Partilhar ou não partilhar: o que fazer com as fotos dos nossos filhos?

Fevereiro 27, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 20 de fevereiro de 2020.

Alguns pais não se importam de partilhar fotos dos filhos. Outros não mostram a identidade dos descendentes nas redes sociais. Três famílias, três experiências.

Sofia Filipe

Há quatro meses, Filipa Salvaterra vivia os últimos dias da segunda gravidez. A 23 de outubro, véspera do nascimento de Duarte, assinalou o quinto aniversário de Maria partilhando com 295 amigos do Facebook uma fotografia do bolo e uma dedicatória à filha. A mensagem sobre a nova fase, “com o mano”, estava nas entrelinhas e só era entendida por familiares e amigos que privam com a engenheira química, de 37 anos, no Centro Nacional de Embalagem. “É uma questão de privacidade.” Moradora no Montijo, Filipa justifica assim o facto de não publicar nenhuma fotografia dos filhos nas redes sociais nem de avançar pormenores da vida privada.

O marido, Pedro Cruz, um ano mais novo, pensa da mesma forma. “É mais seguro. Também não indicamos locais nem moradas. É a nossa vida pessoal e ninguém tem de saber o que fazemos ou onde estamos”, declara o engenheiro de manutenção na Hovione, Loures. “Dos 571 amigos que tenho no Facebook, só devo falar com cerca de dez. Muitos andaram comigo na escola, outros são da mesma terra ou foram colegas. Não há grandes ligações com a maioria.”

Mostrar ou não mostrar os filhos nas redes sociais? Eis uma questão pouco dada a unanimidade. O poder de decisão, esse, nem sempre pertence aos pais. Em 2015, durante um processo de regulação de responsabilidades parentais, o Tribunal de Setúbal proibiu os pais de uma criança de 12 anos de partilharem fotografias da filha nas redes sociais. A mãe recorreu para a Relação e o Tribunal da Relação de Évora manteve a decisão. Vem referido no acórdão que, “na verdade, os filhos não são coisas ou objetos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos”.

Se existe o direito à imagem das crianças, por que motivo é atropelado com a constante divulgação nas redes sociais? “Orgulho e vontade de mostrar ao mundo a felicidade. Também algum exibicionismo, necessidade de reconhecimento e afirmação social”, responde Tito de Morais, fundador de MiúdosSegurosNa.Net, um projeto que ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a segurança online. Ao ato de partilhar excessivamente fotografias e informações acerca dos filhos, sem consentimento, dá-se o nome de sharenting. O especialista compreende que os pais o façam, mas aconselha a evitar. “A necessidade de afirmação social dos pais não se pode sobrepor à segurança e proteção da privacidade dos filhos.”

Para a psicóloga especialista em adolescentes Bárbara Ramos Dias, “todas as pessoas têm direito à privacidade. Os filhos ainda mais. São crianças inocentes”. Sensibiliza para os riscos associados à partilha de fotografias a mostrar a cara, de dados pessoais ou de localização geográfica nas redes sociais e dá como exemplo situações de rapto.

“A necessidade de afirmação social dos pais não se pode sobrepor à segurança e proteção da privacidade dos filhos”
Tito de Morais
Fundador de MiúdosSegurosNa.Net

Filipa e Pedro têm consciência dos perigos associados à exposição de crianças na Internet, destacando o uso de fotos manipuladas em sites de pedofilia. O fundador de MiúdosSegurosNa.Net explica que “a manipulação digital das fotos através de montagens e a criação de deep fakes elevam a fasquia ao nível da sofisticação”. Por seu turno, defende que “basta mudar o contexto em que as imagens aparecem para adquirirem logo outro significado”.

A última fotografia partilhada pelos pais de Ódin, seis anos, e Aron, quatro, retrata uma brincadeira com água num campo. Estão de costas e afastados da objetiva. Para Carla Santos e Duarte Cera, ambos de 35 anos, partilhar momentos em que os filhos estão de costas, tapar-lhes o rosto, editar as fotografias ou usar imagens de baixa resolução são algumas estratégias para não exporem os descendentes nas redes sociais. Além disso, fazem a publicação depois da atividade em família e não referem local nem horário. Este casal de Cascais acredita que “existe o risco de serem identificadas rotinas da família e assim dar azo a situações perigosas”.

Carla é doula e usa o Facebook (conta pessoal com 791 amigos e página profissional com 465 seguidores) e o Instagram (conta pessoal com 200 seguidores e a profissional com 707). Duarte concilia a atividade de leitor de contador das águas com a de baterista dos Invoke e utiliza as redes sociais Facebook (790 amigos) e Instagram (185 seguidores). “O acesso às fotos é reservado a listas definidas por nós, por questões de segurança”, afirma Carla.

Em tempos, colocou uma fotografia sua, grávida, como foto de perfil, e recebeu “uma mensagem de um desconhecido a questionar se o bebé já tinha nascido, porque gostava muito de ver uma imagem. Foi assustador”. Duarte faz referência ao impacto negativo mencionando que “a imagem fica para sempre online, pode ser usada no futuro como ferramenta de bullying, por colegas ou pessoas das relações profissionais”. Carla sublinha: “É a privacidade dos nossos filhos, que não têm noção do que é a exposição. Quando tiverem, será algo unicamente gerido por eles. Não vamos interferir”.

Na net como no parque ou nos transportes públicos

Como a partir de uma certa idade os filhos ganham o sentido de individualização, os pais devem perguntar-lhes se podem fazer determinada publicação, segundo Bárbara Ramos Dias. “Há miúdos que não gostam de se expor. Deve-se respeitar a opinião e a vontade.” Exemplo: na pré-adolescência e adolescência, sobretudo as raparigas, têm preocupação com a imagem. “Consideram que estão gordas, feias ou com borbulhas. Não gostam quando os pais põem online fotos que não lhes agradam.” É uma fase da vida com inseguranças e fragilidades que a exposição “pode aumentar”. Dados do EU Kids Online Portugal, de 2018, mostram que 28% dos participantes, entre os nove e os 17 anos, indicaram que os pais publicaram textos, vídeos ou imagens sobre eles sem lhes perguntarem. Dos inquiridos, 14% pediram aos pais para retirar conteúdos, dos quais um quinto são raparigas entre os 13 e os 17 anos; e 13% disseram ter ficado incomodados com a partilha sem consentimento.

“Todas as pessoas têm direito à privacidade. Os filhos ainda mais. São crianças inocentes”
Bárbara Ramos Dias
Psicóloga especialista em adolescentes

Experiências que não foram vividas pelos irmãos Matilde e Samuel, de 13 e 11 anos, de Caneças. Os pais têm sempre o cuidado de perguntar se concordam com determinada publicação em que são visados. “São pessoas independentes. Não é por sermos pais que temos o direito de usar a imagem deles sem a sua autorização”, diz Miguel Campos, de 46 anos, motorista. “Desde que têm idade para manifestar opinião que lhes pergunto se posso publicar as fotos em que aparecem”, corrobora Sílvia Campos, 42 anos. Pelas respostas que recebe dos filhos, a angariadora imobiliária nota que estão mais interessados em perceber se “estão mais ou menos bonitos”.

Miguel usa o WhatsApp e o Facebook (452 amigos). Sílvia é mais ativa: 3 446 amigos nesta rede social, 777 seguidores no Instagram e 256 contactos no WhatsApp. Esta mãe nunca se coibiu de mostrar a cara dos filhos, com publicações esporádicas. É o orgulho que sente nos filhos que a motiva a partilhar o bom aproveitamento escolar, uma atividade especial, vivências durante as férias, momentos engraçados com familiares e amigos ou uma comemoração festiva. Com reservas. Usa definições de privacidade, as fotos de férias só são publicadas posteriormente e, por norma, não dá referências geográficas. Sílvia tem consciência de perigos mas ressalva que estes não existem apenas na Internet. “Também lhes podem tirar fotos na escola, no parque, na praia, nos restaurantes, nos transportes públicos”, enumera, referindo que é apologista das conversas educativas. “Alerto para os perigos, tiro dúvidas e estou atenta. Como pais, temos de os proteger e assegurar que as publicações não sejam prejudiciais no futuro. Não considero nenhuma das opções [mostrar ou não mostrar a cara dos filhos] certa ou errada. Sentirmo-nos bem e fazer com que os nossos filhos também se sintam bem deve ser a regra.”

Maria e Duarte são menores e não têm a noção dessa dinâmica. Os pais Filipa e Pedro decidiram salvaguardar os filhos para precaver eventuais problemas no futuro não mostrando nada. “São menores e um dia podem não querer ou não gostar de ter fotos deles online”, comenta a mãe, lembrando que as fotografias digitais estão guardadas no computador e/ou na nuvem. “Qualquer pessoa pode aceder. Se forem colocadas no Facebook, é abrir ainda mais a vida privada ao mundo.”

A mãe de Ódin e Aron acredita que “explorar a vida e a imagem de uma criança tira autenticidade às relações e às vivências”. “A mensagem que transmite não me deixa muito segura. Somos valorizados por seguidores/gostos/reações? Somos o que acham de nós? A opinião dos outros pesa assim tanto? Tenho receio da superficialidade.”

Cuidados a ter nas redes sociais

Tito de Morais, fundador de MiúdosSegurosNa.Net, aconselha a evitar:
• Partilhas públicas. Mesmo não mostrando a cara da criança, inadvertidamente podem ser revelados outros aspetos.
• Fotos que mostrem o corpo despido da criança. Há quem olhe para esse tipo de fotos como objeto de desejo sexual.
• Fotos potencialmente embaraçosas, tais como mudança da fralda, na sanita ou no banho. Na adolescência, envergonham com facilidade.
• Localizar a criança em sítios que frequenta (escola, ATL, etc.).
• Fotos com amigos, sobretudo se não tiverem autorização por escrito dos respetivos pais (ambos, pois no caso de pais divorciados pode haver opiniões discordantes).

Internet segura com os conselhos deste pediatra

Fevereiro 26, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle

As recomendações são do médico Hugo de Castro Faria, especialista em Pediatria. Hoje é o Dia Mundial da Internet Segura.

A atual geração de adolescentes cresceu numa realidade francamente diferente de outras gerações anteriores. Desde idades muito precoces habituaram-se à omnipresença da tecnologia (televisão, computadores, tablets, videojogos, telemóveis etc.). É natural e expectável que tenham uma relação com estes meios de comunicação e divertimento muito diferente da que têm e tiveram os seus pais. Apercebemo-nos, em consulta, que esta diferença origina muitos conflitos e incompreensões.

É fundamental que façamos um esforço de entendimento, tentando perceber o papel fundamental que estes meios têm na vida dos jovens, ao interpretar e avaliar determinados comportamentos. Ainda assim, precisamos de ter alguns cuidados pois a utilização excessiva e desregrada acarreta alguns riscos e consequências que importa ter em conta.

Vantagens das novas tecnologias

  • A familiaridade e facilidade de utilização da internet, redes sociais e novas tecnologias é fundamental enquanto ferramenta futura.
  • Permite um acesso ilimitado, fácil, rápido a uma quantidade inimaginável de informação.
  • É uma ferramenta importantíssima de literacia, cultura e educação.
  • Facilita o contacto social rápido e instantâneo. Tanto o contacto social com pessoas que já se conhecem (colegas de escola e amigos), como com pessoas distantes de culturas diferentes. Esta facilidade pode ser altamente enriquecedora ao promover o contacto com outras realidades.
  • A familiaridade e competência na utilização das ferramentas informáticas e de comunicação são uma enorme mais-valia no futuro académico e profissional dos jovens.

Riscos associados ao excesso de utilização das novas tecnologias

  • Sedentarismo
  • Obesidade e excesso de peso
  • Alterações do sono
  • Insucesso escolar
  • Depressão (Isolamento)
  • Dependência e vício
  • Cyberbullying
  • Violência, pornografia, pedofilia

Parece claro que a forma como as novas gerações sociabilizam é extremamente diferente daquela das gerações passadas. A sociabilização é atualmente independente da distância ou do isolamento físico e a presença nas redes sociais é cada vez mais indispensável para a inclusão nos grupos de jovens. É nelas que se organizam festas ou eventos, que se discutem trabalhos de grupo e que se acertam pormenores de organização na escola.

Devemos contudo estar alerta para alguns riscos e problemáticas que são emergentes e têm estado associadas ao crescimento das redes sociais.

Quando olhamos para a forma como os adolescentes utilizam as redes sociais, há um aspeto que impressiona particularmente: a ausência de períodos de sossego distante dos amigos. As redes sociais estão presentes constantemente, com notificações e mensagens a chegar a cada instante, a solicitação é permanente e há cada vez menos espaço para os momentos de solidão e quietude, que são fundamentais para processos de introspeção, estudo, leitura, sono, etc.

O sono é uma preocupação crescente, existe um défice de sono nos adolescentes das sociedades modernas, com graves consequências para a saúde, desenvolvimento e rendimento escolar. A presença do telemóvel no quarto, ligado e online nas redes sociais atrasa muito a hora a que os jovens adormecem. De pouco serve irem para a cama às 22 h, se estão a trocar mensagens ou comentar publicações nas redes sociais, no seu telemóvel, até à 1 ou 2 h da manhã.

Uma outra preocupação crescente é o cyberbullying. É um tipo de bullying particularmente grave e poderoso. O bullying online tem o potencial de chegar à totalidade dos amigos e/ou familiares da vítima, está ativo 24 h por dia e muitas vezes é extremamente difícil de apagar após publicação e partilha. É fácil perceber que as consequências podem ser desastrosas, podendo levar a isolamento social, absentismo escolar, depressão e, em raros casos extremos, ao suicídio.

O uso massivo da internet e redes sociais tem ainda o potencial de levar ao desinteresse por outras experiências tão fundamentais como as atividades sociais «ao vivo» ou o desporto, aumentando o sedentarismo e reduzindo a atividade física com as múltiplas consequências tão conhecidas para a saúde (obesidade, hipertensão arterial, risco cardiovascular, etc.).

Recentemente tem-se reconhecido a problemática da dependência destas novas tecnologias (videojogos ou internet e redes sociais), que constitui uma doença séria com múltiplas consequências, como o isolamento social, a depressão, as perturbações do sono ou o absentismo escolar.

É fundamental que os pais mantenham vigilância da utilização que os filhos fazem da internet e redes sociais. Estabelecendo regras quanto ao tempo de utilização, tipo de utilização e vigilância dos «amigos online», acompanhando a actividade on-line e explicando e ajudando a interpretar correctamente a informação acedida. Esta vigilância é um dever qualquer pai.

Regras de segurança online

  • Supervisão parental:
  • Regras bem definidas
  • Patilha
  • Ferramentas de “parenting”
  • Bloqueio de sites
  • Filtros
  • Consulta de Histórico

Ensinar sobre:

  • Evitar a partilha de dados pessoais
  • Desconfiar de desconhecidos
  • Denunciar
  • Reforçar que nem tudo o que está online é verdade

Um estudo recente realizado com crianças e adolescentes na consulta do Hospital CUF Descobertas, mostrou que os níveis de utilização dos novos meios de são extremamente altos, o que contrasta com níveis muito baixos de supervisão parental:

  • Entre os 0 e os 3 anos 67% utiliza estes meios e apenas 35 % dos pais exerce controlo parental
  • Entre os 4 e os 6 anos 89% utiliza e apenas 44% do pais exerce controlo parental
  • Entre os 7 e os 10 anos 98 % de utilização e 50 % controlo parental
  • Entre 11 e 14 anos 100 % utiliza e 57 % de controlo parental
  • Entre os 15 e os 18 anos 100 % utiliza e apenas 26 % controlo parental.

Nestes números impressiona sobretudo a baixa percentagem de controlo exercido pelos pais, o que revela uma grande falta de sensibilização para os riscos envolvidos.

As recomendações são do médico Hugo de Castro Faria, Pediatra no Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries – Estudo europeu sobre as crianças e a internet

Fevereiro 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da SeguraNet:

No dia em que se assinalou o Dia da Internet Mais Segura, foram divulgados os resultados do estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries.
Entre 2017 e 2019, foram inquiridos 25.101 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos, sobre as suas experiências digitais que incluíram situações de risco como ciberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas na Internet.
Em alguns países, como Portugal, o tempo que as crianças e os jovens passam online mais do que duplicou, sendo também um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança em lidar com riscos: mais de dois terços referem saber reagir “sempre” ou “muitas vezes” a comportamentos de que não gostam na Internet. Portugal é também um dos países, onde os inquiridos menos associam situações de risco a danos delas decorrentes.

A participação de Portugal, neste estudo, contou com o apoio da Associação DNS.PT, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Direção-Geral de Educação.

Descarregar o documento no link:

http://www.lse.ac.uk/media-and-communications/research/research-projects/eu-kids-online/eu-kids-online-2020?fbclid=IwAR0fmTsVgdjSPDqYbH3a87XRuozq2Hw1FM9GKs8MkBVKrHoC6qjGVdxYyik

Jogo, internet e outros comportamentos aditivos : dossier temático

Fevereiro 20, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Visualizar o documento no link:

http://www.sicad.pt/PT/EstatisticaInvestigacao/EstudosConcluidos/Paginas/detalhe.aspx?itemId=201&lista=SICAD_ESTUDOS&bkUrl=/BK/EstatisticaInvestigacao/EstudosConcluidos&fbclid=IwAR2O_jSlScaY2MfI-_rsd7vUvTakOu8Z20j4A8qN1LAHxPeLzUlBZWnO-CE

Ler notícias? Só se aparecerem no feed. Para os jovens, são “desinteressantes e repetitivas”

Fevereiro 18, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de novembro de 2019.

Mariana Durães

Lêem o que aparece nas redes sociais, não gostam dos temas nem da linguagem: assim é a relação dos jovens com as notícias. E ainda que confiram credibilidade aos jornalistas, nem sempre sabem distinguir a verdade da mentira. O projecto PSuperior quer contrariar isso, com a oferta de assinaturas digitais a estudantes universitários.

Ana Sofia Mendes e os amigos fizeram uma experiência: ver quantos deles tinham a aplicação de um órgão de comunicação social instalada no telemóvel. Resultado? “Quase ninguém tinha.” O cenário não surpreendeu a jovem de 21 anos, estudante da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, que diz ter uma perspectiva “crua” no que toca ao consumo de notícias por jovens: “Não lêem, não vêem jornais e nem sequer vêem televisão. Ficam só pelas letras garrafais que lhes vão aparecendo.”

Precisamente por saber que, por vezes, são só “as letras gordas” que contam, o PÚBLICO associou-se a nove empresas para oferecer assinaturas digitais a alunos finalistas ou de mestrado integrado de determinados cursos de universidades públicas e privadas de todo o país, ao abrigo do projecto PSuperior, que é lançado esta quarta-feira, 20 de Novembro. A ideia é alertar os jovens para a desinformação e para as fake news, num momento em que o que “lhes vai aparecendo” são as notícias que caem no feed das redes sociais que utilizam — e que nem sempre são de fonte fidedigna. E incentivar hábitos de leitura de jornais junto dos jovens universitários.

Para Inês Amaral, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a principal alteração no que toca ao consumo de notícias feito por jovens é na questão do acesso: “Até diria que os jovens consomem mais informação do que consumiam antes, mas o acesso passou a ser feito através do digital, das redes sociais. Agora não vem da procura por informação, mas de um acesso espontâneo”, explica a investigadora, que se tem dedicado a estudar a literacia mediática em Portugal, em entrevista telefónica ao P3.

Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, corrobora: “Há uma tendência grande para, hoje em dia, o contacto que os jovens têm com as notícias ser feito através das redes sociais. É aí que encontram a informação.” E se, por um lado, as redes sociais podem fazer notícias saltar à vista de quem não as procura, por outro são também terreno fértil para a disseminação de fake news. Ou para a criação de “bolhas” intelectuais: o algoritmo calcula os interesses de cada um de nós, oferecendo constantemente informações coincidentes com os nossos tópicos de eleição, excluindo todos os conteúdos que sabe que, à partida, não nos vão agradar. O que é, para Inês Amaral, “redutor”.

Depois do primeiro contacto com as notícias, feito através das redes sociais, “há aqueles que querem ler na íntegra e os que se ficam apenas pelo título”: as tais “letras garrafais que vão aparecendo” que Ana Sofia acredita ser o único contacto que os jovens têm com as notícias. A estudante de Direito, também presidente da Associação de Estudantes do mesmo curso, diz que “já nem fala” em comprar um jornal: “As pessoas nem têm interesse em ver notícias online.”

As notícias são “repetitivas e desinteressantes”

Mas, afinal, porque é que os jovens não lêem notícias? “Estão altamente desinteressados pelas hard news e pelas questões da actualidade”, atira Inês Amaral. Salvo excepções, como o tema das alterações climáticas, os assuntos que são tratados pelos media tradicionais “são considerados repetitivos e desinteressantes” para o público mais jovem.

Ana Sofia acredita que também contam questões como o hábito e o incentivo à leitura e a procura de informação: “Eu sempre fui instruída a ler notícias. E se formos habituados a isso desde os 14 ou 15 anos, aos 19 e 20 vamos continuar a fazê-lo.” Uma realidade que também é defendida por Sara Pereira, que relembra que a leitura de notícias depende dos “hábitos de consumo” de cada um.

Ao desinteresse acresce a incapacidade de compreender certos tópicos: “Há assuntos que até interessam aos jovens e que lhes podem ser mais próximos — como as questões de economia ou política —, mas que eles dizem não entender. É preciso uma adaptação da linguagem.” Mais ainda, o “consumo imediato”, típico do que é feito nas redes sociais, leva a que os jovens descartem rapidamente as notícias: “Ou está no título e no lead, ou não está.”

A solução para reverter o panorama pode passar “pela ideia de dar voz a assuntos cívicos, que parecem ser os que despertam mais atenção”, defende Inês. A professora refere que “tópicos sensacionalistas, como crime, violência, catástrofes e conflitos, são normalmente referidos como de interesse”. Mas salvaguarda a ideia de que “a informação não pode existir numa lógica de on demand” e que “o jornalismo precisa de cobrir aquilo que é a actualidade.”

Sara Pereira vai mais além: “Acredito que tem de haver mais visibilidade e representação dos jovens, mas se não é na fase de jovens adultos que se interessam pela actualidade, quando é que estamos a formar adultos?” A investigadora acredita também que não é necessário “transformar uma linguagem que já aceitável desde o ensino secundário.”

Mas o que diz uma jovem sobre o assunto? “Pode, de facto, haver um desinteresse pelas temáticas abordadas pelos media, mas o que acho que acontece é que a própria sociedade não dá a devida importância à comunicação social”, atira Ana Sofia.

O que está na Internet é “certamente verdade”

“A questão da literacia mediática é uma urgência há muito tempo, mas, com os consumos em grande velocidade, assumiu uma relevância maior”, refere Inês. “Sobretudo quando temos sites como os Bombeiros 24 a venderem coisas em que as pessoas acreditam e não questionam”, diz a investigadora de Coimbra, referindo-se a uma das páginas portuguesas mais vezes associadas a fake news.

Mas se seria de esperar que, como nativos digitais, os jovens estivessem mais sensíveis às notícias falsas, a verdade é que “são altamente vulneráveis nesse campo”. Até porque o facto de terem “nascido com o digital” faz com que haja uma enorme “credibilidade pelos pares, mesmo que não os conheçam pessoalmente”: “Se alguém partilha algum conteúdo através de uma conta no Twitter que eles já seguem há muito tempo e a quem atribuem credibilidade, não questionam”, explica Inês.

Ana Sofia resume numa frase: “Nós sempre procuramos tudo na Internet.” Por isso, tudo o que lá está é “certamente verdade”. Ainda assim, defende Sara Pereira, “os jovens têm noção de que quando querem informação credível e fidedigna, vão procurar a sítios feitos por profissionais”. “Há um reconhecimento grande do trabalho do jornalismo e de jornalistas.”

O que não quer dizer que seja suficiente para pagar uma assinatura de um jornal: “Ler uma notícia não desperta os mesmos sentimentos que ver uma série”, explica Ana Sofia. Por isso, diz, na hora de escolher, quem ganha a maior parte das vezes é a Netflix.

EU Kids Online: Jovens revelam cada vez mais confiança ao lidar com riscos na Internet

Fevereiro 11, 2020 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do TEK Sapo de 11 de fevereiro de 2020.

Para Cristina Ponte, coordenadora da equipa portuguesa de investigação do EU Kids Online, os resultados do estudo devem ser levados mais além. Em conversa com o SAPO TEK, a responsável indicou que é necessário conversar com os jovens e perceber o que certos comportamentos e situações significam para eles.

No dia da Internet mais Segura, o novo relatório EU Kids Online 2020 vem dar a conhecer a forma como os mais novos lidam com os riscos e com as oportunidades da Internet. Ao todo, entre 2017 e 2019, o estudo inquiriu 25.101 crianças e jovens de 19 países europeus acerca das suas experiências digitais. Entre as situações que incomodam os mais novos incluem-se o cyberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas online.

De acordo com dados avançados pela Rede de Investigação EU Kids Online, Portugal é um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança ao lidar com riscos. Mais de dois terços dos inquiridos indicam saber reagir sempre ou muitas vezes a comportamentos de que não gostam na Internet. Os resultados do relatório demonstram que as crianças e jovens portugueses associam cada vez menos as situações de risco aos danos que podem decorrer delas.

O relatório põe em evidência a ideia de que as atividades digitais não podem ser definidas como sendo positivas ou negativas em absoluto. Os encontros face a face com pessoas que se conhecem na Internet, os quais foram referidos por uma minoria, são um exemplo desta situação. Em grande parte dos casos relatados, os encontros foram positivos. Em Portugal, 84% dos inquiridos afirmam ter ficado contentes ao ter contactado com pessoas que conheceram na Internet, sendo que menos de 5% indicam ter ficado bastante incomodados.

Ao SAPO TEK, Cristina Ponte, Professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e coordenadora da equipa portuguesa de investigação do EU Kids Online, explicou que “a maior parte dos encontros são com pessoas da sua idade que conheceram através da sua rede de amigos e partilham os mesmos interesses. É preciso contrariar a ideia de que todos os encontros com pessoas que se conhecem na Internet são necessariamente danosos. Pode haver, e há, uma experiência que é gratificante e que decorre do conhecimento de outros jovens da sua idade”.

Como lidam os jovens com os riscos online?

O novo relatório destaca que, perante uma situação online que os incomodou, as crianças e jovens europeus não costumam pedir ajuda aos professores ou profissionais cujo trabalho é ajudar os mais novos, preferindo o contacto com amigos ou até com os pais. Em Portugal, 44% dos inquiridos procuraram aconselhar-se junto de amigos e 37% falaram com os pais de situações que os deixaram incomodados. Apenas 7% das crianças e jovens falaram com professores.

Cerca de 63% dos inquiridos nacionais indicam que são os pais quem mais os ajudam. Seguem-se os amigos (50%) e os professores (31%), sendo que os valores portugueses estão em linha com os restantes países europeus. Em Portugal, 61% dos inquiridos afirmam que os professores são quem mais os incentiva a explorar e a aprender coisas novas na Internet, enquanto 51% refere os seus pais.

À semelhança do ano anterior, os dados avançados pela Rede de Investigação EU Kids Online revelam que os mais novos se mostram críticos em relação à partilha online de conteúdos pessoais sem o seu consentimento, principalmente no que diz respeito ao sharenting: as publicações feitas pelos pais e educadores. A seguir à Bélgica, Portugal é o país onde essa situação é mais referida. Cerca de metade dos inquiridos portugueses indicam que ficaram incomodados com casos do género e pediram aos pais para retirarem os conteúdos publicados. Os dados evidenciam que algumas crianças e jovens indicam ter recebido comentários desagradáveis por causa dessas publicações.

No entanto, apesar de a maioria das crianças e jovens acederem frequentemente à Internet, o relatório aponta que um em cada oito inquiridos refere que nunca ou raramente recebeu conselhos sobre segurança online, uma situação que se verifica também em Portugal.

Cristina Ponte afirma que a privacidade dos dados no mundo online não é uma das maiores preocupações das crianças e jovens europeus. “Deve haver uma consciencialização de que os dados digitais devem ser cuidadosamente geridos e, nesse aspecto, considero que as questões relacionadas com a privacidade e com a exposição da nossa pegada digital é um aspecto que precisa de ser mais claramente trabalhado com os jovens”, indicou a responsável.

Embora os dados postos em evidência pelo relatório EU Kids Online consigam demonstrar um panorama dos usos, competências, riscos e mediações da Internet entre os mais novos, a coordenadora indicou que os resultados devem ser levados mais além. Para Cristina Ponte é necessário perceber as razões por trás dos números, aproveitando as informações obtidas para “para conversar com os jovens” e perceber o que certos comportamentos e situações significam para eles.

Comunicado de imprensa EUKO 2020 relatório europeu

IV Congresso Internacional CADIn “Tecnologia e Inclusão: e-moção, e-ducação, e-volução” 19-21 março em Lisboa

Fevereiro 1, 2020 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.congressointernacional2020.cadin.net/pt

A segurança online traduzida em (e para) miúdos

Janeiro 17, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia da Activa de 8 de janeiro de 2019.

Chegou um novo projeto que pretende sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para um ambiente online mais seguro.

Chegou o projecto “ePrivacidade Trocada Por Miúdos”, uma iniciativa do Capítulo Português da Internet Society e do Projecto MiudosSegurosNa.Net, aprovada pela Internet Society Foundation. O objetivo é criar e desenvolver uma campanha sobre privacidade e segurança online, de modo a sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para um ambiente online com mais confiança e segurança. Prevê-se que a iniciativa dure dois anos, que poderão ser prolongados em função do seu sucesso. Já o seu lançamento, terá lugar na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, no próximo dia 28 de Janeiro de 2020, Dia da Proteção de Dados.

O projeto inclui quatro principais componentes: um evento anual para assinalar o Dia da Proteção de Dados; a disponibilização de tutoriais e outros recursos sobre privacidade e segurança online; um concurso anual destinado a estudantes de todos os níveis de ensino, do pré-escolar ao universitário, visando a sensibilização sobre a privacidade online e a disseminação dos trabalhos dos estudantes desenvolvidos no âmbito do concurso.

Esta iniciativa está alinhada internacionalmente com as metas da missão da Internet Society e também com as prioridades do Capítulo Português anunciados aquando da eleição desta direcção em Março último. Destas destacam-se nomeadamente a promoção de acções de debate e formação em torno da problemática da confiança, a produção de materiais de apoio e acções de apoio à formação dos utilizadores, particularmente os mais jovens, e o lançamento de um concurso que promova o envolvimento ‘mãos na massa’ de equipas de jovens em torno do tema confiança online“, afirma o Presidente da Direção do Capítulo Português da Internet Society, José Legatheaux Martins.

Já para Tito de Morais, fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net, o projeto “alinha-se e enquadra-se no trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo dos 16 anos que levamos de existência, permitindo aprofundar uma temática cada vez mais crítica e essencial.“. A Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais, Associação de Professores de Filosofia, Associação Nacional de Professores, Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança da Informação,Conselho Nacional de Juventude, entre outras entidades públicas e privadas, são alguns dos parceiros da iniciativa.

Privacidade online trocada por miúdos

Janeiro 1, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Educare de 23 de dezembro de 2019.

Campanha nacional vai sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para a confiança e segurança online. Serão disponibilizados tutoriais e recursos e lançado um concurso para alunos de todos os níveis de ensino.

Sara R. Oliveira

A aprovação chegou da Internet Society Foundation e o projeto “ePrivacidade Trocada Por Miúdos”, iniciativa do Capítulo Português da Internet Society e do Projeto MiudosSegurosNa.Net arranca em 2020. Trata-se de uma campanha que pretende sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para a confiança e segurança online. A iniciativa será lançada publicamente num evento marcado para 28 de janeiro de 2020, Dia da Proteção de Dados, na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.

O projeto está desenhado e inclui quatro componentes. Um evento anual para assinalar o Dia da Proteção de Dados. A disponibilização de tutoriais e outros recursos sobre privacidade e segurança online. Um concurso anual destinado a estudantes de todos os níveis de ensino, do pré-escolar ao universitário, interessados na sensibilização em torno da privacidade online. A disseminação dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes no âmbito do concurso.

“O objetivo é sensibilizar e levar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos, sobretudo, mas a população em geral, a refletir sobre o tema, sobre os riscos associados à falta de privacidade online e sobre a importância de a salvaguardarmos. Para tal, pretendemos também ouvir os jovens sobre esta temática, de forma a dar-lhes voz para que possam ser ouvidos no debate público sobre o tema”, adianta Tito de Morais, fundador do Projeto MiudosSegurosNa.Net, ao EDUCARE.PT. O projeto tem prevista uma duração de dois anos, que poderão ser prolongados em função do seu sucesso.

Para José Legatheaux Martins, presidente da Direção do Capítulo Português da Internet Society, a iniciativa “está alinhada internacionalmente com as metas da missão da Internet Society e também com as prioridades do Capítulo Português anunciados aquando da eleição desta direção em março último”. O responsável destaca algumas dessas prioridades, tal como a promoção de debates e formações à volta da problemática da confiança, a produção de materiais de suporte e ações de apoio à formação dos utilizadores, sobretudo dos mais jovens, e o “lançamento de um concurso que promova o envolvimento ‘mãos na massa’ de equipas de jovens em torno do tema confiança online”.

Aprofundar um tema atual e complexo é um dos objetivos do projeto que conta com o patrocínio da Internet Society Foundation e o apoio da Fundação Portuguesa das Comunicações. A Internet Society Foundation é uma organização sem fins lucrativos que trabalha com a Internet Society para apoiar uma visão partilhada de que a Internet é para todos. Esta fundação foca-se no financiamento de iniciativas que promovam o desenvolvimento da Internet como uma infraestrutura técnica global e o que pode fazer para enriquecer a vida das pessoas em todo o mundo.

O Projecto MiudosSegurosNa.Net, lançado em 2003, ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a utilização ética, responsável e segura das tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens. Guia-se pela visão de uma sociedade onde as famílias, as escolas e as comunidades trabalham em conjunto para minimizar os riscos a que crianças e jovens podem estar expostos online, no sentido de lhes permitir maximizar as oportunidades e os benefícios que as tecnologias de informação e comunicação têm para oferecer.

O Portuguese Chapter da Internet Society, designado em Portugal por Associação ISOC Portugal, é uma instituição sem fins lucrativos, reconhecida pela Internet Society como sua representante no nosso país. Promove o desenvolvimento de uma Internet segura e confiável, acessível a todos, aberta e de acesso não discriminatório, com respeito pelos princípios da liberdade de expressão e da privacidade.

A campanha “ePrivacidade Trocada Por Miúdos” conta com um vasto leque de parceiros. Entre várias entidades públicas e privadas, convidadas a aderir ao projeto, estão a Confederação Nacional das Associações de Pais, a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, o Conselho Nacional de Juventude, a Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais, a Associação Nacional de Professores, a Associação Nacional de Professores de Educação Visual e Tecnológica, a Associação Nacional de Professores de Informática, a Associação para a Promoção da Segurança Infantil, a Associação Nacional para o Software Livre, a Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança da Informação, a Aventura Social, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, o Dream Teens, o Eukids Online, o Instituto de Apoio à Criança, o Instituto Português da Juventude e Desporto, o Programa Escolhas, a Rádio Miúdos e a Rede de Bibliotecas Escolares.

A Internet vista pelas crianças com deficiência replica as desigualdades do mundo real

Dezembro 6, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 2 de dezembro de 2019.

Conselho da Europa ouviu 97 crianças com deficiência em seis diferentes países para elencar as melhores formas de garantir igualdade de acesso no mundo virtual. Educação e saúde são as áreas mais críticas

Natália Faria

“Devia ser criada uma lei que obrigasse todos os websites ​a estarem adaptados às pessoas cegas. Quem não o fizesse, teria de pagar uma multa de 500 euros que seriam depois aplicados na educação”. A sugestão partiu de uma criança portuguesa com deficiência visual, uma das 97 que foram entrevistadas no âmbito de um estudo promovido pelo Conselho da Europa destinado a conhecer (e a melhorar) a navegabilidade na Internet por parte das crianças com deficiências visuais, motoras ou cognitivas.

Baseadas nas experiências reportadas pelas próprias crianças, as recomendações oficiais dos peritos não diferem muito das sugestões apresentadas pelos inquiridos. E apontam todas para a necessidade de ser produzida legislação e adoptadas medidas capazes de garantir que, nas diferentes esferas, se faz uso das ferramentas tecnológicas susceptíveis de eliminar as barreiras visuais, cognitivas ou motoras. “Todos os serviços públicos e privados devem rever os seus serviços e produtos para assegurar que as crianças com deficiência não são discriminadas no seu direito de acesso ao ambiente digital”, insiste o documento divulgado esta segunda-feira por aquela organização internacional de defesa dos direitos humanos, na véspera do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

Apesar de quase nunca divulgarem online a respectiva deficiência, o relatório conclui que as crianças portadoras de deficiência estão mais expostas aos riscos do mundo virtual, embora não tenham consciência disso. Daí que “os governos, a indústria digital, as escolas e os serviços de saúde” devam prestar-lhes “especial atenção”, alerta o estudo conduzido por uma equipa de investigadores do Reino Unido, mas cujos “tentáculos” se estenderam a crianças da Bélgica, da Alemanha, da Moldávia e da Turquia, além de Portugal.

Dito isto, não surpreende que o relatório enfatize também a necessidade de as escolas passarem a garantir aos alunos e respectivos familiares – irmãos incluídos —, bem como aos professores e educadores, a necessária informação sobre as regras de navegabilidade. A ideia é que estas crianças adquiram o máximo de autonomia no mundo virtual, bem como consciência sobre as melhores formas de se manterem seguras.

Um dos primeiros passos será garantir que as escolas e instituições académicas são munidas das ferramentas tecnológicas necessárias para que as crianças com deficiência possam aceder à informação veiculada no mundo digital, em nome da igualdade de acesso. “As crianças com deficiência devem ser consultadas sobre a melhor forma de garantir o seu acesso total a todos os aspectos da vida da escola, inclusive no ambiente digital”, acrescenta o relatório. Ao PÚBLICO, um dos investigadores portugueses que participaram no estudo, António José Osório, do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho, confirmou que as crianças ouvidas “sentem claramente que as tecnologias são indispensáveis para se sentirem mais integradas”.

No tocante a Portugal, um dos problemas é que nas escolas “a burocracia e a logística” nem sempre permitem rentabilizar o uso das ferramentas digitais. “A principal lacuna nem está na formação dos professores mas na falta de apoio que estes sentem nas escolas em termos de poderem trocar experiências, de irem tomando contacto com novas soluções e de disporem, no fundo, de reais condições para aplicarem as ferramentas que já estão disponíveis”, acrescentou.

Reconhecendo que as ferramentas virtuais podem ser um fortíssimo “equalizador” das diferenças, os peritos concluíram também que nos serviços de saúde as ferramentas digitais estão igualmente subaproveitadas, em prejuízo da garantia de acesso das crianças com deficiência aos serviços. “Os administradores hospitalares, os médicos, os cirurgiões e outros profissionais de saúde deviam consultar as crianças com deficiência para explorarem formas de usar a tecnologia digital para eliminar barreiras no acesso”, lê-se no documento, antes de lembrar que “os serviços de saúde online deviam estar disponíveis em formatos acessíveis às crianças com deficiência”, nomeadamente quando divulgam informações relacionadas com a saúde geral, sexual e reprodutiva.

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