Efeitos do consumo de álcool e tabaco podem começar logo aos 17 anos

Setembro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de agosto de 2018.

Consumo de álcool e tabaco a partir dos 17 anos cria problemas precoces, como o bloqueio de artérias. Mas abrandar o consumo pode reverter a situação a tempo de problemas maiores.

Os adolescentes que começam cedo a beber álcool e a fumar podem ter problemas nas artérias logo a partir dos 17 anos, revela um estudo publicado no European Heart Journal. Entre 2004 e 2008, os investigadores acompanharam 1.266 jovens da área Bristol, no Reino Unido, procurando saber quantos cigarros tinham fumado e com que idade tinham começado a beber álcool.

Os resultados mostraram que aqueles que já tinham fumado mais de 100 cigarros ou que bebiam mais regularmente apresentavam uma maior rigidez das artérias — algo que aumenta o risco de ataque cardíaco ou derrame — do que aqueles que tinham fumado menos do que 20 cigarros ou que consumiam menos do que duas bebidas alcoólicas por dia. Estes problemas podem começar logo aos 17 anos e pioram nos casos dos jovens que acumulam os dois hábitos.

Apesar de tudo, é possível reverter estes efeitos, explicou um dos autores do relatório: “Se os adolescentes pararem de fumar e beber durante a adolescência, as artérias voltam ao normal — o que mostra que há oportunidade de preservar a saúde das artérias desde cedo”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Early vascular damage from smoking and alcohol in teenage years: the ALSPAC study

 

Inglaterra proíbe venda de bebidas energéticas a jovens e crianças

Setembro 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 30 de agosto de 2018.

Lina Santos
Medida de Theresa May visa controlar comportamentos dos alunos nas salas de aula.
Inglaterra vai proibir a venda de bebidas energéticas à base de cafeína, como Red Bull e Monster, a crianças e adolescentes. A medida do governo de Theresa May visa controlar comportamentos disruptivos em sala de aula, de acordo com o diário The Telegraph.

O ministério da Saúde britânico tem lançado alertas sobre a ligação entre o consumo excessivo destas bebidas energéticas, ricas em cafeína e açúcar, associadas a um “catálogo de problemas de saúde” que vão das dores de cabeça, problemas de sono e digestão. E existe uma crescente preocupação de que seja um combustível para a hiperatividade das crianças, como defendeu o NASUWT, um dos maiores sindicatos de professores do Reino Unido, no final de 2017.

“Pedradas prontas a consumir” foi a expressão usada pela organização para descrever estas bebidas que associam ao mau comportamento nas escolas, dentro e fora da sala de aula.

A apoiar esta tese do sindicato está um estudo do Centre for Translational Research in Public Health da Universidade de Teesside que verificava que as bebidas energéticas eram mais baratas do que água ou refrigerantes. Uma em cada três crianças consumia regularmente bebidas como Red Bull, Monster e outras marcas destas bebidas, segundo esta investigação.

O alerta não é de hoje. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa, de 2014, mostrava preocupação com a crescente popularidade das bebidas energéticas e as “consequências negativas do seu consumo entre crianças e adolescentes, incluindo efeitos nos sistemas neurológico e cardiovascular, que podem causar dependência física e vício”, cita o The Guardian .

Alertas também em Portugal

Também em Portugal, um artigo da revista da Sociedade Portuguesa de Pediatria de 2017 concluía os adolescentes portugueses consumiam demasiadas bebidas energéticas.
Uma lata desta bebida energética contém 160 miligramas de cafeína. Uma criança de 11 anos não deve consumir mais de 105 miligramas por dia.
Multas podem ser superiores a 2500 euros

A proposta da primeira-ministra britânica sobre a implementação da lei será revelada esta quinta-feira. A única dúvida que persiste prende-se com a idade da proibição de venda das bebidas – 16 ou 18 anos, escreve o The Guardian.

“Milhares de jovens consomem regularmente bebidas energéticas, muitas vezes porque são mais baratas que o refrigerante”, disse Theresa May num comunicado onde anunciava a consulta pública da proposta, citada pela Lusa.

“Todos nós temos a responsabilidade de proteger as crianças de produtos que prejudicam sua saúde e educação”, disse o secretário de Estado de Saúde Pública, Steve Brine, no mesmo comunicado.

As multas por venda de bebidas energéticas podem ir até às 2500 libras (2782 euros), a mesma que é aplicada a quem venda cigarros a menores de idade. A proibição de venda em máquinas automáticas de Inglaterra também está a ser considerada, diz o The Telegraph.

Para já, a medida será aplicada na Inglaterra, mas pode vir a ser seguida pela Irlanda, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Um imposto sobre bebidas açucaradas entrou em vigor no início de abril no Reino Unido para combater a obesidade. Várias cadeias de supermercados tinham já decidido suspender a venda destas bebidas a menores de 18 anos.

Em julho de 2017 já tinha sido proibida a publicidade na televisão, internet e imprensa a alimentos para crianças com muitos açúcares, gorduras e sal.

Avós ou creche. O que é mais benéfico para as crianças?

Setembro 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do MAGG de 28 de agosto de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero
Há prós e contras nos dois ambientes. A MAGG foi saber a opinião de 3 especialistas e as histórias de 4 mães.
Além de serem associados a muito mimo, paciência e cozinhados fantásticos, há há algum tempo que os avós se tornaram num apoio imprescindível para os pais portugueses — de acordo com um estudo publicado em 2014 pela Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal, a par com outros países do sul da Europa, apresenta uma maior percentagem de avós a cuidar dos netos a tempo inteiro.

No nosso País, em que as licenças de maternidade duram, geralmente, quatro a seis meses (quatro meses mantendo o pagamento de ordenado na totalidade, seis a receber 80% do salário), muitos pais têm de arranjar uma alternativa e decidir onde deixar os filhos durante o horário de trabalho quando estes são ainda muito pequenos. Há quem tenha a possibilidade de os deixar com os pais ou sogros, estando o problema facilmente resolvido; outros não têm tanta sorte, e não há outra solução que não recorrer a amas ou creches.

No entanto, mesmo quando a ajuda dos avós está disponível, existem pais que optam pela creche. Foi o que aconteceu a Patrícia Oliveira, 30 anos, diretora criativa na Strazzera (uma empresa na área de produção de moda) e mãe de Lucas, de 2 anos e meio. “Inicialmente, o nosso plano era colocar o Lucas na creche por volta desta altura, mas tivemos de o fazer antes. Foi a minha mãe que ficou com ele quando regressei ao trabalho mas, pouco depois de ele fazer um ano, percebi que tínhamos de mudar”.
Depois de o filho celebrar o primeiro aniversário, a diretora criativa percebeu que este adorava brincar com outras crianças no parque, que estava a desenvolver-se rapidamente e que já era muito puxado para a avó aguentar o ritmo do pequeno Lucas. “Ele tem uma energia louca e começou a ser difícil para a minha mãe cuidar dele todos os dias”, conta à MAGG Patrícia Oliveira, que recorda que não foi fácil arranjar vaga numa creche pública, dado que que a decisão “foi tomada muito em cima da hora”.

A mãe de Lucas confessa que os primeiros 15 dias não foram fáceis — “ele chorava um bocadinho quando o deixávamos” —, mas o menino, na altura com cerca de ano e meio, adaptou-se rapidamente. Patrícia Oliveira lembra que “em uma semana e meia já fazia uma rotina normal”, e hoje em dia a diretora criativa não tem dúvidas de que esta foi a melhor decisão.

“Os pais que preferem colocar os filhos na creche mais cedo estão bastante preocupados com a promoção do desenvolvimento das crianças.”

“Acho que é ótimo para a criança poder ficar em casa no primeiro ano, caso exista essa hipótese, mas, a partir daí, acho mais benéfica a creche. No caso do Lucas, acalmou-lhe o lado ‘furacão’, aprendeu muitas regras e desenvolveu-se bastante — noto, por exemplo, nos desenhos que faz e no cumprimento de ordens”.

A creche é sinónimo de desenvolvimento?

Andreia Pinto, 35 anos, é mãe de Madalena, hoje com 2 anos, e não tem qualquer dúvida sobre os benefícios da creche. Mesmo com a opção de colocar a filha ao cuidado do avô, a supervisora inscreveu a pequena Madalena no berçário com seis meses. “A escola foi a primeira opção, nem equacionei os avós ou amas. Acho que os miúdos se desenvolvem muito mais, têm atividades adequadas à idade, outras crianças, aprendem outras coisas e supostamente ganham mais anticorpos, mesmo que fiquem mais vezes doentes”, afirma Andreia Pinto.

Tal como explica à MAGG a psicóloga clínica Inês Chiote Rodrigues, “os pais que preferem colocar os filhos na creche mais cedo estão bastante preocupados com a promoção do desenvolvimento das crianças” e acreditam que essa será a melhor alternativa para que estes evoluam mais depressa. Mas será a creche sinónimo de um maior desenvolvimento?

A especialista salienta que “pode potenciar a socialização e o estímulo, sendo um local seguro onde a criança aprende a brincar e a conviver com outras crianças”, para além ser uma mais-valia na adaptação a rotinas saudáveis. Porém, em relação ao desenvolvimento dos mais pequenos, assume que tudo depende do ambiente de interação e estímulo oferecido à criança.

“A grande diferença entre a creche e o ficar com os avós é a interação e a aprendizagem sobre partilha, capacidades que são adquiridas nas várias atividades que as educadoras podem fazer nos espaços escolares. Há a noção de que uma criança que entra mais cedo para a creche está mais preparada para a escola, no que diz respeito à capacidade de socialização, de partilha e de cumprimento de regras, mas tudo depende da forma como a criança é estimulada em casa dos avós”, afirma Inês Chiote Rodrigues.

“A criança não se desenvolve mais obrigatoriamente por estar na creche. Basta ainda não estar no seu timming certo para isso acontecer.”

A educadora de infância Gabriela Silva também salienta a importância de analisar cada criança, bem como a sua situação, individualmente. “Como em tudo, cada caso é um caso, seja no que se refere à criança e às suas necessidades, ao tipo de avós e aos profissionais do espaço escola, seja em que idade for. Cada criança tem um tempo próprio para as suas aprendizagens e desenvolvimento individual. Em contexto de grupo recebe mais estímulo, obviamente, mas tal não quer dizer que a criança se desenvolva mais obrigatoriamente por estar na creche. Basta ainda não estar no seu timming certo para isso acontecer”, explica a também formadora na área de Educação de Infância.
Para além dos cuidados básicos, a psicóloga clínica Inês Chiote Rodrigues acredita que, caso exista uma “interação frequente, saídas até parques infantis, interação com outras crianças (netos de amigos, irmãos, primos ou no parque), assim como o estabelecimento e firmeza nas regras e rotinas, a criança poderá ter igualmente um ótimo desenvolvimento em casa dos avós”.

Esta é uma ideia partilhada por José Aparício, médico pediatra e coordenador do atendimento pediátrico do Hospital Lusíadas Porto, que acredita que os avós são uma ótima solução, principalmente para crianças nos primeiros dois anos de vida. “Fala-se do desenvolvimento e da interação com outras miúdos, mas uma criança de um ano não interage com o grupo, mas sim com a educadora. Caso os avós sejam pessoas ativas, que passeiem com a criança, que a estimulem, sou da opinião que é mais benéfico para os miúdos ficarem com eles nos primeiros tempos de vida. Admito que em termos de estimulação pode não ser exatamente a mesma coisa que a creche, mas tem outros benefícios.”

Quando os avós são a escolha óbvia

Raquel Luís, 30 anos, é mãe de Tomás, prestes a fazer dois anos, e, para a professora de Inglês no âmbito das Atividades Extra-Curriculares do Ensino Básico e educadora de tempos livres, a escolha foi óbvia: “Para mim, faz todo o sentido que o meu filho fique em casa dos meus sogros”.

“É inegável que, em casa dos avós, tem a atenção e o carinho que não teria na escola. Em casa dos meus sogros é só ele, na creche, se for preciso, está com mais 20 crianças, que não são nada às pessoas que lá estão.”

À MAGG, a professora conta que já colocou o filho em várias listas de espera de creches, mas Tomás só deverá frequentar as mesmas no início do próximo ano letivo, a cerca de dois meses de completar três anos de idade — esta é uma altura em que Raquel Luís acredita que o filho já se consegue explicar melhor, algo que é de vital importância para si.

“Com tanta coisa que se ouve de maus tratos, de negligenciarem as crianças, prefiro colocá-lo na escola numa altura em que ele se consiga exprimir melhor. Claro que com três anos não o consegue fazer de uma forma totalmente clara, mas sabe dizer-me como foi o dia, como é que correu, o que gostou, o que não gostou e se lhe bateram”, afirma Raquel Luís, que também assume que o fator financeiro entra nas contas e, ao colocar o filho na creche mais tarde, poupa dinheiro.

O alegado desenvolvimento mais rápido das crianças nestes espaços não é fator para a monitora de tempos livres, que admite que a evolução célere do filho é algo que não a preocupa. “É comum dizer-se que, na creche, os miúdos desenvolvem-se mais depressa, andam, falam, mas isso ele vai, eventualmente, fazer. Não sinto que ficar com os avós atrase o desenvolvimento dele”, salienta Raquel Luís que, apesar de ter noção de que a creche pode dar outro tipo de entretenimento ao filho que os sogros não dão, acredita que não é o facto de Tomás estar com avós que vai fazer com que o menino se desenvolva mais devagar. “Conheço muitas crianças que estiveram nos avós e começaram a falar mais rápido que outras, que estão nas creches”, afirma a professora.

Para Raquel Luís, mais importante do que Tomás ser rápido a aprender a falar, é o amor que recebe em casa dos avós, algo que não acredita ser possível numa creche: “É inegável que, em casa dos avós, tem a atenção e o carinho que não teria na escola. Em casa dos meus sogros é só ele, na creche, se for preciso, está com mais 20 crianças, que não são nada às pessoas que lá estão. E acho que, para uma criança, sentir-se acolhida no mundo, ter amor e carinho, é essencial — o amor que lhe é transmitido nos primeiros meses e anos fica para a vida.”
A psicóloga Inês Chiote Rodrigues concorda que a permanência das crianças em casa dos avós nos primeiros anos de vida tem os seus benefícios. De acordo com a especialista, neste cenário, “há, naturalmente, um cuidado diferente. Não só existe um laço emocional forte, mas também uma disponibilidade maior por parte dos avós, dado que a atenção recai apenas sobre aquela criança”. Assim, e tal como explica a especialista, “pode existir uma maior oportunidade de escutar e observar, ganhando um maior conhecimento sobre as caraterísticas e necessidades da criança”, mas tudo depende da qualidade dos cuidados, que vão muito além de trocar fraldas.

“A interação e os estímulos dados ao bebé são muito importantes, pois o seu desenvolvimento cognitivo e emocional está dependente daquilo que recebe nos primeiros dois anos de vida por parte dos cuidadores”, afirma Inês Chiote Rodrigues. No entanto, e apesar dos benefícios já referidos em ficar na companhia dos avós, esta situação também pode trazer contrariedades.

“Quando as crianças ficam em casa até aos três anos, criam rotinas e regras que podem variar um pouco das da escola, e é possível que tenha de existir um período de adaptação”, conta a psicóloga clínica. Porém, este não é o único contra.

A educadora de infância Gabriela Silva relata que, “com certos avós, a criança corre o risco de se tornar mais ‘abebezada’ e permanecer assim durante mais tempo. Refiro-me ao nível e qualidade da linguagem e da expressão verbal, à dieta alimentar, dado que os avós, por vezes, só oferecem o que a criança gosta e não possibilitam a experimentação de novos alimentos, sabores e texturas, como o caso da sopa ser sempre passada, por exemplo. E não nos podemos esquecer da autonomia na higiene pessoal — há miúdos que chegam à pré primária sem se saberem limpar sozinhos”.

Quanto à sociabilidade das crianças, ou ao perigo de falta dela, Inês Chiote Rodrigues volta a afirmar que não é possível ter certezas absolutas. “Tudo depende da própria disposição genética da criança no que diz respeito à introversão/extroversão, assim como do ambiente à sua volta, para que desenvolva ou não essa capacidade de interação”, explica a psicóloga, que acrescenta que, “caso a criança esteja com os avós, mas saia para brincar e esteja com outras crianças, sendo estimulada nesse sentido, existe uma menor probabilidade de ser pouco sociável com outros miúdos”.

Creche ou antro de doenças?

Se já colocou os seus filhos na creche em tenra idade, com certeza passou pelo drama das doenças. Afinal, assim que as crianças entram nestes espaços, é habitual ficarem doentes semana sim, semana não. Este é um cenário bastante familiar para Elizabete Monteiro, 34 anos, mãe de dois rapazes, com 3 e 6 anos, e grávida atualmente de uma menina. “Na época, não tinha qualquer apoio familiar perto de mim e fui obrigada a colocar o meu filho mais velho no berçário apenas com dois meses e meio. O T. estava muitas vezes doente, não dormia de noite e era um bebé muito agitado”, recorda a gestora de marca.

“Os pais precisam de pensar no preço a pagar, no que envolve manter os filhos numa creche, suscetíveis a estes contágios.”

“Quando as crianças estão no berçário ou na creche, estão muito sujeitas a infeções pulmonares e bronquiolites, dado que os pulmões só maturam aos três anos de idade. Este tipo de doenças obrigam à toma de antibióticos, por vezes até a internamentos hospitalares e grandes períodos de recolha em casa”, afirma Gabriela Silva.

No entanto, a educadora de infância explica que é muito complicado controlar as doenças em contexto do espaço escolar, chegando a afirmar que é quase impossível. “Nos primeiros anos, tudo passa pela boca das crianças, aumentando exponencialmente o contágio”, afirma Gabriela Silva, que acredita que tanto os berçários como as creches deveriam impedir o acesso a crianças doentes, com febre, otites ou amigdalites, para citar alguns exemplos.

Este é outro dos motivos pelos quais o pediatra José Aparício acredita que, nos primeiros anos de vida, as crianças ficam melhor ao cuidado dos avós, caso essa alternativa esteja em cima da mesa. “Principalmente nos primeiros dois anos, os mais pequenos não têm muitas defesas e ficam doentes com muita facilidade. Os pais precisam de pensar no preço a pagar, no que envolve manter os filhos numa creche, suscetíveis a estes contágios. É preciso equacionar o dinheiro gasto em medicamentos e as faltas ao trabalho dos adultos”, alerta o coordenador do atendimento pediátrico do Hospital Lusíadas Porto.

3 anos: a idade mágica

Apesar de não existirem regras universais, a entrada das crianças na creche ou pré-primária (vulgo, jardim-escola) com 3 anos é algo consensual entres os especialistas, tanto no campo da educação como no meio médico.

Para a educadora de infância Gabriela Silva, “a entrada após os 3 anos é sempre ideal e tenho esta opinião como mãe e educadora. No entanto, imaginando que a criança tem um atraso no desenvolvimento, irá ganhar e muito com a entrada no espaço escolar o mais cedo possível, dado que irá receber um estímulo constante, melhor do que qualquer terapia”.

Em termos de saúde e sociabilidade, o pediatra José Aparício também refere a marca dos 3 anos como uma ótima idade para ingressar em espaços escolares. “Aos três anos, as crianças já têm mais defesas e outra imunidade, não estando tão suscetíveis a doenças. E com essa idade também já conseguem interagir mais com o grupo e absorver regras de conduta com outras competências”, salienta o especialista.

A psicóloga Inês Chiote Rodrigues reforça esta ideia e explica que é a partir do terceiro ano de idade que, geralmente, as crianças desenvolvem mais autonomia. “Aprendem a expressar-se, a partilhar e a necessidade de interação e socialização é ainda maior. Antes desta idade, apesar do brincar ser fundamental, o maior foco ainda é proporcionar os cuidados básicos ao bebé como a troca de fraldas, alimentação, higiene e afeto”, conclui a especialista.

Pediatras norte-americanos recebem recomendações para receitar mais brincadeiras

Setembro 6, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 31 de agosto de 2018.

Ana Cristina Marques

Um novo relatório da Academia Americana de Pediatria recomenda que os pediatras receitem mais tempo para brincar e avisa que pais e escolas estão demasiado preocupados com a vertente académica.
As crianças têm os horários tão preenchidos que os pediatras devem, em consulta, prescrever mais tempo para brincar. Esta é a recomendação que consta no mais recente relatório da Academia Americana de Pediatria. O relatório com recomendações para os pediatras norte-americanos esclarece que “brincar não é uma coisa frívola”, uma vez que investigações recentes continuam a mostrar que brincar ajuda os mais novos a desenvolver um conjunto vasto de capacidades — potencia a linguagem e as capacidades de negociar com os outros e de lidar com o stress. E estes são apenas alguns exemplos.

“Brincar não é uma coisa frívola: melhora a estrutura e a função do cérebro e promove funções executivas (ou seja, o processo de aprendizagem), o que nos permite perseguir objetivos e ignorar distrações”, lê-se no relatório.”

Escolas e pais demasiado preocupados com o currículo académico das crianças são os principais visados neste relatório, no qual consta a recomendação para que os pediatras tentem inverter a tendência. O problema descrito é atribuído às pressões da vida em sociedade e não às “más intenções” dos pais. Os autores do documento dão especial destaque à noção de que brincar é fundamental para promover crianças mais saudáveis. O ato de brincar com pais e colegas é encarado como uma oportunidade para “promover capacidades socioemocionais, cognitivas, linguísticas e de autoregulação.

As recentes mudanças culturais têm “prejudicado” as oportunidades de brincadeira das crianças, defendem os autores, que apresentam os seguintes números (sempre referentes à realidade norte-americana): de 1981 para 1997, o tempo de recreio das crianças diminuiu em 25%; crianças dos 3 aos 11 anos perderam 12 horas por semana de tempo livre e 30% dos jardins de infância não têm recreio.

Currículos equilibrados e tempo para brincadeiras de qualidade são o objetivo último das recomendações da Academia Americana de Pediatria, que encara ainda o ato de brincar como algo “fundamentalmente importante” para aprender as habilidades necessárias ao século XIX: desde aprender a resolver problemas a saber colaborar com os outros e a ser criativo.
A importância de brincar

Já em 2015, o Observador escrevia, citando o psicólogo Paulo Sargento, que as brincadeiras devem seguir três etapas evolutivas: as atividades que geram ação (quando um bebé atira um brinquedo ao chão está a ter uma primeira noção da lei da gravidade), as simbólicas (pegar numa vassoura e transformá-la num cavalo é um exercício de imaginação) e as que exigem regras (os jogos de computador e os de tabuleiro ajudam a perceber que a vida rege-se por um conjunto de normas).

Ao Observador, Núria Madureira, pediatra no Hospital Pediátrico de Coimbra, explica que brincar, embora um ato desvalorizado, é fundamental em todas as idades e contribui para o desenvolvimento de quatro grandes áreas: motricidade grossa; motricidade fina e visão; audição e linguagem; e autonomia e interação social. Se jogar à bola permite o desenvolvimento da motricidade grossa (como saltar e andar), ler ou ouvir uma história é essencial para a audição e para a linguagem. Já brincar ao faz de conta tem um peso significativo no que à interação social diz respeito.
Falta tempo e espaço para brincar

Para os pediatras Gonçalo Cordeiro Ferreira e Núria Madureira, recomendar mais tempo para brincar é uma coisa consensual, tanto que já o fazem em consultório.

“Quando uma criança brinca está a aprender a construir pontes, quer brincando sozinha, através da imaginação, ou acompanhada, com regras preestabelecidas.” O problema, salienta Gonçalo Cordeiro Ferreira, com mais de 30 anos de experiência, é não existir tempo nem espaço para brincar. Ao Observador, o pediatra aponta o dedo a uma “sociedade normativa” e fala de um “espírito competitivo” que já existe na pré-primária, onde é exigido que as crianças “cheguem aos mesmos pontos na mesma altura” — isto é, não se admite que existam diferentes níveis maturidade. “Existe um regime escolar rigoroso na primária.”

“Com estas preocupações pseudo-académicas, não há tempo para brincadeiras. Os pais têm uma estrutura muito normativa do que a criança deve fazer”, continua o pediatra. As atividades extra-curriculares, diz, dividem cada vez mais o tempo dos mais novos. Núria Madureira concorda, ao dizer que as crianças não brincam o suficiente, também por culpa daquilo que lhes é exigido, nas escolas e em casa, com uma geração de pais muito preocupada em assegurar ou preparar o futuro dos filhos.

“Acho que, atualmente, a nossa sociedade incute uma pressão nas crianças que é claramente exagerada. Os meninos têm todos de ser os melhores em tudo. Isso não é real. Não somos bons em tudo. Penso que é difícil para os pais aceitar as fragilidades dos filhos. Por vezes, os pais projetam nas crianças aquilo que gostariam de ter sido ou aquilo que não tiveram oportunidade de fazer”, acrescenta a pediatra Núria Madureira.”

Outro ponto, que também é referido no relatório de políticas em causa, é o facto de os pais recearem que os filhos brinquem demais. “A questão não é brincar demais, é deixar de fazer determinadas atividades. Acho que o problema aí é perceber porque é que as crianças não fazem [ou não querem fazer] os trabalhos de casa. É uma questão de motivação da escola”, continua Madureira.

A falta de espaço, por sua vez, é uma realidade que já se verifica em jardins de infância, que não estão dotados de espaços para o recreio, salienta Gonçalo Cordeiro Ferreira. “As crianças não têm espaço para brincar ao ar livre.” Mas nem tudo é negativo, com o pediatra a trazer bons exemplos para a conversa, referindo-se às escolas que, no verão, levam as crianças à praia. O problema, aponta, é a frequência com que isto acontece. “Devia ser obrigatório as crianças terem tempos livres fora da escola.”
Como brincar?

Cada vez se brinca menos e cada vez mais se brinca de forma diferente. Núria Madureira acredita que, tendo em conta a atual oferta de brinquedos, existe um maior cuidado do ponto de vista pedagógico, embora haja outras distrações. Os telemóveis e os vídeos de YouTube, por exemplo, podem constituir um “flagelo” caso as atividades a eles associadas não sejam transformadas em algo produtivo e não sejam vigiadas por adultos. Mas mais importante do que os brinquedos é a companhia dos pais: “Costumo falar sobre isto nas consultas de pediatria geral. O tempo pode ser pouco, mas a qualidade não. Refiro-me à regra dos 15 minutos. Os pais devem despender 15 minutos de atenção exclusiva a cada um dos filhos, uma vez por dia. Nesse período de tempo devem fazer o que as crianças quiserem fazer”.

Gonçalo Cordeiro Ferreira deixa ainda um aviso: para o pediatra, brincar não é sinónimo de jogar jogos eletrónicos ou ficar à frente de iPads, situações “passivas”, nas quais não existe o elemento surpresa ou o elemento de construção.

 

“Bullying” e crimes sexuais contra crianças aumentam em Portugal

Setembro 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Foto: Daniel Garcia/Unsplash

Notícia da Rádio Renascença de 23 de agosto de 2018.

“Estas situações continuam a acontecer debaixo de uma cultura do silêncio”, alerta APAV, que hoje divulga estatísticas relativas a crianças e jovens vítimas de violência doméstica.

Os pedidos de apoio relativos a crimes sexuais contra crianças e jovens e à violência em meio escolar aumentaram, nos últimos anos, em Portugal. É a conclusão Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que esta quinta-feira divulga estatísticas relativas aos últimos quatro anos.

Os dados mais significativos dizem respeito aos anos de 2016 e 2017, altura em que aumentaram os casos de violência sexual: entre 30% e 60%.

No que diz respeito ao “bullying”, o aumento abrange o período analisado pela estatística (2013/2017) e tem merecido a preocupação da associação.

“É uma situação que nos continua a preocupar e na qual a APAV tem investido, não só no apoio como na prevenção, trabalhando estas questões junto das escolas, dos alunos, dos professores e do pessoal não docente, numa lógica de cultivar uma cultura da intolerância à violência”, afirma à Renascença Carla Ferreira, da associação.

Outro dado a reter é o facto de 70% dos pedidos de apoio dizerem respeito a atos de violência em ambiente familiar.

“Continuamos a ter aqui uma enorme prevalência de situações que acontecem no contexto doméstico – portanto, mais de 70% destas situações que nos foram reportadas acontecem em contexto doméstico e mais de 60% destas crianças vítimas foram-no vítimas por parte do pai ou da mãe, portanto são filhos ou filhas dos alegados autores”, refere Carla Ferreira.

Os dados indicam também “um decréscimo quer do número de vítimas apoiadas quer do numero de crimes registados” entre 2013 e 2015. Carla Ferreira deixa, contudo, um alerta: “não devemos que isto nos contente muito, porque sabemos que muitas destas situações continuam a acontecer debaixo de uma cultura do silêncio, que tem de ser combatida”.

Os números dos últimos dois anos podem levar-nos a pensar que haverá menos violência, mas “isso não ser necessariamente assim”, frisa.

“Não podemos deixar de estar atentos a estes casos que acontecem com estas vítimas, que são vítimas especialmente vulneráveis, e deixar que as situações possam estar a acontecer e estarmos todos a contribuir para este silêncio”, sublinha.

A estatística revela ainda casos residuais de xenofobia, racismo e discriminação religiosa. “São número muito pequeninos em relação ao global do número de crianças e jovens que apoiamos, mas há uma tendência crescente”, admite a responsável da APAV.

Entre 2013 e 2017, a associação apoiou 4.687 crianças e jovens, vítimas de 8.035 crimes.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Crianças e Jovens Vítimas de Crime e de Violência 2013-2017

 

Estatísticas APAV | Crianças e Jovens Vítimas de Crime e de Violência 2013-2017

Agosto 31, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o documento no link:

https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/1823-estatisticas-apav-crianc-as-e-jovens-vi-timas-de-crime-e-de-viole-ncia-2013-2017

Guia Prático para as Famílias – Pré-escolar, Infância e Adolescência: Estratégias de Prevenção do Consumo de Substâncias Psicoativas Lícitas e Ilícitas

Agosto 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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descarregar o guia no link:

http://www.iasaude.pt/ucad/attachments/article/382/GUIA%202.pdf

Estudo revela sinais de que os homens estão a mudar a forma como criam os filhos

Agosto 28, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Sapolifestyle de 14 de agosto de 2018.

Se acha que ser um bom pai é impor disciplina, assegurar o sustento da família e não mostrar sentimentos, talvez tenha uma noção errada da masculinidade. Os pais de família de hoje estão cada vez mais presentes na vida dos filhos e prestam-lhes apoio emocional.

A maioria dos homens que são pais está hoje mais envolvida na educação dos filhos. Eles procurar estar presentes nas atividades dos mais pequenos e preocupam-se em temperar a sua faceta masculina – ligada à força e à autoridade – com um lado mais carinhoso. A conclusão é de um estudo sociológico conjunto da Brigham Young University (BYU) e da Ball State University (BSU), que envolveu 2.194 pais de crianças entre os 2 e os 18 anos.
A pesquisa, publicada no Journal of Marriage and Family, revela que a paternidade contempla hoje um acompanhamento e uma preocupação maior do que antes. “Os pais preocupam-se em estar presentes fisicamente, por exemplo num jogo ou num recital de piano, mas também emocionalmente, de forma dar apoio e carinho em momentos difíceis”.
Kevin Shafer, professor de sociologia da BYU e co-autor do estudo, disse ao Journal of Marriage and Family que “embora a maioria encare o seu papel como um trabalho de equipa permanente, ao lado da mãe, ainda há um grupo de pais que acredita que a sua maior tarefa é fazer de chefe de família e disciplinador”.
O estudo revela outro dado curioso e que passa pela correlação entre sinais negativos da masculinidade tradicional e menor envolvimento na educação das crianças. Ou seja, os que se comportam de forma mais “dura” tendem a ser menos presentes e afetuosos.
“É importante entender o que é a masculinidade”, sublinhou Kevin Shafer. “Existem alguns aspetos muito benéficos na masculinidade – se forem orientados para a objetividade e a lealdade, por exemplo. No entanto, os mais problemáticos, como a agressão, o não demonstrar emoções e a dificuldade em pedir ajuda são aspetos negativos da masculinidade tradicional que tendem a prejudicar a família”, conclui.
Os investigadores perceberam que, em média, as crianças mais novas têm uma interação forte com os pais várias vezes por semana e que se pode manifestar em brincadeiras e passeios. Já os mais velhos, por vezes, vêm a relação mais cingida às questões de disciplina, mas sabem que eles estão bem informados sobre as suas atividades.
Em termos emocionais, concluiu-se que os pais de crianças mais pequenas encontraram no afeto trocado com os filhos algumas memórias do seu passado e que os pais de miúdos mais velhos admitiram que é comum serem procurados pelos filhos em busca de apoio emocional.
Os sociólogos das duas universidades dizem que, nas últimas décadas, os ideais da paternidade têm estado em constante mutação, muito devido à alteração de expectativas sobre os comportamentos paternos.
“Eles continuam a navegar nas expectativas sociais”, afirmou um outro autor do estudo, Lee Essig. “À medida que as tendências sociais empurram o homem para um maior envolvimento familiar, vemos mais pais a mobilizar-se para ter um papel ativo na vida dos filhos, e de várias maneiras”.
A mesma fonte salientou que “quando ensinamos rapazes e homens a serem mais conscientes emocionalmente e a cultivarem o bem-estar emocional, eles podem tornar-se melhores pais, deixando para trás o papel exclusivo de disciplinadores e fornecedores de rendimento financeiro e afirmando-se como contribuintes decisivos do seu bem-estar emocional”.
Os investigadores dão algumas dicas para os pais.

Se é homem e pai, tome nota

  • Não há problema em mostrar sentimentos. Isso ajuda a ser um pai melhor.
  • Os pais não devem ter medo de ser carinhosos, cuidadosos e ativos. Crianças e famílias só têm a ganhar com isso.
  • Seja um exemplo. As crianças que aprendem pelo exemplo usufruem mais da relação pai-filho, mas também aprendem a ser mais felizes em sociedade.
  • Há muitas maneiras de ser homem. O “durão” está associado a uma deficiente educação das crianças

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Does Adherence to Masculine Norms Shape Fathering Behavior?

 

Estudos relacionam o uso de tecnologias ao aumento de suicídios

Agosto 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Paracatu de 13 de agosto de 2018.

O crescimento das estatísticas de atos e tentativas de suicídio, de autolesão e todo tipo de doença mental nos últimos anos coincidiu com o crescimento estratosférico do uso de tecnologias digitais como smartphones, computadores e principalmente o acesso à internet que hoje é totalmente livre e pode ser usado inclusive para cometimento de crimes.
Os indícios de possíveis prejuízos à saúde mental de crianças e jovens pela forte inclusão desses equipamentos ao cotidiano motivaram muitos pesquisadores a buscar a existência de uma relação direta entre uma coisa e outra. Repito, são indícios que foram estudados e se tornaram dados científicos.
Anualmente, mais de 800 mil pessoas morrem no mundo por suicídio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte. No Brasil, nos últimos anos observou-se aumento de 209% em casos de auto lesão e tentativa de suicídio.
A partir desses ficou fácil relacionar o uso massivo de tecnologias com o aumento de relatos de problemas de saúde mental nos últimos anos que por sua vez levantaram ainda mais reflexões e incertezas.
Parte das pesquisas identificou riscos no uso de tecnologias especialmente de maneira intensa, isso nem é novidade né?
Mas no âmbito dos impactos gerais na saúde mental, acadêmicos da Universidade de San Diego, sinaliaram que adolescentes mais expostos aos dispositivos eletrônicos (como computador, celulares e vídeo-games) manifestaram menores níveis de autoestima, satisfação com a vida e felicidade.
Na relação entre hábitos de consumo de dispositivos técnicos e comportamento suicida, também há pesquisas indicando vínculo entre essas duas condutas.
A relação entre uso da internet e comportamento suicida e de autolesão foi particularmente associado ao vício no acesso a essa tecnologia, altos índices de navegação e contato com sites onde havia conteúdo relacionado ao tema.
Os pesquisadores também investigaram o estímulo a esses comportamentos a partir de práticas de constrangimento e assédio contra jovens em redes sociais e usando tecnologias, ou seja, o cyberbullying. A equipe encontrou grandes evidências de influências negativas em 75% dos 33 casos. Chegou-se a conclusão de que as vítimas de cyberbullying tem muitos mais chances de exibir um comportamento suicida e cometer algum ato no sentido de tirar a própria vida.
O que a gente sempre fala aqui no FM repórter e repete agora é que, tudo que passa, sobra. Tudo tem limite e o que os pais de jovens e adolescentes tem que fazer é acompanhar é controlar monitorar não há mal nenhum nisso.
Até porque proibir eu acho que é meio difícil, pra não falar impossível

 

Não acabem com a caligrafia: escrever à mão desenvolve o cérebro

Agosto 24, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Conti outra

Por CONTI outra

Pediatra acredita que é preciso cuidado para que o mundo digital não leve embora experiências significativas que tem impacto no desenvolvimento das crianças.

As crianças que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia?

Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para, bem, aprender a escrever.

E, além da conexão emocional que os adultos podem sentir com a maneira como aprendemos a escrever, existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro que se desenvolve normalmente aprende ao formar letras em uma página, sejam de forma ou cursivas.

Em um artigo publicado este ano no “The Journal of Learning Disabilities”, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com o que é chamado de habilidades de “função executiva” (como planejamento) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.

Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evidência dessa e de outras pesquisas sugere que “escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita”.

No ano passado, em um artigo no “Journal of Early Childhood Literacy”, Laura Dinehart, professora associada de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem; as que têm dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande de sua atenção está sendo consumida pela produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Mas podemos realmente estimular o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos?

Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.

Ela diz que mais pesquisas são necessárias sobre a escrita nos anos pré-escolares e sobre as maneiras para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar “tarefas complexas” que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.

“Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas”

Virginia Berninger

As pessoas precisam ver as letras “nos olhos da mente” para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral característica é ativada quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. “Seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo”, conta ela.

Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem em um estágio muito inicial na caligrafia.

“As letras que elas produzem são muito bagunçadas e variáveis, e isso na verdade é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benefícios da escrita à mão”, conta Larin James.

Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta da quarta série, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição, talvez porque as linhas que conectam as letras ajudem as crianças a formar palavras.

Para crianças pequenas com desenvolvimento típico, digitar as letras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. No entanto, como muitos que ensinam na universidade, eu me questiono a respeito do uso de laptops em sala de aula, mais porque me preocupo com o fato de a atenção dos alunos estar vagando do que com promover a caligrafia. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que “alunos de faculdade que escrevem em teclados estão menos propensos a se lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão”, conta Laura Dinehart.

Virginia diz que a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois, mais dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, começando na terceira série, e então a atenção sistemática para a digitação.

Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.

“O que estamos defendendo é ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura – isso se transfere para o melhor reconhecimento das letras –, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação”

Virginia Berninger

Como pediatra, acho que pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças.

Dominar a caligrafia, mesmo com letras bagunçadas e tudo, é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.

“Minha pesquisa global se concentra na maneira como o aprendizado e a interação com as palavras feitas com as próprias mãos têm um efeito realmente significativo em nossa cognição”, explica Larin James. “É sobre como a caligrafia muda o funcionamento do cérebro e pode alterar seu desenvolvimento.”

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Fonte indicada: Notícias Uol

 

 

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