“Temos de olhar para os bebés como seres muito competentes”

Maio 6, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Åsmund Gimre on Unsplash

Texto do https://www.dn.pt/ de 15 de abril de 2018.

Joana Capucho

Clementina Almeida, psicóloga clínica com especialidade em bebés, diz que os pais precisam de muita informação para saberem lidar melhor com o desenvolvimento dos filhos

Se uma criança for forçada a deixar de usar fraldas sem estar preparada para o fazer, o processo pode arrastar-se durante meses ou até anos. “Muitas vezes os infantários decidem fazer o desfralde, mas as crianças não estão prontas. Se respeitarmos o seu desenvolvimento, as coisas vão acontecer naturalmente”, diz Clementina Almeida, psicóloga especialista em bebés, autora do livro Luca, o hipopótamo que não queria deixar as fraldas.

Depois da publicação de um livro sobre os medos e outro acerca das birras, a psicóloga lançou recentemente dois novos títulos: Pipo, o urso que não queria ficar sozinho e Luca, o hipopótamo que não queria deixar as fraldas. O objetivo é ajudar os mais pequenos – e os adultos – a gerirem duas situações que provocam grandes emoções: as perdas e o desfralde. “Os pais precisam de muita informação para saberem lidar melhor com o desenvolvimento dos filhos”, diz ao DN. Por isso, organiza os livros “ao contrário do que é habitual”: “Com base na ciência, ponho um animal a fazer o que é suposto as crianças fazerem, para que se identifiquem, entendam as suas emoções e se acalmem. E no final tenho algumas estratégias genéricas para os pais.” Assim como explicações para que percebam o porquê de determinados comportamentos.

No que diz respeito ao desfralde, Clementina Almeida diz que os pais devem estar atentos aos sinais, nomeadamente às competências físicas (ser capaz de ficar sentado algum tempo, ter controlo muscular da bexiga e intestino), cognitivas (saberem quando precisam de ir à casa de banho) e emocionais (estarem prontas para abandonar a fralda). E dá algumas dicas para que o processo ocorra de forma tranquila, como “não ter pressa, dar o exemplo, ler histórias, criar rotina e contar com os “acidentes””.

David Miranda utilizou algumas destas estratégias com a filha, Benedita, de 3 anos. “Hoje em dia existe muita imposição, nomeadamente nas escolas, mas nós temos uma abordagem muito liberal. E procurámos um infantário que também a tivesse”, afirma o autor do blogue Duas para um. Recorda-se que o desfralde terá acontecido “aos dois anos, dois anos e meio”, de forma natural. “Fomos conversando, lendo histórias. Foi a Benedita que disse que queria deixar a fralda, como a personagem da história. Primeiro durante o dia, depois à noite. Houve deslizes, raros, o que comprova que foi no momento certo”, refere.

Se o desfralde for mal conduzido, Clementina Almeida, fundadora do espaço ForBabies, diz que pode dar origem a retenção de urina ou fezes, atrasar o processo, levar a situações de vergonha ou “até provocar situações de obstipação”.

A importância do luto

Pipo é um urso que não queria ficar sozinho. Com a ajuda dos pais, aprendeu a lidar com a tristeza e o medo de estar separado daqueles de quem mais gosta, recorrendo a “um tesouro invisível cheio de joias – pedacinhos de quem se ama”. É com esta história que Clementina espera ajudar crianças que são obrigadas a lidar com a morte de alguém próximo, de um animal de estimação ou com a separação. Foi a mais difícil de escrever, assume, já que não é fácil falar de perdas.

“Temos de olhar para os bebés como seres altamente competentes. Não podemos pensar que não sentem ou não veem. Nestas situações, são muitas vezes deixados de parte”, indica a psicóloga, destacando que “o desaparecimento de alguém pode gerar angústia”. A criança pode, inclusive, pensar que, a qualquer momento, os pais podem desaparecer. “Temos de deixar que se despeça do que perdeu. Permitir que faça o luto, o que pode ser feito com um desenho para enviar para a “estrelinha” ou uma carta a dizer que gosta da pessoa.”

O nível de desenvolvimento da criança ditará a forma como vai entender a perda ou a separação. “Deve usar-se a imaginação para explicar a situação. Fazê-lo à medida das suas capacidades de entendimento. Se ela resolver ir brincar a meio da conversa, é normal.” É a forma de lidar com a dor. “Dê-lhe tempo.” E em caso de morte, “nunca exponha a criança a um funeral”.

Quando o casal se divorcia, Clementina Almeida diz que “o ideal é que ambos expliquem que o pai e a mãe gostam muito da criança, mas deixaram de gostar um do outro. Devem dar a segurança que, nos momentos mais importantes, vão estar os dois.” Segundo a psicóloga, entre os vários modelos de guarda partilhada há casos em que a criança passa uma semana com cada um, semanas divididas pelos dois e até situações em que é mantida a casa do casal, e pai e mãe saem alternadamente. Uma situação que não será viável para a maioria das famílias, mas “que preserva tudo”.

Da coleção de Clementina Almeida fazem parte os livros Duda, o leão que tinha medo e Tita, a zebra que não queria ter riscas. Tudo começou com Olívia, a ovelha que não queria dormir. David Miranda diz que foi um dos primeiros livros que leu à filha, e ajudou a criar “um momento zen” antes de ir para a cama. Olha para “os livros como um guião para ajudar a resolver os problemas das crianças”.

 

 

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Como traduzir um bebé?

Maio 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Entrevista do https://www.educare.pt a Clementina Almeida.

Explica que o cérebro dos bebés nasce imaturo. Para o entenderem os pais devem perceber mais sobre o desenvolvimento infantil. Assim, vão poder lidar melhor com birras, medos e outras situações. Clementina Almeida, psicóloga especializada em bebés, em entrevista ao EDUCARE.PT.

Andreia Lobo

Chamam-lhe “tradutora de bebés”. Clementina Almeida é psicóloga clínica com especialidade em bebés. Fundou o BabyLab, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, onde é investigadora e dirige a ForBabies, no Porto, uma clínica especializada no atendimento de bebés dos zero aos 36 meses.

Empenhada em passar aos pais informação baseada em “evidência científica”, Clementina Almeida escreveu o livro “Socorro! O meu bebé não dorme”, editado pela Porto Editora. Estreou-se, depois, na literatura para a infância, com uma coleção de histórias “com psicologia” para crianças e pais. Quatro personagens ajudam os mais pequenos a identificar-se com a problemática com a situação que vivem e a entender o que  sentem: “Luca, o hipopótamo que não queria deixar as fraldas”, “Pipo, o urso que não queria ficar sozinho”, “Duda, o leão que tinha medo” e “Tita, a zebra que não queria ter riscas”.

Por detrás de cada livro permanece sempre a preocupação de explicar aos mais crescidos os motivos de alguns dos comportamentos das crianças. Por isso, a psicóloga e escritora admite, com graça, que “escreve ao contrário”. Primeiro, investiga sobre o que a ciência diz a propósito do tema que pretende explorar. Depois, cria uma história que a criança possa entender. No final do livro, volta à ciência e explica aos pais, de forma simples, tudo o que precisam de saber. O EDUCARE.PT conversou com Clementina Almeida sobre desenvolvimento infantil, sobre birras e medos e como entender melhor o que as crianças nos dizem.

EDUCARE.PT (E): Dos zero aos três é a idade em que o cérebro atinge 85% do seu desenvolvimento. Como se explica este desenvolvimento num período tão curto?


Clementina Almeida (CA):
 Ao contrário da maior parte dos órgãos, que quando o bebé nasce já têm a maturidade suficiente, o cérebro nasce completamente imaturo. Se o cérebro crescesse aquilo de que nós precisávamos para que se tornasse maturo era impossível as mulheres darem à luz. Isto tem a ver com a nossa evolução como espécie, o facto de deixarmos de andar em quatro patas e passarmos a andar em duas, as ancas tiveram de estreitar para podermos correr e fugir dos predadores. E, portanto, a natureza arranjou um compromisso que é os bebés nascem ao fim de nove meses, mas com o cérebro ainda imaturo.

O bebé nasce totalmente dependente das relações que vai ter com o seu meio ambiente, das relações próximas com a mãe e com o pai, ou seja, com os cuidadores, mas também das experiências sensoriais que vai ter no primeiro ano de vida. Imagine-se o cérebro como uma pirâmide, em que a parte de baixo são as vias sensoriais mais básicas, como o cheiro, o toque, o ouvir – daí ser tão importante lermos e falarmos para os bebés. Com base nessas partes sensoriais vão edificar-se as estruturas mais complexas em termos cognitivos e emocionais.

No fundo, os primeiros três anos vão determinar as nossas competências em termos de aprendizagens futuras e a nossa saúde. Se tivermos boas fundações, tudo corre bem. Se tivermos experiências adversas de infância, como viver numa família economicamente desfavorecida, ter de lidar com psicopatologia materna, viver em pobreza ou mau ambiente familiar… Tudo tem um impacto tremendo no desenvolvimento cerebral nestes três anos. Quando somos bebés fazemos 700 a mil sinapses por segundo, é um verdadeiro fogo de artifício, nunca mais na vida teremos este tipo de desenvolvimento.

E: Que implicações isto tem?


CA:
 Se pensarmos que todas as sociedades gastam imenso dinheiro em termos de saúde pública, é certo que gastaríamos muito menos se investíssemos na primeira infância. Alguns prémios Nobel da economia dizem que por cada dólar investido na primeira infância temos um retorno de sete a nove dólares. Mas ainda estamos culturalmente muito habituados a achar que os bebés comem, dormem e mais nada. Falar para o bebé para quê, se ele não responde? Graças à evolução das neurociências conseguimos, hoje, perceber o que se passa dentro do cérebro do bebé. E sabemos que se passa muita coisa. Por isso, os primeiros anos não podem ser deixados ao acaso, de forma nenhuma.

E: Tão-pouco se podem deixar ao “acaso” os cuidados nos berçários e nas creches?


CA:
 Sim, por exemplo. Mas em Portugal não temos berçários de qualidade. Desde logo, porque um dos critérios para ter qualidade é o ratio de adulto por bebé. No primeiro ano de idade sabemos que o ideal será o ratio de um para um, porque o bebé precisa de um cuidador que responda de imediato às suas necessidades. Se nos berçários temos oito bebés para dois cuidadores, é óbvio que se um começa a chorar e os outros sete se seguem alguém vai ficar com as suas necessidade inatendidas. E este choro inatendido – quando é repetitivo e não há nada que o acalme – é, muitas vezes, classificado como stress tóxico na primeira infância.

Tóxico porque efetivamente acaba por afetar o desenvolvimento cerebral que se está a dar naquele momento. Que é precisamente o oposto do que se deseja. O stress vai libertar alguns químicos, nomeadamente o cortisol que tem um efeito cáustico no desenvolvimento dos bebés. Por bebé entende-se a idade dos menos nove meses até aos três anos e, depois, os de três estão a deixar de ser bebés, mas ainda são pequeninos. Um bebé que tem sistematicamente estas necessidades inatendidas, fica com o cérebro literalmente menor e com áreas – chamadas de buracos negros – que não se desenvolvem como deveriam.

E: Com tudo o que disse, o que deveria mudar na forma como a sociedade olha para estas idades?


CA:
 Há muito saber deste que ainda está na ciência. Ou seja, que ainda não está acessível aos pais. Os jornalistas têm um papel fundamental de transmitir esta informação. Quanto mais os pais souberem sobre o desenvolvimento, mais vão fazer pelos seus filhos. Portanto, o primeiro passo é possibilitar aos pais o acesso à informação de que os primeiros anos de vida da criança são demasiado importantes para serem deixados aos acaso. Depois, em termos de políticas de prevenção temos tendência para atuar quando já existe a doença ou o sintoma já apareceu. Fazemos pouco em termos preventivos. Em termos políticos, a prevenção é algo cujos resultados só se vêm daqui a vinte ou trinta anos. Não costuma ser uma prioridade em Portugal trabalhar com vista à prevenção.

E: Dê-me exemplos de coisas simples que os pais podem fazer para aproveitarem ao máximo o potencial destes três anos?


CA:
 A coisa mais simples que podem fazer é falar para o bebé. Sabemos que existem bebés que ouvem cerca de 600 palavras por dia enquanto outros ouvem 1500. Aos três anos, por exemplo, dá uma diferença de 30 milhões de palavras. Não seria importante se não estivesse relacionado com o desenvolvimento da linguagem aos dois anos e, inclusive, depois com o sucesso académico até aos 10 anos. Falar não custa dinheiro.

Podemos falar com o bebé sobre tudo, ler, cantar, ou seja, usar muitas e muitas palavras, porque estamos a fazer estimulação sensorial auditiva que é muito importante. Também é importante expor o bebé a outras experiências sensoriais: tocar em tecidos, expo-lo a cheiros, do café, do chocolate, da canela… O trabalho na ForBabies começa pelo programa BabySense em que os bebés recebem uma hora de estimulação sensorial adaptada à idade e ao desenvolvimento. Os pais recebem orientações para fazer o programa em casa, o que inclui fazer tintas e plasticina caseiras que são coisas divertidas que os bebés adoram. E, acima de tudo, ajudamos estes pais a perceberem o quão importante este tipo de experiências é para o desenvolvimento cerebral do bebé.

E: Sente que os pais precisam de formação para a parentalidade?


CA:
 Precisam de conhecimento. Mas muita coisa é instintiva. Costumo dizer que os mais especialistas em bebés são os pais, porque os conhecem e percebem todas as suas nuances e diferenças. Todas as famílias são diferentes e eu valorizo muito a criatividade familiar. Por isso também sou avessa àqueles cursos de parentalidade. A maior parte deles ensinam uma determinada abordagem e a mim isso soa-me mal. Parece que pretendem que todos os pais façam daquela maneira para que todos filhos sejam daquela maneira. O que corta muito esta criatividade. Nos EUA e em Inglaterra existem movimentos a favor de ensinar os pais acerca do desenvolvimento. A ideia é não que precisamos de ensinar os pais a serem pais, porque já sabemos que eles vão fazer o melhor que podem. Se eu souber que o meu bebé está a fazer uma birra porque está numa fase de desenvolvimento, que a birra tem estas fases e a seguir posso atuar desta maneira, que ele me está a transmitir um pedido de ajuda e, não propriamente, um confronto comigo, se calhar, consigo perceber de que forma o posso ajudar.

Há determinadas estratégias em cursos de parentalidade que põem os pais a pensar: “Isso é muito giro, mas venha cá a casa quando ele está a espernear.” Noto muito isso na consulta de psicologia pediátrica de rotina que avalia as crianças pequenas para além dos percentis. Os pais procuram muito esta consulta como orientação e dizem-me que a partir do momento em que perceberam o que se estava a passar a situação melhorou logo.

E: A dificuldade é mesmo entender o que está por detrás do comportamento dos bebés.


CA: 
Sim, porque é preciso perceber de desenvolvimento e isso falha. Depois, se a estratégia é dar mais ou menos beijinhos, se é conversar lá fora ou lá dentro, isso depende da criatividade de cada pai e mãe e não devemos cortar isso.

E: A pensar no que é comum a muitas crianças – birras, medos, perdas e dificuldades no desfralde – escreveu uma coleção de livros infantis que servem também de apoio aos pais…
CA: Com mais ou menos exuberância, todas as crianças acabam por passar por uma ou outra destas fases. A ideia dos livros é a criança identificar-se com o animal que protagoniza a história – o leão que tem medo, a zebra que não quer ter riscas – e que representa um momento comum na infância dos zero aos três. No final do livro tento espalhar conhecimento. Explico, por exemplo, aos pais o que são os medos característicos de cada fase e as estratégias genéricas que podem utilizar. Os livros não são apenas “historinhas”, são ferramentas para os pais.

No caso das fraldas, muitas crianças têm dificuldades porque no infantário de repente toda a gente vai desfraldar e não se tem consideração o nível de desenvolvimento cognitivo e emocional de cada criança. O desfralde é uma fase do desenvolvimento, fazê-lo antecipadamente é como ter a criança sem caminhar e querer ensiná-la a correr. Largar as fraldas é um marco, é deixar de estar a brincar e fazer a coisa quando lhe apetece, é ter consciência do funcionamento da sua bexiga, do seu intestino. As crianças têm de ser capazes, em termos motores, de se sentarem durante algum tempo. Tudo isto são metas que vão conquistando e quando se conquistam o desfralde é natural.

E: As birras são também outro desafio para os pais…


CA: 
As birras são outro marco natural do desenvolvimento da criança. Mas acontecem, na maior parte das vezes, porque nós pais fazemos com que elas surjam. Os adultos controlam tudo na vida da criança: a que horas sai de casa, para onde vai, o que vai comer, o que vai vestir, a que horas se deita. Chega uma altura em que a criança começa a ter a sua autonomia e quer controlar qualquer coisa, quer decidir coisas no mundo dela. Uma forma de evitar as birras é dar à criança poder de decisão ao longo do dia. Não é deixá-la fazer tudo o que quer, mas dentro do que eu preciso que ela faça deixá-la decidir alguma coisa. Por exemplo, preciso que ela se vista. Posso dar a escolher: queres esta camisola ou esta? Não é abrir o armário e perguntar: qual é que queres? Isso seria demasiado para uma criança de dois anos. Mas se der à criança possibilidades de escolha, a parte psíquica que precisa de escolher e de sentir que controlou qualquer coisa ali à volta vai-se desenvolvendo saudavelmente. A criança fica mais segura e, ao mesmo tempo, o adulto está a fazer as coisas que quer. Se disser apenas “vamos vestir isto”, a possibilidade que a criança tem de escolher é dizer “não”, porque não lhe foi dada outra hipótese. Portanto, há formas de prevenir e de lidar com a birra quando ela aparece.

E: Muito frequentes são as birras no supermercado. Há alguma explicação?


CA: 
É preciso perceber que os supermercados, os shoppings, são locais de muita estimulação e, portanto, podem rapidamente provocar uma birra porque os bebés não têm ainda capacidade para regular todo aquele estímulo. Muitas vezes os pais pegam na criança que sai da creche onde está completamente contida –  porque também não tem grandes hipóteses de escolha e as coisas estão muito determinadas –  metem-na no carro e a caminho de casa passam pelo supermercado. É como pegar num barril de pólvora e andar a ver se aquilo explode. Se calhar era melhor depois da creche fazer a criança correr para aliviar aquela “panela de pressão” ou fazer ao contrário, ir primeiro ao supermercado e depois ir buscar a criança. Não devemos deixar de os expor às situações, mas é preciso perceber quando os estamos a expor. Há momentos que servem mesmo de gatilho.

E: No final de cada um dos seus livros escreve: “Respire fundo e lembre-se que o adulto é você”. Os pais esquecem-se disto?


CA: 
As crianças precisam imenso da ajuda dos pais para se regularem emocionalmente. Não têm sequer alguns dos neurotransmissores que os adultos têm e a nós, muitas vezes, salta-nos a tampa, a eles que não os têm mais facilmente isso acontece. Se a criança tem dificuldade em lidar com a birra e ainda levar por cima com agressividade ou berros dos adultos vai ter grande dificuldade em lidar com aquilo de forma saudável. A ciência mostra que 80% do que somos é relação e 20% é genética. Vem alguma coisa determinada, mas depois se aquele gene dispara, ou se me torno mais desta forma ou de outra, é pela relação que estabeleço todos os dias.

 

A solução para as cólicas pode estar no mimo. “A noção de que os recém-nascidos ganham habituação ao colo é um mito”

Abril 29, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 12 de abril de 2018.

por CATARINA DA EIRA BALLESTERO

As cólicas são um dos dramas de quem acabou de ter um bebé. Pediatras explicam o que são, como se podem atenuar e dão conselhos úteis.

São uma das maiores inimigas dos novos pais. As cólicas dos bebés, que geralmente surgem ao final do dia, provocam desconforto à criança, fazendo-a chorar durante longos períodos, o que lhe gera um elevado grau de irritação, que não ajuda a que se acalme. Mas afinal, o que são as cólicas e o que é que as causa?

“Na verdade, não se sabe muito bem o que as causa”, diz à MAGG Hugo Rodrigues, pediatra, que acrescenta que se calcula que estas “estejam relacionadas com alguma imaturidade do intestino e acumulação de gases”.

A definição médica das cólicas baseia-se na chamada “regra dos 3”, como explica o pediatra — se os bebés choram mais de três horas por dia, mais de três dias por semana e mais de três semanas por mês.

“Na prática, consideramos que um bebé tem cólicas quando tem episódios de choro que não têm causa evidente e se fora desses episódios, a criança estiver bem”, afirma o especialista.

No entanto, existem outras teorias, e uma das mais consistentes assenta na premissa de que as cólicas dos recém-nascidos são apenas mais uma etapa do desenvolvimento cerebral do bebé.

As cólicas são tão comuns como gatinhar ou sentar

O pediatra Miguel Fragata Correia acredita que as cólicas são uma etapa do desenvolvimento das crianças, tão comum como aprender a gatinhar.

“O cérebro dos recém-nascidos, ainda muito imaturo, tem uma perceção alterada dos estímulos dos intestinos e reage aos mesmos com um choro excessivo.”

“O bebé passa por um desenvolvimento cerebral e as cólicas são o reflexo disso mesmo. O cérebro dos recém-nascidos, ainda muito imaturo, tem uma perceção alterada dos estímulos dos intestinos e reage aos mesmos com um choro excessivo.”

O especialista afirma que as cólicas permanecem um mistério, dado que todos os estudos feitos no sentido de perceber a razão das mesmas se revelaram inconsistentes.

“Existe uma associação geral com os gases, e que é de facto um contributo (dado que quanto mais gás temos nos intestinos, maior é o desconforto), mas não é a razão principal”, refere o pediatra.

A obstipação das crianças também costuma ser um fator apontado por muitos pais como a causa mas, mais uma vez, o especialista desmente. “Se esse fosse o caso, não teríamos bebés que fazem cocó três e quatro vezes por dia e sofrem imenso com as cólicas.”

“Acredito que não fazem mal ao bebé, só à família”

Apesar do enorme desconforto que causa nas crianças, Miguel Fragata Correia acredita que as cólicas não são prejudiciais para a saúde. “Acredito que as cólicas não fazem mal ao bebé, só à família. São um período muito complicado, de extremo cansaço, muito stressante e os pais passam muitas horas sem dormir”, salienta o pediatra.

Débora Grilo Esteves, produtora, tem 30 anos e é mãe de duas crianças: Frederica, de dois anos, e Lopo, com apenas 10 semanas. “A Frederica nunca sofreu com cólicas por isso não fazia ideia do que me esperava. Nos primeiros dias o Lopo era um anjinho, dormia dia e noite e só acordava para mamar”, conta Débora.

Mas não demorou muito para o cenário se alterar. Com cerca de duas semanas, o filho de Débora e do companheiro de quase dez anos, Sebastião, começou a sofrer muito com cólicas. “Por volta das 19 horas começava a ficar irrequieto. De repente acordava a chorar, aos gritos mesmo, muito encarnado e não acalmava com nada. Tentava dar mama, colo, mimos — mas nada funcionava. E ficava assim horas e horas.”

As cólicas do filho mais novo foram complicadas de decifrar para Débora, e a produtora chegou a pensar se Lopo teria fome. ”Estás num tal estado de desespero que pensas em tudo e equacionei que o meu leite não fosse suficiente para o alimentar. Mas percebi numa consulta que estava a aumentar bem de peso e acabei por descartar essa hipótese.”

A produtora concorda que a fase das cólicas, que ainda atravessa no presente, é um período muito duro, principalmente para os pais, privados de sono e exaustos ao limite.

“Já ouvi várias vezes que é uma fase, que geralmente termina por volta dos três, quatro meses e estou aqui em countdown.”

“Já ouvi várias vezes que é uma fase, que geralmente termina por volta dos três, quatro meses e estou aqui em countdown. São semanas muito complicadas. Quando a Frederica nasceu, aproveitava os momentos em que ela dormia para descansar mas agora a realidade é outra.”

Com uma criança de dois anos e um bebé de dez semanas em casa, Débora confessa que a gestão do tempo é desafiante e que o apoio do companheiro é crucial — assim como os momentos a dois para respirar.

“Os meus filhos não gostam de dormir ao mesmo tempo. Quando consigo adormecer o Lopo, a Frederica acorda e está super ativa, o que é completamente normal para a idade dela. Quer brincar, ver filmes, o que for. Mas o meu tempo de descanso desaparece. Acabámos por nos organizar por turnos: de noite eu fico responsável pelo bebé, de manhã o Sebastião cuida da nossa filha para eu dormir mais, por exemplo.”

O cansaço e a noites sem dormir também podem causar danos no casal, como explica o pediatra Miguel Fragata Correia, que considera que alguns pais até “podem ter de fazer terapia de casal. É um facto, as cólicas de uma criança podem alterar a dinâmica familiar.”

No caso de Débora e do companheiro, a exaustão também gera conflitos, apesar de o casal conseguir reconhecer facilmente a razão porque está a discutir.

“Estamos tão exaustos que começamos a discutir por tudo e por nada. Mas pouco depois conseguimos parar um bocadinho e perceber que o cansaço é o culpado de todas essas brigas. E tentamos também ter espaço para nós. De vez em quando recorremos aos avós ou às nossas irmãs e arranjamos forma de ir jantar com amigos ou a dois. É importante ter três horas para estarmos um com o outro, sem falar nem pensar em bebés.”

Há uma luz ao fundo do túnel: as cólicas, como qualquer fase, também passam

Patrícia Ferreira Ramos, blogger e assessora de imprensa, tem 35 anos e é mãe de dois filhos. Mas foi com a filha mais velha, de quatro anos, que passou pelo pesadelo das cólicas.

“A Leonor teve imensas até aos dois meses. Usámos todas as gotas e mais algumas, como o Aero-Om, e até pedimos a uma amiga da Irlanda para nos trazer umas especiais que não se vendiam em Portugal”, conta Patrícia.

A filha não dormia, os pais também não — e não sabiam mais o que fazer. Chegaram a ir ao hospital e passavam noites com a bebé ao colo e a fazer muitas massagens.

“Os nossos esforços aliviavam-na um pouco mas, de repente, as cólicas desapareceram por completo com cerca de dois meses.”

Os pediatras concordam: as cólicas têm uma linha de tempo. “Geralmente, começam por volta das três semanas, têm o seu pico nas seis, oito semanas, e terminam aos três ou quatro meses”, explica Miguel Fragata Correia, que acrescenta que ”são uma fase que todos os bebés passam, apenas existem uns que se manifestam mais que outros. E nunca vi casos de cólicas que não passassem, há que explicar isso aos pais.”

Enquanto não se atinge a marca dos quatro meses, que geralmente representa o fim desta saga, há que não desesperar — e existem técnicas para tentar acalmar o seu bebé.

“A noção de que os recém-nascidos ganham habituação ao colo é um mito.”

“O mais importante é o contacto físico com os pais, porque tranquiliza os bebés”, afirma o pediatra Hugo Rodrigues. “Para além disso, devem sempre tentar-se as massagens ou dobrar as pernas do bebé sobre a barriga, para ver se ajuda.”

Miguel Fragata Correia é um apologista do colo para acalmar os bebés e vai mais longe — há que abandonar a ideia de que este pode ser prejudicial.

“A noção de que os recém-nascidos ganham habituação ao colo é um mito e, até aos cinco meses, nenhuma criança ganha manhas. Há sim que acalmar o bebé com colo, é mais fácil e as crianças respondem melhor. Se colocarmos um recém-nascido sozinho num berço, este não vai ter capacidade para se acalmar.”

O especialista acrescenta que, apesar de não existirem fórmulas precisas e cada criança ser diferente, as técnicas que acalmam mais os bebés são aquelas que recriam o ambiente do útero.

“Um ambiente calmo, quente, em que a mãe encoste o bebé a si fazendo um contacto pele a pele e embrulhado numa manta podem ser ferramentas úteis, bem como as massagens na barriga a cada muda da fralda”, afirma Miguel Fragata Correia, que acredita que há que “acalmar os bebés para acalmar os pais.”

Hugo Rodrigues conclui: ”Por fim, e se mesmo assim não se conseguir resolver a situação, existem alguns medicamentos no mercado com uma eficácia considerável. Faz sentido que os pais tentem testá-los para atenuar o desconforto do seu filho, desde que sempre aconselhados pelo médico pediatra.”

O leite de fórmula causa mais cólicas que o materno?

Existem vários mitos à volta do tema das cólicas, sendo a alimentação um dos mais recorrentes. Afinal, existe alguma validade na ideia de que os bebés alimentados a leite artificial sofrem mais de cólicas do que os bebés amamentados?

O pediatra Miguel Fragata Correia garante que não existe verdade nessa ideia. “Se assim fosse, todos os bebés alimentados a fórmula, que são bastantes, iriam ser os únicos a ter cólicas, o que não é a realidade. Essa ideia surgiu porque os bebés que não são amamentados bebem o leite através do biberão, que pode causar mais ingestão de ar, o que gera gases e que se acreditava serem o motivo das cólicas”, explica o especialista.

Da mesma forma, o médico pediatra também desmistifica a ideia de que a alimentação das mães pode ser um fator.

“Já existiram vários estudos a tentar encontrar uma ligação entre a alimentação das mães e a amamentação mas todos se revelaram inconclusivos”, afirma Miguel Fragata Correia.

 

 

Brinquedos de banho usados por crianças são paraíso para bactérias

Abril 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com/ de 28 de março de 2018.

POR LILIANA LOPES MONTEIRO

Segundo um estudo do Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática, a Universidade ETH de Zurique e a Universidade do Illinois, nos EUA, podem ser encontrados bactérias potencialmente patogénicas, como a legionela e a pseudomonas aeruginosa, em alguns destes brinquedos. Micróbios esses que estão muitas vezes relacionados com infeções hospitalares.

“Detetamos grandes diferenças entre vários brinquedos. Uma das razões é o material, que pode libertar carbono, e que serve de alimento para as bactérias”, explica a coordenadora da investigação Lisa Neu.

No estudo publicado no periódico Biofilms and Microbiomes, os cientistas indicam que detetaram 75 milhões de células por centímetro quadrado, incluindo bactérias e fungos, em alguns dos brinquedos.

A má qualidade dos plásticos propencia o crescimento das bactérias. Durante o banho, elementos como o nitrogénio e bactérias provenientes do suor e da urina acumulam-se ainda no interior dos brinquedos. O que faz com que a água que sai desses objetos se torne tóxica e provoque infeções.

“Por um lado pode fortalecer o sistema imunitário, o que é positivo, mas também pode resultar em infeções nos olhos, ouvidos ou até no sistema gastrointestinal”, alerta o investigador Frederik Hammes.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Ugly ducklings—the dark side of plastic materials in contact with potable water

Morte de bebés pode estar associada a músculos respiratórios

Abril 19, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Sábado

Notícia e foto da http://www.sabado.pt/ de 3 de abril de 2018.

por Diogo Camilo com Leonor Riso

Estudo do University College de Londres com quase 300 bebés vítimas de morte súbita, mostrou mutações nocivas em músculos respiratórios.

A medicina e a ciência têm um papel fulcral na prevenção de doenças e, a cada dia, há novas descobertas que tornam o mundo mais seguro. Agora, um estudo feito por cientistas e médicos britânicos poderá explicar a morte súbita de bebés com menos de um ano.

investigação conduzida pelo Centro de Doenças Neuromusculares do University College London colocou o seu foco no seu falecimento de lactentes – bebés entre os períodos de recém-nascido e pré-escolar – com anomalias genéticas nos músculos respiratórios.

Até à data, a maior parte do esforço científico estava fixada nos problemas cardíacos, mas as respostas deste estudo convidam agora a ciência a debruçarar-se sobre os genes que intervêm na respiração – um caminho que até agora ainda não tinha sido feito.

Nos países mais desenvolvidos, a síndrome da morte súbita do lactente (SMSL) é a principal causa de morte em menores de um ano. Apesar de serem conhecidos factores de risco como a posição de dormir, o tabagismo dos pais ou o calor, desconhecem-se as causas específicas destas mortes.

Os investigadores britânicos decidiram estudar os músculos respiratórios, assim como o diafragma e os músculos intercostais, que facilitam o trabalho dos pulmões. Foram identificados milhares de variantes genéticas presentes nos mortos por SMSL, após observados os genes que intervêm no desenvolvimento cardíaco.

A análise, publicada no jornal científico The Lancet, mostra que entre os bebés falecidos por morte súbita há uma grande proporção de variantes nos genes que codificam o desenvolvimento e funcionamento destes músculos.

O professor do University College London e co-autor deste artigo, Michael Hanna assegurou em entrevista ao El País que o estudo “é o primeiro a relacionar uma causa genética da debilitação dos músculos respiratórios com o SMSL” e sugere que “os genes que controlam o seu funcionamento podem ter um papel importante nesta doença.”

Num duplo estudo clínico, com observações primeiro no Reino Unido e, posteriormente, nos EUA, Hanna e os seus colegas examinaram, no total, o exoma – a parte codificante do genoma- de 278 bebés lactentes que morreram de SMSL. Aí, fixaram-se em concreto no gene SCN4A, que tem um papel importante no desenvolvimento das células musculares, em particular dos pulmões.

Na população em geral, perturbações associadas a este gene incluem vários transtornos de carácter genético como paragens temporárias da respiração ou miopatias. Por sorte, patologias como esta são bastante raras, tendo envolvido apenas 1,4% dos casos estudados.

Para Hanna, o trabalho futuro passa por estudar outros genes e canais de iões causadores de SMSL. Segundo o cientista, haverá “pelo menos 100 genes relacionados com os canais de iões musculares”.

 

 

Baby Led Weaning: O método que acaba com “miúdos esquisitinhos” com comida

Abril 16, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 3 de fevereiro de 2017.

Rita Ferro JORNALISTA

Se o seu filho tem mais de 6 meses está na altura de guardar as trituradoras, varinhas mágicas e robots de cozinha que põem tudo em puré, sem grumos e sem bocados. Há um novo método que está a conquistar as mães portuguesas. Apesar da sujidade, quem pratica defende que há muitas vantagens, entre elas, miúdos “pouco esquisitinhos” com comida. Andamos à procura de fotos de experiências [e de grandes bagunças]. Tem disso aí por casa? Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

O Baby Led Weaning [ou BLW para os amigos] é um método cada vez mais conhecido e adotado pelas mães portuguesas para introduzirem sólidos a partir dos 6 meses. Na sua essência mais pura, o BLW consiste no desmame conduzido pelo bebé. Ou seja, a partir do meio ano de idade o bebé vai, lentamente e ao seu ritmo, trocando a amamentação exclusiva por alimentos, inteiros.

O regresso ao trabalho antes desta altura, que acontece para tantas mães, pode comprometer a amamentação em exclusivo e leva à introdução de biberão, ou outras soluções. Entao aí, o BLW, já não serve completamente a sua função mas ainda conquista noutras. Com esta técnica, o bebé vai também ganhar gosto pela comida, descobrir texturas e sabores, trabalhar a motricidade fina e movimentos e ganhar autonomia.

Há regras para este método? Há algumas, sim. Deve ser feito juntamente com a família à mesa de refeição para que os mais crescidos sirvam de exemplo e “estarem de olho” no bebé, os alimentos devem ser cozinhados e cortados de forma especial conforme as idades, é preciso ter paciência e, o mais difícil de tudo, tempo.

Sentámo-nos à mesa com três mães bloggers adeptas do BLW e pusémos mãos à obra.

Joana Paixão Brás é co-autora do blog A mãe é que sabe e é onde costuma mostrar a filha mais nova, Luísa, a aventurar-se no Baby Led Weaning. A primeira questão que lhe fizemos [para sossegar quem nos está a ler] foi: E não tem medo que ela se engasgue?

Não muito. Do que li, este é, caso eles já mostrem estar preparados, um período óptimo para aprenderem a mastigar e, como têm uma coisa chamada gag reflex (que traduzido para reflexo de engasgo ou engasgamento parece mais assustador do que é, porque eles não se chegam a engasgar), que é uma espécie de ânsia de vómito, em que eles, sentindo que a comida não está ainda suficientemente pequena para engolir, voltam a trazê-la para a frente da boca para a mastigarem melhor.

E não foi só para passar da amamentação para os alimentos que Joana escolheu este método. A filha mais velha abriu portas a um caminho de descobertas para a caçula da família.

“Já tinha em casa uma filha pisca para comer e esquisitinha e quis tentar uma coisa diferente com a segunda. A Luísa não era amante de sopas, tentei três ou quatro vezes. Cuspia, protestava e não quis “fazer aviõezinhos” e obriga-lá a comer. Percebi que através do BLW, ela adorava comer, experimentar, provar e fazia as caras e os sons mais engraçados.”

Como está em casa, Joana tem conseguido este método praticamente no seu todo. Une a amamentação ao BLW e faz dele um ritual para bons momentos em família.

“O principal alimento continua a ser o leite materno. Estando em casa, acredito que tenha esta tarefa facilitada relativamente à grande maioria dos pais. Faço coisas simples, de forno e a vapor, não perco muito tempo com as refeições! Perdemos, sim, mais tempo à mesa. Mas não considero “perder”, considero ganhar. É óptimo comer com eles, com calma.”

Vera, do blog As viagens dos Vs, que também adotou a técnica com a Laura, a filha mais nova, é rápida a enumerar vantagens.

Do ponto de vista do bebé, são várias. Para mim, a principal é mesmo a autonomia no momento da refeição, pois é o bebé quem decide o que comer e qual a quantidade; facilita o desenvolvimento motor e também o processo de mastigação do bebé. Da perspectiva da mãe, ajuda-nos a ganhar mais confiança no nosso bebé e nas suas capacidades e, muito importante, a aprender a respeitar as suas vontades. Não somos nós que estamos a levar a colher à boca e, assim, deixamo-nos de guiar pelos “ml” de quantidade que supostamente um bebé deve comer em cada refeição.

Nas rotinas da família e já com outro filho, seria mais fácil para todos se a Laura partilhasse da nossa comida e a verdade é que ela começou desde logo a fazer parte dos nossos momentos das refeições e para o Vicente isso foi muito bom, ver que a irmã comia as mesma coisas que ele.

Eu sou completamente fã!

Beatriz do blog Better With my mom diz que, no início, é normal ter-se medo do engasgo, mas depois a confiança vence quando as mães se apercebem de que os bebés estão preparados [enquanto todas as regras do Baby Led Weaning estiverem asseguradas] para resolver o assunto e o medo vai desaparecendo.

Quanto mais ele treina a mastigação com alimentos sólidos mais rapidamente vai aprender a desengasgar-se. O Salvador já o faz. Quando tem um pedaço que não consegue engolir deita-o fora. Ter sempre um biberão com àgua e saber o que fazer caso isso aconteça traz-nos mais segurança.

Vermos as crianças como capazes de desenvolver determinadas actividades que nós achamos dificeis ou “perigosas”. Eles são curiosos por natureza e devemos deixá-los explorar. O nosso pediatra apoia muito esta ideia e estamos muito contentes com o resultado.

Dizem as mães que o Baby Led Weaning é um caso de paixão. Até porque uma vez que os bebés lhe tomam o gosto, já é difícil alimentarem-se de outra maneira.

Espreite a galeria que preparámos com fotos de bebés adeptos do Baby Led Weaning.

Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ateliês“Código Bebé” e Atividade “Árvores do Correio” 14 abril na Fundação Portuguesa das Comunicações

Abril 12, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:
http://www.fpc.pt/pt/atividades/bebes/

 

Comida natural (e deliciosa) para bebés e crianças

Abril 2, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Shutterstock

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 14 de março de 2018.

Usar apenas alimentos naturais ainda intimida a maioria dos progenitores. Porém, além de serem muito fáceis de confecionar, são também estas refeições saudáveis as melhores que podemos dar aos nossos filhos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Os pais que nunca provaram um boião de comida pronta, deviam. Toda a comida parece apetitosa ao lermos os rótulos: vitela com legumes, jardineira de vitela, frango com arroz, cenouras com peru, banana e maçã, multifrutas com cereais.

Até que um dia a criança estrebucha, nós insistimos, levamos uma colher à boca – «mas afinal qual é o drama?» – e descobrimos que além de saber praticamente tudo ao mesmo, não nos é permitido controlar os ingredientes utilizados nem os sabores que servimos aos nossos filhos.

«Os alimentos naturais oferecem um leque de micronutrientes de que bebés e crianças necessitam para crescerem em todo o seu potencial», explica Michele Olivier, bloggerde comida e autora de Alimentação Natural Para Bebés (ed. Casa das Letras).

Ela mesma ficou impressionada quando se estreou a fazer as papas da filha mais velha, Ellie, aromatizadas com especiarias e ervas aromáticas, e constatou como é simples, saudável e bem mais barato do que comprar embalado.

«Já para não falar de que ser esquisito com a comida não é genético ou inevitável», diz. Apenas uma questão de lhes moldar o gosto na infância.

Veja quatro receitas de alimentação natural para os seus filhos aqui.

INÍCIO

Não existe um momento exato que diga aos pais que o bebé está pronto para diversificar a alimentação, mas por norma sucede entre os quatro e os seis meses, e as primeiras experiências irão definir a sua relação com a comida e até os hábitos alimentares em adulto. Posto isto, não stresse se ele cuspir o puré de feijão-verde pela terceira vez: as crianças podem ter de provar um alimento até 20 vezes antes de se acostumarem.

PURÉS

A ideia é aproveitar os mais simples para educar desde logo o paladar: puré de maçã com cravinho, de cenoura com cominhos, de batata-doce com maçã, pimento vermelho e coentros. Não se prenda à idade em que o bebé pode comer o quê: vá apresentando novos sabores, teste reações (inclusive alérgicas) e aumente aos poucos as quantidades e misturas oferecidas. Pode ainda introduzir alimentos aos pedaços em qualquer etapa.

NUTRIÇÃO

Crianças pequenas gostam de comida deliciosa, tal como os pais: maçãs com uma pitada de canela, abacate com um toque de hortelã picada. E ainda bem que assim é, já que as especiarias e ervas aromáticas, além de refinarem o sabor, têm propriedades medicinais validadas pela ciência: o gengibre facilita a digestão, a hortelã traz alívio às congestões nasais, a canela aumenta o poder cerebral e o cravinho reforça o sistema imunitário. Aposte ainda na baunilha, cebolinho, manjericão, coentros, tomilho e outras.

O MELHOR

Na hora de escolher alimentos, pense em sazonalidade, frescura e cor. Legumes e fruta congelados de imediato são ideais para consumir fora de época. Bebidas vegetais não equivalem ao leite animal mas, a usá-las, opte por leite de amêndoa ou de coco enlatado. Também os cereais integrais – aveia, quinoa, cevada, millet, arroz integral – são energéticos, saciantes e fáceis de integrar na alimentação, seja aos pedaços, misturados num puré ou triturados em papa.

EXPLORAR

Por ser doce, fruta é ótima para deixar a criança aventurar-se nos sabores (de preferência biológica e madura), começando pela maçã, pera, manga, banana, abacate, pêssegos e mirtilos. Legumes igualmente bons para avançar são a batata-doce, cenoura, ervilhas, espargos, abóbora-manteiga, curgete ou pimento vermelho. Citrinos, ovos, mel e oleaginosas devem ser evitados até a criança ter 1 ano.

MENTE ABERTA

Diante da teoria de que se pode saltar a etapa dos purés e começar logo com alimentos cortados aos pedaços, o melhor é experimentar diferentes abordagens e ver a que melhor se adequa à criança (cada qual com as suas características). Quer ela seja uma fervorosa adepta dos purés ou os troque de boa vontade por uma cenoura crua, o importante é sempre disponibilizar-lhe petiscos coloridos, nutritivos, saudáveis. E, claro, adaptá-los para saborear em família.

Tão crescida a usar chucha, que feia!

Março 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

A nossa filha já foi alvo deste comentário várias vezes. Geralmente vira a cara, encosta-se a mim e tente ignorar o interlocutor; são claros os seus sinais de desconforto. Para muitos, estes sinais são interpretados como um incentivo para continuar pois estão a ter na criança o efeito desejado.

Acredito que a maior parte das pessoas profere este género de comentários com a melhor das intenções, querem que a criança se livre da chucha e acreditam que ao repreenderem-na estão a ajudar os pais nesta árdua tarefa. Contudo, tal não funciona.

Irei dividir as minhas observações em duas partes: 1) Para os outros; 2) Para os pais.

1) Para os outros

Quantas vezes fumaram um cigarro e alguém vos disse que deviam “largar isso pois faz mal à saúde”?; quantas vezes vos disseram que se deviam afastar daquele/a amigo/a pois é uma má influência nas vossas vidas?; quantas vezes comerem fast food e alguém vos alertou que dessa forma iriam engordar? Em termos concretos, que resultados isso provocou em vocês? Atiraram o cigarro fora e nunca mais fumaram? Enviaram uma mensagem ao/à amigo/a dizendo que pretendiam terminar a amizade? Cuspiram o alimento que estavam a ingerir e desde então detestam-no? Provavelmente não. Nada mudou com os comentários que vos foram feitos ou eventualmente ainda se ligaram mais “ao fruto proibido” exactamente por isso.

Não existe mudança sem motivação e esta última tem de ser intrínseca, isto é, tem de partir do próprio, caso contrário a mudança será temporária. Comentários negativos, que muitas vezes enfatizam a incapacidade de auto-controlo da pessoa e mexem com a sua auto-estima (como quando dizemos a uma criança que é feia por determinado comportamento) podem conduzir à manutenção do comportamento por o outro se sentir incapaz de mudar.

“Devo então incentivar ou ignorar?”, perguntarão alguns. Nem uma, nem outra; podemos encaminhar para a mudança num registo positivo. Quando eu digo: “acredito que vais ser capaz, levarás o teu tempo mas acredito que irás conseguir”, sobretudo quando é dito em frente aos outros, estou a deixar uma semente potente de expectativa que o outro se sentirá tentado a concretizar; mostro que o aceito, que o compreendo, que não o irei pressionar e que confio nas suas capacidades (afago-lhe a auto-estima).

Criticar de forma negativa sem deixar uma linha orientadora ou é improfícuo ou pura maldade.

2) Para os pais

Sejamos sinceros, a maior parte dos comportamentos dos nossos filhos, sobretudo quando são pequenos, resultam de escolhas nossas, ainda que nos arrependamos delas ou que não as reconheçamos a 100%, estamos na origem.

A nossa filha não escolheu usar chucha, na verdade quando nasceu ela até a rejeitava. Acabei por insistir por sentir que isso a iria acalmar e servir de consolo. Hoje, com 2 anos e meio, não a quer largar, se eu permitisse passava o dia todo com ela na boca.

Temos conversado sobre o assunto, sem pressões. Não a comparo com o menino x ou y que não usa chucha pois ela também não me compara com a mãe x ou y Mostro-lhe que vários desenhos de que ela gosta não usam chucha (sem comparar), digo-lhe que não percebo o que ela diz com a chucha posta, explico que a chucha precisa de descansar e por vezes guardamo-la.

Em momentos de crítica em público eu JAMAIS me junto ao outro para a criticar/fazer troça dela. Geralmente coloco-me ao nível dela e respondo que um dia, quando lhe apetecer, irá largar a chucha e evidencio os esforços que já faz: “ela tem usado muito menos, noutro dia até a guardou no quarto durante a manhã toda, fiquei mesmo feliz! Em breve iremos conseguir passar menos tempo com a chucha na boca, vamos com calma”; se tiverem dito que ela é feia, ainda acrescento um “estás tão crescida e LINDA, filha!”.

Não acho que tenhamos sempre de defender os nossos filhos, eles erram tal como nós. Não obstante, acredito que os assuntos se resolvem entre nós e ainda que possa dar razão à pessoa que o repreende, não é saudável juntar-me a ela numa sessão de linchamento público.

Como referi, a nossa filha não queria usar chucha, foi um hábito criado também por mim. Assim, assumo essa responsabilidade, aceito que sou parte activa na sua resolução e defendo a nossa filha de qualquer julgamento exterior feito em tom negativo, mostrando que este não é um problema só dela, é nosso, e como tal iremos resolvê-lo JUNTAS, ao nosso ritmo.

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Bebés começam a nadar cada vez mais cedo por diversão e segurança

Fevereiro 21, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.jn.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

visualizar o vídeo no link:

https://www.jn.pt/artes/videos/interior/bebes-comecam-a-nadar-cada-vez-mais-cedo-por-diversao-e-seguranca-9049889.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=feed%3a+jn-ultimas+%28jn+-+ultimas%29

Ana Mota e Joana Almeida Silva

“Os pais querem que os filhos pratiquem um desporto e a natação é aconselhada pelos médicos, por não ter o impacto de outras modalidades fora de água”, explica Mariana Sarmento, coordenadora pedagógica do Fluvial.

Além da vertente recreativa, as famílias têm também em consideração a segurança dos mais pequenos dentro de água.

“Temos de considerar a natação sempre uma medida adicional. Há um trabalho dos clubes e das autarquias muito importante, mas só mais tarde a criança pode beneficiar desse conhecimento para se salvar, até porque muitas vezes afogam-se a fazer outras atividades. Caem à água vestidas, com bicicletas ou andarilhos. A maior parte das pessoas que se afoga sabe nadar. As crianças têm 25% do seu peso quando nascem na cabeça. Caem e depois não se conseguem levantar. A criança até pode ser mais autónoma se souber nadar, mas a família tem de ser sempre um auxílio”, explica Sandra Nascimento, Presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).

 

 

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