Burnout parental: pais fatigados

Agosto 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/

Exaustão, distanciamento emocional, problemas de sono, aumento de vícios, perda de eficiência no papel de mãe e pai. Sinais de que o burnout parental está instalado. Uma equipa de investigadores estudou o assunto e confirmou que pais esgotados em casa não significa profissionais de rastos no trabalho. E vice-versa. É importante partilhar emoções, dividir tarefas, ter tempo para fazer o que se gosta.

SINAIS DE ALARME DE BURNOUT PARENTAL. Exaustão, distanciamento emocional, alterações no sono e no apetite, mudanças frequentes de humor, irritabilidade perante pedidos banais da criança, frustração constante no papel de pai/mãe, dificuldade em gerir emoções, menor produtividade, cansaço físico e emocional. Carregue nas setas  para saber como pode lidar com isto.

Texto de Sara Dias Oliveira

Os tempos mudaram. A pressão sobre os pais para criar crianças saudáveis, inteligentes, perspicazes, seguras, bem-sucedidas, aumentou nas últimas décadas. As mães já não ficam em casa de manhã à noite a cuidar dos filhos e a sociedade é cada vez mais implacável e exigente com os pais. O conceito de burnout parental começou a fazer sentido e já entrou no vocabulário. Uma equipa de investigadores do Instituto de Pesquisa em Ciências Psicológicas da Universidade de Louvain, na Bélgica, estudou o assunto e concluiu que o burnout parental existe e está entre nós. Nos questionários que aplicou a famílias, com pelo menos uma criança a viver em casa, verificou que a proporção de pais esgotados situa-se entre 2 e 12%.

«O burnout parental é uma síndrome tridimensional que engloba exaustão, distanciamento emocional, e perda de eficiência no papel parental. Os pais aguentam as tarefas em piloto automático e não se sentem satisfeitos», diz Isabelle Roskam, uma das investigadoras do estudo, professora na Universidade de Louvain. «O esgotamento dos pais tem consequências graves para os próprios pais porque, contrariamente ao burnout profissional, não há como escapar da paternidade. Também encontramos aumento de vícios e problemas de sono. Além das consequências para os pais, o burnout parental tem consequências para a criança, nomeadamente a negligência e os maus-tratos, que estão fortemente associados ao esgotamento dos pais», adianta. Além disso, deteriora as relações, aumenta os conflitos entre o casal e o número de separações e divórcios.

Os investigadores fizeram dois estudos e confirmaram que o burnout parental é uma síndrome específica. Verificaram que, por um lado, há relações significativas entre burnout parental, burnout profissional, stress parental e depressão, e, por outro, que há uma certa independência entre burnout profissional e burnout parental. Ou seja, estar esgotado no trabalho não significa obrigatoriamente estar no limite em casa.

«Para muitos trabalhadores que sofrem burnout, a vida familiar pode ser vista como um refúgio seguro, e para muitos pais em burnout, o trabalho pode ser um lugar seguro. Este estudo confirma, portanto, que o burnout é uma síndrome contextual específica e não uma síndrome livre de contexto», sublinham os investigadores. E há outra evidência: o burnout não é exclusivo das mães, os pais também o sentem, e daí o nome burnout parental e não burnout maternal.

O desgaste parental resulta de um desequilíbrio entre necessidades e recursos e que pode vir ao de cima por vários fatores: paternidade monoparental, condições financeiras, doença crónica ou deficiência da criança, problemas comportamentais, baixas competências emocionais, perfecionismo parental, satisfação conjugal. «Encontrámos várias fases que precedem o desgaste parental. Uma fase importante é o envolvimento hiperativo. A maioria dos pais esgotados tinha um ideal muito vincado do que é ser uma boa mãe e um bom pai. Às vezes, sacrificavam a sua carreira, amizades, lazer… para ser o melhor pai. Uma vez que a paternidade gera frustrações, esses pais não se sentem recompensados por todos os seus esforços. A frustração leva, por sua vez, a preocupações e ruminações que resultam em esgotamento, distanciamento e perda de autorrealização», diz Isabelle Roskam.

A investigadora refere que é importante que os pais percebam que a exaustão é um sentimento normal e que isso não significa que se é mau pai ou má mãe. «Sinta-se livre para partilhar sentimentos com a família, amigos, ou profissionais se necessário. Além disso, é importante analisar se os elementos de stress pesam no equilíbrio pessoal e quantos recursos se tem para lidar com eles». Há então ajustes que podem ser feitos como, por exemplo, limitar o número de atividades extracurriculares das crianças, reforçar o apoio do companheiro, adicionar novos recursos como recorrer a babysitting para ter algum tempo livre.

As agendas dos adultos e das crianças são cada vez mais exigentes. «Atualmente parece que vivemos pressionados para sermos super-pais e termos super-filhos. A pressão para se ser o melhor e alcançar o máximo parecem toldar muitos pais, levando-os frequentemente a entrar em espirais de desgaste emocional e exaustão, afastando-os do foco – os laços emocionais. Parece que os pais andam em piloto automático», diz Inês Afonso Marques, psicóloga clínica da Oficina de Psicologia. A parentalidade é uma tarefa a tempo inteiro, sem intervalos, e o stress faz parte da vida das famílias. E isso pode, sustenta, «contribuir para aumentar a vulnerabilidade para o desgaste emocional, que somando aos filhos, à carreira, à família alargada, podem aumentar a vulnerabilidade e o efeito cumulativo do stress».

É preciso muita calma e paciência para não perder o chão. E os sinais de exaustão e desgaste emocional dos pais são diversos, alguns semelhantes ao burnout profissional. «Alterações no sono e no apetite, alterações de humor frequentes, irritabilidade fácil (por exemplo, perante pedidos banais da criança), distanciamento emocional da criança, frustração constante no papel de pai/mãe, dificuldade na gestão das emoções, menor produtividade, maior cansaço físico e emocional».

Inês Afonso Marques dá algumas dicas para prevenir o burnout parental: tempo de qualidade em família sem tecnologias por perto, encontrar na agenda espaço para uma atividade que dê prazer, recorrer à família ou amigos.

Helena Gonçalves Rocha, terapeuta familiar, também tem alguns conselhos para quem se sente exausto no papel parental. Delegar tarefas domésticas ou de babysitting nos avós ou nos tios, aproveitar os pequenos momentos, soltar umas gargalhadas. «Afinal não tarda nada e eles já cresceram», avisa. Também é importante simplificar e estabelecer prioridades. «O que será mais importante: a cozinha a brilhar ou uns momentos de verdadeiro riso e brincadeira com o seu filho?», pergunta. E olhar para o umbigo de vez em quando. «Planeie uma atividade semanal para fazer o que mais gosta, cuide de si, só assim estará apta a cuidar dos seus filhos», refere.

O perfecionismo tem de sair do vocabulário. «Quando se tem filhos, o perfecionismo tem que ser banido das nossas vidas: ‘feito é bem melhor do que perfeito’.» «O burnout parental não está relacionado com a interação dos pais com os filhos, mas sim com tudo aquilo que se traduz com o trabalho em educá-los, mantê-los nos seus horários, transportá-los para as suas atividades, supervisionar os trabalhos de casa, garantir que têm uma boa alimentação. A síndrome de burnout surge muitas vezes nos primeiros anos de vida da criança por toda a exigência física e social e, mais tarde, na transição para a adolescência em que as exigências parentais mudam radicalmente quase de minuto a minuto», diz Helena Gonçalves Rocha. O pescoço não roda 360º graus, os neurónios não estão sempre na potência máxima. E os pais sentem que não estão a cumprir os seus objetivos, que não estão a fazer o que é suposto. Além disso, as exigências profissionais não se compadecem da exaustão física e emocional, a casa deixa de ser arrumada como se gostaria, a paciência esgota-se num ápice. O burnout parental remexe na vida, mas há maneiras de dar a volta por cima.

Ver aqui o estudo.

 

 

 

Nem menos sensíveis, nem mais agressivas. Os videojogos não têm os efeitos que se pensava nas crianças

Junho 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 21 de maio de 2017.

ERIC PIERMONT/ Getty Images

Um estudo alemão analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e concluiu que as crianças não se tornam mais agressivas ou menos empáticas mesmo que joguem todos os dias e que os jogos sejam violentos

Há uma preocupação generalizada sobre o impacto dos videojogos nas crianças. Numa altura em que a popularidade e a qualidade destes jogos continua a aumentar, um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina de Hannover, na Alemanha, realizou um estudo que promete deixar alguns pais mais descansados.

A investigação, liderada por Gregor Szycik, analisou os efeitos a longo prazo dos videojogos e não encontrou nenhuma ligação com alterações nas respostas neurais nas crianças.

O estudo observou 30 participantes (todos do sexo masculino) que nos últimos quatro anos jogaram videojogos de tiro, como Call of Duty e Counterstrike, durante duas horas ou mais, todos os dias. Os participantes foram comparados a outras crianças que não jogavam.

Enquanto eram examinados através de uma ressonância magnética – que media a ativação de zonas específicas do cérebro -, os participantes observaram imagens projetadas com o objetivo de provocar respostas emocionais e empáticas. No final, preencheram um questionário e os resultados revelaram pouca ou nenhuma variação nos níveis de agressividade e empatia entre jogadores e não jogadores.

Apesar do pequeno número de participantes, Gerry Moore, professor de psicoterapia e saúde mental na Universidade da Cidade de Dublin, ouvido pelo The Irish Times, salienta uma particularidade deste estudo: foi pedido às crianças que não jogassem durante um tempo anterior aos testes – a maioria não tinha jogado nas últimas 24, o que significa que não foi tido em conta o impacto imediato de jogar jogos violentos. Outros estudos que encontraram relação entre a violência dos jogos e a violência do comportamento usaram os dados obtidos imediatamente após o jogo. “Ao providenciar este intervalo no tempo, este estudo mostrou que que as crianças poderiam mostrar mais empatia se lhe fosse permitido parar e talvez contar até 10 e dispersar a situação”, considera.

O especialista diz ainda que o nível de empatia das crianças não pode ser determinado exclusivamente pelo tempo que passam a jogar videojogos, por mais violentos que sejam. “As pessoas aprendem a ser empáticas muito cedo. Muitos estudos indicam que a empatia começa a desenvolver-se tão cedo como os estágios pré-verbais da infância – muito antes das crianças começarem a jogar videojogos”, defende.

 

 

 

Facebook antes de dormir faz baixar as notas

Janeiro 1, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt de 1 de dezembro de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Role of Environmental Factors on Sleep Patterns and School Performance in Adolescents

Está cansado de dizer aos seus adolescentes de desligarem os telefones e outros equipamentos antes de irem para a cama? Não desista. Ao fazê-lo poderá estar a fazer a diferença entre um bom desempenho escolar e notas a enfraquecerem.

Pelo menos estas são as conclusões obtidas no final de um estudo realizado na University College de Londres, o qual estudou o efeito do uso da tecnologia e das redes sociais antes do período de descanso noturno e os resultados académicos. Estar nas redes sociais é especialmente nocivo, dizem os investigadores, já que a interação com os pares faz com que o cérebro seja hiperestimulado, impedindo que entre rapidamente em modo efetivo de sono e descansando muito menos que as dez horas noturnas recomendadas durante a adolescência.

No decorrer do trabalho foi inquirida uma amostra de 48 adolescentes a partir dos 16 anos e 70 por cento revelaram que usam as redes sociais menos de meia hora antes de irem para a cama. E são estes que apresentam, em média, notas 20 por cento mais baixas que os seus colegas que desligam o telefone bem antes de dormir.

Segundo uma das autoras do trabalho, realizado pelo Laboratório de Educação, Aprendizagem ao longo da vida e Sono daquela universidade, os resultados obtidos são “preocupantes”. “O sono é essencial para processos como a consolidação da memória. Para além da estimulação cerebral motivada pelas conversas online, a luminosidade dos aparelhos pode também levar a problemas de sono, pois bloqueia a produção da hormona melatonina, que necessita de escuridão para aumentar de volume no organismo”, refere Dagmara Dimitriou ao jornal científico “Frontiers in Psychology”.

 

 

Por que brincar livremente é a melhor escola de verão

Julho 29, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da revista http://www.theatlantic.com de 20 de junho de 2014.

Jessica Lahey

Why Free Play Is the Best Summer School

Jessica Lahey

The more time children spend in structured, parent-guided activities, the worse their ability to work productively towards self-directed goals.

Most schools across the nation have marked the end of another academic year, and it’s time for summer. Time for kids to bolt for the schoolhouse doors for two long months of play, to explore their neighborhoods and discover the mysteries, treasures, and dramas they have to offer. This childhood idyll will hold true for some children, but for many kids, the coming of summer signals little more than a seasonal shift from one set of scheduled, adult-supervised lessons and activities to another.

Unscheduled, unsupervised, playtime is one of the most valuable educational opportunities we give our children. It is fertile ground; the place where children strengthen social bonds, build emotional maturity, develop cognitive skills, and shore up their physical health. The value of free play,  daydreaming, risk-taking, and independent discovery have been much in the news this year, and a new study by psychologists at the University of Colorado reveals just how important these activities are in the development of children’s executive functioning.

Executive function is a broad term for cognitive skills such as organization, long-term planning, self-regulation, task initiation, and the ability to switch between activities. It is a vital part of school preparedness and has long been accepted as a powerful predictor of academic performance and other positive life outcomes such as health and wealth. The focus of this study is “self-directed executive function,” or the ability to generate personal goals and determine how to achieve them on a practical level. The power of self-direction is an underrated and invaluable skill that allows students to act productively in order to achieve their own goals.

The authors studied the schedules and play habits of 70 six-year-old children, measuring how much time each of them spent in “less structured,” spontaneous activities such as imaginative play and self-selected reading and “structured” activities organized and supervised by adults, such as lessons, sports practice, community service and homework. They found that children who engage in more free play have more highly developed self-directed executive function. The opposite was also true: The more time kids spent in structured activities, the worse their sense of self-directed control. It’s worth noting that when classifying activities as “less structured” or “structured,” the authors deemed all child-initiated activities as “less-structured,” while all adult-led activities were “structured.”

All of this is in keeping with the findings of Boston College psychology professor Peter Gray, who studies the benefits of play in human development. In his book Free to Learn: Why Unleashing the Instinct to Play Will Make Our Children Happier, More Self-Reliant, and Better Students for Life, he elaborates on how play supports the development of executive function, and particularly self-directed control:

Free play is nature’s means of teaching children that they are not helpless. In play, away from adults, children really do have control and can practice asserting it. In free play, children learn to make their own decisions, solve their own problems, create and abide by rules, and get along with others as equals rather than as obedient or rebellious subordinates.

When we reduce the amount of free playtime in American preschools and kindergartens, our children stand to lose more than an opportunity to play house and cops and robbers. Some elementary programs recognize the importance of play and protect its role in preschool and kindergarten. Montessori schools and Tools of the Mind curricula are designed to capitalize on the benefits of self-directed free play and student-initiated activities. Tools of the Mind programs, for example, place even more importance on developing executive function than on academic skills. In their terminology, “self-regulation” is the key to success both in school and in life:

Kindergarten teachers rank self-regulation as the most important competency for school readiness; at the same time, these teachers report that many of their students come to school with low levels of self-regulation. There is evidence that early self-regulation levels have a stronger association with school readiness than do IQ or entry-level reading or math skills, and they are closely associated with later academic achievement.

This is not news to most teachers, who, when tasked with educating increasingly crowded classrooms, hope and pray for students with well-developed executive function. The ability to self-direct can spell the difference between an independent student, who can be relied upon to get her work done while chaos reigns around her, and a dependent, aimless student, who is distracted by his classmates and must be guided from one task to the next.

Parents, if you really want to give your kid a head start on coming school year, relinquish some of that time you have earmarked for lessons or sports camp and let your children play. That’s it. Just play. Grant them time free from your ulterior motives and carefully planned educational outcomes. Let them have dominion over their imaginary kingdoms while their evil dragons, white wizards, marauding armies, and grand battles for supremacy unfurl according to their whims and wills.

 

 

A melhor escola de verão para as crianças? Brincar

Julho 5, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do observador de 24 de junho de 2014.

fabien bimmer

Estudos recentes provam as vantagens educativas de as crianças brincarem sem limites, isto é, sem horas marcadas e sem uma supervisão rígida. É a melhor escola de verão, garantem.

As aulas acabaram e as escolas e jardins de infância preparam-se para fechar. O pesadelo de muitos pais: onde deixar as crianças? Ou, mais do que isso, o que fazer com elas durante dois longos meses para não descuidar na sua educação e ao mesmo tempo as manter entretidas e ocupadas? As possibilidades são muitas, ainda que variem consoante os orçamentos, e normalmente passam por campos ou colónias de férias, aulas de música, grupos de estudo ou até mesmo o ATL da própria escola. Mas o conselho dos especialistas é outro: não planear muito e deixar os miúdos brincar. Só isso.

O verão tem tudo para ser (e é) a época preferida das crianças e jovens: representa o fim dos horários – para acordar, estudar, brincar, deitar-, o fim das aulas e o fim das atividades supervisionadas por adultos, ora pais ora professores. E não há problema nenhum que o seja, garante um grupo de psicólogos norte-americano da Universidade do Colorado, que tem vindo a fazer importantes avanços nesta matéria e que este mês acaba de publicar um novo estudo.

Brincar sem limites é um dos melhores valores educacionais que os adultos podem proporcionar às crianças, defendem estes psicólogos do Colorado. Quanto mais tempo as crianças passarem, durante o seu tempo livro, em atividades estruturadas e supervisionadas (como aulas de qualquer instrumento musical ou treino desportivo), pior será a sua capacidade de trabalhar de forma produtiva e autónoma. Ou seja, brincar de forma livre, assumir riscos, sonhar acordado e descobrir coisas novas é um terreno fértil que permite aos mais novos fortalecer relações sociais, desenvolver maturidade emocional e, acima de tudo, desenvolver capacidades cognitivas. O termo técnico é desenvolver o “funcionamento executivo” das crianças, escreve a revista The Atlantic e, surpreendentemente, só se consegue a brincar.

Segundo a publicação norte-americana, o funcionamento executivo é um termo bastante amplo que diz respeito a capacidades cognitivas como a organização, o planeamento de longo prazo, a capacidade de iniciativa ou a capacidade para alternar entre tarefas, e é uma parte vital da preparação escolar. A longo prazo, o funcionamento executivo das crianças é mesmo visto como um indicador importante para o desempenho académico e, mais tarde, para uma vida pessoal e profissional de sucesso.

Para chegarem a estas conclusões, os autores do estudo testaram os hábitos e os horários de brincar de 70 crianças com seis anos de idade, medindo o tempo que cada uma dedicava a atividades espontâneas, auto-recreativas e menos estruturadas, e, por outro lado, o tempo que dedicavam a atividades estruturadas, isto é, organizadas por adultos. O resultado foi que aquelas que passavam mais horas em brincadeiras espontâneas tinham a tal função executiva mais desenvolvida e, por isso, tinham mais autonomia e eram mais organizadas. Por outro lado, quanto mais tempo passavam em atividades convencionais, estruturadas por adultos, pior era o seu sentido de responsabilidade e auto-controlo.

Por isso, pais, se querem realmente aproveitar os longos meses de interrupção lectiva para preparar as crianças para o novo ano, esqueçam a maioria das atividades e aulas extra-curriculares que planearam para eles e deixem-nos brincar. Façam do tempo livre, precisamente o que ele é, tempo livre, e deixem-nos ter domínio sobre a sua própria imaginação em vez de serem dominados pela vontade excessiva de os educar.

 

 


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