Mulher da Amadora acusada de um crime de mutilação genital feminina

Julho 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 7 de julho de 2020,

Vítima foi a filha que tinha dois anos na altura do crime, segundo o Ministério Público da Amadora. Acusada incorre numa pena que pode ir até dez anos de prisão.

Uma mulher foi acusada pelo Ministério Público, através do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Amadora, de um crime de mutilação genital feminina, cometido nos primeiros meses do ano passado e em que a vítima foi a filha, uma criança nascida em 2017. A suspeita encontra-se em liberdade a aguardar julgamento,

De acordo com a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), em nota publicada no seu site, “no essencial ficou indiciado que a arguida, mãe da menor ofendida, nascida em 2017, em data compreendida no período entre 4 de janeiro e 15 de março de 2019, sem que para tal houvesse indicação médica em virtude de doença ou patologia clínica, com um objeto de natureza corto-contundente cortou a região vulvar da menor sabendo que com tal conduta mutilava a menor nos seus genitais, provocando-lhe dores, lesões e sequelas permanentes e aptas a afetar a fruição sexual daquela”.

O crime de mutilação genital feminina, está, desde 2015, previsto no Código Penal no seu artigo 144. “Quem mutilar genitalmente, total ou parcialmente, pessoa do sexo feminino através de clitoridectomia, de infibulação, de excisão ou de qualquer outra prática lesiva do aparelho genital feminino por razões não médicas é punido com pena de prisão de 2 a 10 anos“, diz a lei. Por a pena, em abstrato, ser superior a cinco anos de prisão, o julgamento irá decorrer em tribunal coletivo.

Em Portugal, em 2019, terão ocorrido 129 casos de mutilação genital feminina de acordo com dados recolhidos pelo projeto “Práticas Saudáveis – Fim à Mutilação Genital Feminina”, que é coordenado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, o Alto Comissariado para as Migrações e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Segundo o relatório anual do Fundo de População da ONU, estima-se que 4,1 milhões estejam em risco este ano de 2020 de serem submetidas à circuncisão feminina, também conhecida como mutilação genital feminina, uma prática condenada pelas Nações Unidas.

De acordo com a nota da PGDL, neste caso raro em Portugal em que há acusação por este crime, “a arguida encontra-se a aguardar o julgamento em liberdade”, num inquérito que foi dirigido pelo Ministério Público na 2.ª secção do DIAP Núcleo da Amadora/Comarca de Lisboa Oeste.

Grupo de refugiados menores ruma a Lisboa à procura de um futuro

Julho 9, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 7 de julho de 2020.

De  Nara Madeira  & Apostolos Staikos

Um grupo de refugiados menores, não acompanhados, partiu de Atenas rumo à capital portuguesa, Lisboa. Um momento importante, de expectativa e esperança. Os sorrisos, descrevia um dos correspondentes da euronews na capital grega, estavam escondidos pelas máscaras de proteção contra o novo coronavírus.

O Ministro de Migração e Asilo da Grécia que se deslocou ao local com a embaixadora de Portugal em Atenas, Helena Paiva, colocava o ponto final no futuro e agradecia o apoio vindo de Portugal:

“Vinte e cinco crianças estão a começar uma nova vida e espero que seja uma vida melhor. Os portugueses decidiram receber 500 menores não acompanhados o que é, para nós, uma demonstração de forte apoio à Grécia”, frisou Giorgos Koumoutsakos.

O correspondente da euronews, Apostolos Staikos, explicava que “há cerca de 5000 menores não acompanhados na Grécia. Mas, até agora, poucos chegaram aos portões” do aeroporto de Atenas “e partiram para uma nova vida. As autoridades gregas estão a pedir aos Estados-membros da UE que mostrem mais do que palavras de apreço, pede, que acolham algumas dessas crianças”.

Enquanto alguns desses menores se despedem da Grécia outros tentam construir as suas vidas em Atenas. Haroun, do Afeganistão, mora num apartamento com outros três jovens. Tem 17 anos adora boxe, vai à escola e já aprendeu grego. Pretende ficar no país alguns anos mas as suas ambições são maiores:

“Quero ser político e um dia voltar ao Afeganistão. Precisamos reconstruir a nossa pátria. A guerra tem de parar, precisamos de paz e mais empregos. Quero que o meu país se torne normal, como todos os outros países”, desabafa.

Uma organização não-governamental, a Metadrasi, implementou um programa de casas semi-autónoma para menores dos 16 aos 18 anos, Haroun vive numa delas. Uma assistente social visita-os duas vezes por semana. O objetivo é torná-los mais responsáveis e ajudá-los a encontrar soluções, a serem criativos. Haroun e um dos seus colegas de casa estão a transformar velhos discos em obras de arte mas os desafios são gigantescos para a maioria dos menores não acompanhados.

Lora Pappa, fundador da Metadrasi explica que há “muitas crianças desacompanhadas. A maioria delas vive em condições miseráveis, em lugares perigosos das ilhas, algumas estão ao relento, outras em centros de detenção. Não há infraestruturas suficientes para as albergar. E 40% dessas crianças têm o direito de se reunir com um parente num país da União Europeia mas existe demasiada burocracia, os procedimentos têm de ser acelerados”, conclui.

Há casos de crianças desaparecidas em Portugal por resolver há mais de três décadas

Julho 8, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Reportagem da SIC Notícias de 23 de junho de 2020.

Hélder Cavaco desapareceu há 30 anos. Como ele, há outros quatro casos de crianças desaparecidas por resolver em Portugal.

Todos os anos a Polícia Judiciária recebe mais de mil participações de crianças desaparecidas. Nos últimos 13 anos todos os casos têm sido resolvidos. As crianças regressaram ou foram encontradas.

Ainda assim, há casos por resolver há mais de três décadas. O último caso de uma criança que nunca apareceu é o de Madeleine McCann, desaparecida na Praia da Luz, no Algarve, em 2007.

Para além da menina inglesa, constam outras quatro na página oficial de pessoas desaparecidas. Uma delas é Hélder Cavaco. Tinha 16 anos quando desapareceu de casa em Vila Nova de Santo André, em janeiro de 1990.

Os pais de Hélder nunca desistiram de encontrar o filho e percorreram o país na tentativa de o encontrar.

Vídeo da reportagem no link:

https://sicnoticias.pt/programas/casos-de-policia/2020-06-23-Ha-casos-de-criancas-desaparecidas-em-Portugal-por-resolver-ha-mais-de-tres-decadas

Crianças do pré-escolar passam mais de hora e meia por dia em frente a ecrãs

Julho 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 19 de junho de 2020.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto

Um estudo concluiu que as crianças do ensino pré-escolar (até aos cinco anos) passam, em média, mais de uma hora e meia (154 minutos) por dia em frente à televisão e outros dispositivos, anunciou esta sexta-feira a Universidade de Coimbra (UC).

Publicado na revista científica BMC Public Health, o estudo, intitulado “Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study”, foi realizado por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC).

O estudo, refere a UC, teve como objetivo avaliar o tempo de ecrã das crianças portuguesas em diferentes equipamentos eletrónicos — os tradicionais (como a televisão, o computador e as consolas de jogos) e os modernos, incluindo os ‘tablets’ e os ‘smartphones’ –, bem como “determinar as diferenças no uso de acordo com o sexo e a idade das crianças e a posição socioeconómica das famílias”.

Foram avaliados os hábitos de 8.430 crianças, com idades compreendidas entre os três e os 10 anos, a residir nas cidades de Coimbra, de Lisboa e do Porto.

Os dados foram recolhidos em 118 escolas públicas e privadas, e as taxas de participação foram de 58% em Coimbra, 67% em Lisboa e 60% no Porto.

De acordo com os resultados do estudo, nas crianças mais velhas o tempo em frente ao ecrã é maior, sobretudo devido ao maior tempo gasto em dispositivos eletrónicos, como computadores, videojogos e ‘tablets’: aproximadamente 201 minutos por dia.

“Concluímos que a maior parte das crianças, principalmente entre os meninos, excede as recomendações de tempo de ecrã indicadas pela Organização Mundial da Saúde e pela Associação Americana de Pediatria, em que o tempo de ecrã deve ser limitado a uma hora (em crianças até aos cinco anos) ou a duas horas por dia (em crianças acima dos seis anos)”, afirma, citada pela UC, Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo agora publicado.

Embora a televisão continue a ser o equipamento mais utilizado, “o uso de ‘tablets’ está generalizado e o tempo gasto neste equipamento é elevado, incluindo em crianças com três anos de idade”, nota a investigadora.

O tempo de ecrã “é sempre mais elevado em crianças de famílias de menor posição socioeconómica, independentemente da idade, sexo, ou do tipo de equipamento”, sublinha ainda Daniela Rodrigues.

De acordo com a investigadora, tendo em conta que o tempo de ecrã está associado a um impacto negativo na saúde das crianças, por exemplo, menor tempo e qualidade do sono, maior atraso no desenvolvimento cognitivo e da linguagem, excesso de peso, etc., estes resultados “indicam que é necessário um maior controlo por parte dos pais no acesso que as crianças têm aos equipamentos eletrónicos”.

Este panorama é “ainda mais preocupante numa altura em que, devido à pandemia de covid-19, as crianças estão obrigadas a passar mais tempo em casa, e precisam de recorrer a alguns destes equipamentos para aceder à telescola”, adverte.

“É fundamental identificar os subgrupos de risco e identificar como cada dispositivo é usado de acordo com a idade, para permitir futuras intervenções apropriadas”, sustenta a investigadora da FCTUC.

Os pais, conclui Daniela Rodrigues, “devem ter em mente que as crianças passam a maior parte do tempo a ver televisão, mas os dispositivos móveis estão a tornar-se extremamente populares a partir de tenra idade”.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Social inequalities in traditional and emerging screen devices among Portuguese children: a cross-sectional study

Contra regras da ONU, o SEF volta a deter 77 crianças migrantes

Junho 25, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de junho de 2020.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Asylum Information Database (AIDA) : Country Report: Portugal : 2019 update

Jogo eletrónico nos últimos 30 dias (%) Portugal 2019

Junho 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do SICAD

Segundo o último estudo desenvolvido pelo SICAD, numa amostragem de alunos do ensino público com idades entre os 13 e 18 anos, é possível aferir que, no último mês, em dias sem escola, 29 % destes jovens passou 4 ou mais horas diárias em jogos eletrónicos. Já nos dias com escola, esta percentagem remete para 11%.
Na semana anterior à inquirição, cerca de 1/3 jogou este tipo de jogos numa base diária ou quase diária.

Clique na imagem para ver a mensagem completa.

Fonte: Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências – 2019.
http://www.sicad.pt/BK/EstatisticaInvestigacao/EstudosConcluidos/Lists/SICAD_ESTUDOS/Attachments/207/Síntese_de_resultados.pdf

ATL abriram com menos de metade das crianças

Junho 19, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 16 de junho de 2020.

Trabalho infantil com primeiro aumento em 20 anos

Junho 12, 2020 às 6:06 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 12 de junho de 2020.

Elisabete Tavares

O desemprego e a crise provocados pelas medidas adotadas para travar o novo coronavírus, bem como o fecho de escolas, podem levar a um aumento do trabalho infantil, segundo um alerta da Organização Internacional do Trabalho e da UNICEF.

Nos últimos 20 anos, passou a haver menos 94 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil. Mas todo o esforço no combate ao flagelo pode estar em causa devido à crise provocada pela epidemia e pelas medidas que os governos adotaram para travar o avanço do novo coronavírus. O alerta vem da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância e foi feito no âmbito do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, que se celebra nesta sexta-feira, dia 12 de junho.

A concretizar-se o aumento no trabalho infantil, será a primeira subida registada em 20 anos. O aviso consta do relatório “Covid-19 e trabalho infantil: um tempo de crise, um tempo para agir”. Segundo o relatório, as crianças que já trabalham em trabalho infantil podem agora ser forçadas a trabalhar mais horas ou em piores condições. Mais crianças podem submetidas às piores condições de trabalho, com danos significativos para a sua saúde e segurança.

“Como a pandemia causa danos ao rendimento familiar, sem apoio, muitos podem recorrer ao trabalho infantil”, diz o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, citado num comunicado sobre o relatório.

O relatório conclui que as pedidas adotadas pelos governos podem resultar num aumento da pobreza e levar a uma subida do trabalho infantil. Segundo a OIT, alguns estudos mostram que um aumento de um ponto percentual na pobreza leva a um aumento de, pelo menos, 0,7% no trabalho infantil em certos países. Aponta que o número de pessoas em extrema pobreza pode subir rapidamente 40 a 60 milhões só este ano em comparação com antes da crise. Também a morte de um ou dos dois progenitores ou da pessoa responsável pelo menor, como uma avó, pode atirar crianças para o trabalho infantil.

“Em tempos de crise, o trabalho infantil torna-se num mecanismo para lidar com a crise para muitas famílias”, alertou Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF, citada no mesmo comunicado. O fecho das escolas e o menor acompanhamento dos serviços sociais agravam o problema. “À medida que a pobreza aumenta, as escolas fecham e a disponibilidade de serviços sociais diminui, mais crianças são empurradas para a força de trabalho. Ao repensar o mundo pós-covid, precisamos garantir que as crianças e suas famílias tenham as ferramentas necessárias para enfrentar tempestades semelhantes no futuro”, adiantou a responsável da UNICEF. Segundo a OIT e a UNICEF, “cada vez mais, aumentam as evidências de que o trabalho infantil está a aumentar à medida que as escolas fecham durante a pandemia”.

O relatório aponta que o fecho temporário de escolas está a afetar mais de 1,6 mil milhões de alunos em mais de 130 países, ou 90% dos alunos matriculados. “Muitas escolas mudaram para o ensino à distância, mas quase metade do mundo não tem acesso à Internet, deixando muitos alunos ainda mais para trás”, alerta o relatório. E lembra que, “além dos benefícios educacionais, as escolas fornecem recursos críticos de proteção social para crianças e suas famílias”. Conclui que “o encerramento gera muitas preocupações em torno da vulnerabilidade” em que algumas crianças podem ficar.

Segundo o documento, mesmo quando as aulas recomeçarem, alguns pais podem não ter mais condições de enviar os seus filhos para a escola, o que pode resultar em mais crianças a serem sujeitas a empregos exploradores e perigosos.

Risco também em Portugal

A Confederação Nacional de Combate ao Trabalho Infantil (CNASTI) denunciou nesta quinta-feira (11 de junho) que há crianças a trabalhar em Portugal, sobretudo na restauração. E alertou para a condição de “pobreza, fome e violência extrema de muitas famílias” que está a afetar sobretudo as crianças.

A CNASTI adianta que têm recolhido algumas denúncias através da sua página na internet. As denúncias visam sobretudo casos de menores a trabalhar na área da restauração. Mas a organização também apontou que outras áreas também foco de preocupação, nomeadamente a participação de crianças na moda e em espetáculos.

O relatório da OIT e da UNICEF destaca que os grupos populacionais vulneráveis – como os que trabalham na economia informal e os trabalhadores migrantes – sofrerão mais com a crise económica, o aumento da informalidade e do desemprego, a queda geral nos padrões de vida, os choques na saúde e os sistemas de proteção social insuficientes.

Entre as medidas propostas para combater o aumento do trabalho infantil está uma proteção social mais abrangente, bem como o acesso mais fácil ao crédito para famílias pobres. A promoção de trabalho digno para adultos e medidas para levar as crianças de volta à escola – incluindo a eliminação de propinas escolares – e mais recursos para inspeções do trabalho e aplicação da lei, são outras medidas possíveis.

A OIT e a UNICEF estão a desenvolver um modelo de simulação para analisar o impacto da covid-19 no trabalho infantil. Os resultados com as estimativas serão divulgados em 2021.

O Dia Mundial contra o Trabalho Infantil foi instituído pela OIT em 2002, quando estreou a divulgação do Relatório Global sobre Trabalho Infantil na Conferência Internacional do Trabalho.

Segundo a OIT, cerca de 218 milhões de crianças com idades entre os cinco e os 17 estão a trabalhar. Destas, 152 milhões são vítimas de trabalho infantil e quase metade – 73 milhões – são sujeitas a condições perigosas.

Quase metade das crianças vítimas de trabalho infantil estão no continente africano e 62,1 milhões estão na região da Ásia e do Pacífico. Há 10,7 milhões de crianças a trabalhar no continente americano, 1,2 milhões nos Estados Árabes e 5,5 milhões na Europa e Ásia Central.

Jornalista do Dinheiro Vivo

O relatório citado na notícia é o seguinte:

COVID-19 and Child Labour: A time of crisis, a time to act

Lá fora, a telescola portuguesa salva o ano perdido de alunos sem aulas

Junho 7, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de maio de 2020.

Catarina Reis

Não só em Portugal, mas um pouco pelo mundo fora, as aulas do #EstudoEmCasa são a solução para aqueles que não têm alternativas às aulas presenciais, suspensas pela pandemia. No Brasil, Laura não perde as aulas de Educação Física e Artística. No Canadá, Jacob aprende a língua materna do pai.

“A cada duas semanas, a gente dá uma volta pequenina de carro, só para a Laura ver a cidade. Voltamos para casa e acabou.” O passeio torna-se apenas mais uma memória entre as poucas capazes de se construir por agora e a família da brasileira Mariana Pasquarelli, 33 anos, regressa ao dever de confinar na sua casa. Os tempos não são para menos. Em São Paulo, mais propriamente no município de Sorocaba, os dias contam-se a medo. A quarta região mais populosa do interior da cidade, com 671 186 habitantes, registou um aumento de 50% dos casos de covid-19 só na última semana, passando de 423 para 548.

“Diversão, aqui, só na televisão, nas aulas de Educação Física e Educação Artística”, conta Mariana, mãe de Laura, de oito anos, estudante assídua da nova telescola portuguesa, criada ao abrigo do Ministério da Educação. As vozes das professoras e dos professores do #EstudoEmCasa não só ecoam em Portugal, esbatendo desigualdades nas salas de estar de várias casas. Viajam quilómetros pelo mundo para dar o que outros sistemas de ensino privaram aos seus alunos.

Uma (tele)escola em português com sotaque paulista

Na casa de Mariana, admite, são raros os minutos em que a televisão não está ligada num canal português. O marido é neto de portugueses e o timbre fadista faz-lhe falta. “Adora Portugal e gosta de ver coisas de Portugal.” Num destes dias, enquanto assistiam ao telejornal da SIC, a surpresa assaltou-lhes o rosto quando viram ser anunciado o arranque das aulas da RTP Memória. No seu sotaque paulista, não escondeu o entusiasmo: “Nossa, que oportunidade! Graças a Deus!”, recorda. E não poupa a ideia de elogios: “Fizeram um cenário, tiveram uma preocupação, um carinho. Estou impressionada pra caramba.”

Desde que as ruas do Brasil pararam para ver sambar o Carnaval de todas as cores e silhuetas, tudo mudou. Foi por volta dessa altura que a pequena Laura trocou a sala de aula pela sala da casa. Já não era tempo de festa, estava provado. “Lembro-me que houve uma semana que resolvemos não mandá-la [para a escola], porque já estávamos a registar casos. Até porque nessa altura não era obrigatório ir, eram atividades de Carnaval. Depois, a escola fechou”.

Uma semana mais tarde, os pais foram chamados à escola “para pegar um livro de Português e Matemática, com exercícios para eles fazerem em casa”, conta. Não havia mais nada nos planos para a educação. Nem orientações às escolas vindas da tutela – à semelhança do que ocorreu em Portugal -, deixando o sistema e aqueles que dele dependem à mercê da vontade de cada professor. “Por conta dela, não porque é obrigatório, a professora criou um grupo de WhatsApp para falar com eles e a Laura todos os dias entra para falar com a professora, mostra o que fez nas aulas da televisão.”

Já lá vão os dias em que estudar se tornava cada vez mais numa obrigação aborrecida que tanto exigiam a Laura, sempre um passo à frente de todas as engrenagens. “Ela gosta muito de estudar. Não sei se é por ela nos ver lendo muito e vendo o jornal. Na escola, ela é a aluna mais adiantada da sala, a professora tem de dar alguma coisa para ela não se aborrecer”, conta Mariana. Com a telescola portuguesa, os dias têm outro fim. Com a matéria “um pouquinho mais avançada”, Laura já “não fica frustrada” ao assistir às aulas de 3.º e 4.º ano. “Está a desafiá-la e ela adora.”

Nem o português da Europa é matéria estranha nos seus dias. Mariana conta que, no que toca às expressões idiomáticas da língua de Camões, “ela já é melhor” do que a mãe. “Até diz que, quando for mais velha, vai morar para Portugal. Isto aqui não está fácil” e Laura sabe-o. Vai treinando o sotaque, entre artes plásticas e umas piruetas no quarto. As aulas preferidas são as de educação artística e educação física. “De vez em quando, vou encontrá-la lá no quarto cheia de panela, vassoura, a fazer a aula. Eles pedem uma lista de material para a próxima aula e ela me avisa o que precisa.”

Entretanto, a palavra já correu entre pais. Mariana Pasquarelli fez questão de partilhar a novidade com outros pais, que estão a adotar as aulas do #EstudoEmCasa.

No Canadá, todos os dias são de RTP, uma vez por semana de telescola

A palavra já corre aquele canto do Brasil, mas não só. Lá no topo do globo, a boa nova também chegou.

Denise Carreira tem nome português, mas é nascida e criada no Canadá, mais propriamente em Vancouver. O histórico de vida denuncia-lhe o sotaque, um português de meia palavra, atraiçoada pela língua inglesa, quando calha. De Portugal, tem gravada a decisão dos seus pais de emigrarem para o outro lado do Atlântico e os anos que trabalhou em escolas portuguesas como professora de inglês. Regressaria ao Canadá de mão dada com um português, que deixou a família para trás para ir morar com ela em Vancouver. Acabaram por casar e são hoje pais do pequeno Jacob, de nove anos. Denise ainda leciona inglês, no ensino secundário – nestes tempos que correm, fá-lo à distância.

Mas a língua portuguesa é presença habitual também nesta casa. “Já vemos às vezes a RTP em casa, o meu marido está sempre a ler as notícias, lê o Diário de Notícias, a Bola”, conta Denise. Foi na televisão que “viu que os portugueses iam ter aulas na televisão”. “O meu marido até se lembrou de que via, há muitos anos, aulas como estas na televisão. Disse-me logo: “Olha, é como a telescola, mais ou menos”. Ele esteve em França, uns anos, e os pais conseguiam mostrar-lhe estas aulas.”

A boa memória destes tempos fez o pai de Jacob não duvidar de que seria uma boa alternativa ao ano letivo do filho travado pela pandemia. Até ao final da semana passada, o Canadá registava um total e 82 420 casos positivos de covid-19 e 6245 óbitos. Pela força dos números, a primavera canadiana retrocedeu. Em Vancouver, professores e alunos viram as escolas fechar durante a suspensão letiva à qual designam “spring break”.

“Aqui, não tínhamos muitos casos, mas a decisão foi nacional. As escolas só ficaram abertas para os social workers, os profissionais de saúde” e outros trabalhadores essenciais na linha da frente [tal como aconteceu em Portugal], recorda Denise Carreira, que a partir daqui teve de assegurar o ensino do filho em casa. “A professora enviou umas fichas em papel, de vez em quando manda uns e-mails, mas eu é que tenho de apoiar o ensino dele”. Por escolha da maioria dos pais, aliás, é que ficou assim decidido, que a aprendizagem passaria a ser assegurada com o seu apoio. “Acho que o meu filho gostava de mais apoio, de ver a professora, mas ela perguntou aos pais como queriam que fosse – online ou só envio de fichas – e a maioria disse que queria assim. Porque para eles estarem a ligar o computador à mesma hora poderia ser bastante difícil.”

Na amargura dos dias, num “balanço difícil entre o trabalho e o resto”, Denise encontrou na telescola da RTP a oportunidade para que Jacob pudesse continuar a lidar com uma figura docente, enquanto aperfeiçoava o seu português. Uma ou duas vezes por semana, o aluno de nove anos senta-se em frente à televisão para assistir às aulas de Português do 1.º e 2.º anos – “porque aqui ainda não está avançado” – e Matemática do 3.º e 4.º anos.

Tem sido um sucesso lá por casa. “Ele consegue estar a ver, a escrever, a pintar, enquanto está em frente à televisão. É uma coisa mais humana, porque está ali um professor ou uma professora.”

Em Portugal, a telescola bate recordes de audiência na RTP Memória. Lá fora, colmata os efeitos de governos que deixaram para trás milhares de crianças e jovens.

Adolescentes portugueses são mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola mas estão felizes com a família

Maio 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 19 de maio de 2020.

CHRISTIANA MARTINS

Um estudo em 45 países com crianças de 11, 13 e 15 anos revelou que os adolescentes portugueses continuam sedentários e felizes com as famílias que têm. Se fosse feita agora, a investigação poderia ter resultados surpreendentes e a próxima vaga deverá incluir os efeitos da pandemia, que “parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. Mas, para já, de acordo com a última edição da investigação, antes o mundo ter parado, pioraram as queixas de tristeza, dificuldade em adormecer e irritação

Uma investigação internacional que analisa os comportamentos e a saúde dos adolescentes nos seus vários espaços de experiência, com amostras representativas de alunos de 11, 13 e 15 anos, faz o retrato possível dos jovens europeus. A última edição do Health Behaviour in School-aged Children (HBSC/OMS) ouviu um total de 227 441 adolescentes, dos quais 5839 jovens portugueses, a maioria (52,5%) do género feminino, e concluiu que continuam a ser mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola e sentem-se excessivamente pressionados pelos trabalhos escolares.

Há más notícias que se repetem ao longo das várias edições do estudo, como a “fraca a prática da atividade física, fraca em si (poucos adolescentes cumprem o recomendado), e fraca em comparação à média europeia”. O comunicado é muito claro: “Os resultados são maus desde 1998, a pedir ação urgente na escola, na comunidade e na família.” Também é “fraco o gosto pela escola, fraco em si e fraco na comparação com os restantes países”: só 9,5% dos alunos responderam que gostam muito da instituição. Em 45 países avaliados, isso corresponde em 38.º lugar.

Para além disso, “é elevada a pressão com os trabalhos da escola, sobretudo nos mais velhos e nas raparigas, que também põe Portugal nos piores lugares, desde 1998”.

AS BOAS NOTÍCIAS

Como nem tudo é negativo, há também boas notícias, como o comportamento alimentar que continua em geral a ser melhor que a média europeia, tendo melhorado, inclusive, a nível nacional. Os investigadores aproveitam para, no comunicado, pedir que se aproveite a tendência – “Urge associar a alimentação na escola a uma alimentação com apresentação e sabor aceitáveis”. Porque, segundo os adolescentes ouvidos pelo estudo, “a qualidade está garantida, mas não a apresentação e o sabor”. A investigação revela ainda que o consumo de canábis diminuiu, sendo atualmente menor que a média europeia.

O estudo demonstra que 80,3% dos alunos sente-se “sempre ou quase sempre seguros na escola”. Os acidentes e lesões são menos frequentes que a média europeia nas raparigas mais novas, situação que se inverte nos rapazes: são mais frequentes que a média europeia nos rapazes mais novos. Quer os rapazes quer as raparigas mais velhos têm mais acidentes em Portugal do que a média da UE. Os coordenadores do estudo sublinham que “isto sugere um padrão de desenvolvimento diferente nos acidentes e lesões em rapazes e raparigas em Portugal em comparação com os outros países, a merecer atenção”. Afirmam ainda que as lesões e os acidentes têm vindo a aumentar sobretudo nas raparigas no escalão etário intermédio (13 anos) e nos rapazes mais novos.

ciberbullying é inferior em Portugal à média europeia, com tendência a subir dos 11 para os 13 anos e descer dos 13 para os 15 anos. As lutas diminuíram nos mais velhos e nas raparigas, sendo menos frequentes face à média europeia, mas aumentaram nos mais novos, sendo nesta idade mais frequentes do que na média europeia.

Regista-se um elevado uso de comunicação online, sobretudo nas raparigas mais velhas, e o consumo de álcool apresenta uma tendência de subida, mas a embriaguez está a descer. Os adolescentes portugueses referem sentir um apoio social por parte dos colegas da escola superior à média europeia, principalmente os rapazes, e um apoio social menor por parte dos professores, sobretudo as raparigas. Com os rapazes a parecerem duplamente beneficiados e em comparação com a Europa: sentem maior apoio social dos colegas e dos professores. Também dizem sentir um maior suporte da família e dos amigos, ultrapassando a média europeia.

Piorou a percepção de boa saúde nos adolescentes de 11 anos em Portugal, comportamento distinto da média dos outros países. Mas a satisfação com a vida subiu desde 2014 e mantém-se de acordo com a média europeia. Apresentar dois ou mais sintomas físicos ou psicológicos é mais frequente em 2018 do que era em 2014, mas permanece inferior à média europeia. Em 2018 de um modo geral, são mais frequentes as dificuldades em adormecer, tristeza, nervosismo, irritação e dores de costas, mas mesmo assim inferiores à média europeia.

Jovens pós-covid

E se a pesquisa tivesse ouvido os adolescentes depois do confinamento causado pela pandemia de covid-19? Segundo Tânia Gaspar, psicóloga e uma das investigadoras que participou no estudo, “embora não se possa ainda tirar conclusões, a pandemia parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. “Estão mais responsáveis e mais próximos dos professores, que tiveram de reinventar métodos de trabalho e aproximar-se de realidades que eram já familiares aos jovens, como as tecnologias”, explica.

A conquista de uma maior autonomia é a principal consequência, segundo Tânia Gaspar. “Esta é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. Eu gostava que a escola se adaptasse à realidade dos jovens, que se sentiram mais responsabilizados, o que aconteceu porque lhes deram este espaço”, sublinha a psicóloga. De tal forma a experiência foi internacional e marcantes que a investigadora antecipa uma inclusão de questões relacionadas à pandemia na próxima vaga do estudo, à semelhança do que aconteceu após a crise económico-financeira de 2008.

Quanto ao medo que sondagens recentes revelaram estar a ser sentido pelos jovens portugueses, Tânia Gaspar refere que eles dizem ser um medo de perder os familiares, mais do que se exporem os próprios adolescentes à doença. “Revela uma grande valorização da família, também porque assistiram ao medo sentido pelos pais e pelos avós e às imagens que chegaram de Itália e da Espanha. Tem sido tudo muito rápido: primeiro o não se pode sair, agora o se deve sair. É preciso dar tempo à adaptação”, conclui a investigadora. Mas fica um recado: “O comportamento dos jovens tem sido fascinante e revelado grande sentido de responsabilidade. Esta é uma oportunidade para os adultos confiarem mais nos jovens, respeitando-os e dando-lhes voz.”

O ESTUDO

Realizado em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, o estudo conta com a participação de 45 países e tem vagas de investigação a cada quatro anos, que se iniciaram em 1983, com Portugal a participar desde 1998. Coordenado pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, o projeto incluiu em Portugal alunos do 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos e, “analisando o nível médio de riqueza das famílias portuguesas” dos quase seis mil inquiridos, o país encontra-se na 22ª posição entre os 45 participantes. Ou seja, a maioria dos pais estão empregados (94,6%), embora existam 1,5% dos pais e 3,5% das mães que não têm um emprego, e 0,4% de jovens têm ambos os pais desempregados. O nível de desemprego das mães (3,5%) é superior à média dos países incluídos (2,9%), mas a frequência de pais e mães empregados (94,6%) é, mesmo assim, inferior à média europeia (95,3%).

A maioria dos jovens disse ter origem portuguesa (74,8%) e 19,5% referiram que “pelo menos um dos pais” nasceu fora de Portugal. Relativamente à estrutura familiar, 69,8% viviam com os pais na mesma casa e, dos que não residiam com ambos os pais, 17,8% faziam parte numa família monoparental e 12,4% disseram ter outro tipo de estruturas familiares.

Mais informações no link:

http://www.euro.who.int/en/media-centre/sections/press-releases/2020/who-report-on-health-behaviours-of-1115-year-olds-in-europe-reveals-more-adolescents-are-reporting-mental-health-concerns

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