Prevenir ou promover : uma solução para cada criança – livro digital do CEJ

Junho 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

A Drª Fernanda Salvaterra do Instituto de Apoio à Criança, escreveu o artigo “Consequências da não adotabilidade da criança” pág. 21.

Descarregar o livro no link:

http://www.cej.mj.pt/cej/recursos/ebooks/familia/eb_PrevenirPromover2019.pdf

O Mundo dos Adolescentes : O que fazer?

Junho 11, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Imagem retirada daqui

Carlos Neto: “A brincadeira pode ser a resposta para a maioria dos males”

Junho 6, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Shutterstock

Notícia e imagem do site Delas de 25 de fevereiro de 2018.

Carlos Neto, Investigador da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa, explica por que razão é brincar é a melhor prescrição para um desenvolvimento saudável das crianças. Até porque não queremos adultos infantis, doentes e com falta de iniciativa.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já considera a obesidade infantil uma epidemia e um problema de saúde pública. Segundo dados desta entidade do ano passado, existem no mundo cerca de 200 milhões de crianças com excesso de peso e a Diabetes tipo 2 afeta faixas etárias cada vez mais jovens.

As principais causas? A má alimentação e a falta de exercício. 90% das crianças portuguesas consome fast food e 57% das que moram perto da escola deslocam-se de carro. Aliás, em 2014, Portugal era dos países da Europa que tinha mais crianças obesas (5%), logo atrás da Grécia (6,5%), Macedónia (5,8%), Eslovénia (5,5%) e Croácia (5,1%) de acordo com a OMS. Por outro lado, há cada vez mais petizes diagnosticados o síndrome de Défice de Atenção e Hiperatividade.

O que estará a acontecer? São os miúdos sedentários ou elétricos ao ponto de quem os rodeia entrar em parafuso Pode ser só falta de brincadeira e de uma alimentação mais equilibrada. Quem o afirma é Carlos Neto, Professor da Faculdade de Motricidade da Universidade de Lisboa, que trabalha com os mais jovens há cerca de cinco décadas: “Estamos a criar uma geração de crianças doentes, afastadas da sua fisicalidade, da realidade e que dificilmente serão adultos empreendedores”.

O Delas.pt falou com o especialista e procurou saber que medidas podem e devem os pais e a sociedade tomar para tornar as nossas crianças mais saudáveis, expeditas, interventivas, ativas e equilibradas, pelo menos no que diz respeito aos tempos livres. A escola, como veremos, terá um papel fundamental. Porque para Carlos Neto, de entre todos os segredos pedagógicos, “a brincadeira e o tempo a ela consagrado é fundamental. Pode ser a resposta para a maioria dos males”.

Há uma frase sua que li há algum tempo e me marcou: “Passeamos mais os cães do que as crianças…”

(Risos) Não será tanto assim, mas de facto neste país quem tem um cão leva-o a passear e a brincar pelo menos duas vezes por dia, faça chuva ou sol. O mesmo já não acontece com as crianças. Basta estar um pouco mais frio que coitadinhas, correm o risco de apanhar uma constipação! Ficam em casa agarradas às consolas – não é que tenha algo contra as novas tecnologias – e não se mexem durante horas, não interagem, não brincam uns com outros e nem desenvolvem competências sociais…

Brincar parece uma palavra um pouco perdida no léxico contemporâneo.

Sim, a partir do momento em que vão para a escola, as crianças perdem o tempo que tinham para brincar. Os intervalos são curtos, por vezes de apenas 15 minutos para quase 5 horas de estudo na sala de aula, quando nem um adulto trabalha tanto tempo seguido. E todos os estudos apontam para que as crianças ativas tenham mais capacidade de aprendizagem de concentração, além de, a longo prazo, maior probabilidade de terem sucesso.

Então é altura de rever a importância da brincadeira e da duração e qualidade dos intervalos escolares?

Claro. Brincar permite adquirir instrumentos fundamentais para a resolução de problemas, tomada de decisões e permite também e desenvolvimento de uma capacidade percetiva em relação ao espaço físico e em relação aos outros. Além de que muitos estudos evidenciam que, quanto mais tempo a criança tem de atividade lúdica e física no recreio, maior capacidade de concentração tem na sala de aula. Já para não dizer que manter o corpo ativo é uma forma de combater o flagelo dos nossos tempos que é o sedentarismo.

Que contribui para doenças tão graves como a obesidade e até a Diabetes tipo 2?

Para não falar nas questões psicológicas. Há uns tempos eu defendia que as crianças saudáveis eram aquelas que tinham os joelhos esfolados. Hoje penso que elas têm é a cabeça esfolada.

Porquê?

Porque brincar não é só manipular brinquedos, é estar em confronto com a natureza, com o risco, com o imprevisível e com a aventura. E uma criança que não o faz, dificilmente no futuro assumirá riscos, enfrentará adversidades com segurança…

A falta da brincadeira não as torna menos sensíveis aos riscos? Recordo-me que quando era pequena não nos atirávamos a um poço, muito menos se não soubéssemos nadar. Tínhamos noção do risco…

Exato. As crianças aprendem através de situações inesperadas. Ainda há pouco num jardim assisti a duas situações distintas: um pai lia o jornal descansado enquanto o filho trepava uma árvore, descia, subia e às vezes caía. O outro estava sempre a controlar o pequeno e a dizer-lhe “não faças isto, cuidado com aquilo…”. Ora o miúdo nem conseguiu descer…

O que se vai refletir no futuro.

Estamos a criar totós, dependentes, inseguros e sem qualquer cultura motora. Vemos crianças de 3 anos que, ao fim de dez minutos de brincadeira dizem que estão cansadas, outras de 5 e 6 anos que não sabem saltar ao pé-coxinho. Já as de 7 não sabem saltar à corda e algumas de 8 anos não conseguem atar os sapatos. É o que chamo de iliteracia motora.

Estamos a falar de sedentarismo, ileteracia motora, mas então porque se discute tanto a hiperatividade?

Na realidade, os currículos hoje estão a ser demasiado exigentes quanto ao número de horas em que as crianças têm de estar sentadas. Devemos ter um plano para tornar a sala de aula mais ativa. Já estamos a preparar, com o Ministério da Educação, programas alternativos que passam, por exemplo, pela colocação distinta das mesas escolares de forma a tornar a aula mais ativa. É inaceitável que 220 mil crianças estejam medicadas em Portugal. Temos crianças de 8 anos que não sabem atar os sapatos…

Esta super proteção não será consequência da baixa de natalidade? Se só temos um filho há que o preservar… Já os nossos avós tinham 5, 7 ou mais…

Talvez. Mas é sobretudo cultural. Sabemos que famílias com poucas crianças são mais protetoras, mas de forma geral todas as crianças têm poucas oportunidades para desenvolver a sua identidade territorial. Instalaram-se medos nas cabeças dos adultos. Medos das crianças serem autónomas. Há uma relação muito direta entre risco e segurança. Quanto mais risco, mais segurança e quanto mais risco, menos acidentes.

Devemos, então, ser pais mais duros?

Sim e não. Todos os estudos têm vindo a demonstrar que na infância, até aos 10/12 anos de idade, é absolutamente essencial brincar para desenvolver a capacidade adaptativa. E hoje não é isso que estamos a fazer. Estamos a dar tudo pronto, tudo feito, e não a confrontar as crianças com problemas que elas têm de resolver. Sejam eles com a natureza; sejam eles com os outros. Os pais necessitam desenvolver empatia com os filhos, mostrar autoridade, mas fazê-las sentirem-se seguras.

O risco tem de ser um ritual de passagem, então?

Claro. A ciência demonstra que, no ciclo da vida humana, o pico maior, onde há mais dispêndio de energia, é entre os cinco e os oito anos. Temos de ter muito respeito por isso. Não podemos confundir tudo e achar que essas energias são anormais. São naturais e por isso temos de olhar para elas como naturais e não patológicas e medicá-las.

Então qual deverá deverá ser o papel dos pais?

Na verdade, existe muito pouca harmonização do tempo de família. E é preciso perceber que as crianças não devem brincar apenas entre elas; precisam de tempo para experimentar e brincar com os pais também. Assim sentem-se mais seguras.

Mas os pais podem pensar: o meu filho anda no ténis, e no futebol e na natação, pratica muito desporto…

Isso não resolve nada. Uma boa alimentação e o exercício físico apenas resolvem o problema da iliteracia motora ou o excesso de gordura.

Os nossos horários não facilitam. Em algumas empresas o último a sair é o primeiro a ser promovido.

Pois, tem que haver coragem política para mudar este estado de coisas. Em países como a Holanda ou a Austrália entra-se no trabalho às 8h e sai-se às 16. Os pais vão buscar os miúdos de bicicleta e depois brincam no parque ou em casa.

Cá encaminham-se os pequenos para os ATL ou similares…

É por isso que digo que a escola tem de ajudar, proporcionar a brincadeira enquanto a sociedade como um todo não mudar. Neste momento, com a rua em vias de extinção, os recreios são a única alternativa que as crianças têm. E os ATL não têm que ser necessariamente negativos. Só não se pode pedir que essas horas sejam passadas a fazer os trabalhos de casa. E então os jogos, o teatro, a dança, a música?

Não será outro tipo de sobrecarga, tantas atividades extracurriculares?

Não, desde que sejam encaradas de forma lúdica e não como complemento à formação escolar, do género “o meu filho vai ser o melhor violinista, a minha filha a melhor bailarina…” Há que reorganizar as escolas, os recreios e as atividades extracurriculares.

Além de brincar, não é importante o espaço para a contemplação? Ver as nuvens a passar, os rios a correr, os pingos da chuva a cair?

Olhe nunca tinha pensado nisso, mas as palavras são como as cerejas. E, pensando, bem, é a dinâmica da sobrevivência. Tão importante quanto a ação. O tempo para refletir e usufruir, estarmos connosco e com o mundo…

Sara Raquel Silva

 

 

Por que as Crianças se “comportam mal”?

Junho 6, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Imagem retirada daqui

 

Conferência “Os desafios do Direito das Crianças e da Parentalidade” 7 junho em Lisboa, com a participação de Dulce Rocha Presidente do IAC

Junho 4, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

A Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC irá participar na conferência.

Mais informações no link:

https://fd.lisboa.ucp.pt/pt-pt/eventos/conferencia-de-encerramento-os-desafios-do-direito-das-criancas-e-da-parentalidade-diagnostico-e-11151

Deixe o seu filho fracassar. “O fracasso é essencial para o desenvolvimento pessoal”

Maio 31, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

iStock

Texto e imagem do DN Life de 15 de maio de 2019.

Talvez fracasso seja uma palavra demasiado forte, não pelo que realmente significa – derrotas abrem portas –, mas pela conotação negativa que sempre lhe atribuímos. Neste Dia Internacional da Família, uma forma mais suave de se pôr as coisas seria perguntando: como podemos nós educar um filho para lidar com a frustração?

Texto de Ana Pago | Fotografia de Shutterstock

Avassalado pelo comportamento do filho, Jorge Silva pensa muito nele em bebé. Tão fácil de levar, então. O oposto do miúdo de 7 anos que é hoje. “Aos 3 anos o Filipe fazia birras colossais, mas diziam-nos que essa fase passaria”, conta o pai.

Aos 4 era sobretudo impaciente. Aos 5 tornou-se exigente, intolerante com as suas falhas e as dos outros. “Nessa altura começou também a chorar descontroladamente se não realizava alguma tarefa ou não conseguia o que queria”, recorda Jorge.

Tudo sinais, segundo a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva, de que a criança ainda não sabe lidar com a frustração: “Mesmo que pareça um contrassenso na nossa atual cultura vitoriosa e competitiva, apenas vivendo os desafios – e correndo o risco de falhá-los – é possível desenvolver-se certas competências de regulação emocional e resolução de problemas”, explica. Se se educa um filho num ambiente demasiado protetor ou artificial, as ligações neuronais que se criam associadas à resiliência nunca são geradas.

“Ninguém gosta da dor ou do fracasso, mas ambos são fundamentais para o desenvolvimento pessoal.”

“Ninguém gosta de dor, tal como ninguém gosta de fracassar, porém ambos são necessários ao desenvolvimento pessoal”, garante a psicóloga, defendendo a urgência de se começar a encarar os fracassos de forma produtiva, com um mindset flexível e crítica construtiva.

Aprender é como subir uma escadaria, compara: “Não se pode passar do primeiro para o quinto degrau e certas escorregadelas fazem-nos voltar ao anterior.” Cabe aos pais reservarem um momento para explorar com a criança o que aconteceu.

“O Filipe atira coisas ao ar e volta costas, como se desistir lhe fosse mais fácil do que uma derrota, e de cada vez lhe digo que não pode fazer tudo bem à primeira”, admite Jorge Silva, tentando não ficar refém dos seus próprios receios.

“Reforço que errar é só uma primeira tentativa para algo novo.” Que insistindo chegará a uma zona de conforto. “Talvez quando ele crescer seja diferente”, supõe o pai, que entretanto desenvolveu uma firmeza serena a lidar com o filho.

E faz muito bem, elogia a psicóloga Teresa Andrade, docente no Instituto Universitário Egas Moniz. Por ela, há que dar algum controlo às crianças sobre decisões que as afetem, permitindo que insistam, desesperem e persistam até chegarem a uma solução.

“Há que ser firme sem discutir, perceber se o comportamento decorre de cansaço ou algo mais e felicitá-las pelo empenho e a persistência – mais do que pelos resultados”, enumera a especialista em desenvolvimento infantil.

“Ensine ao seu filho que de cada vez que ele erra o cérebro fortalece-se e cria novas ligações, como num treino”, indica a psicóloga Filipa Jardim da Silva.

Filipa Jardim da Silva concorda: “Sempre que o seu filho lhe disser que se sente burro porque falhou, ensine-lhe que de cada vez que ele erra o cérebro fortalece-se e cria novas ligações, como num treino”, diz.

Seguindo a máxima do falhe, falhe outra vez, mas falhe melhor, é importante diversificar-se os erros mas continuar a cometê-los “com qualidade”, para que o cérebro continue a fortificar-se. “Lidar com a frustração é bom e um sinónimo de ganho de competências, não de falta ou perda delas.”

Isto porque se os filhos não tiverem a oportunidade de passar pelas suas próprias dores de crescimento também nunca irão descobrir que podem dar a volta por cima, sublinha Kim Metcalfe, autora do livro Let’s Build Extraordinary Youth Together (Vamos Construir Juntos uma Juventude Extraordinária, em tradução livre).

Os pais têm de ser pragmáticos: quem cai levanta-se. “Falhar ajuda a desenvolver autoconfiança, foco, autocontrolo e paciência, habilidades emocionais para a vida”, acrescenta a professora em entrevista ao Huffington Post.

E como estão os pais portugueses nesta matéria, afinal?

Não muito bem, revela a coach em parentalidade positiva Magda Gomes Dias, que acaba de participar num estudo da Marktest sobre a resiliência em Portugal, divulgado hoje a propósito do Dia Internacional da Família.

As conclusões preocupam-na por lhe parecer que as famílias não estão a preparar as crianças para que se tornem adultos capazes de lidar com a frustração no futuro, pelo contrário. “Acho que estamos a evitar que fracassem por não aceitarmos isso como natural, inevitável e necessário ao sucesso”, lamenta a autora do blogue Mum’s the boss.

Os números do estudo não a deixam mentir: 93,7% dos pais portugueses afirmam ter resiliência e saber o que significa, embora só 66,7% tenham conseguido defini-la como a capacidade de ultrapassar dificuldades e 46,4% pensem que umas pessoas nascem resilientes e outras não.

Mais preocupante ainda: 63,6% dos inquiridos consideram-se muito protetores, o que contraria o desenvolvimento da resiliência nos filhos e deixa os especialistas na dúvida sobre até que ponto compreendem, ou não, o conceito.

“A melhor forma de um pai ensinar um filho a lidar com a frustração é mostrando-lhe como agir pelo exemplo.”

“Já nem defendo que os pais devem trabalhar isto nas crianças porque basta acompanhá-las”, sublinha Magda Gomes Dias. Vamos a meio caminho da escola com os miúdos quando percebemos que deixámos a mala do computador em casa? Podemos gritar e culpá-los por nunca se despacharem a horas, ou então atribuir ao sucedido um significado construtivo e fazer com que os filhos aprendam a reagir, connosco, às frustrações da vida.

“O que eu quero dizer é que a melhor forma de um pai ensinar um filho a lidar com a frustração é mostrando-lhe como agir pelo exemplo”, resume a especialista em parentalidade positiva.

Enquanto educador, é muito mais interessante ajudá-lo a analisar os porquês do revés, o que aprendeu, o que fará depois, o que significa que também os adultos precisam de aprender a fracassar, sim.

“Explorarem os seus próprios medos é só um meio de garantir que não os confundem com os medos dos filhos”, diz a coach.

 

 

Pais presentes criam filhos independentes e autónomos

Maio 29, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

image@ Lorri Lang por Pixabay

Texto do site Up to Kids

Publicado por Cátia Pereira Dias

Tão interessante perceber que o que os pais mais querem é filhos independentes e autónomos. Querem que façam as coisas por eles, que não dependam de ninguém. Querem que não estejam atrasados no desenvolvimento. Que não haja nada de errado quando parece que já deviam ter dado aquele passo ou ter dito aquela palavra.

O foco está todo em forçar a independência. E “forçar” é a palavra-chave aqui, que advém das nossas crenças. Da forma como nos sentimos perante a “dependência” e que nos leva agir de uma forma, por vezes, até inconsciente na relação com as crianças. Se a relação tiver um começo que é a dependência e um fim que é que independência, um fim como sendo um objetivo, o nosso foco está, na maioria das vezes, nessa independência.

E na verdade, famílias, o foco deveria estar nas seguintes perguntas:

O que eu posso ser agora para o meu filho para que ele venha a ser independente de uma forma saudável?

O que é necessário para que ele sinta que tem os recursos todos para ser quem é?

Quando nos focamos apenas no quer ser independente, estamos com toda a nossa atenção no futuro e a forçar o desenvolvimento da criança. Fora do ritmo da criança. É, por exemplo, quando pegamos o bebé pelos braços para ele começar andar, quando ele ainda não demonstrou sinais para o fazer. É o que fazemos quando começamos a forçar as palavras, sem que a criança comece a fazer sons com a voz. Com isto, não significa que o melhor seja não interagir com a criança. A diferença que eu quero reforçar aqui, é o quanto é importante estarmos presentes no agora.

Como?

Observando como estou a sentir-me. Reconhecendo, observando a criança, sendo um canal facilitador para o seu desenvolvimento, como as margens de um rio que vai desaguar no oceano.

Maria Montessori

Maria Montessori tem uma frase que ajuda a perceber esta questão: “ajuda-me a crescer, mas deixa-me ser eu mesmo”. Montessori diz que a criança nasce com um mestre interior. Uma vozinha que lhe diz o que precisa de fazer naquele momento. E essa vozinha, muitas das vezes, devido ao nosso ego, à falta de conhecimento, é lhe dito que não tem espaço para se expressar. É o exemplo da criança que quer subir as escadas e os pais acham extremamente perigoso. Neste caso, é necessário apenas que o adulto esteja a suportar aquilo que a criança quer fazer naquele momento.

O que seria se permitíssemos que a voz da criança se expressasse mais?

Para existir independência da criança, é necessário que haja uma dependência que lhe transmita segurança. Uma base de sustentação, um espaço único de expressão, de liberdade para ser quem ela já é.

A dependência e a independência fazem parte do mesmo círculo. Vivem muito bem uma com a outra. E são necessárias à nossa existência saudável quando nos ajudam a expandir e a crescer.

image@ Lorri Lang por Pixabay

Tem filhos viciados em videojogos? 5 dicas para lidar com o problema

Maio 20, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Texto do Observador de 7 de maio de 2019.

Há cada vez mais crianças a trocar o hábito de brincar ao vivo por longas sessões de videojogos. Cabe aos pais impor regras simples para evitar comportamentos de risco.

O novo bicho papão para os pais de crianças a partir, sensivelmente, dos oito anos chama-se Fortnite Battle Royale. Não, não é o nome de um novo vírus incurável ou de uma qualquer estranha substância psicotrópica. É, apenas e só, um videojogo que tem atraído milhões e milhões de crianças e adolescentes no mundo inteiro. A premissa é muito simples: cada jogador — ou equipa — é lançado numa ilha e tem de lutar pela sua sobrevivência, eliminando os outros jogadores — ou equipas — que têm o mesmo objetivo. O jogo é gratuito, intuitivo e, sobretudo, viciante. Pais e professores denunciam, com frequência, alterações de comportamento em crianças que jogam Fortnite Battle Royale diariamente. Muitas ficam mais agressivas e desinteressadas de outras actividades. Mas as dicas que se seguem podem ajudar a lidar com o vício neste e noutros videojogos.

1. Mostre-se interessado/a, jogue com as crianças

A melhor maneira de entender o fenómeno Fortnite Battle Royale ou outros não é submeter as crianças a interrogatórios nem pesquisar na Internet. A melhor maneira é estar por dentro, jogar. De preferência com elas. Por isso, nada como mostrar interesse na actividade e procurar jogar com a criança. Podem fazer disso, por exemplo, uma actividade em família. Sendo que este jogo, especificamente, nem sequer é particularmente violento — os gráficos fazem lembrar banda desenhada.

2. Imponha limites, use o controlo parental

À semelhança do que já aconselhámos num artigo anterior, relacionado com a navegação na Internet, também neste caso é importante usar as ferramentas de controlo ao dispor. Todas as consolas, telemóveis, computadores ou tablets possuem opções que permitem aos pais gerir e controlar a sua utilização por parte dos filhos. Não só o tempo, mas também as compras online — e é muito importante ter atenção a essa parte —, os jogos que estão autorizados a jogar e com quem. Além das ferramentas deste género que cada aparelho traz por defeito há software especializado que aumenta o leque de opções e protecção. Uma vez estabelecidos esses limites, seja firme, não abra exceções.

3. Conversem sobre o assunto

Mas atenção: conversar não é discutir. É mais provável que a criança responda honestamente sobre o que a atrai em determinado jogo, os seus hábitos, com quem joga e de que forma se isso surgir numa conversa amigável com os pais do que se sentir ameaçada ou interrogada de forma agressiva. Pior do que o jogo em si são, muitas vezes, os comportamentos agressivos e/ou de bullying que a ele estão associados. Procure perceber com quem é que a criança joga, e de que fala enquanto joga. É possível desligar a opção de chat, caso entenda necessário.

4. Traga as crianças para fora do ecrã

O problema não são os videojogos per se mas sim o tempo que as crianças passam em frente ao(s) ecrã(s) nos dias de hoje. Pode não ser fácil trazê-las de volta à vida real, já que muitas tendem a achar tudo desinteressante em comparação com o YouTube ou os videojogos. Mas há que fazer um esforço. Se as crianças já têm por hábito jogar Fortnite Battle Royale (ou outros jogos) com os amigos da escola, pode tentar envolvê-los — e aos respectivos pais — nesta missão, planeando saídas em conjunto ou formando uma equipa de um qualquer desporto, por exemplo.

5. Em caso de necessidade, procure ajuda profissional

Se perceber que o vício nos videojogos está a afectar gravemente o rendimento escolar da criança, a forma como se comporta — mais agressiva e irritável — e as suas relações interpessoais, e nenhum dos passos anteriores pareceu resultar, não será descabido procurar ajuda profissional. Os psicólogos e pedopsiquiatras estão cada vez mais equipados para lidar com este tipo de problemas, também eles cada vez mais recorrentes: não é por acaso que a Organização Mundial de Saúde incluiu, há cerca de um ano, o “distúrbio de jogo” na lista de doenças classificadas como perturbações do foro mental.

 

“Tenho 14 anos e abandonei as redes sociais depois de descobrir o que foi publicado sobre mim”. Relato de uma adolescente na primeira pessoa

Maio 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia da Visão de 25 de abril de 2019.

São meia dúzia de minutos de leitura ávida que mal nos deixa respirar. Esta é a experiência de Sonia Bokhari, aluna do 8º ano, quando se inscreveu nas redes sociais.

Nunca imaginara nada daquilo. Sonia escrevia compulsivamente, era a líder da Aliança Gay-Hetero na sua escola e também pertencia ao Clube do Ambiente. Resolveu abrir conta no Facebook e no Twitter. Foi então que descobriu o que tanto a mãe como a irmã já tinham postado sobre ela – acabou por decidir fechar as contas e desaparecer dali, em seguida.

O relato faz parte de uma série de reportagens da Fast Company e começa assim: “Ah, isso é engraçado!” Era o último comentário da minha irmã, de 21 anos, à mais recente atualização do Face da nossa mãe. O primeiro de muitos: afinal, as redes sociais têm tido uma importância significativa na vida da minha irmã desde os seus 13 anos e, desde então, publica regularmente.”

A regra lá em casa, conta Sonia, é a comum a muitos pais de crianças pequenas: como o que não faltam por aí são avisos sobre os riscos do uso abusivo das redes sociais, tanto ela como a irmã só poderiam inscrever-se depois dos 13 – e isto mesmo que muitos dos seus amigos já o fizessem desde os dez. E ela acatou isso sem grande contestação.

“É verdade que isso me deixava algo curiosa, mas nada que me perturbasse no dia a dia. E como não tinha smartphone nem autorização para me inscrever, acabou por não ser propriamente um problema para mim.”

Até que chegou o dia D – e Sonia fez como esperado. Inscreveu-se e, claro, dado que as redes eram uma presença tão valorizada nos telemóveis lá de casa, o primeiro perfil que pesquisou foi o da mãe. Mas a reação não foi a melhor.

“Foi quando percebi que, embora essa fosse a primeira vez que andava por ali, estava longe de ser a primeira vez que as minhas histórias apareciam online. E quando vi as fotos que tinham vindo a ser publicadas nos últimos anos, senti-me profundamente envergonhada e mesmo traída.”

É que, ali, à vista de todos, estavam os momentos mais “embaraçosos” da sua infância – desde a carta que tinha escrito para as fada dos dentes aos cinco anos a fotos suas a chorar quando era mais pequena, e outras ainda já mais velha.

“Tudo sem que eu tivesse qualquer conhecimento. Parecia que a minha vida inteira estava documentada no Facebook e eu não fazia ideia.”

Sonia reconhece a razão por que a mãe o fez: afinal, para a família e amigos em geral aquilo eram só, como ela fiz, “momentos engraçados e fofos”. Mas para ela não.

“Para mim foram mortificantes. Além disso, percorrendo os comentários da minha irmã, apercebi-me do que ela se riu à conta daquilo.”

O impacto na vida de Sonia foi tremendo, ela que tinha acabado de fazer 13 anos e achava que ia finalmente começar a sua vida nas redes sociais.

“Só que afinal já havia centenas de fotos e histórias online, para sempre, quer eu quisesse quer não. E eu não tinha controlo algum sobre aquilo. Obviamente, senti-me traída.”

Depois da fúria, a calmaria e um pedido: “Não voltem a fazer isso sem a minha permissão.”

E mãe e irmã prometeram não voltar a fazê-lo, embora não sem antes mostrarem a maior surpresa perante aquela reação. “Que não era para me envergonhar, era só para contar as minhas gracinhas e assim manter um registo do que eu fazia quando era pequena.”

E, por fim, com muita tranquilidade – e, até, mais maturidade do que as pessoas à sua volta – Sonia relembrou: “Nós, os adolescentes, passamos a vida a ser alertados para o facto de que tudo o que postamos fica online para sempre. Mas então digo-vos que os pais também devem refletir sobre a forma como isso pode afetar a vida dos seus filhos quando estes se tornam jovens adultos.”

E na altura em que Sonia se tornou mais ativa no Facebook e no Twitter ainda nem tinha pensado seriamente na sua pegada digital. Era outubro e, durante aquele mês, houve uma série de apresentações na sua escola sobre isso e sobre segurança online.

Os autores pertenciam a uma organização chamada OK2SAY, que educa e ajuda os adolescentes a sentirem-se seguros online. O primeiro grande conselho foi que nunca publicassem nada negativo sobre alguém – nem fotos inapropriadas – porque isso pode afetar profundamente a vida desse pessoa, tanto na escola como em futuras oportunidades de emprego.

“Também nos alertaram sobre predadores online, algo que sempre me perturbou, porque poderia, por qualquer razão acabar no perfil de alguém que acabasse por me fazer mal. É verdade que não tinha muito com que me preocupar, já que não tinha entrado em contacto com estranhos nem partilhado informações pessoais.”

Só que, nessa altura, Sonia já cometera o mais comum dos erros de quem é inexperiente em redes sociais: todas as suas contas eram públicas. Quando se apercebeu disso – e do impacto que isso tinha – foi logo a correr às definições. A sua ideia, inicialmente, era só remover tudo o que incluia a sua localização. Mas acabou por apagar tudo o que tinha publicado.

“Percebi que ter 13 anos e andar já nas redes sociais, afinal, não era assim tão fantástico”, confessa. Um ano depois, as suas contas, acrescenta, permanecem inativas. “Penso que poderei voltar a usá-las, em algum momento, no futuro, mas para já não.”

E esta é a explicação: “Pode parecer uma decisão dramática, mas tudo o que vi e ouvi foi mais do que suficiente para me convencer o quanto prefiro ficar longe de tudo isso. Não sinto que esteja a perder seja o que for da minha vida social e sempre me poupo a uma série de riscos.”

Houve, reconhece Sonia, alguns amigos que a acusaram de ser chata, mas não a deixaram de tratar da mesma maneira. Aliás, salienta, a sua decisão acabou por influenciá-los – graças a todas as suas reticências, passaram a ter mais cuidado. “Já não partilham o local onde estão nem o seu nome completo e mantêm as suas contas privadas. Nesta altura, já acho que a minha geração vai ter de ser mais madura e responsável do que a dos nossos pais.”

Diz Sonia que, para quem é agora adolescente, ser anónimo não é mais uma opção – afinal, para muitos deles as decisões sobre a sua presença online são tomadas ainda antes de aprenderem falar.

“Agora que já passou algum tempo desde soube o que a minha irmã e mãe publicavam sobre mim, consigo reconhecer que isso permitiu que tivéssemos uma conversa sobre isso, algo que todo os pais precisam fazer com os seus filhos. E, mais importante ainda, tornou-me consciente de como quer usar as redes sociais hoje e no futuro. “

 

 

 

Receber visitas de um pai agressor? A decisão deve ser da criança

Maio 6, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da TSF de 7 de março de 2019.

As crianças e os jovens deveriam ser ouvidos no âmbito dos processos de regulação parental em contexto de violência doméstica porque melhor do que ninguém conhecem as dinâmicas do relacionamento abusivo entre os progenitores, defendeu a APAV.

O psicólogo e responsável pela área da violência de género e doméstica da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), Daniel Cotrim, aponta que “é importante ouvir os jovens e as crianças” nos processos de regulação das responsabilidades parentais quando existe uma situação de violência doméstica “porque eles têm muitas coisas importantes para dizer”.

“Isto não acontece, não são ouvidas as crianças e os jovens neste tipo de processos”, criticou Daniel Cotrim.

De acordo com o responsável, só recentemente começou a haver alguma sensibilidade e sensibilização por parte dos magistrados para perceberem o que é que as crianças querem.

“Elas são especialistas em questões de risco e segurança porque eles conhecem muito bem quais são as dinâmicas daquele relacionamento abusivo entre o pai e a mãe”, defendeu, acrescentando que conhecem “os gatilhos” e os momentos em que o risco aumenta.

Denunciou que, na maior parte das situações acompanhadas pela APAV, há um “desfasamento” entre os Tribunais de Família e Menores, onde correm os processos de regulação das responsabilidades parentais, e os Tribunais Criminais, que decidem sobre processos-crime, como os de violência doméstica.

Este “desfasamento” faz com que o Tribunal Criminal decrete uma medida de afastamento e de proteção da vítima de violência doméstica e dos filhos, ao mesmo tempo que o Tribunal de Família e Menores decreta um período de visitas do progenitor agressor aos filhos.

Revelou que nesses casos são muitas vezes os próprios filhos quem não quer esse contacto, seja pelo medo que o agressor descubra onde é que eles estão agora a viver, seja por recearem que a situação de violência volte a repetir-se.

“Ouvimos muitas vezes dos jovens que têm medo destas visitas porque não se sentem como os importantes da visita, mas sim que servem para ser mensageiros de um pedido de reconciliação por parte do agressor, pedindo para suspender o processo ou voltar para casa”, disse Daniel Cotrim.

Acrescentou que o “grau de risco é complicado” e que muitas vezes, sobretudo nas primeiras visitas do progenitor agressor aos filhos, “o foco não está no contacto afetivo”.

“Existirão alguns que sim, mas, na maioria, o primeiro contacto é para perceber onde está a mãe, para perceber onde está a outra pessoa”, apontou.

Como consequência, depois destas visitas, os “jovens dizem que sentiram que não ganharam nada com aquilo, pelo contrário”.

“Sentem que a sua vontade não foi ouvida e não foi tida em conta”, acrescentou.

Criticou, por isso, que quando se fala do superior interesse da criança, muitas vezes esteja em causa “o superior interesse dos adultos, dos pais ou das mães e no que querem atingir através dos filhos”.

Na opinião de Daniel Cotrim, “nunca é uma coisa boa para os jovens” as visitas do progenitor agressor, sublinhando que, em muitos casos, são os filhos que pressionam para uma fuga do ambiente de violência e da relação abusiva.

“É importante ouvir o que as crianças e os jovens têm a dizer neste tipo de situações” e que é “fundamental” que os Tribunais de Família e Menores e os Tribunais Criminais comuniquem. “A violência doméstica é um crime, mas é um crime que ocorre no seio da família. Não faz sentido cada um deles [tribunais] funcionar como se fossem duas quintas separadas”, concluiu.

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.