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Abril 27, 2020 às 8:55 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Mais do que da violência, professores queixam-se da indisciplina na sala de aula – artigo do Educare com declarações de Cláudia Manata do IAC

Março 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Texto e imagem do Educare de 24 de fevereiro de 2020.

Cresce a atenção social dada aos problemas da violência e indisciplina nas escolas. Mas os conflitos não se resolvem com professores cansados e pais em dificuldades.

Andreia Lobo

Há uma preocupação social crescente com as questões da violência e da indisciplina nas escolas. Pedro Cunha, sociólogo, psicólogo e investigador na área da mediação e gestão de conflitos atribui essa preocupação ao aumento do conhecimento sobre a importância de o indivíduo exprimir adequadamente as emoções. Algo indissociável do conceito de inteligência emocional apresentado por Daniel Goleman nos anos 90.

Essa mudança, ocorrida nas duas últimas décadas, traduz-se na consciencialização da importância da gestão das emoções que, na visão do psicólogo, “faz com que hoje nas escolas haja uma preocupação notória na melhoria das relações interpessoais e no evitar de comportamentos antissociais”.

É neste contexto, analisa o psicólogo, que surgem, “por defeito, nomes como bullying, cyberbullying “. “Fenómenos que nos colocam a todos numa linha de possibilidade de exclusão do outro, de uma forma dramática do ponto de vista emocional, porque há pessoas que não sabem exprimir adequadamente emoções a não ser por via da intimidação do outro.” Explicações que ajudam a entender relatos pessoais e estatísticas.

Violência e indisciplina
Mesmo a designação genérica de “violência na escola” requer algumas especificações. Importa, por exemplo, precisar que violência e indisciplina são conceitos diferentes. De modo geral, a indisciplina divide-se em três grandes grupos.

A indisciplina da sala de aula. Referida como a que perturba mais os professores. Está fracionada com a tentativa de fazer com que os alunos estejam atentos e focados e ouçam aquilo que o professor diz. Essa, garantem os docentes, é a grande batalha, porque os alunos facilmente dispersam e estabelecem conversas paralelas que podem transformar a sala de aula num caos, dependendo da capacidade de controle do professor.

Mais mediaticos são os conflitos entre pares. É neste grupo que se insere o bullying e que a sociedade e os meios de comunicação tendem a chamar de violência. Dizem respeito a situações que sobem de tom, os comportamentos, as ações complicam-se.

Outro tipo de conflitos geram-se entre os professores e os alunos. Estes são, na maioria das vezes, casos que não podem ser resolvidos apenas pelo professor. Ou seja, têm de ser resolvidos pela direção da escola e órgãos intermédios, nomeadamente quando o professor é agredido ou quando é insultado.

De modo consensual, a maioria dos professores reconhece que as situações de indisciplina são mais frequentes nas escolas portuguesas.

Espaço propício a conflitos
“A escola é propícia e propiciadora de conflitos de relação, conflitos de interesses e conflitos de necessidades, passando por conflitos de valores ou crenças, pelo facto de as sociedades serem cada vez mais ‘multi’ (étnico, social, cultural, etc)”, explica o psicólogo Pedro Cunha. Por essa razão, conclui, “não é imaginável que na escola não existam conflitos”.

Sejam conflitos “relacionados com a construção da identidade de cada um, com as relações de poder entre as partes, com as questões de rendimento académico dos alunos, com o que os pais pensam sobre isso, com o relacionamento de todos com todos, desde a direção da escola, aos professores, aos funcionários não docentes até aos próprios alunos”.

Se não se podem evitar, o que fazer com os conflitos? “Geri-los”, responde o psicólogo, lembrando que “os conflitos também têm aspetos construtivos e edificantes da personalidade humana.” Contudo, esta não é a visão que predomina na sociedade portuguesa. “Fomos todos socializados na ideia de que dos conflitos só podem provir aspetos nefastos e destrutivos para o ser humano e isto não é de todo verdade.”

Gerir conflitos implica noções como mediação, negociação. Conceitos que Pedro Cunha explora no livro “Gestão de Conflitos na Escola”, escrito em coautoria com Ana Paula Monteiro. Da experiência em ações de formação de professores e seminários nas escolas, o psicólogo constata a falta de preparação: “Os professores desconhecem como se pratica a negociação, como se faz a mediação escolar, como se faz a conciliação escolar, se é possível arbitrar ou é melhor conciliar o conflito, ou se é melhor ter alunos como mediadores?”

O tratamento de todas estas questões falha não apenas na escola, mas na sociedade em geral, defende Paulo Cunha, contrariamente ao que noutros países já acontece. A solução para gerir os conflitos em ambiente educativo passa precisamente por aqui, assegura.

Claudia Manata é professora há 30 anos e conta mais 10 anos a desenvolver ações de sensibilização nas escolas na área da indisciplina pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC). Concorda com a opinião generalizada de que, mais do que as questões da violência contra professores e do bullying, o que mais perturba o funcionamento da escola é a indicisplina na sala de aula.

“A indisciplina na sala de aula é extremamente desgastante e é dessa que os professores mais se queixam. É muito complicado estar com um grupo de alunos que não se concentra, não está atento e não ouve nada.”

De acordo com o último relatório do PISA, 50% dos alunos não ouve o que se passa na aula, ou seja, está desatento. “E a maioria não está propriamente em silêncio”, confirma Cláudia Manata. “Estão a falar uns com os outros, a tentar mexer no telemóvel, a fazer coisas que perturbam a aula, porque obrigam o professor a parar de lecionar e estar constantemente a chamar à atenção.”

O valor da educação
Quais são os fatores na origem deste problema? “Não desresponsabilizando os professores, nota-se que as famílias também não conseguem educar os filhos para que saibam estar.” A resposta de Cláudia Manata surge sem hesitação. 30 anos de profissão chegam e sobram para saber que “são muitas as diferenças entre os miúdos acompanhados por pais que se preocupam e vêm às reuniões e outros em que isso não acontece. Mas infelizmente, esses são a maioria”.

Tal como em muitas outras áreas, também em matéria de convivência escolar, os países do Norte da Europa servem de exemplo. Claúdia Manata vai recolhendo essas vivências de colegas que fazem intercambios. “Distinguem-se da realidade portuguesa pela forma como crianças e famílias encaram a escola. Veem a escola como um investimento para o futuro da criança, um local também de aprendizagem socioeducativa, onde as crianças aprendem a conviver, a estar, a respeitar o outro e os pais respeitam a escola.”

Em Portugal, por mais que a professora lamente, “não é nada assim”. “Aqui, numa turma de 25 alunos, aparecem dez pais nas reuniões com o diretor de turma.” Quem é que está sempre ausente? “Os pais que precisavam mesmo de estar presentes, porque os filhos precisam de mais acompanhamento.”

Problemas de saúde mental
Cláudia Manata acredita que a indicisplina está “claramente” relacionada com o aumento do número de crianças com problemas de saúde mental. “Cada vez há mais alunos que não estão bem psiquicamente, que são emocionalmente instáveis e não há psicólogos suficientes para fazer esse atendimento, nem nos centros de saúde, nem nas escolas onde às vezes há um psicólogo para dois agrupamentos.” Crianças que ficam, por isso, sem o acompanhamento que precisam. Até por parte dos pais.

“Fui tutora de uma menina com esquizofrenia e – porque quis – cheguei a ir com ela às consultas no Hospital Júlio de Matos. Ia para apoiar a mãe que não podia faltar ao trabalho e para a miúda não perder a consulta. Isso não fazia parte das minhas funções”, frisa a professora. “Há muita coisa que os professores fazem e ninguém sabe, só a escola. Por isso, entendo que as famílias têm de ter apoios suficientes e acompanhamento nos centros de saúde para poderem ajudar as suas crianças.”

Professores cansados, pais em dificuldades
Cláudia Manata está segura de que muitas crianças não teriam tantos problemas se tivessem mais acompanhamento das famílias, mas entende as dificuldades por que passam muitos pais presos a uma rotina também ela desgastante. “As famílias também passam a vida entre a casa e o trabalho.” Ora, no centro de Estocolmo, num dia de sol a partir das 16h00, pais e mães passeiam com os seus filhos nos carrinhos e convivem uns com os outros.

O envelhecimento da classe docente, lembra Cláudia Manata, não pode ser excluído do rol de fatores que enquadram a indisciplina nas escolas. “Com 55 anos não se tem, nem é suposto ter, a mesma paciência e a mesma rapidez de resposta e resolução de problemas que se tem aos 30 anos”, atira.

Problemas de indisciplina e violência sempre existiram. É certo, mas muitos professores testemunham um agravamento das situações. Para Cláudia Manata, a justificação implica tanto os pais como os professores. “As famílias não estão bem, têm muitos problemas e dificuldades que fazem com que não tenham muito tempo para os filhos. Nós, professores, estamos mais velhos e também temos menos paciência. E nenhuma destas duas situações ajuda à resolução destes problemas.”

Docente faz ‘Hospital Ortográfico’ para palavras ‘maltratadas’ por alunos

Fevereiro 4, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias ao Minuto de 23 de janeiro de 2020.

Uma professora teve uma ideia brilhante para tentar terminar com os erros e os ‘maus tratos’ que os seus alunos exerciam sobre a língua espanhola, conta o 20Minutos. Verónica Duque desenvolveu nas suas aulas um ‘Hospital Ortográfico’ para as palavras que os jovens ‘assassinavam’.

Esta criação, revelada no Twitter pelo marido da docente, tornou-se um sucesso entre os alunos.

“A minha mulher preparou coisas novas para o Colégio. Temos aqui um ‘Hospital Ortográfico'”, explica Michael.

“Cada vez que os meninos ‘massacram’ uma palavra, esta vai para o hospital e, dependendo da gravidade do erro, fica lá mais ou menos dias”, acrescenta na publicação inicial, colocada a 18 de janeiro na rede social.

Numa atualização a esta invenção, dois dias depois da publicação original, o marido de Verónica revelou que o ‘Hospital Ortográfico’ abriu as suas portas e “conta já com 15 palavras”, acrescentando que “por sorte, todas elas têm ferimentos ligeiros”.

https://twitter.com/mikemoratinos/status/1219247317380993026?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1219247317380993026&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.noticiasaominuto.com%2Fmundo%2F1399943%2Fdocente-faz-hospital-ortografico-para-palavras-maltratadas-por-alunos

 

Crianças levam mantas para escola em Barcelos para enganar o frio

Janeiro 29, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de janeiro de 2020.

Edifícios das escolas têm 40, 50 anos e estão por isso muito degradados. Câmara de Barcelos diz que obras na escola avançarão “logo que exista disponibilidade financeira por parte do município”.

Lusa

A Associação de Pais criticou esta quarta-feira as “degradantes e inacreditáveis” condições da escola do 1.º ciclo e jardim-de-infância da Pousa, em Barcelos, sublinhado que os alunos são obrigados a levar mantas para se protegerem do frio.

Em declarações à Lusa, o presidente da associação, Cristiano Coelho, disse que a escola aguarda há mais de 15 anos por obras que “não há meio” de saírem do papel e que os pais “perderam a paciência”, tendo já agendado uma manifestação para dia 29 deste mês. “Por incrível que possa parecer, as crianças estão a levar mantas para a escola, porque o frio entra por todos os lados”, referiu.

A Escola da Pousa é frequentada por 40 crianças no jardim-de-infância e 80 alunos no 1.º ciclo. Funciona em dois edifícios, um com mais de 50 anos para o 1.º ciclo, e o outro com cerca de 40 anos.

Segundo Cristiano Coelho, a caixilharia, em madeira, está podre, permitindo correntes de ar que “põem em causa a saúde” das crianças. O responsável contou que num dia de Novembro, numa altura de muito frio, 32 alunos ficaram em casa com sintomas de febre e constipação. Disse ainda que houve mesmo uma criança que “quase entrou em hipotermia”.

As críticas são corroboradas por Gilda Fernandes, também da Associação de Pais, que acrescentou que as casas de banho “são do terceiro mundo”, sendo muitas as crianças que se recusam a usá-las. “São casas de banho que metem medo, só vendo é que se acredita”, referiu.

Os pais queixam-se ainda da cobertura em amianto do edifício que acolhe o jardim-de-infância e aos baldes que lá são precisos colocar para “aparar” a chuva, “que entra sem pedir licença”. “É muito, mas mesmo muito, mau”, referiu Gilda Fernandes, vincando que a escola precisa de uma intervenção “de fundo”.

No último fim-de-semana, os pais colocaram faixas negras nas grades da escola, com frases de protesto pelo estado do estabelecimento de ensino. Para dia 29, está marcada uma manifestação frente à escola.

Contactada pela Lusa, a Câmara de Barcelos disse que as obras na escola avançarão “logo que exista disponibilidade financeira por parte do município”. Disse ainda que o projecto para a empreitada de requalificação “está pronto” e tem um valor base de 967 mil euros, acrescido de IVA.

Madrid proíbe uso de telemóvel nas salas de aulas já no próximo ano letivo

Janeiro 3, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de dezembro de 2019.

A medida vai afetar cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário de 1700 escolas da Comunidade de Madrid, que segue o exemplo dos governos regionais de Galiza e Castela-Mancha.

A partir do próximo ano letivo é proibido o uso de telemóveis nas salas de aula de 1700 escolas públicas da Comunidade de Madrid. Cerca de 800 mil estudantes do ensino não universitário vão ser afetados, escreve o El Mundo. A medida vai ser obrigatória nos “períodos escolares”, exceto quando os telemóveis são utilizados com fins educativos ou em casos de alunos que precisam do aparelho “por razões de saúde ou incapacidade”.

“Esta é uma medida que visa melhorar os resultados académicos dos estudantes, especialmente aqueles que têm grandes problemas com o estudo, e está também focada no combate ao cyberbullying e bullying, justifica um porta-voz do Ministério da Educação, citado pelo jornal.Se os alunos não cumprirem com a medida estipulada pelo governo regional de Madrid, cabe ao professor ou à direção decidir qual a ação corretiva a aplicar, que pode contemplar a apreensão temporária do telemóvel.

Até agora, as escolas publicas em Madrid tinham autonomia para decidir sobre o uso de telemóveis nas salas de aula.

Depois de Galiza e Castela-Mancha, Madrid passa a ser o terceiro governo regional espanhol a proibir o uso de telemóvel nas salas de aulas.

As escolas, acrescenta o El Mundo, podem limitar adicionalmente o uso dos aparelhos em outros espaços da escola, como no recreio.

França já proíbe

Em França, a medida já está a ser colocada em prática desde o ano passado. A “interdição efetiva” foi aprovada a 7 de junho de 2018 na Assembleia Nacional e abrange o ensino básico e secundário. De acordo com o Ministério da Educação francês, trata-se de “medida de desintoxicação” para combater a distração nas salas de aulas e o bullying.

A lei que entrou em vigor no ano letivo 2018-2019 permite que as escolas públicas francesas tomem a decisão sobre como querem aplicar a proibição, podendo numa versão mais simples implicar que os telemóveis são colocados em bolsas específicas dentro das mochilas para permitir o acesso em caso de emergência ou para uso pedagógico, nas aulas. Mas há também a versão mais extrema, de os proibir totalmente na escola, sob pena de sanções.

E em Portugal? “A escola não o pode proibir”

E se as crianças portugueses fossem proibidas de levar telemóveis para as salas de aulas? Professores, pais e psicólogos, ouvidos pelo DN, consideram completamente desajustado proibir o uso dos aparelhos nas escolas.

“As escolas não podem viver de costas voltadas para a sociedade. Se a sociedade permite o uso do telemóvel, a escola não o pode proibir, pode, sim, limitá-lo”, afirma Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. “Se os alunos usam o telemóvel na rua e a escola vai proibi-lo, a escola vai ser ainda mais desmotivadora ou então não tão motivadora.”

Eduarda Ferreira, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e psicóloga educacional também se mostrou contra a medida. “Temos de pôr a escola dentro do telemóvel e não tirar o telemóvel da escola”, afirmou. “Banir é que não. O uso do telemóvel na sala de aula, por exemplo, pode motivar os jovens para aprender”, defendeu.

Já Jorge Ascensão, presidente da Confederação de Pais (Confap) entende que há um trabalho a fazer, mas ao contrário: “É preciso trabalhar o sistema educativo e as relações sociais, incutir valores, ensinar os jovens que têm que respeitar os outros. E essa é uma responsabilidade partilhada dos pais e da escola.”

Indisciplina nas aulas penaliza resultados dos alunos portugueses

Dezembro 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 3 de dezembro de 2019.

Mais de metade dos alunos portugueses (53,5%) assumem não ouvir o que os professores lhes dizem em algumas aulas e cerca de um quinto em muitas aulas.

Quase um terço (30%) queixa-se que os professores, em muitas (19,6%) ou em todas as aulas (8,7%), demoram muito tempo até conseguirem acalmar a turma. No PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) 2018, Portugal acompanha a média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) em Leitura, Matemática e Ciências (que desce relativamente a 2015). Mas a indisciplina e os contextos socioeconómicos puxam os resultados para baixo.

Na avaliação à Leitura, os alunos que se queixaram de ter sempre barulho e indisciplina nas aulas tiveram menos 17 pontos do que os que garantem não ter indisciplina a perturbar as aulas. Mais de 15% dizem mesmo que não conseguem trabalhar em muitas ou quase todas as aulas de línguas. Turcos, espanhóis, mexicanos, israelitas ou italianos queixam-se mais da indisciplina.

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, destaca que Portugal é um dos sete países entre 79 sistemas de ensino analisados que registaram “melhorias significativas” no desempenho a Leitura, Matemática e Ciências desde 2000. Os alunos de 15 anos conseguiram exatamente o mesmo resultado a Matemática (492 pontos) do que em 2015, baixaram ligeiramente a Leitura (de 498 para 492) e deram uma queda maior a Ciências (de 501 para 492), apesar de estarem na média da OCDE.

48% chegam atrasados

Os portugueses também faltam mais e chegam mais vezes atrasados às aulas: em média, na OCDE, 21% dos alunos assumiram faltar um dia às aulas e 48% chegaram tarde à escola nas duas semanas que antecederam o PISA; em Portugal, foram 28% e 50%, respetivamente. Mas estes comportamentos têm um impacto menor nos resultados, já que os que chegam tarde têm apenas menos cinco pontos a Leitura do que os restantes.

O contexto socioeconómico pesa nas aprendizagens. Em Portugal, os alunos desfavorecidos tiveram resultados inferiores em 95 pontos. Em 2009, essa diferença era de 87 pontos. Ainda assim, 10% desses alunos conseguiram atingir os níveis mais elevados dos testes, sendo a média da OCDE de 11%.

Os níveis de resiliência confirmam que “a desvantagem não é um fado”, conclui a OCDE. Em Portugal, a percentagem de alunos desfavorecidos em escolas com contextos favorecidos é superior à média da OCDE: 22% têm hipótese de se matricular em estabelecimentos frequentados por alunos que atingem níveis mais elevados (a média da OCDE é de 17%).

O determinismo manifesta-se nas expectativas dos alunos: um em quatro dos desfavorecidos, resilientes com bons resultados, não espera concluir o Superior. Entre os alunos com melhor desempenho, de contextos favorecidos, é um entre 30.

O PISA revela que, em 2018, Portugal tem mais estudantes de famílias imigrantes (7% dos alunos, mais dois pontos percentuais que em 2015). A média destes alunos em Leitura foi inferior em 32 pontos face aos alunos portugueses. O relatório aponta que um em cada quatro destes alunos vivem em contextos socioeconómico desfavorecidos. Ainda assim, a percentagem de alunos resilientes entre os imigrantes atinge a média da OCDE: 17% conseguiram os melhores níveis de desempenho.

Estudantes de 15 anos de 79 países e economias fizeram os testes em 2018. Em Portugal, a avaliação foi feita por 5932 alunos de 280 escolas, públicas e privadas. A OCDE sublinhou que 4% dos alunos portugueses da amostra, com piores resultados no exame nacional de Matemática, não responderam ao PISA.

Em Portugal, 80% dos alunos atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em Leitura (a média da OCDE foi de 77%). O resultado significa que esses alunos conseguem interpretar textos e procurar informações. Cerca de 7% atingiram os níveis mais elevados de desempenho (5 ou 6), sendo que a média da OCDE foi de 9%. Estes alunos interpretam textos mais longos e estabelecem distinções entre factos e opinião.

Cerca de 77% dos alunos portugueses conseguiram resultados de nível 2 ou superior a Matemática (a média da OCDE foi de 76%). No mínimo, esses estudantes resolvem situações simples como, por exemplo, a distância entre duas rotas ou a conversão de preços em moedas diferentes. Um resultado superior a 5 foi atingido por 12% dos alunos (a média da OCDE foi de 11%). Estes alunos já comparam e avaliam estratégias diferentes para a solução de problemas.

Tal como a Português, 80% tiveram, pelo menos, nível 2 a Ciências. Os alunos conseguiram 492 pontos – menos nove pontos do que em 2015, que os colocou acima da média da OCDE. A queda fê-los regredir para os níveis de 2009 e 2012. Cerca de 6% conseguiram resultados de nível 5 ou 6 (menos 1% do que a média da OCDE). Estes alunos aplicam de forma criativa os seus conhecimentos numa ampla variedade de situações.

Fórum Educação e Mudança – 1 de fevereiro em Lisboa

Dezembro 11, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.fem2020.pt/

Professor cria método para ajudar aluno a aprender a estudar

Dezembro 9, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do El Pais Brasil de 5 de março de 2018.

Modelo de aprendizagem ativa é alternativa a aulas expositivas tradicionais

Em 2009, o filme Entre os Muros da Escola, dirigido por Laurent Cantet, expôs ao mundo as dificuldades de um professor para lecionar a língua francesa em uma escola de ensino médio na periferia de Paris. No final do filme, ele pergunta aos alunos o que eles aprenderam no ano letivo. Para a surpresa do professor, entre depoimentos sobre terem aprendido as proporções da matemática, sobre vulcões e até mesmo expressões em espanhol, uma aluna diz que não aprendeu nada. Segundo ela, o material oferecido pela escola era inútil, mas ela havia lido livros interessantes por conta própria, como a República, de Platão. O professor parece aliviado, mas quando a aula acaba, outra jovem se aproxima dele e revela: “Comparado aos meus colegas, eu realmente não aprendi nada (…) não entendo o que fazemos aqui.”

ssa situação não é muito distante da realidade de um professor brasileiro nos dias de hoje. “O professor prepara a aula, ensina o conteúdo, passa exercício, prova, recuperação e percebe que o aluno aprendeu o básico do básico, às vezes, nem isso”, conta o professor Fábio Ribeiro Mendes, formado em Filosofia e Direito, e especialista em desenvolvimento da autonomia no aprendizado, que desenvolveu um método de aprendizagem ativa, baseado em Oficinas de Estudo.

Há dez anos, Fábio empreende uma cruzada contra o ensino chato, a desmotivação dos alunos e a frustração e cansaço dos professores na prática na sala de aula. Segundo ele, o diagnóstico compartilhado por profissionais de educação mundo afora é que o modelo de aula expositiva tradicional está falido, pois ensina pouco, e não desenvolve as habilidades necessárias para o século XXI. “Os alunos em geral não sabem estudar. Passamos doze anos na educacao básica e não temos uma aula de como estudar. E somos cobrados por uma tarefa que não aprendemos a fazer”, conta o professor.

Com base em sua experiência como aluno, Fábio desenvolveu o Método de Estudo das Quatro Etapas, que norteia as oficinas. “Mesmo sendo um aluno que tirava notas boas no colégio, eu sabia que não era em função do estudo em casa. Eu achava chato estudar. Mas quando fiz o segundo vestibular para Direito e fui rever o conteúdo do ensino médio, notei que já não achava mais tão chato, pois tinha aprendido a estudar sozinho.”

O método se baseia em quatro etapas: 1ª leitura panorâmica (rápida e superficial) do material de estudo; 2ª seleção e marcação dos trechos mais relevantes no texto; 3ª anotações das informações mais importantes; 4ª exercícios (formulados pelo professor ou mesmo com base nas dúvidas dos estudantes), que vão testar o conteúdo aprendido e ajudar os estudantes a levantar dúvidas. A vantagem do método, afirma Fábio, é que por meio de um roteiro de oficina de estudos os alunos acompanham as etapas de ensino, e sabem se estão avançando ou não.

Em seu livro A Nova Sala de Aula, Fábio demonstra como funciona o método na prática. Primeiramente, o professor apresenta aos alunos o material que servirá de base para o estudo, e em seguida, traz as ferramentas (método de estudo), explicando passo a passo cada uma das etapas a serem seguidas. O professor acompanha a prática dos alunos, orientando-os no percurso, porém, é o aluno, em seu próprio ritmo que toma as rédeas de seu aprendizado, lendo e relendo o conteúdo, e mesmo avançando se já o tiver compreendido, até chegar à fase de produção de anotações e elaboração de exercícios. “Estudar não é aquilo que fazemos no colégio, aquilo é receber conteúdo. Estudar é aprender por conta própria com conteúdo inédito. É um mito de que sem um professor não se consegue aprender”, diz Fábio.

A principal mudança em relação ao método tradicional, é que as Oficinas de Estudo são centradas no aluno e não no professor. Fábio, no entanto, é enfático em afirmar que seu método não tem como objetivo acabar com a função da escola ou do professor. Ele explica que, enquanto o ensino tradicional é pensado de forma unidirecional, com alguém que sabe o conteúdo passando para alguém que quer aprender, o que ele propõe é trabalhar com um método que possa ser aplicado dentro das instituições de ensino como elas estão estruturadas, com custo praticamente zero, início imediato e protagonismo dos estudantes nas aprendizagem.

Fábio admite que é recebido com ceticismo nas escolas em que tem implementado o método. “Chego para fazer formação dos professores e encontro profissionais acuados, que escutam que terão de dar aula diferente do que estão acostumados. É tanto peso que o professor carrega, que eles pensam que terão mais uma carga em seus ombros. Eu mostro que estou ciente com as dificuldades e que trabalhar com as Oficinas de Estudos é um método menos desgastante e com mais resultados“, explica.

A principal dúvida dos docentes (e dos pais) é por que o método de aula expositiva tradicional, que educou várias gerações, deixou de funcionar? Fábio explica que alguns anos atrás, antes da massificação da informação, a escola era o único local onde as pessoas tinham a chance de aprender alguma coisa. “Agora com YouTube, Google, Wikipedia, o aluno tem acesso à informação quando quiser. A diferença é que ele não tem ainda a habilidade de saber qual informação é relevante. E é aqui que entra o professor como orientador no percurso de transformar informação em conhecimento.”

Resultados

O método criado pelo professor Fábio vem apresentando bons resultados. Entre abril e maio de 2015, a Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo testou as Oficinas de Estudo em dez escolas da Diretoria de Ensino Região Centro-Oeste, da cidade de São Paulo, com a participação de 1.102 alunos de diferentes etapas de ensino e 97 professores. O projeto, batizado de Aprendizado ativo no cotidiano escolar – Capacitação de Professores em Oficinas de Estudo, mostra que 89,8% dos alunos avaliaram positivamente as oficinas, superando a meta de 75% de avaliações positivas esperadas. Do total, 97,2% constataram aprendizado sem orientação do professor. E apenas 0,6% dos alunos tiveram uma avaliação negativa do método.

Em relação aos professores, 93,8% avaliaram positivamente a formação. Quanto à capacidade da didática ser replicada pelos professores, os dados mostram que, após uma formação de apenas 3 horas/aula, os professores formados alcançaram resultados similares (86,7% de aprovação, 95,9% de percepção de aprendizado e 2,5% de rejeição) aos do professor-instrutor.

Em 2016, outro estudo foi realizado no Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), com 138 alunos regulares do curso de Filosofia. “Apliquei questionários anônimos na primeira aula ministrada como Oficina de Estudo e também no final do semestre”, explica Fábio. O resultado das avaliações positivas (bom ou excelente) caíram levemente (de 95,7% para 93,7%) entre o começo e o fim do curso, com rejeição nula na primeira aplicação e de apenas 0,2% ao final do semestre. “Além disso, após um semestre e aplicações das Oficinas de Estudo intercaladas com debates ou outras atividades, 93% dos alunos afirmaram terem aprendido a estudar melhor por conta própria e 69% afirmaram usar o método das 4 etapas para estudar outras disciplinas”.

Depoimento de quem testou o método na sala de aula

“Meu nome é Sandra Hoffmann e sou professora de Matemática em Santa Cruz do Sul (RS), e sou formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Em 2013 assisti a uma palestra do professor Fábio Mendes e fiquei encantada com a proposta de trabalhar com Oficinas de Estudo. Li o livro A nova sala de aula do autor e decidi aplicar a metodologia em duas turmas de 7º ano da Escola Estadual de Ensino Fundamental Petituba.

Para isto, fiz pequenas adaptações em relação a proposta do livro. O primeiro passo foi a preparação do material para alunos do 7º ano. Organizei cópias de um livro didático sobre equações do 1º grau e distribui aos alunos. Com a minha orientação, eles realizaram as etapas de leitura panorâmica e marcações.

Na matemática é muito importante ter conhecimento prévio de determinados assuntos. Pensando nisso, propus aos alunos a criação de um glossário matemático. Por isso, levei para a aula outros livros didáticos e dicionários, para que os alunos elaborassem o glossário com as definições dos termos que eles desconheciam. Após a elaboração do glossário, foi proposto que os alunos fizessem suas anotações, seja na forma de um esquema, resumo ou tabela, sem se preocupar com certo ou errado.

Com todas as anotações reunidas realizamos um momento de debate. Foi muito enriquecedor, pois fomos além dos conteúdos propostos inicialmente. Por exemplo, foi debatido sobre a diferença entre as dimensões 2D, 3D e 4D, o que provavelmente não teria acontecido se tivesse adotado uma aula tradicional. Não foi necessário que eu explicasse o conteúdo para os alunos, mas apenas esclarecer alguns pontos do material e auxiliá-los a fazer as ligações necessárias entre os conteúdos e o material produzido.

Depois disso, os alunos realizaram exercícios diferenciados usando como consulta as suas anotações. Foi muito interessante acompanhar os alunos fazendo as relações das questões com as suas anotações. Muitos quando tinham dúvidas formularam perguntas melhores do que as levantadas nas aulas tradicionais. Ou até mesmo quando faziam a pergunta já percebiam a relação com o conteúdo trabalhado nas anotações, chegando muitas vezes ao raciocínio da resolução sem o meu auxílio direto.

Uma semana após as aulas, eu me reuni com os alunos para avaliar o método. Eles gostaram e pediram que as oficinas fossem realizadas novamente.”

Qual o futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem?

Novembro 15, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rita Branco publicado no Público de 10 de novembro de 2019.

Quando as crianças são envolvidas no processo de decisão sobre as aprendizagens que se propõe a realizar, conseguem comprometer-se com o objetivo a alcançar e desenvolver sentimentos de competência.

Em cada sala de aula pode existir pelo menos um aluno que, apesar de ter uma capacidade intelectual normal, não consegue aprender a ler, escrever ou calcular ao mesmo ritmo dos colegas (dislexia, disortografia ou discalculia). Para além destes alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, as nossas turmas nas escolas são turmas com uma grande heterogeneidade de alunos, em que cada um tem características próprias que carecem também de atenção especial por parte dos professores. Qual o futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem?

A legislação atual que regula a educação inclusiva, o Decreto-Lei n.º 54/2018, estabelece a escola como um local onde todos e cada um dos alunos encontram respostas que lhes possibilitam a aquisição de um nível de educação apropriado, assim como respostas às suas potencialidades, expectativas e necessidades.

A necessidade de reconhecer a diversidade dos seus alunos e lidar com essa diferença coloca novos desafios e exigências a cada escola. Contribuir para que todos os alunos atinjam o seu potencial é mais do que dar a matéria toda ou chegar ao fim do manual. Também é função da escola ensinar os alunos a assumirem a responsabilidade pela sua aprendizagem, ajudá-los a adquirir competências ao longo da escolaridade obrigatória que lhes permitam exercer uma cidadania plena e ativa. O ensino, neste momento, não consiste em transmitir conhecimentos imutáveis ou técnicas programadas, mas sim em promover competências como a adaptabilidade, criatividade, pensamento crítico, capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoal que possibilitem a criação de habilidades de adaptação às mudanças que a sociedade anuncia. Para isso, os professores precisam de abandonar ou superar modelos pedagógicos anteriores, muitos deles baseados em modelos de segregação, e munirem-se de estratégias que possibilitem maior aprendizagem e envolvimento dos alunos.

Desenvolver competências como a autorregulação da aprendizagem justifica-se, uma vez que esta promove a apropriação de conhecimentos e competências necessárias para a vida pessoal e profissional. A autorregulação da aprendizagem é um processo ativo, através do qual os alunos definem objetivos, planeiam o seu trabalho, tomam decisões estratégicas, monitorizam os processos cognitivos, fazem a gestão de emoções e de recursos, refletem e avaliam os resultados que obtiveram. É o mecanismo que nos possibilita gerir ou regular pensamentos, sentimentos e comportamentos, que se manifestam em ações planeadas e ciclicamente adaptadas para a obtenção de metas e de objetivos pessoais. Este processo é influenciado por fatores metacognitivos, motivacionais, sociais ou culturais. Quando uma criança estabelece um objetivo de aprendizagem e o seu planeamento estratégico, entram em ação as crenças sobre a sua autoeficácia e as suas expetativas de realização, interesse intrínseco, conhecimentos ou experiências anteriores, que vão determinar o sucesso da tarefa. Por exemplo, é comum ouvirem-se pais a afirmar algo do género “eu também nunca fui bom a Matemática” perante as más notas das crianças e jovens nesta disciplina, evidenciando uma cultura em que é normal chumbar na disciplina de Matemática e promovendo a crença que também elas talvez não venham a ter sucesso na disciplina. Outra situação em que podemos influenciar os processos autorregulatórios na aprendizagem das crianças é no momento em que elas entram para a escola, ouvimos frequentemente “vais para a escola, tens de trabalhar para ter boas notas e passar de ano”, explorando pouco os interesses e motivos pessoais das crianças para aprender.

Quando as crianças são envolvidas no processo de decisão sobre as aprendizagens que se propõem realizar, conseguem comprometer-se com o objetivo a alcançar e desenvolver sentimentos de competência. Exercícios como o desenvolvimento de registos diários que envolvam descrições como “hoje quero aprender…, acho que vou conseguir…”, refletir ou tomar consciência do procedimento que usaram, fazer revisões, avaliar os conhecimentos adquiridos, realizar pesquisas ou resumos são formas de desenvolver a autorregulação da aprendizagem.

O futuro das crianças com dificuldades de aprendizagem prepara-se no agora, numa escola que valoriza os alunos, que ensina a aprender a aprender, a aprender a fazer, a aprender a ser e a aprender a viver com os outros.

Psicóloga educacional do CADIn

Agressões a professores e ameaças de morte. Relatos de violência nas escolas

Novembro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem da TSF de 19 de outubro de 2019.

Cátia Carmo

Isabel Vaz e Pedro Nogueira contaram as suas histórias no Fórum TSF desta terça-feira, em que se discutiu se as agressões a professores devem ser um crime público.

A professora Isabel Vaz foi agredida em 2014, enquanto dava aulas numa escola de Ermesinde. O aluno, de 16 anos, deixou-lhe o dedo médio da mão esquerda permanentemente incapacitado. Quando o caso seguiu para tribunal foi condenado a um castigo que não cumpriu.

“Meti um recurso que a senhora juíza fez o favor de esquecer porque não interessava. A família disse que não tinha meios para me ressarcir de nada. Estive 10 meses em casa e foi porque fiz imensos tratamentos de medicina convencional e alternativa. O Estado só me pagou parte desses tratamentos em 2018, passado quatro anos”, explicou Isabel Vaz ao Fórum TSF, conduzido por Manuel Acácio.

Por ser funcionária pública, Isabel Vaz só receberá a indemnização no ato da reforma. Algo que considera extremamente injusto.

“Se até lá não morrermos. Muitas vezes precisamos delas para tratamentos posteriores, como foi o meu caso. Passados dois anos tive de repetir toda a fisioterapia da mão esquerda e aí já não foi considerado acidente de serviço, portanto nem sequer pude meter nas despesas”, contou, indignada, a professora.

O caso chegou a tribunal, mas a docente nem sequer chegou a ser ouvida, apesar de até ter recorrido a um recurso.

“A senhora juíza achou que era um crime menor, que não valia a pena. Tenho uma irmã e uma filha que são advogadas. Metemos um recurso dentro do prazo no Tribunal de Valongo, a juíza nem sequer olhou para o recurso, não lhe interessava, e portanto o assunto morreu na praia. Ao menino nada aconteceu. Passado uns tempos andava a fazer novos disparates”, recordou Isabel Vaz.

“Tive várias ameaças de morte”

Pedro Nogueira é assistente técnico e já foi agredido, em funções numa escola pública, pelo pai de um aluno. O agressor tinha saído da prisão na semana anterior, por um crime de homicídio, e fez várias ameaças de morte ao funcionário da escola.

“Mais de um ano depois não sei do que se passa. O Ministério pura e simplesmente agarrou em mim, depois de vários pedidos, e colocou-me noutro agrupamento que me recebeu algum tempo depois de a junta médica me dar alta parcial. O desacompanhamento é brutal a todos os níveis, somos praticamente ignorados”, afirmou Pedro Nogueira.

A mulher de Pedro Nogueira é professora de ensino especial e também ela já foi agredida por várias crianças.

“Crianças essas que, como é lógico, não têm o discernimento de uma criança normal. As direções, a meu ver, não estão aptas para resolver problemas de conflitos em contexto educativo nem querem saber de políticas educativas problemáticas. Espero que isto mude para bem de todos, não só dos professores”, acrescentou o assistente técnico.

*Manuel Acácio

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