Açúcar é como álcool para crianças: danifica o fígado e o cérebro delas

Julho 15, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site GreenMe de 25 de fevereiro de 2019.

por Cíntia Ferreira

Você daria um copo de bebida alcoólica para seu filho pequeno? A resposta, certamente, será não. Nenhum pai ou mãe daria álcool para uma criança. Principalmente por que esse item é tóxico, causa danos graves ao organismo e vicia. No entanto, se você tem o hábito de dar doces, e encher as refeições do seu filho de açúcar, pode ser que você esteja fazendo mal para à criança, sem perceber.

Um estudo no Reino Unido, a Pesquisa Nacional de Dieta e Nutrição, demonstrou que o açúcar consumido pelos pequenos pode fazer tão mal ao fígado e ao cérebro quanto o álcool.

Nesse caso, o fígado metaboliza a frutose, uma das moléculas do açúcar, da mesma forma que o álcool, sobrecarregando o órgão que tem, entre outras funções, o trabalho de eliminar as toxinas do organismo.

Não à toa, é cada vez mais comum que crianças sofram com problemas “de adulto”, como diabetes e doenças hepáticas. Um estudo feito na Itália avaliou 271 participantes, com idade média de 12,5 anos, e que tinham dietas açucaradas. A pesquisa descobriu que 37,6% deles tinham Esteatohepatite não-alcoólica (NASH), doença que pode causar danos irreversíveis, levando a fibrose e cirrose.

Entre os principais vilões do excesso de açúcar estão os alimentos industrializados. É comum que a indústria encha os produtos com açúcar, principalmente nos itens destinados ao público infantil. Além disso, é fácil mascarar o açúcar nos rótulos, pois existem pelo menos 56 nomes diferentes para essa substância.

Produtos como iogurte, cereais e bolachas podem conter uma quantidade tão grande de açúcar que extrapolam as necessidades diárias da criança apenas em uma refeição. A frutose, mencionada nos estudos, também existe nas frutas, mas não é nociva, pois vem acompanhada de vitaminas e minerais essenciais ao organismo e são metabolizadas de modo diferente.

Por isso, muito cuidado com o que coloca no prato do seu filho.

As bebedeiras instantâneas dos miúdos

Abril 15, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Maria João Gala

Reportagem do Notícias Magazine de 6 de março de 2019.

Os miúdos portugueses bebem menos do que a média dos miúdos europeus – é uma boa notícia. Outra: o consumo de álcool entre menores tem vindo a diminuir paulatinamente há 12 anos. Mas há dois problemas: a iniciação nas bebidas alcoólicas fortes aos 13 anos é mais acentuada entre os portugueses e os casos das bebedeiras episódicas extremas, o célebre “binge drinking” em que bebem compulsivamente, estão a aumentar – e aqui há um número grave: em 2017, o INEM atendeu no país 1 270 menores em coma alcoólico, ou seja mais do que três por dia, todos os dias. Como bebem eles?

Texto de José Miguel Gaspar | Fotos de Maria João Gala/GI

As duas irmãs loiras começaram a beber juntas há cinco ou seis anos e continuam a beber juntas agora. São de Aveiro, são ambas bonitas, têm hoje 17 e 18 anos, a mais nova é mesmo muito bonita, tem a cara da supermodelo inglesa Rosie Huntington-Whiteley, que já foi a Splendid Angharad, uma personagem incontaminada de “Mad Max – Estrada da Fúria” (2015) em que a Imperatriz Furiosa conduzia com determinação de ferro e um só braço uma caravana motorizada de mulheres pelo apocalipse adentro em direção ao nascer do sol e à libertação do tirano Immortan Joe.

Foi no ano da estreia desse filme de George Miller, tinha a rapariga mais nova 14 anos e a irmã 15, que aconteceu o episódio da bebedeira no mar que só não acabou em desgraça porque não calhou, ainda hoje a mais velha recorda a tremer, olha, já estou toda arrepiada, diz ela a arregaçar um braço e a parar para o olhar.

Foi num dia de verão normal, tinham ido de férias com os pais para o Algarve e passavam grande parte do dia, e depois as noites também, horas seguidas sem os ver, casa, praia, piscina, às horas que cada um quisesse.

Nesse dia que acordou com algum tédio, começaram a beber as duas à tarde, o céu estava nublado, não havia grande coisa que fazer, o bar da casa estava bem nutrido. Começaram com vinho branco, depois passaram às cervejas, depois safaris-cola, variaram as bebidas sem beber muito só de uma para depois ninguém notar, havia de tudo na casa de férias, até copos pequeninos e tequila.

Os pais não estavam, tinham ido a uma expedição com outros pais, elas não, a música crepitava alta na sala branca de estar e elas riram-se que se fartaram, acabaram a tarde aos shots e a desfilar da sala para a varanda, a fazer poses, a voltear, a imitar as passarelas com os páreos a esvoaçar, a língua de fora, desfeitas no sofá a rir muito, a música muito alta, a barriga a doer de tanto rir.

Não se lembram quanto isto durou, nem quanto entornaram, mas adormeceram e quando acordaram já era noite e tinham as barrigas a roncar. McDonalds para as duas, batatas a dobrar, colas XL – McDonalds é o melhor cura ressacas, a nossa mãe também diz, dizem elas -, comem em casa, comem depressa, depois arranjam-se e vão sair.

Cruzam-se logo com um grupo de quatro miúdos ingleses que conheceram vagamente na piscina no dia anterior, eles eram mais velhos, 16 ou 17 anos, não tinham 18, nenhum, já traziam bebidas na mão, vinham tocados, e um deles uma mochila carregada a tilintar. Bebem na rua, a luz da lua abriu, a noite está quente, passeiam, correm, fingem que fogem, voltam a rir, gozam uns com os outros, os rapazes tinham as caras incendiadas do sol, riem agora todos muito, já estão na praia, vamos lá abaixo ver o luar.

Corre tudo lindamente, a noite rodava, o álcool rodava, o céu todo a estrelar, amanhã vai estar um rico dia de praia, e estão todos sentados em roda na areia a jogar ao penálti com copinhos de vodka preta e o absinto que saiu da mochila a tilintar.

E caiu de chapa na água, a cara para baixo e ficou ali

Eu lembro-me de estar muito bem, mesmo bem, diz a rapariga muito bonita de 17 anos que na altura tinha 14, lembro-me de estar maluca, eu sou tímida, estava alegre, solta, ria-me com tudo e com nada, maluca, e disse que queria ir ao mar. Não sei o que eles disseram, estávamos bêbados, todos bêbados, os ingleses estavam sempre a dizer penálti! e quando alguém diz penálti todos têm de beber o que tiverem no copo de uma vez, e eu levantei-me, ninguém me impediu, e fui.

Não me lembro de caminhar, não me lembro de chegar à água, lembro-me só que a água me dava pelos tornozelos e era quente, quentinha, e depois lembro-me, mas aqui lembro-me muito mal, de cair de chapa na água.

E ela ficou assim, diz agora a abrir muito os olhos a irmã que tem 18 anos e na altura tinha 15, caída de cara para baixo na água, não se mexia ou parecia que não se mexia, eu só via o vestido branco dela a ondular no mar. Também eu agora não me lembro bem, não sei se passou um minuto ou se passaram dez, mas lembro-me de repente de saltar na areia, parece que me passou logo a bebedeira, e já estou de pé na água com ela, já estou a levantá-la pelos braços, ela toda molhada, a virá-la, a tirar-lhe o cabelo da cara, a chamar por ela mas ela não respondia, pesava muito, caía, abria e fechava logo os olhos, não dizia nada, nada de nada.

Devo ter entrado em choque térmico e fiquei inconsciente, diz a primeira virada para a segunda ligeiramente envergonhada enquanto desenha círculos invisíveis no tampo da mesa do café onde as duas se vieram sentar. Não conseguia falar, não conseguia andar, eles disseram-me depois que tiveram que me arrastar até casa, a minha irmã e os ingleses, arrastaram-me mesmo, eu não mexia as pernas nem os pés, fui a arrastar como se estivesse desmaiada, e conseguiram subir comigo e deitar-me na cama sem que os pais, eles já tinham chegado e já se tinham deitado, dessem por nada, eram férias, deviam ser umas duas da manhã.

No dia a seguir quando acordei, continua ela a contar, tinha os lençóis pretos, todos pretos. Acordei bué de tarde, toda baralhada, só fazia perguntas à minha irmã, estava à toa, mas o que é que aconteceu? Vomitei-me toda, não me lembro, os lençóis ficaram assim por causa da vodka que era preta. E depois passei o dia a vomitar, inclusive no almoço de família, levantei-me duas vezes para ir à casa de banho gregar, disse aos pais que tinha comido fritos, eles dizem que os fritos fazem mal, os pais nunca souberam, ainda hoje não sabem que aquilo aconteceu.

Beberam dentro da sala de aula aos 14 anos

E ela e a irmã acendem mais um cigarro – não é bem acender, é mais dar um clique, ambas fumam dos cigarros curtos Oikos ou Heets que se enfiam numa maquineta que parece uma lapiseira gorda mas é só uma boquilha gorda -, há mais miúdos ali na mesa do café, uma outra rapariga loira de 17, outra de 18, morena, também muito bonita, parece uma jovem Jaclyn Smith dos “Anjos de Charlie”, os anjos originais de 1976 onde também estava a áurea Farrah Fawcet – a Farrah já morreu, ninguém se lembra porque ela morreu no mesmo dia do Michael Jackson -, na mesa também estão rapazes, um de 19 e outro de 20, e eles e elas, todos, também estão a fumar.

Também começaram a beber com 12, com 13 ou com 14, que são as idades com que dizem ter começado a sair livremente à noite. E a outra rapariga loira que é mais tímida e pareceria a Farrah se não tivesse o cabelo todo entrançado até à nuca a apertar, conta que ela e a morena uma vez, tinham 14 anos, andavam no 9.º ano, e a meio da tarde de uma segunda-feira resolveram comprar uma garrafa de vodka num minimercado, aqui compras na boa, a mulher da caixa nem olhou para mim, e desafiaram-se a beber, com mais quatro rapazes, dentro da aula de matemática. Foi na boa, a prof nem topou, diz a menina loira a cintilar orgulho ou pundonor ou um inchaço excêntrico desconjuntado do ego.

A prof de matemática não topou, mas a professora da aula a seguir, a de educação física, topou-os a todos à légua. Foram os rapazes que deram barraca, dizem elas, entraram no ginásio todos a abrir, a abandalhar, nós só nos ríamos, ela parou logo a aula, separou-nos dos outros e fomos ao diretor de turma. Tivemos que dizer tudo o que se passou e tivemos depois que escrever tudo e entregar uma folha cheia. E chamaram os nossos pais.

Dos rapazes não sei, dela, e aponta para a morena parecida com a Jaclyn, não a encontraram, a mãe dela não veio, e a minha deu-me um sermão, que seja a última vez, estás a ouvir?! Mas acho que ela não se chateou muito, diz a miúda, tanto foi que nem tocou mais no assunto no dia a seguir. Mas nesse ano eu chumbei, confessa ela a baixar os olhos, mas não foi do álcool, eu não queria nem gostava de estudar, também não preciso de estudar muito para passar, quero ir para a universidade, claro, a não ser que me saia o Euromilhões.

E a outra menina loira, a mais bonita de todas que parece a Splendid Angharad do “Mad Max”, a que esteve para se afogar com água pelos tornozelos, sente vontade de dizer: eu sou boa aluna, aliás sou a melhor aluna, tirei sempre as melhores notas da turma. E com isso clica mais um cigarro.

Há três crianças em coma alcoólico todos os dias

É impossível não termos visto as manchetes, em 2017 o Instituto Nacional de Emergência Médica atendeu 1 270 menores em coma alcoólico nos vários hospitais do país, são mais do que três por cada dia, são 3,4 casos registados em cada um dos dias do ano, “e isso é apenas a ponta do iceberg”, sublinhou na altura a secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto, enquanto a tutela lançava mais uma campanha de sensibilização que expunha os riscos das crianças enfrentarem consequências mais sérias do que uma ressaca.

Há miúdos muito novos que bebem muito, mesmo muito, o fenómeno “binge” veio como uma moda, ficou e ainda não passou, “binge drinking” é uma nova forma social de beber em grupo, muito popular entre os menores, é o epíteto moderno da bebedeira instantânea, bebe-se pesada e compulsivamente num período muito curto de tempo, como por exemplo engolir em cinco minutos cinco ou seis ou dez shots de vodka – há vodkas com 40% e há vodkas com 80% de álcool, como a Devil Springs de New Jersey, ou de 95%, como a Everclear, a mais forte do mundo, diz o Guinness, uma vodka sem odor, sem aroma, sem cor, o “intoxicante invisível”.

E entre o primeiro e o último shot não se sentiu nada, só um leve ardor interior, mas depois há uma súbita deflagração etílica, uma coisa de movimento vulcânico, e quando a bebedeira chega ferra imediatamente como um arpão, é uma moda perigosa o “binge”, é uma forma suicida de beber, diz Luís Almeida Santos, o diretor da Urgência Pediátrica do Hospital de S. João, no Porto.

O médico, que nunca mais esqueceu os quatro miúdos de 11 e 13 anos que atendeu na Urgência num domingo há muito tempo às oito da manhã – estiveram a vazar dezenas de fundos de garrafa do vidrão atrás de uma discoteca que havia no Shopping Dallas e a média alcoólica deles era superior a três gramas de álcool por litro de sangue, coma alcoólico, portanto, em crianças de 11 e 13 anos -, está agora a compilar e destrinçar os episódios brutos atendidos na Urgência de S. João em 2018. Foram 74 mil casos, falta separar os que são de menores de idade e, dentro desses, os que são episódios alcoólicos. Não espero uma diminuição, diz o especialista, e não me espantaria que houvesse um aumento.

Mas Luís Almeida Santos já desenredou os 348 mil episódios brutos atendidos na Urgência do hospital central do Porto que ocorreram entre 2014 e 2017. Entre esses todos, apontou 407 casos com menores em coma ou à beira desse estado patológico em que há perda de consciência, ausência ou redução das reações a estímulos e alteração nociva de funções vitais. E desdobrou os casos pelos quatro anos em que aconteceram. Sem surpresa, sublinhou o arco crescente: 90 casos em 2014, 95 em 2015, 112 em 2016 e 109 em 2017.

Aos 13 anos, um em cada três já começou a beber

Os consumos entre os jovens têm vindo a diminuir, tanto em Portugal como na Europa, é o que nos dizem os estudos da Organização Mundial de Saúde do ano passado com inquéritos feitos entre 2002 e 2014 a adolescentes de 15 anos. Nessa dúzia de anos, o consumo regular ao longo da semana desceu para metade, com 16% registados em 2002 e 8% registados em 2014.

A média europeia era de 28% em 2002 e desceu para 13% em 2014. Os nossos miúdos estão melhor do que os espanhóis (21% e 9% nos anos respetivos), do que os franceses (15% para 10%), do que os ingleses (47% para 9%, é uma das mais abruptas descidas na UE) e sobretudo muito melhor do que os miúdos gregos de 15 anos, que em 2002 registavam 30% de bebedores e em 2014 ainda têm 23% que admitem beber álcool ao longo da semana.

Mas os estudos do SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências) e os exames do ESPAD (European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs) feitos por diversos especialistas em 35 países europeus não são sossegadores. Ambos centraram-se em miúdos de 13 anos e no ano de 2015.

No primeiro estudo, só com portugueses, 31% admitia já ter experimentado álcool, sendo essa a substância mais consumida pelos adolescentes nas escolas públicas – é um número gravoso, praticamente um em cada três. No segundo, 47% dos miúdos europeus de 13 anos admitia já ter experimentado álcool – e um em cada 12 estudantes relatou já ter tido um episódio comatoso com essa tenra idade.

Evidentemente preocupado, muito preocupado, tanto como médico como cidadão, até porque não sabemos bem da realidade total, que há de ser pior do que a dos números das Urgências, diz o pediatra Luís Almeida Santos, tudo isto é altamente alarmante, muito preocupante.

Os números são uma avalancha e João Goulão, diretor do SICAD, concorda. Cita: em 2015, 48% dos menores de idade admitia já ter experimentado beber pela modalidade “binge” e em 2016 e 2017 esse número subiu e chegou aos 50%. É grave, gravíssimo, continua a aumentar. E há mais números que atestam uma evolução paulatina e lenta mas segura: em 2015, 83% de jovens com 18 anos admitia ter consumido álcool nos últimos 12 anos. Em 2016, o valor subiu para 84% e em 2017 para 85%.

A lei existe, mas a lei é contornada

A lei portuguesa que proíbe os menores de beber é recente e entrou em vigor em duas fases, ambas sob a regência do XIX Governo Constitucional liderado por Pedro Passos Coelho e pelo PSD/CDS-PP. A primeira foi adotada em 2013 e trancava a porta das bebidas alcoólicas aos menores, mas deixava duas janelas abertas. Dizia a lei que até aos 16 anos todo o álcool estava proibido, mas a partir dos 16, a idade com que se pode entrar numa discoteca, os menores podiam comprar dois tipos de bebidas: cerveja e vinho.

Na altura, a exceção foi enquadrada pelos nossos brandos costumes culturais – “Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses”, dizia o marketing oficial dos tempos de Salazar – e pelo poder de lóbi das cervejeiras, que conseguiram impor junto do Governo a sua exceção. Seguiram-se dois anos de debate de uma lei pouco eficaz, discutiu-se por que é que havia um álcool bom e um álcool mau e dois anos depois concluiu-se que não, todo o álcool é nocivo. E a lei de 2015 proibiu tudo, cerveja, vinho, licores, aguardentes, brancas e espirituosas, tudo trancado em proibição até aos 18 anos e à maioridade. Fim de discussão.

Fim de discussão? João Goulão, que há duas décadas dirige o SICAD, diz: há ainda muita complacência social relativamente ao álcool entre menores, há adultos que passam álcool a crianças, facilitam, fecham os olhos, recalcam erros e valores culturais. E diz mais: em Portugal, o álcool é extremamente acessível, todas as casas têm álcool e os preços na rua descem cada vez mais; hoje é muito mais barato beber do que era há dez anos; há discotecas e bares em que o álcool custa tanto como a água! É preciso, evidentemente, mudar isto, e condicionar mais a oferta, conclui Goulão. Mas os miúdos riem-se da lei, sabem da lei e riem-se.

ASAE só identifica 12 menores por mês a beber

Os dados oficiais da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) estão cheios de icebergs de que só vemos a ponta. A lei de 2015 que proíbe a venda e consumo de álcool aos menores de 18 anos fará este ano quatro anos, mas a ASAE só consegue identificar, em média, 12 jovens por mês a beber em locais públicos. Em 2017, o número de menores identificados aumentou superficialmente quando comparado com o ano anterior: 108 em 2016, 133 em 2017.

O aumento está longe de representar a realidade, as violações são flagrantes, diz a associação sindical que representa a ASAE, admitindo ser muito difícil fiscalizar por exemplo em discotecas quando a idade para entrar é de 16 anos mas a idade para beber é de 18. E o sindicato sublinha que tem menos de 200 inspetores para ir à rua em todo o país e que aos fins de semana e à noite ainda tem menos operacionais a trabalhar.

Porto, Lisboa, Aveiro, só não vê quem não quer reparar

Os miúdos riem-se. São 11 da noite, eles são seis, dois rapazes, o resto raparigas, três delas falam brasileiro, o mais velho tem 19, o mais novo 16, estão juntinhos todos sentados numa ponta da escadaria do Palácio da Justiça, na Baixa do Porto, que fica nas costas do jardim de plátanos e grandes sombras da Cordoaria, onde tombam também os homens estatuificados de Juan Muñoz, “13 Que Riem Uns dos Outros”.

O que ali se vê e que se estende aos cafés do canto depois de se passar a colossal estátua esverdeada que segura a balança e a espada pousada, e ao Campo dos Mártires da Pátria, do outro lado do jardim onde há sempre juventude aos magotes e fumo azulado de haxixe no ar, não é diferente do que todos veem, mas muitas vezes sem ver realmente, isto é sem reparar, não é diferente do que se vê ao fim de semana em Lisboa, no Largo de Santos, nas ruas junto à cerca das mimosas do Jardim Nuno Álvares ou no Largo Vitorino Damásio ou, mais à frente, no Cais do Sodré, ou mais acima no Bairro Alto.

Como não é diferente daquilo que se avista nas ruas de luz branda amarela e calçada branca da Praça do Peixe em Aveiro ou na zona Red que fica encostada à Antiga Fábrica Jerónimo Pereira Campos com a sua enorme fachada de tijoleira de cor vulcânica com parques vermelhos abertos no miolo dos prédios de classe média. O que se vê em todos eles, à vista desarmada, é o mesmo: a maioria são maiores de idade, mas há sempre dezenas, centenas, de menores a passar, a parar, com copos e garrafas na mão, a continuar a beber.

Eu estou beeeem, diz o rapaz a cair nas escadas de cu

Eles empinam na pedra da escadaria do Palácio da Justiça as garrafas que saíram do saco largo de supermercado, duas de vodka Eristoff branca, duas de vodka Misss preta, duas de plástico de litro e meio de sumo sem marca cor de laranja luzente, e riem-se. Foi o mais velho que comprou, zero stress, diz ele, ou vão ao supermercado ou às lojas dos indianos ou trazem de casa, quem quer beber bebe sempre, não há cá stress, repete ele a rir.

Jantaram cada um em sua casa e só depois vieram para cá, só agora, 23 horas, uns vieram de Matosinhos, outros são do Porto, começaram a beber, mas o mais novo, o de 16, que já chegou todo quente e tem a cara e os olhos pretos parados de um Anthony Perkins imberbe, está claramente embriagado, espalma-se pelas escadas, retorcido, e é o centro das atenções. Vai beber o quinto shot, ou o 15.º, diz ele, não sei bem, os outros repetem o seu nome, repetem-no animadamente em crescendo, ele bebe de um só trago, levanta-se ou tenta levantar-se para fazer aquilo que parecia que seria uma vénia, mas cambaleia e cai de cu.

Eu estou bem, eu estou bem, diz ele a afastar desajeitadamente os braços das raparigas que o iam segurar, estou beeeem, deita a língua de fora e a língua é negra, toda negra da vodka pastosa Misss que parece mercúrio e sabe a amora traçada com álcool etílico. Estás bem, estás, diz o amigo mais velho a estender-lhe um chocolate para ele repor os níveis de açúcar, enquanto uma das miúdas brasileiras, elas as quatro trazem saias curtinhas, a que fala com sotaque do Porto também, unhas coloridas, afiadas e compridas, e começa a dar-lhe um sermão que ele não vai ouvir.

Logo a seguir há uma rodada para todos, roda a garrafa da Misss pastosa a tingir os copinhos plásticos brancos e uma das raparigas que está a segurar o copo com a mão esquerda diz de repente: direita é penálti, direita é penálti! E todos eles emborcam a vodka viscosa de supetão enquanto ela bebe a bebida aos golinhos engasgada a rir.

É meia-noite, passam no sopé das escadas e do granito do Palácio dois miúdos de skate a zarpar, do outro lado há um grupo ruidoso que está a brindar e a prolongar muito alto um bramido de éééééé, ouvem-se dois cavaquinhos a desafinar e o rapaz mais velho do primeiro grupo diz para o mais novo que está a cair de bêbado, é pá, tu bêbado és muito chato!

Depois alça-lhe um braço pelo pescoço, os dois descem as escadas da Justiça a bambolear, mais o mais novo do que o mais velho, anda, vamos mijar. E atravessam a estrada sem olhar, sobem o pequeno morro muito verde do jardim da Cordoaria, põem-se ao lado de uma das esculturas dos homens que tombam a rir uns dos outros do madrileno Muñoz, e acenam vigorosamente do outro lado para o grupo de cá, os dentes tingidos a sorrir pretidão.

 

 

 

Publicidade está a promover produtos perigosos para as crianças

Março 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Lifestyle Sapo  de 14 de março de 2019.

Jovens e crianças estão cada vez mais expostos a produtos nefastos para a saúde através das redes sociais devido à falta de regulamentação da publicidade digital, alerta hoje um relatório da divisão europeia da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Apesar das políticas e compromissos existentes para limitar a promoção de produtos nocivos à saúde junto de menores, como bebidas com alto teor de gordura, açúcar e sal, bebidas alcoólicas ou tabaco, incluindo novos produtos como cigarros eletrónicos, a OMS Europa considera existirem provas de que as crianças continuam expostas a este tipo de produtos através dos canais digitais.

O documento, intitulado “Supervisão e restrição do marketing digital de produtos nocivos para crianças”, defende uma maior monitorização da publicidade digital deste tipo de produtos pelos países, mas também pelos pais das crianças.

Os autores do relatório acreditam que o controlo da publicidade digital de alimentos nocivos dirigida a crianças e jovens pode ser fundamental para reduzir o impacto negativo de problemas de saúde como doenças cardíacas, cancro, obesidade e doenças respiratórias crónicas, que representam 86% das mortes e 77% dos encargos com cuidados de saúda na Europa.

O relatório é o resultado de uma reunião com especialistas feita em junho em Moscovo, sendo o português João Breda o coordenador da direção para a prevenção e controlo de doenças crónicas não transmissíveis da OMS da Europa, que abrange 53 países, incluindo Portugal.

A reunião quis discutir os desafios da publicidade digital de produtos nocivos para a saúde tendo presente que as crianças passam cada vez mais tempo na Internet, nomeadamente em plataformas e redes sociais como Instagram, Facebook, YouTube ou Snapchat, e que a exposição à publicidade digital aumentou.

Algumas organizações, como agências de publicidade, estão a usar técnicas sofisticadas, aproveitando que o uso crescente de telemóveis e redes sociais permitem a transmissão de mensagens personalizadas e direcionadas e “cada vez mais persuasivas”, referem os autores.

Os especialistas concluíram também que “as estratégias de regulação e auto regulação que existam para a televisão e outros meios de comunicação social tradicionais estão obsoletas”, afirmou Breda à Lusa, após a apresentação do estudo em Londres.

Uma consequência foi o desenvolvimento de uma ferramenta chamada CLICK para monitorizar a exposição das crianças à publicidade digital, que será testada inicialmente por alguns países, e cujos resultados deverão ser divulgados no final do ano.

“É necessária uma atitude mais musculada por partes das entidades públicas, mas os países não podem trabalhar sozinhos, por isso queremos desenvolver ferramentas e estratégias comuns”, afirmou João Breda.

O relatório citado na notícia “Monitoring and restricting the digital marketing of unhealthy products to children and adolescents” pode ser descarregado no link:

http://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/news/news/2019/3/new-who-study-shows-more-action-needed-to-monitor-and-limit-digital-marketing-of-unhealthy-products-to-children

 

Proibir os adolescentes de beber álcool é mesmo o melhor método?

Fevereiro 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 30 de janeiro de 2019.

Rita Costa

O pediatra Sérgio Neves defende que a relação dos adolescentes com o álcool deve ser regulada, as regras são estruturantes e o exemplo também é muito importante.

“O sistema muito autoritário de proibição muitas vezes não é o melhor porque eles também arranjam maneira de contornar essas regras, mas, por outro lado, a ausência de regras não é de todo estruturante”, afirma Sérgio Neves.

“As regras têm de estar bem definidas”, defende o pediatra, que deixa algumas recomendações para quando os adolescentes saem à noite: saber a que horas chegam, saber com quem vão, perguntar-lhes se sabem com quem devem contactar se precisarem de ajuda, ou o que devem fazer para se sentirem integrados no grupo sem entrarem em riscos. “É diferente beber uma cerveja ou beber um shot“, exemplifica Sérgio Neves.

E deixá-los beber álcool na presença dos pais? Sérgio Neves não recomenda. O pediatra entende que isso pode legitimar os consumos e os pais não podem esquecer-se que continuam a ser o exemplo dos filhos. “Os adolescentes são muito sensíveis a criticas quando alguém não está a fazer o que é suposto.”

Ouvir as declarações de Sérgio Neves no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/proibir-os-adolescentes-de-beber-alcool-e-mesmo-o-melhor-metodo-10497401.html?fbclid=IwAR0l9Ej6pIVTUgRz4YMexRUNUCb8b97iklM80gMqLGHFIRwEG9T33qxJ-oU

 

“Binge drinking” prejudica a memória e deixa sequelas no cérebro para sempre

Outubro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo LifeStyle de 9 de outubro de 2018.

A memória é a primeira vítima da ingestão compulsiva de grandes quantidades de álcool, o chamado binge drinking, geralmente protagonizada por adolescentes em curtos espaços de tempo, alertam investigadores chilenos que estudaram as consequências de uma prática tolerada por ser considerada um hábito ocasional.

A compulsão etílica, ou “binge drinking” em inglês, consiste em beber muito álcool em pouco tempo. E se for associada ao tabaco, ao consumo de canábis ou a narcóticos, o efeito sobre a saúde pode ter consequências ainda mais graves.

Novos estudos demonstram que embora sejam hábitos restritos, em geral, a finais de semana e festas ocasionais, essa compulsão etílica “pode gerar muitos problemas” no cérebro que se perpetuam, além de aumentar a propensão para vícios de longo prazo, declara Rodrigo Quintanilla, um dos investigadores da Universidade Autónoma do Chile que estudou as consequências dessas práticas altamente toleradas.

Embora os jovens tenham facilidade em recuperar relativamente rápido das “bebedeiras”, o consumo de álcool produz “variações e mudanças no hipocampo, que tem a ver com a memória”, explica à AFP o cientista.

É isto que o álcool em excesso provoca no cérebro 

Particularmente, “afetam o equilíbrio inflamatório e o redox glial, deteriora a plasticidade sináptica, a memória e o metabolismo periférico mediante um mecanismo dependente do sistema de melanocortinas”, um dos principais atores na consolidação dos vícios durante a adolescência e a idade adulta, segundo o estudo apresentado em revistas científicas e na Associação Americana para a Investigação do Alcoolismo.

Os jovens, recorda Quintanilla, costumam acreditar que são “invencíveis” e “não equacionam os danos em que incorrem”, mas existem “mecanismos e vias bioquímicas dentro do hipocampo que serão afetados com o tempo”.

A adolescência é um período da vida crucial para o desenvolvimento dos circuitos cerebrais responsáveis pela emoção e cognição, que supõe mudanças no volume cortical, no crescimento axonal, na expressão génica e na definição das conexões corticais mediante um processo conhecido como “poda sináptica”.

3,3 milhões de mortes por ano

Neste estudo, os investigadores também tentam descobrir o que pode levar o consumo moderado passar à ingestão descontrolada e à dependência

“Quando se torna adulto, o cérebro terá mais sensibilidade a certos estímulos stressantes ou da própria vida cotidiana”, como o stress no trabalho, ou a combinação com o consumo de outras drogas, diz Quintanilla. “São respostas que ficam em aberto porque nos dedicamos a analisar e esmiuçar uma parte do elo” no estudo com animais, que não pode ser feito com pessoas.

“Não podemos pegar em adolescentes e observar os seus cérebros”, exclama. Para prosseguir o estudo, a partir de agora deverão “levantar informações sobre o consumo de álcool e os hábitos de consumo, assim como aplicar ano a ano um teste cognitivo para saber a progressão dos danos”, acrescentou.

Com 3,3 milhões de mortes anuais, o alcoolismo é a terceira causa de morte no mundo, atrás do tabaco e da hipertensão. No caso dos jovens entre 10 e 24 anos, 7,4% das mortes e deficiências são atribuídas ao álcool.

Consumo de álcool entre os jovens de 15 anos desceu para metade em 12 anos

Outubro 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de setembro de 2018.

Será que maior controlo do consumo alcoólico decorre do maior investimento dos jovens nas redes sociais e nos jogos online? A interrogação parte da coordenadora do estudo da Organização Mundial de Saúde, no qual participaram 1500 portugueses.

Natália Faria

Em doze anos, o consumo de álcool entre os jovens com 15 anos de idade desceu para metade. A boa notícia é extensível à maioria dos países europeus, Portugal incluído: por cá, o consumo regular desceu dos 16% em 2002 para os 8% registados em 2014, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado esta quarta-feira.

No caso português, a descida nos hábitos regulares de consumo de álcool foi mais acentuada entre as raparigas: passaram de 13% para 4%, enquanto nos rapazes o consumo desceu de 19% para 11%. Na média dos 34 países analisados, o consumo regular de álcool entre rapazes e raparigas desceu de 26% para 13%.

Declarando-se “moderadamente optimista” com esta evolução (há excepções, como Israel, onde o consumo regular dos jovens aumentou para os 19,4%), Margarida Gaspar de Matos, que coordenou este estudo em Portugal, começa por lembrar que o consumo de álcool entre os adolescentes portugueses sempre foi “moderado” quando comparado com os outros países incluídos neste estudo que emana do Health Behaviour in School-aged Children – um projecto da OMS que, de quatro em quatro anos, analisa os comportamentos de mais de 200 mil adolescentes em 42 países e regiões da Europa e do Norte da América.

Neste caso, o objectivo era registar as variações no consumo de álcool aos 15 anos de idade, nos 12 anos que separam 2002 e 2014, num total de 36 países e regiões europeias. Do lado português, os cerca de 1500 jovens inquiridos apontam diminuições substanciais no consumo dos diferentes tipos de álcool. Na cerveja, a descida foi de 8% para 5%, no vinho de 3% para 1% e as chamadas espirituosas também decaíram de 11% para 4%.

“Vítimas do gole de champanhe”

Mas é na iniciação alcoólica que os jovens portugueses se saem pior. Quando se lhes perguntou se já tinham experimentado álcool, mesmo que só um gole, e com que idade, 38% responderam que foi antes dos 13 anos de idade (42%, em 2002). Nisto, os portugueses rivalizam com os países de Leste, onde o consumo de álcool está mais disseminado entre os jovens. Mas, num país onde há 50 anos ainda se achava que o vinho alimentava as crianças e as fortalecia, Margarida Gaspar de Matos não descortina aqui grandes razões para preocupação. “Os jovens portugueses ainda são vítimas do gole de champanhe nas festas ou do vinho do Porto nos anos da avó”, contextualiza, preferindo enfatizar a descida nas embriaguezes, de 22% para 17% aos 15 anos, e de 8% para 5% aos 13 anos ou menos de idade.

Esta nota positiva aos jovens portugueses no tocante ao consumo alcoólico repete a avaliação dos inquéritos mais recentes divulgados pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o último dos quais, divulgado no ano passado mas com dados relativos a 2015, mostrava ainda assim que aos 13 anos quase um terço (31%) dos alunos das escolas públicas já tinha consumido bebidas alcoólicas.

Mas a investigadora está apenas “moderadamente optimista”. Isto porque, conhecidas as razões que levam os jovens a beber, Margarida Gaspar de Matos não viu que os esforços de restrição do consumo adoptados, fossem “sistematicamente acompanhados de medidas alternativas” capazes de ajudar os jovens a lidar com as situações que eles identificam como associadas ao consumo.

Portugal adoptou a proibição legal de venda de álcool a menores. Em 2013, a lei proibiu a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e todas as restantes bebidas alcoólicas a menores de 16. Dois anos depois, a interdição de venda a menores de 18 anos foi alargada a todas as bebidas alcoólicas. Manteve-se a proibição de venda em cantinas e postos de venda automática. E as bombas de gasolina na auto-estrada ou fora das localidades continuaram a ver interditada a venda de álcool entre a meia-noite e as oito da manhã. Ao longo dos últimos anos, os impostos sobre o álcool (logo, os preços) aumentaram e aumentou também o controlo associado à condução de veículos sob efeito do álcool. Com isso, conclui o relatório, conseguiu-se controlar o consumo e reduzir a sinistralidade.

Menos álcool, mais jogo online?

A questão é que os jovens declaram que bebem para se divertir, para explorar os seus limites e as suas potencialidades, para lidar com emoções e sentimentos negativos, para se sentirem socialmente mais competentes. Falta assim “um investimento nas políticas da juventude, nomeadamente no uso diversificado do tempo livre sem álcool”. O desporto pode ajudar, mas, como diz Margarida Gaspar de Matos, “há jovens que não se sentem competentes no desporto”. Logo, há que os ajudar (“na família, na escola, no município, no clube…”) a dispensarem o álcool como coadjuvante na regulação das emoções e a “perceberem-se como socialmente competentes sem álcool”. Em resumo: “Não basta controlar o consumo, é preciso providenciar alternativas.”

A cautela da investigadora assenta ainda no facto de os jovens despenderem cada vez mais tempo em frente a um ecrã de telemóvel ou computador. “Espero que este estado controlado do consumo de álcool não esteja apenas associado a um sobre-investimento nas redes sociais e jogos online”, cogita a coordenadora do estudo, dizendo-se convencida de que “se as políticas públicas não apostarem na consolidação de evoluções positivas como esta, há grandes riscos de as coisas regredirem e de que novas dependências apareçam”.

Este projecto, em que Portugal participa desde 1998 e que procura estudar a adolescência, avaliando hábitos, consumos, comportamentos, com impactos na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento, vêm-se prefigurando alguns destes potenciais novos problemas e dependências: dos jogos e pornografia online à auto-medicação psicotrópica, passando pelo uso de novas drogas.

mais informações no documento:

Adolescent alcohol-related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014 (2018)

 

ASAE identifica 63 menores a consumir álcool em festivais de verão

Setembro 3, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da ASAE de 22 de agosto de 2018.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) durante os meses de junho, julho e agosto, realizou operações de fiscalização nos festivais de verão que decorreram nos distritos de Viana do Castelo, Porto, Lisboa, Setúbal, Castelo Branco e Beja, no âmbito das suas competências nas áreas de segurança alimentar e saúde pública, bem como de práticas comerciais.

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22-08-2018

 

Mães que bebem e amamentam podem ter filhos com problemas cognitivos

Agosto 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 31 de julho de 2018.

As mães que bebem álcool e amamentam podem ter mais probabilidade de ter filhos com problemas cognitivos do que as que se abstêm durante a amamentação, sugere um estudo australiano. Para estes, os investigadores examinaram os resultados de testes de raciocínio preenchidos por 5107 crianças, bem como questionários preenchidos pelas mães detalhando se, durante a gravidez e fase de amamentação, consumiram álcool ou tabaco.

Assim, os filhos das que beberam apresentaram classificações mais baixas no que se refere a testes de raciocínio não-verbal, entre seis e sete anos. Aliás, os resultados era piores quanto mais as mulheres bebiam, relatam os investigadores da área da pediatria. “A opção mais segura é que uma mãe que amamenta se abstenha de beber álcool até que o seu bebé deixe de mamar”, aconselha Louisa Gibson, da Universidade Macquarie, na Austrália.

Quanto aos filhos de mulheres que fumaram durante o período de amamentação, não se verificou qualquer diferença nos resultados dos exames feitos e comparados com os filhos de mães que não fumaram. “Tal não significa que fumar seja seguro”, salvaguarda Gibson. “Se as mulheres tiverem dificuldade em abandonar o álcool e os cigarros, devem conversar com o seu médico sobre maneiras de reduzir a sua ingestão para minimizar os impactos no bebé”, acrescenta.

Embora a exposição pré-natal ao álcool e à nicotina esteja, há muito tempo, ligada a problemas cognitivos nos mais novos, este estudo traz novas perspectivas sobre os riscos da exposição durante a lactação.

 

 

 

A Bebedeira Passa, o Resto Não 2

Julho 27, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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“A bebedeira passa, o resto não.” Do coma alcoólico às brincadeiras que acabam mal

Julho 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 20 de julho de 2018.

Centenas de menores são assistidos pelo INEM em coma alcoólico todos os anos.

De uma farra com amigos a “uns copos a mais” vai um pequeno passo. De “uma brincadeira que acaba mal” a uma pena de prisão também. Pelo meio, o desafio com que muitos adolescentes já foram confrontados – “não consegues”. Não consegues beber mais depressa do que eu, não consegues beber esta caneca toda de uma vez, não consegues beber mais um shot.

Para quem acha que consegue, fica a lembrança: “O álcool em excesso só te dá excesso de confiança. A bebedeira passa, o resto não”. É a mensagem de uma nova campanha de sensibilização dirigida aos jovens portugueses.

Desde 2015, a venda de álcool é proibida a menores de 18 anos, mas os números falam por si. Em 2017, o INEM assistiu 1270 menores em coma alcoólico . Em 2016, foram 1315 e no ano anterior, 1283.

Segundo o último estudo do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) relativo ao consumo de álcool em 2016, 89,6% dos jovens de 18 anos inquiridos admitiam beber álcool, 49,6% diziam já ter bebido quatro ou mais copos (se for do sexo feminino) ou seis ou mais copos (se for do sexo masculino) de uma qualquer bebida alcoólica na mesma ocasião e 31,4% a admitia já o ter chegado ao estado de embriaguez.

A par da campanha que o Governo lança esta sexta-feira, o Ministério da Administração Interna vai por em marcha o programa “Noite + Segura” a partir da segunda quinzena de julho, sobretudo nos municípios de Lisboa, do Porto e de Albufeira.

O objetivo é reforçar a segurança em zonas de concentração de estabelecimentos de diversão noturna e aumentar da fiscalização da venda de bebidas alcoólicas a menores.

 

 

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