Os efeitos negativos da exposição precoce aos ecrãs nas crianças

Maio 19, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Kelly Sikkema on Unsplash

Notícia do Lifestylesapo de 8 de maio de 2018.

Ver televisão é um passatempo muito comum nas crianças mais pequenas. A excessiva exposição pode influenciar negativamente a saúde física e mental, revela um estudo.

As principais conclusões de um estudo da Universidade de Montreal, no Canadá, indicam que ver muita televisão precocemente (aos 2 anos de idade) está associado a riscos subsequentes na adolescência, como vir a ser obesa no futuro, ter hábitos alimentares pouco saudáveis e risco de “saltar” o pequeno-almoço, assim como ter problemas de socialização na escola.

O estudo da Universidade de Montreal foi realizado a cerca de duas mil crianças, nascidas entre 1997 e 1998. Os investigadores seguiram estas crianças desde os 5 meses de idade até completarem 13 anos. Quando fizeram 2 anos, os pais também foram revelando a quantidade de horas que passavam em frente à televisão.

As conclusões do estudo referem que a cada 1h13m que era adicionada ao tempo diário de ver televisão quando as crianças eram pequenas, estava associado a um aumento de 8% no risco de hábitos alimentares não saudáveis, 10% de deixar de tomar o pequeno-almoço aos fins de semana e uma diminuição de 4,7% na socialização na escola, já na adolescência.

As crianças que foram objeto deste estudo tornaram-se adolescentes com hábitos pouco saudáveis, como consumirem mais comida designada de “junk food” e registaram um maior índice de massa corporal.

Os hábitos de vida não afetam apenas o risco metabólico, mas também podem influenciar os resultados pessoais de sucesso, alerta ainda o estudo.

A ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA RECOMENDA:

– Para crianças dos 2 aos 5 anos, a recomendação dita uma hora por dia para programas televisivos com conteúdos de qualidade e adequados à idade da criança, e sempre com supervisão dos pais.

– Os pais de crianças de 6 anos devem impor limites sobre o tipo de conteúdos aos quais podem ter acesso e por quanto tempo, e garantir ainda que a tecnologia não interfe com as atividades físicas e qualidade do sono.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Prospective associations between toddler televiewing and subsequent lifestyle habits in adolescence

 

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O TPC faz bem aos alunos?

Maio 14, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 29 de abril de 2018.

Alexandre Homem Cristo

Os trabalhos para casa ajudam a melhorar os desempenhos escolares? Ou obrigam os alunos a trabalhar demasiadas horas e provocam stress desnecessário? Os números e conclusões de Alexandre Homem Cristo.

Os Ensaios do Observador juntam artigos de análise sobre as áreas mais importantes da sociedade portuguesa. O objetivo é debater — com factos e com números e sem complexos — qual a melhor forma de resolver alguns dos problemas que ameaçam o nosso desenvolvimento.

O trabalho para casa (TPC) faz parte do quotidiano dos alunos – e, porque é geralmente feito em casa, das famílias. “Já fizeste os TPC?” deve ser uma das perguntas mais repetidas nos serões das residências portuguesas. Até aqui, nada de novo. Toda a vida existiram TPC e em todo o mundo são aplicados pelos professores – e mesmo entre os professores houve sempre uns que os usaram mais do que outros. Contudo, nunca como hoje se ouviram tantos a questionar a sua utilidade. Seja entre pais que discordam da sobrecarga de horas de trabalho, em particular no caso de alunos que tenham actividades fora da escola. Seja entre professores que optam por não atribuir TPC aos seus alunos e preferem gerir a qualidade do estudo dentro da sala de aula. Seja entre médicos, nomeadamente psicólogos e pediatras, que salientam os efeitos nefastos do TPC no desenvolvimento cognitivo das crianças. Seja, por fim, entre políticos que vêem nos TPC um factor de promoção de desigualdades – isto porque nem todos os alunos têm boas condições de estudo em casa.

As críticas são geralmente ruidosas, mas há também o outro lado da moeda: não faltam vozes a defender que os TPC são necessários e eficazes, ou mesmo característicos de sistemas educativos competitivos e que formam bem os seus alunos. Exemplo: argumentam os seus defensores que os TPC ajudam a melhorar os desempenhos escolares. Mas não só: que servem também para desenvolver maior autonomia e responsabilidade nos alunos, assim como mantê-los focados e motivados em relação à escola.

Com dois lados em oposição, montou-se um debate fraturante em que se disparam discordâncias e em que não faltam opiniões. Mas e certezas? Ora, no meio de tudo isto, certezas há poucas. É que, afinal, sem olhar às evidências e aos indicadores sobre a realidade dos TPC, a pergunta fundamental permanece sem uma resposta satisfatória: os TPC são benéficos para os alunos? É a essa pergunta que este ensaio visa dar resposta. Isto é, dar várias respostas, porque a pergunta comporta várias dimensões – sobrecarga de tempo, desempenhos escolares e competências pessoais. E, no final, quase todas vão dar à mesma conclusão: sim, o TPC pode ser benéfico, mas torna-se prejudicial quando se acumulam várias horas diárias ou semanais.

1. Quantas horas estudam os alunos? Muitas

Um dos pontos-chave do debate sobre os TPC está no tempo que os alunos dedicam ao estudo em casa, que se soma ao tempo que já passaram nas aulas da escola. Será que, no total, os alunos passam demasiadas horas semanais a estudar/trabalhar, tempo esse que (em parte) poderiam investir noutras actividades (também importantes para o seu desenvolvimento)? Enquanto uns acham que sim e outros acham que não, não há nada como ir espreitar os números.

Horas de estudo por semana 

gráficos no link:

https://infogram.com/ahc-ensaio_tpc-01_03-1hxj48ro9vk56vg

Usando como referência os dados do PISA 2015 da OCDE, observamos que os alunos portugueses investem, em média, 17 horas semanais a estudar fora da escola (o que inclui TPC, explicações e estudo autónomo). No contexto europeu, isto coloca Portugal a meio da tabela – uma metade dos países da UE apresenta um valor mais elevado, a outra metade tem valores mais baixos (gráfico 1). Na Grécia e em Itália, os alunos investem 21 horas semanais em estudo fora da escola. Na Alemanha e na Finlândia, o tempo de estudo semanal fica entre 11 e 12 horas. A esmagadora maioria dos países posiciona-se entre as 15 e as 18 horas semanais. Ou seja, nesta perspectiva comparada, aparentemente tudo está normal em Portugal. Quer isto dizer que o debate está encerrado e que os alunos portugueses estão numa posição de equilíbrio em relação aos seus parceiros europeus? Não – falta olhar para o resto da fotografia.

O cenário muda de figura se olharmos ao tempo total de aprendizagem (gráfico 2). Isto é, se somarmos o tempo de estudo em casa ao tempo já despendido em aulas na escola (ou seja, “estudo em casa” + “aulas na escola”). Ora, sendo Portugal um dos países onde mais tempo se passa nas aulas, o tempo total de trabalho dos alunos portugueses ascende aos mais elevados da UE: 45 horas semanais, só superado por Dinamarca (46), Polónia (46), Espanha (47), Grécia (48) e Itália (50). O número impressiona, sobretudo porque está em causa uma duração superior à estabelecida no código de trabalho (as 40 horas semanais). Mas o que é realmente relevante para o debate não é tanto esse indicador – só três países não alcançam um total superior a 40 horas – mas o facto de Portugal estar nos lugares cimeiros entre os países europeus. Na prática, isto significa que os jovens portugueses têm 57% do tempo disponível nos dias úteis (excluindo as regulamentares 8 horas de sono) dedicado ao estudo. Um valor muito longe da Finlândia (45%) ou da Alemanha (46%), acima do de França (53%), Reino Unido (54%) e Irlanda (55%), e só superado por alguns, nomeadamente pelos países do sul europeu – Espanha (58%), Grécia (60%) e Itália (62%) (gráfico 3). Desconte-se agora mentalmente a duração dos trajectos casa-escola-casa e das refeições para se ficar com uma ideia clara de como a escola e o estudo preenchem a vida dos jovens um pouco por toda a Europa, estando Portugal no pelotão da frente.

2. O TPC ajuda a melhorar os desempenhos escolares? Sim, mas…

Os números mostram que os jovens passam muito tempo a estudar, seja na escola ou fora dela. A questão que se coloca é se esse tempo é bem investido. Dito de outro modo: será que os TPC ajudam a melhorar os desempenhos escolares? A resposta tem muitas áreas cinzentas, já que a investigação aponta geralmente em sentidos contraditórios. Por um lado, sim, as horas de estudo tendem a ter um efeito positivo nos desempenhos. Por outro lado, não, porque os efeitos no ensino básico são residuais e ainda porque, mesmo no secundário, muitas horas de estudo não produzem aumentos contínuos nos desempenhos. E depois há que filtrar estes resultados em função de outros factores, tais como a quantidade de TPC ou o perfil social dos alunos. Parece complicado, mas não é – como abaixo se mostra.

Efeito do TPC nos resultados

gráfico no link:

https://infogram.com/ahc-ensaio_tpc-04_05-1h9j6qmpnke54gz

Sim: fazer os TPC compensa – mas só até um certo ponto. Os dados do PISA 2015 (gráfico 4) são particularmente interessantes, porque expõem com clareza esses efeitos para alunos de 15 anos. Por um lado, fica claro que dedicar algumas horas por semana aos TPC diminui acentuadamente a probabilidade de maus desempenhos. Ou seja, quem faz os TPC de forma regular tem maior probabilidade de subir os seus desempenhos. Por outro lado, há um ponto a partir do qual esse investimento nos TPC deixa de produzir o efeito desejado. Um aluno que dedique 6 horas semanais tem menos 66% de probabilidade de apresentar maus desempenhos escolares e um aluno que dedique 7 horas semanais tem menos 70% de probabilidade de ter maus desempenhos. Mas um aluno que dedique 8 horas semanais já vê essa probabilidade diminuir – 68%, ou seja menos do que um aluno que dedicou menos uma hora semanal ao TPC. O que é que isto significa? Simples: não vale a pena dedicar tempo excessivo aos TPC, pois estes, se levados a excessos, vão perdendo a sua eficácia.

Esta ideia acima é fundamental para o debate: não importa tanto discutir os TPC, mas sim o tempo despendido com os TPC, porque é na duração que se encontra a chave para determinar se os seus efeitos são positivos ou não.

Mantendo o foco da análise no PISA 2015, é possível constatar que, olhando aos desempenhos dos países a ciências e cruzando com o tempo de estudo fora da escola, há uma relação negativa: quanto mais tempo se estuda fora da escola, piores são os resultados (gráfico 5). Os dados devem ser lidos com prudência, na medida em que diz pouco comparar os resultados de países com pontos de partida tão distantes, como é o caso da Finlândia e da Turquia. Mas os dados sublinham algo que os indicadores já mencionados apontaram: a relação entre TPC e desempenhos escolares não é linear. Mais TPC não significa forçosamente melhores desempenhos.

Até aqui está tudo mais ou menos consensual, tendo em conta que o público-alvo da investigação do PISA 2015 são alunos de 15 anos. Mas a controvérsia do debate vai mais fundo, com três questões principais que correspondem àqueles detalhes que fazem toda a diferença. Primeira questão: os efeitos positivos verificam-se tanto no ensino secundário como no ensino básico? Segunda questão: como determinar a duração a partir da qual os TPC deixam de ser eficazes? Terceira questão: os TPC têm impacto igual em todos os alunos? Veja-se o que dizem os dados para cada uma das questões.

Ensino básico vs. Ensino secundário. Uma meta-análise da literatura académica apontou para diferenças nos efeitos do TPC nos desempenhos escolares dos alunos em termos de idade. Em resumo, os efeitos mais significativos observam-se nos alunos do ensino secundário (nomeadamente no 12.º ano), sendo os efeitos fracos (ou quase inexistentes) ao nível dos primeiros ciclos do ensino básico. Atenção, isto não significa que os TPC sejam inúteis nessas idades, mas sim que, com alunos mais jovens, é aconselhável que os professores não dêem TPC para além dos 10-15 minutos de duração. Por que razão os alunos mais jovens tiram menos proveito dos TPC? A investigação indica algumas respostas possíveis, das quais duas se destacam. Primeiro, do ponto de vista do desenvolvimento cognitivo, os mais jovens têm dificuldade em ignorar a informação que é irrelevante, dispersando-se mais facilmente – e, assim, extraindo menos ganhos para os seus desempenhos. Segundo, os mais jovens têm efectivamente menos hábitos de estudo, i.e. menos prática em estudar e sistematizar informação, factor que também diminui o seu ganho com os TPC.

Não existe uma duração semanal óptima e universal. Os dados da OCDE acima mencionados estabelecem como duração razoável cerca de uma hora por dia. Apesar de ser a duração mais commumente referida, esse valor não é inteiramente consensual e, sobretudo, não pode ser levado à letra. Por um lado, diversos estudos (mais antigos) sugerem que entre 1 e 2 horas por dia é equilibrado – para jovens no ensino secundário. Por outro lado, não são raros os investigadores que sugerem que 10 a 15 minutos por dia é suficiente, uma vez que o objectivo é consolidar conhecimentos adquiridos no dia de aulas na escola – uma espécie de recapitulação da matéria. O mais famoso entre esses investigadores talvez seja John Hattie, investigador que defende que não há efeito algum dos TPC ao nível do ensino básico. De resto, nunca é demais recordar que os alunos reagem de forma diferente aos TPC e que não existem soluções mágicas na educação. Como tal, converter uma duração média numa regra universal não é ajuizado: a média serve para enquadrar, mas cada aluno é um caso.

O historial da relação com a escola conta mais do que o perfil socioeconómico. Os dados da investigação apontam para disparidades sociais entre alunos em relação aos TPC. À partida, isto poderia significar que o perfil socioeconómico tem um impacto significativo no proveito que os alunos retiram dos TPC – o que em parte seria simples de explicar: nas famílias cujo perfil socioeconómico é mais baixo, observa-se em média menor valorização da escola e menor capacidade/interesse dos pais em ajudar os filhos. No entanto, um estudo da Universidade de Oviedo (Espanha) confirmou que, mais do que o perfil socioeconómico do aluno, o que realmente afecta a relação dos alunos com o TPC é o seu historial com a escola. Ou seja, alunos que tenham uma má relação com a sua escola são também os alunos que menos investem nos TPC. Naturalmente, estando o perfil socioeconómico associado aos desempenhos escolares, muitos dos alunos que demonstram essa má relação com a escola são também jovens oriundos de famílias com baixo perfil socioeconómico – daí estes dois factores muitas vezes se confundirem.

3. O TPC desenvolve outras competências ou causa stress? Ambos

O debate sobre os TPC vai muito para além dos desempenhos escolares e estende-se a questões de desenvolvimento cognitivo e de competências pessoais – organização, sentido de responsabilidade, autonomia. Um dos argumentos dos seus defensores é precisamente esse: os benefícios do TPC abrangem muitas áreas da formação pessoal dos alunos. Mas, quando os olhos vão para essas outras áreas, os críticos respondem: os TPC estão na origem de situações de stress que podem desencadear problemas de saúde. São convicções antagónicas e inconciliáveis? Nem por isso: tal como acontece em relação aos desempenhos escolares, a duração dos TPC é um dos factores-chave para determinar se os efeitos são positivos (competências) ou negativos (stress).

Comece-se pelo início: afinal, quando o enfoque sai dos desempenhos escolares, o que dizem os estudos sobre os TPC? Dizem que a resposta não é conclusiva em relação às suas vantagens ou desvantagens. De facto, alguns investigadores associaram aos TPC melhorias na autonomia e autodisciplina dos alunos, mas, no geral, esses estudos carecem de dados empíricos suficientemente sólidos para se retirar uma conclusão definitiva. É, aliás, essa a constatação mais frequente quando se mergulha no tema: faltam dados fidedignos acerca desses efeitos, até porque medir competências como a “autodisciplina” é difícil – e ainda mais difícil estabelecer uma relação causa-efeito entre a melhoria dessas competências e os TPC. Ou seja, a haver uma conclusão aqui, é a de que não é possível ter certezas sobre os efeitos benéficos dos TPC noutras dimensões que não a do desempenho escolar.

Dito isto, há algo acerca do qual existem menos dúvidas: levados a excessos, os TPC têm efeitos negativos no bem-estar físico e emocional dos alunos. Por exemplo, um estudo liderado por investigadores de Standford constatou que, em comunidades educativas altamente competitivas e onde os alunos estudam durante três ou mais horas diárias, os dados confirmam casos de stress, problemas físicos (insónias, dores de estômago, dores de cabeça) e desequilíbrios emocionais.

Quer isto dizer que os TPC causam stress? Nem por isso. O ponto fundamental para a leitura correcta destes dados é este: o problema não está tanto nos TPC mas sim na sobrecarga de trabalho sobre os alunos e na percepção de que não há margem para falhar – o que acontece nomeadamente nos sistemas educativos que têm avaliações de alto risco ou exames. Ou seja, por um lado, é incorrecta a simples associação dos TPC a problemas de saúde – tais efeitos negativos são consequência do excesso e não dos TPC que, em condições normais, não causam este desgaste físico e psicológico. Por outro lado, os efeitos da sobrecarga das responsabilidades escolares de um aluno (exames, TPC, aulas, actividades extracurriculares) na sua saúde é uma dimensão importante e que deve ser tida em conta por escolas, professores e demais agentes educativos.

4. Os TPC são um assunto de políticas públicas

O debate público sobre os TPC é geralmente composto por lamentos de pais e aconselhamento às famílias sobre como lidar com a rotina dos TPC em casa. No campo do debate político, observa-se sobretudo um braço-de-ferro entre críticos e defensores dos TPC, que por vezes resvala em propostas políticas controversas – tal como a de François Hollandeem 2012, então Presidente francês, quando sugeriu a proibição de TPC ao nível do ensino básico. É, portanto, um debate pobre. Mas é também um debate com o potencial de ser muito mais rico: conhecendo-se os dados da investigação (os efeitos do TPC nos desempenhos escolares nas diferentes idades/ alunos, as limitações dos estudos) estão reunidas as condições para olhar para o tema da perspectiva das políticas públicas e perceber o que se poderia fazer para melhorar. Abaixo vão dois exemplos de medidas educativas possíveis e já testadas.

Centros de estudo após a escola. Diz a literatura académica que o TPC feito em casa é geralmente mais eficaz para a melhoria dos desempenhos dos alunos do que aquele TPC que é feito em contexto escolar. Mas, no caso de jovens de famílias desfavorecidas, o caso muda de figura: como não têm apoio ou condições em casa, a possibilidade de fazer os TPC após as aulas, num ambiente adequado e por vezes com apoio é muito benéfica para esses alunos. Benéfica como? A literatura académica divide-se sobre a força dos efeitos, mas concorda que existem resultados positivos nos domínios sociais, no relacionamento com a escola e nos desempenhos escolares (mesmo que aqui esses efeitos sejam menores) (gráfico 6). Isto, importa recordar, quando a oferta está inserida na rede pública e é gratuita.

Melhorar com os TPC

gráfico no link:

https://infogram.com/copy-ahc-ensaio_tpc-04_05-1hmr6gy15e5z6nl

Inovação ao serviço dos professores. Poder-se-ia fazer uma lista interminável de recomendações aos professores na hora de designar os TPC dos seus alunos – atribuir TPC que estejam adequados aos conhecimentos dos alunos, ser claro quanto às expectativas acerca do TPC, manter uma boa comunicação com os pais, variar no tipo de TPC atribuído. Mas, mais interessante, é salientar que é possível formar os professores em relação a técnicas para lidar com os alunos e aumentar o seu compromisso com os TPC.

Sim, à partida, não parece nada óbvio: como é que um professor pode ter influência no completar dos TPC se não está em casa do aluno? Uma resposta possível (e inovadora) é esta: desenvolver a perseverança dos alunos na realização de tarefas repetitivas através dos exemplos de heróis de banda desenhada (o chamado “efeito Batman”). Um estudo experimental verificou que, se os alunos forem desafiados a colocarem-se na pele de um dos seus super-heróis preferidos, aguentam mais tempo a fazer tarefas repetitivas e aborrecidas (como consideram ser os TPC) – isto porque os super-heróis são exemplos de quem coloca o dever acima das tentações lúdicas. No caso deste estudo, uma parte da experiência consistiu em dividir os alunos entre aqueles que devem personificar um super-herói (Batman) e aqueles que não têm de o fazer (que servem de grupo de controlo) e, depois, em pedir aos alunos que passassem 10 minutos a repetir uma tarefa, podendo interrompê-la livremente quando quisessem para jogar videojogos. Os resultados mostraram que os miúdos (tanto os de 4 anos como os de 6 anos) que personificaram um super-herói aguentaram mais tempo do que os outros – e que, como tal, este tipo de técnica pode ser eficaz para promover maior perseverança dos alunos nas tarefas escolares (gráfico 7).

5. So what? Quatro ideias-chave e uma conclusão

Primeira ideia: há uma certa sobrecarga de trabalho sobre os alunos. Os alunos portugueses não têm mais TPC do que a média europeia, mas se se somar o tempo de aulas (escola) ao tempo de estudo (fora da escola) os alunos portugueses ficam entre aqueles que, na Europa, mais horas passam a “trabalhar”. Ou seja, os TPC não são um problema especificamente português, embora Portugal esteja entre os países onde os alunos mais tempo dedicam ao estudo (dentro e fora da escola).

Segunda ideia: os TPC ajudam a melhorar os desempenhos escolares no ensino secundário, desde que usados com moderação. Na prática, isto quer dizer que é mais eficaz estudar 1 hora por dia do que estudar 3 horas por dia. Isto, sublinhe-se, no ensino secundário – é que, no ensino básico, os indicadores não apontam com clareza para uma relação causa-efeito entre os TPC e a melhoria dos desempenhos. De resto, a melhoria nos desempenhos escolares não é universal, isto é não se aplica de igual modo sobre todos os alunos – os alunos que têm uma má relação com a escola (geralmente também têm baixo perfil socioeconómico) tendem a diminuir o seu compromisso com os TPC, tornando-os menos eficazes.

Terceira ideia: não há uma relação directa entre os TPC e o desenvolvimento de competências ou de stress. Estima-se que sim, poderá haver benefícios quanto à autonomia e responsabilidade dos alunos – mas são dimensões particularmente difíceis de medir com clareza. O que se sabe é que, quando os alunos são sujeitos a muita pressão e sobrecarga de trabalho, podem surgir consequências para a saúde – mas isso tem mais a ver com a sobrecarga do que com os TPC em si mesmos. Ou seja, o ponto aqui é de reforço aos pontos anteriores: TPC com moderação ajuda, de forma excessiva prejudica.

Quarta ideia: os TPC não são só um problema das famílias, são também um problema de políticas públicas. Há medidas para tornar os TPC mais eficazes, como dar condições na escola aos alunos que não as têm em casa, ou como formar professores para técnicas inovadoras para lidar com os alunos menos comprometidos com a escola. Ou seja, há instrumentos ao dispor dos decisores políticos e dos legisladores. É esse o debate que importa promover.

Conclusão. Os TPC têm vantagens e desvantagens, nada de surpreendente. Mas se a conclusão é essa, então a discussão deve ser sobre formas de beneficiar das vantagens e de limitar as desvantagens, procurando soluções de políticas públicas que resolvam problemas concretos ligados aos TPC nas escolas – por exemplo, oferecendo condições de estudo em contexto escolar aos alunos socialmente desfavorecidos. Canalizem-se, portanto, para aí as energias gastas no inútil debate do “é a favor ou contra os TPC?”.

Alexandre Homem Cristo foi Conselheiro Nacional de Educação e, entre 2012 e 2015, foi assessor parlamentar do CDS na Assembleia da República, no âmbito da Comissão de Educação, Ciência e Cultura. É autor do estudo “Escolas para o Século XXI”, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2013

 

Portugal é um dos oito países da UE com maior percentagem de filhos fora do casamento

Maio 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 17 de abril de 2018.

Portugal é um dos oito estados-membros da União Europeia (UE) onde mais de metade das crianças nascidas em 2016 (52,8%) são filhos fora do casamento, divulgou o Eurostat.

Segundo o gabinete de estatísticas da UE, a França é o país com maior percentagem de filhos fora do casamento (59,7%), seguido da Bulgária e Eslovénia (58,6% cada), da Estónia (56,1%), Suécia (54,9%), Dinamarca 54,0%), Portugal (52,8%) e Holanda (50,4%).

Face a 2000, em 2016 Portugal teve um dos maiores aumentos da percentagem de filhos nascidos fora do casamento: de 22,2% para 52,8%.

Do outro lado da tabela, a Grécia (9,4%), Croácia (18,9%), Chipre (19,1%), Polónia (25,0%), Lituânia (27,4%), Itália (28,0%), Roménia (31,3%) e Malta (31,8%) têm as menores taxas de filhos de pais não casados.

A maior subida percentual foi registada em Chipre (2,3% em 2000 para 19,1% em 2016), seguindo-se Malta (de 10,6% para 31,8%), Itália (de 9,7% para 28%), Espanha (17,7% para 45,9%), Grécia (4,0% para 9,4%) e Portugal (22,1% para 52,8%).

Os dados citados na notícia podem ser consultados no link:

http://ec.europa.eu/eurostat/web/products-eurostat-news/-/DDN-20180416-1?inheritRedirect=true&redirect=%2Feurostat%2F

Maus hábitos de sono aumentam risco de obesidade nos rapazes

Maio 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e fotografia do https://ionline.sapo.pt/ de 16 de abril de 2018.

Estudo da Universidade de Coimbra conclui que crianças do sexo masculino com hábitos de sono irregulares têm 128% mais probabilidade de obesidade.

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra chegaram à conclusão que os maus hábitos de sono representam “risco muito elevado de obesidade” nas crianças de sexo masculino.

O estudo contou com a participação de 8.273 crianças entre os seis e os nove anos (sendo 4.183 de sexo feminino) e, baseando-se nas recomendações da Academia Americana de Pediatria (2016) que estabelece que a duração indicada de sono para as crianças deve ser entre nove e 12 horas, teve como objetivo analisar “a relação entre os hábitos de sono irregulares” – quer por escassez ou excesso – e “o risco de excesso de peso e obesidade na população pediátrica”.

Na investigação foi também tido em conta a “atividade física e os comportamentos sedentários (por exemplo, o tempo passado a ver televisão ou a jogar no computador) através de questionários preenchidos pelos pais”, explica uma nota enviada pela Universidade de Coimbra à Lusa. O estudo foi publicado no American Journal of Humam Biology.

As conclusões ditam que “os rapazes que apresentavam hábitos de sono irregulares para a sua idade, isto é, quer abaixo das nove horas por noite, quer acima das 12 horas por noite, durante a semana têm 128% probabilidade de serem classificados como crianças com excesso de peso comparativamente com aqueles que dormiam as horas recomendadas”, explica o investigador Aristides Machado-Rodrigues.

Para as raparigas, cujos resultados foram analisados à parte, “não houve associações significativas entre a duração do sono e o risco de obesidade, nem nos dias da semana nem durante o fim de semana”, refere ainda o investigador que destaca “o cumprimento dos hábitos de sono recomendados na infância” como “um aspeto crucial da saúde cognitiva e do desenvolvimento harmonioso das crianças”.

“Os pais devem reforçar as regras familiares da ‘hora de deitar’ das crianças para que estas possam ter o tempo de sono diário recomendado para a saúde”, alerta Aristides Machado-Rodrigues e lembra que “a literatura sustenta, de forma inequívoca, que a privação do sono, especialmente em idades pediátricas, está associada a problemas de saúde aumentados, não só de índole cognitivo, mas especialmente relacionados com a diminuição da tolerância à glicose, o qual é um fator de risco para a obesidade”.

“Na atualidade, e de forma muito pragmática, não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação para os comportamentos sedentários de ecrã, vulgo tablets, telemóveis e computadores, que as crianças e jovens perpetuam pela noite dentro, comprometendo as horas de sono recomendadas, muitas vezes fechados no quarto e sem conhecimento dos pais”, acrescenta.

Apesar das várias medidas que têm sido adotadas para o combate à obesidade, “os hábitos de sono são os que têm merecido menor atenção comparativamente a outros comportamentos do quotidiano, como a atividade física, os hábitos nutricionais ou ainda o sedentarismo”, pode ainda ler-se na nota enviada pela Universidade de Coimbra.

Este estudo está incluído numa investigação mais ampla sobre a Prevalência da obesidade na infância em Portugal, sob a coordenação de Cristina Padez e com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The association of irregular sleep habits with the risk of being overweight/obese in a sample of Portuguese children aged 6–9 years

 

 

 

Brinquedos de banho usados por crianças são paraíso para bactérias

Abril 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com/ de 28 de março de 2018.

POR LILIANA LOPES MONTEIRO

Segundo um estudo do Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática, a Universidade ETH de Zurique e a Universidade do Illinois, nos EUA, podem ser encontrados bactérias potencialmente patogénicas, como a legionela e a pseudomonas aeruginosa, em alguns destes brinquedos. Micróbios esses que estão muitas vezes relacionados com infeções hospitalares.

“Detetamos grandes diferenças entre vários brinquedos. Uma das razões é o material, que pode libertar carbono, e que serve de alimento para as bactérias”, explica a coordenadora da investigação Lisa Neu.

No estudo publicado no periódico Biofilms and Microbiomes, os cientistas indicam que detetaram 75 milhões de células por centímetro quadrado, incluindo bactérias e fungos, em alguns dos brinquedos.

A má qualidade dos plásticos propencia o crescimento das bactérias. Durante o banho, elementos como o nitrogénio e bactérias provenientes do suor e da urina acumulam-se ainda no interior dos brinquedos. O que faz com que a água que sai desses objetos se torne tóxica e provoque infeções.

“Por um lado pode fortalecer o sistema imunitário, o que é positivo, mas também pode resultar em infeções nos olhos, ouvidos ou até no sistema gastrointestinal”, alerta o investigador Frederik Hammes.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Ugly ducklings—the dark side of plastic materials in contact with potable water

O que separa as crianças ricas das pobres? 35 milhões de palavras

Abril 26, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://observador.pt/ de 10 de abril de 2018.

Crianças com maior nível socioeconómico ouvem 48 milhões de palavras, em média, enquanto as que vivem em famílias mais humildes ouvem apenas 13 milhões.

A diferença entre as classes sociais influencia a capacidade intelectual de cada um. De acordo com o estudo “Diferenças significativas na experiência diária das crianças”, as crianças cujas famílias têm mais possibilidades económicas ouvem, em média 35 milhões de palavras a mais do que as crianças que crescem no seio de famílias humildes.

O estudo encontrou uma realidade preocupante: as crianças com mais posses a nível monetário ouviram, aos quatro anos, uma média de 48 milhões de palavras enquanto que os outros meninos da mesma idade ouviram apenas 13 milhões.

Os autores daquele que ficou conhecido como “A Catástrofe Precoce”, Betty Hart e Todd Riesly, analisaram 126 famílias durante quatro anos. Com a ajuda de vários alunos, que passaram uma hora a cada 15 dias com as famílias, conseguiram fazer a contagem do número de palavras que os pais diziam aos filhos pequenos.

Segundo Hart e Riesley, todos os pais agiram de forma correta. Contudo apresentaram algumas diferenças. Durante estas observações, os investigadores conseguiram perceber que os pais com mais posses incitavam as crianças a desenvolver as suas capacidades, utilizando uma maior variedade de palavras. Por sua vez, os pais com mais dificuldades a nível financeiro utilizavam um conjunto de palavras que faziam parte de um campo mais limitado.

A pedagoga Ana Roa disse ao jornal El Mundo que “a aprendizagem da linguagem é constantemente influenciada pela capacidade e pela experiência dos que nos rodeiam”. Contudo, o ambiente não é apenas crucial no desenvolvimento da linguagem. O estudo revela que também o QI (Quoficiente de Inteligência) das crianças é substancialmente diferente entre estratos sociais. Em média, crianças de famílias com menos posses apresentaram um QI de 75, enquanto as outras tinham um QI de 119.

Estas conclusões levam os investigadores a falar sobre um “círculo contínuo de desigualdade económica”.

 

‘Selfitis’ é a nova terminologia para os viciados em selfies. Saiba se é um deles

Abril 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/visaomais/ de 9 de abril de 2018.

Sara Rodrigues

Um estudo realizado na Índia demonstra que há seis razões principais para as pessoas tirarem selfies. A competição social e a busca de atenção são apenas duas

Quando, em 2014, vários jornais republicaram uma notícia que dava conta de que a Sociedade Psiquiátrica Americana iria classificar a selfitis – o vício em fazer selfies – como um distúrbio mental vários investigadores indianos ficaram em alerta. Logo depois, soube-se que a história não passava de um embuste (fake-news), mas os docentes ficaram com a pulga atrás da orelha. Assim, e como desde 1995, ano que foi publicado o primeiro estudo sobre “adições tecnológicas”, foram várias os distúrbios estudados e cunhados – como o vício da internet, dos videojogos online ou do telemóvel – porque não poderia existir também um ligado às selfies?

Juntaram-se investigadores de duas universidades indianas, Nothingham Trent e Thiagarajar School of Management, e pegaram numa amostra de 400 estudantes e em focus group com outros 200 (90% com menos de 25 anos). O estudo não pretende ser um retrato internacional ou mesmo da população indiana, já que, como referem os autores, a amostra foi selecionada nas universidades e não representa várias gerações, embora possa servir de base para futuros estudos empíricos sobre esta mania que alastrou pelo mundo inteiro.

Esta análise foi feita na Índia porque é este o país como mais utilizadores de Facebook e com o maior número de mortes relacionadas com a tentativa de fazer selfies em locais perigosos.

O estudo, publicado no International Journal of Mental Helth and Addiction, classificou os selfitis em três categorias: borderline, agudo, crónico.

Borderline – tira selfies pelo menos três vezes por dia, mas não as publica nas redes sociais
Agudo – tira selfies pelo menos três vezes por dia e publica-as nas redes sociais
Crónico – tira selfies de forma descontrolada o dia inteiro e publica pelo menos seis

Os investigadores identificaram seis fatores de motivação para os selfitis: os que querem aumentar a auto-confiança, os que buscam por atenção, para melhorar o humor, registar memórias quando se está num ambiente agradável, aumentar a integração no grupo que as rodeia e competição social.

A prevalência destes itens determina o grau de vício de cada um.

“O facto de esta história ter tido início numa notícia falsa, não quer dizer que a condição de selfitis não possa existir. Confirmámos a sua existência e criámos a Escala de Comportamento Selfitis”, referiu o investigador Mark Griffiths.

Os investigadores criaram uma grelha de 20 perguntas para aferir do grau de adição de cada um.

Responda a cada uma das perguntas utilizando uma escala de 1 a 5. Em que 5 quer dizer “concordo plenamente” e 1 quer dizer “discordo completamente”. Quanto maior a sua pontuação, maior a probabilidade de você sofrer de “selfitis”

1- Tirar selfies dá-me a sensação de estar a aproveitar melhor o ambiente em que estou

2 – Partilhar as minhas selfies cria uma competição saudável com os meus amigos e colegas

3 – Tenho muito mais atenção dos outros se partilhar as selfies nas redes sociais

4 – Consigo reduzir o meu nível de stress quando tiro selfies

5 – Sinto-me confiante quando tiro selfies

6 – Sou melhor aceite no meu grupo de amigos quando tiro selfies e as partilho nas redes sociais

7 – Consigo expressar-me melhor no meu ambiente através das selfies

8 – Fazer selfies em diversas poses ajuda a aumentar o meu estatuto social

9 – Sinto-me mais popular quando publico selfies nas redes sociais

10 – Tirar selfies melhora o meu humor e faz-se sentir feliz

11 – Sinto-me melhor em relação a mim mesmo quando tiro selfies

12 – Torno-me mais forte no meu grupo de amigos quando publico selfies

13 – Tirar selfies faz com que me lembre melhor de ocasiões e experiências

14 – Publico selfies frequentemente para ter mais “gostos” e comentários nas redes sociais

15 – Ao publicar selfies espero uma avaliação dos meus amigos

16 – Tirar selfies muda instantaneamente o meu humor

17 – Tiro selfies e olho para elas em privado como forma de aumentar a minha auto-confiança

18 – Quando não tiro selfies sinto-me separado do meu grupo de amigos

19 – Tiro selfies como troféus para a minha memória

20 – Edito ou uso filtros de imagem para que as minhas selfies fiquem melhor do que as dos outros

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

An Exploratory Study of “Selfitis” and the Development of the Selfitis Behavior Scale

 

Imigrantes de segunda geração saem-se melhor na leitura do que portugueses

Abril 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de março de 2018.

Diferença de 12 pontos no PISA não é significativa, mas não deixa de reflectir o empenho dos pais destes jovens na aprendizagem da língua, defende investigador.

JOANA GORJÃO HENRIQUES

Os filhos de pais estrangeiros não estão condenados a ter maus resultados. Já ter nascido em Portugal e falar português em casa pode fazer a diferença. Um estudo divulgado há dias, pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE), mostra que nos últimos testes do Programme for International Student Assessment (PISA), que avaliam as competências de leitura dos jovens aos 15 anos, os chamados imigrantes de segunda geração em Portugal até se saíram melhor do que os portugueses.

Estes alunos obtiveram mais 12 pontos na Leitura do que os portugueses, analisa o especialista em estatística João Marôco. Em 2015, pela primeira vez, Portugal ficou acima da média da OCDE com 498 pontos (a média foi de 493).

A análise foi feita a partir de um relatório da OCDE, que saiu a 19 de Março, The Resilience of Students with an Immigrant Background. O especialista do ISPA — Instituto Universitário e coordenador do PISA de 2015 em Portugal lembra que o peso dos imigrantes na amostra nacional é reduzido: 3% no caso de segunda geração e de 4% na primeira.

Embora a diferença de 12 pontos não seja especialmente significativa, o facto de ela existir pode explicar-se pelo empenho dos pais na aprendizagem da língua como factor de integração, refere. Na literacia em Ciências e Matemática os números são aproximados entre portugueses e imigrantes de segunda geração.

As maiores distâncias de performance verificam-se entre portugueses e imigrantes de primeira geração, algo que é explicado pelo menor estatuto socioeconómico e cultural destes últimos, refere.

Outro dado: em geral, os alunos que falam português em casa têm desempenhos significativamente superiores a de quem não fala.

Na base de dados da OCDE não é possível diferenciar o país de origem dos alunos. O investigador admite que imigrantes de diferentes países apresentariam resultados diferentes.

No relatório, a OCDE diz que em Portugal as diferenças de performance no PISA entre alunos nativos e imigrantes não são explicados por diferenças socioeconómicas e culturais dos dois grupos. Mas o analista discorda: em Portugal os imigrantes de segunda geração têm um estatuto socioeconómico e cultural que é duas vezes superior ao dos portugueses. Já os imigrantes de primeira geração são mais desfavorecidos. Isto significa que “é evidente a inclusão bem-sucedida” dos imigrantes da segunda geração na sociedade portuguesa.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Resilience of Students with an Immigrant Background

 

Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos

Abril 22, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo publicado na Revista do Centro de Estudos de  Comunicação e Sociedade (CECS) Universidade do Minho

As crianças portuguesas de três-oito anos estão a crescer em lares apetre­chados com dispositivos móveis, individualizados, de pequeno porte e ecrãs tácteis, com aplicações diversificadas. Apesar desta ecologia digital, o pri­meiro inquérito nacional sobre como as crianças estão a crescer entre ecrãs (N= 656), realizado para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 2016, contraria pressuposições de um boom tecnológico. Apenas 38% dos pais reportam que as crianças usam a internet e prevalece uma mediação centrada no controlo e na restrição. Este texto apresenta e discu­te resultados desse inquérito e do estudo qualitativo em 20 famílias cujas crianças acedem a meios digitais, centrando-se nas competências digitais. Estas incluem competências tradicionais (ler, escrever e contar), e outras re­lacionadas com acesso e uso das tecnologias digitais (Sefton-Green, Marsh, Erstad & Flewitt, 2016)

Castro, T. S.; Ponte, C.; Jorge, A. & Batista, S. (2017). Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos. In S. Pereira & M. Pinto (Eds.), Literacia, Media e Cidadania – Livro de Atas do 4.º Congresso (pp. 144-157). Braga: CECS.

visualizar / descarregar o artigo no link:

http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2671/2579

42% dos jovens portugueses não se identificam com nenhuma religião

Abril 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia e foto da http://visao.sapo.pt/ de 21 de março de 2018.

Estudo europeu divulgado esta quarta-feira caiu como uma bomba, mas a verdade é que apenas veio confirmar a tendência observada em inquéritos anteriores. E mostrar que não somos os únicos a afastarmo-nos da Igreja.

Quando se olha para percentagens quase sempre vem à cabeça a imagem do copo meio cheio e do copo meio vazio. Podíamos pegar no relatório Os Jovens Adultos e a Religião na Europa e escrever que a maioria dos jovens portugueses entre os 16 e os 29 anos identifica-se com uma religião, mas neste caso é o próprio autor principal do estudo que conclui: “A percentagem elevada de jovens adultos afirmando não ter nenhuma religião em muitos países é, sem nenhuma dúvida, o facto mais significativo deste relatório.”

É verdade que, segundo este relatório publicado pelo Centro de Religião e Sociedade Bento XVI, divulgado esta quarta-feira (atempadamente antes do Sínodo dos Bispos dedicado à juventude que o Vaticano agendou para outubro), 57% dos jovens portugueses se identificam com alguma religião. E que, entre estes, 53% dizem-se católicos. No entanto, é para os 42% de jovens que afirmaram não ter nenhuma religião que todos olham – aparentemente sem dramas.

“O cristianismo era originalmente muito estranho, e é provavelmente bom para nós sentirmo-nos um pouco estranhos”, já disse Stephen Bullivant, professor de Teologia e de Sociologia das Religiões na Universidade de St. Mary, no Reino Unido (onde também dirige o Centro Bento XVI), que encabeçou o estudo realizado em colaboração com o Institut Catholique de Paris, em França.

Bullivant e a sua equipa pegaram em dados recolhidos no European Social Survey (ESS), nas edições de 2014 e 2016, relativos a 22 países europeus, para fazerem um retrato da dimensão e prática religiosa dos jovens católicos. Os dados de Portugal são apenas de 2014, e a Itália ficou de fora porque em nenhum destes anos conseguiu financiar a realização de um inquérito.

Entre as conclusões a que chegaram, os investigadores destacam que, em 12 dos 22 países, mais de metade dos jovens adultos declararam não se identificar com nenhuma religião. À cabeça encontraram a República Checa, com uns esmagadores 91 por cento, e na cauda Israel, com 1 por cento. Logo em segunda posição no gráfico, com 80 por cento, ficou a Estónia. E acima de Israel encontra-se a Polónia, com 17 por cento, e a Lituânia, com 25 por cento. “É interessante constatar que os dois primeiros países e os dois últimos são países pós-comunistas”, escreve Bullivant.

É igualmente interessante ver quem são os nossos vizinhos na tabela do “não”: os irlandeses, com 39 por cento, e os alemães, com 46 por cento. Os espanhóis, nossos vizinhos no mapa mundi, ainda estão mais desligados da fé do que nós, com 55 por cento, mas mesmo assim bastante menos do que os seus vizinhos franceses, com 64 por cento.

Quanto à prática religiosa, depois de aplaudirem o facto de o ESS colocar igualmente esta questão a todos os inquiridos, religiosos ou não, Bullivant et al. analisam as respostas à pergunta “Fora de ocasiões como os casamentos e os funerais, quantas vezes assiste a um serviço religioso?”. Aqui, temos 35% de portugueses a confessarem nunca ir, e 20% a afirmar fazê-lo pelo menos uma vez por semana ou mais. “Em apenas quatro países, mais de um jovem adulto em dez declara ir a serviços religiosos pelo menos uma vez por semana: na Polónia, em Israel, em Portugal e na Irlanda”, notam os investigadores. Fora de missas e afins, é interessante verificar que a percentagem de quem assiste a serviços religiosos uma vez por semana ou mais aumenta ligeiramente (23 por cento); a resposta “nunca” desce, por isso, para 41 por cento.

Entre os que se disseram católicos, 27% dos jovens portugueses entre os 16 e os 29 anos afirmaram ir à missa pelo menos uma vez por semana e 17% assumiram-se como “não praticantes” (nunca vão à missa). Ter fé não é o mesmo que acreditar na Igreja – e aqui, sim, percebe-se por que razão Stephen Bullivant lamenta ter-se perdido toda uma geração.

 

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