Premika é meio-robô e meio-humana, e quer ajudar as crianças a ser mais confiantes – Instituto de Apoio à Criança lança colecção de livros e promove acções nas escolas sobre os riscos da Internet

Novembro 21, 2017 às 1:42 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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A notícia contém declarações da Dra. Cláudia Manata do Outeiro do IAC-CEDI (Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança).

Notícia do https://www.publico.pt/ de 18 de novembro de 2017.

Bárbara Wong

Foi com mais frequência que começaram a chegar à linha SOS Criança (217 931 617, ou pelo número gratuito 116 111) chamadas sobre bullying e de cyberbullying na escola. Foi a partir destes “pedidos de ajuda e de denúncias” que o Instituto de Apoio à Criança (IAC) começou a pensar em “instrumentos que pudessem, de forma lúdica e pedagógica, ajudar os miúdos a pensar sobre estas coisas”, explica Cláudia Manata, professora a trabalhar na associação responsável por esta linha. Foi assim que a docente se associou à autora Raquel Palermo e à investigadora Teresa Sofia Castro e, juntas, criaram o projecto “Alerta Premika! Risco online detectado”. O primeiro livro é apresentado neste sábado, às 16h, na livraria Barata, em Lisboa.

Premika, um ser que é meio-robô e meio-humano, nasceu da vontade das autoras de ajudar os mais novos, os do 1.º e 2.º ciclo, a lidar com os desafios da Internet. A personagem, desenhada pela ilustradora Joana M. Gomes, que só os mais pequenos vêem e que muda de cor conforme o estado de espírito da criança, surge com o propósito de os ajudar, sem nunca falar, mas conseguindo fazer-se compreender. A sua missão é que as crianças saibam lidar com sentimentos como a solidão, o medo, a tristeza ou a frustração. “A ideia é que percebam que há riscos na Internet e como podem evitá-los”, sublinha Cláudia Manata.

Este é o primeiro livro de uma colecção. O segundo já está a ser ultimado. E a intenção é que sejam trabalhados nas escolas ou em casa, por exemplo, numa leitura partilhada entre pais e filhos, antes de deitar. Raquel Palermo explica ao PÚBLICO como funcionam os livros: o leitor, ao longo da história, vai deparando-se com várias escolhas, decide a que quer seguir (o que significa que tem de ir até à página indicada para continuar a ler) e, cada uma dessas opções levam a fins diferentes. O objectivo é que as crianças reflictam sobre os caminhos que podem seguir. Quanto aos pais, o livro tem como propósito alertá-los para a necessidade de acompanharem os filhos – no final há um capítulo com dicas para navegar com segurança na Internet; e um glossário.

“Não faz sentido estar a discutir se o telemóvel deve ou não entrar na sala de aula. Temos é de ajudar e preparar [os mais novos] para saberem usá-lo da melhor maneira, para não serem enganados porque senão não vão saber exercer bem a sua cidadania”, declara Raquel Palermo, co-autora da colecção Caderno de Memórias de Difícil Acesso, sobre as aventuras e desventuras do adolescente Santiago Castelo, onde o bullying também marca presença

Antes da escrita dos livros, Teresa Sofia Castro fez um estudo qualitativo com entrevistas e observação a 22 famílias, que tivessem filhos entre os 3 e os 8 anos, onde observou como eram usadas as novas tecnologias na família. “Fui recebendo pistas interessantes”, diz a investigadora da Universidade do Minho. É a partir dessas que as histórias nascem. “Muitos dos diálogos são reais, mas adaptados e estes dão-nos consciência de como eles lidam com estas coisas”, continua Cláudia Manata, acrescentando que se pretende transmitir que “a Internet é boa, mas que é preciso saber usá-la em segurança”.

Além dos livros, as autoras criaram uma boneca, a Premika, que irá às escolas; um jogo de tapete em que os alunos são os peões e têm de fazer escolas; e existe ainda o blogue Alerta Premika onde as escolas, pais e alunos podem ir para colocar dúvidas ou saber mais coisas sobre redes sociais e não só.

 

 

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Seminário “Cyberbullying : A regulação do comportamento através da linguagem” 24 novembro em Lisboa

Novembro 16, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.psicologia.ulisboa.pt/newsmodule/view/id/655/

 

Jovens que agrediram menor junto a escola na Amora vão ficar internadas por ordem do tribunal

Novembro 15, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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shutterstock

Notícia do https://ionline.sapo.pt/ de 9 de novembro de 2017.

Imagens das agressões passaram em todos os canais de televisão.

As duas menores que filmaram e agrediram jovem junto a uma escola na Amora vão cumprir nove e seis meses de internamento em regime semiaberto, respetivamente.

As medidas foram determinadas no âmbito do Processo Tutelar Educativo do Juízo de Família e Menores do Seixal.

Em causa estão as agressões a uma jovem de 13 anos, ocorridas a 15 de fevereiro deste ano, junto à Escola Secundária da Amora, cometidas por duas menores, com idade inferior a 16 anos.

O episódio de violência foi filmado e publicado nas redes sociais e as imagens acabaram por ser amplamente emitidas nas televisões nacionais.

“A uma menor foi aplicada a medida de internamento em regime semiaberto, por 9 meses, sendo que decorridos três meses de internamento a menor passará para um período de supervisão intensiva, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e um crime de coação”, explicou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, citada pelo Jornal de Notícias.

A outra menor ficou sujeita ao “internamento em regime semiaberto, por 6 meses, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e dois crimes de furto”.

Texto da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa

Criminalidade juvenil. Imagens difundidas através das redes sociais. Acórdão. Medidas de Internamento. Juízo de Família e Menores do Seixal/Comarca de Lisboa.
09-11-2017
No âmbito do Processo Tutelar Educativo do Juízo de Família e Menores do Seixal, no qual se se julgaram a prática de factos qualificados como crimes de ofensa à integridade física, sequestro, coacção e furto, ocorridos no dia 15 de Fevereiro de 2017, junto à Escola Secundária da Amora, por duas das três menores (com idades inferiores a 16 anos), e cujas filmagens foram amplamente emitidas nas televisões nacionais, foi proferido acórdão, a 03.11.2017, no qual se decidiu aplicar às menores as seguintes medidas:
A uma menor, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e um crime de coacção, foi aplicada a medida de internamento em regime semiaberto, por 9 meses. Esta medida será revista a 18.01.2018 e após essa data a cada três meses.
À outra menor foi aplicada a medida de internamento em regime semiaberto, por 6 meses, por ter praticado factos típicos e ilícitos qualificados como dois crimes de sequestro (um agravado e um simples), um crime de ofensa à integridade física simples e dois crimes de furto.
A decisão ainda não transitou em julgado

 

Sessão (Cyber)Bullying – Identificar e prevenir – 9 novembro Escola Básica Galopim de Carvalho em Évora

Novembro 8, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A sessão tem entrada livre mas é necessária inscrição que deve ser efetuada através do email, vidasativas@appcdm-evora.org.pt  ou através dos números, 266747155 e 961366778.

Colóquio Cyberbullying – 10 de novembro em Mortágua

Novembro 7, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/cpcjmortagua/

http://www.cm-mortagua.pt/modules.php?op=modload&name=Calendar&file=index&type=view&eid=1731

Os perigos de deixar as crianças sozinhas em casa

Novembro 3, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.sabado.pt/ de 1 de novembro de 2017.

por Ana Catarina André

Horas a mais na Internet, ansiedade e cyberbullying – os riscos de não ter um adulto por perto.

Incêndios, assaltos, mas também conversas online com desconhecidos e publicação de fotografias impróprias em redes sociais. Deixar um miúdo sozinho em casa nas férias pode ser sinal de perigo – é preciso avaliar cada caso, alertam os especialistas. “As crianças mais pequenas nunca devem ficar sozinhas, mas aos 12/13 anos já poderão estar preparadas – depende da maturidade, da responsabilidade, do tempo que se pretende que fiquem sós e dos perigos que há em casa e nas redondezas”, considera a psicóloga Vera Ramalho. E alguns destes perigos são novos. Sem adultos por perto, os mais pequenos estão mais vulneráveis à Internet e às tecnologias e podem comprometer o seu desenvolvimento saudável e socialização. Saiba mais.

Estranhos nas redes sociais

Para Joana [nome fictício] aquele era um download inofensivo. Só depois é que a adolescente de 14 anos percebeu o perigo. “Um homem de 50 anos abordou-a. Como se viam através da câmara do smartphone, pediu-lhe que se despisse. Ficou muito assustada, mas felizmente contou o que se tinha passado. Se se tratasse de uma rapariga mais vulnerável, com um contexto familiar de risco, poderia ter acedido ao pedido”, conta a psicóloga Ivone Patrão, autora do livro #Geração Cordão – A geração que não desliga!. A especialista defende que se deve fazer uma socialização digital desde muito cedo. “As tecnologias devem ser introduzidas de forma segura na vida das crianças, com regras e transparência. Deve fomentar-se que falem sobre o que fazem online para que os pais e educadores as possam ir alertando para os perigos”, refere.

Tecnologias fora de controlo

Ficar em casa pode ser um convite a usar o tablet, a televisão ou o computador sem limites. “Estar muitas horas em frente ao ecrã de um tablet ou computador não só afecta o desenvolvimento cerebral (pode tornar-se um vício), como a socialização”, explica Ivone Patrão. Até à idade adulta – explica a especialista – treina-se muito a interacção social. Se esta for exclusiva ou maioritariamente digital, essas crianças e adolescentes não estarão preparados para lidar no futuro com reuniões de trabalho ou conflitos com o namorado ou marido. “As nossas crianças não estão a desenvolver o toque e a capacidade de contacto com outros”, afirma. Mais: ao não terem limite sobre a utilização de computadores, tablets ou televisões, correm também o risco de aceder a conteúdos inadequados para a sua faixa etária, seja pornografia ou drogas. Apesar de tudo, Ivone Patrão considera que a televisão envolve menos riscos no que diz respeito à socialização e desenvolvimento. “É um meio menos interactivo do que a Internet. Quando estamos online, podemos sempre fazer mais pesquisas e receber mais input através de chats. Diante de um televisor assumimos uma posição mais receptora de informação.”

Jogos perigosos

A ausência de supervisão pode também levar os mais novos a envolverem-se em jogos como a Baleia Azul. Nos últimos dois meses, as comissões de protecção de menores registaram 34 casos com eventuais ligações ao fenómeno que incita ao suicídio e à automutilação e que se espalhou através das redes sociais. “Mesmo que a criança esteja com os pais ou outro elemento da família o risco mantém-se”, defende a psicóloga Raquel Ferreira, da clínica BRD Teen.

Fotografias ousadas nas redes sociais

Há quem aproveite para publicar ou enviar fotos a amigos e desconhecidos – em poses ousadas ou sem roupa –, sem ter noção das consequências. Um dos pacientes de Ivone Patrão contou-lhe que enviou imagens suas, “comprometedoras”, a uma rapariga que conheceu na Internet. Queria conquistá-la, mas acabou por ser vítima de cyberbullying: se ele não lhe desse dinheiro, ela enviaria as fotos à família e aos amigos. “Ele decidiu não ceder e contou tudo aos pais que valorizavam a sua iniciativa de admitir o que sucedera”, diz a psicóloga. E acrescenta: “Era um jovem de 22 anos, mas podia ter acontecido a um adolescente ou pré-adolescente”.

Ansiedade e medo

Se não tiverem sido preparados pelos pais (ver caixa) e não tiverem ainda autonomia suficiente para se sentirem bem sem a presença de um adulto, os miúdos podem sentir-se desamparados. “Se for uma criança muito protegida e insegura, será incapaz de estar sozinha e provavelmente entrará em stress”, explica Vera Ramalho, salientando a importância de os pais avaliarem a responsabilidade, a capacidade de compreensão de regras e maturidade dos filhos antes de os deixarem sem supervisão.

Posts de pais e professores

“Muitos adultos esquecem-se de que também são modelos digitais para os mais novos. Por isso, devem ter cuidado com as partilhas nas redes sociais”, alerta Ivone Patrão. Se um pai ou uma mãe publicar fotos ousadas – mesmo que sejam só de rosto – ou fizer publicações diárias sobre os locais onde está, as crianças e adolescentes quererão fazer o mesmo, diz a especialista. O mesmo acontece se perceberem que o adulto leva o telefone para o quarto e o utiliza antes de adormecer. “Estas situações geram uma certa ambivalência e perda de autoridade parental”, explica Ivone Patrão, frisando a importância de estabelecer regras de utilização dos dispositivos electrónicos.

Artigo originalmente publicao na edição 694 de 17 de Agosto de 2017.

 

 

 

 

Há jovens que enviam mensagens agressivas a si próprios na Internet, revela estudo

Outubro 31, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 30 de outubro de 2017.

Karla Pequenino

Investigadores americanos acreditam que o problema está por trás de alguns casos de suicídio

Por vezes, quem é alvo de mensagens ofensivas na Internet é também quem as escreve e envia a si próprio, sob pseudónimo. O problema existe, pelo menos, entre jovens. Um grupo de investigadores norte-americanos revelou que cerca de um em cada 20 adolescentes (entre os 12 e os 17 anos) envia mensagens agressivas a si mesmo. O alerta vem num estudo publicado esta semana na revista cientifica Journal of Adolescent Health.

“O autoflagelo digital [digital self-harm, no original], como chamamos à tendência, ocorre quando um individuo cria uma conta anónima online e a utiliza para enviar insultos e ameaças a si próprio”, explica ao PÚBLICO Sameer Hinduja, um investigador em cyberbullying da Universidade Atlântica da Florida, que participou no estudo.

O problema, explica, veio à tona em 2013, após o suicídio de uma jovem britânica de 14 anos. A morte de Hannah Smith foi inicialmente associada ao bullying que sofria através do site de mensagens Ask.fm, onde lhe escreviam “morre, toda a gente ficará mais feliz” ou “faz-nos um favor e mata-te”. Porém, uma investigação posterior concluiu que 98% das mensagens de ódio recebidas tinham sido enviadas pela própria adolescente. A história de Natalie Natividad, em 2016, no Texas, é semelhante. Mas não são as únicas.

Dos 5593 jovens americanos inquiridos pela equipa de Hinduja, mais de 300 (6%) admitiu já ter enviado mensagens agressivas a si próprio. Metade (51,3%) disse que apenas o tinha feito uma vez, mas 13,2% admitiu fazê-lo múltiplas vezes.

Para Hinduja é uma percentagem relevante. “Os pais já não podem ignorar a possibilidade de que uma mensagem ofensiva recebida pelos seus filhos tenha vindo dos seus próprios filhos”, frisa o investigador. “Sempre que um jovem experiencie cyberbullying, há um problema que tem de ser resolvido. Especialmente se o emissor e o receptor forem a mesma pessoa.”

Os motivos variam: desde jovens que o fazem como uma forma de diversão, a pessoas que querem testar a reacção dos amigos, ou casos de indivíduos deprimidos que se querem obrigar a sentir pior. “Os estudantes que admitiram estar deprimidos, ou que se magoavam de outras formas [fora da Internet], tinham uma maior probabilidade de incorrer no comportamento”, nota Hinduja.

A idade e a etnia dos inquiridos não afectou as respostas, mas o género e a sexualidade, sim. O comportamento era mais prevalente em adolescentes que não se identificam como heterossexuais, e pessoas que tinham sido vítimas de bullying no passado. Os rapazes também tinham mais probabilidade de enviar mensagens ofensivas a si próprios, mas era frequentemente como uma piada ou forma de conseguir atenção de amigos ou interesses amorosos.

Já o local das ofensas – Facebook, Instagram, Twitter, Ask.fm ou outra rede social – não é relevante para o investigador: “Não acho que faça a diferença. De momento não sei se acontece mais numa plataforma que noutra, apenas que está a acontecer e que os estudantes admitem que o fazem.”

Segundo o relatório dos investigadores, “entre 13 e 18% de jovens em todo o mundo envolve-se em algum tipo de comportamento para se magoar durante a sua vida e este tipo de comportamento continua a crescer nas últimas duas décadas”. Para Hinduja, as agressões verbais, através da Internet não podem ser descuradas.

“Estas investigações mostram que comportamentos autodestrutivos vêm antes de tentativas de suicídio”, frisa Hinduja. “Queremos impedir que isto aconteça, e é por isso que estamos a tentar alertar para o problema das ofensas autodirigidas através do mundo digital”.

 

 

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 72 sobre Segurança Infantil na Internet

Outubro 27, 2017 às 1:30 pm | Publicado em CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 72. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Segurança Infantil na Internet.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Um em cada dez jovens acessou informações sobre suicídio na internet, diz pesquisa

Outubro 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://oglobo.globo.com/ de 6 de outubro de 2017.

Cyberbullying e acesso à publicidade por crianças e adolescentes também preocupam

RIO — Uma das maiores preocupações dos pais é sobre os riscos aos quais os filhos estão expostos na internet, e a pesquisa TIC Kids Online, divulgada nesta quinta-feira pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostra que os perigos são relevantes. Um em cada dez adolescentes entre 11 e 17 anos já teve contato com conteúdo sobre formas de cometer suicídio, mesmo percentual para materiais sobre uso de drogas. 13% acessaram conteúdo sobre formas de machucar a si mesmo, e 20% viram receitas para ficarem muito magros.

Os dados são referentes ao ano passado e mostram avanço em relação a 2015. A próxima edição do estudo deve revelar um crescimento ainda maior, já que o início deste ano foi marcado pela polêmica do desafio da “baleia azul”, junto com a repercussão do seriado “13 reasons why”. Sobre o cyberbullying, 41% dos pesquisados disseram já ter visto alguém ser discriminado na rede, sendo a cor ou raça (24%), a aparência física (16%) e a homossexualidade (13%) os principais fatores.

Por outro lado, a pesquisa também mostra que a segurança on-line das crianças e adolescentes é uma preocupação dos pais. 69% deles responderam que os filhos utilizam a rede com segurança, percentual que se mantém praticamente estável nos últimos anos.

As mídias tradicionais como televisão, rádio, jornais ou revistas (54%), destacam-se como fontes de informações sobre o uso seguro da internet, segundo a declaração dos pais, seguidas por familiares e amigos (52%) e por meio da própria criança ou adolescente (51%). Já as menções à escola (35%) ou ao governo e autoridades locais (26%) são menores.

— Esse resultado revela a necessidade de difusão e ampliação do debate sobre oportunidades e riscos associados ao uso da Internet por iniciativa de políticas públicas — comentou Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), órgão que executou a pesquisa.

O contato com a publicidade é outra preocupação crescente: 69% dos jovens entre 11 e 17 anos disseram ter tido contato com propaganda em sites de vídeos, percentual que era de apenas 30% em 2013, e 62% tiveram contato com publicidade em redes sociais. No caminho inverso, 48% dos adolescentes buscaram informações sobre marcas ou produtos na internet.

— Se, por um lado, as crianças e adolescentes estão cada vez mais conectadas, elas estão também cada vez mais expostas a conteúdos mercadológicos na rede — avaliou Barbosa. — Esse é um desafio que precisa ser tratado por pais, educadores e formuladores de políticas públicas, especialmente se levarmos em consideração que o reconhecimento do caráter comercial da publicidade na internet é mais complexo para o público infantil.

DISPARIDADES REGIONAIS E SOCIOECONÔMICAS

De acordo com a pesquisa, 82% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos são usuários de internet, o que corresponde a 24,3 milhões de pessoas, mas as disparidades regionais e socioeconômicas permanecem. Enquanto em áreas urbanas 83% das crianças e adolescentes estão conectados, em áreas rurais o percentual é de apenas 65%. Na região Sudeste, 91% dos entrevistados disseram acessar a rede, enquanto no Norte a taxa é de 69%. Nas classes A e B, 98% dos jovens estão nas redes, contra percentual de 66% nas classes D e E.

O celular se consolidou como o principal meio de acesso, sendo usado por 91% das crianças e adolescentes. Em 2012, na primeira edição da pesquisa, esse percentual era de apenas 21%. Por outro lado, o computador vem perdendo espaço: apenas 7% disseram usar apenas o computador para navegar na rede.

— Enquanto crianças das classes A e B têm à disposição uma variedade de dispositivos para acesso à rede, outras têm um ecossistema de acesso mais restrito — apontou Barbosa.

mais informações na notícia:

Cresce o percentual de crianças e adolescentes que procuraram informações sobre marcas ou produtos na Internet

 

Bullying e cyberbullying: quando os valores morais nos faltam e a convivência se estremece –

Outubro 16, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Bullying e cyberbullying: quando os valores morais nos faltam e a convivência se estremece

Luciene Regina Paulino Tognetta, Darlene Ferraz Knoener, Sanderli Aparecida Bicudo Bomfim, Sandra Trambaiolli De Nadai

Resumo

Este estudo teórico objetiva evidenciar a ausência de conteúdos morais em situações de bullying e cyberbullying, destacando, em contrapartida, a necessidade de compreender esse fenômeno da violência como um problema moral. Em meio a um contexto de relações interpessoais violentas vivenciado nas instituições de ensino, seja de forma presencial ou virtual, urge destacar as evidências das investigações atuais sobre esse tema que apontam para a superação do problema por meio de processos que priorizem a composição de um ambiente que favoreça a formação moral e a convivência ética. Uma vez que a escola desempenha um papel significativo na construção da moralidade do sujeito, é necessário que haja, em cada instituição de ensino, a sedimentação de um projeto de convivência ética, de modo a explicitar o pacto de todos os seus personagens com a prevenção à violência. A literatura atual aponta a necessidade de tais programas e projetos de convivência ética que sejam intencionais, sistematizados e contínuos, proporcionando espaços de protagonismo para os alunos a fim de que exercitem e vivenciem valores morais para que estes tomem lugar central em sua personalidade, justamente por destacar o quanto tais valores estão ausentes naqueles que agridem, bem como muitas vezes naqueles que recebem ou testemunham a agressão.

descarregar o estudo no link:

http://piwik.seer.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/10036

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