Por que as crianças da Dinamarca são mais felizes?

Novembro 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://revistacrescer.globo.com/ de 6 de novembro de 2017.

Por Juliana Malacarne

No recém-lançado Crianças Dinamarquesas, autoras mostram que a maneira como elas são criadas talvez esteja por trás dos altos índices de felicidade do país nórdico. Veja como colocar tais descobertas em prática na sua casa também.

Abrir a janela de casa e encontrar a rua coberta de neve é uma visão comum para os dinamarqueses. Na maioria das cidades do país, que fica no norte da Europa em uma região conhecida como Escandinávia, as temperaturas ficam abaixo de zero no inverno. O clima pouco convidativo e a baixa incidência de luz solar, porém, não abatem o espírito do povo dinamarquês. Desde que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês) criou uma lista para eleger o país mais feliz do mundo, em 1973, a Dinamarca esteve em seu topo quase todos os anos. O que poderia explicar esse resultado? A terapeuta dinamarquesa Iben Sandhal e a psicóloga norte-americana Jessica Alexander apostam que a resposta está na maneira como as crianças dali são educadas.

Com base em pesquisas e observações cotidianas (Iben mora em Copenhague e Jessica é casada com um dinamarquês), as duas escreveram o livro Crianças DinamarquesasO que as Pessoas Mais Felizes do Mundo Sabem Sobre Criar Filhos Confiantes e Capazes (Ed. Fontanar, R$ 34,90). O livro descreve as atitudes de pais e mães daquele gelado país que geram resultados positivos sobre as crianças. E, o que é melhor, como aplicá-las em qualquer lugar do mundo. Em entrevista exclusiva à CRESCER, as autoras ressaltam a importância de elogiar os esforços dos pequenos, sem exagero, e sobre por que ensiná-los a ter empatia desde cedo, entre outras dicas. A seguir, destacamos alguns pontos da conversa.

Elas aprendem a ter empatia

A hora da brincadeira é uma ótima oportunidade também para transmitir lições de empatia, um dos pilares da educação dinamarquesa, de acordo com Iben e Jessica. É comum que surjam conflitos na convivência entre crianças pequenas. Mesmo assim, por aqui, quando o filho se queixa do comportamento de um dos colegas, a primeira reação dos pais é tirar satisfação, seja com a escola, seja com os pais do “briguento”, não? Outros acreditam que é “coisa de criança” e falam para o filho deixar para lá. Na Dinamarca, entretanto, as famílias preferem fazer com que as crianças entendam (ou ao menos tentem entender) as emoções do outro. Sendo assim, dizer: “Ele parece irritado, você sabe o que aconteceu?”, traz resultados melhores do que “Ele está com raiva de quê? Que ridículo!”. “Nem sempre as reações e emoções das crianças fazem sentido para os adultos, mas mostrando que as reconhece, você evita julgamentos e ensina seu filho a lidar melhor mesmo com os sentimento considerados ‘inapropriados’”, diz Jessica.

Elas recebem elogios “reais”

Isso não significa, porém, exagerar na positividade e aplaudir cada conta de adição que seu filho resolve corretamente como se estivesse em frente ao trabalho de um novo Einstein. “Se as crianças são constantemente elogiadas por serem naturalmente talentosas ou dotadas, passam a crer que sua inteligência é fixa e nada pode ser feito para modificá-la”, explica Iben.
Para evitar esse tipo de pensamento, o segredo é valorizar o esforço e não o resultado. Se você disser que um desenho que seu filho terminou rapidamente está incrível (mesmo que note que ele não tenha se concentrado nos detalhes), o elogio não trará nenhum benefício para a percepção que ele tem de seu próprio esforço. Uma saída melhor é perguntar sobre o desenho, ou seja, o que ele estava pensando ou sentindo quando decidiu fazê-lo. Diga: “Adorei como você manteve a concentração e o foco para deixar o desenho lindo”, em vez de “Uau, como você desenha bem!”.

Elas podem brincar livremente

No país onde foi criado um dos brinquedos mais populares da história, o Lego, as crianças não precisam ir à escola antes dos 6 anos, o que mostra o quanto o tempo “gasto” com atividades não estruturadas é reconhecido. Um dos principais desafios de Jessica, acostumada às agendas atribuladas das crianças norte-americanas, foi adotar essa mudança na rotina com os filhos Sophia, 7, e Sebastian, 4. “Me considerava uma mãe preguiçosa por não estar levando as crianças para 1 milhão de cursos ou atividades onde estavam ‘aprendendo’”, afirma. “Mas agora não me sinto mais assim e isso fez muita diferença no meu dia a dia. Não só meus filhos estão mais felizes com a liberdade de poder escolher as brincadeiras como também estou mais contente porque é muito menos estressante.”

Um estudo realizado com crianças em idade pré-escolar em Massachussets (EUA), citado pelas autoras no livro, mostrou que existe uma correlação positiva entre a quantidade de brincadeiras que as crianças participam e sua habilidade de resolver problemas. Por isso, a dica delas é levar os filhos para ambientes abertos, que eles possam explorar livremente, como praias e parques. Outra recomendação nesse sentido é estimular o encontro com crianças de diferentes idades para que umas possam aprender com as outras – e deixar para fazer intervenções somente quando necessário. “Outro dia, meu filho estava correndo a toda velocidade por uma rampa, fiquei me encolhendo de tensão e comecei a gritar para ele parar”, conta Jessica. “Mas meu marido pegou em meu braço e disse: ‘Crianças têm que correr. Se ele cair, caiu, mas crianças têm que correr’. No fim, Sebastian não caiu e ficou exultante consigo mesmo. Temos de confiar nas crianças para que elas aprendam a confiar em si próprias.”

Elas têm tempo de qualidade com a família

Os dinamarqueses têm uma palavra específica no dicionário para definir os momentos aconchegantes compartilhados em família: hygge (pronuncia-se ruga). Nesse período, existem regras bem interessantes, como desligar celulares e tablets, não reclamar à toa, evitar assuntos polêmicos e pensar em jogos em que todos os presentes possam participar independentemente da idade.

Segundo Iben, o hygge é uma escolha consciente que você faz para ter a sensação de estar conectado, de fato, com seus filhos. “Durante muitos anos, tive a oportunidade de pegar minhas filhas na saída da escola. Chegávamos em casa e sentávamos à mesa, comendo lanchinhos e conversando sobre o dia delas. Se fosse inverno, acendia velas e, às vezes, fazia chocolate quente ou chá. Depois disso, lia um conto, até que elas ficassem ‘cheias’ da minha atenção e fossem brincar por conta própria. Aquilo era muito ‘hyggeano!’”, conta a dinamarquesa.

A magia do hygge, uma das tradições mais importantes da cultura dinamarquesa, é que ele não precisa de espaço nem de alguma ocasião específica – e assim como as demais percepções das autoras, pode ser implementado por aqui também. Ainda que dar uma pausa na rotina acelerada para se entregar plenamente aos momentos com aqueles que mais ama não seja tão simples quanto pareça, o povo mais feliz do mundo garante: vale a pena.

Elas não são rotuladas

Um dos principais pontos positivos na maneira dinamarquesa de ver o mundo, de acordo com as autoras, é a importância que dão à linguagem. “As palavras têm poder e, por isso, adoto uma perspectiva otimista/realista sempre”, diz Iben, que é mãe de duas meninas, Ida, 16, e Julie, 14. “Não é ignorar as coisas ruins, e sim reconhecer que o mundo possui várias nuances de cinza além do preto e branco.”

Por exemplo, se depois de tirar uma nota baixa em geografia a criança diz que é péssima na matéria, lembre-a de uma tarefa específica que tenha gostado de fazer, como pintar um mapa, ou algum conteúdo em que tenha ficado interessada. Não negue que ela foi mal na prova nem diga que está tudo bem, mas ressalte que há coisas que podem ser feitas para melhorar o desempenho nas próximas avaliações, como estudar por mais tempo ou focar em exercícios práticos. Além disso, esteja sempre atento para evitar o uso de palavras limitadoras, como “meu filho odeia isso” ou “ele é assim”, pois esse tipo de postura não deixa espaço para a possibilidade de mudança.

 

 

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Seminário para professores “Educação e práticas parentais positivas” – 26 outubro em Lagos com Melanie Tavares do IAC

Outubro 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança, é uma das formadoras do seminário para professores “Educação e práticas parentais positivas”.

Inscrição:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfhOsOhu1Hd1xZ-aL9QpZIkJKRI9YRLCdUSJ4Qqmuq82T1UwA/viewform

mais informações:

https://www.facebook.com/CFAERuiGracio/

10 coisas que devemos dizer aos nossos filhos todos os dias

Setembro 14, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 9 de agosto de 2017.

Muitos pais limitam-se a bombardeá-los com ordens o tempo todo, porque o cansaço dos dias não lhes chega para mais, e depois admiram-se de ver os filhos ansiosos, revoltados, sempre do contra. Muitas vezes, dizer a frase certa na altura exata – e querer verdadeiramente ouvir a resposta – pode operar autênticos milagres na dinâmica familiar.

Texto Ana Pago | Fotografias Shutterstock

«Vai-te vestir. Vai lavar os dentes. Vai para a cama. Já viste as horas? Hoje não há tempo para história. Entra no carro e põe o cinto. Não faças barulho que eu quero telefonar. Vê lá se te entreténs um bocado. Estás-me outra vez a chamar? O que é que foi agora?» São muitas as frases que os pais repetem aos filhos no dia-a-dia, alguns fazendo mais disso a regra do que a exceção, mal se apercebendo do poder que têm de ferir com palavras os seres pequeninos que juraram proteger. A boa notícia é que as mesmas palavras que magoam também podem ajudá-los a crescer em amor, se soubermos o que dizer.

Ler o texto completo no link:

http://www.noticiasmagazine.pt/2017/10-coisas-que-devemos-dizer-aos-nossos-filhos-todos-os-dias/

 

Adolescentes : Estar perto sem controlar

Setembro 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Ler o artigo de Magda Gomes Dias nos links:

http://baby-blogs.com/pt/adolescentes-estar-perto-sem-controlar/

https://drive.google.com/file/d/0B03I9t2cyMpicjFCTlhENHpKWTQ/view

20 táticas simples para evitares gritar com os teus filhos

Julho 16, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 4 de julho de 2017.

Antes de perderes a calma, usa uma destas 20 táticas simples para evitares gritar com os teus filhos e manteres a paz em tua casa.

Eu tinha chegado ao meu limite. O meu filho de 5 anos tinha finalmente acabado com a minha paciência. Foi um dia terrível desde o momento em que acordou a exigir o pequeno almoço até à segunda vez que empurrou o irmão. Todos nós temos dias em que queremos vender os nossos filhos ao Jardim zoológico (os meus filhos iram adorar, de certeza). No entanto, eu odeio gritar. Gostava de dizer que é porque eu sei que gritar é mau para os meus anjinhos, mas a verdade é que quando grito sinto-me uma má mãe.

Há uma maneira melhor. Aliás, vou sugerir 20 maneiras melhores.

Aqui estão 20 coisas que pedes fazer da próxima vez que perderes a calma com os teus filhos sem gritar.

1. Ter um tempo juntos

Esta alternativa ao tempo em separado (castigo) envolve abraçares o teu filho até que ambos estejam calmos o suficiente para lidar com o problema.

2. Rir

As palhaçadas das crianças ou te fazem rir ou tem pões doida. Escolhe rir. Vais viver mais tempo.

3. Cantar

Cantar é uma formal vocal e sem gritaria de extravasar a raiva e agressão. Aumenta o som e cante bem alto. (eu sei, parece maluqueira, mas sabe bem e resulta)

4. Afastares-te

Às vezes, o melhor plano de acção é saires de cena até conseguires lidar com o mau comportamento de uma forma proativa.

5. Contar até 10

Parece parvo, mas este truque diminui o teu ritmo cardíaco e consegues pensar mais claramente.

6. Exercício físico

Sai e dá uma caminhada, faz uma aula de ioga ou põe um vídeo de exercícios e faz em casa. O exercício faz libertar endorfinas.

7. Ouvir

Antes de atribuires um castigo, pergunta ao teu filho o seu lado da história e ouve à séria a sua resposta. Às vezes nem tudo é o que parece.

8. Respirar

Enche os pulmões de ar e faz algumas respirações purificadoras. Oxigenar o cérebro permite pensar mais claramente.

9. Afastar as crianças

Tira as crianças de cima de ti e manda-as brincar noutro quarto ou no quintal. Não há vergonha nenhuma em precisar de estar um bocadinho sozinho. Pela tua sanidade.

10. Revezar-se

Eu sei que muitas vezes não é possível, mas se tiveres essa oportunidade, reveza-te com o teu marido, a avó ou uma ama para conseguires aliviar o stress.

11. Perguntar

Faz perguntas aos teus filhos sobre o seu comportamento. Vê se eles conseguem identificar uma forma melhor de agir em relação a determinada situação, no futuro.

12. Limpar

Esfregar o chão, aspirar ou acabar com aquela montanha de roupa suja, dá-te um sentimento de realização num mau dia. (E as coisas têm de ser feitas na mesma, por isso…)

13. Sair de casa

Ar fresco faz sempre bem. Uma caminhada pode ser a diferença entre um dia desastroso e um agradável. Se for preciso, leva os miúdos. Verás que também a eles lhes faz bem.

14. Põe-te nos sapatos do teu filho

Tenta ver o mundo do ponto de vista do teu filho. Ele provavelmente também está a ter um dia mau.

15. Conectar-se com os filhos

Faz algo que todos gostem para voltarem a encontrar o equilibrio como uma família.

16. Lembra-te que é que manda

Tu és o pai/mãe e tens a capacidade de definir as energias da tua família. Estás a deixar o humor do teu filho influenciar o teu? Reverte isso.

17. Cumprir o prometido

Se passas a vida a dizer “a próxima vez que fizeres isso…” então está na hora de cumprir e impor as consequências, mesmo que implique mais trabalho para ti.

18. Ligar a um amigo

Às vezes precisas de desabafar. Pega  no telefone e liga a um amigo ou membro da família para nem que seja para desabafares.

19. Procura soluções

Não vale a pena combater sempre as mesmas batalhas. Senta-te e pensa em soluções permanentes que evitem os conflitos mais usuais.

20. Sonhar acordado

Às vezes só precisas de viajar um pouco mentalmente. E fazes bem, desde que todos estejam em segurança e não te percas no tempo.

A parentalidade positiva consiste em refletir um pouco mais antes de agir. Reflete um minuto extra antes de gritares e pensa na melhor maneira de lidares com a situação. Mesmo que atribuas um castigo tardiamente para evitar gritar, lembra-te que um pai ou mãe controlado consegue sempre obter uma melhor resposta dos filhos do que um que grita compulsivamente. Dá um exemplo positivo, e trata os teus filhos com o mesmo respeito que pretendes que te tratem.

imagem@vix

Por Heather Hale, Familyshare.com

 

 

 

Pais Sem Pressa? Sim, é possível

Junho 28, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 8 de junho de 2017.

A psicóloga Inês Marques dá alguns conselhos aos pais para uma vida mais calma em família: criar um momento de atenção plena à criança todos os dias. Uma brincadeira escolhida por ela em que o que interessa é estar em interação e sintonia emocional com o pai, a mãe ou ambos. Tudo o resto pode esperar. Percorra a galeria para conhecer os outros.

Mais tempo em família, menos tecnologia, brincar até fartar, são algumas bases do movimento norte-americano Slow Parenting [Pais Sem Pressa]. Por cá, as ideias fazem eco. Há pais que tentam desacelerar a vida dos filhos, esticar o tempo para estarem juntos, viver mais devagar. Pais sem pressa? É complicado, mas não impossível.

Texto Sara Dias Oliveira

De um lado para o outro e o tempo não estica. Tentar chegar a horas. Casa, escola, trabalho, escola, casa e sempre a correr. O movimento Slow Parentig, Pais sem Pressa em português, tem raízes nos Estados Unidos e defende que é possível abrandar a rotina dos pais para desacelerar a dos filhos. Em nome do equilíbrio. Em nome da felicidade. A ideia não passa despercebida em Portugal. Não há um movimento organizado, mas há famílias que pensam no assunto. E que fazem o que podem.

Helena Gonçalves Rocha, terapeuta familiar, licenciada em Educação Especial e Reabilitação, é mãe do Guilherme de 17 anos e da Mariana de 12. Quando os filhos eram mais pequenos, fazia questão de não preencher os horários com atividades extra. No final do dia, chegavam a casa, punham a música bem alto e dançavam como se ninguém estivesse a vê-los.

E os banhos eram aproveitados para brincar e ouvir o que os filhos tinham para contar. «Ainda hoje um dos programas preferidos que nos ajuda a reforçar lados e a aprender são os passeios na natureza, observando as pequenas alterações, os animais que se movimentam, quanto tempo passámos nós a ver as formigas a trabalhar», conta.

filhos cresceram, as estratégias foram sendo afinadas. Uma vez por ano, vão para um sítio sem telemóveis, fazem campismo, apreciam um belo nascer do sol. «Temos o cuidado de construir memórias», diz. E como moram ao pé da praia, na margem sul do Tejo, com o mar à porta, e o marido, Rui Rocha, tem uma escola de surf na Costa de Caparica, miúdos e pai praticam surf. Helena fica na areia a tirar fotos das acrobacias no mar.

Descomplicar não é assim tão difícil e, na sua perspetiva, é importante. Usufruir das relações, das emoções, saber esperar e apreciar as pequenas coisas. É certo que os relógios não param e as rotinas têm horas marcadas. «Hoje em dia a pressão da perfeição faz que os pais queiram preparar os seus filhos o melhor possível. Preenchem os seus horários com todas as atividades possíveis para serem os melhores», diz.

Mas para a terapeuta familiar, que conhece o conceito dos Pais sem Pressa, não é difícil eliminar elementos de stress e criar momentos de maior prazer. «Os miúdos são muito mais simples e muito menos exigentes do que possamos pensar. Eles querem o adulto efetivamente com eles, sem hora marcada, sem tecnologia no meio, apenas apreciando.» E fica um conselho. «Experimentem a riqueza de se deitarem na relva e ver as nuvens correrem, parece simples, mas para os mais pequenos é todo um mundo.»

A felicidade é um pilar importante do movimento Pais sem Pressa. Aproveitar os pequenos prazeres da vida e passar o máximo de tempo em família também. Há pormenores que ajudam a desacelerar a rotina. Menos tecnologia e mais tempo em família, incentivar os filhos a fazer novas amizades, saber ouvir e saber observar, brincar até fartar, aprender sem compromissos e de forma espontânea, estabelecer limites e saber dizer não, encontrar tempo para esvaziar a mente, dar tempo aos filhos. Menos às vezes é mais.

Rebelo tem três filhos. Maria de 17 anos, Tomás de 15 e Matilde de 12. Criou o blogue «A Mãe da Maria» e foi aí que partilhou algumas considerações sobre o Slow Parenting. «Penso muitas vezes em como seria bom ter menos pressa quando estou com os meus filhos. Gostaria de ter o tempo suficiente, para não estar sempre a puxar por eles. Ou porque temos de sair a correr para o colégio, ou porque temos de ir jantar, que já é tarde, ou porque têm de ir dormir, que já passou a hora», escreveu no blogue.

Há 17 anos, quando a Maria nasceu, com uma deficiência única no mundo, a vida foi virada do avesso. Ana percebeu que não valia a pena fazer grandes planos, que o tempo é para ser vivido e aproveitado gota a gota. Teve mais dois filhos e, sempre que possível, tenta abrandar as rotinas mesmo com horários preenchidos. Maria anda na hipoterapia, Matilde no voleibol, Tomás deixou o judo e quer experimentar outro desporto.

Ana, que se diz uma «mãe cheia de pressa», executiva de profissão, que está a liderar a criação do Dia Nacional da Inclusão, em análise na Assembleia da República e lançou o livro A Mãe da Maria no ano passado, valoriza o tempo em família. Todos à mesa ao jantar, conversas durante a refeição, menos tempo com os olhos nas tecnologias. Quer que as suas crianças sejam felizes. «Olhar para eles com calma e serenidade, cada um tem o seu ritmo de desenvolvimento, a sua forma de estar na vida. Queremos estar mais tempo com eles e fazer aquilo de que gostam.»

O dia começa pouco antes das sete da manhã, à noite estão todos em casa pelas 19h30. Os textos e as fotografias para o blogue são, por vezes, tema de conversa às refeições. O que há para fazer e o que se quer fazer é sempre colocado à consideração da família. «A agenda é posta em avaliação e eles já sabem que a última decisão é dos pais», revela.

Tomás só teve permissão para ter Facebook no dia em que fez 14 anos. O mesmo acontecerá com Matilde. No entanto, há realidades que se impregnam, que fazem parte do sistema. «Os pedidos que as escolas fazem hoje em dia são inacreditáveis. Exigem mais horas de trabalho. Há aquela pressão para serem os melhores alunos e as escolas esquecem-se de lhes lembrar que têm de ser felizes», comenta.

sem pressa? Tentamos ser, mas é difícil, é quase como remar contra a maré», observa Ana, professora na Universidade de Aveiro. Ana, Brian, o marido inglês e professor na mesma universidade, e a filha Sara, de 13 anos, no 8º ano no ensino articulado, que toca harpa e pratica remo, levantam-se e deitam-se cedo – hábito importado do país de Brian. Jantam sempre juntos, não veem muita televisão.

«Tentamos não ter pressa de manhã, comer devagarinho, não ir a correr para a escola», conta. Mas Ana sabe que isso não acontece em muitas casas. «É muito fácil os miúdos não terem nenhum contacto com os pais durante a semana. De repente, não se conversou sobre nada. É preciso ter um bocadinho de tempo para estar e começar a falar», diz.

O tempo em família é fundamental. Vão ao cinema de vez em quando, a espetáculos culturais em Aveiro e no Porto, a feiras de antiguidades aos domingos perto de casa, passeiam a pé, andam muito de bicicleta. Os horários de professores universitários ajudam nesta desaceleração. «Temos um emprego que nos dá uma certa flexibilidade. Não temos de trabalhar das 09h00 às 19h00, como a maioria dos pais», comenta Brian.

Quando a Sara estava na creche, iam buscá-la o mais cedo possível, e desde pequena, até terminar a escola primária, liam livros de poesia depois do jantar. Em português e em inglês. E, enquanto a Sara ainda não sabia ler, faziam teatros para acompanhar os poemas. «Temos experiência de outra realidade que não é a portuguesa. Temos de descomplicar a vida», diz Brian.

Sara faz agora remo, depois de ter praticado natação durante vários anos. O regime de competição e os treinos que passaram a ser diários pesavam no horário e Sara saiu. «Devia haver uma articulação entre as escolas e as atividades extracurriculares, nomeadamente no desporto», comenta Brian. Como acontece no seu país.

No ano passado, viveram os três um ano em Cambridge. Ana e Brian focados nas suas investigações académicas, Sara na escola que começava às 08h30 e terminava às 15h30 todos os dias. Sobrava-lhe tempo para teatro e coro dentro da escola, atividades gratuitas. E ainda tocava harpa em algumas orquestras. Sara gostou desse ano em Cambridge.

«A minha vida não é muito agitada. Em Inglaterra, era mais tranquila», adianta. Ana nunca tinha ouvido falar no Movimento Pais sem Pressa e não tardou a pesquisar. «É uma ideia maravilhosa», comenta. «Todos os pais fazem o melhor que podem dentro dos parâmetros que têm», acrescenta Brian.

A opinião dos especialistas

O pediatra Mário Cordeiro está a escrever um livro sobre o assunto que se chamará precisamente Pais sem Pressa e será publicado em setembro, depois das férias escolares e antes da lufa-lufa do próximo ano letivo. Um livro com conselhos para os pais alterarem pequenas coisas que têm um enorme impacto na criação de momentos tranquilos, felizes, e mais adequados aos ritmos próprios da condição humana.

«Esta questão é fundamental atualmente. O problema desta desaceleração e agitação constante em tudo, designadamente na vida dos pais e das crianças, gera um enorme stress e, consequentemente, mal-estar psicológico, social e físico», diz o pediatra. Os dias dos mais pequenos são um grande exemplo. «No caso das crianças, desde que se levantam até que se deitam, atrevia-me a dizer que na maioria dos casos a pressão é enorme e constante. Na escola, onde chegam cansadas porque já tiveram horas de stress, de transportes, de arenga dos pais, o sistema de ensino-aprendizagem é cada vez mais desfasado do que deveria ser e mais ineficaz no sentido de desenvolver pessoas assertivas, competentes, solidárias, com inteligência emocional desenvolvida e felizes», diz Mário Cordeiro.

No entanto, não é possível reinventar a vida de um momento para o outro. O busílis da questão está nos estilos de vida, nas exigências no trabalho e na escola, nas condicionantes dos transportes e da habitação. Na própria organização social. «Muitas famílias têm uma vida infeliz e isso não tem que ver apenas com questões financeiras. É tempo de parar para pensar, para refletir, para questionar o que é que desejamos desta sociedade, e até que ponto a parentalidade não está a ser devorada pelo “mais do mesmo” ou pelo “gerir a crise”.»

«As tecnologias, ecrãs e internet, que são tão preciosos, dão-nos facilidade e tempo. Usar esse tempo para continuar numa parafernália vivencial, num redemoinho constante, numa exigência de “mais e mais”, é um autêntico tiro no pé, que se pagará muito caro – já se está a pagar – em termos de saúde física, mental e social», realça o pediatra.

Inês Afonso Marques, psicóloga clínica da Oficina de Psicologia, concorda que o tempo anda depressa de mais para as famílias. As crianças vivem a uma grande velocidade, com pouco tempo para sonharem, serem crianças, estarem sintonizadas com os pais. Na sua opinião, é fundamental desligar o piloto automático das rotinas semanais, entre escola, atividades extracurriculares, explicações, festas de aniversário.

«Exigir que as crianças vivam agendas apertadas como as dos pais é potenciar ansiedade. É, muitas vezes, exigir-lhes competências para as quais não estão, à partida, preparadas. Apressar as crianças é, muitas vezes, impossibilitá-las de sonhar. É tirar-lhes tempo para as verdadeiras brincadeiras da infância. E principalmente é fortalecer o distanciamento emocional», diz.

E é preciso não esquecer que a infância é uma espécie de tubo de ensaio em que se absorve tudo, experimenta-se, treinam-se competências e recursos essenciais ao longo da vida. «Viver em correria permanente é não ter possibilidade de assimilar experiências. É apressar sem se respeitar a individualidade.» E o movimento Pais sem Pressa defende exatamente uma educação com momentos de pausa, propícios à reflexão e à descoberta. O caminho é por aí.

 

 

O que dizer aos mais novos quando há um atentado em que morrem crianças e adolescentes?

Maio 26, 2017 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 23 de maio de 2017.

Bárbara Wong

Atentado em Manchester fez pelo menos 22 mortos, entre eles crianças.

Era uma festa sobretudo para crianças e adolescentes, que são o público que segue e assiste aos concertos de Ariana Grande. A Arena de Manchester tornou-se notícia devido ao já reivindicado atentado em que morreram, pelo menos, 22 pessoas e dezenas ficaram feridas. Entre estas estão crianças e jovens.

É inevitável que os mais novos vejam a notícia, seja num site, na televisão ou numa rede social. Eles gostam e acompanham a carreira de Ariana Grande — esperavam que a cantora viesse a Lisboa proximamente, mas entretanto todos os concertos foram cancelados — e não há como lhes esconder o que se passa no mundo. Assim, o que dizer-lhes?

Informar, mas sem ir muito longe
José Morgado, professor no ISPA — Instituto Universitário, defende que os pais devem falar sobre o tema e responder a todas as perguntas que forem feitas. Contudo, “não dar mais informação do que a que eles pedem”, aconselha, alertando para que os filhos não vejam as imagens sozinhos, mas sempre com mediação dos pais, para que expliquem o que se passa.

“Se não perguntarem mais, não dizemos mais para não instalar a dúvida”, defende.

E é importante “desconstruir”, diz por seu lado o pedagogo Renato Paiva, autor do livro Queridos Pais, Odeio-vos, editado recentemente pela Esfera dos Livros. Dizer aos filhos que nem todas as pessoas de determinada etnia ou religião são terroristas, para que os filhos não façam generalizações.

Falar sobre a morte
Não é fácil falar sobre a morte de crianças com outras crianças, reconhece José Morgado. “É algo que não se prevê, que é pontual, que é residual”, acrescenta Renato Paiva. Por isso, mais uma vez, é preciso não entrar em generalizações, porque as crianças e os jovens morrem e noutras circunstâncias que não num atentado, sublinha o pedagogo.

Mais uma vez, para José Morgado, falar da morte é responder às perguntas que são feitas, contextualizando-as, explicando porque aconteceu. “Começamos por introduzir uma leitura do mundo, porque é tão importante a morte de uma criança síria por causa das armas químicas como a morte de uma criança em Manchester”, defende Morgado.

Transmitir segurança
Situações como esta devem servir para falar também sobre segurança, considera Renato Paiva. Os pais devem aproveitar para falar sobre as preocupações que os jovens devem ter quando vão a um concerto. “O que podes evitar? O que podes fazer se ouvires um estrondo?”, exemplifica. “O esmagamento [devido às pessoas que estão em fuga] pode ser mais preocupante do que o atentado em si”, acrescenta.

Ao falar disso, os pais não estão a incutir o medo nas crianças e nos jovens? “Não, estão a incutir-lhes cuidado e atenção”, responde, dando outros exemplos, como pedir aos filhos para terem cuidado quando andam na rua e vão atravesssar uma estrada; ou os cuidados a terem para não serem assaltados.

Crescer para a paz
Situações como estas podem gerar incompreensão, revolta, vontade de responder na mesma moeda. No entanto, devem servir para “aprender a crescer e a não magoar os outros”, defende José Morgado.

É preciso explicar aos mais novos que há pessoas que estão a ser educadas para uma forma de viver violenta, para a autodestruição e o extermínio, mas que “a pior coisa que podemos fazer é responder com ódio”, declara Helena Marujo, psicóloga e professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa.

Helena Marujo defende que é preciso “criar uma nova geração crítica” e para isso é preciso centrar menos a educação nos conteúdos escolares e mais em aspectos humanistas, nas expressões artísticas, na filosofia, na possibilidade de debater ideias, continua a professora, precursora da Psicologia para a Felicidade.

A investigadora lembra que quem estava no concerto estava a celebrar e que o ataque terrorista tem como objectivo destruir a alegria. “Os bombistas foram treinados para dar sentido à morte, nós temos de ensinar as novas gerações a dar sentido à vida”, conclui.

 

 

Workshop “Promoção de Competências Parentais Positivas” 23 abril no Porto

Março 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mdc

Objetivos:

Os formandos no final da formação deverão ser capazes de:

Desenvolver competências para trabalhar junto das famílias no âmbito da educação parental positiva.

Conteúdos:

Parentalidade bem sucedida

Estilos parentais

Comunicação eficaz com os filhos

Gestão e modificação de comportamentos negativos

Discussão de casos

mais informações:

http://www.mdcpsicologia.pt/formacao/catalogo/action-detail/promocao-de-competencias-parentais-positivas-239/

 

Ciclo de Workshops sobre Parentalidade – 23 nov., 6 dez. e 13 dez. em Coimbra

Novembro 21, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Crianças com pai participativo demonstram mais cooperação e autocontrole, diz estudo

Outubro 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://revistacrescer.globo.com/ de 12 de agosto de 2016.

Os estudos citados são os seguintes:

Child behavior problems: Mothers’ and fathers’ mental health matters today and tomorrow

More than Just the Breadwinner: The Effects of Fathers’ Parenting Stress on Children’s Language and Cognitive Development

 

thinkstock

Pesquisa da Universidade de Michigan analisou dados de 730 famílias

Por Juliana Malacarne

Por muito tempo, acreditou-se que a mãe tinha mais impacto na formação dos filhos do que o pai, mas a ciência vem mostrando que isso não é verdade. Os dois exercem um papel igualmente importante para o desenvolvimento da criança, como mostra um novo estudo da Universidade de Michigan.

Os cientistas analisaram dados de 730 famílias norte-americanas de 17 regiões do país, para descobrir os efeitos de pais com problemas como estresse e depressão no desenvolvimento dos filhos. O estudo descobriu que a saúde mental de pai e mãe tinha um efeito similar nos problemas de comportamento de bebês.

Quando o pai era participativo e não tinha nenhuma doença mental, as crianças tiveram um impacto positivo em longo prazo, demonstrando mais autocontrole e cooperação ao chegarem à quinta série.

Já quando o pai tinha estresse ou alguma doença mental, isso teve um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo e de linguagem nas crianças de 2 e 3  anos, mesmo quando a interação da mãe era positiva. A influência afetou mais o desenvolvimento linguístico dos meninos do que das meninas.

Na conclusão, os pesquisadores defendem que a qualidade da relação que o pai tem com o filho e suas características pessoais têm muita influência no desenvolvimento social da criança. Para a psicóloga e presidente executiva da Solace Institute, Paula Emerick, o estudo comprova o que é possível perceber clinicamente no dia-a-dia. “Para existir equilíbrio, a criança necessita estar sob a influência dos dois modelos, de pai e de mãe”, afirma. “Eles são complementares e fundamentais para que o filho seja lançado na vida adulta, de forma mais estruturada, funcional e feliz”.

Porém, isso não significa que toda família que não tenha um pai presente, criará filhos desestruturados e com problemas emocionais. A figura paterna não necessariamente precisa ser o pai biológico, um tio, avô ou padrasto, pode desempenhar essa função, de acordo com a psicóloga. O importante é que ele esteja presente no dia-a-dia da criança, estabelecendo limites, e é claro, dando muito carinho e amor.

 

 

 

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