Há mais filhos de pai incógnito

Fevereiro 18, 2017 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 6 de fevereiro de 2017.

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Temos trabalhos de casa a mais?

Fevereiro 17, 2017 às 10:03 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 15 de fevereiro de 2017.

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Abandono escolar precoce a subir em Portugal

Fevereiro 16, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

Têm entre 18 e 24 anos, não acabaram o 12.º ano e não frequentam qualquer ação de educação ou formação. Em Portugal, 14% dos jovens estão nesta situação.

Andreia Lobo

A taxa de abandono precoce na educação e formação subiu pela primeira vez desde 2011. Dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram a subida fixada em 14% em 2016, por comparação aos 13,7% de 2015. O Ministério da Educação (ME) diz que a subida reflete o aumento dos chumbos.

“Não constituindo uma variação estatisticamente relevante, esta ligeira subida do abandono escolar precoce tende a refletir, entre outros fatores (como a recuperação do mercado de trabalho), o aumento das taxas de retenção escolar registado nos últimos anos e que, como alertou esta semana a OCDE, potencia a curto e médio-prazo situações de abandono”, escreve o ME, em comunicado enviado à comunicação social.

Em dezembro de 2016, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues dizia-se preocupado com a taxa de retenção escolar ao nível dos alunos com 15 anos, a frequentar o 9.º e o 10.º ano, por esta ser “demasiado elevada”. As percentagens colocavam Portugal entre os três países da OCDE com maior taxa de retenção, só ultrapassado pela Bélgica (34%) e pela Espanha (31,3%). E “quase triplicando a taxa média da OCDE”, fixada em 12%, recordava o ministro.

“Em Portugal mais de 30% dos jovens com 15 anos já apresentam pelo menos uma retenção no seu percurso escolar e ainda demasiados apresentam mais que uma retenção”, explicava Tiago Brandão Rodrigues, em declarações a propósito da apresentação dos resultados do PISA 2016.

Ainda assim, em 10 anos o panorama mudou muito. A situação era bem pior. A taxa de abandono escolar precoce estava em 38,5%. Apesar da descida notória, Portugal continua entre os países europeus onde mais alunos entre os 18 e os 24 anos estão fora do sistema educativo. Até 2020, os Estados-membros da União Europeia acordaram baixar estas percentagens para 10%.

No relatório “Educação em Números–2016”, a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) mostrava uma descida progressiva da taxa de retenção e desistência no Ensino Secundário fixada em 16,6% no ano letivo de 2014/2015. Nos anos anteriores as percentagens eram de 20,1% em 2011/2012, 19% em 2012/2013 e 18,5% em 2013/2014.

No Ensino Básico a taxa de abandono sobe e desce. No ano letivo de 2014/2015, 7,9% de alunos desistiam da escola no decorrer dos nove anos de escolaridade. Em anos anteriores a percentagem de desistência, contabilizando o total do 1.º, 2.º e 3.º ciclos, era de 9,7% em 2011/2012, subia para os 10,4% em 2012/2013 e descia para os 10% em 2013/2014, mantendo-se a descer no último ano letivo em análise no relatório.

No comunicado enviado à comunicação social, esta quarta-feira, o ME lembra “a necessidade de prosseguir e reforçar o investimento nas políticas de qualificação dos portugueses”, destacando medidas como o “Programa Qualifica”, o “Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar”, “Reforço e Valorização do Ensino Profissional”, “Reforço da Ação Social Escolar” e as “Políticas territoriais de combate ao abandono escolar”.

 

PSP registou 1787 casos de violência no namoro entre jovens alunos

Fevereiro 14, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 14 de fevereiro de 2017.

A atriz Sofia Arruda, de 28 anos, confessou ter sido vítima de violência no namoro durante a adolescência. “Quero alertar os jovens que não podem permitir este tipo de situações, nem praticá-lo”, adiantou num vídeo publicado no Youtube. Para sensibilizar os jovens para a questão, contou que tinha um namorado que “morria de ciúmes” e que a dominava   |  Orlando Almeida / Global Imagens

A atriz Sofia Arruda, de 28 anos, confessou ter sido vítima de violência no namoro durante a adolescência. “Quero alertar os jovens que não podem permitir este tipo de situações, nem praticá-lo”, adiantou num vídeo publicado no Youtube. Para sensibilizar os jovens para a questão, contou que tinha um namorado que “morria de ciúmes” e que a dominava
| Orlando Almeida / Global Imagens

 

Rute Coelho

Queixas aumentaram nos últimos anos, e com maior incidência nos ex-namorados. PSP e APAV fazem ações de sensibilização

Manuela (nome fictício), de 20 anos, da geração das redes sociais e da informação ao segundo, era vítima numa relação de violência com o namorado. Humilhada verbalmente em frente aos amigos dele, era também agredida quando estavam sós. A jovem, ainda a estudar numa escola secundária, nunca teve coragem de contar aos pais, com quem vivia, até porque o namoro era recente. Um dia, lembrou-se de uma ação de sensibilização para a violência no namoro que a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tinha feito no liceu. Falou com uma amiga e dirigiu-se à APAV. Ia finalmente denunciar o que estava a viver e pedir apoio. O caso foi contado ao DN pela psicóloga Helena Sampaio, da APAV, que tem experiência no atendimento de vítimas e nas ações de sensibilização sobre o tema nas escolas.

“A violência no namoro é transversal a idades e a classes sociais e cada vez mais expressiva”, afirma perentória Helena Sampaio. Os últimos dados oficiais da PSP, de 2016, do Programa Escola Segura, que abrange 1,1 milhões de alunos, mostram a dimensão do fenómeno: 1787 casos denunciados à polícia, a maioria dos quais (1020) entre ex-namorados e 767 entre namorados. Desses, 103 ocorreram entre menores de 17 anos: 58 entre ex-namorados e 45 entre namorados.

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Há três anos que a violência no namoro tem vindo sempre a aumentar, com a maior subida a registar-se de 2013 para 2014 (mais 501 casos), aumento explicado pelo facto de esta prática ter passado a ser punida criminalmente a partir de 2013, integrada no crime público de violência doméstica.

Helena Sampaio, que tem realizado ações de sensibilização nas escolas, garante que encontra muitos casos de “violência mútua” entre os jovens namorados. “Começa pela violência verbal nas redes sociais e depois evolui para a agressão física, a ponto de rapaz e rapariga serem ambos vítimas e agressores, num duplo papel”. E admite que há uma “banalização dos atos de violência entre jovens”.

Apesar de os números de 2016 indicarem que houve quase dois mil casos registados pela PSP, o subintendente Hugo Guinote, coordenador do Programa Escola Segura da polícia, ressalva que as ocorrências entre menores de 17 anos são apenas 5,80% do total de casos, “mantendo-se estabilizada esta proporção em 2015 (5,83%) e em 2016 (5,76%).

Os dados mostram que as denúncias têm vindo a aumentar nos últimos anos. “Atendendo a que as ações de sensibilização, especificamente sobre esta temática, têm vindo a aumentar em proporções muito mais acentuadas – tendo-se verificado mais 37,75% de ações de 2014 para 2015 e mais 32,5% de 2015 para 2016 – e a própria comunidade escolar se tem mobilizado muito mais na denúncia, este ligeiro aumento é uma evidência do período de desocultação que ainda estaremos a atravessar, e que é precisamente um dos objetivos do Programa Escola Segura”, referiu.

Namorados escolhem as roupas

Daniel Cotrim, assessor técnico da direção da APAV, conhece a realidade pelas ações de sensibilização nas escolas. “A verdade é que em 2017 as raparigas portuguesas ainda não contam aos pais que têm namorado.” Sublinhando que esse paradigma “tem de ser alterado”, Cotrim recorda o que tem notado nas estudantes: “A grande maioria das raparigas dizem que os namorados é que lhes escolhem as roupas quando vão sair na sexta-feira à noite e que eles têm acesso às passwords de e-mail e Facebook (e o contrário não acontece), que a primeira relação sexual é quase forçada, o ciúme desmesurado é visto como natural e a traição deles como uma falha delas.” Quando as vítimas são menores, a APAV contacta os pais e incentiva-os a assistir às consultas de acompanhamento. “A maior parte dos pais são apanhados de surpresa. Primeiro não acreditam, depois ficam irritados por não saberem do namoro e acabam por se culpar a eles próprios.”

 

Nas salas de aulas reina a “pequena indisciplina”

Fevereiro 10, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

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Só 0,01% dos alunos foram transferidos compulsivamente de escola em 2014/2015, revela o Ministério da Educação. Aulas expositivas “potenciam” problemas, dizem pais e directores.

Clara Viana

Este é um dos casos em que as minorias contam. Segundo um inquérito realizado junto dos directores de 45 agrupamentos frequentados por 53.664 alunos, 8,23% dos estudantes tiveram em 2015/2016 participações disciplinares. E, no entanto, a nível internacional, os professores portugueses são dos que se queixam mais de problemas de indisciplina em sala de aula, conforme dão conta inquéritos internacionais a docentes.

“Basta um aluno ou dois malcomportados por turma para darem cabo de uma aula”, comenta a propósito Alexandre Henriques, professor do 3.º ciclo e secundário e autor do inquérito sobre indisciplina nas escolas, feito em colaboração com a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), que nesta terça-feira será publicado no blogue ComRegras de que também é responsável.

É o segundo inquérito sobre o tema realizado por Alexandre Henriques. O primeiro retratava a situação em 2014/15. Para que pudessem ser feitas comparações entre ambos, o autor levou em linha de conta apenas uma parte dos agrupamentos que este ano responderam ao inquérito, de modo a abranger um universo de alunos idêntico ao do ano passado: cerca de 35 mil. Resultados: o número de alunos, neste universo, com participações disciplinares passou de 2014/2015 para 2015/2016 de 2641 para 3035; registou-se também um acréscimo nos dois tipos de medidas disciplinares previstas pelo Estatuto do Aluno. Nas medidas ditas correctivas, de que o exemplo mais frequente é a ordem de saída da sala aula, passou-se de 4,18% para 5,28%; nas sancionatórias, que podem levar à suspensão ou à transferência compulsiva de escola, a oscilação foi de 1,96% para 2,28%.

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Em números absolutos, nos agrupamentos inquiridos há registo de 3807 medidas correctivas em 2015/2016 que foram aplicadas a 1854 alunos, o que quer dizer que muitos dos visados são repetentes na matéria. O mesmo se passa nas medidas sancionatórias, com um total de 1054 aplicadas a 802 alunos.

participacoes-alunos“Suspender um aluno não se faz”

Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação indicou que em 2014/2015, últimos números que tem disponíveis, “foram instaurados 215 procedimentos disciplinares que originaram transferência de escola (a medida sancionatória mais gravosa), o que representa 0,01% do total de mais de um milhão de alunos”.

“Sou director há 14 anos e nunca suspendi um aluno, nem nunca o farei. Porque mandar um aluno para a rua é mandar também o problema para a rua e isso não se faz. Isto não quer dizer que não tenhamos tido problemas graves, mas conseguimos resolvê-los na escola”, refere a propósito o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.

Ao contrário da evolução de crescimento identificada nas conclusões apontadas no estudo de Alexandre Henriques em colaboração com a ANDAEP, Manuel Pereira dá conta de que no agrupamento de que é director, agrupamento de Escolas de Cinfães, “há uma diminuição clara da indisciplina”, o que ele atribuiu à “grande política de proximidade com os alunos e encarregados de educação”.

O aumento reportado no estudo não significa “que haja mais casos de indisciplina nas escolas, mas sim que estas estão mais atentas ao fenómeno e o reportam mais”, afirma Filinto Lima, responsável da ANDAEP, que lamenta que o Ministério da Educação não tenha dados públicos sobre este tema, tornando assim impossível ter um retrato nacional da indisciplina na escola.

 

participacoes-disciplinaresAulas expositivas potenciam indisciplina

Apesar destas limitações, Filinto Lima não tem dúvidas de que, nesta matéria, “é a pequena indisciplina que reina nas escolas”. Os alunos que olham para trás, que atiram um avião de papel, que falam uns com os outros, são alguns dos casos que aponta.

“Difícil é sentá-los e depois mantê-los cativados e pró-activos durante a sala de aula”, afirma, para acrescentar que as aulas expositivas, com o professor a debitar a matéria, ainda muito frequentes em Portugal, acabam por potenciar “situações de indisciplina”.

“Pede-se às crianças que fiquem imóveis numa sala de aulas durante 50 minutos”, lembra o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, acrescentando que muito do que está em causa também aqui são as práticas pedagógicas em sala de aula. “Aquilo que é normal numa criança, uma forma de estar mais irrequieta, é vista muitas vezes como indisciplina”, frisa.

Jorge Ascensão considera, por isso, que há sempre “algum exagero” quando se fala de indisciplina nas escolas. “Desde a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que existe uma tendência de vitimização por parte dos professores que, por vezes, quase leva a crer que Portugal é um país de crianças gangsters. Claro que há situações graves nas escolas, mas sempre as houve”, diz.

Os dados de um inquérito aos professores realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 2013, dão conta de que os docentes portugueses estão entre os que dizem gastar mais tempo a manter a ordem em sala de aula: 17,7% do tempo de aulas é consumido nesta tarefa contra uma média de 13,1% na OCDE. No mesmo inquérito, Portugal está entre os cinco países com uma maior percentagem de professores (38%) a reportarem terem turmas em que mais de 10% dos alunos têm problemas comportamentais.

 

http://www.comregras.com/

Mutilação genital afetou mais de 6500 mulheres em Portugal

Fevereiro 6, 2017 às 5:08 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 6 de fevereiro de 2017.

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RTP

São mulheres oriundas principalmente das comunidades africanas e foram vítimas de mutilação genital feminina. Inês Leitão é a autora do documentário “Este é o meu corpo”, que no dia internacional de tolerância zero à mutilação genital feminina dá a conhecer a realidade destas mulheres.

Inês Leitão refere que se estima em 6576 o número de mulheres que sofreram esta prática ritual, sendo a maioria oriunda da Guiné-Bissau. A autora do documentário refere contudo que é também esta comunidade que agora mais denuncia a prática ancestral. O documentário “Este é o meu corpo”, que aborda a realidade de mulheres

 

Ending the torment: tackling bullying from the schoolyard to cyberspace – relatório das Nações Unidas

Fevereiro 6, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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descarregar o documento no link:

http://srsg.violenceagainstchildren.org/sites/default/files/2016/End%20bullying/bullyingreport.pdf

Bullying, including cyberbullying, affects a high percentage of children at different stages of their development, often severely undermining their health, emotional wellbeing and school performance. Victims may suffer sleep disorders, headaches, stomach pain, poor appetite and fatigue as well as feelings of low-self-esteem, anxiety, depression, shame and at times suicidal thoughts; these are psychological and emotional scars that may persist into adult life.

Bullying is a key concern for children. It is one of the most frequent reasons why children call a helpline. It gains centre stage in surveys conducted with school children, and generates a special interest when opinion polls are conducted through social media with young people.

The recent U-Report initiative supported by UNICEF with more than 100,000 children and young people around the world illustrates this well: nine in every ten respondents considered that bullying is a major problem; two thirds reported having been victims; and one third believed it was normal and therefore did not tell anybody, while many did not know whom to tell or felt afraid to do so.

Candidatos à adopção continuam a esperar anos por uma criança

Fevereiro 2, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 28 de janeiro de 2017.

Dados provisórios mostram que, até ao dia 6 de Dezembro de 2016, tinham sido adoptadas 311 crianças — menos 39 do que no ano de 2015 inteiro Daniel Rocha

Dados provisórios mostram que, até ao dia 6 de Dezembro de 2016, tinham sido adoptadas 311 crianças — menos 39 do que no ano de 2015 inteiro Daniel Rocha

Apesar da prometida aceleração dos processos, dados provisórios indicam que houve menos crianças adoptadas em 2016. Juiz admite que serviços estejam a ser “mais criteriosos” para evitar devolução de crianças às instituições.

Natália Faria

“Se há tantas crianças institucionalizadas, por que é que tão poucas são dadas para adopção?” Esta é uma das perguntas que anda a remoer na cabeça de Magda Alves, desde que, em Novembro de 2012, oficializou a sua vontade de, juntamente com o marido, adoptar uma criança. Mais de quatro anos depois, a família continua à espera, apresentando sinais de desgaste que não hão-de ser muito diferentes dos de outras famílias adoptivas e candidatas à adopção que se reúnem neste sábado, em Santa Maria da Feira, para partilharem experiências num encontro promovido pela associação de apoio à adopção Bem-Me-Queres.

Este encontro decorre mais de um ano depois da publicação do novo regime jurídico da adopção, através do qual o então ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, se propunha desburocratizar os processos e encurtar os prazos da adopção até um máximo de 12 meses. Isto foi em Setembro de 2015. Mais de um ano depois, “não se sentem grandes melhorias”, avalia ao PÚBLICO Cristina Silva, vice-presidente da Bem-Me-Queres.

O Instituto de Segurança Social (ISS) ainda não disponibilizou os números globais da adopção relativos ao ano passado. Mas os dados provisórios mostram que, até ao dia 6 de Dezembro de 2016, tinham sido adoptadas 311 crianças — menos 39 do que no ano de 2015 inteiro. Quanto aos casos de pré-adopção, contavam-se 355 casos, contra os 412 de 2015 — ou seja, parece ter havido uma diminuição das crianças adoptadas. Porquê? “Os serviços estarão a ser mais criteriosos na selecção, no sentido de evitar os problemas da devolução de crianças ou de pessoas que decidem reverter o processo de adopção”, admite o juiz António José Fialho, do Tribunal de Família e Menores do Barreiro. Entre 2010 e 2014, terão sido “devolvidas” às instituições 53 crianças, das quais 39 estavam ainda em processo de pré-adopção. Entre 2005 e 2010, os números apontam para 108.

Ao caso de Magda Alves não se aplica o argumento de que as adopções não avançam porque a maioria dos candidatos à adopção, como explica a advogada especializada em direito de família Anabela Quintanilha, exige bebés ou crianças pequenas, saudáveis e de preferência “com olhos azuis e carinha de anjo”. “Dissemos apenas que não queríamos uma criança com uma deficiência muito profunda”, diz Magda Alves. “Estamos abertos a diferentes raças ou etnias e a única coisa que pedimos foi que fosse uma menina. Quanto à idade, o único entrave é o legal, que diz que o filho adoptado não pode ser mais velho do que o nosso filho biológico que tem oito anos.”

Quando chega a irmã?

Para esta empresária de 42 anos, a única alteração que o novo regime jurídico trouxe foi obrigá-la a renovar a candidatura, com tudo o que isso implica de burocracia. “Tivemos que voltar a pedir atestados médicos, certidões de nascimento, registos criminais…” Feito isso, o novo regime jurídico até prevê que as famílias possam ter acesso, trimestralmente, ao ponto de situação do seu processo. Porém, Magda voltou a sentir-se esquecida. “Exceptuadas as chamadas que faço pontualmente, o processo parece completamente parado, nada…”

E, enquanto o filho de Magda insiste em perguntar quando chega a irmã, os sucessivos relatórios de caracterização anual da situação de acolhimento das crianças e jovens do ISS reforçam as perguntas com que Magda, por seu turno, se debate. “Se há milhares de crianças institucionalizadas, por que é que tão poucas são dadas para adopção? Por que é que crianças retiradas à família aos três meses de idade ainda se encontram numa instituição aos 9 anos quando há tantas pessoas disponíveis para as acolher?”

Em Dezembro de 2015, havia 1413 casais à espera de adoptar uma criança, a que se somavam mais 471 candidaturas singulares. Na mesma altura, contavam-se 383 crianças juridicamente disponíveis para adopção (225 rapazes e 158 raparigas). Destas, 301 tinham mais de três anos de idade.

A questão, para Magda Alves, é que as 383 crianças que os tribunais deram como disponíveis para adopção são uma percentagem reduzida do universo de crianças institucionalizadas: eram 8600 no final de 2015. E, mesmo considerando que quase metade não pode ser adoptada — a lei impõe os 15 anos como limite etário para a adopção —, subsistem discrepâncias entre os menores cujos projectos de vida delineados pelos técnicos sugerem a adopção e aqueles que efectivamente vêem reconhecida pelo tribunal a sua “adoptabilidade”. Em 2015, havia 882 crianças (10,3%) cujo projecto de vida passava pela adopção, mas a confirmação judicial da medida chegou apenas a 359. No ano anterior, a situação não foi muito diferente: 8.470 jovens institucionalizados, dos quais 886 com um projecto de vida que previa a adopção e dos quais apenas 391 com medida de adoptabilidade decretada.

“A lei portuguesa defende os laços biológicos até ao limite quando sabemos quer muitas vezes estes laços biológicos não prestam para nada, ou as crianças não teriam sido retiradas à família desde logo”, interpreta Magda Alves. “Os técnicos até podem projectar a adopção como o melhor para uma determinada criança, mas para que um tribunal decrete a medida de confiança com vista à adopção é preciso concluir que não existem, ou que se encontram seriamente afectados, os vínculos afectivos próprios da filiação e a adopção só pode avançar quando se comprove que há rompimento desta relação”, contrapõe o procurador Rui do Carmo.

“Nesta fase, é preciso fazer a avaliação dos elementos da família e basta, por exemplo, que algum deles esteja emigrado para que estes processos se atrasem”, acrescenta, por seu turno, António José Fialho, apontando o “mau” exemplo do caso de Liliana Melo, em que o tribunal foi célere na institucionalização e entrega de vários irmãos para adopção, numa decisão que viria depois a ser revertida, quatro anos depois, e já após a intervenção do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, pelo Supremo Tribunal de Justiça.

 

Jovens estão mais tolerantes face à violência

Janeiro 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.publico.pt/ de janeiro de 2017.

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Por Clara Viana e Bárbara Wong

Em todo o mundo dois em cada dez alunos são vítima de bullying

Há uma maior tolerância à violência por parte dos jovens, o que faz também que sejam mais os que a validam como resposta. Esta é uma das conclusões a que a psicóloga clínica Tânia Paias, responsável pelo PortalBullying, chegou com base num inquérito a 1100 jovens portugueses de 11, 13 e 18 anos.

Um estudo revelado nesta segunda-feira pela Unesco, o organismo das Nações Unidas vocacionado para a educação e cultura, dá conta de que, no planeta, dois em cada dez alunos são vítimas de bullying, ou seja cerca de 246 milhões de crianças e adolescentes, no mundo inteiro.

“No ambiente escolar qualquer crianças está sujeita a ser vítima, agressora ou espectadora” desta forma de violência continuada que dá pelo nome de bullying, refere Tânia Paias.

Mas há crianças que estão mais em risco do que outras, revela também um inquérito da Unicef, realizado em 2016 em 18 países, abrangendo 100.000 jovens, que é citado no estudo da Unesco. Portugal não participou, mas estas são conclusões que podem também ser aplicadas a nível nacional, constatam Tânia Pais e a também psicóloga Sónia Seixas, investigadora na área do bullying.

Entre os jovens que assumiram ter sido vítimas desta forma de violência, 25% disseram que tal aconteceu por causa do seu aspecto físico, 25% por causa do género ou da orientação sexual e outros tantos devido às suas características étnicas. Para além destes aspectos, também as crianças e jovens com deficiência ou oriundas de meios sociais desfavorecidos estão em maior risco do que outras, conclui-se no estudo.

“Tudo que aquilo que possa fazer com que a criança sobressaia em relação ao grupo pode constituir um factor de risco”, especifica Sónia Seixas, embora acrescente que esta não é sempre a regra, já que há jovens que são encarados positivamente pelos outros porque se destacam nas suas competências sociais, por serem “mais autoconfiantes, mais assertivos”.

O inquérito da Unesco destaca que um terço dos inquiridos já foi vítima, acha o bullying normal e, por isso, não o denunciou, embora seja certo que muitos desconhecem como e a quem denunciar. Um dos grupos mais afectados é o dos gays, lésbicas e transsexuais.

Segundo este estudo, 24% dos adolescentes entre os 11 e os 13 anos diz ter sido vítima de bullying nos últimos 30 dias e 8% diz que tal lhe acontece diariamente. Em Portugal, aos 11 anos, entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. A média é 13%. O país tem, assim, a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying. Foi o que revelou o grande estudo da Organização Mundial de Saúde sobre a adolescência, que se realiza de quatro em quatro anos. A última edição foi em 2016.

O cyberbullying é outro tipo de violência que preocupa a Unesco. Porque feita através das redes sociais para os smartphones e computadores passa, muitas vezes, despercebido aos adultos. “Nos últimos três anos, as denúncias aumentaram 87% em todo o mundo”, refere o relatório. Só na Europa, onde mais de 80% das crianças e adolescentes entre os 5 e os 14 anos tem telemóvel, o cyberbullying aumentou de 8% em 2010 para 12% em 2014, entre as crianças dos 9 aos 12 anos.

Por isso, a Unesco exige uma resposta global centrada na prevenção e no combate ao bullying. Este é uma “violação grave do direito à educação e um problema real do qual as escolas devem estar conscientes e fazer com que sejam lugares seguros para todos”, defende Irina Bokova, directora-geral da Unesco, que refere não só a violência entre pares, mas também entre alunos e professores.

Além da prevenção é preciso que a escola e a comunidade se centre no combate deste tipo de violência. Ajudar as crianças a identificar o que é o bullying e sensibilizá-las para a sua denúncia é o primeiro passo.

A Unesco recorda que o bullying tem repercussões directas na saúde física e mental da vítima e que, em casos mais graves, pode provocar a morte da mesma.

Texto actualizado às 17h18

 

 

 

Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso em Portugal

Janeiro 14, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.educare.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Health at a Glance: Europe 2016 State of Health in the EU Cycle

educare

O problema da obesidade infantil é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos, alerta relatório da OCDE.

Andreia Lobo

Entrava no supermercado e Miguel (nome fictício) ia direto à prateleira dos salgadinhos. Com 11 anos adorava os “cheetos”. Um aperitivo de farinha de milho com sabor a queijo. Devorava um pacote antes do jantar. A cena repetia-se diariamente. Até que, numa consulta de rotina, a pediatra ficou chocada com o seu peso. Hoje, Miguel tem 17 anos. Corre diariamente. Come cinco peças de fruta, por dia. E começa a refeição sempre com sopa, seja em casa ou na escola. Mostra uma vontade férrea em não voltar a ser o gorducho que foi até aos 14 anos. À mesa das famílias portuguesas continuam a faltar os legumes. Seja no prato, a acompanhar a carne e o peixe, ou na forma de sopa. As crianças portuguesas estão entre as que mais comem fruta, mas são das que menos comem vegetais. É o que diz o relatório “Health at a Glance: Europe 2016” sobre os hábitos de alimentação saudável nos 28 Estados-membros da União Europeia.

A obesidade das crianças portuguesas recebe uma chamada de atenção dos autores do relatório. Mas não são as únicas a dar motivos de preocupação. “Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso na Áustria, Hungria e Portugal e mais de uma em cada três na Grécia e Itália”, lê-se no relatório publicado em novembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Em média, 23% dos rapazes e 21% das raparigas dos 28 Estados-membros têm excesso de peso. A tendência é para os rapazes pesarem mais do que as raparigas. Em Portugal acontece o contrário: as raparigas têm mais peso que os rapazes, o valor da obesidade ultrapassa os 30% nelas e fica nos 25% neles. No Reino Unido, Irlanda, Suécia, Suíça e Turquia acontece o mesmo, elas são mais pesadas.

O relatório “Health Behaviour in School-based Children” mostra que entre as crianças e jovens europeus em idade escolar, 21% dos rapazes e 13% das raparigas tinham excesso de peso em 2013/2014. O peso da obesidade nesta faixa variava de 12% na Dinamarca para 30% em Malta. Mundialmente as balanças estão a mostrar valores cada vez mais altos: entre 2001/2002 e 2013/2014 a percentagem de jovens de 15 anos com excesso de peso aumentou de 11% para 18%, entre os países da União Europeia. O problema da obesidade infantil, lembra a OCDE, é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos.

Pouco exercício físico
Quer chova ou faça sol, Miguel não dispensa o exercício diário. Começou a correr aos 15 anos. Tem a sorte de morar junto a um parque público com bastantes subidas e descidas. E é com as corridas que mantém o peso certo.

Segundo o relatório da OCDE, a falta de exercício é também um problema sério. Nas crianças entre os 11 e os 15 anos, em todos os países europeus, a prática de exercício físico tem vindo a diminuir. Os autores deste relatório lembram que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 60 minutos diários de “atividade física moderada a vigorosa” para as crianças. Poucas o farão. A OCDE alerta que nem sempre existem equipamentos ou espaços para a prática da educação física, mesmo ao nível dos currículos, que possibilitem o cumprimento desta recomendação.

Na UE uma em quatro crianças faz exercício “moderado a vigoroso” regularmente. Os melhores cenários surgem na Finlândia e na Irlanda onde 34% das raparigas e 45% dos rapazes com 11 anos fazem exercício diário pelo menos durante uma hora. Na Bulgária, Croácia, Roménia, República Checa e Espanha, cerca de 35% dos rapazes são fortes praticantes de exercício. Na faixa etária dos 15 anos, lideram os rapazes espanhóis, seguidos dos búlgaros, croatas, irlandeses, luxemburgueses, polacos e checos. As raparigas na Bulgária, República Checa, Finlândia, Letónia e República Eslovaca são as mais ativas.

Relativamente às crianças, Dinamarca, França, Grécia e Itália sãos os países onde menos se pratica exercício. Piores só mesmo os italianos. Tanto os rapazes como as raparigas ocupam as últimas posições, são os mais sedentários quer nos 11 quer nos 15 anos. Preocupante é a redução da prática de exercício verificada à medida que as crianças vão crescendo, ou seja, na passagem dos 11 aos 15 anos. Mais notória no sexo feminino. Em Portugal, na Áustria, Finlândia, Irlanda, Polónia e Eslovénia a percentagem de atividade física entre as raparigas cai em 60%.

Consumo de frutas e legumes
Comer mais fruta e legumes pode ser uma questão, simplesmente, de os ter mais à mão. A exposição a estes alimentos, em casa ou na escola, é um fator importante no aumento do seu consumo. E este é também um indicador de saúde alimentar, reconhecem os peritos da OCDE.

Os jovens de 15 anos surgem na décima posição na lista dos que mais fruta comem nos 28 Estados Membros da UE. Os maiores consumidores de fruta são os rapazes, na Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo e Portugal e as raparigas na Áustria, Dinamarca, Irlanda e Itália. Pelo contrário, Grécia, Letónia e Suécia (rapazes e raparigas) e Finlândia (rapazes) são os menores consumidores de fruta, com rácios de uma em quatro para as raparigas e menos de um em cinco para os rapazes.

No que respeita ao consumo diário de legumes em 2013/2014, uma em cada três raparigas e um em cada quatro rapazes diziam-se consumidores diários, nos países da UE. Na Bélgica, 61% das raparigas comem legumes todos os dias, são seguidas pelas colegas da Dinamarca, Irlanda e Holanda, com percentagens de consumo a oscilarem entre os 45% e 50%. A Bélgica continua a liderar o ranking do consumo destes alimentos entre os rapazes (52%), seguida da Irlanda (41%) e da França (40%). Comer vegetais todos os dias é prática menos comum em Espanha, Estónia, Portugal (nas raparigas) e Finlândia e Alemanha (rapazes). As diferenças de consumo entre géneros são maiores na Finlândia, Alemanha e Itália.

Ainda assim, os europeus estão a comer cada vez mais legumes. Nos últimos 14 anos, o consumo médio diário aumentou, entre rapazes e raparigas. O maior aumento, acima dos 10%, foi registado na Dinamarca e na Estónia, em ambos os sexos. Lituânia (rapazes e raparigas), Áustria (raparigas) e Irlanda (rapazes) registaram aumentos na ordem dos 8 a 10%. Já o consumo de fruta registou um aumento de 2001 a 2009, mas começou a diminuir a partir de 2010 entre as raparigas. O consumo aumentou em mais de 10% na Áustria, Dinamarca, Estónia, Grécia, Hungria e Malta, também na Espanha e na Suécia (só entre as raparigas), mas diminuiu na Alemanha e na Polónia.

Face a estes números, a OCDE recomenda aos países que desenvolvam estratégias eficazes para assegurar que o consumo de frutas e vegetais, nas crianças e nos jovens, esteja conforme as diretivas mundiais na área da alimentação. O relatório destaca a atuação realizada no âmbito do programa europeu de consumo de fruta e vegetais na escola. No ano letivo de 2009/2010 o programa foi introduzido em 24 países da União Europeia. Os resultados permitem olhar o futuro com otimismo. “As intervenções ao nível da alimentação nas escolas têm um efeito forte e positivo no consumo de frutas e vegetais entre as crianças”, concluem os autores do relatório.

 

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