Mais de um terço dos jovens portugueses já se sentiu desconfortável na Internet

Outubro 15, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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A utilização intensiva das redes sociais intensifica a sensação de solidão, mesmo entre os jovens que tenham, à partida, uma boa rede de relações sociais e familiares GettyImages

Notícia e imagem do Expresso de 17 de setembro de 2019.

Estudo nacional revela que 14% dos jovens também já foram ofensivos ou agiram incorretamente com alguém.

Um em cada três jovens portugueses já se sentiu desconfortável enquanto navegava na Internet e 14% já foram ofensivos ou agiram incorretamente com alguém, segundo um estudo nacional divulgado esta terça-feira

O estudo, conduzido pela Netsonda e promovido pelo Faceboook, hoje divulgado, revela que 38% dos jovens já se sentiram desconfortáveis enquanto navegavam na internet, em oposição com os restantes 62% que dizem nunca terem sentido qualquer incómodo.

Dos jovens inquiridos, 14% admitiram mesmo já terem dito algo ofensivo ou terem agido incorretamente com alguém através da ‘web’, sendo que “chamar nomes” foi o ato mais apontado.

Comparando rapazes com raparigas, eles são mais agressivos também na Internet (17% contra 10% das raparigas).

Perante a hipótese de alguém ser desagradável com eles ou com alguém seu conhecido, a maioria optaria por enviar mensagem privada ao “agressor” ou pedir ajuda aos pais, professores ou algum adulto de confiança.

No entanto, 29% ignorariam o ato, enquanto outros 22% optariam por falar diretamente com a pessoa. Os amigos surgem como a quinta opção: 19% dizem que recorreriam aos seus amigos para tentar resolver o problema.

É através das redes sociais que os jovens se mantêm em contacto com os amigos, mas é também em frente a um ecrã que se divertem, acompanham as novidades e tendências, segundo um inquérito online realizado durante o mês de agosto a mil jovens portugueses, entre 14 e 19 anos

O estudo tentou perceber o que fazem os mais novos quando estão nas redes sociais, de que forma acedem à Internet, como reagem perante uma “agressão” virtual ou que experiências já vivenciaram.

Hoje em dia, são raros os jovens que não têm um ‘smarphone’ e é através dele que acedem à Internet: 69% usam o telemóvel, seguindo-se o computador (17%).

As consolas de vídeo jogos e o computador de família são as opções menos recorrentes (2%).

É precisamente para estar em contacto com os amigos que os jovens mais usam as redes sociais (79%), mas também como forma de entretenimento (61%).

Já 49% dizem que lhes permite acompanhar as novidades das marcas e os “influencers”. Numa comparação entre rapazes e raparigas, elas estão muito mais interessadas em acompanhar as tendências (60% contra 39% de rapazes) enquanto eles usam muito mais as redes para entretenimento (74% contra 47%).

“Ler notícias” também é um dos principais motivos para usar as redes sociais, principalmente entre os mais velhos: os jovens entre os 17 e os 19 anos colocam esta função em terceiro lugar, enquanto entre os mais novos o desejo de se manter informado surge em quinto.

Apenas um em cada três jovens diz usar as redes sociais para manter o contacto e ver as publicações da família.

O estudo hoje divulgado revela ainda a atitude que os jovens imaginam que teriam perante um eventual abuso, sendo apresentada a hipótese de ser publicada uma fotografia sua sem consentimento: oito em cada dez (79%) dizem que pediriam que a foto fosse retirada, 76% acreditam que reportariam a situação à rede social e 61% retiravam a sua identificação da imagem.

No universo de inquiridos, 60% já comunicaram situações nas redes sociais.

Bloquear ou deixar de seguir alguém já faz parte dos hábitos dos jovens, com mais de 60% dos inquiridos a admitirem que já utilizaram estas ferramentas para gerir o contacto ‘online’ com outros.

Apenas 3% desconheciam que tal era possível e 12% disseram conhecer essa opção, mas nunca a utilizaram.

O estudo tentou ainda perceber se seriam capazes de partilhar as suas ‘passwords’ com alguém. A maioria disse que não, mas 35% responderam afirmativamente, colocando a família, os namorados e os melhores amigos como as pessoas a quem estavam dispostos a entregar as palavras passe de acesso às redes sociais, e-mails ou ‘smartphones’.

Um em cada 100 jovens disse mesmo que partilharia a ‘password’ com os professores ou diretores da escola.

13.ª edição do concurso Desafios SeguraNet

Outubro 10, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Direção-Geral da Educação promove a 13.ª edição do concurso Desafios SeguraNet dinamizada no âmbito do Centro de Sensibilização SeguraNet. Esta edição, que se prolonga até 31 de maio de 2020, contempla quatro categorias, dirigidas, respetivamente, aos 1.º, 2.º, 3.º ciclos do ensino básico e ainda a pais/encarregados de educação. O 1.º desafio ficará disponível no dia 1 de outubro.

mais informações no link:

https://www.seguranet.pt/index.php/pt/noticias/desafios-seguranet-20192020-13a-edicao

5ª edição da iniciativa Líderes Digitais/Líderes Digitais Benjamins

Outubro 10, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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As inscrições para a 5ª edição da iniciativa Líderes Digitais/Líderes Digitais Benjamins estão abertas até ao dia 25, do próximo mês de outubro.

Com a dinamização desta iniciativa, da responsabilidade do Centro de Sensibilização SeguraNet, da Direção-Geral da Educação, pretende-se, entre outros, envolver os alunos em situações que contribuam para a formação de cidadãos confiantes e aptos a lidar com os desafios do digital, de forma segura e responsável. Além disso, as equipas de alunos, acompanhadas por um professor, promovem, ao longo do ano letivo, com o apoio do SeguraNet, campanhas de sensibilização, dirigidas à comunidade educativa em que se inserem, contribuindo para ao desenvolvimento da Cidadania Digital.

mais informações no link:

http://www.erte.dge.mec.pt/noticias/lideres-digitaislideres-digitais-benjamins-5a-edicao-201920

Programa Educativo GeraZão

Outubro 5, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Recursos educativos, Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Acede a experiências e recursos de formação

Com GeraZão quem decide és tu. Oferecemos-te várias possibilidades de formação adaptadas às tuas necessidades. Neste espaço, podes aceder a diferentes materiais de formação como a Biblioteca de Literacia Digital, utilizações didáticas e de formação do Facebook e Instagram bem como recursos de entidades colaboradoras de interesse na utilização segura da Internet, concebidos por peritos.

https://www.gerazao.org/index.php

Quando os pais contratam professores particulares de Fortnite: uns sonham com milhões, outros querem fugir do embaraço na escola

Setembro 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Expresso de 9 de agosto de 2019.

O preço das aulas particulares podem oscilar entre 10 e 25 euros por hora. “Existe uma grande pressão para não só jogar como para ser realmente bom. Não fazem ideia do duro que foi para eles na escola”

A vida de Jordan desenrola-se no quarto da sua casa em Sudbury, Massachusetts. É ali que passa oito, 10 (e às vezes 14) horas do dia. Recebe a sabedoria da escola longe da escola: as lições chegam-lhe via Internet, depois de o pai retirá-lo do liceu. Querem ambos que ele seja um dos grandes no gaming. Na verdade, conta esta reportagem do “Boston Globe”, já é. Começou a jogar numa consola com três anos. Aos sete, era craque no “Halo”. Aos 12, ganhou o primeiro torneio de gaming, metendo no bolso quase 1800 euros (em acessórios para jogar). O pai de Jordan, antes de as coisas começarem a traduzir-se em dinheiro, investiu 27 mil euros em tecnologia de ponta para Jordan brilhar. As férias e jogatanas de ténis ficaram suspensas. O foco é treinar e ser um dos melhores no jogo Fortnite. Perante as vozes que censuram este jeito de viver, o pai diz que se fosse outra área, como piano ou representação, as reações seriam diferentes.

A cenourinha, que é como quem diz o objetivo, passa por viver numa casa com uma equipa, onde comem, dormem e treinam juntos. Não seria “Eight days a week”, como cantavam os Beatles, mas quase. “Eu só quero fazer dinheiro suficiente para não ter de trabalhar durante a minha vida”, disse àquele jornal norte-americano. Até julho, o rapaz de 16 anos somou, pelo menos, 99 mil euros. Jordan Herzog, conhecido por “Crimz”, qualificou-se para o Campeonato do Mundo de Fortnite, que, somente pela participação, lhe valeu quase 45 mil euros.

Esta história demonstra uma franja do impacto que tem tido pelo mundo fora. De acordo com o site “Portugal Gamers”, todos os meses este jogo angaria qualquer coisa como 268 milhões de euros nas compras e vendas de itens e skins. O fenómeno atrai também ações ilicitas, como o Expresso contou neste artigo de dezembro: na altura, a BBC denunciava que existem hackers que roubam contas privadas e que as vendem, variando o valor consoante a qualidade ou raridade da personagem ou acessórios.

E, agora, conhece-se ainda outra variante: pais que contratam professores de Fortnite para os filhos, uma realidade que está em crescendo nos Estados Unidos, até porque há universidades daquele país que têm desenvolvido as suas equipas de eSports, como acontece com os atletas de basquetebol ou outros desportos, culminando assim em bolsas e ajudas no ensino superior.

Esta história, publicada esta sexta-feira no “El Mundo”, revela que os professores/treinadores/explicadores deste jogo são tão fáceis de encontrar como os que ensinam disciplinas tradicionais. Há sites especializados na temática e os professores são avaliados pelos alunos – a informação é pública. Aquele periódico espanhol dá conta de uma página na Internet em que há 100 pessoas disponíveis para o trabalho. O custo oscila entre 10 e 25 euros por hora.

O “Wall Street Journal”, a base da história publicada pelo “El Mundo”, tentou descobrir por que razão os pais escolhem pagar a alguém para afinar a capacidade para jogar do filho… e o entretenimento tem pouco a ver com esta conversa. As conclusões, à boleia das explicações dos pais, falam em pressão social e aspirações económicas. Não é diferente do que se vê em equipas de desporto na infância e adolescência, por exemplo. A forma como se é visto por outros (até longe do gaming, na escola também), o estatuto entre pares. Mais: teme-se que a falta de perícia no Fortnite conduza a casos de bullying ou brincadeiras de mau gosto.

“Existe uma grande pressão para não só jogar como para ser realmente bom. Não fazem ideia do duro que foi para eles na escola”, desabafou uma mãe àquele jornal norte-americano.

O Fortine é um jogo de guerra online em que o objetivo da personagem controlada pelo jogador é ser o último a cair. No fundo, é correr pela sobrevivência, escapar ao destino fatal, eliminar zombies, encontrar armas e construir fortes para proteger preciosidades. É assim que ganha forma uma das sensações do mundo dos videojogos na atualidade. Espalhados pelo mundo, estão mais de 200 milhões de jogadores.

Linha Internet Segura já recebeu mais de 300 denúncias de conteúdo ilegal e quase todas envolvem menores

Agosto 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem da Rádio Renascença de 13 de agosto de 2019.

Daniela Espírito Santo

Serviço operado pela APAV apoia quem tem dúvidas e recebe denúncias de vídeos e imagens impróprios.

A Linha Internet Segura, que presta apoio telefónico e online a vítimas de cibercrime, recebeu 336 denúncias de conteúdos considerado ilegais no primeiro semestre de 2019.

Ricardo Estrela, gestor operacional da linha atualmente gerida pela Associação Portuguesa de Apoio à Vìtima (APAV), adianta, sem avançar um número concreto, das largas centenas de denúncias de imagens e vídeos recebidos entre janeiro e junho deste ano, uma grande maioria do material denunciado envolve menores.

Ricardo Estrela diz à Renascença que o material recebido foi, posteriormente, encaminhado para as autoridades. Nenhum do material denunciado estava, no entanto, alojado em servidores portugueses, pelo que a Polícia Judiciária foi meramente informada do acontecimento, cabendo às autoridades de outros países o controlo e remoção do material em questão.

“Team Strada” entre as denúncias mais recentes

Segundo Ricardo Estrela, um dos mais recentes casos a receber a atenção dos internautas que os contactaram foi a polémica que envolveu a chamada “Team Strada”.

“Chegaram-nos denúncias relativas a este caso”, confirma, garantindo que, à semelhança do que fazem normalmente, deram “seguimento às mesmas para a polícia para que pudessem avaliar os conteúdos”.

“Tivemos conhecimento do fenómeno, mas, na altura, muitos dos conteúdos que alegadamente seriam ilegais já não estavam disponíveis nas plataformas. Entretanto já tinham sido removidos”, explica.

Homens ligam mais que as mulheres. Pais ligam quando já é tarde demais

Ricardo Estrela admite que quando os utilizadores procuram a linha para tirar dúvidas, estas estão, habitualmente, relacionadas com situações de “phishing“, isto é, tentativas de burla com alegada informação íntima para levar os utilizadores a revelarem informações pessoais, tendo por fim último a extorsão de dinheiro.

“Os homens são quem mais é afetado por este tipo de tácticas de engenharia social. No entanto, assegura que é cada vez mais usual receber contactos de pais preocupados com fenómenos de “ciberbullying”.

“Os pais estão muito desligados relativamente aquilo que os filhos fazem online e, muitas vezes, só quando vêem alguns sinais físicos de que algo está mal com os seus filhos é que ficam alerta para os perigos”, diz. “Chegam a nós quando o pior já aconteceu”, reforça, salientando que, normalmente, os pais querem saber “o que podem fazer para ajudar os filhos” em casos de bullying online.

Quem está mais vulnerável e como prevenir?

“Dizer que só pais e crianças precisam de ajuda neste tipo de situações é muito redutor. Todos nós, hoje em dia, com a quantidade de informação sensivel que deixamos online, podemos vir a ser vítimas de cibercrime. Estamos todos vulneráveis”, alerta Ricardo Estrela.

Apesar disso, o gestor da linha da APAV adianta que as crianças e os jovens são os que poderão estar mais à mercê de agressores online. “Estão numa posição muito mais frágil porque, muitas vezes, têm vergonha de contar aos pais”, facto que é usado pelo agressor para os chantagear.

Por isso, os pais têm de estar especialmente alerta às redes sociais e aos videojogos, pois são nesses espaços que se iniciam os contactos com menores. É aí que muitos agressores criam “envolvimento emocional com os jovens” e os levam a partilhar imagens de cariz íntimo, para “alimentar redes de disseminação de pornografia infantil globalmente”.

Como funciona a Linha Internet Segura?

A Linha Internet Segura pode ser contactada por telefone, email ou através do preenchimento de um formulário, de forma anónima e confidencial, onde é possível colocar links ou fotografias do material potencialmente ilegal.

Recebida a denúncia, os técnicos de apoio afetos à linha, que são voluntários com formação especializada para lidar com esta realidade, avaliam o material para perceber se se trata de “conteúdo de abuso sexual de menores, de apologia à violência ou ao racismo ou de discurso de ódio”. Para tal, utilizam um “software” associado a uma rede internacional de denúncia de conteúdo similar, da organização inHope, para “perceber onde os conteúdos estão localizados” e encaminhar a informação para as autoridades locais.

Sempre em “estreita colaboração com as autoridades”, o material considerado ilegal é, depois, encaminhado para oas autoridades competentes, para garantir a “persecução criminal” e também a “rápida remoção do mesmo”, para prevenir a sua disseminação.

Desde janeiro, altura em que a APAV passou a assumir a Linha Internet Segura, em “100% dos casos o conteúdo não estava alojado em Portugal”, admite Ricardo Estrela, mas a Polícia Judiciária é avisada na mesma, para estar a par do que se passa.

O Jardim Zoológico Online

Agosto 15, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia da DGPJ

Edição em língua portuguesa do livro ‘O Zoo on-line’

Está disponível para consulta a versão em língua portuguesa do livro ‘O Zoo on-line’, que pretende educar para uma internet mais segura.

Este livro que pretende contribuir para a educação para a justiça, a fim de melhorar uma utilização mais segura da internet em todos os níveis, resulta de um projeto, co-financiado pela União Europeia e pretende contribuir para o combate da UNODC contra o cibercrime e para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas n.º s 4, 5, 10 e 16.

Trata-se de uma ação do ISPA – Provedores de Serviço Internet da Áustria, como parte da iniciativa Saferinternet.at, destinada a crianças entre 4 e 9 anos e tem como objetivo capacitá-las com mensagens positivas no sentido de beneficiar da Internet de forma segura.

Pode encontrar versões do livro noutras línguas no sítio do ISPA [www.ispa.at/childrensbook].

Ficheiro Anexo:

O Zoo on-line 7.95 Mb

Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas Para Crianças Felizes – 22 de agosto

Agosto 14, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/673966203013038/

Falha em aplicação do Facebook permite que estranhos comuniquem com crianças

Agosto 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 23 de julho de 2019.

A aplicação Messenger Kids foi desenhada para que as crianças só comunicassem com quem os pais permitissem, mas um erro possibilitou a comunicação entre menores e estranhos no chat.

“Safe Kids Chat App” ou “Aplicação de Chat segura para crianças”. Assim se define a ferramenta Messenger Kids, lançada em 2017 como a versão júnior do chat do Facebook. A ferramenta permite que os pais decidam quem pode ou não contactar os filhos. Mas uma falha na construção desta ferramenta possibilita utilizadores não autorizados de comunicarem com as crianças, de acordo com o BBC. O erro foi confirmado pela própria empresa.

A aplicação nasceu com uma única promessa: dar o máximo controlo possível aos pais de crianças menores de 13 anos, garantindo que só comunicam com quem os progenitores permitam. Mas falhou na sua principal missão. “Recentemente, notificámos alguns pais sobre um erro técnico que detetámos e que afetou um pequeno número de conversas de grupo”, confirmou a empresa esta segunda-feira.

O Facebook garante que desativou imediatamente os chats afetados e promete que irá fornecer “recursos adicionais no Messenger Kids e na segurança online” para os pais e para as crianças. Em declarações à BBC, um porta-voz da empresa disse que não chegou nenhuma reclamação sobre o problema nem verificou nenhum comportamento inadequado por parte dos intervenientes na conversa.

A organização norte-americana Common Sense Media, que promove campanhas de sensibilização pela segurança online das crianças, garante que este erro veio confirmar as suas suspeitas face à aplicação.

“O Messenger Kids é apenas o exemplo mais recente de um produto do Facebook que representa riscos desconhecidos de privacidade para pais e utilizadores”, disse o fundador e diretor executivo da organização, James Steyer. “Estas preocupações com a privacidade, combinadas com sérias reservas de especialistas sobre o impacto das redes sociais para os adolescentes, levantam a questão: porque precisamos de um produto projetado para atrair as crianças?”, sublinhou.

As questões de privacidade não têm sido um tema alheio ao Facebook. Ainda este mês, a Comissão Federal do Comércio dos EUA condenou a empresa a pagar uma multa de cinco mil milhões de dólares (4,4 mil milhões de euros) devido à exposição de dados de utilizadores, no seguimento do escândalo Cambridge Analytica. Já em outubro do ano passado, tinha sido multada no Reino Unido no valor de 560 milhões de euros pelo mesmo motivo.

Por medo de atiradores, escolas dos EUA vigiam redes sociais de alunos

Julho 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia da Veja Brasil de 9 de junho de 2019.

Entre as medidas adotadas está o sistema de reconhecimento facial dos estudantes; ONGs se preocupam com imprecisão da tecnologia, indicando falsos suspeitos

Por Da Redação

O medo de atiradores estimulou a adoção de um sistema de vigilância dos alunos em escolas nos Estados Unidos. Entre as primeiras medidas, estão o monitoramento das redes sociais de adolescentes, para prevenir e identificar comportamentos agressivos.

Em algumas regiões do país, o método já cresceu a ponto de incluir a tecnologia de reconhecimento facial dos suspeitos, o monitoramento das postagens de quem está apenas no entorno das escolas, inclusive os adultos, e a identificação do uso de palavras que podem ser associadas a massacres.

Há empresas que vendem uma “análise psicológica” das postagens de alunos e aplicativos de “inteligência emocional” para avisar os pais sobre as buscas feitas na internet com palavras-chave como “morte”, “matar” ou “armas”.

Se a vigilância de redes sociais já era um assunto controverso, o debate sobre o direito à privacidade ganhou um novo componente na última semana, quando o distrito escolar de Lockport, no Estado de Nova York, anunciou a instalação do projeto de reconhecimento facial dos alunos. A ideia é cruzar os rostos de quem transita pela escola com uma base de dados com informações sobre alunos expulsos e com passagens pela polícia.

Autoridades locais pediram imediatamente que o projeto seja adiado. Os métodos de vigilância têm sido alvo de críticas de especialistas que consideram que os sistemas minam a privacidade dos jovens, a liberdade de expressão e podem criar traumas por possíveis falsas acusações. Os pais também temem o compartilhamento dessas informações com autoridades públicas ou para fins comerciais, já que a coleta de dados é feita por empresas privadas.

Os testes dos sistemas de reconhecimento facial ainda mostram que sua precisão varia de acordo com a cor de pele ou o gênero do rosto analisado. Segundo um professor da rede pública de Massachusetts, Erik Learned-Miller, o sistema, se não for bem testado, pode se tornar tendencioso.

Preconceito velado

E é com isso que Latarndra Strong se preocupa. Mãe de dois adolescentes, de 13 e 15 anos, ela foi informada de que a escola dos filhos, em Orange County, na Carolina do Norte, havia contratado uma empresa para analisar as postagens dos alunos.

“Morte, tiros, assassinato” são palavras que pulam no celular do diretor de uma das escolas que contratou estes serviços, com custo de aproximadamente 2 dólares americanos por aluno. Em alguns casos, o monitoramento das redes cria situações absurdas, como um alerta para postagens inofensivas com variações da palavra morte: é o caso de um alerta gerado a partir as mensagens “eu adoro meu gato e morreria por ele” ou “estresse pode matar”.

“Eles decidem quem será criminalizado. Como mãe, estou preocupada com o que é feito com esses dados”, diz Latarndra. Segundo ela, a escola avisou da contratação do sistema de monitoramento, mas não consultou os pais. “Quero entender os gatilhos que, segundo eles, fazem com que um aluno se torne suspeito.”

A Carolina do Norte é outro estado a adotar o sistema.  A empresa contratada é a Social Sentinel, uma companhia privada presente em distritos escolares de 35 dos 50 Estados americanos. Como ela, outras companhias já se espalharam pelos Estados Unidos. Seu trabalho consiste em analisar o conteúdo postado pelo aluno ou contido em e-mails do servidor da escola para identificar alunos que precisam de ajuda.

A empresa defende a importância de seu trabalho, mencionando uma pesquisa da organização Educators School Safety Network, estimando que 40% das pessoas que machucam a si mesmas ou a outros já expressaram esse desejo nas redes sociais. “É nossa missão identificar essas postagens e dar a nossos clientes a oportunidade de intervir”, informou um porta-voz da empresa.

Segundo a Social Sentinel, a tecnologia é continuamente refinada e o modelo é conservador, para criar um “número mínimo de falsos positivos”. A empresa afirma que não gera dados para outros propósitos, como marketing, e garante não monitorar usuários específicos ou dados privados.

Regulação do sistema

O advogado Brad Shear, especialista em redes sociais, passou a defender jovens rejeitados em universidades em razão de postagens online nos últimos anos. Com dois filhos na escola, ele é crítico do novo sistema de vigilância.

“É preciso haver regulação e lei”, critica ele. “O melhor a fazer é educar as crianças. Há casos de falsos positivos, e essas empresas estão tentando assustar educadores e pais dizendo que precisam disso para se tornarem seguros.” Segundo ele, há casos em que adolescentes postam letras de músicas nas redes sociais e já entram na mira dos alertas.

Em artigo, as pesquisadoras Rachel Levinson-Waldman e Faiza Patel, do Centro de Justiça Brennan, da New York University, apontam que 92% dos adolescentes frequentam redes sociais diariamente e que 24% deles estão conectados quase constantemente.

“Os programas de monitoramento podem funcionar como dispositivos de escuta que registram cada fala e os transmitem aos diretores escolares. Esse escrutínio pode revelar um comportamento de risco que requer intervenção. Mas, com muito mais frequência, também reprimirá a capacidade dos jovens de se expressarem”, afirmam.

O escritório nova-iorquino da Associação Americana para Liberdades Civis (ACLU) tem sido uma das vozes críticas à proposta de reconhecimento facial, sob o argumento de que o sistema de identificação passa aos estudantes a mensagem de que eles são criminosos em potencial e, por isso, precisam ter os rostos escaneados enquanto estudam ou brincam.

“Está claro que o Estado deve intervir e garantir que essas tecnologias imprecisas, preconceituosas e perigosas não sejam impostas a alunos, professores e pais sem a devida consideração de seus direitos”, afirmou Stefanie Coyle, conselheira de educação do NYCLU.

‘Isso só aumenta o estresse’

Ethan Sommers, de 19 anos, entrou para o movimento March For Our Lives depois de ter amigos que foram vítimas de tiroteios em escolas. O grupo foi criado por jovens depois do massacre de Parkland, na Flórida. Para ele, não está claro como o monitoramento de redes sociais ou reconhecimento facial pode tornar o ambiente estudantil mais seguro.

“Achamos que isso não ajuda, porque só aumenta o estresse”, afirma. “Não só falha na proteção, como não contribui com a qualidade da saúde mental dos estudantes, que é a nossa principal preocupação”, afirmou.

Erik Learned-Miller, professor de ciência da computação da Universidade de Massachusetts, tem se dedicado a pesquisas sobre os sistemas de reconhecimento facial. Segundo ele, ainda não há normatização suficiente sobre o tema para fazer com que os benefícios compensem os riscos.

“Se você nunca testou, por exemplo, o equipamento em situações de pouca luz, como sabe se vai funcionar? Os administradores de escolas compram o serviço sem saber nada sobre a tecnologia, as companhias não providenciam essas informações e não há diretrizes claras sobre isso. Não recomendaria às escolas comprarem neste momento uma tecnologia que não está pronta”, afirma Miller, que aponta erros em identificação facial nas suas pesquisas.

Em Nova York, um jovem de 18 anos está processando a Apple por ter sido detido injustamente por meio dos sistemas de monitoramento. Segundo ele, o sistema de reconhecimento facial da loja – que a empresa nega usar – o identificou como suspeito de forma equivocada. A polícia o liberou por entender ser a pessoa errada, mas Ousmane Bah pede uma indenização de 1 bilhão de dólares à empresa por danos morais.

Miller compara os sistemas à venda de remédios controlados. “É preciso passar por um processo para que sejam estipuladas as contraindicações”, afirma. “Qual é o custo do erro? Suponha que um pai entre em uma escola e não seja identificado corretamente, o que acontecerá? Um policial será acionado e vai atirar? Eu não sou anti-indústria, mas tenho visto empresas superestimando a precisão da tecnologia”, afirma o pesquisador.

Em maio, a cidade de São Francisco, na Califórnia, sede das gigantes de tecnologia, aprovou uma lei que proíbe o uso desses programas de reconhecimento facial pela polícia local. A cidade entendeu que o risco aos direitos e liberdades civis “supera seus benefícios”.

Em 2016, um estudo do Centro de Privacidade e Tecnologia da Universidade Georgetown indicava que as bases de dados coletados por agentes públicos reconheciam o rosto de 117 milhões dos mais de 240 milhões de americanos adultos.

(com Estadão Conteúdo)

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