Os pais podem publicar fotos dos filhos no Facebook? Os especialistas respondem

Julho 24, 2015 às 6:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia da http://exameinformatica.sapo.pt de 23 de julho de 2015.

o acórdão citado na notícia é o seguinte:

Acordão de 25 de junho de 2015, processo n.º 789/13.7TMSTB-B.E1

O Código Civil determina: «o retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comércio sem o consentimento dela». Será esta frase suficiente para inibir os pais de publicarem fotos dos filhos nas redes sociais?

Um acórdão do Tribunal da Relação de Évora lançou a polémica: um ex-casal foi inibido de publicar imagens da filha de 12 anos nas redes sociais. A inibição foi aplicada na sequência de uma disputa pelo direito de tutela da criança, mas nenhum dos pais havia apresentado queixa ou levantado a questão. E o próprio acórdão contém várias passagens de caráter universal. O que permite deduzir que, noutros casos similares, os juízes portugueses poderão aplicar a mesma inibição e lembrar que nenhum pai tem o direito de publicar fotos dos filhos nas redes sociais.

O acórdão está longe de ter gerado o consenso na opinião pública. E mesmo entre os especialistas as divergências estão patentes. Luis Neto Galvão e Manuel Lopes Rocha protagonizam as duas formas de ver a questão: São ambos advogados e ambos conhecem a fundo as questões relacionadas com a privacidade na Internet… mas discordam quando se coloca a questão: terão os pais a legitimidade para publicar imagens dos respetivos filhos menores nas redes sociais?

Luís Neto Galvão, Consultor do Conselho da Europa na Área da Privacidade e Proteção de Dados e sócio da SRS Advogados, mantém a esperança de que o acórdão do Tribunal da Relação de Évora não faça jurisprudência nem sirva de referência para outros casos similares que venham a ser julgados no futuro. «A proteção dos menores, atenta a sua natural vulnerabilidade, em particular no universo online, deve ser assegurada em primeira linha pelos pais. Estes têm o dever de adotar uma conduta responsável, atentos os perigos comprovados que oferecem as redes sociais e a Internet. Mas isso não justifica, por si só, uma proibição como esta, que me parece interferir injustificada e desproporcionalmente com a esfera de ação parental», refere o causídico por e-mail enviado para a Exame Informática.

Manuel Lopes Rocha, advogado da PLMJ, tem uma visão bem diferente e mantém a expectativa de que o acórdão faça sirva de referência futura: «É de elementar bom senso. Penso que o acórdão pode vir a servir de orientação para outros casos que cheguem ao tribunal. A própria lei geral já vai neste sentido. Não se trata de uma questão de ser ou não perigoso para as crianças, mas sim de que as crianças não são propriedade dos pais».

Manuel Lopes Rocha recorda que o direito à imagem é um dos direitos essenciais do núcleo de direitos de personalidade do código civil.

No Código Civil, o artigo referente ao direito à imagem determina que «o retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comércio sem o consentimento dela». Também estão acauteladas exceções que não exigem consentimento dos retratados, e que estão relacionadas com pessoas que já detêm alguma notoriedade, tenham cargos públicos ou se encontrem em eventos ou lugares públicos.

O Código Civil faz menção ao “comércio”, o que poderá remeter para uma eventual transação, que não ocorre na larga maioria das publicações de fotos de crianças redes sociais. Em contrapartida, a publicação em redes sociais pode levar a foto de uma pessoa para o domínio público. Resultado: tanto os pais como as crianças retratadas acabam por perder o controlo sobre o uso que outros internautas poderão dar a essas imagens, depois de as copiarem ou descarregarem para os seus computadores. E talvez por isso os juízes da Relação de Évora tenham feito questão de lembrar que as redes sociais poderão ser usadas por predadores sexuais que procuram vítimas entre perfis, nomes e imagens que se encontram disponíveis.

Mas há uma questão que o acórdão do Tribunal da Relação de Évora não chega a responder: Se os pais, que têm a tutela, não têm direito a usar a imagem dos filhos, então conclui-se que, tirando as exceções previstas pela lei, mais ninguém terá esse direito de o fazer com quaisquer crianças (ou adultos)… e mais: eventualmente, as próprias crianças perdem o direito de publicar as suas imagens nas redes sociais, uma vez que apenas podem fazê-lo com a autorização de quem as tutela (os pais, que por sua vez, também devem «abster-se de divulgar fotografias», como refere o acórdão da Relação de Évora em relação ao caso que iniciou a polémica).

Luís Neto Galvão lembra que estes casos devem ser analisados à luz do bom-senso: «É claro que as crianças têm direito à imagem e à reserva da vida privada e a partilha de fotos em redes sociais, quer pelos pais quer pelas próprias crianças (distinção que me parece menos clara no acórdão) acarreta riscos significativos. Esses riscos devem ser tidos em conta pelos pais, enquanto representantes legais das crianças. Mas dai até proibir tout court essa publicação parece-me excessivo e desproporcionado, sobretudo por não serem referidas circunstâncias particulares na conduta dos pais que justifiquem uma medida tão drástica».

Manuel Lopes Rocha concorda com o acórdão, mas também admite que a inibição de publicação de imagens de crianças não pode ser levada ao extremo: «Se a foto apenas está disponível para a família ou para os amigos chegados, não haverá mal. O problema é se a foto for disponibilizada a toda a gente, permitindo o acesso universal».

Do mesmo modo que considera que o acórdão da Relação de Évora está bem elaborado, Manuel Lopes Rocha não vê qualquer razão para que se crie uma legislação específica para estes casos.

Numa prova de que a polémica está longe de ficar sanada, Luís Neto Galvão apresenta uma opinião diametralmente oposta e sugere que os responsáveis políticos tomem a iniciativa tendo em conta o «contexto europeu (a Agenda Digital também abrange esta temática), e bebendo na experiência federal dos Estados Unidos da América que, com o Children’s Online Privacy Protection Act (COPPA)».

«O Estado deve ainda apostar fortemente na educação e formação das famílias, de modo a incentivar condutas responsáveis de pais e filhos online. Há projetos meritórios nesta área a vários níveis em Portugal. Falta talvez uma maior coordenação dos vários atores com responsabilidades. Não chega a ação muito positiva da CNPD, com o projeto Dadus. É preciso um envolvimento integrado de outros organismos com responsabilidade na área», acrescenta Luís Neto Galvão.

 

 

5 dicas para tornar o YouTube mais seguro para as crianças

Julho 20, 2015 às 6:00 am | Na categoria Vídeos | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , ,

Publica fotos dos seus filhos nas redes sociais? Talvez não devesse

Julho 15, 2015 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

texto do Observador de 12 de julho de 2015.

istock

 

Seja por orgulho ou para quebrar distâncias físicas, há quem publique conteúdos familiares com regularidade. Mas é este um ato verdadeiramente seguro e que respeita a privacidade das crianças?

Ana Cristina Marques

Os meninos a brincar na areia, de cabelo molhado, acabados de sair da água, ou a subir às arvores, sorridentes e armados em exploradores… “Quando comecei a publicar fotografias deles [no Facebook], a única coisa que fiz foi escolher os meus amigos. E eliminei aquelas pessoas com quem, por uma razão ou outra, já não falava muito”, diz Vanessa Ribeiro, mãe de dois meninos, ao Observador. Desde cedo que Vanessa se habituou a partilhar nas redes sociais imagens do par de rapazes que tem em casa. Houve até uma altura em que publicava conteúdos familiares todos os dias. Hoje, fá-lo uma a duas vezes por semana e o registo é sempre o mesmo — os meninos a brincar.

Emídio Ferreira pensa de maneira ligeiramente diferente. Nascido e criado na Madeira, trocou a ilha pela capital há 11 anos e por cá resolveu educar a filha de cinco. A distância entre a menina e os avós paternos é tão grande que, volta e meia, Emídio não resiste em publicar uma ou outra foto. “Não gosto de o fazer, mas como a minha família está na Madeira e eu e a minha filha em Lisboa, às vezes publico uma fotografia”. Massagista de profissão, diz que a falta de gozo em divulgar as imagens da pequena prende-se, sobretudo, com questões de segurança — “Tenho medo que lhe façam mal e que as fotos sirvam para a identificar”.

Fotografias dos filhos nas redes: é ou não perigoso?

Vanessa Ribeiro diz que a sua única preocupação, quando publica uma imagem, é não colocar a respetiva localização. Porque não lhe agrada que as pessoas saibam onde anda e onde costuma levar as crianças. “Quando publico tenho o cuidado de cortar partes das fotos para serem só eles a aparecer e, se for na rua, tenho o cuidado de não publicar nomes ou placas”, esclarece.

Seja uma fotografia ou um vídeo, qualquer conteúdo tornado acessível a olhos alheios na internet pode ser descontextualizado. Quem o diz é Tito de Morais, o fundador do site Miúdos Seguros na Net. Tito garante que, na maior parte dos casos, os pais não têm noção dos riscos em que colocam os filhos — “Posso remover uma fotografia da minha conta, mas ela já pode ter sido copiada e colocada noutros locais, em contas que não controlo”. E dá o exemplo de redes de pornografia ou de sites de leilões. 

“Nós nunca conseguimos eliminar o risco, mas podemos reduzir a sua probabilidade”, defende. “É natural um pai ou uma mãe gostarem de partilhar fotos do filho que nasceu há pouco tempo, mas se eu o fizer de uma forma pública no Facebook, a probabilidade de essa imagem ser usada de maneira incorreta é maior”, esclarece. Por esse motivo, relembra que tais perigos podem ser minimizados com simples medidas, como divulgar o conteúdo em causa para uma lista de amigos ou em grupos secretos.

A Tito de Morais o que mais lhe preocupa é a ideia de que, na maior parte das vezes, as pessoas só comecem a questionar os perigos associados às redes sociais quando algo corre mal. “A segurança e a privacidade vêm sempre em segundo plano. É a velha história, ‘Casa arrombada, trancas à porta’”.

terra verde

hubs.ly/y0RfGz0 

Já Simão Melo de Sousa, professor auxiliar de informática na Universidade da Beira Interior, explica que existe uma falsa ideia de privacidade, uma vez que, em absoluto, nada é privado nas redes sociais. “A partir do momento em que se publica uma informação, essa pessoa tem de assumir que todos a podem ver”, diz, falando na possível perda de controlo sobre a informação publicada e sobre o analfabetismo tecnológico, o qual pode levar a comportamentos potencialmente perigosos, até porque o “próprio utilizador é a fonte privilegiada de informação”.

Simão Melo de Sousa questiona-se sobre quem conhece, na íntegra, as regras de publicação/privacidade das redes sociais e diz que o utilizador não tem, na maior parte das vezes, ideia do que acontece “por trás” do ato da publicação — quando uma pessoa publica um conteúdo pode estar, também, a publicar informação que à partida não era intencional (como a data, a hora e o local de uma dada imagem). Argumenta ainda que cada rede social tem as suas regras, tais como os muitos softwares que instalamos e que raramente lemos.

“A informação publicada nunca mais se perde. É muito difícil apagar conteúdos na rede internet”, confirma o professor auxiliar. “Os conteúdos são copiados/duplicados, ficam em cache (dos browsers, por exemplo), são indexados pelos motores de pesquisa.” Assim, “tudo o que é publicado é imutável e público, pelo que a probabilidade de essa informação ser usada contra quem a divulgou não é tão remota como, à partida, pode parecer. Esta é a reflexão que todos deveriam ter quando publicam informação nas redes sociais”, acrescenta.

Esta não é apenas uma questão de segurança

A ideia da pegada digital também é importante, acrescenta Tito de Morais: “As pessoas não têm noção que ao publicar fotos de um filho desde que ele é bebé que estão a definir a sua pegada digital. Quando o miúdo tiver 13 anos, ele não vai gostar de ver imagens suas a fazer cocó no pote, e pode mesmo vir a ser gozado pelos colegas. Os jovens adolescentes são muito ciosos da sua aparência”. Tito de Morais coloca, então, em cima da mesa o conceito de cyberbullying.

Já a psicóloga Inês Afonso Marques diz, desde logo, que há duas linhas de pensamento muito importantes: a questão da segurança e dos perigos que existem quando se partilham determinados tipos de conteúdos e o facto dos filhos fotografados não terem direito à privacidade nem poder de decisão. “Chegamos à adolescência e vemos o que os nossos pais partilharam. Podem ser situações ridículas que, na altura, ninguém lhes perguntou se podiam ou não publicar”.

Inês Afonso Marques revela que ao consultório já chegaram casos de quem foi gozado porque o pai, em tempos, publicou fotografias suas menos próprias (pelo menos aos olhos de um adolescente). Mas, para a psicóloga, estas não são situações que possam integrar o leque do cyberbullying: “Não será bullying na verdadeira aceção da palavra por ser um ato isolado. O cyberbullying é quando usamos as novas tecnologias de forma repetida e intencional para ameaçar ou ridicularizar a outra pessoa”. A psicóloga afirma ainda que existe uma fronteira muito ténue entre aquilo que é aceitável e o que é perigoso, e que os pais devem, acima de tudo, pensar se estão a respeitar o direito à privacidade dos seus filhos e se vão ou não criar situações futuramente embaraçosas para eles.

edk

http://ow.ly/Oikwe 

A propósito disso, Vanessa Ribeiro, mãe de dois, comenta que nunca ponderou sobre a eventualidade de os filhos sofrerem, no futuro, de bullying — ao Observador, diz que considera isso uma preocupação de maior, pelo que admite apagar as fotografias do último carnaval, quando mascarou um dos filhos de menina. E quanto aos restantes perigos indicados? “Este não é um tema sobre o qual tenha lido muito. Acho que se alguém lhes quiser fazer alguma coisa, não importa se ponho fotos ou não”.

Ainda por falar em pegada digital, Tito de Morais conta que há pais que criam páginas de Facebook para os filhos. “Por questões jurídicas, o Facebook só permite a adesão de crianças com idade igual ou superior a 13 anos”, esclarece. Mas, hoje em dia, o Facebook é tema de conversa entre família e amigos, motivo pelo qual as crianças com menos de 13 anos sentem-se excluídas, o que faz com que, mais cedo ou mais tarde, os pais sejam confrontados com uma problemática: ou mentem e ajudam os filhos a mentir, ao criar um perfil para eles, ou são rígidos e dizem que não, correndo o risco de os filhos criarem a conta à revelia.

“É uma decisão que cada pai tem de tomar. Ambas as situações são aceitáveis”, diz Tito de Morais, não sem antes deixar ficar o aviso de que, caso o Facebook descubra que um perfil é falso, o mais provável é este ser eliminado. No meio disto tudo, argumenta ainda que não considera que esta seja uma boa rede social para crianças com oito ou nove anos, uma vez que não tem ferramentas de controlo parental. Um exemplo? “Não consigo subordinar a conta do meu filho à minha.”

“Efetivamente, vejo crianças cada vez mais novas com o seu perfil criado. Mais uma vez perguntamos qual é o objetivo. Qual é o partido que a criança vai tirar e será que ela vai ser responsabilizada por gerir a sua própria página? Saberá ela o que é permitido e seguro?”, questiona Inês Afonso Marques.

Mas porque é que os pais publicam fotografias dos filhos?

São muitos os motivos que levam os pais a partilhar conteúdos relacionados com os filhos. Desde a partilha genuína da felicidade, a qual gera feedback do outro lado, ao colocar de dúvidas sobre a parentalidade. E há quem o faça — à semelhança do que acontece com Emídio Ferreira, que tem os avós da filha para lá do oceano Atlântico — para quebrar barreiras e distâncias físicas. E não é esse um dos pontos positivos das redes sociais?

A ideia de usar as redes em questão para tirar dúvidas ou pedir opiniões sobre os desafios de parentalidade pode significar inseguranças da parte dos pais e, nesse sentido, a opinião do outro pode ser valiosa, esclarece a psicóloga Inês Afonso Marques. No entanto, há situações em que existe uma certa vaidade em “mostrar este documentar público do crescimento de um filho; o que está por detrás nunca deixa de ser o orgulho, mas é preciso existir um equilíbrio”. A psicóloga convida, então, os pais a analisar o motivo porque o fazem: se é uma questão de aceitação por parte dos outros, se é um ato egoísta, se têm dúvidas e receios e se estão a preservar a segurança dos filhos.

Guia para utilizar o Facebook com mais segurança

É o professor académico Simão Melo de Sousa quem define as regras:

  • Não aceite qualquer amizade e, uma vez aceitando amizades virtuais vastas, estabeleça grupos, tal como acontece com os “círculos” do Google Plus. Isso permite publicar informação tendo em conta determinados grupos;
  • Pense antes de publicar. Não se exponha desnecessariamente. Questiona-se “isto pode ser usado ao meu desfavor”? — em caso de dúvida, não publique;
  • Nas definições do seu perfil, reflita sobre a informação que coloca. Não é por ter campos por preencher que tem de os preencher todos;
  • Não se esqueça que qualquer dado colocado no Facebook pode ser usado pelo Facebook e terças partes associadas;
  • Em qualquer informação introduzida, ou publicação, tenha em atenção na opção edit. Esta permite escolher a visibilidade para a informação introduzida.

Nota: O artigo foi atualizado às 13h14 com a definição de cyberbullying. 

 

O que os pais nunca devem publicar na Internet

Julho 10, 2015 às 12:55 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , ,

Texto do Sol de 9 de julho de 2015.

Shutterstock

 

Alguns pais tomam precauções no que diz respeito à publicação de fotografias dos filhos na Internet. Outros são mais distraídos e publicam várias imagens nas crianças nas redes sociais.

É preciso ter cuidado com aquilo que se divulga na Internet. Aqui ficam 5 pontos que deve ter em atenção no momento de publicar fotografias.

1)    Fotos com registo de localização: Desactive o GPS do aparelho, assim ninguém fica a saber os locais que a criança frequenta;

2)     Imagens da criança no duche ou em fato-de-banho: A Internet está cheia de predadores sexuais. Estas fotos podem atrair as atenções de pessoas indesejadas;

3)    Fotografias com a farda da escola: Assim é mais fácil para uma pessoa com más intenções descobrir qual a escola que a criança frequenta;

4)    Fotos com amigos: Não deve publicar fotografias dos seus filhos com os amigos sem a autorização dos pais das outras crianças. Estes podem não gostar da exposição e ser completamente contra a divulgação da cara das crianças na Internet;

5)    Imagens da criança perto do local onde vive: Mais uma vez, estas fotos são ‘perfeitas’ para atrair a atenção de predadores sexuais.

 

 

Cinco tipos de posts para se evitar e proteger seus filhos

Junho 15, 2015 às 12:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , ,

 

 

Texto do site http://oglobo.globo.com

Guilherme leporace

vite check-in, fotos de uniforme ou em locais que possam revelar a localização da criança

Seu filho participou de uma peça na escola ou te presenteou com um desenho assim que chegou do colégio? Se vocês têm o hábito de visitar um parque ou praça perto de casa, ou vão sempre ao cinema ou a um teatro, cuidado para não criar uma frequência com características comuns (dias da semana e horário) e revelar a rotina da criança.

 Evite posts que possam causar constrangimento posterior à criança

jch40

Mesmo que o seu filho tenha feito uma gracinha ou tido uma sacada genial pense bem antes de compartilhar com toda a sua rede. Você pode acabar invadindo a privacidade da criança ao colocar um episódio do ambiente doméstico no mundo online.

 Vídeos e fotos são registros com alto poder de viralização

booba1234

Quando o conteúdo audiovisual registra uma situação engraçada ou divertida ele pode facilmente viralizar e atingir proporções inimagináveis. Com isso, aquela “gracinha”ou “trapalhada” do seu filho pode atingir proporções mundiais e não ficar apenas entre seu grupo de amigos e familiares.

Cuidado ao compartilhar as preferências dos seus filhos na rede

divulgação

Seu filho pode ser fã da “Galinha Pintadinha”, amar suco de laranja e se amarrar em bonés, mas nem todo mundo precisa saber disso. Informações pessoais como a preferência das crianças podem ser usadas por pessoas mal-intencionadas para se aproximar do filho. Fique atento!

 Respeite a privacidade dos filhos dos seus amigos e dos colegas de seu filho

stock xpress

Cuidado ao postar uma foto daquele momento de descontração do seu filho com os amiguinhos e marcá-los nas redes. Ao tageá-los você acaba compartilhando informações sobre a criança sem a autorização dos pais delas. O mesmo vale ao marcar os pais delas, dessa forma, você acaba identificando quem é filho de quem.

 

Conversas de Fim de Tarde – “Quem sou no Ciberespaço?”

Abril 24, 2015 às 12:26 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , ,

quem

O evento é gratuito, mas sujeito a inscrição – https://www.eventbrite.pt/e/bilhetes-conversas-de-fim-de-tarde-quem-sou-no-ciberespaco-16465039376

progr

III Ciclo de Conferências da CPCJ de Lousada – De Pequenino…se prepara o destino!

Abril 14, 2015 às 8:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , ,

III

Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Lousada

Localização: Praça Dr. Francisco Sá Carneiro – Ap. 19 – 4620 – 909 Lousada
Telefone: 255 820 500 / Fax: 255 820 576
Email: cpcj@cm-lousada.pt

Cuidado com o que postas na internet – Vídeo

Abril 13, 2015 às 6:00 am | Na categoria Vídeos | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

 

GPS e alertas de mensagens já controlam telefones de criança

Abril 9, 2015 às 10:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 4 de abril de 2015.

GPS e alertas de mensagens já controlam telefones de criança

 

 

 

 

 

A geração da net está sem rede

Abril 8, 2015 às 8:21 am | Na categoria A criança na comunicação social, Campanhas em Defesa dos Direitos da Criabnça | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Reportagem do Público de 5 de abril de 2015.

Nuno Ferreira Santos

Paulo Moura (texto), Nuno Ferreira Santos (fotografia) e Vera Moutinho (video)

Num mundo onde tudo o que fazemos online é registado e vigiado, uma geração totalmente digital será particularmente vulnerável. Em Portugal, onde o hiato entre a literacia informática entre pais e filhos é dos maiores da Europa, a “geração Magalhães” está entregue a si própria.

Marta Gonzaga, 14 anos, 9.º ano, Funchal. Nem precisa de sair da cama. Basta estender um braço para enviar à melhor amiga, por Snapchat, uma imagem sua a acordar, mas só por um segundo, talvez dois, para que a amiga não se fixe nos pormenores. Pode ver um vídeo de cinco segundos de alguém conhecido a lavar os dentes, actualizar fotos de alguns desconhecidos que adicionou no Instagram, congelar num screenshot um momento banal registado do outro lado do mundo. Selfies no Instagram, acha feio. E chat no Facebook é pouco autêntico. “Já ninguém usa o Facebook. Há um ano, sim, mas agora…” A competição pelo número de “likes” é uma infantilidade do passado. Uma obsessão inútil por “ser ou não ser muito popular”. Que importância tem isso? “Tudo é falso no Facebook. Os verdadeiros amigos estão no Twitter. É um ambiente diferente.”

Tudo o que escreve no Twitter tem destinatário: os elementos da banda One Direction. Nunca responderam, mas “só de escrever as frases uma pessoa já se sente melhor”. Tal como formular desejos na Fandom da banda ou despejar milhares de caracteres de histórias inventadas com o One Direction Harry contracenando com outras celebridades, no site para jovens escritores Wattpad. As fics (fanfiction) de Marta são de leitura proibida a amigos e família, fintados com nicknames e passwords, embora já tenham ultrapassado as 27.840 visualizações, todas de leitores desconhecidos. Cada um dos 1700 seguidores recebe uma notificação sempre que Marta “lança ao mundo” um novo capítulo, tal como ela (e outros mil milhões de seguidores) foi notificada de cada um dos 300 capítulos da série After, que a americana Anna Todd foi publicando na Biblioteca Virtual, antes de os ler na íntegra no ecrã do telemóvel. E de ter respondido com comentários, sugestões e desabafos, no Wattpad, Fandom, WhatsApp, Instagram, Snapchat ou Twitter, em forma de emojis, abreviaturas ou onomatopaicos, sobre a vida social ou íntima dos One Direction, das amigas ou de si própria.

“Vou de férias mpts (meus putos)” e “Naqueles momentos em que a mãe grita contigo e tu finges que não ouves” são exemplos das frases que Marta lança no Twitter, para depois contar os retweets que provoca, as reacções do género “ahahah”, ou :) (smile), ou mesmo as reaction picture (selfies que as amigas fizeram com a cara com que reagiram ao tweet).

Tudo isto sem sair da cama, no seu quarto, onde é notório que a secretária nunca é usada, enquanto André Nunes, 12 anos, 7.º ano, Parede, Cascais, faz vigílias madrugada fora com dois monitores abertos ao mesmo tempo, um com o jogo multiplayer online League of Legends, ou Minecraft, ou Watchdog, outro com o Skype dividido em cinco chamadas simultâneas onde vai comentando o jogo com os amigos, e talvez ainda um vídeo no YouTube com explicações sobre o jogo, além do Facebook, as sms do telemóvel e provavelmente a PlayStation. Por vezes fica online seis ou sete horas seguidas, com a mãe no quarto ao lado a ameaçar desligar o router e a irmã a queixar-se da sobrecarga da rede que a torna lenta quando ela quer ver um filme no Wareztuga.pt, falar com as amigas no Facebook e constituir família no jogo Sims.

Mafalda Nunes, 13 anos, 8.º ano. Todas as suas conversas importantes decorrem online. Tem uma amiga com quem fala todos os dias no Facebook. Foi ela que colocou na rede social fotografias dos cadernos e dos apontamentos, quando Mafalda faltou às aulas por ter estado doente. Não há nada que não possa ser feito online, excepto ler livros, que Mafalda prefere em papel. Em tudo o resto, a Net é preferível à realidade. Nem a praia consegue competir. Não há tanta vontade de sair, ou de namorar, como, com a mesma idade, acontecia com a geração anterior. Comprar roupas de marca também já não é importante. Ter um iPhone, sim. Não é o mesmo que usar um qualquer smartphone de marca branca. Desculpa: a velocidade.

Mafalda vem à porta do quarto. “Quem está a usar a Net? Está tão lenta. O pior que há é a lentidão.” A mãe manda André para a cama.  Desculpa dele: “É frustrante sair a meio de um jogo. Porque tem de se recomeçar. Nos jogos online os jogadores têm penalizações se interromperem a partida a meio. Podem ficar impedidos de jogar por uma semana.”

Sofia prefere viajar. Sofia Lucas, 12 anos, 7.º ano, Braga. O Google Earth é o seu site favorito. Foi lá que conheceu Paris, Nova Iorque, Roma, Washington, Londres, lugares que quer visitar na realidade.

Também gosta de jogos, e conversa com as amigas no Facebook, onde também começou a namorar. Foi um caso que começou e acabou por via digital. O primeiro contacto aconteceu na realidade, mas aí o rapaz não se declarou. Admitiu mais tarde: “No primeiro dia em que te vi, achei que irias ser minha namorada.” Mas guardou a conjectura para si. Só no Facebook a inclinação ganhou realidade. Foi lá que se declarou, no Dia dos Namorados, e foi por sms que pôs termo a uma relação de 111 dias e mais de 5 mil mensagens (uma média de 50 por dia). Fê-lo movido pelo pragmatismo, quando Sofia mudou de escola: “Não te vou ligar mais, arranjei outra.”

A 400 quilómetros de distância, Duarte podia ter assistido a tudo isto, se usasse as suas técnicas hackerianas preferidas de Man in the Middle. Mas ele prefere usar as suas armas para o Bem. Duarte Marques, 14 anos, 9.º ano, Carnaxide, Oeiras. Aprendeu muito cedo a usar computadores, porque o pai tinha uma empresa de informática. Começou por um Magalhães, que lhe foi atribuído na escola. Um “Gamalhães”, diz ele, com que conseguia “gamar” música, software, ou tudo o que quisesse. Agora, sente que sabe mais do que a maioria, o que é uma forma de poder e uma responsabilidade. É contra a pirataria, mas a favor da total liberdade na Web.

É Anonymous. Tem a máscara de Guy Fawkes, que encomendou pela Net, em três versões — normal, dourada e prateada. Tenciona usar a Internet para mudar o mundo, que vê dominado pela corrupção, o crime e a injustiça. “O que pretendo é mudar o sistema político, do mundo em geral.” Através de sites de hactivismo, e da rede do Anonymous, imagina-se a praticar acções de rebeldia com consequências significativas, embora planeie vir a trabalhar numa grande empresa, como consultor de segurança informática. “Leio muitos artigos sobre Internet e informática. O conhecimento é gratuito e é poder. Quanto mais conhecimento reunirmos, mais poder temos.”

Ainda não lançou nenhum grande ataque, e nunca o fará de forma gratuita. Apenas umas habilidades, para treinar. “Com o Skype, consigo desligar o router de outra pessoa”, diz Duarte. “E posso interceptar comunicações no Skype, que não são encriptadas.” E inserir intempestivos scripts ou pop-ups quando as pessoas estão a navegar por um site qualquer. E aquelas imagens esquisitas, por exemplo um cavalo a galopar só com duas pernas, que apareceram no meio da projecção powerpoint da professora? Foi ele, confessa. “Tive pena. Por vezes as professoras querem o nosso bem, não são demoníacas.” É alterar as notas ou as faltas, que a professora introduz no portal da escola? “Esses sistemas são muito vulneráveis. Era muito mais difícil dantes ver o caderno onde os professores registavam as notas. Os professores ainda guardam algumas notas num caderno. Essas são as mais difíceis de ver.” Entrar no site para mudar uma nota ou uma falta é portanto fácil. Se Duarte o fez ou não, é informação secreta. Que o pode fazer, isso sim, gosta que se saiba.

Um dos objectivos de todas as acções dos Anonymous “é serem levados a sério”. Não cometem “actos ilegais que não façam sentido”, mas acham importante fazer sentir o seu poder. “Anonymous é uma comunidade. Não é um grupo para onde se entre ou a que se pertença. Quem quiser ser Anonymous é. Basta ter esta atitude, de resistir contra o sistema. Estamos atentos ao que acontece. Vemos tudo. Estamos em todo o lado. Somos o teu vizinho, o teu amigo, o teu professor.”

Atirar sites abaixo pode ser um aviso, uma demonstração de poder e revolta. Quanto mais importantes e mais supostamente invulneráveis forem os sites, melhor. O do PÚBLICO, por exemplo. Duarte pode fazê-lo colapsar, se quiser. “Fácil. Basta um telemóvel e a ajuda de uns tantos amigos. Posso experimentar? Só como teste, para ver até que ponto o site é vulnerável ou não? Mas depois pode levar semanas até que se consiga trazê-lo de novo à vida.” No dia da publicação da reportagem, hoje, domingo, 5 de Abril, o PÚBLICO sofreria um eclipse. Ficou no ar a possibilidade. Não serias capaz de o fazer, Duarte!

A Internet tem mais de 20 anos, mas nos últimos cinco transformou-se qualitativamente. Não só multiplicou as possibilidades, com aplicações que permitem fazer quase tudo de forma virtual, mas também se tornou ubíqua. Até há pouco tempo, ia-se à, ou usava-se a Internet. Agora estamos na Net em permanência, através dos portáteis ou dos smartphones, por redes wifi ou 4G.

Já se tinha identificado uma geração de “nativos digitais”, ou de “millennials”, mas só muito recentemente surgiram entre nós os primeiros seres totalmente conectados de nascença. Há quem lhes chame “hyperconnected” ou “cyberkids”, mas a verdade é que ainda não há nome para a nova espécie, e pouco se sabe sobre o que são ou virão a ser.

Para eles, escrever à mão num papel é uma actividade arcaica apenas obrigatória pela teimosia jarreta de alguns professores ou pais. Comunicar é algo natural, que não implica deslocações nem gastos, o conhecimento está disponível em quantidades ilimitadas, a informação brota de todo o lado, sem filtros nem critérios de validação, não há distâncias nem obstáculos, o consumo de arte e cultura é fácil e gratuito para todos, e a sua produção também, o que é real e virtual confundem-se, a liberdade é uma evidência e uma vertigem, a privacidade uma noção cada vez mais longínqua.

Que oportunidades e que perigos esperam os jovens que têm agora 12, 13 ou 14 anos? Serão donos de poderes nunca vistos ou estarão a posicionar-se para serem escravos? Servirá a sua fabulosa vida online apenas para os colocar à mercê de eventuais ditaduras do futuro?

Muitos dos perigos da vida online têm sido estudados e objecto de campanhas de informação dirigidas aos adolescentes e aos pais, hoje conscientes dos riscos relacionados com a pedofilia e vários tipos de crimes. Cuidados como o de não colocar fotografias de menores nas redes sociais, não divulgar moradas ou números de telefone, não aceitar desconhecidos como “amigos” são já mais ou menos habituais, segundo os conselhos divulgados pela polícia nas escolas.

As práticas de cyberbullying, ostracismo ou violência também têm sido alvo de alguma atenção. O mesmo com o vício e uso excessivo da Internet, e com os problemas da imagem e da reputação, sob o ponto de vista da aceitação social e da obtenção e manutenção de emprego. Mas ninguém está a informar os jovens sobre a vulnerabilidade global e irreversível que vem com a imersão no mundo digital.

Todos os nossos gestos digitais deixam uma pegada e podem ser gravados, descodificados, processados. Sabe-se que empresas usam dados fornecidos por redes sociais para conhecer os padrões de consumo dos utilizadores e orientarem as suas campanhas de vendas. Sabe-se também que agências de informação de governos acedem aos nossos telefonemas, mensagens, emails, conversas no Facebook, Twitter ou Skype, além de registos de despesas com cartões de crédito, levantamentos multibanco, sinais de localização de redes móveis e de GPS, imagens de câmaras de vigilância, etc.

Quanto maior for a porção da nossa vida que decorre nos dispositivos digitais, maior é a nossa exposição. Em breve não será possível dar um passo sem ser controlado por alguém. Há inegáveis vantagens nesta realidade e podemos optar por aceitá-la. Mas será possível a opção contrária? Ou estabelecer limites?

Para Teresa Paula Marques, psicóloga e directora clínica da Academia de Psicologia da Criança e da Família, a concluir uma tese de doutoramento sobre Facebook, Riscos e Oportunidades, uma das noções a ter em conta é que já não há distinção entre mundo real e mundo virtual. Para os jovens, é o mesmo ter falado com um amigo pessoalmente ou através do Facebook. “São duas faces da mesma realidade.” Por isso, é de esperar comportamentos idênticos. “Os adolescentes gostam de ser vistos por todos, admirados pelos seus pares. As meninas pela beleza, os rapazes pelas façanhas. São muito populares o desafio da canela (em que se ingere canela até ao vómito), o desafio do desmaio, as fotografias em locais arriscados. No Facebook, o efeito que temos nos outros é mensurável imediatamente pela quantidade de ‘likes’. Estes têm um grande impacto na auto-estima. Se forem poucos, a tendência será para acentuar as acções. No caso das meninas, para usar biquínis mais ousados, no dos rapazes para fazerem coisas mais perigosas. É por isso que o comportamento no Facebook tende a ser excessivo.”

Pelo mesmo motivo, são geralmente mais intensas, nas redes sociais, as manifestações tanto de afecto como de agressividade. “Há páginas de ódio e perseguição, e é difícil descobrir quem está por trás. Há casos de assédio online, são enormes os riscos de cyberbullying e de sexting, em que os namorados divulgam na Net, após terminada a relação, as fotografias íntimas que a rapariga lhe enviou. Mas por outro lado é muito fácil ‘desamigar’ alguém. Mais do que na vida real. E os estudos mostram que ser ‘desamigado’ tem um impacto negativo fortíssimo nos jovens.”

Uma das consequências inevitáveis da vida na Net é a confusão entre os níveis de privacidade e de intimidade. Entre estes e o nível do que é público, os jovens são capazes de distinguir. Mas o que é íntimo passa facilmente para a esfera do que é meramente privado, explica Teresa Marques. “As pessoas expõem facilmente a sua orientação sexual, ou outras informações íntimas, o que as torna particularmente vulneráveis.” Fazem-no porque não têm a consciência da verdadeira dimensão das audiências que podem atingir, nem do carácter indelével das informações disponibilizadas nas redes sociais. “Tudo o que está no Facebook é eterno e pode vir a ser perigoso mais tarde.” Quanto à noção da existência de poderes superiores, de alguma entidade que venha a pretender ter poder sobre nós e de quem nos deveríamos proteger, os jovens não a conhecem. Não identificam ninguém que devessem temer ou de quem fosse prudente esconder alguma informação íntima ou confidencial. Apenas um ser representa para eles uma autoridade simbólica, uma entidade com quem há que ter mil cuidados, a quem não se pode mostrar tudo. Não, não é a NSA, nem a Administração americana, o Estado Islâmico, as grandes empresas multinacionais ou o Clube de Bilderberg. É a avó. Por ela se pratica a autocensura e se faz uma criteriosa regulação dos botões de privacidade do Facebook. “O que não gostarias que a tua avó visse” — este parece ser o único limite à liberdade dos jovens na Internet. A avó é a última fronteira.

Ana Jorge, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, a realizar um pós-doutoramento sobre Culturas dos Media e Consumos Infanto-Juvenis, cita a investigadora americana de redes sociais Danah Boyd para explicar o conceito de “colapso dos contextos”. Os jovens “perderam a capacidade de seleccionar discursos diferentes para audiências diferentes. Não têm consciência de que o que dizem estará disponível para vários tipos de públicos”. E, se as campanhas educativas têm sido bem sucedidas no que respeita às práticas de prevenção da criminalidade através da Internet, falta toda uma educação para a cidadania no que respeita ao uso consciente da Rede. Por exemplo no que respeita à partilha de informação e ao uso de dados. “As redes sociais não são de graça. No Facebook estão a gerar valor para os anunciantes. Nós somos audiência.” Para Ana Jorge, é arriscado falar de características próprias de gerações, porque não se pode generalizar excessivamente. Os estudos mostram que há muitas diferenças e muitos ritmos no seio de uma mesma geração, clivada por grupos sociais, culturais ou regionais.

As camadas mais pobres, por exemplo, são mais vulneráveis aos riscos da Internet. Numa família onde os pais não dominam as tecnologias, é menos provável que os filhos lhes contem os problemas que encontram ou aceitem os seus conselhos. Não reconhecem autoridade a quem não domina os gadgets ou a terminologia que lhes está associada. Também as raparigas são mais vulneráveis do que os rapazes, e os jovens de alguns países mais do que os de outros.

Entre os países da União Europeia, Portugal é um dos que apresentam um hiato maior entre a literacia digital de pais e filhos. Há toda uma geração iniciada nos computadores com a campanha dos Magalhães nas escolas. Foi um factor de unificação dos jovens, mas não dos pais. “Devido ao Magalhães em 2008 e ao projecto E-Escola, Portugal é um dos países europeus onde é maior o número de famílias onde são os filhos que sabem mexer nos computadores”, diz Ana Jorge.

Em parte por este motivo, Portugal é também um dos países onde os jovens acedem mais à Internet sozinhos a partir do seu quarto. Os pais associam o uso dos computadores à realização dos trabalhos escolares, pelo que abdicam de vigiar as actividades dos filhos na Internet. Neste sentido, os adolescentes portugueses, em particular os provenientes de famílias com níveis educacionais mais baixos, são particularmente vulneráveis aos perigos do mundo digital.

Os pais de Sofia exercem um controlo disfarçado, mas firme sobre tudo o que ela faz na Net. A mãe, Vânia Mesquita Machado, que é médica pediatra, explica todas as regras que  Sofia deve respeitar, diferentes das dos irmãos mais novos. Só teve acesso ao Facebook aos dez anos e na condição de os pais conhecerem a password. Apenas pode colocar fotografias suas com óculos de sol e só aceitar amigos que conhece. Se surgem problemas, a mãe sabe que ajudar a filha passa por dominar os mesmos meios. Uma vez, uma amiga de Sofia começou a ter um comportamento reprovável. Enviou mensagens e fez comentários sobre ela com outras amigas, mexeu nas suas coisas no cacifo da escola. Vânia pediu-lhe amizade no Facebook. Quando ela aceitou, fê-la explicar o que se passava, a responsabilizar-se e a corrigir o comportamento. “Se eu tivesse ido falar com a mãe dela, não teria resultado. O Facebook foi a solução.”

Os pais de Mafalda e André sabem da sua vida escolar através da plataforma Inovar, onde os professores registam as notas, faltas, sumários e outras observações, além das despesas do cartão de refeições. Sofia Martins, a mãe, dá grande liberdade aos filhos nos contactos com amigos nas redes sociais, porque viveram oito anos em Oleiros, uma aldeia da região de Castelo Branco, e perderam o contacto com os colegas. Agora vivem na Parede mas falam com eles todos os dias. A mudança não foi tão traumática graças à Internet. “Falo sempre com a minha melhor amiga, que será sempre a minha melhor amiga”, diz Mafalda. Sem a Net, a vida seria muito diferente. Uma vez, lembram-se de que a electricidade falhou. “Estivemos assim cinco horas, não sabíamos o que fazer”, diz André. “Foi dramático.” Mafalda acrescenta: “Foi o fim do mundo.”

Marta sonha com o dia em que um dos elementos dos One Direction lhe responda. Nunca chegou nenhum tweet deles, mas sim de um primo. Pelo menos de alguém que afirma ser seu primo. “Nesse dia foi uma emoção cá em casa”, diz Susana Gonzaga, mãe da Marta. Um primo respondeu. Mas como pode saber se é realmente primo? “Eu confirmei, fui ver os amigos e mensagens dele.” Marta mostra mensagens que trocou com o suposto primo. “Diz qualquer coisa sobre ti”, perguntou ela. A resposta: “I like feet” (gosto de pés).

O star system na Net é muito próximo da loucura. Há ídolos que nasceram no YouTube e nunca fizeram nada na vida real, os fandoms de bandas como os One Direction reúnem milhões de fãs que escrevem e lêem histórias inventadas, virtuais, sobre os rapazes da banda e se automutilam realmente quando um deles, Zayn Malik, abandona o grupo. “Eu sei que a música deles não é muito boa”, diz Marta. “Eu dantes gostava de Grunge, dos Red Hot Chilli Peppers, e não é a mesma coisa. Mas os One Direction são o meu guilty pleasure.” Apesar de toda a sua vida online, Marta gosta de ler livros em papel. E de capa dura. Anda a ler vários clássicos. Anna Karenina, Jane Eyre, todo sublinhado. Orgulho e Preconceito em inglês. Sabe passagens de cor. Diz sem hesitar: “If your feelings are still what they were last April, please tell me so at once…”

A mãe de Duarte, Ana Bastos, não lhe paga a Internet no telefone, mas ele “rouba” o sinal das redes que apanha por todo o lado. Conhecimento é poder. E a única saída para quem vai viver num mundo dominado pelo digital. “Hoje, os mais jovens são mais responsáveis”, diz ele. Porque já sentem na pele o que lhes vai acontecer.

Duarte vê o futuro com preocupação. “A tecnologia muda a personalidade das pessoas. A maioria vai ser como robôs. Mas alguns vão ser mais livres. Your ignorance is their power. Wake up!” Duarte imagina no futuro uma espécie de regresso da Idade Média. “Na época feudal, o povo era escravo, mas isso soava-lhes normal. A mente deles estava fechada. Não tinham capacidade para se revoltarem. Agora parece-me que essa realidade está a voltar. Na sua maioria, as pessoas são simples. Não vão reparar que estão a ser usadas.” Quem quiser resistir tem de fazê-lo dentro da Internet. De certa maneira, “a terceira guerra mundial já começou, é a guerra digital”. No futuro, Duarte imagina-se, se necessário, a ter duas vidas, uma normal, no emprego, seguindo as regras, outra como Anonymous. “A Internet não pode ser controlada. A Internet não é um país.”

mais fotografias e vídeo no link:

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-geracao-da-net-esta-sem-rede-1691262

 

Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com. | O tema Pool.
Entries e comentários feeds.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 907 outros seguidores