Plasticus maritimus. Como explicar o problema do plástico às crianças

Dezembro 14, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 28 de novembro de 2018.

Ana Dias Ferreira

Tem direito a nome científico (inventado pela bióloga Ana Pêgo) e deu um livro da Planeta Tangerina. O problema do plástico nos oceanos está agora acessível a uma criança. Vamos formar ativistas?

É uma espécie exótica e invasora que se encontra em todos os mares e zonas costeiras do mundo. Pode apresentar-se sob uma grande variedade de formas e em todas as cores, incluindo a transparente ou mesmo “invisível”. Em geral, desloca-se fácil e rapidamente, em função dos ventos e correntes. Tem grande facilidade de se adaptar a todos os ecossistemas. Nome científico? Plasticus maritimus, uma designação inventada pela bióloga Ana Pêgo (e agora um livro), que nos últimos quatro anos tem feito questão de gastar o seu latim para falar do problema do plástico nos oceanos.

“O meu objetivo é chegar ao máximo de pessoas. Essa tem sido a minha arma de combate: informar”, diz a bióloga marinha de 47 anos. Munições não lhe faltam: em 2014 reconstruiu o esqueleto de uma baleia de 10 metros só com objetos de plástico branco encontrados na praia, na instalação “Balaena plasticus”, este ano reposta no Centro Cultural de Belém. Em 2015 criou a página Plasticus maritimus para partilhar fotografias do lixo que começou a colecionar e que deu origem a várias exposições. Desenvolve regularmente oficinas e ateliers sobre o ambiente para crianças e famílias, em instituições como a Gulbenkian e o Oceanário. Passa a vida a “escrever para todo o lado”, seja sobre as largadas de balões promovidas pelas câmaras municipais ou os pacotes de sumo com palhinhas distribuídos nas escolas. Agora escreveu também um livro, em parceria com Isabel Minhós Martins, da editora infanto-juvenil Planeta Tangerina, e com ilustrações de Bernardo P. Carvalho. Um guia de campo, como os biólogos fazem quando querem identificar determinadas plantas e animais, para falar desta “espécie invasora” que representa já 80% do lixo que existe nos oceanos e que ameaça sobrepor-se aos peixes em 2050. Objetivo: sensibilizar para um uso mais sensato dos plásticos (metade usados apenas uma vez), formar ativistas, levar à mudança. “Acho que se as pessoas forem informadas sobre o impacto dos nossos hábitos diários, se souberem que as largadas de balões e os cotonetes que atiram para a sanita vão parar ao mar, vão querer fazer alguma coisa. Não podemos continuar à espera que os outros resolvam os assuntos. Temos de ser ativos.”

Dando o exemplo do sabonete em lugar do gel de banho, Ana Pêgo defende que “não é preciso fazer uma mudança radical para começar a ‘desplastificar’”, basta começar por chegar ao supermercado e “não querer as bolachas que são vendidas dentro de dois pacotes”, ou fugir das embalagens de uso único. Esse é também todo o espírito (e mérito) do livro: dar sugestões concretas, descomplicar o que é complicado e tornar um dos maiores problemas e desafios do nosso planeta acessível a uma criança de oito anos.

É por isso que Plasticus maritimus – uma espécie invasora começa por mostrar, antes de mais, qual é a importância de salvar os oceanos, principais reguladores do clima e que produzem mais de 50% do oxigénio que respiramos. Ou que explica afinal o que é o plástico, com direito a uma “pequena aula de físico-química” que mostra como se fabrica e por que é um material tão especial e duradouro, podendo ficar dezenas, às vezes centenas de anos no meio ambiente. É por isso também que depois dos números assustadores — “todos os anos, cerca de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos, o que equivale a serem despejados no mar, a cada hora que passa, cerca de mil toneladas de plástico, um camião cheio por minuto” — se mostram alternativas e bons exemplos que já estão a ser seguidos noutros países, como a lei aprovada em França para banir a louça descartável de plástico até 2020. Ou que se dão ainda sugestões de hábitos a implementar no dia-a-dia, com direito a umas quantas notas de como lidar com a atitude dos outros se nos acharem extraterrestres por recusarmos coisas que não são essenciais, identificarmos bizarrias que não deviam existir (como laranjas descascadas vendidas em placas de esferovite e envolvidas em celofane) ou mandarmos arranjar os objetos que se estragam em vez de ir a correr comprar outros.

Estes hábitos são contra-corrente no mundo da novidade e do “usa-e-deita-fora”,  mas “o livro acaba por sair em plena explosão do plástico”, diz Ana, que em tempos se sentiu sozinha a alertar para uma questão a que ninguém parecia ligar. A sua instalação da baleia branca era o elefante na sala, mas em janeiro deste ano o elefante chegou a Bruxelas, com a apresentação da primeira grande Estratégia Europeia sobre Plásticos por parte da Comissão Europeia. “Este já não é um problema que está lá longe, na ilha do Pacífico feita de plástico, que tem 17 vezes o tamanho de Portugal e que continua a aumentar. É um problema que está aqui na Europa, aqui em Cascais, na nossa costa. Há animais que aparecem mortos e que comeram plástico.” Estão nas notícias, nas imagens (chocantes) postas a circular, começam a estar na agenda política.

Para Ana Pêgo, são os governos e os municípios que podem educar os cidadãos, mas também os cidadãos que podem exigir mais dos seus governos, através das suas escolhas. Mais do que no ecoponto amarelo, acredita numa série de “erres” antes do reciclar (repensar, recusar, reduzir, reparar e reutilizar), e acredita sobretudo no conceito de economia circular: “A reciclagem ainda tem um longo caminho pela frente e gasta recursos, além de que o plástico não é reciclável até ao infinito, ou não é facilmente reciclável de todo”, defende. “Acho que o futuro é a economia circular, que promove a reutilização de recursos e a reparação de materiais”. Citando o livro: “a ideia é que uma matéria-prima, quando é extraída da natureza, circule dentro deste circuito por muito, muito tempo… dando tempo à natureza de se regenerar.”

No seu guia de campo, e como um verdadeiro especialista à procura de uma determinada espécie no seu habitat natural, ensina a preparar uma saída para limpar as praias do Plasticus maritimus: o equipamento a levar, os cuidados a ter, os melhores locais e épocas. Para além de bióloga marinha, Ana Pêgo assume-se como beachcomber, isto é, alguém que não se limita a recolher lixo mas que coleciona e se interessa pela origem e a história dos objetos que encontra. Já apanhou 133 palhinhas na mesma praia e 253 tampas de garrafas em 20 minutos, num passeio no Cabo Raso, e tem coleções de pentes, peças de Lego, rodas, isqueiros, escovas de dentes ou embalagens de soro (todas mostradas no livro). A paixão pelo mar veio-lhe dos tempos de criança e de morar a 200 metros da Praia das Avencas, “o quintal mais incrível que alguém podia ter”. Adora baleias e esta é, resume, a sua forma de as salvar.

 

 

Seca no Afeganistão leva pais a venderem os filhos

Dezembro 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Euronews de 28 de novembro de 2018.

A pior seca das últimas décadas no Afeganistão está a levar algumas famílias a venderem os filhos para liquidarem as dívidas ou comprarem alimentos. A seca tem agravado o problema do casamento infantil. A Unicef estima que pelo menos 161 crianças, entre elas seis meninos, tenham sido vendidas num período de apenas quatro meses em duas das províncias afetadas.

“Os pais contraem dívidas para sustentarem a família, esperando que a chuva chegue em breve e lhes permita liquidar a dívida, mas infelizmente a seca continua a arrastar-se e eles não conseguem pagar as dívidas. Infelizmente, as crianças tornam-se uma garantia”, disse Alison Parker, porta-voz da UNICEF para o Afeganistão, numa conferência de imprensa, realizada na terça-feira, em Genebra.

Entre as crianças há bebés de apenas um mês, já prometidos para casamentos forçados. 35% da população afegã realiza casamentos infantis.

10, 6 milhões de pessoas têm dificuldades para alimentar-se no Afeganistão.

“Este é um dos momentos mais difíceis da história do Afeganistão. O povo afegão está a sofrer de uma forma inimaginável”, frisou Toby Lanzer, representante-especial da ONU no Afeganistão.

O Alto Comissariado da ONU anunciou que começou a entregar milhares de tendas aos deslocados, vítimas dos conflitos e da seca.

 

Qual deve ser o tempo máximo em frente a um ecrã de telemóvel?

Dezembro 13, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 27 de novembro de 2018.

Rita Costa

As recomendações do oftalmologista pediátrico Filipe Martins Braz no TSF Pais e Filhos.

“Existe uma série de estudos que aponta para que o uso das novas tecnologias com monitores tende a agravar os problemas oftalmológicos, nomeadamente a miopia”, avisa o oftalmologista pediátrico Filipe Martins Braz.

O médico refere que na Ásia, onde a utilização das novas tecnologias ainda é maior, a miopia está a aumentar exponencialmente. “Não havendo ainda linhas de orientação rígidas e cientificamente comprovadas. O que recomendamos é o bom senso, períodos de 20 minutos em frente ao monitor e depois fazer uma pausa”, revela o oftalmologista.

Filipe Martins Braz sugere que se peça à criança que olhe para o longe, indo com ela à rua passear um pouco. No fundo deve evitar-se fazer períodos de tempo excessivos em frente aos monitores dos telemóveis ou dos tablets.

Declarações de Filipe Martins Braz no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/qual-deve-ser-o-tempo-maximo-em-frente-a-um-ecra-de-telemovel-10241202.html?fbclid=IwAR2cWcNzuMgwXhzpRsRsMqx84iq8-JwohWPDD3eCif7Pj8_vwos_evrB_PE

Bastam 23 euros para salvar a vida de uma criança com fome

Dezembro 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 11 de novembro de 2018.

No dia em que se assinalam 72 anos da sua fundação, a UNICEF lança esta terça-feira uma campanha de angariação de fundos para combater a subnutrição de crianças.

Em declarações à TSF, diretora executiva da Unicef Portugal, Beatriz Imperatori, deixa “um apelo muito forte” pela luta contra a fome, em especial na África subsariana.

Um tratamento completo para tratar uma criança subnutrida durante três semanas não representa um custo muito elevado para quem quer ajudar – cerca de 23 euros – “mas pode ser um novo início para uma criança”.

Foi o que aconteceu a Marcelino e a Unicef quer que a história deste bebé seja a história de mais crianças em risco de vida.

Ao perceber que o filho estava gravemente doente a mãe de Marcelino levou-o ao centro de saúde local. Depois de ser tratado com alimentos terapêuticos fornecidos pela Unicef o bebé regressou a casa com a mãe, levou ainda 14 doses desse alimento para dar continuidade ao tratamento.

Quase 151 milhões de crianças menores de cinco anos registaram atrasos no desenvolvimento físico e cognitivo devido à subnutrição, enquanto mais de 50 milhões de crianças tinham um peso demasiado baixo para a sua idade, segundo os últimos dados do relatório “The State of Food Security and Nutrition in the World”, referentes ao ano passado.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância foi criado em 1946 para dar resposta às necessidades das crianças europeias após a guerra. Hoje, a Unicef está presente em mais de 190 países em todo o mundo.

 

 

O que sabe sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos? Quiz

Dezembro 12, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público

Andreia Friaças

O 70.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos assinala-se esta segunda-feira. O PÚBLICO reuniu algumas questões sobre os artigos que compõe a carta, os seus defensores e abstencionistas e ainda sobre quem a deveria ter escrito.

Aceder ao quiz no link:

https://www.publico.pt/mundo/interactivo/quiz-que-sabe-sobre-declaracao-universal-direitos-humanos?fbclid=IwAR2q3cT3j6JWlmlF_T3TyGud9KqjCxxr46kHvQ-8gPVAfm5mSZcf2RvxihA#

Pais e exposição nas redes sociais – Sharenting

Dezembro 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site internetSegura de 27 de novembro de 2018.

O risco está sempre à espreita mesmo em situações mais inocentes. Apesar de dividir opiniões, a exposição das crianças nas plataformas digitais pode representar um risco na segurança e privacidade das mesmas resultando no dilema de publicar ou não conteúdos sobre os seus filhos nas redes sociais.
A atividade de sharenting engloba dois termos: “share”, a partilha e “parenting”, a parentalidade. Nasce, portanto, da partilha de informação, seja através de fotografias ou da partilha de outros aspectos identificadores da criança como a idade, sexo e o nome, em plataformas digitais como o Facebook. Basta apenas um click para recordar mais uma memória do seu filho num momento de felicidade.
A partilha costuma ser recorrente, e uma das principais razões coloca-se pelo distanciamento de alguns familiares na vida da criança. Porém, é importante pensar antes de publicar, fazendo-o com consciência e bom senso.
Apesar da partilha parecer inofensiva é necessário sensibilizar para o conhecimento dos riscos a que podem estar envolvidos, e cuja publicação permanece para sempre online. A pegada digital a que a criança é submetida pode resultar no controlo por parte de indivíduos cujos contornos podem ser maliciosos.
Ao longo da semana iremos realizar um conjunto de dicas para a segurança do seu filho, assim como uma lista de riscos a que pode estar a colocá-los.

Navegue em Segurança!

 

Incentivar a leitura das crianças- como, porquê, para quê e quando?

Dezembro 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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AnnHe

Texto do site Uptokids

Hoje em dia há uma grande variedade na oferta de bens de consumo para as crianças, todos incluídos (embora às vezes até de forma errada) na categoria dos “brinquedos”. Entre jogos, bonecos, consolas, tablets e outros materiais aparentemente mais apelativos e que apresentam resultados mais imediatos, os livros foram perdendo o seu lugar de destaque entre o público infantil
e juvenil.

Daí a necessidade de voltar a aproximar crianças, jovens e famílias dos livros e das histórias e de criar nas crianças e jovens o hábito e o gosto pela leitura, ou o gosto e o hábito (nunca sei qual deve vir primeiro!) um dia de cada vez, todos os dias.

Como?

Proporcionar espaços e tempos propícios e prazerosos para a leitura;

Ter à disposição livros em quantidade e qualidade e adequados;

Conhecer o gosto da criança ou jovem e respeitá-lo sem nunca perder a perspectiva de que é o adulto que deve ter a última palavra na escolha;

Ler histórias com e para as crianças.

Porquê?

Porque estimular a leitura é importante desde cedo. Porque ao ler podemos viajar e conhecer o mundo sem sair do lugar. Porque é divertido.

Quando?

Desde cedo. Desde que a criança consiga manusear objectos na mão deve começar a contactar a ter contacto com os livros para que não sejam “objectos estranhos”. Antes da criança aprender a ler as palavras, ela vai aprender a ler imagens e o gosto pelos livros começa aí.

Para quê?

Para estimular a criatividade; desenvolver capacidades pessoais; promover o conhecimento e cultura geral; melhorar a expressão oral e preparar a escrita; influenciar estados de espírito; ajudar a lidar com emoções e sentimentos.

Os livros antigamente serviam exclusivamente para ensinar. Tinham como objetivo serem veículos de transmissão de informação, de morais e bons costumes. Hoje em dia já não é assim, o livro ganhou outro estatuto. Foi sofrendo transformações ao longo dos anos, dando-se cada vez mais importância ao carácter estético e lúdico. Encara-se o livro como um objeto com o qual se pode
estabelecer uma relação afetiva, com muito mais potencialidades do que apenas o ensino formal de conceitos, teorias e retificação de comportamentos.

Por todas estas razões e mais algumas que não me ocorrem neste momento, leiam… ontem, hoje e sempre!

image@AnnHe

 

 

E nunca mais ninguém chumbou

Dezembro 11, 2018 às 9:50 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de João André Costa publicado no Público de 26 de novembro de 2018.

João André Costa

É professor e criou o blogue Dar aulas em Inglaterra

Ainda bem que hoje se movem mundos e fundos para que o aluno não chumbe. Esta foi a nossa aprendizagem: acabar com o medo, o castigo e a consequência, pois só na ausência do medo pode crescer o gosto e interesse pelo saber, um dia de cada vez, um aluno de cada vez.

Quem não se lembra das reguadas? Eu lembro-me, ainda me dói a mão e ainda hoje não sei muito bem o porquê das reguadas, tantas reguadas. Talvez porque à professora, a Dona Clarisse, lhe apetecesse. Talvez porque a Dona Clarisse podia bater e exercer esse poder com a plena concordância dos pais num contexto social de consenso onde os mais fortes, os adultos, desancavam sem apelo nem agravo nos mais fracos, as crianças.

Convenhamos, fomos educados, criados e crescidos num sistema educativo baseado no castigo, nas consequências, no medo, na represália, através de castigos corporais e humilhações públicas onde os menos resilientes não tinham outra solução senão chumbar e repetir o ano.

Sim, quando um aluno não sabia o suficiente para passar de ano, o aluno tinha de repetir tudo, outra vez. Chumbar era o castigo máximo, a vergonha para os pais e para o aluno e o falatório da rua, do café, nas compras, o atestado maior de burrice numa escola onde quem não empina livros inteiros não passa. E aqui estamos nós outra vez em Setembro, como se o tempo não tivesse passado, mas passou, o corpo está maior, mais velho, e os colegas de carteira parecem umas crianças. E são.

Foi o caso do Pedro. O Pedro era, e é, um ano mais velho. Esteve na turma do meu amigo Marco, chumbou e passou para a minha turma e depois voltou a chumbar e passou para a turma da minha irmã.

O pai do Pedro bebia e batia e a mãe do Pedro estava desempregada e sujeitava-se. O Pedro de vez em quando lá levava umas lambadas de tabela e depois na escola não havia quem o aguentasse. Mas disto os professores não queriam saber. O que os professores queriam saber era se o Pedro sabia ou não. E como o Pedro tinha mais com que se preocupar, a começar desde logo pela fome de quem todas as manhãs não toma o pequeno-almoço e a certeza do almoço na escola como a única refeição do dia, o nosso amigo Pedro mandava a escola, as aulas e os professores bugiar, que é para não dizer outra coisa.

Conclusão: o Pedro chumbou uma, duas, no fim três vezes, sempre no mesmo ano, até que os pais se separaram e o Pedro foi viver com a mãe para casa dos avós. Acham que o Pedro aprendeu alguma coisa ao chumbar? Terá o Pedro memorizado tudo o que havia para aprender naqueles anos de repetente? Será que repetir a matéria uma, duas, três, mil vezes faz com que o aluno aprenda? A resposta é óbvia. Como o tempo passou, as crianças que ontem levavam reguadas e chumbavam entretanto cresceram e tomaram conta dos hospitais, das empresas, dos governos e ministérios, tomaram conta das escolas.

Por isso, a ausência de castigos corporais na escola de hoje. Ao invés movem-se mundos e fundos para que o aluno não chumbe, criando programas de apoio, falando com os pais, querendo conhecer a realidade social de cada aluno. A escola acaba por sair para a rua e estender o braço no sentido de um futuro melhor, digno, para as nossas crianças. A escola já não vive dentro de quatro paredes, está viva e desperta para a realidade em redor e a realidade não vem nos livros.

Esta foi a nossa aprendizagem: acabar com o medo, o castigo e a consequência, pois só na ausência do medo pode crescer o gosto e interesse pelo saber, um dia de cada vez, um aluno de cada vez.

Quanto à régua da Dona Clarisse, acabou por se partir em mais um ataque de fúria para grande alívio de todas as crianças, este que vos escreve incluído, e nunca mais ninguém chumbou.

 

 

 

Fotografias de crianças nas redes sociais? “Todo o cuidado é pouco e a exposição não beneficia”

Dezembro 10, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Sara Kurfeß on Unsplash

Notícia do Expresso de 25 de novembro de 2018.

A presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens defende que os pais devem ter cuidado quando expõe os filhos nas redes sociais e que é preciso saber distinguir entre público e privado na Internet.

A presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens defendeu que os pais devem ter cuidado quando expõe os filhos nas redes sociais e que é preciso saber distinguir entre público e privado.

Em entrevista à agência Lusa, quando completa um ano de mandato à frente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), Rosário Farmhouse sublinhou que não pretende dar receitas sobre a matéria, mas defendeu que é preciso saber distinguir entre o que é privado e o que é publico quando está em causa o direito à imagem dos mais novos.

Na opinião da responsável, os pais “podem perfeitamente partilhar nas suas redes privadas” as fotografias dos filhos, já que “os avós gostam, os familiares que estão mais longe gostam muito”, mas devem ter mais cuidado quando a partilha é feita de uma forma pública.

“É imaginarem que é a mesma coisa que, nos tempos antigos, porem a criança numa montra da cidade, por onde passam imensas pessoas que estão a olhar para ela. Querem isso? Não querem isso? Estão a protegê-la?”, questionou.

Rosário Farmhouse não tem dúvidas: “Eu acho que todo o cuidado é pouco e a exposição não beneficia”.

Para a presidente da CNPDPCJ, é preciso ter cuidado para que os pais não transformem a privacidade das suas crianças em algo que é de acesso a todos, lembrando que as crianças não foram consultadas sobre isso e os pais não fazem ideia de que impacto essa exposição terá no futuro nas suas vidas.

Por outro lado, defendeu que a sociedade atual não pode ser uma sociedade em que vale tudo e em que a “desculpa da liberdade” serve para “pisar tudo e todos”.

“Tem que haver mínimos e os direitos fundamentais têm que ser respeitados, e é esse equilíbrio que temos de ir encontrando neste mundo desafiante que é agora o das novas tecnologias”, sublinhou Farmhouse.

Frisou que é preciso “calçar os sapatos da criança” e pensar se a criança vai ou não gostar de se ver nas imagens publicadas: “Tenho confiança que cada um pensará nisso antes de expor as suas crianças”.

Anunciou que a comissão nacional se prepara para apresentar publicamente, no dia 05 de dezembro, um projeto de parentalidade, que vai começar em janeiro do próximo ano, e que tem como objetivo desenvolver ferramentas para o desenvolvimento de “competências parentais positivas” que tornem as famílias “cada vez melhores famílias”.

De acordo com Rosário Farmhouse, o projeto terá a duração de dois anos e é financiado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE).

A responsável disse também que este é um projeto acessível a todas as famílias, que incluirá pequenos jogos e dicas para pais, que será testado nas zonas norte, centro e Alentejo para depois poder ser disseminado por todo o país em 2021.

 

 

 

Imagine que o seu filho chega a casa embriagado. O que deve fazer?

Dezembro 9, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da TSF de 26 de novembro de 2018.

Rita Costa

A pediatra Ana Dias Alves sublinha a importância de falar com os filhos, mostrar desagrado em relação ao que aconteceu, explicar que o que aconteceu não deve acontecer, mas não exagerar.

“É sempre uma situação terrível para os pais”, reconhece a pediatra Ana Dias Alves que considera que deve haver equilíbrio na reação. Às vezes os pais nem se quer sabem que os filhos ingerem álcool e de repente são chamados ao hospital porque os filhos tiveram uma intoxicação alcoólica. “Como é que os pais lidam com esta situação?”

A pediatra Ana Dias Alves sublinha a importância de falar com os filhos, mostrar desagrado em relação ao que aconteceu, explicar que o que aconteceu não deve acontecer, mas não exagerar. “Às vezes ficam tão magoados com os filhos que impedem-nos de sair durante os próximos meses”, mas “há alguns excessos” que fazem parte do percurso normal dos adolescentes e servem de exemplo, defende.

“O facto de eles terem um episódio de embriaguez não quer dizer que vão tornar-se uns alcoólicos e, depois de um episódio destes, a maior parte não repete”, assegura a pediatra que deixa uma ressalva : “Se eles começarem a repetir o comportamento, ai a coisa é diferente.”

Ouvir as declarações de Ana Dias Alves no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/imagine-que-o-seu-filho-chega-a-casa-embriagado-o-que-deve-fazer-10236678.html?fbclid=IwAR0r_ldnmvlVG3Qav0osPhR9J-ZRz_3pmTNdFq8GNA0CGZxPfrnqr-0pbp8

 

 

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