Pandemia trava bullying nas escolas, mas PSP ainda registou 115 casos – Notícia do DN com declarações de Melanie Tavares do IAC

Junho 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 20 de junho de 2020 com declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Cyberbullying e segurança online: prevenir e agir

Junho 4, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Vera Ramalho publicado no Público de 1 de junho de 2020.

Jovens que já eram vítimas em contexto escolar veem continuada a agressão, humilhação, exclusão e desrespeito, só que agora em modo online.

Hoje é o Dia Mundial da Criança, uma data que deve servir o propósito de dar voz e defender cada criança e cada adolescente fazendo valer os seus direitos. É direito de todas as crianças ser protegida contra a violência e o cyberbullying é uma forma de violência online cujos efeitos na vítima podem ser graves.

cyberbullying é uma modalidade virtual do bullying que é caracterizado pelo uso das tecnologias para ameaçar, provocar, assediar, humilhar ou envergonhar, de forma repetida e intencional, uma criança, jovem ou adulto, conhecido ou desconhecido. Qualquer pessoa pode praticar e ser vítima de cyberbullying.

Estas intimidações, por acontecerem na Internet, assumem, como consequência, proporções maiores do que no bullying. Os ambientes de eleição são as redes sociais e os grupos como os do Facebook, Instagram ou WhatsApp, que servem para produzir e difundir insultos, humilhações e violência psicológica que provocam intimidação e constrangimento das vítimas.

Alguns dos grupos frequentados pelos jovens que são vítimas foram criados durante a fase da pandemia de covid-19 para servir como manutenção da relação entre colegas da turma, e, em alguns casos, servem como continuidade da vitimação que já ocorria antes, ou seja, jovens que já eram vítimas em contexto escolar veem continuada a agressão, humilhação, exclusão e desrespeito, só que agora em modo online. A vítima sente-se vexada, vendo circular imagens ou vídeos (verdadeiros ou montados) a ser agredida ou numa situação vulnerável, provocando um sentimento de insegurança e impotência que pode causar dano psicológico.

Geralmente as vítimas são crianças e jovens isoladas, tímidas ou com alguma vulnerabilidade que as difere da maioria dos colegas.

As testemunhas são aquelas crianças ou jovens que sabem de alguém que está a ser vítima de cyberbullying. Algumas tentam dar apoio à vítima para acabar com a situação; outras tomam abertamente o partido do agressor, encorajando-o a continuar; um terceiro grupo tenta manter-se neutra, mas o seu silêncio é visto como um sinal de aprovação ao agressor. Há, ainda, aquelas testemunhas que conhecem as situações, mas nada fazem, por medo de retaliação ou porque não sabem mesmo o que fazer.

Grande parte das vítimas não sabe como actuar e não conta aos seus pais que estas agressões ocorrem. A relação entre pais e filhos desempenha, nesta situação, um papel preponderante, uma vez que se não houver segurança e confiança, os jovens retraem-se porque acham que os pais poderão culpá-los e retirar-lhes o acesso ao telemóvel ou à Internet. Tal faz com que estes jovens se sintam penalizados duas vezes (porque são agredidos e porque não podem contar o que acontece, sentindo-se desprotegidos). A partir daqui temos crianças e jovens a guardar para si emoções com as quais não sabem lidar e que causam muito mal-estar e sofrimento.

Importa referir que muitos pais não têm literacia digital que os permita intervir adequadamente e, desta forma, não conseguem ter a oportunidade de ensinar a criança a proteger-se, nem de actuar quando há um problema. Desta forma, a divulgação de informação sobre o tema para pais, professores e crianças é, sem dúvida, uma mais-valia, porque pessoas informadas podem mais facilmente agir e prevenir-se.

Alguns sinais de alerta para pais e professores são a presença de isolamento, ansiedade, problemas de sono, tentativa de esconder o que está a fazer no computador/telemóvel, receio quando recebe uma mensagem, irritabilidade fácil, recusa ou desinteresse súbito do telemóvel/computador, mudanças de humor e alterações do apetite.

Alguns cuidados simples podem ajudar as famílias a ficarem longe do cyberbullying. Ficam aqui algumas ideias de prevenção e para quem está a ser vítima.

  • Transmita aos seus filhos valores como a tolerância, a empatia, a responsabilidade, o respeito pelos outros e por si próprio.
  • Pais e filhos devem informar-se sobre as melhores formas de usar a tecnologia e sobre o que é o cyberbullying, abrindo espaço ao diálogo sobre as formas de prevenção e de actuação.
  • A escola deve ter um papel de prevenção e de comunicação sobre o cyberbullying através de palestras para pais e alunos, cartazes e da promoção de comportamentos anti-bullying.
  • A supervisão dos pais é importante, sendo diferente de controlo. É importante conhecer as plataformas digitais as quais se ligam as crianças e jovens garantindo que não se expõem demasiadamente. Explique que o objectivo é protegê-los e siga este princípio sem invadir a sua privacidade.
  • Os pais devem definir tempos e limites diários para os seus filhos usarem a Internet. As crianças e adolescentes tem dificuldade em fazer este controlo sozinhas e dizer que “ela já tem idade para saber” pode espelhar a desresponsabilização da sua função parental.
  • Filhos mais velhos que têm conhecimento sobre o uso da Internet podem ajudar pais e irmãos a navegarem em segurança.
  • Os pais também não devem estar constantemente ligados, procurando dispor de tempo em família.
  • Estar atrás de um computador pode desinibir comportamentos e gerar impulsividade. Antes de partilhar alguma coisa reflicta sobre o impacto que pode ter e ensine a criança a fazer o mesmo.
  • No caso de a criança revelar a agressão, seja empático e ouça as suas queixas e preocupações. Mostre-se aberto, sem acusar ou culpar. Isto ocorre de forma mais fácil quando existe uma relação de proximidade e de confiança com a criança ou jovem.
  • Tente travar a situação e recolha provas, como capturas de ecrã ou fotografias das mensagens que demonstrem os actos de cyberbullying.
  • Caso vítima e agressor frequentem a mesma escola reporte o caso e peça a colaboração da escola, assim como aos pais do agressor. Na escola, pode recorrer ao psicólogo ou ao director de turma como mediadores.
  • Caso as ameaças sejam graves, incluindo conteúdo sexual, chantagem agravada ou extorsão, contacte a PSP, a GNR ou a Escola Segura.

 

Para saber mais aceda à área da violência online da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

Com o perigo à espreita, devemos vigiar os mais novos online?

Maio 6, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de abril de 2020.

A UNICEF diz que monitorizar demais põe em risco o direito dos mais novos à privacidade e à liberdade de expressão, mas para alguns pais deixar os filhos sozinhos na Internet não é opção.

Karla Pequenino

Obrigadas a aulas virtuais e sem hipótese de falar com os amigos longe de um ecrã, as crianças estão mais expostas aos riscos do mundo virtual. Esta semana, a UNICEF alertou para o aumento de contactos de predadores sexuais, acesso a desinformação online comportamento de risco entre adolescentes, mas a organização frisa que monitorizar os passos dos menores cria ainda mais limites à liberdade. Para alguns pais, porém, deixar os filhos sozinhos na Internet não é opção.

“Vejo problemas todos os dias. Há crianças a dançar sugestivamente nas redes sociais, e videoconferências entre professores e alunos interrompidas por adultos que pedem às crianças para se despir”, partilha com o PÚBLICO Sandra Gegaloto, 45 anos, professora de secundário e mãe de duas meninas de 10 e 12 anos. “As crianças já passavam muito tempo na Internet, é verdade, mas também são muito ingénuas. Partilham e confiam demasiado. Esquecem-se que toda a gente está a ver.”

Embora a professora evite limitar o tempo das filhas na Internet — “Precisam do ecrã para aulas das 9h às 16h30 e depois é normal que queiram brincar e falar com os amigos” —, Sandra Gegaloto está atenta a todas as comunicações. “Os emails delas caem directamente na minha caixa de entrada, vejo com regularidade o histórico e falo com elas sobre coisas problemáticas que vejo”, explica. “Não acho que seja controladora, sou atenta. Deixo-as falar com os amigos, mas não as deixo sozinhas nas redes sociais. Vejo vídeos de crianças em toalha no TikTok e estou certa que os pais não sabem.”

Apesar de só ter surgido em 2017, a aplicação chinesa TikTok (pensada para maiores de 13 anos) está entre as mais populares da última década, particularmente junto dos mais novos. O objectivo é partilhar vídeos virais de alguns segundos — a tendência mais recente inclui gravar a reacção ao beber um copo cheio de noz-moscada e água. Desde Fevereiro, os pais podem restringir o conteúdo que os filhos vêem e as mensagens que recebem. Para o fazer, porém, têm de ter uma conta na plataforma e saber como a utilizar. O mesmo se aplica à aplicação do Facebook para crianças.

O nível de literacia em Portugal pode ser um desafio, com o ministro da Educação português a reconhecer, em 2018, que conhecimentos básicos de literacia digital apenas chegavam a 53% da população e que apenas 3% eram especialistas em tecnologias de informação e comunicação.

Há empresas que prometem resolver o problema, com aplicações que limitam e monitorizam automaticamente todas as aplicações que os mais novos usam. Algumas estão disponíveis gratuitamente, outras como a Kaspersky Safe Kids e o Norton Family, desenvolvidas por empresas de segurança online, funcionam por subscrição, com valores que começam nos 14 euros por ano. Convém, no entanto, ter atenção à empresa que está por detrás da aplicação, à política de privacidade, e à quantidade de dados recolhidos. Por vezes, os serviços (conhecidos como “espiões digitais”) também são usados para controlar vítimas em relações abusivas.

“Um dos grandes problemas é a forma como os dados são tratados. Na Internet, com 13 anos já se pode utilizar muitas plataformas online como um adulto, mas no mundo real aos 13 anos ainda se é uma criança”, explica ao PÚBLICO Jasmina Byrne, que lidera o laboratório de investigação da UNICEF sobre os direitos das crianças na era digital. “A situação actual pode chamar a atenção sobre temas importantes. Por exemplo, o dever de empresas online apagarem a pegada digital das crianças.”

Vigiar é censurar?

Uma das questões mais debatidas no laboratório da UNICEF é o direito dos mais novos à privacidade. “Isto tornou-se crítico. Num mundo em que as crianças não podem sair para falar com os amigos, é importante garantir que podem ter conversas privadas”, nota Mário Viola, investigador do Instituto Universitário Europeu e redactor do relatório de 2017 sobre os desafios do mundo online para as privacidades das crianças e adolescentes.

“Jovens que precisam de pesquisar sobre métodos contraceptivos, podem evitar fazê-lo se souberem que os pais têm acesso ao histórico. É quase um limite ao acesso de informação”, explica Viola. “Ou se há interesses políticos diferentes em casa, um jovem pode sentir-se limitado em exprimir as suas opiniões online.”

O investigador brasileiro reconhece que é preciso atenção com os mais novos, mas diz que não existe uma idade certa para dar acesso irrestrito ao mundo online. “Gosto de comparar a liberdade para navegar na Internet com a liberdade para ir à escola ou ao cinema sozinho. Se as crianças ainda não saem sozinhas à rua, não deviam ter acesso livre e total à Internet”, partilha Viola, pai de dois rapazes, com 4 anos e 8 anos. “Cá em casa, gosto de dar alguma liberdade ao meu filho mais velho. O computador está sempre onde o posso ver, mas não estou sempre atrás do ecrã quando ele está nas aulas. Vou passando por lá e o meu filho sabe que a mãe e o pai estão atentos e que pode pedir ajuda.”

Mais do que restringir, é importante haver abertura para falar dos temas, defende a psicóloga clínica Raquel Carvalho, que trabalha com crianças e adolescentes na Oficina da Psicologia. “Por vezes não é fácil encontrar um equilíbrio entre o dever de supervisão e o respeito pela privacidade dos filhos”, reconhece a profissional. “Os pais devem fazê-los compreender previamente a necessidade de alguma monitorização por parte dos adultos. Monitorizar dentro do que é razoável não é espiar!”

A psicóloga ressalva, no entanto, que é importante que os adolescentes não sintam “que os pais estão constantemente a bisbilhotar”, porque tanto “uma postura desinteressada e desinformada” como uma postura “crítica e proibitiva” são riscos.

Perigos para os mais pequenos

A UNICEF não nega a existência de perigos online, sublinhando num documento recente que os menores de 13 anos (idade-limite para aceder a plataformas o Facebook ou o YouTube) podem estar a usar ferramentas que não se adequam à sua faixa etária por necessidade. No entanto, a organização nota que com o fecho de escolas generalizado em 188 países, as redes sociais e os programas de videoconferência são uma forma de as crianças estarem com amigos, familiares e pais durante o isolamento.

“É difícil afastar por completo os mais novos das redes sociais quando todos os amigos estão lá. Autorizo a minha filha a ter e a publicar no Instagram, mesmo que seja uma ferramenta desadequada à idade, porque acho que é a menos invasiva e tem um menor grau de interactividade”, argumenta Sónia Soares, psicóloga e mãe de uma menina de 11 anos. “Só que vejo e aprovo todas as fotografias que ela coloca e vamos falando sobre os riscos. Foi um compromisso que arranjámos cá em casa para ela não se sentir privada das redes sociais.”

Até agora, tem funcionado com a filha a procurar os pais sobre problemas que encontra na Internet. “Foi ela que nos alertou para o jogo Baleia Azul. Eu até recomendo alguma independência e autonomia em começar a pesquisar no Google”, diz Sónia Soares. “É preciso aprender a utilizar bem a Internet.”

O relatório mais recente da rede de investigação EU Kids Online, publicado em Fevereiro, com base em cerca de 25 mil respostas de crianças na União Europeia, nota que Portugal é um dos países onde mais crianças e jovens revelam mais confiança em lidar com riscos que encontram online. Cerca de 23% das crianças e jovens portugueses entre os 9-17 anos dizem que assistiram a situações desagradáveis na Internet como bullying, mensagens impróprias e conteúdo sexual, mas 72%, dizem saber o que fazer numa situação do tipo.

Regra geral, são poucas as restrições por parte dos pais. Quase todos os inquiridos em Portugal indicam que podem fazer uso de redes sociais (7% não tem autorização para usar), descarregar filmes ou músicas (5% não tem autorização) e usar a webcam ou a câmara vídeo do telemóvel (9% não tem autorização). Apenas um quinto dos pais usa dispositivos para bloquear ou filtrar conteúdos (22%).

A UNICEF acredita que existe uma correlação. “Os nossos estudos na área mostram que restringir demasiado a Internet impede as crianças de aprenderem a proteger a sua privacidade online”, frisa Jasmina Byrne, do laboratório de investigação da UNICEF. “Contrariamente à ideia que se tem de crianças que são ‘nativas digitais’, ninguém nasce a saber utilizar a Internet.”

Os pais devem estar disponíveis para falar sobre erros. “Muitas crianças não recorrem aos pais quando vêem ou fazem algo que talvez elas não devessem ter feito por receio que os pais fiquem chateados e lhes retirem os seus dispositivos ou acesso à Internet”, explica a psicóloga Raquel Carvalho, que recomenda aos pais “cuidado para moderarem o tom crítico” sobre problemas online. “Assim, os filhos sentem que podem desabafar com os pais e partilhar as suas preocupações mais cedo, evitando o isolamento e o segredo.”

Também é importante promover momentos longe do ecrã. “Em último caso, os tablets ficam trancados no armário umas horas”, sugere a professora e mãe de duas, Sandra Gegaloto. “Fiz isso durante o fim-de-semana para convencer as minhas filhas a apanhar um pouco de sol no nosso quintal. As capacidades digitais dos pais não são necessariamente um limite. Tem de existir abertura para falar de problemas, tem de haver regras e é preciso ter pausas dos ecrãs.

Unicef: crianças sob risco crescente na internet durante pandemia

Maio 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 15 de abril de 2020.

Análise técnica da agência pretende ajudar governos, empresas de tecnologia da informação, educadores e pais a protegerem os menores durante fase de isolamento social; mais de 1,5 bilhão de crianças e jovens estão fora da escola.

Milhões de crianças em todo o mundo estão enfrentando um risco dentro de casa por causa das medidas de quarentena contra a covid-19.

O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e seus parceiros. Com as escolas fechadas, um número recorde de alunos está passando mais tempo na frente de computadores.

Habilidades 

O diretor da Parceira Global para o Fim da Violência, Howard Taylor, disse que muitas famílias estão confiando na tecnologia e nas plataformas digitais para manter as crianças no ensino. Mas nem todas as crianças têm as habilidades para navegarem de forma segura pela internet.

Em todo o mundo, mais de 1,5 bilhão de crianças e jovens estão fora da escola. Muitos continuam participando das aulas pela internet, além de se sociabilizarem.  Mas o tempo alongado na internet também expõe as crianças a riscos de exploração sexual e abusos porque muitos predadores e criminosos estão usando a situação da pandemia para cometer delitos.

Nova realidade

Dentre os riscos ampliados pela nova realidade estão envios de imagens de teor sexual, contato com conteúdo violento e a intimidação on-line ou o bullying pela internet.

O Unicef formou uma aliança com outras agências da ONU como o Escritório sobre Drogas e Crime, Unodc, a União Internacional de Telecomunicações, UIT, OMS, Unesco e outros parceiros para alertar governos, pais e educadores para alertar sobre os riscos.

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, pediu aos governos e às empresas que ajudem a manter as crianças seguras na internet aumentando as ferramentas de proteção.

Treinamento

Dentre as ações preliminares apresentadas pelo Unicef estão: governos devem aumentar os serviços de proteção e mantê-los acessíveis durante a pandemia. Além disso, deve ser oferecido treinamento para trabalhadores sociais, de educação e saúde sobre os impactos da pandemia  nas crianças. Os mecanismos de proteção devem ser ativados on-line e fora da internet para facilitar a denúncia de casos de abusos com linhas diretas de ajuda.

A indústria da tecnologia da informação e das plataformas de redes sociais devem assegurar medidas de salvaguardas especialmente para ferramentas de ensino a distância. Também é preciso garantir que as ferramentas estejam à disposição dos formadores para facilitar medidas de proteção e o acesso de crianças de lares de baixa renda ao ensino.

Aconselhamento

As escolas devem atualizar seus mecanismos e políticas de salvaguardas para adaptarem-se à nova realidade do ensino a partir de casa, promover o bom comportamento na rede e a continuidade do aconselhamento escolar.

Os pais devem garantir que os dispositivos e aparelhos usados pelas crianças tenham as últimas atualizações de software e programas de antivírus.

É necessário ainda manter um diálogo aberto com as crianças sobre com quem e como eles estão se comunicando pela internet.

É preciso ainda entrar em acordo com as crianças sobre regras de como, quando e onde a internet pode ser usada, observar sinais de estresse que podem resultar da navegação delas pela rede mundial de computadores.

Além disso, os pais precisam ter acesso às políticas escolares e de denúncias às autoridades competentes e linhas diretas de apoio caso necessário.

Press Release da Unicef:

Children at increased risk of harm online during global COVID-19 pandemic

Em tempos de covid-19, isolamento pode aumentar casos de cyberbullying, alertam psicólogos

Abril 21, 2020 às 5:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de abril de 2020.

No Dia Nacional de Sensibilização para o Cyberbullying, a Ordem dos Psicólogos Portugueses lança recomendações para jovens e pais.

Hugo Moreira

O período de isolamento obriga os mais jovens a utilizar com maior frequência a Internet para trabalhos escolares, entretenimento e socialização. Embora o mundo digital permita quebrar algumas barreiras físicas, acarreta também riscos. “Com o aumento da presença dos ecrãs, a tendência é para que aumentem os casos de cyberbullying”, alerta Raquel Raimundo, presidente da Delegação Regional do Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses, acrescentando que, em tempos de confinamento, verifica-se um aumento de casos e a “passagem de situações de bullying presencial para cyberbullying”. “A distância não tem inibido essas práticas”, remata a psicóloga, “antes pelo contrário”.

No Dia Nacional de Sensibilização para o Cyberbullying, a Ordem de Psicólogos Portugueses (OPP) ajuda a explicar aos jovens, pais e professores quais os perigos a enfrentar e lança recomendações para uma maior segurança online.

O que é o cyberbullying?

Da adaptação do bullying às novas tecnologias, surge o cyberbullying, descrito pela OPP como “o uso da tecnologia para assediar, ameaçar, provocar ou embaraçar alguém de forma repetitiva e intencional”. Particularmente nefasto pela dificuldade em encontrar quem o pratica e do facto das barreiras físicas não se aplicarem, traduz-se, por exemplo, em “enviar mensagens cruéis, fazer um post insultando alguém, criar uma página falsa ou publicar uma imagem ou um vídeo desrespeitoso nas redes sociais”. Isto significa que “um cyberbullie pode incomodar alguém 24 horas por dia, garantindo que nenhum lugar (nem a casa) é seguro, humilhando alguém perante centenas de testemunhas e sem sequer revelar a sua verdadeira identidade”, lembram os psicólogos.

O problema pode afectar qualquer um: “a própria Unicef, que se normalmente vemos dedicada a outas questões, publicou um estudo no ano passado em que refere que um terço das crianças de cerca de 30 países já foi vítima destas agressões”, lembra Raquel Raimundo.

cyberbullying não deve ser tomado de ânimo leve pelos pais, cuidadores e professores. A OPP lembra que as vítimas podem “desenvolver problemas de saúde psicológica, como a ansiedade e a depressão, tendo sido reportados em situações limite casos de suicídio”. Assim, é fundamental que estes adultos “conheçam e se envolvam no mundo digital”, percebendo que “a partir do momento em que a criança ou adolescente tem um telemóvel/computador/tablet está em risco”.

Recomendações para maior segurança online

A consciencialização dos riscos associados à Internet é a primeira recomendação deixada por Raquel Raimundo. A maioria dos conselhos deve ser tido em conta não só por jovens, mas também por todos os utilizadores da Internet em geral. Não divulgar passwords, não abrir mensagens não identificadas ou não fazer log-out das contas, sobretudo em dispositivos partilhados, são algumas das formas de minimizar riscos online.

Aos jovens é também recomendado que pensem bem antes de fazerem publicações. “Pensa que quem te quiser ferir ou prejudicar pode usar essas imagens para te chantagear ou humilhar”, lembra a OPP. Pesquisar o próprio nome num motor de busca pode ajudar a revelar conteúdos que os utilizadores não se recordem que tinham online, exemplifica Raquel Raimundo.

Numa primeira instância, o guia lembra aos pais que ensinar os mais jovens a lidar com situações problemáticas e superar obstáculos pode ajudar as vítimas a lidarem melhor com a situação, fazer com que as testemunhas denunciem os casos ou até diminuir o número de potenciais agressores por não sentirem a necessidade de “descarregar nos outros”. Aos pais e cuidadores recomenda-se também que aproveitem as funcionalidades de segurança e privacidade dos dispositivos e redes sociais. Por outro lado, os diálogos frequentes e o respeito pela privacidade dos mais jovens ajudam a não haver quebra de confiança.

Ainda assim, a OPP alerta que “a maior parte das crianças e adolescentes vítimas de cyberbullying não denuncia a situação” por medo ou embaraço. E enumera alguns sinais de alerta, como:

  • Mostrar-se aborrecido ou perturbado durante ou após a utilização do telemóvel/computador/tablet;
  • Mostrar-se triste, ansioso, preocupado ou alheado da realidade;
  • Fazer da sua vida digital um segredo ou tentar protegê-la a todo o custo;
  • Minimizar “janelas” na presença do adulto, pedir ajuda para eliminar contas ou bloquear amigos;
  • Isolar-se e evitar a família, os amigos ou as actividades habituais;
  • Recusar assistir às aulas à distância ou participar em situações de grupo;
  • Diminuição do rendimento escolar ou aparente aumento do número de horas de estudo, sem grandes melhorias de resultados;
  • Mostrar-se zangado e descontrolado;
  • Mudanças de humor, comportamento, sono ou apetite, sem justificação aparente;
  • Parar de usar o telemóvel/computador/tablet;
  • Mostrar-se nervoso e ansioso sempre que surge uma nova mensagem;
  • Evitar discussões sobre o uso do telemóvel/computador/tablet.
  • O que fazer em casos de cyberbullying

Ignorar, caso seja um incidente isolado, pode ajudar a não estimular o agressor. Contudo, caso seja persistente, a OPP sugere que a situação seja denunciada: “O teu silêncio pode permitir ao cyberbullie tornar-se cada vez mais violento.” Se o bloqueio e a denúncia através dos sistemas instaurados pelas diversas redes sociais não funcionar, deve-se recolher provas através de capturas de ecrã ou fotografias e, caso se suspeite o risco da segurança, devem ser contactadas as autoridades. Os psicólogos lembram que a ajuda de colegas pode ser essencial na denuncia de casos e apoio às vítimas destes ataques.

Já os pais devem levar as ameaças a sério, mas tentar controlar as emoções e evitar reagir de forma impulsiva. É essencial garantir ao jovem que a culpa não é dele e lembrar que pode acontecer a qualquer pessoa, afirma o guia. Também os pais devem ajudar a recolher provas e pedir a colaboração da escola, pois o agressor e a vítima podem frequentar a mesma, ou das autoridades. Há também instituições, como a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, que dispõem de linhas de apoio específicas para casos destes.

E se o jovem for um cyberbullie?

“Há a tendência para pensar que os agressores são sempre os filhos dos outros”, assume a psicóloga Raquel Raimundo. No entanto, é preciso assumir o problema e perceber que “é o comportamento que é reprovável e é sobre ele que se deve agir, não sobre a criança”. É importante perceber o que desencadeou esses comportamentos e discutir com o jovem o impacto negativo que tem.

Os pais, nestas circunstâncias, devem definir “controlos parentais rígidos em todas as plataformas digitais” e recordar que “o uso das plataformas digitais é um privilégio”. Além disso, devem partilhar as suas preocupações com a escola ou com profissionais como os psicólogos.

Professores são fundamentais na prevenção

Os professores podem estar na linha da frente no combate ao cyberbullying e devem manter-se atentos a sinais de alarme e adoptar estratégias de prevenção. Sobretudo em altura de isolamento, os docentes devem promover a discussão do tema.

“O professor não deve demitir-se do seu papel, adoptando uma política clara e inequívoca de que este tipo de comportamento não será tolerado, dentro ou fora do período de isolamento”, recorda o documento da OPP.

Prestar atenção às interacções entre os alunos e intervir directamente nos casos de agressão, procurando ajuda do psicólogo escolar ou membros da direcção da escola são outras das recomendações dadas aos docentes.

O Instituto de Apoio à Criança pode ajudar com:

Linha SOS-Criança 116111

Whatsapp 913069404

CHAT: http://soscrianca.ajudaonline.com.pt

TikTok – o que é e o porquê da polémica?

Março 2, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Centro da Criança

A aplicação TikTok é uma rede social criada em 2016 na China (sendo que na China tem o nome de Douyin). Esta rede social tem tido muito sucesso à escala global, não sendo Portugal exceção, conta atualmente com mais de 500 milhões de utilizadores ativos. Esta aplicação permite aos utilizadores criar vídeos curtos de música e lip-sync de 3 a 15 segundos e vídeos curtos de looping de 3 a 60 segundos.

Até aqui tudo bem. O problema é que este aplicativo tem como idade mínima de adesão os 13 anos. Facto que nos leva a ter uma maior atenção nas questões de segurança.

Daí que esta rede social esteja a ser muito comentada desde há uns meses. Os comentários e críticas devem-se, em certa medida a três questões: à guerra comercial entre vários países, nomeadamente entre os EUA e a China e a tentativa de controlo de informação sensível; às constantes guerras comerciais entre os gigantes da tecnologia que lutam entre si pelo mercado apetecível dos adolescentes e crianças; e, por último, por questões de segurança dos utilizadores. Sendo esta última a que mais nos interessa para este contexto.

Assim, importa salientar que a TikTok já esteve temporariamente banida na Indonésia e India por conter vídeos de cariz sexual. Facto que levou a empresa ByteDance (detentora da TikTok) a efetuar alterações nos seus padrões de segurança e a eliminar cerca de 15 milhões de vídeos da plataforma.

Já nos Estados Unidos da América, onde a TikTok se tonou em outubro de 2018 a aplicação mais descarregada (sendo a primeira app chinesa a atingir este sucesso), a empresa detentora da aplicação foi multada em cerca de 5,7 milhões de dólares por recolha de informações de menores de 13 anos em violação da Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças. Facto que levou a alterações na aplicação e ao impedimento de que crianças menores de 13 anos possam fazer upload de vídeos. Todavia, em novembro último a empresa foi acusada de transferir dados pessoais de cidadãos americanos para servidores na China.

Noutros países, como Alemanha e Austrália, têm surgido avisos por parte de diversas instituições que mencionam o facto de esta rede não ter os mesmos padrões de segurança de outras redes, existirem inúmeros relatos de cyberbullying e o facto de a TikTok falhar constantemente na remoção de contas suspeitas e referenciadas. Além disso, esta tem sido descrita como uma rede muito utilizada por pedófilos, pois aqui têm acesso a vídeos de crianças e adolescentes a dançar, a cantar e partilhar os vídeos.

Se tem um adolescente ou um pré-adolescente lá em casa, certamente que ele conhece esta aplicação e é muito provável que a use para ver vídeos, mas também para produzir conteúdo para “alimentar” a plataforma (à semelhança do Instagram). Se já assistiu a danças em frente ao telemóvel, então é muito provável que esteja a gravar uma coreografia para a TikTok.

Assim, os conselhos que lhe posso deixar não passam pela proibição da utilização desta aplicação, até porque os perigos são muito semelhantes aos de outras redes como o Instagram, Snapchat ou até o Youtube. Além disso, todos sabemos os efeitos contrários que a proibição poderá acarretar.

Neste, como noutros casos, deve discutir o assunto abertamente em casa, expondo os perigos, a necessidade de prevenção, deixando sempre a “porta aberta” para que qualquer desconforto (com esta ou outra rede social) lhe seja transmitido.

Pode também visitar o website https://www.internetsegura.pt/ou utilizar esta plataforma para esclarecer mais dúvidas.

Selfies, sexting, autoimagem física : materiais didáticos

Fevereiro 25, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Geralmente, a criação de um “ego digital” pode ser considerada como uma tarefa adicional no desenvolvimento dos jovens do século XXI. O jornalista Michalis Pantelouris descreve este fe-nómeno da seguinte forma: “No Instagram, todos são o seu próprio porta-voz” (SZ-Magazine, Edi-ção 37/16). No entanto, estas redes também têm o seu lado negro: desde problemas relacionados com a privacidade, cyberbullying e violação de di-reitos de autor decorrente do reencaminhamento não autorizado de fotografias, à exposição online sob forma sexualizada e ao incitamento à compra através da apresentação subliminar de produtos por YouTubers famosos.

Descarregar o documento no link:

Click to access 20191106_155403014_907_Selfies%20Sexting%20Autoimagem_LR.pdf

EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries – Estudo europeu sobre as crianças e a internet

Fevereiro 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da SeguraNet:

No dia em que se assinalou o Dia da Internet Mais Segura, foram divulgados os resultados do estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries.
Entre 2017 e 2019, foram inquiridos 25.101 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos, sobre as suas experiências digitais que incluíram situações de risco como ciberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas na Internet.
Em alguns países, como Portugal, o tempo que as crianças e os jovens passam online mais do que duplicou, sendo também um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança em lidar com riscos: mais de dois terços referem saber reagir “sempre” ou “muitas vezes” a comportamentos de que não gostam na Internet. Portugal é também um dos países, onde os inquiridos menos associam situações de risco a danos delas decorrentes.

A participação de Portugal, neste estudo, contou com o apoio da Associação DNS.PT, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Direção-Geral de Educação.

Descarregar o documento no link:

http://www.lse.ac.uk/media-and-communications/research/research-projects/eu-kids-online/eu-kids-online-2020?fbclid=IwAR0fmTsVgdjSPDqYbH3a87XRuozq2Hw1FM9GKs8MkBVKrHoC6qjGVdxYyik

EU Kids Online: Jovens revelam cada vez mais confiança ao lidar com riscos na Internet

Fevereiro 11, 2020 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do TEK Sapo de 11 de fevereiro de 2020.

Para Cristina Ponte, coordenadora da equipa portuguesa de investigação do EU Kids Online, os resultados do estudo devem ser levados mais além. Em conversa com o SAPO TEK, a responsável indicou que é necessário conversar com os jovens e perceber o que certos comportamentos e situações significam para eles.

No dia da Internet mais Segura, o novo relatório EU Kids Online 2020 vem dar a conhecer a forma como os mais novos lidam com os riscos e com as oportunidades da Internet. Ao todo, entre 2017 e 2019, o estudo inquiriu 25.101 crianças e jovens de 19 países europeus acerca das suas experiências digitais. Entre as situações que incomodam os mais novos incluem-se o cyberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas online.

De acordo com dados avançados pela Rede de Investigação EU Kids Online, Portugal é um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança ao lidar com riscos. Mais de dois terços dos inquiridos indicam saber reagir sempre ou muitas vezes a comportamentos de que não gostam na Internet. Os resultados do relatório demonstram que as crianças e jovens portugueses associam cada vez menos as situações de risco aos danos que podem decorrer delas.

O relatório põe em evidência a ideia de que as atividades digitais não podem ser definidas como sendo positivas ou negativas em absoluto. Os encontros face a face com pessoas que se conhecem na Internet, os quais foram referidos por uma minoria, são um exemplo desta situação. Em grande parte dos casos relatados, os encontros foram positivos. Em Portugal, 84% dos inquiridos afirmam ter ficado contentes ao ter contactado com pessoas que conheceram na Internet, sendo que menos de 5% indicam ter ficado bastante incomodados.

Ao SAPO TEK, Cristina Ponte, Professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e coordenadora da equipa portuguesa de investigação do EU Kids Online, explicou que “a maior parte dos encontros são com pessoas da sua idade que conheceram através da sua rede de amigos e partilham os mesmos interesses. É preciso contrariar a ideia de que todos os encontros com pessoas que se conhecem na Internet são necessariamente danosos. Pode haver, e há, uma experiência que é gratificante e que decorre do conhecimento de outros jovens da sua idade”.

Como lidam os jovens com os riscos online?

O novo relatório destaca que, perante uma situação online que os incomodou, as crianças e jovens europeus não costumam pedir ajuda aos professores ou profissionais cujo trabalho é ajudar os mais novos, preferindo o contacto com amigos ou até com os pais. Em Portugal, 44% dos inquiridos procuraram aconselhar-se junto de amigos e 37% falaram com os pais de situações que os deixaram incomodados. Apenas 7% das crianças e jovens falaram com professores.

Cerca de 63% dos inquiridos nacionais indicam que são os pais quem mais os ajudam. Seguem-se os amigos (50%) e os professores (31%), sendo que os valores portugueses estão em linha com os restantes países europeus. Em Portugal, 61% dos inquiridos afirmam que os professores são quem mais os incentiva a explorar e a aprender coisas novas na Internet, enquanto 51% refere os seus pais.

À semelhança do ano anterior, os dados avançados pela Rede de Investigação EU Kids Online revelam que os mais novos se mostram críticos em relação à partilha online de conteúdos pessoais sem o seu consentimento, principalmente no que diz respeito ao sharenting: as publicações feitas pelos pais e educadores. A seguir à Bélgica, Portugal é o país onde essa situação é mais referida. Cerca de metade dos inquiridos portugueses indicam que ficaram incomodados com casos do género e pediram aos pais para retirarem os conteúdos publicados. Os dados evidenciam que algumas crianças e jovens indicam ter recebido comentários desagradáveis por causa dessas publicações.

No entanto, apesar de a maioria das crianças e jovens acederem frequentemente à Internet, o relatório aponta que um em cada oito inquiridos refere que nunca ou raramente recebeu conselhos sobre segurança online, uma situação que se verifica também em Portugal.

Cristina Ponte afirma que a privacidade dos dados no mundo online não é uma das maiores preocupações das crianças e jovens europeus. “Deve haver uma consciencialização de que os dados digitais devem ser cuidadosamente geridos e, nesse aspecto, considero que as questões relacionadas com a privacidade e com a exposição da nossa pegada digital é um aspecto que precisa de ser mais claramente trabalhado com os jovens”, indicou a responsável.

Embora os dados postos em evidência pelo relatório EU Kids Online consigam demonstrar um panorama dos usos, competências, riscos e mediações da Internet entre os mais novos, a coordenadora indicou que os resultados devem ser levados mais além. Para Cristina Ponte é necessário perceber as razões por trás dos números, aproveitando as informações obtidas para “para conversar com os jovens” e perceber o que certos comportamentos e situações significam para eles.

Comunicado de imprensa EUKO 2020 relatório europeu

Polícia apreende armas em escola de Lisboa durante acção de sensibilização

Fevereiro 5, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de janeiro de 2020.

Foram registadas 6422 ocorrências no ano lectivo de 2017/2018 — Lisboa é a zona do país com mais problemas. Numa acção de sensibilização contra o uso do tabaco, apreenderam várias armas brancas.

Lusa

Todas as escolas têm problemas, segundo o olhar de equipas da Escola Segura da PSP, que recordam o dia em que uma acção de sensibilização sobre tabaco numa escola de Lisboa se transformou na apreensão de 37 armas. As denúncias de ilícitos em espaço escolar estão a diminuir, mas, mesmo assim, a PSP e a GNR registaram 6422 ocorrências no ano lectivo de 2017/2018. Lisboa é a zona do país com mais problemas: quase 2500 ilícitos chegaram ao conhecimento dos agentes policiais.

As equipas da Escola Segura da 4.º esquadra da PSP estão entre as que têm mais casos, sendo responsáveis por 116 escolas da cidade. A Lusa acompanhou durante um dia duas equipas desta esquadra e constatou que os pedidos de ajuda foram uma constante.

“Há ocorrências que acontecem logo de manhã”, contou à Lusa o chefe João Cunha, coordenador da Escola Segura, a propósito do Dia Internacional da Não Violência e da Paz nas Escolas, que se assinala nesta quinta-feira, lembrando que o trabalho começa às 8h, antes do toque de entrada para as aulas.

À Lusa, o agente Antero Correia desmistificou a ideia de que os problemas acontecem apenas nos estabelecimentos de ensino situados em zonas mais carenciadas: “Todas as escolas têm problemas — umas mais e outras menos — mas, muitas vezes, não passam cá para fora os problemas”.

A ideia é corroborada por João Cunha, que recorda o dia de 2019 em que os agentes foram a uma escola secundária numa zona nobre de Lisboa fazer uma acção de sensibilização junto dos adolescentes para os perigos do tabaco e acabaram por fazer uma grande apreensão de várias armas brancas.

No seguimento desta apreensão, foi realizada uma busca domiciliária a um dos alunos e foram encontradas armas de fogo, entre as quais caçadeiras de canos serrados e revólveres.

No total, desta operação resultou a apreensão de 37 armas.

O chefe João Cunha garante que estas situações “não ocorrem todos os dias” e que o mais grave é perceber “a facilidade de aquisição de armas através de plataformas na Internet”.

Adérito Edengue é um dos alunos daquela escola e garante que o ambiente dentro da escola “é calmo”. O adolescente assume que tem colegas que gostam de fumar canábis, mas considera que isso “não é o problema”.

“No exterior é que é problemático”. Segundo o adolescente de 19 anos, os maiores problemas são provocados pelos estudantes de outra escola do mesmo agrupamento, situada a poucos metros.

“Muitas vezes há conflitos nas escolas e a polícia nunca está presente”, lamenta o jovem, dizendo que já houve casos em que “roubaram e bateram em miúdos do 7.º e 8.º anos”

Escola Segura

Os furtos, ofensas corporais, injúrias e ameaças estão precisamente entre os principais crimes registados na 4.º esquadra, reflectindo um pouco os problemas das escolas de todo o país.

Os oito agentes têm de se desdobrar entre acções de sensibilização e informação nas escolas, que estão previamente agendadas, e os pedidos de ajuda de algumas das 116 escolas que telefonam directamente para os polícias de serviço.

O agente Antero Correia traz no bolso do casaco dois telemóveis sempre ligados: um é da Escola Segura e o outro da Universidade Segura, um projecto-piloto que pretende alargar ao ensino superior o programa que, há 18 anos, começou apenas nas escolas mais problemáticas do país.

Ao longo do dia o telemóvel da Escola Segura de Antero Correia tocou várias vezes: desacatos à porta de uma escola, um furto e um comportamento desadequado por parte de alunos foram algumas das chamadas a que a Lusa assistiu. “Temos de estar preparados para responder às chamadas das escolas, que são constantes”, frisou João Cunha.

O programa Escola Segura abrange mais de oito mil escolas frequentadas por mais de um milhão de alunos.

Entre as missões da PSP estão as acções preventivas junto dos alunos. O dia de Antero Correia e Filipa Gomes começou precisamente numa sala de aula de uma turma do 5.º ano para debater o problema da violência nas escolas.

Durante a acção, cinco alunos acabaram por admitir que já tinham sido vítimas de bullying, outro dos problemas que assola as escolas.

O agente Antero Correia reconhece que houve mudanças na forma de agredir e humilhar: “Em dez anos passou-se do bullying para o cyberbullying”. O que significa que o crime passou a ser mais difícil de detectar, mas, por outro lado, agora há mais provas, porque tudo fica registado.

À Lusa, a delegada de turma Camila Guerra, de dez anos, admitiu que gostaria de ser “uma embaixadora do bullying”, ou seja, alguém sempre disponível para ajudar os colegas.

Para Camila Guerra, as “aulas” com os polícias são muito interessantes e “os temas abordados são sempre importantes”: “Antes falámos do abuso sexual e agora é sobre violência nas escolas”, referiu.

O colega Bruno Fontes Lima diz que já falou sobre estes assuntos com os pais e com a professora, mas admite que quando é a polícia a abordar os temas “parece muito mais sério” e “importante”.

Também a professora e directora de turma Sandra Lourenço acredita nos benefícios da presença da polícia, que tem uma experiência e forma de falar diferentes. Além disso, acrescenta, o facto de os polícias estarem próximos, na sala de aula, é “importante para percebem que os agentes são pessoas que estão do lado deles para os ajudar”.

Apesar de considerar que a escola onde dá aulas não é problemática, Sandra Lourenço reconhece que hoje o ambiente é mais complicado. “Dou aulas há 22 anos e não está nada igual. Está tudo muito diferente”, contou a professora do 2.º ciclo, reconhecendo que “há mais agitação dentro da sala de aula”.

Segundo um inquérito feito às escolas portuguesas pelo professor Alexandre Henriques, especialista em gestão de conflitos, os casos de indisciplina começam a ser visíveis no 2.º ciclo (cerca de 34,2%) mas é no 3.º ciclo que os problemas se agravam: 63,2% dos casos registaram-se entre alunos do 7.º ao 9.º anos.

“A sociedade está extremamente violenta e a escola é um reflexo da sociedade. Os meninos vêm para a escola mais violentos e agressivos”, lamentou a docente Sandra Lourenço.

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