O meu filho está viciado em videojogos. E agora?

Novembro 29, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Polígrafo de 4 de novembro de 2018.

Não é o número de horas que define se se trata ou não de uma dependência. É o comportamento que daí resulta. Em Portugal, 20% dos adolescentes com 13 anos joga quatro ou mais vezes por semana.

O ritual repete-se todos os dias. Assim que as aulas terminam, Guilherme, de 11 anos, apressa-se a arrumar a mochila e corre para casa. Se os avós não tentarem impedi-lo – por norma os pais estão a trabalhar a essa hora –, fecha-se imediatamente no quarto e liga a playstation. Fica a jogar até anoitecer e não parece importar-se com mais nada: não liga aos trabalhos de casa, nem à aproximação de testes escolares. “Quando alguém tenta convencê-lo a desligar o jogo e a ocupar-se com outra actividade, torna-se agressivo. Dá pontapés nas portas e grita com a mãe”, conta Francisca Dias, mãe de Filipe, um dos colegas de turma de Guilherme.

Muitas vezes, os dois entretêm-se com os videojogos, competindo um com o outro através da Internet. “Neste momento, estão fascinados com o Fortnite, um jogo muito atractivo visualmente”, conta Francisca, que impôs regras de utilização ao filho, assim que começou a perceber que chorava se lhe tirassem os comandos e desligassem o aparelho. “Não joga durante a semana e ao fim-de-semana só liga a PS4 com autorização. Ainda assim, estou preocupada. Os miúdos destas idades passam muito tempo em frente ao ecrã e alguns, como o Guilherme, parecem estar já viciados.”

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O fenómeno parece começar cada vez mais cedo. É comum ver-se crianças de 8/9 anos – algumas até antes – a usar videojogos com regularidade. A maioria não terá problemas de adição, dizem os especialistas, mas não há dados sobre o problema. “Os estudos sobre dependência contemplam adolescentes com 13 ou mais anos”, explica Graça Vilar, directora de serviços de planeamento e intervenção do SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos e nas Dependências. De acordo com um estudo de 2015, realizado em Portugal, aos 13 anos 20% dos adolescentes participa, quatro ou mais vezes por semana, em jogos online que não envolvem dinheiro.

Uma condição patológica reconhecida pela OMS

Confrontada com o problema, que em alguns casos pode adquirir uma dimensão patológica, em Junho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu, pela primeira vez, a dependência de videojogos, no manual de Classificação Internacional de Doenças, considerando-a uma adição. Segundo a OMS, é provável que se esteja perante um quadro de dependência quando há um uso pouco controlado do jogo, quer na frequência, quer na intensidade de utilização. Mas mais relevante ainda é a importância que se lhe dá: um viciado tem no jogo o seu principal interesse, colocando em segundo lugar todas as outras actividades do quotidiano, sejam sociais, familiares, escolares ou profissionais. “São pessoas que se isolam, descurando o cuidado com a própria higiene e saúde”, diz Graça Vilar.

Em muitos casos de dependência grave, os primeiros sinais de alerta remontam precisamente ao período entre a infância e a adolescência. Foi o que aconteceu a Vera, de 36 anos, que desde cedo se habituou a jogar. “Quando emigrei com os meus pais para Inglaterra, aos 12 anos, os videojogos tornaram-se um escape, uma forma de me proteger do mundo. Não fazia desporto e ficava em casa a jogar”, conta. Mais tarde, aos 17 anos voltou sozinha para Portugal e foi aí que a situação se agravou. “Ficava noites e noites a jogar playstation, com o meu namorado. Criámos depois um grupo com mais 15 amigos e fazíamos torneios nocturnos, às vezes a dinheiro. Para nos mantermos acordados e com energia, consumíamos cocaína.”

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Rita Morais, psicóloga clínica do centro Villa Ramadas, onde Vera está neste momento em tratamento, explica que é comum que ao vício do jogo se juntem consumos de álcool e drogas. As estatísticas atestam-no: segundo dados de 2016/2017, em Portugal 27,6% dos jogadores abusivos e patológicos (a dinheiro) consume álcool e 7,8% utiliza drogas. Foi esta junção de dependências que levou Vera a pedir ajuda. “Em Agosto, quase morri num acidente de viação, por causa da droga e do álcool, e decidi que tinha de mudar de vida”.

Para a recuperação destes pacientes – diz Rita Morais – é fundamental perceber os motivos por detrás do vício. “Há sempre um problema associado, que tanto pode ser bullying, como um divórcio dos pais ou um caso de luto não resolvido,” diz a especialista, sublinhando que a dependência não se explica apenas por uma variável. Três meses depois de ter começado a reabilitação, Vera diz estar mais consciente dos vícios. “Consigo verbalizar tudo o que fiz ao longo destes anos. Sei que não quero voltar a consumir, nem a jogar, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer.”

 

 

II Reunião Interdisciplinar: Cruzadas – «Crescer em Wire(less)» 20 novembro em Guimarães

Novembro 10, 2018 às 4:46 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições até 16 de novembro

Mais informações:

http://www.hospitaldeguimaraes.min-saude.pt/page3.asp?b=32&fbclid=IwAR1NC_JaRpIF7qGE-06au2r2AIBIXyQa-P_zmeiwVhOAgE-jwReUhEVrVQc#1185

Nelson Carvalho alerta para necessidade de evitar propagação das dependências online

Novembro 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do dnotícias de 22 de outubro de 2018.

Sandra S. Gonçalves

A Escola da Apel recebe, no dia 19 de Novembro, as segundas jornadas ‘Prevenção dos Comportamentos Aditivos e Dependências’. De acordo com Nelson Carvalho, psicólogo clínico e director da Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências (UCAD), esta iniciativa, que terá a intervenção de diversos oradores, visa “criar um espaço de reflexão e de partilha de conhecimento”, de forma a evitar que haja uma propagação, sobretudo no que diz respeito à dependência online.

Um dos temas que irá ser abordado é a ‘Geração Cordão : Comportamentos e Dependências Online’, que será proferido por Ivone Patrão e moderado por Marco Gomes, director regional de Educação. Tendo em conta que esta se está a tornar uma realidade assustadora, Nelson Carvalho disse que é preciso evitar que haja uma propagação, tendo revelado que, cada vez mais, as escolas têm pedido a colaboração de especialistas, de forma a saberem lidar com as chamadas “dependências sem substâncias”. Nesse sentido, a UCAD desenvolveu o projecto ‘Estou online e agora?’.

Porém, fez questão de revelar que será realizado um diagnóstico regional aos jovens, com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos de idade, assim como aos pais para que os responsáveis possam arranjar uma forma de colocar um travão a esta utilização problemática das novas tecnologias. Até porque, conforme fez questão de frisar, a sintomatologia desta dependência é semelhante ao consumo de drogas.

Nas segundas jornadas ‘Prevenção dos Comportamentos Aditivos e Dependências’ serão ainda abordadas questões relacionadas com ‘Menores e perturbações de jogo. Uma proposta de prevenção’, que terá como orador António Castaños, estando a moderação a cargo de Alícia Freitas, psicóloga clínica da UCAD.

Além disso, haverá também um debate, moderado pelo jornalista Leonel Freitas, sobre o ‘Uso terapêutico da cannabis – uma perspectiva científica e política’. Um momento que contará com a participação de Manuel Isorna, da Universidade de Vigo, Sara Madruga, deputada do PSD/M na Assembleia da República, Paulino Ascenção, coordenador regional do BE/M, e Nelson Carvalho, psicólogo clínico e director do UCAD. Isto numa altura em que está em cima da mesa o debate em torno da legalização da cannabis para fins terapéuticos.

“É importante cruzar os diversos pontos de vista, colocando de um lado a perspectiva científica e política, que será abordada por diversos convidados”, realçou.

O evento, que se inicia às 09 horas, resulta de uma parceria entre o IASAÚDE, através da UCAD e a Junta de Freguesia do Imaculado Coração de Maria, estando destinado aos profissionais e estudantes ligados a estas áreas, bem como à população em geral.

A inscrição é gratuita através do preenchimento do formulário online ou através do email.

 

 

“Binge drinking” prejudica a memória e deixa sequelas no cérebro para sempre

Outubro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo LifeStyle de 9 de outubro de 2018.

A memória é a primeira vítima da ingestão compulsiva de grandes quantidades de álcool, o chamado binge drinking, geralmente protagonizada por adolescentes em curtos espaços de tempo, alertam investigadores chilenos que estudaram as consequências de uma prática tolerada por ser considerada um hábito ocasional.

A compulsão etílica, ou “binge drinking” em inglês, consiste em beber muito álcool em pouco tempo. E se for associada ao tabaco, ao consumo de canábis ou a narcóticos, o efeito sobre a saúde pode ter consequências ainda mais graves.

Novos estudos demonstram que embora sejam hábitos restritos, em geral, a finais de semana e festas ocasionais, essa compulsão etílica “pode gerar muitos problemas” no cérebro que se perpetuam, além de aumentar a propensão para vícios de longo prazo, declara Rodrigo Quintanilla, um dos investigadores da Universidade Autónoma do Chile que estudou as consequências dessas práticas altamente toleradas.

Embora os jovens tenham facilidade em recuperar relativamente rápido das “bebedeiras”, o consumo de álcool produz “variações e mudanças no hipocampo, que tem a ver com a memória”, explica à AFP o cientista.

É isto que o álcool em excesso provoca no cérebro 

Particularmente, “afetam o equilíbrio inflamatório e o redox glial, deteriora a plasticidade sináptica, a memória e o metabolismo periférico mediante um mecanismo dependente do sistema de melanocortinas”, um dos principais atores na consolidação dos vícios durante a adolescência e a idade adulta, segundo o estudo apresentado em revistas científicas e na Associação Americana para a Investigação do Alcoolismo.

Os jovens, recorda Quintanilla, costumam acreditar que são “invencíveis” e “não equacionam os danos em que incorrem”, mas existem “mecanismos e vias bioquímicas dentro do hipocampo que serão afetados com o tempo”.

A adolescência é um período da vida crucial para o desenvolvimento dos circuitos cerebrais responsáveis pela emoção e cognição, que supõe mudanças no volume cortical, no crescimento axonal, na expressão génica e na definição das conexões corticais mediante um processo conhecido como “poda sináptica”.

3,3 milhões de mortes por ano

Neste estudo, os investigadores também tentam descobrir o que pode levar o consumo moderado passar à ingestão descontrolada e à dependência

“Quando se torna adulto, o cérebro terá mais sensibilidade a certos estímulos stressantes ou da própria vida cotidiana”, como o stress no trabalho, ou a combinação com o consumo de outras drogas, diz Quintanilla. “São respostas que ficam em aberto porque nos dedicamos a analisar e esmiuçar uma parte do elo” no estudo com animais, que não pode ser feito com pessoas.

“Não podemos pegar em adolescentes e observar os seus cérebros”, exclama. Para prosseguir o estudo, a partir de agora deverão “levantar informações sobre o consumo de álcool e os hábitos de consumo, assim como aplicar ano a ano um teste cognitivo para saber a progressão dos danos”, acrescentou.

Com 3,3 milhões de mortes anuais, o alcoolismo é a terceira causa de morte no mundo, atrás do tabaco e da hipertensão. No caso dos jovens entre 10 e 24 anos, 7,4% das mortes e deficiências são atribuídas ao álcool.

Un 49% de los jóvenes asegura haberse sentido con alguna o mucha frecuencia “dependiente” de las redes sociales o internet

Outubro 19, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Revista Independientes de 20 de setembro de 2018.

Los y las jóvenes españoles de 14 a 24 años consideran internet y las redes sociales el lugar “donde hay que estar y desde el que hay que relacionarse”. De hecho, consideran “raros” a los pocos que rechazan el uso de las tecnologías de la información, aunque también a aquellos que realizan un uso excesivo sacrificando parte de su vida offline por una sobreexposición online.

Mayoritariamente mantienen un discurso que resalta las ventajas de su actividad virtual –no muy diferentes de las ventajas que señalan los adultos- entre las que destacan hacer nuevos amigos/as (50,7%); relacionarse más con personas que están lejos (65,4%) o con sus amigos de siempre (47%); ser más eficiente o competente (41%); o simplemente divertirse (31,8%). 

Cuatro de  cada diez jóvenes incluso considera que el uso de internet y redes sociales provoca que, en algún grado, aumente su autoestima, sobre todo lo señalan los hombres jóvenes.

Sin embargo, esta visión positiva de las redes sociales e internet no impide que perciban riesgos claros. De hecho el 70% de los y las jóvenes cree que los riesgos de acoso en internet y redes sociales son “bastante o muy frecuentes” o que sean víctima de situaciones graves como el maltrato –amenazas, insultos, bromas pesadas, etc.-  que afirma haber sufrido el 34%. 

Éstas son algunas de las principales conclusiones del estudio “Jóvenes en el mundo virtual: usos, prácticas y riesgos”, realizado por la Fundación Mapfre y el Centro Reina Sofía sobre Adolescencia y Juventud de la Fad.

El estudio ha sido realizado mediante un panel online representativo de la juventud española, realizado a más 1.400 jóvenes entre 14 y 24 años, y cuatro grupos de discusión compuestos según variables de género, edad y clase social. En él se identifican los principales elementos que se relacionan con usos problemáticos de las TIC en la población joven.

 LOS RIESGOS A LOS QUE SE ENFRENTAN EN EL MUNDO VIRTUAL 

Los riesgos a los que se enfrentan los jóvenes en internet y redes sociales derivan, por una parte, de su propia actividad (arrepentirse de haber enviado/compartido algún contenido, por ejemplo) pero también del contenido que encuentran en la Red. 

Un 34% de los y las jóvenes de 14 a 24 años afirma haber sufrido algún tipo de maltrato por internet o redes sociales (bromas personales que no gustan, actos de exclusión, insultos, amenazas, etc) mientras que un 9,2% reconoce haber ejercido este tipo de maltrato.

Además, ambos fenómenos (sufrir y ejercer maltrato) parecen estar relacionados: entre aquellos que han sufrido maltrato de forma repetida a través de medios online (34%) hay un 19,5% que a su vez ha ejercido este tipo de maltrato, diez puntos por encima de la media general. Porcentajes que indican que existe el doble de probabilidades de ser maltratador si se ha sufrido maltrato. 

De este modo, entre el 10 y el 16% de los jóvenes señala que alguna vez alguien ha usado su contraseña o su teléfono para acceder a información privada, que alguien ha utilizado información personal de una manera que no le ha gustado, que ha perdido dinero porque le han engañado en internet y que algún desconocido ha suplantado su personalidad en Internet o en las redes sociales.

También los contenidos duros y potencialmente peligrosos a los que acceden en la Red suponen un riesgo claro. En porcentajes nada desdeñables, los y las jóvenes españoles señalan haber visto en el último año:

En cuanto al acoso, prácticamente el 70% de los y las jóvenes cree que es “bastante o muy frecuente”, refiriéndose tanto los casos de acoso de adultos a menores (grooming) como de acoso entre compañeros/as (ciberbullyng). El mismo porcentaje (70%) considera que es “mucho más frecuente de lo que se dice”. Además también consideran cada vez más frecuente el envío de imágenes privadas y comprometidas sin consentimiento.

PERFIL DEL JOVEN EN MUNDO VIRTUAL

Los jóvenes se conectan fundamentalmente a internet para buscar información (90,2%); para escuchar o descargar música (90%); para mantener el contacto con personas que no pueden ver (74,8%); o para jugar online a videojuegos (70%). También hay una preocupante minoría significativa del 22% que apuesta online. 

Tienen sus propios smartphones (84,1%) y ordenadores portátiles (72,9%). Menos de la mitad usan tablets (43,3%) u ordenadores de sobremesa (36,9%).

La amplia mayoría de las y los jóvenes (91,2%) de estas edades tiene un perfil en redes sociales que usa habitualmente y más de la mitad cuentan con más de 250 contactos.

En cuanto a las redes sociales o las app de mensajería, las utilizan para mantener contactos muy frecuentes con sus amigos y amigas o con la familia, pero también existen porcentajes significativos –mayores del 20%-  de jóvenes de 14 a 24 años que asegura tener un contacto constante con personas que ha conocido online. El 25% considera bastante o muy probable quedar con alguien que han conocido por internet.

El 43% de los y las jóvenes señalan que alguna vez han tenido que pedir ayuda o consejo sobre situaciones que le surgieron en Internet o redes sociales y no pudieron resolver de forma individual. Cuando tales dificultades aparecen, los amigos y amigas son, con mucha diferencia, las personas a las que se suele acudir (78%). El 29,6% recurre a sus padres o hermanos/as (26,7%) y tan sólo un 10% recurre a sus profesores.

Para Eulalia Alemany, directora técnica del Centro Reina Sofía sobre Adolescencia y Juventud de la Fad: “Es fundamental entender que ni padres ni profesores están legitimados ante los jóvenes como referentes en internet o redes sociales. Por eso es prioritario que las estrategias de prevención de los riesgos del mundo online se dirijan a los jóvenes directamente. Necesitamos y debemos hablar con ellos sin intermediarios y en la Fad estamos trabajando en este sentido”.

En cuanto a la percepción que tienen sobre su experiencia virtual, parece que son muy conscientes de que internet y las redes sociales implican un riesgo de engaño y de pérdida de privacidad. El 54% afirma que “En las redes sociales te engañan muchas veces” y el 51,9% asume que “Al usar redes sociales resulta inevitable que personas desconocidas sepan cosas de tí”. Sin embargo, no es algo que les preocupe especialmente porque asumen que deben renunciar a parte de su privacidad e intimidad para poder estar en redes.

 MÁS HORAS CONECTADOS 

Cada vez con más los que opinan que el tiempo que invierten en las redes es excesivo. El 55,4% de las y los jóvenes asegura que miran el móvil constantemente, incluso en clase o trabajando (29,3%) y aunque estén con gente (19,7%). Cada vez son más los que opinan que este tiempo que invierten en internet y redes sociales es excesivo.

Sin embargo, y aún considerándolo excesivo, es un precio que están dispuestos a pagar por estar y relacionarse a través de redes o internet. Llegan a hablar de “Adicción beneficiosa” o “bendita dependencia”.

La cantidad de tiempo invertido en redes sociales, en la gestión de su yo online, provoca que dejen de lado otras actividades como estudiar (49,9%), leer (49%) o practicar deporte (31,4%). Especialmente preocupante resulta el aumento en los últimos tres años de los jóvenes que reconocen que pierden horas de sueño por estar en redes: 31,3% en 2015 y 43,2% en 2018. 

Más de la mitad de los jóvenes reconoce que alguna vez se ha sentido saturado/a por el uso de internet y redes sociales hasta el punto de tener que “desconectarse” (23,4% lo ha experimentado “muchas veces”). También un 49% asegura haberse sentido con alguna o mucha frecuencia “dependiente”. Esto supone un crecimiento de tres puntos con respecto a 2015.

Muy significativo de este cierto nivel de dependencia percibido es que el 50% de los y las jóvenes reconozcan sentir con mucha frecuencia “un fuerte impulso de comprobar mi teléfono para ver si había pasado algo nuevo”, un cierto FOMO (Fear of missing Out) o ansiedad por no enterarse y quedar excluidos de algo que ocurra en redes.

Fuente: FAD

 

 

O seu filho está viciado em jogos e televisão?

Outubro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle

As crianças regem-se pelo prazer, não lidam bem com a frustração e inspiram-se no comportamento dos pais. Você pode e deve ajudá-las. Saiba como!

Sim, confirmamos. As crianças também podem estar viciadas em fontes de prazer que vão descobrindo à medida que crescem. Mais, o facto de se estarem a desenvolver e o exemplo dado pelos pais contribuem de forma decisiva para o problema. «Os vícios são comportamentos repetitivos que podemos considerar compulsões. Por um lado, o ser humano é, por natureza, muito repetitivo, por outro, guiamo-nos por duas leis, a da promoção do prazer e a do evitamento do desprazer», explica Alcina Rosa, psicóloga.

O que podemos, então, fazer para evitar este comportamento? «Usar o autocontrolo, o nosso comportamento consciente», responde a especialista que alerta para um fator determinante no caso dos mais pequenos. «Na infância, este regulador ainda não está muito desenvolvido. As crianças regem-se pelo que gostam ou não e cabe aos pais ajudá-las a desenvolver essa capacidade», refere ainda a especialista. Vamos a isso!

Televisão e videojogos

O seu filho evita sair de casa, tem um rendimento escolar fraco, dificuldades na socialização, isola-se, revela falta de interesse por outras atividades. Estes são sinais de alarme. A televisão e as consolas são frequentemente usadas pelos progenitores como amas porque, enquanto a criança está a jogar ou em frente ao televisor, está quieta. «Também o próprio comportamento dos pais, que passam horas a ver TV, se torna um exemplo», alerta Alcina Rosa.

Instituir a regra «primeiro, o trabalho, depois, o lazer» e fixar uma hora para deitar são duas prioridades que os pais devem ter. «Se a criança quiser passar todo o seu tempo de lazer em frente à TV, os pais têm de competir com outras atividades, como jogos sociais, leitura de livros, conversas. Pode custar um bocadinho descolá-lo da televisão mas, se a atividade que propomos lhe agradar, depressa se esquece da TV e se envolve», afirma Alcina Rosa.

Internet e redes sociais

A criança demonstra falta de atenção, cansaço, isola-se, tem comportamentos pouco sociáveis e uma fraca rede de amizades. Os próprios pais podem estar a passar muito tempo ao computador e nas redes sociais, comportamento que pode ser apreendido pelos mais pequenos. Este também pode constituir um problema. O que é que se deve fazer nestes casos? «Restringir totalmente o acesso não é uma solução, pois fazem parte da sua realidade», sublinha Alcina Rosa.

«Mas evitar que o computador esteja no quarto é um bom princípio», alerta a especialista. Dessa forma, é mais fácil controlar o tempo de utilização e o uso que faz dele. «Deve saber que programas utilizam e se são adequados à idade», refere Mafalda Navarro, psicóloga clínica. «A mais-valia será saber do que falam, que programas utilizam e se estão a despender o tempo apropriado à idade». Atividades em família que promovam o contacto social são fundamentais.

Telemóvel

Também aqui existem sinais de alarme, nomeadamente «perder a noção do tempo, negligenciar tarefas básicas, ansiedade e sintomas de abstinência, necessidade crescente de melhor equipamento, isolamento e baixo rendimentos», descreve Mafalda Navarro. «É contraproducente insistirmos com a criança para que desligue o telemóvel se os pais têm os seus sempre ligados», refere ainda. «Quantas vezes vemos pais darem um telemóvel à criança para ficarem sossegadas?», reforça Alcina Rosa.

Alterar esta situação exige algum acompanhamento. «Proibir não funciona. O essencial é ensinar, desde cedo, a controlar-se, a corrigir comportamentos de forma consciente ou, mal os pais virem costas, fará aquilo que não é suposto», alerta Alcina Rosa. «Quanto mais tarde receberem um telemóvel, melhor», aconselha ainda.

Veja na página seguinte: Quando as crianças são viciadas em doces e em fast food

Doces e fast food

«Este tipo de alimentação constante causa uma dependência igual a substâncias como o álcool ou drogas», alerta Mafalda Navarro, psicóloga. Um dos principais erros a evitar é «usar doces ou uma ida a uma cadeia de fast food como prémio por algo que os mais novos fizeram bem. Dessa forma, a criança associa algo que lhe é prejudicial a um comportamento correto», diz Alcina Rosa.

«A melhor maneira de evitar que coma esse tipo de alimentos é não tê-los no seu campo de visão. Não ter em prateleiras acessíveis e, principalmente, o próprio adulto não consumir à sua frente», aconselha Mafalda Navarro, acrescentando que «também é importante que os pais expliquem aos filhos que são alimentos nocivos que devem ser consumidos esporadicamente e que se não os dão todos os dias é porque estão a cuidar deles e a zelar pela sua saúde».

Texto: Paula Barroso com Alcina Rosa (psicóloga clínica) e Mafalda Navarro (psicóloga clínica)

 

 

Inglaterra proíbe venda de bebidas energéticas a jovens e crianças

Setembro 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 30 de agosto de 2018.

Lina Santos
Medida de Theresa May visa controlar comportamentos dos alunos nas salas de aula.
Inglaterra vai proibir a venda de bebidas energéticas à base de cafeína, como Red Bull e Monster, a crianças e adolescentes. A medida do governo de Theresa May visa controlar comportamentos disruptivos em sala de aula, de acordo com o diário The Telegraph.

O ministério da Saúde britânico tem lançado alertas sobre a ligação entre o consumo excessivo destas bebidas energéticas, ricas em cafeína e açúcar, associadas a um “catálogo de problemas de saúde” que vão das dores de cabeça, problemas de sono e digestão. E existe uma crescente preocupação de que seja um combustível para a hiperatividade das crianças, como defendeu o NASUWT, um dos maiores sindicatos de professores do Reino Unido, no final de 2017.

“Pedradas prontas a consumir” foi a expressão usada pela organização para descrever estas bebidas que associam ao mau comportamento nas escolas, dentro e fora da sala de aula.

A apoiar esta tese do sindicato está um estudo do Centre for Translational Research in Public Health da Universidade de Teesside que verificava que as bebidas energéticas eram mais baratas do que água ou refrigerantes. Uma em cada três crianças consumia regularmente bebidas como Red Bull, Monster e outras marcas destas bebidas, segundo esta investigação.

O alerta não é de hoje. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa, de 2014, mostrava preocupação com a crescente popularidade das bebidas energéticas e as “consequências negativas do seu consumo entre crianças e adolescentes, incluindo efeitos nos sistemas neurológico e cardiovascular, que podem causar dependência física e vício”, cita o The Guardian .

Alertas também em Portugal

Também em Portugal, um artigo da revista da Sociedade Portuguesa de Pediatria de 2017 concluía os adolescentes portugueses consumiam demasiadas bebidas energéticas.
Uma lata desta bebida energética contém 160 miligramas de cafeína. Uma criança de 11 anos não deve consumir mais de 105 miligramas por dia.
Multas podem ser superiores a 2500 euros

A proposta da primeira-ministra britânica sobre a implementação da lei será revelada esta quinta-feira. A única dúvida que persiste prende-se com a idade da proibição de venda das bebidas – 16 ou 18 anos, escreve o The Guardian.

“Milhares de jovens consomem regularmente bebidas energéticas, muitas vezes porque são mais baratas que o refrigerante”, disse Theresa May num comunicado onde anunciava a consulta pública da proposta, citada pela Lusa.

“Todos nós temos a responsabilidade de proteger as crianças de produtos que prejudicam sua saúde e educação”, disse o secretário de Estado de Saúde Pública, Steve Brine, no mesmo comunicado.

As multas por venda de bebidas energéticas podem ir até às 2500 libras (2782 euros), a mesma que é aplicada a quem venda cigarros a menores de idade. A proibição de venda em máquinas automáticas de Inglaterra também está a ser considerada, diz o The Telegraph.

Para já, a medida será aplicada na Inglaterra, mas pode vir a ser seguida pela Irlanda, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Um imposto sobre bebidas açucaradas entrou em vigor no início de abril no Reino Unido para combater a obesidade. Várias cadeias de supermercados tinham já decidido suspender a venda destas bebidas a menores de 18 anos.

Em julho de 2017 já tinha sido proibida a publicidade na televisão, internet e imprensa a alimentos para crianças com muitos açúcares, gorduras e sal.

Pais pagam a explicadores para ensinarem os filhos a jogar “Fortnite”

Agosto 17, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 3 de agosto de 2018.

Mais de 125 milhões de pessoas jogam diariamente Fortnite, a sensação virtual que está a conquistar cada vez mais crianças. Como acontece com uma disciplina escolar, há agora ‘explicadores’ que ajudam a passar, neste caso, de nível. E são cada vez mais os pais que contratam os seus serviços.

Para os pais, o sucesso dos filhos num videojogo parece nunca ter sido tão importante como agora. Isto porque vencer no Fortnite não só é sinónimo de inclusão social, como pode também resultar numa generosa bolsa para o ensino superior.

Um dos clubes de eSports (competição de videojogos) de uma faculdade norte-americana anunciou um prémio de um milhão de dólares (cerca de 862 mil euros) em bolsas de estudo. Também a Epic Games, detentora do jogo virtual, anunciou o financiamento de prémios no valor de 100 milhões de dólares (cerca de 86 milhões de euros) para as competições de Fortnite.

Razões que parecem suficientes para contratar aulas que podem custar mais de 20 dólares (cerca de 17 euros) por hora, conta o pai de um jogador de 12 anos ao The Wall Street Journal. Lições que fizeram diferença entre o filho raramente ganhar e passar agora a ganhar frequentemente.

Uma moda que está a ganhar cada vez mais adeptos, até pela pressão social que os jovens sentem por não jogarem um dos jogos mais populares da atualidade.

Fortnite foi lançado a 25 de julho do ano passado e a sua versão para telemóvel já ultrapassou o tão conhecido ‘Candy Crush Saga’.

 

 

“Estamos a deixar o smartphone alterar a forma como somos humanos”

Agosto 16, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Catherine Price no dia 30 de julho de 2018.

Há dois anos Catherine Price decidiu que tinha de romper a relação que tinha com o telemóvel. Pelo caminho, escreveu um Manual de Desintoxicação sobre o processo. Em entrevista ao PÚBLICO, explica aquilo que aprendeu e partilha as estratégias que usou.

Karla Pequenino

Aos 37 anos, a norte-americana Catherine Price, autora e jornalista de ciência, percebeu que já não sabia ocupar o tempo livre sem o telemóvel e que, por isso, a relação tinha de acabar. A decisão chegou em 2016 quando estava a amamentar Clara, a filha recém-nascida. “Reparei que enquanto eu olhava para o ecrã e deslizava os dedos por mensagens antigas e candeeiros em lojas online, ela estava a olhar para mim. E eu não estava a olhar para ela,” relembra a autora. “Não queria que essa fosse a sua primeira memória de interacção com outra pessoa.”

A experiência para diminuir a necessidade de ter o telemóvel sempre na mão, levou Price a uma investigação sobre os efeitos dos aparelhos na mente e no corpo humano, e à forma como as grandes empresas tecnológicas os criam para ser viciantes. Os problemas são vários: a luz azul que é emitida por aparelhos modernos influencia o ritmo circadiano do ser humano e desregula os padrões normais de sono, o uso excessivo do aparelho está associado a problemas de isolamento nos jovens, e as pessoas estão mais focadas nos aparelhos que no mundo em redor. Há quem os use mais de sete horas por dia.

Os resultados são detalhados no livro Como largar o telemóvel: Manual de Desintoxicação, publicado este mês pela Arena. Em entrevista ao PÚBLICO, Catherine Price fala das conclusões e partilha estratégias para reconquistar o tempo que se perde ao telemóvel em 30 dias. “O primeiro passo é querer romper a relação amorosa que se tem com o telemóvel.”

PÚBLICO: Na versão original, o título do livro é mesmo “acabar o namoro com o telemóvel”. O objectivo é que os leitores abandonem totalmente os aparelhos?
Catherine Price: Atenção, o meu livro não é sobre atirar o aparelho para baixo de um camião. Isso não é realista. Estamos a falar de smartphones, telemóveis com acesso à Internet, que nos dão direcções e permitem fazer compras. É impossível negar a utilidade para nos conectar ao mundo, mas a realidade é que usamos demasiado estes aparelhos. Quando estamos aborrecidos, a primeira solução é agarrar no telemóvel. Durante a noite, dormimos com ele debaixo da almofada. Se ouvimos o som do SMS temos necessidade de o ver de imediato. É como um romance obsessivo, em que dependemos da outra pessoa para tudo, e isso não é uma relação saudável.

O telemóvel é uma enorme parte do nosso quotidiano. Como é que se sabe que se tem um problema?
Uma forma rápida de perceber a dimensão do problema é o CAGE, o questionário de quatro perguntas para detectar problemas de alcoolismo. Basta substituir álcool por smartphone. Têm de ver o telemóvel assim que acordam de manhã? Sentem necessidade de passar menos tempo ao telemóvel? Sentem-se culpados com o tempo que passam ao telemóvel? As pessoas criticam o tempo que estão a mexer no telemóvel? É assustador. Felizmente, o meu livro saiu na altura certa, por coincidência, com o escândalo dos dados do Facebook a alertar as pessoas sobre a forma como registam a vida toda nos aparelhos. E empresas como o Google e a Apple lançarem sistemas para nos ajudar a “largar o telemóvel”. Não é por estarmos todos viciados que a forma como usamos o telemóvel se justifica.

Hoje é possível aceder à Internet e às redes sociais em relógios, em tablets, no computador… Porquê o foco nos smartphones?
A diferença entre o smartphone e os computadores ou tablets é que temos os telemóveis sempre connosco. As sugestões do livro podem ser adaptadas a outros contextos, mas se olharmos à nossa volta, ninguém abre o portátil para trabalhar no elevador. Os telemóveis tornam-se um problema único devido à sua portabilidade e, também, à capacidade de nos interromperem constantemente com notificações.

Um dos conceitos mais explorados é a ideia que as empresas estão a programar os smartphones para ‘raptar’ o nosso cérebro e levar-nos a passar mais tempo neles. Onde é que isto se vê?
Fiquei chocada pela facilidade com que os smartphones podem ser comparados às chamadas slot machines, com o deslizar dos nossos dedos pelo ecrã a ser o equivalente ao puxar a alavanca da máquina da sorte. Reparem que a maioria das aplicações é criada para nos recompensar por usá-las mais tempo.

No livro surgem alguns exemplos.
A funcionalidade de “streak” na aplicação de mensagens do Snapchat. Quando as pessoas trocam mensagens entre si todos os dias na aplicação, surge um ícone com uma chama do lado do nome do utilizador que aumenta para motivar o utilizador a manter a tendência. Já o Instagram está programado para ocultar novos “gostos” aos utilizadores de modo a apresentá-los de uma só vez no momento mais eficaz possível.

As redes sociais são o grande problema dos smartphones?
As redes sociais não são o inferno. O que está mal é a necessidade de tocar no telemóvel e abrir uma aplicação – qualquer que seja – quando se está a trabalhar, quando se está a conduzir, numa conversa menos interessante. Algumas pessoas justificam o tempo que passam no telemóvel com a necessidade de estar ‘conectado com o mundo’, mas ninguém precisa de estar conectado, mesmo que seja às notícias, 24/7. Está-se a fazer algo sobre as acções humanitárias que tanto se lê? E está-se mesmo a ler o artigo todo ou o mais recente tweet sobre Donald Trump? É preciso reflectir sobre isto.

A Apple e o Google lançaram recentemente painéis de controlo no telemóvel, para perceber o tempo que se passa a utilizar o aparelho. Isto é uma forma dos gigantes ajudarem as pessoas a combatê-lo?
É uma admissão do problema. Curiosamente, ainda não nos ajudam a passar menos tempo com os telemóveis, mas no livro recomendo que os leitores que querem largar o telemóvel utilizem aplicações do género. Ajudam a perceber o tempo que passam no telemóvel.

Uma das primeiras sugestões do livro é experimentar uma “desintoxicação digital” de 24 horas em que se desliga o telemóvel. O que é preciso para que tenha sucesso?
Isto é uma separação teste para se perceber a falta que se sente do telemóvel, e descobrir tempo para fazer outras coisas como ler livros sem distracções. Quando comecei o ritual semanal com o meu marido, estávamos constantemente tentados a pegar no telemóvel. Dizíamos a nós próprios que era com o receio de perder uma mensagem importante. É uma preocupação comum. Para evitar a ‘desculpa’, recomendo avisar outras pessoas que se está a fazer uma desintoxicação e avisar como é que nos podem contactar em caso de emergência. Uma forma de fazer isto é criar uma mensagem de resposta automática, no telemóvel, que remeta para um número de telefone fixo, ou uma visita a casa. É impressionante o quão pouco as pessoas precisam, realmente, de nos contactar. Outra forma de começar a desintoxicação, é deixar o telemóvel para trás quando se vai jantar fora.

Quem lê o livro é convidado a preencher questionários diários sobre o seu processo de “desintoxicação” de 30 dias. O que é que aprendeu com as respostas dos leitores?
Há pessoas que passam sete horas por dia a mexer no telemóvel e a média são quatro horas diárias. Até terem de parar para pensar no assunto, não percebem. O mais impressionante é o quão semelhante somos. As respostas são quase iguais: gostamos do telemóvel porque nos conecta com o mundo e com quem está longe, e não gostamos porque sentimos que começamos a perder muito tempo nas redes sociais, nas aplicações de jogos, e em sites de namoro. São os três grandes vícios.

O que mais a preocupa sobre os resultados?
Estamos a deixar o smartphone alterar a forma como somos humanos. Fala-se mais por mensagens que cara-a-cara, e há uma espontaneidade que se perde nesse tipo de conversas. A nossa dependência do telemóvel para combater o aborrecimento impede-nos de usufruir de momentos, de reflectir e de pensar sobre a vida. As viagens de comboio já não são feitas a pensar e a descansar mas a fazer scroll no telemóvel. Quantas grandes descobertas surgiram de momentos de introspecção? Vão deixar de existir?

Os efeitos dos telemóveis nas crianças são outro dos grandes focos do livro. Qual é a idade certa para introduzir o aparelho?
Ninguém sabe – estamos viver uma enorme experiência descontrolada em que os nossos filhos crescem, pela primeira vez, agarrados ao telemóvel. Mas sei que aos 10 anos, que é a idade média nos EUA, é cedo demais. É importante saber estar aborrecido quando se está a crescer. Desenvolve a criatividade, aumenta a persistência. O telemóvel impede isto porque com jogos, redes sociais, Internet, está constantemente a estimular os mais novos. Os pais justificam que querem que os filhos estejam contactáveis, mas não é preciso telemóveis com Internet para isso. Há outras opções, telemóveis mais básicos, relógios com GPS.

O seu livro não é o primeiro a fazer estes alertas. Nos últimos anos, o conceito de “distracção digital”, em particular, pelo uso do smartphone, vem associado a problemas com a qualidade de sono, postura, problemas de aprendizagem nas criançasvícios em videojogos, e um aumento da ansiedade. As pessoas estão a ignorar os avisos?
Os alertas não estão a ser bem-feitos. Não pode ser só dizer que passamos muito tempo no telemóvel e precisamos de uma dieta. Ninguém gosta de dietas. Por isso é que digo ‘criar uma nova relação’. É preciso mostrar que o telemóvel começa a ser o obstáculo para coisas que queremos fazer.

Qual é a relação perfeita com o telemóvel?
Tal como com pessoas, não há relações perfeitas. O objectivo do meu livro é ajudar a chegar a uma relação mais saudável. Caso contrário corremos o risco de passar horas a fazer nada, a não ser deslizar com os dedos para cima ou para baixo.

Como as tecnológicas tentam resolver o problema em 2018

FACEBOOK

  • Painel de controlo com informação do uso semanal do aparelho;
  • Possibilidade de definir limites máximos de utilização;

APPLE

  • Relatório semanal do uso do aparelho;
  • Opção de “não incomodar”, que as pessoas devem ligar antes de irem dormir;
  • Possibilidade de gerir tempo que as crianças passam ao telemóvel e bloquear o aparelho remotamente.

GOOGLE

  • Novo Android P, alerta os utilizadores quando passam demasiado tempo agarrados a uma aplicação;
  • Criação de pausas programadas no YouTube para lembrar os utilizadores para fazerem uma pausa do ecrã;

 

 

Pais preparados podem evitar que os filhos fiquem dependentes da internet

Julho 27, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Patricia Prudente

Notícia do Atlântico Expresso de 16 de julho de 2018.

Psicólogo deixa dicas para que os jovens tenham uma melhor saúde

Pais preparados podem evitar que os filhos fiquem dependentes da internet

A dependência da internet começa cada vez mais cedo, alerta João Lemos, psicólogo. O especialista defende que o treino das competências parentais pode aliviar o problema. tíOspais não devem ter medo de impor limites aos seus filhos. Muitos permitem que os seus filhos gastem uma, duas, três horas por dia na internet e isto é completamente errado. O que eu defendo é que de Segunda-feira a Sexta-feira, a internet seja utilizada apenas para trabalhos para a escola e ao fim-de-semana ter acesso durante um curto espaço de tempo, se o comportamento do filho o justificar.

O que os pais têm de promover são actividades ao ar livre, a interacção, a comunicação, os jogos de mesa, convívio saudáveis”.

A Organização Mundial da Saúde considerou que a dependência dos videojogos é uma doença. É um problema com que se depara nos Açores?

É um problema que existe quase em todo o mundo, principalmente nos países ditos desenvolvidos e que aderiram ao uso da internet e não só. Já venho a falar sobre esta problemática há muitos, muitos anos e alertar as famílias para o perigo da ciberdependência.

De facto, o uso de videojogos insere-se neste diagnóstico de ciberdependência, ou seja, dependência do mundo virtual, dependência da internet. É um problema gravíssimo porque afecta o desenvolvimento dos jovens e adultos – porque o problema não é só de jovens, é também de adultos, embora o perigo maior tenha a ver com os jovens, porque estão numa fase de formação, de preparação para a vida, que passa pela área académica e, depois, pela área profissional e, transversalmente a tudo isto, às áreas social e familiar, uma vez que este quadro clínico se caracteriza, essencialmente, por uma alienação da realidade nestas áreas todas, com implicações muito negativas no funcionamento dos próprios jovens e adultos, no relacionamento interpessoal dentro das famílias e, também, na sociedade e no mundo do trabalho.

Tudo isto tem como consequência final os disfuncionamentos comportamentais, disfuncionamentos familiares, disfuncionamentos profissionais, acabando na clínica. Pode começar numa fase inicial, para apoio psicológico nas consultas, o que é muito reduzido. Normalmente, estes casos só chegam à clínica quando há situações judiciais graves de conflitos entre pais e filhos, que depois acabam por cair na Comissão de Protecção de Menores ou no tribunal. No final, pode resultar em internamentos em clínicas, que já começaram a ser criadas no continente para esse efeito, daí a gravidade da situação.

É um problema que começa cedo?

Cada vez mais. Já vemos crianças, na segunda infância, a fazer o treino do esfincter no bacio com um tablet à frente a fazer jogos. Evidentemente, que esta questão é complexa. Existem colegas, da área da psicologia que promovem, incentivam e valorizam a utilização dos jogos pedagógicos, mas a existirem jogos pedagógicos virtuais têm de ser muito bem utilizados, com limites e com objectivos muito bem definidos. Não pode ser, como acontece actualmente, em que há um acesso indiscriminado das crianças e jovens aos videojogos, à internet, sem qualquer controlo parental.

Tudo isso termina neste processo de desajustamento social por uma alienação relativamente às obrigações e aos deveres académicos e, depois, numa separação e isolamento dentro da própria família, ao ponto de não existir um grupo de pessoas a viverem em conjunto, mas sim um grupo de pessoas a viverem separadas umas das outras, cada um no seu espaço, ligado ao seu computador ou ao seu instrumento de acesso à rede virtual inclusivamente os pais, pela via do Facebook, que pode permitir a aproximação entre as pessoas, mas que também acaba por contribuir para o afastamento.

Daí ser uma questão muito problemática. Nós temos de pensar nisto a sério e talvez fosse altura de os nossos governantes, os nossos políticos, pegarem nessa informação da OMS e verem qual é a ligação entre isto a proposta do treino das competências parentais.

Ou ajudamos os jovens pais a serem pais competentes ou o problema vai ser um ciclo vicioso e em espiral, que nunca mais vai acabar. 0 sistema tenderá sempre para um reequilíbrio. Agora, eu acho que é desnecessário passarmos uma crise de disfunção social, familiar e individual para depois irmos resolver o problema, seguindo aquela máxima latina de ‘casa roubada, trancas à porta’.

Estamos a agir tarde demais, na sua opinião?

Corremos o risco de estar a criar gerações diferentes, com comportamentos sociais e de sociabilização diferentes?

Gosto de usar o provérbio e dizer que nunca é tarde demais, mais vale tarde do que nunca. Nós temos de actuar já e actuar já é na área parental, porque são os pais que têm a responsabilidade na educação dos filhos.

De certo modo, houve aqui uma inversão do paradigma educativo, por razões várias: o consumismo, a pressão social para o consumismo e, também, a falta de conhecimentos dos pais sobre esta realidade. Tudo isso levou a que os pais condescendessem com a situação sem que percebessem o mal que estavam a criar aos seus filhos.

Agora, chega-se a uma situação em que os pais já não sabem o que fazer, já não têm capacidade, já não têm autoridade educativa para poder monitorizar o comportamento dos seus filhos para os poder ajudar à mudança. No entanto, seguindo esta linha de que nunca é tarde demais para actuar e que mais vale tarde do que nunca, podemos aconselhar esses pais a receber apoio especializado na área comportamental – e, nesta área, estamos a falar essencialmente de apoio dos psicólogos e das psicólogas, que os podem ajudar a tomar medidas adequadas, tendo em conta o desenvolvimento da criança, a promoção de estilos comportamentais saudáveis, não só ao nível da ciberdependência, mas também nas outras dependências todas. De uma forma construtiva e eficaz. Ou, de facto, os nossos governantes apostam a sério na resolução deste problema agora, investindo, rapidamente, como eu já defendi anteriormente, ou então vão gastar o triplo ou o quádruplo no tratamento destes problemas. Não se trata só de ajudar as pessoas dependentes, mas sim lidar com os custos indirectos que advêm de investimentos na área do ensino sem obter resultados, ao nível do trabalho, ao nível das problemáticas familiares que, depois, levam também as famílias a receber apoio psicológico e psiquiátrico.

Digamos que há, aqui, um efeito de bola de neve. Nós não podemos pensar só nos cuidados secundários, temos, essencialmente, de pensar nos cuidados primários, em cooperação com as escolas e, também, como disse anteriormente, com o treino das competências parentais.

Já há directivas sobre como lidar com estes casos?

Não tenho conhecimento de nenhuma directiva ao nível da Ordem dos Psicólogos relacionada com esta temática. O que nós temos são as competências profissionais para lidar com as dependências, porque o mecanismo cognitivo, afectivo e comportamental é o mesmo. Ao nível biológico há uma grande diferença: aqui não há uma dependência química, há exclusivamente uma dependência cognitiva – que, do meu ponto de vista, é a pior das dependências e já o digo há mais de 20 anos. Enquanto o alcoolismo, o tabagismo, o consumo de drogas ilícitas tem uma componente de dependência química, neste caso é exclusivamente psicológico, cognitivo, com a agravante de ter de se utilizar medidas, também cognitivas e comportamentais, de gestão do tempo e do comportamento, para ajudar com dependência de videojogos. Mas não é só de videojogos: é a dependência da realidade virtual, a chamada ciberdependência, nomeadamente das redes sociais. No fundo, há que fazer uma reaprendizagem de um estilo de vida saudável. Aqui temos de actuar muito a sério, muito rapidamente, de uma forma transversal, desde o início da constituição da família – estamos a falar do treino das competências parentais – e actuar nos diferentes níveis de desenvolvimento das crianças e dos adultos, para que assim seja possível minimizar os custos desta problemática clínica e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Efectivamente, esta perspectiva que estou a apresentar não vai ser compreendida pela maior parte das pessoas, eu tenho consciência disso. A maior parte das pessoas não tem conhecimento da gravidade do problema, não sabe do que é que estamos a falar e, inclusivamente, dentro da classe clínica poderá haver, também, algumas objecções ao que estou a dizer.

Há mais de 20 anos que venho a tocar na ferida; agora, passado este tempo, vem a OMS levantar a questão de uma forma relevante, considerando como uma doença mental. Talvez, a partir de agora, com estas orientações da OMS, os nossos clínicos em diferentes áreas possam encarar este problema de uma forma mais séria – inclusivamente os nossos governantes, os nossos parlamentares, quem tem o poder de decisão política, para que se compreenda que numa sociedade que se quer saudável, é preciso fazer prevenção primária e não só apostar na prevenção secundária.

Quais são os sinais de alarme sobre este tipo de problemática?

O isolamento social e familiar, faltar sistematicamente às aulas e ao trabalho. Os pais estão tão ocupados e com as suas obrigações, envolvidos em actividades e sobrecarregados que, muitas vezes, não se apercebem da gravidade do problema. Mas há o absentismo escolar, há o dormir na sala de aula, há comportamentos marginais e de violência que, muitas vezes, ocorrem quando estes jovens são chamados à atenção na sala de aula… Tudo o que seja comportamentos que saiam da norma ou daquilo que é adequado no relacionamento interpessoal são sinais de alerta. Os pais têm de aprender a fazer o controlo do uso da internet, de forma criteriosa e construtiva. Os pais não devem ter medo de impor limites aos seus filhos. Muitos permitem que os seus filhos gastem uma, duas, três horas por dia na internet e isto é completamente errado. O que eu defendo é que de segunda-feira a sexta-feira a internet seja utilizada apenas para trabalhos para a escola e ao fim-desemana ter acesso durante um curto espaço de tempo se o comportamento do filho o justificar. O que os pais têm de promover são actividades ao ar livre, a interacção, a comunicação, os jogos de mesa, convívio saudáveis.

 

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