4 grandes consequenciais do uso prolongado da chucha

Maio 29, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 19 de maio de 2017.

Muitos pais adiam o momento de retirar a chucha aos seus filhos por receio de que possa traumatizar a criança ou privá-la do seu único meio de conforto. No entanto, após os 2 anos, as consequências do seu uso começam a surgir em força e  dependendo da criança e da frequência com que a usam, poderão instalar-se de forma quase permanente e só corrigível com recurso a várias especialidades da área da Saúde.

Referimo-nos, sobretudo, ao aparecimento de quatro grandes alterações que habitualmente não associamos ao uso de um objeto que parece tão inofensivo como a chucha – o objeto de conforto mais utilizado por milhões de crianças por todo o mundo.

São estas as quatro grandes consequenciais do uso prolongado da chucha:

1. Alteração da dentição e do palato (céu da boca)

A consequência mais fácil de detetar é a alteração da dentição e do palato (céu da boca) que o formato da chucha provoca. A presença prolongada de um corpo estranho na boca molda todas as estruturas à sua volta, nomeadamente os dentes e o palato, e provoca uma posição incorreta dos lábios (não lhes permite fechar na totalidade) e da língua, que adota uma postura à volta da chucha. Estas alterações nas estruturas causam uma das consequências mais difíceis de detetar – a respiração oral.

2. Respiração oral

Quando o bebé começa a respirar pela boca, devido às alterações estruturais que já ocorreram, o seu sono começa a ter menor qualidade devido à fraca oxigenação (que, por vezes, também desperta mais vezes os bebés) e a falta da correta “filtragem” do ar respirado no nariz, também levará a infeções das vias aéreas.

3. Musculatura

Outra alteração que surge muito frequentemente, ocorre ao nível da musculatura. Devido aos movimentos repetitivos da sucção, as estruturas perdem tónus – os músculos ficam enfraquecidos – e, com a perda de força dos lábios, bochechas e língua, poderemos também estar a provocar futuras dificuldades na alimentação.

4. Aparecimento de alterações na articulação

A consequência mais comum do uso prolongado de chucha e que, diariamente, leva várias famílias a procurarem um Terapeuta da Fala – ainda que nem sempre sabendo qual a causa das dificuldades dos seus filhos – é o aparecimento de alterações na articulação. Esta consequência, por ser notória apenas por volta dos 5/6 anos, quando já esperamos que as crianças articulem perfeitamente as palavras, é também a mais perigosa, pois aparece de forma “silenciosa”. Surge devido a todas as outras alterações estruturais que se desenvolveram ao longo dos anos e faz com que a criança precise de um acompanhamento especializado para conseguir articular vários sons que, habitualmente, distorce. Surgem assim – mas não exclusivamente – os conhecidos “sopinha de massa”, dificuldade que só pode ser corrigida após terapia e, muitas vezes, com a junção de um tratamento ortodôntico. Também as dificuldades de alimentação – por falta de força na musculatura das várias estruturas da boca -, terão de ser corrigidas com terapia.

Como forma de evitar todas estas consequências, e de prevenir a necessidade futura de acompanhamento em várias áreas, aconselhamos a remoção da chucha do seu bebé até aos 2 anos – e prontificamo-nos a ajudá-lo se precisar de algumas dicas sobre como fazê-lo!

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

 

 

 

Ser Bebé – Educação na Primeira Infância: Conceções, Modelos e Perspetivas | 27 de maio | Leiria

Maio 15, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://apei.pt/index.php

Mais de 95 mil crianças e jovens não estarão vacinados contra o sarampo

Abril 18, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt de 17 de abril de 2017.

Profissionais de saúde também estão em grupo vulnerável de uma doença que pode matar Rui Gaudêncio

Pais que se esqueceram de vacinar filhos, pessoas em situação económica vulnerável ou imigrantes em situação irregular preocupam especialistas. Há 21 casos confirmados.

Joana Gorjão Henriques

Pais que perderam a percepção do risco e se esqueceram de vacinar os filhos. Pais que têm difícil acesso à saúde por razões económicas ou estão em situação irregular em Portugal. Estrangeiros e portugueses que são contra as vacinas. Embora não se saiba o número exacto, cerca de 5% das crianças e jovens até aos 18 anos não estão vacinados contra o sarampo, estima a Direcção-Geral de Saúde (DGS).

Tendo em conta que, de acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), residiam em Portugal, em 2015, cerca de 1 milhão e 900 mil crianças e jovens até aos 18 anos, cerca de 95.600 indivíduos nessa faixa etária (os tais 5%) não estarão vacinados.

Ana Jorge: poderá ser necessário antecipar vacinação de bebés

Este é o perfil de quem compõe as “bolsas de não-vacinados” que estão a preocupar os especialistas, numa altura em que os casos de sarampo confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge já chegam aos 21, informou a DGS em comunicado esta segunda-feira à noite, e um ano depois de a doença ter sido declarada eliminada em Portugal. Vários outros doentes estão em investigação.

Ao final do dia desta segunda-feira, o director-geral da Saúde, Francisco George, questionou os “direitos e deveres” dos pais que não fazem vacinação dos filhos pois “essa decisão não põe em risco apenas as próprias crianças”, tem “um reflexo na comunidade”. Também disse que estava a ser estudada a hipótese de baixar a idade da primeira vacina para antes dos 12 meses.

Actualmente, a vacina do sarampo é administrada em duas doses: uma aos 12 meses e uma segunda aos cinco anos. O grupo mais vulnerável é o das crianças entre os 6 e os 12 meses, “pois já não têm os anticorpos maternos e ainda não fizeram a primeira dose”, afirmou ao PÚBLICO Maria do Ceú Machado, que foi Alta Comissária da Saúde e directora do departamento de Pediatria do Hospital Amadora-Sintra e foi nomeada no mês passado para a presidência do Infarmed.

95% vacinados

Teresa Fernandes, da equipa de coordenação do Programa Nacional de Vacinação (PNV) da DGS, referiu ao PÚBLICO que a percentagem de 95% de pessoas vacinadas corresponde a uma média nacional, mas sublinhou que há pequenas comunidades, a nível local, com taxas mais altas de não-vacinados onde o risco aumenta.

Estas comunidades estão em bairros ou são famílias, são “pequenas populações”, afirmou. A DGS sabe onde estão as crianças que não cumpriram o PNV, mas ao PÚBLICO a especialista preferiu não especificar a sua dispersão geográfica para não lançar o pânico. “A nível local e regional estão a ser desenvolvidas acções” de sensibilização para conseguir a sua vacinação, acrescentou.

As “bolsas de não-vacinação” preocupam os especialistas, já que, como explicou Ricardo Mexia, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, a existência de um grupo que não esteja vacinado aumenta a probabilidade de contágio e de propagação da doença.

Em 2001, a taxa de vacinação era de 98% e em 2007 tinha baixado para 95%, lembra Ricardo Mexia. A vacina do sarampo tem “imunidade de grupo”, ou seja, têm de estar mais de 95% das crianças vacinadas para a população estar protegida, explica, por seu lado, Maria do Céu Machado, actualmente directora do departamento de Pediatria do Hospital Santa Maria.

Teresa Fernandes revelou ainda que as taxas mais baixas da cobertura da vacina foram detectadas sobretudo em crianças que tinham sete anos em 2016 e que não receberam a segunda dose.

Para esta especialista, apesar de, a nível europeu e mundial, existirem pais que não vacinam os filhos por serem contra, em Portugal esse fenómeno ainda não gera preocupação. Também Luís Varandas, da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, não o considera problemático. “Podemos especular sobre as razões do reaparecimento [do sarampo] mas uma delas prende-se com a própria doença que é altamente contagiosa e não precisamos de muitos casos para se propagar”, comenta. “O outro aspecto são as bolsas de não-vacinação em termos europeus, porque há muito sarampo na Europa. E outro é a mobilidade: alguém que está em período de incubação e se desloque, facilmente transmite a doença. Se todos os anos temos 1% da população que não está vacinada, ao fim de cinco anos temos uma pool de pessoas não imune relativamente alto.”

Clusters de estrangeiros”

Já Maria do Ceú Machado diz que há “clusters de estrangeiros (sobretudo belgas e alemães) e alguns portugueses que se dizem esclarecidos”, nomeadamente um grupo nos arredores de Lisboa, que opta pela não-vacinação.

Segundo o Centro Europeu de Controlo de Doenças, o sarampo cresceu na Europa e quase todos as situações terão ligação ao surto que começou na Roménia em Fevereiro de 2016, país que lidera o número de surtos com mais de quatro mil casos, diz a Lusa. A agência refere que nos primeiros quatro meses do ano houve mais casos de sarampo em Portugal do que na última década.

As razões do reaparecimento do sarampo em Portugal ainda estão a ser analisadas. Francisco George lembrou que é necessária uma pesquisa grande já que o período em que pode haver contágio antes de aparecerem as erupções na pele é de até quatro dias e a incubação pode chegar às três semanas.

Só a partir de 1990 é que a vacina do sarampo foi generalizada em Portugal – por isso quem nasceu entre 1974 e 1990, em princípio, só recebeu uma dose. Até 1974, quando foi introduzida a vacina do sarampo no PNV, a maioria dos adultos contraía sarampo, pelo que nessa faixa etária há mais pessoas imunes. Neste momento, as recomendações são uma dose para os adultos. Em caso de dúvida sobre se se está ou não vacinado, deve-se vacinar, aconselha Teresa Fernandes.

Grupos vulneráveis

Além das pessoas que não estão vacinadas e das crianças até aos 12 meses, os profissionais de saúde e pessoas que não tiveram segunda dose estão entre os grupos vulneráveis, afirma Luís Varandas. “E quanto maior o tempo de contacto, maior a probabilidade de contrair a doença.”

A equipa do PNV está a chamar as crianças que não estão vacinadas. A vacinação não é 100% eficaz, mas a probabilidade de alguém vacinado apanhar sarampo baixa significativamente – além de se tornarem menos graves os sintomas, como febre, erupções cutâneas, tosse ou conjuntivite. O sarampo é uma das principais causas de morte de crianças no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As encefalites, pneumonia e otites que degeneram em surdez são algumas das consequências mais perigosas.

A Teresa Fernandes, da DGS, rejeita a ideia de epidemia. Como a doença foi declarada eliminada pela OMS, “há um número de casos acima do esperado”. Também Luís Varandas não acredita num surto, mas diz que ” vai haver mais casos”.

Notícia corrigida: é encefalites e não encefalias

 

 

 

Vacinar ou não vacinar as crianças? Vale a pena perguntar?

Abril 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 22 de março de 2015.

Ana Cristina Marques

Vera Novais

Andreia Reisinho Costa

23 casos de sarampo levam o diretor-geral de Saúde a admitir uma epidemia. DGS alerta para a necessidade de se vacinar as crianças. Neste artigo ouvimos os argumentos de quem vacina e não vacina.

(Este artigo foi inicialmente publicado a 22 de março de 2015 na sequência da moda anti-vacinação na Europa e nos EUA e foi atualizado esta segunda-feira, 17 de abril, depois de o diretor-geral de Saúde ter admitido a existência uma epidemia de sarampo em Portugal)

“Assim que nascem, as crianças recebem logo vacinas. É dar doenças para que os corpos consigam reagir e ganhar imunidade. Isto é uma aberração”. Ágata Mandillo não se arrepende da escolha que fez. É mãe de duas meninas de 12 e nove anos que não são vacinadas, de todo. “Para mim, não é óbvio dar vacinas só porque sim”, explica ao Observador, defendendo o “mínimo de interferências artificiais possíveis” nos corpos das filhas. Esta mãe, de 31 anos, recebeu apenas algumas vacinas na infância. A escolha, ponderada pelos pais, era muito mal vista na época, especialmente pelos avós, ambos médicos. “Era uma atitude ainda mais marginal na altura”.

As filhas de Ágata Mandillo fazem parte de uma minoria em Portugal, que tem uma das maiores taxas de vacinação do mundo. Mas os movimentos de antivacinação na Europa e nos Estados Unidos têm mostrado que consequências podem ter a recusa vacinal. Nos Estados Unidos, há pelo menos sete surtos distintos de sarampo espalhados por diversos Estados e, no final do mês de fevereiro, morreu uma criança na Alemanha vítima desta doença. A Alemanha é um dos países em que a taxa de vacinação contra o sarampo está abaixo da recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

Os pais devem procurar informar-se sobre a vacinação, afirma ao Observador o presidente da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SIP/SPP), Luís Varandas. “No entanto, é preciso ter algum cuidado com o que se lê e onde se lê”, alerta. “Existe muita informação falsa a circular que os pode deixar algo confusos.” O médico não conhece nenhum pediatra que desaconselhe o uso de vacinas, nem encontra justificação para que isso pudesse acontecer.

“As vacinas são dadas na altura mais conveniente para proteger as crianças”, explica ao Observador o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Mário Jorge Santos. A seguir à melhoria da qualidade da água e do saneamento básico, a vacinação é o fator mais importante para a redução da mortalidade infantil, acrescenta o médico. “A vacina corresponde a uma prioridade preventiva e é a forma de evitar doenças que sem essa vacinação podem atingir uma criança ou um jovem”, diz ainda o pediatra João Gomes Pedro. “Vivemos cada vez mais uma medicina preventiva destinada a evitar males maiores.”

Etelvina Calé, consultora na Direção de Serviços de Promoção da Saúde e Prevenção da Doença, na Direção-Geral de Saúde (DGS), considera que, embora o Plano Nacional de Vacinação não seja obrigatório, é “fortemente recomendado”, porque é a medida que tem melhor relação custo-benefício em questões de saúde. A médica lembra que “as vacinas [do plano] são universais e gratuitas”. Isto quer dizer que todas as pessoas que residam em Portugal podem ser vacinadas, mesmo que não sejam cidadãos nacionais, sem precisarem de prescrição médica e sem pagarem nada pelas vacinas do Plano Nacional de Vacinação (PNV).

Apesar das recomendações oficiais, Ana (nome fictício), de 36 anos, também escolheu um caminho semelhante ao de Ágata Mandillo. A vida passada entre Portugal e a Holanda, país onde existem movimentos antivacinação fortes, ajudou a fomentar uma atitude crítica, pelo que a mãe de dois rapazes com 14 e oito anos optou por fazer um “percurso de vacinação próprio”, em vez de seguir o Plano Nacional de Vacinação. “Procurei entidades que não aconselham nem desaconselham a vacinação, mas que convidam os pais a tomar uma decisão responsável.” Por esse motivo, escolheu que vacinas dar e não dar aos filhos — recusou-se, por exemplo, a administrar a do sarampo.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa e sem cura, mas pode ser prevenida pela imunização com as duas doses da vacina tríplice (contra sarampo, papeira e rubéola). Na Europa, os movimentos antivacinação têm reduzido a taxa de cobertura das vacinas e aumentado os casos de sarampo em alguns países. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2008-2009 houve surtos de sarampo na Alemanha, Áustria, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Espanha, França, Itália e Polónia.

A Alemanha vive agora o maior surto de sarampo dos últimos dez anos, com quase 600 casos. Este surto, que causou a morte de uma criança de 18 meses há menos de um mês, já provocou um aceso debate sobre a possibilidade de tornar a vacinação compulsiva num país onde ela não é obrigatória, tal como escreve a BBC. O perigo de contágio devido à não-vacinação levou a DGS a emitir um comunicado alertando todos aqueles que decidam viajar, mesmo que para a Europa, a terem a vacina do sarampo em dia.

Também nos Estados Unidos se vive o maior surto de sarampo dos últimos 15 anos. A situação que se iniciou num parque de diversões da Disney, na Califórnia, já atingiu mais de cem pessoas desde dezembro de 2014. Esta doença tinha sido considerada eliminada dos Estados Unidos no ano 2000, mas isso não quer dizer que a vacinação possa ser interrompida, porque a doença ainda não foi erradicada do planeta. O avanço rápido do surto deve-se a falta de vacinação ou à vacinação incompleta nos sete estados afetados, segundo um estudo divulgado pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano. Só desde o início deste ano, ocorreram mais três surtos – Illinois, Nevada e Washington – não relacionados com o do parque temático da Califórnia. O país tem neste momento pelo menos sete surtos distintos.

O objetivo da OMS era erradicar o sarampo até 2015, mas a meta ficou longe de ser cumprida. Em Portugal, o sarampo foi considerado eliminado em 2004 e desde essa altura todos os casos (22) foram importados ou derivaram destes (casos secundários), diz Etelvina Calé (DGS). Também nos Estados Unidos o atual surto da Califórnia poderá ter tido origem em alguém que contraiu a doença fora do país, mas a fonte ainda não foi identificada. A falta de vacinação nos países ditos desenvolvidos deve-se sobretudo a movimentos antivacinação com motivações várias, mas há países onde as crenças religiosas têm impedido a vacinação das crianças, como a Nigéria, o Afeganistão ou o Paquistão – os únicos países endémicos de poliomielite.

“Não vacinar é um ato de negligência”

Embora não se conheçam, as razões que levam as duas mães a ser adeptas da não-vacinação são semelhantes. Ana alega falta de confiança nas vacinas e questiona a sua composição, com receio que sejam tóxicas. Lembra também um estudo que relacionou a vacina do sarampo com problemas intestinais nas crianças e com o aparecimento do autismo. Já Ágata Mandillo diz que, para ela, “a ciência ainda não conseguiu provar que as vacinas fazem bem nem que não fazem mal”.

A ideia de que os excipientes das vacinas são tóxicos não são mais do que uma “crendice”, diz o médico de saúde pública Mário Jorge Santos. Esses componentes têm pouca interação com o organismo. “São escolhidos porque são os mais seguros.” O pediatra João Gomes Pedro atribui esses receios a “várias fantasias e medos”, sobretudo quando se associa as vacinas ao autismo sem que haja “qualquer evidência científica que relacione as duas coisas”.

A ligação entre o autismo e a vacina tríplice, que inclui a vacina contra o sarampo, foi feita em 1998 por Andrew Wakefield num estudo publicado na conceituada revista médica Lancet. Muitos cientistas questionaram a opção de publicação de um estudo que incluía apenas 12 crianças e que, portanto, não poderia ser conclusivo. Ainda assim, várias equipas diferentes tentaram replicar o estudo sem nunca terem obtido o mesmo tipo de resultados. Mais tarde descobriu-se que os dados apresentados tinham sido manipulados e que o autor tinha recebido dinheiro de partes interessadas para publicar esta informação corrompida. O artigo científico foi considerado fraudulento e o autor completamente descredibilizado. Ainda assim, há quem continue a usar esta publicação para fazer valer os seus argumentos.

Na contestação das vacinas, Ana vai mais longe dizendo que acredita ser mais vantajoso para as crianças apanharem as próprias doenças do que receberem vacinas. Mas não ignora que há “doenças mais perigosas do que outras”, pelo que faz sentido que “a sociedade queira defender-se disso”. Em causa está a ideia de que o sistema imunitário deve travar uma batalha sozinho, sem a ajuda das vacinas: “Sinto que o sistema imunitário funciona bem se a pessoa se alimentar bem, fizer desporto e dormir as horas certas”. E reitera: “Prefiro que o meu filho tenha a doença do que a vacina”.

Uma pessoa que tenha uma alimentação equilibrada, faça exercício físico e mantenha um estilo de vida saudável terá um sistema imunitário melhor preparado para lidar com as infeções, concorda Mário Jorge Santos. Mas rejeita a afirmação de que ter a doença é melhor. Até porque muitas destas doenças podem matar ou provocar incapacidades permanentes. O médico diz que o efeito que uma vacina tem no sistema imunitário é equivalente ao efeito que teria uma doença, mas sem os riscos dessa doença. As reações adversas da vacinação, segundo a DGS, não vão normalmente além do inchaço, comichão e vermelhidão na zona da picada ou de uma febre passageira. Mais raramente reportam-se casos de cefaleias, choro prolongado, mal-estar ou reações anafiláticas.

O médico de saúde pública afirma sem pudor que “não vacinar é um ato de negligência”. “Os pais têm o dever de zelar pelo superior interesse dos filhos, de garantir o bem-estar da criança.” Não vacinar os filhos não é uma opção que deva ser tomada pelos pais, “eles não são donos dos filhos”. Além de colocarem os próprios filhos em risco, os pais que optam pela não-vacinação colocam outras crianças em risco também, porque o sucesso da vacina não chega aos 100% (dependendo da vacina pode estar entre 95 e 97%). Nestes casos o que garante a proteção das crianças é a imunidade de grupo e isso só se consegue com taxas de vacinação superiores a 95% dos elementos de um grupo (por exemplo, crianças numa escola).

O pediatra Luís Varandas considera que não vacinar os filhos “é uma atitude egoísta”. Os pais que decidem não vacinar só continuam a ter os filhos em segurança porque as crianças vacinadas lhes garantem a imunidade de grupo. “Mas, a médio/longo prazo é uma atitude perigosa pois irão criar-se bolsas de crianças/adultos suscetíveis às doenças e que, se o agente infeccioso for introduzido na comunidade, poderá dar origem a surtos [da doença].”

As queixas das duas mães que escolheram não vacinar os filhos centram-se também no Plano Nacional de Vacinação. Para Ana o plano contempla muitas vacinas, razão pela qual “é uma violência muito grande” e tem interesses económicos e políticos à mistura. “Se o Estado dá as vacinas, não pode haver empresas a lucrarem com isso”, argumenta, salientando que é uma questão de ética (ou falta dela). Ágata Mandillo concorda com os mesmos argumentos e defende que o princípio das vacinas é bom. O mesmo não pode dizer do PNV.

Uma posição completamente oposta tem Catarina Oliveira, mãe de uma bebé com 19 meses. “Confio totalmente em quem decide as vacinas do plano.” A consultora de comunicação, de 31 anos, confessa que não seria capaz de deixar de proteger a filha através da imunização: “Sabemos que há vacinas que salvam vidas. Por alguma razão existe um plano nacional para os primeiros anos de vida.”

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública lamenta que algumas vacinas sejam tão caras, mas admite que os custos de desenvolvimento de uma vacina podem ser muito elevados. Porque estão incluídos não só o estudo da vacina que foi aprovada, mas de todas aquelas que durante o processo tiveram de ser descartadas por não cumprirem os objetivos a que se propunham. No entanto não tem dúvidas em afirmar que na relação custo-benefício as vacinas são muito mais vantajosas. É mais barato vacinar todas as crianças do que tratar as doenças que possam vir a ter. “Como o Plano Nacional de Vacinação se compra em larga escala, as vacinas ficam muito mais baratas.”

Além do PNV existem algumas vacinas facultativas que são recomendadas por alguns médicos pediatras. Sobre essas, Mário Jorge Santos considera que é preciso avaliar se as doenças constituem realmente um perigo para a saúde pública, o custo que têm, a eficácia e os estudos que existem sobre elas. Além disso, acha que quem deve decidir sobre a saúde pública são os médicos desta especialidade. “Não me atreveria a opinar sobre como um cirurgião deveria fazer uma cirurgia.”

Escolas ajudam à vacinação

Considerando que imunização de grupo funciona quando pelo menos 95% da comunidade está vacinada e que a maior parte destas doenças preveníveis por vacina afetam mais as crianças, o contexto escolar revela-se de particular importância. O Ministério da Educação e Ciência recomenda que seja verificado o boletim de vacinas da criança no ato da matrícula. Mas mesmo que as vacinas não estejam em dia, a criança não é impedida de ir à escola. O conselho é que os pais sejam alertados para a situação assim como as autoridades de saúde.

Ágata Mandillo e Ana acusam as escolas de “exigirem” que as crianças tenham as vacinas. “Não existe nenhuma lei que obrigue os pais a vacinar e nenhuma escola pode exigir isso”, diz Ana. “Não fazemos apenas aquilo a que somos obrigados. Temos valores mais elevados do que as obrigações”, contrapõe Mário Jorge Santos. Etelvina Calé, da Direção de Serviços de Promoção da Saúde e Prevenção da Doença, acrescenta que se trata de uma “parceria entre a educação e a saúde”, em que os pais são sensibilizados para a importância da vacinação. O médico de saúde pública refere que é importante fazer ações nas escolas onde há grupos de crianças cujos pais pertencem a comunidades que preferiam não vacinar. “Os pais que optam pela não-vacinação não estão bem informados, mas quando são elucidados preferem vacinar.”

Catarina Oliveira nunca colocou a hipótese de não vacinar a filha e também não imaginava que fosse possível inscrever crianças na escola se não tivessem as vacinas em dia. Lembra ainda que a única pessoa que conheceu que nunca tivesse vacinado os filhos foi uma enfermeira com quem um dia se cruzou. “Ela considerava que as vacinas não eram assim tão importantes e que o organismo das crianças tinha a capacidade de se defender”, conta a consultora de comunicação. O pediatra Luís Varandas considera que “as vacinas estão a ser vítimas do seu próprio sucesso”. Como as doenças já não matam tantas pessoas como no passado, as pessoas consideram que já precisam proteger-se. Lembre-se que a varíola, a doença contra a qual foi criada a primeira vacina, foi considera erradicada pela OMS em 1980. A erradicação desta doença só foi possível graças à vacinação.

O Observador contactou alguns agrupamentos escolares públicos e os responsáveis não se lembram de casos em que as famílias não quisessem vacinar as crianças, apenas algumas situações de vacinas em atraso por esquecimento. Tirando o encaminhando das famílias para o centro de saúde, não tem outros procedimentos previstos. E nos estabelecimentos de infância da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ainda que a criança seja recomendada a fazer a vacinação completa, não é impedida de frequentar a escola. O único impedimento é a não-apresentação de “uma declaração médica comprovativa de como a criança pode frequentar o estabelecimento”.

Os casos de crianças que se tentam inscrever nas escolas públicas ou privadas são ainda tão raros que António Ponces de Carvalho, presidente da Associação de Jardins Escola João de Deus, nunca esteve perante uma situação destas. “Tentamos que as crianças não entrem sem ter as vacinas em dia, por uma questão de proteção da criança e dos outros.” Caso se visse numa situação em que uma família tentasse inscrever uma criança não vacinada admite que convocaria uma reunião com outros pais e pediria pareceres médicos.

O pedido de declarações médicas às crianças não vacinadas pode ser uma tentativa de salvaguarda da escola. Ágata Mandillo não gostou quando lhe pediram uma minuta “em que a pessoa se responsabilizava judicialmente pelos danos causados por aquela opção”. A jurista Paula Policarpo considera que esta atitude da escola pode ser excesso de zelo. A verdade é que, caso os pais tenham sido avisados sobre os riscos da não-vacinação, podem ser responsabilizados por um surto da doença na escola. Mas para isso é preciso provar que o surto teve origem na criança não vacinada. A jurista lembra ainda que assinar uma declaração não evita que as outras crianças da escola fiquem em risco.

Mas não é só no acesso à escola que é exigido o boletim de vacinas. Também os candidatos a funções públicas devem ter as vacinas em dia sob pena de serem excluídos do concurso. Ao médico de saúde pública, Mário Jorge Santos, não lhe parece estranho. “Ninguém é obrigado a ser funcionário público.” E acrescenta que conhece empresas privadas que exigem aos trabalhadores não só as vacinas do PNV, mas outras. É uma forma de reduzir o absentismo no trabalho.

O certo é que, atualmente, Ágata Mandillo confessa que se sente bem com as decisões que tomou e está convencida que ambas as filhas têm um “ótimo sistema imunitário”. São duas crianças muito saudáveis, diz, que tiveram varicela e constipações. “Estou contente com as minhas escolhas, apesar do preço que tive de pagar.” A mãe refere-se ao estigma em torno da não-vacinação, contra o qual continua a debater-se hoje em dia. Porque o tema ainda é tabu.

“O que faz confusão é não haver discussão sobre isso, ser um dogma”, atira Ágata Mandillo, dizendo que é a falta de debate que faz com que algumas pessoas tomem decisões mais radicais. “A vacinação não é debatida. Faz-me confusão que ainda hoje não se consiga falar sobre isso”. A gerente do restaurante não tem pretensões de estar correta. “Fiz uma escolha e acho que devo ser respeitada por isso.”

Ana aborda o mesmo problema e fala criticamente na relação entre doutores e pacientes: “Hoje em dia pomos muito da nossa saúde na mão dos médicos e da indústria farmacêutica.” E refere que em Portugal, ao contrário da Holanda onde viveu muitos anos, existe uma cultura muito “enraizada” de tomar remédios para tudo. O pediatra João Pedro Gomes defende que a “intervenção dos profissionais de saúde não deve ser traumatizante, eles devem respeitar as opiniões e sensibilidades dos pais, mães e famílias”. Mas também considera que o papel dos profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, passa por explicar o que é a evidência científica.

O Observador tentou contactar outros profissionais que recomendam alternativas às vacinas, como pediatras homeopatas ou homeopatas que trabalham com crianças, mas estes recusaram-se a responder alegando falta de tempo ou receio de receberem represálias dos leitores. A Associação Portuguesa de Homeopatia e a Associação para a Medicina Antroposófica em Portugal também não se mostraram disponíveis.

Ainda esta semana morreu, na Austrália, um bebé de quatro semanas com tosse convulsa. Uma situação que começa a ser cada vez mais frequente também na Europa. A criança só recebe a primeira vacina contra a doença aos dois meses e os pais podem ser os principais transmissores da doença. Por isso, está em estudo a recomendação de vacinar jovens adultos para reduzir a possibilidade de passarem a doença aos filhos.

A vacinação pretende proteger ao longo da vida ou, pelo menos, durante os períodos em que as crianças e adultos estão mais sensíveis à doença. “Um mundo sem vacinas, é um mundo aterrorizador para crianças e jovens”, insiste Mário Jorge Santos.

 

 

 

Crise: Nascem mais bebés com baixo peso

Abril 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/ de 24 de março de 2017.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Impact of the global financial crisis on low birth weight in Portugal: a time-trend analysis

Nuno Guedes

Estudo inédito no mundo analisou crise e peso à data do nascimento em Portugal. Investigadores dizem que relação é evidente e afetou filhos de imigrantes.

Há muitos estudos sobre os efeitos das crises económicas, mas nunca nenhum tinha avaliado o impacto sobre o baixo peso dos bebés. Um grupo de cinco investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto avaliou dados oficiais dos 2 milhões de nascimentos registados em Portugal entre 1995 e 2014 e concluiu que a crise fez aumentar os casos de bebés nascidos com baixo peso.

Contudo, ao analisarem de forma mais detalhada os dados, perceberam que esse aumento, fruto da crise, atingiu apenas as famílias de imigrantes, que apesar de representarem 4% das mulheres a viverem em Portugal, têm cerca de 10% dos bebés nascidos em território nacional, travando a crise demográfica que o país tem vivido.

Um dos autores do estudo explica que a medicina já provou que as crianças que nascem com menos de 2,5 quilos têm uma desvantagem relevante na sua saúde futura, com maior probabilidade de doenças crónicas ao longo da vida.

Razões que levam Henrique Barros, também presidente do instituto, a dizer à TSF que os resultados a que chegaram são muito importantes para a saúde pública. O investigador afirma que os impactos das crises económicas já foram muito estudados, mas nunca no mundo se fez uma análise aos bebés com baixo peso.

Há vários anos que Portugal tem cada vez mais bebés que nascem com o que está definido como pouco peso, em resultado, por exemplo, de mães cada vez mais velhas e do tabaco.

Henrique Barros sublinha, contudo, que os dados que recolheram revelam que essa tendência acelerou nos anos depois da crise financeira de 2007-2008 e de forma muito mais acentuada nas mães imigrantes, algo que segundo o investigador reforça a conclusão a que chegaram sobre o impacto evidente da crise.

Entre 2006 e 2014, a prevalência de nascimentos em Portugal com baixo peso passou de cerca de 6% para 7%, mas os investigadores dizem que a tendência de subida já vinha dos anos antes da crise.
Nas mulheres imigrantes essa tendência é mais notória, não apenas porque subiu 1,5 pontos percentuais, mas também porque na década anterior a tendência era de descida.

Perante estes resultados, o estudo publicado na revista científica BMJ Global Health propõe que o governo reforce as políticas sociais para as grávidas estrangeiras, trabalhadoras, ou noutras situações vulneráveis, mantendo a igualdade, efetiva, na saúde durante a gestação.

Para avaliar a forma como de facto são acompanhadas as grávidas imigrantes em Portugal, o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto lança esta semana um projeto que pretende estudar 3 mil grávidas em maternidades ou hospitais de todo o país, numa investigação financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

 Declarações à TSF de Henrique Barros no link:

http://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/crise-aumenta-bebes-nascidos-com-baixo-peso-5746297.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1490339598

 

 

Sabe porque chora o seu bebé? Arranjámos-lhe uma tradutora

Fevereiro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista do http://observador.pt/ de 4 de fevereiro de 2017 a Joana Rombert.

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Ana Cristina Marques

Fome, cólicas ou sono. Interpretar o choro de um bebé consegue ser um quebra-cabeças, mas é também um desafio à altura de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora de “A Linguagem Mágica dos Bebés”.

Talvez seja fome. Talvez a fralda esteja suja ou, então, o sono atacou de vez. Às vezes parece impossível adivinhar o que causa aquele choro desenfreado, aflitivo, que deixa um pai e uma mãe de cabelos em pé e com os nervos em franja. Saber interpretar um bebé não é tarefa fácil, mas é precisamente o trabalho de Joana Rombert, terapeuta da fala e autora do livro “A Linguagem Mágica dos Bebés” (Esfera dos Livros) que chegou às livrarias nacionais no final de janeiro.

No livro, a especialista que também já foi apelidada de tradutora dos bebés descreve as várias etapas de comunicação e linguagem de uma criança, desde o primeiro dia de vida até aos três anos. Entre explicações mais e menos técnicas há ilustrações divertidas e ainda muitas estratégias para ajudar a melhorar a comunicação entre pais e filhos — porque esta relação, que inclui diversos sons, gestos, expressões corporais e faciais, faz-se sempre entre mãe/pai e filho.

No livro descreve várias etapas comunicativas e linguísticas da criança, desde os zero meses até aos três anos. Há algum período fundamental para este desenvolvimento?

No livro tenho em conta o modelo Touchpoints, que diz que o desenvolvimento das crianças não é uma linha diagonal mas sim feito por etapas, por pontos de viragem em que acontecem regressões no desenvolvimento para haver evoluções. Por exemplo, os quatro meses são um touchpoint em que o bebé está mais virado para fora, olha mais para o mundo exterior, em que só quer comunicar e interagir com os outros. Então o que é que acontece à sua alimentação e ao sono? O bebé dorme menos porque mal acorda quer ir brincar. E quando está a mamar pára muitas vezes e olha para a mãe, como que a dizer: “Eu sei que estás aí, quero é brincar contigo”. Portanto, nos três primeiros meses ele está mais virado para dentro e aos quatro meses vira-se para fora — nessa altura há uma disrupção ou uma desorganização familiar, em que os pais começam a dizer: “Então, o meu bebé sempre comeu e dormiu tão bem e agora não… O que é que eu fiz?”. Isto faz parte do desenvolvimento normal. A regressão no sono e na alimentação dura semanas. Naturalmente isto vai acontecer porque o bebé está a aprender coisas novas, pelo que há outras áreas que ficam para trás, nomeadamente a do sono e da alimentação. Estes momentos são ponto-chave, são janelas de oportunidade durante o desenvolvimento, às quais nós, pais e profissionais, nos podemos aliar — é uma altura em que podemos promover ainda mais o desenvolvimento da criança.

Nesses momentos-chave, como nos quatro meses, o que é que os pais devem fazer? Como é que se devem comportar?

Primeiro, os pais não estimulam a comunicação nem a linguagem, porque a linguagem não se estimula. É antes promovida, facilitada, uma vez que todos nós nascemos com esta capacidade inata para desenvolver a linguagem e a comunicação de maneira a relacionarmos-nos com o mundo. O que acontece é que durante este tempo há vários ingredientes para os pais darem mais espaço à criança para comunicar. Um aspeto que acho muito importante é em relação ao tempo de espera e ao tempo de escuta — os pais devem observar e estar atentos às várias etapas da criança, estar atentos à sua comunicação e responder àquilo que ela manifesta, mesmo que às vezes não entendam o que ela quer. O mais importante são todas estas tentativas que eles, pais, fazem para comunicar com o seu bebé.

Diz que todo o comportamento é uma forma de comunicação. Como por exemplo?

Os pais devem estar atentos a todo o comportamento do bebé. Se o bebé se aperta muito e dá um grito é porque há uma dor. Ou se, por exemplo, estamos a falar com o bebé e ele está com vontade de dormir, então a indicação que ele está a dar é que agora não está disponível para brincar assim. Ou quando o bebé leva as mãos à boca e começa a chupar os dedos, dando o sinal que está com fome. Há vários sinais que ele nos pode dar e, de facto, ele manifesta muito através do sono e da alimentação que são, no início, as necessidades básicas dele.

A ideia passa pelos pais estarem simplesmente atentos às mensagens do bebé?

Exatamente, para perceber o seu significado, para saber porque é que ele está a manifestar aquilo e qual é a sua necessidade. O mais importante são estas tais tentativas de comunicação [entre pais e filho]. Há muitos pais que não sabem interpretar os choros do bebé — e não têm de o saber, isso não é obrigatório, não há regras nem padrões em termos de desenvolvimento. Há padrões normativos mas estes têm espaços de abertura muito grandes, nem tudo é sinal de alarme e nada é estanque. Tudo é flexível e tudo é evolutivo. Todas as dúvidas, inquietações e inseguranças fazem parte da maternidade e da paternidade e é um processo de tentativa-erro. O melhor que eles [pais] podem fazer é ir ter com o bebé e tentar tudo aquilo que conseguirem. É isso que faz com que o bebé sinta “olha, este é o meu pai, ele está aqui para mim”. Ao fazer isto está-se a dar significado ao que o bebé quer transmitir, mesmo que não haja sintonia entre pai e filho. Isso faz parte do desenvolvimento e ajuda os pais a tornarem-se mais confiantes.

Nesse sentido, o livro funciona apenas como uma orientação?

O livro dá-nos algumas pistas de sinais fisiológicos e naturais, como as expressões faciais e a história do “neh”. Porque é que um bebé diz “neh”? No choro da fome, o bebé faz o que parece ser um “neh” porque ele tem a língua lá em cima, que é quando faz sucção — no movimento da sucção, a língua está lá em cima e bate no céu da boca. Mas há bebés que fazem isto de forma muito competente e outros nem por isso. Há bebés em que é mais difícil diferenciar o tipo de choro e é preciso ter um ouvido bastante treinado — também não é obrigatório tê-lo. A mesma coisa acontece do bebé para os pais, porque a comunicação não é só dos pais para o bebé. Achamos que o bebé é mais passivo, mas o bebé comunica de uma forma muito forte. Ele chora e isso é o máximo da comunicação, de tal maneira que as pessoas até ficam com desconforto. O choro é, nesta fase, a única forma de linguagem do bebé, ele não conhece outra.

No livro escreve que eles, os bebés, conseguem perceber o que nós dizemos e que quando ainda estão na barriga da mãe conseguem memorizar a voz desta. Será que subestimamos os bebés?

Acho que sim, claro. Acho que subestimamos completamente, porque mal o bebé nasce é altamente competente. Não é que ele perceba as palavras, até porque ainda não tem esse entendimento, mas ele consegue discriminar diferenças de línguas. É uma coisa de facto altamente competente, em termos de discriminação auditiva: um bebé com muito poucos dias consegue diferenciar. Sabemos que quando o bebé está dentro da barriga, na vida intrauterina, ele vai ouvindo os sons de quando o pai ou a mãe falam com ele, os sons que ouviu durante nove meses. Quando nasce, se o pai ou a mãe falarem, ele vai imediatamente virar a cara para eles. Se eu falar, ele não vai virar a cara para mim. Ele sabe que aqueles são os seus pais, que estiveram sempre com ele.

O bebé também responde de forma diferente a sons mais agudos ou mais graves. Uma vez que o bebé esteve dentro da barriga e ouviu durante mais tempo a mãe, ele prefere as vozes semelhantes à dela. Portanto, ele está mais habituado a discriminar esses sons. O mesmo acontece com a entoação. Imaginemos uma mãe que durante toda a gravidez fala baixinho: se quando o bebé nasce falamos com muita entoação, ele vai responder menos. Ele também é capaz de discriminar diferentes línguas porque discrimina as partes da prosódia, da entoação, da melodia… Hoje em dia sabe-se isto através dos movimentos da chucha — quando o som é diferente eles alteram o movimento da chucha e vice-versa. Há muitos estudos neste sentido. Uma coisa engraçada é que os pais, homens, quando falam com os bebés falam em falsete — é este a tipo de fala que o bebé está mais atento.

Se a fase dentro da barriga é tão importante para a comunicação posterior, o que é que as mães não devem ou não podem fazer durante a gestação?

Não sei o que é se deve ou não fazer. Agora, de facto, isso vai ter impacto na vida do bebé. Se for uma mãe com vários tipos de emoções, o bebé também vai estar preparado para diferentes tipos de emoções. Acho que não há um padrão para isso. O importante é a mãe comunicar de volta quando o bebé dá um pontapé — de certa forma o bebé está a dizer alguma coisa à mãe. É tudo um processo muito natural. Quando um bebé nasce os pais passaram horas a admirá-lo. Os pais estabelecem uma relação com o bebé através do seu comportamento e comunicação (a forma como tocam no bebé, como olham para ele…). O nosso comportamento também é comunicação. Este livro não é para ensinar pais e mães, é para nos ajudar a descobrir melhor quem é o nosso bebé e como é que podemos interagir com ele.

Também é necessário que o bebé esteja inserido num ambiente comunicativo. O que se entende por isso?

Um ambiente comunicativo é um ambiente em que há linguagem, em que o bebé desenvolve a comunicação e a linguagem de duas formas diferentes. Primeiro, todos nós temos um dispositivo que é inato, temos alguma coisa cá dentro que nos permite desenvolver. É como aprender a andar: o bebé quando começa a andar precisa de um espaço para o fazer, ele pratica, cai e levanta-se, e há uma altura em que começa a andar. Ninguém ensina o bebé a andar, porque isso vem de dentro de nós. A mesma coisa acontece com a comunicação e a linguagem: assim que eles nascem a primeira coisa que precisam é de ter um interlocutor, alguém que comunique com eles e que dê significado àquilo que eles estão a transmitir (quando o bebé chora e o pai responde, começa a comunicação). Esse dispositivo está lá. Mais à frente, quando pensamos em linguagem, o que a criança tem de ter é alguém que fale com ela, que a oiça falar de uma forma ativa e passiva. Ou seja, que converse com o bebé, comunique, interaja, faça frases, mas também que o oiça falar. Um ambiente comunicativo é isto, não é estar sempre a dizer “diz lá o que é isto!”. As coisas acontecem de forma natural e não é obrigatório estar numa creche. Numa avó também se desenvolve a linguagem. Mas há muitas vezes a ideia de que o bebé vai começar a falar assim que entra na creche — isto é um mito que eu gosto de esclarecer porque a linguagem é inata e, se alguma coisa não acontece, é porque há qualquer coisa ali que não está a correr bem e precisa de ser avaliada.

Ainda na lógica do ambiente comunicativo, qual é o risco da televisão nesta fase? E quais as suas vantagens?

Há o perigo de o bebé ficar entregue à televisão, aos iPads ou aos iPhones — este é o único perigo. Entregue é estar lá o dia inteiro. Isto é um risco, de facto, porque aí apenas temos uma aprendizagem passiva. O ser humano desenvolve-se muito mais através de uma aprendizagem ativa. Atualmente é só carregar num botão, é muito fácil: desde muito pequenos que os bebés são competentes e, com o dedo, viram páginas. Estes aparelhos têm muitas coisas atrativas para eles, inclusive a luz. Acho que não podemos eliminar estas coisas porque fazem parte da nossa vida, podemos é arranjar alternativas: o pai, por exemplo, pode ver televisão com o filho e ir falando com ele sobre isso. Há aliás alguns programas muito interessantes e muito interativos, mas se não houver alguém para os traduzir… muitas vezes podem haver programas que são desadequados ou que não são para a idade do bebé. Temos de aproveitar o que de bom temos.

Ao ler o livro fica-se com a ideia de que há diferenças de género no desenvolvimento da linguagem. É verdade?

Não digo que há diferenças, digo que é diferente a forma como os pais — mãe e pai — falam com as raparigas ou com os rapazes. Nós não falamos da mesma forma com os rapazes do que com as raparigas. Costumo dar este exemplo: quando um filho rapaz cai, ele começa a chorar e muitas vezes oiço os pais dizer: “Vá, está bem, já passou”. Quando é a menina e ela chora, perguntam: “Estás bem? Dói muito? Queres mimos?”. Claro que não há padrões, há pais que fazem isto e outros que não fazem, mas naturalmente quando conversamos com um homem ou quando conversamos com uma mulher, o nosso discurso modifica-se. Por esse motivo, também vai ser diferente a forma como eles [rapazes e raparigas] falam e comunicam. O que acontece é que ambos passam pelas mesmas etapas, só que fazem-no de forma diferente. Muitas vezes ouvimos dizer — e isso agora já está um pouco de parte — que as raparigas falam mais cedo do que os rapazes. Durante muito tempo se disse isso e agora já se sabe que não é bem assim. Ambos passam pelas mesmas etapas e alguns permanecem mais tempo numas do que noutras, não é propriamente um atraso. Nós naturalmente explicamos mais as coisas às raparigas e desenvolvemos mais a nossa conversação, pelo que elas são capazes de fazer frases mais cedo, enquanto os rapazes podem demorar mais tempo a dizer, por exemplo, palavras soltas.

Então, um conselho passaria por falar da mesma forma com ambos os sexos?

Acho que o importante é respeitar as diferenças: nós somos diferentes e temos uma forma diferente de dialogar. Se pensarmos em termos de atividade, os rapazes são mais motores, gostam mais de jogar à bola e com carrinhos, enquanto as raparigas brincam com as bonecas a dar a papa — aí têm mais linguagem. Isto tem que ver com as nossas diferenças de género.

Diz que existe uma relação entre a alimentação e fala. Como assim?

Os momentos em que são introduzidos alimentos diferentes, são momentos em termos de salto na linguagem. Vou dar um exemplo: até aos três meses o choro é essencialmente a forma de o bebé comunicar, o que vai diminuindo ao longo do tempo. Entre os quatro e os seis meses, o bebé começa a comer as papas porque já tem mais espaço dentro da boca e, se tem mais espaço, já pode fazer mais sons. Isso é a fase do balbuciar. Entre os seis e os nove meses deve ser introduzido um sólido na boca da criança — isto é que é muito importante. Se entre os seis e os nove meses não introduzirmos qualquer tipo de sólido, por exemplo pão ou bolacha, mais tarde pode ser mais difícil o bebé aceitar os sólidos. Esta é precisamente a altura em que o bebé faz um balbucio não repetitivo ou este jargon [de jargão], em que parece que está a conversar. Com um ano de idade, na primeira palavra, a criança já mastiga. Ou seja, estas etapas de desenvolvimento e de viragem na linguagem e na comunicação têm que ver também com estas etapas na alimentação. Porque a nossa boca tem várias funções e isto é tudo muscular. Os pontos de desenvolvimento da linguagem têm que ver com isso. Se uma criança, por exemplo, fala à sopinha de massa é porque pode engolir com a língua para a frente. São dois subsistemas que se interligam mas que não dependem um do outro.

Muito resumidamente, qual é a evolução da comunicação da criança entre os zero e os três anos?

Há duas grandes etapas, que é a etapa pré-linguística e a etapa linguística. Até ao primeiro ano, até à primeira palavra, é a etapa pré-linguística. A partir do momento em que diz uma palavra, a criança entra na fase da linguística ou da linguagem e isso já é considerado comunicação, apesar de já existir alguma compreensão da linguagem. Todas as etapas são universais, todos passamos por etapas comuns ao longo do desenvolvimento. Começamos por comunicar através do choro para depois, mais à frente, irmos para esta linguagem mais concreta. Primeiro é choro, depois a expressão facial, a mímica, o gesto, o sorriso, o tomar a vez, o palrar, em que a criança diz vogais, o balbucio (sílabas repetidas e não repetidas) e o tal jargon, que parece uma conversa de verdade, na qual não se percebe nada. A partir daí, entre os nove meses e os 18 meses, pode surgir a primeira palavra, sendo que a média é aos 12 meses. Mas há crianças que dizem aos nove meses, outras que dizem aos 15. Mas a partir dos 18 meses já é considerado um sinal de alarme.

No meio disto tudo, quais são os principais sinais de alarme?

Há sinais de alarme em todas as etapas do desenvolvimento. O que é importante é pensar em sinal de alarme em termos de intensidade — ou seja, se a criança faz alguma coisa que é muito exuberante; se com 18 meses não emite uma palavra, se não balbucia, isso é uma coisa muito exuberante — e caso a situação perdure no tempo. Nessas circunstâncias o ideal será falar com o pediatra da criança.

Já foi apelidada de tradutora de bebés. Pode também ser uma encantadora de bebés?

Eu é que fico encantada com os bebés, eles é que me encantam. Apesar de ser terapeuta da fala trabalho com recém-nascidos. É uma coisa que ninguém imagina, mas nós, seres humanos, começamos a falar e a comunicar desde pequeninos. É apaixonante trabalhar com bebés.

visualizar o vídeo no link:

http://observador.pt/especiais/sabe-porque-chora-o-seu-bebe-arranjamos-lhe-uma-tradutora/

 

 

Calmas a los niños con un celular o Tablet? Entérate del daño que les estás haciendo

Fevereiro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://centralinformativa.tv/

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Use of Mobile Technology to Calm Upset ChildrenAssociations With Social-Emotional Development

Por Antonio Sánchez Melo

Quienes tienen la fortuna de ser padres, seguramente saben lo complicado y también desesperante que puede llegar a ser el tener que calmar a un niño cuando éste se encuentra enojado, llorando o haciendo berrinche. La mayoría no está seguro de lo que en realidad desean o simplemente no se toman el tiempo de averiguarlo y lo que más fácil se les hace es darles algo para que se entretengan y dejen ese comportamiento desquiciante.

Una golosina e incluso un juguete parecen ser buenas opciones, sin embargo, ¿qué pasa con aquellos padres que optan por prestarles el celular o la Tablet? Para aquellos padres que piensan que el darles un aparato electrónico es la solución, les tengo una simple sugerencia: ¡dejen de hacerlo inmediatamente!

Un grupo de investigadores han hecho un estudio sobre esta acción y han determinado que sin darse cuenta los padres están afectando gravemente el desarrollo de personalidad de sus hijos.

Ser padres nunca será fácil pero sería bueno practicar más la paternidad y estrechar lazos con ellos, no alejarlos con esas acciones que a la larga con su práctica podría causar un daño irreversible en ellos.

Desafortunadamente, cada vez son más los padres que recurren a esta ¨solución¨ cuando ya no saben qué hacer con la actitud de sus hijos. Fácilmente se rinden y no optan por la opción de tratar de tranquilizarlos, hablar con ellos o consolarlos, simplemente se inclinan por la ¨salida fácil¨. Sin embargo ignoran que este acto de rendición sólo traerá consecuencias que no están visualizando hoy.

JAMA Pediatrics reveló un estudio en donde se centraban en este tema, relata que lo más habitual para los papás es relajar/calmar a los pequeños usando el televisor, un celular, computadoras o tablets y todo se deduce a que en realidad tienen muy poco control sobre ellos y no saben de qué manera lidiar con el temperamento energético de éstos.

La doctora de la Universidad de Boston y autora de dicho estudio Jenny Radesky, reveló haber advertido muchas veces a los padres que esta acción está mal, porque además de truncar el desarrollo de la personalidad, también están afectando el desarrollo del lenguaje, ya que el niño pasa más tiempo jugando con aparatos que interactuando con personas.

Hay personas que contrastan esta versión diciendo que el uso de smartphones y tablets ayuda a los niños a hablar y mejorar su vocabulario, sin embargo, Radesky contratacó argumentando lo siguiente: ¨si estos dispositivos se convierten en un método habitual para calmar y distraer a los niños, ¿ellos serán capaces de desarrollar sus propios mecanismos de autorregulación?¨ definitivamente el querer ¨distraer¨ a los niños que se aburren o lloran con un aparato, les impide poder generar su propia forma personal de entretenimiento.

No obstante y pese a contradicciones, la doctora Radesky señaló que el abuso de estos dispositivos durante la infancia, podrían interferir con su desarrollo de la empatía, sus habilidades sociales y de resolver los problemas, que generalmente se obtienen de la exploración, los juegos no estructurados y la interacción con amigos.

Así podemos determinar que el dar un aparato electrónico a nuestros hijos para tranquilizarlos, definitivamente no es la mejor opción, el que se tranquilicen depende de ti y de sus capacidades. La mejor opción es tratar de calmarlos a través de las palabras, escucharlos y atenderlos, ya que estos a su vez mejorarán sus ansiedades y aprenderán a controlarse poco a poco. Tal vez tomará tiempo, pero ningún camino es fácil cuando realmente vale la pena.

Y tú, cómo calmas a tus hijos?

 

As Vacinas funcionam : aqui estão os factos

Janeiro 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Papas e sopas? Há bebés que só comem sólidos e com a mão

Janeiro 16, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 6 de janeiro de 2017.

Joana Capucho

Chama-se autoalimentação. É uma nova prática que está a ser adotada por muitos pais. Deixar bebés de 6 meses comerem sozinhos

Em vez de papas e sopas, aos 6 meses, Tomás já comia alimentos sólidos com a mão. A mãe, Mafalda Fernandes, de 29 anos, adotou o baby led weaning (BLW), uma prática de autoalimentação que, segundo os pediatras, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal. À frente de Tomás, agora com 13 meses, a mãe põe os mesmo alimentos que os pais comem – embora sem sal – e o bebé come os que quer, na quantidade que quer. “Só lhe dou o iogurte, porque suja-se mesmo muito.” Como está sempre com a mãe, tem a vantagem de mamar quando quer. “Sempre teve percentil 50. Nunca baixou”, assegura Mafalda.

O método BLW consiste em dar ao bebé os alimentos sólidos a partir dos 6 meses, deixando que ele explore os sabores e as texturas. Começa com frutas e legumes cozidos e depois é alargado a outros alimentos, como carne e peixe. Tem vantagens, dizem os pediatras, mas também pode ter riscos. Por isso, é importante que os pais estejam informados e conheçam as regras.

“É algo relativamente novo em Portugal e que vai conquistando adeptos aos poucos”, diz ao DN o pediatra Hugo Rodrigues. Entre os principais benefícios, o médico destaca o desenvolvimento da motricidade fina e da mastigação em fases mais precoces. Já no que diz respeito aos problemas que podem surgir, o pediatra fala no perigo de engasgamento e de as crianças não comerem a quantidade necessária de alimentos. “Deve ser uma escolha dos pais e nós, enquanto pediatras, devemos orientar. Mas uma opção mista, que envolva também sopas, parece-me mais sensata.” E claro, sempre com a amamentação como base. Esse é, aliás, um dos princípios do BLW.

Filipa dos Santos, conselheira de aleitamento materno, optou pelo método misto com os dois filhos – Leonor, de 5 anos, e Miguel, de 2 anos e meio – a partir dos 6 meses. Dava-lhes os alimentos inteiros, mas, sempre que comia sopa, os bebés também comiam. “Acho que a alimentação não tem de ser rígida: tudo sólido ou tudo passado. Tem de ser adaptada a cada família”, explica ao DN a também criadora da Rede Amamenta.

Há sinais de que a criança quer começar a comer. “Notei que a Leonor estava preparada, porque já se sentava sozinha, esticava a mão para tentar pegar na nossa comida e imitava a mastigação.” Para quem quer uma refeição rápida e sem comida pelo chão, pode não ser a melhor escolha. “Não somos nós que controlamos, pelo que os bebés sujam-se mais”, recorda Filipa. Como continuam a mamar, “comem mais ou menos consoante aquilo que precisam”.

Ao DN, a pediatra Graça Gonçalves diz que “muitos pais encaram este método como uma forma de eles próprios fazerem uma alimentação mais saudável, porque dão aos filhos o que vão comer”. Além das vantagens na motricidade e mastigação, a consultora internacional de lactação destaca que estes bebés desenvolvem “a destreza mais cedo” e conhecem “os sabores e os cheiros de todos os alimentos de forma individual”.

Quantos aos argumentos contra, a pediatra diz que “os bebés engasgam-se principalmente com os líquidos. “Mas é importante conhecer as regras”, ressalva. Uma delas é não dar pedaços muitos pequenos, redondos e duros. Já no que diz respeito à quantidade de comida que ingerem, “as crianças crescem a um ritmo adequado, desde que tenham à frente todos os alimentos e em quantidades adequadas”. No início “o bebé vai fazendo experiências com a comida e aprendendo a comer, e só aos 8 ou 9 meses fará uma refeição de substituição”. Daí a importância da amamentação.

 

 

Nascidos para ler

Janeiro 10, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 2 de janeiro de 2017.

pais-filhos

Escrito por Ana Sofia Rodrigues

Quando, em junho de 2014, a Academia Americana de Pediatria recomendou a leitura para bebés desde o nascimento, não foram poucos os que ficaram surpreendidos. A pediatra Pamela C. High, autora da nova conduta, revelava que “fortes evidências mostram que o facto de o pediatra, durante a consulta, recomendar a leitura em casa, pode fazer a diferença na vida das crianças e das suas famílias”. Uma confirmação científica que se baseou em inúmeros estudos que comprovam que ler para um bebé, desde o nascimento, estimula o cérebro de uma forma única e reforça o vínculo entre pais e filhos. Os efeitos desta “terapêutica” são unânimes: desenvolve a atenção, a concentração, o vocabulário, a memória e o raciocínio; estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade; ajuda a criança a perceber e a lidar com os sentimentos e as emoções; possibilita conhecer mais sobre o mundo e as pessoas; auxilia no desenvolvimento da capacidade de empatia; estimula o desenvolvimento da linguagem oral… além de criarem-se as fundações de um prazer incomparável para a vida.

Leituras intrauterinas
Antes desta recomendação, as práticas de promoção da leitura junto de pré-leitores (crianças entre os zero e os seis anos) eram já uma realidade consolidada em diversos países, integrando mesmo políticas oficiais. Desde os anos 90 do século passado, a escritora brasileira Alessanda Roscoe desenvolve inclusivamente programas de leitura ainda em útero, com grupos de grávidas que convocam a sua família para ler para o bebé, ainda na barriga da mãe. “Aletramento Fraterno” é a sua proposta mais recente, defendendo que os livros são o leite da alma e que estimular o hábito da leitura numa criança é uma tarefa que pode envolver toda a família. De facto, estudos mostram que o bebé, ainda em útero, já é capaz de captar as vibrações emitidas pela voz da mãe e consegue identificar a emoção das suas palavras. Após o nascimento, a missão é continuar. E apesar de a criança ainda não compreender o significado das palavras, elas servem como estímulo para o seu desenvolvimento.

Rimas de encantar
Infelizmente, ainda é comum a ideia de que se o bebé não percebe o que lhe estamos a ler, então não vale a pena fazê-lo. Muitos pais não compreendem a utilidade de um hábito tão precoce e também não sabem como pô-lo em prática. Dora Batalim, doutoranda de Literatura Infantil na Universidade Autónoma de Barcelona e coordenadora da Pós-Graduação em Livro Infantil da Universidade Católica, surpreende ao defender que “a primeira grande literatura, importantíssima para os bebés, são as lengalengas, as canções de embalar, as rimas infantis, os jogos de mãos e de corpo. É um mundo genial. Se não tivéssemos livros para bebés, este universo chegaria”. Tão balalão, cabeça de cão, orelhas de gato, não tem coração… Janela, janelinha, porta, campainha. Trrrimmm… Mão morta, mão morta, vai bater àquela porta… “Antigamente, as avós não tinham cursos de contadores de histórias, nem de mediação de leitura, nem liam blogues a explicar como se deve fazer… e faziam tudo”, reforça com graça. Estes textos que se repetem ao longo do dia, ditos por caras conhecidas, dão uma segurança e um vínculo ao bebé que ele adora. “Eles gostam e acalmam-se porque a maioria destas toadas está relacionada com os ritmos do bater do coração e da circulação sanguínea, que eles escutavam na barriga da mãe”, explica Dora Batalim. No entanto, muitos pais atuais já não as ouviram e não dominam esse reportório. Para eles, pedimos a esta especialista que indicasse algumas obras a que pudessem recorrer. “Já há bons livros que reúnem canções e rimas tradicionais, inclusivamente musicadas com CD a acompanhar. Por exemplo: ‘Rimas e Jogos Infantis’ (Raiz Editora/Lisboa Editora), ‘Cantar Juntos 1’ (Estúdio Didático/A PAR) e ‘Sementes de Música’ (Caminho)”. Ficam as sugestões.

Dieta variada
Depois deste “banho” de tradição oral, por que livros se pode então começar? Lamentavelmente, a publicação de autoria portuguesa dirigida a bebés é praticamente inexistente, mas algumas editoras já incluem nos seus catálogos várias traduções muito interessantes. Dora Batalim fica encantada com as potencialidades dos livros para a faixa etária dos zero aos dois anos. “A literatura para bebés é como se fosse um microcosmo: o que funciona ali é verdade para o resto”. Ao contrário do que se poderia pensar, a escolha do que comprar para os mais novos deveria ser muito exigente. “Normalmente, as pessoas reduzem a equação livros para bebés a livros muitíssimo básicos, mais ligados a jogo do que a fruição estética. E os pais esperam que sejam livros que ensinem coisas. Precocemente, há uma grande necessidade de injetar logo conhecimento científico! São as cores, as formas, os opostos…”, descreve Dora Batalim. Além disso, “há uma perseguição muito grande do texto verbal, pois o adulto não tem uma relação muito clara com a imagem. Não sabe lê-la, não está habituado e acha que as imagens estão ali ou para enfeitar ou para explicar melhor as palavras”. Pelo contrário, nos livros infantis mais atuais, as imagens formam textos autónomos, complementares, até divergentes do texto verbal e isso é uma riqueza a explorar.

A escolha dos livros para bebés deveria ser “uma dieta muito variada, ao nível das tipologias e das funções que desempenham, mas também ao nível das representações”. No início, Dora sugere começar com ofertas muito tranquilas, com uma progressão na intensidade das emoções. Com representações gráficas “muito limpas”, mas não necessariamente “abebezadas”. Com funções diversas: uns que ajudem o bebé a entender o mundo e a si próprio, outros puramente estéticos, uns com narrativas para cultivar as emoções, outros ainda para explorarem sozinhos com todos os sentidos. “Para que os livros sirvam de mapa seguro de começo no mundo”.
Não é difícil identificá-los. São livros com poucas páginas, pois o tempo de concentração dos bebés é muito curto, muitos são cartonados com pontas arredondadas, as imagens apresentam-se em grandes dimensões, as temáticas são familiares ao universo do bebé (alimentação, meios de transporte, animais, vestuário…), apelam ao contacto físico, o discurso verbal é simples, muitas vezes rimado e interpelativo e os textos recorrem a repetições, refrões, onomatopeias, jogos de sons e palavras.

Pontes literárias
Não há dúvida que os pais devem funcionar como exemplos e modelos de leitores e a leitura deve surgir habitualmente em casa, associada a momentos de prazer, encontro e afetividade. E quando os pais não são leitores? “Um filho é uma desculpa para fazermos o que nunca fizemos. Em nome dele, transformamo-nos”, defende Dora Batalim. Mas, sem prática, essa iniciação pode ser difícil. É precisamente na criação de pontes entre as famílias e os livros, que as bibliotecas representam um papel muito importante. Como? Criando programas, espaços e contextos específicos para a promoção precoce da leitura. Joaquim Mestre foi um dos impulsionadores do novo conceito de biblioteca, no início dos anos 90, em Beja. Referindo-se às “bebetecas”, costumava defini-las de uma forma inspiradora: “A bebeteca funciona como um imenso útero materno, com vários cordões umbilicais ligados ao bebé, aos pais e aos livros, como se fossem um complexo sistema de vasos comunicantes”. Susana Silvestre, atual responsável pelas bibliotecas municipais da Câmara de Lisboa, dedica-se à importância de partilhar livros com bebés há cerca de 16 anos. Primeiro, na Biblioteca de Odivelas e, agora, em Lisboa, promove programas continuados de promoção de literacia emergente. Ao longo de seis meses, de 15 em 15 dias, “tentamos fazer pais leitores, que consigam dominar as ferramentas para eles próprios serem mediadores de leitura em casa. E não fazemos em mais locais, pois os promotores de leitura ainda não se sentem à vontade com estas idades”, reconhece. As listas de espera são imensas, mostrando a necessidade de formação que muitos adultos sentem nesta área. “Verificámos, por exemplo, que os pais não se sentem à vontade com os álbuns de imagens ou com livros com poucas palavras”, destaca Susana Silvestre. Com um trabalho personalizado, são dadas ferramentas aos pais, apostando no prazer da leitura partilhada. “Os pais não devem ler para os bebés só porque é bom para eles aprenderem a ler mais depressa. Sou contra aos pais estarem a contar uma história sem prazer. Têm que se criar momentos de alta qualidade, mesmo que sejam menos do que a ‘literatura’ manda…” Para tal, a escolha dos livros pode representar um papel muito importante. “Os livros escolhidos devem ser objetos de prazer para pais e filhos”. Para tal, Susana Silvestre aconselha a que os adultos “não fiquem presos à indicação etária habitualmente presente na contracapa” e experimentem livros inusitados.
Também no caminho da leitura, os pais são chamados a um papel fundamental, transformando-a num hábito relevante. Leva tempo e exige afeto, dedicação, partilha, prazer, encanto e cumplicidade. Mas vale muito a pena.

São poucas, mas as lojas de literatura infantil são pequenos oásis, para pais e filhos.

Essenciais, segundo Dora Batalim

– “Eu Vejo”, “Eu Ouço”, “Já Sei” e “Eu Sinto”, de Helen Oxenbury (Gatafunho)
– “Primeiros Livros”
(Coleção de mini-livros),
de Stella Baggot (Edicare)
– “A Primeira Biblioteca do Bebé”,
de Madeleine Deny e Marianne Dubuc (Edicare)
– “As Roupinhas do Martim”,
de Xavier Deneux (Edicare)
– “Será… Um Caracol?”, “Será… Um Rato?”, “Será… Um Gato?”, “Será… Uma Rã?”, de Guido Van Genechten (Gatafunho)
– “Aí Vou Eu” e “Pequeno
Ou Grande”, de Hervé Tullet (Gatafunho)
– “Miffy” (vários títulos), de Dick Bruna (ASA)
– “As Estações”  e “O Balãozinho Vermelho”, de Iela Mari (Kalandraka)
– “Todos no Sofá”, de Luísa Ducla Soares e Pedro Leitão (Livros Horizonte)
– “Boa viagem bebé!”, de Beatrice Alemagna (Orfeu Mini)
– “A Lagartinha Muito Comilona”,
de Eric Carle (Kalandraka)
– “Tanto, Tanto!”, de Trish Cooke (Gatafunho)

Casas de livros

Aqui há Gato
Rua Dr. Mendes Pedroso, 21 – Santarém

Cabeçudos
Rua António Lopes Ribeiro, 7A – Lisboa

Gigões & Anantes
Rua Dr Nascimento Leitão, 30 – Aveiro
http://www.facebook.com/gigoeseanantes

Hipopótamos na Lua
Rua Gomes de Amorim, 12-14 – Sintra

Livro Voador

Av. Menéres, 536 – Matosinhos

Mercado Azul

Rua Calouste Gulbenkian, 419, R/C – Guimarães

O Bichinho do Conto

Estrada dos Casais Brancos, 60 – Óbidos

Salta Folhinhas

Rua António Patrício, 50 – Porto

 

 

 

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