António Luís Valente Alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias

Dezembro 5, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site http://www.educare.pt/ a António Luís Valente no dia 21 de novembro de 2016.

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Em entrevista ao EDUCARE.PT, António Luís Valente alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias. E confessa que se não tivesse sido professor teria sido engenheiro. “Tive sempre uma pré-disposição para pegar nas máquinas e usá-las para potenciar as minhas competências e obrigações profissionais.”

Andreia Lobo

Integrou as equipas de vários projetos europeus ligados à “sociedade da informação”, como o ZAP, eSchola, ValNet, CONET e SeguraNet. António Luís Valente é, desde 1997, investigador no Centro de Competência TIC, da Universidade do Minho. A entidade que liderou a primeira sondagem feita em Portugal sobre comportamentos seguros na Internet. Foi professor do 1.º ciclo e não esquece a surpresa que causou ao levar “tecnologia” para a sala de aula. “Comecei a usar computador – o meu próprio computador – com os alunos em 1990 e era visto como um ser extraterrestre. Foi isso que me levou a procurar sempre mais formação nesta área.” Fez pós-graduações, mestrado e doutoramento, sempre ligados às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
Em entrevista ao EDUCARE.PT, António Luís Valente alerta pais e educadores para as virtudes e defeitos das novas tecnologias. E confessa que se não tivesse sido professor teria sido engenheiro. “Tive sempre uma pré-disposição para pegar nas máquinas e usá-las para potenciar as minhas competências e obrigações profissionais.”

EDUCARE.PT (E): O que ainda precisamos de mudar na forma como utilizamos a Internet?

As pessoas têm medo do que é estranho. Mas não conhecendo nada sobre Internet não têm receios, nem cautelas. É preciso perceber que a Internet não é diferente do resto da sociedade. Não é um mundo à parte. E, por ser menos conhecido, não é mais protegido. Há a sensação que somos todos peritos na Internet. E assim se negligenciam aspetos básicos de segurança.

A Internet é uma vertente do mundo em que nós vivemos. As virtudes e os defeitos são rigorosamente os mesmos e, em alguns casos, são ampliados pelo facto de as pessoas pensarem que estão a coberto do anonimato.

Mas não é fácil as pessoas perceberem que não sendo capazes de colocar o seu nome completo na porta da casa, colocam todos os dados na Internet. As pessoas têm de ter na Internet todos os cuidados que têm fora dela. Claro que há alguns cuidados acrescidos. Até porque existem muitas coisas na Internet que não existem na vida real, nomeadamente a rapidez.

E: É isso que temos de ensinar às crianças?
ALV:
Os adultos ensinam às crianças defesas pessoais preventivas. Por exemplo, a não falarem com estranhos, a não aceitarem gratuitamente qualquer coisa. Se sobre a Internet não ensinamos nada, eles acabam por investigar – a curiosidade é boa e deve ser incentivada – mas é preciso dar-lhes algumas pistas sobre o que pode ser arriscado ou não. Ensinar a criança a andar na Internet é como ensiná-la a andar na rua.

Há pais que não deixam os adolescentes saírem à noite. Ou se deixam marcam hora para o regresso a casa. Impõem regras porque consideram que andar na rua depois de uma determinada hora é perigoso. Mas na Internet não colocam esse tipo de balizas. Não ensinamos as crianças a distinguir os amigos dos conhecidos. No entanto, em nossa casa dizemos este é amigo, aquele é vizinho…

Muitas vezes, os pais argumentam que os filhos aprendem por si próprios e, por isso, não há problema. Mas se a criança chegar a casa com a cara esmurrada, vão ver o que aconteceu. Se a criança for agredida de qualquer forma num site, ou levada para sites que não são próprios para a sua idade, não há evidência visível que leve os educadores a aproximarem-se dela.

E: E aos adultos?
ALV: Há coisas que todos nós fazemos quando utilizamos a Internet que são uma completa negligência em termos de segurança pessoal. Subscrevemos serviços gratuitos e colocamos lá informação pessoal, com a maior das facilidades em troca de podermos ter uma caixa de correio eletrónica. Depois, colocamos lá toda a nossa informação, fotografias, vídeos pessoais, familiares e damos outros contactos para o caso de perdermos a password
e precisarmos de a recuperar. Expomo-nos na Internet como não fazemos na vida real. Hoje em dia quem é que preencheria um formulário completo, num hipermercado, com morada e contactos e gostos pessoais, com fotografia sua e da família?

As pessoas colocam a informação online com a maior das confianças e pior, muitas vezes, não sabendo onde ela está armazenada. Ou então pensam que sabem, dizem está “na nuvem”. Não saber onde alguma coisa está, do ponto de vista físico, é preocupante. Se nos esquecemos do local onde estacionamos o carro, mesmo tendo connosco a chave ficamos em pânico. No entanto, colocamos na “nuvem” documentos pessoais, trabalhos, teses.

Há dias uma pessoa contou-me que ia pondo automaticamente tudo na Internet e as passwords estavam gravadas no computador que avariou. A pessoa não sabia as passwords. É uma noção falsa de segurança pensar no computador como o fiel depositário das nossas informações. O conhecimento de como funciona a tecnologia, de quais são os riscos e como nos podemos precaver é fundamental.

Brinca com o telemóvel!

E: Qual é o problema de os pais colocarem, desde cedo, tablets e smartphones nas mãos das crianças?
ALV:
Há imensos trabalhos de investigação acerca dos efeitos da utilização de superfícies tácteis sobre o desenvolvimento neuronal. Ou seja, aquilo que nos permite perceber que uma fotografia não é um objeto, mas sim uma representação de um objeto. O mecanismo neuronal que produz essa identificação parece que é afetado pela utilização precoce de superfícies tácteis porque as crianças acham que estão a mexer num objeto tridimensional e não estão.

Por outro lado, os dispositivos eletrónicos não estão suficientemente testados, em alguns casos nada testados, do ponto de vista ergonómico e sobre as influências que terão. Sabe-se que a luz dos ecrãs tem influência sobre as pessoas epiléticas. Mas a aproximação à realidade do táctil e à eficácia do movimento não está estudada. O mesmo se aplica ao efeito das radiações: todos os
tablets ou telemóveis hoje em dia têm wi-fi, a maioria também tem bluetooth
.

Estamos apenas a falar da parte física que pode melhorar muito e rapidamente. Mas há outra parte do problema, que não se melhora assim tão rapidamente e diz respeito aos conteúdos. Ou seja, à utilização educativa ou para a aprendizagem do que está dentro desses dispositivos. Muitas vezes os conteúdos são de pouca ou nenhuma qualidade, resultam apenas da transposição do analógico para o digital, pura e simples.

E: O uso de tecnologias garante a aquisição das tão “proclamadas” competências digitais?
ALV:
A sociedade confunde as competências para o século XXI – para a era digital – com competências digitais. As competências do século XXI continuam a ser as do século anterior apenas se acrescentou a digital, que consiste na capacidade de vivermos, entendermos e comunicarmos neste mundo utilizando as tecnologias digitais. Mas para viver e comunicar neste mundo, precisamos antes de mais de saber comunicar e isso não tem a ver com as tecnologias.

Há estudos sobre níveis de literacia absolutamente denegridores. As competências sociais são importantes. A questão de saber como funcionam as amizades, como criamos amigos e nos defendemos dos falsos amigos. A competência de procurar emprego continua a ser necessária. Posso ser um informático com capacidade para usar qualquer dispositivo e ser uma pessoa inapta em termos de comunicação face a face.

E: Então, é errado pensar que ao dar tablets e smartphones às crianças estamos a ajudá-las a desenvolver essas competências?
ALV: Pensar que a exposição é equivalente ao desenvolvimento de competência digital é errado. Não é pelo facto de andar muitas vezes de carro que eu aprendo a conduzir. Claro, há um conjunto de familiaridades e de aprendizagens, ligadas à interação com as interfaces, que quanto mais cedo forem adquiridas mais se desenvolvem. Mas não passa disso. Se pensarmos que isso é suficiente ou essencial é errado, até pelo facto de essas interações mudarem. Recorde-se que no surgimento dos teclados algumas pessoas que sabiam datilografia não conseguiam teclar…

E: Ou seja, o que as crianças estão a aprender agora pode mudar?
ALV:
Muda de certeza absoluta. Hoje as interfaces são quase todas parecidas, independentemente dos sistemas operativos que utilizam. Mas as crianças estão a usar interfaces que vão mudar muito no futuro. Imagine que mudam fisicamente os ecrãs? Estamos habituados a ecrãs rígidos, mas se eles se tornarem enroláveis – tecnicamente já existe – há de haver alguma coisa diferente. Estou convencido que vamos ter ecrãs em materiais diferentes e isto vai implicar a alteração das interfaces. Dar a uma criança na primeira infância uma interface com o objetivo de ela se familiarizar é uma perda de tempo. E um desperdiçar de outras aprendizagens, como a de riscar, sentir as texturas, que ela precisava agora. No ecrã a textura é toda igual.

E: Há pais que caem no extremo de impedir que os filhos utilizem as tecnologias…
ALV: Os pais e os educadores precisam de estar informados e de refletir mais sobre estas questões. De uma maneira geral – e coloco-me neste plural – somos tentados pelas soluções mais rápidas. É mais fácil dar o telemóvel à criança e pô-la a ver o Ruca do que pegar nos blocos de construção e brincar um bocadinho. Os bebés e as crianças gostam dos objetos analógicos. Mas se nós não lhes dermos como é que os vão apreciar? Com os computadores e as tecnologias, damos pouca oportunidade aos objetos manipuláveis. Mas há muitos jogos com objetos físicos tridimensionais reais que os miúdos gostam de fazer. É preferível dar-lhes um boneco desmontável do que pôr-lhes um tablet
à frente.

Tecnologias e aprendizagem

E: Como se ensina melhor as crianças? Através do multimédia ou de um registo mais tradicional?
ALV:
A maioria dos professores de 1.º ciclo não utiliza quase nada de multimédia nas aulas. Mas entre os que utilizam, ainda não consegui ver nada que fosse redondamente convincente que os tornasse melhores professores do que os outros. O fundamental é um equilíbrio entre a competência profissional e os recursos à disposição. Se o aluno não se entusiasmar ou se não se interessar, não vai ter vontade de aprender. Se a vontade estiver apenas em quem quer ensinar não há hipótese de aprendizagem.

Conheço bem a realidade dos professores portugueses no 1.º ciclo. Têm bons resultados e continuam a ter uma utilização residual das tecnologias. Porquê? Por não estarem à vontade com as tecnologias e, muitas vezes, por não terem esses recursos. Por isso, valorizam os outros. Se tivessem algum acompanhamento para utilizar tecnologicamente os recursos disponíveis na sociedade, seriam ainda melhores professores. Garanto que sim! Aliás, é essa a minha luta.

E: Mas ao usar a tecnologia na sala de aula, o entusiasmo é garantido…
ALV:
Claro que, se lhes dermos essa hipótese, as crianças em idade escolar – sejam do 1.º ciclo ou mais tarde um bocado – vão escolher usar as tecnologias. Mas se pensarmos bem, o livro também é uma tecnologia!

Em termos de utilização pedagógica, no sentido de valorizar ou melhorar a aprendizagem, não sou exclusivamente defensor das novas tecnologias. As novas tecnologias utilizadas por um professor competente na sua utilização são mais eficazes que as outras tecnologias. Se o meu objetivo é desinquietar o aluno e motivá-lo, tenho muitos mais pontos por onde o “atacar” usando essas novas tecnologias. Se o professor for incompetente com as tecnologias mais vale estar quieto. Vejo professores a fazerem aulas com PowerPoint e passagens de vídeos e não vale a pena. É perder tempo.

E: Porquê?
ALV: É perder tempo porque se gera o efeito contrário. Os alunos podem desmotivar e criar um sentimento de aversão à tecnologia. Na Universidade, ouvimos muitas vezes os alunos perguntarem com fastio assim que nos veem ligar o computador: “Vai passar um PowerPoint?” Porque estão fartos. A nossa capacidade de ser críticos perante o que utilizamos como recurso educativo é muito importante. Se não for competente do ponto de vista tecnológico não vou conseguir ser crítico com as tecnologias que vou usar. De uma maneira geral, os professores precisam de conhecer melhor as suas potencialidades e fragilidades. Precisam de ter consciência que as tecnologias não facilitam a vida do professor, antes a complicam.

 

Acha mesmo que consegue controlar o que os miúdos vêem na internet?

Novembro 2, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site http://marketeer.pt/ de 12 de outubro de 2016.

PDJ Linha Internet Segura from KISS on Vimeo.

“Não sabemos com quem os nossos filhos falam, não podemos proibir que usem a Internet. Mas podemos ensiná-los a defenderem-se” é a mensagem da mais recente campanha do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ). Assinada pela Kiss e com produção da Molotov, a campanha conta com um filme institucional para divulgação da Linha Internet Segura, destinada a pais, familiares e educadores.

O filme, presente em televisão e online, lembra que não podemos proteger os jovens de todos os perigos da Internet, eliminando conteúdos pornográficos ou violentos, mas que é possível ensiná-los a defenderem-se e a adoptar comportamentos mais seguros.

«Não é como há alguns anos em que existia só um computador por casa. O digital entrou de tal forma no dia-a-dia que sabemos que não é possível controlar tudo», referem Pedro Batalha e Paulo Afondo, directores Criativos da Kiss.

A solução encontrada, então, é «ter mais informação, estar atento e manter canal aberto para falar com eles [jovens] sobre o tema», até porque o «bom senso manda não proibir».

 

Polícia e próprio Facebook pedem que pais postem menos sobre filhos: entenda

Novembro 1, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.vix.com/pt/

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Escrito por Beatriz Helena

Postar fotos dos filhos nas redes sociais pode ser um hábito aparentemente inofensivo com a simples intenção de mostrar momentos fofinhos ou engraçados aos amigos e familiares. A prática, no entanto, pode apresentar sérios riscos. Depois da campanha “Desafio da Maternidade”, autoridades internacionais fizeram alertas importantes aos pais. Nos últimos meses, até o Facebook chegou a se pronunciar sobre a questão.

Depois da popularização da campanha “Motherhood Challenge”, no Brasil difundida como “Desafio da Maternidade”, corrente online em que mães eram convidadas a postar fotos dos filhos em vários momentos da vida, a polícia da França fez um comunicado oficial dizendo que é compreensível o orgulho que os pais sentem de suas crianças, mas, que é preciso ter cautela na divulgação dessas imagens.

Riscos de colocar fotos dos filhos na internet

De acordo com site americano de cultura e tecnologia The Verge, a instituição se manifestou dessa maneira por três motivos. Dois deles servem de reflexão para pais de qualquer nação:

Mau uso das imagens

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O primeiro deles é o risco de as imagens serem acessadas por pessoas mal-intencionadas, chamadas pelos franceses de “predadores sexuais”, que podem disponibilizá-las em sites de pedofilia. A divulgação ainda pode facilitar a ação de criminosos no planejamento de roubos ou sequestros.

Constrangimento posterior

Outro motivo dado pela polícia são os impactos sociais e psicológicos que essas imagens podem ter posteriormente. Ao crescer, a criança pode se deparar com relatos e fotos antigas e se sentir constrangida ou traumatizada.

Processos

De acordo com o site, na Europa, filhos ainda podem processar pais, responsáveis pela proteção da sua imagem, por violação de privacidade. Para estes casos, a lei prevê multa e até um ano de prisão.

Ferramenta do Facebook para proteger crianças

O problema pode tomar proporções tão grandes que até os dirigentes das redes sociais estão se manifestando. Em novembro de 2015, em uma conferência internacional realizada em Londres, Jay Parikh, vice-presidente de engenharia do Facebook, disse que a empresa considera disponibilizar uma ferramenta para fazer alertas aos pais no momento em que eles fossem publicar registros dos pequenos. Para mostrar como ele funcionaria, Jay exemplificou: “Se eu fosse fazer o upload de uma foto dos meus filhos brincando no parque e, acidentalmente, compartilhasse com o público geral, este sistema poderia dizer: ‘Ei, espere um minuto, esta é uma foto de seus filhos. Normalmente você posta isso apenas para membros da sua família. Você tem certeza que quer fazer isso?'”

Como postar fotos dos filhos com segurança na internet

Para poder fazer as publicações com segurança, especialistas recomendam:

  • Não postar fotos de crianças nuas no banho ou na piscina. Além de constrangê-la, elas são um prato cheio para indivíduos mal-intencionados;
  • Deixar a visualização apenas para amigos e não para o público em geral;
  • Não ativar a localização das postagens para que nenhum desconhecido descubra os lugares frequentados pela família;
  • Não colocar fotos dos pequenos com o uniforme da escola, na frente do colégio ou residência para evitar que os lugares frequentados sejam identificados;
  • Não postar fotos de outras crianças, como amigos da escola ou do clube, sem que os responsáveis permitam;
  • Não divulgar imagens da criança perto de bens de valor da família, como veículos ou itens tecnológicos;
  • Não postar imagens em alta resolução, já que elas podem ser facilmente editadas.

 

 

 

Webinar Faz o que Eu Faço & Faz o que Eu Te Digo – Um convite para a leitura e para a exploração prática da temática da identidade de género e da segurança na Internet. 25 de outubro 18h30 – BR, 21H30 – PT

Outubro 25, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Esta webinar tem como ponto de partida uma história deste livro, “Virtual… Só na tua cabeça!” para a construção de uma narrativa digital sobre questões de segurança e privacidade na Internet e outras…

Neste âmbito, será apresentado um cenário de aprendizagem com recurso às TIC, bem como alguns exemplos de exploração da referida história.

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O livro da autoria da Dulce Mourato, membro do grupo Geisext da Universidade de Lisboa e da organização destas webinares, dirige-se a todos e a todas (educadores, docentes, formadores, crianças e “jovens de todas as idades”) com a explicação de como se pode usar este manual de boas práticas, em atividades de aprendizagem e de lazer e na participação de uma comunidade virtual, em temas tão díspares como: a maravilhosa aventura do nascimento; a identidade de género, a sexualidade e o respeito pelo outro; uma possível explicação da morte com ajuda da natureza; a utilização das tecnologias com segurança e bom senso; a acessibilidade e o respeito pela diferença e, finalmente, a participação pública e a forma de lidar com seniores com problemas de memória.

O livro tem o prefácio da Dra. Dulce Rocha – Presidente Executiva do Instituto de Apoio à Criança e é uma fonte de inspiração para atividades práticas com ligações ao mundo virtual de uma comunidade online.

Faça a sua inscrição aqui

mais informações:

http://www.webeducacaosexual.com/projeto-2016/webinar-25-de-outubro/

Marca a Diferença por uma Internet Melhor! – 11 outubro Fundação Portuguesa das Comunicações em Lisboa

Outubro 10, 2016 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Todos os interessados em se associar à iniciativa deverão registar antecipadamente a sua participação em: https://goo.gl/forms/Nl9G2egh96cIIbzg1.

mais informações:

http://www.internetsegura.pt/evento/marca-diferen%C3%A7a-por-uma-internet-melhor

Internet: até onde deve ir a vigilância dos pais?

Setembro 20, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do https://www.publico.pt/ de 12 de setembro de 2016.

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Natália Faria

Um pai ou uma mãe devem bisbilhotar emails e caixas de mensagens dos filhos menores nas redes sociais para acautelarem a sua segurança? A solução está na infância. E na confiança, respondem os especialistas.

Um pai ou uma mãe têm o direito de invadir a intimidade dos filhos para garantirem que estes não se expõem a riscos desnecessários na Internet? Devem, porque lhes compete zelar pela segurança dos filhos, aceder a passwords para vasculharem o que andam a fazer e com quem falam os menores no Facebook, WhatsApp, Instagram ou Snapchat? A questão extravasa cada vez mais as fronteiras domésticas e familiares para invadir os consultórios dos psiquiatras, chegando nos casos mais graves até à Polícia Judiciária (PJ), onde são crescentes os pedidos de ajuda de pais cujos filhos foram vítimas de abusos, chantagem ou extorsão na Internet.

“Quando trabalhei na divisão de Sintra da PSP, recordo-me de vários casos de menores assediados via Internet. E os casos chegaram-nos porque houve mães que acederam ao espaço das mensagens privadas das filhas nas redes sociais e descobriram lá mensagens de teor sexual”, relata Hugo Palma, actualmente director do gabinete de comunicação da PSP e responsável pela gestão das páginas oficiais da polícia nas redes sociais.

Uma fonte da PJ confirma que “há um número crescente de queixas e, em dois terços dos casos, são os pais que denunciam a situação, já no limite, depois de os seus filhos terem sido vitimizados”. E aqui é escusado, como alerta Rute Agulhas, psicóloga clínica e forense e perita no Instituto Nacional de Medicina Legal, os pais agarrarem-se a uma “visão cor-de-rosa das coisas” e considerarem que episódios destes só acontecem aos outros.

“Não há muito tempo, chegou-me o caso de uma miúda depois de uma tentativa de suicídio grave porque alguém tinha publicado uma fotomontagem em que ela aparecia com o corpo de uma vaca, fazendo a metáfora com a miúda que vai com todos. Ela andava no 7.º ano de escolaridade e isso tornou-se viral. E lembro-me de outro caso, de uma miúda com 13 ou 14 anos — carente e que ficava muito tempo sozinha em casa —, que acabou por se encontrar presencialmente com alguém que se apresentou na Internet como tendo 17 anos e com quem estabeleceu uma relação virtual. O indivíduo, afinal, tinha 35 anos, mas quando ela o viu e sentiu esse choque já estava criada uma relação afectiva e de confiança e ele lá lhe explicou que tinha mentido por sentir medo de ser rejeitado. Acabou por coagi-la a ter relações sexuais”, relata Rute Agulhas, que é também professora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e autora de um jogo para prevenir abusos sexuais em crianças onde decidiu incluir a problemática da Internet depois de ter percebido que “há crianças com seis e sete anos de idade com acesso à Internet”.

Espaço cinzento

Numa altura em que os miúdos se inscrevem nas redes sociais com oito e nove anos de idade, até onde deve chegar a vigilância dos pais? E aos 15 ou 16 anos? Justifica-se que os progenitores sacrifiquem o direito de reserva da vida privada dos filhos para lhes garantir segurança? “Há um espaço cinzento muito complicado e difícil de definir”, hesita Hugo Palma. Para o intendente da PSP, “as mensagens privadas são, em princípio, espaços onde os pais não devem entrar, mas aí coloca-se a questão ética de saber se os pais não têm o dever de fazer esse controlo para salvaguarda da protecção da criança”.

Sem respostas prontas, a investigadora na área do Direito da Informação, Maria Eduarda Gonçalves, posiciona a questão do ponto de vista jurídico: “Aqui joga-se o dever legal e o direito da família a proteger os filhos que ainda não atingiram a maioridade legal face aos riscos potencialmente gravosos que as redes sociais comportam. A questão coloca-se quando esse dever entra em tensão com o direito constitucionalmente garantido de protecção de reserva da vida privada, que todos têm, nomeadamente as crianças. Portanto, trata-se de saber a que ponto se justifica que, face a determinados riscos, os pais interfiram nessa liberdade e autonomia individuais dos filhos, consultando-lhes o email, os espaços de mensagens”, cogita a jurista. E o mais próximo que chega de uma conclusão é isto: “Diria que nenhum direito é absoluto. Em abstracto, não se pode ir muito mais longe do que admitir que há limites a esse direito e que os pais não podem descurar essa questão, desresponsabilizando-se e deixando as crianças menores sozinhas no exercício desse direito à privacidade.”

Na cabeça — e no consultório — de Daniel Sampaio, psiquiatra e terapeuta com mais de 30 anos de experiência com adolescentes e famílias, a equação coloca-se a outros níveis. “Sou contra o conhecimento de passwords e contra a invasão de privacidade por parte dos pais”, introduz. E sustenta: “Não é através de uma vigilância do tipo policial que se resolvem os problemas entre pais e filhos e a quebra da confiança na relação entre uns e outros é um ingrediente decisivo para o conflito.” Porque “o clima entre pais e filhos tem de ser de confiança e partilha e a vigilância policial degrada as relações e leva ao conflito”, o psiquiatra mostra-se também avesso ao recurso às aplicações que permitem vigiar a actividade dos filhos na Internet sem o seu consentimento, a não ser “como medida extrema”. Não se trata de ignorar os riscos. “Em primeiro lugar, é importante que os pais utilizem bem as redes sociais eles próprios e que falem disso com os filhos. Se uma criança perceber o que está certo e errado terá menos possibilidades de errar”, preconiza.

Em casa, não na escola

Imagine-se então uma criança de dez anos que insista em criar uma conta no Facebook. “Os pais devem acompanhar a inscrição e a publicação dos primeiros conteúdos e têm que ter uma dimensão ética, explicando-lhe o que deve e o que não deve fazer. Têm que lhe explicar que não deve comentar as imagens dos outros, que não deve fazer comentários sobre os corpos dos amigos, que pode comunicar e trocar determinadas imagens dos sites que encontra mas que não deve publicar imagens de pessoas”, aconselha Daniel Sampaio. O psiquiatra insiste que a chave está na confiança e que esta se ganha na infância. “É aí que se estabelece a possibilidade de um filho que tem um problema desabafar com os pais. Feito isso, será mais fácil que, perante uma situação de maior risco, os filhos recorram aos pais e desabafem com eles.”

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E não, não compete às escolas fazer esse trabalho de sensibilização. “Os miúdos na escola aprendem os riscos associados às redes sociais no 8.º ano, em que já têm mais de 13 anos e podem legalmente aceder às redes sociais. Mas basta ir a um auditório de uma escola do 1.º ciclo para perceber que 80% dos miúdos com oito ou nove anos já têm contas nas redes sociais”, relata Tito de Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net, um projecto dedicado a promover a utilização segura das novas tecnologias por crianças e jovens.

“A situação em que os pais se encontram perante um filho de oito ou dez anos que queira abrir uma conta numa rede social não é fácil e coloca-lhes um dilema: ou respeitam as regras e recusam abrir a conta porque isso implica mentir — no Facebook, por exemplo, a idade mínima são os 13 anos —, e aí correm o risco de o miúdo abrir a conta sozinho, ou aceitam abrir a conta mas ficam com a password e o username para poderem fazer algum acompanhamento.”

Claro que o que é válido para um miúdo de dez anos dificilmente o é para um de 16. “Aqui, o controlo parental, mesmo que pareça consentido, pode funcionar ao contrário, ou seja, os miúdos vão esconder a verdadeira conta que usam e os pais ficam com acesso a uma conta fictícia onde não publicam nada, porque a tendência nesta idade será para ver a supervisão dos pais como uma intrusão e uma bisbilhotice”, aponta Tito de Morais.

E voltamos aqui à questão da confiança. “Os pais não podem deixar os filhos com rédea solta na Internet mas têm que ter noção que, se eles quiserem esconder a sua actividade na Internet, não lhes faltam formas de o fazer. Por isso é que é tão importante que os pais consigam criar uma relação de confiança com os filhos e mantenham as linhas de comunicação abertas para que estes se sintam à-vontade para pedir ajuda no dia em que fizerem uma asneira ou forem vítimas de uma situação na Internet”, sugere, dizendo-se seguro de que esse dia chegará, mais cedo ou mais tarde: “Não há anjinhos, todos fazemos asneiras. A diferença é que hoje essas asneiras tendem a chegar ao conhecimento de todos e a ficar registadas para a posteridade.”

Quebrar tabus

Ao longo das suas inúmeras incursões pelas escolas, Tito de Morais ouviu muitas histórias. “Cada vez mais os jovens usam estas tecnologias como forma de expressar a sua sexualidade e partilham fotos e vídeos com as pessoas com quem mantêm relações amorosas. Mas as relações tendem a ser menos duradouras que as fotografias e os vídeos. E aquilo que foi partilhado com a intenção de ser visto pelo namorado ou pela namorada acaba muitas vezes disseminado pela Internet.”

Cabe aqui aos pais explicar o risco de registar a intimidade em formato digital. E, no equilíbrio necessário entre o dever de supervisão e o respeito pela privacidade dos filhos, quando estes se mostrem menos receptivos à ingerência parental, Tito de Morais aponta como exemplo o amigo que estabeleceu um pacto com os filhos: “Ele não sabe a password dos filhos mas combinaram mantê-la num envelope fechado que o pai pode abrir caso suspeite de alguma coisa. Mas também conheço pais que não hesitam em sacrificar a privacidade dos filhos e outros que recusam assumir o papel de polícias na vida deles. Tudo depende da postura e dos valores.”

Claro que, como lembra Rute Agulhas, “aos 15 anos ninguém quer os pais a invadir-lhes a privacidade, a entrar no quarto sem bater ou a inspeccionar as mochilas”. Mas, se esse dever de supervisão e os cuidados que é preciso ter forem devidamente explicados desde a infância, já será mais fácil na adolescência equilibrar o controlo parental com o respeito pela privacidade. “Se este trabalho começar na infância — e tenderia a defender que, mais do que bisbilhotar sem os filhos saberem, os pais devem exigir ter conhecimento das passwords até aos 14 ou 15 anos, porque a supervisão faz parte das suas responsabilidades parentais —, o resto surge naturalmente.”

Tudo depende da capacidade — “que muitos pais não têm”, como lembra Rute Agulhas — de quebrar os tabus e começar a falar de sexualidade com os filhos. “Muitos pais ou cuidadores dizem-nos que até querem falar mas que não conseguem arranjar um canal de comunicação. Mas têm mesmo de o fazer. De serem capazes de explicar que uma câmara num computador, mesmo desligada, pode ser accionada remotamente e que o melhor é tapá-la com fita-cola. E têm de ser capazes de o fazer sem provocar alarmismos, com a mesma naturalidade com que alertam os miúdos para os cuidados que estes têm de ter quando atravessam a rua numa passadeira.”

O que é proibido, isso sim, é continuar a confiar na aparente segurança que lhes confere o facto de a criança ou o jovem estarem em casa, sentados no sofá, entretidos com o tablet, o telemóvel ou o computador. E “infelizmente”, conclui Rute Agulhas, “muitos pais continuam a preferir ignorar que os perigos a que os filhos estão expostos na Internet, mesmo as crianças de seis anos que acebem ao YouTube, são muito maiores do que se estivessem na rua a brincar em frente ao prédio”.

 

 

 

 

 

 

O Pisca não arrisca! cartazes dirigidos ao 1.º Ciclo sobre segurança na internet

Setembro 19, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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mais cartazes no link:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1094822280553311.1073741839.163043633731185&type=3

https://www.facebook.com/seguranet/

Net com Consciência – Sexting

Setembro 10, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais vídeos no link:

https://www.youtube.com/user/PTinternetsegura/videos

Educar a los menores en el uso sin riesgos de Internet : Guía para Madres y Padres

Agosto 17, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o guia  no link:

https://meocloud.pt/link/58946217-c952-4ef9-b3a5-475308cd0098/guia_seguranca_net.pdf/

ou

http://www.vitoria-gasteiz.org/we001/was/we001Action.do?idioma=en&accionWe001=adjunto&nombre=33104.pdf

 

 

“As pessoas são muito descuidadas nas redes sociais. Quando se apercebem, já pode ser tarde”

Junho 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sabe como detetar se alguém está a fazer mau uso do que coloca no Facebook? E o que fazer se alguém o perseguir na internet? Como pode um pai prevenir a proteção de um filho? O agressor pode estar no meio de nós e nunca estamos preparados para o que aí pode vir.

Luzia Pinheiro, 30 anos, investigadora no CECS (Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade) da Universidade do Minho, estuda há muitos anos os casos de agressão (cyberbullying) e perseguição (cyberstalking) através da internet. Continua a espantar-se com a facilidade com que as pessoas se expõem, “como se estivessem num reality show”, sem terem a mínima noção dos perigos que correm. E, conforme conclui na sua tese de doutoramento, “os efeitos são graves: além de perder a reputação, pode a vítima ser estigmatizada pela sociedade, auto estigmatizar-se, entrar em depressão e suicidar-se”. Como já aconteceu. E isto é algo que atravessa qualquer geração. Falamos com ela e ficamos mais alertados.

Porque é o cyberbullying ainda um tabú social?

As pessoas têm ainda vergonha de assumir que são vítimas. Os outros acham que elas é que não souberam lidar com aquilo. Ainda é muito julgado socialmente.

A tendência é para culpabilizar a vítima?

Sim. Mas há uma questão: a vítima pode ser completamente inocente, mas também pode ter alguma culpa, por ter sido ela a expor o conteúdo usado contra ela. Se tivesse sido mais cuidadosa, aquele conteúdo não existiria. Em ultima instância, a culpa é sempre do agressor, porque foi ele quem usou indevidamente o conteúdo.

Há redes sociais mais favoráveis a esses abusos?

Todas aquelas em que temos tendência a expor-nos, em que temos a ilusão de que é só nosso, mas que, na verdade, qualquer pessoa pode aceder. Sublinharia o facebook e o youtube. No youtube, publicam-se muitos vídeos pessoais. Quem quiser praticar cyberbullying tem ali todas as ferramentas de que precisa.

Quais os sinais de que estamos a ser vítimas de perseguição?

Temos de estar alerta sobre as sucessivas tentativas de entrada no nosso email e na nossa conta de rede social. A partir daí, podem ter inclusivamente o nosso número de telefone. Recebermos mensagens privadas de desconhecidos ou chantagens através de chats ou de alguém que criou um perfil que adicionamos num jogo online, por exemplo. A pressão normalmente é psicológica. Pode só querer chatear, mas também pedir que se dispa para uma câmara web. Recebermos avisos de que fomos identificados numa fotografia, que não foi tirada por nós. Relatos de amigos que nos contam que viram coisas que não fizemos. São sinais de que alguém se está a fazer passar por nós, que está a ter acesso aos nossos dados.Colocaram o meu email num site de conteúdos para adulto. Comecei a receber pedidos de amizade de pessoas que não conhecia no messenger. Estranhei porque era um chat privado fornecido pelo email e aceitei um dos pedidos. Essa pessoa pediu-me que me mostrasse na câmara web e perante a minha indignação explicou-me o que se passava.

Esse é um caso de abuso. Pode ser considerado cyberbullying?

Pode, porque é público. O cyberbullying não precisa de ser praticado sempre pela mesma pessoa. Tem é de ser repetitivo: pode ser alguém a divulgar algo, que será republicado por outros. Ultrapassa o nível do abuso e começa a ser perseguição.

FAZER PRINT SCREEN E QUEIXA NA POLÍCIA
O que se deve fazer quando se deteta uma perseguição?

Mudar as passwords todas imediatamente. E fazer correr um anti-vírus, para o caso de haver um hacker qualquer. Depois, deve-se recolher provas, fazer print screen e guardar. Se o caso for grave, deve-se contactar a polícia e apresentar queixa. De resto, convém fazer um aviso geral aos nossos amigos e familiares, ou meter mesmo um aviso público de que estamos a ser vitimas de perseguição ou de que há alguém a fazer-se passar por nós. Nomeadamente, avisar a empresa ou o nosso patrão.

Avisar a entidade patronal, porquê?

Sim. Se alguém criar um perfil ou email para se fazer passar por nós, pode, a partir daí, aceder a dados da empresa. Imagine que alguém acede ao email do patrão e manda fotos menos corretas ou insultos em nosso nome. Nunca se sabe quem é o agressor. É melhor avisar logo, do que não precaver.

Tem conhecimento de casos desse tipo?

Nos Estados Unidos, uma mulher, à volta dos vinte e tal anos, foi de férias com o namorado. Eram daqueles que filmavam cenas íntimas e trabalhavam no mesmo sítio. Separaram-se, ele criou um perfil falso e mandou as fotos e as filmagens para o patrão, de modo a que parecesse que ela se estava a insinuar. Deu uma grande bronca.

A polícia já está apta a resolver este tipo de casos?

Sim. Tenho algum feed back da Polícia Judiciária. Diz ter pessoas especializadas em cibercrime, preparadas para localizar endereços de IP, encontrar a origem do cyberbullying e identificar os autores. Há quem comece a ser perseguido pelo telemóvel, e só depois nas contas online. A polícia pode pedir o histórico às operadoras. E todos temos um endereço de IP.

Qual a penalização que isso dá?

O cyberbullying ainda não está catalogado na lei portuguesa, só o bullying. Em Espanha já está e nos Estados Unidos dá cadeia. Cá, normalmente, é equiparado ao crime por difamação.

Mas o cyberbullying ou cyberstalking é mais do que difamação, pode ter consequências graves.

Dramáticas. Pode levar ao suicídio. Pode-se perder o emprego, os amigos. Há casos em que a própria família deixa de falar à vitima, por considerá-la culpada. O acompanhamento psicológico para estas vítimas é algo a ter em consideração. Até porque, na altura, pensa-se sempre que se é capaz de lidar bem com isso. Depois, começam a ter comportamentos de muita tristeza e isolamento, levando à depressão.

Qual é a história de Laura Barns, de que fala na sua tese de doutoramento?

Laura Barns era uma adolescente da Califórnia, a miúda mais popular da escola e tinha excelentes notas. Um dia, foi a uma festa típica de adolescentes e bebeu demais, vomitou, adormeceu no chão. Os colegas fotografaram e meteram online. De rapariga mais popular passou a ser a mais gozada. Não conseguiu lidar com isso e, três dias depois, trouxe uma arma de casa, chegou á escola e matou-se. Alguém voltou a filmar, alguns julgando até que ela estaria a brincar. A morte dela ainda está online. Mas há mais casos destes.

NUNCA CEDER Á CHANTAGEM
Teve conhecimento de algum em Portugal?

Por cá, o suicídio tem sido muito mascarado ou não foi ainda documentado. Não encontrei muitos dados sobre isso. Encontrei um que terminou bem, mas poderia ter tido consequências graves. Uma mulher marcou um encontro com um fulano com quem falava online já há algum tempo. Não correu como ela esperava e foi cada um para sua casa. Ele sentiu-se lesado, pelo dinheiro que tinha gasto no encontro. Começou a chateá-la na net. Ela protegeu bem a conta, mas ele pesquisou os amigos e familiares dela. Até que ela recebeu uma mensagem dele a dizer que sabia onde ela morava, com uma foto do local posta por um familiar dela. Fez uma ameaça, queria que ela lhe devolvesse o dinheiro gasto no encontro. Ela transferiu a quantia e a coisa parou ali. Teve sorte. Podia não ter parado ali.

Ceder, nesses casos, é a melhor solução?

Eu teria contactado a polícia. Não teria cedido. A polícia poderia armar uma cilada e caçá-lo. Aquilo foi uma perseguição. Ela tinha dados suficientes para agir. Ceder foi um grande risco. Não há certeza nenhuma de que a perseguição pare ali. Principalmente, porque a vítima cedeu. E cedendo uma vez…

Fica-se refém?

Completamente. Ceder só se a polícia o recomendar e for um esquema montado para apanhar quem está a perseguir.

Do inquérito que fez aos estudantes universitários conclui-se que não estão muito sensibilizados para estes perigos.

De todo, não estão mesmo! Apanhei um choque quando vi os resultados. Sabia que era assim no geral, mas esperava que tal não acontecesse com estudantes universitários, supostamente informados. No entanto, encontrei pessoas desinformadas, algumas sem sequer saber o que era o cyberbullying, ou apenas com uma vaga ideia de ouvir falar na televisão.

Estão desinformados sobre o fenómeno ou nem sequer têm noção de como se devem proteger nas redes sociais?

De um modo geral, sobre tudo. Dos dados recolhidos, poucas eram as que estavam informadas, só quem já tinha passado por isso. A maioria não tinha qualquer noção de como lidar com o caso, se fossem vítimas. Basicamente respondiam que não ligariam e deixariam andar.

Há um certo estado de inconsciência?

Há. E a sensação de que seriam capazes de lidar bem com isso. Mas ninguém está preparado para um caso destes, mesmo quem está dentro do assunto. Há sempre um impacto emocional muito forte.

Ainda não se sabe que uso se deve dar às redes sociais e como se pode controlar a informação lá posta?

Não. Há quem use as redes sociais da forma mais simples. Raramente vão ver quais os procedimentos de segurança têm ao seu dispor. Há coisas que colocam automaticamente no estado público, sem perceberem que se pode restringir o acesso. Como se pode usar a net com segurança ainda é muito pouco falado. As pessoas são naturalmente descuidadas no uso das redes sociais, acham que nunca lhes vai acontecer e deixam-se ir. E quando se apercebem das coisas que publicaram, já pode ser tarde para evitar consequências. Tive o relato de alguém que publicou no facebook uma foto sua em biquíni, na praia. No ano seguinte, viajou até um paraíso asiático e encontrou a imagem dela num out door publicitário.

NÃO AMEAÇAR TIRAR A NET AOS FILHOS
E como é entre adolescentes e pré-adolescentes?

Praticam muito cyberbullying entre eles, usam as redes para gozar com os colegas, sem ter noção das consequências sobre o outro. Para eles, não passam de brincadeiras. Chegam ao ponto de copiar endereços de email das fichas de professores e passam de uns para os outros. Também fazem tudo para descobrir a password dos colegas.

E sabem identificar quando estão a ser vitimas?

Normalmente sabem, por vezes melhor do que os adultos. Talvez porque ainda não têm vergonha.

Queixam-se aos pais?

Mais depressa contam aos professores. Depende muito da relação que têm com os pais. Se forem daqueles que não castigam nem lhes tiram o acesso à internet, até contam. Mas quando há a mínima hipótese de desconfiarem que lhes vão retirar a net, não contam. Têm medo. Para eles, ficarem sem computador e internet é gravíssimo.

Nesses casos, os pais nunca devem ameaçar tirar o computador?

Não. É o pior que podem fazer. Pode-se ser vítima de cyberbullying quer se use ou não computador. Mas se usarem computador, têm mais possibilidade de saberem que estão a ser vitimas e de se defenderem. Os pais tiram o computador, porque o filho foi irresponsável, pensando que assim evitam que ele seja uma potencial vitima. Mas sem computador, nem sequer saberão o que está a acontecer. Os pais devem ir ver com os filhos o que se está a passar, ensiná-los a alterar as passwords, ver que procedimentos de segurança devem usar. Há passwords ridículas, como o 00000, 123456, ou o próprio nome. Se algo for detetado, devem dar logo conhecimento á escola e á policia. Muitas vezes, o agressor é da escola, um colega ou até grande parte da turma.

Que cuidados deve ter um pai?

Alertar os filhos para que não aceitem certo tipo de comportamentos, de linguagem e ameaças. Aquilo que não se considera correto no dia-a-dia também não é correto na internet. Devem ensiná-los a ter cuidado com as pessoas que aceitam como amigos e a não se exporem demasiado, não contarem conversas de casa e ter muito cuidado com as fotos que colocam. Devem ensinar a diferença entre o que é privado e o que é público. Os miúdos nunca devem dizer onde moram.

Isso não é ensinado nas escolas?

Não é algo que venha nos programas escolares. É algo que fica à mercê da vontade ou interesse do professor. A experiencia que tive não foi muito positiva. As escolas têm medo de perder reputação se assumirem que há ali bullying ou cyberbullying. Tentam esconder.

O inquérito que fez foi em 2013, houve alguma evolução de então para cá?

Gostava que estivessem desatualizados, mas ainda refletem muito a realidade. Continuei a acompanhar casos e quase não houve evolução. E isso é grave.

Em que aspeto?

Continua a ser um tabú, continuamos desinformados e a meter coisas na internet que não deviam lá estar. Cada vez mais se age no facebook como se se estivesse num reality show! Peguei num perfil aleatório do facebook que estava semi-aberto (o que quer dizer que tem conteúdo público e privado): mulher portuguesa, com formação superior. Não sou amiga dessa pessoa. Fui seguindo esse perfil ao longo de um ano. Consigo dizer-lhe o que ela faz à segunda, à terça, à quarta, à quinta, à sexta e ao fim de semana, os destinos de férias e com quem viajou. Inclusive onde mora e trabalha e por onde anda entretanto.

Pôs-se na pele do potencial agressor?

Sim. Para perceber o que consigo fazer se a quiser perseguir. Ela mete tantas fotos e tanta informação que fico a saber tudo. Estamos a falar de alguém com mestrado, que sabe usar um computador. Mas tem lá fotos de biquíni cai-cai, dentro do mar. É fácil despi-la com fotoshop e mostrá-la como se estivesse completamente nua.

Há uma ânsia de se mostrar?

É isso. Aquilo é muito forte, mesmo sabendo que pode trazer consequências gravíssimas. Só vai ter consciência de que se expos demais, quando algo acontecer. Há outros exemplos, não fiz isso só com uma pessoa. Tirei vários perfis aleatórios para fazer estudo de caso e ver como as pessoas continuam a comportar-se na internet.

Está a preparar outro estudo?

Estou a ponderar lançar um livro e a trabalhar num projeto de pós-doutoramento, sempre a investigar esta área.

O QUE SE DEVE FAZER PARA EVITAR O CYBERBULLYING?
* Não partilhar fotos e vídeos de momentos íntimos com o namorado. São um perigo. Podem ser roubados por terceiros ou usados por um dos envolvidos, se a relação acabar mal.

* Cuidado com as fotos que podem ser manipuladas por programas de computador, como o fotoshop. Zero de poses em biquíni.

* Ter noção de que o que se põe online permanecerá para sempre, mesmo que seja apagado pelo próprio. Entretanto, pode já ter sido partilhado e copiado e já se perdeu o controlo

* Não usar fotos de casas ou locais, que possam ser identificadas por outros.

* Não usar dados pessoais, que permitam que alguém se aproxime demasiado.

* Não usar dados do local de trabalho, ou dar indicação das rotinas do dia-a-dia.

* Escolher muito bem a password e mudá-la de tempos a tempos. Evitar o óbvio, como o 00000, 123456, datas de aniversário ou os nomes próprios

* Ter vários níveis de segurança e partilha. Ter consciência de que mesmo um conteúdo circunscrito aos nossos amigos, pode ser indevidamente usado por um deles e outros lhes podem aceder.

* Fazer de quando em vez uma pesquisa com o próprio nome num motor de busca para ver que conteúdos aparecem.

 

Cesaltina Pinto para a Visão, em 10 de junho de 2016

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