“Jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet”

Fevereiro 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://tek.sapo.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

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O cenário é semelhante em várias idades. Logo desde os mais pequenos (alguns com menos de 3 anos) e até aos mais velhos, é cada vez mais frequente encontrar os jovens portugueses de olhos colados aos ecrãs, como prova um estudo realizado por uma equipa de investigadores da FCSH/Nova para a ERC.

Hoje dominam os smartphones e os tablets onde há 10 anos pontuavam os portáteis Magalhães, mas os desafios vão crescendo com novas tecnologias, modas das redes sociais e conteúdos mais visuais, mas também a tendência para expor mais da vida privada online.

Como podem os pais e educadores gerir a relação dos mais jovens com as tecnologias? Devem proibir e limitar o tempo de utilização, que rouba muitas vezes espaço ao estudo e a outras atividades, mas também tempo de socialização com a família e amigos, e horas de sono?

O estudo realizado para a ERC dá outro tipo de recomendações, com estratégias flexíveis, adequadas à idade, nível de competências e a própria personalidade dos jovens, e da sua tendência para arriscar. “Estratégias restritivas resultam numa limitação do acesso a oportunidades, pelo que a mediação deve privilegiar a capacitação para a resolução de problemas e a resiliência”, refere o estudo entre outras recomendações.

Cristina Ponte, uma das responsáveis pela investigação, explica ao TeK que, por uma questão cultural, os povos do Sul da Europa apresentam mais receios sobre os conteúdos online, sobretudo os de cariz sexual. Habituada a discutir em fóruns europeus os temas relacionados com a segurança na internet, a investigadora refere que esta é uma das grandes preocupações dos educadores portugueses, a par com o contacto com estranhos, que não tem eco nos países nórdicos.

“No norte da Europa a educação privilegia a autonomia. No Sul a tendência é para sermos mais protecionistas”, justifica. O espírito de que o bom pai e a boa mãe são os que protegem ainda está muito vincado na cultura portuguesa e traduz-se na forma como encaram a utilização dos equipamentos tecnológicos, embora muitas vezes os aparelhos sejam usados como baby sitter ou “pacificadores”, sobretudo junto das crianças com idades até aos 8 anos.

E qual é o discurso certo? Cristina Ponte afirma que não há uma resposta genérica, mas que no geral “os jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet, sobretudo na adolescência”. Em vez de protecionista, o discurso devia ser mais “empoderador”, apostando no faz, controla, verifica. “Devia ser capacitante para ajudar a lidar com o risco e para criar competências”.

 

Crianças correm grandes riscos na internet

Fevereiro 4, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://jcrs.uol.com.br/ de 24 de janeiro de 2017.

Patricia Knebel

O computador, o tablet e o smartphone se tornaram um objeto de desejo de 10 entre 10 crianças e adolescentes. Por esses gadgets eles choram, batem pé e acabam convencendo os pais a ajudá-los a entrar, muitas vezes cedo demais, no mundo da tecnologia.

Mas você já parou para pensar que os simples hábito de jogar no computador pode estar expondo o seu filho a riscos seríssimos, como o dele achar que está trocando informações sobre táticas do game com um menino da sua idade quando, na verdade, está conversando com um pedófilo? Ou que, ingenuamente, a sua filha está enviando fotos íntimas pelo Facebook na intenção de conhecer um ídolo?

Foi isso que aconteceu recentemente, quando a tia de uma menina de 10 anos estranhou quando ela pediu uma short de dormir emprestado e foi averiguar. Descobriu que um perfil falso no Facebook do fã-clube da cantora Larissa Manoela estava tentando convencer a menina, e muitas outras, a enviar fotos com roupas curtas sob o pretexto de ter a chance de conhecer a artista.

Golpes como esses acontecem todos os dias. Eles tiram dinheiro, inocência e paz das crianças e dos seus pais. Conter isso é uma responsabilidade de todos que as cercam, alerta Daniel Diniz, membro do Conselho Consultivo do (ISC)2 para a América Latina, que reúne 120 mil profissionais de segurança cibernética, e do Conselho Administrativo do Center for Cyber Safety and Education.

Jornal do Comércio – Qual o tamanho dos riscos aos quais as crianças estão expostas hoje em dia com a internet?

Daniel Diniz – As crianças correm riscos do tamanho de prédios arranha-céus, ou seja, são muitos, muito altos e podem trazer consequências trágicas em alguns casos se os pais, professores e a sociedade como um todo não assumirem seu papel ativo em protegê-las. Os cibercriminosos estão em uma busca permanente pelos dados dos cidadãos para obter alguma vantagem financeira ilícita. Os alvos preferenciais desses criminosos são as crianças e os idosos, geralmente vulneráveis a golpes conhecidos como engenharia social, em que o golpista procura enganar a vítima fazendo-a revelar informações sensíveis. As redes sociais geralmente são usadas no Brasil e em outros países da América Latina por crianças que ainda não possuem idade apropriada para entender os riscos. Os pais cedem à pressão dos filhos que, muitas vezes, convivem com amigos na escola que também já utilizam essas plataformas antes do tempo. Os criminosos usam essas redes para obter informações de suas vítimas. As crianças também costumam jogar games que possuem capacidade de comunicação e interação com outras pessoas que fingem ser da mesma idade. Existem vários casos de pedófilos utilizando esses meios para cometer seus crimes contra as crianças.

JC – É muito comum hoje em dia vermos as crianças com tablets e smartphones. Que riscos que chegam por meio desses dispositivos?

Diniz – Realmente é muito comum os pais presentearem a criança pequena com um celular ou tablet, e um dos riscos é deixar a capacidade de instalação de novos aplicativos sob o controle dela. Muitos aplicativos podem conter o que chamamos software malicioso, os malwares. Este tipo de app malicioso rouba os dados do celular ou tablet, ou pode ligar câmera e microfone sem o conhecimento do usuário a fim de monitorar seus passos. Pensando que nossos filhos possam estar sujeitos a este tipo de ameaça, devemos acordar para o problema e assumir nossa parte na proteção deles.

JC – Os pais parecem perdidos sobre como agir em relação à tecnologia e às crianças. Qual o conselho que você daria para eles tentarem aumentar a proteção?

Diniz – Também tenho a mesma sensação. Não só os pais estão perdidos, mas todas as pessoas com as quais as crianças interagem regularmente, como professores, avós, tios, primos e outros familiares. Isso tem uma explicação: a tecnologia evolui de forma rápida demais, e o mesmo acontece com as ameaças ao seu uso. As crianças geralmente são ávidas por tecnologia porque estão em processo de mudança, de aprendizado. Elas se identificam facilmente com as transformações e as assimilam muito rapidamente. Os adultos não conseguem acompanhar esse círculo frenético. O uso consciente e seguro da tecnologia pela sociedade, especialmente pelas crianças, consideradas altos utilizadores (heavy users), é um grande desafio que estamos enfrentando no século XXI.

É um problema que deve ser combatido todos os dias pela sociedade, sobretudo com muita informação e debates sobre os riscos que estamos correndo de forma a embasar a tomada de boas decisões. No caso das crianças, é fundamental que elas conheçam estes riscos e sejam acompanhadas por pais, professores e familiares. O principal conselho é: acorde imediatamente para esse assunto. Seu filho já está correndo riscos que ele e você desconhecem. Alguns podem trazer consequências amargas pelo resto da vida, muitas vezes por negligência nossa, pais e/ou responsáveis. Busque informar-se, leia a respeito do tema e procure aconselhamento com as pessoas em quem você confia.

JC – Como os pais podem buscar criar um instinto de navegação segura?

Diniz – Criar a cultura de segurança no uso da tecnologia pelas crianças, adultos e toda a sociedade é adicionar estes hábitos seguros ao dia a dia delas. À medida que elas incorporam esses hábitos, não importa qual é tecnologia ou dispositivo usarão, pois já terão o hábito de usar a tecnologia em seu benefício para aprender, se divertir, se comunicar com a família, mas sem se expor. Esses hábitos seguros significam para o uso da tecnologia o mesmo que a higiene para a saúde humana: prevenção. Prevenir-se contra riscos, usando a tecnologia para o que ela foi realmente criada: melhorar nossas vidas.

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Perfil falso do fã-clube de Larissa Manoela era armadilha para meninas REPRODUÇÃO/FACEBOOK/

 

10 cuidados que os pais devem ter com as crianças no mundo digital:

  1. Altere a senha de fábrica dos dispositivos que possuem tecnologia bluetooth e Wi-Fi. A maior parte desses itens utiliza uma senha padrão que facilita a invasão de hackers.
  2. Desabilite a geolocalização automática em todos os aparelhos das crianças: pessoas mal-intencionadas podem utilizar códigos escondidos desse recurso para rastrear a localização das crianças por meio das fotos, vídeos e conteúdos publicados nas redes sociais.
  3. Verifique a classificação indicativa e as capacidades de conexão dos jogos. Tenha em mente que alguns jogos permitem a interação on-line com outras pessoas sem restrição de idade.
  4. Instale jogos e aplicativos educacionais antes de presentear as crianças com os dispositivos: existem muitas opções de apps que oferecem aprendizado e entretenimento. Ajude as crianças a escolhê-los.
  5. Organize uma área para carregar a bateria dos dispositivos em sua casa durante a noite de forma que as crianças não os levem para o quarto.
  6. Mude a senha de fábrica do seu roteador Wi-Fi e o configure para o nível de controle necessário em sua casa, como horário de acesso e bloqueio de sites por categoria.
  7. Antes de entregar os aparelhos para as crianças, crie usuários não administradores. Dessa forma, eles não podem mudar as configurações ou baixar e instalar aplicativos sem permissão.
  8. Oriente as crianças a não compartilharem informações pessoais, como endereço, número de telefone e e-mail.
  9. Instrua seus filhos a reportarem qualquer incidente de bullying e a tratarem os outros como gostariam de ser tratados.
  10. Certifique-se de que as crianças saibam que só devem se conectar a redes Wi-Fi confiáveis.

 

#NaoTeDeixesPossuir – Campanha da Dianova objectivo alertar os jovens e adultos, para os riscos associados a uma utilização inadequada da Internet

Julho 23, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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dianova

“#NAOTEDEIXESPOSSUIR” 2016

Sente que um amigo, familiar ou você mesmo está a ser “possuído” pelas novas tecnologias?

Num mundo cada vez mais dominado pelas novas tecnologias, como a Internet, redes sociais, smartphones e apps, é cada vez mais difícil estabelecer um limite para a utilização saudável destas ferramentas.

A campanha #NaoTeDeixesPossuir tem por objectivo alertar particularmente os jovens, mas também os adultos, para os riscos associados a uma utilização inadequada da Internet, incluindo Websites, Redes Sociais, Jogos Online, Apostas Online através de PC/Laptop, Smartphones ou Tablets.

mais informações no link:

http://dianova.pt/cidadania-e-solidariedade/campanhas-de-interesse-publico/campanha-reage-2014-2-2/

Segurança online das crianças preocupa mas a dos seniores também

Dezembro 21, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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notícia do site http://tek.sapo.pt  de 7 de dezembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Consumer Security Risks Survey 2015

thumbs.sapo.pt

Os pais preocupam-se com os perigos que os seus filhos correm enquanto navegam na Internet, mas os receios estendem-se também aos membros mais velhos da família.

Assim indica um estudo recente da Kaspersky Lab e da B2B International que mostra que 30% dos adultos acham que não têm qualquer controlo sobre o que os seus filhos vêm ou fazem online e 52% acreditam que os perigos que estes correm estão a aumentar.

Mas não são apenas os mais jovens que geram preocupação entre os adultos, há também quem tenha receios relativamente aos membros seniores da família, nomeadamente os seus pais e avós.

Mais de metade dos inquiridos têm pais que acedem à Internet e 29% do total preocupam-se com a possibilidade de os idosos correrem riscos online e não saberem lidar com eles.

A preocupação aumenta em proporção à idade e aqueles que têm avós cibernautas (19% dos participantes) consideram-nos ainda mais vulneráveis, sendo que dois terços – 13% do universo total – preocupam-se com o que estes utilizadores podem encontrar na web.

O risco de se tornarem vítimas de malware (52%) ou de fraudes online (50%), de perderem dinheiro por causa de ameaças virtuais (45%) ou de serem espiados (37%) estão entre as maiores preocupações com os mais velhos.

Em comum com a lista dos principais receios relativamente às crianças, os resultados mostram que a comunicação online com estranhos (25%) e o acesso a conteúdo impróprio/explícito (20%) também fazem parte das preocupações de quem tem pais e avós a acederem à Internet.

O estudo foi realizado em junho deste ano e tem por base as respostas de 12.355 pessoas a partir dos 16 anos de um total de 26 países.

 

 

 

 

6 things parents and policy-makers need to know about children and the internet

Novembro 28, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://blogs.lse.ac.uk

Zeitfaenger CC BY 2 0

Sonia_Headshot-Photo-150x150Sonia Livingstone has been researching children’s internet use for 20 years, and based on this research and that of many others, she’s come to six evidence-based conclusions that should be of value to parents and policy-makers who seek to maximize the opportunities and minimize the risk of harm. Sonia is Professor of Social Psychology at LSE’s Department of Media and Communications and has more than 25 years of experience in media research with a particular focus on children and young people. She is the lead investigator of the Parenting for a Digital Future research project. 

  1. Internet access as a right. As children go online for longer, ever younger, and in more countries across the globe, the nature of internet use is changing – more mobile and personalized, more embedded in everyday life, harder to supervise by parents yet ever more tracked by companies. As children see it,internet access is now a right, and so, too, is digital literacy. They claim these as rights out of both enthusiasm and necessity – not so much because they value engaging with the internet in its own right, but because they engage with the world through the internet. And this they see as their route to wellbeing now and to better life chances in the future. However, not all online opportunities are automatically translated into demonstrable benefits for children, as too many have gained access to hardware but not know-how, to lessons but no lasting learning, or to chances to express their voices that go unheard.
  2. Addressing the participation gap. Children’s enthusiasm alone is not enough. Even in the world’s wealthier countries, most tend to use the internet primarily as a medium of mass communication, and mainly receive (view, stream, download) content produced by others, most of it commercial. It is only the minority of children – more of them older and relatively privileged – who are genuinely creative or participatory in their online contributions. Many therefore fail to gain the benefit of the internet, and don’t have the chance to see their own experiences and culture reflected in the digital environment. This raises two challenges: (i) to media literacy educators, and the ministries of education that support them, to facilitate creative, embedded, ambitious uses of digital media, and (ii) to the creative industries, to build more imaginative and ambitious pathways for children to explore online and fewer walled gardens, sticky sites and standardized contents.
  3. Beyond digital natives and digital immigrants. In the early days of the internet, parents and teachers tended to feel disempowered as their children knew more about it than they did. But as the internet has become a familiar part of everyday life, the reverse generation gap (in which children’s digital skills outweigh those of their parents’) has tended to reduce, with parents and teachers increasingly able to share in and guide children’s internet use.Evidence shows that if parents are knowledgeable and confident in using the internet themselves, they offer the kind of guidance that children themselves accept as useful (and you can tell if that’s the case by reflecting on whether your child spontaneously shows you, or asks for help with, what they’re doing online). This means more authoritative guidance – sharing, discussing, setting some limits – and fewer top-down restrictions or bans that children are likely to evade. So efforts to build parents’ digital literacy will help parents, children and teachers in using the internet wisely (and that, in turn, might help regulators who prefer not to intervene).
  4. Getting online risk in perspective. Society has become used to media headlines panicking about media risks online, and clinical and law enforcement sources do show that these are real and potentially deeply problematic for a small minority of children. But for the vast majority of children, the online world is no more risky – and perhaps even less risky – than the offline world. Reliable evidence suggests that the incidence of risk of harm for most internet-using children is relatively low – in Europe and the US, for instance, between 5% and 25% of adolescents have encountered online bullying, pornography, sexting or self-harm sites.
  5. Risk is (only) the probability of harm. Research also shows that online (and offline) risks are generally positively correlated – for example, children who encounter online bullying are more likely to see online pornography or meet new online contacts offline, and vice versa. Moreover, offline risk seems to extend (and sometimes get amplified) online, while online risk of harm is often felt (and made manifest) in offline settings. However, not all risk results in actual harm. Indeed, some evidence suggests that exposure to some degree of risk is, for many children, associated with the development ofdigital skills and coping strategies, as children build up resilience through their online experiences. Children are no more homogeneous than the adult population, so a host of factors as diverse as gender norms, family resources and regulatory context all make a difference in the distribution of risk and harm, vulnerability and resilience.
  6. Risks and opportunities go hand in hand. The more often children use the internet, the more digital skills and literacies they generally gain, the more online opportunities they enjoy and – the tricky part for policy-makers – the more risks they encounter. In short, the more, the more: so internet use, skills, opportunities and risks are all positively correlated. This means thatpolicy efforts to promote use, skills and opportunities are also likely to engender more risk. It also means that efforts to reduce risk (by policy-makers, parents and other stakeholders) are likely to constrain children’s internet use, skills and opportunities. This poses a conundrum that demands recognition and careful thought. How much risk is society ready to tolerate to support children’s digital opportunities? And, most important, can governments and industry take action to redesign children’s online experience so as to enhance their well-being and rights?

These points are all illustrated in the graph below, which shows the positive correlation for children in seven European countries between online opportunities and risks in 2010. It also shows the same correlation a few years later. While the overall picture remains similar, we might ask ourselves, how have some countries (e.g. UK and Italy) managed to increase children’s online opportunities without substantially adding to their risks, while other countries have increased children’s opportunities only at the cost of also increasing their risks? And how will societies reach this balance, in different countries and for different children, in the future?

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NOTES

This text was originally published on the World Economic Forum’s Agenda Blog and has been re-posted with permission.

 

 

Jogo desafia jovens a desaparecerem para se tornarem virais

Novembro 12, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 12 de outubro de 2015.

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Os adolescentes estão a desafiar-se uns aos outros, através do Facebook, a desaparecem durante 72 horas seguidas para se tornarem conhecidos. Os casos mais recentes têm acontecido na Irlanda.

Os jovens não podem contar a ninguém para onde vão ou o que estão a fazer, deixando a família e os amigos verdadeiramente preocupados. Esta é a “regra” do “Game of 72” , um jogo que tem o Facebook como principal palco. O objetivo é obter o maior número de “partilhas” nas redes sociais durante o desaparecimento de três dias.

Para completar o desafio, o telemóvel tem de ficar em casa e os adolescentes não podem deixar nenhuma pista ou aviso. O único objetivo é tornarem-se virais nas redes sociais, conseguindo o maior número de “partilhas” possível no Facebook e no Twitter.

Segundo o site noticioso irlandês “The Liberal“, os recursos, o tempo e esforços que as autoridades irlandesas já investiram mostram o quão perigoso e escandaloso é este jogo.

O jogo é conhecido por “Game of 72” ou “72-hour-challenge” (em português ‘jogo de 72’ ou ‘desafio das 72 horas’). Surgiu no início deste ano nos EUA e no Reino Unido, mas nos últimos meses foram confirmados vários “desafios” também na Irlanda.

 

 

 

Conferência Internacional – Acolhimento de Jovens em Instituição: Proteger, Prevenir e Capacitar – Desafios à intervenção

Novembro 4, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Entrada livre sujeita a inscrição

mais informações:

http://www.gulbenkian.pt/Institucional/pt/Agenda/Eventos/Evento?a=5312

 

Os filhos têm direito a não ser amigos dos pais no Facebook

Abril 29, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do i  a Margarida Gaspar de Matos de 26 de abril de 2015.

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Marta F. Reis

Margarida Gaspar de Matos, uma das maiores especialistas de comportamento de jovens fala ao i.

É uma das maiores especialistas nos hábitos dos jovens em Portugal e coordena os inquéritos à população escolar. Margarida Gaspar de Matos acaba de publicar o livro “Nascidos Digitais: Novas Linguagens, Lazer e Dependências”, uma colectânea de estudos sobre o uso da internet pelos mais novos.

A psicóloga e investigadora da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa diz que muitas vezes os receios digitais dos pais são exagerados, mas acredita que há uma explicação histórica para isso. E está mais preocupada com a falta de esperança da juventude que já não se lembra do antes da crise do que com as novas tecnologias.

Nesta geração de jovens nascidos na era do digital ainda faz sentido perguntar se passam muito tempo à frente do computador?

A internet veio para ficar. Não vale a pena pensar que vai passar, que é evitável. Em poucos anos a forma como encaramos este fenómeno já mudou. Hoje em dia nos inquéritos já não perguntamos quanto tempo os miúdos estão sentados à frente do computador porque já ninguém está apenas sentado à frente do computador, estão no telemóvel ou deitados com o tablet.

E miúdos que estejam sempre deitados com o tablet estão viciados?

Isso é outro aspecto que importa esclarecer. A dependência tem critérios que não são apenas usar nem usar de mais. Ser dependente é viver em função de. E o que temos concluído é que não há assim tantos jovens com sinais de dependência da internet: há uma percentagem de uso mais problemático na casa dos 3% a 4%, como sempre aconteceu.

É pior que seja no telemóvel ou noutra coisa qualquer?  Mas não estão a sacrificar nada? Concluímos que não deixam de fazer grande coisa. Eu quando andava no liceu chegava a casa e telefonava às minhas amigas para conversar. Eles agora ligam-se ao Facebook mas em geral é para fazer o mesmo: falar com os amigos da escola. Há uma questão que mete muito medo aos pais que é haver predadores à procura dos miúdos na net. Com certeza que existem e é preocupante, mas em geral os miúdos são consumidores exigentes e informados e não andam a falar com estranhos. Mesmo miúdos que parecem mais viciados naqueles jogos multiplayer, como o “World of Warcraft”, dizem uns tempos mais tarde que foi passageiro.

Enquanto não passa não almoçam, faltam às aulas…

Certo, mas um dia fartam-se. Não era uma verdadeira dependência. Do ponto de vista psicopatológico a dependência tem a ver com alguns tipos de personalidade e nem toda a gente tem propensão para isso. Os pais, mais que catastrofizarem a internet, devem monitorizar os jovens e acompanhá-los.

Quais são os sinais de alarme?

É estar enfiado no quarto, saltar refeições, não querer falar com ninguém, mas não se durar uma semana ou duas. Percebo que quando há uma semana disto o pai fica preocupado mas é preciso perceber se é uma dinâmica circunstancial ou algo estrutural e invasivo.

Concluem, contudo, que mais de metade dos jovens não dormem o que deviam, também graças à internet.

Sempre dormiram pouco. Antes do computador ouviam música, liam. É normal que o adolescente quando se fecha no quarto esteja a criar uma identidade e um espaço que o ocupa. Se calhar, se antes o fazia mais sozinho, agora tem mais amigos através das redes sociais.

Há uma nova publicidade que diz que os telemóveis e as redes sociais podem estar a conspirar contra a amizade real. Não tem essa visão pessimista?

Não tenho. Os jovens têm-nos convidado a reflectir sobre essa crença e de facto eles na net falam com os amigos que conhecem. Na maioria dos casos não há amigos virtuais e amigos reais.

O conceito de amizade não mudou então com os “amigos” do Facebook?

Não me parece, há é mais contacto. Em vez de falarem ao telefone e escreverem bilhetinhos, podem estar sempre em contacto. Até se podem estar a fortalecer os laços e miúdos que moram em zonas mais isoladas têm maior facilidade em estar em contacto. E se antigamente a família tendia a menosprezar a importância do contacto com os amigos, agora eles conseguem ultrapassar isso.

Quanto mais estuda os nascidos digitais, menos preocupada está?

Não estou preocupada. A internet não está a viciar mais que outras coisas que viciavam no passado. É evidente que se pode dizer que é mais acessível mas não acredito nessa visão pessimista. Miúdos com muitos problemas não são o país, são um grupo minoritário.

De onde vem essa demonização? Da desconfiança crónica dos mais velhos em relação aos hábitos dos mais novos?

Por um lado é isso. Por outro estamos numa altura histórica, em que os pais que ensinavam os filhos a fazer coisas nesta questão das tecnologias não conseguem. E os próprios pais perdem de certa forma o crédito que tinham junto dos filhos – os miúdos não pensam neles para pedir ajuda.

Os pais sentem-se ainda menos presentes na vida dos adolescentes?

Sim, creio que é muito isso.

O que será passageiro, não? Os pais de hoje já serão quase “nascidos digitais”.

Sim, mas atenção: isso pode ser verdade para si e para mim, que sou bastante mais velha mas utilizo muito a internet, mas não é verdade para toda a gente. Hoje em dia 99% dos miúdos têm acesso até através de programas como o Magalhães, mas ainda há pais de filhos adolescentes só com o primeiro ciclo, pessoas que mal sabem ler e escrever. A internet foi um grande desafio à parentalidade: é a primeira vez que os pais são incompetentes numa das coisas mais importantes na vida dos filhos. Deve ter acontecido o mesmo quando apareceu a roda.

Qual é a expressão do ciberbullying em Portugal?

Os jovens que dizem que são alvo de ciberbullying são 16% do total e apenas uma minoria, na ordem dos 2%, diz ter tido consequências que não conseguiu ultrapassar. Uma vez mais, não digo que não é importante, mas não é um problema de saúde pública. Sinceramente, vejo com muito mais preocupação e frequência miúdos que se sentem humilhados porque os pais usaram as suas passwords para entrar nas suas contas e ver o que escrevem e com quem falam.

Isso gera mais sofrimento?

Os miúdos sentem-se ofendidíssimos. Às vezes escrevem coisas que nem diriam a eles próprio, quase como num diário. E os pais, com a ajuda de um irmão mais velho, vão lá, lêem e confrontam-nos.

Por ser a internet, os pais desvalorizam mais a privacidade dos jovens?

Acho que sempre houve essa tendência e os miúdos sempre tentaram esconder a chave do diário e o que escreviam dos pais. Um adolescente quando está a crescer tende a reservar a sua intimidade. Os pais têm de estar perto, têm de os monitorizar e dialogar, mas tem de haver um espaço onde não entram pois isso é mau para o desenvolvimento.

Os pais por vezes queixam-se de que os filhos não querem ser amigos deles no Facebook. O que diz? 

Os filhos têm direito a não ser amigos dos pais no Facebook. Os pais não existem para ser amigos dos filhos, existem para ser pais. Não são melhores porque se vestem como os filhos, vão aos sítios deles e lidam com os amigos deles como se fizessem parte do grupo. O que acontece quando os pais aborrecem os miúdos para serem amigos é eles acabarem por criar outro perfil onde possam ser eles próprios. Dito isto, acho que antigamente ainda era pior. Hoje vejo os miúdos mais próximos dos adultos, mas aquela coisa de andar sempre em cima do filho nunca foi boa.

Os receios dos pais são exagerados?

É isso que nos dizem os jovens quando respondem que sabem bloquear, que escolhem com quem falam e que não se sentem mal. Hoje os miúdos aprendem isto tudo na escola. No estudo de 2010 houve uma subida no uso na internet mas em 2014 estagnou. Há uma maior utilização de dispositivos mais integrados mas os miúdos não estão a passar mais tempo na net. Claro que há riscos: há o sedentarismo, problemas nos olhos e activação muito rápida a nível cerebral por causa da luminosidade dos ecrãs que pode alterar o limiar de excitabilidade e fazer com que tenham menos interesse noutras coisas.

Qual é o tempo de ecrã seguro?

Fizemos um estudo sobre qualidade de vida e concluímos que os jovens que passam mais de quatro horas à frente do ecrã têm mais problemas mas os que não têm acesso também – percebem a sua vida com menos qualidade e sentem-se menos bem consigo. O que acho importante é que os pais expliquem os riscos numa conversa mas não no meio de uma discussão e que não imponham regras só para os pôr de castigo. A partir dos 12 anos um adolescente consegue cognitivamente perceber porque é que se estiver com o telemóvel na cama vai ter maior irritabilidade e uma pior qualidade de sono. E os jovens gostam de seguir regras desde que percebam a lógica e não lhes pareça que é só para os controlar.

É o problema de muitos pais: quando faz sentido dar o primeiro telefone ou tablet? 

Uma criança com dois anos agarra num tablet e consegue mexer naquilo mas por definição nestas idades os brinquedos acabados têm uma utilização muito curta – os miúdos desinteressam-se. Deve dar-se quando têm responsabilidade. Agora não vejo mal em começarem a usar os equipamentos dos pais mais cedo, até com dois ou três anos. Se gostam e há ferramentas que permitem trabalhar a atenção, a habilidade ou a identificação de padrões, porque não havemos de aproveitar? Tem é de haver regras: se gosta, joga um jogo. Acaba e vai fazer outra coisa. Agora o que acontece muitas vezes é os pais aproveitam que estão acabar alguma coisa e eles ficam ali jogo atrás de jogo e isso é que não pode ser.

Mas o que vemos são famílias todas de tablets e telefones na mão à mesa do restaurante e entre jovens o mesmo.

Sim, mas há pior. Estive na Coreia e lá é que não encontra ninguém que não esteja com auscultadores e telefone na mão.

E isso faz sentido?

Assim nunca tinha visto e fez-me um bocado de impressão, mas é um choque como noutras culturas ver as pessoas com os narizes furados.

Se isso for o futuro, admite que possa ser uma evolução positiva?

É uma evolução histórica e temos de esperar para ver os resultados. O que penso hoje é que se agora tenho uma pessoa ao meu lado mas tenho um dispositivo e estou a escrever a outra, o que acontecia antes? Se calhar as pessoas estavam caladas.

Estariam?

Já viu nos pequenos-almoços nos hotéis a quantidade de casais que entram, comem e não trocam uma palavra?! Agora há aqueles cartazes nos cafés que dizem “não temos net, falem uns com os outros”. Se as pessoas quiserem falar umas com as outras não estão agarradas ao telemóvel e se estão é porque se calhar querem falar com outras pessoas. Pode ser uma forma de estarem mais satisfeitas.

Sempre teve essa visão tão optimista?

No início achei que era algo que iria usar pouco. E depois veio a euforia. Lembro–me de pensar, quando fizemos o primeiro estudo, em 2006, que nada do que se estava a passar era normal. Tinha aparecido o jogo “World of Warcraft”, a Ségolène Royal tinha feito campanha no “Second Life” e tinha ido a uma conferência em Palermo em que os colegas estavam a abrir consultórios online. As coisas acabaram por não se extremar tanto como se imaginou. É engraçado: perguntámos aos miúdos no inquérito de 2014 o que tinha mudado para melhor nos últimos anos e dizem que agora conversam mais. Não estou a defender a crise e a austeridade mas estávamos a entrar num pico de consumismo e isso abrandou, o que se calhar explica o resto.

Estuda esta área há 30 anos: os jovens e as crianças já foram mais felizes?

O relatório internacional sobre jovens que saiu recentemente mostra que de 2002 a 2010 a população europeia ficou mais saudável: há menos consumo de álcool e a obesidade não continuou a aumentar. Deram-lhe até o título “Jovens mais saudáveis e mais felizes”.

Mas no inquérito de 2014 em Portugal concluíram que mais de 50% dos jovens se sentem tristes.

Era o que ia dizer. O que comentário que faço é que, em Portugal os dados mais recentes é que menos saudáveis ainda não estão, mas os jovens portugueses estão tristes como não estavam desde 2002.

Porquê?

Vamos passar este ano a discutir isto mas queixam-se de falta de expectativas.

A desesperança que tanto foi diagnosticada nos adultos?

Até pode ser pior. Os miúdos que têm agora 14 e 15 anos só se lembram da recessão. Não sabem o que foi o pós-modernismo ou o excesso dos irmãos cinco anos mais velhos. Cresceram a ouvir dizer que em Portugal não há lugar para eles, não há emprego. Estão numa desesperança enorme e isso assusta-me porque sem esperança não se cresce.

Esse estudo de 2014 revelou que um quinto dos jovens do 8.o e 10.o já se automutilaram. A percentagem impressionou-a?

Impressionou. Na clínica estamos a habituados a ver o comportamento autolesivo em reclusos e raparigas com bulimia, mas não estava habituada a ver isso no cidadão comum. Fizemos a pergunta pela primeira vez no inquérito de 2010 pela ligação que tenho a uma equipa em Itália, que tinha apurado uma incidência de 17%. Achava que teríamos 3% ou 4%, a percentagem normal para um assunto mais grave. Quando saiu 16% e em 2014 subiu para 20% comecei a pensar que não é de facto normal. Não vejo isto como patologia única mas como incapacidade de lidar com a frustração.

Mas estará ligado à crise?

Não me parece. Creio que está mais ligado à pressão que existe sobre os jovens em termos de resultados, de imagem.

Não será também pela visibilidade dessas agressões em séries e na net?

Acho que tem mais a ver com o facto de os jovens não serem ensinados a lidar com as más emoções. Claro que há internet ligada a alguns destes comportamentos, como acontece nas anorexias, mas irem cortar-se ou vomitar juntos em sites são fenómenos raríssimos.

E como é que isso se resolve?

Até há dois ou três anos havia as áreas curriculares não disciplinares em que algumas escolas promoviam competências psicossociais e os miúdos tinham um adulto de referência – o professor ou coordenador para a saúde – que os ajudava e podia dizer que essa questão da autolesão é uma estratégia para regular a ansiedade que não resulta. É como a bebida, resulta num segundo e no segundo depois está-se pior. Em vez de se ter reforçado isso, desinvestiu-se…

Que efeito da recessão nos jovens a deixou mais impressionada?

Aumentou o número de jovens que dizem que vão para a cama com fome porque não têm comida em casa. Não estava à espera de voltar a viver num país assim. Outra coisa é a percentagem de miúdos que dizem “sinto-me tão triste que às vezes penso que não aguento”, que também aumentou. E de facto foi isso que me fez reportar internacionalmente que ainda estamos mais saudáveis mas já não estamos mais felizes.

“Ainda”… 

Sim, os efeitos em termos de saúde nunca são a curto prazo. Se a conjuntura não muda, podemos ter um retrocesso nos indicadores e tenho imensa pena: tínhamos resultados muito bons quando comparados com a Europa.

A subida da idade para beber para os 18 anos está na ordem do dia. Parece-lhe que isto era o assunto prioritário em relação aos jovens?

Se fosse governante, apostava forte e feio na saúde mental dos jovens e em conseguir trabalhar com eles no sentido de lhes dar uma esperança, competências de liderança e empreendedorismo. É isto que tenho de fazer na faculdade para que os meus alunos não se deprimam: explicar–lhes que isto é uma crise, é uma onda. Criar projectos que os envolvam, dar-lhes meios e recursos para investir.

Como vê a alteração na lei do álcool?

Os nossos estudos dizem-nos que desde 1992 o consumo de álcool não tem aumentado entre os jovens. Nos últimos dois estudos (2010 e 2014) tudo leva a crer que estamos com um padrão diferente, com um consumo mais de fim-de-semana e maior de bebidas destiladas. E com as medidas de prevenção, que entretanto estão a acabar, os jovens não estavam a beber mais mas os que já bebiam estavam pior, portanto estava-se a circunscrever o problema e havia um grupo mais desviante.

Faz sentido então proibir a cerveja aos 16 anos?

A proibição dos consumos em geral, lendo como dificuldade de acesso, é óbvio que ajuda e tem efeito a curto prazo. E além disso achava estranho uma lei que não permitia beber uma bebida branca mas deixava beber dois litros de cerveja. Agora, se isso não for acompanhado de alternativas, vão fazer o quê? Vão fumar charros, vão partir a rua, vão cortar-se? É preciso criar projectos que canalizem a energia dos jovens.

A propósito da queda da natalidade e da falta de protecção dos menores, com casos de violência fatais, tem-se dito que Portugal não é um país amigo das crianças. Concorda? Preocupo-me também com esses pais, pessoas perturbadas mas que devem servir de alerta. Tive um professor etólogo, Bracinha Vieira, que quando nos levava ao zoo a ver os macacos dizia que as mães nunca agridem os filhos sem ser em cativeiro. Pense nisso relacionado com a sociedade actual. Se nós não estivéssemos num cativeiro simbólico não agredíamos as nossas crias. Em que raio de gaiola estamos? É um problema de saúde mental gravíssimo que precisa de resposta.

A saúde mental é um calcanhar de Aquiles conhecido. A quebra de natalidade está a tornar-se outro.

Não concordo que se diga que não somos um país amigo das crianças, não temos é uma política amiga das crianças. O país não considera ter cidadãos novos um investimento nacional. Há uma comissão para estudar quando todos sabemos quais são os problemas. Não há condições, as creches custam uma fortuna.

Se fosse governante, que solução implementava?

É uma mudança de abordagem. Os noruegueses nos anos 90 tiveram uma grande quebra de natalidade e implementaram medidas consistentes. Uma mãe é considerada trabalhadora a tempo inteiro. Pode entrar em qualquer sítio para mudar uma fralda ou aquecer o biberão. Tem de haver investimento. E o mesmo acontece com as comissões de protecção de menores, com défice de técnicos. O que hão-de fazer? Tem de haver investimento e compromisso político e em tempo de crise é preciso perceber o que se corta.

O psiquiatra José Gameiro dizia há dias que não percebia como em crise não se tinham reforçado as comissões de protecção de menores e a prevenção. Isso também a surpreendeu?  

Sim, o Estado social tinha de estar em toda a sua pujança. Agora recuperar este país é obra, as sequelas não passam com a crise. Mesmo as medidas para protecção de emprego tinham de ser muito mais. O impacto de um pai desempregado sentado num sofá em casa é enorme, e não só no dinheiro que não entra. Os filhos preocupam-se, os pais ficam envergonhados.

Em ano de eleições está optimista com o futuro ou ainda não viu solução?

Não vi. E se ao menos se tivesse trabalhado na coesão social as pessoas estavam desiludidas mas juntas. Esta aposta na clivagem social, dos mais novos contra os mais velhos, público contra privado, homens contra mulheres, é muito prejudicial.

Poderia ter sido de outra forma?

Se tivesse a resposta não estaria aqui mas a dar palestras por todo o lado. Não sei. Ao longo de todo o processo da crise houve várias coisas que me afligiram do ponto de vista técnico. Não sou especialmente partidarizada, mas senti que os especialistas não foram suficientemente ouvidos na escolha das prioridades e dos cortes, para que não se ficasse com um problema maior.

Nunca foi ouvida?

Não, mas repare, quando se fala da crise e de défices, um cidadão comum não consegue dar solução. Eu diria que não se pode cortar o futuro aos jovens. Uma pessoa mais velha tem o passado inteiro para lembrar, os jovens não. Quando visito uma escola e os miúdos dizem todos que vão para cozinheiros e línguas para emigrar… não queria viver num país assim. Pergunto-me se não teria valido a pena termos tido direito a vetar uma coisa por dia.

Faltou o quê ao governo, estar na rua?

Não podem estar em todo o lado mas há ali qualquer coisa que não funcionou e não foi só a crise.

A professora tem filhos? Com tudo o que tem aprendido acerca dos jovens, teria feito alguma coisa diferente?

Tenho filhos e netos já. Isso teria de lhes perguntar a eles mas acho que correu bem. É evidente que me lembro de ter feito uma licenciatura grávida, e isto é muito difícil de conciliar, mas temos de ter tempo de qualidade com os filhos e procurei sempre fazer isso. E hoje com as novas tecnologias é mais fácil. Quando o meu neto mais novo nasceu eu estava na América do Sul de sabática e tive pena de perder cinco meses do bebé. Pensei que ele se ia esquecer de mim mas como falávamos todos os dias pelo Skype quando cheguei reconheceu-me. Mais uma vez não estou deslumbrada com isto e há riscos, mas há muitas coisas boas nas novas tecnologias.

Um conselho para pais e filhos felizes?

Os pais não têm de se responsabilizar por todas as coisas que acontecem aos filhos mas têm de se habituar a ouvi-los desde novos e a assumir que não têm as soluções todas. Às vezes quando estamos a tentar resolver tudo perdemos a capacidade de os ouvir e soluções eles têm – às vezes querem é uma validação e partilhar. Acho que devíamos falar muito menos e ouvir muito mais.

 

 

 

 

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