Sexting dispara entre jovens. E alguns só têm 11 anos

Agosto 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Sapolifestyle de 6 de agosto de 2018.

A massificação dos telemóveis transformou o sexting – troca de mensagens de cariz sexual – num hábito comum entre adolescentes. Os especialistas alertam para as consequências deste fenómeno, que envolve miúdos cada vez mais novos e também é usado para fazer bullying ou chantagem.

Há meia dúzia de anos o conceito era obscuro, mas hoje quase todos os jovens sabem o que quer dizer e muitos fazem aquilo que ele define: trocar mensagens de cariz sexual através do telefone. O sexting começou por se limitar ao texto, mas com a evolução das tecnologias depressa começou a contemplar fotografias e vídeos. Desde então, os seus estragos não param de se acumular.

Um novo estudo, publicado pela JAMA Pediatrics e divulgado pela CNN, defende que um em cada quatro jovens norte-americanos confessou ter recebido este tipo de mensagens e um em cada sete admitiu tê-lo enviado. A investigação contemplou 39 projetos autónomos, realizados entre janeiro de 1990 e junho de 2016, que envolveram mais de 110 mil participantes, todos com menos de 18 anos e alguns com apenas 11.

Ressalvando que foi a massificação do acesso aos telemóveis que provocou este fenómeno, os autores do estudo sugerem que “as informações específicas sobre sexting e as suas consequências devem começar a ser trabalhadas em aulas de educação sexual”.

A pesquisa mostra que entre os mais jovens, o sexting é uma forma de explorar a atração sexual. “À medida que crescem, os adolescentes sentem cada vez mais interesse pela sexualidade; estão a tentar descobrir quem são”, afirmou o co-autor do estudo e professor de psiquiatria da Universidade do Texas, Jeff Temple.

Os riscos que as crianças e pré-adolescentes mais novos correm são assustadores, tendo em conta as armadilhas deste tipo de conteúdo. Diz o artigo da CNN que as relações entre pré-adolescentes (entre 10 e 12 anos) são quase sempre de curta duração, o que torna os miúdos mais vulneráveis ​​ao sexting sem consentimento, pois tornou-se comum “usar imagens e vídeos de nus como forma de ameaça ou chantagem”.

Tendo em conta que a média de idade dos miúdos que começam a usar smartphones está nos 10,3 anos, Jeff Temple acredita que “vamos assistir a um aumento do número de adolescentes com vida sexual”.

“As crianças não têm uma compreensão absoluta do que é uma relação de causa e efeito”, defende Sheri Madigan, professora assistente do Departamento de Psicologia da Universidade de Calgary e coautora do estudo.

“Quando enviam uma fotografia, muitos não pensam que jamais poderão recuperá-la e que o destinatário pode fazer com ela o que bem entender”.

Madigan diz que parte do problema está no cérebro dos adolescentes. “Os mais jovens têm os lóbulos frontais menos desenvolvidos e, por isso, são menos capazes de pensar sobre determinados assuntos do que os mais velhos. Provavelmente são mais vulneráveis ​​à pressão para fazer sexo ou participar em sexting não-consensual”.

De acordo com este estudo, 12,5% dos jovens – ou seja, um em cada oito – diz ter reencaminhado uma mensagem deste teor sem o consentimento do remetente e/ou do destinatário, o que revela bem a falta de segurança que envolve o fenómeno. “Sabemos que os sexts estão a ser reencaminhados sem consentimento e se os pais conversarem com os filhos adolescentes sobre sexting, devem falar sobre tais riscos”, defendeu Sheri Madigan, reforçando que se as mensagens forem trocadas sem a conivência dos intervenientes o assunto é muito grave. “Se olharmos para o fenómeno como um comportamento sexual consensual – com ambos os adolescentes a lidarem bem com o assunto – não haverá qualquer problema para a saúde mental”. Mas se o sexting for feito à revelia dos intervenientes, as consequências podem ser dramáticas.

Como falar com os seus filhos sobre sexting

  • Faça perguntas amplas como “já ouviste falar de sexting?”. Se perceber até que ponto ele domina o assunto, torna-se mais fácil conduzir a conversa.
  • Use exemplos apropriados à idade do seu filho e seja específico sobre as consequências do sexting. “Os pais devem ser proactivos e não reativos”, defende Madigan.
  • Recorde ao seu filho que o amor-próprio não é negociável. E que o sexting não é forma de provar amor a ninguém.
  • Evite julgamentos e preconceitos. E não queira ter a última palavra. Deixe o adolescente explicar o que sente.
  • Não se assuma como especialista na matéria.
  • Não o “proíba de”. Proibir, muitas vezes, é apenas convidar à desobediência.
  • Seja compreensivo. Os tempos mudaram e há coisas que custam a entender quando se é adulto.

 

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Prevalence of Multiple Forms of Sexting Behavior Among Youth

“Estamos a deixar o smartphone alterar a forma como somos humanos”

Agosto 16, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Catherine Price no dia 30 de julho de 2018.

Há dois anos Catherine Price decidiu que tinha de romper a relação que tinha com o telemóvel. Pelo caminho, escreveu um Manual de Desintoxicação sobre o processo. Em entrevista ao PÚBLICO, explica aquilo que aprendeu e partilha as estratégias que usou.

Karla Pequenino

Aos 37 anos, a norte-americana Catherine Price, autora e jornalista de ciência, percebeu que já não sabia ocupar o tempo livre sem o telemóvel e que, por isso, a relação tinha de acabar. A decisão chegou em 2016 quando estava a amamentar Clara, a filha recém-nascida. “Reparei que enquanto eu olhava para o ecrã e deslizava os dedos por mensagens antigas e candeeiros em lojas online, ela estava a olhar para mim. E eu não estava a olhar para ela,” relembra a autora. “Não queria que essa fosse a sua primeira memória de interacção com outra pessoa.”

A experiência para diminuir a necessidade de ter o telemóvel sempre na mão, levou Price a uma investigação sobre os efeitos dos aparelhos na mente e no corpo humano, e à forma como as grandes empresas tecnológicas os criam para ser viciantes. Os problemas são vários: a luz azul que é emitida por aparelhos modernos influencia o ritmo circadiano do ser humano e desregula os padrões normais de sono, o uso excessivo do aparelho está associado a problemas de isolamento nos jovens, e as pessoas estão mais focadas nos aparelhos que no mundo em redor. Há quem os use mais de sete horas por dia.

Os resultados são detalhados no livro Como largar o telemóvel: Manual de Desintoxicação, publicado este mês pela Arena. Em entrevista ao PÚBLICO, Catherine Price fala das conclusões e partilha estratégias para reconquistar o tempo que se perde ao telemóvel em 30 dias. “O primeiro passo é querer romper a relação amorosa que se tem com o telemóvel.”

PÚBLICO: Na versão original, o título do livro é mesmo “acabar o namoro com o telemóvel”. O objectivo é que os leitores abandonem totalmente os aparelhos?
Catherine Price: Atenção, o meu livro não é sobre atirar o aparelho para baixo de um camião. Isso não é realista. Estamos a falar de smartphones, telemóveis com acesso à Internet, que nos dão direcções e permitem fazer compras. É impossível negar a utilidade para nos conectar ao mundo, mas a realidade é que usamos demasiado estes aparelhos. Quando estamos aborrecidos, a primeira solução é agarrar no telemóvel. Durante a noite, dormimos com ele debaixo da almofada. Se ouvimos o som do SMS temos necessidade de o ver de imediato. É como um romance obsessivo, em que dependemos da outra pessoa para tudo, e isso não é uma relação saudável.

O telemóvel é uma enorme parte do nosso quotidiano. Como é que se sabe que se tem um problema?
Uma forma rápida de perceber a dimensão do problema é o CAGE, o questionário de quatro perguntas para detectar problemas de alcoolismo. Basta substituir álcool por smartphone. Têm de ver o telemóvel assim que acordam de manhã? Sentem necessidade de passar menos tempo ao telemóvel? Sentem-se culpados com o tempo que passam ao telemóvel? As pessoas criticam o tempo que estão a mexer no telemóvel? É assustador. Felizmente, o meu livro saiu na altura certa, por coincidência, com o escândalo dos dados do Facebook a alertar as pessoas sobre a forma como registam a vida toda nos aparelhos. E empresas como o Google e a Apple lançarem sistemas para nos ajudar a “largar o telemóvel”. Não é por estarmos todos viciados que a forma como usamos o telemóvel se justifica.

Hoje é possível aceder à Internet e às redes sociais em relógios, em tablets, no computador… Porquê o foco nos smartphones?
A diferença entre o smartphone e os computadores ou tablets é que temos os telemóveis sempre connosco. As sugestões do livro podem ser adaptadas a outros contextos, mas se olharmos à nossa volta, ninguém abre o portátil para trabalhar no elevador. Os telemóveis tornam-se um problema único devido à sua portabilidade e, também, à capacidade de nos interromperem constantemente com notificações.

Um dos conceitos mais explorados é a ideia que as empresas estão a programar os smartphones para ‘raptar’ o nosso cérebro e levar-nos a passar mais tempo neles. Onde é que isto se vê?
Fiquei chocada pela facilidade com que os smartphones podem ser comparados às chamadas slot machines, com o deslizar dos nossos dedos pelo ecrã a ser o equivalente ao puxar a alavanca da máquina da sorte. Reparem que a maioria das aplicações é criada para nos recompensar por usá-las mais tempo.

No livro surgem alguns exemplos.
A funcionalidade de “streak” na aplicação de mensagens do Snapchat. Quando as pessoas trocam mensagens entre si todos os dias na aplicação, surge um ícone com uma chama do lado do nome do utilizador que aumenta para motivar o utilizador a manter a tendência. Já o Instagram está programado para ocultar novos “gostos” aos utilizadores de modo a apresentá-los de uma só vez no momento mais eficaz possível.

As redes sociais são o grande problema dos smartphones?
As redes sociais não são o inferno. O que está mal é a necessidade de tocar no telemóvel e abrir uma aplicação – qualquer que seja – quando se está a trabalhar, quando se está a conduzir, numa conversa menos interessante. Algumas pessoas justificam o tempo que passam no telemóvel com a necessidade de estar ‘conectado com o mundo’, mas ninguém precisa de estar conectado, mesmo que seja às notícias, 24/7. Está-se a fazer algo sobre as acções humanitárias que tanto se lê? E está-se mesmo a ler o artigo todo ou o mais recente tweet sobre Donald Trump? É preciso reflectir sobre isto.

A Apple e o Google lançaram recentemente painéis de controlo no telemóvel, para perceber o tempo que se passa a utilizar o aparelho. Isto é uma forma dos gigantes ajudarem as pessoas a combatê-lo?
É uma admissão do problema. Curiosamente, ainda não nos ajudam a passar menos tempo com os telemóveis, mas no livro recomendo que os leitores que querem largar o telemóvel utilizem aplicações do género. Ajudam a perceber o tempo que passam no telemóvel.

Uma das primeiras sugestões do livro é experimentar uma “desintoxicação digital” de 24 horas em que se desliga o telemóvel. O que é preciso para que tenha sucesso?
Isto é uma separação teste para se perceber a falta que se sente do telemóvel, e descobrir tempo para fazer outras coisas como ler livros sem distracções. Quando comecei o ritual semanal com o meu marido, estávamos constantemente tentados a pegar no telemóvel. Dizíamos a nós próprios que era com o receio de perder uma mensagem importante. É uma preocupação comum. Para evitar a ‘desculpa’, recomendo avisar outras pessoas que se está a fazer uma desintoxicação e avisar como é que nos podem contactar em caso de emergência. Uma forma de fazer isto é criar uma mensagem de resposta automática, no telemóvel, que remeta para um número de telefone fixo, ou uma visita a casa. É impressionante o quão pouco as pessoas precisam, realmente, de nos contactar. Outra forma de começar a desintoxicação, é deixar o telemóvel para trás quando se vai jantar fora.

Quem lê o livro é convidado a preencher questionários diários sobre o seu processo de “desintoxicação” de 30 dias. O que é que aprendeu com as respostas dos leitores?
Há pessoas que passam sete horas por dia a mexer no telemóvel e a média são quatro horas diárias. Até terem de parar para pensar no assunto, não percebem. O mais impressionante é o quão semelhante somos. As respostas são quase iguais: gostamos do telemóvel porque nos conecta com o mundo e com quem está longe, e não gostamos porque sentimos que começamos a perder muito tempo nas redes sociais, nas aplicações de jogos, e em sites de namoro. São os três grandes vícios.

O que mais a preocupa sobre os resultados?
Estamos a deixar o smartphone alterar a forma como somos humanos. Fala-se mais por mensagens que cara-a-cara, e há uma espontaneidade que se perde nesse tipo de conversas. A nossa dependência do telemóvel para combater o aborrecimento impede-nos de usufruir de momentos, de reflectir e de pensar sobre a vida. As viagens de comboio já não são feitas a pensar e a descansar mas a fazer scroll no telemóvel. Quantas grandes descobertas surgiram de momentos de introspecção? Vão deixar de existir?

Os efeitos dos telemóveis nas crianças são outro dos grandes focos do livro. Qual é a idade certa para introduzir o aparelho?
Ninguém sabe – estamos viver uma enorme experiência descontrolada em que os nossos filhos crescem, pela primeira vez, agarrados ao telemóvel. Mas sei que aos 10 anos, que é a idade média nos EUA, é cedo demais. É importante saber estar aborrecido quando se está a crescer. Desenvolve a criatividade, aumenta a persistência. O telemóvel impede isto porque com jogos, redes sociais, Internet, está constantemente a estimular os mais novos. Os pais justificam que querem que os filhos estejam contactáveis, mas não é preciso telemóveis com Internet para isso. Há outras opções, telemóveis mais básicos, relógios com GPS.

O seu livro não é o primeiro a fazer estes alertas. Nos últimos anos, o conceito de “distracção digital”, em particular, pelo uso do smartphone, vem associado a problemas com a qualidade de sono, postura, problemas de aprendizagem nas criançasvícios em videojogos, e um aumento da ansiedade. As pessoas estão a ignorar os avisos?
Os alertas não estão a ser bem-feitos. Não pode ser só dizer que passamos muito tempo no telemóvel e precisamos de uma dieta. Ninguém gosta de dietas. Por isso é que digo ‘criar uma nova relação’. É preciso mostrar que o telemóvel começa a ser o obstáculo para coisas que queremos fazer.

Qual é a relação perfeita com o telemóvel?
Tal como com pessoas, não há relações perfeitas. O objectivo do meu livro é ajudar a chegar a uma relação mais saudável. Caso contrário corremos o risco de passar horas a fazer nada, a não ser deslizar com os dedos para cima ou para baixo.

Como as tecnológicas tentam resolver o problema em 2018

FACEBOOK

  • Painel de controlo com informação do uso semanal do aparelho;
  • Possibilidade de definir limites máximos de utilização;

APPLE

  • Relatório semanal do uso do aparelho;
  • Opção de “não incomodar”, que as pessoas devem ligar antes de irem dormir;
  • Possibilidade de gerir tempo que as crianças passam ao telemóvel e bloquear o aparelho remotamente.

GOOGLE

  • Novo Android P, alerta os utilizadores quando passam demasiado tempo agarrados a uma aplicação;
  • Criação de pausas programadas no YouTube para lembrar os utilizadores para fazerem uma pausa do ecrã;

 

 

Perguntas (e ingenuidades) de verão – Mário Cordeiro

Agosto 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no i de 14 de agosto de 2018.

Aconselho-te a comer refeições leves, ao longo do dia, e cerca de 30 minutos antes de começares a jogar a sério comeres, por exemplo, iogurte ou leite, juntamente com bolachas, pão com doce, cereais ou algo equivalente e, quando terminar o jogo, beberes bastante água.

“Gostava de saber se é bom ou mau comer antes de jogar futebol na praia – é que todos os dias jogamos e é mesmo ‘a partir’.” – João, 15 anos, a passar férias no Algarve.

João: Não se pode pôr as coisas assim tão linearmente, tipo “bom” ou “mau” – depende do que vais comendo nesse dia, da hora do dia, etc. O que te posso dizer é que, se vais ter atividade muscular intensa, vais precisar de consumir mais energia (essencialmente o “açúcar” do teu sangue) e oxigénio. Por outro lado, como os teus músculos, articulações, coração e pulmões vão trabalhar mais, vão precisar de mais sangue. Se não comeres nada antes de praticar desporto, provavelmente vais gastar o teu açúcar e, a meio do jogo, começar a ter quebras de rendimento e sintomas de hipoglicemia (irritabilidade, falta de concentração, falhanços na performance, dores de cabeça, tonturas), e a sentires-te mal, sobretudo se estiver calor, como é de esperar nesta altura do ano. Por outro lado, se comeres demais, o teu aparelho digestivo vai precisar de sangue para realizar a função de digerir e metabolizar o que comeu, pelo que o sangue pode faltar nos tais territórios importantes durante a prática desportiva.

Assim, aconselho-te a comer refeições leves, ao longo do dia, e cerca de 30 minutos antes de começares a jogar a sério comeres, por exemplo, iogurte ou leite, juntamente com bolachas, pão com doce, cereais ou algo equivalente e, quando terminar o jogo, beberes bastante água (e também durante o jogo, se estiver muito calor, mas não em grandes quantidades – pouco e muitas vezes é melhor). Só deverás comer uma refeição mais abundante algum tempo depois.

“É verdade que as abelhas picam com maior probabilidade as pessoas que são doces?” – Vera, 16 anos, a passar uns belos dias de vento e nevoeiro no Baleal.

O que é uma pessoa doce? Um diabético sem controlo? Muitas vezes usa-se este argumento para consolar uma criança que foi picada, no sentido de dizer que foi uma privilegiada… duvido que este argumento te convença, Vera. Todavia, há algum fundo nesta ideia, mas que diz respeito ao odor adocicado, e não ao sabor doce. Alguns desodorizantes, perfumes ou até o cheiro natural adocicado de algumas pessoas pode atrair abelhas, vespas e zângãos. Por outro lado, as cores brilhantes atraem-nos também, pelo que usar uma camisa às flores, tipo Havai, é um risco! Claro que se andares com um gelado na mão, em plena praia, este transforma-se num alvo dos insetos e depois do gelado quem irá ser picada és tu.

“Li num romance que o protagonista, um homem violento, ficava sempre mais violento em dias de sol. Isso tem alguma explicação? Não deveria até sentir–se mais bem-disposto por estar bom tempo?” – Maria, 16 anos, diretamente de Esposende.

Tens alguma razão, Maria. Há muitos estudos que reportam um pico de violência quando o tempo está bom, ou melhor dizendo, no verão. Pode haver diversas razões para tal: por um lado, a baixa de serotonina cerebral que se faz sentir nesses períodos (e não o aumento da testosterona, ao contrário do que muita gente crê) – a serotonina cerebral está, aliás, mais baixa nos soldados mais agressivos, nos agressores e assaltantes e nos suicidas; depois, porque as condições externas são mais propícias: as mulheres, por exemplo, andam mais na rua, mostram mais o corpo, coisas que para um agressor sexual são fatores de encorajamento (atenção: não quer isto dizer que devam ser atenuantes e que andar de minissaia seja um convite para se ser violada! Chega de culpar as vítimas!). Por outro lado, há mais hipóteses de assalto (mais carros estacionados com objetos dentro, mais vivendas ou casas com janelas abertas) e alguns dos assaltos podem correr mal. De igual modo, a possibilidade de fuga é maior no verão do que com chuva ou com pouca gente na rua com a qual o assaltante se possa misturar.

“Devemos respeitar mesmo um intervalo de três horas entre as refeições e a entrada no mar ou na piscina? Mesmo depois do pequeno-almoço ou do lanche? Eu nunca percebi porquê e tenho dificuldades em explicar as razões dessa ideia aos meus filhos.” – Margarida, com três crianças e muito pouco tempo para aproveitar as férias na Costa Alentejana.

Compreendo a sua perplexidade, Margarida. Claro que o que vai ler não deve interferir com as crenças nem convicções. Se a pessoa não se sente confortável em tomar banho antes da “digestão” (está entre aspas, note), não o deve fazer. Mas, sucintamente, é o seguinte: quando comemos, obrigamos o tubo digestivo a trabalhar mais e, por isso, há uma chamada maior de sangue a esse território. As temperaturas extremas – água muito fria, água muito quente (só na banheira!), estar ao sol “a cozer” – causam perturbações na distribuição do sangue, sobretudo ao nível da pele, desviando sangue, o que pode causar a chamada “paragem de digestão”. Mas atenção: é preciso comer mesmo muito (e beber bebidas alcoólicas, também…), o que as crianças não fazem, e entrar na água fria de repente, depois de ter estado deitado ao sol. É um padrão de adulto, e não de criança.

Se comerem pouco (o normal de um pequeno almoço, almoço de praia ou lanche), se não estiverem a “grelhar” ao sol (estão sempre a mexer-se e nunca param quietas) e se a temperatura da água for dentro do normal, não há qualquer problema.

Há um bom indicador para perceber se comemos ou bebemos demais, o que deverá obrigar a esperar – é sentirmo–nos pesados, com vontade de dormir a sesta, sonolentos, com a cabeça “a andar à roda”, a bocejar, sem capacidade de fazer esforços físicos ou de aguentar conversas muito “elaboradas”. Mostra que o nosso aparelho digestivo “roubou” sangue a todos os outros órgãos, designadamente ao cérebro, e que há que esperar.

Todavia, obrigar as crianças a respeitar as três ou quatro horas (há pessoas que controlam pelo relógio!) quando petiscaram coisas poucas e não beberam álcool… é capaz de ser um bocadinho excessivo e até ligeiramente “sádico”…

“O meu bebé tem seis meses. Acha que o posso deixar comer areia?” – Manuel, pai-galinha em férias na praia fluvial de Constância.

A areia não tem, em si, qualquer problema – é terra! Desde que não esteja contaminada, não tenha partículas duras que possam magoar (restos de conchas partidas, etc.), algas ou outras coisas do género, não faz qualquer mal aos bebés comer areia. Na idade em que está, até o pode ajudar a “rilhar” as gengivas e no processo de dentição. A areia que comerá… sairá…

No entanto, há que ter cuidado com uma coisa: as beatas que muitos fumadores (e fumadoras) enterram na areia, sem pensarem um segundo que seja que uma beata, mastigada por uma criança da idade do seu filho, a pode matar. Uma basta. É uma ideia que não está muito disseminada entre nós, mas temos de ter cuidado. Resumindo: se for areia “de qualidade”, deixe-o comer. Se não, tenha cuidado, mas vai ser difícil evitar que ele o faça, na fase de experimentação em que está, e na qual “levar tudo à boca” é uma necessidade fundamental.

Pediatra

 

 

Estudo com crianças do Porto: menos de 40% usam protector solar na praia

Agosto 11, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de julho de 2018.

Foram inquiridas duas mil crianças de 12 escolas.

Lusa

Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Medicina do Porto (FMUP) mostra que, de duas mil crianças inquiridas em 12 escolas primárias públicas da cidade, apenas 37% usam protector solar quando vão à praia e 15% quando estão na escola.

Os resultados deste estudo, que engloba crianças dos sete aos 11 anos e que faz parte de uma investigação sobre os conhecimentos da população portuguesa relativamente à exposição solar, indicam que 64% dos participantes usam o chapéu para se proteger do sol.

“Apesar da falta de protecção em alguns cenários, e ainda que 85% das crianças tenha um conhecimento adequado sobre as medidas de protecção solar, mais de metade (64%) pensa erradamente que o protector solar protege melhor do que a roupa ou a sombra”, indica um comunicado sobre a investigação.

Da responsabilidade da estudante de doutoramento da FMUP Ana Filipa Duarte, também investigadora no Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), o projecto envolveu diferentes grupos que lidam com o sol em contextos específicos.

Outro dos estudos englobados na investigação, concebido com dados de mais de quatro mil questionários respondidos por veraneantes, durante quatro anos consecutivos, à entrada de uma praia algarvia, demonstra que mais de metade dos inquiridos chega à zona balnear nas horas menos recomendadas para exposição solar.

Dessa amostra, são as pessoas com idades compreendidas entre os 16 e 40 que mais desrespeitam o horário de segurança.

Questionando a mesma amostra sobre a utilização de solários, “concluiu-se que as pessoas que não têm os devidos cuidados em contexto balnear são, também, aquelas que mais recorrem a solários”, indicou o comunicado.

Contudo, continua a nota informativa, embora em Portugal a utilização deste serviço “seja significativa, especialmente entre mulheres com idades jovens, a procura está abaixo da registada noutros países europeus”.

Atletas susceptíveis

Os atletas, refere ainda o comunicado, que praticam desporto ao ar livre “são outro dos grupos mais susceptíveis à exposição solar”.

Através da análise dos dados de um inquérito realizado junto de 2445 corredores ao ar livre, que participaram em maratonas organizadas no Porto, concluiu-se que 75% dos inquiridos têm um comportamento desadequado, cenário mais positivo entre pessoas que treinam mais de quatro horas por semana.

Outra das conclusões demonstra que, apesar de as mulheres serem mais cuidadosas do que os homens no que diz respeito à utilização do protector solar, não têm tanto cuidado quanto aos horários recomendados para a exposição solar.

Esta linha de investigação tem em curso estudos adicionais, que permitem verificar a melhor forma de intervenção junto da população e melhorar a sua eficácia, direccionando as campanhas de prevenção.

No âmbito deste projecto estão ainda a ser investigados os dados epidemiológicos e os custos associados ao tratamento do cancro da pele em Portugal.

Esta investigação foi coordenada por Osvaldo Correia e Altamiro da Costa Pereira, docentes da FMUP e investigadores do CINTESIS.

 

mais informações na notícia da Universidade do Porto:

FMUP e CINTESIS avaliam hábitos de exposição solar dos portugueses

 

Como lidar com os amores de verão do meu filho?

Agosto 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Diário de Notícias de 22 de julho de 2018.

Que preocupações trazem as redes sociais? Qual a idade ideal para ir de férias sozinho? Estas e outras questões respondidas pela terapeuta familiar Catarina Mexia.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

Férias + adolescentes = paixões. Esta é uma equação quase sempre difícil de resolver para os pais. Os chamados «amores de verão», a que os familiares não costumam dar grande importância, podem significar muito para os adolescentes.

Para os jovens, esta será uma fase natural, mas estarão os pais preparados? Num mundo dominado pelas redes sociais (e pelos riscos que daí advêm), existem preocupações acrescidas e novas estratégias a adotar?

A psicóloga Catarina Mexia ajuda-nos a perceber o que significam realmente estas paixões de verão e como devem os pais lidar com elas. Esclarecemos ainda algumas dúvidas sobre a autonomia e a responsabilidade que devem ser atribuídas aos seus filhos.

Sabe, por exemplo, qual a idade ideal para os deixar ir de férias sozinhos?

Porque está o verão tão associado às paixões?
É uma realidade que acontece com todos os seres humanos. A maior disponibilidade – estarmos mais expostos, mais despidos -, bem como o facto de o nosso corpo libertar mais feromonas levam a que isso aconteça. Portanto, também os jovens estão mais suscetíveis a receber esse tipo de mensagens e passam pela fase de descoberta do outro e de si próprios.

De que forma é que os pais devem interferir nestas relações?
Em primeiro lugar, não sei se os pais devem interferir. Acho que os pais devem ter uma posição atenta e mostrar-se disponíveis. Mas, claro, tudo isto depende das idades de que estamos a falar. Os jovens desenvolvem-se muito mais cedo hoje e os desafios são muito diferentes em comparação ao que eram há uns anos.

Porquê?
O maior exemplo é que muitos namoros começam agora pelas redes sociais. Como me dizia um jovem de 16 anos há uns dias: «já ninguém pede o número de telefone, pede-se o insta». Portanto, hoje em dia, estes primeiros relacionamentos são guiados por um anonimato muito grande, vindo das redes sociais, e nos quais os pais nem sequer têm muita fé. As redes sociais servem quase como um cartão-de-visita e muitas vezes os jovens envolvem-se em relações que envolvem muitos riscos. Eles [os adolescentes] aceitam níveis de violência que eram intoleráveis.

Isso não será fácil de os pais compreenderem.
Os pais têm de perceber que tudo isto faz parte do crescimento e do ganho da autonomia destes jovens e das aprendizagens. Mas devem mostrar-se curiosos, não cuscos, e disponíveis para ser o conforto dessa relação.

Mesmo que os jovens queiram esconder a parte «amorosa» das suas vidas?
Não disse que seria uma tarefa fácil. É um equilíbrio muito difícil. Muitas vezes os pais querem deixá-los voar mas, ao mesmo tempo, temem não os manter em segurança.

Daí a importância do diálogo aberto entre pais e filhos?
Há temas que são praticamente obrigatórios: como a segurança na sexualidade, por exemplo. São conversas que os pais não podem deixar de ter com os seus filhos e é muito importante a forma como as têm. Apesar de serem informativas, podem também ser um momento e uma oportunidade de os seus filhos perceberem que, mesmo que as coisas não lhes corram bem, há ali alguém que os vai ouvir. Com quem podem conferir ideias e desabafar, até.

«Por vezes é importante colocarmo-nos, como pais, no lugar dos nossos filhos e recordarmos quando tínhamos a idade deles»

Estas paixões de verão podem trazer também as primeiras desilusões. Como devem os pais reagir a esses desgostos?
Nesses momentos, em que os jovens por vezes deprimem de forma séria, o truque é, mais uma vez, estar atento. Não devem desvalorizar aquele sofrimento de maneira nenhuma, porque eles estão a sofrer verdadeiramente. Às vezes é importante colocarmo-nos, como pais, no lugar dos nossos filhos e recordarmos que na idade deles também iríamos dar demasiada importância àquele momento. Há que valorizar o sofrimento, colocá-lo em contexto e ajudá-los a encontrar uma forma diferente de ver as coisas. Ou seja, ajudar os filhos a ver além daquela pessoa ou daquele acontecimento. E procurar valorizar outras amizades, outros convívios e outras atividades.

Em relação à sexualidade, deve ser um tema abordado por iniciativa dos pais ou estes devem esperar que o filho/a os procure para abordar o tema?
Na minha opinião, a responsabilidade é sempre dos pais. Quer no caso das raparigas, quer no caso dos rapazes. Se é a mãe ou o pai a fazê-lo, considero que isso terá a ver com a dinâmica da família. Não existe uma regra. Quanto ao momento certo, se existir uma relação próxima, os familiares vão perceber quando for a altura.

«É preciso ter noção dos riscos e das consequências das redes sociais»

Com a chegada das redes sociais, esta tornou-se uma questão ainda mais difícil?
Sim, porque agora também estamos a falar de segurança. É preciso ter noção dos riscos e das consequências. Estou a lembrar-me de um caso de um jovem homossexual, que trocou umas fotografias com um homem via Facebook e a mãe só soube quando as coisas correram mal. Está é uma situação limite mas é demonstrativa de como as redes sociais permitem esconder identidades que podem levar a situações extremas. Possivelmente, sem a possibilidade de anonimato e de criar perfis falsos, os pais deste jovem iriam perceber tudo mais facilmente.

Qual a idade ideal para deixar os jovens irem de férias sem os pais?
A idade não é um fator decisivo, mas sim o nível de maturidade. Há jovens de 16 anos completamente responsáveis e totalmente autónomos, enquanto há outros que não vão sozinhos para lado nenhum. Mas diria que os 16 anos são um marco.

 

 

 

 

 

 

Estudo indica que 85% dos jovens entre 14 e 24 anos já consumiram álcool

Agosto 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia de Expresso de 23 de julho de 2018.

Existe, em Portugal, um “consumo de álcool muito superior ao que é registado em tudo quanto está publicado”, inclusive em termos internacionais

Um estudo do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), envolvendo 746 jovens do Norte dos 14 aos 24 anos, revela que 85% já consumiu álcool e que 15% bebe mais de uma vez por semana. Os resultados deste estudo mostram igualmente que 17% dos jovens já usaram drogas pelo menos uma vez e que um em cada dez as consome regularmente, hábito que iniciaram, em média, aos 16 anos, informou hoje o centro de investigação.

Dirigido pelo investigador Paulo Santos e publicado agora na revista científica Journal of International Medical Research, o trabalho revela que aproximadamente 15% dos jovens bebem álcool mais de uma vez por semana, 58% já fumaram, 17% são fumadores regulares e mais de 10% admitem consumir substâncias ilícitas semanalmente.

O também médico de família frisou que existe, em Portugal, um “consumo de álcool muito superior ao que é registado em tudo quanto está publicado”, inclusive em termos internacionais.
Dentro dessas drogas ilícitas, os canabinóides ocupam o primeiro lugar, seguindo-se as drogas adquiridas nas “smartshops”, que foram entretanto consideradas ilegais.

“Encontrámos uma elevada prevalência de consumo de substâncias aditivas, em particular de álcool, entre os jovens e adolescentes, existindo claramente uma atitude cultural que influencia esse consumo e que deve ser abordada”, explicou o investigador e médico de família, referido na nota informativa.

Outra das conclusões indica que os jovens tinham em média 14 anos apenas quando beberam álcool e fumaram pela primeira vez, tendo a iniciação nas drogas acontecido aos 16 anos. De acordo com o investigador, neste trabalho, o consumo de drogas aparece associado ao consumo prévio de álcool e de tabaco, “reforçando a ideia de que o consumo de substâncias legais pode levar ao consumo de substâncias ilegais”.

“Tudo indica que existe uma progressão no uso de drogas, isto é, uma escada de adição em que o uso de uma droga se associa um maior risco de consumir outras drogas ao longo da vida”, salientou.

É através do álcool, continuou Paulo Santos, “que se dá a entrada nas drogas, é por aí que se faz a escalada, porque é a substância que aparece mais precocemente na vida dos jovens, dos consumidores”. Segundo o CINTESIS, apesar de o consumo de álcool e de tabaco serem semelhantes entre os jovens que frequentam e os que não frequentam a escola, verificou-se que o uso de substâncias ilícitas é menos comum entre os que continuam a estudar e que ao desemprego associa-se com um maior consumo de drogas entre os mais novos.

A equipa de investigação observou também, através da perceção dos jovens sobre a sua própria saúde, que os sintomas psicológicos são mais frequentes entre os fumadores e os que consomem drogas. Estes sintomas, que afetam 55% dos jovens, sobretudo do sexo feminino, incluem tristeza, problemas de sono, ansiedade, raiva e medo pelo menos uma vez por semana, faltando saber se os mesmos “são causa ou consequência do consumo”.

O trabalho assinala ainda que as principais fontes de informação dos jovens sobre consumo de substâncias são os membros da família e os amigos, não aparecendo os médicos de família como uma escolha. Embora sejam recomendadas consultas aos 10-13 anos, aos 15 anos e aos 18 anos, os resultados demonstra que “os jovens não olham para os profissionais de saúde como parceiros”, o que se pode explicar, por exemplo, pela dificuldade em entender este tipo de consumo como um problema de saúde ou até como um comportamento de risco, notou Paulo Santos.

Como medidas para contornar os números apresentados, o investigador aponta a promoção da literacia, de forma a transmitir conhecimento e aptidões aos cidadãos, “capacitando-os para que percebam o que é bom e o que é mau”. Além disso, acredita que se deve apostar no “efeito educativo e persuasor” que a regulação pode ter, nomeadamente no que se refere à taxação fiscal, “que resultou muito bem com o tabaco”, acrescentou.

Este estudo foi apoiado pela Câmara Municipal de Paredes, tendo contado com a colaboração dos investigadores Carlos Franclim Silva, do CINTESIS, e Paula Rocha, da Universidade de Aveiro.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Consumption of licit and illicit substances in Portuguese young people: a population-based cross-sectional study

 

As tarefas adequadas à idade dos filhos: “Ó mãe, quero um copo de água!”

Agosto 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Filipe Raminhos

Texto da Sábado de 1 de janeiro de 2017.

“Tanto eu como a mãe sempre praticámos desporto e achámos importante ela ter estas actividades, mas se calhar metemo-la em demasiadas coisas e esquecemo-nos de lhe dar outras competências mais básicas”, diz à SÁBADO André (nome fictício), consultor, 38 anos.

Tempo e muita paciência
Pais convertidos numa espécie de mordomos dos filhos são um paradigma desta geração, em que alguns nem se levantam para ir buscar um copo de água. O problema são as consequências deste tipo de situação. “As crianças precisam de regras para crescerem com competências emocionais e comportamentais. Quanto mais se sentirem úteis, mais autónomos serão no futuro”, explica a psicóloga de adolescentes Bárbara Ramos Dias. A ideia é começar a ensiná-los o mais cedo possível e fazer o reforço pela positiva. “É normal que uma criança de 3 anos não faça a cama perfeita, mas já consegue puxar as orelhas e, se a incentivarmos (‘que orgulho, ajudas muito a mãe’), ela interioriza essas tarefas mais facilmente”, aconselha.

Ressalva: ensinar exige tempo e uma grande dose de paciência. Por isso, não desista logo à primeira, nem ceda à tentação de gritar. A próxima vez que o seu filho lhe pedir um copo de água, tente a seguinte solução: “Eu até ia, mas tu já és crescido e sabes onde estão os copos.”

Entrevista publicada originalmente na edição n.º 654 da revista SÁBADO de 10 de Novembro de 2016

visualizar as tarefas no link:

http://www.sabado.pt/vida/detalhe/as-tarefas-adequadas-a-idade-dos-filhos-o-mae-quero-um-copo-de-agua

 

Por um verão mais seguro – Mário Cordeiro

Agosto 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no i de 31 de julho de 2018.

Todos os verões morrem muitas crianças (e pessoas, no geral), vítimas de acidentes evitáveis. Ficam aqui algumas ideias que vos poderão ajuda a conferir se tudo o que aqui se diz já faz parte da vossa cultura de segurança e das vossas rotinas ou se precisam de “mudar de hábitos”. Tenhamos respeito pelos que morreram por traumatismos, lesões e ferimentos decorrentes de acidentes evitáveis, e tornemos as suas mortes úteis se aprendermos a lição, para não repetir os mesmos erros.

Afogamentos

Portugal continua a ser um país onde as medidas de segurança são frequentemente esquecidas e onde o “facilitismo” acaba por ser a regra. Só que o Diabo não dorme. Quando abrimos os jornais ou ouvimos os telejornais – como tem acontecido ultimamente -, as crianças mortas e feridas devido a acidentes estúpidos e evitáveis entram-nos pela casa dentro.

Desde o início da época balnear, e apesar de o tempo ter estado péssimo para idas à praia e piscina, já são muitos os casos de afogamentos e quase-afogamentos, para lá de todos os casos que tiveram de ir ao hospital por queimaduras solares, golpes de calor e outras coisas no género… e isto, repito, com mau tempo. Se, desta vez, foi uma criança desconhecida, para a próxima poderá ser o nosso filho, se não tomarmos as precauções devidas e continuarmos a considerar que “a nós nada acontece” e que a preocupação com a segurança é “excesso de zelo”.

Podemos mudar isto, ou melhor, temos de mudar isto! Não chega horrorizarmo-nos com os mortos de Pedrógão se, nas piscinas e praias portuguesas, morrem silenciosamente crianças, adolescentes e adultos. Convém relembrar que os afogamentos podem surgir em água doce (piscinas, poços, lagos, albufeiras, rios, praias fluviais) ou salgada e praias de mar. Felizmente, o número só não é maior porque os surfistas, todos os anos, salvam dezenas e dezenas de pessoas.

Há fatores que contribuem para um afogamento: não saber nadar ou, mesmo sabendo, incapacidade para se aguentar numa situação de perigo e de medo; inexperiência; comportamentos de excessivo risco (como nadar para longe); má utilização das boias ou outros elementos; falta de cuidado e de atenção; ignorância do perigo (muitas vezes agravada por uma má avaliação da situação e das condições ambientais); outro tipo de acidentes (como pancadas na cabeça ao mergulhar, traumatismos com remos ou mastros de barcos, etc.); incapacidade de coordenação e atrapalhação na altura da queda à água, ou o desrespeito pelas indicações do nadador-salvador e das bandeiras. Convém relembrar que uma criança de pouca idade pode afogar-se num palmo de água. Sim… em 20 cm de altura!

Chapéus

De preferência um de abas largas, arejado, que proteja o rosto e as orelhas. As radiações solares que se apanham nos primeiros anos de vida são determinantes para o aparecimento de cancros da pele e para o envelhecimento precoce dos tecidos cutâneos, para além das lesões nos olhos que podem causar futuras cataratas. Atenção, pois, às crianças. Ter bom senso aprende-se desde pequenino, sobretudo se as razões forem explicadas às crianças.

Cremes

Relativamente aos mais novos, sempre com fator elevado, de preferência superior a 50 e renovado várias vezes ao longo do dia. Quanto mais clara e sardenta a pele e mais ruivos os cabelos, maior deve ser o fator.

Escolham um creme à prova de água, fácil de aplicar, em spray. Depois da praia, e tomado o banho de água doce, convém aplicar um creme hidratante.

Gastroenterites

O tempo quente é um factor de risco para as gastroenterites provocadas por alimentos deteriorados. Vale a pena, pois, tomar alguns pequenos cuidados: abastecer-se em estabelecimentos com boas condições de limpeza e onde não haja mistura de alimentos, ver os prazos de validade inscritos nas embalagens e o seu estado de conservação, especialmente a carne, peixe, ovos. Não é aconselhável comprar produtos congelados que se apresentem moles ou deformados, pois é sinal que já foram descongelados e voltados a congelar.

Relativamente aos alimentos que sobram, convém conservá-los no frigorífico logo que arrefeçam, de preferência em recipientes herméticos.

Igualmente importante é cozinhar sempre com as mãos bem lavadas e evitar confecionar com ovos crus ou mal passados, por exemplo maioneses e mousses. As saladas e a fruta crua são excelentes alimentos, especialmente apetecíveis nesta época do ano; no entanto, para não se tornarem nocivos, devem sempre ser lavados em água potável e corrente.

Mosquitos, Melgas, etc.

Há crianças que fazem grandes reacções alérgicas às picadas e que, por vezes, têm de ser medicadas no serviço de urgência. Há vários produtos no mercado para o “antes” (sprays, aparelhos de ligar à electricidade, etc.) e para o “depois” (cremes, pomadas). Leve consigo um carregamento e, já agora, não deixe a janela aberta enquanto tem as luzes acesas, nem as tenha no exterior da casa, junto às portas e janelas. É um autêntico convite para os insetos…

Óculos escuros

Os pais usam, as crianças não tanto. Mas as radiações ultravioleta estão na luz, e a luz entra pelos olhos dentro. Além disso, o cristalino dos olhos da criança não filtra estas radiações, até aos 15 anos, tendo como resultado queimaduras irreversíveis da retina.

Se os pais se protegem, então as crianças também deveriam, por maioria de razão, estar protegidas. Não é fácil, requer paciência e persistência, mas que hábito se adquire na infância sem estas virtudes?!

Há várias lojas e farmácias que vendem os óculos. Insistam com as crianças, com convicção. Não se trata de uma moda, apenas de bom senso.

Sol

Um amigo que às vezes é quase um “amigo-da-onça”. A culpa não é dele, mas da estupidez humana que levou à destruição da camada de ozono.

Cremes protetores, fuga às horas com mais radiação (a “hora vermelha” anda pelas 12-16h, mas varia conforme as praias, claro, e há praias onde não se pode estar nas chamadas “horas dos bebés”), enfim, temos de aprender a “dormir com o inimigo”.

Transportes

É obrigatório transportar as crianças corretamente, ou seja, em dispositivos de segurança – cadeiras, assentos, cinto de segurança. Agora também nos transportes coletivos.

Já que vivemos num país que, em termos de estradas e de trânsito, é quase tresloucado, porque não começar já hoje? Transporte o seu filho em segurança. Vai ver que não se arrepende!

Se tomarmos alguns cuidados, as férias vão parecer (e ser) mais tranquilas e a saúde das crianças promovida, em vez de acabarmos num hospital por uma incúria ou um desleixo ao qual só sabemos responder “se eu tivesse feito isto ou aquilo”. Façamos então esse “isto e aquilo” já!

Pediatra

Escreve à terça-feira

 

A Bebedeira Passa, o Resto Não 2

Julho 27, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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“A bebedeira passa, o resto não.” Do coma alcoólico às brincadeiras que acabam mal

Julho 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 20 de julho de 2018.

Centenas de menores são assistidos pelo INEM em coma alcoólico todos os anos.

De uma farra com amigos a “uns copos a mais” vai um pequeno passo. De “uma brincadeira que acaba mal” a uma pena de prisão também. Pelo meio, o desafio com que muitos adolescentes já foram confrontados – “não consegues”. Não consegues beber mais depressa do que eu, não consegues beber esta caneca toda de uma vez, não consegues beber mais um shot.

Para quem acha que consegue, fica a lembrança: “O álcool em excesso só te dá excesso de confiança. A bebedeira passa, o resto não”. É a mensagem de uma nova campanha de sensibilização dirigida aos jovens portugueses.

Desde 2015, a venda de álcool é proibida a menores de 18 anos, mas os números falam por si. Em 2017, o INEM assistiu 1270 menores em coma alcoólico . Em 2016, foram 1315 e no ano anterior, 1283.

Segundo o último estudo do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) relativo ao consumo de álcool em 2016, 89,6% dos jovens de 18 anos inquiridos admitiam beber álcool, 49,6% diziam já ter bebido quatro ou mais copos (se for do sexo feminino) ou seis ou mais copos (se for do sexo masculino) de uma qualquer bebida alcoólica na mesma ocasião e 31,4% a admitia já o ter chegado ao estado de embriaguez.

A par da campanha que o Governo lança esta sexta-feira, o Ministério da Administração Interna vai por em marcha o programa “Noite + Segura” a partir da segunda quinzena de julho, sobretudo nos municípios de Lisboa, do Porto e de Albufeira.

O objetivo é reforçar a segurança em zonas de concentração de estabelecimentos de diversão noturna e aumentar da fiscalização da venda de bebidas alcoólicas a menores.

 

 

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