E se lhe disserem que os recreios mais amigos da criança são aqueles menos protegidos?

Abril 7, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagens da Visão 21 de fevereiro de 2019.

Soa a provocação, mas acumulam-se as evidências científicas a favor desta tese.

Os pediatras e outros especialistas da infância falam dos riscos dos pais-helicóptero; os arquitetos paisagistas apontam os perigos dos recreios pouco desafiadores e, por incrível que possa parecer, não só há uma ligação direta entre as duas ideias como nada disto augura algo de bom para os mais novos.

A tese de que falamos, e que anda a correr mundo num vídeo agora divulgado pela Vox, subscreve que a forma como os atuais espaços infantis são desenhados não deixa os mais novos correr riscos. E que os efeitos disso são miúdos menos ativos, menos criativos e com menos autoestima. Além disso, não aprendem a proteger-se.

“Os recreios deviam ser espaços desafiantes para as crianças” e “isso só se consegue quando as brincadeiras não são algo organizado” nem sequer são ideias assim tão recentes. Afinal, foi basicamente disso que se ocupou Marjory Allen, conhecida defensora dos direitos e do bem-estar das crianças, num trabalho em muito alimentado pelas suas recordações de infância, cheias de momentos de grande liberdade.

Nascida no final do século XIX, em Kent, zona a sul de Londres conhecida pela sua beleza exuberante, Marjory haveria de estudar horticultura, tornando-se arquiteta paisagista. Durante a Segunda Guerra, acabaria por se envolver com as crianças deslocadas e órfãs, colaborando com várias instituições. Foi por essa altura que conheceu um espaço em Copenhaga, na Dinamarca, que inspiraria para sempre o seu pensamento.

Era um recreio fora do comum, já que ali as crianças brincavam com peças soltas, como paus, pedras, caixas e cordas. Chamavam-lhe os recreios do lixo, mas a verdade é que permitia aos mais novos criar e construir o que a imaginação lhes ditasse.

“Fiquei completamente empolgada com a minha visita àquele parque. Estava a olhar para algo completamente novo e cheio de possibilidades”, haveria de escrever a arquiteta inglesa, descrevendo que as crianças não só cavavam como construíam casas, mexendo na areia e na água, enfim, no que encontravam…

Isso foi o que, de volta a casa, a levou a criar a campanha “recreios de aventura”, nos locais que tinham sido bombardeados pela guerra. E, pelo caminho, alinhavou um manifesto em nome dos miúdos que viviam em apartamentos tão altos que não tinham onde brincar.

Avanço ou retrocesso?

Cinquenta anos depois, os avisos de pediatras e outros especialistas em desenvolvimento motor vão muito ao encontro às suas preocupações – e insistem que está na hora de decidir se os parques infantis, como existem hoje, devem responder às preocupações dos adultos ou aos desejos das crianças.

Os efeitos de ter pais demasiado controladores há algum tempo que foram sinalizados: dificuldades em controlar emoções e impulsos na pré-adolescência e ainda mais problemas na escola. “Temos pais com muita informação, mas pouca sabedoria”, apontava também há tempos, à VISÃO o conhecido pediatra Mário Cordeiro. Carlos Neto, investigador da Faculdade de Motricidade Humana, há muito que fala de estarmos a criar uma sociedade de cativeiro, dando asas ao apelo “deixem-nos andar ao ar livre”. E mexer na terra, subir às árvores, chapinhar nas poças, sublinhando que a brincar na rua também se ganha imunidade, destreza física e respeito pelo ambiente.

Ou como também já disse, várias vezes, José Morgado, professor do departamento de psicologia da educação do ISPA, “educar é ajudar alguém a tomar conta de si próprio e isso aprende-se fazendo. Se as crianças nunca fazem….” Ou como também gostava muito de dizer a arquiteta paisagista britânica, num tom provocador q.b., “é melhor ter um miúdo com uma perna partida do que com um espírito débil e submisso.”

E tudo isto se aplica também aos nossos parques infantis, como salientou há par de anos um investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) “O jardim-escola já não é jardim e os recreios foram transformados em pátios inertes e asséticos, qual presídio”, sublinhava Frederico Meireles, professor de arquitetura paisagista na UTAD.

O pior? “Os ambientes de brincadeira e de estudo estão mais próximos e contidos do que nunca e isso faz com que a variedade de estímulos no ambiente natural esteja a ser substituída por outros, de natureza digital”, remata o professor da UTAD.

Como quem diz: Ai não querem os miúdos agarrados ao telemóvel? Então, deixem-nos andar ao ar livre à vontade!

 

 

II Colóquio Brincar e modos de ser Criança – 25 maio, Coimbra

Abril 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança (IAC) tem por objetivo principal contribuir para o desenvolvimento integral da Criança, na Defesa e Promoção dos seus Direitos, sendo a criança encarada na sua globalidade como sujeito de direitos na família, na escola, na saúde, na segurança social e justiça.

É convicção do IAC que a promoção do “Direito de Brincar” consagrado no artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança, conduz a um crescimento equilibrado e feliz, já que através do Brincar a Criança atribui significados, comunica, compreende os outros, aprende a respeitar regras, inventa, constrói vezes sem fim, numa reconstrução permanente.

Neste sentido, o IAC-FCJ divulga o II Colóquio Brincar e os modos de ser Criança, a decorrer no dia 25 de maio, na Escola Superior de Educação, em Coimbra.

Este evento tem como principal objetivo refletir sobre o BRINCAR como direito das crianças, como expressão do seu modo de ser e estar, e como estratégia cientificamente fundamentada de educação e de integração social. Iremos procurar despertar o interesse de todos os participantes para a importância da atividade lúdica, dando ao mesmo tempo a conhecer investigações e iniciativas já realizadas, na medida em que elas possam ser inspiradoras para novas ações, por ventura da iniciativa dos próprios formandos.

Programa II Colóquio Brincar e modos de ser Criança 2019

Inscrições através do link: https://goo.gl/forms/mBXIo0X5bCkgVnGv1

Leve as crianças à rua: elas têm de brincar no exterior, sujar as mãos, cair no parque de diversões, correr, pular, nadar…

Abril 1, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Vida Extra de 5 de fevereiro de 2019.

Estudos e mais estudos fazem o mesmo alerta mas são poucos os que lhes prestam atenção. Só depois de explorarem bem e com frequência o exterior é que devem pegar na consola, no tablet ou noutro dispositivo digital para distração. Está provado que a falta de interatividade com a realidade e com pessoas de carne e osso atrasa a mente e enfraquece o corpo

Vera Lúcia Arreigoso

Foi com manifesta surpresa que fiquei a saber que as provas de aferição que o Ministério da Educação faz às crianças não são apenas para avaliar o conhecimento. Incluem também a desenvoltura da motricidade. Mas haverá alguma criança que não saiba correr, saltar à corda, dar uma cambalhota ou equilibrar-se num banco? Pois, há e não são poucas. Como é que isto aconteceu?

Quando eu era criança, não só fazíamos toda a ginástica que agora parece difícil, como até ‘íamos aos céus’ a saltar ao elástico, dominávamos o equilíbrio com um amigo nas costas no jogo do alho, coordenávamos pés e mãos nas descidas velozes com o carrinho de rolamentos ou com destreza colocávamos os berlindes nas covas…e tudo mudou. São cada vez mais os pais que não levam os filhos à rua, preferindo o ambiente controlado da casa onde vivem. Fazem mal e a Ciência vem sucessivamente a provar porquê: menor exposição ao exterior, menor desenvolvimento, menor capacidade de reação do sistema imunitário.

O mais recente estudo sobre o tema, no caso dedicado à exposição aos ecrãs e publicado na revista JAMA Pediatrics, afirma que há uma relação direta entre problemas de desenvolvimento e o uso frequente de dispositivos digitais em crianças dos dois aos cinco anos, pois quando estão em frente ao ecrã, dificilmente estão a falar, a andar ou a brincar. Atividades que servem para desenvolver as habilidades básicas. Os investigadores não avançam tempos de exposição bons ou maus mas garantem que são as interações com os outros, desde logo com os cuidadores, que fazem o aperfeiçoamento físico e cognitivo.

Outro trabalho, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA com adolescentes já nascidos com a Internet por perto, mostrou mesmo alterações morfológicas. Rapazes e raparigas, que passam várias horas com a atenção focada no tablet ou no smartphone, apresentam alterações na espessura da membrana que envolve o cérebro. Os cientistas desconhecem quais serão as consequências desta alteração, no entanto, não duvidam de que terá algum efeito.

E análises mais antigas acrescentam ainda outro malefício ao estar muito tempo em casa: a falta de estímulo do sistema imunitário. Sem a exposição ao meio envolvente – e aqui inclui-se também o contacto frequente com outras crianças – nos primeiros anos de vida, a resposta imunitária fica enfraquecida e anos mais tarde, na vida adulta, poderá traduzir-se numa saúde menos robusta, por exemplo com o desenvolvimento de doenças autoimunes.

Sabido tudo isto, e tantas vezes repetido, que parte é que ainda não foi entendida? A roupa suja lava-se, os resfriados passam, as feridas curam-se, os sapatos rotos substituem-se, mas a infância não volta. Nunca mais.

 

 

Entrevista. “As crianças precisam de ficar de cabeça para baixo e andar à roda para terem equilíbrio”

Março 30, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Angela J. Hanscom ao Observador de 16 de março de 2019.

Ana Kotowicz

Terapeuta ocupacional, autora do livro “Descalços e Felizes”, Angela J. Hanscom explica que nenhuma criança terá um desenvolvimento saudável se não puder andar à roda ou rebolar na relva livremente.

Acontece todos os dias em qualquer parque infantil: as crianças correm para os pequenos carrosséis de ferro e giram, giram, giram, sem parar. Cá fora, os adultos contorcem-se com o estômago às voltas e começam os avisos. “Pára de girar, vais ficar maldisposta, vais acabar a vomitar.” Só que não: as crianças nunca vomitam, nem nunca ficam agoniadas.

O que a maioria dos pais não sabe é que girar é fundamental para os miúdos crescerem saudáveis. Palavra da terapeuta ocupacional Angela J. Hanscom, em entrevista ao Observador. Isso e rebolar na relva, ficar de cabeça para baixo e mexer-se em todos os sentidos sem restrições, por muito que isso deixe os adultos maldispostos. Quando o fazem, o líquido do ouvido interno está a andar de um lado para o outro, como é suposto, e só assim a criança vai ganhar sentido de equilíbrio — desenvolvendo o chamado sistema vestibular, explica a norte-americana.

Se este não estiver saudável, os miúdos vão cair mais, tropeçar com frequência, ter muito mais acidentes, e terão grandes dificuldades em concentrar-se na sala de aulas. “Uma criança irrequieta é sinal de que tem falta de movimento livre”, argumenta a fundadora do TimberNook, uma espécie de campo de férias onde “não são as crianças que aprendem o que podem fazer pelo ambiente, é antes o ambiente que ajuda as crianças a desenvolverem-se”.

No TimberNook, que começou nos EUA e que já tem campos em diversos países, a brincadeira na natureza é vista como uma forma de “medicina preventiva”, ficando as crianças mais capazes de serem bem sucedidas (na escola e na vida) se passarem tempo suficiente ao ar livre, brincando sem restrições e correndo riscos aceitáveis.

Riscos que nem todos os pais estão disponíveis para correr. E é por isso mesmo que Angela J. Hanscom diz que “o medo dos adultos é o maior entrave para que as crianças passem todo o tempo que precisam a brincar ao ar livre”. Nos Estados Unidos, por exemplo, os pequenos carrosséis começaram a desaparecer dos parques infantis por serem considerados pouco seguros. “É importante encararmos cada um desses medos e encontrar uma forma de lhes dar a volta. Se as crianças tiverem mais oportunidade de brincar ao ar livre, acredito que muitos dos problemas a que estamos a assistir irão dissipar-se.”

Os problemas de que fala Angela J. Hanscom estão descritos no seu livro “Descalços e Felizes” (ed. Livros Horizonte), uma espécie de guia que nos explica porquê e para que é que devemos levar os miúdos para a rua. Nos Estados Unidos, as crianças passam, em média, 9 horas sentadas por dia, estão mais fracas do que nas gerações anteriores, têm maior dificuldade em controlar as emoções e passam a vida a ter pequenos acidentes porque não têm sentido de equilíbrio e não reconhecem a própria força. Tudo, acredita a terapeuta ocupacional, porque têm falta de movimento. “Eles precisam de horas a escavar a terra, a rebolar por ribanceiras abaixo, a construir fortes com os amigos e a brincar na lama, de forma a integrar todos os sentidos e a desenvolver mentes e corpos mais fortes.”

A falta de movimento livre e sem restrições tem mais um senão: porque o sistema vestibular alimenta o límbico, responsável pelas nossas emoções, uma criança que tenha falta de movimento vai chorar por tudo e por nada e vai frustar-se com muita facilidade. “Os pais têm de deixar os filhos estar de cabeça para baixo, girar, rebolar e rodopiar com frequência”, defende a terapeuta. Até porque, “para andarem seguras na rua, é preciso que as crianças tenham liberdade total, com frequência, para se mexerem sem restrições.”

No livro, fala várias vezes sobre sistema vestibular e nem todos os pais saberão o que é. Como é que se explica aos adultos que é importante deixar as crianças estar de cabeça para baixo, para pôr este sistema a funcionar?
O problema é que estamos a restringir as crianças mais do que nunca. Aqui na América, os estudos mostram-nos que, por dia, os miúdos passam, em média, 9 horas sentados. Para organizar os sentidos, as crianças precisam de mexer o corpo de formas tão variadas que farão engasgar qualquer adulto — ficar de cabeça para baixo, andar à roda, dar cambalhotas, etc. E têm de fazê-lo com frequência para desenvolver a consciência corporal, para melhorar o foco e a atenção e para serem capazes de regular as suas emoções de forma conveniente. Também precisam de um certo tipo de “trabalho pesado” que só se consegue na natureza — cavar, subir às árvores e carregar pedras pesadas. Isto ajuda as crianças a desenvolverem os sentidos nas articulações e nos músculos, o que vai fazer com que sejam capazes de regular a força que têm em diversas situações, seja ao usar um lápis para escrever ou, por exemplo, quando estão a brincar com outras crianças.

Quais são os riscos de não desenvolver um bom sentido de equilíbrio? No livro levanta muito esta questão e de como as crianças de agora estão mais fracas e menos coordenadas do que as das gerações anteriores.
Quando uma criança não tem sentido de equilíbrio, tem dificuldade em saber onde é que o seu corpo se encontra no espaço. Isto faz com que haja maior probabilidade de se magoar e de ter acidentes. Para um miúdo poder navegar em segurança em diferentes ambientes, para as crianças andarem seguras na rua, é preciso que tenham liberdade total, com frequência, para se mexerem sem restrições. Para além disso, muito movimento ajuda-os a ter mais atenção na sala de aula. Esta é uma das razões por que os miúdos ficam irrequietos: estão a balançar-se para a frente e para trás para ligarem o cérebro. O que estão a fazer é a tentar ligar o sistema ativador reticular [a formação reticular é uma parte do tronco cerebral que distingue os estímulos relevantes dos irrelevantes e a sua principal função é ativar o córtex cerebral].

Ou seja, os miúdos de hoje estão a passar demasiado tempo sentados?
Sem dúvida. Passam demasiado tempo numa posição vertical. E eles precisam de se mexer em diferentes direções para que o fluido do ouvido interno ande para a frente e para trás, só assim conseguem desenvolver um forte sentido de equilíbrio (o sistema vestibular). Este sentido é a chave de todos os outros sentidos. Se estiver enfraquecido, pode afetar a integração de todos os outros sentidos.

Para além dos problemas físicos, a falta de movimento leva-nos a ver com maior frequência crianças que choram facilmente e que ficam frustradas por tudo e por nada?
Claro. O sistema vestibular também alimenta o sistema límbico [responsável pelas emoções e comportamentos sociais]. Os professores deparam-se cada vez mais com crianças que têm problemas de autoregulação, os miúdos choram sem se saber bem porquê e ficam frustrados muito, muito facilmente. Repito: eles precisam de muito movimento, que é a base de uma regulação emocional saudável.

A verdade é que, enquanto mães e pais, se tivermos um filho a balançar-se à mesa do jantar, o mais provável é pedirmos que pare com isso. E, nas salas de aulas, os professores também não lidam bem com miúdos irrequietos. O que devíamos, então, fazer?
Se as crianças estão irrequietas é um ótimo indicador de que precisam de se mexer mais. O que devíamos fazer, e isto é muito importante, é dar-lhes mais oportunidades para brincarem em grande escala ao ar livre. É nesses momentos que eles conseguem, de facto, mexer-se livremente e com frequência.

Devíamos repensar o tipo de modelo de escola que temos, os tempos de recreio, as horas que as crianças passam sentadas?
Sim, devíamos repensar tudo isso. É fundamental, como já disse, dar-lhes mais oportunidades de brincadeiras ao ar livre porque é nesses momentos que os sentidos estão todos ligados, a trabalhar juntos, e é aí que as crianças aprendem através de experiências práticas, porque estão a pôr as mãos nas coisas, a desafiar a mente, o corpo e os sentidos. Os miúdos não foram feitos para estarem sentados horas a fio, ou para apenas fazerem tarefas com papel e lápis — essas desafiam-nos muito pouco e têm até pouco sentido para os miúdos. Eles precisam de experiências de aprendizagem maiores, melhores e mais ricas.

Já percebemos que ver crianças irrequietas, que tropeçam muito e que não param de se mexer são sinais de alerta. O que podemos fazer?
Volto a repetir: precisam de oportunidades para se mexer. E é isso que os pais têm de fazer: dar-lhes oportunidade de estarem de cabeça para baixo, de andar à roda, de girar, de rebolar, de rodopiar…

De que é que uma criança precisa para desenvolver uma mente sã em corpo são?
Precisa de muito tempo e espaço para brincar com outras crianças ao ar livre, em atividades que as desafiem e as inspirem. Também precisam de adultos bem-intencionados, capazes de dar um passo atrás e capacitar as crianças para desenvolverem os seus próprios planos, ideias e esquemas de brincadeira. Esta é a única maneira de as crianças conseguirem aprender a pensar e a brincar de forma mais avançada.

Então, o movimento é apenas uma peça do puzzle?
Claro, eles precisam de ar livre, boa nutrição, muitas horas de sono e adultos que os amem.

Mas porquê a brincadeira ao ar livre? Não podemos substituí-la pela prática de desporto, por exemplo?
A brincadeira ao ar livre é semelhante ao cross training [treino funcional que combina vários exercícios para trabalhar diferentes partes do corpo]. Desafia as crianças de uma forma que um exercício concebido por um adulto bem-intencionado nunca conseguirá desafiar. Por exemplo: de cada vez que uma criança se pendura numa árvore, usando diferentes membros do seu corpo, está a estimular diferentes músculos e a desenvolver uma musculatura mais arredondada. Por outro lado, brincar ao ar livre inspira a criatividade e a imaginação, algo que não acontece quando se está simplesmente a repetir exercícios físicos.

Uma das coisas que os miúdos adoram nos parques infantis é andar nos pequenos carrosséis de metal. Quando vemos isto, normalmente há sempre um pai a dizer: pára com isso, vais ficar enjoado. Mas andar à roda é extremamente importante, correto?
Sim, andar à roda ajuda as crianças a saber onde é que está o corpo delas no espaço. O movimento do carrossel é um pouco diferente. Cria uma força centrífuga no ouvido interno que ajuda a desenvolver a atenção sustentada e o “grounding”. É muito terapêutico para as crianças. [Atenção sustentada é, segundo a psicologia, um dos quatro tipos de atenção e caracteriza-se por sermos capazes de nos focar numa atividade contínua e repetitiva. O grounding não tem um termo equivalente em português, mas significa estar com os pés assentes na terra, em contacto com a realidade e com a própria existência.]

Também defende que as brincadeiras ao ar livre não podem passar só por idas a parques infantis. Têm de ser na natureza, de pés descalços na terra?
Brincar na natureza é o que enriquece a experiência sensorial das crianças. Por exemplo, o simples facto de estarem a ouvir o chilrear de um pássaro ajuda-as a saberem orientar o seu corpo de acordo com o sítio de onde vem aquele som — e isto é o básico dos básicos para se ter uma boa consciência corporal.

Ainda assim, e apesar das vantagens que aponta, alguns pais terão sempre algum receio e estarão preocupados com questões de segurança, evitando deixar os filhos andar livremente na natureza. Que conselho daria aos adultos?
O medo dos adultos é, de longe, a maior barreira para deixarmos as nossas crianças brincar todo o tempo que precisam ao ar livre e na natureza. Não devemos deixar os nossos medos interferirem numa coisa que é um direito humano básico e que é também uma necessidade dos miúdos. É importante encararmos cada um desses medos e encontrarmos uma forma de lhes dar a volta. Se as crianças tiverem mais oportunidade de brincar ao ar livre, acredito que muitos dos problemas a que estamos a assistir irão dissipar-se. Eles precisam de horas a escavar a terra, a rebolar por ribanceiras abaixo, a construir fortes com os amigos e a brincar na lama de forma a integrar todos os sentidos e a desenvolver mentes e corpos mais fortes.

Alguma hipótese de a TimberNook chegar a Portugal?
Adorava levar a TimberNook a todos os cantos do mundo.

 

 

10 Motivos para brincar à Macaca

Março 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

 

As crianças brincam cada vez menos e isso prejudica o seu desenvolvimento

Dezembro 2, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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JOGAR ÀS CARTAS – Quando foi a última vez que jogou às cartas em casa. Todos temos aquele baralho na gaveta e é a atividade ideal para passar um serão em família sem olhar a horas iStock

Notícia do DN Life de 20 de novembro de 2018.

Brincar é assunto sério. Tão sério que na Declaração Internacional dos Direitos da Criança que hoje, 20 de novembro, comemora 59 anos, pode ler-se «Brincar é um direito inegável, independentemente do lugar do mundo e das circunstâncias em que vivamos». É um direito, uma mais-valia, uma aprendizagem e uma oportunidade para formar – ou estreitar – laços. No entanto, as crianças brincam cada vez menos e as consequências começam a notar-se. Onde para a brincadeira?

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de i-Stock

Quando exatamente é que a brincadeira deixou de ser uma parte fundamental da infância? Entre a entrada da tecnologia no quotidiano familiar e um aumento generalizado dos níveis de stress na idade adulta, foi diminuindo o tempo e a liberdade de as crianças serem crianças.

Para Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Nova de Lisboa, existe claramente um problema para resolver.

«Uma criança hoje passa, em média, cerca de 45 a 50 horas na escola, das quais 35 sentadas. Em casa, estão no sofá sem poder explorar, descobrir, correr. 70% das crianças portuguesas brinca menos de uma hora por dia. Não temos harmonização entre o tempo passado a trabalhar, na escola e na família. A médio e longo prazo vamos ter problemas sérios de saúde pública relacionados com depressão e ansiedade.»

Longe vai o tempo das horas incontáveis a jogar à bola na rua. Com a noção de risco cada vez mais presente na nossa vida, os pais passaram a controlar cada passo dos mais pequenos. Para o professor, esta noção nem sempre está correta.

«Existe uma superproteção parental generalizada porque há uma perceção exagerada do perigo. Mas Portugal é o quinto país mais seguro do mundo. Não tem sentido essa ideia.»

Com a vida preenchida ao minuto, sobra pouco tempo livre para as crianças desenvolverem a sua autonomia. As brincadeiras tornaram-se momentos estruturados, sem espaço para aventuras, trambolhões ou roupa suja.

O pediatra Mário Cordeiro defende que planear não é mau, mas há que deixar espaço para o imprevisto. «Podemos planear uma atividade e ainda ter espaço de liberdade e imaginação e, acima de tudo, espontaneidade.»

Já Carlos Neto defende que tempo livre não é o mesmo que tempo planeado para brincar. «O brincar não se ensina, o brincar vive-se. As crianças precisam de tempo livre, verdadeiramente livre. Este é um direito fundamental para o seu desenvolvimento.»

E culpar a tecnologia não é o caminho. «O mundo tecnológico veio para ficar como a televisão nos anos 1960. Temos de conviver com ele e trouxe-nos muitas coisas boas. Não devemos submeter as crianças à tecnologia desde cedo, é danoso. Agora tem de haver bom senso em perceber que o corpo tem de ser ativo. As crianças não podem viver o mundo só na ponta dos dedos», considera o especialista.

A falta de tempo, os horários sobrecarregados dos pais, as inúmeras responsabilidades que acumulamos. Os pais chegam cansados a casa e sobra pouca energia – física e mental – apara brincar com os filhos. A média de tempo útil dos pais para brincar com os filhos são 27 minutos por dias apenas. Para o professor, «o problema é que as crianças são vítimas do trabalho dos pais. Não existe qualidade de tempo familiar em Portugal.»

BRINCAR EM CENÁRIOS DE CRISE

Para uma criança que vive um cenário de guerra, uma crise humanitária ou de violência, brincar torna-se um escape, um reduto de normalidade, uma forma de sobrevivência. Beatriz Imperatori, diretora executiva da Unicef Portugal, fala da urgência da brincadeira para fugir ao horror.

«Oferecemos um ambiente terapêutico seguro para crianças e famílias em contexto de emergência. Estes espaços permitem às crianças reduzir o impacto da situação. A promoção da resiliência nas crianças e de um sentido de normalidade nas suas vidas é conseguido através de rotinas de aprendizagem e, sobretudo, do brincar. Brincar é um direito de todas as crianças, em qualquer contexto, em qualquer lugar. Em todo o mundo, as crianças nascem com especial apetência para brincar, divertir-se e aproveitar a sua infância. Os primeiros 1 000 dias de vida moldam o futuro de uma criança. Brincar é crucial para lhes dar o melhor começo de vida possível.»

A IKEA ESTÁ PARA BRINCADEIRAS

Um dos projetos da multinacional sueca é exatamente estimular a vontade de brincar. Em crianças e adultos. Há alguns anos que o Grupo Ikea desenvolve o Play Report (Relatório do Brincar), em que analisa a importância e benefícios da brincadeira, para crianças e adultos, por todo o mundo.

Os resultados não são animadores. 51 por cento das crianças gostavam de passar mais tempo com os pais e têm a ideia de que estes estão sempre a correr.

49 por cento dos pais diz não ter tempo para brincar com os filhos e 53 por cento admite que gostaria de se voltar a ligar com a sua criança interior.

Para sensibilizar os mais velhos a dar a importância que os momentos a brincar merecem, o gigante do imobiliário lançou o movimento Vamos Brincar.

https://www.youtube.com/watch?v=11CmLTDRo4s

 

mais fotos no link:

https://life.dn.pt/familia/as-criancas-brincam-cada-vez-menos-mau-desenvolvimento/?fbclid=IwAR1AI1U_zcDyb5zWeK8H0NftRLl7M27s7gWRDhwWN1D1B5y6V0TKv2rY16I

 

Pedro Strecht: “Uma criança passa menos tempo ao ar livre do que um recluso”

Novembro 3, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Entrevista de Pedro Strech ao Observador no dia 20 de outubro de 2018.

Ana Cristina Marques

Crianças agarradas aos ecrãs, fechadas em salas, com agendas preenchidas e pouco tempo para estar com os pais. No seu novo livro, Pedro Strecht faz uma análise aos desafios desta geração.

Em média, uma criança até aos 10 anos passa diariamente 8 horas na escola, enquanto o tempo de interação exclusiva entre pais e filhos, também num registo diário, resume-se a 37 minutos. Os ecrãs ocupam mais de duas horas e meia por dia e os reclusos passam mais tempo ao livre do que uma criança em idade escolar. Estas são algumas das conclusões assinaladas na nova obra do pedopsiquiatra Pedro Strecht, que acaba de lançar o livro Pais Sem Pressa, da editora Contraponto, numa tentativa de convencer os pais a abrandar.

Em entrevista ao Observador, Pedro Strecht, autor de diversos livros e com um percurso profissional intenso, fala em pais exigentes e perfecionistas, demasiado preocupados com o rendimento escolar dos filhos, e discursa sobre aulas muito longas, com poucos intervalos, TPC em excesso e recreios fisicamente diminutos. A tecnologia é também tema de conversa, com o pedopsiquiatra a acusar pais de usar tablets e suas aplicações para “para colmatar pequenas coisas, muitas delas tarefas diárias do nosso dia a dia que dão trabalho, confronto e insucesso”. Porque a tecnologia não pode servir de am

“É entre o primeiro e o segundo ano de idade que os miúdos começam a andar, a correr e a explorar o mundo; o tablet é para se estar quieto. E é a partir do segundo ano, e também no terceiro, que há uma expansão enorme da linguagem também enquanto modelo de ligação. Ou seja, quando é que os miúdos desenvolvem mais a linguagem? É nessa idade. É imaginá-los quietos em vez de estarem a explorar o mundo e é imaginá-los a não falar porque a linguagem e o som que vem de uma série ou de algo que estejam a ver num tablet não pede reciprocidade.”

O livro chama-se Pais sem Pressa, mas aborda precisamente o contrário. Quem são estes pais sem tempo?
Estes pais sem tempo somos, no fundo, quase todos nós. Há muitos fatores à nossa volta que não controlamos — muitos deles têm que ver com a forma como as sociedades estão a evoluir em vários campos, no profissional, económico e relacional. O livro surge um pouco como um apelo à necessidade de ficarmos mais conscientes disto. Acho cada vez mais importante destacar a necessidade de criarmos um balanço diferente entre trabalho e lazer, ocupação profissional e tempo livre. Vivemos socialmente em estruturas que nos pedem cada vez mais, do ponto de vista do trabalho e do ponto de vista económico. É engraçado, a maior parte da linguagem que hoje caracteriza muitas coisas é quase exclusivamente economicista ou tecnológica. É muito menos humanista ou muito menos relacional. Por outro lado, cada vez mais vemos em crianças e em adultos situações que têm que ver com perturbações de ansiedade ou perturbações na linha depressiva que, em muitos casos, não são mais do que situações de burnout, de esgotamento, de excesso de tensão, de incapacidade de parar e respirar.

Os pais sem tempo estão conscientes destas limitações?
Há muitos pais que dizem que não têm tempo para fazer determinadas coisas. Por vezes, apercebem-se disso, mas dão como dado adquirido a incapacidade de lutar mais ativamente contra isto. É algo que se verifica nas sociedades mais desenvolvidas. É uma coisa muito transversal. Vivemos no tempo que nos é imposto de fora, sem que as pessoas sintam que têm capacidade de o gerir mais autonomamente, quando na realidade têm. Não é preciso fazer grandes ruturas, mas podem fazer-se pequenos movimentos de equilíbrio sem cortes radicais.

No livro encontramos as seguintes expressões: “ritmo diário extremamente exigente” e “elevados níveis de tensão emocional”. Estamos perante um problema geracional?
Sim. Acho que é muito geracional. Costumo dizer aos meus filhos que tive o meu primeiro telemóvel aos 26 anos. Em Portugal, os telemóveis com internet têm menos de 10 anos… Estamos a falar de diferenças geracionais não só muito fortes, como também cada vez mais rápidas — e isto acontece em quase todas as áreas. Agora, as mudanças acontecem de uma forma muito mais surpreendente e num ritmo muito mais intenso. Acho sempre que a evolução das sociedades, com todas as oscilações que há em cada momento, têm acontecido num sentido positivo. O que vai havendo são realidades diferentes — todos os miúdos que nasceram neste século já nasceram completamente mergulhados em determinadas vivências que nós próprios, os pais, não vivemos e não temos. Este é um desafio diferente para os dias de hoje. É uma questão adaptativa.

“Muitas crianças passam uma média de 8 horas na escola”

De que forma é que isto afeta a parentalidade?
Desde há muitos anos que temos tido um decréscimo significativo em termos de natalidade. A média de natalidade hoje em dia em Portugal é 1,1. Portanto, a maioria dos casais tem um filho. Três filhos já corresponde a uma família numerosa. Em Portugal, quando se pergunta aos casais porque é que não têm mais filhos, as duas respostas mais frequentes são fatores económicos e falta de tempo, de disponibilidade concreta. A vida dos adultos mudou bastante. Hoje, o normal é pai e mãe trabalharem, é homem e mulher serem ambos pessoas ativas do ponto de vista profissional. Muitas vezes, em algumas áreas, há mulheres que querem cumprir a sua função materna e que são frequentemente prejudicadas na sua atividade profissional. Já falei com mães que trabalham em áreas bancárias em que ter um filho é um desafio de confrontação com a entidade empregadora. O que sentimos é que, por um lado, os pais sabem mais e querem participar mais, por outro, acabam por ter menos disponibilidade concreta para o fazer e, quando ela existe, tendem a não ser capazes de se descentrar de algumas coisas que podiam ser mais secundárias e não tão essenciais.

Como por exemplo?
Pais e filhos podem ter tempo livre, mas há pais extremamente preocupados com o rendimento escolar dos filhos. Há pais que sobrecarregam as crianças com mais atividades letivas — “Ao sábado, vou pô-lo na explicação”, “Se conseguir trabalhar mais horas, posso ter mais isto e aquilo”. É uma questão de prioridades. São situações deste género que cada vez acontecem mais. Depois, há outras situações que são externas e que se veem muito na medida em que as sociedades se organizam: o tempo das deslocações, o tempo dos horários profissionais… Muitas crianças passam, hoje em dia, uma média de 8 horas na escola.

De acordo com o livro, são, em média, 8 horas diárias na escola e, também em média, 37 minutos diários de interação exclusiva entre pais e filhos…
Este rácio é completamente desproporcional. Há miúdos que estão na escola às 08h e que chegam a casa já são 19h30, 20h… são 12 horas fora de casa para uma criança. Hoje em dia, há crianças que passam muito mais tempo em interação direta com um professor de uma escola primária do que com uma mãe ou um pai. Vemos noutros países da Europa, como os países nórdicos, situações em que o tempo de permanência na escola é menor e nem por isso os miúdos têm menos capacidades escolares e cognitivas.

Como profissional, defenderia menos tempo passado na escola ou horários de aulas mais curtos? Qual é a alternativa?
Passaria por horários escolares francamente mais intervalados, até porque estamos a dar aos miúdos estímulos de pergunta-resposta com grande rapidez e na escola pedimos exatamente o inverso, que fiquem quietos durante uma hora e meia. Aulas mais curtas e com mais tempo de intervalo favorecem os mais novos. Esta geração passa muito mais tempo na escola e faz muito mais na escola do que qualquer pessoa da minha geração. Conheço alguns pais que me dizem “Ah, mas ele está a estudar pouco, vou metê-lo em explicações”… Às vezes recordo aos pais que, na nossa geração, começávamos as aulas em outubro e não em setembro, tínhamos aulas de 50 minutos e não de uma hora e meia. Há vivências temporais completamente distintas só de uma geração para a outra.

Devia existir algum incremento de atividades, que até podem decorrer no espaço da escola, mas que não têm de ser necessariamente letivas: os miúdos podem ter desporto, música e/ou ateliers de várias coisas. Também defendo que há imensas escolas que pedem um excesso de trabalho de casa. E muitas escolas esquecem-se ou não investem nos espaços de recreio — pensam na sua função centradas naquilo que acontece dentro da sala de aula e depois, no recreio, não têm vigilantes ou, então, os recreios são muito pequenos, em termos de tempo e/ou de espaço. Há escolas em Lisboa cujo espaço físico é mínimo para o número de alunos.

É por isso que escreve que um prisioneiro tem mais tempo ao ar livre do que uma criança?
É um pequeno filme que está no Youtube. É norte-americano, mas também corresponde à realidade portuguesa. Nesse filme mostra-se que uma criança norte-americana, tal como muitas portuguesas, passa menos tempo por dia ao ar livre do que um recluso. É verdade. Nas grandes cidades já não é tão frequente vermos crianças pela rua. A cultura de bairro também se perdeu. Onde estão os miúdos? Estão nas escolas, estão em casa ou estão em trânsito no transporte escola-casa. Até mesmo o espaço de brincadeira, para muitas das nossas crianças e adolescentes, acontece no quarto, em casa, e é à base de tecnologias — Playstation, internet… Brincam no espaço de quarto, embora ligados a outros, mas não propriamente num espaço livre, de expansão, de risco, de procura.

“Estamos a pedir às crianças que cresçam demasiado depressa”

No livro também escreve que, além dos horários aplicados nas escolas e dos TPC, há uma tendência para que os pais transformarem as atividades lúdicas preferidas dos filhos numa espécie de obrigação…
Sim. E numa espécie de preocupação com imensa antecipação. Os pais  projetam nos filhos um peso enorme em termos do desempenho escolar, como se os miúdos — às vezes de 9 ou 10 anos — tivessem de pensar no curso que vão tirar, na média que vão ter, no ordenado que vão ter ou não com aquele curso. Há uma projeção demasiado pesada e até negativa sobre a perspetiva de futuro, muito centrada na questão da rentabilidade — acho que isso começou de uma maneira muito mais nítida nos anos de crise. Nos últimos 5 anos comecei a ver uma coisa que não via há bastante tempo: os pais a induzirem, de uma forma ainda mais ativa, as escolhas das áreas de estudos no final do nono ano. Isto já foi uma coisa muito mais livre. Agora, ouvem-se frases como “Ah, mas não vás para isso, nisso não há emprego”, “Assim não tens ordenado nenhum”, “Artes? Artes é para o desemprego”…

Esse discurso começa cada vez mais cedo?
Sim. Cada vez mais cedo e, sobretudo, naquela fase do nono ano, em que os miúdos têm de fazer opções.

Os pais de agora são muito exigentes?
Há uma ideia errada de perfeição, parece que todos temos de ser perfeitos em tudo: no corpo, no trabalho, na educação, na escola, etc. O ótimo é inimigo do bom: as pessoas precisam de ser boas em algumas áreas e de perceber que também têm limites e que, às vezes, as coisas correm mal. É preciso que os pais deixem de ser tão exigentes consigo próprios e até para com os filhos — nesse ritmo, por muito bem que as coisas possam estar a correr, há sempre um sentimento de insatisfação recorrente. Parece que o copo nunca está cheio. Por isso é que falo do conceito “pais suficientemente bons”, que reporta para a ideia de que os adultos também têm falhas e não precisam de ser os melhores pais do mundo para serem bons pais.

Tendo em conta agendas muito preenchidas, é possível que o tempo passado entre pais e filhos comece a ser, de alguma forma, encarado como uma espécie de “obrigação”? Estamos a perder o foco do que é estar em família?
Sim, sobretudo o foco do que é estar em família de uma maneira até mais espontânea e livre. Porque cada vez mais as pessoas tendem a programar muito os dias, mesmo sem notarem. Depois, parece que a vivência do espaço livre, do espaço sem um rumo predefinido assusta e inquieta. Às vezes é bom a pessoa entregar-se a isso. Os miúdos precisam de estar no quarto, sem estar a fazer nada de especial, a brincar ou olhar para o teto. Não há uma agenda. Há cada vez mais pais que referem que os filhos, em diferentes etapas de crescimento, quando acabam uma tarefa perguntam o que podem fazer a seguir. Em casos extremos, há muitos adultos que trabalham imenso durante a semana e que, quando chegam à véspera do fim de semana, têm uma espécie de angústia porque não estão naquele ritmo de adrenalina e de tensão.

Estamos a pedir às crianças que cresçam demasiado depressa?
Sim. Estamos a atirá-las demasiado para a frente. O engraçado é que, mesmo que por vezes não notem, há cada vez mais adultos a quererem andar demasiado para trás — vivências eternamente adolescentes porque, talvez, não tenham vivido tudo como deve de ser na infância. Os mais novos são projetados muito para a frente e os mais velhos querem voltar atrás. Os adultos quererem escapar à passagem do tempo. Há frases muito engraçadas como “Agora os 40 são os novos 30”.

“Há pais que usam a tecnologia como se fosse uma ama”

Esta semana foi apresentado um estudo, com base num inquérito feito a quase 2.000 pais, que mostrou que as crianças até aos 2 anos são das que mais usam aplicações. Como comenta isto?
Crianças até aos 2 anos que são levadas a usar aplicações, porque elas não as usam autonomamente, não têm capacidade para isso, os pais metem-nas nas mãos ou à frente delas. E põem cada vez mais — e isto é mesmo uma crítica séria — para colmatar pequenas coisas, muitas delas tarefas diárias do nosso dia a dia que dão trabalho, confronto e insucesso. Um exemplo concreto? Os miúdos nem sempre comem bem e fazem birras, mas, hoje em dia, somos capazes de passar por um restaurante e vemos uma criança pequena sentada à mesa com os pais e com o tablet à frente, a ver as imagens quando, distraidamente, lhe dão a comida. Ainda neste caso dos tablets até aos dois anos, ocorre-me o seguinte: é entre o primeiro e o segundo ano de idade que os miúdos começam a andar, a correr e a explorar o mundo; o tablet é para se estar quieto. E é a partir do segundo ano, e também no terceiro, que há uma expansão enorme da linguagem também enquanto modelo de ligação. Ou seja, quando é que os miúdos desenvolvem mais a linguagem? É nessa idade. É imaginá-los quietos em vez de estarem a explorar o mundo e é imaginá-los a não falar porque a linguagem e o som que vem de uma série ou de algo que estejam a ver num tablet não pede reciprocidade.

As tecnologias, neste caso as aplicações, podem realmente interferir no desenvolvimento das crianças?
Podem, nesse aspeto podem. E o mesmo em relação a algumas áreas cognitivas e de relação social. Se um menino de 8 anos brinca no tablet ou se um de 12 anos joga na playstation, diria que isso é normal e não vejo mal nisso — só aconselho os pais a darem os jogos apropriados à idade dos filhos; mas se ele só brincar com o tablet ou com a playstation… Há crianças que crescem quase só com experiências de relação e de estímulo centradas no ecrã. Há pessoas que acham que tenho uma visão muito crítica em relação às tecnologias… As tecnologias têm coisas ótimas que podem facilitar ganhos de tempo, simplesmente acho que, nos dias de hoje, elas próprias se tornam tão opressivas no chamado tempo tecnológico que também bloqueiam a nossa vivência, o nosso tempo biológico e emocional.

A tecnologia começa a ser encarada como uma ama?
Exatamente. E isso é um risco em imensas circunstâncias. Não tem mal os miúdos verem os seus desenhos animados, não tem mal usarem as tecnologias, mas isso precisa de ser enquadrado em muitas outras coisas que fazem parte de um plano muito mais vasto de estimulação e de relação.

O livro também fala na importância de estabelecer rotinas, algo que parece estar associado à diminuição de ansiedade. Como é a criança que cresce sem rotinas?
A criança que cresce sem rotinas, sem regras ou limites, é uma criança que vai correr o risco de ficar progressivamente desregulada em relação a ela própria e na relação com os outros. As rotinas dão muita segurança e são uma maneira de se poupar tempo — a criança já sabe que, em princípio, é para tomar banho todos os dias antes do jantar… As rotinas dão uma certa pervisiblidade ao que vai acontecer. Não precisam de funcionar ao minuto, mas os miúdos agradecem estas regulações de tempo. Falando no sono, por exemplo, somos dos países da União Europeia que tem piores dados sobre o sono na infância, na adolescência e no estado adulto: dormimos pouco e dormimos mal. Telemóveis ligados durante a noite, que vão tocando, ou jogar na playstation imediatamente antes ir de para a cama… Assim não se consegue adormecer por causa do nível de excitação e de ativação cerebral. As rotinas facilitam muitas áreas do crescimento infantil e adolescente.

Qual a diferença entre a criação de rotinas e as agendas preenchidas de que há pouco falámos?
As rotinas implicam que algumas coisas básicas do dia, quer das crianças quer da relação das crianças com os adultos, possam decorrer de uma forma mais ou menos semelhante. É o acordar, por exemplo, às 07h durante a semana porque há aulas; é o jantar todos juntos à mesa sem os telemóveis por perto… Isto é diferente do excessivo preenchimento da agenda do tempo dos miúdos.

E como é uma criança que cresce sem contacto com a natureza?
É uma criança que em muitas áreas pode ser bastante mais inábil e, tendo conta áreas da estimulação cognitiva e emocional, pode ter dificuldades acrescidas. A natureza reporta-nos para determinados ritmos naturais que existem, aos quais não podemos fugir. O próprio contacto de adultos com a natureza é relaxante — baixa o ritmo cardíaco e dá-nos muito mais espaço para refletir sobre as nossas coisas.

Somos pais cada vez mais tarde. De que forma é que isso pode afetar a parentalidade?
Por um lado é bom porque, durante muito tempo, fomos recordistas de gravidez adolescente. Agora, acho que há pais que adiam muito a questão da natalidade porque fogem um pouco à responsabilidade que isso implica ou, então, têm aquela perspetiva da perfeição: primeiro querem um bom emprego, depois um bom ordenado, uma casa maior… Portanto, vão adiando, como se adia a saída de casa dos pais ou a autonomia económica. Estamos com vontade em não crescer e, sobretudo, com muito pouca vontade em assumir responsabilidades. Recordo-me de um estudo que dizia que, em algumas cidades, já há mais cães do que crianças. É mais fácil ter um cão, não vai à escola e tem um tempo de vida mais curtinho, obedece quase sempre. Crescer não é propriamente perder coisas, é somar coisas ao que já adquirimos.

Seria essencial trazer o conceito de mindfulness para a parentalidade?
Sim, eu acho que sim. No fundo, é orientar o nosso espaço mental para aquilo que é mesmo importante, no aqui e agora, connosco próprios e com aqueles que temos à nossa frente, as pessoas de quem gostamos.

 

 

É preciso tirar as crianças do sofá – Carlos Neto

Outubro 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Carlos Neto ao Jornal C de setembro de 2018.

Entrevista no link:

https://www.cascais.pt/sites/default/files/anexos/jornal/c_100_setembro2018_net.pdf

 

Quer um filho mais saudável? Deixe-o brincar ao ar livre

Setembro 4, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de agosto de 2018.

Bárbara Wong

Há uma “epidemia silenciosa” que afecta as crianças, e o segredo para combatê-la é sair para a rua, defende Angela Hanscom.

As crianças estão a ficar doentes, com menos resistência física e também psicológica. Têm medos, inseguranças, são hiperactivas. Há uma “epidemia silenciosa” no mundo moderno que está a atacá-las e o combate faz-se com o brincar ao ar livre, de preferência na natureza. Mas nada de brincadeiras organizadas, diz Angela Hanscom, terapeuta ocupacional pediátrica norte-americana, fundadora de um programa que promove o contacto com a natureza e autora do livro Descalços e Felizes.

A sociedade ocidental tornou-se demasiado “programada”, começa por dizer Hanscom ao PÚBLICO por e-mail, ou seja, as crianças têm horários para tudo, até para brincar. “Esse hiperfoco na escola e nas actividades extras não deixa espaço para experiências enriquecedoras e feitas sem pressa, especialmente ao ar livre”, lamenta. E essa foi uma das razões por que criou o programa TimberNook, com o objectivo de “proporcionar experiências únicas de jogo ao ar livre que inspiram as crianças a jogar e a desenvolver-se”.

O projecto começou na América do Norte, EUA e Canadá, e já atravessou oceanos – pelo Pacífico chegou à Austrália e à Nova Zelândia, e pelo Atlântico conquistou o Reino Unido. A ambição é chegar a mais países, reconhece, sobretudo às escolas, onde se pode fazer um trabalho mais próximo com as crianças. Mas os pais também têm a responsabilidade de agarrar nos filhos e levá-los a contactar com a natureza. “Estamos a descobrir que precisamos de recordar e reeducar os pais sobre a importância do brincar ao ar livre. A nossa sociedade está a tornar-se cada vez mais programada, tanto em casa como na escola”, critica a especialista.

Como é que nos esquecemos da importância da natureza? “Nas últimas décadas, as prioridades da nossa sociedade mudaram muito. O horário de jantar da família foi substituído pelo treino de futebol à noite. O jogo e a brincadeira foram retirados de muitos jardins-de-infância e pré-escolares para se encaixarem mais actividades académicas”, justifica Angela Hanscom, atirando também culpas aos meios de comunicação social que inundam as famílias com notícias que se traduzem em medos e que as levam a não querer que os filhos brinquem na rua sem a supervisão de um adulto por questões de segurança.

Além de os pais terem medo que os filhos sejam raptados, roubados, agredidos, há também a preocupação com a segurança dos equipamentos, por exemplo nos parques e recreios. No livro, a terapeuta relata que muitas escolas tiraram equipamentos como escorregas altos de metal – “que pareciam ser desafios impossíveis” – e substituíram-nos por “brinquedos mais simples, de plásticos coloridos, que fazem pouco para inspirar as crianças em crescimento” e dá conta de como espaços interiores de brincadeira se tornaram uma moda. “Um parque deveria inspirar e desafiar crianças, não aborrecê-las”, escreve.

Benefícios desconhecidos

Mas por que é importante brincar ao ar livre, de que forma contribui para o crescimento saudável da criança? “É tão importante lembrar que, se queremos filhos ‘seguros’, temos de permitir que tenham liberdade de movimentos e também oportunidades de liberdade de brincar. Os sistemas neurológicos das crianças são projectados para procurar a informação sensorial de que precisam a qualquer momento. Se continuarmos a restringir as oportunidades de brincadeira e movimento das crianças, continuaremos a ver um aumento de problemas sensoriais, como a diminuição da consciência espacial, o controlo inadequado do comportamento, a diminuição da competência em habilidades sociais e lúdicas e muito mais!”, alerta.

Hanscom faz uma relação directa entre a ausência de contacto com a natureza com problemas motores – crianças sem noção espacial, que tropeçam a todo o momento –, e com questões como a falta de atenção, hiperactividade e dificuldades de aprendizagem. “As crianças precisam de oportunidades para se movimentarem em diferentes direcções para que o líquido do ouvido interno se movimente também, isso ajuda-as a desenvolver o equilíbrio. Este sentido é fundamental para organizar todos os outros. Ajuda a regular e a acalmar o corpo e a mente e ajuda a manter a atenção.”

E, na escola, quando brincam muito no recreio, não chegam à sala de aula com demasiada energia? “Se damos às crianças tempo e espaço para brincar ao ar livre, vamos descobrindo que se tornam mais organizadas, atentas, criativas e capazes”, responde, acrescentando que à medida que vai estudando a relação criança/natureza mais benefícios encontra – “é como as camadas da cebola: encontramos cada vez mais benefícios que desconhecíamos. Alguns dos maiores benefícios são: ajudar a superar medos, aprender regras, tornar-se independente, aprender a jogar, a interagir e aumenta a criatividade”.

Quanto aos problemas motores, brincar ao ar livre permite desenvolver a força das mãos para mais tarde segurar o lápis correctamente; desenvolver os músculos dos ombros necessários para a postura e atenção; andar descalço ajuda a desenvolver pequenos músculos nos pés e tornozelos que ajuda as crianças a ficarem mais ágeis e conscientes de seu corpo no espaço, enumera. O segredo é uma hora diária de movimento, de preferência a subir e a descer árvores, a correr, a inventar brincadeiras. “A chave é dar-lhes experiências diárias de movimento.”

Quanto aos smartphones e gadgets electrónicos, é óbvio que Angela Hanscom é contra. “A electrónica é muito viciante para crianças pequenas e, infelizmente, muitas vezes substitui o precioso tempo em que poderiam estar a remexer a terra, a subir colinas ou a escalar árvores – tudo experiências que apoiam o desenvolvimento de formas que a electrónica não consegue.”

 

As crianças de Torres Vedras vão poder voltar a brincar na rua, em segurança

Julho 31, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Ricardo Graça

Notícia do TorresVedrasWeb de 11 de julho de 2018.

O projeto foi lançado em Leiria há cerca de um ano e meio, onde funcionam quatro Grupos Comunitários de Brincar, com grande adesão. Já recebeu 2 distinções nacionais e uma internacional.

O projeto “Brincar de Rua”, com sede em Leiria, pretende agora chegar a Torres Vedras com a implementação de Grupos Comunitários de Brincar, onde as crianças podem brincar livremente, na rua, em segurança.

Os hábitos e o estilos de vida das crianças estão a tornar-se cada vez mais sedentários. As crianças ocupam muitos do seu tempo no estudo, em atividades organizadas ou em frente ao telemóvel, computador e TV; cada vez menos tempo livre e ao ar livre.

O programa está à procura de voluntários para iniciar o primeiro Grupo Comunitário de Brincar da cidade de Torres Vedras. As inscrições podem ser feitas online através do endereço: http://www.brincarderua.pt

Os cientistas estão a ficar preocupados com este facto, porque esta mudança está a começar a afetar a saúde das nossas crianças (por exemplo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, em Portugal, um terço das crianças têm excesso de peso) e também as suas competências pessoais e sociais (como ser capaz de tomar iniciativa, lidar com frustração ou resolver um problema ou conflito).

Sabia que a maioria das crianças portuguesas têm menos tempo livre, ao ar livre do que um prisioneiro? 70% das crianças portuguesas passam menos de uma hora ao ar livre.

Neste sentido  a Ludotempo, uma associação sem fins lucrativos sediada em Leiria, projetou e está agora a implementar uma solução integrada que vai ajudar a criar Grupos Comunitários de Brincar, onde as crianças podem brincar livremente, na rua, em segurança. A iniciativa está agora a chegar a Torres Vedras, em parceria com a Câmara Municipal.

O projeto foi lançado em Leiria há cerca de um ano e meio, onde funcionam quatro Grupos Comunitários de Brincar, com grande adesão. Já recebeu 2 distinções nacionais (10 finalistas no Programa FAZ IOP da Fundação Calouste Gulbenkian e Big Smart Cities) e uma internacional (12 melhores projetos mundiais, apoiados pela UEFA Foundation for Children).

Foi reconhecido recentemente pelo Plano de Ação Nacional para a Atividade Física (Governo de Portugal – http://www.panaf.gov.pt) como iniciativa de refência a nível nacional.

O Brincar de Rua está já a fazer a diferença na vida de muitas crianças e comunidades que se agregaram em torno desta causa comum: promover estilos de vida saudáveis, comunidades mais coesas e crianças mais felizes e capazes de enfrentar os desafios do seu futuro.

Créditos de Imagem: Ricardo Graça

Fotogaleria

https://torresvedrasweb.pt/fotogaleria-as-criancas-de-torres-vedras-vao-poder-voltar-a-brincar-na-rua-em-seguranca/

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