“Deixamos de ser um casal mas continuamos a ser pai e mãe”

Maio 24, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Ana Varão ao site dnotícias de 10 de maio de 2018.

Ana Varão, psicóloga

Ana Varão é psicóloga clinica, mediadora familiar e formadora na ‘Red Apple’. É também uma das oradoras da 1ª Conferência de Parentalidade – Pais à Maneira, que acontece no dia 12 deste mês, no Pestana Casino Park Hotel. A psicóloga traz à Madeira a temática ‘E viveram pais para sempre: coparentalidade positiva no divórcio’, área em que é especialista e sobre a qual deixa já algumas dicas.

Os pais estão preparados para continuar a desempenhar o seu papel após o divórcio?

Os pais precisam de ajuda no sentido de continuarem a ser pais, mesmo deixando de ser marido e mulher, e muitas vezes não sabem o caminho a seguir.

Costumo dizer que crescemos a ouvir histórias com um final feliz… A princesa casa com o príncipe e viveram felizes para sempre… Mas ninguém nos ensina a separar…

Então e o que é que acontece quando as coisas não correm bem lá no castelo? O que acontece quando a princesa deixa de estar apaixonada pelo príncipe? E quando existe “descendência real”, quando há filhos frutos desta “história de amor”?

Ainda há muito a ideia de que “é normal” os pais darem-se mal porque são um ex-casal! Pelo contrário!! Quando há filhos em comum, a bem dos filhos e do seu crescer saudável é por demais importante que os pais encontrem formas de se entenderem conseguindo comunicar positivamente sobre as crianças e a sua educação.

Quais são os principais problemas que surgem aquando da separação do casal?

A principal dificuldade num divórcio ou separação prende-se essencialmente com o conseguir separar o nosso papel de pais, do papel de cônjuges. Deixamos de ser um casal, mas continuamos a ser pai e mãe. E o mais difícil muitas vezes está nesta distinção: aquilo que são questões e emoções relacionadas com a conjugalidade, daquilo que são sentimentos e necessidades dos nossos filhos. Há um conjunto de questões que se nos colocam, e que competem a nós pais decidir! O que fazer agora, como fazer, como contar à criança? Como nos devemos comportar, como nos devemos relacionar um com o outro daqui em diante? Como continuar a ser pais sem ser um casal?

Há muita procura por ajuda por parte destes ex-casais, que se vêem a braços com um divórcio e filhos?

Vejo cada vez mais famílias a pedir ajuda e isso é muito positivo. Pais preocupados em minimizar os efeitos do divórcio e em conduzir todo o processo da forma mais tranquila possível, como é o caso das famílias que recorrem aos serviços de Mediação Familiar e que procuram formas conciliadoras de resolução de conflitos.

A minha intervenção enquanto Psicóloga passa por orientar todos os elementos da família em cada etapa do processo de divórcio: desde o momento de contar a decisão de separação aos filhos, passando pela saída de um dos progenitores de casa, até ao período pós-divórcio onde todas as relações e interacções familiares poderão ter de ser reajustadas. Enquanto Mediadora Familiar, o foco do trabalho centra-se no melhor interesse da criança e na sua dinâmica familiar, pela facilitação da comunicação estimulando-se a cooperação e tomada de decisões conjunta.

As crianças também precisam aprender “regras” por terem os pais separados?

As crianças vão aprender que por vezes as regras da casa do pai podem não ser exatamente iguais às regras da casa da mãe. Tal como as regras na escola podem por vezes ser diferentes das regras em casa. E não há necessariamente mal nisso… São formas diferentes de educar e nessas diferenças reside muita riqueza e ensinamentos para a vida. É essencial reconhecer que as crianças necessitam igualmente do pai e da mãe e, naturalmente, nenhum deles pode substituir ou preencher a função do outro. Cada um tem com a criança uma relação única e especial. Para os filhos, o pai e a mãe são os melhores pais do mundo, independentemente das suas ações para com outras pessoas. São os seus heróis e modelos e, como tal, cada criança quer e gostaria de manter estas pessoas especiais na sua vida!

Fala em divórcios bem e mal sucedidos. Qual a diferença?

Na verdade, não existem divórcios ou separações fáceis. Enquanto período conturbado, colocam-se a todos os elementos da família desafios e exigências. Mas de algum modo podemos falar em divórcios bem ou mal sucedidos se considerarmos os chamados factores de risco ou protecção, que têm um impacto decisivo na adaptação dos filhos ao divórcio. Em primeiro lugar, devemos manter as crianças longe do conflito. A par disso, torna-se essencial garantir aos filhos que o contacto com ambos os progenitores será mantido, que pai e mãe vão continuar a ser “pais”, mesmo depois da separação. Cabe aos progenitores, assegurar aos seus filhos que o amor por eles não termina com o fim da relação a dois. A questão coloca-se não no divórcio em si, mas antes no modo como os progenitores o conduzem. O que está em causa num “divórcio bem sucedido” é a qualidade da relação familiar, antes, durante e após a separação conjugal. É a garantia de que a família sobrevive à ruptura do casal, e que a parentalidade persiste para além da conjugalidade.

Que conceito é este de coparentalidade positiva, que pretende trazer até à conferência na Madeira?

O desafio é que dois sistemas parentais funcionem em parceria, como se de uma equipa se tratasse: a dupla parental. É pensarmos na metáfora dos colegas de trabalho ou parceiro de negócios. Não temos que privar nem ser melhores amigos do nosso colega de trabalho, mas temos que colaborar e conjugar esforços no sentido de atingir o mesmo objetivo.

Os pais estão separados, mas unidos no projecto comum de educar a criança de uma forma positiva. Para isso é necessário cooperação, respeito (ex: prezar uma imagem positiva do outro progenitor) e apoio mútuo. Cada um considera que o outro dá o seu melhor, no melhor interesse do filho.

As crianças serão melhor ajustadas quando os seus pais trabalham em conjunto após o divórcio por forma a promover as suas necessidades.

Acima de tudo importa que as crianças continuem a sentir-se especiais na vida dos seus pais e a receber a atenção e o carinho das pessoas mais importantes da sua vida. Casa é onde está o nosso coração, é onde nos sentimos amados e protegidos, não importa com quem nem onde estejamos.

 

 

 

I Jornadas sobre Parentalidade da Figueira da Foz – 2 de fevereiro

Janeiro 14, 2018 às 5:36 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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As inscrições gratuitas, obrigatórias e limitadas aos lugares disponíveis, terminam no dia 31 de janeiro

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/197014550848605/

Workshop A Criança no Divórcio

Agosto 22, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Atendendo a que a ruptura no casal não implica necessariamente o fim da família, nem o deixar de ser pai ou mãe, esta formação visa abordar os aspectos inerentes ao processo de divórcio no casal com filhos. Os conflitos vivenciados pelo casal em separação, diversas vezes prolongam-se no período pós-divórcio, onde se propõem mudanças mais ou menos severas na reestruturação familiar. Propõe-se aqui compreender melhor para agir de forma adequada e apresentar soluções perante famílias que lidam com esta problemática, acompanhando e preparando as crianças nas suas dificuldades, dúvidas e necessidades.

Conteúdos Programáticos

  1. •Como explicar o Divórcio aos filhos
  2. •A Mediação Familiar enquanto garantia de que a família sobrevive à separação conjugal
  3. •Como as crianças entendem o divórcio. Reacções emocionais de acordo com a idade.
  4. •A Alienação Parental
  5. •Intervenção Psicológica com a Criança
  6. •Coparentalidade Positiva. Educação Parental no Divórcio

Datas:

Faro: 24 de Setembro

Horário:

Sábado (9:00 às 18:00)

Preço:

60€

(10% de desconto a todos os associados da Ordem dos Advogados)

Local:

Cruz Vermelha Portuguesa Delegação de Faro Rua Dr. Justino Cúmano nº1 8000-333 Faro

 Mais informações Aqui


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