Mortalidade infantil em Portugal abaixo da média da UE

Agosto 24, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Noticiasaominuto de 19 de julho de 2019.

O gabinete estatístico europeu destaca ainda que a taxa de crianças mortas antes de atingirem um ano de idade por cada mil nascimentos recuou face à de 4,4 por mil na UE e de 3,4 em Portugal, registada em 2007.

Comparando a 20 anos (com 1997), a mortalidade infantil caiu para mais de metade em Portugal (de 6,4 para 2,7 por cada mil nados-vivos) e quase para metade na UE (de 6,8 para 3,8).

Em 2017, as mais altas taxas de mortalidade infantil foi registada em Malta, Roménia (6,7 mortes por mil cada) e na Bulgária (6,4), tendo as mais baixas sido observadas em Chipre (1,3) e na Finlândia (2,0).

Portugal tinha, em 2017, a sexta menor taxa de mortalidade infantil.

Mais informações na notícia da Eurostat:

Infant mortality halved between 1997 and 2017

Maioria das crianças com cancro não morre. Taxa de sobrevivência pode chegar aos 90%

Junho 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de maio de 2019.

Primeiros dados nacionais do registo oncológico pediátrico indica que surgiram cerca de 700 casos de cancro em crianças entre 2014 e 2016.

As taxas de sobrevivência a três anos estão acima dos 90% em alguns dos tipos de cancro mais frequentes nas crianças, conta o jornal Público esta quinta-feira. É o caso das leucemias linfoblásticas agudas, que representam 75% dos casos de leucemia.

As leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas são os principais cancros até aos 14 anos. E os resultados do primeiro Registo Oncológico Pediátrico Português — que estão em linha com os dados europeus — revelam que, em todos eles, mais de metade das crianças sobrevive.

Os coordenadores do estudo, iniciado em 2014, contam ao jornal Público que as leucemias linfoblásticas agudas têm uma taxa de sobrevivência aos três anos de 91% e as mielobásticas agudas 69%; no caso dos tumores do sistema nervoso central, a taxa de sobrevivência atinge os 75%; nos linfomas de Hodgkin, chega aos 97% e nos linfomas de não Hodgkin fica nos 95%.

O cancro pediátrico é uma doença rara. Nos três anos analisados, entre 2014 e 2016, o Registo Oncológico Pediátrico Português registou em Portugal 762 novos casos em crianças até aos 14 anos.

De acordo com o jornal, as estimativas apontam para que um em cada 600 adultos seja sobrevivente de um cancro pediátrico.

 

 

 

Mortalidade infantil aumenta sem explicação

Maio 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Expresso de 19 de abril de 2019.

Vera Lúcia Arreigoso

Estudo não identificou causas para a subida de 26% nos óbitos entre 2017 e 2018. Idade tardia das mães é uma suspeita.

Não há uma causa concreta que tenha levado à morte mais 60 crianças no primeiro ano de vida em Portugal. Os peritos da Direção-Geral da Saúde (DGS) não conseguiram identificar qualquer explicação para o aumento de 229 para 289 óbitos entre 2017 e 2018. O estudo realizado revelou, ainda assim, que há um novo padrão de gravidez entre as portuguesas.

“Não se identificaram causas que justifiquem o aumento. Não há uma relação causal, mas sim algumas tendências que estão a mudar os padrões de gravidez, com consequências nos recém-nascidos”, garantiu a diretora-geral da Saúde no Parlamento, no início da semana. Graça Freitas adiantou que a principal suspeita recai sobre a idade tardia das mães.

A tendência para o adiamento da maternidade está a empurrar as mulheres para técnicas de procriação medicamente assistida, “com uma estabilização no serviço público e um aumento nas unidades privadas”, e a fomentar mais gestações de gémeos, a prematuridade e o baixo peso à nascença. Ou seja, a potenciar o nascimento de bebés com algum risco.

Graça Freitas sublinha que “os números são muito pequenos e sem relevância estatística”, mas permitiram, ainda assim, detetar algumas particularidades. Por exemplo, a mortalidade infantil foi maior nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Açores, “embora sem ter sido encontrado um padrão causal”, e entre as mães com residência no estrangeiro, sobretudo em países africanos e do Leste europeu.

Outra das conclusões é a falta de informação e o excesso de mortes inconclusivas. O estudo revelou registos omissos, com regiões do país onde nem sequer se sabe qual foi o tipo de acompanhamento que a mulher teve durante a gravidez. Na verdade, ironiza a diretora-geral da Saúde, “a única causa que aumentou nos certificados de óbito foi a ‘causa desconhecida’, que não devia constar” e que leva as autoridades de saúde a pensar em “tornar obrigatórios alguns campos para que outros não fiquem por preencher”.

Os números relativos às mortes nos primeiros 12 meses de vida registadas já este ano “revelam o mesmo padrão dos anos anteriores, isto é, uma estabilidade nos três óbitos por mil nados vivos”, adiantou Graça Freitas. “Para este primeiro trimestre, só vamos conseguir calcular a taxa de mortalidade no final do mês quando tivermos os dados do Instituto Nacional de Estatística.”

Em 2018, quando a mortalidade infantil aumentou 26%, a taxa subiu de 2,7 para 3,3, gerando grande alarme social por poder ser um indicador da degradação dos cuidados nas unidades públicas de saúde. O ano anterior tinha sido um marco por ter colocado o país num patamar de excelência, isto é, abaixo dos três óbitos por mil nados vivos. O recorde absoluto foi batido em 2010, com uma taxa de 2,5. Também aqui não foi possível apurar explicações. “Estudámos tudo, como estudamos sempre, e não encontrámos uma causa”, admite a médica.

“Com números tão pequenos, não se podem tirar conclusões precipitadas. Há sempre o fenómeno da variabilidade dos pequenos números”, afirma Graça Freitas. Já com justificação e bem conhecida, é a reduzida taxa de mortalidade infantil em Portugal. Os números traduzem a evolução do sistema de saúde e da própria evolução social que há décadas colocam o país entre os melhores classificados em todo o mundo.

 

 

Relatório Saúde Infantil e Juvenil – Portugal 2018

Fevereiro 5, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Descarreegar o relatório no link:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/relatorio-saude-infantil-e-juvenil-portugal-2018.aspx?fbclid=IwAR1oHjiEp_znostRqxuGYmgfTfWNq7D6f40nv71aeOyll92SuLHl-z06bmc

 

 

Síria. Pelo menos 15 crianças morreram de frio nas últimas semanas

Fevereiro 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 15 de janeiro de 2019.

Treze destas crianças tinham menos de um ano, referiu a UNICEF em comunicado.

Pelo menos 15 crianças, a maioria com menos de um ano de idade, morreram na Síria nas últimas semanas devido ao frio e por falta de cuidados, divulgou hoje a UNICEF.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância referiu, num comunicado, que “com as temperaturas baixas e a falta de cuidados”, pelo menos oito crianças morreram em Rokbane, um campo de deslocados no sul da Síria, enquanto outras sete morreram enquanto as suas famílias fugiam de um bastião ‘jihadista’ no leste do país.

“Treze delas tinham menos de um ano”, referiu a nota da UNICEF.

“As vidas dos bebés continuam a ser interrompidas por problemas de saúde que podem ser evitados ou tratados. Não há desculpas para isso no século XXI”, disse Geert Cappelaere, diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África.

O conflito que assola a Síria desde 2011 deixou mais de 360 mil pessoas mortas e causou uma séria crise humanitária, deixando milhões de deslocados internos e refugiados no exterior.

No campo de refugiados sírio em Rokbane, onde vivem dezenas de milhares de pessoas que recebem ajuda humanitária, pelo menos oito crianças, a maioria delas com menos de quatro meses de idade, morreram em apenas um mês, assegurou a UNICEF.

No leste da Síria, milhares de civis fugiram de um bastião mantido pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), que é alvo de uma ofensiva militar na província de Deir Ezzor.

“As famílias que procuram segurança (…) passam os dias ao frio, sem abrigo ou necessidades básicas”, lamentou a UNICEF.

“Sem cuidados médicos, proteção e abrigo acessíveis e confiáveis, mais crianças morrerão dia após dia em Rokbane, Deir Ezzor e em outros lugares na Síria. A história irá julgar-nos pelas mortes absolutamente evitáveis”, advertiu Cappelaere.

Comunicado da Unicef:

Falta de acesso a cuidados médicos na Síria deixam as crianças em risco de vida

 

 

Mortalidade infantil subiu 26% no ano passado

Fevereiro 1, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 21 de janeiro de 2019.

85 mil crianças morrem à fome no Iémen

Dezembro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 21 de novembro de 2018.

Os números são dramáticos.

Segundo a organização humanitária Save the Children, só nos últimos três anos, mais de 85 mil crianças morreram no Iémen, devido à fome ou doenças.

A guerra deixou o país com falta de alimentos e os mais novos, são os que mais sofrem.

Zita Weise Prinzo, da Organização Mundial de Saúde, explica as razões desta tragédia.

“O conflito no Iémen levou à insegurança alimentar no país. Muitas pessoas não têm acesso a comida ou ao tipo de comida certa. Ao mesmo tempo, há surtos de doenças e infeções, como a cólera, sarampo, malária ou pneumonia. E a combinação destes dois fatores levou à desnutrição generalizada no país.”

As Nações Unidas avisam que há 14 milhões de pessoas em risco de fome no Iémen. Por cada criança morta por uma bala ou bomba, dezenas morrem à fome.

E o cenário não deve melhorar nos próximos tempos, como suspeita Peter Salisbury, analista do think-tank britânico Chatham House.

“Sinceramente, não acho que as diferentes partes envolvidas na guerra estejam dispostas a fazer o tipo de compromissos necessários para a terminar. Por isso, infelizmente, acho que a guerra vai arrastar-se por vários meses, se não mesmo anos.”

O país mergulhou na guerra em 2014, quando os rebeldes Huthis tomaram de assalto a capital Sanaa e outras regiões do Iémen. Desde 2015 que as forças do governo, apoiadas por uma coligação internacional, procuram recuperar os territórios ocupados.

Um conflito que já fez mais de dez mil mortos

Não deem beijinhos aos recém-nascidos — podem ser fatais

Novembro 15, 2018 às 10:15 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Echo Grid on Unsplash

 

Artigo de Catarina da Eira Ballestero para a MAGG, publicado em 8 de novembro de 2018.

Bebé de 12 dias morreu com uma infeção do vírus da herpes causada por um beijo. Um pediatra alerta para os perigos deste contacto.

Com apenas 12 dias, uma bebé norte-americana perdeu a vida depois de contrair o vírus da herpes. A história que está a emocionar as redes sociais foi partilhada no Facebook pela mãe da bebé, Presley Trejo, natural do estado do Texas, Estados Unidos, que tornou público este trágico desfecho com um sentido apelo.

“Parem de beijar bebés que não são vossos”, escreveu na rede social a mãe de Emerson Faye, a recém-nascida que não suportou a infeção transmitida por um beijo de alguém infetado com herpes. “A minha filha acabou por morrer. Para os adultos, ser infetado com herpes não é um problema grave mas para os recém-nascidos, sem o sistema imunitário desenvolvido, pode ser fatal”, continuou Presley, que descreveu ainda a forma como a filha adoeceu.

“Quando o vírus penetra no organismo dos bebés, transmite-se rapidamente e ataca o cérebro. Os rins falharam, a minha bebé teve várias convulsões até entrar em morte cerebral”, contou a mãe, que acabou por tomar a decisão de desligar as máquinas de suporte de vida de Emerson Faye. “Uma mãe nunca deveria ter de enterrar um filho. O vírus matou-a apenas com 12 dias e eu assisti à morte lenta da minha filha”, escreveu a norte-americana na mesma publicação, em que acrescentou que é preciso passar a mensagem de que beijar bebés tão pequenos ou estar em contacto com os mesmos sem as devidas precauções, como lavar as mãos, é um perigo real.

Hugo Rodrigues, médico pediatra, confirma que estes casos são raros, mas existem — e são um perigo potencial pela gravidade das possíveis consequências. Tal como explica à MAGG, “o herpes transmite-se através do contacto direto com as lesões na pele e os recém-nascidos são uma população particularmente suscetível, dado que o sistema imunitário deles ainda não está completamente desenvolvido nos primeiros meses de vida”.

A infeção por herpes é um perigo para o cérebro

O grave problema da transmissão do vírus da herpes a um bebé são as encefalites, uma situação drástica que pode conduzir à morte das crianças ou deixar sequelas graves. “O herpes não se localiza apenas na pele, pode atingir o cérebro. Este é, aliás, o grande problema do herpes, não são as lesões”, salienta Hugo Rodrigues, que explica que o vírus pode entrar e afetar o organismo dos bebés, “atingir o cérebro e causar uma encefalite, uma lesão direta do cérebro, com destruição de algumas zonas cerebrais”.

Apesar de não ser comum, esta é a situação mais drástica deste contágio e tem de ser tratada agressivamente, explica o pediatra. Para além das encefalites, a transmissão da herpes a um bebé nos primeiros meses de vida (o primeiro mês é o mais crucial, mas o período crítico do sistema imunitário das crianças mantém-se até aos três meses) pode conduzir a “lesões na pele e nos olhos e levar a situações de cegueira”. Hugo Rodrigues também reforça que a partir do momento em que um bebé é infetado, é provável que o vírus seja constantemente reativado.

“Depois de infetar pela primeira vez, o vírus, geralmente, fica alojado nas glândulas do nosso sistema nervoso, daí a razão pela qual as pessoas que têm herpes uma vez, a voltam a ter. O vírus fica nas células, e volta e meia reativa”, esclarece o especialista, salientando que é importante deixar bem claro que “a herpes é contagiosa até todas as lesões estarem em crosta, basta ter uma lesão que ainda não está completamente seca para existir o risco de transmissão”.

Embora o pediatra considere que os cuidados com a herpes devem ser transversais a qualquer idade, reforça que este vírus não deve ser a única preocupação em relação aos bebés mais pequenos. “A grande questão é que como o sistema imunitário dos recém-nascidos não está completamente desenvolvido, mesmo uma infeção banal pode rapidamente transformar-se numa infeção mais grave. Não é para lançar o pânico ou para criar medo, mas é necessário que as pessoas estejam um bocadinho mais alertas nesses três primeiros meses”, explica Hugo Rodrigues, que recorda que todos nós somos portadores de micro-organismos no nariz e na boca — “De qualquer das formas, se não tivermos qualquer sintoma, estamos mais seguros em termos de contágio”.

Há outras formas de manifestar afecto sem ser com beijos

Apesar de não ser a favor de limitar completamente o contacto com os recém-nascidos, Hugo Rodrigues apela ao bom senso. “Beijos na cara e perto das vias respiratórias são sempre mais complicados, porque nós temos microorganismos que habitam em nós, bactérias que rapidamente passam para as crianças”, afirma o pediatra, que recorda que os beijos não são a única forma de manifestar carinho por um bebé.

“As pessoas mais velhas, principalmente, têm alguma dificuldade em aceitar isto, mas a questão é que não é preciso dar beijos aos bebés, pode-se tocar ou pegar ao colo, não é necessária aquela proximidade do beijo logo nos primeiros tempos. Pode ser uma demonstração de afeto, mas o bebé não entende isso dessa forma. Se as pessoas pegarem no bebé ao colo já estão a satisfazer as necessidades de contacto”, esclarece o especialista, adiantando que esta proximidade deve ser reservada para familiares e amigos pertencentes ao círculo íntimo da criança. “Quando falamos de desconhecidos em espaços públicos, por exemplo, aí é completamente evitável.”

O pediatra também reforça que este contacto deve ser limitado a pessoas saudáveis, “sem qualquer doença crónica ou aguda que signifique perigo de contágio”. No entanto, em relação ainda ao caso específico da herpes, salienta que na maior parte das vezes, “o vírus não provoca doença, os pais têm é de estar atentos aos sinais que o bebé dá”.

Ou sejam, a febre, a irritabilidade e a recusa em comer significam que o bebé não está bem. “Se apresentar algum destes sintomas, tem que ser visto; nos primeiros três meses, estes são os sinais mais importantes. Se aparecer alguma lesão na pele, obviamente que também têm de ser vistos por um médico”, esclarece o pediatra, que afirma que não há qualquer tipo de prevenção para estas situações, apenas “a vigilância”.

A cada cinco segundos morre uma criança no mundo por causas evitáveis

Outubro 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Edgard Garrido

Notícia do Público de 18 de setembro de 2018.

Em cada dia de 2017, morreram 15 mil crianças devido a causas evitáveis e doenças tratáveis como a diarreia, a pneumonia ou a malária.

Inês Chaíça

Em 2017 morreram em todo o mundo 6,3 milhões de crianças e adolescentes (dos 0 aos 14 anos) por causas evitáveis — fazendo as contas, é uma morte a cada cinco segundos. Dessas, 5,4 milhões tinham menos de cinco anos e metade dos óbitos (2,5 milhões) ocorreram durante o primeiro mês de vida. Má nutrição, infecções e acidentes lideram a lista das causas de morte, de acordo com um relatório conjunto da UNICEF, Organização Mundial de Saúde (OMS), da divisão de população do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas e do Banco Mundial publicado nesta terça-feira.

Apesar dos “progressos substanciais” das últimas duas décadas em matéria de prevenção da mortalidade infantil, estima-se que 15 mil crianças tenham morrido por dia em 2017 devido a causas evitáveis e doenças tratáveis, como diarreia, pneumonia ou malária. Uma situação “inaceitável”, conforme se lê no relatório.

“Estas mortes são reflexo do acesso limitado das crianças e das comunidades a actos médicos como vacinação e o tratamento de doenças infecciosas, à nutrição adequada, água limpa e ao saneamento”, analisam os autores do documento. “Alcançar metas de sobrevivência infantil ambiciosas requer que haja acesso universal a cuidados efectivos, de alta qualidade e acessíveis para mulheres, crianças e adolescentes”.

De acordo com os dados das Nações Unidas, há disparidades “regionais generalizadas”, que se relacionam com “desigualdades de rendimento”, e que afectam as hipóteses de sobrevivência das crianças. Em termos regionais, os países da África Subsaariana continuam a registar as taxas de mortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade mais elevadas do mundo. Metade das mortes nessa faixa etária ocorreu nesta região.

Em 2017, na África Subsaariana, uma em cada 13 crianças morreu antes do quinto aniversário. Por comparação, a Nova Zelândia e a Austrália apresentam as taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo: apenas uma em cada 263 crianças morre antes de chegar aos cinco anos.

Primeiro mês após o parto é o mais perigoso 

Se estas estimativas se mantiverem, entre 2018 e 2030 deverão morrer 56 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade — e “metade deles serão recém-nascidos”, lê-se no relatório.

Em termos globais, a maioria dos óbitos regista-se nas faixas etárias mais jovens, sendo que o maior risco de morte se regista no primeiro mês de vida. “Em 2017, a mortalidade neonatal — a probabilidade de morrer nos primeiros 28 dias de vida — estimava-se em 18 mortes por 1000 nados-vivos em termos globais”, lê-se.

Estes números estão associados a factores como a idade das mães (mulheres com menos de 20 anos dão à luz bebés com menor probabilidade de sobrevivência), o nível de escolaridade da progenitora (registou-se um decréscimo na mortalidade dos bebés entre mães com o ensino secundário ou superior) e os níveis de pobreza das famílias e das respectivas comunidades. Nas zonas mais pobres, a probabilidade de se morrer antes dos cinco anos sobe para o dobro.

Entre os bebés, as principais causas de morte incluem as complicações durante o parto, pneumonia, anomalias congénitas, diarreia, sépsis e malária. Mais tarde, as principais causas de morte passam a ser lesões, acidentes rodoviários e afogamento.

Morrem mais crianças na República Centro Africana

De acordo com os dados de 2017, foi na República Centro Africana, mergulhada em conflito desde 2013, que se registou a taxa de mortalidade infantil (de crianças com menos de cinco anos) mais elevada do globo: 88 mortes por cada 1000 nascimentos. Também a mortalidade neonatal foi a mais elevada, com 42 mortes por cada 1000 nados-vivos.

Nos países de língua oficial portuguesa, é em Angola que a taxa de mortalidade infantil é mais elevada: em 2017, morreram 54 crianças com menos de cinco anos por cada 1000 nascimentos. No Brasil, registaram-se 13 mortes por cada 1000 nados vivos. Em Portugal, contaram-se três mortes em cada 1000 nascimentos.

Menos mortes do que em 1990

Analisando um período mais largo de tempo, a mortalidade infantil tem baixado em todo o mundo. Em 1990 morreram 12,6 milhões de crianças com menos de cinco anos; em 2017, 5,4 milhões. O número de óbitos entre os cinco e os 14 anos desceu de 1,7 milhões em 1990 para menos de um milhão em 2017.

“Este novo relatório sublinha o progresso notável desde 1990 na redução da mortalidade infantil”, disse o sub-secretário-geral para os Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, Liu Zhenmin, citado num comunicado de imprensa. “Reduzir a desigualdade ao dar assistência aos recém-nascidos mais vulneráveis, crianças e mães é essencial para alcançar o objectivo de desenvolvimento sustentável sobre o fim das mortes infantis evitáveis, garantindo que ninguém fica para trás”.

Dos 195 países em análise, 118 já alcançaram os objectivos de desenvolvimento sustentável e 26 estão bem encaminhados, se continuarem com o que já fizeram até agora. Ficam a faltar 51, dos quais dois terços se localizam na África Subsaariana. “Nos restantes países, o progresso terá de ser acelerado, para alcançar os objectivos do desenvolvimento sustentável até 2030”, conclui o relatório.

Se esses países conseguissem atingir esse objectivo, significaria mais dez milhões de crianças com menos de cinco anos salvas, comparado com o cenário actual.

Mais informações na notícia da Unicef:

A child under 15 dies every five seconds around the world – UN report

Um milhão de crianças por ano morrem no dia em que nascem

Março 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 20 de fevereiro de 2018.

Nuno Guedes

UNICEF lança apelo mundial para resolver problema com décadas que podia ter mas não tem solução à vista.

Dois milhões e 600 mil bebés morrem por ano antes de completarem o primeiro mês de vida, entre eles um milhão que morrem no mesmo dia em que nascem. A conta é avançada pela UNICEF, a agência das Nações Unidas que olha para a defesa dos direitos das crianças e lança agora um apelo aos governos para que resolvam um problema que tem diminuído pouco nas últimas décadas.

O relatório que suporta o apelo da Unicef revela que vários países de língua oficial portuguesa estão no topo da lista negra da morte de recém-nascidos. Portugal volta a surgir na lista de países com menos mortalidade neonatal, mais precisamente o 17º numa lista com 184 países. Em Portugal, 1 criança entre 476 falece antes de completar um mês de vida.

Guiné-Bissau, Angola e Moçambique na lista negra

No outro extremo, a Guiné-Bissau é o 6º país do mundo com mais mortalidade antes de se completar um mês de vida: 1 em cada 26 crianças. Angola é o 19º (1 em 34), Moçambique o 24º (1 em 37) e Timor-Leste o 47º (1 em 46).

Melhor classificado está Cabo Verde com 1 morte por cada 98 crianças (93º lugar no ranking). No relatório da UNICEF que serve para lançar um apelo ao Mundo, a agência da ONU sublinha que “todas as vidas contam e é urgente pôr fim à morte de recém-nascidos” pois “o número global de mortes de recém-nascidos continua a ser extremamente elevado, sobretudo nos países mais pobres do mundo”.

“O Mundo está a falhar com os recém-nascidos”

O relatório revela que mais de 80 por cento das mortes entre recém-nascidos devem-se à prematuridade, complicações durante o parto ou infeções como a pneumonia e septicemia, casos que “podem ser evitados através do acesso a parteiras com formação adequada, juntamente com soluções com eficácia comprovada, como água limpa, desinfetantes, a amamentação durante a primeira hora de vida do bebé, contacto pele-a-pele e uma boa alimentação”.

A UNICEF defende que “o Mundo está a falhar para com os recém-nascidos” e acrescenta que “os bebés que nascem nos países mais desfavorecidos têm uma probabilidade de morrer no primeiro mês de vida 50 vezes maior que os outros bebés”.

Os bebés nascidos no Japão, na Islândia e em Singapura têm as melhores probabilidades de sobrevivência, enquanto que os que nascem no Paquistão, na República Centro-Africana e no Afeganistão estão na posição inversa.

mais informações:

http://www.unicef.pt/Relatorio-Todas-as-vidas-contam/

http://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef_o_mundo_esta_a_falhar_p_c_recem-nascidos_2018_02_20.pdf

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