12% dos jovens portugueses não estudam nem trabalham

Julho 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Eco Sapo de 27 de junho de 2019.

Portugal é o nono país da União Europeia com menos jovens “nem nem”. Há mais mulheres do que homens nesta situação, em Portugal.

Um em cada seis jovens da União Europeia (UE) não estudava nem trabalhava no ano passado, o correspondente a cerca de 15 milhões de pessoas, mas Portugal ficou abaixo desta média, sendo o nono país com menos “nem nem”.

Segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo gabinete de estatísticas da UE, o Eurostat, cerca de 16,5% dos jovens europeus entre os 20 e os 34 anos não estudava, trabalhava ou estava em estágio no ano passado. Em Portugal, esta percentagem foi mais baixa, com os “nem nem” a representarem 11,9% dos jovens portugueses em 2018.

Portugal ocupou, por isso, o nono lugar dos países com menos jovens nessa situação. Havia, ainda assim, mais mulheres portuguesas (12,8%) do que homens (10,9%) nessa condição.

Ao nível da UE, as percentagens mais baixas foram registadas na Suécia (8%), Holanda (8,4%), Luxemburgo (9,9%) e Malta (10,1%). Em sentido inverso, no ano passado, havia mais jovens “nem nem” em Itália (28,9%), Grécia (26,8%), Bulgária (20,9%) e na Roménia.

mais informações na notícia do Eurostat:

1 in 6 young people not in employment or education

115 milhões de meninos casam durante a infância ou adolescência

Julho 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 7 de junho de 2019.

Unicef faz primeira análise sobre casamento precoce masculino; estima-se que casamento infantil totalize os 765 milhões; República Centro-Africana tem a maior prevalência destes casos entre os homens, 28%.

O Fundo das Nações Unida para a Infância, Unicef, estima que 115 milhões de meninos em todo o mundo se tenham casado quando crianças.

A pesquisa do Fundo mostra que uma em cada cinco crianças, ou seja, 23 milhões, contraíram matrimónio antes dos 15 anos.

Prevalência

Analisando dados de 82 países, o estudo revela que o casamento infantil entre meninos é prevalente em vários países, nomeadamente na África Subsaariana, na América Latina e Caribe, no sul e leste Asiático e no Pacífico.

Para a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, “o casamento rouba a infância” e as pessoas que casam com crianças “são forçadas a assumir responsabilidades adultas para as quais podem não estar preparadas.”

A responsável lembra ainda que “os casamentos precoces podem implicar uma paternidade precoce e, com isso, aumentar a pressão para sustentar uma família, reduzindo as oportunidades de educação e de emprego.”

De acordo com estes dados, a República Centro-Africana tem a maior prevalência de casamento infantil entre os homens, 28%, seguida pela Nicarágua, 19%, e Madagáscar, 13%.

Meninas

Estes resultados elevam o número total de noivas e noivos infantis para 765 milhões de crianças.

As meninas continuam a ser mais afetadas, com uma em cada cinco mulheres jovens, com idades entre os 20 e os 24 anos, casadas antes dos 18 anos, em comparação com um em cada 30 rapazes.

Embora a prevalência, as causas e o impacto do casamento infantil entre meninas tenham sido extensivamente estudados, pouca pesquisa existe sobre o casamento infantil dos meninos.

No entanto, as crianças com maior risco de contrair matrimónio são oriundos dos agregados familiares mais pobres, vivem em áreas rurais e têm pouca ou nenhuma educação.

Fore considera que, numa altura em que se comemora o trigésimo aniversário da adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança, é necessário “lembrar que casar meninos e meninas enquanto eles ainda são crianças vai contra os direitos consagrados na Convenção.” Para ela, é “através de mais pesquisas, investimentos e capacitação” que se poderá acabar com esta violação de direitos humanos.

Mais informações na Press Release da Unicef:

115 million boys and men around the world married as children – UNICEF

GNR recorda: “Bastam alguns segundos” para uma criança se afogar

Julho 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias ao Minuto de 3 de julho de 2019.

por Natacha Nunes Costa

Nos últimos 15 anos, morreram 238 crianças e jovens por afogamento.

Com a chegada do verão, o número de casos de afogamento dispara e as crianças e os jovens são as gerações mais afetadas por este flagelo.

De acordo com a APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil, nos últimos 15 anos, morreram 238 crianças e jovens por afogamento, por isso toda a atenção é pouca.

A GNR alerta que é esta é uma morte rápida e silenciosa e que ”bastam apenas alguns segundos para tudo acontecer”, por isso, aconselha esta força de segurança, na sua página de Facebook, “perto da água, não perca as crianças de vista nem por um segundo”.

Um relatório divulgado pela APSI na internet revela que, nos últimos seis anos, o número médio de mortes entre menos por afogamento diminuiu, contudo, este ainda é considerado um dos “maiores flagelos do verão em Portugal”.

O mesmo documento revela que a maior parte das crianças que sofreram um afogamento tinham idades compreendidas entre os 0 e os 4 anos e que as piscinas são “os planos de água com maior registo de afogamento”, seguidas dos rios, ribeiras, lagoas e só depois das praias.

https://www.facebook.com/watch/?v=1277318802445531

 

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Afogamentos em Crianças e Jovens em Portugal (atualização 2018)

Cumprimentar os alunos à entrada das salas de aula pode estimular o bom comportamento

Julho 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 18 de junho de 2019.

Estudo britânico sugere que os alunos podem comportar-se melhor durante as aulas se forem adotadas estratégias diárias que favoreçam o bom comportamento. Serem cumprimentados individualmente pelo professor pode ser uma das formas de o fazer

Um estudo da Education Endowment Foundation (EEF) conclui que não existem provas sólidas de que uma política de “tolerância zero” perante a falta de disciplina dos alunos, tenha algum impacto no seu comportamento. As orientações dadas pela EEF sugerem antes uma abordagem mais simples, regular e personalizada para melhorar o comportamento de alunos perturbadores.

Kevan Collins, diretor executivo da EEF, defende que “apesar de a maioria dos alunos na maioria das aulas se comportar bem, o mau comportamento é uma questão que tem desafiado as escolas há gerações” e, este tipo de abordagens, “pode ter um impacto duradouro na aprendizagem dos alunos e no bem-estar dos professores”.Para o responsável, uma “abordagem consistente” pode ser fundamental para construir “relações fortes entre professores e alunos, e formar as bases necessárias para a aprendizagem”.

Segundo o estudo, as escolas devem procurar adotar estratégias simples como parte de uma rotina habitual como, por exemplo, os professores dedicarem algum tempo para cumprimentar pessoalmente cada aluno à porta da sala de aula, oferecerem pequenos-almoços gratuitos antes do início das aulas, como parte de boa preparação para a aprendizagem, ou entregar boletins individuais diários.

Para reunir este conjuto de orientações, a EEF analisou as conclusões disponíveis relativamente ao comportamento dos alunos nas escolas e falou com professores, académicos e outros especialistas.

“Sabemos que estabelecer uma cultura educada e respeitadora nas escolas é importante para estabelecer padrões, e a ideia de os professores cumprimentarem os alunos individualmente à porta da sala de aula reflecte esta abordagem”, explica Geoff Barton, secretário geral da Association of School and College Leaders. “Quando ocorre um mau comportamento, ele é muitas vezes o resultado de problemas maiores que estão a ser experienciados pelo aluno em questão, e as escolas precisam de maior financiamento para que possam fornecer o nível de apoio de que estes jovens necessitam”, acrescenta.

Segundo Stephen Fraser, CEO adjunto da EEF, “as políticas de tolerância zero podem ser controversas devido à sua abordagem rigorosa e sem espaço para desculpas” porque “os defensores dizem que estas abordagens ajudam a elevar os padrões, enquanto os críticos dizem que podem levar a exclusões desnecessárias”, contudo, o “relatório descobriu que há falta de provas do impacto que as políticas de tolerância zero têm sobre os resultados dos alunos”.

Sestas são importantes para as crianças — e até ajudam a ter boas notas

Julho 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 1 de junho de 2019.

Não é nenhuma novidade que as sestas são benéficas para as crianças. Se conseguirem descansar e dormir a meio do dia, os miúdos, na sua generalidade, ficam mais bem-dispostos, com mais energia e até mais recetivos a novas aprendizagens.

E embora este facto seja comprovado pela grande maioria dos pais, um estudo publicado a 28 de maio no jornal científico “Sleep” vem dar razão aos educadores. De acordo com a investigação da Universidade da Pensilvânia e da Universidade da Califórnia, há uma relação direta entre as sestas e um crescimento saudável das crianças.

O estudo, que contou com uma amostra de cerca de três mil crianças com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos, encontrou uma relação entre as horas de sono a meio do dia e uma maior felicidade dos miúdos que conseguiam descansar neste período. As crianças que dormiam a sesta também demonstraram mais autocontrolo, determinação, menos problemas comportamentais e níveis mais elevados de QI, sendo este último ponto especialmente encontrado nos alunos do 6.º ano de escolaridade.

“As crianças que fazem a sesta três ou mais vezes por semana beneficiam de um aumento de 7,6% pontos na sua performance académica no sexto ano”, afirmou Adrian Raine, um dos autores da investigação.

Por outro lado, a falta de sono e o cansaço durante o dia “afeta 20% das crianças”, salientou Jianghong Liu, o autor principal do estudo. Mais: os efeitos cognitivos, emocionais e físicos negativos da falta de sono estão bem estabelecidos e começam a afetar as crianças desde a idade do pré-escolar, ou até mais novas.

Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Pediatria publicou, em junho de 2017, uma recomendação sobre a prática da sesta das crianças nas creches e infantários (públicos ou privados). Tal como se pode ler no documento partilhado no site da sociedade, “a sesta deverá ser facilitada e promovida até aos 5, 6 anos”, sendo que a “privação do sono na criança está associada a efeitos negativos a curto e a longo prazo em diversos domínios, tais como o desempenho cognitivo e aprendizagem, a regulação emocional e do comportamento, o risco de quedas acidentais, de obesidade e hipertensão arterial”.

No entanto, apesar da recomendação, a realidade portuguesa continua a ser outra: muitas das creches e jardins-infância nacionais, sejam públicas ou privadas, eliminam a hora da sesta a partir dos três anos.

 

 

Crianças retiradas a famílias dão nota positiva a casas de acolhimento

Julho 3, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de junho de 2019.

Descarregar a tese citada na notícia em baixo

A qualidade do acolhimento residencial em Portugal: avaliação da adequação dos serviços às necessidades das crianças e jovens institucionalizados

Abuso sexual de crianças e adolescentes: o perigo dos falsos negativos e dos falsos positivos

Junho 30, 2019 às 6:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo de Rute Agulhas publicado no Observador de 27 de maio de 2019.

Há um perigo claro de emissão de pareceres que podem encerrar em si erros de falsos negativos ou falsos positivos. Como minimizar isso?

O abuso sexual de crianças e adolescentes é uma realidade inegável que, embora com maior incidência no sexo feminino e na idade escolar/início da adolescência, abrange ambos os sexos e todas as faixas etárias. Os efeitos negativos do abuso sexual manifestam-se a curto, médio e/ou longo prazo e envolvem alterações a nível físico (e.g., lesões físicas, gravidez, doenças sexualmente transmissíveis), emocional (e.g., medo, tristeza, desconfiança), comportamental (e.g., maior agressividade ou passividade, alterações nos padrões de sono ou alimentação, comportamentos regressivos, comportamentos sexuais inadequados para a idade, auto-mutilação, tentativas de suicídio), e/ou social (e.g., isolamento, alterações nos padrões relacionais, sentimentos de estigmatização). Contrariamente ao que se possa pensar, o abuso sexual não afecta apenas a vítima directa, mas também a sua família e comunidade envolvente.

O abuso sexual é um crime e qualquer suspeita que se revele consistente deve ser sinalizada às entidades competentes, para que estas possam iniciar um processo de investigação e avaliação.

É sobre o processo de avaliação psicológica forense que se exige uma reflexão, Em Portugal, este processo nem sempre decorre de forma célere ou linear, o que obriga as crianças a relatar por diversas vezes aquilo que alegadamente vivenciaram. Muitas crianças chegam a relatar sete ou oito vezes, em serviços diferentes, junto de profissionais diferentes, o que se constitui, sem sombra de dúvida, um processo de revitimização secundária.

Temos disponíveis directrizes internacionais muito claras e objectivas sobre a forma como devem decorrer estes processos — quais os princípios éticos que devem ser tido em conta, quem deve ser envolvido no processo de avaliação, quais os conteúdos específicos que devem ser explorados nas entrevistas de avaliação, que metodologias podem auxiliar a avaliação de crianças mais pequenas, nomeadamente, crianças em idade pré-escolar. A par destas directrizes internacionais, salienta-se ainda toda a investigação já efectuada em Portugal, com diversas publicações que sistematizam protocolos de avaliação.

A existência destas directrizes e protocolos é importante, mas não suficiente, para uma avaliação que se exige rigorosa e isenta de enviesamentos e juízos à priori, por parte do psicólogo. De acordo com a literatura, as variáveis dos próprios entrevistadores exercem uma forte influência sobre os pareceres finais, pelo que devem ser alvo de um processo de reflexão.

Pois vejamos.

A literatura aponta três aspectos que podem contribuir para situações de desacordo nos pareceres dados pelos técnicos, nomeadamente: (a) a sensibilidade, que minimiza os erros de falsos negativos (concluir que é pouco provável que o abuso tenha corrido, quando, na realidade, ocorreu); (b) a especificidade, que minimiza os erros de falsos positivos (concluir que é muito provável que o abuso tenha corrido, quando, na realidade, não ocorreu), e o cepticismo face às revelações de abuso sexual (crenças do entrevistador sobre a possível veracidade do relato).

É desejável que o psicólogo possua elevada sensibilidade e elevada especificidade, embora, muitas vezes, este equilíbrio não se observe. O psicólogo pode ser influenciado por crenças de base (nem sempre conscientes) como, por exemplo, “as crianças não mentem”, “os padrastos são quase sempre os abusadores sexuais”, “uma mãe/mulher nunca abusaria sexualmente de uma criança”, “se os pais estão em conflito devido ao divórcio e às responsabilidades parentais dos filhos, então a alegação de abuso sexual deve ser falsa”. Estas e outras crenças de base podem enviesar todo o processo de avaliação, diminuindo, quer a sensibilidade, quer a especificidade.

Por outro lado, profissionais com um elevado cepticismo irão abordar os casos em que existe uma suspeita de abuso sexual com a crença de que a maioria das revelações é falsa. A este respeito refira-se que, de acordo com estudos internacionais, aproximadamente 1 em cada 4 profissionais acredita que a maioria dos adolescentes que revela uma situação de abuso sexual está a mentir.

Estamos, então, perante um perigo claro de emissão de pareceres que podem encerrar em si erros de falsos negativos ou falsos positivos.

O psicólogo deve ainda ter formação específica nesta área forense e actualizar continuamente os seus conhecimentos. Os desenhos das crianças, por exemplo. Sem dúvida que o desenho é um facilitador da comunicação, especialmente importante com crianças mais novas, e pode ser conceptualizado como uma metodologia auxiliar de avaliação. No entanto, a interpretação do desenho infantil exige conhecimentos específicos, sob pena de se assistir a interpretações, diríamos, selvagens. “O fumo que sai da chaminé sugere a existência de um conflito sexual”, “as mãos da figura humana X são muito grandes, o que indica agressividade”, “a criança desenha cenouras, que têm uma forma fálica, o que remete para o órgão sexual” são exemplos deste tipo de interpretações.

Como minimizar a probabilidade destes erros? Penso que a resposta pode ser apenas uma: com uma adequada articulação interdisciplinar, um processo de avaliação forense que se exige rigoroso e que cumpra as directrizes que a investigação aponta, e uma constante formação, actualização e supervisão dos psicólogos que intervêm nesta área específica.

Referências:

Ackerman, M. (2010). Essentials of Forensic Psychological Assessment. (2.nd Edition). Wiley.

Agulhas, R. & Anciães, A. (2015). Casos práticos em psicologia forense. Enquadramento legal e avaliação pericial. (2.ª ed.). Lisboa: Editora Sílabo.

Ceci, S. & Bruck, M. (1995). Jeopardy in the courtroom – a scientific analysis of children’s testimony. Washington, DC: American Pychological Association.

Cheung, M. & Boutté-Queen, N. (2010). Assessing the relative importance of the child sexual abuse interview protocol items to assist child victims in abuse disclosure. Journal of Family Violence, 25, 11-22.

Lamb, M., Hershkowitz, I., Orbach, Y., & Esplin, P. (2008). Tell me what happened: Structured investigative interviews of child victims and witnesses. New York: Wiley.

London, K., Bruck, M., Ceci, S., & Shuman, D. (2005). Disclosure of child sexual
abuse: what does the research tell us about the ways children tell? Psychology, Public Policy, and Law, 11 (1), 194-226.
Mart, E. (2010). Common errors in the assessment of allegations of child sexual abuse. The Journal of Psychiatry & Law, 38, 325-343.

Montesinos, I. & Checa, M. (2010). Evaluación psicológica en el contexto forense. In M. Checa. Manual Prático de Psiquiatria Forense. Barcelona: Elsevier Masson.

Rute Agulhas é psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde. Perita em Psicologia Forense. Professora assistente convidada no ISCTE-IUL. Investigadora no CIS-IUL.

Novos ossos estão a crescer nos crânios dos jovens devido ao uso excessivo do telemóvel

Junho 29, 2019 às 8:20 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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David Shahar e Mark Sayers – Scientific Reports

Notícia da RTP Notícias de 21 de junho de 2019.

As novas tecnologias mudaram, indubitavelmente, a nossa forma de vida. Sabemos que os novos dispositivos eletrónicos alteraram a forma como comunicamos, como trabalhamos, como vivemos. Revolucionou a forma como aprendemos, assim como expandiu a quantidade de informação disponível, anteriormente mais limitada.

Hoje, não nos imaginamos a viver sem elas. Mas sabemos também agora que estas novas tecnologias, em particular os telemóveis, estão também a transformar o corpo humano.

Era já conhecido que os telemóveis afetam a saúde ocular. Também a coluna e até o cérebro. Mas não sabíamos que poderia afetar o nosso crânio, nem se imaginava que novos ossos poderiam crescer com a utlização em excesso destes aparelhos.

Um estudo feito pelos investigadores australianos David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Queensland, analisou os crânios de mais de mil pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e os 86 anos. Concluíram que 400 pessoas, sobretudo os mais jovens, tinham tido um crescimento de ossos na base dos crânios, o que dizem ser uma mudança corporal provocada pelo uso crescente da tecnologia moderna.

A investigação concluiu que as pessoas (sobretudo os jovens) estão a desenvolver “uma exostose proeminente, que emana da protuberância occipital externa”. Ou seja, esporões ósseos estão a formar-se na parte de trás do crânio. São pequenos crescimentos ósseos que podem formar-se na extremidade dos ossos e que ocorrem quando uma inflamação danifica a cartilagem e o corpo tenta reparar o dano, fazendo crescer mais osso. Durante o estudo, os autores encontraram esporões ósseos cujo tamanho variava entre os 10 e os 31 milímetros.

Os investigadores afirmam que a inclinação frontal da cabeça, ao deslocar o peso da coluna para os músculos da cabeça, provoca um crescimento ósseo nas ligações dos tendões e ligamentos. Assim, acreditam que os dispositivos eletrónicos, em particular os telemóveis, estão na origem do problema.

Quais são as possíveis consequências?

O que reserva o futuro para os jovens adultos que desenvolvem, como referem os autores, “um processo degenerativo (…) num estágio tão inicial das suas vidas”?

Shahar acredita que esta formação óssea pode conduzir a uma deformidade grave na postura, que, por sua vez, pode provocar dores no pescoço, nas costas, e dores de cabeça crónicas. Alguns esporões ósseos podem também requerer tratamento, conforme o tamanho e a gravidade.

O cirurgião ortopédico David Geier afirma no entanto que este problema pode ser prevenido. “As pessoas que estão preocupadas com isto podem começar a trabalhar com um fisioterapeuta para aprender exercícios para fortalecer os músculos que ajudam com a sua postura”, disse à NBC News.

E acrescenta que há pequenas mudanças que podem ajudar, como “colocar almofadas por baixo dos computadores e segurar no telemóvel ou no tablet um pouco mais acima”.

Estudo levanta dúvidas

Este estudo tem recebido críticas distintas, tendo sido apoiado por vários especialistas e rejeitado por outros.

Alguns afirmam que o trabalho é baseado em raios-x antigos, não tem um grupo de controlo, e não consegue provar a causalidade. Além disso, as pessoas que participaram no estudo tinham-se especificamente queixado de dores no pescoço e procuraram um médico, o que significa que não é claro como os resultados se aplicam ao resto da população.

David Langer, diretor de neurocirurgia no Hospital Lenox Hill, disse ao The New York Times que “é mais provável ter uma doença degenerativa dos discos ou desalinhamento do pescoço do que um esporão ósseo a crescer no crânio”.

O bairro onde vivemos influencia o peso dos filhos

Junho 29, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 12 de junho de 2019.

Por  Nuno Guedes

A investigação descreve uma organização urbana que parece proteger as crianças da obesidade.

O bairro onde vivemos influencia a obesidade dos filhos? A pergunta, que pode à primeira vista parecer estranha, deu origem a um estudo que avaliou o peso das crianças em vários bairros de Lisboa.

A investigação, coordenada pelo Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra e financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), conclui que há uma organização urbana que parece “proteger” as crianças do excesso de peso: bairros mais recentes, com espaços verdes e menos carros nas ruas.

Ou seja, diz Margarida Pereira, uma da autoras, à TSF, “ambientes mais pensados para as pessoas e menos para os carros”.

Pelo contrário, nos bairros de Lisboa de construção mais antiga, com edifícios que incluem comércio, serviços e habitação, a proporção de crianças com obesidade ou excesso de peso tende a ser bem mais elevada.

Os efeitos anteriores foram visíveis mesmo quando os investigadores tiveram em conta na análise e nas contas o peso dos pais e o respetivo estatuto socioeconómico da família, fatores que se sabe que também afetam o excesso de peso infantil.

Porquê?

O estudo publicado na revista científica American Journal of Human Biology admite que as razões para esta influência do bairro onde se vive sobre a obesidade podem ser várias, nomeadamente a menor poluição dos bairros com menos carros, num ambiente “mais agradável, menos stressante e menos perigoso”.

Margarida Pereira acrescenta, contudo, que um dos fatores mais importantes talvez seja a possibilidade que estes bairros dão às crianças de brincarem ao ar livre, aumentando os níveis de atividade física.

Nas conclusões os investigadores pedem aos políticos que tenham em conta estes resultados pensando mais num “planeamento urbano saudável” que possa “propiciar estilos de vida mais saudáveis com impacto bastante positivo na saúde pública”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The role of urban design in childhood obesity: A case study in Lisbon, Portugal

Quem sente atracção por crianças vai ter ajuda para evitar cometer crimes

Junho 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de junho de 2019.

Programa criado pelo Instituto de Sexologia da Charité – Universidade de Medicina de Berlim será replicado em Portugal no próximo ano.

Ana Cristina Pereira

A informação é avançada por Ricardo Barroso, professor auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e membro do Laboratório de Investigação em Sexualidade Humana da Universidade do Porto. No próximo ano, vai avançar em Portugal um programa destinado a ajudar pedófilos a controlar os seus ímpetos.

O programa foi criado pela equipa de Klaus M. Beier, director do Instituto de Sexologia da Charité – Universidade de Medicina de Berlim. Existe em mais de uma dezena de cidades da Alemanha. Não se destina a condenados por crimes sexuais. Destina-se a pessoas que sofrem de pedofilia (atracção por crianças pré-púberes) ou hebefilia (atracção por púberes ou recém-púberes) e que desejam ajuda para controlar impulsos, para nunca passarem à prática.

Ricardo Barroso estuda jovens agressores sexuais, comportamentos de agressão e delinquência juvenil. Parece-lhe que o combate a este tipo de crimes não se pode ficar pela condenação de quem os pratica, exige prevenção.

“O manual de intervenção técnica já foi traduzido para português”, declara Ricardo Barroso. “Todo o processo de intervenção está a ser planeado.” Segundo afirma, a equipa alemã tem acompanhado e até comparticipado esse processo. “Vai haver uma candidatura conjunta a fundos comunitários”, sublinha ainda. Haverá uma linha telefónica e uma pequena equipa, com um psiquiatra e um psicólogo no Porto e um psiquiatra e dois psicólogos em Lisboa

A equipa de Klaus M. Beier criou uma ferramenta de auto-ajuda para quem sente atracção por menores de idade e não tem acesso a terapia presencial. Essa ferramenta é acessível pela Internet. Está em alemão e em inglês e, por isso, está a chegar a pessoas que se encontram em diversas partes do mundo.

Klaus M. Beier já tinha dito que haveria de existir noutras línguas, incluindo português. Ricardo Barroso diz que a tradução já está feita e que em breve, ainda este ano, possivelmente antes do Verão, ficará disponível para pessoas de Portugal, do Brasil, dos países africanos de língua portuguesa e de outros falantes de português. Funcionará com uma equipa sediada em Portugal. As pessoas podem manter o anonimato ao contactar o projecto e manifestar interesse

 

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