“Tabaqueiras estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças”

Fevereiro 22, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 9 de fevereiro de 2017.

human-rights-watch

Paulo Alexandre Amaral – RTP 09 Fev, 2017, 20:22 / atualizado em 10 Fev, 2017

Uma investigação da Human Rights Watch dá conta dos malefícios do tabaco não apenas no consumidor final mas do outro lado da cadeia: entre milhares de crianças que a partir dos oito anos trabalham em plantações na Indonésia e se expõem durante as colheitas aos efeitos da absorção de nicotina e pesticidas altamente tóxicos para o ser humano. O relatório do ano passado é relembrado pela HRW numa semana em que o grupo Facing Finance publica o seu próprio texto denunciando as grandes multinacionais que lucram com violações ambientais e dos Direitos Humanos.

O relatório “Dirty Profits” (Lucro Sujo) do grupo Facing Finance, agora publicado, chama a atenção para a necessidade de implementar princípios éticos na regulamentação dos investimentos feitos pelas grandes companhias.

Um dos casos que surge neste texto é o das crianças que trabalham sem condições nas plantações de tabaco na Indonésia, uma investigação da HRW que aborda esse tema da relação das tabaqueiras com os locais de produção na Indonésia. Nessa investigação a HRW dá conta das perigosas condições de trabalho a que são submetidas estas crianças que são envolvidas na cadeia de produção da folha de tabaco.

Estamos a falar dos produtores que fornecem uma grande parte das grandes tabaqueiras, não apenas indonésias mas também mundiais, como a British American Tobacco e a Philip Morris International.

Nas 119 páginas do do relatório do ano passado “The Harvest is in My Blood’: Hazardous Child Labor in Tobacco Farming in Indonesia”, a organização de defesa dos Direitos Humanos estabelece a ligação entre a produção de tabaco e os problemas de saúde que afectam os trabalhadores, explicando a cadeia percorrida pelos produtos tóxicos até se instalarem no organismo.

As crianças são uma parcela significativa destes trabalhadores expostos à nicotina. Mas não apenas: além da nicotina, as crianças – muitas delas a partir dos oito anos – vê-se na situação de lidar com “químicos tóxicos, utensílios perigosos, carregar com pesos excessivos e trabalhar em períodos de calor extremo”, refere o texto, para advertir que estas condições de trabalho podem ter para estes pequenos trabalhadores “consequências duradouras tanto para a sua saúde como para o seu desenvolvimento”.

Quinto produtor mundial

A Indonésia ocupa o quinto lugar na produção mundial de tabaco. O país alberga mais de 500 mil quintas que se dedicam a este negócio. Um negócio que acaba por ser largamente lucrativo para os proprietários, já que uma larga fatia da mão-de-obra é constituída por crianças entre os 10 e os 17 anos.

De acordo com as contas da Organização Internacional do Trabalho, mais de milhão e meio de trabalhadores nesta faixa etária trabalham na Indonésia no sector da agricultura. Não há contudo números exactos para a fatia que está nas plantações de tabaco.

Sabe-se, de qualquer forma, que o sistema das tabaqueiras passa por uma cadeia de venda e revenda da folha de tabaco que pode começar nas quintas de pequena e média dimensão até chegar ao topo, as grandes companhias de transformação. Por norma, o sistema montado desta forma tende a desculpabilizar as grandes marcas, que garantem observar as regras sanitárias e de segurança. Quando são envolvidas em violações de leis laborais, não é raro atirarem para cima da mesa a questão das subcontratações, afirmando desconhecer o que é do conhecimento geral logo desde a base.

O trabalho infantil encaixa nesta classe de problema. Sedeadas em países ocidentais com leis restritas relativamente ao trabalho infantil, as grandes empresas tabaqueiras deslocalizam parte da produção e muitas vezes da transformação para países com autoridades judiciais permissivas, que fecham os olhos a este tipo de violação. O resultado é a poupança com os custos de trabalho.

A HRW exige neste relatório que as grandes multinacionais do tabaco façam alguma coisa para parar as violações laborais e proíbam os “seus” produtores de usarem crianças em contacto directo com o tabaco. O recado segue também para Jakarta, com a organização a instar o governo indonésio a regular a indústria de forma a não deixar escapar os culpados destas práticas ilegais.

“As companhias de tabaco estão a fazer dinheiro à custa da saúde das crianças obrigadas ao trabalho infantil na Indonésia”, acusa Margaret Wurth, uma das investigadoras da Human Rights Watch e co-autora do relatório.

Crianças com náuseas, vómitos, dores de cabeça

A investigação foi realizada em quatro províncias indonésias, três das quais contribuem com 90% do total nacional da produção de tabaco: Java Oriental, Java Central e a província ocidental de Nusa Tenggara.

Entre as 227 pessoas entrevistadas contavam-se 132 crianças com idades que iam dos 8 aos 17 anos, muitas das quais foram obrigadas a começar a trabalhar aos 12 anos.

Metade das crianças entrevistadas disse sofrer com náuseas, vómitos, dores de cabeça e tonturas, tudo sintomas relacionados com envenenamento por nicotina através da absorção pela pele.

Ayu, uma criança de 13 anos, disse aos investigadores que vomita todos os anos quando está a trabalhar na colheita de tabaco: “Eu comecei a vomitar quando já estava muito cansada de cortar e carregar as folhas de tabaco. Eu vomitei tantas vezes”.

Não há ainda estudos sobre os efeitos a longo prazo, mas os investigadores que estudam as consequências do tabagismo sugerem que a exposição à nicotina durante a infância pode acarretar o desenvolvimento do cérebro.

Uma combinação de nicotina e pesticidas

Muitas destas crianças explicaram como são obrigadas a manipular e aplicar pesticidas e outros químicos nas plantações. Será através da pele que muitas destas crianças absorvem quantidades letais de nicotina e pesticidas altamente nocivas para a saúde.

Riscos que tanto as crianças como os seus pais manifestaram desconhecer: a exposição prolongada a pesticidas pode provocar problemas crónicos graves como problemas respiratórios, cancro, depressão, problemas cognitivos e infertilidade.

Constatando que eram poucas as crianças ou os seus pais, alguns proprietários dessas pequenas quintas, que procediam de acordo com normas de segurança, a HRW vem agora exigir ao governo indonésio que faça sessões de esclarecimento e implemente planos de segurança para os trabalhadores dos campos de tabaco.

 

 

 

Mais de dez mil jovens com 18 anos bebem álcool quase todos os dias

Fevereiro 18, 2017 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Expresso de 11 de fevereiro de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual 2015 – A Situação do País em Matéria de Álcool

clicar na imagem

mais-de-dez-mil-jovens-com

Jovens em centros educativos tendem a consumir

Fevereiro 13, 2017 às 10:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do http://lifestyle.sapo.pt/ de 8 de fevereiro de 2017.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual 2015 – A Situação do País em Matéria de Álcool

pixabay

Nuno Noronha Com Lusa

Os jovens internados em centros educativos apresentavam, em 2015, uma prevalência de consumo de bebidas alcoólicas e padrões de consumo nocivo superiores às de outras populações juvenis.

“A situação do país em matéria de álcool” foi elaborado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e apresenta, pela primeira vez, dados do Inquérito sobre comportamentos aditivos em jovens internados em Centros Educativos.

O documento indica que estes jovens apresentavam, antes do internamento, uma “prevalência de consumo de bebidas alcoólicas, e sobretudo padrões de consumo nocivo, superiores às de outras populações juvenis”.

Os dados apontam para cerca de 93% de inquiridos que já tinham consumido bebidas alcoólicas, sendo que 82% e 72% fizeram-no nos últimos 12 meses e últimos 30 dias antes do internamento, respetivamente.

As bebidas alcoólicas mais prevalentes nos 12 meses antes do internamento foram as espirituosas e a cerveja.

O relatório sublinha a “significativa diminuição destes consumos com o início do internamento (32% e 23% nos últimos 12 meses e últimos 30 dias) e ainda mais quando se restringe ao Centro Educativo (10% e 7%).

Sobre os padrões de consumo de risco acrescido, nos 30 dias antes do internamento, 45% dos jovens tinham tido consumos binge (intensivos), 53% bebido até ficarem alegres e 29% atingido um estado de embriaguez severa. “Com o início do internamento constata-se uma redução drástica destas práticas, com 10%, 14% e 5% dos jovens a declararem ter tido consumos binge, ou ficado alegres, ou em estado de embriaguez severa, nos últimos 30 dias do internamento”.

A maioria dos inquiridos (61%) e 67% dos consumidores declararam que habitualmente consumiam, numa mesma ocasião, álcool com pelo menos outra substância psicoativa.

artigo do parceiro:

Nuno Noronha

 

Ending the torment: tackling bullying from the schoolyard to cyberspace – relatório das Nações Unidas

Fevereiro 6, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

ending

descarregar o documento no link:

http://srsg.violenceagainstchildren.org/sites/default/files/2016/End%20bullying/bullyingreport.pdf

Bullying, including cyberbullying, affects a high percentage of children at different stages of their development, often severely undermining their health, emotional wellbeing and school performance. Victims may suffer sleep disorders, headaches, stomach pain, poor appetite and fatigue as well as feelings of low-self-esteem, anxiety, depression, shame and at times suicidal thoughts; these are psychological and emotional scars that may persist into adult life.

Bullying is a key concern for children. It is one of the most frequent reasons why children call a helpline. It gains centre stage in surveys conducted with school children, and generates a special interest when opinion polls are conducted through social media with young people.

The recent U-Report initiative supported by UNICEF with more than 100,000 children and young people around the world illustrates this well: nine in every ten respondents considered that bullying is a major problem; two thirds reported having been victims; and one third believed it was normal and therefore did not tell anybody, while many did not know whom to tell or felt afraid to do so.

Crianças do Bangladesh trabalham 64 h/semana para fazer a nossa roupa barata

Janeiro 30, 2017 às 6:16 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Notícia do site http://www.theuniplanet.com/ de 17 de janeiro de 2017.

nafeesa-binte-aziz

Existe um número preocupante de crianças no Bangladesh com menos de 14 anos a trabalhar a tempo inteiro. Algumas recebem cerca de 30€ por mês.

Um relatório do OverSeas Development Institute (ODI) revelou que existe um número preocupante de crianças com idades inferiores a 14 anos, no Bangladesh, que abandonaram a escola e têm empregos a tempo inteiro. Em média, estas crianças trabalham 64 horas por semana.

“Os investigadores estudaram quase 3000 agregados familiares desprivilegiados dos bairros degradados de Dhaka, no Bangladesh, e descobriram crianças de apenas 6 anos com empregos a tempo inteiro. Outras chegavam a trabalhar 110 horas por semana. Estas crianças recebiam, em média, pelo seu trabalho, menos de 2€ por dia.”

A prevalência do trabalho infantil no Bangladesh é preocupante”, declarou Maria Quattri, uma das autoras do estudo. De acordo com o que descobriu, dois terços das raparigas com empregos trabalham na indústria do vestuário, o que levanta sérias questões sobre a roupa exportada e o trabalho infantil. Os rapazes têm ofícios mais variados: alguns trabalham nas obras e no fabrico de tijolos e outros em lojas ou vendem produtos na rua. 13% deles trabalham também em fábricas têxteis ou em outras partes do sector têxtil. Alguns especialistas designam estas formas de trabalho infantil de escravatura.

“[As crianças] estão a trabalhar principalmente para subempreiteiros em fábricas de vestuário informais que produzem uma parte do produto que é depois vendido a empresas formais. E estas empresas exportam o produto”, explica a investigadora. 36,1% dos rapazes e 34,6% das raparigas declararam sentir fadiga extrema. Outras crianças relataram ter dores de costas, febre e feridas superficiais.

am-ahad

Amina (nome falso para proteger a sua identidade) tem 14 anos e só concluiu o 4º ano da escola primária. Quando o seu pai ficou doente, há três anos, Amina começou a trabalhar para ajudar a pagar as contas médicas. Hoje em dia, trabalha 12 horas por dia (com duas curtas pausas) nos serviços domésticos. “Perdi muito por não ir à escola. Mas a minha família é pobre e o meu pai está doente”, disse. Pelo seu trabalho, Amina recebe 30€ por mês.

Embora a idade mínima de admissão para prestar trabalho no Bangladesh seja de 14 anos, as crianças com 12 ou 13 anos podem realizar “trabalhos leves” limitados a 42 horas por semana. Este tipo de trabalho não está claramente definido, mas exclui o trabalho nos caminhos de ferro, em portos ou fábricas e os turnos noturnos. No entanto, estas leis são, em grande parte, ignoradas e o governo carece de inspetores de trabalho ou de outras autoridades necessárias para as fazer cumprir.

À semelhança de outros estudos, o relatório do ODI sugere que haverá milhões de crianças com menos de 14 anos a trabalhar no país asiático. O Bangladesh, com os seus 150 milhões de habitantes, tem feito progresso, nas últimas décadas para reduzir a sua taxa de pobreza, que passou de 50% da população para um terço, mas, mesmo assim, milhões dos seus cidadãos continuam a viver em favelas.

Só a escola primária é gratuita e obrigatória no país e muitas famílias carenciadas afirmaram ter colocado os seus filhos no mercado do trabalho e não na escola devido ao valor das propinas escolares. Os investigadores descobriram que a maioria das crianças “trabalhadoras” tinha dificuldade em ler uma frase simples como “a menina está a brincar” em bengali. Houve muitas que não a conseguiram ler de todo.

“O trabalho infantil representa um sintoma da pobreza e uma causa da privação educacional. Transmite a pobreza pelas gerações, aprisiona as crianças num ciclo de pobreza e compromete o crescimento económico nacional. O que o nosso estudo descobriu em Dhaka é um microcosmo de um problema global que deveria estar no centro da agenda internacional”, disse Kevin Watkins, coautor do estudo.

“As crianças que trocam a educação pelo trabalho mal remunerado dificilmente reunirão as qualificações e habilidades necessárias para quebrar o ciclo da pobreza entre as gerações.”

infografico_bangladesh_trabalho_infantil

infografico_trabalho_infantil_bangladesh

1ª Foto: Shakhil Khan tem 10 anos e trabalha numa fábrica têxtil | Autora: Nafeesa Binte Aziz, The Toronto Star

 

 

Jovens estão mais tolerantes face à violência

Janeiro 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do http://lifestyle.publico.pt/ de janeiro de 2017.

kiyoshi-ota

Por Clara Viana e Bárbara Wong

Em todo o mundo dois em cada dez alunos são vítima de bullying

Há uma maior tolerância à violência por parte dos jovens, o que faz também que sejam mais os que a validam como resposta. Esta é uma das conclusões a que a psicóloga clínica Tânia Paias, responsável pelo PortalBullying, chegou com base num inquérito a 1100 jovens portugueses de 11, 13 e 18 anos.

Um estudo revelado nesta segunda-feira pela Unesco, o organismo das Nações Unidas vocacionado para a educação e cultura, dá conta de que, no planeta, dois em cada dez alunos são vítimas de bullying, ou seja cerca de 246 milhões de crianças e adolescentes, no mundo inteiro.

“No ambiente escolar qualquer crianças está sujeita a ser vítima, agressora ou espectadora” desta forma de violência continuada que dá pelo nome de bullying, refere Tânia Paias.

Mas há crianças que estão mais em risco do que outras, revela também um inquérito da Unicef, realizado em 2016 em 18 países, abrangendo 100.000 jovens, que é citado no estudo da Unesco. Portugal não participou, mas estas são conclusões que podem também ser aplicadas a nível nacional, constatam Tânia Pais e a também psicóloga Sónia Seixas, investigadora na área do bullying.

Entre os jovens que assumiram ter sido vítimas desta forma de violência, 25% disseram que tal aconteceu por causa do seu aspecto físico, 25% por causa do género ou da orientação sexual e outros tantos devido às suas características étnicas. Para além destes aspectos, também as crianças e jovens com deficiência ou oriundas de meios sociais desfavorecidos estão em maior risco do que outras, conclui-se no estudo.

“Tudo que aquilo que possa fazer com que a criança sobressaia em relação ao grupo pode constituir um factor de risco”, especifica Sónia Seixas, embora acrescente que esta não é sempre a regra, já que há jovens que são encarados positivamente pelos outros porque se destacam nas suas competências sociais, por serem “mais autoconfiantes, mais assertivos”.

O inquérito da Unesco destaca que um terço dos inquiridos já foi vítima, acha o bullying normal e, por isso, não o denunciou, embora seja certo que muitos desconhecem como e a quem denunciar. Um dos grupos mais afectados é o dos gays, lésbicas e transsexuais.

Segundo este estudo, 24% dos adolescentes entre os 11 e os 13 anos diz ter sido vítima de bullying nos últimos 30 dias e 8% diz que tal lhe acontece diariamente. Em Portugal, aos 11 anos, entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. A média é 13%. O país tem, assim, a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying. Foi o que revelou o grande estudo da Organização Mundial de Saúde sobre a adolescência, que se realiza de quatro em quatro anos. A última edição foi em 2016.

O cyberbullying é outro tipo de violência que preocupa a Unesco. Porque feita através das redes sociais para os smartphones e computadores passa, muitas vezes, despercebido aos adultos. “Nos últimos três anos, as denúncias aumentaram 87% em todo o mundo”, refere o relatório. Só na Europa, onde mais de 80% das crianças e adolescentes entre os 5 e os 14 anos tem telemóvel, o cyberbullying aumentou de 8% em 2010 para 12% em 2014, entre as crianças dos 9 aos 12 anos.

Por isso, a Unesco exige uma resposta global centrada na prevenção e no combate ao bullying. Este é uma “violação grave do direito à educação e um problema real do qual as escolas devem estar conscientes e fazer com que sejam lugares seguros para todos”, defende Irina Bokova, directora-geral da Unesco, que refere não só a violência entre pares, mas também entre alunos e professores.

Além da prevenção é preciso que a escola e a comunidade se centre no combate deste tipo de violência. Ajudar as crianças a identificar o que é o bullying e sensibilizá-las para a sua denúncia é o primeiro passo.

A Unesco recorda que o bullying tem repercussões directas na saúde física e mental da vítima e que, em casos mais graves, pode provocar a morte da mesma.

Texto actualizado às 17h18

 

 

 

Olhar pela saúde nas escolas

Janeiro 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Texto do site http://www.educare.pt/de 6 de janeiro de 2017.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico de Avaliação do Programa Nacional de Saúde Escolar do Ano Letivo 2014/2015

educare

Programa de Saúde Escolar revela hábitos de alunos e investe em ações que abordam assuntos como a alimentação, os afetos, a sexualidade, a saúde mental. O relatório do ano letivo 2014/2015 foi divulgado pela Direção-Geral da Saúde e mostra o trabalho feito nas cinco regiões do país.

Sara R. Oliveira

Não havia muitos alunos que escovavam os dentes na escola no ano letivo 2014/2015 e nem todos tinham o boletim de vacinas atualizado. Nesse ano, foram sinalizados 2060 casos de maus tratos e registados 50 590 acidentes escolares. Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar e 15% tinham coberturas de fibrocimento. O Norte e o Algarve investiram na educação para os afetos e a sexualidade. O Alentejo dedicou-se sobretudo à educação alimentar e Lisboa e Vale do Tejo à prevenção do consumo de tabaco. Estes são alguns dos resultados do relatório técnico do Programa de Saúde Escolar do ano letivo 2014/2015, elaborado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Ao todo, 73% dos alunos matriculados nesse ano letivo foram alvo desse programa, ou seja, 886 490 dos 1 219 652. Uma maior percentagem, 80%, no 1.º ciclo do Ensino Básico e, com menor incidência, 54%, no Secundário. O programa teve mais expressão nos primeiros níveis de ensino. E existem diferenças regionais que, não sendo significativas, revelam prioridades nesta intervenção escolar. O Norte e o Alentejo privilegiaram as escolas do 1.º ciclo. O Centro e o Algarve o 2.º ciclo. Lisboa e Vale do Tejo abrangeu de forma equilibrada todos os níveis de ensino. E o Algarve foi a região que, proporcionalmente, mais trabalhou com os alunos do Secundário.

A análise feita revela que 31% dos alunos abrangidos pelo programa escovavam os dentes na escola, 66% estavam vacinados, 85% cumpriam a vigilância em saúde e 58% tinham um plano de saúde individual. O Norte foi a região que mais contribuiu para a melhoria da vigilância da saúde dos mais novos, o Algarve sobressaiu na melhoria da vacinação. O apoio a crianças e jovens com necessidades de saúde especiais (com doenças crónicas complexas, doenças neuromusculares, diabetes, asma e doenças alérgicas, entre outras) foi mais significativo no Norte e no Algarve. Seja como for, o programa ajudou a melhorar os indicadores de saúde das crianças e jovens, bem como o cumprimento da vacinação e vigilância da saúde.

Segundo o relatório da DGS, a saúde escolar sinalizou 2060 crianças e jovens vítimas ou suspeitas de maus tratos: 631 no 1.º ciclo, 532 no 3.º ciclo, 482 no 2.º ciclo, 267 no pré-escolar e 147 no Secundário. O maior número de sinalizações verificou-se no Norte, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo e a região Centro. O Alentejo e o Algarve tiveram menos situações reportadas. Os casos de maus tratos ou suspeitas sinalizados nas escolas são encaminhados para os Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco.

Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar no ano 2014/2015. A evolução tem sido positiva. No ano 2013/2014, a percentagem era de 79%, no ano letivo anterior de 76% e em 2011/2012 de 75%. “Apesar da boa evolução, nem todas as escolas cumprem a restrição de fumar e ainda há queixas sobre o desrespeito da lei”, lê-se no relatório. Em 2014/2015, contaram-se nove queixas por alunos fumarem.

O relatório dá ainda conta de 50 590 acidentes escolares: 2726 no pré-escolar, 14 380 no 1.º ciclo, 12 020 no 2.º ciclo, 14 868 no 3.º ciclo e 6 596 no Secundário. Todas as escolas avaliadas tinham sistema de recolha de resíduos sólidos, 98% da água para consumo humano era da rede pública e 90% tinham ligação à rede pública de esgotos. Quinze por cento tinham cobertura em chapa de fibrocimento, a maior percentagem estava situada na região de Lisboa e Vale do Tejo.

A DGS refere que a intervenção no âmbito da saúde escolar tem contribuído para a melhoria da saúde oral e redução da cárie dentária, através da implementação da escovagem dos dentes, de forma correta e precoce. “As crianças e jovens com necessidades de saúde especiais, isto é, problemas de saúde que podem comprometer, ou não, as aprendizagens é outra área de preocupação que as equipas de saúde escolar procuram eliminar/minimizar através da elaboração de planos de saúde individuais”, sublinha a DGS.

Afetos, tabaco, alimentação

As ações sobre alimentação saudável e atividade física foram as que chegaram a mais alunos, 386 383 ao todo. A seguir surgem as ações de educação para os afetos e a sexualidade com 378 400 alunos e as dedicadas ao ambiente e saúde com 270 672. Questões ligadas à saúde mental e à promoção de competências socioemocionais abrangeram 143 014 crianças e jovens, e a prevenção do consumo do tabaco chegou a 122 443 alunos. A prevenção do consumo de bebidas alcoólicas e de substâncias psicoativas ilícitas envolveu menos de 100 mil alunos. No pré-escolar, todos os assuntos são abordados, à exceção da saúde mental e do consumo do tabaco e de substâncias psicoativas ilícitas.

O Norte e o Algarve destacaram-se pelo investimento em educação para os afetos e sexualidade. O Alentejo deu preferência à educação alimentar e o Centro à educação para o ambiente e saúde e à alimentação. Lisboa e Vale do Tejo sobressaiu na prevenção do consumo de tabaco.

O relatório indica que, no futuro, é necessário promover uma maior intervenção em saúde mental e competências socioemocionais. “Melhorar o nível de literacia para a saúde dos alunos é muito mais do que informar sobre os riscos associados a determinados comportamentos e doenças. É motivar, é compreender a informação de saúde, é saber aceder e utilizar essa informação para promover e manter uma boa saúde”. O programa pode virar-se para outras direções. “Outras áreas novas como os hábitos de sono e repouso, a educação postural e a prevenção de comportamentos aditivos sem substância não foram intervencionadas de forma expressiva na escola. No entanto, elas são de capital importância para a saúde das crianças e dos jovens que a frequentam”, realça-se.

No ano letivo 2014/2015, foram avaliados 2230 estabelecimentos de ensino quanto à segurança, higiene e saúde. A maior parte das escolas tem boa segurança e higiene no seu meio envolvente. As escolas do Algarve eram as mais seguras no recinto, no edifício e na zona de alimentação coletiva. A segurança do meio envolvente da escola era maior no Alentejo. O Algarve e o Centro tinham uma maior percentagem de escolas com boas condições de higiene nos diversos espaços escolares. E, como se sabe, a boa higiene do ambiente escolar implica a limpeza geral do espaço, do mobiliário urbano, a boa conservação das salas de aula, balneários, vestiários, instalações sanitárias, remoção de resíduos em todas as áreas do estabelecimento, cantinas incluídas.

Literacia de alunos e docentes

O relatório focou-se no ano letivo em que mudou o paradigma de intervenção da saúde escolar e o seu sistema de informação. No ano em que foi elaborado um referencial de educação para a saúde, em que se operacionalizaram projetos para a promoção de estilos de vida saudáveis, do pré-escolar ao secundário, e se investiu em materiais pedagógicos.

Ao todo, 53 557 educadores de infância e docentes foram alvo do programa. Tal como acontece com os alunos, os professores dos primeiros níveis de educação, em especial os educadores de infância, são os que têm maior apoio no âmbito da saúde escolar. Situação que se repete e que a DGS avisa que é preciso inverter. “O principal trabalho das equipas de saúde escolar, especialmente no que à promoção da saúde diz respeito, é junto dos docentes e não docentes”, lê-se no relatório. O Alentejo, o Centro e o Norte trabalharam com cerca de 80% dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo.

O programa melhora a literacia para a saúde de alunos e docentes. Quanto mais cedo se passar à ação, melhor. “Obter ganhos em saúde, a médio e longo prazo, passa por olhar para o perfil de saúde da população portuguesa e trabalhar desde cedo em prol da promoção e educação para a saúde, e da redução dos determinantes das doenças crónicas como a obesidade, o tabaco, a diabetes e a hipertensão arterial que condicionam a esperança de vida saudável”. E não se pode esquecer a formação. A DGS defende que “investir em promoção da saúde na escola é dar prioridade aos docentes, capacitando-os para que os determinantes da saúde sejam integrados nos currículos das mais diversas áreas do saber e a sua ‘transmissão’ aos alunos seja pedagogicamente adequada ao nível de desenvolvimento do grupo escolar”.

 

 

School Violence and Bullying: Global Status Report

Janeiro 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

unesco

descarregar o relatório no link:

http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002469/246970e.pdf

mais informações na notícia da Unesco:

New UNESCO Report on School Violence and Bullying to be released at International Symposium on issue affecting millions worldwide

Dois em cada 10 alunos do mundo sofreu violência escolar

Janeiro 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do http://www.jn.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

School Violence and Bullying: Global Status Report

Dois em cada dez alunos do mundo sofreu perseguições e violência escolar, indicou hoje a UNESCO, num estudo, advertindo que o assédio verbal é o mais típico e que é o mais exercido nas redes sociais.

No estudo, o Fundo da ONU para a Educação, Ciência e Cultura calcula que em cada ano há 246 milhões de crianças e adolescentes submetidos a uma forma de violência no ambiente escolar.

No documento, apresentado segunda-feira me Seul, num colóquio internacional dedicado ao tema, a UNESCO refere que 34% das crianças com idades entre os 11 e os 13 anos dizem ter sido perseguidos nos últimos meses e que 8% referem que aquela perseguição é diária.

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bakova, advertiu que se trata de uma “violação grave do direito à educação” e que as escolas devem ser lugares seguros para todos.

O relatório demonstra que a violência na escola, por vezes exercida pelos professores, é provocada por “relações de força desiguais muitas vezes reforçadas por estereótipos ligados ao género, à orientação sexual e outros fatores que contribuem para a marginalização, incluindo a pobreza, a identidade étnica e o idioma”.

Uma sondagem realizada pela UNESCO em 2016 junto de 100.000 jovens em 19 países concluiu que 25% das perseguições se devem à aparência física, 25% devido ao género ou orientação sexual e 25% devido à sua origem ou nacionalidade.

Um dos grupos mais afetados é o da comunidade LGTB (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero), onde a prevalência de violência é entre três a sete vezes superior que entre o resto dos alunos.

Em relação à perseguição nas redes sociais, a UNESCO considera que aumentou devido a um maior acesso à Internet e a outras tecnologias de informação.

Segundo a UNESCO, a maior parte das vítimas não denuncia a situação e a violência e as perseguições são invisíveis, na maior parte dos casos, aos olhos dos professores e dos pais, que tendem a minimizá-los.

 

 

 

 

Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso em Portugal

Janeiro 14, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , ,

Notícia do site http://www.educare.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Health at a Glance: Europe 2016 State of Health in the EU Cycle

educare

O problema da obesidade infantil é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos, alerta relatório da OCDE.

Andreia Lobo

Entrava no supermercado e Miguel (nome fictício) ia direto à prateleira dos salgadinhos. Com 11 anos adorava os “cheetos”. Um aperitivo de farinha de milho com sabor a queijo. Devorava um pacote antes do jantar. A cena repetia-se diariamente. Até que, numa consulta de rotina, a pediatra ficou chocada com o seu peso. Hoje, Miguel tem 17 anos. Corre diariamente. Come cinco peças de fruta, por dia. E começa a refeição sempre com sopa, seja em casa ou na escola. Mostra uma vontade férrea em não voltar a ser o gorducho que foi até aos 14 anos. À mesa das famílias portuguesas continuam a faltar os legumes. Seja no prato, a acompanhar a carne e o peixe, ou na forma de sopa. As crianças portuguesas estão entre as que mais comem fruta, mas são das que menos comem vegetais. É o que diz o relatório “Health at a Glance: Europe 2016” sobre os hábitos de alimentação saudável nos 28 Estados-membros da União Europeia.

A obesidade das crianças portuguesas recebe uma chamada de atenção dos autores do relatório. Mas não são as únicas a dar motivos de preocupação. “Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso na Áustria, Hungria e Portugal e mais de uma em cada três na Grécia e Itália”, lê-se no relatório publicado em novembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Em média, 23% dos rapazes e 21% das raparigas dos 28 Estados-membros têm excesso de peso. A tendência é para os rapazes pesarem mais do que as raparigas. Em Portugal acontece o contrário: as raparigas têm mais peso que os rapazes, o valor da obesidade ultrapassa os 30% nelas e fica nos 25% neles. No Reino Unido, Irlanda, Suécia, Suíça e Turquia acontece o mesmo, elas são mais pesadas.

O relatório “Health Behaviour in School-based Children” mostra que entre as crianças e jovens europeus em idade escolar, 21% dos rapazes e 13% das raparigas tinham excesso de peso em 2013/2014. O peso da obesidade nesta faixa variava de 12% na Dinamarca para 30% em Malta. Mundialmente as balanças estão a mostrar valores cada vez mais altos: entre 2001/2002 e 2013/2014 a percentagem de jovens de 15 anos com excesso de peso aumentou de 11% para 18%, entre os países da União Europeia. O problema da obesidade infantil, lembra a OCDE, é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos.

Pouco exercício físico
Quer chova ou faça sol, Miguel não dispensa o exercício diário. Começou a correr aos 15 anos. Tem a sorte de morar junto a um parque público com bastantes subidas e descidas. E é com as corridas que mantém o peso certo.

Segundo o relatório da OCDE, a falta de exercício é também um problema sério. Nas crianças entre os 11 e os 15 anos, em todos os países europeus, a prática de exercício físico tem vindo a diminuir. Os autores deste relatório lembram que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 60 minutos diários de “atividade física moderada a vigorosa” para as crianças. Poucas o farão. A OCDE alerta que nem sempre existem equipamentos ou espaços para a prática da educação física, mesmo ao nível dos currículos, que possibilitem o cumprimento desta recomendação.

Na UE uma em quatro crianças faz exercício “moderado a vigoroso” regularmente. Os melhores cenários surgem na Finlândia e na Irlanda onde 34% das raparigas e 45% dos rapazes com 11 anos fazem exercício diário pelo menos durante uma hora. Na Bulgária, Croácia, Roménia, República Checa e Espanha, cerca de 35% dos rapazes são fortes praticantes de exercício. Na faixa etária dos 15 anos, lideram os rapazes espanhóis, seguidos dos búlgaros, croatas, irlandeses, luxemburgueses, polacos e checos. As raparigas na Bulgária, República Checa, Finlândia, Letónia e República Eslovaca são as mais ativas.

Relativamente às crianças, Dinamarca, França, Grécia e Itália sãos os países onde menos se pratica exercício. Piores só mesmo os italianos. Tanto os rapazes como as raparigas ocupam as últimas posições, são os mais sedentários quer nos 11 quer nos 15 anos. Preocupante é a redução da prática de exercício verificada à medida que as crianças vão crescendo, ou seja, na passagem dos 11 aos 15 anos. Mais notória no sexo feminino. Em Portugal, na Áustria, Finlândia, Irlanda, Polónia e Eslovénia a percentagem de atividade física entre as raparigas cai em 60%.

Consumo de frutas e legumes
Comer mais fruta e legumes pode ser uma questão, simplesmente, de os ter mais à mão. A exposição a estes alimentos, em casa ou na escola, é um fator importante no aumento do seu consumo. E este é também um indicador de saúde alimentar, reconhecem os peritos da OCDE.

Os jovens de 15 anos surgem na décima posição na lista dos que mais fruta comem nos 28 Estados Membros da UE. Os maiores consumidores de fruta são os rapazes, na Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo e Portugal e as raparigas na Áustria, Dinamarca, Irlanda e Itália. Pelo contrário, Grécia, Letónia e Suécia (rapazes e raparigas) e Finlândia (rapazes) são os menores consumidores de fruta, com rácios de uma em quatro para as raparigas e menos de um em cinco para os rapazes.

No que respeita ao consumo diário de legumes em 2013/2014, uma em cada três raparigas e um em cada quatro rapazes diziam-se consumidores diários, nos países da UE. Na Bélgica, 61% das raparigas comem legumes todos os dias, são seguidas pelas colegas da Dinamarca, Irlanda e Holanda, com percentagens de consumo a oscilarem entre os 45% e 50%. A Bélgica continua a liderar o ranking do consumo destes alimentos entre os rapazes (52%), seguida da Irlanda (41%) e da França (40%). Comer vegetais todos os dias é prática menos comum em Espanha, Estónia, Portugal (nas raparigas) e Finlândia e Alemanha (rapazes). As diferenças de consumo entre géneros são maiores na Finlândia, Alemanha e Itália.

Ainda assim, os europeus estão a comer cada vez mais legumes. Nos últimos 14 anos, o consumo médio diário aumentou, entre rapazes e raparigas. O maior aumento, acima dos 10%, foi registado na Dinamarca e na Estónia, em ambos os sexos. Lituânia (rapazes e raparigas), Áustria (raparigas) e Irlanda (rapazes) registaram aumentos na ordem dos 8 a 10%. Já o consumo de fruta registou um aumento de 2001 a 2009, mas começou a diminuir a partir de 2010 entre as raparigas. O consumo aumentou em mais de 10% na Áustria, Dinamarca, Estónia, Grécia, Hungria e Malta, também na Espanha e na Suécia (só entre as raparigas), mas diminuiu na Alemanha e na Polónia.

Face a estes números, a OCDE recomenda aos países que desenvolvam estratégias eficazes para assegurar que o consumo de frutas e vegetais, nas crianças e nos jovens, esteja conforme as diretivas mundiais na área da alimentação. O relatório destaca a atuação realizada no âmbito do programa europeu de consumo de fruta e vegetais na escola. No ano letivo de 2009/2010 o programa foi introduzido em 24 países da União Europeia. Os resultados permitem olhar o futuro com otimismo. “As intervenções ao nível da alimentação nas escolas têm um efeito forte e positivo no consumo de frutas e vegetais entre as crianças”, concluem os autores do relatório.

 

Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com.
Entries e comentários feeds.