E se Trump tiver danificado o cérebro das crianças migrantes para sempre?

Julho 10, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias Magazine de 2 de julho de 2018.

Psicólogos alertam para danos de longo prazo causados pelo stress da separação dos pais. Política de afastamento imperava, até ao mês passado, na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

Texto de Ana Tulha

As imagens e sons correram o Mundo: crianças enjauladas, choros copiosos, o desespero em rostos onde a confiança há muito não mora. Aconteceu na fronteira entre os Estados Unidos e o México, no seguimento da política de separação de pais e filhos migrantes. A reação interna e da comunidade internacional foi massiva e Donald Trump, presidente americano revogou a prática em vigor a 20 de junho.

As consequências, essas, são bem mais difíceis de eliminar. Se o impacto emocional, derivação lógica dos fantasmas de uma experiência traumática, é mais ou menos óbvio, o futuro pode trazer outras repercussões negativas, nomeadamente ao nível do funcionamento do cérebro. Nalguns casos, garantem os psicólogos, os danos podem ser permanentes.

“Este tipo de trauma pode afetar os cérebros das crianças e, potencialmente, o desenvolvimento a longo prazo”, garantiu Colleen Kraft, presidente da American Academy of Pediatrics, no Spotlight Health Festival.

Em abril, Colleen foi autorizada a visitar um abrigo para refugiados, na fronteira dos Estados Unidos. Lá, encontrou uma divisão repleta de crianças a gatinhar e um silêncio sinistro, rasgado pelo pranto de uma menina que batia desesperada com os punhos no tapete. “Uma funcionária tentou confortá-la com livros e brinquedos, mas não estava autorizada a pegar nela ou sequer a tocar-lhe. Podemos perceber o trauma que advém daqui”, partilhou a psicóloga.

De acordo com estudos do National Scientific Council on the Developing Child, citados pela revista americana The Atlantic, a prevalência de elevados níveis de cortisol, uma das hormonas relacionadas com o stress, pode suprimir o sistema imunitário e mudar a arquitetura de um cérebro em desenvolvimento. Uma outra hormona relacionada com o stress, a corticotrofina, pode danificar o hipocampo, que tem um papel fundamental na aprendizagem e na memória.

Colleen Kraft descodifica o processo: “Em crianças normais e saudáveis, as ligações relacionadas com a aprendizagem, as brincadeiras e as capacidades sociais formam-se durante os primeiros anos de vida. Mas em crianças com stress contínuo, as ligações mais fortes são as relacionadas com o medo e a ansiedade.”

Depois, à medida que as crianças crescem, o cérebro começar a cortar nas ligações mais fracas, mantendo apenas as mais fortes. E, explica a psicóloga, se nas crianças saudáveis o cérebro mantém ligações relacionadas com a aprendizagem e a resiliência, apagando os pequenos percalços, nas crianças que sofreram de stress tóxico as ligações mais duradouras vão ser as que envolvem medo e ansiedade.

Kraft garante mesmo que muitas crianças que passam por experiências deste género “não desenvolvem discurso, não desenvolvem vínculos emocionais, não desenvolvem funções motoras fundamentais”. E conclui: “Provoca um atraso muito significativo no desenvolvimento.”

 

 

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Geração Stress : 25% dos jovens sentem-se ansiosos ou stressados diariamente

Fevereiro 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do site https://mood.sapo.pt/ de 24 de janeiro de 2018.

Um estudo realizado com jovens entre os 16 e os 24 anos, no Reino Unido, mostra que a nova geração sente muita pressão relativamente aos resultados académicos, mercado de trabalho e devido a questões financeiras.

Um novo estudo realizado pela consultora Mintel sobre estilos de vida saudáveis conclui que são os jovens entre os 16 e os 24 anos que mais sofrem com a ansiedade diária e o stress decorrente de várias áreas da vida. O estudo conduzido no Reino Unido indica que são os resultados académicos, a dificuldade de entrar e permanecer no mercado de trabalho e as consequentes questões financeiras os principais fatores causadores destes sentimentos.

O stress é praticamente universal nos dias que correm. Segundo o estudo, 85% dos britânicos sofrem de ansiedade ou de stress às vezes, com três em cada 10 (29%) a dizerem que sofrem pelo menos três vezes por semana e 15% indica que o sentem todos os dias. Mas são os jovens que estão a vivenciar os mais altos níveis de ansiedade e de stress, pois 25% das pessoas de 16 a 24 anos sentem alguma ansiedade ou stress todos os dias.

Enquanto isso, parece que a idade traz um elemento de calma, já que apenas 9% dos mais de 55 anos dizem que se sentem ansiosos e stressados diariamente e um quarto (25%) diz que não experimenta mesmo nenhum stresse, indica a pesquisa. «Os jovens da Grã-Bretanha estão a sentir pressão em várias frentes, incluindo por fatores académicos, profissionais e financeiros, e em alguns isso está a causar ansiedade e stress diariamente», comenta Richard Caines, analista sénior da Mintel.

Entre as formas mais comuns de lidar com este tipo de sentimentos estão ouvir música (44% no geral e 64% não faixa dos 16-24 anos), caminhar (39%) e comer alimentos reconfortantes (32%), o último aumentando para duas em cada cinco (39%) nas mulheres. No entanto, parece que os consumidores não estão a encontrar tempo suficiente para relaxar, pois apenas um terço (33%) diz que tira algum tempo para relaxar todos os dias. E apesar da importância percebida da saúde mental, apenas três em cada 10 (31%) dizem sentir-se estimulados mentalmente todos os dias, enquanto menos de metade (46%) dos consumidores sentem-se mentalmente estimulados menos de três vezes por semana.

A teoria está, no entanto, apreendida: dormir o suficiente (69%), fazer uma dieta saudável (68%) e exercitar-se regularmente (65%) são classificados como os três principais hábitos para se manterem saudáveis.

Já a prática nem por isso, revela o estudo. Apenas um quinto (22%) dos consumidores diz que dorme o suficiente todos os dias. A faixa etária entre os 45-54 anos (14%) é a que pratica menos quantidades diárias de sono suficiente. Apesar de comer uma dieta saudável é visto como um importante fator de saúde, apenas um quinto (20%) dos consumidores diz que come cinco porções de fruta ou vegetais diariamente. E quanto ao exercício, apenas 14% dos consumidores praticam alguma atividade física diariamente e 26% diz que os faz entre três e seis vezes por semana.

«Os consumidores têm boas intenções de dormir o suficiente, fazerem uma dieta saudável e exercitarem-se regularmente. No entanto, o que acontece na realidade é uma imagem muito diferente. Esta lacuna entre perceção e realidade é realçada pelo facto de que tão poucos consumidores acreditam que são pouco saudáveis para a sua idade», conclui o especialista.

A pesquisa mostra por fim que as pessoas estão interessadas em soluções para corrigir os seus maus hábitos. Dez por cento utilizam aplicações de telemóvel para o efeito e 45% estão interessados em faze-lo. E são a camada mais jovem a mais interessada neste tipo de soluções, exatamente 57%. Veja agora, na galeria no início do artigo, alguns sinais de como o stress se pode estar a transformar em depressão.

mais informações na notícia da Mintel:

Generation stress: 25% of UK 16-24s feel anxious or stressed every day

 

 

Como lidar com o stress matinal entre pais e filhos

Novembro 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/de 4 de outubro de 2017.

O stress matinal está a prejudicar os momentos em família?

Oito e meia da manhã, o relógio a dar horas, o pequeno-almoço por tomar, a roupa por vestir, gritos, choro, birras, “não posso mais com isto!”, “despacha-te!”, “anda lá!”. Um stress. Cenário comum e que se repete em dezenas de lares portugueses. Rotina que se repete dia após dia. Será que passa com os anos? Será que os miúdos melhoram com a idade? Dúvidas, irritabilidade, culpa… E assim está montado o cenário perfeito para que a família comece a sentir que está a viver em stress constante.

Para os pais, há ainda o acumular das tarefas profissionais e de manutenção da casa. Para os miúdos, o acumular dos conflitos na escola, da dificuldade em algo que está a ser ensinado e dos trabalhos para casa.

Mas será que de alguma forma os comportamentos de cada membro da família acabam por alimentar o stress familiar?

Sim e com certeza!

Os filhos frequentemente testam os pais para verem até onde podem ir, e frequentemente exigem atenção através de coisas que irritam profundamente os pais. Por sua vez, os pais que se sentem soterrados em obrigações, frequentemente dão uma ordem acabando por contraria-la, ou seja, pedem para os filhos que executem determinada tarefa, e acabam por fazê-la.

Anda lá! Calça as sapatilhas! Temos que ir!” E… dois segundos depois está o pai ou a mãe em stress a calçar os miúdos.

Como estas situações alimentam o stress familiar?

Simples, os pais, enquanto adultos, passam num simples comportamento a mensagem de que ela não tem capacidade de se calçar sozinha, que receberá muita atenção se fizer fitas a vestir-se, e que tampouco precisa de obedecer porque, a tarefa vai aparecer feita na mesma. E assim a mesma cena perpetua-se manhã após manhã.

Mas, como resolver essa situação?

Com treino. Treino dos pais e treino dos miúdos. Num dia calmo em que não tenham horários a cumprir (como um fim de semana, por exemplo), tenha uma conversa honesta com os pequenos e proponha uma competição contra o relógio “tive uma ideia para que nós não tenhamos que discutir pela manhã!”, por exemplo: “Vou colocar aqui o alarme e quando tocar tens que estar já vestido(a) e com as sapatilhas calçadas. Se conseguires terminar antes do alarme, vais ganhar um prémio!”. Para tal, coloque um tempo no alarme que saiba que será viável para o seu filho realizar a tarefa com sucesso (5 min a 8 min). O que queremos aqui é que ele se sinta capaz de executá-la. Ah! Mais importante ainda, não ajude! Deixe que ele faça sozinho, incentivando-o a cada etapa concluída com sucesso “Boa! estás mesmo rápido, já conseguiste vestir a camisola! Fixe!! Agora já calcaste as meias!!”. O prémio a ser dado, nesse caso, pode ser algo tão pequeno como um autocolante ou carimbos numa folha. Depois, podem ser estabelecidas metas para a semana juntamente com os miúdos (a começar por metas mais fáceis). Se os pequenos conseguirem vencer o alarme três vezes na semana ganham três autocolantes e esta soma de conquistas pode ser trocada por um prémio maior (um kinder surpresa, a escolha da sobremesa para o jantar, um jogo mais barato que queiram, enfim, algo que não tenha um valor elevado mas que seja do interesse deles). Esses pequenos prémios vão promovendo motivação para a realização de tarefas e o desafio deve ser aumentado a cada conquista. Após duas semanas, conseguindo vestir-se sozinhos e vencendo a meta de três vezes na semana, pode aumentar-se o desafio para conseguir fazê-lo os cinco dias da semana.

Este tipo de intervenção pode ser feita também para tomarem o pequeno-almoço ou para realizar qualquer outra tarefa, incentivando-os sempre com algum prémio pelo sucesso na execução e claro, com muita atenção!

A verdade é que as birras e a postura opositiva não passam com os anos, nem com a idade. Muito pelo contrário, a tendência é piorar se não for tomada nenhuma atitude pró-ativa por parte de quem cuida. O que faz os comportamentos mudarem são 4 coisas:

  • Treino, consistência por parte dos pais, regras e ordem.

Nesse sentido, os pais tem de ter atenção para não transmitirem exatamente aquilo que não pretendem.

Há pais que gritam frequentemente com os filhos pedindo para que estes não gritem.

Ora, quando gritas, o que estás a ensinar, é que ganha quem grita mais alto… Em vez de ensinar que com gritos não se ganha nada, ensinas que gritar é o importante. E, acredita, os miúdos vão aprender a gritar!

O que devemos fazer é exatamente o oposto: oferecer um elogio assim que a criança para de gritar “Fixe! Estou mesmo orgulhosa(o) de ti! Conseguiste acalmar-te e parar de gritar!”, assim conseguimos ensinar que gritar não serve de chamada de atenção, mas que parando de gritar se ganhar atenção e elogios dos pais!

Essas dicas funcionam muito bem quando bem executadas de forma consistente. É claro que algumas crianças são mais desafiadoras, mas há sempre maneiras de ajuda-las a compreender as regras e autoridade de forma positiva e não autoritária.

Quem poderá ajudar com mais precisão é um psicólogo especialista em atendimento infantil e de pais. Para além de promover rotinas menos conturbadas, um bom profissional ajuda na criação e manutenção de laços afetivos positivos nas famílias, mesmo perante os momentos de crise.

Se sente que sua rotina está a dar cabo do seu dia e da energia da sua família, procure ajuda. Acredite, as coisas não vão melhorar sozinhas e nem com o tempo. É necessário fazer modificações de forma organizada, consistente e coerente, e com ajuda profissional tudo fica mais claro e fácil.

imagem@trudnoca

 

 

 

Pais Sem Pressa? Sim, é possível

Junho 28, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 8 de junho de 2017.

A psicóloga Inês Marques dá alguns conselhos aos pais para uma vida mais calma em família: criar um momento de atenção plena à criança todos os dias. Uma brincadeira escolhida por ela em que o que interessa é estar em interação e sintonia emocional com o pai, a mãe ou ambos. Tudo o resto pode esperar. Percorra a galeria para conhecer os outros.

Mais tempo em família, menos tecnologia, brincar até fartar, são algumas bases do movimento norte-americano Slow Parenting [Pais Sem Pressa]. Por cá, as ideias fazem eco. Há pais que tentam desacelerar a vida dos filhos, esticar o tempo para estarem juntos, viver mais devagar. Pais sem pressa? É complicado, mas não impossível.

Texto Sara Dias Oliveira

De um lado para o outro e o tempo não estica. Tentar chegar a horas. Casa, escola, trabalho, escola, casa e sempre a correr. O movimento Slow Parentig, Pais sem Pressa em português, tem raízes nos Estados Unidos e defende que é possível abrandar a rotina dos pais para desacelerar a dos filhos. Em nome do equilíbrio. Em nome da felicidade. A ideia não passa despercebida em Portugal. Não há um movimento organizado, mas há famílias que pensam no assunto. E que fazem o que podem.

Helena Gonçalves Rocha, terapeuta familiar, licenciada em Educação Especial e Reabilitação, é mãe do Guilherme de 17 anos e da Mariana de 12. Quando os filhos eram mais pequenos, fazia questão de não preencher os horários com atividades extra. No final do dia, chegavam a casa, punham a música bem alto e dançavam como se ninguém estivesse a vê-los.

E os banhos eram aproveitados para brincar e ouvir o que os filhos tinham para contar. «Ainda hoje um dos programas preferidos que nos ajuda a reforçar lados e a aprender são os passeios na natureza, observando as pequenas alterações, os animais que se movimentam, quanto tempo passámos nós a ver as formigas a trabalhar», conta.

filhos cresceram, as estratégias foram sendo afinadas. Uma vez por ano, vão para um sítio sem telemóveis, fazem campismo, apreciam um belo nascer do sol. «Temos o cuidado de construir memórias», diz. E como moram ao pé da praia, na margem sul do Tejo, com o mar à porta, e o marido, Rui Rocha, tem uma escola de surf na Costa de Caparica, miúdos e pai praticam surf. Helena fica na areia a tirar fotos das acrobacias no mar.

Descomplicar não é assim tão difícil e, na sua perspetiva, é importante. Usufruir das relações, das emoções, saber esperar e apreciar as pequenas coisas. É certo que os relógios não param e as rotinas têm horas marcadas. «Hoje em dia a pressão da perfeição faz que os pais queiram preparar os seus filhos o melhor possível. Preenchem os seus horários com todas as atividades possíveis para serem os melhores», diz.

Mas para a terapeuta familiar, que conhece o conceito dos Pais sem Pressa, não é difícil eliminar elementos de stress e criar momentos de maior prazer. «Os miúdos são muito mais simples e muito menos exigentes do que possamos pensar. Eles querem o adulto efetivamente com eles, sem hora marcada, sem tecnologia no meio, apenas apreciando.» E fica um conselho. «Experimentem a riqueza de se deitarem na relva e ver as nuvens correrem, parece simples, mas para os mais pequenos é todo um mundo.»

A felicidade é um pilar importante do movimento Pais sem Pressa. Aproveitar os pequenos prazeres da vida e passar o máximo de tempo em família também. Há pormenores que ajudam a desacelerar a rotina. Menos tecnologia e mais tempo em família, incentivar os filhos a fazer novas amizades, saber ouvir e saber observar, brincar até fartar, aprender sem compromissos e de forma espontânea, estabelecer limites e saber dizer não, encontrar tempo para esvaziar a mente, dar tempo aos filhos. Menos às vezes é mais.

Rebelo tem três filhos. Maria de 17 anos, Tomás de 15 e Matilde de 12. Criou o blogue «A Mãe da Maria» e foi aí que partilhou algumas considerações sobre o Slow Parenting. «Penso muitas vezes em como seria bom ter menos pressa quando estou com os meus filhos. Gostaria de ter o tempo suficiente, para não estar sempre a puxar por eles. Ou porque temos de sair a correr para o colégio, ou porque temos de ir jantar, que já é tarde, ou porque têm de ir dormir, que já passou a hora», escreveu no blogue.

Há 17 anos, quando a Maria nasceu, com uma deficiência única no mundo, a vida foi virada do avesso. Ana percebeu que não valia a pena fazer grandes planos, que o tempo é para ser vivido e aproveitado gota a gota. Teve mais dois filhos e, sempre que possível, tenta abrandar as rotinas mesmo com horários preenchidos. Maria anda na hipoterapia, Matilde no voleibol, Tomás deixou o judo e quer experimentar outro desporto.

Ana, que se diz uma «mãe cheia de pressa», executiva de profissão, que está a liderar a criação do Dia Nacional da Inclusão, em análise na Assembleia da República e lançou o livro A Mãe da Maria no ano passado, valoriza o tempo em família. Todos à mesa ao jantar, conversas durante a refeição, menos tempo com os olhos nas tecnologias. Quer que as suas crianças sejam felizes. «Olhar para eles com calma e serenidade, cada um tem o seu ritmo de desenvolvimento, a sua forma de estar na vida. Queremos estar mais tempo com eles e fazer aquilo de que gostam.»

O dia começa pouco antes das sete da manhã, à noite estão todos em casa pelas 19h30. Os textos e as fotografias para o blogue são, por vezes, tema de conversa às refeições. O que há para fazer e o que se quer fazer é sempre colocado à consideração da família. «A agenda é posta em avaliação e eles já sabem que a última decisão é dos pais», revela.

Tomás só teve permissão para ter Facebook no dia em que fez 14 anos. O mesmo acontecerá com Matilde. No entanto, há realidades que se impregnam, que fazem parte do sistema. «Os pedidos que as escolas fazem hoje em dia são inacreditáveis. Exigem mais horas de trabalho. Há aquela pressão para serem os melhores alunos e as escolas esquecem-se de lhes lembrar que têm de ser felizes», comenta.

sem pressa? Tentamos ser, mas é difícil, é quase como remar contra a maré», observa Ana, professora na Universidade de Aveiro. Ana, Brian, o marido inglês e professor na mesma universidade, e a filha Sara, de 13 anos, no 8º ano no ensino articulado, que toca harpa e pratica remo, levantam-se e deitam-se cedo – hábito importado do país de Brian. Jantam sempre juntos, não veem muita televisão.

«Tentamos não ter pressa de manhã, comer devagarinho, não ir a correr para a escola», conta. Mas Ana sabe que isso não acontece em muitas casas. «É muito fácil os miúdos não terem nenhum contacto com os pais durante a semana. De repente, não se conversou sobre nada. É preciso ter um bocadinho de tempo para estar e começar a falar», diz.

O tempo em família é fundamental. Vão ao cinema de vez em quando, a espetáculos culturais em Aveiro e no Porto, a feiras de antiguidades aos domingos perto de casa, passeiam a pé, andam muito de bicicleta. Os horários de professores universitários ajudam nesta desaceleração. «Temos um emprego que nos dá uma certa flexibilidade. Não temos de trabalhar das 09h00 às 19h00, como a maioria dos pais», comenta Brian.

Quando a Sara estava na creche, iam buscá-la o mais cedo possível, e desde pequena, até terminar a escola primária, liam livros de poesia depois do jantar. Em português e em inglês. E, enquanto a Sara ainda não sabia ler, faziam teatros para acompanhar os poemas. «Temos experiência de outra realidade que não é a portuguesa. Temos de descomplicar a vida», diz Brian.

Sara faz agora remo, depois de ter praticado natação durante vários anos. O regime de competição e os treinos que passaram a ser diários pesavam no horário e Sara saiu. «Devia haver uma articulação entre as escolas e as atividades extracurriculares, nomeadamente no desporto», comenta Brian. Como acontece no seu país.

No ano passado, viveram os três um ano em Cambridge. Ana e Brian focados nas suas investigações académicas, Sara na escola que começava às 08h30 e terminava às 15h30 todos os dias. Sobrava-lhe tempo para teatro e coro dentro da escola, atividades gratuitas. E ainda tocava harpa em algumas orquestras. Sara gostou desse ano em Cambridge.

«A minha vida não é muito agitada. Em Inglaterra, era mais tranquila», adianta. Ana nunca tinha ouvido falar no Movimento Pais sem Pressa e não tardou a pesquisar. «É uma ideia maravilhosa», comenta. «Todos os pais fazem o melhor que podem dentro dos parâmetros que têm», acrescenta Brian.

A opinião dos especialistas

O pediatra Mário Cordeiro está a escrever um livro sobre o assunto que se chamará precisamente Pais sem Pressa e será publicado em setembro, depois das férias escolares e antes da lufa-lufa do próximo ano letivo. Um livro com conselhos para os pais alterarem pequenas coisas que têm um enorme impacto na criação de momentos tranquilos, felizes, e mais adequados aos ritmos próprios da condição humana.

«Esta questão é fundamental atualmente. O problema desta desaceleração e agitação constante em tudo, designadamente na vida dos pais e das crianças, gera um enorme stress e, consequentemente, mal-estar psicológico, social e físico», diz o pediatra. Os dias dos mais pequenos são um grande exemplo. «No caso das crianças, desde que se levantam até que se deitam, atrevia-me a dizer que na maioria dos casos a pressão é enorme e constante. Na escola, onde chegam cansadas porque já tiveram horas de stress, de transportes, de arenga dos pais, o sistema de ensino-aprendizagem é cada vez mais desfasado do que deveria ser e mais ineficaz no sentido de desenvolver pessoas assertivas, competentes, solidárias, com inteligência emocional desenvolvida e felizes», diz Mário Cordeiro.

No entanto, não é possível reinventar a vida de um momento para o outro. O busílis da questão está nos estilos de vida, nas exigências no trabalho e na escola, nas condicionantes dos transportes e da habitação. Na própria organização social. «Muitas famílias têm uma vida infeliz e isso não tem que ver apenas com questões financeiras. É tempo de parar para pensar, para refletir, para questionar o que é que desejamos desta sociedade, e até que ponto a parentalidade não está a ser devorada pelo “mais do mesmo” ou pelo “gerir a crise”.»

«As tecnologias, ecrãs e internet, que são tão preciosos, dão-nos facilidade e tempo. Usar esse tempo para continuar numa parafernália vivencial, num redemoinho constante, numa exigência de “mais e mais”, é um autêntico tiro no pé, que se pagará muito caro – já se está a pagar – em termos de saúde física, mental e social», realça o pediatra.

Inês Afonso Marques, psicóloga clínica da Oficina de Psicologia, concorda que o tempo anda depressa de mais para as famílias. As crianças vivem a uma grande velocidade, com pouco tempo para sonharem, serem crianças, estarem sintonizadas com os pais. Na sua opinião, é fundamental desligar o piloto automático das rotinas semanais, entre escola, atividades extracurriculares, explicações, festas de aniversário.

«Exigir que as crianças vivam agendas apertadas como as dos pais é potenciar ansiedade. É, muitas vezes, exigir-lhes competências para as quais não estão, à partida, preparadas. Apressar as crianças é, muitas vezes, impossibilitá-las de sonhar. É tirar-lhes tempo para as verdadeiras brincadeiras da infância. E principalmente é fortalecer o distanciamento emocional», diz.

E é preciso não esquecer que a infância é uma espécie de tubo de ensaio em que se absorve tudo, experimenta-se, treinam-se competências e recursos essenciais ao longo da vida. «Viver em correria permanente é não ter possibilidade de assimilar experiências. É apressar sem se respeitar a individualidade.» E o movimento Pais sem Pressa defende exatamente uma educação com momentos de pausa, propícios à reflexão e à descoberta. O caminho é por aí.

 

 

Os quatro excessos da educação moderna que perturbam as crianças

Junho 14, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.revistapazes.com/ de 24 de maio de 2017.

Por Jennifer Delgado Suárez, psicóloga

Quando nossos avós eram pequenos, eles tinham apenas um casaco de frio para o inverno. Apenas um! Naquela época de vacas magras, já era luxo ter um. Exatamente por isso a criançada cuidava dele como se fosse um tesouro precioso. Naquela época bastava a consciência de se ter o mínimo indispensável. E, acima de tudo, as crianças tinham consciência do valor e da importância de suas coisas.

Muita água correu por baixo da ponte, acabamos nos transformando em pessoas mais sofisticadas. Agora prezamos pelas várias opções e queremos que nossos filhos tenham tudo aquilo que desejarem, ou, caso seja possível, muito mais. Não percebemos que esse mimo excessivo ajuda a criar um ambiente propício para transtornos psicológicos.

De fato, foi demonstrado que o excesso de estresse durante a infância aumenta a probabilidade de que as crianças venham a desenvolver problemas psicológicos. Assim, uma criança sistemática pode ser empurrada para ativar um comportamento obsessivo. Uma criança sonhadora, sempre com a cabeça nas nuvens, pode perder a sua capacidade de concentração.

Neste sentido, Kim Payne, professor e conselheiro norte-americano, conduziu uma experiência interessante em que simplificou a vida de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Depois de apenas quatro meses, 68% destes pequeninos passaram a ser considerados clinicamente funcionais. Eles também mostraram um aumento de 37% em suas habilidades acadêmicas e cognitivas, um efeito que não poderia coincidir com a medicação prescrita para esta desordem, o Ritalin.

Estes resultados são, em parte, extremamente reveladores e, mais que isto, também são um pouco assustadores, porque nos fazem pensar se realmente estamos criando para nossos filhos um ambiente saudável, mental e emocionalmente.

O que estamos fazendo de errado e como podemos corrigir isto?

Quando o “muito” se transforma em “demais”?

No início de sua carreira, este professor trabalhou como voluntário em campos de refugiados, onde teve que lidar com crianças que sofrem de estresse pós-traumático. Payne constatou que essas crianças se mostravam nervosas, hiperativas e tremendamente ansiosas, como se pressentissem que algo de ruim fosse acontecer de uma hora para a outra. Elas também eram amedrontadas em excesso, temendo qualquer novidade, o desconhecido, como se tivessem perdido a curiosidade inata das crianças.

Anos mais tarde, Payne constatou que muitas das crianças que precisavam de sua ajuda mostravam os mesmos comportamentos que os pequenos que vinham de países em guerra. No entanto, o estranho é que estas crianças viviam na Inglaterra, abraçados por um ambiente completamente seguro. Qual a razão que os levava a exibir os sintomas típicos de estresse das crianças pós-traumáticas?

O professor pensa que as crianças em nossa sociedade, apesar de estarem seguras do ponto de vista físico, mentalmente vivem em um ambiente semelhante ao produzido em áreas de conflito armado, como se suas vidas estivessem sempre em perigo. A exposição à muitos estímulos provoca um estresse acumulado que obriga as crianças a desenvolverem estratégias que as façam se sentir mais seguras.

Na verdade, as crianças de hoje estão expostas a um fluxo constante de informações que não são capazes de processar. Elas são forçadas ao crescimento rápido, já que os adultos depositam muitas expectativas sobre elas, forçando-as a assumir papéis que realmente não condizem com a realidade infantil. Assim, o cérebro imaturo das crianças é incapaz de acompanhar o ritmo imposto pela nova educação, por conseguinte, um grande estresse ocorre, com as óbvias consequências negativas.

Os quatro pilares do excesso.

Como pais, nós normalmente queremos dar o melhor para os nossos filhos. E pensamos que, se o pouco é bom, o mais só pode ser melhor. Portanto, vamos implementar um modelo de paternidade superprotetora, nós forçamos os filhos a participar de uma infinidade de atividades que, em teoria, ajudam a preparar os pequenos para a vida.

Como se isso não fosse suficiente, nós enchemos seus quartos com livros, dispositivos e brinquedos. Na verdade, estima-se que as crianças ocidentais possuem, em média, 150 brinquedos. É demais, e quando é excessivo, as crianças ficam sobrecarregadas. Como resultado, elas brincam superficialmente, facilmente perdendo o interesse imediatista nos brinquedos e no ambiente, elas não são estimuladas a desenvolver a imaginação.

Payne ressalta que estes são os quatro pilares do excesso que forma a educação atual das crianças:

1 – Excesso de coisas.

2 – Excesso de opções.

3 – Excesso de informações.

4 – Excesso de rapidez.

Quando as crianças estão sobrecarregadas, elas não têm tempo para explorar, refletir e liberar tensões diárias. Muitas opções acabam corroendo sua liberdade e roubam a chance de se cansar, o que é elemento essencial no estímulo à criatividade e ao aprendizado pela descoberta.

Gradualmente, a sociedade foi corroendo as qualidades que tornam o período da infância algo mágico, tanto que alguns psicólogos se referem a esse fenômeno como a “guerra contra a infância”. Basta pensar que, nas últimas duas décadas, as crianças perderam uma média de 12 horas por semana de tempo livre. Mesmo as escolas e jardins de infância assumiram uma orientação mais acadêmica.

No entanto, um estudo realizado na Universidade do Texas revelou que quando as crianças brincam com esportes bem estruturados, elas se tornam adultos menos criativos, em comparação com jovens que tiveram mais tempo livre para criar suas próprias brincadeiras. Na verdade, os psicólogos têm notado que a maneira moderna de jogar gera ansiedade e depressão. Obviamente, não é apenas o jogo mais ou menos estruturado, mas também a falta de tempo.

Simplificar a infância.

A melhor maneira de proteger a infância das crianças é dizer “não” para as diretrizes que a sociedade pretende impor. É preciso deixar que as crianças sejam crianças, apenas isso. A melhor maneira de proteger o equilíbrio mental e emocional é educar as crianças na simplicidade. Para isso, é necessário:

– Não encher elas de atividades extracurriculares, que, em longo prazo, não vão ajudá-las em nada. – Deixe-lhes tempo livre para brincar, de preferência com outras crianças, ou com jogos que estimulem a criatividade, jogos não estruturados.

– Passar um tempo de qualidade com eles é o melhor presente que os pais podem dar.

– Criar um espaço tranquilo em suas vidas onde eles podem se refugiar do caos e aliviar o estresse diário.

– Garantir tempo suficiente de sono e descanso.

– Reduzir a quantidade de informações, certificando-se de que esta seja sempre compreensível e adequada à sua idade, o que envolve um uso mais racional da tecnologia.

– Simplifique o ambiente, apostando em menos brinquedos e certificando-se de que estes realmente estimulem a fantasia da criança.

– Reduzir as expectativas sobre o desempenho, deixe que elas sejam simplesmente crianças. Lembre-se que as crianças têm uma vida inteira pela frente até se tornarem adultos, entretanto, então, permita que elas vivam plenamente a infância.

Texto publicado em espanhol no site Rincón de la Psicología, traduzido e adaptado pela Revista Pazes.

 

 

 

Tempo nas creches pode provocar stress nas crianças

Março 11, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://sol.sapo.pt/ de 26 de fevereiro de 2017.

A investigação abrangeu 112 crianças entre os 12 os 18 meses.

As crianças que passam mais de oito horas na creche tornam-se mais stressadas e ansiosas do que aquelas que ficam em casa. Esta é a conclusão de um estudo da Universidade norueguesa de Ciências e Tecnologias, que explica que o stress é provocado pela falta que as crianças sentem dos pais e pelos conflitos com outras crianças.

A investigação, que abrangeu 112 crianças com idades entre os 12 e os 18 meses, mostra que os níveis de stress nestas idades podem fazer com que se tornem adultos mais tímidos e com uma menor capacidade de autocontrolo.

No entanto, nem tudo são más notícias: o estudo, citado pelo site britânico Daily Mail, mostra que os efeitos negativos provocados por horas a mais na creche podem ser revertidos se a criança passar tempo de qualidade com os pais, depois de estes irem buscar os filhos à escola.

Para ler o artigo do Daily Mail, clique aqui

O artigo citado na notícia é o seguinte:

Elevated cortisol levels in Norwegian toddlers in childcare

 

Gestão de Stress – Ação de Informação / Sensibilização – 7 de dezembro em Coimbra

Novembro 9, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição até 5 de dezembro para iac-fcj@iacrianca.pt

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Crianças com pai participativo demonstram mais cooperação e autocontrole, diz estudo

Outubro 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://revistacrescer.globo.com/ de 12 de agosto de 2016.

Os estudos citados são os seguintes:

Child behavior problems: Mothers’ and fathers’ mental health matters today and tomorrow

More than Just the Breadwinner: The Effects of Fathers’ Parenting Stress on Children’s Language and Cognitive Development

 

thinkstock

Pesquisa da Universidade de Michigan analisou dados de 730 famílias

Por Juliana Malacarne

Por muito tempo, acreditou-se que a mãe tinha mais impacto na formação dos filhos do que o pai, mas a ciência vem mostrando que isso não é verdade. Os dois exercem um papel igualmente importante para o desenvolvimento da criança, como mostra um novo estudo da Universidade de Michigan.

Os cientistas analisaram dados de 730 famílias norte-americanas de 17 regiões do país, para descobrir os efeitos de pais com problemas como estresse e depressão no desenvolvimento dos filhos. O estudo descobriu que a saúde mental de pai e mãe tinha um efeito similar nos problemas de comportamento de bebês.

Quando o pai era participativo e não tinha nenhuma doença mental, as crianças tiveram um impacto positivo em longo prazo, demonstrando mais autocontrole e cooperação ao chegarem à quinta série.

Já quando o pai tinha estresse ou alguma doença mental, isso teve um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo e de linguagem nas crianças de 2 e 3  anos, mesmo quando a interação da mãe era positiva. A influência afetou mais o desenvolvimento linguístico dos meninos do que das meninas.

Na conclusão, os pesquisadores defendem que a qualidade da relação que o pai tem com o filho e suas características pessoais têm muita influência no desenvolvimento social da criança. Para a psicóloga e presidente executiva da Solace Institute, Paula Emerick, o estudo comprova o que é possível perceber clinicamente no dia-a-dia. “Para existir equilíbrio, a criança necessita estar sob a influência dos dois modelos, de pai e de mãe”, afirma. “Eles são complementares e fundamentais para que o filho seja lançado na vida adulta, de forma mais estruturada, funcional e feliz”.

Porém, isso não significa que toda família que não tenha um pai presente, criará filhos desestruturados e com problemas emocionais. A figura paterna não necessariamente precisa ser o pai biológico, um tio, avô ou padrasto, pode desempenhar essa função, de acordo com a psicóloga. O importante é que ele esteja presente no dia-a-dia da criança, estabelecendo limites, e é claro, dando muito carinho e amor.

 

 

 

O que os pais devem saber quando escolhem um desporto para os filhos

Outubro 3, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.eosfilhosdosoutros.com/ de 15 de setembro de 2016.

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João Moreira Pinto

Saiu um artigo da maior importância para os pais de jovens desportistas e não só. O artigo publicado pela Associação Americana de Pediatria pretende ser um documento orientador para os pediatras e cuidadores de crianças que praticam desporto. Não sendo eu pediatra (porque sou cirurgião pediátrico), sou pai de um rapaz que adora desporto. Mais, acho que nós pais (e Mães) atentos procuramos que os nossos filhos façam muito desporto como parte integrante de uma vida saudável. Mas quantos desportos devem as crianças praticar? Devem especializar-se num só desporto ou diversificar? Quantas horas por semana? Estas e outras perguntas são respondidas neste artigo que revê tudo o que a ciência conseguiu estudar e provar até ao momento.

Indo por partes. Os benefícios do desporto infantil estão estudados e são consensuais: melhora as capacidades motoras das crianças, facilita a sua socialização, promove a autoestima, o trabalho de equipa e a capacidade de liderança, é um divertimento saudável. Mas depois há um lado negro do desporto, em particular do desporto de competição (isto são dados dos EUA): (1) 70% das crianças que frequentam desporto ‘organizado’ (desporto em clubes) desistem por volta dos 13 anos; (2) pelo menos 50% das lesões desportivas em crianças e adolescentes são por excesso de esforço (overuse). E para quê? (Continuamos com dados dos EUA.) Apenas 1% dos atletas que competem no high-school level recebem bolsas. E apenas 0,03-5% deles chegarão a um nível profissional. De facto, por muito que nos entusiasme imaginar que os nosso filhos serão os melhores naquele desporto, a probabilidade de serem atletas profissionais é muito muito pequena.

Nós (pais) temos tendência a projetar as nossas frustrações nas expectativas que criamos para o futuro dos nossos filhos. «Já viste como gosta da bola? O puto há-de ser o próximo Ronaldo.» «A minha princesa vai ser a bailarina que eu nunca consegui ser.» «No que depender de mim, dar-lhe-ei todas as condições para ser o melhor.» «E desde cedo, porque eu só não aprendi, porque já fui tarde…» É aqui que a porca torce o rabo, porque (1) o desporto infantil não pode servir para apaziguar as frustrações dos pais, (2) o problema não está em começar tarde um desporto. Este é uma ideia errada que muitos pais têm.

A estatística americana (que julgo poder aplicar-se à nossa realidade) mostra que a especialização num só desporto demasiado cedo na vida da criança leva a uma taxa maior de desistência da carreira desportiva. Para além do mais, existem outros riscos associados ao desporto de competição em idade precoce: isolamento social, lesões desportivas, ansiedade, depressão e até abuso físico, emocional e sexual por adultos envolvidos nas atividades do clube. É mais importante para a criança entre os 0 e os 12 anos experimentar muitos desportos. Diferentes desportos representam diferentes movimentos, diferentes competências físicas, psicológicas e sociais, diferentes ambientes, etc.

Em estudos comparativos (agora já com amostras europeias), provou-se que a diversificação precoce (ou seja, variar muito os desportos que a criança) e a especialização tardia (ou seja, centrar num desporto somente mais tarde na adolescência) relaciona-se com um maior sucesso desportivo em competições de elite. Com excepção de alguns desportos, como a ginástica e a patinagem artística, onde o pico de performance acontece antes da maturação física, todos os outros desportos devem ser praticados em especialização/exclusividade após a adolescência.

Posto isto, o artigo resume algumas informações que os pediatras e cuidadores devem ter em mente quando discutem a vida desportiva das crianças:

Primeiro, o foco principal do desporto é a diversão e aprendizagem de competências físicas que nos serviram para toda a vida. Quanto ao número de horas/semana que a criança deve praticar desporto organizado, uma regra que se pode aplicar é: número de horas/semana deverá ser sempre menor que a sua idade em anos (para um máximo de 16 anos).

Segundo, a participação em múltiplas actividades desportivas até à puberdade, diminui o número de lesões, stress e burnout dos jovens desportistas. A especialização tardia (fim da adolescência) relaciona-se com maior sucesso desportivo. A diversificação precoce e a especialização tardia aumenta a probabilidade de envolvimento desportivo por toda a vida, bem-estar físico futuro e possivelmente mais participação em desporto de elite.

Terceiro, se um jovem atleta decide especializar-se num só desporto, é importante:

  1. Discutir com o jovem quais os seus objectivos pessoais e distingui-los dos nossos (pais) e dos dos treinadores.
  2. Estar atento ao ambiente de treino e às práticas, para saber se estão de acordo com as melhores práticas para aquele desporto em específico.
  3. Ter pelo menos 3 meses de pausa/ano, dividido em períodos de 1 mês. Esta pausa refere-se ao desporto que o jovem pratica, mas pode/deve ser substituídos por outras actividades físicas que mantenham a boa-forma do atleta.
  4. 1-2 dias por semana de folga do seu desporto pode diminuir o número de lesões.
  5. Monitorizar o estado físico, psicológico e nutricional dos jovens atletas.

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Pode ler o artigo original aqui: Sports Specialization and Intensive Training in Young Athletes.

 

Red de amigos en Facebook estaría asociada con nivel de estrés en adolescentes

Dezembro 22, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://news.yahoo.com de 3 de dezembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Facebook behaviors associated with diurnal cortisol in adolescents: Is befriending stressful?

Por Kathryn Doyle

(Reuters Health) – Un estudio pequeño sugiere que la cantidad de amigos de Facebook de los adolescentes estaria asociada con sus niveles de estrés: más de 300 amigos ya estaria relacionado con un aumento de los valores de cortisol en el organismo que es la hormona del estrés. Los autores estudiaron a 88 participantes en un punto en el tiempo, por lo que los resultados no indican si las variaciones de las métricas de Facebook elevaron el estrés o viceversa.

Otros factores externos importantes también son responsables de los niveles de cortisol, pero Facebook tendría su próprio efecto, dijo la autora principal, Sonia Lupien, del Instituto de Salud Mental de la Universidad de Montreal.

“Pudimos demostrar que con más de 300 amigos de Facebook, los adolescentes tenían niveles elevados de cortisol; por lo tanto, podemos imaginar que los que tienen 1.000 o 2.000 amigos en Facebook estarían expuestos a mucho más estrés”, indicó.

Los 88 adolescentes del estudio, de entre 12 y 17 años, respondieron sobre la frecuencia de uso de Facebook, la cantidad de amigos, las conductas de autopromoción y el apoyo de sus amigos. Los autores analizaron los valores de cortisol de los adolescentes cuatro veces por día, durante tres días.

Los niños con más de 300 amigos de Facebook tendían a tener niveles de cortisol más altos que aquellos con menos amigos, según publica el equipo en Psychoneuroendocrinology.

Pero a mayor interacción de pares en Facebook, menores valores de cortisol. Ni la depresión ni la autoestima estuvieron asociadas con los niveles de la hormona del estrés.

Los autores aclaran que esos niveles en los primeros años de la adolescencia influyen en el riesgo de desarrollar depresión varios años más tarde.

Wenhong Chen, del Departamento de Radio-TV-Cine y del Departamento de Sociología de University of Texas, Austin, y que no participó del estudio, señaló que la investigación se concentró en Facebook, de modo que los resultados no podrían generalizarse al uso de otras redes sociales ni a otros grupos etarios.

“La naturaleza preliminar de nuestros resultados demandará una evaluación refinada de las conductas en Facebook associadas con la psicología y tendremos que hacer más estudios para determinar si esos efectos existen en los niños y los adultos”, finalizó Lupien.

Aclaró que el tamaño de la red de amigos fuera de internet también influyó en los niveles de cortisol.

FUENTE: Psychoneuroendocrinology, online 9 de octubre del 2015

 

 

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