Chupeta, chuchar no dedo, biberão: os maus hábitos orais na infância têm consequências

Fevereiro 21, 2020 às 11:25 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 17 de fevereiro de 2020.

É preciso “impor limites” a hábitos como chuchar no dedo, morder um objecto, utilizar a chupeta ou o biberão de forma frequente.

A Sociedade Portuguesa da Terapia da Fala alertou este domingo para as consequências que podem provocar os maus hábitos orais na infância, a propósito do Dia Mundial da Motricidade Orofacial, que se assinala na segunda-feira.

A coordenadora do departamento de Motricidade Orofacial da Sociedade Portuguesa da Terapia da Fala, Débora Franco, alertou que os maus hábitos orais na primeira infância contribuem para alterações às estruturas orofaciais, prejudicando funções como o respirar, deglutir e falar.

Chuchar no dedo, morder um objecto, utilizar a chupeta ou o biberão de forma frequente e por um período prolongado de tempo são hábitos “que dão uma sensação de prazer”, mas a sua persistência começa a “trazer alterações às estruturas orofaciais”, traduzindo-se, entre outras situações, na dificuldade em respirar, posicionamento inadequado da língua, deglutição atípica ou alterações na fala como o sigmatismo, conhecido como ‘sopinha de massa’.

“Este é um campo da terapia da fala inovador, que trata as questões orais, faciais e cervicais”, cujas estruturas “são indispensáveis para o funcionamento da fala, respiração, da mastigação, sucção e deglutição”.

“Impor limites”

Débora Franco, que também é professora na Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria, acrescentou que é habitual dentistas, otorrinolaringologistas ou pediatras encaminharem as crianças para a terapia da fala, quando se deparam com estes problemas já enraizados.

Por isso, defende a aposta na prevenção: “Temos de alertar os pais para algumas medidas. Se retirarmos o hábito mais cedo, evitam-se muitos destes problemas. Recomendamos retirar o biberão por volta dos 18 meses e a chupeta aos dois anos.”

A docente sugere aos pais que não deixem as crianças “ser donas daquele objecto”.

“Não é preciso uma atitude radical e dizer que não se dá chupeta ou biberão, mas a criança não o pode usar quando quer. É importante impor limites e, sobretudo, não prolongar esses hábitos, por muito que custe à criança e aos pais”.

As alterações orofaciais podem, inclusive, prejudicar o rendimento escolar. “Como não respiram pelo nariz, cansam-se muito mais, o sono é mais leve, acordam várias vezes durante a noite e ficam mais agitados e com dificuldades de concentração”.

Quando há alterações estruturais, a solução pode passar por intervenções cirúrgicas, como a “remoção das amígdalas ou dos adenóides e muita terapia da fala”.

Além disso, os hábitos parafuncionais começam a modificar a estrutura orofacial podendo modificar a arcada dentária e a face e a musculatura das bochechas e dos lábios ficar flácida, assim como a língua.

“Verifica-se a deglutição atípica, com a língua muito para a frente e a mastigação ineficiente. Estas pessoas cansam-se muito ao mastigar, porque têm flacidez muscular e optam por comer alimentos menos sólidos, como hambúrgueres e massas”.

Estes problemas orofaciais podem também ser provocados por hábitos nocivos que resultam da ansiedade e ‘stress’, como roer as unhas, morder frequentemente o lábio ou ranger os dentes (bruxismo).

“Quando isto acontece, é importante identificar a fonte de stress e transferir este comportamento para outros, como manipular bolas antistress para acalmar”, aconselhou Débora Franco.

Sabia que, num choque a 50 km/h, o seu filho pesa uma tonelada?

Fevereiro 3, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da GNR:

Sabia que, num choque a 50 km/h, o seu filho pesa 1 tonelada?

Os acidentes são a maior causa de morte de crianças e jovens em Portugal. A maior parte das consequências podem ser evitadas, usando o correto Sistema de Retenção para Crianças (SRC).

As crianças não são adultos em miniatura e têm caraterísticas específicas, que as tornam mais vulneráveis num acidente de automóvel! O tamanho e peso da cabeça, combinados com um pescoço ainda frágil e a coluna que, durante os primeiros anos de vida, ainda está em processo de ossificação, torna-as muito mais frágeis que os adultos.

Por esse motivo, é recomendado que instale a “cadeirinha” em sentido contrario à marcha do veículo, em idades até aos 3 ou 4 anos.

Privação do sono: Socorro, o meu filho não me deixa dormir, o que fazer?

Fevereiro 3, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 24 de janeiro de 2020.

A chegada de um bebé é um momento de alegria na família, mas também de mudanças nas rotinas, incluindo a do sono.

Diana Vilas Boas

Exaustos. Desorganizados. Irritados. Frustrados. Desesperados. Perdidos. Assim são os pais quando privados do sono. A chegada de um bebé é um momento de alegria na família, mas também de mudanças nas rotinas, incluindo a do sono. Os bebés choram, têm o sono desregulado e, por consequência, os pais tentam acalmá-los, adormecê-los e também descansar. A privação do sono tem consequências? Sim, “pode desencadear depressões, divórcios, desemprego e, em alguns casos, pais arrependidos de serem pais”, enumera Carolina Vale Quaresma, coach familiar. A neurologista Teresa Paiva desdramatiza e declara que se não estiver doente, o bebé dorme bem. O problema pode estar nos pais, alerta.

É preciso educar os bebés para dormir? ​Teresa Paiva, neurologista e especialista do sono, defende que o acto de dormir não precisa de ser educado. “O grande problema é quando o bebé acorda e choraminga e os pais vão logo a correr, seja para lhe dar de mamar, dar a chupeta ou o levar para a cama deles e o bebé habitua-se”, diz, criticando também a ideia que todos os bebés têm, por natureza, problemas para adormecer.

Constança Cordeiro Ferreira, terapeuta no Centro do Bebé, em Lisboa, considera que na maior parte dos casos não existem problemas com o sono dos mais pequenos. O problema é que os pais estão exaustos. “É muito importante haver um trabalho de adaptabilidade com os pais para a realidade de que vão ter de mudar alguns hábitos, para garantirmos que não vão estar privados de sono. O sono tem de ser uma prioridade para todos”, defende.

Hábitos como adormecer o filho ao colo, embalado ou na “maminha” levam à criação de uma dependência que, mais cedo ou mais tarde, é difícil de combater. Por isso, é importante habituar a criança a adormecer sem ajudas externas, aconselha Carolina Vale Quaresma. Para Constança Cordeiro Ferreira não há problema que a criança adormeça a mamar. “O leite materno tem componentes como triptofano, melatonina, endorfinas e uma composição variável consoante o dia e a noite, que vai favorecer o sono, ao contrário do que é muitas vezes dito aos pais”, justifica. “O silêncio da casa e o sono dos pais criam a atmosfera para [o bebé] dormir”, recomenda, por seu lado, Marina Fuertes, docente na Escola Superior de Educação de Lisboa (ESEL). Além de se habituar a estar na cama, a calma e o silêncio também ajudam a criança a regular as suas emoções, acrescenta.

Pais sobrevivem

“Educar o sono” pressupõe que a maneira de adormecer ou de dormir está errada e que é necessário corrigi-la, começa por dizer Constança Cordeiro Ferreira. O que acontece é que essa é uma ideia errada, continua. “Parte do problema vem daí [desse pressuposto]. Um bebé nos primeiros meses procura as condições óptimas para descansar e os pais têm a cabeça cheia de medos, que lhes foram colocados, e, logo aí, têm medo de dar a mama, dar colo ou conforto”, aponta. Além disso, as mães mudam de hábitos, as “mulheres têm dificuldade em quererem arranjar-se, em estar com os amigos, em viver. E tudo se resume a isso: com a privação de sono os pais nem sempre vivem, sobrevivem ao dia-a-dia”, nota Carolina Vale Quaresma.

“Muitas vezes, os bebés não ficam tão mal como os pais. A privação de sono tem um impacto enorme nos adultos, mais ainda nos pais”, avisa Constança Cordeiro Ferreira. E não descansar pode levar a algumas complicações de saúde, alerta Teresa Paiva: os pais podem vir a ter problemas de saúde mental como depressão, ansiedade, dores de cabeça e insónias crónicas; mas também doenças físicas, como as cardíacas, cardiovasculares ou aumento de peso. Quanto aos filhos, dormir pouco ou com muitas pausas pelo meio pode afectar a memória, baixar a imunidade às bactérias e a regulação do apetite, tal como a capacidade dos bebés em gerir emoções, refere Carolina Vale Quaresma, acrescentando que, a longo prazo, as crianças podem vir a ter dificuldades de aprendizagem, falta de concentração e agitação elevada.

A agitação e o choro constante, a dependência da criança para ser alimentada e os “cuidados frequentes” são os grandes causadores da privação do sono dos pais. Então, como conseguir que toda a família descanse? De acordo com Carolina Vale Quaresma, para o bebé não sentir que estão “com truques para o enganar”, deve ir acordado para o berço e ter noção do que está a acontecer. “Nada melhor para um bebé ser seguro que sentir que pode confiar na mãe no pai”, defende.

Para Marina Fuertes não se deve forçar a criança a dormir, com o risco de criar tensão, tensão que levará o bebé a resistir ao sono por o considerar algo “indesejável”, ficando assim mais rabugento e, consequentemente, com mais dificuldade para adormecer. Não interromper o descanso do bebé para o alimentar, ou simplesmente por medo de ele não dormir quando os pais desejam, são actos importantes que ajudam o bebé a desenvolver a “aprendizagem biológica do dormir”, fundamentaCriar uma rotina de sono, juntamente com uma rotina para alimentação e banhos, ajudará o bebé a “antecipar a hora do sono”, aconselha.

Dormir pouco ou muito?

Segundo Carolina Vale Quaresma, os bebés não dormem tempo suficiente. Por exemplo, até aos 6 meses de idade deveriam dormir cerca de 12 horas nocturnas e 4 horas diurnas. Constança Cordeiro Ferreira diz que existem fases em que o descanso infantil poderá ser mais afectado como, por exemplo, quando os bebés começam a gatinhar, iniciam a alimentação complementar ou quando a mãe ou o pai regressam ao trabalho. “Os pais devem saber isto e não ficarem aflitos”, lembra.

Com o intuito de ter uma “boa noite de sono” e também de evitar o uso de tecnologia, tablets ou smartphones, para adormecer, a professora Marina Fuertes aconselha a criar o “momento da leitura” após o primeiro ano de vida do bebé, inicialmente com livros apenas com imagens, depois com pequenas histórias e, após os 3 anos, uma história real ou imaginada pelos pais. A escolha não deve recair sobre histórias “com monstros ou excesso de estímulos”, pois podem despertar a criança.

Os bebés devem dormir na cama dos pais? A opinião de uma médica

Janeiro 27, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Carolina Prelhaz publicado no Sapolifestyle

A partilha da cama com os bebés não é tão rara quanto se pode pensar. Um artigo da médica Carolina Prelhaz, especialista em Pediatria na Clínica de Santo António.

O mais consensual e mais recomendado continua a ser que o local mais seguro para o bebé dormir é a sua própria cama, numa superfície plana e estável, sem almofadas ou protecções laterais almofadadas, bonecos ou panos, com mantas e lençóis não ultrapassando a zona abaixo dos ombros e sempre de barriga para cima.

A cama do bebé deve estar no quarto dos pais durante, pelo menos, os 6 primeiros meses de vida e idealmente durante o primeiro ano, como forma de prevenir a morte súbita do recém-nascido e lactente. O quarto não deve estar demasiado quente (temperatura ideal ronda os 20ºC) e o bebé não deve usar demasiada roupa.

A partilha da cama tem sido associada a um aumento do risco de morte súbita. No entanto, muitos dos estudos que nos dão estes dados não são claros quanto a outros possíveis factores de risco para a segurança do bebé.

A partilha de cama dos bebés com os pais é, para além de uma questão cultural, uma forma de aumentar o tempo de descanso dos bebés e dos pais e de melhorar a amamentação e, apesar de não ser muitas vezes assumido pelas famílias em consulta, a maioria dos pais acaba por levar os bebés para a sua própria cama. Cada vez mais estudos parecem concluir que a partilha da cama, desde que cumpridas algumas regras de segurança, não parece associar-se só por si a um aumento do risco de morte súbita dos bebés nem a um aumento do risco de morte por acidente.

Estudos feitos em laboratórios de sono mostram ainda que, quando um bebé dorme junto da mãe, há uma coordenação da respiração de ambos e isto parece até ser protector. A partilha da cama feita de forma segura permite amamentar durante a noite, evitando o perigo de levar para cadeiras ou sofás uma mãe exausta que pode adormecer e deixar cair o seu bebé ou sufoca-lo acidentalmente.

Dito isto, a partilha da cama deve sempre ser discutida em consulta com o Pediatra como um tema presente na vida das famílias e os pais devem conhecer a forma mais segura de partilhar a cama com os seus bebés: a cama deve ter uma barreira que previna a queda do bebé, o bebé deve dormir entre a mãe e essa barreira e não entre a mãe e o pai, a mãe não deve usar almofada ou manta, evitando superfícies que possam tapar a cara do bebé e levar à sufocação, e o bebé deve sempre ser colocado a dormir de barriga para cima, tal como no seu berço.

A partilha parece ser mais segura em mães que amamentam do que naquelas que alimentam os bebés com leite de fórmula. O quarto deve sempre ser bem arejado. Ter atenção ao facto que, ao dormirem junto das mães, os bebés podem também ficar mais quentes, pelo que a roupa do bebé deve ser ajustada de acordo.

Pais fumadores, sob o efeito de drogas, álcool ou medicação, mães obesas e mães exaustas que possam não acordar com os sinais dados pelo bebé ou estar menos atentas à presença do corpo do bebé junto ao seu não devem partilhar a cama. Bebés prematuros devem sempre dormir na sua própria cama, havendo a opção de um berço que fique colado à cama dos pais.

Falar sobre este tema abertamente com um profissional de saúde, para conhecer riscos e benefícios de qualquer prática, é essencial ao esclarecimento adequado das famílias para que possam, em segurança e consciência, decidir aquilo que mais se adequa à sua vida familiar.

Um artigo da médica Carolina Prelhaz, especialista em Pediatria na Clínica de Santo António.

“Os maiores inimigos do sono da criança são a ausência de rotina e a instabilidade nas regras”

Janeiro 22, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do DN Life de 15 de janeiro de 2020.

Por Catarina Pires

Dormir bem é fundamental para todos, mas sobretudo para crianças e adolescentes, que estão em pleno desenvolvimento. É nas idades mais precoces que o sono pode e deve ser educado. A pediatra Nádia Pereira, do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, que integra a equipa multidisciplinar da consulta do sono pediátrica, explica o que é importante para uma correta “higiene de sono”.

Texto de Catarina Pires

Qual a prevalência de perturbações de sono das crianças e adolescentes e quais os distúrbios mais comuns?

Dados recentes de publicações internacionais apontam para uma prevalência significativa de perturbações do sono na infância, nalgumas séries atingindo os 50% na idade pré-escolar e 40% na adolescência.

De acordo com o grupo etário o tipo de perturbação de sono varia. Na idade pré-escolar e escolar a insónia de causa comportamental assume maior relevância. São as crianças que os pais referem que nunca conseguiram adormecer sozinhas, resistem a dormir, e mantêm vários despertares noturnos necessitando dos pais para readormecer.

Na adolescência, são mais comuns as perturbações do ritmo circadiano, nomeadamente a perturbação por atraso de fase, em que o adolescente parece que só tem sono por volta das 3 – 4h da madrugada e, se for possível, dorme até às 12 – 13h, acordando bem-disposto e descansado. Nessa impossibilidade, pelo cumprimento dos horários escolares, são comuns os sintomas de privação de sono.

Algumas mudanças simples na rotina familiar podem trazer de volta as noites bem dormidas.

Os pais devem estar preparados para noites mal dormidas nos primeiros meses do bebé, porque faz parte da tarefa de ser pai e mãe?

Nos primeiros meses de vida, o bebé ainda não tem um ritmo de sono-vigília bem estabelecido, necessita ser alimentado frequentemente, mesmo no período noturno, o que vai dificultar o descanso dos pais.

Com o crescimento, essencialmente a partir dos 6 meses de vida, o bebé tem a capacidade de estabelecer um ritmo de sono-vigília mais semelhante ao do adulto, fazendo um período mais longo de sono noturno, e sestas diurnas de menor duração.

No entanto, muitas vezes, apesar de terem as ferramentas biológicas para fazerem um período mais longo de sono noturno, as crianças mantêm dificuldade em adormecer associada ou não a despertares noturnos frequentes, o que condiciona uma má qualidade de sono dos pais, que aceitam este facto como parte da normalidade.

Mas não precisa de ser assim! Algumas mudanças simples na rotina familiar podem trazer de volta as noites bem dormidas.

O que significa higiene de sono e o que fazer para uma correta higiene de sono?

Entendemos com higiene do sono um conjunto de medidas que quando aplicadas facilitam um sono de qualidade. Destaco como medidas de higiene do sono:

  • Manter horários regulares de refeições e sestas durante o dia
  • Não efectuar atividades físicas estimulantes nas 2 horas que antecedem o sono
  • Não usar ecrãs cerca de 2 horas antes de ir para a cama.
  • Evitar refeições pesadas ao jantar
  • Criar um ritual no período prévio ao deitar, que deverá repetir-se diariamente
  • Repetir horários de forma diária e consistente no adormecer e acordar
  • Adaptar o ambiente do quarto: conforto, luz, temperatura, etc.
  • Ensinar a criança a ser autónoma no momento de adormecer: usar elementos de conforto externos (chucha, fralda, boneco, etc.), independentes dos pais.
  • Não associar os momentos de alimentação com o sono, incentivando que a criança não adormeça a comer.

Há crianças com um número de horas de sono diárias inferior ao recomendado que não apresentam sintomas de privação e outras que necessitam mais horas de sono para se sentirem descansadas.

Quantas horas por dia (noite) deve uma criança dormir e que benefícios tem uma boa higiene de sono para a saúde física e desenvolvimento?

Recentemente a Academia Americana de Medicina do Sono publicou uma recomendação relativamente ao número de horas de sono na população pediátrica.

Grupo Etário | Horas de sono por dia
4-12 meses 12-16h (inclui sestas)
1-2 anos 11-14h (inclui sestas)
3-5 anos 10-13h (inclui sestas)
6-12 anos 9-12h
13-18 anos 8-10h

Estas variam naturalmente com a idade da criança e devemos ter em atenção que poderá haver alguma variabilidade interindividual. Apesar da recomendação, existem crianças com um número de horas de sono diárias inferior ao recomendado que não apresentam quaisquer sintomas de privação, e outras que necessitam mais horas de sono para se sentirem descansadas.

O sono reparador é essencial para uma vida saudável. Não se pode viver sem dormir, sendo que o sono não é de todo um processo passivo, constituindo um momento de reorganização de funções e de recuperação física e psíquica. Nas crianças, o sono desempenha um papel fundamental no desenvolvimento cerebral, na aprendizagem e consolidação da memória, tendo também um papel significativo no crescimento corporal.

Existem diversas perturbações de sono que justificam uma avaliação médica. Quando surgem sinais de privação de sono nas crianças ou nos cuidadores, é importante obter aconselhamento médico.

E que problemas trazem as insónias infantis?

Na criança, dependendo do seu grupo etário e grau de desenvolvimento as consequências de sono insuficiente vão ser distintas:

no lactente e criança em idade pré-escolar: irritabilidade, choro frequente, maior dependência do cuidador

na criança em idade escolar: sonolência diurna, cansaço, dificuldade de concentração e problemas na aprendizagem

no adolescente: sonolência diurna, diminuição da capacidade de atenção e concentração, baixa do rendimento escolar, problemas de auto-estima.

Quando é que há razão para preocupação e recurso a aconselhamento médico?

Existem diversas perturbações de sono que justificam uma avaliação médica. Dentro das insónias comportamentais, quando surgem sinais de privação de sono nas crianças ou nos cuidadores, é importante obter aconselhamento médico.

Importa desmistificar que só se recorre ao médico quando há doença e que o não dormir faz parte dos primeiros anos de vida. Dormir é fundamental, pais e crianças necessitam de dormir, e quando isso não acontece uma avaliação em Consulta de Sono pode ajudar.

Outras perturbações de sono mais frequentemente avaliadas em Consulta de Sono são as parassónias (terrores noturnos, sonambulismo…), o síndrome de apneia obstrutiva do sono e as perturbações do ritmo circadiano.

Porque é que há bebés que dormem a noite toda e outros que estão sempre a acordar?

De facto, não se sabe bem porquê, mas existem bebés que dormem toda a noite sem qualquer ajuda e outros que repetidamente solicitam os pais para conseguir adormecer.

Sabemos no entanto, que os bebés em que desde cedo é estimulada a autonomia no momento do adormecer, dormem melhor em idades mais precoces.

E sabemos também que os bebés que necessitam dos pais para adormecer, seja no colo, enquanto mamam ou bebem biberão, têm maior probabilidade de despertar várias vezes durante a noite para pedir ajuda para readormecer.

O método de chorar até adormecer, que tem como objetivo que a criança adquira a capacidade de adormecer sozinha, apresenta bons resultados, mas pode ser causador de grande ansiedade familiar.

Mas não é normal que as crianças acordem durante a noite?

Como já referido é normal que até aos 6 meses os bebés possam necessitar de ser alimentados no período noturno, por razões nutricionais e de imaturidade dos ciclos de sono.

A partir dos 6 meses a maioria das crianças tem as ferramentas biológicas para dormir por um maior período noturno. O que não significa que seja “anormal” se mantiverem alguns despertares noturnos. Mas se estes forem muitos frequentes e com interferência na vida familiar seria útil uma avaliação médica.

O método, defendido por alguns, de deixar chorar até adormecer, é uma tortura para os pais e para as crianças. Tem algum mérito?

Existem diversos métodos de “sleep training” aplicáveis as insónias comportamentais e que devem ser adequados ao grupo etário e ao contexto familiar. Todos estes métodos se baseiam no princípio da autonomia no momento do adormecer.

O método de chorar até adormecer, é um método de extinção simples, e que tem como objetivo que a criança adquira a capacidade de adormecer sozinha, sem ajuda dos pais. Quando aplicado apresenta bons resultados, mas pode ser causador de grande ansiedade familiar.

Não se poderá dizer que é prejudicial os pais adormecerem os seus filhos, mas é um hábito que mantido ao longo do tempo, aumenta a probabilidade de uma perturbação de sono.

Até que idade as crianças devem fazer a sesta?

A sesta é um assunto que tem levantado algumas questões, essencialmente porque o fazer ou não a sesta é atualmente decidido pelas regras dos estabelecimentos de ensino que a criança frequenta.

O princípio será sempre que a sesta complete a necessidade de horas de sono diárias. Mais uma vez aqui a questão deverá ser analisada com família e com cada criança individualmente.

Regra geral até aos 3 – 4 anos a criança ainda deverá apresentar um ciclo de sono bifásico, com um maior período de sono noturno, e um período curto de sono diurno. A partir dos 4 – 5 anos, algumas crianças começam a dar alguns sinais que não precisam de fazer a sesta. Por exemplo pode ser muito difícil adormecer na sesta, ou se quando faz sesta não tem sono para adormecer à hora habitual, ou consegue, não fazendo sesta, ficar desperta para as atividades habituais. Nesta altura pode ser ponderado suspender a sesta.

A decisão neste grupo etário dos 4 – 5 anos, de fazer ou não sesta, deve ser tomada entra família e estabelecimento de ensino, de acordo com as necessidades da criança.

A partir dos 6 anos, com a entrada no ensino básico, a sesta é naturalmente eliminada.

É prejudicial os pais adormecerem as suas crianças nos primeiros anos de vida?

Não se poderá dizer que é prejudicial os pais adormecerem os seus filhos, mas é um hábito que mantido ao longo do tempo, aumenta a probabilidade de uma perturbação de sono no futuro, nomeadamente de insónia comportamental.

Quais são os maiores inimigos do sono para uma criança?

Diria que os maiores inimigos do sono para uma criança será a ausência de rotina e a instabilidade nas regras.

A necessidade de horas de sono vai diminuindo com a idade? Qual diferença entre uma criança e um adolescente?

No primeiro ano de vida o desenvolvimento cerebral e as imensas aquisições cognitivas e motoras, exigem que o número de horas de sono diárias seja maior do que na criança em idade escolar ou adolescente.

As recomendações em relação ao número de horas de sono diárias variam com a idade, mas a título de exemplo um bebé pode precisar de 14 a 15h de sono diárias, uma criança de 5 anos será normal dormir 10 a 12h e um adolescente a partir dos 13 anos deverá dormir pelo menos 8h por dia.

Mais importante que o horário em si, é a regularidade do mesmo. O nosso sono é melhor se dormimos e acordamos a mesma hora.

Dormir de mais também pode ter consequências negativas ou dormir nunca é de mais?

Biologicamente o nosso corpo está preparado para dormir o número de horas que necessita. A questão que se põe atualmente é que geralmente dormimos menos do que precisamos e tentamos compensar esporadicamente quando podemos. Mas esta não é uma compensação real. A regularidade nos horários é fundamental para um sono de qualidade.

Importa só a quantidade de horas de sono ou também são importantes a hora a que se deita e acorda?

Mais importante que o horário em si, é a regularidade do mesmo. O nosso sono é melhor se dormimos e acordamos a mesma hora. No caso dos adolescentes, que biologicamente têm sono mais tarde e dormiriam também até mais tarde, há uma colisão entre o horário que lhes seria natural dormir e a atividade escolar. Neste caso, a regularidade dos horários é ainda mais importante, para permitir um bom desempenho escolar.

Em Portugal, um em cada dez bebés nasce de mãe estrangeira

Dezembro 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 18 de dezembro de 2019.

O números são base de dados Pordata, divulgados por ocasião do Dia Internacional das Migrações, que hoje se assinala.

De acordo com os dados divulgados hoje, quase 480 mil estrangeiros viviam legalmente em Portugal em 2018 e cerca de um em cada quatro é brasileiro, totalizando 104.504, seguidos dos cabo-verdianos (34.444), romenos (30.908) e ucranianos (29.197).

Os dados mostram igualmente que cerca de um em cada dez bebés nascidos em Portugal foram de mães de nacionalidade estrangeira.

Dos 87.020 bebés nascidos no ano passado, 9.389 era de nacionalidade estrangeira.

Em 2018, entraram em Portugal, com a intenção de permanecer no país, cerca de 43 mil pessoas, mais 13 mil que em 2008, e mais de metade eram mulheres.

Os nepaleses a viver em Portugal aumentaram 21 vezes entre 2008 e 2018, embora não ultrapassem os 11.487, enquanto os imigrantes franceses cresceram quatro vezes, passando de 4.576 para os 19.771 em 10 anos.

A Pordata realça que também quase que duplicaram os indianos, espanhóis, chineses e britânicos a viver no país. Em 2018 viviam em Portugal 26.445 britânicos, 24.856 chineses, 14.066 espanhóis e 11.340 indianos.

A maioria da população estrangeira vive na área metropolitana de Lisboa (50%) e Algarve (16%), concentrando o município de Lisboa cerca de 16% do total dos imigrantes legais.

Entre os dez municípios com maior proporção de estrangeiros no total da sua população residente, oito deles são algarvios, indicam os dados, frisando a Pordata que, pelo menos um em cada quatro residentes são estrangeiros nos municípios de Vila do Bispo, Albufeira, Lagos e Odemira.

De acordo com a base de dados gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2,5% da população empregada em Portugal é estrangeira e, comparativamente com os portugueses, os imigrantes são mais vulneráveis ao desemprego, com uma taxa de quase 12%, enquanto entre os cidadãos nacionais a taxa de desemprego é de 7%.

Portugal faz parte dos dez países da União Europeia em que a percentagem da população estrangeira no total da população residente é inferior a 5%.

Desde 2009 que mais de um terço dos imigrantes tem naturalidade portuguesa.

Segundo as estatísticas, nos últimos 10 anos a nacionalidade portuguesa foi concedida, em média, a cerca de 22 mil cidadãos estrangeiros por ano, tendo sido o valor mais baixo atribuído em 2017, a 18 mil cidadãos, e o mais alto, em 2016, a 25 mil.

Em 2018, um terço dos cidadãos que adquiriram nacionalidade portuguesa eram brasileiros, seguindo-se os cabo-verdianos e os ucranianos.

Desde 1961 que Portugal teve três períodos distintos com saldos migratórios negativos, designadamente de 1961 a 1973, de 1982 a 1992 e, mais recentemente, entre 2011 e 2016.

Os dados indicam que a população de Portugal está a diminuir desde 2010, tendo o país perdido quase 300 mil pessoas.

No entanto, e apesar do saldo ser positivo nos últimos dois anos, os saldos migratórios não foram suficientemente elevados para compensar os saldos naturais negativos.

As estatísticas dão ainda conta que, em 2018, as remessas dos imigrantes para o exterior chegaram aos 533 milhões de euros em 2018 e quase metade foi para o Brasil (48%), seguido da China (10%) e França (5%).

Percepção de fragilidade do bebé prematuro: Sim! Impotência dos pais: Não!

Dezembro 1, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Cristina Matos publicado no Público de 17 de novembro de 2019.

Nem todos os bebés prematuros têm o mesmo tipo de problemas. As possibilidades de sobrevivência dependem da idade gestacional, do peso e dos problemas graves ao nascimento, como sejam: respiratórios; cardíacos; infecciosos e malformativos. De todos eles o mais importante é a idade gestacional.

O nascimento de um filho é um momento único de alegria e de esperança.

A duração de uma gravidez normal, de termo, ocorre quando o parto se dá entre as 37 e as 41 semanas mais seis dias de gestação. Porém, algumas vezes, de forma inesperada e abrupta, a gravidez acaba prematuramente e o bebé nasce antes das 37 semanas, é então designado como prematuro ou pré-termo. Nestes casos, o bebé real é frágil, imaturo, indefeso, pequenino, tão diferente do bebé que tinham imaginado durante toda a gravidez.

“Será que vai sobreviver? Em que posso ajudar o meu bebé?”

Os pais ao entrarem pela primeira vez na Unidade de Cuidados Neonatais ficam assustados por encontrar o seu filho rodeado de aparelhos e máquinas, tubos e fios.

“Posso acariciá-lo? Mexer-lhe? Pegar-lhe? Qual o meu papel enquanto mãe ou pai?”

Os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, que trabalham na unidade explicam o funcionamento de todo o equipamento que irá ajudar o bebé, nestes primeiros tempos de vida, incentivam e apoiam os pais a estarem presentes junto do recém-nascido e a ultrapassar as dificuldades, vivendo um dia de cada vez.

O bebé prematuro não só tem menos peso e é mais pequenino, como nasce com imaturidade dos seus órgãos e sistemas — pelo que pode ter problemas respiratórios, de controlo de temperatura, dificuldade alimentar, menor defesa às infecções. Tudo isto torna-o mais vulnerável às doenças e mais sensível aos estímulos externos, como a luz e o som.

Nem todos os bebés prematuros têm o mesmo tipo de problemas. As possibilidades de sobrevivência dependem da idade gestacional, do peso e dos problemas graves ao nascimento, como sejam: respiratórios; cardíacos; infecciosos e malformativos. De todos eles o mais importante é a idade gestacional.

A gravidade dos problemas está inversamente relacionada com a idade gestacional. Actualmente o limiar de sobrevivência são as 23/24 semanas de gestação. Os bebés prematuros vão necessitar de passar os primeiros tempos de vida internados em Unidades de Cuidados Neonatais, numa incubadora para lhes manter a temperatura, podem necessitar de um ventilador para os ajudar a respirar, serem alimentados através de um catéter, colocado numa veia que lhes leva os nutrientes necessários ou de uma sonda que lhes leva o leite até ao estômago.

Os bebés têm de ficar afastados fisicamente dos pais, quebrando-se a relação afectiva essencial no estabelecimento da relação precoce pais/filhos.

Sempre que o desejarem, desde que o estado de saúde do bebé o permitir, os pais podem tocar, acariciar, falar, fazer contacto pele a pele, trocar a fralda, colaborar na higiene, colocar bebé ao peito, embalar, cantar.

Conhece-se hoje a importância da presença e envolvência dos pais nos cuidados ao recém-nascido. Diminui o stress e insegurança dos pais, melhora a relação de afectividade com o bebé e dá maior estabilidade ao recém-nascido.

É um tempo de aprendizagem, capacitação e preparação gradual dos pais para o momento tão esperado de uma ida com segurança para casa.

A humanização das Unidades, os cuidados centrados no desenvolvimento e na família, a par da elevada tecnologia que hoje dispomos, são fundamentais para a sobrevivência com qualidade de vida dos bebés prematuros.

Fragilidade dos Prematuros: Sim!

Impotência dos Pais: Não!

Médica Pediatra responsável pela Unidade de Neonatologia do Hospital CUF Descobertas

Bebé vegan morre nos EUA: negligência ou culpa da dieta?

Novembro 25, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de novembro de 2019.

Uma dieta vegan, à base de frutas cruas, foi apontada como a causa de morte de um bebé de 18 meses, ainda que haja estudos que indicam que é possível crescer e ser saudável sem ingerir quaisquer produtos de origem animal.

No caso específico de bebés e crianças pequenas, o pediatra Mário Cordeiro sublinha que “nada disto [de se decidir ser vegan ou ovo-lacto-vegetariano] é errado se for feito com cabeça”. Para o especialista — que publicou recentemente mais um livro de poesia, com o título Fernando Pessoa não tinha cão — o ideal passa por “consultar o médico” e seguir, passo a passo, e mediante as necessidades de cada idade, a orientação nutricional.

“É perfeitamente possível crescer de forma saudável tendo uma dieta vegan ou vegetariana como base”, considera o profissional de saúde, acrescentando que, porém, é “importante complementar a mesma dieta com vitaminas e minerais” adequados a cada fase do crescimento.

Uma dieta vegan precisa de suplementos

Já os especialistas em nutrição deixam o alerta: para se seguir uma dieta vegan, independentemente da idade, “é preciso ter muita cautela, conjugar os alimentos com muito conhecimento, para ter a certeza de que não

há défice nutricional”, dizia a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, ao PÚBLICO, no âmbito do 4.º Simpósio Nacional da Grávida, que decorreu, em Setembro, em Vilamoura.

A bastonária sugeria ainda que se fizesse um suplemento de B12, que os produtos de origem vegetal não têm, mas também a ter em atenção o consumo de nutrientes como “o cálcio, o ferro, o zinco e as proteínas que se encontram mais nos alimentos de origem animal”.

Também o nutricionista Pedro Carvalho, num artigo publicado em Maio de 2018, advertia que “uma alimentação sem carne, pescado, lacticínios e ovos (…) implica necessariamente alguns ajustes quer em alimentos quer em suplementos de modo a que o aporte de proteína de boa qualidade, ferro, vitamina B12, cálcio, vitamina D, ómega 3 e iodo não fique comprometido”.

Pais acusados de homicídio por negligência

Uma chamada para as emergências, no dia 27 de Setembro, deu conta de um bebé de 18 meses frio e sem respirar, na sua casa em Cape Coral, no estado norte-americano da Florida. A autora do telefonema era a mãe, de 35 anos, que, já depois de ter sido declarado o óbito da criança, contou às autoridades que o filho não ingeria sólidos há uma semana, estando a ser amamentado — facto que a progenitora terá associado ao mal-estar com a dentição.

Mas o que os socorristas encontraram foi um bebé que apresentava sinais severos de subnutrição: a criança pesava apenas sete quilos, o que corresponde ao peso médio de um bebé entre os cinco e os seis meses, no percentil 50. A mãe explicou que, sendo vegan, a dieta da família, marido e quatro filhos incluídos, era à base de alimentos crus, nomeadamente frutas como manga, rambutão, banana e abacate.

Além do bebé, já sem vida, as autoridades identificaram ainda que as outras crianças também tinham problemas de nutrição, sobretudo as mais novas, de 3 e 5 anos, que são filhas biológicas do casal: peso muito abaixo do normal para a idade, dentes escurecidos e tez amarelada. A terceira, mais velha e filha apenas da mãe, apresentava sinais menos preocupantes, facto que os médicos associaram às visitas da menor a casa do pai biológico, de dois em dois meses.

Ambos os progenitores entregaram-se à polícia pouco tempo depois de ser conhecido o relatório da autópsia que determinou que o menino morreu de subnutrição, informou o jornal local News-Press. Os dois ficaram detidos, com julgamento marcado para 9 de Dezembro.

O caso não é inédito: este ano, um casal foi julgado na Austrália por manter a sua bebé de 19 meses num estado de subnutrição severa (pesava cinco quilos), tendo sido absolvido. Em 2011, um casal vegan foi julgado, em França, pela morte da filha de 11 meses, alegadamente causada pelo regime alimentar que exclui todos os produtos de origem animal — os pais foram condenados a cinco anos, mas acabaram por escapar à prisão, com pena suspensa.

Porque é que os soluços nos bebés são tão importantes?

Novembro 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de novembro de2019.

Quando os bebés soluçam, estão a aprender a controlar músculos ligados à respiração.

Teresa Sofia Serafim

Os soluços nos bebés são frequentes e podem até assustar alguns pais. Mas, na verdade, têm uma função crucial no seu desenvolvimento. A partir de um estudo a 13 bebés, uma equipa de cientistas do Reino Unido percebeu que os soluços desencadeiam ondas cerebrais que poderão ajudar o bebé a aprender como deve controlar a sua respiração. Segundo o artigo publicado na última edição da revista científica Clinical Neurophysiology, esta é a primeira prova científica de que os soluços modificam a actividade cerebral.

Kimberley Whitehead, investigadora da University College de Londres, começa por explicar ao PÚBLICO que já se sabia que os soluços são comuns nos bebés e isso podia ter um papel no nosso desenvolvimento.

Para confirmar isso, a equipa de Kimberley Whitehead analisou ataques de soluços de 13 bebés prematuros e outros que tinham nascido só no final do tempo normal de gestação. A sua actividade cerebral foi registada com electroencefalografias (EEG) através de eléctrodos colocados no couro cabeludo e sensores de movimento no tronco.

Observou-se então que as contracções no músculo do diafragma provocadas pelos soluços estimulavam uma resposta “acentuada” do córtex cerebral. Concretamente, registavam-se duas grandes ondas cerebrais seguidas por uma terceira. Contudo, Kimberley Whitehead assinala que não se percebeu completamente o significado desta terceira onda. “A razão pela qual a terceira onda é interessante é que parece ser diferente das actividades cerebrais típicas associadas ao toque e ao movimento”, esclarece. Como esta onda cerebral é semelhante às que são estimuladas por sons, uma das possíveis explicações é que o cérebro do bebé possa ser capaz de associar o som “ic” – do soluço – através da contracção do diafragma.

A equipa concluiu assim que, ao dar ao cérebro informação sensorial vinda do diafragma, os soluços podem ter um papel útil no nosso desenvolvimento. Isto é, podem ajudar os bebés a aprender a controlar os músculos ligados à respiração. Neste caso, podem “ensinar” os bebés a controlar o movimento para cima e para baixo do diafragma. “Os soluços nos bebés podem ser comuns porque são uma informação sensorial de que o cérebro precisa para se desenvolver. O cérebro adulto já não precisa disso”, explica Kimberley Whitehead.

Segundo o artigo, os soluços dos bebés começam ainda na barriga da mãe, logo às nove semanas de gestação, e os bebés prematuros passam cerca de 15 minutos por dia a soluçar.

Um vestígio da infância 

Para explicar a função dos soluços, a investigadora acrescenta ainda que, durante o desenvolvimento, o cérebro constrói um “mapa” do corpo para saber onde estão os músculos. Só assim seremos capazes de controlar adequadamente esses músculos, como o do diafragma.

“Neste trabalho, mostrámos que os soluços dão ao cérebro informações sensoriais sobre os músculos da respiração, o que permite construir um ‘mapa’ cerebral do sítio onde se encontram esses músculos.” Num outro trabalho, esta equipa também sugeria que, quando os bebés estão a pontapear no útero, podem estar já a criar mapas mentais dos seus corpos.

Lorenzo Fabrizi, coordenador do estudo e também investigador da University College de Londres, destaca por sua vez num comunicado sobre o trabalho: “Quando nascemos, os circuitos que processam as sensações corporais não estão completamente desenvolvidos, por isso o estabelecimento dessas redes é crucial nesta etapa de desenvolvimento dos recém-nascidos.”

Este trabalho deixa ainda outras questões em aberto. “Os nossos resultados sugerem-nos que os soluços nos adultos, que aparentemente são um incómodo, podem, na verdade, ser um reflexo vestigial herdado da infância quando ainda tinham uma função importante”, propõe Kimberley Whitehead. À CNN, a cientista disse mesmo que não há “vantagens conhecidas” dos soluços nos adultos e que eles podem ser “resquícios de períodos iniciais da nossa vida que persistem numa idade mais avançada”.

Kimberley Whitehead vai continuar a estudar o cérebro dos bebés. Desta vez, vai centrar-se na forma como o movimento desencadeia mudanças na actividade cerebral em bebés que têm lesões cerebrais.

Um quinto dos casais separa-se nos primeiros 12 meses de vida do bebé

Novembro 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do DN Life de 27 de outubro de 2019.

Falta de comunicação, vida sexual em declínio e parceiro pouco envolvido nos cuidados do bebé foram os principais motivos identificados num estudo recente feito no Reino Unido. Por muito desejado que um bebé seja, o nascimento de um filho coloca sempre o casal à prova. E muitos não resistem.

Joana Capucho

Quando Afonso nasceu, a relação de Carolina e Tiago já não estava bem. “Existiam alguns problemas, que tomaram proporções gigantescas com o nascimento do bebé”, recorda a mãe. Aos 23 anos, depararam-se com uma gravidez não planeada e nenhum dos dois estava “minimamente preparado emocional e psicologicamente para a chegada de um bebé” e para “todas as mudanças” que isso implicaria. “Começámos a discutir mais, a ser menos tolerantes um para outro. Eu sentia-me mais empenhada, mais madura e acabou por se abrir um fosso gigante entre nós, que nunca mais foi tapado”, conta Carolina, agora com 35 anos.

Separaram-se quando Afonso tinha apenas seis meses. Para a mãe, o maior desafio era conciliar todos os papéis: “Tinha de tomar conta do bebé, ter tempo para mim, ter tempo e disponibilidade para a relação, para as lides domésticas e ainda para trabalhar”. Tornou-se “muito difícil dar conta do recado. Algo tinha inevitavelmente de ficar para trás e no meu caso foi a relação”. Carolina diz que “um bebé exige muito dos pais”, mas “no caso da mulher ainda mais”. Por um lado, “toda a atenção é canalizada para o bebé, depois a mulher está completamente alterada emocionalmente, com comportamentos que ela própria não reconhece em si, e isso leva muitas vezes a um afastamento do casal”.

Na opinião de Carolina, “se não existir uma relação saudável baseada no respeito, compreensão, confiança plena, entreajuda e muito poder de encaixe, é muito difícil sobreviver aos primeiros meses”. Uma perceção que é confirmada pela ciência. De acordo com um estudo feito no Reino Unido, com cerca de dois mil pais, um quinto dos casais termina as relações nos primeiros 12 meses após o nascimento de um bebé.

Falta de comunicação e declínio da vida sexual

A mesma pesquisa, promovida pelo ChannelMum.com e pelo The Baby Show, refere que mais de seis em cada dez pais não estavam preparados para o impacto que a criança ia ter na relação e um terço dos casais assumiu ter problemas sérios nos meses seguintes ao nascimento de um filho. Citado pelo The Independent, o estudo refere que 30% dos participantes que terminaram as relações apontaram a “falta de comunicação” como o principal motivo e outros 30% justificaram o fim da relação com o declínio da vida sexual. Números que, de acordo com as especialistas ouvidas pelo DN, não devem andar muito longe da realidade portuguesa.

“De uma forma geral, os primeiros dois anos de vida da criança são os mais críticos e desafiantes para a conjugalidade”, diz a psicóloga Filipa Jardim da Silva, destacando que “a taxa de separações e divórcios é muito elevada” nesse período. “O nascimento de uma criança é uma mudança, e uma mudança constitui uma crise numa dinâmica familiar e conjugal”, explica.

Os primeiros dois anos de vida da criança são os mais críticos e desafiantes para a conjugalidade.

Com a chegada de um novo elemento, há um convite “à redefinição de papéis e de rotinas, levantando-se problemas que até então não existiam”. Multiplicam-se as noites sem dormir, fraldas para trocar, roupa para lavar, choro, birras. Filipa Jardim da Silva reconhece que “a privação de sono é um fator muito relevante” neste processo. Tal como “as alterações hormonais no pós-parto, que têm uma interferência muito preponderante” na relação. De acordo com o estudo britânico, o facto de o parceiro estar pouco envolvido nos cuidados do bebé também causa danos irreparáveis nas relações.

A família alargada, nomeadamente avós e tios, também “contribui para muitos atritos entre o casal“. “Os familiares próximos acabam por querer fazer parte da educação da criança, opinam e interferem”, pelo que é muito importante que o casal defina “de forma consistente o que é o espaço familiar e onde entram outros”.

Se existirem problemas de comunicação, a probabilidade de o casal se separar aumenta exponencialmente. “Ambos devem convidar-se a falar sobre o que estão a pensar, a sentir, necessidades, limites. A comunicação deve ser assertiva, objetiva e eficaz. Não deve partir do princípio que o outro sabe o que está a sentir, ou que é óbvio”. Até porque “é um período de aprendizagem, de adaptação” – é uma experiência nova para ambos.

Segundo Filipa Jardim da Silva, os problemas estão muitas vezes relacionados com a gestão de expectativas, nomeadamente quando os casais esperam que os filhos os unam ainda mais ou que ajudem a fazer as pazes em fases mais desafiantes. “Sem dúvida que um filho é um elo de ligação entre um homem e uma mulher, sem dúvida que é um legado que deixam e que pode ser fruto de um amor maior entre os dois. Mas, ao mesmo tempo, não é um salva relações, não é um elemento que garantidamente vá unir duas pessoas”. E essa responsabilidade é dada ao bebé mesmo antes de nascer. “Isso pode acontecer ou não. Mesmo que aconteça, não é de forma mágica e linear”.

Sem dúvida que um filho é um elo de ligação entre um homem e uma mulher, sem dúvida que é um legado que deixam e que pode ser fruto de um amor maior entre os dois. Mas, ao mesmo tempo, não é um salva relações, não é um elemento que garantidamente vá unir duas pessoas.

Modificação dos papéis

“Os filhos são ótimos para os casais, mas o aparecimento de um filho é um dos momentos em que o casal é posto à prova”, reconhece Catarina Mexia. Segundo a psicóloga e terapeuta familiar, “há uma necessidade de adaptação muito grande”. Numa família tradicional, é a passagem de um modelo de duas pessoas para um de três. “Por muito desejada que a criança tenha sido, obrigada a um investimento num terceiro elemento e a um desinvestimento na relação a dois”.

No caso da mulher, a modificação do papel – para mãe – “é mais evidente” e esta está “fisiologicamente mais preparada para responder às necessidades do bebé”. Por outro lado, o papel do homem na relação é posto em causa: “No primeiro ano de vida, a mulher está completamente apaixonada pelo seu bebé. O homem tem um grande competidor”. Uma realidade à qual ambos os membros do casal têm de estar atentos. Ao mesmo tempo, com o passar do tempo surgem frases como “estou cansada, vai lá tu”, que “podem ser entendidas como guerras de poder”.

Se o casal não se constitui de uma “forma boa, para estar atento às necessidades de cada elemento, para conversar de forma consistente e não de ataque”, é natural que surjam mais complicações na relação.

Os casais que já tinham dificuldades em “estabelecer um ‘nós’ consistente e rico são aqueles que vão ter mais problemas com a chegada de um bebé”. Segundo a terapeuta familiar, “são aqueles que vão à consulta e queixam-se que ele/a sai muito com os amigos, não participa nas tarefas de casa ou continua muito ligado à família”. No fundo, explica, “são aqueles que mantêm uma postura mais individualista”.

Do cansaço à diminuição das relações sexuais

A falta de tempo e disponibilidade para o sexo é um dos motivos que conduz ao término das relações. “A questão sexual põe-se porque existe o cansaço. Quando estamos cansados, o sexo entra na última das prioridades. E a isto junta-se o facto de algumas crianças terem problemas de sono, de aparecimento dos dentes e outros”, diz Catarina Mexia. Mas este não será um fator determinante. “A questão sexual costuma estar presente, mas não aparece isolada como sendo a gota de água. Muitas vezes, já existiam alterações na frequência e no desejo de um ou de outro”.

Quando estamos cansados, o sexo entra na última das prioridades. E a isto junta-se o facto de algumas crianças terem problemas de sono.

No decorrer da gravidez, diz, a mulher sofre mudanças importantes ao nível da imagem corporal, o que não está relacionado apenas com o aumento do peso. “Não é só o que vemos no espelho. É o que sentimos e o que ficou registado. A adaptação às alterações no corpo leva algum tempo. E isso pode complicar a vida sexual, porque a mulher fica menos disponível para a sexualidade”, esclarece a psicóloga. Além disso, sublinha, essa vontade “tem muito de psicológico”. “Quando há tensão constante, agudiza mais a falta de disponibilidade sexual”.

Para que a parte sexual não venha a ser um problema, Filipa Jardim da Silva diz que o “autocuidado” é essencial: “Cuidar da mulher e do homem que já existiam antes de ser pai e mãe, cuidar do sistema que se cria e da terceira entidade – o nós”. Para isso, “é fundamental que haja tempo a dois”. “E é importante que seja definido em agenda. Se ficar à espera do momento ideal, não vai acontecer”. Pode ser um dia por semana ou de 15 em 15 dias para jantar fora, estar com amigos ou para outra atividade que quebre a rotina.

Quando já existem problemas

Um quarto dos entrevistados admitiu já ter problemas antes da chegada do bebé, que pioraram nos primeiros meses após o nascimento. Quando já existem atritos ou conflitos, Filipa Jardim diz podem ocorrer vários cenários: “Ou o nascimento da criança agudiza os desencontros e conflitos e o casal fica ainda mais separado; ou o casal coloca o máximo foco no papel da parentalidade e, durante algum tempo, mais do que homem e mulher, funcionam como pai e mãe; ou passam a ter uma motivação maior para ultrapassar o que os separa e resolver as diferenças”.

Como a percentagem de relações que não resiste ao nascimento de um bebé é significativa, Filipa Jardim da Silva conta que os pediatras começam a trazer este assunto para as consultas periódicas, perguntando aos pais como estão enquanto casal, como está a comunicação”. Até porque “a consistência entre o casal vai ser fundamental para o respeito pelas regras e a estabilidade emocional da criança”.

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