Meninos e meninas: quando se agitam as águas há sempre quem não goste

Setembro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Paula Cosme Pinto publicado no http://expresso.sapo.pt/ de 1 de setembro de 2017.

Em plena época de rentrées, não posso deixar de falar sobre o tão badalado caso dos livros de atividades para meninas e meninos – perdoem-me, eles são rapazes, que nisto da virilidade não há meninos. A indignação e desinformação contínua em torno disto faz-me concluir algo que, para quem se debruça nestas questões, não é novo: é impossível agitar as águas sem que quem lá está dentro, confortável, não se queixe da agitação e questione porque raio não as deixamos ficar paradas, já que aparentemente estão tranquilas. Esquecendo-se, como é óbvio, daqueles que têm de fazer esforços extras todos os dias para se movimentarem no lodo provocado por tal estagnação e comodismo.

Antes de qualquer outra coisa, julgo ser importante pararmos para pensar no sentido das palavras. Fazer uma recomendação – tal como indica o dicionário – é o ato de recomendar, aconselhar, advertir. Que eu saiba, isto não é igual ao significado da palavra ‘acusar’ ou da expressão ‘fazer queixa’ (algo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género já fez a quem de direito em tantas situações, como por exemplo, no caso do taxista que dizia que “as meninas virgens são para ser violadas”, ou quando uma adolescente foi alvo de abusos de cariz sexual num autocarro) . Independentemente de ser um organismo público a fazê-la ou não, quem recebe uma recomendação tem, portanto, livre arbítrio para tomar uma decisão. Esse livre arbítrio faz parte do exercício da liberdade. Quem concorda com uma recomendação, fá-lo voluntária e conscientemente. Foi o caso.

Se o “Mein Kampf” pode estar à venda, tudo pode estar à venda?

Muito se têm atirado pedras ao charco com comparações vazias de sentido, como a do “Mein Kampf” (repetida até à exaustão). Se este título pode estar à venda, quem somos nós para questionar se um livro de exercícios para crianças, vendido em pleno mercado livre, tem um conteúdo desajustado em matérias de igualdade? A diferença parece-me clara: que eu saiba, o “Mein Kampf” não está à venda em secções de crianças, nem é propriamente vendido com o intuito de chegar a menores, muitos menos para estímulo intelectual e cognitivo de miúdos idades entre os 4 e os 6 anos. É uma comparação ridícula, mas que enche o olho e que faz muita gente agitar os braços no ar e dizer “estás a ver?”, sem se darem ao trabalho de pensar pela própria cabeça. Escusado será dizer que cabe a cada adulto que compra tal título ter consciência sobre o que vai ler. No caso das crianças, não podemos esperar o mesmo.

Há atenção acrescida que é necessária quando produzimos, editamos e vendemos livros a menores que estão em plena formação de personalidade. E uma coisa são roupas ou brinquedos (um dia lá chegaremos, é outro campeonato que, como se pode ver por esta discussão, vai demorar até ser entendido) outra são livros de exercícios para crianças no geral. Lamento, mas é um péssimo ponto de partida fazer diferenciação de género em produtos cujo intuito máximo é o estímulo intelectual de crianças. Uma forma de os encaminhar e incentivar, desde tenra idade, para diferenciações no que é adequado a meninos e meninas.

No que toca aos estereótipos, acrescem não só as cores escolhidas (isso até me parece o menos nesta fase do campeonato), mas também os universos ilustrativos dedicados a cada um dos públicos, feminino e masculino. Justificar isto dizendo que os livros foram feitos por equipas diferentes, é pobre. Para alguma coisa serve a revisão final, já para não falar do restante processo de produção de um livro onde várias cabeças estão sempre envolvidas. Parece-me, contudo, importante reforçar que não se sugeriu que determinada editora estivesse a fazer conteúdos propositadamente preconceituosos. É óbvio que, muito provavelmente, nenhum dos profissionais em causa fez opções sexistas deliberadamente. Não foi isso que alguma vez esteve em causa. Mas o resultado final falhou, tal como tantas vezes falham até mesmo os pais e educadores mais conscientes, e que que fazem todos os esforços para não resvalar em exemplos sexistas no dia-a-dia. Os papéis dos homens e das mulheres estão totalmente enraizados no nosso inconsciente coletivo e demorará anos, muitos anos, até que a realidade seja outra. Ainda faz parte, isto de se resvalar para o preconceito, mas não quer dizer que seja correto, por mais generalizada que a mensagem esteja.

É ingénuo acreditarmos que a maioria do pais sabe dar o exemplo

Agora uma coisa é certa: é preciso começar a agitar as águas para que a mudança aconteça. E a mudança vai sempre incomodar alguém. Claro que em termos de marketing o azul e o cor-de-rosa continuam a vender mais. Mas, a meu ver, por mais que o intuito de qualquer empresa seja vender o mais possível, a responsabilidade social não pode ser chutada para canto, quer estejamos nós numa pública, quer numa privada. A mim parece-me razoável que uma editora que dedica boa parte do seu trabalho a este público deva ter alguma consciência acrescida para este tipo de questões, tão essenciais na hora de passar conteúdos de aprendizagem a crianças, mesmo que estes não sejam manuais escolares oficiais (isso seria uma discussão de outras dimensões, com outras partes envolvidas).

Sim, os livros venderam muito. Qual é a surpresa? Por mais que a sua função seja educar, é ingénuo acreditarmos que a maioria dos pais, lá porque são adultos, faz a triagem ou dá o exemplo nas questões da igualdade. Por alguma razão ainda precisamos de ter um organismo público que ajude a zelar pela igualdade num país supostamente civilizado como é o nosso (para quem não sabe, essa é função da CIG). Não podemos esperar que sejam exclusivamente os pais ou os professores a promover a mudança. Todos nós, enquanto cidadãos de uma sociedade que se diz par, devemos estar envolvidos neste processo.

Questionar esta atuação da CIG é um sinal de que a apatia geral, afinal, até pode ser quebrada, mesmo que sejam as redes sociais o motor de arranque. Mas se queremos questionar, então eu diria que nada melhor do que começarmos por tirar conclusões pela nossa própria cabeça, por mais que seja mais fácil partilhar os discursos de estrelas da TV e demais opinadores generalistas. Um bom ponto de partida para uma reflexão séria e individual? Ler o relatório com o parecer técnico da CIG sobre estes livros (se clicarem aqui encontram-no). São poucas páginas, e explicam muito bem, percorrendo todo o livro, o porquê da tal recomendação.

Claro que há muitos outros casos que podiam e que deviam ser igualmente questionados, mas há que começar por algum lado. Acredito que depois deste, a atenção para aquilo que muitos dizem ser apenas subtilezas da desigualdade possa ser maior. Quanto ao desfecho, eis um belo exemplo de como uma empresa privada pode ter a nobreza de assumir um erro, suspender voluntariamente vendas -mesmo que isso ponha lucros em causa -, e colaborar com o Estado no bem maior que é a importância de se combater estereótipos e preconceitos obsoletos. Por mais que isto custe às águas paradas, as correntes estão a mudar. Ainda bem.

 

 

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Um Instituto da Criança … da Promoção dos Direitos à sua Proteção – Conferência de Fernanda Salvaterra do IAC – 25 de setembro no ISCTE

Setembro 22, 2017 às 4:25 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.iscte-iul.pt/eventos/1375/instituto-crianca-promocao-direitos-sua-protecao

 

Boletim do IAC n.º 124

Setembro 22, 2017 às 2:00 pm | Publicado em CEDI, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Descarregar o Boletim do IAC nº 124 aqui

“Assalto às Lancheiras” musical infantil – 7 outubro Lisboa, 19 fevereiro 2018 Porto

Setembro 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://plano6.pt/novosite/detalhe.asp?n=43

 

Como reagir se o seu filho disser: “Não quero ir à escola”

Setembro 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Mundo dos Miúdos de 11 de setembro de 2017.

A recusa em ir à escola é entendida na maioria das vezes como um ato momentâneo de preguiça e na maioria dos casos não passa disso mesmo. Mas a frase “não quero ir à escola” pode esconder um pedido de ajuda para o qual os pais devem estar atentos.Antes de pensar castigar, ou obrigar, tente perceber o que leva o seu filho a acordar sem vontade de ir às aulas. É normal que uma vez ou outra uma criança mostre vontade de ficar em casa, muitas vezes, na expectativa de ficar mais tempo com os pais. Mas se a recusa se repete é preciso ler para lá dos sinais.

AS DESCULPAS

“Doí-me a cabeça”, “doí-me a barriga”, são desculpas a que os mais pequenos recorrem com frequência quando não querem ir à escola. Por vezes o mal estar físico tem os mesmos sintomas que são visíveis pelos pais como febre ou vómitos, mas que não encontram uma justificação médica. São os chamados sintomas psicossomáticos.

Uma reação do corpo a problemas que podem ser de natureza psicológica ou emocional. É importante perceber que o seu filho pode não estar a mentir quando se queixa de uma dor de barriga para a qual o médico não encontra resposta. A criança pode ter dificuldade em expôr e até compreender o que sente. A dor é a porta que o corpo encontra para pedir ajuda.

RAZÕES PARA NÃO QUERER IR À ESCOLA

São vários os motivos que podem levar uma criança a rejeitar a escola de um dia para o outro. Tente conversar com o seu filho perguntar-lhe o que tem de melhor e de pior na escola. Esteja atento aos sinais.

Bullying: Há crianças que recusam levar determinadas roupas ou objetos para a escola, outras que acabam por admitir que “os meninos são maus”. São por vezes sinais de que são vítimas de agressões físicas ou psicológicas, o chamado bullying. Se for esse o caso dê confiança ao seu filho. Mostre-lhe que não está sozinho e que juntos vão resolver o problema. Tente identificar quem são os agressores e marque uma reunião com o professor ou o diretor de turma. Sugira também uma conversa em conjunto com os pais dos meninos responsáveis pelo bullying e tentem em conjunto encontrar uma solução.

Dificuldades de aprendizagem e/ou atenção: Uma chamada para ir ao quadro ou para ler um texto em voz alta, para algumas crianças não passa de um desafio mas para outras pode ser um enorme fator de ansiedade. O medo de cair no ridículo, de ser gozado pelos restantes, é habitual entre os mais pequenos, sobretudo quando existe uma dificuldade de aprendizagem de forma geral ou em determinadas matérias. É importante estar atento, falar com o seu filho ao final de cada dia. Se ele diz que “a escola é muito difícil”, veja para lá do óbvio. Talvez sinta vontade de dizer que tem de trabalhar mais porque a vida é dura e exige esforço. Mas o caminho deve ser outro. Pergunte-lhe que matérias acha mais interessantes na escola e em quais tem mais dificuldades. Elogie as capacidades que revela e mostre que o irá ajudar a superar os temas mais difíceis. Poderá também recorrer à sua experiência pessoal para lhe dar alguns exemplos de como superou determinados problemas.

Medos: “Não quero ir à escola, pode querer dizer “quero ficar em casa”. Na prática parece dar no mesmo, mas não é. Por vezes o problema está no seio da família e não no ambiente escolar. Há crianças que, por diversas razões, alimentam uma dependência pelo pai, ou a mãe e sentem receio sempre que se afastam. Acontece, por vezes, quando há uma perda ou um distanciamento. Em caso de morte, por exemplo, ou de divórcio. Se o seu filho perdeu a avó, ou o avô é natural que se questione que pode um dia perder os pais. Um receio que se pode traduzir em ansiedade e medo de sair de casa, de se afastar dos que mais gosta. Falamos de pessoas, mas pode acontecer também quando há a perda de um animal de estimação. Uma vez mais o diálogo é essencial para compreender e ajudar o seu filho. Os motivos que podem levar uma criança a rejeitar a escola são muitos e podem ocorrer em simultâneo. A boa notícia é que, na maioria das vezes, o problema é passageiro. Esteja atento. No final de cada dia, conversem, faça perguntas. O que aprendeu na escola? Que disciplinas gostou mais? Será que sentiu dificuldades nalguma matéria? E os amigos? Quem são? A que brincaram nos intervalos? Não desespere e, acima de tudo, não castigue antes de saber a real razão do problema. A criança precisa de sentir que é entendida. Tente a via do diálogo, reforce a importância dos estudos para a vida futura, mas realce também o lado mais lúdico da escola. E já agora, avalie se o seu filho dorme horas suficientes. Será que não tem uma agenda demasiado preenchida com atividades escolares e extra-escolares. Por vezes, algum cansaço pode ser a resposta que procura.

Lembre-se, poderá não acertar na melhor estratégia à primeira, tente uma vez mais, mas não hesite em procurar ajuda especializada, de um psicólogo, por exemplo, se entender que o problema persiste.

Fonte: SEI – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem

 

Três quartos das crianças e jovens enfrentam abusos, exploração e tráfico nas rotas migratórias do Mediterrâneo – UNICEF, OIM

Setembro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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COMUNICADO DE IMPRENSA CONJUNTO de 12 de setembro de 2017.

Três quartos das crianças e jovens enfrentam abusos, exploração e tráfico nas rotas migratórias do Mediterrâneo – UNICEF, OIM

As crianças da África subsariana são mais visadas do que qualquer outro grupo, o que resulta de discriminação e racismo

Novo relatório apela à Europa para que crie “percursos seguros e regulares” para a migração

NOVA IORQUE/BRUXELAS, 12 de Setembro de 2017 – As crianças e os jovens migrantes e refugiados que tentam chegar à Europa enfrentam níveis chocantes de violação de direitos humanos patentes nos relatos de uma percentagem impressionante de 77% dos que viajam pela rota do Mediterrâneo Central, que dão conta de experiências pessoais de abuso, exploração e práticas que por vezes chegam a tráfico humano – afirmaram hoje a UNICEF e a OIM, a Agência das Nações Unidas para as Migrações, num novo relatório.

Harrowing Journeys (Jornadas Angustiantes) revela que, embora todos os migrantes e refugiados estejam em elevado risco, as crianças e os jovens em movimento têm muito mais probabilidades de serem vítimas de exploração e tráfico do que os adultos com idade igual ou superior a 25 anos: quase o dobro de probabilidade na rota do Mediterrâneo Oriental e 13 por cento mais na do Mediterrâneo Central.

Aimamo, um adolescente de 16 anos não acompanhado, da Gâmbia, entrevistado num abrigo em Itália descreveu ter sido obrigado pelos traficantes a meses de trabalho físico esgotante quando chegou à Líbia. “Se tentas fugir, disparam sobre ti. Se paras de trabalhar, espancam-te. Éramos verdadeiros escravos. No final do dia, trancavam-nos sem que pudéssemos sair.”

O relatório baseia-se nos testemunhos de cerca de 22.000 migrantes e refugiados, incluindo cerca de 11.000 crianças e jovens, entrevistados pela OIM.

“A dura realidade é que actualmente é prática comum as crianças que se deslocam pelo Mediterrâneo serem abusadas, traficadas, espancadas e discriminadas”, afirmou Afshan Khan, Directora Regional da UNICEF e Coordenadora Especial para a Crise de Refugiados e Migrantes na Europa. “Os líderes da UE devem pôr em prática soluções duradouras que incluam vias de migração seguras e legais, a criação de corredores de protecção e alternativas à detenção das crianças migrantes”.

“Para as pessoas que deixam os seus países para escapar à violência, à instabilidade ou à pobreza, os factores que as levam a migrar são muito duros e embarcam em jornadas perigosas sabendo que podem ser obrigadas a pagar com a sua dignidade, bem-estar ou até mesmo com a própria vida”, disse Eugenio Ambrosi, Director Regional da OIM para a UE, Noruega e Suíça.

“Sem o estabelecimento de vias migratórias mais regulares, outras medidas serão relativamente ineficazes. É também essencial reforçar uma abordagem às migrações com base nos direitos humanos, melhorando os mecanismos para identificar e proteger os mais vulneráveis ao longo do processo de migração, independentemente do seu estatuto legal.”

O relatório mostra ainda que, embora todas as crianças em movimento corram um risco elevado, as que são originárias da África subsariana têm muito mais probabilidade de serem vítimas de exploração e tráfico do que as provenientes de outras partes do mundo: 65% comparativamente a 15% na rota do Mediterrâneo Oriental, e 83% comparativamente a 56% na rota do Mediterrâneo Central. O racismo é provavelmente um dos principais factores que estão na origem desta disparidade.

Concluiu-se ainda que as crianças e os jovens que viajam sozinhos ou por longos períodos, assim como os que têm níveis de educação mais baixos, são também altamente vulneráveis à exploração de traficantes e grupos criminosos no decurso das suas jornadas. De acordo com o relatório, a rota do Mediterrâneo Central é particularmente perigosa, dado que a maioria dos migrantes e refugiados passa através da Líbia, que continua dominada pela anarquia, por milícias e criminalidade. Em média, os jovens pagam 1.000 a 5.000 USD pela viagem e muitas vezes chegam à Europa endividados, o que os expõe a novos riscos.

O relatório apela a todas as partes interessadas – países de origem, trânsito e destino, à União Africana, à União Europeia, organizações internacionais e nacionais com o apoio da comunidade de doadores – que dêem prioridade a uma série de medidas.

Estas incluem o estabelecimento de vias seguras e regulares para as crianças em movimento; o reforço dos serviços para proteger as crianças migrantes e refugiadas, seja em países de origem, trânsito ou destino; a criação de alternativas à detenção de crianças em movimento; um trabalho entre os vários países para combater o tráfico e a exploração; e o combate à xenofobia, ao racismo e à discriminação contra todos os migrantes e refugiados.

Nota:

A UNICEF continua a apelar aos governos para que adoptem os seis pontos da sua Agenda para a Acção, a fim de proteger as crianças refugiadas e migrantes e assegurar o seu bem-estar.

  1. Protejam as crianças refugiadas e migrantes da exploração e da violência, em especial as crianças não acompanhadas;
  2. Acabem com a detenção de crianças requerentes do estatuto de refugiada ou migrante;
  3. Mantenham as famílias juntas como a melhor forma de protege crianças e de lhes atribuir um estatuto legal;
  4. Mantenham a aprendizagem de todas as crianças refugiadas e migrantes lhes garantam acesso a serviços de saúde e outros de qualidade;
  5. Pressionem para que sejam tomadas medidas para combater as causas subjacentes aos movimentos de refugiados e migrantes em larga escala;
  6. Promovam medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização em países de trânsito ou de destino.

descarregar o relatório no link:

https://www.unicef.org/publications/index_100621.html

Big Bang – Festival de Música e Aventura para um Público Jovem – 20 e 21 outubro, 2017 no CCB

Setembro 21, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/FabricaDasArtes/Programacao/Espetaculos?A=1148

Queimar-se com sal e gelo: o novo e perigoso jogo da moda entre os adolescentes

Setembro 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagens do http://observador.pt/ de 19 de setembro de 2017.

Um rapaz de 12 anos morreu depois de ter estado 20 minutos com sal e gelo nas costas

Depois do desafio da canela e do jogo da baleia azul, a moda de queimar a pele com sal e gelo está a preocupar as autoridades espanholas. Irritações, necrose e até a morte: os dermatologistas alertam.

Chegou dos Estados Unidos e está a espalhar-se por Espanha. O novo e perigoso jogo da moda entre crianças e adolescentes consiste em queimar a pele com uma combinação de sal e gelo. A Guarda Civil espanhola já alertou pais e sociedade em geral para os perigos daquilo a que chama “desafio viral”.

O dermatologista Pablo de la Cueva disse ao El Español que “a pele pode sofrer danos de diferentes graus, desde pequenas irritações que a deixam vermelha e inflamada até feridas estruturais e necrose”.

Três raparigas espanholas mostram as consequências do desafio

“Uma prática completamente desaconselhada”, alerta o médico. A combinação de sal e gelo aplica na pele temperaturas que podem chegar aos 20 graus negativos. O frio é tão intenso que pode acabar por rebentar as células. Além disso, o gelo atua como anestésico: muitas das vezes, os jovens só se dão conta das consequências depois de retirarem a combinação da pele.

Os jovens parecem orgulhosos das queimaduras

“As primeiras consequências implicam irritação, ardor e dor”, detalha Pablo de la Cueva. “Além disso, podem gerar-se infeções que só podem ser tratadas com antibióticos. Se a pele está com necrose, podem ficar com cicatrizes irreversíveis e problemas de pigmentação.”

A Guarda Civil espanhola, através do Twitter, partilhou uma imagem de um dos jovens que participou e limitou-se a dizer “apesar de ser algo muito idiota, há gente que o faz”. Um dos exemplos mais impressionantes é o caso de um rapaz norte-americano de 12 anos que pediu aos amigos que lhe pusessem sal e gelo nas costas, formando uma cruz. Aguentou 20 minutos. As feridas – que podem ser vistas na imagem principal deste artigo – foram fatais.

Depois do desafio de comer canela ou do jogo da baleia azul, chegou a moda do gelo e do sal.

 

 

A “pressão do mundo virtual” anda a mexer com a saúde mental dos jovens

Setembro 21, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de setembro de 2017.

Passam em média mais de duas horas por dia nas redes sociais. Há especialistas que acham que isso já se está a notar nas urgências e consultórios psiquiátricos.

Catarina Reis

Sem barreiras e sem segredos, como uma casa virtual onde tudo pode realmente acontecer. Assim se apresentam as redes sociais aos jovens que as utilizam como o seu meio de comunicação mais natural. E a pergunta que muitos pais fazem é esta: pode o uso excessivo de redes sociais estar associado ao aparecimento de problemas de saúde mental? O médico psiquiatra Diogo Telles Correia, a psicóloga Rosário Carmona e a pedopsiquiatra Maria de Lurdes Candeias acreditam que sim.

Da rua para casa, do convívio de recreio às conversas em redes sociais — em Portugal, são os jovens dos 15 aos 24 anos que mais tempo lhes dedicam. Passam uma média de mais de duas horas por dia a “conversar” e a “partilhar”, segundo um estudo da Marktest, divulgado no ano passado, que indicava ainda que em poucos anos — de 2008 a 2015 — a percentagem de utilizadores, entre todas as faixas etárias, crescera de 17,1% para 54,8%.

Diogo Telles Correia não hesita em ligar os mais recentes números ao crescimento de patologias do foro psicológico nos jovens, como ansiedade e depressão. Porquê? De acordo com o especialista, as redes sociais expõem “os adolescentes a um contínuo fluxo de informação, que os estimula constantemente e alimenta uma personalidade hiperactiva e que pode conduzir, não raramente, a situações de ansiedade”.

E a ansiedade, diz o médico psiquiatra e psicoterapeuta, é um veículo para a depressão. Além disso, a globalização das redes sociais veio tornar as relações humanas “mais superficiais e menos estruturantes, facto que reduz a resiliência dos adolescentes às adversidades”, acrescenta.

Aos olhos de Rosário Carmona, psicóloga especialista em adição à Internet, o problema não é novo. “A pressão social, a pressão da integração, sempre existiu. Agora, apenas existe em moldes diferentes.” E prossegue: “Enquanto essa pressão existia na realidade, agora há uma pressão adicional — a do mundo virtual. É esta pressão, que as gerações antigas já tinham, mas a duplicar.” E que é passível de ser encontrada nos episódios mais banais do dia-a-dia de um adolescente. “O não pertencer a um grupo de turma já é motivo de stress. Tudo é uma pressão social” na vida dos adolescentes.

Já a pedopsiquiatra Maria de Lurdes Candeias considera que se um adolescente está sujeito a uma pressão social resultante das redes sociais, então é natural que essa utilização “agrave uma patologia que o jovem já possa ter”. Na perspectiva da especialista, as redes sociais funcionam, assim, como factor de agravamento de uma condição já existente — embora adormecida —, mas não como raiz de um problema da ordem mental.

Não há atenção suficiente

É precisamente nas redes sociais que têm lugar algumas páginas dedicadas à divulgação de imagens e citações de carácter depressivo. De origem desconhecida, o fenómeno tem atraído milhares de jovens utilizadores em todo o mundo. São exemplos as páginas de Facebook Depression Memes 2.0, seguida por 25.323 pessoas, e a Yes, I’m sad, com mais de um milhão de seguidores.

Em Maio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um relatório onde apontava as cinco principais causas de morte em adolescentes entre os 15 e os 19 anos, em 2015. No estudo Acção Global Acelerada para a Saúde dos Adolescentes: Orientações para apoiar a implementação nacional, a autolesão foi apontada como a terceira causa de morte no mundo — antecedida por acidentes de viação e infecções respiratórias. Este número (67 mil mortes num ano) engloba, segundo o relatório, os suicídios e mortes acidentais resultantes de lesões auto-infligidas pelos jovens que não tinham como intenção. O mesmo estudo divulgou ainda diferenças a nível de género: a autolesão é mais frequente entre raparigas adolescentes do que entre rapazes.

Em Portugal, Diogo Telles Correia lembra os dados partilhados pelo Programa Nacional para a Saúde Mental, em 2015, que davam conta de que, nos últimos anos, se registara “um aumento do número de crianças e adolescentes que recorreram às urgências por depressão, ansiedade e tentativas de suicídio ou para-suicídio — autolesões cujo objectivo não era morrer, mas sim passar uma mensagem de sofrimento ou mágoa”.

Já Rosário Carmona, ainda que admita que há uma relação causa-efeito entre redes sociais e saúde mental dos jovens, não considera, a partir daquilo que presencia no seu consultório, que o problema esteja a crescer. “Não sinto que tenha aumentado. Mas também não quero dizer que acredito nisto porque damos maior atenção ao assunto, porque há pais que vão ler e vão achar que, efectivamente, têm prestado mais atenção, o que não é verdade. Há uma maior informação, mas ainda não há atenção suficiente ao assunto”, subinha.

Prevenção desvalorizada

Nas escolas, junto dos jovens — é onde a psicóloga Rosário Carmona diz ser necessário prevenir e exactamente onde considera que está a falhar a prevenção.

Garante que “há especialistas suficientes no país para ajudar estas crianças”, mas, nos estabelecimentos de ensino, a realidade é outra. “Ou não há psicólogos ou há poucos”, afirma.

Desde cedo que “a prevenção está muitíssimo desvalorizada”. A psicóloga é ainda da opinião que o Governo deveria prestar mais atenção ao problema da saúde mental dos jovens, pois “está confirmado que ganha mais em prevenir do que em remediar”.

Rosário Carmona também lamenta que “a maioria dos pais” chegue “demasiado tarde” ao seu consultório. Para a pedopsiquiatra Maria de Lurdes Candeias, esta é mesmo a raiz do problema. “Não há uma boa formação junto das crianças, sobre o que é certo e o que é errado. Há escolas que querem ter mão nisto, outras que não. Mas eu continuo a dizer que isto depende da formação dada em casa, pelos pais, pelos primos, pelos avós, pelos tios”, conclui.

Travar este fenómeno e as falhas que dele têm decorrido no sistema é, de acordo com Diogo Telles Correia, responder multidisciplinarmente, “incluindo psiquiatras, pediatras, clínicos gerais, psicólogos, entre outros”.

“Como em todas as áreas de saúde mental, o número de médicos e técnicos especializados na área podem não estar à altura deste acréscimo contínuo da prevalência das perturbações mentais” e da complexidade do tema, explica Telles Correia que também ressalva que o trabalho tem que começar em casa, com “pais mais atentos” a sintomas que podem estar associados a uma possível depressão ou problemas de ansiedade.

 

 

 

Mais de um quarto das crianças em Portugal tem excesso de peso

Setembro 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de setembro de 2017.

Projecto que quer pôr a fruta nos lanches das crianças continua a decorrer Paulo Pimenta

Raquel Martins

Das 17698 crianças inquiridas pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, 28,5% tinham peso a mais.

Mais de um quarto das crianças portuguesas em idade escolar têm excesso de peso e, entre estas, 12,7% são obesas. Estas são algumas das conclusões do inquérito levado a cabo pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) junto de 17698 crianças que frequentavam escolas nos 18 distritos do continente e dos Açores e da Madeira

O estudo sobre o estado nutricional e estilos de vida das crianças portuguesas decorreu ao longo do ano lectivo 2016/2017 e teve por base uma amostra de crianças entre os dois e os dez anos que participaram no projecto “Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável”. As crianças responderam a um primeiro inquérito no início do projecto e 12 semanas depois voltaram a ser ouvidas.

Na fase inicial do projecto, 28,5% das crianças tinham excesso de peso, das quais 12,7% eram consideradas obesas.

E se para a APCOI estes dados são reveladores, “os resultados regionais são ainda mais preocupantes”. As crianças dos Açores, refere a nota à imprensa, foram as que apresentaram a maior percentagem de excesso de peso (36,6%) em comparação com as restantes regiões, seguindo-se a Madeira com 36,4%. No Norte esta percentagem chegou a 31,4%, no Centro a 28,8%, em Lisboa e Vale do Tejo a 25,8% e no Alentejo e no Algarve a prevalência foi de 23,4%.

“De notar ainda que a região da Madeira registou a maior prevalência de crianças obesas com 18,4% e foi a única região a registar maior percentagem de alunos com obesidade comparativamente aos alunos com pré-obesidade”, refere a APCOI.

Os investigadores voltaram a inquirir as crianças após o projecto e as conclusões são classificadas como “animadoras”. “Comparando os dados iniciais com os recolhidos após as 12 semanas de participação no projecto observou-se que a percentagem de crianças com obesidade reduziu de 12,7% para 11,3%”, refere a APCOI.

Todas as regiões verificaram uma redução da prevalência de obesidade com a participação no projecto, tendo a Madeira registado a maior descida.

O relatório final do inquérito realizado será divulgado nas próximas semanas, adianta a associação presidida por Mário Silva.

mais informações:

Novo estudo da APCOI revela: 28,5% das crianças em Portugal têm excesso de peso

 

 

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