Investigação a pedófilos portugueses é ‘case study’ internacional

Fevereiro 2, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 23 de janeiro de 2020.

Valentina Marcelino

Dois pedófilos portugueses, condenados à pena máxima de prisão, 25 anos, abusaram e violaram bebés e crianças, com idades entre os 2 meses e os 10 anos. O caso Baby Heart trouxe a Lisboa, à sede da PJ, a Europol, a Interpol e a Homeland Security.

Durante, pelo menos, quatro anos, abusaram sexualmente de 12 crianças e bebés em Portugal, filmando e partilhando na internet estes crimes com pedófilos de todo o mundo. Um deles, de 27 anos, que usava o pseudónimo Twinkle, já tinha sido condenado antes por partilhar na internet este género de conteúdos. Criou, alimentou e geriu um site a partir de uma sucata em Águeda e utilizava oito menores seus familiares. O outro condenado, que usava o pseudónimo Forgotten, abusou, entre outros, de um enteado, de 6 anos, e da própria filha, uma bebé de 2 meses, filmou e partilhou na net.

Os dois pedófilos portugueses foram condenados pelo tribunal, a 23 de dezembro passado, à pena máxima de prisão, 25 anos, num caso que ficou conhecido como Baby Heart – o nome do site criado. A investigação foi considerada um case study internacional e, nesta manhã, a Polícia Judiciária (PJ) falou pela primeira vez publicamente sobre o processo numa conferência que contou com a participação da Interpol, Europol e Homeland Security Investigation (EUA). Esta tarde, a Europol publicou um comunicado sobre “como a cooperação internacional levou à detenção” destes abusadores, destacando o papel da PJ.

O fórum foi ganhando notoriedade na comunidade pedofilia de vários países pois incentivava e produzia novos conteúdos envolvendo abusos de menores, promovendo os conteúdos feitos a pedido

O Baby Heart foi criado em finais de 2015, na chamada dark web (rede fechada a um grupo privado de pessoas), por um utilizador que se apresentava como Twinkle. De imediato este fórum começou a ser monitorizado por autoridades internacionais, sem saber ainda a origem ou nacionalidade do seu fundador. “O fórum foi ganhando notoriedade na comunidade de pedofilia de vários países, pois incentivava e produzia novos conteúdos envolvendo abusos de menores, promovendo os conteúdos feitos a pedido”, sublinha ao DN o coordenador da PJ, Pedro Vicente, responsável pela equipa da Unidade de Combate ao Cibercrime (UNC3T) que investiga esta criminalidade.

“Trata-se de um caso paradigmático de cooperação internacional, um case study numa investigação de um processo de exploração, produção e partilha de conteúdos sexuais online“, assinala Pedro Vicente.

Na verdade, esta investigação foi aberta em março de 2017, quando a UNC3T da Judiciária recebeu uma informação da polícia australiana que tinha detido um suspeito pedófilo e apreendido conteúdos retirados do Baby Heart. Havia alguns posts em português e o endereço de uma operadora de telecomunicações portuguesa. Foi o primeiro alerta de que o pedófilo que criara a rede poderia ser português.

A equipa da PJ juntou-se a uma task force internacional, que envolveu a Interpol, a Europol e a norte-americana Homeland Security Investigation, perita em investigação digital. “Os utilizadores do fórum tinham ordens do gestor (Twinkle) para não deixarem rasto algum que permitisse as autoridades poderem identificá-los. Era de tal forma cautelosos que lhes era ordenado que não falassem na sua língua nativa e utilizassem os tradutores da net“, conta Pedro Vicente. A darknet, explica, “é como andar numa rua escura onde se suspeita que há crimes”, mas “a PJ tem equipamento que permite andar à vontade por estas ‘ruas’, apesar de todos os manuais de encriptação e anonimização”.

A intensa cooperação internacional teve os seus frutos e, já com as ‘antenas’ da investigação viradas para Portugal, veio do Brasil a prova que faltava. Em material apreendido a um pedófilo naquele país, estavam registos de contactos com Twinkle, fora dos encriptados fóruns do Baby Heart.

A intensa cooperação internacional teve os seus frutos e, já com as ‘antenas’ da investigação viradas para Portugal, veio do Brasil a prova que faltava. Em material apreendido a um pedófilo naquele país, estavam registos de contactos com Twinkle, fora dos encriptados fóruns do Baby Heart. Twinkle escrevia em português de uma forma que nenhum google translator poderia traduzir, utilizando expressões bem portuguesas como “custou os olhos da cara”. Tudo foi passado a pente fino pela equipa da UNC3T e pelas bases de dados internacionais, cruzados os ficheiros da Trace an Object da Europol (objetos e peças de vestuário identificadas na net em abusos de crianças) com as fotos das redes sociais, analisadas minuciosamente todas as fotos apreendidas.

Predador detido em flagrante

“O trabalho do Laboratório de Polícia Científica (LPC) da PJ foi crucial neste caso”, sublinha o coordenador da UNC3T. Conseguiu tirar uma impressão palmar de uma das imagens apreendidas (por precaução os membros do Baby Heart só mostravam as mãos e nunca a cara) que correspondia à do principal suspeito. O LPC foi distinguido com um prémio internacional.

Em maio, chegou informação da polícia austríaca, obtida da apreensão de mais material a outro pedófilo detido. Este tinha combinado com Twinkle e Forgotten um encontro em Portugal para filmar novos abusos e fazer uma produção exclusiva. As crianças da família iriam ser utilizadas. E a partir daqui a PJ começou a preparar toda a operação para deter, não só Twinkle mas também os cúmplices.

A operação aconteceu a 20 de junho de 2017, liderada pelo inspetor-chefe Jorge Duque. Twinkle foi apanhado em flagrante com duas crianças, todos nus, em casa deste último. Entregou-se e perante todas as provas que a UNC3T já tinha reunido contra si, entregou aos investigadores todo o material que tinha escondido. “Sabíamos perfeitamente que estávamos a lidar com um predador. Ficou desarmado com tudo o que tínhamos e percebeu que não havia escape possível.” À medida que iam fazendo as buscas iam encontrando as peças, objetos, roupas, que já tinha identificado digitalmente. Twinkle levou-os depois ao encontro de Forgotten que também foi detido. Ambos ficaram presos até ao julgamento e estão a cumprir a pena.

Durante o julgamento, a procuradora lamentou que as vítimas tenham ficado “marcadas para a vida”. “São crimes horrendos”, concluiu a magistrada.

Twinkle, que tinha como profissão segurança privado, era acusado pelo Ministério Público de 583 crimes de abuso sexual de crianças e 73 577 de pornografia de menores. As vítimas são oito rapazes e raparigas, quase todos bebés na altura dos factos. São primos e sobrinhos seus. Durante o julgamento, a procuradora lamentou que as vítimas tenham ficado “marcadas para a vida”. “São crimes horrendos”, concluiu a magistrada. Segundo descreve o acórdão, o principal arguido chegava a atar e a algemar os bebés para se manterem numa mesma posição e permitir que filmasse os abusos.

“Podiam ter feito algo para que isto parasse”

Durante a leitura do acórdão, o juiz que presidiu ao coletivo repetiu por duas vezes que no julgamento deste caso “os factos impuseram-se de tal forma que qualquer comentário é desnecessário”. “Os factos falam por si”, salientou, referindo que os dois arguidos condenados a 25 anos de prisão foram considerados “imputáveis” e que “tiveram oportunidade de parar”.

“Podem vir com a conversa da perturbação pedofílica, mas podiam ter feito algo para que isto parasse” como procurar ajuda especializada, insistiu, referindo ainda que ambos “estavam cientes da ilicitude dos atos e continuaram a praticá-los”.

Microsoft lança ferramenta para identificar abusadores sexuais de crianças online

Janeiro 25, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do PPLWare de 14 de janeiro de 2020.

Os predadores sexuais viram na Internet uma mina de oportunidades, pois há mais facilidade de contacto com as vítimas e a possibilidade de usar o anonimato. Mas a Microsoft pretende fazer frente a esse flagelo.

Para ajudar no combate a este crime horrendo, a gigante tecnológica lançou uma ferramenta gratuita capaz de identificar os abusadores sexuais de crianças online.

O abuso de crianças é um crime extremamente repugnante ao qual todos temos que dar atenção. Devemos também contribuir da melhor forma para ajudar na prevenção e denúncia ao mínimo de alerta.

Assim, e com o objetivo de proteger os mais pequenos, a Microsoft lançou uma ferramenta gratuita capaz de identificar abusadores sexuais de crianças.

Project Artemis – A ferramenta que identifica os abusadores online

A Microsoft reconhece que tem uma responsabilidade social no desenvolvimento de software, equipamentos e serviços que promovam a segurança dos utilizadores.

Desta forma, lançou este mês o Project Artemis, uma ferramenta capacitada com técnicas de deteção de aliciamento sexual.

Através desta funcionalidade, a tecnologia conseguirá analisar e detetar determinados conteúdos utilizados tipicamente por abusadores sexuais, na sua tentativa de aliciar crianças online. Esta deteção será feita sobretudo em conversas de chat, redes sociais, texto online, etc.

As conversas são avaliadas e classificadas com a probabilidade de terem algum conteúdo ou risco de haver teor de aliciamento e abuso sexual.

De seguida as conversas são sinalizadas e enviadas a moderadores, ou seja, a pessoas que irão rever os conteúdos detetados. Se for considerado um potencial risco ou abuso, os moderadores encaminham para as autoridades. Se se tratar de exploração sexual infantil, a denúncia será entregue também ao National Center for Missing and Exploited Children.

Assim, um potencial abuso de crianças online, poderá ser detetado, interrompido e denunciado precocemente, evitando consequências mais graves e, por vezes, fatais.

A ferramenta foi desenvolvida com a colaboração da rede social The Meet Group, do jogo Roblox, do serviço de mensagens Kik e da Thorn, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve tecnologias para proteger crianças de possíveis abusos sexuais.

O Project Artemis será patenteado e ficará disponível gratuitamente via Thorn para que todas as empresas de serviços online que dispõem de chat sejam dotadas com a técnica de deteção de abusadores sexuais.

Esta nova tecnologia começou a ser desenvolvida em 2018, no evento “360 Cross-Industry Hackathon” da Microsoft, co-patrocinado pela WePROTECT Global Alliance e pela Child Dignity Alliance.

É, de facto, de louvar esta preocupação e iniciativa da Microsoft, pois é cada vez mais urgente haver ferramentas inteligentes capazes de fazer frente a este gravíssimo e hediondo crime.

Pode saber mais informações sobre o Project Artemis no blog da Microsoft.

Têm entre 11 e 13 anos e mandam cada vez mais selfies de sexo

Janeiro 16, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 15 de janeiro de 2020.

Paula Freitas Ferreira

De todas as páginas da Internet que mostram imagens de abuso sexual infantil, um terço consiste em imagens feitas pelas próprias meninas, em suas casas, diz a Internet Watch Foundation. Conteúdos sexuais que envolvem crianças estão a aumentar.

O alerta vem da Internet Watch Foundation (IWF): 80% das selfies sexuais encontradas nas redes são imagens de abuso sexual infantil e de crianças do sexo feminino com idades entre os 11 e os 13 anos. São as meninas as principais vítimas de um esquema que as leva a enviar imagens íntimas captadas pelas suas próprias webcams.

A organização encontrou 37 mil imagens do género – cerca de 30.000 eram de adolescentes, descreve a BBC.

Susie Hargreaves, principal responsável da Internet Watch Foundation, diz que o número de casos está a crescer a um ritmo alarmante.

Hargreaves percebeu que as imagens e filmes eram geralmente captados em ambientes domésticos. Havia crianças a olhar para a câmara e a obedecer a pedidos – alguém as ordenava a ter determinado comportamento.

De acordo com a IWF, de todas as páginas da Internet que mostram imagens de abuso sexual infantil, um terço consiste em imagens feitas pelas próprias meninas, em suas casas.

“Estas são imagens e vídeos de meninas que foram coagidas e induzidas a apresentarem-se sexualmente através de uma webcam, e esta situação está a tornar-se uma crise nacional”, disse, referindo-se ao Reino Unido, onde a fundação atua.

As vítimas são cada vez mais novas, uma vez que as crianças começam também a ter cada vez mais cedo acesso a uma webcam, que muitas vezes está no seu próprio quarto.

“São lisonjeadas. Dizem-lhes que são lindas”

“Nessas idades, elas são incrivelmente vulneráveis”, alerta Hargreaves. “Ainda estão a desenvolver-se fisicamente e não têm maturidade emocional para entender o que está a acontecer. “São lisonjeadas, dizem-lhes que são lindas. Costumam pensar que estão a ter um relacionamento com alguém”, explica.

Uma vítima contou à BBC que foi convidada a enviar uma fotografia em topless online para alguém que dizia ser uma agente de modelos.

A vítima, que tinha 13 anos na altura, disse que depois de ter enviado a foto, o comportamento da “mulher” mudou. Foi forçada a enviar mais fotos e a dizer onde morava – sob a ameaça de que a primeira imagem ia ser imprimida e divulgada em locais perto da sua escola.

Um homem chegou mesmo a dirigir-se a sua casa, onde a agrediu sexualmente no quarto e tirou ainda mais fotos.

“Na altura não percebi, mas o agressor que veio a minha casa era a mesma pessoa com quem eu conversava online”, contou a adolescente. O mesmo homem também a ameaçou, dizendo-lhe que se não fizesse aquilo que ele queria, que iria expor publicamente todas as imagens e vídeos da vítima.

Tink Palmer, da Fundação Marie Collins, que trabalha com a IWF, corrobora a perceção da fundação: conteúdos sexuais envolvendo crianças estão a aumentar na web.

“Todos os internautas têm de perceber que estão a infringir a lei quando visualizam esse material, independentemente de quem o tenha publicado ou partilhado”, avisou.

Mais informação na notícia da Internet Watch Foundation:

The dark side of the selfie: IWF partners with the Marie Collins Foundation in new campaign to call on young men to report self-generated sexual images of under 18s

Polícias não conseguem investigar os 45 milhões de imagens de pornografia infantil que circularam na internet em 2018

Outubro 6, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 29 de setembro de 2019.

Uma investigação do “The New York Times” põe a nu a negligência com a qual Governo, autoridades e as próprias plataformas digitais trataram este assunto quando o número de imagens e vídeos ainda era controlável. Agora é praticamente impossível apanhar todos os criminosos.

As companhias de tecnologia não estão a conseguir lidar com o volume de fotografias de pornografia infantil que todos os dias têm de impedir que sejam publicadas, e que circulam nos confins da internet não acessível ao “navegador comum” e não têm meios para identificar todos os perpetradores. Segundo uma investigação do “The New York Times” só o ano passado foram identificadas 45 milhões de imagens ilegais, trocadas, por exemplo, através do Messenger, a aplicação de mensagens instantâneas do Facebook.

A investigação do “Times” chegou a seis conclusões principais, e a mais assustadora é que apesar de as crianças utilizadas nestas fotografias serem cada vez mais novas e as imagens em si cada vez mais violentas, as autoridades não têm capacidade para investigar os crimes porque, potencialmente, cada imagem representa um crime, um perpetrador.

A pornografia infantil existe há anos mas a facilidade em gravar, fotografar, armazenar qualquer tipo de conteúdo que a internet e os smartphones hoje nos permitem, torna quase impossível parar a enorme corrente de partilha destas imagens e vídeos. Em 2008, o Congresso norte-americano passou uma lei que antevia muitos dos problemas que hoje estamos a viver mas a investigação do diário nova-iorquino descobriu que capítulos inteiros desse dessa lei nunca foram implementados. Por exemplo, cerca de 60 milhões de dólares foram disponibilizados, por ano, para a investigação destes casos mas desde 2008 apenas foi aprovado, por ano, metade desse valor. O senador Richard Blumenthal, que na altura foi um dos nomes na lei, disse ao NYT que não há qualquer desculpa para não se distribuir o valor completo” e que, neste momento, “nem esses 60 milhões são suficientes para atacar o problema”.

Outro problema identificado: o Departamento de Justiça devia ter escrito relatórios bianuais sobre estratégia, problemas e sucessos da luta contra este crime mas nunca o fez. A coordenadora do programa, Stacie Harris, disse não ter explicação para a falta de dados e um porta-voz do departamento disse que os relatórios afinal só vão começar a sair em 2020, a cada quatro anos.

A existência da “internet secreta”, chamada “dark web”, também dificulta muito o trabalho das autoridades. Muitos destes criminosos escondem o seu material em redes que não são acessíveis a um utilizador “normal” da internet, apenas a quem saiba penetrar numa espécie de segunda câmara da internet, protegida por linguagem encriptada e códigos complexos. Estas pessoas normalmente sabem como esconder a localização dos seus computadores, têm os discos protegidos com passwords praticamente impossíveis de descodificar por agentes da autoridade sem uma formação em engenharia informática ao nível dos “hackers” mais experientes. “Como o uso de tecnologia baixa as barreiras de inibição das pessoas, as pessoas partilham fotos de vítimas cada vez mais novas, e formas cada vez mais extremas de abuso”, lê-se no artigo.

“Antigamente ninguém chegava ao mercado negro, onde já circulava conteúdo pornográfico, e pedia imagens de sexo ‘hard-core’ com crianças de três anos”, disse ao NYT Yolanda Lippert, procuradora do estado do Illinois que lidera a investigação ao abuso sexual de crianças.

As empresas de tecnologia, ao atualizarem os seus sistemas de vigilância, descobriram recentemente que esse tipo de conteúdo é muito mais prevalente na internet, e nas suas plataformas, do que antes se pensava mas podem demorar meses a responder aos pedidos das autoridades para que libertem conteúdo. Por outro lado, com tantas queixas a chegarem às autoridades, os departamentos de polícia não conseguem dar seguimento a todas.

Alguns focam-se unicamente nos casos com as vítimas mais novas. “Vamos para casa a pensar que, meu Deus, quando temos de escolher o que investigamos segundo a idade das crianças é mesmo perturbador”, disse Paula Meares, detetive em Los Angeles.

Uma das plataformas destacadas pelas más práticas nesta investigação é a rede de blogues Tumblr, que foi identificada pelas autoridades com as quais o “Times” falou como “uma das menos cooperantes”. O Tumblr chegou a avisar vários utilizadores que publicaram conteúdo gráfico que as contas iam ser denunciadas às autoridades, o que levou essas pessoas a destruir o material.

A maioria do material foi identificado na aplicação de conversas instantâneas do Facebook, o Messenger. A maioria das imagens alvo de identificação o ano passado tinham origem em outros países, o que prova que o problema é global, mas é nos Estados Unidos que estão as sedes das principais companhias que permitem a troca deste conteúdo.

Os planos das várias plataformas digitais para encriptarem cada vez mais as mensagens trocadas entre os utilizadores, por um lado protegem a liberdade de expressão, por outro tornam muito mais complexo identificar criminosos que as utilizem para difundir este tipo de conteúdo profundamente perturbador. Muitas das vítimas, por saberem que forem gravadas, nunca conseguem ultrapassar o abuso por medo de que as imagens surjam na internet.

Tráfico de crianças preocupa polícias portuguesas

Abril 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de março de 2019.

Exploração sexual e laboral é fenómeno “a exigir controlo”, alerta RASI, que fala também nas adopções ilegais.

Ana Henriques

O tráfico de menores estrangeiros nas fronteiras aéreas portuguesas, quer para adopção ilegal quer para exploração sexual e laboral está a preocupar as autoridades portuguesas.

O alerta surge no mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), relativo à criminalidade registada no ano passado. Apesar de dar conta de uma redução, em relação a 2017, do número de crianças que foram sinalizadas como tendo sido alvo de tráfico de pessoas, o documento diz que este é um fenómeno “a exigir controlo”.

Foram sinalizados 30 menores como presumíveis vítimas de tráfico, menos 15 que em 2017. São na sua maioria rapazes com idade média de 12 anos e cinco deles vinham de Angola.

No que respeita à restante criminalidade contra crianças e jovens residentes em Portugal, as queixas apresentadas às polícias dão conta de um recrudescimento dos abusos sexuais, mas também de um aumento, da ordem dos 13%, da violência doméstica e dos maus tratos ou sobrecarga de menores. Seja como for, a esmagadora maioria das detenções efectuadas pelas autoridades em 2018 por suspeitas de crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual ainda diz respeito a crianças – sejam abusos ou pornografia.

“No quadro da exploração sexual de menores online os valores diminuíram”, sublinha o RASI. “As situações identificadas são praticadas em geral por indivíduos isolados”, tendo-se registado um aumento acentuado de aplicações encriptadas para trocar imagens e vídeos, como o WhatsApp e o Telegram.

Entre os adultos, destaca-se o aumento dos homicídios voluntários, que de um ano para o outro cresceram 34%. Como é habitual, a maioria dos assassinos foram homens e a maioria das vítimas mulheres. Elas morreram às mãos de pessoas que conheciam, e com as quais se relacionavam. Mesmo assim, o fenómeno da violência doméstica contra os cônjuges registou, entre 2017 e 2018, uma ligeira redução. Lisboa, Porto, Setúbal Aveiro e Braga continuam a ser os distritos onde existem mais queixas, a par da Madeira e dos Açores. Só resultaram em acusação 14% dos 32 mil inquéritos desencadeados no ano passado relativamente a este crime, tendo sido arquivados cerca de 21 mil processos – ou seja, 65%.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual de Segurança Interna 2018

 

 

Parentalidade na Era Digital : Orientação parental para a proteção online de crianças contra a exploração sexual e o abuso sexual

Fevereiro 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Descarregar a publicação no link:

https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/parentalidadedigital_1.pdf?fbclid=IwAR2elZKqAvWbRfboMwGnyVsxm2R7pr2-AQgIvZknLTNLlx0IvUZEjcEfNgM

 

Risco de violência sexual online mais agressiva é maior para eles do que para elas

Março 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de março de 2018.

Embora as meninas representem perto de dois terços das vítimas identificadas, o abuso mais violento acontece com meninos.

Karla Pequenino

O pior do abuso sexual de menores online, com níveis de sadismo e violência elevados, é mais provável de afectar meninos do que meninas. A informação surge num novo relatório da Interpol e da ECPAT (sigla inglesa para Fim da Prostituição, Tráfico Sexual e Pornografia de Crianças).

“Estamos a falar de crianças muito pequenas, bebés de apenas alguns meses, a serem vítimas de violência sexual extrema”, frisou Björn Sellström, o director do departamento da Interpol que investiga crimes contra crianças, na apresentação do relatório.

Embora as meninas representem perto de dois terços das vítimas identificadas (65%), os meninos participavam em formas de abuso violento e fantasias de parafilia. De acordo com o relatório, isto inclui desejo sexual por comportamento que põe a outra pessoa em aflição psicológica, física e resulta em lesões ou morte.

As conclusões baseiam-se na análise do conteúdo e de metadados (origem, data, duração) de imagens e vídeos recolhidos pela base de dados de crimes sexuais contra crianças da Interpol entre Junho e Agosto de 2017. “É comum pensar que a maioria das vítimas de abuso e exploração sexual são meninas. Contudo, a proporção significativa de meninos nas imagens e vídeos da base de dados pede mais atenção a este grupo”, lê-se nas conclusões do relatório publicado esta terça-feira.

Nos últimos anos, o aumento da disponibilidade de Internet de banda larga, a preços reduzidos, combinado com o uso de smartphones, impulsionou a indústria do tráfico sexual online. Isto inclui crianças a serem abusadas, em vídeos em directo, a troco de dinheiro, ou a serem vendidas para sexo na Internet.

Desde 2009, altura em que a Interpol começou a recolher e arquivar dados sobre o abuso sexual de crianças na Internet, a organização já conseguiu identificar mais de 12 mil vítimas. Das que faltam identificar, mais de 60% são crianças de idades muito precoces (incluindo bebés) e um terço são rapazes. Cerca de 5,6% dos ficheiros com crianças não identificáveis (um total de 34.474 imagens ou vídeos), incluem um abusador conhecido das autoridades.

As armadilhas do online

Além de analisar extensas bases de dados, a Interpol e a ECPAT entrevistaram autoridades envolvidas na investigação de abuso sexual de menores em Novembro de 2017. O objectivo era perceber as dificuldades em investigar estes crimes na Internet, em diferentes partes do mundo.

Um dos problemas destacados é que cada vez mais jovens produzem imagens e vídeos sexuais que publicam, voluntariamente, na Internet. “O fenómeno de ‘conteúdo sexual produzido por jovens’ parece ser um desafio”, lê-se nas conclusões do relatório. “Há uma necessidade de adaptar a gestão destes casos para distinguir aqueles em que houve uma ofensa criminosa.” Um exemplo recente data de Janeiro, quando mais de mil jovens dinamarqueses foram convocados a entrevistas com a polícia devido à partilha de  vídeos que circularam na Internet de dois jovens a terem relações consensuais (os vídeos, porém, não tinham sido partilhados voluntariamente).

Parte do propósito do estudo actual era “desenvolver um perfil das crianças não identificadas” para investir em melhores sistemas de apoio. A grande conclusão é que as crianças mais novas são as maiores vítimas de abuso sexual online, com os meninos (um terço) a receber frequentemente o tratamento mais violento.

As imagens recolhidas também permitiram identificar o género do atacante em perto de 50% dos casos. A grande maioria (93%) era do sexo masculino. Nos 7% dos casos em que surgem mulheres, o abuso era feito quase sempre em parceria com homens. “Isto mostra que ainda há muito que não sabemos e é preciso mais investigação”, frisou um representante da  ECPAT em conversa com a Reuters. No futuro, as organizações responsáveis pelo relatório querem, também, comparar as diferenças entre o conteúdo estático e em vídeo, e ver os efeitos de abuso offline comparativamente àquele que é transmitido online.

Descarregar o relatório Towards a Global Indicator on Unidentified Victims in Child Sexual Exploitation Material

Procura ultrapassa oferta nos serviços de sexo online com crianças

Agosto 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt de 10 de agosto de 2017.

Nuno Domingues

Um departamento das Nações Unidas denuncia a utilização de crianças nas redes de tráfico de pessoas. É um dos problemas na Tailândia e nos países vizinhos.

Por procura entende-se a consulta online destes serviços pagos, com câmaras apontadas horas a fio a crianças, obrigadas a praticar atos sexuais.

O relatório da Organização das Nações Unidas para as Drogas e a Criminalidade dedica-se ao tráfico de pessoas, na região do Mekong. Uma região que inclui a parte sul do continente, ou seja, o Camboja, o Laos, a Birmânia, e a Tailândia.

No caso da Birmânia e do Camboja, há números recentes, que apontam para uma diminuição dos casos de tráfico de pessoas para as redes de sexo. Mas o tráfico de crianças rivaliza com a exploração intensiva de pessoas nas pescas, na construção e na agricultura.

Só na Tailândia, existirão quatro milhões de imigrantes, e 90% são oriundos dos restantes três países. As vitimas das redes de tráfico, poderão ser quase um milhão.

A Tailândia está atualmente debaixo de muitas atenções internacionais, e até os Estados Unidos já colocaram o país em vigilância agravada, por não fazer tudo o que devia para conter as redes de tráfico de pessoas.

O relatório foi lançado esta quinta-feira e aponta a necessidade de conter os fluxos de imigração nos países de origem. O diretor desta agências das Nações Unidas diz que é possível traçar agora os caminhos e definir as ferramentas para começar a agir no terreno.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Trafficking in persons from Cambodia, Lao PDR and Myanmar to Thailand

 

A história de Mariana (ou como manter o seu filho seguro no mundo virtual)

Abril 6, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://visao.sapo.pt/ de 26 de março de 2017.

John Holcroft/ Getty Imagens

Luísa Oliveira

O rapto de uma criança no Norte do País lembra-nos aquilo que nunca devíamos esquecer: o mundo virtual esconde perigos bem reais. Mas há formas de os evitar.

Dia 3 de março, Mariana Leirinha, 13 anos, sai de casa em Beiral do Lima (Ponte de Lima) sozinha, para ir para a escola. Mas não chega ao destino. Ao final do dia, os pais alertam a Polícia Judiciária (PJ). A menina é encontrada uma semana depois, numa casa perto de Aveiro. Lá dentro está Manuel Fernandes, 24 anos, referenciado pela prática de crimes de natureza sexual envolvendo menores. Fica em prisão preventiva pela suspeita de rapto agravado. A menina, aparentemente bem, regressa a casa. Tudo indica que Mariana tenha sido aliciada através da internet por este homem, que tinha um perfil falso no Facebook, usando a fotografia de um modelo francês. A história não é original. No ano passado foram vários os casos que chegaram a público dando conta de homens que utilizam o mesmo meio para abusarem de menores. De pouco servem as recomendações: o estudo de 2013 Teens, Social Media and Privacy, do americano Pew Research Center, diz que 71% dos adolescentes que usam o Facebook revelam o nome da sua escola ou da cidade onde vivem, 53% o e-mail, e 20% o número de telemóvel.

Rute Agulhas, 43 anos, psicóloga clínica e forense, nota que os miúdos se inscrevem nas redes sociais com o consentimento dos pais. “Os adultos não têm a noção do perigo e supervisionam pouco”, nota a profissional, que há um ano criou o jogo de tabuleiro As Aventuras do Búzio e da Coral, para ajudar a educar crianças dos 6 aos 10 anos, com perguntas validadas pela PJ. “O tema sobre o qual eles revelam mais desconhecimento é a internet.” No verão sairá uma aplicação para adolescentes, para que aprendam a lidar com situações de risco. Pode ser uma ajuda, já que, como nota Tito de Morais, 54 anos, o mentor do projeto Miúdos Seguros na Net, “na adolescência, os filhos tendem a dizer que sim aos pais e depois comportam-se de maneira a agradar ao grupo”.

Vidas seguras dentro (e fora) do ecrã

É possível estar nas redes sociais sem medos – desde que se sigam algumas regras

Medidas elementares

– Evitar a impulsividade típica das redes. É tão fácil aceitar uma amizade como rejeitá-la.

– Ser desconfiado e cético em relação às amizades que se aceitam de pessoas que não se conhece – e o critério da manada, leia-se muitos amigos em comum, não basta. Pode significar apenas que muitos, antes de nós, já cometeram o mesmo erro.

– Averiguar o perfil de quem nos pede amizade. Começa-se por ver se é recente ou não, se está identificado em fotografias de outras pessoas ou se as suas imagens foram todas descarregadas no mesmo dia.

– No caso de se desconfiar da fotografia de perfil (se são de pessoas muito bonitas e elegantes, por exemplo), pode-se descarregá-la e pesquisá-la nas imagens do Google para verificar se ela existe noutro local na internet.

– Nunca publicar fotografias pessoais com localização em tempo real, com a farda ou o cartão da escola visível, ou em poses sexy, que possam dar a ideia errada.

– Tapar a câmara do computador com um autocolante, porque ela pode ser ativada à distância e esta é a única forma segura de não sermos filmados sem consentimento.

– Não marcar encontros presenciais com amizades que se fazem nas redes sociais. Caso se opte por quebrar esta regra, ir acompanhado, avisar outras pessoas do local (que deve sempre ser público) e garantir que o telemóvel está à mão para pedir ajuda.

Medidas intermédias

– Exigir a password aos filhos e espreitar os perfis deles em caso de desconfiança.

– Falar com eles sobre os perigos e deixá-los à vontade para contarem se alguém os abordar de forma estranha nas redes sociais.

– Criar a norma de que o computador só pode ser usado num sítio por onde todos passem.

Medidas drásticas

– Instalar software de controlo parental sem que os menores saibam. Mas é algo intrusivo, que regista todos os passos dados no computador – há o risco de eles descobrirem e passarem ao modo clandestino ou a usar outro dispositivo. Tito de Morais, do projeto Miúdos Seguros na Net, só o aconselha em caso de desconfiança grave. “O melhor software é ensinar-lhes a autodefesa, ajudá-los a descobrir as suas vulnerabilidades.”

 

 

 

Unicef quer envolver adolescentes no uso seguro da Net

Junho 11, 2016 às 5:35 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 7 de junho de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Perils and Possibilities: Growing up online

Reuters Mihai Barbu

Ana Cristina Pereira

Oito em cada dez pensam que há risco de exploração ou abuso sexual online.

E se tivéssemos adolescentes e não só adultos a tentar impingir regras de segurança na Internet? A Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, está a desafiar adolescentes de todo o mundo a dizerem o que acham que deve ser feito e a usarem as redes sociais para sensibilizar os amigos.

A situação inspira preocupação, a avaliar pelos resultados de um inquérito a que responderam dez mil jovens de 18 anos de 25 países — Perigos e Possibilidades: crescer online. Oito em cada dez estão convencidos de que um adolescente está em risco de ser sexualmente abusado ou explorado online. E metade até pensa que alguns dos seus amigos têm comportamentos arriscados.

“A rápida expansão da tecnologia digital e o crescente acesso à Internet  transformaram a vida das pessoas mais novas”, escreve Cornelius Willians, director adjunto para a Protecção Infantil da Unicef, no texto introdutório. Um em cada três utilizadores da Internet é uma criança. “À medida que se torna mais acessível, a violência contra as crianças assume uma nova dimensão com danos profundos e consequências na vida”, diz ainda. “Os resultados do inquérito mostram a dimensão real do risco.”

Conforme o inquérito, os adolescente ouvidos confiam na sua própria capacidade de se manterem em segurança. Quase 90% afirmam saber como evitar perigos online e 36% acreditam que conseguem perceber quando as pessoas estão a mentir sobre a identidade online.

O género tem peso nas percepções de risco: 67% das raparigas ficariam seriamente preocupadas se recebessem comentários ou solicitações de cariz sexual na Internet, o mesmo afirmam 47% dos rapazes.

Se sentissem uma ameaça online, os adolescentes confiariam mais nos amigos do que nos pais ou nos professores. Mesmo assim, quase metade acha que saberia como ajudar um amigo em risco.

Escreve Willians: “A Unicef pretende amplificar a voz dos adolescentes a fim de ajudá-los a protegerem-se contra a violência, a exploração e os abusos online, e contribuir para que as crianças possam aproveitar as vantagens e os benefícios que a Internet e os telemóveis oferecem.”

Para envolver os adolescentes, fazer deles mensageiros, está a divulgar a hashtag #ReplyforAll (#ResponderporTodos). Desafia os adolescentes a levantarem-se contra a violência online, a apoiarem-se uns aos outros, usando as redes sociais para partilhar informação sobre as melhores formas de protecção.

A Unicef pede aos pais para falarem com os filhos sobre segurança na Internet, para se certificarem de que as suas crianças compreendem os riscos e sabem o que fazer em caso de perigo. Apela aos professores para estarem atentos às ferramentas e plataformas usadas pelos alunos. E aos Governos nacionais para ouvirem as crianças e jovens e para incorporarem o seu pensamento nas políticas, estratégias e programas criados para prevenir e combater o abuso sexual através da Internet.

Esta é “uma questão que diz respeito a todos nós”, refere Willians. “Quando os jovens, os governos, as famílias, o sector das novas tecnologias e as comunidades trabalham em conjunto, aumentam as probabilidades de encontrar formas mais eficazes de responder ao abuso e à exploração sexual online.

mais informações:

http://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef-abuso_sexual_online_2016_06_07.pdf

 

 

 

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