Caso Team Strada. E agora, como é que lido com os meus filhos? Experimente começar com uma conversa

Agosto 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto do site Sapo24 de 29 de julho de 2019.

Margarida Alpuim

As notícias da semana passada sobre a Team Strada e o fascínio pelo mundo dos youtubers e influencers voltou a chamar a atenção para os riscos dos comportamentos online desregrados. Numa sociedade em que nascemos “com o nariz colado ao ecrã”, duas psicólogas sugerem estratégias para que os pais possam ajudar os filhos a fazer uma utilização segura da Internet. As conversas sem julgamento de valor criam espaço para fazer perguntas, partilhar angústias e promover o juízo crítico — mas nem sempre é fácil saber por onde começar.

“Uso das tecnologias? Sim. Desde pequenos? Sim.” Só que com regras. Quem o diz são duas psicólogas que trabalham com jovens, uma na área da ciberpsicologia e outra na promoção de comportamentos saudáveis.

As especialistas falaram ao SAPO24 a propósito da polémica com a Team Strada: o caso mediático de um projeto de jovens youtubers coordenados por um adulto, Hugo Strada, que tem sido alvo de crítica pela proximidade física considerada excessiva que estabelece com os membros mais novos do grupo, alguns deles menores de idade. O Ministério Público já confirmou a abertura de um inquérito relativo à ação deste homem de 36 anos.

Ivone Patrão, docente no ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada e investigadora na área dos comportamentos e dependências online, e Margarida Gaspar de Matos, professora universitária e colaboradora numa rede da Organização Mundial de Saúde que estuda os comportamentos dos adolescentes, dão voz a uma visão que tem vindo a ficar cada vez mais clara nos últimos anos: a Internet tem aspetos positivos para o desenvolvimento infantil e juvenil, informa, entretém, “só que não é baby-sitter”, e precisa de ser utilizada com supervisão.

A afirmação parece óbvia e simples, mas, quando chega a hora de definir limites e de encontrar estratégias para ajudar os mais novos a fazerem um uso saudável das tecnologias, muitas vezes os adultos não sabem por onde começar.

“Os pais estão receosos destas conversas, não sabem como as fazer. Mas, se não começarem a experimentar, também nunca as fazem”, afirma Ivone Patrão. A especialista encoraja os responsáveis a não terem medo: “A conversa não é nada de transcendente. Até porque há coisas que os pais vão certamente logo perceber”.

O que fazer, então?

Antes de mais: Conversar com “serenidade” e evitar os diálogos extremados

“Quando os pais ficam aflitos e começam a proibir [a utilização da Internet] e a dizer que é um horror, não criam bom impacto”, explica desde logo Margarida Gaspar de Matos. Reações como esta, acredita a psicóloga, levam os filhos a dizerem: “O meu pai não percebe nada disto”. “E riscam os pais da lista” de pessoas a quem recorrer em caso de dúvida.

A ideia não é os pais “impedirem os filhos de acederem aos vídeos ou à Internet. Isso é uma política muito catastrófica, que só faz com que cada um fique radicado na sua certeza”, continua.

Ivone Patrão concorda. As conversas sobre os limites e disciplina no uso da Internet devem acontecer sem que haja “um juízo de valor à partida”. Não traz bons resultados dizer: “Isto não presta, isto não vale nada, não vejas isto”. Isso afasta os mais novos, considera a psicóloga.

Quando os adultos reagem de forma radical sem entrarem em diálogo com os filhos e “sempre com o sermão no cantinho do seu cérebro”, Margarida Gaspar de Matos diz que o resultado acaba por ser as crianças ou os jovens deixarem de falar com os pais e  ficarem “sozinhos, sem saber o que hão de fazer”.

A alternativa, defende, é ter uma “conversa que não seja assustadora, que seja serena”. “Uma atitude de serenidade; de disciplina, mas de diálogo”, sublinha. Desta forma, “se os filhos por algum motivo ficarem aflitos, vão perguntar aos pais”.

Ivone Patrão, que é também terapeuta familiar, reforça a ideia: as crianças e os jovens “têm de estar à vontade para dizerem aos pais ‘Vi isto’ ou ‘Apareceu aquilo’”, referindo-se ao facto de por vezes aparecerem imagens com conteúdos inapropriados para os mais novos — como homens e mulheres nuas. Em vez de o responsável a dizer “Apareceu isto? Então, nunca mais vês”, a psicóloga sugere que a conversa seja ao contrário e que se entre em diálogo: “Quando isso aparecer, o que é que achas que deves fazer?”. Assim, diz, “começamos a imprimir juízo crítico, a imprimir as questões da valorização, do respeito, de como se comunica”, continua.

A ideia é “pô-los a pensar” a partir dos conteúdos que lhes chegam: “O que te pareceu o comportamento deste youtuber? E esta linguagem?”. Ivone Patrão dá um exemplo: usar algumas expressões “em determinado contexto e para fazer humor é uma coisa, passar o dia a dizer asneiras é outra”. “Temos de ter espaço para falar disto. E não me parece que as famílias tenham este espaço”, considera.

Estratégias construtivas para criar disciplina

Uma forma de criar espaços de conversa é jogar com os filhos e ver alguns vídeos com eles. Sabendo que os pais não podem “estar a supervisionar a todo o segundo”, refere Ivone Patrão, “é muito importante que se estabeleçam bem as regras quanto ao número de horas que [os filhos] estão online e quanto ao tipo de conteúdos que são visualizados. E que se dê espaço para falar sobre como está a correr o cumprimento” das regras estabelecidas: “Mostra lá o que tens estado a ver?”, “Em que é que estás mais interessado agora?”. “Senão, os pais perdem o fio à meada” e não se instala o hábito de ir conversando sobre o tema.

É precisamente por isso que as duas especialistas concordam com a ideia de que seja criada disciplina desde cedo.

Margarida Gaspar de Matos põe o relógio da utilização da Internet a contar logo a partir dos três anos — para as crianças com dois anos ou menos é mesmo desaconselhável, acrescenta. A ideia é limitar o tempo que as crianças estão online. “Não é preciso grandes explicações. É só dizer que, tal como não podem comer ou dormir o dia todo, também não podem estar ao computador todo o dia. Só podem estar meia hora depois do lanche”, exemplifica.

“Se a criança se habituar que a vida é assim — com uma disciplina à volta da utilização dos ecrãs —, vai considerar isso normal”, completa.

“O que também se tem de fazer desde os três, quatro anos é dar alternativas a estar com o nariz no ecrã. Sugerir outras coisas para fazer. Pode ser ler, ajudar nas tarefas da casa, fazer legos, praticar um desporto. E atividades em família”, salienta Margarida Gaspar de Matos. A psicóloga lembra até que os momentos passados em família proporcionam um espaço para conversas informais, sem ser “aquela hora da conversa de que os adolescentes não gostam nada”. Naturalmente, “à medida que se vai fazendo uma caminhada ou se vai fazendo um bolo, as pessoas estão na conversa e os temas surgem”.

Ivone Patrão adverte para que, nos dias de hoje, nas conversas que têm com os filhos, não basta aos pais perguntar: “O que está a acontecer na escola? E cá em casa? E com os avós?”. “Não. Então e online? O que é que está a acontecer online? Também temos de olhar para isso”, exclama. Até porque às vezes “podem andar a acontecer coisas online que influenciam o estado de humor daquela criança ou daquele jovem e os pais não sabem”, alerta.

A polémica que se gerou na última semana sobre a Team Strada e as mensagens que têm circulado nas redes sociais — por exemplo, “nunca esperei isso do Hugo Strada, realmente ele magoou muitos”, “eu gostava tanto da Team Strada” ou “cansei de estar calada e como medo. Isto é abuso psicológico” — revelam que há muitos jovens a sentirem-se afetados pela situação de alguma maneira.

Caso Team Strada: “Quem visualiza está em risco, mas quem está dentro pode estar em perigo”

Na sexta-feira, dia 26 de julho, a Procuradoria-Geral da República confirmou a “instauração de um inquérito” em relação à atuação de Hugo Strada, o adulto mentor do grupo. Em causa estão imagens da interação entre ele e os jovens que têm gerado controvérsia.

Toda a polémica e o possível fim do grupo pode ter um impacto real quer nos participantes da Team Strada, quer nos fãs, acredita Ivone Patrão.

“Quem visualiza [os vídeos da Team Strada] está em risco, mas quem está dentro deste enredo pode estar em perigo”, avança a investigadora, advertindo que nesta fase apenas é possível comentar em termos hipotéticos, uma vez que não há informação oficial sobre as dinâmicas no interior do grupo.

Caso os atuais membros da equipa estejam “a ser alvo de algum tipo de abuso psicológico ou até sexual”, eles estão em perigo. A psicóloga não tem dúvidas: Dadas as circunstâncias, “tinha de  ser aberto inquérito” para averiguar os comportamentos em questão.

Por outro lado, se para os membros do grupo a Team Strada era, possivelmente, além de um projeto de vida, um espaço de “carinho”, há uma perda a considerar.

“Se isto era uma forma de eles receberem afeto, isso agora vai-lhes ser retirado”, explica. Se a equipa funcionava como um “grupo de pertença”, estes jovens sentiam-se integrados num grupo de pessoas “com quem se identificavam, com quem faziam todas as atividades, riam, choravam”. Caso tenha de acabar, “não deixa de ser uma perda”, esclarece a psicóloga.

Dependendo da gravidade das situações, estes jovens “podem vir a desenvolver sintomatologia negativa — revolta, tristeza, ansiedade”. “É importante que haja suporte. Da família, dos amigos. Pode haver até alguns casos de jovens que necessitem de acompanhamento psicológico”, adianta a especialista, deixando a ressalva de que “não gosta de psicologizar tudo” e que as respostas devem ser dadas consoante a reação de cada um.

Ao mesmo tempo, os jovens que veem ou viam os vídeos da Team Strada também “estão em risco”, por estarem expostos todos os dias a conteúdos desadequados, podendo começar a “achá-los normais” e a perder “o juízo crítico”.

Aquilo que os pais podem fazer para ajudar os filhos a gerirem as emoções e a fazerem uma leitura saudável do caso passa primeiro por “dar espaço para eles falarem. Muito. Ouvir. Dar espaço para colocarem cá para fora todas as suas angústias, ansiedades. O que acham, o que pensam”, sugere Ivone Patrão. E depois tranquilizá-los — “Agora podes visualizar outras coisas”, “Os projetos têm princípio, meio e fim” — e perceber se o discurso está “fora da realidade e a inundar a liberdade de alguém”. Nesses casos, os pais podem ajudar os filhos a recentrarem-se e recordar os valores que querem alimentar na família.

Para as situações mais extremas, caso os jovens se sintam “sozinhos, amedrontados, isolados, sem ninguém com quem falar”, Margarida Gaspar de Matos lembra que existem linhas de apoio para onde as crianças e os jovens podem telefonar e que são atendidos por alguém que os ajuda primeiro a baixar os níveis de ansiedade, e depois a encontrar formas de apoio para lidarem com o momento que estão a viver. Um exemplo desses serviços, gratuitos, é a Linha SOS Criança (número: 116 111).

Para que não se chegue a estes pontos de rutura, a docente da Universidade de Lisboa insiste no papel fundamental da prevenção e na importância de que os filhos recebam afeto de forma a que se sintam “enraizados” e “contentes com a vida”, evitando assim que, por estarem fragilizados, se vejam envolvidos em situações de vulnerabilidade.

A Team Strada é um projeto criado em abril de 2018 com o objetivo de juntar jovens youtubers. Num livro publicado em outubro do ano passado, a Team Strada apresenta os seus membros como estando “prontos para fazer as melhores pranks [partidas], causar o pânico e aventurar-se em grandes desafios”.

O criador e mentor da equipa é Hugo Strada, de 36 anos, também ele youtuber, e que se identifica como gestor de artistas e influencers e produtor de eventos.

O projeto conta também com uma casa, onde os jovens se juntam para criar conteúdos “que são publicados no YouTube, a principal plataforma da Team [o canal está neste momento inacessível]”, pode ler-se no livro.

Por medo de atiradores, escolas dos EUA vigiam redes sociais de alunos

Julho 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia da Veja Brasil de 9 de junho de 2019.

Entre as medidas adotadas está o sistema de reconhecimento facial dos estudantes; ONGs se preocupam com imprecisão da tecnologia, indicando falsos suspeitos

Por Da Redação

O medo de atiradores estimulou a adoção de um sistema de vigilância dos alunos em escolas nos Estados Unidos. Entre as primeiras medidas, estão o monitoramento das redes sociais de adolescentes, para prevenir e identificar comportamentos agressivos.

Em algumas regiões do país, o método já cresceu a ponto de incluir a tecnologia de reconhecimento facial dos suspeitos, o monitoramento das postagens de quem está apenas no entorno das escolas, inclusive os adultos, e a identificação do uso de palavras que podem ser associadas a massacres.

Há empresas que vendem uma “análise psicológica” das postagens de alunos e aplicativos de “inteligência emocional” para avisar os pais sobre as buscas feitas na internet com palavras-chave como “morte”, “matar” ou “armas”.

Se a vigilância de redes sociais já era um assunto controverso, o debate sobre o direito à privacidade ganhou um novo componente na última semana, quando o distrito escolar de Lockport, no Estado de Nova York, anunciou a instalação do projeto de reconhecimento facial dos alunos. A ideia é cruzar os rostos de quem transita pela escola com uma base de dados com informações sobre alunos expulsos e com passagens pela polícia.

Autoridades locais pediram imediatamente que o projeto seja adiado. Os métodos de vigilância têm sido alvo de críticas de especialistas que consideram que os sistemas minam a privacidade dos jovens, a liberdade de expressão e podem criar traumas por possíveis falsas acusações. Os pais também temem o compartilhamento dessas informações com autoridades públicas ou para fins comerciais, já que a coleta de dados é feita por empresas privadas.

Os testes dos sistemas de reconhecimento facial ainda mostram que sua precisão varia de acordo com a cor de pele ou o gênero do rosto analisado. Segundo um professor da rede pública de Massachusetts, Erik Learned-Miller, o sistema, se não for bem testado, pode se tornar tendencioso.

Preconceito velado

E é com isso que Latarndra Strong se preocupa. Mãe de dois adolescentes, de 13 e 15 anos, ela foi informada de que a escola dos filhos, em Orange County, na Carolina do Norte, havia contratado uma empresa para analisar as postagens dos alunos.

“Morte, tiros, assassinato” são palavras que pulam no celular do diretor de uma das escolas que contratou estes serviços, com custo de aproximadamente 2 dólares americanos por aluno. Em alguns casos, o monitoramento das redes cria situações absurdas, como um alerta para postagens inofensivas com variações da palavra morte: é o caso de um alerta gerado a partir as mensagens “eu adoro meu gato e morreria por ele” ou “estresse pode matar”.

“Eles decidem quem será criminalizado. Como mãe, estou preocupada com o que é feito com esses dados”, diz Latarndra. Segundo ela, a escola avisou da contratação do sistema de monitoramento, mas não consultou os pais. “Quero entender os gatilhos que, segundo eles, fazem com que um aluno se torne suspeito.”

A Carolina do Norte é outro estado a adotar o sistema.  A empresa contratada é a Social Sentinel, uma companhia privada presente em distritos escolares de 35 dos 50 Estados americanos. Como ela, outras companhias já se espalharam pelos Estados Unidos. Seu trabalho consiste em analisar o conteúdo postado pelo aluno ou contido em e-mails do servidor da escola para identificar alunos que precisam de ajuda.

A empresa defende a importância de seu trabalho, mencionando uma pesquisa da organização Educators School Safety Network, estimando que 40% das pessoas que machucam a si mesmas ou a outros já expressaram esse desejo nas redes sociais. “É nossa missão identificar essas postagens e dar a nossos clientes a oportunidade de intervir”, informou um porta-voz da empresa.

Segundo a Social Sentinel, a tecnologia é continuamente refinada e o modelo é conservador, para criar um “número mínimo de falsos positivos”. A empresa afirma que não gera dados para outros propósitos, como marketing, e garante não monitorar usuários específicos ou dados privados.

Regulação do sistema

O advogado Brad Shear, especialista em redes sociais, passou a defender jovens rejeitados em universidades em razão de postagens online nos últimos anos. Com dois filhos na escola, ele é crítico do novo sistema de vigilância.

“É preciso haver regulação e lei”, critica ele. “O melhor a fazer é educar as crianças. Há casos de falsos positivos, e essas empresas estão tentando assustar educadores e pais dizendo que precisam disso para se tornarem seguros.” Segundo ele, há casos em que adolescentes postam letras de músicas nas redes sociais e já entram na mira dos alertas.

Em artigo, as pesquisadoras Rachel Levinson-Waldman e Faiza Patel, do Centro de Justiça Brennan, da New York University, apontam que 92% dos adolescentes frequentam redes sociais diariamente e que 24% deles estão conectados quase constantemente.

“Os programas de monitoramento podem funcionar como dispositivos de escuta que registram cada fala e os transmitem aos diretores escolares. Esse escrutínio pode revelar um comportamento de risco que requer intervenção. Mas, com muito mais frequência, também reprimirá a capacidade dos jovens de se expressarem”, afirmam.

O escritório nova-iorquino da Associação Americana para Liberdades Civis (ACLU) tem sido uma das vozes críticas à proposta de reconhecimento facial, sob o argumento de que o sistema de identificação passa aos estudantes a mensagem de que eles são criminosos em potencial e, por isso, precisam ter os rostos escaneados enquanto estudam ou brincam.

“Está claro que o Estado deve intervir e garantir que essas tecnologias imprecisas, preconceituosas e perigosas não sejam impostas a alunos, professores e pais sem a devida consideração de seus direitos”, afirmou Stefanie Coyle, conselheira de educação do NYCLU.

‘Isso só aumenta o estresse’

Ethan Sommers, de 19 anos, entrou para o movimento March For Our Lives depois de ter amigos que foram vítimas de tiroteios em escolas. O grupo foi criado por jovens depois do massacre de Parkland, na Flórida. Para ele, não está claro como o monitoramento de redes sociais ou reconhecimento facial pode tornar o ambiente estudantil mais seguro.

“Achamos que isso não ajuda, porque só aumenta o estresse”, afirma. “Não só falha na proteção, como não contribui com a qualidade da saúde mental dos estudantes, que é a nossa principal preocupação”, afirmou.

Erik Learned-Miller, professor de ciência da computação da Universidade de Massachusetts, tem se dedicado a pesquisas sobre os sistemas de reconhecimento facial. Segundo ele, ainda não há normatização suficiente sobre o tema para fazer com que os benefícios compensem os riscos.

“Se você nunca testou, por exemplo, o equipamento em situações de pouca luz, como sabe se vai funcionar? Os administradores de escolas compram o serviço sem saber nada sobre a tecnologia, as companhias não providenciam essas informações e não há diretrizes claras sobre isso. Não recomendaria às escolas comprarem neste momento uma tecnologia que não está pronta”, afirma Miller, que aponta erros em identificação facial nas suas pesquisas.

Em Nova York, um jovem de 18 anos está processando a Apple por ter sido detido injustamente por meio dos sistemas de monitoramento. Segundo ele, o sistema de reconhecimento facial da loja – que a empresa nega usar – o identificou como suspeito de forma equivocada. A polícia o liberou por entender ser a pessoa errada, mas Ousmane Bah pede uma indenização de 1 bilhão de dólares à empresa por danos morais.

Miller compara os sistemas à venda de remédios controlados. “É preciso passar por um processo para que sejam estipuladas as contraindicações”, afirma. “Qual é o custo do erro? Suponha que um pai entre em uma escola e não seja identificado corretamente, o que acontecerá? Um policial será acionado e vai atirar? Eu não sou anti-indústria, mas tenho visto empresas superestimando a precisão da tecnologia”, afirma o pesquisador.

Em maio, a cidade de São Francisco, na Califórnia, sede das gigantes de tecnologia, aprovou uma lei que proíbe o uso desses programas de reconhecimento facial pela polícia local. A cidade entendeu que o risco aos direitos e liberdades civis “supera seus benefícios”.

Em 2016, um estudo do Centro de Privacidade e Tecnologia da Universidade Georgetown indicava que as bases de dados coletados por agentes públicos reconheciam o rosto de 117 milhões dos mais de 240 milhões de americanos adultos.

(com Estadão Conteúdo)

Facebook Live “Brincadeiras Perigosas : O impacto da vida digital para crianças e adolescentes, riscos e prevenções -25 junho, 21.00 h

Junho 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/473908916748430/

Lançamento do jogo pedagógico de tabuleiro «Missão 2050 — Promoção do Uso Saudável das Tecnologias» 2 junho na Feira do Livro de Lisboa

Maio 29, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/707164393036660/

Encontro “Desafios dos tempos digitais na vida familiar” com Cristina Ponte, 3 junho na Casa da Praia em Lisboa

Maio 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/448394479251735/

Instagram: Jovem suicida-se após questionar seguidores na rede social

Maio 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia e imagem do site PPLWare de 17 de maio de 2019.

As redes sociais têm hoje um impacto forte nas sociedades! “Facilmente” se consegue manipular a opinião pública e, em muitos cenários, as redes sociais conseguem ter o efeito “mudança” para o bem e para o mal.

Recentemente uma jovem de 16 suicidou-se após questionar os seus seguidores no Instagram se devia morrer ou viver.

O caso aconteceu na Malásia, no estado de Sarawak, e as autoridades estão a investigar o que terá levado uma jovem de 16 anos a suicidar-se. De acordo com as informações, a jovem colocou no Instagram uma sondagem onde questionava se devia morrer ou continuar a viver. Depois de obter mais respostas que indicavam para colocar fim à vida, a jovem acabou mesmo por fazê-lo.

Segundo dados da Polícia Local, o resultado do inquérito chegou a ter 69% dos seguidores a votarem a favor da morte e apenas 31% a favor de continuar a viver. No entanto, o inquérito terminou com 88% dos utilizadores a votarem a favor da vida.

Ching Yee Wong, responsável pelas comunicações do Instagram já deu os sentimentos à família e referiu que a rede tem uma enorme responsabilidade no sentido de garantir a segurança dos utilizadores.

Wong alertou para que os utilizadores “façam uso das próprias ferramentas de denúncia do Instagram para entrar em contacto com os serviços de emergência quando se detectam comportamentos que coloque em risco a segurança dos utilizadores.”

É importante que os jovens, e sobretudo os seus responsáveis, se consciencializem dos perigos e riscos que as redes sociais podem trazer. Apesar de serem ferramentas importantes no nosso dia a dia, podem também perigosos e, como no caso, fatais, quando não são bem utilizadas.

Pedro Pinto

 

 

Pornografia e abuso de menores nas redes sociais estão a aumentar

Maio 15, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Maria Miguel Cabo

Notícia e imagem da TSF de 3 de maio de 2019.

Só no último ano, a Unidade de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária abriu 64 inquéritos sobre encontros sexuais com crianças através de plataformas eletrónicas.

“Ainda existe muito aquela ideia de que se os filhos estiverem fechados no quarto estão protegidos, e, muitas vezes, estão mais abandonados e expostos do que se estivessem na rua.” Carla Costa já viu e ouviu de tudo sobre abuso sexual de crianças e jovens na internet. Pelas mãos da Inspetora-Chefe da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária (PJ) passam milhares de casos com um denominador comum: os perigos do mundo virtual, que são mais reais do que se possa imaginar.

No gabinete da Inspetora-Chefe, na sede da PJ em Lisboa, a palavra que mais se ouve quando se fala de pornografia infantil, abuso sexual de menores ou aliciamento de crianças e jovens para encontros de cariz sexual (grooming) é “controlo” – neste caso, a falta dele. Só no último ano, a Unidade que dirige abriu 64 inquéritos devido a situações de aliciamento sexual de menores através das redes sociais.

Facebook e WhatsApp são as plataformas onde se registam mais casos, geralmente associados à chantagem prolongada das vítimas: “Muitas vezes há jovens que se enamoram por alguém que está do outro lado e não conhecem, que pensam tratar-se de um jovem da mesma idade e vai-se a perceber que é um adulto que está do outro lado. Depois caem numa situação em que são exigidas cada vez mais imagens e são inclusivamente instruídas a fazer vídeos de cariz sexual para satisfazer os interesses de outras pessoas”, explica Carla Costa.

Por vezes, as situações acabam por ser detetadas e denunciadas à PJ pelos pais, mas noutros casos os encontros e abusos sexuais acabam por acontecer.

A Inspetora-Chefe admite que a falta de acompanhamento quando os menores navegam na internet é preocupante e que muitas situações de abuso começam numa mentira, com a cumplicidade dos próprios progenitores. “Muitas vezes, temos crianças que mentem sobre a idade com o conhecimento dos pais. E isto não acontece só em famílias desestruturadas, mas também em famílias completamente estruturadas, com estabilidade.”

Para criar conta nas redes sociais, a idade mínima nem sempre é respeitada. Os jovens acabam por mentir para efetuar o registo e ficam sujeitos a perigos desvalorizados pelos pais e pela própria sociedade. A Inspetora-Chefe explica que “no Facebook [a idade mínima] são 13 anos, no WhatsApp são 16 anos “e que, muitas vezes, os pais permitem que os menores tenham acesso às aplicações (até para facilitar as comunicações com os filhos), mas esquecem-se de os controlar.

“Isso é uma obrigação dos pais, devem conversar e alertar para os perigos. Parece-me que, muitas vezes, a falha passa por aí”. Carla Costa lembra ainda a importância das aplicações de controlo parental que permitem acompanhar as pesquisas e acessos dos filhos nas redes sociais.

O aumento do número de casos de pornografia infantil e abuso sexual de crianças com base em interações nas redes sociais tem expressão um pouco por todo o mundo. Em Espanha e no Reino Unido, por exemplo, as autoridades estão a investigar vários casos de crimes contra menores com origem em aplicações de encontros para adultos. Também aí os jovens mentiram sobre a idade para se poderem registar em redes sociais como o Tinder ou o Grindr.

 

 

 

O que andam os seus filhos a fazer online e os riscos que correm

Maio 3, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Texto da Visão de 20 de abril de 2019.

Vânia Maia

Talvez ainda não tenha ouvido falar da TikTok, da Tellonym ou da YouClap, mas estas são algumas das aplicações preferidas dos adolescentes. Partilhar vídeos caseiros, enviar mensagens anónimas, superar desafios lançados pelos amigos…

Noutros tempos, passavam-se bilhetinhos, sem assinatura, de mão em mão, na sala de aula. Atualmente, existem apps de envio de conteúdos anónimos. São habitualmente usadas para fazer as mesmas perguntas mais ou menos inocentes de antigamente, mas agora é muito mais fácil difundir a mensagem e muito mais difícil ser apanhado, se a opção for insultar um colega. O ciberbullying é apenas um dos vários perigos que se escondem nas apetecíveis apps. Saberão os adolescentes portugueses defender-se deles?

Aos 17 anos, Catarina Semedo Oliveira já é perita em segurança online. Faz parte dos Líderes Digitais, uma iniciativa da SeguraNet, com o patrocínio da Direção-Geral da Educação. A reputação de especialista faz com que os amigos lhe peçam ajuda com frequência. “Normalmente, o problema é terem começado a falar com um desconhecido que, depois, propõe um encontro, e então ficam com medo”, revela.

Daniel Cardoso, docente de Ciências da Comunicação nas universidades Nova e Lusófona, procura tranquilizar os pais: “A esmagadora maioria dos jovens que se encontram pessoalmente com desconhecidos depara-se com pessoas da sua idade. É muito raro darem de caras com adultos, mas essa preocupação é compreensível.” Hoje em dia, já não terá grande eficácia dizer simplesmente para não falarem com estranhos. “É uma mera proibição, não incute espírito crítico, o importante é capacitá-los para lidarem com as situações”, defende o investigador. “Se é inevitável que vão ter com estranhos, então o melhor é dizer-lhes para agendarem o encontro num local público, levarem um amigo e avisarem mais alguém da situação”, sugere. “É importante manter um canal de comunicação aberto que seja compreensivo e não proibitivo”, remata.

Catarina Semedo Oliveira conhece vários casos de jovens que se viram numa encruzilhada: “Quando alguma coisa correu mal, não eram capazes de falar com os pais porque sentiam que tinham traído a sua confiança ao não respeitarem as proibições.”

A psicóloga clínica Ivone Patrão é apologista de uma supervisão baseada na partilha desde o jardim-escola. “Se só começarem a falar destas questões quando os filhos tiverem 16 anos, os pais terão muito mais dificuldade em alterar comportamentos.” E lembra que é fundamental respeitar a privacidade dos adolescentes: “Se a sensibilização tiver sido feita ao longo da infância, as regras estarão incutidas e os jovens saberão lidar com as situações que aparecerem.” A VISÃO foi em busca das apps mais populares entre os adolescentes para que pais e filhos saibam lidar com os vícios e as virtudes das redes.

1.TikTok
recomendado a partir dos 16 anos

Cantigas de amigo
Esta aplicação chinesa de partilha de vídeos tem mais de 150 milhões de utilizadores. O seu maior sucesso são os vídeos de adolescentes a cantarem ou a fazerem playback – uma das funcionalidades mais apetecidas são os duetos com outros utilizadores

Alertas: O jornal britânico The Guardian noticiou que foram descobertos vários casos de adultos que solicitavam imagens de nudez a menores através da app. Mesmo entre os jovens, a partilha de conteúdos sexuais explícitos, os chamados nudes, tem-se tornado cada vez mais comum. A psicóloga Ivone Patrão aconselha os pais a lembrarem os filhos de que estão permanentemente a construir a sua identidade digital, mesmo quando partilham conteúdos em privado. “Uma vez na internet, para sempre na internet. Será que gostaria que daqui a dez anos vissem o que publiquei hoje?”, interroga-se, aos 17 anos, Catarina Semedo Oliveira. Na TikTok, só depois de somar mil seguidores é possível fazer vídeos em direto, um incentivo para aceitar toda a gente.

Conselhos de segurança: A aplicação tem uma secção exclusiva para menores de 13 anos, na qual só é possível ver vídeos previamente aprovados e não é permitido partilhar conteúdos, mas basta alterar a data de nascimento para ter acesso a todas as funcionalidades. O modo restrito permite filtrar conteúdo inapropriado e é possível limitar as mensagens privadas a amigos.

37% dos jovens viram imagens de cariz sexual na internet ou noutro local no último ano (em 91% dos casos, as imagens foram vistas em dispositivos com acesso à internet). Oito por cento sentiram muito incómodo perante o que viram, 11% sentiram algum ou bastante incómodo

2.Twitch
recomendado a partir dos 15 anos

Espectadores da internet
Propriedade da Amazon, é uma das campeãs do streaming de vídeos de pessoas a jogarem videojogos

Alertas: É comum a interação com desconhecidos nas salas de conversação, o que pode potenciar o contacto com pessoas mal-intencionadas. Muitas vezes, os gamers estão expostos ao discurso de ódio nestas plataformas. Os utilizadores são incentivados a premiarem os seus jogadores favoritos comprando Bits, apesar de a app ser gratuita. São muitas as aplicações grátis que solicitam os dados do cartão de crédito. O pedido não é inocente. Existem compras integradas que só se revelam com a utilização e a compra fica de antemão facilitada.

Conselhos de segurança: Existe a opção de bloquear os convites para conversas privadas. Nas definições, é importante desativar a opção que permite a partilha da atividade do espectador, sem a sua autorização.

16% ou seja, uma em cada seis crianças e adolescentes vítimas de ciberbullying teve de fazer coisas que não queria fazer

3.Tellonym
recomendado a partir dos 17 anos

(Des)Protegidos pelo anonimato
Esta app permite enviar mensagens escritas anónimas para outros utilizadores. É possível associar-lhes fotografias ou vídeos

Alertas: Não é preciso estar registado para usar a aplicação, o que facilita os comportamentos de ciberbullying ou o envio de conteúdos inapropriados, por exemplo os sexualmente explícitos. Outra aplicação de troca de mensagens anónimas, a Kik, foi referenciada nas investigações de mais de mil casos de abuso sexual, nos últimos cinco anos, no Reino Unido. “Este tipo de aplicações é muito usado para fazermos perguntas ingénuas como ‘gostas desta ou daquela pessoa?’, mas também pode facilitar o contacto com desconhecidos que peçam dados pessoais ou contribuam para o discurso de ódio e para o bullying”, reconhece Catarina Semedo Oliveira, embaixadora europeia jovem para a segurança na internet, que insta todos os internautas a não compactuarem com o ciberbullying. “Não devemos pôr ‘gosto’ e muito menos comentar. Devemos relatar o que vemos, fazer uma captura de ecrã e mostrar aos pais ou aos professores.”

Conselhos de segurança: É possível bloquear preventivamente as mensagens dos utilizadores não registados. Os remetentes de conteúdos indesejados também podem ser bloqueados. Outra opção é filtrar determinadas palavras, evitando que as mensagens que as contenham cheguem ao destinatário. Sempre que uma app não precise da câmara ou do microfone para funcionar, essas permissões devem ser negadas.

24% dos inquiridos entre os 9 e os 17 anos confessaram ter sido vítimas de bullying online e offline no último ano. A forma de ciberbullying mais incomodativa são as “mensagens desagradáveis”, consideram quase dois terços.

4.Facetune
recomendado a partir dos 13 anos

Cirurgias estéticas digitais
Mais do que editar fotografias, esta app permite alterar a aparência da pessoa fotografada. Aumentar os olhos, diminuir o nariz, remover as imperfeições da pele ou estreitar a cintura são algumas das funcionalidades

Alertas: A alteração das selfies de forma a corresponderem à imagem que gostariam de ter pode contribuir para o isolamento digital, destruindo a autoestima dos adolescentes. “Nas redes sociais, há tempo para tirar uma fotografia e melhorar a aparência, o que não é possível no convívio presencial, isso pode causar ansiedade e afetar a autoestima dos jovens mais vulneráveis, levando-os a evitar o contacto face a face”, nota a psicóloga Ivone Patrão. “Quando um jovem se foca apenas na construção da sua imagem, de forma a agradar aos outros, há um sofrimento atroz por detrás. Terá de haver outros sinais de que não está bem”, alerta a docente do ISPA.

Conselhos de segurança: Estar atento aos sinais que possam denunciar uma baixa autoestima. Lembrar que o investimento pessoal não deve reduzir-se à imagem e alertar para o facto de tudo o que é partilhado nas redes ser altamente encenado.

28% dos jovens entre os 11 e os 17 anos receberam mensagens sexuais explícitas no ano passado; em 2014, esse valor não ia além dos 5%. São, sobretudo, os adolescentes entre os 15 e os 17 anos quem mais as recebe.

5.Houseparty
recomendado a partir dos 13 anos

Fazer a festa no ecrã
Com mais de 20 milhões de utilizadores – 60% na faixa etária entre os 16 e os 24 anos –, a principal atração desta aplicação são as chamadas de vídeo em grupo

Alertas: Só podem ser adicionadas pessoas que já façam parte das redes sociais ou dos contactos do telefone do utilizador. No entanto, é possível encontrar outros usuários nas proximidades, se o localizador do telefone estiver ligado. As salas de conversação estão abertas por defeito, mas surge um alerta “stranger danger” sempre que um desconhecido, como um amigo de um amigo, entra no grupo. A jovem líder digital Catarina Semedo Oliveira deixa uma advertência: “Não devemos achar que qualquer pessoa com quem temos amigos em comum é de confiança.”
A transmissão em direto aumenta o risco de serem difundidos conteúdos inapropriados impossíveis de serem controlados.

Conselhos de segurança: O ideal é desligar o localizador do telefone para evitar ser contactado por desconhecidos que estejam a utilizar a aplicação na mesma zona geográfica. Também é possível trancar as salas de conversação, impedindo qualquer pessoa de entrar sem ser convidada, basta acionar o modo privado nas definições.

33% dos jovens portugueses entre os 9 e os 17 anos que tiveram experiências negativas na internet ignoraram ou esperaram que o problema desaparecesse. Outro terço decidiu bloquear a pessoa 
que o incomodou.

6.Yubo
recomendado a partir dos 18 anos

Amores virtuais
É conhecida como o “Tinder dos adolescentes”, mas é apresentada como uma aplicação para “fazer novos amigos”. Deteta os utilizadores geograficamente mais próximos

Alertas: É necessário revelar a localização do dispositivo para a app funcionar devidamente. O perfil pode ser visto por todos os utilizadores geograficamente próximos e, quando há um match, podem manter-se conversas privadas e, até, partilhar vídeos. A jovem embaixadora digital Catarina Semedo Oliveira recomenda precaução: “Quando começamos a falar com alguém, temos de pensar bem em tudo o que dizemos e partilhamos. É mais fácil sermos enganados se o outro souber muito sobre nós.” A informação revelada online deve ser limitada ao mínimo, mesmo aquela que é teoricamente partilhada em privado. Dados pessoais, como o número de telefone, a morada de casa ou a escola que se frequenta, devem ser sigilosos. Em relação aos encontros presenciais, é perentória: “É sempre preferível jogar pelo seguro. Podemos conhecer pessoas novas na escola, não precisamos de passar pela internet.”

Conselhos de segurança: É possível desativar a localização e a opção de fazer match, mas os perfis mantêm-se sempre públicos. Os utilizadores menores de idade só podem contactar com pessoas da mesma faixa etária, mas basta inserir uma data de nascimento falsa para contornar o sistema, o que torna a segurança muito limitada.

44% das crianças e dos jovens portugueses confessaram ter-se encontrado presencialmente com pessoas que conheceram na internet – um comportamento mais comum entre os 13 e os 17 anos. A esmagadora maioria (79%) ficou contente após os encontros. Mais de metade (53%) admite contactar com desconhecidos na internet.

7.YouClap
recomendado a partir dos 16 anos

Desafios a toda a prova
Esta app portuguesa, criada pelo engenheiro informático José Rocha, formado na Universidade de Aveiro, permite aos utilizadores lançar desafios (a todos os outros seguidores, a alguns ou apenas a um). Fazer a melhor coreografia de uma canção, contar a piada mais seca ou, simplesmente, fotografar o jantar, as possibilidades são infinitas. Um terço dos seus cerca de 50 mil utilizadores tem entre 14 e 18 anos

Alertas: Existe o risco de serem lançados desafios perigosos – como já aconteceu noutras aplicações, por exemplo, com a Baleia Azul (que culminava com uma tentativa de suicídio). Todas as contas são públicas para todos os utilizadores.

Conselhos de segurança: Os programadores eliminam constantemente conteúdos ofensivos, mas são os utilizadores que denunciam 70% a 80% dos casos – é importante estar familiarizado com esta função. Em breve, será possível tornar as contas privadas, mas também será inaugurada a função de conversação.

46% dos jovens entre os 11 e os 17 anos viram imagens nojentas ou violentas contra pessoas e animais no último ano. Praticamente o mesmo número (45%) deparou com informação sobre automutilação e 43% estiveram expostos a discurso de ódio (em função da cor da pele, da religião, da nacionalidade ou da orientação sexual)

Fonte: Estatísticas retiradas do inquérito EU Kids Online 2019, sobre o comportamento dos jovens portugueses, entre os 9 e os 17 anos, em contexto digital.

As apps que os pais também usam

Além dos adolescentes, também os mais velhos são utilizadores destas aplicações, mas nem por isso se devem descurar os seus perigos

Snapchat
É muito utilizado no contexto de sexting (envio de conteúdos sexualmente explícitos), uma vez que tem a particularidade de as mensagens supostamente desaparecerem ao fim de pouco tempo. Pura ilusão, já que é possível fazer capturas de ecrã, comprar replays e salvar conteúdos do Snapchat recorrendo a aplicações específicas para o efeito. Convém desativar a localização.

Instagram
Tudo começou com a partilha de fotografias mas, agora, esta rede social tem muito mais que se lhe diga. Com a função IGTV, os utilizadores podem subscrever os canais de vídeo uns dos outros. Além disso, é possível fazer transmissões em direto e trocar mensagens escritas, vídeos ou áudio em privado com outros utilizadores. Uma das principais opções para tornar a app mais segura é tornar a conta privada. Podem bloquear-se seguidores indesejados e limitar os comentários ou filtrar palavras e emojis ofensivos.

WhatsApp
Além das mensagens escritas, o WhatsApp permite a partilha de fotos, vídeos e áudio. Podem bloquear-se contactos guardados ou desconhecidos (mas não números anónimos) e é possível tornar a conta privada nas definições, de forma a que só os contactos (ou mesmo ninguém) consigam ver se está online. A função mais preocupante é a partilha da localização do utilizador, mas é possível desligá-la.

YouTube
O sucesso dos youtubers ajudou a transformar este repositório de vídeos numa rede social. Para terem sucesso, os seus vídeos precisam de ser também comentados. A investigadora Ana Jorge, que tem estudado a relação dos mais novos com os meios de comunicação, alerta para a importância de lhes despertar o sentido crítico: “É fundamental desconstruir o que fazem os youtubers explicando, por exemplo, que as suas recomendações são pagas pelas marcas.”

 

 

 

Mãe, pai: quem é que vos disse que podiam postar isso sobre mim?

Maio 3, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

iStock

Texto e imagem do DN Life de 22 de abril de 2019.

Sharenting é um termo que mistura partilha (share) e parentalidade (parenting), designa o fenómeno de os pais publicarem fotografias, vídeos e comentários dos filhos nas redes sociais, e ninguém tem dúvidas de que esses conteúdos até possam ser os mais engraçados da vida dos miúdos. Porém, querem ser eles a ter a última palavra.

Texto de Ana Pago

A sós com a filha de 14 anos, rosadas do frio, com a estância de esqui em fundo, Gwyneth Paltrow quis partilhar o momento no Instagram. “Mãe, já tínhamos falado sobre isto. Não podes publicar nada sem o meu consentimento”, zangou-se a jovem Apple Martin, incomodada com a fotografia. “Mas se nem consegues ver a tua cara!”, ripostou a atriz americana, dividida entre ter pisado o risco ao expor a filha (ainda que de óculos espelhados a cobrir-lhe o rosto) e ser descomposta em público por ela.

A blogger Catarina Beato percebe perfeitamente a irritação de Apple: “Falo pouco do meu filho adolescente por acreditar que esta idade merece todo o respeito. Se ele não gosta de exposição, quem sou eu?”, questiona a antiga jornalista de economia, autora do blogue Dias de Uma Princesa desde 2005. Por lá, fala de alimentação, viagens, peso, poupança e outros temas que exporia num café se estivesse a conversar em voz alta com uma amiga, filhos incluídos. Mas à vontade não é “à vontadinha”.

“Demorei bastante a escrever um post sobre adolescência porque queria dizer o que sinto dos medos, do cansaço, sem falar da vida do meu adolescente em particular”, recorda Catarina Beato, que hoje em dia só ainda não pergunta a opinião a Maria Luiza, de dois anos: “O Afonso, de sete, já quer ter voto na matéria e eu aceito, embora adore aparecer”, conta.
Quanto a Gonçalo, 17 anos, é muito tímido e continua a pedir-lhe que não publique nada sobre ele, algo que a mãe respeita.

Segundo os especialistas, esta é uma reação que irá ganhar força no futuro, à medida que os mais novos insistem com os adultos para não postarem à revelia. “Grande parte das crianças e adolescentes cujos pais publicaram sobre os filhos sem consentimento – fossem comentários, fotografias ou vídeos – ficaram aborrecidos com isso e pediram-lhes que os retirassem”, adianta a investigadora Cristina Ponte, responsável pelo relatório EU Kids Online Portugal de 2018, divulgado em fevereiro deste ano para ampliar o que sabemos sobre usos, riscos e segurança na internet das crianças europeias.

“Alguns chegaram a receber comentários negativos ou ofensivos de colegas devido a conteúdos publicados pelos pais sobre eles”, alerta ainda a professora de comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Já para não falar dos amigos que publicam constantemente coisas uns sobre os outros, sem perguntarem primeiro se podem, a configurar 25% dos casos num universo de mais de 1800 respostas, em miúdos entre os 9 e os 17 anos.

Ao que parece, todos estão a começar a encaixar que o seu rasto digital começa muito antes de eles próprios se terem tornado ativos online, sem controlo naquelas fotos da mãe a mudar-lhes a fralda ou a dar-lhes banho em pequenos. E não estão satisfeitos com os adultos: 28% dizem que os pais publicaram conteúdos sem lhes perguntarem se estavam de acordo, 13% ficaram incomodados com essas partilhas e 14% pediram-lhes que os retirassem, tão melindrados com os progenitores como Apple Martin ficou com a mãe.

“Eles têm o direito a viver este espaço digital com a garantia de privacidade e de serem ouvidos nessa opção. Direito a definir como é que os outros lhes fazem referência”, reitera Cristina Ponte, ciente de que qualquer partilha online fica para sempre e nunca será vista apenas pelo círculo de pessoas mais chegadas. “Os pais devem pensar antes de publicar. E depois envolver a criança ou adolescente para saber se se importa, ou não, que o façam”, diz.

Foi o que decidiu Sónia Morais Santos, autora do blogue Cocó na Fralda e mãe de quatro: Manuel de 17 anos, Martim de 14, Madalena com nove e Mateus de quatro. “Comecei a contar as peripécias da família em 2008, um dia o meu mais velho não gostou de qualquer coisa (não me lembro o que era) e a partir daí acabou-se”, lembra a ex-jornalista. Nunca mais postou sobre os crescidos sem autorização, e nada além de uma piada ou resposta mais bem dadas. “Mesmo a Madalena já está no grupo daqueles a quem pergunto.”

Com o Mateus são histórias amorosas, não acha que seja um problema, mas os mais velhos deixaram de aparecer. “Se sucede algum episódio que me apetece partilhar, vejo primeiro com eles se se importam”, afirma a blogger, considerando que o que é da esfera íntima fica em casa, não há cá confusões. Ninguém sabe em que área está o Manuel, se são bons ou maus alunos, se saem à noite, se têm namorada ou namorado, se alguma vez beberam. «Justamente porque têm as suas vidas e não têm de as ver expostas no blogue da mãe», aprova.

Quem também aplaude são os investigadores Sara Pereira, Luís Pereira e Manuel Pinto, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Juntos escreveram o booklet Internet e redes sociais: tudo o que vem à rede é peixe? para que os internautas percebam que o que publicam pode ser lido ao minuto por um público extenso e permanece na rede mesmo depois de removido, razão por que nunca devem pôr em causa a privacidade de quem quer que seja.

Uma outra pesquisa da AVG, empresa de programas de proteção de computadores, salienta que pais, tios e avós publicam fotografias e vídeos dos seus bebés, o que faz com que 82% das crianças tenham a imagem na internet antes de completarem dois anos. Ainda mais preocupante: são os pais quem revela maior quantidade de dados pessoais dos filhos, através da partilha de conteúdos de elevada intimidade, e os ajudam a criar perfis nas redes sociais antes de terem idade para abrir conta.

“O facto de as pessoas pensarem que só quem está ligado ao seu perfil tem acesso às imagens publicadas cria uma falsa sensação de segurança”, explica Tito de Morais, fundador do site MiúdosSegurosNa.Net para promover a segurança online dos mais novos. No limite, diz, “é útil partir do princípio que o que fazemos em privado se pode tornar público, mesmo o que não publicamos”. E então agir com bom senso: nem encher o mural de imagens das crianças, que irão apreciar ter controlo sobre a sua identidade, nem diabolizar as redes sociais, que só se tornam boas ou más dependendo do uso que fizermos delas.

De resto, esse foi sempre um cuidado que Fernanda Velez teve com o Blog da Carlota (um dos blogues portugueses de maior alcance, com um bom gosto digno de revista de interiores), que criou quando a sua mais velha tinha quatro meses (tem agora sete anos). “Estava encantada com a maternidade, com as roupas que comprava para a bebé, e comecei a partilhar o que vestia à Carlota com os links das marcas portuguesas”, conta a empreendedora. Era ela a postar imagens da filha no Instagram e as lojas a esgotarem os modelos infantis e os que ela mesma usava. Passados uns meses fazia os Mercaditos da Carlota com novidades de moda para mães e crianças, uma extensão do reconhecimento público.

“A Carminho nasceu três anos depois, no início só apareciam elas, e o que eu senti foi que de repente passou tudo a mostrar os filhos como eu nunca mostrei as minhas, em birras ou situações que as diminuíssem”, nota Fernanda, que entretanto já publica mais imagens suas do que delas. Por mais que os seguidores possam pensar que as conhecem, não veem ali mais do que a moda que existe nas suas vidas, nenhuma intimidade. “A Carlota adora aparecer, a Carminho ainda não sabe o que é ter presença online, mas o que é certo é que nunca irão ter uma foto que as envergonhe”, assegura a mãe.

E neste ponto importa acrescentar que os jovens não são nem nativos digitais, nem ignorantes digitais, destaca a investigadora em comunicação Cristina Ponte, desmistificando a ideia de que os miúdos, hoje, já nascem agarrados aos ecrãs: “Nem nascem ensinados e a saber tudo da internet e das novas tecnologias, nem são uns coitadinhos desprotegidos num ambiente que só tem riscos.”

Para a responsável do relatório EU Kids Online Portugal, muitos deles apenas desejam que os pais acompanhem mais o que fazem, pelo que existe aqui margem para se trabalhar com eles uma série de competências sociais e emocionais, que lhes permitam desenvolver melhores competências digitais. “A começar por conseguirem lidar com as críticas, positivas ou negativas, e com a frustração que daí vem. Porque isso faz parte da vida, o terem essa noção de até onde se querem expor”, remata a docente.

Na dúvida, são estas as imagens que nunca, em circunstância alguma, devem ser publicadas:

AS DE CRIANÇAS NUAS, DE FRALDA, NO BANHO.
Inocentes aos olhos da maioria das pessoas, podem tornar-se um prato cheio para utilizadores maldosos que as ponham a circular em redes criminosas ou façam um uso ainda mais abusivo das informações obtidas nas redes sociais.

AS DE CRIANÇAS COM UNIFORMES ESCOLARES.
A partir de uma farda é possível identificar a escola que a criança frequenta, por vezes até o ano. Se além disso a rede social divulgar o nome dos pais, dos menores e uma série de outros dados pessoais, não é descabido pensar que possa haver problemas mais cedo ou mais tarde.

AS QUE PODEM CAUSAR CONSTRANGIMENTO NO FUTURO.
Por muito engraçada que uma foto possa parecer na altura em que é tirada, os pais devem lembrar-se de que as suas crianças não gostarão de se ver expostas ao ridículo. Imagens embaraçosas à solta na rede podem vir a ser usadas em situações de bullying ou outras igualmente danosas.

AS DAS CRIANÇAS DOS OUTROS.
Tal como qualquer pai tem o direito de exigir que uma foto do filho seja retirada quando postada sem autorização, deve lembrar-se de perguntar aos outros pais se pode publicar imagens em que as crianças deles apareçam, como aquelas que são habitualmente tiradas em passeios de turma ou festas de aniversário.

AS DE CRIANÇAS COM OBJETOS DE VALOR.
À partida, os amigos ficarão contentes com o sucesso dos pais e a alegria dos mais novos, mas para quê chamar a atenção para os bens materiais da família? Ou fazer o seu filho correr riscos desnecessários apenas porque ganhou um iPad topo de gama de presente e publicou uma foto a exibi-lo?

AS QUE PERMITEM IDENTIFICAR ONDE FORAM TIRADAS.
Os smartphones e algumas câmaras vêm equipados com um geolocalizador que identifica e torna público nas redes sociais o local onde cada foto é tirada. Desative-o para não correr o risco de as fotografias darem a terceiros informações que só lhe interessam a si.

AS DE ALTA RESOLUÇÃO.
Uma vez que perdemos o controlo das imagens quando as colocamos na internet, é preferível partilhar com os amigos as de baixa resolução, menos fáceis de editar, manipular e utilizar.

AS QUE DÃO PISTAS DE ONDE MORA.
Os miúdos estão mais giros a cada dia que passa, fizeram uma graça que queremos partilhar e, sem querer, acabamos a mostrar nas imagens uma loja conhecida, aqueles prédios de cor tão particular e outros pontos de referência do lugar onde moramos. Por muito pouco paranoica que uma pessoa seja, há certas coisas que é preferível manter na esfera privada.

 

 

Quando navegas na internet tens noção dos riscos?

Abril 13, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Mais informação no site do Banco de Portugal

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.