O que dizer aos mais novos quando há um atentado em que morrem crianças e adolescentes?

Maio 26, 2017 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 23 de maio de 2017.

Bárbara Wong

Atentado em Manchester fez pelo menos 22 mortos, entre eles crianças.

Era uma festa sobretudo para crianças e adolescentes, que são o público que segue e assiste aos concertos de Ariana Grande. A Arena de Manchester tornou-se notícia devido ao já reivindicado atentado em que morreram, pelo menos, 22 pessoas e dezenas ficaram feridas. Entre estas estão crianças e jovens.

É inevitável que os mais novos vejam a notícia, seja num site, na televisão ou numa rede social. Eles gostam e acompanham a carreira de Ariana Grande — esperavam que a cantora viesse a Lisboa proximamente, mas entretanto todos os concertos foram cancelados — e não há como lhes esconder o que se passa no mundo. Assim, o que dizer-lhes?

Informar, mas sem ir muito longe
José Morgado, professor no ISPA — Instituto Universitário, defende que os pais devem falar sobre o tema e responder a todas as perguntas que forem feitas. Contudo, “não dar mais informação do que a que eles pedem”, aconselha, alertando para que os filhos não vejam as imagens sozinhos, mas sempre com mediação dos pais, para que expliquem o que se passa.

“Se não perguntarem mais, não dizemos mais para não instalar a dúvida”, defende.

E é importante “desconstruir”, diz por seu lado o pedagogo Renato Paiva, autor do livro Queridos Pais, Odeio-vos, editado recentemente pela Esfera dos Livros. Dizer aos filhos que nem todas as pessoas de determinada etnia ou religião são terroristas, para que os filhos não façam generalizações.

Falar sobre a morte
Não é fácil falar sobre a morte de crianças com outras crianças, reconhece José Morgado. “É algo que não se prevê, que é pontual, que é residual”, acrescenta Renato Paiva. Por isso, mais uma vez, é preciso não entrar em generalizações, porque as crianças e os jovens morrem e noutras circunstâncias que não num atentado, sublinha o pedagogo.

Mais uma vez, para José Morgado, falar da morte é responder às perguntas que são feitas, contextualizando-as, explicando porque aconteceu. “Começamos por introduzir uma leitura do mundo, porque é tão importante a morte de uma criança síria por causa das armas químicas como a morte de uma criança em Manchester”, defende Morgado.

Transmitir segurança
Situações como esta devem servir para falar também sobre segurança, considera Renato Paiva. Os pais devem aproveitar para falar sobre as preocupações que os jovens devem ter quando vão a um concerto. “O que podes evitar? O que podes fazer se ouvires um estrondo?”, exemplifica. “O esmagamento [devido às pessoas que estão em fuga] pode ser mais preocupante do que o atentado em si”, acrescenta.

Ao falar disso, os pais não estão a incutir o medo nas crianças e nos jovens? “Não, estão a incutir-lhes cuidado e atenção”, responde, dando outros exemplos, como pedir aos filhos para terem cuidado quando andam na rua e vão atravesssar uma estrada; ou os cuidados a terem para não serem assaltados.

Crescer para a paz
Situações como estas podem gerar incompreensão, revolta, vontade de responder na mesma moeda. No entanto, devem servir para “aprender a crescer e a não magoar os outros”, defende José Morgado.

É preciso explicar aos mais novos que há pessoas que estão a ser educadas para uma forma de viver violenta, para a autodestruição e o extermínio, mas que “a pior coisa que podemos fazer é responder com ódio”, declara Helena Marujo, psicóloga e professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa.

Helena Marujo defende que é preciso “criar uma nova geração crítica” e para isso é preciso centrar menos a educação nos conteúdos escolares e mais em aspectos humanistas, nas expressões artísticas, na filosofia, na possibilidade de debater ideias, continua a professora, precursora da Psicologia para a Felicidade.

A investigadora lembra que quem estava no concerto estava a celebrar e que o ataque terrorista tem como objectivo destruir a alegria. “Os bombistas foram treinados para dar sentido à morte, nós temos de ensinar as novas gerações a dar sentido à vida”, conclui.

 

 

Workshop “Promoção de Competências Parentais Positivas” 23 abril no Porto

Março 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mdc

Objetivos:

Os formandos no final da formação deverão ser capazes de:

Desenvolver competências para trabalhar junto das famílias no âmbito da educação parental positiva.

Conteúdos:

Parentalidade bem sucedida

Estilos parentais

Comunicação eficaz com os filhos

Gestão e modificação de comportamentos negativos

Discussão de casos

mais informações:

http://www.mdcpsicologia.pt/formacao/catalogo/action-detail/promocao-de-competencias-parentais-positivas-239/

 

Ciclo de Workshops sobre Parentalidade – 23 nov., 6 dez. e 13 dez. em Coimbra

Novembro 21, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/info.gabinetedepsicologia

 

Crianças com pai participativo demonstram mais cooperação e autocontrole, diz estudo

Outubro 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://revistacrescer.globo.com/ de 12 de agosto de 2016.

Os estudos citados são os seguintes:

Child behavior problems: Mothers’ and fathers’ mental health matters today and tomorrow

More than Just the Breadwinner: The Effects of Fathers’ Parenting Stress on Children’s Language and Cognitive Development

 

thinkstock

Pesquisa da Universidade de Michigan analisou dados de 730 famílias

Por Juliana Malacarne

Por muito tempo, acreditou-se que a mãe tinha mais impacto na formação dos filhos do que o pai, mas a ciência vem mostrando que isso não é verdade. Os dois exercem um papel igualmente importante para o desenvolvimento da criança, como mostra um novo estudo da Universidade de Michigan.

Os cientistas analisaram dados de 730 famílias norte-americanas de 17 regiões do país, para descobrir os efeitos de pais com problemas como estresse e depressão no desenvolvimento dos filhos. O estudo descobriu que a saúde mental de pai e mãe tinha um efeito similar nos problemas de comportamento de bebês.

Quando o pai era participativo e não tinha nenhuma doença mental, as crianças tiveram um impacto positivo em longo prazo, demonstrando mais autocontrole e cooperação ao chegarem à quinta série.

Já quando o pai tinha estresse ou alguma doença mental, isso teve um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo e de linguagem nas crianças de 2 e 3  anos, mesmo quando a interação da mãe era positiva. A influência afetou mais o desenvolvimento linguístico dos meninos do que das meninas.

Na conclusão, os pesquisadores defendem que a qualidade da relação que o pai tem com o filho e suas características pessoais têm muita influência no desenvolvimento social da criança. Para a psicóloga e presidente executiva da Solace Institute, Paula Emerick, o estudo comprova o que é possível perceber clinicamente no dia-a-dia. “Para existir equilíbrio, a criança necessita estar sob a influência dos dois modelos, de pai e de mãe”, afirma. “Eles são complementares e fundamentais para que o filho seja lançado na vida adulta, de forma mais estruturada, funcional e feliz”.

Porém, isso não significa que toda família que não tenha um pai presente, criará filhos desestruturados e com problemas emocionais. A figura paterna não necessariamente precisa ser o pai biológico, um tio, avô ou padrasto, pode desempenhar essa função, de acordo com a psicóloga. O importante é que ele esteja presente no dia-a-dia da criança, estabelecendo limites, e é claro, dando muito carinho e amor.

 

 

 

7 coisas que podemos fazer para nossos filhos serem bem sucedidos

Outubro 15, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.paisefilhos.com.br/ de 17 de junho de 2015.

paisfilhos

Redação Pais&Filhos

Querer o melhor para os filhos é um desejo quase universal dos pais. Seja a melhor casa, o melhor emprego, as melhores viagens, os melhores amigos ou o melhor namorado (ou namorada), estamos sempre desejando que eles alcancem o sucesso. Mas o segredo disso está, principalmente, no que nós ensinamos para as crianças desde pequenas. Confira 7 valores que você pode ensinar e mudarão a vida do seu filho no futuro:

1) Ensine respeito: Não apenas respeito pelas pessoas, mas respeito por tudo aquilo que ele conquistou, pelo seu próprio trabalho, pelo meio ambiente, pelo que ganha e pelo que perde.

2) Ensine tolerância: as crianças precisam aprender desde cedo que as diferenças fazem parte do mundo que vivemos e que não há nada mais bonito do que ajudar alguém que precisa. Precisamos ensinar nossos filhos também a tolerarem aquilo com o que não concordam.

3) Ensine responsabilidade: nós temos a obrigação de ensinar nossos filhos como assumir a responsabilidade por suas ações. É importante que eles entendam que tudo o que fazem tem consequências negativas ou positivas e que podem afetar outras pessoas. Pode ser difícil disciplinar as crianças, mas não desista!

4) Ensine autocontrole: crianças que sabem como se controlar vão se tornar adultos independentes. Crianças que precisam ser o tempo todo mandadas podem se sentir perdidas mesmo depois de adultas, quando estiverem sozinhas pela primeira vez. Saber seu próprio limite e conseguir se controlar vai fazer uma diferença enorme na vida do seu filho, até mesmo na vida financeira.

5) Ensine honestidade: crianças precisam ser honestas com os outros e com elas mesmas. Isso não significa serem mal-educadas e falarem sempre o que pensam de forma grosseira. Isso significa admitir seus erros, ajudar os outros e principalmente não criar o hábito de mentir por medo ou por conveniência. Depois que as crianças crescem, honestidade com elas mesmas vai fazê-las irem muito mais longe.

6) Ensine habilidades básicas: todo mundo precisa aprender a arrumar a própria cama, colocar seu prato na pia, ajudar a secar a louça e colocar o lixo para fora. Não é colocar seu filho para trabalhar, mas mostrar para ele que ajudar em casa é importante e que, quando ele for mais velho, algumas habilidades básicas serão necessárias para a vida toda.

7) Seja o modelo para seu filho: nada disso vai funcionar se você e sua família não mostrarem que valorizam essas qualidades e que agem de forma coerente. Seu exemplo também vai educar, junto com as conversas, as brincadeiras, tudo o que você fizer pelo seu filho.

 

 

 

Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Setembro 20, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.contioutra.com/ de 7 de setembro de 2016.

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Os filhos perfeitos nem sempre sabem sorrir, nem conhecem o som da felicidade: temem cometer erros e nunca alcançam as elevadas expectativas que os seus pais têm. A sua educação não está baseada na liberdade, nem no reconhecimento, e sim na autoridade de uma voz rígida e exigente.

Segundo a APA (American Psychological Association) a depressão nos adolescentes já é um problema muito grave na atualidade, e uma exigência desmedida por parte dos pais pode derivar facilmente na falta de autoestima, ansiedade, e em um elevado mal-estar emocional.

A educação sempre deve ser a base da felicidade, do autoconhecimento, e não uma diretriz baseada unicamente no perfeccionismo onde os direitos da criança são completamente vetados.

É preciso ter em mente que essa exigência na infância deixa a sua marca irreversível no cérebro adulto: a pessoa nunca se acha suficientemente competente, nem perfeita com base naqueles ideais que lhe foram incutidos. É preciso cortar esse vínculo limitante que veta a nossa capacidade de sermos felizes.

Filhos perfeitos: quando a cultura do esforço é levada ao limite

Frequentemente ouvimos que vivemos em uma cultura que baseia a sua educação na falta de esforço, na permissividade e na pouca resistência à frustração. Contudo, isso não é totalmente verdade: em geral, e mais ainda em tempos de crise, os pais procuram a “excelência” em seus filhos.

Se uma criança tira um 7 em matemática, é pressionado para alcançar um 10. As suas tardes são preenchidas com aulas extracurriculares e seus momentos de ócio são limitados à busca por mais competências, resultando em estresse, esgotamento e vulnerabilidade.

The Price of Privilege” é um livro interessante publicado pela doutora Madeleine Levine, onde ela explica como, na nossa necessidade de pais em educar filhos perfeitos e aptos para o futuro, o que estamos conseguindo é criar filhos “desconectados da felicidade”.

Educar é ser capaz de exercer a autoridade com amor, guiando seus passos com segurança e afeto porque a infância é um fundo de reserva para a vida toda.

Consequências de exigir demais das crianças

Existe uma coisa que precisamos considerar muito bem. Podemos educar nossos filhos na cultura do esforço, podemos e devemos exigir, sem dúvida, mas tudo tem um limite. Essa barreira, que deveria ser intransponível, é a de acompanhar a exigência a um colchão afetivo incondicional.

Do contrário, nossos filhos perfeitos serão crianças tristes que evidenciarão as seguintes dimensões:

-Dependência e passividade: uma criança acostumada a ser mandada deixa de decidir por conta própria. Assim, sempre procura a aprovação externa e perde a sua espontaneidade, a sua liberdade pessoal.

– Falta de emotividade: os filhos perfeitos inibem suas emoções para se ajustarem ao que “tem que ser feito”, e toda essa repressão emocional traz graves conseqüências a curto e longo prazo.

– Baixa autoestima: uma criança ou um adolescente acostumado à exigência externa não tem autonomia nem capacidade de decisão. Tudo isso cria uma autoestima muito negativa.

– A frustração, o rancor e o mal-estar interior podem se traduzir muito bem em instantes de agressividade.

– A ansiedade é outro fator característico das crianças educadas na exigência: qualquer mudança ou uma nova situação gera insegurança pessoal e uma elevada ansiedade.

Pais exigentes frente a pais compreensivos

A necessidade de educar “filhos perfeitos” é uma forma sutil e direta de dar ao mundo crianças infelizes. A pressão da exigência irá acompanhá-las sempre, e mais ainda se a sua educação for baseada na ausência de estímulos positivos e de afeto.

Fica claro que como mães, como pais, desejamos que nossos filhos tenham sucesso, mas acima de tudo está a sua felicidade. Ninguém deseja que na adolescência desenvolvam uma depressão ou que sejam tão exigentes com eles mesmos que não saibam o que é se permitir aproveitar, sorrir ou cometer erros.

Características gerais

Neste ponto, é preciso saber diferenciar entre a educação baseada na exigência mais rigorosa e aquela criação baseada na compreensão e na conexão emocional com nossos filhos.

Os pais muito exigentes e críticos costumam apresentar uma personalidade insegura que precisa ter sob controle cada detalhe.

– Os pais compreensivos “impulsionam” seus filhos para a conquista, permitindo explorar coisas, sentir e descobrir. São guias e não colocam fios nos seus filhos para movê-los como marionetes.

– O pai exigente é autoritário e leva um estilo de vida que está sempre seguindo o relógio. Indica regras e decisões para economizar tempo através do “porque eu sei que é melhor para você”, ou “porque eu sou seu pai/mãe”.

Para concluir: educar é exercer a autoridade, mas com bom senso. É usar o afeto como antídoto e a comunicação como estratégia.

Nossos filhos não são “nossos”, são crianças do mundo que deverão ser capazes de escolher por si próprios, com direito de errar e aprender, com a obrigação de chegar à maturidade sendo livres de coração e com seus próprios sonhos para realizar.

 

 

 

5 conselhos para deixar de gritar com o seu filho

Abril 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 9 de abril de 2016.

Mimafoto iStock

Ana Cristina Marques

Magda Gomes Dias, formadora ligada à Educação Positiva, revela quais os passos a seguir para uma relação entre pais e filhos sem berros ou ralhetes desnecessários. Para poupar os ouvidos lá de casa.

Ninguém tem filhos para se zangar todos os dias, para gritar a plenos pulmões para ele ou ela deixarem de atirar comida para o chão ou para pararem de mexer onde não devem sequer encostar o dedo mindinho. Esta é a premissa que sustenta a nova obra de Magda Gomes Dias, formadora nas áreas de comportamento e comunicação há 15 anos, com certificação internacional em Inteligência Emocional, Educação Positiva e Coaching.

A mãe de dois é a autora de Berra-me Baixo (Manuscrito), que consiste basicamente num plano de 21 dias para que pais e mães deixem de berrar com os próprios filhos. Mas antes de aceitar o desafio e partir à aventura, a autora deixa ficar cinco conselhos para que a comunicação entre quem educa e quem é educado seja progressivamente mais fácil. E antes que seja apanhado desprevenido, a autora esclarece desde logo que a culpa de gritar com os miúdos é sua e não deles.

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1. É tudo uma questão de autorregulação

O livro assinado por Magda Gomes Dias começa com a ideia de que a criança deve sentir que está a ser educada por um adulto, isto é, alguém capaz de gerir as suas próprias emoções e que não cai no erro de agir tendo por base o impulso. Sobre isso, a autora diz ao Observador que a questão da autorregulação dos pais passa, em primeiro lugar, “por descobrir ou escolher que comportamento ter em determinada situação”. Preto no branco, Magda convida pais e mães a pensar no que os faz gritar com um filho, bem como as circunstâncias em que tal acontece.

E o que é que um filho ganha com um pai apto a gerir os próprios sentimentos? “Quando alguém grita connosco, o mais provável é termos uma de duas reações, ou atacamos ou defendemo-nos. Quando colocamos a criança a defender-se ou a agredir, ela não está a pensar, está antes a reagir”, explica a responsável pelo blogue Mum’s The Boss. Ao falar calmamente com os filhos, argumenta, está-se a dar oportunidades para que estes reflitam sobre o que se passou, mas também para que desenvolvam empatia e a noção de cooperação. “A empatia, ao nível da inteligência emocional, é das coisas mais importantes e implica adaptarmo-nos à linguagem do outro. Permite ainda que as crianças se sintam mais próximas dos pais.”

2. Ralhar não é o mesmo que gritar

As duas palavras parecem não existir uma sem a outra, mas Magda Gomes faz questão de as separar, começando por dizer que toda a gente pode ralhar. “A nossa missão enquanto pais também passa por ralhar, o que significa corrigir, reencaminhar e orientar a criança.” É nesse sentido que se explica que é possível ralhar sem humilhar os mais novos, isto é, que é possível (e até necessário) ralhar sem gritar. “As coisas confundem-se porque a maior parte das pessoas ralha a gritar.”

“Se por ralhar entendes chamar a atenção, lembrar, mostrares-te desapontado(a)/chateado(a) com uma situação e a seguir orientares e indicares o comportamento do teu filho, então, por favor, continua a ralhar! Fica a saber, no entanto, que não tens de o fazer a gritar ou agressivamente, mas também não tens de o fazer num tom de voz que nada tenha que ver com a situação.”

Berra-me Baixo, página 25

3. O truque é falar assertivamente e com calma

Apesar de o livro em questão não garantir que um pai vai em absoluto deixar de gritar com os filhos, tem como objetivo proporcionar relações filiais mais felizes. E se a tónica principal está no ato de baixar o tom de voz, então a ideia de falar com calma também é protagonista desta história. Mas nem tudo é um mar de rosas: “Às vezes os pais ralham com muita calma e, se estiverem zangados, essa serenidade vai soar mal. A cara tem de bater com a careta.” Mais uma vez, o hábito volta a vestir o monge, no sentido em que é preciso ir experimentando vários tons de voz junto das crianças para que estas percebam a mensagem. Mas por muito que varie o tom, a assertividade e a firmeza são sempre precisas. “Os pais têm de se mostrar zangados quando estão zangados. A nossa função não é convencer os miúdos a parar de fazer asneiras, mas sim explicar as regras. É preciso enunciar e explicar as regras e só depois introduzir a consequência”, diz.

“Quando acionas o ‘comando da voz calma’ ajudas as crianças a acalmarem-se. Sentem que têm um adulto sereno e consciente junto delas. E que não faz birras. Os pais e os educadores são os modelos mais importantes que as crianças podem ter, pelo que a voz calma dar-lhes-á esse mote.”

Berra-me Baixo, página 53

4. Castigo não é sinónimo de consequência

Já antes Magda Gomes Dias tinha dito ao Observador que a Parentalidade Positiva olha para o castigo e para a palmada como a lei do menor esforço, como algo que funciona a curto prazo. No livro Berra-me Baixo o assunto volta à discussão, com a autora a fazer uma distinção de antemão: a consequência não é o castigo. “O castigo, por norma, não tem que ver com a situação; a sua essência é fazer com que a criança sofra e se sinta mal com determinada escolha. Isto porque acreditamos que se sentir mal da próxima vez já não vai fazer aquilo”, explica. Por oposição, a consequência tem o condão de responsabilizar a criança e, segundo a própria, é mais justa do que o castigo — no castigo não há regra, antes uma ameaça e implica fazer as coisas pela calada. No entanto, uma breve fusão entre conceitos ocorre, dado que “a consequência pode ser um castigo dependendo do tom de voz com que as coisas são ditas”.

“A consequência tem como objetivo levar a criança a perceber o impacto da sua decisão, responsabilizando-a e também a reparar a situação. E não, a criança nem sempre tem de sofrer para compreender qual é o comportamento adequado e querer recuperá-lo a seguir. Jane Nelsen [terapeuta familiar norte-americana] pergunta, e bem, onde fomos buscar a ideia louca que para se portar bem uma criança tem de se sentir mal.”

Berra-me Baixo, página 69

5. O vínculo entre pais e filho não deve ser ignorado

“Quando os pais têm um vínculo forte com os filhos, estes estão mais dispostos a cooperar com eles”, garante Magda Gomes, que afirma sem hesitar que os pais preferem filhos cooperativos a obedientes. “Os filhos obedientes são aqueles que não tem vontade própria, que não pensam sobre as coisas; já os cooperantes escolhem cooperar em consideração pelos pais.” A importância de trabalhar o vínculo em questão vai além da melhor dinâmica na vida familiar, uma vez que quando as crianças se sentem mais próximas dos pais, sentem-se também emocionalmente mais seguras. Tal realidade trabalha a autoestima dos mais pequenos, que percebem, assim, que têm valor.

 

 

 

 

ABRIL – Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância em Mértola

Abril 8, 2016 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mertola

CPCJ Mértola

Rua Prof. Batista Graça, nº01 

7750-360 Mértola

cpcj@cm-mertola.pt 

Telf. 286 610 100 | ext. 1558

Fax 286 610 101

 

II Jornadas Sociais Supraconcelhias Aguiar da Beira, Celorico da Beira, Fornos de Algodres e Trancoso

Dezembro 9, 2015 às 2:37 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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cpcj

II Jornadas Sociais Supraconcelhias Aguiar da Beira, Celorico da Beira, Fornos de Algodres e Trancoso.
Um ano após a realização das I Jornadas Sociais Supraconcelhias, em Aguiar da Beira, segue-se a II edição, desta vez, em Fornos de Algodres, nos dias 10 e 11 de dezembro de 2015. As inscrições decorrerão até 09 de dezembro

gci@cm-fornosdealgodres

271 700 066

https://www.facebook.com/events/1497841257185537/

programa

http://www.cm-aguiardabeira.pt/index.php?option=com_k2&view=item&id=242:ii-jornadas-sociais-supraconcelhias&Itemid=177

Os pais também se educam?

Dezembro 2, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 22 de novembro de 2015.

Andreia Reisinho Costa  Observador

Ana Cristina Marques

Como é ser-se filho? Pode-se trocar de papel e ensinar os pais? Reunimos cinco testemunhos de diferentes idades para mostrar que quem educa não está sempre certo. No fim, uma terapeuta comenta.

Nem sempre é fácil os filhos lidarem com os pais, ou vice-versa. Apesar das boas intenções de parte a parte, este é um terreno pantanoso. Seja porque aos 15 anos o adolescente sente-se controlado e tenta contrariar todas as ordens que recebe, seja porque só mais tarde na vida é que pai e mãe ficam libertos dessa responsabilidade e passam a ser amigos das pessoas que trouxeram ao mundo.

Se é certo que as dinâmicas familiares entre quem educa e quem é educado se alteram ao longo do tempo, também se pode afirmar que os pais, ao contrário de um cliente num restaurante, não têm sempre razão. Posto isto, será que os pais precisam de ouvir mais os filhos, de os tentar compreender e até de aceitar que, às vezes, eles é que estão certos?

Em busca de uma resposta, falámos com filhos de diferentes idades, dos 16 aos 72 anos, para que descrevessem como são (ou foram) as relações com os respetivos pais, os seus desafios e mais-valias. Em suma, para saber se os pais também se educam. No fim dos testemunhos, uma mediadora familiar ajuda-nos a fazer uma leitura da questão.

Inês Fernandes, 16 anos, estudante

“Não me posso queixar muito dos meus pais. São muito compreensivos comigo e com o meu irmão [de 20 anos]. Dá sempre para falar com eles, mesmo que eu não esteja certa. Oiço muitos sermões, mas sinto-me à vontade para falar com eles [mãe e pai]. Não tenho medo de lhes dizer nada. Eles também sempre foram assim com o meu irmão. Mas notava que, quando eu era mais pequena e ele era adolescente, ele levava com mais sermões, não sei se por ser o filho mais velho, se por ter mais responsabilidade — os meus pais tiveram de aprender com ele primeiro. Não me lembro, pelo menos, de ver meu irmão de castigo. Eu é que fiquei de castigo algumas vezes, mas ele também sempre foi mais responsável ou, então, escondia melhor as asneiras.

Vejo que as minhas amigas, que não costumam ter tanto à vontade com os pais [masculinos], têm uma tendência maior para esconder as coisas. Vejo vários pais de amigas minhas que não se sentem à vontade para falar com elas. Mas também tenho amigas em que nem o pai nem a mãe são compreensivos. Fecham-nas muito. Cortam-lhe as asas — quanto mais eles insistem no facto de elas não poderem fazer certas coisas, e quanto mais limites colocam, mais elas acabam por fazer coisas para os desafiar, o que cria mais confusões.”

Maria, 28 anos, estudante

“A minha relação com os meus pais evoluiu imenso. Em pequena a minha mãe era a vilã, o meu pai o herói. Vinte anos depois o papel inverteu-se. Falando no geral, dou-me bem com os dois, mas não tenho com nenhum uma relação perfeita (se é que isso existe). Eu e a minha mãe discutimos imenso. Somos pessoas muito diferentes (ou muito iguais, quem sabe!) e gostamos das coisas de forma diferente. O que é normal. Em pequena a minha mãe era a chata. ‘Leva o casaco. Põe o gorro. Vai pôr a mesa. Já fizeste os trabalhos de casa?’. O meu pai era o companheiro de brincadeiras, de passeios, aquele que dizia: “Deixa lá a miúda em paz, se ela tiver frio veste o casaco.” Com o tempo, fui percebendo que o meu pai não era assim tão perfeito. Pelo contrário. Com isso, aprendi a valorizar mais a minha mãe.

Quando quis mudar de curso, foi com ela que falei. Sempre que tive um problema mais sério, foi sempre à minha mãe que recorri. Por outro lado, ela tem uma necessidade enorme de ser a minha confidente e quer que eu seja a dela, o que para mim é impensável. Mãe é mãe. Uma amiga é uma amiga. Eu tenho as minhas, ela tem as dela. Como é normal, há coisas da minha vida pessoal que não lhe dizem respeito. E vice-versa.

Os pais transmitem-nos valores, educam-nos e é normal que absorvamos alguns gostos e manias deles, mas somos seres diferentes e, por vezes, torna-se complicado fazer com que eles entendam isso. Que já não temos cinco ou oito anos. Ou mesmo 18. Que sabemos o que queremos para nós (ou achamos que sabemos) e isso não tem de ser necessariamente o que eles querem para nós. Temos direito a fazer as nossas escolhas, sejam elas certas ou erradas. Os filhos, tal como os pais, têm o direito a errar.”

João Barbosa, 45 anos, jornalista

“Os meus pais eram pessoas muito diferentes, o que não é nem vantagem nem desvantagem. Penso que, sinceramente, o meu pai nunca se apercebeu bem do seu egoísmo e tirania. Mas era um homem muito honesto em termos de dinheiro, de dar a palavra com honra, amigo do amigo. Um tipo espetacular. A minha mãe era meiga, terna, doce, mas mais castradora.

Até morrer, o meu pai mandou em toda a gente, incluindo nas funcionárias do apoio domiciliário e no resto da família ou amigos. Só eu o punha na ordem. Só eu tinha autoridade. Só a mim obedecia. O meu pai faleceu em fevereiro passado e orgulho-me de lhe ter dado um enorme presente. Sentei-me junto à cabeceira e disse-lhe: O pai não foi bom pai e não foi um bom marido. Mas foi e é um amigo bestial com quem se pode contar para tudo. O meu pai fez um sorriso lindo, como há muitos anos não lhe via. Esse calor irá sempre ligar-nos.

Penso que as relações entre pais e filhos (tenho um que é do relacionamento anterior da minha mulher) têm de ser de verdade, tendo em conta a memória, o entendimento, a idade e a inteligência. Quando dizemos ‘não’ é ‘não’, mas explicamos porque é que é ‘não’. Tentamos dar o exemplo. Ir ao McDonalds, por exemplo: ele comia sempre a sopa e os nuggets e eu comia apenas os nuggets. Um dia perguntou-me porque é que eu não comia sopa e porque é que ele tinha de comer. Dei-lhe razão e passámos os dois a comer sopa.”

Helena Carmo, 52 anos, técnica de reinserção social

“A relação com a minha mãe era muito tensa na adolescência. Vistas as coisas, e eu não fazia nada de extraordinário, ela era muito conservadora. Controlava muito a minha vida fora de casa e fazia isso não só com perguntas, mas vasculhando as minhas coisas. Impunha muito as questões da aparência, dizia-me que não podia usar as calças assim ou ter aquele corte de cabelo. Ela impedia muito a minha sexualização, a forma como me apresentava. Nunca fiz isso à minha filha.

As coisas mudaram muito quando fui mãe, com 30 anos. Ela foi mãe aos 18 e quando foi avó tinha a idade que eu tenho agora [52 anos]. Ela sempre disse que tinha (e tem) um casamento muito feliz, mas fazia muita questão em que eu só me casasse depois do curso — ela casou e não estudou, não teve coragem de voltar estudar, e queria uma história diferente para mim. Hoje tenho uma relação muito forte com a minha mãe. Antes, ela não era propriamente minha amiga. Hoje é menos mãe e já somos iguais. Há muitas coisas em que ela me pede conselhos. Há uma proximidade muito maior, até ao nível dos afetos.

A relação com o pai sempre foi muito tranquila, sempre foi de conversar sobre as coisas e sobre a vida. Sobre livros e cinema. Com o meu pai sempre foi uma relação mais de igual para igual, muito aberta. Sempre me responsabilizou muito. Vim a saber, mais tarde, que os dois discutiam muito sobre a educação que a minha mãe me dava — discutiam às escondidas. A relação com o meu pai foi mais fácil sobretudo na adolescência. E foi paritária ao longo dos anos. Com a minha mãe foi muito mais de ciclos.”

Maria Filomena Mónica, 72 anos, socióloga e historiadora

“A minha relação com os meus pais variou muito ao longo do tempo. Na infância, fui imensamente feliz: sendo a filha mais velha, era adorada pela minha mãe e, embora isso fosse menos claro, pelo meu pai. Tudo mudou com a adolescência, quando lutei por ser independente e a minha mãe teve medo que eu tomasse a rédea nos dentes. Ao proibir-me tantas coisas, acabei por me revoltar: não me suicidei por um triz. No entanto, a luta contra a minha mãe acabou por me enriquecer o caráter. A partir dos 19 anos, quando fui internada num colégio em Londres – de onde viria a ser expulsa, após o que aluguei um quarto — percebi que nada nem ninguém me conseguiria vergar. Se ela não me transmitiu a religião católica, a minha mãe deu-me a noção exata dos meus deveres. Gostaria que a minha mãe tivesse confiado mais em mim.

O papel dos meus pais foi muito importante até aos 20 anos. Depois, e durante décadas, quase desapareceram. No final da vida dos meus pais, aproximei-me deles, até porque, na doença que atacou a minha mãe (Alzheimer), ela precisou de mim. Senti que era meu dever ampará-la até ao fim. (…) O meu pai era temperamentalmente diferente da minha mãe. Dominadora como esta era, os filhos poucas oportunidades tiveram de o conhecer, o que hoje lamento. Gostava de ter tido conversas a sós com ele, o que só sucedeu uma vez na vida: quando ele me foi visitar a Londres em 1962. (…) Ambos já morreram e com o tempo as feridas saram. Hoje, relembro sobretudo as qualidades da minha mãe, tão grandes quanto os seus defeitos. Ao ler há dias algumas cartas que o meu pai me escreveu quando eu estava em Oxford nos anos 1970 fiquei admirada com a doçura do seu tom.”

“Pais e filhos estão em permanente aprendizagem”

Apesar das diferenças de idades, todos os testemunhos apresentam pontos em comum e colocam a tónica na importância da comunicação. Os problemas que moldam a relação entre pais e filhos não são, por ventura, suficientes para quebrar os laços que, segundo a mediadora familiar Margarida Vieitez, são praticamente elásticos e eternos. Vieitez chega ao ponto de dizer que não existem más relações entre pais e filhos, antes uma dificuldade em se encontrarem, “porque estão tão centrados em si próprios, e na sua razão, que não conseguem ver para além disso”. O segredo, diz, está no “crescimento conjunto” de ambos.

“Pais e filhos estão em permanente aprendizagem. Todos estamos”, acrescenta a também terapeuta, não sem antes sublinhar a importância da escuta ativa. Porque é fundamental que os pais oiçam os filhos e, consoante as idades, sejam eles (ou não) a tomar as decisões. Por isso, e para responder à pergunta formulada no título: sim, os pais também se educam.

 

 

 

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