Redes sociais imitam estratégias de casas de jogos para criar dependência psicológica

Maio 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia da Visão de 9 de maio de 2018.

As técnicas utilizadas pelos casinos e outras empresas de jogos de azar estão a ser copiadas pelas redes sociais. O objetivo é criar dependência psicológica nos utilizadores.

As redes sociais podem ser tão viciantes como os jogos dos casinos, e ativam no cérebro dos utilizadores mecanismos parecidos aos que são provocados pelo efeito da cocaína. Quem o diz são especialistas de várias áreas, que afirmam que os utilizadores podem chegar a ouvir sons relacionados com os smartphones que, muitas vezes, não são reais. “Essas ‘chamadas fantasma’ e notificações estão ligadas ao nosso desejo psicológico de recebermos esses sinais”, explica, ao The Guardian, Daniel Kruger, especialista em comportamento humano e professor na Universidade de Michigan, EUA.

“Empresas como o Facebook usam métodos parecidos aos da indústria do jogo para manter os utilizadores nas suas plataformas”, afirma Natasha Schüll, autora do livro Addiction by Design: Machine Gambling in Las Vegas, publicado em 2012, onde explica, por exemplo, como as máquinas automáticas dos casinos, as conhecidas slot machines, são pensadas de forma detalhada para viciar os jogadores.

Segundo a escritora, no mundo online, o objetivo é manter a “atenção contínua do utilizador”, através de cliques e do tempo passado nas plataformas: se a pessoa começa a perder o interesse, por exemplo, pelo que se passa no Facebook, vai ser, automaticamente, bombardeada por mensagens subtis ou ofertas para que o seu foco volte a ser a rede social.

O mecanismo cerebral das pessoas quando atualizam o feed do Facebook ou do Instagram é, na opinião de Tristan Harris, ex-especialista em Ética da Google, “irritantemente” semelhante àquele que é desencadeado pelas slot machines: quando puxam a alavanca da máquina, as pessoas podem ter direito a mais uma partida, receber um prémio monetário, ou nada. A verdade é que nunca se sabe o que vai acontecer, se vai haver alguma recompensa ou não, da mesma forma que, nas redes sociais não se sabe se se vai encontrar algum conteúdo interessante. “Mas isso é, precisamente, aquilo que nos faz voltar a atualizar os nossos feeds”, refere Tristan Harris.

Também Mark Griffiths, diretor da Unidade Internacional de Pesquisa de Jogos da Universidade de Nottingham Trent, diz que a recompensa é a chave que prende os utilizadores às redes sociais. “As redes sociais estão repletas de recompensas imprevisíveis, para chamar a atenção dos utilizadores e fazer com que eles criem a rotina de irem constantemente ver os seus perfis”. afirma.

Tal como o gambling, que afeta a estrutura do cérebro e que, por isso, torna as pessoas mais suscetíveis a sofrerem de ansiedade e depressão, as redes sociais também têm sido relacionadas com comportamentos depressivos e, por isso, o seu potencial para provocar um impacto psicológico negativo nos utilizadores não deve ser desvalorizado. “Temos de começar a perceber os custos que o tempo passado nas redes sociais acarreta, porque afeta-nos financeiramente, fisicamente e emocionalmente”, defende Natasha Schüll.

Mas, apesar de toda a polémica em torno das violações da privacidade no Facebook durante o início deste ano, a verdade é que o número de utilizadores desta rede social aumentou 14% em relação ao ano passado e o lucro aumentou 49%, quando comparado com o do mesmo trimestre de 2017.

 

Apresentação da 5ª edição do livro de João dos Santos “A Casa da Praia: O PSICANALISTA NA ESCOLA” 29 maio em Lisboa

Maio 22, 2018 às 9:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

mais informações no link:

https://www.facebook.com/casadapraia6ipss/

 

 

 

Divórcio. Quando os miúdos têm duas casas

Maio 22, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Texto do site MAGG de 28 de fevereiro de 2018.

por CATARINA DA EIRA BALLESTERO

Um divórcio (ou uma separação) é difícil. Por mais amigáveis ou complexas que sejam as condições, nunca é fácil dizer adeus à pessoa com quem partilhámos as nossas vidas, casas, rotinas, férias e, mais importante, filhos.

E é este o verdadeiro busílis da questão — quando existem crianças envolvidas, que nada têm a ver com o rumo que os pais decidiram levar para as suas vidas, não são eles quem mais sofre?

“Não há divórcios iguais, mas há alguns que trazem consequências muito complexas para os filhos. Outros, ainda que sejam dolorosos porque qualquer separação é difícil, não causam tantos danos”, afirma à MAGG a psicóloga Patrícia Poppe.

Ser filho de pais separados é andar de mochila às costas?

À partida, existe algo que não voltará a ser o mesmo. Salvo muito raras exceções, os pais não vão voltar a partilhar o mesmo teto, sendo então a criança privada do contacto constante com pai e mãe. Patrícia Poppe acrescenta: “No início tudo é confuso, novo e angustiante, tanto para os adultos como para os filhos, e é importante que os pais transmitam às crianças confiança que a segurança afetiva vai permanecer”.

Existem casais que optam pela guarda alternada, uma situação que prevê que os filhos residam alternadamente por períodos idênticos com cada um dos progenitores, partilhando estes o exercício do poder paternal.

Foi essa a escolha de Magda Soares, de 41 anos, assessora de imprensa e blogger, e do ex-companheiro, que preferiu não revelar o nome. Depois de uma relação de 11 anos, o ex-casal acabou por se separar quando o filho, Afonso, tinha cerca de dois anos.

“Conseguimos pôr de lado os nossos interesses pessoais e decidimos, em conjunto, que a guarda alternada era a melhor solução, sendo o mais justo para o Afonso”, conta à MAGG Magda Soares.

No caso de Afonso, os pais optam por fazer a troca de semanas usando o horário escolar e tentam que o filho transporte o mínimo de coisas possível de uma casa para outra. “A semana de um termina à sexta-feira quando o deixa na escola e a semana do outro inicia-se no mesmo dia quando o vai buscar”, conta o pai de Afonso.

“A única coisa que passa todas as semanas do pai para a mãe e vice-versa é o saco do almoço (termos, mochila térmica). Roupa, brinquedos, fardamento escolar, escovas de dentes, etc., tudo isto existe em ambas as casas de modo a evitar que Afonso ande de mala de viagem atrás. Inicialmente o seu urso de peluche com que dormia ia atrás, mas a mãe conseguiu que criasse laços com outro boneco em casa dela e o urso fica na casa do pai a guardar o quarto dele.”

Os miúdos devem ter tudo a dobrar?

Numa divisão entre duas residências distintas, devem as crianças ter tudo em duplicado, como brinquedos e outros elementos, ou devem os quartos ser o mais fieis possível em casa da mãe e do pai? Mário Cordeiro diz que não necessariamente.

“Não é obrigatória uma ‘liturgia’ que coloque tudo exatamente igual. Os brinquedos, a decoração e até pormenores dos estilos de vida até é muito salutar que sejam diferentes; todavia, os valores essenciais e os modelos educativos, na sua perspetiva mais ampla, devem ser similares. Se as rotinas forem mais ou menos as mesmas, a criança habitua-se bem, sobretudo se não tiver de andar com malas e apenas levar a mochila normal da escola.”

Raquel Luís, professora de Inglês no âmbito das Atividades Extra-Curriculares do Ensino Básico e educadora de tempos livres, conta à MAGG que já observou situações demonstrativas de que nem sempre a divisão dos filhos entre duas casas corre da forma mais tranquila.

“Acontece muito sermos testemunhas da troca de semanas de pais divorciados, que ocorrem normalmente à sexta-feira”, diz Raquel. “Alguns pais abrem as mochilas dos filhos para verificar se veio tudo, como o casaco, a lancheira, o brinquedo favorito, etc.. E nem sempre as coisas lá estão. Muitas vezes os miúdos esquecem-se na casa de um dos pais, por vezes chega mesmo a ser o pai ou a mãe que não coloca as coisas propositadamente para prejudicar a outra parte e para gerar conflitos.”

Margarida Alegria, psicóloga clínica, alerta também que os pais devem ter cuidado para não competir no que disponibilizam aos filhos nas suas casas, principalmente na adolescência.

“Os adolescentes gostam de aparelhos tecnológicos, como consolas. Por exemplo, se um jovem tem uma PlayStation em casa do pai mas não na da mãe, pode ser prejudicial e passar a semana inteira a cobrar à mãe essa questão ou a desejar que os dias passem depressa para voltar para casa do pai. Esta situação pode também ser uma ação voluntária da parte de um dos progenitores para prejudicar ativamente o outro.”

A psicóloga dá o exemplo do caso de um jovem de 15 anos viciado em tecnologia. “Os pais tiveram uma separação complicada mas hoje em dia dão-se bem pelas crianças. No entanto, o jovem tem todos os jogos e computadores, tudo aquilo que mais gosta, em casa da mãe e, quando se aproxima a semana do pai, chega a recusar-se a ir.”

“Os filhos sentem que, se gostarem dos dois, um dos pais os pode abandonar”

Patrícia Poppe salienta que, mesmo sem recurso a palavras, há atitudes dos pais que levam a que as crianças se sintam pressionadas a tomar partido. “Os filhos sentem que, se gostarem dos dois, um dos pais os pode abandonar. Quando há grandes conflitos, cada progenitor espera consciente ou inconscientemente que o filho esteja do seu lado.”

O impacto emocional para a criança pode ser muito elevado. “Esta situação piora no caso de um dos cônjuges ter sido ‘deixado’ — este vai ficar mais exposto a nível emocional, o que aumenta o risco de algum dos filhos sentir que deve ocupar o lugar deixado por um dos pais. As repercussões a nível de desenvolvimento emocional são consideráveis.”

Márcia, de 14 anos, é filha de pais divorciados e é acompanhada em consulta por Patrícia Poppe. “Apesar de o divórcio já ter acontecido há seis anos, a Márcia ainda sofre com situações decorrentes da separação. Todas as semanas quando faz a transição da casa do pai para a mãe, ou vice-versa, sente-se mal. Esta ansiedade acaba por passar até voltar na semana seguinte. ‘Cada um dos meus pais faz-me perguntas sobre o que fiz com o outro e quem lá estava. Acabo por responder mas não gosto, o que não tenho coragem de lhes dizer’.”

Márcia quer evitar conflitos e sofre com o medo de abandono — está sempre a telefonar aos pais. “Mas na verdade o que sente é um conflito de lealdade, que faz disparar a sua ansiedade e a bloqueia no seu desenvolvimento, nomeadamente na sua autonomia — não vai a casa de amigas, não estuda sozinha e não participa nas visitas de estudo.”

As rotinas e hábitos das crianças devem ser mantidos

Num caso de guarda alternada, os especialistas concordam que a manutenção de rotinas é essencial para que as crianças sejam abaladas o mínimo possível pelo divórcio dos pais e consequente divisão em duas residências, pelo menos numa fase inicial.

“As rotinas dão segurança, logo rotinas parecidas em casa da mãe e em casa do pai podem ser uma ajuda inicialmente”, afirma Patrícia Poppe. “No entanto, com o tempo haverá os hábitos em casa da mãe e as rotinas em casa do pai, que não têm que ser iguais, pois os pais são pessoas diferentes. Cada um dos pais poderá envolver os filhos nas novas organizações e ter em conta dentro do possível as suas opiniões de forma a que os filhos se sintam escutados. Devem ser flexíveis e tentar encontrar a melhor solução para os filhos.”

As rotinas e hábitos diferentes podem realmente ter efeitos nocivos nas crianças se os pais não entrarem numa concordância mínima, especialmente quando se fala de castigos, por exemplo.

“A rotina deve manter-se o mais fiel possível à realidade que existia antes do divórcio”, explica a psicóloga Margarida Alegria. “Caso contrário, se na casa da mãe existem certos hábitos e na do pai outros, as crianças podem sofrer de ansiedade, diminuição do aproveitamento escolar e a parte emocional pode ser muito afetada. Os pais devem comunicar e, por exemplo, fazer por cumprir sanções. Se a criança está proibida de ver televisão ou jogar durante uns dias pela mãe, na semana do pai este deve fazer por continuar o castigo.”

Raquel Luís também já foi testemunha das consequências de alteração de rotinas nas crianças que acompanhava na escola e no centro de tempos livres onde trabalha. “Existem crianças em que é muito fácil perceber onde tinham passado os últimos dias. Tinha um aluno que em casa do pai era super responsável, fazia todos os trabalhos. Na semana da mãe era uma rotina muito mais permissiva e sem regras. Claro que todas estas alterações faziam com que o miúdo ficasse completamente desregulado.”

A professora observou um caso ainda mais grave com um casal de gémeos, filhos de pais separados. “A mãe impunha-se sempre, mesmo na semana do pai, e aparecia na escola sem avisar para os ver. Compreendo que era uma maneira de matar saudades mas acho que ela não pensava nas implicações dessa atitude nos filhos. Apesar de terem saudades da mãe, os miúdos ficavam tão baralhos e transtornados por aquela alteração que o menino acabava por fazer xixi nas cuecas de cada vez que a via”.

Ao contrário dos filhos, os pais devem adaptar as rotinas

O pai de Afonso, que tem uma profissão que o obriga a muitas deslocações, admite que encontrou “um dos meus maiores desafios na gestão da agenda profissional e respetivos horários quando estou com o Afonso. Toda a gestão da casa e necessidades de uma criança têm de ser garantidas por mim e isso torna-se complicado com a atividade que exerço.” Já Magda Soares conta que, após a separação, foi ela que saiu de casa mas procurou uma nova residência junto da sua antiga para não ter de mudar o filho de colégio.

“Inicialmente pensei em não arranjar logo uma casa para mim e até voltar temporariamente para casa dos meus pais, mas isso obrigava-me a mudar o Afonso de escola, o que estava fora de questão, ou a perder muito tempo nas viagens casa-escola. Por sorte apareceu uma casa na mesma zona geográfica e estou a dez minutos tanto da casa do pai do Afonso como do colégio dele. Também a nível de organização do meu quotidiano mudei muita coisa. Trabalho em regime de freelancer e a partir de casa, mas ajustei muitas rotinas a esta nova realidade.”

Nas semanas em que fica com o filho, Magda Soares faz tudo o que tem a fazer enquanto Afonso está na escola. A partir das 17 horas, o tempo é todo para ele.

“Por outro lado, nas semanas em que não o tenho, tento abstrair-me dessa realidade e acabo por ‘encher’ esses dias, seja de trabalho, de jantares com amigos, o que for. Até porque a verdade é que acabo sempre por pensar nisso e a sexta em que a semana muda e ele vai para o pai, é sempre um dia complicado — tenho sempre um sentimento de frustração que devia estar com ele.”

A chave para os miúdos não sofrerem? O bom entendimento dos adultos

O filho de Magda e do ex-companheiro, tinha apenas dois anos e meio quando os pais se separaram, “o que facilitou em muito a adaptação dele”, conta o pai. “Adaptou-se mais rapidamente do que os pais. O Afonso crescerá com esta realidade e hoje, aos quatro anos, já não terá qualquer recordação de quando o pai e a mãe estavam juntos. O modo como tentámos e tentamos fazer as coisas foi pensado para que a alternância seja suave e ele não a sinta.”

Magda acrescenta que acredita que a separação aconteceu no “tempo certo” e não sentiu qualquer alteração no comportamento do filho, tanto que acabou por fazer uma experiência para o comprovar.

“Quando nos separámos não contámos logo na escola, quisemos perceber se nos vinham comunicar algo, que ele estava diferente ou algo do género. Mas ninguém reparou em nenhuma alteração, o que também me deixou orgulhosa de ter conseguido conciliar tudo isto. É um miúdo feliz e saudável e, apesar de saber que não estamos livres de algum tipo de revolta na fase de adolescência, para já ele lida e adaptou-se muitíssimo bem à nova realidade”.

“Ambos defendemos que uma criança precisa tanto do pai como da mãe. Essa convergência, aliada à vontade de cada um de nós querer estar presente na vida do nosso filho de um modo ativo e de ao mesmo tempo aceitar que o outro também tem esse direito, levou-nos à guarda alternada. Nunca me iria conformar com um fim de semana a cada 15 dias”, conta à MAGG o pai de Afonso.

Se os pais se entenderem, a guarda partilhada é a melhor opção

Esta é uma boa solução para ter mãe e pai igualmente presentes na vida dos filhos. Mário Cordeiro, pediatra, salienta à MAGG que “não há qualquer dúvida de que a responsabilidade parental repartida, incluindo a vivência, é um passo civilizacional indispensável, felizmente consagrado na revisão legislativa de 2008.”

Até mesmo para os bebés. “O êxito é enorme, desde que haja um mínimo de relacionamento entre os pais. As crianças que estão neste esquema acabam por descobrir, se as coisas forem fluídas e correrem bem, que ‘têm mais pai e mais mãe’, pois os pais dedicam-se às suas atividades próprias quando não estão com as crianças, investindo mais tempo e energia, acompanhamento e apoio nos períodos em que estão com elas”.

“É óbvio que nunca quis ficar sem meu filho durante uma semana a cada sete dias e sinto que estou sempre a perder momentos importantes da vida dele. Porém, pensámos nos vários quadros e fizemos aquilo que nos fazia mais sentido”, afirma Magda.

A guarda alternada pode realmente ser uma solução, caso os pais assim o entendem e, especialmente, se entendam mutuamente.

“Acredito profundamente que, ao fim de quase dois anos, esta situação é sustentável e foi possível porque nunca perdemos o respeito mútuo um pelo outro. Como adultos, percebemos que o melhor para os três seria a separação e fizemos do nosso principal compromisso tomar esta e qualquer outra decisão sempre em prol do bem-estar do nosso filho”, salienta o pai de Afonso, que acredita que, por vezes, falta bom senso a muitos casais que os leva a tomar decisões com vista a atingir o outro e acabando por usar o filho como arma de arremesso.

“Nos ‘melhores’ divórcios ambos os pais continuam a cuidar dos filhos, encontrando novas formas de suporte emocional, sem os usar como meio de se vingar, nem como moeda de troca”, afirma Patrícia Poppe, acrescentando que é possível as crianças reorganizarem-se sem tanta sensação de perda mas, para que tal aconteça, “é preciso haver estabilidade, afeto e empatia”.

Em divórcios e separações lidamos com emoções humanas e, por vezes, estes sentimentos “levam a melhor”, fazendo com que algum elemento do ex-casal (ou ambos) possam ter atitudes menos felizes e utilizar os filhos como uma peça para jogar a seu favor.

Quando os pais usam os filhos para se vingarem

Margarida Alegria, psicóloga clínica, relata à MAGG um caso que acompanhou onde as condições complexas do divórcio dos pais afetavam gravemente o desenvolvimento da filha.

“Os pais da B. separaram-se há cerca de um ano. Foi um divórcio conflituoso, sendo o pai a tomar a decisão devido às inúmeras discussões, discussões essas a que a criança assistia. Num sistema de guarda partilhada a cada semana, a mãe recusa-se a levar a menina de cinco anos ao colégio, alegando indisponibilidade por não ter carro e refere que não há problema em faltar dado que ainda é muito nova — o que não é verdade, dado que a menina está no último ano de pré-escolar e está a perder aprendizagens, hábitos e rotinas.”

“Os adultos acham que não mas as crianças apercebem-se de tudo”, afirma Margarida Alegria. “Mesmo antes de uma separação, os filhos percebem o mau ambiente em casa, os conflitos. É necessário que os pais sejam capazes de resolver os seus problemas, até porque tudo funciona se os adultos estiverem bem resolvidos, incluíndo a questão da guarda alternada. Caso contrário, usam este esquema para se vingarem um no outro”.

É de salientar que a idade das crianças quando o divórcio dos pais acontece é um grande fator a ter em conta, embora tudo isso possa ser subjetivo. “Penso que seja mais difícil para os mais novos pois sentem a tensão, o sofrimento e a ausência de um dos pais sem compreenderem o que se passa”, diz Patrícia Poppe. “Têm menos recursos psíquicos para lidarem com a situação que é sempre dolorosa e têm menos meios e oportunidades de elaborar o sofrimento. Embora também possa ser muito difícil para os adolescentes, estes podem falar com amigos, irmãos ou adultos, fazer perguntas ou pedir ajuda mais facilmente.”

Além de todos os aspetos psicológicos, há crianças que sofrem tanto com o divórcio dos pais que até se podem observar efeitos físicos, como uma perda de peso repentina, por exemplo.

Mário Cordeiro diz que estes efeitos são passíveis de existir mas, mais uma vez, considera que isso acontece “apenas se não houver bom-senso, justiça e se os direitos e as necessidades irredutíveis das crianças não forem consideradas.”

De acordo com o pediatra, os estudos demonstram que a separação e o divórcio, em si, não causam problemas a médio e longo prazo na criança. “A responsabilidade parental repartida e a vivência e pernoitas nas duas casas são fundamentais para este feliz desenlace”.

Mário Cordeiro vai mais longe: “É altura de os pais, a sociedade, as famílias e, sobretudo, os profissionais nos quais se incluem os juízes, deixarem os tabus, as ideias feitas e a má ciência de lado. Há que optar pelo lado justo que tem a ver com dar às crianças a hipótese de manter o triângulo pai-mãe-filho ao longo de todo o percurso de vida, e não amputá-lo de um desses intervenientes, seja ele qual for, a menos que algum dos progenitores ‘desista’ da função. Mas assim sendo, até é bom que desapareça da vida da criança.”

O que fazer para lidar com a guarda das crianças?

22.340. Segundo dados da Pordata, este número corresponde à quantidade de divórcios em Portugal no ano de 2016. Com estes dados em mente, é provável que existam muitas crianças que se dividem entre a casa da mãe e do pai. Com o intuito de desmistificar a dificuldade desta situação, Robert E. Emery, especialista em terapia familiar, lançou o livro “Eu Tenho Duas Casas. Criar Crianças Felizes e Saudáveis depois de uma Separação”.

José Gameiro, médico psiquiatra, escreve no prefácio que “este livro desfaz alguns mitos, mas também põe condições com as quais estou de acordo, para que a guarda conjunta corra bem e não seja uma fonte permanente de conflitos”.

Com dicas e estratégias para lidar melhor com a separação e a guarda das crianças, ajustadas a cada fase de desenvolvimento, oferece soluções para gerir, por exemplo, a hierarquia das necessidades, gestão de horários e partilha de decisões.

 

 

Os bebés também têm depressões

Maio 21, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do site MAGG de 13 de março de 2018.

por MARTA GONÇALVES MIRANDA

O doente mais novo do pedopsiquiatra Pedro Caldeira da Silva, que criou a Consulta dos Bebés Irritáveis, tinha apenas quatro meses.

O médico pedopsiquiatra Pedro Caldeira da Silva, da Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, acredita que os bebés podem ter depressões. E os sintomas não são assim tão diferentes dos adultos: apatia, pouco interesse na relação com o outro, um olhar triste. Independentemente de não saberem falar, andar ou guardar memórias, eles também sentem dor. “O importante é reconhecer que os bebés podem ter sofrimento — chamemos-lhe depressão ou chamemos-lhe outra coisa qualquer.”

Para combater o estigma associado às crianças e a psiquiatria, o médico criou a Consulta dos Bebés Irritáveis em 2002. Quase 20 anos depois, o número de casos diagnosticados tem-se mantido estável, mas chega quase aos 10%. E é importante perceber que às vezes o bebé não chora apenas porque tem cólicas como disse à MAGG  Pedro Caldeira da Silva. Leia a entrevista.

Como é que um bebé pode ter uma depressão?

Mesmo entre os especialistas é difícil aceitar [essa ideia.] Há especialistas que acham que os bebés não podem ter uma depressão, porque acham que para ter uma depressão é preciso ter um aparelho mental construído, ter memórias. Portanto, só a partir de uma determinada altura da evolução do desenvolvimento é que se pode falar verdadeiramente em depressão. A nossa experiência na Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia não é bem essa, e há um conjunto grande de especialistas que trabalham em permanência na infância e que falam em depressão em bebés muito pequeninos.

Os especialistas que se opõem à ideia de bebés com depressões acreditam que só é possível ter este quadro a partir de que idade?

Pensam que a partir dos dois anos. Nós podemos pensar na depressão com dois ramos: o da perda súbita de pessoas significativas; e o da insuficiência crónica [de afecto]. Neste último digamos que é preciso ter uma idade maior, dizem alguns. Eu não colocaria sequer esse limite nos dois anos, pode acontecer mais cedo. A partir de certa altura é uma questão de terminologia entre os especialistas, mas o importante é reconhecer que os bebés podem ter sofrimento — chamemos-lhe depressão ou chamemos-lhe outra coisa qualquer.

Segundo a sua experiência, quão cedo é que um bebé pode ter uma depressão?

Lembro-me de um bebé com quatro meses que tinha um quadro depressivo. E os quadros de depressão nos bebés, curiosamente, são muito semelhantes aos quadros de depressão nos adultos.

De que sintomas é que estamos a falar?

Adinamia [redução da força muscular, debilitação muscular e fraqueza], pouca vitalidade, o evitamento do olhar, pouco interesse na relação com o outro, um aparente atraso no desenvolvimento. Alterações do sono e da alimentação, irritabilidade. É um quadro muito semelhante ao dos adultos, com as mudanças inerentes — pouco interesse no jogo, na relação. Um ar triste.

O bebé com quatro meses foi o paciente mais novo que tratou?

Sim. Este era um bebé que estava internado no hospital, tinha sido lá deixado pela mãe.

Foi abandonado?

Sim, mas entregue num sítio em que a mãe provavelmente achava que iria ser bem tratado. Mas claro que o serviço de pediatria não é um bom sítio para deixar bebés. No hospital, e naquela altura — isto já foi há mais de dez anos — os cuidados eram muito transversais no sentido em que uma enfermeira mudava as fraldas, outra alimentava. O resto das necessidades do bebé não eram atendidas, de forma que o bebé estava ali. Estava ali.

Acompanhou esse bebé?

Pediram-me para vê-lo porque estava muito irritado, não aguentava estar deitado, chorava imenso e tinha um ar muito triste. Observei o bebé e a coisa mais marcante que se notava logo era o evitamento do olhar. O bebé não olhava nem por nada. Tinha um aparente atraso de desenvolvimento e transmitia-nos uma tristeza muito grande. Estive com o bebé e isto foi filmado. Em meia hora ajudei-o a reanimar. O filme é muito interessante nesse ponto de vista porque vê-se um bebé a reanimar. Partindo de um evitamento maciço e intencional do olhar, o bebé recusava, recusava e chorava, até finalmente aceitar a relação e recuperar a atividade. Isto foi observado depois pelo pessoal do serviço de pediatria e serviu para mudarem a prática. Perceberem que, mesmo no internamento, é preciso uma continuidade de cuidados.

Com esse caso houve de facto uma transformação no serviço de internamento?

Sim. Os bebés precisam destas experiências repetidas.

De que forma é que interagiu com ele?

Tentei captar-lhe o olhar, entrar no ritmo dele. Tentei regular a distância, perceber qual era a distância com que ele se sentia mais seguro. Tentei perceber quantas modalidades sensoriais é que ele tolerava ao mesmo tempo: se conseguia falar-lhe, tocar-lhe e embalá-lo ao mesmo tempo. Fui ensaiando, fui-me mostrando persistentemente disponível e provavelmente o bebé foi-se sentindo seguro e retomou a relação.

Não sabe o que é que aconteceu ao bebé?

Não, não sei. Soube apenas que este vídeo ajudou na altura os juízes a decidirem mais rapidamente o que fazer com ele.

O que é que pode levar à depressão de um bebé?

Em primeiro lugar, as perdas importantes. No ponto de vista da saúde mental de primeira infância, os primeiros trabalhos importantes publicados foram realizados por René Spitz, um pediatra e psicanalista norte-americano.

Que tipo de estudos é que ele realizou?

Ele fez trabalhos nas prisões nos anos 40 e documentou o que se passava com os bebés que estavam com as mães até aos seis meses e depois eram retirados às progenitoras. E eram “muito bem tratados”, estavam em salas com muitas camas, todas brancas, sem grandes estímulos, eram muito bem lavadinhos e limpos e… mais nada. Spitz documentou isto e constatou que os bebés retirados às mães tinham aquilo que ele chamou depressão anaclítica.

Depressão anaclítica?

Uma depressão por perda. Depois realizou mais trabalhos destes em hospitais, e foram estes que permitiram que as mães estivessem presentes nos internamentos das crianças. Em Portugal as mães passaram a poder estar com os bebés em 1981 ou 1982. As coisas demoram.

Em Portugal as coisas chegam mais devagar?

Não é só cá. Demorou muito tempo a obter este reconhecimento e vencer a resistência de que as mães eram um empecilho na vida dos filhos.

A perda é uma das razões que podem levar à depressão de um bebé. Qual é a outra?

A outra é a insuficiência crónica. A indisponibilidade emocional dos cuidadores tem mais consequências do que propriamente o mau-trato físico.

Estamos a falar de por exemplo mulheres que sofrem de depressão pós-parto?

Por exemplo. A depressão pós-parto é um factor de risco. Nesse caso os bebés não estão necessariamente deprimidos mas mimetizam a expressão deprimida das mães. Quando nós observamos um bebé filho de uma mãe com uma depressão, nós próprios sentimo-nos um bocado deprimidos. Os bebés mimetizam a face da mãe — não quer dizer que estejam deprimidos. Mas pode ser um dos factores: se a depressão se arrasta, não é reconhecida e se mantém cronicamente, há este aspeto da indisponibilidade crónica para o bebé.

Pode haver também uma predisposição genética para a depressão nos bebés?

Provavelmente há, embora esta predisposição genética aumente com a idade. A componente genética do desencadear da depressão aumenta com a idade. Nos bebés muito provavelmente as coisas são quase exclusivamente de base relacional.

Tem ideia de quantos casos de bebés são diagnosticados com depressão?

Aqui na Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia são menos de 10% dos nossos casos. Ainda são alguns.

Maioritariamente são bebés que desenvolveram depressões associadas à perda?

Não, penso que a maioria dos casos estão associados sobretudo à insuficiência crónica.

Como é que um pai ou uma mãe reage a um diagnóstico destes?

Nós não transmitimos necessariamente o diagnóstico. O diagnóstico serve para o que serve, portanto não é necessário muitas vezes transmiti-lo. Umas vezes sim, informamos, quando nos parece que é útil, outras vezes não.

Como é que é feito o tratamento?

O tratamento é relacional. Não se usam anti-depressivos em bebés. É fornecer ao bebé rapidamente uma experiência diferente.

Quando é possível, tenta-se que sejam os pais a fazê-lo?

O tratamento é muito sensível, e nós temos muito cuidado com isso. Tentamos ver se de facto na família é possível fazer esta experiência continuada satisfatória. Para um bebé ou uma criança muito pequenina, para quem os cuidadores não estão muito atentos ou não atendem às suas necessidades, começar um tratamento destes é um risco. Se a relação com o bebé é interrompida, isto para ele vai representar um abandono e nós podemos acabar por contribuir para agravar a depressão. Temos de ter muito cuidado e perceber bem qual é a motivação e a disponibilidade emocional da família para então decidirmos qual é a via de intervenção. Mas muito frequentemente utilizamos as técnicas da chamada psicoterapia mãe-criança, em que se fala com a mãe na presença do bebé ou se está com o bebé na presença da mãe.

E em que é que isso consiste exatamente?

Usamos a palavra. Falamos sobre o bebé com a mãe, falamos sobre as dificuldades da mãe, ou chamamos a atenção para os movimentos do bebé, o que é que necessita, se precisa de colo. Às vezes falamos pelo bebé.

Isso quando existe de facto uma disponibilidade por parte da família. E quando não existe?

Quando não existe, não existe. As pessoas ou procuram ajuda e aceitam ou não procuram e não aceitam. Mas outra das coisas que podemos fazer é ponderar a ajuda das creches ou dos jardins de infância. Sensibilizar alguém que esteja mais disponível para a criança de forma mais continuada. Isto dá-nos alguma garantia de que vai haver uma continuidade.

Quando é que criou a Consulta dos Bebés Irritáveis?                                                                                       

Em 2002. A nossa preocupação foi, e continua a ser, a seguinte: trazer um bebé ou trazer uma criança à psiquiatria é muito difícil. Há um estigma normal e natural associados. Portanto, nós fazemos muitas coisas com a intenção de diminuir o estigma.

Como por exemplo?

Por exemplo, não temos nenhum entrave ao pedido de consulta. As pessoas telefonam e têm consulta, não precisam de relatórios, computadores ou médicos de família. O acesso é completamente livre, porta aberta, desde que as crianças tenham menos de três anos. Foi também um bocadinho neste contexto que nós pensámos como é que podíamos chamar a atenção para o facto de haver bebés que estão em sofrimento, que choram, choram, choram e são difíceis de acalmar e que, enfim, nós podemos dar alguma ajuda além de dizer que é das cólicas. O que nós pensámos então foi criar uma consulta que estivesse descentrada da psiquiatria, que não tivesse estes nomes, e que chamasse a atenção para isto e que as pessoas tivessem um sítio aonde pudessem recorrer.

O que é que é um bebé irritável?

É um bebé que os pais acham que é irritável.

É tão simples quanto isso?

É tão simples quanto isso. Depois nós logo vemos o que é. Nós temos conseguido dar resposta numa semana. A Unidade da Primeira Infância nunca teve lista de espera. Temos 35 anos. Isto é um ponto de honra. Quando é preciso fazemos mais atendimentos, quando há total impossibilidade das nossas enfermeiras, faz-se um acompanhamento telefónico antes da consulta. Nós conseguimos dar sempre resposta. Depois o que encontramos no bebé irritável varia muito. Nós estávamos à espera de encontrar muitos casos de bebés com as chamadas perturbações regulatórias do processamento sensorial. Há um conjunto de bebés que têm reatividade especial aos estímulos sensoriais — aos sons, ao toque, ao embalar —, e que desse ponto de vista podem ser muito irritáveis.

São muito sensíveis?

Sim, ou pelo contrário podem ser muito pouco sensíveis e por isso procurarem ativamente estímulos. Estávamos a pensar que iríamos encontrar muitos casos desses, e para esses o esclarecimento das características do bebé ajuda a adaptar a relação. E encontrámos alguns, mas a grande maioria dos que nos chegaram eram bebés com dificuldades no sono. Também encontrámos muitas mães com depressão pós-parto não reconhecida. Hoje em dia penso que já há muito mais sensibilidade para isto, mas ainda é preciso chamar a atenção para este problema. Muitas mulheres e bastantes homens têm depressão pós-parto e não o reconhecem, não procuram ajuda.

 

 

Palestra “Prevenir a violência escolar : uma Missão com escola e família ” com Luís Fernandes, 23 maio em Beja

Maio 21, 2018 às 3:14 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

 

 

Na próxima 4ª feira (23 Maio), pelas 18 horas, na Biblioteca da Escola EBI de Santiago Maior em Beja, Luís Fernandes vai falar sobre bullying e cyberbullying.

Como podem os pais e professores estar atentos a esta problemática?

Como podem as famílias, as escolas… a comunidade em geral colaborar com vista à prevenção e combate ao bullying e cyberbullying?

Esta iniciativa resulta da parceria da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Santiago Maior e da Associação Sementes de Vida.

A história do rock ilustrada para miúdos e graúdos

Maio 21, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Chuck Berry ©Joana R.

Notícia do P3 de 8 de maio de 2018.

Estabelecer uma ponte entre a cultura dos pais e a linguagem dos filhos é o ponto de partida de A História do Rock (para pais fanáticos e filhos com punkada). O livro de Rita Nabais, com ilustrações de Joana Raimundo, dá a conhecer aos mais novos as principais figuras do rock através de pequenas biografias e curiosidades de artistas que fizeram parte da banda sonora da adolescência dos pais de hoje, outrora jovens amantes de música.

Para Nuno Valente, das Edições Escafandro, a publicação deste livro teve a intenção de criar um lugar na memória das crianças para os ícones da geração dos pais, “numa altura em que o rock está a ser ultrapassado por outros géneros junto das novas gerações” — como o rap e o pop. O editor conta que o feedback não podia ser mais positivo. “Há pais que todas as noites lêem um artista diferente aos filhos, enquanto os adormecem a mostrar as músicas e os vídeos”, exemplifica o editor ao P3.

Esta nova enciclopédia do rock tem 147 entradas com ilustração e texto, que vão desde Bill Haley & His Comets e Little Richard — pioneiros do estilo musical —, até a nomes mais recentes, como The National ou Vampire Weekend, passando por Elvis Presley e Nirvana. Para além dos desenhos dos músicos, o livro conta ainda com as sugestões musicais de várias pessoas da área, como Miguel Ângelo (Delfins) e Fernando Ribeiro (Moonspell), resultando numa playlist com mais de 500 artistas dos últimos 70 anos.

 

Quer ajudar crianças e jovens a encontrar o seu lugar num mundo em mudança?

Maio 21, 2018 às 11:58 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

As Academias Gulbenkian do Conhecimento oferecem apoio a projetos que promovem competências em crianças e jovens.

Este concurso destina-se a apoiar projetos que pretendam promover as seguintes competências sociais e emocionais em crianças e jovens até aos 25 anos: adaptabilidade, autorregulação, comunicação, pensamento criativo, resiliência e/ou resolução de problemas.

Esta ação poderá concretizar-se através de metodologias de referência ou de metodologias experimentais. As metodologias de referência, testadas e validadas para a promoção de competências, são identificadas pela Fundação ou pelas organizações. As metodologias experimentais têm origem nas próprias organizações, nos domínios das suas atividades, e destinam-se à promoção destas competências, não tendo ainda sido sujeitas a teste e validação.

Procuram-se projetos nos domínios das artes, ciência, cultura, desporto, educação, saúde, solidariedade e tecnologia.

 

Prazos de candidatura
De 17 de maio a 11 de junho – submissão de candidatura
Os projetos candidatos são avaliados e os pré-selecionados vão receber apoio individualizado da Fundação para a elaboração de uma candidatura final

De 19 de junho e 9 de julho – elaboração de candidatura final
Das candidaturas finais, serão selecionados 30 projetos a apoiar.

 

Elegibilidade
Podem candidatar-se pessoas coletivas públicas ou privadas, sem fins lucrativos, legalmente reconhecidas, com sede em território nacional.

Por exemplo: associações juvenis, culturais e desportivas, ONGs, IPSS, Associações de pais, Autarquias, Escolas, Universidades ou outras organizações, públicas e privadas, sem fins lucrativos, heterogéneas na sua orgânica, dimensão e atividade.

 

Como concorrer
Só são aceites candidaturas online.
Faça o seu registo.
Antes de submeter o formulário de candidatura, verifique por favor todos os critérios de elegibilidade e leia o Regulamento.
A candidatura só será aceite depois de preenchido o formulário e de fazer o upload da documentação exigida no Regulamento. Por fim clicar no botão “submeter candidatura”

De forma a prevenir dificuldades na submissão das candidaturas, evite a sua candidatura nos últimos dias do prazo.

Saiba mais AQUI.

Seminário “Perfil do aluno do século XXI: rumo ao sucesso educativo” 29 maio em Vila Franca de Xira

Maio 21, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

mais informações nos links:

https://www.cm-vfxira.pt/frontoffice/pages/50?news_id=3773

Inscrição

“Não é suposto termos tantas crianças e jovens que não gostam de aprender”

Maio 21, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Snews

Texto e foto do site Educare de 7 de maio de 2018.

Movimento Pais, Professores, Educadores e Alunos Unidos (MAPPE) insiste na revisão das metas curriculares do 1.º ciclo do Ensino Básico. Conteúdos complexos, extensos e desfasados do desenvolvimento neuropsicológico das crianças são alguns dos motivos. Movimento tem uma petição e pondera uma manifestação.

Sara R. Oliveira

A revisão das metas curriculares do 1.º ciclo do Ensino Básico é uma das vontades do Movimento Pais, Professores, Educadores e Alunos Unidos (MAPPE). “É urgente rever a complexidade dos conteúdos, assim como a quantidade dos mesmos. Consideramos que a definição das aprendizagens essenciais não é suficiente e que é o próprio currículo que precisa de ser alterado”, adianta ao EDUCARE.PT Ana Rita Dias, do movimento. Há vários motivos a sustentar essa vontade. Desde logo porque as atuais metas curriculares estão, em termos de complexidade, “completamente desfasadas do desenvolvimento neuropsicológico de crianças que representam a faixa etária do 1.º ciclo”.

“Logo no 2.º ano de escolaridade assistimos, por exemplo, a exigências de interpretação de textos e raciocínios matemáticos que não estão de acordo com o que é esperado da maioria das crianças daquela idade. São os próprios professores que, estando no terreno diariamente, verificam isso mesmo e que fazem uma enorme ginástica para que as crianças interiorizem conceitos que são apresentados muito precocemente, com a agravante de terem pouco tempo para o fazer”, exemplifica. E o facto de existir uma percentagem de crianças que adquirem conteúdos muito facilmente não pode ser motivo para se partir do princípio de que todas o devem fazer. É preciso espaço e tempo para aprofundar conhecimentos e para que diferentes crianças tenham acesso a diferentes graus de dificuldade, “sem travar os que estão mais aptos a avançar nem acelerar os que precisam de consolidar durante mais tempo”. Esta é a visão do MAPPE.

Muita matéria no primeiro nível de ensino, currículo extenso, pouco tempo. “Com um currículo extenso como o que é proposto no 1.º ciclo, as crianças não têm a oportunidade de adquirir o gosto por aprender porque são mais ou menos diretamente pressionadas a passar à próxima etapa, independentemente de já se sentirem seguras na etapa anterior”, refere Ana Rita Dias. Além das alterações nas metas, é necessária uma alteração na visão de como devem ser adquiridas. O MAPPE defende uma aprendizagem por níveis, em que diferentes crianças estão em níveis diferentes na mesma sala de aula, mas sem competições. “Faz muito mais sentido e é muito mais respeitador dos ritmos de cada um.”

Compreender e dominar matérias 

A pressão para cumprir as metas sente-se na escola, nos alunos, nos professores. Mais burocracia para os docentes, frustração por não haver mais tempo para adaptar conteúdos às diferentes necessidades de aprendizagem das crianças. A pressão vem de todos os lados. “Sentem que existe uma máquina maior do que eles que os obriga a debitar matéria sem ter em consideração a flexibilidade necessária para que esta tenha real significado para os alunos”, refere a responsável. O MAPPE aplaude o recente projeto de autonomia e vê na flexibilidade curricular “um avanço extremamente positivo mas que perde a sua essência a partir do momento em que continua a existir um currículo como o que temos neste momento”.

Pressão para os professores, pressão para os alunos. Os estudos sustentam o quão importante é as crianças adquirirem uma boa autoestima, autoimagem e autoconfiança logo no início da escola. Para se sentirem competentes e para, no futuro, alcançarem os seus objetivos. “Para uma criança se sentir competente, necessita de sentir que consegue corresponder às expectativas do que lhe é proposto e essa sensação leva a que acredite mais em si própria e a que tenha uma imagem positiva de si mesma no percurso académico.” “Ora, se temos metas complexas para a sua faixa etária e que exigem que a criança domine conteúdos para os quais ainda não está preparada, estamos a promover o oposto, ou seja, estamos a fazer com que exista uma maior probabilidade de se sentir incompetente, ‘burra’ e incapaz”.

“Este sentimento, que fica gravado no seu mundo emocional, acaba por definir o seu comportamento futuro perante a escola como, por exemplo, não se tentar superar porque não acredita que valha a pena. Portanto, mais do que as aquisições concretas e rígidas, no 1.º ciclo o mais importante é as crianças sentirem que conseguem compreender e dominar as matérias, pois será esse o motor que as levará a ter mais sucesso no futuro e mais ânsia por estudar e aprender”, sublinha Ana Rita Dias.

“Recreios mais ricos e com menos cimento”
O MAPPE vai entregar uma petição em breve e pondera uma manifestação. O movimento defende escolas com espaços mais humanizados, respeitadores, saudáveis, positivos e, acima de tudo, desejados pelos alunos. “Não é suposto termos tantas crianças e jovens que não gostam de aprender, quando a vontade de saber mais é algo inato em cada um de nós. Muitos alunos dizem convictamente que não gostam da escola e isso acontece porque com um ensino tão formatado lhes matamos a motivação na perseguição dos seus interesses”, realça.

“Uma criança que não quer aprender é uma criança a quem foi cortada a chama da curiosidade. Não adianta acharmos que são eles o problema ou que tudo se baseia na educação que vem de casa. O problema somos nós, os adultos, pais, profissionais e cidadãos em geral que não estamos a saber adaptar os nossos modelos educativos aos tempos que vivemos e que minamos o gosto das crianças por aprender, fazendo-as sentir que a escola é uma obrigação em vez de criar a semente de que é um privilégio”, sustenta Ana Rita Dias.

Tudo isso implica mudanças. “Precisamos de recreios mais ricos e com menos cimento. Precisamos de modelos educativos em que a criança tem um papel verdadeiramente ativo nas suas aprendizagens e pode explorar a sua criatividade. Precisamos de profissionais com formação em disciplina positiva e resolução de conflitos para abandonarem as ineficazes estratégias de punição e recompensa. Precisamos de chamar os pais, as famílias e a comunidade à escola, assim como de levar a escola para fora dos muros, criando-se um maior espírito comunitário, sem barricadas e apontar de dedos de quem é a culpa do estado do nosso ensino. Precisamos de ter, acima de tudo, um novo olhar sobre a educação”. A petição do movimento assenta em princípios claros e fortes.

“Demasiados remendos” 
O MAPPE refere que tem existido sensibilidade para estas questões e que o Ministério da Educação está a tentar, lentamente, a ir ao encontro de vários dos pontos que defende. O otimismo persiste. Acredita-se que a escola será melhor nos próximos anos, apesar de todas as resistências. Ainda assim, o movimento considera que algumas medidas deviam ser mais ousadas e que deveria haver uma maior preparação no momento da sua implementação. Muitas vezes não se sabe fazer, não se sabe como começar.

“Percebemos que estas coisas demoram o seu tempo, que há mentalidades mais conservadoras e que não é fácil gerir os desafios e dificuldades de uma escola que ficou parada no tempo e que agora quer evoluir, seja com metodologias muito expositivas, salas de aula nada dinâmicas ou processo de aprendizagem que não são focados no aluno mas sim no professor. Contudo, nesta necessidade de subir degraus muito devagar, corre-se o risco de se estar sempre a alterar o funcionamento das escolas e de se gerarem demasiados remendos, em vez de se deixar em aberto de forma mais clara e convicta o que é preciso revolucionar”.

Os modelos alternativos têm funcionado e há casos de sucesso. Melhor educação implica escolas diferentes e diferentes funcionamentos. Como a Escola da Ponte, o Agrupamento de Carcavelos ou a Escola Básica da Várzea de Sintra que, segundo Ana Rita Dias, “apesar de precisarem das suas próprias reformulações, deram passos muito maiores do que aqueles que vêm por decreto e tiveram a coragem de ir ao fundo da questão”.

Há portanto pedagogias alternativas, menos tradicionais, com provas dadas na eficácia. “Apesar das suas diferenças, têm em comum alguns princípios que são incontornáveis no futuro, como um papel mais ativo da criança nas suas aprendizagens, uma dinâmica de aula menos rígida e expositiva, um funcionamento escolar menos hierarquizado e mais democrático, um maior investimento nas artes, música e desporto, um maior contacto com o exterior e com a brincadeira não programada, entre outros.” Neste movimento, a luta é por uma educação que realmente serve os alunos e não por uma educação que é imposta e na qual eles não se reveem.

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.