Navegar sem perder o pé

Abril 9, 2014 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista a Rosário Carmona e Costa e Carlos Nuno Filipe pelo Notícias Magazine no dia 31 de março de 2014.

Por: Ana Pago

A mesma porta que a internet abre para o mundo dá passagem a diversas ameaças, sobretudo para as crianças.

A internet mudou a forma como trabalhamos, estudamos, fazemos compras e nos relacionamos, mas as mesmas portas que se abrem para o mundo dão passagem a ameaças insuspeitas. Sobretudo para os mais novos. Navegar com Segurança é o livro que ajuda pais e jovens utilizadores a conhecer as regras e os limites da rede.

Num artigo recente assinado por pediatras no Huffington Post, estes afirmam que as crianças até aos dois anos não devem ser expostas a telemóveis e tablets

ROSÁRIO CARMONA E COSTA: Os pais dão-nos às crianças para as entreterem, é mais prático do que andar com cubos atrás. E isso está na base daquilo que depois se trabalha com adolescentes com dificuldade em escolherem alternativas. Tenho um em consulta que não me consegue apontar cinco coisas de que goste que não envolvam ecrãs. Os pais usam os tablets para regularem o comportamento dos filhos, até para comerem a sopa. Vão a um restaurante e a criança só come com o iPhone ligado. Em vez de seguir o percurso normal, de fazer agora uma tarefa de que não gosta para ter a recompensa a seguir, ela está a ter a recompensa para fazer uma coisa de que não gosta. E se desde o primeiro ano de vida tem que ter o iPhone para comer, como é que regula o seu comportamento num contexto em que não o tenha? Como espera numa aula de 90 minutos? Não desenvolve estas competências. Os pais distorcem dizendo que eles só fazem com o iPhone. Não. Eles só não aprenderam a fazer de outra maneira.

Com que idade é que uma criança está preparada para fazer um uso benéfico da internet e das redes sociais?

RCC: Depende do seu grau de maturidade e do uso que fizer. Se calhar, até sair do famoso estádio das operações concretas, poderá não ser capaz de dar um sentido ao que está a ver. Uma criança até aos sete ou oito anos não o fará por incapacidade de maturação cognitiva. E a partir daí pode não conseguir fazê-lo por outras razões. A única coisa de que tenho a certeza é que até aos três anos a internet não lhe é necessária para nada. Poderá começar a ser interessante no pré-escolar, para ver os números e as letras, mas não é essencial. Só se torna minimamente significativa no primeiro ciclo.

Ainda assim, fala-se muito em nativos digitais e na geração touch-screen…

CARLOS NUNES FILIPE: É um mito isso de as crianças nascerem com propensão para os tablets. Parecem tê-la porque, do ponto de vista do controlo da motricidade, o gesto de afastar do touch-screen é instintivo, muito mais fácil do que virar a folha de um livro. Por isso aderem mais, não porque nasçam com um ADN diferente do dos nossos avós. E um tablet não é, de todo, o mesmo que um puzzle ou um livro. Não tem textura, nem forma, nem cheiro, não pode ser metido na boca. Quando muito, desenvolve competências bidimensionais visuais, nem táteis são. E isso é uma ínfima parcela do que deve ser o desenvolvimento das competências psicomotoras da criança. Só é útil no fim da linha, após terem metido o cubo na boca ou atirado a jarra das flores ao chão.

A internet afeta a construção social da infância?

RCC: Sim. Não tenho um menino em acompanhamento a quem não tenha de fazer treino de competências sociais em algum momento. Há uma série de capacidades que não desenvolveram, as redes sociais propiciam isto. Antigamente, uma jovem acabava com o namorado e tinha que saber verbalizar o sucedido para lidar com a intensidade das reações e conseguir o apoio dos colegas na escola. Hoje, basta-lhe ir ao mural do Facebook e pôr um emoticon triste para desencadear uma série de resposta sociais. Mas será que a primeira pessoa que comenta o seu post seria a primeira a ir ter com ela no corredor da escola? Provavelmente não. Portanto, temos uma série de miúdos que não precisam de grande esforço para conseguir esta ilusão de apoio social.

Permitir que uma criança aceda à internet sem restrições é o mesmo que deixá-la sozinha numa grande cidade?

CNF: Acaba por ser. No fundo, tenho de conhecer o meu filho: se é cauteloso na vida real, irá reproduzir esse comportamento na rede. Se é temerário, tenho que ter cuidados acrescidos. A internet é apenas mais uma plataforma. Que tem, apesar de tudo, características particulares, uma das quais é a facilidade de acesso, condicionadora de imensas coisas. Um jovem não tem que se deslocar para ver um filme pornográfico: basta-lhe estar no quarto quando os pais pensam que está a estudar. Também não precisa de ir ao casino nem provar ser maior de idade para apostar: acede logo à sala do póquer. Esta entrada discreta e sem restrições equivale a ter em cima da mesa, constantemente, substâncias que causam adição. E o limite para não consumir são os filtros do próprio utilizador: a educação, a formação, os valores transmitidos pelos pais.

Mas isso não transmite aos pais uma sensação de falsa segurança?

RCC: Sim. Tive uma adolescente que me dizia: «Nunca estive tão contente por ficar de castigo como agora.» Às sextas, a mãe mandava-a ir para o quarto, onde tinha o computador, o telemóvel, a televisão, o iPad. E os pais estão tranquilos na sua função de educadores (porque a filha está de castigo e até nem levantou ondas), agarram-se à falsa sensação de que ela está em casa, segura, e não é necessariamente verdade. As características da internet que a tornam tão atrativa – o anonimato, a acessibilidade, o estar em todo o lado sem filtros –, juntamente com as características dos jovens – o ensaiar papéis, a importância do social, a pertença a um grupo, mesmo que para isso tenha que enviar e-mails com fotos da colega no balneário –, resultam num cocktail explosivo. Depois tenho, ou não, a tal educação que me permite perceber que isto são fases normativas do desenvolvimento, mas não a todo o custo.

Quais são as principais ameaças decorrentes da rede?

RCC: O cyberbullying é claramente um perigo. Assim de repente conto três meninos, todos em acompanhamento no CADin por outras razões, que em sessões diferentes trazem algo para contar a esse nível. Também do ponto de vista comportamental o uso excessivo da internet tem-se revelado uma ameaça: pais preocupados porque os filhos não se envolvem na escola, crianças que não estudam para passar mais um nível…

CNF: Foi por recebermos tantos miúdos com comportamentos de uso excessivo da internet que sentimos necessidade de entender o fenómeno. A rede tornou-se veículo para uma série de comportamentos que antes se faziam de outra forma, como o bullying ou o jogo. O que procurámos neste livro foi falar com os especialistas que mais sabem sobre novas tecnologias e pô-los em contacto com quem mais precisa.

O que podem fazer os pais e professores para proteger as crianças e educá-las para o mundo virtual?

RCC: Temos aqui duas questões essenciais: uma tem a ver com o tempo passado online, a outra com a qualidade daquilo que elas fazem online. Quando falo com os pais, costumo dizer-lhes que prefiro que o meu filho esteja uma hora ligado, a ver filmes de gatinhos, do que cinco minutos a ver pornografia. Os pais estão muito centrados no tempo, naquilo que os filhos deixam de fazer por estarem ligados: «Ai, o meu filho passa muito tempo online e não estuda, não põe a mesa…» Minimizam os conteúdos. E os pais precisam de estar confortáveis com esta certeza de saberem aquilo que os filhos fazem online, o que ele visitam na rede, com quem se dão.

CNF: É tão importante como conhecer as suas companhias na vida real.

Esse é precisamente um dos limites da internet, a par dos muitos benefícios…

RCC: Na rede nenhum tem essa noção. Além de que os conteúdos não têm só a ver com aquilo que os mais novos veem, mas muito com o facto de processarem as coisas de maneiras diferentes consoante a fase de desenvolvimento em que se encontram. E depois há ainda uma questão que se prende com fenómenos de grupo: eu posso estar confiante de que o meu filho está só no Facebook, mas não sei se ele vai às mesmas páginas, aos mesmos chats, aos mesmos blogues. E aqui sucede termos crianças convictas de que não aceitam estranhos, não saem com eles, sem se aperceberem de que, indo todos os dias à mesma página ou jogando o mesmo jogo, as pessoas que lá encontram deixam de ser estranhos. Formam-se comunidades com esta sensação de já se conhecerem, de pertença a um grupo.

Que se calhar se envolve em perigos a que não dariam azo noutro contexto…

CNF: Sim. Usamos abusivamente uma linguagem enganadora – como chamar amigo a um contacto – e isso tem que ser esclarecido. Os pais, até agora, vivem ofuscados pelo veículo e muito perdidos porque não o conhecem. Enquanto para eles é óbvia a necessidade de regras e horas para chegar a casa, não lhes é assim tão claro que as haja para a internet. E o que temos vindo a perceber é que a maioria dos problemas não tem nada a ver com o veículo e sim com a utilização que dele se faz. Que também é muito modulada pelos pais: ao navegarem num meio que desconhecem, inibem-se de agir.

Como é que os educadores (e as próprias crianças) podem denunciar situações abusivas?

RCC: Primeiro: quantos pais já leram o manual do Facebook? Os termos e políticas de privacidade estão disponíveis para toda a gente e são de uso muito intuitivo. Qualquer pai que sinta haver ali algum conteúdo impróprio pode denunciá-lo. Nos e-mails, se virem que os filhos estão a ser alvo de mensagens agressivas, podem direcioná-los para o spam ou para a sua conta pessoal. O YouTube também permite denunciar conteúdos. E muitas vezes os pais têm que recorrer à sua própria rede: se denunciarem algo e enviarem e-mails aos amigos para que façam o mesmo, menor é o gap de tempo até ser retirado. O nosso parceiro Internet Segura é um recurso ótimo. Não é difícil, isto. Os pais sentem-se é assoberbados com o que está a acontecer.

Proibir o acesso alguma vez é solução? As crianças entendem essa proibição?

RCC: Pode ser solução para quem não se dedicou antes à prevenção. Os pais preocupam-se em saber onde se liga o computador, mas não há uma conversa do tipo: «É esperado de ti que faças este uso e não o utilizes a partir da meia-noite. Se o fizeres, o castigo é este. Se souber que agrediste alguém, ficas sem ele.» Estou em crer, e por isso temos investido muito nas formações a pais, que se houver esta cultura não precisamos de chegar à interdição. Mas há claramente casos em que tem de se proibir.

CNF: E as crianças não têm que concordar com a proibição. Esse é o mal da nossa era.

 

Sessão Temática: “Perigos da Internet: A Importância de Estar Atento”

Março 25, 2014 às 11:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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perigos

Psicoset - Gabinete de Psicologia, através da Escola Para Pais, vem por este meio anunciar a sessão temática “Perigos da Internet: A Importância de Estar Atento”, com o Prof. Pedro Francisco (Professor do Ensino Básico e Secundário), que decorrerá no dia 29 de Março (sábado), das 9h30 às 12h30, nas nossas instalações na Rua de Brancanes, nº44, em Setúbal.

 

CONNECTED DOT COM: Young People’s Navigation of Online Risks

Março 10, 2014 às 6:00 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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dot

This study explores young people’s use of social media, the dangers faced online, and the ways in which young people negotiate their own safety online. It was conducted through focus groups in 93 schools across SA in tandem with the 2012 National School Violence Study. Download the publication [PDF]

Tertúlia Os espaços de vida das crianças e dos jovens: as redes virtuais 26 de Fevereiro, 18h, no Teatro Rápido

Fevereiro 24, 2014 às 4:42 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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convite

Solicita-se confirmação para forumdireitoscriancas@gmail.com

 

Bruxelas premeia dois projectos online portugueses com conteúdos para crianças

Fevereiro 24, 2014 às 6:00 am | Na categoria Site ou blogue recomendado | Deixe o seu comentário
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Notícia do i de 11 de fevereiro de 2014.

Por Agência Lusa

Dia da Internet Mais Segura tem como objetivo encorajar pessoas de todas as idades a criarem conteúdos online para os mais jovens e assinala-se hoje em mais de 100 países

A Comissão Europeia vai premiar dois projetos portugueses, entre outros, com conteúdos online especialmente destinado para crianças e jovens, no âmbito do Dia da Internet Mais Segura, que hoje se assinala.

Em Bruxelas, a comissária europeia para a Agenda Digital, Neelie Kroes, vai premiar os vencedores do concurso de melhores conteúdos online para crianças, incluindo os projeto portugueses “Escola de magia” ( http://pt.schoolofmagic.net/), um site destinado a utilizadores entre os sete e os 12 anos, “Learn English” ( http://learnenglishkid.blogspot.pt/) para um público dos seis aos oito anos.

“Há crianças e jovens que fazem coisas impressionantes com as ferramentas digitais. Temos que os encoraja, ajudá-los a estar em segurança e dar-lhes meios para criarem eles mesmos uma melhor internet”, disse Nellie Kroes.

O Dia da Internet Mais Segura tem como objetivo encorajar pessoas de todas as idades a criarem conteúdos online para os mais jovens e assinala-se hoje em mais de 100 países, incluindo – pela primeira vez – nos Estados Unidos, com milhares de ações de sensibilização previstas nomeadamente para crianças e jovens.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

 

 

Jovens europeus receiam bullying e assédio sexual nas redes sociais

Fevereiro 17, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Sol de 11 de fevereiro de 2014.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Press release 10.02.2014 EU Kids Online III, London School of Economics (LSE) Como os mais jovens evitam os riscos online

Relatório original:

Preventive measures – how youngsters avoid online risks

sol

Os jovens europeus receiam ser vítimas de ‘bullying’ ou assédio sexual por parte de estranhos através das redes sociais, que são as plataformas onde ocorre “a maioria das situações problemáticas” decorrentes do uso da Internet, revelou um estudo.

De acordo com as primeiras conclusões do estudo divulgadas hoje, a propósito do Dia da Internet Segura 2014, entre os principais receios dos jovens entre os nove e os 16 anos de idade ouvidos no âmbito deste relatório, e que utilizam as redes sociais, estão a exposição ao ‘bullying’ e o assédio, o abuso de informações pessoais, o contacto indesejado ou de natureza sexual por parte de estranhos, e também conteúdo comercial.

“Cerca de metade das experiências desagradáveis surgem nas redes sociais como o Facebook”, refere um comunicado relativo às conclusões preliminares do novo estudo da EU Kids Online coordenado pela Universidade Masaryk, da República Checa, e em que a Universidade Nova de Lisboa participou.

De acordo com o comunicado o estudo demonstra que “as crianças e jovens têm consciência dos potenciais riscos das redes sociais, o que não significa necessariamente que façam algo para evitar o risco”.

Entre os jovens não é claro o limiar da experiência positiva e negativa. Por exemplo, refere-se no estudo que a publicação ou partilha de uma fotografia de cariz sexual pode ser entendida como algo positivo se apenas tiver como consequência comentários elogiosos, mas pode tornar-se negativa se os comentários se tornarem maliciosos ou ofensivos ou se a fotografia for partilhada com muitas pessoas.

No entanto, há jovens que em situações que assumam contornos desconfortáveis, relacionadas com temas sexuais, optam por tomar uma posição defensiva, não se envolvendo, tomando acções como sair da página onde se encontram, ou decidindo, por exemplo não tirar fotografias, ou desligar a ‘webcam’.

Citado no comunicado, o coordenador internacional do estudo, David Smahel, referiu que “enquanto muitos têm cuidado com informação pessoal, por exemplo, outros acreditam que nada de mal lhes acontecerá, independentemente do que revelem na internet”.

As conclusões preliminares do estudo — que terá uma análise mais aprofundada num relatório a divulgar em Abril — baseiam-se análise qualitativa de 57 grupos de foco e de 113 entrevistas a crianças entre os 9 e 16 anos de idade.

De acordo com o comunicado, no total, 349 participantes de nove países europeus (Bélgica, Espanha, Grécia, Itália, Malta, Portugal, Reino Unido, República Checa e Roménia) “foram convidados a explicar o que entendem ser situações problemáticas ou prejudiciais ‘online’, e o que fazem para evitar que aconteçam”, sendo que em Portugal participaram 34 crianças e jovens, em grupos de foco e por entrevistas individuais realizadas em escolas da área da grande Lisboa.

O projecto EU Kids Online apresenta-se como tendo por objectivo “aprofundar o conhecimento sobre as experiências e práticas de crianças e pais europeus relativamente ao uso seguro e arriscado da internet e das novas tecnologias ‘online’”, sendo financiado pela Comissão Europeia.

Lusa/SOL

 

As crianças já absorveram as regras para uma Internet mais segura, mas isso pode ser um problema

Fevereiro 13, 2014 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 10 de Fevereiro de 2014.

Enric Vives Rubio

Samuel Silva

Doutoramento de investigadora da Universidade do Minho debruça-se sobre os usos que as crianças fazem das tecnologias e mostra que estas são hoje um factor central das suas vidas.

Evitar contactos com estranhos ou conteúdos sexuais na Internet são advertências comuns para as crianças. E estas parecem já ter absorvido este discurso depois da mediatização das regras para uma utilização mais segura dos meios digitais nos últimos anos. Foi isso que descobriu a investigadora Ana Francisca Monteiro, na sua tese de Doutoramento feita na Universidade do Minho sobre os usos que os mais novos fazem das tecnologias. Mas isso até pode ser contraproducente, avisa a autora: há outros perigos da utilização das tecnologias que estão a ser deixados para segundo plano.

“Já todos sabem que quem está a falar com eles do outro lado da rede pode não ser quem diz ser e pode ser arriscado um encontro pessoal com essa pessoa”, conta Ana Francisca Monteiro. A pornografia também só vem à baila como “curiosidade”, especialmente por parte dos rapazes, mas sempre num registo muito contido. “O que eles acham é que só se mete nestes problemas quem quer”, afirma. E isto é fruto de um discurso que está muito inculcado entre esta população.

A investigadora nota uma evolução neste campo nos últimos anos. Quando há cerca de cinco anos começou o trabalho de campo que resultou na tese de doutoramento em Estudos da Criança defendida no mês passado na Universidade do Minho, “pouco se falava do assunto”. Entretanto, tem havido acções de sensibilização, como a Semana da Internet Segura que começa esta segunda-feira (ver caixa), que tornaram este discurso muito presente entre os adultos, mas também entre as crianças.

“Há um padrão de comportamento, dentro do qual ninguém quer cair e acabam por recusar essas práticas”, diz a autora. E isso leva a uma certa “estigmatização” daqueles que têm comportamentos considerados arriscados por parte da maioria das crianças. Só que este resultado aparentemente positivo, “pode ser contraproducente”. O forte reconhecimento das regras para uma Internet mais segura parece contribuir para que muitas crianças escondam comportamentos perigosos: “Não vão deixar sequer que haja sobre eles a suspeita de que estão a falar com alguém que possa ser estranho. Há uma crítica tão grande, que ninguém quer ser associado a esse papel”.

Por isso, há outros problemas e riscos da utilização das tecnologias por parte das crianças que, como estão fora desse padrão, não são debatidos, nem sequer reconhecidos. Por exemplo, as crianças disponibilizam com relativa facilidade os seus números de telemóvel em suportes digitais – para se inscreverem em jogos online por exemplo – e é “muito comum” o relato de utilizadores que ficam sem saldo no telemóvel sem explicação aparente.

Outro comportamento pouco reconhecido é o da adição. As crianças “raramente desligam” do seu ambiente virtual e mesmo na escola “passam o tempo a falar dos jogos que fazem na internet”, explana Ana Francisca Monteiro. “Alguns fazem apostas no fim das aulas para ver quem é o primeiro a chegar a casa para ligar o computador”, ilustra. Mas todos recusam a ideia de serem viciados nas tecnologias. O problema só começa a ser visto como real a partir do momento em que estas crianças começam a ter más notas na escola, associando os maus resultados ao tempo “excessivo” passado online.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os pais portugueses não fazem um acompanhamento tão próximo do uso da internet por parte dos seus filhos como noutros países europeus, porque têm mais dificuldades no domínio da tecnologia. “Isso faz com que as crianças sejam muito mais independentes”, explica Ana Francisca Monteiro. O que as famílias fazem, sobretudo, é controlar o tempo que os filhos passam em frente ao computador, explica, mas não tanto os conteúdos consumidos.

Isso também explica que a investigadora tenha encontrado discursos divergentes nestas crianças quando se dirigem às famílias ou aos amigos. “As famílias parecem valorizar um distanciamento face às tecnologias”, por isso as crianças tendem a desvalorizar a importância que a tecnologia tem nas suas vidas quando conversam com os pais. Pelo contrário, juntos dos amigos das mesmas idades, “às vezes torna-se difícil justificar por que não estiveram online”.

Os pais não conseguem prever o que os filhos fazem, porque na sua infância estes não eram dispositivos à sua disposição. “Os pais sentem-se inseguros relativamente ao que os miúdos estão a fazer”, diz a autora. Este trabalho tenta, por isso, criar um ponto de ligação entre pais e crianças no que toca ao uso das tecnologias que são um ponto de “tensões e conflitos” nas famílias.

“«Tem é de ser de mim»: Novas tecnologias, riscos e oportunidades na perspectiva das crianças”, a tese aprovada no mês passado, é o resultado do trabalho de campo com crianças e pré-adolescentes dos 9 aos 14 anos. O estudo é centrado nas crianças e pretendeu entender a forma como elas usam a Internet no dia-a-dia.  “Para acompanhar com mais eficácia é necessário compreender. Até porque o uso é muito autónomo e independente”, defende Ana Francisca Monteiro.

Hoje, a Internet é algo “muito importante no grupo de amigos” e que “estrutura as relações”, aponta a investigadora. Se, em idade mais jovens, a Internet é um passatempo, à medida que vão envelhecendo, começa a haver um compromisso maior. A forma como eles se relacionam e as suas amizades são construídas e negociadas a partir do que eles fazem na Internet, concluiu.

Centro Internet Segura recebeu 1284 denúncias em 2013

Fevereiro 12, 2014 às 6:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 11 de Fevereiro de 2014.

Nuno Ferreira Santos

 Lusa

Quase 400 queixas foram encaminhadas para a Polícia Judiciária.

A Linha Alerta do Centro Internet Segura recebeu no ano passado 1284 denúncias de casos de conteúdos ilegais online, uma das quais relacionada com um perfil no Facebook que suscitou quase três mil queixas por pedofilia, segundo dados avançados à agência Lusa.

Segundo o coordenador do centro, Nuno Moreira, o perfil foi eliminado do Facebook cerca de duas horas depois da denúncia que levou à intervenção do Centro Internet Segura, que tem como objectivos combater conteúdos ilegais online, minimizar os seus efeitos e promover uma utilização segura da Internet.

As denúncias recebidas são analisadas por operadores especializados e posteriormente encaminhadas para as autoridades de investigação criminal competentes, ou, no caso de estarem fora de jurisdição nacional, para a respectiva congénere internacional da Linha Alerta, para que prossiga a investigação.

Das 1284 denúncias registadas, 392 foram reencaminhas para a Polícia Judiciária, segundo os dados do Centro Internet Segura enviados à Lusa, a propósito do Dia Europeu da Internet Mais Segura, assinalado nesta terça-feira.

Segundo os dados, 685 situações foram reencaminhadas para Linhas Alertas estrangeiras porque os conteúdos estavam alojados noutros países. Houve ainda 15 situações que foram reencaminhadas para o fornecedor de acesso à Internet .

O coordenador do Centro Internet Segura, Nuno Moreira, apelou aos utilizadores que denunciem na Linha Alerta conteúdos ilegais online, que incitem ao racismo, à xenofobia ou que contenham imagens de pornografia infantil.
O Centro Internet Segura, coordenado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), dispõe também da Linha Ajuda para apoio e esclarecimento de dúvidas sobre a utilização segura das tecnologias de informação e comunicação. No ano passado, a Linha recebeu 185 contactos.

Nuno Moreira adiantou que o site do centro tem disponível “todo o tipo de recursos para todos os riscos que existem na Internet”, nomeadamente “as duas linhas para poder ajudar as pessoas, não só na prevenção, mas também as que já estão a ter problemas”.

“É importante que neste dia seja criada a consciência de que existem formas de as pessoas estarem prevenidas. Nós disponibilizamos todos os tipos de recursos para prevenção e para que as pessoas aprendam um pouco mais”, disse o coordenador do centro.

Proteger o computador
A partir desta terça-feira, a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) disponibiliza, no seu site, um conjunto de aplicações para ajudar a proteger o computador de ataques quando este está ligado a redes públicas.

O conjunto de aplicações informáticas, denominado projeto “Pen C3Priv“, foi desenvolvido em parceria com o Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade da Universidade do Porto e vai ser disponibilizado gratuitamente
Segundo a CNPD, as aplicações devolvem ao utilizador um maior controlo da privacidade quando navega na Internet, ao mesmo tempo que oferecem protecção quando precisa de aceder a partir de um computador que não é o seu, bastando para tal copiar tudo para uma pen.

A Pen C3Priv contém um conjunto de programas usados frequentemente, como um cliente de email, um editor de imagem e outro de texto, um leitor de pdf, um leitor multimédia de áudio e vídeo, um browser (uma versão do Firefox) e uma aplicação de troca de mensagens instantâneas, que foram configurados para não gravarem nada no computador onde são usados, não deixarem nenhuma informação privada sobre o utilizador e não permitirem o acesso a listas de contactos, adianta a CNPD, numa nota.

Apanhados na Rede – Palestra com Celestino Pais, Inspector-Chefe da Polícia Judiciária de Coimbra

Fevereiro 11, 2014 às 4:15 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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romulo

No próximo dia 11 de Fevereiro de 2014, pelas 18h, por ocasião da comemoração do Dia da Internet Segura 2014, o Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra e o Centro de Competência TIC Softciências de Coimbra, vão promover a palestra “Apanhados na Rede”, com Celestino Pais, Inspector-Chefe da Polícia Judiciária de Coimbra.

A sessão terá lugar no RÓMULO – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, no piso térreo do Departamento de Física da FCTUC.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, *Celestino Pais* é o chefe da brigada que investiga o crime informático na Directoria do Centro da Polícia Judiciária.

Em “Apanhados na Rede”, Celestino Pais falar-nos-á de Fishing, Homebanking, Compras on-line, Redes Sociais, Cyberbulling, Encontros com Desconhecidos entre outros temas, e contará alguns episódios reais de pessoas que tenham sofrido de algum modo pelo facto de não terem tomado precauções na utilização da Internet e que ilustram estes e outros aspectos desta nossa Era da Tecnologia. No final da sessão, haverá lugar a perguntas pelo público.

A sessão é aberta a quem se preocupa e pretende conversar com Celestino Pais sobre questões de segurança na Internet. O convidado será apresentado por Carlos Fiolhais, Director do Centro.

Dia Europeu da Internet Mais Segura 2014

Fevereiro 11, 2014 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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dia

Em Portugal terão lugar mais de 600 ações sobre a utilização segura da Internet, a decorrer entre 11 e 28 de fevereiro em todo o país. Dinamizadas pelo Centro Internet Segura, projeto coordenado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, estas atividades têm como propósito sensibilizar a população, em especial jovens e crianças, para beneficiar em segurança das oportunidades oferecidas pela Internet. Estendem-se também a outros grupos da população, nomeadamente seniores e pessoas com necessidades especiais, incluindo várias iniciativas destinadas a pais e educadores.

Mais de 250 escolas irão participar em atividades com alunos e/ou encarregados de educação, que promovem a utilização crítica, consciente e segura da Internet. Organizadas pela equipa da Seguranet – componente do Centro Internet Segura a funcionar para a comunidade escolar do ensino básico e secundário no Ministério da Educação e Ciência – estas iniciativas envolveram, em 2013, cerca de 58000 alunos, professores, pais e educadores.

O Centro Internet Segura promove também ações de sensibilização e formação com o apoio de técnicos locais pertencentes a Bibliotecas Públicas, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Instituições de Solidariedade Social, Espaços Internet, Centros de Ciência Viva, Centros de Inclusão Digital (CID Net), entre outros. Mais de 47000 pessoas estarão envolvidas, neste período, em ações por todo o país.

Já o Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), promove uma competição nacional para jovens até 30 anos. Para participar basta produzir um vídeo de até 60 segundos, com referência aos temas “Juntos vamos criar uma Internet melhor” e à “Campanha contra o Discurso de Ódio Online”, promovida pela Comissão Europeia e pelo IPDJ em Portugal. Os criadores dos vídeos selecionados receberão vouchers para Pousadas da Juventude.

Também a Microsoft, enquanto membro do consórcio que integra o Centro Internet Segura, promove ações de sensibilização e formação sobre o tema da Segurança na Internet nas Escolas como parte do seu Programa Volunteer Scheme. Mais de 100 voluntários farão parte da iniciativa que, no ano passado, contou com a participação de quase 12 000 pessoas em todo o país.

Segundo Nuno Moreira, coordenador do Centro Internet Segura, «A Internet mudou, e continuará a mudar, a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Nunca, como agora, foi tão fácil e rápido trocar informação quebrando as barreiras do espaço e do tempo. Para acompanhar esta revolução é fundamental, por um lado, ensinar aos utilizadores a forma segura de usufruir das enormes potencialidades da Internet e, por outro lado, sensibilizar para o facto de que uma utilização informada e responsável contribui para elevar a qualidade da Internet onde navegamos».

Para mais informações e serviços sobre a temática consulte:

www.internetsegura.pt – Portal nacional com informações sobre o projeto, dicas para uma navegação segura, recursos para os utilizadores e quizzes para avaliação de conhecimentos (secção A INES pergunta);

www.Seguranet.pt – Sítio dedicado à temática da Internet Segura para a comunidade escolar: escolas, professores, alunos, e encarregados de educação e familiares de alunos;

http://LinhaAlerta.internetsegura.pt – Serviço “Linha Alerta” do Centro Internet Segura para denúncia de conteúdos ilegais online.

http://www.internetsegura.pt/linha-ajuda – Serviço “Linha Ajuda” do Centro Internet Segura para atendimento telefónico e online de crianças, jovens, pais e professores, sobre questões relacionadas com o uso de tecnologias em linha.

https://www.facebook.com/internetsegura.pt – Serviço de Dicas diárias do Centro Internet Segura sobre como garantir a segurança na utilização das TIC e da Internet.

Sobre o Centro Internet Segura:

O Centro Internet Segura, a operar desde 2007, é da responsabilidade de um consórcio coordenado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, IP, que envolve a Direcção-Geral da Educação do Ministério da Educação e Ciência (DGE), o Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) e a Microsoft Portugal, e assegura a representação portuguesa na INSAFE – rede europeia de cooperação dos projetos que promovem a sensibilização e a consciencialização para uma utilização mais segura da Internet pelos cidadãos, financiada pela Comissão Europeia.

Descarregue a versão PDF desta Press Release aqui.

Aceda às atividades inscritas no Centro Internet Segura aqui (informação atualizada diariamente).

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