Consignação de 0,5% do IRS a favor do IAC

Março 20, 2019 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

Boletim do IAC n.º 129 – O Valor da Solidariedade

Março 20, 2019 às 2:00 pm | Publicado em CEDI, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Descarregar o Boletim do IAC nº 129 aqui

II Encontro MDS : Novos Desafios na Educação!, com a participação de Melanie Tavares do IAC, 30 de março na Tapada das Mercês

Março 20, 2019 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança,irá participar no encontro como moderadora.

Inscrição no link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf-l3K4iNSBJd4wdlRp-20wfaChO_E2_2O0tdb8UrbYyDi2RA/viewform

Boas notícias para os pais: YouTube desativa canais com conteúdos suicidas e violentos para crianças

Março 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do Expresso de 1 de março de 2019.

A secção de comentários em dezenas de milhões de vídeos com menores de idade será também removida, após a denúncia de um circuito de pedofilia existente na plataforma

André Manuel Correia

O YouTube, principal plataforma agregadora de conteúdos audiovisuais do mundo, anunciou ter “cancelado determinados canais que colocam em perigo, de alguma forma, as crianças”, como conteúdos que incitam, por exemplo, ao suicídio ou abrem espaço, na secção de comentários, à apologia predatória do abuso sexual de menores.

A decisão surge na sequência de uma onda indignação e de queixas relativamente a um circuito de pedofilia, desvelado pelo youtuber Matt Watson — sobre o qual pode ler mais neste artigo —, a que se soma a denuncia do blog de pediatria “Pedimon.com” de um polémico vídeo, com desenhos animados, interrompido inesperadamente para explicar a forma correta de cortar os pulsos “para chamar a atenção”.

O Youtube reitera o compromisso em criar atualizações para garantir a segurança dos mais jovens e pede para que todos os utilizadores continuem empenhados na denúncia de todos os vídeos potencialmente nocivos e de teor criminoso.

 

Gravidez, parto e pós-parto. Momentos em que o pai também é importante

Março 19, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Texto e imagem do Observador de 19 de março de 2019.

Ana Cristina Marques

O papel do pai tem ganho mais visibilidade na sociedade. Além do apoio que presta à mãe, o vínculo emocional que estabelece com a criança é essencial para o futuro desta. Falámos com 4 especialistas.

Não só porque esta terça-feira se celebra o Dia do Pai, mas também. A data serve de pretexto para recordar a importância do pai na gravidez, parto e pós-parto, momentos associados quase em exclusivo à mãe e mulher que vive, desde o começo, o impacto físico da maternidade. Mas o homem não tem de ser mero espetador: para reforçar esta ideia falámos com quatro especialistas sobre o papel do pai nestes diferentes estágios (e não só). Todas elas concordam: o seu apoio é fundamental, mas também ele merece ser apoiado.

“A maternidade pode e deve ser partilhada”

A maternidade não é uma coisa exclusiva da mãe, “pode e deve ser partilhada”. Em momentos tão delicados como a gravidez e o pós-parto, o cuidado em torno da mulher pode deixar o pai para segundo plano. Este, por sua vez, tem um papel cada vez mais ativo e ajuda a construir um “estilo de parentalidade mais saudável”, palavras de Carmen Ferreira, enfermeira especialista em saúde materna, ao Observador. “Uma criança que tenha os dois pais presentes vai ser mais saudável e vai ter um melhor desenvolvimento”, assegura a especialista da rede hospitalar CUF, que fala na necessidade de reforçar a presença do pai nos momentos que antecedem a chegada de um filho — um cuidado a ser tido também em conta pelos profissionais de saúde.

Entre homens e mulheres há vivências diferentes da parentalidade. Dito isto, Carmen Ferreira, que também é autora do blogue “Bebé Saudável”, dá exemplos de como os pais podem participar mais — seja indo às ecografias ou planeando o quarto do bebé, seja fazendo a gestão das visitas após o nascimento. É importante, diz, que eles comecem desde cedo a ter a perceção do filho que está por chegar. “Há pais que só percebem que vão ser pais quando veem a barriga e outros quando o bebé está finalmente cá fora.”

Os cursos de preparação para o parto também entram nesta equação, confirma Carmen Ferreira: “Às vezes temos muitos pais que pensam que não precisam de ir ao módulo da amamentação. É o contrário, uma vez que vão ser o suporte da mãe durante essa fase. Vários estudos confirmam que as mulheres, quando apoiadas na amamentação, têm uma experiência mais positiva”. É muito importante os pais munirem-se de informação para acompanharem a mãe tanto na gravidez como no pós-parto. “O projeto de parto deve ser trabalhado a dois durante a gravidez. Isto ativa a participação do homem e reforça o elo de ligação com o bebé”.

“Qualquer pai tem competência, à priori, para fazer as mesmas coisas que a mãe”

O pai pode sentir-se ligeiramente de parte e, por vezes, cabe à mãe o papel de envolvê-lo mais, assegura Inês Pessoa e Costa, psicóloga clínica do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, cuja tese de mestrado no ISPA debruçou-se especificamente sobre o envolvimento do pai na parentalidade. “O que se vê é que os pais estão mais distantes nos cuidados indiretos, isto é, nas tarefas que não implicam uma relação direta com a criança. A mulher tende a ser mais prática. Vale a pena identificar os momentos em que é importante a presença dos dois”, continua.

Ter um filho mexe com a dinâmica da família e de cada pessoa. Findo os 9 meses de gravidez, a mãe deixa de ser a pessoa central de atenção para passar a ser, naturalmente, a criança. “Aqui é preciso ter cuidado com a mãe, que está sujeita a muitas alterações hormonais. O papel do pai não é fácil porque, ao mesmo tempo que está a tentar estabelecer uma relação com o bebé, que durante o tempo de gestação foi menos intensa, está a tentar apoiar a mãe”, refere ainda Inês Pessoa e Costa, que defende que os pais devem estar envolvidos nos cuidados do bebé desde o início.

A gravidez é efetivamente “um ciclo vital na família que implica uma dose de ajustamento” familiar e individual, reforça Inês Afonso Marques, psicóloga infantil da Oficina de Psicologia. No contexto do nascimento de uma nova dimensão familiar o pai “pode e deve ser uma figura que pode participar em todas as fases”, acrescenta, referindo que a comunicação entre o casal é essencial. “Qualquer pai tem competência, à priori, para fazer as mesmas coisas que a mãe”. 

Inês Afonso Marques esclarece ainda que não existe uma forma única de cuidar dos filhos e que, havendo dúvidas, não há nada como pôr eventuais medos em prática. “Quando os casais comunicam e partilham os temas, estes receios iniciais acabam por se dissipar.”

“Acho que, muitas vezes, os pais sentem um pouco de medo em tomar conta de um ser tão frágil e delicado”, reforça Inês Pessoa e Costa, que assegura que isso não deve ser confundido com falta de vontade. Mas há mais a dizer: “Às vezes há mães que também não envolvem os pais porque sentem que as crianças estão melhores com elas. É um processo inconsciente que acontece com alguma frequência”.

Gravidez psicossomática nos homens? “É cada vez mais comum”

Há homens que sentem uma gravidez psicossomática ao terem sintomas idênticos aos das mulheres, afirma a enfermeira Carmen Ferreira. “É cada vez mais comum porque a participação do homem na gravidez começa a ser trabalhada cada vez mais cedo”, atesta. Naturalmente que tal depende do tipo de homem e de casal em questão, mas há casos em que homens se sentem “igualmente grávidos”, como se em solidariedade com a parceira. “É muito psicológico. Acontece, por exemplo, com o sentir os ditos ‘desejos’.”

“Hoje há mais visibilidade e respeito pelo papel do pai”

Atualmente, o papel do pai tem maior destaque na sociedade, tanto no período da gravidez como após o parto. Não se trata apenas de prestar apoio e suporte à mãe, afirma a psicóloga infantil Vera Lisa Barroso, mas também de criar um vínculo especial com o bebé, que contribui para o desenvolvimento daquilo que vai ser a sua personalidade.

Vera Lisa Barroso destaca ainda que hoje, tanto a escola como em contexto hospitalar, há uma procura por um maior envolvimento do pai. “Em termos sociais existe uma mudança, há mais visibilidade e respeito pelo papel do pai.”

 

 

“Tenho um pai-telefone”

Março 19, 2019 às 6:20 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 19 de março de 2019.

Hoje é o “Dia do Pai” e muitos pais e filhos aproveitam este dia para brincar, passear ou conversar. A esses pais e filhos apenas posso dizer, “aproveitem, aproveitem, aproveitem”. Porque muitos outros pais e filhos não estão juntos.

Alguns não estão juntos porque um deles já morreu. É o meu caso. Aí, restam-nos as memórias, que perduram através do tempo. Essas ninguém nos tira.

Alguns não estão juntos porque o pai se desinteressou e afastou. Na vida destas crianças, as mães são super-heroínas, mães e pais e tudo o mais. Que tentam compensar a rejeição e os sentimentos de abandono que estas crianças sentem, virando-se do avesso quando preciso for.

Alguns não estão juntos porque o pai foi violento e obrigado a afastar-se. Para estas crianças, povoadas de memórias más, as mães vestem uma capa com super-poderes, protegendo-as contra tudo e contra todos.

Por fim, alguns pais e filhos não estão juntos porque alguém os impede. Falo das inúmeras situações de conflito parental em que os filhos são injustamente privados do convívio regular com os seus pais. Acontece com pais e mães, é certo, mas atendendo ao dia de hoje, falarei dos pais homens.

O conflito parental no contexto dos processos de separação ou divórcio é uma realidade que não podemos negar. E no meio da confusão, são as crianças quem mais sofre, usadas tantas e tantas vezes como trunfos e armas de arremesso. A privação do contacto da criança com o pai surge, assim, como muito frequente (demasiado frequente). As mães elevam vozes que reclamam mais direitos sobre as crianças, quase como se de uma propriedade sua se tratassem. Afirmam que o amor de mãe é mais forte e importante do que o amor de pai e o mais grave é que, muitas vezes, a sociedade acaba mesmo por legitimar esta pretensão.

São as escolas que validam estas vozes, aceitando sem questionar que uma mãe determine que o pai não deve ser informado sobre as questões escolares do seu filho e que não o pode ir buscar. Aceitam sem qualquer documento judicial que o justifique.

São os profissionais que validam estas vozes, aceitando sem questionar que uma mãe exclua o pai de assuntos tão importantes como a saúde física ou mental. Aceitam sem qualquer documento judicial que o justifique.

São também os tribunais que ainda demoram em perceber o direito que a criança tem. O direito a conviver com ambos os pais, de forma regular e equitativa.

“O amor de mãe é inato”, ouve-se muitas vezes dizer. Nada mais errado. Pensemos em quem são os principais responsáveis pelos maus tratos e negligência junto das crianças. Pensemos ainda nas mães que matam os filhos e nas mães que, inclusive, abusam deles sexualmente. Não, o amor de mãe não é inato, tal como o amor de pai também não é.

“A vinculação da criança faz-se apenas com a mãe”, ouve-se muitas vezes dizer. Nada mais errado. Se, tradicionalmente, a mãe está associada ao papel cuidador, actualmente o pai está mais investido nos cuidados e educação da criança e, tal como a mãe, o pai aprende e constrói a sua parentalidade. A literatura indica que os pais podem ser cuidadores sensíveis dos seus filhos e que as crianças estabelecem relações de vinculação seguras, quer com as mães, quer com os pais nos primeiros anos de vida.

Por tudo isto, neste “Dia do Pai”, desejo apenas que todas as crianças possam efectivamente estar com os seus pais. E os pais com os seus filhos.

Perante todas estas questões, desde os pais mortos, desaparecidos ou agressores, existem ainda as crianças que não têm pai. Têm, sim, duas mães. Ou avós. Ou tios. Ou não estão perto da família e vivem em acolhimento. O que fazem estas crianças no “Dia do Pai”? Será que já pensámos nisto como deve de ser? Pois, não pensámos…

Ainda sobre os escassos contactos que mantinha com o seu pai e, na maior parte das vezes, apenas à distância, dizia um menino de nove anos1, “sabes, acho que não tenho um pai-homem… tenho um pai-telefone”.

Queremos “pais-abraços”, “pais-mimos” e “pais-beijos”, a par de “pais-rotinas” e “pais-limites”.

Não queremos “pais-telefone”.

1 No contexto de uma consulta com o colega psicólogo Luís Fernandes.

 

 

Alerta Unicef: milhares de crianças precisam de assistência humanitária em Moçambique

Março 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da ONU News de 18 de março de 2019.

Governo moçambicano estima que 850 mil pessoas  tenham sido afetadas; são necessários US$ 20,3 milhões para apoiar a resposta humanitária nos três países afetados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que cerca de 850 mil pessoas, metade das quais crianças, foram afetadas pelas graves inundações no Málaui e em Moçambique. O Unicef alerta que estes números podem aumentar à medida que o ciclone Idai se move para oeste.

O ciclone tropical, com chuvas fortes e ventos até 170 km / h, atingiu o porto da Beira, a  segunda maior cidade de Moçambique, na noite de quinta-feira. Cerca de 500 mil pessoas ficaram sem energia e com comunicações limitadas.

Cooperação

Em todo Moçambique, os números iniciais do governo estimam que 600 mil pessoas tenham sido afetadas, 260 mil são crianças.

A diretora regional do Unicef para a África Oriental e Meridional, Leila Pakkala, afirmou que centenas de milhares de crianças foram afetadas pelas enchentes devastadoras e agora o ciclone Idai “trouxe mais sofrimento às famílias no seu caminho.” A responsável lembra que “muitas crianças perderam as suas casas, escolas, hospitais e até amigos e entes queridos.”

O Unicef está no terreno a trabalhar em estreita coordenação com os governos e parceiros humanitários dos três países “para aumentar a resposta e responder às necessidades imediatas das crianças afetadas e das suas famílias.”

Danos

Embora a extensão total do impacto do ciclone ainda não seja clara, é provável que inclua danos nas escolas e nos serviços de saúde, destruição de infraestruturas de água e saneamento, impedindo o acesso a água potável para as comunidades afetadas. Aumentando, por isso, o risco de doenças transmitidas pela água.

Segundo agências de notícias, desde o início de março, as inundações causadas pelo ciclone já afetaram mais de um milhão de pessoas e causaram pelo menos 150 mortes.

O ciclone que se aproxima pode complicar a resposta humanitária, já que o acesso a comunidades vulneráveis ​​ é limitado e poderá ser ainda mais pelo aumento das águas das cheias.

Com milhares de pessoasobrigadas a deixar as suas casas inundadas, muitas famílias carecem de alimentos, água e saneamento.

Zimbabué

No Zimbabué, as primeiras estimativas do Governo apontam para 8 mil pessoas afetadas, com 23 mortes e 71 pessoas relatadas como desaparecidas.

O Unicef está a trabalhar com parceiros para apoiar os governos dos países afetados para atender às necessidades de crianças e mulheres. Segundo o Fundo, são necessários US$ 20,3 milhões para apoiar a resposta humanitária nos três países afetados.

 

 

As crianças sentem falta quando os pais não brincam com elas

Março 19, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da TSF de 6 de março de 2019.

É preciso que os pais se sentem no chão e brinquem com os filhos. O alerta é da psicóloga Inês Afonso Marques que assegura que as crianças sentem a ausência e a falta de tempo de brincadeira com os pais.

“O tempo de qualidade em família tem estado fora das agendas e pouco se fala sobre isso.” A critica é feita por Inês Afonso Marques. A psicóloga clínica e psicoterapeuta infantojuvenil revela que continua a ter crianças no consultório que se queixam da falta dos pais e defende que essa deve ser uma preocupação no exercício da parentalidade.

“Continua a ser uma realidade ter no consultório e sem ser no consultório, em contextos diferentes, mais informais, crianças a partilharem que sentem falta dos pais e de brincar com os pais”, conta.

Inês Afonso Marques desafia por isso as famílias a pensarem como podem estar mais presentes e “envolvidos significativamente e emocionalmente na vida dos filhos”.

Ouvir Inês Afonso Marques no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/as-criancas-sentem-falta-quando-os-pais-nao-brincam-com-elas-10647284.html?fbclid=IwAR0dZNCTZlm2AUXz7DSG66FnIWQYTABtaNWHt9O3ef5TT5XedGOUeAMdIO8

 

Tribunais ouvem pouco as crianças quando decidem sobre a vida delas

Março 18, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Notícia do Público de 3 de março de 2019.

Investigação feita nas comarcas de Vila Real, Bragança, Braga e Viana do Castelo conclui que só um quinto das crianças tem oportunidade de se expressar nas secções de família e menores.

Ana Cristina Pereira

Um exemplo: “Cinco crianças estão abrangidas por medida de colocação em instituição há cerca de dez anos e nunca foram ouvidas.” Outro exemplo: “A criança revelou que estava feliz – na ‘sua’ família, no seu ‘pedaço de céu’.” O tribunal tardou a ouvi-la. Insistia na adopção, apesar de ela já ter tido duas más experiências. Quando finalmente a ouviu, já com 15 anos, entendeu que estava bem na família de acolhimento.

Helga Castro mergulhou nos processos tutelares cíveis a correr nas secções de família e menores de quatro comarcas do Norte do país e concluiu que o espaço da justiça é “perpetuador de uma cultura endémica de não participação e violador dos direitos das crianças, na medida em que não ouve, não escuta e não considera os contributos prestados por elas”.

Oriunda de Trás-os-Montes e a fazer doutoramento em Estudos da Criança na Universidade do Minho, Helga Castro optou pelas comarcas de Braga, Bragança, Viana do Castelo e Vila Real. Não era só a proximidade – também a possibilidade de trabalhar os binómios litoral/interior, urbano/rural, instância local/instância central, competência especializada/competência genérica.

Para perceber como a justiça pensa a criança, a investigadora seleccionou todos os processos de adopção, todos os de entrega judicial, todos os de apadrinhamento civil. E cinco por cada ano de promoção e protecção. E outros tantos de regulação das responsabilidades parentais. Decorria o ano judicial 2014/2015 e havia processos a decorrer desde 1999. Acabou com 446, alguns com mais de mil páginas.

Os números não deixam espaço para dúvidas: “Num total de 728 crianças envolvidas nos 446 processos judiciais analisados, apenas 21% são participantes em 34% dos processos englobados na amostra.” Estes valores correspondem apenas a audição e participação das crianças que emerge de convocatória judicial determinada por um magistrado. Mesmo assim, parece-lhe “pouquíssimo”.

Há muito quem argumente que conceder à criança o direito de expressar a sua perspectiva, a sua opinião, o seu desejo é sujeitá-la a stress, a informação inapropriada à idade, a conflito familiar ou a outros danos. “É como se se acreditasse que vivem numa redoma”, lamenta. “Elas vivem a negligência, o abuso, o mau trato, mas não podem dizer com quem querem morar? Elas estão na origem da acção. Elas vão ser afectadas pela decisão.”

Acontece uma criança ser ouvida num processo-crime e não o ser no processo de regulação das responsabilidades parentais. Para ilustrar o quão absurdo isso pode ser, dá o exemplo de um pai que estava preso e que, por ordem do Tribunal de Família, recebia visitas regulares das três crianças. Só quando a mãe se queixou que as ameaças continuavam é que o juiz percebeu que estava a forçar uma criança abusada a visitar o abusador.

A idade não deve prender

A Convenção dos Direitos da Criança estipula que “os Estados garantem à criança com capacidade de discernimento o direito de exprimir livremente a sua opinião sobre as questões que lhe respeitem”. A legislação nacional só obriga os tribunais a ouvir as crianças a partir dos 12 anos. Antes disso, cabe ao magistrado decidir ouvir ou não. Nas secções estudadas, a média de idades de audição situa-se nos 12-13. A “moda” estatística, em todas as secções, é 16.

Quando Helga Castro vai a conferências ou congressos – a propósito da sua tese de doutoramento intitulada O tempo da infância no (s) tempo (s) da justiça: uma análise do exercício dos direitos de participação das crianças nos processos judiciais e aprovada no ano passado na Universidade do Minho –, argumenta que não importa a idade, mas a maturidade e as circunstâncias. E há sempre quem lhe diga que “as crianças mentem, constroem, efabulam”. E ela retorque: “E os adultos não?”

Na análise dos processos, encontrou crianças muito novas com ideias muito claras. Eis um exemplo: “Questionado sobre a relação com a mãe e como estruturar os contactos entre ambos, a criança, com 10 anos, responde: ‘Já esqueci no meu coração, agora só quero esquecer na minha cabeça.’ ”

“Não é a idade que nos deve prender”, sustenta. “É saber se aquela criança é ou não capaz de compreender o que se está a passar e o que se vai passar, sendo certo que o sistema não está preparado para a participação das crianças”, prossegue. “Como é que a criança pode fazer este percurso sem que isso a vitimize? Devia ser por aí.”

Condições diferem de local para local

Inegável que a ida a tribunal pode ser stressante, exigente e até intimidatória para qualquer criança. Primeiro, os espaços não estão adaptados às suas características. Depois, as crianças “não são suficientemente acolhidas, informadas e apoiadas quando participam”. Por último, muitos adultos, incluindo os magistrados, “não têm formação ou competência para as ouvir”. E raramente chamam quem saiba fazê-lo.

Há muito que se desencoraja a presença de crianças em sala de audiências – “em virtude da disposição do espaço, da hierarquia que estabelece, da centralidade que acentua, do distanciamento que impõe”. No território em estudo, nem uma secção tinha ainda salas adaptadas. Numa, eram ouvidas num espaço exíguo ao lado do Ministério Público. Noutra, nos gabinetes dos magistrados. Noutra, nos gabinetes ou em videoconferência. Noutra, na sala de audiências.

Nem todos têm o mesmo acesso à justiça. E isso também se vê pelos números. Numa secção, apenas 25% dos processos tinham participação de crianças envolvidas. Noutra, 28,2%. Noutra, quase o mesmo, isto é, 28,3%. E noutra, 40,5%.

“A abordagem, os procedimentos, a forma como reconhecemos ou não a criança, decidimos ou não decidimos ouvi-la, isso não está balizado”, nota. Varia “de tribunal para tribunal, de região para região, consoante as competências, a sensibilidade, a disponibilidade para encontrar soluções (muitas vezes fora do espaço da justiça), da resiliência de cada um dos profissionais”. “Fica aqui em causa tanta coisa.”

Que quer isto dizer? Que não é igual morar numa aldeia transmontana ou numa cidade minhota. Pense-se, por exemplo, na rede de transportes públicos. Há famílias que vivem com grandes carências económicas e têm de se deslocar dezenas de quilómetros para ir ao tribunal ou a um gabinete médico-legal. E magistrados que pedem aos bombeiros para assegurar o transporte ou recorrem a videoconferência.

Há exemplos dramáticos de crianças no sistema ao longo de muitos anos sem direito de falar. “Numa fratria de seis crianças, apenas uma, a mais velha, foi ouvida, com 15 anos e uma única vez; o processo tem nove volumes e aproximadamente 1300 páginas, implicou diversas medidas.” Outro exemplo: “Fratria de sete crianças; foram apenas ouvidas três delas (as mais velhas), mas apenas uma vez.”

Na ânsia de se expressar, algumas crianças mais expeditas escrevem cartas aos juízes ou apresentam-se nas secretarias dos tribunais. “Quero voltar para casa. Já não me lembro da última visita dos meus pais”, escreveu uma criança num bilhete que quis fazer chegar ao juiz. Numa carta, outra criança pede: “Quero que me mandes para uma família como têm as outras crianças.”

 

 

 

 

 

Consignação de 0,5% do IRS a favor do IAC

Março 18, 2019 às 1:45 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

Até 31 de março, pode escolher o Instituto de Apoio à Criança como entidade a consignar 0,5% do seu IRS, sem qualquer custo para si!

Siga os seguintes passos:

  1. Aceda ao Portal das Finanças
  2. Escolha um destes caminhos: “IRS”/ “Entidade a Consignar” ou “Todos os serviços”/”Dados pessoais relevantes”/ “Entidade a Consignar”
  3. Na página “Entidade a Consignar IRS/IVA” deverá pesquisar por “Instituto de Apoio à Criança” na lista de entidades elegíveis. Depois deverá submeter.
Página seguinte »


Entries e comentários feeds.