Mais de 60 mil crianças em perigo em 2018. Negligência continua a ser a principal razão

Junho 9, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de maio de 2019.

Comissões de protecção acompanharam mais de três em cada 100 crianças no país, de acordo com o relatório anual de 2018. Apenas nove foram colocadas em famílias de acolhimento.

Ana Dias Cordeiro

Menos processos instaurados em 2018 ou reabertos, menos medidas aplicadas e menos crianças acompanhadas pelas comissões de protecção de crianças e jovens (CPCJ). No entanto, o universo de crianças em perigo continua a ser de dezenas de milhares. No ano passado, 60.493 crianças foram acompanhadas pelas 309 CPCJ no país. Deste número, mais de metade (31.186) corresponde a processos novos, instaurados em 2018. Só nesse ano, 819 crianças foram institucionalizadas depois de retiradas à família.

No total, houve 3,2 crianças em cada 100 a serem acompanhadas por uma CPCJ, de acordo com o relatório anual da Avaliação Anual das CPCJ de 2018, para cada distrito, e com base nos Censos de 2011 e nos processos de crianças acompanhadas em 2018. Foram menos do que em 2017, quando 3,7 em cada 100 estiveram nesta situação. O relatório anual, a que o PÚBLICO teve acesso, é apresentado esta quarta-feira em Tavira no encontro das CPCJ na presença do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva, da procuradora-geral da República, Lucília Gago, e da presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), Rosário Farmhouse.

De acordo com o documento de mais de 150 páginas, foram aplicadas 14.007 medidas para proteger as crianças. Dessas, 11.687 foram desenvolvidas através de apoio junto dos pais. As crianças com medidas de acolhimento residencial (aplicadas só em 2018) foram 819 – abaixo das 1120 de 2017. Apenas nove crianças foram colocadas numa família de acolhimento, um número que tem vindo a baixar nos últimos anos: em 2014, foram 28 crianças, em 2017 houve 22.

“Em Portugal, conseguimos resolver a grande maioria das situações em sede de acolhimento em meio natural de vida – o que evita que a criança tenha que ser encaminhada para uma situação mais extrema” que obrigaria a uma medida de colocação, em residência ou em família de acolhimento, defende a secretária de Estado da Inclusão para as Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, num encontro prévio com jornalistas.

Questionada sobre se a redução no número de crianças institucionalizadas de 1120 em 2017 para 819 em 2018, esteve relacionada com “orientações da tutela” perante as críticas que apontam os elevados números de institucionalizações em Portugal, Ana Sofia Antunes é peremptória: “Não existem orientações da tutela quanto à actividade das CPCJ. Aquilo que a CPCJ, na sua modalidade restrita, decide aplicar, não pode ser objecto de qualquer orientação da tutela, porque a questão da isenção e da independência da CPCJ é o corolário fundamental deste sistema. Se não fosse assim, não tínhamos CPCJ com representantes das forças locais.”

Ao longo do ano, houve 13.905 novas situações de perigo – repartidas por 5999 situações de negligência (ou seja 43% das novas situações).

Já no ano passado, a negligência representou 40% das novas situações de perigo diagnosticadas em 2017, quando em 2016 não tinha passado dos 29%. Esse aumento teve a ver com o facto de em 2017 a negligência, enquanto situação de perigo, ter passado a incluir a chamada exposição a comportamentos que comprometem o bem-estar e desenvolvimento da criança. Esta situação abrange, entre outras, a negligência afectiva, educativa ou relativa à saúde da criança, mas também por exposição a comportamentos susceptíveis de lesar os filhos, como a exposição ao consumo de estupefacientes ou de álcool, prostituição e outros.

A exposição de uma criança a violência doméstica passou a ser uma categoria autónoma no relatório de actividades, refere a presidente da CNPDPCJ. Em 2018, houve 1661 casos diagnosticados de crianças expostas à violência doméstica, das quais 12 também foram agredidas fisicamente nesse contexto, o que a coloca em quarto lugar das situações de perigo.

Antes disso, em segundo lugar de importância, surgem 2606 casos de crianças que assumem comportamentos de risco (que podem ser consumo de estupefacientes ou de bebidas alcoólicas, comportamentos anti-sociais graves, ou de indisciplina, bullying e outros). E em terceiro lugar de importância, aparecem as situações de perigo de crianças que não vêem respeitado o seu direito à educação: são 2422 casos.

Absentismo e abandono escolar

Estes são sobretudo explicados pelo absentismo (em 74% das situações) e pelo abandono escolar (13%). Surgem depois o mau trato físico (384 casos) ou psicológico (239 casos), o abuso sexual (138 casos) ou a exploração infantil reportada em nove situações. Há ainda 193 casos na categoria de “outras situações” não definidas especificamente.

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Para Rosário Farmhouse, presidente da CNPDPCJ, “estes números retratam dois desafios dos tempos actuais” relacionados com várias circunstâncias como o facto de haver “famílias mais isoladas, mais pequenas ou mais ocupadas, ou que eventualmente não estão tão atentas”. E acrescenta: “Os comportamentos de perigo na infância e na juventude têm vindo a aumentar e nestes comportamentos também temos estes dos tempos novos modernos, dos jogos, todas estas adições ao mundo virtual que são mais recentes, os comportamentos auto-lesivos ou de consumos. Nesses, tem havido algum aumento. Em traços gerais, este relatório reflecte a realidade portuguesa mas também a de outros países.”

O volume global dos processos foi de 61.291, contando os processos instaurados em 2018, transitados de anos anteriores ou reabertos. A este número, se se acrescentar o de processos arquivados liminarmente (sem abertura de processo) ou de processos que foram transferidos para outra CPCJ, o volume global foi de 70.151, o que corresponde a uma redução de 870 processos em 2017, quando o total chegou aos 71.021.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ do ano de 2018

 

Mais de duas mil crianças acompanhadas nas comissões de protecção por faltarem à escola

Junho 2, 2019 às 6:41 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 23 de maio de 2019.

Falhas no direito da criança à educação representam a terceira situação de perigo mais frequente depois da negligência e dos comportamentos anti-sociais graves, de indisciplina ou de consumos.

Ana Dias Cordeiro

Menos processos instaurados em 2018, menos medidas aplicadas e menos crianças acompanhadas pelas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). Mesmo assim, o universo de menores em perigo continua a atingir dezenas de milhares. Houve 60.493 acompanhados (entre os que entraram no sistema de protecção no ano passado e os que já eram objecto de acompanhamento e continuaram a ser). Só em 2018, mais de 13 mil novas situações de perigo foram diagnosticadas. Entre estas, mais de duas mil crianças (2422) estavam em situação de abandono escolar ou faltavam às aulas.

O número desceu comparativamente a 2017 quando havia 2643 crianças e jovens nessa condição. Já quando se faz a comparação com anos anteriores, verificamos um aumento. Por exemplo, em 2014, havia 1764 casos confirmados e em 2015 eram 1451. Por vezes, o direito à educação é posto em causa pela própria família – seja por negligência ou outro motivo. São dados do relatório divulgado nesta quarta-feira relativo à actividade das CPCJ em 2018.

Foi em 2014 que esta problemática, que afecta sobretudo crianças e jovens a partir dos 11 anos, passou a ocupar a terceira posição nas situações de perigo mais comuns. Hoje, a negligência representa 43,1% dos casos diagnosticados em 2018; em segundo lugar surgem os comportamentos anti-sociais graves do próprio jovem, indisciplina, consumos ou outros (18,7%); em terceiro lugar está a violação do direito à educação (17,4%). Em valor absoluto, houve 5999 situações de negligência em 2018, ano em que 2606 novas crianças foram acompanhadas por comportamentos anti-sociais graves, de indisciplina, de consumos, entre outros.

Violência doméstica

O relatório assinala ainda 1661 novos casos confirmados de crianças expostas à violência doméstica, das quais 12 também foram agredidas fisicamente nesse contexto. Na apresentação do documento, o ministro da Segurança Social, José António Vieira da Silva, defendeu justamente que uma maior atenção seja dada a casos de violência doméstica, para proteger as crianças. “Conhecemos alguns casos recentes em que os problemas de violência doméstica se traduziram igualmente em problemas de risco para as crianças envolvidas nesses ambientes familiares”, disse o ministro citado pela Lusa. “O problema da violência doméstica é, cada vez mais, um problema a que devemos estar atentos, e estar atentos desde a sua detecção até à execução das medidas de promoção e protecção.”

Além destas problemáticas, o mau trato físico foi confirmado em 384 casos — que incluem duas meninas vítimas de mutilação genital em 2018 (há registo de outros dois casos este ano que poderão justificar a retirada definitiva destas crianças à família, por estar em causa uma situação de perigo para a integridade física das crianças).

Houve ainda 239 situações de mau trato psicológico, 138 casos de abuso sexual e nove situações de exploração infantil. Dez bebés foram abandonados com menos de seis meses de vida, mais dois do que no ano anterior.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ do ano de 2018

A história de Califo e das crianças talibés da Guiné-Bissau

Junho 1, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 16 de maio de 2019.

Centenas de crianças guineenses são enviadas para o Senegal para estudar o Corão; exploração de menores na mendicidade gera até US$ 8 milhões; quarta parte da série da ONU News sobre a Guiné-Bissau destaca resgate de mais de 840 meninos.

Califo tinha nove anos e mendigava nas ruas de Dacar, no Senegal, quando um estranho lhe perguntou se queria regressar a casa.

A criança tinha sido enviada para uma escola corânica dois anos antes, mas rapidamente a vida de estudo se transformou em uma rotina de abusos. Ele era obrigado a mendigar para poder comer e castigado se conseguisse pouco dinheiro.

Quando o voluntário de uma organização não-governamental lhe perguntou se era da Guiné-Bissau e se queria voltar para casa, ele respondeu que sim.

Califo tornou-se assim um dos meninos que a Associação Amigos da Criança, Amic, ajudou a resgatar das ruas da capital senegalesa. Entre 2011 e 2018, com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a instituição ajudou o regresso de pelo menos 842 crianças.

Talibés

Estas crianças são conhecidas como talibés. O administrador da Amic, Fernando Cá, explica que o nome “significa aluno que aprende o ensino corânico.” Em muitos casos, no entanto, “são postos a mendigar e a pedir esmolas nas ruas.”

Em Dacar, encontram-se milhares destas crianças. São quase todos meninos, usam roupas sujas e rotas, e carregam baldes ou chapéus para pedir esmola. Muitos aceitam comida em vez de dinheiro.

O Unicef diz que elas “vivem em uma situação vulnerável em que lhes são negados os seus direitos humanos.” Além disso, têm “a sua saúde física e seu bem-estar psicológico e mental em risco” e estão “expostos à criminalidade, ao abuso sexual e aos maus-tratos.”

Fernando Cá diz que “há mestres que fixam um montante que a criança deve trazer no final do dia e, se a criança não conseguir esse montante, é severamente castigada.” Segundo as Nações Unidas, este tipo de mendicidade forçada gera cerca de US$ 8 milhões para os professores todos os anos.

Números

O Unicef diz que, devido à complexidade do problema, não é fácil recolher dados exatos sobre o número de crianças talibés vítimas de abuso e exploração.

A Human Rights Watch estima que existam 100 mil talibés no Senegal. Alguns vivem em condições “semelhante à escravidão” e com casos documentados de abuso sexual e morte por negligencia. Um estudo citado pelo Unicef refere cerca de 7,6 mil crianças mendigando nas ruas de Dacar. Cerca de 30% são da Guiné-Bissau.

Nos últimos anos, foram feitas campanhas de sensibilização, mas representantes das várias organizações dizem que o número de crianças enviadas para o Senegal não tem diminuído. O Unicef estima que entre 20% a 40% das crianças resgatadas dessas ruas sejam da Guiné-Bissau.

A agência cita relatórios das forças policiais que mostram que, entre 2007 a 2009, cerca de 200 talibés guineenses atravessavam as fronteiras do país todos os meses. Segundo o Comité Nacional para a Prevenção do Tráfico de Seres Humanos, cerca de 2,2 mil destas crianças foram encaminhadas para serviços de proteção infantil nos últimos sete anos.

Pais

As crianças são muitas vezes levadas por um parente ou alguém que se apresenta como um mestre. Fernando Cá diz que “às vezes há uma ruptura total com os familiares e a criança fica só ao cuidado do mestre, sem outra proteção, e foge quando tem a ruptura com o mestre.” Algumas crianças são acorrentadas para não fugir.

Muitos destes casos encaixam na definição de tráfico de seres humanos, mas um estudo do Unicef, realizado em 2010, explica que a expressão é descrita pelos guineenses como “pesada”. A agência diz que “há razões para acreditar que a aplicação do conceito não é propícia a criar um diálogo construtivo e um entendimento mútuo entre os envolvidos.”

Segundo o estudo, a prática “é baseada em valores religiosos e culturais, bem como em fatores históricos.” Muitos pais sentem-se “criminalizados e humilhados” quando se usa a palavra tráfico para descrever os seus esforços.

Segundo o corão, é obrigação dos pais assegurar a educação dos filhos. Não se sabe exatamente quantas pessoas seguem a religião no país, mas segundo os últimos censos, realizados em 2009, os muçulmanos representam 45% de toda a população.

Chegada à madrassa

Califo nasceu numa pequena aldeia na região de Bafatá, no leste do país, onde se concentra a população muçulmana.

A sua mãe morreu quando dava à luz. A jovem tinha 15 anos. O pai nunca fez parte da sua vida.

Segundo as Nações Unidas, a Guiné-Bissau está entre os países com taxa de mortalidade materna mais elevada em todo o mundo. Em 2015, por cada 100 mil nascimentos, morriam 549 mulheres.

O Estado ocupa a sexta posição dos países com taxas mais altas de mortalidade neonatal. Uma criança morre a cada 26 partos. São sete recém-nascidos todos os dias. Mais de 80% dessas mortes são causadas por condições que podem ser prevenidas ou tratadas, como problemas durante o parto ou infeções.

Nos primeiros anos de vida, Califo foi criado por uma tia, que morreu quando ele tinha seis anos. O menino foi depois viver com um primo, mas é difícil para uma pessoa solteira educar uma criança num país onde dois terços da população vivem com menos de US$ 2 por dia. Mais de um terço das pessoas vivem em situação de pobreza extrema ou com menos de US$ 1 diário.

Um ano depois, o primo decidiu confiar Califo a um homem que o levou para o Senegal. O objetivo era que aprendesse o Corão, para que pudesse ter uma profissão, talvez tornar-se professor.

O Unicef diz que “uma causa chave para a extensão da prática é a situação socioeconómica geral da Guiné-Bissau e sua instabilidade política.” Segundo a agência, a situação atual “força as pessoas a buscarem suas próprias soluções para ajudar a si e aos seus filhos.”

Escolhas

Califo foi levado para uma escola corânica, conhecida como daara ou madrassa, em Dacar. As aulas começavam as 5:00 da manhã. Às 9:00 tinha de estar nas ruas a pedir esmola. Se não trouxesse o dinheiro suficiente, passava o dia sem almoço. Às 14:00 recomeçavam as aulas por mais três horas.

O Unicef diz que “o precário e fraco sistema educacional oficial do país” é outro dos motivos para tantos pais enviarem os filhos para estes locais. Segundo a agência, “a falta de escolas públicas e o baixo nível operacional daquelas que existem são sentidos em toda parte.”

Cerca de 38% das crianças entre os seis e os 11 anos de idade não estão na escola. Um terço de todas as crianças em idade de ensino primário não tem aulas. Durante grande parte do ano letivo 2018-2019, todas as escolas tiveram fechadas, devido a uma greve de professores causada por salários em atraso.

Fernando Cá diz que os pais ficam surpreendidos quando os filhos regressam e contam tudo o que passaram nas madrassas, o alegado abuso dos mestres, os dias sem comer. O representante diz que muitos não tinham ideia do “castigo” que as crianças teriam de passar para aprender o corão.

Muitos guineenses dizem que não enviariam os filhos para o Senegal se tivessem opções. Mas, fora da capital, a escola mais próxima fica muitas vezes a dezenas de quilómetros de distância.

Regresso

O Unicef atua em todas estas áreas, com intervenções na área da saúde infantil e materna, nutrição, educação, proteção, advocacia, comunicação e parcerias. Em 2016, investiu cerca de US$ 14 milhões neste esforço.

A agência também apoia o trabalho com as crianças talibés. Além de prestar ajuda técnica e financeira à Amic, construiu um centro de acolhimento em Gabu, uma das regiões onde o fenómeno é mais forte, que pode acolher até 30 crianças de cada vez.

Depois de ter sido recolhido em Dacar por uma organização parceira, Califo chegou ao segundo centro da Amic, nos arredores de Bissau, no início de 2018. O centro são várias pequenas casas, decoradas de forma simples, com um parque infantil debaixo de umas árvores de caju.

Foi neste centro que Califo conheceu a sua nova mãe. A Amic tinha procurado a família do menino e encontrara uma tia, que anos antes tinha trocado o campo pela capital e vivia agora no Bairro Militar. A mulher já tinha três filhos, mas aceitou adotar o menino.

A família recebe um apoio financeiro para que Califo não seja enviado para o Senegal novamente. Ele também regressou à escola, com todas as despesas pagas pela parceria com o Unicef. Quando lhe perguntam o que quer ser quando for grande, ainda não tem resposta, mas agora tem tempo para descobrir.

*Série produzida com o apoio do Uniogbis e do Pnud Guiné-Bissau

Duas crianças retiradas à família por risco de mutilação genital

Maio 7, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 27 de abril de 2019.

Alerta Unicef: milhares de crianças precisam de assistência humanitária em Moçambique

Março 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 18 de março de 2019.

Governo moçambicano estima que 850 mil pessoas  tenham sido afetadas; são necessários US$ 20,3 milhões para apoiar a resposta humanitária nos três países afetados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que cerca de 850 mil pessoas, metade das quais crianças, foram afetadas pelas graves inundações no Málaui e em Moçambique. O Unicef alerta que estes números podem aumentar à medida que o ciclone Idai se move para oeste.

O ciclone tropical, com chuvas fortes e ventos até 170 km / h, atingiu o porto da Beira, a  segunda maior cidade de Moçambique, na noite de quinta-feira. Cerca de 500 mil pessoas ficaram sem energia e com comunicações limitadas.

Cooperação

Em todo Moçambique, os números iniciais do governo estimam que 600 mil pessoas tenham sido afetadas, 260 mil são crianças.

A diretora regional do Unicef para a África Oriental e Meridional, Leila Pakkala, afirmou que centenas de milhares de crianças foram afetadas pelas enchentes devastadoras e agora o ciclone Idai “trouxe mais sofrimento às famílias no seu caminho.” A responsável lembra que “muitas crianças perderam as suas casas, escolas, hospitais e até amigos e entes queridos.”

O Unicef está no terreno a trabalhar em estreita coordenação com os governos e parceiros humanitários dos três países “para aumentar a resposta e responder às necessidades imediatas das crianças afetadas e das suas famílias.”

Danos

Embora a extensão total do impacto do ciclone ainda não seja clara, é provável que inclua danos nas escolas e nos serviços de saúde, destruição de infraestruturas de água e saneamento, impedindo o acesso a água potável para as comunidades afetadas. Aumentando, por isso, o risco de doenças transmitidas pela água.

Segundo agências de notícias, desde o início de março, as inundações causadas pelo ciclone já afetaram mais de um milhão de pessoas e causaram pelo menos 150 mortes.

O ciclone que se aproxima pode complicar a resposta humanitária, já que o acesso a comunidades vulneráveis ​​ é limitado e poderá ser ainda mais pelo aumento das águas das cheias.

Com milhares de pessoasobrigadas a deixar as suas casas inundadas, muitas famílias carecem de alimentos, água e saneamento.

Zimbabué

No Zimbabué, as primeiras estimativas do Governo apontam para 8 mil pessoas afetadas, com 23 mortes e 71 pessoas relatadas como desaparecidas.

O Unicef está a trabalhar com parceiros para apoiar os governos dos países afetados para atender às necessidades de crianças e mulheres. Segundo o Fundo, são necessários US$ 20,3 milhões para apoiar a resposta humanitária nos três países afetados.

 

 

Acolhimento Residencial e Familiar : Jurisdição da Família e das Crianças – e-book do CEJ

Fevereiro 22, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Descarregar o e-book no link:

http://www.cej.mj.pt/cej/recursos/ebooks/familia/eb_AcolhimentoResidencialFamiliar.pdf?fbclid=IwAR1Pj9-jykdKceI-dNBGsKdEGMDuAO1w5k52Y1qoaxWd9KWm2tb6AuZ6iEw

 

Tribunal de Família de Loures inaugura salas de audições para crianças

Fevereiro 18, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O Tribunal de Família e Menores de Loures tem uma nova sala para ouvir o testemunho de crianças.

A maior parte dos casos são processos de regulação do poder paternal, mas também há depoimentos para memória futura e em processos em que as crianças correm perigo.

Visualizar o vídeo da notícia no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/tribunal-de-familia-de-loures-inaugura-salas-de-audicoes-para-criancas_v1123796?fbclid=IwAR3iuBmW2VNAac9T4yQ3hUb0Agwtl1dbyQGSY81-MsQHj1XRM92bbrGmhmM

YouTube vai proibir vídeos com desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas”

Fevereiro 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 17 de janeiro de 2019.

A plataforma de partilha de vídeos atualizou as “diretrizes da comunidade” e passou a proibir “conteúdo que incentive atividades perigosas com grandes possibilidades de resultar em ferimentos graves”.

Cláudia Monarca Almeida

O YouTube atualizou esta terça-feira a política de utilização e vai começar a remover vídeos de desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas que possam resultar em sérios danos físicos, situações stressantes ou morte. Desafios como o Tide Pod Challenge — que mostra os utilizadores a morderem as pastilhas de detergente para as máquinas de lavar — e o desafio do fogo (em que deitam um produto inflamável na pele e depois ateiam fogo) vão ser retirados da plataforma.

“Há muito que o YouTube proíbe vídeos que promovam atividades prejudiciais e perigosas; e revemos e atualizamos regularmente as nossas diretrizes para nos certificarmos de que são consistentes e endereçam apropriadamente tendências emergentes”, disse um porta-voz do site à CNN.

A atualização surge depois de o Bird Box Challenge se ter tornado viral. O desafio, tal como o nome, é inspirado no filme da Netflix, que foi o maior sucesso da plataforma de streaming até ao momento, e num curto espaço de tempo, ao ser visto por mais de 45 milhões de pessoas na primeira semana. Imitando a personagem de Sandra Bullock, vários jovens têm-se filmado a fazer várias atividades com os olhos vendados. Nos Estados Unidos uma jovem de 17 anos colidiu com outro quando conduzia “com os olhos cobertos”. Segundo a polícia local, este foi o “resultado previsível” do Bird Box Challenge.

A popularidade do Bird Box Challenge obrigou a Netflix a emitir um apelo no Twitter. “Não acredito que tenho de dizer isto, mas POR FAVOR NÃO SE MAGOEM COM ESTE BIRD BOX CHALLENGE. Não sabemos como é que isto começou, e apreciamos o amor, mas Boy e Girl [nome dos personagens filhos de Bullock no filme] só têm um desejo para 2019 e é que vocês não acabem no hospital por causa de memes.”

Sob a revisão às “Políticas Acerca de Conteúdo Nocivo ou Perigoso”, o YouTube passa a proibir “desafios que representem um risco aparente de morte” ou que possam causar “danos físicos reais”. Deixam também de ser permitidas “partidas que levam as vítimas a acreditar que correm perigo físico”. Assim, vídeos que contenham “invasões a domicílios ou a simulação de tiros sendo disparados de um carro em movimento” serão retirados da plataforma.

Com a atualização, o YouTube coloca especial enfoque na proteção dos mais novos. Vão deixar de ser permitidos conteúdos que apresentem “crianças a participar em desafios perigosos que impliquem um risco iminente de ferimentos graves” e “partidas abusivas ou perigosas passíveis de causar problemas emocionais a crianças.” Para “desenvolver diretrizes sobre os tipos de brincadeiras que ultrapassam esse limite”, o YouTube diz ter trabalhado diretamente com psicólogos. A “simulação da morte de um dos pais” e a “simulação de abandono por pais ou responsáveis” são os dois exemplos dados de tipos de vídeos que não serão aceites no site.

A nova versão das diretrizes inclui também o reforço no controlo do links externos e as imagens das miniaturas. Utilizadores que divulguem links para “sites pornográficos, malware ou spam” ou usem “imagens [nas miniaturas] que violem gravemente as políticas, como fotos pornográficas ou com violência explícita” vão receber um aviso. À terceira infração em 90 dias, a conta será apagada.

O YouTube anunciou ainda que começou na terça-feira o “período de tolerância” de dois meses, durante o qual os utilizadores poderão ser informados sobre atualizações e alterar os seus conteúdos. “Nos próximos dois meses, conforme intensificarmos a aplicação, todo o conteúdo que violar as diretrizes da comunidade relacionadas a miniaturas, links externos, desafios e partidas será removido, mas o canal não receberá um aviso”, explica o comunicado.

 

Metade das crianças na Síria só conhece a guerra, alerta UNICEF

Janeiro 1, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 14 de dezembro de 2018.

“Todas as crianças com oito anos cresceram num clima de perigo, destruição e morte”, disse a diretora executiva da UNICEF, após uma visita de cinco dias. Desde maio, 26 crianças terão morrido ou ficado feridas em Ghouta Oriental por causa de restos de explosivos da guerra. A agência da ONU apela à proteção das crianças e ao reforço do tecido social dilacerado

uatro milhões de crianças nasceram na Síria desde o início do conflito há quase oito anos, anunciou esta quinta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Metade das meninas e meninos sírios só conhece a guerra, acrescenta a agência da ONU.

“Todas as crianças sírias com oito anos cresceram num clima de perigo, destruição e morte”, disse a diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, após uma visita de cinco dias ao país. “Essas crianças precisam de poder voltar à escola, receber as suas vacinas e sentir-se protegidas e em segurança. Devemos ser capazes de as ajudar”, acrescentou.

Em Douma, Ghouta Oriental, apenas alguns meses depois de o cerco de cinco anos ter sido levantado, as famílias deslocadas começaram a regressar e estima-se que cerca de 200 mil pessoas vivam na cidade. Muitas famílias voltaram aos edifícios danificados e, segundo a agência da ONU, a ameaça de engenhos explosivos por detonar é omnipresente. Desde maio, 26 crianças terão morrido ou ficado feridas em Ghouta Oriental por causa de restos dos explosivos da guerra.

“Famílias vivem e educam as crianças entre os escombros”

A responsável da UNICEF sublinhou que “em Douma, as famílias vivem e educam as crianças entre os escombros, lutando para conseguir água, comida e calor neste inverno”. “As 20 escolas existentes estão sobrelotadas e precisam de formação para os jovens professores, livros, material escolar, portas, janelas e eletricidade”, acrescentou.

O grau de destruição em Douma é tal que uma organização não-governamental parceira estabeleceu, com o apoio da UNICEF, uma clínica informal no átrio de uma mesquita danificada.

Na cidade de Daraa, no sudoeste da Síria, as duas principais estações de abastecimento de água localizavam-se em áreas anteriormente palco de confrontos, causando cortes frequentes no abastecimento e uma dependência de serviços de transporte de água por camião. Para fazer face ao problema, a UNICEF ajudou a instalar uma conduta de 16 quilómetros para fornecer água potável a 200 mil pessoas.

Taxa de abandono escolar é de 29%

Entre as quase mil escolas da província, pelo menos metade precisa de obras de reparação. A idade das crianças que perderam anos de escolaridade por causa da guerra varia entre os seis e os 17 anos. Muitos alunos ainda desistem da escola, sendo de 29% a taxa de abandono escolar na Síria.

A UNICEF apela à proteção das crianças em todo o país e ao reforço do tecido social dilacerado por anos de conflitos.

 

 

85 mil crianças morrem à fome no Iémen

Dezembro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 21 de novembro de 2018.

Os números são dramáticos.

Segundo a organização humanitária Save the Children, só nos últimos três anos, mais de 85 mil crianças morreram no Iémen, devido à fome ou doenças.

A guerra deixou o país com falta de alimentos e os mais novos, são os que mais sofrem.

Zita Weise Prinzo, da Organização Mundial de Saúde, explica as razões desta tragédia.

“O conflito no Iémen levou à insegurança alimentar no país. Muitas pessoas não têm acesso a comida ou ao tipo de comida certa. Ao mesmo tempo, há surtos de doenças e infeções, como a cólera, sarampo, malária ou pneumonia. E a combinação destes dois fatores levou à desnutrição generalizada no país.”

As Nações Unidas avisam que há 14 milhões de pessoas em risco de fome no Iémen. Por cada criança morta por uma bala ou bomba, dezenas morrem à fome.

E o cenário não deve melhorar nos próximos tempos, como suspeita Peter Salisbury, analista do think-tank britânico Chatham House.

“Sinceramente, não acho que as diferentes partes envolvidas na guerra estejam dispostas a fazer o tipo de compromissos necessários para a terminar. Por isso, infelizmente, acho que a guerra vai arrastar-se por vários meses, se não mesmo anos.”

O país mergulhou na guerra em 2014, quando os rebeldes Huthis tomaram de assalto a capital Sanaa e outras regiões do Iémen. Desde 2015 que as forças do governo, apoiadas por uma coligação internacional, procuram recuperar os territórios ocupados.

Um conflito que já fez mais de dez mil mortos

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