Morrem 13 crianças por hora no mundo devido à sida

Dezembro 2, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 26 de novembro de 2019.

Joanesburgo, 26 nov 2019 (Lusa)- A UNICEF divulgou hoje que 13 crianças morrem por hora no mundo por causas ligadas à sida e apenas metade das pessoas infetadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) tem acesso ao tratamento, noticiou a agência EFE.

De acordo com os mais recentes estudos globais apresentados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla em inglês), em Joanesburgo, a sida e as suas consequências causam uma média diária de 320 mortes de menores, sendo que a África subsaariana é a região mais afetada.

Só a África Subsariana alberga cerca de 2,4 milhões dos 2,8 milhões de crianças que, segundo as estimativas, vivem com o VIH (que desencadeia a SIDA) em todo o mundo

Os dados revelaram que entre os adolescentes, a população feminina é quase três vezes mais vulnerável à infeção do que a população masculina.

Durante 2018, foram registadas cerca de 160.000 novas infeções em crianças até aos 9 anos, e nesse grupo, cerca de 89.000 foram infetadas durante a gravidez e o nascimento, e cerca de 76.000 durante o período de amamentação.

“Houve um grande sucesso na prevenção da transmissão mãe-filho, mas o progresso parou e muitas crianças continuam infetadas pelo HIV”, alerta a UNICEF no relatório.

De acordo com o relatório, apenas 54% das crianças até aos 14 anos infetadas pelo HIV, tiveram acesso a terapias antirretrovirais.

“O mundo está no limiar de realizar grandes conquistas na batalha contra o sida e o vírus da imunodeficiência humana, mas não nos devemos basear nos louros do progresso alcançado”, disse a diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, em comunicado.

O acesso das mães a tratamentos antirretrovirais para impedir a transmissão do vírus para os seus filhos, aumentou globalmente, atingindo uma taxa de 82%, tendo em conta que há uma década a taxa era de 44%.

“Dar tratamento ajudou a prevenir cerca de dois milhões de novas infeções pelo HIV e a prevenir mais de um milhão de mortes de crianças com menos de 5 anos”, disse a diretora executiva.

De acordo com a especialista, o principal objetivo agora é alcançar avanços semelhantes no tratamento pediátrico de crianças já infetadas, visando aumentar a qualidade e a expectativa de vida.

Por esse motivo, a UNICEF aproveitou a divulgação dos dados para instar governos e instituições a investirem em meios de diagnóstico e tratamento para crianças.

A África subsaariana é seguida pelo sul da Ásia com 100.000 casos de crianças infetadas, no Leste da Ásia e Pacífico (Oceânia) com 97.000 e na América Latina e Caraíbas com 76.000.

Os dados foram recolhidos pela UNICEF durante 2018 e divulgados hoje, como forma de assinalar o Dia Mundial contra a Sida, em 01 de dezembro.

IZZ/ZO // ZO

Lusa/fim

Notícia da Unicef:

Over 300 children and adolescents die every day from AIDS-related causes

Relatório Power to the people

Uma criança morre por pneumonia a cada 39 segundos

Novembro 21, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Unicef/Jannatul Mawa
Mãe no Bangladesh segura bebê que regressou a casa depois de oito dias no hospital tratando pneumonia

Notícia e imagem da ONU News de 12 de novembro de 2019.

Doença mata menores de cinco anos mais do que qualquer outra infecção; Unicef faz parte de grupo de organizações de saúde que soam o alarme sobre “epidemia esquecida”.

A pneumonia matou mais de 800 mil crianças com menos de cinco anos no ano passado. O número representa a morte de uma criança a cada 39 segundos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, está entre seis organizações de saúde que soam o alarme sobre a “epidemia esquecida”. Em janeiro, líderes mundiais irão debater o tema na Espanha, no Fórum Global sobre Pneumonia Infantil.

Vítimas

Em 2018, mais crianças com menos de cinco anos morreram devido a esta doença do que qualquer outra, incluindo diarreia e malária. A maioria das vítimas tinha menos de dois anos. Quase 153 mil morreram durante o primeiro mês de vida.

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “todos os dias, quase 2,2 mil crianças com menos de cinco anos morrem de pneumonia, uma doença curável e principalmente evitável.”

Para Fore, “um forte compromisso global e o aumento de investimentos são essenciais”. A chefe do Unicef disse que “com intervenções preventivas e tratamentos de baixo custo, se pode salvar milhões de vidas.”

Tratamento

A doença pode ser evitada com vacinas e facilmente tratada com antibióticos de baixo custo. Apesar disso, dezenas de milhões de meninos e meninas não são vacinadas e uma em cada três crianças com sintomas não recebe atendimento médico.

Casos graves também podem precisar de tratamento com oxigênio, que raramente está disponível nos países mais pobres.

O diretor executivo da ONG Save the Children, Kevin Watkins, disse que “esta epidemia global exige uma resposta internacional urgente.” Segundo ele, milhões de crianças estão morrendo por falta de vacinas, antibióticos e tratamento de oxigênio.

Para o especialista, esta crise “é um sintoma de negligência e desigualdades sem defesa ​​no acesso aos cuidados de saúde.”

Regiões

Em cinco países ocorreu mais da metade das mortes: Nigéria, Índia, Paquistão, República Democrática do Congo e Etiópia.

Crianças com sistema imunológico enfraquecido devido ao HIV ou à desnutrição, por exemplo, e aquelas que vivem em áreas com altos níveis de poluição correm um risco maior.

O diretor executivo da Aliança Global para Vacinas e Imunização, Gavi, disse que é “chocante” que esta doença continue a ser a que mata mais crianças em todo o mundo.

Seth Berkley destacou um “progresso forte na última década”, com milhões de crianças nos países mais pobres recebendo a vacina, mas disse que ainda é preciso mais trabalho para garantir o acesso universal.

Bactérias

Os parceiros também apontam o problema do financiamento. Com apenas 3% do investimento em investigação de doenças infecciosas dedicado à pneumonia, os fundos disponíveis ficam muito atrás de outras doenças.

A pneumonia é causada por bactérias, vírus ou fungos e prejudica a respiração da vítima devido a infeções nos pulmões.

Mais informações na Press release da Unicef

One child dies of pneumonia every 39 seconds, agencies warn

Mortalidade infantil em Portugal abaixo da média da UE

Agosto 24, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Noticiasaominuto de 19 de julho de 2019.

O gabinete estatístico europeu destaca ainda que a taxa de crianças mortas antes de atingirem um ano de idade por cada mil nascimentos recuou face à de 4,4 por mil na UE e de 3,4 em Portugal, registada em 2007.

Comparando a 20 anos (com 1997), a mortalidade infantil caiu para mais de metade em Portugal (de 6,4 para 2,7 por cada mil nados-vivos) e quase para metade na UE (de 6,8 para 3,8).

Em 2017, as mais altas taxas de mortalidade infantil foi registada em Malta, Roménia (6,7 mortes por mil cada) e na Bulgária (6,4), tendo as mais baixas sido observadas em Chipre (1,3) e na Finlândia (2,0).

Portugal tinha, em 2017, a sexta menor taxa de mortalidade infantil.

Mais informações na notícia da Eurostat:

Infant mortality halved between 1997 and 2017

Maioria das crianças com cancro não morre. Taxa de sobrevivência pode chegar aos 90%

Junho 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de maio de 2019.

Primeiros dados nacionais do registo oncológico pediátrico indica que surgiram cerca de 700 casos de cancro em crianças entre 2014 e 2016.

As taxas de sobrevivência a três anos estão acima dos 90% em alguns dos tipos de cancro mais frequentes nas crianças, conta o jornal Público esta quinta-feira. É o caso das leucemias linfoblásticas agudas, que representam 75% dos casos de leucemia.

As leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas são os principais cancros até aos 14 anos. E os resultados do primeiro Registo Oncológico Pediátrico Português — que estão em linha com os dados europeus — revelam que, em todos eles, mais de metade das crianças sobrevive.

Os coordenadores do estudo, iniciado em 2014, contam ao jornal Público que as leucemias linfoblásticas agudas têm uma taxa de sobrevivência aos três anos de 91% e as mielobásticas agudas 69%; no caso dos tumores do sistema nervoso central, a taxa de sobrevivência atinge os 75%; nos linfomas de Hodgkin, chega aos 97% e nos linfomas de não Hodgkin fica nos 95%.

O cancro pediátrico é uma doença rara. Nos três anos analisados, entre 2014 e 2016, o Registo Oncológico Pediátrico Português registou em Portugal 762 novos casos em crianças até aos 14 anos.

De acordo com o jornal, as estimativas apontam para que um em cada 600 adultos seja sobrevivente de um cancro pediátrico.

 

 

 

Mortalidade infantil aumenta sem explicação

Maio 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Expresso de 19 de abril de 2019.

Vera Lúcia Arreigoso

Estudo não identificou causas para a subida de 26% nos óbitos entre 2017 e 2018. Idade tardia das mães é uma suspeita.

Não há uma causa concreta que tenha levado à morte mais 60 crianças no primeiro ano de vida em Portugal. Os peritos da Direção-Geral da Saúde (DGS) não conseguiram identificar qualquer explicação para o aumento de 229 para 289 óbitos entre 2017 e 2018. O estudo realizado revelou, ainda assim, que há um novo padrão de gravidez entre as portuguesas.

“Não se identificaram causas que justifiquem o aumento. Não há uma relação causal, mas sim algumas tendências que estão a mudar os padrões de gravidez, com consequências nos recém-nascidos”, garantiu a diretora-geral da Saúde no Parlamento, no início da semana. Graça Freitas adiantou que a principal suspeita recai sobre a idade tardia das mães.

A tendência para o adiamento da maternidade está a empurrar as mulheres para técnicas de procriação medicamente assistida, “com uma estabilização no serviço público e um aumento nas unidades privadas”, e a fomentar mais gestações de gémeos, a prematuridade e o baixo peso à nascença. Ou seja, a potenciar o nascimento de bebés com algum risco.

Graça Freitas sublinha que “os números são muito pequenos e sem relevância estatística”, mas permitiram, ainda assim, detetar algumas particularidades. Por exemplo, a mortalidade infantil foi maior nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Açores, “embora sem ter sido encontrado um padrão causal”, e entre as mães com residência no estrangeiro, sobretudo em países africanos e do Leste europeu.

Outra das conclusões é a falta de informação e o excesso de mortes inconclusivas. O estudo revelou registos omissos, com regiões do país onde nem sequer se sabe qual foi o tipo de acompanhamento que a mulher teve durante a gravidez. Na verdade, ironiza a diretora-geral da Saúde, “a única causa que aumentou nos certificados de óbito foi a ‘causa desconhecida’, que não devia constar” e que leva as autoridades de saúde a pensar em “tornar obrigatórios alguns campos para que outros não fiquem por preencher”.

Os números relativos às mortes nos primeiros 12 meses de vida registadas já este ano “revelam o mesmo padrão dos anos anteriores, isto é, uma estabilidade nos três óbitos por mil nados vivos”, adiantou Graça Freitas. “Para este primeiro trimestre, só vamos conseguir calcular a taxa de mortalidade no final do mês quando tivermos os dados do Instituto Nacional de Estatística.”

Em 2018, quando a mortalidade infantil aumentou 26%, a taxa subiu de 2,7 para 3,3, gerando grande alarme social por poder ser um indicador da degradação dos cuidados nas unidades públicas de saúde. O ano anterior tinha sido um marco por ter colocado o país num patamar de excelência, isto é, abaixo dos três óbitos por mil nados vivos. O recorde absoluto foi batido em 2010, com uma taxa de 2,5. Também aqui não foi possível apurar explicações. “Estudámos tudo, como estudamos sempre, e não encontrámos uma causa”, admite a médica.

“Com números tão pequenos, não se podem tirar conclusões precipitadas. Há sempre o fenómeno da variabilidade dos pequenos números”, afirma Graça Freitas. Já com justificação e bem conhecida, é a reduzida taxa de mortalidade infantil em Portugal. Os números traduzem a evolução do sistema de saúde e da própria evolução social que há décadas colocam o país entre os melhores classificados em todo o mundo.

 

 

Relatório Saúde Infantil e Juvenil – Portugal 2018

Fevereiro 5, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Descarreegar o relatório no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/relatorio-saude-infantil-e-juvenil-portugal-2018.aspx?fbclid=IwAR1oHjiEp_znostRqxuGYmgfTfWNq7D6f40nv71aeOyll92SuLHl-z06bmc

 

 

Síria. Pelo menos 15 crianças morreram de frio nas últimas semanas

Fevereiro 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 15 de janeiro de 2019.

Treze destas crianças tinham menos de um ano, referiu a UNICEF em comunicado.

Pelo menos 15 crianças, a maioria com menos de um ano de idade, morreram na Síria nas últimas semanas devido ao frio e por falta de cuidados, divulgou hoje a UNICEF.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância referiu, num comunicado, que “com as temperaturas baixas e a falta de cuidados”, pelo menos oito crianças morreram em Rokbane, um campo de deslocados no sul da Síria, enquanto outras sete morreram enquanto as suas famílias fugiam de um bastião ‘jihadista’ no leste do país.

“Treze delas tinham menos de um ano”, referiu a nota da UNICEF.

“As vidas dos bebés continuam a ser interrompidas por problemas de saúde que podem ser evitados ou tratados. Não há desculpas para isso no século XXI”, disse Geert Cappelaere, diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África.

O conflito que assola a Síria desde 2011 deixou mais de 360 mil pessoas mortas e causou uma séria crise humanitária, deixando milhões de deslocados internos e refugiados no exterior.

No campo de refugiados sírio em Rokbane, onde vivem dezenas de milhares de pessoas que recebem ajuda humanitária, pelo menos oito crianças, a maioria delas com menos de quatro meses de idade, morreram em apenas um mês, assegurou a UNICEF.

No leste da Síria, milhares de civis fugiram de um bastião mantido pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), que é alvo de uma ofensiva militar na província de Deir Ezzor.

“As famílias que procuram segurança (…) passam os dias ao frio, sem abrigo ou necessidades básicas”, lamentou a UNICEF.

“Sem cuidados médicos, proteção e abrigo acessíveis e confiáveis, mais crianças morrerão dia após dia em Rokbane, Deir Ezzor e em outros lugares na Síria. A história irá julgar-nos pelas mortes absolutamente evitáveis”, advertiu Cappelaere.

Comunicado da Unicef:

Falta de acesso a cuidados médicos na Síria deixam as crianças em risco de vida

 

 

Mortalidade infantil subiu 26% no ano passado

Fevereiro 1, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 21 de janeiro de 2019.

85 mil crianças morrem à fome no Iémen

Dezembro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 21 de novembro de 2018.

Os números são dramáticos.

Segundo a organização humanitária Save the Children, só nos últimos três anos, mais de 85 mil crianças morreram no Iémen, devido à fome ou doenças.

A guerra deixou o país com falta de alimentos e os mais novos, são os que mais sofrem.

Zita Weise Prinzo, da Organização Mundial de Saúde, explica as razões desta tragédia.

“O conflito no Iémen levou à insegurança alimentar no país. Muitas pessoas não têm acesso a comida ou ao tipo de comida certa. Ao mesmo tempo, há surtos de doenças e infeções, como a cólera, sarampo, malária ou pneumonia. E a combinação destes dois fatores levou à desnutrição generalizada no país.”

As Nações Unidas avisam que há 14 milhões de pessoas em risco de fome no Iémen. Por cada criança morta por uma bala ou bomba, dezenas morrem à fome.

E o cenário não deve melhorar nos próximos tempos, como suspeita Peter Salisbury, analista do think-tank britânico Chatham House.

“Sinceramente, não acho que as diferentes partes envolvidas na guerra estejam dispostas a fazer o tipo de compromissos necessários para a terminar. Por isso, infelizmente, acho que a guerra vai arrastar-se por vários meses, se não mesmo anos.”

O país mergulhou na guerra em 2014, quando os rebeldes Huthis tomaram de assalto a capital Sanaa e outras regiões do Iémen. Desde 2015 que as forças do governo, apoiadas por uma coligação internacional, procuram recuperar os territórios ocupados.

Um conflito que já fez mais de dez mil mortos

Não deem beijinhos aos recém-nascidos — podem ser fatais

Novembro 15, 2018 às 10:15 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Echo Grid on Unsplash

 

Artigo de Catarina da Eira Ballestero para a MAGG, publicado em 8 de novembro de 2018.

Bebé de 12 dias morreu com uma infeção do vírus da herpes causada por um beijo. Um pediatra alerta para os perigos deste contacto.

Com apenas 12 dias, uma bebé norte-americana perdeu a vida depois de contrair o vírus da herpes. A história que está a emocionar as redes sociais foi partilhada no Facebook pela mãe da bebé, Presley Trejo, natural do estado do Texas, Estados Unidos, que tornou público este trágico desfecho com um sentido apelo.

“Parem de beijar bebés que não são vossos”, escreveu na rede social a mãe de Emerson Faye, a recém-nascida que não suportou a infeção transmitida por um beijo de alguém infetado com herpes. “A minha filha acabou por morrer. Para os adultos, ser infetado com herpes não é um problema grave mas para os recém-nascidos, sem o sistema imunitário desenvolvido, pode ser fatal”, continuou Presley, que descreveu ainda a forma como a filha adoeceu.

“Quando o vírus penetra no organismo dos bebés, transmite-se rapidamente e ataca o cérebro. Os rins falharam, a minha bebé teve várias convulsões até entrar em morte cerebral”, contou a mãe, que acabou por tomar a decisão de desligar as máquinas de suporte de vida de Emerson Faye. “Uma mãe nunca deveria ter de enterrar um filho. O vírus matou-a apenas com 12 dias e eu assisti à morte lenta da minha filha”, escreveu a norte-americana na mesma publicação, em que acrescentou que é preciso passar a mensagem de que beijar bebés tão pequenos ou estar em contacto com os mesmos sem as devidas precauções, como lavar as mãos, é um perigo real.

Hugo Rodrigues, médico pediatra, confirma que estes casos são raros, mas existem — e são um perigo potencial pela gravidade das possíveis consequências. Tal como explica à MAGG, “o herpes transmite-se através do contacto direto com as lesões na pele e os recém-nascidos são uma população particularmente suscetível, dado que o sistema imunitário deles ainda não está completamente desenvolvido nos primeiros meses de vida”.

A infeção por herpes é um perigo para o cérebro

O grave problema da transmissão do vírus da herpes a um bebé são as encefalites, uma situação drástica que pode conduzir à morte das crianças ou deixar sequelas graves. “O herpes não se localiza apenas na pele, pode atingir o cérebro. Este é, aliás, o grande problema do herpes, não são as lesões”, salienta Hugo Rodrigues, que explica que o vírus pode entrar e afetar o organismo dos bebés, “atingir o cérebro e causar uma encefalite, uma lesão direta do cérebro, com destruição de algumas zonas cerebrais”.

Apesar de não ser comum, esta é a situação mais drástica deste contágio e tem de ser tratada agressivamente, explica o pediatra. Para além das encefalites, a transmissão da herpes a um bebé nos primeiros meses de vida (o primeiro mês é o mais crucial, mas o período crítico do sistema imunitário das crianças mantém-se até aos três meses) pode conduzir a “lesões na pele e nos olhos e levar a situações de cegueira”. Hugo Rodrigues também reforça que a partir do momento em que um bebé é infetado, é provável que o vírus seja constantemente reativado.

“Depois de infetar pela primeira vez, o vírus, geralmente, fica alojado nas glândulas do nosso sistema nervoso, daí a razão pela qual as pessoas que têm herpes uma vez, a voltam a ter. O vírus fica nas células, e volta e meia reativa”, esclarece o especialista, salientando que é importante deixar bem claro que “a herpes é contagiosa até todas as lesões estarem em crosta, basta ter uma lesão que ainda não está completamente seca para existir o risco de transmissão”.

Embora o pediatra considere que os cuidados com a herpes devem ser transversais a qualquer idade, reforça que este vírus não deve ser a única preocupação em relação aos bebés mais pequenos. “A grande questão é que como o sistema imunitário dos recém-nascidos não está completamente desenvolvido, mesmo uma infeção banal pode rapidamente transformar-se numa infeção mais grave. Não é para lançar o pânico ou para criar medo, mas é necessário que as pessoas estejam um bocadinho mais alertas nesses três primeiros meses”, explica Hugo Rodrigues, que recorda que todos nós somos portadores de micro-organismos no nariz e na boca — “De qualquer das formas, se não tivermos qualquer sintoma, estamos mais seguros em termos de contágio”.

Há outras formas de manifestar afecto sem ser com beijos

Apesar de não ser a favor de limitar completamente o contacto com os recém-nascidos, Hugo Rodrigues apela ao bom senso. “Beijos na cara e perto das vias respiratórias são sempre mais complicados, porque nós temos microorganismos que habitam em nós, bactérias que rapidamente passam para as crianças”, afirma o pediatra, que recorda que os beijos não são a única forma de manifestar carinho por um bebé.

“As pessoas mais velhas, principalmente, têm alguma dificuldade em aceitar isto, mas a questão é que não é preciso dar beijos aos bebés, pode-se tocar ou pegar ao colo, não é necessária aquela proximidade do beijo logo nos primeiros tempos. Pode ser uma demonstração de afeto, mas o bebé não entende isso dessa forma. Se as pessoas pegarem no bebé ao colo já estão a satisfazer as necessidades de contacto”, esclarece o especialista, adiantando que esta proximidade deve ser reservada para familiares e amigos pertencentes ao círculo íntimo da criança. “Quando falamos de desconhecidos em espaços públicos, por exemplo, aí é completamente evitável.”

O pediatra também reforça que este contacto deve ser limitado a pessoas saudáveis, “sem qualquer doença crónica ou aguda que signifique perigo de contágio”. No entanto, em relação ainda ao caso específico da herpes, salienta que na maior parte das vezes, “o vírus não provoca doença, os pais têm é de estar atentos aos sinais que o bebé dá”.

Ou sejam, a febre, a irritabilidade e a recusa em comer significam que o bebé não está bem. “Se apresentar algum destes sintomas, tem que ser visto; nos primeiros três meses, estes são os sinais mais importantes. Se aparecer alguma lesão na pele, obviamente que também têm de ser vistos por um médico”, esclarece o pediatra, que afirma que não há qualquer tipo de prevenção para estas situações, apenas “a vigilância”.

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