Carta aos pais separados ou divorciados durante a pandemia

Abril 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de publicado no Público de 23 de março de 2020.

A forma como os pais separados ou divorciados se relacionarem um com o outro, durante esta crise, será crucial para o bem-estar dos filhos num momento muito crítico para eles.

No contexto de pandemia covid-19, a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Ministério da Saúde, informaram no dia 14 de Março que “entrámos numa fase de crescimento exponencial da epidemia” e “é muito importante que todos colaborem nas medidas de contenção” para se tentar travar a propagação da doença. A DGS refere que “o isolamento social é uma prática para ser levada a sério”. Desde o dia 16 de março 2020, e pelo menos até 9 abril (altura que o Governo volta a avaliar a situação), todas as escolas vão estar fechadas e os nossos filhos vão ficar em casa. Através da Resolução do Conselho de Ministros, no dia 18 de março de 2020, foi decretado o estado de emergência em Portugal, para prevenir e conter a propagação do vírus.

“Estabelecer que, durante o período em que durar o estado de emergência, os cidadãos só podem circular na via pública para algum dos seguintes propósitos (…) g) Deslocações por outras razões familiares imperativas, designadamente o cumprimento de partilha de responsabilidades parentais, conforme determinada por acordo entre os titulares das mesmas ou pelo tribunal competente” (Resolução do Conselho de Ministros no dia 18 de março de 2020).

Existem muitas informações, opiniões e conselhos a circular, por vezes contraditórios, que em vez de tranquilizarem os pais provocam-lhes uma enorme insegurança. É fundamental que os pais estejam bem informados para poderem falar e explicar aos filhos o que se está a passar, mas para isso devem previamente colher informações seguras, de fontes credíveis, como é o caso dos sítios da Direção Geral de Saúde (www.dgs.pt) e da Organização Mundial de Saúde (www.who.int).

Esta situação de crise representa um momento de elevada exigência, em termos de adaptação social e psicológica dos diferentes elementos da família. A forma como os pais separados ou divorciados se relacionarem um com o outro, durante esta crise, será crucial para o bem-estar dos filhos num momento muito crítico para eles.

É fundamental que, embora afastados pela necessidade de isolamento social, ambos os pais continuem a assumir as suas funções educativas e a participar nas diversas atividades do dia-a-dia dos seus filhos, promovendo, desta forma, a sua segurança, assegurando-lhes que tudo correrá bem neste período.

A coparentalidade e o envolvimento empenhado dos pais nestas situações de risco, devem ser exercidas em prol da sua aproximação para uma tomada conjunta de decisões e sua cooperação, que assegurem a sua consistência, apoio recíproco, e a divisão de responsabilidades, de forma a e serem os primeiros protetores dos filhos que partilham.Muitos filhos, nesta fase, estão com medos a que os pais devem estar atentos. Este sofrimento pode ser diminuído, se as medidas forem tomadas em sintonia entre os pais, se forem bem orientadas, assegurando que, ao longo desta crise, as crianças viverão num clima de confiança, favorecedor do seu equilíbrio emocional. Neste momento, é essencial que os pais divorciados ou separados deixem de lado todos os desacordos e pensem na saúde e proteção dos filhos, dos familiares e dos amigos. A forma como os pais agem condiciona não só a forma como as crianças vão lidar com as situações de imediato, mas também a forma como ao longo da vida lidarão com outras semelhantes.

Na minha experiência de consulta em psicologia, tenho acompanhado inúmeras situações em que as mães e os pais separados ou divorciados não têm a oportunidade de partilhar informações e decisões inerentes às suas responsabilidades parentais sobre os seus filhos, isso cria verdadeiras situações de desespero e de reforço do sentimento de incapacidade de acompanhamento das medidas de saúde dos filhos por parte outros pais: “Estou muito angustiado… não sei nada dos meus filhos” é uma expressão que escutamos frequentemente.

Também tive já a oportunidade de acompanhar uma situação em que o pai e a mãe separados decidiram, nesta situação de crise, voltar a juntar-se na mesma casa para criar melhores condições de se apoiar e poderem estar ambos junto dos filhos. Recebi de um deles a informação: “Estamos em minha casa, estamos a apoiar-nos”. Noutra situação, em total concordância de ambos, ficou um dos pais com os filhos, e o outro numa situação mais afastada, mas de apoio e comunicação constante e securizante: “Decidimos em conjunto que neste momento era melhor ficarem com o pai, porque eu continuo a trabalhar no hospital.”

O dia a dia dos filhos, mesmo separados do pai/mãe, carece de acompanhamento de ambos. O pai/mãe que não estiver com os filhos deverá ser informado diariamente de como o outro está a gerir as rotinas dos filhos, bem como o primeiro deve aceitar as ajudas que necessita do outro (por exemplo, levar comida, medicamentos) para evitar que os pais que tenham de permanecer em casa sejam obrigados a sair muitas vezes.

Acabando os condicionalismos do período decretado de isolamento social com um dos pais, os filhos deveriam passar estar na casa do outro pai/mãe, retomando rapidamente as rotinas de partilha anteriores. Neste caso, os filhos podem ser compensados com um período maior de permanência com o pai/mãe com quem estiveram privados de conviver.

Os filhos que estão separados dos pais podem combinar diariamente fazer videochamada, para se verem, conversarem e partilharem rotinas do seu dia-a-dia ou telefonemas.

Em acordo e cooperação sobre a organização da vida dos seus filhos durante o estado de emergência, os pais separados ou divorciados estarão a dar um contributo inestimável para a prevenção da propagação do vírus e para o bem-estar dos seus filhos.

Psicóloga e terapeuta familiar

Como evitar os transtornos de sono e falta de vitamina D no seu filho durante a quarentena

Abril 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 25 de março de 2020.

O isolamento social exigido para fazer frente à pandemia de COVID-19 pode levar as crianças a desenvolver problemas de sono, alimentares ou por falta de vitamina D. Médico espanhol ensina a evitá-los.

Cada vez mais países da Europa estão a decretar a quarentena obrigatória para fazer frente à pandemia de COVID-19. Espanha está há mais de uma semana em suspenso na esperança de travar o avanço da infeção. Mas o isolamento social pode provocar outras problemas de saúde a que se deve estar atento, afirma o médico espanhol Manuel Antonio Fernández em entrevista ao ABC. E as crianças também podem sofrer com a medida.

Problemas de sono. De acordo com o neuropediatra espanhol, o isolamento social por longos períodos de tempo pode provocar transtornos do sono, nomeadamente insónias — um problema que, segundo o especialista, afeta uma em cada três crianças. Manuel Antonio Fernández argumenta que, se dormirem pouco, mal ou em horários diferentes dos habituais, as crianças podem também desenvolver mudanças de personalidade ou irritabilidade.

O melhor, acrescenta o médico, é não alterar os horários e hábitos de sono: “Isso não significa que precisa de acordar o seu filho todos os dias à mesma hora, mas tem de ser constante na hora aproximada de acordar e dormir, desde que durma as horas necessárias e não acabe com o sono completamente revertido”, acrescentou ao ABC.

Enquanto dormia – o Miguel Pinheiro ou a Filomena Martins preparam para si um guia resumido do que se passa, logo de manhã pelas 9h00, todos os dias úteis.

Cada vez mais países da Europa estão a decretar a quarentena obrigatória para fazer frente à pandemia de COVID-19. Espanha está há mais de uma semana em suspenso na esperança de travar o avanço da infeção. Mas o isolamento social pode provocar outras problemas de saúde a que se deve estar atento, afirma o médico espanhol Manuel Antonio Fernández em entrevista ao ABC. E as crianças também podem sofrer com a medida.

Problemas de sono. De acordo com o neuropediatra espanhol, o isolamento social por longos períodos de tempo pode provocar transtornos do sono, nomeadamente insónias — um problema que, segundo o especialista, afeta uma em cada três crianças. Manuel Antonio Fernández argumenta que, se dormirem pouco, mal ou em horários diferentes dos habituais, as crianças podem também desenvolver mudanças de personalidade ou irritabilidade.

O melhor, acrescenta o médico, é não alterar os horários e hábitos de sono: “Isso não significa que precisa de acordar o seu filho todos os dias à mesma hora, mas tem de ser constante na hora aproximada de acordar e dormir, desde que durma as horas necessárias e não acabe com o sono completamente revertido”, acrescentou ao ABC.

Transtornos alimentares. É outro aspeto a que deve estar atento, segundo o especialista entrevistado pelo jornal espanhol. O aborrecimento que brota do isolamento social pode fazer com que as crianças procurem conforto na comida. O resultado? Come demais e, muitas vezes, de forma pouco saudável.

Por isso, Manuel Antonio Fernández recomenda que os pais evitem que os filhos consumam “hidratos de carbono e açúcares” em excesso. E que pratiquem desporto com ele: “Reserve um tempo para brincar com o seu filho à moda antiga. Sugira jogos nos quais precisem de correr e pular. E coloquem desafios a serem alcançados”, sugeriu.

Se estes conselhos não forem seguidos, o neuropediatra afirma que as crianças podem desenvolver problemas de obesidade e sedentarismo: “Comer muito e mal, ter um sono de má qualidade e exercitar pouco são os três pilares da obesidade infantil”, avisa o especialista espanhol. E tudo se agrava quando se está trancado em casa por haver pouco espaço para exercícios físicos mais intensos.

Falta de vitamina D. É um problema que, tal como os transtornos alimentares, também podem afetar adultos. O médico espanhol explicou ao ABC que a baixa exposição solar pode provocar falta de vitamina D, importante para a saúde dos ossos. “Não deixe o seu filho passar o dia todo no quarto trancado, sem ver o sol. Encorajo-vos a procurarem momentos para expo-lo à luz” numa janela ou varanda, aconselhou Manuel Antonio Fernández.

Brinquedos e atividades que estimulam o desenvolvimento cognitivo dos mais pequenos

Março 31, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapolifestyle

Há umas brincadeiras que são mais adequadas do que outras para o potenciar. Mário Cordeiro, um dos mais reputados pediatras nacionais, explica quais são aquelas que deve privilegiar em função das idades das crianças.

Muitos especialistas, nacionais e internacionais, defendem que as crianças devem passar mais horas a brincar com brinquedos adequados à sua idade do que com telemóveis, tablets e computadores, como muitas vezes se vê à nossa volta. Mário Cordeiro, médico pediatra e autor do livro “Crescer Seguro”, publicado pela editora Glaciar, aponta alguns dos principais brinquedos e atividades que estimulam o desenvolvimento cognitivo dos mais pequenos.

Os mais indicados a partir dos 3 anos

O faz de conta, a fantasia e a imitação sofrem um enorme impulso nesta fase, tal como também sucede com a criatividade. “As histórias contadas têm de ser mais complexas, estando completamente ao seu alcance contos tradicionais ou fábulas. Os puzzles estimulam a concentração e a relação entre o olho e a mão, a compreensão global, a análise e a síntese, além da capacidade de resolver problemas”, sugere Mário Cordeiro.

“No que se refere às melhores opções, é a altura da total perda de omnipotência e de refúgio na reafirmação dos pequenos poderes caseiros”, esclarece ainda o médico pediatra. Nesta fase, como não será propriamente uma novidade para si, o vocabulário é extenso, bem como a constante necessidade de ir além das coisas, materializado através de perguntas como para saber o como, o quando e o inesgotável porquê.

“Outra opção a considerar são os livros para pintar e para ler, de preferência com histórias engraçadas que apresentem situações inesperadas, mas com uma clara divisão entre bons e maus, para além de uma certa moral final”, aconselha ainda Mário Cordeiro. Existem atualmente no mercado nacional milhares de títulos de obras infantis que reúnem estas características e que representam uma excelente opção.

Os mais indicados entre os 4 e os 5 anos

O que caracteriza esta idade é o desejo de jogos coletivos, de aprendizagem cognitiva e de grande coordenação entre movimentos grossos e finos. “A criança entusiasma-se com a sua própria capacidade e com o seu próprio êxito e expande a criatividade e a imaginação”, refere Mário Cordeiro. “Começa a descodificação das letras, dos números e dos outros símbolos”, afirma ainda o especialista.

“A lista das boas opções para esta fase inclui jogos com trabalhos manuais, carrinhos e pistas, triciclos e bicicletas, jogos de construção e teatro de marionetas, livros de histórias, instrumentos musicais e jogos de representação, em miniatura ou tamanho real da vida do dia a dia”, indica Mário Cordeiro. Os jogos de materialização com blocos, tipo Lego, são dos mais aconselhados pelos especialistas.

Os cuidados a ter com skates, patins e bicicletas a partir dos 6 anos

A partir dos 6 anos, podem começar a ser usados pelos mais pequenos, privilegiando o contacto com o exterior. Se os comprar para dar, ofereça sempre o equipamento de proteção. Para serem utilizados sem consequências graves, é essencial que estejam acompanhados de um bom capacete e, já agora, de joelheiras e cotoveleiras. É bom que todos nos convençamos de que, sem esses acessórios, o equipamento está incompleto.

Texto: Carlos Eugénio Augusto com revisão científica de Mário Cordeiro (médico pediatra)

Transformar a quarentena dos miúdos numa aventura!

Março 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Marina Fuertes publicado no Público de 19 de março de 2020.

A Agência Espacial Europeia tem como proposta convidar as crianças para uma aventura na qual elas são astronautas… Também eles não podem sair do isolamento a que estão submetidos.

A quarentena custa mais do que parece, especialmente, com crianças e em apartamentos. A cada dia aumenta o desgaste e o tempo não passa. Ora, aqui vai uma ideia. A Agência Espacial Europeia tem como proposta convidar as crianças para uma aventura na qual elas são astronautas… Também eles não podem sair do isolamento a que estão submetidos. Pegando nessa ideia podemos:

  • Ir à Descoberta
    Gastar tempo aprendendo – em primeiro lugar, iniciamos um projeto sobre astronautas. Ouvimos as crianças sobre o que querem saber. Por exemplo: como vivem, o que comem, como são os fatos dos ou das astronautas, etc. Nos livros lá de casa e na Internet iniciamos pesquisas com as crianças, fazemos desenhos e organizamos a informação. Numa parede da casa ou na porta do frigorífico, fixamos a informação reunida. Uma resposta pode dar origem a novas perguntas, importa tornar as crianças cada vez mais independentes no processo de pesquisa;
  • Diário da ou do Astronauta
    Definir objetivos, horários, rotinas e tarefas para cada dia – construir uma nave, um fato ou fazer um livro sem deixar de regular os horários de deitar, de acordar e das refeições. Que aventuras vai viver o astronauta amanhã e como vamos fazer para conseguir?
  • Porque é que os Astronautas não podem sair da nave?
    Falar de questões sérias sem preocupar a criança – o recurso ao imaginário permite à criança a fuga quando a informação se torna demasiado intensa ou dolorosa, simultaneamente dá instrumentos ao adulto para estabelecer regras e explicar o momento que se está a viver;
  • Manter o contacto com os outros mas através da nave
    Tal como os astronautas, é preciso ligar à Terra e falar com quem gostamos – criar rotinas de contactar pessoas ajuda a dividir a tarefa da quarentena e angaria carinho à volta dos nossos filhos. Os avós (que agora não podem ser visitados) podem, por via online, passar tempo com os netos. Devem criar horários e rotinas para esses contactos; ajuda os avós, os pais e os netos. Os pais ganham um tempinho seu.
  • O universo é o limite!
    Se vários amigos aderirem ao projeto, as naves e estações espaciais podem entrar em contacto e funcionar em rede. A NASA ou a ESA costumam responder aos contactos das crianças. Podem enviar um e-mail para: education@esa.int ou visitar o site.

Claro que pode fazer tudo isto sem um projeto! Mas definir um projeto desencadeia a adesão, prolonga o envolvimento, estimula o imaginário e devolve o tempo de brincar à criança.

Entre irmãos, os projetos estimulam colaborações e entreajuda que raramente observamos.

Com este ou outro tema à escolha, cada família pode iniciar o seu projeto. Para si, é uma forma de sair das redes sociais, das pesquisas sobre a covid-19. É um balão de oxigénio enquanto estabelece um ambiente positivo e confiante para a criança. Bem sei que é difícil, muito difícil nos dias de hoje! Boa sorte!

Crianças de hoje são pequenos adultos antes do tempo. Os avisos dos especialistas

Março 26, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle de 3 de março de 2020.

A infância dos nossos dias vive-se de forma muito mais acelerada do que antes. Cabe aos progenitores travar essa tendência. “Há muita informação danosa que lhes chega e os pais têm de estar atentos”, adverte a psicóloga Cristina Valente.

As crianças de hoje têm cada vez menos tempo para viver a sua infância. Entre as mil e uma atividades em que estão inscritas e as horas que perdem a saltar de uma para a outra, o tempo que passam agarradas à tecnologia, a roupa que os faz parecer adultos antes do tempo e o contacto precoce com a sexualidade, esquecem-se de ser crianças, alertam os analistas. Cristina Valente, psicóloga e especialista em aconselhamento parental, não podia estar mais de acordo.

“Se, em algumas áreas, os pais têm tendência para infantilizar os filhos durante muito tempo, como é o caso da alimentação, em que há miúdos com três anos que nunca comeram sopa sem ser passada, noutras adultizam-nos excessivamente”, critica. E a culpa deste desequilíbrio é a existência de “um desalinhamento entre as nossas expetativas enquanto pais e a capacidade dos bebés ou crianças responderem com os recursos internos que têm em cada etapa”, sublinha.

“Isto acontece porque ainda há atualmente uma ignorância muito grande em relação às etapas de desenvolvimento infantil e adolescente e quais os desafios de cada uma, bem como das potencialidades e fragilidades de cada ser humano”, explica ainda a psicóloga. Mas será esta tendência incutida apenas pelos pais? “Não, eu diria pelos pais, pelas escolas, pelos media, pela internet, pela sociedade inteira… Mas parte desse processo é inconsciente”, refere, contudo.

Claro que os pais podem fazer toda a diferença. “Tirando a escola, que é obrigatória, tudo o resto é da responsabilidade dos pais”, realça a especialista. “Os miúdos vêm televisão em casa, têm acesso a telemóveis em casa, jogam videojogos em casa e têm de ser acompanhados pelos progenitores nessas atividades”, realça a psicóloga. Esqueça aquela ideia pré-concebida de que as crianças se sentem excluídas se não tiverem acesso ao que os colegas têm. Isso é um mito!

“Os pais têm de ter autoridade para lhes dizer que não e explicar porquê”, recorda a especialista em aconselhamento parental portuguesa, que revela um episódio da sua experiência. “O meu filho, aos 11 anos, queria ter Facebook e o primeiro argumento que me apresentou foi que todos os seus colegas já tinham. Mas isso não me demoveu! Expliquei-lhe que se o fizesse estava a infringir uma lei e, na altura, eu fui perentória no não”, acrescenta ainda Cristina Valente.

“Se eu tivesse cedido, corria o risco de ele, antes dos 18 anos, me dizer que queria conduzir um carro e, se eu lhe falasse nos limites da legislação, ele não teria problemas em lembrar-me que já tínhamos infringido uma lei anteriormente”, argumenta a especialista em aconselhamento parental portuguesa. “Os miúdos são autênticos polícias do nosso comportamento”, alerta. “Temos de estar sempre seguros do que estamos a dizer”, acrescenta ainda Cristina Valente.

As consequências nefastas da falta de tempo dos pais

A fase inicial da infância é decisiva. “É nos primeiros sete anos de vida que os adultos que rodeiam a criança, como é o caso dos pais, dos avós e dos professores, conseguem descarregar programas mentais nos mais pequenos”. Utilizando a linguagem de programação, “a criança nasce com o disco rígido limpinho e, depois, vai absorvendo tudo o que a rodeia e há muita informação danosa que lhes chega e os pais têm de estar atentos”, compara Cristina Valente.

Mas é aí que entra a tão falada falta de tempo, um dos maiores dramas sociais dos tempos atuais. “Uma relação entre pais e filhos só cresce se houver disponibilidade e a vida da maior parte dos pais no século XXI é de total escravatura do tempo e do trabalho. Essa ausência é colmatada, preenchendo os mais pequenos com atividades. Por um lado, para os distrair, e, por outro, para os armadilhar com todas as ferramentas externas para que consigam singrar, segundo os pais, num mundo extremamente competitivo. Por isso, acham que se os filhos forem aprender mandarim e tecnologias da informação aos três anos, se tiverem um telemóvel aos cinco e se conseguirem fazer três desportos ao mesmo tempo, vão ser adultos de sucesso”, relata ainda a psicóloga.

Tudo isto leva obrigatoriamente a criança a adultizar-se e a crescer rápido, o mesmo acontece quando são instigadas a ser as melhores em tudo. “Hoje em dia, as crianças não podem ter preferências e têm de ser boas a todas as disciplinas e isso leva a uma baixa autoestima, porque a criança não se sente valorizada por ser quem é, mas pelas notas que tem”, refere a especialista em aconselhamento parental. Mas este não é o único senão do crescimento demasiado rápido.

Cristina Valente aponta a privação de sono atual como uma das mais relevantes, também já criticada por uma das mais reputadas neurologistas nacionais, Teresa Paiva. “As crianças não têm tempo para dormir suficiente, o que tem consequências nefastas a nível do sistema imunológico, influencia o desempenho escolar e estimula problemas comportamentais, sintomas de hiperatividade e défice de atenção e aumenta a obesidade infantil”, adverte ainda.

O vestuário de adulto que muitas crianças já usam

A roupa é outro fator que tende a adultizar as crianças. Há pais e filhos que se vestem da mesma maneira e há já marcas que fazem linhas duplas. Cristina Valente vê isto como “uma ferida narcísica dos pais”. Nota-se, na sua opinião, “uma vontade inconsciente de adultizarem os filhos e de se infantilizarem a eles próprios. Na verdade, querem parecer amigos dos filhos em vez de pais”, acrescenta. Se olharmos só para as meninas, há ainda outra tendência que se destaca.

O uso de roupas sexualizadas é uma realidade atual. “A autoimagem das meninas é incutida desde cedo por séries da Disney para adolescentes que as crianças de cinco e seis anos também veem”, condena. Este aspeto remete para o sexo precoce. “As crianças despertam para a sexualidade muito antes de estarem preparadas. É por isso que vemos miúdas de 13 anos a saírem à noite de minissaia e maquilhadas e miúdos de 15 anos a levarem as namoradas para casa”, refere. Mais uma vez, têm de ser os pais a desconstruir imagens perversas associadas à sexualidade, que lhes é mostrada como uma coisa física e violenta.

Cristina Valente alerta ainda para o facto do contacto com realidades para as quais ainda não estão preparadas também estar a afetar muitas crianças. “Aos seis, sete anos, é comum uma criança já ter contactado com imagens de pornografia na internet sem querer. Como não podemos controlar tudo, temos de prepará-los para isso e de conversar desde sempre sobre este tema. É importante, por exemplo, sublinhar que a sexualidade implica amor e respeito”, afirma.

Conselhos para pais conscientes

As recomendações que Cristina Valente, psicóloga, gosta de fazer aos que a procuram:

– Aprenda a confiar na sabedoria inata das crianças.

– Lide com a sua própria ansiedade de forma a não criar ansiedade nos mais pequenos.

– Fazer meditação, várias vezes por dia, é algo que muda a nossa vida. Para meditar, apenas tem de estar imobilizado e concentrado apenas na respiração.

– Saber quais são os desafios e as fragilidades de cada fase de desenvolvimento e respeitar o ritmo das crianças é outra das recomendações.

– Ame incondicionalmente os seus filhos e não deixe que este amor dependa daquilo que as suas crianças lhe dão.

– Criar um clima de literacia de emoções em casa é outra das estratégias. Se as emoções são aquilo que nos mantém vivos, temos de saber lidar com elas de forma natural, tal como respiramos, comemos ou bebemos água.

– Pense nos valores que quer transmitir aos seus filho e aja de forma a ser congruente com eles. Tenha noção que somente cerca de 7% do que comunicamos é processado via verbal.

Alunos sem Internet nem computador em casa excluídos das aulas à distância

Março 25, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias de Coimbra de 18 de março de 2020.

Um em cada cinco estudantes não tem computador em casa e por isso “dificilmente se conseguirá pedir a todos os alunos trabalhos que impliquem a necessidade de um computador”, revela um estudo realizado esta semana por Arlindo Ferreira, especialista em Estatísticas da Educação, que foi publicado na terça-feira no blog do Arlindo.

Esta é esta realidade que não escapa a quem trabalha diariamente nas escolas. Os dois presidente das associações de diretores escolares – Filinto Lima (ANDAEP) e Manuel Pereira (ANDE) – alertaram desde o início para o impacto das desigualdades sociais nas aulas à distância.

Também o representante dos pais e encarregados de educação salientou as diferenças entre famílias. “Há sempre desigualdades entre os alunos: uns têm chalés e outros têm casebres”, lamentou Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), em declarações à Lusa.

Sem computadores, há quem esteja a acompanhar as aulas pelos telemóveis ou ‘tablets’. Mas para isso é preciso Internet e nem todos a têm no lar.

No ano passado, 80,9% dos agregados familiares tinham acesso a internet em casa. Nas famílias com filhos até aos 15 anos a percentagem subia para 94,5%. Ou seja, mais de 5% dos estudantes com menos de 15 anos viviam em casas sem Internet, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O problema também atinge os alunos do ensino superior. O presidente do Sindicato Nacional de Ensino Superior (SNESup), Gonçalo Leite Velho, lembrou que “há muitos alunos que têm dificuldades de acesso à Internet”.

Os dados do INE indicam que entre os estudantes com mais de 16 anos é raro encontrar quem não tenha Internet: são 0,4%. “Basta haver um aluno para ser razão para nos preocuparmos”, defendeu recentemente em declarações à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima.

Gonçalo Leite Velho lembrou que também há problemas nas famílias onde há equipamentos. Neste momento estão todos em casa, alguns em teletrabalho, e pode tornar-se difícil gerir quem tem prioridade no seu uso: os filhos que estão em aulas ou os pais que estão a trabalhar?

A Lusa contactou cerca de duas dezenas de famílias com filhos do pré-escolar ao ensino superior e a maioria disse ter equipamentos para todos.

Entre os pais que se aperceberam que teriam de partilhar computadores, começam a inventar-se soluções, como definir horários de uso.

“Temos dois computadores em casa, sendo que um deles é o meu que preciso para trabalhar. Se tiverem de fazer buscas será cada uma no seu horário”, contou à Lusa a mãe de duas adolescentes de escolas de Lisboa.

Trabalhar em casa com a família pode ser complicado para todos: alunos e pais. “O ambiente é muito diferente de uma escola. Há mais confusão”, alertou Gonçalo Leite Velho.

As aulas à distância exigem um conhecimento e uma técnica por parte dos professores que é muito diferente das aulas presenciais.

“Já quando estão na escola é, por vezes, difícil manterem-se concentrados, imaginemos agora em casa”, disse Gonçalo Leite Velho.

O inquérito realizado pelo professor Arlindo Ferreira mostra que 11,6% dos pais não tem disponibilidade para acompanhar o filho pelo menos uma vez por dia nos estudos.

Do lado dos adultos, trabalhar de casa também “é muito mais “difícil porque é preciso conjugar a atenção dada ao trabalho e aos filhos, lembrou o presidente do SNESup.

O docente do ensino superior lembrou que, neste momento, há muitos professores em casa, com filhos pequenos, a tentar dar aulas a outras crianças.

Apesar dos problemas já detetados, todos são unânimes em considerar que o ensino à distância é, neste momento, a melhor solução.

Link para o estudo citado na notícia:

Novas Formas de Comunicação com os EE

 

Autocarro interactivo percorre escolas para alertar para os perigos da Internet

Março 24, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de março de 2020.

A campanha SmartBus levará um autocarro interactivo a percorrer todo o país, para ensinar crianças entre os 10 e 14 anos a utilizar a Internet em segurança. A primeira paragem foi em Lisboa.

Bárbara Carlão

O autocarro está estacionado na Rua Ilha dos Amores, no Parque das Nações. Esta terça-feira, como no dia anterior, os três educadores que orientam as aulas que decorrem no interior do SmartBus, uma iniciativa da Huawei, recebem alunos da Escola Vasco da Gama, situada a poucas dezenas de metros de distância.

Cinco minutos antes da hora de início da aula, desinfecta-se tudo o que tem ecrã táctil: telemóveis, tablets, computadores, painéis interactivos. Enquanto se espera pela turma seguinte, o educador comenta que a maioria dos alunos não está suficientemente educada nem familiarizada com as consequências que podem advir de acções tão comuns no mundo online como a partilha de uma foto ou da sua localização, preocupações que são tidas em conta nestas aulas.

São 10h45 e uma turma de 7.º ano, com 23 alunos, entra no autocarro. “Sabem o que estão aqui a fazer?”, começa por perguntar o educador. “Vamos receber um telemóvel”, responde alguém, dando voz à esperança, não só sua, mas de todos os colegas. Todos sabem que o objectivo da aula é outro: sensibilizar para os perigos da Internet.

Não se encontra um único estudante entre os ali presentes que não tenha redes sociais – utilizam sobretudo o Instagram e já não tanto o Facebook, que marcou a geração millennial. Quando o educador pergunta para que utilizam as redes, ouve-se respostas como “para partilhar a vida”, e “para comunicar”. Mas será que alguém leu as autorizações “escritas em letrinhas pequeninas”? Todos se riem, deixando imediatamente claro que a resposta é um redondo “não”. O primeiro tema é a protecção de dados, e o educador explica que as redes são gratuitas mas têm um preço – a divulgação e venda dos nossos dados privados.

O autocarro, que funciona como sala de aula interactiva, está equipado com uma série de smartphonestablets e computadores, dispostos ao longo de uma mesa corrida, com cadeiras dos dois lados. À ordem do educador, os alunos sentam-se e, dois a dois, começam por ligar os tablets. No ecrã de início encontram duas aplicações, o Smartbook e o Beeper: dois jogos inspirados no Facebook e no Twitter, respectivamente, que simulam situações que podem decorrer da utilização dessas duas redes sociais.

Assim que pegam nos tablets e começam a jogar, ouve-se uma espécie de buzina que sinaliza que alguém deu uma resposta errada. “Lê bem o que diz”, pede o educador, quando um dos alunos lhe pergunta porque a resposta que deu estava errada. “Não olhes só para as imagens”, aconselha. Não mais de dois segundos depois a mesma buzina volta a soar, e passados cinco segundos gera-se uma espécie de sinfonia que não pára nos cinco minutos seguintes.

A primeira situação que os alunos encontram no Beeper é um colega de turma fazer uma publicação a dizer que foi a um concerto. Quando lhes é perguntado se há algum problema, respondem unanimemente que não – o educador concorda, e aproveita para explicar que não há problema em partilhar algo que se fez, mas sim em partilhar o que se está a fazer no momento ou ainda o que se fará no futuro.

Outra situação que surge é a partilha de uma notícia falsa – “pensem sempre se é verdadeiro aquilo que vêem na Internet”, aconselha o educador. E quando não têm a certeza, o que podem fazer? “Pesquisar no Google”, ouve-se em uníssono.

Já no jogo Smartbook, os estudantes recebem uma mensagem no chat enviada por um desconhecido que diz ter 14 anos. “Ele tinha 14 anos? Ele tinha barba!”, comenta um dos alunos. Neste cenário, a mensagem que se quer passar é que, sobretudo na Internet, nem tudo o que parece é. “Se não conhecerem a pessoa, não falem com ela”, diz o educador, sugerindo aos alunos que partilhem este tipo de situação com os pais.

Aborda-se também conceitos como malware e phishing, situações cujo perigo é menos fácil de detectar por quem não tem conhecimento de que existem, até porque podem ter origens aparentemente inofensivas, como uma mensagem de alguém conhecido.

Quando passam para os telemóveis, os estudantes encontram mais dois jogos de simulação situacional, o Chatapp e o Fotocam, que se assemelham ao Whatsapp e o Instagram. Aqui surge a oportunidade de abordar assuntos como a partilha de fotos, em particular fotos íntimas, sejam dos próprios ou de terceiros. No Chatapp, um colega fictício envia uma mensagem a pedir que lhe enviem uma foto para ele, por sua vez, enviar a um amigo. Um dos alunos soube imediatamente identificar o risco nesta situação – “eles podem publicar” a fotografia online sem a autorização de quem nela figura. E porque “o que vai para a Internet, não sai da Internet”, o educador reforça que “publicar coisas de outras pessoas sem autorização” é ilegal.

Tanto o Francisco como o Gabriel, ambos de 12 anos, participam na aula. Ambos afirmam que os pais falaram com eles sobre os cuidados que devem ter quando utilizam a internet quando, há dois anos, começaram a ter redes sociais. Ainda assim, Francisco consegue elaborar uma lista de coisas que acabou de aprender.

“Ler as coisas logo do início”, ou seja, ler os termos de utilização, bem como ter cuidado com os sites que visita e “nunca dar dados pessoais”. Acrescenta ainda que se deve sempre “ter cuidado com quem fala connosco e nós não conhecemos” e que nunca se deve enviar “fotos nossas a alguém que não conhecemos”.

Ao seu lado, Gabriel acena em concordância e diz que “era bom falarmos mais para estarmos mais informados, porque não sabíamos muito daquilo que nos disseram aqui”. Embora abordem alguns destes temas na disciplina de Tecnologias da Informação e da Comunicação, como afirma Gabriel, não é o suficiente, confessa uma das professoras que os veio acompanhar, Verónica Melo.

“Os miúdos já nascem com isto”

“Os miúdos já nascem com isto e há que sensibilizá-los para estes problemas a que estão sujeitos”, começa por dizer. “Os pais também fazem o seu trabalho”, mas a verdade é que a escola também tem de fazer um maior acompanhamento, “até porque os miúdos passam mais tempo na escola do que em casa”. É por isso que Verónica Melo acredita que este tipo de iniciativas é extremamente importante: “Eles ainda não têm muita noção dos perigos que efectivamente correm, e quando têm acham que é [só] aos outros que acontece”.

A aula acaba com o educador a esclarecer que a internet, incluindo as redes sociais, não é só perigos – mas esses perigos existem. “Quem não arrisca, não petisca”, argumenta um dos alunos. Mas porque quem arrisca por vezes também “não petisca o que quer”, como responde o educador, o melhor é mesmo prevenir.

O projecto SmartBus, iniciativa da empresa Huawei, já percorreu a Bélgica, Holanda, Espanha e chegou ontem a Portugal. Durante o mês de Março, o autocarro percorrerá o país de norte a sul, contando abranger cerca de cinco mil alunos dos 5.º e 6.º anos.

Texto editado por David Pontes

OMS aponta Portugal como referência para prevenir obesidade nas crianças

Março 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 4 de março de 2019.

Taxa de menores com excesso de peso baixou em 7%; queda no número de crianças obesas foi de 4%; iniciativa apoiada pela agência das Nações Unidas fornece dados sobre avanços nos países europeus.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, marcou este 4 de março o Dia Mundial de Combate à Obesidade. A agência incentiva as pessoas a atingir e manter um peso saudável, buscarem tratamento e reverter a crise desta condição médica.

Em nota, Portugal é apontado como um exemplo no combate à obesidade infantil, três anos depois de ter implementado o imposto sobre bebidas açucaradas.

Excesso

A Iniciativa de Vigilância da Obesidade Infantil da União Europeia e OMS, Cosi, confirmou que as taxas de pessoas que vivem com esta condição em Portugal têm reduzido de forma lenta e segura.

De acordo com a investigadora principal do Cosi em Portugal, Ana Rito, a queda no número de crianças com excesso de peso foi de 37,9% para 30,7% entre 2008 e 2016.

Já a porcentagem das crianças obesas baixou de 15,3% para 11,7%, apesar de continuar sendo um dos mais altos índices da Europa.

A iniciativa tem pesquisado o peso das crianças em idade escolar a cada dois ou três anos em mais de 40 Estados-membros do bloco europeu. Esses dados são depois partilhados com os governos da região.

Adolescentes

De acordo com a OMS, os números relacionados à obesidade quase triplicaram desde 1975 e aumentaram quase cinco vezes mais em crianças e adolescentes. Em todos os países, o problema atinge pessoas de todas as idades e grupos sociais.

A obesidade é um dos principais fatores de risco para várias doenças não transmissíveis como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e várias formas de câncer.

Em Portugal, a combinação de dietas pouco saudáveis ​​com o aumento do sedentarismo exigiu maior atenção dos serviços de saúde pública para a obesidade infantil.

Uma das razões para se monitorar as tendências da saúde é permitir que Portugal atinja os objetivos relacionados às doenças não transmissíveis até 2030.

Escolas

O Cosi tem avaliado indicadores como prevalência de estilos de vida saudáveis, incluindo dietas e o hábito de atividade física das crianças, assim como locais frequentados por elas, como escolas e família.

Uma das primeiras constatações é que o aumento do consumo regular de refrigerantes influenciou de forma significativa o ganho de peso ao longo do tempo. Esta situação chegou a atingir mais de 80,1% das crianças de seis a oito anos em 2016.

As principais instituições de saúde pública ajudaram a incluir a questão dos impostos sobre bebidas doces na agenda das autoridades. Esse apoio culminou com o imposto sobre bebidas açucaradas que iniciou no começo de 2017.

Bebidas açucaradas

Os resultados dessa medida incluem a redução da quantidade de açúcar em produtos e a queda de vendas destas bebidas.

No país, as dietas pouco saudáveis ​​e a obesidade estão fortemente relacionadas com fatores sociais, sendo as pessoas com baixos níveis de renda e educação as mais vulneráveis ​​a doenças crônicas.

A OMS destaca que, embora ainda haja muito por fazer, para promover comportamentos saudáveis, as medidas implementadas por Porugal são uma referência de boas práticas para conter a epidemia de obesidade infantil.

 

COSI Portugal

Todas as semanas há denúncias de professores agredidos nas escolas

Março 24, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 23 de fevereiro de 2020.

Como ajudar as crianças a atravessar esta crise (inspire-se no filme “A Vida é Bela”)

Março 23, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Rute Agulhas publicado no DN Life de 15 de março de 2020.

Vivemos uma situação difícil que, naturalmente, gera um aumento de ansiedade em todos nós, adultos ou crianças. Saber lidar adequadamente com esta ansiedade pode fazer a diferença entre seguirmos o caminho da patologia e da doença ou, pelo contrário, o caminho da aprendizagem e da mudança. Podemos aprender e crescer com esta crise, se a soubermos gerir.

Enquanto adultos, pais, avós ou outros, o que podemos fazer para que os nossos filhos atravessem esta crise com estabilidade, segurança e saúde mental? A que sinais de alerta devemos estar atentos?

Os pais são os principais modelos das crianças. Logo, a forma como os pais se ajustam é determinante no processo de ajustamento dos seus filhos. Pais alarmados e em pânico apenas contribuem para filhos ansiosos, podendo surgir medos diversos, alterações nos padrões de sono ou alimentação, birras, aumento de agressividade, chichis na cama, entre outras perturbações. No outro extremo, pais descuidados que desvalorizam a gravidade da situação e adoptam comportamentos irresponsáveis geram filhos igualmente descuidados e necessariamente desprotegidos, colocando-se a si mesmos e aos outros numa situação de perigo.

As crianças mais novas (idade pré-escolar), não têm ainda capacidade cognitiva nem maturidade emocional para compreender verdadeiramente o que se passa. Apresentam um pensamento mágico e elevada autocentração, que pode gerar sentimentos de culpa pelas alterações que vivenciam. Podem ainda acreditar que a morte é reversível, tal como acontece nos desenhos animados (morrem e levantam-se logo de seguida).

Os pais devem dar uma explicação simples e adequada à sua idade, salientando que não têm qualquer responsabilidade pelo que está a acontecer. As rotinas devem ser mantidas na medida do possível, o que potencia sentimentos de segurança e previsibilidade. Todas as alterações no quotidiano devem ser previamente explicadas, de forma a criar uma sensação de maior controlo. Dediquem mais tempo ao brincar, que ajuda a diminuir a ansiedade e a elaborar as preocupações.

As crianças em idade escolar apresentam maior capacidade de compreensão e de descentração. Se, por um lado, estas competências facilitam o entendimento do que se passa, por outro, uma maior capacidade empática (em colocar-se no lugar do outro) pode gerar mais angústia e sofrimento. A noção de imprevisibilidade e irreversibilidade da morte (pode acontecer a qualquer pessoa, a qualquer momento e não pode ser invertida) começam a ser adquiridas, o que pode aumentar o medo e a ansiedade. Podem ainda surgir enviesamentos cognitivos e reacções de alarme (“vamos todos morrer”, “o mundo vai acabar”).

Os pais devem explicar com tranquilidade o que se passa, sem alarmismos. O acesso à informação (p. ex., através da televisão) deve ser controlado e acompanhado, para que conteúdos mais difíceis de compreender possam desde logo ser explicados. Manter as rotinas possíveis, brincar e relaxar são palavras de ordem.

Com os adolescentes, as questões que se colocam são outras. Têm capacidade cognitiva para apreender e processar a informação de que dispõem. No entanto, revelam maior autocentração e, frequentemente, sentimentos de grandiosidade e invulnerabilidade, necessidade em testar os limites, procura de prazer imediato e de novas sensações, tendência para a oposição, desafio das normas e impulsividade. São características típicas desta fase de desenvolvimento que, num contexto de crise, podem potenciar comportamentos perigosos e que comprometem a sua protecção e a dos outros. Sentem-se quase super-heróis, destemidos e invencíveis, capazes de enfrentar tudo e todos. E não será um vírus minúsculo que irá derrotá-los.

Os pais devem conversar de forma clara e honesta, definindo os limites com sensibilidade, mas acima de tudo, com firmeza. Definirem aquilo que podem e não podem fazer, sem margem para negociações ou cedências. Compreendemos que sair e estar com os amigos é o que os adolescentes mais valorizam, mas é chegada a hora de adiar o prazer e tolerar a frustração. Deem uso às tecnologias de que tanto gostam (com moderação) e interajam à distância.

Regras básicas para ajudar as crianças a lidar com o stress:

  • Dê doses extra de atenção e carinho
  • Seja paciente com as eventuais alterações de humor ou comportamento
  • Escute as preocupações e responda de uma forma adequada e honesta
  • Brinquem juntos
  • Relaxem juntos
  • Promova o contacto (ainda que à distância) com familiares e amigos
  • Limite o tempo despendido em jogos digitais
  • Riam (o humor é um excelente mecanismo para lidar com o stress)
  • Mexam-se! Mesmo dentro de casa é possível fazer exercício físico
  • Mantenham uma alimentação saudável
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