O que é a dark web?

Agosto 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo do https://www.publico.pt/ de 8 de agosto de 2017.

Reuters/KACPER PEMPEL

Perguntas e respostas sobre uma parte mais obscura da Internet, frequentemente usada para actividades criminosas.

Karla Pequenino

As autoridades italianas divulgaram há poucos dias o caso de uma modelo britânica raptada em Julho, em Milão, para ser leiloada online, na chamada dark web. O criminoso acabou por desistir do esquema e entregou a vítima no consulado britânico, depois de o leilão ser ignorado (ninguém fez uma oferta). Em Março, a Europol, o serviço europeu de polícia, classificou esta parte da Internet como uma das maiores ferramentas dos criminosos, descrevendo-a como o motor da criminalidade organizada na União Europeia.

O que é a dark web?

Uma pequena parte da World Wide Web, infame por ser utilizada por visitantes do mercado negro online. Resume-se a um conjunto de redes encriptadas (conhecidas como darknets) que estão intencionalmente escondidas da Internet visível através de sistemas de encriptação.Como tal, não se encontram sites da dark web através de pesquisas em motores de busca, ou ao escrever o endereço de IP em browsers normais.

É díficil encontrar a origem do conteúdo alojado nestas redes, visto que apenas podem ser acedidas através de software e configurações específicas. “A dark web pode ser vista como uma máscara da actividade ilegal na Internet”, diz Jorge Alcobia, director executivo da Multicert, uma empresa de segurança informática portuguesa. “É o contrário da chamada Internet visível, em que se conhecem os certificados de segurança, credenciações e máquinas utilizadas. Na dark web, os servidores, o domínio e a origem da informação são disfarçados, tornando-se um sítio apelativo a criminosos.”

A dark web foi alvo de atenção mediática em 2015, quando os dados extraídos do ciberataque ao site Ashley Madison (uma rede social para ajudar pessoas interessadas em trair os parceiros) foram aí disponibilizados.

É o mesmo que a deep web?

Não. A dark web é uma pequena parte da deep web que, por sua vez, inclui todos os sites da Internet que não se podem encontrar através dos motores de busca. Integra informação online escondida por palavras-passe, ou que apenas pode ser acedida através de software específico. Muitos dos conteúdos da deep web não têm nada de ilegal.

O que se encontra na dark web?

Conteúdo ilegal, mas não só. Várias pessoas – agências segurança, autoridades, activistas a lidar com informação sensível e jornalistas – utilizam a dark web porque oferece uma camada de segurança extra que cobre a sua identidade, e permite maior segurança e privacidade. Porém, a rede é conhecida pelos mercados negros online, onde se podem comprar drogas, documentos ilegais, serviços de assassinato, e pornografia infantil.Também se encontram serviços que prometem trocar a divisa digital bitcoin por outras moedas, visto que as bitcoins são muito utilizadas em transacções ilegais por facilitar o anonimato dos utilizadores.

De acordo com um relatório de 2017 da Europol, 57% das páginas da dark web contêm conteúdo ilegal. “A maioria do conteúdo na dark web não é legal”, diz Jorge Alcobia. “Sem ser para fins de investigação, não vejo motivos para alguém se dar ao trabalho de utilizar uma plataforma que mascara a identidade de IP e a máquina que estão a utilizar para uma simples navegação na Internet,” refere.

Um dos primeiros mercados ilegais a operar na dark web foi a plataforma Silk Road, que vendia vários produtos ilícitos, particularmente estupefacientes. Em 2012, as vendas anuais rondavam os 22 milhões de dólares. Foi desmantelado em 2013, porque as autoridades encontraram o criador, Ross Ulbricht, em flagrante delito a aceder à área de administração do Silk Road numa biblioteca pública em São Francisco, nos Estados Unidos.

Como se acede à dark web?

A forma mais comum de aceder a parte da dark web é através do browser da rede privada Tor (disponível gratuitamente, online). Além de ser utilizado para aceder a sites da Internet “visível”, serve para aceder a vários sites e serviços alojados na rede Tor (os sites em questão estão sob o domínio .onion). A rede I2P é outras alternativa.

Porém, devido à actividade ilegal associada à dark web, é preciso ter cuidado ao navegar estas partes da Internet. Recomenda-se o uso de uma rede virtual privada (VPN), e o bloqueio das câmaras e microfones do computador.

É seguro aceder?

“Não”, é a resposta imediata do director da Multicert. “Ninguém se vai associar ou ligar a um gangue para o conhecer melhor. Pode fazê-lo, mas corre o risco de se associar a actividade criminosa.” Alcobia menciona um caso nos Estados Unidos em que uma biblioteca foi acusada de estar envolvida em actividade ilegal, porque o IP (obtido pelos criminosos) tinha sido registado num acesso à dark web. “Quando alguém pouco cuidado acede à dark web corre o risco de ter a sua informação pessoal aproveitada e utilizada por criminosos e, depois, ter de provar a sua inocência”, avisa Alcobia.

Há casos de criminosos a utilizar a dark web em Portugal?

Sim. Cada vez há mais, segundo dados da Multicert. Desde empresas farmacêuticas que sofrem ataques informáticos e vêem patentes e fórmulas à venda na dark web, a donos de empresa que sofrem burla de identidade. Em Portugal, o sistema de reservas online de empresas na indústria hoteleira é um dos maiores alvos de ciberataques.

“A dark web não é só usada para vendas no mercado negro. Muitos criminosos online trabalham escondidos pela dark web. Tal como ninguém assalta um banco físico sem uma máscara, as actividades ilícitas online funcionam melhor sob o véu da dark web, que esconde o endereço IP e a máquina que os criminosos estão a usar”, diz Alcobia.

Como se apanha um criminoso na dark web?

Como um lobo que veste pele de cordeiro. Várias agências de segurança e empresas utilizam parceiras internacionais (com indivíduos que criam perfis falsos na dark web) para encontrar redes de crime a operar na dark web. Os investigadores entram em contacto com os criminosos – passando-se por possíveis clientes – para obter informação que os desmascare. As parcerias internacionais são utilizadas para evitar que os criminosos portugueses se sintam desconfiados por serem contactados com clientes oriundos do seu país.

 

 

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Parents, here’s the truth about online predators

Agosto 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://edition.cnn.com de 3 de agosto de 2017.

By Christine Elgersma, Common Sense Media

Every parent worries about online predators at some point. And while it’s smart to be cautious, the facts show that it’s actually fairly rare for kids to be contacted by adult strangers seeking sexual communication. Of course it’s natural to be concerned when your kid goes into an unknown world. But instead of acting out of fear, arm yourself with the facts so that you can help your kids be smart, cautious, and savvy. If the concerns below ring true, use some of these strategies to be proactive in protecting your kids — they’ll make your kid safer and help you feel a lot better.

The concern: Every time I read the news, it feels like there’s an article about some creep contacting a kid in a game.

The facts:

  • According to the University of New Hampshire’s Youth Internet Safety Study (YISS), reports of unwanted sexual solicitations declined 53 percent between 2000 and 2010. As of 2010 only 9 percent of kids who use the internet received an unwanted sexual solicitation.
  • The YISS report also found that two specific kinds of contact — requests for offline meetings and situations that kids found extremely upsetting — declined between 2005 and 2010.
  • When there’s a report of an online predator (like the one about Roblox in 2017), multiple news outlets jump on the story, and they often appear in many outlets over a week or two, so it may feel like it’s more common than it is. Also, it makes for a popular article since it plays on parents’ fears.
  • The University of New Hampshire’s Crimes Against Children Research Center reports that kids are more likely to pressure each other to send or post sexual content than an adult.

The strategy: More than inspiring fear in our kids, we want to arm them with information. So when you talk to your kid, tell them there’s a chance someone could approach them online to get personal information, exchange pictures, and/or meet in person, and it might be someone who feels like an online friend. It’s not the norm, and it’s not a reason to be afraid all the time. It’s simply a reason to be aware and know that if someone starts asking for personal information or talking about sexual stuff, it’s time to get help from an adult.

5 myths and truths about kids’ Internet safety

The concern: I can’t keep up with all of the media my kid is into, so I don’t know what games and apps to keep my eye on.

The facts:

  • According to the New England Journal of Public Policy, contact with online predators happens mostly in chat rooms, on social media, or in the chat feature of a multiplayer game (Roblox, Minecraft, Clash of Clans, World of Warcraft, and so on).
  • Most games meant for kids — like Roblox and Animal Jam — have built-in features and settings that are designed to prevent inappropriate comments and chat. Though they’re often imperfect, they do help.
  • Games that aren’t designed only for kids have fewer controls, settings, and safeguards.
  • Any app or online space that allows contact with strangers without moderation or age verification can allow contact between kids and adult strangers.
  • Teens sometimes visit adult sites, chat rooms, and dating apps out of curiosity about sex and romance.

The strategy: First, stay on top of what your kid is doing online by asking them which apps, games, and other tech they use. If they’re on social media, friend or follow them. Set rules about times and places for device use — for example, banning phones and tablets from bedrooms. Find out how they chat — is it through an app or through their phone’s SMS texting? (If they’re using an app, it won’t be easy for you to see it, so ask to do occasional spot checks.) Make rules around who they can chat with — for instance, only people they know in real life. If your kid’s a gamer, use these questions to probe deeper: Do you like multiplayer games — and why? Do you chat with others while you’re gaming? What’s been your experience so far? What would you do if someone you didn’t know contacted you? Help them set privacy settings to limit the contacts in their games.

The concern: I don’t even understand how this works — does an adult pose as a kid, then ask to meet?

The facts:

  • Only 5 percent of online predators pretend they’re kids. Most reveal that they’re older — which is especially appealing to 12-to-15-year-olds who are most often targeted.
  • Some predators initiate sexual talk or request pictures immediately and back off if refused. They’re in it for an immediate result.
  • In contrast, some predators engage in “bunny hunting,” which is the process of picking a potential victim for “grooming”: They’ll look at social media posts and public chats to learn about the kid first.
  • Once they’ve selected someone, they may begin the grooming phase, which often involves friending the target’s contacts, engaging in increasingly personal conversations to build trust, taking the conversation to other platforms (like instant messaging), requesting pictures, and finally requesting offline contact.
  • Sometimes if a kid shares one compromising picture, a predator will engage in “sextortion,” which involves demanding more pictures or contact under threat of exposure or harm.

The strategy: We often tell kids not to talk to strangers or share personal information, but a kid’s online relationships can feel just as real as their offline ones. So before they start chatting with anyone online, kids need to know some basic digital citizenship and online privacy information. For instance, kids should never share a phone number, address, or even last name with someone they’ve never met. Also, sharing sexy pictures or being overtly sexual online leaves an unwanted legacy, with or without creepy adults, so we need to teach kids about being mindful about their digital footprint. Plus, having nude pictures of a minor — even if you are a minor — is against the law and teens can get into legal trouble as a result. Finally, it’s important to teach kids that if someone is asking a kid for sexy pictures or chat, that person is not a friend, no matter how cool or understanding they seem.

Apps to help keep track of what your kids are doing online

The concern: How would I even know if this is happening to my kid if they don’t come out and tell me?

The facts:

  • Predators target kids who post revealing pictures, divulge past sexual abuse, and/or engage in sexual talk online.
  • There’s some conflicting research about what ages are most at-risk, but 12 to 15 seems to be prime time, and girls are more frequent victims.
  • Teen boys who are questioning their sexuality are the second-most targeted group because they often feel talking about it online is safer than sharing in real life.
  • Sometimes, teens egg each other on to pursue contact with strangers online, and it can feel like a game.
  • Teens want to feel special, validated, attractive, and understood at a time when they’re separating from their parents, so an older “friend” who’s very interested in them can feel exciting and special.
  • Most often, teens engage in relationships with predators willingly, though they often keep them secret.
  • If your kid withdraws and becomes secretive around a device (hiding the screen, clicking from a window suddenly), it could be an indicator.
  • Phone calls and gifts from unknown people are possible signs.
  • Porn on the device your kid uses might be a sign.

The strategy: The tricky part is that most tweens and teens withdraw and are sometimes secretive; it’s part of their development. If, however, you notice these in the extreme, that’s a concern — no matter the reason. Spot checks on the devices your kid uses to monitor for sexy posts and pictures and knowing some lingo can help, but open communication — without accusation or overreaction — is usually the most effective.

7 reasons parents should care about kids and online privacy

The concern: This already happened to my kid, and I don’t know what to do next.

The facts:

  • Your kid told you.
  • You saw something on his or her phone or social media.

The strategy: First, don’t panic. Instead, gather evidence: Take screenshots, save communications, and so on. Talk with your kid about the details without making them feel like it’s their fault or that they’re in trouble. Then report it to the platform or service your kid is using, block the person, and find the reporting features on other apps and games your kid uses together. Finally, contact the police. Even though it may seem like a one-time thing, that it’s over, or you don’t want to make it a big deal, it’s best to let the authorities know in case the person is a known offender and to prevent them from doing it to other kids.

 

 

 

Dia Mundial da Criança: entrevista a Manuel Coutinho do Instituto de Apoio à Criança

Julho 18, 2017 às 11:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista da Agência Ecclesia ao Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) no dia 1 de junho de 2017.

Say No! – A campaign against online sexual coercion and extortion of children – Vídeo legendado em português

Junho 28, 2017 às 9:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.europol.europa.eu/activities-services/public-awareness-and-prevention-guides/online-sexual-coercion-and-extortion-crime

 

Online child sexual coercion and extortion of children – looking for sexual material and your money

Junho 25, 2017 às 6:49 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.europol.europa.eu/activities-services/public-awareness-and-prevention-guides/online-sexual-coercion-and-extortion-crime

Los Riesgos de las Redes Sociales – Vídeo

Junho 3, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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“Jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet”

Fevereiro 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://tek.sapo.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

tek

O cenário é semelhante em várias idades. Logo desde os mais pequenos (alguns com menos de 3 anos) e até aos mais velhos, é cada vez mais frequente encontrar os jovens portugueses de olhos colados aos ecrãs, como prova um estudo realizado por uma equipa de investigadores da FCSH/Nova para a ERC.

Hoje dominam os smartphones e os tablets onde há 10 anos pontuavam os portáteis Magalhães, mas os desafios vão crescendo com novas tecnologias, modas das redes sociais e conteúdos mais visuais, mas também a tendência para expor mais da vida privada online.

Como podem os pais e educadores gerir a relação dos mais jovens com as tecnologias? Devem proibir e limitar o tempo de utilização, que rouba muitas vezes espaço ao estudo e a outras atividades, mas também tempo de socialização com a família e amigos, e horas de sono?

O estudo realizado para a ERC dá outro tipo de recomendações, com estratégias flexíveis, adequadas à idade, nível de competências e a própria personalidade dos jovens, e da sua tendência para arriscar. “Estratégias restritivas resultam numa limitação do acesso a oportunidades, pelo que a mediação deve privilegiar a capacitação para a resolução de problemas e a resiliência”, refere o estudo entre outras recomendações.

Cristina Ponte, uma das responsáveis pela investigação, explica ao TeK que, por uma questão cultural, os povos do Sul da Europa apresentam mais receios sobre os conteúdos online, sobretudo os de cariz sexual. Habituada a discutir em fóruns europeus os temas relacionados com a segurança na internet, a investigadora refere que esta é uma das grandes preocupações dos educadores portugueses, a par com o contacto com estranhos, que não tem eco nos países nórdicos.

“No norte da Europa a educação privilegia a autonomia. No Sul a tendência é para sermos mais protecionistas”, justifica. O espírito de que o bom pai e a boa mãe são os que protegem ainda está muito vincado na cultura portuguesa e traduz-se na forma como encaram a utilização dos equipamentos tecnológicos, embora muitas vezes os aparelhos sejam usados como baby sitter ou “pacificadores”, sobretudo junto das crianças com idades até aos 8 anos.

E qual é o discurso certo? Cristina Ponte afirma que não há uma resposta genérica, mas que no geral “os jovens estão saturados de discursos centrados nos riscos da internet, sobretudo na adolescência”. Em vez de protecionista, o discurso devia ser mais “empoderador”, apostando no faz, controla, verifica. “Devia ser capacitante para ajudar a lidar com o risco e para criar competências”.

 

Crianças correm grandes riscos na internet

Fevereiro 4, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://jcrs.uol.com.br/ de 24 de janeiro de 2017.

Patricia Knebel

O computador, o tablet e o smartphone se tornaram um objeto de desejo de 10 entre 10 crianças e adolescentes. Por esses gadgets eles choram, batem pé e acabam convencendo os pais a ajudá-los a entrar, muitas vezes cedo demais, no mundo da tecnologia.

Mas você já parou para pensar que os simples hábito de jogar no computador pode estar expondo o seu filho a riscos seríssimos, como o dele achar que está trocando informações sobre táticas do game com um menino da sua idade quando, na verdade, está conversando com um pedófilo? Ou que, ingenuamente, a sua filha está enviando fotos íntimas pelo Facebook na intenção de conhecer um ídolo?

Foi isso que aconteceu recentemente, quando a tia de uma menina de 10 anos estranhou quando ela pediu uma short de dormir emprestado e foi averiguar. Descobriu que um perfil falso no Facebook do fã-clube da cantora Larissa Manoela estava tentando convencer a menina, e muitas outras, a enviar fotos com roupas curtas sob o pretexto de ter a chance de conhecer a artista.

Golpes como esses acontecem todos os dias. Eles tiram dinheiro, inocência e paz das crianças e dos seus pais. Conter isso é uma responsabilidade de todos que as cercam, alerta Daniel Diniz, membro do Conselho Consultivo do (ISC)2 para a América Latina, que reúne 120 mil profissionais de segurança cibernética, e do Conselho Administrativo do Center for Cyber Safety and Education.

Jornal do Comércio – Qual o tamanho dos riscos aos quais as crianças estão expostas hoje em dia com a internet?

Daniel Diniz – As crianças correm riscos do tamanho de prédios arranha-céus, ou seja, são muitos, muito altos e podem trazer consequências trágicas em alguns casos se os pais, professores e a sociedade como um todo não assumirem seu papel ativo em protegê-las. Os cibercriminosos estão em uma busca permanente pelos dados dos cidadãos para obter alguma vantagem financeira ilícita. Os alvos preferenciais desses criminosos são as crianças e os idosos, geralmente vulneráveis a golpes conhecidos como engenharia social, em que o golpista procura enganar a vítima fazendo-a revelar informações sensíveis. As redes sociais geralmente são usadas no Brasil e em outros países da América Latina por crianças que ainda não possuem idade apropriada para entender os riscos. Os pais cedem à pressão dos filhos que, muitas vezes, convivem com amigos na escola que também já utilizam essas plataformas antes do tempo. Os criminosos usam essas redes para obter informações de suas vítimas. As crianças também costumam jogar games que possuem capacidade de comunicação e interação com outras pessoas que fingem ser da mesma idade. Existem vários casos de pedófilos utilizando esses meios para cometer seus crimes contra as crianças.

JC – É muito comum hoje em dia vermos as crianças com tablets e smartphones. Que riscos que chegam por meio desses dispositivos?

Diniz – Realmente é muito comum os pais presentearem a criança pequena com um celular ou tablet, e um dos riscos é deixar a capacidade de instalação de novos aplicativos sob o controle dela. Muitos aplicativos podem conter o que chamamos software malicioso, os malwares. Este tipo de app malicioso rouba os dados do celular ou tablet, ou pode ligar câmera e microfone sem o conhecimento do usuário a fim de monitorar seus passos. Pensando que nossos filhos possam estar sujeitos a este tipo de ameaça, devemos acordar para o problema e assumir nossa parte na proteção deles.

JC – Os pais parecem perdidos sobre como agir em relação à tecnologia e às crianças. Qual o conselho que você daria para eles tentarem aumentar a proteção?

Diniz – Também tenho a mesma sensação. Não só os pais estão perdidos, mas todas as pessoas com as quais as crianças interagem regularmente, como professores, avós, tios, primos e outros familiares. Isso tem uma explicação: a tecnologia evolui de forma rápida demais, e o mesmo acontece com as ameaças ao seu uso. As crianças geralmente são ávidas por tecnologia porque estão em processo de mudança, de aprendizado. Elas se identificam facilmente com as transformações e as assimilam muito rapidamente. Os adultos não conseguem acompanhar esse círculo frenético. O uso consciente e seguro da tecnologia pela sociedade, especialmente pelas crianças, consideradas altos utilizadores (heavy users), é um grande desafio que estamos enfrentando no século XXI.

É um problema que deve ser combatido todos os dias pela sociedade, sobretudo com muita informação e debates sobre os riscos que estamos correndo de forma a embasar a tomada de boas decisões. No caso das crianças, é fundamental que elas conheçam estes riscos e sejam acompanhadas por pais, professores e familiares. O principal conselho é: acorde imediatamente para esse assunto. Seu filho já está correndo riscos que ele e você desconhecem. Alguns podem trazer consequências amargas pelo resto da vida, muitas vezes por negligência nossa, pais e/ou responsáveis. Busque informar-se, leia a respeito do tema e procure aconselhamento com as pessoas em quem você confia.

JC – Como os pais podem buscar criar um instinto de navegação segura?

Diniz – Criar a cultura de segurança no uso da tecnologia pelas crianças, adultos e toda a sociedade é adicionar estes hábitos seguros ao dia a dia delas. À medida que elas incorporam esses hábitos, não importa qual é tecnologia ou dispositivo usarão, pois já terão o hábito de usar a tecnologia em seu benefício para aprender, se divertir, se comunicar com a família, mas sem se expor. Esses hábitos seguros significam para o uso da tecnologia o mesmo que a higiene para a saúde humana: prevenção. Prevenir-se contra riscos, usando a tecnologia para o que ela foi realmente criada: melhorar nossas vidas.

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Perfil falso do fã-clube de Larissa Manoela era armadilha para meninas REPRODUÇÃO/FACEBOOK/

 

10 cuidados que os pais devem ter com as crianças no mundo digital:

  1. Altere a senha de fábrica dos dispositivos que possuem tecnologia bluetooth e Wi-Fi. A maior parte desses itens utiliza uma senha padrão que facilita a invasão de hackers.
  2. Desabilite a geolocalização automática em todos os aparelhos das crianças: pessoas mal-intencionadas podem utilizar códigos escondidos desse recurso para rastrear a localização das crianças por meio das fotos, vídeos e conteúdos publicados nas redes sociais.
  3. Verifique a classificação indicativa e as capacidades de conexão dos jogos. Tenha em mente que alguns jogos permitem a interação on-line com outras pessoas sem restrição de idade.
  4. Instale jogos e aplicativos educacionais antes de presentear as crianças com os dispositivos: existem muitas opções de apps que oferecem aprendizado e entretenimento. Ajude as crianças a escolhê-los.
  5. Organize uma área para carregar a bateria dos dispositivos em sua casa durante a noite de forma que as crianças não os levem para o quarto.
  6. Mude a senha de fábrica do seu roteador Wi-Fi e o configure para o nível de controle necessário em sua casa, como horário de acesso e bloqueio de sites por categoria.
  7. Antes de entregar os aparelhos para as crianças, crie usuários não administradores. Dessa forma, eles não podem mudar as configurações ou baixar e instalar aplicativos sem permissão.
  8. Oriente as crianças a não compartilharem informações pessoais, como endereço, número de telefone e e-mail.
  9. Instrua seus filhos a reportarem qualquer incidente de bullying e a tratarem os outros como gostariam de ser tratados.
  10. Certifique-se de que as crianças saibam que só devem se conectar a redes Wi-Fi confiáveis.

 

#NaoTeDeixesPossuir – Campanha da Dianova objectivo alertar os jovens e adultos, para os riscos associados a uma utilização inadequada da Internet

Julho 23, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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dianova

“#NAOTEDEIXESPOSSUIR” 2016

Sente que um amigo, familiar ou você mesmo está a ser “possuído” pelas novas tecnologias?

Num mundo cada vez mais dominado pelas novas tecnologias, como a Internet, redes sociais, smartphones e apps, é cada vez mais difícil estabelecer um limite para a utilização saudável destas ferramentas.

A campanha #NaoTeDeixesPossuir tem por objectivo alertar particularmente os jovens, mas também os adultos, para os riscos associados a uma utilização inadequada da Internet, incluindo Websites, Redes Sociais, Jogos Online, Apostas Online através de PC/Laptop, Smartphones ou Tablets.

mais informações no link:

http://dianova.pt/cidadania-e-solidariedade/campanhas-de-interesse-publico/campanha-reage-2014-2-2/

Segurança online das crianças preocupa mas a dos seniores também

Dezembro 21, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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notícia do site http://tek.sapo.pt  de 7 de dezembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Consumer Security Risks Survey 2015

thumbs.sapo.pt

Os pais preocupam-se com os perigos que os seus filhos correm enquanto navegam na Internet, mas os receios estendem-se também aos membros mais velhos da família.

Assim indica um estudo recente da Kaspersky Lab e da B2B International que mostra que 30% dos adultos acham que não têm qualquer controlo sobre o que os seus filhos vêm ou fazem online e 52% acreditam que os perigos que estes correm estão a aumentar.

Mas não são apenas os mais jovens que geram preocupação entre os adultos, há também quem tenha receios relativamente aos membros seniores da família, nomeadamente os seus pais e avós.

Mais de metade dos inquiridos têm pais que acedem à Internet e 29% do total preocupam-se com a possibilidade de os idosos correrem riscos online e não saberem lidar com eles.

A preocupação aumenta em proporção à idade e aqueles que têm avós cibernautas (19% dos participantes) consideram-nos ainda mais vulneráveis, sendo que dois terços – 13% do universo total – preocupam-se com o que estes utilizadores podem encontrar na web.

O risco de se tornarem vítimas de malware (52%) ou de fraudes online (50%), de perderem dinheiro por causa de ameaças virtuais (45%) ou de serem espiados (37%) estão entre as maiores preocupações com os mais velhos.

Em comum com a lista dos principais receios relativamente às crianças, os resultados mostram que a comunicação online com estranhos (25%) e o acesso a conteúdo impróprio/explícito (20%) também fazem parte das preocupações de quem tem pais e avós a acederem à Internet.

O estudo foi realizado em junho deste ano e tem por base as respostas de 12.355 pessoas a partir dos 16 anos de um total de 26 países.

 

 

 

 

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