Não sobrecarregue os seus filhos com atividades (os especialistas explicam porquê)

Fevereiro 11, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sérgio Condeço

Texto do Notícias Magazine de 10 de janeiro de 2019.

Da escola para o futebol, o piano, o inglês e muitas outras atividades, as crianças ficam demasiado ocupadas e sem tempo para terem liberdade, para desenvolverem a criatividade, para fazerem as suas próprias escolhas ou para brincarem. E brincar é oxigénio para os mais pequenos.

Texto Cláudia Pinto | Ilustração Sérgio Condeço/WHO

O tema é debatido recorrentemente e suscita dúvidas. As crianças estão demasiado ocupadas? Têm o tempo todo preenchido e sem alternativa para o que realmente importa para o seu desenvolvimento? Os especialistas acham que sim.

Como noutras áreas de comportamento, não existem fórmulas universais nem regras estanques. Maria José Araújo é professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (IPP) e investiga esta área do brincar e do tempo livre há muitos anos.

“As crianças têm de ter oportunidade para brincar e divertir­‑se, visando os propósitos da sua educação e do seu bem­‑estar”, explica. E se na teoria isto é algo que se percebe, na prática, com a logística diária, vidas atarefadas, pais à beira de um ataque de nervos entre os afazeres familiares e profissionais diários, tudo se torna mais complexo. “As crianças dependem dos adultos, dos pais, dos educadores, não decidem sozinhas e ficam à espera que alguém lhes dê essa possibilidade”, sublinha.

Na maioria das vezes, só querem brincar. É a atividade que melhor conhecem desde tenra idade. Mas, no dia­‑a­‑dia, passam demasiado tempo na escola, chegando a ocupar os finais de tarde com atividades desportivas ou de complemento ao estudo. Resta pouca margem para dar largas à criatividade, tão importante no crescimento. “É fundamental que se perceba que brincar é como respirar para as crianças. Estas só aprendem porque brincam”, explica a professora.

Mas o que são afinal os tempos livres? Será que as atividades em que as crianças estão inscritas são consideradas como tal? Afinal, a sigla ATL sugere isso mesmo. Esta designação deve ser entendida como o tempo em que a criança pode dedicar a atividades não estruturadas.

“As estruturadas (inglês, guitarra, ginástica, etc.) são fundamentais para a aprendizagem, em termos intelectuais, sociais, físicos, mas nessas a criança não tem liberdade. Os tempos livres são essenciais para que aprenda a lidar com a frustração”, explica Catarina Mexia, psicóloga e terapeuta do casal no Centro de Estudos da Família e Psicoterapia.

Na incessante tentativa de ocuparmos os miúdos, nem sempre recuperamos hábitos mais simples que podem proporcionar verdadeiro tempo de qualidade em família, como fazer um bolo nas tardes frias de domingo. Sem complicar muito. Ou, pura e simplesmente, não fazer nada.

“As crianças não estão habituadas a parar. Não fazer nada é fazer alguma coisa. Para­‑se, respira­‑se, ou pura e simplesmente descansa­‑se”, sublinha a psicóloga. Não é incomum ouvi‑las comentar que não têm nada para fazer. Mas, afinal, “o tédio é fundamental para a criança descobrir coisas diferentes para fazer”, salienta a médica pediatra do Hospital dos Lusíadas Joana Appleton Figueira.

Além da importância de as crianças terem os seus tempos livres e de não estarem demasiado ocupadas, não é menos relevante deixá­‑las escolher em vez de serem os pais a fazê­‑lo.

“Estamos muito preocupados com a escola, temos uma sociedade hiperescolarizada, e isto não é errado. A escola é fundamental, mas no tempo curricular que está previsto na lei. Nas restantes horas, as crianças, que gostam de fazer muitas coisas, deveriam ter a oportunidade de escolher algumas das suas atividades”, defende Maria José Araújo, que, já em 2009, publicava um livro a alertar para esta realidade, intitulado Crianças Ocupadas, editado pela Prime Books.

Nas aulas que leciona, no IPP, dedica uma unidade curricular a esta questão e uma outra relacionada com a motricidade e o bem­‑estar, de forma a alertar os alunos de hoje, educadores de amanhã, para a valorização do tempo livre como algo essencial para a vida das crianças. O objetivo é formar futuros professores sobre a questão do brincar e da ocupação das crianças após o horário letivo.

Quando as atividades nem sempre correspondem ao que a criança deseja, acaba por ser frequente a desistência. É esse, aliás, um dos motivos que levam mais os pais a recorrer às consultas de Catarina Mexia. “A preocupação que aparece mais em consulta é o que se passa com os filhos, porque é que não persistem e desistem facilmente. A questão é que os pais não estão a ouvir os filhos”, alerta.

Estarão os pais e as escolas a programar o tempo das crianças de forma rígida e exagerada?

“As atividades organizadas são habitualmente propostas pelas instituições e escolhidas pelos pais. Os estudos provam que quando as crianças escolhem o que fazer, e os pais respeitam essa escolha, as crianças não se cansam tanto e usufruem em pleno”, explica Maria José Araújo.

Brincar implica correr, estar ao ar livre, interagir com os amigos e outras crianças. Isto nem sempre é possível em algumas escolas tradicionais. Algumas delas têm espaços condicionados, o que torna também o tempo de recreio mais limitativo.

“A música, a ginástica, o inglês e todas as atividades são realizadas em espaços fechados. As crianças passam de um espaço fechado para outro. No entanto, há muitas escolas e muitas instituições que têm muito cuidado e que fazem um espaço notável ao proporcionarem recreio ao ar livre, idas ao parque, organizam passeios, caminhadas, brincadeiras e jogos no exterior”, adianta a professora.

Por vezes, e porque os pais estão a trabalhar e não têm quem vá buscar os filhos à escola ao final do tempo de aulas, a brincadeira é substituída por “salas com poucas funcionárias para o número de crianças e com uma televisão para os manter quietos. Ou então, em ATL que são prolongamentos da escola, com salas semelhantes e onde se fazem trabalhos de casa”, sublinha Joana Appleton Figueira.

Na sociedade atual existe ainda uma enorme pressão com os resultados escolares, daí que se incentive o estudo. A típica frase: “Tens de ter boas notas para seres alguém na vida” é claramente identificada por cada um de nós. “As crianças já são ‘alguém’ no momento em que nascem. São pessoas de pleno direito. As preocupações dos pais são legítimas e levam‑nos a organizar as atividades que consideram que poderão vir a proporcionar mais oportunidades e um trabalho aos filhos no futuro. Queremos muito que as crianças sejam responsáveis, mas não desenvolvemos a sua responsabilidade e autonomia. Porque isso pressupõe que brinquem e o façam com os outros”, explica Maria José Araújo.

E se lhe disséssemos que a criança está a aprender enquanto o faz? “Brincar é a única forma que a criança tem de aprender quando é pequena, mesmo dentro de uma sala de aula”, acrescenta. Percebe­‑se então a quantidade de vezes em que os miúdos reforçam que querem brincar “só mais um bocadinho” e a insistência para que os adultos partilhem o momento.

Não existem receitas milagrosas nem números mágicos. O que pode ser o ideal para uma família, não tem de ser necessariamente para outra. “Para algumas crianças, principalmente as mais velhas, pode não haver muito tempo livre todos os dias, desde que, durante a semana, existam horas disponíveis para ler, conversar com a família e com os amigos. O tempo livre pode ser passado a ajudar os pais com o jantar sem tecnologias ligadas, enquanto conversam, e deve ser proporcionado diariamente às crianças mais novas, sem ecrãs, com poucos brinquedos acessíveis de cada vez (num quarto cheio, a criança nem consegue decidir com o que brincar)”, sugere Joana Appleton Figueira.

Mais do que a quantidade de atividades, o tempo deve ser passado com qualidade e, se possível, partilhado com os pais. Com alguma organização mas sem exageros. “Por vezes, é mais útil não programar tanto ao fim de semana e deixar acontecer”, conclui Catarina Mexia.

Leituras que ajudam

Numa sociedade contemporânea em que as pessoas estão cada vez mais ocupadas, sobra pouco tempo para se refletir sobre as melhores decisões que se podem (ou devem) tomar no dia­‑a­‑dia. No livro Crianças Ocupadas, a autora procura facultar aos pais um instrumento que lhes permita decidir o que é melhor para os seus filhos.

O quê?… Os adultos não sabem? é um livro que resulta de um trabalho incluído num projeto de educação criativa desenvolvido ao longo de três anos com crianças do 1.º ciclo do ensino básico da escola EBl/JI do Cerco do Porto (Agrupamento de Escolas do Cerco). As crianças tentam explicar, à sua maneira, que precisam que as deixem brincar.

 

Os quatro excessos da educação moderna que perturbam as crianças

Junho 14, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.revistapazes.com/ de 24 de maio de 2017.

Por Jennifer Delgado Suárez, psicóloga

Quando nossos avós eram pequenos, eles tinham apenas um casaco de frio para o inverno. Apenas um! Naquela época de vacas magras, já era luxo ter um. Exatamente por isso a criançada cuidava dele como se fosse um tesouro precioso. Naquela época bastava a consciência de se ter o mínimo indispensável. E, acima de tudo, as crianças tinham consciência do valor e da importância de suas coisas.

Muita água correu por baixo da ponte, acabamos nos transformando em pessoas mais sofisticadas. Agora prezamos pelas várias opções e queremos que nossos filhos tenham tudo aquilo que desejarem, ou, caso seja possível, muito mais. Não percebemos que esse mimo excessivo ajuda a criar um ambiente propício para transtornos psicológicos.

De fato, foi demonstrado que o excesso de estresse durante a infância aumenta a probabilidade de que as crianças venham a desenvolver problemas psicológicos. Assim, uma criança sistemática pode ser empurrada para ativar um comportamento obsessivo. Uma criança sonhadora, sempre com a cabeça nas nuvens, pode perder a sua capacidade de concentração.

Neste sentido, Kim Payne, professor e conselheiro norte-americano, conduziu uma experiência interessante em que simplificou a vida de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Depois de apenas quatro meses, 68% destes pequeninos passaram a ser considerados clinicamente funcionais. Eles também mostraram um aumento de 37% em suas habilidades acadêmicas e cognitivas, um efeito que não poderia coincidir com a medicação prescrita para esta desordem, o Ritalin.

Estes resultados são, em parte, extremamente reveladores e, mais que isto, também são um pouco assustadores, porque nos fazem pensar se realmente estamos criando para nossos filhos um ambiente saudável, mental e emocionalmente.

O que estamos fazendo de errado e como podemos corrigir isto?

Quando o “muito” se transforma em “demais”?

No início de sua carreira, este professor trabalhou como voluntário em campos de refugiados, onde teve que lidar com crianças que sofrem de estresse pós-traumático. Payne constatou que essas crianças se mostravam nervosas, hiperativas e tremendamente ansiosas, como se pressentissem que algo de ruim fosse acontecer de uma hora para a outra. Elas também eram amedrontadas em excesso, temendo qualquer novidade, o desconhecido, como se tivessem perdido a curiosidade inata das crianças.

Anos mais tarde, Payne constatou que muitas das crianças que precisavam de sua ajuda mostravam os mesmos comportamentos que os pequenos que vinham de países em guerra. No entanto, o estranho é que estas crianças viviam na Inglaterra, abraçados por um ambiente completamente seguro. Qual a razão que os levava a exibir os sintomas típicos de estresse das crianças pós-traumáticas?

O professor pensa que as crianças em nossa sociedade, apesar de estarem seguras do ponto de vista físico, mentalmente vivem em um ambiente semelhante ao produzido em áreas de conflito armado, como se suas vidas estivessem sempre em perigo. A exposição à muitos estímulos provoca um estresse acumulado que obriga as crianças a desenvolverem estratégias que as façam se sentir mais seguras.

Na verdade, as crianças de hoje estão expostas a um fluxo constante de informações que não são capazes de processar. Elas são forçadas ao crescimento rápido, já que os adultos depositam muitas expectativas sobre elas, forçando-as a assumir papéis que realmente não condizem com a realidade infantil. Assim, o cérebro imaturo das crianças é incapaz de acompanhar o ritmo imposto pela nova educação, por conseguinte, um grande estresse ocorre, com as óbvias consequências negativas.

Os quatro pilares do excesso.

Como pais, nós normalmente queremos dar o melhor para os nossos filhos. E pensamos que, se o pouco é bom, o mais só pode ser melhor. Portanto, vamos implementar um modelo de paternidade superprotetora, nós forçamos os filhos a participar de uma infinidade de atividades que, em teoria, ajudam a preparar os pequenos para a vida.

Como se isso não fosse suficiente, nós enchemos seus quartos com livros, dispositivos e brinquedos. Na verdade, estima-se que as crianças ocidentais possuem, em média, 150 brinquedos. É demais, e quando é excessivo, as crianças ficam sobrecarregadas. Como resultado, elas brincam superficialmente, facilmente perdendo o interesse imediatista nos brinquedos e no ambiente, elas não são estimuladas a desenvolver a imaginação.

Payne ressalta que estes são os quatro pilares do excesso que forma a educação atual das crianças:

1 – Excesso de coisas.

2 – Excesso de opções.

3 – Excesso de informações.

4 – Excesso de rapidez.

Quando as crianças estão sobrecarregadas, elas não têm tempo para explorar, refletir e liberar tensões diárias. Muitas opções acabam corroendo sua liberdade e roubam a chance de se cansar, o que é elemento essencial no estímulo à criatividade e ao aprendizado pela descoberta.

Gradualmente, a sociedade foi corroendo as qualidades que tornam o período da infância algo mágico, tanto que alguns psicólogos se referem a esse fenômeno como a “guerra contra a infância”. Basta pensar que, nas últimas duas décadas, as crianças perderam uma média de 12 horas por semana de tempo livre. Mesmo as escolas e jardins de infância assumiram uma orientação mais acadêmica.

No entanto, um estudo realizado na Universidade do Texas revelou que quando as crianças brincam com esportes bem estruturados, elas se tornam adultos menos criativos, em comparação com jovens que tiveram mais tempo livre para criar suas próprias brincadeiras. Na verdade, os psicólogos têm notado que a maneira moderna de jogar gera ansiedade e depressão. Obviamente, não é apenas o jogo mais ou menos estruturado, mas também a falta de tempo.

Simplificar a infância.

A melhor maneira de proteger a infância das crianças é dizer “não” para as diretrizes que a sociedade pretende impor. É preciso deixar que as crianças sejam crianças, apenas isso. A melhor maneira de proteger o equilíbrio mental e emocional é educar as crianças na simplicidade. Para isso, é necessário:

– Não encher elas de atividades extracurriculares, que, em longo prazo, não vão ajudá-las em nada. – Deixe-lhes tempo livre para brincar, de preferência com outras crianças, ou com jogos que estimulem a criatividade, jogos não estruturados.

– Passar um tempo de qualidade com eles é o melhor presente que os pais podem dar.

– Criar um espaço tranquilo em suas vidas onde eles podem se refugiar do caos e aliviar o estresse diário.

– Garantir tempo suficiente de sono e descanso.

– Reduzir a quantidade de informações, certificando-se de que esta seja sempre compreensível e adequada à sua idade, o que envolve um uso mais racional da tecnologia.

– Simplifique o ambiente, apostando em menos brinquedos e certificando-se de que estes realmente estimulem a fantasia da criança.

– Reduzir as expectativas sobre o desempenho, deixe que elas sejam simplesmente crianças. Lembre-se que as crianças têm uma vida inteira pela frente até se tornarem adultos, entretanto, então, permita que elas vivam plenamente a infância.

Texto publicado em espanhol no site Rincón de la Psicología, traduzido e adaptado pela Revista Pazes.

 

 

 

Por que brincar livremente é a melhor escola de verão

Julho 29, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da revista http://www.theatlantic.com de 20 de junho de 2014.

Jessica Lahey

Why Free Play Is the Best Summer School

Jessica Lahey

The more time children spend in structured, parent-guided activities, the worse their ability to work productively towards self-directed goals.

Most schools across the nation have marked the end of another academic year, and it’s time for summer. Time for kids to bolt for the schoolhouse doors for two long months of play, to explore their neighborhoods and discover the mysteries, treasures, and dramas they have to offer. This childhood idyll will hold true for some children, but for many kids, the coming of summer signals little more than a seasonal shift from one set of scheduled, adult-supervised lessons and activities to another.

Unscheduled, unsupervised, playtime is one of the most valuable educational opportunities we give our children. It is fertile ground; the place where children strengthen social bonds, build emotional maturity, develop cognitive skills, and shore up their physical health. The value of free play,  daydreaming, risk-taking, and independent discovery have been much in the news this year, and a new study by psychologists at the University of Colorado reveals just how important these activities are in the development of children’s executive functioning.

Executive function is a broad term for cognitive skills such as organization, long-term planning, self-regulation, task initiation, and the ability to switch between activities. It is a vital part of school preparedness and has long been accepted as a powerful predictor of academic performance and other positive life outcomes such as health and wealth. The focus of this study is “self-directed executive function,” or the ability to generate personal goals and determine how to achieve them on a practical level. The power of self-direction is an underrated and invaluable skill that allows students to act productively in order to achieve their own goals.

The authors studied the schedules and play habits of 70 six-year-old children, measuring how much time each of them spent in “less structured,” spontaneous activities such as imaginative play and self-selected reading and “structured” activities organized and supervised by adults, such as lessons, sports practice, community service and homework. They found that children who engage in more free play have more highly developed self-directed executive function. The opposite was also true: The more time kids spent in structured activities, the worse their sense of self-directed control. It’s worth noting that when classifying activities as “less structured” or “structured,” the authors deemed all child-initiated activities as “less-structured,” while all adult-led activities were “structured.”

All of this is in keeping with the findings of Boston College psychology professor Peter Gray, who studies the benefits of play in human development. In his book Free to Learn: Why Unleashing the Instinct to Play Will Make Our Children Happier, More Self-Reliant, and Better Students for Life, he elaborates on how play supports the development of executive function, and particularly self-directed control:

Free play is nature’s means of teaching children that they are not helpless. In play, away from adults, children really do have control and can practice asserting it. In free play, children learn to make their own decisions, solve their own problems, create and abide by rules, and get along with others as equals rather than as obedient or rebellious subordinates.

When we reduce the amount of free playtime in American preschools and kindergartens, our children stand to lose more than an opportunity to play house and cops and robbers. Some elementary programs recognize the importance of play and protect its role in preschool and kindergarten. Montessori schools and Tools of the Mind curricula are designed to capitalize on the benefits of self-directed free play and student-initiated activities. Tools of the Mind programs, for example, place even more importance on developing executive function than on academic skills. In their terminology, “self-regulation” is the key to success both in school and in life:

Kindergarten teachers rank self-regulation as the most important competency for school readiness; at the same time, these teachers report that many of their students come to school with low levels of self-regulation. There is evidence that early self-regulation levels have a stronger association with school readiness than do IQ or entry-level reading or math skills, and they are closely associated with later academic achievement.

This is not news to most teachers, who, when tasked with educating increasingly crowded classrooms, hope and pray for students with well-developed executive function. The ability to self-direct can spell the difference between an independent student, who can be relied upon to get her work done while chaos reigns around her, and a dependent, aimless student, who is distracted by his classmates and must be guided from one task to the next.

Parents, if you really want to give your kid a head start on coming school year, relinquish some of that time you have earmarked for lessons or sports camp and let your children play. That’s it. Just play. Grant them time free from your ulterior motives and carefully planned educational outcomes. Let them have dominion over their imaginary kingdoms while their evil dragons, white wizards, marauding armies, and grand battles for supremacy unfurl according to their whims and wills.

 

 

A melhor escola de verão para as crianças? Brincar

Julho 5, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do observador de 24 de junho de 2014.

fabien bimmer

Estudos recentes provam as vantagens educativas de as crianças brincarem sem limites, isto é, sem horas marcadas e sem uma supervisão rígida. É a melhor escola de verão, garantem.

As aulas acabaram e as escolas e jardins de infância preparam-se para fechar. O pesadelo de muitos pais: onde deixar as crianças? Ou, mais do que isso, o que fazer com elas durante dois longos meses para não descuidar na sua educação e ao mesmo tempo as manter entretidas e ocupadas? As possibilidades são muitas, ainda que variem consoante os orçamentos, e normalmente passam por campos ou colónias de férias, aulas de música, grupos de estudo ou até mesmo o ATL da própria escola. Mas o conselho dos especialistas é outro: não planear muito e deixar os miúdos brincar. Só isso.

O verão tem tudo para ser (e é) a época preferida das crianças e jovens: representa o fim dos horários – para acordar, estudar, brincar, deitar-, o fim das aulas e o fim das atividades supervisionadas por adultos, ora pais ora professores. E não há problema nenhum que o seja, garante um grupo de psicólogos norte-americano da Universidade do Colorado, que tem vindo a fazer importantes avanços nesta matéria e que este mês acaba de publicar um novo estudo.

Brincar sem limites é um dos melhores valores educacionais que os adultos podem proporcionar às crianças, defendem estes psicólogos do Colorado. Quanto mais tempo as crianças passarem, durante o seu tempo livro, em atividades estruturadas e supervisionadas (como aulas de qualquer instrumento musical ou treino desportivo), pior será a sua capacidade de trabalhar de forma produtiva e autónoma. Ou seja, brincar de forma livre, assumir riscos, sonhar acordado e descobrir coisas novas é um terreno fértil que permite aos mais novos fortalecer relações sociais, desenvolver maturidade emocional e, acima de tudo, desenvolver capacidades cognitivas. O termo técnico é desenvolver o “funcionamento executivo” das crianças, escreve a revista The Atlantic e, surpreendentemente, só se consegue a brincar.

Segundo a publicação norte-americana, o funcionamento executivo é um termo bastante amplo que diz respeito a capacidades cognitivas como a organização, o planeamento de longo prazo, a capacidade de iniciativa ou a capacidade para alternar entre tarefas, e é uma parte vital da preparação escolar. A longo prazo, o funcionamento executivo das crianças é mesmo visto como um indicador importante para o desempenho académico e, mais tarde, para uma vida pessoal e profissional de sucesso.

Para chegarem a estas conclusões, os autores do estudo testaram os hábitos e os horários de brincar de 70 crianças com seis anos de idade, medindo o tempo que cada uma dedicava a atividades espontâneas, auto-recreativas e menos estruturadas, e, por outro lado, o tempo que dedicavam a atividades estruturadas, isto é, organizadas por adultos. O resultado foi que aquelas que passavam mais horas em brincadeiras espontâneas tinham a tal função executiva mais desenvolvida e, por isso, tinham mais autonomia e eram mais organizadas. Por outro lado, quanto mais tempo passavam em atividades convencionais, estruturadas por adultos, pior era o seu sentido de responsabilidade e auto-controlo.

Por isso, pais, se querem realmente aproveitar os longos meses de interrupção lectiva para preparar as crianças para o novo ano, esqueçam a maioria das atividades e aulas extra-curriculares que planearam para eles e deixem-nos brincar. Façam do tempo livre, precisamente o que ele é, tempo livre, e deixem-nos ter domínio sobre a sua própria imaginação em vez de serem dominados pela vontade excessiva de os educar.

 

 


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