InfoCRIANÇA Nº 86 Direito a Brincar

Outubro 26, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Publicações IAC- Marketing | Deixe um comentário
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https://mailchi.mp/iacrianca/infocrianca85-1514817

Crianças e adolescentes lideram aumento de infeções desde o início das aulas

Outubro 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 14 de outubro de 2020.

Por Nuno Guedes

Consultas nos centros de saúde por causa da Covid-19 também se multiplicaram por cinco nas idades abaixo dos 20 anos. Médicos sublinham que maior perigo é, no entanto, para os avós.

As crianças e jovens com menos de 20 anos são os grupos etários onde os casos confirmados de Covid-19 mais aumentaram no último mês, desde o início do novo ano letivo.

Entre 13 de setembro (um dia antes do reinício das aulas) e ontem, 13 de outubro, nas crianças com menos de 10 anos a subida foi de 52,7% (+1.312 infecções confirmadas).

Pelas contas da TSF aos dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) a subida foi ainda mais acentuada nas idades entre os 10 e 19 anos: +64,8%, ou seja, mais 2.126 casos.

Em todos os outros grupos etários o aumento foi bastante mais reduzido apesar da tendência de crescimento ser comum a todos.

Depois das crianças e adolescentes, o terceiro grupo onde a Covid-19 mais avança tem entre 20 e 29 anos: +42,7%.
Nas faixas etárias dos 30 aos 49 anos a subida ronda os 39%; e entre os 50 e 79 anos aproxima-se dos 37%.
No outro extremo, os idosos mais velhos, com mais de 80 anos, são o grupo de maior risco de complicações e também aquele onde o novo coronavírus menos cresceu no último mês: +25%.

Consultas dos mais novos disparam nos centros de saúde

Os números anteriores sobre os menores de 20 anos coincidem com outro dado revelado pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde que mostram que desde o início de setembro que em todas as faixas etárias subiram as consultas nos cuidados de saúde primários relacionadas com a Covid-19.

Um aumento que foi muito mais forte nas idades dos zero aos 19 anos, ultrapassando, ao contrário de todas as outras faixas etárias, os níveis do anterior pico da pandemia, em abril, durante o estado de emergência.

Nas idades mais jovens, na primeira semana de setembro os centros de saúde e unidades de saúde familiar realizaram cerca de 2500 consultas por causa do novo coronavírus, mas a partir daí a subida foi exponencial rondando as 12 500 consultas na semana de 28 de setembro a 4 de outubro, cinco vezes mais que um mês antes.

“Não é seguro os netos verem os avós”

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar não fica surpreendido com os números anteriores pois já tinham notado um aumento das consultas relacionadas com a Covid-19 nos utentes mais jovens.

Rui Nogueira recorda que estes casos são “muito menos preocupantes” que nos idosos e diz que, “felizmente, estamos a ter mais casos apenas relacionados com pessoas mais novas”.

O representante dos médicos de família não associa este aumento mais expressivo da pandemia nas idades mais jovens ao reinício das aulas presenciais pois sublinha que já antes, no início de setembro, se notava a mesma tendência.

“Haverá relação com os ajuntamentos de jovens e estes ajuntamentos continuam, agora, nas escolas depois das aulas começarem”, detalha.

Rui Nogueira recorda que o maior risco destes casos entre quem tem menos de 20 anos é o contágio dos idosos, sobretudo aqueles que têm mais de 80 anos, defendendo “muita cautela” pois, “genericamente, enquanto não existirem vacinas não é seguro os netos verem os avós, sendo necessária uma política muito dirigida de apoio aos lares”.

Webinar “Pobreza e Desigualdade na Infância : a estratégia nacional para os Direitos da Criança e o papel da garantia europeia para a Criança” 21 outubro

Outubro 14, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No mês em que se celebra o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o Instituto de Apoio à Criança informa que irá promover um debate-reflexão, em formato webinar, a ocorrer dia 21 de outubro, sob o tema: Pobreza e Desigualdades na Infância – Garantir um Futuro Melhor para as Crianças na União Europeia.
A pobreza infantil constitui um problema que nos deve preocupar a todos, uma vez que pode conduzir à pobreza na idade adulta. Consideramos que o combate à pobreza infantil e exclusão social, não se deve centrar apenas em medidas monetárias, mas sim apostar também em respostas comunitárias de proximidade que promovam o acompanhamento nas diversas áreas (e.g., educação, saúde, etc.).
Nas vésperas de Portugal assumir, no 1.º semestre de 2021, a terceira Presidência do Conselho da União Europeia, e da implementação da Garantia Europeia para a Infância, este é, sem dúvida, um tema-chave no que tange a dignidade e cumprimento dos Direitos da Criança, e de particular importância político-social, para o qual urge mobilizar todos os esforços e forças intervenientes neste domínio.

Inscrições:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdGlp8lBw7MhnMuMVXEzDpBtNqHtLt56obqzMDsXoVYva5_NA/viewform?usp=pp_url

Psicologia Judiciária – Família e Crianças : Jurisdição da Família e das Crianças

Setembro 14, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Crianças devem estar protegidas pela lei – Entrevista de Dulce Rocha Presidente do IAC ao Correio da Manhã

Agosto 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC ao Correio da Manhã de 23 de julho de 2020.

Se eu brincasse como se o mundo não me visse: o retraimento social na primeira infância

Junho 29, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de junho de 2020.

Entre 10% a 15% das crianças apresentam níveis intensos e prolongados de vergonha e retraimento que as podem impedir de aproveitar oportunidades importantes para o seu desenvolvimento.

Maryse Guedes

Tal como os adultos, é frequente que as crianças de idade pré-escolar sintam vergonha e se retraiam perante pessoas e situações novas ou com os quais estão menos familiarizadas. Geralmente, esta vergonha e retraimento iniciais desaparecem ao fim de algum tempo. Em níveis moderados, têm uma função protetora, permitindo-nos ter um comportamento social ajustado e evitar a exclusão social.

Contudo, 10% a 15% das crianças apresentam níveis intensos e prolongados de vergonha e retraimento que as podem impedir de aproveitar oportunidades importantes para o seu desenvolvimento. Geralmente, estas crianças falam com facilidade em casa, mas escondem-se atrás dos pais quando têm de cumprimentar adultos no dia a dia. Mostram interesse em interagir com as outras crianças, mas não têm a iniciativa de se juntar a elas para brincar. Brincam de forma descontraída em casa, mas retraem-se quando têm de desempenhar atividades frente aos outros (ex., demonstrações artísticas ou desportivas) ou de participar em festas. É frequente que os pais destas crianças digam que têm “dois (duas) filhos(as) diferentes: um(a) dentro e outro(a) fora de casa” e que expressem o desejo de que elas brinquem em contexto social como em casa — como se o mundo não as visse.

Porque é que algumas crianças apresentam estes níveis mais intensos de vergonha e retraimento social? Os estudos associam o retraimento social em idade pré-escolar a uma característica de “feitio” ou temperamento que pode ser observada desde o primeiro ano de vida, sob forma de reações emocionais negativas intensas e prolongadas perante estímulos novos. Na sua génese, encontram-se fatores biológicos, nomeadamente um sistema de defesa mais sensível, situado na parte mais antiga do nosso cérebro. Apesar da influência de fatores biológicos, tal não significa que a criança e os pais tenham culpa e que nada possa ser feito. Pelo contrário, a família pode aprender e implementar estratégias que transmitam à criança que as suas características são aceites e respeitadas, mas que, simultaneamente, a incentivem a aproximar-se, passo a passo, das situações sociais que receia.

É comum que os pais se sintam frustrados ou desapontados perante os sinais de retraimento da criança e que possam ter a tentação de “empurrá-la” para as situações, especialmente quando estes sinais são confundidos com má educação ou desinteresse em contexto social. Embora nem sempre seja fácil, é importante que os pais evitem rotular a criança (ex., é tímida), corrijam as pessoas que o façam e reconheçam as suas áreas fortes (ex., capacidade de observação, perspicácia, criatividade) para que ela sinta que as suas características são aceites e respeitadas. A normalização do medo como parte da experiência humana comum e o incentivo à identificação e partilha das situações que o espoletam e dos sinais com que este se manifesta no corpo (com histórias ou filmes de animação infantis) também contribui para fomentar um ambiente familiar seguro, em que a criança se sente compreendida e apoiada.

Por outro lado, a preocupação dos pais em relação aos sinais de retraimento da criança pode levá-los a serem mais protetores, dizendo-lhe o que fazer ou falando no seu lugar. Embora tenham a melhor das intenções, estas respostas parentais não ajudam a que a criança desenvolva a confiança necessária para enfrentar, passo a passo, os seus medos. No dia a dia, a participação ativa em pequenas decisões ajustadas à idade e a brincadeira livre liderada pela criança ajudam a promover a independência e confiança em contexto seguro. Estas conquistas servem de base para que, a pouco e pouco, sem “empurrar” a criança demasiado “depressa”, os pais criem pequenos desafios que ela é capaz de enfrentar (ex., manter-se ao lado dos pais, sem se esconder, perante adultos do quotidiano). Antes dos desafios, é importante que os pais salientem as vantagens de experimentar as coisas, mesmo que tenhamos medo delas (ex., ser ainda mais corajosa do que já é, fazer coisas importantes), transmitam à criança confiança de que é capaz e a preparem para o que vai acontecer, utilizando, por exemplo, o jogo de faz-de-conta.

Dar atenção e encorajar todas as conquistas da criança, persistir na prática dos mesmos desafios até se tornarem muito fáceis para ela e transmitir-lhe uma atitude de “não há problema” quando as coisas correm menos bem são ingredientes-chave para que ela possa aprender a brincar e a aproveitar as oportunidades do mundo, quando este tem os olhos postos nela.

Maryse Guedes, investigadora, Centro da Criança e da Família, William James Center for Research

Rede Nacional vai ter técnicos especializados em crianças vítimas de violência doméstica

Junho 17, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de junho de 2020.

Reprogramação dos fundos comunitários permitirá contratar psicólogos para reforçar Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica. “Queremos abranger a intervenção em trauma”, diz secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade.

Mais de dois milhões de euros vão ser canalizados para reforçar a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica com profissionais especializados no apoio psicológico a crianças e jovens vítimas de violência doméstica. Na certeza de que não são meras testemunhas de violência entre familiares.

Olhando para a estatística do ano passado, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, nota que “só as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens tiveram 12 645 comunicações por exposição a violência doméstica”. Em 2018, 8872. Em 2017, 8781. Em 2016, 8695. Em 2014, 7793.

Muitas têm de sair de casa. “Temos tido um número significativo de crianças acolhidas com as mães nas nossas estruturas”, salienta. “Quase 50% das pessoas acolhidas.” Só nas casas-abrigo, destinadas a vítimas de violência doméstica acompanhadas ou não por filhos menores ou maiores dependentes, em 2019 passaram 760 crianças e jovens. Em cada um dos anos imediatamente anteriores, 816, 832, 750, 734.

Às crianças expostas a violência doméstica não é reconhecido o estatuto legal de vítimas. Têm sido encaradas como vítimas “silenciosas”, “esquecidas”, “não-intencionais”, “secundárias”, alerta o psicólogo António Castanho. Só que “muitas são as principais vítimas de violência”. “Outras carregam as cicatrizes emocionais de testemunhar o terror que existe em torno delas. Algumas são agredidas violentamente quando tentam intervir para acabar com a violência, outras são usadas como parte da vingança e do ciúme que pode surgir quando um dos progenitores tenta reconstruir uma ‘nova’ vida para si e seus filhos. Tragicamente, algumas morrem.”

Essas vivências podem deixar sequelas para o resto da vida. Todos os estudos, elucida António Castanho, apontam para maior risco de perturbações do humor e ansiedade, transtorno de stresse pós-traumatizo, abuso de substâncias e problemas académicos. Há ainda um risco de transmissão intergeracional de violência.

Rosa Monteiro reconhece essa tendência para olhar para os filhos das vítimas de violência doméstica como acompanhantes. Entende que “o país tem de abandonar esse paradigma”. E que é preciso criar uma resposta especializada para crianças e jovens na Rede Nacional.

O território nacional está coberto por esta rede – composta por 133 estruturas com equipas multidisciplinares que prestam informação jurídica, apoio psicológico e social. As crianças e jovens podem chegar a estes centros de atendimento acompanhando uma mãe ou um pai, mas também por iniciativa própria ou encaminhados por uma comissão de protecção, um tribunal ou outra entidade.

Foi no quadro da reprogramação dos fundos comunitários que o Governo fez uma alteração das “verbas adstritas à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, enquanto organismo intermédio, que permitirá recrutar psicólogos e psicólogas especializados/as”. “Estamos a desenhar o aviso”, esclarece Rosa Monteiro. “Queremos abranger a intervenção em trauma. Consideramos essa área deficitária e importantíssima.”

Confinamento: qual o seu impacto nos comportamentos das crianças?

Junho 11, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle de 3 de junho de 2020.

Um texto de Sandra Helena, psicóloga clínica e psicoterapeuta de crianças e adolescentes, da Psinove.

Com a pandemia, também as crianças se depararam com novas rotinas, novas formas de estar com a família e muitas privações. Deixaram a sua escola, os seus amigos, a sua educadora/professora, os seus familiares (avós, tios, primos) e até aquele parque infantil onde iam depois de saírem da escola que não pode ser utilizado. São imensas as restrições que tiveram e têm de aceitar de imediato e, naturalmente, que não pode ser fácil aceitar e não ripostar. As crianças falam muitas vezes com o seu corpo e este pode ser um momento em que não é diferente. Justamente por isso pode ser relevante compreender algumas reações inesperadas, aceitando, intervindo ou pedindo ajuda.

As birras, a intensa irritabilidade e reatividade emocional, o choro frequente e a baixa resistência à frustração são algumas das manifestações mais comuns. O que podemos fazer inicialmente é observar e anotar sintomas, verificando a frequência, duração e intensidade dos comportamentos. É importante analisar se acontece apenas neste contexto de vida ou se anteriormente já haviam sido observadas. Algumas crianças já apresentavam sintomas, mas que neste período acabaram por ser tornar mais intensos.

Podemos estar perante a Perturbação de Oposição e Desafio que consiste na alteração de múltiplas dimensões, cujos sintomas principais são a criança apresentar um padrão de comportamento negativo, desafiador, desobediente, hostil com frequência e intensidade não expectável para a sua faixa etária. O descontrolo emocional e a agressividade também são comuns, incluindo por vezes violência verbal e física.

A criança tem tendência a manifestar o comportamento mais frequentemente com pessoas do seu círculo habitual, mas também o pode exibir com outras pessoas. Esta perturbação necessita de uma intervenção precoce, pois sem o treino de competências parentais e aconselhamento à família tende a piorar, influenciando toda a dinâmica familiar. O desgaste é imenso o que leva a que, muitas vezes, os pais cedam às vontades e desejos da criança e isso apenas contribui para adiar a hostilidade e a desobediência.

Na vida quotidiana, tendencialmente, o convívio social entre amigos e família do núcleo próximo é eliminado, assim como a frequência de locais públicos porque se torna desconfortável e desgastante para os pais e, muitas vezes, também, para a criança pela ausência de estrutura de atividades e rotinas. A Perturbação de Oposição e Desafio afeta todos em redor e a procura de ajuda, por vezes, acontece com o desespero dos pais, após demasiado tempo em que a criança tem um comportamento caracterizado por dificuldade em seguir regras ou instruções, sendo cada vez mais reativa, impulsiva, desafiadora e opositiva.

É indispensável ter em consideração o momento de vida da criança (instabilidade familiar, doença, perdas) e as condições da atitude de desobediência antes de julgar se estamos perante uma perturbação, pois pode ser um meio de se autoafirmar ou não entendimento das instruções ou não saber executar o pedido formulado.

Algumas possibilidades para tentar agir com uma criança desafiante e opositiva:

– Identificar os sinais;

– Conversar com a criança acerca das suas reações;

– Ajudar a criança a identificar as suas emoções;

– Ensinar formas de lidar com a frustração;

– Comunicar com clareza;

– Não reagir impulsivamente;

– Tornar-se um exemplo;

– Consistência nas regras e limites impostos;

Quando a criança conhece a autoridade do adulto, compreende intelectualmente a proibição, sabe a necessidade de respeitar os limites e as instruções, vivenciou consequências e mantém o mesmo procedimento, será relevante procurar ajuda especializada.

Sandra Helena – Psicóloga clínica e Psicoterapeuta de crianças e adolescentes

Fixe estes 6 itens em defesa do direito de menus mais amigos das crianças

Junho 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle

Discretamente, num cantinho das ementas, encontramos os tristes menus infantis. Não lhes há de faltar o hambúrguer, a batata frita e o refrigerante. Em defesa de ementas infantis mais ricas, a nutricionista Cláudia Viegas, deixa-nos seis pistas que deveriam ser consideradas na oferta da restauração. Pratos com diversidade alimentar, mas também pais e educadores mais críticos e exigentes. Contas feitas, o gosto educa-se.

  1. Abandonar a ideia de que as crianças são um item à parte nas ementas

Há que saber dizer não à ideia de que, nas ementas, a comida para as crianças deve apresentar-se como um item à parte, diferente do dos adultos. Os mais pequenos, findo o primeiro ano de vida, não só podem, como devem, ter no prato alimentos iguais aos dos adultos, respeitando as porções adequadas para a idade. A nossa gastronomia é riquíssima, com pratos diversos (sopas, arrozes, massas, diferentes confeções, como as jardineiras, os assados, os estufados, as cataplanas) e nutricionalmente ricos, com diversidade de alimentos. Uma diversidade que, quando experimentada, educa o gosto para a grande variedade de sabores.

  1. Hortícolas faltam nos menus infantis

Os hortícolas são parte inalienável da alimentação e muitas vezes ausentes nos menus infantis. A sopa, um dos elementos que contribui para o consumo de hortícolas, só por si não basta. Há que diversificar para atender às recomendações da Organização Mundial da Saúde. Há, como tal, que encontrar nas ementas diversidade nos hortícolas, apresentados em saladas coloridas ou sob a forma de legumes cozinhados, salteados, assados, grelhados, entre outros (de acordo com a tipologia de prato do restaurante).

  1. Pescado sim, mas não apenas douradinhos

Mais pescado, menos carne. Este pode ser o lema a adotar numa ementa equilibrada. O pescado é mais saudável e mais sustentável ambientalmente do que a carne e um elemento importante na Dieta Mediterrânica. As crianças devem de ser estimuladas a consumir pescado, assim como a adquirir competências de identificação e remoção das espinhas, não devendo ficar limitadas a ´douradinhos` e filetes.

  1. Mais criatividade nos acompanhamentos

Presença recorrente nas ementas infantis é a das batatas fritas. O apetite das crianças parece ser sinónimo de acompanhamento acabado de sair de uma fritura e que nada acrescenta à refeição. Isto, quando há uma panóplia de alimentos nutricionalmente interessantes para levar ao prato, para além das batatas fritas. Optando-se, de facto, pelas batatas, porque não apresentá-las assadas com ervas aromáticas? ou cozidas com pele de forma a preservarem mais sabor.  Ou ainda em puré, gratinadas. Acresce que, há vida nos acompanhamentos para além das batatas. As ementas podem oferecer leguminosas diversas, castanhas, arroz ou massa de diferentes formas. Falha a criatividade na apresentação e nos ingredientes.

  1. Fruta deve chegar à mesa mais barata do que o doce

Não menos importante, a sobremesa deve privilegiar as frutas face aos doces. Uma mudança que deveria de ocorrer paralela a uma apresentação mais apetecível e diversa das frutas nas ementas, assim como um preço mais acessível destas face aos doces.

  1. O brinquedo, uma recompensa por uma refeição saudável

Finalmente, uma estratégia para fomentar escolhas mais saudáveis, no caso dos restaurantes que oferecem brinquedos promocionais com o menu infantil, seria a do brinquedo como recompensa face a escolhas mais saudáveis, como a escolha da água, fruta, por oposição aos fritos, snacks e refrigerantes.

Cláudia Viegas é Professora Adjunta na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Os seus principais interesses de investigação estão relacionados com Saúde Pública, em particular o que se relaciona com a Promoção e Proteção da Saúde em relação à Alimentação, Nutrição e Estilos de Vida.

Crianças e jovens. Uma “vacina real” contra o isolamento

Maio 14, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 19 de abril de 2020.

Quando se é criança e jovem acredita-se que tudo é possível. Mas será esta energia suficiente para ultrapassar a barreira invisível do confinamento motivado pela pandemia? E serão eles, mais do que os adultos amadurecidos pelas vivências, a ensinar-nos como ultrapassar as dificuldades atuais?

por Nuno Patrício

Viver em comunhão e partilha é para crianças e jovens um estado natural. Num mundo cada vez mais sem fronteiras, criar laços de amizade onde a movimentação não se restringe já às fronteiras internas e onde as tecnologias aproximaram ideias e credos, as gerações mais novas adaptaram-se a viver em rotinas dinâmicas de movimentação e de fácil comunicação.

Um mundo que de um dia para outro mudou e pode mudar também a forma de como estas gerações se adaptam e relacionam com ele.

Carlos Céu e Silva, psicólogo clínico formado pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada e Mestre em Aconselhamento Dinâmico, afirma que é natural que crianças e jovens sintam o atual momento como adverso. Contudo este momento em particular pode também ser interpretado como uma excelente oportunidade para uma reaproximação de laços familiares, que a sociedade tanto tem tirado.

“Esta ansiedade que nós criamos”, diz Carlos Céu e silva, “é por vezes mais vinda dos adultos e da nossa perceção de limitação. As crianças obviamente também se sentem limitadas, mas se olharmos para a janela e para a rua, hoje em dia vemos os pais a fazerem aquilo que faziam há 30 anos, que é andar de bicicleta e a fazer uma série de coisas de um modo descontraído e quase que pedagógico ou lúdico”.

A idade como forma de maleabilidade

Os amigos e as brincadeiras parecem agora presos neste passado recente, ainda muito presente. Crianças e jovens vão ter de construir um novo molde.

Sendo as camadas novas “mais plásticas”, existe a tendência para uma maior facilidade na adaptação, muito embora quando esta situação passar se envolvam rapidamente na dinâmica social e destes tempos permaneça apenas uma vaga recordação de dificuldade.

Já os adolescentes, com uma mentalidade mais amadurecida, vão olhar o mundo de uma forma diferente, explica o psicólogo Carlos Céu e Silva.

“Este lado de confinamento tem um lado negativo muito grande que afeta a saúde mental, quer dos adultos, adolescentes ou crianças. (…) Há uma saturação independentemente de toda a criatividade que possam criar”, com a realização de novas tarefas e inovadoras, “ mas também na descoberta de novas facetas que não imaginavam ter”.

Toda uma redescoberta em que a música, a leitura e a informação pode voltar a ser parte de um quotidiano perdido, muitas vezes para as redes sociais, que continuam muito presentes nesta nova sociedade enclausurada.

Mens sana in corpore sano

Estar e ser ativo é questão fundamental para manter uma “mente sã em corpo são”, principalmente neste período.

Precisamente neste campo e preocupados com a falta de oportunidade e espaços para o movimento das crianças, um grupo de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana (UL), da Escola Superior de Educação de Lisboa (IPL), e da Escola Superior de Desporto e Lazer (IPVC) levou a cabo um primeiro estudo, no qual analisou rotinas das famílias portuguesas durante as primeiras três semanas de confinamento devido ao surto da Covid-19, criando o projeto C-Ativo em casa.

O encerramento de escolas, bem como muitos dos espaços laborais as rotinas diárias da família e dos filhos, deram origem a taxas de sedentarismo na ordem dos 80 por cento.

De acordo com os dados recolhidos através de um inquérito online, respondido até agora por 1973 famílias e 2167 crianças, os investigadores conseguiram apurar que durante as semanas de entre 10 de março e 1 de abril, a situação de confinamento das famílias originou um decréscimo no tempo de atividade física dos seus filhos em 69,4 por cento dos casos.

Tempo este deslocado para outras atividades que resultam num aumento do tempo dedicado aos ecrãs (68,4 por cento) e um aumento nas atividades em família (82,8 por cento).

Neste estudo foi também avaliado o comportamento das crianças até aos 12 anos.

Fonte: Projeto C-Ativo em casa/DR

Considerando a percentagem de tempo acordado reportado para cada criança (excluindo as horas de sono), o tempo de ecrã lúdico (não contando aulas e trabalhos online), aumenta ao longo das faixas etárias, atingindo valores de 24 por cento na faixa etária dos 0-2 anos, 27 por cento, dos 3 aos 9 anos e 33 por cento, na faixa dos dez aos 12 anos.

A questão do sedentarismo também não foi esquecida, apontando este estudo para um aumento com a idade, atingindo os 62 por cento na faixa etária até aos dois anos; 72 por cento dos três aos cinco anos; 78 por cento dos seis aos nove anos e 84 por cento na faixa etária dos dez aos 12 anos.

Um confinamento que preocupa, mas que aproxima

Ainda no quadro deste estudo, apurou-se que 95,2 por cento das famílias afirmam estar preocupadas ou muito preocupadas com a situação de pandemia actual, sendo que 33,4 por cento consideram que está a ser difícil o isolamento com as crianças, embora 47,9 consideram precisamente o contrário.

Já no que diz respeito à actividade física das crianças, 69,4 por cento das famílias considera que estas têm feito menos ou muito menos exercícios que o habitual. Mas 82,8 por cento do universo estudado indica que tem feito mais ou muito mais atividades em família que o habitual.

E se a preocupação com o tempo de descanso das crianças é fundamental, 48,5 por cento não notam diferença no tempo de sono em relação ao habitual, manifestando 45,2 por cento que as crianças até têm dormido mais.

Apesar da diferença de género, não foram verificadas diferenças acentuadas entre sexos, tendo rapazes e raparigas valores muito semelhantes em praticamente todas as atividades à exceção das categorias de ecrã lúdico (rapazes vs raparigas) e jogo sem movimento (raparigas vs raparigas).

Dados observados em Portugal e ainda com um universo muito restrito, mas claramente exemplificativo das implicações deste isolamento social obrigatório.

No contexto geral este inquérito vem confirmar a tendência decrescente do tempo de atividade física ao longo da infância, mas as crianças que vivem em condições de confinamento obrigatório apresentam um grande tempo de sedentarismo, especialmente derivado da grande percentagem de tempo de jogo sem movimento (até aos cinco anos de idade) e do aumento do tempo de ecrã lúdico após essa idade.

Este estudo da Faculdade de Motricidade Humana (UL), da Escola Superior de Educação de Lisboa (IPL), e da Escola Superior de Desporto e Lazer (IPVC), está também a decorrer e a ser replicado em vários países (Grécia, Espanha, Reino Unido, Bélgica, EUA, Austrália, Nova Zelândia).

Mais perto de uns, mais longe de outros

Se pensarmos mais abertamente nas relações sociais criadas já neste período de confinamento, tendemos a crer que vai haver uma maior aproximação de nós para com os mais próximos. Mas se isso é verdade o contrário também pode acontecer e ser perigoso.

Os jovens podem, na sua ingenuidade ou malícia, aproveitarem-se destas fragilidades.

Para o psicólogo Carlos Céu e Silva, este isolamento, bem como distanciamento, pode ser desestruturante, “por mais consciência que tenhamos que isto é provisório, ou transitório, evidentemente afeta sempre o estado mental.”

Uma sociedade só existe se, no conjunto, todos nos comportarmos como seres saudáveis, sempre com uma boa rede social e rodeados de figuras sólidas que possam ser reproduzidas internamente.

De outra forma a anarquia tomará conta de nós, originando conflitos e desorganização no eu em que vivemos. E será o medo que vai travar a impulsividade dos jovens ou torná-los mais resistentes? Certo é que neste campo os mais velhos têm um papel fundamental na gestão da ansiedade.

É preciso compreender os medos da forma mais eficaz para ajudar as crianças a lidar com eles. E uma das formas mais simples a fazer nestas situações é tranquilizá-las, explicando o que se passa em seu redor e desmistificando cenários não entendíveis para a mente infantil.

Mas se os medos causam emoções desagradáveis e desconforto, também podem demonstrar um outro lado de aprendizagem, que se forma através da “nocão, dentro da sua dimensão etária, dos perigos que a vida tem”.

Os medos comuns na infância e na adolescência

Após o nascimento só estamos predispostos a ter medo das quedas e de certos ruídos, mas a partir do primeiro ano de vida, surgem outros medos:

1.º ano de vida: Separação, ruídos, quedas;
2.º ano: Animais, treino do bacio, banho;
3.º ano: Hora de deitar, medo do escuro monstros, fantasmas;
5.º ano: Divórcio dos pais, de se perderem;
7.º ano: Perda/morte dos pais, rejeição social;
9.º ano: Guerra, situações novas, adoção;
12.º anos: Ladrões, injecções.

Sinais que devem preocupar os adultos, sendo estes agentes tranquilizadores e explicadores das situações que as envolvem. E devem respeitar o medo que a criança sente, sem lhe dar, porém, uma importância desmedida.

Crianças devem ser protegidas, avisa ONU

Em tempo de crise são as crianças as mais vulneráveis às adversidades, quer económicas, quer emocionais. E neste sentido, já prevendo em todo o mundo consequências graves, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou às famílias e aos dirigentes de todos os quadrantes para que as crianças sejam elementos de proteção que, apesar de não serem as principais vítimas da pandemia da Covid-19, sofrem também elas significativamente com as consequências.

Segundo um relatório divulgado na passada sexta-feira, a ONU estimativa que esta crise anule os progressos obtidos na baixa da mortalidade infantil, mas não só nesta área.

Com o encerramento das escolas em todo o mundo, as crianças poderão sofrer ainda com a fome, uma vez que cerca de 310 milhões de estudantes dependem dos estabelecimentos de ensino para se alimentarem no dia-a-dia, afirmou.

António Guterres lembra que 188 dos 193 Estados-membros da ONU impuseram o encerramento das escolas, o que afeta cerca de 1500 milhões de jovens

Para o secretário-geral das Nações Unidas, o confinamento e a recessão mundial “alimentam as tensões nas famílias” e as crianças “são, por sua vez, vítimas e testemunhas de violência doméstica e de abusos”.

Tecnologias: “o reverso da medalha”
Até agora, muitos são os estudos que apontam as novas tecnologias, entre os mais novos, como um potencial fator de distração face à rotina social. A facilidade de comunicação e utilização das redes sociais, bem como os jogos online com uma forte obrigatoriedade de permanência em linha, são fontes de afastamento de uma maior socialização presencial.

Se todos estes elementos eram já disruptivos, com a imposição de um ainda maior confinamento, tudo isto pode ser ampliado.

Todavia, também existem aspetos positivos nas novas tecnologias e são estas que nos capacitam para a continuidade de uma relativa “normalidade”, como por exemplo o ensino à distância.

Compreendendo muito do que se passa dentro da mente das crianças e dos jovens, Carlos Céu e Silva diz que este novo paradigma, entre o restringir e o facilitar o acesso aos jogos e tecnologias, tem de exigir, por parte dos adultos, um maior equilíbrio.

“A partir de agora vamos olhar para os jogos, para os vídeos e para estas coisas todas, de uma forma diferente. E vamos todos tentar compreender melhor este mundo (…) e se não tivéssemos acesso a esta tecnologia que temos hoje estaríamos a viver um período medieval”.

Se “estas ameaças apenas ajudam a evoluir mais na nossa condição humana”, refere o psicólogo, também podem despertar ações menos positivas como o caso de uma maior facilidade e risco de assédio sexual a menores, ou ao cyberbullying.

O psicólogo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, habituado a lidar com os problemas dos mais novos, afirma que não é através do negativismo que se ultrapassa os problemas e que vão ser os mais novos que vão ensinar – e muito – os atuais adultos, na nova normalidade que virá depois desta crise.

“Eu acho que nos próximos anos não vai haver normalidade. Nós temos um registo interno de trauma que vai ficar com este vírus”, explica Carlos Céu e Silva. E vão ser os mais velhos a salvaguardar-se mais isolando-se.

Já o contrário será feito pelos mais novos, com uma mentalidade mais aberta, mais madura e mais responsável, sempre com a necessidade de voltar à escola, às rotinas e amizades suspensas no tempo por uma ameaça para a qual ninguém estava preparado.

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