Em Portugal, um em cada dez bebés nasce de mãe estrangeira

Dezembro 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 18 de dezembro de 2019.

O números são base de dados Pordata, divulgados por ocasião do Dia Internacional das Migrações, que hoje se assinala.

De acordo com os dados divulgados hoje, quase 480 mil estrangeiros viviam legalmente em Portugal em 2018 e cerca de um em cada quatro é brasileiro, totalizando 104.504, seguidos dos cabo-verdianos (34.444), romenos (30.908) e ucranianos (29.197).

Os dados mostram igualmente que cerca de um em cada dez bebés nascidos em Portugal foram de mães de nacionalidade estrangeira.

Dos 87.020 bebés nascidos no ano passado, 9.389 era de nacionalidade estrangeira.

Em 2018, entraram em Portugal, com a intenção de permanecer no país, cerca de 43 mil pessoas, mais 13 mil que em 2008, e mais de metade eram mulheres.

Os nepaleses a viver em Portugal aumentaram 21 vezes entre 2008 e 2018, embora não ultrapassem os 11.487, enquanto os imigrantes franceses cresceram quatro vezes, passando de 4.576 para os 19.771 em 10 anos.

A Pordata realça que também quase que duplicaram os indianos, espanhóis, chineses e britânicos a viver no país. Em 2018 viviam em Portugal 26.445 britânicos, 24.856 chineses, 14.066 espanhóis e 11.340 indianos.

A maioria da população estrangeira vive na área metropolitana de Lisboa (50%) e Algarve (16%), concentrando o município de Lisboa cerca de 16% do total dos imigrantes legais.

Entre os dez municípios com maior proporção de estrangeiros no total da sua população residente, oito deles são algarvios, indicam os dados, frisando a Pordata que, pelo menos um em cada quatro residentes são estrangeiros nos municípios de Vila do Bispo, Albufeira, Lagos e Odemira.

De acordo com a base de dados gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2,5% da população empregada em Portugal é estrangeira e, comparativamente com os portugueses, os imigrantes são mais vulneráveis ao desemprego, com uma taxa de quase 12%, enquanto entre os cidadãos nacionais a taxa de desemprego é de 7%.

Portugal faz parte dos dez países da União Europeia em que a percentagem da população estrangeira no total da população residente é inferior a 5%.

Desde 2009 que mais de um terço dos imigrantes tem naturalidade portuguesa.

Segundo as estatísticas, nos últimos 10 anos a nacionalidade portuguesa foi concedida, em média, a cerca de 22 mil cidadãos estrangeiros por ano, tendo sido o valor mais baixo atribuído em 2017, a 18 mil cidadãos, e o mais alto, em 2016, a 25 mil.

Em 2018, um terço dos cidadãos que adquiriram nacionalidade portuguesa eram brasileiros, seguindo-se os cabo-verdianos e os ucranianos.

Desde 1961 que Portugal teve três períodos distintos com saldos migratórios negativos, designadamente de 1961 a 1973, de 1982 a 1992 e, mais recentemente, entre 2011 e 2016.

Os dados indicam que a população de Portugal está a diminuir desde 2010, tendo o país perdido quase 300 mil pessoas.

No entanto, e apesar do saldo ser positivo nos últimos dois anos, os saldos migratórios não foram suficientemente elevados para compensar os saldos naturais negativos.

As estatísticas dão ainda conta que, em 2018, as remessas dos imigrantes para o exterior chegaram aos 533 milhões de euros em 2018 e quase metade foi para o Brasil (48%), seguido da China (10%) e França (5%).

Percepção de fragilidade do bebé prematuro: Sim! Impotência dos pais: Não!

Dezembro 1, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Cristina Matos publicado no Público de 17 de novembro de 2019.

Nem todos os bebés prematuros têm o mesmo tipo de problemas. As possibilidades de sobrevivência dependem da idade gestacional, do peso e dos problemas graves ao nascimento, como sejam: respiratórios; cardíacos; infecciosos e malformativos. De todos eles o mais importante é a idade gestacional.

O nascimento de um filho é um momento único de alegria e de esperança.

A duração de uma gravidez normal, de termo, ocorre quando o parto se dá entre as 37 e as 41 semanas mais seis dias de gestação. Porém, algumas vezes, de forma inesperada e abrupta, a gravidez acaba prematuramente e o bebé nasce antes das 37 semanas, é então designado como prematuro ou pré-termo. Nestes casos, o bebé real é frágil, imaturo, indefeso, pequenino, tão diferente do bebé que tinham imaginado durante toda a gravidez.

“Será que vai sobreviver? Em que posso ajudar o meu bebé?”

Os pais ao entrarem pela primeira vez na Unidade de Cuidados Neonatais ficam assustados por encontrar o seu filho rodeado de aparelhos e máquinas, tubos e fios.

“Posso acariciá-lo? Mexer-lhe? Pegar-lhe? Qual o meu papel enquanto mãe ou pai?”

Os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, que trabalham na unidade explicam o funcionamento de todo o equipamento que irá ajudar o bebé, nestes primeiros tempos de vida, incentivam e apoiam os pais a estarem presentes junto do recém-nascido e a ultrapassar as dificuldades, vivendo um dia de cada vez.

O bebé prematuro não só tem menos peso e é mais pequenino, como nasce com imaturidade dos seus órgãos e sistemas — pelo que pode ter problemas respiratórios, de controlo de temperatura, dificuldade alimentar, menor defesa às infecções. Tudo isto torna-o mais vulnerável às doenças e mais sensível aos estímulos externos, como a luz e o som.

Nem todos os bebés prematuros têm o mesmo tipo de problemas. As possibilidades de sobrevivência dependem da idade gestacional, do peso e dos problemas graves ao nascimento, como sejam: respiratórios; cardíacos; infecciosos e malformativos. De todos eles o mais importante é a idade gestacional.

A gravidade dos problemas está inversamente relacionada com a idade gestacional. Actualmente o limiar de sobrevivência são as 23/24 semanas de gestação. Os bebés prematuros vão necessitar de passar os primeiros tempos de vida internados em Unidades de Cuidados Neonatais, numa incubadora para lhes manter a temperatura, podem necessitar de um ventilador para os ajudar a respirar, serem alimentados através de um catéter, colocado numa veia que lhes leva os nutrientes necessários ou de uma sonda que lhes leva o leite até ao estômago.

Os bebés têm de ficar afastados fisicamente dos pais, quebrando-se a relação afectiva essencial no estabelecimento da relação precoce pais/filhos.

Sempre que o desejarem, desde que o estado de saúde do bebé o permitir, os pais podem tocar, acariciar, falar, fazer contacto pele a pele, trocar a fralda, colaborar na higiene, colocar bebé ao peito, embalar, cantar.

Conhece-se hoje a importância da presença e envolvência dos pais nos cuidados ao recém-nascido. Diminui o stress e insegurança dos pais, melhora a relação de afectividade com o bebé e dá maior estabilidade ao recém-nascido.

É um tempo de aprendizagem, capacitação e preparação gradual dos pais para o momento tão esperado de uma ida com segurança para casa.

A humanização das Unidades, os cuidados centrados no desenvolvimento e na família, a par da elevada tecnologia que hoje dispomos, são fundamentais para a sobrevivência com qualidade de vida dos bebés prematuros.

Fragilidade dos Prematuros: Sim!

Impotência dos Pais: Não!

Médica Pediatra responsável pela Unidade de Neonatologia do Hospital CUF Descobertas

Bebé vegan morre nos EUA: negligência ou culpa da dieta?

Novembro 25, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de novembro de 2019.

Uma dieta vegan, à base de frutas cruas, foi apontada como a causa de morte de um bebé de 18 meses, ainda que haja estudos que indicam que é possível crescer e ser saudável sem ingerir quaisquer produtos de origem animal.

No caso específico de bebés e crianças pequenas, o pediatra Mário Cordeiro sublinha que “nada disto [de se decidir ser vegan ou ovo-lacto-vegetariano] é errado se for feito com cabeça”. Para o especialista — que publicou recentemente mais um livro de poesia, com o título Fernando Pessoa não tinha cão — o ideal passa por “consultar o médico” e seguir, passo a passo, e mediante as necessidades de cada idade, a orientação nutricional.

“É perfeitamente possível crescer de forma saudável tendo uma dieta vegan ou vegetariana como base”, considera o profissional de saúde, acrescentando que, porém, é “importante complementar a mesma dieta com vitaminas e minerais” adequados a cada fase do crescimento.

Uma dieta vegan precisa de suplementos

Já os especialistas em nutrição deixam o alerta: para se seguir uma dieta vegan, independentemente da idade, “é preciso ter muita cautela, conjugar os alimentos com muito conhecimento, para ter a certeza de que não

há défice nutricional”, dizia a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, ao PÚBLICO, no âmbito do 4.º Simpósio Nacional da Grávida, que decorreu, em Setembro, em Vilamoura.

A bastonária sugeria ainda que se fizesse um suplemento de B12, que os produtos de origem vegetal não têm, mas também a ter em atenção o consumo de nutrientes como “o cálcio, o ferro, o zinco e as proteínas que se encontram mais nos alimentos de origem animal”.

Também o nutricionista Pedro Carvalho, num artigo publicado em Maio de 2018, advertia que “uma alimentação sem carne, pescado, lacticínios e ovos (…) implica necessariamente alguns ajustes quer em alimentos quer em suplementos de modo a que o aporte de proteína de boa qualidade, ferro, vitamina B12, cálcio, vitamina D, ómega 3 e iodo não fique comprometido”.

Pais acusados de homicídio por negligência

Uma chamada para as emergências, no dia 27 de Setembro, deu conta de um bebé de 18 meses frio e sem respirar, na sua casa em Cape Coral, no estado norte-americano da Florida. A autora do telefonema era a mãe, de 35 anos, que, já depois de ter sido declarado o óbito da criança, contou às autoridades que o filho não ingeria sólidos há uma semana, estando a ser amamentado — facto que a progenitora terá associado ao mal-estar com a dentição.

Mas o que os socorristas encontraram foi um bebé que apresentava sinais severos de subnutrição: a criança pesava apenas sete quilos, o que corresponde ao peso médio de um bebé entre os cinco e os seis meses, no percentil 50. A mãe explicou que, sendo vegan, a dieta da família, marido e quatro filhos incluídos, era à base de alimentos crus, nomeadamente frutas como manga, rambutão, banana e abacate.

Além do bebé, já sem vida, as autoridades identificaram ainda que as outras crianças também tinham problemas de nutrição, sobretudo as mais novas, de 3 e 5 anos, que são filhas biológicas do casal: peso muito abaixo do normal para a idade, dentes escurecidos e tez amarelada. A terceira, mais velha e filha apenas da mãe, apresentava sinais menos preocupantes, facto que os médicos associaram às visitas da menor a casa do pai biológico, de dois em dois meses.

Ambos os progenitores entregaram-se à polícia pouco tempo depois de ser conhecido o relatório da autópsia que determinou que o menino morreu de subnutrição, informou o jornal local News-Press. Os dois ficaram detidos, com julgamento marcado para 9 de Dezembro.

O caso não é inédito: este ano, um casal foi julgado na Austrália por manter a sua bebé de 19 meses num estado de subnutrição severa (pesava cinco quilos), tendo sido absolvido. Em 2011, um casal vegan foi julgado, em França, pela morte da filha de 11 meses, alegadamente causada pelo regime alimentar que exclui todos os produtos de origem animal — os pais foram condenados a cinco anos, mas acabaram por escapar à prisão, com pena suspensa.

Porque é que os soluços nos bebés são tão importantes?

Novembro 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de novembro de2019.

Quando os bebés soluçam, estão a aprender a controlar músculos ligados à respiração.

Teresa Sofia Serafim

Os soluços nos bebés são frequentes e podem até assustar alguns pais. Mas, na verdade, têm uma função crucial no seu desenvolvimento. A partir de um estudo a 13 bebés, uma equipa de cientistas do Reino Unido percebeu que os soluços desencadeiam ondas cerebrais que poderão ajudar o bebé a aprender como deve controlar a sua respiração. Segundo o artigo publicado na última edição da revista científica Clinical Neurophysiology, esta é a primeira prova científica de que os soluços modificam a actividade cerebral.

Kimberley Whitehead, investigadora da University College de Londres, começa por explicar ao PÚBLICO que já se sabia que os soluços são comuns nos bebés e isso podia ter um papel no nosso desenvolvimento.

Para confirmar isso, a equipa de Kimberley Whitehead analisou ataques de soluços de 13 bebés prematuros e outros que tinham nascido só no final do tempo normal de gestação. A sua actividade cerebral foi registada com electroencefalografias (EEG) através de eléctrodos colocados no couro cabeludo e sensores de movimento no tronco.

Observou-se então que as contracções no músculo do diafragma provocadas pelos soluços estimulavam uma resposta “acentuada” do córtex cerebral. Concretamente, registavam-se duas grandes ondas cerebrais seguidas por uma terceira. Contudo, Kimberley Whitehead assinala que não se percebeu completamente o significado desta terceira onda. “A razão pela qual a terceira onda é interessante é que parece ser diferente das actividades cerebrais típicas associadas ao toque e ao movimento”, esclarece. Como esta onda cerebral é semelhante às que são estimuladas por sons, uma das possíveis explicações é que o cérebro do bebé possa ser capaz de associar o som “ic” – do soluço – através da contracção do diafragma.

A equipa concluiu assim que, ao dar ao cérebro informação sensorial vinda do diafragma, os soluços podem ter um papel útil no nosso desenvolvimento. Isto é, podem ajudar os bebés a aprender a controlar os músculos ligados à respiração. Neste caso, podem “ensinar” os bebés a controlar o movimento para cima e para baixo do diafragma. “Os soluços nos bebés podem ser comuns porque são uma informação sensorial de que o cérebro precisa para se desenvolver. O cérebro adulto já não precisa disso”, explica Kimberley Whitehead.

Segundo o artigo, os soluços dos bebés começam ainda na barriga da mãe, logo às nove semanas de gestação, e os bebés prematuros passam cerca de 15 minutos por dia a soluçar.

Um vestígio da infância 

Para explicar a função dos soluços, a investigadora acrescenta ainda que, durante o desenvolvimento, o cérebro constrói um “mapa” do corpo para saber onde estão os músculos. Só assim seremos capazes de controlar adequadamente esses músculos, como o do diafragma.

“Neste trabalho, mostrámos que os soluços dão ao cérebro informações sensoriais sobre os músculos da respiração, o que permite construir um ‘mapa’ cerebral do sítio onde se encontram esses músculos.” Num outro trabalho, esta equipa também sugeria que, quando os bebés estão a pontapear no útero, podem estar já a criar mapas mentais dos seus corpos.

Lorenzo Fabrizi, coordenador do estudo e também investigador da University College de Londres, destaca por sua vez num comunicado sobre o trabalho: “Quando nascemos, os circuitos que processam as sensações corporais não estão completamente desenvolvidos, por isso o estabelecimento dessas redes é crucial nesta etapa de desenvolvimento dos recém-nascidos.”

Este trabalho deixa ainda outras questões em aberto. “Os nossos resultados sugerem-nos que os soluços nos adultos, que aparentemente são um incómodo, podem, na verdade, ser um reflexo vestigial herdado da infância quando ainda tinham uma função importante”, propõe Kimberley Whitehead. À CNN, a cientista disse mesmo que não há “vantagens conhecidas” dos soluços nos adultos e que eles podem ser “resquícios de períodos iniciais da nossa vida que persistem numa idade mais avançada”.

Kimberley Whitehead vai continuar a estudar o cérebro dos bebés. Desta vez, vai centrar-se na forma como o movimento desencadeia mudanças na actividade cerebral em bebés que têm lesões cerebrais.

Um quinto dos casais separa-se nos primeiros 12 meses de vida do bebé

Novembro 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do DN Life de 27 de outubro de 2019.

Falta de comunicação, vida sexual em declínio e parceiro pouco envolvido nos cuidados do bebé foram os principais motivos identificados num estudo recente feito no Reino Unido. Por muito desejado que um bebé seja, o nascimento de um filho coloca sempre o casal à prova. E muitos não resistem.

Joana Capucho

Quando Afonso nasceu, a relação de Carolina e Tiago já não estava bem. “Existiam alguns problemas, que tomaram proporções gigantescas com o nascimento do bebé”, recorda a mãe. Aos 23 anos, depararam-se com uma gravidez não planeada e nenhum dos dois estava “minimamente preparado emocional e psicologicamente para a chegada de um bebé” e para “todas as mudanças” que isso implicaria. “Começámos a discutir mais, a ser menos tolerantes um para outro. Eu sentia-me mais empenhada, mais madura e acabou por se abrir um fosso gigante entre nós, que nunca mais foi tapado”, conta Carolina, agora com 35 anos.

Separaram-se quando Afonso tinha apenas seis meses. Para a mãe, o maior desafio era conciliar todos os papéis: “Tinha de tomar conta do bebé, ter tempo para mim, ter tempo e disponibilidade para a relação, para as lides domésticas e ainda para trabalhar”. Tornou-se “muito difícil dar conta do recado. Algo tinha inevitavelmente de ficar para trás e no meu caso foi a relação”. Carolina diz que “um bebé exige muito dos pais”, mas “no caso da mulher ainda mais”. Por um lado, “toda a atenção é canalizada para o bebé, depois a mulher está completamente alterada emocionalmente, com comportamentos que ela própria não reconhece em si, e isso leva muitas vezes a um afastamento do casal”.

Na opinião de Carolina, “se não existir uma relação saudável baseada no respeito, compreensão, confiança plena, entreajuda e muito poder de encaixe, é muito difícil sobreviver aos primeiros meses”. Uma perceção que é confirmada pela ciência. De acordo com um estudo feito no Reino Unido, com cerca de dois mil pais, um quinto dos casais termina as relações nos primeiros 12 meses após o nascimento de um bebé.

Falta de comunicação e declínio da vida sexual

A mesma pesquisa, promovida pelo ChannelMum.com e pelo The Baby Show, refere que mais de seis em cada dez pais não estavam preparados para o impacto que a criança ia ter na relação e um terço dos casais assumiu ter problemas sérios nos meses seguintes ao nascimento de um filho. Citado pelo The Independent, o estudo refere que 30% dos participantes que terminaram as relações apontaram a “falta de comunicação” como o principal motivo e outros 30% justificaram o fim da relação com o declínio da vida sexual. Números que, de acordo com as especialistas ouvidas pelo DN, não devem andar muito longe da realidade portuguesa.

“De uma forma geral, os primeiros dois anos de vida da criança são os mais críticos e desafiantes para a conjugalidade”, diz a psicóloga Filipa Jardim da Silva, destacando que “a taxa de separações e divórcios é muito elevada” nesse período. “O nascimento de uma criança é uma mudança, e uma mudança constitui uma crise numa dinâmica familiar e conjugal”, explica.

Os primeiros dois anos de vida da criança são os mais críticos e desafiantes para a conjugalidade.

Com a chegada de um novo elemento, há um convite “à redefinição de papéis e de rotinas, levantando-se problemas que até então não existiam”. Multiplicam-se as noites sem dormir, fraldas para trocar, roupa para lavar, choro, birras. Filipa Jardim da Silva reconhece que “a privação de sono é um fator muito relevante” neste processo. Tal como “as alterações hormonais no pós-parto, que têm uma interferência muito preponderante” na relação. De acordo com o estudo britânico, o facto de o parceiro estar pouco envolvido nos cuidados do bebé também causa danos irreparáveis nas relações.

A família alargada, nomeadamente avós e tios, também “contribui para muitos atritos entre o casal“. “Os familiares próximos acabam por querer fazer parte da educação da criança, opinam e interferem”, pelo que é muito importante que o casal defina “de forma consistente o que é o espaço familiar e onde entram outros”.

Se existirem problemas de comunicação, a probabilidade de o casal se separar aumenta exponencialmente. “Ambos devem convidar-se a falar sobre o que estão a pensar, a sentir, necessidades, limites. A comunicação deve ser assertiva, objetiva e eficaz. Não deve partir do princípio que o outro sabe o que está a sentir, ou que é óbvio”. Até porque “é um período de aprendizagem, de adaptação” – é uma experiência nova para ambos.

Segundo Filipa Jardim da Silva, os problemas estão muitas vezes relacionados com a gestão de expectativas, nomeadamente quando os casais esperam que os filhos os unam ainda mais ou que ajudem a fazer as pazes em fases mais desafiantes. “Sem dúvida que um filho é um elo de ligação entre um homem e uma mulher, sem dúvida que é um legado que deixam e que pode ser fruto de um amor maior entre os dois. Mas, ao mesmo tempo, não é um salva relações, não é um elemento que garantidamente vá unir duas pessoas”. E essa responsabilidade é dada ao bebé mesmo antes de nascer. “Isso pode acontecer ou não. Mesmo que aconteça, não é de forma mágica e linear”.

Sem dúvida que um filho é um elo de ligação entre um homem e uma mulher, sem dúvida que é um legado que deixam e que pode ser fruto de um amor maior entre os dois. Mas, ao mesmo tempo, não é um salva relações, não é um elemento que garantidamente vá unir duas pessoas.

Modificação dos papéis

“Os filhos são ótimos para os casais, mas o aparecimento de um filho é um dos momentos em que o casal é posto à prova”, reconhece Catarina Mexia. Segundo a psicóloga e terapeuta familiar, “há uma necessidade de adaptação muito grande”. Numa família tradicional, é a passagem de um modelo de duas pessoas para um de três. “Por muito desejada que a criança tenha sido, obrigada a um investimento num terceiro elemento e a um desinvestimento na relação a dois”.

No caso da mulher, a modificação do papel – para mãe – “é mais evidente” e esta está “fisiologicamente mais preparada para responder às necessidades do bebé”. Por outro lado, o papel do homem na relação é posto em causa: “No primeiro ano de vida, a mulher está completamente apaixonada pelo seu bebé. O homem tem um grande competidor”. Uma realidade à qual ambos os membros do casal têm de estar atentos. Ao mesmo tempo, com o passar do tempo surgem frases como “estou cansada, vai lá tu”, que “podem ser entendidas como guerras de poder”.

Se o casal não se constitui de uma “forma boa, para estar atento às necessidades de cada elemento, para conversar de forma consistente e não de ataque”, é natural que surjam mais complicações na relação.

Os casais que já tinham dificuldades em “estabelecer um ‘nós’ consistente e rico são aqueles que vão ter mais problemas com a chegada de um bebé”. Segundo a terapeuta familiar, “são aqueles que vão à consulta e queixam-se que ele/a sai muito com os amigos, não participa nas tarefas de casa ou continua muito ligado à família”. No fundo, explica, “são aqueles que mantêm uma postura mais individualista”.

Do cansaço à diminuição das relações sexuais

A falta de tempo e disponibilidade para o sexo é um dos motivos que conduz ao término das relações. “A questão sexual põe-se porque existe o cansaço. Quando estamos cansados, o sexo entra na última das prioridades. E a isto junta-se o facto de algumas crianças terem problemas de sono, de aparecimento dos dentes e outros”, diz Catarina Mexia. Mas este não será um fator determinante. “A questão sexual costuma estar presente, mas não aparece isolada como sendo a gota de água. Muitas vezes, já existiam alterações na frequência e no desejo de um ou de outro”.

Quando estamos cansados, o sexo entra na última das prioridades. E a isto junta-se o facto de algumas crianças terem problemas de sono.

No decorrer da gravidez, diz, a mulher sofre mudanças importantes ao nível da imagem corporal, o que não está relacionado apenas com o aumento do peso. “Não é só o que vemos no espelho. É o que sentimos e o que ficou registado. A adaptação às alterações no corpo leva algum tempo. E isso pode complicar a vida sexual, porque a mulher fica menos disponível para a sexualidade”, esclarece a psicóloga. Além disso, sublinha, essa vontade “tem muito de psicológico”. “Quando há tensão constante, agudiza mais a falta de disponibilidade sexual”.

Para que a parte sexual não venha a ser um problema, Filipa Jardim da Silva diz que o “autocuidado” é essencial: “Cuidar da mulher e do homem que já existiam antes de ser pai e mãe, cuidar do sistema que se cria e da terceira entidade – o nós”. Para isso, “é fundamental que haja tempo a dois”. “E é importante que seja definido em agenda. Se ficar à espera do momento ideal, não vai acontecer”. Pode ser um dia por semana ou de 15 em 15 dias para jantar fora, estar com amigos ou para outra atividade que quebre a rotina.

Quando já existem problemas

Um quarto dos entrevistados admitiu já ter problemas antes da chegada do bebé, que pioraram nos primeiros meses após o nascimento. Quando já existem atritos ou conflitos, Filipa Jardim diz podem ocorrer vários cenários: “Ou o nascimento da criança agudiza os desencontros e conflitos e o casal fica ainda mais separado; ou o casal coloca o máximo foco no papel da parentalidade e, durante algum tempo, mais do que homem e mulher, funcionam como pai e mãe; ou passam a ter uma motivação maior para ultrapassar o que os separa e resolver as diferenças”.

Como a percentagem de relações que não resiste ao nascimento de um bebé é significativa, Filipa Jardim da Silva conta que os pediatras começam a trazer este assunto para as consultas periódicas, perguntando aos pais como estão enquanto casal, como está a comunicação”. Até porque “a consistência entre o casal vai ser fundamental para o respeito pelas regras e a estabilidade emocional da criança”.

Sim às papas, não à repetição do prato: 25 recomendações para bebés e crianças

Outubro 20, 2019 às 7:11 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 16 de outubro de 2109.

A DGS lançou um manual recheado de recomendações. Diz, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais, mas também que não deve deixar repetir. E que as refeições não devem ter mais de 30 minutos. Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às bio e às caseiras.

Patrícia Jesus

Sabia que o primeiro ano é a fase em que mais se cresce durante toda a vida? Daí a importância da alimentação logo nos primeiros meses, mas também porque estas primeiras experiências moldam as preferências e a saúde/doença para a vida.

E depois do primeiro ano? Um novo manual da Direcção-Geral de Saúde (DGS) traz uma série de recomendações para uma alimentação saudável do nascimento aos seis anos, que valem para as famílias e para as creches e infantários. O objectivo é aplicar “a evidência científica mais recente” num documento de fácil leitura, que até tem propostas práticas.

Sabia, por exemplo, que não deve forçar a criança a comer mais quando não quer, mas também que não deve deixar repetir? Que as refeições não devem ter mais de 30 minutos? Ou que as papas “normais” compradas podem ter benefícios em relação às biológicas e às caseiras? Que não deve dar bolachas aos bebés com menos de um ano?

Bebés até um ano

O leite materno, em exclusivo, é o ideal para o bebé nos primeiros seis meses. O bebé deve ser alimentado quando pede.

– A mãe que amamenta deve ter uma alimentação variada e equilibrada e não precisa de excluir qualquer alimento da dieta.

– Quando os bebés não são amamentados, os pais devem optar por fórmulas pelo menos até ao final do primeiro ano, idealmente até aos 2-3 anos. E não deve ser excedido o volume de 180-210 ml por cada refeição.

– A partir dos seis meses de vida é essencial a introdução progressiva de outros alimentos, para treinar o paladar para novos sabores e texturas. Mas nunca sumos ou chá.

O bebé deve alimentar-se sentado, inicialmente à colher (sopas, papas, purés) e depois com colher e quando possível sozinho.

– A “auto-alimentação” (baby lead weaning) só deve adoptada quando exista comprovada segurança (neuromotora e nutricional) e sempre sob controlo do cuidador e vigilância médica.

– Deve ser respeitado o apetite da criança: logo, deixe a criança gerir a quantidade e respeite os sinais de auto-regulação do apetite. Esteja atento aos extremos, quando come sempre de mais ou de menos.

Sal e açúcar são proibidos no primeiro ano, o que exclui alimentos como sumos, sobremesas, bolos, doces e enchidos.

– No primeiro ano nada de alimentos processados, nem doces nem salgados – isto inclui, por exemplo, bolachas.

– Deve ser feita a suplementação com vitamina D pelo menos durante o primeiro de vida.

– Embora seja importante começar com a sopa, as papas são uma importante fonte de hidratos de carbono e, pela sua suplementação, são um importante veículo de vitaminas e minerais (ferro). E as comerciais “normais” até têm benefícios em relação às biológicas que não são enriquecidas e às caseiras, que “não são nutricionalmente seguras”.

– A proteína animal (carne ou peixe) não deve exceder as 30 g/dia, devendo oferecer-se carne quatro vezes e peixe três vezes por semana. O ovo pode ser introduzido a partir dos 8-9 meses de idade, até três vezes por semana, em vez da carne ou do peixe.

– Os alimentos devem ser progressivamente menos moídos, de forma a permitir a mastigação de alimentos moles aos oito meses.

– O iogurte natural pode ser introduzido aos 8-9 meses.

– Num bebé filho de mãe vegetariana, a realizar aleitamento materno, deve ser rigorosamente vigiada a suplementação materna em vitaminas e minerais e também ao bebé.

Depois de um ano

No final do primeiro ano de vida a transição para a alimentação da família deverá estar completa. Os pais são exemplos e esta é uma boa altura para melhorar a alimentação de toda a família.

Não permita repetições, incentive a comer devagar, respeite o horário das refeições e não mantenha a criança à mesa mais de 30 minutos.

Não substitua por outros alimentos aqueles que a criança não gosta e incentive à autonomia na mesa.

– É importante a alimentação ser variada — se houver uma recusa inicial de um alimento não desista e encoraje a experimentar coisas novas.

– Ofereça à criança apenas alimentos incluídos na roda dos alimentos.

O pequeno-almoço é importante, mas dê “cereais de pequeno-almoço” apenas de vez em quando, e não dê bolachas ou “pães doces” e embalados.

– As merendas devem integrar produtos lácteos (leite/iogurte/queijo), hidratos de carbono complexos (pão de cereais variados) e frutos. Bolachas e sumos apenas de vez em quando.

– Mantenha a sopa ao almoço e ao jantar.

– Ofereça água durante o dia e às refeições e deixe os sumos para os dias de festa – o leite não deve ser confundido com uma bebida, já que é um alimento.

– Por fim, a “criança pequena” tem necessidades alimentares “pequenas” e volumes “de adulto” estão totalmente desajustados das necessidades nutricionais desta idade, contribuindo para obesidade. Porções pequenas e variedade da oferta são fundamentais. E tudo completado com actividade física, aproveitando todas as oportunidades para pôr as crianças a mexer.

O manual citado na notícia é seguinte:

Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos : Linhas de Orientação para Profissionais e Educadores

Campanha do Unicef Portugal combate falta de apoio a recém-nascidos prematuros e famílias

Outubro 19, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 8 de outubro de 2019.

Iniciativa em Portugal deve ajudar famílias em todo o mundo; todos os anos 2,6 milhões de bebês morrem antes de completarem um mês; cerca de 1 milhão não sobrevivem sequer 24 horas.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lança esta semana uma campanha em Portugal para angariar donativos para a prevenção e acompanhamento de bebês prematuros e das suas famílias.

Os donativos serão usados em programas de sobrevivência infantil em todo o mundo.

Ajudar

Com a hashtag “Ligados à Vida”, o spot de televisão de 30 segundos conta a história de Blessing, uma tanzaniana que nasceu prematura e que a agência ajudou a salvar através de uma unidade de cuidados intensivos neonatais.

A campanha dura de 7 a 27 de outubro na televisão e na internet. Para ajudar e contribuir para esta causa, os portugueses só têm que ligar para o 760 100 215 (chamada de valor acrescentado – €0,60 + IVA) ou visitar o site www.unicef.pt.

Importância

Todos os anos 2,6 milhões de bebês morrem antes de fazerem um mês. Cerca de 1 milhão morre durante as primeiras 24 horas.

Mais de 80% das mortes de recém-nascidos acontecem por complicações durante o parto e infecções como meningite e pneumonia. Segundo a agência da ONU, milhões de vidas poderiam ser salvas se mães e filhos tivessem acesso aos cuidados necessários, a uma boa alimentação e a água potável.

Ação

Com os donativos desta campanha, o Unicef pretende ajudar a prevenir e a reduzir a prematuridade de várias formas.

Devem ser criadas e reforçadas unidades de cuidados intensivos de neonatologia, formadas equipas médicas em situações de emergência e triagem e comprados novos equipamento e medicamentos, incluindo aquecedores eléctricos e máquinas de respiração de oxigénio.

Os donativos angariados com a campanha também devem servir para prestar acompanhamento psicológico às famílias.

http://www.youtube.com/watch?v=oIJYGDo1CBs

Ligados à Vida

Afogamento em idade pediátrica: verão após verão a tragédia repete-se

Setembro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Educare de 16 de agosto de 2019.

Estamos no verão! A pior época do ano no que respeita aos afogamentos.

Afogamento, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), define-se por um processo que condiciona insuficiência respiratória em resultado da imersão (pelo menos da face e da abertura da via aérea) ou submersão (todo o corpo) em água/outro líquido, independentemente da sobrevida ou não. Desde o nascimento que o contacto com água torna-se rotineiro e, para a maioria das crianças a água é uma diversão atrativa. Contudo, esta interação acarreta risco e a vulnerabilidade das crianças varia de acordo com a idade, género e estádio de desenvolvimento.

O afogamento é um acontecimento trágico, muito rápido (segundos são suficientes), silencioso (a criança não faz barulho e não pede ajuda) e que pode ocorrer em pequenas quantidades de água (menos de um palmo de água).

Apesar das campanhas anuais de prevenção da morbi-mortalidade por afogamento, as situações fatais ou com consequências devastadoras permanecem.

Em Portugal, o afogamento é a segunda causa de morte acidental nas crianças (depois dos acidentes de viação) e a grande maioria poderia ser prevenida. De acordo com o último relatório da Associação para a Promoção e Segurança Infantil (APSI), nos últimos 16 anos ocorreram 247 afogamentos com desfecho fatal e 586 internamentos na sequência de afogamento e, desde há 7 anos que estes números têm vindo a diminuir. Nas crianças hospitalizadas, o prognóstico é geralmente reservado, e as que sobrevivem podem apresentar sequelas neurológicas permanentes. No entanto, estes números não devem subestimar este problema de saúde pública. A maioria das crianças e jovens com necessidade de internamento ocorre dos 0 aos 4 anos e a maioria das mortes por afogamento dos 15 aos 19 anos. O género masculino associa-se à maioria dos afogamentos (66%). Quanto aos locais, as piscinas são os planos de água com maior registo de afogamentos, sobretudo na primeira década de vida, seguido das praias e dos rios/ribeiras/lagoas com crianças e jovens mais velhos. Em todos os meses do ano há registo de afogamento, no entanto Junho, Julho e Agosto são os meses onde se verificam mais casos.

É importante conhecer os riscos:
– Vulnerabilidade da idade;
– Género (sobretudo masculino);
– Acessibilidade a planos de água (piscina, praia, rios/ribeiras/lagoas e poços) e ausência de barreiras físicas que impossibilitem o acesso livre à água ou dispositivos de flutuação adequados (braçadeiras e/ou coletes salva-vidas essenciais em ambientes aquáticos). De alertar que as boias e os colchões são falsamente seguros, uma vez que facilmente são deslocados quer pelo vento quer pela ondulação.
– Ausência ou inadequada vigilância (mesmo na banheira): devendo evitar-se qualquer elemento distrativo como exemplo o uso do telemóvel;
– Consumo de álcool e drogas e exposição simultânea a banhos;
– Incumprimento das regras de segurança do local;
– Patologias de base como por exemplo epilepsia.

É fundamental criar ambientes seguros, minimizando os acidentes:

1.  Vigilância ativa: o cuidador deve vigiar as crianças na água ou na sua proximidade, sem distrações (como por exemplo o telemóvel) e de forma atenta e permanente para que possa intervir de imediato sempre que necessário. Com ressalva de que o cuidador deverá saber nadar de forma a evitar colocar a sua vida e das crianças em risco.
2.  Nas férias, vigilância redobrada, com reconhecimento do local e dos planos de água.
3.  Quando em ambiente de festa, com muita gente, estabelecer um sistema rotativo de vigilância, havendo sempre um adulto responsável pelo ambiente aquático.
4.  Esvaziar baldes, alguidares e banheiras, logo após a sua utilização. Não deixar a criança sozinha no banho, sem supervisão e esconder a tampa da banheira para evitar que a criança a encha sozinha.
5.  Colocar barreiras físicas que impossibilitem o acesso à água (piscinas, poços, fossas e tanques). O uso de barreiras não deve substituir a supervisão do cuidador. Outros sistemas de proteção para a piscina existentes no mercado não mostraram benefício. Não deixar brinquedos atrativos perto e/ou na piscina.
6.  Optar por praias e piscinas vigiadas, localizar o nadador salvador e cumprir as regras de segurança e sinalização do local.
7.  Equipamento de flutuação (braçadeiras/coletes salva-vidas ajustados ao corpo) devem ser sempre colocados nas crianças junto aos ambientes aquáticos. No entanto, esta medida não substitui as supramencionadas.
8.  Formação em suporte básico de vida, sobretudo para quem tem piscina no domicílio.
9.  Iniciar aulas de natação e promover comportamentos seguros o mais precocemente possível.
10.  Fortalecer a consciencialização pública e advertir para a vulnerabilidade das crianças.
11.  Alertar para os riscos de mergulhar em zonas com profundidade da água desconhecida ou onde existam rochas submersas ou desníveis.
12.  Incentivar as crianças a permanecerem perto das margens e a nunca entrarem na água sem vigilância.

Prevenir o afogamento está nas nossas mãos!

Ana Ribeiro, com a colaboração de Clara Machado, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.

Os cuidados a ter com os bebés antes de os levar para a praia

Agosto 21, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Texto e imagem do site Sapo Lifestyle

Cerca de 22% das crianças com menos de 24 meses tem uma pele muito sensível, apresentando mesmo 8% uma pele atópica. Para proteger os mais pequenos nos meses de maior calor, siga os conselhos do dermatologista David Serra.

Suave, macia, delicada mas… frágil! A estrutura da pele do bebé é muito semelhante à de um adulto, mas a camada córnea é mais fina e as células da epiderme são menos aderentes entre elas. A pele do bebé tem também menos gordura. Por isso, a diminuição de produção de sebo limita a resistência contra o quente ou frio. Mas as diferenças não se ficam por aqui. A pele do bebé tem uma capacidade muito elevada de absorção.

O peso da área da superfície da pele é três a cinco vezes maior em recém-nascidos do que em adultos. Esta diferença significativa implica que o organismo de um recém-nascido absorva concentrações muito mais elevadas do que um produto para adultos para a mesma zona de aplicação. Qualquer produto que entre em contacto com a pele do recém-nascido será, assim, facilmente absorvido, o que não é benéfico.

Desta forma, o risco de toxicidade nesta fase da vida da criança, é elevado e requer o máximo de cuidado na escolha de um cuidado adaptado.

O pH da pele do bebé é diferente do pH da pele do adulto.

Os recém-nascidos têm um pH próximo de 7, neutro, enquanto o pH do adulto é ácido (oscila entre 5,5 e 6,5) proporcionando uma boa proteção da pele contra as bactérias. Esta é a razão pela qual a pele do bebé fica sujeita a infeções, e é mais frágil e delicada.

A pele do bebé é mais suscetível a alergias do que a pele dos adultos. A epiderme do recém-nascido absorve substâncias com mais facilidade. Por isso, os produtos que utilizar, nesta ou em qualquer outra altura do ano, devem ser hipoalergénicos e adaptados à pele sensível do bebé, como recomendam os especialistas. No mercado, são muitas as marcas que investiram em fórmulas que garantem essa segurança.

Guia prático para proteger a pele dos mais pequenos na praia

Para preparar a pele para a praia, David Serra, dermatologista, sugere quais os hábitos que os pais devem abraçar para protegerem a pele dos seus filhos e ainda identifica o tipo de produtos de proteção solar que é mais indicado para a pele infantil. Até aos 12 meses, “é desaconselhada a exposição solar direta prolongada”, começa por referir o especialista. Entre as 11h00 e as 16h00, os mais pequenos não devem apanhar sol.

Esse cuidado deve ser mantido, sempre, “com crianças de pele muito clara, cabelos louros, ruivos ou castanhos-claros, olhos azuis ou verdes e com história familiar de cancro de pele ou com pais com muitos sinais”, acrescenta o especialista. Até aos dois anos, “o protetor solar deve conter apenas filtros físicos”, sublinha ainda David Serra. Filtros que não reagem quimicamente com a pele para proteger a criança.

Antes, formam uma barreira que reflete tanto as radiações UVA, como as UVB, protegendo a pele da criança. No momento de sair de casa, há uma lista de objetos fundamentais a não esquecer antes de ir para a praia, que deve conferir. Deve incluir, além do chapéu, óculos de sol e um guarda-sol. “O vestuário é a forma mais eficaz de proteger a pele do sol”, justifica o dermatologista David Serra

“O protetor solar deve ser aplicado antes de sair de casa e renovado regularmente, em função da atividade da criança e se toma banho. A aplicação deve ser uniforme e abranger toda a pele exposta”, recomenda ainda o especialista. No momento de escolher, prefira leites ou loções aos protetores em spray, visto que “obrigam à utilização de maior quantidade de produto e hidratam mais”, refere ainda.

Escolha sempre produtos com fator de proteção “SPF 50+ e o símbolo UVA também deve estar presente”, aconselha David Serra. Depois de saírem da praia ou se os seus filhos estiveram a chapinhar numa piscina com água salgada, lave sempre a pele com água doce. “A exposição ao sol deve ser gradual e não súbita. Deve ser de pouco tempo nos primeiros dias de exposição”, alerta ainda o dermatologista.

Texto: Filipa Basílio da Silva

Banco de leite humano ajuda a salvar bebés prematuros

Agosto 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do DN Life de 9 de julho de 2019.

Numa altura em que há cada vez prematuros a nascer de grávidas tardias, o leite materno permite evitar infeções, futuras complicações no desenvolvimento, até mortes. E aqui entra o único Banco de Leite Humano do país, a ajudar as mães a alimentarem os seus bebés desde 2009.

Texto de Ana Pago

Israel Macedo, pediatra e neonatologista, sabe bem os cuidados que inspiram bebés nascidos antes do tempo. Alguns pesam menos do que um pacote de arroz, com órgãos tão imaturos que quase os perdemos com um sopro. Muitos irão ter tubos e sensores nos corpos minúsculos até alcançarem o vigor de um bebé maior – os pais ficam perfeitamente aterrados, mas o importante é sobreviver. E aqui o leite materno tem um papel imperativo, que justifica a existência de um Banco de Leite Humano na Maternidade Alfredo da Costa (MAC) desde 2009. É o único no país até à data.

Há cada vez mais prematuros a nascer em Portugal, fruto de melhorias na saúde e de um aumento da idade materna. E é nos muito pré-termo que se regista quase 60% da mortalidade neonatal e maior perigo de complicações posteriores ao nível do desenvolvimento”, explica o médico especialista em prematuros da MAC, Lisboa, e coordenador do Banco de Leite Humano que cocriou, ciente das prioridades: os bébés evoluem melhor com leite fortificado da mãe e logo a seguir com leite doado (se a primeira opção for insuficiente).

“Mesmo nesses casos, o ideal é combinar o leite doado com leite materno sem cair na asneira de achar que o das dadoras substitui o da própria mãe, do melhor para proteger um bebé tão vulnerável de uma série de infeções no imediato e a longo prazo”, sublinha Israel Macedo. Por isso insiste tanto em dizer a estas mães fragilizadas, que veem os seus filhos de um palmo a ser ventilados na incubadora, que devem tentar amamentá-los mesmo que se sintam fracas e tenham pouco leite.

“É tudo ouro. Qualquer bocadinho de colostro já vai ter um papel anti-inflamatório e estimular o crescimento do tubo digestivo”, reitera o médico, que se por um lado não se impressiona com o aparato tecnológico em torno dos prematuros, por outro assusta-se de morte com o risco de infeções fatais em bebés tão pequenos. “Com o Banco de Leite Humano a ajudar estas mães a amamentar, o número de enterocolites caiu drasticamente para um a dois casos por ano, quando antes surgiam em 12% dos bebés com menos de 28 semanas.”

Isto quando a enterocolite é a emergência gastrointestinal mais recorrente e perigosa nos recém-nascidos, em especial os de muito baixo peso ou que ficam internados nos cuidados intensivos: a superfície interna do intestino inflama-se e sofre lesões que conduzem a uma proliferação bacteriana anormal, podendo redundar em peritonites, perfuração intestinal e até infeção generalizada e morte nos quadros mais graves, agravadas pelos leites de fórmula que alteram o microbioma.

“Aqui, se 50% do leite for da mãe, complementado com leite de banco, a proteção é idêntica à que o bebé teria se só bebesse leite materno, já que os micro-organismos e toda a parte enzimática que existem no leite cru estão lá presentes”, sustenta Israel Macedo, acrescentando de caminho outra mais-valia inegável: “Ao fazermos a alimentação exclusiva com leite materno ou de dadora até às 32-34 semanas, assistimos habitualmente a um retirar de cateteres mais rápido, o que só por si também reduz o risco de infeções hospitalares”, diz.

De resto, bebés prematuros são todos os que nascem com menos de 37 semanas, sem exceção, embora haja uns casos mais alarmantes do que outros – em particular os nascidos antes das 32 semanas e a pesar menos de um quilo e meio (pouco mais que as embalagens de leite ou farinha que compramos no supermercado). A idade gestacional em que 50% sobrevive está atualmente nas 24 a 25 semanas, algo que seria impensável há uns 30 anos.

“Aquilo que pensámos foi que, face à população crescente de grávidas tardias e prematuros em Portugal, não fazia sentido não ter esta opção para oferecer quando não existe leite materno em quantidade suficiente”, conta Israel Macedo, que em 2007 começou a matutar num banco nosso ao assistir a um congresso sobre o tema em que participaram João Aprigio, coordenador da Rede Brasileira e do Programa Iberoamericano de Bancos de Leite Humano, alguns colegas espanhóis e brasileiros com essa experiência e Jorge Branco, então presidente da MAC (que na altura estava a aderir à iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés, promovendo o aleitamento materno).

Em 2008, à boleia de umas remodelações na ala pediátrica da MAC, fizeram-se as obras a contar com o Banco de Leite Humano, que já ajudou a alimentar mais de mil bebés. “Em 2009, quando entrou em funcionamento, houve pelo menos 70 mulheres a doarem-nos o seu leite, o que permitiu alimentar uma média de 20 bebés prematuros por mês”, revela o neonatologista, lembrado de cada momento. De 2010 a 2011 recolheram cerca de 600 litros de leite humano, sem imaginar a carência que estava para chegar.

Em 2012, com a crise a restringir o que se pagava à empresa que recolhe e faz o transporte refrigerado de casa das dadoras para o Banco, a MAC passou de uma média de 30 mulheres para dez (e depois para cinco), com o leite a baixar dos 15 para os oito litros por semana num ápice. Somente em 2018 voltaram a uns generosos 360 litros de leite entre 46 dadoras (algumas tinham muito para dar) e estimam atingir entre 400 e 500 litros em 2019.

Além dos bebés internados no serviço de neonatologia da MAC, o Banco alimenta ainda prematuros nos hospitais Fernando Fonseca (o Amadora-Sintra), Dona Estefânia, Santa Marta e pontualmente no de Cascais e Beatriz Ângelo (Loures). Estão igualmente a dar-se passos sólidos para que o fornecimento seja alargado aos hospitais de Santa Maria, Garcia de Orta e São Francisco Xavier.

“O processo é muito simples: mal os hospitais com prematuros preveem iniciar a alimentação dos seus bebés, mandam-nos um e-mail com aquilo de que precisam e o estafeta leva diariamente o leite que descongelamos para os nossos”, esclarece o coordenador. Quando as quantidades são maiores, passam a fornecer o leite para a semana e fazem, eles próprios, uma a duas pasteurizações semanais em que tratam nove litros de leite cru, que é descongelado e submetido a temperaturas de mais de 60 graus para matar quaisquer vírus e bactérias. “No final, uma técnica de patologia clínica analisa tudo, faz a rotulagem e informatiza os resultados”, diz.

Antes desta fase, cada dadora recebe frascos esterilizados, etiquetas e uma bomba para extrair o leite em casa, onde pode conservá-lo por alguns dias a 25 graus negativos antes de ser recolhido e levado para o Banco de Leite Humano. Requisitos cruciais a cumprir: não pode fumar, beber álcool, ter doenças crónicas ou tatuagens há menos de três meses, estar infetada com algo que possa ser transmitido ao leite ou tomar medicação regularmente. Além disso tem de estar a amamentar em exclusivo o seu próprio bebé, nascido há pelo menos quatro meses.

“Temos uma enfermeira na MAC que faz a triagem telefónica, mais três médicos responsáveis pelas entrevistas pessoais detalhadas”, enumera Israel Macedo. Para a recolha contam ainda com três pessoas do Banco do Bebé – uma organização sem fins lucrativos que presta apoio domiciliário – e com uma equipa de dois médicos e duas enfermeiras da Unidade de Saúde Familiar Conde Oeiras, que desde 2017 já angariou mais de 120 litros de leite para o Banco, fazendo todo o acompanhamento das mães ainda desde as consultas pré-parto.

“No meio disto, é uma pena que o Porto não tenha conseguido fazer o Banco de Leite Humano que esperava abrir no final de 2018”, lamenta o pediatra, que acompanhou de perto as movimentações dos hospitais de São João, Santo António e Maternidade Júlio Dinis nesse sentido – sem efeito. “Não sei em que pé estão as coisas ou que dali vai sair, mas a quantidade de partos e de prematuros justifica plenamente um segundo Banco que sirva a zona norte e centro, onde se inserem os hospitais de Coimbra.”

Há dadoras que lhes ligam, a quererem entregar o seu leite, e nem eles têm capacidade para ir fazer recolhas lá acima nem a hipótese de mandarem leite materno de Lisboa para norte. “Numa fase a seguir a essa teria de se pensar também numa pequena unidade em Faro, que é outra zona do país onde nascem bastantes prematuros”, acrescenta Israel Macedo, esperançado num desfecho positivo. Gota a gota…

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