Afinal, não há “orfanatos” cheios de crianças para adotar em Portugal

Julho 31, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Observador de 19 de julho de 2018.

É um dos mitos que o livro “Adotar em Portugal — um guia para futuros pais” procura desmontar: afinal, o número de crianças para adoção é muito inferior ao número de candidatos a pais.

O livro nasce de uma experiência pessoal: Ana Kotowicz, jornalista do Observador, é mãe de duas crianças, adotadas no ano passado. Em “Adotar em Portugal — um guia para futuros pais”, a autora procura traçar um caminho pelas várias fases do processo, entre regras, burocracias, dúvidas e, às vezes, mitos. Como o mito dos orfanatos cheios de crianças à espera de serem adotadas, desmontado no capítulo “As crianças institucionalizadas”. É um excerto dessa parte que aqui publicamos. O livro já está à venda e é apresentado esta quinta-feira, em Lisboa.

“No nosso imaginário coletivo, as crianças à espera de serem adotadas são órfãs. Foi isso que vimos durante muitos anos em filmes e livros, seja em ‘Annie’ ou ‘Oliver Twist’. E isto não podia hoje estar mais longe da verdade.

Esqueça a ideia de orfanato. Para começar, a esmagadora maioria das crianças que se encontram em instituições têm pais biológicos vivos mas, por um motivo ou por outro, foram retiradas à sua família pelo Estado. Quem são estas crianças que estão longe das suas famílias e entregues à guarda do Estado?

Todos os anos, desde 2004, o Instituto da Segurança Social publica o relatório CASA – Caraterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens, com a caraterização destes menores. Em 2016, último ano de que se conhecem dados, havia pouco mais de oito mil crianças institucionalizadas (99 eram órfãs). Nota importante: estar institucionalizado não é sinónimo de estar à espera de ser adotado. Pelo contrário, deste total só 830 crianças esperavam por uma nova família. E quem são essas oito mil crianças?

“São sobretudo crianças a partir dos 12 e até aos 18 anos, com maior incidência dos 13 aos 15. É o que predomina no sistema. Ou seja, mais de metade delas estão fora do jogo, estão fora das condições legais para serem adotadas (menores de 15). Algumas estão na fronteira, com 12/14 anos, mas sabemos que é muito difícil serem adotadas. E este é o nosso sistema nacional de acolhimento. É o grosso da coluna”, explica-nos uma fonte que pede o anonimato e que há dezenas de anos trabalha no mundo da adoção. “O que se passa com as restantes? Temos uma predominância de crianças cujo projeto de vida é o regresso à família.”

Portanto, a maioria das crianças institucionalizadas são maiores de 12 anos, idade que poucos candidatos a adotantes procuram, e entre as mais pequenas o projeto de vida de grande parte delas passa por reencaminhá-las para a sua família de origem, seja a nuclear ou a alargada.

Se há um regresso, quer dizer que houve uma saída. Vamos então perceber o caminho que uma criança faz desde que é retirada aos pais biológicos.

Normalmente, a criança que chega a uma instituição para ser acolhida já estava sinalizada como menor em risco e teve outras medidas de proteção antes de ali chegar. Há motivos para suspeitar de negligência e risco de vida para a criança e a Segurança Social acompanha a situação de perto. Se, em algum momento, os alarmes soam e a criança é retirada aos pais, ela não é simplesmente colocada numa lista de menores em situação de adotabilidade.

A primeira prioridade do Estado é manter a criança junto da família biológica. Se os pais não estão capazes de cuidar dela, procura-se uma alternativa na família alargada: avós ou tios que possam fazê-lo, enquanto se ajuda os pais a ter condições para receberem os seus filhos de volta.

Se não existe esse familiar, então os menores ficam temporariamente à guarda do Estado, mas sempre na perspetiva de voltarem a ser integrados na família biológica. “A instituição é o fim da linha, a lei assim o determina e a prática também. Há um conjunto de outras medidas que não passam pela institucionalização: apoio junto de pais, familiares, pessoas idóneas. Estas medidas em meio natural de vida predominam no nosso sistema.”

No Reino Unido, por exemplo, é o contrário. Enquanto que em Portugal 85 a 90% das medidas são em meio natural de vida – e apenas o resto em acolhimento –, no sistema britânico vê-se o oposto e a esmagadora maioria das medidas aplicadas passam pela institucionalização das crianças. “Em Portugal leva-se muito a sério a preservação familiar e a responsabilidade parental, dois princípios da lei de proteção de menores.”

Diz-nos o CASA que em 2016, 4276 crianças tiveram alguma medida aplicada em meio natural de vida antes do primeiro acolhimento. Por isso, explica-nos a mesma fonte, isto faz com que as crianças cheguem mais tardiamente ao sistema de acolhimento – porque se tenta a manutenção na família. E tenta-se demais? “Tenta-se o suficiente que cada situação exige tendo sempre em conta o princípio que nos norteia, que é o superior interesse da criança. É o princípio mais elementar de todos, e o superior interesse da criança não deve permitir que o interesse do adulto se sobreponha.”

E apesar de admitir que poderá haver algumas situações em que se poderia ter desbloqueado a criança para adoção mais cedo, também diz que há situações que surpreendem pela positiva: recuperação de laços, um familiar afastado que aparece e que não sabia que a criança estava a viver aquela situação. E integrar a criança na família alargada é sempre preferível a encaminhá-la para a adoção. “O regresso à família é sempre o primeiro objetivo. A criança tem direito à família, seja biológica ou adotiva, mas a sua é a que vem em primeiro lugar.” E é só nesse momento, quando todas as hipóteses de regresso à família biológica estão esgotadas, que se avança para uma das restantes duas hipóteses: preparar o jovem para seguir um caminho independente (depois da maioridade) ou encaminhá-lo para a adoção se for menor de 15 anos. Se for esse o caso, o processo vai agora ser decidido nos tribunais.

É feita nova investigação para que o juiz possa decidir que encaminhar o menor para a adoção é no seu melhor interesse. Se isso acontecer, a guarda é retirada aos pais – que também são ouvidos durante o processo de instrução, bem como membros da família alargada – de forma definitiva e a criança ficará a aguardar por uma nova família. A partir deste momento, a família biológica perde quaisquer direitos sobre o menor e todas as ligações são cortadas de forma irreversível. Em alguns casos, poderá manter-se o vínculo com irmãos.

Mesmo que a criança permaneça numa instituição, a família biológica perde o direito de visitá-la. E estes menores, os que não esperam o regresso à família ou que não vão ser autonomizados, fazem parte “do quadradinho dos 10%”, as cerca de 800 crianças que todos os anos esperam ser integradas numa nova família.
Uma assistente social, que prefere o anonimato como acontece com a maioria das técnicas que entrevistei para este livro, contou-me uma dessas histórias dramáticas. No dia em que o tribunal decretou a medida de adotabilidade para um menor que estava à guarda da instituição onde ela trabalhava, era também o dia de anos da criança. Quando chegou a comunicação, a família biológica estava já dentro da instituição com um bolo de aniversário para fazer a festa.

Dizem as regras que a partir daquele momento o contacto entre menor e a família cessa de imediato. Mas o que aconteceu é que ninguém da equipa da instituição conseguiu enviar aqueles pais para trás. Fecharam os olhos, comemorou-se o aniversário e foi o último contacto que a criança teve com aquela família.

Voltando aos números, das 8175 crianças institucionalizadas em Portugal (69% tem mais de 12 anos de idade), mais de metade são rapazes e 47% são raparigas. A fase correspondente à infância e pré-adolescência (0 aos 11 anos) apresenta um peso de 30,5%, (2499), segundo os dados do CASA.

O relatório analisa ainda as caraterísticas especiais de cada uma destas crianças, como problemas de comportamento, toxicodependência, problemas de saúde mental, debilidade mental, deficiência mental e deficiência física. Os problemas comportamentais são os mais manifestados e foram identificados em mais de duas mil crianças (2227) que se encontravam, na sua maioria, no fim da puberdade/adolescência. Mas, como o relatório ressalva, as causas que originam estas dificuldades emocionais, apesar de geradas muito cedo na vida, normalmente só se manifestam mais tarde e de forma evidente a partir dos 12 anos.

Quer isto dizer que muitas das crianças que não têm problemas de comportamento poderão vir a manifestá-los mais tarde. Destaque ainda para o número de menores acompanhados em pedopsiquiatria ou psicoterapia e que beneficiam de acompanhamento de saúde mental regular: 3892 situações. Há ainda 1609 crianças a quem foi prescrita medicação, o que corresponde a 20% das crianças em situação de acolhimento.

Estas situações são muitas vezes despoletadas pelos contextos familiares em que os menores viviam antes da institucionalização e que deixam marcas profundas. As situações de perigo, ou seja, os motivos que levaram à abertura de processos de proteção e ao acolhimento das crianças também estão analisados no CASA. E porque uma criança pode estar sujeita a mais do que um perigo, foram detetadas 18 895 situações de risco para as 8175 crianças.

A negligência sobressai nesta análise, representando 72% das situações de perigo. Com um número bastante menor, seguem-se as situações de maus-tratos psicológicos (8,5%), os maus-tratos físicos (3,4%) e os abusos sexuais (2,8%). Importante referir que há várias formas de negligência e aquela fatia dos 72% está partida em fatiazinhas mais pequenas: falta de supervisão e acompanhamento familiar, ou seja, a criança foi deixada só, entregue a si própria ou com irmãos menores, por largos períodos de tempo (59%); exposição a modelos parentais desviantes (32%) em que o adulto potencia na criança padrões de condutas desviantes ou antissociais; e a negligência quer dos cuidados de educação (31,6%) quer dos cuidados de saúde (29,1%).

Os maus-tratos psicológicos também têm subcategorias: violência doméstica, exercício abusivo da autoridade, ignorar de forma passiva, provação social, corrupção, depreciação ou humilhação, ameaça, rejeição ativa.
Há ainda uma outra categoria, mais vaga, os outros perigos (13%), onde encontramos 832 crianças com comportamentos desviantes, algo que o CASA considera ser uma subcategoria “já que é sabido que na génese dos comportamentos desviantes apresentados pelas crianças encontram-se os demais fatores de perigo”, como a negligência ou os maus-tratos. Estas crianças, uma vez integradas numa nova família, precisam de quem seja capaz de perceber a raiz dos seus problemas e ajudar os menores a entender, transformar e alterar esses comportamentos.”

 

 

Crianças e Famílias num Portugal em Mudança – livro de Mário Cordeiro

Julho 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Neste livro traça-se um perfil da situação de saúde e de bem-estar da criança em Portugal, focando especialmente o grupo etário dos 0-9 anos. Com base em diversos indicadores existentes, e na sua evolução, avaliam-se as necessidades de saúde e de bem-estar, bem como as causas de mortalidade, doença e o sucesso das estratégias preventivas, depois de definida a população infantil em termos demográficos e sociais.

Mais informações sobre o livro no link:

https://www.ffms.pt/publicacoes/detalhe/1081/criancas-e-familias-num-portugal-em-mudanca

 

Lançamento do livro “Adotar em Portugal, um guia para futuros pais” 19 julho em Lisboa

Julho 18, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/2188258887856335/

“Os jovens não têm noção de mortalidade. Ninguém pensa que vai morrer aos 13 ou 14 anos”

Julho 11, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Consumir drogas e perder a virgindade aos 12 anos é uma realidade em Portugal. Quem é o afirma é Francisco Salgueiro, que traça um retrato da adolescência em pleno século XXI. O escritor, autor de vários livros dedicados ao tema, lançou em junho “Sexo, Drogas e Selfies”, e revelou ao Expresso uma realidade que leva muitos jovens a arriscarem a vida para serem populares no grupo de amigos.

Francisco Salgueiro é autor de vários livros sobre um dos períodos mais complexos e exigentes na vida de pais e filhos: a adolescência. Em 2010 publicou o primeiro livro dedicado ao tema “O Fim da Inocência – Diário Secreto de Uma Adolescente Portuguesa” e três anos mais tarde repetia a dose com o 2.º volume – “O Fim da Inocência – Diário Secreto de Um Adolescente Português”. Este mês lançou “SDS – Sexo, Drogas e Selfies”. Uma visão crua sobre uma realidade que muitos pais continuam a ignorar.

O que é que o levou a escrever um terceiro livro sobre os adolescentes portugueses?
Os pais ainda não acreditam que esta é uma realidade e que acontece aos seus filhos. Continuo a ter muitos pais que me dizem: “também na nossa altura uns fumavam erva, outros cheiravam cocaína e apanhávamos bebedeiras de coma alcoólico”. Não percebem que há muito mais a acontecer. As crianças estão a começar cada vez mais cedo nas drogas, álcool e sexo. Há um mundo diferente que os pais têm de perceber. Os mais novos, de 12 anos, tentam imitar os mais velhos, de 14 e 15 anos.

Este livro é um alerta para os pais?
Sim. Quis passar a mensagem de que na realidade destes jovens não há afetos genuínos, há pessoas descartáveis, pessoas utilizadas pelos seus corpos, relacionamentos de amizade que não o são. Estes miúdos não estão atentos ao que se passa à volta deles e gostam em massa dos mesmos temas sem sequer os discutirem.

Como é que surgiu a necessidade de partilhar estas mensagens?
Sou uma esponja de inspiração, tudo aquilo que posso absorver à minha volta vou absorvendo e há uma altura em que tenho necessidade de partilhar o que andei a recolher. O SDS junta centenas de histórias desde o “Fim da Inocência”. Nos dois primeiros livros, as histórias que contava passavam-se aos 14 anos e os editores da Leya diziam “como é que é possível ser tão cedo? Se calhar temos que indicar outra idade”. Eu dizia-lhes que não, que tínhamos de ser sinceros. Ficaram boquiabertos com as histórias que conto neste livro e que envolvem jovens de 12 anos.

Qual a principal diferença entre este livro e os anteriores?
É a idade, tudo se inicia mais cedo. As selfies, por exemplo, vieram tornar as relações descartáveis. Ter uma conversa pouco importa se tirarmos uma selfie e parecermos muito contentes. Há uma falta de auto-estima muito grande e o ‘fear of missing out’ – o medo de perder alguma coisa. Os jovens vivem na era dos ‘likes’, precisam de fazer algo para serem validados, para terem aprovação social. Os pais não estão lá a dizer “não precisas da aprovação social porque eu estou aqui, eu valido-te, eu gosto de ti”.

Este livro retrata a sociedade ou apenas um estereótipo?
Não posso generalizar que todas as pessoas sejam assim. Mas dei muitas palestras de norte a sul do país e percebi que esta realidade existe de facto, porque há uma coisa comum a todos estes jovens: a internet.

A internet é o pólo agregador dos comportamentos de risco atuais. É lá que os miúdos vêem pornografia desde muito cedo, os ‘youtubers’, que podem comprar droga, é lá que tudo se passa…

Os jovens têm consciência do que estão a fazer?
Muitos miúdos afirmam ter tomado “um comprimido qualquer” que lhes ofereceram e eu pergunto-lhes: “então mas o que é que continha o comprimido? Perguntaram? Fizeram um teste? (existem muitas carrinhas que fazem esse tipo de testes)”. Respondem-me: “não me interessa, era uma coisa qualquer e eu tomei porque achei graça”. Existe a cultura do YOLO – you only live once (só vives uma vez). Não há noção de mortalidade, ninguém pensa que vai morrer aos 13 ou 14 anos. Portanto, é um comprimido que pode ter sido feito numa garagem na China e que ninguém faz a mínima ideia do que contém, e para os miúdos é totalmente indiferente tomar este ou outro qualquer.

São os protagonistas das suas histórias que o procuram?
No primeiro livro, foi a Inês que veio ter comigo e que se expôs, contando-me uma série de histórias, nas quais não acreditei desde logo. Encontrei-me com ela, mais tarde, e com o seu grupo de amigos no Bairro Alto e apercebi-me que o que ela contara não era assim tão descabido. Assisti a algumas das histórias relatadas, e se eu que saio à noite não conhecia aquela realidade, como é que os pais haveriam de conhecer? No “Sexo, Drogas e Selfies (SDS)” peguei em histórias de várias pessoas. De repente passei a ser o repositório das histórias que todas as raparigas me queriam escrever e contar porque não têm coragem para falar com os pais.

Há pais que o abordam ou pedem para falar consigo?
Há casos em que vieram falar comigo para me contar uma história que aconteceu, mas geralmente são poucos. Muitos dizem-me que têm medo de ler os meus livros e são eles quem mais precisa de os ler. Alguns acham que por os filhos não saírem à noite estão protegidos mas na verdade não estão. Basta terem um computador em casa, com ligação à internet, e fecharem-se no quarto.

Antigamente era preciso ir para a rua, agora bastam estes comportamentos dentro de casa. Os próprios pais cometem erros nas redes sociais, pelo que tem de haver um crescimento coletivo. Não se pode recorrer ao argumento “eu sou mais velho, sei mais coisas que tu”, até porque provavelmente isso não é verdade, os miúdos sabem muito mais das redes sociais.

Como é que um escritor se transforma (quase) num psicólogo de adolescentes?
Não é fácil. Tento não o ser. Há dois tipos de emails que eu recebo: o mail de exposição, de quem quer falar, desabafar, sem procurar mais. Depois há outras pessoas que querem procurar e precisam, porque não sabem o que fazer à sua vida. Eu não sou psicólogo, mas como já me cruzei com muitas destas histórias procuro dar-lhes força, agir com bom-senso, tentando alertar para os comportamentos de risco.

Como foi sair à noite com estes miúdos e perceber o que se passava?
Depois de terem tomado comprimidos, aconteceu estarem ao telemóvel comigo e dizerem-me “vou-me atirar da janela abaixo, porque é lindo, vou voar”. Como na história do comboio (partilhada no SDS), em que tirar uma selfie para se ser popular é uma prioridade, mesmo quando se está completamente bêbedo (ou quando se ingeriu qualquer coisa), colocando a vida em risco. Os jovens não ganham consciência, procuram cada vez mais imitar os mais velhos. O pensamento é este: “Se os mais velhos cheiram cocaína, eu com 13 anos também quero experimentar, se não lhes acontece nada de especial, porque é que me há-de acontecer a mim?”

A história em que me inspirei para a parte final do livro chocou-me muito, foi-me contada pela irmã da pessoa que passou pelo problema. Foi a que mais me chocou até hoje. Estamos a chegar ao limite, para lá daquilo não há mais nada.

O que falta na relação entre pais e filhos?
Muitas vezes os pais chegam cansados do trabalho e a última coisa que lhes apetece é dar atenção aos filhos e falar com eles. O “Fim da Inocência” trouxe à tona o interesse da comunicação social por estes temas que surgem muitas vezes nas primeiras páginas. Não há desculpa para que os pais não estejam alerta.

Como é que os pais conseguem falar com os filhos sem estes acharem as conversas uma “seca”?
Este tipo de livros e artigos da Comunicação Social podem ser tema de conversa. Tem de haver um espaço dinâmico e de troca de ideias, e não de moralismos. É a pior coisa. Os jovens falam muito comigo porque não sou moralista e tenho um espírito muito aberto. Se um filho diz aos pais “já experimentei”, não o podem colocar de castigo, e têm de desconstruir o problema para que o filho não volte a consumir. Se os pais optam por colocar os filhos de castigo, eles voltam a repetir, porque o fruto proibido é o mais apetecido.

 

Entrevista publicada no jornal Expresso em 2 de julho de 2018

Encontro: Pensar o Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens, 26 junho na Fundação Calouste Gulbenkian

Junho 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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Lançamento do livro e jogo pedagógico “Somos uma Família” de Rute Agulhas e Alexandra Anciães, 10 junho na Feira do Livro

Junho 9, 2018 às 3:13 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Apresentação da 5ª edição do livro de João dos Santos “A Casa da Praia: O PSICANALISTA NA ESCOLA” 29 maio em Lisboa

Maio 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/casadapraia6ipss/

 

 

 

A história do rock ilustrada para miúdos e graúdos

Maio 21, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Chuck Berry ©Joana R.

Notícia do P3 de 8 de maio de 2018.

Estabelecer uma ponte entre a cultura dos pais e a linguagem dos filhos é o ponto de partida de A História do Rock (para pais fanáticos e filhos com punkada). O livro de Rita Nabais, com ilustrações de Joana Raimundo, dá a conhecer aos mais novos as principais figuras do rock através de pequenas biografias e curiosidades de artistas que fizeram parte da banda sonora da adolescência dos pais de hoje, outrora jovens amantes de música.

Para Nuno Valente, das Edições Escafandro, a publicação deste livro teve a intenção de criar um lugar na memória das crianças para os ícones da geração dos pais, “numa altura em que o rock está a ser ultrapassado por outros géneros junto das novas gerações” — como o rap e o pop. O editor conta que o feedback não podia ser mais positivo. “Há pais que todas as noites lêem um artista diferente aos filhos, enquanto os adormecem a mostrar as músicas e os vídeos”, exemplifica o editor ao P3.

Esta nova enciclopédia do rock tem 147 entradas com ilustração e texto, que vão desde Bill Haley & His Comets e Little Richard — pioneiros do estilo musical —, até a nomes mais recentes, como The National ou Vampire Weekend, passando por Elvis Presley e Nirvana. Para além dos desenhos dos músicos, o livro conta ainda com as sugestões musicais de várias pessoas da área, como Miguel Ângelo (Delfins) e Fernando Ribeiro (Moonspell), resultando numa playlist com mais de 500 artistas dos últimos 70 anos.

 

Os conselhos de Brazelton, da gravidez aos três anos

Maio 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://observador.pt/ de 14 de março de 2018.

Ana Cristina Marques

O homem que revolucionou a pediatria morreu esta quarta-feira aos 99 anos. T. Berry Brazelton deixa várias obras publicadas, incluindo “O grande livro da criança”, que aqui resumimos.

O pediatra T. Berry Brazelton morreu esta quarta-feira aos 99 anos, a dois meses de completar um século de vida. Considerado por muitos o homem que revolucionou a pediatria, escreveu mais de 200 artigos científicos e 30 livros nas áreas da pediatria, desenvolvimento infantil e parentalidade, incluindo o muito conhecido “O grande livro da criança”.

Com base na mais recente edição do livro, em Portugal, recordamos alguns dos conselhos do cientista e perito norte-americano em desenvolvimento infantil que, segundo o pediatra Mário Cordeiro,humanizou a criança e reforçou o reconhecimento das competências parentais. O livro em questão, editado pela primeira vez em Portugal em 1995, resulta dos 40 anos de prática pediátrica de Brazelton em Cambridge, no Massachusetts, ao longo dos quais ajudou 25 mil pacientes. Foi com base nessa “amostra” que Brazelton desenhou um mapa de desenvolvimento comportamental e emocional, destinado a ajudar pais a enfrentar os “surtos previsíveis do desenvolvimento”.

O livro tem por base o conceito de “touchpoints” (pontos de referência), que Brazelton define como “aquelas fases previsíveis que ocorrem precisamente antes de um surto de crescimento rápido em qualquer linha do desenvolvimento — motor, cognitivo ou emocional –, quando, durante um breve espaço de tempo, se verifica uma alteração no comportamento da criança”.

Considerando os diferentes “touchpoints”, reunimos e resumimos alguns dos conselhos de Brazelton, para aplicar desde a fase de gravidez até aos três anos de vida de uma criança.

Gravidez

O sétimo mês de gravidez é encarado por Brazelton como a altura ideal para uma primeira consulta entre pais e o pediatra que, após o nascimento, acompanhará a criança. Este é, na verdade, o primeiro “touchpoint” apresentado no livro, já que corresponde a uma oportunidade para o médico se relacionar com os pais. “Esta visita pode ter efeitos duradouros”, escreve. A ideia é conhecer bem pai e mãe antes de o bebé vir ao mundo, conhecer as suas preocupações, angústias e dúvidas. Brazelton reforça a igualmente importante participação do pai e explica que, no caso de ambos os progenitores estarem envolvidos na gravidez, é natural que haja uma competição saudável e normal pela atenção e afeto do bebé. “Se os maridos tencionam participar, pai e mãe têm de estar preparados para esta subtil competição.”

Há uma grande riqueza de informação na primeira parte do livro, sendo que, entre muitos outros aspetos, Brazelton explora um pouco da vida intra-uterina. “Existe alguma correlação entre a atividade fetal e o comportamento do bebé. O modo como um feto responde a estímulos pode ser significativo”, escreve, explicando que os fetos adaptam-se à tensão e ao meio ambiente e que podem fazer aprendizagens desse mesmo meio — alguns ficam sossegados, outros mais ativos. Há motivos de preocupação quando há demasiada atividade ou quando o feto não responde aos movimentos da mãe.

Neste capítulo destinado à gravidez também se abordam algumas preocupações associadas ao parto e a alguns dos momentos mais importantes imediatamente após o nascimento. No que à amamentação diz respeito, Brazelton assegura que o leite materno tem inúmeras vantagens e é o ideal para o bebé: “Nenhuma criança é alérgica ao leite materno. A percentagem de proteínas e de açúcar é a ideal, e o leite materno contém anticorpos que vão aumentar o nível de imunidade das mães através da placenta, mas esta imunidade vai diminuindo ao longo dos meses seguintes, a não ser que o leite materno a mantenha. Por isso, os riscos de infeção diminuem com a amamentação”. A amamentação, garante, é a forma ideal de comunicação entre mãe e bebé.

Recém-nascido

O segundo “touchpoint” estipulado por Brazelton consiste na observação do bebé após o nascimento. A observação inicial, refere o autor, é conhecida por índice de Apgar e tem em conta a cor do bebé, a sua respiração, o ritmo cardíaco, o tónus muscular e a sua atividade, sendo feita momentos depois do parto. Este método pretende avaliar a capacidade do recém-nascido em responder ao trabalho de parto e ao novo meio ambiente — a avaliação descrita não prevê o futuro bem-estar do bebé, mas reflete o tipo de parto em causa. Uma avaliação mais profunda, essa, acontece durante os primeiros dias de vida e, já nesta altura, o bebé é avaliado quanto ao “bem-estar físico e ao modo como reage, sob o ponto de vista nutricional”.

“O comportamento de um recém-nascido parece destinar-se a atrair os pais. A maneira como se aconchega deliciosamente ao pescoço ou ao ombro e como procura o rosto do pai ou da mãe, provocam nestes um enorme desejo de o amparar e compreender.”

No livro, Brazelton deixa claro que o bebé é dotado de uma “espantosa variedade de respostas” desde o momento em que nasce. A importância dos estímulos é clara para o autor, que procura esclarecer que quando os bebés são prematuros ou foram sujeitos a sofrimentos intra-uterinos têm uma particular dificuldade em alhear-se de estímulos repetidos. “Respondem a cada agitar da roca, a cada toque de campainha, a cada foco luminoso”, escreve Brazelton, referindo que tal é penoso para os prematuros. “Mostram desagrado, e por vezes dá-se até uma alteração na cor da face, visto que os seus ritmos cardíaco e respiratório aceleram cada vez que há um estímulo.”

Muitos bebés, no período pós-parto, reagem aos estímulos de uma forma muito lenta, “como se estivessem a recuperar do sofrimento que passaram para nascer”, diz o autor. Nesse sentido, e caso a situação persista, deve ser encontrada uma causa, como por exemplo, “um sistema nervoso abalado”. “Será necessário agir o quanto antes”, escreve Brazelton. “Sabemos hoje que uma intervenção precoce num bebé perturbado pode ser muito útil à sua recuperação.”

“O arquear da cabeça e o levar das mãos ao rosto para retirar o pano são exemplos de um sistema nervoso intacto num recém-nascido de termo. Se o bebé estiver muito sedado por medicação materna, ou se for prematuro, todos os seus padrões motores estarão acentuadamente diminuídos. Se houver uma lesão cerebral, a sua atividade motora será desorganizada, e o tipo de tentativas ineficazes para desempenhar todos estes comportamentos tornam-se indicativos de que ele tem problemas.”

Três semanas

“No nosso mapa de pontos de referência, em que são abordadas as fases da vida da criança em que é mais provável surgirem problemas, a questão da alimentação surge inevitavelmente nesta altura em que ela tem três semanas”, assegura Brazelton. Se no início de tudo dar de comer ao bebé sempre que ele acorda é a resposta mais adequada, a partir da terceira ou da quarta semana as mamadas podem ser um pouco adiadas em substituição de um momento de brincadeira. “Não fará mal ao bebé esperar um pouco. Ele aprenderá gradualmente que as brincadeiras intercalares podem ser tão agradáveis como as mamadas.”

“Os pais normalmente encaram a alimentação como a sua maior responsabilidade. Quanto mais intenso é este sentido de responsabilidade, mais receiam que a criança não esteja a alimentar-se convenientemente.”

Assim que os pais ganham maior confiança tendo em conta a alimentação do bebé, estes “podem começar a prolongar os estados vígeis que medeiam entre a altura da sua higiene e o sono”. Segundo Brazelton, as mães têm mais e melhor leite depois de um intervalo de três a quatro horas do que após períodos de amamentação mais próximos uns dos outros. A isso junta-se o facto de as mamadas com intervalos maiores entre si serem menos lesivas para os seios das mães.

“O objetivo é conseguir que o bebé fique acordado cerca de três a quatro horas entre as refeições e faça um sono longo durante a noite.”

Já o ajustamento dos ciclos de sono e de vigília do recém-nascido constituem a primeira tentativa dos pais de adaptaram o bebé ao mundo que o acabou de receber. De facto, conseguir controlar os seus estados de consciência é também uma tarefa muito importante para o recém-nascido. Nesse sentido, importa conhecer os diferentes estados: sono profundo; sono ligeiro; estado indeterminado; completamente acordado, vigília total; estado vígil, agitado, e choro.

Quatro meses

O comportamento exploratório tendo em conta a alimentação faz parte desta fase, altura em que o bebé vai começar a querer brincar com o biberão — não há motivo para não deixá-lo pegar-lhe pela parte de baixo. A alimentação, garante Brazelton, é muito mais do que comida, e a comunicação com o bebé é fundamental. Para atestar esta afirmação, o autor cita estudos que demonstram que os fluídos necessários à digestão “não são ativados se o bebé não tiver um clima agradável quando está a comer”.

Considerando os alimentos sólidos, Brazelton faz notar que alimentos mistos, ovos e trigo são de evitar até aos nove meses, uma vez que estes são alimentos com maior probabilidade de desencadear alergias nos mais pequenos. A introdução dos alimentos sólidos vem acompanhada de uma natural experimentação e brincadeira por parte do bebé que deve ser encorajada.

Mais importante do que os alimentos sólidos é o leite. Caso o bebé esteja a ser alimentado a biberão, o autor sugere como quantidade de leite adequada 570 a 680 gramas. “Quando se torna difícil dar-lhe o peito ou o biberão, é aconselhável diminuir os sólidos, para ser mais fácil dar-lhe o leite. Pode dar-se-lhe o peito ou o biberão duas vezes por dia, num quarto sossegado e escurecido. Deste modo ele irá ingerir o leite de que precisa para crescer e aumentar peso. Um bebé só aumenta de peso quando está a ingerir a quantidade adequada de leite.”

No que toca ao sono, e caso o bebé já consiga adormecer sozinho, os pais podem contar que ele durma noite fora. Certo que ainda se vai agitar na cama, chorar e voltar a adormecer — estes padrões de autoconforto, bem como a capacidade de adormecer sozinho, “tornar-se-ão ainda mais importantes para o bebé ao longo dos dois meses seguintes”.

Ainda nesta altura, o desenvolvimento cognitivo é contínuo, pelo que o mais provável é que o bebé esteja um tanto ou quanto irrequieto, o que obriga a uma vigilância redobrada dos pais: “É vital nunca o deixar sozinho enquanto lhe mudamos a fralda ou o vestimos depois do banho, sobre o tampo da banheira. Deve mantê-lo sempre seguro, mesmo que só com uma das mãos.”

Nove meses

Brazelton é perentório: aos nove meses o bebé vai precisar de ganhar um maior controlo sobre a sua própria alimentação, mesmo que isso faça torcer muitos narizes adultos. Nesta fase, e ao contrário do que se possa pensar, os alimentos não são o mais importante, uma vez que a necessidade que o bebé tem de “imitar, de explorar, de começar a aprender a recusar” passa a ser prioritária. “Aconselho firmemente o pai e a mãe a reconsiderarem quaisquer tentativas para dominarem a refeição da criança e, em vez disso, tornarem esta num espaço de entretenimento e de aprendizagem”, escreve o autor.

“É demasiado importante para a criança começar a aprender a comer sozinha. O problema é que a maioria dos pais sobrevaloriza as refeições. É uma herança do seu próprio passado, que é difícil não querer perpetuar.”

Aos nove meses dá-se o caso de os bebés começarem a acordar de noite à medida que vão adquirindo novas capacidades motoras, ao porem-se de pé e até caminharem, situações de grande excitação para os mais novos. É nesse sentido que Brazelton sugere que os pais estejam preparados “para manter um padrão de conforto mas que seja firme, ajudando o bebé a adormecer sozinho após cada ciclo de sono”.

Ainda neste capítulo, o autor refere-se ao controlo das necessidades fisiológicas para explicar que, ao contrário do que terceiros possam sugerir, é a criança que deve instruir-se a si própria. “Se o fizerem [se treinarem os bebés nesse sentido], estarão a treinar os esfíncteres do bebé, tal como se fazia antigamente quando ainda não havia fraldas descartáveis.”

No reino dos ensinamentos está, então, a difícil arte da separação de pais e bebé. Até por causa dos meses que se seguem, o autor aconselha os pais a prepararem os filhos de cada vez que tiverem de sair e, ao início, a estarem ausentes por um curto período de tempo e a deixarem-nos com alguém familiar. O tempo de ausência deverá ser gradualmente aumentado. “Nesta idade, ele está a desenvolver o conceito de independência e o de afastamento, mas à medida que o faz torna-se cada vez mais dependente.”

Um ano

O primeiro ano de um bebé consiste num surto de desenvolvimento, que precede um período de desorganização. É precisamente nesta fase que o desejo de independência se intensifica e a palavra “não” passa a ser constantemente usada. O negativismo é natural, pelo que os pais têm de se preparar e aceitar a situação, sem que se sintam culpados — “Caso contrário, encaram esse negativismo como se se dirigisse a eles em particular e tentam reprimi-lo ou contrariá-lo”. Morder, bater e arranhar são atitudes que fazem parte de um comportamento exploratório e estão associadas a períodos de sobrecarga.

As birras também são protagonistas desta etapa e, nesse ponto, Brazelton refere que, por vezes, uma atitude firme e fria pode ser a solução: “Sei que parece cruel ignorar uma grande birra, mas as pessoas experientes sabem que, se os pais interferirem, é muito provável que a birra se prolongue mais”. A disciplina é, então, necessária — diz Brazelton que, depois do amor, a disciplina é a segunda coisa mais importante para uma criança.

“Nesta idade, quando a criança pede atenção, precisa de carinho ou de um pouco de consideração, mas não de repreensões. Os castigos físicos como bater-lhe ou dar-lhe palmadas significam duas coisas para ela: uma, que os pais são maiores e não precisam dela para nada e, outra, que gostam de agredir.”

Dois anos

Aos dois anos de idade, uma criança está pronta para começar a ajudar nas tarefas domésticas. Um ponto interessante se pensarmos que o sentimento de utilidade e o ser-se capaz reforça a auto-estima dos mais novos. Ensinar um filho a ajudar em casa deve ser feito de forma gradual e não isento de elogios, que devem acontecer na sequência da participação ativa da criança. Diz o autor que todos estes momentos são um investimento no futuro: “Nesta geração, os rapazes e as raparigas que aprendem a ajudar estarão muito mais bem preparados para um mundo em que os dois elementos do casal têm de trabalhar. Estarão prontos a compartilhar as tarefas domésticas e não ficarem à espera que lhes peçam ajuda”.

É nesta fase que Brazelton introduz o tópico da televisão. Diz o pediatra que a televisão exige um esforço de atenção visual e auditiva muito grande, pelo que uma criança pequena fica extenuada ao assistir a programas televisivos. A TV não pode, por isso, fazer de baby-sitter, até porque as crianças não podem ver televisão durante mais de 30 minutos e apenas duas vezes por dia. 

“Os programas devem ser cuidadosamente escolhidos e as crianças só devem ver no máximo meia hora de cada vez, e não mais de duas vezes por dia. O ideal é a mãe ou o pai participarem pelo menos numa destas sessões”, escreve o autor, que garante que os programas televisivos constituem uma agressão aos sentidos das crianças. “Isso paga-se caro.”

Três anos

“O tipo de aprendizagem tumultuosa que a criança faz neste período parece-me uma antevisão do turbilhão da adolescência”, escreve o autor, referindo-se ao desenvolvimento intenso a que uma criança de três anos está sujeita. É nesta fase que se dá a aprendizagem da identidade sexual e que a criança se identifica mais com o pai ou com a mãe. “Neste período, centraliza a sua paixão e absorve completamente um deles durante algum tempo, ignorando o outro. Se observarmos de perto uma criança desta idade, poderemos detetar características de identificação com o pai ou com a mãe no modo como ela caminha, no ritmo com que fala, nas suas preferências alimentares e em muitas outras áreas.”

Aprender a dominar a fúria e a agressividade é das tarefas mais difíceis para uma criança desta idade, que testa os pais até obter deles uma reação ou regressa a antigos padrões de birra. “Prefiro ver uma criança desta idade ficar zangada, arreliar e provocar os pais. Está a exprimir abertamente a sua agitação e a aprender mais. Uma criança desejosa de agradar a todos os que a rodeiam sofre mais e terá de estar os pais mais tarde.”

E não esquecer: para Brazelton, brincar é o modo mais poderoso de as crianças aprenderem tarefas importantes.

https://twitter.com/mercnews/status/973945613736992769

 

 

Estes alunos melhoraram as notas por causa dos tablets

Março 13, 2018 às 12:30 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 12 de março de 2018.

Fundação Gulbenkian distribuiu equipamentos por alunos e professores de uma escola. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

Alunos de duas turmas dos 7.º e 10.º anos receberam tablets “para usar como quisessem”, no âmbito de um estudo que concluiu que a maioria ficou mais motivada e aprendeu mais.

A Fundação Gulbenkian queria perceber o que acontece numa escola em que os tablets fazem parte do dia-a-dia e para isso distribuiu equipamentos por todos os alunos e professores. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

O professor universitário José Luís Ramos, um dos autores do estudo ’Tablets’ no Ensino e na Aprendizagem. A sala de aula Gulbenkian: Entender o presente, preparar o futuro, começa por sublinhar que os alunos não são todos iguais, não utilizam as tecnologias da mesma maneira nem com os mesmos fins.

Além disso, acrescenta, os resultados do estudo não podem ser extrapolados para a realidade nacional, uma vez que foram acompanhadas apenas duas turmas de uma escola de Lisboa.

No entanto, notou-se “maior motivação e uma atitude mais positiva para com a escola e a aprendizagem” entre a maioria dos alunos.

Regra geral, “os alunos que mais utilizaram os tablets”foram também “os que mais aprenderam”, diz o professor, considerando que “os tablets podem ser um recurso muito interessante para a aprendizagem dos alunos”.

Alunos e professores receberam um tablet, contou o professor, sublinhando que houve um ou outro encarregado de educação que não ficou agradado com a ideia de o seu filho estar ligado em rede 24 horas por dia e que acabou por proibi-lo de tocar nos aparelhos.

Houve alunos que usaram os tablets com muita intensidade para diversão, outros que os usaram pouco, mas de forma eficiente, segundo o estudo que será apresentado terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

Alguns alunos utilizaram a tecnologia a seu favor, mas também houve outros que baixaram as notas. “Sabemos que alguns alunos tiveram alguma dificuldade em gerir o seu tempo”, admitiu o professor.

Durante dois anos, os investigadores conseguiram acompanhar a utilização do uso dos tablets graças a um dispositivo de investigação, que passava pela observação de aulas, gravação de aulas – “tivemos mais de 500 horas de aulas gravadas” – entrevistas a alunos e a professores, explicou José Luís Ramos.

 

 

 

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