Mais de 1em cada 10 crianças no mundo – 230 milhões – vivem actualmente em países e zonas afectados por conflitos armados

Fevereiro 21, 2015 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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unicef

Cada vez mais crianças vêem-se confrontadas com conflitos cada vez mais complexos e destrutivos, catástrofes naturais e outras emergências, como a epidemia de Ébola, que estão a colocá-las em grande perigo de violência, fome, doença e abusos – e para lhes fazer face são necessários cada vez mais recursos. Mais de uma em cada dez crianças no mundo – ou seja 230 milhões – vivem actualmente em países e zonas afectadas por conflitos armados. >> Saiba mais em www.unicef.org/appeals

Manual Crianças e Jovens vítimas de violência: compreender, intervir e prevenir

Fevereiro 15, 2015 às 5:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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manual

descarregar o manual no link:

http://apav.pt/publiproj/images/yootheme/PDF/Manual_Criancas_Jovens_PT.pdf

“A utilidade desta obra é óbvia e essencial, uma vez que permite instruir os diferentes intervenientes no processo de violência e de apoio à vítima e ao agressor, das fases e competências que cada interveniente tem no processo de saúde (e de doença). (…)

De fácil leitura, clara e com boa estruturação pedagógica por assunto, o Manual Crianças e Jovens vítimas de violência: compreender, intervir e prevenir reflecte a complexidade do problema da criança e adolescente que sofre de maus tratos, de violência sexual, de bullying e de violência no namoro, deixando caminhos e finalidades sobre a promoção, a preservação e o restabelecimento da saúde quando esta é alterada pela violência”

João Luís Baptista (MD, MsC, PhD, Prof. de Saúde Pública)

Centro de Investigação em Saúde Comunitária do Departamento Universitário de Saúde Pública, da Faculdade de

Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (CISCOS/DUSP/FCM/UNL)

L’ONU dénonce les exactions de l’Etat islamique envers les enfants en Irak

Fevereiro 14, 2015 às 4:00 pm | Na categoria Uncategorized | Deixe o seu comentário
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Notícia do http://www.lemonde.fr  de 5 de fevereiro de 2015.

AFP  Sabah Arar

Des enfants irakiens sans abri sur un terrain vague à Bagdad AFP SABAH ARAR

Les conclusions d’un rapport rendu public mercredi 4 février par le Comité des droits de l’enfant (CRC) des Nations unies sont alarmantes concernant la situation des enfants en Irak, notamment dans les zones contrôlées par l’Etat islamique (EI). L’organisme onusien dénonce le recrutement par des « groupes armés », en particulier par l’EI, d’« un grand nombre d’enfants » pour en faire des combattants, des kamikazes et des boucliers humains, ainsi que les sévices sexuels et les autres tortures qui leur sont infligés.

« Des enfants [sont] utilisés comme kamikazes, y compris des enfants handicapés ou ceux qui ont été vendus à des groupes armés par leurs familles », soulignent les auteurs du rapport. Ils expliquent aussi comment certains mineurs ont été transformés en « boucliers humains » pour protéger des installations de l’EI des frappes aériennes, forcés à travailler à des postes de contrôle ou employés à la fabrication de bombes pour les djihadistes. Le comité a exhorté Bagdad à explicitement criminaliser le recrutement d’une personne de moins de 18 ans dans les conflits armés.

DÉCAPITATIONS, CRUCIFIXIONS

Le CRC a en outre dénoncé les nombreux cas d’enfants, notamment appartenant à des minorités religieuses ou ethniques, auxquels l’EI a fait subir des violences sexuelles et d’autres tortures ou qu’il a purement et simplement assassinés. Il relate plusieurs cas d’exécutions de masse de garçons, ainsi que des décapitations, des crucifixions et des ensevelissements d’enfants vivants.

Bien que le gouvernement irakien soit tenu pour responsable de la protection de ses administrés, Mme Winter a reconnu qu’il était actuellement difficile de poursuivre les membres des « groupes armés non étatiques » pour de tels actes. Selon elle, le gouvernement devrait s’efforcer de faire tout son possible pour protéger les enfants dans les zones qu’il contrôle et pour les extraire des lieux contrôlés par l’EI.

PAS ATTRIBUÉS QU’AUX DJIHADISTES

Le comité a toutefois souligné que certaines violations des droits des enfants ne pouvaient être attribuées aux seuls djihadistes. De précédents rapports relevaient ainsi que des mineurs étaient obligés d’être de faction à des postes de contrôle tenus par les forces gouvernementales ou que des enfants étaient emprisonnés dans des conditions difficiles à la suite d’accusations de terrorisme, et dénonçaient également des mariages forcés de fillettes de 11 ans.

Une loi permettant aux violeurs d’éviter toute poursuite judiciaire à condition de se marier avec leurs victimes s’est particulièrement attirée les foudres du CRC, qui a rejeté l’argument des autorités de Bagdad selon lesquelles c’était « le seul moyen de protéger la victime des représailles de sa famille ».

 

 

As crianças da guerra dos 50 dias

Janeiro 11, 2015 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do site do Público de 4 de janeiro de 2014.

510873

Os bombardeamentos começaram pelas três da manhã. Fugi de casa e no escuro perdi-me da minha família. Depois de ter perdido a família, vi um estranho que corria como eu. Corri ao seu lado até chegarmos a uma zona segura. No dia seguinte, essas pessoas ligaram ao meu pai para lhe dizer que eu estava vivo. O meu pai não acreditou até me ver com os seus olhos e me abraçar. Os meus pais pensavam que eu tinha sido morto. Choraram muito quando me viram” Yussif Saad, 14 anos (Shejayya, Faixa de Gaza)

 

 

Max Becherer

As crianças, israelitas ou palestinianas, reflectem sobre as suas experiências de guerra. Algumas delas perderam quem mais amavam. Outras, as suas casas. Todas perderam a inocência.

Para as crianças, não há melhor do que o Verão, quando podem andar a brincar no exterior e descobrir a aventura. Mas este Verão, no Médio Oriente, a violência atingiu o seu ponto de ebulição com as operações militares israelitas contra o movimento radical Hamas, na Faixa de Gaza. Centenas de crianças foram mortas, na sua maioria palestinanas. Dos dois lados do conflito, muitas mais ficaram feridas e a cicatriz emocional é profunda. Muitas crianças sofrem de ansiedade, insónias, pesadelos, perda de apetite e situações ainda mais graves, sendo que o preço a pagar vai prolongar-se no tempo muito além daqueles 50 dias em que duraram os confrontos.

“É frequente que crianças que assistiram a tal violência e a viram como ‘normal’ venham a reproduzi-la na sua vida futura”, declarou o director executivo da Unicef, Anthony Lake.

As crianças, sejam elas israelitas ou palestinianas, reflectem sobre as suas experiências usando termos como “medo” e “perda”. Algumas delas perderam quem mais amavam. Outras, as suas casas. Todas perderam a inocência.

Seguem-se oito depoimentos de crianças que vivem em Israel e na Faixa de Gaza.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post    

oito depoimentos no link:

http://www.publico.pt/multimedia/fotogaleria/as-criancas-da-guerra-dos-50-dias-343177

 

Crianças de guerra

Janeiro 9, 2015 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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artigo do Expresso de 2 de janeiro de 2015.

O relatório citado no artigo é o seguinte:

Rule of Terror: Living under ISIS in Syria

Instrução religiosa e militar, lavagem ao cérebro, a escolha entre morrer no campo de batalha ou como bombista suicida. É o destino de muitos menores na Síria e no Iraque.

Luís M. Faria

Os relatos já são bastantes, em publicações que vão desde sites como o warincontext.org ao “New York Times”. O Estado Islâmico (EI) ensina crianças a decapitar, utilizando métodos diferentes conforme a idade do aluno. Se for muito novo (digamos, 10, 11 anos), a instrução é feita primeiro com vídeos onde se veem exemplos reais e a seguir a criança replica o procedimento num boneco. Quando o aluno tem mais de 16 anos também há vídeos, mas a prova final, em princípio, é efetuada em condições realistas – por exemplo, envolvendo soldados sírios ou iraquianos que tenham sido capturados pelo EI.

No conflito sírio, como noutros pelo mundo fora, há mais que um grupo a usar crianças, mas o Estado Islâmico levou essa prática a níveis inéditos. Para os líderes do movimento, é perfeitamente islâmico sacrificar a vida de meninos. Nos territórios que controla, o EI rapta crianças em grande número para doutrinar. Também acontece os pais entregarem-nas, por dinheiro ou por a escola islâmica ser a única que resta no local. Ao estudo da sharia, a lei islâmica, que pode levar semanas, segue-se o treino militar. As crianças podem tornar-se soldados, bombistas suicidas – conseguem entrar onde mais ninguém entra -, ou envolver-se nalguma atividade de apoio, como dar sangue a outros combatentes. Algumas são enviadas para a frente com este último objetivo.

Mesmo longe dos combates, a brutalização é constante. Em outubro, um relatório da ONU resumiu a situação nas zonas sírias controladas pelo EI: “As crianças têm sido vítimas, perpetradores e testemunhas de execuções pelo ISIS. Meninos com idade inferior a 18 foram executados – decapitados ou abatidos a tiro – por alegada filiação noutros grupos armados. Combatentes do ISIS com menos de 18 anos de idade terão desempenhado o papel de carrasco. Um soldado de 16 anos de idade, supostamente, cortou as gargantas de dois soldados capturados na base aérea de Tabqa em finais de agosto de 2014, em Slouk (Ar-Raqqah). As crianças encontram-se muitas vezes presentes na multidão durante as execuções e não podem escapar à visão dos cadáveres exibidos publicamente ao longo dos dias seguintes”.

“Um pai de Dayr Az-Zawr afirmou que a primeira vez que viu o corpo de um homem pendurado numa cruz em Al-Mayadin, no final de julho de 2014, ficou vários minutos paralisado pelo horror da cena, antes de perceber que o seu filho de sete anos estava com ele, também a olhar para o corpo”, continua o relatório. “Nessa noite, o seu filho não conseguiu dormir e acordou repetidamente em pânico. O pai descreveu que sentia uma culpa imensa por ter exposto o seu filho a uma tal crueldade”.

A fuga

Alguns casos recentes de jovens que conseguiram fugir deitaram luz na situação dos membros mais jovens do Estado Islâmico. Uma das histórias mais impressionantes é a de Usaid Barho, um adolescente sírio de Manjib, próximo de Aleppo. Usaid aderiu ao EI por uma variedade de razões: disseram-lhe numa mesquita que todos os xiitas eram infiéis e que era preciso matá-los – depressa, antes que aparecessem onde morava para lhe violarem a mãe. Os estímulos incluíram a própria fé no Islão, o entusiasmo da cruzada, o espírito de grupo, a perspetiva de escapar ao aborrecimento.

Usaid foi e iniciou o seu treino. Mas diz que se apercebeu do contraste entre a ideologia radical do grupo e a prática dos seus membros, concretamente os homens, vários dos quais fumavam ou até faziam sexo uns com os outros. A matança constante de inocentes também o repugnava. Desiludido, Usaid começou a pensar em sair, ciente de que essa decisão, se alguma vez a exprimisse, podia levar à sua execução imediata pelo EI. Resolveu ser astuto. Após um mês de instrução militar, quando lhe deram a opção entre ser combatente ou bombista suicida, escolheu bombista. Garante que o fez porque isso tornava muito mais fácil a fuga. Se optasse por ser soldado e desertasse no campo de batalha, matavam-no logo. Como bombista, as possibilidades eram maiores.

Cumpridas as preparações que faltavam, chegou o dia marcado para o seu sacrifício, que devia ter lugar no Iraque. Vestiram-lhe o colete e levaram-no à mesquita xiita onde Usaid devia cumprir a sua missão. Mas quando chegou à porta, abriu o casaco e disse: “Tenho um colete suicida, mas não me quero fazer explodir”. Alarme, confusão, gritos. Um guarda tirou-lhe o colete e ele foi levado para a cadeia. Interrogado, as autoridades parecem não ter ficado totalmente convencidas com a sua versão, a julgar pelo facto de o terem mostrado algemado na televisão e lhe terem chamado terrorista. Mas o porta-voz do Ministério do Interior chama-lhe “vítima do Estado Islâmico” e o agente que o interrogou diz que o apoiará se ele chegar a ser julgado.

Habituar crianças à violência extrema

Outras histórias sobre o recrutamento de crianças foram publicadas recentemente no Wall Street Journal, um diário americano. O artigo abre com uma cena em que crianças assistem à decapitação de soldados sírios. Algumas chegam mesmo a participar. O relato de um dos entrevistados, com 17 anos, sugere que esse tipo de evento é habitual. Num vídeo do Estado Islâmico, aparecem oito crianças a insultar um cadáver. O entrevistado conta que antes as crianças de sete anos eram obrigadas a ir à escola; agora têm de lutar. Pela sua parte, a luta começou em 2011, nas fileiras do Exército Livre da Síria. Continuou na frente Nusra, parte da Al-Qaeda, e acabou no Estado Islâmico, conforme cada um desses grupos foi controlando a cidade de Deir Ezzour. (O jovem de 17 anos acabou por deixar o EI, mas o seu irmão mais novo, com dez anos, a quem ele levou para lá, mantém-se um recruta empenhado).

O relatório da ONU diz que “a educação é usada como uma ferramenta de doutrinação, concebida para alimentar uma nova geração de apoiantes. Em muitas zonas, o currículo escolar foi alterado para refletir as prioridades ideológicas e o treino de armas. Campos de treino foram estabelecidos ao longo das áreas que o EI controla”. Dá o exemplo de um campo onde 350 rapazes com idades entre 5 e 16 anos recebem instrução militar e acrescenta: “O grupo armado também dirige deliberadamente propaganda a crianças. Na cidade de Raqah, reúnem as crianças para exibições de vídeos que retratam execuções em massa de soldados governamentais, dessensibilizando-os à violência extrema”.

“Ao usar, recrutar à força e alistar crianças para funções ativas de combate, o grupo comete abusos e crimes de guerra em grande escala, de uma forma sistemática e organizada”, conclui o relatório.

Estado Islâmico impede 670 mil crianças de irem à escola na Síria

Janeiro 8, 2015 às 2:30 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Observador de 6 de janeiro de 2015.

Getty Images

A UNICEF denunciou esta terça-feira que o fecho das escolas forçado pelo auto proclamado Estado Islâmico em muitas cidades da Síria, deixa 670 mil crianças sem acesso à educação todos os dias.

Catarina Falcão

Em dezembro, o grupo terrorista e auto proclamado Estado Islâmico, que domina vastas áreas de território entre a Síria e o Iraque, mandou encerrar todas as escolas sob o seu domínio, privando assim diariamente 670 mil crianças de terem acesso à educação, declarou a UNICEF esta terça-feira. O conflito militar e a devastação de infraestruturas na Síria, faz com que mais de dois milhões de crianças não frequentem diariamente a escola.

Desde novembro que o Estado Islâmico está a rever os programas ensinados às crianças no leste da Síria para integrar regras e conhecimentos religiosos no currículo educativo, no entanto, a revisão levou ao encerramento das escolas, medida que em dezembro, os terroristas decidiram estender a todos os territórios que controlam. Esta medida, segundo a UNICEF anunciou esta terça-feira em Genebra levou a que 670 mil crianças deixassem de ter acesso à escola, disse o porta-voz da organização, Christophe Boulierac, numa conferência de imprensa.

A UNICEF estima ainda que tenham morrido 160 crianças em ataques a escolas e 343 tenham ficado feridas enquanto estavam nas aulas — os números são apenas indicativos, já que, segundo Boulierac, os dados corretos são difíceis de obter. “Para além da falta de acesso à escola, os ataques às escolas ainda abertas, lembram de forma horrífica tanto alunos como professores, do preço que as crianças têm vindo a pagar no conflito na Síria, que está prestes a entrar no quinto ano consecutivo”, afirmou Boulierac.

Há mais de 4 milhões de crianças inscritas no ensino primário e secundário na Síria, mas atualmente, apenas metade dessas crianças vai à escola de forma regular.

 

 

 

The Global status report on violence prevention 2014

Dezembro 30, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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global

descarregar o relatório:

http://www.undp.org/content/undp/en/home/librarypage/crisis-prevention-and-recovery/global-status-report-on-violence-prevention-2014.HTML

The Global status report on violence prevention 2014, which reflects data from 133 countries, is the first report of its kind to assess national efforts to address interpersonal violence, namely child maltreatment, youth violence, intimate partner and sexual violence, and elder abuse.

Jointly published by WHO, the United Nations Development Programme, and the United Nations Office on Drugs and Crime, the report reviews the current status of violence prevention efforts in countries, and calls for a scaling up of violence prevention programmes; stronger legislation and enforcement of laws relevant for violence prevention; and enhanced services for victims of violence.

 

Magistrados devem saber ouvir as crianças

Dezembro 26, 2014 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 13 de dezembro de 2014.

clicar na imagem

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Está a chegar a altura do ano em que a subcomissária Aurora ameaça cortar crianças ao meio, à catanada

Dezembro 16, 2014 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do Público de 13 de dezembro de 2014.

Daniel Rocha

Ana Henriques

Disputas entre as famílias pelo acompanhamento dos filhos no Natal contadas por uma polícia que trabalha na Baixa de Lisboa.

Costuma ser no Natal. Mas às vezes também acontece na Páscoa, e agora que a emigração voltou a ser o que era até no início das férias grandes sucede.

No último dia de aulas antes do Natal há crianças que voltam a ter pai e mãe. Mas aquilo que podia ser uma feliz reunião familiar de um casal há muito desavindo transforma-se, afinal, numa disputa sem quartel: o recém-chegado pai diz que é a sua vez de levar o filho consigo para passar a quadra natalícia; a mãe, por seu turno, não deixa partir a criança, alegando que o ex-marido esteve ausente a maior parte do ano, ou que nem sequer é a sua vez. Às vezes os papéis invertem-se, e é a progenitora a reclamar direitos sobre um filho que ignora fora das épocas festivas. Aurora Dantier sabe do que fala: a subcomissária que dirige as esquadras da Baixa de Lisboa já teve de ajudar a resolver vários destes casos, passados à porta das escolas. “De repente vem o Natal e lembram-se da existência das crianças”, contou esta sexta-feira, num seminário sobre violência doméstica contra crianças e adolescentes organizado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa. Salomónica, a graduada não faz a coisa por menos: “Digo aos pais que tenho uma catana no porta-bagagens. É só decidirem se querem levar consigo a parte esquerda ou a parte direita da criança”.

Os maus tratos infantis, como dizem alguns especialistas na matéria, são um saco onde cabe tudo: da pancada às queimaduras com cigarros, da negligência à violação. E Aurora Dantier já viu de quase tudo. Em caso de dúvida, joga pelo seguro: leva os menores de casa dos pais. “Quero dormir descansada e não acordar com um telefonema a dizer que a criança teve de ser hospitalizada. Mas ainda me custa levar as crianças”. Lembra-se daquela menina de dez anos, fechada à chave no quarto de pensão onde morava com a mãe durante 11 horas seguidas, com um copo de leite, bolachinhas e uma televisão a fingirem-lhe de companhia. “Era Março e só tinha um pijama vestido. A janela do quarto estava aberta”. A progenitora tinha ido arranjar o cabelo. “Voltou bêbada, com outra criança de 15 meses ao colo”. Recorda-se de outra mulher a afogar o filho nas fontes do Martim Moniz, para lhe arrancar os espíritos do corpo. Foi apanhada a tempo pelas autoridades. E do rapaz de 11 anos a quem ninguém conseguia tocar nas costas, de tão espancado que tinha sido pelo pai. Morava com um irmão de seis anos, a quem um dia “a mãe queimou as mãos, colocando-as no fogo”. Aproximava-se o Natal quando foram resgatados da casa onde tinham passado horrores. “Os agentes da PSP lançaram uma campanha de angariação de fundos para não ficarem sem brinquedos”, relatou a subcomissária. Mais tarde haviam de voltar a passar alguns fins-de-semana com os progenitores. “O pai voltou a agredir um deles”.

Quando isso acontece, é preciso fotografar as crianças o mais depressa possível. Retratar as marcas da violência, a roupa por vezes imunda, o cabelo desalinhado. São provas preciosas em tribunal, quando for altura de decidir, de uma vez por todas, quem tem ou não condições de exercer o poder parental. Antes disso acontecer, às vezes aparece na esquadra uma tia a oferecer-se: “Venho ficar com a criança. A Segurança Social paga quanto?”.

Dados do Instituto de Medicina Legal referentes ao triénio 2011-2013 revelam que 45% dos maus tratos a crianças até aos seis anos são perpetrados pelos progenitores, normalmente usando “armas naturais”: as mãos e os pés.

Também presente no seminário, a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, reconheceu a existência de deficiências na forma como os tribunais acompanham as crianças vítimas de violência nos processos judiciais. É preciso que as crianças se sintam seguras a depor e que os magistrados falem a sua linguagem, defendeu.

 

 

UNICEF declara 2014 um ano devastador para as crianças

Dezembro 11, 2014 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
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Comunicado de imprensa da Unicef de 8 de dezembro de 2014.

Com 15 milhões de crianças a sofrer no meio de grandes conflitos, a UNICEF declara 2014 um ano devastador para as crianças.

NOVA IORQUE/GENEBRA, 8 de Dezembro de 2014 – O ano de 2014 tem sido um ano de horror, medo e desespero para milhões de crianças, dado que o agravamento dos conflitos no mundo as deixou expostas à violência extrema e suas consequências, recrutadas à força e deliberadamente visadas por grupos beligerantes, afirmou hoje a UNICEF. E no entanto muitas crises já não captam a atenção do mundo, advertiu o Fundo das Nações Unidas para a Infância. “Este tem sido um ano devastador para milhões de crianças,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Crianças têm sido assassinadas enquanto estudavam em salas de aula e enquanto dormiam nas suas camas; foram tornadas órfãs, sequestradas, torturadas, recrutadas, violadas e até vendidas como escravas. Nunca, no passado recente, tantas crianças estiveram sujeitas a tamanhas brutalidades.”

Chega aos 15 milhões o número de crianças que estão também a sofrer as consequências de conflitos violentos na República Centro-Africana, no Iraque, no Sudão do Sul, no Estado da Palestina, na Síria e na Ucrânia – incluindo as que são deslocadas internas ou vivem como refugiadas. No mundo, estima-se que 230 milhões de crianças vivam actualmente em países e áreas afectadas por conflitos armados.

Em 2014, centenas de crianças foram raptadas das suas escolas ou a caminho da escola. Dezenas de milhares foram recrutadas ou utilizadas por forces ou grupos armados. O número de ataques a instalações de Educação e Saúde, e a utilização de escolas para fins militares têm aumentado em muitos lugares.

  • Na República Centro-Africana, 2.3 milhões de crianças estão afectadas pelo conflito, estima-se que ascenda a 10.000 o número de crianças que têm sido recrutadas por grupos armados no decurso do último ano, e mais de 430 crianças foram mortas e mutiladas – três vezes mais que em 2013.
  • Em Gaza, 54.000 crianças ficaram sem casa em resultado do conflito que durou 50 dias no Verão, durante o qual também 538 crianças foram mortas, e mais de 3.370 ficaram feridas.
  • Na Síria, com mais de 7.3 milhões de crianças afectadas pelo conflito, incluindo 1.7 milhões de crianças refugiadas, as Nações Unidas verificaram pelo menos 35 ataques a escolas nos nove primeiros meses do ano, que causaram a morte a 105 crianças e ferimentos e quase 300 outras. No Iraque, onde se estima que 2.7 milhões de crianças estejam afectadas pelo conflito, calcula-se que pelo menos 700 crianças foram mutiladas, mortas ou até executadas neste ano. Em ambos os países, crianças foram vítimas ou testemunhas, e até mesmo envolvidas na prática de actos cuja violência tem sido cada vez mais brutal e extrema.
  • No Sudão do Sul, estima-se que 235.000 crianças menores de cinco anos estejam a sofrer de má nutrição aguda grave. Perto de 750.000 crianças foram deslocadas e mais de 320.000 vivem como refugiadas. Segundo dados verificados da ONU, mais de 600 crianças foram mortas e mais de 200 mutiladas neste ano, e cerca de 12.000 crianças estão actualmente a ser utilizadas por forças e grupos armados.

O próprio número de crises em 2014 significou que muitas foram rapidamente esquecidas ou receberam pouca atenção. Crises prolongadas, em países como o Afeganistão, a República Democrática do Congo, a Nigéria, o Paquistão, a Somália, o Sudão e o Iémen, continuaram a ceifar ainda mais vidas jovens e seus futuros.

Este ano também colocou novas ameaças significativas à saúde e bem-estar das crianças, em especial o surto de Ébola na Guiné, Libéria e Serra Leoa, que deixou órfãs milhares de crianças e um número estimado de cinco milhões de crianças fora da escola.

Apesar dos tremendos desafios que as crianças enfrentaram em 2014, houve esperança para milhões de crianças afectadas por conflitos e crises. Face a restrições de acesso, insegurança, e desafios de financiamento, as organizações humanitárias, incluindo a UNICEF, trabalharam em conjunto para proporcionar assistência que salvou vidas bem como outros serviços cruciais como apoio emocional e educação para ajudar crianças a crescer nalguns dos lugares mais perigosos do mundo.

  • Na República Centro-Africana, está em curso uma campanha para que 662.000 crianças retomem os seus estudos à medida que a situação de segurança o vá permitindo.
  • Perto de 68 milhões de doses de vacina oral contra a poliomielite foram entregues em países do Médio oriente para travar um surto desta doença no Iraque e na Síria.
  • No Sudão do Sul, mais de 70.000 crianças que sofriam de má nutrição grave foram tratadas.
  • Nos países atingidos pelo Ébola, o trabalho continua para combater o vírus nas comunidades locais através do apoio a centros comunitários de prestação de cuidados e unidades de tratamento do Ébola; através da formação de técnicos de saúde e campanhas de sensibilização para reduzir os riscos de transmissão; e através do apoio a crianças que ficaram órfãs devido ao vírus.

“É tristemente irónico que, no ano em que celebramos o 25º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança e pudemos também celebrar tantos progressos para as crianças no mundo, os direitos de tantos milhões de outras crianças tenham sido violados de um modo tão brutal,” afirmou Lake. “A violência e o trauma fazem mais do que prejudicar crianças individualmente – comprometem a força das sociedades. O mundo pode e deve fazer mais para que 2015 seja um ano muito melhor para todas as crianças. Cada criança que cresça forte, em segurança, saudável e escolarizada é uma criança que pode avançar e contribuir para o futuro – o seu, o da sua família, o da sua comunidade, o da sua nação e, de facto, o nosso futuro comum.”

http://www.unicef.pt/

 

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