Esquizofrenia na criança e no adolescente

Outubro 15, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 28 de setembro de 2017.

A esquizofrenia é uma doença mental crónica, incurável, que limita o doente ao nível escolar, profissional e das relações afectivas e sociais. O diagnóstico surge, frequentemente, no final da juventude ou da adolescência. Nos homens inicia-se, maioritariamente, entre os 15 e os 25 anos e nas mulheres entre os 25 e os 30 anos. No geral, permanece durante toda a vida, alternando períodos de melhoria com recaídas.

As causas da esquizofrenia ainda não são totalmente conhecidas. Porém, sabe-se que intervém alguns factores biológicos:

– Genes: se um dos progenitores for esquizofrénico, há uma probabilidade, de 10 a 15% de os filhos também virem a sê-lo. Se os dois progenitores tiverem a doença, o risco aumenta para 40%. Sendo os filhos gémeos, a probabilidade é de 10% para os falsos e 50% para os verdadeiros;

– Estado de saúde da mãe durante a gravidez e parto: desnutrição, infeções virais e complicações durante o parto;

– Desenvolvimento neurológico com alterações: os doentes apresentam alterações anatómicas nalgumas zonas do sistema nervoso;

– Alterações nos neurotransmissores que actuam ao nível das emoções;

– Acontecimentos de vida causadores de stress;

– Vicio de álcool ou drogas.

Sinais de alerta

Os primeiros sinais de alerta são a irritabilidade, o medo, as dificuldades de raciocínio, os sentimentos de estranheza às experiências diferentes do habitual, perturbações ao nível do pensamento, as alucinações (auditivas, visuais, cinestésicas), os delírios, o discurso confuso, pobre e incoerente, comportamento invulgar e desordenado, reduzida expressão das emoções, de menores apetências sociais, da tendência para o isolamento. A doença pode manifestar-se bruscamente, em dias ou semanas, ou pode ser gradualmente evolutiva. Neste último caso é mais problemática, porque como começou por passar despercebida, o doente não recorreu logo de início ao tratamento.

A depressão é um problema frequente dos esquizofrénicos, mas não está definida como característica desta doença. Contudo, quando existe está associada a um pior prognóstico. Considera-se que a depressão surge como reação às consequências da esquizofrenia e leva cerca de 10% destes pacientes ao suicídio.

Patologias similares à esquizofrenia são a doença bipolar, a perturbação de personalidade borderline, o autismo, algumas lesões cerebrais e doenças neurológicas, metabólicas ou infecciosas. Para além do consumo de drogas ilegais, alguns medicamentos e intoxicações por metais pesados podem também ter efeitos semelhantes aos da esquizofrenia. Então, o primeiro passo para identificar a doença será analisar a história clínica (doenças e medicação) do doente, antecedentes familiares e dados do período fetal, consumo abusivo de álcool e drogas, exame físico e avaliação neuropsicológica, funcionamento renal, fígado e tiroide.

Comparativamente a alguns casos de autismo, na esquizofrenia – que implica um limiar de organização mental superior – não se verifica uma evolução positiva. Muitos autistas têm dificuldade em chegar a um sentimento de consciência central; os esquizofrénicos perdem esse sentimento de consciência central.

Nas idades mais jovens há maior tendência a confundir a fantasia própria da idade, com o delírio, causando alguma dificuldade ao diagnóstico. Daí a importância de não “atacarmos” o delírio, mas entendermos as inspirações e o nível cultural de retaguarda, por exemplo. Independentemente, o doente pode apresentar nível intelectual superior.

Outro alerta aos pais prende-se com o facto de uma percentagem significativa dos pacientes esquizofrénicos serem abusados sexualmente.

Tratamento

A eficácia do tratamento da esquizofrenia depende do tempo decorrido entre o aparecimento das alucinações ou delírios e o início da medicação (é preciso ter em conta que os medicamentos podem demorar 4 a 9 semanas a produzir efeito). As terapias psicossociais podem ser úteis, como complemento dos medicamentos, sobretudo para doentes com sintomas psicóticos controlados. Aqui o objectivo é ajudar o doente a relacionar-se com os outros e a controlar o stress. Aliás, todas as medidas que contribuam para reduzir o stress como a prática de desporto, podem ajudar no controlo da doença. E o apoio dos professores na integração destas crianças também é extraordinário.

Todavia, a importância da colaboração da família directa, pais ou outros cuidadores, é fundamental. Porque a criança ou jovem vive no seio de uma família, logo, teremos de intervir, também, a esse nível. Mesmo (ou sobretudo) quando antes idealizamos a infância das nossas crianças. Como defende Coimbra de Matos, não se pode fazer psicoterapia sem se fazer história. Efectivamente, há sempre uma força transgeracional, recente, familiar.

imagem@wykop

Alice Patricio

Alice Patrício, 50 anos, procuro diversificar a minha área de interesses o mais possível, prezo a liberdade, gosto de viajar…

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“Os jovens portugueses têm falta de sentido crítico”

Outubro 14, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de setembro de 2017.

A nova estratégia de Educação para a Cidadania visa prevenir comportamentos como os da violência doméstica. Este ano lectivo será apenas desenvolvida nas escolas que integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular.

Clara Viana e Aline Flor

A nova estratégia nacional de Educação para a Cidadania, apresentada nesta sexta-feira pelo Governo, tem na sua base uma lógica preventiva, frisou ao PÚBLICO a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino.

“Na área da cidadania e da igualdade passamos a vida a correr atrás do prejuízo. As pessoas não começam a ser violentas aos 40 anos, que é a média de idades dos agressores e das vítimas de violência doméstica. Basta olhar para os números da violência no namoro para se perceber que a violência começa muito mais cedo. E, para prevenir estes comportamentos, só há uma forma: intervir no âmbito do sistema educativo, porque é aí que podemos chegar a todas as crianças. Porque quando os temas são falados, quando deixam de ser tabu, isso também leva à reacção”, disse.

A violência é um dos conteúdos que serão tratados no âmbito dos temas que foram definidos na estratégia com sendo de abordagem obrigatória para todos os ciclos de ensino. São eles os direitos humanos, a igualdade de género, a interculturalidade, o desenvolvimento sustentável, a educação ambiental e a saúde.

Neste ano lectivo, a nova estratégia irá ser apenas aplicada nas 235 escolas públicas e privadas que integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular. No 2.º e 3.º ciclos de escolaridade, os temas a abordar serão desenvolvidos na nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento prevista nas matrizes curriculares que estarão em vigor nas escolas do projecto-piloto, na qual os alunos terão notas à semelhança do que se passa nas outras disciplinas.

No 1.º ciclo e no ensino secundário terão “natureza transdisciplinar”, devendo contar, no último caso, “com o contributo de todas as disciplinas e componentes de formação”, especifica-se no documento divulgado nesta sexta-feira.

“O que se pretende não é instituir uma disciplina formal, no sentido de que há um professor que debita a matéria, mas sim implementar uma metodologia de projecto porque a cidadania, para se desenvolver, tem de contar com uma parte prática”, especificou. Para a elaboração da nova estratégia foram criados também focus groups em que participaram professores e alunos, indicou a governante.

Segundo Catarina Marcelino, com a nova estratégia pretende-se também desenvolver o “sentido crítico” entre os jovens: “O que tem sido constatado em vários estudos e pode ser observado na prática é que os jovens portugueses têm falta de sentido crítico. Do ponto de vista competitivo com jovens de outros países, mesmo ao nível de emprego, este é um traço que nos prejudica. Precisamos de ter capacidade de pensar criticamente porque isso nos torna melhores enquanto cidadãos e é bom para a democracia.”

Os conteúdos a desenvolver no âmbito da nova estratégia terão na base os sete referenciais já elaborados pela Direcção-Geral da Educação, sendo que seis deles foram concluídos na anterior legislatura, numa altura em que a disciplina de Formação Cívica desapareceu da matriz curricular proposta pelo Ministério da Educação, embora muitos estabelecimentos de ensino tenham optado por mantê-la no âmbito da oferta de escola.

“A abordagem da educação para a cidadania tem tido avanços e recuos nas escolas, mas acabou por nunca se consolidar. É isso que pretendemos agora fazer: consolidar esta estratégia dentro do sistema de ensino. Será esse o grande desafio”, indicou Catarina Marcelino, acrescentando que o saldo será “positivo para a sociedade portuguesa”.

 

 

 

 

Porto: 8 museus para as crianças aprenderem enquanto passeiam

Outubro 13, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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(Fotografia de Amin Chaar/GI)

Notícia da https://www.evasoes.pt/ de 26 de setembro de 2017.

Os livros, os cadernos, o reencontro com os amigos e o regresso à rotina de todo o ano são realidades deste mês do ano. Mas a aprendizagem faz-se também fora das aulas e, para isso, a Evasões reuniu várias sugestões para que a tabuada ao fim de semana seja sempre feita de somas de experiências para dividir pela família toda.

visualizar todas as fotos e textos no link:

https://www.evasoes.pt/ar-livre/8-museus-para-as-criancas-aprenderem-enquanto-passeiam/

 

E se a criança estiver fazendo… BIRRA?

Outubro 12, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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imagem retirada daqui

4 bons motivos para optar por brinquedos de madeira

Outubro 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 27 de setembro de 2017.

Com frequência, os brinquedos de madeira são associados a alguma nostalgia por despertarem recordações de infância. E também é frequente encontramos quem pense que é esse regresso ao passado que a pretendemos com a actividade que desenvolvemos.

Na verdade, não é assim. Embora consideremos que, de uma forma geral, todos os brinquedos têm o seu papel e importância, consideramos que aqueles que são os fabricados em madeira apresentam enormes vantagens para as crianças.

1. Os brinquedos de madeira são de maior duração

O nosso filho de 6 anos (é o nosso director de qualidade) brinca com um comboio que tem quase 40 anos de existência! Ao longo do tempo algumas peças foram substituídas (o que faz dele, de resto, um excelente objecto de colecção), é certo, mas por se perderem e não por se danificarem. Os brinquedos de madeira são, efectivamente, menos susceptíveis de se partirem do que os seus equivalentes em plástico, sendo mais resistentes a quedas, pisadelas ou “testes de resistência”. Mesmo quando se partem, são normalmente mais fáceis de reparar. Além disso, não são tão susceptíveis à “obsolescência programada”, ou seja, não são fabricados de forma a rapidamente se tornarem tecnologicamente obsoletos.

É por isso que muitos se tornam objectos de brincadeira que passam de geração em geração, agregando valor sentimental mesmo junto dos adultos.

2. Os brinquedos de madeira são mais seguros

Sendo mais duráveis, o risco de ferimento com pequenas peças partidas é muito mais reduzido do que os equivalentes em plástico. E também não existe risco de engolir bactérias, uma vez que, normalmente, não as têm.

3. Os brinquedos de madeira são mais ecológicos

Como os brinquedos de madeira tendem a durar mais do que os de plástico, o lixo que com eles é produzido é muito menor. Acresce o facto de que o plástico demora muito mais tempo a degradar-se.

Por outro lado, os brinquedos de madeira têm uma menor toxicidade química, uma vez que são produzidos com recurso a materiais essencialmente naturais. É claro que teremos de fazer uma análise crítica quando os escolhemos: há outros factores envolvidos que deverão ser tidos conta, como as tintas e vernizes, por exemplo. Esse aspecto é especialmente importante quando sabemos que o plástico é derivado do petróleo, recurso ambientalmente nocivo e não renovável. Se tivermos o cuidado de procurar brinquedos cuja madeira provenha de plantações sustentáveis, a vantagem é evidente.

Já referimos a vantagem de não funcionarem com baterias (nós costumamos dizer que funcionam a energia humana). Para além da questão da segurança, a sua não utilização reduz o impacto ambiental do fabrico e utilização.

4. Os brinquedos de madeira potenciam mais o desenvolvimento infantil

Normalmente, os brinquedos de madeira não têm um botão onde a criança carrega e se limita a ver o que o brinquedo faz. Ela tem de se envolver com ele, criando cenários e diferentes formas de interacção, desenvolvendo a imaginação e criatividade. Além disso, o único sítio onde uma criança deveria ouvir “amo-te” ou “gosto muito de ti” deveria ser no seio da sua família e não de um objecto de plástico.

São também brinquedos que têm, por norma, associado o desenvolvimento de diversas capacidades. Por exemplo, um puzzle ou um jogo de construção contribui para o reforço das competências lógicas, de percepção de espaço ou agilidade motora.

Os brinquedos de madeira tendem ainda a criar um ambiente mais calmo do que que os seus barulhentos e automáticos brinquedos de plástico.

Por tudo isto, não temos dúvidas: os brinquedos de madeira são melhores!

*imagem fornecida pelo autor

Vilma van Harten

Vilma van Harten, engenheira agrícola de formação, responsável por projectos relacionados com a diversão infantil por vocação e coração, artesã…

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Filhos de “barrigas de aluguer” “não têm direito” a conhecer mãe biológica?

Outubro 11, 2017 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Miguel Oliveira da Silva no dia 8 de outubro de 2017.

Miguel Oliveira da Silva, obstetra e antigo presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, considera que as crianças que nascem de dadores de esperma e de óvulos devem poder saber quem são os pais biológicos. Lei portuguesa garante o anonimato.

Alexandra Campos

O primeiro presidente eleito do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), o obstetra Miguel Oliveira da Silva, advoga que as crianças nascidas graças às novas técnicas reprodutivas – Procriação Medicamente Assistida (PMA) – com dadores de esperma e ovócitos devem ter o direito de saber quem são os seus pais biológicos e se têm meios-irmãos. No livro Eutanásia, suicídio ajudado, barrigas de aluguer (Editorial Caminho) que esta segunda-feira é apresentado em Lisboa e que escreveu para espicaçar o debate dos cidadãos, o professor de Ética Médica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa diz que a PMA em Portugal “está centrada nos direitos dos adultos e esquece os das crianças e adolescentes, o que é uma distorção grave”.

Critica neste livro o Parlamento por não ter acolhido, nem nas leis nem na regulamentação das leis de PMA, nomeadamente a que veio permitir a gestação de substituição (vulgo “barrigas de aluguer”), praticamente nada do que o CNECV tem recomendado.

Sim, o Parlamento tem de alguma forma ignorado, não tem acolhido, designadamente nestas leis controversas de PMA, praticamente nada do que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida escreve. O que levanta um problema: será que o CNECV está completamente errado, o que é surpreendente, porque seis dos seus elementos são eleitos pelo Parlamento e cinco são nomeados pelo Governo? Isto merece uma reflexão séria. Não conheço país nenhum da Europa Ocidental em que os pareceres dos conselhos de bioética sejam tão pouco acolhidos pelo legislador como em Portugal.

Quer incentivar o debate de cidadãos, mas as pessoas não parecem muito interessadas em discutir estas questões.

As pessoas estão muito alheias, não há debate em Portugal. Um exemplo: no Verão de 2016 sairam aquelas duas leis últimas de PMA, e, pouco tempo depois, almocei com ilustre constitucionalista que não sabia pormenores [da legislação]. Ignorava, por exemplo, que uma mulher solteira pode ir a um centro para ser inseminada com esperma de dador anónimo.

Por toda a Europa fora há hoje um enorme debate para se acabar com o anonimato dos dadores de gâmetas [ovócitos e espermatozóides], percebeu-se que os jovens querem conhecer os pais genéticos e saber se têm meios irmãos. Em todo o Norte da Europa, até já se acabou com o anonimato, à excepção da Dinamarca. Em Portugal ninguém discute isto.

Numa altura em que mais de 2,5% de todos os nascimentos em Portugal resultam de técnicas de PMA, ainda somos obrigados a importar esperma. Porquê?

Não sei. Por que é que há tantos dadores em Espanha e não há em Portugal? Será porque não se fizeram campanhas de esclarecimento e divulgação? Há quem ache que as campanhas não foram suficientes, outros defendem que a compensação, com ou sem aspas, é insuficiente. Em Portugal, nada tem sido feito para discutir por que não há dadores suficientes [no Serviço Nacional de Saúde], quando os há no privado. Quanto ao anonimato, um estudo efectuado num centro privado de Lisboa concluiu que a maior parte das dadoras [de ovócitos] não se importaria de prescindir deste direito, se ficasse garantido não haver efeitos jurídicos.

Defende que o anominato dos dadores é eticamente inaceitável. Porquê?

O que é que é mais importante? O direito do pai ou da criança? Eu não tenho dúvidas: é o direito da criança. As revistas científicas da especialidade publicam todos os meses artigos sobre isso, mas cá ninguém fala disso. Muitas pessoas acham que, se a doação deixar de ser anónima, ninguém dará esperma nem ovócitos, o que não é necessariamente assim. A PMA em Portugal está centrada nos direitos dos adultos e esquece os das crianças e adolescentes, o que é uma distorção grave.

As crianças são tratadas como se fossem um objecto a que se pode mentir. Na Suécia, quando se faz inseminação com dador de esperma, no consentimento informado as pessoas têm que deixar escrito que vão revelar a verdade à criança sobre a sua origem genética e biológica. Aqui, há um silêncio total sobre o direito das crianças. As crianças oriundas de barrigas de aluguer não têm direito a ter mãe? Em Portugal tudo indica mesmo que a grávida de substituição vá ser obrigada a uma cesariana desnecessária, com anestesia geral desnecessária, apenas para não ver a criança.

A mulher que empresta o útero não pode mudar de opinião após o nascimento da criança?

Em Portugal é assim. Uma das propostas do CNECV que não foi acolhida era justamente a da grávida poder escolher até ao parto [se fica com a criança]. Isso está na primeira versão da lei e, no próprio dia da votação, foi retirado – o contrato obriga a grávida a dar a criança ao casal. Mas há contratos que por vezes não se cumprem…

A legislação está mal feita, portanto?

Claro que está. E há o problema inverso: o das crianças que nascem com defeitos (porque nem todos os defeitos são diagnosticados antes da gravidez), que nem a grávida nem o casal quer depois. No estrangeiro, já há casos de crianças que foram parar a orfanatos porque ninguém as quis. Eu não sou contra a possibilidade de haver barrigas de aluguer, mas acho que devia ser absolutamente limitada a familiares próximos, como os casos de irmãs, em que, por exemplo, uma mulher nasce sem útero e a irmã empresta o seu.

O primeiro pedido de gravidez de substituição divulgado entre nós é o de uma mãe de 49 anos que quer emprestar o útero à filha. O que pensa disto?

Qualquer médico lhe dirá que uma mulher não deve engravidar depois dos 45 anos. Depois disso, é uma gravidez de alto risco. O comité de ética da sociedade norte-americana de medicina de reprodução diz que nenhuma mulher deve engravidar após os 45 anos. Aqui, foi-se um bocado mais longe, até aos 50 anos.

Defende igualmente que é preciso saber quanto é que o SNS gasta com a PMA no privado…

Perguntei isso oficialmente ao Conselho Nacional de PMA e eles dizem que não sabem, perguntei no hospital onde trabalho, o Santa Maria, e não me responderam. É mistério a mais, até porque há referenciação para os privados permanentemente, uma vez que há lista de espera. Nas consultas de PMA há listas de espera superiores a um ano [nos hospitais públicos]. A questão que coloco é esta: um pedido de barriga de aluguer vai ser prioritário ou não neste contexto?

Mas o que me faz mais confusão na lei portuguesa é que esta é extensiva aos não residentes. Isto não é um argumento xenófobo. Um casal estrangeiro com dinheiro vem a Portugal usufruir desta possibilidade nos centros privados e depois vai-se embora. Como é que se controla o que se passa a partir daí?

Teme que se esteja a abrir a porta a um mercado impossível de controlar?

Já há quem lhe chame turismo reprodutivo, outros chamam-lhe paraíso reprodutivo, outros dizem que é o inferno reprodutivo… Na Europa Ocidental, isto só é permitido na Grécia (onde tem que ser autorizado por um juiz), e, em Inglaterra, exige-se que uma das três pessoas envolvidas seja residente [no país]. Em Portugal não, vale tudo.

Destaca o exemplo de França, onde as barrigas de aluguer não são permitidas e até já têm sido levantados problemas com as crianças geradas desta forma no estrangeiro.

Quando um casal volta a França, a questão que já se pôs é a de saber-se qual é estatuto legal da criança oriunda de barriga de aluguer. Há quem ache que a mulher em cujo útero a criança se desenvolveu deve constar também do registo de nascimento. Isto implicaria novas regras de paternidade e de filiação em que a criança teria duas mães. Ora, em França isto é proibido. E a questão que se coloca é: o que se faz à criança, fica ilegal?

O que falta então?

Falta pensar a sério nos direitos das crianças e adolescentes e falta pensar em acabar com a doação anónima. Sou a favor da PMA, mas não aceito que esta possa tornar as crianças infelizes. Já viu o que é um adolescente descobrir aos 16 anos que não é filho genético da pessoa de quem acha ser filho genético? As pessoas não podem mentir aos filhos.

 

 

 

Mais de 58 mil crianças são abusadas sexualmente por ano na Colômbia

Outubro 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.aldeasinfantiles.org.co/

Notícia da https://www.tsf.pt/ de 26 de setembro de 2017.

A ONG Aldeias Infantis SOS convidou os colombianos a manifestarem-se no próximo dia 19 de novembro, dia mundial para a prevenção do abuso sexual infantil.

A organização não-governamental (ONG) Aldeias Infantis SOS apresentou esta segunda-feira a campanha “Sou a sua voz”, na Colômbia, país em que, assegurou, mais de 58 mil crianças são vítimas de abuso sexual em cada ano.

“Na Colômbia, mais de 76% dos casos de abuso sexual infantil ocorrem no interior dos lares, onde os abusadores são familiares ou pessoas próximas”, afirmou a diretora nacional das Aldeias Infantis SOS, Ángela Rosales, citada em comunicado.

A iniciativa pretende consciencializar, prevenir o abuso sexual infantil e solicitar ao governo colombiano investimentos no fortalecimento das famílias em risco.

A campanha consiste num portal na internet, onde se divulgam testemunhas de menores agredidos e as pessoas se podem voluntariar para “ser a voz” das crianças.

A ONG convidou também os colombianos a manifestarem-se no próximo dia 19 de novembro, dia mundial para a prevenção do abuso sexual infantil.

As cidades de Cali, no sudoeste do país, Bogotá (centro), Medellín (noroeste) e Cartagena das Índias (norte) sãs as que mais relatam casos de abuso a menores.

Na Colômbia, por cada dez casos de abuso sexual infantil apenas três são noticiados, segundo a informação divulgada pela ONG.

 

 

O regresso às aulas… dos pais

Outubro 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Eduardo Sá publicado na http://www.paisefilhos.pt/ no dia 5 de setembro de 2017.

“É o medo dos pais diante de um mundo diferente e o seu excesso de proteção que tornam o regresso às aulas mais difícil”.

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As férias das crianças nunca são demais. Em primeiro lugar, porque as férias dos pais, quando eram pequeninos, seriam maiores. E, depois, porque olhando para as horas de trabalho dos pais e dos filhos, tendo uns e outros a mesma idade, as crianças trabalham na escola e para a escola em demasia. Fosse o mundo mais justo e, para que “as contas” fossem como deviam ser, as férias grandes deviam ser maiores para quem trabalha mais…

”Mas a vida é, hoje, mais dura e mais competitiva”, argumentam os pais, enquanto reclamam por mais escola e vão resolvendo problemas pelos filhos. Não é verdade! A vida sempre foi dura e competitiva. Por outras palavras, a vida nunca foi fácil! Não tanto no sentido trágico de quem vê nas dificuldades o pretexto para se desculpar por tudo aquilo que não ousou fazer, mas, pelo contrário, no sentido de quem as vê como a forma de descortinar nelas problemas que se transformam em oportunidades para novas dúvidas com que, depois de resolvidas, se cresce mais um bocadinho. A vida traz o difícil; a inteligência, a humildade e a perseverança transformam o difícil em simples. E é o simples, depois de descoberto, que (por ser óbvio) parece fácil. Mas, sendo assim, poupar às crianças os problemas que tenham para resolver e fazer da escola um “fast food” em que quase tudo lhes é dado, sem que haja quem as ensine a pensar, é o mesmo que as pôr a crescer sem que seja preciso que elas percebam, minimamente, como isso se faz. É “embrulhar” o difícil no fácil. E iludi-las com a grandiosidade com que “atrofiam” competências que tinham. Por outras palavras: é o medo dos pais diante de um mundo diferente e o seu excesso de proteção que tornam o regresso às aulas mais difícil para as crianças.

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Ainda assim, comparado o mundo em que os pais cresceram com o mundo ao acesso das crianças, tudo parece, hoje, “à primeira vista”, mais difícil. Porque é mais complexo e exige mais escolhas. Mas, com melhor trabalho, será mais amigo de melhor crescimento. Seja como for, o mundo em que as crianças vivem é parecido, em muitos aspetos, com aquele em que os pais cresceram. É igualmente assimétrico, igualmente demagógico e igualmente ganancioso. É verdade! Talvez porque seja igualmente “costurado” por pessoas. Ainda assim, é mais aberto, e mais acolhedor para quem for honesto, imaginativo e inimitável. Logo, é um mundo de mais oportunidades para aqueles que não forem “produtos normalizados”.
Já em relação à escola, ao contrário da das crianças, a escola dos pais foi, garantidamente, mais injusta. Porque dividia os alunos em inteligentes e em “burros”. Porque ensinava ao abrigo de humilhações e de castigos físicos. E porque muitos professores exerciam um poder discricionário que destroçava crianças.

Hoje, a escola é melhor! E se o regresso às aulas parece muito difícil e quase tumultuoso é porque, para além dos conflitos de agenda, os pais veem a escola à imagem da forma como a viveram. E imaginam o mundo como se o deles tivesse sido “cor de rosa” e o das crianças fosse, invariavelmente, cinzentão. E colocam sobre as aulas a responsabilidade que elas não podem ter. E não exercem, tanto como deviam, o seu direito de comparticipar na escolha da escola, da turma, do professor e de tudo o mais que está para além das próprias aulas. E desvalorizam o brincar, o preguiçar, o conviver ou, simplesmente, o imaginar.

 

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As férias estão a chegar ao fim. Mas se não quer que as crianças se estraguem na relação com a escola não se esqueça, por favor, que:
a) Os pais erram sempre. E isso é bom. Sobretudo se aproveitarem os seus erros para serem pais mais humildes. Sem nunca perder de vista que os piores amigos dos pais são “os bons pais”. Aqueles que querem tanto ser bons que olham mais para os seus desempenhos e para os pais que tiveram, competindo com eles, do que para os próprios filhos.

b) As crianças devem ser escutadas mas não podem decidir pelos pais. Seja a propósito da escola que vão frequentar ou das suas atividades extracurriculares. Aliás, como também não podem ser os técnicos a fazê-lo. Simplesmente porque os pais sabem sempre mais que os filhos. Mas não perca de vista que pais exageradamente cuidadosos são filhos de pais ou excessivamente exigentes ou demasiadamente descuidados.

c) Os pais serão mais atentos se tiverem memória. Ou, melhor, se não fugirem de “conversar” com ela. Dizer aos filhos que os tempos, hoje, são outros, faz com que os pais se sintam com legitimidade para exigirem que a relação dos filhos com a escola seja muito diferente daquela que eles, quando alunos e com a idade que as crianças têm, terão tido com ela. Mas será que os pais faziam todos os trabalhos de casa com agrado? E será que, alguma vez, terão achado as férias grandes ou exageradas? E será que tinham os resultados escolares exemplares que, agora, exigem aos filhos?

d) Todas as crianças são sobredotadas e todas têm necessidades educativas especiais. Ao contrário do que devia ser, a escola acarinha mais as áreas onde as crianças são, aparentemente, “sobredotadas”. E ignora, não identifica ou faz por não reparar nas suas “necessidades educativas especiais”. O que não será razoável é que as boas notas das crianças sejam, unicamente, a todas as disciplinas da escola. Ou a algumas, em particular. Porque as boas notas unicamente às disciplinas da escola — alavancadas com trabalho de pais exagerado, com excesso de explicações e com ateliês de tempos livres que existem para que os trabalhos de casa apareçam feitos, não interessa com que proveito, antes de lá se chegar – são úteis para disfarçar necessidades educativas especiais. Quando as necessidades educativas especiais são as melhores amigas da humildade, da tolerância à frustração e da “capacidade de sofrimento” com as quais se aprende a crescer. Cresce-se melhor quando se aprende a viver com algumas dores, com as experiências de tristeza que “tenham de ser” e, sobretudo, com mais tempo para “digerir” a experiência, para experimentar e para pensar, descobrir e inventar. Começa-se a conhecer quando se reconhece a primeira dificuldade

e) As crianças precisam de duas horas de tempo livre todos os dias! Porque quem brinca aprende melhor.

f) Não compita, através do seu filho, com as notas dos amigos deles. Nem confunda os seus sonhos escolares que não concretizou com projetos para ele. Alunos que não erram são crianças em perigo. Ou seja, só quem foge dos erros é que se desencoraja de aprender. Ainda assim, aprender não é fácil nem rápido. Nem se conquista com pouco trabalho. E, claro, não se aprende sempre com boas notas, sem erros e sem derrotas.

g) Não queira saber tudo acerca da escola, todos os dias. Os pais só precisam de ser atentamente distraídos. Tudo o que for para além disto é exagero.

h) Não transforme o regresso às aulas numa oportunidade para entrar num quadro de excelência só para pais. Também em relação à escola, insista em errar! Porque isso significa que não desiste nunca de aprender.

 

 

“O bullying não tem classe social: podes ser de qualquer país, podes ser alto, incrivelmente bonito, o mais inteligente ou o mais forte”

Outubro 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://expresso.sapo.pt/  a Yan England  no dia 26 de setembro de 2017.

Raquel Albuquerque

O ator e realizador canadiano Yan England veio a Portugal apresentar o filme “1:54”, a sua primeira longa-metragem, que conta a história de um rapaz de 16 anos vítima de bullying na escola – as Nações Unidas já o passaram nas suas instalações, tal a densidade da obra. Com base em histórias reais, filmado numa escola secundária durante o ano escolar, o filme passou segunda-feira no Porto para estudantes do secundário, numa sessão com a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. “O problema do bullying é o silêncio. Quando se abre o diálogo, abre-se uma pequena fenda que serve para quebrar a situação”, defende Yan England, que em 2013 teve uma curta-metragem nomeada para um óscar.

Aos oito anos, Yan England estreou-se na televisão canadiana, apresentou programas para jovens e tornou-se comum receber emails de miúdos a falar sobre a vida deles, com dúvida e desabafos. O ator e realizador canadiano, de 37 anos, que em 2013 foi nomeado para um óscar para a curta-metragem “Henry”, agarrou em todas essas histórias e fez um filme que mostra, aos olhos de um adolescente de 16 anos, o que é ser vítima de bullying. “1:54” é um “thriller psicológico”, segundo o realizador. Estreou em 2016, tem passado nas escolas canadianas e chegou às Nações Unidas, onde foi exibido antes de um debate sobre o tema. Depois de passar no São Jorge, no festival Queer, em Lisboa, chegou ao Porto. Surpreendido pelo impacto do filme, Yan England confessa, na sua passagem por Lisboa, ter percebido que o bullying “é igual” em todos os países e o passo mais importante é conseguir que os adolescentes “quebrem o silêncio” em relação ao que vivem.

Com surgiu a ideia para este filme?

Tinha esta ideia há já muito tempo. Assim como o protagonista, o Tim, também eu corro, sempre fiz desporto e quis explorar essa ideia de ultrapassar limites, assim como o lado bom e mau da rivalidade. Este não é um filme só sobre bullying, se quisesse isso eu teria feito um documentário. “1:54” é um thriller psicológico e baseia-se em todas as histórias que fui recebendo. Adoro partir do ponto de vista de uma pessoa e foi isso que fiz nos meus outros dois filmes. Desta vez é um miúdo de 16 anos, o Tim, de quem retrato o dia a dia na escola secundária, um ambiente que quis usar no filme porque conheço bem.

Porque é que conhece bem?

Sou ator desde os oito anos e nunca parei até hoje. Fiz séries de televisão, apresentei programas para jovens e tive a oportunidade de estar próximo de várias gerações de miúdos. Isso também me permitiu que, ao longo destes anos, muitos miúdos partilhassem comigo as histórias deles, tornou-se comum receber emails deles. Um miúdo, uma vez, escreveu-me a dizer ‘hoje não tive um dia bom na escola.’ Respondi-lhe de volta a perguntar porquê e, de repente, veio a história toda. Tudo o que acontece neste filme é verdade. Não é a biografia de um miúdo só, mas sim a história de vários adolescentes. Queria que este fosse um filme extremamente autêntico e realista.

E como conseguiu?

Todas as cenas do filme foram filmadas numa escola, durante o horário escolar e todos os 1200 jovens que aparecem são alunos da escola. Só lhes pedia para continuarem a fazer o que estavam a fazer e que, se alguma coisa acontecesse, reagissem normalmente. Há uma cena no filme com uma luta à porta da escola entre o Tim e o colega que gozava com ele. Pedi à minha equipa que se escondesse e só fiz um sinal visual para que começassem a filmar. A luta começa e, de repente, a reação de todos os miúdos foi juntarem-se à volta dos dois e incentivarem a luta. Foi a reação típica.

Qual o ponto comum das histórias que lhe contaram?

Normalmente, os comentários começam como uma piada, mas torna-se uma pressão. Depois, há coisas que os miúdos não contam aos pais por acharem que eles não os entendem. Todos nós sabemos que é assim e todos já dissemos isso. Mas é um dos grandes problemas. É a lei do silêncio. Quando os miúdos pensam em falar acham que isso vai tornar a situação pior.

O que tem hoje de diferente o bullying nas escolas?

Há 10 anos, se fosses alvo de bullying, quando o dia de escola acabava, ias para casa e voltavas no dia seguinte. Hoje, a escola segue-te dentro do bolso, no telemóvel, através das mensagens escritas e das redes sociais. Mas, no fundo, o bullying não mudou. Há é também um elemento mais privado que torna mais difícil que as pessoas à volta – sejam professores ou pais – saibam e deem conta.

O filme tem passado em várias escolas no Canadá e passa esta segunda-feira para alunos do Porto. Que reações tem recebido?

Essa é a coisa melhor que aconteceu: abrir um diálogo entre os estudantes, entre eles e os professores, e até com os pais. Uma vez tivemos uma apresentação numa escola privada e quando o filme acabou, depois do longo silêncio que fica sempre durante alguns segundo, alguns professores disseram que aquela situação não existia ali na escola. Os miúdos concordaram. Até que uma rapariga, com uns 15 anos, sentada ao lado da irmã mais velha, levantou o braço e disse que aquilo que aconteceu ao Tim no filme lhe acontecia todos os dias naquela escola. Houve um silêncio total. E a irmã mais velha começou a chorar porque não sabia. Uma das coisas que percebi é que o bullying não tem classe social. Podes ser de qualquer país, podes ser alto, incrivelmente bonito, o mais inteligente ou o mais forte. Se escorregas na escola ou algo te acontece, podes tornar-te a vítima.

E tem reações dos pais?

Sim. Estive num festival onde o filme ia passar durante três dias seguidos. Um miúdo, no final da apresentação, veio ter comigo e disse-me que voltaria no dia seguinte. Assim foi e trouxe a família toda. Um tempo depois, o pai veio falar-me e disse-me que, quando regressaram a casa, naquele dia, o filho lhe disse que vivia o mesmo há quatro anos. Nenhum deles em casa sabia.

Este filme mudou-o de alguma forma?

Sim, completamente. Quando fiz o filme, nunca esperei que fosse apresentado em tantos países, nunca pensei que viesse a Portugal, nem que passasse em Lisboa e no Porto. É incrível como o bullying se estende a todos os países, de forma igual. Para mim também foi incrível como o filme chamou a atenção das Nações Unidas ao ponto de terem decidido passá-lo na sede em Nova Iorque, perante tantos especialistas de todo o mundo. Ter miúdos de todo o lado a partilhar as suas histórias é a beleza disto. O filme mudou-me em todos os aspetos e o impacto que está a ter vai para lá do que conseguiria imaginar.

Qual foi a sua maior conquista com este filme?

O diálogo sobre o assunto. O problema do bullying é o silêncio. Quando se abre o diálogo, abre-se uma pequena fenda que serve para quebrar a situação. Não digo que o filme resolve o que quer que seja, mas estar a abrir esse diálogo já é ótimo.

 

 

Como afastar as crianças dos ecrãs e levá-las a desfrutar dos livros

Outubro 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 14 de setembro de 2017.

É verdade, aqueles ecrãs são muito tentadores, mas sejam fortes e preparem-se para as falinhas mansas, gestão de tempo e alguma criatividade, especialmente no que toca a definir o que significa ler um livro.

Culto e Rita Pimenta

No Verão há imensas desculpas: colónias de férias, piscina, praia, dias de preguiça quando não parecia muito mau os filhos ainda estarem de pijama e talvez a ver televisão ou a barincar no iPad. Era tempo de férias, certo? Eles liam quando a escola recomeçasse. Será que pressioná-los não iria criar resistência à leitura?

Agora voltaram para a escola e defrontam-se com algo talvez ainda mais assustador: os trabalhos de casa. (Mais os treinos de futebol, as aulas de piano, os encontros com os amigos e tantas outras coisas.)

Como é que se consegue tempo para ler neste horário já incrivelmente preenchido? E mais importante: como ajudar as crianças a ver a leitura como algo separado da escola, dos testes, do trabalho? Como promover a leitura por prazer?

A resposta simples é lerem – com e para os vossos filhos – sempre que possam. Façam dos livros parte das vossas rotinas, da decoração da casa, das conversas. É verdade, aqueles ecrãs são muito tentadores, mas sejam fortes e preparem-se para as falinhas mansas, gestão de tempo e alguma criatividade, especialmente no que toca a definir o que significa ler um livro.

Aqui ficam algumas dicas de bibliotecários e especialistas em educação:

— Leiam os vossos próprios livros. Quando foi a última vez que se sentaram na sala (ali mesmo no meio dos brinquedos, do caos, da confusão e das crianças) e leram um livro para vosso próprio prazer? Se estão a revirar os olhos neste preciso momento, não são os únicos. Mas ponham de lado o vosso cepticismo e tentem.

“Normalmente, as crianças são extremamente curiosas e ansiosas por ler se tiverem motivação suficiente”, diz Erika Christakis, educadora de infância e autora do livro The Importance of Being Little. “Está nas mãos dos adultos criar ambientes na escola e em casa que os levem a querer ler.” Em parte, significa terem de ler também e terem de largar os vossos ecrãs. “O que é que irá motivar as crianças se sempre que tiram os olhos de um livro vêem os pais agarrados ao telemóvel?”, pergunta Christakis.

Conclusão: se as crianças vos virem a ler por prazer, é mais provável que o façam também. Além disso, vocês acabam por também ler um livro!

— Leiam em voz alta. “Lembrem-se, uma criança nunca é demasiado velha para que lhe seja lida uma história. E vocês nunca estão demasiado ocupados para ouvir uma história lida por uma criança”, diz John Schumacher, também conhecido como Sr. Schu, embaixador das bibliotecas escolares da Scholastic Book Fairs. James Trelease, autor do venerado Read-Aloud Handbook, diz que quando lêem em voz alta para crianças não estão só a informá-los, mas a criar laços e a entretê-los. E estão também a “fazer publicidade aos prazeres da leitura”. Trelease, que leu para os seus filhos até estes estarem no 9.º ano, acrescenta que ouvir um livro aumenta a capacidade de compreensão e o vocabulário. “Se nunca ouviram uma palavra, nunca vão aprender a dizê-la ou a escrevê-la e nunca a vão ler.”

— Façam de visitas a bibliotecas parte da rotina das crianças. De acordo com o mais recente Scholastic Kids & Reading Report [Relatório sobre Crianças e Leitura feito pela Scholastic], os bibliotecários e os professores são a melhor fonte de factos divertidos sobre livros. Mesmo que as crianças sejam demasiado tímidas para pedir ajuda, quem sabe os títulos que eles podem descobrir nas prateleiras? (Se estão preocupados sobre se os livros são adequados, perguntem ao bibliotecário ou consultem o site Common Sense Media.)

— Deixem as crianças escolher os próprios livros à vontade. “Estudos mostram que, quando as crianças escolhem os livros que querem ler, lêem mais”, diz Karen MacPherson, coordenadora da secção de crianças e adolescentes da biblioteca Takoma Park Maryland. De acordo com um dos estudos mais citados, cerca de 80% das crianças envolvidas no estudo disseram que o livro de que mais gostavam era o que eles mesmos tinham escolhido.

— Encorajem as crianças a reler livros. “Os leitores jovens não deveriam ser forçados a experimentar coisas novas em casa”, diz Christakis. “Uma das melhores leitoras que conheço passou a infância dela a ler e a reler, do princípio ao fim, a colecção completa de Little House. Deve ter terminado a colecção dez ou 15 vezes, fazendo ocasionalmente um intervalo para ler a colecção de Harry Potter. Há formas muito piores de passarmos a infância.”

— Deixem as crianças ler ao nível deles e não aquele de que se gabam aos vossos amigos. “Os adultos tendem a impingir algumas das suas ansiedades de leitura aos filhos, o que é contraproducente”, diz Christakis. “Os pais de leitores precoces frequentemente fazem os filhos ler textos que são simplesmente demasiado difíceis para eles. Mesmo lendo um livro com 95% de exactidão, saltando ou não reconhecendo 5% das palavras, é surpreendentemente distractivo e desmoralizante”, diz. “As famílias deviam encorajar as crianças a escolher livros que sejam ‘confortáveis’ para eles e que não lhes causem ansiedade ou lhes dê a sensação de que é demasiado trabalhoso.”

— Livros não são só contos de fadas. Os livros de culinária também são livros, indica MacPherson. Tal como livros de banda desenhada e de factos interessantes como o Livro Guinness dos Recordes e o Ripley’s Acredite se Quiser — Ver Para Crer. Até folhear uma revista, um almanaque, uma enciclopédia ou um dicionário (que também tem o benefício de os ensinar a alfabetizar) pode ser uma forma divertida de explorar livros.

— Comecem a ouvir audiolivros. Quer estejam numa longa viagem de carro ou simplesmente a descansar em casa, ouçam um audiolivro e preencham qualquer tempo vazio com histórias. Trelease diz que ouvir este tipo de livros traz os mesmos benefícios que ler em voz alta, enriquece o vocabulário e aumenta a capacidade de concentração.

— Criem uma refeição de “leitura”. Escolham uma refeição (ou duas) em que toda a família possa trazer um livro para a mesa e possam ler enquanto comem, sugere MacPherson. Pode-se tornar uma refeição bastante silenciosa ou num aceso debate. De qualquer forma, a leitura dá origem a uma ocasião especial.

— Formem um clube de leitura no bairro. Ler não é necessariamente uma actividade solitária. Um clube de leitura com leitores de níveis semelhantes pode ser uma excelente forma de as crianças verem o que os seus colegas andam a ler e torna a leitura um evento social.

— Deixem os vossos filhos ouvir podcasts. As crianças podem escolher podcasts de histórias, como StoryNory ou Eleanor Amplified, ou um mais informativo, como Wow in the wold. Ouvir estes podcasts pode oferecer muitos dos mesmos benefícios que ouvir audiolivros.

“Há um ditado que diz: ‘Se não gostam de ler, é porque o estão a fazer mal’”, lembra Deborah Taylor, coordenadora da secção de escola e alunos da Enoch Pratt Free Library, em Baltimore. “Acho que significa que a pessoa ainda não estabeleceu uma relação com o livro certo”, acrescenta, dizendo que é “implacável” com os jovens leitores. “Se me dizem que não gostam de ler, digo-lhes que não vou desistir enquanto não encontrar o livro certo para eles, aquele que vai fazer deles leitores.”

As sugestões de Rita Pimenta

Porque preferimos que sejam as crianças a escolher, propomos uma lista com links que lhes permitem ver e escutar alguns dos títulos, mas não substituem a leitura em papel. Também privilegiámos autores portugueses. Porque sim.

O escalonamento por idades é apenas um indicativo (quase sempre falível…).

Dos 4 aos 8 anos

Eu Quero a Minha Cabeça! Texto e ilustração: António Jorge Gonçalves Edição: Pato Lógico

Histórias às Cores Texto: António Mota Ilustração: Paulo Galindro Edição: Gailivro

A Surpresa de Handa Texto e ilustração: Eileen Browne Tradução: José Oliveira Edição: Editorial Caminho

Dos 9 aos 12 anos

A Charada da Bicharada (Prémio Nacional de Ilustração 2008) Texto: Alice Vieira Ilustração: Madalena Matoso Edição: Texto Editores

O Estranhão (colecção) Texto: Álvaro Magalhães Ilustração Carlos J. Campos Edição: Porto Editora

O Incrível Rapaz Que Comia Livros (Prémio de Melhor Livro Infantil 2007, atribuído pelo Irish Book Awards) Texto e ilustração: Oliver Jeffers Tradução: Rui Lopes Edição: Orfeu Negro

A partir dos 12 anos

De Umas Coisas Nascem Outras (Prémio Autores 2017 na categoria Melhor Livro Infanto-Juvenil) Texto: João Pedro Mésseder Ilustração: Rachel Caiano Edição: Caminho

Lá Fora (Melhor livro na categoria Primeira Obra, Opera Prima, da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha 2015) Texto: Maria Dias e Inês Rosário Ilustração: Bernardo P. Carvalho Edição: Planeta Tangerina

Eu Espero Texto: Davide Cali Ilustração: Serge Bloch Edição: Bruaá

Mais sugestões de livros no blogue Letra pequena.

 

 

 

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