20% dos jovens já se magoou de propósito para “regular emoções difíceis e intensas”

Março 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://24.sapo.pt/ de 6 de março de 2017.

sapo24

Vinte por cento dos adolescentes já se envolveu em comportamentos autolesivos pelo menos uma vez na vida, concluiu um estudo realizado na Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra.

“Cerca de 20% dos adolescentes [inquiridos] reporta ter tido pelo menos uma vez na sua vida o envolvimento em comportamentos autolesivos”, como por exemplo cortar-se, queimar-se ou arranhar-se com o intuito de magoar o próprio corpo para “regular emoções difíceis e intensas”, disse à agência Lusa a investigadora Ana Xavier, que realizou o estudo ao longo de quatro anos, no âmbito do seu doutoramento.

O projeto desenvolvido no Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) envolveu um inquérito a 2.863 adolescentes, com idades entre os 12 e os 19 anos, a frequentar o 3.º ciclo e o ensino secundário em várias escolas do distrito de Coimbra, refere a nota de imprensa da Universidade de Coimbra (UC).

A taxa de prevalência encontrada, esclareceu à Lusa a investigadora do CINEICC, é semelhante àquela que é reportada em estudos internacionais.

De acordo com o estudo, as raparigas reportam um “maior envolvimento” em comportamentos autolesivos, sendo também elas as que relatam “maiores níveis de sintomas depressivos” e tendem a “ser mais autocríticas e a relatar maiores problemas com o grupo de pares”.

Há também uma maior incidência de autolesões entre os 15 e 16 anos, faixa etária que “coincide com um maior desenvolvimento do pensamento abstrato e comparação social com os outros”, notou Ana Xavier.

Segundo a responsável pela investigação, os comportamentos autolesivos não sugerem “intencionalidade de suicídio”. No entanto, “este é um fator de risco”, sublinhou.

Os resultados “são importantes porque alertam para a importância de se fazerem intervenções e de se estar atento a este tipo de dificuldades” nos adolescentes.

Para a investigadora, seria fundamental a criação de programas de “prevenção e de intervenção para ajudar” os jovens a lidarem de “forma mais eficaz com experiências emocionais”, através de “processos de regulação emocional mais adaptativos”, como estratégias de autotranquilização e de autocompaixão.

O estudo demonstra ainda que há uma tendência dos adolescentes que são vitimizados pelos seus colegas a serem “mais autocríticos e, por sua vez, a experienciarem mais sintomas depressivos e a envolverem-se em comportamentos autolesivos”.

Em declarações à Lusa, Ana Xavier aponta também para o facto de os adolescentes que recordam “experiências de ameaça, de subordinação e desvalorização nas relações precoces com a sua família” tendem a experienciar “maiores níveis de sintomas de depressão” e a autolesarem-se.

“Estes adolescentes não recordam apenas as experiências negativas com a sua família. Relatam poucas experiências positivas de calor, de suporte de segurança”, constatou a investigadora.

O estudo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

mais informações no link da UC.

http://noticias.uc.pt/universo-uc/estudo-da-uc-revela-que-20-dos-adolescentes-ja-se-envolveram-em-comportamentos-autolesivos/

 

 

Cyberbullying está ligado ao aumento dos casos de automutilação entre jovens

Dezembro 2, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.brasilpost.com.br/ de 4 de novembro de 2016.

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The Huffington Post UK  |  De Jasmin Gray

O número de jovens internados em hospitais em consequência de automutilação subiu vertiginosamente nos últimos dez anos, revelaram novas cifras. Especialistas atribuem o fenômeno ao bullying online e nas redes sociais.

Cifras do NHS (o Serviço Nacional de Saúde britânico) indicam que o número de meninas tratadas em hospitais depois de se cortarem subiu 385%, de 600 em 2005-2006 para 2.311 em 2014-2015.

Houve um aumento grande também no número de rapazes hospitalizados depois de se mutilarem: em 2014-2015, 457 homens jovens foram tratados, contra 160 dez anos antes.

Estatísticas aos quais o jornal The Guardian teve acesso mostraram que a automutilação por enforcamento e envenenamento também vem aumentando entre os jovens.

Especialistas atribuem esse aumento preocupante à ascensão da Internet e das redes sociais nos últimos dez anos.

O número de meninas com menos de 18 anos hospitalizadas por cortar-se quadruplicou nos últimos dez anos.

Ruth Ayres, gerente de projetos do selfharmUK, disse que os jovens têm dificuldade em escapar do bullying online: “Hoje em dia, quando uma pessoa sofre bullying, isso continua quando está em casa. Muitas vezes pode lhe parecer que o sofrimento que ela está sentindo nunca acaba.

“As mídias sociais geram uma dependência enorme nos jovens. Acho que nós, adultos, precisamos começar a ajudar os jovens a navegar em segurança pela internet.”

Ayres também apontou para a presença de muitos sites que oferecem aos jovens informações sobre como se mutilarem.

Quase 14 mil mulheres jovens foram internadas em hospitais no ano passado depois de ingerir substâncias tóxicas – 4.112 mais que o número que o fez em 2005-2006, 9.741. O número de rapazes que se envenenaram não subiu.

O enforcamento como método de automutilação também se tornou mais comum, com 220 jovens com menos de 18 anos sendo tratados em hospitais entre 2014 e 2015. Em 2004-2005, 78 jovens foram hospitalizados depois de se enforcar.

O Dr. Peter Hindley, catedrático da Faculdade de Psiquiatria Infantil e Adolescente no Royal College of Psychiatrists, concordou que as mídias sociais são um dos muitos fatores que levam adolescentes e jovens a se mutilarem, dizendo ao Guardian:

“É provável que a alta seja resultante de muitos fatores, mas os mais importantes provavelmente são: disparidade crescente na era da austeridade, o impacto negativo da era digital, a sexualização crescente – isso é especialmente nítido no caso das meninas–, o impacto do abuso sexual e da exploração sexual e as pressões crescentes para alcançar sucesso.”

Na semana passada o secretário de Saúde britânico, Jeremy Hunt, criticou os serviços de saúde mental disponíveis para adolescentes e jovens, caracterizando-os como “a maior área de carência na cobertura de saúde feita pelo NHS”.

Hunt disse que muitas tragédias acontecem porque os serviços não intervêm de modo precoce, quando problemas como transtornos alimentares primeiro se manifestam.

A ONG Young Minds, que trabalha com saúde mental, informa que mais de um quarto (26%) dos jovens no Reino Unido já teve pensamentos suicidas.

Mas, segundo Ayres, ainda existem muitos lugares aos quais jovens que se automutilam podem recorrer para buscar apoio.

“Nosso site é um site em favor da recuperação de jovens, que os incentiva a formular perguntas e postar suas histórias. É um lugar seguro que jovens podem procurar quando precisam de ajuda e apoio.

“Recentemente o ChildLine lançou um serviço de aconselhamento online que pode ser acessado por jovens dia e noite, e pode ser útil para jovens que se automutilam saber que há alguém com quem podem conversar”, ela disse.

“Eu também incentivaria as famílias a procurar um bom clínico geral, alguém em quem confiam e com quem possam falar dessas coisas abertamente.”

 

 

Internadas com anorexia: têm 14 anos e ficam em média 51 dias no hospital

Abril 18, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Público de 13 de abril de 2016.

Ricardo Silva

Andreia Sanches

Hospital D. Estefânia analisou processos de crianças e jovens internados entre 2012 e 2014, com perturbação do comportamento alimentar. Resultados são apresentados num congresso, em Lisboa, que junta dezenas de especialistas em adolescência que vão falar sobre vários temas.

Era filha única e uma excelente aluna, apesar de já ter no seu percurso dois episódios de internamento psiquiátrico. Sofria de anorexia nervosa grave, “com risco iminente de morte”, quando foi internada na Unidade de Pedopsiquiatria do Hospital de D. Estefânia, em Lisboa. Ficou três meses. Já teve alta, mas continua até hoje a ser tratada, “com avanços e recuos”, conta a médica Cláudia Cabido, do Serviço de Pedopsiquiatria. O caso da jovem “Z.”, chamemos-lhe assim, é relatado numa das dezenas de comunicações que serão apresentadas no 7.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, em Lisboa, que arranca nesta quarta-feira. E foi pela gravidade do caso dela que a equipa da Estefânia decidiu mergulhar nos processos de outros doentes.

São essencialmente raparigas (91%), com uma idade média de 14 anos que, em 60% dos casos, têm um diagnóstico de anorexia nervosa do tipo restritivo. É este, em traço grosso, o perfil dos doentes que entre 2012 e 2014 foram internados no Hospital de D. Estefânia, do Centro Hospitalar de Lisboa Central, com uma perturbação do comportamento alimentar.

Ter havido lugar a internamento significa que estamos a falar de crianças e adolescentes com um risco elevado de complicações médicas e/ou psiquiátricas (a anorexia é uma perturbação psiquiátrica complexa, mas, em geral, privilegia-se o tratamento em ambulatório; hospitalização, só em situações particularmente complicadas).

A média de duração do internamento foi de 51 dias — “são internamentos longos”, sublinha Cláudia Cabido, em resposta ao PÚBLICO. E 23,3% dos jovens foram internados mais do que uma vez ao longo do período em análise.

Chama-se Doentes com Perturbação do Comportamento Alimentar internados entre 2012 e 2014 — Casuística da Unidade de Internamento de Pedopsiquiatria do Hospital de D. Estefânia a comunicação que será apresentada na quinta-feira, segundo dia do congresso. É assinada por oito elementos daquele hospital, das áreas da pedopsiquiatria, psicologia e pediatria, entre os quais Cláudia Cabido. “Encontrámos 43 processos clínicos, analisámo-los e seis meses depois fomos fazer um follow-up”, explica.

A boa notícia é que, na altura do “follow-up”, em 95% dos casos os doentes tinham atingido um índice de massa corporal normal. “Não quer dizer que estejam curados, mas é um bom sinal.” Mais: 72% não já não tinham sintomas.

“Cada vez mais precoce”

A anorexia é uma doença “silenciosa” — entre o início dos sintomas dos doentes internados na Estefânia e o início do acompanhamento passaram-se, em média, 9,5 meses. “E é cada vez mais precoce”, diz Cláudia Cabido.

É também a terceira doença crónica mais comum entre as adolescentes, depois da obesidade e da asma, matando cerca de 2% dos que dela sofrem, “o que é uma taxa de mortalidade importante”. “Morrem de desnutrição, ou porque se suicidam.”

Na lista das perturbações do comportamento alimentar dignosticadas entre os jovens internados na Estefânia há algumas que não “cabem” totalmente em nenhuma definição (25%), nem anorexia, nem bulimia, e, por fim, outros tipos de anorexia, que não do “tipo restritivo”, e a bulimia nervosa.

Quem sofre de “anorexia nervosa tipo restritivo”, a mais comum das perturbações na amostra analisada, como se viu, reduz a ingestão de alimentos, tem uma perturbação da percepção da imagem, medo de aumentar de peso, mas, ao contrário do que se passa na “anorexia tipo purgativo”, tende a não recorrer ao vómito e a laxantes (é isso que distingue os dois tipos da doença).

Os resultados podem ser devastadores: cerca de metade dos doentes no D. Estefânia (51,2%) tinha na altura do internamento um índice de massa corporal inferior ao percentil 5.

As doentes são em geral alunas excelentes, como era “Z.”. “Têm traços muito obsessivos, são muito preocupadas com o seu desempenho em várias áreas, são muito rigorosas”, diz Cláudia Cabido.

Outra característica comum: muitos dos que o D. Estefânia acompanhou (39%) sofrem, além de perturbação alimentar, uma perturbação do humor (depressão, por exemplo) ou uma perturbação de ansiedade. É por isso que os internamentos neste tipo de patologia exigem equipas multidisciplinares, sublinha Cláudia Cabido, e “são habitualmente longos”. A continuidade no acompanhamento em ambulatório é essencial.

“Z.” esteve, numa fase inicial, separada da família. “Havia naquele caso uma fragilidade muito grande. E uma ausência de consciência dessa fragilidade e isso impressionou-nos muito, porque atingiu características muito impressionantes. Havia um misto de desnutrição, com ausência de crítica em relação à doença e várias tentativas de tratamentos prévios, que não tinham sido bem sucedidos…”

Desde então, “Z.” tem sido sujeita a “intervenções psicoterapêuticas individuais e em grupo e a sessões familiares semanais”. A evolução é lenta.

Congresso com 300 participantes

O 7.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente decorre na Universidade Lusíada, em Lisboa, nestas quarta e quinta-feiras. Inclui largas dezenas de apresentações e tem mais de 300 profissionais inscritos  — psicólogos, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, explica ao PÚBLICO a coordenadora, Tânia Gaspar, directora do Instituto de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade Lusíada de Lisboa.

Todos os anos o congresso tem um tema central. Apesar de este ano ser “Risco psicossocial: investigação e boas práticas”, em cima da mesa estarão também muitos outros assuntos — da parentalidade, aos comportamentos aditivos, passando pela motivação dos alunos na escola.

Há vários investigadores a apresentar dados de trabalhos ainda em curso. Por exemplo, Ana Xavier, do Centro do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental, da Universidade de Coimbra, falará sobre “comportamentos auto-lesivos não suicidários” num grupo de 786 adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e 18 anos de idade.

“Os estudos internacionais apontam para prevalências que vão dos 10% a 40% em amostras da comunidade”, explicou ao PÚBLICO esta oradora do congresso. “No nosso caso, numa amostra de [786] alunos de escolas da zona Centro do país, encontrámos uma prevalência de 20% destes comportamentos auto-lesivos, ou seja, os jovens reportaram ter tido pelo menos uma vez ao longo da vida algum tipo de comportamento auto-lesivo.”

Estes comportamentos, que implicam magoar o próprio corpo, explica, “estão associados a estados dolorosos, à sintomatologia depressiva, ao sentir-se sozinho, a sentimentos de desvalorização, de não se sentir amado”.

Comportamento anti-social “é quase normal”

Já Alice Murteira Morgado, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, mergulhou nos comportamentos anti-sociais, que, na adolescência, são relativamente comuns — agressões, roubos, destruição de objectos, ameaças físicas e verbais, por exemplo. Mas quão comuns? Num grupo de 489 jovens de três escolas do distrito de Coimbra, 27% admitiram que já tinham tido algum tipo de comportamento anti-social.

As agressões físicas, “na maioria dos casos em contexto escolar”, são o comportamento anti-social mais frequente.

“É uma prevalência importante, mas como a literatura nos diz, diversos autores consideram que o comportamento anti-social na adolescência é quase normativo, ou seja, é quase normal, ou expectável que durante a adolescência uma grande quantidade de jovens vá contra as normas sociais”, explica Alice Morgado, que se encontra a estudar este tema com uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Alguns dos resultados do seu trabalho serão também apresentados no 7.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente.

“É uma etapa em que querem ser adultos, mostrar um estatuto de maturidade que ainda não possuem completamente, valorizam muito o que é valorizado pelos pares, enfim, há muitos aspectos que ajudam a explicar… Por outro lado, o facto de haver 27% de jovens que dizem que já causaram algum tipo de comportamento anti-social, não quer dizer que, quando chegarem à idade adulta, terão esse comportamento. Diz-nos a literatura que só uma minoria, felizmente, irá continuar.”

Alice Morgado diz ainda que certos traços de personalidade e a avaliação que os jovens fazem do seu contexto familiar aparecem associados às atitudes anti-sociais. Por isso, uma das dicas que deixa a quem tem filhos adolescentes é esta: “As famílias devem perceber que há muitos factores que explicam estes comportamentos”. E que “com a entrada na idade adulta e o apoio dos pais”, a maioria desses comportamentos simplesmente deixarão de existir.

 

 

Um em cada seis jovens automutilaram-se mais do que uma vez em 2014

Junho 26, 2015 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias   de 24 de junho de 2015.

© Rafael Marchante  Reuters

Um em cada seis adolescentes portugueses entre os 13 e os 15 anos magoaram-se a eles próprios de propósito mais do que uma vez durante o ano passado, a maioria nos braços, revela um estudo apresentado esta quarta-feira.

Trata-se de um estudo – “Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) – realizado em Portugal para a Organização Mundial de Saúde, que avalia os comportamentos relacionados com a saúde dos jovens em idade escolar desde 1998.

Para o estudo de 2014, foram inquiridos 6026 alunos dos 6.º, 8.º e 10.º anos de escolas de todo o país.

Os dados mais recentes, relativos ao ano passado, revelam que as auto-mutilações estão a aumentar, com 15,6% dos adolescentes (510) do 8º e do 10º ano a referirem ter-se magoado de propósito mais do que uma vez nos últimos 12 meses, sendo que foram 20% os que afirmaram tê-lo feito pelo menos uma vez.

Quando questionados sobre a parte do corpo em que se auto-mutilaram, 52,9% (270) afirmaram tê-lo feito nos braços, 24,7% (126) nas pernas, 16,7% (85) na barriga e 22,5% (115) noutras partes do corpo.

O estudo indica igualmente estar a aumentar o número de jovens que afirmam sentir-se “extremamente tristes”.

Relativamente a comportamentos agressivos, e voltando à amostra total (6.º, 8.º e 10.º anos), o estudo indica que 56% das situações de provocação na escola ocorreram no recreio e que cerca de dois terços dos jovens que assistiram não fizeram nada e afastaram-se.

Entre as zonas onde mais ocorrem as provocações, seguem-se “à volta da escola”, os “corredores” e a “sala de aula”.

Quanto aos jovens inquiridos que assistiram a situações de provocações na sua escola, quase 11% afirmaram ter encorajado o provocador.

O cyberbullying também está a aumentar, embora apenas 15,4% dos adolescentes tenha estado envolvido de alguma forma: 7,6% como vítimas, 5,4% como vítimas e provocadores e 2,9% como provocadores.

O estudo conclui também que os jovens com “mais comportamentos saudáveis” são aqueles que “consideram que a família os ajuda a tomar decisões e os que têm amigos com quem partilhar alegrias e tristezas”.

No que respeita à escola, os alunos que revelam mais comportamentos saudáveis são os que gostam da escola e os que consideram que os professores se interessam por eles enquanto pessoas.

Os resultados deste estudo, coordenado em Portugal pela investigadora Margarida Gaspar de Matos, foram apresentados hoje no âmbito do 19.º Encontro Europeu da Associação Internacional de Saúde do Adolescente (IAAH).

Lusa

http://aventurasocial.com/publicacoes.php

 

Há jovens a autoflagelarem-se nas redes sociais

Março 24, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 23 de março de 2015.

Daniel Rocha

Cláudia Bancaleiro

Comportamento pode explicar-se com a necessidade de atenção ou como uma forma de se promoverem junto de colegas e amigos.

Em 2013, o suicídio de Hannah Smith aos 14 anos foi associado ao bullying que sofria através do site Ask.fm. Mensagens como “morre, toda a gente ficará feliz” ou “faz-nos um favor e mata-te” foram encontradas no perfil da adolescente britânica. Na altura, o Ask.fm enfrentou fortes críticas, incluindo do primeiro-ministro David Cameron, e acabou por anunciar o reforço das suas medidas de segurança. Uma investigação posterior concluiu que 98% das mensagens de ódio recebidas por Hannah tinham sido enviadas pela própria adolescente.

O fenómeno de “cyber self-harm” ou autoflagelação online é recente. Quem o pratica publica ou envia mensagens abusivas e insultuosas para os seus próprios perfis nas redes sociais, na maioria das vezes de forma anónima, uma situação que é permitida em algumas redes, como é o caso do Ask.fm, Yik Yak ou Tumblr.

No caso de Hannah Smith, foi isso que aconteceu. A adolescente foi encontrada enforcada no seu quarto. Para trás tinha ficado um autêntico massacre de ataques anónimos feitos online através do Ask.fm, como se veio a confirmar numa investigação aos perfis que a jovem mantinha nas redes sociais.

Os pais de Hannah iniciaram uma campanha a denunciar as fragilidades e perigos que sites como o Ask.fm representam para as crianças. Aquele reagiu garantindo que iria tentar identificar quem, de forma anónima, tinha atentado contra Hannah. A família ficou chocada com os resultados da investigação. Havia de facto mensagens publicadas por terceiros a atacar a jovem, mas a esmagadora maioria eram da autoria da própria. As autoridades concluíram o mesmo quando investigaram o computador e endereços de IP da adolescente.

O que leva um jovem a autoflagelar-se online é complexo e perigoso. Além dos danos psicológicos, existe também o risco de haver riscos físicos. Rachel Welch, directora da organização britânica Selfharm, um projecto que apoia jovens que fazem mal a si próprios física e psicologicamente, já teve contacto com vários casos de autoflagelação e alerta para graves riscos deste tipo de comportamento.

“Esta forma de auto-abuso pode funcionar como um catalisador para danos físicos e fornecer motivação para que continue. Pode tornar-se viciante para alguns fazerem algo como cortar-se, queimar ou arrancarem cabelo, e o período de recuperação pode ser prolongado, com muitas recaídas”.

Segundo a Selfharm, a designação de autoflagelação pode representar vários comportamentos, mas no geral pode ser entendida como uma resposta física a uma dor emocional e pode ser viciante. As reacções podem levar à auto-mutilação, mas também a distúrbios alimentares ou abuso de drogas, exemplifica a organização.

Porquê auto-abuso online?

Quando a autoflagelação é feita na Internet, o caso toma outras proporções. Enquanto um jovem se auto-mutila muitas vezes sem ninguém o saber e o faz sozinho; no caso do auto-abuso online o jovem fica exposto online. Danah Boyd, uma das principais investigadoras na Microsoft Research e uma das primeiras pessoas a falar sobre este tema, considera que é “importante salientar que a autoflagelação online não será provavelmente a explicação para a maioria dos comentários negativos anónimos que se fazem, mas o facto de existir deve servir de alerta para todos, e especialmente para os pais que tentam lidar com o bullying”.

Citada pela fundação Cybersmile, uma organização com representação no Reino Unido e nos Estados Unidos que se dedica ao combate do cyberbullying, como uma das principais investigadoras nesta área, Danah Boyd encontrou três razões que podem explicar este tipo de comportamento num jovem: Pode ser um pedido de ajuda para conseguir a atenção dos pais ou de amigos quando se sentem vulneráveis. A importância de ter um estatuto social entre os colegas e amigos. O jovem é tão popular que está a ser alvo de comentários de “invejosos”. E o aumentar da auto-estima pode ser outra razão. Ao despoletar comentários abusivos, o jovem espera receber apoio de amigos através de elogios.

Emma Short, coordenadora do Centre for Cyberstalking Research, diz ter encontrado casos de auto-abuso na rede Tumblr. “A vasta maioria [dos comentários] era de utilizadores a afirmarem que se odiavam. Talvez seja uma forma de conseguir aprovação para os seus sentimentos. Investigações mostraram que se alguém publicar um post negativo online, perto de 30% das pessoas vão juntar-se à acção de bullying, mas perto de 60% vão atacar os abusadores e defender a pessoa alvo de comentários. Pode ser isso que estes jovens procuram”, argumenta a responsável, citada pela Cybersmile.

O fundador desta organização, Scott Freeman, sublinha que estes jovens não pertencem a uma geração de diários em papel, os seus sentimentos mais íntimos são descarregados online. “Estes miúdos vivem todas as suas vidas online, para eles é natural, é aí que devem revelar os seus sentimentos”.

Nos últimos anos, são vários os estudos publicados sobre a autoflagelação. Mas são raros os que se dedicam à temática do auto-abuso online. Um dos mais recentes foi publicado em Junho de 2012 pelo norte-americano Massachusetts Aggression Reduction Centre. Nesse ano, quando entrevistados 617 estudantes, 9% admitiu que já se tinha autoflagelado na Internet de forma anónima.

À semelhança do que sustenta Danah Boyd, o estudo concluiu que entre as motivações apresentadas para o comportamento, os jovens falaram numa tentativa de chamar a atenção de amigos e família, de levar outros a preocuparem-se consigo e a defenderem-nos online.

Ellie começou aos 15 anos

Ellie, agora com 19 anos, começou aos 15 a atacar-se a si própria de forma anónima. Aos 17 anos contou a sua história à organização Selfharm. Criou vários perfis anónimos e escreveu comentários no seu perfil verdadeiro. Acusava-se de ser feia e inútil. “Sabia que era eu que estava a escrever mas no ecrã não era eu. No ecrã era a minha mãe ou a minha melhor amiga”. Ao escrever mal sobre si própria recebeu comentários a alimentar os seus medos mas também mensagens de apoio de amigos. “Os meus amigos tentaram proteger-me e apoiaram-me. Para que tudo continuasse acabei por publicar mensagens negativas contra eles”, contou a jovem.

Rapidamente as coisas descontrolaram-se e Ellie tomou uma decisão. “Estava a matar-me vê-los tão zangados por minha causa e foi aí que soube que tinha de parar. Aquilo não era sobre magoar outras pessoas, era sobre magoar-me a mim própria”.

A investigadora Danah Boyd, também professora na Universidade de Nova Iorque e membro do Berkman Center for Internet and Society, em Harvard, alerta que é necessário perceber a questão antes de partir em busca de respostas e formas de ajudar estes jovens. “Percebi que a maioria dos adultos quer responsabilizar a tecnologia por estes problemas em vez de reconhecer que os jovens estão simplesmente a usar a tecnologia para divulgar uma série de questões sociais e emocionais que enfrentam”, disse à BBC.

A responsável lamenta que os próprios especialistas prefiram falar sobre o que a tecnologia faz aos jovens, no lugar do que torna visível sobre a cultura da juventude. “A tecnologia espelha e aumenta o bom, mau e feio sobre o dia-a-dia mas é mais fácil culpar a tecnologia do que procurar mais profundamente”.

 

 

Um em cada cinco adolescentes já se magoou para lidar com a tristeza

Dezembro 23, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de dezembro de 2014.

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Andreia Sanches

No último ano, 20% provocaram lesões a si próprios para lidar com emoções negativas. Uso do preservativo cai a pique: só 70% disseram que usaram da última vez que tiveram relações, contra 90% há quatro anos. Dados de um grande inquérito à adolescência divulgado nesta sexta-feira.

A grande maioria diz-se feliz. Mas há um número crescente de adolescentes que se queixam de sintomas que revelam mal-estar. Quase um em cada três diz que se sente deprimido mais do que uma vez por semana. Eram 13% em 2010. Perto de um em cada quatro diz sentir medo frequentemente. Três vezes mais do que há quatro anos. E um em cada cinco alunos do 8.º e 10.º anos magoou a si próprio nos últimos 12 meses, de propósito, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga… Contaram que se sentiam “tristes”, “fartos”, “desiludidos” quando o fizeram.

 

Em relação ao último grande retrato que tinha sido feito dos adolescentes portugueses, há quatro anos, é um aumento de quase cinco pontos percentuais do grupo dos que fazem mal a si próprios.

Foram inquiridos desta vez 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos, de Portugal continental, com idades entre os 10 e os 20 anos (a média de idades é 14 anos). A amostra aleatória estratificada por região é representativa destes anos de escolaridade.

Chama-se A Saúde dos Adolescentes Portugueses e deverá integrar o grande retrato internacional da adolescência, conhecido por Health Behaviour in School-aged Children, da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é repetido a cada quatro anos. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online preenchido em contexto de sala de aula.

publico3Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que desde 1998 coordena a equipa que faz esta análise para a OMS, que segue o mesmo formato em 43 países, diz que o inquérito deste ano surge numa altura “especialmente relevante, uma vez que permite estimar o impacto da recessão económica na saúde dos adolescentes”. E o impacto foi grande, acredita.

Um comunicado de quinta-feira, onde se anunciava a divulgação do estudo, já alertava: “O decréscimo global desde 2010, da sua saúde percebida tanto ao nível de sintomas físicos como de sintomas psicológicos de mal-estar, sugere que a saúde mental dos adolescentes é um assunto subestimado e a carecer de atenção urgente.”

Os números tornados públicos nesta sexta-feira confirmam. Olhe-se para as auto-lesões entre rapazes e raparigas (a pergunta relacionada com este tema só foi colocada aos alunos do 8.º e 10.º anos): 16,3% dos rapazes e 23,7% das raparigas magoaram-se de propósito, nos últimos 12 meses (destas, 6,6% fizeram-no quatro vezes ou mais).

Estas práticas que passam por cortes, apertões e queimaduras são feitas, em geral, quando os jovens estão sós (75,8% dos casos). Nos restantes casos, a auto-lesão é feita na companhia de amigos ou namorados.

Alguns jovens relatam que se auto-lesionam “para acalmar”, por exemplo. Mas é um engano. A aparente sensação de alívio que algumas destas práticas provocam dura segundos e esvai-se. “Depois ficam ainda mais tristes”, diz a investigadora, psicóloga clínica, que trabalha com adolescentes. Diz que é  fundamental alertar os jovens para a necessidade de procurarem ajuda quando não conseguem gerir os sentimentos negativos.

Dói a cabeça, o estômago, as costas Mas para além dos sintomas psicológicos, também os relatos de sintomas físicos de mal-estar se agravaram. Ter dores de cabeça mais do que uma vez por semana é algo que faz parte da vida de 36% dos adolescentes quando, há quatro anos, era relatado por apenas 13,5%.

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Quase um quarto dos inquiridos relatam dores de estômago com a mesma periodicidade. Há quatro anos, apenas 5%. A descrição de tonturas, dores nas costas, no pescoço, nos ombros aumentou igualmente.

Margarida Gaspar de Matos diz que “estava à espera” disto. E porquê? “Estes jovens foram apanhados no meio de uma recessão económica para a qual penso que ninguém estava preparado. É a falta de expectativas, a preocupação com o futuro… muito miúdos dizem-me que o que lhes interessa é tirar um curso que dê para emigrar mas que não querem emigrar e sentem-se tristíssimos”, explica. Depois, muitos relatam que os pais estão mais nervosos. “E isto reflecte-se nos conflitos em casa.” O stress, o medo, a desconfiança fazem doer.

A equipa de Margarida Matos vai agora investigar as causas para vários dos números. Há outras pistas a explorar. O impacto da falta de sono, por exemplo. “E a falta de sono pode estar associada ao uso de novas tecnologias que é omnipresente na vida dos adolescentes.” Cerca de um terço (33,8%) dos jovens dormem menos do que oito horas por dia. O que é mau, garante. Estudos vários mostram como quem dorme pouco tem mais sintomas físicos, mais dificuldades na escola, mais propensão para consumos de substâncias nocivas.

Sexo desprotegido Preocupantes são considerados também os resultados encontrados no capítulo da sexualidade, para o qual, uma vez mais, e para a maioria das perguntas, só foram inquiridos alunos dos 8.º e 10.º anos.

Menos adolescentes iniciaram a sua vida sexual: 16,1% disseram que já tinham tido relações; há quatro anos a percentagem era de 21,8%. Contudo, há uma diminuição do uso de preservativo e um aumento das relações sexuais associadas ao consumo de álcool.

Números: mais de um em cada cinco não usaram preservativo na sua “primeira vez” e 7,9% não sabem se usaram ou não.

E na última relação sexual que tiveram, o que aconteceu? Não foi muito diferente: 20,3 % não usaram preservativo e 9,3% não sabem. A possibilidade de responder “não sei” foi introduzida este ano, por ordem da OMS, e um dos objectivos é “captar” os alunos que estavam sob o efeito de álcool e de drogas e não se lembram — sendo que perto de 16% dos alunos dizem que tiveram relações sob o efeito do álcool ou drogas.

Resumindo: há quatro anos 95,2% dos adolescentes diziam ter usado preservativo na última vez em que tinham estado com alguém, contra 70,4% agora.

E como justificam os jovens o facto de não usarem preservativo? Algumas respostas: “Não ter pensado nisso” (42%); “Não ter preservativo” (31,8%); “Os preservativos são muito caros” (26,1%); ter “bebido álcool em excesso” (23,9%).

“É de ficar alarmado, sim”, reconhece a coordenadora do estudo. Associa os dados ao “desinvestimento das políticas públicas na questão do VIH/Sida” e a àquele que foi o comportamento dos técnicos de saúde durante anos. “Amavelmente, andámos a dizer às pessoas infectadas que a vida não acabava, que a doença é uma doença crónica. E as outras pessoas passaram a achar que se apanharem VIH tomam uns comprimidos e é uma doença crónica. Não faz mal. Foi uma má mensagem dos técnicos de saúde — a começar por mim que disse isto centena de vezes. Foi contraproducente, mas não nos apercebemos.”

Margarida Matos não tem dúvidas de que, a continuar assim, as infecções entre os jovens vão aumentar. O cenário só não é pior porque eles estão a adiar mais o início da vida sexual. “Mas do ponto de vista da saúde pública preferia que não tivesse baixado o número de jovens a iniciar a vida sexual e que tivesse aumentado o uso do preservativo.”

Sobre o que pensam da sua “primeira vez”, que memória guardam, 45% dos adolescentes acham que aconteceu na altura certa. “E os outros?” Margarida Matos não esconde que ficou inquieta.

“Esta situação remete para a necessidade de a educação sexual sair do âmbito da prevenção do risco sexual e passar a abordar a sexualidade em termos de competências pessoais, de relações interpessoais, de equidade de género e de direitos humanos”, no fundo, dando armas aos jovens para escolherem livremente. “Já ninguém se devia sentir mal, ou pressionado, no século XXI, por ser a única ou o único da turma a não ter tido relações.”

O estudo é claro: 13,2% dos que já tiveram relações dizem que preferiam que tivesse sido mais tarde; 5,2% (7,5% das raparigas) dizem que na verdade não queriam realmente ter tido.

“Colas” e “charros” O estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses foi conduzido pela equipa da Associação Aventura Social, que inclui membros da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa, e do Centro da Malária e Doenças Tropicais, da Nova de Lisboa, com o financiamento da Direcção-Geral da Saúde. Não tráz apenas más notícias.

Desde logo, continua a assistir-se ao decréscimo do consumo do tabaco. A dois níveis: por um lado, 92,5% dos adolescentes dizem que nunca fumaram (contra 88% há quatro anos); e o número dos que relatam fumar todos os dias baixou de 4,5% para 2,6%.

Houve uma alteração metodológica na recolha de informação relacionada com o consumo do álcool, mas a tendência também parece ser para uma redução do consumo, nomeadamente o excessivo.

A esmagadora maioria dos adolescentes (93,7%) continua a dizer que nunca consumiu drogas. Enquanto a marijuana mantém uma posição estável (8,8% dos alunos dos 8.º e 10.º anos dizem que já consumiram).

Há, contudo, uma mudança: esta já não é a substância mais “experimentada” — os “solventes” e “colas” parecem estar a tornar-se mais populares (9,7%) quando se pergunta “já experimentaste?”

De resto, há algumas ligeiras subidas em drogas mais pesadas: 2% dizem que já experimentaram heroína (1,4% em 2010) e 2,4% cocaína (1,9% em 2010). O primeiro “charro” (para os que fumam) acontece em média aos 13,9 anos. E entre os que dizem já ter consumido álcool, a idade de iniciação foi aos 12,8. A primeira bebedeira aconteceu mais tarde (13,94 anos, em média). Mas estamos sempre a falar de minorias (83% dos adolescentes dizem que nunca se embriagaram).

Margarida Matos diz que são boas notícias. Mas num contexto de aumento dos sintomas de mal-estar, sublinha: “Há uns anos bebiam, fumavam, agora isso diminui, o que é muito bom, mas temos de ajudar estes jovens a descomprimir de algum modo, a gerir as emoções e o stress, ainda por cima numa altura de precariedade”. Porque “todas as sociedades tem as suas ‘práticas de descompressão’ e é preciso trabalhar algo para a substituição” — pode ser voluntariado, uma prática desportiva.

Por outro lado, lamenta que “com o fim das áreas curriculares não disciplinares, que eram espaços na escola onde os miúdos tinham acesso a adultos de referência”, tenha deixado de existir um espaço para os miúdos falarem com os professores fora das aulas. “Se eles não têm em casa uma família disponível e atenta, não têm com quem conversar e não são ajudados a gerir o seu stress e as suas angústias.”

 

 

Simpósio Autolesão & Adolescência / castigar o corpo para aliviar a alma

Outubro 8, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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autol

mais informações:

http://www.milrazoes.pt/autolesao/

 

Cerca de 7% dos adolescentes têm comportamentos autolesivos

Outubro 1, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 30 de setembro de 2014.

Relatório de Investigação

Comportamentos autolesivos em adolescentes: Características Epidemiológicas e análise de fatores psicopatológicos, temperamento afetivo e estratégias de coping”.

Tese de Doutoramento

Comportamentos autolesivos em adolescentes:características epidemiológicas e análise de fatores psicopatológicos, temperamento efetivo e estratégias de coping

Dados internacionais revelam que cerca de 10% dos adolescentes já terão tido pelo menos um episódio de autolesão ao longo da sua vida.

Cerca de 7 por cento dos adolescentes, a maioria raparigas, já se auto lesaram, comportamentos “secretos” não detetados pelos serviços de saúde ou escolares, revela um estudo que envolveu estudantes de 14 escolas públicas da área da Grande Lisboa.

Somando os jovens com comportamentos autolesivos com aqueles que apresentam pensamentos de autolesão, o estudo concluiu que para 13,5% dos adolescentes da amostra estes comportamentos “são ou poderão ser um potencial risco de saúde”.

O estudo “Comportamentos autolesivos em adolescentes Características epidemiológicas e análise de fatores psicopatológicos, temperamento afetivo e estratégias de coping” decorreu entre 2010 e 2013 e envolveu 1.713 adolescentes, com idades entre os 12 e os 20 anos, a maioria (56%) do sexo feminino.

A investigação visou identificar a prevalência deste problema e caracterizar de “forma pormenorizada” estes comportamentos e os jovens que os realizam.

O estudo revela que 7,3% dos adolescentes já tinham apresentado, pelo menos, um episódio de autolesão, sendo que destes, 46% já tinham realizado este comportamento mais vezes.

Cerca de 6% da amostra relatou pensamentos de autolesão (sem o comportamento associado), sendo estes também mais frequentes nas raparigas.

A probabilidade de comportamentos autolesivos é “significativamente maior nas raparigas, naqueles que vivem noutro sistema familiar que não o nuclear e naqueles com maior insucesso escolar”.

Em declarações à Lusa, o psiquiatra Daniel Sampaio, orientador do estudo, considerou estes números preocupantes, advertindo que “é preciso estar atento” a esta situação.

Estes comportamentos dos jovens se cortarem, queimarem, ingerirem uma substância numa dose excessiva “significam sofrimento na adolescência”, disse o psiquiatra.

“São um sinal de alarme para uma adolescência que não está a correr bem”, adiantou Daniel Sampaio.

A grande maioria dos jovens negou ter falado com alguém ou ter pedido ajuda, permanecendo estes comportamentos “secretos” e não detetados pelos serviços de saúde ou escolares, refere o estudo.

Só 19% dos jovens admitiu ter feito algum pedido de ajuda e apenas 13% recorreu ao hospital após a autolesão, tal acontecendo sobretudo em casos de sobredosagens.

Questionados sobre se durante qualquer episódio de autolesão pensaram “decididamente em morrer”, 42% afirmaram que sim.

Os jovens que relatavam autolesão apresentavam maior sintomatologia depressiva e ansiosa, assim como maiores taxas de consumo de álcool, de embriaguez, de consumo de tabaco e de utilização de drogas ilegais e maior número de acontecimentos de vida negativos.

Daniel Sampaio sublinhou que os pais, a escola e sociedade devem estar atento a este problema, mas realçou o papel importante dos colegas na deteção destes casos.

“Normalmente é mais fácil que eles confidenciem os problemas a um colega ou a um amigo do que aos pais ou ao professor”, justificou, defendendo a realização de um trabalho nas escolas para alertar para o problema.

“Já se fala alguma coisa [no problema], já temos estudos sobre isso, já temos professores mais habilitados a falar no assunto, já temos alguns psicólogos nas escolas atentos mas é preciso fazer muito mais”, defendeu.

Dados internacionais revelam que cerca de 10% dos adolescentes já terão tido pelo menos um episódio de autolesão ao longo da sua vida.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

 

Bullying entre irmãos aumenta riscos de saúde

Setembro 19, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Pais & Filhos de 9 de setembro de 2014.

o estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Sibling Bullying and Risk of Depression, Anxiety, and Self-Harm: A Prospective Cohort Study

pais & filhos

As crianças até aos 12 anos que são vítimas de “bullying” por parte de irmãos estão mais sujeitas a apresentarem problemas de saúde mental no início da idade adulta, defende um estudo britânico publicado na última edição da revista “Pediatrics”.

Os investigadores das universidades de Oxford, Warwick, Bristol e Londres estudaram 6900 casos de “bullying” na esfera familiar no início da adolescência e voltaram a analisar a saúde mental das vítimas aos 18 anos, comparando-a com uma amostra de jovens adultos sem historial de vitimização. E chegaram à conclusão de que aqueles apresentam o dobro das possibilidades de sofrerem de depressão, ansiedade e até episódios de auto-mutilação.

No artigo, os cientistas – que se dividem entre os campos da Política Social, Psicologia, Saúde Mental, investigação sobre suicídio e Neurologia – defendem a adoção precoce de medidas de deteção de “bullying” entre irmãos e de apoio às vítimas, de forma a precaver consequências futuras a nível mental.

 

 

 

 

Aumentam casos de automutilação em jovens, especialista defende atenção aos sinais

Junho 2, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site saude.sapo.PT de 23 de maio de 2014.

saude sapo

 Antebraços, coxas e abdómen são os locais em que os jovens e adolescentes mais se cortam

O pedopsiquiatra Fernando Santos alertou hoje para o aumento de casos de automutilação e alertou para a necessidade de os profissionais estejam atentos aos seus sinais, mesmo quando não forem a principal razão da consulta.

O tema da automutilação vai ser abordado sábado nas conferências do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIn) sobre “Adolescência e Transição para a Vida Adulta”, na qual participa Fernando Santos.

Este psiquiatra da infância e da adolescência considera que têm aumentado as queixas e consultas por causa desta prática que pode pôr em risco a vida, nomeadamente pela forma como a lesão é feita.

Os antebraços, as coxas e o abdómen são os locais em que os jovens e adolescentes mais se cortam, por serem “sítios que, embora se fácil acesso, se podem esconder e tapar”.

O especialista sublinhou que estes sítios criam características que podem funcionar como sinais indicadores, tais como a roupa que tapa o corpo, mesmo no verão, e a recusa em ir à praia.

Segundo Fernando Santos, a automutilação é “um ato solitário, embora estejam descritas situações potenciadas por grupos”.

De uma maneira geral, adiantou, o recurso à automutilação visa lidar com situações que os jovens atravessam: ansiedades, frustrações, grandes instabilidades.

“A pessoa corta-se para canalizar o pensamento para a dor física, pois nessa altura o desconforto emocional desaparece”, disse.

O pedopsiquiatra sublinha que quem se auto mutila tem “determinadas características em termos emocionais”, sendo habitualmente pessoas com tendência para o isolamento”.

Sobre as razões para o aumento de jovens que recorrem a esta prática, o especialista disse não ser possível associar, para já, à crise, pelo menos de uma forma direta.

“Indiretamente, há mais instabilidade a nível familiar, existe mais instabilidade na sociedade. Mas a pessoa precisa de ter determinadas características para ter esse comportamento, independentemente desse estímulo que possa haver na sociedade”.

O especialista defende uma especial atenção para os quadros de automutilação, mesmo que esta não seja a principal razão da consulta.

“Devemos incluir uma pesquisa dessa situação para saber se há alguma coisa que indicie esta prática”, disse.

Por Lusa

 

 

 

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