Os ecrãs são ou não inofensivos para a saúde dos mais novos?

Fevereiro 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Público de 21 de janeiro de 2019.

Especialistas dizem que os dispositivos electrónicos podem não ser a causa de doenças como a obesidade e depressão. Alguns pais mostram preocupações em relação ao uso dos aparelhos.

Mariana e Silva Pereira

O tempo que as crianças e jovens passam à frente dos ecrãs pode não ser tão mau como se pensa, mas é preciso ter cuidado. Quem o diz é Russel M. Viner, director do Colégio dos Pediatras britânico (Royal College of Paedriatics and Child Health), e a investigadora Neza Stiglic, num estudo publicado no início do ano pelo BMJ Journals.

A pesquisa – feita a partir da revisão de 13 trabalhos já publicados sobre a relação entre os dispositivos electrónicos e a saúde (peso e doenças respiratórias e cardíacas), saúde mental, exercício físico, dieta alimentar e sono em crianças e jovens dos 0 aos 18 anos – revelou uma ligação “moderada” entre o uso dos ecrãs e as crianças obesas ou com depressão. Também foram encontradas provas “moderadas” na relação entre o “tempo passado com dispositivos móveis” e “um maior gasto de energia, dietas inadequadas e má qualidade de vida”. Por isso, os autores propõem que se façam novos estudos, uma vez que nos últimos anos houve uma evolução enorme na utilização destes dispositivos.

Por cá, Ivone Patrão, psicóloga e investigadora do ISPA – Instituto Universitário, revela que na sua pesquisa encontra uma “clara relação entre a dependência online – nos rapazes dos videojogos e nas raparigas das redes sociais –, e as alterações no humor, no ritmo do sono, nas forma como se relacionam com os pares e com a família; o que depois se traduz em comportamentos de menor atenção, concentração, de maior irrequietude, ou até de prostração, face ao cansaço”.

A pesquisa de Russel M. Viner e a Neza Stiglic não conseguiu determinar se o uso dos aparelhos é a fonte da obesidade e depressão ou se as pessoas que sofrem destes problemas estão mais expostas a passar mais tempo em frente a um ecrã. Ivone Patrão diz que pode tratar-se de uma “comorbidade”. “Por vezes a criança ou o jovem já estavam, por exemplo deprimidos, e o estar online surge como uma estratégia de escape. Noutras situações, um hobbie passa a ocupar o dia-a-dia do jovem, que desiste de outras actividades para estar cada vez mais tempo online e para sentir o prazer que isso lhe dá”, explica.

Para Tito de Morais, autor do blogue Miúdos Seguros na Net, “a utilização excessiva de dispositivos móveis por crianças e jovens não estará na origem de patologias como a obesidade e depressão, mas contribui para [as] agravar”. O especialista acrescenta ainda que o sedentarismo será o factor que mais influencia a reprodução destas doenças.

Pais devem negociar

Dora e Augusto Silva, pais de um menino de nove e uma menina de cinco anos, que frequentam o Agrupamento de Escolas do Parque das Nações, em Lisboa, confessam viver uma “luta diária” para incutir a máxima: primeiro os trabalhos de casa, segundo as actividades de lazer (e em quantidades limitadas). Como é que o fazem? Fixam um tempo para os filhos usarem o tablet, recorrendo a um temporizador do mesmo. Assim as crianças percebem que já o estão a usar há muito tempo, justificam.

Há quem restrinja mais afincadamente a utilização de aparelhos, como é o caso de Inês Rodrigues, mãe de duas meninas de seis e nove anos, da mesma escola, que não usam os dispositivos todos os dias e só tem autorização para o fazer quando “os deveres escolares estiverem cumpridos”. A mãe também proíbe o acesso aos aparelhos fora de casa.

Os pais dizem que os miúdos passam entre meia a uma hora diária frente aos dispositivos electrónicos, mas que no fim-de-semana a média aumenta. “Pode variar de uma a quatro horas, ou mesmo mais”, confessam Dora e Augusto Silva.

Para Ivone Patrão, os pais devem adoptar uma postura preventiva. A introdução das novas tecnologias pode ser feita desde a infância, “mas com uma bandeira bem levantada”, a da “negociação dos conteúdos e do tempo de acesso”. Os pais devem adoptar um modelo de negociação, estipulando regras: “Não é pelo conflito que vai haver mudança de comportamento, mas pelo parar, sentar e negociar o que cada uma das partes pretende e está disposta a ceder”, afirma a autora do livro #GeraçãoCordão, recomendando ajuda especializada para casos extremos.

Também Tito de Morais partilha da mesma perspectiva, acrescentando que os adultos devem propôr “alternativas em termos de actividades, criando tempos de utilização [dos ecrãs] adequados”. É o que já faz Inês Rodrigues, que procura actividades fora de casa para realizar com as filhas, já Dora e Augusto Silva incentivam os mais novos à prática do desporto ou de um instrumento.

Ainda assim, o casal reconhece pontos positivos aos aparelhos electrónicos, nomeadamente o auxílio ao estudo. Inês Rodrigues também orienta as filhas para a visualização de conteúdos “de alguma forma educativos” com o objectivo de evitar a pesquisa de assuntos “vazios”.

Texto editado por Bárbara Wong

 

 

 

O que leem (e como leem) os adolescentes?

Fevereiro 8, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias Magazine de 6 de janeiro de 2019.

 

Quando podem as adolescentes começar a tomar a pílula?

Fevereiro 5, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 16 de janeiro de 2019.

Rita Costa

Fizemos a pergunta ao pediatra Sérgio Neves, que revela alguns dos casos em que este contracetivo é recomendado.

“A adolescente tem que ter iniciado já a sua menstruação”, começa por responder o pediatra Sérgio Neves. Depois da menarca, já é possível as adolescentes tomarem a pílula e não apenas como contracetivo.

O pediatra que explica que, na adolescência, são várias as situações em que as pílulas são recomendadas pelos médicos.

Quando surge a primeira menstruação “existem muitas vezes problemas nos primeiros anos, nomeadamente períodos muito abundantes que podem levar a anemias, por perdas de sangue e de ferro”, explica Sérgio Neves. Às vezes, estes problemas levam a limitar a frequência escolar, porque algumas adolescentes sentem-se muito mal durante a menstruação e precisam de faltar às aulas.

“Muitas vezes, a pílula surge como uma forma de regular esses ciclos e diminuir as perdas menstruais”, as dores e a sensação de cansaço.

A pílula pode também ser tomada para combater o acne. “Quase todas as pílulas têm algum benefício, mas existem outras mais especificas, antiandrogénicas, que combatem o efeito das hormonas masculinas que promovem o aparecimento e o agravamento do acne”, acrescenta.

Ouvir as declarações de Sérgio Neves no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/quando-podem-as-adolescentes-comecar-a-tomar-a-pilula-10443491.html?fbclid=IwAR3O5m0_–N15mR-FgCVjyxNPEq6WtJ_z9tcF8qo2RNBtz8cKxvOPwyLx4I

Farta de vê-los diante de ecrãs? Veja estas alternativas simples

Janeiro 28, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Texto do Sapolifestyle de 31 de dezembro de 2018.

Passar horas diante de um computador trava a criatividade e a imaginação. Mas, caso se tenha esquecido, há outras formas de entreter as crianças. E de uma forma bem mais construtiva.

Há muitas maneiras de criar oportunidades de aprendizagem infantil que não envolvam telefones, tablets ou computadores. Com um pouco de criatividade e muita diversão, pode conseguir que as mentes mais acomodadas se desenvolvam sem que o percebam. A Family Online Magazine dá algumas alternativas divertidas.

  • A leitura é a melhor maneira de preservar ou melhorar o que foi aprendido durante a escola. Uma viagem à biblioteca uma vez por semana pode ser um programa divertido.
  • As crianças adoram jogar, portanto vá buscar os jogos de tabuleiro que tem arrumados. Muitos promovem a leitura e as habilidades de memória, outros ensinam o valor do dinheiro.
  • Livros e autocolantes são uma ótima maneira de se divertir e aprender ao mesmo tempo.
  • Incentive as crianças mais velhas a manterem um diário ou a escreverem cartas aos amigos e membros da família que estão longe.
  • Um simples passeio, ao parque ou ao zoo, pode ser transformado numa grande experiência de aprendizagem, especialmente para as crianças mais novas. Observar animais estimula a curiosidade.
  • Leve os seus filhos a um campo de desporto, proporcionando-lhes experiências em grupo com crianças da sua idade. Pode fazer o mesmo com atividades artísticas. Isto é especialmente importante para filhos únicos, porque permite-lhes interagir e brincar com outras crianças.
  • Encene uma peça de teatro. Incentiva o uso da imaginação, que permanece inativa enquanto a criança vê televisão. Arranje algumas roupas velhas que possam vestir.

 

 

Pai inventa app que obriga crianças a retribuir chamada

Janeiro 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do MAGG de 8 de janeiro de 2019.

por  Marta Gonçalves Miranda

Um britânico estava farto de ser ignorado pelo filho quando descobriu a forma perfeita de acabar com o problema.

Quando o filho de Nick Herbert entrou para a escola, o pai ofereceu-lhe um telefone. Era uma forma prática de estarem sempre em contacto — pensava ele. A verdade é que Ben rapidamente descobriu o maravilhoso mundo dos jogos e vídeos, e a funcionalidade da chamada era frequentemente ignorada. Tanto que o adolescente chegava a pôr o telemóvel em silêncio para que o pai não soubesse o que é que ele andava a fazer.

Para acabar com a tortura do ghosting, o britânico criou a aplicação ReplyASAP. De uma forma muito simples, a app bloqueia o telemóvel até que o utilizador responda à mensagem enviada para a aplicação. Mais: a ReplyASAP também faz (muito) barulho até que haja uma resposta, mesmo que o telemóvel esteja em silêncio.

“Esta aplicação nasceu das minhas próprias frustrações pessoais com as aplicações de mensagens que existem atualmente”, contou Nick Herbert no site. Durante o desenvolvimento da app o britânico fez questão de incluir o filho, que até acabou por gostar da ideia. “Ele também me pode mandar mensagens — portanto, há um entendimento mútuo de que a ReplyASAP só é usada para coisas realmente importantes, e não porque precisa de pilhas para o comando da Xbox”.

Para já a app só está disponível para Android, mas a versão para iOS já está em desenvolvimento. Quanto aos preços, há quatro pacotes disponíveis: Bronze (1,10€); Prata (2,77€); Ouro (7,77€); e Platina (14,45€). A grande diferença é o número de pessoas que é possível incluir no sistema de troca de mensagens. A aplicação está disponível para download em Portugal, e em português.

 

 

Comunicar com os adolescentes

Janeiro 20, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Maria do Carmo Cordeiro Cruz publicado no Público de 6 de janeiro de 2019.

O desafio da adolescência não é só o da procura de uma identidade própria que não seja a imposta pelo mundo dos adultos. É, também, o da auto-regulação emocional. E este é, igualmente, o desafio dos pais.

Nunca, como hoje, foi a adolescência tão estudada e, no entanto, continua, possivelmente, a ser a fase mais desconhecida do desenvolvimento humano. A comunicação entre pais e filhos adolescentes permanece uma das principais questões levantadas no consultório do psicoterapeuta. Por uns e por outros:

Os miúdos estão sempre ligados à rede… já não falam connosco, não nos contam nada.

Os meus pais não me ouvem, não entendem, só criticam.

O conceito de adolescência existe apenas há cerca de cem anos e é próprio da sociedade moderna, que reconhece e define uma transição entre a infância e a idade adulta. Durante este tempo, o conhecimento científico produzido tem permitido perceber as alterações físicas, emocionais e comportamentais próprias desta fase, mas a realidade social dos jovens tem sofrido uma mudança drástica.

A concepção de família tem-se transformado imensamente nestes últimos cem anos. Quer por fora, quer por dentro. A família tradicional alargada deu lugar, sobretudo, à família nuclear anónima, sempre em movimento sujeita a um isolamento que se traduz em solidão. A convivência comunitária, familiar e, sobretudo, entre gerações, tem decrescido ao ponto de existir a queixa comum a pais e filhos adolescentes de que já é difícil comunicar. Já não se conversa. E quando não se conversa como é que se (re)conhece o outro? Sim, estamos em rede. Hoje, os jovens estão “sempre ligados” mas com que “rede” se não houver relação? E se não houver boa comunicação entre pais e adolescentes, como é que estes enfrentam os desafios naturais desta fase com segurança e auto-estima?

Não é fácil lidar com os adolescentes. A sua energia é, muitas vezes, paradoxal, ora letárgica, ora explosiva, e os sentimentos de grande vulnerabilidade e dependência coexistem com outros, bem diferentes, de arrogância e rebelião. Mal contida e desacompanhada, esta energia pode ser descarregada em comportamentos desadequados como o consumo de drogas, álcool, automutilação, bullying, isolamento, tudo isto frequentemente acompanhado por estados depressivos e ansiosos.

O desafio da adolescência não é só o da procura de uma identidade própria que não seja a imposta pelo mundo dos adultos. É, também, o da auto-regulação emocional. E este é, igualmente, o desafio dos pais.

Enquanto sociedade, exigimos muito porque lidamos mal com a mudança e com a transformação. Temos muitas expectativas em relação aos adolescentes, quer pessoais quer colectivas. Desejamos, mesmo que secretamente, que se “encaixem” sem grandes dramas. A sua angústia existencial desafia-nos, os seus comportamentos testam-nos, as suas queixas põem-nos em causa e sentimo-nos, muitas vezes, tão inexperientes e vulneráveis como eles. E sem soluções!

O melhor que podemos fazer pelos adolescentes é agir como adultos centrados, com limites e boa auto-estima e estarmos presentes para os escutar com os ouvidos e o coração. Só assim poderemos conter as suas angústias.

Na terapia com adolescentes é a relação que os ajuda criando um espaço seguro e protector onde podem expressar-se sem julgamentos. É importante falar a mesma linguagem, compreender os seus gostos, conhecer as novas apps que usam, os conteúdos que lhes interessam e os ideais que têm. O humor também ajuda.

Nem só a falar se comunica, por isso a técnica da Caixa de Areia ou Sandplay é uma excelente ferramenta clínica não-verbal e não invasiva à qual os adolescentes aderem com facilidade e que costumo utilizar no consultório.

Ao construir um cenário tridimensional numa caixa de areia e com recurso a um variado leque de miniaturas, os jovens representam simbolicamente a sua visão do mundo e de si próprios. A construção feita na areia constitui uma comunicação mais profunda do que qualquer tentativa forçada de verbalização. Estes cenários dão origem a associações e relatos espontâneos permitindo ao adolescente uma observação mais objectiva dos seus problemas, defesas, desejos e potencialidades. O psicoterapeuta ajuda a integrar a informação assim obtida. O processo promove uma maior tomada de consciência, auto-regulação emocional e a descoberta de novas soluções.

Psicóloga Clínica/Psicoterapeuta do CADIn

 

Os peixes nas redes – Miguel Esteves Cardoso

Janeiro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Miguel Esteves Cardoso publicado no Público de 4 de janeiro de 2019.

O que não há nos livros é o eu. Não estou lá de maneira nenhuma. Só há outras pessoas. O mal das redes sociais é o eu-eu-eu e o meu-meu-meu e o vício de usar os likes como um espelho de tique-tiques.

Estou numa esplanada onde não há rede. Vejo um rapaz com onze ou doze anos de braço esticado a olhar para o telemóvel. Diz sempre “no service“. Faz isto durante uma hora inteira. Não fala com os pais. Não abre um livro. Não olha para a paisagem. Não brinca. Tem sempre a mesma expressão chateada e desiludida. Sente-se que não é a primeira vez que isto acontece.

Eu estou a ler no meu Kindle. Mas parece que estou na Internet. O rapaz deve pensar que eu consegui rede. Na volta, é por causa disso que o desgraçado não desiste.

Passa uma pessoa atrás de mim e percebe que estou a ler. Comentário dela: “Grande seca!” Não compreendi. Respondi: “Não! Estou a ler o…” mas já não deu para acabar. Há décadas que ninguém me pergunta o que estou a ler. Estou habituado.

Depois percebi. A grande maioria das pessoas já não associa a leitura ao prazer. Só pode ser isso. Lêem para estudar, para aprender, porque pensam que lhes faz bem ou dá jeito. Mas não lêem pelo prazer de ler, de ser transportado para outros mundos, onde não sabemos o que vai acontecer – ou sabemos mas gostamos de lá voltar, à procura duma coisa diferente em que não tenhamos reparado.

O que não há nos livros — e é por isso que é um tão grande alívio — é o eu. Não estou lá de maneira nenhuma. Só há outras pessoas. O mal das redes sociais é o eu-eu-eu e o meu-meu-meu e o vício de usar os likes como um espelho de tique-tiques.

O prazer de ler — ficar absorto, desaparecer, ficar pendurado — é uma solidão acompanhada, uma viagem sem fim e sem esforço.

 

 

Ainda é difícil aos pais falar com os rapazes sobre preservativos

Janeiro 5, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de dezembro de 2018.

Os adolescentes que não conseguem falar com os pais podem falar com os médicos sobre sexo seguro.

Reuters

Muitos rapazes querem que os seus pais falem com eles sobre preservativos. Mas um estudo feito nos EUA revela que estas conversas são complicadas e deixam os jovens com ideias confusas sobre o que é praticar sexo seguro.

O estudo foi feito pelo Centro de Saúde para Adolescentes e Famílias Latinas da cidade de Nova Iorque, a partir de entrevistas feitas a 25 pares constituídos por pai e filho de origem afro-americana ou latina, que vivem em bairros onde a taxa de gravidez na adolescência e os casos de infecções sexualmente transmissíveis são muito superiores à média nacional.

A pesquisa revela que a maioria dos pais e filhos falaram sobre sexo, mas muitos dos pais sentiram-se mal preparados para explicar as complexidades do uso do preservativo. Muitos dos adolescentes tinham apenas uma ideia vaga da importância de usar preservativo e não tinha um claro entendimento de como ter sexo seguro.

“Descobrimos que os pais muitas vezes referem o uso de preservativo, mas em termos gerais”, afirma o principal autor Vincent Guilamo-Ramos, director do Centro de Saúde para Adolescentes e Famílias Latinas.

No entanto, os pais raramente se sentem à vontade para dar orientações específicas sobre o uso correcto e consistente ou sobre os erros e problemas comuns com preservativos, como aplicá-lo tarde demais ou o que fazer quando se rompe, explica Guilamo-Ramos por e-mail.

As idades médias eram 17 para os filhos e 44 para os pais – o que significa que muitos dos pais atingiram a maioridade nos anos 1980, quando a educação sexual muitas vezes se concentrava na abstinência, em vez de tomar decisões informadas sobre o controlo da natalidade.

Os jovens do estudo declararam que queriam ouvir os seus pais sobre esse tema e esperavam que fossem eles a iniciar uma conversa sobre o mesmo. Como disse um adolescente: “Eu quero que ele diga que quer falar sobre algo importante e que isso beneficiará meu futuro.”

Outro adolescente ressaltou a importância de ter os factos para evitar erros: “A coisa mais importante é usar o preservativo, como colocá-lo no caminho e estar ciente do que estamos a fazer quando o usamos.”

Por seu lado, os pais revelaram a necessidade de eles próprios aprenderem algo sobre o tema e expressaram interesse em ter recursos educacionais para ajudá-los a prepararem-se para conversar com os filhos. “Estou disposto a ensiná-lo o máximo possível, tudo o que ele precisa saber, mas se estou ensiná-lo, na verdade também estou a aprender”, disse um dos progenitores entrevistados.

De salientar que o estudo não prova que conversas entre pais e filhos sobre preservativos teriam impacto na saúde sexual ou nas opções contraceptivas dos adolescentes. Ainda assim, os resultados sublinham a importância de os pais terem uma comunicação frequente, contínua e aberta com adolescentes sobre sexo, defende Kate Lucey, da Universidade Northwestern, e do Hospital Infantil de Chicago Ann & Robert H. Lurie.

“Doenças sexualmente transmissíveis como gonorréia, clamídia e sífilis, estão em alta entre os adolescentes, e o uso de preservativos é uma das melhores maneiras de preveni-las”, acrescenta Lucey. Os adolescentes que não conseguem falar com os pais podem falar com os médicos sobre sexo seguro, conclui.

 

Unicef: sem mais ação, 80 adolescentes morrerão com HIV todos os dias até 2030

Janeiro 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da Onu News de 29 de novembro de 2018.

Fundo pede mais programas de tratamento e prevenção; novas infeções cairão para metade entre crianças, mas diminuirão apenas em 29% entre os adolescentes; cerca de 700 adolescentes são infetados com HIV todos os dias.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que cerca de 80 adolescentes morrerão de Aids, ou Sida, todos os dias, até 2030.

O Unicef apela, por isso, a um aumento urgente dos programas de tratamento e prevenção entre adolescentes, uma vez que os dados mostram uma redução lenta das infeções pelo HIV e mortes relacionadas com a Sida.

Novas Infeções

Em relatório divulgado esta quinta-feira, o Fundo adianta que cerca de 360 mil adolescentes morrerão de doenças relacionadas com a Aids entre 2018 e 2030.

Isto caso não haja investimento adicional em programas de prevenção, testes e tratamento.

O relatório “Crianças, HIV e Aids: O mundo em 2030” tem como base as atuais projeções populacionais e estima que o número de crianças até aos 19 anos com novas infeções atingirá cerca de 270 mil crianças até ao final da década de 30. É uma quebra de um terço em relação às últimas estimativas.

No entanto, o Unicef considera que a trajetória de queda é muito lenta, principalmente entre os adolescentes.

De acordo com o relatório, até 2030, o número de novas infeções por entre crianças na primeira década de vida será reduzido para metade, enquanto que entre adolescentes dos 10 aos 19 anos só diminuirá em 29%.

Mais Programas

O Fundo prevê que as mortes relacionadas com Aids diminuam em 57% nas crianças com menos de 14 anos, em comparação com uma redução de 35% nas pessoas com idades entre os 15 e os 19 anos.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirmou que “o relatório deixa claro que o mundo ainda não está no caminho certo para acabar com a Aids entre crianças e adolescentes até 2030″, por isso, admite que os “programas para prevenir a transmissão do HIV de mães para bebés estão a valer a pena, mas não foram longe o suficiente, enquanto programas para tratar o vírus e impedir que ele se espalhe entre crianças mais velhas estão muito aquém do que deveriam.”

África

O Unicef estima que cerca de 700 adolescentes entre 10 e 19 anos são infetados com HIV todos os dias, ou seja, um a cada dois minutos.

Ainda segundo o relatório, 1,9 milhão de crianças e adolescentes ainda estarão vivendo com o vírus em 2030, principalmente na África Oriental e Meridional, seguido pela África Central e Ocidental e América Latina e Caribe.

Atualmente, 3 milhões de crianças e adolescentes vivem com o HIV em todo o mundo, mais da metade deles na África Oriental e Austral.

Diagnóstico

O relatório aponta para duas grandes falhas na resposta para crianças e adolescentes: o progresso lento na prevenção entre crianças pequenas e o fracasso em lidar com os fatores estruturais e comportamentais da epidemia.

Muitas crianças e adolescentes não sabem se têm ou não o vírus, e entre aqueles que foram diagnosticados, poucos aderem ao tratamento.

Para abordar essas lacunas persistentes, o relatório recomenda uma série de abordagens, apoiadas pelo Unicef, incluindo testes centrados na família para ajudar a identificar e tratar crianças, mais tecnologias de diagnóstico, maior uso de plataformas digitais para melhorar o conhecimento entre adolescentes, entre outras.

descarregar PDF –  Children and AIDS: The world in 2030

Site –  Children, HIV and AIDS: The world today and in 2030

 

 

O novo vício dos adolescentes americanos

Janeiro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 17 de dezembro de 2018.

É um fenómeno que atinge muitos países – a Sociedade Portuguesa de Pneumologia já lançou o alerta – mas os números que chegam dos Estados Unidos dão corpo à realidade. A utilização de cigarros eletrónicos entre os adolescentes do ensino secundário duplicou no último mês em relação ao ano passado, abrangendo 21% dos estudantes americanos.

“Isto atingiu uma proporção inadmissível”, diz Scott Gottlieb, da FDA, a autoridade sanitária americana. Em causa estão sobretudo os alunos do 10° ao 12° anos, atraídos pelos sabores variados dos produtos e pelos argumentos que apontam este tipo de consumo como mais seguro.

“Mas os consumidores nem sempre têm noção de que estão realmente a utilizar nicotina”, responde Wilson Compton, do Instituto Nacional da Droga americano.

As autoridades sanitárias falam mesmo em “epidemia” e numa nova geração viciada em nicotina. Os cinco principais produtores de cigarros eletrónicos foram intimados a apresentar medidas para controlar o uso entre os mais novos, sob pena de o consumo passar a ser proibido.

 

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