CURSO: Técnico de Apoio à Vítima em Apoio a Crianças e Jovens Vítimas de Violência Sexual – 6, 23 e 27 de novembro em Coimbra

Outubro 19, 2018 às 2:55 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

A violência sexual contra crianças e jovens constitui uma gravíssima violação dos direitos e da integridade física e mental. Trata-se de um problema social complexo e com impactos muito negativos e duradouros nas crianças, que requer uma abordagem integrada e uma estreita articulação e cooperação entre várias entidades e os profissionais. As crianças e jovens vítimas de violência sexual representam um grupo de risco e particular vulnerabilidade entre as vítimas de crime, pela sua idade, desenvolvimento cognitivo e emocional.

Com este curso, dinamizado pela APAV,  pretendesse capacitar profissionais para atender crianças e jovens vítimas de violência sexual, bem como familiares e amigos, respeitando os melhores procedimentos e normas.

Mais informações no link:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-cj/noticias-forum/item/959-curso-tecnico-de-apoio-a-vitima-em-apoio-a-criancas-e-jovens-vitimas-de-violencia-sexual-dia-6-23-e-27-de-novembro-2018

Um quarto das escolas públicas não faz reutilização dos manuais

Outubro 19, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia do Público de 19 de setembro de 2018.

Bárbara Reis

Secretária de Estado Adjunta e da Educação diz que um quarto das escolas “está a 0% de reutilização”. Este ano lectivo foram reutilizados 110 mil livros.

As escolas públicas do 1.º ciclo do básico reutilizam para este ano lectivo 10% dos manuais escolares oferecidos pelo Governo no ano passado. Isto corresponde a uma poupança de 1,2 milhões de euros e a 110 mil livros.

Os números são oficiais e, segundo Alexandra Leitão, a secretária de Estado Adjunta e da Educação que desde 2016 conduz e luta pela nova política de reutilização, “45 mil crianças do 1.º ciclo têm pelo menos um manual reutilizado”.

Estes números são “bonzinhos”, diz a secretária de Estado Adjunta. “Não são excelentes, mas são uma evolução importante face ao ano passado e face aos anos em que ainda não há gratuitidade. É mau porque é pouco, mas é bom quando comparamos com os 4% de manuais reutilizados nos anos em que não há reutilização promovida pelo ministério.”

Para Alexandra Leitão, esta diferença mostra o impacto positivo da nova política. “Os primeiros quatro anos do básico são os anos em que os manuais não estão preparados para serem reutilizados, pois têm muitos espaços em branco, e em que os miúdos são pequenos. Não tenho dúvidas de que no ano lectivo de 2019/20, quando já tivermos as devoluções dos livros do 5.º ao 6.º ano, a medida vai ter um impacto muito elevado.”

Feito o balanço, no 3.º e 4.º anos do ensino básico há o dobro de livros reutilizados quando comparados com os do 1.º e 2.º. “Dos 110 mil livros reutilizados este ano, 40 mil são manuais do 4.º ano”, diz Alexandra Leitão. “Os miúdos são maiores e têm mais capacidade para tratar bem os livros. No 3.º e 4.º anos, 20% das crianças têm pelo menos um livro reutilizado. Não sendo excelente, é animador.”

Estudando a distribuição das taxas de reutilização por escola, o Governo conclui que o empenho das escolas é decisivo. “Temos escolas que fizeram 30% de reutilização, 40% e até 70%. E temos uma panóplia de escolas a 0%. Isso faz baixar muito a média nacional. O que é que isto significa? Que há escolas que nem tentaram. Não tem nada a ver com os meninos, porque há escolas com 30% de reutilização em contextos sócio-económicos muito diferentes e algumas difíceis. Pegamos no Excel e vemos: 30%, 25%, 40%, 30%… E depois 0%, 0%, 0%, 0%, 0%, 0%, 0%, 0%. O que é que isto diz? Diz que a reutilização é possível. Os 40% dizem que é possível e os 0% dizem que não se tentou.”

Nos cerca de 800 agrupamentos escolares de Portugal, “algumas centenas fizeram 0% de reutilização”. Quantos? “Das cinco mil escolas, não é injusto dizer que um quarto está a 0% de reutilização. Se víssemos que todas as escolas estão nos 9%, 10%, 11% ou 12% era uma coisa. Diríamos: ‘É onde chega.’ Mas não é isso. Há muitas com bons números e muitas a zero. Não falo dos que reutilizam 70%, porque esse número poderá resultar de um esforço muito grande dessa escola ou do facto de a escola ter poucos alunos. Mas há escolas — como a Escola Básica José Ruy, na Reboleira, Amadora, que fez 70% de reutilização no 1.º ciclo, ou a Escola Básica n.º4, em Camarate, Loures, que fez 20%, a Escola Básica São João de Deus, em Lisboa, que fez 25% ou a Escola Básica de Seixo Alvo, em Vila Nova de Gaia, com 22% de reutilização.”

Passados de mão em mão

Em cinco anos, a secretária de Estado imagina um país onde os manuais escolares “passam de mão em mão no fim do ano e no dia-a-dia ficam na escola e nos quais os alunos não escrevem porque fazem os trabalhos nos livros de fichas e não nos manuais”. Vai demorar, mas “vai fazer o seu curso”. Na sua defesa da medida, Alexandra Leitão sublinha que para a política de gratuitidade ser “orçamentalmente sustentável” — no ano passado foram investidos cerca de 10 milhões de euros — e para que haja “respeito pelo livro e pelo ambiente”, todos têm que trabalhar.

“As escolas têm que empenhar-se e os pais não devem usar os vouchers quando têm livros usados dos irmãos mais velhos só porque ‘é o Estado que dá’. Reutilizar dá trabalho. Uma coisa é um professor dizer ‘toma o livro’, outra é dizer ‘estima-o, não o risques, devolve’. Dá algum trabalho e implica que se vá criando esta nova mentalidade.”

Na sua avaliação, o 2.º e o 3.º ciclos “vão entrar em velocidade de cruzeiro e vão fazer reutilização com níveis muito altos, senão mesmo a reutilização plena”. A secretária de Estado diz mesmo ter “grandes expectativas para o ano que começou agora, porque já vamos ter a medida a ser aplicada no 5.º e no 6.º”. E arrisca uma previsão: “Para o ano, espero poder dizer que de 10% de reutilização passámos para 20% ou 30% e que no 5.º e 6.º anos passámos para 80% de reutilização.”

Dá o exemplo de uma escola em Loures, em São João da Talha, que este ano teve 17% de reutilização no 1.º ciclo, mas cujo director antecipa que, agora que se avançou para o 2.º ciclo, a reutilização vai ser de 90%. “Eles sabem que os alunos deixam os manuais impecáveis.” Já no secundário será mais difícil. “Com a pressão do exame do 12.º e o facto de o exame abarcar três anos de escolaridade, penso que vamos ter alguma dificuldade. Os alunos querem consultar os livros. Temos de estudar como vamos fazer.”

Sobre os vouchers (atribuídos através da plataforma informática Mega para garantir manuais gratuitos aos alunos do primeiro ao sexto anos) a secretária de Estado diz que não há “bloqueios” nem problemas graves e que foram emitidos vouchers para 520 mil alunos (3,5 milhões de vouchers). Há casos, diz, em que os pais poderão ter ido encomendar os livros com o voucher quando a livraria não os tinha em stock (e teve de encomendar). “Isso acontece com ou sem voucher“, sublinha.

Da nova política, identifica o que correu bem e o que correu mal com a plataforma e o sistema de vouchers: “Alivia as escolas, alivia os pais, permite às pequenas livrarias reentrarem no mercado dos manuais e é um sistema descentralizado.” O que correu mal: “A divulgação devia ter sido feita mais cedo pelo Governo e ainda falta literacia digital. Estes problemas foram agudizados este ano por causa de uma questão conjuntural: tivemos seis semanas de greve entre Junho e fim de Julho e o nosso enfoque nesse longo período foi avaliar os alunos. Conseguiu-se, mas houve trabalho de preparação que podia ter sido feito em Junho e que foi feito mais tarde. Não é por os professores estarem em greve, porque isto não é trabalho dos professores, mas porque ao não fazer-se um passo da avaliação permitindo avançar para a seguinte, atrasámos as fases seguintes. Não tem juízo de valor. É apenas um facto, mas temos de dizer que exigiu mais das escolas.”

 

 

“Portugal, no que diz respeito a crianças à guarda do Estado, está na liga dos últimos”

Outubro 19, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Entrevista do Público a Robbie Gilligan no dia 6 de outubro de 2018.

Investigador irlandês estranha que Portugal, que tanto valoriza a família, “não tente providenciar uma vida familiar a crianças que não a têm”. Só 3% das crianças retiradas às famílias estão com famílias de acolhimento.

Ana Cristina Pereira

Professor de Serviço Social e Política Social no Trinity College, em Dublin, Robbie Gilligan faz investigação sobre crianças e jovens à guarda do Estado. Neste momento, é um dos principais investigadores do projecto Care to Work Pathways, um estudo desenvolvido em seis países sobre a experiência de jovens adultos que cresceram nesse contexto e protagonizaram uma transição bem-sucedida para o mundo do trabalho. Faz parte da direcção da EUSARF, a Associação Científica Europeia para o Acolhimento Residencial e Familiar de Crianças e Jovens, cujo congresso bienal juntou, entre 2 e 5 de Outubro, mais de 700 investigadores/professores, técnicos e estudantes no Porto. Entre duas sessões do evento, desta vez organizado pelo Grupo de Investigação e Intervenção em Acolhimento e Adopção da Universidade do Porto, conversou com o PÚBLICO sobre a experiência irlandesa, a construção do futuro de quem cresce à guarda do Estado e a realidade portuguesa, que suscitou um manifesto a instar o Governo a tomar medidas para trocar unidades residenciais por acolhimento familiar.

O acolhimento residencial está sob crescente escrutínio em diversos países. É o efeito de sucessivos escândalos?
Não só. O nosso entendimento sobre o desenvolvimento das crianças tornou-se mais profundo. Percebemos que as relações próximas e consistentes são muito importantes. Acontecem naturalmente na vida familiar. O problema nos lares residenciais é que não há tempo para isso. Os fundos públicos que financiam estas estruturas são poucos. Então, não há pessoal suficiente, não há formação suficiente, não há inspecção suficiente, não há qualidade suficiente.

Quais os princípios básicos que devem orientar o acolhimento residencial?
É preciso ter pessoal capaz de promover o sucesso escolar destas crianças, de apoiar as suas ligações às famílias de origem, de as envolver na vida da comunidade. Muitas vezes, as organizações são fracas a entender o significado da família biológica para a criança ou a ligar a criança à comunidade. Uma família comum tenta que a criança pratique um desporto ou aprenda uma forma de arte. Nas instituições poucas vezes há essa oportunidade.

Vários estudos apresentados nestes dias sublinham o baixo desempenho escolar das crianças que estão à guarda do Estado nos mais diversos países. O que justifica isto?
Não tem de ser incapacidade. Muitas vezes, as crianças estão afectadas pelo que lhes aconteceu. Há os problemas com a família, a mudança, a falta de cuidados. Quando a situação estabiliza, têm mais energia para estudar. É muito importante que os cuidadores possam apoiá-las nisso. E que as escolas compreendam que aquelas crianças podem precisar de apoio extra para conseguir acompanhar as outras.

Há um problema de expectativa?
Há. É frequente o staff achar que não vale a pena o esforço. Se queremos que estas pessoas sejam bem-sucedidas temos de acreditar que elas conseguem ter sucesso escolar, podem é precisar de mais tempo, de mais ajuda.

Veio a Portugal falar num estudo, que está a ser desenvolvido em seis países, sobre jovens adultos que cresceram aos cuidados do Estado e fizeram uma transição bem-sucedida para o mundo do trabalho. Afirma que, para quem está a sair do sistema de protecção, o mais certo é o mundo do trabalho parecer um continente inexplorado…
É importante aprender com os bons exemplos. Um bom trabalho fornece estrutura, garante dinheiro para pagar as contas, mas também ajuda a construir a identidade, a criar rede de relações sociais.

Uma mensagem consistente destas pessoas, que agora têm 20 e poucos anos, é que começaram a ter experiências de trabalho muito cedo. Ajudavam a família na quinta ou no negócio familiar ou tiveram um emprego a meio tempo ou um trabalho de Verão. Isso ensinou-lhes a o assumir o papel de um trabalhador, isto é, a ter cuidado com a aparência, a respeitar horários, a lidar com os outros de forma cordial.

No congresso, dei o exemplo do Allan Jenkins, editor do Observer Food Monthly, que escreveu um livro de memórias. Ele cresceu numa família de acolhimento. Quando tinha cinco anos, o pai de acolhimento deu-lhe um pacote de sementes. Ele plantou-as. Quando viu as flores, ficou maravilhado. Apaixonou-se por jardinagem. A jardinagem tornou-se num hobby e numa forma de terapia. De certa forma, a vida profissional dele começou a definir-se ali. Ele escrevia uma coluna sobre jardinagem. O pai de acolhimento gostava de jardinagem e quis transmitir-lhe isso. É difícil imaginar que isso pudesse acontecer numa instituição. As famílias de acolhimento são especiais porque dão a estas crianças a oportunidade de crescer como uma família.

Deve ser a opção mais escolhida?
A nível internacional reconhece-se que a maior parte das crianças retiradas às famílias deve estar em acolhimento familiar. Vejo que Portugal valoriza a família e acho estranho que não tente providenciar uma vida familiar a crianças que não a têm. Actualmente, só 3% das crianças retiradas às famílias estão com famílias de acolhimento. Isso é extremamente baixo pelos padrões internacionais. Portugal, no que diz respeito a crianças à guarda do Estado, está na liga dos últimos.

Podemos comparar Portugal com a Irlanda?
Acho que a Irlanda é um bom ponto de comparação. Também é um país pequeno, atlântico, tradicionalmente católico. Há 30 anos, tínhamos muitas crianças em instituições. O governo decidiu: temos de mudar isto. Houve um relatório a recomendar essa mudança e o governo decidiu avançar.

A Lei de Cuidados Infantis foi aprovada em 1991 e o Regulamento de Cuidados Infantis em 1995…
Essa legislação foi o impulso, mas a mudança já tinha começado. Neste momento, na Irlanda, 65% das crianças retiradas às famílias estão em famílias de acolhimento, 25 a 27% em famílias alargadas, 8% a 10% em acolhimento residencial. Em Portugal, há uns anos, os parentes deixaram de poder funcionar como família de acolhimento. Isso é invulgar. Os outros países do chamado mundo desenvolvido reconhecem a família alargada como uma maneira de providenciar cuidados a crianças que não podem estar com a família imediata. Acho que isso é um outro passo. Se Portugal quer subir à primeira liga tem de considerar formas de valorizar mais os laços familiares, de pensar em formas de apoiar familiares que estão dispostos a acolher crianças que não podem estar com a família imediata.

Quando isso aconteceu, em 2008, argumentou-se que parentes não deviam ser pagos para cuidar dos seus e que havia quem aceitasse ficar com crianças só pelo dinheiro. Agora, há famílias que dizem que até gostariam, mas não podem, não têm rendimentos.
Outros países tiveram esse tipo de debate e reconheceram que a pobreza é uma das maiores razões para as crianças estarem fora da família biológica. Os técnicos do sistema de protecção são quem decide o que é melhor para a criança. Se acham que é melhor ficar com a avó ou a tia, o Estado deve tirar a barreira do custo, deve ajudar a pagar a conta. Esta solução providencia um lar à criança e é muito mais barata do que pô-la à guarda de uma instituição. Mas, claro, nem todas podem ficar com a família alargada. Essas devem ir para outras famílias que possam cuidar delas. É importante garantir que há famílias de acolhimento para crianças mais pequenas.

Na Irlanda, só vai para acolhimento residencial quem precisa de cuidados especializados ou já está na adolescência?
Sim. No acolhimento residencial estão crianças com algum tipo de necessidade especial ou problemas de comportamento. E crianças mais velhas. Quem tem 15 ou 16 anos e é retirado à família muitas vezes prefere as unidades residenciais. Quem é mais novo precisa de uma família. Deve haver opção. E acho que, de momento, o sistema português falha na possibilidade de oferecer opções a quem tem de decidir.

Recentemente, uma mulher irlandesa contou que ela e outras foram repetidamente vítimas de abuso numa família de acolhimento. Como é que isso se evita?
Não é por haver alguns casos como esse que se fecha todo um sistema, que é melhor para as crianças. É preciso seleccionar as famílias com cuidado, formá-las, supervisioná-las. Não é pôr os miúdos lá e nunca mais aparecer. Também é preciso manter a criança ligada à escola e a outras instituições, que funcionam como janela. Em Portugal, em todos os cafés e restaurantes há um livro de reclamações, não é? Não digo que haja um livro de reclamações em todas as famílias de acolhimento. Digo que deve haver formas de controlo.

Que formas criaram para ouvir as crianças?
Cada criança tem um trabalhador social responsável pelo seu caso. Em princípio, deve ter uma forma de contacto com esse assistente social, que deve visitar a família com alguma frequência. Também há um provedor da criança. E um serviço de inspecção. Há diferentes maneiras de uma criança levantar uma bandeira, isto é, de expressar preocupação, de dizer que algo não está bem.

Portugal aprovou em Setembro de 2015 legislação que manda privilegiar famílias de acolhimento, sobretudo para crianças com menos de seis anos. Ainda não avançou com medidas que permitem fazer a mudança…
Não quero simplificar, mas acho que a certa altura o Governo tem de decidir que isto é uma prioridade. Tem de ter alguém que esteja comprometido com a mudança a gerir o processo e tem de estar disposto a investir. É preciso um plano: vamos fazer isto, vamos seleccionar famílias, vamos dar-lhes formação, vamos colocar lá crianças, vamos acompanhá-las.

O que se passou quando fecharam unidades residenciais na Irlanda?
Houve pessoas que trabalhavam em unidades residenciais que perderam o emprego. A algumas foi oferecida a oportunidade de trabalhar em centro comunitário durante o dia. Outras candidataram-se a outros empregos relacionados com crianças. As pessoas das instituições não querem que as instituições fechem. Isso é uma barreira que Portugal vai ter de ultrapassar. Vai ser preciso fechar unidades residenciais. A menos que feche, não vai conseguir mudar o sistema.

Muitas das crianças que se encontram à guarda do Estado alimentam a esperança de voltar a casa. Como garantir que as famílias de acolhimento promovem ou mantêm o contacto com as famílias de origem?
Isso faz parte da formação. É preciso explicar: estes miúdos não são os teus miúdos, não estás a adaptá-los, estás a cuidar deles. Tens um papel relevante na vida deles, mas eles podem voltar para aquela família.

Em Portugal, as famílias de acolhimento não podiam ser candidatas a adopção.
No início, na Irlanda, uma família de acolhimento não podia adoptar a criança que tivesse acolhido. Depois, percebemos que isso pode ser bom para as crianças. Nalguns países, se a família quer adoptar, pegam na criança e mudam-na para outra casa. Acho que isso é uma loucura. Deve-se manter as ligações fortes da criança. Na Irlanda, deixamos a criança ficar com a família de acolhimento e os pais de acolhimento podem candidatar-se à adopção daquela criança. Normalmente, por volta dos 15 ou 16 anos, depois de ter muitos anos de acolhimento, as famílias começam a pensar no que acontecerá depois dos 18 e querem acautelar o futuro.

Texto corrigido. Na última pergunta, escrevia-se “podem” em vez de “podiam”.

 

 

Direitos Humanos: que direitos, para que humanos? Curso de Formação avançada, 25 a 27 de outubro em Coimbra

Outubro 18, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

mais informações no link:

https://ces.uc.pt/pt/agenda-noticias/agenda-de-eventos/2018/direitos-humanos

 

Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos – 18 outubro

Outubro 18, 2018 às 3:01 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

mais informações nos links:

https://www.cig.gov.pt/2018/10/relatorio-eige-apresentado-no-dia-europeu-combate-ao-trafico/

https://mailchi.mp/missingchildreneurope/annualnotfoundday2018-2184021

O seu filho está viciado em jogos e televisão?

Outubro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

thumbs.web.sapo.io

Texto do site Sapo Lifestyle

As crianças regem-se pelo prazer, não lidam bem com a frustração e inspiram-se no comportamento dos pais. Você pode e deve ajudá-las. Saiba como!

Sim, confirmamos. As crianças também podem estar viciadas em fontes de prazer que vão descobrindo à medida que crescem. Mais, o facto de se estarem a desenvolver e o exemplo dado pelos pais contribuem de forma decisiva para o problema. «Os vícios são comportamentos repetitivos que podemos considerar compulsões. Por um lado, o ser humano é, por natureza, muito repetitivo, por outro, guiamo-nos por duas leis, a da promoção do prazer e a do evitamento do desprazer», explica Alcina Rosa, psicóloga.

O que podemos, então, fazer para evitar este comportamento? «Usar o autocontrolo, o nosso comportamento consciente», responde a especialista que alerta para um fator determinante no caso dos mais pequenos. «Na infância, este regulador ainda não está muito desenvolvido. As crianças regem-se pelo que gostam ou não e cabe aos pais ajudá-las a desenvolver essa capacidade», refere ainda a especialista. Vamos a isso!

Televisão e videojogos

O seu filho evita sair de casa, tem um rendimento escolar fraco, dificuldades na socialização, isola-se, revela falta de interesse por outras atividades. Estes são sinais de alarme. A televisão e as consolas são frequentemente usadas pelos progenitores como amas porque, enquanto a criança está a jogar ou em frente ao televisor, está quieta. «Também o próprio comportamento dos pais, que passam horas a ver TV, se torna um exemplo», alerta Alcina Rosa.

Instituir a regra «primeiro, o trabalho, depois, o lazer» e fixar uma hora para deitar são duas prioridades que os pais devem ter. «Se a criança quiser passar todo o seu tempo de lazer em frente à TV, os pais têm de competir com outras atividades, como jogos sociais, leitura de livros, conversas. Pode custar um bocadinho descolá-lo da televisão mas, se a atividade que propomos lhe agradar, depressa se esquece da TV e se envolve», afirma Alcina Rosa.

Internet e redes sociais

A criança demonstra falta de atenção, cansaço, isola-se, tem comportamentos pouco sociáveis e uma fraca rede de amizades. Os próprios pais podem estar a passar muito tempo ao computador e nas redes sociais, comportamento que pode ser apreendido pelos mais pequenos. Este também pode constituir um problema. O que é que se deve fazer nestes casos? «Restringir totalmente o acesso não é uma solução, pois fazem parte da sua realidade», sublinha Alcina Rosa.

«Mas evitar que o computador esteja no quarto é um bom princípio», alerta a especialista. Dessa forma, é mais fácil controlar o tempo de utilização e o uso que faz dele. «Deve saber que programas utilizam e se são adequados à idade», refere Mafalda Navarro, psicóloga clínica. «A mais-valia será saber do que falam, que programas utilizam e se estão a despender o tempo apropriado à idade». Atividades em família que promovam o contacto social são fundamentais.

Telemóvel

Também aqui existem sinais de alarme, nomeadamente «perder a noção do tempo, negligenciar tarefas básicas, ansiedade e sintomas de abstinência, necessidade crescente de melhor equipamento, isolamento e baixo rendimentos», descreve Mafalda Navarro. «É contraproducente insistirmos com a criança para que desligue o telemóvel se os pais têm os seus sempre ligados», refere ainda. «Quantas vezes vemos pais darem um telemóvel à criança para ficarem sossegadas?», reforça Alcina Rosa.

Alterar esta situação exige algum acompanhamento. «Proibir não funciona. O essencial é ensinar, desde cedo, a controlar-se, a corrigir comportamentos de forma consciente ou, mal os pais virem costas, fará aquilo que não é suposto», alerta Alcina Rosa. «Quanto mais tarde receberem um telemóvel, melhor», aconselha ainda.

Veja na página seguinte: Quando as crianças são viciadas em doces e em fast food

Doces e fast food

«Este tipo de alimentação constante causa uma dependência igual a substâncias como o álcool ou drogas», alerta Mafalda Navarro, psicóloga. Um dos principais erros a evitar é «usar doces ou uma ida a uma cadeia de fast food como prémio por algo que os mais novos fizeram bem. Dessa forma, a criança associa algo que lhe é prejudicial a um comportamento correto», diz Alcina Rosa.

«A melhor maneira de evitar que coma esse tipo de alimentos é não tê-los no seu campo de visão. Não ter em prateleiras acessíveis e, principalmente, o próprio adulto não consumir à sua frente», aconselha Mafalda Navarro, acrescentando que «também é importante que os pais expliquem aos filhos que são alimentos nocivos que devem ser consumidos esporadicamente e que se não os dão todos os dias é porque estão a cuidar deles e a zelar pela sua saúde».

Texto: Paula Barroso com Alcina Rosa (psicóloga clínica) e Mafalda Navarro (psicóloga clínica)

 

 

Sessão de Sensibilização sobre Tráfico de Seres Humanos, 19 outubro na sala da Assembleia Municipal, no Montijo

Outubro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

mais informações no link:

https://www.mun-montijo.pt/pages/814?news_id=3233

 

“Seja online ou pessoalmente, o bullying está entre maiores preocupações infantis”

Outubro 17, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da ONU News de 8 de outubro de 2018.

ONU calcula que pelo menos 130 milhões de menores entre 13 e 15 anos já viveram episódio de intimidação; relatório do secretário-geral destaca que bullying cibernético “pode causar danos profundos”.

As Nações Unidas debateram esta segunda-feira um informe destacando que “seja online ou pessoalmente, o bullying está entre as principais preocupações das crianças.”

O relatório “Protegendo as crianças do bullying”, ilustra que taxas diferem em cada país, mas a intimidação está presente e espalhada pelo mundo. Em número significativo, as crianças são afetadas como vítimas, responsáveis ou espectadoras.

A ONU News conversou com a representante do secretário-geral sobre Violência contra as Crianças. Marta Santos Pais disse que o impacto da intimidação nas crianças pode ser mais profundo do que se imagina.

“Algumas vezes nós achamos que este tema existiu sempre e não é um risco, porque as crianças vão ficar mais fortes se conseguirem ultrapassar estes desafios. Mas esquecemos do impacto que têm no coração da criança, na sua saúde, na sua educação e na sua capacidade de se relacionar e de confiar noutras pessoas.”

Intimidação

O documento debatido em Nova Iorque destaca que mais de um em cada três estudantes de idades entre os 13 e 15 anos sofrem de bullying. Esse número corresponde a 130 milhões de menores dessa faixa etária.

Cerca de três em cada 10 adolescentes em 39 países da Europa e da América do Norte admitiram ter vivido um episódio de intimidação por outros na escola.

O documento menciona ainda as consequências do bullying cibernético, que envolve “publicar ou enviar mensagens eletrônicas que incluem fotos ou vídeos para assediar, ameaçar ou atingir outra pessoa”.

Para esse fim, são usados todos os tipos de plataformas sociais, que incluem salas de bate-papo, blogs e mensagens instantâneas realizando a prática que “pode causar danos profundos”.

Comportamento

Entre as consequências estão a “marca permanente deixada no espaço cibernético, que pode atingir rapidamente um público vasto.” Segundo o estudo, o bullying e o cyberbullying alimentam um ao outro, formando um constante comportamento prejudicial.

O Brasil foi um dos países onde ocorreram consultas em grupos focais envolvendo crianças com pais detidos. A pesquisa fez parte de um estudo global sobre menores privados de liberdade que foi realizado com a representante especial do secretário-geral.

A iniciativa envolveu governos na América Latina e a sociedade civil atuando com crianças entre 6 a 17 anos, filhos de presos na Argentina, no Chile, na República Dominicana, no México, na Nicarágua, no Panamá e no Uruguai.

Medidas 

O documento defende que é preciso ter “mais dados precisos, confiáveis e desagregados para quebrar o silêncio e promover mudanças positivas para evitar e combater o bullying”.

Outras iniciativas com base em fatos concretos também são essenciais para difundir medidas eficazes de prevenção e resposta ao problema.

O estudo estimula ações positivas que reforçar habilidades de vida de crianças e para informá-las, prevenir e dar resposta ao comportamento violento e ao bullying.

Outra proposta do relatório é que soluções a conflitos sejam replicadas e expandidas a comunidades, escolas e dentro dos países.

Descarregar o relatório Protecting children from bullying no link:

https://violenceagainstchildren.un.org/news/srsg-launches-second-report-secretary-general-bullying-including-cyberbullying

 

 

Concerto Solidário 35 anos do IAC – 20 de Novembro no Altice Arena

Outubro 17, 2018 às 3:57 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

mais informações:

http://www.iacrianca.pt/concerto35anos/

Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos – 18 de outubro às 16h na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa

Outubro 17, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

No âmbito do Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos que se celebra a 18 de outubro, a Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, convida-a/o para o lançamento da campanha «Tráfico de Seres Humanos». Dia 18 de outubro às 16h na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa.
Confirme a sua presença pelo telefone 222.074.370 ou Email: trafico.humano@cig.gov.pt

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.