“Estimular a autonomia é o mais importante. Os pais superprotetores amputam a autonomia dos filhos”

Setembro 19, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Diário de Notícias de 10 de agosto de 2020.

Ensine o Seu Filho a Pensar – Como Formar Crianças e Adolescentes Independentes, Confiantes e Bem-Sucedidos’ é o novo livro de Renato Paiva, pedagogo especialista em apoio terapêutico-pedagógico. Conversámos com o autor para perceber como se faz isso de ensinar um filho a pensar. E porque é tão importante.

Ensinar a pensar não é uma coisa que se aprende com a vida? Como pode ser ensinado?
Pensar é algo que se aprende com as experiências que temos. Nesse sentido, há vidas com mais experiências e vidas com menos. Nascemos com a capacidade de saber pensar mas temos de a aprender. Ensinamos pelo proporcionar de conhecimentos e de experiências variadas. Pelo modelo parental que cada criança tem, pelas situações e experiências por que passa, pelos jogos que joga…

Diz que começa desde que nascemos. Que papel tem o brincar?
Há vários tipos de pensar e em diferentes momentos da vida vamos aprimorando-os. O pensar à nascença é limitado e vai sendo desenvolvido pelas experiências que a criança tem. O brincar, sendo a sua linguagem universal, tem um papel importantíssimo. Se ao brincar às escondidas tenho de pensar onde é o melhor esconderijo, por exemplo, ou se jogar às cartas a melhor jogada que posso fazer com as cartas que tenho. É natural e flui com os ensinamentos que possamos proporcionar mas também pelas deduções e experiências que a criança vivencia.

Empatia, autonomia, criatividade, liderança, autoestima, curiosidade, otimismo. São estas competências conquistadas quando se ensina a pensar ou, pelo contrário, é estimulando-as que se ensina a pensar?
É uma relação de dois sentidos. O cérebro tem a capacidade de pensar e quanto mais pensa, mais se desenvolve. A todos os níveis. Não apenas na empatia, autonomia, criatividade, liderança, autoestima, curiosidade ou otimismo. Estas características desenvolvem-se ao contrário do que muitos ainda consideram. Ser otimista, ser criativo, ser empático, ser líder são coisas que se aprendem e desenvolvem. Depois de as aprender, vão-se melhorando ao longo do tempo.

Entre as competências importantes a estimular nas crianças e nos adolescentes, quais considera as mais importantes?
A autonomia. Ser autónomo significa conseguir pensar e agir, de uma forma global, por si. E, neste sentido, não porque seja melhor fazer as coisas sozinho, mas por ter de as pensar e maturar, muitas vezes sozinho. Desde gerir finanças pessoais a alcançar objetivos profissionais ou familiares. E, principalmente, assumir escolhas e decisões que tomamos.

E quais são as que atualmente estão mais “ameaçadas”?
A autonomia, pelo modelo parental excessivamente protetor; a criatividade, pelo modelo académico da valorização da repetição e memorização; e o positivismo por socialmente se dar maior ênfase ao negativo.

Qual é o maior obstáculo ao ensinar a pensar?
Acho que o maior obstáculo é a limitação que atribuímos ao conceito do pensamento. Muito frequentemente ficamos reduzidos ao pensamento lógico, o que torna muito redutor promover e desenvolver outros tipos de pensamento. Como a autocrítica, por exemplo. A capacidade de pensar sobre nós é algo difícil e pouco usual na nossa cultura.

“É cada vez mais frequente adolescentes que não escolhem roupa, que não vão para casa sozinhos ou que não sabem cozinhar. O medo provoca esta superproteção que em muito limita o desenvolvimento dos filhos.”

Fala nos pais superprotetores ou helicóptero. Em que medida, pensando que estão a proteger os filhos, estão a prejudicá-los?
A questão não é a proteção, essa é boa, o excesso de proteção é que é impeditivo de as crianças terem vivências plenas. Os pais superprotetores amputam a autonomia dos filhos, muitas vezes fazendo com eles algo que já deveriam fazer sozinhos, ou pior, fazendo por eles. É cada vez mais frequente adolescentes que não escolhem roupa, que não vão para casa sozinhos ou que não sabem cozinhar nada para comer. Sobretudo nos grandes centros urbanos. O medo provoca esta superproteção que em muito limita o desenvolvimento dos filhos.

E o que os pais podem fazer para combater o medo e a ansiedade que os leva a esta superproteção?
A maioria dos medos e receios dos pais são empolados pela ênfase no negativismo cultural. Quem quer procurar soluções encontra soluções, quem quer procurar problemas encontrará problemas. Os filhos são encarados hoje como preciosidades. Como autênticas bolas de cristal que não se podem partir, nem sequer arranhar! Se olharmos para as crianças na rua, os pais têm medo de que brinquem porque podem cair. É raro encontrar crianças com joelhos ou cotovelos esfolados, e muito menos roupa com remendos. Os pais, para se sentirem melhores pais, procuram que os seus filhos sejam perfeitos e imaculados. Quando as crianças não são nem perfeitas nem se querem imaculadas.

Refere um estudo que mostrava que 66% das crianças entre os 3 e os 5 anos sabiam jogar computador e só 14 sabiam apertar os atacadores dos sapatos. O que é que isto significa em termos de futuros pensadores?
Que se valorizam hoje coisas diferentes desde logo. O mundo cada vez está mais orientado para – desculpem a expressão – totós. Estamos a assistir ao desenvolvimento de uma geração com uma imaturidade grande. Se olhar ao redor de um restaurante que tenha crianças à espera da sua refeição, muito provavelmente encontrá-las-á com um aparelho eletrónico. E alimentamos algo não só narcisista como perigoso, que é o querer já. As crianças naturalmente querem tudo, desde sempre assim foi, mas hoje elas querem tudo já. Agora! Saber esperar ou adiar uma gratificação é algo que se aprende. O imediatismo é algo sobre o qual os pais deveriam pensar.

“O modelo educacional em Portugal tem aspetos a melhorar, mas tem feito uma evolução significativa. Os professores têm feito muito para isso, muitas vezes com poucos recursos. A escola, não sendo perfeita, é um recurso fundamental para a promoção do saber. pensar.”

E a escola? Qual é o papel da escola nisto de ensinar a pensar? As nossas escolas são muitas vezes “acusadas”, por exemplo, de matarem a curiosidade, ao invés de a cultivarem. O que é preciso mudar?
Os modelos nunca serão perfeitos e existirão críticas. O modelo educacional em Portugal tem, na minha opinião, aspetos a melhorar, mas considero que tem feito uma evolução muito significativa. Os professores têm feito muito para isso, muitas vezes fazendo-o com muitos poucos recursos. A escola, não sendo perfeita, é um recurso fundamental para a promoção do saber pensar. Criar e proporcionar momentos de aprendizagem e reflexão é basilar. O caminho está a fazer-se e é longo. Deveremos conseguir definir políticas educativas a médio prazo e dar consistência às mudanças. Estar a mudar frequentemente, como temos assistido, dificulta o caminho que temos de percorrer porque nunca irá estar concluído. Sendo uma ciência social, está sempre em constante evolução.

Diz que a idade dos porquês, que para alguns pais é um autêntico martírio, deve ser eternizada. Como se faz isso? Como devem reagir os pais quando são bombardeados com perguntas?
Respondendo-lhes em detrimento de as evitar. Quanto mais saciarmos a curiosidade inata das crianças mais sedentas de conhecimento estarão. Devemos alimentar essa vontade de saber. Mais importante do que dar respostas é muitas vezes conseguir formular perguntas. Quando devolvemos com expressões do género “que chato”, “porquê tantas perguntas”, ” vai perguntar ao pai”, ” eu já te disse que não sei” limitamos o acesso a algo de que a criança necessita para a sua construção do mundo. Não iremos ter respostas para todas as perguntas, naturalmente, mas o acolhimento e a orientação são basilares. Algo do género “porque te interessas por isso?”, ou “não sei mas podemos ir procurar, que também estou curioso” ajudam a que a criança não se sinta denegrida nem posta em causa por algo que faz parte naturalmente do seu desenvolvimento.

“Saber que se comete erros, que é natural e normal errar e faz parte da aprendizagem, é algo importante a vincar desde já. Não há aprendizagem sem erro.”

A falta de tempo, no mundo atual, será provavelmente um dos maiores inimigos da educação. Há solução para isto?
Há, claro, mas a falta de tempo que normalmente caracterizamos é porque levamos uma vida muito acelerada, com muitos afazeres, e isso limita várias coisas, tanto pessoalmente como profissionalmente ou familiarmente. São prioridades que se definem e em diferentes alturas da vida fazemos opções igualmente diferentes. Quem é pai e mãe deve ter a parentalidade como uma prioridade. E encarando a parentalidade como uma cooperação alargada entre pai, mãe e rede de suporte como familiares ou amigos ajuda a não descurar a vida profissional, pessoal e mesmo amorosa. É uma questão de equilíbrio.

Outra das competências que diz ser importante cultivar é a autocrítica, mas é importante que seja equilibrada com autoestima, para ser justa e eficaz. Como fazer este equilíbrio? Os pais criticam de mais e elogiam de menos (ou vice-versa)?
Saber que se comete erros, que é natural e normal errar e faz parte da aprendizagem, é algo importante a vincar desde já. Não há aprendizagem sem erro. Diabolizamos muito o erro e queremos que as crianças não errem. Este estilo de parentalidade envolve aquilo de que há pouco falávamos, a hiperproteção. Como se errar fosse criar traumas futuros. Ao errar estamos a aprender e a refletir sobre o que levou ao erro, como posso melhorar, o que posso fazer diferente. Este pensamento crítico sobre o desempenho do próprio permite não apenas conhecermo-nos melhor mas também sabermos as nossas limitações, como também as potencialidades. Reconhecer não só aquilo em que erramos e não somos tão bons mas igualmente reconhecer em que é que somos naturalmente bons. Parece impregnado na nossa cultura dar maior evidência à crítica do que ao elogio. E sim, deveríamos elogiar mais.

“Os jogos, sejam eles quais forem, promovem sempre o pensamento. Os videojogos não são exceção. Contudo, deveremos ser cautelosos com o uso indiscriminado e pouco controlado dos videojogos.”

As crianças e os adolescentes atuais têm acesso a uma quantidade e uma diversidade de informação como nunca existiu. Boa e má, verdadeira e falsa, que muitas vezes não conseguem discernir (quantas vezes nem nós, adultos). Este excesso de informação é prejudicial ou, apesar de tudo, ajuda a exercitar o pensamento?
Sim. Se o é para os adultos com um pensamento mais maturado é fácil constatar o quão difícil seja para uma criança e um adolescente. Até porque eles não têm um filtro tão eficiente. Acreditam mais e duvidam menos do que ouvem, leem e veem. E isso é perigoso. A desinformação causa ruído, assim como jogar um jogo com as peças de outro também não faz muito sentido. Deveremos adequar o acesso a conteúdos que sejam apropriados ao desenvolvimento. Tal como explicamos a morte, o nascimento, o sexo, de modo diferente a uma criança de 6 anos em comparação a outra de 15.

Dedica um capítulo aos videojogos. Pode ser um importante aliado para aprender a pensar? Quais os riscos?
Os jogos, sejam eles quais forem, promovem sempre o pensamento. Os videojogos não são exceção. Contudo, deveremos ser cautelosos com o uso indiscriminado e pouco controlado dos videojogos. É um capítulo a ler com atenção, porque na base está não só a criação de vícios como o isolamento físico ou os problemas oftalmológicos que podem provocar. Como tudo, tem potencialidades e limitações que deveremos considerar. Mas os pais deveriam ser mais conscientes disto, porque já vi muitos, mesmo muitos, a oferecerem um videojogo a crianças de 8/10 anos que são classificados para maiores de 18 anos por terem conteúdo violento ou sexual.

Crianças que crescem em ambientes violentos podem envelhecer mais rápido, aponta estudo

Setembro 18, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do G1 Globo de 6 de agosto de 2020.

Pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram dados relativos a 119 mil crianças que cresceram sob situações de pressão ou trauma.

Pesquisadores da Universidade de Harvard observaram que crianças criadas em ambientes violentos, expostos a abuso infantil, agressão sexual, negligência e pobreza crônica durante a infância envelhecem mais rápido e podem desenvolver problemas de saúde com mais facilidade.

Os pesquisadores examinaram três sinais diferentes de envelhecimento biológico – puberdade precoce, envelhecimento celular e alterações na estrutura do cérebro. Foram consideradas duas categorias diferentes: problemas ocasionados por ameaças, abuso e violência e outros relacionados a privação (como negligência física ou emocional e pobreza).

Os pesquisadores analisaram 79 estudos, com um total de 119 mil participantes que cresceram em ambientes agressivos.

Em todos os casos, o resultado revela que crianças que sofreram violência ou trauma tiveram envelhecimento acelerado em comparação com aquelas que não sofreram.

O desenvolvimento cerebral acelerado ocorre de forma que as crianças identificam e respondem a ameaças mais rapidamente para se proteger. Porém, o estudo aponta que essas adaptações podem ter consequências para a saúde mental e física na vida adulta.

O estudo publicado na “Psychological Bulletin”, uma revista científica da Associação Americana de Psicologia, verificou um envelhecimento acelerado nas células do DNA e uma maior probabilidade do desenvolvimento de problemas de saúde físicos e mentais – incluindo depressão, distúrbios de ansiedade, abuso de substâncias e doenças cardiovasculares.

Análise cerebral

Dos 79 estudos, 25 deles analisaram os efeitos da violência especificamente no cérebro das crianças. A pesquisa apontou uma redução da espessura cortical – um sinal de envelhecimento E o córtex – com papel decisivo em tarefas complexas como memória, linguagem, atenção e consciência – diminui conforme o envelhecimento.

Crianças que sofreram trauma ou violência tiveram uma alteração na área do cérebro responsável pelo processamento emocional e social. Já crianças alvo de privações tiveram alterações em áreas responsáveis pelo processamento sensorial e cognitivo.

Para todos os indicadores de envelhecimento, os efeitos são de acordo com a gravidade da experiência presenciada pela criança.

Adaptação a ambientes ameaçadores

Em todos os tipos de envelhecimento acelerado descritos no estudo, crianças tiveram que se adaptar ao trauma para se proteger. A pesquisa apontou que crianças que cresceram em ambientes violentos e ameaçadores, podem atingir a puberdade precocemente e aumentar as chances de engravidar como um mecanismo de defesa – criando futuramente outro ambiente familiar instável.

Mais informações na notícia:

Violence and trauma in childhood accelerate puberty

Newsletter “O IAC em Notícia” – Especial Verão

Setembro 18, 2020 às 3:18 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Conheça as atividades desenvolvidas durante Agosto, numa Newsletter Especial de Verão!

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Mais de 100 países interrompem serviços de assistência social a crianças

Setembro 18, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 18 de agosto de 2020.

Relatório do Unicef alerta sobre situação que deixou crianças expostas a abusos, violência; metade das crianças em todo o mundo é vítima de alguma forma de punição corporal; agência diz que governos precisam de medidas de curto e longo prazos para enfrentar desafios nessa área.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância informou que 104 países suspenderam serviços de assistência social por causa da pandemia do novo coronavírus.

No estudo, “Impacto Socioeconômico da Resposta à Covid-19”, o Unicef pesquisou a situação das crianças após a crise global de saúde pública em 136 nações.

Lares

A chefe da agência, Henrietta Fore, contou que o Fundo está apenas começando a entender os danos causados por causa das medidas de combate à pandemia. Segundo ela, a Covid-19 aumentou a exposição dos menores à violência devido ao confinamento social quando as crianças ficam sob controle dos agressores.

As medidas também impediram que assistentes sociais pudessem visitar os lares para atender crianças e mulheres vítimas de abusos.

Uma outra consequência negativa da crise foi o fechamento das escolas, em muitos casos uma tábua de salvação para crianças que não têm como pedir ajuda em outras partes.

A pesquisa do Unicef mostra que dois terços dos países tiveram pelo menos um serviço social severamente afetado incluindo África do Sul, Malásia, Nigéria e Paquistão.

Meninas adolescentes

A maior proporção de suspensões ocorreu em nações do sul e centro da Ásia e do leste europeu.

A agência da ONU lembra que mesmo antes da Covid-19, quase metade das crianças em todo o mundo sofriam castigos corporais em casa. E três em cada quatro crianças, entre dois e quatro anos, estão expostas regularmente a uma forma de disciplina violenta.

Uma em cada três adolescentes, entre 15 e 19 anos, é ou será vítima de seus parceiros íntimos durante a vida.

O estudo do Unicef observou que o isolamento social causado pela pandemia deixou crianças e famílias mais expostas, uma vez que ficou mais difícil para obter apoio de amigos, professores, assistentes sociais e integrantes das comunidades.

Para resolver a situação, o Unicef está apoiando governos e entidades parceiras a manter e a adicionar a prevenção aos serviços de resposta para crianças afetadas pela violência.

Crianças na rua

A agência citou o caso do Unicef em Bangladesh, que está fornecendo kits de higiene e máscaras, além de outros itens a crianças que vivem nas ruas, em favelas e áreas afetadas severamente pelo clima.

Além disso, estão sendo treinados trabalhadores sociais para uma linha nacional de assistência a menores.

A chefe do Unicef contou que mesmo antes da pandemia, os sistemas de proteção infantil já estavam com dificuldades para prevenir e responder a casos de violência, mas com a pandemia, a situação piorou.

Henrietta Fore afirmou que em tempos de crise, os governos precisam de medidas de curto e longo prazos para proteger os menores da violência incluindo investimentos em assistenciais sociais, criação de linhas de ajuda telefônica e recursos para os pais.

Brasil registra 6 abortos por dia em meninas entre 10 e 14 anos estupradas

Setembro 18, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da BBC Brasil de 17 de agosto de 2020.

Matheus Magenta e Laís AlegrettiDa BBC News Brasil em Londres

O aborto realizado legalmente em uma criança de 10 anos que foi estuprada no Espírito Santo virou campo de batalha no Brasil.

Após autorização judicial, a menina foi levada a outro Estado no domingo (16/08) para interrupção da gravidez. Ela relatou que sofria abusos sexuais do tio desde os 6 anos e que não contava para os outros porque ele a ameaçava. O tio da criança está foragido.

Embora o caso tenha virado pano de fundo de uma briga ideológica e venha sendo tratado como algo inédito, dados oficiais revelam que ocorrem no Brasil, em média, seis internações diárias por aborto envolvendo meninas de 10 a 14 anos que engravidaram após serem estupradas.

Esses casos envolvem procedimentos feitos no hospital e internações após abortos espontâneos ou realizados em casa, por exemplo.

Se o número parece alto para quem não acompanha o assunto, ele é pequeno perto da quantidade de estupros de crianças e adolescentes que ocorrem no Brasil: a cada hora, quatro meninas de até 13 anos são estupradas no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019.

“Há uma naturalização desta violência. O pessoal já nem presta mais atenção em menina de 13 ou 14 anos grávida. O pessoal tá começando a prestar atenção na gravidez de 10, 11 anos de idade”, diz a advogada Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, que atua no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Ela defende, ainda, que só faz sentido tratar desse assunto a partir de um caso específico se for para mostrar que essa violência é muito mais comum do que se imagina. “É uma história tristíssima. E infelizmente é uma de muitas, o Brasil está lotado de casos como este.”

Segundo dados tabulados pela BBC News Brasil no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, do Ministério da Saúde, o Brasil registra ao menos seis abortos por dia em meninas de 10 a 14 anos, em média.

Só em 2020, foram ao menos 642 internações. O país registra também uma média anual de 26 mil partos de mães com idades entre 10 a 14 anos.

Desde 2008, foram registrados quase 32 mil abortos envolvendo garotas dessa faixa etária.

Se forem consideradas as 20 mil internações nas quais constam dados de raça ou cor de pele, 13,2 mil envolviam meninas pardas (66%) e 5,6 mil, de brancas (28%). Esses dados incluem abortos realizados por razões médicas, espontâneos e de outros tipos.

Das 20 cidades com mais internações em números absolutos, todas são capitais, exceto Duque de Caxias (RJ), Feira de Santana (BA) e Campos de Goytacazes (RJ). Não há dados disponíveis sobre o sistema privado de saúde.

Casos de estupro (não só de crianças) são uma das três situações em que o aborto é permitido no Brasil. As outras duas são anencefalia ou risco de vida para a mãe.

Nos últimos dez anos, o Brasil registrou, em média, uma interrupção de gravidez por razões médicas por semana envolvendo meninas de 10 a 14 anos. Em 2020, foram ao menos 34 ocorrências nesta faixa etária e 1.022 incluindo mulheres de todas as idades.

“Toda menina grávida de até 14 anos foi estuprada, não importa a circunstância. O estupro de vulnerável é justamente em função da idade”, aponta Luciana Temer, que também é doutora em direito pela PUC-SP e ex-secretária da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo.

Exposição ilegal

Violando a legislação que protege crianças e adolescentes no Brasil, a militante de extrema direita Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, divulgou detalhes que podem identificar o caso, inclusive a localização do hospital em que a criança estava no momento.

Luciana Temer destaca que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege a identificação de todas as crianças e adolescentes. “O ECA protege inclusive o nome do menor infrator, imagina a menina vítima. Não podia dar nome, nem o hospital, nenhum dado.”

No local, um grupo de pessoas fez um protesto contra o aborto legal da criança estuprada e chegou a gritar “assassino” para tentar atacar o médico responsável pelo procedimento autorizado pela Justiça, segundo vídeos divulgados pela internet.

Por outro lado, também foram ao local mulheres que apoiam o direito da criança de realizar o aborto legal. Elas defenderam que a vida da menina está em risco e que o aborto legal é um direito dela.

“Não vamos abrir mão da vida de uma menina de 10 anos. Gravidez forçada é tortura. Gravidez aos 10 anos é morte. Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer”, repetiu o grupo.

Luciana Temer aponta que a grande exposição do caso tende a aumentar o estigma em relação à vítima de violência sexual.

“Toda violência sexual, principalmente contra meninas e meninos muito novos, tem consequências sérias para eles e para as famílias. E quanto mais notabilizado for o caso, pior. Esta menina vai ficar estigmatizada, essa família vai ficar estigmatizada com toda essa repercussão”, diz.

“Se eu fosse avó pediria indenização financeira, inclusive por danos morais, para quem divulgou. É um absurdo isso. Virou briga ideológica e radical.”

Pais começam a perder o controlo da vida dos filhos por volta dos 13 anos

Setembro 17, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Lifestyle de 18 de agosto de 2020.

Quando os adolescentes saem debaixo da asa dos pais há uma série de aspetos das suas vidas que deixam de ser conhecidos e monitorizados pelos adultos. Os pais ficam apreensivos por diversas razões, mas há uma preocupação que se destaca: a má alimentação.

Depois de uma dúzia de anos a viver com eles debaixo da ‘asa’, eis que um dia os pais acordam e percebem que o filho ou filha anda a voar sozinho. Não é fácil, mas deve ser encarado com naturalidade.

Um estudo da empresa de suplementos vitamínicos Wellteen, da Vitabiotic, citado pelo The Independent, revela que os pais começam a perder o controlo dos hábitos de vida dos filhos a partir dos 13 anos deles. A pesquisa foi feita com 2000 pais de adolescentes britânicos, entre os 13 e os 18 anos, sendo que seis em cada dez progenitores admitiram sentir-se menos influentes a partir dessa idade.

As preocupações dos educadores são variadas, mas a alimentação parece encabeçar a lista. Quatro em cada dez mostraram-se apreensivos com aquilo que os filhos comem e bebem quando não estão com eles, sendo que 43% dizem ter encontrado embalagens de doces ou fast food no quarto e na mochila dos miúdos. O estudo da Wellteen mostra ainda que mais da metade dos pais tem discussões com os filhos por causa da alimentação, pressionando-os para comerem mais frutas e verduras.

Um porta-voz da Wellteen declarou ao The Independent: “Quando os miúdos são pequenos, é fácil saber o que fazem, mas à medida que crescem e começam a fazer as suas próprias escolhas pode ser mais difícil controlar a sua alimentação e estilo de vida”.

O estudo conclui que 12 por cento dos pais não faz a mínima ideia da quantidade de doces, refrigerantes ou snacks, como batatas fritas, que os filhos comem por dia. E no que toca ao álcool, a fé dos mais velhos sai beliscada. A maioria dos pais não sabe, mas 44% dos adolescentes diz já ter bebido álcool e quase um em cada cinco fuma – quando apenas 16% dos pais admitiram que isso fosse possível.

O mesmo porta-voz do Wellteen esclareceu que, “segundo dados oficiais, os adolescentes estão no grupo de indivíduos que pior se alimentam”. Tal fenómeno pode dever-se à vontade de se rebelarem contra os pais e testarem a sua recém-descoberta independência, bem como às pressões “de uma vida agitada, entre estudos, desportos e múltiplas atividades com amigos”.

Comité contra práticas nefastas na mulher e criança na Guiné-Bissau lamenta falta de apoio da justiça

Setembro 17, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 18 de agosto de 2020.

Fatumata Djau Baldé, lamentou a falta de apoio da justiça no combate ao casamento forçado ou à violência contra menores, situações que não aumentando com o confinamento social.

A presidente do comité para o abandono das práticas nefastas à saúde da mulher e criança na Guiné-Bissau, Fatumata Djau Baldé, lamentou a falta de apoio da justiça no combate ao casamento forçado ou à violência contra menores.

Em declarações à Lusa, Fatumata Djau Baldé disse ter consciência de que com o confinamento social das pessoas, em consequência da pandemia causada pelo novo coronavírus, fenómenos como o casamento forçado, violência física contra crianças e mulheres, estão a aumentar “um pouco por todo o país”.

Antiga ministra em diferentes governos da Guiné-Bissau, Djau Baldé corroborou as denúncias de ativistas e organizações de defesa dos direitos humanos que apontam, por exemplo, para o aumento de casos de violência física contra as mulheres em Bissau e casamento forçado ou precoce no sul do país.

Fatumata Djau Baldé afirmou que “de facto as dificuldades familiares aumentaram” e que perante aquele cenário, alguns pais ou tios “aceitam dar em casamento uma filha ou sobrinha” por acreditarem que o pretendente “tem melhores condições”.

A antiga ministra lembrou que na Guiné-Bissau a lei proíbe o casamento de menores de 16 anos e as pessoas, para casarem, precisam de dar o seu consentimento.

A ativista defendeu que ao comité – plataforma que congrega várias organizações de defesa dos direitos das crianças e mulheres – chegam diariamente denúncias de situações concretas, mas sem a colaboração dos operadores da justiça “fica difícil mudar o quadro”, frisou.

Fatumata Djau Baldé disse que a Polícia de Ordem Pública (POP) não tem competências para administrar a justiça e que compete à Polícia Judiciária investigar as denúncias. Mas, sublinhou, a Polícia Judiciária apenas atua em Bissau e a grande maioria das violações ocorrem no interior.

O comité liderado por Djau Baldé adotou há muito tempo como estratégia de intervenção formar os agentes da POP – que acabam por ser “de facto” as entidades que administram a justiça nas comunidades – mas o problema é que estão em permanente mudanças de esquadras e são recrutados novos agentes, disse.

Um outro problema, afirmou, é a resposta que o comité vem recebendo dos delegados do Ministério Público: “Dizem-me que os processos são encaminhados para os tribunais onde ficam encalhados. Isso é mau demais”.

“A Guiné-Bissau foi aplaudida, nos últimos dez anos, pelos avanços que fez ao nível de produção e adoção legislativa em matéria de proteção dos direitos humanos e da equidade de género”, disse, lamentando os sinais de retrocesso.

Fatumata Djau Baldé afirmou ser cansativo, mas não vê outra saída que não ser voltar a sensibilizar o procurador-geral da República, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e as diferentes corporações policiais para lhes pedir colaboração na aplicação da legislação contra “um novo fluxo de fenómenos degradantes” à vida da criança e da mulher.

“A aplicação da legislação pode desencorajar práticas seculares”, observou Djau Baldé.

Especialistas suspeitam que crianças com Covid-19 possam contrair diabetes tipo 1

Setembro 17, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 18 de agosto de 2020.

Relação entre o novo coronavírus e a diabetes está a ser investigada no Reino Unido.

Entre 23 de março e 4 junho, cerca de 30 crianças de cinco unidades pediátricas do Reino Unido foram diagnosticadas com diabetes tipo 1, revela um estudo. De acordo com cientistas do Imperial College London, este número é duas vezes superior ao registado em anos anteriores.

Destas crianças, cinco testaram positivo para o novo coronavírus e isso fez com que soassem os alarmes, levando os cientistas a criarem uma ligação entre a Covid-19 e a diabetes tipo 1. No entanto, avisaram que os números poderiam ter sido subestimados porque nove crianças não chegaram a fazer o teste da Covid-19.

Médicos do Imperial College Healthcare NHS Trust quiseram descobrir se realmente havia uma ligação entre a Covid-19 e a diabetes tipo 1 em crianças e para isso juntaram-se aos cientistas do Imperial College London para investigarem.

“A nossa análise mostra que durante o pico da pandemia, o número de novos casos de diabetes tipo 1 em crianças foi anormalmente alto, em comparação com anos anteriores, em dois hospitais de Londres”, conta a Dr.ª Karen Logan, co-autora do estudo ao Daily Mail.

E sublinha: “Quando investigámos de uma forma mais profunda, descobrimos que algumas destas crianças tinham o coronavírus ativo ou já tinham sido expostas ao vírus”.

Médicos e cientistas recolheram análises de crianças que estiveram em cinco unidades pediátricas de internamento em Londres.

Das 30 crianças diagnosticas com diabetes tipo 1, 21 foram testadas à Covid-19 porque apresentavam sintomas como febre ou tosse. Dois deram positivo. As restantes crianças fizeram o teste anticorpos que deu positivo para três delas.

Apesar dos dados apresentados, os cientistas são os primeiros a dizer que são precisos mais testes antes de se chegar à conclusão de que há de facto uma relação entre as duas doenças nas crianças.

No Reino Unido, a diabetes tipo 1 afeta cerca de 314.000 pessoas. A doença surge quando o sistema imunológico destrói as células produtoras de insulina.

Os investigadores do Imperial College London sugerem mesmo que o novo coronavírus pode atacar de forma direta as células do pâncreas, importantes na produção de insulina.

No ano passado, a Direção-Geral da Saaúde apresentou um manual de apoio sobre crianças e jovens com diabetes tipo 1.

O artigo citado na notícia é o seguinte:

New-Onset Type 1 Diabetes in Children During COVID-19: Multicenter Regional Findings in the U.K.

Online edition of the 13th European Forum on the rights of the child – 29 setembro – 1 outubro

Setembro 16, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Organised by the Directorate-General for Justice and Consumers, the European Forum on the rights of the child is an annual conference that provides a platform for dialogue between EU institutions and other stakeholders on the rights of the child.

This year, for the first time ever, the forum is going completely digital!

mais informações no link:

https://www.euchildforum2020.eu/?fbclid=IwAR0fHP9415DmDnEEEosAP1bqrA6gCGWMkipz8fWY8asYGocgUkGLmsIKeOc

Estado da Nação. Pandemia afetou aproveitamento escolar

Setembro 16, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 20 de julho de 2020.

por Inês Moreira Santos

Com o encerramento das escolas, a adaptação às aulas em casa e as notáveis desigualdades sociais, é percetível que a pandemia afetou a Educação em Portugal. São muitos os pais que “consideram que o rendimento escolar dos seus filhos piorou durante o período sem aulas presenciais”, revela um relatório da Universidade Católica Portuguesa. As previsões apontam ainda para uma “evolução da educação” pouco positiva, nos próximos dois anos.

Quando atingiu Portugal, a pandemia da Covid-19 não trouxe apenas uma crise de saúde pública nem afetou apenas o setor da saúde. O confinamento decretado ainda em março, o encerramento das escolas e de várias atividades económicas e sociais agravaram alguns dos problemas já existentes na Educação e potenciaram mais as desigualdades entre os alunos.

A conclusão é da Sondagem Social e Política, realizada pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP e para o jornal Público, com base em inquéritos a “eleitores residentes em Portugal”.

Comparando com o ano letivo anterior, 41 por cento dos pais inquiridos, selecionados aleatoriamente, consideram que “o rendimento escolar dos seus filhos piorou durante o período sem aulas presenciais”. Cerca de 32 por cento afirma que o rendimento escolar dos filhos não foi afetado pelas aulas e apenas 17 por cento acha que até pode ter melhorado.

É de realçar, no entanto, que a maioria dos pais que afirma que as aulas à distância pioraram o aproveitamento escolar dos alunos são “menos escolarizados”, o que pode ser considerado um indicador “do aumento das desigualdades”.

No que se refere ao apoio parental nas atividades escolares, 50 por cento dos inquiridos revela que apoiou “mais ou muito mais os seus filhos durante o período de aulas à distância”. Também nesta questão é referido que os pais mais escolarizados acompanharam e apoiaram mais os filhos, durante o período de aulas em casa, do que os com menos escolaridade.

Maioria dos pais “colocaria os filhos” na escola em setembro

Questionados sobre a retoma das aulas presenciais ou a manutenção das aulas à distância, quase metade dos pais com filhos em idade escolar (48 por cento) concorda com “um sistema misto na reabertura do ano escolar”, ou seja, com “uma solução que permita aulas presenciais e aulas à distância”. Contudo, só 40 por cento do total dos inquiridos (pais com filhos em idade escolar e restantes inquiridos) considera que o ensino “misto” é a solução para o próximo ano letivo, caso se mantenha uma situação epidemiológica semelhante.

O relatório esclarece que “defesa desta solução não é transversal à sociedade”, mas “particularmente defendida pelas pessoas mais escolarizadas”.

Aliás, a maioria dos pais respondeu que “colocaria os filhos na escola”, num cenário de propagação do vírus semelhante ao atual, se as escolas reabrissem já em setembro. Mas deste, apenas 27 por cento respondeu o fariam “de certeza, sendo esta percentagem ligeiramente mais baixa na região de Lisboa (22 por cento) do que no resto do país.

Quanto às expectativas da evolução da Educação em Portugal, o cenário não é tão promissor. Questionados sobre como imaginam o país daqui por dois anos, a maioria dos inquiridos pensa que vai estar igual ou pior.

“As expectativas sobre a evolução da educação não são positivas”, lê-se no documento, que revela que 34 por cento do total dos inquiridos vêem “Portugal daqui por dois anos com pior educação”.

Esta sondagem revela que a pandemia realçou mais as desigualdades sociais entre os alunos, nomeadamente no acesso aos meios para assistir às aulas e no apoio escolar.

Ficha técnica

Os 1217 participantes desta sondagem foram selecionados aleatoriamente, através de uma lista de números de telefone fixo e de telemóvel, 34 por cento da região Norte, 21 por cento do Centro, 31 por cento da Área Metropolitana de Lisboa, seis por cento do Alentejo, quatro por cento do Algarve, dois por cento da Madeira e dois por cento dos Açores.

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo (50 por cento foram mulheres), escalões etários, grau de escolaridade e região com base no recenseamento eleitoral e nas estimativas do INE.

Ver o vídeo da reportagem no link:

https://www.rtp.pt/noticias/economia/estado-da-nacao-pandemia-afetou-aproveitamento-escolar_n1246003

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