Escolas perderam mais de 400.000 alunos e de 30.000 professores em menos de 10 anos

Setembro 17, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Sapo24 de 1 de agosto de 2019.

As escolas portuguesas perderam em menos de 10 anos mais de 400.000 alunos e mais de 30.000 professores, quase metade dos quais do 3.º ciclo e ensino secundário, segundo dados oficiais hoje divulgados.

O relatório “Educação em Números – Portugal 2019”, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), mostra que entre os anos letivos 2008/09 e 2017/18 as escolas perderam 427.163 alunos, passando de 2.056.148 para 1.628.985 estudantes.

A quebra de educadores de infância e professores dos 1.º, 2.º, 3.º ciclos e do ensino secundário foi de 31.147, com o valor mais exuberante a registar-se nos professores do 3.ºciclo e ensino secundário, que no ano letivo 2008/09 eram 91.325 e em 2017/18 se fixavam em 76.722.

Nos restantes níveis de ensino, os dados do relatório indicam que em 2008/09 havia 18.242 docentes no pré-escolar, 34.361 no 1.ºciclo de ensino (do 1.º ao 4.º ano), 34.069 no 2.ºciclo (5.º e 6.º ano) e 91.325 no 3.ºciclo (7.º, 8.º e 9.º ano) e ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º).

Quanto aos estabelecimentos de ensino, o documento mostra que em 2017/18 havia menos 3.878 escolas públicas e privadas em Portugal do que em 2007/08 (eram 12.347), porque o número de escolas públicas caiu de 9.764 para 5.836, enquanto as privadas aumentaram de 2.583 para 2.633.

SO // SB

Lusa/fim

Educação em Números : Portugal 2019

Benefícios da leitura: muito além de aumento de vocabulário

Setembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Quindim

Que a leitura desenvolve o vocabulário, todos sabem, mas poucos conhecem pesquisas empíricas que comprovem seu potencial no desenvolvimento da memória e na melhora do comportamento.

A memória precisa de exercício, e hoje está comprovado que a melhor forma de exercitá-la não são os “apps de desenvolvimento neuronal” das plataformas mobile, mas sim o velho hábito da leitura. É o que afirma o neurocientista Iván Izquierdo, pesquisador brasileiro que coordena as investigações do Centro de Memória, do Instituto do Cérebro da PUC: “A leitura é o melhor exercício para a memória. Quando o cérebro vê uma palavra, tem que formar um inventário de informações e termos que cada letra lhe traz”. Trata-se de um esforço gigantesco que muitas vezes passa despercebido:

“Se a primeira letra da palavra é R, por exemplo, podemos pensar em Raul, rato, revista… em questão de milissegundos o cérebro forma uma lista das palavras que conhecemos e que começam com essa letra – em todas as línguas que sabemos. É uma atividade intelectual poderosa. (…) Nenhum método se impôs sobre o outro no desenvolvimento da memória, só a leitura se destacou.”

Outro estudo, este realizado pela Universidade de Nova Iorque, em colaboração com o IDados e com o Instituto Alfa e Beto, demonstrou que ler para a criança regularmente aumenta em média 14% no vocabulário e 27% na memória de trabalho, além de 25% no índice de crianças sem problemas de comportamento. O resultado dessa pesquisa, realizada com 1250 responsáveis e 1250 crianças de Roraima, é bastante impressionante ao demonstrar que a leitura desenvolve não apenas aspectos cognitivos, como costumamos associá-la, mas também aspectos comportamentais.

Já dizia o grande professor Antônio Cândido que a literatura é, ou ao menos deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção atua no caráter e na formação dos sujeitos. Uma pesquisa demonstrando mudanças significativas em aspectos comportamentais através de uma metodologia empírica amplia essa constatação – tão conhecida pelos que trabalham pela leitura – para outros universos e áreas do conhecimento.

A importância da leitura compartilhada é outra constatação desses estudos. Trata-se de um momento de troca de afeto entre os responsáveis e as crianças, em que não apenas “o pequeno” se desenvolve mas também o adulto que lê para ele, que nessa troca passa a conversar mais com a criança, a conhecê-la (e a se mostrar mais para ela), discutindo questões que não seriam abordadas e refletidas se não fosse aquele livro e aquele momento. Esse hábito precioso oferece uma troca rara e importante que uma rotina diária sem ele dificilmente permitiria. E como consequência prática, aumenta o vocabulário, a memória, a empatia… e segue-se uma lista imensa. Não à toa a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a campanha “Receite um Livro”, com o objetivo de mobilizar os médicos pediatras a estimularem os pais a lerem para as crianças.

Não se engane, porém, ao acreditar que tal desenvolvimento aconteça com uma leitura irregular, uma vez ao mês. Para reverberar, é preciso o hábito, como a pesquisa empírica da Universidade de Nova Iorque considerou: a leitura compartilhada em pelo menos dois dias por semana.

Este desafio, de se criar o hábito, não é difícil de se construir. Ler à noite, antes de dormir, por exemplo, pode se tornar um ritual, um momento de relaxamento e convivência em que se constrói o afeto e todos os outros resultados práticos consequentes. Para isso, não é preciso muito: uma carteirinha de uma biblioteca e, se possível, um clube de assinatura de livros infantis, como o nosso, o Clube de Leitura Quindim, com curadoria de qualidade e livros selecionados por pessoas como Ziraldo, Walcyr Carrasco e Marisa Lajolo. Pois para se ter tantos benefícios, não basta também um livro de ficção banal. É o que diz outra pesquisa empírica, esta da Universidade de Cambridge, feita em uma parceria entre os departamentos de Neurociência, Pedagogia, Psicologia e Letras. Eles constataram o potencial que a literatura de qualidade tem de gerar empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro –, um potencial não encontrado em textos de ficção banais ou em textos de não ficção. Ou seja, para se desenvolver através da leitura, não basta ler: é preciso literatura de qualidade.

Renata Nakano é mestre em Literatura pela PUC-Rio e bacharel em Comunicação pela UAM. Como pesquisadora, foi premiada com bolsa da Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique, e convidada a apresentar sua pesquisa sobre livro ilustrado em universidades como Cambridge e em eventos literários pelo Brasil. Como editora, desenvolveu catálogos de literatura infantil para diferentes casas editoriais, tendo conquistado prêmios como FNLIJ, BN e o Prêmio Jabuti.

“A brincar também se educa”. Um guia para envolver os pais e afastar as crianças dos ecrãs

Setembro 10, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Observador de 15 de agosto de 2019.

Ana Cristina Marques

90% das crianças entre 5 e 14 anos já têm telemóvel e preferem o smartphone aos jogos tradicionais. Os pais têm cada vez menos tempo. Mas os especialistas alertam: brincar sem ecrãs é fundamental.

Uma amostra de 1.200 crianças portuguesas, dos 5 aos 14 anos, concluiu que 90% tinha um telemóvel ou um Ipad próprio ou, então, partilhado com os irmãos. “São os dispositivos que os pais já não querem e que ficam para os filhos. Fiquei surpresa, os professores também não sabiam”, relata Ivone Patrão ao Observador, investigadora, psicóloga e terapeuta familiar do ISPA – Instituto Universitário. O estudo por ela coorientado teve por base alunos de escolas públicas e privadas e serviu para criar o jogo Missão 2050, lançado em junho último, que visa a promoção do uso saudável de tecnologia. “Enquanto investigadora foi uma surpresa”, insiste. “Tinha ideia que isto começava aos 10 anos, com a entrada para o 5.º ano. Mas não. E eles comunicam uns com os outros depois da escola, à noite.”

Enquanto se rendem aos ecrãs — assumam eles a forma de smartphones ou de tablets –, as crianças estão a tirar tempo aos estudos e à própria brincadeira. Ivone Patrão fala “na normalização de comportamentos”, isto é, de um comportamento online que substitui o ir brincar para a rua ou o jogar ao UNO, por exemplo. Não quer isto dizer que estas crianças sejam dependentes do uso do ecrã — isso é outra conversa — mas pode realmente existir um comportamento considerado excessivo.

Vários artigos que alertam para o facto de haver pais que usam os telemóveis e os tablets como babysitters: segundo o estudo “Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças”, do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing (CRC-W), da Universidade Católica Portuguesa, as crianças que mais usam aplicações têm até 2 anos e são os pais os primeiros a dar aos filhos o acesso a dispositivos eletrónicos, além de 90% das casas portuguesas ter ligação à internet, “smartphones, computadores portáteis ou tablets”.

O debate em torno dos ecrãs é tanto que o insólito já aconteceu: nos EUA há famílias que contratam coaches para as ajudar a educar crianças longe dos ecrãs, porque é difícil recordar um tempo em que tal não existia. Também nos Estados Unidos, como já antes explicou o Observador, são cada vez mais os pais que atrasam de propósito a idade a que os filhos recebem smartphones para as mãos, existindo até movimentos organizados nesse sentido — por exemplo o “Wait Until 8th” (Espera até ao 8º).

O papel dos pais nas brincadeiras dos filhos

Brincar é essencial para o desenvolvimento dos mais novos, seja a nível sócio-emocional, psicomotor ou cognitivo. O ato de brincar deve seguir três etapas evolutivas: as atividades que geram ação (quando um bebé atira um brinquedo ao chão está a ter uma primeira noção da lei da gravidade), as simbólicas (pegar numa vassoura e transformá-la num cavalo é um exercício de imaginação) e as que exigem regras (os jogos de computador e os de tabuleiro ajudam a perceber que a vida se rege por um conjunto de normas).

A brincadeira funciona como uma espécie de tubo de ensaio para a vida real. Permite explorar, conhecer, aprender e percecionar o mundo, perceber como este funciona. Brincar faz parte da vida de uma criança e é tão importante que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda três horas diárias de atividade física, leia-se jogos e brincadeiras, a partir do primeiro ano. O gesto tão naturalmente associado à infância parece estar, por estes dias, em vias de extinção. Tanto que há sensivelmente um ano a Sociedade Norte-americana de Pediatria recomendava que os pediatras receitassem mais tempo para brincar. A escassez está, muito provavelmente, associada ao atual estilo de vida marcado por agendas cheias e acesso facilitado aos ecrãs, o que veio alterar a forma como as crianças olham o mundo à sua volta.

Para Inês Afonso Marques, psicóloga infantil e autora do livro “A brincar também se educa” (editora Manuscrito), quando os pais dão tempo aos filhos para brincar estão a educá-los, a ajudá-los a fazer escolhas e a usar a criatividade, entre outras vantagens. Mas o uso que fazemos da tecnologia pode estar a impedir as crianças de brincar, diz. E os pais são o modelo dessa realidade. Ao Observador, a psicóloga explica que brincar implica envolvimento e atividade, enquanto a tecnologia é passiva. “As crianças gostam de se sujar, de sentir, de envolver os cinco sentidos naquilo que estão a fazer. Tudo aquilo que possa suscitar a descoberta, tudo isso estimula uma criança.”

Foi Sílvia e o marido que aproximaram a tecnologia do filho de três anos para garantir aos pais momentos de descanso e para ajudar a criança nas refeições. Ao Observador, esta mãe admite que o filho sempre comeu mal, pelo que recorria ao ecrã para o distrair. “Talvez isto tenha sido um pouco mau porque ele hoje não come bem. Antes fazia as refeições sem saber o que estava a comer, hoje não tem uma relação boa com a comida.” Atualmente, o filho vê alguma televisão em casa — sempre sintonizada em canais infantis — e Sílvia congratula-se pelo facto de ele não ter ficado muito adepto dos ecrãs. “Sinto-me aliviada porque ele não os procura, não ficou dependente. Entretém-se sozinho, encarna personagens com acessórios.”

A psicóloga e investigadora Ivone Patrão é perentória quando argumenta que as crianças não deveriam ter ecrãs nas horas das refeições e no tempo de brincar porque “têm de estar concentradas no que estão a fazer, seja comer ou brincar”. O ecrã, continua, deve ser encarado como um complemento à brincadeira, mas não o pode substituir. “O ecrã é muito assumido como algo que os vai tranquilizar, mas é preciso fazer um uso adaptado, caso a caso, dependendo das necessidades da família. Acho que os pais devem perguntar-se porque usam a tecnologia. Muitas vezes dá-se a ferramenta, mas não o manual de instruções.”

Segundo a Sociedade Norte-americana de Pediatria, até aos 2 anos o uso de smartphones e de tablets não é recomendável, sendo que a introdução deve ser feita de forma gradual e com a supervisão dos adultos. Inês Afonso Marques insiste nesta tónica: é importante controlar o que é transmitido à criança, bem como limitar ao máximo todo o tipo de monitores. “Há crianças [em consultório] que verbalizam ‘Preciso do telefone porque não tenho nada com que me entreter’. Isso revela uma dependência associada à incapacidade de a criança encontrar outros estímulos.”

“Não gosto de culpar a tecnologia… Na minha infância tive consolas. Muitas vezes, no consultório, pergunto aos miúdos as brincadeiras preferidas e a maior parte responde o telemóvel, o tablet, o computador e a consola. Por outro lado, sinto que eles têm sede de brincadeiras, têm vontade de usar os jogos que estão nas prateleiras do consultório, jogos banais, mas o mais imediato é a tecnologia muito por observação e pelo modelo que têm à sua volta”, continua Inês Afonso Marques, que ressalva que cabe aos adultos quebrar o ciclo e encontrar ou reencontrar outras formas de brincar. A isso acrescenta-se a “falsa questão” da falta de tempo, até porque a psicóloga ouve em consultório como as crianças se queixam de que os pais não têm tempo para brincar e como os pais argumentam que já não sabem brincar. “Não é necessário muito tempo, desde que este seja de qualidade”, diz, aconselhando os adultos a seguir os interesses da criança e a seguir o ritmo desta.

O uso pouco saudável das tecnologias pode, entre outras coisas, impactar a criança do ponto de vista motor, no sentido em que pode prejudicar a sua destreza. Também por isso a OMS alertou recentemente para a necessidade de as crianças com menos de cinco anos terem de passar menos tempo sentadas diante dos ecrãs para passarem, ao invés, mais tempo a brincar de maneira a crescerem de forma saudável. Entre as recomendações da Organização Mundial de Saúde está, por exemplo, o facto de os bebés com menos de um ano de idade terem de ser “fisicamente ativos várias vezes ao dia e de formas diversas” e não ficarem “contidos” mais de uma hora de cada vez em cadeiras ou carrinhos. “Tempo de ecrã não é recomendável”, acrescenta a OMS.

Sobre isso, Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), disse em 2015 ao Observador que o ecrã “alterou muito significativamente a vida das crianças e dos pais”. “Passou-se da trotinete ao tablet de uma forma rapidíssima e não há equilíbrio. E o que está em causa neste momento é que nem a atividade desportiva que as crianças fazem em clubes, nem a educação física escolar, nem o desporto escolar — que são muito importantes — são suficientes para acabar com o sedentarismo que existe.”

Aos 44 anos e com duas filhas, de 7 e 8 anos, Sofia não diaboliza a tecnologia, mas faz questão de impor regras que, espera, um dia, as miúdas levem consigo para a complicada fase da adolescência. O ecrã mais utilizado lá em casa é a televisão, sobretudo para ver desenhos animados e filmes familiares como a saga “Harry Potter”. “A regra, embora não seja sempre cumprida, é dois desenhos animados quando chegam da escola, o que dá no máximo uma hora de televisão”, conta ao Observador. Limitar o tempo de acesso à televisão deriva da preocupação de Sofia, que considera que os estímulos emitidos por este ecrã são muito rápidos para os cérebros das crianças. “Se passar o tempo, a mais nova, por ter alguns problemas, fica perturbada, começa a rodopiar em loop, sem parar, a mexer freneticamente as pernas, até o discurso dela fica mais confuso.”

Outra regra imposta por Sofia passa pelo uso de smartphones: o uso exclusivo dos telefones dos pais (elas não têm gadget próprio) serve para jogar jogos escolhidos a dedo e testados pela mãe, preferencialmente que estimulem o raciocínio matemático, embora também haja momentos para “maquilhar e vestir princesas”. As filhas só podem jogar duas a três vezes por semana, cinco jogos à vez. “Quanto mais cedo elas tiverem noção de que os ecrãs têm de ser usados com inteligência, melhor. Eu não uso o telemóvel à frente delas, caso contrário nada disto faria sentido. Faço questão de dar o exemplo.”

Também o pedopsiquiatra Pedro Strecht considera que as tecnologias — em particular as aplicações — podem interferir no desenvolvimento das crianças, sobretudo em relação a algumas áreas cognitivas e de relação social. “Se um menino de 8 anos brinca no tablet ou se um de 12 anos joga na playstation, diria que isso é normal e não vejo mal nisso — só aconselho os pais a darem os jogos apropriados à idade dos filhos; mas se ele só brincar com o tablet ou com a playstation… Há crianças que crescem quase só com experiências de relação e de estímulo centradas no ecrã. Há pessoas que acham que tenho uma visão muito crítica em relação às tecnologias… As tecnologias têm coisas ótimas que podem facilitar ganhos de tempo, simplesmente acho que, nos dias de hoje, elas próprias se tornam tão opressivas no chamado tempo tecnológico que também bloqueiam a nossa vivência, o nosso tempo biológico e emocional”, já antes disse ao Observador.

O que mais preocupa a psicóloga Ivone Patrão é precisamente o estado das relações sociais. A socialização, diz, deve ser mista, tanto presencial como online. “O que me preocupa é se for só online. Se as crianças começam assim já não vão ter relações”, afirma, referindo-se ao impacto nas respetivas competências sociais. “Elas deixam de estar treinadas para a resposta em direto.”

Afinal, o que dizem os estudos?

Indepentemente da idade, Ivone Patrão refere que o ecrã tem, de facto, afetado pela negativa o ato de brincar. “Vejo que isso os deixa sentados, inertes, parados do ponto de vista físico. E há outra questão: o ecrã dá-lhes um input… o output vai ter de sair. Quando deixam de estar ao ecrã podem ficar mais irrequietos. A energia natural da infância tem de sair de outra forma. Isso tem impacto ao nível do comportamento e do ponto de vista cerebral. A luz do ecrã, por exemplo, pode provocar alterações no sono”, assegura.

O problema não é necessariamente o ecrã, mas o uso que se faz deste. Porque também nos smartphones ou nos tablets há vantagens: como a facilidade de acesso à informação, a capacidade de aprender novas línguas ou o facto de ser uma ferramenta útil na sala de aula. Nem de propósito, segundo um estudo do ano passado, publicado no jornal semanal The Lancet Child & Adolescent Health, limitar o tempo que as crianças passam a olhar para um ecrã melhora a sua capacidade de aprendizagem — o ideal seria passarem menos de duas horas por dia nessa condição.

Em 2017, a Sociedade Norte-americana de Pediatria apresentava um estudo — feito entre 2011 e 2017 com 894 crianças entre os seis meses e os dois anos — que mostrava que as crianças menores de dois anos que usavam ecrãs táteis corriam o risco de começar a falar mais tarde. Sobre isso, Catherine L’Ecuyer, doutorada em Educação e Psicologia e autora do bestseller “Educar na Curiosidade”, já antes disse ao Observador que “o tipo de interação que o tablet promove não é como a interação humana, que requer um processo ativo. Diante do ecrã, a criança anda a reboque de estímulos frequentes e intermitentes. Transforma-se numa espécie de porta USB ou numa impressora.”

As recomendações já antes citadas pela Organização Mundial de Saúde, tendo em conta o uso do ecrã por parte das crianças, não foram bem aceites por todos, já que o The Guardian cita especialistas que argumentam que, na sua base, há falta de provas. Juana Willumsen, uma das autores das referidas recomendações, diz que não há como negar que os ecrãs fazem parte da vida moderna, ao mesmo tempo que argumenta que o grupo de trabalho em questão não encontrou vantagens em introduzi-las a crianças com menos de três anos. “Capacidades sociais e cognitivas são mais bem desenvolvidas com outra pessoa do que com um ecrã. Cuidadores que brincam interativamente são absolutamente vitais para o desenvolvimento das crianças, em particular nos primeiros anos.”

1 em cada 5 crianças sofre de ansiedade e de depressão

Setembro 9, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Lucas Metz unsplash

Notícia e imagem do MAGG de 8 de maio de 2019.

por Miguel Lopes

É importante detetar o problema cedo, mas não é fácil em crianças com menos de 8 anos. Um estudo criou um algoritmo que promete ajudar.

A inteligência artificial já não pertence apenas aos filmes de ficção científica e agora está a ser testada com o propósito de detetar sintomas de ansiedade e depressão em humanos — mais especificamente, em crianças com menos de 8 anos.

De acordo com um estudo publicado no “Journal of Biomedical and Health Informatics”, citado pela “EurekAlert”, uma em cada cinco crianças sofre de ansiedade e de depressão. Como as crianças com menos de 8 anos não conseguem dar conta do seu sofrimento emocional, é preciso que os adultos consigam reconhecer o problema e agir depressa. E é aí que este tipo de tecnologia pretende focar.

“A maioria das crianças com menos de 8 anos não é diagnosticada [com este tipo de distúrbios]”, quem o diz é a psicóloga e uma das responsáveis pelo estudo, Ellen McGinnis. “São precisos testes rápidos e objetivos para ajudar as crianças quando elas estão a sofrer”, continua.

Foi então criado um algoritmo capaz de detetar este tipo de sintomas em crianças, onde foram avaliadas 71 miúdos entre os três e os oito anos.

Foi-lhes pedido que inventassem uma história de três minutos que iria ser avaliada por um júri. Depois de 90 segundos, soava uma campainha para apressar e tentar destabilizá-las.

O que os miúdos não sabiam era que o membro do júri era um dos psicólogos a trabalhar no estudo e que tinha como objetivo fazer comentários negativos sobre o que estava a ver.

“A tarefa foi projetada para ser stressante e para levar as crianças a acharem que alguém as estava a julgar”, afirmou Ellen McGinnis.

Além disso, as crianças foram ainda avaliadas através de uma entrevista clínica estruturada que depois foi complementada com um questionário realizado aos pais.

Ao que parece, o algoritmo funcionou de forma rápida e quase perfeita. “O algoritmo foi capaz de identificar crianças com distúrbios com 80% de precisão. Na maioria dos casos, isso foi facilmente comparado com a precisão da lista de verificação dos pais”, revelou o psicólogo e autor do estudo, Ryan McGinnis.

Segundo a mesma investigação, o algoritmo também identificou três características diferentes na gravação das histórias contadas pelas crianças — e que podem estar associadas a vários distúrbios psicológicos. São elas a baixa frequência da voz, a repetição de conteúdo e as respostas agudas ao ouvir a campainha.

Para a psicóloga Ellen McGinnis, o próximo passo vai ser “desenvolver o algoritmo e criar uma aplicação para os smartphones de forma a gravar e analisar os resultados mais rapidamente.” A ideia é alertar os pais o quanto antes para possíveis problemas dos filhos.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Giving Voice to Vulnerable Children: Machine Learning Analysis of Speech Detects Anxiety and Depression in Early Childhood

Estudo. Facebook e Instagram estão a prejudicar a saúde mental das crianças

Setembro 9, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do MAGG de 14 de agosto de 2019.

por Mariana Leão Costa

O estudo conclui que 51% das raparigas e 43% dos rapazes afirmam ligar-se às redes sociais mais de três vezes por dia.

No imediato, as redes sociais servem propósitos nobres como manter as pessoas ligadas e em permanente contacto. Mas nem sempre estes propósitos são assim tão altruístas. Os exemplos são muitos mas recordamos, por exemplo, o caso da mulher espanhola que, em maio deste ano, se suicidou por ver um vídeo seu de cariz sexual a ser partilhado nas redes sociais.

Agora, um novo estudo britânico publicado a 13 de agosto vem lembrar quais os impactos que as redes sociais podem ter na saúde mental das crianças. Segundo a investigação, estas plataformas expõem os adolescentes ao cyberbullying, retira-lhes horas de sono e ainda os leva a não fazer exercício físico.

O estudo foi realizado com uma amostra de mais de 12 mil crianças com idades entre os 13 e os 16 anos. Foi-lhes perguntado quantas vezes abriam as redes sociais por dia, mas não quanto tempo ficavam em cada uma delas. 51% das raparigas e 43% dos rapazes afirmaram ligar-se às redes sociais três vezes por dia.

Os investigadores concluíram que abrir o Facebook, o Whatsapp ou o Instagram semanalmente, aumenta o risco em 20% de as crianças sofrerem de distúrbios psicológicos. Aqueles que se ligavam mais de três vezes por dia tinham uma saúde mental mais pobre do que os outros que registavam valores mais baixos.

O estudo sugere ainda que as raparigas estão mais sujeitas a estes problemas do que os rapazes. “Os danos da saúde mental relacionados com a frequente exposição às redes sociais nas raparigas podem relacionar-se com a exposição ao cyberbullying e à falta de sono e exercício físico”, pode ler-se no estudo.

“As intervenções que promovam a saúde mental devem incluir esforços para prevenir ou aumentar a resiliência ao cyberbullying e assegurar um sono e exercício físico adequado nos jovens”, aconselham os investigadores

Poluição do ar causa um terço dos casos de asma nas crianças

Setembro 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 9 de agosto de 2019.

http://www.youtube.com/watch?v=n4uQiRETz_o

De  Elza GONCALVES 

A poluição do ar é responsável por um terço dos casos de asma nas crianças. É o resultado de um estudo realizado em dezoito países pelo Instituto de Saúde Global, sedeado em Barcelona.

“Estimámos que, cada ano, há seiscentos mil novos casos de asma infantil nesses países. Um terço desses casos de asma são causados pela poluição do ar, especialmente pelas partículas finas com menos de 2,5 micrómetros em diâmetro”, explicou Mark Nieuwenhuijsen, autor do estudo e investigador do Instituto de Saúde Global.

As partículas finas são produzidas pela circulação automóvel, sobretudo pelos veículos a gasóleo e pela indústria. Por serem muitos finas, estas partículas alojam-se nos pulmões.

O impacto da poluição na saúde humana tem sido alvo de vários estudos. Recentemente investigadores chineses concluíram que a poluição tem um impacto negativo no desempenho cognitivo dos humanos, sobretudo nos homens.

Mais informações na notícia:

El 33% de los casos nuevos de asma infantil en Europa son atribuibles a la contaminación atmosférica

Stress do pai durante a gravidez também influencia comportamento das crianças

Agosto 28, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Danielle Macinnes / Unsplash

Notícia e imagem do Público de 6 de agosto de 2019.

O estado emocional da gestante já tinha sido relacionado com o comportamento das crianças. Agora, um novo estudo indica que o stress do pai e as dinâmicas do casal também influenciam a forma como os filhos se comportam.

Carla B. Ribeiro

O stress emocional do pai durante a gravidez é uma das causas dos problemas emocionais e de comportamento em crianças de 2 anos, conclui um estudo de uma equipa de investigadores das universidades de Birmingham, Cambridge, Leiden (Holanda) e Nova Iorque, publicado na revista Development & Psychopathology, editada pela Universidade de Cambridge. Mais: o mesmo trabalho relaciona os conflitos no casal aos problemas emocionais de crianças muito pequenas.

A equipa responsável destaca o facto de esta investigação se tratar da primeira a examinar a influência do bem-estar de mães e pais — e não apenas da mãe ou apenas do pai — antes, ao longo do terceiro trimestre, e depois do nascimento das crianças, tendo incluído a observação destas entre os 4 e os 24 meses de idade.

“Há muito tempo que as experiências do pai são tratadas em paralelo ou totalmente isoladas das [experiências da] mãe. E isto precisa de mudar porque a dificuldade de relacionamento das crianças tanto com o pai como com a mãe poderá ter efeitos a longo prazo”, explica Claire Hughes, a professora do Centro de Investigação para Família de Cambridge, em comunicado.

De acordo com os dados apurados pelos investigadores, o bem-estar da mãe de primeira viagem durante o período de gestação influencia directamente o comportamento observado quando os pequenos atingem os 2 anos, registando “birras, inquietação e mal-estar” naqueles cujas mães revelaram stress durante a gravidez. Porém, de acordo com o mesmo estudo, tanto o stress do pai como a relação do casal acaba por determinar o comportamento da criança nos seus primeiros anos de vida. E não apenas durante a gravidez, mas também nos primeiros meses do recém-nascido.

As descobertas apontam para que os bebés que tenham tido, nos primeiros meses de vida, um ambiente familiar tenso, com pai e mãe em stress pós-parto, mais tarde mostram-se “mais propensas a apresentar problemas emocionais”, seja por se revelarem preocupadas, infelizes e chorosas; por se assustarem facilmente; ou por mostrarem resistência a enfrentar qualquer situação que se apresente como uma novidade.

Para Hughes, este estudo torna-se de importância vital por identificar um problema que pode ser trabalhado com acompanhamento no tempo certo: “As nossas descobertas destacam a necessidade de um apoio mais precoce e efectivo para os casais se prepararem melhor para a parentalidade.” A pensar nisso, a equipa começou por partilhar as suas conclusões com a National Childbirth Trust (NCT), instituição britânica que tem como missão apoiar física e emocionalmente quem se prepara para um primeiro filho, ao mesmo tempo que diz “incentivar o NHS”, serviço nacional de saúde do Reino Unido, e outras organizações a reconsiderarem o apoio que oferecem, não o limitando à mãe, mas incluindo também o pai de primeira viagem e, em simultâneo, o casal.

A investigação teve por base uma amostra de 438 mães e pais enquanto esperavam pelo seu primeiro filho, no terceiro trimestre de gravidez, e incluiu o acompanhamento posterior dos três quando a criança tinha 4, 14 e 24 meses. Geograficamente, a amostra dividiu-se entre o Leste de Inglaterra, o estado de Nova Iorque e a Holanda.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Parental well-being, couple relationship quality, and children’s behavioral problems in the first 2 years of life

Conhecer os amigos dos filhos e os pais deles reduz episódios de bullying

Agosto 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 6 de agosto de 2019.

Portugal é dos países onde os pais mais conhecem os amigos dos fılhos, mas o cenário muda quando se olha apenas para as escolas favorecidas. Especialistas mostram, contudo, reservas nesse tipo de divisão

Um estudo que parte de dados do PISA concluiu que, quando os pais conhecem os amigos dos filhos (e os respectivos pais), as ocorrências de bullying diminuem e os estudantes mostram melhor desempenho na resolução conjunta de problemas. Apesar de a investigação não conseguir provar uma causa-efeito directa neste último ponto, assegura que os resultados do PISA vão ao encontro desta expectativa.

Para esta análise foram utilizados 288 mil inquéritos feitos no âmbito do PISA dirigidos a pais e estudantes de 18 países da OCDE sobre a frequência com que foram vítimas de  bullying físico e psicológico. Portugal teve 13.600 pais e alunos a responder. No estudo reforça-se que, quando se cultivam estas relações, os estudantes terão mais relutância em praticarem bullying. Além disso, se todos se conhecerem, será mais fácil definir normas.

Simão Bento, estudante de 18 anos e presidente da associação de estudantes da Escola Secundária Camões, em Lisboa, é a da opinião que “existem dois lados da moeda”: “Conhecer os amigos do filho pode ajudar, os jovens podem sentir-se mais intimidados, mas também podem estar mais reticentes em expor um caso de bullying, principalmente no ensino básico”, afirma.

Segundo a psicóloga Margarida Gaspar de Matos, existe um respeito maior “quando os miúdos conhecem os pais dos amigos” — no fim de contas, “não vão bater no amigo com quem lancham em casa”. Mas reconhece que pode dar-se exactamente o fenómeno oposto: os filhos podem ter medo de que, ao contarem aos pais que foram vítimas de  bullying, estes sejam “demasiado protectores” e reajam de forma excessiva na escola. “É difícil gerirmos o modo como podemos ajudar os nossos filhos. Temos de falar muito com eles e a qualidade do diálogo deve começar cedo”, explica.

Depois de a filha passar por esta situação, Rui Martins, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, é a favor de uma abordagem que envolva toda a comunidade escolar: “Na altura foi uma surpresa, pensei que só acontecia aos outros. Só é possível resolver estas situações se todos trabalharem em conjunto, pais, directores, psicólogos… Quem faz bullying também precisa de ser ajudado.”

O “perigo” de generalizar

Geórgia, Espanha e Irlanda são os países onde os pais mais conhecem os amigos dos filhos e os respectivos pais — Portugal situa-se em sexto lugar na lista e acima da média da OCDE. Por outro lado, é em França, Hong Kong e Macau que os pais menos conhecem os amigos dos seus filhos. O estudo aponta duas razões para estes dados: por um lado, o número de vezes que o aluno tem de mudar de escola — em Espanha, um aluno de 15 anos só tem de mudar de escola uma vez, aos 12 anos, enquanto em França terá de mudar três vezes, aos 6, 11 e 15 anos.

Por outro, a participação dos pais em reuniões e conferências escolares, que potenciam as relações entre eles — na Geórgia, Alemanha, Irlanda, Escócia e Espanha, oito em cada dez pais foram a reuniões escolares; já em países como França, Coreia, Macau e Hong Kong, menos de sete em cada dez pais participou nestas actividades. Não constam no documento os dados de Portugal.

“Há uma tendência para que a participação de um maior número de pais torne o ambiente escolar mais interessante”, começa por dizer Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo. “Os alunos exprimemse e aprendem mais. Também se sentem mais seguros”, conclui.

Embora Margarida Gaspar de Matos defenda que “a qualidade da relação entre a escola e a família” seja importante para a criança, e que “a comunicação entre os dois é um valor acrescentado”, ressalva: “Não me parece que exista uma relação directa entre conhecer os amigos dos filhos e o sucesso escolar. Existem pais atentos, empenhados e que estão interessados na evolução do filho na escola.”

Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, partilha da mesma opinião: “É perigoso generalizar na educação. Tive alunos que tinham tudo para dar errado e acabaram por ser muito bem sucedidos. Não são a regra, mas esses casos existem.”

Quando os dados da investigação comparam os alunos que andam em escolas mais ou menos favorecidas do ponto de vista socioeconómico, Portugal muda de posição e passa para o grupo de quatro países onde a clivagem é mais acentuada. Ou seja, no México, República Dominicana, Geórgia e Portugal, quanto mais favorecida for a escola, menos pais e filhos se conhecem e contactam uns com os outros. O oposto acontece na Bélgica, Hong Kong, Luxemburgo, Macau, Chile e Malta.

Diferenças regionais?

Se Rui Martins acredita que “existe um factor de competição em escolas de elite”, que cria uma barreira para que os pais conheçam os amigos dos filhos, há quem tenha mais dificuldades em aceitar a divisão entre escolas favorecidas e desfavorecidas em Portugal. Manuel Pereira considera que as diferenças se situam noutro patamar, o das realidades urbanas e rurais. “Em zonas menos populosas é mais fácil conhecer os amigos dos filhos em relação às zonas urbanas, que estão cheias de alunos”, explica.

Já a psicóloga Margarida Gaspar, apesar de concordar que não é “totalmente possível separar o mais favorecido do mais desfavorecido a nível nacional”, acredita que também não é possível fazer uma divisão entre o rural e o urbano: “Não é útil dividirmos o país, porque depois passamos a ver o mundo através desses óculos de categorias”, defende.

Texto editado por Rita Ferreira

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Do parents of 15-year-olds know many of their child’s school friends and their parents?

Cerca de 14% das crianças até aos 9 anos são expostas ao fumo do tabaco em casa

Agosto 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 1 de agosto de 2019.

Um novo estudo revela que as crianças cujos pais são fumadores e com menor nível de escolaridade estão mais expostas ao fumo ambiental do tabaco em casa.

Cerca de 14% das crianças portuguesas até aos 9 anos são expostas diariamente ou ocasionalmente ao fumo do tabaco em casa, percentagem que sobe para os 32,6% nos alunos do quarto ano de escolaridade.

O estudo sobre a “Prevalência de crianças portuguesas expostas ao fumo ambiental do tabaco em casa e no carro” revela que as crianças cujos pais são fumadores e com menor nível de escolaridade estão mais expostas ao fumo ambiental do tabaco em casa.

A investigação, que decorreu entre janeiro e setembro de 2016, é um estudo transversal descritivo que envolveu uma amostra representativa de 2.396 crianças portuguesas dos zero aos 9 anos, estratificada por idade e por região administrativa NUTS II.

Publicado na revista científica da Ordem dos Médicos “Ata Médica”, o estudo revela que 5,4% das crianças estão duplamente expostas ao fumo ambiental do tabaco em casa e no carro.

Segundo a investigação, 5,8% das crianças estão expostas ao fumo em casa diariamente e 8,5% ocasionalmente.

O estudo verificou que 6,1% das mães e 11,2% dos pais fumam no domicílio. Constatou também que 4,5% das mães e 8,3% dos pais fumam no carro.

A exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco tem diminuído em Portugal. Ainda assim, o consumo de tabaco dos pais e um baixo nível de escolaridade são fatores de risco para a exposição das crianças em casa”, sublinha.

De acordo com o estudo, a exposição ao fumo é maior nas crianças cujos pais têm um menor nível de escolaridade (19,6%) do que naquelas em que os pais têm mais estudos (6,2%).

Essas diferenças foram estatisticamente significativas na amostra total e na maioria das regiões avaliadas (Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa, Algarve, Região autónoma dos Açores).

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Prevalência de Crianças Portuguesas Expostas ao Fumo Ambiental do Tabaco em Casa e no Carro

Mortalidade infantil em Portugal abaixo da média da UE

Agosto 24, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Noticiasaominuto de 19 de julho de 2019.

O gabinete estatístico europeu destaca ainda que a taxa de crianças mortas antes de atingirem um ano de idade por cada mil nascimentos recuou face à de 4,4 por mil na UE e de 3,4 em Portugal, registada em 2007.

Comparando a 20 anos (com 1997), a mortalidade infantil caiu para mais de metade em Portugal (de 6,4 para 2,7 por cada mil nados-vivos) e quase para metade na UE (de 6,8 para 3,8).

Em 2017, as mais altas taxas de mortalidade infantil foi registada em Malta, Roménia (6,7 mortes por mil cada) e na Bulgária (6,4), tendo as mais baixas sido observadas em Chipre (1,3) e na Finlândia (2,0).

Portugal tinha, em 2017, a sexta menor taxa de mortalidade infantil.

Mais informações na notícia da Eurostat:

Infant mortality halved between 1997 and 2017

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