Redes de tráfico usam cada vez mais menores como escudos

Julho 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da RTP Notícias de 11 de julho de 2019.

As redes de tráfico humano estão a usar cada vez mais menores como “escudos” para trânsito ilegal de fronteiras, a par de outros abusos que é urgente contrariar. Destaque de uma entrevista da Chefe-Executiva cessante da ONG, “Save The Children International”, Helle Schmidt, ao programa de Relações Internacionais da RTP3, “Olhar o Mundo”.

Questionada se a União Europeia deve aperfeiçoar e reforçar os mecanismos e recursos de combate a este abuso de crianças, a antiga primeira-ministra da Dinamarca – foi, de 2011 a 2015, a primeira mulher a desempenhar essas funções- foi peremptória: “Concerteza. Em absoluto! Tenho visto crianças serem exploradas de tantas formas que nem imagina. (..) Elas são o nosso futuro e já conheci tantas crianças a quem lhes roubaram o futuro. Roubam-nos o nosso futuro se formos refugiados, se não tivermos acesso à educação, se vivermos de uma forma insegura ou se formos alvos de abusos ou de violência. E há demasiadas crianças a viverem assim”.

Confrontada com o facto de as redes de tráfico humano usarem cada vez mais o duplo expediente de pedido de asilo e uso de crianças indocumentadas (sem prova de laços de família ou autorização de viagem com o adulto em trânsito) como escudo no desembarque, Schmidt reafirmou a urgência de não facilitação desse abuso.

“É claro que temos de ser uma União Europeia que protege as crianças e tenta desenvolver o seu futuro. (…) Estou chocada com a forma como o mundo trata as crianças, por isso, tudo o que pudermos fazer, passo-a-passo, para combater esse problema, temos de o fazer”, afirmou.

Após três anos na liderança da maior ONG à escala mundial dedicada à defesa das crianças em situação de fragilidade, Helle Schmidt afastou-se do cargo este mês e, aos 52 anos, abre agora a porta a um cargo de liderança da nova estrutura da União Europeia.

Casada com o deputado trabalhista britânico, Stephen Kinnock (filho do antigo lider trabalhista Neil Kinnock), Helle Schmidt estreou-se como eurodeputada antes de ser eleita para o parlamento do seu próprio país e é Mestre em Estudos Europeus, pelo College Of Europe, em Bruges, Bélgica (1993).

Helle Schmidt foi entrevistada à margem da reunião anual do Conselho Europeu de Relações Externas (ECFR.EU), realizado este ano na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Um trabalho que vai ser emitido e analisado este sábado, a partir das 14h20, no programa “Olhar o Mundo” da RTP3.

Visualizar o vídeo da notícia com a entrevista no link:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/redes-de-trafico-humano-estao-a-usar-cada-vez-mais-menores-como-escudos_v1159790?fbclid=IwAR2ZWOrVAMnG_tvLjuvIsNkdd168Ou4OcLjauw_bUM_2VKKQ4Z8wmdAYZPU

Proporção de vítimas infantis de tráfico de pessoas mais do que dobrou em 12 anos

Julho 30, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 30 de julho de 2019.

O Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas é marcado em 30 de julho. Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, cerca de 72% das vítimas são mulheres e meninas e o porcentual de vítimas infantis mais do que dobrou de 2004 a 2016, chegando a perto de 30%.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta terça-feira que “o tráfico de pessoas é um crime hediondo que afeta todas as regiões do mundo.”

O Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas é marcado em 30 de julho. Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, cerca de 72% das vítimas são mulheres e meninas e o porcentual de vítimas infantis mais do que dobrou de 2004 a 2016, chegando a perto de 30%.

Vítimas

Em mensagem sobre o dia, Guterres disse que “as vítimas mais comuns são traficadas para exploração sexual” e também “para trabalhos forçados, recrutamento como crianças-soldados e outras formas de exploração e abuso.”

Segundo o chefe da ONU, “os traficantes e grupos terroristas atacam os mais vulneráveis, desde pessoas em situação de pobreza até aqueles que estão em guerra ou que enfrentam discriminação.”

Guterres lembrou que Nadia Murad, a primeira vítima de tráfico a servir como embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2018 pelas ações realizadas para deter o tráfico e a violência sexual em conflitos.

Migrantes

O secretário-geral afirmou que “conflito armado, deslocamento, mudança climática, desastres naturais e pobreza exacerbam as vulnerabilidades e o desespero que permitem que o tráfico floresça.”

Sobre os migrantes, disse que “estão sendo visados” e que “milhares de pessoas morrem no mar, em desertos e em centros de detenção, nas mãos de traficantes e contrabandistas que operam seus monstruosos e impiedosos tráficos.”

Guterres destacou, no entanto, “a indiferença cotidiana ao abuso e à exploração” que existe à nossa volta. Segundo ele, “da construção à produção de alimentos e bens de consumo, inúmeras empresas e empresas se beneficiam da miséria.”

Progresso

O chefe da ONU citou progressos, como a Convenção de Palermo e o Protocolo para Prevenir, Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, Especialmente Mulheres e Crianças.

Ele disse que “a maioria dos países tem as leis necessárias em vigor e alguns países realizaram recentemente suas primeiras condenações”, mas que “é preciso fazer mais para levar as redes de tráfico à justiça e, acima de tudo, garantir que as vítimas sejam identificadas e tenham acesso à proteção e aos serviços de que precisam.”

ODSs

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável incluem metas para prevenir o abuso e a exploração, eliminar todas as formas de violência contra mulheres e meninas e para erradicar o trabalho forçado e o trabalho infantil.

Neste Dia Mundial, Guterres pediu que a comunidade internacional “reafirme o compromisso de impedir que os criminosos explorem implacavelmente as pessoas em busca de lucro e ajudem as vítimas a reconstruírem suas vidas.”

Apelo

Entre 2003 e 2016, foram identificadas 225 mil vítimas de tráfico. Em mensagem sobre o dia, o diretor executivo do Unodc disse que existem “muitas, muitas mais vítimas que precisam da nossa ajuda.”

Em anos recentes, a proporção de pessoas que é traficada dentro do seu país aumentou para 58% do total de vítimas. É por isso que o Unodc dedica o Dia Mundial este ano a um apelo para mais ação dos governos.

Yuri Fedotov diz que “combater este flagelo significa construir uma sociedade que não deixa ninguém para traz.” O diretor executivo pede “aos governos que aumentem as suas respostas e deem as vítimas o apoio e justiça que merecem.”

30 de julho – Dia Mundial Contra o Tráfico de Seres Humanos

Julho 30, 2019 às 10:20 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.unodc.org/unodc/ru/human-trafficking/what-is-human-trafficking.html?ref=menuside

Tráfico de crianças : o esquema que passa pelo aeroporto de Lisboa

Julho 28, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de julho de 2019.

A história de Califo e das crianças talibés da Guiné-Bissau

Junho 1, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 16 de maio de 2019.

Centenas de crianças guineenses são enviadas para o Senegal para estudar o Corão; exploração de menores na mendicidade gera até US$ 8 milhões; quarta parte da série da ONU News sobre a Guiné-Bissau destaca resgate de mais de 840 meninos.

Califo tinha nove anos e mendigava nas ruas de Dacar, no Senegal, quando um estranho lhe perguntou se queria regressar a casa.

A criança tinha sido enviada para uma escola corânica dois anos antes, mas rapidamente a vida de estudo se transformou em uma rotina de abusos. Ele era obrigado a mendigar para poder comer e castigado se conseguisse pouco dinheiro.

Quando o voluntário de uma organização não-governamental lhe perguntou se era da Guiné-Bissau e se queria voltar para casa, ele respondeu que sim.

Califo tornou-se assim um dos meninos que a Associação Amigos da Criança, Amic, ajudou a resgatar das ruas da capital senegalesa. Entre 2011 e 2018, com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a instituição ajudou o regresso de pelo menos 842 crianças.

Talibés

Estas crianças são conhecidas como talibés. O administrador da Amic, Fernando Cá, explica que o nome “significa aluno que aprende o ensino corânico.” Em muitos casos, no entanto, “são postos a mendigar e a pedir esmolas nas ruas.”

Em Dacar, encontram-se milhares destas crianças. São quase todos meninos, usam roupas sujas e rotas, e carregam baldes ou chapéus para pedir esmola. Muitos aceitam comida em vez de dinheiro.

O Unicef diz que elas “vivem em uma situação vulnerável em que lhes são negados os seus direitos humanos.” Além disso, têm “a sua saúde física e seu bem-estar psicológico e mental em risco” e estão “expostos à criminalidade, ao abuso sexual e aos maus-tratos.”

Fernando Cá diz que “há mestres que fixam um montante que a criança deve trazer no final do dia e, se a criança não conseguir esse montante, é severamente castigada.” Segundo as Nações Unidas, este tipo de mendicidade forçada gera cerca de US$ 8 milhões para os professores todos os anos.

Números

O Unicef diz que, devido à complexidade do problema, não é fácil recolher dados exatos sobre o número de crianças talibés vítimas de abuso e exploração.

A Human Rights Watch estima que existam 100 mil talibés no Senegal. Alguns vivem em condições “semelhante à escravidão” e com casos documentados de abuso sexual e morte por negligencia. Um estudo citado pelo Unicef refere cerca de 7,6 mil crianças mendigando nas ruas de Dacar. Cerca de 30% são da Guiné-Bissau.

Nos últimos anos, foram feitas campanhas de sensibilização, mas representantes das várias organizações dizem que o número de crianças enviadas para o Senegal não tem diminuído. O Unicef estima que entre 20% a 40% das crianças resgatadas dessas ruas sejam da Guiné-Bissau.

A agência cita relatórios das forças policiais que mostram que, entre 2007 a 2009, cerca de 200 talibés guineenses atravessavam as fronteiras do país todos os meses. Segundo o Comité Nacional para a Prevenção do Tráfico de Seres Humanos, cerca de 2,2 mil destas crianças foram encaminhadas para serviços de proteção infantil nos últimos sete anos.

Pais

As crianças são muitas vezes levadas por um parente ou alguém que se apresenta como um mestre. Fernando Cá diz que “às vezes há uma ruptura total com os familiares e a criança fica só ao cuidado do mestre, sem outra proteção, e foge quando tem a ruptura com o mestre.” Algumas crianças são acorrentadas para não fugir.

Muitos destes casos encaixam na definição de tráfico de seres humanos, mas um estudo do Unicef, realizado em 2010, explica que a expressão é descrita pelos guineenses como “pesada”. A agência diz que “há razões para acreditar que a aplicação do conceito não é propícia a criar um diálogo construtivo e um entendimento mútuo entre os envolvidos.”

Segundo o estudo, a prática “é baseada em valores religiosos e culturais, bem como em fatores históricos.” Muitos pais sentem-se “criminalizados e humilhados” quando se usa a palavra tráfico para descrever os seus esforços.

Segundo o corão, é obrigação dos pais assegurar a educação dos filhos. Não se sabe exatamente quantas pessoas seguem a religião no país, mas segundo os últimos censos, realizados em 2009, os muçulmanos representam 45% de toda a população.

Chegada à madrassa

Califo nasceu numa pequena aldeia na região de Bafatá, no leste do país, onde se concentra a população muçulmana.

A sua mãe morreu quando dava à luz. A jovem tinha 15 anos. O pai nunca fez parte da sua vida.

Segundo as Nações Unidas, a Guiné-Bissau está entre os países com taxa de mortalidade materna mais elevada em todo o mundo. Em 2015, por cada 100 mil nascimentos, morriam 549 mulheres.

O Estado ocupa a sexta posição dos países com taxas mais altas de mortalidade neonatal. Uma criança morre a cada 26 partos. São sete recém-nascidos todos os dias. Mais de 80% dessas mortes são causadas por condições que podem ser prevenidas ou tratadas, como problemas durante o parto ou infeções.

Nos primeiros anos de vida, Califo foi criado por uma tia, que morreu quando ele tinha seis anos. O menino foi depois viver com um primo, mas é difícil para uma pessoa solteira educar uma criança num país onde dois terços da população vivem com menos de US$ 2 por dia. Mais de um terço das pessoas vivem em situação de pobreza extrema ou com menos de US$ 1 diário.

Um ano depois, o primo decidiu confiar Califo a um homem que o levou para o Senegal. O objetivo era que aprendesse o Corão, para que pudesse ter uma profissão, talvez tornar-se professor.

O Unicef diz que “uma causa chave para a extensão da prática é a situação socioeconómica geral da Guiné-Bissau e sua instabilidade política.” Segundo a agência, a situação atual “força as pessoas a buscarem suas próprias soluções para ajudar a si e aos seus filhos.”

Escolhas

Califo foi levado para uma escola corânica, conhecida como daara ou madrassa, em Dacar. As aulas começavam as 5:00 da manhã. Às 9:00 tinha de estar nas ruas a pedir esmola. Se não trouxesse o dinheiro suficiente, passava o dia sem almoço. Às 14:00 recomeçavam as aulas por mais três horas.

O Unicef diz que “o precário e fraco sistema educacional oficial do país” é outro dos motivos para tantos pais enviarem os filhos para estes locais. Segundo a agência, “a falta de escolas públicas e o baixo nível operacional daquelas que existem são sentidos em toda parte.”

Cerca de 38% das crianças entre os seis e os 11 anos de idade não estão na escola. Um terço de todas as crianças em idade de ensino primário não tem aulas. Durante grande parte do ano letivo 2018-2019, todas as escolas tiveram fechadas, devido a uma greve de professores causada por salários em atraso.

Fernando Cá diz que os pais ficam surpreendidos quando os filhos regressam e contam tudo o que passaram nas madrassas, o alegado abuso dos mestres, os dias sem comer. O representante diz que muitos não tinham ideia do “castigo” que as crianças teriam de passar para aprender o corão.

Muitos guineenses dizem que não enviariam os filhos para o Senegal se tivessem opções. Mas, fora da capital, a escola mais próxima fica muitas vezes a dezenas de quilómetros de distância.

Regresso

O Unicef atua em todas estas áreas, com intervenções na área da saúde infantil e materna, nutrição, educação, proteção, advocacia, comunicação e parcerias. Em 2016, investiu cerca de US$ 14 milhões neste esforço.

A agência também apoia o trabalho com as crianças talibés. Além de prestar ajuda técnica e financeira à Amic, construiu um centro de acolhimento em Gabu, uma das regiões onde o fenómeno é mais forte, que pode acolher até 30 crianças de cada vez.

Depois de ter sido recolhido em Dacar por uma organização parceira, Califo chegou ao segundo centro da Amic, nos arredores de Bissau, no início de 2018. O centro são várias pequenas casas, decoradas de forma simples, com um parque infantil debaixo de umas árvores de caju.

Foi neste centro que Califo conheceu a sua nova mãe. A Amic tinha procurado a família do menino e encontrara uma tia, que anos antes tinha trocado o campo pela capital e vivia agora no Bairro Militar. A mulher já tinha três filhos, mas aceitou adotar o menino.

A família recebe um apoio financeiro para que Califo não seja enviado para o Senegal novamente. Ele também regressou à escola, com todas as despesas pagas pela parceria com o Unicef. Quando lhe perguntam o que quer ser quando for grande, ainda não tem resposta, mas agora tem tempo para descobrir.

*Série produzida com o apoio do Uniogbis e do Pnud Guiné-Bissau

Tráfico de Direitos Humanos? : III Seminário da Rede Norte de Apoio e Proteção a Vítimas de TSH – 8 maio em Braga

Maio 4, 2019 às 7:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

Tráfico de crianças preocupa polícias portuguesas

Abril 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de março de 2019.

Exploração sexual e laboral é fenómeno “a exigir controlo”, alerta RASI, que fala também nas adopções ilegais.

Ana Henriques

O tráfico de menores estrangeiros nas fronteiras aéreas portuguesas, quer para adopção ilegal quer para exploração sexual e laboral está a preocupar as autoridades portuguesas.

O alerta surge no mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), relativo à criminalidade registada no ano passado. Apesar de dar conta de uma redução, em relação a 2017, do número de crianças que foram sinalizadas como tendo sido alvo de tráfico de pessoas, o documento diz que este é um fenómeno “a exigir controlo”.

Foram sinalizados 30 menores como presumíveis vítimas de tráfico, menos 15 que em 2017. São na sua maioria rapazes com idade média de 12 anos e cinco deles vinham de Angola.

No que respeita à restante criminalidade contra crianças e jovens residentes em Portugal, as queixas apresentadas às polícias dão conta de um recrudescimento dos abusos sexuais, mas também de um aumento, da ordem dos 13%, da violência doméstica e dos maus tratos ou sobrecarga de menores. Seja como for, a esmagadora maioria das detenções efectuadas pelas autoridades em 2018 por suspeitas de crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual ainda diz respeito a crianças – sejam abusos ou pornografia.

“No quadro da exploração sexual de menores online os valores diminuíram”, sublinha o RASI. “As situações identificadas são praticadas em geral por indivíduos isolados”, tendo-se registado um aumento acentuado de aplicações encriptadas para trocar imagens e vídeos, como o WhatsApp e o Telegram.

Entre os adultos, destaca-se o aumento dos homicídios voluntários, que de um ano para o outro cresceram 34%. Como é habitual, a maioria dos assassinos foram homens e a maioria das vítimas mulheres. Elas morreram às mãos de pessoas que conheciam, e com as quais se relacionavam. Mesmo assim, o fenómeno da violência doméstica contra os cônjuges registou, entre 2017 e 2018, uma ligeira redução. Lisboa, Porto, Setúbal Aveiro e Braga continuam a ser os distritos onde existem mais queixas, a par da Madeira e dos Açores. Só resultaram em acusação 14% dos 32 mil inquéritos desencadeados no ano passado relativamente a este crime, tendo sido arquivados cerca de 21 mil processos – ou seja, 65%.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual de Segurança Interna 2018

 

 

Fugir a um destino quase certo

Fevereiro 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 17 de janeiro de 2019.

Numa pequena cooperativa têxtil, situada nas montanhas do norte do Vietname, trabalham mais de 130 mulheres, de várias idades. Mulheres que, de alguma forma, foram vítimas de traficantes de seres humanos, ou são mães solteiras e foram marginalizadas pelas suas comunidades. Umas escaparam a casamentos forçados na vizinha China. Outras fugiram à prostituição, entre as mais jovens há quem tenha perdido a mãe para essas uniões forçadas.

Thao Thi Van tinha dois anos quando a sua mãe foi um dia ao mercado e não voltou. Pensa-se que foi levada por traficantes. Hoje, com 13 anos, continua a querer saber quem a vendeu.

Aqui tentam reescrever-se histórias com final feliz. Para Mua Thi Dinh trabalhar nesta pequena fábrica evita que ande “nas colinas, ao sol e à chuva”, diz que se sente melhor aqui.

As histórias de sofrimento destas mulheres desencadearam o processo que levou à criação desta estrutura, chamemos-lhe, familiar. Vang Thi Mai abriu-lhes as suas portas, deu-lhes emprego, uma profissão, um salário para si e para as suas famílias. Acrescenta que a sociedade pode não gostar delas, mas que neste local “sentem-se confiantes”.

Além da dimensão social desta fábrica, a sua criadora tem também o objetivo de preservar a riqueza da cultura Hmong, passada das mais velhas às mais jovens, numa altura em que os têxteis chineses, em poliéster, invadem os mercados da região.

 

Relatório ONU: tráfico de pessoas aumenta, um terço são crianças

Janeiro 22, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 7 de janeiro de 2019.

Recrutamento por parte de grupos armados e terroristas explica agravamento; Escritório da ONU sobre Drogas e Crime quer mais ações para impedir novo aumento; países lusófonos contrariam tendência de aumento.

O número de vítimas de tráfico de seres humanos está a aumentar.

A conclusão é do Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas lançado esta segunda-feira, em Viena. O tráfico de mulheres e crianças organizado por grupos armados e terroristas é uma das principais causas para o agravamento dos números.

O relatório, da autoria do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, foi apresentado pelo diretor executivo da agência, Yury Fedotov, durante um evento especial da Comissão de Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, Cpcjc.

Recrutamento

Com base em informação disponibilizada por 142 países, o relatório examina tendências e padrões de tráfico e coloca em evidência o tráfico de pessoas em conflitos armados.

Fedotov sublinhou que “crianças-soldados, trabalho forçado e escravidão sexual” são algumas das situações identificadas e que “o tráfico de seres humanos assumiu  “dimensões terríveis” à medida que grupos armados e terroristas o usam para espalhar o medo e ganhar vítimas para oferecer incentivos para recrutar novos combatentes.”

Perante estes números, o responsável considera que é necessário “intensificar a assistência técnica e fortalecer a cooperação, para apoiar todos os países a fim de proteger as vítimas e levar os criminosos à justiça e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Exploração Sexual

De acordo com o relatório, em termos globais, os países estão a identificar e a denunciar mais vítimas, e a condenar mais traficantes.  O estudo também constatou um claro aumento no número de crianças que estão a ser vítimas de tráfico, que respondem agora a 30% de todas as vítimas identificadas, com muito mais meninas detetadas que os meninos.

A exploração sexual continua a ser o principal objetivo do tráfico, representando cerca de 59% dos casos.

Lusófonos

Os países lusófonos que constam neste relatório contrariam a tendência geral. Brasil, Portugal, Angola e Moçambique registam um decréscimo no número total de casos de tráfico de pessoas nos últimos três anos.

No Brasil, apesar da quebra do número de casos são reportados cada vez mais relacionados com exploração sexual.

 

 

Seca no Afeganistão leva pais a venderem os filhos

Dezembro 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 28 de novembro de 2018.

A pior seca das últimas décadas no Afeganistão está a levar algumas famílias a venderem os filhos para liquidarem as dívidas ou comprarem alimentos. A seca tem agravado o problema do casamento infantil. A Unicef estima que pelo menos 161 crianças, entre elas seis meninos, tenham sido vendidas num período de apenas quatro meses em duas das províncias afetadas.

“Os pais contraem dívidas para sustentarem a família, esperando que a chuva chegue em breve e lhes permita liquidar a dívida, mas infelizmente a seca continua a arrastar-se e eles não conseguem pagar as dívidas. Infelizmente, as crianças tornam-se uma garantia”, disse Alison Parker, porta-voz da UNICEF para o Afeganistão, numa conferência de imprensa, realizada na terça-feira, em Genebra.

Entre as crianças há bebés de apenas um mês, já prometidos para casamentos forçados. 35% da população afegã realiza casamentos infantis.

10, 6 milhões de pessoas têm dificuldades para alimentar-se no Afeganistão.

“Este é um dos momentos mais difíceis da história do Afeganistão. O povo afegão está a sofrer de uma forma inimaginável”, frisou Toby Lanzer, representante-especial da ONU no Afeganistão.

O Alto Comissariado da ONU anunciou que começou a entregar milhares de tendas aos deslocados, vítimas dos conflitos e da seca.

 

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