Microsoft lança ferramenta para identificar abusadores sexuais de crianças online

Janeiro 25, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do PPLWare de 14 de janeiro de 2020.

Os predadores sexuais viram na Internet uma mina de oportunidades, pois há mais facilidade de contacto com as vítimas e a possibilidade de usar o anonimato. Mas a Microsoft pretende fazer frente a esse flagelo.

Para ajudar no combate a este crime horrendo, a gigante tecnológica lançou uma ferramenta gratuita capaz de identificar os abusadores sexuais de crianças online.

O abuso de crianças é um crime extremamente repugnante ao qual todos temos que dar atenção. Devemos também contribuir da melhor forma para ajudar na prevenção e denúncia ao mínimo de alerta.

Assim, e com o objetivo de proteger os mais pequenos, a Microsoft lançou uma ferramenta gratuita capaz de identificar abusadores sexuais de crianças.

Project Artemis – A ferramenta que identifica os abusadores online

A Microsoft reconhece que tem uma responsabilidade social no desenvolvimento de software, equipamentos e serviços que promovam a segurança dos utilizadores.

Desta forma, lançou este mês o Project Artemis, uma ferramenta capacitada com técnicas de deteção de aliciamento sexual.

Através desta funcionalidade, a tecnologia conseguirá analisar e detetar determinados conteúdos utilizados tipicamente por abusadores sexuais, na sua tentativa de aliciar crianças online. Esta deteção será feita sobretudo em conversas de chat, redes sociais, texto online, etc.

As conversas são avaliadas e classificadas com a probabilidade de terem algum conteúdo ou risco de haver teor de aliciamento e abuso sexual.

De seguida as conversas são sinalizadas e enviadas a moderadores, ou seja, a pessoas que irão rever os conteúdos detetados. Se for considerado um potencial risco ou abuso, os moderadores encaminham para as autoridades. Se se tratar de exploração sexual infantil, a denúncia será entregue também ao National Center for Missing and Exploited Children.

Assim, um potencial abuso de crianças online, poderá ser detetado, interrompido e denunciado precocemente, evitando consequências mais graves e, por vezes, fatais.

A ferramenta foi desenvolvida com a colaboração da rede social The Meet Group, do jogo Roblox, do serviço de mensagens Kik e da Thorn, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve tecnologias para proteger crianças de possíveis abusos sexuais.

O Project Artemis será patenteado e ficará disponível gratuitamente via Thorn para que todas as empresas de serviços online que dispõem de chat sejam dotadas com a técnica de deteção de abusadores sexuais.

Esta nova tecnologia começou a ser desenvolvida em 2018, no evento “360 Cross-Industry Hackathon” da Microsoft, co-patrocinado pela WePROTECT Global Alliance e pela Child Dignity Alliance.

É, de facto, de louvar esta preocupação e iniciativa da Microsoft, pois é cada vez mais urgente haver ferramentas inteligentes capazes de fazer frente a este gravíssimo e hediondo crime.

Pode saber mais informações sobre o Project Artemis no blog da Microsoft.

Mais de 500 famílias manifestaram intenção de acolher crianças em risco

Janeiro 24, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de janeiro de 2020.

Unicef: 60% dos deslocados na Líbia são crianças

Janeiro 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 17 de janeiro de 2020.

Agência disse esperar um entendimento abrangente e durável; comunicado alerta que combates estão minando esforços humanitários; estima-se que 60 mil menores refugiados e migrantes estejam em situação vulnerável em centros urbanos.

Às vésperas da conferência deste domingo sobre a Líbia em Berlim, na Alemanha, o Fundo das Nações Unidas para a Infância fez um apelo às partes em conflito e em prol das crianças do país. A agência quer urgência na busca de um acordo de paz “abrangente e durável”.

O secretário-geral da ONU estará entre os líderes que devem participar da cúpula, que segundo agências de notícias juntará as delegações do governo de Trípoli, com reconhecimento internacional, e das forças do general Khalifa Haftar.

Caos

O Unicef destaca que tanto as crianças líbias como as que vivem no país como refugiadas e migrantes sofrem com a violência e “o caos da guerra civil”.

A onda de confrontos que começou em abril, em Trípoli e no oeste da Líbia, piorou as condições de milhares de crianças e civis. Ataques a áreas povoadas causaram centenas de mortes e crianças mutiladas ou recrutadas para combater, destaca a agência.

Cerca de 60% dos 150 mil deslocados internos são crianças que sofrem o impacto dos danos causados à infraestrutura, que afetam cerca de 30 unidades de saúde. Os combates obrigaram a fechar 13 instalações médicas.

Quase 200 mil crianças estão sem aulas por causa da violência. Os ataques não pouparam sistemas de água e para tratar resíduos, aumentando o risco de espalhar doenças transmitidas pela água, incluindo cólera.

Refugiados e Migrantes  

Cerca de 60 mil crianças refugiadas e migrantes vivem em áreas urbanas e também em situação de fragilidade. Um quarto delas não está acompanhado por adultos em centros de detenção que estão expostos a um maior risco com a piora do conflito.

A agência atua com parceiros na ajuda a esses menores e famílias afetadas para terem acesso a serviços como saúde, nutrição, proteção, educação, água e saneamento. O Unicef também presta assistência a crianças refugiadas e migrantes em centros de detenção.

A nota destaca que ataques contra a população civil e infraestrutura, bem como contra profissionais humanitários e de saúde, estão minando os esforços humanitários.

Infraestrutura

A agência considera “terrível e insustentável” a situação infantil na Líbia e destaca que o resto do mundo deve considerar esse cenário inaceitável. O apelo a todas as partes do conflito e com influência “é que protejam as crianças, acabem com o recrutamento e uso de crianças bem como ataques à infraestrutura civil”.

O Unicef pede ainda que o acesso humanitário seja “seguro e desimpedido”  para crianças e outros necessitados. O apelo às autoridades líbias é que substituam a  detenção de crianças migrantes e refugiadas por alternativas seguras e dignas.

Mais informações na declaração da Unicef:

Libya: Tens of thousands of children at risk amidst violence and chaos of unrelenting conflict

Grécia recusa cuidados de saúde a crianças refugiadas doentes em Lesbos

Janeiro 23, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 23 de janeiro de 2020.

Por Cátia Carmo*

Médicos Sem Fronteiras apelam o Governo do país para que as crianças sejam transferidas com urgência para a Grécia continental e para outros Estados-membros da União Europeia.

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) emitiu, esta quinta-feira, um comunicado a denunciar que o Governo grego está a recusar cuidados de saúde a pelo menos 140 crianças refugiadas gravemente doentes em Moria, o maior campo de refugiados da Europa, na ilha de Lesbos. A organização internacional apela a que o Executivo grego transfira todas as crianças doentes para o continente grego ou para outros Estados-membros da União Europeia onde possam receber cuidados médicos.

“Vemos muitas crianças que sofrem de doenças como diabetes, asma e doenças cardíacas que são forçadas a viver em tendas, em condições anti-higiénicas, sem acesso aos cuidados médicos especializados e medicação de que precisam”, explicou Hilde Vochten, médico coordenador da MSF na Grécia.

Já no verão do último ano, o Governo grego revogou o acesso aos cuidados de saúde às pessoas sem documentos e requerentes de asilo que chegaram à Grécia, deixando mais de 55 mil pessoas sem assistência médica.

“A MSF está em negociações com as autoridades gregas com o objetivo de transferir as crianças para o continente, para receberem cuidados médicos urgentes. Apesar de algumas crianças já terem sido rastreadas, ainda nenhuma foi transferida”, afirmou o mesmo representante da Médicos Sem Fronteiras na Grécia.

Há centenas de crianças com doenças complexas e crónicas – problemas cardíacos, epilepsia e diabetes, por exemplo – que exigem tratamentos especializados que nem a organização não-governamental nem o hospital público local conseguem fazer, por falta de equipamentos.

“A minha filha Zahra tem autismo e vivemos num pequeno espaço quase sem eletricidade. Muitas vezes, a meio da noite, ela tem convulsões e não está lá ninguém para nos ajudar. Só quero estar num espaço onde a minha filha possa brincar com outras crianças e ser tratada por um bom médico”, acrescentou Shamseyeh, oriunda do Afeganistão e atualmente a viver no campo de refugiados de Moria.

*com Cristina Lai Men

Mais informações no comunicado dos Médecins Sans Frontières:

Greece denies healthcare to seriously ill refugee children on Lesbos

Falta de vagas para crianças de três anos desclassifica Portugal, mas vai haver mudanças em breve

Janeiro 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de janeiro de 2020.

Universalização do pré-escolar para as crianças de três anos deverá ser concretizada este ano. Orçamento do Estado prevê reforço de cerca de 43 milhões de euros para este nível de educação.

Clara Viana

Se for cumprido o que se encontra previsto no Orçamento do Estado (OE) para 2020, Portugal poderá deixar de figurar ainda este ano na “lista negra” dos países que continuam a não ter vagas necessárias para garantir a frequência da educação pré-escolar às crianças com três anos de idade.

É esta, aliás, uma das características destacadas no último relatório da rede europeia Eurydice com os Números-chave sobre a Educação Pré-Escolar e Cuidados para a Infância na Europa, divulgado na última semana. Cerca de metade dos 38 países analisados neste estudo têm oferta gratuita do pré-escolar a partir dos três anos, Portugal incluído, mas, “em contraste” com o que se passa na maioria dos casos, por cá “ainda se observa uma falta considerável de vagas para este grupo etário”, frisa-se no relatório. Que aponta como explicação para esta situação o facto de o “direito legal” a uma vaga só estar disponível para crianças a partir dos quatro anos.

Este “direito legal” consiste na obrigação de o Estado garantir vagas a todas as crianças inscritas na educação pré-escolar. É o que se chama universalização deste nível de ensino, que já está garantida entre os quatro e os cinco anos de idade, tendo sido criadas desde 2016 cerca de mais 7500 novas vagas na rede pública.

No OE2020, o Governo compromete-se a “concretizar” na totalidade esta universalização, ou seja, pressupõe-se, alargando a obrigação de garantir vagas às crianças de três anos.

Que tal irá acontecer este ano é também a informação veiculada pelo relatório da Eurydice, com base nas informações transmitidas pelas autoridades nacionais, embora no seu programa o Governo assuma que tal já aconteceu na anterior legislatura, conforme chegou a ser prometido, ao apresentar como garantido “o acesso à escolaridade universal desde os três anos”.

Em respostas ao PÚBLICO, o Ministério da Educação adianta que “mesmo nos concelhos onde a pressão da procura é mais sentida, existem vagas na Rede Nacional de Educação Pré-Escolar que ficaram por ocupar”, mas voltou a não revelar quantas crianças de três anos ficaram em lista de espera neste ano lectivo. O ministério também se escusou a indicar quantas novas salas serão precisas abrir para garantir o acesso dos mais novos ao pré-escolar.

No novo OE está previsto um reforço de cerca de 43 milhões de euros para este nível de educação que, segundo os últimos dados conhecidos, também veiculados no relatório europeu, era frequentado em 2017/2018 por 87% das crianças com três anos, 93,1% da população com quatro e 95,2% dos que já tinham cinco anos.

Creches pagas

Cerca de 17% do total destas crianças estavam inscritas em estabelecimentos privados com fins lucrativos, um dos valores mais altos entre os países analisados. Também perto de 17,5% das que tinham menos de três anos estavam em creches privadas com fins lucrativos. A restante oferta está a cargo do chamado sector solidário, que é apoiado pelo Estado, e onde as mensalidades a pagar pela frequência são calculadas sobretudo em função do rendimento familiar.

No que respeita ao grupo dos menores de três anos, refira-se que só em cinco dos 38 países analisados as creches são de acesso gratuito, uma medida que o PCP quer ainda inscrever no OE para 2020.

Apesar de a oferta existente (117.300 lugares em 2018) deixar de fora quase metade das crianças com menos de três anos, Portugal está entre os países europeus que têm uma maior proporção de inscritos em creches: cerca de 50%, contra uma média da UE que se fica nos 34,2%.

Voltando ao pré-escolar, recorde-se que a universalização do acesso não significa obrigatoriedade da frequência. É o que se passa em Portugal, que também se assume como excepção neste campo. Dos 12 países europeus em que se encontra estabelecido o “direito legal” a uma vaga para crianças a partir dos quatro anos, só existem dois em que a frequência do pré-escolar a partir desta idade não é obrigatória. Portugal é um deles.

Benefícios do pré-escolar

Numa recomendação recente com vista a garantir que “todas as crianças tenham acesso a educação e acolhimento na primeira infância de elevada qualidade”, o Conselho Europeu recordava algumas das constatações a que se foi chegando nos últimos anos. Por exemplo, a de que as crianças que frequentaram o pré-escolar tiveram “melhores resultados nos testes de língua e de matemática” realizados nas avaliações internacionais conduzidas pela OCDE. Ou de que este acesso precoce a uma educação de qualidade constitui “um factor importante para evitar o abandono escolar”, sendo também “essencial para a saúde e o bem-estar das crianças”.

O objectivo europeu é agora o de assegurar que antes dos três anos de idade todas as crianças possam também ter acesso a uma “educação e acolhimento de qualidade”, o que é também encarado como um “instrumento que viabiliza o emprego da mulher”. Essa é uma das razões pelas quais “cerca de um terço dos países europeus dá prioridade [no acesso] às crianças de famílias em que ambos os pais trabalham ou estudam”. Portugal não figura neste lote.

“Os maiores inimigos do sono da criança são a ausência de rotina e a instabilidade nas regras”

Janeiro 22, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do DN Life de 15 de janeiro de 2020.

Por Catarina Pires

Dormir bem é fundamental para todos, mas sobretudo para crianças e adolescentes, que estão em pleno desenvolvimento. É nas idades mais precoces que o sono pode e deve ser educado. A pediatra Nádia Pereira, do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, que integra a equipa multidisciplinar da consulta do sono pediátrica, explica o que é importante para uma correta “higiene de sono”.

Texto de Catarina Pires

Qual a prevalência de perturbações de sono das crianças e adolescentes e quais os distúrbios mais comuns?

Dados recentes de publicações internacionais apontam para uma prevalência significativa de perturbações do sono na infância, nalgumas séries atingindo os 50% na idade pré-escolar e 40% na adolescência.

De acordo com o grupo etário o tipo de perturbação de sono varia. Na idade pré-escolar e escolar a insónia de causa comportamental assume maior relevância. São as crianças que os pais referem que nunca conseguiram adormecer sozinhas, resistem a dormir, e mantêm vários despertares noturnos necessitando dos pais para readormecer.

Na adolescência, são mais comuns as perturbações do ritmo circadiano, nomeadamente a perturbação por atraso de fase, em que o adolescente parece que só tem sono por volta das 3 – 4h da madrugada e, se for possível, dorme até às 12 – 13h, acordando bem-disposto e descansado. Nessa impossibilidade, pelo cumprimento dos horários escolares, são comuns os sintomas de privação de sono.

Algumas mudanças simples na rotina familiar podem trazer de volta as noites bem dormidas.

Os pais devem estar preparados para noites mal dormidas nos primeiros meses do bebé, porque faz parte da tarefa de ser pai e mãe?

Nos primeiros meses de vida, o bebé ainda não tem um ritmo de sono-vigília bem estabelecido, necessita ser alimentado frequentemente, mesmo no período noturno, o que vai dificultar o descanso dos pais.

Com o crescimento, essencialmente a partir dos 6 meses de vida, o bebé tem a capacidade de estabelecer um ritmo de sono-vigília mais semelhante ao do adulto, fazendo um período mais longo de sono noturno, e sestas diurnas de menor duração.

No entanto, muitas vezes, apesar de terem as ferramentas biológicas para fazerem um período mais longo de sono noturno, as crianças mantêm dificuldade em adormecer associada ou não a despertares noturnos frequentes, o que condiciona uma má qualidade de sono dos pais, que aceitam este facto como parte da normalidade.

Mas não precisa de ser assim! Algumas mudanças simples na rotina familiar podem trazer de volta as noites bem dormidas.

O que significa higiene de sono e o que fazer para uma correta higiene de sono?

Entendemos com higiene do sono um conjunto de medidas que quando aplicadas facilitam um sono de qualidade. Destaco como medidas de higiene do sono:

  • Manter horários regulares de refeições e sestas durante o dia
  • Não efectuar atividades físicas estimulantes nas 2 horas que antecedem o sono
  • Não usar ecrãs cerca de 2 horas antes de ir para a cama.
  • Evitar refeições pesadas ao jantar
  • Criar um ritual no período prévio ao deitar, que deverá repetir-se diariamente
  • Repetir horários de forma diária e consistente no adormecer e acordar
  • Adaptar o ambiente do quarto: conforto, luz, temperatura, etc.
  • Ensinar a criança a ser autónoma no momento de adormecer: usar elementos de conforto externos (chucha, fralda, boneco, etc.), independentes dos pais.
  • Não associar os momentos de alimentação com o sono, incentivando que a criança não adormeça a comer.

Há crianças com um número de horas de sono diárias inferior ao recomendado que não apresentam sintomas de privação e outras que necessitam mais horas de sono para se sentirem descansadas.

Quantas horas por dia (noite) deve uma criança dormir e que benefícios tem uma boa higiene de sono para a saúde física e desenvolvimento?

Recentemente a Academia Americana de Medicina do Sono publicou uma recomendação relativamente ao número de horas de sono na população pediátrica.

Grupo Etário | Horas de sono por dia
4-12 meses 12-16h (inclui sestas)
1-2 anos 11-14h (inclui sestas)
3-5 anos 10-13h (inclui sestas)
6-12 anos 9-12h
13-18 anos 8-10h

Estas variam naturalmente com a idade da criança e devemos ter em atenção que poderá haver alguma variabilidade interindividual. Apesar da recomendação, existem crianças com um número de horas de sono diárias inferior ao recomendado que não apresentam quaisquer sintomas de privação, e outras que necessitam mais horas de sono para se sentirem descansadas.

O sono reparador é essencial para uma vida saudável. Não se pode viver sem dormir, sendo que o sono não é de todo um processo passivo, constituindo um momento de reorganização de funções e de recuperação física e psíquica. Nas crianças, o sono desempenha um papel fundamental no desenvolvimento cerebral, na aprendizagem e consolidação da memória, tendo também um papel significativo no crescimento corporal.

Existem diversas perturbações de sono que justificam uma avaliação médica. Quando surgem sinais de privação de sono nas crianças ou nos cuidadores, é importante obter aconselhamento médico.

E que problemas trazem as insónias infantis?

Na criança, dependendo do seu grupo etário e grau de desenvolvimento as consequências de sono insuficiente vão ser distintas:

no lactente e criança em idade pré-escolar: irritabilidade, choro frequente, maior dependência do cuidador

na criança em idade escolar: sonolência diurna, cansaço, dificuldade de concentração e problemas na aprendizagem

no adolescente: sonolência diurna, diminuição da capacidade de atenção e concentração, baixa do rendimento escolar, problemas de auto-estima.

Quando é que há razão para preocupação e recurso a aconselhamento médico?

Existem diversas perturbações de sono que justificam uma avaliação médica. Dentro das insónias comportamentais, quando surgem sinais de privação de sono nas crianças ou nos cuidadores, é importante obter aconselhamento médico.

Importa desmistificar que só se recorre ao médico quando há doença e que o não dormir faz parte dos primeiros anos de vida. Dormir é fundamental, pais e crianças necessitam de dormir, e quando isso não acontece uma avaliação em Consulta de Sono pode ajudar.

Outras perturbações de sono mais frequentemente avaliadas em Consulta de Sono são as parassónias (terrores noturnos, sonambulismo…), o síndrome de apneia obstrutiva do sono e as perturbações do ritmo circadiano.

Porque é que há bebés que dormem a noite toda e outros que estão sempre a acordar?

De facto, não se sabe bem porquê, mas existem bebés que dormem toda a noite sem qualquer ajuda e outros que repetidamente solicitam os pais para conseguir adormecer.

Sabemos no entanto, que os bebés em que desde cedo é estimulada a autonomia no momento do adormecer, dormem melhor em idades mais precoces.

E sabemos também que os bebés que necessitam dos pais para adormecer, seja no colo, enquanto mamam ou bebem biberão, têm maior probabilidade de despertar várias vezes durante a noite para pedir ajuda para readormecer.

O método de chorar até adormecer, que tem como objetivo que a criança adquira a capacidade de adormecer sozinha, apresenta bons resultados, mas pode ser causador de grande ansiedade familiar.

Mas não é normal que as crianças acordem durante a noite?

Como já referido é normal que até aos 6 meses os bebés possam necessitar de ser alimentados no período noturno, por razões nutricionais e de imaturidade dos ciclos de sono.

A partir dos 6 meses a maioria das crianças tem as ferramentas biológicas para dormir por um maior período noturno. O que não significa que seja “anormal” se mantiverem alguns despertares noturnos. Mas se estes forem muitos frequentes e com interferência na vida familiar seria útil uma avaliação médica.

O método, defendido por alguns, de deixar chorar até adormecer, é uma tortura para os pais e para as crianças. Tem algum mérito?

Existem diversos métodos de “sleep training” aplicáveis as insónias comportamentais e que devem ser adequados ao grupo etário e ao contexto familiar. Todos estes métodos se baseiam no princípio da autonomia no momento do adormecer.

O método de chorar até adormecer, é um método de extinção simples, e que tem como objetivo que a criança adquira a capacidade de adormecer sozinha, sem ajuda dos pais. Quando aplicado apresenta bons resultados, mas pode ser causador de grande ansiedade familiar.

Não se poderá dizer que é prejudicial os pais adormecerem os seus filhos, mas é um hábito que mantido ao longo do tempo, aumenta a probabilidade de uma perturbação de sono.

Até que idade as crianças devem fazer a sesta?

A sesta é um assunto que tem levantado algumas questões, essencialmente porque o fazer ou não a sesta é atualmente decidido pelas regras dos estabelecimentos de ensino que a criança frequenta.

O princípio será sempre que a sesta complete a necessidade de horas de sono diárias. Mais uma vez aqui a questão deverá ser analisada com família e com cada criança individualmente.

Regra geral até aos 3 – 4 anos a criança ainda deverá apresentar um ciclo de sono bifásico, com um maior período de sono noturno, e um período curto de sono diurno. A partir dos 4 – 5 anos, algumas crianças começam a dar alguns sinais que não precisam de fazer a sesta. Por exemplo pode ser muito difícil adormecer na sesta, ou se quando faz sesta não tem sono para adormecer à hora habitual, ou consegue, não fazendo sesta, ficar desperta para as atividades habituais. Nesta altura pode ser ponderado suspender a sesta.

A decisão neste grupo etário dos 4 – 5 anos, de fazer ou não sesta, deve ser tomada entra família e estabelecimento de ensino, de acordo com as necessidades da criança.

A partir dos 6 anos, com a entrada no ensino básico, a sesta é naturalmente eliminada.

É prejudicial os pais adormecerem as suas crianças nos primeiros anos de vida?

Não se poderá dizer que é prejudicial os pais adormecerem os seus filhos, mas é um hábito que mantido ao longo do tempo, aumenta a probabilidade de uma perturbação de sono no futuro, nomeadamente de insónia comportamental.

Quais são os maiores inimigos do sono para uma criança?

Diria que os maiores inimigos do sono para uma criança será a ausência de rotina e a instabilidade nas regras.

A necessidade de horas de sono vai diminuindo com a idade? Qual diferença entre uma criança e um adolescente?

No primeiro ano de vida o desenvolvimento cerebral e as imensas aquisições cognitivas e motoras, exigem que o número de horas de sono diárias seja maior do que na criança em idade escolar ou adolescente.

As recomendações em relação ao número de horas de sono diárias variam com a idade, mas a título de exemplo um bebé pode precisar de 14 a 15h de sono diárias, uma criança de 5 anos será normal dormir 10 a 12h e um adolescente a partir dos 13 anos deverá dormir pelo menos 8h por dia.

Mais importante que o horário em si, é a regularidade do mesmo. O nosso sono é melhor se dormimos e acordamos a mesma hora.

Dormir de mais também pode ter consequências negativas ou dormir nunca é de mais?

Biologicamente o nosso corpo está preparado para dormir o número de horas que necessita. A questão que se põe atualmente é que geralmente dormimos menos do que precisamos e tentamos compensar esporadicamente quando podemos. Mas esta não é uma compensação real. A regularidade nos horários é fundamental para um sono de qualidade.

Importa só a quantidade de horas de sono ou também são importantes a hora a que se deita e acorda?

Mais importante que o horário em si, é a regularidade do mesmo. O nosso sono é melhor se dormimos e acordamos a mesma hora. No caso dos adolescentes, que biologicamente têm sono mais tarde e dormiriam também até mais tarde, há uma colisão entre o horário que lhes seria natural dormir e a atividade escolar. Neste caso, a regularidade dos horários é ainda mais importante, para permitir um bom desempenho escolar.

Vamos lá falar a sério sobre Constelações Familiares

Janeiro 22, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no Público de 15 de janeiro de 2020.

Estão disponíveis numerosos livros e artigos que nos reafirmam a eficácia desta abordagem. No entanto, baseiam-se apenas em estudos de caso e estatísticas publicadas pelos próprios tribunais. Ou seja, falamos de casos avaliados de uma forma totalmente subjectiva sem qualquer rigor metodológico.

O tema das Constelações Familiares (CF) tem suscitado acesas discussões, especialmente após o parecer da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) ter afirmado de forma clara que as CF não constituem um modelo terapêutico reconhecido pela ciência psicológica, na medida em que não apresentam enquadramento científico, teórico ou académico e, ainda, que se desconhece a forma como se avalia a sua eficácia, pelo que acabam por ser uma ameaça ao bem-estar das pessoas.

Em Portugal, a utilização desta abordagem ocorre em diversos contextos, nomeadamente no âmbito de processo judiciais sobre o exercício das responsabilidades parentais. Existem tribunais de família e menores que encaminham de forma directa as famílias para esta abordagem, o que motivou a OPP a pronunciar-se junto do Conselho Superior da Magistratura e da Procuradoria-Geral da República, reforçando a sua posição. Os tribunais em causa, por sua vez, mantêm a sua prática inalterada.

Face ao exposto, procedeu-se a uma exaustiva revisão de literatura com o objectivo de conhecer o estado da arte desta abordagem.

O que são as CF?

Esta abordagem foi criada pelo filósofo alemão Bert Hellinger, nascido em 1925 e que, ao longo da sua vida, foi desenvolvendo aquilo a que chamou de “pensamento sistémico”, na medida em que envolve todos os membros de um sistema (familiar ou profissional). Esta abordagem enfatiza o papel das emoções e das energias que envolvem o nosso inconsciente e a forma como estas interferem nas nossas decisões, procurando aceder-se à “consciência sistémica” do indivíduo. Para o autor, os sistemas apresentam três necessidades específicas, “As três leis das ordens do amor”:

  1. a) Lei do Pertencimento: cada ser humano tem necessidade de ser reconhecido como membro integrante e ninguém pode ser excluído do seu sistema. Quando ocorre essa exclusão, surge um “desequilíbrio” e essa situação pode ser transmitida a um descendente, mesmo que este não possua qualquer conhecimento dessa exclusão. Este acaba por ocupar um lugar que não é o seu e pode apresentar doenças, alterações de comportamento, relações conflituosas ou mesmo suicídio.
  2. b) Lei da Hierarquia: diz respeito à posição que cada elemento ocupa no sistema. Existe uma prioridade dos mais antigos sobre os mais novos e, quando uma pessoa está fora do seu lugar, desobedecendo a esta lei, a “consciência colectiva” pede reorganização. Surgem as distorções nas relações, com sofrimento nos vários elementos da família.
  3. c) Lei da Compensação: sempre que uma pessoa tem um gesto positivo com outra, esta tem necessidade de retribuir, tentando compensar com um gesto um pouco maior –criando-se um ciclo nas relações sistémicas. Quando é um gesto negativo o ciclo repete-se, causando desadequação nas relações. Para que se quebre este ciclo, a proporção do mal recebido deve ocorrer em menor proporção ou deve ser retribuído com um gesto positivo.

O autor salienta ainda o conceito de “destino”, que mantém os elementos integrantes dos sistemas presos e conectados uns aos outros, mesmo sem que esses elementos saibam o motivo dessa ligação.

Como se realiza uma sessão de CF?

As CF podem ser utilizadas em diversos contextos. Envolvem diferentes actores, nomeadamente, o indivíduo (constelado), o facilitador (constelador) e bonecos, objectos ou imagens que representam os sistemas do indivíduo. Quando a abordagem ocorre em grupo, a dinâmica funciona com representações, onde os diversos participantes representam as pessoas dos sistemas do constelado. A representação é entendida como uma conexão profunda proporcionada por uma força que guia todos de forma conjunta, a ‘grande alma’ (consciência da existência individual, colectiva e cósmica).

Os representantes vivenciam uma experiência fenomenológica e sentem fisicamente as sensações e movimentos que acabam por expressar as forças ocultas que influenciam o sistema (“movimentos da alma”). O constelador acede, assim, ao campo do constelado, onde existem memórias vividas por ele e pelos seus antepassados, conscientes e inconscientes. Os representantes começam a sentir o que se passa no inconsciente do constelado e percebem nos próprios corpos emoções, dores, tonturas… o constelador visualiza as informações ocultas do sistema e começa a reorganizá-lo. Coloca os representantes em novas posições e procura um novo equilíbrio no sistema. O constelado, que observa a dinâmica de fora, tem uma visão mais clara dos emaranhamentos familiares e de como estes podem ser resolvidos.

As CF e o Direito

A aplicação desta abordagem nos tribunais teve início em 2004 com o juiz brasileiro Sami Storch, que introduziu o termo “direito sistémico”, procurando ajudar os casais a encontrar uma verdadeira solução para os seus problemas. Esta implica aceitar a separação como um destino, conduzida por forças inconscientes. Entende-se que a aceitação gera paz e esta facilita os acordos parentais. As CF são também utilizadas para reconciliar agressores e vítimas (p. ex., situações de abuso sexual e violência), partindo-se do pressuposto de que estão ambos ao mesmo nível. De acordo com estes pressupostos, os agressores acabam por ser desresponsabilizados e as vítimas co-responsabilizadas.

Que evidências existem sobre a eficácia das CF?

Estão disponíveis numerosos livros e artigos que nos reafirmam a eficácia desta abordagem. No entanto, baseiam-se apenas em estudos de caso e estatísticas publicadas pelos próprios tribunais. Ou seja, falamos de casos avaliados de uma forma totalmente subjectiva sem qualquer rigor metodológico.

Em 2011, Hunger e colaboradores realizaram uma revisão de literatura com a análise de mais de 100 publicações e verificaram a ausência de evidências que permitissem validar as CF. Salientam ainda a falta de teorização científica por parte de Hellinger, que se baseia essencialmente em ideias filosóficas e religiosas. Em 2014, publicaram o primeiro estudo de avaliação de impacto das CF a curto prazo, com uma amostra de participantes que foram avaliados no momento inicial e em dois momentos posteriores, com recurso a um questionário criado para o efeito. Os resultados deste primeiro estudo indicam melhoria nas dimensões que o questionário avalia. No entanto, este estudo encerra inúmeras limitações, que os autores reconhecem: a inexistência de um grupo de controlo, o facto de não terem sido controladas diversas variáveis e a ausência de medidas observacionais. Questionamos, ainda, a validade do referido questionário.

Em 2015, os mesmos autores replicaram este estudo, avaliando os participantes a médio e longo prazo (oito e 12 meses após a frequência dos seminários de CF). Os resultados mostram que apenas 1% dos participantes evidenciou mudanças positivas significativas. A maioria dos sujeitos não manifestou qualquer mudança e 5 a 6% mudaram numa direcção tida por negativa. À semelhança do estudo anterior, também este apresenta numerosas limitações, que os autores apontam.

Em 2019, dois autores portugueses publicaram um artigo que teve por base um estudo de caso, com uma participante psicóloga e consteladora. A participante foi avaliada em diferentes momentos ao longo do tempo (com instrumentos que, sendo psicóloga, conhecia seguramente), observando-se uma evolução positiva e diminuição dos seus sintomas depressivos. Ao mesmo tempo, é referido que a participante estava medicada com ansiolítico e praticava reiki, entendendo os autores, no entanto, que a evolução positiva pode ser atribuída apenas às CF. Com que fundamento? Naturalmente estes resultados são bastante questionáveis e não podem, de forma alguma, ser generalizados.

Conclui-se que os estudos publicados até à data não permitem validar a eficácia desta intervenção. Neste contexto, pensamos ser necessário reflectir sobre alguns aspectos.

Em primeiro lugar, qualquer pessoa pode decidir aplicar esta abordagem. Não o poderá fazer, no entanto, alegando tratar-se de uma prática reconhecida pela ciência psicológica (ver Código Deontológico da OPP).

Em segundo lugar, questionamos se cabe ao tribunal decidir qual a abordagem terapêutica a ser oferecida a uma família. Pronuncia-se o tribunal sobre a medicação que um médico deverá administrar? Entendemos que o tribunal pode e deve articular-se com os serviços da comunidade, mas privilegiando apenas os que oferecem práticas reconhecidas pelas respectivas ordens profissionais.

Em terceiro lugar, o conflito familiar e a violência são situações de especial vulnerabilidade, pelo que as pessoas devem ser devidamente informadas sobre aquilo que lhes está a ser proposto. Para que o seu consentimento seja realmente informado. Os advogados representam aqui um papel de máxima importância, na medida em que se assumem como figuras de confiança das famílias e as devem ajudar no processo de tomada de decisão.

Toda e qualquer prática deve pautar-se pelo respeito pela dignidade e direitos da pessoa, evitando qualquer tipo de intervenção que a possa prejudicar, quer por acção, quer por omissão. Ao encaminhar as famílias para uma abordagem de CF, em detrimento de outras devidamente validadas, não estará o sistema profissional a ameaçar de forma significativa o bem-estar das pessoas?

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicoterapia e Psicologia da Justiça; docente e investigadora no ISCTE-IUL

Política na educação ambiental é “inevitável” e o seu foco deve ser a acção

Janeiro 21, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de janeiro de 2020.

Conselho Nacional de Educação propõe mudanças na abordagem que é feita nas escolas à educação ambiental.

Clara Viana

Partindo do pressuposto de que a despolitização da discussão dos problemas ambientais não é só um exercício artificial, como também uma forma de desvalorizar esta problemática enquanto “questão cívica”, o Conselho Nacional de Educação (CNE) exorta a que se admita “a inevitabilidade de uma dimensão política da educação ambiental” que é proposta nas escolas.

Numa recomendação que foi agora divulgada, aquele órgão de consulta do Parlamento e do Governo frisa que na Estratégia Nacional para a Educação Ambiental 2020, lançada pelo Governo em 2017, “a expressão ‘política’ parece apenas referir-se aos decisores e às medidas do lado do Estado, não sugerindo explicitamente a existência de uma dimensão política na capacitação cidadã no campo ambiental”. O que, segundo o CNE, vem confirmar uma tendência existente em Portugal de não reconhecimento dos “desafios democráticos e políticos da educação ambiental e para a sustentabilidade”.

Como esta educação é apontada como uma das vertentes principais da nova área curricular de Cidadania e Desenvolvimento, comum a todos os ciclos de escolaridade, o CNE recomenda que a sua “dimensão política” seja assumida, “reconhecendo as articulações entre os problemas ambientais e as lógicas de crescimento económico (…) e de exploração/desigualdade, bem como a necessidade de afrontar a ligação entre a crise ambiental e a crise demográfica traduzida num excesso populacional, a nível global.”

No mesmo sentido, o CNE propõe também que se coloque “o foco da educação ambiental na capacitação para a transformação social, através do envolvimento democrático dos cidadãos – crianças, jovens e adultos de diferentes idades – em iniciativas individuais e colectivas de resolução dos problemas que afectam a sua vida e as comunidades onde vivem.” Defende ainda o CNE que “este foco na acção permitirá contrariar o sentimento de incapacidade e falta de poder de muitos cidadãos relativamente aos problemas socioambientais”.

O Conselho Nacional de Educação lembra que, ao longo dos anos, já tomou por várias vezes posição a respeito da educação ambiental, mas considera que esta nova recomendação se justifica face aos acontecimentos dos últimos tempos, seja a proclamação da “emergência climática”, como o “questionamento da informação científica disponível” por parte “de significativos decisores políticas nesta matéria” ou ainda a “consciencialização crescente dos jovens, com uma reivindicação continuada de mudanças urgentes”.

No seu documento, o CNE chama também a atenção para o facto de o domínio da educação ambiental ter sofrido, ao longo dos anos, “oscilações e reorganizações sucessivas”. Para o CNE, só existe uma excepção a este panorama, “consubstanciada no movimento Eco-Escolas, que se mantém activo desde 1996 e que envolveu, no ano lectivo 2018/2018, 1724 escolas.”

Este movimento, que em Portugal é patrocinado pela Associação Bandeira Azul da Europa, tem como objectivo “encorajar acções e reconhecer e premiar o trabalho desenvolvido pelas escolas na melhoria do seu desempenho ambiental, gestão do espaço escolar e sensibilização da comunidade”. Refere ainda a organização que “a sua metodologia visa garantir a participação das crianças e jovens na tomada de decisões”.

YouTube aperta regras para crianças. Saiba o que muda

Janeiro 21, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de janeiro de 2020.

Alterações que já tinham sido anunciadas entram em funcionamento nos próximos dias. A desactivação e restrição dos comentários, likes e publicidade vai afectar youtubers que fazem vídeos para crianças.

Sofia Neves

As mudanças que o YouTube tinha prometido implementar este ano no que toca aos conteúdos apropriados para menores entraram esta segunda-feira em vigor em todo o mundo, mas só as devemos começar a ver em acção nos próximos dias. Os criadores devem ser claros sobre o tipo de audiência a que estão a dirigir os seus vídeos, mas há mais medidas.

​Em Setembro de 2018, o YouTube lançou em Portugal a YouTube Kids, uma versão da sua plataforma dedicada às crianças. Em Julho de 2019, o site principal deixou de ser acessível a menores de 13 anos — as crianças abaixo desta idade eram direccionadas para conteúdos apropriados para a sua idade na segunda plataforma. No caso de o utilizador ter menos de 18 anos, passou a ser “necessária a autorização de um dos pais ou do tutor legal”.

Este foi o primeiro passo para uma separação definitiva entre os conteúdos que são apropriados para os menores de 13 anos e para a restante população. Pouco depois, em Setembro de 2019, o YouTube anunciou nova série de alterações para “proteger melhor as crianças e a sua privacidade”.

Nessa altura foi anunciado que todos os criadores de conteúdos deveriam, até 6 de Janeiro, designar os seus vídeos como sendo direccionados (ou não) para crianças. Os dados de qualquer pessoa que assistisse a um vídeo designado para essa faixa etária seriam, doravante, tratados como informações de um menor, independentemente da idade do utilizador. O prazo para a implementação destas mudanças terminava esta segunda-feira, mas, como assinala fonte do YouTube ao PÚBLICO, as alterações só “serão levadas a cabo nos próximos dias” — em Portugal e no resto do mundo.

Uma das grandes transformações acontecerá no campo das interacções com os youtubers. A nova política de tratamento de dados significa que, nos vídeos criados para crianças, o YouTube vai limitar a recolha e o uso de dados e, como resultado, vai necessitar de “restringir ou desactivar alguns recursos”. Entre estes estão funcionalidades como os anúncios personalizados, comentários, chats em directo, botões de “gosto” e “não gosto”, notificações que alertam o utilizador para novos vídeos, as histórias, ou o acto de salvar um conteúdo numa lista de reprodução, entre outros. A remoção de comentários em vídeos para menores, por exemplo, acontecerá na plataforma normal porque o YouTube Kids nunca permitiu comentários.

Estas medidas foram também introduzidas para resolver as preocupações levantadas pela Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, na sigla original). Em Setembro de 2019, o Google aceitou pagar 170 milhões de dólares ​(154 milhões de euros) para encerrar as investigações abertas por aquela entidade e pelo estado de Nova Iorque sobre a recolha de dados pessoais de menores. Em causa estava a forma como a plataforma recolhia informação de crianças para lhes mostrar anúncios personalizados, sem nunca avisar os encarregados de educação — esta era uma violação directa da lei de protecção da privacidade das crianças online nos EUA, conhecida pela sigla COPPA, que dita que as empresas online não podem armazenar e utilizar dados de menores de 13 anos sem autorização.

Mas o que é que é designado como conteúdo para crianças? Um vídeo é designado para aquele tipo de audiência dependendo do seu assunto principal: se enfatiza personagens infantis, brinquedos ou jogos, e se inclui tutoriais, vídeos educativos ou canções.

Nos EUA e no Reino Unido, vários pais têm alertado para problemas no tipo de conteúdo que chega à aplicação com o filtro automático — paródias que usam desenhos animados infantis como o Ruca e a Peppa Pigs — em cenas violentas e sexuais. Mesmo que o YouTube Kids só promova na página inicial conteúdo verificado, as crianças podiam chegar a outros vídeos quando a função de pesquisa estava activada.

Alterações podem prejudicar criadores

Tal como admite o YouTube, estas mudanças “terão um impacto significativo” nos criadores de conteúdo. Desactivando as principais ferramentas de interacção com o público (como os comentários e gostos) e a própria publicidade, a empresa diminui a possibilidade de os youtubers rentabilizarem os seus canais.

Questionada pelo PÚBLICO sobre esta possibilidade, a empresa garante que continua a “acreditar no valor dos criadores de conteúdos para família” e que está a “analisar formas adicionais de entender e apoiar este ecossistema”. “Vamos trabalhar em estreita colaboração com os mesmos durante este período de transição para os ajudar a entender as mudanças que devem esperar na forma como o conteúdo é exibido e monetizado”, lê-se na resposta enviada por escrito ao PÚBLICO.

Já desde 2015 que o YouTube tem tentado dirigir menores de 13 anos para o YouTube Kids, que começou por ser uma aplicação móvel específica dedicada a crianças e que pode ser controlada pelos encarregados de educação.

Além de resolver a questão da COPPA, a aplicação também reduz possíveis problemas com bullying ao impedir o acesso a comentários, e permite aos pais personalizar o conteúdo que os mais novos vêem (por exemplo, limitar o YouTube Kids a vídeos com conteúdo educativo) bem como o tempo que passam na aplicação.

Doze maneiras de ser um pai melhor (e mais feliz) este ano

Janeiro 20, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 14 de janeiro de 2020.

Um conselho para cada mês do ano, baseados Em pais felizes, por Braden Bell, professor e autor de livros e artigos sobre parentalidade.

Braden Bel

Enquanto professor, ao longo dos anos, já tive a oportunidade de observar e aprender através de muitos pais. Já fiquei impressionado várias vezes pelo quão felizes, positivos e responsáveis alguns deles são, mesmo em alturas difíceis. Mas também há os que se preocupam e muitas vezes não parecem gostar de ser pais – os que me deixaram com a impressão de que mal aguentam.

Já estive dos dois lados, e suspeito que a maioria de nós oscila entre esses extremos. Aqui ficam algumas estratégias para uma existência parental mais fácil e responsável, baseada em ver pais felizes.

1. Seja pai a partir da sensatez, não do medo

A expressão é de Tim Elmore [especialista nas novas gerações de crianças e jovens], que nota que uma grande parte do comportamento parental está subjugado pelo medo. Enquanto pais, talvez temamos outras pessoas, a nossa própria inexperiência e imperfeições, ou toda uma quantidade de coisas terríveis que se possam abater sobre as nossas crianças.

Por isso, Elmore sugere substituir conscientemente o medo pela sensatez. Fala sobre isso no contexto de darmos o exemplo aos nossos filhos, mas acho o processo útil também para nós próprios. Não podemos simplesmente deixar de lado o medo ou a culpa, mas podemos resistir-lhes. Já percebi que agir sobre sentimentos como os do medo ou da culpa aumenta o seu peso. Já resistir-lhes minimiza-os.

2. Encontre um mentor

Procure orientação de alguém que o possa ajudar a determinar que batalhas precisam de ser travadas e quando pode sossegar um pouco. Ter um mentor também lhe permite beneficiar com os erros e as lições árduas de outrem. Pode encontrar mentores no seu bairro, no trabalho, na escola ou na comunidade religiosa.

Contudo, tenha em mente que poderá ser alguém mais velho e com uma visão do mundo diferente da sua, já que, por norma, quem tem mais experiência tem mais anos de vida. Tudo bem. Não tem de fazer tudo o que essa pessoa sugira. Mesmo que discorde do seu mentor, ele pode sempre dar-lhe conselhos úteis.

3. Confie em si mesmo

Nos dias que correm, temos acesso rápido a quantidades enormes de informação de especialistas, o que pode ser benéfico, mas também paralisante. Receio que crie uma expectativa de que todos os problemas têm uma resposta “certa”, claramente definida, sabida por alguém. Mas até os especialistas se debatem com os seus filhos. Ser pai não é uma ciência exacta, é mais um processo de usar estratégias específicas em alturas específicas para obter resultados específicos.

Em vez de seguir uma receita, os pais bem-sucedidos cativam os seus filhos com base na sua experiência, juízo e valores. Os pais estão dispostos a ir contra o que todos fazem e enfrentar batalhas difíceis. Dizem “não” quando é preciso. Quando cometem erros, tentam outra abordagem. E, se falhar algures, aproveitam a oportunidade para dar o exemplo aos seus filhos sobre como corrigir os seus erros.

4. Não seja intriguista

Quer seja a falar de outro pai, de um professor ou de um colega do seu filho, ser intriguista tem um efeito negativo em quem ouve ou quem lê, seja numa conversa ao vivo, por telefone ou via mensagem de texto.

A intriga gera um ambiente que não dá lugar à mudança ou ao crescimento – incluindo o nosso próprio. A intriga também nos habitua a procurar o pior e a focar a nossa atenção no que não podemos controlar (as escolhas dos outros), em vez de naquilo que podemos controlar (as nossas escolhas). A intriga gera ansiedade.

5. Tente um jejum das redes sociais

Já ouvimos falar sobre o bem-estar que encontramos quando nos livramos de tralha. Há uns anos, tentei livrar-me consideravelmente das minhas redes sociais. E mudou a minha vida. Também melhorou muito as minhas relações familiares. Esse jejum deu-me a clareza para ver como poderia alinhar melhor o uso das redes sociais com as minhas prioridades e valores.

6. Deixe o seu filho viver as consequências

É libertador quando deixamos de tentar gerir e mitigar as consequências das acções dos nossos filhos e, em seu lugar, nos focamos em prepará-los para a vida através de desafios, assim como ajudá-los a aprender com a experiência. Ajuda-nos a focarmo-nos no que podemos controlar e dá ferramentas aos nossos filhos, porque o fracasso, a dificuldade e os obstáculos são o que cria e afina as capacidades e habilidades de que precisam para serem bem-sucedidos como adultos.

7. Há vida para lá do horário do seu filho

Vivemos numa época de oportunidades sem precedentes para as crianças. Mas o bom em excesso pode ser um problema e estar demasiado ocupado pode ter consequências negativas nas famílias.

Há uns anos, por nos sentirmos muito sobrecarregados e stressados, eu e a minha mulher reduzimos as actividades extracurriculares do nosso filho a uma por período lectivo. Fez uma enorme diferença na vida familiar. Não proponho essa solução para toda a gente, mas é refrescante fazer escolhas sobre o que queremos fazer, em vez de fazer aquilo que um horário dita.

Quanto tempo não estruturado e não orientado por adultos tem o seu filho? Participa numa actividade por ser divertida ou porque está a tentar construir um currículo para o seu filho, prepará-lo para obter uma bolsa ou ajudá-lo a atingir outros objectivos futuros? Algo disto irá importar daqui a 20 anos?

8. Faça algo que aprecie

Encontrar coisas pequenas para fazer pode ter um grande impacto na vida familiar. Uma vez ouvi uma autora premiada discutir como utilizava a hora do banho da filha para ter uns minutos de escrita. Às vezes só conseguia escrever uma frase. Mais tarde apercebeu-se que foi assim que aprendeu a escrever uma frase única, perfeita.

Ouvir audiolivros, desfrutar da sua bebida preferida, ver um programa ou ouvir um podcast enquanto prepara refeições – há muitas maneiras de cuidar de si próprio.

9. Ligue-se

É fácil, na pressão de tudo o que temos para fazer, perder de vista o que precisamos para nos ligarmos aos nossos filhos, mas construir esses relacionamentos pode ajudar a prevenir ou mitigar um sem número de problemas sérios. Devemos procurar relacionarmo-nos com os outros pais. Tenho visto problemas aparentemente enormes, quase intratáveis, resolvidos muito rapidamente quando os pais pegam no telefone e falam uns com os outros. Organize um encontro com os outros pais ou junte-se a uma associação da comunidade, grupo religioso ou um clube de lazer para pais.

10. Crie memórias

Memórias de família são uma moeda que trocamos com os nossos filhos, algo que não se desvanece ou desaparece. Podem trazer gargalhadas e alegria, aproximando-nos. O meu maior teste agora, para ver se algo vale o nosso tempo, esforço e dinheiro, é perguntar se é uma coisa que nos vai dar memórias. Se a resposta for sim, vou quase sempre fazê-lo, não importa o custo.

11. Faça algo à antiga

Muito daquilo de que nos afastámos progressivamente tem um impacto positivo no nosso coração: escrever à mão um cartão de agradecimento, ler um livro em papel, aperaltar-me, usar o serviço numa refeição, dar um jantar de festa, fazer um bolo, danças de salão ou jardinagem. Tendemos a focarmo-nos no nosso estilo de vida e conveniências modernas, mas os nossos antepassados viveram centenas de anos sem nenhum dos recursos que temos. O que para eles mais importava, as suas ideias, costumes e tradições podem não se alinhar na perfeição com o que mais valorizamos nos dias de hoje, mas ainda nos podem ensinar algo.

12. Aja em vez de se preocupar

Canalize o seu medo, preocupações ou revolta para a acção. A história frequentemente avança com pequenas reviravoltas e com as acções de gente comum na altura certa. No mínimo, pelo menos estará a fazer algo. E isso pode ajudar a trazer paz e felicidade.

Braden Bell é professor, escritor e realizador de Nashville, Tennessee. Autor de sete livros, tem um blogue e escreve uma newsletter com reflexões sobre ser pai de adolescentes. Está no Twitter em @bradenbellcom.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

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