“A melhor forma de assustar os adolescentes é dizer que assim voltamos ao confinamento”

Julho 3, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 23 de junho de 2020.

O número de infetados com covid-19 está a crescer entre os mais novos. Quase que duplicou nas faixas etárias dos 10 aos 19 anos e dos 20 aos 29. Com o fim do ano letivo à porta, aumenta a preocupação. E há razões para isso.

Pilar tem 16 anos, vive em Paço de Arcos e está no 10.º ano na Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras. Fez anos a 11 de março e já não teve festa, mas mesmo durante o período de confinamento foi autorizada pelos pais a sair de casa, para ir caminhar, andar de skate ou encontrar-se com amigos, poucos, desde que respeitasse as regras necessárias para se proteger do novo coronavírus.

Conhece, por isso, bem, o antes e o depois do confinamento e diz, na sua descontração natural, que acha tudo isto muito estranho. “No início da quarentena, quando a escola acabou, muito pouca gente podia sair de casa e os que podiam tinham muito cuidado, sempre em sítios ao ar livre, como o paredão ou o parque, e com distanciamento. Agora, depois do desconfinamento, apesar de não ter mudado nada porque o vírus não acabou, as pessoas mudaram o comportamento e já não têm cuidado nenhum. Mesmo os pais que não deixavam os filhos sair para lado nenhum, agora deixam-nos sair para todo o lado. Acho que não faz muito sentido”.

Com os espaços de diversão noturna, como bares e discotecas, ainda fechados, multiplicam-se as “reuniões de grupos de cidadãos em espaços públicos ou abertos ao público”, que em junho têm vindo a registar-se com maior frequência, segundo fonte da PSP.

Nos últimos dias, a Polícia de Segurança Pública foi chamada a intervir para dispersar ajuntamentos em Braga, no Porto, em Setúbal, em Carcavelos e um pouco por todo o país. Um amigo da Pilar fazia parte do grupo que no estacionamento da Pastorinha, em Carcavelos, se juntou para homenagear um amigo da escola. “Eram só dez e queriam fazer um memorial a um menino da minha escola que morreu e fazia 17 anos nesse dia, mas houve vários grupos que combinaram coisas ali e acabaram por se encontrar, mas não era para ser tanta gente”, explica.

O amigo da Pilar queria homenagear um amigo, mas a maioria dos grupos que se junta aqui e ali tem outros objetivos. Com os espaços de diversão noturna, como bares e discotecas, ainda fechados, multiplicam-se as “reuniões de grupos de cidadãos em espaços públicos ou abertos ao público”, que em junho têm vindo a registar-se com maior frequência, segundo fonte da PSP.

“Inicialmente e no geral coadunavam-se com as regras de saúde pública em vigor, nomeadamente por se registar distanciamento social e os grupos serem de reduzida dimensão, mas com o progressivo desconfinamento, temos vindo a registar um menor cuidado no cumprimento dessas regras, principalmente por parte dos cidadãos mais jovens. Este tipo de episódios têm vindo a registar-se pelas principais urbes, sobretudo no litoral e durante a noite, em locais tão díspares como parques de estacionamento, postos de abastecimento de combustíveis, praias ou parques e jardins”.

“Acho que nos preocupamos, mas não é pelo facto de a doença ser perigosa, é mais pelo medo de, se o vírus se propagar, haver maior probabilidade de termos que ficar outra vez de quarentena”, diz Pilar.

Coincidência ou não, o número de novos casos entre as faixas etárias mais jovens quase que duplicou desde o início do desconfinamento. A 4 de maio eram 770 os infetados com covid-19 entre os 10 e os 19 anos e 2973 entre os 20 e os 29. Números que a 22 de maio tinham subido para 975 entre os primeiros e 3806 entre os segundos e que hoje, 22 de junho, se saldam em 1522 entre os 10 e os 19 anos e 5657 entre os 20 e os 29.

Números que preocupam Pilar, que selecionou um grupo de amigos com quem podia estar e “tenta manter o distanciamento e os cuidados, mais ou menos”, mas não tanto pela doença em si.

“Acho que nos preocupamos, mas não é pelo facto de a doença ser perigosa, é mais pelo medo de, se o vírus se propagar, haver maior probabilidade de termos que ficar outra vez de quarentena. Não temos medo do vírus, temos é medo do confinamento”, diz, apostando que quando as aulas acabarem, os encontros vão aumentar, de frequência e de convivas.

E nem as notícias de que há mais jovens internados vos assustam? “Quem não sai de casa está sempre a publicar coisas sobre isso e a dizer ‘olhem para isto, parem de sair’, mas quem sai não está muito preocupado. Eu acho que a melhor forma de, entre aspas, assustar as pessoas da minha faixa etária para que tenham mais cuidado é mesmo dizer que se continuar assim é provável que voltemos ao confinamento”.

O professor Daniel Sampaio esboçaria talvez um sorriso se ouvisse a Pilar, mas para o psiquiatra e especialista em adolescência é fundamental que os adolescentes tomem consciência dos riscos que correm. Sabe que a equação é difícil, mas é precisamente por isso que não é de agora que advoga que deveria existir uma estratégia de prevenção especificamente dirigida a esta faixa etária.

“Do ponto de vista da saúde mental, é essencial que eles convivam, não se pode ter adolescentes fechados em casa, mas tem que se passar a mensagem de que têm que ter muito cuidado, proteger-se e não minimizar a doença, porque já há neste momento evidência de que também os jovens podem ter formas graves da mesma. Aliás alguns estão internados no hospital de Santa Maria”, diz.

Na opinião de Daniel Sampaio, esta é uma semana crucial porque na sexta-feira acabam as aulas, o tempo está bom e eles vão tocar a reunir.

“É preciso falar com os jovens diretamente, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem tentado isso, mas é preciso que os organismos da saúde se reúnam com associações juvenis e vão onde os jovens estão para passar a mensagem que é: saiam, estejam com os amigos e os namorados ou namoradas, mas em grupos pequenos, mantendo o distanciamento e protegendo-se. A noção de risco para um adolescente é completamente diferente da de um adulto, mas temos que chamar a atenção para o risco usando o facto de infelizmente haver jovens com doença grave internados nos hospitais”, diz o psiquiatra.

A coordenadora da unidade de internamento de contingência de infeção viral emergente do hospital de Santa Maria, Sandra Braz, que recentemente viu aumentar bruscamente o número de doentes entre os 18 e os 30 anos concorda com Daniel Sampaio.

“É preciso transmitir a informação de uma forma mais clara, sem mal entendidos como aconteceu com a questão dos assintomáticos – os doentes mesmo sem sintomas transmitem a doença -, e isto passa por ações estruturadas e concertadas junto dos jovens e da comunidade. Ir aonde eles estão. Algumas figuras públicas que sejam admiradas pelos mais jovens poderiam ajudar, por exemplo, a passar a informação de forma correta, baseada não na experiência de cada um, mas na informação dos profissionais de saúde“.

“Os adolescentes merecem atenção, porque faz parte da adolescência testar a autoridade, desafiar, experimentar, querer pertencer ao grupo e quando estão juntos são muito de partilhar comida, copos, garrafas, telemóveis, mas, apesar de tudo, os pais têm maior influência sobre eles”, diz Sandra Braz.

Mas, ao contrário de Daniel Sampaio, os adolescentes não são a maior preocupação de Sandra Braz. “Parece-me mais fácil que um adolescente se torne responsável, se lhe dermos informação, do que os adultos jovens como os que tenho internados aqui, que parece que estão a brincar com isto tudo. Os adolescentes são por definição curiosos e tentam informar-se e procurar as fontes corretas, os jovens adultos acham que sabem tudo e não precisam de procurar nada, por isso acho que estão em maior risco”.

De acordo com a médica, estes são jovens que no trabalho tomam todos os cuidados, mas quando estão com amigos acham que não há precauções a tomar. “Associaram a ideia de desconfinamento a que estava tudo bem e podiam relaxar, acham que a doença só é transmitida por quem tem sintomas, o que não é verdade, e dizem que só têm 18 anos uma vez e não vão limitar as suas escolhas. Isto é preocupante. Os adolescentes merecem atenção, porque faz parte da adolescência testar a autoridade, desafiar, experimentar, querer pertencer ao grupo e quando estão juntos são muito de partilhar comida, copos, garrafas, telemóveis, mas, apesar de tudo, os pais têm maior influência sobre eles”, diz Sandra Braz.

Os números confirmam a opinião da médica. 5657 infetados entre os 20 e os 29 anos para 1522 entre os 20 e os 29. O verão e as férias escolares serão a prova de fogo. A PSP estará atenta e promete vigilância dos espaços públicos “em particular, aos ajuntamentos com mais de dez ou 20 pessoas e ou em que não seja observado o distanciamento social, recorrendo a todos os poderes legais para fazer cessar tais situações de risco de contágio acrescido”, garante fonte desta força policial.

Novo estudo diz que pessoas até aos 20 anos têm metade das probabilidades de um adulto de serem infetadas com covid-19

Junho 24, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 17 de junho de 2020.

Depois dos 20 anos, a suscetibilidade ao novo coronavírus volta a aumentar mas as crianças e adolescentes até essa idade têm relativamente baixa probabilidade de serem infetadas. Além disso, apenas 21% apresentam sintomas, uma percentagem que chega aos 69% quando a idade ultrapassa os 70 anos

As crianças e adolescentes com menos de 20 anos não têm tantas probabilidades de serem infetadas com o novo coronavírus, uma nova informação que pode revelar-se crucial para os decisores políticos que estão a pensar em reabrir creches e escolas nos primeiros anos de escolaridade. O estudo, desenvolvido pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Londres, foi publicado na terça-feira e mostra ainda que, no geral, nestas idades os infetados não apresentam sintomas de covid-19.

O estudo afirma que as crianças têm metade das hipóteses de serem infetadas do que as pessoas com mais de 20 anos e, quando isso acontece, apenas 21% apresentam sintomas, comparando com 69% das pessoas que os revelam acima dos 70 anos.

“Estes resultados têm implicações na crença que o fecho das escolas é uma opção para mitigar a transmissão do SARS-Cov-2, já que esta medida parece ter menos efeito com este vírus, do que aquele que pode ter tido na contenção de outros vírus respiratórios”, escreveram os autores no comunicado que acompanha a publicação do estudo, citado pelo “Washington Post”.

As razões para esta aparente imunidade nos muito jovens não são totalmente conhecidas mas os autores adiantam que pode resultar de uma resposta muito assertiva do sistema imunitário, habituado ao contacto com outros tipos de coronavírus, como o vírus da gripe, ou influenza. Os resultados podem também ajudar a explicar por que razão o vírus não tem provocado o mesmo número de mortes nos países em desenvolvimento que se verifica entre as nações mais desenvolvidas: enquanto as pirâmides demográficas na Europa, América do Norte ou Japão mostram um grande número de população idosa, as de alguns países de África são o inverso, com uma grande concentração de pessoas jovens e uma esperança média de vida menor, o que leva a que haja menos cidadãos mais velhos a serem infetados, e a sucumbir, ao vírus. Cerca de 40% da população da África Subsaariana tem menos de 15 anos se excluirmos a África do Sul.

O estudo, publicado na revista Nature, debruçou-se sobre dados recolhidos na China, Itália, Japão, Singapura, Canadá e Coreia do Sul.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Age-dependent effects in the transmission and control of COVID-19 epidemics

Consequências da Quarentena nos Adolescentes

Junho 10, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Ana Galhardo publicado no site Up to Kids

Consequências da Quarentena nos Adolescentes

As medidas adotadas em Portugal para fazer face à propagação do Covid 19, quer para tentar não sobrecarregar o sistema nacional de saúde, quer pela própria saúde individual e coletiva foram uma série de ações que começaram por colocaram o país no chamado “estado de emergência”, indiscutivelmente necessário, mas por vezes mal-interpretado ou executado de forma excessiva. As famílias adotaram medidas extremas de cuidado, sem perceberem que com isso também estavam a fomentar outros desequilíbrios…

Os adolescentes e jovens

Infelizmente assisti a muitos jovens que estiveram 2 meses quase sem poder “colocar o nariz fora da janela”. Sem ver os namorados ou namoradas. Sem estar com amigos mesmo dentro da distância de segurança e já depois de termos saído do estado de emergência. 2 meses em total isolamento social e familiar, porque a maioria também não quer passar tanto tempo com a família (faz parte de ser adolescente) e viram-se fechados nos seus quartos a olhar a vida só pela janela e pela tela do computador!

Embora compreenda a posição dos pais e a sua preocupação em proteger os filhos, penso que permitiram que o seu medo se propagasse para eles de forma pejorativa e com consequências sérias para o equilíbrio emocional, sobretudo dos adolescentes. As crianças mais pequenas são mais fáceis de distrair dentro de casa. E os adultos têm uma capacidade de compreensão e aceitação que os adolescentes ainda não têm. Parece-me que eles foram os que mais sofreram com esta cultura do medo que se difundiu como água que escorre pelos dedos e que não conseguimos conter…. Foram os que mais sofreram também com o isolamento ao qual foram sujeitos.

O isolamento e a depressão

Do isolamento a que foram sujeitos, alguns jovens começaram a revelar traços depressivos, outros sintomas de ansiedade crescente.

  • Emagrecimento;
  • Dificuldades de dormir;
  • Dificuldades em concentrarem-se nas tarefas da escola;
  • falta de vontade de comunicar;
  • Deixar de ter vontade de sair de casa;
  • Deixar de praticar atividade física;
  • Dificuldade de comunicação e vivência familiar com consequente isolamento no quarto;

Estes são alguns dos muitos sintomas que os jovens que acompanho têm revelado como consequências da quarentena.

Ansiedade social

Associado a estes aspetos temos ainda jovens que já tinham ansiedade social e que com esta quarentena agravaram o seu quadro. Como sabemos a ansiedade vem sempre do medo. Neste caso o medo dos relacionamentos interpessoais, com os quais, melhor ou pior, tinham de se confrontar todos os dias na escola e com o devido acompanhamento iam crescendo na capacidade de se relacionarem mais e melhor. Com a quarentena, inicialmente pareceu-lhes ótimo! Não tinham que lidar com essa tensão diariamente e podiam estar simplesmente relaxados. Com o passar dos dias foram deixando de ter vontade de comunicar com as pessoas ainda que de forma virtual e da ansiedade boa, de eu quero e vou lidar/ultrapassar os meus medos deixaram-se simplesmente cair no abatimento, na falta de vontade e de estímulo para o que quer que seja.

O desconfinamento

Neste momento começamos devagarinho a regressar às nossas atividades laborais presenciais e escolares (só para alunos de 11º e 12º ano) . Vai ser urgente cuidar das consequências que a reclusão trouxe consigo. Cuidar do medo de ser contaminado e tentarmos todos aprender novas formas de nos relacionarmos, sem nos colocarmos em perigo, sobretudo sem colocarmos o país em perigo, mas cuidando também da nossa sanidade mental.

O ser-humano é um animal social e o Português especificamente de presença e de toque.

Sabemos que o toque neste momento é perigoso, ok. Mas vamos ter que encontrar novas formas de voltar a conviver ainda que dentro da distância de segurança ou com máscara e mesmo que nos continuemos a cumprimentar com o cotovelo, não podemos deixar de que o Covid nos retire a necessária convivência social e nos empurre fisicamente saudáveis, para a falésia do desequilíbrio emocional, sobretudo da depressão e da ansiedade.

O que dizem os estudos?

Existem inúmeros estudos que mostram a importância das relações entre pares para um desenvolvimento saudável e harmonioso, principalmente no período da adolescência. Para além disso, sabemos também que o isolamento desenvolve no cérebro o aumento da produção de um determinado neurotransmissor que faz com que exista uma maior propensão para a agressividade, medo e ansiedade. Quando este neurotransmissor existe no organismo em quantidades exageradas, superiores às que o corpo deveria normalmente produzir, as pessoas não conseguem voltar à atividade normal, mesmo depois da ameaça passar.

Isto tem que ser uma preocupação para todos nós, pais, terapeutas e educadores. Precisamos ajudar os nossos jovens a aprender como retomar a vida! Não podemos mesmo deixar que continuem fechados em quatro paredes ou o desfecho será talvez mais catastrófico do que o próprio covid.

 

PSICOTERAPEUTA CORPORAL E RESPONSÁVEL PELO ESPAÇO CRESSER.

Ana Galhardo

 Espaço CresSer

“Preocupa-me mais um adolescente que está confortável com o confinamento do que um que só quer sair”

Junho 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Rita Castanheira Alves ao Diário de Notícias de 19 de maio de 2020.

Catarina Pires

O confinamento dos últimos meses e um verão que se prevê cheio de regras e limitações e máscaras e distanciamento físico e social, devido à pandemia de covid-19 que “proíbe” beijos e abraços, são um desafio difícil para todos. Mas para os adolescentes ainda mais. Porquê? A psicóloga Rita Castanheira Alves responde.

Os adultos já passaram por lá, mas muitas vezes, sobretudo quando têm filhos adolescentes, encurta-se-lhes a memória (ou não, têm apenas medo). A adolescência é turbulenta.

Ou melhor, um turbilhão de hormonas, mudanças no corpo, cérebro em maturação, identidade em construção, e definição, emoções exacerbadas, amores, desamores, desejo sexual, vontade de autonomia e independência, tempo de exploração e descoberta, que implica os outros, o mundo, a rua. Que se fecharam, por obra e graça nenhuma de um novo vírus demasiado eficiente e, por isso, ameaçador. E que tão cedo não voltarão a abrir como antes.

O que é que isto pode representar para um adolescente em construção? Foi o que perguntámos à psicóloga Rita Castanheira Alves, especialista na área clínica e da saúde e intervenção precoce e autora, entre outros, do livro Adolescência, os Anos da Mudança e do projeto Psicóloga dos Miúdos.

A pandemia de covid-19 fechou as escolas, confinou os miúdos a casa e deixou-os (ainda mais) absorvidos nas novas tecnologias, através das quais vão às aulas, mantêm-se em contacto com os amigos e namorados/as e se distraem. Que impacto isto tem num adolescente?

Andámos muito tempo a falar de os adolescentes estarem muito agarrados às tecnologias e de repente esse passa a ser o único ou o maior veículo para continuarem a manter o contacto social com os pares ou com os namorados ou namoradas e surgiu muito a dúvida por parte dos pais: por um lado compreendem, porque está sozinho, não tem o contacto da escola, não pode ir ter com os amigos à rua; por outro, está a prolongar as horas de ir para a cama e fica o tempo todo no telemóvel nas redes sociais ou a falar com os amigos ou a fazer videochamadas.

Como estabelecer o equilíbrio?

É preciso apelar à flexibilidade dos adultos neste caso, porque eles precisam muito desse contacto social e as tecnologias passaram a ser o canal possível, com todas as ressalvas que têm que se fazer de perceber com quem está a falar e como estão a ser usadas, porque os perigos mantêm-se, mas com tolerância e flexibilidade, acompanhando, negociando e garantindo que existe responsabilidade e gestão de todas as tarefas.

Mas que impacto tem isto tudo nos adolescentes?

Depende do tempo que demorar, mas há um conjunto de fatores do adolescente e da família e da forma como este período foi gerido que determinam o impacto. Aquilo que observo e que às vezes me preocupa mais são aqueles que ficaram desde o início confortáveis em casa. Claro que cria mais conflito e é mais exigente um adolescente que quer estar sempre a desconfinar, porque quer a todo o custo sair para ir ver o namorado ou a namorada ou os amigos, mas…

Mas se calhar é mais saudável.

Exatamente. O que fica em casa dá muito menos trabalho, mas é o que me preocupa mais enquanto técnica e acho que deve fazer soar campainhas. Não é suposto um adolescente estar confortável em casa, quando lhe está vedado todo o contacto social.

Para os miúdos que têm vontade de liberdade, de autonomia, de estar com os outros, o impacto vai depender do tempo que esta situação durar. Mas há coisas que eles já estão a perder, acampamentos, festivais de verão, viagens de finalistas, todas essas coisas que são memórias biográficas que nos definem muito. Na adolescência não parece, mas são mesmo muito marcantes porque há uma fase de construção da identidade que precisa deste tipo de experiências para se definir.

Apesar de tudo, esta fase de desconfinamento que estamos agora a atravessar pode ser mais complicada que a de confinamento?

Isto é tudo novo para nós e para eles. Estamos todos a descobrir como reagimos a isto e como devagarinho começamos a desconfinar.

Pensando nos adolescentes e naquilo que são as suas características e necessidades, com o desconfinamento começam a querer sair mais e o conteúdo, passa a ser a gestão das saídas e a preocupação da família: como são feitas e se o adolescente cumpre ou não as medidas de proteção. Faz parte da adolescência esta negociação que por vezes gera algum conflito e este contexto poderá agudizá-lo. Será preciso um esforço acrescido dos adultos e do adolescente no sentido de gerir a confiança e a responsabilidade.

Por outro lado, há uma questão importante, por vezes esquecida, a referir: pode ser protetor estar noutros contextos sem ser a casa para alguns adolescentes. Isto porque, infelizmente, nem sempre a casa é o porto seguro, de estabilidade e conforto, para todos. E, nesses casos, é muito protetor ou mesmo determinante em situações mais graves, ter a escola para muitos destes jovens: professores com quem podem falar, ou outros adultos (técnicos, funcionários) a quem poderão recorrer ou que poderão notar que algo não está bem. Isto é fundamental para jovens, que poderão estar em situações familiares complicadas ou estar eles próprios com necessidade de ajuda (p.e. por exemplo por sintomas depressivos ou ansiosos).

O mesmo se passa quando podem ter momentos só com os pares (amigos, namorados), que são muitas vezes a quem recorrem e pedem ajuda, nalgumas situações de contextos familiares muito complicados.

E os namoros, nestas idades, resistem ao distanciamento físico?

Eles têm uma coisa que nós não tínhamos que é o contacto virtual e um enorme à vontade e experiência na sua gestão e conseguem através desses meios manter-se ligados aos amigos e namorados ou namoradas, se os tiverem.

Não tenho bases para dar uma opinião técnica sobre que impacto é que isto terá nos namoros. Mas o que sabemos? Sabemos que a adolescência é um momento por si só de desconfinar, de sair do ninho, de procurar novas pessoas, novas maneiras de estar, de tentar criar uma identidade própria. Isto faz parte da passagem para a adultez e de repente estamos a pedir-lhes uma coisa que é contrária àquilo que aqueles cérebros precisam.

É mesmo uma questão de necessidade e não de capricho, não é?
Sim, não é uma questão de eles quererem porque são teimosos. Na adolescência, há uma série de coisas que acontecem em termos de maturação cerebral, que nos prepararam para a adultez e que têm muito que ver com isto de irmos para fora do ninho e contrariar isso cria uma espécie de dissonância, uma coisa que é contra aquilo de que eles precisam, o que gera alguma tensão. Mas cada adolescente e cada família têm maior ou menor capacidade de adaptação.

E que recursos poderão eles ter para lidar com isso de uma forma mais saudável e como é que os pais podem ajudar? A adolescência é a fase em que se começa a despertar para a sexualidade e os amores e eles nem beijos e abraços podem dar…

O impacto e as consequências dependem sempre da base de que se parte. Mas o que me parece é que havendo de facto um aumento da necessidade sexual, mudanças no cérebro que aumentam a impulsividade e uma maior ativação da parte emocional, tudo o que sejam posturas intransigentes e inflexíveis dos pais, sem qualquer margem para negociação, vão dificultar o processo.

Ainda temos pela frente um período longo de limitações de saídas, de distanciamento físico, de medidas de proteção, que complicam a satisfação das necessidades que os adolescentes têm de afirmação, de procura de pares, amigos ou namorados, de primeiras experiências íntimas. E portanto creio que uma das coisas a fazer, pelos pais, é conversar e ter uma atitude de ouvir, compreender e empatizar. Por um lado, trabalhar as cedências e por outro trabalhar as responsabilidades, porque há riscos que são reais.

E é importante que eles tenham consciência disso.

Sim, mas não podemos esperar que um adolescente, com toda a naturalidade, de um dia para o outro, tome consciência de tudo isto e não desafie a importância de usar a máscara ou estar sempre a desinfetar as mãos, por exemplo. É um trabalho que tem que se ir fazendo.

Claro que estamos todos sob medo, o que pode levar-nos a posições extremas de proibição, mas isso não vai correr bem. Depende tudo de que adolescente e de que relação com o pais antes do confinamento é que estamos a falar.

A situação que vivemos é por si só um ativador de conflito muito complicado para todos gerirmos, mas se partirmos de uma relação em que não já havia diálogo, nem negociação, nem cumplicidade nem a capacidade de se porem nos sapatos do outro, tanto o adolescente nos dos pais, como os pais nos do adolescente, é muito mais difícil de gerir.

Intervir no excesso de peso na infância

Maio 31, 2020 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Dulce Teixeira Bouça publicado no Público de 23 de maio de 2020.

O excesso de peso na infância tem uma influência muito marcada no desenvolvimento psicoemocional e na auto-estima, que vão acompanhar a adolescência e a idade adulta.

A Joana de 10 anos tinha excesso de peso desde os 7 anos, com chamadas de atenção do pediatra e dos professores, os pais na sua boa-fé e muito absorvidos pelas suas profissões, deixaram passar o tempo na esperança de que o crescimento resolvesse o problema. Aos 10 anos a Joana não faz nenhuma actividade física porque diz que não consegue. Tem poucos amigos porque diz que a chamam de ‘gorda’. Não tem vontade de estudar porque está sempre aborrecida e acalma-se comendo. A Joana está em risco, precisa de ser ajudada a sentir-se bem no seu corpo para poder acreditar em si.

O Miguel tem 13 anos e tem excesso de peso, que desde os 8 anos se tem acentuado. Já manifesta cansaço ao esforço e poucos interesses para além da PlayStation. O Miguel vive alternando entre a casa da mãe e a casa do pai, que têm diferentes avaliações da necessidade de mudar o comportamento alimentar e ocupacional do filho. Sem um trabalho conjunto de compromisso e de confiança mútuos, que implique orientações do pediatra, motivação dos pais e muito estímulo para o Miguel, o crescimento e a alegria da adolescência podem ficar comprometidos.

Como é sabido o excesso de peso na infância é um factor de risco para um desenvolvimento saudável, para que se progrida num crescimento equilibrado, para o aparecimento de doenças metabólicas e cardiovasculares precoces e mesmo para a prevenção de certos tipos de cancro, bem como, de doenças crónicas como a diabetes a hipertensão arterial, entre outras.

Mas o excesso de peso na infância tem, também, uma influência muito marcada no desenvolvimento psicoemocional e na auto-estima, que vão acompanhar a adolescência e a idade adulta.

É o corpo no seu todo — físico e emocional, que veicula a formação da personalidade, do auto conceito de valor próprio e individual. É o corpo que facilita as vivências fundamentais de pertença ao grupo de pares, que permite as escolhas interpessoais por afinidades, que permite que a criança ou o adolescente se sintam bem no grupo de amigos, na escola, no desporto, nas vivências de aproximação e identificação com os outros, comparando-se com os da mesma idade e mesmo com os adultos em que se projectam para o futuro.

É sabido que o sentimento de pertença e aceitação nos grupos é fundamental para que a criança se sinta motivada, apreciada e empenhada em atingir os objectivos que se propõe, tanto nas suas competências emocionais e sociais, como na aprendizagem e resultados académicos. Uma criança que não se sente valorizada na sua imagem física, dificilmente se sente motivada para experimentar novos desafios ou para competir para alcançar sucesso.

Mais do que as competências intelectuais, são as competências emocionais e sociais que fazem uma criança feliz e a acreditar no seu sucesso pessoal. O corpo, saudável e emocionalmente equilibrado, é o instrumento por excelência para a procura de uma identidade pessoal e social, que se constrói em primeiro lugar na família e, depois e ao mesmo tempo, nos grupos de amigos, na escola, nas actividades lúdicas e desportivas, no desenvolvimento da criatividade.

Como também sabemos as crianças não têm autonomia para decidir as suas escolhas, cabe aos pais e à família orientar a procura de um caminho próprio para se realizarem e, nesse sentido, as condições para o seu desenvolvimento saudável são também fornecidas na família.

Quando uma criança apresenta excesso de peso, avaliado pelo seu médico que acompanha o desenvolvimento, o trabalho de correcção de hábitos alimentares e a promoção de uma actividade física salutar, deve ser feito numa intervenção em equipa — constituída por médico, pais e criança, retirando a responsabilidade total a esta e transferindo-a para a família que deve ser, sem imposição punitiva, o exemplo de bons hábitos alimentares e cuidados a ter com o corpo.

Independentemente de vivermos em situação de pandemia, não se deve adiar a intervenção perante o excesso de peso de uma criança. As unidades de saúde já retomaram a actividade clínica programa de forma segura e como tal pode procurar orientação junto do médico. Vamos ajudar o Miguel e os pais…Vamos apoiar a Joana… Vamos conseguir que o Miguel e a Joana consigam!

 

Psiquiatra que integra consulta multidisciplinar de Tratamento de Doenças do Comportamento Alimentar no Centro da Criança e Adolescente do Hospital CUF Descobertas

Crianças espelham os medos dos pais – Entrevista de Manuel Coutinho do IAC ao JN

Maio 29, 2020 às 2:50 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 29 de maio de 2020 e entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Adolescentes portugueses são mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola mas estão felizes com a família

Maio 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 19 de maio de 2020.

CHRISTIANA MARTINS

Um estudo em 45 países com crianças de 11, 13 e 15 anos revelou que os adolescentes portugueses continuam sedentários e felizes com as famílias que têm. Se fosse feita agora, a investigação poderia ter resultados surpreendentes e a próxima vaga deverá incluir os efeitos da pandemia, que “parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. Mas, para já, de acordo com a última edição da investigação, antes o mundo ter parado, pioraram as queixas de tristeza, dificuldade em adormecer e irritação

Uma investigação internacional que analisa os comportamentos e a saúde dos adolescentes nos seus vários espaços de experiência, com amostras representativas de alunos de 11, 13 e 15 anos, faz o retrato possível dos jovens europeus. A última edição do Health Behaviour in School-aged Children (HBSC/OMS) ouviu um total de 227 441 adolescentes, dos quais 5839 jovens portugueses, a maioria (52,5%) do género feminino, e concluiu que continuam a ser mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola e sentem-se excessivamente pressionados pelos trabalhos escolares.

Há más notícias que se repetem ao longo das várias edições do estudo, como a “fraca a prática da atividade física, fraca em si (poucos adolescentes cumprem o recomendado), e fraca em comparação à média europeia”. O comunicado é muito claro: “Os resultados são maus desde 1998, a pedir ação urgente na escola, na comunidade e na família.” Também é “fraco o gosto pela escola, fraco em si e fraco na comparação com os restantes países”: só 9,5% dos alunos responderam que gostam muito da instituição. Em 45 países avaliados, isso corresponde em 38.º lugar.

Para além disso, “é elevada a pressão com os trabalhos da escola, sobretudo nos mais velhos e nas raparigas, que também põe Portugal nos piores lugares, desde 1998”.

AS BOAS NOTÍCIAS

Como nem tudo é negativo, há também boas notícias, como o comportamento alimentar que continua em geral a ser melhor que a média europeia, tendo melhorado, inclusive, a nível nacional. Os investigadores aproveitam para, no comunicado, pedir que se aproveite a tendência – “Urge associar a alimentação na escola a uma alimentação com apresentação e sabor aceitáveis”. Porque, segundo os adolescentes ouvidos pelo estudo, “a qualidade está garantida, mas não a apresentação e o sabor”. A investigação revela ainda que o consumo de canábis diminuiu, sendo atualmente menor que a média europeia.

O estudo demonstra que 80,3% dos alunos sente-se “sempre ou quase sempre seguros na escola”. Os acidentes e lesões são menos frequentes que a média europeia nas raparigas mais novas, situação que se inverte nos rapazes: são mais frequentes que a média europeia nos rapazes mais novos. Quer os rapazes quer as raparigas mais velhos têm mais acidentes em Portugal do que a média da UE. Os coordenadores do estudo sublinham que “isto sugere um padrão de desenvolvimento diferente nos acidentes e lesões em rapazes e raparigas em Portugal em comparação com os outros países, a merecer atenção”. Afirmam ainda que as lesões e os acidentes têm vindo a aumentar sobretudo nas raparigas no escalão etário intermédio (13 anos) e nos rapazes mais novos.

ciberbullying é inferior em Portugal à média europeia, com tendência a subir dos 11 para os 13 anos e descer dos 13 para os 15 anos. As lutas diminuíram nos mais velhos e nas raparigas, sendo menos frequentes face à média europeia, mas aumentaram nos mais novos, sendo nesta idade mais frequentes do que na média europeia.

Regista-se um elevado uso de comunicação online, sobretudo nas raparigas mais velhas, e o consumo de álcool apresenta uma tendência de subida, mas a embriaguez está a descer. Os adolescentes portugueses referem sentir um apoio social por parte dos colegas da escola superior à média europeia, principalmente os rapazes, e um apoio social menor por parte dos professores, sobretudo as raparigas. Com os rapazes a parecerem duplamente beneficiados e em comparação com a Europa: sentem maior apoio social dos colegas e dos professores. Também dizem sentir um maior suporte da família e dos amigos, ultrapassando a média europeia.

Piorou a percepção de boa saúde nos adolescentes de 11 anos em Portugal, comportamento distinto da média dos outros países. Mas a satisfação com a vida subiu desde 2014 e mantém-se de acordo com a média europeia. Apresentar dois ou mais sintomas físicos ou psicológicos é mais frequente em 2018 do que era em 2014, mas permanece inferior à média europeia. Em 2018 de um modo geral, são mais frequentes as dificuldades em adormecer, tristeza, nervosismo, irritação e dores de costas, mas mesmo assim inferiores à média europeia.

Jovens pós-covid

E se a pesquisa tivesse ouvido os adolescentes depois do confinamento causado pela pandemia de covid-19? Segundo Tânia Gaspar, psicóloga e uma das investigadoras que participou no estudo, “embora não se possa ainda tirar conclusões, a pandemia parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. “Estão mais responsáveis e mais próximos dos professores, que tiveram de reinventar métodos de trabalho e aproximar-se de realidades que eram já familiares aos jovens, como as tecnologias”, explica.

A conquista de uma maior autonomia é a principal consequência, segundo Tânia Gaspar. “Esta é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. Eu gostava que a escola se adaptasse à realidade dos jovens, que se sentiram mais responsabilizados, o que aconteceu porque lhes deram este espaço”, sublinha a psicóloga. De tal forma a experiência foi internacional e marcantes que a investigadora antecipa uma inclusão de questões relacionadas à pandemia na próxima vaga do estudo, à semelhança do que aconteceu após a crise económico-financeira de 2008.

Quanto ao medo que sondagens recentes revelaram estar a ser sentido pelos jovens portugueses, Tânia Gaspar refere que eles dizem ser um medo de perder os familiares, mais do que se exporem os próprios adolescentes à doença. “Revela uma grande valorização da família, também porque assistiram ao medo sentido pelos pais e pelos avós e às imagens que chegaram de Itália e da Espanha. Tem sido tudo muito rápido: primeiro o não se pode sair, agora o se deve sair. É preciso dar tempo à adaptação”, conclui a investigadora. Mas fica um recado: “O comportamento dos jovens tem sido fascinante e revelado grande sentido de responsabilidade. Esta é uma oportunidade para os adultos confiarem mais nos jovens, respeitando-os e dando-lhes voz.”

O ESTUDO

Realizado em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, o estudo conta com a participação de 45 países e tem vagas de investigação a cada quatro anos, que se iniciaram em 1983, com Portugal a participar desde 1998. Coordenado pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, o projeto incluiu em Portugal alunos do 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos e, “analisando o nível médio de riqueza das famílias portuguesas” dos quase seis mil inquiridos, o país encontra-se na 22ª posição entre os 45 participantes. Ou seja, a maioria dos pais estão empregados (94,6%), embora existam 1,5% dos pais e 3,5% das mães que não têm um emprego, e 0,4% de jovens têm ambos os pais desempregados. O nível de desemprego das mães (3,5%) é superior à média dos países incluídos (2,9%), mas a frequência de pais e mães empregados (94,6%) é, mesmo assim, inferior à média europeia (95,3%).

A maioria dos jovens disse ter origem portuguesa (74,8%) e 19,5% referiram que “pelo menos um dos pais” nasceu fora de Portugal. Relativamente à estrutura familiar, 69,8% viviam com os pais na mesma casa e, dos que não residiam com ambos os pais, 17,8% faziam parte numa família monoparental e 12,4% disseram ter outro tipo de estruturas familiares.

Mais informações no link:

http://www.euro.who.int/en/media-centre/sections/press-releases/2020/who-report-on-health-behaviours-of-1115-year-olds-in-europe-reveals-more-adolescents-are-reporting-mental-health-concerns

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Maio 26, 2020 às 2:33 pm | Publicado em Publicações IAC- Marketing | Deixe um comentário
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Mais adolescentes europeus têm problemas de saúde mental

Maio 26, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 19 de maio de 2020.

Novo relatório mostra que um em cada quatro adolescentes sente-se nervoso, irritado ou com dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana; tecnologia pode ter benefícios, mas também aumentar vulnerabilidades; consumo de álcool e tabaco continua caindo, mas permanece alto.

O bem-estar mental de adolescentes entre os 11 e os 15 anos caiu entre 2014 e 2018 em 45 países da Europa e Canadá. A conclusão é de um novo relatório publicado esta terça-feira pelo Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS.

A situação piora à medida que as crianças crescem, com as meninas em maior risco. Um em cada quatro adolescentes disse sentir-se nervoso, irritado ou com dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana.

Preocupação

 O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, afirmou que o crescimento “é uma preocupação para todos.” Segundo o especialista, a resposta dos governos “terá efeitos por várias gerações.”

Kluge diz “que investir nos jovens, garantindo que tenham acesso a serviços de saúde mental, trará ganhos de saúde, sociais e econômicos aos adolescentes de hoje, aos adultos de amanhã e às gerações futuras.”

Diferenças

Existe uma variação substancial entre países, mostrando que fatores culturais, políticos e econômicos podem ter um papel.

Em cerca de um terço dos países, aumentou o número de adolescentes que se sentem pressionados pelos trabalhos escolares. O número de jovens que gostam da escola caiu. Na maioria dos países, a experiência escolar piora com a idade. O apoio de professores e colegas também diminui à medida que a pressão escolar aumenta.

O estudo examina a relação com o aumento do uso da tecnologia. A tecnologia pode ter benefícios, mas também aumentar vulnerabilidades e ameaças, como assédio na internet, que afeta meninas de forma desproporcional. Mais de 10% dos adolescentes foram vítimas deste tipo de assédio pelo menos uma vez nos últimos dois meses.

Desafios

A pesquisa destaca comportamentos de risco, nutrição e falta de atividade física como desafios centrais
O comportamento sexual arriscado continua sendo uma preocupação, com um em cada quatro adolescentes que são ativos sexualmente não usando proteção. Aos 15 anos, 24% dos meninos e 14% das meninas dizem já ter tido relações sexuais.

Atividades como beber e fumar continuaram a cair, mas o número de usuários permanece alto, sendo o álcool a substância mais usada. Cerca de 20% dos jovens de 15 anos já se embebedaram duas vezes ou mais na vida. Além disso, 15% se embriagou nos últimos 30 dias.

Em relação à atividade física, menos de 20% dos adolescentes cumpre as recomendações da OMS. Desde 2014, os níveis caíram em cerca de um terço dos países, principalmente entre os meninos. Entre meninas e adolescentes mais velhos, a pesquisa diz que os níveis de atividade “continuam particularmente baixos.”

Alimentação e pandemia 

A alimentação também é uma preocupação, com a maioria dos jovens não cumprindo as recomendações nutricionais. Cerca de dois em cada três não comem alimentos ricos em nutrientes e um em cada seis consome bebidas açucaradas todos os dias.

Os níveis de sobrepeso e obesidade aumentaram desde 2014 e agora afetam um em cada cinco jovens. Cerca de 20% dos adolescentes se consideram muito gordos, principalmente as meninas.

Segundo o diretor do Programa de Saúde da Criança e do Adolescente da OMS Europa, Martin Weber, o relatório permitirá perceber quais as consequências da pandemia de covid-19. Weber diz que, no próximo estudo, “será possível medir até que ponto o fechamento prolongado da escola e o isolamento social afetaram as interações sociais dos jovens e o seu bem-estar físico e mental”.

O relatório compila extensos dados sobre saúde física, relações sociais e bem-estar mental de mais de 227 mil crianças em idade escolar de 11, 13 e 15 anos de 45 países.

No que se distinguem os adolescentes portugueses?

Maio 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Infografia do Público de 18 de maio de 2020.

Health Behaviour in School-aged Children, da Organização Mundial da Saúde, estuda a cada quatro anos os comportamentos e a saúde dos adolescentes nos seus contextos de vida. É realizado em Portugal desde 1998. O último inquérito foi feito em 2018, a 227.441 alunos de 11, 13 e 15 anos de 45 países. Em Portugal, onde são consideradas as respostas de 5839 jovens, as más notícias passam por aqui: fraca prática da actividade física, fraco gosto pela escola e relatos de uma excessiva pressão com os trabalhos escolares. Já o comportamento alimentar continua em geral melhor do que a média. Os resultados acabam de ser divulgados.

Visualizar a infografia no link:

https://www.publico.pt/2020/05/18/infografia/distinguem-adolescentes-portugueses-506?fbclid=IwAR2LXPuvEBofoIXdJbalqwuvXMUihQqyc8gyqQVgLX8KxlMa4mXtMbWVKGI

Mais informações no link:

http://www.euro.who.int/en/health-topics/Life-stages/child-and-adolescent-health/health-behaviour-in-school-aged-children-hbsc/hbsc-2020

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