Colóquio – Les Jeunes et l’Incitation à la haine sur internet : victimes, témoins, agresseurs? 23-24 janeiro em Nice

Dezembro 4, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://youthcyberhate.sciencesconf.org/

Proteja seu filho da principal causa de morte de crianças em Portugal

Dezembro 3, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 21 de novembro de 2016.

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As lesões e traumatismos na sequência de acidentes continuam a ser primeira causa de morte nas crianças e jovens em Portugal, o que preocupa a Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Há pequenos pormenores que podem salvar a vida a uma criança. É estritamente necessário que todos estejamos atentos e  cientes dos perigos que nos rodeiam para que possamos proteger os nossos filhos, e ensiná-los a tornarem-se autosuficientes nos que se refere à sua segurança.

Ficam algumas dicas de como proteger o seu filho organizadas por faixas etárias.

Até 1 ano de idade

Os bebés com menos de uma ano, estão a aprender a controlar os seus movimentos e respiração, sendo que a principal causa de mortes nessa faixa etária por acidente é engasgamento, asfixia, aspiração de corpos estranhos, intoxicações e queimaduras.

Como evitar estes acidentes?

  • Os Bebés devem dormir em berços certificados e com colchão firme, virados de barriga para cima, tapados até a altura do peito e com os braços para fora.
  • Não deixe brinquedos dentro da cama
  • Corte e/ou esmague os alimentos em pedaços pequenos quando der refeições.
  • Mantenha fora do alcance das crianças objetos pequenos como botões, peças de brinquedos, berlindes, moedas, pilhas e pionaises. (Especialmente tudo o que é metálico, pilhas e baterias)
  • Retire todos os restos de plástico de balões rebentados do chão.
  • Use cancelas de proteção nas escadas e redes de proteção nas janelas.
  • Não deixe móveis perto de janelas – podem servir de apoio para a criança subir e ter acesso ao perigo.
  • Não deixe o bebé sozinho, em instante nenhum, em cima de um sofá, fraldário ou mesa.
  • Tranque todos os armários de acesso a detergentes e produtos químicos
  • Mantenha os sacos de plástico fora do alcance das crianças
  • Para se aperceber dos perigos mais eminentes na idade certa do seu filho, faça um tour pela sua casa colocando-se à altura dos seus olhos. Gatinhe, deite-se no chão, ande de joelhos e perceberá a quantidade de perigos apelativos que  tentam diariamente o seu filhos.

 

De 2 a 4 anos

A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) lança anualmente uma campanha de prevenção contra a morte por afogamento – “A Morte por Afogamento é Rápida e Silenciosa”. Ao longo dos últimos quatro anos, o afogamento a par com as quedas, asfixia, engasgamento, afogamento, intoxicações, choques elétricos e traumatismos tem sido a principal causa de morte em acidentes doméstico, nas crianças entre 2 a 4 anos Nesta idade as crianças estão mais autónomas e aventuram-se a experimentar o espaço que as rodeia livremente. É obrigatório a supervisão de um adulto, pois as crianças ainda não têm consciência do perigo. Estas são as dicas para evitar acidentes nesta idade. Não devem ser descartadas ainda as soluções de segurança aplicadas até um ano de idade.

 

  • Nunca deixe crianças sozinhas quando estiverem dentro ou próximas da água. As crianças mais pequenas podem afogar-se tanto na praias, piscina, rios, lagos e barragens, como em qualquer recipiente com muito pouca água ou outros líquidos, quer seja uma banheira, pia, alguidar, balde, etc
  • Para evitar afogamentos, o colete salva-vidas adaptado à idade é o equipamento mais seguro. Braçadeiras e outros equipamentos insufláveis dão-nos uma falsa noção de segurança – se a criança ainda não souber dominá-las podem virar a qualquer momento, tornando o retorno à tona da água muito difícil.
  • Nunca guardar detergentes, lixívia, inseticidas, pesticidas ou desinfetantes dentro de garrafas de água ou refrigerantes de plástico já usadas.
  • Os brinquedos devem ser suficientemente grandes para que não caibam na boca, e suficientemente resistentes para que não possam ser mordidos (lascas)
  • Mantenha objetos afiados como facas, tesouras e chaves de fendas, entre outros, fora do alcance das crianças.
  • Proteja os cantos das mesas e arestas vivas, especialmente aquelas que vão estar exatamente ao nível dos olhos do seu filho quando começar a aquisição de marcha

 

 

Dos 5 aos 9 anos

Nesta idade, a criança ainda não têm suas competências motoras totalmente desenvolvidas e a principal causa de acidentes nesse caso são os atropelamentos de trânsito, quedas, queimaduras, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumatismos.

Estas são as dicas para evitar acidentes nesta idade. Não devem ser descartadas todas as soluções de segurança aplicadas nas faixas etárias anteriores.

 

  • Dê o exemplo. Ensine as crianças a olhar para um lado e para o outro antes de atravessar a rua. Respeite os sinais de trânsito e passadeiras.
  • Crianças com menos de 10 anos não devem andar sozinhas na rua. A supervisão de um adulto é vital até que a criança demonstre habilidades e capacidade de julgamento do trânsito. Dê sempre a mão aos seus filhos quando estiverem a andar na rua
  • Crianças com menos de 8 anos não devem manusear, sem supervisão de um adulto brinquedos que requeiram carregamentos e que estejam sujeitos a atingir temperaturas elevadas. Os brinquedos elétricos podem causar queimaduras.
  • Crianças com menos de 10 anos não devem andar sozinhas de elevador.
  • Não deixe bebidas alcoólicas e medicamentos ao alcance das crianças.
  • Ensine a criança a não aceitar bebidas ou alimentos que lhe sejam oferecidas por estranhos.
  • Se se ausentar de uma tarefa que está a realizar, garanta que deixa tudo em segurança: bicos do fogão desligados e pegas das frigideiras viradas para dentro, ferro de engomar desligado, com o fio enrolado, não deixar facas afiadas em cima das bancadas, etc
  • Guardar isqueiros e fósforos fora do alcance das crianças.
  • Não tome medicamentos à frente das crianças para evitar comportamentos por imitação. Não administre medicamentos aos seus filhos se prescrição médica.
  • Ensine os seus filhos a verificarem os prazos de validade dos alimentos que ingerem
  • Ensine os seus filhos a usar o micro-ondas. Se a vêem a usar, rapidamente vão experimentar fazê-lo. Evite acidentes explicando que não podem colocar pratas, nem loucas com filamentos de prata dentro do mesmo.

 

 

Cyberbullying está ligado ao aumento dos casos de automutilação entre jovens

Dezembro 2, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.brasilpost.com.br/ de 4 de novembro de 2016.

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The Huffington Post UK  |  De Jasmin Gray

O número de jovens internados em hospitais em consequência de automutilação subiu vertiginosamente nos últimos dez anos, revelaram novas cifras. Especialistas atribuem o fenômeno ao bullying online e nas redes sociais.

Cifras do NHS (o Serviço Nacional de Saúde britânico) indicam que o número de meninas tratadas em hospitais depois de se cortarem subiu 385%, de 600 em 2005-2006 para 2.311 em 2014-2015.

Houve um aumento grande também no número de rapazes hospitalizados depois de se mutilarem: em 2014-2015, 457 homens jovens foram tratados, contra 160 dez anos antes.

Estatísticas aos quais o jornal The Guardian teve acesso mostraram que a automutilação por enforcamento e envenenamento também vem aumentando entre os jovens.

Especialistas atribuem esse aumento preocupante à ascensão da Internet e das redes sociais nos últimos dez anos.

O número de meninas com menos de 18 anos hospitalizadas por cortar-se quadruplicou nos últimos dez anos.

Ruth Ayres, gerente de projetos do selfharmUK, disse que os jovens têm dificuldade em escapar do bullying online: “Hoje em dia, quando uma pessoa sofre bullying, isso continua quando está em casa. Muitas vezes pode lhe parecer que o sofrimento que ela está sentindo nunca acaba.

“As mídias sociais geram uma dependência enorme nos jovens. Acho que nós, adultos, precisamos começar a ajudar os jovens a navegar em segurança pela internet.”

Ayres também apontou para a presença de muitos sites que oferecem aos jovens informações sobre como se mutilarem.

Quase 14 mil mulheres jovens foram internadas em hospitais no ano passado depois de ingerir substâncias tóxicas – 4.112 mais que o número que o fez em 2005-2006, 9.741. O número de rapazes que se envenenaram não subiu.

O enforcamento como método de automutilação também se tornou mais comum, com 220 jovens com menos de 18 anos sendo tratados em hospitais entre 2014 e 2015. Em 2004-2005, 78 jovens foram hospitalizados depois de se enforcar.

O Dr. Peter Hindley, catedrático da Faculdade de Psiquiatria Infantil e Adolescente no Royal College of Psychiatrists, concordou que as mídias sociais são um dos muitos fatores que levam adolescentes e jovens a se mutilarem, dizendo ao Guardian:

“É provável que a alta seja resultante de muitos fatores, mas os mais importantes provavelmente são: disparidade crescente na era da austeridade, o impacto negativo da era digital, a sexualização crescente – isso é especialmente nítido no caso das meninas–, o impacto do abuso sexual e da exploração sexual e as pressões crescentes para alcançar sucesso.”

Na semana passada o secretário de Saúde britânico, Jeremy Hunt, criticou os serviços de saúde mental disponíveis para adolescentes e jovens, caracterizando-os como “a maior área de carência na cobertura de saúde feita pelo NHS”.

Hunt disse que muitas tragédias acontecem porque os serviços não intervêm de modo precoce, quando problemas como transtornos alimentares primeiro se manifestam.

A ONG Young Minds, que trabalha com saúde mental, informa que mais de um quarto (26%) dos jovens no Reino Unido já teve pensamentos suicidas.

Mas, segundo Ayres, ainda existem muitos lugares aos quais jovens que se automutilam podem recorrer para buscar apoio.

“Nosso site é um site em favor da recuperação de jovens, que os incentiva a formular perguntas e postar suas histórias. É um lugar seguro que jovens podem procurar quando precisam de ajuda e apoio.

“Recentemente o ChildLine lançou um serviço de aconselhamento online que pode ser acessado por jovens dia e noite, e pode ser útil para jovens que se automutilam saber que há alguém com quem podem conversar”, ela disse.

“Eu também incentivaria as famílias a procurar um bom clínico geral, alguém em quem confiam e com quem possam falar dessas coisas abertamente.”

 

 

Entrega do donativo resultante do lançamento do livro “Erro Crasso” ao IAC-Fórum Construir Juntos

Dezembro 2, 2016 às 1:46 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Decorreu nas instalações do Instituto de Apoio à Criança a entrega do donativo resultante do lançamento do livro “Erro Crasso” (da autora Alexandra Batalha) pelo Presidente d’APP António Martins de Oliveira e pela escritora.

O lançamento deste livro (decorrido na Casa da Mutualidade no dia 7 de abril de 2016) teve assim uma vertente solidária, procurando ajudar o IAC e todo o trabalho desenvolvido pela mesma no apoio à infância.

Cada vez mais casos em tribunal de filhos que intimidam pais para obterem o que querem

Dezembro 2, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.sapo.pt/ de 17 de novembro de 2016.

Aos tribunais chegam cada vez mais casos de adolescentes que ameaçam, roubam e fogem de casa para obter o que pretendem dos pais, e estes sentem-se incapazes de lidar com a situação, afirmou à Lusa uma investigadora.

“Cada vez temos mais situações, que chegam nos processos de promoção e proteção de menores” às comissões e aos tribunais, de adolescentes “com comportamentos disruptivos, com fugas de casa, com roubos”, em que “os pais acabam por dizer que sentem que não são capazes de fazer nada dos seus filhos”, disse Neuza Patuleia.

A investigadora explicou que são casos de violência filioparental, em que os filhos adquirem “controlo e poder na relação com os pais”

Este comportamento envolve ameaças, intimidação e outros comportamentos desajustado que visam adquirir o que o jovem pretende, seja bens ou “uma maior liberdade”.

Nestes casos, “a hierarquia familiar acaba por ficar subvertida”, disse Neuza Patuleia, explicando que esta relação pode provocar danos físicos, psicológicos, emocionais e até financeiros.

Apesar dos dados apontarem para o aumento do fenómeno, “é uma violência que está muito camuflada”, porque os pais têm dificuldade em perceber que “estão a viver uma dinâmica relacional violenta, em que se sentem inibidos de exercer a sua posição parental”, explicou a investigadora, que participou hoje, em Lisboa, na conferência “Violência Doméstica e Alienação Parental”.

Mas também os próprios profissionais “têm dificuldade em perceber que não se trata de um problema dos jovens”, nem dos pais, “mas de um problema relacional que foi crescendo e tomando lugar naquela dinâmica relacional”.

A psicóloga e terapeuta familiar contou que nas entrevistas que realizou com jovens para a sua investigação, houve alguns que disseram que fazem tudo o que querem dos pais e que são eles que mandam em casa.

“Os miúdos têm consciência que têm domínio sobre os pais”, mas “não têm consciência dos danos efetivos que isto lhes provoca no seu desenvolvimento, nem sequer têm maturidade para perceber isso”, sublinhou.

Para intervir nestas situações, Neuza Patuleia defendeu que não se pode “apontar o dedo aos pais”, porque isso só levará “a maiores sentimentos de culpabilização”.

“Estes pais fazem o melhor que podem na relação” com os filhos, a questão é perceber o que contribuiu para esta dinâmica relacional, atuar na prevenção destes casos e ajudar as famílias.

Mas nem sempre as famílias encontram a ajuda adequada devido ao sistema ter dificuldade em compreendê-las.

Quando pedem ajuda “acabam por sentir uma maior culpabilização, uma maior vergonha e ainda se sentem mais sozinhas, porque conseguiram pedir ajuda e, em vez de consegui-la, estão a ser condenadas por si próprias e pelos outros”.

“O caminho que temos a fazer é de sensibilizar a comunidade e os profissionais para esse tipo de violência e ajudar a construir um referencial de entendimento sobre esta situação” para apoiar eficazmente as famílias.

Segundo a investigadora, este fenómeno é transversal a todas as classes sociais, mas a investigação aponta para uma maior prevalência nas classes média e média-alta.

 

 

Poluição: 300 milhões de crianças respiram ar tóxico

Dezembro 2, 2016 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto da http://www.unicef.pt/

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Poluição: 300 milhões de crianças respiram ar tóxico

Quase uma em cada sete crianças no mundo – 300 milhões – vivem em zonas com os mais elevados níveis de toxicidade de poluição atmosférica – seis vezes ou mais acima dos limites recomendados internacionalmente, revela o novo relatório da UNICEF ‘Clear the air for children’. A publicação utiliza imagens recolhidas via satélite para mostrar pela primeira vez quantas crianças estão expostas a poluição atmosférica que excede os níveis internacionais definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e onde vivem.

“A poluição do ar é um dos principais factores que contribuem para a morte anual de cerca de 600.000 crianças menores de cinco anos – e uma ameaça para a vida e o futuro de milhões de crianças. Os poluentes não só prejudicam o desenvolvimento dos pulmões das crianças como podem mesmo afectar o seu desenvolvimento cerebral, causando danos que ficam para toda a vida, o que, naturalmente tem consequências para o seu futuro. Nenhuma sociedade se pode permitir ignorar a poluição do ar.” Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF
Cerca de 2 mil milhões de crianças vivem em zonas onde a poluição atmosférica, causada por factores como as emissões de veículos, a utilização de combustíveis fósseis pesados, as poeiras e a queima de lixos, excede os limites de qualidade mínima do ar definidas pela OMS. A Ásia do Sul tem o maior número de crianças, 620 milhões, a viver nestas zonas, seguindo-se África com 520 milhões de crianças. Na região da Ásia Oriental e Pacífico 450 milhões de crianças vivem em zonas que excedem os limites estabelecidos.

O estudo analisa também os efeitos nefastos da poluição do ar em espaços fechados maioritariamente causada pelo uso de combustíveis como carvão e madeira para cozinhar e aquecimento, que afecta sobretudo as crianças de agregados familiares de baixo rendimento em zonas rurais. Em conjunto, a poluição atmosférica e a poluição do ar em espaços fechados estão directamente relacionadas com doenças como a pneumonia e outras do foro respiratório que são causa de morte de perto de uma em cada 10 crianças menores de cinco anos, o que torna a poluição do ar num dos principais riscos para a saúde das crianças.

As crianças são mais susceptíveis do que os adultos à poluição do ar, tanto interior como exterior, pois os seus pulmões, cérebros e sistemas imunitários estão ainda em desenvolvimento e as suas vias respiratórias são mais permeáveis. As crianças mais pequenas também respiram a um ritmo mais rápido do que os adultos e inspiram uma maior quantidade de ar em relação ao seu peso corporal. As crianças mais desfavorecidas, que tendencialmente já têm uma saúde mais debilitada e cujo acesso a serviços de saúde é precário, são as mais vulneráveis a doenças causadas pela poluição do ar.

É necessário melhorar a qualidade do ar para proteger as crianças dos efeitos da poluição. A UNICEF recomenda algumas medidas aos Governos:

• Reduzir a poluição;

• Alargar o acesso das crianças a serviços de saúde;

• Minimizar a exposição das crianças;

• Monitorizar a poluição ambiental.

 

A UNICEF trabalha no terreno para proteger as crianças dos seus efeitos no âmbito dos seus programas de cooperação a fim de reduzir o impacto da poluição atmosférica na saúde das crianças. Por outro lado, apoia também programas destinados a melhorar o acesso das crianças a serviços de saúde de qualidade e para as vacinar contra doenças como a pneumonia.

Restrições alimentares. Explicar às crianças e não dramatizar

Dezembro 1, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/de 14 de novembro de 2016.

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Joana Capucho

Para ajudar um jovem com excesso de peso a emagrecer a família deve adotar o mesmo tipo de comida. Se há uma intolerância alimentar, só a criança beneficia das restrições

Quando Bárbara fez 6 anos, Cristina Santos descobriu que a filha era doente celíaca. “No início, foi complicado.” A lista do que não podia comer era assustadora. O preço dos alimentos também. E existia, ainda, o risco de contaminação. Retirar o glúten da alimentação do resto da família – tem dois irmãos – nunca foi uma opção. Passaram sete anos. Apenas Bárbara come alimentos sem glúten, mas raramente as suas refeições são diferentes. “Tentamos que a comida seja o mais semelhante possível à nossa.” Por exemplo, se os dois irmãos comem douradinhos, Bárbara também, mas os seus são diferentes. “Se for açorda, fazemos uma base em conjunto e depois separamos a parte dela.” E é assim com quase tudo.

As alergias e intolerâncias alimentares, bem como o excesso de peso, obrigam as famílias a ajustar os seus hábitos. Deve o resto da família seguir padrões mais restritivos porque um dos membros não pode comer determinado alimento? Não. Dizem os especialistas em nutrição que cada família deve fazer o que for mais cómodo para si, mas não há nenhuma recomendação para que siga a mesma dieta. No entanto, há algumas dicas para que a criança não se sinta excluída. Já se o problema for excesso de peso, é benéfico que todos adotem o mesmo regime. Em qualquer caso, dizem os psicólogos, é importante não dramatizar, porque as crianças têm capacidade de se adaptar.

Imagine uma família em que o pai é uma pessoa ativa, a mãe é mais sedentária, há um filho adolescente e um outro mais novo com excesso de peso. Cada um tem necessidades diferentes. “O primeiro passo é criar uma base, que pode ser comum a todos: verduras, uma fonte de proteínas, hidratos de carbono. As quantidades serão depois ajustadas às necessidades de cada um. Não é preciso fazer refeições diferentes”, diz Rodrigo Abreu, responsável pela consulta de nutrição infantil na CUF Belém. Se um dos filhos tiver de controlar o peso, a família deve ser solidária. “Deixar de beber sumo à refeição, por exemplo, ou de comer um chocolate por dia. Se o empenho for de toda a família, todos ganham”, frisa. Se a criança for a única a mudar a alimentação em função do peso, “pode sentir que é um castigo ou uma penalização”.

Nuno Borges, da direção da Associação Portuguesa de Nutricionistas, também defende que, nestes casos, “o que é bom para a criança mais frágil não fará mal aos outros, até os torna mais saudáveis”. “Há vantagens que todos sigam a mesma alimentação”, reforça. Já a psicóloga Inês Afonso Marques, responsável pela área infantojuvenil na Oficina de Psicologia, considera que o facto de a família seguir um padrão mais saudável ajuda a motivar a criança. “A família funciona como modelo. Para a criança, será difícil aderir a um padrão mais restritivo, se o resto das pessoas não o fizer. Vai sentir-se injustiçada”, explica.

Fazer uma base comum

Rodrigo Abreu diz que, se uma criança tiver alergia à proteína de leite de vaca, por exemplo, não deve comer nada que a contenha, “mas não significa que o resto da família tenha de seguir” essa restrição. “Tem é de existir cuidados com as contaminações.” É o caso de Beatriz, de 8 anos, alérgica às proteínas do leite de vaca desde bebé. Há cerca de um ano, os médicos começaram a fazer uma introdução ao leite, pelo que agora já não há o perigo de encontrar vestígios na comida. “Até chegar a esta fase, tinha de ver sempre se os alimentos tinham vestígios de leite”, explica a mãe, Tânia. Em casa, os pais tentam sempre que as refeições sejam iguais para todos. Se for empadão, há uma parte que é feita com leite de vaca, outra com leite de soja. “Se é um prato que leva queijo ou natas, fazemos à parte para ela. Mas a ideia é tentar sempre que haja uma base comum.”

No caso das intolerâncias, Nuno Borges concorda que “se a criança não pode comer um determinado alimento, os outros não têm de o eliminar. No entanto, para algumas famílias pode ser mais prático fazer só aquele prato. Não acho é que isso seja universal para todos”. Dá como exemplo a fenilcetonúria, uma doença em que é necessário eliminar as proteínas da alimentação. “Quando as crianças são pequenas, a restrição é absoluta. Estes doentes fazem uma dieta completamente isolada dos pais e irmãos. Não faz sentido nenhum que os outros tenham de comer as mesmas coisas.”

O risco de a criança se sentir discriminada dependerá da abordagem que é feita pelos adultos. “Se não fizerem drama, o filho também não vai fazer. Pode sentir-se diferente, mas não vai sentir-se inferior”, destaca a psicóloga Inês Afonso Marques. As crianças “adaptam-se, ajustam-se” e é importante que aquela característica seja tornada especial. Como? “A criança pode sentir-se especial porque o leite dela é diferente, os cereais são diferentes, sente-se integrada nas compras.”

Ambas as mães contactadas pelo DN dizem que mais difícil do que gerir as alergias e intolerâncias das crianças dentro de casa, é quando não estão com os pais. Cristina Santos recorda que, no primeiro ciclo, levava massa, salsichas e outros alimentos para a escola da filha. “Víamos a lista das refeições e tentávamos adequar o mais possível à dos colegas, para a Bárbara não se sentir diferente”, explica. Nas festas de aniversário, geralmente levavam de casa aquilo que as filhas podiam comer. “A Beatriz agora já sabe o que pode comer, mas, quando era mais nova, normalmente levava lancheira”, conta Tânia. Nos restaurantes, o problema é, na maior parte das vezes, o risco de contaminação.

 

 

 

Lista de pedófilos condenados com 5.739 registos no primeiro ano de vigência

Dezembro 1, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://diariodigital.sapo.pt/ de 16 de novembro de 2016.

Um total de 5.739 nomes constam do Registo de Identificação Criminal de Condenados por Crimes Sexuais contra a Autodeterminação Sexual e a Liberdade Sexual de Menor, que completa um ano de vigência a 22 de novembro.

“O número atual de registos integrados no Registo de Identificação Criminal de Condenados por Crimes Sexuais contra a Autodeterminação Sexual e a Liberdade Sexual de Menor é de 5.739”, indicou à agência Lusa o Ministério da Justiça (MJ).

Conforme precisa o MJ, o registo foi criado pelo artigo 4.º da Lei 103/2015, de 24 de agosto, começando a produzir efeitos 90 dias após a publicação da lei, pelo que completará um ano de vigência a 22 de novembro próximo.

De acordo com a lei, fazem parte deste registo todos os condenados pela prática de crimes sexuais em que a vítima seja menor, até ao máximo de 20 anos sobre a extinção da pena, principal ou de substituição, ou da medida de segurança, e desde que entretanto não tenha ocorrido nova condenação por crime contra a autodeterminação sexual e a liberdade sexual de menor, ou quando verificada a morte do agente.

“Ou seja, também fazem parte deste registo pessoas que tenham sido condenadas antes da entrada em vigor da lei e cujo crime conste do seu registo criminal, o que acontece durante um período de 20 anos para os crimes considerados mais graves”, explica o MJ.

Diário Digital com Lusa

 

Casas de acolhimento demasiado grandes e segregadoras

Dezembro 1, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de novembro de 2016.

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Ana Cristina Pereira

Primeiro estudo nacional sobre a qualidade do acolhimento residencial de crianças e jovens retiradas às famílias detecta falhas: irmãos separados, formação por vezes insuficiente dos técnicos, meninos a mais na mesma casa.

É o primeiro estudo de âmbito nacional destinado a aferir a qualidade do acolhimento residencial de crianças e jovens órfãos, abandonados ou retirados a famílias que põem em perigo a sua segurança, saúde ou educação. O grupo de investigação e intervenção em acolhimento e adopção, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto, ainda vai a um terço do trabalho, mas já detectou sinais de “insuficiente respeito pelos direitos da criança”.

Sónia Rodrigues, cujo projecto de doutoramento está na origem deste estudo, aponta vários exemplos de “insuficiente respeito” pelo direito à participação da criança nas decisões que a ela dizem respeito, o direito a informação sobre o seu processo, o direito a que seja trabalhada a sua autonomia e estimulado o seu desenvolvimento, o direito ao afecto, o direito a ter família.

A equipa – orientada por Maria Barbosa-Ducharne e coordenada por Sónia Rodrigues e Joana Campos – seleccionou 90 casas situadas em várias partes do país, de forma aleatória, de modo a obter uma amostra representativa. Além das seis do estudo-piloto, já avaliou 30 da amostra, o que implicou ter cinco investigadores a fazer uma visita a cada uma delas, com entrevistas ao director técnico, a elementos da equipa técnica e educativa e a outros colaboradores, mas também às crianças (a partir dos 6 anos) e aos jovens acolhidos. Tudo combinado com questionários e provas psicológicas e interacção, incluindo almoçar e jantar com as crianças e jovens.

Concluíram, para já, que as casas de acolhimento continuam a ser demasiado grandes, explica Sónia Rodrigues. “Temos casas com 30, 60, 90 crianças com menos de seis anos. Temos cuidadores com imenso espírito de missão, mas ainda é normal ouvir dizer: ‘Está cá há um mês e ainda chora. Ainda não se habituou.’ Qualquer psicólogo sabe que bebé que deixa de chorar é desânimo aprendido – já nem vale a pena chorar.”

Irmãos separados

Não é só a dimensão. “Ainda há 46% de casas segregadoras. Os irmãos vão para uma casa e as irmãs para outra. E a maioria das casas opta por ter uma população mais ou menos homogénea. Uma casa tem crianças até seis anos, por exemplo. Quando fazem seis, as crianças têm de mudar para outra.”

Ocorre-lhe o exemplo de “uma menina de sete anos que foi fechada no quarto o dia inteiro por ter passado a noite a chorar com saudades da irmã”. E o de “bebés que dormem num berçário e as cuidadoras de serviço à noite passam a ferro no edifício ao lado e vão lá de 15 em 15 minutos”. “Isto são coisas que não acontecem sem o conhecimento das pessoas responsáveis pelas instituições”, sublinha.

O objectivo é melhorar o serviço. Os investigadores oferecem a cada uma das casas que o desejar um relatório de qualidade. Nele indicam “pistas”.

Para Sónia Rodrigues, é fundamental pensar em casas de menor dimensão (até 12 crianças), casas com crianças e jovens de diferentes idades e géneros, casas com oferta de acolhimento especializado – há crianças com problemas de saúde mental, com problemas comportamentais graves, com dependências de drogas. E em cada momento ajustar rácio cuidador/cuidado.

A equipa de que faz parte detectou carências de formação específica e de base contínua e horários de trabalho que nem sempre salvaguardam as “passagens de turno”. Defende formação; supervisão externa; responsabilização das equipas técnicas; participação das crianças. “Todo o acolhimento deve ser terapêutico”, sustenta. “Deve promover a autonomia desde o início.”

“É preciso que haja directivas firmes sobre o funcionamento destas casas”, defende. “Há muitas crianças que nunca entraram numa loja, num supermercado. Não sabem como fazer as tarefas mínimas. Não tiveram carinho que lhes permita estabelecer relações duradouras. Não têm escolaridade que lhes permita arranjar emprego e mantê-lo. Quando fazem 18 anos, é muitas vezes para a família que não tinha condições para as ter que voltam. E muitos precipitam-se para uma nova família, têm filhos muito jovens, que depois lhes vão ser retirados, alimentando esta grande máquina que é o sistema de acolhimento nacional”.

473 crianças ouvidas

Para já, os investigadores ouviram 473 crianças e jovens, 46 cuidadores sobre crianças com menos de 6 anos, 36 directores técnicos, 308 cuidadores e 35 técnicos de articulação nas tutelas. E, aos maiores de 12, aplicaram testes capazes de “avaliar a saúde mental, o ajustamento psicológico, o bem-estar, a satisfação com a vida”.

Em Portugal “uma em cada 250 crianças está em acolhimento residencial”, sublinha Sónia Rodrigues. As 433 instituições existentes no país acolhiam 8297 crianças e jovens no final do ano passado, de acordo com o relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens 2015. “Temos muito que fazer com as famílias antes de recorrer a esta medida, mas, de forma quase chocante, essa é muitas vezes a primeira medida.”

Não se pense que o país tem “um número exagerado” de crianças retiradas às famílias. Não tem. O que tem, sublinha, é “um desequilíbrio muito grande entre acolhimento familiar e acolhimento residencial”. “Temos 96% das crianças retiradas às famílias em acolhimento residencial”, esclarece aquela investigadora. E muito poucas em famílias de acolhimento.

O modelo de financiamento não será alheio a este retrato. “Funciona por cabeça”, critica. “Não é a qualidade do trabalho que é feito com estas crianças, não é a atenção que lhes é dada, é o número que importa. Paga-se a uma casa com 60 bebés o mesmo que se paga a uma casa com 60 adolescentes com problemas de comportamento, o que faz com que as casas prefiram ter bebés”, esclarece.

Parece-lhe importante encaminhar as crianças com menos de seis anos para acolhimento familiar. Essa é, de resto, uma das orientações da revisão que em 2015 se fez da Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo. “Está provado que os bebés em acolhimento residencial ficam com danos neurológicos permanentes”, diz. “Os bebés querem colo, precisam de vinculação.”

 

 

Jovens usam bastante os media, mas faltam-lhes competências mediáticas

Novembro 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 14 de novembro de 2016.

Mais informações no estudo:

Níveis de literacia mediática: Estudo exploratório com jovens do 12º ano

educare

Andreia Lobo

Os jovens estão cada vez mais “conectados” aos media. Têm acesso à televisão, ao computador com Internet, ao telemóvel ou smartphone e estão “sempre” ou “muitas vezes” online. Mas são pouco críticos quanto à informação que lhes chega através dos media.

O mais recente estudo sobre literacia mediática, organizado pela Universidade do Minho, o Gabinete para os Meios de Comunicação Social e a Rede de Bibliotecas Escolares, pode preocupar pais e professores. “Há um conjunto de competências que os jovens precisam para o seu dia a dia que não estão desenvolvidas”, explica ao EDUCARE Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e uma das autoras do estudo. Chama-se “Competências de Literacia Mediática”, e vem ao encontro de uma diretiva da Comissão Europeia de 2012 que alerta os Estados-membros para a necessidade de avaliar os níveis de conhecimento dos media dos cidadãos.

Em Portugal, a avaliação foi feita entre jovens do 12.º ano, com idades entre os 17 e os 18 anos, a frequentarem o ensino público no ano letivo de 2013/2014. Participaram 679 estudantes, de 46 escolas em todo o território nacional. Os dados foram recolhidos através de um questionário aplicado online com perguntas sob a forma de exercícios destinados a simular a tomada de decisões, bem como a aplicação de saberes. O objetivo: identificar o acesso e os usos dos media pelos jovens, os seus conhecimentos sobre este campo, mas também as capacidades de análise, interpretação e produção mediática.

“Sempre” conectados  Seria de esperar, “os jovens inquiridos demostram ser um grupo conectado aos media”, lê-se no estudo, já que 99% têm acesso a televisão, 98% têm acesso a um computador com Internet, a telemóveis e a smartphones. Outras percentagens relativamente elevadas surgem no acesso a rádio (73%) e a consola de jogos (63%). Os números mostram uma geração que raramente está “offline”. Apenas 6% dizem usar o computador de secretária ou portátil, sem ligação à Internet. Ou seja, a esmagadora maioria acede com frequência e facilidade ao mundo virtual. E também usa bastante as redes sociais, sobretudo para se manter em contacto: 93% dos inquiridos dizem usar “sempre” ou “muitas vezes” a Internet, 75% dizem que usam as redes sociais para conversar com o amigos e família “sempre” ou “muitas vezes”.

Em casa abundam os equipamentos eletrónicos. Cada estudante tem em média acesso a três televisores e a dois aparelhos de rádio, a dois telemóveis, dois smartphones e dois portáteis com Internet. Relativamente aos serviços de televisão contratualizados pelas famílias, 83% dos inquiridos têm em casa canais pagos. Quanto à Internet, 92% tem acesso sem fios em casa.

Questionados sobre a frequência com que utilizam os media, recebem mais as respostas “sempre” ou “muitas vezes” o computador (90%), a Internet (83%), a televisão (77%) e o smartphone (63%). No extremo do uso, “raramente” ou “nunca” estão essencialmente os media tradicionais, como é o caso dos jornais (57%), das revistas (49%), da rádio (46%) e do cinema (41%). As consolas estão também em desuso, 56% dos inquiridos usam-nas raramente, ou simplesmente não usam.

Estes números trazem boas notícias. “Atendendo aos índices de acesso e de uso dos media, à agilidade e ao à-vontade com que parecem usar as tecnologias disponíveis e os softwares adjacentes, podemos inferir bons níveis de literacia funcional”, escrevem Sara Pereira, Manuel Pinto e Pedro Moura, autores do estudo.

No entanto, ter mais acesso às tecnologias ou fazer mais uso delas não é sinónimo de ter mais competências nesta matéria. Por essa razão, os jovens estão a falhar naquilo que os investigadores designam por “literacia crítica”. Dito de outro modo, os inquiridos não são capazes de fazer uma análise ou uma compreensão crítica do que veem e leem na Internet.

Mas vamos por partes. No inquérito online, os investigadores perguntaram aos alunos se estavam familiarizados com o conceito de “publirreportagem”, um texto publicitário, portanto pago por uma marca ou entidade, publicado em forma de uma reportagem nos órgãos de comunicação. A resposta foi das mais erradas entre os estudantes com melhores pontuações no questionário.

Muito difícil foi também conseguir identificar a fonte de uma notícia. Pelo contrário, os jovens conseguiram facilmente sugerir quais os meios a usar, por exemplo, para divulgar uma campanha para a associação de estudantes.

Menos conhecedores das práticas do jornalismo, mais atentos à publicidade. Haverá alguma explicação? “A familiaridade pode ser uma boa pista para ler estes resultados”, argumentam os investigadores, pois “no segundo caso há um contacto próximo com a situação apresentada”.

Reconhecer um artigo de opinião ou um motor de busca não foi problema. Pior foi o momento em que os estudantes tiveram de expor as razões para a escolha de determinadas fontes bibliográficas, em detrimento de outras: 85% dos jovens não apresentam nenhuma justificação válida.

“O envolvimento dos alunos na produção e participação através dos meios não revelou grande sofisticação ou recorrência”, lê-se no estudo. O que andam os inquiridos a fazer na Internet? Coisas simples. Por exemplo, 43% disseram aos investigadores terem partilhado ou recomendado uma marca numa rede social ou comentado uma notícia, no último ano.

Nas “lojas” virtuais surgem cada vez mais ferramentas para criar podcast e vídeos, mas apenas 8% e 19% dos jovens se dedicam a este tipo de produção. No entanto, relativamente à criação de vídeos, “a complexidade técnica da produção apurada não foi particularmente elevada”, escrevem os investigadores. Apenas 37 alunos conseguiram detalhar quatro ou mais momentos da produção.

“A Internet é sobretudo usada como meio de comunicação e de interação com os outros”, constatam os investigadores. Ouvir música, conversar com os amigos e ver videoclipes, são as atividades que 86% e 85% dos jovens realizam na Internet “sempre” ou “muitas vezes”. Com a mesma frequência, 83% dos inquiridos fazem pesquisas, 64% downloads, 52% enviam emails, 31% jogam online.

Centremo-nos agora na televisão e nos programas preferidos dos jovens. Os filmes e as séries são os géneros mais vistos, por 78% e 77% dos inquiridos. Em segundo lugar aparece a informação: 61% dos jovens referem assistir “sempre” ou “muitas vezes” a programas deste género. Do outro lado da escala, na categoria vejo “raramente” ou “nunca” surgem os programas de entretenimento, como os talk shows (54%) e os reality shows (51%). Os programas de sociedade ocupam o terceiro lugar entre os menos vistos (47%). As telenovelas são vistas com pouca frequência por 48% dos inquiridos, ainda assim, 33% dizem ver “sempre” ou “muitas vezes”. O consumo deste género de programas está muito ligado ao “hábito familiar”, nota Sara Pereira, admitindo que o abandono “talvez esteja relacionado com um maior desenvolvimento crítico de gostar deste tipo de programas”.

De modo geral, as raparigas veem mais séries e filmes, telenovelas, concursos, reality shows, programas de música, de sociedade e de moda e de culinária do que os rapazes. Já os rapazes veem mais programas de desporto, de História e ciência do que as raparigas. Quanto aos canais que veem com mais frequência, a FOX, um canal por cabo de séries, e a TVI, um canal generalista de sinal aberto, ocupam as duas primeiras posições, com 41% e 37% das audiências entre os inquiridos.

Os canais públicos RTP1 e RTP2 são opção para apenas 11% e 5% dos inquiridos. No que concerne à imprensa, nomeadamente à leitura de jornais, “sobressai de imediato o pouco interesse que este meio suscita nos jovens”, escrevem os autores do estudo. Os jornais desportivos são os mais lidos, com 19% dos inquiridos a responderem que os leem “sempre” ou “muitas vezes”. Apenas 4% dizem ler “sempre” e 10% “muitas vezes” jornais diários.

O panorama da leitura de revistas é ligeiramente melhor, embora não muito diferente: 23% dos inquiridos leem “sempre” ou “muitas vezes” revistas femininas, 22% preferem as de moda e 22% leem as de informação ou atualidade.

mas pouco literados

Há muitas definições para o conceito de “literacia mediática”, mas é precisamente o que o estudo pretende medir. A Comissão Europeia (CE), atenta ao modo como os cidadãos utilizam os ambientes digitais, define-a como “a capacidade de aceder aos media, de compreender e avaliar de modo crítico os diferentes aspetos dos media e dos seus conteúdos e de criar comunicação em diversos contextos.” O objetivo da literacia mediática “é aumentar os conhecimentos das pessoas acerca das muitas formas de mensagens dos media que encontram no seu dia a dia”, lê-se na “Recomendação sobre Literacia Mediática” publicada pela CE em 2009.

Para traçar a radiografia das competências mediáticas, os investigadores construíram uma escala de 0 a 100 pontos, em que se avaliavam a preparação e o conhecimento dos jovens ao nível do acesso, análise, compreensão, avaliação e produção de meios e conteúdos mediáticos. Assumindo a classificação de 49,50% como o patamar mínimo para a positiva, os investigadores dividiram os estudantes em três grupos: nível 1, os que ficaram abaixo da média; nível 2, os que pontuaram entre a média e a positiva; e nível 3, os que alcançaram valores positivos. Segundo a escala elaborada para avaliar os níveis de literacia mediática, 52% dos inquiridos situam-se no nível 1 (baixo), 43% no nível 2 (intermédio), e 5% no nível 3 (bom).

As conclusões foram pouco animadoras. A média de literacia mediática de todos os inquiridos não foi além dos 29,01 valores. “É um resultado que não é de todo satisfatório. Tivemos pouquíssimos alunos com média positiva”, lamenta Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Dos 32 alunos com níveis positivos de literacia mediática, seis estudavam na Escola Secundária do Marco de Canaveses. Dado curioso que a equipa de investigadores gostaria de compreender melhor: “Perceber se na escola existe algum projeto ou algum tipo de clube que esteja a fazer a diferença…”

Voltando aos fracos resultados gerais, Sara Pereira esclarece que “têm a ver com a questão muito discutida de que não basta o acesso”. Entenda-se: “Os jovens usam, no seu quotidiano, de uma forma regular e frequente vários meios, mas tal não significa que tenham competências de uso, análise, compreensão e produção, que são as dimensões da literacia mediática.” Na Internet, os alunos portugueses mostram-se também mais consumidores do que produtores. O cenário inverte-se, garante a investigadora, “mas é preciso passar do acesso, para o desenvolvimento das competências que a grande maioria demonstra não ter.”

 

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