Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Abril 30, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Photo by sean Kong on Unsplash

Texto do site http://uptokids.pt/

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

 

Anúncios

Aula Aberta “Escolas ONLINE: Utilização saudável das tecnologias e da Internet no contexto educativo” – 9 de maio na Póvoa de Santo Adrião

Abril 30, 2018 às 4:38 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Apesar da entrada ser livre, é sujeita à lotação do espaço, pelo que é necessária inscrição prévia através dos seguintes contactos:

Câmara Municipal de Odivelas – Gabinete de Saúde, Igualdade  e Cidadania

Plano Estratégico Concelhio de Prevenção das Toxicodependências (PECPT)

Tel.: 219 320 970 | e-mail: gsi@cm-odivelas.pt (ou, em alternativa, pedro.fernandes@cm-odivelas.pt e/ou  sandra.silva@cm-odivelas.pt)

 

“Aprender a falar em público deve ter o mesmo peso do que aprender matemática nas escolas”

Abril 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Paco Puentes

Entrevista do https://brasil.elpais.com/ a Neil Mercer no dia 5 de abril de 2018.

ANA TORRES MENÁRGUEZ

Neil Mercer, diretor do centro de Oratória de Cambridge, defende que professores têm que atuar também no desenvolvimento das habilidades não só na transmissão de conhecimento.

Neil Mercer (Lancashire, 1948) dedica sua carreira a estudar como a forma de falar influencia os resultados acadêmicos. Ele acredita que falar em classe é algo tradicionalmente associado ao mau comportamento, e que as salas de aula foram concebidas para que os alunos participem em silêncio. Essa é uma realidade que atualmente não ocorre nos colégios privados britânicos, onde os alunos são ensinados a dominar a arte da oratória. “O discurso é para as elites”, critica o diretor do centro de oratória da Universidade de Cambridge, que recentemente apresentou suas pesquisas à comissão de Educação da Câmara dos Comuns (deputados), propondo que o programa acadêmico das escolas públicas britânicas dê importância à oratória.

O departamento que ele comanda, chamado Oracy@Cambridge, foi criado há dois anos e meio para estabelecer uma ponte entre pesquisa, a prática e as políticas públicas com o objetivo de determinar como a expressão oral deve ser ensinada nas escolas e locais de trabalho. A equipe é composta por oito especialistas em educação, pesquisadores e assessores públicos, e um de seus estudos demonstrou que as crianças que dominam a oratória obtêm melhores nota em matemática e ciências. Mercer já assessorou os governos de Gales e Singapura para incluir a oratória em seus programas acadêmicos.

Para Mercer, professor emérito de Educação em Cambridge, trata-se de uma questão de desigualdade social: os filhos de famílias mais privilegiadas costumam frequentar colégios que os ajudam a melhorar sua expressão oral e dar o melhor de si. Essa habilidade lhes propiciará acesso a melhores postos de trabalho, porque são capazes de negociar. Seu objetivo é formar professores da escola pública para que ataquem o problema de frente e sejam uma segunda chance para as crianças que não aprendem a falar corretamente em suas casas. A linguagem influi no rendimento escolar.

Por que a escola não presta atenção à oratória?

Existe a crença de que os colégios devem se centrar na transmissão de conhecimentos sólidos e que qualquer foco no desenvolvimento das habilidades de pensamento distrairá os professores e alunos desse objetivo. É uma falsa dicotomia. As pesquisas em psicologia e educação introduziram algumas mudanças na nossa forma de entender como as crianças desenvolvem suas habilidades cognitivas. Durante anos usou-se como referência o trabalho do psicólogo suíço Jean Piaget, que sustenta que as crianças aprendem a resolver problemas através de sua experiência direta com o mundo, sozinhos.

Mais tarde, ganhou maior peso a perspectiva de seu contemporâneo russo Lev Vygotsky: as crianças desenvolvem sua compreensão do mundo através da interação com pessoas do seu entorno. Não o fazem como indivíduos isolados, mas absorvem o que veem e o que ouvem dos outros. Em nossas pesquisas vimos que a aquisição da linguagem e a exposição das crianças a conversas bem construídas durante a etapa pré-escolar estão altamente relacionadas com os resultados acadêmicos posteriores. As crianças que de forma regular são envolvidas em diálogos raciocinados em casa ficam mais propensas a serem mais efetivas em sua expressão oral.

As diferenças no nível educativo que as crianças recebem em casa deveriam ser compensadas na escola, já que muitas entram aos três anos.

Quando as crianças chegam à escola, sua forma de falar se baseia na experiência que tiveram em casa, e isso varia muito de famíliapara família, não têm por que terem aprendido as ferramentas que necessitam. É na família onde aprendem a falar, têm seus primeiros diálogos. A língua que experimentam será a base do que são capazes de expressar. Pode ser que nunca tenham escutado uma conversa de qualidade, bem construída e com argumentos ordenados, ou que não lhes tenham pedido que expliquem suas ideias de forma clara. Muitos pais não se animam a tentar. Isso geralmente está associado a uma desvantagem socioeconômica. Algumas crianças serão muito boas inclusive em respeitar a vez de cada um usar a palavra, outros sentirão medo se tiverem que falar em público. Para muitas delas, a escola e os professores são sua única segunda chance de desenvolver a oratória. Como professor, você nunca deve menosprezar sua influência sobre as crianças. A forma pela qual aprendem a falar depende, em muitos casos, da maneira como o docente se dirige a elas.

Na escola pública não existe uma disciplina para aprender a falar bem em público. O que falhou para que se deixe de lado essa competência?

O término oracy (oratória) foi cunhado em 1965 por Andrew Wilkinson, pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de Birmingham, para dar à expressão oral um status similar ao dos literacy skills (habilidades de leitura e escrita). O fato de não se dar importância a ela no programa acadêmico nacional inglês reflete o desconhecimento dos políticos, que veem a discussão em sala como uma mera distração de outras matérias mais relevantes. Eles opinam que as crianças aprendem a falar de forma natural, mas não a ler. No centro de Oratória de Cambridge desenvolvemos métodos para ensinar a dominar a oratória e para avaliar o progresso dos alunos. Se eles aprenderem a se comunicar de forma efetiva, serão mais bem avaliados e participarão com mais sucesso da sociedade. A expressão oral já é ensinada nos colégios privados, acessíveis para as famílias com mais recursos econômicos. Entretanto, esses centros não ajudam a promover a igualdade social e a mobilidade no Reino Unido.

Como explica que aprender a se expressar bem influencie nos resultados acadêmicos de ciências e matemática?

Nosso estudo intitulado Reasoning as a Scientist: Ways of Helping Children to Use Language to Learn Science(“raciocinando como um cientista: formas de ajudar as crianças a usarem a linguagem para aprender ciências”), que publicamos em 2003, demonstra que as conversas podem contribuir para entender melhor as ciências e a matemática. Analisamos a evolução de mais de 200 alunos britânicos de 9 e 10 anos em um programa experimental. Embora os ensinássemos a interiorizar um vocabulário específico, as habilidades descritivas não eram o foco principal, e sim a capacidade de raciocinar em grupo. Medimos o progresso dos alunos através dos exames de matemática e ciências e o cruzamos com todas as atividades que tinham seguido em sala de aula para desenvolver verbalmente seus conhecimentos. O discurso é crucial nas ciências porque se aprende a descrever observações de forma clara, raciocinar sobre causas e efeitos, fazer perguntas precisas, formular hipóteses, analisar de forma crítica as explicações dos outros, resumir resultados… Definitivamente, esses são procedimentos de pesquisa.

A chave é falar em grupo ou ser capaz de preparar e pronunciar um discurso efetivo?

Uma pesquisa em colégios britânicos demonstrou que as conversas que ocorrem em classe quando os professores dividem os alunos em grupo não são cooperativas, nem produtivas, e são desiguais quanto à quantidade de tempo em que cada aluno intervém. Os alunos não têm claro o que se espera que façam ou que elementos constituem uma conversa de qualidade. Os professores raramente deixam claras suas próprias expectativas ou critérios, e não oferecem orientações sobre como se comunicar em grupo de forma efetiva. É preciso ensiná-los a usar a linguagem para perguntar, raciocinar, negociar as ideias e construir decisões por consenso. Nosso projeto Exploratory Talks, dentro do programa Thinking Together, estabelece regras para promover essas discussões em sala de aula: toda a informação relevante é compartilhada, todos os membros do grupo são convidados a contribuírem para a conversa, respeitam-se todas as ideias, todos devem expor de forma clara o seu raciocínio, e é preciso chegar a um acordo.

Como um professor pode saber se está agindo corretamente e se o debate em classe está funcionando?

Se seguir determinadas pautas, comprovará que as condições naturais e habituais que se dão nas conversas ficam suspensas. O status social dos participantes pode ser neutralizado com as regras do jogo, criando uma atmosfera mais igualitária. Por exemplo, as crianças com mais confiança em si mesmas e que costumam falar mais tempo têm a oportunidade de escutar outros pontos de vista. Os mais lacônicos e tímidos, que normalmente ficam calados e em um segundo plano, sentem que sua contribuição é valorizada, que sua voz vale tanto como a dos outros. Perguntas feitas aos demais colegas são premiadas pelo docente e, em longo prazo, isso leva a um melhor entendimento da postura dos outros, a uma maior empatia. Os professores que participaram dos nossos projetos-pilotos nos contam que seus alunos agora são capazes de resolver conflitos fora da sala de aula com maior facilidade. Nosso programa Thinking Together in Maths and Scienceexplica como colocar isso em prática dentro da classe. No próximo mês de setembro ofereceremos em Cambridge o curso de formação de docentes Oracy Leaders, que elaboramos com o Voice 21, a fundação da escola inovadora School 21. É um programa de um ano com apenas quatro sessões presenciais.

 

Bullying: “A denúncia é essencial”

Abril 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Snews

Notícia do https://www.educare.pt/ de 29 de março de 2018.

Qualquer criança ou jovem, seja qual for a idade, pode ser vítima de agressões verbais ou físicas de forma continuada. A isto chama-se bullying. Uma realidade que preocupa pais e professores. O EDUCARE.PT reuniu algumas orientações que podem ajudar a lidar com este problema.

Luis Fernandes, psicólogo escolar e autor do livro Plano Bullying, lembra que a idade em que é mais provável acontecer o bullying é por volta dos 13 anos. Infelizmente para muitos pais, “coincide com a adolescência, a fase em que as crianças se fecham mais”, constata. O que dificulta ainda mais a tarefa dos pais quando suspeitam que algo de errado se passa. É preciso haver “à vontade” para ter aquela conversa onde se vão querer todas as respostas.

Porém, a urgência de saber o que se passa não deve precipitar os pais para um interrogatório. “O ambiente deve ser tranquilo, não ser de crítica e proporcionar espaço para escutar o filho”, adverte o psicólogo. Partilhar com os pais os incidentes de que é alvo não é fácil para a criança. Vários estudos revelam que mais de 60% das vítimas de bullying não contam aos pais nem aos amigos o que se está a passar.

Mas entre o agressor e a vítima existem, na maior parte dos casos, as testemunhas. Crianças ou jovens que são espectadores e receiam envolver-se ou que constituem os “companheiros de crime” do agressor. “A denúncia é essencial”, concorda Luis Fernandes, porque nem sempre as vítimas apresentam sinais que falem por si.

Os alertas surgem quando um bom aluno começa a baixar as notas, começa a não usar o telemóvel ou a Internet, ou se desliga da realidade e da família. Luís Fernandes aconselha os pais a estarem atentos a “mudanças repentinas”, mas adverte: “Sem denúncia é muito complicado ter conhecimento do que se passa na escola.”

Bárbara Wong, autora do guia de relacionamento dos pais com a escola, O Meu Filho Fez o Quê?, aconselha observação redobrada, pois perguntar nem sempre é suficiente para obter respostas. “Os pais devem estar muito atentos.” Para perceber se o filho anda sozinho ou em grupo. “Se for um miúdo isolado é alvo mais fácil de bullying.” Podem também sugerir ao filho que convide os amigos para estudar em sua casa. “São coisas que acabam por ser muito simples, mas permitem aos pais compreender mais do que se passa na escola.”
Investigações feitas nesta área estimam que 70% do bullying acontece no recreio. Longe do olhar dos pais e professores, mas à vista dos funcionários da escola. “Por isso, muito do trabalho dos psicólogos escolares é dar competências aos funcionários para poderem olhar de uma forma mais atenta”, diz Luis Fernandes. Para perceber que “naquele grupo de miúdos onde parece que andam todos às lutas, há um que todos os dias bate noutro”.

Por outro lado, 30% do bullying acontece durante o tempo letivo. “A gestão da sala de aula é cada vez mais complicada”, diz o psicólogo escolar. “Basta um papelinho que circula despercebido ao professor e ninguém sabe o que se vai passar no intervalo.” Para Luis Fernandes, sensibilizar é a palavra de ordem. Elaborar materiais, cartazes com frases alusivas ao problema afixados no estabelecimento de ensino e fazer sessões de esclarecimento são algumas das estratégias possíveis para o conseguir. “É preciso trabalhar o bullying em meio escolar de forma a torná-lo mais evidente, mais visível a todos os alunos que fazem parte da escola”, conclui.

Allan L. Beane, especialista norte-americano na área do bullying, argumenta no seu livro A Sala de Aula Sem Bullying que o professor pode vencer o bully se conseguir mobilizar os restantes alunos da turma a intervir em situações onde qualquer colega esteja em perigo.
A turma pode ajudar o professor a tomar consciência sobre situações que ocorram no recreio ou fora da escola. Através de um inquérito anónimo, onde pede aos alunos que contem experiências onde as palavras ou o comportamento de algum colega os tenham magoado. Mas é importante garantir que as descrições não apontam nomes, alerta o autor.

Além desta recolha de testemunhos, o professor pode usar entrevistas pessoais aos alunos ou a pequenos grupos. Seja qual for a opção, todo o inquérito deve ser antecedido de uma breve explicação sobre o que é o bullying. Os alunos devem ser encorajados a denunciar ao professor qualquer situação que observem, defende Allan L. Beane.

Quando falta o à vontade para o aluno falar diretamente, depois das aulas e em privado com o adulto, é preciso criar outras estratégias. Allan L. Beane sugere o uso de uma caixa de bilhetes para o professor. Assim que receba a denúncia o professor deve atuar. Para mostrar aos alunos que a confiança depositada nele é merecida. Isto implica comunicar qualquer incidente ao diretor de turma e estar preparado para o que se segue.

Em casos extremos o professor deve também reportar o caso à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco ou às autoridades. Mediante a gravidade dos casos, Bárbara Wong lembra que “os professores devem recorrer à polícia, sobretudo quando existe o programa Escola Segura e os agentes trabalham com as escolas”. E apela a que ninguém tenha medo de se envolver em denúncias. Até porque “tanto é agressor o que bate como o que assiste”, conclui.

28 estratégias de sala de aula para alunos com défice de atenção ou impulsivos

Março 29, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Um dos grandes desafios para os professores hoje em dia é conseguir gerir turmas de cerca de 30 alunos, em que alguns desses alunos apresentam dificuldades em manter a atenção e/ou revelam excesso de atividade motora e comportamentos impulsivos.

 O presente texto reúne algumas ideias e estratégias simples para que os professores consigam lidar com os alunos com Défice de Atenção, isto é, com crianças com dificuldades em manter a atenção durante um longo período de tempo e que estão “sempre com a cabeça na lua”, mas também com os alunos que apresentem comportamentos impulsivos e excesso de atividade motora, ou seja, crianças com dificuldade em manterem-se focados numa só tarefa e que têm “bicho-carpinteiro”.

Ideias e Estratégias na sala de aula para alunos com Défice de Atenção

  • Faça uma pequena pausa e promova a curiosidade (suspense), como por exemplo olhando ao redor antes de colocar uma questão;
  • Avise que alguém vai ter que responder a uma pergunta sobre aquilo que está a ser dito;
  • Escolha aleatoriamente os alunos para ler/responder a uma questão, de modo a que não consigam prever quando devem estar atentos;
  • Utilize o nome do aluno quando colocar uma questão;
  • Faça uma pergunta simples ao aluno (não relacionada com o assunto em questão) quando perceber que este está a começar a perder a atenção;
  • Crie uma “piada privada” entre si e o aluno, de modo a envolvê-lo novamente na aula;
  • Percorra a sala de aula e dê um toque discreto no ombro do aluno enquanto está a ensinar algo importante;
  • Percorra a sala de aula e vá tocando discretamente no sítio exato da página que está a ser lido ou discutido no momento;
  • Alterne entre atividades físicas e mentais;
  • Aumente a novidade das aulas ao usar filmes, cartões (flashcards), trabalhos de grupo;
  • Incorpore os interesses dos alunos no planeamento das aulas;
  • Dê instruções simples e concretas;
  • Ensine aos alunos estratégias de auto-monitorização;
  • Utilize uma voz suave para dar instruções.

Ideias e Estratégias para alunos com Comportamentos Impulsivos

  • Dê-lhe atenção positiva e reconhecimento tanto quanto possível;
  • Clarifique as regras da sala de aula;
  • Estabeleça um sinal entre si e o aluno;
  • Crie o hábito de esperar 10 a 15 segundos antes de responder;
  • Analise as respostas irrelevantes dadas pelo aluno e procure possíveis relações com a pergunta;
  • Peça ao aluno para repetir a pergunta antes de responder;
  • Escolha um aluno para ser o “detentor da pergunta” (para repetir a pergunta ao aluno);
  • Ao introduzir uma nova matéria, peça aos alunos para fazerem perguntas antes de ser lecionada a matéria;
  • Retire da sala de aula toda a estimulação desnecessária;
  • Certifique-se que as tarefas propostas são curtas;
  • Transmita que a precisão vale mais que a rapidez;
  • Utilizando o relógio da sala de aula, diga aos alunos quanto tempo têm para a realização de uma determinada tarefa;
  • Peça que os alunos tenham um ficheiro com todos os seus trabalhos completos;
  • Incentive o planeamento utilizando com frequência listas, o calendário, tabelas e imagens na sala de aula.

*adaptado de “Suggested Classroom Interventions For Children With ADD & Learning Disabilities”

Artigo publicado pelo Sei – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem.

 

Gamificação nas salas de aula : educar a jogar

Março 27, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

texto e foto do http://uptokids.pt/

Gamificação (ou, em inglês, gamification) tornou-se numa das apostas da educação do século XXI. O termo significa usar elementos dos jogos de forma a engajar pessoas para atingir um objetivo.

Na educação, o potencial da gamificação é imenso: funciona para despertar interesse, aumentar a participação, desenvolver a criatividade e autonomia, promover diálogo e resolver situações-problema.

brincar aprende-se melhor

A brincadeira é uma das atividades que está presente na natureza do ser humano desde o início dos tempos. Podemos brincar sozinhos ou em grupo, sentados em torno de um tabuleiro ou de pé, em casa ou ao ar livre. O como, não é relevante. Através da brincadeira, crianças e adultos aprendem, experimentam e compreendem a realidade ao seu redor.

A gamificação explora esta maneira natural de aprender, utilizando as dinâmicas do jogo em diferentes atividades cujo objetivo vai para lá do entretenimento. O principal objetivo é aumentar o engajamento e despertar a curiosidade dos usuários e, além dos desafios propostos nos jogos, na gamificação as recompensas também são itens cruciais para o sucesso.

Basicamente, este recente conceito consiste em usar ideias e mecanismos de jogos para incentivar alguém a fazer algo. A ideia é criar uma motivação intrínseca, em que o aprendizado acontece através das próprias brincadeiras, sem separar a teoria da prática.

Este movimento de “tornar lúdico” procura sobretudo a melhoria da experiência do usuário, seja ele um estudante ou um trabalhador. A ideia por trás deste tipo de iniciativa é que, se gostamos de um determinado jogo, através do mesmo podemos aprender mais e melhor.

A gamificação é uma resposta a diversos males que afetam a educação tradicional, sendo o maior deles o desinteresse dos estudantes.

Vantagens da Gamificação na aprendizagem

No âmbito do ensino, envolver os alunos em jogos aumenta a motivação e melhora a capacidade de atenção. Ao contrário dos métodos tradicionais (testes, perguntas, ditados etc.), o aluno não é tratado como um elemento passivo ou que apenas reage a estímulos prévios.

Recompensas, status e êxitos (superar certo nível de um jogo) são algumas das maneiras mais comuns de “gamificar” uma atividade.

Um excelente exemplo é Flipped Playground, uma iniciativa promovida pelo professor do 1º Ciclo Michael T. Bennett (do colégio Humanitas Bilingual School, em Tres Cantos, Espanha), que reinterpreta as brincadeiras infantis tradicionais, transformando-as em ferramentas educativas. Bennett dá suas aulas com a ajuda de jogos simples como a macaca, gincanas e um piano gigante.

O professor Bennett transformou, por exemplo, o clássico jogo do Twister num cenário educativo adaptável. O docente modificou vários elementos do jogo tais como os círculos coloridos nos quais as partes do corpo são apoiadas, transformando-os numa série de figuras geométricas. Além disso, as instruções são dadas em inglês – “your left hand on the brown pentagon”. Deste modo, as crianças trabalham com um simples jogo de psicomotricidade, geometria e inglês. O pátio transforma-se numa ludoteca ao ar livre, onde professores e alunos convivem enqunto aprendem.

“O homem não para de brincar porque envelhece, mas envelhece por deixar de brincar” Bernard Shaw.

DO ANALÓGICO AO DIGITAL

Nos anos oitenta os jogos educativos saltaram dos pátios do recreio para os computadores. Inicialmente eram cópias de jogos tradicionais, como baralhos de cartas ou  xadrez transformados em programas de informática.

Mas rapidamente, a  gamificação evoluiu ao ritmo das novas tecnologias. A GlassLab é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve jogos educativos utilizados em mais de 6.000 salas de aula dos Estados Unidos, segundos dados da SRI International. Alguns dos jogos da empresa, como SimCity EDU, são versões educativas de outros já famosos, mas existem os originais, como Ratio Ranchel.

Os professores recebem atualizações instantâneas sobre o progresso dos alunos, bem como sugestões sobre os temas que deveriam ser mais trabalhados. Estas avaliações quantificam o progresso em diferentes áreas: visão espacial, cálculo, capacidade estratégica e de argumentação.

Outro caso de sucesso entre as plataformas de jogos educativos é a Kahoot. Com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais em mais de 180 países, segundo dados da própria empresa, é uma das plataformas que apresenta maior crescimento. Uma das vantagens que distingue esta plataforma norueguesa é que  permite que qualquer pessoa crie as suas próprias atividades.

O CINEMA TAMBÉM SERVE PARA EDUCAR

Outro programa de gamificação com bons resultados é o que se pratica na Universidade de Granada (Espanha), onde um professor do departamento de Educação Física, Isaac J. Pérez, aplica há vários anos esta técnica nas suas aulas.

Isaac J. Pérez utiliza séries e filmes populares como veículo de aprendizagem. Começou com Game of Thrones, e o objetivo era conquistar o Trono de Ferro. Assim, a turma dividiu-se em reinos, cada um deles relacionado a um tema da matéria: Físicor (condição física e saúde), Deporticia (jogos e desportos), Expresanto (expressão corporal) e Naturalia (atividades no meio natural). Em 2016, repetiu a experiência utilizando como fio condutor a trilogia Matrix. O professor mostra-se muito satisfeito com os resultados obtidos. “Os alunos, além de terem aprendido os conteúdos da matéria, melhoraram a sua condição física ao terem de fugir dos sentinelas”, explica.

Mas não se deu por satisfeito, e para este ano preparou um programa inspirado no filme O preço do amanhã. A atividade é baseada numa aplicação desenvolvida na própria universidade, que oferece uma referência constante do tempo que cada jogador conta para manter-se na partida. Os alunos, que têm um tempo disponível para o curso, enfrentam objetivos criativos e formativos para ganhar pontos, e também enfrentam outros alunos, os “rouba minutos”, que sobrevivem roubando tempo.

Seja com cartas, minutos ou videogames, a gamificação chegou para ficar.

Fontes The DailyprosperInfogeekie,

 

O seu filho está distraído nas aulas? Então talvez seja indisciplinado

Março 19, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 25 de fevereiro de 2018.

Inquérito a professores mostra que a maioria considera que a responsabilidade da indisciplina na escola é dos pais. Mais de 60% recorrem à expulsão da sala. Investigador diz que tem que se lidar com o problema “no local que ocorre e não em casa”.

Estar distraído na sala de aula é um comportamento de indisciplina? Um inquérito a que responderam 2348 professores mostra que mais de 80% consideram que sim e que esta é aliás a situação de indisciplina que apontam como mais frequente na sala de aula.

Este inquérito, a que o PÚBLICO teve acesso, foi feito online pelo autor do blogue sobre educação ComRegras, o professor de Educação Física Alexandre Henriques, e os seus resultados podem também ser consultados a partir deste domingo naquela plataforma.

Sobre as situações de indisciplina que mais ocorrem nas salas de aula, os docentes foram confrontados com 20 hipóteses, que oscilam entre os alunos estarem distraídos (86,6%) e a agressão física aos professores (0,6%). No pódio, a seguir à distracção aparece a “interrupção das aulas com comentários despropositados”, “brincarem/fazerem palhaçadas”, “agredirem verbalmente colegas”, “entrarem e saírem das salas aos gritos e empurrões” ou “utilizarem sem autorização aparelhos tecnológicos”.

Apesar desta pormenorização, o presidente da Associação Nacional de Directores de Escolas e Agrupamentos Públicos (ANDAEP), Filinto Lima, ressalva que como “distracção se deve entender a perturbação frequente das aulas por parte de alunos que, por exemplo, também distraem os outros com palermices”.

Já Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), considera que o facto de os professores considerarem que distracção é indisciplina ilude aquela que deveria ser a “questão principal”. “Se estão distraídos por que é que isso acontece e o que se pode fazer para que não seja assim?” — questiona, lembrando a propósito estudos internacionais que dão conta desta característica dos alunos portugueses: gostam da escola, mas não das aulas.

O professor da Universidade do Minho João Lopes, que tem vários trabalhos sobre indisciplina na escola com base em entrevistas a docentes, dá conta que também tem verificado que “a ‘distracção’ é, de longe, o comportamento perturbador mais referenciado pelos professores”.

A este respeito lembra que, sendo a distracção um comportamento bastante normal entre os humanos, esta tende a ser maior nas salas de aula entre “os alunos com poucas competências para acompanharem a matéria que está a ser dada”.

A pequena indisciplina

Apesar das queixas sobre o mau comportamento dos alunos serem recorrentes, a maioria dos inquiridos (64%) considera que nas suas aulas há “pouca indisciplina” e 67,3% dizem o mesmo quando se pergunta sobre a sua escola em geral e não só na sala. Esta é uma percepção que vai ao encontro das queixas que os directores reportam ao Ministério da Educação e que baixaram drasticamente nos últimos anos: o número total de ocorrências participadas baixou de 1321, em 2013/2014, para 422, em 2016/2017.

Alexandre Henriques não deixa, contudo, de se manifestar surpreendido pelo facto de “dois terços dos inquiridos terem referido que há pouca indisciplina”, até porque, lembra, os dois inquéritos anteriores que realizou a directores, em 2016 e 2017, davam conta da existência de um número muito elevado, todos anos, de ocorrências nas escolas. “Hipoteticamente falando, podemos estar perante a banalização da pequena indisciplina. O que no passado era inaceitável, hoje em dia pode ser rotina”, afirma. Mas também há outra possibilidade, admite: “Podemos estar perante uma melhoria dos índices de indisciplina em Portugal.”

E o que fazem os professores perante as situações de indisciplina nas suas aulas? Das 12 hipóteses apresentadas, uma é usada por todos, “advertir com calma”, embora a frequência com que o fazem varie (ver infografia). Quase 93% dos professores referem que alteram a sua metodologia de ensino, 83,8% mandam recados para casa e cerca de 63% optam pela ordem de saída da sala de aula. Sobre esta última opção, Filinto Lima garante que “só é usada quando anteriormente foram utilizadas outras estratégias, que não resultaram”. E refere ainda que com estes alunos mais indisciplinados o problema, “geralmente, vai muito para além da escola”, o que leva a outra percepção generalizada entre os professores. Quando questionados sobre os factores que poderiam diminuir a indisciplina, o mais votado (86,2%) foi este: “maior responsabilização/penalização dos pais”.

“Este descartar de responsabilidades deixa-me triste”, comenta Jorge Ascenção. O presidente da Confap admite que há culpas que podem ser atribuídas a algumas famílias, mas frisa que neste alijar de responsabilidades, tanto por parte das escolas, onde os alunos passam a maior parte dos seus dias, como também de pais, “as vítimas continuarão a ser os jovens”.

“Os encarregados de educação não podem desligar o telefone a um professor, faltar às reuniões, mentir nas justificações de faltas e tudo isso acontece. Justifica-se por isso uma certa revolta e frustração por parte dos professores”, comenta Alexandre Henriques.

Filinto Lima defende que as “responsabilidades devem ser repartidas”. “Os pais não devem desvalorizar a escola e as escolas têm de encontrar estratégias para cativar estes alunos a quem a escola muitas vezes nada diz”, refere.

João Lopes deixa uma advertência: “Esta atribuição da indisciplina nunca alterará a situação, já que esta questão tem que ser lidada no local onde ocorre (sala de aula) e não em casa”. Por outro lado, refere, quando 72% dos inquiridos apontam  a “formação parental” como outro dos principais factores que poderão diminuir a indisciplina, fica evidenciado “o quanto os participantes atribuem esta a factores externos à sala de aula”. “Como, na verdade, jamais conseguirão formar pais, a estratégia está condenada ao fracasso”, avisa.

 

 

Crianças e idosos juntos na sala de aula para definirem o amor, em Vila Nova de Gaia

Março 14, 2018 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

Nelson Garrido

 

Artigo de Miguel Dantas para o jornal Público, em 21 de fevereiro de 2018.

 

No poema da Dona Porcina descreve-se o seu primeiro beijo. Quem o ouve talvez ainda não o tenha dado mas o entusiasmo destes miúdos com menos de uma década de vida fazem-na recuar dos seus 95 anos até ao tempo de meninice. Na Escola Básica das Matas, em Vila Nova de Gaia — uma escola do primeiro ciclo com jardim de infância —, fala-se de amor. Crianças do pré-escolar ao quarto ano aguardam a visita dos seus colegas séniores. Os mais novos fazem desenhos para lhes entregar à chegada. Ao acabarem o trabalho, exibem as suas obras à educadora de infância, cheios de orgulho e aguardando o elogio devido.

Os idosos chegam à escola com um sorriso rasgado. As crianças do quarto ano sabiam o nome de cada um e cumprimentaram individualmente os utentes do Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, que se deslocaram ao estabelecimento de ensino acompanhados por uma funcionária. Os desenhos surpresa que os pequenos do pré-escolar realizaram constituíram “um miminho extra”.

Durante o mês de Fevereiro, a Escola das Matas — que pertence ao Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos — promove uma acção que junta crianças e idosos, pretendendo partilhar a visão que as diferentes faixas etárias possuem sobre o amor. O Projecto Gerações, que tem participantes entre os três e os 95 anos de idade, reuniu poemas e desenhos realizados pelos participantes. A turma do pré-escolar, uma das turmas do quarto ano e alguns utentes do lar da Santa Casa da Misericórdia gaiense associaram-se ao projecto.

A apresentação multimédia — que reuniu poemas e desenhos relacionados com o amor — foi feita com acompanhamento da música O amor é mágico dos Expensive Soul. Os alunos do quarto ano foram trauteando a música, à medida que os poemas e desenhos iam sendo projectados no quadro branco. A cada poema, o rosto do autor iluminava-se. Este efeito não se fez só sentir nas crianças — os idosos não poupavam sorrisos.

Fernanda Seixas, professora da turma do quarto ano, disse ao PÚBLICO que este convívio intergeracional tem como principal objectivo ensinar aos mais jovens “os valores da tolerância e integração”. Cumulativamente, pretende-se que gerações do futuro aprendam desde tenra idade a respeitar e valorizar a população com maior experiência de vida.

Também a educadora de infância, Maria João Lima, diz que se devem adoptar nas escolas portuguesas projectos que, como este, “sejam dinamizadores” e sirvam como uma “abertura de horizontes” das crianças. A educadora realça também a importância da participação familiar na vida escolar pois estes projectos apenas são possíveis devido ao “empenho e envolvimento dos pais”.

O encontro das crianças com os idosos já é acontecimento recorrente na escola gaiense devido à existência de uma parceria com o lar da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, que permite que tanto as crianças como os idosos se visitem mutuamente.

No início da apresentação destes trabalhos sobre o amor, a professora Fernanda Seixas relembrou a dificuldade que grandes escritores como Camões, Camilo Castelo Branco e Florbela Espanca sentiram ao tentar definir este “sentimento que arde sem se ver.

Os poemas vão das — naturais — abordagens engraçadas até aos jogos de palavras e reflexões profundas. Os desenhos realizados pelos alunos da pré-escolar, recheados de corações, mostram a visão de uma criança sobre o sentimento que, em Fevereiro — mês dos afectos e de S. Valentim —, assume importância redobrada.

A dona Porcina — nome carinhoso pelo qual é tratada a senhora de 95 anos — é uma das utentes que visitou a escola gaiense. Vivaça e muito bem-humorada foi sorrindo ao ler os poemas e desenhos que as crianças fizeram. O seu poema faz-nos recuar no tempo até ao seu primeiro beijo. Ri-se quando a professora Fernanda o declama para as turmas.

“As crianças fazem-me lembrar a minha vida de meninice. Tenho muitas saudades dessa vida”, diz , com um brilho nos olhos. Dona Porcina garante que as crianças têm em si “o amor mais puro que existe” porque “não existe nele qualquer malícia”. Para ela, as crianças presentes no convívio são os seus “filhinhos de outros pais”.

Júlia Mendes, funcionária do lar da Santa Casa da Misericórdia, refere que, para os cidadãos séniores “é uma alegria” visitar as crianças.

O próximo evento que aproximará as duas gerações já está a ser delineado. Desta vez, serão as crianças que visitarão o lar gaiense. Uma peça de teatro surpresa foi prometida à comitiva sénior que visitou as turmas da Escola Básica das Matas.

 

Apresentação do livro “Tablets no Ensino e na Aprendizagem” 13 março na Fundação Calouste Gulbenkian

Março 12, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

mais informações:

https://gulbenkian.pt/evento/tablets-no-ensino-e-na-aprendizagem/

Avaliar crianças com dislexia : dicas para professores

Março 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto do site http://uptokids.pt/

Crescer com dislexia pode ser desafiante, quer para as crianças que a apresentam, quer para os professores que tenham de lidar com ela em contexto de sala de aula. Por um lado, dificuldades ao nível da lecto-escrita acabam sempre por reflectir-se em dificuldades na aquisição de todas as disciplinas, sempre que estas impliquem o recurso à leitura e à escrita. Isto pode tornar-se frustrante para crianças com dislexia, as quais podem acabar por sentir-se menos inteligentes e menos capazes do que na realidade são. O desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares resulta muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.

Por outro lado, os professores podem também sentir dificuldades em avaliar aquilo que a criança com dislexia verdadeiramente aprendeu e assimilou. Com efeito, nem sempre aquilo que a criança mostra saber corresponde na totalidade àquilo que ela verdadeiramente sabe. Crianças com dislexia são frequentemente prejudicadas pela sua própria dificuldade em expressar por escrito os seus novos conhecimentos, resultando na sua sub-avaliação.

Em resumo: a existência de dificuldades de lecto-escrita nada tem que ver com dificuldades do foro intelectual da criança. É urgente aceitar isto para, enfim, implementar novas e adaptadas formas de ensinar os conteúdos escolares, e de avaliar o verdadeiro conhecimento assimilado por estas crianças. É fundamental que cada vez mais professores se predisponham a desmistificar noções erróneas quanto às capacidades cognitivas destas crianças, e se abram a novas abordagens de avaliação devidamente ajustadas às suas características especificas. Abordagens essas que visem avaliar de forma justa e objectiva os conhecimentos da criança, sem que a avaliação seja enviesada pelas dificuldades que ela tem em expressar por escrito aquilo que realmente aprendeu.

EIS ALGUMAS DICAS PARA CONSEGUI-LO:

Durante as aulas:

– Permita mais tempo à criança para concretizar em tarefas que requeiram muita leitura e/ou muita escrita (crianças com dislexia têm frequentemente uma velocidade de leitura e escrita inferior);

– Evite expor a criança em frente aos colegas durante a leitura em voz alta (esta prática não é particularmente eficaz para melhorar as capacidades de leitura de crianças com dislexia e, frequentemente, coloca-as em situação de ansiedade desnecessária).

Antes dos testes:

– Indique à criança, de forma explícita, aquilo que deve ela estudar (isto é, especificar o número das páginas do livro), e certifique-se de que ela anotou corretamente essas páginas no seu caderno.

Durante os testes:

– Desvalorize os erros ortográficos; – Procure simplificar os enunciados, por exemplo, dividindo questões longas em questões mais curtas;

– Use vocabulário e frases muito simples nos enunciados;

– Leia as questões individualmente com a criança e certifique-se de que ela as compreendeu;

– Evite que os enunciados sejam apresentados separadamente em duas páginas diferentes (isto é, o texto numa página e as perguntas relativas ao texto noutra página);

– Marque a bold as partes principais dos enunciados;

– Construa os testes com espaçamento duplo e fonte serifada.

 

Centro SEI

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.