Internet: até onde deve ir a vigilância dos pais?

Setembro 20, 2016 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do https://www.publico.pt/ de 12 de setembro de 2016.

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Natália Faria

Um pai ou uma mãe devem bisbilhotar emails e caixas de mensagens dos filhos menores nas redes sociais para acautelarem a sua segurança? A solução está na infância. E na confiança, respondem os especialistas.

Um pai ou uma mãe têm o direito de invadir a intimidade dos filhos para garantirem que estes não se expõem a riscos desnecessários na Internet? Devem, porque lhes compete zelar pela segurança dos filhos, aceder a passwords para vasculharem o que andam a fazer e com quem falam os menores no Facebook, WhatsApp, Instagram ou Snapchat? A questão extravasa cada vez mais as fronteiras domésticas e familiares para invadir os consultórios dos psiquiatras, chegando nos casos mais graves até à Polícia Judiciária (PJ), onde são crescentes os pedidos de ajuda de pais cujos filhos foram vítimas de abusos, chantagem ou extorsão na Internet.

“Quando trabalhei na divisão de Sintra da PSP, recordo-me de vários casos de menores assediados via Internet. E os casos chegaram-nos porque houve mães que acederam ao espaço das mensagens privadas das filhas nas redes sociais e descobriram lá mensagens de teor sexual”, relata Hugo Palma, actualmente director do gabinete de comunicação da PSP e responsável pela gestão das páginas oficiais da polícia nas redes sociais.

Uma fonte da PJ confirma que “há um número crescente de queixas e, em dois terços dos casos, são os pais que denunciam a situação, já no limite, depois de os seus filhos terem sido vitimizados”. E aqui é escusado, como alerta Rute Agulhas, psicóloga clínica e forense e perita no Instituto Nacional de Medicina Legal, os pais agarrarem-se a uma “visão cor-de-rosa das coisas” e considerarem que episódios destes só acontecem aos outros.

“Não há muito tempo, chegou-me o caso de uma miúda depois de uma tentativa de suicídio grave porque alguém tinha publicado uma fotomontagem em que ela aparecia com o corpo de uma vaca, fazendo a metáfora com a miúda que vai com todos. Ela andava no 7.º ano de escolaridade e isso tornou-se viral. E lembro-me de outro caso, de uma miúda com 13 ou 14 anos — carente e que ficava muito tempo sozinha em casa —, que acabou por se encontrar presencialmente com alguém que se apresentou na Internet como tendo 17 anos e com quem estabeleceu uma relação virtual. O indivíduo, afinal, tinha 35 anos, mas quando ela o viu e sentiu esse choque já estava criada uma relação afectiva e de confiança e ele lá lhe explicou que tinha mentido por sentir medo de ser rejeitado. Acabou por coagi-la a ter relações sexuais”, relata Rute Agulhas, que é também professora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e autora de um jogo para prevenir abusos sexuais em crianças onde decidiu incluir a problemática da Internet depois de ter percebido que “há crianças com seis e sete anos de idade com acesso à Internet”.

Espaço cinzento

Numa altura em que os miúdos se inscrevem nas redes sociais com oito e nove anos de idade, até onde deve chegar a vigilância dos pais? E aos 15 ou 16 anos? Justifica-se que os progenitores sacrifiquem o direito de reserva da vida privada dos filhos para lhes garantir segurança? “Há um espaço cinzento muito complicado e difícil de definir”, hesita Hugo Palma. Para o intendente da PSP, “as mensagens privadas são, em princípio, espaços onde os pais não devem entrar, mas aí coloca-se a questão ética de saber se os pais não têm o dever de fazer esse controlo para salvaguarda da protecção da criança”.

Sem respostas prontas, a investigadora na área do Direito da Informação, Maria Eduarda Gonçalves, posiciona a questão do ponto de vista jurídico: “Aqui joga-se o dever legal e o direito da família a proteger os filhos que ainda não atingiram a maioridade legal face aos riscos potencialmente gravosos que as redes sociais comportam. A questão coloca-se quando esse dever entra em tensão com o direito constitucionalmente garantido de protecção de reserva da vida privada, que todos têm, nomeadamente as crianças. Portanto, trata-se de saber a que ponto se justifica que, face a determinados riscos, os pais interfiram nessa liberdade e autonomia individuais dos filhos, consultando-lhes o email, os espaços de mensagens”, cogita a jurista. E o mais próximo que chega de uma conclusão é isto: “Diria que nenhum direito é absoluto. Em abstracto, não se pode ir muito mais longe do que admitir que há limites a esse direito e que os pais não podem descurar essa questão, desresponsabilizando-se e deixando as crianças menores sozinhas no exercício desse direito à privacidade.”

Na cabeça — e no consultório — de Daniel Sampaio, psiquiatra e terapeuta com mais de 30 anos de experiência com adolescentes e famílias, a equação coloca-se a outros níveis. “Sou contra o conhecimento de passwords e contra a invasão de privacidade por parte dos pais”, introduz. E sustenta: “Não é através de uma vigilância do tipo policial que se resolvem os problemas entre pais e filhos e a quebra da confiança na relação entre uns e outros é um ingrediente decisivo para o conflito.” Porque “o clima entre pais e filhos tem de ser de confiança e partilha e a vigilância policial degrada as relações e leva ao conflito”, o psiquiatra mostra-se também avesso ao recurso às aplicações que permitem vigiar a actividade dos filhos na Internet sem o seu consentimento, a não ser “como medida extrema”. Não se trata de ignorar os riscos. “Em primeiro lugar, é importante que os pais utilizem bem as redes sociais eles próprios e que falem disso com os filhos. Se uma criança perceber o que está certo e errado terá menos possibilidades de errar”, preconiza.

Em casa, não na escola

Imagine-se então uma criança de dez anos que insista em criar uma conta no Facebook. “Os pais devem acompanhar a inscrição e a publicação dos primeiros conteúdos e têm que ter uma dimensão ética, explicando-lhe o que deve e o que não deve fazer. Têm que lhe explicar que não deve comentar as imagens dos outros, que não deve fazer comentários sobre os corpos dos amigos, que pode comunicar e trocar determinadas imagens dos sites que encontra mas que não deve publicar imagens de pessoas”, aconselha Daniel Sampaio. O psiquiatra insiste que a chave está na confiança e que esta se ganha na infância. “É aí que se estabelece a possibilidade de um filho que tem um problema desabafar com os pais. Feito isso, será mais fácil que, perante uma situação de maior risco, os filhos recorram aos pais e desabafem com eles.”

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E não, não compete às escolas fazer esse trabalho de sensibilização. “Os miúdos na escola aprendem os riscos associados às redes sociais no 8.º ano, em que já têm mais de 13 anos e podem legalmente aceder às redes sociais. Mas basta ir a um auditório de uma escola do 1.º ciclo para perceber que 80% dos miúdos com oito ou nove anos já têm contas nas redes sociais”, relata Tito de Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net, um projecto dedicado a promover a utilização segura das novas tecnologias por crianças e jovens.

“A situação em que os pais se encontram perante um filho de oito ou dez anos que queira abrir uma conta numa rede social não é fácil e coloca-lhes um dilema: ou respeitam as regras e recusam abrir a conta porque isso implica mentir — no Facebook, por exemplo, a idade mínima são os 13 anos —, e aí correm o risco de o miúdo abrir a conta sozinho, ou aceitam abrir a conta mas ficam com a password e o username para poderem fazer algum acompanhamento.”

Claro que o que é válido para um miúdo de dez anos dificilmente o é para um de 16. “Aqui, o controlo parental, mesmo que pareça consentido, pode funcionar ao contrário, ou seja, os miúdos vão esconder a verdadeira conta que usam e os pais ficam com acesso a uma conta fictícia onde não publicam nada, porque a tendência nesta idade será para ver a supervisão dos pais como uma intrusão e uma bisbilhotice”, aponta Tito de Morais.

E voltamos aqui à questão da confiança. “Os pais não podem deixar os filhos com rédea solta na Internet mas têm que ter noção que, se eles quiserem esconder a sua actividade na Internet, não lhes faltam formas de o fazer. Por isso é que é tão importante que os pais consigam criar uma relação de confiança com os filhos e mantenham as linhas de comunicação abertas para que estes se sintam à-vontade para pedir ajuda no dia em que fizerem uma asneira ou forem vítimas de uma situação na Internet”, sugere, dizendo-se seguro de que esse dia chegará, mais cedo ou mais tarde: “Não há anjinhos, todos fazemos asneiras. A diferença é que hoje essas asneiras tendem a chegar ao conhecimento de todos e a ficar registadas para a posteridade.”

Quebrar tabus

Ao longo das suas inúmeras incursões pelas escolas, Tito de Morais ouviu muitas histórias. “Cada vez mais os jovens usam estas tecnologias como forma de expressar a sua sexualidade e partilham fotos e vídeos com as pessoas com quem mantêm relações amorosas. Mas as relações tendem a ser menos duradouras que as fotografias e os vídeos. E aquilo que foi partilhado com a intenção de ser visto pelo namorado ou pela namorada acaba muitas vezes disseminado pela Internet.”

Cabe aqui aos pais explicar o risco de registar a intimidade em formato digital. E, no equilíbrio necessário entre o dever de supervisão e o respeito pela privacidade dos filhos, quando estes se mostrem menos receptivos à ingerência parental, Tito de Morais aponta como exemplo o amigo que estabeleceu um pacto com os filhos: “Ele não sabe a password dos filhos mas combinaram mantê-la num envelope fechado que o pai pode abrir caso suspeite de alguma coisa. Mas também conheço pais que não hesitam em sacrificar a privacidade dos filhos e outros que recusam assumir o papel de polícias na vida deles. Tudo depende da postura e dos valores.”

Claro que, como lembra Rute Agulhas, “aos 15 anos ninguém quer os pais a invadir-lhes a privacidade, a entrar no quarto sem bater ou a inspeccionar as mochilas”. Mas, se esse dever de supervisão e os cuidados que é preciso ter forem devidamente explicados desde a infância, já será mais fácil na adolescência equilibrar o controlo parental com o respeito pela privacidade. “Se este trabalho começar na infância — e tenderia a defender que, mais do que bisbilhotar sem os filhos saberem, os pais devem exigir ter conhecimento das passwords até aos 14 ou 15 anos, porque a supervisão faz parte das suas responsabilidades parentais —, o resto surge naturalmente.”

Tudo depende da capacidade — “que muitos pais não têm”, como lembra Rute Agulhas — de quebrar os tabus e começar a falar de sexualidade com os filhos. “Muitos pais ou cuidadores dizem-nos que até querem falar mas que não conseguem arranjar um canal de comunicação. Mas têm mesmo de o fazer. De serem capazes de explicar que uma câmara num computador, mesmo desligada, pode ser accionada remotamente e que o melhor é tapá-la com fita-cola. E têm de ser capazes de o fazer sem provocar alarmismos, com a mesma naturalidade com que alertam os miúdos para os cuidados que estes têm de ter quando atravessam a rua numa passadeira.”

O que é proibido, isso sim, é continuar a confiar na aparente segurança que lhes confere o facto de a criança ou o jovem estarem em casa, sentados no sofá, entretidos com o tablet, o telemóvel ou o computador. E “infelizmente”, conclui Rute Agulhas, “muitos pais continuam a preferir ignorar que os perigos a que os filhos estão expostos na Internet, mesmo as crianças de seis anos que acebem ao YouTube, são muito maiores do que se estivessem na rua a brincar em frente ao prédio”.

 

 

 

 

 

 

O Pisca não arrisca! cartazes dirigidos ao 1.º Ciclo sobre segurança na internet

Setembro 19, 2016 às 12:00 pm | Na categoria Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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mais cartazes no link:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1094822280553311.1073741839.163043633731185&type=3

https://www.facebook.com/seguranet/

Net com Consciência – Sexting

Setembro 10, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Vídeos | Deixe um comentário
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mais vídeos no link:

https://www.youtube.com/user/PTinternetsegura/videos

Educar a los menores en el uso sin riesgos de Internet : Guía para Madres y Padres

Agosto 17, 2016 às 8:00 pm | Na categoria Recursos educativos | Deixe um comentário
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descarregar o guia  no link:

https://meocloud.pt/link/58946217-c952-4ef9-b3a5-475308cd0098/guia_seguranca_net.pdf/

ou

http://www.vitoria-gasteiz.org/we001/was/we001Action.do?idioma=en&accionWe001=adjunto&nombre=33104.pdf

 

 

“As pessoas são muito descuidadas nas redes sociais. Quando se apercebem, já pode ser tarde”

Junho 28, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sabe como detetar se alguém está a fazer mau uso do que coloca no Facebook? E o que fazer se alguém o perseguir na internet? Como pode um pai prevenir a proteção de um filho? O agressor pode estar no meio de nós e nunca estamos preparados para o que aí pode vir.

Luzia Pinheiro, 30 anos, investigadora no CECS (Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade) da Universidade do Minho, estuda há muitos anos os casos de agressão (cyberbullying) e perseguição (cyberstalking) através da internet. Continua a espantar-se com a facilidade com que as pessoas se expõem, “como se estivessem num reality show”, sem terem a mínima noção dos perigos que correm. E, conforme conclui na sua tese de doutoramento, “os efeitos são graves: além de perder a reputação, pode a vítima ser estigmatizada pela sociedade, auto estigmatizar-se, entrar em depressão e suicidar-se”. Como já aconteceu. E isto é algo que atravessa qualquer geração. Falamos com ela e ficamos mais alertados.

Porque é o cyberbullying ainda um tabú social?

As pessoas têm ainda vergonha de assumir que são vítimas. Os outros acham que elas é que não souberam lidar com aquilo. Ainda é muito julgado socialmente.

A tendência é para culpabilizar a vítima?

Sim. Mas há uma questão: a vítima pode ser completamente inocente, mas também pode ter alguma culpa, por ter sido ela a expor o conteúdo usado contra ela. Se tivesse sido mais cuidadosa, aquele conteúdo não existiria. Em ultima instância, a culpa é sempre do agressor, porque foi ele quem usou indevidamente o conteúdo.

Há redes sociais mais favoráveis a esses abusos?

Todas aquelas em que temos tendência a expor-nos, em que temos a ilusão de que é só nosso, mas que, na verdade, qualquer pessoa pode aceder. Sublinharia o facebook e o youtube. No youtube, publicam-se muitos vídeos pessoais. Quem quiser praticar cyberbullying tem ali todas as ferramentas de que precisa.

Quais os sinais de que estamos a ser vítimas de perseguição?

Temos de estar alerta sobre as sucessivas tentativas de entrada no nosso email e na nossa conta de rede social. A partir daí, podem ter inclusivamente o nosso número de telefone. Recebermos mensagens privadas de desconhecidos ou chantagens através de chats ou de alguém que criou um perfil que adicionamos num jogo online, por exemplo. A pressão normalmente é psicológica. Pode só querer chatear, mas também pedir que se dispa para uma câmara web. Recebermos avisos de que fomos identificados numa fotografia, que não foi tirada por nós. Relatos de amigos que nos contam que viram coisas que não fizemos. São sinais de que alguém se está a fazer passar por nós, que está a ter acesso aos nossos dados.Colocaram o meu email num site de conteúdos para adulto. Comecei a receber pedidos de amizade de pessoas que não conhecia no messenger. Estranhei porque era um chat privado fornecido pelo email e aceitei um dos pedidos. Essa pessoa pediu-me que me mostrasse na câmara web e perante a minha indignação explicou-me o que se passava.

Esse é um caso de abuso. Pode ser considerado cyberbullying?

Pode, porque é público. O cyberbullying não precisa de ser praticado sempre pela mesma pessoa. Tem é de ser repetitivo: pode ser alguém a divulgar algo, que será republicado por outros. Ultrapassa o nível do abuso e começa a ser perseguição.

FAZER PRINT SCREEN E QUEIXA NA POLÍCIA
O que se deve fazer quando se deteta uma perseguição?

Mudar as passwords todas imediatamente. E fazer correr um anti-vírus, para o caso de haver um hacker qualquer. Depois, deve-se recolher provas, fazer print screen e guardar. Se o caso for grave, deve-se contactar a polícia e apresentar queixa. De resto, convém fazer um aviso geral aos nossos amigos e familiares, ou meter mesmo um aviso público de que estamos a ser vitimas de perseguição ou de que há alguém a fazer-se passar por nós. Nomeadamente, avisar a empresa ou o nosso patrão.

Avisar a entidade patronal, porquê?

Sim. Se alguém criar um perfil ou email para se fazer passar por nós, pode, a partir daí, aceder a dados da empresa. Imagine que alguém acede ao email do patrão e manda fotos menos corretas ou insultos em nosso nome. Nunca se sabe quem é o agressor. É melhor avisar logo, do que não precaver.

Tem conhecimento de casos desse tipo?

Nos Estados Unidos, uma mulher, à volta dos vinte e tal anos, foi de férias com o namorado. Eram daqueles que filmavam cenas íntimas e trabalhavam no mesmo sítio. Separaram-se, ele criou um perfil falso e mandou as fotos e as filmagens para o patrão, de modo a que parecesse que ela se estava a insinuar. Deu uma grande bronca.

A polícia já está apta a resolver este tipo de casos?

Sim. Tenho algum feed back da Polícia Judiciária. Diz ter pessoas especializadas em cibercrime, preparadas para localizar endereços de IP, encontrar a origem do cyberbullying e identificar os autores. Há quem comece a ser perseguido pelo telemóvel, e só depois nas contas online. A polícia pode pedir o histórico às operadoras. E todos temos um endereço de IP.

Qual a penalização que isso dá?

O cyberbullying ainda não está catalogado na lei portuguesa, só o bullying. Em Espanha já está e nos Estados Unidos dá cadeia. Cá, normalmente, é equiparado ao crime por difamação.

Mas o cyberbullying ou cyberstalking é mais do que difamação, pode ter consequências graves.

Dramáticas. Pode levar ao suicídio. Pode-se perder o emprego, os amigos. Há casos em que a própria família deixa de falar à vitima, por considerá-la culpada. O acompanhamento psicológico para estas vítimas é algo a ter em consideração. Até porque, na altura, pensa-se sempre que se é capaz de lidar bem com isso. Depois, começam a ter comportamentos de muita tristeza e isolamento, levando à depressão.

Qual é a história de Laura Barns, de que fala na sua tese de doutoramento?

Laura Barns era uma adolescente da Califórnia, a miúda mais popular da escola e tinha excelentes notas. Um dia, foi a uma festa típica de adolescentes e bebeu demais, vomitou, adormeceu no chão. Os colegas fotografaram e meteram online. De rapariga mais popular passou a ser a mais gozada. Não conseguiu lidar com isso e, três dias depois, trouxe uma arma de casa, chegou á escola e matou-se. Alguém voltou a filmar, alguns julgando até que ela estaria a brincar. A morte dela ainda está online. Mas há mais casos destes.

NUNCA CEDER Á CHANTAGEM
Teve conhecimento de algum em Portugal?

Por cá, o suicídio tem sido muito mascarado ou não foi ainda documentado. Não encontrei muitos dados sobre isso. Encontrei um que terminou bem, mas poderia ter tido consequências graves. Uma mulher marcou um encontro com um fulano com quem falava online já há algum tempo. Não correu como ela esperava e foi cada um para sua casa. Ele sentiu-se lesado, pelo dinheiro que tinha gasto no encontro. Começou a chateá-la na net. Ela protegeu bem a conta, mas ele pesquisou os amigos e familiares dela. Até que ela recebeu uma mensagem dele a dizer que sabia onde ela morava, com uma foto do local posta por um familiar dela. Fez uma ameaça, queria que ela lhe devolvesse o dinheiro gasto no encontro. Ela transferiu a quantia e a coisa parou ali. Teve sorte. Podia não ter parado ali.

Ceder, nesses casos, é a melhor solução?

Eu teria contactado a polícia. Não teria cedido. A polícia poderia armar uma cilada e caçá-lo. Aquilo foi uma perseguição. Ela tinha dados suficientes para agir. Ceder foi um grande risco. Não há certeza nenhuma de que a perseguição pare ali. Principalmente, porque a vítima cedeu. E cedendo uma vez…

Fica-se refém?

Completamente. Ceder só se a polícia o recomendar e for um esquema montado para apanhar quem está a perseguir.

Do inquérito que fez aos estudantes universitários conclui-se que não estão muito sensibilizados para estes perigos.

De todo, não estão mesmo! Apanhei um choque quando vi os resultados. Sabia que era assim no geral, mas esperava que tal não acontecesse com estudantes universitários, supostamente informados. No entanto, encontrei pessoas desinformadas, algumas sem sequer saber o que era o cyberbullying, ou apenas com uma vaga ideia de ouvir falar na televisão.

Estão desinformados sobre o fenómeno ou nem sequer têm noção de como se devem proteger nas redes sociais?

De um modo geral, sobre tudo. Dos dados recolhidos, poucas eram as que estavam informadas, só quem já tinha passado por isso. A maioria não tinha qualquer noção de como lidar com o caso, se fossem vítimas. Basicamente respondiam que não ligariam e deixariam andar.

Há um certo estado de inconsciência?

Há. E a sensação de que seriam capazes de lidar bem com isso. Mas ninguém está preparado para um caso destes, mesmo quem está dentro do assunto. Há sempre um impacto emocional muito forte.

Ainda não se sabe que uso se deve dar às redes sociais e como se pode controlar a informação lá posta?

Não. Há quem use as redes sociais da forma mais simples. Raramente vão ver quais os procedimentos de segurança têm ao seu dispor. Há coisas que colocam automaticamente no estado público, sem perceberem que se pode restringir o acesso. Como se pode usar a net com segurança ainda é muito pouco falado. As pessoas são naturalmente descuidadas no uso das redes sociais, acham que nunca lhes vai acontecer e deixam-se ir. E quando se apercebem das coisas que publicaram, já pode ser tarde para evitar consequências. Tive o relato de alguém que publicou no facebook uma foto sua em biquíni, na praia. No ano seguinte, viajou até um paraíso asiático e encontrou a imagem dela num out door publicitário.

NÃO AMEAÇAR TIRAR A NET AOS FILHOS
E como é entre adolescentes e pré-adolescentes?

Praticam muito cyberbullying entre eles, usam as redes para gozar com os colegas, sem ter noção das consequências sobre o outro. Para eles, não passam de brincadeiras. Chegam ao ponto de copiar endereços de email das fichas de professores e passam de uns para os outros. Também fazem tudo para descobrir a password dos colegas.

E sabem identificar quando estão a ser vitimas?

Normalmente sabem, por vezes melhor do que os adultos. Talvez porque ainda não têm vergonha.

Queixam-se aos pais?

Mais depressa contam aos professores. Depende muito da relação que têm com os pais. Se forem daqueles que não castigam nem lhes tiram o acesso à internet, até contam. Mas quando há a mínima hipótese de desconfiarem que lhes vão retirar a net, não contam. Têm medo. Para eles, ficarem sem computador e internet é gravíssimo.

Nesses casos, os pais nunca devem ameaçar tirar o computador?

Não. É o pior que podem fazer. Pode-se ser vítima de cyberbullying quer se use ou não computador. Mas se usarem computador, têm mais possibilidade de saberem que estão a ser vitimas e de se defenderem. Os pais tiram o computador, porque o filho foi irresponsável, pensando que assim evitam que ele seja uma potencial vitima. Mas sem computador, nem sequer saberão o que está a acontecer. Os pais devem ir ver com os filhos o que se está a passar, ensiná-los a alterar as passwords, ver que procedimentos de segurança devem usar. Há passwords ridículas, como o 00000, 123456, ou o próprio nome. Se algo for detetado, devem dar logo conhecimento á escola e á policia. Muitas vezes, o agressor é da escola, um colega ou até grande parte da turma.

Que cuidados deve ter um pai?

Alertar os filhos para que não aceitem certo tipo de comportamentos, de linguagem e ameaças. Aquilo que não se considera correto no dia-a-dia também não é correto na internet. Devem ensiná-los a ter cuidado com as pessoas que aceitam como amigos e a não se exporem demasiado, não contarem conversas de casa e ter muito cuidado com as fotos que colocam. Devem ensinar a diferença entre o que é privado e o que é público. Os miúdos nunca devem dizer onde moram.

Isso não é ensinado nas escolas?

Não é algo que venha nos programas escolares. É algo que fica à mercê da vontade ou interesse do professor. A experiencia que tive não foi muito positiva. As escolas têm medo de perder reputação se assumirem que há ali bullying ou cyberbullying. Tentam esconder.

O inquérito que fez foi em 2013, houve alguma evolução de então para cá?

Gostava que estivessem desatualizados, mas ainda refletem muito a realidade. Continuei a acompanhar casos e quase não houve evolução. E isso é grave.

Em que aspeto?

Continua a ser um tabú, continuamos desinformados e a meter coisas na internet que não deviam lá estar. Cada vez mais se age no facebook como se se estivesse num reality show! Peguei num perfil aleatório do facebook que estava semi-aberto (o que quer dizer que tem conteúdo público e privado): mulher portuguesa, com formação superior. Não sou amiga dessa pessoa. Fui seguindo esse perfil ao longo de um ano. Consigo dizer-lhe o que ela faz à segunda, à terça, à quarta, à quinta, à sexta e ao fim de semana, os destinos de férias e com quem viajou. Inclusive onde mora e trabalha e por onde anda entretanto.

Pôs-se na pele do potencial agressor?

Sim. Para perceber o que consigo fazer se a quiser perseguir. Ela mete tantas fotos e tanta informação que fico a saber tudo. Estamos a falar de alguém com mestrado, que sabe usar um computador. Mas tem lá fotos de biquíni cai-cai, dentro do mar. É fácil despi-la com fotoshop e mostrá-la como se estivesse completamente nua.

Há uma ânsia de se mostrar?

É isso. Aquilo é muito forte, mesmo sabendo que pode trazer consequências gravíssimas. Só vai ter consciência de que se expos demais, quando algo acontecer. Há outros exemplos, não fiz isso só com uma pessoa. Tirei vários perfis aleatórios para fazer estudo de caso e ver como as pessoas continuam a comportar-se na internet.

Está a preparar outro estudo?

Estou a ponderar lançar um livro e a trabalhar num projeto de pós-doutoramento, sempre a investigar esta área.

O QUE SE DEVE FAZER PARA EVITAR O CYBERBULLYING?
* Não partilhar fotos e vídeos de momentos íntimos com o namorado. São um perigo. Podem ser roubados por terceiros ou usados por um dos envolvidos, se a relação acabar mal.

* Cuidado com as fotos que podem ser manipuladas por programas de computador, como o fotoshop. Zero de poses em biquíni.

* Ter noção de que o que se põe online permanecerá para sempre, mesmo que seja apagado pelo próprio. Entretanto, pode já ter sido partilhado e copiado e já se perdeu o controlo

* Não usar fotos de casas ou locais, que possam ser identificadas por outros.

* Não usar dados pessoais, que permitam que alguém se aproxime demasiado.

* Não usar dados do local de trabalho, ou dar indicação das rotinas do dia-a-dia.

* Escolher muito bem a password e mudá-la de tempos a tempos. Evitar o óbvio, como o 00000, 123456, datas de aniversário ou os nomes próprios

* Ter vários níveis de segurança e partilha. Ter consciência de que mesmo um conteúdo circunscrito aos nossos amigos, pode ser indevidamente usado por um deles e outros lhes podem aceder.

* Fazer de quando em vez uma pesquisa com o próprio nome num motor de busca para ver que conteúdos aparecem.

 

Cesaltina Pinto para a Visão, em 10 de junho de 2016

E se o vizinho do lado estiver a espiar através da câmara do seu portátil ou telemóvel?

Junho 24, 2016 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe um comentário
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Tapar a câmara de filmar para evitar olhares indesejados, seja das autoridades, de hackers mal-intencionados ou até de um conhecido, deu origem a um negócio com cada vez mais clientes. O diretor do FBI não é um deles – usa fita adesiva.

Não é trama de espiões e muito menos guião para mais um filme de James Bond. Já podem ouvir as nossas conversas privadas há muito tempo, no telefone fixo ou no telemóvel, tanto faz. Já podem saber onde estamos neste preciso momento e onde estivemos no fim de semana passado ou há três meses, como ainda ontem se podia ler neste artigo da VISÃO. E também nos podem ver, qual Big Brother, sempre que estivermos a usar um daqueles aparelhos dos quais nos tornámos inseparáveis, sejam computadores portáteis, tablets ou telefones inteligentes.

Basta terem incorporada uma câmara de filmar ou fotografar – e a maioria tem – para serem um possível alvo das autoridades, mas também da bisbilhotice do vizinho do lado ou de um qualquer hacker com más intenções – para se divertir à sua custa ou fazer chantagem e extorquir-lhe dinheiro. Não é tão difícil como se possa pensar.

“Meti um bocado de fita adesiva na câmara do meu portátil porque vi um tipo mais inteligente do que eu a fazê-lo”, assumiu o diretor do FBI, no mês passado, durante uma conferência sobre encriptação com estudantes universitários. James Comey não é só mais um entre um número cada vez maior de pessoas a tomar medidas para proteger a privacidade de possíveis ataques informáticos aos aparelhos electrónicos pessoais. Ele sabe que o próprio FBI consegue aceder às câmaras. Há anos. E sem acionar a luz que é suposto ser acionada quando a câmara começa a filmar.

Este Big Brother com participantes involuntários não é novidade para os mais atentos às potencialidades e perigos da internet, e deu origem um mercado de soluções para tapar as câmaras – desde as mais básicas, como autocolantes criativos, a outras um pouco mais sofisticadas, em que pequenas peças se encaixam no monitor e deslizam para tapar a destapar a câmara ou abrem e fecham uma janela com o mesmo propósito. Um simples post it também produz o mesmo efeito ou então é fazer como o diretor do FBI e usar fita adesiva – escura, de preferência.

À medida que os casos de violação de privacidade surgem nas notícias, parece crescer o número de utilizadores prevenidos e, por arrasto, o negócio. O responsável de uma empresa norte-americana, que comercializa autocolantes destinados a esse fim desde que os seus fundadores ouviram no Pentágono sobre as ameaças das câmaras, disse ao The Guardian que os lucros anuais atingem os seis dígitos.

Edward Snowden, o espião que denunciou as práticas da NSA, terá dado um impulso, quando em 2013 avisou o mundo que a agência de segurança nacional dos Estados Unidos acedia às câmaras dos telemóveis e dos portáteis para espiar pessoas.

Menos mediáticos, mas talvez mais preocupantes, são os casos em que piratas informáticos entram no sistema e gravam a intimidade alheia para depois chantagearem as vítimas. Há também sites em que os hackers partilham esses vídeos, apenas para diversão própria, e as “protagonistas” nunca chegam a saber que foram filmadas. Entre eles designam as mulheres que vigiam como “escravas”.

Em 2015, o nível alerta subiu com o desmantelamento de um grupo de hackers. Ficou a saber-se que os Sombras Negras, como eram conhecidos, vendiam software capaz de fazer qualquer pessoa, mesmo sem grandes conhecimentos de informática, aceder a computadores de terceiros. Custava menos de 40 euros e, segundo as autoridades norte-americanas, serviu para espiar meio milhão de computadores por todo o mundo.

 

Rui Antunes para a Visão, em 9 de Junho de 2016.

 

Unicef quer envolver adolescentes no uso seguro da Net

Junho 11, 2016 às 5:35 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 7 de junho de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Perils and Possibilities: Growing up online

Reuters Mihai Barbu

Ana Cristina Pereira

Oito em cada dez pensam que há risco de exploração ou abuso sexual online.

E se tivéssemos adolescentes e não só adultos a tentar impingir regras de segurança na Internet? A Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, está a desafiar adolescentes de todo o mundo a dizerem o que acham que deve ser feito e a usarem as redes sociais para sensibilizar os amigos.

A situação inspira preocupação, a avaliar pelos resultados de um inquérito a que responderam dez mil jovens de 18 anos de 25 países — Perigos e Possibilidades: crescer online. Oito em cada dez estão convencidos de que um adolescente está em risco de ser sexualmente abusado ou explorado online. E metade até pensa que alguns dos seus amigos têm comportamentos arriscados.

“A rápida expansão da tecnologia digital e o crescente acesso à Internet  transformaram a vida das pessoas mais novas”, escreve Cornelius Willians, director adjunto para a Protecção Infantil da Unicef, no texto introdutório. Um em cada três utilizadores da Internet é uma criança. “À medida que se torna mais acessível, a violência contra as crianças assume uma nova dimensão com danos profundos e consequências na vida”, diz ainda. “Os resultados do inquérito mostram a dimensão real do risco.”

Conforme o inquérito, os adolescente ouvidos confiam na sua própria capacidade de se manterem em segurança. Quase 90% afirmam saber como evitar perigos online e 36% acreditam que conseguem perceber quando as pessoas estão a mentir sobre a identidade online.

O género tem peso nas percepções de risco: 67% das raparigas ficariam seriamente preocupadas se recebessem comentários ou solicitações de cariz sexual na Internet, o mesmo afirmam 47% dos rapazes.

Se sentissem uma ameaça online, os adolescentes confiariam mais nos amigos do que nos pais ou nos professores. Mesmo assim, quase metade acha que saberia como ajudar um amigo em risco.

Escreve Willians: “A Unicef pretende amplificar a voz dos adolescentes a fim de ajudá-los a protegerem-se contra a violência, a exploração e os abusos online, e contribuir para que as crianças possam aproveitar as vantagens e os benefícios que a Internet e os telemóveis oferecem.”

Para envolver os adolescentes, fazer deles mensageiros, está a divulgar a hashtag #ReplyforAll (#ResponderporTodos). Desafia os adolescentes a levantarem-se contra a violência online, a apoiarem-se uns aos outros, usando as redes sociais para partilhar informação sobre as melhores formas de protecção.

A Unicef pede aos pais para falarem com os filhos sobre segurança na Internet, para se certificarem de que as suas crianças compreendem os riscos e sabem o que fazer em caso de perigo. Apela aos professores para estarem atentos às ferramentas e plataformas usadas pelos alunos. E aos Governos nacionais para ouvirem as crianças e jovens e para incorporarem o seu pensamento nas políticas, estratégias e programas criados para prevenir e combater o abuso sexual através da Internet.

Esta é “uma questão que diz respeito a todos nós”, refere Willians. “Quando os jovens, os governos, as famílias, o sector das novas tecnologias e as comunidades trabalham em conjunto, aumentam as probabilidades de encontrar formas mais eficazes de responder ao abuso e à exploração sexual online.

mais informações:

http://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef-abuso_sexual_online_2016_06_07.pdf

 

 

 

Should Parents Post Photos of Their Children on Social Media?

Junho 6, 2016 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do The Wall Street Journal de 23 de maio de 2016.

 A parent on average will post almost 1,000 photos of a child online before the child turns 5, a recent survey found. Photo: John Weber for The Wall Street Journal

A parent on average will post almost 1,000 photos of a child online before the child turns 5, a recent survey found. Photo: John Weber for The Wall Street Journal

Those in favor say it’s a great way to help build a community. Others say sharing violates children’s privacy and may have long-term consequences.

It’s a question any social-media user faces after snapping a great photo: Should I post this? Or it going to come back to haunt me?

The questions get doubly complex when they involve people’s children. A parent on average will post almost 1,000 photos of a child online before the child turns 5, according to a recent survey. Many parents don’t ask children’s permission before posting, and many have never checked their privacy settings—even though photos often contain data about where they were taken.

That leads many privacy advocates to urge restraint on parents. The risks of putting your child in danger now, or embarrassing them later, are too big to ignore, these critics say. The best course is to keep their photos off the Internet.

But some parents strongly argue for posting photographs of children. It’s a way to strengthen an online social circle, they say, and connect with people you didn’t know before. What’s more, children are going to end up on social media eventually, they say, and parents can set a good example for them by being careful about what photos they post and asking permission when children are old enough to consent.

Lauren Apfel, a writer and mother of four (including twins) and founder and executive editor of Motherwell magazine, makes the case for sharing photos. Arguing the case against sharing is Morgan G. Ames, a postdoctoral scholar at the Center for Science, Technology, Medicine, and Society and a fellow at the Center for Technology, Society and Policy at the University of California, Berkeley.

YES: In an Isolated Age, It’s a Great Way to Help Build a Community

By Lauren Apfel

Sharing photos of your children online can be a rewarding experience and a way to connect with other parents. But you must be prepared to be responsible about what you post.

The big reason to share is to build community. Raising children is a more isolated endeavor than ever before. I live, for example, thousands of miles from my family. In this atmosphere of modern parenthood, we all struggle to make it through the day, and the Internet has become an incredible source of support. In the early years of mothering twins, one of the things that brought me the most happiness was posting pictures of them on Facebook. Sharing those photos and engaging with an online community was a lifeline.

1Many people fear those pictures will spread further than intended. To me, that’s part of the joy of it. My work as a writer has helped me create a community on social media, and the images I post of my children allow me to engage with a range of “friends” I wouldn’t necessarily include on a tailored list. I delight in seeing their photos, too. You don’t know whom a picture will touch, what connection will be made. Unexpected people have seen my pictures and commented on how much they enjoyed them or could relate to them.

I know there is much concern about the potential dangers in sharing pictures of children: catfishing, identity theft or projected scenarios where our bundles of joy are judged by future employers because of a virtual fingerprint they did not create. But none of this bothers me. My children are my children because of the choices I make about them. They were born to parents who believe that the benefits of sharing photos of them online outweigh the risks—this is their lot, and it has been a constant, familiar part of their upbringing, one with which they seem innately comfortable.

I don’t actively avoid unintended negative consequences, because I don’t fear them per se and certainly not enough to stop posting. If problematic unintended consequences did arise because of a photograph I posted, I would deal with them on an ad hoc basis.

I will not share photos that I think are tasteless or inappropriate, or that I feel mock my children in any way. Nor will I share photos that my older children have expressly asked me not to (and, with my 10-year-old and 8-year-old, I tend to request permission).

2As critics of sharing photographs argue, there might well be much about the effects of the Internet we don’t yet know. There are always unpredictable repercussions when it comes to new technologies—but there are always new solutions. Instead of fearing the unknown, we should be embracing the digital world and all it has to offer by interacting with it in a civilized, dignified way. Parenting (indeed, life!) is hard enough without letting vague and unsubstantiated concerns for the future dictate present-day decisions.

My oldest son will soon be entering the brave new world of social media. The same way our children are the first to grow up immersed in screens, so too are they the first to be raised in the age of online parenting. We should be using our own forays into

the Internet as an opportunity: Parenting is nothing if not setting a good example.

When my son follows the winding trail of my online history, I know what he will find: a mother who prioritizes posting photos of herself and others respectfully, moderately and tactfully. And this is exactly what I will expect from him.

Ms. Apfel is a writer and mother of four (including twins). She is co-founder and executive editor of Motherwell magazine. She can be reached at reports@wsj.com.

NO: They Violate Privacy, and Without a Child Giving Consent

By Morgan G. Ames

Facebook seems to be full of friends’ adorable babies and precocious children. But a healthy proportion of parents—myself included—have decided that sharing photos carries too many risks for their children.

Why do we opt out? And what issues should parents consider when posting pictures of their children online?

My own reasons center on privacy and consent. In the early days of the Web, those few with an online presence often felt that they were protected by security through obscurity. But in today’s world, data mining is big business. Much of our content is hosted on sites where we may not only lack control over what happens to it, but where it is aggressively used in aggregation and profiling.

The pictures parents post may follow children from birth to death as their data profiles are sold and resold to marketers. They can reinforce prejudices and barriers as marketers decide what sort of person someone is, what kinds of content will be marketed to them, and even what kinds of loans they might be worthy of based on their past. And there are likely long-term implications of these data profiles that we don’t yet understand.

It can also be difficult for parents to keep in mind just who their actual audience is. They may be targeting grandparents in their posts, but on many sites, including Facebook, sharing to one’s whole network is the default that many never change, and photos are visible years in the future. It can also be hard to control re-sharing, so that photos that people think are private can eventually take on a life of their own.

These issues are thorny enough when deciding to post pictures of ourselves online—in fact, research shows that adults are sharing less personal content on social-networking sites (much to Facebook’s chagrin!). They may be compounded for children.

3Some people who share photos say they are building an online community. Indeed, there are definitely benefits to creating such support structures of parents. But the benefits to children are less clear, and the risks are high enough that I would encourage parents to think about posting a few paragraphs of text instead of a photograph.

It’s also true, as some people who share argue, that information will end up online eventually. But rather than use that fact as a reason to post photographs of our own, we should take it as a warning to be even more cognizant of the information about us and our children that ends up online.

Finally, there’s the crucial issue of consent. Children are rarely given the opportunity to agree to having pictures of themselves shared online by others, and they may not fully understand what they are consenting to. Children also often don’t have control over how they are portrayed when others are posting. They may not understand how that embarrassingly cute photo of them that parents adore might come back to haunt them years later when bullies or future employers or bitter ex-lovers unearth it.

This isn’t to say youth don’t make missteps when managing their own online identities. But allowing them to create those identities themselves, rather than contending with something their parents have already crafted for them, could be an important part of developing independence while maintaining trust.

Ms. Ames is a postdoctoral scholar at the Center for Science, Technology, Medicine, and Society and a fellow at the Center for Technology, Society and Policy at the University of California, Berkeley. She can be reached at reports@wsj.com.

What Twitter and Facebook Said

We asked readers on social networks if it’s a good idea for parents to post photos of their children on social media. Here’s what we heard.

 

 

 

A Direção-Geral da Educação, no âmbito do projeto SeguraNet, acaba de lançar a app gratuita Pisca Mega Quiz

Maio 15, 2016 às 9:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe um comentário
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A Direção-Geral da Educação, no âmbito do projeto SeguraNet, acaba de lançar a app Pisca Mega Quiz (http://www.seguranet.pt/pt/noticias/pisca-mega-quiz-app-seguranet), que permite testar conhecimentos sobre a segurança digital nas categorias: dispositivos, privacidade, comportamentos e aprender. Esta aplicação pode ser descarregada de forma gratuita nas seguintes Apps Stores: Google Play, Apple Store e Windows Phone. Este Quiz permite registar as pontuações obtidas e às melhores serão atribuídos prémios. O Pisca Mega Quiz é dirigido a alunos e professores dos 2.º e 3.º Ciclos, podendo, no entanto, ser também utilizada pela restante Comunidade Educativa.

“Sempre ligados”: cuidados que os jovens devem ter na navegação on-line

Maio 12, 2016 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Este artigo da Visão Júnior sobre a vida dos jovens on-line e como navegarem na internet com segurança, publicado em 1 de Janeiro de 2016, conta com a participação da Professora Cláudia Manata, do Instituto de Apoio à Criança.

Aceda ao link do artigo aqui: Sempre ligados.

 

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