9 mitos associados às dificuldades de aprendizagem

Julho 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

9 mitos associados às dificuldades de aprendizagem

Existem vários mitos associados às Dificuldades de Aprendizagem Específicas:

  • uma criança com dificuldades de aprendizagem tem uma inteligência mais baixa?
  • Uma criança que escreve os números de baixo para cima tem dislexia?
  • Só os rapazes têm dislexia?
  • Uma criança com dificuldades de aprendizagem não pode ter boas notas?

Estes mitos dificultam muitas vezes o diagnóstico destas dificuldades na criança e, por conseguinte, o início da sua intervenção terapêutica.

Juntámos alguns dos mitos e perguntas mais frequentes relativamente a este assunto, com o intuito de ajudar pais, professores e todos quantos têm de intervir em crianças com Dificuldades de Aprendizagem.

1.AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS SÃO SINÓNIMO DE BAIXA INTELIGÊNCIA

Errado.

Pelo contrário, estudos feitos ao longo da última década demonstram que alunos com Dificuldades de Aprendizagem Específicas têm uma inteligência dentro da média ou mesmo acima da média. O que acontece é que estes alunos apresentam desempenhos abaixo do que seria de esperar tendo em conta o seu perfil cognitivo, em uma ou em mais áreas específicas.

2.TENHO QUE ESPERAR ATÉ AO FINAL DO 2º ANO DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO PARA O MEU FILHO FAZER UMA AVALIAÇÃO EM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS

Errado.

Embora um diagnóstico de Dificuldade de Aprendizagem Específica só deva ser formalmente fechado após dois anos de escolaridade formal, não significa que o seu filho não possa ter sinais de alerta antes disso. Nesse caso, deverá ser avaliado e apoiado através de intervenção terapêutica o mais cedo possível. Quanto mais cedo a criança iniciar o processo de intervenção, mais sucesso esta terá.

3.O MEU FILHO ESCREVE A MAIORIA DAS LETRAS E DOS NÚMEROS DE BAIXO PARA CIMA, LOGO, ELE TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

É comum, tanto no ensino pré-escolar como no início da escolarização, as crianças terem dificuldade em escrever as letras e os números, frequentemente escrevendo em “espelho”, da direita para a esquerda ou de baixo para cima. A maior parte das crianças vai corrigindo estes erros à medida que vai sendo exposta à aprendizagem das letras, da leitura e da escrita. Apenas situações em que não sejam capazes de ultrapassar este tipo de erros sozinhas, poderão ser indicadoras de alguma dificuldade mais específica.

4.AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS TÊM CURA

Errado.

As Dificuldades de Aprendizagem Específicas não têm cura, uma vez que resultam de uma disfunção neurológica de carácter permanente. Não são, por isso, uma doença que possa ser curada. No entanto, atualmente já existem diversas estratégias e métodos de intervenção psicopedagógicos que podem ser utilizados em crianças com Dificuldades de Aprendizagem Específica, de forma a ajudá-las a ultrapassar ou a minorar as suas dificuldades. Quanto mais precoce for a implementação destas estratégias, maior a probabilidade dos resultados alcançados serem melhores.

5.NÃO É POSSÍVEL TER SUCESSO ESCOLAR E PROFISSIONAL QUANDO SE TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

São vários os exemplos de pessoas bem-sucedidas profissionalmente e que têm diagnósticos de Dificuldades de Aprendizagem Específicas (e.g., Dislexia), tais como: Beethoven, Walt Disney, Bill Gates ou Tom Cruise. Quanto mais precocemente o diagnóstico for feito e, por consequência, mais cedo se der início à intervenção, maior a probabilidade de sucesso da criança, quer académica, quer profissionalmente.

6.SÓ OS RAPAZES É QUE TÊM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS

Errado.

Apesar de os rapazes serem mais vezes referenciados pelos professores, não existem diferenças significativas entre rapazes e raparigas. O que sucede é que os rapazes são frequentemente diagnosticados mais cedo, geralmente devido a causas comportamentais, uma vez que parecem apresentar maior dificuldade em gerir a frustração nas situações em que as suas dificuldades específicas se tornam mais evidentes.

7.O MEU FILHO TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA, POR ISSO NUNCA VAI TER BOAS NOTAS

Errado.

Se o seu filho for apoiado através de uma intervenção específica e intensiva, de forma a colmatar as dificuldades causadas pela Dificuldade de Aprendizagem Específica diagnosticada, e se a esta se associar motivação e esforço, bem como suporte dos vários agentes educativos, então estão reunidas todas as condições para que o seu filho seja bem-sucedido, quer académica, quer profissionalmente.

8.SÓ UM MÉDICO PODE DIAGNOSTICAR UMA DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

As Dificuldades de Aprendizagem Específicas não podem ser encaradas como um problema médico, nem podem ser diagnosticadas por um médico, uma vez que estes não têm conhecimentos de avaliação da leitura, da escrita e do cálculo. Para além disso, não existe medicação que cure as Dificuldades de Aprendizagem Específicas.

9.AS ADEQUAÇÕES CURRICULARES PARA AS CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS SÃO UMA INJUSTIÇA PARA AS OUTRAS CRIANÇAS SEM DIFICULDADES

Errado.

A abordagem de ensino mais justa acontece quando o professor consegue providenciar a cada aluno aquilo que é necessário para que este seja bem sucedido em contexto escolar. Deste modo, as adaptações que os professores fazem são uma tentativa de criar condições equitativas, quer em situação de teste ou num trabalho de casa, e não uma forma de atribuir vantagens aos alunos com Dificuldades de Aprendizagem Específicas. Na realidade, um aluno com Dificuldades de Aprendizagem Específicas terá que se esforçar tanto ou mais que outro aluno, apesar das adaptações individuais.

Centro Sei

Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem

Como promover o processo de ensino-aprendizagem em crianças com dificuldades de aprendizagem?

Junho 30, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

As dificuldades de aprendizagem podem, todavia, manifestar-se, atenuar-se ou mesmo acentuar-se no decorrer das diferentes fases do desenvolvimento.

Os alunos com dificuldades de aprendizagem, entre outras questões, tendem a sentir maior dificuldade na aquisição de aptidões importantes para melhorar os seus desempenhos académicos. Contudo, estes alunos são capazes de aprender, tal como qualquer aluno, mas a um ritmo diferente e através de ferramentas pedagógicas específicas, importantes de conhecer.

Por norma, quanto mais cedo forem diagnosticadas e implementadas as medidas mais adequadas para as ultrapassar, melhor será a capacidade de resposta da criança, ao nível da produtividade e da própria eficácia, muitas vezes, ilustrada nos resultados. Se conhece e contacta regularmente com crianças com este tipo de perfil, mãos à obra! Há imensas estratégias e metodologias que quando devidamente implementadas podem fazer a diferença e alcançar real sucesso.

Antes de mais, nunca devemos esquecer que, em termos gerais, as dificuldades de aprendizagem específicas não têm cura na medida em que resultam de uma disfunção neurológica permanente. Representam assim, um enorme desafio para a educação em geral: como transmitir conhecimento a estas crianças? Na atualidade, já dispomos de métodos de ensino com resultados comprovados, assim como, cada vez mais profissionais da área da educação capacitados para lidar com a diversidade e especificidade das diferentes dificuldades de aprendizagem.

Importa ter em consideração que educar os alunos para a vida não significa apenas transmitir conteúdos, mas também ensiná-los a viver de forma autónoma, a serem responsáveis, a se relacionarem com os outros e auxiliá-los na construção de um projeto de vida. Neste sentido, cada professor saberá encontrar, em simultâneo, a melhor estratégia para apelar à motivação e interesse de cada aluno procurando promover, não só o gosto pelo conhecimento, pela aquisição do saber, assim como desenvolver alguns vetores essenciais, inerentes à compreensão, à auto-estima, ao respeito por si, pelo outro, à tolerância, à interajuda/cooperação, comunicação, de forma a tornar-se um cidadão realizado e produtivo. Trabalhar numa ótica inclusiva, mediante a integração de atividades lúdicas costuma ser uma boa ferramenta. O objetivo é estimular a criança a desafiar as suas próprias limitações, de uma forma despretensiosa e a aceitar que, apesar de todos serem diferentes, com características muito específicas, todos somos iguais na demanda de um objetivo comum, a aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem podem, todavia, manifestar-se, atenuar-se ou mesmo acentuar-se no decorrer das diferentes fases do desenvolvimento (infância, adolescência e vida adulta), como tal, é essencial saber dominar um vasto leque de ferramentas para as conseguir colocar em prática sempre que se considerar necessário.

Existem várias ferramentas educacionais, (muitas até já pertencem às rotinas diárias de algumas salas de aula) que, quando corretamente elaboradas e implementadas, podem fazer a diferença no processo de ensino-aprendizagem. A título exemplificativo, salientamos apenas alguns aspetos aparentemente simplistas, mas muitas vezes capazes de marcar a diferença:

– Plano de Trabalho – Observação e compreensão: é fundamental que o professor conheça bem a turma para que consiga elaborar um plano de trabalho eficiente através dos meios adequados e ao seu dispor;

– Avaliação – É uma das principais formas para conhecer as reais dificuldades do aluno e as suas necessidades, permitindo depois em função dos resultados, implementar novas estratégias específicas de aprendizagem capazes de ajudar a superar os problemas evidenciados.

– Contextualização – Além de relacionar os assuntos com o quotidiano dos alunos, é importante estabelecer uma relação entre os conceitos e conteúdos e as respetivas disciplinas.

Os professores são assim fundamentais na identificação de eventuais dificuldades de aprendizagem do aluno. Podem assim, assumir um papel essencial no futuro de cada aluno a vários níveis, quer como observadores e analistas, quer como figuras de apoio. É igualmente importante que os próprios alunos reconheçam essas capacidades no professor. Por exemplo, ao caminhar pela sala de aula e verificar de perto a forma como os alunos participam nas respetivas atividades, o professor está a exercer o seu papel de observador. E quando faz algum comentário em relação a uma eventual dificuldade manifestada por determinado aluno está a cumprir o seu dever de analista.

Por outro lado, quando dá uma orientação específica a um aluno com o intuito de que este consiga superar uma determinada dificuldade, orientando-o para o caminho para a respetiva resolução.

Para além da formação académica, durante o ano letivo, cada professor tende a desenvolver e a colocar em prática vários conhecimentos adquiridos através da sua formação contínua e/ou da sua prática pedagógica. No entanto, essa conjugação de saberes e competências, por si só, embora muito relevante, não encerra por si e nem sempre é capaz de conferir respostas adequadas a cada caso, até pela diversidade e complexidade de situações apresentadas que muitas vezes ultrapassam a área do ensino e cruzam-se com outras áreas do saber (como a medicina, a psicologia, a psicopedagogia, a psicomotricidade, o domínio da linguagem).

Neste sentido, a chave para a promoção de práticas educativas cada vez mais inclusivas passa pelo trabalho em parceria, colaborativo, com equipas multidisciplinares capazes de conferir respostas eficazes e atempadas que vão ao encontro das reais necessidades de cada aluno. A conciliação de sinergias tanto na identificação como nos processos de avaliação e intervenção tornam-se fulcrais para o sucesso educativo e para o bem-estar de toda a comunidade educativa.

Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

Junho 18, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

“Odeio matemática!” – É frequente ouvirmos os nossos filhos/alunos fazerem este tipo de desabafo. Com igual frequência podemos cair no erro de achar que se trata de simples preguiça ou desmotivação para aprender a disciplina. Contudo, a frustração associada a esta frase tão frequentemente pronunciada pode, por vezes, refletir uma verdadeira dificuldade em aprender e desenvolver o cálculo matemático. À dificuldade de aprendizagem associada ao raciocínio lógico-matemático dá-se o nome de Discalculia ou Perturbação da Aprendizagem Específica, com défice no Cálculo.

Podemos generalizar que todas as crianças que não gostam de matemática têm discalculia?

Claro que não. Mas existe um conjunto de sinais de alerta relacionados com esta dificuldade de aprendizagem a que pais e professores devem estar atentos. Quanto mais cedo for feito o despiste da discalculia, mais cedo se implementará uma estratégia de reeducação para a criança. Isto poderá evitar o desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares, os quais resultam muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.

Os sinais de alerta associados à discalculia dependem da idade/fase escolar da criança

Pré-escolar:

– Dificuldade em compreender o sentido do número;

– Dificuldade em aprender a contar;

– Dificuldades na identificação de número. Quer a nível visual (por ex. trocas entre o 2/5, o 3/8 ou o 6/9) quer a nível auditivo;

– Dificuldade em memorizar números;

– Dificuldade em organizar objetos de uma forma lógica: por formas, cores ou tamanhos;

– Dificuldade em reconhecer grupos e padrões;

– Dificuldade em usar conceitos comparativos tais como: maior/menor; mais alto/mais baixo;

– Dificuldades na lateralidade: distinguir entre a esquerda e a direita;

Idade Escolar:

– Dificuldade em compreender a linguagem e os símbolos matemáticos: “diferença”, “soma”, “igual”, “+”, “-“, “=”, etc.;

– Dificuldade em compreender o valor obtido pela modificação de um número: limitações em perceber que os números 560, 605 e 506 são diferentes, apesar de constituídos pelos mesmos três números (“5”, “6” e “0”);

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos básicos através da soma, subtração, multiplicação e divisão;

– Dificuldade em compreender que 5 é o mesmo que 3+2 ou o mesmo que 4+1. Que 5+4 é igual a 4+5, ou que 8×2 é igual a 2×8;

– Dificuldade em desenvolver competências para a resolução de problemas matemáticos mais complexos;

– Fraca memória de longo prazo para funções matemáticas;

– Pouca familiaridade com o vocabulário da matemática;

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos de forma oral, nomeadamente no caso de problemas muito extensos, e na presença de informação desnecessária e demasiadas abreviaturas;

– Dificuldades na compreensão do conceito de medida;

– Relutância em participar em jogos que requeiram o uso de estratégia;

– Dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números;

– Dificuldade em identificar as horas, por não conseguir distinguir o ponteiro das horas e dos minutos;

– Dificuldade em compreender o valor das moedas. Ex. A criança não compreende que uma moeda de 1 euro é igual a 2 moedas de 50 cêntimos ou 5 moedas de 20 cêntimos.

Se o seu filho ou aluno apresenta alguns destes sinais, poderá ser sinal de uma discalculia. Nesse caso, deverá recorrer a ajuda técnica especializada para fazer uma avaliação psicopedagógica da criança e despistar eventuais dificuldades de apredizagem. Só assim poderá implementar-se um plano de intervenção adequado que ajude a criança a colmatar as dificuldades sentidas e promover o seu sucesso escolar.

Centro Sei

Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem

Unicef pede que escolas recebam crianças no Verão para diminuir desigualdades

Junho 8, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de junho de 2020.

LUSA

Beatriz Imperatori, directora executiva da Unicef Portugal, alerta para a dificuldade que o ensino à distância representa para algumas crianças. A solução sugerida é preparar as “crianças mais vulneráveis” durante o Verão.

A directora da Unicef Portugal defende que as escolas deviam acolher, durante o Verão, as crianças que tiveram dificuldades de aprendizagem através no ensino à distância imposto pela pandemia para tentar diminuir as desigualdades.

Desde meados de Março que os alunos desde o 1.º ao 10.º ano estão fechados em casa em ensino à distância e assim vão permanecer até ao final do ano lectivo. Os finalistas do secundário regressaram às aulas presenciais.

Em declarações à Lusa, a directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância — Unicef Portugal, Beatriz Imperatori, alerta que nem todos estão a conseguir aprender através deste novo modelo de ensino, que o próprio ministro da Educação já reconheceu não ser ideal, mas ser a solução possível durante o período de pandemia de covid-19.

Muitas das crianças e jovens contactadas pela Unicef Portugal revelaram que o ensino à distância “é giro mas não se aprende o mesmo”, continua Beatriz Imperatori. “O desafio que lançamos é que a escola, antes de abrir, possa chamar as crianças mais vulneráveis e possa trabalhar com elas durante o Verão, de forma formal e não formal para que estejam mais bem preparadas no regresso às aulas”, defende.

Para que as diferenças estejam minimizadas, em Setembro, quando a escola reabrir, as crianças podem frequentar actividades extra-escolares durante o Verão, podem andar em Actividades de Tempos Livres ou oficinas criativas, o que lhes permite adquirir novos conhecimentos mas também voltar a ter um ambiente escolar.

A representante lembra que o papel da escola é o de garantir que todos têm as mesmas oportunidades e que nas escolas os professores sabem quem são os que parecem estar a ficar para trás. Nos últimos meses, docentes, directores e até partidos políticos têm alertado para o facto de a pandemia fazer aumentar as desigualdades.

Entre as famílias carenciadas, mais de 50 mil alunos não tinham acesso à Internet ou estavam sem computador quando começou o ensino à distância, um problema que foi sendo gradualmente resolvido com a ajuda das comunidades escolares, autarquias, empresas e até de voluntários que ofereceram ou emprestaram equipamentos.

No entanto, refere Beatriz Imperatori, “algumas destas crianças não tinham proximidade a estes meios e por isso foi difícil conseguirem tirar o melhor partido”. A representante da Unicef considera que não basta entregar um computador a uma criança e esperar que ela consiga tirar o máximo partido do equipamento, assistir às aulas e fazer os trabalhos que lhe pedem.

Em casa, muitas crianças não têm quem lhes possa tirar as dúvidas e mesmo os pais com mais formação académica estão sem grande disponibilidade para acompanhar os filhos, porque estão em teletrabalho. Mas a preocupação da directora da Unicef prende-se também com os que estão com dificuldades em lidar com os efeitos da pandemia que, de um dia para o outro, os forçou a estar confinados, longe da família e amigos.

A ameaça de morte pela doença, diariamente transmitida pelas notícias, foi outro dos problemas apontados pela representante da Unicef: “É preciso voltar a dar uma perspectiva diferente às crianças. Houve muitas que ficaram temerosas, porque a comunicação social andou muito em torno do eixo vida e morte.”

Também aqui a escola poderá ajudar a dar uma perspectiva diferente às crianças, tentando explicar as medidas tomadas e os seus efeitos, uma vez que as crianças não têm ainda maturidade para poder perceber o problema como um todo.

Qual a importância de uma atempada avaliação e intervenção psicopedagógica nas dificuldades de aprendizagem?

Março 20, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapolifestyle

Um estudo publicado no Jornal de Pediatrics, em 2015, refere que os alunos com dificuldades de aprendizagem tendem a manifestar os mesmos problemas durante a fase da adolescência, prejudicando o desempenho académico e o desenvolvimento emocional e comportamental, ano após ano.

Joana acaba de entrar na escola. Pela primeira vez, abrem-se-lhe as portas de uma sala de aula. Quase a completar os 6 anos, finalmente, já podia dizer que era aluna do primeiro ano. Estava feliz e motivada para aprender.

Alguns dias mais tarde, a mãe repara que a Joana revela dificuldades na aquisição de competências que parecem relativamente fáceis para as outras crianças. Para além disso, não é capaz de terminar as tarefas dentro do tempo estipulado. Aos poucos e ao longo do tempo, Joana foi perdendo a confiança e até a autoestima. Não tinha vontade de ir à escola. O que fazer para a ajudar – perguntam, preocupados, os pais? ​

Em primeiro lugar, falar com a professora e tentar identificar o problema. Mas a docente acreditava que o nível de competências da Joana era normal face ao tempo de aprendizagem. Ainda assim, os pais pediram outras opiniões e o feedback foi quase sempre o mesmo: “talvez a Joana precise de mais tempo”.

Os pais da Joana questionavam, “como é que uma menina inteligente como a Joana, que acompanha em casa com grande facilidade as longas conversas em família sobre temas diversos, mais ou menos complicados, manifesta tantas dificuldades em adquirir competências básicas de aprendizagem?” E quanto mais aprofundavam a reflexão, mais dúvidas iam surgindo. “A internet, será que oferece alguma resposta credível?” – questionam os pais, cada vez mais confusos. Será dislexia? Hiperatividade? Défice de atenção? A família equacionava todos os cenários, contudo não queriam rotular a filha com um diagnóstico e decidem esperar…

E assim a Joana continuava …. O tempo ia passando e as dificuldades eram cada vez maiores. A resistência em ir à escola crescia, falava em dores de barriga e de cabeça para ficar em casa. Chegou a dizer à mãe que, ao contrário dos colegas, era “burra”.

Se ao menos os pais conseguissem perceber, de facto, o que se passava com a Joana e obter a ajuda e o apoio de que precisa…

Esta história é fictícia, mas para muitos pais e crianças não o é, e histórias como esta são muito comuns. Alguns pais, tentam uma abordagem de “esperar para ver” na esperança que os seus filhos, de alguma forma, ultrapassem as dificuldades que estão a ter. A verdade é que cada criança tem o seu ritmo, nem todos aprendem da mesma forma e no mesmo tempo. Contudo há sinais de alerta importantes que não devem ser ignorados.

A verdade é que…

​Quanto mais cedo melhor. Um estudo publicado no Jornal de Pediatrics, em 2015, refere que os alunos com dificuldades de aprendizagem tendem a manifestar os mesmos problemas durante a fase da adolescência, prejudicando o desempenho académico e o desenvolvimento emocional e comportamental, ano após ano. O mesmo estudo revela ainda que as dificuldades de aprendizagem se refletem mais tarde, não raras vezes, em níveis de desemprego mais elevados e remunerações mais baixas, podendo originar sérios casos de depressão. ​​

Mas não tem que ser assim

Há formas de evitar, que fique claro. Um diagnóstico correto é o primeiro passo para melhorar a qualidade de vida da criança. Uma intervenção atempada, logo durante a escola primária, é fundamental na medida em que permitirá melhorar consideravelmente a capacidade de resposta da criança, sobretudo a médio e a longo prazo. Antes que as dificuldades, como as da Joana, se agravem, procure um especialista (e.g. psicólogo, psicopedagogo, neuropsicólogo). Identifique o diagnóstico. A estratégia a desenvolver, quando corretamente aplicada com antecedência em função das respetivas necessidades de cada criança, permitirá obter melhores resultados, tanto a nível escolar como a nível comportamental, ajudando a criança a tirar máximo partido do seu potencial. ​​

Uma intervenção precoce promove a saúde, o desenvolvimento e a educação através de serviços educativos, terapêuticos e sociais cujo objetivo é combater os efeitos no desenvolvimento da criança. Quanto mais cedo for implementada, maior se torna o potencial de desenvolvimento de cada criança. ​

Como pode uma intervenção atempada ajudar crianças como a Joana?

  • Ajuda a abordar as dificuldades de aprendizagem antes que elas se agudizem e levem a outras questões, nomeadamente comportamentais e emocionais;
  • Ensina competências e estratégias específicas, de modo a focar nos pontos fortes e minimizando e melhorando os pontes fracos;
  • Melhora os desempenhos e os resultados académicos;

Por outras palavras, ajuda as crianças a alcançar o seu pleno potencial como alunos.

No entanto, é essencial que cada programa de intervenção seja feito para cada criança, tendo em conta o seu perfil de aprendizagem, isto é, os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Para tal, torna-se essencial recorrer a um especialista, de modo a realizar uma avaliação psicopedagógica. Esta avaliação irá responder a quatro questões chave:

  • Qual o seu perfil de aprendizagem;
  • Qual o seu potencial de aprendizagem, isto é, os seus pontos fortes
  • Quais as melhores estratégias em sala de aula e em casa e qual o melhor programa de intervenção que promova o seu sucesso escolar.

Porque o importante numa avaliação, não é tanto o diagnóstico, mas sim providenciar informação importante sobre a criança, de modo a que os pais possam tomar decisões informadas sobre a aprendizagem dos seus filhos, possam garantir que têm o apoio na escola a que têm direito, possam capacitar os filhos a ter uma melhor visão de como aprendem, para que finalmente os consigam ajudar a atingir o seu pleno potencial de aprendizagem.

6 estratégias para ajudar alunos com dificuldades de aprendizagem

Janeiro 28, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Sapolifestyle

Estratégias não faltam. Truques para ensinar também não. Os professores tentam de tudo para ajudar as crianças na sala de aula. E bem! Afinal, não há um só caminho para aprender! Mas, será que todos resultam, especialmente se estivermos perante um quadro de dificuldades de aprendizagem e de atenção?

A resposta parece óbvia. Não! Há que os conhecer para os saber trilhar convenientemente. Como em tudo na vida, há métodos de ensino mais eficazes do que outros. Saber identificar os mais adequados para cada caso concreto é fundamental. Conheça as 6 estratégias de ensino mais comuns para crianças com dificuldades de aprendizagem e de atenção:

  1. Tempo de espera

Também conhecido por “tempo de reflexão”. É uma pausa de 3 a 7 segundos que se estabelece depois do professor dizer alguma coisa. Em vez de chamar o primeiro aluno que levanta a mão para responder a uma pergunta, o docente aguarda durante um período necessariamente curto para permitir que as crianças que demoram mais tempo possam refletir melhor sobre o que acabou de ser dito e assim terem oportunidade para reagir em igualdade de circunstâncias.

Esse tempo de espera é precioso na medida em que permitirá ao aluno com dificuldades de aprendizagem entender de forma mais eficaz a mensagem do professor e pensar melhor na resposta, em vez de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça. Esta estratégia beneficia, por exemplo, os alunos com Perturbação de Hiperatividade/ Défice de Atenção (PHDA).

  1. Instrução multissensorial  

É uma forma de ensinar cada vez mais recorrente e que envolve mais do que um sentido de cada vez. Um professor pode ajudar a criança a aprender através do toque, do movimento, da visão e da audição. A instrução multissensorial é muito útil para ajudar a superar várias dificuldades:

Dislexia: os professores podem, por exemplo, incentivar os alunos a usar o estalar de dedos para assinalar cada sílaba de uma palavra, ou, por exemplo, desenhar uma palavra no ar usando o braço e os dedos.

Discalculia: a instrução multissensorial também é importante em matemática. Os professores costumam usar ferramentas práticas, como lápis e desenhos. Essas ferramentas ajudam a “ver” conceitos matemáticos, sobretudo aos alunos com maiores dificuldades de aprendizagem para os quais a adição de 2+2 é mais concreta e mais fácil quando envolve, por exemplo, 4 lápis reais. É frequente ouvir alguns professores referirem-se a estas ferramentas como manipulativas.

Disgrafia: os professores também usam instruções multissensoriais para superar dificuldades de caligrafia. Por exemplo, os alunos usam o sentido do tato quando escrevem em papel “irregular”.

PHDA: Instruções multissensoriais também podem revelar-se importantes para crianças com diferentes sintomas de Perturbação de Hiperatividade / Défice de Atenção. E isto é especialmente verdadeiro se a estratégia envolver movimento. A obrigatoriedade de a criança ter de se mexer ajuda a gastar o excesso de energia. O movimento também ajudará a focar e a reter mais facilmente novas informações.

  1. Modelar

A maior parte das crianças não aprende simplesmente se lhes dissermos como o fazer. Precisam de mais. Os professores poderão usar uma estratégia chamada “eu faço, nós fazemos, tu fazes” para ensinar ou desenvolver uma determinada competência. Primeiro, o professor mostrará como resolver, por exemplo, um problema de matemática (“eu faço”), depois convidará os alunos a responderem em conjunto (“nós fazemos”) e, logo a seguir, as crianças serão chamadas a fazer os exercícios sozinhas (“tu fazes”).

Esta estratégia pode ajudar a contornar alguns problemas. Que fique claro: todas as dificuldades de aprendizagem e de atenção, quando devidamente acompanhadas na escola pelos professores, podem ser minimizadas, em benefício dos respetivos alunos. O importante é saber prestar a ajuda correta em cada momento e perceber a fase a partir da qual a criança já estará preparada para realizar o trabalho por conta própria. Como se fosse andar de bicicleta pela primeira vez sem rodinhas.

  1. Organizadores gráficos

São ferramentas visuais que mostram informações ou a relação entre conceitos. Ajudam, também, as crianças a organizar a matéria que aprenderam ou a que precisam de aprender. Os professores usam estas ferramentas para apoiar o processo de aprendizagem dos alunos com dificuldades. É como se montassem andaimes para a construção de um edifício.

Existem muitos tipos diferentes de organizadores gráficos, como diagramas de Venn e fluxogramas. Podem ser especialmente úteis para as seguintes dificuldades:

Discalculia – em matemática os organizadores gráficos podem ajudar as crianças a dividir os exercícios por etapas. Podem ser igualmente utilizados para aprender ou rever conceitos matemáticos.

Disgrafia– os professores costumam usar organizadores gráficos quando ensinam os alunos a escrever na medida em que permitem organizar ideias. Alguns também oferecem linhas de escrita para ajudar os alunos a expressarem-se corretamente.

Funções Executivas– as crianças com fracas competências executivas podem usar estas ferramentas para organizar informações e planear o seu trabalho. Os organizadores gráficos permitem igualmente sintetizar pensamentos em frases curtas. Esta estratégia permitirá ao aluno identificar mais facilmente a ideia principal de uma determinada matéria na hora de estudar e fazer os apontamentos.

  1. Acompanhamento individual e em pequenos grupos

Uma estratégia recorrente entre os professores é variar o tamanho do grupo de alunos para o qual ensinam. Algumas matérias são lecionadas para toda a turma ao mesmo tempo. Outras surtem mais efeito se fornecidas para um pequeno grupo de crianças, ou até a uma só. Há alunos que precisam de apoio escolar individualizado. Caberá aos professores e à escola avaliarem o perfil dos alunos que precisam dessa ajuda extra e agirem em conformidade. Há cada vez mais escolas a adaptarem as matérias curriculares às necessidades dos alunos.

Essa estratégia pode ser fundamental para:

Dislexia – na sala de aula os professores procuram juntar no mesmo grupo os alunos com o mesmo nível de dificuldades para que possam beneficiar do mesmo tipo de apoio. As crianças também podem juntar-se porque, por exemplo, partilham o mesmo gosto por determinado livro.

Discalculia – os professores reúnem um ou mais alunos com discalculia para praticar as competências às quais sentem maiores dificuldades e assim beneficiarem de ajuda extra.

Disgrafia – em muitas salas de aula, os professores realizam ateliês de escrita e costumam reunir com os alunos individualmente e conversar sobre o seu progresso. Em simultâneo poderão aproveitar a oportunidade para se focarem nas competências específicas de cada criança.

PHDA e Funções Executivas – este tipo de acompanhamento ocorre normalmente em ambientes mais recatados e menos suscetíveis de causar distrações. O professor também pode ajudar os alunos a focar na tarefa e aprender novas competências como a automonotorização.

Velocidade de processamento reduzida – os professores podem adaptar o ritmo da instrução, para dar aos alunos o tempo necessário para receber e responder às informações. Poderão definir em simultâneo as prioridades da matéria, para que os alunos tenham tempo para entender os conceitos mais relevantes através do trabalho de grupo.

  1. Estratégias de desenho universal para aprendizagem – é um método de ensino que oferece aos alunos diferentes formas de aprender mais flexíveis. Estas estratégias (EDUA) permitem que as crianças aprendam as matérias e se relacionem com elas com maior taxa de sucesso.

PHDA – Para os alunos com défice de atenção é importante que trabalhem em ambientes flexíveis e silenciosos, longe da confusão das salas de aula.

Funções Executivas – Seguir instruções pode ser difícil para crianças com este tipo de dificuldade. Uma das estratégias aconselhadas passa por fornecer instruções em mais do que um formato. Por exemplo, um professor pode dar instruções em voz alta e escreve-las no quadro.

Dislexia – Quando os professores seguem os princípios do EDUA, eles apresentam informações de diferentes maneiras. Por exemplo, em vez de dizerem aos alunos que devem ler um livro, são convidados a ouvir um audiolivro o que facilitará a vida a quem se debate com dificuldades de leitura.

Disgrafia – Uma das estratégias é oferecer opções de escolha. Crianças com disgrafia podem sentir dificuldades em mostrar o quanto sabem sobre história através de um texto. Mas se mostrarem esses conhecimentos através de uma apresentação oral ou, por exemplo, de uma peça de teatro a tarefa poderá ser mais fácil.

Privilegie o diálogo permanente com os professores. Conheça todas as estratégias de ensino a que o seu filho é sujeito na escola.  Saiba de que forma essas estratégias podem ser usadas com sucesso em casa.

O que fazer quando um adolescente resiste à sua ajuda?

Janeiro 27, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle

É uma etapa comum: quase todos os adolescentes querem mostrar independência, depois de tantos anos, teimosamente, agarrados à saia da mãe. Olham para a vida com outros olhos, sentem-se donos do mundo e tentam provar à família e, sobretudo aos amigos, que já não precisam de proteção, nem sequer de ajuda para tomar decisões sobre todos os assuntos que lhe dizem respeito. Em frente à escola chegam a evitar beijar os pais diante dos colegas – temem que a imagem de adolescente independente possa sair prejudicada.

Os mais inseguros sentem maior dificuldade em libertar-se. É normal. Precisam de apoio reforçado dos pais para dar os primeiros passos nessa tão ambicionada independência.  Nesta fase, é comum dizerem: “não preciso de ajuda de ninguém”.  E se é verdade que, à frente dos outros procuram mostrar-se capazes de fazer tudo sozinhos, no silêncio do próprio quarto sabem (bem!) que não é assim. Ainda precisam, e muito,  de uma rede protetora que ampare as quedas.

Crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem e de atenção podem, todavia, resistir ainda mais a ser ajudadas, na medida em que se sentem frustadas por não conseguirem acompanhar a matéria na escola. E rejeitam partilhar essa angustia. Mais tarde, essa barreira costuma transformar-se em repulsa em relação às aulas. Dir-se-á que há um misto de sentimentos difíceis de gerir: por um lado, sentem-se divididos, tendo em conta que querem ser independentes, mas, por outro, sabem que só com ajuda conseguirão vencer as dificuldades.

O facto de, por exemplo, não conseguirem, por si só, realizar os trabalhos de casa, pode provocar uma sensação de incapacidade e de falta de confiança.  E por isso, no dia seguinte, em muitos casos, preferem voltar à escola sem os ter feito, em vez de pedir ajuda a quem sabe. Sentem que ao reagir assim, ganham controlo sobre a situação, ainda que esta atitude possa representar o isolamento social. O que fazer nestes casos?

Nunca esqueça: ao não recorrer à sua ajuda, o jovem estará motivado a resistir a si. Ou seja, dito isto, quanto mais for contrariado, mais forte tenderá a ser a sua resistência.  Sabemos que não é fácil assistir a este isolamento, mas procure não discutir. Mostre que o respeita. Se for preciso, dê um passo atrás para, depois, dar dois à frente. Tente estabelecer pontes de diálogo, começando por o ouvir sobre os planos de vida e as suas expectativas em relação à escola. Encoraje-o a agir. Transmita-lhe confiança.

Porque não definirem em conjunto um plano de metas e responsabilidades a alcançar durante os períodos letivos? Pode ser um primeiro passo importante. Tente, também, que perceba quais as consequências se falhar os compromissos que assumiu. O que acontecerá se não cumprir o acordo? Esta estratégia pode ser do agrado do adolescente, na medida em que lhe confere a tão desejada independência, motivando-o, também, em simultâneo, a alcançar os resultados desejados.

Trabalhe com ele o reforço das habilidades de autodefesa. Faça-o entender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de maturidade. Se, ainda assim,  continuar a não querer ser ajudado, experimente oferecer-lhe apoio de uma forma que corresponda às suas expectativas.  Por exemplo, em vez de propor estudar com ele matemática, porque não encontrar uma aplicação que permita ao menor trabalhar sozinho com igual sucesso? A estratégia pode resultar e, ao mesmo tempo, reforçar o sentimento de independência que tanto deseja.

Caso esta opção não provoque o efeito pretendido e a criança continuar a resistir à sua ajuda, experimente recorrer ao apoio dos colegas de escola mais velhos. Há menores que aceitam mais facilmente receber ajuda de alguém próximo da sua idade. Caso a instituição de ensino não tenha alunos mais velhos disponíveis, contacte outras instituições de ensino e terapeutas educacionais especializados. Há várias formas de resolver estes problemas e contribuir para uma vida escolar e social mais feliz.

Avaliação psicológica de crianças com dificuldades de aprendizagem – Formação Contínua no ISPA

Janeiro 7, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Objectivos 

Promover o desenvolvimento de competências relacionadas, para identificar dificuldades de aprendizagens mais comuns nas crianças, desde o pré-escolar até ao 1º,2º e 3º ciclos do ensino básico

Conhecer, seleccionar e aplicar os principais instrumentos destinados a avaliar as dificuldades de aprendizagem

Identificar, com base nos resultados da avaliação, a(s) dificuldade(s) de aprendizagem

Competências

Conhecer e identificar precocemente as dificuldades de aprendizagem
Diferenciar os principais tipos de dificuldades de aprendizagem
Aprender a seleccionar os instrumentos adequados para a avaliação de cada tipo de dificuldade de aprendizagem
Aprender a avaliar crianças com dificuldades de aprendizagem, a retirar dos resultados dos instrumentos, os dados necessários para emitir conclusões em forma de relatório

Calendarização

Sábado, Janeiro 18, 2020 – 09:00 – 13:30

Sábado, Janeiro 25, 2020 – 09:00 – 13:30

Sábado, Fevereiro 1, 2020 – 09:00 – 13:30

Sábado, Fevereiro 8, 2020 – 09:00 – 13:30

Sábado, Fevereiro 15, 2020 – 09:00 – 13:30

Sábado, Fevereiro 15, 2020 – 14:30 – 16:30

Mais informações no link:

http://fa.ispa.pt/formacao/avaliacao-psicologica-de-criancas-com-dificuldades-de-aprendizagem

Para os alunos, a Matemática é a mais difícil das disciplinas. Porquê?

Dezembro 17, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 15 de dezembro de 2019.

Catarina Reis

Aos 12 anos, o jovem Henrique Navas começava o seu percurso de participações nas Olimpíadas Portuguesas de Matemática. Com 19 anos, já somava 16 medalhas em provas de raciocínio matemático, mais do que o total de anos que se tinham passado desde então. Os números não o atormentam, são até uma paixão que o fez seguir a Matemática até ao ensino superior. Mas, para grande parte dos alunos portugueses, esta área é a mais temida. É também aquela que regista mais insucesso escolar, segundo o governo, que volta a propor um novo olhar sobre o tema no seu programa da atual legislatura. Mas, afinal, porque é que a Matemática é tão difícil?

De acordo com um documento da Direção-Geral da Educação sobre o ensino da Matemática, entre o conjunto de disciplinas do ensino secundário, este é considerado o mais difícil de todos. Relativamente ao ano letivo 2017/2018, quando os alunos foram questionados sobre aquelas em que tiveram mais dificuldades, a Matemática foi referida por 41,8% dos alunos dos cursos científico-humanísticos e por 31,4% daqueles que estavam em curso profissionais. “A Matemática é, sim, uma das disciplinas mais difíceis da escola. E por uma razão simples: há um lado cumulativo na Matemática que não existe nas outras. Mas tem de ser mesmo assim”, começa por explicar Filipe Oliveira, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM).

A Matemática constrói-se em cima de Matemática e as equações não existem sem a multiplicação. Em disciplinas como História, por exemplo, “pode ser-se o maior especialista da Segunda Guerra Mundial, mas não saber muito sobre a civilização egípcia”. “Há sempre ligações, mas não é taxativo”, acrescenta Filipe Oliveira. Já no que toca à Matemática, “para se fazer o que se pede no 9.º ano ou no 12.º, tudo o que está para trás tem de estar muito bem sabido”. “Os conteúdos que são ensinados durante o ensino obrigatório acumulam conhecimento que a humanidade aprendeu a absorver por ela própria desde 500 anos a.C. São 2500 anos de conhecimentos em 12 anos”, lembra.

Pedir que ser bom a Matemática não fosse uma tarefa cumulativa, “seria como pedir aos alunos para atravessarem o canal da Mancha a nado sem nunca os termos ensinado a nadar”, compara. O presidente da SPM entende que “aprender a nadar é chato, porque é uma técnica, é repetitivo, é preciso treinar todos os dias”, mas “se não se conseguir fazer isto, nunca se vai atingir as competências necessárias, como nadar rápido ou salvar uma pessoa que se esteja a afogar à sua frente na praia

O que mudou na Matemática?

Mais teoria ou mais prática? Como se combate o insucesso a esta disciplina? O tema é controverso: desde o início do século que a Matemática tem sido alvo de diferentes alterações de currículo. No atual programa governamental, volta a estar prevista “uma estratégia integrada de ação sobre a aprendizagem da Matemática, uma vez que se trata da disciplina com mais insucesso”. Ainda neste ano, o Grupo de Trabalho de Matemática [nomeado em 2018 pelo Ministério da Educação] apresentou 24 recomendações para alterar o currículo atual. O objetivo? Acabar com o que existe e criar do zero um novo plano para a disciplina nas escolas.

Uma medida “necessária”, na perspetiva da dirigente da Associação de Professores de Matemática (APM). “Só assim se garante três pontos fundamentais: articulação do 1.º ano ao 12.º ano; adequação aos níveis de ensino, necessidades de alunos e diferentes ofertas de percursos escolares; e coerência nos programas”, diz Lurdes Figueiral.

Mas “já toda a gente percebeu que, para ter um melhor sistema de ensino, é preciso não estar constantemente a mudar tudo”, contraria o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), que faz um raio X aos últimos anos da Matemática nas escolas. O problema, diz, passa por Portugal ter tentado seguir a mesma filosofia do que a Finlândia.

Até 2011, altura em que tomou posse o governo do antigo ministro da Educação Nuno Crato, “os currículos eram muito imprecisos relativamente aos objetivos que os alunos deveriam alcançar”. Incluíam até “falhas pedagógicas e científicas”, na medida em que, por vezes, “eram pedidos desempenhos sem se dar aos alunos os instrumentos necessários para compreenderem o que estavam a fazer”. Com o anterior governo, “tudo mudou”: não só os estudantes “passaram a trabalhar com currículos mais rigorosos e estruturados” como “passou a ser dada uma grande atenção à avaliação” – tão adorada quanto odiada -, com a substituição das provas de aferição por exames no 4.º e 6.º ano de escolaridade.

“Esta política permitiu que os alunos pudessem ser comparados da mesma forma [através de exames externos], mas também veio chamar a atenção das famílias – que ficam mais atentas se os filhos vão fazer uma prova de âmbito nacional.” O que Filipe Oliveira atribui como uma das causas da diminuição das taxas de retenção. Entre 2012 e 2018, a taxa de conclusão do ensino básico subiu 4,6%, de 90,3% para 94,9%. Já no ensino secundário, o aumento foi ainda mais drástico, de 79,9% para 86,1%, ou seja, cresceu 6,2%. De facto, “ainda há muitas retenções”, e há regiões que continuam acima da média nacional, mas “estão a cair”, lembra. Aliás, “nunca em Portugal foram tão baixas”. Porque “houve vários governos, de esquerda e de direita, mas houve sempre uma continuidade até 2015”. A partir daqui, “a história é outra”.

Quando o atual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, tomou posse, “assistiu-se a uma revolução que nunca tinha sido vista nas escolas, que trouxe um tal desprezo do currículo, com esta ideia da flexibilidade curricular, que diz que cada escola pode desprezar 25% (ou mais, com o novo diploma) do currículo nacional“.

Já a presidente da APM acredita que uma das principais formas de combate ao insucesso escolar na Matemática poderá mesmo passar pela autonomia das escolas. Segundo dizia Lurdes Figueiral ao DN, “todos os alunos têm capacidade para aprender Matemática”, mas “a forma de chegar lá é que não é única”.

Muitas das políticas que vemos agora serem implementadas em Portugal “partem das políticas aplicadas neste país, onde não há exames e em que os alunos às 15.00 vão para casa”. “Mas o que estamos a ver, de PISA para PISA, é que esta mudança não foi boa para a Finlândia. O caso deste país já aconteceu há tanto tempo que agora podemos, de forma segura, correlacionar a queda sistemática no ranking com este tipo de reformas muito parecidas com as que o nosso governo está a fazer agora”, alerta Filipe Oliveira.

Já Portugal tem vindo a aumentar no mesmo ranking, tendo pela primeira vez alcançado uma posição acima da média da OCDE em 2015. De acordo com os testes internacionais, Portugal é o país que mais progrediu nos últimos 20 anos a Matemática. “Quando fizemos estes testes internacionais nos anos 1990, ficámos em último, a milhas da média internacional. Foi uma vergonha tão grande, que o governo até nos tirou dos testes, para não se ver a miséria que era. Mas entretanto houve uma progressão muito grande, até 2015”, conta Filipe Oliveira.

Contudo, ao nível da Matemática, Portugal estagnou. “Faz-nos perguntar se não será já um efeito desta abordagem”, adianta o professor. “Até porque, pela primeira vez na história da participação de Portugal em testes internacionais, os alunos faltaram à avaliação PISA numa percentagem maior do que era aceitável” – o mínimo de participação estipulado é de 80%, mas em Portugal foi de 76%. “Isto acontece, penso, porque há três anos que os alunos e as famílias ouvem que a avaliação não é importante. É normal que haja aqui alguma desmobilização por parte dos alunos”, mas “claro que só vamos tirar isto a limpo em 2021, porque aí vamos ter não três, mas seis anos de resultados desta nova filosofia”.

Para o presidente da SPM, o governo deve voltar a focar-se na avaliação “que, quando bem utilizada, pode ser um grande aliado da própria aprendizagem”. “Dou o exemplo do exame de código: se não fosse preciso os alunos estudarem para uma avaliação, tenho a certeza de que metade dos recém-encartados andaria na estrada sem saber os sinais de trânsito. Somos seres humanos e é assim que funcionamos.”

Qual o futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem?

Novembro 15, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rita Branco publicado no Público de 10 de novembro de 2019.

Quando as crianças são envolvidas no processo de decisão sobre as aprendizagens que se propõe a realizar, conseguem comprometer-se com o objetivo a alcançar e desenvolver sentimentos de competência.

Em cada sala de aula pode existir pelo menos um aluno que, apesar de ter uma capacidade intelectual normal, não consegue aprender a ler, escrever ou calcular ao mesmo ritmo dos colegas (dislexia, disortografia ou discalculia). Para além destes alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, as nossas turmas nas escolas são turmas com uma grande heterogeneidade de alunos, em que cada um tem características próprias que carecem também de atenção especial por parte dos professores. Qual o futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem?

A legislação atual que regula a educação inclusiva, o Decreto-Lei n.º 54/2018, estabelece a escola como um local onde todos e cada um dos alunos encontram respostas que lhes possibilitam a aquisição de um nível de educação apropriado, assim como respostas às suas potencialidades, expectativas e necessidades.

A necessidade de reconhecer a diversidade dos seus alunos e lidar com essa diferença coloca novos desafios e exigências a cada escola. Contribuir para que todos os alunos atinjam o seu potencial é mais do que dar a matéria toda ou chegar ao fim do manual. Também é função da escola ensinar os alunos a assumirem a responsabilidade pela sua aprendizagem, ajudá-los a adquirir competências ao longo da escolaridade obrigatória que lhes permitam exercer uma cidadania plena e ativa. O ensino, neste momento, não consiste em transmitir conhecimentos imutáveis ou técnicas programadas, mas sim em promover competências como a adaptabilidade, criatividade, pensamento crítico, capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoal que possibilitem a criação de habilidades de adaptação às mudanças que a sociedade anuncia. Para isso, os professores precisam de abandonar ou superar modelos pedagógicos anteriores, muitos deles baseados em modelos de segregação, e munirem-se de estratégias que possibilitem maior aprendizagem e envolvimento dos alunos.

Desenvolver competências como a autorregulação da aprendizagem justifica-se, uma vez que esta promove a apropriação de conhecimentos e competências necessárias para a vida pessoal e profissional. A autorregulação da aprendizagem é um processo ativo, através do qual os alunos definem objetivos, planeiam o seu trabalho, tomam decisões estratégicas, monitorizam os processos cognitivos, fazem a gestão de emoções e de recursos, refletem e avaliam os resultados que obtiveram. É o mecanismo que nos possibilita gerir ou regular pensamentos, sentimentos e comportamentos, que se manifestam em ações planeadas e ciclicamente adaptadas para a obtenção de metas e de objetivos pessoais. Este processo é influenciado por fatores metacognitivos, motivacionais, sociais ou culturais. Quando uma criança estabelece um objetivo de aprendizagem e o seu planeamento estratégico, entram em ação as crenças sobre a sua autoeficácia e as suas expetativas de realização, interesse intrínseco, conhecimentos ou experiências anteriores, que vão determinar o sucesso da tarefa. Por exemplo, é comum ouvirem-se pais a afirmar algo do género “eu também nunca fui bom a Matemática” perante as más notas das crianças e jovens nesta disciplina, evidenciando uma cultura em que é normal chumbar na disciplina de Matemática e promovendo a crença que também elas talvez não venham a ter sucesso na disciplina. Outra situação em que podemos influenciar os processos autorregulatórios na aprendizagem das crianças é no momento em que elas entram para a escola, ouvimos frequentemente “vais para a escola, tens de trabalhar para ter boas notas e passar de ano”, explorando pouco os interesses e motivos pessoais das crianças para aprender.

Quando as crianças são envolvidas no processo de decisão sobre as aprendizagens que se propõem realizar, conseguem comprometer-se com o objetivo a alcançar e desenvolver sentimentos de competência. Exercícios como o desenvolvimento de registos diários que envolvam descrições como “hoje quero aprender…, acho que vou conseguir…”, refletir ou tomar consciência do procedimento que usaram, fazer revisões, avaliar os conhecimentos adquiridos, realizar pesquisas ou resumos são formas de desenvolver a autorregulação da aprendizagem.

O futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem prepara-se no agora, numa escola que valoriza os alunos, que ensina a aprender a aprender, a aprender a fazer, a aprender a ser e a aprender a viver com os outros.

Psicóloga educacional do CADIn

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