Sete crianças vítimas de maus tratos por dia. Agressões são mais cruéis

Abril 24, 2017 às 11:23 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do http://www.dn.pt/ de 22 de abril de 2017.

Rute Coelho

Espancamentos com cabos elétricos, chicotes ou colheres de pau abundam. Houve 360 casos na faixa dos 0 aos 5

“Não dormi toda a noite das dores que tenho no corpo”. O desabafo ouvido pelas técnicas da comissão de proteção de crianças e jovens (CPCJ) de Sintra Oriental (Cacém) foi feito há poucos dias por uma menina de sete anos que foi espancada pelo pai com uma colher de pau e com uma colher de metal.

É um exemplo do que se passa em Portugal, onde, no ano passado, por média sete crianças por dia foram vítimas de maus tratos. Ou seja, foram efetuadas 2719 sinalizações de maus tratos físicos e psicológicos a crianças às comissões de menores. Estes são dados preliminares do relatório anual da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), avançados ao DN.

Apesar da ligeira diminuição de casos face a 2015, as situações que chegam às comissões mostram cada vez mais crueldade nas agressões, com objetos como cabos elétricos, pneus, chicotes ou colheres de metal. E houve 360 crianças dos 0 aos 5 anos vítimas deste tipo de espancamento. “Tem vindo a crescer de forma perigosa a exposição dos menores a comportamentos de risco como a violência doméstica”, explicou Dora Alvarez, da equipa técnica da Comissão Nacional.

Em Portugal, mais de 12 mil crianças são expostas a comportamentos que afetam o seu bem estar, nomeadamente, a violência doméstica, e esse é o motivo para 30% das sinalizações de menores em perigo feitas às CPCJ.

Só no primeiro trimestre deste ano, o Ministério Público (MP) abriu 100 processos-crime por violência doméstica contra menores, mais de um terço do total de inquéritos do ano passado (352), segundo dados da Procuradoria-Geral da República, cedidos ao DN. Nestes primeiros três meses foram deduzidas 15 acusações. Em todo em 2016 foram deduzidas 54.

“Estes dados não refletem a maioria das situações, até porque, nos casos de violência doméstica conjunta com um dos progenitores (que a experiência nos diz serem muito mais frequentes), os inquéritos são registados por referência ao adulto, e só uma análise caso a caso permitia aferir quantos envolvem também crianças”, esclareceu a PGR. A 31 de março, existiam ainda 30 inquéritos que aguardavam o prazo para a suspensão provisória do processo.

Neste mês de abril chama-se a atenção para a prevenção dos maus tratos na infância, alerta que será assinalado por 309 comissões de menores com várias iniciativas.

Na comissão Sintra Oriental, uma das que tem mais volume processual na Grande Lisboa (1800 processos em 2016, com técnicos que estão com mais de 200 inquéritos cada um), o caso da menina de sete anos espancada pelo pai com colheres comoveu a presidente desta CPCJ, Sandra Feliciano. “Foi agredida por motivos fúteis. É filha de pais separados no regime de guarda partilhada. Naquele fim de semana estava com o progenitor. Desobedeceu a uma ordem qualquer e ele bateu-lhe com as colheres ao ponto de marcar o corpo todo. Foi o hospital que sinalizou o caso”. A CPCJ abriu um processo de promoção e proteção da menor e a criança passou a estar sob a guarda exclusiva da mãe, tendo o pai direito a visitas supervisionadas. Em simultâneo, o MP abriu processo pelo crime de maus tratos.

“Também há pouco tempo tivemos o caso de uma adolescente que foi espancada pelo pai com um cabo elétrico até ficar em sangue. A rapariga foi hospitalizada e a unidade de saúde contactou o hospital e a mãe. Trata-se também de um casal separado”.

Dora Alvarez, da Comissão Nacional, garante que “os casos de maus tratos são transversais a todas as classes sociais. O que vai parar muito às franjas são as situações de negligência”.

Os maus tratos físicos aconteceram mais na faixa dos 11 aos 14 anos, com 541 casos, seguindo-se a faixa dos 6 aos 10 com 523, a dos 15 aos 18 com 442 e a dos 0 aos 5 anos com 360 casos. Os castigos corporais também aumentaram em 2016 – 100 casos contra 96 em 2015.

A maioria das vítimas dos 832 maus tratos psicológicos foram as raparigas (50,5%), com exceção da faixa etária dos 6 aos 10 anos, em que houve mais rapazes (245) a serem humilhados ou ofendidos pelos pais. A maioria das agressões foi comunicada pelos hospitais.

 

 

 

Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Abril 24, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Caso queira estar presente na sessão de inauguração, manifeste o seu interesse enviando um email para 

observatoriopobreza@eapn.pt

Porque os problemas sociais são resultado das nossas escolhas, dos modelos de sociedade que construímos, e porque, por isso mesmo, cabe a todos nós a responsabilidade de os conhecer e procurar resolver, o Observatório de luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, no âmbito do seu 10.º aniversário, promove em parceria com o fotodocumentarista Marcelo Londoño e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, o projecto RE-FLECTERE.
Com esta narrativa fotográfica procuramos retratar as vulnerabilidades sociais na cidade de Lisboa e os diferentes mecanismos utilizados para as enfrentar e superar, privilegiando a imagem como forma de colocar este tema na ordem do dia, tornando-o mais visível pela promoção do debate e da reflexão com a comunidade em geral, incentivando os cidadãos a desempenhar um papel mais activo na mudança.

https://www.instagram.com/re_flectere/

https://www.facebook.com/Reflectere

 

Crianças têm melhor desempenho se viverem com o pai biológico

Abril 24, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia do site https://zap.aeiou.pt/ de 10 de abril de 2017.

As conclusões podem parecer polémicas, mas o estudo nasceu apenas da intenção de perceber a realidade social das famílias britânicas.

Ou melhor, da possibilidade de ‘fracasso’ dos padrastos em ajudar as famílias às quais passam a pertencer, e que foi baseada nos registos de vida de mais de mil crianças nascidas de mães solteiras na viragem do Milénio.

Se o pai biológico viver com elas, as crianças são mais saudáveis e mais propensas a crescer com uma boa educação e a obter um desempenho melhor na escola, conclui o estudo, realizado por três investigadores da LSE – London School of Economics.

Segundo o estudo, que verificou relatórios de saúde, inteligência e habilidades sociais de crianças até aos 7 anos, os mesmos benefícios não se aplicam no caso do padrasto.

“As mães solteiras, quando acompanhadas pelo pai biológico, conseguem que as crianças tenham um desempenho tão estável como as que vivem com os dois pais”, diz Elena Mariani, investigadora da London School of Economics e co-autora do estudo, publicado o mês passado no European Journal of Population.

“Já quando um padrasto se junta a uma família dirigida por uma mãe solteira, então os menores são susceptíveis a crescer com os mesmos problemas que as crianças de famílias que continuam a ser lideradas por uma progenitora sozinha”, acrescenta a investigadora.

“Além de serem menos propensos a ter um bom rendimento na escola ou a manter um emprego, as crianças são mais propensas a engravidar na adolescência ou a entrar no mundo do crime quando o pai biológico não está presente”, conclui a investigadora.

O estudo, o primeiro a usar evidências de um levantamento em grande escala para analisar a influência dos padrastos no Reino Unido, segue uma série de apontadores menos académicos que sugeriram que as famílias podem enfrentar problemas quando os pais não biológicos mudam de residência.

O ano passado, uma pesquisa para o serviço de aconselhamento ‘Relate’ disse que mais de 30% dos padrastos e mais de 40% das madrastas duvidam da força dos seus laços com as crianças que estão ajudando a criar.

Segundo o ‘Relate’, as suas conclusões “indicam alguns dos desafios que as famílias podem enfrentar após a rutura de um relacionamento e durante a união de diferentes famílias.”

“Este relatório mostra como os pais biológicos são importantes para o desenvolvimento dos seus filhos”, disse Laura Perrins, editora do site da Mulher Conservadora, ao Daily Mail.

Não são só as figuras paternas que importam, mas os pais em si. A constante destruição da família nuclear por parte dos governos teve um impacto negativo sobre as crianças e deve parar agora”, salientou Perrins.

 

 

 

Pais com pena suspensa por não vacinarem filho em França

Abril 23, 2017 às 6:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2017.

Vários Estados-membros da OMS pedem o boletim de vacinas nas matrículas escolares Enric Vives-Rubio

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam.

Joana Gorjão Henriques

Acreditavam que as vacinas faziam pior do que as doenças e não vacinaram o filho contra o pólio, o tétano e a difteria. O caso aconteceu em França e foi a tribunal: em 2016, a sentença ditou aos pais uma pena suspensa de dois meses de prisão.

As penalizações para os pais que não vacinam os filhos nos países em que isso é obrigatório variam, de acordo com um relatório da revista científica Eurosurveillance. Neste documento diz-se que os programas de vacinação voluntária na Europa são tão eficazes quanto os obrigatórios. As consequências legais da não-vacinação variam. Podem traduzir-se em multas, dificuldade de inscrição de crianças em escolas públicas ou processos em tribunal, adianta o estudo. Segundo disse ao PÚBLICO, European Centre for Disease Prevention and Control (ECDPC) está a fazer uma actualização da informação sobre quantos países têm programas de vacinação obrigatória.

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) não fez nenhuma recomendação para que a vacina contra o sarampo seja obrigatória, diz o seu gabinete de imprensa do PÚBLICO, mas de acordo com informação recolhida em 2015, 12 dos 53 Estados-membros pediam o boletim de vacinas nas matrículas escolares. Porém, a OMS não sabe quantos destes países, que incluem a Letónia, França, Bielorrússia, Chipre ou Grécia, o tornavam obrigatório e quantas crianças não-vacinadas ficam mesmo impedidas de ir à escola.

O relatório da Eurosurveillance referia que, em 27 países da União Europeia (mais a Noruega e a Islândia), 14 tinham pelo menos uma vacina obrigatória: contra o pólio era obrigatória em 12 países, contra a difteria e tétano em 11 e contra a Hepatite B em 10. De acordo com o mesmo documento, a vacinação obrigatória não se tinha provado ser mais eficaz do que outros programas voluntários.

Notícia do Le Monde sobre o caso em França:

Refus de vaccination : un couple condamné à 2 mois de prison avec sursis

O relatório da Eurosurveillance é o seguinte:

Mandatory and recommended vaccination in the EU, Iceland and Norway: results of the VENICE 2010 survey on the ways of implementing national vaccination programmes

 

 

 

O que os adolescentes consideram cool

Abril 23, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

texto do  http://blitz.sapo.pt/ de 8 de abril de 2017.

Zoran Ivanovich (Creative Commons)

Um estudo da Google indica onde se encontram as preferências dos adolescentes de hoje em dia

Todas as gerações são distintas. As preferências dos adolescentes de há meio século são, hoje, muito diferentes das preferências dos adolescentes de hoje. E assim vai variando, de década para década, de época para época. Traduzido por miúdos: o que ontem era “fixe” hoje é “uma seca”.

A Google elaborou, recentemente, um estudo que visa, precisamente, apontar onde se situam as preferências dos adolescentes de hoje em dia, a denominada Geração Z – a que nasceu em meados da década de 90, já com o uso da Internet disseminado por todo o mundo. No entanto, foram apenas considerados os jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos.

Segundo o estudo, aquilo que é considerado “fixe” para a Geração Z é, também, uma representação dos seus valores, das expetativas que guardam para si próprios, dos seus amigos, e das marcas que mais apoiam. Neste grupo estão, por exemplo, o YouTube, a Netflix, a Nike e a própria Google.

E quais são, então as preferências musicais desta geração? Segundo o estudo, são mais variadas do que qualquer preconceito poderia ditar. Entre os artistas mais “votados” pelos inquiridos estão gigantes da pop atual, como Drake e Beyoncé, mas também bandas como os Coldplay, Fall Out Boy, ou Panic! At The Disco – e até os Beatles encontraram espaço nos corações, e ouvidos, da Geração Z.

A música ainda detém um papel importante na “fixeza”; para estes adolescentes, as celebridades mais importantes são, quase todas, músicos, destacando-se Selena Gomez, Chance the Rapper e Ariana Grande. O seu nível de popularidade mede-se, também, pelas suas ações: os mais “genuínos” e filantrópicos são considerados os “mais fixes”.

Por ter crescido rodeada de computadores e, mais importante ainda, pela Internet, não é de estranhar que esta geração mostre, também, um forte apego pela novidade tecnológica. De todos os inquiridos, 24% (14% rapazes, 10% raparigas) disseram que aquilo que é “mais fixe” são as novas tecnologias.

(Talvez) Por isso, são poucos os que afirmaram não possuir um smartphone: apenas 9,6% dos inquiridos, sendo que neste campo a Apple suplanta ligeiramente a Microsoft, com 42,3% a preferirem o Iphone aos Androids.

No que diz respeito às redes sociais, plataformas de partilha de imagens e vídeos, como o Snapchat e o Instagram, são rainhas. O Facebook ainda é utilizado, mas apenas para consumo diário – partilhar algo através desta rede já não é “fixe”.

E se, novamente, o preconceito ditar velhos adágios como “os jovens de hoje já não se interessam pela leitura”, saiba que nada se encontra mais longe da verdade: ler é uma atividade indispensável e “fixe”, lado a lado com os videojogos. Afinal de contas, estamos a falar de uma geração que não conheceu o mundo sem Internet – e que, por causa dela, se tornou na mais informada de sempre.

 

“Nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem boletim de vacinação em dia”

Abril 22, 2017 às 5:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Entrevista do https://www.publico.pt/ a Manuel do Carmo Gomes no dia 20 de abril de 2017.

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes. DR

Após uns dias de surpresa com o ressurgimento de uma doença que tínhamos eliminado, os serviços de saúde serãocapazes de reagir atempadamente e adaptar-se, acredita Manuel Carmo Gomes

Alexandra Campos

“Deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação”, defende Manuel Carmo Gomes, membro da Comissão Técnica de Vacinação da Direcção-Geral da Saúde e professor de Epidemiologia de Doenças Transmissíveis na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Tendo em conta o número de casos notificados em Portugal, há razões para alarme?

Não há razões para alarme. Portugal realiza Inquéritos Serológicos Nacionais que nos dão uma ideia do grau de protecção da população. Estimamos que cerca de 94% (com um erro possível de 1,5% para baixo e para cima) da população com mais de dois anos de idade tenha anticorpos capazes de conferir protecção. O problema é que os 6% não protegidos podem formar bolsas de susceptíveis. Em resumo, a esmagadora maioria da população tem protecção. Os que têm mais de 40 anos estão protegidos porque tiveram a doença em pequeninos, os mais novos estão protegidos por vacinação. Entre os 6% não protegidos há pessoas com estados de saúde que os impediram de ser vacinados e (não incluídos nos 6%) há ainda os bebés com menos de 12 meses que estão em risco. No seu conjunto, estas pessoas são uma razão para a nossa preocupação.

Há especialistas que consideram que faria sentido antecipar a vacinação dos bebés e revacinar os nascidos após 1974 e até 1990 porque receberam apenas uma dose de vacina. Pensa que isto faria sentido?

A antecipação da vacinação para antes dos 12 meses de idade é sempre uma medida de excepção só recomendável em situação de surto. A vacinação de rotina começou em 1974 com uma única dose aos 15 meses. Em 1990 foi introduzida a segunda dose para crianças entre 11 e 13 anos. Em princípio, as pessoas que receberam a vacina aos 15 meses de idade (ou mais tarde) não necessitam de revacinação. Admito contudo que pessoas sujeitas a contactar repetidamente com doentes sejam revacinadas, porque a dose de contaminante recebida também é importante.

Os profissionais de saúde podem não estar preparados para lidar com esta doença por fazerem parte de uma geração que já não conviveu com a patologia? As autoridades de saúde deveriam ter tomado outro tipo de medidas quando foi conhecido o primeiro caso?

É verdade que a maioria dos jovens profissionais de saúde nunca viram sarampo, porque graças à adesão da nossa população à vacinação não tínhamos casos há quase 20 anos. É verdade também que o sarampo é uma doença de diagnóstico relativamente fácil e muito bem descrita na literatura. A sua contagiosidade é famosa. A doença é conhecida e é reconhecível, os serviços irão adaptar-se. O que mais deploro que não se tenha já feito é a discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação para algumas doenças em que incluo o sarampo. Para se implementar a obrigatoriedade de usar cinto de segurança e cadeirinhas nos carros para os mais pequenos foi tudo muito mais rápido – não compreendo porquê. Portugal está no top-10 mundial em termos de saúde materno-infantil e de eliminação de doenças infecciosas. Mas como estas doenças não foram erradicadas à escala global e as nossas fronteiras estão abertas, deviamos ter actuado preventivamente e ter tomado medidas que impeçam os delírios fantasiosos e infundados dos defensores da não vacinação. Na minha opinião nenhuma creche devia permitir a entrada de crianças sem o boletim de vacinação em dia e, no ensino obrigatório, os pais de crianças sem o boletim de vacinas em dia devem ser avisados e deve ser-lhes dado um prazo curto para vacinar os filhos. Se não o fizerem, devem ser-lhes cortados os subsidios oriundos de dinheiros públicos e devem pagar uma coima superior às que nos impõem por não usar cinto de segurança nos carros ou por viajar em contra-mão.

 

 

 

 

Equipamentos ajudam crianças e jovens com autismo

Abril 22, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia do https://ionline.sapo.pt/ de 9 de abril de 2017.

 

A APPDA-Leiria recorreu à plataforma de crowdfunding do Novo Banco para comprar equipamentos, capazes de ajudar crianças e jovens com autismo a comunicarem entre si e com o mundo que as rodeia.

«Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens», a frase é de Fernando Pessoa, mas poderia ser dita por qualquer criança ou jovem portador de Perturbações do Espetro do Autismo (PEA). Assim acredita a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Leiria (APPDA-Leiria).

Esta Instituição Particular de Solidariedade Social nasceu em 2009 pelas mãos – talvez a palavra mais adequada até seja voz – de um grupo de pais preocupados com o presente e o futuro dos seus filhos portadores de PEA. «Os objetivos gerais são apoiar o estudo desta patologia e promover a qualidade de vida das pessoas com PEA e das suas famílias, através da implementação de respostas sociais especializadas nas especificidades desta problemática», explicou ao SOL o presidente da direção da APPDA-Leiria, João Teodósio.

O autismo é uma perturbação global do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade.  As crianças com PEA, cujo diagnóstico geralmente é feito pelos 3 anos de idade, embora seja possível detetar alguns sinais aos 18 meses, têm dificuldades muito específicas ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem. «A comunicação, tanto verbal como não-verbal, é deficiente e desviada dos padrões habituais. Muitas pessoas com autismo, estima-se que cerca de 50%, não desenvolvem linguagem durante toda a sua vida», sublinhou o responsável.

Dificuldade em comunicar com tanto para dizer ao mundo

A associação pretende assim «dar voz ao autismo, nomeadamente através de equipamentos de comunicação aumentativa que possam proporcionar às crianças e jovens formas divergentes de comunicar consigo próprios e com o mundo que os rodeia». A forma como o meio ambiente aceita e lida com estas crianças e jovens é determinante para o seu desenvolvimento e a sua inclusão social.

Para João Teodósio, os equipamentos de comunicação aumentativa são essenciais para o desenvolvimento da autonomia das crianças. Ajudam também as famílias ao trazerem estrutura ao ambiente em casa. Mas para os adquirir a APPDA-Leiria precisou de ajuda e recorreu ao Novo banco Crowdfunding. Através desta plataforma, angariou 2.097 euros, 135% do objetivo inicial de 1.556 euros.

Graças ao valor dos 62 donativos, a associação tem agora um monitor tátil TFT, um software para comunicação aumentativa e acesso ao computador (GRID 2), um software para criação de quadros de comunicação e atribuição de ações a diferentes comandos (BM & SPD), um manípulo Jelly Bean para auxílio à manipulação do software e um dispositivo para ligação de manípulos (INPROMAN 2).

Os equipamentos «possibilitaram a comunicação mais facilitada» às 72 crianças e jovens que a APPDA-Leiria apoia através das três respostas sociais de que dispõe: um centro de atendimento, acompanhamento e reabilitação para pessoas com deficiência; um centro de atividades ocupacionais; e um lar residencial.  Atualmente, a necessidade mais urgente é a compra de viaturas para fazer o transporte das crianças e jovens entre a casa e os centros da associação. Também isso pode ser uma grande ajuda, facilitando a vida e a rotina das famílias. Saiba como ajudar em http://www.appdaleiria.pt.

 

Encontro Concelhio “Desafios da Intervenção Protetiva na Área da Infância e Juventude – 26 abril no Feijó

Abril 22, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

mais informações:

https://www.facebook.com/events/281631418940138/permalink/283210542115559/

A contra-cultura escolar

Abril 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto do blog http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/ de 9 de abril de 2017.

Juan Botas – School (1989)

O lamentável acontecimento ocorrido com finalistas do ensino secundário português num hotel em Espanha (ver aqui) é apenas o sintoma de um problema que é continuamente ocultado pelos responsáveis políticos da educação. E esse problema está, apesar da melhoria dos resultados obtidos por Portugal nos estudos internacionais sobre a educação, a afectar de forma sistemática o desempenho escolar dos alunos e, de forma indirecta, as expectativas legítimas de desenvolvimento que Portugal poderia ter. Esse problema está ligado à cultura escolar que muitos alunos, muitos mais do que deveria ser admissível, ostentam.

Essa cultura escolar é caracterizada pelo desprezo do saber – todas as áreas de estudo são consideradas uma grande seca – e, ao mesmo tempo, pelo desdém pelo esforço e pela superação de obstáculos. Chamemos-lhe uma contra-cultura escolar. O resultado destas atitudes é a indisciplina – geralmente, de baixa intensidade mas que boicota sistematicamente as aulas – e aprendizagens, quando existem, muito deficientes. A escola não é vista como lugar onde se aprende, mas onde se vai para conviver com os amigos, arranjar uns namorados ou namoradas, suportar uns professores menos simpáticos e triturar aqueles que não têm uma capacidade hiperbólica – repito, hiperbólica – para impor a autoridade.

Dito de outra maneira, para tentar ser o mais claro possível: o problema não está nos alunos que têm dificuldades em aprender. Está numa massa informe e de grandes dimensões que não quer aprender, isto é, que não quer adequar o seu comportamento às exigências que qualquer aprendizagem exige, sejam aprendizagens feitas por métodos mais tradicionais ou mais inovadores. Tentemos de novo ser claros: o problema principal não está nos métodos usados pelos professores. Está na atitude e na cultura dos alunos ou, melhor, na sua contra-cultura.

Os resultados são aprendizagens que não são feitas, comportamentos como os de Espanha ou a pandemia das praxes académicas daqueles que chegam ao ensino superior, onde o ídolo cultural da massa estudantil é Quim Barreiros (só isto diz muito sobre o problema). A consequência é tornar as escolas portuguesas num lugar estranho onde os professores querem ajudar milhares e milhares de alunos que não querem ser ajudados, que desprezam a escola e tudo o que ela implica. As escolas inventam e reinventam continuamente mil processos para auxiliar alunos que, pura e simplesmente, esperam que os professores os aprovem sem que eles tenham que fazer mais do que existir.

Esta contra-cultura do aluno português não é partilhada, felizmente, por todos. Há muitos alunos com uma atitude adequada e que se esforçam para superar as dificuldades e alcançar objectivos exigentes. Sejamos, porém e mais uma vez, claros: estes são uma minoria. Esta cultura adversa à aprendizagem, esta contra-cultura, tem dois suportes que a alimentam e protegem. Em primeiro lugar, as famílias. Muitas famílias ou não são capazes de educar os seus filhos ou não sabem quem têm em casa e fazem dos professores o bode expiatória dos insucessos dos rebentos. Em segundo lugar, o Ministério da Educação. Este e todos os outros que o antecederam. O Ministério da Educação é especialista em inventar reformas e contra-reformas, em tornar o trabalho de escolas e professores insuportável e, fundamentalmente, em desviar a atenção do problema central.

Para o Ministério da Educação – seja ele de que cor política for – o problema nunca é dos alunos, nem da cultura que trazem de casa e da rua ou do papel dos pais no sistema educativo. Para qualquer Ministério da Educação, os alunos querem aprender, os pais são muito empenhados, só que os professores são uns incompetentes e não ensinam. Logo, a única coisa a fazer é mais uma reforma do ensino, que massacre os professores, traga uns jogos florais para as escolas e, se for possível, dê mais poder aos pais dentro do sistema. Os responsáveis políticos nunca perceberam uma coisa. Para haver uma reforma do ensino é necessário que haja ensino, que os alunos estejam dispostos a aprender, que não tenham por objectivo boicotar as aulas ou, pura e simplesmente, deixar passar o tempo até que os professores, em desespero de causa, se sintam coagidos a passá-los. O problema está onde os políticos não querem mexer, na contra-cultura escolar que se instalou entre uma massa enorme de alunos portugueses.

Publicada por Jorge Carreira Maia

 

Colóquio Brincar e os modos de ser Criança – 26 e 27 de maio em Coimbra – Organização do IAC – Fórum Construir Juntos

Abril 21, 2017 às 2:06 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) tem por objetivo principal contribuir para o desenvolvimento integral da Criança, na Defesa e Promoção dos seus Direitos, sendo a criança encarada na sua globalidade como sujeito de direitos na família, na escola, na saúde, na segurança social e justiça.

É convicção do IAC que a promoção do “Direito de Brincar” consagrado no artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança, conduz a um crescimento equilibrado e feliz, já que através do Brincar a Criança atribui significados, comunica, compreende os outros, aprende a respeitar regras, inventa, constrói vezes sem fim, numa reconstrução permanente.

Neste sentido, o IAC-FCJ divulga o Colóquio Brincar e os modos de ser Criança, a decorrer nos dias 26 e 27 de maio, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, em Coimbra.
Este evento tem como principal objetivo refletir sobre o BRINCAR como direito das crianças, como expressão do seu modo de ser e estar, e como estratégia cientificamente fundamentada de educação e de integração social. Iremos procurar despertar o interesse de todos os participantes para a importância da atividade lúdica, dando ao mesmo tempo a conhecer investigações e iniciativas já realizadas, na medida em que elas possam ser inspiradoras para novas ações, por ventura da iniciativa dos próprios formandos.

Mais informações e inscrições através do link: https://sites.google.com/site/brincar2017/

Em anexo segue Cartaz de divulgação e o Flyer com o programa.

Cartaz (pdf)

Programa (pdf)

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.