V Congresso A Cores “Crescer Hoje” 20 e 21 de abril em Coimbra

Março 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://congressocrescerhoje.wixsite.com/coimbra

 

Duas em cada três crianças sírias viram morrer um familiar ou um conhecido

Março 13, 2017 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 7 de março de 2017.

LUSA

Duas em cada três crianças sírias presenciaram a morte violenta de um familiar ou de uma pessoa conhecida, revelou um estudo sobre os graves efeitos psicológicos provocados pela guerra na Síria.

Duas em cada três crianças sírias presenciaram a morte violenta de um familiar ou de uma pessoa conhecida, revelou um estudo divulgado, esta terça-feira, sobre os graves efeitos psicológicos provocados pela guerra na Síria.

O estudo, da responsabilidade da organização não-governamental Save the Children, ouviu o testemunho de mais de 450 crianças e adultos em sete das 14 regiões da Síria entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017.

O documento revelou dados qualificados como chocantes pelo diretor para a Cooperação Internacional e Ajuda Humanitária da Save the Children, David del Campo, e pelo psiquiatra sírio Nabil Sayed Ahmad, que divulgaram, esta terça-feira, o estudo na cidade espanhola de Sevilha.

Segundo David del Campo, o estudo revelou que duas em cada três crianças sírias presenciaram a morte violenta de um familiar ou de uma pessoa que conheciam, mas também mostrou que 84% dos adultos inquiridos e quase todas as crianças ouvidas descreveram os bombardeamentos contínuos e o fogo de artilharia como uma “banda sonora diária“.

Metade dos seis milhões de crianças sírias nunca ou raramente se sentem seguras na escola e muitas abandonaram as salas de aula. Cerca de 40% dos menores entrevistados confessaram que não se sentem seguros para brincar ao ar livre.

Os mesmos dados indicaram que cerca de 78% dos inquiridos afirmaram que sentem, quase de forma permanente, pena e uma tristeza extrema. Quase todos os adultos ouvidos (89%) indicaram que as crianças sírias estão mais nervosas e temerosas à medida que a guerra, que afeta aquele país há seis anos, persiste.

O psiquiatra sírio Nabil Sayed Ahmad destacou que o medo da guerra está a provocar casos de incontinência urinária entre as crianças, incluindo naquelas que têm mais de 14 anos. O especialista advertiu que este stress “tóxico” que está a afetar as crianças sírias pode ter efeitos irreversíveis.

Insónias, perda da fala, reações bruscas face a qualquer ruído inesperado ou irritabilidade e mau humor são outros dos efeitos identificados nas crianças sírias. Às vezes, e em casos de crianças sírias que chegam à Europa, estes sinais comportamentais são muitas vezes confundidos com uma falsa agressividade.

Não podemos parar uma guerra que pensávamos que iria durar, no máximo, um ano, uma vez que isso está nas mãos das grandes potências que estão a desenhar um novo mapa político da zona, mas podemos fazer alguma coisa (…) pelos refugiados, especialmente pelas crianças”, referiu o psiquiatra sírio.

A organização Save the Children apelou às fações envolvidas no conflito sírio para não usarem armas explosivas contra civis, nem para atacarem locais como escolas ou hospitais, porque estas situações são os principias motores da angústia e do medo das crianças sírias.

A entidade também pediu o fim “imediato” do cerco a cidades e defendeu o acesso das organizações não-governamentais humanitárias às zonas mais vulneráveis do país. A guerra na Síria já fez mais de 310.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Invisible wounds : impact of six years of war on the mental health of Syria’s children

 

Curso de Formação sobre Crianças e Jovens Vítimas de Crime e de Violência – 8 e 9 de março em Lisboa

Fevereiro 27, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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apav

Inscrições até 02 de Março de 2017

Desde a sua fundação, em 1990, que a APAV tem apoiado crianças e jovens vítimas de crime e de violência, bem como os seus familiares, amigos os profissionais que trabalham diretamente com estes grupos. Contudo a complexificação e diversificação das formas de violência de que são alvo têm obrigado a um progressivo investimento por parte da APAV na busca de novas abordagens compreensivas e, fundamentalmente, novas metodologias de intervenção, de prevenção e de formação.

Assim este curso incide em quatro formas de violência centrais, a saber, maus tratos, violência sexual, bullying e violência no namoro. E é dirigido a estudantes do ensino superior, profissionais das Ciências Sociais e Humanas, profissionais do Sistema de Justiça, profissionais da Educação, profissionais de Saúde, Forças de Segurança e profissionais interessados em adquirir conhecimentos nesta área. Tem como objetivo que as/os formandas/os fiquem aptas/os a reconhecer a temática das crianças e jovens vítimas de crime e violência e identificar estratégias de prevenção e intervenção eficazes, no apoio a crianças e jovens vítimas de crime e violência.

mais informações no link:

http://www.formacaoapav.pt/index.php/cursos-em-destaque/66-bullying

Educar sem magoar

Fevereiro 3, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 23 de janeiro de 2017.

A criança precisa de pais que sabem o que fazem. Não é por gritar mais alto que o seu filho vai fazer o que lhe pede – atitude gera atitude. Defina regras familiares e aplique-as, sem confundir firmeza com autoritarismo, humilhação ou agressividade.

A criança precisa de pais que sabem o que fazem. Não é por gritar mais alto que o seu filho vai fazer o que lhe pede – atitude gera atitude. Defina regras familiares e aplique-as, sem confundir firmeza com autoritarismo, humilhação ou agressividade.

 

Por: Ana Pago Ilustração: Filipa Viana/Who

Crianças: bater ou não bater? Para muitos, uma palmada pode ser pedagógica, para outros é inaceitável. A discussão sobre os limites da autoridade parental está acesa.

EM TODO O MUNDO, 80% DOS PAIS BATEM NOS FILHOS, GARANTE A UNICEF, EMBORA 49 PAÍSES PROÍBAM O CASTIGO CORPORAL SOBRE CRIANÇAS. EM PORTUGAL, É ILEGAL DESDE 2007. PARA MUITOS, UMA PALMADA NO RABO FAZ MILAGRES, MOSTRA QUEM MANDA. PARA OUTROS, UMA SÓ JÁ É DE MAIS. A DISCUSSÃO SOBRE OS LIMITES DA AUTORIDADE PARENTAL É ANTIGA, MAS CONTINUA ACESA.

O AMOR DE ISABEL SANTOS pelo único filho deixa-a perplexa. Só desejava tê-lo sempre sob a asa. Vê-lo crescer feliz até se fazer um bom homem, o melhor dos pais quando chegar a vez dele. Se possível, com menos dúvidas do que ela. «Uma coisa que me pesa na alma foi ter usado piripíri há uns dois anos, tinha o Filipe 4, para acabar com aquela mania de ele dizer asneiras», conta, pesarosa. Começou de repente e era em todo o lado. Pai e mãe tentaram tudo: ignorar, dialogar, explicar, castigar, suplicar. Perceber de onde vinham os palavrões e a razão de dize-los (nunca souberam). Um dia, o desespero falou. «Chamou-me pe-u-te-a e pus-lhe uma gota de picante na língua. Chorámos os dois! Senti-me um monstro ao magoar a pessoa que mais amo no mundo.» Certo é que resolveu quando tudo o resto falhou e uma pergunta ficou-lhe desde então: será a autoridade parental uma forma de bullying?

«Define-se bullying como a prática continuada de uma agressão física, verbal e/ou escrita que tenha como objetivo rebaixar o outro. Se há casos destes nas relações familiares? Claro que há», alerta Magda Gomes Dias, formadora nas áreas comportamentais e comunicacionais, conhecida entre os pais pelo blogue Mum’s the boss e o site Parentalidade Positiva. Existem educadores que humilham os miúdos por acharem que eles mudam assim, e aí o objetivo final não é a criança sentir-se aviltada, mas mal ao ponto de querer modificar-se – por exemplo, dizer a uma gordinha «Tu já te viste bem? Tens de emagrecer, se não o fizeres vais ser a gorda da sala». Acontece que esta forma de comunicar com os filhos, e que muitas vezes tem a tal intenção positiva de provocar mudança pela dor, fica marcada na memória da criança, garante.

Ficou na de Patrícia Ribeiro, que aos 37 anos continua a ouvir a voz do pai a chamar-lhe desajeitada. «Fui sempre boa aluna, responsável, educada, mas isso era dado adquirido e, portanto, não elogiado. Por outro lado, repisava o facto de eu ser tímida e trapalhona como se quisesse arrancar essa parte de mim à força», recorda com amargura. Se partia algo (e acontece-lhe muito, parece sina), ouvia um «És mesmo desastrada, não fazes nada de jeito». Se se refugiava no quarto a ler, lá vinha a ripada: «Não vais a lado nenhum a ser bicho-do-mato.» Eram umas atrás das outras, atrás das outras. «Aquelas palavras feriam-me tanto como as tareias que nunca apanhei. Adoro o meu pai, a sério que sim. Teve uma infância difícil, sei que só quer o meu bem.» Apesar disso, desconfia que as crises de angústia e falta de autoestima vêm todas dali.

«A criança acredita no que lhe diz o adulto, que supostamente é aquele que zela pela sua segurança. Acredita porque ele é mais poderoso, maior, sabe mais, conhece-a bem. E se diz que ela é tudo aquilo… se calhar até é», traduz Magda Gomes Dias. Ao mesmo tempo, percebe que muitos pais não sabem fazer diferente nem se dão conta do impacto negativo destes métodos, supondo ser isso que vai tornar os filhos mais fortes. «Se o castigo funciona? Claro que funciona. Se a palmada funciona? Então não? E os berros? Parece que sim. Porém, a médio prazo, não resultam, e aqui está o problema.» É tudo uma questão de comunicação e vínculo familiar. «Com a palmada e o castigo agimos em cima da situação mas, ora bolas, nós somos os pais! Precisamos de orientar, liderar, acompanhar. Se a criança fez mal, vamos mostrar-lhe como se faz de outra maneira.»

EDUCAR DÁ MESMO MUITO TRABALHO, acentua o neuropsicólogo Luís Maia, autor do livro Educar Sem Bater. «É o maior desafio na vida de um pai: como levar uma criança desde o berço à idade adulta, promovendo a sua adequação? Como ajudá-la a ser feliz e solidária? Não é de certeza com palmadinhas, insultos e castigos.» Melhor seria se os pais adotassem um estilo relacional em que o despotismo fosse substituído por respeito. «Não aceitamos que ninguém nos trate de modo autoritário, mas depois esquecemos que as crianças também não aceitam a autoridade por si só. Tornamo-nos tiranos a exigir submissão», diz, sublinhando que é muito mais eficaz ser-se assertivo, sem esperar que o funcionamento familiar entre em colapso, do que passivo ou agressivo.

Maria Silva, de 60 anos, concorda com esta postura positiva. Sempre procurou alternativas a bater na filha Alexandra, hoje com 34 e mãe de dois filhos. Nunca achou que um abanão pudesse mais que o diálogo, ou que humilhar a criança a chamasse à razão. Ainda assim, admite ter aplicado «duas ou três palmetas» em desespero de causa. «Não me orgulho, mas houve alturas em que ela nem me ouvia, tal era a birra. Bati-lhe quando já nada surtia efeito e eu estava passada.» Lembra-se como se fosse hoje de uma dessas zangas, teria Alexa uns 4 ou 5 anos: Maria foi buscá-la a casa da tia que cuidava dela após a escola e a filha teimou em levar a boneca da prima sem deixar a sua. «Disse-lhe que tinha de emprestar também, não podia ser egoísta, e ela atirou-se para o chão a espernear, aos berros. Parecia um touro enraivecido.»

Esgotada a diplomacia, de cabeça perdida, a mãe deu-lhe duas palmadas no rabo, tirou-lhe ambas as bonecas e enfiou-a no elevador. «Nunca mais fez outra cena daquelas. Mais tarde abraçámo-nos, pedimos desculpas. Mas na hora saltou-me a tampa.» Alexandra ri-se a ouvir a mãe contar a história: «Lembro-me muito vagamente, para ver como fiquei traumatizada.» Ela própria distribuiu algumas palmadas pelos filhos de 11 e 5 anos, das que não pesam mas indicam estarem a passar dos limites. «Ao mais velho já não bato, prefiro negociar com as coisas de que gosta consoante a gravidade das faltas. A ela dei-lhe uma nalgada o mês passado. Apanhei-a a mergulhar do móvel da sala para o sofá, depois de a avisar não sei quantas vezes que era perigoso. Reagi por medo.»

Segundo o pediatra Mário Cordeiro, «tudo o que seja exagero e culpabilize pais que estão a tentar educar é absurdo». Se uma criança de 3 anos fica possessa, a atirar comida ao chão ou a usar toda a sua força para não ir para a cadeira do carro, duvida que falinhas mansas resultem. Uma coisa é a teoria, outra a prática, e o ótimo é inimigo do bom, diz. «Um enxota-moscas na mão ou na fralda, apenas para limitar aquela mão teimosa que parece surda a outros argumentos, não me parece nada de especial.» Muito diferente de humilhar, em que não se entende a visão da criança ou o exercício de poder perverso. «Tudo o que seja desproporcional, cause dor e seja na cara – bofetadas e puxões de cabelo ou orelhas – é altamente violento porque mexe com a identidade (o rosto), é sádico e dói, no corpo e na alma. É disso que os adultos se lembram como castigos traumáticos, tal como fechar num quarto escuro. São maus-tratos.»

A terapeuta infantil brasileira Denise Dias não só é a favor da palmada pedagógica, caso as demais abordagens falhem, como em 2011 escreveu o livro Tapa na Bunda (Editora Matrix), explicando como impor regras e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos. «Algumas testam incansavelmente os pais. Quando já as chamámos à atenção, já as pusemos de castigo e mesmo assim continuam, estão a pedir uma palmada como limite.» A polémica estalou, como sempre que se fala deste assunto, porém Denise não desarma: «Um tapinha na bunda não dói tanto como um tapa na cara que os pais podem levar do filho quando este for adolescente.» O próprio Papa Francisco declarou em 2015, na audiência geral no Vaticano sobre o papel do pai na família, que uma palmada de vez em quando não faz mal, desde que nunca no rosto para não humilhar.

«QUEIXAMO-NOS DOS NOSSOS FILHOS, mas fomos criados com base numa disciplina agressiva (física e não só) e agora, como pais, confundimos autoritarismo com respeito», discorda o psicoterapeuta Luís Maia. Castigar mostra à criança o que não pode fazer, não o que pode e como deve fazê-lo. Daí preferir a noção de consequência: se um filho nosso não estudou nesse dia, janta, vai para o quarto sem telemóvel, e no dia seguinte ajudamo-lo a fazer melhor. «Tem de ser imediata e justa, para ele entender que o responsabilizamos por aquela conduta e não por todas as frustrações acumuladas.» Como clínico, constata que na maioria dos casos de pais que se apresentam como agressores, denunciados às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) ou diretamente às autoridades policiais e judiciais, estes «começaram com comportamentos “mais aceitáveis” – pequenas bofetadas, puxões de orelhas, etc. – que acabaram em fortes castigos físicos».

E quando os pais reagem em resposta a comportamentos de loucura dos filhos? «Deixaram de poder intervir na sua própria casa, mesmo se em legítima defesa?», questiona uma tia indignada, a pedir anonimato por aguardar que o irmão seja julgado por violência doméstica. A história, dramática, conta-se em poucas linhas: um pai deu um empurrão / ameaçou o filho de 14 anos / arremessou-lhe um objeto no calor do momento, nas circunstâncias em que ele deu socos à mãe / apertou o pescoço à irmã / correu atrás do pai com uma faca. O jovem pediu ao pai ténis de marca, telemóveis, que o deixasse ter uma mota – coisas que o pai recusou. E então o filho avisou-o de que se não fizesse o que ele queria, iria queixar-se de maus-tratos à psicóloga da escola para ele ser preso. Meu dito, meu feito.

«Aos miúdos é-lhes dada a possibilidade de se defenderem, acho ótimo. A lei está a ser cumprida e eu não sou contra a lei. Mas e quem ajuda estes pais?», clama a tia, cansada das mentiras com que o sobrinho manipula o quadro a seu favor, distorcendo os factos. «O meu irmão nunca fez queixa à polícia da violência do filho, por ser filho. Às tantas reagiu por defesa, não como ataque, e tomam-no por agressor.» A tia tem consciência da falta de meios das CPCJ, que dificultam o acompanhamento integrado de cada processo (só em 2015 foram 73 355). O próprio Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, aponta a «manifesta dificuldade em levar a bom termo as suas responsabilidades». Seja como for, há que contextualizar caso a caso, em vez de meter todas as denúncias no mesmo saco. «Se fosse com um filho meu, era eu quem lhe batia», acrescenta a tia. «Que me prendessem à vontade, desde que ele percebesse que não ia repetir.»

ÀS VEZES TEMOS A SENSAÇÃO de que apenas a palmada resolve o problema no imediato, mas nunca é solução, avisa Luís Maia. Mesmo os educadores que as levaram, e até consideram que mereceram, devem admitir outras formas de ensinar à luz do que demonstram estudos recentes – há vários a relacionar a punição corporal e psicológica com falhas no desenvolvimento intelectual, atitudes irascíveis, aceitação da violência como forma de lidar com os outros, falta de autoconfiança e de amor-próprio, insegurança. «Porque é que não se dá uma “boa palmada” de vez em quando a um idoso que está ao nosso cuidado e parece fazer de propósito ao sujar a casa de banho?», questiona o neuropsicólogo. «Ou a esposa não a dá ao marido para aprender a respeitar os compromissos maritais? Isso é violência doméstica! É crime, inaceitável.»

Dados da UNICEF revelam que 80 por cento dos pais batem nos filhos em todo o mundo, embora 49 países proíbam já o castigo corporal sobre crianças. Em Portugal, a prática é ilegal desde 2007 e punida pelo art.º 152 do Código Penal. Em França, pelo contrário, aceita-se o corretivo pedagógico (estaladas incluídas), apesar de em 2015 o Conselho da Europa a ter pressionado no sentido de criar uma lei que proteja os menores da punição física. «Em princípio, um adulto tem mais experiência, melhor controlo emocional e mais argumentos para explicar e convencer do que uma criança, pelo que não deve precisar de recorrer à agressão», sublinha a psicóloga educacional Eva Delgado-Martins, especialista em infância e resolução de conflitos. «Se a violência entre adultos não é aceitável na sociedade em que vivemos, não parece razoável admiti-la nas relações com os nossos filhos.»

Os pais devem sancionar só em último caso, se o diálogo foi tentado sem sucesso, e mostrar que o fazem com mágoa porque a criança não lhes deu alternativa. Tão ou mais importante que negociar são ainda os comportamentos espontâneos no dia-a-dia. «Muitas vezes eles nem se apercebem, mas funcionam como modelos para os filhos conforme são, ou não, coerentes com o que ensinam», salienta a psicóloga, para quem educar é um ato de amor firme. Mesmo aborrecidos, diz, os pais devem controlar a sua agressividade. «Devem traçar limites e enunciar regras. Dizer não é fundamental.»

Magda Gomes Dias concorda que a falta de princípios magoa tanto como a punição: «Uma criança a quem deixam fazer tudo não se sente amada. Cresce sem se saber orientar no mundo. Torna-se incapaz de olhar para o outro, e isso é uma tragédia tão grande como tudo o resto.» Já Abraham Lincoln, presidente dos EUA e humanista, dizia que a mão que embala o berço é a mão que governa o mundo. E essa é a nossa mão.

 

LEITURAS OBRIGATÓRIAS

Berra-me Baixo

Magda Gomes Dias

Manuscrito Editora

2016

Crianças Felizes

Magda Gomes Dias

A Esfera dos Livros.

2015

Family Coaching

Sandra Belo e Ângela Coelho

Texto Editora

2016

Pais à Maneira Dinamarquesa

Jessica Joelle Alexander e Iben Sandahl

Arena

2016

Disciplina sem Dramas

Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson

Lua de Papel

2015

Pais Conscientes – Educar para Crescer

Shefali Tsabary

Pergaminho

2015

Educar com Amor

Mário Cordeiro

A Esfera dos Livros

2014

E Tudo Começa no Berço!

Luís Maia

Pactor Editora

2012

Educar sem Bater

Luís Maia

Pactor Editora

2011

Conversas com Pais

Eva Delgado-Martins

Editorial Caminho

2013

Educar sem Gritar

Guillermo Ballenato

A Esfera dos Livros

2009

O Pequeno Ditador

Javier Urra

A Esfera dos Livros

2007

 

 

 

 

SOS Criança apela à denúncia de situações que possam pôr em risco as crianças

Dezembro 9, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 7 de dezembro de 2016.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Lusa

O coordenador do SOS Criança apelou hoje a todos os que conheçam famílias em situação de “maior vulnerabilidade” que apresentem o caso às instituições para ajudar as crianças e evitar que passem por situações de risco e negligência.

Os maus tratos físicos e a negligência a crianças estão a aumentar com as dificuldades das famílias, que não conseguem assegurar necessidades básicas como alimentação, vestuário e uma casa digna, alertou Deolinda Barata, da Sociedade Portuguesa de Pediatria e coordenadora do núcleo de crianças e jovens em risco do Hospital D. Estefânia, onde tem assistido a situações que não surgiam na prática clínica “há 20 ou 30 anos”.

“Sempre que existe uma situação de crise num país ou sempre que a sociedade começa a ver os seus direitos postos em causa, as famílias são as primeiras a sofrer com essas dificuldades”, disse à agência Lusa o coordenador do SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Como as dificuldades persistem durante um tempo superior à média, as famílias não conseguem suportar tanta pressão e passam essa pressão para cima das crianças que “são, normalmente, as que sofrem duplamente e as que sofrem mais”, explicou Manuel Coutinho.

“Sempre que existem situações de desorganização social e de privação dos bens económicos, as crianças acabam por ser vítimas diretas, porque também ficam privadas de muitas coisas, e indiretas porque os pais não conseguem aguentar tanta pressão” e acabam por as vitimar, sustentou.

Manuel Coutinho alertou que é importante que as famílias percebam o que está efetivamente a acontecer e não se desorganizem em relação às crianças e peçam ajudam.

Por outro lado, as pessoas que conheçam casos de “famílias com maior vulnerabilidade devem apresentar a situação, nomeadamente ao serviço SOS Criança, através do número gratuito 116111, para que os serviços em parceria com a rede de ação social ou com os outros parceiros possam encontrar uma reposta” para que essas crianças sejam ajudadas e “não passem por uma situação efetiva de risco e negligência”.

Manuel Coutinho adiantou que “Portugal tem sido pioneiro e tem feito uma grande caminhada” no que respeita aos direitos das crianças.

Mas, neste momento, está “a viver um momento de grande tensão e devemos ser todos mais solidários uns com os outros”. Essa solidariedade passa por apresentar atempadamente os casos aos serviços: “Portugal tem recursos suficientes para que nenhuma criança venha a estar privada dos meios e direitos fundamentais, nomeadamente o direito à alimentação, educação e saúde”.

“São direitos que têm de prevalecer sempre. Portugal é um país solidário, responsável, que tem de estar organizado para que essas crianças não sejam duplamente vítimas de uma situação que está a atravessar o país”, frisou.

Atualmente existe a cultura de sensibilizar e denunciar os casos de maus tratos físicos e psicológicos, mas “as situações de maus tratos mais próximos da negligência e da pobreza também devem ser apresentados para que os serviços possam ajudar a socorrer estas crianças”.

Alertou ainda que as situações de pobreza e de negligência são sempre traumáticas para as crianças, que crescem com alguns receios e algumas dificuldades.

 

 

 

 

Maus-tratos a crianças e adolescentes aumentaram desde 2011

Novembro 11, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 8 de novembro de 2016.

simela-pantzarti

Agência Lusa

Os casos de maus tratos a crianças e adolescentes analisados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal aumentou nos últimos cinco anos, com o agressor a ser frequentemente o pai da vítima.

Os casos de maus tratos a crianças e adolescentes analisados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal aumentou nos últimos cinco anos, com o agressor a ser frequentemente o pai da vítima, revelou esta terça-feira aquele organismo.

“Pai com antecedentes criminais e desempregado” é o perfil do agressor típico, segundo um estudo que vai ser apresentado no âmbito da III Conferência do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), que decorre no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, de quarta a sexta-feira.

Realizado entre 2011 e 2015, o trabalho evidencia um “aumento do número de casos de abuso físico de crianças e adolescentes avaliados no INMLCF”, disse esta terça-feira à agência Lusa João Pinheiro, vice-presidente deste instituto público e um dos autores do estudo, que abrange vítimas com idade igual ou inferior a 18 anos.

O número de exames a crianças e adolescentes, por suspeita de terem sido vítimas de violência, subiu de 371, em 2011, para 550 em 2015, o que traduz uma subida de 0,86% para 1,48% da taxa de incidência relativamente ao total dos chamados “exames de direito penal”, que nesses anos desceu de 43.280 para 37.159, respetivamente.

“Não temos uma explicação para a diminuição dos exames de direito penal”, nem para o acréscimo das avaliações a menores de 18 anos alegadamente vítimas de abuso físico, disse João Pinheiro, que desenvolveu o estudo em coautoria com mais dois médicos legistas, Júlio Barata e Rosário Silva.

Segundo as conclusões do estudo, é o seguinte o perfil da vítima de maus-tratos: “género feminino, entre os 15 e 18 anos de idade, contexto de violência doméstica, família desestruturada (divórcio dos pais) e com conflitos e agressão prévios”.

Geralmente, as lesões são traumatismos de “natureza contundente” e localizam-se na cabeça, tórax e abdómen, braço, mão e dedos, implicando entre cinco a 10 dias de doença da pessoa agredida.

Considerada “a mais importante reunião científica do setor” em Portugal, a conferência anual do INMLCF foi realizada pela primeira vez em 2014 e “tem vindo sempre a crescer”, segundo uma nota da organização.

Na edição deste ano, pela primeira vez, a conferência decorre durante três dias, em vez de apenas dois, a que se junta, no sábado, a realização de três cursos pós-conferência, subordinados aos temas “Violência doméstica: aprender a reconhecer” (curso teórico), “Sínfise púbica e idade à morte em antropologia forense” (curso teórico-prático) e “Técnica avançada de dissecação do pescoço” (curso prático).

Ainda no sábado, durante a tarde, decorre a II Reunião de Coordenadores de Gabinetes Médico-Legais e Forenses.

 

 

 

 

ICCA 2017, 1º Congresso Internacional da Criança e do Adolescente – Recepção de resumos até ao dia 15 de Novembro

Outubro 23, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://icca2017.eventqualia.net/pt/pt/

Bater: Num adulto é agressão, num animal é crueldade, numa criança…é educação?”

Agosto 15, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt/ de 1 de agosto de 2016.

uptokids

“Aos pais se pede tanto, e se lhes dá tão pouco.” Se estas palavras da psicoterapeuta familiar Virginia Satir eram verdadeiras na década de 80, continuam tão ou mais válidas nos dias de hoje. Aos pais pede-se­ corpo e alma na educação dos filhos, mesmo quando o corpo se desdobra e dá de si e a alma, essa essência de estar vivo, é estar vivo para os filhos e pouco mais. Do lado dos filhos, um dos grandes desafios é o aprender formas saudáveis de socializar, de estar em relação com os outros, na existência de regras e limites e, em simultâneo, afeto. Uma coisa é certa: existem tantas formas de se ser mãe ou pai, quanto de se ser filho ou filha. Não existe apenas uma correta, mas existem formas de relação positivas entre pais e filhos que promovem um crescimento individual e relacional, outras não tão positivas e que acabam por trazer mais preocupações, mais dificuldades na gestão dos comportamentos e do reconhecimento da autoridade dos pais. A autoridade, aquela que se reconhece e não a que se impõe, tem sido um dos desafios com os quais muitos pais lidam, já que também eles trazem modelos das gerações anteriores, uns mais bem-sucedidos do que outros. A questão mantém­-se: é possível mostrar aos filhos os limites e regras com que se vive as relações humanas sem, no entanto, recorrer à punição física?

O que sabemos sobre os efeitos da Punição Física na criança e nos pais?

“Os meus pais também me bateram quando era pequeno, e no entanto tanto eu como os meus irmãos crescemos sem problemas nenhuns”. Este é um argumento comum que justifica, para muitos pais, bater nos filhos, com maior ou menor frequência. No entanto, bater não está associado a melhorias no comportamento ao longo do tempo. Não só coloca os pais num nível de adrenalina e stress elevado, como também transmite à criança a ideia de que o corpo não é seu, é propriedade dos pais, não podendo ser negociada a forma como querem ser tratadas. Estudos indicam que em adultos punidos fisicamente durante a infância, a probabilidade de valorizarem positivamente um comportamento violento aumenta, seja contra o filho ou contra o atual parceiro (Gershoff & Grogan-Kaylor, 2016).

“Nem doeu!” ­ Uma rápida escalada, não só de violência…mas de culpa

Um dos grandes problemas da punição corporal é a facilidade com que os limites definidos pelo próprio educador são ultrapassados, sem que este sequer se aperceba. É muito frequente, nos pais com quem se trabalham estes temas, eles próprios estarem dessensibilizados para o grau de violência que utilizam. Tal acontece porque se forma um ciclo em torno do comportamento da criança e da resposta que é dada por parte do adulto. A punição corporal leva frequentemente a que o comportamento desadequado se mantenha ou até aumente, o que resulta num aumento da frequência do castigo corporal, levando a mais situações de comportamento desadequado. Por exemplo, a mãe repreende o filho por correr na loja em que fazem compras. O filho não presta atenção e continua. A mãe, frustrada, dá uma palmada ao filho. Este não aprendeu necessariamente porque é que correr na loja é mau, apenas sabe que não gosta de levar uma palmada. O comportamento vai manter-­se, se não em loja, noutros contextos. A mãe utiliza a palmada e, vendo que o comportamento continua, pode aumentar a frequência e/ou intensidade da punição até obter os resultados desejados. O comportamento do filho, no entanto, piora. É um ciclo em que violência gera violência. Mais importante, e talvez menos abordado nestes termos, o ciclo amplia as desvantagens para pais e filhos: os pais, cada vez menos eficazes em controlar o comportamento da criança, desenvolvem com frequência sentimentos de culpa, por não se sentirem capazes de educar os filhos sem bater. Por parte da criança, com a frequência do castigo corporal, desenvolve uma imagem negativa de si enquanto filho, o “mau filho” ou “o filho desobediente”, com um impacto negativo na sua auto­estima e personalidade. No final, cada palmada ou bofetada confirma aos pais o fraco controlo e ineficácia da sua parentalidade. À criança é confirmado o fraco controlo sobre o seu próprio corpo, que pode ser invadido a qualquer altura, bem como o comportamento desadequado passa a fazer parte da imagem que têm de si mesmas.

A investigação com crianças e pais

Uma das mais importantes revisões de literatura neste campo, publicada este ano, registou dados sobre punição corporal em cerca de 160,000 crianças (Gershoff & Grogan­Kaylor, 2016). Desta revisão concluiu­-se que a punição corporal está associada a um maior risco de comportamentos agressivos e antissociais, mais problemas de saúde mental e uma relação pais- filhos mais negativa. Este é um resultado explicado, em grande parte, pelo facto de os pais serem os principais responsáveis por ensinar aos filhos formas de se relacionar com os outros (e.g., Maccoby, 1992). Talvez o resultado mais importante desta revisão tenha sido o de que, mesmo quando removidas as formas de punição mais severas e o abuso físico, deixando apenas a punição    corporal nos seus moldes mais simples (palmadas nas nádegas, por exemplo), esta se revela associada a resultados negativos para as crianças. Ou seja, mesmo formas mais simples de punição corporal como a palmada, podem ter efeitos negativos no desenvolvimento saudável da criança.

Porque é que bater persiste?

Nas palavras da Doutora Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (LACRI): “Bater num adulto é agressão, num animal é crueldade, como você pode dizer que bater numa criança é educação?”.

O castigo físico persiste, em parte, por ter resultados aparentemente imediatos (cessa o comportamento da criança) e por ser fácil de aplicar. No entanto, punições corporais não oferecem à criança oportunidade de refletir sobre as suas ações, nem ensinam à criança a distinção entre o certo e o errado, levando-­a a agir (ou não agir) apenas por medo da punição. A investigação demonstra que apesar de conduzir a uma obediência imediata, existe um decréscimo na obediência a longo prazo (Gershoff, 2002). Só a convivência e o tempo investido pelos pais no diálogo possibilita uma base afetiva em que os filhos reconhecem nos pais alguém que se preocupa, que ouve e, mais importante, um modelo a seguir. Isto é importante pois ao longo do desenvolvimento do seu filho, ele precisa de aprender a decidir e a regular o seu próprio comportamento.

Quais são as possíveis alternativas à punição corporal? Aqui ficam algumas sugestões para pais, mães, ou responsáveis pela educação e desenvolvimento de uma criança:

– Utilize o diálogo sempre que possível.

Falar com uma criança sobre que comportamentos são aceitáveis e quais não são tem, de longe, muitos mais benefícios do que a punição corporal. Garanta que lhe explica o porquê de um comportamento ser desadequado ou perigoso. Ao fazê-­lo está também a transmitir-­lhe uma mensagem importante: o diálogo é uma ferramenta crucial para resolução de problemas, ao contrário da violência, que cria distância entre as pessoas.

– Crie oportunidades educativas.

A existência de diálogo não invalida que se sigam outros métodos de disciplina eficazes. Se tiver de disciplinar, procure castigos não físicos e crie, se possível, oportunidades educativas (ex. dar ao seu filho tarefas domésticas extra ou colocá-­lo a arranjar algo que tenha quebrado). Talvez uma das técnicas mais utilizadas e familiar aos pais seja o retiro de benefícios (ex. não jogar durante uma semana). Não há nada de errado com esta forma de disciplina, sendo que os resultados podem ser melhores se a aplicação for ponderada e firme – se proibiu o seu filho de utilizar o computador durante uma semana, já terá pensado sobre quão adequada é a duração do castigo, sendo recomendado que o mesmo seja cumprido nos moldes por si definidos.

– Utilize consequências como uma forma eficaz de disciplina.

Tal como os adultos, as crianças aprendem com base no que experienciam. As consequências das suas decisões, quando vividas, possibilitam oportunidades de aprendizagem únicas para o desenvolvimento de responsabilidade. Tal exige que os pais permitam aos filhos experimentar as consequências naturais destas decisões (ex. Se não comes o que tens no prato, eventualmente ficarás com fome; se estragaste os teus brinquedos/computador, não poderás divertir­te com eles). Em várias ocasiões os pais protegem os filhos, no entanto algumas formas de proteção podem privá-­los de oportunidades para serem responsáveis e aprenderem que as suas ações têm consequências. Ao deixá-lo experienciar as consequências das suas ações está a dizer-­lhe que é capaz de tomar as suas próprias decisões. Não deve utilizar este método de disciplina se colocar em risco a saúde ou segurança da criança. Cabe­-lhe a si decidir que consequências naturais dos atos do seu filho serão uma boa oportunidade de aprendizagem. A chave é manter­-se calmo e não se envolver demasiado, deixe que o seu filho experiencie as consequências que decorrem naturalmente dos seus comportamentos. Por fim, seja paciente pois nem sempre os resultados são imediatos, mas quando surgem são duradouros!

Angelo Simoes

imagem@psyciencia

 

 

Dra. Dulce Rocha, vice-presidente do IAC, esteve presente na Rádio Renascença para falar da segurança dos jovens e o tratamento das situações de risco

Julho 11, 2016 às 11:01 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A Dra. Dulce Rocha, vice-presidente do IAC esteve presente no dia 9 de julho de 2016 no programa “Em nome da lei”, da Rádio Renascença, para falar da segurança dos jovens e o tratamento das situações de risco. Pode ver o vídeo AQUI.

Capturar

 

Há centros de acolhimento que rejeitam crianças problemáticas

Os dados oficiais dizem que a violência doméstica é o principal facto de risco para jovens em Portugal, mas calcula-se que haja sub-representação de abusos sexuais.

Há centros de acolhimento que tentam fazer selecção de crianças e jovens em risco para evitar as situações mais problemáticas.

A admissão é feita pela secretaria de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, no debate do programa da Renascença, Em Nome da Lei.

“Existem por vezes algumas lacunas ao nível da gestão das vagas e algumas resistências por parte de quem acolhe em aceitar determinados tipos de perfis. Muitas vezes tenho uma casa de acolhimento que tem uma ou duas vagas, tem um grupo de crianças ou de jovens que já estabilizou e sabe que quem se está a colocar em um menino em processo de espera para uma medida tutelar e que por isso é uma criança complicada, e por isso diz-se que não.”

Esta realidade não disfarça o facto de haver poucas vagas, admite Ana Sofia Antunes.

“Não estou a dizer que as vagas são muitas, reconheço que não abundam, mas existem sempre algumas vagas para situações de emergência”.

Os dados oficiais colocam a violência doméstica como principal factor de risco para crianças e jovens em Portugal. A negligência vem em segundo ligar e, mais abaixo, em oitavo, o abuso sexual.

Mas Dulce Rocha, vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança, não tem dúvidas de que muitos destes casos não aparecem nas estatísticas.

“Claro que sabemos que o número de abusos sexuais está sub-representado. É um crime muito difícil de diagnosticar, normalmente as crianças não denunciam, nós vemos na comunicação social, por vezes, depoimentos de pessoas de 50 e 60 anos a dizer que foram abusadas na infância e que nunca denunciaram, ou quando tentaram denunciar não lhes acreditaram. Por isso há aqui uma sub-representação, tenho consciência disso. É um fenómeno extenso, e sabemos que é extenso”.

A segurança dos jovens e o tratamento das situações de risco foi o tema do debate deste sábado no programa Em Nome da Lei, que passou em antena a seguir ao jornal do meio-dia, na Renascença.

 

Rádio Renancença em 9 de julho de 2016

 

É condenável deixar um filho na berma da estrada? Declarações de Manuel Coutinho do IAC

Junho 8, 2016 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 7 de junho de 2016.

O texto contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Reuters

Por Inês Garcia

Castigos exagerados, como o do menino japonês que ficou na estrada, não são educativos e podem ter consequências (como se viu).

Yamato Tanooka, de sete anos, esteve seis dias perdido numa floresta no norte da ilha Hokkaido, no Japão, depois de os pais o deixarem na berma de uma estrada sozinho, como castigo por ter atirado pedras a carros. Foi encontrado vivo e com saúde e o pai, Takayuki Tanooka pediu desculpa pelo correctivo excessivo.

Este pai procedeu mal? É condenável deixar um filho na beira da estrada, numa floresta? “Um castigo desadequado e desajustado à idade da criança não é um castigo, é um mau trato. E os maus tratos, sejam eles físicos, psicológicos ou emocionais, têm de ser banidos”, defende Manuel Coutinho, secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Em situações de mau comportamento e asneiras da criança, os pais devem “contar de 50 para um e não se devem deixar incendiar. Uma das piores coisas é um adulto de 1,80 metros estar descontrolado ao pé de uma criança ou bebé de 50 centímetros. É pegar na criança, retirá-la do meio onde a situação aconteceu e ter uma conversa franca e esclarecedora sobre o sucedido”, diz o coordenador do projecto SOS Criança do IAC em conversa telefónica com o Life&Style. Depois, de acordo com a idade da criança, pode eventualmente privá-la de alguma coisa. “Mas não pode ser um castigo dilatado no tempo de modo a que a criança ao fim de uma série de dias já nem saiba porque está de castigo. Tem de ser algo ponderado e tem de predominar sempre o bom senso”, continua Manuel Coutinho, elegendo o “diálogo numa zona tranquila” como a melhor solução.

Levados ao extremo, os castigos perdem a sua componente pedagógica e poderão ter consequências no bem-estar físico, psicológico e emocional da criança. A única coisa que este menino ficou a aprender com isto foi “qual o castigo que nunca deve dar”, frisa a psicóloga de família Sofia Nunes Silva, uma vez que os pais colocaram em risco a vida do filho. “Todos os castigos exagerados, que gerem medo ou pânico, muitas vezes alimentam as próprias situações causadoras do castigo e aumentam a tendência de incorrer na mesma falta”, defende a psicóloga.

Recuperar a confiança do filho

Este pai japonês queria “assustar um pouco” a criança e regressar mais tarde para o levar para casa, mas o rapaz tentou seguir o carro e perdeu-se. Foi encontrado numa base militar, já muito desidratado. Esta terça-feira saiu do hospital sorridente. O pai garante que a criança o desculpou, dizendo-lhe que o considera “um bom pai”, e a polícia de Hokkaido não vai apresentar queixa contra os adultos, embora os tenha identificado junto de um centro de protecção de menores. Mas Sofia Nunes Silva admite a possibilidade de o rapaz ficar “com os pais na mão”.

À semelhança do que poderá acontecer numa situação contrária, em que uma criança ou jovem age mal e a sua falta é tema constante em momentos familiares, Yamato poderá trazer o assunto para a ordem do dia noutras alturas. “Estes pais têm de se comportar muito bem com esta criança e ganhar o respeito que ela lhes merecia. Têm de recuperar a confiança do filho. Muitas vezes temos os filhos perante uma falta e tendem a ter de recuperar a confiança dos pais. Aqui a situação inverteu-se”, considera a especialista.

Os pais de Yamato vão, provavelmente, arrepender-se para o resto da vida. “Os pais também têm momentos de impulsividade e também falham. Isto foi uma coisa completamente extremada que eu acho que não existe numa cultura como a nossa. Mas se se passasse cá, estes pais teriam um sofrimento grande ao longo da vida”, atesta Sofia Nunes Silva.

Como castigar os filhos

Não há castigos ideais – estes devem ser adaptados às situações. “Os miúdos têm um pensamento muito concreto. A abstracção começa a partir dos 10, 12 anos. Portanto dar castigos muito ao lado, fora do contexto do motivo que levou ao castigo, não tem rentabilidade”, explica Sofia Nunes Silva, realçando que a função do castigo “não é martirizar, humilhar ou magoar”.

Ao telefone, Manuel Coutinho dá alguns exemplos de castigos desadequados: “Deixarmos um bebé a chorar horas a fio, sair de ao pé dele porque achamos que o bebé tem manhas, isto é um castigo que não se deve fazer. Pegar numa criança, quando está a chorar, abaná-la violentamente… é um castigo gravíssimo que faz com que o próprio cérebro bata no osso e provoque lesões que levam à cegueira. Aquela ideia da palmada no rabo também não é bom porque afecta também a criança do ponto de vista da sua postura e coluna vertebral. Tudo o que é violência física, psicológica ou emocional sobre a criança não pode acontecer.”

As crianças, sejam qual for a sua idade, têm formas diferentes de falhar, acrescenta Sofia Nunes Silva, e não há uma directriz para todos os pais seguirem, apesar de ser uma das questões mais colocadas em consultas. “Evitamos dar ajuda específica. O castigo tem de ser aplicado ao tipo de miúdo, ao que os pais conhecem do seu filho, à forma como sabem que vai reagir. Há miúdos que podem de facto ser mais pressionados que outros, há outros para quem a pressão de um castigo muito exagerado vai ter um efeito contrário àquilo que se pretende”, enumera, diferenciando as crianças que têm uma maior capacidade de contenção e um maior controlo e noção do que se passa à sua volta e as mais imaturas e impulsivas.

“A intensidade e a frequência dos castigos é uma coisa que tem de ser medida quase situação a situação. Um castigo exagerado pode, muitas vezes, aumentar o próprio sintoma ou o motivo pelo qual a criança cometeu a falta”, comenta.

É preciso avaliar se a asneira cometida é uma situação que ocorre de forma repetida, qual a gravidade e “questionarmo-nos enquanto pais”. “Perceber o que temos feito e como tem sido o percurso familiar. Se estamos a fazer bem, se estamos a fazer mal. Se temos de recuar, se temos de conversar mais. Se o miúdo precisa de algum apoio técnico por parte de técnicos de saúde mental”, e ter sempre em conta que, um castigo mal medido, pode levar a um afastamento ao invés da aproximação pretendida.

E nunca esquecer o contexto do acto. A psicóloga exemplifica: “Um miúdo que joga uma bola para um sítio que sabe que não pode jogar e partiu dois vidros. O castigo terá de ter a ver com a privação de alguma liberdade relativamente ao jogar à bola e à própria bola.”

 

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