Redes sociais imitam estratégias de casas de jogos para criar dependência psicológica

Maio 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 9 de maio de 2018.

As técnicas utilizadas pelos casinos e outras empresas de jogos de azar estão a ser copiadas pelas redes sociais. O objetivo é criar dependência psicológica nos utilizadores.

As redes sociais podem ser tão viciantes como os jogos dos casinos, e ativam no cérebro dos utilizadores mecanismos parecidos aos que são provocados pelo efeito da cocaína. Quem o diz são especialistas de várias áreas, que afirmam que os utilizadores podem chegar a ouvir sons relacionados com os smartphones que, muitas vezes, não são reais. “Essas ‘chamadas fantasma’ e notificações estão ligadas ao nosso desejo psicológico de recebermos esses sinais”, explica, ao The Guardian, Daniel Kruger, especialista em comportamento humano e professor na Universidade de Michigan, EUA.

“Empresas como o Facebook usam métodos parecidos aos da indústria do jogo para manter os utilizadores nas suas plataformas”, afirma Natasha Schüll, autora do livro Addiction by Design: Machine Gambling in Las Vegas, publicado em 2012, onde explica, por exemplo, como as máquinas automáticas dos casinos, as conhecidas slot machines, são pensadas de forma detalhada para viciar os jogadores.

Segundo a escritora, no mundo online, o objetivo é manter a “atenção contínua do utilizador”, através de cliques e do tempo passado nas plataformas: se a pessoa começa a perder o interesse, por exemplo, pelo que se passa no Facebook, vai ser, automaticamente, bombardeada por mensagens subtis ou ofertas para que o seu foco volte a ser a rede social.

O mecanismo cerebral das pessoas quando atualizam o feed do Facebook ou do Instagram é, na opinião de Tristan Harris, ex-especialista em Ética da Google, “irritantemente” semelhante àquele que é desencadeado pelas slot machines: quando puxam a alavanca da máquina, as pessoas podem ter direito a mais uma partida, receber um prémio monetário, ou nada. A verdade é que nunca se sabe o que vai acontecer, se vai haver alguma recompensa ou não, da mesma forma que, nas redes sociais não se sabe se se vai encontrar algum conteúdo interessante. “Mas isso é, precisamente, aquilo que nos faz voltar a atualizar os nossos feeds”, refere Tristan Harris.

Também Mark Griffiths, diretor da Unidade Internacional de Pesquisa de Jogos da Universidade de Nottingham Trent, diz que a recompensa é a chave que prende os utilizadores às redes sociais. “As redes sociais estão repletas de recompensas imprevisíveis, para chamar a atenção dos utilizadores e fazer com que eles criem a rotina de irem constantemente ver os seus perfis”. afirma.

Tal como o gambling, que afeta a estrutura do cérebro e que, por isso, torna as pessoas mais suscetíveis a sofrerem de ansiedade e depressão, as redes sociais também têm sido relacionadas com comportamentos depressivos e, por isso, o seu potencial para provocar um impacto psicológico negativo nos utilizadores não deve ser desvalorizado. “Temos de começar a perceber os custos que o tempo passado nas redes sociais acarreta, porque afeta-nos financeiramente, fisicamente e emocionalmente”, defende Natasha Schüll.

Mas, apesar de toda a polémica em torno das violações da privacidade no Facebook durante o início deste ano, a verdade é que o número de utilizadores desta rede social aumentou 14% em relação ao ano passado e o lucro aumentou 49%, quando comparado com o do mesmo trimestre de 2017.

 

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OCDE: 80% dos jovens portugueses dizem “sentir-se mal” quando não estão na Internet

Maio 20, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 7 de maio de 2018.

Oito em cada dez adolescentes portugueses dizem “sentir-se mal” se não estiverem ligados à internet, uma percentagem só superada pelos franceses e suecos, segundo dados da OCDE sobre 31 países.

“Entre os países da OCDE tem havido um aumento do tempo que os estudantes passam online depois de um dia típico de aulas”, sublinha o estudo agora divulgado que aponta Portugal como tendo um “elevado número de jovens de 15 anos que reportam sentir-se mal se não estiverem ligados à Internet”.

Entre os rapazes a percentagem é de 79,4% e entre as raparigas é de 79,2%, segundo os dados relativos a 2015, que revelam que as adolescentes portuguesas são as que mais se ressentem, já que a percentagem de francesas e suecas é um pouco menor.

Entre os rapazes, mais de 80% dos suecos e dos franceses ressentem-se quando não estão online. No final da lista dos 31 países, surgem os jovens alemães, estónios e eslovacos, que rondam os 40%.

A média dos países da OCDE analisados ronda os 55%, com as raparigas a queixarem-se um pouco mais, segundo os dados do relatório que analisa a aplicação do Programa de Autonomia e Flexibilidade e Curricular (PAFC), que começou a ser aplicado em Portugal este ano letivo.

O relatório mostra também que os jovens passam cada vez mais tempo ligados, quando se comparam os dados de 2012 e 2015: Os jovens portugueses estavam ligados cerca de 100 minutos e passaram a estar cerca de 140 minutos, ficando abaixo da média da OCDE e em 9.º lugar dos que menos tempo passam ligados.

O relatório aponta ainda o aumento de alunos estrangeiros e lembra a importância da criação do “Perfil do Aluno”, que define o perfil que os estudantes devem alcançar até ao final da escolaridade obrigatória (12.º ano).

O relatório considera que o PAFC “realiza muitos objetivos práticos que estão ligados aos objetivos estabelecidos pelo perfil do aluno”, dando como exemplo o facto de o PAFC dar autonomia pedagógica às escolas que assim “podem projetar experiências de aprendizagem que estejam alinhadas com os objetivos do perfil do aluno”.

“Por exemplo, as escolas podem direcionar lições e práticas para falantes de português não nativos ou para estudantes em risco de abandono. Assim, o projeto aborda os principais objetivos da política, como equidade e retenção. Por se tratar de uma reforma ampla que está aberta a todas as escolas, também se empenha em apoiar a aprendizagem de alta qualidade para todos – não apenas as elites”, sublinha o relatório, que lembra que uma equipa da OCDE visitou as escolas envolvidas neste projeto.

O estudo recorda algumas das medidas que têm sido aplicadas pelo Ministério da Educação, como o programa nacional de promoção do sucesso escolar, a estratégia nacional para a cidadania ou o fim dos exames nacionais do 4.º e 6.º anos.

 

 

 

Conferência “Há tecnologia a mais na vida dos nossos filhos?” 5 maio no ISCTE

Maio 2, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/202454583689992/

 

Aula Aberta “Escolas ONLINE: Utilização saudável das tecnologias e da Internet no contexto educativo” – 9 de maio na Póvoa de Santo Adrião

Abril 30, 2018 às 4:38 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Apesar da entrada ser livre, é sujeita à lotação do espaço, pelo que é necessária inscrição prévia através dos seguintes contactos:

Câmara Municipal de Odivelas – Gabinete de Saúde, Igualdade  e Cidadania

Plano Estratégico Concelhio de Prevenção das Toxicodependências (PECPT)

Tel.: 219 320 970 | e-mail: gsi@cm-odivelas.pt (ou, em alternativa, pedro.fernandes@cm-odivelas.pt e/ou  sandra.silva@cm-odivelas.pt)

 

Como lidar com esta nova geração “dependente” da tecnologia

Abril 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 8 de abril de 2018.

CLARA SOARES

Jornalista e Psicóloga

Duas psicólogas, especialistas em perturbações que afetam os adolescentes, falam das pressões excessivas e dos exageros da vida virtual. Não é à toa que a Organização Mundial de Saúde acabou de incluir o “vício de videojogos” na sua lista de doenças do foro psiquiátrico.

IVONE PATRÃO

A investigadora do ISPA – Instituto Universitário de Psicologia Aplicada e autora do livro Geração Cordão defende que os adultos devem falar com as crianças desde cedo sobre 
o uso da tecnologia

Os adolescentes passam demasiado tempo online ao ponto de isso lhes alterar o humor?

Há dez anos, comecei a receber na clínica jovens com indicação de comportamentos agressivos e alterações do sono, mas que nada tinham que ver com perturbação de hiperatividade e défice de atenção. Estavam ligados à dependência online. 
A dependência da tecnologia compromete a alimentação, o sono, o rendimento escolar, as relações com os outros. Numa pesquisa que fizemos com meio milhão de adolescentes que usa smartphone, 14% deles tiveram a cotação máxima em dependência da internet.

A vida virtual e o multitasking afetam o funcionamento 
do cérebro juvenil? 
Há diferenças de género?

Quem já tem outros fatores de risco para sintomas ansiosos e depressivos fica mais vulnerável. 
Os estudos na área da neurobiologia, com recurso a ressonâncias magnéticas, mostram que são ativadas as mesmas zonas cerebrais (da recompensa) nos utilizadores da internet e de videojogos. O excesso 
do seu uso limita o desenvolvimento 
e o treino das competências sociais 
e da autonomia. Uma investigação com 2 220 jovens, entre os 12 e os 30 anos, permitiu perceber que os rapazes tendem a ligar-se mais aos videojogos 
e as raparigas às redes sociais.

Os miúdos aprendem por imitação e seguem o modelo dos pais. Estes estão à altura?

Os jovens, com legitimidade, perguntam: “Então o meu pai não me deixa estar na internet e, à uma da manhã, põe um post no Facebook?” Chegam aos 16 anos sem nunca terem conversado sobre isto com os pais ou recebem respostas vagas como “podes estar, mas só um bocadinho” ou “já estás nisso há tempo demais”. 
Não são exemplos a seguir.

Os jovens podem ficar deprimidos pelo medo da comparação social 
na vida real. Como se lida com isto na vida virtual?

A pressão do grupo sempre existiu. 
A vida online amplia essa pressão, eles ficam 24 horas ligados, sem parar 
para refletir, como acontecia antes. Deixaram de ter time out. Assumo que a sintomatologia ansiosa e depressiva tem que ver com esta sobrecarga. Aconselho os pais a promoverem momentos de encontro. Definam regras, como o não usar ao jantar, sem exceções, seja o jogo ou o email de trabalho a enviar. Mas falem uns com os outros!

TERESA LOBATO FARIA

A especialista lembra que os jovens precisam de se sentirem compreendidos e aceites pelos adultos, sem pressões excessivas nem julgamentos. E deixa pistas para os pais e os professores
Porque se agravam 
os sintomas ansiosos e depressivos 
na adolescência?

Essa é a altura da vida em que os jovens começam a questionar e a tomar decisões, a imitar o que fazem os amigos. 
É também nessa altura que surgem atitudes de isolamento ou de rebeldia. Há também a questão genética, o bullying, a rejeição do grupo e o stress crónico nas famílias. O imediatismo social dominante limita a capacidade de esperar e de resistir à frustração. 
A ansiedade vem antes da depressão 
e é um fator de risco para esta.

O que faz com que haja jovens que se sintam menos bem na escola, chegando mesmo a vomitar?

Vomitar pode traduzir uma fobia escolar ligada à angústia da separação ou ao excesso de exigência e à pressão para o sucesso. Muitas vezes, os adultos exigem em vez de ajudarem. Por exemplo, quando divulgam nas redes sociais o facto de o filho estar no quadro de honra… A intenção até pode ser boa, mas a comparação social cria sensações de incapacidade.

A adolescência não é uma doença. 
Há alguma coisa que está 
a escapar aos adultos?

O pior que se pode dizer a um adolescente aflito é: “Tu sabes, tu consegues.” Isto agrava o problema, conduz a estados de desistência e de falta de esperança. Outros erros comuns: numa turma, castigar os malcomportados sem ter a sensibilidade de avaliar o impacto que isso tem sobre os perfeccionistas, que vão para as aulas com uma ansiedade horrível; pais que ficam ofendidos se os jovens preferem programas com amigos às saídas com eles.

Que fatores contribuem 
para uma adolescência tranquila?

A partilha familiar, que é um fator protetor por excelência, mas existe pouco, 
e ter abertura para aceitar os deslizes e a experimentação dos miúdos. Imagine que o vê a fumar – mas é fumador, está em risco ou só a experimentar? Os pais também não devem ficar sentidos perante os primeiros sinais de autonomia dos filhos, o que é saudável. Quando os vossos filhos se queixam, levem-nos a sério. Evitem que meros mal-entendidos se tornem conflitos enormes. Saibam ouvir e respeitar para que eles não se sintam incompreendidos e cresçam com chão e esperança.

 

 

 

Como ajudar as crianças a concentrarem-se no meio de tantas distrações digitais

Abril 8, 2018 às 4:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://magg.pt/ de 28 de março de 2018.

Há alguns anos podiam desconcentrar-se com uma mosca a voar, ou com um cão a ladrar. Hoje, os miúdos já nem veem a mosca nem ouvem o cão. Estão demasiado ocupados com o computador, o tablet, o telemóvel. Estão sempre “ligados”, a responder a uma mensagem, publicar no Instagram, colocar gostos e comentários no Facebook, acudir às notificações do Snapchat , falar com o grupo do WhatsApp, colocar um emoji no Messenger, verificar o “plim” de mais uma entrada na caixa do correio, ou no hangup, jogar online ou ver os vídeos no Youtube, por exemplo. São infindáveis as distrações que a era digital proporciona e tentar estudar e aprender no meio de todos estes apelos e “ruídos” não é fácil.

Como explica Isabel Cavadas, psicóloga no colégio Primeiros Passos, do Porto, os conteúdos digitais “vão diretamente às redes neuronais do prazer”, acabando por se tornar aditivas, o que pode até ter um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo da criança.

Isto porque a área do cérebro que governa a atenção é a mesma que domina o controlo de impulsos, a organização e o pensamento crítico, entre outras. Adelaide Dias, psicóloga, diz que todas estas distrações dão origem “a um excesso de informação que as crianças recebem quando a parte emocional ainda não está toda desenvolvida”. Esta desregulação pode gerar “problemas de comportamento, dificuldades no autocontrolo e em gerir a autoestima, a frustração e a ansiedade”.

Os bonecos animados não são todos inofensivos

Uma equipa de investigadores da reputada organização nortre-americana Brookings Institution concluiu recentemente que as distrações constantes a que as crianças estão sujeitas lhes estão a prejudicar a “função executiva”. Ou seja, aquilo que o Center on the Developing Child de Harvard define como “o processo mental que nos permite planear, focar a atenção, recordar instruções e conciliar com sucesso várias tarefas”.

É por isso que, numa tentativa de ajudar os pais e os educadores a orientarem as crianças a desenvolverem capacidades de concentração, a Academia Americana de Pediatria faz uma série de recomendações.

A primeira passa por definir criteriosamente o tempo passado em frente aos ecrãs. As crianças entre os 2 e os 5 anos não devem passar mais do que uma hora por dia a ver programas, mas de qualidade, na televisão. Sim, porque o tempo de ecrã pode ser mais ou menos didático, dependendo do que se está a ver.

Se é fã de “Sponge Bob”, por exemplo, pode ser a altura de pensar duas vezes. Um estudo concluiu que programas que tinham um ritmo mais acelerado, como o “Sponge Bob”, perturbavam a capacidade de uma criança em idade pré-escolar para se concentrar quando comparada com uma outra criança que via programas mais calmos ou estava a desenhar. O melhor seria mesmo ver “A Rua Sésamo”.

A Academia Americana de Pediatria não aconselha a televisão para crianças com menos de 2 anos, propondo antes que se leia, cante, brinque ou converse com elas. “Os pais muitas vezes assumem que se são bonecos animados está tudo bem”, disse Rahil Briggs, psicóloga citada pelo New York Times ao comentar este estudo. Mas as sequências aceleradas e fantásticas de alguns programas infantis podem fazer com que o cérebro das crianças, no futuro, “não consiga prestar atenção a alguma coisa que não seja tão fantástico”.

Criar zonas livres de media dentro da casa

Nas crianças mais velhas, pode ser mais difícil controlar as milhares de mensagens sem sentido, a navegação constante na internet, as conversas ininterruptas nos chats, ou os jogos online, principalmente se têm os seus próprios smartphones. A Academia Americana de Pediatria recomenda que se mantenham, dentro de casa, “media-free-zones”, isto é, áreas sem internet e telemóveis, como os quartos, e há especialistas que falam em “screen-free time”, períodos sem ecrãs, como a hora do jantar, por exemplo. E isto tanto para as crianças e jovens como para os adultos.

No mesmo sentido segue a psicóloga Isabel Cavadas, que propõe “um ritual de pousar o telemóvel”, ou qualquer aparelho tecnológico a fim de proporcionar um momento para a família. Serve “para haver diferenciação do que é o espaço social através do digital e o espaço social da interação direta” e, acima de tudo, para “estabelecer momentos de paragem”, uma vez que “estamos inseridos numa era tecnológica em que temos acesso a tudo o que é imediato, e as crianças nasceram nesta imediatez, o que faz com que tenham dificuldade em parar”.

Para controlar o uso dos meios digitais pelos adolescentes, o ideal é a “negociação”. É necessária uma “comunicação transparente por parte dos pais; a rigidez, ao ser demasiadamente elevada, vai levar o jovem a omitir”, avisa Isabel Cavadas. Há que “tentar ir pelo acordo e não pelas medidas mais radicais”.

Quem manda? Eu ou o telemóvel?

Pelo menos, dizem os especialistas, há que encorajar os filhos a que no período do estudo, o smartphone esteja em silêncio, sem alertas e notificações sonoras. E seria conveniente explicar-lhes como falhamos muito ao tentar fazer duas (ou mais) coisas ao mesmo tempo (como estudar e manter uma conversa no chat, jogar na consola, ou estar atento às publicações e stories dos amigos no Instagram). Não somos (nem sequer as mulheres, como muitas gostam de dizer) multitaskers. O melhor é mesmo mostrar-lhes alguns estudos como um publicado na Psicology Today, sobre os custos de fazer várias tarefas em simultâneo.

Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard publicou uma série de atividades que pode fazer com o seu filho para que este melhore a sua “função executiva”, em várias idades, desde os bébés até aos adolescentes. Incluem, nos mais pequeninos, canções, rimas e jogos de memórias e nos mais velhos, a prática de artes marciais, tocar um instrumento, dançar ou fazer teatro. Tudo isso exige concentração.

Os especialistas sugerem ainda que os pais ajudem os filhos a fazer uma pergunta básica: “Sou eu que mando no smartphone ou noutro aparelho digital ou é é ele que manda em mim?”. E que aprendam a não estar permanentemente ligados. O melhor é responder a mensagens por blocos em vez de estar sempre a interromper a concentração cada vez que chega uma mensagem, isso ajuda-os a melhorar o seu autocontrolo.

Muitos pais podem deparar-se com resistência por parte dos seus filhos nesta tentativa de moderar o uso dos meios digitais. Nessas situações, a opinião de Isabel Cavadas é clara: “Os nãos também têm de existir para educar, os nãos são um meio para a criança aprender a gerir a frustração”, porque “a escalada comportamental requer limites bem definidos e assertividade e consistência”.

Mas acima de tudo, conclui, há que demonstrar “que há tempo para tudo”, seja por iniciativas escolares ou familiares.

Atividades por idades de acordo com o Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard:

  • 3 a 5 anos: teatro, puzzles, culinária;
  • 5 a 7 anos: jogos de tabuleiro, jogos de adivinhas, ritmos de palmas complicados;
  • 7 a 12 anos: qualquer jogo que envolva estratégias, como xadrez, saltar à corda, aprender a tocar um instrumento;
  • Adolescentes: fazer voluntariado, escrever num diário, inscreverem-se num desporto.

 

 

 

Adolescentes: um carro sem travões com uma vida social online

Março 18, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 26 de fevereiro de 2018.

A revista Nature dedicou esta semana uma edição especial à ciência da adolescência. Em vários artigos e em várias revistas do grupo, fala-se desta fase crítica de um ser humano onde existem tantas oportunidades como vulnerabilidades.

ANDREA CUNHA FREITAS

Desde o smartphone que não largam da mão até às sinapses e outras mudanças que ocorrem no cérebro, passando pelos riscos que se atrevem a correr e ainda pelo debate actual sobre quando começa e quando acaba esta fase entre a infância e a idade adulta. A edição especial desta semana da revista Nature, que inclui vários artigos científicos e reportagens dispersos por diferentes revistas científicas do grupo editorial, é dedicada à ciência da adolescência. Só para início de conversa fica, desde já, um aviso: há uma mudança em curso e, ao que parece, agora a adolescência pode começar aos dez anos e só acabar aos 24 anos.

Um dos artigos desta edição alerta para um dado importante que pode ajudar a contextualizar os vários trabalhos sobre o mesmo tema: 90% dos adolescentes vivem em países pobres, mas os que são envolvidos nos estudos dos cientistas pertencem à minoritária fatia dos 10% dos países mais desenvolvidos, com acesso a saúde, educação, tecnologias, entre outras experiências que os separam e os afectam em todos os sentidos. E o retrato do adolescente que vive no nosso moderno mundo cheio de oportunidades e tentações pode ter muitas diferenças mas terá, pelo menos, uma coisa em comum: um smartphone na mão.

“Smartphones são maus para alguns adolescentes mas não para todos” é o título de um artigo de opinião que faz parte do “pacote” da ciência da adolescência da Nature. O texto nota que mais do que fazer parte das forças do bem ou do mal, as actividades online dos adolescentes podem é reflectir ou mesmo agravar vulnerabilidades que já existem.

O artigo reforça que a vida social dos adolescentes faz-se sobretudo online e apresenta uma série de dados sobre a saúde mental dos miúdos que se apoiam neste convívio à distância.Uma revisão de 36 estudos publicados entre 2002 e 2017 concluiu que os adolescentes usam a comunicação digital para fortalecer as suas relações, partilhar detalhes íntimos, manifestar afectos e combinar encontros. E isso é mau? Depende. “Os adolescentes que enfrentam mais adversidade offline parecem estar mais vulneráveis aos efeitos negativos do uso dos smartphones”, apontam os investigadores, especificando ainda que um historial de vitimização fora das redes sociais fará com que sejam alvo de bullying e outras agressões também online. Fica ainda um alerta para uma vigilância da actividade online que pode revelar pistas sobre saúde mental, acrescentando-se que cientistas da área da computação já demonstraram que é possível prever um cenário de depressão através da análise dos padrões de envolvimento e das publicações nas redes sociais.

“Sexo, drogas e autocontrolo”

Uma vida social online pode ter os seus perigos, mas há mais perigos na estrada da adolescência. “Sexo, drogas e autocontrolo” é outro dos artigos e, desta vez, o tema é a já muito investigada propensão dos adolescentes para correr riscos. Kerri Smith assina a reportagem na Nature com testemunhos de vários especialistas na matéria. A repórter lembra, por exemplo, que os neurocientistas associaram a imagem do cérebro de um adolescente a um carro com um motor acelerado e falhas nos travões. A propósito de carros, cérebros e riscos, Kerri Smith fala sobre os curiosos resultados de uma experiência em laboratório com adolescentes que relacionou os perigos com a influência dos pares. O teste era uma espécie de jogo de corrida com o objectivo de percorrer um trajecto com 20 semáforos em seis minutos.

Os resultados dispensam qualquer comentário. Quando jogaram sozinhos, os adolescentes correram tantos riscos (passar sinais vermelhos enfrentando o perigo de colidir com outro carro) como um adulto a jogar o mesmo jogo. Quando souberam que os seus amigos os estavam a observar “correram significativamente mais riscos”. E quando sabiam que as mães os estavam a observar “correram menos riscos”. Nas experiências, os cientistas observaram os padrões de actividade cerebral e detectaram, por exemplo, uma activação de áreas associadas à recompensa quando os amigos estavam a observar e uma activação da região do córtex pré-frontal (associada ao controlo cognitivo) quando os observadores eram as progenitoras.

Mas, se a influência dos pares foi negativa neste jogo de corrida, os cientistas também sabem que esta é uma rua com dois sentidos. Os amigos dos adolescentes também podem ser uma influência positiva nas suas vidas. Um aplauso ou simples incentivo para uma boa acção (também houve jogos em laboratórios com donativos e outros exercícios) funciona como um estímulo para mais coisas boas.

Depois há riscos e riscos. O artigo jornalístico lembra, por exemplo, que convidar alguém para sair à noite pode ser encarado como um acto arrojado (um risco social, portanto). Aliás, sublinhe-se, que os cientistas já perceberam também que os circuitos cerebrais usados para correr riscos “negativos”, que ponham em causa a sua integridade física, são os mesmos que ajudam os adolescentes a enfrentar “riscos positivos”. E os receptores de dopamina, um mensageiro químico no cérebro, aumentam em ambos os casos.

Porém, há uma importante ressalva a fazer. Tudo isto são conclusões retiradas de estudos em laboratório, ou seja, adolescentes num ambiente controlado. “Como é que conseguimos imitar num frio laboratório numa quinta-feira à tarde o que se passa num sábado à noite?””, questiona a neurocientista Adriana Galván, da Universidade de Califórnia em Los Angeles (EUA), citada na reportagem.

O que sabemos do que salta da rua, longe dos laboratórios, é que os primeiros lugares na lista de causas de morte entre os dez e os 19 anos são ocupados por comportamentos de riscos. Os rapazes (sobretudo entre os 15 e 19) morrem em acidentes na estrada, por causa de episódios de violência e por ferimentos causados pelos próprios (suicídio). As raparigas entre os 15 e 19 anos morrem da sequência de complicações durante uma gravidez, ferimentos causados por si e acidentes na estrada. Por esta ordem.

Há, no entanto, algumas dicas para prevenir os prováveis desvios. Exemplo? Deixar os adolescentes dormir até mais tarde. “Os adolescentes que não dormem o suficiente são mais propensos a adoptar comportamentos de risco, como fumar e relacionados com a actividade sexual.” Foi baseada em dezenas de estudos publicados sobre este tópico que a Academia Americana de Pediatria divulgou recentemente uma recomendação para que nesta faixa etária as aulas comecem a partir das 8h30 ou mais tarde ainda, se possível.

Adolescência pode durar 14 anos?

A investigação sobre esta parte da viagem para a vida adulta num carro com falhas nos travões tem estado muito apoiada nas tecnologias de imagem que nos permitem ver o cérebro a funcionar. No entanto, e apesar dos muitos avanços nesta área, estas fotografias ou filmes da actividade cerebral ainda têm muito ruído e sinais difíceis de interpretar.

A adolescência é um momento único de sintonização e amadurecimento do cérebro. Hoje, ao contrário do que julgávamos há relativamente pouco tempo, sabemos que o cérebro continua a mudar e a moldar-se durante a adolescência. Neste período, assiste-se, por exemplo, à afinação das sinapses (as ligações entre os neurónios) que se reduzem entre a infância e a idade adulta.

Um comentário assinado por Matthew B. Johnson e Beth Stevens, investigadores no centro de neurobiologia do Hospital de Crianças de Boston e na Escola Médica de Harvard, no Massachusetts, nos EUA relaciona a quebra de sinapses (ou o momento da poda das ligações neuronais, como os neurocientistas lhe chamam) com a probabilidade de sofrer de esquizofrenia. O texto lembra que esta associação foi feita (pela primeira vez) em 1979, mas só foi explorada nos anos mais recentes. As novas tecnologias de imagem, por exemplo, levaram à conclusão de que uma poda excessiva das sinapses aumenta o risco de sofrer deste distúrbio mental. As ferramentas para estudos genéticos permitiram identificar um gene (C4) que não só interfere neste mecanismo cerebral como também apresenta alterações em doentes com esquizofrenia.

Sabia-se que a esquizofrenia tende a manifestar-se no final da adolescência. O que nos leva a outra importante questão: onde é que, afinal, começa e acaba a adolescência? Hoje, baseados na biologia como o aparecimento cada vez mais precoce da menarca e outros sinais de puberdade, muitos cientistas já consideram que a adolescência começa por volta dos dez anos. E se o fim dos teenagers se adivinhava pelos 18 e 19 anos como o próprio estrangeirismo sugere, agora isso está a mudar. Em Janeiro deste ano, foi publicado um estudo na revista Lancet Child & Adolescent que defende que os “teens” podem ir afinal até aos… 24 anos.

Dizem os cientistas que, por um lado, o cérebro continua a desenvolver-se no início dos 20 anos e, por outro lado, que as mudanças sociais mostram que a entrada na vida adulta acontece mais tarde do que no passado. Saem de casa mais tarde, entram no mercado de trabalho mais tarde, casam mais tarde, têm filhos mais tarde.

Na reportagem “Os limites em mudança da adolescência”, a repórter Heidi Ledford mostra que a discussão já chegou a um ponto em que se antevê a necessidade de adaptar a sociedade a estes novos marcos. “Cientistas, médicos e decisores políticos enfrentam um momento em que se debatem com estas fronteiras em mudança”, sublinha o artigo, acrescentando ainda que a comunidade médica e judicial terá de decidir urgentemente quando é que uma pessoa é considerada capaz de tomar decisões adultas. “Uma conceptualização clara da adolescência não é só uma picuinhice semântica”, diz Jay Giedd, neurocientista na Universidade de Califórnia em San Diego. “Tem implicações profundas para os sistemas clínicos, educativos e judiciais.”

Fixar limites é útil para todos, mas a especialista Sarah-Jayne Blakemore avisa, na reportagem, que dificilmente serão os neurocientistas a defini-los. A neurocientista da Universidade College de Londres estuda os adolescentes há vários anos e sabe do que fala. Nota que as diferentes culturas desenham diferentes limites e que a estrutura e funcionamento do cérebro variam tanto de pessoa para pessoa que a tarefa de colocar um ponto final biológico na adolescência parece impossível. “Não existe tal coisa como um adolescente típico.”

A edição especial da Nature explora várias frentes da ciência da adolescência. São uma dúzia de artigos que respondem a algumas questões sobre esta fase entre a infância e a idade adulta, cada vez menos enigmática. Uma altura crítica para prevenir comportamentos ilegais ou criminosos? A adolescência. O momento para “ensinar” as bases de uma sociedade apoiada na igualdade de género? A adolescência. Uma fase em que os media, as redes sociais e outros mecanismos digitais têm um “poder” que pode fazer a diferença entre o bem e o mal? A adolescência. Uma oportunidade para prevenir, tratar, criar problemas ou agravar a saúde mental? A adolescência. O grupo etário com menos acesso à saúde nos países pobres? Os adolescentes.

No pequeno texto que apresenta esta colectânea de trabalhos sobre a adolescência, a Nature fala da sua natureza paradoxal. Um tempo de riscos e vulnerabilidades que coincide com crescimento e oportunidades. E os cientistas parecem finalmente rendidos ao tema. “Não consigo encontrar um período de desenvolvimento mais desafiante”, conclui B.J. Casey, neurocientista da Universidade Yale em New Haven, Connecticut, num dos textos. Porém, acrescenta: “Sempre que dou uma palestra, peço às pessoas que levantem a mão se estivessem dispostos a passar pela adolescência outra vez. E ninguém o faz.”

mais informações no artigo:

Sex and drugs and self-control: how the teen brain navigates risk

 

 

 

 

Miopia cresce entre as crianças devido ao uso de computadores e smartphones

Março 10, 2018 às 6:13 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.correiobraziliense.com.br/ de 25 de fevereiro de 2018.

Tatiana Sócrates Especial para o Correio

Apontada como a epidemia do século pela Organização Mundial da Saúde, a miopia é mais comum entre os pequenos que não se desligam dos aparelhos eletrônicos

Uma pesquisa do Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) — TIC Kids On-line — revela que cerca de 69% das crianças e adolescentes do Brasil, na faixa dos 9 aos 17 anos, utilizam a internet mais de uma vez por dia. No Centro-Oeste, o índice ultrapassa a média brasileira e chega a 74% — é a região em que as crianças são mais conectadas, ao lado do Sudeste, segundo o estudo.

Os dados confirmam o crescente acesso dos brasileiros aos benefícios da tecnologia, mas, ao mesmo tempo, desvendam uma nova preocupação: as ferramentas eletrônicas estão contribuindo para o aumento da miopia entre os pequenos. “É uma tendência do mundo moderno”, alerta o oftalmologista Luiz Felipe Diniz, do Hospital Brasileiro de Olhos (HBO), em Brasília.

Cerca de 20% das crianças em idade escolar, de acordo com levantamentos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), apresentam problemas de vista. A miopia é a campeã e já é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a epidemia do século. O uso de celulares e computadores por mais de seis horas diárias, segundo Diniz, pode levar ao agravamento dessa patologia em crianças e adolescentes.

Lucas Macedo, 9 anos, sente na pele, ou melhor, nos olhos, os efeitos da tecnologia. Vidrado em smartphone, tablet e afins, ele usa óculos desde os 6 anos. A mãe do menino, a fisioterapeuta Juliana Macedo, 40, acredita que a internet atrapalhe muito. “Se deixar, as crianças ficam além da conta na frente da tela do computador e no celular. Acho que forçam demais os olhos.”

Comportamento

Juliana conta que Lucas passa horas assistindo ao YouTube. “Ele está com 3 graus de miopia no olho direito e 1,5 no esquerdo.” Na escola, ele começou a ficar em pé, perto do quadro, para conseguir anotar o que a professora escrevia. “É preciso prestar atenção nessa questão da miopia infantil”, alerta Juliana. “Pensam que a criança é inquieta e teimosa, mas, na verdade, ela está apenas em busca de um campo melhor de visão.”

Como as crianças não identificam a dificuldade para enxergar, é importante que os pais fiquem atentos ao comportamento delas. “Quando elas têm alguma dificuldade visual, costumam ter dores de cabeça, desinteresse pelo estudo e baixo desempenho escolar. Também ficam muito próximo da televisão e têm mania de franzir os olhos para enxergar”, descreve Juliana. “Caso perceba essas atitudes em seu filho, é importante procurar um oftalmologista”, recomenda.

“É muito comum, no dia a dia do consultório, descobrirmos erros de refração — que é como denominamos a miopia — em crianças que tinham problemas de aprendizagem ou comportamento na escola”, confirma o médico oftalmologista Geraldo Canto, de Curitiba. “Para evitar isso, ir ao oftalmologista no início do ano é uma grande oportunidade de começar as aulas da melhor maneira.”

Além do uso excessivo das novas tecnologias, o aumento dos casos de miopia em crianças é relacionado à falta de atividades ao ar livre. “Um mecanismo de nossa visão, chamado de acomodação, nos permite olhar objetos distantes e focar com nitidez objetos próximos. Esse foco é feito com a contração do músculo ciliar, o anel no meio do olho para visão a distância. O excesso de esforço pode gerar fatores associados ao aumento da miopia”, esclarece Canto. É o que acontece quando se força a vista ao digitar e ao assistir a vídeos em celulares e computadores.

Dicas para o dia a dia

  • Fazer a criança realizar atividades em ambientes externos diariamente, por 40 minutos, no mínimo.
  • Não aproximar demais dos olhos os celulares, tablets, computadores e livros — eles devem ser mantidos a 30cm da face, no mínimo.
  • Não se debruçar sobre o objeto de leitura.
  • Manter a tela do computador a 50cm da face, no mínimo.
  • Fazer intervalos frequentes enquanto estiver utilizando esses objetos. A cada 20 minutos, retirar o olhar deles e focalizar objetos distantes, por cerca de 20 segundos.
  • Uso de tablets e celulares por crianças de 2 a 5 anos não deve ultrapassar 1 hora por dia.

O que dizem os médicos

As cirurgias refrativas para correção do grau são indicadas somente depois dos 18 anos, desde que a graduação já tenha estabilizado.

Para evitar mais prejuízos à visão, a recomendação é, desde cedo, ensinar as crianças a fazerem intervalos de cinco minutos a cada hora na frente das telas.

Reduza o brilho dos monitores. Ajuste-os procurando deixar a visibilidade agradável para a vista. Não deixe o fundo muito claro nem muito escuro.

Monitores de cristal líquido cansam menos a vista do que os antigos, de tubo, pois já vêm com superfície antirreflexo e melhor definição de imagens.

Fonte: Luiz Felipe Diniz, médico oftalmologista

Quanto mais longe, melhor!

Estima-se que, até 2020, 28% da população brasileira seja míope. Até 2050, o índice pode chegar a 51%, segundo a oftalmologista Renata Bettarelo. “Hoje, a taxa no Brasil gira em torno de 11% a 36%, mas a tecnologia tem contribuído para o aumento da doença”, alerta. O problema pode ser hereditário ou adquirido.

“É uma condição em que ocorre um alongamento indesejável do diâmetro anteroposterior do globo ocular”, detalha Renata. “Isso faz com que a imagem do objeto observado se forme antes da retina e não sobre a mesma, o que gera uma imagem borrada dos objetos distantes.”

A miopia é um problema ocular em que se consegue ver perfeitamente os objetos de perto, mas as coisas mais afastadas podem aparecer desfocadas, resume o médico Luiz Felipe Diniz. A causa está relacionada a fatores genéticos e ambientais.

O pouco tempo em ambiente externo e o excesso de tempo com o olhar fixado para perto, como a exposição às telas próximas (celulares, tablets, computadores) e livros, são os fatores ambientais mais associados à doença, segundo Diniz. Estudo do National Health Service (Serviço de Saúde Britânico) confirma que passar mais tempo ao ar livre torna as pessoas menos propensas à miopia. Para especialistas, isso tem a ver com os níveis de luz.

Para evitar esse problema, a publicitária Elenice Oliveira, 31 anos, e o marido, o cineasta Márcio Moraes, 52, resolveram impor regras rígidas aos filhos. “Durante a semana, os mais novos — Anabela e Victor Hugo — ficam sem internet, e assistem à TV só depois das 16h, após terminarem o dever de casa. Como dormem às 19h, o tempo em frente à telinha é curto também”, explica.

Os mais velhos, apesar dos cuidados, não escaparam da herança genética: Lucas, de 12 anos, começou a usar óculos aos 9, e Nicolas, de 10, há dois anos e meio. Ambos têm miopia, como o pai, que depende dos óculos desde os 10. “Quando descobrimos que Lucas tinha o problema, ele já estava com 4 graus nos dois olhos. Já o Nicolas tem apenas 1 grau”, conta Elenice.

Fora do mundo real

O malefício das tecnologias, para Elenice, é mesmo o uso excessivo dos aplicativos — as crianças ficam dispersas, não interagem com o mundo real, adoecem e ficam mal-humoradas. “Tem o lado bom, mas o ruim prevalece, na minha opinião. Afeta o apetite, atrapalha o sono, substitui as brincadeiras e, claro, causa irritação nos olhos e, às vezes, dor de cabeça.”

Para prevenir a miopia e evitar que ela avance, o acompanhamento das crianças deve começar cedo, antes da alfabetização. A primeira consulta, de acordo com o oftalmologista Geraldo Canto, deve ser feita entre 6 meses e 1 ano de idade, quando já é possível verificar a existência de um grau mais elevado, diferença de visão entre os olhos, diferença de grau ou fixação do olhar.

“Desse período até ela ser capaz de se expressar sozinha, o exame é feito pela avaliação dos olhos depois de uma dilatação da pupila. A partir do momento em que a criança já consegue se comunicar e se de mostra colaborativa, começamos também a usar imagens de desenhos, números ou letras”, explica o médico.

Geraldo Canto esclarece que nem sempre é preciso usar óculos quando a criança é muito nova. “As pessoas muito jovens com graus baixos não costumam ter indicação, a não ser que exista alguma dificuldade visual ou estrabismo detectado no exame. No geral, recomendamos óculos quando elas têm miopia acima de 1,5 grau, hipermetropia acima de 3 graus e astigmatismo acima de 1,5 grau.” Lentes de contato, só mesmo em crianças maiores, sob supervisão dos pais, e acompanhamento do oftalmologista.

 

 

Atenção aos sinais. O seu filho pode estar doente por causa da internet

Março 10, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://magg.pt/ de 18 de fevereiro de 2018.

por CATARINA DA EIRA BALLESTERO

Um em cada quatro jovens está clinicamente dependente de jogos ou redes sociais. A psicóloga Ivone Patrão alerta para este problema grave.

enho a mente a derreter, nada para fazer e, à falta de melhor, abuso do computador. Antes fazia um pouco de tudo: jogava um bocado, depois ia ver uns vídeos, ouvia umas músicas. Lia notícias sobre o que me apetecesse e ficava a olhar para o ecrã um bocado, à espera que acontecesse alguma coisa. Jogo tudo desde que tenha qualidade. O jogo teve mais presença na minha vida há uns quatro, seis anos. Foi o tempo que eu joguei mais. Era chegar a casa e jogar, porque a vida social também nunca foi nenhum doce para mim e nunca fui muito de estudar (…). Nos últimos dois anos, incluindo consolas, em média devo ter jogado no mínimo 12 horas e no máximo, talvez 16 horas por dia. Quando estava a jogar às horas das refeições os meus pais não gostavam. De resto, eles só começaram a ficar tristes quando as minhas notas desceram um bocado. Estando no computador não tinha necessidade de qualquer outro tipo de distração. Os meus traços de depressão simplesmente ficaram mais carregados ao longo do tempo.”

Este é o relato de Carlos, com 22 anos à data deste testemunho feito para um vídeo pedagógico do blogue Mala da Prevenção, uma plataforma criada por Luís Patrício, médico psiquiatra. Com 16 anos, Carlos começou a passar horas consecutivas ao computador e a jogar online, tornando-se dependente. Teve mesmo de ser internado cerca de um mês na Unidade de Saúde de Carnaxide,  tendo sido acompanhado com apoio terapêutico em ambulatório após a alta hospitalar.

“Nos estudos que tenho realizado com jovens entre os 12 e 30 anos, em cada amostra surge uma média de 20 a 25 por cento de jovens dependentes do que fazem na internet”, disse à MAGG Ivone Patrão, psicóloga clínica do ISPA – Instituto Universitário e autora do livro “#GeraçãoCordão – A geração que não desliga”.

“Os rapazes demonstram um perfil de dependência de jogos e apostas online, enquanto as raparigas tendem para a dependência das redes sociais”. Desde os canais de YouTube, que têm tido cada vez mais crescimento e criam nos jovens uma sensação de exemplo a seguir, até aos jogos, são muitos os focos de distração que podem levar a um comportamento aditivo. É importante saber distinguir sinais de perigo e o que fazer para reverter uma possível situação de vício.

O vício levou-o a reprovar e a deixar a universidade

Um comportamento é aditivo quando este tem potencial para gerar dependência, em que a pessoa procura prazer, mas que pode facilmente resvalar para o lado compulsivo, muito difícil de interromper. “Temos de considerar diferentes comportamentos aditivos relacionados com a tecnologia. Podem ser passar imensas horas a jogar online, navegar compulsivamente passando de uns assuntos para outros ou estar bastante tempo nas redes sociais”, acrescenta Isabel Prata, psicóloga clínica e psicoterapeuta, que não gosta de usar a palavra vício para caracterizar esta dependência porque vê nela uma carga negativa.

O primeiro passo para identificar este problema é  saber reconhecer os sinais de alarme.Os mais evidentes são: desinvestimento de outros aspetos da vida, tal como o baixo rendimento escolar; desinteresse face à escola e vida social offline; abandono de  outras atividades fora de casa como o desporto; sonolência durante o dia; alteração das rotinas de sono, alimentação e estudo; mentira acerca do tempo que se passa na internet ou a jogar; compra compulsiva de jogos e até usar o cartão de crédito dos pais em segredo para o efeito. E, claro está, passar muito tempo ao computador ou ao telemóvel, bem como ultrapassar os períodos previamente estipulados para este tipo de atividades.

Ivone Patrão recorda o caso de um jovem de 21 anos: “Estudante de engenharia informática estava dependente do jogo online, sobretudo ‘League of Legends’, e desistiu do curso superior após dois anos de insucesso escolar por pouca dedicação ao estudo. Acabou por decidir ingressar no mercado de trabalho. Com boa adesão ao emprego, organizou melhor os seus ritmos diários e já obteve alta.

“Um estudante de engenharia informática estava dependente do jogo online, sobretudo ‘League of Legends’ e desistiu do curso superior após dois anos de insucesso escolar por pouca dedicação ao estudo”

Agressividade e dificuldade em controlar a ansiedade que é gerada por não estarem online são aspetos a que os pais também devem estar atentos. “De acrescentar que é importante redobrar a atenção face a estes comportamentos se existir algum acontecimento de vida que possa favorecer um uso excessivo de tecnologia, tal como o divórcio dos pais, uma perda significativa ou a dificuldade em realizar alguma tarefa da adolescência”, acrescenta Ivone Patrão.

Foi o que aconteceu com um doente de Ivone Patrão: “Um  jovem de 18 anos, estudante de um curso profissional na área do design, debatia-se com a dependência de jogo online e com conflitos familiares por causa do divórcio dos pais. Quando decidiu ir viver com um familiar próximo, este tornou-se numa peça essencial na ajuda da regulação do comportamento online”.

É mais fácil viver online

Os comportamentos aditivos na adolescência não devem ser ignorados nem desvalorizados por se pensar que são fases momentâneas, que passam com a idade.  Neste período da vida, a diversidade de interesses, experiências e relações ganham ainda mais importância. Repetir permanentemente o mesmo comportamento é um fator de risco para o desenvolvimento de competências sociais, para a transição para a vida adulta e para a própria socialização numa maior faixa etária, defendem os especialistas.

“É provável que um adolescente fechado se torne num adulto fechado, há uma continuidade no desenvolvimento”, diz Isabel Prata. “É mais fácil para os jovens viver online e o problema está quando ficam apenas por ali, quando a verdadeira vida fica de fora e preferem as personagens e as relações criadas num contexto de jogo às relações reais.”

Antes dos sinais de alarme e de um cenário aditivo, é também importante compreender que a barreira geracional entre pais e filhos desempenha aqui um papel importante — e pode contribuir para a criação de um comportamento aditivo. Os pais que começaram a viver com a tecnologia na adolescência ou mesmo na idade adulta têm filhos que nascem neste ambiente completamente dominado pela internet, computadores e smartphones. “É com esta diferença de experiências que temos de nos preocupar em primeiro lugar. É comum escutar em consulta que os pais nunca conversaram em família sobre o uso saudável da tecnologia e apenas quando sentem que há um abuso é que começam a tocar no tema, quando já se trata de um conflito”, afirma Ivone Patrão.

Para não se chegar a uma situação de dependência, existem passos que os pais devem tomar. Luís Patrício recomenda “interromper a visualização e utilização de um jogo, por exemplo, por breves momentos a cada 10 minutos para descansar a vista; limitar o tempo dedicado a esta atividade, não ultrapassando os 40 a 90 minutos por dia; definir dias da semana sem acesso a jogos; não aceitar que os jogos ou a adição à tecnologia interfira com outras atividades fundamentais individuais ou familiares como alimentação, descanso, higiene, estudo ou trabalho; alternar o uso dos videojogos com outras atividades lúdicas e convívio com família, amigos e colegas; e, por último, é também importante que a criança ou jovem não fique muito tempo sozinho com consolas ou computadores”.

Outra técnica que pode ser benéfica é a partilha do mesmo espaço: apesar de o jovem ou adolescente estar a jogar ou ao computador, será bom que pais e filhos partilhem a sala comum, por exemplo, mesmo que todos estejam ocupados com diferentes atividades.

Dar o exemplo também é importante. Afinal, os bons hábitos devem começar em casa e desde cedo: como se vê no estudo publicado este mês pela ERC, “Boom digital? Crianças (3 a 8 anos) e Ecrãs”  38% desta faixa etária usa a internet. Devem os pais dar o exemplo, limitando o tempo que eles próprios passam agarrados ao computador ou ao telemóvel, é um ótimo ponto de partida, garantem os terapeutas. Promover interesses diversificados nos jovens e falar com eles sobre as atividades virtuais também é algo em que devem apostar – os pais não necessitam ter o mesmo nível de competência que os filhos nesta área, mas é importante terem algumas noções para que possam estar atentos a eventuais comportamentos excessivos

Isabel Prata acrescenta outras medidas: “Ser capaz de dizer não com firmeza é uma atitude muito necessária para os pais de adolescentes, embora nem sempre fácil. Não oferecer ou aceitar comprar todos os jogos que os jovens querem é, muitas vezes, uma tentação pois é um presente sempre bem recebido e existe uma insistência e argumentos lógicos dos filhos. Dialogar e conversar sobre as consequências do comportamento é ainda mais importante do que abordar o comportamento em si. Por exemplo, os pais podem explicar aos jovens que entendem o gosto pelo jogo, mas estão preocupados com a descida das notas, com a falta de interesse por outras atividades e que suspeitam que estas alterações sejam uma consequência das horas passadas a jogar. Manifestar preocupação de uma forma argumentada, apontando as consequências evidentes do comportamento, e oferecer apoio para a mudança são passos importantes e necessários”.

Control – Escape – E acabar com a dependência

Se os comportamentos identificados como sinais de alarme forem uma constante, é provável que se verifique uma situação de dependência e pode ser necessário recorrer a ajuda profissional.

Hoje já existem consultas especializadas nestes comportamentos ligados aos jogos virtuais e à tecnologia, para adolescentes e jovens – o Ministério da Saúde está preparado para lidar com estas novas tendências nos serviços de comportamentos aditivos e dependências  que funcionam em vários centros de saúde espalhados pelo país.

Deverá existir uma primeira fase de avaliação para que se perceba o contexto pessoal e social da dependência e se, de facto, existe. “Comprovada a situação, a intervenção  deve ser mista, em psicoterapia individual e familiar. Pode ser necessária uma avaliação psiquiátrica e ponderado o uso de psicofármacos”, afirma Ivone Patrão.

“Aos 13 anos jogava Football Manager uma vez por semana, dos 14 aos 17 duas a quatro horas, no máximo, aos fins de semana. Até aos 20 anos joguei menos mas, dos 20 aos 25 aumentei as horas a jogar. Era capaz de estar até 12 horas por dia a jogar e também passava bastante tempo a navegar no YouTube”

João, de 25 anos, precisou de ser internado, como contou à MAGG: “Aos 13 anos jogava ‘Football Manager’ uma vez por semana, dos 14 aos 17 duas a quatro horas, no máximo, aos fins de semana. Até aos 20 anos joguei menos mas, dos 20 aos 25 aumentei as horas a jogar. Era capaz de estar até 12 horas por dia a jogar e também passava bastante tempo a navegar no YouTube. Esta situação fez com que estudasse menos e criou conflitos na família, já que os meus pais se alteravam se não me vissem a estudar. Para mim não era dependência, era uma escapatória. Acabei por aceitar ser internado uns dias. A equipa tem psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e psicomotrista. Estou em tratamento e agora não sinto falta, não tenho jogado e penso em outras coisas.”

Mesmo depois de um diagnóstico, há medidas que os pais podem tomar para tentar reverter a situação. “Estimular os filhos a convidar amigos para jogarem presencialmente juntos (existindo assim um convívio social durante o jogo), tentar avaliar previamente os conteúdos visualizados na internet e acompanhar o que está a passar nos ecrãs, colocando-os numa posição visível: um ecrã escondido não deixa que outros vejam o que se está a passar, enquanto o contrário permite uma seleção de conteúdos”, afirma Luís Patrício.

 

 

 

Uso excessivo da internet pode causar depressão e comportamentos neuróticos

Março 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do https://lifestyle.sapo.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Nuno Noronha

Estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) alerta para perturbações patológicas decorrentes do uso da internet, como a ansiedade, depressão e sensibilidade interpessoal.

As dependências no uso da Internet, associadas a sintomatologias psicopatológicas, foram alvo de um estudo realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), cujos resultados acentuam as preocupações, em especial ao nível dos jovens. O estudo, intitulado “Adição à Internet: Relação com a Sintomatologia Psicopatológica e a Personalidade”, foi desenvolvido pelo psicólogo Luís Afonso Ferreira, no âmbito do mestrado em Psicologia Clínica, com orientação de Otília Fernandes e Inês Relva, docentes e investigadoras desta área do conhecimento.

A investigação, que teve como amostra 418 indivíduos de todo o país, sendo 166 do sexo masculino e 252 do sexo feminino, realçou a adição à internet e o seu uso excessivo e desregrado como “fator precipitante para o desenvolvimento de sintomatologia patológica” ao nível da depressão, ansiedade, hostilidade e sensibilidade interpessoal.

Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de “maior atenção por parte dos profissionais de saúde quanto aos hábitos desenvolvidos online e da perceção que o próprio indivíduo tem do seu grau de adição”.

Neuroticismo elevado e baixa conscienciosidade

Acerca da personalidade demonstrou-se também que “o neuroticismo elevado, caracterizado pela instabilidade emocional, e a baixa conscienciosidade, caracterizada pela falta de organização, disciplina e regras, evidenciam-se como fortes preditores da adição à Internet”.

Mostrou ainda o estudo que determinadas atividades, nomeadamente os videojogos e as redes sociais, têm forte relação com a problemática, enquanto “atividades ligadas a recompensas imediatas e mecanismos de imersão, fantasia, socialização, competição e reconhecimento social, entre outros fatores que poderão servir como “isco” a indivíduos predispostos ao desenvolvimento de uma adição”.

Otília Fernandes, psicóloga clínica e uma das investigadoras responsáveis pelo estudo, encara os resultados como sinais de alerta em especial para os mais novos, que vivem colados aos smartphones e jogos. “O comportamento abusivo, qualquer que seja, e sobretudo na adolescência, que é um lugar de todos os perigos porque a identidade está ainda em busca de um caminho, deve ser considerado um sinal, um sintoma de que algo não está a correr bem”, justifica a investigadora.

“Basta muitas vezes – lembra também – um olhar atento e compreensivo e de disponibilidade para o jovem não se sentir só e poder falar do que o atormenta. Não é fácil, mas é possível, se tivermos em conta que qualquer dependência é sempre uma máscara, que, como tal, esconde e revela, bastando muitas vezes a nossa disponibilidade para estarmos com o jovem. Partilhar um problema já é meio problema resolvido. Só restringir o uso não basta. Há muitas pessoas que advogam políticas de restrição sem terem o cuidado de acompanhar isso com políticas de compreensão, o que é profundamente errado.”

 

 

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