5 conselhos para que as crianças naveguem em segurança na internet

Julho 7, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

Não há dúvidas que as crianças de hoje em dia são as mais “digitais” que nunca, e é quase impossível mantê-las afastadas do computador. Os perigos da rede aumentam ao mesmo tempo que esta cresce, e é muito importante que os pais estejam conscientes da necessidade de uma navegação segura. Para facilitar-lhe a vida, deixamos 5 conselhos que os ajudará minimizar riscos através de uma navegação segura na internet.

1.Computador sempre na sala de estar

Este é um dos melhores conselhos que existem, e dos mais efetivos também. A ideia é que os pais possam ver o ecrã do computador (não significa ler o que o seu filho estiver a ver) enquanto estão no sofá. É uma das medidas de segurança mais efetivas que existem, já que é um “travão” para muitas práticas de risco na internet: uso de webcam com desconhecidos, transferência de software pouco fiável ou perigoso entre muitas outras coisas.

2. Crie usuários independentes para cada membro da família com acessos e níveis e segurança distintos

Deste modo pode evitar a instalação de software não desejado que pode colocar em perigo a integridade do computador e também a do seu filho, evitando que se possa aceder por acidente a contas e serviços não aptos para a sua idade.

3. Instale sempre um software antivirus que inclua o controlo parental

Não há desculpa para não fazê-lo. O Window 10 já o tem, e se tiver outra versão há vários antivírus grátis disponíveis. Basta que o transfira e o configure com base nas suas necessidades.

4. Acompanhe e aconselhe os seus filhos nos registos e nos logins

É melhor que os ajude e ensine os seus filhos a registarem-se nas redes sociais ou portais que queiram aceder. Garanta que supervisiona toda a informação que consta em cada uma delas

5. Com as redes sociais é melhor educar que proibir

A partir de uma certa idade, o nível de independência das crianças aumenta e por isso o melhor é ensinar-lhes a usarem adequadamente as redes sociais e ajudá-los a que tenham mais consciência dos perigos que podem encontrar nelas: que tipo de fotos pode mostrar, não ativar a geolocalização ou a não aceitar amizade de desconhecidos.
Com estes conselhos básicos, os seus filhos poderão dar os primeiros passos na internet em segurança. Mas não se esqueça que a melhor medida de segurança é a supervisão; com um pouco de esforço é possível respeitar a sua privacidade sem deixá-los à mercê dos vários perigos existentes na internet.

Por Selectra Portugal

Irmãs portuguesas venceram concurso internacional de robótica

Julho 6, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de junho de 2020.

Troféu foi conquistado na categoria 9-11 anos. Equipa tinha conseguido um lugar no top 5 na edição anterior do concurso

A mais recente edição da Wonder League Robotics Competition, evento mundial de robótica promovido pela empresa Wonder Workshop, teve vitória portuguesa na categoria dos 9-11 anos. As irmãs Beatriz e Flor conquistaram a vitória no evento internacional com o projecto “Mountain Explorers”.

As meninas construíram uma história com as personagens de O Mundo de Craig, uma série da Cartoon Network. Ao enredo juntou-se ainda Dash, um robot construído pelas meninas que desempenhou um conjunto de tarefas. Através da programação desenvolvida pelas irmãs, o pequeno robot conseguiu distinguir os diferentes edifícios de cartão criados para a história, bem como operar uma catapulta amadora com precisão. O robot conseguiu recorrer ao engenho criado com um rolo de papel higiénico e elásticos para lançar uma bola que sobrevoou uma barreira e aterrou num copo de plástico.

No anúncio dos vencedores, a organização elogiou a criatividade e engenho demonstrado pela equipa portuguesa.

A vitória nesta competição acontece na segunda participação das irmãs no concurso. Inês e Flor são estudantes na Escola Básica de Penamacor e na edição de 2018-2019 tinham conseguido um lugar nos cinco melhores da sua categoria.

Na edição conquistada pelas irmãs portuguesas concorreram mais de 8400 crianças, em 4500 equipas provenientes de 91 países.

A escola que cabe num ecrã deixou muitas respostas incompletas

Julho 6, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 23 de junho de 2020.

Reinventaram-se as aulas à distância, mas a educação precisa de afectos próximos. Perderam-se alunos e alguma matéria terá ficado pelo caminho entre os cerca de 850 mil alunos do ensino básico que experimentaram a transição para o digital à força da pandemia.

Teresa Abecasis

Se em Março o factor surpresa obrigou a encontrar soluções de recurso, o início do próximo ano lectivo terá de trazer outras respostas que garantam um acesso universal e inclusivo para todos, dizem vários professores ouvidos pelo PÚBLICO.

No meio da pandemia, o programa Estudo Em Casa, com conteúdos para os alunos do 1.º ao 9.º anos, fez com que a escola pudesse entrar dentro de casa de todos os portugueses através da televisão, lembra Paulo Almeida, director do Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira, em Rio Maior.

“Mas é preciso voltar rapidamente à normalidade”, lembra este professor de matemática chamado a dar aulas na televisão, que considera um “massacre” encher os alunos de aulas por videoconferência.

Quando começou a dar aulas em 1979, Helena Amaral foi colocada na então telescola, cujo programa era orientado pelas aulas transmitidas pela RTP. Nunca imaginou que, prestes a terminar a carreira, tivesse de voltar a socorrer-se do pequeno ecrã.

“Logo que as escolas foram fechadas, eu achei que o melhor era abrir aulas na televisão, porque acho que a televisão chega a todos”, argumenta. Sem saber como será o próximo ano lectivo, esta professora primária elogia os professores que, quase sem tempo para se prepararem, se disponibilizaram para construir uma sala de aulas para as câmaras.

Mas, no próximo ano, estas aulas terão de ser repensadas. “Não há temas que vão crescendo. Há uma aula sobre um assunto. Acaba-se isso, passa-se à frente. E os pequenitos não aprendem assim. Aprendem quando nós estamos ali a moer”, explica.

Helena passou as férias da Páscoa a experimentar as ferramentas que iria utilizar nas suas aulas à distância. Todos os dias faz uma videochamada com a turma do 4.º ano que acompanha na Escola Parque Silva Porto, em Lisboa, e todos os dias lhes envia um plano com fichas, questionários, jogos didácticos ou apresentações para eles prepararem. Para o ano irá começar um novo ciclo com uma turma de primeiro ano e este modelo não serve para os mais novos.

Na outra margem do Tejo, Alexandra Costa debate-se com o problema de tentar ensinar matemática do oitavo e nono anos através do Zoom, a plataforma de vídeochamadas que todos os professores passaram a conhecer nos últimos meses.

Há alunos que não estão a conseguir resolver os exercícios “mesmo com os vídeos explicativos que eu muitas vezes gravo, com os resumos, com as apresentações. Se já em aula, eles precisavam que estivesse constantemente a dar um empurrãozinho, agora eles não conseguem avançar.”

Mas também há os alunos que se revelaram pela positivo durante o confinamento. Aqueles que já possuíam algumas competências, autonomia e capacidade de auto-regulação, “tornaram-se ainda mais autónomos” e “com maior capacidade de gerir as suas aprendizagens”.

O ano lectivo termina esta sexta-feira, e ainda não se sabe como irão regressar as aulas em Setembro. Alexandra Costa acredita que terá de haver um plano para “agarrar os alunos que se perderam nestes meses”.

Os que ficaram com matéria atrasada, os que não conseguiram ter um computador ou uma ligação à internet em casa, os que não têm no lar um ambiente propício para estudar, os que já estavam afastados da escola e que a pandemia atirou para ainda mais longe. “Nós perdemos esses alunos, muitos perdemos. E isto é inadmissível”.

Fotografia de capa do vídeo de António Pedro Santos/Lusa.

Vídeo no link:

https://www.publico.pt/2020/06/23/impar/video/escola-cabe-ecra-deixou-respostas-incompletas-20200623-014545?fbclid=IwAR0LDi-hA7E7Clb-uoS-p6vXXeV-LaPx6vJWx7ci-ZAWGt1sxjaHtq6JIto

15 regras para evitar acidentes na piscina: um guia para um verão seguro perto da água

Julho 5, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle de 22 de junho de 2020.

Nuno de Noronha

O verão é para a maioria das crianças sinónimo de diversão na piscina. Tome nota destas regras.

A melhor forma de evitar acidentes na praia, rio ou piscina é garantir alguns cuidados, que variam consoante a idade das crianças. Até aos 4 anos – ou até a criança aprender a nadar – o mais seguro é usar braçadeiras. A partir dessa idade, coletes e “bolhas” são as opções mais seguras.

O afogamento é uma causa de morte comum, sobretudo em crianças, frequentemente evitável. Bastam 30 centímetros de água para uma criança se afogar. Por isso, ensiná-la a nadar e mantê-la sob vigilância são ações essenciais para evitar afogamento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o afogamento é um processo fisiológico de aspiração de líquido não corporal por submersão ou imersão, que pode conduzir a falta de oxigénio nos tecidos (hipoxia) e a paragem cardíaca. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o afogamento é um processo e os sintomas associados podem ocorrer várias horas após a criança ser retirada da água, nem sempre com um desfecho fatal.

Tome nota destas 15 regras e conselhos

  1. Coloque limites em redor da piscina

Cerque a área da piscina e feche o acesso com um portão que não possa ser aberto por uma criança. A criança nunca deve permanecer na piscina sem vigilância.

  1. Cuidado com os objetos flutuantes

Deve ter cuidado com a quantidade e tipologia dos objetos dentro da piscina. Não se esqueça que estes podem impedir ou dificultar o processo de emersão. Não atire roupa, toalhas ou outros objetos semelhantes para dentro de água.

  1. Mantenha as escadas desimpedidas

Mantenha os acessos à piscina livres para que quem esteja dentro da piscina consiga sair facilmente, sem esforços acrescidos.

  1. Atenção à sucção

A água da piscina está em constante filtração. Existe um sistema que leva a água ao filtro através dos orifícios espalhados pelas paredes e fundo da piscina. Por vezes, dependendo dos sistemas, estes podem sugar os cabelos da criança e mantê-las submersas. Controle estes espaços.

  1. Diga ao seu filho que não corra na área da piscina

Os pisos ao redor das piscinas são escorregadios. As crianças só devem entrar e sair da piscina através das escadas.

  1. Atenção às armadilhas submersas

Alguns utensílios podem prender pés, mãos ou mesmo as crianças debaixo de água. Algumas escadas possuem espaços que podem prender uma criança. Por isso, fique sempre atento aos detalhes da sua piscina.

  1. Atenção redobrada

É muito importante para o desenvolvimento da criança que frequente a piscina e pratique desportos como a natação. Ainda assim, é preciso manter atenção especial quando crianças estão na água.

  1. Não mergulhar de cabeça na piscina

Aconselhe-o a não mergulhar em piscinas. Tanto a criança como os pais devem observar bem o piso da piscina antes de mergulhar, para evitar colisão com outros mergulhadores ou bater com o fundo do tanque.

  1. A criança deve estar sempre acompanhada

Mesmo que a piscina tenha a presença de um nadador salva-vidas, é útil fazer-lhe companhia e observá-lo enquanto nada até que tenha segurança para estar sozinho. Lembre-se: é impreterível que ensine ou ponha o seu filho a aprender a nadar.

  1. Ensine o seu filho a ser responsável na piscina e a respeitar as suas limitações

A natação deve ser feita somente na profundidade em que se sinta confortável e seguro.

  1. Boias essenciais

O uso das bóias é importante, mas não se esqueça que elas nunca substituem a supervisão de um adulto.

  1. Se a criança comer, não deve nadar

O ideal é que espere pela digestão. Nadar com a barriga cheia pode causar paragens digestivas e outros transtornos.

  1. Não permita brincadeiras violentas na piscina

Como empurrar, jogar à apanhada ou simular afogamentos. Não é aconselhável brincadeiras de lutas ou “cavalinhos” na piscina. Uma pancada na cabeça pode resultar em afogamento.

  1. Mantenha a piscina sempre limpa e saudável

Ensine o seu filho a tomar duche antes de entrar na piscina. Não mantenha comidas ou bebidas nas imediações da piscina. Além de poderem sujar a água, os copos potenciam o risco de vidros partidos no fundo da piscina.

  1. Equipamento de resgate próximo

Tenha sempre o equipamento básico de salva-vidas próximo da piscina. As boias e cordas são recomendadas. Tenha um telefone por perto e, em caso de acidente, ligue para o 112 e dê indicações precisas sobre o local onde se encontra.

“A melhor forma de assustar os adolescentes é dizer que assim voltamos ao confinamento”

Julho 3, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 23 de junho de 2020.

O número de infetados com covid-19 está a crescer entre os mais novos. Quase que duplicou nas faixas etárias dos 10 aos 19 anos e dos 20 aos 29. Com o fim do ano letivo à porta, aumenta a preocupação. E há razões para isso.

Pilar tem 16 anos, vive em Paço de Arcos e está no 10.º ano na Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras. Fez anos a 11 de março e já não teve festa, mas mesmo durante o período de confinamento foi autorizada pelos pais a sair de casa, para ir caminhar, andar de skate ou encontrar-se com amigos, poucos, desde que respeitasse as regras necessárias para se proteger do novo coronavírus.

Conhece, por isso, bem, o antes e o depois do confinamento e diz, na sua descontração natural, que acha tudo isto muito estranho. “No início da quarentena, quando a escola acabou, muito pouca gente podia sair de casa e os que podiam tinham muito cuidado, sempre em sítios ao ar livre, como o paredão ou o parque, e com distanciamento. Agora, depois do desconfinamento, apesar de não ter mudado nada porque o vírus não acabou, as pessoas mudaram o comportamento e já não têm cuidado nenhum. Mesmo os pais que não deixavam os filhos sair para lado nenhum, agora deixam-nos sair para todo o lado. Acho que não faz muito sentido”.

Com os espaços de diversão noturna, como bares e discotecas, ainda fechados, multiplicam-se as “reuniões de grupos de cidadãos em espaços públicos ou abertos ao público”, que em junho têm vindo a registar-se com maior frequência, segundo fonte da PSP.

Nos últimos dias, a Polícia de Segurança Pública foi chamada a intervir para dispersar ajuntamentos em Braga, no Porto, em Setúbal, em Carcavelos e um pouco por todo o país. Um amigo da Pilar fazia parte do grupo que no estacionamento da Pastorinha, em Carcavelos, se juntou para homenagear um amigo da escola. “Eram só dez e queriam fazer um memorial a um menino da minha escola que morreu e fazia 17 anos nesse dia, mas houve vários grupos que combinaram coisas ali e acabaram por se encontrar, mas não era para ser tanta gente”, explica.

O amigo da Pilar queria homenagear um amigo, mas a maioria dos grupos que se junta aqui e ali tem outros objetivos. Com os espaços de diversão noturna, como bares e discotecas, ainda fechados, multiplicam-se as “reuniões de grupos de cidadãos em espaços públicos ou abertos ao público”, que em junho têm vindo a registar-se com maior frequência, segundo fonte da PSP.

“Inicialmente e no geral coadunavam-se com as regras de saúde pública em vigor, nomeadamente por se registar distanciamento social e os grupos serem de reduzida dimensão, mas com o progressivo desconfinamento, temos vindo a registar um menor cuidado no cumprimento dessas regras, principalmente por parte dos cidadãos mais jovens. Este tipo de episódios têm vindo a registar-se pelas principais urbes, sobretudo no litoral e durante a noite, em locais tão díspares como parques de estacionamento, postos de abastecimento de combustíveis, praias ou parques e jardins”.

“Acho que nos preocupamos, mas não é pelo facto de a doença ser perigosa, é mais pelo medo de, se o vírus se propagar, haver maior probabilidade de termos que ficar outra vez de quarentena”, diz Pilar.

Coincidência ou não, o número de novos casos entre as faixas etárias mais jovens quase que duplicou desde o início do desconfinamento. A 4 de maio eram 770 os infetados com covid-19 entre os 10 e os 19 anos e 2973 entre os 20 e os 29. Números que a 22 de maio tinham subido para 975 entre os primeiros e 3806 entre os segundos e que hoje, 22 de junho, se saldam em 1522 entre os 10 e os 19 anos e 5657 entre os 20 e os 29.

Números que preocupam Pilar, que selecionou um grupo de amigos com quem podia estar e “tenta manter o distanciamento e os cuidados, mais ou menos”, mas não tanto pela doença em si.

“Acho que nos preocupamos, mas não é pelo facto de a doença ser perigosa, é mais pelo medo de, se o vírus se propagar, haver maior probabilidade de termos que ficar outra vez de quarentena. Não temos medo do vírus, temos é medo do confinamento”, diz, apostando que quando as aulas acabarem, os encontros vão aumentar, de frequência e de convivas.

E nem as notícias de que há mais jovens internados vos assustam? “Quem não sai de casa está sempre a publicar coisas sobre isso e a dizer ‘olhem para isto, parem de sair’, mas quem sai não está muito preocupado. Eu acho que a melhor forma de, entre aspas, assustar as pessoas da minha faixa etária para que tenham mais cuidado é mesmo dizer que se continuar assim é provável que voltemos ao confinamento”.

O professor Daniel Sampaio esboçaria talvez um sorriso se ouvisse a Pilar, mas para o psiquiatra e especialista em adolescência é fundamental que os adolescentes tomem consciência dos riscos que correm. Sabe que a equação é difícil, mas é precisamente por isso que não é de agora que advoga que deveria existir uma estratégia de prevenção especificamente dirigida a esta faixa etária.

“Do ponto de vista da saúde mental, é essencial que eles convivam, não se pode ter adolescentes fechados em casa, mas tem que se passar a mensagem de que têm que ter muito cuidado, proteger-se e não minimizar a doença, porque já há neste momento evidência de que também os jovens podem ter formas graves da mesma. Aliás alguns estão internados no hospital de Santa Maria”, diz.

Na opinião de Daniel Sampaio, esta é uma semana crucial porque na sexta-feira acabam as aulas, o tempo está bom e eles vão tocar a reunir.

“É preciso falar com os jovens diretamente, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem tentado isso, mas é preciso que os organismos da saúde se reúnam com associações juvenis e vão onde os jovens estão para passar a mensagem que é: saiam, estejam com os amigos e os namorados ou namoradas, mas em grupos pequenos, mantendo o distanciamento e protegendo-se. A noção de risco para um adolescente é completamente diferente da de um adulto, mas temos que chamar a atenção para o risco usando o facto de infelizmente haver jovens com doença grave internados nos hospitais”, diz o psiquiatra.

A coordenadora da unidade de internamento de contingência de infeção viral emergente do hospital de Santa Maria, Sandra Braz, que recentemente viu aumentar bruscamente o número de doentes entre os 18 e os 30 anos concorda com Daniel Sampaio.

“É preciso transmitir a informação de uma forma mais clara, sem mal entendidos como aconteceu com a questão dos assintomáticos – os doentes mesmo sem sintomas transmitem a doença -, e isto passa por ações estruturadas e concertadas junto dos jovens e da comunidade. Ir aonde eles estão. Algumas figuras públicas que sejam admiradas pelos mais jovens poderiam ajudar, por exemplo, a passar a informação de forma correta, baseada não na experiência de cada um, mas na informação dos profissionais de saúde“.

“Os adolescentes merecem atenção, porque faz parte da adolescência testar a autoridade, desafiar, experimentar, querer pertencer ao grupo e quando estão juntos são muito de partilhar comida, copos, garrafas, telemóveis, mas, apesar de tudo, os pais têm maior influência sobre eles”, diz Sandra Braz.

Mas, ao contrário de Daniel Sampaio, os adolescentes não são a maior preocupação de Sandra Braz. “Parece-me mais fácil que um adolescente se torne responsável, se lhe dermos informação, do que os adultos jovens como os que tenho internados aqui, que parece que estão a brincar com isto tudo. Os adolescentes são por definição curiosos e tentam informar-se e procurar as fontes corretas, os jovens adultos acham que sabem tudo e não precisam de procurar nada, por isso acho que estão em maior risco”.

De acordo com a médica, estes são jovens que no trabalho tomam todos os cuidados, mas quando estão com amigos acham que não há precauções a tomar. “Associaram a ideia de desconfinamento a que estava tudo bem e podiam relaxar, acham que a doença só é transmitida por quem tem sintomas, o que não é verdade, e dizem que só têm 18 anos uma vez e não vão limitar as suas escolhas. Isto é preocupante. Os adolescentes merecem atenção, porque faz parte da adolescência testar a autoridade, desafiar, experimentar, querer pertencer ao grupo e quando estão juntos são muito de partilhar comida, copos, garrafas, telemóveis, mas, apesar de tudo, os pais têm maior influência sobre eles”, diz Sandra Braz.

Os números confirmam a opinião da médica. 5657 infetados entre os 20 e os 29 anos para 1522 entre os 20 e os 29. O verão e as férias escolares serão a prova de fogo. A PSP estará atenta e promete vigilância dos espaços públicos “em particular, aos ajuntamentos com mais de dez ou 20 pessoas e ou em que não seja observado o distanciamento social, recorrendo a todos os poderes legais para fazer cessar tais situações de risco de contágio acrescido”, garante fonte desta força policial.

9 mitos associados às dificuldades de aprendizagem

Julho 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

9 mitos associados às dificuldades de aprendizagem

Existem vários mitos associados às Dificuldades de Aprendizagem Específicas:

  • uma criança com dificuldades de aprendizagem tem uma inteligência mais baixa?
  • Uma criança que escreve os números de baixo para cima tem dislexia?
  • Só os rapazes têm dislexia?
  • Uma criança com dificuldades de aprendizagem não pode ter boas notas?

Estes mitos dificultam muitas vezes o diagnóstico destas dificuldades na criança e, por conseguinte, o início da sua intervenção terapêutica.

Juntámos alguns dos mitos e perguntas mais frequentes relativamente a este assunto, com o intuito de ajudar pais, professores e todos quantos têm de intervir em crianças com Dificuldades de Aprendizagem.

1.AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS SÃO SINÓNIMO DE BAIXA INTELIGÊNCIA

Errado.

Pelo contrário, estudos feitos ao longo da última década demonstram que alunos com Dificuldades de Aprendizagem Específicas têm uma inteligência dentro da média ou mesmo acima da média. O que acontece é que estes alunos apresentam desempenhos abaixo do que seria de esperar tendo em conta o seu perfil cognitivo, em uma ou em mais áreas específicas.

2.TENHO QUE ESPERAR ATÉ AO FINAL DO 2º ANO DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO PARA O MEU FILHO FAZER UMA AVALIAÇÃO EM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS

Errado.

Embora um diagnóstico de Dificuldade de Aprendizagem Específica só deva ser formalmente fechado após dois anos de escolaridade formal, não significa que o seu filho não possa ter sinais de alerta antes disso. Nesse caso, deverá ser avaliado e apoiado através de intervenção terapêutica o mais cedo possível. Quanto mais cedo a criança iniciar o processo de intervenção, mais sucesso esta terá.

3.O MEU FILHO ESCREVE A MAIORIA DAS LETRAS E DOS NÚMEROS DE BAIXO PARA CIMA, LOGO, ELE TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

É comum, tanto no ensino pré-escolar como no início da escolarização, as crianças terem dificuldade em escrever as letras e os números, frequentemente escrevendo em “espelho”, da direita para a esquerda ou de baixo para cima. A maior parte das crianças vai corrigindo estes erros à medida que vai sendo exposta à aprendizagem das letras, da leitura e da escrita. Apenas situações em que não sejam capazes de ultrapassar este tipo de erros sozinhas, poderão ser indicadoras de alguma dificuldade mais específica.

4.AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS TÊM CURA

Errado.

As Dificuldades de Aprendizagem Específicas não têm cura, uma vez que resultam de uma disfunção neurológica de carácter permanente. Não são, por isso, uma doença que possa ser curada. No entanto, atualmente já existem diversas estratégias e métodos de intervenção psicopedagógicos que podem ser utilizados em crianças com Dificuldades de Aprendizagem Específica, de forma a ajudá-las a ultrapassar ou a minorar as suas dificuldades. Quanto mais precoce for a implementação destas estratégias, maior a probabilidade dos resultados alcançados serem melhores.

5.NÃO É POSSÍVEL TER SUCESSO ESCOLAR E PROFISSIONAL QUANDO SE TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

São vários os exemplos de pessoas bem-sucedidas profissionalmente e que têm diagnósticos de Dificuldades de Aprendizagem Específicas (e.g., Dislexia), tais como: Beethoven, Walt Disney, Bill Gates ou Tom Cruise. Quanto mais precocemente o diagnóstico for feito e, por consequência, mais cedo se der início à intervenção, maior a probabilidade de sucesso da criança, quer académica, quer profissionalmente.

6.SÓ OS RAPAZES É QUE TÊM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS

Errado.

Apesar de os rapazes serem mais vezes referenciados pelos professores, não existem diferenças significativas entre rapazes e raparigas. O que sucede é que os rapazes são frequentemente diagnosticados mais cedo, geralmente devido a causas comportamentais, uma vez que parecem apresentar maior dificuldade em gerir a frustração nas situações em que as suas dificuldades específicas se tornam mais evidentes.

7.O MEU FILHO TEM UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA, POR ISSO NUNCA VAI TER BOAS NOTAS

Errado.

Se o seu filho for apoiado através de uma intervenção específica e intensiva, de forma a colmatar as dificuldades causadas pela Dificuldade de Aprendizagem Específica diagnosticada, e se a esta se associar motivação e esforço, bem como suporte dos vários agentes educativos, então estão reunidas todas as condições para que o seu filho seja bem-sucedido, quer académica, quer profissionalmente.

8.SÓ UM MÉDICO PODE DIAGNOSTICAR UMA DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

Errado.

As Dificuldades de Aprendizagem Específicas não podem ser encaradas como um problema médico, nem podem ser diagnosticadas por um médico, uma vez que estes não têm conhecimentos de avaliação da leitura, da escrita e do cálculo. Para além disso, não existe medicação que cure as Dificuldades de Aprendizagem Específicas.

9.AS ADEQUAÇÕES CURRICULARES PARA AS CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICAS SÃO UMA INJUSTIÇA PARA AS OUTRAS CRIANÇAS SEM DIFICULDADES

Errado.

A abordagem de ensino mais justa acontece quando o professor consegue providenciar a cada aluno aquilo que é necessário para que este seja bem sucedido em contexto escolar. Deste modo, as adaptações que os professores fazem são uma tentativa de criar condições equitativas, quer em situação de teste ou num trabalho de casa, e não uma forma de atribuir vantagens aos alunos com Dificuldades de Aprendizagem Específicas. Na realidade, um aluno com Dificuldades de Aprendizagem Específicas terá que se esforçar tanto ou mais que outro aluno, apesar das adaptações individuais.

Centro Sei

Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem

Como promover o processo de ensino-aprendizagem em crianças com dificuldades de aprendizagem?

Junho 30, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

As dificuldades de aprendizagem podem, todavia, manifestar-se, atenuar-se ou mesmo acentuar-se no decorrer das diferentes fases do desenvolvimento.

Os alunos com dificuldades de aprendizagem, entre outras questões, tendem a sentir maior dificuldade na aquisição de aptidões importantes para melhorar os seus desempenhos académicos. Contudo, estes alunos são capazes de aprender, tal como qualquer aluno, mas a um ritmo diferente e através de ferramentas pedagógicas específicas, importantes de conhecer.

Por norma, quanto mais cedo forem diagnosticadas e implementadas as medidas mais adequadas para as ultrapassar, melhor será a capacidade de resposta da criança, ao nível da produtividade e da própria eficácia, muitas vezes, ilustrada nos resultados. Se conhece e contacta regularmente com crianças com este tipo de perfil, mãos à obra! Há imensas estratégias e metodologias que quando devidamente implementadas podem fazer a diferença e alcançar real sucesso.

Antes de mais, nunca devemos esquecer que, em termos gerais, as dificuldades de aprendizagem específicas não têm cura na medida em que resultam de uma disfunção neurológica permanente. Representam assim, um enorme desafio para a educação em geral: como transmitir conhecimento a estas crianças? Na atualidade, já dispomos de métodos de ensino com resultados comprovados, assim como, cada vez mais profissionais da área da educação capacitados para lidar com a diversidade e especificidade das diferentes dificuldades de aprendizagem.

Importa ter em consideração que educar os alunos para a vida não significa apenas transmitir conteúdos, mas também ensiná-los a viver de forma autónoma, a serem responsáveis, a se relacionarem com os outros e auxiliá-los na construção de um projeto de vida. Neste sentido, cada professor saberá encontrar, em simultâneo, a melhor estratégia para apelar à motivação e interesse de cada aluno procurando promover, não só o gosto pelo conhecimento, pela aquisição do saber, assim como desenvolver alguns vetores essenciais, inerentes à compreensão, à auto-estima, ao respeito por si, pelo outro, à tolerância, à interajuda/cooperação, comunicação, de forma a tornar-se um cidadão realizado e produtivo. Trabalhar numa ótica inclusiva, mediante a integração de atividades lúdicas costuma ser uma boa ferramenta. O objetivo é estimular a criança a desafiar as suas próprias limitações, de uma forma despretensiosa e a aceitar que, apesar de todos serem diferentes, com características muito específicas, todos somos iguais na demanda de um objetivo comum, a aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem podem, todavia, manifestar-se, atenuar-se ou mesmo acentuar-se no decorrer das diferentes fases do desenvolvimento (infância, adolescência e vida adulta), como tal, é essencial saber dominar um vasto leque de ferramentas para as conseguir colocar em prática sempre que se considerar necessário.

Existem várias ferramentas educacionais, (muitas até já pertencem às rotinas diárias de algumas salas de aula) que, quando corretamente elaboradas e implementadas, podem fazer a diferença no processo de ensino-aprendizagem. A título exemplificativo, salientamos apenas alguns aspetos aparentemente simplistas, mas muitas vezes capazes de marcar a diferença:

– Plano de Trabalho – Observação e compreensão: é fundamental que o professor conheça bem a turma para que consiga elaborar um plano de trabalho eficiente através dos meios adequados e ao seu dispor;

– Avaliação – É uma das principais formas para conhecer as reais dificuldades do aluno e as suas necessidades, permitindo depois em função dos resultados, implementar novas estratégias específicas de aprendizagem capazes de ajudar a superar os problemas evidenciados.

– Contextualização – Além de relacionar os assuntos com o quotidiano dos alunos, é importante estabelecer uma relação entre os conceitos e conteúdos e as respetivas disciplinas.

Os professores são assim fundamentais na identificação de eventuais dificuldades de aprendizagem do aluno. Podem assim, assumir um papel essencial no futuro de cada aluno a vários níveis, quer como observadores e analistas, quer como figuras de apoio. É igualmente importante que os próprios alunos reconheçam essas capacidades no professor. Por exemplo, ao caminhar pela sala de aula e verificar de perto a forma como os alunos participam nas respetivas atividades, o professor está a exercer o seu papel de observador. E quando faz algum comentário em relação a uma eventual dificuldade manifestada por determinado aluno está a cumprir o seu dever de analista.

Por outro lado, quando dá uma orientação específica a um aluno com o intuito de que este consiga superar uma determinada dificuldade, orientando-o para o caminho para a respetiva resolução.

Para além da formação académica, durante o ano letivo, cada professor tende a desenvolver e a colocar em prática vários conhecimentos adquiridos através da sua formação contínua e/ou da sua prática pedagógica. No entanto, essa conjugação de saberes e competências, por si só, embora muito relevante, não encerra por si e nem sempre é capaz de conferir respostas adequadas a cada caso, até pela diversidade e complexidade de situações apresentadas que muitas vezes ultrapassam a área do ensino e cruzam-se com outras áreas do saber (como a medicina, a psicologia, a psicopedagogia, a psicomotricidade, o domínio da linguagem).

Neste sentido, a chave para a promoção de práticas educativas cada vez mais inclusivas passa pelo trabalho em parceria, colaborativo, com equipas multidisciplinares capazes de conferir respostas eficazes e atempadas que vão ao encontro das reais necessidades de cada aluno. A conciliação de sinergias tanto na identificação como nos processos de avaliação e intervenção tornam-se fulcrais para o sucesso educativo e para o bem-estar de toda a comunidade educativa.

Maria de Lurdes Rodrigues. “Manter as crianças em casa significa 30 anos de retrocesso”

Junho 30, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 20 de juno de 2020.

 José Pedro Frazão

Antiga Ministra da Educação defende que a escola é uma instituição essencialmente presencial e reconhece que é preciso melhorar a formação de professores para um ambiente letivo com maior utilização de tecnologias.

A generalização de ensino à distância não é aconselhável, salvo como complemento de actividades presenciais. A opinião é da antiga Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, actual reitora do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, convidada do podcast ” Adiante” da Renascença em parceria com a sociedade de advogados Gama Glória. Numa reflexão sobre o futuro da educação pós-pandemia, em conversa com André Júdice Glória, a antiga governante defendeu que a alternativa não é o regresso das crianças às suas casas para terem aulas.

“Poderemos ter que manter as crianças em casa mais uns meses. Isso pode-nos ser exigido. Mas contrario a ideia de que isso é uma visão positiva do mundo futuro. É uma ideia muito negativa. Perderemos muito, as crianças perderão muito. Serão 30 anos de retocesso se viermos a optar por comodismo, conforto, por medo, se viermos a optar por essa situação”, afirma Maria de Lurdes Rodrigues no “Adiante”.

A antiga titular da pasta sublinha que a escola só cumpre a sua missão se for “funcionalmente diferenciada” para que os jovens possam distinguir que “há um espaço para aprender, outro para divertir, outro para estar com a familia, porque a vida em sociedade organiza-se assim em espaços funcionais”. Maria de Lurdes Rodrigues considera “absolutamente crítico e negativo” o uso do ensino à distância nos primeiros anos de escolaridade.

“O ensino à distância é um recurso para fazer chegar conhecimento mais longe e a mais pessoas. Mas não é um substituto da escola e da universidade”, insiste a socióloga que preside ao ISCTE. ” A escola é um espaço de diferenicação funcional. Foi inventada para estabelecer essa diferença entre a familia, o local de trabalho e o local de lazer. Até hoje passado mais de um século as sociedades não conseguiram inventar outras instituições que substituíssem a escola”, complementa na Renascença.

A antiga governante distingue a actual experiência de disseminação de aulas pela televisão do modelo anterior de telescola usado nas décadas passadas.

“A experiência de telescola foi extraordinária no passado no sistema de ensino português. Permitiu o acesso à escola a milhares de crianças, sobretudo meninas que não poderiam nunca frequentar o cilco preparatório. Mas a telescola não se passava na casa dos meninos. Eles deslocavam-se à escola onde estavam uma televisão e um adulto que os acompanhava nesse processo de aprendizagem”, salienta Maria de Lurdes Rodrigues no podcast “Adiante”.

Computadores não substituem salas de aula

A reitora do ISCTE-IUL defende que “encher as casas das crianças mais pobres de livros, de equipamento não substituirá a escola” embora reconheça que o acesso possa ser melhorado “com infraestruturação com banda larga em todas as regiões do país, com disponibilização de equipamento como tablets e computadores por todas as famílias e com ligações à internet”. Admitindo que esta situação se mantenha “ainda durante algum tempo”, Maria de Lurdes Rodrigues considera que não é possivel colocar esse cenário como uma aspiração de futuro.

“Se a escola do futuro for a presença das pessoas em casa, estamos a devolver às familias, ricas ou pobres, a responsabilidade de transmissão de conhecimento. E sabemos que a produção e transmissão de conhecimento não se faz no espaço das famílias, mesmo quando se trata de professores universitários, investigadores ou pessoas muito informadas”, argumenta a antiga Ministra da Educação.

Maria de Lurdes Rodrigues desafia a ideia de que o futuro é algo indefinido em matéria de políticas públicas. “O futuro será o resultado das decisões e das acções que tomarmos hoje mesmo. O futuro não é algo que nos espera, é algo que construiremos para nós e para as gerações vindouras e que começa hoje e não amanhã”, afirma a socióloga.

“Uma das coisas que me fizeram impressão nesta crise foi a forma fácil como se descartou grande parte do conhecimento que já existia, não apenas sobre pandemias mas também outros aspectos da nossa vida. O conhecimento não deve ser descartado. É muito cumulativo, tem uma forma cumulativa de desenvolvimento. É muito mau quando descartamos, ignoramos e procuramos não ver aquilo que já conhecemos”, afirma a antiga titular da pasta da Educação.

Mais formação digital para professores

As soluções de emergência adoptadas neste contexto não são soluções de futuro, sublinha a reitora do ISCTE-IUL. Ainda assim a crise pandémica veio revelar ” um enorme atraso não apenas no acesso a meios de comunicação e na infraestruturação de todo o país, meios tecnológicos para aceder a toda a informação”. Maria de Lurdes Rodrigues lembra que muitas famílias não tinham acesso a tablets e computadores a par de um “défice de produção de conteúdos” sob as mais diversas formas.

“Os conteúdos continuam a ser preferencialmente um manual ou cadernos de exercicios quando hoje há uma grande disponibilidade de meios digitais para apoiar a actividade dos professores e dos pais no ensino. Isso está por fazer. A formação de professores é talvez um dos pontos fracos que a Covid revelou e que precisamos de enfrentar”, constata a antiga governante.

Insistindo que o ensino à distância não deve ser um objectivo das universidades e das escolas mas deve apenas ser considerado para conseguir chegar a alunos que estão deslocados ou que estão impedidos de se deslocarem à escola, a socióloga insiste que o lugar dos estudantes e dos professores é na escola.

“Não por acaso na maior parte dos paises a regulamentação do ensino à distância exige que entre 25 a 30 por cento das actividades sejam desenvolvidas presencialmente. Mesmo no ensino à distância organizado, creditado, credenciado, como os cursos de e-learning que proliferam, só estão autorizados a proporcionar cerca de 70 a 75% das suas actividades à distância. Algum sentido há nesta determinação. O sentido é a valorização das actividades presenciais sempre que possível”, sustenta Maria de Lurdes Rodrigues

Medidas para o próximo ano lectivo

Como reitora do ISCTE- IUL, a preparação do novo ano lectivo assenta no essencial na actividade presencial.

“Os professores dão aulas não a partir de casa mas a partir da universidade. Depois os alunos podem ir rodando semanalmente, se as dificuldades se mantiverem. Mesmo com estas regras sanitárias, podemos fazer melhor no que respeita à presença dos alunos e dos professores nas escolas. Há muitas soluções que podem ser encontradas”, adianta Maria de Lurdes Rodrigues que confessa preocupação com o acolhimento dos alunos que vêm do ensino secundário e que entram pela primeira vez na universidade.

“É um problema sobre o qual estamos a reflectir porque a nossa determinação é proporcionar a esses alunos uma experiência de vida universitária tão completa quanto possível. É evidente que os alunos que estão no segundo ou terceiro anos, mesmo nos primeiros anos de mestrado, têm já uma experiência de vida universitária que não torna tão urgente encontrar soluções para superar a dificuldade da distância. Estou segura que vamos encontrar soluções mistas, se se mantiver este quadro”, remata a socóloga que dirige uma das principais faculdades de Lisboa.

Alunos carenciados não levantam computadores por serem emprestados

Junho 30, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 22 de junho de 2020.

A covid-19 mandou os alunos e professores para casa a 16 de março, as aulas ficaram suspensas e, posteriormente, a aprendizagem passou a ser feita maioritariamente à distância. Nem todas as famílias têm um computador e internet em casa, por isso foi decidido atribuir estes meios às famílias mais carenciadas. Mas, em muitos casos, quando souberam que os tinham de devolver, acabaram por não os levantar.

Foi o que aconteceu no Agrupamento de Escolas Professor Lindley Cintra, no Lumiar, em Lisboa, onde um primeiro levantamento concluiu que eram precisos 140 conjuntos (computador e router, um dispositivo com dados de Internet) para equipar as famílias carenciadas das suas escolas. Apenas foram levantados 39, ou seja, menos de um terço (27,8 %).

“A grande maioria dos encarregados de educação contactados, sabendo que os equipamentos eram cedidos a título de empréstimo e que teriam de ser devolvidos após o términus do 3º período (até 5 de julho), optou por não recorrer a este mecanismo”, explica ao DN João Martins, o diretor do agrupamento,

Estavam a contar com as necessidades a nível de equipamento informático dos alunos dos 3º e 4º anos dos escalões A e B (carenciados) e com Necessidades Educativas Especiais, de forma a “facilitar a aprendizagem neste período de aulas não presenciais”. Informaram todos os encarregados de educação em causa, por carta registada quem não conseguiram contactar, e com as condições do empréstimo.

O equipamento foi entregue pela Câmara Municipal de Lisboa ao agrupamento Lindley Cintra a 29 de março. Faz parte dos 3580 computadores que a autarquia entregou às escolas do concelho, que inclui “a totalidade de alunos de escalão A e B de 3 e 4 ano do 1 ciclo de escolaridade”, informam do gabinete de Manuel Grilo, o vereador dos Direitos Sociais/Educação.

Escolas de Lisboa receberam 3580 computadores

Esclarecem que o equipamento é “propriedade do agrupamento pelo que serão devolvidos às escolas findo o período letivo para as reequipar, para os projetos que entenderem. No caso em que os computadores não são entregues, foi decisão da direção do agrupamento que utilizará estes equipamentos nos projetos escolares do próximo ano”.

Aquele foi o procedimento na generalidade das escolas, refere o presidente da Associação Nacional dos Diretores Escolares, Manuel António Pereira. Contactaram em primeiro lugar as autarquias, mas também entidades públicas e associações, para angariarem o material informático e a forma de acesso à Internet. Depois, cada agrupamento organizou a entrega desses materiais.

“As escolas começaram por disponibilizar os equipamentos que tinham, posteriormente, contactaram os municípios, as associações e lançaram plataformas para angariar equipamento. Boa parte dos municípios conseguiram arranjar a maioria dos computadores, emprestando-os as escolas, mas também a sociedade civil contribuiu. Os que foram entregues pelos municípios têm de ser devolvidos”, especifica Manuel António Pereira.

No caso de Lisboa, os computadores não atribuídos ficam para as escolas, até tendo em vista uma redistribuição no próximo ano letivo. É, também, essa a indicação seguida a nível nacional.

Manuel António Pereira é diretor do Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto, em Cinfães, onde foi concluído que 300 alunos não tinham materiais em casa para seguirem as aulas à distância, o que representa um terço dos estudantes do agrupamento. E apenas conseguiram 125 computadores, com a autarquia a disponibilizar 85. Não chegaram para as necessidades e três ou quatro foram devolvidos, “por dificuldades em manusear o computador”, acabaram por ser entregues a outros alunos.

O dirigente conhece situações em que as famílias não levantaram os equipamentos, por ser uma situação pontual. “Quando os pais perceberam que tinham de assinar uma declaração em que se comprometiam a devolver os computadores em bom estado no final do ano letivo, tiveram receio que os filhos os estragasse e acabaram por não os levantar”, justifica.

O DN questionou o Ministério da Educação sobre as necessidades dos alunos em equipamento informático indicadas pelas escolas e quantos foram efetivamente usados. Em resposta, o ministério referiu que não existe esse levantamento, uma vez que esses meios foram disponibilizados maioritariamente pelas autarquias. Isto, apesar de Manuel António Pereira informar que têm registado todos esses dados numa plataforma da Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares.

Contactos efetuados pelo DN permitiram perceber que, por exemplo, a Câmara Municipal de Ponte da Barca entregou 50 computadores do projeto Altice (router com acesso à Internet, banda larga móvel,) e 86 tablets Android, sendo que 47 com router.

A autarquia de Ourique comprou 82 tablets e 31 routers, no valor de 24 mil euros e a Câmara Municipal do Fundão disponibilizou 272 computadores e 95 routers e, também aqui, foram todos distribuídos.

Se eu brincasse como se o mundo não me visse: o retraimento social na primeira infância

Junho 29, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de junho de 2020.

Entre 10% a 15% das crianças apresentam níveis intensos e prolongados de vergonha e retraimento que as podem impedir de aproveitar oportunidades importantes para o seu desenvolvimento.

Maryse Guedes

Tal como os adultos, é frequente que as crianças de idade pré-escolar sintam vergonha e se retraiam perante pessoas e situações novas ou com os quais estão menos familiarizadas. Geralmente, esta vergonha e retraimento iniciais desaparecem ao fim de algum tempo. Em níveis moderados, têm uma função protetora, permitindo-nos ter um comportamento social ajustado e evitar a exclusão social.

Contudo, 10% a 15% das crianças apresentam níveis intensos e prolongados de vergonha e retraimento que as podem impedir de aproveitar oportunidades importantes para o seu desenvolvimento. Geralmente, estas crianças falam com facilidade em casa, mas escondem-se atrás dos pais quando têm de cumprimentar adultos no dia a dia. Mostram interesse em interagir com as outras crianças, mas não têm a iniciativa de se juntar a elas para brincar. Brincam de forma descontraída em casa, mas retraem-se quando têm de desempenhar atividades frente aos outros (ex., demonstrações artísticas ou desportivas) ou de participar em festas. É frequente que os pais destas crianças digam que têm “dois (duas) filhos(as) diferentes: um(a) dentro e outro(a) fora de casa” e que expressem o desejo de que elas brinquem em contexto social como em casa — como se o mundo não as visse.

Porque é que algumas crianças apresentam estes níveis mais intensos de vergonha e retraimento social? Os estudos associam o retraimento social em idade pré-escolar a uma característica de “feitio” ou temperamento que pode ser observada desde o primeiro ano de vida, sob forma de reações emocionais negativas intensas e prolongadas perante estímulos novos. Na sua génese, encontram-se fatores biológicos, nomeadamente um sistema de defesa mais sensível, situado na parte mais antiga do nosso cérebro. Apesar da influência de fatores biológicos, tal não significa que a criança e os pais tenham culpa e que nada possa ser feito. Pelo contrário, a família pode aprender e implementar estratégias que transmitam à criança que as suas características são aceites e respeitadas, mas que, simultaneamente, a incentivem a aproximar-se, passo a passo, das situações sociais que receia.

É comum que os pais se sintam frustrados ou desapontados perante os sinais de retraimento da criança e que possam ter a tentação de “empurrá-la” para as situações, especialmente quando estes sinais são confundidos com má educação ou desinteresse em contexto social. Embora nem sempre seja fácil, é importante que os pais evitem rotular a criança (ex., é tímida), corrijam as pessoas que o façam e reconheçam as suas áreas fortes (ex., capacidade de observação, perspicácia, criatividade) para que ela sinta que as suas características são aceites e respeitadas. A normalização do medo como parte da experiência humana comum e o incentivo à identificação e partilha das situações que o espoletam e dos sinais com que este se manifesta no corpo (com histórias ou filmes de animação infantis) também contribui para fomentar um ambiente familiar seguro, em que a criança se sente compreendida e apoiada.

Por outro lado, a preocupação dos pais em relação aos sinais de retraimento da criança pode levá-los a serem mais protetores, dizendo-lhe o que fazer ou falando no seu lugar. Embora tenham a melhor das intenções, estas respostas parentais não ajudam a que a criança desenvolva a confiança necessária para enfrentar, passo a passo, os seus medos. No dia a dia, a participação ativa em pequenas decisões ajustadas à idade e a brincadeira livre liderada pela criança ajudam a promover a independência e confiança em contexto seguro. Estas conquistas servem de base para que, a pouco e pouco, sem “empurrar” a criança demasiado “depressa”, os pais criem pequenos desafios que ela é capaz de enfrentar (ex., manter-se ao lado dos pais, sem se esconder, perante adultos do quotidiano). Antes dos desafios, é importante que os pais salientem as vantagens de experimentar as coisas, mesmo que tenhamos medo delas (ex., ser ainda mais corajosa do que já é, fazer coisas importantes), transmitam à criança confiança de que é capaz e a preparem para o que vai acontecer, utilizando, por exemplo, o jogo de faz-de-conta.

Dar atenção e encorajar todas as conquistas da criança, persistir na prática dos mesmos desafios até se tornarem muito fáceis para ela e transmitir-lhe uma atitude de “não há problema” quando as coisas correm menos bem são ingredientes-chave para que ela possa aprender a brincar e a aproveitar as oportunidades do mundo, quando este tem os olhos postos nela.

Maryse Guedes, investigadora, Centro da Criança e da Família, William James Center for Research

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