Há muita coisa a influenciar quem classifica os exames. Até a letra dos alunos

Julho 6, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Leonor Santos no dia 24 de junho de 2017.

 

A especialista em avaliação, Leonor Santos, considera que os exames não contribuem para as aprendizagens e também que não garantem a equidade. Por isso é contra este tipo de provas tal como elas são feitas em Portugal.

Clara Viana

Trabalhos de grupo, com uma componente oral, ou projectos de investigação prolongados no tempo podem ser uma alternativa aos exames de Matemática que conhecemos. Quem o diz é Leonor Santos, especialista em avaliação das aprendizagens, responsável pelo mestrado em Educação da Matemática, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Leonor Santos deixa ainda um aviso: o programa da disciplina, em vigor no ensino básico, é “um crime” e deve ser alterado quanto antes.

Os exames são um instrumento útil da avaliação das aprendizagens a Matemática?

Não há evidência de que a existência de um exame contribua para as aprendizagens. A investigação, e a nossa própria experiência pessoal, mostram, aliás, que o estudo intensivo que se faz nas vésperas de exame traz alguma aprendizagem, mas que esta é de curta duração. Não creio que seja essa a razão principal para existirem exames. Podemos ter argumentos de natureza social, por exemplo, o dos exames serem uma prestação de contas ou de fornecerem elementos que identifiquem a qualidade ou não do sistema educativo.

Mas do meu ponto de vista esse objectivo não se alcança através de exames, mas sim de provas de aferição que, aliás, voltaram, o que vejo com muito agrado. São instrumentos importantes para revelar o próprio sistema educativo, servem para identificar as dificuldades principais dos alunos e permitem, inclusivamente, que se façam alterações fundamentadas nos currículos.

Mas os exames também não permitem que tal se faça?

Não é esse o seu objectivo. Os exames, o que pretendem é certificar as aprendizagens realizadas e ver quais os alunos que são capazes de ter um desempenho satisfatório ou bom e quais aqueles que não capazes de ter. Só que, na minha perspectiva, o sucesso escolar não é igual a aprendizagem. O sucesso escolar é ter bom aproveitamento, mas nem sempre um aluno que aprendeu tem necessariamente um bom desempenho numa prova que é limitada no tempo e que tem algumas características particulares, como acontece com os exames.

A diferença entre as provas de aferição e os exames é que as primeiras não contam para a nota.

A diferença é enorme porque os propósitos destas provas são distintos. O exame é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos. Enquanto as provas de aferição têm como preocupação fornecer informação detalhada às escolas sobre o desempenho dos alunos, o que pode constituir mais um elemento sobre o que há a regular, sobre aspectos a que é preciso dar mais atenção, etc. E, portanto, existe a preocupação de se dar um contributo para melhorar o ensino e, consequentemente, as aprendizagens dos alunos. O que não acontece com os exames. Sabemos que o que sai no exame vai influenciar grandemente o trabalho do professor em sala de aula. A existência de exames tem o efeito de reduzir o currículo aos conteúdos que saem na prova. Portanto, traduz-se num ensino muito centrado na preparação para esta avaliação.

A professora é contra a existência de exames seja em que nível for, mesmo no ensino secundário?

Os exames não contribuem para as aprendizagens e também não garantem a equidade entre os alunos. Antes pelo contrário. Por isso não, não estou de acordo com a existência destas provas.

Mas o argumento de que os exames promovem a equidade é recorrentemente utilizado pelos defensores desta forma de avaliação

Pois é, mas eu acho o contrário. Penso que os exames aprofundam a desigualdade. E porquê? Até chegarem àquele momento do exame, os alunos têm experiências que foram muito distintas. Nem todos trabalharam os mesmos temas com o mesmo nível de profundidade. Tiveram professores distintos, ensinos distintos e chegam ali com um passado muito diferente. Não é o facto de existir uma prova única para todos, num mesmo momento, que garante a equidade.

Podem dizer que os exames servem para responder a uma necessidade, que a sociedade sente, de que haja uma prova e resultados com garantias de objectividade, já que as classificações são dadas por um grupo de avaliadores que seguem os mesmos critérios de correcção. Mas também isto é uma fantasia. Se assim fosse não havia recursos de exames, porque as pessoas não iam gastar dinheiro a pedir a revisão de provas se com esta se não houvesse mudanças nas classificações.

Na revisão das provas geralmente as classificações sobem.

E porquê? Isto acontece não porque os primeiros classificadores tenham agido de forma incorrecta, mas porque somos humanos e temos atitudes diferentes que podem influenciar o modo como se aplicam os critérios de avaliação. Há investigação que já demonstrou que a preocupação dos avaliadores que estão a classificar pela primeira vez é a de manter os mesmos critérios para todas as provas. Mas quando está a fazer uma revisão de prova, a sua atitude é completamente diferente: tenta aproveitar tudo o que for possível.

Isso não quer dizer que aplique critérios de correcção diferentes daqueles que constam do referencial, mas por mais pormenorizados que estes sejam existe uma grande margem de decisão do próprio avaliador e isso é incontornável.

Os investigadores que têm estudado estas questões chegaram à conclusão que um classificador é sujeito a dois efeitos enquanto está a classificar as provas, sejam elas de exame ou testes dos seus próprios alunos. São os efeitos de assimilação e o de contraste.

E isso quer dizer o quê?

Comecemos pelo efeito de contraste. Foi constatado que um classificador quando se depara com uma prova de qualidade elevada, acima da média, vai ser mais exigente com a prova que vai ver a seguir. E o efeito contrário também se dá: quando encontra uma prova de nível muito baixo, na seguinte é mais permissivo. E quando se diz mais exigente e mais permissivo não se está a dizer que não respeite os critérios de avaliação. As decisões que se tomam para além do que está definido é que são diferentes.

Quanto ao efeito de assimilação o que este põe em evidência é quando se olha para uma prova, mesmo que esta seja anónima como é o caso dos exames, se infere um conjunto de coisas sobre a pessoa que a fez. Por exemplo, se é uma prova toda rasurada, em que se escreveu tudo encavalitado, involuntariamente, e inconscientemente, pensa-se que esse aluno tem as ideias muito confusas. Se, pelo contrário, for uma prova muito direitinha, sem rasuras, com uma letra bem-feita, infere-se que deve ser um aluno com bom desempenho. E estas informações vão, uma vez mais, ter efeito sobre a maneira como se aplica os critérios de correcção. Se for um aluno que tem um desempenho elevado somos mais tolerantes do que para aqueles que achamos que têm desempenhos baixos.

Para além das provas de aferição, que outro tipo de avaliação é que pode ser mais útil no que respeita às aprendizagens a Matemática?

Há desafios na avaliação externa que, com o tempo, podemos procurar enfrentar. Não há nenhuma teoria que diga que um exame tem de ser uma prova escrita, feita em tempo limitado, individualmente. Pode ser de outra maneira. Pode ter uma componente de trabalho colectivo, pode ter uma componente de trabalho oral, pode ser uma tarefa que seja mais da natureza de trabalho de projecto ou uma tarefa de investigação — em Matemática, faz todo o sentido —, em que o tempo não é um elemento informativo da maior ou menor capacidade que o aluno tenha.

Por exemplo, na Suécia realizaram-se provas orais feitas por grupos de alunos, em que lhes era dada uma proposta de trabalho de natureza investigativa, que eles exploravam e depois tinham de explicar como tinham feito e porque tinham feito dessa maneira. Qual é a grande vantagem destas alternativas? A vantagem é que permite testar capacidades matemáticas que fazem parte do que é expectável o aluno desenvolver e que não são possíveis de serem consideradas numa prova escrita com tempo limitado. E, se assim for, o tal fenómeno, que referi há pouco, do exame contribuir para reduzir o currículo já não acontece da mesma forma. Se existir uma prova oral em que os alunos têm que evidenciar a sua capacidade de raciocínio matemático e comunicação matemática então o professor tem de se preocupar em desenvolver essas capacidades ao longo do ano.

Mas este tipo de exames contam para avaliação?

Um exame conta sempre para a avaliação. Como já disse, é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos.

Que avaliação faz dos programas que estão em vigor?

O programa do ensino básico de Matemática foi mudado [pela anterior tutela] de forma radical em termos do que é que se entende que é saber matemática. De uma forma muito simplista, diria que uma grande orientação do programa de 2007 era a de que os alunos soubessem matemática com compreensão, percebendo o que estavam a fazer. Neste novo programa o que importa de facto é ter um grande domínio de cálculo e a compreensão virá mais tarde, quando o aluno for mais maduro. Tem coisas absolutamente desadequadas para o nível etário dos alunos. Estes memoriam, aprendem a fazer, mas de facto não compreendem. Isto não é saber matemática.

Defende a revisão do programa?

Defendo de uma forma absolutamente categórica que o programa devia ser quanto antes alterado. O que estamos a fazer é um crime relativamente aos alunos do ensino básico.

 

A brincar se seduz, manipula e convence. É a base da educação

Junho 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 28 de maio de 2017.

Tony Dias/Global Imagens

Desde o primeiro momento que a ligação entre pais e filhos se faz pelo brincar, é a receita para a felicidade e já tem um dia mundial

Leonor é a médica e a sala de brincar o consultório. Este é o espaço que dá acesso ao mundo da fantasia, aquele onde tudo é possível. Leonor abre a mala de médico – oferecida pelo avô -, veste a bata branca e coloca o estetoscópio ao pescoço. “Foi a melhor prenda da vida dela”, diz a mãe, Margarida Cerveira. No consultório está tudo a postos para a doutora de cinco anos começar a cuidar da borbulha da irmã Sofia, de 1 ano e meio. Usa um pouco de creme, que, como explica ao DN, “é para tirar as dores”. Enquanto isso, Frederico, de 7 anos, o mais velho dos três irmãos, diverte-se a montar legos com o amigo David. Não há tempo a perder, a hora de almoço está quase a acabar.

Duas vezes por semana, Margarida, psicóloga, e o marido, Artur Figueiredo, agente cultural, unem esforços para passar a hora de almoço com os filhos. Uma forma de tentar contrariar a correria do dia-a-dia. E sempre que possível brincam. “A base da educação parental é o brincar. É a linguagem que as crianças melhor entendem”, diz–nos a mãe. Mudaram de casa há pouco tempo e ainda não há televisão. “Não temos uma cultura televisiva”, explica. Ao fim de semana, Frederico dedica meia hora por dia aos jogos de computador. Não há tablets, nem o vício de mexer nos smartphones dos pais, que não se consideram extremistas, mas ressalvam que os preocupa que “os miúdos fiquem muito dependentes das máquinas”.

É no quarto de brincar que os três irmãos se divertem, soltam a imaginação. Da estante de livros tiram as histórias que querem ouvir à noite. Sofia sabe onde estão os seus, na prateleira de baixo. As bonecas, os puzzles, os jogos, as peças da Playmobil convivem com alguns brinquedos do tempo dos pais. A ideia é deixá-los brincar. E, sempre que possível, ao ar livre, no quintal, num parque ou na quinta dos avós. “A profissão deles é brincar”, frisa Margarida. “E gostam que brinquemos com eles”, acrescenta Artur. Para o casal, “devia ser obrigatório ter meia hora por dia para brincar com as crianças”.

A ideia de que as brincadeiras estão na base da educação é partilhada por Beatriz Pereira, investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança, da Universidade do Minho, que falou com o DN a propósito do Dia Mundial do Brincar, que hoje se comemora: “É absolutamente indispensável que os pais brinquem com os filhos. Todas as famílias com crianças pequenas deviam ter acesso a condições que lhes permitissem fazê-lo, porque é preciso tempo.” Os primeiros contactos com o bebé e as formas de comunicação são lúdicas. “É através do jogo que são feitas as aprendizagens de cooperação, partilha, das regras”, prossegue a investigadora. Mesmo antes de nascer, o bebé já brinca. “Brinca na barriga da mãe e sabe-se, por registos ecográficos e outros estudos, que se entretém. Brinca e utiliza o seu próprio corpo para isso”, explica o pediatra Mário Cordeiro. Além de ouvirem, “os bebés veem desde muito cedo e apercebem-se de alguma luminosidade que chega através da parede abdominal da mãe”. Se calhar, “veem sombras chinesas e devem divertir-se a vê-las”, argumenta.

O pediatra diz: “O brincar com o seu corpo, com o dos pais e com os brinquedos ou com qualquer coisa que passe ou que esteja ao seu alcance é importante e uma brincadeira.” Só que os adultos estão tão ocupados que, por vezes, nem reparam em “como magníficas são as crianças a brincar… e a manipular, seduzir e convencer”.

Brincar pode parecer simples, mas é uma das atividades mais elaboradas. Mário Cordeiro diz que “desenvolve a criatividade, o imaginário, a imaginação, a alternância, o sentido figurativo e representativo, e a organização dos gestos, das falas e dos cenários”. E não exige brinquedos. “Os bebés servem-se do próprio corpo e brincam com as mãos e com os pés. Os mais velhos agarram em dois ou três objetos e fazem deles o que querem, inventam histórias e ações.”

Brincar, a receita da felicidade

Beatriz Pereira avisa que “uma criança que não brinca é infeliz”. “A vida das crianças estará em risco se não tiverem espaço e tempo para brincar.” A investigadora defende que “é absolutamente necessário que, até aos 6 anos, as crianças tenham grandes períodos para brincar livremente, sem orientação dos professores, e se possível ao ar livre”. Além de estar associado a estilos de vida ativos e saudáveis, brincar é “essencial para o desenvolvimento integral, onde se destaca o desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo”.

Quanto mais pequenas são as crianças, maior a necessidade de brincar. “É preciso que não tenham a agenda muito preenchida com atividades.” Outro entrave são, muitas vezes, as tecnologias. “Aparecem muitas vezes para dar lugar à falta de tempo dos pais para levar as crianças para espaços ao ar livre”, lamenta a investigadora da Universidade do Minho. Não se pode impedir que tenham contacto com a tecnologia, “mas é essencial brincar ao ar livre, o brincar espontâneo, sujar-se, esmurrar-se”. Para aprender os limites, a criança tem de saber até onde pode ir.

Cultura do “quero tudo, já”

Brincar é também aprender a lidar com sentimentos menos bons. “As brincadeiras reais, fantasistas, permitem à criança, desde muito cedo, sublimar algumas frustrações e aprender a gerir o stress e a contrariedade, o que é fundamental nos nossos dias, já que, na nossa sociedade, gravitamos muito à volta do “quero tudo, já!”, e qualquer obstáculo ou dificuldade é sentida como uma agressão do outro, levando a sentimentos de raiva, violência ou vitimização”, afirma Mário Cordeiro. Muitas vezes, a própria brincadeira serve para “ar- quitetar situações em que a criança pretende, afinal, exprimir as suas angústias, revelar o que vai na alma e dar sinal dos problemas que a atormentam”.

Através da brincadeira, defende o pediatra, “devemos fazer que se promova, nos nossos pequenos ecossistemas, culturas de segurança, de afetos, de gestão pacífica de conflitos e, antes de mais, uma cultura lúdica, de prazer e de brincadeira”. Dentro do Homo sapiens é preciso recuperar “o Homo ludens, ou seja, durante toda a vida, é preciso manter a parte da brincadeira e da criatividade (e de expressão de sentimentos) para que a vida seja mais longa, mais tranquila e com mais momentos de felicidade”.

 

 

Jogar é uma das maneiras inatas para aprender

Abril 27, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://porvir.org/ de 30 de março de 2017.

Palestrante do Transformar, Gonzalo Frasca, professor e designer de jogos, discute a importância dos jogos para a aprendizagem

por Vinícius de Oliveira

Todos aprendemos jogando, seja encaixando blocos de plástico durante a infância, ou mais tarde, comandando heróis e planejando cidades nos videogames. Movidos pelo desafio, a emoção e a vontade de experimentar o novo, continuamos envolvidos por um longo tempo, o que infelizmente nem sempre acontece na educação. Segundo Gonzalo Frasca, uruguaio que é professor da disciplina de videogames na Universidade ORT, em Montevidéu, e chefe de design de jogos na startup WeWeWantToKnow, isso acontece porque a educação se preocupa demais com conteúdos e, com isso, deixou de lado uma característica natural do ser humano. Para ele, o aprendizado se tornou um sofrimento e, em referência ao jogo das Eliminatórias da Copa entre Brasil 4 x 1 Uruguai, o especialista em jogos diz que muitas crianças estão perdendo por goleada, todos os dias na escola.

“Jogar é uma das maneiras inatas para aprender. É a estratégia cognitiva com que conhecemos e exploramos o mundo e, se não conseguimos entender sua profunda relação com a aprendizagem, é justamente porque a escola foi por outro caminho”, disse ao Porvir, alguns dias antes de sua visita ao Brasil para participar do painel “Como engajar e ensinar alunos através de jogos”, do Transformar, evento sobre inovação em educação organizado por Porvir/Inspirare, Fundação Lemann e Instituto Península, que acontece na próxima terça-feira (4), em São Paulo (SP).

Leia também: Games engajam os alunos e trazem significado para a matemática

Na entrevista que você lê abaixo, Frasca mostra como a estrutura de jogos alicerçada em feedbacks (retornos avaliativos) pode ajudar a sala de aula e como vê o professor diante de uma encruzilhada: na formação inicial, ele tem que manter “ordem e progresso” da sala de aula, mas os jogos, especialmente videogames como o (simulador de construção de cidades) SimCity e o (construtor de mundos feitos em blocos virtuais) Minecraft, que não têm um objetivo claro, colocam o aluno diante do “caos” e trazem novas questões para quem ensina.

Frasca também trata na conversa com o Porvir do programa da empresa WeWeWantToKnow, que está desenvolvendo um programa piloto na França e na Noruega para ensinar crianças a partir de 5 anos a resolverem os primeiros problemas de álgebra. De antemão, o designer e professor uruguaio mostra-se realista. “Não vai aparecer um aplicativo milagroso que vai mudar tudo. Mas, sim, é possível inovar para que as crianças aprendam e gostem de aprender. Isso é fundamental”.

Porvir – Como jogos podem ser usados para ensinar e mudar a lógica de ensino e aprendizagem que temos atualmente?

Gonzalo Frasca – Vou respondê-lo de duas maneiras: uma de maneira mais teórica e outra, mais prática, com o que estamos fazendo no projeto piloto na França e na Noruega com o (aplicativo para sistemas iOS e Android) Dragonbox. Jogar é uma das maneiras inatas para aprender e seres humanos aprendem as coisas mais difíceis e complicadas jogando. É a estratégia cognitiva com que conhecemos e exploramos o mundo e se não conseguimos entender sua profunda relação com a aprendizagem, é justamente porque a escola foi por outro caminho. Nos Estados Unidos, a carga de matérias para o jardim da infância é um disparate absoluto. Existem várias razões históricas e econômicas, mas em resumo, não se pode aprender sem emoção. Se eu não me interesso por alguma coisa, não vou aprender. Ouvir (o que o professor está ensinando) me importa porque parece um tema interessante ou porque vão me castigar com uma nota baixa, mas a segunda opção é de curto prazo. Isso é um pouco da teoria. De maneira concreta, produzo videogames para crianças há quase duas décadas para Cartoon Network e Pixar. A estratégia que se aplica a maior parte dos videogames é capturar a atenção, emocionar a criança e oferecer um desafio.

Porvir – Mas na educação poderia ser a mesma coisa, não é verdade?

Gonzalo Frasca – Bem, deveria ser a mesma coisa, mas não estou dizendo que se deve ter apenas videogames na educação. O Dragonbox, primeiro produto que desenvolvemos, desenvolve consciência algébrica em crianças de cinco anos. Ele é uma amostra que a álgebra, ensinada a partir da educação secundária, tem uma base é que é possível de ser entendida por uma criança pequena. E como isso acontece? Primeiro não pode ser muito fácil porque entendia e não pode ser muito difícil, porque paralisa. E tem que se adaptar a cada criança. E dar feedbacks imediatos, sempre que estiver fazendo as coisas bem ou mal. O que fazemos é manter o nível alto para que se mantenha o desafio. Sempre digo que o oposto do tédio não é a diversão, é o desafio. Quando não se está entediado, quer dizer que tenho algo um pouco difícil para fazer.

Porvir – Como o programa Dragonbox funciona nas escolas?

Gonzalo Frasca – Comecei pela Noruega e pela França, países onde minha empresa possui sedes. Temos 600 crianças na Noruega, em diversas escolas, e 50 na França. Não fizemos uma solução só com videogames. Temos tablets para tarefas digitais com jogos, mas não nos limitamos a isso. Também temos vários livros de texto. Em nosso método, as crianças têm espaços reais e virtuais para experimentar, por exemplo, o conceito de “maior que” ou “menor que”. Uma vez que trabalharam com isso por 20 minutos, o professor pede que expliquem o que acontece, os alunos participam de um pequeno jogo e fazem um teste para ver se aprenderam. Uma das diferenças do programa é que cada criança pode fazer o teste no momento em que se sentir preparado. Nunca aplicamos uma prova até o momento em que acreditamos que ela já sabe, porque cada uma aprende em um ritmo diferente. E também asseguramos que vamos avaliá-los para que fiquemos tranquilos sobre o quanto eles já sabem. É um processo que estamos trabalhando com os professores. Não somos um grupo de entendidos em tecnologia que está desconectado da escola. Fazemos visitas diárias, sempre trabalhando para tentar melhorar.

Porvir – Em uma de suas palestras do TEDxMontevideo, você dizia que não existe nenhuma criança que diz não servir para jogar videogames, mas isso acontece com matemática, física, história. Por que?

Gonzalo Frasca – É uma soma de muitas coisas. O que quer dizer jogar? Jogar quer dizer ter interesse em uma ação e testar o que acontece em sua volta. É o mesmo que experimentar. Essa manhã eu estava com a minha filha de 1 ano, que estava colocando um brinquedo dentro de uma garrafa de água. Eram patos grandes, que não entravam. Ela continuava tentando, tentando até que encontrava outra coisa, usava um frasco maior e aí conseguia. Isso é jogar e também é testar uma hipótese. Tento colocar, vejo que não funciona e trato de colocar o cubo em outro lado. Dessa maneira, ela está entendendo o conceito do que é dentro ou fora, tamanhos, circunferências, um montão de coisas por meio da experiência. O importante é que ela seja desafiada.

Porvir – Mas as famílias costumam pensar que videogames são perda de tempo.

Gonzalo Frasca – O problema é que pensamos o videogame como entretenimento, e não conseguimos ensinar tudo com videogames. Por exemplo, para apresentar o conceito de litro, usamos garrafas de verdade, com água de verdade. Os pais se preocupam com os jogos, mas é difícil dizer qual jogo oferece boa qualidade de aprendizagem, mais ou menos da mesma forma que avaliar qual livro pode ser bom ou não. Se o site RottenTomatoes (de avaliação de filmes) diz que um filme é muito ruim, então você pode deixar de assistir. Com videogames é mais difícil, sobretudo porque a maior parte do que se chama jogo educativo é muito básica, sem estudos científicos por trás, porque é muito caro. Todo mundo diz que é educativo, mas é como se não houvesse controle sobre a medicina e disséssemos que este remédio cura calvície ou o câncer. Na realidade, isso nem sempre é verdade.

Porvir – Em entrevistas anteriores, você fala muito de jogos como The Sims e SimCity. O que eles têm de especial?

Gonzalo Frasca – Eles são os clássicos. O SimCity, como o Minecraft, não têm um objetivo definido. Nos jogos de futebol, deve fazer mais gols. Em SimCity é como ir ao parque, pode-se fazer muitas coisas. O interessante é que parece um laboratório de experimentação.

Porvir – E como devemos preparar os professores para chegada dos jogos à sala de aula?

Gonzalo Frasca – Muitas vezes os professores têm uma formação para ter controle sobre a classe porque, com 25-30 alunos, é necessário ter ordem e progresso. E o jogo é visto como o caos. De um lado, ensinam aos professores a manter a ordem e, de outro, dizem que do caos podem sair coisas boas. É um processo complicado e que não vem só da formação, mas do processo cultural. É aceitar que o jogo é uma maneira de aprender e entender o mundo. Isso se vê por exemplo em algumas empresas e trabalhos que são mais criativos e não te obrigam a bater ponto de 9 às 5 todos os dias. Mas o mundo ideal para escola não é aquele em que alunos estão jogando videogame toda hora, mas algo parecido com o jardim da infância, em que se cultiva o espírito do jogo.

Porvir – Para terminar, poderia enviar uma mensagem ao público que irá acompanhar sua palestra?

Gonzalo Frasca – Não existem sugestões mágicas. Não vai aparecer um aplicativo milagroso que vai mudar tudo. Mas, sim, é possível inovar para que as crianças aprendam e gostem de aprender. Isso é fundamental. Temos muitos desafios como civilização, mas não podemos fazer com que crescer e aprender se torne um sofrimento. Tem que ser difícil, mas não um sofrimento. É como futebol. Se fosse fácil, não seria tão bom. Mas sofrer o tempo todo. Se todos os jogos fossem 4×1 como o que o Brasil ganhou do Uruguai, seria um sofrimento. Hoje em dia, muitas crianças estão perdendo por goleada, todos os dias na escola. E isso precisa ser evitado.

 

 

 

Venham +5 e podemos ser todos bons alunos

Março 20, 2017 às 12:02 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de março de 2017.

Métodos de estudo, dicas para controlar a ansiedade e ajuda para elaborar o currículo — tudo junto no mesmo blogue. É o Venham +5

Texto de Diana Barros

Venham +5 (segredos de estudante) é um projecto que promete dar solução às dores de cabeça de todos os estudantes. Criado pela mão de Soraia Rodrigues, é um blogue onde se podem ler dicas acerca de quais os melhores métodos de estudo, tirar dúvidas sobre as melhores formas para contornar a ansiedade e até ter ajuda personalizada para elaborar o currículo.

A ideia surgiu da experiência de Soraia ao ver a irmã enfrentar algumas dificuldades ao lidar com a pressão dos exames. Soraia explica que na altura idealizou “um projecto que ajudasse os estudantes nestas situações”, mas como não tinha capacidade para financiar um projecto físico decidiu criar algo online, “o que também me permitiu atingir um maior número de pessoas”, acrescenta.

O intuito do projecto não é substituir os gabinetes de apoio que já existem nas faculdades e escolas de ensino secundário, mas dar mais armas aos alunos para combaterem o insucesso escolar. Soraia explica a importância do Venham +5, alertando para uma realidade pouco conhecida: o insucesso tem mais impacto no abandono escolar a nível do Ensino Superior que as dificuldades económicas.

A formação de Soraia na área da psicologia deixou-a com uma ideia de quais as causas principais do insucesso escolar. “O insucesso escolar, numa frase precoce, é condicionado por três aspectos: a auto-eficácia que é a capacidade que temos de confiar nas nossas próprias capacidade é determinante, o factor comportamental e emocional também tem um papel relevante e por fim, o contexto familiar”, diz Soraia. Ainda que estes sejam os motivos do insucesso escolar numa fase precoce, podem influenciar o sucesso escolar em fases mais avançadas, Soraia acrescenta  “as experiências vividas na escola primária reflectem-se adiante no percurso escolar”.

Ler os textos disponíveis no blogue é gratuito, mas ter apoio personalizado ou orientação na construção de um currículo custa dinheiro. Soraia explica que o preço “nunca será tão caro como uma clínica de psicologia por exemplo” e acrescenta “estou a lidar com um público de estudantes, a maior parte não tem rendimentos, mas preciso de algum retorno”.

Contudo, os estudantes – quer do ensino secundário, quer do ensino superior – não são os únicos que beneficiaram da ajuda de Soraia, que também já chegou a quem se encontra desempregado à procura de trabalho. Saber o que colocar e não colocar no currículo, qual o modelo a adoptar e que competências sublinhar são dúvidas que vêm à cabeça de quem está a escrever o currículo e o Venham +5 pode indicar o melhor caminho.

Os planos para o futuro incluem a criação de um espaço físico no Porto, mas ainda falta dinheiro, para conseguir financiamento Soraia organizou uma campanha de crowdfunding. O dinheiro angariado na campanha vai servir “para poder ter um site mais trabalhado, organizado e traduzido em várias línguas e para conseguir criar o espaço físico”, explica Soraia. Divulgar o projecto não tem sido fácil, mas os comentários no blogue do Venham +5 já são alguns. “Falei com algumas associações de estudantes – e claro houve de tudo – umas responderam-me, foram receptivas e divulgaram o projecto e outras não se mostraram interessadas”, explica Soraia, mas acrescenta também que acredita que este trabalho de divulgação tenha que ser feito no campo, “ir a uma escola e explicar em que consiste o projecto.”

A psicologia de não dizer psicologia

Os textos do Venham +5 são o resultado de experiência pessoal e pesquisa de Soraia. “O enquadramento dos textos sou eu que escrevo, mas no caso específico de uma actividade para treinar determinada competência, vou buscar informações a fontes externas e referencio-as”, explica a fundadora do projecto.

A formação na área da psicologia também tem peso, mas Soraia prefere manter a palavra longe dos textos que escreve. “Tento sempre escrever os textos do ponto de vista da psicologia, mas oculto a palavra psicologia do meu projecto porque acho que ainda está muito estigmatizada”, explica.

Para Soraia, o fundo científico dos conteúdos do Venham +5 é muito importante, mas categorizá-los como apoio psicológico teria um efeito repelente para o público do seu blogue. “As pessoas ainda não vêm o apoio psicológico como uma necessidade básica.”

Para os de cá e para os que vêm

Além dos conteúdos já disponíveis no blogue, Soraia pretende alargar o Venham +5 a estudantes de Erasmus ou outros programas de mobilidade que venham para Portugal. O objectivo é facilitar a integração dos estudantes estrangeiros, quer na vida cotidiana da cidade, quer na vida académica, onde entraves linguísticos e falta de apoio personalizado podem ser barreiras à aprendizagem.

Soraia explica que o apoio vai ser, sobretudo, em duas vertentes: “pequenos livrinhos digitais que sirvam de introdução à vida académica e à vida na cidade: o preço de um café, como funciona a faculdade entre outras informações” e a criação de parcerias entre alunos da cidade e os que vão para lá estudar “vou contactar alunos que estão cá e já conhecem a cidade para poderem ajudar os outros”, explica Soraia.

 

 

 

Conferência: ” Desenvolvimento e Aprendizagem: Desafios Atuais.” 11 de março em Oeiras

Março 3, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/events/246519805795989/

 

Aprender a ler mais cedo: a pressão do sucesso começa no pré-escolar

Fevereiro 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto  do site http://uptokids.pt/ de 24 de janeiro de 2017.

O artigo da The Atlantic citado no texto é o seguinte:

The New Preschool Is Crushing Kids

uptokids

Com que idade deve a criança aprender a ler?

A propósito de um artigo partilhado recentemente sobre a alfabetização precoce e a pressão que os pais, educadores e muitas escolas exercem sobre as crianças, partilhamos este artigo publicado no DN on-line, em dez. 2015, que reforça a necessidade de respeitar o ritmo de cada uma, adequando o ensino das competências de acordo com a idade e maturidade de cada criança.

«Pediatras defendem que não se deve forçar o desenvolvimento das crianças. Educadores dizem que seguem o ritmo de cada um. Sair do pré-escolar a ler não é uma meta, asseguram, mas estudo americano indica o contrário

Tal como brincar, pintar ou cantar, a leitura tem um papel cada vez mais importante no pré-escolar. De acordo com um estudo feito pela Universidade de Virgínia, nos EUA, que comparou as mudanças entre 1998 e 2010, a percentagem de educadores que esperam que os alunos que vão para o primeiro ciclo saibam ler subiu de 30% para 80%. A mesma pesquisa diz que gastam cada vez mais tempo com fichas de exercícios e cada vez menos com música e arte. Por cá, os três pediatras ouvidos pelo DN dizem que também há uma tendência para a sobrecarga das crianças no pré-escolar, quer por pressão da escola quer dos pais, o que não tem qualquer benefício para os mais novos.

De acordo com o estudo “O jardim-de-infância é o novo primeiro ano?“, citado pela revista The Atlantic, aquilo que se esperava das crianças de 6 anos é hoje pedido às mais jovens. Tal como nos EUA, em Portugal o pré-escolar também mudou, tornando-se mais exigente. Para tal, explica o pediatra Mário Cordeiro, contribuiu “a ciência pediátrica, educativa e psicológica, e também a neurofisiologia”, mas também existem razões “menos boas” para a mudança. Segundo o pediatra, “é querer fazer das crianças “cavalos de corrida” a partir de idades muito precoces, “querendo forçar conceitos abstratos e simbólicos cedo de mais e a aquisição de competências que não são adequadas à maioria dessa idade“. Com base nisso está “a pressão dos pais e um certo show off das escolas (que prometem aulas de inglês aos 2 anos ou mandarim aos 3, por exemplo), impedindo muitas crianças de… serem crianças“.

Essa é também a opinião da pediatra Júlia Guimarães. “Isto também acontece em Portugal, sobretudo no ensino particular. E é uma tendência perfeitamente errada.” Antes do ingresso no 1º. ciclo, “não se deve academizar”. Os educadores “devem estimular as crianças, através da arte, da música, das brincadeiras e atividades orientadas“, mas o início da leitura e da escrita “deve ficar para o 1º ano“. Na opinião do pediatra Hugo Rodrigues, “é notório que, cada vez mais, o pré-escolar tenta investir na escolarização das crianças, o que é um disparate“. Se o 1º ciclo tem início aos 6 anos, “é porque é nessa idade que é suposto começaram a aprender a ler“. Mas, além da pressão da sociedade, “há demasiada competitividade entre os pais e as próprias escolas“. Claro que, ressalva, “se a criança tem vontade de ir mais além, deve corresponder-se, mas sem impor“.

Embora as crianças possam corresponder do ponto de vista cognitivo, Hugo Rodrigues lembra que “não têm maturidade para lidar com as diferenças relativamente aos outros meninos, nem com as diferenças nos métodos de ensino“. Mário Cordeiro explica que “quando as exigências são disparatadas ou desfasadas relativamente ao que é capaz de dar, ou quando é intensivo e faz gastar tempo que poderia estar a ser usado noutras coisas, a criança vive ainda mais em stress, é menos feliz, sente-se pressionada e, mesmo que aprenda muitas coisas, terá mais hipóteses de se desinteressar“.

Antes de receber o telefonema do DN, Mariana Miranda, educadora de infância há 34 anos, tinha estado a falar com a mãe de uma criança de 5 anos que já lê algumas palavras. Não é um caso único. “Quando chegam já trazem imensos saberes. Nós fazemos diagnóstico e conduzimos, introduzindo coisas novas”, explica a coordenadora do pré-escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Gaia. No entanto, “não existe pressão para que adquiram essas competências“. Trabalham, sim, “para que desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita“. Cristina Madureira, do jardim-de-infância do Centro Escolar de Cinfães, reforça que “não se espera que as crianças saiam do pré-escolar a ler ou a escrever“. Cada uma tem o seu ritmo “e é com base nele que se trabalha“. No 1º. ciclo “chegam facilmente à leitura e à escrita“.» – DN, dez ’15

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Uma escola portuguesa tem chamado a atenção do Brasil

Novembro 25, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 10 de novembro de 2016.

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Barbara Baldaia

O curso online “Fazer a Ponte” existe desde 2006 e já foi frequentado por mais de 2.000 professores e investigadores brasileiros. A Ponte é uma escola diferente, sem salas e sem testes de avaliação.

Na escola da Ponte, o diretor Paulo Topa faz a ligação via facebook para o Brasil. Atende Wilson Azevedo, do Aquifolium Educacional.

Wilson é o responsável por “Fazer a Ponte”. É este o nome do curso online com uma equipa de professores da Escola da Ponte. A escola, por ser diferente, há muito tempo que fascina os brasileiros.

Wilson ficou curioso com o que leu no livro de Rubem Alves, “A Escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir” ao ponto de ter atravessado o Atlântico e ter vindo viver para Portugal. Pôs a filha a estudar na escola.

O professor brasileiro gostou da experiência e decidiu espalhar a palavra pelo Brasil. O curso existe há 10 anos e, diz ele, já formou mais de 2000 professores e educadores, sobretudo brasileiros. Wilson Azevedo tenta ser preciso: o que se procura é uma aprendizagem mais efetiva.

Vale a pena fixar 3 ou 4 ideias.

Ao contrário das escolas normais, a escola da Ponte não está dividida por turmas nem por idades – está organizada por graus de aprendizagem: iniciação, consolidação e aprofundamento.

Os alunos não aprendem todos o mesmo ao mesmo tempo. Seguindo o programa oficial do ministério da educação, são eles que definem o que aprender e quando aprender.

Da mesma forma, são também os miúdos que dizem quando é que se sentem prontos a ser avaliados e de que forma.

Paulo Topa diz que a maior parte das perguntas que chegam do Brasil tem a ver com a avaliação, com o facto de não haver testes.

As duas traves-mestras da Ponte são “autonomia” e “responsabilização”.

Ao aplicar alguns destes métodos, as escolas brasileiras que vieram beber a experiência da Ponte sentiram já melhorias. Não se trata de empinar matéria. Wilson Azevedo realça que o que é realmente importante é a aprendizagem.

Wilson diz que no Brasil há professores universitários que procuram aprender com o método da Ponte.

Uma escola sem salas de aula, onde o portão está sempre aberto, sem professores a papaguear a matéria, sem testes de avaliação iguais para todos. Uma escola onde cada um é como cada qual.

E, já agora, uma escola onde todas as semanas, os alunos se reúnem em assembleia geral.

ouvir a reportagem no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/uma-escola-portuguesa-tem-chamado-a-atencao-do-brasil-5491526.html

 

 

 

Educação criativa: multiplicando experiências para a aprendizagem – livro digital

Outubro 27, 2016 às 6:00 am | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o livro digital no link:

http://www.pipacomunica.com.br/livrariadapipa/produto/educacao-criativa/

“É um erro não usar erros como parte do processo de aprendizagem”

Setembro 22, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://educacaointegral.org.br/ de 13 de fevereiro de 2015.

Texto de Richard Curwin, especialista em motivação e problemas de disciplina, publicado originalmente no portal Edutopia e traduzido pelo Centro de Referências em Educação Integral.

Recentemente, eu vi uma palestra com Brian Goldman, um médico que admite ter cometido erros. Em uma linguagem muito emocional, ele descreve alguns erros significativos em prontos-socorros e, então, defende fortemente que haja uma mudança na maneira que a profissão médica responde a tais coisas. Ele acredita que a medicina irá melhorar se médicos forem livres para debater seus erros, sem julgamento, permitindo que eles aprendam uns com os outros. Mas, ele continuou explicando que como médicos são julgados por seus erros, eles são temerosos demais para discuti-los. No lugar disso, as falhas geralmente são encobertas, atribuídas a outros ou ignoradas.

Escutar essa palestra criou em mim uma grande necessidade de examinar muitos erros que eu cometi em minha vida. Eu descobri que meus erros se dividem em quatro categorias:

  1. Aqueles que eu escondi;
  2. Aqueles com os quais eu não aprendi nada;
  3. Aqueles com os quais eu aprendi;
  4. Aqueles com os quais eu aprendi e dividi meu novo conhecimento com outros.

São essas duas últimas categorias que eu penso que possuem grande potencial para aumentar o aprendizado e o ensino.

Encontrar valor no erro

Professores, assim como médicos, são tidos como livres de erros. Administradores, pais ou até outros docentes julgam eles muito negativamente quando cometem erros. No entanto, quando um professor mantém uma forte relação com outro colega, eles compartilham seus problemas livremente, pedem e dão conselhos, e aprendem uns com os outros. Isso também acontece em escolas onde professores mentores compartilham ideias com novos professores.

O que aconteceria se estas duplas se expandissem para incluir um pequeno grupo de professores, mais os administradores, conselheiros ou até departamentos inteiros ou mesmo todo o corpo docente? Eu sei que algumas escolas criaram a confiança necessária para tais debates. Eu penso que isso poderia crescer para incluir um número maior de escolas, talvez até se tornar um procedimento regular para todos os docentes. O que você pensaria desta ideia? Ela é factível? Vale a pena? É útil?

Um importante efeito colateral de discutir erros pode ser mudar a percepção sobre eles, não apenas para professores, mas para estudantes também. Quando professores aprendem de seus erros, eles podem se tornar mais dispostos a deixar os estudantes a aprenderem com os deles.

Mudar a percepção sobre os erros dos estudantes é a segunda melhor maneira sobre como erros podem melhorar a aprendizagem. Na vasta maioria das salas de aulas, erros são avaliados como desempenho fraco. Notas são rebaixadas devido a erros. Estudantes são encorajados, formal e informalmente, a não cometerem erros.

Este sistema de crença é um absurdo. Quando eu pensei nos erros que cometi ao longo dos anos, percebi que quanto maior erro, maior tinha sido a aprendizagem. Eu aprendi a partir do meu sucesso também, mas nem de perto tanto. Eu imagino que cada leitor deste texto aprendeu e ainda aprende de erros.

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9 maneiras de ensinar com erros

O problema para os estudantes não é que eles cometem erros. O problema real é que professores não usam estes erros para permitir e promover a aprendizagem. Como a vergonha está comumente associada ao erro, estudantes têm medo de arriscar, explorar e pensar por si próprios. Como um claro exemplo do quão danosa essa visão pode ser, olhe para a composição das turmas dos mais talentosos e dotados [prática bastante comum no sistema norte-americano de ensino e em algumas escolas brasileiras].

Em muitas escolas, os estudantes destas salas não são os que assumem riscos de maneira criativa ou os pensadores únicos. Eles são estudantes que conseguiram altas notas em testes padronizados. Portanto, nós chamamos de talentosos ou dotados os estudantes que cometem menos erros. Eu acredito que é um erro pensar em erros como algo ruim. Quando erros se tornam oportunidades de aprendizado, tudo muda. Estudantes se arriscam mais, pensam em novos caminhos, trapaceiam menos e resolvem mistérios que antes não conseguiam.

Assim, aqui estão algumas coisas que podemos fazer na sala de aula para mudar esta forma de pensar negativa, incluindo tanto processos formais quanto informais de avaliação:

  1. Pare de marcar erros em provas e trabalhos sem explicar porque eles estão errados. Dê explicações suficientes para ajudar o estudante a entender o que aconteceu de errado e como consertá-lo. Um grande X vermelho é insuficiente.
  2. Dê uma chance aos estudantes para corrigir seus erros e refazer o trabalho. Isso permite que erros se tornem oportunidades de aprendizado.
  3. Melhorias e avanços devem se tornar fatores significativos no processo de avaliação. Quanto mais um estudante melhorar, maior sua nota. Nada mostra melhor a aprendizagem por erros do que o avanço.
  4. Quando um estudante cometer um erro em uma discussão na classe, não diga coisas como “Errado, alguém pode ajuda-lo?”; não apenas chame outro aluno sem fazer nenhum comentário a mais. Ao invés disso, pergunte para o aluno “Por que você acha isso? Você pode dar um exemplo? Se você pudesse se perguntar uma questão sobre sua resposta, qual seria?”.
  5. Minha amiga e colega, Madeline Hunter, sugere começar pelo o que está correto. Se um professor pergunta “quem foi o primeiro presidente dos Estados Unidos?” e um estudante responde “Barack Obama”, ao invés de dizer “você está errado”, tente dizer: “Barack Obama é um presidente, você está certo nisso. No entanto, ele não foi o primeiro. Vamos voltar na história”. Até questões tolas podem ser respondidas dessa maneira.
  6. Se um estudante precisar de ajuda com a sua resposta, deixe que ele escolha um colega para ajudar. Chame este ajudante de algo como “consultor pessoal”.
  7. Ao invés de – ou, ao menos, em complemento a – paredes cheias com as conquistas dos alunos, tenha um painel no qual os estudantes possam vangloriar-se de seus maiores erros e do que eles aprenderam.
  8. Faça reuniões a cada duas semanas onde estudantes compartilhem um erro que cometeram, o que aconteceu depois e o que eles aprenderam.
  9. Conte à turma sobre seus próprios erros, especialmente se eles são engraçados, e o que você aprendeu com eles.

Eu adoraria ver uma placa na entrada de cada escola que diga: “Todo mundo que entra aqui, irá aprender”. Aprender significa não ter medo de examinar erros que professores cometem e encorajar estudantes a pensar de maneira que possam produzir erros. Use todos estes erros para aprender deles, para melhorar e para se sentir bem sobre o progresso individual.

 

 

“Um professor mais motivado será mais dedicado”

Agosto 22, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site http://www.educare.pt/ a Afonso Mendonça Reis no dia 1 de agosto de 2016.

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Afonso Mendonça Reis criou a campanha “Inspira o teu Professor”. Uma iniciativa que anda pelas escolas para que os alunos percebam a importância de quem ensina.

Sara R. Oliveira

Este ano, Afonso Mendonça Reis, fundador das Mentes Empreendedoras e professor na Universidade Nova de Lisboa, esteve em Davos, na Suíça, a representar Portugal no Fórum Económico Mundial. O economista e empreendedor social teve oportunidade de divulgar a campanha “Inspira o teu Professor”, a iniciativa que ajuda alunos a perceber que os professores são importantes nas suas vidas. Com pequenos vídeos, cartas, pósteres, e mensagens inspiradoras.

“O que é preciso é criar as oportunidades para os alunos refletirem, desenvolverem e verbalizarem a sua opinião sincera”, diz ao EDUCARE.PT. Na sua opinião, é necessário, antes de tudo, sensibilizar alunos, pais, toda a comunidade, para que o papel dos docentes seja efetivamente valorizado. “Através de palavras inspiradoras e gestos simples de agradecimento iniciados pelos alunos e que se estendem posteriormente a toda a comunidade, acreditamos que estamos na direção certa para ajudar a reforçar a missão do professor.”

Criou as Mentes Empreendedoras que escuta ideias dos alunos. Algumas já estão no terreno. Bruna combate o bullying com ações de educação pela paz numa escola primária de Guimarães. Numa escola do Barreiro, um grupo de raparigas criou um centro de voluntariado que está perto da comunidade local. Em Faro, o Gonçalo recicla monitores, paletes e outros materiais, para abrigar gatos vadios que dormem na rua. “Temos testado com sucesso, ao longo dos anos, diferentes formas de integrar o nosso ciclo Mentes Empreendedoras no currículo do ensino oficial”, refere Afonso Mendonça Reis.

EDUCARE.PT: Como se inspiram professores? É mais simples do que parece?

Afonso Mendonça Reis (AMR): Existem princípios da liderança positiva que nos aconselham a dar três elogios por cada reparo. Quando o fazemos, as pessoas sentem-se reconhecidas, mais motivadas e têm um melhor desempenho. Ter uma atitude mais positiva e inspiradora para com as pessoas com quem vivemos e trabalhamos é muito importante e deve ser reforçada regularmente.

A motivação e a inspiração podem vir de gestos tão simples como dizer “obrigado”, reconhecer o trabalho que o outro faz, incentivá-lo para que faça ainda melhor, celebrar as pequenas vitórias. E tem ainda mais valor quando isto é feito pelos nossos pares ou para quem nós trabalhamos. Por isso, através da campanha “Inspira o teu Professor”, queremos fazer os alunos refletir sobre a importância do papel que os professores têm nas suas vidas, em termos profissionais e pessoais, e a agradecer-lhes e inspirá-los de formas simples e concretas, através de pequenos vídeos, cartas e pósteres com mensagens inspiradoras.

E: Quem ensina tem noção da sua importância social?

AMR: Na minha experiência, enquanto docente, percebo a importância de os alunos desenvolverem competências transversais e de concretizarem o seu potencial e trabalho todos os dias com esse objetivo em mente. Os professores com quem temos trabalhado nas escolas têm consciência da importância do seu trabalho no desenvolvimento pessoal e profissional dos seus alunos – o facto de abraçarem projetos como o nosso reflete a compreensão que têm do valor que o mesmo cria para os alunos.

Contudo, desde 2013, e até pelos desafios socioeconómicos que o nosso país tem atravessado, temos assistido a uma crescente desmotivação e descontentamento na classe dos professores, o que de certa forma pode distorcer de forma negativa a noção que têm da sua importância social. Por vermos professores dedicados perderem a sua motivação, criámos a campanha “Inspira o teu Professor” – para reforçar a importância de valorizar o papel dos professores junto dos alunos e da comunidade em geral.

E: E quem aprende sabe valorizar o papel de quem ensina?

AMR: A nossa experiência nos workshops “Inspira o teu Professor” reflete isso mesmo. Costumamos dizer entre nós, nas Mentes Empreendedoras, que os alunos “dizem o que não pensam e pensam o que não dizem”. É típico dos alunos do Básico e Secundário criticarem os professores, protestarem com as aulas e com as notas. A verdade é que estudar exige esforço e nem sempre conseguimos ver os frutos ou a importância que esse esforço terá no futuro. Mas também é verdade que quando os alunos pensam mais profundamente sobre quem lhes ensinou a ler e escrever, a fazer contas, quem está todos os dias com eles, quem é exigente para que eles se tornem cada vez melhores, chegam à conclusão de que os professores são verdadeiramente essenciais no caminho que percorrem.

A título de exemplo, durante a campanha, houve vários alunos que, no final dos workshops feitos nas escolas, disseram que aquela era a primeira vez que estavam a refletir a fundo no papel dos seus professores e em toda a dedicação e esforço que fazem para os ensinar e educar; mencionaram também o quão importante era ter mais momentos em que fossem incentivados a pensar neste tema para poderem ver os professores de uma outra perspetiva, mais positiva e inspiradora. Concluindo: o que é preciso é criar as oportunidades para os alunos refletirem, desenvolverem e verbalizarem a sua opinião sincera.

E: Criou o projeto “Inspira o teu Professor”. O que se faz? O que se pretende com esta iniciativa?

AMR: A campanha “Inspira o teu Professor” tem como objetivo valorizar a missão social dos professores, motivando-os a fazer mais e cada vez melhor. Fazemo-lo de duas formas: através de workshops nas escolas e de uma grande campanha de comunicação nacional.

Os workshops são destinados a alunos do Secundário, de qualquer curso, e são orientados pelos mentores e amigos das Mentes Empreendedoras, em colaboração com os professores das respetivas escolas. Nestes workshops, ajudamos os alunos a refletirem sobre o impacto que os professores têm na sua vida e desafiamo-los a agradecer e inspirar professores com mensagens cativantes materializadas em vídeos, cartas, testemunhos, desenhos e qualquer outra forma de comunicação criativa.

A campanha visa chegar a todos os membros da sociedade: professores, alunos, pais, sociedade. Neste sentido, os materiais de comunicação produzidos têm cobertura nacional. Tendo em conta a importância de haver diferentes pontos de vista, pretende-se que haja um reconhecimento universal do impacto dos professores na sociedade: primeiro no desempenho escolar dos alunos e depois na mobilidade social dos mesmos.

Este ano, realizámos a primeira edição da campanha no final de janeiro: 51 workshops em escolas de norte a sul do país, em que participaram cerca de 1300 alunos e através dos quais foram inspirados mais de 100 professores. Foram produzidos pelos alunos centenas de vídeos, cartas e pósteres, alguns dos quais poderão ser encontrados na nossa página de facebook: http://www.facebook.com/inspireyourteacher. Atualmente, estamos a definir a estratégia para o próximo ano letivo, em que pretendemos alargar a mais escolas em todo o país e chegar a mais alunos, inspirar mais professores e sensibilizar cada vez mais a sociedade. Estamos também a falar com parceiros de forma a estender a campanha a nível internacional.

E: Acredita que é o professor o fator que mais impacto tem na aprendizagem dos alunos?

AMR: Existe evidência estatística, segundo estudos PISA da OCDE, que prova que, depois da família e do contexto socioeconómico, os professores são de facto quem mais influencia o desempenho escolar dos alunos.

E: O reconhecimento do professor está pouco trabalhado no nosso país? O que deveria ser feito?

AMR: A questão do reconhecimento da missão do professor está pouco trabalhada em Portugal e foi por isso que criámos esta campanha, para reforçar a importância dos professores na sociedade. Adicionalmente, à medida que fomos participando em fóruns internacionais, fomos encontrando várias pessoas que se identificaram com o problema e que queriam tornar-se embaixadores das Mentes e levar a campanha para o seu país.

É necessário, em primeiro lugar, sensibilizar os vários agentes da comunidade – alunos, pais, membros da sociedade em geral – para que se possa aumentar o reconhecimento dos professores, levando a uma mudança de atitude. Através de palavras inspiradoras e gestos simples de agradecimento iniciados pelos alunos e que se estendem posteriormente a toda a comunidade, acreditamos que estamos na direção certa para ajudar a reforçar a missão do professor.

E: Criou Mentes Empreendedoras e vai às escolas ouvir as ideias dos alunos. Tem escutado boas ideias?

AMR: Não só temos ouvido boas ideias, como temos presenciado e participado no desenvolvimento e implementação das mesmas.

Exemplos: O projeto Arco-Íris, implementado pela aluna Bruna, em Guimarães, combate o bullying através de dinâmicas de grupo de educação pela paz e cooperação numa escola primária. O feedback das crianças e educadoras é positivo e a sessão final resultou num compromisso das crianças em nunca mais ser “bully” e ser ativo no combate ao bullying. Este projeto inspirou mais jovens e já foi replicado por mais dois clubes Mentes Empreendedoras.

Numa escola do Barreiro, um grupo de raparigas que sempre se interessaram por voluntariado, sentiu que havia pouca informação e oportunidades locais para as pessoas poderem colaborar como voluntárias. Assim, criaram o projecto “Ponte – Centro de Voluntariado” que liga o voluntariado à comunidade local e suas verdadeiras necessidades: http://www.facebook.com/pontecentrodevoluntariado, uma página no facebook que serve como plataforma de encontro entre associações no Barreiro que precisam de ajuda para realizar os seus projetos e pessoas interessadas em colaborar como voluntárias.

Em Faro, o Gonçalo criou condições para os gatos vadios poderem viver na rua. Através da reciclagem de monitores, paletes e outros materiais, foram criadas casa de abrigo do frio, calor e chuva. Este ano, o Gonçalo tornou-se mentor e é ele agora quem ajuda outros alunos a desenvolverem as suas ideias.

E: O que é ser bom professor? O que é ser bom aluno?

AMR: No mundo de hoje, dizer o que é bom ou mau é um exercício bastante desafiante. A missão do aluno na escola é aprender e a do professor é ajudar o aluno a aprender. Criámos a campanha porque acreditamos que um professor mais motivado será mais dedicado e terá um melhor desempenho em prol dos seus alunos do que um professor pouco reconhecido e motivado. Acreditamos no reforço positivo e que uma colaboração e reconhecimento efetivo de todas as partes, alunos, pais e professores ajuda os professores a serem melhores a ajudar os alunos a aprender.

E: Os alunos deviam ter mais autonomia? De que forma?

AMR: Desenvolver autonomia é algo que, em si mesmo, é positivo. O trabalho que as Mentes Empreendedoras fazem na escola pretende ser um complemento ao trabalho já desempenhado pela comunidade escolar e sempre em colaboração com os professores. Temos testado com sucesso, ao longo dos anos, diferentes formas de integrar o nosso ciclo Mentes Empreendedoras no currículo do ensino oficial.

O ciclo Mentes Empreendedoras é um processo de desenvolvimento de autonomia, de liderança e de talento nos jovens do Ensino Secundário. Despertamos os jovens para a ação e apoiamo-los na implementação das suas ideias e na sua aprendizagem ao longo do processo. Pretendemos com isto gerar um “ciclo virtuoso” que ativa o potencial impacto social dos jovens, tornando-os referências inspiradoras na sua comunidade.

Os alunos são desafiados a identificar um problema na sua escola ou comunidade e, consequentemente, a resolver ou mitigar esse mesmo problema. A aprendizagem surge quando as experiências, orientadas para um objetivo concreto, são consolidadas e ajudam os alunos a serem cada vez mais eficazes na prossecução do seu projeto ou outros desafios da sua vida.

E: Quais são, na sua perspetiva, os principais problemas do atual sistema de ensino?

AMR: Acreditamos que um debate alargado interpartidário, envolvendo a sociedade civil, poderia gerar consensos que permitiriam ir edificando e revendo um sistema de ensino que cumpra todas as ambições que dele pretendemos perante as naturais restrições de recursos que existem.

 

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