Bullying e cyberbullying, há mais raparigas vítimas e mais rapazes agressores

Maio 10, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Teenage Girl Being Bullied By Text Message – Snews

Notícia e imagem do Educare de 29 de abril de 2019.

Estudo sobre problemas comportamentais dos jovens revela que a maioria não está ligada a estas formas de agressão. Dos envolvidos, 13% dos rapazes assumiram-se como agressores ou vítimas provocadoras no bullying e 7,9% admitiram o mesmo papel em relação ao cyberbullying. Recomendam-se programas dedicados à resiliência.

O estudo “Bullying, Cyberbullying e Problemas de Comportamento: O Género e a Idade Importam”, realizado no âmbito do Health Behaviour in School Age Children (HBSC) de 2018, analisou o envolvimento dos jovens nestas formas de comportamento e violência, bem como a frieza emocional, em função do género e da idade. Um dos resultados da pesquisa mostram que 75,6% dos rapazes e 78,6% das raparigas não estiveram envolvidos em bullying e 88,5% dos rapazes e 90,2% das raparigas não reportaram situações de cyberbullying. Ou seja, a maioria não esteve envolvida em situações deste género.

Dos que admitiram o seu envolvimento, os dados revelam que 14,8% das raparigas foram vítimas no bullying e 6,9% no cyberbullying. No caso dos rapazes, 11,2% foram vítimas de bullying e 3,7% de cyberbullying. Treze por cento dos rapazes assumiram-se como agressores ou vítimas provocadoras no bullying e 7,9% disseram o mesmo em relação ao cyberbullying. Nas raparigas, relativamente à condição de agressor ou vítima provocadora, as percentagens baixam para 6,6% no bullying e 2,9% no cyberbullying.

Este estudo demonstrou que o género tem influência no envolvimento neste tipo de situações. Há mais raparigas que contam o seu envolvimento em situações de bullying como vítimas e um número mais elevado de rapazes que admitem estar envolvidos nesses casos como agressores e como vítimas provocadoras. Nas diferenças de género, e em relação ao total de problemas de comportamento e à frieza emocional, os resultados indicam que este tipo de dificuldades é maior nos rapazes.

Segundo a investigação, o envolvimento nestas situações aumentou do 6.º para o 8.º ano de escolaridade, diminuindo significativamente a partir daí. A idade tem também peso no total de problemas de comportamento e na frieza emocional, que vão diminuindo com o tempo. O estudo recomenda “o desenvolvimento de políticas públicas, na área da educação e saúde, em contexto escolar e comunitário, de tolerância zero à violência”.

“Apesar do envolvimento em situações de cyberbullying ser menos frequente por comparação com o envolvimento em situações de bullying, os resultados obtidos apresentaram um padrão semelhante”, adianta o estudo já divulgado no âmbito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que decorreu em Lisboa, e que analisou uma amostra composta por 8 215 estudantes, 52,7% raparigas, com uma média de idades de 14,36 anos, que frequentavam os 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos de escolaridade.

O estudo chama a atenção para o desenvolvimento de competências de pais e professores na identificação de sinais de envolvimento em situações de violência, no suporte a dar às vítimas e provocadores, e na desmistificação da aura de poder e superioridade associada à provocação. O comportamento provocativo deve ser encarado, acima de tudo, como uma perturbação antissocial que necessita de apoio psicológico. “Resiliência na Adolescência”, outro estudo também integrado no HBSC, conclui que “as meninas apresentam valores significativamente mais elevados na empatia, resolução de problemas e objetivos e aspirações, enquanto que os rapazes apresentam valores mais elevados na autoeficácia”.

Os adolescentes mais velhos apresentam valores mais elevados de empatia, objetivos e aspirações. “Os adolescentes portugueses apresentam, de um modo geral, bons níveis de recursos internos associados à resiliência. É, no entanto, importante desenvolver programas promotores de resiliência tendo em atenção que os recursos associados à resiliência se adquirem e agregam ao longo da vida e que grupos mais vulneráveis e expostos a mais adversidades terão mais dificuldade em acionar este mesmo processo”, lê-se no estudo.

Aceder ao estudo mencionado na notícia:

Bullying, ciberbullying e problemas de comportamento: o género e a idade importam?

 

Jornadas sobre Bullying, 1ª edição Pais e Professores, com a participação de Cláudia Manata do IAC – 8 e 22 de maio em Lisboa

Maio 7, 2019 às 7:00 pm | Publicado em CEDI | Deixe um comentário
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A Dra. Cláudia Manata do Outeiro do IAC-CEDI (Centro de Documentação e Informação sobre a Criança), irá participar nas jornadas no dia 8 de maio com a comunicação “As Crianças e as Novas Tecnologias : Riscos : Oportunidades”.

mais informações no link:

https://www.aegv.site/

O que andam os seus filhos a fazer online e os riscos que correm

Maio 3, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Visão de 20 de abril de 2019.

Vânia Maia

Talvez ainda não tenha ouvido falar da TikTok, da Tellonym ou da YouClap, mas estas são algumas das aplicações preferidas dos adolescentes. Partilhar vídeos caseiros, enviar mensagens anónimas, superar desafios lançados pelos amigos…

Noutros tempos, passavam-se bilhetinhos, sem assinatura, de mão em mão, na sala de aula. Atualmente, existem apps de envio de conteúdos anónimos. São habitualmente usadas para fazer as mesmas perguntas mais ou menos inocentes de antigamente, mas agora é muito mais fácil difundir a mensagem e muito mais difícil ser apanhado, se a opção for insultar um colega. O ciberbullying é apenas um dos vários perigos que se escondem nas apetecíveis apps. Saberão os adolescentes portugueses defender-se deles?

Aos 17 anos, Catarina Semedo Oliveira já é perita em segurança online. Faz parte dos Líderes Digitais, uma iniciativa da SeguraNet, com o patrocínio da Direção-Geral da Educação. A reputação de especialista faz com que os amigos lhe peçam ajuda com frequência. “Normalmente, o problema é terem começado a falar com um desconhecido que, depois, propõe um encontro, e então ficam com medo”, revela.

Daniel Cardoso, docente de Ciências da Comunicação nas universidades Nova e Lusófona, procura tranquilizar os pais: “A esmagadora maioria dos jovens que se encontram pessoalmente com desconhecidos depara-se com pessoas da sua idade. É muito raro darem de caras com adultos, mas essa preocupação é compreensível.” Hoje em dia, já não terá grande eficácia dizer simplesmente para não falarem com estranhos. “É uma mera proibição, não incute espírito crítico, o importante é capacitá-los para lidarem com as situações”, defende o investigador. “Se é inevitável que vão ter com estranhos, então o melhor é dizer-lhes para agendarem o encontro num local público, levarem um amigo e avisarem mais alguém da situação”, sugere. “É importante manter um canal de comunicação aberto que seja compreensivo e não proibitivo”, remata.

Catarina Semedo Oliveira conhece vários casos de jovens que se viram numa encruzilhada: “Quando alguma coisa correu mal, não eram capazes de falar com os pais porque sentiam que tinham traído a sua confiança ao não respeitarem as proibições.”

A psicóloga clínica Ivone Patrão é apologista de uma supervisão baseada na partilha desde o jardim-escola. “Se só começarem a falar destas questões quando os filhos tiverem 16 anos, os pais terão muito mais dificuldade em alterar comportamentos.” E lembra que é fundamental respeitar a privacidade dos adolescentes: “Se a sensibilização tiver sido feita ao longo da infância, as regras estarão incutidas e os jovens saberão lidar com as situações que aparecerem.” A VISÃO foi em busca das apps mais populares entre os adolescentes para que pais e filhos saibam lidar com os vícios e as virtudes das redes.

1.TikTok
recomendado a partir dos 16 anos

Cantigas de amigo
Esta aplicação chinesa de partilha de vídeos tem mais de 150 milhões de utilizadores. O seu maior sucesso são os vídeos de adolescentes a cantarem ou a fazerem playback – uma das funcionalidades mais apetecidas são os duetos com outros utilizadores

Alertas: O jornal britânico The Guardian noticiou que foram descobertos vários casos de adultos que solicitavam imagens de nudez a menores através da app. Mesmo entre os jovens, a partilha de conteúdos sexuais explícitos, os chamados nudes, tem-se tornado cada vez mais comum. A psicóloga Ivone Patrão aconselha os pais a lembrarem os filhos de que estão permanentemente a construir a sua identidade digital, mesmo quando partilham conteúdos em privado. “Uma vez na internet, para sempre na internet. Será que gostaria que daqui a dez anos vissem o que publiquei hoje?”, interroga-se, aos 17 anos, Catarina Semedo Oliveira. Na TikTok, só depois de somar mil seguidores é possível fazer vídeos em direto, um incentivo para aceitar toda a gente.

Conselhos de segurança: A aplicação tem uma secção exclusiva para menores de 13 anos, na qual só é possível ver vídeos previamente aprovados e não é permitido partilhar conteúdos, mas basta alterar a data de nascimento para ter acesso a todas as funcionalidades. O modo restrito permite filtrar conteúdo inapropriado e é possível limitar as mensagens privadas a amigos.

37% dos jovens viram imagens de cariz sexual na internet ou noutro local no último ano (em 91% dos casos, as imagens foram vistas em dispositivos com acesso à internet). Oito por cento sentiram muito incómodo perante o que viram, 11% sentiram algum ou bastante incómodo

2.Twitch
recomendado a partir dos 15 anos

Espectadores da internet
Propriedade da Amazon, é uma das campeãs do streaming de vídeos de pessoas a jogarem videojogos

Alertas: É comum a interação com desconhecidos nas salas de conversação, o que pode potenciar o contacto com pessoas mal-intencionadas. Muitas vezes, os gamers estão expostos ao discurso de ódio nestas plataformas. Os utilizadores são incentivados a premiarem os seus jogadores favoritos comprando Bits, apesar de a app ser gratuita. São muitas as aplicações grátis que solicitam os dados do cartão de crédito. O pedido não é inocente. Existem compras integradas que só se revelam com a utilização e a compra fica de antemão facilitada.

Conselhos de segurança: Existe a opção de bloquear os convites para conversas privadas. Nas definições, é importante desativar a opção que permite a partilha da atividade do espectador, sem a sua autorização.

16% ou seja, uma em cada seis crianças e adolescentes vítimas de ciberbullying teve de fazer coisas que não queria fazer

3.Tellonym
recomendado a partir dos 17 anos

(Des)Protegidos pelo anonimato
Esta app permite enviar mensagens escritas anónimas para outros utilizadores. É possível associar-lhes fotografias ou vídeos

Alertas: Não é preciso estar registado para usar a aplicação, o que facilita os comportamentos de ciberbullying ou o envio de conteúdos inapropriados, por exemplo os sexualmente explícitos. Outra aplicação de troca de mensagens anónimas, a Kik, foi referenciada nas investigações de mais de mil casos de abuso sexual, nos últimos cinco anos, no Reino Unido. “Este tipo de aplicações é muito usado para fazermos perguntas ingénuas como ‘gostas desta ou daquela pessoa?’, mas também pode facilitar o contacto com desconhecidos que peçam dados pessoais ou contribuam para o discurso de ódio e para o bullying”, reconhece Catarina Semedo Oliveira, embaixadora europeia jovem para a segurança na internet, que insta todos os internautas a não compactuarem com o ciberbullying. “Não devemos pôr ‘gosto’ e muito menos comentar. Devemos relatar o que vemos, fazer uma captura de ecrã e mostrar aos pais ou aos professores.”

Conselhos de segurança: É possível bloquear preventivamente as mensagens dos utilizadores não registados. Os remetentes de conteúdos indesejados também podem ser bloqueados. Outra opção é filtrar determinadas palavras, evitando que as mensagens que as contenham cheguem ao destinatário. Sempre que uma app não precise da câmara ou do microfone para funcionar, essas permissões devem ser negadas.

24% dos inquiridos entre os 9 e os 17 anos confessaram ter sido vítimas de bullying online e offline no último ano. A forma de ciberbullying mais incomodativa são as “mensagens desagradáveis”, consideram quase dois terços.

4.Facetune
recomendado a partir dos 13 anos

Cirurgias estéticas digitais
Mais do que editar fotografias, esta app permite alterar a aparência da pessoa fotografada. Aumentar os olhos, diminuir o nariz, remover as imperfeições da pele ou estreitar a cintura são algumas das funcionalidades

Alertas: A alteração das selfies de forma a corresponderem à imagem que gostariam de ter pode contribuir para o isolamento digital, destruindo a autoestima dos adolescentes. “Nas redes sociais, há tempo para tirar uma fotografia e melhorar a aparência, o que não é possível no convívio presencial, isso pode causar ansiedade e afetar a autoestima dos jovens mais vulneráveis, levando-os a evitar o contacto face a face”, nota a psicóloga Ivone Patrão. “Quando um jovem se foca apenas na construção da sua imagem, de forma a agradar aos outros, há um sofrimento atroz por detrás. Terá de haver outros sinais de que não está bem”, alerta a docente do ISPA.

Conselhos de segurança: Estar atento aos sinais que possam denunciar uma baixa autoestima. Lembrar que o investimento pessoal não deve reduzir-se à imagem e alertar para o facto de tudo o que é partilhado nas redes ser altamente encenado.

28% dos jovens entre os 11 e os 17 anos receberam mensagens sexuais explícitas no ano passado; em 2014, esse valor não ia além dos 5%. São, sobretudo, os adolescentes entre os 15 e os 17 anos quem mais as recebe.

5.Houseparty
recomendado a partir dos 13 anos

Fazer a festa no ecrã
Com mais de 20 milhões de utilizadores – 60% na faixa etária entre os 16 e os 24 anos –, a principal atração desta aplicação são as chamadas de vídeo em grupo

Alertas: Só podem ser adicionadas pessoas que já façam parte das redes sociais ou dos contactos do telefone do utilizador. No entanto, é possível encontrar outros usuários nas proximidades, se o localizador do telefone estiver ligado. As salas de conversação estão abertas por defeito, mas surge um alerta “stranger danger” sempre que um desconhecido, como um amigo de um amigo, entra no grupo. A jovem líder digital Catarina Semedo Oliveira deixa uma advertência: “Não devemos achar que qualquer pessoa com quem temos amigos em comum é de confiança.”
A transmissão em direto aumenta o risco de serem difundidos conteúdos inapropriados impossíveis de serem controlados.

Conselhos de segurança: O ideal é desligar o localizador do telefone para evitar ser contactado por desconhecidos que estejam a utilizar a aplicação na mesma zona geográfica. Também é possível trancar as salas de conversação, impedindo qualquer pessoa de entrar sem ser convidada, basta acionar o modo privado nas definições.

33% dos jovens portugueses entre os 9 e os 17 anos que tiveram experiências negativas na internet ignoraram ou esperaram que o problema desaparecesse. Outro terço decidiu bloquear a pessoa 
que o incomodou.

6.Yubo
recomendado a partir dos 18 anos

Amores virtuais
É conhecida como o “Tinder dos adolescentes”, mas é apresentada como uma aplicação para “fazer novos amigos”. Deteta os utilizadores geograficamente mais próximos

Alertas: É necessário revelar a localização do dispositivo para a app funcionar devidamente. O perfil pode ser visto por todos os utilizadores geograficamente próximos e, quando há um match, podem manter-se conversas privadas e, até, partilhar vídeos. A jovem embaixadora digital Catarina Semedo Oliveira recomenda precaução: “Quando começamos a falar com alguém, temos de pensar bem em tudo o que dizemos e partilhamos. É mais fácil sermos enganados se o outro souber muito sobre nós.” A informação revelada online deve ser limitada ao mínimo, mesmo aquela que é teoricamente partilhada em privado. Dados pessoais, como o número de telefone, a morada de casa ou a escola que se frequenta, devem ser sigilosos. Em relação aos encontros presenciais, é perentória: “É sempre preferível jogar pelo seguro. Podemos conhecer pessoas novas na escola, não precisamos de passar pela internet.”

Conselhos de segurança: É possível desativar a localização e a opção de fazer match, mas os perfis mantêm-se sempre públicos. Os utilizadores menores de idade só podem contactar com pessoas da mesma faixa etária, mas basta inserir uma data de nascimento falsa para contornar o sistema, o que torna a segurança muito limitada.

44% das crianças e dos jovens portugueses confessaram ter-se encontrado presencialmente com pessoas que conheceram na internet – um comportamento mais comum entre os 13 e os 17 anos. A esmagadora maioria (79%) ficou contente após os encontros. Mais de metade (53%) admite contactar com desconhecidos na internet.

7.YouClap
recomendado a partir dos 16 anos

Desafios a toda a prova
Esta app portuguesa, criada pelo engenheiro informático José Rocha, formado na Universidade de Aveiro, permite aos utilizadores lançar desafios (a todos os outros seguidores, a alguns ou apenas a um). Fazer a melhor coreografia de uma canção, contar a piada mais seca ou, simplesmente, fotografar o jantar, as possibilidades são infinitas. Um terço dos seus cerca de 50 mil utilizadores tem entre 14 e 18 anos

Alertas: Existe o risco de serem lançados desafios perigosos – como já aconteceu noutras aplicações, por exemplo, com a Baleia Azul (que culminava com uma tentativa de suicídio). Todas as contas são públicas para todos os utilizadores.

Conselhos de segurança: Os programadores eliminam constantemente conteúdos ofensivos, mas são os utilizadores que denunciam 70% a 80% dos casos – é importante estar familiarizado com esta função. Em breve, será possível tornar as contas privadas, mas também será inaugurada a função de conversação.

46% dos jovens entre os 11 e os 17 anos viram imagens nojentas ou violentas contra pessoas e animais no último ano. Praticamente o mesmo número (45%) deparou com informação sobre automutilação e 43% estiveram expostos a discurso de ódio (em função da cor da pele, da religião, da nacionalidade ou da orientação sexual)

Fonte: Estatísticas retiradas do inquérito EU Kids Online 2019, sobre o comportamento dos jovens portugueses, entre os 9 e os 17 anos, em contexto digital.

As apps que os pais também usam

Além dos adolescentes, também os mais velhos são utilizadores destas aplicações, mas nem por isso se devem descurar os seus perigos

Snapchat
É muito utilizado no contexto de sexting (envio de conteúdos sexualmente explícitos), uma vez que tem a particularidade de as mensagens supostamente desaparecerem ao fim de pouco tempo. Pura ilusão, já que é possível fazer capturas de ecrã, comprar replays e salvar conteúdos do Snapchat recorrendo a aplicações específicas para o efeito. Convém desativar a localização.

Instagram
Tudo começou com a partilha de fotografias mas, agora, esta rede social tem muito mais que se lhe diga. Com a função IGTV, os utilizadores podem subscrever os canais de vídeo uns dos outros. Além disso, é possível fazer transmissões em direto e trocar mensagens escritas, vídeos ou áudio em privado com outros utilizadores. Uma das principais opções para tornar a app mais segura é tornar a conta privada. Podem bloquear-se seguidores indesejados e limitar os comentários ou filtrar palavras e emojis ofensivos.

WhatsApp
Além das mensagens escritas, o WhatsApp permite a partilha de fotos, vídeos e áudio. Podem bloquear-se contactos guardados ou desconhecidos (mas não números anónimos) e é possível tornar a conta privada nas definições, de forma a que só os contactos (ou mesmo ninguém) consigam ver se está online. A função mais preocupante é a partilha da localização do utilizador, mas é possível desligá-la.

YouTube
O sucesso dos youtubers ajudou a transformar este repositório de vídeos numa rede social. Para terem sucesso, os seus vídeos precisam de ser também comentados. A investigadora Ana Jorge, que tem estudado a relação dos mais novos com os meios de comunicação, alerta para a importância de lhes despertar o sentido crítico: “É fundamental desconstruir o que fazem os youtubers explicando, por exemplo, que as suas recomendações são pagas pelas marcas.”

 

 

 

Jornadas “Eu quero! Eu posso! Eu consigo! Eu mereço! 30 abril no Centro Cultural do Entroncamento

Abril 24, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No âmbito do Mês da Prevenção dos Maus Tratos na Infância, a CPCJ do Entroncamento vai realizar as suas Jornadas, este ano subordinadas ao lema “Eu quero! Eu posso! Eu consigo! Eu mereço!” e que irá decorrer no próximo dia 30 de abril, pelas 9h30m, no Centro Cultural do Entroncamento.
As inscrições são gratuitas e efetuadas on-line, através do link: http://tinyurl.com/cpcjentroncamento

IV Seminário: Os Direitos da Criança, 5 abril em Vila do Bispo, com a participação de Melanie Tavares do IAC

Março 27, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança,irá participar no encontro com a comunicação “Mediação Escolar na Promoção dos Direitos da Criança”.

A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição, até dia 1 de Abril, podendo ser feita aqui ou enviando um e-mail para seminario.cpcj.vb@gmail.com.

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/2156059081115717/

Novos dados sobre a relação das crianças com a internet

Março 25, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Notícia de Educare de 11 de março de 2019.

A EU Kids Online Portugal apresentou recentemente, em conferência na Universidade Nova de Lisboa, a conclusão do inquérito nacional, levado a cabo no biénio 2017-2018, acerca do contexto digital de crianças e jovens portugueses.

A versão 4 da EU Kids Online, o mais novo e recente trabalho coordenado em Portugal por Cristina Ponte, focou-se na caracterização das tendências dos novos ambientes digitais, e pretendeu alargar conhecimentos sobre competências e direitos digitais, bem como identificar fatores e mediações capazes de lidar com riscos digitais.

Portugal participa, desde 2006, na EU Kids online, uma rede europeia que estuda e identifica lacunas na pesquisa sobre crianças e internet na Europa, integrando assim o projeto a nível europeu, com a orientação de Sonia Livingstone, da London School of Economics. O trabalho desenvolvido entre 2006 e 2009 permitiu que investigadores de 21 países europeus caracterizassem os usos da internet, telemóvel e outras tecnologias online por parte das crianças.

Foi graças a essa recolha de informação que em 2010 foi possível publicar o primeiro inquérito europeu com uma amostragem de 1000 crianças e igual número de pais. As primeiras conclusões apontam Portugal como sendo um dos países com menor incidência de riscos online entre crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos.

Esta intervenção é assumidamente um projeto em continuidade e constante atualização, capaz de sustentar a rede de pesquisa europeia sobre crianças e jovens e as suas experiências online. Estudos anteriores forneceram dados importantes para novos estudos e, desta feita, permitiram alargar e aprofundar a temática sobretudo quando o acesso à internet passa a ser feito através de novos dispositivos. Com a introdução de smartphones e tablets, verificou-se uma evolução das experiências das crianças e dos seus pais abrindo também novas portas a oportunidades, ameaças, riscos e segurança.

A amostra para este último inquérito considerou a participação de 1974 crianças e jovens com idades compreendidas entre os 9 e os 17 anos, sendo que 62% da amostra pertence ao grupo etário 13-17 anos. O smartphone é, sem dúvida, o equipamento mais utilizado para aceder à internet e cerca de 80% dos jovens assumem a sua frequência diária para ouvir música ou ver vídeos. Há também uma elevada percentagem – cerca de 75% – que a usa para comunicar com familiares e amigos ou aceder às redes sociais.

O bullying continua a ser o que mais incomoda crianças e jovens, onde a percentagem de raparigas incomodadas duplica em relação aos rapazes. O bullying cara a cara assume proporções inferiores ao bullying por meio tecnológico onde a mensagem que magoa assume maior percentagem.

A facilidade em conhecer novas pessoas através da internet continua a ser uma das maiores preocupações dos adultos em relação aos seus filhos, que veem aqui uma oportunidade para alargar laços sociais. Não obstante, a maior parte dos jovens inquiridos ainda assinalam que consideram ser mais divertido encontrarem-se os com amigos cara a cara do que na internet.

28% destes jovens sentem-se incomodados perante a publicação de vídeos, fotos ou textos dos seus pais sem o consentimento deles. Metade terá mesmo pedido aos pais que os conteúdos fossem retirados.

11% da amostra com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos referem que deixam de estudar para passar mais tempo na internet e que chegam a passar menos tempo com a família e com os amigos para estar online. 60% dos inquiridos referem, inclusivamente, que ficam aborrecidos por não poderem estar mais tempo online.

Importa referir que muitas vezes, a exposição a riscos não se traduz necessariamente em danos. 22% das crianças e jovens de 9-17 anos não partilharam com ninguém situações menos agradáveis que os incomodaram ou perturbaram. Perante uma situação de incómodo, 33% optaram por bloquear o contacto da pessoa e apenas 12% mudaram as definições de privacidade. É nas raparigas que se assiste a uma intervenção ativa mais elevada.

Ainda assim, é nos ambientes familiares e nos amigos da mesma idade que é principalmente procurado o apoio em caso de risco. Segundo 90% dos jovens, o local onde vivem é reconhecidamente seguro. No que diz respeito à mediação da internet por parte dos pais, quase metade dos inquiridos refere que esta se baseia nos conselhos para uma utilização segura da internet e para o pedido ajuda em situações de incómodo. O bom relacionamento com colegas e professores também adquire muita importância e coloca a escola como um espaço integrador.

Cristina Ponte: «O ciberbullying é a situação que mais incomoda os miúdos na internet»

Março 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Reinaldo Rodrigues

Entrevista do DN Life de 26 de fevereiro de 2019 a Cristina Ponte.

A esmagadora maioria das crianças e adolescentes portugueses está online três a quatro horas por dia e, quando não está, muitas vezes sente-se aborrecido por isso. Relacionam-se online com pessoas que não conhecem na vida real e mais de metade encontrou-se com esses «estranhos» cara a cara. E gostou. Para falar destes e de outros resultados do mais recente estudo da rede EU Kids Online, entrevistámos a responsável portuguesa pelo mesmo, Cristina Ponte, investigadora e professora universitária do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.

Entrevista Catarina Pires | Fotografia Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Como é a relação das crianças e adolescentes com a internet, nas palavras dos próprios? Responder a esta pergunta (e a muitas outras que cabem nesta) é o objetivo da Rede EU Kids Online que, para isso, e para perceber a evolução, faz estudos periodicamente, desde 2010, em diversos países da União Europeia. Portugal participou em 2010, 2014 e 2018. Os resultados nacionais do último já estão disponíveis, os europeus (o estudo está a ser realizado em 19 países) serão divulgados no final do ano.

No próximo dia 28 de fevereiro, na Conferência “Crianças e Jovens Portugueses no Contexto Digital”, será apresentado o mais recente estudo nacional da rede EU Kids Online, que teve a sua primeira edição em 2010. Quais são as grandes diferenças?
Em 2010, o panorama era marcado pelos computadores, os smartphones eram raros. O objetivo do estudo europeu – em 25 países, entre eles Portugal – era perceber riscos do uso da internet pelas crianças – pornografia, sexting, bullying e encontros com estranhos que conheceram online –, qual era a sua dimensão e como é que elas os reportavam.

Esse estudo levou a conclusões importantes, por exemplo, que os riscos nem sempre levam a situações que as crianças consideram danosas. Conhecer pessoas novas na internet era visto como uma oportunidade e não como um risco. O ciberbullying era o que mais incomodava e a pornografia era reportada pelos mais novos como perturbadora.

O estudo teve um grande impacto e inclusive influenciou políticas europeias no sentido de não olhar só para os riscos, mas também para as oportunidades, porque as duas coisas são indissociáveis – quanto mais se usa, mais riscos se corre, mas também mais oportunidades são criadas.

E em 2018, que mudanças verificaram?
A primeira grande mudança é a maneira como se acede à internet, que passou a fazer-se de forma esmagadora através do smartphone, o que permite um uso frequente, todos os dias, a toda a hora. 87% das crianças e jovens deste estudo usam-no todos os dias ou quase para aceder à internet, ou seja o acesso passou a ser muito mais instantâneo.

É como se o smartphone fosse uma extensão do próprio corpo.
Sim. E estão constantemente a receber informação, o que torna mais difícil a vigilância ou o acompanhamento dos pais. O tablet, que também é um meio novo, tem importância entre os mais novos, mas rapidamente a perde na pré-adolescência e na adolescência.

Portanto, o smartphone tornou-se hegemónico e isto reflete-se nas atividades online, verificando-se uma intensificação de tudo relativamente a 2010.

Dizem passar cerca de três (os mais novos) a quatro horas (os mais velhos) online por dia e, nesse tempo, ouvem música, veem vídeos (cerca de 80%) e comunicam com amigos e familiares e estão nas redes sociais (cerca de 75 %).

Procurar notícias, que ficou em oitavo lugar entre as atividades realizadas online, subiu muito relativamente aos estudos anteriores e isso deve-se claramente ao acesso mais simples (através de smartphone e das aplicações, é muito mais fácil e intuitivo).

Também as próprias crianças e adolescentes vivem hoje em lares com muito mais tecnologia. E os pais também estão sempre agarrados ao telemóvel, nas redes sociais, etc… Em 2010 e em 2014, não havia esta dimensão tão intensa do digital.

O uso mais intenso leva a que crianças e adolescentes estejam mais preparados para gerir a utilização que fazem da internet e das redes sociais, vão ganhando literacia digital, ou pelo contrário estão mais expostos aos riscos?
Eles acham que sabem (os resultados deste estudo baseiam-se num inquérito a crianças e adolescentes, dos 9 aos 17 anos, portanto trata-se da opinião deles).

O interessante será que todos – os próprios jovens, os pais, os professores… – olhem para estes números e tentem perceber até que ponto espelham a realidade.

Por exemplo, eles dizem que é muito fácil escolher as palavras chave para fazer pesquisas na internet mas não estarão a ser muito otimistas? Assim como quando dizem – pouco mais de metade – que é fácil verificar se a informação que encontram online é verdadeira.

São, portanto, dados para ler com cautela?
São sobretudo um ponto de partida para refletir e eventualmente mudar as práticas familiares neste campo. Uma das coisas de que as crianças e os jovens se queixam – e a grande maioria afirma que os ambientes familiares são bons – é de que são pouco ouvidos pela família.

Se calhar, este pode ser um ponto de partida para uma conversa sobre a internet em que a família discuta estas questões. As competências informacionais (saber distinguir credibilidade da informação, dentro e fora da internet) são as que colocam mais abaixo e são tão importantes para lidarem com a avalanche de informação. Os pais (e a escola também) podem ajudá-los nisto.

Em relação a 2014, a exposição a conteúdos desadequados cresceu exponencialmente: sites com mensagens sobre formas de automutilação (de 6% para 45%); com conteúdos discriminatórios (de 8% para 43%); com informação sobre formas de cometer suicídio (de 3% para 29%), entre outros. Isto é sintoma de quê? Comparando com os outros resultados do estudo, diria que são dados preocupantes em que sentido?
Esses valores elevados ilustram a diversidade de conteúdos negativos que circulam na internet, muitos deles estão ligados ao extremismo e discurso de ódio que têm vindo a crescer tirando partido das redes e das conexões digitais, onde tudo está ligado.

Não quer dizer que todos os jovens os procuram deliberadamente, por exemplo muitos referem que imagens reais de grande violência contra os mais fracos (crianças, pessoas com deficiência, animais) ou conteúdos que discriminam pessoas pela cor da pele ou orientação sexual os incomodam muito.

Os valores elevados destes conteúdos negativos são um alerta para que estes temas sejam também mais conversados e que os jovens sejam mais ouvidos sobre a sua experiência digital, e como conseguem construir a sua resiliência a esses conteúdos negativos e mesmo gerar outros discursos.

A campanha recente do Conselho da Europa contra o Discurso de Ódio, que também decorreu em Portugal, assentava precisamente no protagonismo dos jovens como agentes de intervenção.

São as tais competências sociais, informacionais e criativas assentes em direitos humanos que temos também de trabalhar cada vez mais, em casa, na escola, nos espaços informais, com eles e escutando-os também mais.

Vários estudos nos últimos tempos têm alertado para o risco de este uso intensivo da internet e da comunicação virtual ou mediada levar a uma diminuição da capacidade de desenvolver empatia.
Essa é outra questão importante e tem que ver com as competências sociais que devem ser trabalhadas em relação ao digital. Neste estudo, notámos que eles gostam mais do contacto face a face e dizem que as suas relações com os amigos são mais face a face do que virtuais – o que contraria a ideia de uma maioria de contactos mediados.

Eles gostam de estar face a face, muitas vezes não têm é oportunidade para o fazer, a escola é onde estão mais. Temos feito outros estudos de natureza mais qualitativa e, em relação às questões do comportamento, nas tais competências sociais para o digital que devem ser trabalhadas, a empatia é fundamental, o ser capaz de se colocar no lugar do outro.

Para lidar com a agressão, como o ciberbullying há programas que recorrem a atividades de role play, um faz de vítima, outro faz de agressor, outro faz de testemunha, para perceber com se sente quando está nessa posição, mesmo que na vida real nunca tenha passado por isso. Uma das conclusões que identificámos logo em 2010 foi que muitos dos que são vítimas de ciberbullying também são (ou tornam-se) agressores. É preciso trabalhar muitas competências – informacionais, sociais, criativas e para isso temos que desconstruir o mito dos nativos digitais.

Desconstruir o mito dos nativos digitais? Não o são?
Não, não são nem nativos digitais nem são ignorantes digitais, nem nascem ensinados e sabem tudo da internet e das novas tecnologias nem são uns coitadinhos desprotegidos num ambiente que só tem riscos.

Eles têm o direito a viver com os recursos do seu tempo e nós, pais, educadores, sociedade, temos o dever de trabalhar com eles competências que desenvolvam literacias digitais: não só a tecnológica, que essa até dominam com facilidade, mas as competências sociais, emocionais, a capacidade de perceber o ponto de vista do outro e como reagirá, a capacidade de criar, mas também conseguir lidar com as críticas, positivas ou negativas, e com a frustração que vem daí, porque isso faz parte da vida, o ter a noção de até onde se quer expor, porque não somos obrigados a expor toda a nossa vida online.

Ou seja, há um conjunto de competências sociais muito importantes para tirar partido dos recursos do digital, que são imensos. Muitas crianças gostariam que os pais acompanhassem mais o que elas fazem.

O sharenting [partilha, pelos pais, de fotos ou informações sobre os filhos nas redes sociais] é um risco sobre o qual questionaram pela primeira vez crianças e adolescentes e eles revelaram-se incomodados, não foi?
Quisemos perceber como é que uma prática cada vez mais corrente – a de os pais exporem nas redes sociais a vida familiar sem autorização das crianças e dos adolescentes – vai contra o direito que estes têm à sua privacidade e a serem ouvidos nessa opção.

Metade daqueles cujos pais publicaram coisas sobre eles (comentários, fotografias, vídeos) sem o seu consentimento ficaram aborrecidos com isso e pediram aos pais para eles tirarem esses conteúdos. Alguns chegaram a receber comentários negativos ou ofensivos de colegas por causa de coisas publicadas pelos pais sobre eles.

Mais uma questão para pôr os pais a pensar?
Sim. Os pais devem pensar que isto fica para sempre e que não é só o ciclo de amigos que vai ver. Pensar antes de publicar. E depois envolver a criança ou adolescente para saber se se importa ou não. É uma questão de direitos.

Essa é uma questão que queremos relevar: o direito a viver este espaço digital com a garantia da proteção, do acesso e da participação. Eles têm direito a participar e a definir como é que os outros lhes fazem referência.

É uma questão de direitos das crianças?
Sim, esta questão dos direitos digitais das crianças tem vindo a ser destacada pela UNICEF. Na continuação do nosso trabalho na rede EU Kids Online, a UNICEF criou e apoia a rede Global Kids Online e que assenta nesta perspetiva dos direitos digitais das crianças: o direito a ter proteção – existirem ambientes adequados, que tenham botões onde possam reportar abuso, por exemplo –, o direito a conteúdos adequados à sua idade e o direito a participar, a ter voz. Estes são os Direitos da Convenção: proteção, provisão, participação. Como se garantem estes direitos? Com o empenho da indústria, dos responsáveis por políticas de inclusão, para que as crianças também possam ter mais literacia digital.

Mas para isso seria preciso que os adultos, pais e professores, também tivessem literacia (muitas vezes não têm)?
Sim. Por isso é que estamos a fazer o lançamento deste estudo. Gostaríamos que servisse para pôr as pessoas a pensar. As crianças dão-nos este retrato. Por exemplo, as questões do tempo: as crianças passam demasiado tempo nos ecrãs, e os pais? As crianças sentem-se aborrecidas quando não estão ligadas. E os pais? Ou seja, desconstruir essa ideia de que as crianças vivem num mundo que não tem nada que ver com o mundo dos adultos. Hoje, nos países desenvolvidos não há ninguém que não tenha um telemóvel e não esteja sempre a olhar para ele. Se calhar, é tempo de refletir sobre como estamos a educar os nossos filhos.

As raparigas passam mais à ação do que os rapazes quando se sentem incomodadas. Isto deve-se a uma maior maturidade ou a uma vigilância por parte dos pais que é maior em relação a elas do que a eles?
Há diferenças de géneros curiosas. Elas dão sempre respostas mais baixas do que eles no reconhecimento das suas competências. Eles são mais confiantes. Mas depois, quando vamos ver o que fazem em situação de risco, elas agem mais do que eles, reportando o problema ou bloqueando a pessoa.

Pode ser porque estão mais expostas a situações de incómodo, mas também é verdade que, de acordo com o estudo, elas falam mais com os pais e os pais preocupam-se mais com a mediação das filhas do que dos filhos. Será que a maneira como acompanho a atividade do meu filho rapaz é diferente, deixo-o mais à vontade? É uma pergunta que os pais podem fazer-se.

Uma das maiores preocupações dos pais é a exposição a conteúdos sexuais. Aumentou a exposição e aumentaram, sobretudo rapazes, os que dizem não se importar ou até gostar. Quais são os maiores riscos?
Neste estudo introduzimos uma nova pergunta: o que sentiram nas situações consideradas de risco? O bullying é a situação que mais incomoda.

Mas quando vamos para as imagens sexuais, que é uma coisa que os adultos em Portugal têm muita dificuldade em aceitar que os filhos vejam, o que encontramos é um número muito alto dos que ficaram contentes, sobretudo entre os rapazes adolescentes.

Faz parte da exploração da sexualidade e muitas vezes não têm outro espaço para a ter. Isto desconstrói a ideia de que os jovens ficam muito incomodados ao ver imagens de sexo. Contudo, os pequeninos dizem ficar incomodados e é preciso os tais mecanismos de proteção.

E os encontros com pessoas que só conheciam online – também cresceram. Isto apesar das campanhas feitas, dos avisos dos pais, das aulas de cidadania…
As campanhas têm também de ouvir os jovens para terem como base a sua experiência. O que vemos é que esses encontros cara a cara com pessoas que conheceram na internet são na esmagadora maioria com «amigos de amigos», com pessoas com quem partilham interesses e daí quase oitenta por cento nos dizer que ficaram contentes com esses encontros. Como os pais também faziam na sua adolescência, com a criação de novos amigos.

Não quer dizer que não se deva falar dos perigos de falsas identidades, mas em vez do «não vás» certificar que o jovem está capacitado para lidar com a situação e que sabe que tem a confiança dos pais, não precisando de lhes mentir. Um ambiente de mais comunicação familiar é também o que este estudo aponta como desejo dos mais novos.

 

 

Uma app para combater o bullying

Março 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 21 de fevereiro de 2019.

Rita Costa

Chama-se “Jogo Sério” e está a ser desenvolvido por investigadores do ISCTE e da Universidade de Lisboa que acreditam que com esta aplicação vai ser possível dar ferramentas às crianças, tornando-as mais capazes de resistir e combater o bullying.

“Está pensada para crianças dos 10 aos 12 anos porque há aqui um pico de ocorrência de este tipo de comportamentos, e um maior envolvimento aos 13 anos, portanto, queremos trabalhar antes”, explica Susana Fonseca, professora do Departamento de Psicologia Social e das Organizações do ISCTE, uma das investigadoras responsáveis pelo desenvolvimento desta aplicação.

O “Jogo Sério” é uma aplicação para smartphone, tablet ou computador e que pode ser usada em consultas, em contexto escolar ou até em casa, como forma de terapia ou de prevenção. Trata-se de um jogo ainda em construção, mas com o qual, assegura Susana Fonseca, investigadora do ISCTE, pode ser possível ajudar miúdas e graúdos a enfrentarem o bullying ou o cyberbullying.

“TSF Pais e Filhos”, um programa de Rita Costa, com sonorização de Miguel Silva

“É um jogo com objetivos pedagógicos onde eles para progredirem de nível são confrontados com situações de interação social entre pares, situações que podem ocorrer em contexto escolar ou não”, explica a Susana Fonseca. Uma das situações é alguém que está a receber ameaças e sobre quem estão a espalhar boatos nas redes socais. Nesse caso são apresentadas ao jogador várias opções de resposta sobre que reação teria perante aquela situação. “Só que em vez de pontos, recebem feedback sobre as diferentes opções que escolheram e a pontuação revela-se através do número de amigos que têm, porque as amizades são um fator protetor, através de coragem, porque muitas vezes ser capaz de defender a vítima é difícil, e através de convites para outras interações sociais”.

Para já, este “Jogo Sério” está em fase de desenvolvimento. O protótipo que resultou de uma fase de investigação e de uma colaboração com alunos da área da Psicologia do ISCTE e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa já deu sinais positivos, mas ainda vai ser aperfeiçoado. Susana Fonseca quer ter nas mãos todas as evidências e todos os dados que comprovem os resultados deste projeto. Só assim é possível procurar financiamento para a aplicação.

 

 

Curso Avançado de Ciberbullying – 20 a 27 de março em regime E-learning

Março 2, 2019 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.institutocriap.com/formacao/curso-avancado-em-cyberbulling-e-learning/?fbclid=IwAR2DR4gkAg_ySgmSp24GekDlx5WKzFGIRnyFAlL1ti946X17b0SQrlX5JNQ

Unicef apela a ação coordenada para prevenir assédio moral e intimidação na internet

Fevereiro 28, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 5 de fevereiro de 2019.

Dia da Internet Segura assinala-se a 5 de fevereiro; agência da ONU quer definir direitos digitais das crianças; 94% dos jovens entre 15 e 24 anos nos países desenvolvidos estão online.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, adverte sobre os perigos da violência online, cyberbullying e assédio digital para 70,6% dos jovens de 15 a 24 anos que utilizam a internet.

Em comunicado, a agência pede uma ação conjunta para combater e prevenir violência online contra crianças e jovens.

Apelo

O apelo é feito no Dia da Internet Segura e surge na sequência de uma recente pesquisa do Unicef que contou com a colaboração de 1 milhão de respostas, ao longo de cinco semanas, de jovens oriundos de mais de 160 países.

Neste estudo, eles fornecem respostas sobre o que os seus pais, professores e decisores políticos poderiam fazer para tornar a internet mais segura.

A “bondade” destacou-se como um dos meios mais poderosos para evitar o bullying e o cyberbullying.

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirmou que depois de consultar crianças e jovens de todo o mundo concluiu-se que a Internet se tornou “um deserto de bondade” e, por isso, neste dia, o Unicef “convida todos, jovens e velhos, a serem gentis online, apelando a uma maior ação para tornar a Internet um lugar mais seguro para todos.”

Riscos

A Internet faz parte das vidas dos jovens, independentemente do nível de rendimento. De acordo com a União Internacional de Telecomunicações, UIT, 94% dos jovens entre 15 e 24 anos nos países desenvolvidos estão online. Nos países em desenvolvimento este número ronda os 65%.

O Unicef considera que esta proliferação online comporta um “risco aumentado.” De acordo com dados da Agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, a proporção de crianças e adolescentes afetados por cyberbullying nos países desenvolvidos varia entre os 5% e os 21%, “sendo que as meninas parecem mais propensas ao cyberbullying do que os meninos.”

O Unicef lembra que o cyberbullying pode causar danos profundos, uma vez que pode atingir rapidamente um público amplo e pode permanecer online indefinidamente, virtualmente “seguindo” as suas vítimas para a vida.

O Fundo da ONU explica também que as vítimas de cyberbullying são mais propensas a usar álcool e drogas e tendem mais a desistir da escola do que outros estudantes.

Eles também são mais propensos a ter notas baixas e a ter baixa autoestima e problemas de saúde. Em situações extremas, o cyberbullying pode levar ao suicídio.

Direitos Digitais

No Dia da Internet Segura, o Unicef lembra que a bondade, tanto online como offline, “é uma responsabilidade que começa com cada um.”

Em homenagem ao 30º aniversário da adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança, o Unicef pede ainda urgência e cooperação renovadas para colocar os direitos das crianças na vanguarda dos esforços digitais.

Fore lembra que “trinta anos após a adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança e a criação da World Wide Web, chegou a hora de governos, famílias, universidades e setor privado colocarem as crianças e os jovens no centro das políticas digitais.”

 

 

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