Propostas de atividades para a exploração da temática “Notícias Falsas”

Novembro 9, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da Seguranet de 24 de outubro de 2018.

Propostas de atividades para a exploração da temática “Notícias Falsas” com o apoio de tiras de banda desenhada.
O desdobrável por ser solicitado através do endereço seguranet@dge.mec.pt
http://www.seguranet.pt/…/files/2…/noticias_falsas_final.pdf

 

 

 

Workshop “Meditação para Crianças: Como implementar em sala de aula” – 10 novembro em Évora

Novembro 5, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/2118956435084444/

Regresso às Aulas – Fotografias

Setembro 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Paris
“Rentrée des classes”
Photo de Presse
vers 1980

anonyme
“Rentrée des classes”
Paris 1980

“Liberté d’expression” anonyme Classe Montessori à Berlin, 1949

Imagens retiradas do Facebook Culture und Kultur 

Mais imagens aqui

Acabaram os telemóveis e tablets nas escolas francesas

Agosto 14, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do PPLWare de 31 de julho de 2018.

Há mais de um mês, informámos aqui que em França estavam a ser tomadas medidas para proibir a utilização de telemóveis nas escolas. O ministro da Educação francês batizou tal lei de “medida de desintoxicação” e apenas faltava a votação para saber se iria ser aprovada ou não.

A medida foi a votação ontem e ganhou de forma estrondosa! A partir do início de setembro acabaram-se os telemóveis nas escolhas francesas.

Está aprovada a medida que visa proibir a utilização de telemóveis nas escolas francesas segundo revela o jornal  Le Monde. A proposta do partido de Emammunel Macron, La République en Marche, ganhou com maioria absoluta, tendo conseguido 62 votos a favor e apenas um contra. De referir que o partido de Emammunel Macron detém uma maioria absoluta na Assembleia Nacional.

O que proíbe tal lei?

Esta nova lei, que será aplicada a partir de setembro, permite às escolas decidir o modo como querem aplicar a proibição, podendo obrigar os alunos a colocarem os dispositivos numas bolsas específicas dentro das mochilas escolares, mas permitindo o acesso em caso de emergência, ou uso pedagógico, mas também proibir a sua utilização por completo, sob a pena de sanções. Isto aplica-se a alunos, a partir dos 15 anos, que frequentem a escola secundária.

Crianças entre os três e os 15 anos não poderão ter ligados nas escolas francesas os seus smartphones, tablets, smartwatches ou outros equipamentos com ligação à internet.

Segundo a agência France Presse, a lei faz exceções para “uso pedagógico”, atividades extracurriculares e no caso de alunos com necessidades especiais.

Mais de 90 por cento das crianças francesas entre os 12 e os 17 anos tinham smartphones em 2016, de acordo com a agência reguladora de telecomunicações francesa ARCEP.

Pedro Pinto

 

Telemóveis nas escolas: sim, não, ou nim? No Colégio Moderno há cabines telefónicas

Junho 29, 2018 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 17 de junho de 2018.

O tema está longe de reunir consensos. Os alunos podem ou não levar os telemóveis para a sala de aulas? E para a escola? O dispositivo móvel prejudica a concentração ou pode ser um instrumento pedagógico? Potencializa o bullying e o isolamento social ou é uma inevitável extensão do corpo?

Em Portugal mais de 90% das crianças e adolescentes têm um telemóvel. Entre os 10 e os 12 anos a percentagem é de 83 e entre os 13 e os 17 anos sobe para 97. Estes dados, revelados pela Anacom neste mês e que se baseiam no Barómetro das Telecomunicações da Marktest, revelam ainda que 78% dos jovens entre os 16 e 17 anos usa internet no dispositivo móvel sendo inferior o número dos miúdos entre os 10 e 12 anos que o fazem (38%).

Estes números só confirmam a realidade com que as escolas há vários anos se confrontam e que recentemente voltou a marcar a atualidade quando a França tomou uma medida radical.

O Presidente Emmanuel Macron cumpriu o que prometera durante a campanha eleitoral. A lei aprovada no dia 8 vai banir os telemóveis das escolas e universidades. Nem alunos, nem professores os poderão ter dentro dos recintos escolares. Porquê? Porque, explicou o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, se devem evitar os “maus usos” como “o assédio cibernético, a consulta de páginas pornográficas ou a dependência desses aparelhos, que reduz a atividade física e limita as relações sociais”.

Em Portugal a questão não se coloca a nível central. Cada escola tem autonomia para decretar o que se passa dentro dos seus muros em relação a este assunto. O Estatuto do Aluno diz (artigo 10º alínea r) que este não deve utilizar “quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente telemóveis nos locais onde ocorram aulas ou outras atividades formativas”, abrindo uma excepção desde que “diretamente relacionada com as atividades a desenvolver e esteja expressamente autorizada pelo professor”.

Há de tudo, nos regulamentos internos das escolas portuguesas. Desde a proibição total — os telemóveis não podem ser utilizados em nenhum espaço — à aceitação comedida — sim, podem ser usados durante os intervalos e recreios mas não na sala de aulas — passando pela sua permissão com regras — podem ser manuseados em contexto letivo.

Quando o telemóvel não faz parte da escola

No Colégio Moderno, a norma é o “não total”. Há mais de dez anos que os telemóveis não são permitidos dentro do estabelecimento de ensino privado, não podem ser vistos em todo o campus, nem sequer nos corredores. “A Assembleia Francesa vem de encontro à nossa regra, pelos vistos nós antecipámo-nos”, sorri Isabel Soares, a diretora, em declarações à MAGG. “Devo parecer a jurássica de serviço, mas os meus alunos são muito felizes aqui sem telemóveis. Quando vou a outras escolas vejo cada um dos miúdos a um canto, sozinho com o seu aparelho, mas aqui é diferente, vejo os alunos a correrem, a saltarem e a brincarem uns com os outros”. Eles já “estão sempre agarrados aos telemóveis quando estão fora da escola — é assustador hoje ver uma família num restaurante, em que cada um está preso ao seu aparelho e nada conversam nem comunicam — que ao menos aqui têm um outro tempo e espaço sem ele”.

A falta de socialização é um dos argumentos utilizados a favor da exclusão do dispositivo móvel: sem eles as crianças e os jovens comunicam e convivem mais uns com os outros e têm brincadeiras menos sedentárias durante os intervalos. Esta razão não é incontestada.

Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), que é contra a interdição, discorda. Se é verdade que há crianças que preferem estar fixadas no ecrã, isso “só revela que a escola não conseguiu estimular outras atividades e brincadeiras”, diz à MAGG. “E resolve com a proibição aquilo que devia ser resolvido com educação”, lamenta.

O importante, considera José Moura Carvalho, ex-coordenador do projecto Tablets no Ensino e na Aprendizagem, a Sala de aula Gulbenkian: entender o presente, preparar o futuro, da Fundação Calouste Gulbenkian, é “encontrar o equilíbrio”. Ligado à introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação na educação durante mais de 20 anos, o professor não vê no telemóvel um inimigo da interação entre os jovens e da atividade física. “É necessário que os alunos passem mais tempo em ambientes da natureza, façam exercício, não estejam tanto tempo sozinhos encafuados nos seus telemóveis”. Os resultados das provas de aferição do 1º ciclo vieram “mostrar como alguns não sabem nem saltar à corda nem dar cambalhotas”, recorda à MAGG o antigo chefe da Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas da Direção-Geral da Educação, acentuando que tem de haver um esforço coordenado por parte das escolas e dos pais para promover iniciativas que façam os miúdos mexerem-se. “É possível encontrarem-se vias de não isolamento, de não esnimesmento dos alunos, os professores podem pô-los a fazerem trabalhos corporativos com os telemóveis”, continua José Moura Carvalho que critica a medida francesa: “Não sabia que antes de haver telemóveis não havia bullying ou os jovens não viam imagens pornográficas”.

Já Filinto Lima, Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escola Públicas, que é avesso à proibição tout court do uso de telemóveis, admite, em certas circunstâncias, limitá-los nos recreios. No livro digital que resultou de uma conferência organizada pelo EDULOG, o think thank da Educação da Fundação Belmiro de Azevedo, sobre o uso dos telemóveis na sala de aula, o professor escreveu: “Os intervalos podem e devem ser usados para outras atividades bem mais pertinentes, sobretudo tendo em conta as tenras idades recomendadoras de desgaste de energias.”

Mas, sendo o telemóvel “parte do cérebro dos adolescentes de hoje”, como sustenta o psiquiatra Daniel Sampaio, como separá-los nos intervalos das aulas? Como impedir que os alunos os saquem dos bolsos ou das mochilas para ouvirem música, consultarem as redes sociais, verem vídeos ou mandarem mensagens, por exemplo? Daniel Sampaio não poderia discordar mais da medida francesa ou da imposição do Colégio Moderno: “A proibição não é um bom sistema para lidar com gente nova. Vai haver sempre imensos prevaricadores a causar dores de cabeça aos coordenadores das escolas”, diz à MAGG.

Nada disso, responde Isabel Soares. “É muito esporádico encontrar algum aluno com o telemóvel. Quando isso acontece, é-lhe retirado o aparelho. No início, a associação de estudantes reivindicava o seu uso fora das aulas, mas agora já não. Os mais velhos, os do secundário, podem sair em todos os intervalos do recinto escolar e aí sim, eu vejo-os a pegar nos telemóveis assim que saem”.

Então e uma das grandes vantagens dos telemóveis? O da sensação de segurança? As crianças saberem que a qualquer momento podem contactar os pais e vice-versa? Trata-se de uma falsa questão, explica Isabel Soares. Antes de haver telemóveis esse não era um problema. No Colégio Moderno, frequentado por 1850 crianças e jovens, desde a creche até ao 12º ano, há duas cabines telefónicas públicas que os alunos usam se precisarem de falar com os pais.

Por seu turno, “estes podem sempre ligar para a escola e para os gabinetes dos professores, se precisarem de falar com os filhos”. Isabel Soares não deixa de considerar o equívoco em que muitos pais vivem: “Pensam que controlam os filhos através do telemóvel mas é um engano, todos sabemos que quando eles não querem não atendem as chamadas nem respondem às mensagens, basta ver o comportamento de alguns deles nas saídas à noite”.

O regulamento interno do Liceu Francês de Lisboa também proíbe o uso dos telemóveis no recinto escolar, com alguma tolerância nos espaços exteriores quando for necessário. E isto foi estipulado ainda antes de a lei francesa ter sido discutida e aprovada. Durante uma semana a MAGG tentou que a direcção desta escola explicasse o sistema que ali vigora sobre este assunto, mas sem sucesso.

Quando desobedecer leva a limpar a casa de banho

Com excepção dos casos mais radicais, semelhantes ao preconizado na lei francesa, a maioria das escolas portuguesas admite o uso dos telemóveis nas suas instalações. A diferença surge na sala de aulas onde ou é permitido com regras ou é simplesmente banido. E o problema que aqui se coloca é outro diferente da socialização: pode o dispositivo móvel ser uma ferramenta pedagógica ou não?

Não faltam razões a favor. As três mais frequentemente citadas são: os smartphones são um excelente instrumento de pesquisa dado o universo de informação que oferece, há jogos e aplicações que estimulam o raciocínio e o cálculo mental, há funcionalidades que ajudam o aluno a organizar o seu trabalho.

O que para uns é uma vantagem, para outros é seguramente um foco de distração e de vulnerabilidade. Basta ver tudo o que ele oferece como escreveu o professor universitário João Filipe Queiró no prefácio do livro “Telemóvel na sala de aula: sim ou não?” do EDULOG: “Levar um dispositivo destes para a sala de aula é o mesmo que colocar, sobre a mesa, telefone, leitor e gravador de áudio, leitor e gravador de vídeo, máquina fotográfica, câmara de filmar, jogos de vídeo, jogos de tabuleiro, baralho de cartas, televisão, rádio, jornais, dicionário, enciclopédia, atlas e, last but not least, um aparelho que permite a comunicação pessoal e instantânea por vários canais”. Percebe-se porque é que este professor da Universidade de Coimbra proíbe a presença visível destes aparelhos nas suas aulas.

Vários estudos têm estabelecido uma ligação direta entre a telemóvel e a falta de concentração. Um deles refere que a chegada da notificação de uma mensagem distrai quem estava concentrado e que, mesmo sem ir ver a mensagem, a pessoa necessita de 15 minutos para voltar ao mesmo nível de concentração em que estava antes de o telemóvel dar um qualquer sinal. Pior, um outro estudo do ano passado, citado pela The Atlantic, revela que o telemóvel nem precisa de estar ligado ou visível para ser um ponto de distração, pode inclusive estar silenciado dentro de uma mochila e mesmo assim ter um efeito negativo neste aspeto.

É precisamente por entenderem que o smartphone prejudica a concentração do aluno que muitas escolas, como a secundária Domingos Sequeira, em Leiria, proibiram há vários anos o seu uso nas salas de aula. Muitas têm uma caixa ou contentor junto ao professor onde os estudantes deixam os seus aparelhos antes de a aula começar. “No entanto, podem usá-lo, se o professor assim o entender, este é soberano. Alguns fazem-no”, garante o diretor Alcino Marques Duarte. E se antigamente “os alunos tiravam fotografias e gravavam coisas, causando alguns distúrbios, isso hoje raramente acontece. Temos pouquíssimos casos de cyberbullying”.

O mesmo se passa na escola de Fátima Pinto, a presidente da Federação Nacional da Associação de Estudantes do Ensino Básico e Secundário. “Os telemóveis podem vir às aulas desde que estejam desligados. Se algum aluno é apanhado com ele, fica na posse da direcção que só o entrega ao encarregado de educação cabendo a este decidir quando o devolverá ao aluno”, explica a estudante à MAGG. Isso não impede que a escola (a Básica e Secundária de Escariz, em Arouca)  aplique algumas sanções: “O aluno pode ter de fazer algum trabalho interno, como limpar as casas de banho ou ajudar na cantina”.

Fátima Pinto considera ajustada a lei portuguesa, sublinhando que devem ser “as escolas e não o governo”, a estipular as regras, no que está em sintonia com José Lemos, presidente do Conselho de Escolas que tem a legislação como “suficiente e muito adequada”. Na escola que dirige, a Eça de Queirós, na Póvoa do Varzim, os telemóveis não podem estar visíveis ou audíveis, ainda que desligados, na sala de aula. No entanto, “nada tem a opôr ao seu uso para fins pedagógicos”, ressalva à MAGG.

Quando o telemóvel ajuda a aprender

É o que acontece na Escola Secundária de Carcavelos, um dos “excelentes exemplos portugueses” apontados por Daniel Sampaio na resolução deste problema. O psiquiatra elogia o processo de negociação que houve com os alunos e que permitiu minorar os riscos e os perigos envolvidos na utilização dos smartphones em contexto escolar. Daniel Sampaio, tal como José Moura Carvalho, defende que se façam contratos com os alunos, que não se proíba, mas sim que se regulamente o uso dos telemóveis envolvendo os estudantes nesse processo. Adelino Calado, o diretor deste estabelecimento de ensino, considera-os, “tal como a máquina de calcular, o tablet e o computador, instrumentos de trabalho dentro da sala de aulas”. São “fundamentais para o acesso rápido à informação de uma forma banal, sem grande problema — proibi-los é um erro”. Na escola são muitos os professores que os usam em aulas de História, Artes ou Inglês, por exemplo.

Isabel Soares é totalmente contra: “Numa sala de aulas com 28 alunos, como é que se pode controlar que o aluno está mesmo a usar o telemóvel para o fim que o professor propõs ou se já passou para as redes sociais? Não é realista.” Opinião diferente tem Daniel Sampaio: “Pessoas que pensam assim não acreditam em gente jovem. Mas conseguimos construir com os jovens relações diferentes e construtivas”.

Por isso a Escola Secundária de Carcavelos “consensualizou regras com os alunos”. O processo “não foi fácil, nunca é fácil”, admite Adelino Calado. Mas valeu a pena, sublinha Daniel Sampaio.

O sistema é simples: “Os alunos podem usar os smartphones para fazer uma quantidade de coisas sempre que o professor autorize. Se violarem a regra sofrem as consequências. A sanção, proposta pelos próprios alunos consiste em serem suspensos por um dia”, adianta Adelino Calado. “Em 3000 alunos, mandei 23 para casa, na maioria raparigas do 8º. ano e um ou dois estudantes do secundário”. Nos últimos dez anos têm sido as alunas as que mais prevaricam, não só no uso fora das regras como em alguns casos de ameaças umas às outras via mensagens. Mas de resto, com a regulamentação, quase que se acabou com “a utilização do smartphone para ver filmes ou fazer filmagens ou incorrer em situações de cyberbullying”. É que neste agrupamento de escolas, “faz-se muita formação sobre o uso de meios tecnológicos logo desde o 5º. ano, alertando para os perigos da internet, ensinando a melhor forma de estar nas redes sociais, e educando para um uso responsável desses meios, e de respeito pelos outros”.

Como tudo na vida, conclui o professor, “há que ensinar a usar o telemóvel. Não se pode oferecê-lo a uma criança e nada fazer. Porque senão ela vai aprender sozinha e mais depressa do que nós pensávamos que poderia acontecer”. Alguém “sejam os educadores, a família ou os professores, ensina as crianças e os jovens a lidar com o telemóvel? Talvez seja o momento para o fazer”, sustenta Adelino Calado. E, acrescentano livro do EDULOG, “será necessário muito esforço e paciência mas também informação e conhecimento, talvez os mesmos que despendemos, sem sequer questionar, para ensinar a criança a comer com a colher, o garfo, a faca ou a andar de bicicleta”. 

 

 

Crianças francesas vão deixar de usar telemóvel na escola

Junho 15, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 7 de junho de 2018.

Governo quer que a medida passe antes do início do ano lectivo. Os professores também estão abrangidos.

REUTERS

As crianças francesas vão ser obrigadas a ficar sem telemóveis na escola, prevê um projecto de lei que o ministro da Educação apelidou, nesta quinta-feira, de “medida de desintoxicação” para combater, por um lado, a distracção na sala de aula e, por outro, o bullying.

O Presidente Emmanuel Macron, cujo partido detém uma maioria na Assembleia Nacional, espera que a proposta passe rapidamente, de maneira a impor a proibição antes do início do próximo ano lectivo, em Setembro.

Diz o enunciado do projecto que mais de 90% das crianças francesas com 12 anos ou mais tem telemóvel. “Os telemóveis são um avanço tecnológico, mas não podem monopolizar as nossas vidas”, declarou Jean-Michel Blanquer, ministro da Educação, no canal de notícias LCI. “Ninguém poderá encontrar o seu caminho num mundo tecnológico, se não souber ler, escrever, contar, respeitar os outros e trabalhar em equipa”, acrescentou, justificando assim a medida.

Entretanto, os alunos não são os únicos a ficar sem telemóvel na escola. Também os professores são alvos da mesma medida, numa emenda tardia feita pelos legisladores do partido, no momento em que o projecto deu entrada no Parlamento.

Para o ministro esta era uma medida desnecessária, assim como muitos professores ridicularizaram publicamente a sua inclusão. Por exemplo, Stéphane Crochet, do sindicato de professores da UNSA, disse à rádio RTL que se tratava de um insulto aos adultos, assim como pode ser um risco para a segurança na escola.

Os defensores deste projecto argumentam que o uso de smartphones entre as crianças e jovens contribui para o aumento do cyberbullying, facilita o acesso à pornografia e prejudica a capacidade dos jovens de interagir socialmente.

Outras razões enunciadas para a implementação desta medida são as de segurança, ou seja, evitar o roubo do telefone ou extorsão; e a obsessão por marcas de moda, enumera o ministro.

 

 

 

Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Abril 30, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by sean Kong on Unsplash

Texto do site http://uptokids.pt/

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

 

Aula Aberta “Escolas ONLINE: Utilização saudável das tecnologias e da Internet no contexto educativo” – 9 de maio na Póvoa de Santo Adrião

Abril 30, 2018 às 4:38 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Apesar da entrada ser livre, é sujeita à lotação do espaço, pelo que é necessária inscrição prévia através dos seguintes contactos:

Câmara Municipal de Odivelas – Gabinete de Saúde, Igualdade  e Cidadania

Plano Estratégico Concelhio de Prevenção das Toxicodependências (PECPT)

Tel.: 219 320 970 | e-mail: gsi@cm-odivelas.pt (ou, em alternativa, pedro.fernandes@cm-odivelas.pt e/ou  sandra.silva@cm-odivelas.pt)

 

“Aprender a falar em público deve ter o mesmo peso do que aprender matemática nas escolas”

Abril 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Paco Puentes

Entrevista do https://brasil.elpais.com/ a Neil Mercer no dia 5 de abril de 2018.

ANA TORRES MENÁRGUEZ

Neil Mercer, diretor do centro de Oratória de Cambridge, defende que professores têm que atuar também no desenvolvimento das habilidades não só na transmissão de conhecimento.

Neil Mercer (Lancashire, 1948) dedica sua carreira a estudar como a forma de falar influencia os resultados acadêmicos. Ele acredita que falar em classe é algo tradicionalmente associado ao mau comportamento, e que as salas de aula foram concebidas para que os alunos participem em silêncio. Essa é uma realidade que atualmente não ocorre nos colégios privados britânicos, onde os alunos são ensinados a dominar a arte da oratória. “O discurso é para as elites”, critica o diretor do centro de oratória da Universidade de Cambridge, que recentemente apresentou suas pesquisas à comissão de Educação da Câmara dos Comuns (deputados), propondo que o programa acadêmico das escolas públicas britânicas dê importância à oratória.

O departamento que ele comanda, chamado Oracy@Cambridge, foi criado há dois anos e meio para estabelecer uma ponte entre pesquisa, a prática e as políticas públicas com o objetivo de determinar como a expressão oral deve ser ensinada nas escolas e locais de trabalho. A equipe é composta por oito especialistas em educação, pesquisadores e assessores públicos, e um de seus estudos demonstrou que as crianças que dominam a oratória obtêm melhores nota em matemática e ciências. Mercer já assessorou os governos de Gales e Singapura para incluir a oratória em seus programas acadêmicos.

Para Mercer, professor emérito de Educação em Cambridge, trata-se de uma questão de desigualdade social: os filhos de famílias mais privilegiadas costumam frequentar colégios que os ajudam a melhorar sua expressão oral e dar o melhor de si. Essa habilidade lhes propiciará acesso a melhores postos de trabalho, porque são capazes de negociar. Seu objetivo é formar professores da escola pública para que ataquem o problema de frente e sejam uma segunda chance para as crianças que não aprendem a falar corretamente em suas casas. A linguagem influi no rendimento escolar.

Por que a escola não presta atenção à oratória?

Existe a crença de que os colégios devem se centrar na transmissão de conhecimentos sólidos e que qualquer foco no desenvolvimento das habilidades de pensamento distrairá os professores e alunos desse objetivo. É uma falsa dicotomia. As pesquisas em psicologia e educação introduziram algumas mudanças na nossa forma de entender como as crianças desenvolvem suas habilidades cognitivas. Durante anos usou-se como referência o trabalho do psicólogo suíço Jean Piaget, que sustenta que as crianças aprendem a resolver problemas através de sua experiência direta com o mundo, sozinhos.

Mais tarde, ganhou maior peso a perspectiva de seu contemporâneo russo Lev Vygotsky: as crianças desenvolvem sua compreensão do mundo através da interação com pessoas do seu entorno. Não o fazem como indivíduos isolados, mas absorvem o que veem e o que ouvem dos outros. Em nossas pesquisas vimos que a aquisição da linguagem e a exposição das crianças a conversas bem construídas durante a etapa pré-escolar estão altamente relacionadas com os resultados acadêmicos posteriores. As crianças que de forma regular são envolvidas em diálogos raciocinados em casa ficam mais propensas a serem mais efetivas em sua expressão oral.

As diferenças no nível educativo que as crianças recebem em casa deveriam ser compensadas na escola, já que muitas entram aos três anos.

Quando as crianças chegam à escola, sua forma de falar se baseia na experiência que tiveram em casa, e isso varia muito de famíliapara família, não têm por que terem aprendido as ferramentas que necessitam. É na família onde aprendem a falar, têm seus primeiros diálogos. A língua que experimentam será a base do que são capazes de expressar. Pode ser que nunca tenham escutado uma conversa de qualidade, bem construída e com argumentos ordenados, ou que não lhes tenham pedido que expliquem suas ideias de forma clara. Muitos pais não se animam a tentar. Isso geralmente está associado a uma desvantagem socioeconômica. Algumas crianças serão muito boas inclusive em respeitar a vez de cada um usar a palavra, outros sentirão medo se tiverem que falar em público. Para muitas delas, a escola e os professores são sua única segunda chance de desenvolver a oratória. Como professor, você nunca deve menosprezar sua influência sobre as crianças. A forma pela qual aprendem a falar depende, em muitos casos, da maneira como o docente se dirige a elas.

Na escola pública não existe uma disciplina para aprender a falar bem em público. O que falhou para que se deixe de lado essa competência?

O término oracy (oratória) foi cunhado em 1965 por Andrew Wilkinson, pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de Birmingham, para dar à expressão oral um status similar ao dos literacy skills (habilidades de leitura e escrita). O fato de não se dar importância a ela no programa acadêmico nacional inglês reflete o desconhecimento dos políticos, que veem a discussão em sala como uma mera distração de outras matérias mais relevantes. Eles opinam que as crianças aprendem a falar de forma natural, mas não a ler. No centro de Oratória de Cambridge desenvolvemos métodos para ensinar a dominar a oratória e para avaliar o progresso dos alunos. Se eles aprenderem a se comunicar de forma efetiva, serão mais bem avaliados e participarão com mais sucesso da sociedade. A expressão oral já é ensinada nos colégios privados, acessíveis para as famílias com mais recursos econômicos. Entretanto, esses centros não ajudam a promover a igualdade social e a mobilidade no Reino Unido.

Como explica que aprender a se expressar bem influencie nos resultados acadêmicos de ciências e matemática?

Nosso estudo intitulado Reasoning as a Scientist: Ways of Helping Children to Use Language to Learn Science(“raciocinando como um cientista: formas de ajudar as crianças a usarem a linguagem para aprender ciências”), que publicamos em 2003, demonstra que as conversas podem contribuir para entender melhor as ciências e a matemática. Analisamos a evolução de mais de 200 alunos britânicos de 9 e 10 anos em um programa experimental. Embora os ensinássemos a interiorizar um vocabulário específico, as habilidades descritivas não eram o foco principal, e sim a capacidade de raciocinar em grupo. Medimos o progresso dos alunos através dos exames de matemática e ciências e o cruzamos com todas as atividades que tinham seguido em sala de aula para desenvolver verbalmente seus conhecimentos. O discurso é crucial nas ciências porque se aprende a descrever observações de forma clara, raciocinar sobre causas e efeitos, fazer perguntas precisas, formular hipóteses, analisar de forma crítica as explicações dos outros, resumir resultados… Definitivamente, esses são procedimentos de pesquisa.

A chave é falar em grupo ou ser capaz de preparar e pronunciar um discurso efetivo?

Uma pesquisa em colégios britânicos demonstrou que as conversas que ocorrem em classe quando os professores dividem os alunos em grupo não são cooperativas, nem produtivas, e são desiguais quanto à quantidade de tempo em que cada aluno intervém. Os alunos não têm claro o que se espera que façam ou que elementos constituem uma conversa de qualidade. Os professores raramente deixam claras suas próprias expectativas ou critérios, e não oferecem orientações sobre como se comunicar em grupo de forma efetiva. É preciso ensiná-los a usar a linguagem para perguntar, raciocinar, negociar as ideias e construir decisões por consenso. Nosso projeto Exploratory Talks, dentro do programa Thinking Together, estabelece regras para promover essas discussões em sala de aula: toda a informação relevante é compartilhada, todos os membros do grupo são convidados a contribuírem para a conversa, respeitam-se todas as ideias, todos devem expor de forma clara o seu raciocínio, e é preciso chegar a um acordo.

Como um professor pode saber se está agindo corretamente e se o debate em classe está funcionando?

Se seguir determinadas pautas, comprovará que as condições naturais e habituais que se dão nas conversas ficam suspensas. O status social dos participantes pode ser neutralizado com as regras do jogo, criando uma atmosfera mais igualitária. Por exemplo, as crianças com mais confiança em si mesmas e que costumam falar mais tempo têm a oportunidade de escutar outros pontos de vista. Os mais lacônicos e tímidos, que normalmente ficam calados e em um segundo plano, sentem que sua contribuição é valorizada, que sua voz vale tanto como a dos outros. Perguntas feitas aos demais colegas são premiadas pelo docente e, em longo prazo, isso leva a um melhor entendimento da postura dos outros, a uma maior empatia. Os professores que participaram dos nossos projetos-pilotos nos contam que seus alunos agora são capazes de resolver conflitos fora da sala de aula com maior facilidade. Nosso programa Thinking Together in Maths and Scienceexplica como colocar isso em prática dentro da classe. No próximo mês de setembro ofereceremos em Cambridge o curso de formação de docentes Oracy Leaders, que elaboramos com o Voice 21, a fundação da escola inovadora School 21. É um programa de um ano com apenas quatro sessões presenciais.

 

Bullying: “A denúncia é essencial”

Abril 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Snews

Notícia do https://www.educare.pt/ de 29 de março de 2018.

Qualquer criança ou jovem, seja qual for a idade, pode ser vítima de agressões verbais ou físicas de forma continuada. A isto chama-se bullying. Uma realidade que preocupa pais e professores. O EDUCARE.PT reuniu algumas orientações que podem ajudar a lidar com este problema.

Luis Fernandes, psicólogo escolar e autor do livro Plano Bullying, lembra que a idade em que é mais provável acontecer o bullying é por volta dos 13 anos. Infelizmente para muitos pais, “coincide com a adolescência, a fase em que as crianças se fecham mais”, constata. O que dificulta ainda mais a tarefa dos pais quando suspeitam que algo de errado se passa. É preciso haver “à vontade” para ter aquela conversa onde se vão querer todas as respostas.

Porém, a urgência de saber o que se passa não deve precipitar os pais para um interrogatório. “O ambiente deve ser tranquilo, não ser de crítica e proporcionar espaço para escutar o filho”, adverte o psicólogo. Partilhar com os pais os incidentes de que é alvo não é fácil para a criança. Vários estudos revelam que mais de 60% das vítimas de bullying não contam aos pais nem aos amigos o que se está a passar.

Mas entre o agressor e a vítima existem, na maior parte dos casos, as testemunhas. Crianças ou jovens que são espectadores e receiam envolver-se ou que constituem os “companheiros de crime” do agressor. “A denúncia é essencial”, concorda Luis Fernandes, porque nem sempre as vítimas apresentam sinais que falem por si.

Os alertas surgem quando um bom aluno começa a baixar as notas, começa a não usar o telemóvel ou a Internet, ou se desliga da realidade e da família. Luís Fernandes aconselha os pais a estarem atentos a “mudanças repentinas”, mas adverte: “Sem denúncia é muito complicado ter conhecimento do que se passa na escola.”

Bárbara Wong, autora do guia de relacionamento dos pais com a escola, O Meu Filho Fez o Quê?, aconselha observação redobrada, pois perguntar nem sempre é suficiente para obter respostas. “Os pais devem estar muito atentos.” Para perceber se o filho anda sozinho ou em grupo. “Se for um miúdo isolado é alvo mais fácil de bullying.” Podem também sugerir ao filho que convide os amigos para estudar em sua casa. “São coisas que acabam por ser muito simples, mas permitem aos pais compreender mais do que se passa na escola.”
Investigações feitas nesta área estimam que 70% do bullying acontece no recreio. Longe do olhar dos pais e professores, mas à vista dos funcionários da escola. “Por isso, muito do trabalho dos psicólogos escolares é dar competências aos funcionários para poderem olhar de uma forma mais atenta”, diz Luis Fernandes. Para perceber que “naquele grupo de miúdos onde parece que andam todos às lutas, há um que todos os dias bate noutro”.

Por outro lado, 30% do bullying acontece durante o tempo letivo. “A gestão da sala de aula é cada vez mais complicada”, diz o psicólogo escolar. “Basta um papelinho que circula despercebido ao professor e ninguém sabe o que se vai passar no intervalo.” Para Luis Fernandes, sensibilizar é a palavra de ordem. Elaborar materiais, cartazes com frases alusivas ao problema afixados no estabelecimento de ensino e fazer sessões de esclarecimento são algumas das estratégias possíveis para o conseguir. “É preciso trabalhar o bullying em meio escolar de forma a torná-lo mais evidente, mais visível a todos os alunos que fazem parte da escola”, conclui.

Allan L. Beane, especialista norte-americano na área do bullying, argumenta no seu livro A Sala de Aula Sem Bullying que o professor pode vencer o bully se conseguir mobilizar os restantes alunos da turma a intervir em situações onde qualquer colega esteja em perigo.
A turma pode ajudar o professor a tomar consciência sobre situações que ocorram no recreio ou fora da escola. Através de um inquérito anónimo, onde pede aos alunos que contem experiências onde as palavras ou o comportamento de algum colega os tenham magoado. Mas é importante garantir que as descrições não apontam nomes, alerta o autor.

Além desta recolha de testemunhos, o professor pode usar entrevistas pessoais aos alunos ou a pequenos grupos. Seja qual for a opção, todo o inquérito deve ser antecedido de uma breve explicação sobre o que é o bullying. Os alunos devem ser encorajados a denunciar ao professor qualquer situação que observem, defende Allan L. Beane.

Quando falta o à vontade para o aluno falar diretamente, depois das aulas e em privado com o adulto, é preciso criar outras estratégias. Allan L. Beane sugere o uso de uma caixa de bilhetes para o professor. Assim que receba a denúncia o professor deve atuar. Para mostrar aos alunos que a confiança depositada nele é merecida. Isto implica comunicar qualquer incidente ao diretor de turma e estar preparado para o que se segue.

Em casos extremos o professor deve também reportar o caso à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco ou às autoridades. Mediante a gravidade dos casos, Bárbara Wong lembra que “os professores devem recorrer à polícia, sobretudo quando existe o programa Escola Segura e os agentes trabalham com as escolas”. E apela a que ninguém tenha medo de se envolver em denúncias. Até porque “tanto é agressor o que bate como o que assiste”, conclui.

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