Bullying nas escolas. “Existem crianças que têm intenção de magoar o outro”

Setembro 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do MAGG de 29 de maio de 2019.

por Catarina da Eira Ballestero

O projeto “Escolas de Empatia” luta contra o bullying e atua numa ótica de prevenção. No próximo ano letivo, quer chegar a mais escolas.

De acordo com dados da UNICEF, mais de 150 milhões de crianças afirmam ser vítimas de bullying nas escolas. Os números são alarmantes e, mesmo numa sociedade em que a palavra bullying já não é nenhum mito, os comportamentos agressivos entre pares nas camadas mais jovens continuam a existir.

Foi com o intuito de prevenir o bullying que surgiu a iniciativa “Escolas de Empatia”, um projeto piloto, aplicado a escolas do primeiro ciclo, que pretende combater este género de comportamentos através da empatia. Criado pela associação Par, e com um programa elaborado por uma equipa de psicólogos e outros especialistas, o objetivo do projeto é trabalhar, junto das crianças, aspetos como inteligência emocional, autoconfiança e consciência do outro.

Numa entrevista a Andreia Nogueira, psicóloga e responsável pelo projeto das “Escolas de Empatia”, tentámos perceber a importância de capacitar as crianças com competências de empatia, as consequências a longo prazo do bullying e se, na verdade, existem ou não crianças cruéis.

O que são as “Escolas de Empatia”?
O projeto “Escolas de Empatia” é um projeto piloto que começou este ano letivo (2018/19). Foi uma adaptação de um projeto que a associação Par teve anteriormente, o “Houses of Empathy”, que decorreu em casas de acolhimento em Lisboa, mas também em países parceiros, cujo objetivo principal era diminuir os índices de bullying entre pares nessas casas.

Esse projeto teve resultados positivos e decidimos adaptá-lo, no ano passado, para o contexto escolar, na escola Escola Básica Teixeira de Pascoais, em Alvalade. O projeto é tratado como uma AEC (atividades de enriquecimento curricular) e passamos uma hora semanal com cada turma, onde fazemos vários exercícios, dinâmicas de grupo e, no final, existe um momento de reflexão com as crianças.

Só existe numa escola?
Atualmente, sim. Gostaríamos de chegar a mais escolas e também a mais faixas etárias. Neste momento, o programa está adaptado para crianças do primeiro ciclo, do 1.º ao 4.º ano, mas também está em aberto para ser possível avançar para outras faixas etárias.

Qual é o principal objetivo do projeto?
O que pretendemos é que, através de uma abordagem de prevenção, mas também de intervenção quando já existe um historial de violência entre pares, conseguir chamar a atenção e prevenir os comportamentos de agressividade, como situações de bullying entre colegas de escola.

Podemos então assumir que combater os comportamentos de bullying é o grande foco das “Escolas de Empatia”?
Sim, claro que sim.

A curto e médio prazo, qual é o impacto que espera que este projeto tenha nas crianças?
Daquilo que conseguimos ver até agora, apesar de não termos resultados concretos, o feedback das crianças tem sido positivo. Quer seja por atitudes dos miúdos que vamos observando, ou mesmo por aquilo que nos transmitem, mas também por aquilo que nos é dito por pais, professores, auxiliares. As crianças vão estando mais atentas ao outro, tentam perceber se o colega está triste, se podem fazer algo para o ajudar. Até porque o foco do projeto é mesmo a empatia.

Acha que ainda existe muito bullying nas escolas portuguesas, mesmo sendo um assunto bastante discutido no panorama atual?
Se me focar nestas idades de primeiro ciclo e na realidade da escola em que trabalhamos, o programa do projeto vem muito numa abordagem de prevenção. Ainda assim, mesmo nestas idades, já começamos a ver alguns comportamentos agressivos que não podemos considerar como normais — mesmo que seja algo momentâneo, tem de ser alvo da nossa atenção e também da dos pais, funcionários, de todas as pessoas que lidam com as crianças em questão.

Mas respondendo à sua questão, acho que sim, que ainda existem muitos comportamentos do género e que, muitas vezes, surgem até por causa do contacto que as crianças têm com algum conteúdo violento (como jogos, por exemplo). É necessário explicar aos miúdos que essas atitudes não são normais na relação com os outros, quer seja uma agressão física, como verbal — tudo o que seja humilhar o outro de alguma forma. Atenção que alguns destes comportamentos até podem ser cometidos sem existir uma intenção de maldade mas, caso não sejam travados, podem, mais tarde, ganhar outros contornos.

Qualquer criança pode ser vítima de bullying, mas existem vítimas mais fáceis, como crianças de meios menos privilegiados, por exemplo?
Não, não creio que tenha que ver com o contexto ou com o meio. Claro que algumas crianças, por um conjunto de fatores, podem ser mais atingidas pelo bullying do que outras, mas acho que isso tem mais que ver com as competências sociais da própria criança. É também por isso que consideramos o trabalho dessas competências muito importantes, para aprenderem a defender-se de situações de agressividade, mas também para conseguirem defender outros.

Também trabalhamos a autoestima, como a parte da comunicação assertiva em relação a um possível agressor, o saberem defender os seus direitos que podem não estar a ser respeitados naquele momento, e queremos desmistificar um bocadinho aquela ideia do “resolve por ti próprio”, do “não sejas queixinhas”. É importante que saibam pedir ajuda.

A ideia das queixinhas tem mesmo de acabar para as crianças se sentirem à vontade para pedir ajuda?
Exatamente. E também nos cabe a nós saber a diferença entre algo que a criança nos passa e que merece toda a nossa atenção, e outras, mais pontuais, em que devemos capacitar as crianças para saberem responder às mesmas situações. Mas penso mesmo que, quando uma criança recorre a nós e nos pede ajuda de alguma forma — e em idades precoces não é fácil verbalizar isso —, devemos estar muito atentos ao seu pedido e não desvalorizar.

Já me disse que não acredita que existam vítimas mais fáceis de acordo com o contexto ou com o meio. Mas acha que as crianças obesas, dado que a obesidade infantil é cada vez mais um problema crescente em Portugal, podem ser mais afetadas pelo bullying?
Da minha experiência e daquilo que tenho visto, não acho que seja a razão principal para as crianças serem vítimas de agressões. Até porque se uma criança tiver excesso de peso, mas os pais a tiverem capacitado para ter bons níveis de autoestima, não creio que o peso faça desta criança uma vítima certa. Não se trata de uma coisa específica, mas mais das diferenças, que acabam por ser um fator para apontar alguma coisa ao outro, seja usar óculos, tirar muito boas notas, entre outros.

Quais são os principais sinais de que uma criança está a ser vítima de bullying?
Apesar de depender um bocadinho da idade, pegando nesta faixa etária do primeiro ciclo, muitas vezes os primeiros sinais são fatores físicos. Queixam-se de dores de barriga, que podem ser sinal de ansiedade, e também se recusam a ir para a escola. Existem também mudanças no próprio comportamento: evitam situações de recreio, que é algo que é esperado que as crianças gostem, preferem estar próximo das auxiliares, mostram desinteresse pelas aulas e pela aprendizagem, quando antes gostavam de tudo o que tivesse a ver com a escola. Também passam a dormir pior, quando até eram miúdos que dormiam bem, e passam a estar mais dependentes dos adultos e com medo de ficarem sozinhas, sendo que este não era um comportamento habitual.

Perante a confirmação de uma situação de bullying, o que é que os pais devem fazer?
Normalmente, os pais têm muito a tendência de procurar logo os pais do agressor ou mesmo a própria criança para tirar as coisas a limpo, digamos assim. Mas aqui é importante que os pais percebam que é preciso respeitar o vínculo da criança. Isto porque, muitas vezes, o que acontece é que os pais ficam ainda mais ansiosos com a situação do que o próprio filho e essa falta de gestão emocional (embora se compreenda a posição dos pais) pode afetar ainda mais a criança e inibi-la de contar mais coisas que se possam ter passado.

Para além de que, se os pais forem procurar o agressor ou os pais destes, a criança que foi vítima pode também ficar com receio das consequências que essa ação pode ter para ela. É, por isso mesmo, importante que os pais incluam o filho no plano de ação para gerir o sucedido, o que vai conferir algum poder à criança. Devem reunir toda a informação, perceber a que adultos devem dirigir-se na escola, seja o professor titular, os funcionários ou o psicólogo da escola, caso esta posição exista, e depois sim, falar com a própria direção do estabelecimento de ensino. Mas perceber primeiro junto da criança o que pretende fazer, para esta não sentir que a situação lhe está a fugir do controle.

Por outro lado, que sinais existem nos miúdos que podem ser indicadores de um comportamento agressivo para com os outros?
Nesse caso, é preciso prestar atenção a um nível reativo e comportamental. Uma criança que não aceite um não facilmente, que tenha sempre de escolher a brincadeira, mesmo as próprias atitudes e respostas que dá aos pais, podem ser indicadoras de que algo se está a passar, bem como a intolerância à frustração — essencialmente, é mesmo a nível do comportamento.

E, neste caso, qual deve ser o plano de ação dos pais?
Em primeiro lugar, não devem desvalorizar e colocar de parte a situação, é importante perceberem, por mais complicado que seja, que o seu filho pode estar a ter um comportamento agressivo. E atenção que uma criança até pode estar a ter esse tipo de comportamento sem que exista uma intenção de magoar o outro: muitas vezes, os miúdos são expostos a videojogos mais violentos, por exemplo, e acham que isso é um comportamento normal entre pares.

É preciso mostrar à criança o impacto que o seu comportamento está a ter nos outros e, de alguma forma, esta perceber que há consequências para as suas atitudes. Muitas vezes, os agentes educativos das crianças, quer sejam os pais ou os professores, castigam os miúdos com punições que nada tiveram que ver com as suas atitudes e, dessa forma, sem conseguir encontrar uma relação direta, a criança não entende o porquê de aquilo estar a acontecer, bem como o porquê de dever ter agido de outra forma.

O que tentamos, em conversa com os pais e professores, é que estes aprendam que devem deixar claro à criança o porquê de esta estar a ser chamada à atenção, e encontre junto dos adultos uma consequência que também ache justa para mudar o seu comportamento.

Existem situações em casa, como a criança assistir a muitas discussões dos pais, por exemplo, que podem influenciar o surgimento de um comportamento mais agressivo numa criança?
Pode ter influência, sim. Mas é importante ter em conta as próprias características individuais da criança. A tendência para um comportamento de bullying não é algo que vem só do meio ambiente, mas, como é óbvio, sim, assistir a discussões pode ter um peso.

Quais são as consequências, já na vida adulta, de passar a infância a ser vítima de bullying?
É óbvio que isso tem consequências, tanto na relação consigo mesmo, especificamente no conceito de autoestima, mas também na relação com o outro. Há adultos que, com acompanhamento, conseguem trabalhar em si próprios e ultrapassar o que se passou, mas existem sempre consequências na forma como nos vemos a nós próprios e como nos vamos relacionar, em todos os contextos, com os outros.

E uma criança que teve comportamentos de agressor, caso isso nunca tenha sido trabalhado, pode tornar-se uma pessoa mais violenta?
Sim, pode. Principalmente se estivermos a falar de uma pessoa que, em criança, não conseguia lidar com a frustração. Se tal não for devidamente trabalhado, é possível que a situação, com o tempo, ganhe outros contornos. Por isso é que este projeto das “Escolas de Empatia” é importante, e é necessário, desde tenra idade, começar a trabalhar as competências sociais e de empatia das crianças.

Já todos ouvimos que as crianças são cruéis. Concorda com esta afirmação?
Eu vejo um bocadinho as duas coisas: quando um miúdo repete um comportamento agressivo para com os outros, mesmo que já lhe tenha sido explicado que não é aceitável e entende isso, e ainda assim continua a fazê-lo, aí sim, existe uma intenção de magoar. Mas também há outras situações onde as crianças têm comportamentos considerados agressivos uma ou outra vez, mas depois de lhes ser explicado que não é correto, param com os mesmos. Não quero propriamente dizer que existem miúdos cruéis, mas há algumas crianças que repetem comportamentos já com intenção de magoar.

Há, então, crianças que querem mesmo magoar os outros?
Sim, há. Mas também temos que ver que não é da mesma forma que um adulto ou adolescente pretende magoar, é de uma forma muito mais simples. Mas sim, existem crianças que têm intenção de magoar o outro e, nesses casos, é importante intervir para que elas percebam que devem mudar o seu comportamento para bem do seu relacionamento com os outros.

“A brincar também se educa”. Um guia para envolver os pais e afastar as crianças dos ecrãs

Setembro 10, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Observador de 15 de agosto de 2019.

Ana Cristina Marques

90% das crianças entre 5 e 14 anos já têm telemóvel e preferem o smartphone aos jogos tradicionais. Os pais têm cada vez menos tempo. Mas os especialistas alertam: brincar sem ecrãs é fundamental.

Uma amostra de 1.200 crianças portuguesas, dos 5 aos 14 anos, concluiu que 90% tinha um telemóvel ou um Ipad próprio ou, então, partilhado com os irmãos. “São os dispositivos que os pais já não querem e que ficam para os filhos. Fiquei surpresa, os professores também não sabiam”, relata Ivone Patrão ao Observador, investigadora, psicóloga e terapeuta familiar do ISPA – Instituto Universitário. O estudo por ela coorientado teve por base alunos de escolas públicas e privadas e serviu para criar o jogo Missão 2050, lançado em junho último, que visa a promoção do uso saudável de tecnologia. “Enquanto investigadora foi uma surpresa”, insiste. “Tinha ideia que isto começava aos 10 anos, com a entrada para o 5.º ano. Mas não. E eles comunicam uns com os outros depois da escola, à noite.”

Enquanto se rendem aos ecrãs — assumam eles a forma de smartphones ou de tablets –, as crianças estão a tirar tempo aos estudos e à própria brincadeira. Ivone Patrão fala “na normalização de comportamentos”, isto é, de um comportamento online que substitui o ir brincar para a rua ou o jogar ao UNO, por exemplo. Não quer isto dizer que estas crianças sejam dependentes do uso do ecrã — isso é outra conversa — mas pode realmente existir um comportamento considerado excessivo.

Vários artigos que alertam para o facto de haver pais que usam os telemóveis e os tablets como babysitters: segundo o estudo “Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças”, do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing (CRC-W), da Universidade Católica Portuguesa, as crianças que mais usam aplicações têm até 2 anos e são os pais os primeiros a dar aos filhos o acesso a dispositivos eletrónicos, além de 90% das casas portuguesas ter ligação à internet, “smartphones, computadores portáteis ou tablets”.

O debate em torno dos ecrãs é tanto que o insólito já aconteceu: nos EUA há famílias que contratam coaches para as ajudar a educar crianças longe dos ecrãs, porque é difícil recordar um tempo em que tal não existia. Também nos Estados Unidos, como já antes explicou o Observador, são cada vez mais os pais que atrasam de propósito a idade a que os filhos recebem smartphones para as mãos, existindo até movimentos organizados nesse sentido — por exemplo o “Wait Until 8th” (Espera até ao 8º).

O papel dos pais nas brincadeiras dos filhos

Brincar é essencial para o desenvolvimento dos mais novos, seja a nível sócio-emocional, psicomotor ou cognitivo. O ato de brincar deve seguir três etapas evolutivas: as atividades que geram ação (quando um bebé atira um brinquedo ao chão está a ter uma primeira noção da lei da gravidade), as simbólicas (pegar numa vassoura e transformá-la num cavalo é um exercício de imaginação) e as que exigem regras (os jogos de computador e os de tabuleiro ajudam a perceber que a vida se rege por um conjunto de normas).

A brincadeira funciona como uma espécie de tubo de ensaio para a vida real. Permite explorar, conhecer, aprender e percecionar o mundo, perceber como este funciona. Brincar faz parte da vida de uma criança e é tão importante que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda três horas diárias de atividade física, leia-se jogos e brincadeiras, a partir do primeiro ano. O gesto tão naturalmente associado à infância parece estar, por estes dias, em vias de extinção. Tanto que há sensivelmente um ano a Sociedade Norte-americana de Pediatria recomendava que os pediatras receitassem mais tempo para brincar. A escassez está, muito provavelmente, associada ao atual estilo de vida marcado por agendas cheias e acesso facilitado aos ecrãs, o que veio alterar a forma como as crianças olham o mundo à sua volta.

Para Inês Afonso Marques, psicóloga infantil e autora do livro “A brincar também se educa” (editora Manuscrito), quando os pais dão tempo aos filhos para brincar estão a educá-los, a ajudá-los a fazer escolhas e a usar a criatividade, entre outras vantagens. Mas o uso que fazemos da tecnologia pode estar a impedir as crianças de brincar, diz. E os pais são o modelo dessa realidade. Ao Observador, a psicóloga explica que brincar implica envolvimento e atividade, enquanto a tecnologia é passiva. “As crianças gostam de se sujar, de sentir, de envolver os cinco sentidos naquilo que estão a fazer. Tudo aquilo que possa suscitar a descoberta, tudo isso estimula uma criança.”

Foi Sílvia e o marido que aproximaram a tecnologia do filho de três anos para garantir aos pais momentos de descanso e para ajudar a criança nas refeições. Ao Observador, esta mãe admite que o filho sempre comeu mal, pelo que recorria ao ecrã para o distrair. “Talvez isto tenha sido um pouco mau porque ele hoje não come bem. Antes fazia as refeições sem saber o que estava a comer, hoje não tem uma relação boa com a comida.” Atualmente, o filho vê alguma televisão em casa — sempre sintonizada em canais infantis — e Sílvia congratula-se pelo facto de ele não ter ficado muito adepto dos ecrãs. “Sinto-me aliviada porque ele não os procura, não ficou dependente. Entretém-se sozinho, encarna personagens com acessórios.”

A psicóloga e investigadora Ivone Patrão é perentória quando argumenta que as crianças não deveriam ter ecrãs nas horas das refeições e no tempo de brincar porque “têm de estar concentradas no que estão a fazer, seja comer ou brincar”. O ecrã, continua, deve ser encarado como um complemento à brincadeira, mas não o pode substituir. “O ecrã é muito assumido como algo que os vai tranquilizar, mas é preciso fazer um uso adaptado, caso a caso, dependendo das necessidades da família. Acho que os pais devem perguntar-se porque usam a tecnologia. Muitas vezes dá-se a ferramenta, mas não o manual de instruções.”

Segundo a Sociedade Norte-americana de Pediatria, até aos 2 anos o uso de smartphones e de tablets não é recomendável, sendo que a introdução deve ser feita de forma gradual e com a supervisão dos adultos. Inês Afonso Marques insiste nesta tónica: é importante controlar o que é transmitido à criança, bem como limitar ao máximo todo o tipo de monitores. “Há crianças [em consultório] que verbalizam ‘Preciso do telefone porque não tenho nada com que me entreter’. Isso revela uma dependência associada à incapacidade de a criança encontrar outros estímulos.”

“Não gosto de culpar a tecnologia… Na minha infância tive consolas. Muitas vezes, no consultório, pergunto aos miúdos as brincadeiras preferidas e a maior parte responde o telemóvel, o tablet, o computador e a consola. Por outro lado, sinto que eles têm sede de brincadeiras, têm vontade de usar os jogos que estão nas prateleiras do consultório, jogos banais, mas o mais imediato é a tecnologia muito por observação e pelo modelo que têm à sua volta”, continua Inês Afonso Marques, que ressalva que cabe aos adultos quebrar o ciclo e encontrar ou reencontrar outras formas de brincar. A isso acrescenta-se a “falsa questão” da falta de tempo, até porque a psicóloga ouve em consultório como as crianças se queixam de que os pais não têm tempo para brincar e como os pais argumentam que já não sabem brincar. “Não é necessário muito tempo, desde que este seja de qualidade”, diz, aconselhando os adultos a seguir os interesses da criança e a seguir o ritmo desta.

O uso pouco saudável das tecnologias pode, entre outras coisas, impactar a criança do ponto de vista motor, no sentido em que pode prejudicar a sua destreza. Também por isso a OMS alertou recentemente para a necessidade de as crianças com menos de cinco anos terem de passar menos tempo sentadas diante dos ecrãs para passarem, ao invés, mais tempo a brincar de maneira a crescerem de forma saudável. Entre as recomendações da Organização Mundial de Saúde está, por exemplo, o facto de os bebés com menos de um ano de idade terem de ser “fisicamente ativos várias vezes ao dia e de formas diversas” e não ficarem “contidos” mais de uma hora de cada vez em cadeiras ou carrinhos. “Tempo de ecrã não é recomendável”, acrescenta a OMS.

Sobre isso, Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), disse em 2015 ao Observador que o ecrã “alterou muito significativamente a vida das crianças e dos pais”. “Passou-se da trotinete ao tablet de uma forma rapidíssima e não há equilíbrio. E o que está em causa neste momento é que nem a atividade desportiva que as crianças fazem em clubes, nem a educação física escolar, nem o desporto escolar — que são muito importantes — são suficientes para acabar com o sedentarismo que existe.”

Aos 44 anos e com duas filhas, de 7 e 8 anos, Sofia não diaboliza a tecnologia, mas faz questão de impor regras que, espera, um dia, as miúdas levem consigo para a complicada fase da adolescência. O ecrã mais utilizado lá em casa é a televisão, sobretudo para ver desenhos animados e filmes familiares como a saga “Harry Potter”. “A regra, embora não seja sempre cumprida, é dois desenhos animados quando chegam da escola, o que dá no máximo uma hora de televisão”, conta ao Observador. Limitar o tempo de acesso à televisão deriva da preocupação de Sofia, que considera que os estímulos emitidos por este ecrã são muito rápidos para os cérebros das crianças. “Se passar o tempo, a mais nova, por ter alguns problemas, fica perturbada, começa a rodopiar em loop, sem parar, a mexer freneticamente as pernas, até o discurso dela fica mais confuso.”

Outra regra imposta por Sofia passa pelo uso de smartphones: o uso exclusivo dos telefones dos pais (elas não têm gadget próprio) serve para jogar jogos escolhidos a dedo e testados pela mãe, preferencialmente que estimulem o raciocínio matemático, embora também haja momentos para “maquilhar e vestir princesas”. As filhas só podem jogar duas a três vezes por semana, cinco jogos à vez. “Quanto mais cedo elas tiverem noção de que os ecrãs têm de ser usados com inteligência, melhor. Eu não uso o telemóvel à frente delas, caso contrário nada disto faria sentido. Faço questão de dar o exemplo.”

Também o pedopsiquiatra Pedro Strecht considera que as tecnologias — em particular as aplicações — podem interferir no desenvolvimento das crianças, sobretudo em relação a algumas áreas cognitivas e de relação social. “Se um menino de 8 anos brinca no tablet ou se um de 12 anos joga na playstation, diria que isso é normal e não vejo mal nisso — só aconselho os pais a darem os jogos apropriados à idade dos filhos; mas se ele só brincar com o tablet ou com a playstation… Há crianças que crescem quase só com experiências de relação e de estímulo centradas no ecrã. Há pessoas que acham que tenho uma visão muito crítica em relação às tecnologias… As tecnologias têm coisas ótimas que podem facilitar ganhos de tempo, simplesmente acho que, nos dias de hoje, elas próprias se tornam tão opressivas no chamado tempo tecnológico que também bloqueiam a nossa vivência, o nosso tempo biológico e emocional”, já antes disse ao Observador.

O que mais preocupa a psicóloga Ivone Patrão é precisamente o estado das relações sociais. A socialização, diz, deve ser mista, tanto presencial como online. “O que me preocupa é se for só online. Se as crianças começam assim já não vão ter relações”, afirma, referindo-se ao impacto nas respetivas competências sociais. “Elas deixam de estar treinadas para a resposta em direto.”

Afinal, o que dizem os estudos?

Indepentemente da idade, Ivone Patrão refere que o ecrã tem, de facto, afetado pela negativa o ato de brincar. “Vejo que isso os deixa sentados, inertes, parados do ponto de vista físico. E há outra questão: o ecrã dá-lhes um input… o output vai ter de sair. Quando deixam de estar ao ecrã podem ficar mais irrequietos. A energia natural da infância tem de sair de outra forma. Isso tem impacto ao nível do comportamento e do ponto de vista cerebral. A luz do ecrã, por exemplo, pode provocar alterações no sono”, assegura.

O problema não é necessariamente o ecrã, mas o uso que se faz deste. Porque também nos smartphones ou nos tablets há vantagens: como a facilidade de acesso à informação, a capacidade de aprender novas línguas ou o facto de ser uma ferramenta útil na sala de aula. Nem de propósito, segundo um estudo do ano passado, publicado no jornal semanal The Lancet Child & Adolescent Health, limitar o tempo que as crianças passam a olhar para um ecrã melhora a sua capacidade de aprendizagem — o ideal seria passarem menos de duas horas por dia nessa condição.

Em 2017, a Sociedade Norte-americana de Pediatria apresentava um estudo — feito entre 2011 e 2017 com 894 crianças entre os seis meses e os dois anos — que mostrava que as crianças menores de dois anos que usavam ecrãs táteis corriam o risco de começar a falar mais tarde. Sobre isso, Catherine L’Ecuyer, doutorada em Educação e Psicologia e autora do bestseller “Educar na Curiosidade”, já antes disse ao Observador que “o tipo de interação que o tablet promove não é como a interação humana, que requer um processo ativo. Diante do ecrã, a criança anda a reboque de estímulos frequentes e intermitentes. Transforma-se numa espécie de porta USB ou numa impressora.”

As recomendações já antes citadas pela Organização Mundial de Saúde, tendo em conta o uso do ecrã por parte das crianças, não foram bem aceites por todos, já que o The Guardian cita especialistas que argumentam que, na sua base, há falta de provas. Juana Willumsen, uma das autores das referidas recomendações, diz que não há como negar que os ecrãs fazem parte da vida moderna, ao mesmo tempo que argumenta que o grupo de trabalho em questão não encontrou vantagens em introduzi-las a crianças com menos de três anos. “Capacidades sociais e cognitivas são mais bem desenvolvidas com outra pessoa do que com um ecrã. Cuidadores que brincam interativamente são absolutamente vitais para o desenvolvimento das crianças, em particular nos primeiros anos.”

Competências Sociais que as Crianças precisam

Julho 1, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Xilobaldes. O projeto que usa a música para integrar adolescentes e desenvolver competências

Fevereiro 23, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Lifestyle de 24 de janeiro de 2019.

O foco do projeto são jovens entre os 18 e os 30 anos. Mas há jovens com 14 ou 15 e até 40 anos. Conheça este projeto.

O Xilobaldes, grupo formado por jovens inseridos num projeto que visa a sua integração profissional e onde a música é usada como ferramenta de desenvolvimento pessoal, apresenta-se ao vivo no domingo na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

O Xilobaldes é o “grupo performativo” do projeto Tum Tum Tum, do Centro Social de Soutelo, em Rio Tinto, no concelho de Gondomar, que tem como objetivo a integração profissional de jovens, “quer seja em emprego ou em formação”, e que “começou oficialmente em 2016 com o financiamento do programa PARTIS” [Práticas para a Inclusão Social, da Fundação Calouste Gulbenkian], explicou à Lusa uma das responsáveis pelo projeto, Susana Lage.

Entre 2016 e 2018 passaram pelo Tum Tum Tum cerca de 300 jovens, divididos em 23 grupos. Dos 300, “cerca de metade são jovens ainda em contexto escolar, não entram nas questões numéricas de empregabilidade”. Dos que sobram, cerca de 150, o projeto registou “30 integrações em emprego e 42 em formação profissional”.

O objetivo do projeto “é desenvolver competências pessoais e sociais” e a música surge como “uma ferramenta e um meio para trabalhar estas competências”.

As competências passam pela “concentração, trabalho em equipa, autonomia, responsabilidade, que quando trabalhadas, quando desenvolvidas, permitem a estes jovens estarem mais preparados para a integração profissional”.

Os grupos do Tum Tum Tum funcionam em horário laboral, à exceção do Xilobaldes, em horário pós-laboral.

Este grupo permite que os seus participantes, “além de trabalhar, continuem a manter algum contacto com o projeto”.

“São miúdos que já têm outro nível de responsabilidade, que se envolvem de outra forma, e também já têm um interesse pela música mais desenvolvido”, contou Susana Lage.

O espetáculo que vão apresentar na Gulbenkian, e já foi mostrado noutros locais, “é uma criação coletiva”.

Quer isto dizer que “toda a gente do grupo participa na criação das músicas e na encenação”.

O que é apresentado “pretende refletir um bocadinho o que são as experiências destes jovens no que é a procura de emprego, a integração profissional, as dificuldades com as quais eles se vão deparando neste processo”.

Em palco estarão 11 pessoas, a tocar “desde instrumentos formais – guitarra, baixo, bateria, teclado – até baldes, percussão com bidões e como baldes”.

Hélder Nogueira, coordenador do Tum Tum Tum, acrescenta que “a própria bateria é uma bateria adaptada, utilizando aqui um conjunto de reconstrução de objetos para a percussão”.

Os momentos de apresentação pública “fazem parte do projeto de intervenção, é a fase final”. “Anualmente temos dois momentos de apresentação, fixos e para todos os grupos. Nos três anos de projeto tivemos cerca de 50 apresentações públicas”, referiu.

Ao longo dos três anos, além de Gondomar, o Tum Tum Tum chegou também a Matosinhos e “as instituições foram reconhecendo este espaço como possível espaço de integração para muitos destes jovens”.

Com “uma rede de parceiros e integrado na rede social de Gondomar”, o Tum Tum Tum é um projeto “aberto à comunidade”.

Os jovens são para ali encaminhados por escolas ou instituições sociais. Além disso, a equipa do Rendimento Social de Inserção (RSI) do Centro Social de Soutelo “também vai identificando potenciais participantes que encaminha para o projeto”.

Ao longo do tempo, o Tum Tum Tum acabou também “por entrar no ciclo de possibilidade de respostas e de integração para jovens com deficiência”.

O foco do projeto são jovens entre os 18 e os 30 anos, mas Susana Lage explica que “há uma margem, tanto para baixo como para cima”. “Temos jovens a partir dos 14/15 e até aos 40 anos. Normalmente estes mais velhos têm algum problema mental ou de deficiência associado”, disse.

O concerto Xilobaldes decorre no âmbito da mostra “Isto é PARTIS”, com entrada gratuita, serão apresentados alguns dos 16 projetos de intervenção social pela arte, que foram apoiados pela Fundação na segunda edição (2016-2018) da iniciativa PARTIS.

Entre sexta-feira e domingo será mostrado “o resultado do trabalho desenvolvido junto de pessoas vulneráveis e em situações de exclusão”.

A programação completa pode ser consultada no ‘site’ da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

 

Bom aluno e/ou boa pessoa?

Fevereiro 19, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Carmo Machado de 16 de janeiro de 2019.

Aproveito as muitas obras literárias que somos obrigados a ministrar ao longo dos três anos do secundário para apostar tudo o que posso nas competências sociais e emocionais dos meus alunos. Quando quase tudo está perdido, que se salvem as almas…

Li aqui na VISÃO, com atenção redobrada, a entrevista da jornalista Teresa Campos a Andreas Schleicher, diretor do Departamento de Educação e Competências em Educação da OCDE e fundador do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Para quem só agora ouviu falar deste senhor, Andreas Schleicher – eminente pesquisador em Educação – anda pelo mundo a visitar escolas e a conhecer os diversos modelos educativos existentes. Já foi premiado várias vezes, tendo recebido o prémio Theodor Heuss, concedido na Alemanha pelo seu “compromisso exemplar” para com a democracia. Mas de onde vem o interesse deste nome e a pertinência (ou não) desta crónica, afinal?

Participei há vários anos, enquanto mestranda no Instituto de Educação da Universidade Católica, num trabalho de pesquisa para o programa Pisa em colaboração com o Instituto Superior Técnico. O nosso estudo incidia sobre as competências dos alunos em Matemática à entrada no Ensino Superior; o objetivo do nosso grupo de trabalho era compreender e tentar explicar os fracos resultados dos alunos nesta disciplina ao longo do ensino secundário, enquanto outros grupos analisavam os mesmos resultados em outros ciclos de ensino. Portanto, lendo com atenção tudo ao que ao PISA diz respeito, eis que aquando dos últimos resultados apresentados, o dito senhor classificou Portugal como o maior êxito educativo da Europa. Pode ser que ele e o estudo tenham razão. Eu tenho dúvidas.

O meu ceticismo não provem, acreditem, de qualquer tipo de visão catastrófica sobre o ensino público em Portugal. Se assim fosse, mea culpa, uma vez que a ele tenho dedicado a vida ao longo das últimas três décadas sem intervalos e em exclusividade. Pelo contrário, esta minha abordagem realista deve-se ao facto de viver na escola todos os dias e verificar que se, por um lado, os nossos alunos estão cada vez mais desligados de saberes não significativos, por outro lado não interiorizam como deviam os conteúdos que sendo por essência significativos, os deveriam motivar, levando-os a pesquisar sobre eles, a aprofundá-la, a integrá-los na sua bagagem cultural e científica. Contudo, tal não se verifica de forma consistente. Pelo contrário, somos confrontados diariamente com abordagens superficiais dos conteúdos, muitas vezes copiadas da internet, mostrando pouca ou nenhuma reflexão e/ou espírito critico por parte dos alunos. Muitas vezes chego a questionar-me sobre qual a nossa quota parte de culpa, professores, nesta atitude dos alunos. Será que o facto de estarmos a ficar velhos e desgastados por uma carreira feita de desilusões foi apagando a chama que nos iluminava por dentro? Admito que possamos ter, enquanto professores, aqui alguma responsabilidade. Contudo, sejamos factuais: há muito que a escola se revela incapaz de competir com as imensas e permanentes solicitações do mundo em que os nossos jovens habitam, impossíveis de enumerar. Creio ser este um dos principais fatores, entre muitos outros, que contribui em grande parte para esta situação. Ao mesmo tempo, para muitos não será essa a função da escola… Ou será?

Perante o aluno que olha com enfado para os conteúdos da aula de Português ou de Matemática, o que fazer? Na maior parte dos casos que eu conheço, o argumento do exame ou do prosseguimento de estudos já não os convence. O desinteresse está há muito instalado e não há volta a dar. Assim, dou por mim diariamente a procurar estratégias alternativas para transmitir motivação e procurar que os alunos encontrem significado nos conteúdos de lecionação obrigatória. Para tal, aproveito as muitas obras literárias que somos obrigados a ministrar ao longo dos três anos do secundário para apostar tudo o que posso nas competências sociais e emocionais dos meus alunos. Quando quase tudo está perdido, que se salvem as almas… Foi assim que no primeiro dia de aulas deste segundo período, furiosa que estava com os fracos resultados do primeiro, dei por mim a gritar-lhes: não pode ser, devem estudar ao longo do período e não apenas na véspera dos testes, a vida não é só feita de brincadeira, festas, torneios de volley e saídas de grupo, comemorações de tudo e mais alguma coisa, vão ter exame nacional, e isto e aquilo e aqueloutro… Foi então que um dos meus alunos mais fiéis me olhou de frente e, com o seu discurso sempre apaziguador, disse: Não se zangue, stora. Podemos não ser os melhores alunos mas somos sem dúvida melhores pessoas. Não era isso que queria?

Talvez seja este o caminho, senhor Andreas Schleicher. Mas não tenho toda a certeza… Sei apenas que, de todos os alunos que conheço e com quem lido diariamente, apenas cerca de 10% é resiliente no estudo e consegue boas médias. Mas confesso que também já não sei se é isso que verdadeiramente interessa. Aos meus alunos, sei que não… Poucos apresentam ideias definidas do que pretendem fazer quando terminarem o 12º ano, conscientes que estão de que com tão baixas médias a universidade pública lhes estará vedada e a privada, pelas vidas que transportam às costas, impossível de alcançar.

Porém, quando saírem os resultados em 2020 do novo estudo PISA sobre competências sociais e emocionais, talvez sejamos mesmo os melhores da Europa. E talvez as universidades comecem a selecionar os alunos também por este tipo de competências. Aí, sim, estaríamos perante uma das muitas mudanças de paradigma que a escola, as universidades e o mundo precisam.

 

 

O seu filho tem competências para o século XXI?

Setembro 1, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Sandra Nobre publicado no Público de 19 de agosto de 2018.

A criança que aprende a organizar a sua brincadeira, tem oportunidade de desenvolver as suas competências num contexto lúdico e terá maior probabilidade de se conseguir organizar e de responder com sucesso às situações reais com que se deparar na vida.

Segundo diferentes estudos, as mudanças socioeconómicas e tecnológicas, que já começaram a acontecer, irão ter um grande impacto no mercado de trabalho, onde algumas profissões correm o risco de desaparecer e novas profissões vão surgir. Neste momento, existe uma grande competitividade no mundo laboral, sendo as competências sociais um elemento diferenciador fulcral.

As competências identificadas como as mais importantes em qualquer profissional no futuro são: criatividade; inteligência emocional; pensamento crítico; capacidade de resolução de problemas, flexibilidade e adaptabilidade; capacidade de negociação; capacidade de tomada de decisão e julgamento; gestão de pessoas e trabalho em equipa. Partindo desta lista se conclui que os fatores imprescindíveis para a empregabilidade serão as competências sociais e humanas, ou seja, as capacidades impossíveis de ser reproduzidas por máquinas.

Neste contexto, vale a pena refletir sobre como estamos a preparar as nossas crianças para o futuro e de que forma podemos contribuir para a superação das exigências que as esperam.

Sabemos que a criança é influenciada por diversos fatores ao longo do seu desenvolvimento: desde os genes que herdou dos seus pais, ao ambiente físico, social e cultural em que cresce até às diferentes experiências que a vida lhe proporciona.

O ambiente em que a criança vive tem um papel muito importante, pois proporciona um meio rico e diversificado de experiências, para que a criança aprenda e se desenvolva de uma forma harmoniosa. Desenvolvendo assim, as suas potencialidades/capacidades necessárias para os desafios do futuro.

A criança nasce com um conjunto de ferramentas e as experiências sensoriais, motoras, cognitivas e de interação proporcionadas às crianças desde o nascimento, em contexto familiar, escolar e na comunidade alargada, são fundamentais. Estes são os alicerces para a construção da sua identidade e do seu equilíbrio emocional, contribuindo para a sua afirmação pessoal e social.

É no brincar estimulante, partilhado com os outros e organizado que a criança se torna mais autoconfiante, criativa, com capacidade de resolução de problemas, motivada, alegre e sente prazer no que está a fazer.

Incentivar, através das relações com os outros e das brincadeiras diversificadas, o espírito explorador e curioso (o que fazer com isto? quantas coisas posso fazer com isto?), promove as competências necessárias para lidar com os desafios do dia-a-dia.

Até aos 10/12 anos, é essencial brincar para desenvolver a capacidade adaptativa. A criança que aprende a organizar a sua brincadeira, tem oportunidade de desenvolver as suas competências num contexto lúdico e terá maior probabilidade de se conseguir organizar e de responder com sucesso às situações reais com que se deparar na vida.

Será que é isso que estamos a fazer, ou estamos a dar tudo pronto, tudo feito, e a não deixar as crianças confrontarem-se com problemas para resolver, seja com o meio que as rodeia, seja com os outros?

Por seu lado, os pais já estão a lidar com um mundo laboral em mudança, que lhes ocupa grande parte tempo e é cada vez mais exigente. Quando o tempo é escasso, focam-se em fazer da forma mais eficiente, em vez de dar à criança espaço para fazer sozinha correndo o risco de errar, de atrasar a saída para o trabalho ou sujar a roupa acabada de lavar.

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Há que desligar o botão da eficiência e dar mais tempo ao tempo. Tempo para estar e aproveitar a vivência em conjunto, momentos em família que proporcionarão à criança a segurança, confiança, autoestima e estabilidade emocional, competências que a tornam única e que nenhuma máquina ou equipamento replicará e executará.

A autora segue o novo acordo ortográfico.

Terapeuta Ocupacional do CADIn – Neurodesenvolvimento e Inclusão

 

Livro infantil “Mãe tudo/Mai Todo” Filosofia para crianças

Julho 2, 2018 às 2:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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APEFP PUBLICA LIVRO DE ZÉLIA GONÇALVES

Um livro, NOVO, que desenvolve e promove competências sociais e emocionais da crianças, assim como a Adaptabilidade, Autorregulação, Comunicação, Pensamento Criativo, Resiliência e/ou Resolução de Problemas.
É um projeto no domínio da Educação e de Filosofia para crianças, editado pela Associação de Filosofia.

O livro partiu da doçura da figura da mãe em que há um tudo que se completa através da imagem e da frase.

A garantia do relevo e o cheiro a chocolate despertam os sentidos, tal como a com a Língua Gestual Portuguesa e uma música “Simbiose” que transcende o espaço, o tempo e viaja onde se quiser na mente de quem a ouve.

O livro tem como percebe um CD, uma folha com cheiro a chocolate, algum relevo, em forma de sinopse um relembrar como acabar com o comportamento em 5 tempos e Planos de sessões para Crianças e Jovens, para servir ao professor de guia.

O livro pode ser adquirido na http://www.apefp.org/ ou através da autora zelia.mmg@gmail.com

Calmas a los niños con un celular o Tablet? Entérate del daño que les estás haciendo

Fevereiro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://centralinformativa.tv/

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Use of Mobile Technology to Calm Upset ChildrenAssociations With Social-Emotional Development

Por Antonio Sánchez Melo

Quienes tienen la fortuna de ser padres, seguramente saben lo complicado y también desesperante que puede llegar a ser el tener que calmar a un niño cuando éste se encuentra enojado, llorando o haciendo berrinche. La mayoría no está seguro de lo que en realidad desean o simplemente no se toman el tiempo de averiguarlo y lo que más fácil se les hace es darles algo para que se entretengan y dejen ese comportamiento desquiciante.

Una golosina e incluso un juguete parecen ser buenas opciones, sin embargo, ¿qué pasa con aquellos padres que optan por prestarles el celular o la Tablet? Para aquellos padres que piensan que el darles un aparato electrónico es la solución, les tengo una simple sugerencia: ¡dejen de hacerlo inmediatamente!

Un grupo de investigadores han hecho un estudio sobre esta acción y han determinado que sin darse cuenta los padres están afectando gravemente el desarrollo de personalidad de sus hijos.

Ser padres nunca será fácil pero sería bueno practicar más la paternidad y estrechar lazos con ellos, no alejarlos con esas acciones que a la larga con su práctica podría causar un daño irreversible en ellos.

Desafortunadamente, cada vez son más los padres que recurren a esta ¨solución¨ cuando ya no saben qué hacer con la actitud de sus hijos. Fácilmente se rinden y no optan por la opción de tratar de tranquilizarlos, hablar con ellos o consolarlos, simplemente se inclinan por la ¨salida fácil¨. Sin embargo ignoran que este acto de rendición sólo traerá consecuencias que no están visualizando hoy.

JAMA Pediatrics reveló un estudio en donde se centraban en este tema, relata que lo más habitual para los papás es relajar/calmar a los pequeños usando el televisor, un celular, computadoras o tablets y todo se deduce a que en realidad tienen muy poco control sobre ellos y no saben de qué manera lidiar con el temperamento energético de éstos.

La doctora de la Universidad de Boston y autora de dicho estudio Jenny Radesky, reveló haber advertido muchas veces a los padres que esta acción está mal, porque además de truncar el desarrollo de la personalidad, también están afectando el desarrollo del lenguaje, ya que el niño pasa más tiempo jugando con aparatos que interactuando con personas.

Hay personas que contrastan esta versión diciendo que el uso de smartphones y tablets ayuda a los niños a hablar y mejorar su vocabulario, sin embargo, Radesky contratacó argumentando lo siguiente: ¨si estos dispositivos se convierten en un método habitual para calmar y distraer a los niños, ¿ellos serán capaces de desarrollar sus propios mecanismos de autorregulación?¨ definitivamente el querer ¨distraer¨ a los niños que se aburren o lloran con un aparato, les impide poder generar su propia forma personal de entretenimiento.

No obstante y pese a contradicciones, la doctora Radesky señaló que el abuso de estos dispositivos durante la infancia, podrían interferir con su desarrollo de la empatía, sus habilidades sociales y de resolver los problemas, que generalmente se obtienen de la exploración, los juegos no estructurados y la interacción con amigos.

Así podemos determinar que el dar un aparato electrónico a nuestros hijos para tranquilizarlos, definitivamente no es la mejor opción, el que se tranquilicen depende de ti y de sus capacidades. La mejor opción es tratar de calmarlos a través de las palabras, escucharlos y atenderlos, ya que estos a su vez mejorarán sus ansiedades y aprenderán a controlarse poco a poco. Tal vez tomará tiempo, pero ningún camino es fácil cuando realmente vale la pena.

Y tú, cómo calmas a tus hijos?

 

Potencie as competências sociais das crianças

Outubro 14, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 18 de agosto de 2016.

As crianças precisam de brincar, de estar com os outros e de aprender a lidar com situações de conflito e imprevistos. Veja na galeria de imagens o que pode fazer para potenciar as competências sociais do seu filho. (Ilustração Filipa Viana/Who) Leia mais: Potencie as competências sociais das crianças

As crianças precisam de brincar, de estar com os outros e de aprender a lidar com situações de conflito e imprevistos. (Ilustração Filipa Viana/Who)

Por: Leonor Ribeiro, Luís Ferraz e Magda Alves*

É essencial que as crianças desenvolvam competências sociais. Saiba como ajudá-las.

As competências sociais são fundamentais para o desenvolvimento e para o bem-estar da criança, do adolescente e do adulto, contribuindo para a autoestima, a confiança e a capacidade de comunicação. Estão muitas vezes correlacionadas com o sucesso, seja ele académico ou profissional.

A nossa habilidade social é o que nos permite a criação de amizades e o desejo de mantê-las. É importante, por isso, poder conhecer e estar com o outro, através da experiência, da partilha, da brincadeira. A educação, a assimilação de regras, assim como a noção de respeito e adequação ao contexto também partem daqui. Na relação com os outros temos a oportunidade de experimentar e desenvolver as nossas competências sociais, seja em situações de cooperação e intimidade seja de competição.

Família

A família é o primeiro agente socializador da criança, atuando através dos seus próprios exemplos, da transmissão de valores, regras e formas de estar com o próximo. Desde cedo, a interação do bebé com os seus pais promove a aprendizagem da regulação emocional. Com o progressivo afastamento destes como únicas pessoas de referência, o contacto com terceiros permite explorar outras relações e oportunidade de aprender pela imitação, pelo jogo e por interações formais ou informais a lidar com situações do dia-a-dia.

Amigos

Os pares permitem o acesso a novas experiências, ajudam a definir valores morais, assim como a dialogar, a expressar afetos, a competir e também a lidar com diferentes pontos de vista. Esta partilha alimenta a noção de reciprocidade, o que permite à criança ou jovem descentrar-se de si própria e aprender a ser mais flexível e tolerante.

Escola

A escola assume um papel central, pois é caraterizada pela aprendizagem de regras em contexto de grupo, o que oferece à criança possibilidades de afirmação e adequação de condutas. Permite também o contacto com professores e outros adultos «com maior poder e conhecimento», a quem se deve respeito, alimenta relações assimétricas, oferecendo, ao mesmo tempo, proteção e segurança, importantes enquanto ainda não está adquirida a autonomia. A criança ou jovem precisa de brincar, de estar com os outros, de ir para a rua, de aprender a lidar com o imprevisto e de se confrontar com vontades que não são as suas. O isolamento leva à falta de aptidão nesta área, pois se não se observa não se aprende nem se pratica. A sua regulação emocional também parte das experiências sociais. Não é de esperar que o acesso, hoje tão fácil, ao mundo virtual contribua para ajudar a resolver dificuldades nesta área. Jovens com timidez excessiva ou fraca tolerância à frustração, por exemplo, poderão sentir-se menos motivados para estar com os outros se tiverem a todo o momento a facilidade de se entreterem sozinhos, acabando por não ter experiências que os ajudem a superar estas dificuldades. Na verdade, os ecrãs podem adiar aquilo que todos temos de aprender para funcionar bem no mundo real. É perante o aparecimento de caraterísticas de isolamento, frustração, zanga, intolerância ou timidez acentuada que pais e professores devem estar atentos ao comportamento da criança ou do jovem, procurando se necessário um acompanhamento especializado, na tentativa de compreender o porquê dessa sua inaptidão e do insucesso na relação com os outros.

*Parceria NM/CADIn – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil. Leonor Ribeiro é técnica superior de educação especial e reabilitação e Luís ferraz e Magda Alves são psicólogos clínicos do CADIn.

 

 

Promover competências chave para a preparação para o 1º ciclo

Dezembro 10, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt  de 25 de novembro de 2015.

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A entrada para a escola é uma realidade obrigatória para todas as crianças a partir dos 6 anos de idade, porém, o mesmo não acontece com algumas crianças em idade pré-escolar, que por opção dos pais, por falta de vagas na escola pública e/ou por impossibilidade financeira de recorrerem ao ensino privado, optam ou são obrigados a encontrar alternativas para os seus filhos.

A não frequência da escola em idade pré-escolar, não é, no entanto, sinónimo de não educação ou de não preparação da criança para a entrada no ensino formal.

Sabemos que o cérebro da criança nos primeiros 5 anos de vida está particularmente activo, atingindo 90% do tamanho adulto. Como tal, em casa ou na escola, é fundamental estimular o desenvolvimento global da criança, através da promoção de competências sociais, emocionais e intelectuais, consideradas chave para a vida adulta e para a entrada no ensino formal. É por isso, importante, envolver a criança em actividades que estimulem estas competências chave.

Se para a maior parte dos profissionais da área da educação, estes são fundamentos inerentes à sua prática profissional diária, para os pais, avós ou outros adultos que ficam responsáveis a tempo inteiro pela criança, nem sempre é assim tão simples.

Por este motivo, aqui ficam algumas dicas, que o vão ajudar a promover na criança, as competências necessárias à sua entrada no ensino formal:

Competências Intelectuais

⁃ Ler histórias

⁃ Cantar e ensinar cantigas, rimas e/ou lenga-lengas

⁃ Ensinar uma letra – mostrar à criança palavras e objectos começados por uma letra, de preferência palavras com significado para a criança – (exemplo: Letra A – Água, Árvore)

⁃ Ensinar a criança a contar – (exemplo: contar os brinquedos, ou os carros que passam na rua)

⁃ Ensinar as cores – (exemplo: “Vamos procurar a cor verde!”);

⁃ Brincar às construções

⁃ Brincar ao faz de conta – (exemplo: fingir que somos cozinheiros e vamos preparar o almoço; fingir que somos animais, etc.)

Competências sociais

⁃ Levar a criança ao parque infantil

⁃ Levar a criança ao café, ao supermercado, etc.

⁃ Participar em workshops ou espetáculos para crianças

⁃ Proporcionar o convívio e a interacção com outras crianças e adultos

Competências artísticas

⁃ Desenhar, pintar com diferentes objectos (pincéis, esponjas, escovas de dentes, etc.), fazer colagens, brincar com plasticina.

Competências musicais

– Dar um concerto com a criança e explorar diferentes sons e ritmos – usar tachos, colheres, embalagens, etc.

⁃ Ouvir e dançar diferentes tipos de música.

Competências Físicas

⁃ Correr

⁃ Andar de baloiço e escorrega

⁃ Saltar

⁃ Dançar

⁃ Nadar

A par destas actividades, os adultos devem estimular regras e rotinas. Estas vão fazer parte do dia a dia da criança quando entrar para a escola, por isso, porque não começar aos poucos a introduzi-las na sua vida?

Estas são apenas algumas sugestões, de actividades simples e acessíveis a todos, que promovem a aprendizagem e que preparam a criança para a entrada na escola e para a vida adulta.

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