Manual para famílias : Como lidar com o isolamento em contexto familiar – DGS

Abril 27, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Descarregar o manual no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/manual-para-familias-como-lidar-com-o-isolamento-em-contexto-familiar-pdf.aspx

Construir a resiliência desde a infância: qual o papel do adulto?

Março 13, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 10 de março de 2020.

Sofia Garcia da Silva

A resiliência não é uma qualidade inata que se detém ou não ao nascer. É algo que se desenvolve através de um processo dinâmico entre fatores individuais e do ambiente e da interação entre estes dois.

A física refere-se ao termo “resiliência” como “propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação” (in Priberam). Nas ciências sociais, apesar de encontrarmos múltiplas aceções, a mais comum é aquela que define a resiliência como a capacidade ou o conjunto de capacidades que permitem ao ser humano lidar e adaptar-se de forma positiva às circunstâncias adversas. Porém, ao contrário dos corpos a que a física se dedica, sabemos que no ser humano as experiências, sobretudo na infância, permanecem connosco e modificam a forma como pensamos e sentimos.

Apesar de vivermos uma era em que a adversidade é frequentemente abafada pelo aparente estado contínuo de felicidade que as redes sociais promovem, a verdade é que, em determinados momentos, todas as famílias vivem situações difíceis e stressantes. Divórcios, problemas de saúde física e mental e experiências escolares negativas estão talvez entre as mais frequentes, mas não nos esqueçamos de uma parte significativa da nossa população (e das nossas crianças) que vive em grande desvantagem social, na pobreza e/ou exposta à violência. Neste sentido, a ciência tem demonstrado que exposição sistemática e prolongada a experiências adversas na infância está associada a um maior risco de desenvolvimento de doença mental, abuso de substâncias, abandono escolar e perturbações de ansiedade.

Perante isto, devemos questionar-nos: porque é que há crianças que superam melhor a adversidade do que outras? Como podemos ajudá-las a desenvolver o seu sentido de resiliência e prepará-las para as dificuldades que poderão enfrentar durante a adolescência e a vida adulta?

Para tal, importa entender que a resiliência não é uma qualidade inata que se detém ou não ao nascer. É algo que se desenvolve através de um processo dinâmico entre fatores individuais e do ambiente e da interação entre estes dois (Beyond Blue Ltd., 2017). Imagine uma balança com dois pratos: a resiliência manifesta-se quando a saúde mental e o desenvolvimento de uma criança se encontram numa direção positiva, apesar do peso que os fatores negativos exercem no outro lado (Center on the Developing Child, 2015). E, ainda que o acompanhamento adicional e especializado não deva ser descurado em crianças que passam por eventos traumáticos ou por experiências negativas continuadas, a literatura aponta para várias estratégias e abordagens consideradas universais e ajustáveis a todas as crianças. Vejamos algumas delas.

Fale sobre resiliência 
Leia livros e conte histórias que abordem a superação de situações difíceis. Incentive a criança a falar sobre casos que conheça. Explique-lhe onde e a quem pode recorrer quando necessitar de ajuda.

Construa e fomente relações de suporte
Crie uma relação próxima e afetiva. Faça com que a criança ganhe um sentido de pertença. Dê atenção e afeto, brinque, conforte, ouça os seus interesses e mostre empatia, o que não significa que concorde sempre com ela, mas que é capaz de se pôr no seu lugar e entender os seus sentimentos.

Promova o autocontrolo e a autorregulação
A criança aprende a autorregular o seu comportamento através das interações diárias com os cuidadores. Por isso, garanta bons hábitos de sono e de alimentação. Ajude-a a acalmar-se, através da respiração ou a imaginar algo que lhe dê prazer. Ensine-a a saber esperar desde cedo: recorra a rimas e lengalengas enquanto espera por algo; defina rotinas e momentos próprios para determinadas ações; elogie sempre que se mostra paciente. Encoraje a perseverança perante os desafios e a frustração.

Fomente a autonomia e a responsabilidade 
Dê oportunidade para que a criança tome decisões relevantes sobre os contextos em que está envolvida e que possa ser ela própria, e não o adulto, a encontrar formas de resolver os seus problemas. Permita-lhe correr riscos saudáveis, adequados à sua idade e fase de desenvolvimento.

Ajude a gerir emoções 
Nem todas as adversidades são traumáticas e muitas delas podem ser positivas. Ao experienciar dificuldades, criam-se oportunidades de crescimento. Ser resiliente não é estar sempre bem ou ter menores reações emocionais. É saber lidar e gerir essas emoções de forma saudável e positiva. Por isso, valide os sentimentos da criança, incentive-a a nomear o que sente, fale com ela sobre situações que a deixam ansiosa e ajude-a a encontrar formas de se sentir mais segura.

Em conclusão, a construção da resiliência na infância deve iniciar-se no seio de relações afetivas, através de modelos positivos em casa e na comunidade, em que pais, cuidadores e educadores assumem um papel de máxima importância na promoção da saúde mental.

Técnica Superior de Educação Especial no CADIn

Escola, para quando dar mais atenção às emoções?

Fevereiro 11, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Margarida Marrucho Mota Amador publicado no Público de 3 de fevereiro de 2020.

As crianças têm, por definição, ‘bichos carpinteiros’! A necessidade de estar sempre a mexer pés e mãos, falar, ver, observar e experimentar. A curiosidade está latente em tudo o que fazem e são!

É nos primeiros meses de vida que descobrimos o mundo através dos sentidos e das sensações, e que vamos fazendo escolhas — frio, calor, saboroso, entre outras. Quando crescemos são as emoções e a necessidade de bem-estar — pensando sempre que nos movemos para o bem, bom e belo — que norteiam as nossas decisões e fazemos avançar o mundo.

Integrar as emoções e o seu desenvolvimento na tomada de decisão pode ser um processo que se aprende na escola, ao longo do dia de forma natural.

É importante termos a noção de que a inteligência emocional é muito importante e abrange o desenvolvimento do autoconceito e do apreciarmos a dádiva que são os outros na nossa vida. A consciência das emoções que desenvolvemos perante cada situação, o que nos provoca determinados ambientes, a necessidade que temos de preservar ou mudar porque nos sentimos bem ou mal, faz com que tenhamos a capacidade de empreender desafios, participados por muitos, com diferentes competências.

Tudo o que pode espoletar emoções será, certamente, um bom início de aprendizagem. Desde a maçã que nos cai na cabeça, a trovoada que nos amedronta ou enfeitiça, a música que nos eleva, os números que bailam aos nossos olhos, o corpo que se desloca com graciosidade… Tudo deve ser tido como momentos de aprendizagem. A curiosidade faz o resto, criando necessidade de aprendizagem.

Quando suscitamos curiosidade nos nossos alunos, não precisamos de desenvolver a motivação. A curiosidade já traz em si a motivação. Manter o nível de curiosidade pelo mundo não é coisa para gente nova, é assunto sério de desenvolvimento humano ao longo da vida. Perceber que somos curiosos começa em pequeninos quando temos a sorte de brincar ao ar livre, na natureza, com paus a fazer construções imaginárias, com terra, areia, nas poças de água da chuva, a correr pela floresta, a sentir o ar a bater na cara e o cheiro da água e das ervas. Querer saber dos animais que ali vivem, perceber a sua importância e não ter medo deles. Ir à cozinha e meter a mão na massa, sentir os cheiros e os sabores. Fazer coisas com as mãos, como tricô, croché, cozer, colar, entre muitas outras coisas.

Sentimos com os sentidos e decidimos através das emoções que eles nos provocam. Para quando dar mais atenção às emoções? Tomar a consciência da sua importância na tomada de decisão é de extrema importância para serem decisões acertadas. E, já agora, não permitir que nos cortem a curiosidade e a necessidade de aprender, desde pequeninos… para toda a vida!

Workshop de Contenção emocional e física para profissionais da área do acolhimento residencial – várias datas e locais

Janeiro 20, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/2538576376361143/

Júlio Machado Vaz: Falar de emoções com os pais, respeitar o espaço dos filhos

Setembro 29, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista de Júlio Machado Vaz ao DN Life de 14 de agosto de 2019.

“Se os filhos não falam connosco na infância não vão começar a fazê-lo na adolescência”, diz o psiquiatra Júlio Machado Vaz. Uma entrevista sobre as palavras que sempre disse aos filhos – e a importância de respeitar o espaço deles -, as conversas que tinha com a mãe – com quem falava de tudo, até de desgostos de amor – e o que só conseguiu dizer ao pai no fim de vida – com quem teve um amor envergonhado mas que se tornou diferente quando nasceram os netos.

Visualizar o vídeo da entrevista no link:

https://life.dn.pt/julio-machado-vaz-falar-emocoes-pais-respeitar-espaco-filhos/?fbclid=IwAR2WHVXtZMZa1ji5NUFsp0KEQCiHaaV5HDVjq2w8qSDy4d6IdNca4aYJz9c

Caixa da raiva: o melhor recurso contra a raiva e a ira das crianças

Agosto 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site CriandocomApego de 6 de agosto de 2017.

A caixa da raiva surgiu de uma ideia da psicóloga espanhola Marina Martín para ensinar as crianças a controlar a raiva e a ira. Essa ferramenta tem sido recebida como um dos melhores recursos para ajudarmos nossos filhos a autocontrolar suas emoções e sentimentos.

Segundo a psicóloga, a ideia da caixa da raiva nasceu da leitura do conto “Vaya Rabieta” (“Que birra”), de Mireille d´Allancé.

O conto Vaya Rabieta

Na narrativa, Roberto é o protagonista. Ele vive um mau dia: os país zangaram com ele, não gostava da comida e desobedeceu a seus país. Logo, você pode imaginar que tudo acabou com o menino cheio de raiva. No conto, a raiva é ilustrada como um grande monstro que sai do pequeno corpo de Roberto. Esse monstro domina o menino e pode fazer o que quiser com ele, sem qualquer controle.

É por isso que o grande monstro destroi tudo o que encontra: desfez a cama, jogou longe o abajour, os livros, os brinquedos. Depois de se dar conta do que aconteceu, o menino tenta reparar tudo o que a raiva havia destruído. Enquanto tratava de arrumar o quarto e colocar cada coisa em seu lugar, a raiva foi se tornando cada vez menor. Ficou tão pequena que coube em uma caixa.

A caixa da raiva

É da ideia de dito conto que a psicóloga sugere trabalhar com o menor a ideia de que cada vez que sinta raiva ou ira, pode desenhar em um papel tudo o que está sentido. Essa é a maneira de mandar pra fora tudo o que lhe está fazendo mal.

Certamente, os desenhos trarão traços fortes, marcados pela impulsividade e pelo desequilíbrio vivenciado quando essas emoções dominam o ser. Pouco a pouco os traços vão se tornando mais claros. É aí quando a criança se dá conta de que está se acalmando.

Após terminar o desenho, explique à criança que deve amassá-lo e coloca-lo em uma caixa fechada, para que sua raiva não possa sair.

A caixa da raiva pode ter várias formas. Construa uma junto com seu filho. Uma dica útil é usar essa ferramenta no cantinho da calma. Conjugar esses dois recursos pode ser muito eficiente para ensinar a criança a identificar e regular as emoções.

Nós adoramos o recurso e, em seu tempo, o utilizaremos com nossa filha. Já mostraremos a nossa pronta. E você, se anima a fazer uma para seu filho? Depois compartilhe conosco sua experiência.

Dicas de leitura

Na nossa seção Dicas de leitura, você encontra muitas dicas incríveis histórias, fábulas, poemas, livros e vídeos infantis. Além disso, confere dicas de atividades e jogos de leitura, de contação de histórias e formas de organização da biblioteca infantil em casa. Visite:

Educação Emocional

Na seção Educação Emocional aprendemos como ajudar nossos filhos a reconhecer e identificar as emoções corretamente. A partir do desenvolvimento da inteligência emocional, a criança está preparada para vivenciar situações várias de uma maneira equilibrada. Descubra mais:

 

Encontro “As Emoções vão à Escola?” A saúde mental na escola de hoje – 4 julho na Escola Secundária Frei Gonçalo de Azevedo (S. Domingos de Rana)

Junho 23, 2019 às 6:49 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.jf-sdrana.pt/comunicacao/noticias/Autarquia-organiza-encontro-As-Emocoes-vao-a-Escola-15-Anos-de-Psicologia-Clinica-na-Escola/1652/

Feira da Saúde de Lisboa – 7 de abril

Abril 6, 2019 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/feira-da-saude-de-lisboa

Quando um filho morre, um pai é esquecido

Abril 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do Público de 19 de março de 2019.

Lee e Hannah perderam o filho recém-nascido. Foi em 2013. Lee sentiu que tinha de apoiar a mulher e percebeu que como pai a sua dor não parecia tão importante como a da mãe. Por exemplo, conta à BBC, Hannah recebeu uma carta do hospital a lamentar o sucedido e nem uma palavra para o pai, que também estava em sofrimento, também precisava daquelas palavras. Na hora do luto, a sociedade trata de maneira diferente a mãe e o pai? É esperado que um homem não chore? Hoje é dia de celebrar os pais, uma comemoração, nestes casos, com sabor a raiva, a impotência, a ausência, a melancolia, mas sobretudo, a saudade dos filhos ausentes.

“Há que desmistificar a ideia de que as mulheres sofrem mais do que os homens”, começa por dizer o psicólogo Céu e Silva, da Associação Laços Eternos, que acompanha pessoas em luto, confirmando que dias especiais ou datas festivas são momentos difíceis para quem perde um filho. “Se um pai estiver mais reprimido emocionalmente, é muito doloroso. É uma dor íntima, é a consciência da realidade”, acrescenta.

Os dias festivos são o “confronto com a realidade da ausência” do filho, responde José Eduardo Rebelo, professor universitário e fundador da Apelo, uma associação de apoio a pessoas em luto. São dias que se “vivem com angústia”, diz Maria do Céu Martins, conselheira do luto, com uma pós-graduação em Perda e Luto pela Universidade Católica. “Também há quem consiga viver com serenidade. Encontro pais que preferem ignorar, outros querem que se lembre e que lhe dêem um abraço. Ninguém lhes vai dizer: ‘Parabéns, hoje é dia do pai’, mas pode simplesmente dizer: ‘liguei-te para dar um beijinho’”, exemplifica a conselheira.

Todas as festividades são momentos difíceis. O Natal pode ser das mais complicadas, avança Céu e Silva. José Eduardo Rebelo aponta para a data da morte. Seja qual for, o primeiro ano será sempre o mais difícil de suportar. Nesse “a ausência é mais forte. A partir de determinada altura, a pessoa habitua-se a viver com a ausência, nunca aceitando, mas vive-a com nostalgia. A palavra ‘pai’ a partir daquele instante [da morte] fica ferida, amputada. Sempre que é referida, mexe connosco”, refere o professor da Universidade de Aveiro, que vai lançar o seu quarto livro a 13 de Abril, naquela cidade. Chama-se Luto – vivências, superação e apoio.

Liberdade para exprimir a dor

Este é um dia que se pode viver de muitas maneiras. Para Maria do Céu Martins, a forma mais saudável será ir a um sítio que o filho gostava e recordá-lo. A pior será ignorar. “Quanto mais [o pai] ignorar, mais mostra que não está resolvido”, alerta. “É melhor quando consegue chorar, zangar-se, revoltar-se, para que possamos ajudar a trabalhar as emoções. Quando se obriga a pessoa a pensar sobre o que se passou, consegue encontrar respostas”, justifica.

Os homens não choram porque a sociedade não lhes permite expressarem as suas emoções? José Eduardo Rebelo recorre à biologia para explicar: “Partimos do princípio que existimos para nos perpetuarmos e quem monitoriza a vida é a mulher, é ela que concebe. E isso deixa-nos algumas pistas para perceber como é vivido o luto.”

As mulheres choram, expressam as suas emoções, falam com a família, com amigos, procuram grupos de ajuda, procuram explicações para o que aconteceu. “São as protagonistas da dor”, classifica Céu e Silva. Os homens “são mais pragmáticos e focam-se em actividades concretas como uma forma dissimulada de desanuviar as tensões do próprio luto”, descreve José Eduardo Rebelo. O que não significa que seja uma forma saudável de viver a dor, refere Maria do Céu Martins, que avança que os homens são um grupo de risco – “parece que está tudo bem e, de repente, um dia, podem ter reacções muito complicadas”.

“Às mulheres é-lhes dada mais liberdade para exprimir a dor, para chorar, enquanto ao homem é-lhe praticamente proibido chorar”, identifica José Eduardo Rebelo. A sociedade não espera que os pais chorem, sublinha Maria do Céu Martins. E espera que eles apoiem as mães, guardando a sua dor para si próprios, acrescenta. De regresso ao Reino Unido, Lee confessa à BBC que após a morte do filho, todo o apoio foi para Hanna e para o seu bem-estar, deixando-o negligenciado. Ele sentia também esse peso, o de não sobrecarregar a mulher. “Não queria acrescentar à dor de Hannah a minha própria dor e guardei-a”, diz.

Céu e Silva conta que os pais, quando chegam aos grupos de apoio não é porque confessem precisar de ajuda, mas porque vão acompanhar as mulheres. José Eduardo Rebelo confirma. É raro um homem ligar para as linhas de apoio das associações a pedir ajuda para si. No Reino Unido, Lee criou um grupo informal online onde os pais falam uns com os outros sobre a sua perda.

Eles vão aos grupos e ficam na retaguarda, insiste Céu e Silva. “Eles vão sempre na perspectiva de que estão a apoiar a esposa, nunca nenhum me procurou a dizer que perdeu um filho”, insiste José Eduardo Rebelo. Mas isso não significa que não precisem de ajuda porque quando vão à consulta, sozinhos, “eles choram tanto como elas, sentem o mesmo, têm espaço para expressar a raiva, mas quando estão no grupo não partilham da mesma forma”, testemunha Céu e Silva.

Divórcio, educação e formação

A falta de diálogo entre a mãe e o pai leva, em metade dos casos, ao divórcio, referem os especialistas. “O casal não dá tempo a si próprio para construir, estão divorciados emocionalmente, elas choram e eles fecham-se no seu silêncio”, descreve Céu e Silva. “Há raivas, há culpas que se transformam em incriminações de um contra o outro. A morte é uma prova que degrada as famílias”, lamenta José Eduardo Rebelo.

A forma como os familiares e os amigos vivem a morte também condiciona a expressão das emoções. As pessoas lidam mal com as situações negativas e, por isso, evitam-nas, aponta José Eduardo Rebelo que há 15 anos que se dedica a estudar o luto e a trabalhar com pessoas enlutadas em grupo ou pessoalmente.

O que fazer nessas situações​? “Ouvir as pessoas, validar os seus sentimentos”, responde Maria do Céu Martins. “Os amigos pensam que estão a ajudar quando distraem a pessoa ou quando se afastam e o que é preciso fazer é estar por perto, dar afecto. O apoio faz-se por estar presente”, aconselha.

Enquanto o pai luta por manter o filho vivo dentro de si, há alguém que lhe diz, com a melhor das intenções, “deixa lá, tens outros filhos” ou “precisas de ter coragem”, exemplifica José Eduardo Rebelo – “essa é uma palavra que é proibido dizer a um enlutado, ‘coragem’”, diz contundente –, essas intenções contribuem para que o homem se isole porque os outros não o querem ouvir, não o compreendem. “A sociedade continua a ter dificuldade em ouvir o outro quando atravessa um momento difícil”, confirma Maria do Céu Martins. “A sociedade desvaloriza o luto e apressa-o”, acrescenta Céu e Silva.

Falta educação emocional para lidar com o luto, continua o psicólogo, e essa começa em casa. É preciso espaço para falar de temas que incomodam como a morte, sem o desvalorizar. Assim como é preciso falar na escola. Falta informação, continua. “Não há consciência sobre a morte. Sabemos que vamos todos morrer mas fugimos de falar [sobre o tema]. Não se fala e há dificuldade em lidar com a morte.”

Contudo, os grupos de apoio existem e recebem telefonemas diariamente de pessoas que procuram ajuda. Os médicos de família também já recomendam este apoio aos seus doentes, mas falta formação nesta área para os profissionais ligados à saúde, bem como para os da educação, aponta Maria do Céu Martins, revelando que, em média, cada pessoa experienciará 30 a 40 perdas com significado emocional profundo na sua vida. “A perda é um buraco negro na pessoa e pode ter implicações várias, por exemplo, perda de concentração, doenças, problemas laborais”, enumera, reforçando que é preciso mais reconhecimento do trabalho das associações e dos conselheiros.

Um filho nunca se esquece, terminam os especialistas. “Cada filho que tenhamos é sempre um filho único. Conformamo-nos com a ausência, habituamo-nos à sua ausência, mas o luto prolonga-se durante toda a nossa vida”, conclui José Eduardo Rebelo.

 

 

 

Workshops Educação Emocional na Infância e Medos na Infância – 24 novembro em Torres novas

Novembro 21, 2018 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.janelaredonda.pt/educacao-emocional-medos-infancia/

 

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