Imagine que o seu filho chega a casa embriagado. O que deve fazer?

Dezembro 9, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto da TSF de 26 de novembro de 2018.

Rita Costa

A pediatra Ana Dias Alves sublinha a importância de falar com os filhos, mostrar desagrado em relação ao que aconteceu, explicar que o que aconteceu não deve acontecer, mas não exagerar.

“É sempre uma situação terrível para os pais”, reconhece a pediatra Ana Dias Alves que considera que deve haver equilíbrio na reação. Às vezes os pais nem se quer sabem que os filhos ingerem álcool e de repente são chamados ao hospital porque os filhos tiveram uma intoxicação alcoólica. “Como é que os pais lidam com esta situação?”

A pediatra Ana Dias Alves sublinha a importância de falar com os filhos, mostrar desagrado em relação ao que aconteceu, explicar que o que aconteceu não deve acontecer, mas não exagerar. “Às vezes ficam tão magoados com os filhos que impedem-nos de sair durante os próximos meses”, mas “há alguns excessos” que fazem parte do percurso normal dos adolescentes e servem de exemplo, defende.

“O facto de eles terem um episódio de embriaguez não quer dizer que vão tornar-se uns alcoólicos e, depois de um episódio destes, a maior parte não repete”, assegura a pediatra que deixa uma ressalva : “Se eles começarem a repetir o comportamento, ai a coisa é diferente.”

Ouvir as declarações de Ana Dias Alves no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/imagine-que-o-seu-filho-chega-a-casa-embriagado-o-que-deve-fazer-10236678.html?fbclid=IwAR0r_ldnmvlVG3Qav0osPhR9J-ZRz_3pmTNdFq8GNA0CGZxPfrnqr-0pbp8

 

 

Jovens americanos têm níveis de sofrimento psicológico sem precedentes face às gerações anteriores

Novembro 30, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da Visão de 21 de novembro de 2018.

Clara Soares

A Geração Z tem mais perceção de stress e insegurança do que as gerações mais velhas e é a primeira a admitir maior necessidade de terapia, revela estudo da Associação Americana de Psicologia.

Já se sabia que os Estados Unidos são imbatíveis… nos números respeitantes à doença mental. Os estudos epidemiológicos disponíveis permitem afirmar que nem mesmo Portugal, que ocupa um lugar cimeiro na União Europeia nesta área, com pelo menos uma em cada cinco pessoas a ter perturbações mentais, tem um retrato tão assustador.

Se os nativos digitais e os jovens escolarizados parecem mostrar-se mais vulneráveis a sintomas ansiosos e depressivos, agora já possível confirmá-lo. O mais recente estudo encomendado pela Associação de Psicologia Americana (APA) à The Harris Poll – Stress in America: generation Z – traça um panorama sombrio para quem nasceu e cresceu naquela que era, no século passado, conhecida pela Terra das Oportunidades. A sondagem online, realizada numa amostra de 3458 adultos e complementada por entrevistas a 300 jovens com idades entre os 15 e os 18 anos, permitiu concluir que a entrada na maioridade é vivida com grande sobressalto e estados de alerta, apenas comparáveis aos da geração anterior, os Millennials, que até ao momento eram os campeões do stresse, fruto de uma educação individualista e centrada no sucesso, da pressão das tecnologias e do impacto da realidade virtual no quotidiano.

“Este mundo não é para novos”

O estudo comparativo revela que a saúde mental da Geração Z deixa muito a desejar. Os mais velhos são quem afirma sentir-se muito bem psicologicamente (74%), mas a percepção de bem-estar subjetivo decai à medida que se recua na idade e entre os 15 e os 21 anos menos de metade diz estar em boa forma mental (apenas 45%). Como era previsível, entre os que receberam, ou pensam vir a precisar de recorrer à ajuda de um psicoterapeuta, os inquiridos com 73 e mais anos ficaram no fim da lista (15%). Em contrapartida, os adolescentes e jovens adultos ocuparam a linha da frente (37%), ultrapassando mesmo a geração que os antecede (com idades entre os 22 e os 39 anos). Mais de 90% dos “Z” afirmaram ter experimentado pelo menos um sintoma físico ou emocional associado a stresse (58% de estados depressivos e 55% com falta de interesse, energia e motivação).

A que se deve tanto mal-estar e fragilidade? No país governado por Trump, as armas têm má história e má fama, com violência a marcar os telejornais. Estas realidades são perturbadoras para os adultos, embora consigam ser mais impactantes para os jovens. Assim, enquanto os adultos se sentem ameaçados pelas notícias de tiroteios (62%), suicídios (44%) mudanças climáticas (51%), deportações de imigrantes e das famílias de migrantes (45%) e o assédio sexual (39%), a percepção de stresse dos “Z” é superior a estes valores numa proporção entre 12 e 18 por cento.

Depois do célebre Young Americans, do britânico David Bowie, ter trazido à superfície questões polémicas que marcaram – e marcam ainda – o ADN da cultura norte-americana, há 43 anos, o álbum permanece mais atual do que nunca. Ainda não havia geração Z quando o génio camaleão cantou “This is not America”, mas os jovens americanos nascidos na era da internet, dos crashes bolsistas e do aquecimento global ingressam na idade adulta como quem entra num cenário da Guerra dos Tronos: uma odisseia em que a probabilidade de ir ao fundo é grande e terrivelmente assustadora.

Entre as fontes adicionais de stresse com que eles se debatem, surgem as dificuldades de socialização com os pares (35%), as dívidas associadas ao percurso académico (33%) e a incerteza do mercado imobiliário (31%). Embora com menor expressão, outras preocupações os consomem: o medo de não ter sustento numa base estável (28%), o abuso de álcool e drogas no seio familiar (21%) – que pode, ainda que indiretamente, ter sido ampliado pela liberalização do consumo recreativo – e as questões associadas à orientação sexual e de identidade de género (21%), num ano marcado por mudanças políticas e sociais neste domínio.

 

 

O meu filho está viciado em videojogos. E agora?

Novembro 29, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

thumbs.web.sapo.io

Notícia do site Polígrafo de 4 de novembro de 2018.

Não é o número de horas que define se se trata ou não de uma dependência. É o comportamento que daí resulta. Em Portugal, 20% dos adolescentes com 13 anos joga quatro ou mais vezes por semana.

O ritual repete-se todos os dias. Assim que as aulas terminam, Guilherme, de 11 anos, apressa-se a arrumar a mochila e corre para casa. Se os avós não tentarem impedi-lo – por norma os pais estão a trabalhar a essa hora –, fecha-se imediatamente no quarto e liga a playstation. Fica a jogar até anoitecer e não parece importar-se com mais nada: não liga aos trabalhos de casa, nem à aproximação de testes escolares. “Quando alguém tenta convencê-lo a desligar o jogo e a ocupar-se com outra actividade, torna-se agressivo. Dá pontapés nas portas e grita com a mãe”, conta Francisca Dias, mãe de Filipe, um dos colegas de turma de Guilherme.

Muitas vezes, os dois entretêm-se com os videojogos, competindo um com o outro através da Internet. “Neste momento, estão fascinados com o Fortnite, um jogo muito atractivo visualmente”, conta Francisca, que impôs regras de utilização ao filho, assim que começou a perceber que chorava se lhe tirassem os comandos e desligassem o aparelho. “Não joga durante a semana e ao fim-de-semana só liga a PS4 com autorização. Ainda assim, estou preocupada. Os miúdos destas idades passam muito tempo em frente ao ecrã e alguns, como o Guilherme, parecem estar já viciados.”

thumbs.web.sapo.io

O fenómeno parece começar cada vez mais cedo. É comum ver-se crianças de 8/9 anos – algumas até antes – a usar videojogos com regularidade. A maioria não terá problemas de adição, dizem os especialistas, mas não há dados sobre o problema. “Os estudos sobre dependência contemplam adolescentes com 13 ou mais anos”, explica Graça Vilar, directora de serviços de planeamento e intervenção do SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos e nas Dependências. De acordo com um estudo de 2015, realizado em Portugal, aos 13 anos 20% dos adolescentes participa, quatro ou mais vezes por semana, em jogos online que não envolvem dinheiro.

Uma condição patológica reconhecida pela OMS

Confrontada com o problema, que em alguns casos pode adquirir uma dimensão patológica, em Junho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu, pela primeira vez, a dependência de videojogos, no manual de Classificação Internacional de Doenças, considerando-a uma adição. Segundo a OMS, é provável que se esteja perante um quadro de dependência quando há um uso pouco controlado do jogo, quer na frequência, quer na intensidade de utilização. Mas mais relevante ainda é a importância que se lhe dá: um viciado tem no jogo o seu principal interesse, colocando em segundo lugar todas as outras actividades do quotidiano, sejam sociais, familiares, escolares ou profissionais. “São pessoas que se isolam, descurando o cuidado com a própria higiene e saúde”, diz Graça Vilar.

Em muitos casos de dependência grave, os primeiros sinais de alerta remontam precisamente ao período entre a infância e a adolescência. Foi o que aconteceu a Vera, de 36 anos, que desde cedo se habituou a jogar. “Quando emigrei com os meus pais para Inglaterra, aos 12 anos, os videojogos tornaram-se um escape, uma forma de me proteger do mundo. Não fazia desporto e ficava em casa a jogar”, conta. Mais tarde, aos 17 anos voltou sozinha para Portugal e foi aí que a situação se agravou. “Ficava noites e noites a jogar playstation, com o meu namorado. Criámos depois um grupo com mais 15 amigos e fazíamos torneios nocturnos, às vezes a dinheiro. Para nos mantermos acordados e com energia, consumíamos cocaína.”

thumbs.web.sapo.io

Rita Morais, psicóloga clínica do centro Villa Ramadas, onde Vera está neste momento em tratamento, explica que é comum que ao vício do jogo se juntem consumos de álcool e drogas. As estatísticas atestam-no: segundo dados de 2016/2017, em Portugal 27,6% dos jogadores abusivos e patológicos (a dinheiro) consume álcool e 7,8% utiliza drogas. Foi esta junção de dependências que levou Vera a pedir ajuda. “Em Agosto, quase morri num acidente de viação, por causa da droga e do álcool, e decidi que tinha de mudar de vida”.

Para a recuperação destes pacientes – diz Rita Morais – é fundamental perceber os motivos por detrás do vício. “Há sempre um problema associado, que tanto pode ser bullying, como um divórcio dos pais ou um caso de luto não resolvido,” diz a especialista, sublinhando que a dependência não se explica apenas por uma variável. Três meses depois de ter começado a reabilitação, Vera diz estar mais consciente dos vícios. “Consigo verbalizar tudo o que fiz ao longo destes anos. Sei que não quero voltar a consumir, nem a jogar, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer.”

 

 

Conferência Pais e Adolescentes no Tempo da Internet com Daniel Sampaio, 28 de novembro no Cartaxo

Novembro 26, 2018 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Conferência Pais e Adolescentes no Tempo da Internet com Daniel Sampaio.
Uma iniciativa da CPCJ do Cartaxo, que terá lugar no dia 28 de novembro, às 14h30, no Centro Cultural do Cartaxo.
Inscrições gratuitas até dia 26 de novembro para os seguintes endereços de email: ensino@cm-cartaxo.pt; seccartaxo@mail.telepac.pt

Quando o adolescente recorre à auto-mutilação

Novembro 21, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Texto da Oficina de Psicologia

Quando o adolescente recorre à auto-mutilação para lidar com o sofrimento

Alguns dos adolescentes que partilham em consulta que se auto-mutilam admitem que já o faziam há algum tempo antes de os pais terem tomado conhecimento. Na maioria das vezes os pais referem mesmo não terem identificado quaisquer sinais de alarme, ficando muito assustados e imersos numa grande preocupação e desorientação quando confrontados com a partilha do filho. A dor de um adolescente que se auto-mutila é grande… E por isso pais e outros adultos cuidadores anseiam por orientações que acalmem a própria angústia, possibilitando um apoio adequado ao jovem.

Embora possa parecer estranho, a auto-mutilação entre os jovens pode ocorrer como uma espécie de “moda”, quando alguém no grupo de pares experimenta fazê-lo e acaba por ser seguido pelos outros. Sendo uma experiência dolorosa, a maioria dos adolescentes acaba por interromper o comportamento. No entanto, quando a auto-mutilação persiste, geralmente é porque estamos perante um jovem que vive em grande sofrimento emocional, que busca na dor do corpo uma “justificação” para a dor emocional. Reflectindo com o adolescente sobre a sua relação com as emoções, este começa a ganhar consciência de que é mais sensível às emoções, sentindo-as de forma mais profunda e intensa que os outros, optando por não as expressar, “guardando-as só para si”, e demorando mais tempo a sentir-se reconfortado, com todos os custos que isso acarreta.

Manter a calma será um importante primeiro passo a adoptar pelos pais quando descobrem que o filho se auto-mutila. Alguns pais reagem com pânico e desorientação, o que poderá agravar ainda mais a sensação de desconforto do adolescente. Dizer apenas para parar de o fazer terá também pouco efeito. No entanto, retirar do alcance do jovem objectos com que se possa magoar pode ser de extrema importância. Paralelamente, e com efeito mais duradouro e profundo, será fundamental adoptar uma postura de disponibilidade para escutar o que preocupa o jovem e o que está a sentir. Assim, mostre interesse por aquilo que o jovem pensa e sente, dando-lhe espaço para (mas não o obrigando a) partilhar.

Em simultâneo, o encaminhamento para um profissional qualificado, como um psicólogo, será importante no sentido de serem aprendidas/desenvolvidas outras estratégias de regulação emocional alternativas e mais adequadas.

A comunicação eficaz dentro da família é verdadeiramente importante para que o adolescente se sinta seguro, valorizado e confiante, pelo que se sugere a existência de um momento diário, nas rotinas da família, em que todos se sintam livres e aceites na partilha de ideias, dúvidas, preocupações e conquistas.

 

 

Workshop 4H | As Perturbações do Comportamento na Adolescência – 24 novembro em Lisboa

Novembro 14, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/453137655208912/

 

Os adolescentes e o álcool

Outubro 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

thom masat on Unsplash

Artigo de opinião de Alexandra Duarte publicado no i de 24 de setembro de 2018.

Como explicar a um adolescente os efeitos do álcool no seu desenvolvimento?

As histórias repetem-se, mesmo ao nosso lado, contadas pelos filhos, pelos amigos dos nossos filhos, por pessoas que conhecemos, ou até presenciadas por pais que acabam por estar no sítio certo, à hora errada. Rapazes e raparigas que acabam a noite a serem assistidos por equipas médicas, depois de terem consumido quantidades exageradas de bebidas alcoólicas. Até já têm um nome para esta prática: “binge drinking”. Escrito assim, até parece um desafio com “pinta” e, na verdade, é assim que os adolescentes adotam esta forma de comportamento. Ingerem uma quantidade excessiva de álcool, num curto espaço de tempo e consecutivamente. De um momento para o outro, bebem vários copos sem parar, negando ao corpo o tempo necessário para assimilar e processar a quantidade de álcool ingerida e, posteriormente, manifestar as consequências do impacto deste excesso. Quando, finalmente, o corpo processa esta ingestão acelerada e abusiva de álcool, ocorrem os sintomas indesejados, chegando, nos casos mais graves, ao coma alcoólico.

A definição de “binge drinking” remete-nos para um consumo ocasional excessivo, algo que acontece, por exemplo, quando os adolescentes saem à noite. Partindo do princípio que estamos perante uma média de uma saída noturna mensal, ou mesmo quinzenal, em rapazes e raparigas abaixo dos 18 anos e acima dos 14 anos, o cenário é preocupante e é nosso dever, enquanto pais e cidadãos, refletir sobre as medidas que possam impedir que estes adolescentes, imaturos e desconhecedores dos efeitos nocivos do álcool sobre o seu comportamento e desenvolvimento, continuem a reincidir numa prática que lhes é prejudicial.

O problema é que, como muitos pais devem ter conhecimento, a média das saídas noturnas, pelo menos nos grandes centros urbanos, não é a acima descrita, nem tão pouco é possível dizer que não há crianças com menos de 14 anos a frequentar bares e a consumir bebidas alcoólicas, compradas por interpostos amigos, em estabelecimentos que só estão autorizados a vender estas bebidas a indivíduos maiores de 18 anos. Mas o cenário agrava-se quando – e não vale a pena fingir que isto não se passa! – encontramos grupos de adolescentes, durante a tarde, concentrados na rua, em frente a certos estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas, com copos na mão e, mesmo de passagem, conseguimos perceber que já não se encontram no seu melhor estado, avançando para um estado de embriaguez.

Os números não mentem e são indicadores dos riscos que esta geração incorre. O consumo de álcool aumentou nos últimos anos, bem como diminuiu a média da idade em que se consumiu pela primeira vez – 17 anos! (O que significa que muitos houve que nem sequer 17 anos tinham! Há registos de internamentos com intoxicações ou comas alcoólicos de crianças que ainda não completaram os 13 anos.)

Além dos riscos imediatos a que se sujeitam, segundo um estudo da Universidade de Boston, um adolescente que inicie precocemente o consumo de bebidas alcoólicas tem 50% de probabilidades de vir a ficar dependente deste tipo de consumo, mais tarde.

O problema não se centra somente nos consumidores precoces, mas também nas suas famílias que, derivado da nossa cultura e hábitos, muitas consideram normal que os filhos consumam álcool quando começam a sair à noite ou ocasionalmente. Puro desconhecimento dos efeitos de uma bebida alcoólica no cérebro de um adolescente que ainda não completou os 18 anos e que se encontra em pleno desenvolvimento físico e cognitivo.

A revista científica “The Lancet” publicou recentemente um estudo, realizado em indivíduos com idades compreendidas entre os 15 e os 95 anos, e no qual se conclui que não existe um nível seguro para o consumo de álcool. As implicações são vastas, mas no caso dos adolescentes são muito concretas e a falta de uma avaliação correta dos riscos que correm é um dos fatores do consumo excessivo. Tomariam a mesma decisão caso soubessem que o álcool atinge o sistema nervoso central, potenciando comportamentos que colocam as suas vidas em risco, como a agressividade, a depressão e até mesmo a automutilação?

Perdem a noção dos seus comportamentos e as suas emoções são alteradas pelo efeito do álcool, levando a condutas que no dia seguinte, eles próprios têm dificuldade em se identificar, quando confrontados com as publicações nas redes sociais, registos de momentos dos quais não têm memória, mas que ficaram no “Instagram”, no “Facebook” para consulta futura.

Beber aos 18 anos não é o mesmo que beber antes desta idade. O desempenho escolar é diretamente afetado, consequência dos défices cognitivos e de memória, conduzindo a limitações ao nível da aprendizagem. Tudo isto provocado pelo facto de o cérebro ainda não estar totalmente desenvolvido e, por essa razão, ser mais permeável ao álcool. O consumo de bebidas alcoólicas está associado à diminuição da massa cinzenta em determinadas áreas do cérebro e é responsável por impedir o desenvolvimento da matéria branca, refletindo-se nos níveis de atenção, na velocidade do processamento, na memória e no controlo da impulsividade.

Nas escolas não se fala deste problema. Logo, se não se fala, é porque ainda não é considerado um problema. Em 2015, procedeu-se à alteração da lei para fixar a idade mínima para consumo de álcool nos 18 anos, o que também não veio modificar nada neste cenário que se agrava de ano para ano. As famílias não têm a informação suficiente para compreender as consequências graves que os seus filhos podem vir a ter, somente por beberem um copo quando vão sair à noite, não tendo ainda 18 anos. Eu começaria por enfatizar que há uma diferença primordial entre um jovem com mais de 18 anos que consome bebidas alcoólicas e entre os mais novos que sofrem de uma forma mais permanente os estragos que o álcool provoca no seu desenvolvimento.

Dizem que beber um copo não faz mal, mas os nossos jovens não bebem só um e, infelizmente, os números são preocupantes. Afinal, são os nossos filhos, os amigos dos nossos filhos, aqueles jovens que com a voracidade própria de desfrutarem os dias e as noites, muitas vezes se esquecem do que é melhor para eles.

Escreve quinzenalmente

 

 

“Binge drinking” prejudica a memória e deixa sequelas no cérebro para sempre

Outubro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

thumbs.web.sapo.io

Notícia do Sapo LifeStyle de 9 de outubro de 2018.

A memória é a primeira vítima da ingestão compulsiva de grandes quantidades de álcool, o chamado binge drinking, geralmente protagonizada por adolescentes em curtos espaços de tempo, alertam investigadores chilenos que estudaram as consequências de uma prática tolerada por ser considerada um hábito ocasional.

A compulsão etílica, ou “binge drinking” em inglês, consiste em beber muito álcool em pouco tempo. E se for associada ao tabaco, ao consumo de canábis ou a narcóticos, o efeito sobre a saúde pode ter consequências ainda mais graves.

Novos estudos demonstram que embora sejam hábitos restritos, em geral, a finais de semana e festas ocasionais, essa compulsão etílica “pode gerar muitos problemas” no cérebro que se perpetuam, além de aumentar a propensão para vícios de longo prazo, declara Rodrigo Quintanilla, um dos investigadores da Universidade Autónoma do Chile que estudou as consequências dessas práticas altamente toleradas.

Embora os jovens tenham facilidade em recuperar relativamente rápido das “bebedeiras”, o consumo de álcool produz “variações e mudanças no hipocampo, que tem a ver com a memória”, explica à AFP o cientista.

É isto que o álcool em excesso provoca no cérebro 

Particularmente, “afetam o equilíbrio inflamatório e o redox glial, deteriora a plasticidade sináptica, a memória e o metabolismo periférico mediante um mecanismo dependente do sistema de melanocortinas”, um dos principais atores na consolidação dos vícios durante a adolescência e a idade adulta, segundo o estudo apresentado em revistas científicas e na Associação Americana para a Investigação do Alcoolismo.

Os jovens, recorda Quintanilla, costumam acreditar que são “invencíveis” e “não equacionam os danos em que incorrem”, mas existem “mecanismos e vias bioquímicas dentro do hipocampo que serão afetados com o tempo”.

A adolescência é um período da vida crucial para o desenvolvimento dos circuitos cerebrais responsáveis pela emoção e cognição, que supõe mudanças no volume cortical, no crescimento axonal, na expressão génica e na definição das conexões corticais mediante um processo conhecido como “poda sináptica”.

3,3 milhões de mortes por ano

Neste estudo, os investigadores também tentam descobrir o que pode levar o consumo moderado passar à ingestão descontrolada e à dependência

“Quando se torna adulto, o cérebro terá mais sensibilidade a certos estímulos stressantes ou da própria vida cotidiana”, como o stress no trabalho, ou a combinação com o consumo de outras drogas, diz Quintanilla. “São respostas que ficam em aberto porque nos dedicamos a analisar e esmiuçar uma parte do elo” no estudo com animais, que não pode ser feito com pessoas.

“Não podemos pegar em adolescentes e observar os seus cérebros”, exclama. Para prosseguir o estudo, a partir de agora deverão “levantar informações sobre o consumo de álcool e os hábitos de consumo, assim como aplicar ano a ano um teste cognitivo para saber a progressão dos danos”, acrescentou.

Com 3,3 milhões de mortes anuais, o alcoolismo é a terceira causa de morte no mundo, atrás do tabaco e da hipertensão. No caso dos jovens entre 10 e 24 anos, 7,4% das mortes e deficiências são atribuídas ao álcool.

Crianças que comem este alimento correm um maior risco de beber e de fumar no futuro

Outubro 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Patrick Fore on Unsplash

Notícia do i de 10 de outubro de 2018.

Estudo faz revelação

De acordo com um estudo recentemente feito, foi feito um inquérito a mais de 100 mil crianças, com idades compreendidas entre os 11, 13 e 15 anos, acerca do que bebiam e sobre os comportamentos de risco que levavam a cabo, asim como lutar, fumar e fazer ‘bullying’.

Com base nas respostas dadas, foi possível apurar que aquelas que consumiam mais açúcar, apresentavam uma maior probabilidade de se comportarem mal, 78%.

Segundo indicam os cientistas responsáveis pelo estudo, bebidas adocicadas, como os refrigerantes, criam maior propensão a esse tal mau comportamento.

O estudo foi conduzido em 26 países, por investigadores italianos e israelitas, e de acordo com os mesmos, “como os refrigerantes frequentemente contêm aditivos, incluindo cafeína, é possível que o açúcar em combinação com alguns desses aditivos torne esses sumos um fator mais poderoso ou um indicador mais consistente”.

O consumo elevado de açúcar foi associado com brigas em 23 dos 26 países.

Notícia com mais informação

Too much sugar makes children more violent and more likely to get drunk or smoke – with energy drinks the worst offenders

Estudo citado na notícia

Adolescents’ multiple and individual risk behaviors: Examining the link with excessive sugar consumption across 26 industrialized countries

 

Metade das doenças mentais começa aos 14 anos

Outubro 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da ONU News de 10 de outubro de 2018.

ONU destaca situação de jovens em Dia Mundial de Saúde Mental; Guterres disse que, mudando a atitude em relação ao grupo de enfermidades, é possível mudar o mundo.

Metade de todas as doenças mentais começa aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada nem tratada.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, deu esta informação para marcar o Dia Mundial da Saúde Mental, marcado a 10 de outubro. O tema deste ano é “Jovens e Saúde Mental num Mundo em Mudança”.

Comunidades e Jovens

Em nota publicada esta quarta-feira, o secretário-geral da ONU disse que “durante muito tempo a saúde mental tem sido um tema secundário, apesar dos impactos arrasadores sobre comunidades e jovens de todos os lugares”.

António Guterres lembrou que um em cada cinco jovens deve ter um problema deste género este ano. Segundo ele, “a falta de saúde mental durante a adolescência tem impacto no desempenho na escola e aumenta o risco de uso de álcool e substâncias e comportamento violento”.

O chefe da ONU afirmou que, apesar dos desafios, muitos destes problemas podem ser evitados ou tratados.

Explicando que “aqueles que lutam com problemas de saúde mental ainda estão sendo marginalizados”, Guterres lembrou o compromisso das Nações Unidas de que todas as pessoas tenham, até 2030, apoio para este problema.

Para o secretário-geral, “se mudarmos a nossa atitude em relação à saúde mental, mudaremos o mundo”.

Consequências

Segundo a OMS, a depressão é a terceira doença mais comum  entre adolescentes. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos. O uso de álcool e drogas ilícitas também é uma questão em muitos países e pode levar a comportamentos de risco, como sexo inseguro ou conduzir alcoolizado. Transtornos alimentares são outro motivo de preocupação.

A agência da ONU diz que “felizmente cresce o reconhecimento da importância de ajudar os jovens”. A OMS acredita que proteger o bem-estar do adolescente traz benefícios à sua saúde, mas também às economias e à sociedade.

A OMS explica que muito pode ser feito para ajudar. A prevenção começa com o conhecimento e compreensão dos primeiros sintomas. Pais e professores podem ajudar a lidar com desafios do dia-a-dia, apoio psicossocial pode ser prestado nas escolas e, por fim, os profissionais de saúde podem ser treinados para lidar com estes problemas.

A agência acredita que o investimento nesta área é essencial. Esse investimento deve ensinar colegas, pais e professores sobre as melhores formas de ajudar amigos, filhos e alunos.

Mais informações na notícia da WHO:

World Mental Health Day 2018

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.