5 conselhos para que as crianças naveguem em segurança na internet

Julho 7, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do site Up to Kids

Não há dúvidas que as crianças de hoje em dia são as mais “digitais” que nunca, e é quase impossível mantê-las afastadas do computador. Os perigos da rede aumentam ao mesmo tempo que esta cresce, e é muito importante que os pais estejam conscientes da necessidade de uma navegação segura. Para facilitar-lhe a vida, deixamos 5 conselhos que os ajudará minimizar riscos através de uma navegação segura na internet.

1.Computador sempre na sala de estar

Este é um dos melhores conselhos que existem, e dos mais efetivos também. A ideia é que os pais possam ver o ecrã do computador (não significa ler o que o seu filho estiver a ver) enquanto estão no sofá. É uma das medidas de segurança mais efetivas que existem, já que é um “travão” para muitas práticas de risco na internet: uso de webcam com desconhecidos, transferência de software pouco fiável ou perigoso entre muitas outras coisas.

2. Crie usuários independentes para cada membro da família com acessos e níveis e segurança distintos

Deste modo pode evitar a instalação de software não desejado que pode colocar em perigo a integridade do computador e também a do seu filho, evitando que se possa aceder por acidente a contas e serviços não aptos para a sua idade.

3. Instale sempre um software antivirus que inclua o controlo parental

Não há desculpa para não fazê-lo. O Window 10 já o tem, e se tiver outra versão há vários antivírus grátis disponíveis. Basta que o transfira e o configure com base nas suas necessidades.

4. Acompanhe e aconselhe os seus filhos nos registos e nos logins

É melhor que os ajude e ensine os seus filhos a registarem-se nas redes sociais ou portais que queiram aceder. Garanta que supervisiona toda a informação que consta em cada uma delas

5. Com as redes sociais é melhor educar que proibir

A partir de uma certa idade, o nível de independência das crianças aumenta e por isso o melhor é ensinar-lhes a usarem adequadamente as redes sociais e ajudá-los a que tenham mais consciência dos perigos que podem encontrar nelas: que tipo de fotos pode mostrar, não ativar a geolocalização ou a não aceitar amizade de desconhecidos.
Com estes conselhos básicos, os seus filhos poderão dar os primeiros passos na internet em segurança. Mas não se esqueça que a melhor medida de segurança é a supervisão; com um pouco de esforço é possível respeitar a sua privacidade sem deixá-los à mercê dos vários perigos existentes na internet.

Por Selectra Portugal

Com o perigo à espreita, devemos vigiar os mais novos online?

Maio 6, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 17 de abril de 2020.

A UNICEF diz que monitorizar demais põe em risco o direito dos mais novos à privacidade e à liberdade de expressão, mas para alguns pais deixar os filhos sozinhos na Internet não é opção.

Karla Pequenino

Obrigadas a aulas virtuais e sem hipótese de falar com os amigos longe de um ecrã, as crianças estão mais expostas aos riscos do mundo virtual. Esta semana, a UNICEF alertou para o aumento de contactos de predadores sexuais, acesso a desinformação online comportamento de risco entre adolescentes, mas a organização frisa que monitorizar os passos dos menores cria ainda mais limites à liberdade. Para alguns pais, porém, deixar os filhos sozinhos na Internet não é opção.

“Vejo problemas todos os dias. Há crianças a dançar sugestivamente nas redes sociais, e videoconferências entre professores e alunos interrompidas por adultos que pedem às crianças para se despir”, partilha com o PÚBLICO Sandra Gegaloto, 45 anos, professora de secundário e mãe de duas meninas de 10 e 12 anos. “As crianças já passavam muito tempo na Internet, é verdade, mas também são muito ingénuas. Partilham e confiam demasiado. Esquecem-se que toda a gente está a ver.”

Embora a professora evite limitar o tempo das filhas na Internet — “Precisam do ecrã para aulas das 9h às 16h30 e depois é normal que queiram brincar e falar com os amigos” —, Sandra Gegaloto está atenta a todas as comunicações. “Os emails delas caem directamente na minha caixa de entrada, vejo com regularidade o histórico e falo com elas sobre coisas problemáticas que vejo”, explica. “Não acho que seja controladora, sou atenta. Deixo-as falar com os amigos, mas não as deixo sozinhas nas redes sociais. Vejo vídeos de crianças em toalha no TikTok e estou certa que os pais não sabem.”

Apesar de só ter surgido em 2017, a aplicação chinesa TikTok (pensada para maiores de 13 anos) está entre as mais populares da última década, particularmente junto dos mais novos. O objectivo é partilhar vídeos virais de alguns segundos — a tendência mais recente inclui gravar a reacção ao beber um copo cheio de noz-moscada e água. Desde Fevereiro, os pais podem restringir o conteúdo que os filhos vêem e as mensagens que recebem. Para o fazer, porém, têm de ter uma conta na plataforma e saber como a utilizar. O mesmo se aplica à aplicação do Facebook para crianças.

O nível de literacia em Portugal pode ser um desafio, com o ministro da Educação português a reconhecer, em 2018, que conhecimentos básicos de literacia digital apenas chegavam a 53% da população e que apenas 3% eram especialistas em tecnologias de informação e comunicação.

Há empresas que prometem resolver o problema, com aplicações que limitam e monitorizam automaticamente todas as aplicações que os mais novos usam. Algumas estão disponíveis gratuitamente, outras como a Kaspersky Safe Kids e o Norton Family, desenvolvidas por empresas de segurança online, funcionam por subscrição, com valores que começam nos 14 euros por ano. Convém, no entanto, ter atenção à empresa que está por detrás da aplicação, à política de privacidade, e à quantidade de dados recolhidos. Por vezes, os serviços (conhecidos como “espiões digitais”) também são usados para controlar vítimas em relações abusivas.

“Um dos grandes problemas é a forma como os dados são tratados. Na Internet, com 13 anos já se pode utilizar muitas plataformas online como um adulto, mas no mundo real aos 13 anos ainda se é uma criança”, explica ao PÚBLICO Jasmina Byrne, que lidera o laboratório de investigação da UNICEF sobre os direitos das crianças na era digital. “A situação actual pode chamar a atenção sobre temas importantes. Por exemplo, o dever de empresas online apagarem a pegada digital das crianças.”

Vigiar é censurar?

Uma das questões mais debatidas no laboratório da UNICEF é o direito dos mais novos à privacidade. “Isto tornou-se crítico. Num mundo em que as crianças não podem sair para falar com os amigos, é importante garantir que podem ter conversas privadas”, nota Mário Viola, investigador do Instituto Universitário Europeu e redactor do relatório de 2017 sobre os desafios do mundo online para as privacidades das crianças e adolescentes.

“Jovens que precisam de pesquisar sobre métodos contraceptivos, podem evitar fazê-lo se souberem que os pais têm acesso ao histórico. É quase um limite ao acesso de informação”, explica Viola. “Ou se há interesses políticos diferentes em casa, um jovem pode sentir-se limitado em exprimir as suas opiniões online.”

O investigador brasileiro reconhece que é preciso atenção com os mais novos, mas diz que não existe uma idade certa para dar acesso irrestrito ao mundo online. “Gosto de comparar a liberdade para navegar na Internet com a liberdade para ir à escola ou ao cinema sozinho. Se as crianças ainda não saem sozinhas à rua, não deviam ter acesso livre e total à Internet”, partilha Viola, pai de dois rapazes, com 4 anos e 8 anos. “Cá em casa, gosto de dar alguma liberdade ao meu filho mais velho. O computador está sempre onde o posso ver, mas não estou sempre atrás do ecrã quando ele está nas aulas. Vou passando por lá e o meu filho sabe que a mãe e o pai estão atentos e que pode pedir ajuda.”

Mais do que restringir, é importante haver abertura para falar dos temas, defende a psicóloga clínica Raquel Carvalho, que trabalha com crianças e adolescentes na Oficina da Psicologia. “Por vezes não é fácil encontrar um equilíbrio entre o dever de supervisão e o respeito pela privacidade dos filhos”, reconhece a profissional. “Os pais devem fazê-los compreender previamente a necessidade de alguma monitorização por parte dos adultos. Monitorizar dentro do que é razoável não é espiar!”

A psicóloga ressalva, no entanto, que é importante que os adolescentes não sintam “que os pais estão constantemente a bisbilhotar”, porque tanto “uma postura desinteressada e desinformada” como uma postura “crítica e proibitiva” são riscos.

Perigos para os mais pequenos

A UNICEF não nega a existência de perigos online, sublinhando num documento recente que os menores de 13 anos (idade-limite para aceder a plataformas o Facebook ou o YouTube) podem estar a usar ferramentas que não se adequam à sua faixa etária por necessidade. No entanto, a organização nota que com o fecho de escolas generalizado em 188 países, as redes sociais e os programas de videoconferência são uma forma de as crianças estarem com amigos, familiares e pais durante o isolamento.

“É difícil afastar por completo os mais novos das redes sociais quando todos os amigos estão lá. Autorizo a minha filha a ter e a publicar no Instagram, mesmo que seja uma ferramenta desadequada à idade, porque acho que é a menos invasiva e tem um menor grau de interactividade”, argumenta Sónia Soares, psicóloga e mãe de uma menina de 11 anos. “Só que vejo e aprovo todas as fotografias que ela coloca e vamos falando sobre os riscos. Foi um compromisso que arranjámos cá em casa para ela não se sentir privada das redes sociais.”

Até agora, tem funcionado com a filha a procurar os pais sobre problemas que encontra na Internet. “Foi ela que nos alertou para o jogo Baleia Azul. Eu até recomendo alguma independência e autonomia em começar a pesquisar no Google”, diz Sónia Soares. “É preciso aprender a utilizar bem a Internet.”

O relatório mais recente da rede de investigação EU Kids Online, publicado em Fevereiro, com base em cerca de 25 mil respostas de crianças na União Europeia, nota que Portugal é um dos países onde mais crianças e jovens revelam mais confiança em lidar com riscos que encontram online. Cerca de 23% das crianças e jovens portugueses entre os 9-17 anos dizem que assistiram a situações desagradáveis na Internet como bullying, mensagens impróprias e conteúdo sexual, mas 72%, dizem saber o que fazer numa situação do tipo.

Regra geral, são poucas as restrições por parte dos pais. Quase todos os inquiridos em Portugal indicam que podem fazer uso de redes sociais (7% não tem autorização para usar), descarregar filmes ou músicas (5% não tem autorização) e usar a webcam ou a câmara vídeo do telemóvel (9% não tem autorização). Apenas um quinto dos pais usa dispositivos para bloquear ou filtrar conteúdos (22%).

A UNICEF acredita que existe uma correlação. “Os nossos estudos na área mostram que restringir demasiado a Internet impede as crianças de aprenderem a proteger a sua privacidade online”, frisa Jasmina Byrne, do laboratório de investigação da UNICEF. “Contrariamente à ideia que se tem de crianças que são ‘nativas digitais’, ninguém nasce a saber utilizar a Internet.”

Os pais devem estar disponíveis para falar sobre erros. “Muitas crianças não recorrem aos pais quando vêem ou fazem algo que talvez elas não devessem ter feito por receio que os pais fiquem chateados e lhes retirem os seus dispositivos ou acesso à Internet”, explica a psicóloga Raquel Carvalho, que recomenda aos pais “cuidado para moderarem o tom crítico” sobre problemas online. “Assim, os filhos sentem que podem desabafar com os pais e partilhar as suas preocupações mais cedo, evitando o isolamento e o segredo.”

Também é importante promover momentos longe do ecrã. “Em último caso, os tablets ficam trancados no armário umas horas”, sugere a professora e mãe de duas, Sandra Gegaloto. “Fiz isso durante o fim-de-semana para convencer as minhas filhas a apanhar um pouco de sol no nosso quintal. As capacidades digitais dos pais não são necessariamente um limite. Tem de existir abertura para falar de problemas, tem de haver regras e é preciso ter pausas dos ecrãs.

Unicef: crianças sob risco crescente na internet durante pandemia

Maio 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia da ONU News de 15 de abril de 2020.

Análise técnica da agência pretende ajudar governos, empresas de tecnologia da informação, educadores e pais a protegerem os menores durante fase de isolamento social; mais de 1,5 bilhão de crianças e jovens estão fora da escola.

Milhões de crianças em todo o mundo estão enfrentando um risco dentro de casa por causa das medidas de quarentena contra a covid-19.

O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e seus parceiros. Com as escolas fechadas, um número recorde de alunos está passando mais tempo na frente de computadores.

Habilidades 

O diretor da Parceira Global para o Fim da Violência, Howard Taylor, disse que muitas famílias estão confiando na tecnologia e nas plataformas digitais para manter as crianças no ensino. Mas nem todas as crianças têm as habilidades para navegarem de forma segura pela internet.

Em todo o mundo, mais de 1,5 bilhão de crianças e jovens estão fora da escola. Muitos continuam participando das aulas pela internet, além de se sociabilizarem.  Mas o tempo alongado na internet também expõe as crianças a riscos de exploração sexual e abusos porque muitos predadores e criminosos estão usando a situação da pandemia para cometer delitos.

Nova realidade

Dentre os riscos ampliados pela nova realidade estão envios de imagens de teor sexual, contato com conteúdo violento e a intimidação on-line ou o bullying pela internet.

O Unicef formou uma aliança com outras agências da ONU como o Escritório sobre Drogas e Crime, Unodc, a União Internacional de Telecomunicações, UIT, OMS, Unesco e outros parceiros para alertar governos, pais e educadores para alertar sobre os riscos.

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, pediu aos governos e às empresas que ajudem a manter as crianças seguras na internet aumentando as ferramentas de proteção.

Treinamento

Dentre as ações preliminares apresentadas pelo Unicef estão: governos devem aumentar os serviços de proteção e mantê-los acessíveis durante a pandemia. Além disso, deve ser oferecido treinamento para trabalhadores sociais, de educação e saúde sobre os impactos da pandemia  nas crianças. Os mecanismos de proteção devem ser ativados on-line e fora da internet para facilitar a denúncia de casos de abusos com linhas diretas de ajuda.

A indústria da tecnologia da informação e das plataformas de redes sociais devem assegurar medidas de salvaguardas especialmente para ferramentas de ensino a distância. Também é preciso garantir que as ferramentas estejam à disposição dos formadores para facilitar medidas de proteção e o acesso de crianças de lares de baixa renda ao ensino.

Aconselhamento

As escolas devem atualizar seus mecanismos e políticas de salvaguardas para adaptarem-se à nova realidade do ensino a partir de casa, promover o bom comportamento na rede e a continuidade do aconselhamento escolar.

Os pais devem garantir que os dispositivos e aparelhos usados pelas crianças tenham as últimas atualizações de software e programas de antivírus.

É necessário ainda manter um diálogo aberto com as crianças sobre com quem e como eles estão se comunicando pela internet.

É preciso ainda entrar em acordo com as crianças sobre regras de como, quando e onde a internet pode ser usada, observar sinais de estresse que podem resultar da navegação delas pela rede mundial de computadores.

Além disso, os pais precisam ter acesso às políticas escolares e de denúncias às autoridades competentes e linhas diretas de apoio caso necessário.

Press Release da Unicef:

Children at increased risk of harm online during global COVID-19 pandemic

Cinco dicas do Unicef para a segurança das crianças na internet em tempos de pandemia

Abril 30, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da ONU News de 20 de abril de 2020.

Com escolas fechadas por causa da covid-19, muitos alunos passam mais tempo em chats e outras atividades online; pais devem estar atentos para perigos na rede.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, está preocupado com a segurança e o bem-estar das crianças na internet.

Com cerca de 1,5 bilhão de crianças e jovens fora da escola, a rede mundial de computadores passou a ser o ponto de contato dos estudantes com o resto do mundo por um período mais longo que antes da pandemia

Para o Unicef, a nova realidade não está livre de perigos. Para minimizar os riscos online, a agência divulgou cinco dicas para os pais e tutores das crianças.

1. Mantenha uma comunicação aberta, honesta e segura com as crianças 

Garanta que elas compreendam o valor de interações sadias e de apoio e que contatos discriminatórios ou inapropriados não são aceitáveis. Se seus filhos tiverem essa experiência, peça a eles para contarem a você e note se as crianças estão retraídas ou agindo de forma secreta. Elas podem estar experimentando bullying na internet. Converse com a criança para acordar como os dispositivos podem ser usados e quando.

2. Use a tecnologia para proteger as crianças 

Cheque se o software é o mais atualizado com programas antivírus e que as configurações de privacidade foram ativadas. Mantenha as câmeras cobertas quando não tiverem sendo usadas. Ferramentas como controle parental e busca segura na rede podem ajudar a manter a criança navegando sem riscos. Tenha cautela com ferramentas gratuitas. Informações da criança com foto e nome completo jamais devem ser passadas. Sempre cheque as configurações de privacidade para minimizar roubo de dados.  Ajude seu filho a manter informações pessoais de forma segura especialmente de estranhos.

3. Passe tempo com seus filhos na internet

Crie oportunidades para que eles tenham experiências positivas com você e familiares. No atual momento é mais importante que nunca e pode despertar generosidade e empatia. Auxilie as crianças a reconhecerem informações falsas e conteúdo desapropriado para a idade delas pode aumentar a  ansiedade  sobre o covid-19. Existem conteúdos seguros e críveis do Unicef e da OMS. Você também pode ajudar os seus filhos a descobrirem jogos e aplicativos apropriados a idade deles.

4. Alimente hábitos online saudáveis

Promova e monitore um bom comportamento na internet e nas chamadas de vídeo. Ensine seus filhos a serem gentis e a respeitarem os colegas da escola. Tenha cuidado com a vestimenta na hora dessas chamadas e evite ligar do quarto de dormir. Esteja informado sobre as regras da escola para reportar bullying online.

5. Lembre-se de equilibrar a recreação na internet com as atividades fora dela incluindo tempo ao ar livre, se possível.

Mais informações na press release da Unicef:

How to keep your child safe online while stuck at home during the COVID-19 outbreak

10 recomendações para proteger “miúdos e graúdos” contra ameaças nas plataformas de aulas à distância

Abril 23, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Sapo Tek de 14 de abril de 2020.

As aulas online já recomeçaram e, para ajudar a proteger os alunos e professores contra as crescentes ameaças em plataformas digitais, a Direção-Geral da Educação, em parceria com o a SeguraNet, o Centro Nacional de Cibersegurança e a Comissão Nacional de Proteção de Dados disponibilizaram um conjunto de recomendações práticas.

Depois do encerramento das escolas nacionais a 16 de março devido à pandemia de COVID-19, as aulas passaram para o mundo online. O terceiro período letivo já começou e, embora o Governo esteja a preparar uma nova Telescola disponível através da TDT para os estudantes que não têm acesso a computadores ou à Internet, as aulas à distância em plataformas digitais tornaram-se numa nova realidade para muitos alunos .

A Direção-Geral da Educação, em parceria com o SeguraNet, o Centro Nacional de Cibersegurança e a Comissão Nacional de Proteção de Dados disponibilizaram um conjunto de recomendações para ajudar a proteger os alunos e professores contra as crescentes ameaças em plataformas que permitem a comunicação em vídeo e áudio.

O bê-a-bá da partilha de informação em segurança

  • É verdade que algumas plataformas digitais têm opções que permitem utilizar encriptação ponta-a-ponta, no entanto, a proteção de informações sensíveis não deixa de ser importante. Os dados pessoais como a morada, contactos e fotografias não devem ser partilhados, pois podem ser facilmente encontrados por cibercriminosos e utilizados de forma maliciosa. Recorde-se que, recentemente, mais de 500 mil contas Zoom estão à venda em fóruns de hackers na Dark Web.
  • Por vezes, as sessões nas plataformas digitais são gravadas e os utilizadores deixam de ter controlo sobre a privacidade dos seus dados, incluindo o som e a imagem que partilham através do microfone e da webcam. Os equipamentos devem ser utilizados apenas quando for estritamente necessário e, uma vez que podem ser acedidos remotamente por atacantes, devem também ser desligados após cada uso.
  • O administrador da reunião pode configurar a plataforma de modo a reduzir o risco de as sessões serem gravadas por terceiros. No entanto, as entidades responsáveis pela iniciativa indicam que, mesmo nestes casos, o controlo total da privacidade não é garantido, pois existe a possibilidade de gravar o que se está a passar nas reuniões através de software externo.
  • A funcionalidade de envio de ficheiros no serviço de mensagens deve ser desativada para evitar a partilha de conteúdo malicioso. As recomendações estendem-se também à partilha de ecrã. O anfitrião da reunião pode configurar as opções da plataforma para evitar que qualquer pessoa partilhe o que está a ver no seu ecrã. Além disso, a utilização de uma marca de água no conteúdo transmitido é uma forma de proteger a propriedade intelectual do utilizador que o criou.

Quem pode entrar?

As plataformas disponibilizam diferentes formas de convidar participantes para as sessões. Embora a partilha do URL da chamada com contacto direto pareça mais prática, o envio de um identificador e de uma palavra-passe é uma opção mais segura. Para adicionar mais uma camada de segurança, é possível exigir que os utilizadores se autentiquem na plataforma através de um login antes de entrarem na sessão.

Os anfitriões devem ainda “trancar” a porta das reuniões virtuais, de forma a evitar que estranhos que tenham conseguido aceder ao link de entrada ou à palavra-passe entrem na sessão.

Algumas plataformas digitais oferecem a possibilidade de criar uma “sala de espera” virtual antes das sessões começarem. A funcionalidade pode ajudar os anfitriões a monitorizar os quem chega e escolher quem pode participar.

A ciber-higiene é essencial

É também importante manter algumas regras de ciber-higiene na utilização das plataformas. Assim, é necessário manter o software atualizado e assegurar que as palavras-passe usadas são fortes, não esquecendo de alterá-las com frequência e de utilizar credenciais diferentes para cada plataforma. Além disso, é recomendável fazer backups regulares, assim como não clicar em endereços desconhecidos ou abrir anexos suspeitos e evitar trabalhar em redes WiFi públicas.

As plataformas digitais são um útil recurso para inúmeros alunos e professores, mas a sua configuração nem sempre é assim tão fácil. Além das recomendações, a Direção-Geral da Educação disponibiliza alguns manuais práticos para plataformas como a Zoom, a Moodle e a Microsoft Teams. Em breve, serão também disponibilizados materiais de apoio para a Google Classroom.

Recorde-se que a CNPD já tinha alertado anteriormente para os riscos de privacidade do ensino à distância. No mesmo dia em que as medidas excecionais para as escolas foram comunicadas pelo Governo, o organismo que tem como função controlar e fiscalizar o processamento de dados pessoais publicou um documento com orientações para os diferentes intervenientes nos tratamentos de dados pessoais efetuados na utilização de tecnologias de suporte ao ensino à distância.

Há tinta permanente na Internet: dicas para pais e professores

Abril 21, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto de Marco Bento publicado no Público de 14 de abril de 2020.

Talvez este momento de isolamento social, seja, curiosamente, o mesmo momento de constatação que o digital é aquele que une.

O 3.º período já se iniciou, não com aulas presenciais, mas num modelo para o qual ainda se procura nome, tal a multiplicidade de formatos e variáveis. Quer seja mais um Ensino a Distância de Emergência, um Ensino Remoto ou até um Ensino Doméstico, a sociedade e a opinião pública já o definiu, como Ensino a Distância!

É este o contexto que deixa pais e professores submersos em preocupações, que afectam as suas vidas e, principalmente, a dos seus filhos ou alunos.

É fundamental manter nas crianças um sentido de normalidade com rotinas, mantê-las envolvidas na aprendizagem em casa, sabendo que uma “escola” parca e pouco fluida em desenhos e cenários de aprendizagem com o digital é a que está esboçada num cavalete pouco seguro, até ao final do ano lectivo.

Além disso, é importante lembrar que, para uma criança, o brincar sempre foi e é uma excelente forma de aprender. Porém, a “escola” presencial e a distância, teima em não introduzir e, em muitos casos, retirar a ludicidade da Educação. O tempo para brincar, aprender a brincar e brincar a aprender é algo de muito sério, não deveria ser relativizado, enquanto apenas o que se discute, essencialmente, são testes e exames, o que mais se discute são avaliações de resultados e na realidade vamos deixando de discutir os processos (alguma vez se discutiram?)… E este é um tempo em que a avaliação de processos deve e tem de ser pensada numa discussão séria.

Em casa, os pais tentam assegurar que a aprendizagem acontece nas melhores condições possíveis, que decorrem actividades para o entretenimento e para, no fundo, coabitarem. Assim, existem alguns aspectos ou sugestões que podem ajudar.

Manter uma rotina é, absolutamente, essencial e como tal poderá ser criada uma programação diária com os filhos, que pode incluir as actividades relacionadas com matemática do quotidiano, com a leitura, ciências experimentais, entre várias actividades que se podem interligar com disciplinas escolares.

Mas é, sobretudo, no plano de outras actividades, que podem e devem ser da escolha dos filhos, rotativas nos dias ou nas semanas, como o desenho, a colagem, a pintura, a dramatização, o faz de conta, a construção, a culinária, exercício físico, tarefas domésticas, o canto ou a dança, entre tantas outras… Este plano não tem que estar controlado como um horário escolar e ao som do toque de uma campainha, mas é um apoio e, se for desenhado em família, responsabiliza cada um dos membros da mesma, criando objectivos e actividades comuns.

Este plano torna-se ainda mais importante à medida que recebem os cronogramas excessivos, de aulas online síncronas que as escolas programaram, a grelha da RTP Memória ou as tarefas assíncronas de imensos trabalhos para os alunos realizarem com o apoio dos pais. Nessa altura, cada casa e família assemelham-se a um departamento curricular a lutar pelos seus horários e fazer valer as tarefas que têm maior ou menor valorização… que haja, o bom senso, de nesse mapa manter sempre espaço livre para não se fazer absolutamente nada.

Se os seus filhos forem mais velhos, converse honestamente com eles sobre o seu cronograma, mostre a sua disponibilidade para estar com eles, podendo estabelecer um sistema de créditos, em que determinadas tarefas ganham créditos para a realização de outras.

As notícias são também muito importantes, mas com os filhos, se por um lado devem inspirar a sua leitura e interpretação, por outro devem limitar as diversas notícias assustadoras que lhes trazem apenas pânico e ansiedade (principalmente nas crianças mais pequenas). Lembrem os filhos que estarão sempre seguros, cumprindo todas as normas de segurança e questionando sobre como se sentem. Muitas das vezes, por que não provocar actividades de desenho ou de escrita sobre este tema, com diários de quarentena em texto, desenho ou fotografia, dão excelentes portefólios que poderiam ser aferidos em processos de aprendizagem e reflexão.

Embora saibamos que este é um tempo de incertezas, também o é de algumas certezas e, para quem está com os seus filhos, num regime alucinante de teletrabalho, em que se tornam actores de multitarefas, lembrem-se que é um tempo e oportunidade de “estar” em família.

Em nenhum momento deste século, tantos pais e mães tiveram a oportunidade de acompanhar de forma detalhada como os filhos estão a crescer, a progredir e do que estão a precisar. Conseguem, neste tempo, ter mais informações para estabelecer uma melhor parceria, também esta, com os professores e apoiar estes alunos de uma forma bem mais holística. Façam jogos, revejam fotografias, escrevam histórias a várias mãos, inventem letras e músicas, preparem refeições em conjunto, aprendam a divertir-se.

Também é evidente que muitos estão a ter dois ou mais empregos integrais, e todos com o mesmo horário em simultâneo, pelo que é necessário admitir erros e permitir o espaço para que estes aconteçam. Nesta nova ambientação é preciso reservar intervalos com maior frequência, de forma a brincar com os seus filhos ou fazer um lanche mais divertido, mas também a quebrar os ciclos em frente aos inúmeros ecrãs que, por serem mais frequentes, exigem mais pausas.

Enquanto pais, com filhos que estudam em casa, devem salvaguardar, neste 3.º período, a organização do estudo, considerando os roteiros enviados pela escola, assim como o cumprimento de tarefas e de prazos para as mesmas. Também o espaço onde decorrerão as diversas actividades de estudo, sejam estas síncronas ou assíncronas, deve ser redefinido, considerando um local com boa luz natural e, se estiver a trabalhar com dispositivos digitais, que seja onde o aluno esteja bem visível na câmara web, evitando a contraluz, objectos e cenários distractivos, mas também que o áudio seja perceptível para todos, evitando ecos, passagem de outras pessoas e, se possível, o uso de auriculares.

Ora, é exactamente este o momento em que os pais, professores, filhos e alunos deste país se encontram mais expostos ao fenómeno da Internet. Talvez este momento de isolamento social, seja, curiosamente, o mesmo momento de constatação que o digital, já apontado por muitos pais e professores, como elemento que distancia e afasta as pessoas, é agora aquele que as une.

Mas, porque o 3.º período começou, não podemos esquecer, e para muitos convém lembrar, que estamos online com menores de idade e há cuidados e erros que se tornarão irreversíveis, ou não estejamos nós a fazer todos os registos na Internet, com tinta permanente, que nunca mais se apagam!

Como tal, existem alguns cuidados relacionados com a segurança online que pais, professores, filhos e alunos têm de ter consciência, sob pena de se cometerem erros irreversíveis.

Se numa saída à rua, enquanto passeava pelo jardim surgisse um estranho a interpelar o vosso filho ou aluno e lhe perguntasse o nome, a morada, com quem mora, quem são os amigos, pedindo se lhe fornece os contactos dos mesmos, quais os lugares preferidos que frequenta, os objectos que tem, que livros lê, o número de cartão de cidadão, o número de telemóvel… responderia? Possivelmente, não! Aliás, acharia aquele número de questões avassalador e fugiria. Ainda assim, muitos estranhos oferecem algo em troca, um chocolate, talvez! Aceitaria? Possivelmente, não! Nem todos os estranhos abordam, outros estão apenas à espreita, a vigiar todas as conversas e partilhas.

Se num ambiente presencial, a atitude de desconfiança seria a primeira a adoptar, porque é que num ambiente online partilham um conjunto de informações privadas, quando muitas das questões não são directas, mas subliminares e, assustadoramente, ou não, nem as precisam de fazer, porque as respostas são oferecidas nas publicações que fazem?

Se pensarmos que estão a decorrer aulas online, com vídeos e imagens de menores a exporem a sua casa, a sua vida, o seu pensamento, os seus bens, a sua intimidade enquanto cidadão, que privacidade está desenhada para estes cenários de estudo em casa? E os pais, quantas publicações de fotografias dos seus filhos menores a realizarem um sem número de actividades e aulas, também estão a expor, sem que estes tenham tido qualquer papel decisivo na pegada digital que lhes estão a criar?

Reitero, que neste 3.º período, assuma sempre que na Internet não existe segurança e privacidade absoluta e considere as seguintes dicas:

  • Ter bom senso na postura online: o que publicar, prever cenários, prever perigos, prever monitorização, comunicar com respeito.
  • Não partilhar fotografias ou vídeos pessoais e com informações privadas (se o fizer tem de ter critério, evitar imagens dos seus filhos menores, as situações de constrangimento, locais, objectos e vestuário que os identifica).
  • Não partilhar informações seguras num chat, como as passwords ou outras informações pessoais.
  • Nunca clicar em links que não conhece (não há ofertas gratuitas).
  • Ter atenção que muitos registos em aplicações e jogos online são formas de “entrar” no seu computador para obter informações.
  • Terminar as sessões nas plataformas educativas ou e-mails usados.
  • Usar a navegação anónima para controlar a pegada digital.
  • Nesta fase, ter uma atenção redobrada com as compras online.
  • Evitar abrir links de redes sociais (como correntes, postais).
  • Ter o cuidado de perceber com quem conversa online, garantindo que está com quem o diz ser.
  • Usar as configurações de privacidade das redes sociais.
  • Respeitar os direitos de autor do que partilha.
  • Referenciar as consultas de informação online (website, autor e data de onde retirou a informação).
  • Definir uma “Netiqueta” online com o seu filho ou aluno.

Acima de tudo, sejam pais ou professores, dêem o exemplo aos vossos filhos ou alunos, logo a começar nas diversas videoconferências que decorrem e todos vos estão a entrar em casa, pela janela do computador. Será que permitiriam que olhassem tudo o que estão a mostrar? Têm a consciência que qualquer conteúdo (fotografia ou vídeo) que gravam e publicam dos vossos filhos ou que exigem aos vossos alunos será exposição em demasia, sem que vos tenham autorizado a isso? Tenham bom senso na partilha de privacidade e suspeitem de pessoas ou instituições. Se têm cuidado e se se protegem na rua, porque não o fazem virtualmente?

O que faz e escreve na Internet nunca será a lápis (embora alguns julguem que sim), é sempre com tinta permanente, nunca mais se apaga!

Coordenador do projecto SUPERTABi, investigador e consultor pedagógico, direcção pedagógica Colégio Santa Eulália

Teletrabalho. Mostramos as casas e os filhos e isso é um perigo, alertam os especialistas

Abril 20, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 13 de abril de 2020.

“Evitar filmar demasiado a casa” e não mostrar “janelas para uma rua identificável” que permita “divulgar o local onde se mora” são algumas das recomendações do Centro Nacional de Cibersegurança.

Daniel Dias

Para muitas empresas, nestas últimas semanas, o teletrabalho transformou-se no “novo normal” – com todos os desafios associados à dificuldade em desligar e ao isolamento profissional. A sala de reuniões migrou para as divisões da casa e deu lugar à videoconferência. Manter a produtividade no meio desta transição é uma tarefa que, asseguram as organizações, se configura como “desafiante, sem, no entanto, ser impossível”. Já as preocupações com a privacidade que daí surgem, por outro lado – sobretudo numa altura em que a plataforma Zoom, por exemplo, está a ser acusada de omitir várias lacunas e deficiências no seu sistema de segurança – nunca foram tão grandes.

“As plataformas de videoconferência são bastante práticas mas, como qualquer peça de software, também podem apresentar vulnerabilidades”, explica ao PÚBLICO fonte do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS). Posto isto, as empresas devem privilegiar aquelas que “possibilitam a configuração de diferentes mecanismos de segurança”. “Por exemplo, as que disponibilizam o uso de uma palavra-passe única e de uma autenticação para se entrar numa reunião em vez de apenas um link; as que fornecem a opção de desfocar o fundo do enquadramento ou ainda as que conseguem impedir a gravação daquilo que está a ser filmado por parte dos outros participantes”, enumera.

No actual quadro de pandemia, que força muitos trabalhadores a improvisar escritórios em casa, estes cuidados – que já devem ser considerados em situações “normais”, frisa o CNCS – ganham contornos particularmente importantes, porque há riscos de “inadvertidamente revelar informação privada, enquadrada numa imagem que pode ser seleccionada e ‘lida’, sem que se tenha intenção de a partilhar”.

“Nem toda a gente tem um espaço exclusivo de trabalho no sítio onde vive. Eu, por exemplo, não tenho escritório em casa. Tenho dividido a mesa da sala com o meu marido, cada um fica com o seu pequeno canto. Nestas circunstâncias, é difícil separar a parte pessoal da profissional”, exemplifica Liliana Flores, coordenadora de recursos humanos do centro de investigação Fraunhofer Portugal.

Cuidados a ter antes de uma videoconferência

  • Escolher uma plataforma que possibilite a “configuração de diferentes mecanismos de segurança” – como impedir a gravação do que está a ser filmado por parte dos outros participantes
  • Escolher um fundo “neutro” que não revele informações pessoais
  • Fazer vistoria à secretária para “esconder” fotografias de família ou documentos com informação intransmissível
  • Tirar do ambiente de trabalho do computador documentos ou ficheiros que possam conter informação sensível
  • Fechar caixas de correio electrónico ou mensagens

 

Cenário neutro ou fictício

Numa videoconferência – que, para reuniões com clientes, pontos regulares de situação entre membros de equipas ou avaliação conjunta de projectos, tem sido uma realidade quase diária para muitos trabalhadores –, Susete Ferreira, directora de marketing da empresa de desenvolvimento de software Critical TechWorks, frisa que devemos ter a certeza de que “estamos num cenário neutro” antes de começarmos qualquer transmissão. É fundamental que “atrás de nós não existam quadros com notas de moradas, passwords ou serviços que usamos”, por exemplo. “Alguns programas permitem criar um cenário fictício, camuflando o contexto real, mas a tecnologia só é fiável até certo ponto”, salvaguarda, pelo que o melhor “será mesmo prevenir”, deixando perto do alcance da câmara apenas aquilo que tem “relevância” para o que vai ser discutido.

“Normalmente, quando faço acções de formação, preciso de partilhar o meu ecrã, e, naturalmente, temos sempre alguma informação confidencial nos nossos computadores. Para me certificar que não corro nenhum risco, faço uma pequena vistoria antes de iniciar cada videoconferência”, esclarece Ricardo Melo, investigador sénior na Fraunhofer. “Em primeiro lugar, ‘escondo’ aquilo que possa estar no ambiente de trabalho e conter informação mais sensível, e da mesma forma, por prevenção, também fecho tudo o que forem caixas de correio electrónico ou mensagens.”

O CNCS também aponta para o “cuidado de não ter palavras-passe ou códigos PIN escritos em papéis visíveis” – até porque essas “devem ser memorizados e nunca escritas” –, e sublinha que é fulcral “evitar filmar demasiado a casa e, sobretudo, paisagens exteriores que, de alguma maneira, ajudem a divulgar o local onde se mora”. Secretárias com cartões de crédito – que “podem ser esquecidos em cima de uma mesa, por exemplo” – ou facturas que possam conter dados intransmissíveis e “janelas para uma rua identificável” estão fora de questão. O ideal é mesmo um fundo “inócuo”. A plataforma Microsoft Teams é a preferida para a comunicação interna na Fraunhofer porque, acima de tudo, assinala Ricardo Melo, “garante alguma encriptação”.

O investigador lamenta, no entanto, que numa videoconferência seja “difícil ter um diálogo orgânico”, em que os intervenientes “sintam que conseguem participar e têm permissão para interromper”. “Uma interrupção numa conversa remota é mais difícil de fazer porque não é natural”, explica. “E isso pode prejudicar a discussão saudável entre colegas.”

Para combater esse problema, a TechWorks tem sempre um “líder de reunião”. Este, conta Susete Ferreira, “assegura o cumprimento da agenda e dá a palavra, de forma ordeira, a quem pretende falar” – para além de, “oportunamente”, apontar para “quem ainda não se manifestou mas poderá ter contributos a dar”.

Cuidados a ter durante uma videoconferência

  • Não ter palavras-passe ou PIN escritos em papéis visíveis
  • Não mostrar facturas ou outros documentos com informação pessoal
  • Não filmar cartões de crédito (é importante certificar que não ficam esquecidos na mesa antes de dar início à videoconferência)
  • Evitar filmar demasiado a casa e paisagens exteriores que denunciem o local onde mora
  • Desfocar o fundo (se a plataforma de videoconferência utilizada o permitir)
  • Desligar microfone do computador quando não está a intervir

 

Reuniões sem interrupções

Esta empresa sugere duas das principais chaves para uma videoconferência produtiva: “não extrapolar o tempo estabelecido” para as reuniões de trabalho e “seguir uma agenda predefinida”. No fim, e como, com “indesejada” frequência, podem ocorrer “cortes na ligação ou outros factores externos, característicos de, nalguns casos, vivermos com várias pessoas em casa”, “documentar as principais intervenções e conclusões” garante que todos ficam a par do que de mais importante foi dito.

“Quando preciso de participar numa reunião, para além de garantir que a Internet está a funcionar correctamente, dou indicações em casa para não me interromperem. O meu marido fica a tomar conta das crianças enquanto estou ocupada. Mas sabemos que alguns dos nossos colaboradores não têm essa facilidade e, por isso, é muito normal os mais pequenos aparecerem nos ecrãs”, reflecte Teresa Carreiro, directora de operações da Critical Manufacturing.

De resto, “há quem tire as fotografias de família de cima da mesa antes de começarmos a falar, para não serem ‘apanhadas’ pela câmara. Não temos indicações directas dentro da empresa para fazer isso, mas é uma questão de prudência”, acrescenta a gestora. “Também temos membros que desligam o microfone quando não estão a falar. É uma boa opção para evitar ruídos e interferências.” E um procedimento que está em linha com as recomendações do CNSC: no final de cada videoconferência, por uma questão de segurança, convém “desligarmos a câmara e o microfone nas configurações de privacidade do computador”.

Texto editado por Bárbara Wong

Estudo em Casa – Recomendações da DGE no uso de plataformas que permitem a comunicação áudio e vídeo

Abril 15, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Mais informações no link:

https://www.seguranet.pt/pt/estudo-em-casa-recomendacoes-de-seguranca

Cibersegurança com crianças – Europol

Abril 6, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Continue Reading Cibersegurança com crianças – Europol…

Autocarro interactivo percorre escolas para alertar para os perigos da Internet

Março 24, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Público de 10 de março de 2020.

A campanha SmartBus levará um autocarro interactivo a percorrer todo o país, para ensinar crianças entre os 10 e 14 anos a utilizar a Internet em segurança. A primeira paragem foi em Lisboa.

Bárbara Carlão

O autocarro está estacionado na Rua Ilha dos Amores, no Parque das Nações. Esta terça-feira, como no dia anterior, os três educadores que orientam as aulas que decorrem no interior do SmartBus, uma iniciativa da Huawei, recebem alunos da Escola Vasco da Gama, situada a poucas dezenas de metros de distância.

Cinco minutos antes da hora de início da aula, desinfecta-se tudo o que tem ecrã táctil: telemóveis, tablets, computadores, painéis interactivos. Enquanto se espera pela turma seguinte, o educador comenta que a maioria dos alunos não está suficientemente educada nem familiarizada com as consequências que podem advir de acções tão comuns no mundo online como a partilha de uma foto ou da sua localização, preocupações que são tidas em conta nestas aulas.

São 10h45 e uma turma de 7.º ano, com 23 alunos, entra no autocarro. “Sabem o que estão aqui a fazer?”, começa por perguntar o educador. “Vamos receber um telemóvel”, responde alguém, dando voz à esperança, não só sua, mas de todos os colegas. Todos sabem que o objectivo da aula é outro: sensibilizar para os perigos da Internet.

Não se encontra um único estudante entre os ali presentes que não tenha redes sociais – utilizam sobretudo o Instagram e já não tanto o Facebook, que marcou a geração millennial. Quando o educador pergunta para que utilizam as redes, ouve-se respostas como “para partilhar a vida”, e “para comunicar”. Mas será que alguém leu as autorizações “escritas em letrinhas pequeninas”? Todos se riem, deixando imediatamente claro que a resposta é um redondo “não”. O primeiro tema é a protecção de dados, e o educador explica que as redes são gratuitas mas têm um preço – a divulgação e venda dos nossos dados privados.

O autocarro, que funciona como sala de aula interactiva, está equipado com uma série de smartphonestablets e computadores, dispostos ao longo de uma mesa corrida, com cadeiras dos dois lados. À ordem do educador, os alunos sentam-se e, dois a dois, começam por ligar os tablets. No ecrã de início encontram duas aplicações, o Smartbook e o Beeper: dois jogos inspirados no Facebook e no Twitter, respectivamente, que simulam situações que podem decorrer da utilização dessas duas redes sociais.

Assim que pegam nos tablets e começam a jogar, ouve-se uma espécie de buzina que sinaliza que alguém deu uma resposta errada. “Lê bem o que diz”, pede o educador, quando um dos alunos lhe pergunta porque a resposta que deu estava errada. “Não olhes só para as imagens”, aconselha. Não mais de dois segundos depois a mesma buzina volta a soar, e passados cinco segundos gera-se uma espécie de sinfonia que não pára nos cinco minutos seguintes.

A primeira situação que os alunos encontram no Beeper é um colega de turma fazer uma publicação a dizer que foi a um concerto. Quando lhes é perguntado se há algum problema, respondem unanimemente que não – o educador concorda, e aproveita para explicar que não há problema em partilhar algo que se fez, mas sim em partilhar o que se está a fazer no momento ou ainda o que se fará no futuro.

Outra situação que surge é a partilha de uma notícia falsa – “pensem sempre se é verdadeiro aquilo que vêem na Internet”, aconselha o educador. E quando não têm a certeza, o que podem fazer? “Pesquisar no Google”, ouve-se em uníssono.

Já no jogo Smartbook, os estudantes recebem uma mensagem no chat enviada por um desconhecido que diz ter 14 anos. “Ele tinha 14 anos? Ele tinha barba!”, comenta um dos alunos. Neste cenário, a mensagem que se quer passar é que, sobretudo na Internet, nem tudo o que parece é. “Se não conhecerem a pessoa, não falem com ela”, diz o educador, sugerindo aos alunos que partilhem este tipo de situação com os pais.

Aborda-se também conceitos como malware e phishing, situações cujo perigo é menos fácil de detectar por quem não tem conhecimento de que existem, até porque podem ter origens aparentemente inofensivas, como uma mensagem de alguém conhecido.

Quando passam para os telemóveis, os estudantes encontram mais dois jogos de simulação situacional, o Chatapp e o Fotocam, que se assemelham ao Whatsapp e o Instagram. Aqui surge a oportunidade de abordar assuntos como a partilha de fotos, em particular fotos íntimas, sejam dos próprios ou de terceiros. No Chatapp, um colega fictício envia uma mensagem a pedir que lhe enviem uma foto para ele, por sua vez, enviar a um amigo. Um dos alunos soube imediatamente identificar o risco nesta situação – “eles podem publicar” a fotografia online sem a autorização de quem nela figura. E porque “o que vai para a Internet, não sai da Internet”, o educador reforça que “publicar coisas de outras pessoas sem autorização” é ilegal.

Tanto o Francisco como o Gabriel, ambos de 12 anos, participam na aula. Ambos afirmam que os pais falaram com eles sobre os cuidados que devem ter quando utilizam a internet quando, há dois anos, começaram a ter redes sociais. Ainda assim, Francisco consegue elaborar uma lista de coisas que acabou de aprender.

“Ler as coisas logo do início”, ou seja, ler os termos de utilização, bem como ter cuidado com os sites que visita e “nunca dar dados pessoais”. Acrescenta ainda que se deve sempre “ter cuidado com quem fala connosco e nós não conhecemos” e que nunca se deve enviar “fotos nossas a alguém que não conhecemos”.

Ao seu lado, Gabriel acena em concordância e diz que “era bom falarmos mais para estarmos mais informados, porque não sabíamos muito daquilo que nos disseram aqui”. Embora abordem alguns destes temas na disciplina de Tecnologias da Informação e da Comunicação, como afirma Gabriel, não é o suficiente, confessa uma das professoras que os veio acompanhar, Verónica Melo.

“Os miúdos já nascem com isto”

“Os miúdos já nascem com isto e há que sensibilizá-los para estes problemas a que estão sujeitos”, começa por dizer. “Os pais também fazem o seu trabalho”, mas a verdade é que a escola também tem de fazer um maior acompanhamento, “até porque os miúdos passam mais tempo na escola do que em casa”. É por isso que Verónica Melo acredita que este tipo de iniciativas é extremamente importante: “Eles ainda não têm muita noção dos perigos que efectivamente correm, e quando têm acham que é [só] aos outros que acontece”.

A aula acaba com o educador a esclarecer que a internet, incluindo as redes sociais, não é só perigos – mas esses perigos existem. “Quem não arrisca, não petisca”, argumenta um dos alunos. Mas porque quem arrisca por vezes também “não petisca o que quer”, como responde o educador, o melhor é mesmo prevenir.

O projecto SmartBus, iniciativa da empresa Huawei, já percorreu a Bélgica, Holanda, Espanha e chegou ontem a Portugal. Durante o mês de Março, o autocarro percorrerá o país de norte a sul, contando abranger cerca de cinco mil alunos dos 5.º e 6.º anos.

Texto editado por David Pontes

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.