Adolescentes com menos relações sociais: neurocientistas falam em “risco”, mas admitem benefícios das tecnologias

Julho 9, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de junho de 2020

O confinamento nos adolescentes pode representar danos a longo prazo em termos de saúde mental, sugere um estudo publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health.

Não existem estudos em humanos que possam comprovar aquilo que com animais se identificou: que o isolamento social em determinados períodos da vida, nomeadamente na adolescência, tem “efeitos substanciais” no “desenvolvimento estrutural do cérebro e nos comportamentos associados a problemas de saúde mental”. Porém, uma equipa de neurocientistas alerta para a necessidade de se estar atento: “Os adolescentes encontram-se num período único das suas vidas em que o ambiente social é importante para funções cruciais no desenvolvimento do cérebro, na construção do autoconceito e na saúde mental”.

“A adolescência”, explicam num estudo publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health, “pode ser considerada um período sensível para o desenvolvimento social, parcialmente dependente do desenvolvimento do cérebro social: a rede de áreas cerebrais (…) que nos permite compreender os outros”. Além disso, é nesta fase da vida que o ser humano revela maior “vulnerabilidade a problemas de saúde mental”.

A temática tem ocupado vários especialistas e meros observadores: há os que alertam para os perigos do confinamento, que em Portugal obrigou a grande maioria dos adolescentes a abandonarem as escolas, trocando-as pelo ensino à distância (e sem retorno, até ao 11.º, pelo menos até ao próximo ano lectivo, que deverá arrancar entre Setembro e Outubro), e a manterem-se longe de quaisquer contactos sociais até dia 1 de Junho, quando foi decretado o fim do dever cívico de recolhimento. Mas também os que defendem que neste modelo os adolescentes ganharam tempo e perderam ansiedade.

Sobre este último aspecto, as investigadoras ressalvam que “o distanciamento físico pode não afectar todos os adolescentes da mesma forma”. “Os adolescentes que vivem com famílias funcionais e com relações positivas com os pais ou cuidadores e irmãos podem ser menos afectados do que aqueles que não têm relações familiares positivas ou que vivem sozinhos.”

No entanto, no que ao desenvolvimento do cérebro diz respeito e independentemente do contexto social, a adolescência é percepcionada pelas neurociências como um momento em que são necessários “estímulos sociais” e uma “maior interacção entre pares”, explicam as autoras — Amy Orben, que estuda como as tecnologias digitais afectam o bem-estar psicológico e a saúde mental dos adolescentes; Livia Tomova, investigadora no MIT; e Sarah-Jayne Blakemore, professora de neurociência cognitiva e co-directora do programa de doutoramento em neurociência da University College de Londres.

“Estudos em humanos”, lê-se no documento, “têm demonstrado a importância da aceitação e da influência dos pares na adolescência”. Já “a investigação animal mostrou que a privação social e o isolamento têm efeitos únicos no cérebro e no comportamento na adolescência, em comparação com outras fases da vida”.

E, ainda que admitam que “a diminuição do contacto pessoal entre adolescentes pode ser menos prejudicial devido ao acesso generalizado a formas digitais de interacção social”, a equipa exorta “os responsáveis políticos” para que pensem “urgentemente o distanciamento físico dos adolescentes”. “A abertura das escolas e outros ambientes sociais deveria ser uma prioridade logo que as medidas de distanciamento físico possam ser atenuadas.”

Além disso, referem, “é necessário fornecer mais informações sobre os potenciais méritos (e danos) da ligação digital e os governos devem abordar a fractura digital apoiando o acesso à ligação digital nas famílias, independentemente do rendimento ou da localização”.

OMS preocupada com fardo da Covid-19 sobre mulheres, crianças e adolescentes

Junho 15, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 12 de junho de 2020.

Em entrevista a jornalistas, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde alertou sobre mortes de grávidas, depressão entre adolescentes e insegurança alimentar de crianças que têm na escola sua única fonte de comida; participaram do briefing representantes da ONU incluindo a enviada especial para Juventude.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, manifestou preocupação com a situação de mulheres, crianças e adolescentes lidando com as pesadas consequências de saúde e socioeconômicas da Covid-19.

Numa entrevista a jornalistas, em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, alertou sobre o risco de muitas mulheres morrerem de parto em meio à pandemia.

Complicações

Tedros contou que a Covid-19 sobrecarregou os sistemas de saúde, em muitos lugares, aumentando os riscos de complicações na gravidez e no parto para mães e bebês.

Ele citou os casos de reabertura parcial das economias ao falar do retorno às atividades na Suíça, sede da agência. Mas lembrou que apesar da queda de novas contaminações na Europa, a pandemia segue acelerando em países de rendas baixa e média, em outras partes do mundo.

Para ele, os efeitos indiretos do vírus sobre mulheres, crianças e adolescentes superam o número de mortes pela doença. Até a tarde de sexta-feira, a Covid-19 havia causado mais de 418,2 mil pessoas e infectado mais de 7,4 milhões de pessoas.

Homens

Uma outra preocupação é o crescente aumento de casos de violência doméstica. Uma das participantes, a chefe do Fundo das Nações Unidas para a População, Natalia Kanem, falou sobre o papel dos homens.

Kanem afirmou que os homens desempenham um papel central para acabar com a violência de gênero de uma vez por todas. Com as restrições de movimento e medidas de isolamento social, muitas mulheres estão trancadas dentro de casa com seus agressores.

A OMS citou ainda os riscos de saúde mental para adolescentes e jovens durante a Covid-19. Nesta faixa etária, eles estão mais propensos à depressão, ansiedade, assédio moral pela internet, e violência física e sexual. As adolescentes também correm risco de gravidezes indesejadas e impedimentos no acesso aos serviços de saúde.

Saúde mental

O fechamento de escolas e universidades complicou a situação, uma vez que, em muitos países, mais de um terço dos adolescentes com problemas de saúde mental recebem assistência na escola.

Com suas atividades limitadas, muitos adolescentes estão fazendo uso de tabaco e álcool. A insegurança alimentar é outro fardo da Covid-19 para milhões de crianças no mundo que têm na escola sua única fonte de refeição.

Amamentação

O diretor-geral da OMS respondeu ainda a perguntas sobre os riscos de amamentação durante a pandemia informando que os estudos provam que os benefícios do leite materno superam potenciais riscos de transmissão, que segundo a agência são baixos.

Num guia, a OMS recomenda que as mães utilizem a máscara durante a amamentação caso tenham a doença. A separação do bebê só deve ocorrer se a mãe se sentir muito mal. Para Tedros é responsabilidade de todos de assegurar os serviços de saúde para quem precisa deles. Participaram do encontro com os jornalistas, a presidente da União Inter-Parlamentar, Gabriela Cuevas, a enviada especial do secretário-geral da ONU, para a Juventude, Jayathma Wickramanayake, a diretora-executiva da organização Merck for Mothers, Mary-Ann Etiebet.

Mais informações no link:

https://www.publicmedianet.org/episode/june-12-2020-media-briefing-covid-19

Mais adolescentes europeus têm problemas de saúde mental

Maio 26, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 19 de maio de 2020.

Novo relatório mostra que um em cada quatro adolescentes sente-se nervoso, irritado ou com dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana; tecnologia pode ter benefícios, mas também aumentar vulnerabilidades; consumo de álcool e tabaco continua caindo, mas permanece alto.

O bem-estar mental de adolescentes entre os 11 e os 15 anos caiu entre 2014 e 2018 em 45 países da Europa e Canadá. A conclusão é de um novo relatório publicado esta terça-feira pelo Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS.

A situação piora à medida que as crianças crescem, com as meninas em maior risco. Um em cada quatro adolescentes disse sentir-se nervoso, irritado ou com dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana.

Preocupação

 O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, afirmou que o crescimento “é uma preocupação para todos.” Segundo o especialista, a resposta dos governos “terá efeitos por várias gerações.”

Kluge diz “que investir nos jovens, garantindo que tenham acesso a serviços de saúde mental, trará ganhos de saúde, sociais e econômicos aos adolescentes de hoje, aos adultos de amanhã e às gerações futuras.”

Diferenças

Existe uma variação substancial entre países, mostrando que fatores culturais, políticos e econômicos podem ter um papel.

Em cerca de um terço dos países, aumentou o número de adolescentes que se sentem pressionados pelos trabalhos escolares. O número de jovens que gostam da escola caiu. Na maioria dos países, a experiência escolar piora com a idade. O apoio de professores e colegas também diminui à medida que a pressão escolar aumenta.

O estudo examina a relação com o aumento do uso da tecnologia. A tecnologia pode ter benefícios, mas também aumentar vulnerabilidades e ameaças, como assédio na internet, que afeta meninas de forma desproporcional. Mais de 10% dos adolescentes foram vítimas deste tipo de assédio pelo menos uma vez nos últimos dois meses.

Desafios

A pesquisa destaca comportamentos de risco, nutrição e falta de atividade física como desafios centrais
O comportamento sexual arriscado continua sendo uma preocupação, com um em cada quatro adolescentes que são ativos sexualmente não usando proteção. Aos 15 anos, 24% dos meninos e 14% das meninas dizem já ter tido relações sexuais.

Atividades como beber e fumar continuaram a cair, mas o número de usuários permanece alto, sendo o álcool a substância mais usada. Cerca de 20% dos jovens de 15 anos já se embebedaram duas vezes ou mais na vida. Além disso, 15% se embriagou nos últimos 30 dias.

Em relação à atividade física, menos de 20% dos adolescentes cumpre as recomendações da OMS. Desde 2014, os níveis caíram em cerca de um terço dos países, principalmente entre os meninos. Entre meninas e adolescentes mais velhos, a pesquisa diz que os níveis de atividade “continuam particularmente baixos.”

Alimentação e pandemia 

A alimentação também é uma preocupação, com a maioria dos jovens não cumprindo as recomendações nutricionais. Cerca de dois em cada três não comem alimentos ricos em nutrientes e um em cada seis consome bebidas açucaradas todos os dias.

Os níveis de sobrepeso e obesidade aumentaram desde 2014 e agora afetam um em cada cinco jovens. Cerca de 20% dos adolescentes se consideram muito gordos, principalmente as meninas.

Segundo o diretor do Programa de Saúde da Criança e do Adolescente da OMS Europa, Martin Weber, o relatório permitirá perceber quais as consequências da pandemia de covid-19. Weber diz que, no próximo estudo, “será possível medir até que ponto o fechamento prolongado da escola e o isolamento social afetaram as interações sociais dos jovens e o seu bem-estar físico e mental”.

O relatório compila extensos dados sobre saúde física, relações sociais e bem-estar mental de mais de 227 mil crianças em idade escolar de 11, 13 e 15 anos de 45 países.

Recomendações sobre Saúde Mental em isolamento: famílias, crianças e jovens – DGS

Maio 8, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Visualizar todas as recomendações no link:

Um em cada dez adolescentes sente-se triste todos os dias

Dezembro 18, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 16 de dezembro de 2019.

Conselho Nacional de Saúde fez uma radiografia da saúde mental no país e concluiu que faltam respostas e prevenção. Recomenda uma estratégia que envolva os vários setores, planeamento de recursos humanos e verbas que evitem a asfixia financeira nesta área.

Quase um em cada dez adolescentes portugueses diz sentir-se triste todos os dias e 5,9% tão tristes que não aguentam, 10% da população sofre de depressão e, em 2017, o suicídio foi responsável por 14 628 anos potenciais de vida perdidos. Na população mais velha, o risco aumenta e surgem as demências – Portugal é o quarto país da OCDE com mais casos. Faltam respostas no sistema de saúde, apoios aos cuidadores e prevenção, da gravidez à velhice.

O diagnóstico é traçado a partir de vários estudos no relatório Sem Mais Tempo a Perder – Saúde Mental em Portugal: um desafio para a próxima década, que esta segunda-feira é apresentado pelo Conselho Nacional de Saúde na Assembleia da República. Os autores alertam que uma estimativa subestimada dos custos com a doença mental no país aponta para 3,7% do PIB – 6,6 mil milhões de euros, repartidos pelas despesas com tratamentos, apoios sociais e absentismo. “Apesar da sua importância central no bem-estar dos indivíduos e impacto transversal na sociedade, não tem sido considerada uma prioridade a nível das políticas de saúde e das comunidades”, lê-se no documento. Quanto ao Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016, prolongado até 2020, ficou aquém das expetativas. “Embora contenha objetivos concretos, o plano não teve o apoio político e os recursos financeiros necessários à sua implementação plena”.

São apresentadas oito recomendações para os próximos três anos, entre as quais a criação de uma estratégia nacional de promoção da saúde mental na população, “intersetorial e ao longo do ciclo de vida”, e o apelo para que sejam asseguradas verbas para cumprir as decisões do Governo nesta área e evitar “que a asfixia financeira impeça a sua concretização”.

Outra recomendação passa por um planeamento dos recursos humanos para a década, eliminando “assimetrias geográficas e escassez de profissionais”. É um dos temas analisados no relatório, que alerta para a concentração de psiquiatras na faixa litoral entre Lisboa e Porto e para o facto de só haver dois especialistas em psiquiatria de infância e da adolescência no Alentejo e apenas um no Algarve. A escassez é ainda maior em psicólogos, terapeutas e técnicos de serviço social, conclui o grupo de trabalho, que considera o elevado consumo de psicofármacos no país, sobretudo ansiolíticos, consequência destes constrangimentos. Os autores chamam ainda a atenção para a resposta insuficiente em cuidados continuados nesta área.

Parente pobre da saúde

Henrique Barros, presidente do CNS, explica que a escolha do tema para o relatório anual do organismo resultou do consenso de que as necessidades são grandes e a resposta ainda insuficiente, um atraso em parte histórico. “Lentamente, a nossa forma de olhar para os problemas de saúde mental foi-se alterando e hoje existe menos estigma, mas houve uma tradição de séculos de institucionalização e ostracização dos doentes, as pessoas eram postas de lado. Durante muito tempo não se falava do impacto e, tirando o suicídio, a doença mental não era vista como uma doença que matasse. Era um problema para a pessoa e para a família, mas não tinha a premência da doença mortal. Perdeu-se tempo e as respostas acabam por ser, ainda hoje, menos articuladas”, recorda.

Tornou-se, como muitas vezes se diz, o parente pobre da saúde e o rótulo ainda não foi ultrapassado, mesmo quando hoje se sabe que não faz sentido separar saúde mental e física. O objetivo da reflexão, explica Henrique Barros, é colocar o tema na agenda, chamar a atenção para as lacunas, mas também para a necessidade de juntar os diferentes setores à mesma mesa, da educação à segurança social e à saúde. “No séc. xxi, numa sociedade complexa, imaginar que os problemas da saúde se resolvem só na saúde ou a tratar doenças é a chave para o insucesso”, sublinha. “Percebemos que este tipo de sofrimento começa muito cedo e assume formas diferentes ao longo da vida, e por isso temos de dar mais atenção à saúde mental na gravidez, às crianças e ao bullying nas escolas, à forma como estamos nos locais de trabalho”.

E pensar a longo prazo na hora de investir em respostas e na promoção de saúde: “No fim desta década, a depressão será a primeira causa de anos de vida com qualidade perdidos. A questão é se poderemos evitar isto ou não. Com o envelhecimento, haverá um aumento das demências. Se sabemos que muita da carga de demência em Portugal é vascular, se nos alimentarmos de maneira diferente, se não fumarmos, se tratarmos a hipertensão arterial e se tivermos uma atividade física adequada, poderemos alterar as previsões”.

Ritmos de aprendizagem alucinantes e pressão dos pais levam crianças à psiquiatria

Dezembro 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Mirante de 31 de maio de 2019.

Médicas do Serviço de Saúde Mental do Hospital de Santarém sem mãos a medir.

O ritmo de vida e os ideais criados pelos adultos são a principal causa do aumento de problemas de saúde mental em crianças e adolescentes. Crianças nervosas, com agitação intensa, ansiedade incontrolável e problemas de concentração e dificuldade de aprendizagem são presença regular na consulta de Pedopsiquiatria da médica Ana Barata, no Serviço de Saúde Mental do Hospital Distrital de Santarém (HDS).

O Hospital de Santarém tem duas pedopsiquiatras e Ana Barata tem uma lista de 298 crianças e adolescentes, em consulta. Número igual ou superior tem também a pedopsiquiatra, Nazaré Matos. “Somos poucos, trabalhamos muito, fazemos o nosso melhor e trabalhamos com muita dedicação em prol da saúde das nossas crianças. Mas este é o país que temos”, lamenta Ana Barata a O MIRANTE, que foi perceber como anda o estado de saúde mental dos mais jovens, em vésperas de mais um Dia Mundial da Criança, que se assinala a 1 de Junho.

As crianças são desde cedo pressionadas por ritmos “alucinantes” nas escolas, por vezes sobrecarregados com os famosos trabalhos para casa (TPC), com pressões de rápida aprendizagem, por parte dos professores que têm um programa de conteúdos para cumprir durante um ano lectivo, orientado pelo Ministério da Educação.

Por outro lado, a esmagadora maioria dos pais e encarregados de educação pressiona as crianças para que cumpram os requisitos impostos socialmente. “É tudo uma bola de neve”, sublinha a Ana Barata.

Os professores são pressionados, os pais são pressionados e tudo isto cai em cima dos ombros de indivíduos com cinco ou seis anos de idade. “Há professores extraordinários nas escolas, o problema é que alguns estão esgotados. As turmas, principalmente do primeiro ciclo, são muito grandes e o excesso de alunos é promotor de todo o tipo de dificuldades nas crianças”, explica a especialista.

A médica conta que a grande maioria das crianças que chegam ao seu gabinete vêm sinalizadas pelas escolas com o prognóstico de possível hiperactividade mas não saem das consultas com aquele diagnóstico. “Só porque uma criança é mais agitada não significa que seja hiperactiva. A tolerância dos adultos para estas crianças é que não é muita, porque dão muito trabalho”, aponta a pedopsiquiatra.

“As crianças agitam-se por diversos motivos. É como a febre. Tem sempre que se perceber qual a origem e, em função disso, agir em conformidade”, acrescenta.

A escola é a grande sinalizadora de casos de perturbação mental, mas também os pais e encarregados de educação pedem marcação de consultas através dos médicos de família, embora sejam uma minoria.

A médica chama a atenção para o facto de os próprios adultos terem um estilo de vida propenso à exaustão, situação que vai afectar a capacidade de actuar perante a criança. Ana Barata recorda que Portugal é um país onde as mães trabalham muitas horas, e sublinha a falta de estratégias na parentalidade para lidar com as crianças.

Crianças sossegadas devem ser ainda mais vigiadas do que as mais irrequietas

Do outro lado de uma balança onde falta equilíbrio em várias frentes, estão as crianças que não dão muito trabalho, as que se encostam a um canto do recreio da escola e praticamente não interagem. “Estes casos são, por vezes, mais preocupantes que os das crianças agitadas”, explica a médica. “Estas crianças sofrem, em alguns casos, de perturbações internalizantes e são menos sinalizadas porque não incomodam, não chamam tanto a atenção mas às vezes têm problemas mais complicados de tratar”, aponta.

A diferença entre um problema mental e uma perturbação psiquiátrica tem a ver com a gravidade, a intensidade, a frequência e o impacto que os sintomas têm na vida da criança ou adolescente. Ou seja, quanto maior a incidência destes factores, mais provável é que sofra de uma perturbação psiquiátrica.

Algarve e Alentejo só têm três psiquiatras da infância e adolescência

Novembro 9, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de outubro de 2019.

“Está tudo como há 20 anos” no interior, refere responsável da Ordem. Faltarão 35 pedopsiquiatras. Director do Programa para Saúde Mental diz que prioridade são equipas comunitárias multiprofıssionais

As regiões do Algarve e do Alentejo têm apenas três especialistas em psiquiatria da infância e adolescência (pedopsiquiatras) e um deles já foi contratado este ano. Na Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste a única pedopsiquiatra que há anos dá resposta a uma vasta área do território transmontano reformou-se mas no mês passado aceitou continuar a trabalhar no hospital de Bragança até que alguém a venha substituir.

A falta de pedopsiquiatras no interior do país é um problema com anos. A nível nacional, o número de especialistas até tem vindo a aumentar – no final do ano passado havia 105 no continente, mais cinco do que no ano anterior e mais 13 do que em 2016. Continua, porém, a ser insufic iente, sobretudo no interior do país e especialmente nas regiões do Algarve e no Alentejo, obrigando a que crianças e adolescentes tenham por vezes que ser assistidos em Lisboa.

“Há uma grande assimetria entre regiões. Os problemas mais complexos concentram- se no Algarve, sobretudo no Barlavento, e no Norte alentejano”, sintetiza o director do Programa Nacional para a Saúde Mental, Miguel Xavier, que escolheu esta área tão carenciada para alertar para o défice crónico de investimento, no dia mundial da saúde mental que hoje se assinala. No total, faltarão 35 pedopsiquiatras, calcula Miguel Xavier, notando que, uma vez que havia no ano passado 74 internos (médicos a fazer a especialidade), a perspectiva de futuro não é má

“A falta de investimento na saúde mental e infantil é um problema muito sério e que tem décadas”, destaca Miguel Xavier, que faz questão de frisar que, nos últimos dez anos, “basicamente só aumentou o número de médicos”. O resultado do quase inexistente investimento reflecte-se na grande carência de outros profissionais não médicos que trabalham com crianças e adolescentes, como enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psicomotricistas, elenca. Profissionais que, ao contrário dos pedopsiquiatras foram diminuindo na maior parte dos serviços nos últimos anos. “E estes são tão importantes como os médicos”, sublinha.

“Já temos uma rede de referenciação [documento concluído em 2018] onde estão elencados os recursos e definidas as necessidades, agora é preciso começar a preencher os buracos. Isto é como um queijo Gruyère”, ilustra ainda o psiquiatra, para quem a prioridade é actualmente a criação de equipas multidisciplinares comunitárias, que já têm luz verde do Ministério da Saúde mas ainda não avançaram por falta de financiamento. “É preciso contratar estes profissionais. A psiquiatria não necessita de máquinas, só precisa de pessoas”, acentua. Em causa estão, numa fase inicial, cinco equipas comunitárias de psiquiatria da infância e adolescência, uma por cada região de saúde.

Aprovada há precisamente um ano, em Outubro de 2018, a rede de referenciação hospitalar nesta área definia a estratégia e as medidas a concretizar no curto e médio prazo. No documento destacava-se que situação de maior carência de resposta assistencial se concentrava nas regiões de saúde do Alentejo e do Algarve, e nas zonas de Trás-os-Montes e da Beira Interior. E sublinhavam-se os efeitos secundários da falta de equipas multidisciplinares: “diminui a qualidade da resposta assistencial, implicando um maior recurso à Urgência e à necessidade de internamento”, além de potenciar “as descompensações e reinternamentos”.

Os especialistas consideravam então prioritária a colocação de médicos nas unidades sem especialista — e isso aconteceu em Évora, segundo Miguel Xavier — e o reforço dos serviços e unidades que têm apenas um especialista, como a Unidade Local de Saúde do Nordeste, o Centro Hospitalar da Cova da Beira, e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Em 2018, de acordo com aquele documento, havia nove serviços locais de psiquiatria da infância e da adolescência, 21 unidades em estruturas do SNS e, em seis destas, havia apenas um pedopsiquiatra, sendo que no Centro Hospitalar do Barreiro Montijo nem um havia. Em todo o país, existiam quatro unidades de internamento com 45 camas quando deveriam ser, “no mínimo”, 72.

“Não está quase nada feito”, corrobora Paulo Santos, presidente do colégio da especialidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Ordem dos Médicos, que prefere destacar a falta de camas de internamento e de especialistas. “O Algarve tem graves problemas de atendimento”, o Alentejo também tem carências. “O litoral está um pouco melhor, mas, no interior do país, as coisas estão quase como há 20 anos. Vai-se dando resposta com dificuldades”, diz. Há locais, como a Covilhã, onde a lista de espera para consulta é de um ano, exemplifica Paulo Santos. O problema não é de agora. “Nunca houve interesse dos vários governos. Há uma rede de referenciação anterior [2011] aprovada pelo ministro que quase não avançou”, critica.

Intitulado “Gerações mais saudáveis” e apresentado em Dezembro de 2018, o último relatório do Conselho Nacional de Saúde considerava também “muito deficiente” a oferta de cuidados de saúde mental dirigidos a crianças e jovens em Portugal. Recomendava um reforço dos cuidados, lembrando que a prevalência de perturbações emocionais e do comportamento nestas fases da vida “têm vindo a adquirir uma dimensão importante”. Estima-se que “entre 10% a 20% das crianças tenham um ou mais problemas de saúde mental, sendo que apenas 25% do total são referenciadas a serviços especializados”.

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal

Saúde mental infantil – uma quase indiferença de décadas

Outubro 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Cristina Marques e Miguel Xavier publicado no Público de 14 de outubro de 2019.

Este é um desafio claro para a próxima legislatura: Portugal não pode continuar a desperdiçar a oportunidade de reparar um erro que é simultaneamente científico, moral e de direitos humanos das nossas crianças e adolescentes, nomeadamente das mais vulneráveis.

Na sociedade medieval o sentimento da infância não existia. Não quer isto dizer que as crianças fossem negligenciadas ou abandonadas, mas apenas que a criança não era reconhecida na sua especificidade e individualidade.

Podemos dizer que havia uma ‘quase indiferença’, patente, por exemplo, na forma como era vivido o luto de um filho, espelhada aqui nas palavras de Montaigne: “Perdi dois ou três filhos na ama, não sem o lamento, mas sem o desgosto.”

Um longo caminho foi percorrido desde então. A saúde mental da infância e da adolescência tem em Portugal alicerces sólidos.

A psiquiatria infantil ou pedopsiquiatria nasceu nos anos 50, substituindo a neuropsiquiatria infantil. Adotou-se na altura uma atitude inovadora, de saúde mental, que defendia uma abordagem preventiva e global da saúde da criança e que já então valorizava o trabalho em equipas multidisciplinares, a ligação intersectorial e a formação de pessoal técnico competente.

Atualmente existe um modelo organizacional estruturado dos serviços hospitalares de Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e da Adolescência.

O Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016 foi um marco importante em todo este percurso – identificou as principais fragilidades organizativas e estruturais e definiu normas orientadoras para os serviços de saúde mental.

Os cuidados devem ser prestados por equipas multidisciplinares, em que se privilegie uma abordagem integrada da criança/adolescente/família e se valorizem as intervenções em articulação com a comunidade, nomeadamente o trabalho de proximidade com os Cuidados de Saúde Primários (CSP) e escolas.

É certo que na última década assistimos a um aumento significativo destes serviços e unidades hospitalares, do número de camas de internamento e do número de médicos especialistas. Mas não basta.

Ao nível hospitalar, as carências em recursos humanos continuam a ser uma das maiores fragilidades das equipas, sendo a multidisciplinaridade quase inexistente em muitas unidades e serviços.

Nas escolas e nos CSP, a falta de formação específica dos profissionais dificulta a identificação atempada de muitas situações e a capacidade de intervir eficazmente. O investimento na formação de técnicos de saúde mental e de outros profissionais da saúde, da educação, do sector social e da justiça tem necessariamente de ser um dos vectores a investir – sabemos que sem formação não há mudança.

A saúde mental deveria ser uma prioridade da saúde pública e transversal a todas as políticas. As Experiências Adversas da Infância, ACE’s na literatura internacional, que incluem vários tipos de abuso e negligência, e o seu brutal impacto na redução do tempo médio de vida são já reconhecidas desde os anos oitenta do século XX. Conhecem-se fatores de risco e de proteção e é consensual que a política para a infância e adolescência deve assentar numa cultura de prevenção. Porém, esta tem-se revelado outra das áreas em falha – as intervenções de promoção e prevenção têm sido pontuais e a maioria não é elaborada a partir de programas validados.

Os estudos epidemiológicos não deixam dúvidas quanto à prevalência das perturbações psiquiátricas nesta faixa etária. A OMS estima que 20% das crianças e adolescentes apresentam pelo menos uma perturbação mental antes de atingir os 18 anos e que, mesmo em países desenvolvidos, apenas 1/3 das crianças com problemas significativos recebem tratamento.

Sabe-se que muitas patologias são persistentes e podem ter consequências graves, duradouras, com impacto significativo na capacidade de inserção dos indivíduos – cerca de 50% das patologias psiquiátricas de evolução prolongada começam antes dos 14 anos e 75% antes dos 24 anos. É fácil entender que o peso económico e social que determinam vai muito para além do peso económico direto inerente aos custos para os Serviços de Saúde.

Mas mais relevante ainda é o conhecimento que a intervenção em idades mais precoces pode prevenir ou reduzir a probabilidade de incapacidade a longo prazo e que esta é a ação com melhor relação custo/eficácia para contrariar o aumento contínuo dos problemas mentais.

Podemos então interrogar-nos sobre os motivos que levam a que a saúde mental da infância continue a ser tão pouco investida, ou tão desproporcionalmente investida, relativamente a outras áreas.

Temos a evidência científica internacional – ainda que não exista nenhum estudo epidemiológico nacional que determine a prevalência das perturbações psiquiátricas antes dos 18 anos – e sabemos os programas e intervenções que melhor resultam. O que falta para que possamos assistir a uma mudança de paradigma?

As palavras de Montaigne, escritas no século XVI, hoje chocam-nos.

Queremos acreditar que evoluímos muito e que as crianças são alvo de todo o nosso cuidado – preocupamo-nos com a sua saúde e educação, os sucessivos governos ratificam convenções, legislam sobre os seus direitos, criam organismos em sua defesa.

Quase nos fazem crer que a saúde mental das crianças e adolescentes é uma prioridade.

No entanto, quem conhece a realidade dos serviços de saúde mental da infância e adolescência e dos seus parceiros comunitários sabe que não é assim.

Ao longo das últimas décadas tem prevalecido, num certo sentido, uma ‘quase indiferença’ face a estas questões, que por estigma ou mera negligência continuam a ficar esquecidas.

Quando estamos a terminar mais uma legislatura, e apesar de alguns avanços entretanto ocorridos (nova rede de referenciação hospitalar, embrião de equipas comunitárias, financiamento de alguns programas de promoção e prevenção), temos de nos interrogar para quando a mudança necessária.

Este é um desafio claro para a próxima legislatura: Portugal não pode continuar a desperdiçar a oportunidade de reparar um erro que é simultaneamente científico, moral e de direitos humanos das nossas crianças e adolescentes, nomeadamente das mais vulneráveis.

Os autores escrevem segundo o novo Acordo Ortográfico

Pedopsiquiatra, assessora do Programa Nacional para a Saúde Mental

Psiquiatra, director do Programa Nacional para a Saúde Mental

Onze frases que mostram que o seu filho está ansioso

Setembro 23, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 30 de julho de 2019.

Texto de Ana Patrícia Cardoso

A dificuldade de comunicação entre pais e filhos é uma das origens dos problemas de comportamento de crianças e adolescentes. O que eles dizem e fazem pode revelar um acumular de stress e ansiedade cada vez mais presentes na geração da tecnologia e redes sociais. Se o seu filho disser constantemente alguma destas 11 frases, pense duas vezes antes de o reprimir e procure saber o que realmente se passa.

Quando somos crianças, temos dificuldade em expressar o que sentimos de forma coerente e racional. Muitas vezes, as chamadas “birras” dos mais novos são uma tentativa desesperada de dizer alguma coisa ou marcar uma posição.

A pressão do crescimento, do ambiente familiar, da escola, da própria perceção do mundo que ainda está em formação é, por vezes, um peso e pode transformar-se em picos de ansiedade e stress.

A maioria dos pais tende a encarar estes momentos como «dores de crescimento», mas é preciso estar atento aos sinais.

Leonor Baeta Neves, psicóloga na área de desenvolvimento infantil, garante que “depende do modo como comunica com os pais. Para mim é o ponto mais importante, saber ‘ouvir’ uma criança, dar-lhe espaço para falar e tempo para se explicar. Uma dor de cabeça, de barriga ou sem motivo óbvio é um modo de se queixar de outras coisas.”

Não desvalorize certos comportamentos dos seus filhos. Podem ser um pedido de ajuda.

Não me deixes sozinho

Segundo a psicóloga Leonor Baeta Neves, quando uma criança pede para não ficar sozinha, «pode significar medo. Mas de quê? Pergunte-lhe o que se passa ou procure perceber.»

Podemos ficar em casa?

A psicóloga explica que esta frase, dita num momento em que «seria natural sairem, deve fazer os pais pensar duas vezes no que se passa com o seu filho. Pode ser um alerta. Oiçam a criança, por favor!»

Quero ir para casa agora

Para Leonor Neves, se a criança está a pedir para sair de um determinado ambiente, não deve ser censurada. «Tentem compreender o que lhe está a causar desconforto».

O que há de errado comigo?

Se a criança está a olhar para si própria de forma negativa, «a birra que está a fazer pode ser uma chamada de atenção», diz a psicóloga. Tente perceber o motivo da pergunta e como pode ajudar.

Desculpa.

«Se a criança estiver a pedir desculpa em demasia, é de facto um sinal de alerta e expressa o desejo de que lhe prestem mais atenção», diz Leonor Baeta Neves.

Não me sinto bem.

Tenha cuidado. «Este é um indício de que alguma coisa não está bem. Mais uma vez, deve prestar atenção à origem deste sentimento. Provavelmente, não é físico».

Não gosto do meu corpo.

Leonor Neves diz que é preciso atenção quando uma criança demonstra desconforto com o seu corpo. «Não é bom sinal. A frase é ou pode ser um indicativo de algum distúrbio».

Não quero ir para a escola.

A psicóloga aconselha a «não deixar que se torne uma birra e a explicar que tem mesmo de ir. Mais tarde tente saber o que se passa na escola. Mais uma vez, converse com a criança».

Dói-me muito a cabeça.

Pode não ser birra, diz Leonor Neves. Dor de cabeça ou barriga, garganta, etc. «Há que perceber se existe qualquer coisa ‘real’, ou se é a tensão em que a criança está. A ‘dor’ pode ser psicológica de facto, mas não menos importante do que a física».

Estou cansado.

A psicóloga sugere que pode «estar cansado de estar sozinho… tem de se ter em atenção o contexto».

Jovens viciados em jogos de computador são cada vez mais novos

Setembro 14, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da RTP Notícias de 19 de agosto de 2019.

Há cada vez mais jovens dependentes de jogos de computador. Para muitos o problema já só se resolve com o internamento.

É um tratamento quase inexistente nos hospitais públicos portugueses. E no sector privado um tratamento destes pode custar três mil euros por mês.

Em Portugal, na área da saúde mental, não há estudos epidemiológicos. Não há números sobre este assunto que seriam fundamentais para organizar uma estratégia de prevenção.

Visualizar a reportagem no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/jovens-viciados-em-jogos-de-computador-sao-cada-vez-mais-novos_v1167363

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