Conferência “Há tecnologia a mais na vida dos nossos filhos?” 5 maio no ISCTE

Maio 2, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/202454583689992/

 

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Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos

Abril 22, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo publicado na Revista do Centro de Estudos de  Comunicação e Sociedade (CECS) Universidade do Minho

As crianças portuguesas de três-oito anos estão a crescer em lares apetre­chados com dispositivos móveis, individualizados, de pequeno porte e ecrãs tácteis, com aplicações diversificadas. Apesar desta ecologia digital, o pri­meiro inquérito nacional sobre como as crianças estão a crescer entre ecrãs (N= 656), realizado para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 2016, contraria pressuposições de um boom tecnológico. Apenas 38% dos pais reportam que as crianças usam a internet e prevalece uma mediação centrada no controlo e na restrição. Este texto apresenta e discu­te resultados desse inquérito e do estudo qualitativo em 20 famílias cujas crianças acedem a meios digitais, centrando-se nas competências digitais. Estas incluem competências tradicionais (ler, escrever e contar), e outras re­lacionadas com acesso e uso das tecnologias digitais (Sefton-Green, Marsh, Erstad & Flewitt, 2016)

Castro, T. S.; Ponte, C.; Jorge, A. & Batista, S. (2017). Crescendo entre ecrãs: competências digitais de crianças de três a oito anos. In S. Pereira & M. Pinto (Eds.), Literacia, Media e Cidadania – Livro de Atas do 4.º Congresso (pp. 144-157). Braga: CECS.

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http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2671/2579

Os ecrãs estão a substituir os pais

Abril 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 1 de abril de 2018.

por CATARINA DA EIRA BALLESTERO

Smartphone, tablet, TV. São ecrãs utilizados pelos pais para distrair os filhos. Mas esta atitude pode ser considerada negligência.

A tecnologia está em todo o lado. Já não vivemos sem os smartphones, os canais de televisão podem ser vistos através de dispositivos móveis e até existem restaurantes cuja carta está num tablet.

Num mundo tão tecnológico como aquele em que vivemos, é natural que os vários ecrãs (televisão, smartphone, tablet, computadores, etc) que nos rodeiam façam parte das várias esferas da vida, incluíndo a educação dos nossos filhos. Mas há que saber onde traçar o limite,avisam os especialistas.

A geração dos 30 e 40 anos está deslumbrada com a tecnologia

Como explica Rosário Carmona e Costa, psicóloga clínica, à MAGG, a tecnologia é uma novidade na história das famílias. “Os pais que estão na geração dos 30 e dos 40 anos não cresceram com a tecnologia que existe hoje em dia e estão ainda, eles próprios, deslumbrados com tudo o que temos disponível. Logo temos aqui um fator novidade e um comportamento desajustado por parte dos pais que não é intencional”, afirma a psicóloga.

A especialista refere que os pais precisam de repensar as práticas educativas no que diz respeito às novas tecnologias e que isto lhes precisa de ser ensinado. “Existem coisas que são consensuais e que os pais têm noção que não devem ser feitas, como o bater ou o gritar. No entanto, quando em consulta toco num ponto relacionado com as novas tecnologias e os identifico como erros, ficam surpreendidos.”

Existe muita pressa por parte dos pais em introduzir as tecnologias nas vidas dos filhos, salienta a psicóloga, e esta rapidez pode fazer com que esta introdução não seja feita da maneira mais correta. “A tecnologia pode fazer parte da vida das crianças, mas mediante um conjunto de regras bem estabelecidas”, refere a especialista, que indica que existem algumas diretrizes a ter em conta.

“Quando, como, onde pode ter acesso aos ecrãs, bem como o que acontece à criança ou jovem se não cumprir com as suas obrigações devido à excessiva utilização destes recursos”, explica Rosário Carmona e Costa.

Os pais estão a demitir-se da sua função de educadores

Se tem filhos, provavelmente já recorreu ao Youtube num restaurante para acabar com uma birra ou ligou a Baby TV na televisão da sala para o seu filho ficar distraído enquanto acaba de fazer o jantar. Porém, estas atitudes inocentes à partida, podem substituir os pais no seu principal papel: o de educar.

“Os pais estão a utilizar muito os ecrãs como forma de gestão e manipulação do comportamento dos filhos”, afirma Rosário Carmona e Costa. A especialista refere que estas atitudes podem também ser uma forma de negligência parental, “embora esta palavra seja forte e

e esteja muitas vezes associada a violência, o que não é o caso neste contexto.”

Para comerem, para se portarem bem numa sala de espera, para não chatearem os adultos à mesa ou incomodarem outros clientes num restaurante. Todas estas razões levam os pais, muitas vezes, a colocarem um ecrã à frente das crianças.

“Os ecrãs tornaram-se babysitters sempre disponíveis, mas estas ações estão a retirar aos pais a função, que é deles, de ensinar aos filhos os comportamentos e regras de contexto a ter. Os pais estão a demitir-se, involuntariamente, da sua função de pais e a colocar um objeto externo como educador dos filhos”, refere a especialista, que salienta o perigo que existe com estas atitudes, que podem impedir as crianças de desenvolverem um conjunto de competências para a vida adulta.

O uso constante dos ecrãs é prejudicial às crianças

A psicóloga explica que as consequências da utilização indevida dos ecrãs na educação das crianças assenta em três questões diferentes, mas igualmente importantes.

“Em primeiro lugar, se uma criança está constantemente a receber um ecrã, seja uma televisão com desenhos animados ou um tablet com jogos, para gerir mau feitio ou birras, esta mesma criança não vai saber lidar com a frustração, que é uma capacidade fundamental no futuro”, diz a especialista.

Outro fator é que a criança, ao ter o seu comportamento controlado pelo exterior (ou seja, ecrãs), não vai aprender a fazê-lo sozinha. Rosário Carmona e Costa refere que se colocarmos um ecrã sempre que a criança chorar, seja por que razão for, esta não vai aprender a gerir o seu comportamento, nem a auto-regular as suas emoções.

Já cheguei a ouvir educadoras de creches dizerem que existem pais que pedem para deixar o tablet com os filhos para eles não chorarem no momento da separação, sendo que nenhuma criança gosta de se separar do pai ou da mãe para ficar na creche. Mas é uma competência importante que devem adquirir.”

Por último, quando as crianças têm um acesso constante e facilitado ao ecrã, não existe um adiamento da recompensa. “Os pais precisam de entender que cederem o ‘prémio’, neste caso, o acesso às tecnologias, ainda antes de as crianças realizarem uma tarefa é negligência, apesar de inconsciente”, afirma a especialista.

Depois de um dia na escola, as crianças podem jogar. Se se mantiverem bem comportados numa sala de espera, podem depois ter acesso ao tablet. “Este é um pensamento que tem de regressar para a vida das famílias, transmitirem aos mais pequenos que a utilização dos ecrãs é uma regalia, um prémio e não um direito”, explica Rosário Carmona e Costa, que acrescenta que, muitas vezes, esta adição aos ecrãs é confundida com outros problemas.

“Já tive vários casos, em consulta, de crianças com seis, sete, oito anos de idade, cujos pais afirmam que têm um défice de atenção, não conseguem ficar quietos uma hora na sala de aula, não se concentram. E depois eu percebo que foi uma criança que, de cada vez que fazia uma birra, tinha acesso a um ecrã para ficar quieta. Esta criança não tem um défice de atenção, simplesmente não aprendeu a esperar.”

A psicóloga conta que existem outros casos, como os de crianças levadas até ao seu consultório porque os pais estão preocupados com o seu comportamento.

“Já tive um caso de uma criança que não convivia no recreio com outros miúdos, não demonstrava interesse nas brincadeiras, não possuía competências sociais. E tudo isto era resultado de uma exposição alargada e sem regras aos ecrãs. Esta criança aprendeu a estar sempre isolada no seu mundo, a jogar, e devido ao excesso de estimulação dos ecrãs, até tinha um comportamento mais agressivo.”

Os castigos devem estar relacionadas com o comportamento

Se a tecnologia for o recurso favorito das crianças, que muitas vezes é (os miúdos mais pequens recorrem muito aos tablets para verem desenhos animados ou jogos mais básicos, as raparigas mais velhas dão mais atenção aos smartphones e às redes sociais, sendo os adolescentes rapazes mais seduzidos pelos jogos de computador e consolas), pode existir a tentação por parte dos pais de retirar o acesso a estes ecrãs como forma de castigo.

Porém, a especialista refere que isto apenas deve ser feito se as tecnologias tiverem uma relação direta com a razão do castigo, ou quando podem ser um obstáculo a um comportamento mais favorável.

“O castigo, na sua essência, é uma tentativa de alterar um comportamento errado. Logo, os castigos mais eficazes são aqueles em que as consequências são relacionadas com o comportamento”, explica Rosário Carmona e Costa.

Se uma criança magoou outra, o “castigo” mais eficaz pode ser ter de acompanhá-la ao posto médico. Na opinião da psicóloga, esta é uma situação que terá muito mais impacto do que ir para uma sala de aula fazer uma cópia.

“Já quando estamos a falar de uma criança ter uma atitude negativa perante outra com recurso à tecnologia, como uma espécie de cyberbullying, aí sim faz todo o sentido retirar-lhe o acesso à internet.”

Os castigos têm de estar associados à falha. “Dando outro exemplo, se o jovem tiver uma negativa, o telefone pode ser-lhe retirado durante o dia seguinte, mas apenas e só porque nesse dia a criança deve fazer um esforço para estudar mais, e o telefone seria um objecto de distração. E deve ser explicado à criança que é essa a razão, e que o telefone lhe será devolvido quando acabar de estudar”, salienta a especialista.

A psicóloga sugere, por fim, que os castigos devem ser curtos, oferecendo às crianças uma sensação de controlo e que têm uma nova oportunidade em breve de corrigirem o comportamento e conquistarem a confiança dos pais, ou o que perderam, de volta.

“Já tive um jovem no meu consultório que me disse ‘só estou aqui porque me mandaram, estou de castigo até ao fim do ano por isso não me importo’. Se os castigos forem muito longos, os jovens sentem que já perderam tudo e não há qualquer vontade de corrigir o comportamento, não há estímulo para tal”, conclui a psicóloga.

 

 

 

 

Como ajudar as crianças a concentrarem-se no meio de tantas distrações digitais

Abril 8, 2018 às 4:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 28 de março de 2018.

Há alguns anos podiam desconcentrar-se com uma mosca a voar, ou com um cão a ladrar. Hoje, os miúdos já nem veem a mosca nem ouvem o cão. Estão demasiado ocupados com o computador, o tablet, o telemóvel. Estão sempre “ligados”, a responder a uma mensagem, publicar no Instagram, colocar gostos e comentários no Facebook, acudir às notificações do Snapchat , falar com o grupo do WhatsApp, colocar um emoji no Messenger, verificar o “plim” de mais uma entrada na caixa do correio, ou no hangup, jogar online ou ver os vídeos no Youtube, por exemplo. São infindáveis as distrações que a era digital proporciona e tentar estudar e aprender no meio de todos estes apelos e “ruídos” não é fácil.

Como explica Isabel Cavadas, psicóloga no colégio Primeiros Passos, do Porto, os conteúdos digitais “vão diretamente às redes neuronais do prazer”, acabando por se tornar aditivas, o que pode até ter um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo da criança.

Isto porque a área do cérebro que governa a atenção é a mesma que domina o controlo de impulsos, a organização e o pensamento crítico, entre outras. Adelaide Dias, psicóloga, diz que todas estas distrações dão origem “a um excesso de informação que as crianças recebem quando a parte emocional ainda não está toda desenvolvida”. Esta desregulação pode gerar “problemas de comportamento, dificuldades no autocontrolo e em gerir a autoestima, a frustração e a ansiedade”.

Os bonecos animados não são todos inofensivos

Uma equipa de investigadores da reputada organização nortre-americana Brookings Institution concluiu recentemente que as distrações constantes a que as crianças estão sujeitas lhes estão a prejudicar a “função executiva”. Ou seja, aquilo que o Center on the Developing Child de Harvard define como “o processo mental que nos permite planear, focar a atenção, recordar instruções e conciliar com sucesso várias tarefas”.

É por isso que, numa tentativa de ajudar os pais e os educadores a orientarem as crianças a desenvolverem capacidades de concentração, a Academia Americana de Pediatria faz uma série de recomendações.

A primeira passa por definir criteriosamente o tempo passado em frente aos ecrãs. As crianças entre os 2 e os 5 anos não devem passar mais do que uma hora por dia a ver programas, mas de qualidade, na televisão. Sim, porque o tempo de ecrã pode ser mais ou menos didático, dependendo do que se está a ver.

Se é fã de “Sponge Bob”, por exemplo, pode ser a altura de pensar duas vezes. Um estudo concluiu que programas que tinham um ritmo mais acelerado, como o “Sponge Bob”, perturbavam a capacidade de uma criança em idade pré-escolar para se concentrar quando comparada com uma outra criança que via programas mais calmos ou estava a desenhar. O melhor seria mesmo ver “A Rua Sésamo”.

A Academia Americana de Pediatria não aconselha a televisão para crianças com menos de 2 anos, propondo antes que se leia, cante, brinque ou converse com elas. “Os pais muitas vezes assumem que se são bonecos animados está tudo bem”, disse Rahil Briggs, psicóloga citada pelo New York Times ao comentar este estudo. Mas as sequências aceleradas e fantásticas de alguns programas infantis podem fazer com que o cérebro das crianças, no futuro, “não consiga prestar atenção a alguma coisa que não seja tão fantástico”.

Criar zonas livres de media dentro da casa

Nas crianças mais velhas, pode ser mais difícil controlar as milhares de mensagens sem sentido, a navegação constante na internet, as conversas ininterruptas nos chats, ou os jogos online, principalmente se têm os seus próprios smartphones. A Academia Americana de Pediatria recomenda que se mantenham, dentro de casa, “media-free-zones”, isto é, áreas sem internet e telemóveis, como os quartos, e há especialistas que falam em “screen-free time”, períodos sem ecrãs, como a hora do jantar, por exemplo. E isto tanto para as crianças e jovens como para os adultos.

No mesmo sentido segue a psicóloga Isabel Cavadas, que propõe “um ritual de pousar o telemóvel”, ou qualquer aparelho tecnológico a fim de proporcionar um momento para a família. Serve “para haver diferenciação do que é o espaço social através do digital e o espaço social da interação direta” e, acima de tudo, para “estabelecer momentos de paragem”, uma vez que “estamos inseridos numa era tecnológica em que temos acesso a tudo o que é imediato, e as crianças nasceram nesta imediatez, o que faz com que tenham dificuldade em parar”.

Para controlar o uso dos meios digitais pelos adolescentes, o ideal é a “negociação”. É necessária uma “comunicação transparente por parte dos pais; a rigidez, ao ser demasiadamente elevada, vai levar o jovem a omitir”, avisa Isabel Cavadas. Há que “tentar ir pelo acordo e não pelas medidas mais radicais”.

Quem manda? Eu ou o telemóvel?

Pelo menos, dizem os especialistas, há que encorajar os filhos a que no período do estudo, o smartphone esteja em silêncio, sem alertas e notificações sonoras. E seria conveniente explicar-lhes como falhamos muito ao tentar fazer duas (ou mais) coisas ao mesmo tempo (como estudar e manter uma conversa no chat, jogar na consola, ou estar atento às publicações e stories dos amigos no Instagram). Não somos (nem sequer as mulheres, como muitas gostam de dizer) multitaskers. O melhor é mesmo mostrar-lhes alguns estudos como um publicado na Psicology Today, sobre os custos de fazer várias tarefas em simultâneo.

Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard publicou uma série de atividades que pode fazer com o seu filho para que este melhore a sua “função executiva”, em várias idades, desde os bébés até aos adolescentes. Incluem, nos mais pequeninos, canções, rimas e jogos de memórias e nos mais velhos, a prática de artes marciais, tocar um instrumento, dançar ou fazer teatro. Tudo isso exige concentração.

Os especialistas sugerem ainda que os pais ajudem os filhos a fazer uma pergunta básica: “Sou eu que mando no smartphone ou noutro aparelho digital ou é é ele que manda em mim?”. E que aprendam a não estar permanentemente ligados. O melhor é responder a mensagens por blocos em vez de estar sempre a interromper a concentração cada vez que chega uma mensagem, isso ajuda-os a melhorar o seu autocontrolo.

Muitos pais podem deparar-se com resistência por parte dos seus filhos nesta tentativa de moderar o uso dos meios digitais. Nessas situações, a opinião de Isabel Cavadas é clara: “Os nãos também têm de existir para educar, os nãos são um meio para a criança aprender a gerir a frustração”, porque “a escalada comportamental requer limites bem definidos e assertividade e consistência”.

Mas acima de tudo, conclui, há que demonstrar “que há tempo para tudo”, seja por iniciativas escolares ou familiares.

Atividades por idades de acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard:

  • 3 a 5 anos: teatro, puzzles, culinária;
  • 5 a 7 anos: jogos de tabuleiro, jogos de adivinhas, ritmos de palmas complicados;
  • 7 a 12 anos: qualquer jogo que envolva estratégias, como xadrez, saltar à corda, aprender a tocar um instrumento;
  • Adolescentes: fazer voluntariado, escrever num diário, inscreverem-se num desporto.

 

 

 

Reino Unido quer limitar tempo que crianças passam frente a ecrãs

Março 29, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e foto do https://pplware.sapo.pt/ de 11 de março de 2018.

Estamos a atravessar uma época em é bastante comum vermos crianças, desde tenras idades, agarradas de forma frenética aos smartphones e tablets.

Trata-se de um comportamento que gera controvérsia e, agora, um Secretário de Estado do Reino Unido pretende limitar o tempo que as crianças passam em frente a ecrãs.

Certamente que já se questionou sobre esta crescente tendência das crianças, quase não irem a lado nenhum, sem estarem agarradas ao smartphone ou tablet… parece uma chupeta que as acalma.

É uma realidade preocupante e já há quem pense em soluções para ela.

Concretamente no Reino Unido, Matt Hancock, Secretário de Estado da Cultura Digital, sugere que se limite o tempo que as crianças estão expostas a ecrãs, sobretudo o que passam online

O Secretário de Estado reconhece que este é um problema e que algo deve ser feito, sendo que essas mudanças devem ser implementadas nas diferentes faixas etárias dos mais pequenos, através de um sistema de verificação de idade que poderia ser benéfico para o controlo do tempo que as crianças passam online.

Em entrevista ao The Times, Hancock diz considerar que o impacto negativo que esta exposição traz para as crianças é uma preocupação genuína, e afirma:

For an adult I wouldn’t want to restrict the amount of time you are on a platform but for different ages it might be right to have different time cut-offs.

There is a genuine concern about the amount of screen time young people are clocking up and the negative impact it could have on their lives.

Estes comentários surgiram após Jeremy Hunt, Secretário de Estado da Saúde também do Reino Unido, ter afirmado que a utilização excessiva das redes sociais pode trazer consequências tão negativas para a saúde das crianças como fumar e como a obesidade.

Das medidas que poderão ser implementadas constam o limite, a não mais que algumas horas, do tempo que os jovens passam online, e a permissão a que se tenha uma conta numa rede social apenas a partir dos 13 anos.

 

 

Estudo inglês afirma que a tecnologia está a fazer com que as crianças não consigam pegar em lápis

Março 17, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 25 de fevereiro de 2018.

A crescente utilização de tablets e smartphones por parte dos mais pequenos está a fazer com que não ganhem força nos músculos dos dedos.

As crianças estão a a ter cada vez mais dificuldades no simples acto de segurar num lápis ou numa caneta. A culpa? Um estudo da britânica Heart of England NHS Foundation Trust diz que a culpa é da tecnologia.

Segundo os médicos deste conglomerado privado que são citados pelo The Guardian, a utilização excessiva dos touchscreens de smartphones ou tablets está a impedir que os músculos dos dedos das crianças se desenvolvam corretamente.

“As crianças estão a chegar à escola sem terem a força de mãos e destreza que tinham há 10 anos”, afirma Sally Payne, pediatra chefe do gabinete de terapia ocupacional da Heart of England.

“Hoje, os miúdos chegam à escola e quando lhes passamos um lápis para a mão, por exemplo, percebe-se que não têm as capacidades de movimento fundamentais”, diz Payne ao Guardian.”

“Para conseguirem agarrar num objeto deste género e movimentarem-no precisam de ter um grande controlo dos músculos mais sensíveis dos dedos “, acrescentou. “Eles precisam de ter muitas oportunidades para desenvolver essas aptidões.”

Para Payne, a natureza das brincadeiras de criança mudaram, isto porque “é mais fácil dar um Ipad a um miúdo do que encorajá-lo a brincar com coisas que o ajudem a desenvolver-se melhor, como Legos, cortes e colagens ou coisas feitas em corda, que eles possam puxar e esticar.”

O Patrick, de seis anos, tem vindo a participar todas as semanas (ao longo dos últimos seis meses) numa aula de terapia ocupacional que tem como objetivo ajudá-lo a desenvolver a força no seu dedo indicador — para que consiga pegar num lápis. A sua mãe, Laura, culpa-se da desvantagem do filho: “Em retrospectiva vejo que dei coisas tecnológicas ao Patrick para que ele brincasse, tendo com isto excluído quase todos os os outros brinquedos mais tradicionais. Quando ele entrou na escola fui contactado pelas professoras dele que que estavam preocupadas: ele estava a segurar no seu lápis como um homem das cavernas. Ele simplesmente não lhe conseguia pegar de outra forma qualquer. Por causa disso estava a ter dificuldades a aprender a escrever.”

A mãe de Patrick afirma ainda que apesar desta dura realidade, a terapia esta a funcionar bem e que agora tem uma “posição muito mais firme” em relação ao acesso à tecnologia. “Acho que a escola detectou o problema mesmo a tempo de ser corrigido, antes que surgissem danos irreparáveis.”

Mellissa Prunty, pediatra especializada na vertente da terapia ocupacional que se foca mais nos problemas de escrita, também está preocupada com o facto de cada vez haverem mais crianças a aprenderem a escrever muito tarde, por causa da tecnologia.

“Um dos problemas principais é o facto da caligrafia ser algo muito próprio de cada pessoa e isso desenvolve-se durante a infância”, explica a médica que também é a vice-presidente da National Handwriting Association (“Associação Nacional da Caligrafia”, em português) e diretora da clínica de investigação da Brunel University London.

Existem várias formas de “ensinar a escrever” nas escolas inglesas, sendo que muitas deles já usam tablets como auxiliares dos tradicionais lápis. Para a mesma Prunty, esta realidade é um problema grave, já  que muitas crianças também usa tablets fora da escola.

Karin Bishop, a directora adjunta da Royal College of Occupational Therapists, afirmou que: “É inegável a importância da tecnologia e a forma como ela já mudou o mundo onde os nossos filhos estão a crescer. Apesar de existirem vários aspectos positivos desta realidade, há cada vez mais indícios do seu impacto no crescente sedentarismo do nosso estilo de vida e das nossas interações sociais. À medida que as nossas crianças vão passando cada vez mais tempo dentro de casa e “online”, passam menos tempo a participar em actividades mais físicas.”

 

 

Estes alunos melhoraram as notas por causa dos tablets

Março 13, 2018 às 12:30 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 12 de março de 2018.

Fundação Gulbenkian distribuiu equipamentos por alunos e professores de uma escola. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

Alunos de duas turmas dos 7.º e 10.º anos receberam tablets “para usar como quisessem”, no âmbito de um estudo que concluiu que a maioria ficou mais motivada e aprendeu mais.

A Fundação Gulbenkian queria perceber o que acontece numa escola em que os tablets fazem parte do dia-a-dia e para isso distribuiu equipamentos por todos os alunos e professores. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

O professor universitário José Luís Ramos, um dos autores do estudo ’Tablets’ no Ensino e na Aprendizagem. A sala de aula Gulbenkian: Entender o presente, preparar o futuro, começa por sublinhar que os alunos não são todos iguais, não utilizam as tecnologias da mesma maneira nem com os mesmos fins.

Além disso, acrescenta, os resultados do estudo não podem ser extrapolados para a realidade nacional, uma vez que foram acompanhadas apenas duas turmas de uma escola de Lisboa.

No entanto, notou-se “maior motivação e uma atitude mais positiva para com a escola e a aprendizagem” entre a maioria dos alunos.

Regra geral, “os alunos que mais utilizaram os tablets”foram também “os que mais aprenderam”, diz o professor, considerando que “os tablets podem ser um recurso muito interessante para a aprendizagem dos alunos”.

Alunos e professores receberam um tablet, contou o professor, sublinhando que houve um ou outro encarregado de educação que não ficou agradado com a ideia de o seu filho estar ligado em rede 24 horas por dia e que acabou por proibi-lo de tocar nos aparelhos.

Houve alunos que usaram os tablets com muita intensidade para diversão, outros que os usaram pouco, mas de forma eficiente, segundo o estudo que será apresentado terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

Alguns alunos utilizaram a tecnologia a seu favor, mas também houve outros que baixaram as notas. “Sabemos que alguns alunos tiveram alguma dificuldade em gerir o seu tempo”, admitiu o professor.

Durante dois anos, os investigadores conseguiram acompanhar a utilização do uso dos tablets graças a um dispositivo de investigação, que passava pela observação de aulas, gravação de aulas – “tivemos mais de 500 horas de aulas gravadas” – entrevistas a alunos e a professores, explicou José Luís Ramos.

 

 

 

Apresentação do livro “Tablets no Ensino e na Aprendizagem” 13 março na Fundação Calouste Gulbenkian

Março 12, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

https://gulbenkian.pt/evento/tablets-no-ensino-e-na-aprendizagem/

Miopia cresce entre as crianças devido ao uso de computadores e smartphones

Março 10, 2018 às 6:13 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.correiobraziliense.com.br/ de 25 de fevereiro de 2018.

Tatiana Sócrates Especial para o Correio

Apontada como a epidemia do século pela Organização Mundial da Saúde, a miopia é mais comum entre os pequenos que não se desligam dos aparelhos eletrônicos

Uma pesquisa do Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) — TIC Kids On-line — revela que cerca de 69% das crianças e adolescentes do Brasil, na faixa dos 9 aos 17 anos, utilizam a internet mais de uma vez por dia. No Centro-Oeste, o índice ultrapassa a média brasileira e chega a 74% — é a região em que as crianças são mais conectadas, ao lado do Sudeste, segundo o estudo.

Os dados confirmam o crescente acesso dos brasileiros aos benefícios da tecnologia, mas, ao mesmo tempo, desvendam uma nova preocupação: as ferramentas eletrônicas estão contribuindo para o aumento da miopia entre os pequenos. “É uma tendência do mundo moderno”, alerta o oftalmologista Luiz Felipe Diniz, do Hospital Brasileiro de Olhos (HBO), em Brasília.

Cerca de 20% das crianças em idade escolar, de acordo com levantamentos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), apresentam problemas de vista. A miopia é a campeã e já é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a epidemia do século. O uso de celulares e computadores por mais de seis horas diárias, segundo Diniz, pode levar ao agravamento dessa patologia em crianças e adolescentes.

Lucas Macedo, 9 anos, sente na pele, ou melhor, nos olhos, os efeitos da tecnologia. Vidrado em smartphone, tablet e afins, ele usa óculos desde os 6 anos. A mãe do menino, a fisioterapeuta Juliana Macedo, 40, acredita que a internet atrapalhe muito. “Se deixar, as crianças ficam além da conta na frente da tela do computador e no celular. Acho que forçam demais os olhos.”

Comportamento

Juliana conta que Lucas passa horas assistindo ao YouTube. “Ele está com 3 graus de miopia no olho direito e 1,5 no esquerdo.” Na escola, ele começou a ficar em pé, perto do quadro, para conseguir anotar o que a professora escrevia. “É preciso prestar atenção nessa questão da miopia infantil”, alerta Juliana. “Pensam que a criança é inquieta e teimosa, mas, na verdade, ela está apenas em busca de um campo melhor de visão.”

Como as crianças não identificam a dificuldade para enxergar, é importante que os pais fiquem atentos ao comportamento delas. “Quando elas têm alguma dificuldade visual, costumam ter dores de cabeça, desinteresse pelo estudo e baixo desempenho escolar. Também ficam muito próximo da televisão e têm mania de franzir os olhos para enxergar”, descreve Juliana. “Caso perceba essas atitudes em seu filho, é importante procurar um oftalmologista”, recomenda.

“É muito comum, no dia a dia do consultório, descobrirmos erros de refração — que é como denominamos a miopia — em crianças que tinham problemas de aprendizagem ou comportamento na escola”, confirma o médico oftalmologista Geraldo Canto, de Curitiba. “Para evitar isso, ir ao oftalmologista no início do ano é uma grande oportunidade de começar as aulas da melhor maneira.”

Além do uso excessivo das novas tecnologias, o aumento dos casos de miopia em crianças é relacionado à falta de atividades ao ar livre. “Um mecanismo de nossa visão, chamado de acomodação, nos permite olhar objetos distantes e focar com nitidez objetos próximos. Esse foco é feito com a contração do músculo ciliar, o anel no meio do olho para visão a distância. O excesso de esforço pode gerar fatores associados ao aumento da miopia”, esclarece Canto. É o que acontece quando se força a vista ao digitar e ao assistir a vídeos em celulares e computadores.

Dicas para o dia a dia

  • Fazer a criança realizar atividades em ambientes externos diariamente, por 40 minutos, no mínimo.
  • Não aproximar demais dos olhos os celulares, tablets, computadores e livros — eles devem ser mantidos a 30cm da face, no mínimo.
  • Não se debruçar sobre o objeto de leitura.
  • Manter a tela do computador a 50cm da face, no mínimo.
  • Fazer intervalos frequentes enquanto estiver utilizando esses objetos. A cada 20 minutos, retirar o olhar deles e focalizar objetos distantes, por cerca de 20 segundos.
  • Uso de tablets e celulares por crianças de 2 a 5 anos não deve ultrapassar 1 hora por dia.

O que dizem os médicos

As cirurgias refrativas para correção do grau são indicadas somente depois dos 18 anos, desde que a graduação já tenha estabilizado.

Para evitar mais prejuízos à visão, a recomendação é, desde cedo, ensinar as crianças a fazerem intervalos de cinco minutos a cada hora na frente das telas.

Reduza o brilho dos monitores. Ajuste-os procurando deixar a visibilidade agradável para a vista. Não deixe o fundo muito claro nem muito escuro.

Monitores de cristal líquido cansam menos a vista do que os antigos, de tubo, pois já vêm com superfície antirreflexo e melhor definição de imagens.

Fonte: Luiz Felipe Diniz, médico oftalmologista

Quanto mais longe, melhor!

Estima-se que, até 2020, 28% da população brasileira seja míope. Até 2050, o índice pode chegar a 51%, segundo a oftalmologista Renata Bettarelo. “Hoje, a taxa no Brasil gira em torno de 11% a 36%, mas a tecnologia tem contribuído para o aumento da doença”, alerta. O problema pode ser hereditário ou adquirido.

“É uma condição em que ocorre um alongamento indesejável do diâmetro anteroposterior do globo ocular”, detalha Renata. “Isso faz com que a imagem do objeto observado se forme antes da retina e não sobre a mesma, o que gera uma imagem borrada dos objetos distantes.”

A miopia é um problema ocular em que se consegue ver perfeitamente os objetos de perto, mas as coisas mais afastadas podem aparecer desfocadas, resume o médico Luiz Felipe Diniz. A causa está relacionada a fatores genéticos e ambientais.

O pouco tempo em ambiente externo e o excesso de tempo com o olhar fixado para perto, como a exposição às telas próximas (celulares, tablets, computadores) e livros, são os fatores ambientais mais associados à doença, segundo Diniz. Estudo do National Health Service (Serviço de Saúde Britânico) confirma que passar mais tempo ao ar livre torna as pessoas menos propensas à miopia. Para especialistas, isso tem a ver com os níveis de luz.

Para evitar esse problema, a publicitária Elenice Oliveira, 31 anos, e o marido, o cineasta Márcio Moraes, 52, resolveram impor regras rígidas aos filhos. “Durante a semana, os mais novos — Anabela e Victor Hugo — ficam sem internet, e assistem à TV só depois das 16h, após terminarem o dever de casa. Como dormem às 19h, o tempo em frente à telinha é curto também”, explica.

Os mais velhos, apesar dos cuidados, não escaparam da herança genética: Lucas, de 12 anos, começou a usar óculos aos 9, e Nicolas, de 10, há dois anos e meio. Ambos têm miopia, como o pai, que depende dos óculos desde os 10. “Quando descobrimos que Lucas tinha o problema, ele já estava com 4 graus nos dois olhos. Já o Nicolas tem apenas 1 grau”, conta Elenice.

Fora do mundo real

O malefício das tecnologias, para Elenice, é mesmo o uso excessivo dos aplicativos — as crianças ficam dispersas, não interagem com o mundo real, adoecem e ficam mal-humoradas. “Tem o lado bom, mas o ruim prevalece, na minha opinião. Afeta o apetite, atrapalha o sono, substitui as brincadeiras e, claro, causa irritação nos olhos e, às vezes, dor de cabeça.”

Para prevenir a miopia e evitar que ela avance, o acompanhamento das crianças deve começar cedo, antes da alfabetização. A primeira consulta, de acordo com o oftalmologista Geraldo Canto, deve ser feita entre 6 meses e 1 ano de idade, quando já é possível verificar a existência de um grau mais elevado, diferença de visão entre os olhos, diferença de grau ou fixação do olhar.

“Desse período até ela ser capaz de se expressar sozinha, o exame é feito pela avaliação dos olhos depois de uma dilatação da pupila. A partir do momento em que a criança já consegue se comunicar e se de mostra colaborativa, começamos também a usar imagens de desenhos, números ou letras”, explica o médico.

Geraldo Canto esclarece que nem sempre é preciso usar óculos quando a criança é muito nova. “As pessoas muito jovens com graus baixos não costumam ter indicação, a não ser que exista alguma dificuldade visual ou estrabismo detectado no exame. No geral, recomendamos óculos quando elas têm miopia acima de 1,5 grau, hipermetropia acima de 3 graus e astigmatismo acima de 1,5 grau.” Lentes de contato, só mesmo em crianças maiores, sob supervisão dos pais, e acompanhamento do oftalmologista.

 

 

O “tablet” faz parte da caixa dos brinquedos?

Março 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 16 de fevereiro de 2018.

Temos de permitir, com todo o amor e protecção, que uma criança se sinta ligeiramente frustrada, não lhe dando todos os acessórios para que ocupe o tempo, para que possa ter tempos livres de tecnologias e de brinquedos xpto

Texto de Cátia Lopo e Sara Almeida

Os pais, com todo o amor do mundo que têm para dar aos filhos, por vezes optam pelo caminho mais fácil: as tecnologias. Isto é, sempre que as crianças estão mais agitadas entregam-lhe “aquele objecto mágico”, o tablet, e elas ficam milagrosamente sossegadas por alguns instantes. Os pais não precisam de se preocupar durante esse tempo, podem fazer o jantar, trabalhar ou, simplesmente, descansar, e a criança está entretida no tablet. A verdade é que o tabletse tornou num acessório substituto da famosa chupeta, uma espécie de “substituição directa”: assim que a criança deixa a chupeta, damos-lhe um tablet e a função mantém-se — sossegá-la.

É verdade que algum tempo só para os pais é absolutamente necessário, mas os limites para o uso das tecnologias esão imprescindíveis. Aliás, os limites para todos os comportamentos das crianças são fundamentais para um crescimento saudável porque, de cada vez que os limites são comprometidos, começa a crescer um pequeno tirano de centímetro em centímetro, as vontades das crianças começam a ultrapassar as vontades dos pais e, aí sim, começam os problemas familiares. Iniciam-se aí um sem fim de reacções que estão longe de um crescimento saudável: os gritos, os braços de ferro, a constante luta por quem manda mais lá em casa. Chegam, por fim, as explosões em que os pais não se conseguem controlar, acabando por bater nos filhos porque nessas alturas já não há chupeta ou tablet que lhes valha. Os pais e os filhos expressam as emoções da pior maneira.

Muitas das nossas crianças já dominam o tablet aos três anos. É óptimo que tenha ao seu dispor toda a tecnologia, até porque no nosso dia-a-dia somos bombardeados com novas informações e tecnologia em todo o lado, mas tem de ser equilibrada e rigorosamente doseada. Se assim não acontecer, a criança começará a ficar no chamado “piloto automático”, tornando-se mais fácil manusear um tablet do que andar de bicicleta, apertar os atacadores ou construir puzzles. É na infância que a inteligência emocional tem um terreno fértil para se desenvolver, quando as crianças aprendem a conhecer o outro e a relacionar-se, e as tecnologias estão de alguma forma “a chutar para canto” as relações humanas, promovendo o isolamento da criança ou a interacção atrás de um tablet.

O grande desafio às famílias é conseguir que o tablet não se sobreponha às actividades tradicionais, que fomentam o correcto desenvolvimento infantil. É essencial que continuemos a ter crianças que brincam — e por brincar subentende-se ser capaz de pegar na toalha de banho e fazer dela uma capa de super homem, de pegar num galho de árvores e fazer uma espada. Brincar é explorar o faz de conta, vivenciar vários papéis, colocando-se no papel da mãe, do pai, da professora, da avó. É ser herói e vilão, permitindo-lhe explorar os outros e descobrir quem é. O brincar é tão mais bonito e construtivo quanto mais autêntico e genuíno for, mais livre. Assim, a criança coloca à prova a sua imaginação e criatividade e isso é fundamental.

Não somos contra o tablet, o que nos preocupa é a forma como estamos a colocar em risco as relações humanas e a pôr fim à imaginação e criatividade de uma criança. Os pais apercebem-se disso quando a criança não consegue relacionar-se com os amigos ou quando chega a hora de fazer uma composição na escola e não consegue, quando tem de contar uma história e não conta nada mais nada menos do que os factos, não se baseando na sua imaginação para se colocar nos papéis do narrador.

É nos momentos de brincadeira que a criança começa por resolver as suas frustrações, quando não tem um carro vermelho com portas a abrir ou uma boneca com um vestido às bolinhas tem de se reinventar, inventar outra brincadeira ou procurar outro brinquedo. Ao lidar com as frustrações vai sendo capaz de redescobrir o mundo, gradualmente, primeiro o mundo interno e depois o externo. Temos de permitir, com todo o amor e protecção, que uma criança se sinta ligeiramente frustrada, não lhe dando todos os acessórios para que ocupe o tempo, para que possa ter tempos livres de tecnologias e de brinquedos xpto, podendo assim reinventar-se e explorar todos os sentidos. Se queremos crianças criativas, com capacidade de imaginar, de se relacionar e de ser empáticas, se queremos futuros adultos saudáveis e com capacidade de pensar por si próprios, temos que permitir que as nossas crianças tenham espaço para criar, sob pena de, caso contrário, nos limitarmos a criar crianças apenas capazes de reproduzir.

 

 

 

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