirem suas metas de gente grande.

E isso não ocorre só no programa, cada vez mais as crianças pensam e agem como mini-adultos. A agenda delas, se bobear, é mais atarefada que a de um adulto: de manhã escola, à tarde aula de inglês, futebol, balé, vôlei, equitação, psicólogo, fonoaudiólogo, aula de reforço, etc. A hora de brincar? Ah, essa fica para quando sobrar algum tempo, se sobrar…

 

 

 

A escola pública do futuro é já ali no Alentejo

Dezembro 30, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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reportagem do Observador de 11 de dezembro de 2015.

observador

Bárbara Alves da Costa

Um director que quer um tablet por aluno, uma escola onde é importante sair cedo e ter tardes livres e há dois professores de matemática por turma. Sim, é uma escola pública com contrato de autonomia.

O acesso à escola foi simples, sem barreiras. Foi-nos dado o telemóvel do diretor, e em dois dias estávamos no hall de entrada da Escola Secundária Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém. O edifício não é novo. É mesmo antigo. Muito diferente da escola básica do agrupamento, com primeiro e segundo ciclos, a Frei André da Veiga – moderna, cúbica, com janelas cinzentas, cheia de luz. A secundária, unida pelo recreio à básica, tem mais de 20 anos e é o quartel-general do agrupamento.

Manuel Mourão estava à porta do gabinete para nos receber e nem chegámos a sentar-nos. Quis logo mostrar a escola, carinhosamente dele desde 1991 – embora com interrupções quando saiu para integrar projetos na área da educação e para dirigir as escolas do agrupamento de Grândola em 2009. Regressou em 2013 e foi nomeado presidente da CAP (Comissão Administrativa Provisória), mas foi na década de 90 que começou a lançar novos projetos para o agrupamento.

“Parti muros, deitei abaixo balcões e paredes, abri janelas, trouxe mais luz à escola secundária, mexi no que pude e continuo a mexer. Ainda agora mandei abaixo mais um balcão, na biblioteca da André da Veiga. Estamos todos ao mesmo nível. Muda também mentalidades.”

Apresentou um projeto ao Ministério da Educação e conquistou um contrato de autonomia para o agrupamento. Em junho de 2015 foi eleito diretor.

Construir uma revolução

Nascido numa pequena aldeia do concelho de Vila Real, com uma mãe virada para as letras e um pai mais dado às contas, aos 18 anos Manuel Mourão entrou na Universidade de Letras do Porto. Tornou-se professor de História. E encontrou o peso certo, numa receita equilibrada: servir alunos, pais, professores, funcionários e construir uma escola pública, diferente.

“Está a ver aqui? Tenho o esquema feito no meu caderno. Todos os meus alunos entram às 08h25. Ninguém sai depois das 17h00 e os que saem às 17h é porque têm mais horas do que os outros devido ao ensino articulado de música. Quero que tenham pelo menos duas tardes livres. Se possível às sextas-feiras. Precisam de brincar, de se distrair, de praticar desporto. Quem é que aprende matemática à tarde? Ou português?“, questiona.

Em poucos segundos ficou assim definida a sua postura relativamente a um sem número de escolas, muitas em Lisboa, onde há crianças a entrar depois da uma da tarde para estarem a ouvir debitar matéria, em blocos de 90 minutos, sentadas na cadeira, depois de almoço. Crianças que terão saído de casa para a escola ou para os ATL às 08h30, porque os pais trabalham, mas que só têm as disciplinas ditas nucleares na parte da tarde.

Explicações grátis e dois professores por sala

Manuel Mourão começou por criar um centro de explicações interno na escola. Quem quisesse podia ter aulas-extra de matemática e português, dadas pelos professores. Sem pagar. Há pouco tempo acrescentou o inglês. Começou pelo sétimo ano; mais recentemente introduziu as salas de estudo, que começam na primária: “São para os alunos com dificuldades, mas não só. Os que estiverem interessados em aprender mais podem pedir para integrar.”

Lançou também o que chama de coadjuvação — um sistema previsto pela tutela — desde o primeiro ciclo até à secundária. Esta iniciativa traduz-se na presença de dois professores na sala de aula e aplica-se a matemática, físico-química, português e em disciplinas mais práticas. “Dois professores estão mais atentos, ajudam mais, estão mais presentes”, explica.

Criou de raiz outro projeto para o agrupamento que está a iniciar-se este ano letivo: uma classe extra que, durante seis semanas, funciona com cinco alunos de cada turma do respetivo ano. É a Classe Mais. Existe do 6º ao 9º ano nas disciplinas de Inglês e Matemática. E será sempre formada por grupos homogéneos em termos de aproveitamento escolar: podem ser os cinco melhores alunos de cada turma, nas seis semanas seguintes os extraídos podem ser os cinco com maiores dificuldades, de maneira a potenciar a aprendizagem.

“São os professores que definem quem sai e quando. As extrações estão a iniciar-se agora e a escola dá aos professores duas horas a mais, semanalmente, para se articularem e preparar os conteúdos.”

Nesta escola pública, que fica a uma hora e meia de Lisboa, a 15 minutos de Sines, a 20 minutos de Melides, mas com os olhos postos no mundo, o diretor tem ainda mais um projeto, pelo qual batalhou durante dois anos, e que está agora a pôr também em prática: as salas do futuro.

Objetivo: acabar com os manuais na mochila

“A ideia inicial era a compra de tablets para os alunos, numa parceria com a Porto Editora, a Universidade Católica, uma empresa ligada ao software e o Ministério da Educação. Não houve dinheiro para todos os tablets, mas não desistimos da ideia“, explica o diretor.

Decidiram, então, avançar para as salas do futuro: três na secundária Manuel da Fonseca e duas na básica integrada Frei André da Veiga: “A ideia não é pôr de lado o livro ou o caderno – há que ter atenção à motricidade fina! Como também é muito importante, nas salas de aula, não mandar embora os quadros à antiga”.

Mas isso pode coexistir com estas salas, com espaços multifuncionais, em open space. Assim, a informática estará numa área onde estão os dicionários, enciclopédias e livros de referência, em papel; noutro lugar da mesma sala vão trabalhar o desenho e a pintura; há um quadro interativo, onde é mostrado o que é produzido, os tablets (já foram comprados 30) e as mesas interativas, cada uma com lugar para seis alunos. É rotativo.

Para que os alunos possam trabalhar e comunicar com o mundo, os tablets têm um software que se aplica a matemática, português e estudo do meio e são essas disciplinas que podem ser trabalhadas com este suporte digital. Todo o material foi comprado pela escola. “Há outro equipamento que já está comprado, um software de perguntas e respostas. Está na escola secundária e vamos comprar para a outra escola. Os alunos têm de responder às perguntas, consoante o ano e a disciplina em que estão. Em forma de jogo. Depois veem se acertam ou não. Há que tornar o ensino divertido!”

Os professores que tiveram formação específica, vão passar por estas salas, com os alunos, pelo menos uma vez por semana. Mas esta iniciativa é só um passo, a caminho da ideia inicial. Manuel Mourão diz que não para enquanto não conseguir ter um tablet por aluno.

O diretor do agrupamento de Santiago do Cacém tem uma visão definida para a escola e sabe que fez desta casa um lugar diferente. Quer tudo a funcionar em pleno em 2017/2018. “Que em dois anos não haja manual, em papel, a carregar as mochilas dos meninos”, deseja. E faz questão de explicar e justificar: “O manual vai estar sempre na biblioteca mas o meu grande objetivo é que cada criança tenha um tablet. Posso ficar feliz se começarmos com os inícios de ciclos: primeiros, quintos, sétimos e décimos anos. Todos têm de ter um tablet”.

A internet e a relação com a informática chegou cedo a esta escola. Na secundária os alunos têm os emails dos professores e trocam mensagens. “No final da década de 90 já tínhamos um rácio de computadores por aluno de 1 para 4. Fomos das primeiras escolas a ter o cartão, a ter os sumários digitais. As faltas iam e vão logo para a secretaria. Talvez também fôssemos das primeiras escolas, a nível nacional, a apostar nas tecnologias e na formação. Nós investimos muito na formação: no ano passado oferecemos formação a 133 professores.”

Um semestre com história, outro com geografia

A aprendizagem semestral é outra novidade deste agrupamento onde 129 professores do total de 138 estão no quadro. O governo possibilitou que as escolas redefinissem as cargas horárias das disciplinas – à exceção de português e matemática, que não podem ter menos horas. “Disciplinas como história, geografia, ciências passaram aqui a semestrais. Os alunos não têm de estudar para tantas disciplinas ao mesmo tempo. Concentram-se mais na história porque a geografia só terão no semestre seguinte. Diminuiu a ansiedade dos alunos em relação ao número de testes. Têm menos disciplinas, por isso a gestão é outra. O peso das mochilas também diminuiu.

O sucesso da medida é claro. “No sétimo ano, em 2013/2014, a disciplina de história teve 83% de positivas, em 2014/2015 teve 95,3% de positivas. Geografia passou de 82,4% de positivas para 93% depois do início do projeto. Os resultados a ciências da natureza melhoraram de 87,3% de positivas para 94,5% e físico-química subiu de 83,6% para 94,5%.”

Em relação às médias da escola, as provas finais também podem ser uma referência quando observamos o trabalho deste agrupamento. “Em relação ao nono ano, a português, a média nacional dos exames é de 58%, a média do agrupamento é de 59,8%. A matemática, a média nacional é de 48% e o agrupamento tem 54,1%. No secundário, a matemática no 11º e 12º anos a média nacional é de 12 valores e o agrupamento tem média de 14,1.”

O que tira o sono ao diretor: falta de auxiliares

Orgulhoso do trabalho da escola, da participação dos alunos, dos resultados e dos projetos que aí vêm, Manuel Mourão fala também do que lhe tira o sono: “A escola rural de Relvas Verdes, uma das sete escolas rurais do agrupamento, não está a funcionar em pleno. São 17 alunos e só lá está a professora. Nem um auxiliar! Os alunos não almoçam na escola nem têm atividades de enriquecimento curricular. Nem sequer têm limpeza da escola. Não têm os mesmos direitos que os outros. Isso revolta-me”.

Em causa, diz o diretor, estão 4 horas por dia de uma tarefeira que não foi contratada. Em causa está uma lacuna que, desde o início do ano, não foi resolvida. Todos estão ao corrente. O presidente da Câmara de Santiago do Cacém disse, em entrevista, que a competência do município é com o pré-escolar. Só assim se explica que para 7 crianças do pré-escolar, na mesma localidade, haja duas auxiliares e para 17 alunos da primária não haja nenhuma. O presidente da Câmara diz que não substitui os deveres do Ministério da Educação e que aguarda uma resposta do secretário de Estado, há demasiado tempo. A verdade é que estas crianças estão há mais de um mês sem direito a almoço e sem atividades na escola.

A resposta chegou do Ministério da Educação: “O agrupamento das escolas dispõe de todos os AO [assistentes operacionais, vulgo auxiliares] previstos, tendo sido disponibilizadas 16 horas adicionais para contratos a Termo Resolutivo Certo. A gestão desses recursos, no entanto, está no âmbito da autonomia da escola”.

Também na Frei André da Veiga haverá menos auxiliares do que seria suposto. A lacuna nota-se sobretudo no apoio dado aos multi-deficientes. “Temos professores que, em regime de voluntariado, nas suas horas de descanso, vão dar apoio. Tenho a minha equipa de gestão, três professoras, que estão nas duas horas de almoço a ajudar os meninos, desde o início das aulas. Não sei quanto mais tempo vão aguentar.”

A Câmara diz que tem conhecimento mas que é o Ministério de Educação que tem de responder. O Ministério da Educação repetiu a informação: que o agrupamento tem as pessoas necessárias. A direção contesta: “Essa é uma resposta que não diz nada! Contratei duas pessoas que substituem três que se aposentaram e dois que faleceram! Ainda faltam duas!”

E acrescenta: “Para eles não contam as escolas rurais? Nos ficámos com menos quatro horas de apoio comparando com o que tínhamos nos anos anteriores. Deram-nos sempre 28 horas de auxiliares, por dia, quatro horas para cada uma das sete escolas. Este ano deram nos 24 horas de apoio, ou seja, a escola rural das relvas verdes está a funcionar em part-time.”

Uma semana depois de pedirmos uma reação ao Ministério da Educação, o agrupamento de Santiago do cacem foi informado que o secretário de Estado aprovou as horas em falta. O agrupamento ganhou 16 horas por dia de apoio em auxiliares, que fazem a diferença. A escola de Relvas Verdes vai finalmente abrir a tempo inteiro e as crianças com multi-deficiências, da Frei André da Veiga, vão finalmente ter o apoio que precisam.

Esta é a casa de 1401 alunos. 680 estão na secundária, 537 na básica. Entre as tantas coisas boas está uma rádio e um antigo canal de televisão interno que já foi tanto e que pode ser reorganizado. É a escola que não sofreu com os cortes no Ensino Artístico, o que permite às crianças inscritas no ensino integrado de música terem aulas de formação musical, instrumentos e classe de conjunto, sem sair do recinto. Manuel Mourão sonha ainda com a mesma integração, nesta escola pública, para a área da dança.

E no meio de um pequeno oásis, o diretor assume que existem casos de bullying. Para isso criaram o recém-gabinete de apoio ao aluno, com o serviço de psicologia e orientação, do qual fazem parte professores tutores, professores de educação especial e assistentes operacionais. O diretor faz ainda três reuniões por ano com os delegados de cada turma, para tentar detetar problemas de inclusão.

É uma escola que luta, que se move, que projeta, que mobiliza. Que sonha. Com pais que participam. Que se interessam. Que apoiam. Não fosse esta a escola de onde saíram, este ano, dois dos 69 finalistas das olimpíadas ibero-americanas de Física, na Bolívia. Não fosse esta a escola que tira um dia por ano para homenagear os alunos, pelo seu mérito do ano anterior. Não fosse ainda esta a única escola do Alentejo Litoral com média superior nas provas nacionais, à média nacional.

visualizar as fotos da reportagem no link:

http://observador.pt/especiais/a-escola-publica-do-futuro-e-ja-ali-no-alentejo/

 

 

9.ª Edição do Concurso Escolar A minha escola adota um museu, um palácio, um monumento…

Dezembro 30, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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um

 

Entrega dos trabalhos: até 31 de março

Este concurso é dirigido aos alunos dos ensinos básico e secundário e tem por objetivo estimular o conhecimento da realidade museológica e patrimonial nacional, através do contacto das Escolas com os Museus, os Palácios e os Monumentos Nacionais e, consequente, promover a sensibilização para a conservação, proteção e valorização do património cultural.

mais informações:

http://www.dge.mec.pt/noticias/educacao-para-cidadania/concurso-esc-minha-escola-adota-um-museu-um-palacio-um-monumento

 

Combatting child sexual abuse online

Dezembro 30, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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descarregar no link:

http://www.europarl.europa.eu/thinktank/pt/document.html?reference=IPOL_STU%282015%29536481

 

Pós-Graduação Intervenção Precoce na Infância

Dezembro 29, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Objectivos do Curso

Pretende-se, deste modo, que os formandos adquiram:

Conhecimentos – “Saber sobre” e “saber como” articulando, de forma reflexiva e crítica, teoria e conceitos fundamentais em Intervenção Precoce com conhecimentos tácitos informais adquiridos através da experiência Competências funcionais – “Ser realmente capaz de fazer” aquilo que compete aos profissionais realizar na área da Intervenção Precoce, nomeadamente no que diz respeito a uma intervenção centrada na família, realizada em equipa transdisciplinar, no contexto natural de vida da criança Competências pessoais – “Saber como atuar” em situações concretas, evidenciando competência ética, com base em valores pessoais e profissionais.

Horário do Curso

O curso tem início em 15 de Fevereiro de 2016 com duração de 10 meses. Prevêem-se 8 horas de aulas por semana, ás segundas e terças feiras em horário pós-laboral das 17h30-21h30, a que se acrescentam 4 sábados, ao longo de 32 semanas.

* A abertura do Curso está condicionada a um número mínimo de inscrições.

mais informações:

http://fa.ispa.pt/cursos/intervencao-precoce-na-infancia

Como o professor pode ajudar crianças tímidas?

Dezembro 29, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://naescola.eduqa.me

Huffpost

Toda sala de aula conta com um punhado de crianças agitadas, algumas desobedientes, que apresentam relutância em seguir as regras. Toda sala contém, também, outras crianças, essas pertencentes a um segundo grupo, o dos “quietinhos”. Os quietinhos falam menos e em voz mais baixa, obedecem sem pestanejar e costumam ser elogiados nas reuniões com os pais.

Muito bom, certo? Dentre eles, porém, é possível que haja crianças com sérios problemas relacionados à timidez e que podem acabar negligenciadas. Afinal, quem demanda mais atenção do professor? Normalmente, os bagunceiros recebem intervenções frequentes, em detrimento daqueles que “não dão trabalho”.

O que é a timidez – e como identificá-la?

A timidez é um traço de personalidade como qualquer outro e, em doses moderadas, não prejudica o desenvolvimento da criança nem é considerada doença. É o caso de crianças que possuem amigos e conseguem se adaptar ao ambiente escolar (ou festas infantis, eventos familiares, etc.), mesmo sendo discretas, retraídas.

Já quando a introspecção traz sofrimento para a criança, é necessário observar e intervir. Esses são sinais aos quais se deve ficar atento:

Ela evita passeios, excursões e outras situações de interação social que deveriam ser prazerosas?

Procura se manter isolada e brinca sozinha constantemente?

Sai correndo ou esconde-se diante de estranhos ou grandes grupos de pessoas?

Tem baixo rendimento escolar por não conseguir interagir com colegas ou professores (realizar atividades em grupo, participar de rodas de conversa)?

Crianças tímidas têm baixa autoestima e acreditam que estão sendo avaliadas o tempo todo. Seu medo é de não atingir as expectativas dos colegas, por isso, elas se preocupam excessivamente com o que dizer, como agir, o que vestir, como se comportar.

Quando se sentem expostas, essas crianças apresentam alguns sintomas:

Suor;

Palmas das mãos geladas;

Frio na barriga ou enjoo;

Batimentos cardíacos acelerados;

Gagueira ou inabilidade de falar;

Angústia e nervosismo.

O que causa (ou agrava) a timidez?

A princípio, a timidez, assim como a extroversão, é um traço genético – mas o ambiente tem um papel relevante em apaziguá-la ou estimulá-la. O meio familiar influencia muito no comportamento da criança: pais tímidos, que evitam situações sociais ou são pouco comunicativos, transmitem essa inibição para os filhos (além de proporcionarem menos oportunidades para que eles a superem, afinal, também querem evitar grandes grupos).

O mesmo acontece quando a família age de forma superprotetora, privando a criança de experiências e relacionamentos externos. Adultos que agem como se o mundo fosse um perigo constante para a criança acabam deixando-a insegura e retraída.

Ambientes agressivos ou instáveis também pode ocasionar uma timidez excessiva.

Como o professor pode ajudar?

Em primeiro lugar, é importante que o professor não exponha a criança a situações que causem constrangimento para ela. Obrigar uma criança tímida a escrever no quadro-negro ou ler um texto, sozinha, diante dos colegas, pode ser traumático. O acompanhamento deve ser feito gradualmente, inserindo-a em contextos amigáveis em que ela se sinta segura para colaborar.

  • Fortaleça o laço entre o professor e a criança tímida: converse com ela em particular para descobrir seus interesses e incentivar o diálogo. Ela precisa de ajuda para aprender a se expressar, portanto, demonstre interesse, elogie e faça perguntas. Em sala de aula, o aluno inibido pode se sentar perto do professor, para que consiga falar sem precisar gritar ou se levantar (e, consequentemente, sem atrair muita atenção para si).
  • Ensine sobre convivência e interação social: projetos que trabalhem o respeito, a colaboração e o diálogo vão criar um ambiente seguro na escola. Comece do básico, praticando pequenos gestos que gostaria de inserir na rotina – olhar nos olhos do outro ao falar, sorrir, pedir “por favor” e “com licença”, agradecer, oferecer ajuda aos colegas e professores.
  • Crie situações de trabalho em pequenos grupos: organize a turma em duplas ou trios para criar situações de interação entre as crianças. O mais indicado é que o professor defina os grupos com antecedência, assim, não há risco de uma criança não ser escolhida pelos seus pares. Colocar duas crianças tímidas juntas pode ser uma forma não ameaçadora de começar, afinal, nenhuma das duas terá todo o protagonismo durante a atividade. Contudo, uma criança tímida e outra, extrovertida, com certeza também vão se beneficiar muito do relacionamento (nesse caso, procure pensar em assuntos que interessam ao tímido, para que ele sinta que pode contribuir com a equipe).
  • Descubra os interesses da criança tímida e explore-os em sala: ela gosta de insetos? Aviões? Construir castelos com blocos de montar? Pintura com tinta guache? Falar sobre dinossauros? Encontre tópicos que sejam do interesse da criança tímida para que ela tenha um incentivo a mais para participar da aula.
  • Faça combinados: Quando a criança não quiser participar de uma atividade, tente chegar a um meio termo. Talvez ela não esteja preparada para cantar no palco em uma apresentação, mas será que não gostaria de tocar um pandeiro para acompanhar a canção? Ler para os colegas, em pé, em frente à classe, não pode ser substituído por ler apenas algumas linhas sem se levantar?

Oriente a família da criança

Se for o caso, marque reuniões com os pais e ajude-os a traçar um plano para superar a timidez. Encoraje-os a participar de eventos da escola (como festa junina ou apresentação de Natal) e sugira que convidem alguns coleguinhas do filho para brincar nos finais de semana.

Os primeiros encontros podem ser breves, de apenas algumas horas – assistir a um desenho animado, cozinhar algo gostoso, passar a tarde na piscina, ir ao parque – e uma só criança pode ser convidada. Mais adiante, eles podem experimentar visitas mais longas, como dormir na casa do amigo ou viajar por alguns dias.

Outras atividades, como teatro, coral, dança e esportes em equipe também são excelentes para fortalecer os vínculos entre as crianças e cultivar a autoestima da criança tímida.

 

 

 

 

 

Deveríamos estudar cinema nas escolas

Dezembro 29, 2015 às 6:00 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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texto do site http://obviousmag.org

sonhadores

publicado em cinema por Sílvia Marques

Infelizmente, a maioria das pessoas acredita que o cinema é apenas um passatempo, um entretenimento. Porém, o cinema apresenta funções múltiplas. O cinema disseca e esfola a realidade externa e interna. E muito terá a ganhar quem tiver olhos para ver, ouvidos para ouvir, coração para sentir e cabeça para pensar.

Deveríamos estudar cinema nas escolas como estudamos filosofia, ciências humanas e artes. Não me refiro ao estudo técnico, com o intuito de formar diretores, roteiristas, fotógrafos ou produtores. Ensinar a criar um argumento, fazer um story-board, redigir e decupar um roteiro, conhecer os variados movimentos de câmera e orientar os atores são competências que devem ser ensinadas em faculdades, cursos técnicos e livres especializados na área.

Me refiro ao estudo teórico e intelectual. Me refiro ao entendimento do cinema como uma disciplina de entremeio, isto é, uma disciplina que engloba mais de uma área. Cinema é arte, comunicação e tecnologia ao mesmo tempo. Para o filósofo argentino, professor da Universidade de Brasília, Julio Cabrera cinema é filosofia. Para ele, cinema e filosofia deveriam ser estudados por todas as pessoas por se tratarem de importantes formas de se fazer pensar. Cabrera vai além. Ele diz que o cinema faz pensar afetivamente.

Infelizmente, a maioria das pessoas acredita que o cinema é apenas um passatempo, um entretenimento. Muitos filmes servem apenas para divertir mesmo e não há problema algum nisso. Quem não gosta de ver um filme para rir, se emocionar ou sentir medo?

Porém, o cinema apresenta funções múltiplas. O cinema diverte, leva a catarses, informa, educa, conscientiza, suscita reflexões, divulga conhecimento e estimula o autoconhecimento. Por meio do cinema aprende-se sobre culturas variadas, depara-se com temas tabus, repensa-se valores, desconstrói- se e reconstrói-se conceitos, questiona-se o poder instalado nas macro e microestruturas. O cinema perpassa todos os âmbitos da sociedade e do ser humano, desnudando estruturas injustas de poder instaladas nas esferas privadas e públicas, revelando um mundo que poderia existir, propondo mudanças ou um novo olhar para o mundo existente.

catherine

cardinale

gritos

Diferentemente do que a maioria das pessoas acredita o cinema não é uma arte menor ou menos profunda do que a literatura, por exemplo. Cada arte tem o seu valor e importância. Cada arte tem os seus pontos fortes e apreciar mais ler do que ver filmes ou vice-versa pode ser considerada uma questão de gosto. Podemos encontrar em todas as artes muitos exemplos de obras profundas, medianas ou rasas.

Se a sondagem psicológica é o ponto forte da literatura, o ponto forte da música é despertar rapidamente emoções muito marcantes, podendo até mesmo mudar o estado de espírito de quem a escuta. As artes plásticas também promovem reações instantâneas, sem falar, que podem ser entendidas independente do idioma.

Todas as artes podem interferir na linguagem das outras e a questão da idade não deve ser considerado um requisito para definir uma hierarquia entre as mesmas. A jovem fotografia inspirou o impressionismo e libertou os pintores de retratar a realidade. A literatura interferiu na linguagem do cinema, mas a sétima arte também promoveu mudanças à literatura contemporânea , proporcionando à mesma um olhar mais intimista e fragmentado.

A televisão, mais especificamente a teledramaturgia, é a continuação das novelas de rádio que nasceram dos folhetins. As novelas mesclam elementos narrativos e estéticos do cinema e do teatro.

Se o cinema fosse visto como uma possibilidade de conhecimento e autoconhecimento, como um meio de reavaliar valores, quebrar tabus e preconceitos e reorganizar estruturas de pensamento, ele poderia gerar importantes e grandes transformações individuais e coletivas. Sabe-se que o cinema é capaz de promover profundas mudanças a longo prazo. Outras artes também poder nos fazer refletir e rever valores, como o teatro e a literatura, por exemplo. Mas o cinema envolve uma questão sensorial que extrapola o intelecto e abstrato e atinge os sentidos, promovendo sensações de nojo, piedade, simpatia, aceitação ou rejeição de forma muito visceral.

Se o hábito da leitura é excelente para treinar a concentração e a imaginação, o cinema trabalha um outro tipo de criatividade. Se a literatura parte do abstrato para imagens que formamos em nossa mente, o cinema pega o outro sentido da rodovia. Ele parte da imagem para o abstrato, para os conceitos, para as ideias. Mas se assistimos apenas a filmes para passar o tempo ou que reforçam visões preconceituosas e estereotipadas do mundo, o que poderia ser um antídoto contra a exclusão, o etnocentrismo, a violência torna-se mais um alimento para uma sociedade pautada pelos ideais hedonistas e imediatistas da nossa cultura materialista.

clube

Filmes como Clube da luta e Um dia de fúria questionam os valores da sociedade de consumo. Filmes como Beleza Americana e Pequena Miss Sunshine, o american way of life. Filmes como Sociedade dos poetas mortos, O sorriso de Mona Lisa e Escritores da liberdade, o papel libertário do professor. Filmes como O inquilino e Cisne negro, a mente de um esquizofrênico. Filmes como Lua de fel e Veludo azul, o sofrimento gerado pelas perversões. Filmes como A bela da tarde e Foi apenas um sonho, o lado B do casamento. Filmes como Gritos e sussurros e O silêncio, as obscuridades familiares. Filmes como Menina bonita, O sopro do coração, Trinta anos esta noite e Perdas e danos ( os quatro de Louis Malle) o lado sensível dos temas tabu. Filmes como O açougueiro e Em suas mãos, o lado humano dos psicopatas. Os exemplos de como um filme pode elucidar temas e mostrar culturas e personalidades é extremamente amplo e complexo.

Em resumo: deveríamos ter um docente que falasse e mostrasse filmes capazes de fazer as crianças e adolescentes pensarem afetivamente, a fim de que se tornassem jovens e adultos mais lúcidos nos sentidos ético, moral, estético e psicológico, sendo mais capacitados para fazer escolhas conscientes e consistentes.

 

 

Como ensinar matemática com peças de Lego?

Dezembro 28, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.tudointeressante.com.br de 4 de dezembro de 2015.

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Por: Luciano Hilton

É quase impossível encontrar alguém que não saiba o que é Lego. Fenômeno na década de 80 e 90, esses blocos de montar eram praticamente uma regra entre os brinquedos dessas épocas. Era preciso ter, nem que fosse uma caixinha pequena de blocos avulsos ou temáticos.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu, os hábitos e brincadeiras mudaram, mas os bloquinhos de montar ainda são bastante conhecidos, tendo-se tornado parte da cultura pop mundial. Mas engana-se quem pense que eles servem apenas para diversão. Alguns professores aproveitaram a forma das peças para dar uma finalidade, digamos, mais útil (mas não menos divertida): ensinar matemática.

É inegável que as crianças prestam mais atenção às aulas com Lego, uma vez que elas podem visualizar, tocar e manipular aquilo conceituado nos livros de matemática, tornando a fixação e aprendizado muito mais fluida. A seguir, você confere apenas alguns dos exemplos da aplicação do Lego nas escolas – mas pode fazer em casa também, ok?

1. Divisão

Peça com 48 pontos.

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A mesma peça pode ser dividida em 6 blocos de 8 pontos cada.

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Aqui, dividida em 12 blocos de 4 pontos cada.

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E em 24 blocos de 2 pontos cada.

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2. Frações

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3. Operações com frações

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4. Quadrados perfeitos

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5. Média aritmética

A soma dos números dividida pela quantidade de elementos.

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Fonte: Scholastic

 

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