Portugal tem 8352 jovens em risco que não conseguem sair do sistema

Maio 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/ de 17 de maio de 2017.

Leonor Paiva Watson

O número de processos reabertos nas comissões de proteção de menores (CPCJ) continua a crescer.

O relatório apresentado esta quarta-feira regista 8352 casos em 2016, mais 24 do que em 2015, ano em que já se tinha verificado o maior aumento de reaberturas desde 2010. Em causa estão jovens em risco que não conseguem sair do sistema.

Tal como no ano passado, o presidente da Comissão Nacional, Armando Leandro, afirmou que “está a ser elaborado um inquérito sobre esta matéria”.

Mas vamos a números: as 309 CPCJ que existem no país acompanharam um total de 72177 crianças e jovens em 2016. Destes processos, 33354 transitaram do ano anterior e 30471 foram instaurados, ou seja, são novos. Entre os instaurados, houve 8352 reaberturas. Resumindo, em relação a 2015, houve uma diminuição de 1178 casos no volume processual total e diminuíram ainda, em 1273 casos, os processos transitados. Todavia, aumentaram os instaurados, que passaram de 30400 para 30471; e os reabertos (mais 24), facto que preocupa o Governo.

Quando questionado sobre a razão deste aumento – e se a mesma se prende com o facto de 90,3% das medidas de proteção das comissões serem aplicadas em meio familiar, para evitar a institucionalização da criança – o Executivo respondeu que não há como aferir isso.

Recorde-se que já foram noticiadas situações de crianças em perigo com desfechos trágicos em que aquelas já estavam sinalizadas; mas outras aconteceram de forma inusitada, sem qualquer antecedente, sendo casos que se prendem, muitas vezes, “com doença mental [depressão] não diagnosticada”, declarou a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, para quem esta é uma questão sensível.

“O sistema é criticado por institucionalizar de mais, e também por manter as crianças nas suas famílias”, disse. Ana Sofia Antunes defendeu, todavia, que a tendência é para que as medidas de proteção sejam em meio natural de vida, reabilitando as famílias.

Há anos que as CPCJ afirmam que o maior problema reside na falta de técnicos sociais – tanto nas comissões, como na 1ª linha (escolas, centros de saúde) – que possam acompanhar as famílias regularmente no seu domicílio. Confrontada com a questão, a secretária de Estado declarou que está a fazer-se “um esforço” no sentido de se alocarem mais técnicos.

Violência doméstica

A maior parte dos casos prendem-se com a exposição a comportamentos que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento do menor. No total, são 12851 processos (mais 615 do que no ano passado), sendo que 67,7% são sinalizações por violência doméstica.

Em segundo lugar, aparece a negligência, com 7654 casos, destacando-se a falta de supervisão familiar. Seguem-se o absentismo escolar e a indisciplina, com 6235 e 5939 situações reportadas, respetivamente; e, em quinto lugar, os maus tratos físicos, com 1887 casos.

No total, Lisboa, Porto e Setúbal reúnem 49,4% de todo o volume processual. As três comissões mais afetadas são Amadora com 1893 processos, Sintra oriental com 1785 e Sintra ocidental com 1667.

 

 

 

Porque é que os professores portugueses chumbam tantos alunos?

Maio 26, 2017 às 10:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Texto do blog http://www.comregras.com/  de 22 de maio de 2017.

Por

Alexandre Henriques

Portugal lidera os chumbos no 1º ciclo!

É esta a conclusão que se pode tirar do estudo do EPIS (Empresário pela Inclusão Social), que foi coordenado por Maria de Lurdes Rodrigues (sim… a senhora continua no ativo), indicando que os professores chumbam e chumbam em força.

Mas o que passa em Portugal para existirem tantos chumbos e que pelos vistos começam logo no 1º ciclo? Será “mania” dos professores ou será dificuldades dos alunos?

O estudo revela como principais motivos: as dificuldades na leitura, na escrita e dificuldades de concentração. Mas na minha opinião existem outros motivos e que não se restringem ao gráfico em baixo.

Vejamos:

O chumbo é uma questão cultural, é algo que está enraizado nas nossas escolas há décadas. Tal como eu, muitos milhares de professores enquanto alunos, assistiram ao discurso “se não estudas chumbas!”, ou “se tiveres mais de 2 negativas, estás chumbado!”. O chumbo era um repressor efetivo, hoje o ensino tornou-se mais permissivo e tolerante ao erro do aluno. Para alguns, o chumbo era significado de umas férias de trabalho, ou de umas palmadas bem assentes para registar o infeliz acontecimento.

Atualmente o chumbo é algo contornável, maleável, e a própria legislação o apelida de excecional. Mas se é excecional, porque é que os números mostram que é a norma?

O chumbo é a consequência natural de um parasitismo que se instalou nas salas de aulas e que não merece ser recompensado com a transição de ano. Seja por mau comportamento, seja por falta de trabalho, ou até mesmo por falta de capacidades, a realidade é que os professores não aceitam que um aluno sem determinadas competências progrida para o ano seguinte, mesmo tendo em conta a política de ciclo.

Estarão os professores errados? Devem os professores premiar um aluno indisciplinado ,”baldas”, ou sem alicerces sustentáveis com uma passagem administrativa? Devem os professores transmitir aos alunos que o “crime” compensa? E os outros alunos, o que vão sentir? É justo para eles?

O professor não é uma tabela de Excel e deve analisar uma série de fatores determinantes para a transição/retenção do aluno.

Porém, o chumbo como punição é um facto, não é assumido, mas é real. Não fica bem dizer isto publicamente, mas é verdade e a verdade é o que é. Como também é verdade que a punição é uma mera consequência da falta de desempenho ou requisitos do aluno.

E depois do chumbo? Pois… o problema está aí….

É mais do mesmo, os apoios são escassos, os Fénixs, Turmas +, tutorias e outros que tais, são estratégias que não salvam o grosso e muitos terminam em percursos alternativos onde a “qualidade” do ensino tem muito que se lhe diga.

Então para quê chumbar??? De que adianta??? Os estudos apontam que pouco ou nada muda e por isso tenho defendido que o chumbo, neste modelo de ensino, é apenas uma consequência e não uma resolução.

Somando a tudo isto, um sistema educativo que está constantemente em mutação, que não dá estabilidade a professores e alunos, que as estratégias variam consoante as cores políticas – veja-se o caso dos cursos vocacionais e das tutorias – e que a única certeza é a incerteza. Leva muitos professores a assumirem a decisão do chumbo como o meio mais “seguro” para tentar recuperar o aluno. Para os professores, as alternativas são pouco credíveis e os recursos irrisórios, restando-lhes a repetição como o meio mais fiável para aprendizagem/correção de comportamentos.

E faz sentido pensar assim?

Com referi, o ensino pela repetição é a única “política educativa” estável das nossas escolas e como tal é a única medida equitativa. O problema é que a repetição pelo chumbo tem um preço e o preço é a desmotivação dos alunos, o seu alheamento e a descrença em si e na escola.

“Azar o deles” dirão alguns. Sim, é verdade, quem se lixa é o aluno que vai ficar para trás, mas se pensarmos um pouco vamos constatar que o preço social será elevado e que a marginalidade ficará ainda mais próxima com consequências e custos para todos.

É preciso mudar a forma como se ensina, é preciso mudar a forma como se aprende e é preciso mudar o sistema de progressão. Não com o objetivo de facilitar a vida a ninguém, mas sim de não encravar todo um sistema que precisa de fluir e validar competências adquiridas de forma justa, transversal e responsável.

Mais de 500 escolas com mais chumbos do que a média nacional

(TVI via LUSA)

As dificuldades com a aprendizagem da leitura são consideradas pelos professores como “normais”, argumentando que as crianças são todas diferentes e a grande maioria dos professores das turmas visitadas considera que não é possível eliminar totalmente o insucesso no primeiro ciclo.

Perante situações concretas em que os alunos não atingem os objetivos estabelecidos no programa para a leitura, os professores consideram que têm apenas uma de duas alternativas: a repetência ou a passagem automática.

Para os professores entrevistados a repetência é a alternativa correta, a única alternativa. No seu leque de opções não são encaradas outras alternativas, não são referidas outras soluções.

De acordo com a investigação, o apoio proporcionado pela coordenação da escola ou pelo agrupamento é predominantemente a disponibilização de tempo dos designados professores do apoio educativo mas, no final, os esforços empreendidos pelos professores não têm impacto significativo.

“No final do ano, os que recuperaram progridem, os que não recuperaram repetem. Para ser diferente seriam necessárias, na opinião dos professores, outras medidas”, revela o estudo adiantando que a repetência é vista como uma oportunidade e não como um problema.

Deve ser possível chumbar alunos aos seis anos, dizem professores de escolas com mais insucesso

(Clara Viana – Público)

 

 

O que dizer aos mais novos quando há um atentado em que morrem crianças e adolescentes?

Maio 26, 2017 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://lifestyle.publico.pt/ de 23 de maio de 2017.

Bárbara Wong

Atentado em Manchester fez pelo menos 22 mortos, entre eles crianças.

Era uma festa sobretudo para crianças e adolescentes, que são o público que segue e assiste aos concertos de Ariana Grande. A Arena de Manchester tornou-se notícia devido ao já reivindicado atentado em que morreram, pelo menos, 22 pessoas e dezenas ficaram feridas. Entre estas estão crianças e jovens.

É inevitável que os mais novos vejam a notícia, seja num site, na televisão ou numa rede social. Eles gostam e acompanham a carreira de Ariana Grande — esperavam que a cantora viesse a Lisboa proximamente, mas entretanto todos os concertos foram cancelados — e não há como lhes esconder o que se passa no mundo. Assim, o que dizer-lhes?

Informar, mas sem ir muito longe
José Morgado, professor no ISPA — Instituto Universitário, defende que os pais devem falar sobre o tema e responder a todas as perguntas que forem feitas. Contudo, “não dar mais informação do que a que eles pedem”, aconselha, alertando para que os filhos não vejam as imagens sozinhos, mas sempre com mediação dos pais, para que expliquem o que se passa.

“Se não perguntarem mais, não dizemos mais para não instalar a dúvida”, defende.

E é importante “desconstruir”, diz por seu lado o pedagogo Renato Paiva, autor do livro Queridos Pais, Odeio-vos, editado recentemente pela Esfera dos Livros. Dizer aos filhos que nem todas as pessoas de determinada etnia ou religião são terroristas, para que os filhos não façam generalizações.

Falar sobre a morte
Não é fácil falar sobre a morte de crianças com outras crianças, reconhece José Morgado. “É algo que não se prevê, que é pontual, que é residual”, acrescenta Renato Paiva. Por isso, mais uma vez, é preciso não entrar em generalizações, porque as crianças e os jovens morrem e noutras circunstâncias que não num atentado, sublinha o pedagogo.

Mais uma vez, para José Morgado, falar da morte é responder às perguntas que são feitas, contextualizando-as, explicando porque aconteceu. “Começamos por introduzir uma leitura do mundo, porque é tão importante a morte de uma criança síria por causa das armas químicas como a morte de uma criança em Manchester”, defende Morgado.

Transmitir segurança
Situações como esta devem servir para falar também sobre segurança, considera Renato Paiva. Os pais devem aproveitar para falar sobre as preocupações que os jovens devem ter quando vão a um concerto. “O que podes evitar? O que podes fazer se ouvires um estrondo?”, exemplifica. “O esmagamento [devido às pessoas que estão em fuga] pode ser mais preocupante do que o atentado em si”, acrescenta.

Ao falar disso, os pais não estão a incutir o medo nas crianças e nos jovens? “Não, estão a incutir-lhes cuidado e atenção”, responde, dando outros exemplos, como pedir aos filhos para terem cuidado quando andam na rua e vão atravesssar uma estrada; ou os cuidados a terem para não serem assaltados.

Crescer para a paz
Situações como estas podem gerar incompreensão, revolta, vontade de responder na mesma moeda. No entanto, devem servir para “aprender a crescer e a não magoar os outros”, defende José Morgado.

É preciso explicar aos mais novos que há pessoas que estão a ser educadas para uma forma de viver violenta, para a autodestruição e o extermínio, mas que “a pior coisa que podemos fazer é responder com ódio”, declara Helena Marujo, psicóloga e professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa.

Helena Marujo defende que é preciso “criar uma nova geração crítica” e para isso é preciso centrar menos a educação nos conteúdos escolares e mais em aspectos humanistas, nas expressões artísticas, na filosofia, na possibilidade de debater ideias, continua a professora, precursora da Psicologia para a Felicidade.

A investigadora lembra que quem estava no concerto estava a celebrar e que o ataque terrorista tem como objectivo destruir a alegria. “Os bombistas foram treinados para dar sentido à morte, nós temos de ensinar as novas gerações a dar sentido à vida”, conclui.

 

 

Sessão de Esclarecimento – Baleia Azul – 27 de maio na Escola Básica Barbosa du Bocage (Setúbal)

Maio 26, 2017 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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inscrições:

265 185 750

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdmGtEBxi8RHkr2nIkzEcqKCkN2DUZrgJYJmyaOs9q77EMjAg/viewform?c=0&w=1

Cada vez mais crianças sofrem as consequências da violência entre os pais

Maio 26, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de maio de 2017.

Bebés podem ser apanhados no conflito e crianças a partir dos quatro anos já tentam proteger a vítima. Os casos de exposição a estes comportamentos foram os que mais aumentaram nas comissões de protecção de crianças e jovens (CPCJ) em 2016.

Ana Dias Cordeiro

As situações de crianças expostas à violência entre os pais tem sido nos últimos anos aquela que predomina no universo das sinalizações por exposição a comportamentos que comprometem o bem-estar e o desenvolvimento da criança, que também inclui os comportamentos desviantes ou de consumos. A violência doméstica chegou a representar 90% dos casos relativos a essa problemática, a nível nacional. Em 2016, foi de mais de dois terços (67,7%).

O impacto que esta violência do dia-a-dia tem em crianças muito pequeninas é uma das grandes preocupações de uma das 309 Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) instaladas no país, e ouvida pelo PÚBLICO, no dia em que começa o Encontro Nacional de Avaliação da Actividade das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, onde será apresentada uma síntese do relatório anual de actividades, que apenas será conhecido em Junho quando for entregue à Assembleia da República.

“Tivemos mais 100 processos relativos a violência doméstica. Temos agora um pouco mais de 200 processos por essa razão” num total de 270 por exposição a comportamentos negativos, “o que é dramático”, diz a presidente da CPCJ de Sintra Oriental, Sandra Feliciano, assistente social. No total do universo dos comportamentos que comprometem o desenvolvimento da criança “o conflito parental ou a violência doméstica sempre foi e continua a ser de mais de 70%” em Sintra Oriental.

“Tínhamos muitos conflitos parentais, agora há mais violência doméstica”, esclarece. E são casos que afectam crianças muito pequenas.

Crianças atingidas

“Tivemos a situação de um bebé com menos de um ano que ficou ferido no meio da agressão entre os pais. Caiu no chão e sofreu um traumatismo craniano. Teve de ser hospitalizado”, diz a responsável. “Há crianças batidas porque estão ao colo das vítimas” e são apanhadas nos movimentos de quem agride. “Um menino levou com um comando da televisão na cabeça e teve que ser assistido.” E ainda há as crianças que se metem entre os pais, para travar a situação. “Aos quatro anos já o fazem: tentar separar os pais ou proteger a vítima, o que nos preocupa muito.”

Outra grande preocupação, porque afecta crianças de tenra idade, acrescenta, é “o número de crianças abandonadas ou entregues a si próprias e os maus-tratos físicos” porque embora possam não estar a aumentar no total “estão a ter um crescimento enorme em crianças até aos cinco anos”. Acontece com crianças muito pequenas que ainda não estão na escola e, como tal, “estão só na dependência dos agressores”. “Não há um professor, não há acompanhamento”, porque a criança está fora do sistema escolar.

Na apresentação prévia aos jornalistas da síntese do relatório de 2016, o presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), juiz-conselheiro jubilado Armando Leandro, colocou a tónica na necessidade de um envolvimento de toda a comunidade, para além da escola, e isso significa estar atento aos sinais o que, por sua vez, permite “uma maior capacidade de intervenção preventiva” que permita identificar os factores de risco” e “fazer o diagnóstico das situações”, disse, defendendo “uma intervenção comunitária, quer preventiva, quer reparadora”. Nestas e noutras situações.

Arquivados e reabertos

No resumo apresentado, e relativamente a 2015, “constata-se que o número de situações por exposição a comportamentos que possam comprometer o bem-estar e desenvolvimento da criança aumenta significativamente”. Esse aumento tem sido constante nos últimos anos. Em 2016, houve 12851 situações comunicadas, mais 614 do que em 2015, e mais 1989 do que em 2014. A grande maioria (67,7%) é relativa a sinalizações por violência doméstica.

Outra conclusão: o número de situações por negligência mantém valores semelhantes aos de 2015, mas reflectindo um ligeiro aumento (mais 111 processos), depois de ter diminuído nos últimos dois anos. Continua a ser a segunda situação mais importante. Em contrapartida, diminuiu no último ano a frequência de ”situações de perigo em que esteja em causa o direito à educação” – como insucesso ou abandono escolar – e o número de casos por maus-tratos físicos (1887 em 2016).

Se o universo de processos arquivados aumentou em 2016, o que para a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, é um sinal positivo da “maior capacidade de resposta das CPCJ”, também o número de processos reabertos tem vindo a crescer. No ano passado, houve 8352 processos reabertos, depois de terem sido 8328 em 2015 quando aumentaram aos 7993 processos reabertos em 2014.

Quer isso dizer que as situações não ficam resolvidas? O que está a falhar? “Essa é uma área sensível”, disse Ana Sofia Antunes em resposta aos jornalistas. “Se por um lado podemos ser muito criticados por aplicar muitas medidas em meio natural de vida [mantendo a criança no seio da família] podemos também ser muito criticados pela retirada às famílias”.

A reabertura do processo de uma criança “não significa necessariamente que a situação que levou à abertura do processo não tenha ficado resolvida”, acrescenta. “Pode tratar-se de uma situação que ficou sanada e que, anos mais tarde, teve de voltar a ser acompanhada.”

Amadora volta a liderar

No panorama nacional, a CPCJ da Amadora voltou a liderar (com 1893 processos em 2016) na lista do volume processual global (que engloba os processos abertos, transitados do ano anterior e os reabertos). Sintra Oriental passou a ser a segunda maior do país, com um volume global de 1785 processos, seguida de Sintra Ocidental e de Loures, que tinha liderado em 2015.

Para Sandra Feliciano, as situações que aumentam entre as crianças até aos cinco anos são as mais preocupantes. E insiste nos casos de violência doméstica que têm “um impacto tão adverso no desenvolvimento cognitivo, comportamental, social ou emocional da criança” como situações graves de maus-tratos físicos.

De que forma? “O medo constante”, responde Sandra Feliciano. “Essa angústia constante de tentarem prever o desfecho das discussões ou de tentar perceber como vai chegar a casa” a pessoa que agride, com que disposição. Um ambiente diário de muita hostilidade e de muita violência deixa muitas marcas, diz. E lembra que muitas vítimas desistem das queixas, por dependência financeira ou emocional, levando os filhos a viver estas situações repetidamente no tempo, o que é muito prejudicial para o seu desenvolvimento. Por isso diz, referindo-se às vítimas, que devem romper com estas situações: “Se querem continuar a ser mães protectoras, não podem permitir que os filhos se mantenham expostos a situações de violência.

 

 

 

 

Once missing, never forgotten

Maio 25, 2017 às 9:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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This study is a first step in this direction and it aims to develop evidence on the decision- making process of launching a publicity appeal, running a publicity appeal, the effectiveness of a publicity appeal, and the impact of a publicity appeal. This is done in order to identify existing knowledge, but also to shed light on operational challenges and gaps in knowledge which call for further research in this under-researched area. Our intention with this project was to improve our understanding of these issues and lay the grounds for further research to be undertaken in 2017 – 2018 (pending available funding).

descarregar o documento no link:

Once missing – never forgotten

Até hoje, ninguém sabe o que é feito destas crianças

Maio 25, 2017 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 25 de maio de 2017.

Esta quinta-feira, assinala-se o Dia Internacional da Criança Desaparecida. Em Portugal, há pelo menos nove casos misteriosos que continuam por resolver. Rui Pedro e Maddie são apenas os mais misteriosos

Manuela Micael

Alguns desapareceram há mais de 20 anos. Misteriosamente. Outros desapareceram mais recentemente. Para as famílias de qualquer uma destas crianças é tempo demais sem saber notícias.

Maddie e Rui Pedro são, talvez, os casos mais mediáticos. Mas, além deles, há outras sete crianças de que nada se sabe e sobre as quais muito se especula. A Polícia Judiciária até pode ter encerrado formalmente as investigações, mas não desistiu de as procurar e mantém os apelos por informações sobre eles na sua página da Internet.

Esta quinta-feira, assinala-se o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas.

Carina Macedo de Carvalho

Data de desaparecimento: Entre 1 de setembro de 2013 e 30 de setembro de 2013

Idade atual: 18 anos

Carina tinha 15 anos quando desapareceu. Não se sabe muito bem o dia em que o desaparecimento aconteceu, mas sabe-se que está prestes a completar quatro anos.

Até setembro do ano passado, Carina era procurada pelo Tribunal de Família e Menores da Comarca de Lisboa Oeste – Sintra. Esse interesse da Justiça, no âmbito de um processo de promoção e proteção de menores, só se mantinha até a jovem completar a maioridade, o que aconteceu a 17 de setembro de 2016.

Contudo, apesar de já ter completado 18 anos, a sua fotografia continua a fazer parte da lista de desaparecidos da Polícia Judiciária.

Madeleine Beth McCan

Data de desaparecimento: 3 de maio de 2007

Idade atual: 14 anos

É um dos casos mais mediáticos de crianças desaparecidas em Portugal e que nunca chegaram a ser encontradas. Até hoje, 10 anos depois, a fotografia de Maddie faz parte da página de pessoas desaparecidas da Polícia Judiciária e a sua história já fez correr muita tinta, envolvendo autoridades portuguesas e britânicas.

Maddie desapareceu do Ocean Club, na Praia da Luz, em Lagos, onde estava de férias com os pais. Estaria no quarto a dormir com os dois irmãos gémeos mais novos, quando desapareceu. Os pais jantavam num restaurante do empreendimento turístico e foi quando a mãe vou verificar as crianças ao quarto que deu pela falta dela.

Tatiana Paula Mesquita Mendes

Data de desaparecimento: Entre 1 de maio de 2005 e 31 de maio de 2005

Idade atual: 18 anos

Também se pode chamar Odete Araújo Freman ou Odete Araújo Freman Frima. Foi considerada como desaparecida em Maio de 2005. Nasceu na Guiné Bissau e, tal como consta do site da Polícia Judiciária, foi “adoptada” por um casal com a concordância da mãe. Viajou para Portugal em maio de 2004 com o casal.

Porém, cerca de um ano depois, em maio de 2005, a mãe adotiva passou a informação que a menor tinha por si sido entregue a uma outra pessoa, ainda em 2004, e que a menina tinha falecido depois algures na zona de Badajoz/Espanha, em acidente de viação.

A sua fotografia, porém, continua a fazer parte da lista de desaparecidos da PJ.

Sofia Catarina Andrade de Oliveira

Data de desaparecimento: 22 de fevereiro de 2004

Idade atual: 15 anos

O caso de Sofia será um dos casos em que se suspeita de sequestro parental. A criança terá sido subtraída à mãe pelo pai, cerca das 20:45, no centro de Câmara de Lobos.

De acordo com informação que consta do site da PJ, na fuga com a menor de dois anos, o suspeito apanhou um táxi e, posteriormente, boleia de um familiar, tendo sido deixado a pé, com a filha, pelas 21:30, no Caniço de Baixo. Por volta das 23:30m, o pai da criança deslocou-se à Esquadra da PSP de Câmara de Lobos, onde se encontrava a mãe a participar o desaparecimento da menor, altura em que aquele já não trazia a filha consigo.

Até hoje é um mistério o que realmente lhe aconteceu.

Jorge Manuel Sepúlveda

Data de desaparecimento: 15 de agosto de 1991

Idade atual: 40 anos

É um dos casos de desaparecimentos de crianças mais antigos em Portugal. Jorge, natural de Massarelos, no Porto, tinha 14 anos quando desapareceu. Na página da PJ dedicada aos casos de pessoas desaparecidas nada se diz sobre as circunstâncias do desaparecimento.

Rui Manuel Correia Pereira

Data de desaparecimento: 2 de março de 1999

Idade atual: 31 anos

O caso do Rui Manuel é outro dos mais antigos. Natural de Vila Nova de Famalicão, Braga, desapareceu há 18 anos, sem deixar rasto.

A PJ mantém a fotografia do jovem na lista de desaparecidos e alerta para algumas características especificas: uma pequena cicatriz junto do olho esquerdo, outra entre o lábio superior e a narina direita e um grande sinal de nascença nas costas.

João José Gomes Teles

Data de desaparecimento: 6 de outubro de 1998

Idade atual: 35 anos

Natural de Câmara de Lobos, na Ilha da Madeira, João frequentava o 9º ano, quando desapareceu. Tinha 16 anos. Desapareceu do Largo do Machiqueiro, em Câmara de Lobos. Até hoje, não há pistas sobre o seu paradeiro.

Rui Pedro Teixeira Mendonça

Data de desaparecimento: 4 de março de 1998

Idade atual: 30 anos

Tinha 11 anos quando desapareceu. Foi andar de bicicleta, perto da escola de condução propriedade da família e nunca mais se soube nada dele. Têm sido várias as notícias de supostos avistamentos, mas que não deram em nada e até isso se foi esvaindo ao longo do tempo.

Pelo seu desaparecimento, já foi condenado Afonso Dias. Cumpriu dois terços da pena e saiu em liberdade em março deste ano. Dezanove anos depois do seu desaparecimento. Mas ainda hoje Afonso Dias se declara inocente e o que aconteceu exatamente a Rui Pedro permanece um mistério.

A luta da mãe de Rui Pedro, Filomena Teixeira, que nunca desistiu de saber do paradeiro do filho, tem comovido o país ao longo de todos estes anos.

Cláudia Alexandra Silva e Sousa

Data de desaparecimento: 13 de maio de 1994

Idade atual: 30 anos

Filha de uma família pobre e numerosa do lugar de Lamela, freguesia de Oleiros, concelho de Vila Verde, desapareceu, a caminho da escola, num 13 de maio.

As versões sobre o seu desaparecimento são mais que muitas e os pormenores tornam o caso ainda mais misterioso. Correu o boato de que os pais a venderam, “por 400 contos”, de que foi levada por uma tia para Espanha, de que estaria em Odivelas, onde seria vítima de maus tratos, ou de que teria sido levada para Espanha. Nenhuma destas pistas se revelou proveitosa.

É o segundo desaparecimento de crianças mais antigo, ainda sem solução, registado na página da Polícia Judiciária.

 

O Instituto de Apoio à Criança dispõe da Linha 116 000 SOS-Criança Desaparecida (grátis)

Mais informações:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-sos/sos-crianca-desaparecida

 

X Conferência Crianças Desaparecidas: IAC assinala o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas em 30 de maio

Maio 25, 2017 às 2:39 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança, que tem como missão a defesa e a promoção dos Direitos da Criança, vai assinalar o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas com a X Conferência Crianças Desaparecidas que terá lugar no Auditório Almeida Santos da Assembleia da República, no próximo dia 30 de Maio.

Este ano, a Conferência irá centrar-se mais uma vez nas medidas de natureza jurídica e humanitária que são imprescindíveis para um digno acolhimento dos refugiados, com especial menção para as crianças não acompanhadas, que têm merecido a nossa maior preocupação, e à tarde exibiremos um filme “A Boa Mentira”, do realizador Phillipe Falardeau, sobre a vida destas crianças nos campos de refugiados.

Pode consultar o Programa AQUI.

 

Dicas de Segurança para crianças e jovens: PROTEGE-TE

Maio 25, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.iacrianca.pt/index.php/atualidades/noticias/item/836-dicas-de-seguranca-para-criancas-e-jovens-protege-te

Crianças Desaparecidas na Europa: Crianças que fogem de situações complicadas em casa

Maio 25, 2017 às 12:30 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Por ocasião do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, celebrado a 25 de maio por todo o mundo, a Missing Children Europe (MCE) http://missingchildreneurope.eu/ lançou o seu relatório “Números e Tipologias de 2016”. Este relatório revela a evolução das tipologias que vão aparecendo nas diversas Linhas de Apoio 116 000 por toda a Europa.

As Linhas de Apoio às crianças desaparecidas, associadas à MCE, estão acessíveis através do número 116 000 em 31 países da Europa. Desde 2015, esta rede de parceiros tem apoiado um número cada vez maior de crianças. Em Portugal, é o Instituto de Apoio à Criança que desde 2004 atende estas chamadas com uma equipa multidisciplinar disponível para prestar apoio emocional, psicológico e legal às crianças e suas famílias.

Em 2016 houve um aumento de 12% no que toca aos apelos recebidos de crianças, comparativamente ao ano anterior. Os contactos duplicaram devido a canais de informação como SMS, EMAIL e CHAT.

Em 2016, as fugas representaram 57% dos casos reportados às linhas 116000. Os raptos parentais foram o segundo grupo, com 23% dos casos.

De acordo com os relatórios divulgados pela UNICEF e INTERPOL, mais de 50% de crianças migrantes desaparecem dos seus centros de recolhimento na Europa em menos de 48 horas. Os casos de crianças migrantes aumentaram em 2% em 2015 e 7% em 2016. Os números poderiam ser maiores, mas a falta de clareza nos papéis e responsabilidades das autoridades na prevenção e resposta a este grupo particularmente vulnerável de crianças constitui uma grande preocupação, pois existe pouca proteção e resposta para os mesmos.

Os raptos criminais constituem menos de 1% dos casos reportados em 2016, enquanto que a tipologia perdidos/outra forma de desaparecimento constitui 13% do total das situações.

Um em cada cinco casos de crianças desaparecidas são de natureza transfronteiriça, revelando-se assim a importância da colaboração e cooperação entre os governos nacionais, as linhas de apoio, as forças policiais e outros serviços de proteção infantil, bem como com os mediadores de conflitos familiares internacionais.

Em 2016, 42% dos casos de crianças desaparecidas que foram reportados às linhas 116 000 foram encontrados no mesmo ano, número inferior ao de 2015, que foi de 46%.

Enquanto mais crianças foram localizadas nas outras quatro categorias (raptos parentais, crianças perdidas, crianças migrantes não acompanhadas) regista-se um decréscimo significativo no número de crianças em fuga que foram encontradas, de 57% em 2015 para 46% em 2016.

Também relevante é o número acrescido de crianças que fogem três ou mais vezes consecutivas. Isto chama a atenção para um grupo vulnerável de crianças e jovens cujos problemas, em casa ou com outras razões para fugirem, persistem após a primeira fuga.

As crianças, que fogem repetidamente, são forçadas a usar estratégias cada vez mais arriscadas para sobreviver, tais como dormir na rua e mendigar, expondo-se assim ao risco da exploração sexual.

As Linhas de Apoio de alguns países (Bulgária, Chipre, Grécia, Roménia, Sérvia, Eslovénia e Espanha) não receberam qualquer apoio financeiro dos seus governos nacionais em 2016. Noutros países, o financiamento das autoridades nacionais apenas suportou metade dos orçamentos necessários.

O financiamento é o principal desafio para a rede de Linhas de Apoio, que se deparam com o risco de falta de recursos humanos ou de ter de encerrar por não terem apoios e formas de subsistir.

As Linhas de Apoio 116000 responderam a mais de um milhão de apelos relativos a crianças desaparecidas desde 2011.

Em 2016, quinze Linhas de Apoio receberam um subsídio da Comissão Europeia, que teve início em meados de 2016 e que terá a duração de 24 meses.

Ler o relatório estatístico (números e tipologias) do MCE de 2016 aqui: http://missingchildreneurope.eu/Portals/0/Docs/Annual%20and%20Data%20reports/Missing%20Children%20Europe%20figures%20and%20trends%202016.pdf

Vídeos de campanhas do MCE pelo youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=ARTDAYLmIWE

https://www.youtube.com/watch?v=cAsm63Craik

Texto traduzido e retirado da Press Release do MCE para divulgação a partir de 25 de maio 2016

Para assinalar o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, o IAC organizou mais uma Conferência. Este ano será a X Conferência Crianças Desaparecidas, que terá lugar na Assembleia da República no dia 30 de maio.

 Para aceder ao programa, entre no link: http://www.iacrianca.pt/index.php/atualidades/noticias/item/878-x-conferencia-criancas-desaparecidas

 

 

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