Síntese resultados Estudo “As crianças e jovens em Isolamento Social”

Julho 9, 2020 às 3:50 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Sintese de Resultados – As crianças e jovens em isolamento social

Webinar “As Crianças e os Jovens em Isolamento Social” (IAC, ESEC, E&O) 30 junho às 16.00 horas

Junho 26, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança (IAC) e a UNICID da Escola Superior de Educação – Instituto Politécnico de Coimbra (ESE-IPC), em parceria com a Estrelas & Ouriços, promoveram, ao longo de semanas, um estudo para apurar como estão as crianças e jovens a gerir o período de isolamento social. Já se chegou a conclusões e o convite agora é para as conhecer através de um webinar gratuito que vai acontecer a 30 de junho, no Zoom.
O mundo está a passar por uma situação sem precedentes e, por isso, importa saber como as crianças e os jovens estão a viver este momento, sobretudo nas dimensões dos sentimentos e vivências pessoais, familiares e de amizade e também quanto à escola.
Assim, o questionário, dirigido a crianças e a jovens entre os 7 aos 17 anos, desenvolvido pelo IAC, a UNICID da ESE-IPC e a Estrelas & Ouriços, contou com 1529 respostas de Norte, Sul e ilhas e conseguiu apurar algumas conclusões.
Para partilhá-las com todos os participantes e famílias interessadas, no dia 30 de junho, às 16h, pode acompanhar o webinar que vai divulgar os resultados e que conta com profissionais da área social e da educação para refletir sobre a situação atual da infância e adolescência.
Para participar nesta sessão, basta inscrever-se, de forma gratuita, no link https://bit.ly/383rGwK

Webinar “Retratos de família” num cenário inicial da pandemia COVID 19 em Portugal – 23 junho às 11.00 horas

Junho 22, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.ics.ulisboa.pt/evento/retratos-de-familia-num-cenario-inicial-da-pandemia-covid-19-em-portugal

Em Dia Mundial da Criança, ler ainda é a actividade menos preferida dos mais novos

Junho 8, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de junho de 2020.

A maioria dos inquiridos considerou a leitura como uma ferramenta para “esquecer a pandemia”.

Carla B. Ribeiro

A leitura é a actividade que reúne menos preferência entre as crianças em casa, quer sejam leitores autónomos ou não. Esta é uma das conclusões de um estudo nacional, realizado em parceria entre a Leya Educação e o Clube de Leytura, para “apurar o que mudou nos hábitos de leitura durante o período de confinamento das famílias portuguesas”.

Segundo o inquérito, realizado online ao longo das últimas semanas, durante o período de confinamento, a 2480 encarregados de educação, a maioria dos inquiridos (59%) revelou ter passado a ler mais aos seus filhos não autónomos, com 55% a considerarem que o período de isolamento “libertou mais tempo para que pudessem ler para os seus filhos”.

Semelhante realidade foi observada entre as crianças, com autonomia na leitura: “61% dos inquiridos referem que a leitura passou a ser mais frequente desde que estão em casa, em período de confinamento”. O facto foi explicado por vários encarregados de educação como resultado de “as crianças poderem acordar mais tarde”, já que é ao fim do dia ou antes de dormir que a maioria tem o hábito de ler. Além disso, foi explicado que, com “uma carga lectiva menor”, havia “mais tempo para a leitura”.

Já a função da leitura terá sido terapêutica durante este período, já que uma larga fatia de quem respondeu ao questionário (mais de 80%) considerou que esta serviu também para “esquecer a pandemia”.

Ouvir para depois ler

Mais de 83% dos pais com leitores não autónomos têm o hábito de ler para as crianças — a grande maioria desde o nascimento, 20% a partir dos 4 anos e 8% diz ter começado quando a criança iniciou o processo de escolarização, aos 6 anos. E, isso, conclui este estudo, contribui para fomentar o gosto pela actividade — entre quem respondeu com filhos autónomos, 87% afirmaram ter tido o hábito de ler para os seus filhos em mais pequenos.

E, ao contrário do que poderia ser expectável, a autonomia na leitura fê-los passar a ler mais, atestam 70% dos pais. Apenas o género de leitura muda — enquanto os pais afirmam ter o hábito de ler para os mais pequenos sobretudo livros de fantasia (27,7%) e de actividades (23,9%), as crianças com autonomia na leitura revelam preferência pelos livros de aventuras/suspense (33,3%), ainda que se mantenham fiéis aos de actividades (28,1%).

A regularidade da leitura nas crianças autónomas é consistente, com 74% a referirem que os filhos lêem todos os dias ou entre duas e três vezes por semana, mas quase 85% confessa que “gostaria que o filho lesse mais”. Até porque, 99% dos pais consideram que “a leitura pode melhorar o desempenho escolar”.

As formas de conseguir que os pequenos dediquem mais tempo aos livros são, porém, várias: a começar por terem menos acesso a tecnologia (tablets, jogos, telemóvel, redes sociais) e mais tempo. Outras respostas incluíram “ter mais livros em casa, terem menos trabalhos de casa, os livros serem mais cativantes e sedutores para os leitores e o preço mais acessível”.

O custo dos livros infantis volta a ser referido para justificar os fracos hábitos de compra: 31% dos inquiridos compram livros de três em três meses; 19%, duas vezes por ano; e 12% apenas uma vez ao ano. No entanto, quase 85% dos inquiridos referem que comprariam mais se os livros fossem mais baratos. “O preço é sempre um factor de peso nos hábitos e comportamentos de compra e os livros não são excepção”, conclui o estudo da Leya.

Paralelamente, os encarregados de educação questionados, apesar de não referirem dificuldade na hora de escolher um livro infantil, expressam claramente (71%) que “os seus filhos leriam mais caso especialistas seleccionassem livros adequados”, reconhecendo “a importância de ter alguém com maior conhecimento do mundo literário como forma de reforçar os hábitos de leitura”.

Ler é cumplicidade

Quase 88% dos pais de leitores não autónomos consideram que “a leitura é uma actividade que une a família” e, apesar de reconhecerem nela uma forma para que os filhos “desenvolvam a linguagem, a capacidade de imaginação e a abstracção” (46%) e também “o gosto pela leitura” (26%), há uma fatia (18%) que considera o momento em que lê para os filhos como um de “cumplicidade”, entre adultos e os mais novos.

De acordo com as famílias que têm ao seu encargo leitores não autónomos, os livros podem ser uma realidade quotidiana (43%) ou regular, com a leitura a realizar-se entre três vezes por semana (30%) ou apenas uma (15%).

Mas também quem tem filhos que já não precisam de apoio a ler considera a leitura uma actividade de união familiar (mais de 80%). Além disso, praticamente todos os inquiridos (99,3%) julgam “importante incentivar a leitura dos mais novos” por estar associada à sabedoria e à aprendizagem, mas também “porque vai ajudar profissionalmente” e “alargar horizontes”.

Mais informações na notícia da Leya:

Clube de LeYtura faz hoje 1 ano e revela como (e o que) leram as crianças portuguesas durante o confinamento

Carro continua a ser o meio preferido para levar os miúdos à escola em Lisboa

Maio 15, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 7 de maio de 2020.

Câmara de Lisboa quer incentivar os estudantes a usar mais os transportes públicos e modos suaves para tirar automóveis da cidade, mas ainda tem um longo caminho pela frente.

Todos os dias há pelo menos 22 mil alunos de Lisboa que se deslocam de carro para a escola. Um inquérito da câmara municipal a mais de metade da população escolar da cidade revela que o automóvel continua a ser o principal meio de transporte em quase todos os níveis de ensino e que os estudantes que vão a pé são praticamente tantos como os que chegam às aulas de transportes públicos.

Realizado em Outubro do ano passado pela segunda vez, o inquérito Mãos ao ar! teve em 2019 mais do triplo das respostas obtidas no ano anterior, permitindo uma leitura dos números mais fiável. Em 2018 tinham respondido 16% dos alunos de Lisboa, no ano passado foram 56,7% — ou seja, 47.141 estudantes.

Destes, quase metade (48,6%) desloca-se de automóvel para a escola e a outra metade divide-se entre os transportes públicos (23,6%) e andar a pé (23,4%). Há ainda uma pequena percentagem de alunos que usam transporte escolar (1,3%), bicicleta (1%), mota (1%) e outros meios, como táxis, Uber ou barcos (1,1%).

Os resultados, que deviam ter sido apresentados por videoconferência esta quarta-feira, o que não aconteceu devido a problemas técnicos, mostram o longo caminho que a Câmara de Lisboa ainda tem de percorrer para atingir o seu objectivo de diminuir o uso do automóvel nas deslocações diárias. Há um ano, na apresentação do Mãos ao ar! de 2018, o vereador da Mobilidade dizia que “as crianças são hoje uma das principais razões pelas quais os pais andam de carro em Lisboa”, o que tem efeitos directos no trânsito e na mobilidade.

Pondo uma lupa sobre os números descobre-se que o carro é o meio de deslocação preponderante nos primeiro e segundo ciclos, perdendo importância daí para a frente, mas a situação difere consoante o tipo de ensino.

Nas escolas privadas, o automóvel é o meio de deslocação mais usado em todos os níveis de escolaridade, dos 81,6% registados no 1.º ciclo até aos 65,6% no Secundário. No ensino público o carro também é o predilecto no primeiro (43,3%) e no segundo (42,4%) ciclos, mas as percentagens são ultrapassadas por outros meios à medida que os alunos vão crescendo. No 3.º ciclo, 32,5% dos estudantes vai a pé para a escola, enquanto 30,9% vai de carro. No Secundário são 23% os que caminham, superando os 22,3% que se deslocam em veículo próprio, mas o autocarro é o meio preferido, escolhido por 31,4% dos estudantes.

É a única vez no inquérito em que a deslocação em autocarro supera não só a percentagem dos estudantes que vão de carro como a dos que vão a pé. De resto, os autocarros (usados por 15,5% dos alunos inquiridos) parecem não convencer estudantes nem do ensino privado nem do ensino público, sendo ultrapassados por larga margem em todos os outros níveis de escolaridade.

De entre os restantes transportes públicos destaca-se o metro, usado por 5,1% dos inquiridos, e o comboio (2,5%). Todos somados (autocarro, eléctrico, comboio e metro), só por duas décimas ultrapassam as deslocações a pé (23,6% contra 23,4%).

O transporte escolar tem um peso quase residual em toda a carreira escolar. No 1.º ciclo representa 2,6% das deslocações e a percentagem vai diminuindo até ao Secundário, com 0,2%, perfazendo uma média total de 1,3%.

Embora o universo de alunos inquiridos tenha grandes variações de freguesia para freguesia, o que aconselha cautela na leitura dos resultados, algumas tendências emergem. No Areeiro, em Santa Maria Maior, em Santo António e São Vicente há mais estudantes a ir para a escola a pé do que de carro. A maior utilização do automóvel verifica-se no Parque das Nações (77,6%) e a menor na Misericórdia (13,1%). Já a freguesia campeã no uso de transporte escolar é Campolide (10,5%), enquanto os alunos do Beato são os que mais usam autocarros (32,8%). O uso da bicicleta situa-se abaixo de 1% em quase todas as freguesias da cidade, mas no Parque das Nações e no Areeiro chega a 3,4%.

No inquérito não se apuraram as razões para os alunos usarem um meio em vez de outro. À semelhança da sondagem de 2018 e do inquérito escocês em que o lisboeta se baseia, os directores de turma perguntavam oralmente aos seus alunos como é que habitualmente se deslocavam para a escola e estes respondiam levantando a mão quando o professor lia a hipótese que lhes assentava melhor.

Crianças e jovens. Uma “vacina real” contra o isolamento

Maio 14, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 19 de abril de 2020.

Quando se é criança e jovem acredita-se que tudo é possível. Mas será esta energia suficiente para ultrapassar a barreira invisível do confinamento motivado pela pandemia? E serão eles, mais do que os adultos amadurecidos pelas vivências, a ensinar-nos como ultrapassar as dificuldades atuais?

por Nuno Patrício

Viver em comunhão e partilha é para crianças e jovens um estado natural. Num mundo cada vez mais sem fronteiras, criar laços de amizade onde a movimentação não se restringe já às fronteiras internas e onde as tecnologias aproximaram ideias e credos, as gerações mais novas adaptaram-se a viver em rotinas dinâmicas de movimentação e de fácil comunicação.

Um mundo que de um dia para outro mudou e pode mudar também a forma de como estas gerações se adaptam e relacionam com ele.

Carlos Céu e Silva, psicólogo clínico formado pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada e Mestre em Aconselhamento Dinâmico, afirma que é natural que crianças e jovens sintam o atual momento como adverso. Contudo este momento em particular pode também ser interpretado como uma excelente oportunidade para uma reaproximação de laços familiares, que a sociedade tanto tem tirado.

“Esta ansiedade que nós criamos”, diz Carlos Céu e silva, “é por vezes mais vinda dos adultos e da nossa perceção de limitação. As crianças obviamente também se sentem limitadas, mas se olharmos para a janela e para a rua, hoje em dia vemos os pais a fazerem aquilo que faziam há 30 anos, que é andar de bicicleta e a fazer uma série de coisas de um modo descontraído e quase que pedagógico ou lúdico”.

A idade como forma de maleabilidade

Os amigos e as brincadeiras parecem agora presos neste passado recente, ainda muito presente. Crianças e jovens vão ter de construir um novo molde.

Sendo as camadas novas “mais plásticas”, existe a tendência para uma maior facilidade na adaptação, muito embora quando esta situação passar se envolvam rapidamente na dinâmica social e destes tempos permaneça apenas uma vaga recordação de dificuldade.

Já os adolescentes, com uma mentalidade mais amadurecida, vão olhar o mundo de uma forma diferente, explica o psicólogo Carlos Céu e Silva.

“Este lado de confinamento tem um lado negativo muito grande que afeta a saúde mental, quer dos adultos, adolescentes ou crianças. (…) Há uma saturação independentemente de toda a criatividade que possam criar”, com a realização de novas tarefas e inovadoras, “ mas também na descoberta de novas facetas que não imaginavam ter”.

Toda uma redescoberta em que a música, a leitura e a informação pode voltar a ser parte de um quotidiano perdido, muitas vezes para as redes sociais, que continuam muito presentes nesta nova sociedade enclausurada.

Mens sana in corpore sano

Estar e ser ativo é questão fundamental para manter uma “mente sã em corpo são”, principalmente neste período.

Precisamente neste campo e preocupados com a falta de oportunidade e espaços para o movimento das crianças, um grupo de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana (UL), da Escola Superior de Educação de Lisboa (IPL), e da Escola Superior de Desporto e Lazer (IPVC) levou a cabo um primeiro estudo, no qual analisou rotinas das famílias portuguesas durante as primeiras três semanas de confinamento devido ao surto da Covid-19, criando o projeto C-Ativo em casa.

O encerramento de escolas, bem como muitos dos espaços laborais as rotinas diárias da família e dos filhos, deram origem a taxas de sedentarismo na ordem dos 80 por cento.

De acordo com os dados recolhidos através de um inquérito online, respondido até agora por 1973 famílias e 2167 crianças, os investigadores conseguiram apurar que durante as semanas de entre 10 de março e 1 de abril, a situação de confinamento das famílias originou um decréscimo no tempo de atividade física dos seus filhos em 69,4 por cento dos casos.

Tempo este deslocado para outras atividades que resultam num aumento do tempo dedicado aos ecrãs (68,4 por cento) e um aumento nas atividades em família (82,8 por cento).

Neste estudo foi também avaliado o comportamento das crianças até aos 12 anos.

Fonte: Projeto C-Ativo em casa/DR

Considerando a percentagem de tempo acordado reportado para cada criança (excluindo as horas de sono), o tempo de ecrã lúdico (não contando aulas e trabalhos online), aumenta ao longo das faixas etárias, atingindo valores de 24 por cento na faixa etária dos 0-2 anos, 27 por cento, dos 3 aos 9 anos e 33 por cento, na faixa dos dez aos 12 anos.

A questão do sedentarismo também não foi esquecida, apontando este estudo para um aumento com a idade, atingindo os 62 por cento na faixa etária até aos dois anos; 72 por cento dos três aos cinco anos; 78 por cento dos seis aos nove anos e 84 por cento na faixa etária dos dez aos 12 anos.

Um confinamento que preocupa, mas que aproxima

Ainda no quadro deste estudo, apurou-se que 95,2 por cento das famílias afirmam estar preocupadas ou muito preocupadas com a situação de pandemia actual, sendo que 33,4 por cento consideram que está a ser difícil o isolamento com as crianças, embora 47,9 consideram precisamente o contrário.

Já no que diz respeito à actividade física das crianças, 69,4 por cento das famílias considera que estas têm feito menos ou muito menos exercícios que o habitual. Mas 82,8 por cento do universo estudado indica que tem feito mais ou muito mais atividades em família que o habitual.

E se a preocupação com o tempo de descanso das crianças é fundamental, 48,5 por cento não notam diferença no tempo de sono em relação ao habitual, manifestando 45,2 por cento que as crianças até têm dormido mais.

Apesar da diferença de género, não foram verificadas diferenças acentuadas entre sexos, tendo rapazes e raparigas valores muito semelhantes em praticamente todas as atividades à exceção das categorias de ecrã lúdico (rapazes vs raparigas) e jogo sem movimento (raparigas vs raparigas).

Dados observados em Portugal e ainda com um universo muito restrito, mas claramente exemplificativo das implicações deste isolamento social obrigatório.

No contexto geral este inquérito vem confirmar a tendência decrescente do tempo de atividade física ao longo da infância, mas as crianças que vivem em condições de confinamento obrigatório apresentam um grande tempo de sedentarismo, especialmente derivado da grande percentagem de tempo de jogo sem movimento (até aos cinco anos de idade) e do aumento do tempo de ecrã lúdico após essa idade.

Este estudo da Faculdade de Motricidade Humana (UL), da Escola Superior de Educação de Lisboa (IPL), e da Escola Superior de Desporto e Lazer (IPVC), está também a decorrer e a ser replicado em vários países (Grécia, Espanha, Reino Unido, Bélgica, EUA, Austrália, Nova Zelândia).

Mais perto de uns, mais longe de outros

Se pensarmos mais abertamente nas relações sociais criadas já neste período de confinamento, tendemos a crer que vai haver uma maior aproximação de nós para com os mais próximos. Mas se isso é verdade o contrário também pode acontecer e ser perigoso.

Os jovens podem, na sua ingenuidade ou malícia, aproveitarem-se destas fragilidades.

Para o psicólogo Carlos Céu e Silva, este isolamento, bem como distanciamento, pode ser desestruturante, “por mais consciência que tenhamos que isto é provisório, ou transitório, evidentemente afeta sempre o estado mental.”

Uma sociedade só existe se, no conjunto, todos nos comportarmos como seres saudáveis, sempre com uma boa rede social e rodeados de figuras sólidas que possam ser reproduzidas internamente.

De outra forma a anarquia tomará conta de nós, originando conflitos e desorganização no eu em que vivemos. E será o medo que vai travar a impulsividade dos jovens ou torná-los mais resistentes? Certo é que neste campo os mais velhos têm um papel fundamental na gestão da ansiedade.

É preciso compreender os medos da forma mais eficaz para ajudar as crianças a lidar com eles. E uma das formas mais simples a fazer nestas situações é tranquilizá-las, explicando o que se passa em seu redor e desmistificando cenários não entendíveis para a mente infantil.

Mas se os medos causam emoções desagradáveis e desconforto, também podem demonstrar um outro lado de aprendizagem, que se forma através da “nocão, dentro da sua dimensão etária, dos perigos que a vida tem”.

Os medos comuns na infância e na adolescência

Após o nascimento só estamos predispostos a ter medo das quedas e de certos ruídos, mas a partir do primeiro ano de vida, surgem outros medos:

1.º ano de vida: Separação, ruídos, quedas;
2.º ano: Animais, treino do bacio, banho;
3.º ano: Hora de deitar, medo do escuro monstros, fantasmas;
5.º ano: Divórcio dos pais, de se perderem;
7.º ano: Perda/morte dos pais, rejeição social;
9.º ano: Guerra, situações novas, adoção;
12.º anos: Ladrões, injecções.

Sinais que devem preocupar os adultos, sendo estes agentes tranquilizadores e explicadores das situações que as envolvem. E devem respeitar o medo que a criança sente, sem lhe dar, porém, uma importância desmedida.

Crianças devem ser protegidas, avisa ONU

Em tempo de crise são as crianças as mais vulneráveis às adversidades, quer económicas, quer emocionais. E neste sentido, já prevendo em todo o mundo consequências graves, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou às famílias e aos dirigentes de todos os quadrantes para que as crianças sejam elementos de proteção que, apesar de não serem as principais vítimas da pandemia da Covid-19, sofrem também elas significativamente com as consequências.

Segundo um relatório divulgado na passada sexta-feira, a ONU estimativa que esta crise anule os progressos obtidos na baixa da mortalidade infantil, mas não só nesta área.

Com o encerramento das escolas em todo o mundo, as crianças poderão sofrer ainda com a fome, uma vez que cerca de 310 milhões de estudantes dependem dos estabelecimentos de ensino para se alimentarem no dia-a-dia, afirmou.

António Guterres lembra que 188 dos 193 Estados-membros da ONU impuseram o encerramento das escolas, o que afeta cerca de 1500 milhões de jovens

Para o secretário-geral das Nações Unidas, o confinamento e a recessão mundial “alimentam as tensões nas famílias” e as crianças “são, por sua vez, vítimas e testemunhas de violência doméstica e de abusos”.

Tecnologias: “o reverso da medalha”
Até agora, muitos são os estudos que apontam as novas tecnologias, entre os mais novos, como um potencial fator de distração face à rotina social. A facilidade de comunicação e utilização das redes sociais, bem como os jogos online com uma forte obrigatoriedade de permanência em linha, são fontes de afastamento de uma maior socialização presencial.

Se todos estes elementos eram já disruptivos, com a imposição de um ainda maior confinamento, tudo isto pode ser ampliado.

Todavia, também existem aspetos positivos nas novas tecnologias e são estas que nos capacitam para a continuidade de uma relativa “normalidade”, como por exemplo o ensino à distância.

Compreendendo muito do que se passa dentro da mente das crianças e dos jovens, Carlos Céu e Silva diz que este novo paradigma, entre o restringir e o facilitar o acesso aos jogos e tecnologias, tem de exigir, por parte dos adultos, um maior equilíbrio.

“A partir de agora vamos olhar para os jogos, para os vídeos e para estas coisas todas, de uma forma diferente. E vamos todos tentar compreender melhor este mundo (…) e se não tivéssemos acesso a esta tecnologia que temos hoje estaríamos a viver um período medieval”.

Se “estas ameaças apenas ajudam a evoluir mais na nossa condição humana”, refere o psicólogo, também podem despertar ações menos positivas como o caso de uma maior facilidade e risco de assédio sexual a menores, ou ao cyberbullying.

O psicólogo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, habituado a lidar com os problemas dos mais novos, afirma que não é através do negativismo que se ultrapassa os problemas e que vão ser os mais novos que vão ensinar – e muito – os atuais adultos, na nova normalidade que virá depois desta crise.

“Eu acho que nos próximos anos não vai haver normalidade. Nós temos um registo interno de trauma que vai ficar com este vírus”, explica Carlos Céu e Silva. E vão ser os mais velhos a salvaguardar-se mais isolando-se.

Já o contrário será feito pelos mais novos, com uma mentalidade mais aberta, mais madura e mais responsável, sempre com a necessidade de voltar à escola, às rotinas e amizades suspensas no tempo por uma ameaça para a qual ninguém estava preparado.

Alunos sem computador são mais do que se pensa. Nas escolas públicas, quase um terço dos alunos do ensino básico não tem equipamento

Maio 4, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 24 de abril de 2020.

Ana Kotowicz

Haverá muitos mais alunos sem computador dos que os 50 mil de que fala o INE, segundo estudo da Nova. No 1.º ciclo, nas escolas públicas, os professores inquiridos dizem que 31% não tem equipamento.

Para os investigadores, foi mais uma confirmação do que uma surpresa. Há muitos mais alunos sem computadores com acesso à internet do que aquilo que mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística. Só nas escolas públicas, 28% dos alunos do ensino básico não tem acesso a este equipamento. Esta é uma das conclusões do inquérito que o Centro de Economia da Educação da Universidade Nova de Lisboa está a realizar junto de professores de escolas públicas e privadas, do 1.º ao 12.º ano.

Para além da falta de computadores, os resultados preliminares mostram também que o ensino à distância tem sido feito essencialmente através do envio de fichas (mais de 80%), só com um terço dos professores a fazer, de facto, videoconferências com os seus alunos. Esta segunda conclusão foi a que mais espantou a equipa de investigação cujo objetivo, numa primeira fase do estudo, é perceber quais as soluções de ensino a distância que têm sido adotadas no contexto da atual pandemia.

Ana Balcão Reis, uma das investigadoras da equipa da Nova, não quer, para já, apontar um número exato de quantos alunos do básico e do secundário não terão à sua disposição a ferramenta essencial para o ensino à distância. Apesar de já terem 1.586 respostas, a professora frisa que os resultados ainda são preliminares e que a equipa de investigação está a analisar a amostra para garantir que ela é representativa. Caso não o seja, a equipa irá reforçar o número de inquéritos feitos que, até agora, foram enviados aos professores através das redes sociais.

“A falta de computadores entre os alunos foi mais uma confirmação do que uma surpresa em relação àquilo que já esperávamos. A grande surpresa foi perceber como é que estas aulas à distância estão a acontecer. Quando olhamos para estes resultados preliminares e vemos que só 30% dos professores recorrem à videoconferência percebemos que o ensino online não é nada online”, defende Ana Balcão Reis, argumentando que a imagem que temos de ensino virtual é através de videoconferências ou vídeos de aulas gravados pelos professores.

“Seria sempre qualquer coisa por aí. O que não esperamos é que seja só o envio de fichas por email”, sublinha, frisando que as respostas foram recolhidas antes das férias da Páscoa e que os professores poderão no 3.º período, que arrancou terça-feira, fazer acertos à forma de ensinar. Por outro lado, o inquérito foi feito através das redes sociais, chegando mais rapidamente a quem já está habituado a usar recursos onlines.

Quantos alunos não têm computador com acesso à internet? 

Os dados oficiais são os do INE: em Portugal, cerca de 5,5% dos agregados familiares com crianças até aos 15 anos não têm acesso a computadores com internet em casa. Considerando que do 1.º ao 9.º ano estão inscritos perto de um milhão de alunos (987.704), isto significa que cerca de 50 mil estudantes não têm o equipamento necessário para ter aulas online.

Os números do estudo da Nova são mais dramáticos. Em média, 23% dos alunos até ao 12.º ano não têm acesso a computador com internet em casa, valor que é ainda mais elevado quando se retiram os dados de escolas privadas. Estes números, se pudessem ser diretamente extrapolados, representariam um universo de mais de 300 mil alunos.

A grande diferença em relação aos números do INE de novembro passado é explicada pelo contexto atual. “Esta diferença pode justificar-se uma vez que os dados do INE apenas indicam se existe algum computador com internet no agregado familiar de cada aluno (por exemplo, podem existir situações em que os filhos não podem aceder ao computador por os pais o estarem a utilizar para teletrabalho)”, lê-se no estudo.

Ana Balcão Reis acrescenta um outro cenário: “Mesmo que o computador da casa não esteja a ser usado para teletrabalho poderá haver apenas um para vários estudantes do mesmo agregado familiar.”

A investigadora frisa ainda que há respostas muito diferentes e um abismo entre a realidade da escola pública e da privada. Por exemplo, no 1.º ciclo do ensino público a média da percentagem de alunos sem computador é de 31%, nas escolas privadas este valor cai para 10%.

No 2.º ciclo a diferença é de 29% contra 9% e no 3.º ciclo de 25% contra 17%. A diferença entre público e privado só desaparece no ensino secundário, quando o número de alunos sem acesso à internet desce para 18% em ambos os tipos de ensino. Em Portugal, há 401.050 alunos no ensino secundário, o que significa que puderemos estar a falar de cerca de 72 mil alunos sem equipamento nestes três anos de escolaridade.

“Existe uma grande variabilidade nas respostas dos professores. Temos escolas onde a resposta é que nenhum dos alunos tem, outras em que todos têm computador. Mesmo dentro do distrito de Lisboa há respostas muito díspares”, explica, lembrando que há muitos professores que reportam que mais de metade dos seus alunos não tem este equipamento.

Mais para a frente, quando avançar na investigação, a equipa da Universidade Nova espera poder ter uma noção mais detalhada das falhas, até mesmo por mancha geográfica.

Estratégias de ensino a distância: 85% dos professores envia fichas aos alunos

Quanto às estratégias adotadas pelos professores inquiridos, a mais frequente é o envio de materiais complementares ao estudo, com 85% dos docentes a responder que envia fichas individuais de trabalho e trabalhos de grupo. A maioria, três quartos, também garante que esclarece as dúvidas dos seus alunos à distância, embora no estudo não se especifique como.

Aqueles que seriam os recursos típicos do ensino à distância são os menos utilizados: apenas 30% dá aulas por videoconferência e 12% disponibiliza aos alunos vídeos gravados. Há ainda uma minoria, 2%, que não desenvolveu quaisquer estratégias de ensino a distância.

Entre privadas e públicas as maiores diferenças são aqui: 63% dos professores de escolas privadas dizem dar aulas por videoconferência, valor que desce para 22% no caso de professores de escolas públicas. Por outro lado, nas privadas 27% dos professores disponibilizam vídeos gravados pelos próprios, percentagem de 8% nas escolas públicas.

Quanto à avaliação dos alunos, a grande maioria (cerca de 71%) diz recorrer aos trabalhos de casa enviados aos alunos, embora 19% dos professores assuma não estar a recolher quaisquer elementos de avaliação.

Por último, o estudo da equipa de investigação da Universidade Nova, composto por Ana Balcão Reis, Gonçalo Lima, Luís Catela Nunes, Pedro Freitas e Tiago Alves, dá conta que cerca de 77% dos professores inquiridos não estão a utilizar os recursos para ensino a distância disponibilizados pela Direção Geral de Educação (DGE).

Mais informações na notícia da Universidade Nova:

Resultados preliminares do inquérito sobre ensino a distância no contexto da pandemia

Covid-19: quase dois terços dos alunos já manifestaram vontade de regressar à escola

Abril 8, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 3 de abril de 2020.

Inquérito do Observatório de Políticas de Educação e Formação mostra que a generalidade dos estudantes não tem saído de casa desde o fecho dos estabelecimentos de ensino. Há mais ansiedade e mais agitação nas crianças e jovens. 

Samuel Silva 

Três semanas depois da suspensão das aulas presenciais, a maioria dos alunos diz querer voltar à escola o mais rapidamente possível. É isso que mostra um inquérito do Observatório de Políticas de Educação e Formação, cujos primeiros resultados são divulgados este sábado. Os dados mostram também que a generalidade das famílias está a cumprir as ordens de confinamento: mais de três quartos dos alunos não tem mesmo saído de casa. 

De acordo com o estudo do Observatório, quase dois terços (64,7%) dos encarregados de educação afirmam que o seu filho já “manifestou expressamente desejo de voltar à escola”, desde que o Governo ordenou o fim das actividades presenciais nos estabelecimentos de ensino, uma das primeiras medidas de contenção do novo coronavírus. “A escola tem um valor extraordinário do ponto de vista da socialização. Mesmo os alunos que não gostam das aulas, gostam do convívio com os outros”, contextualiza a investigadora Ana Benavente, que é uma das coordenadoras deste trabalho. 

inquérito online destina-se a medir o impacto da covid-19 no sistema de ensino português. A iniciativa é do Observatório de Políticas de Educação e Formação, que é coordenado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. 

Os resultados preliminares agora conhecidos mostram também que a generalidade das famílias que têm filhos em idade escolar está efectivamente a cumprir a recomendação de permanecer em casa. Mais de três quartos (76,1%) dos estudantes não tem saído de casa nas últimas três semanas – um terço não sai por completo da habitação, enquanto 40% sai apenas até ao quintal, jardim ou parque de estacionamento da casa. De acordo com os dados do Observatório de Políticas de Educação e Formação, só 5,2% dos alunos continua a sair à rua “todos os dias para espairecer”. 

Há também algumas pistas sobre o impacto do confinamento no comportamento dos alunos. “Sobretudo em meio urbano, nem toda a gente tem casa com espaço”, explica Ana Benavente. E, ainda que mais de metade dos pais (53,8) não tenha notado alterações de comportamento dos seus filhos em relação ao que ocorria antes do isolamento, quase 40% dizem tê-lo sentido: 19,9% dos encarregados de educação detectam maiores níveis de ansiedade nos alunos e outros 18,9% encontram-nos mais agitados. “Há um problema de energia na vida quotidiana que se sente”, prossegue a investigadora. Outros 6,9% dos alunos têm mostrado maior apatia nas últimas três semanas. 

Os primeiros resultados do inquérito do Observatório de Políticas de Educação e Formação têm por base uma amostra de 1200 respostas, que corresponde à primeira semana de aplicação do questionário, de 23 a 28 de Março. O estudo vai continuar a ser feito, através de inquérito online, enquanto durar a pandemia de covid-19. Os investigadores prevêem divulgar resultados e análises dos dados recolhidos semanalmente. A partir da próxima semana o questionário vai ser revisto para reflectir as mudanças que venham a ser implementadas pelo Governo nas escolas. 

Esta amostra é maioritariamente constituída (72,5%) por pais e/ou encarregados de educação – há também estudantes a responder directamente, sobretudo no ensino superior. Quase 60% dos encarregados de educação respondentes têm mais que um filho a frequentar o sistema de ensino e cerca de 80% frequenta a escola pública. 

Literacia digital dos alunos portugueses é boa, mas o que aprendem sozinhos não chega

Novembro 8, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e foto do Expresso de 5 de novembro de 2019.

Portugal fica acima da média quanto ao conhecimento que os jovens de 13 e 14 anos têm sobre computadores. Só que não basta serem “nativos digitais”, conclui estudo internacional. É preciso ensiná-los e as escolas têm um papel importante a desempenhar.

Mesmo que as crianças comecem a usar telemóveis e computadores como se ninguém nunca as tivesse ensinado, isso não significa que consigam aprender sozinhas tudo o que é necessário para lidar com o mundo digital. E ainda que os alunos portugueses de 13 e 14 anos tenham um nível de literacia digital acima da média de outros países europeus, é preciso ensinar-lhes mais, conclui um estudo internacional sobre literacia digital de alunos de 8.º ano (ICILS), promovido pela IEA (International Association for the Evaluation of Educational Achievement) e divulgado esta terça-feira.

“O estudo mostra que dar aos estudantes e aos professores acesso a equipamentos tecnológicos não resulta automaticamente no desenvolvimento de aptidões de literacia digital sofisticada. Os estudantes precisam de ser ensinados a usar os computadores de forma eficiente e os professores precisam de ser apoiados para usar tecnologias no ensino”, conclui a IEA, associação responsável por este e outros estudos internacionais como o TIMMS (sobre o desempenho escolar a Matemática e Ciências).

Com base num inquérito feito a 46 mil estudantes do 8.º ano de escolaridade e 26 mil professores, em 14 países, entre os quais Portugal, o ICILS 2018 quis perceber se os alunos de hoje estão preparados para estudar, trabalhar e viver num mundo digital.

Avaliar as fontes de informação a que recorrem ou a força de segurança de uma password, construir um website ou criar uma base de dados são algumas das questões colocadas. E os estudantes portugueses ficam acima da média de outros países europeus em muitas destas perguntas. A maioria consegue editar fotografias (82%), um em cada três sabe criar uma base de dados e construir um website, quase todos escrevem textos no computador para trabalhos escolares (92%) e três em cada quatro (73%) conseguem avaliar a qualidade da informação que consultam na Internet.

Portugal fica acima dos estudantes com as mesmas idades em França, Itália ou Luxemburgo, mas abaixo do nível de literacia dos alunos de 8.º ano na Dinamarca ou Finlândia. Apenas 7% dos portugueses têm um nível de conhecimento digital insuficiente, mais que os 3% na Dinamarca, mas menos que os 18% de média nos restantes países. Um quinto (20%) dos alunos portugueses tem um nível de literacia autónomo ou avançado, mais baixo do que os 39% na Dinamarca e os 30% na Finlândia.

Contexto económico da família influencia

“Maior do que a diferença nos níveis de literacia digital entre países é a desigualdade desse conhecimento dentro de cada país”, alerta ao Expresso Dirk Hastedt, diretor executivo da IEA. E uma das variáveis que contribuem para essas desigualdades é o nível económico das famílias, medido neste estudo através profissões dos pais, a sua formação académica e a quantidade de livros existente em casa.

“Há uma enorme relação entre um melhor contexto socioeconómico e uma maior literacia digital”, afirma o responsável. Ou seja, quando os pais têm maior capacidade financeira, os filhos tendem a ter conhecimentos tecnológicos mais avançados e autónomos, derivados em parte de um maior acesso a tecnologia.

“Em Portugal, essa relação até é bastante menor do que a média dos outros países”, conclui Dirk Hastedt. O que também se distingue em Portugal é o facto de não haver muita diferença no nível de literacia entre os alunos com pais imigrantes, ao contrário do que tende a acontecer noutros países.

A “grande responsabilidade” das escolas

É o papel das escolas e dos professores que está em causa, sublinha Dirk Hastedt. Três em cada quatro estudantes (74%) dos países inquiridos – cerca de 80% em Portugal – admitem ter sido na escola que aprenderam a procurar informação na Internet. “Isso significa que 26% dos alunos não adquiriram esses conhecimentos na escola. Ou foi com os pais em casa ou nem sequer aprenderam.”

Às escolas cabe, por isso, uma “grande responsabilidade”, acrescenta Hastedt. “Perante um contexto socioeconómico desigual dos alunos, é à escola que cabe esse papel de elemento moderador do efeito da diferença”. Por isso, é importante assegurar que os professores se sentem “mais confiantes” em ensinar os alunos a lidar com a tecnologia. “É preciso dar mais atenção a esta questão porque hoje os professores, sobretudo acima dos 40 anos de idade, não estão confortáveis com isso. É preciso pôr fim à ideia de que os alunos sabem sempre mais do que eles no que diz respeito à tecnologia.”

Uma variável que agrava o problema é o envelhecimento dos docentes, o que faz com que a maioria se sinta ainda mais distante do mundo digital. “Esse é um problema não só de Portugal, mas de muitos outros países”, reconhece o diretor executivo da IEA. “É essencial ensinar estas competências aos jovens nas escolas e garantir que os seus professores estão bem apoiados para transmitir este alicerce da educação moderna.”

Mais informações no link:

https://www.iea.nl/news-events/events/release-icils-2018-results

Famílias monoparentais e sem filhos já ultrapassa número de casais com descendência

Maio 31, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 15 de maio de 2019.

Marta Leite Ferreira

Há mais pais a viverem sozinhos com os filhos ou casais sem descendência do que famílias ditas tradicionais em Portugal. Os especialistas falam de “uma mudança anunciada”.

Em Portugal, a soma do número de famílias sem filhos com o de famílias monoparentais é superior ao número de casais com filhos, desvenda esta quarta-feira um inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) por ocasião do Dia Internacional da Família. De acordo com o Jornal de Notícias, o número de famílias monoparentais, em que um dos pais vive sozinho com os filhos, é o que mais cresce no país — 4,6% entre 2017 e 2018 e 12% nos últimos cinco anos.

Segundo o estudo apontado pelo Jornal de Notícias, desde 2018 que assim é. Juntando o número de famílias monoparentais (460.315 no ano passado) com o número de famílias sem filhos (68.842 também em 2018), o valor ultrapassa em quase 127 mil o número de famílias ditas tradicionais em Portugal, isto é, famílias compostas por um casal “que vive debaixo do mesmo teto” e compõe “um agregado doméstico” com descendência.

Em entrevista ao Jornal de Notícias, Vanessa Cunha, coordenadora do Observatório da Família, afirma que esta é “uma mudança anunciada”, mas que não significa que os portugueses estejam a ter menos filhos.

A também investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sublinha que é preciso levar em conta que há cada vez menos gravidezes precoces ou não planeadas. E recorda que o envelhecimento da população também pode justificar estes números: é cada vez mais comum ver pais mais velhos a viver com os filhos adultos ou, por outro lado, casais que efetivamente têm filhos, mas que já não moram com os pais.

Além disso, Vanessa Cunha acrescenta que o conceito de família monoparental pode ser dúbio: nesta categoria cabem as “mães solteiras” ou as “viúvas com filhos”.

De qualquer modo, o número de divórcios em Portugal têm mesmo vindo a aumentar, afirma o Jornal de Notícias. Até agora, 2010 foi o ano em que mais divórcios se oficializaram desde o início da década, mas 2017 registou o maior rácio de divórcios por cada 100 casamentos. É assim porque a forma de olhar para as relações está a mudar, comenta a investigadora: “A fluidez da conjugalidade é maior. Mantém-se a relação enquanto faz sentido e é gratificante para as partes”, explica Vanessa Cunha em declarações ao Jornal de Notícias.

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