Novos ossos estão a crescer nos crânios dos jovens devido ao uso excessivo do telemóvel

Junho 29, 2019 às 8:20 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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David Shahar e Mark Sayers – Scientific Reports

Notícia da RTP Notícias de 21 de junho de 2019.

As novas tecnologias mudaram, indubitavelmente, a nossa forma de vida. Sabemos que os novos dispositivos eletrónicos alteraram a forma como comunicamos, como trabalhamos, como vivemos. Revolucionou a forma como aprendemos, assim como expandiu a quantidade de informação disponível, anteriormente mais limitada.

Hoje, não nos imaginamos a viver sem elas. Mas sabemos também agora que estas novas tecnologias, em particular os telemóveis, estão também a transformar o corpo humano.

Era já conhecido que os telemóveis afetam a saúde ocular. Também a coluna e até o cérebro. Mas não sabíamos que poderia afetar o nosso crânio, nem se imaginava que novos ossos poderiam crescer com a utlização em excesso destes aparelhos.

Um estudo feito pelos investigadores australianos David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Queensland, analisou os crânios de mais de mil pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e os 86 anos. Concluíram que 400 pessoas, sobretudo os mais jovens, tinham tido um crescimento de ossos na base dos crânios, o que dizem ser uma mudança corporal provocada pelo uso crescente da tecnologia moderna.

A investigação concluiu que as pessoas (sobretudo os jovens) estão a desenvolver “uma exostose proeminente, que emana da protuberância occipital externa”. Ou seja, esporões ósseos estão a formar-se na parte de trás do crânio. São pequenos crescimentos ósseos que podem formar-se na extremidade dos ossos e que ocorrem quando uma inflamação danifica a cartilagem e o corpo tenta reparar o dano, fazendo crescer mais osso. Durante o estudo, os autores encontraram esporões ósseos cujo tamanho variava entre os 10 e os 31 milímetros.

Os investigadores afirmam que a inclinação frontal da cabeça, ao deslocar o peso da coluna para os músculos da cabeça, provoca um crescimento ósseo nas ligações dos tendões e ligamentos. Assim, acreditam que os dispositivos eletrónicos, em particular os telemóveis, estão na origem do problema.

Quais são as possíveis consequências?

O que reserva o futuro para os jovens adultos que desenvolvem, como referem os autores, “um processo degenerativo (…) num estágio tão inicial das suas vidas”?

Shahar acredita que esta formação óssea pode conduzir a uma deformidade grave na postura, que, por sua vez, pode provocar dores no pescoço, nas costas, e dores de cabeça crónicas. Alguns esporões ósseos podem também requerer tratamento, conforme o tamanho e a gravidade.

O cirurgião ortopédico David Geier afirma no entanto que este problema pode ser prevenido. “As pessoas que estão preocupadas com isto podem começar a trabalhar com um fisioterapeuta para aprender exercícios para fortalecer os músculos que ajudam com a sua postura”, disse à NBC News.

E acrescenta que há pequenas mudanças que podem ajudar, como “colocar almofadas por baixo dos computadores e segurar no telemóvel ou no tablet um pouco mais acima”.

Estudo levanta dúvidas

Este estudo tem recebido críticas distintas, tendo sido apoiado por vários especialistas e rejeitado por outros.

Alguns afirmam que o trabalho é baseado em raios-x antigos, não tem um grupo de controlo, e não consegue provar a causalidade. Além disso, as pessoas que participaram no estudo tinham-se especificamente queixado de dores no pescoço e procuraram um médico, o que significa que não é claro como os resultados se aplicam ao resto da população.

David Langer, diretor de neurocirurgia no Hospital Lenox Hill, disse ao The New York Times que “é mais provável ter uma doença degenerativa dos discos ou desalinhamento do pescoço do que um esporão ósseo a crescer no crânio”.

Da falta de tempo para brincar ao excesso de tecnologia, os inimigos da infância

Junho 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 20 de maio de 2019.

Rita Costa

A psicóloga clínica Catarina Lucas identifica alguns dos fatores que estão a impedir que as crianças vivam uma infância mais saudável.

“Temos vários, temos a falta de socialização, a falta do estar com as outras crianças, temos um excesso de tecnologia e de horas de isolamento”, começa por dizer Catarina Lucas. Para a psicóloga, estar ligado ao mundo através da internet é uma forma de isolamento.

Mas os inimigos da infância não se ficam por aqui. “Temos os pais que trabalham muitas horas e têm pouco tempo para eles, temos a falta de brincar na rua com outros amigos e tudo isto são inimigos das crianças”, afirma Catarina Lucas.

Além disso, a psicóloga aponta a exigência académica como outro elemento de pressão na vida das crianças. “Temos que ser os melhores, temos que ter boas notas e também temos que ter uma série de outras habilidades, seja artísticas, seja desportivas. Estamos a colocar toda esta exigência e pressão nas crianças e estamos a tirar-lhes o direito a brincar.”

Ouvir as declarações de Catarina Lucas no link:

https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/interior/da-falta-de-tempo-para-brincar-ao-excesso-de-tecnologia-os-inimigos-da-infancia-10919805.html?fbclid=IwAR2GIbJF2eWF2UO28T_mdQuMOx6K9iFB2tQAe_Od82FkfxR9M-rAt6EkT0c

 

 

Problemas de sono nos adolescentes podem ser resolvidos com menos ecrãs à noite

Junho 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 20 de maio de 2019.

Os problemas de sono nos adolescentes podem ser revertidos em apenas uma semana limitando a utilização à noite de ecrãs emissores de luz como os dos telemóveis, ‘tablets’ e computadores.

Os problemas de sono nos adolescentes podem ser revertidos em apenas uma semana limitando a utilização à noite de ecrãs emissores de luz como os dos telemóveis, ‘tablets’ e computadores, defendeu esta segunda-feira a Sociedade Europeia de Endocrinologia.

A relação entre o uso destes equipamentos à noite e o sono dos adolescentes foi alvo de um estudo, que será divulgado em Lyon durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Endocrinologia, e que conclui que demasiada exposição noturna à luz, especialmente a luz azul emitida pelos ecrãs de ‘smartphones’, ‘tablets’ e computadores pode afetar o relógio biológico do cérebro e a produção da hormona do sono, melatonina, resultando numa disrupção no tempo e qualidade do sono.

“A falta de sono não só causa sintomas imediatos de cansaço e perda de concentração, como pode aumentar o risco de problemas de saúde mais sérios a longo prazo, tais como diabetes, obesidade e doença cardíaca”, sustentou a instituição em comunicado.

Outros estudos sugeriram que a privação do sono relacionada com o tempo de exposição a ecrãs pode afetar mais as crianças e os adolescentes do que os adultos, mas não investigaram a fundo como a exposição na vida real está a afetar o sono dos adolescentes em casa e como pode ser revertido.

O estudo resulta de uma parceria entre o Instituto Holandês de Neurociência, a Universidade Médica de Amesterdão e o Instituto Alemão de Saúde Pública e Ambiente.

Os investigadores estudaram os efeitos da exposição dos adolescentes à luz azul dos ecrãs em casa. Aqueles que ficaram mais de quatro horas por dia à frente do ecrã adormeceram, em média, 30 minutos mais tarde e acordaram mais vezes do que os jovens que permaneceram menos de uma hora expostos àquela fonte de luz, além de outros sintomas de falta de sono.

Dirk Jan Stenvers, do Departamento de Endocrinologia e Metabolismo da universidade de Amesterdão, afirmou que os adolescentes passam cada vez mais tempo ocupados com os ecrãs e que as queixas relacionadas com o sono são frequentes nesta faixa etária.

“Aqui demonstramos muito simplesmente como essas queixas de sono podem ser facilmente resolvidas, minimizando o uso noturno de ecrãs emissores de luz azul”, conclui o investigador.

mais informações na notícia:

Sleep problems in teenagers reversed in just one week by limiting screen use

Resumo da investigação:

Restoring the sleep disruption by blue light emitting screen use in adolescents: a randomized controlled trial

 

Portugal a Brincar : Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Descarregar o relatório no link:

https://estrelaseouricos.sapo.pt/backoffice/files/file_20677_1_1556883880.pdf

Reportagem sobre a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços : As crianças portuguesas brincam pouco

Maio 30, 2019 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do site Estrelas & Ouriços

O encontro estava marcado para as 9.30h, em Cascais, para debater um tema essencial e transversal ao desenvolvimento – como brincam hoje as crianças portuguesas e em que adultos se tornarão amanhã. O painel de oradores foi de luxo, pelo domínio do tema, pela entrega e pelo sentimento comum da urgência de brincar por uma sociedade mais bem sucedida. As conclusões são preocupantes: as crianças brincam em média (apenas) 2 a 3 horas por dia, a maior parte do tempo na escola, pouco ao ar livre e ainda menos com os pais.

“Esta primeira conferência da Estrelas & Ouriços é uma homenagem a todas as crianças”. Assim abriu o evento – que reuniu pais, professores, profissionais de serviços educativos, psicólogos e especialistas das diferentes áreas ligadas ao universo da família e da criança – na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, pelo diretor-geral executivo da revista, Francisco Camacho. Estava dado o pontapé de saída para um “jogo” cheio de lances fortes e de propostas com potencial vencedor.

Foi o caso de Frederico Manuel Pinho de Almeida – vereador da Câmara Municipal de Cascais com os pelouros da Habitação e Desenvolvimento Social, Promoção de Saúde e Educação – que, depois de se congratular com o facto de a conferência ter aberto o Mês do Brincar em Cascais, partilhou as práticas que a Câmara Municipal de Cascais tem vindo a implementar neste âmbito, nomeadamente o Programa “Crescer a Tempo Inteiro” bem como o alargamento da rede de Ludobibliotecas e Ludotecas (16 e 5 equipamentos respetivamente).

Da prática ao estudo, Rui Mendes, coordenador do “Portugal a Brincar: Relatório do brincar de crianças portuguesas até aos 10 anos – 2018” apresentou este estudo que serviu de ponto de partida para a conferência. O professor da Escola Superior de Educação de Coimbra partilhou o palco com Ana Lourenço, psicóloga do setor de atividade lúdica do Instituto de Apoio à Criança, Madalena Nunes Diogo, diretora geral da Estrelas & Ouriços e Dulce Garcia – a jornalista, autora, editora e mãe brindou o público com uma moderação de debates que oscilou entre provocações saudáveis e interpelações pertinentes para passar a palavra aos oradores.

Brincar: quando, onde, com quem?

Quanto tempo brincam as crianças portuguesas? Onde brincam? Com quem brincam? Como brincam as crianças na Escola? Qual o papel dos brinquedos? Brincar e as tecnologias. Brincadeiras e jogos tradicionais. Estas são as bases do referido estudo – realizado numa parceria entre a Escola Superior de Educação de Coimbra, o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços – que procura não só dar a conhecer quais as tendências relacionadas com o brincar em Portugal, mas também sensibilizar a população para a importância do brincar e da promoção de hábitos de brincar.

Já em 2011 o Parlamento Europeu havia proposto algumas estratégias para que o brincar seja mais valorizado e para que, tanto as crianças como os adultos, possam usufruir ao máximo dos seus benefícios. Assim, esta organização sugere que se promova não só a consciência sobre a importância do brincar, mas que haja também uma mudança de atitudes face a esta atividade. Propõe-se a melhoria nos tempos e espaços que possam promover a brincadeira e a criação de condições para que as crianças arrisquem de forma segura e desenvolvam a sua resiliência.

Com base em inquéritos a cerca de 1.500 pessoas, com 39 anos de média de idades e maioritariamente do sexo feminino (92,6%), o estudo retirou algumas conclusões preocupantes, duas das quais: as crianças brincam pouco – a média é de 2 a 3 horas (25%) por dia – nomeadamente ao ar livre, em contacto com a Natureza, concentrando-se o maior tempo de brincadeira na escola.

Foi neste ponto que Ana Lourenço, do Instituto de Apoio à Criança reforçou a necessidade que sente de voltar ao brincar da infância dos que hoje são pais – o sucesso para uma criança é estar com o outro, brincando. E assim se trabalha a empatia, tão cara à nossa Sociedade.

“A brincadeira não é só necessária como vital”, lembrou Madalena Nunes Diogo, referindo a forma como os parceiros têm acompanhando esta necessidade, indo ao encontro das famílias, com atividades tão diversas que vão da robótica à pintura, e que respeitam disponibilidades físicas, mentais e económicas destas mesmas famílias, a quem a Estrelas & Ouriços há 10 anos serve e facilita a vida, divulgando diferentes tipologias de atividades.

Aquando da reestruturação da revista, em outubro de 2019, a Estrelas & Ouriços teve inclusive a preocupação de dar mais visibilidade à sua secção “Parques e Ar Livre”, depois de auscultar os pareceres, os gostos e as necessidades do público para quem trabalha.

Dos grandes aos pequenos oradores, Beatriz, de 9 anos, João, de 7, e Madalena, de 6, foram unânimes a responder à questão da preferência de brincar ao ar livre. Brincar às escondidas, jogar à bola e brincar com bonecas foram algumas das brincadeiras apontadas pelas crianças presentes na sala.

Famílias, escolas e cidades portuguesas pouco ativas

Carlos Neto foi das primeiras vozes a chamar a atenção dos portugueses para a extrema importância do brincar e para os seus efeitos benéficos no desenvolvimento das crianças. Professor Catedrático na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa, continua, algumas décadas depois desses primeiros alertas, a ser a figura de referência em Portugal quando se fala de brincar.

Foi da sua boca que ouvimos que tanto as famílias como as escolas e as cidades portuguesas não são ativas, o que contribui diretamente para que as crianças sejam pouco ativas e mais destinadas ao insucesso.

A maioria dos pais, segundo o especialista, não valoriza a parte física do brincar, referindo mesmo que “para os pais, o que entra na escola é só a cabeça e não o corpo todo”. São estes mesmos pais que trabalham demasiadas horas e que não têm tempo para os filhos, embora o desejem – 37 minutos é o tempo diário que lhes sobra; são estes pais que têm medo que as crianças se confrontem com o risco; pais cansados, que dificilmente conseguirão educar crianças saudáveis e felizes, “situação deveras preocupante”.

O que fazer? Apelar ao papel do Estado central e do Estado local para que possa dar maior liberdade aos pais, fomentar uma relação de maior amor entre pais e filhos, fomentar a importância de brincar na rua (nos países nórdicos, independentemente do clima, as crianças brincam 7 a 8 horas lá fora) e evitar “encharcar” as crianças de brinquedos, nomeadamente para colmatar a falta de tempo com presentes.

Em suma, para Carlos Neto, brincar mais significa desenvolver no futuro: maior sentido crítico e uma maior capacidade de resolver problemas, de trabalhar em equipa e de comunicar; melhores competências espirituais e melhores dinâmicas de agir.

É preciso, na opinião do professor e investigador: viver mais devagar, ter tempo para não fazer nada, trabalhar a introspeção, a consciência de si próprio e da Natureza, a dinâmica de superação de forma a que a saúde mental dos adultos possa passar para as crianças a quem deve ser dado todo o tempo e espaço para brincar, “dinâmica biológica” que estamos a encaminhar para uma crise.

Quando a tecnologia se senta à mesa

A abrir a segunda mesa redonda, Rosário Carmona e Costa não perdeu tempo a detetar sintomas e doenças associadas. “Quando os miúdos começam a falhar nas competências humanas, percebemos que podem estar demasiado ligados”, defendeu a psicóloga clínica.

Com alguma tensão (saudável) com a oradora anterior, Jorge Vieira, da Nintendo, afiançou que “antes de falar das novas tecnologias, é preciso falar do nosso papel enquanto pais”. O também pai relembrou a importância que pode ter em matéria de diversão, a família jogar em conjunto.

Onde também se pretende que a família se junte é na cozinha, como sugeriu Ana Leonor Perdigão, responsável pela Unidade de Nutrition, Health and Wellness da Nestlé Portugal. Associar emoções positivas aos alimentos é fundamental, mas também perceber de onde vêm e confecioná-lo. Esta é uma forma de as crianças se familiarizarem com os alimentos ainda antes de lhes chegarem ao prato.

“As crianças que são envolvidas na confeção dos alimentos são mais disponíveis para comer e experimentar coisas diferentes”, defende a nutricionista. Levá-las ao supermercado – onde acontecem “explosões de sabores e aromas” – pode ser também uma hipótese de criar um momento lúdico, ao mesmo tempo que se vai ao encontro da logística lá de casa.

Dicas muito interessantes a reter sem o mínimo objetivo de causar angústia nos pais. Foi Domingos Amaral quem trouxe a palavra para cima da mesa para referir que, hoje em dia, e é algo que observa no exercício do seu cargo de presidente da direção da Escola Avé Maria, os pais vivem cada vez mais angustiados com o que de mal possa acontecer aos seus filhos. Mas o que fazer? «Deixá-los brincar. A vida é risco, não há outra maneira de o fazer!».

Depois de um momento de intervenções do público, Lina Varela – da Direção-Geral da Educação fechou a 1ª Conferência Estrelas & Ouriços afirmando que “deve haver complementaridade entre brincar e aprender”.

E assim soou a despedida da Estrelas & Ouriços: “Brinquem sempre!”.

Obs.: A 1ª Conferência Estrelas & Ouriços contou com o apoio de vários parceiros – Maria do Mar, Nesquik, MEO, Associação Mutualista Montepio, RTP, Antena 1 e Casa das Histórias Paula Rego.

 

Dorsen tem 8 anos e trabalha 12h/dia para extrair o cobalto dos nossos smartphones e computadores

Maio 17, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia e imagens do site The Uniplanet de 13 de março de 2017.

crianças com apenas 4 anos a trabalhar nas minas da República Democrática do Congo onde é extraído o cobalto para os nossos smartphones e carros elétricos, alerta uma investigação da Sky News, cuja equipa visitou uma série de explorações mineiras conguesas e se deparou com uma “legião de crianças” a trabalhar em todas elas.

Muitos dos trabalhadores que extraem este minério – um componente essencial das baterias dos smartphones e computadores portáteis de marcas como a Apple e a Samsung – recebem apenas 0,09€/dia por um trabalho extenuante realizado sob condições perigosas. Numa das minas, a equipa encontrou crianças a trabalhar sem sapatos sob a chuva intensa, transportando sacos pesados.

Uma das crianças, Dorsen, de 8 anos, contou aos jornalistas que não tinha conseguido dinheiro suficiente, nos últimos dois dias, para comer, apesar de trabalhar cerca de 12 horas por dia.

“Existem milhares de minas não oficiais, não regulamentadas e sem controlo, onde homens, mulheres e crianças trabalham sob o que apenas pode ser descrito como condições de escravatura”, declarou Alex Crawford, correspondente especial da Sky News.”

“Todos os dias, quando acordo, sinto-me tão mal por saber que tenho de voltar para [a mina] outra vez. Dói-me o corpo todo, conta um amigo de Dorsen, Richard, de 11 anos. Noutra mina, os jornalistas viram uma menina de 4 anos a separar pedras de cobalto.

Os túneis das minas são escavados com ferramentas rudimentares por mineiros sem equipamento de protecção. Com a chuva e a ausência de suportes, estes túneis colapsam frequentemente. Numa das minas visitadas pela equipa, o colapso de um túnel tinha vitimado recentemente um mineiro.

Os trabalhadores não usam máscaras ou luvas, embora a Organização Mundial da Saúde avise que a exposição ao cobalto e aos seus vapores pode causar problemas de saúde a longo prazo.

Um dos mineiros, Makumba Mateba acredita que o tumor que tem na garganta se deve ao facto de a água na sua aldeia ter sido contaminada pela extração de cobalto. “Bebemos a água que vem das explorações mineiras, depois de todos os minérios terem sido lavados nela”, conta. “Atravessa a nossa aldeia e eu bebo-a e tenho a certeza de que foi isso que me fez ficar doente.”

O médico de uma das adeias, Becha Gibu, queixa-se de que os bebés que ajudou a nascer têm doenças misteriosas. “Nascem com muitas infeções, às vezes com erupções cutâneas, outras vezes os seus corpos estão cobertos de manchas”, diz, adicionando que “isto é tudo uma consequência da exploração mineira.”

Apesar de ser um dos países mais pobres do mundo, a República Democrática do Congo é rica em recursos minerais e produz 60% do cobalto usado em todo o mundo. Um quinto deste cobalto é extraído à mão ou por mineiros artesanais e vendido, na sua maioria, a comerciantes chineses, que procuram o melhor preço e não questionam a origem do minério ou a identidade de quem o extraiu. Por sua vez, os comerciantes vendem-no, na maior parte das vezes, ao exportador Congo Dongfang International, uma subsidiária da empresa Zhejiang Huayou Cobalt – fornecedora da maioria dos principais fabricantes de baterias do mundo.

Em 2016, a Amnistia Internacional descobriu que nenhum país exige às empresas, em termos jurídicos, que identifiquem as suas cadeias de fornecimento de cobalto, o que lhes permite fugir facilmente a qualquer acusação.

Quando é que os bebés de um ano de idade podem ver vídeos no telemóvel? Nunca, diz a OMS

Maio 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 25 de abril de 2019.

A Organização Mundial da Saúde publicou ontem novas recomendações sobre o tempo de exposição de crianças a aparelhos eletrónicos. Dos 2 aos 4 anos, por exemplo, não devem estar mais de uma hora por dia em frente a um ecrã. Veja aqui todas as normas .

Ligar a televisão nos desenhos animados ou pôr no telemóvel um vídeo do YouTube são truques usados por muitos pais para acalmar os filhos pequenos, sobretudo na hora da refeição. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que é má ideia.

A instituição publicou na quarta-feira, 24, uma série de recomendações sobre as necessidades dos mais novos, preparadas por um painel de especialistas, que incluem a resposta à pergunta que muitos fazem: quanto “tempo de ecrã” é o indicado para as crianças? Tempo nenhum, responde a OMS, se a criança tiver até um ano. Se tiver dois anos, o tempo passado em frente à televisão ou ao telemóvel não pode exceder um hora diária.

As recomendações fazem parte de um conjunto maior de normas relativas ao sedentarismo e qualidade de sono dos mais novos. “A primeira infância é um período de rápido desenvolvimento e uma altura em que as rotinas familiares podem ser adaptadas de forma a estimular uma vida mais saudável”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Os especialistas da OMS concentraram-se em analisar os comportamentos que podem afetar negativamente o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças.”Aumentar a atividade física, reduzir o sedentarismo e garantir um sono de qualidade vai melhorar a saúde e o bem-estar físico e mental das crianças, além de prevenir a obesidade infantil e doenças que lhe estarão associadas mais tarde”, assegura a médica da OMS Fiona Bull, diretora do programa de vigilância e prevenção de doenças não transmissíveis.

Veja aqui as recomendações da organização.

Bebés com menos de 1 ano devem:

  • Ser fisicamente ativos várias vezes por dia e de diferentes maneiras, particularmente através de jogos interativos no chão; quanto mais, melhor. Os que ainda não se conseguem deslocar devem ficar pelo menos 30 minutos de barriga para baixo, em períodos espalhados ao longo do dia.
  • Não devem estar presos mais de uma hora seguida (por exemplo, carrinhos de bebé, cadeiras infantis ou nas costas dos pais). Não é recomendado qualquer tempo de ecrã. Quando o bebé estiver sedentário, reomendamos a leitura de histórias por parte dos progenitores.
  • 14 a 17 horas (dos 0 a 3 meses de idade) ou 12 a 16 horas (de 4 a 11 meses de idade) de sono de boa qualidade, incluindo sestas.

Crianças de 1 a 2 anos de idade devem:

  • Passar pelo menos 3 horas diárias numa variedade de atividades físicas de qualquer intensidade, incluindo intensidade moderada e vigorosa, distribuída ao longo do dia; quanto mais, melhor.
  • Não devem ficar presos mais de uma hora seguida (carrinhos de bebé, cadeiras infantis ou nas costas dos pais) ou sentados longos períodos de tempo. Para crianças de um ano de idade, o tempo de ecrã (TV, vídeos, videojogos) não é recomendado. Aos 2 anos de idade, o tempo de ecrã não deve ser superior a 1 hora; quanto menos, melhor. Quando a criança estiver sedentária, recomendamos a leitura de histórias.
  • 11 a 14 horas de sono de boa qualidade, incluindo sestas, com períodos regulares de sono e de despertar.

Crianças de 3 a 4 anos de idade devem:

  • Passar pelo menos 3 horas numa variedade de atividades físicas de qualquer intensidade, das quais pelo menos 60 minutos são atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, espalhadas ao longo do dia; quanto mais, melhor.
  • O tempo de sedentarismo não deve exceder uma hora; quanto menos, melhor. Quando a criança estiver sedentária, recomendamos a leitura de histórias.
  • 10 a 13 horas de sono de boa qualidade, que podem incluir uma sesta, com períodos regulares de sono e de despertar.

 

O documento citado na notícia é o seguinte:

Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age

 

 

Serviços de streaming: será que há demasiados programas para crianças?

Abril 27, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de abril de 2019.

Com a chegada de novas plataformas de streaming, como a Disney+ e a Apple TV+, há cada vez mais programação infantil disponível neste formato. Os especialistas afirmam que não há motivos para alerta, desde que os pais imponham limites.

Reuters

Independentemente de preferirem a Elsa, o SpongeBob ou a heroína russa Masha, as crianças têm hoje motivos infinitas​ para implorar mais tempo de ecrã. No entanto, quase ninguém acha que exista demasiados programas para os mais novos.

As empresas de media têm investido fortemente em conteúdo infantil, à medida que criam novos negócios digitais para persuadir directamente os consumidores. Na quinta-feira, a Walt Disney anunciou detalhes sobre o Disney+, um serviço de streaming que se estreia nos Estados Unidos em Novembro, por 6,99 dólares por mês (6,20 euros). Será lançado gradualmente na Europa a partir do início de 2020, sendo que não existem datas concretas para a chegada Portugal.

O benefício para a Disney, Netflix, Viacom e outras empresas de media é claro: prender os telespectadores enquanto ainda são jovens, com conteúdo que geralmente tem merchandising e está ligado a parques temáticos. O modelo de streaming, em particular, faz sentido: as crianças são, por natureza, binge-watchers (quem vê de seguida muitos episódios de uma série), com um apetite infinito para repetições.

No entanto, os especialistas que estudam o consumo de media pelas crianças não estão preocupados com a explosão da oferta, desde que os pais imponham limites, afirma Shelley Pasnik, directora da organização sem fins lucrativos Center for Children and Technology. “A parentalidade já não implica confiar na limitação imposta pelos produtores audiovisuais. Em vez disso, cabe aos pais e às regras que existem em casa tornar [o conteúdo] limitado e ajudar as crianças a entender quando devem parar”, defende Pasnik.

Ao considerar as suas regras sobre o tempo de ecrã, os pais que querem proteger os filhos dos anúncios provavelmente reconhecem o valor de serviços sem anúncios, como Disney+ e Apple TV+, a próxima aposta da Apple Inc. Mas esse formato poderá dar um falso conforto: quando se trata de vender produtos, o conteúdo pode ter o mesmo efeito que os anúncios. “Mesmo que não haja anúncios a interromper a narrativa, a pessoa pode não estar ciente de que o seu filho ou filha esteja a desenvolver uma grande afinidade com uma personagem e torna-se uma loucura no momento de ir às compras”, diz Pasnik.

O controlo parental — que pode ser difícil de encontrar — não é uma solução fácil. Em vez disso, os especialistas dizem que os pais devem ajudar seus filhos a fazer escolhas em torno da programação; que vejam [o conteúdo] com eles, se possível; e que falem sobre o que viram, ajudando a estabelecer a ligação com os valores da família. “Os pais precisam comunicar por que razão um programa pode ser visto e ajudar os filhos a processar as mensagens subjacentes naquilo que acabaram de assistir”, aponta Jill Murphy, vice-presidente do Center for Children and Technology.

 

Leve as crianças à rua: elas têm de brincar no exterior, sujar as mãos, cair no parque de diversões, correr, pular, nadar…

Abril 1, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Vida Extra de 5 de fevereiro de 2019.

Estudos e mais estudos fazem o mesmo alerta mas são poucos os que lhes prestam atenção. Só depois de explorarem bem e com frequência o exterior é que devem pegar na consola, no tablet ou noutro dispositivo digital para distração. Está provado que a falta de interatividade com a realidade e com pessoas de carne e osso atrasa a mente e enfraquece o corpo

Vera Lúcia Arreigoso

Foi com manifesta surpresa que fiquei a saber que as provas de aferição que o Ministério da Educação faz às crianças não são apenas para avaliar o conhecimento. Incluem também a desenvoltura da motricidade. Mas haverá alguma criança que não saiba correr, saltar à corda, dar uma cambalhota ou equilibrar-se num banco? Pois, há e não são poucas. Como é que isto aconteceu?

Quando eu era criança, não só fazíamos toda a ginástica que agora parece difícil, como até ‘íamos aos céus’ a saltar ao elástico, dominávamos o equilíbrio com um amigo nas costas no jogo do alho, coordenávamos pés e mãos nas descidas velozes com o carrinho de rolamentos ou com destreza colocávamos os berlindes nas covas…e tudo mudou. São cada vez mais os pais que não levam os filhos à rua, preferindo o ambiente controlado da casa onde vivem. Fazem mal e a Ciência vem sucessivamente a provar porquê: menor exposição ao exterior, menor desenvolvimento, menor capacidade de reação do sistema imunitário.

O mais recente estudo sobre o tema, no caso dedicado à exposição aos ecrãs e publicado na revista JAMA Pediatrics, afirma que há uma relação direta entre problemas de desenvolvimento e o uso frequente de dispositivos digitais em crianças dos dois aos cinco anos, pois quando estão em frente ao ecrã, dificilmente estão a falar, a andar ou a brincar. Atividades que servem para desenvolver as habilidades básicas. Os investigadores não avançam tempos de exposição bons ou maus mas garantem que são as interações com os outros, desde logo com os cuidadores, que fazem o aperfeiçoamento físico e cognitivo.

Outro trabalho, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA com adolescentes já nascidos com a Internet por perto, mostrou mesmo alterações morfológicas. Rapazes e raparigas, que passam várias horas com a atenção focada no tablet ou no smartphone, apresentam alterações na espessura da membrana que envolve o cérebro. Os cientistas desconhecem quais serão as consequências desta alteração, no entanto, não duvidam de que terá algum efeito.

E análises mais antigas acrescentam ainda outro malefício ao estar muito tempo em casa: a falta de estímulo do sistema imunitário. Sem a exposição ao meio envolvente – e aqui inclui-se também o contacto frequente com outras crianças – nos primeiros anos de vida, a resposta imunitária fica enfraquecida e anos mais tarde, na vida adulta, poderá traduzir-se numa saúde menos robusta, por exemplo com o desenvolvimento de doenças autoimunes.

Sabido tudo isto, e tantas vezes repetido, que parte é que ainda não foi entendida? A roupa suja lava-se, os resfriados passam, as feridas curam-se, os sapatos rotos substituem-se, mas a infância não volta. Nunca mais.

 

 

As TIC e sua influência na socialização de adolescentes

Março 17, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Descarregar o documento no link:

https://www.fad.es/sites/default/files/investigacion_conectados_2018.PDF

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