Série do canal Panda Biggs considerada imprópria para “crianças mais novas”

Maio 23, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 15 de maio de 2017.

A série de animação Shin Chan motivou centenas de queixas. A ERC concluiu que transmissão deve ser remetida para horário posterior às 22h30, mas rejeita denúncias por pornografia e pedofilia.

Manuel Louro

Foram apresentadas centenas de participações contra o canal Panda Biggs devido à emissão de um episódio da série animada Shin Chan. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) emitiu um despacho a clarificar a transmissão do anime japonês, concluindo que não existem actos de pornografia ou pedofilia. O regulador deliberou, no entanto, que a série seja transmitida apenas depois das 22h30.

Em concreto, deram entrada na ERC, entre os dias 6 de Dezembro de 2016 e 24 de Janeiro de 2017, 105 participações contra o serviço de programas Panda Biggs devido ao episódio transmitido a 27 de Novembro de 2016. A grande maioria centrava-se em cenas que poderiam remeter para actos de pedofilia ou de pornografia, apelando assim ao cancelamento da série ou à respectiva transmissão em canais para adultos.

Shinnosuke Nohara, também conhecido como Shin Chan, é um miúdo de seis anos a viver em Tóquio. O seu mau comportamento aterroriza os pais, a professora e todos aqueles que tiverem o azar de se cruzar no seu caminho — é esta a personagem que protagoniza a série em causa.

Várias instituições subscreveram as queixas, incluindo o Instituto de Apoio à Criança, a Ordem dos Enfermeiros, o Projecto Criar e a Secretaria-Geral do Ministério da Saúde. Segundo a ordem profissional dos enfermeiros, citada no relatório da ERC, num episódio “duas personagens vestidas como enfermeiras, no âmbito de uma unidade de saúde, realizam um exame ao ânus da personagem principal – uma criança de cinco anos, de nome Shin Chan – exame que passa por penetração com os dedos e sugestão de penetração com objectos, acompanhado de comentários sobre a alegada perfeição do ânus e imagens e sons de sofrimento da mesma criança”.

O Panda Biggs responde num comunicado, citado pela ERC, que “o pai de Shin Chan é submetido a uma operação às hemorróidas, (…) está muito queixoso, enquanto o filho está sempre a fazer traquinices e a gozar com ele”. Enquanto “Shin Chan andava pela clínica a mostrar o rabinho a toda a gente, a médica que tinha operado o pai e que fazia a ronda com as enfermeiras pelos pacientes, aproveita o momento para analisar o rabo de Shin Chan”. O canal temático infantil afirma ainda que “o propósito da cena é submeter o Shin Chan ao mesmo tipo de análise que é realizada na clínica, a qual, não sendo agradável, serve de lição ao Shin Chan, por causa das suas traquinices”.

O regulador oferece alguns exemplos sobre o episódio em questão. Entre os quais, uma cena em que a personagem principal, Shin Chan, aparece sem calças e diz à mãe: “Olha a pilinha, pilinha, pilinha”. “Vá mamã, não tenhas vergonha, tira a pilinha e põe-na a dançar”, afirma ainda Chan, depois de ser repreendido pela mãe. Outro dos exemplos descritos pela ERC: “A dada altura [Shin Chan] passeia-se pela clínica mostrando o rabo, ao mesmo tempo que exclama: ‘rabinho, rabinho, rabinho, rabinho, rabinho…’. A médica e as enfermeiras que trataram o pai viram-no no corredor e levam-no para um exame ao ânus. A médica exclama: ‘Este rapaz tem um ânus tão bonito!’ Uma enfermeira diz: ‘É fantástico’ e a outra responde: ‘Que saudável’. A médica constata: ‘Há muito tempo que não via um ânus tão bonito’. Uma das enfermeiras confirma: ‘Nem eu! Como será o interior?’. Examina o ânus do rapaz e a colega passa-lhe um instrumento, sugerindo que o use. Shin Chan mostra o rosto vermelho e desconforto. A enfermeira diz que: ‘Por dentro, tudo é perfeito. É incrível. Um dos mais perfeitos que vi em todos estes anos de profissão’. De volta ao quarto do pai, Shin Chan fica quieto a um canto. O pai estranha que esteja sossegado”.

No final do episódio, o narrador diz: “Tudo está bem quando acaba bem. E vocês, crianças, limpem bem o rabinho e não cometam excessos, para não sofrerem de hemorróidas, combinado?”.

Depois de assistir ao episódio que motivou todas estas queixas, a ERC diz que “não se poderá considerar que a cena em causa consista em abuso sexual ou pedofilia”. No entanto, “após a visualização daquela cena num contexto descontraído e humorístico de desenho animado, as crianças podem ser levadas a não encontrar diferenças relativamente a outros actos que, sendo aparentemente semelhantes, revestem-se das maiores diferenças, consistindo em abuso sexual de menor”, lê-se na deliberação do regulador para a comunicação.

Além disso, conclui-se que a “cena que motivou as participações” não pode “ser considerada como pornográfica, uma vez que não representa actos sexuais, nem tem como propósito excitar o telespectador”. Porém, a ERC sensibiliza “o Panda Biggs para a necessidade de adequar os conteúdos que emite ao seu público-alvo”. Desta forma, o regulador pede que a transmissão da série seja remetida “para horários após as 22h30”, período durante o qual é “menos provável que as crianças mais novas assistam à referida série”.

Já em Espanha, em 2013, a série, como recorda também a ERC, tomou proporções tais que chegou ao debate político. Também no país vizinho os horários de transmissão dos desenhos animados — aí através de vários canais nas diferentes regiões espanholas — foram também alterados de forma a diminuir a audiência das crianças mais novas. Com Leonor Matos

Participações contra o Panda Biggs devido à emissão de um episódio da série animada “Shin Chan”

 

 

Dia Mundial do Brincar 2017: vídeo

Maio 23, 2017 às 1:10 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 28 de Maio, os Jardins do Palácio de Belém estarão abertos das 10h às 17h com atividades especialmente dedicadas a crianças e famílias, tais como: pinturas faciais, insufláveis, shiatsu, jogos de tabuleiro, jogos tradicionais, circuitos de atividade física, atividades artísticas, entre outras.

Este evento, organizado pelo IAC, será de entrada livre para toda a família.

mais informações:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-al/noticias-atividade-ludica/item/879-dia-mundial-do-brincar-2017-nos-jardins-do-palacio-de-belem

 

 

O que diz a neurociência sobre o que vulgarmente se pensa dos filhos únicos

Maio 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 15 de maio de 2017.

Crescer sem irmãos afeta mesmo a estrutura das crianças? A convicção comum de que os filhos únicos são menos sociáveis encontra justificação ao nível do cérebro? Uma investigação realizada na China debruçou-se sobre estas questões

A influência da presença de irmãos na vida de uma criança vai mais longe do que até agora demonstrado e afeta, além do ambiente em que crescem, a arquitetura do seu cérebro. Esta é a conclusão de uma investigação publicada na revista Brain Imaging and Behavior, que dá razão a algumas das crenças mais comuns sobre os filhos únicos.

Sem ter de dividir atenção e recursos, os pais só com um filho tendem a expô-lo a mais estímulos, favorecendo-lhes a criatividade, a inteligência e a independência. Por outro lado, por nunca terem tido de dividir um brinquedo, um quarto ou a tão preciosa atenção dos pais, os filhos únicos têm fama de “mimados” e pouco dados às capacidades de convívio social.

Até que ponto estas perceções encontram justificação no cérebro foi o que Jiang Qiu, professor de psicologia da Universidade do Sudoeste , em Chongqing, China, quis perceber. Com uma equipa de investigadores chineses, o responsável reuniu 250 estudantes, que foram submetidos a testes normais de inteligência, criatividade e personalidade para medir a sua criatividade, o seu QI e a sua afabilidade, enquanto os seus cérebros foram, por seu lado, alvo de exames.

Nos testes comportamentais, os filhos únicos não mostraram quaisquer diferenças em termos de QI, mas evidenciaram níveis mais elevados de flexibilidade (uma medida da criatividade) e níveis mais baixo de afabilidade do que as crianças com irmãos.

Os exames de imagiologia confirmaram estes resultados, mostrando diferenças significativas entre os filhos únicos e os outros nas regiões cerebrais associadas à flexibilidade, à imaginação, ao planeamento e também à afabilidade e regulação emocional.

 

 

 

Os jardins do Palácio de Belém vão ter insufláveis

Maio 23, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do site https://nit.pt/ de 15 de maio de 2017.

Para celebrar o Dia Mundial do Brincar, o quintal do Presidente da República vai encher-se de jogos, insufláveis e muitas diversões. E é gratuito.

texto Andreia Guerreiro

Os adultos passam mais tempo no trabalho do que com os mais pequenos e para os miúdos a escola é quase como uma segunda casa. Mas uma coisa é certa: ao domingo é dia de estar com a família. Para celebrar o Dia Mundial do Brincar, os Jardins do Palácio de Belém, em Lisboa, têm uma proposta diferente.

Esqueça aquelas horas a mais na cama de manhã, o almoço em casa em família ou a ida ao cinema — pelo menos no domingo de 28 de maio. Porquê? Porque entre as 10 e as 17 horas, só há espaço para brincadeiras ao ar livre.

Os Jardins do Palácio de Belém vão encher-se de música, circo, jogos tradicionais como o jogo das cadeias, pinturas faciais e insufláveis para receber os miúdos e as famílias. A entrada é gratuita e não é necessária inscrição. Basta aparecer com toda a família, levar um lanche e roupa confortável.

O objetivo da iniciativa passa por chamar a atenção para a importância de brincar, sendo que não deve ter limite de idade, hora ou local.

Atualmente, o Dia Mundial do Brincar é celebrado em 25 países: Estados Unidos, Argentina, México, Uruguai, França, Suíça, Coreia, Japão, Canadá, Reino Unido, Espanha, Bélgica, Chipre, Camarões, Equador, Turquia, Brasil, Itália, Holanda, Perú, Bolívia, Croácia, Roménia, África do Sul e Portugal.

 

 

 

Quer que o seu filho tenha melhores notas? Solução está nos vegetais

Maio 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.noticiasaominuto.com/ de 14 de maio de 2017.

Conclusão é de um estudo publicado na Appetite, que demonstra que refeições saudáveis se traduzem em melhores notas escolares.

As crianças que comem vegetais ao jantar têm tendência a ter um melhor desempenho no dia seguinte e a obter melhores notas na escola. Já as bebidas com gás têm o efeito inverso.

Estes factos são comprovados num estudo de investigadores australianos, citado pelo Daily Mail e publicado no jornal especializado Appetite, que demonstra que os vegetais são ricos em antioxidantes, que ajudam a manter um ADN saudável, característica fundamental para um melhor funcionamento do cérebro.

Para medir o efeito do consumo de vegetais em crianças entre os oito e os 15 anos, os investigadores perguntaram aos pais com que frequência os seus filhos comiam vegetais ao jantar.

De uma amostra de mais de 4.200 crianças, os resultados demonstram que as que têm hábitos mais saudáveis têm também melhores notas na escola, numa média superior a 86 pontos. Em contrapartida, e especialmente em casos de excesso de consumo de bebidas com gás, os resultados são mais negativos.

Por isso, já sabe: se quer que os seus filhos melhorem o desempenho escolar, aumente a dose de vegetais nas refeições, sobretudo ao jantar, e diminua a ingestão de bebidas com gás.

A notícia do Daily Mail é a seguinte:

Why forcing your children to eat fruit and vegetables every night will see them do better at school the next day

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Associations between selected dietary behaviours and academic achievement: A study of Australian school aged children

 

 

“Menores vivem grande sofrimento” entrevista de Dulce Rocha do IAC ao DN

Maio 22, 2017 às 4:23 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da Drª Dulce Rocha, presidente do IAC (Instituto de Apoio à Criança) ao Diário de Notícias de 18 de maio de 2017.

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APSI organiza o Dia Nacional da Segurança Infantil no dia 23 de Maio

Maio 22, 2017 às 12:01 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No próximo dia 23 de Maio, a APSI vai organizar pela primeira vez em Portugal o Dia Nacional da Segurança Infantil.

Cascais foi o concelho escolhido para assinalar esta iniciativa que conta com a co-organização da Câmara Municipal de Cascais. Esperam-se cerca de 500 crianças do 1º e 2º ciclo e a presença de mais de 15 parceiros.

Durante o dia, as crianças irão participar e estar envolvidas em diversas atividades relacionadas com a segurança e hábitos de vida saudáveis.

O momento “alto” do evento reunirá todas as crianças e parceiros em torno da junção (simbólica) dos fatores essenciais para a segurança, que para além de ser um direito da criança, é uma condição fulcral para a sua saúde e bem estar.

A iniciativa decorrerá no Parque Marechal Carmona, em Cascais, das 10h00 às 17h00.

Consulte aqui o Programa.

Fidget Spinner. Chega a Portugal o brinquedo banido nas escolas dos EUA e Reino Unido

Maio 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 13 de maio de 2017.

O Fidget Spinner, o brinquedo que se tornou viral em vários países, chega esta semana a Portugal. São um total de cinco mil unidades que irão ser postas à venda em lojas em todo o país.

As crianças terão de agradecer à AvailableGadget, uma empresa da Maia, que “percebeu o potencial deste produto e decidiu investir no Fidget Spinner, sendo atualmente a única a colocá-lo nas lojas portuguesas”, contou uma fonte da empresa ao Dinheiro Vivo, acrescentando que este brinquedo tem tanta probabilidade de se tornar viral como aconteceu com o Pokémon Go, por exemplo.

 Fidget Spinner. O brinquedo viral que anda a agitar os pátios das escolas

 Nalgumas escolas nos Estados Unidos e Reino Unido, o brinquedo foi proibido por distrair as crianças. O Fidget Spinner é um brinquedo pequeno e com poucas funcionalidades. De várias cores, tem três pontas e um botão que, quando premido, faz com que o brinquedo gire.

O brinquedo agora viral esteve para não chegar ao mercado porque a sua criadora não tinha dinheiro para o comercializar. Agora, a procura é tanta que as lojas de brinquedos estão a ter dificuldade em manter o stock.

 

Encontro Comemorativo dos 20 anos da Rede Construir Juntos, em 30 de junho

Maio 22, 2017 às 11:31 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança está a organizar um Encontro Comemorativo dos 20 anos da Rede Construir Juntos, que terá lugar no dia 30 de junho, no Auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Lisboa.
Há vinte anos, o Instituto de Apoio à Criança desafiou um conjunto de Organizações da sociedade civil com projetos de apoio a crianças e jovens a partilhar experiências e conjugar esforços no combate à pobreza infantil, cientes de que só o trabalho em rede permite resultados duradouros e sustentáveis.
Em 1 de Julho de 1997, foi constituída a Rede “Construir Juntos”, que integra instituições de Solidariedade Social de Norte a Sul do País e região autónoma dos Açores. Refira-se que na altura contou com o apadrinhamento do Secretário de Estado da Inserção Social, Dr. Rui Cunha.
Esta rede congrega, atualmente, cerca de uma centena de instituições com responsabilidade na área da Infância/ Juventude e que têm em comum o desenvolvimento de ações que visam uma mais ajustada coordenação de esforços no combate à exclusão social dos grupos desfavorecidos, englobando estes, crianças e jovens em situações de perigo e respetivas famílias.
Nestes vinte anos, foram múltiplas as iniciativas da Rede, designadamente no combate ao abandono escolar e à exclusão social através de projetos de formação, em que se investe no desenvolvimento de competências pessoais e sociais. Esses projetos de educação para a cidadania tiveram bastante sucesso, merecendo especial menção o que respeita à aposta na valorização dos jovens apoiados pelas diversas organizações. A mais emblemática terá sido a criação da Rede Juvenil “Crescer Juntos” constituída pelos jovens apoiados pelas entidades parceiras e que muito tem feito pelo Direito à Participação.
Assim, neste Encontro, pretende-se refletir sobre a importância do trabalho em rede, equacionar o caminho percorrido e as mais valias desta rede de parceiros e as suas diversas atividades e projetos, reforçando o papel do terceiro sector na promoção do exercício de cidadania dos grupos mais vulneráveis.
A participação neste evento é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória.

Consulte o Programa do Encontro.

Aceda à Ficha de inscrição.

Depressão na infância – não ignore a Baleia Azul no meio da sala

Maio 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Num espaço de semanas ou meses, diversas séries ou tendências da internet, como a baleia azul, têm vindo a intensificar o diálogo e a reflexão sobre a auto-mutilação, o suicídio e os comportamentos de risco entre os jovens. Pois bem, mais do que sobre os jovens, hoje pretendo chamar a atenção que estes comportamentos não se prendem apenas com adolescentes… uma criança também pode sentir depressão, uma criança pode tentar suicídio, uma criança pode isolar-se e até auto-mutilar-se.

São pensamentos horríveis e assustadores e que nos colocam a questão: Mas que motivo teria uma criança para ficar deprimida?

Primeiro que tudo, e muito antes de continuar sequer a reflexão, há algo que todos nós adultos temos de compreender: as crianças não estão apenas a começar a crescer, elas estão também a começar a sentir. Sentir é algo constantemente novo para elas, o que quer dizer que dia sim, dia sim, as crianças conhecem um sentimento novo. Imaginam o quão avassalador isto é? É verdade que todos nós passámos por isso e hoje estamos todos cá, contudo, temos agora uma coisa chamada relatividade. Ou seja, com base na nossa experiência de vida, temos a capacidade de relativizar o que sentimos e perceber com a maturidade de hoje, os sentimentos que tivemos na altura. Esta capacidade de maturação permite-nos entender o sofrimento, a dor, a alegria e o êxtase com maior ponderação. Ou seja, se calhar já não consideramos que deixar cair o rebuçado ao chão é a pior coisa do mundo, tendo já perdido um familiar, por exemplo. Mas com as crianças não… o que quer dizer que se a criança deixar cair o rebuçado ao chão, este é realmente o maior problema da vida dela, não tem como comparar e, pior, não tem como saber que melhora depois. É uma estreia.

Por isso imaginem o peso que tem para estas crianças passar por períodos mais complicados, como por exemplo, o afastamento de alguém, perder algo de que gostem muito, uma mudança repentina ou mesmo a morte de um familiar próximo. É como se fosse um mar e um oceano de novidades negativas que se aproximam.

Outro ponto fundamental para entender é que, enquanto nós adultos somos capazes de dialogar e exprimir o que sentimos por palavras, organizando e refletindo sobre as emoções, as crianças não sabem ainda como fazer isso. Por isso, muitas vezes as expressões que elas passam são confusas, mal percebidas e catalogadas de outra forma. Por exemplo, as crianças expressam-se pelo corpo. Ora, quando estão em situação de desconforto, as crianças tendem a ficar mais agitadas, mais irrequietas ou com uma maior tendência para a oposição. Por isso, muitas vezes, crianças com depressão são confundidas com hiperativas ou mal criadas.

Outra reflexão a ter é que, tal como nos adultos, a depressão infantil não se reflete sempre da mesma forma: sim, para algumas crianças significa muita agitação irrefletida, mas para outras poderá ser o isolamento, o afastar-se da escola, a recusa de uma atividade, entre tantas outras coisas.

Como lidar com os sentimentos de uma criança

Por isso, existem vários pontos a ter em atenção. O primeiro é nunca diminuir a dor da criança. Pensemos, quando nos sentimos tristes, sentimo-nos tristes. O alguém nos dizer que não vale a pena estar triste não muda nada, e para as crianças acontece o mesmo. Contudo, o adulto deve apresentar um papel contentor que lhe mostre que tudo passa e que tudo ficará bem. Falar sobre as emoções e os sentimentos é também essencial, de forma a facilitar e a promover o diálogo. Por fim, é essencial pedir ajuda. E não só as crianças… pais, professores, monitores, todos os responsáveis da criança devem saber quando pedir ajuda a um profissional para ajudar. Porque a depressão não é apenas uma doença de adultos, e se é séria em adultos, também o é em crianças.

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